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<p>ImóveIs</p><p>Prof.ª Martha Luciana Scholze</p><p>elementos do</p><p>RegIstRo de</p><p>Indaial – 2020</p><p>1a Edição</p><p>Impresso por:</p><p>Elaboração:</p><p>Prof.ª Martha Luciana Scholze</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2020</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI</p><p>S368e</p><p>Scholze, Martha Luciana</p><p>Elementos do registro de imóveis. / Martha Luciana Scholze.</p><p>– Indaial: UNIASSELVI, 2020.</p><p>141 p.; il.</p><p>ISBN 978-65-5663-213-1</p><p>ISBN Digital 978-65-5663-209-4</p><p>1. Registros públicos. - Brasil. Centro Universitário Leonardo</p><p>Da Vinci.</p><p>CDD 342.1136</p><p>Caros estudantes! Tudo bem?</p><p>Iniciamos os estudos com o nosso livro de Registros Públicos, que tem, por fina-</p><p>lidade, garantir a publicidade, autenticidade, a segurança e a eficácia dos atos jurídicos.</p><p>Todo seu trabalho é regulamento por leis específicas, as quais são trazidas no decorrer</p><p>do nosso estudo. São, de suma importância, o conhecimento e o funcionamento dos</p><p>registros públicos tanto para questões pessoais como para situações profissionais.</p><p>Na Unidade 1 do nosso livro, estudaremos os registros públicos, suas caracte-</p><p>rísticas, atos desempenhados, princípios e legislação. Posteriormente, entraremos no</p><p>estudo do registro de imóveis, conheceremos os serviços e atos que são executados,</p><p>exclusivamente, por ele. Veremos a legislação que rege o funcionamento do registro</p><p>de imóveis, a Lei nº 6.015/73. O registro de imóveis é o órgão de delegação estatal em</p><p>que são feitos os registros da propriedade dos imóveis. Com isso, entenderemos alguns</p><p>processos para a realização do registro da propriedade de um imóvel no Brasil, e como</p><p>esse processo ainda depende de alguns procedimentos previstos na legislação, que foi</p><p>promulgada em 1973.</p><p>Na Unidade 2, estudaremos os procedimentos de uma forma mais aprofundada.</p><p>Veremos, especificamente, a transcrição, inscrição, matrícula, o registro e a averbação</p><p>do imóvel. Procedimentos esses que devem ter muita atenção do registrador, como a</p><p>conferência de documentos, para que não existam erros ou dúvidas no ato de registrar</p><p>a propriedade do imóvel, seja urbano ou rural.</p><p>Já na Unidade 3, estudaremos a fiscalização do imóvel. Veremos conceitos</p><p>como parcelamento do solo, loteamento urbano, loteamento rural e condomínio edilício.</p><p>Posteriormente, serão estudados a incorporação imobiliária, a regularização fundiária</p><p>e o direito de moradia. Veremos questões interessantes sobre o Estatuto das Cidades.</p><p>Desejamos, a você, estudante, que tenha um ótimo proveito do material</p><p>apresentado, que consiga desenvolver seus estudos de maneira eficaz, e que tenha</p><p>muito sucesso na sua jornada de estudos, e profissional.</p><p>Um grande abraço!</p><p>Prof.ª Martha Luciana Scholze</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>GIO</p><p>Olá, eu sou a Gio!</p><p>No livro didático, você encontrará blocos com informações</p><p>adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento</p><p>acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender</p><p>melhor o que são essas informações adicionais e por que você</p><p>poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações</p><p>durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais</p><p>e outras fontes de conhecimento que complementam o</p><p>assunto estudado em questão.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos</p><p>os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina.</p><p>A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um</p><p>novo visual – com um formato mais prático, que cabe na</p><p>bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada</p><p>também digital, em que você pode acompanhar os recursos</p><p>adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo</p><p>deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura</p><p>interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no</p><p>texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que</p><p>também contribui para diminuir a extração de árvores para</p><p>produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente,</p><p>apresentamos também este livro no formato digital. Portanto,</p><p>acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com</p><p>versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Preparamos também um novo layout. Diante disso, você</p><p>verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses</p><p>ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos</p><p>nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos,</p><p>para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os</p><p>seus estudos com um material atualizado e de qualidade.