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2ª Avaliação a Distância de Mecânica, 2022 – 1 Gabarito Q.1.A equação de Kepler. (a) Considere o movimento de uma partícula de massa 𝑚 ≪ 𝑀 sob a ação da força gravitacional (1.1) �⃗� = − 𝐺𝑀𝑚 𝑟 �̂� Mostre que o período 𝜏 da partícula numa órbita elíptica é dado pela terceira lei de Kepler (1.2) 𝜏 = 4𝜋 𝐺𝑀 𝑎 (Ao consultar a Aula 8, faça 𝑘 = 𝐺𝑀 e 𝜇 = 𝑚). Use a equação do momento angular (1.3) 𝑙 = 𝑚𝑟 �̇� 𝑜𝑢 𝑡 = 𝑚 𝑙 𝑟 𝑑𝜙 onde 𝑟 = 𝑟(𝜙) é a equação da órbita (1.4) 1 𝑟 = 𝑎 𝑏 (1 + 𝜀 cos 𝜙) Atenção! Você não precisa substituir a equação (1.4) na equação (1.3) para encontrar o período. Note que quando 𝑡 = 𝜏, 𝜙 = 2𝜋. A área de uma elipse de semieixo maior a e semieixo menor b é 𝜋𝑎𝑏. (b) Considere a figura abaixo e suponha que queremos calcular quanto tempo a partícula leva para sair de 𝜙 = 0 e chegar ao ponto P. Se você substituir a equação (1.4) na equação (1.3), a integração em 𝜙 pode ser feita, porém, resulta numa expressão muito complicada. Kepler obteve uma fórmula tratável para calcular o tempo, substituindo o ângulo 𝜙 pelo ângulo excêntrico 𝜓. A relação entre estes dois ângulos é mostrada na figura. Desde que CN = CF + FN, segue que (1.5) 𝑎 cos 𝜓 = 𝑎𝜀 + 𝑟 cos 𝜙 Para chegar à fórmula de Kepler (i), usando a equação polar para a elipse (1.4) junto com a fórmula 𝑏 = 𝑎 (1 − 𝜀 ), mostre que a equação (1.5) pode ser colocada na forma simétrica (1.6) (1 − 𝜀 cos 𝜓)(1 + 𝜀 cos 𝜙) = 𝑏 𝑎 (ii) Pode-se mostrar que a diferenciação implícita da equação (1.6) em relação a 𝜓 dá (1.7) 𝑑𝜙 𝑑𝜓 = 𝑏 𝑎(1 − 𝜀 cos 𝜓) Agora, Substitua a equação (1.4) na equação (1.3), (1.8) 𝑡 = 𝑚 𝑙 𝑟 𝑑𝜙 = 𝑚𝑏 𝑎 𝑙 𝑑𝜙 (1 + 𝜀 cos 𝜙) faça a mudança de variável de 𝜙 para 𝜓 nesta integral e mostre que 𝑡 = 𝑎𝑏 𝑙 (𝜓 − 𝜀 sen 𝜓) ou seja, 𝑡 = 𝜏 2𝜋 (𝜓 − 𝜀 sen 𝜓) Esta é a equação de Kepler. (c) A partir da equação de Kepler, encontre o tempo que uma partícula numa órbita elíptica leva para percorrer a metade da órbita que está mais próxima do centro de força. (c) O cometa de Halley move-se numa órbita elíptica cuja excentricidade é aproximadamente igual a 1. Qual é a fração do tempo que ele passa na metade da órbita mais próxima do Sol? Solução: Veja Gabarito da 2ª Avaliação a Distância de Mecânica 2021 – 2. Q.2. Uma esfera homogênea atinge uma parede áspera como mostrado na figura. Assumimos que não há deslizamento no ponto de contato P durante a colisão. As velocidades 𝑣 , 𝑣 do centro de massa e a velocidade angular ω imediatamente antes do impacto são dadas. Calcule as