</p><p>Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um</p><p>dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de</p><p>educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar</p><p>do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem</p><p>avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo</p><p>para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira,</p><p>acessando o QR Code a seguir. 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Iniciamos agora mais uma</p><p>disciplina e com ela um novo conhecimento.</p><p>Com o objetivo de enriquecer seu conheci-</p><p>mento, construímos, além do livro que está em</p><p>suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem,</p><p>por meio dela você terá contato com o vídeo</p><p>da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-</p><p>res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de</p><p>auxiliar seu crescimento.</p><p>Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que</p><p>preparamos para seu estudo.</p><p>Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!</p><p>QR CODE</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE 1 — O REGISTRO IMOBILIÁRIO NO BRASIL .............................................1</p><p>TÓPICO 1 — EVOLUÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL E DO REGISTRO</p><p>IMOBILIÁRIO NO BRASIL .................................................................... 3</p><p>1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ....................................................................................8</p><p>3 FUNCIONAMENTO DO REGISTRO DE IMÓVEIS ................................................ 13</p><p>4 PRINCIPAIS SISTEMAS DE REGISTRO IMOBILIÁRIO ...................................... 15</p><p>5 A LEI Nº 6.015/73 ............................................................................................... 16</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................... 19</p><p>AUTOATIVIDADE ...................................................................................................20</p><p>TÓPICO 2 — REGISTRO TORRENS ........................................................................ 21</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 21</p><p>2 CONCEITO E SUA IMPORTÂNCIA ..................................................................... 21</p><p>3 DEMAIS SISTEMAS REGISTRAIS IMOBILIÁRIOS ............................................ 27</p><p>4 NATUREZA JURÍDICA E A FINALIDADE DO REGISTRO DE IMÓVEIS ..............29</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................... 31</p><p>AUTOATIVIDADE ...................................................................................................32</p><p>TÓPICO 3 — DIREITO REGISTRAL IMOBILIÁRIO ..................................................33</p><p>1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................33</p><p>2 PRINCÍPIOS ........................................................................................................33</p><p>que têm ingresso no Registro de</p><p>Imóveis devem passar por um juízo de legalidade, de forma que,</p><p>mesmo o documento sendo protocolado no Registro de Imóveis para</p><p>ser encaminhado para o Juiz competente, o ingresso passará pela</p><p>avaliação do registrador, que poderá se opor ao pedido por não terem</p><p>26</p><p>sido cumpridos os requisitos legais ou, ainda, por verificar diferenças</p><p>entre os dados apresentados e os encontrados na Serventia. Caso</p><p>tudo isso ocorra, o oficial concederá 30 dias para que o interessado</p><p>regularize os problemas apontados pelo Registrador. A oposição,</p><p>como em qualquer outro título, pode ser questionada pela parte, que</p><p>poderá requerer a suscitação de dúvida.</p><p>Através de Serra e Serra (2018), podemos concluir que o pedido de Registro</p><p>Torrens deve ser formalizado por requerimento instruído com os documentos compro-</p><p>batórios do domínio do requerente com a comprovação de quaisquer atos que limitem</p><p>ou modifiquem a propriedade; memorial contendo os encargos do imóvel, os nomes dos</p><p>ocupantes, confrontantes e quaisquer interessados, indicação das respectivas residên-</p><p>cias, além da planta do imóvel com escala de 1/500 a 1/5.000. Caso, sobre o imóvel,</p><p>existam ônus reais, o credor deles deve anuir no pedido de Registro Torrens.</p><p>Considerando, em ordem, o pedido, o oficial o encaminhará ao Juízo Cível com-</p><p>petente, que se entender que os documentos justificam a propriedade do requerente,</p><p>mandará expedir editais, que serão afixados no lugar de costume e publicados uma vez</p><p>no órgão oficial do Estado e três vezes na imprensa local, se houver.</p><p>O edital deverá ficar afixado pelo prazo de 2 a 4 meses, sendo que</p><p>a pessoa que se julgar com direito sobre o imóvel, no todo ou em</p><p>partes, poderá contestar o pedido no prazo de 15 dias contados do</p><p>final do prazo de afixação do edital. O juiz também ordenará que se</p><p>notifiquem as pessoas interessadas apontadas no requerimento</p><p>e ouvirá o Ministério Público. Se não houver impugnações, o juiz</p><p>ordenará que se proceda à inscrição do imóvel no sistema Torrens.