velocidades correspondentes �̅� , �̅� e 𝜔 logo após o impacto. Considere a colisão perfeitamente elástica. Dica: Use o teorema do impulso-momento linear e sua versão angular. Solução: Do teorema impulso-momento linear, temos que 𝑚(�̅� − 𝑣 ) = −𝐽 𝑚 �̅� − 𝑣 = −𝐽 Temos também que 𝐼 (𝜔 − 𝜔) = −𝑟𝐽 Outras condições são: (i) colisão elástica: �̅� = −𝑣 (ii) não há deslizamento no ponto de contato P durante a colisão: �̅� + 𝑟𝜔 = 0 Destas equações, encontramos: 2 5 𝑚𝑟 (𝜔 − 𝜔) = 𝑟𝑚 �̅� − 𝑣 → 2 5 𝑟(𝜔 − 𝜔) = �̅� − 𝑣 → 2 5 �̅� + 𝑟𝜔 = − �̅� − 𝑣 Logo, 7 5 �̅� = 𝑣 − 2 5 𝑟𝜔 → �̅� = 5 7 𝑣 − 2 7 𝑟𝜔 e como 𝜔 = − , então, 𝜔 = 2 7 𝜔 − 5 7 𝑣 𝑟 Q.3. Um modelo simplificado de um carro é mostrado na figura abaixo. Consiste em um corpo rígido (peso 𝑊 = 𝑚𝑔, centro de massa em C) e rodas sem massa. Encontre a aceleração máxima do carro em uma superfície horizontal (coeficiente de atrito estático μ), se o motor traciona a) as rodas traseiras (figura a, onde as rodas dianteiras estão rolando livremente), b) as rodas dianteiras (figura b, as rodas traseiras rolam livremente). Solução: Desde que o corpo rígido (o carro) realiza uma translação na direção horizontal, a resultante das forças na direção vertical e os torques em relação ao centro de massa devem ser iguais a zero. Então, 𝑚�̈� = 𝐹 𝑁 + 𝑁 = 𝑚𝑔 𝑁 𝑎 2 − 𝑁 𝑎 2 − 𝐹 ℎ = 0 As duas últimas equações levam a 𝑁 = 𝑚𝑔 2 + ℎ 𝑎 𝐹 𝑁 = 𝑚𝑔 2 − ℎ 𝑎 𝐹 a) No caso de tração traseira, a aceleração máxima ocorrerá quando 𝐹 for máxima 𝐹 á = 𝜇𝑁 Então, 𝐹 á = 𝜇 𝑚𝑔 2 + ℎ 𝑎 𝐹 á → 𝐹 á = 𝑚𝑔 2 𝜇 1 − 𝜇 ℎ 𝑎 Como 𝑚�̈� á = 𝐹 á , a aceleração máxima é �̈� á = 𝑔 2 𝜇 1 − 𝜇 ℎ 𝑎 Note que este resultado não é válido contanto que N2 < 0, quando as rodas dianteiras perderiam o contato com o solo. b) Vamos agora supor que a tração é dianteira. A condição de atrito máximo passa a ser 𝐹 á = 𝜇𝑁 Isto dá para a aceleração máxima �̈� á = 𝑔 2 𝜇 1 + 𝜇 ℎ 𝑎 que, para este modelo, é menor que o valor obtido na parte a). Q.4. Uma partícula de massa m move-se sob a influência da gravidade ao longo de uma hélice, 𝑧 = 𝑘𝜙, 𝜌 = constante, onde k é uma constante e o eixo z aponta verticalmente para cima. (a) Escreva a Lagrangiana da partícula. (b) Calcule o momento conjugado 𝑝 . (c) Calcule o Hamiltoniano em termos das variáveis z e 𝑝 . (d) Derive as equações do movimento de Hamilton do sistema. (e) Resolva as equações do movimento de Hamilton. Solução: Veja Aula 07, problema 7.2. página 195. Q.5. Um cilindro não homogêneo (centro C), com raio R e massa M, tem seu centro de massa G a uma distância a de seu eixo. A densidade de massa é constante ao longo de uma linha reta paralela ao eixo. Seja I o momento de inércia do cilindro em relação à linha reta paralela ao eixo que passa por G e considere o movimento sem deslizamento do cilindro sujeito a um campo gravitacional vertical constante g. O cilindro rola em um plano horizontal fixo, o plano de sua seção circular sendo sempre fixa. (a) Equação de movimento. Para definir a configuração do cilindro, tome como única coordenada generalizada o ângulo θ entre a vertical descendente e a direção CG. Levando em conta a restrição para rolar sem deslizar, escreva a Lagrangiana do sistema. A partir daí, escreva a equação do movimento do cilindro. (b) Seja E a energia total do cilindro. Mostre que a velocidade angular do cilindro é dada por �̇� = ± 2(𝐸 + 𝑀𝑔𝑎 cos 𝜃) 𝐼 + 𝑀(𝑅 + 𝑎 − 2𝑎𝑅 cos 𝜃) (c) Mostre, considerando o sinal de 𝐸 + 𝑀𝑔𝑎 cos 𝜃, que (i) Se 𝐸 < −𝑀𝑔𝑎, nenhum movimento é possível. (ii) Se 𝐸 > 𝑀𝑔𝑎, o cilindro sempre rola na mesma direção. (iii) Se −𝑀𝑔𝑎 < 𝐸 < 𝑀𝑔𝑎, o cilindro move-se oscilando entre dois valores, onde a velocidade se anula e então muda de sinal. Solução: (a) Temos que as coordenadas do centro de massa G são 𝑥 = 𝑋 + 𝑎 sen 𝜃, 𝑦 = 𝑅 − 𝑎 cos 𝜃 Então, �̇� = 𝑋 + 𝑎�̇� cos 𝜃 , �̇� = 𝑎�̇� sen 𝜃 A condição de rolamento sem deslizamento é �̇� = −𝑅�̇� A energia cinética do cilindro é a soma da energia cinética de translação do centro de massa mais a energia cinética de rotação em torno do centro de massa: 𝑇 = 1 2 𝑀(�̇� + �̇� ) + 1 2 𝐼�̇� = 1 2 �̇� 𝐼 + 𝑀(𝑅 + 𝑎 − 2𝑎𝑅 cos 𝜃) A energia potencial é 𝑉 = 𝑀𝑔𝑦 = 𝑀𝑔(𝑅 − 𝑎 cos 𝜃) A Lagrangiana é 𝐿 = 𝑇 − 𝑉: 𝐿 = 1 2 �̇� 𝐼 + 𝑀(𝑅 + 𝑎 − 2𝑎𝑅 cos 𝜃) − 𝑀𝑔(𝑅 − 𝑎 cos 𝜃) Da equação de Euler-Lagrange 𝑑 𝑑𝑡 𝜕𝐿 𝜕�̇� = 𝜕𝐿 𝜕𝜃 , encontramos a equação do movimento �̈�[𝐼 + 𝑀(𝑅 + 𝑎 − 2𝑎𝑅 cos 𝜃)] + 𝑀𝑎𝑅�̇� sen 𝜃 = −𝑀𝑔𝑎 sen 𝜃 (b) A menos de uma constante, a energia total do sistema é 𝐸 = 1 2 �̇� 𝐼 + 𝑀(𝑅 + 𝑎 − 2𝑎𝑅 cos 𝜃) − 𝑀𝑔𝑎 cos 𝜃 Desta última equação, é fácil deduzir a velocidade angularem termos da coordenada 𝜃, �̇� = ± 2(𝐸 + 𝑀𝑔𝑎 cos 𝜃) 𝐼 + 𝑀(𝑅 + 𝑎 − 2𝑎𝑅 cos 𝜃) (c) Considerando o sinal de 𝐸 + 𝑀𝑔𝑎 cos 𝜃, (i) Como −1 ≤ cos 𝜃 ≤ 1, se 𝐸 < −𝑀𝑔𝑎, teremos no resultado do item anterior, a raiz de um número negativo. Logo, concluímos que nenhum movimento é possível. (ii) Como −1 ≤ cos 𝜃 ≤ 1, se 𝐸 > 𝑀𝑔𝑎, o sinal de �̇� não muda e o cilindro sempre rola na mesma direção. (iii) Como −1 ≤ cos 𝜃 ≤ 1, se −𝑀𝑔𝑎 ≤ 𝐸 ≤ 𝑀𝑔𝑎, o cilindro move-se oscilando entre dois valores, onde a velocidade se anula e então muda de sinal.