</p><p>Havendo impugnações, o procedimento será o ordinário, cancelando-</p><p>se, mediante mandado, a prenotação, de forma que, caso o pedido</p><p>seja concedido nas vias originárias, será expedido novo mandado que</p><p>será um título novo, devendo receber um novo número de protocolo</p><p>na data do seu ingresso (SERRA; SERRA, 2018, p. 91).</p><p>Percebe-se que o procedimento para a inscrição no sistema Torrens é um</p><p>procedimento administrativo, que deverá correr com o Juiz Corregedor Permanente.</p><p>Caso existam impugnações das pessoas que se sentirem prejudicadas e que atenderam</p><p>à convocação do edital, ou aquelas que foram devidamente notificadas no meio do</p><p>procedimento, este resta encerrado, devendo, as partes, recorrerem às vias ordinárias, ou</p><p>seja, ao processo jurisdicional comum, no qual terão acesso à ampla dilação probatória.</p><p>Ainda, segundo Serra e Serra (2018), o pedido acompanhado dos documentos</p><p>que o instruírem, como todos os títulos que ingressarem na Serventia Imobiliária, deve</p><p>ser protocolado. Todavia, esse caso específico não está sujeito à regra geral do prazo</p><p>de 30 dias para registro em virtude das próprias disposições legais que disciplinam o</p><p>seu procedimento (notificações, expedições de editais, prazos para contestação etc.),</p><p>tornando impossível o cumprimento do prazo, de forma que o protocolo fica em aberto</p><p>até que o juiz determine a inscrição ou o cancelamento do título.</p><p>27</p><p>3 DEMAIS SISTEMAS REGISTRAIS IMOBILIÁRIOS</p><p>Como já vimos anteriormente, atualmente, todos os atos pertinentes aos regis-</p><p>tros imobiliários no Brasil estão disciplinados pela Lei nº 6015/73. Contudo, é preciso enten-</p><p>der os sistemas registrais, para que, ao se fazer um estudo comparado, se consiga entender</p><p>o seu funcionamento no Brasil, seu alcance e seus objetivos. Ainda, para que se consiga</p><p>identificar pontos positivos e negativos no sistema brasileiro e, quem sabe, trazer ideias</p><p>para seu aperfeiçoamento.</p><p>Já vimos, no Tópico 1, os tipos mais comuns de Sistemas Registrais, mas é im-</p><p>portante repassar alguns outros sistemas, fazendo comparativos com sistemas de ou-</p><p>tros países, para melhor entendimento do funcionamento do sistema registral brasileiro.</p><p>Vejamos:</p><p>Sistemas de Inoponibilidade, Sistemas de Registro de Documentos ou Sistema</p><p>Declarativo: o surgimento do direito real não se dá com o registro, mas com o surgimen-</p><p>to do título, sendo que o registro se limita a dar mera publicidade do direito preexistente.</p><p>Além disso, se existirem dois títulos válidos sujeitos ao registro para os fins de validade</p><p>perante terceiros, prevalecerá aquele que foi primeiro registrado.</p><p>Em termos práticos, esses sistemas registrais consistem no arquivamento de</p><p>títulos que servem de prova em eventuais demandas judiciais. Fazem parte do grupo</p><p>o sistema francês, que serve, muitas vezes, como ponto de contraposição ao sistema</p><p>brasileiro e, por isso, vamos ver algumas características. Veja a classificação, segundo</p><p>Serra e Serra (2018):</p><p>Sistema Francês: mecanicamente, consiste no arquivamento de uma cópia do</p><p>documento que caracteriza o direito real apresentado em pastas organizadas por pes-</p><p>soas. Nessas pastas, anexam-se os títulos por ordem cronológica até se chegar a um</p><p>determinado volume em que são encadernados. Os documentos são apresentados em</p><p>duas vias, ficando uma arquivada no registro e, a outra, devolvida à parte, mas apresen-</p><p>tando as indicações do registro e a pasta do arquivamento.</p><p>O sistema francês adota o princípio da publicidade material registral restrita, ou</p><p>seja, as informações constantes no registro imobiliário só poderão ser acessadas pelas</p><p>pessoas que demonstrarem legítimo interesse. No sistema, também, os direitos reais se</p><p>transmitem pelo consentimento das partes legitimamente manifestado, independen-</p><p>temente da inscrição. A inscrição funciona como forma de oponibilidade a terceiros, de</p><p>modo que os títulos não inscritos não prejudicam terceiros que tenham direitos concor-</p><p>rentes sobre o imóvel.</p><p>Sistema de presunção de exatidão ou de fé pública ou sistema de inscrição</p><p>constitutiva relativa: a constituição do direito real se dá pelo registro, motivo pelo qual o</p><p>ingresso no Registro de Imóveis passa por um rígido controle para garantir a eficácia do</p><p>28</p><p>sistema. O que diferencia os sistemas integrantes da classe é o maior ou menor grau de</p><p>presunção. O sistema que melhor se enquadra é o sistema alemão, que veremos algu-</p><p>mas características a seguir.</p><p>Sistema alemão: para o sistema, o contrato é um instrumento produtor de</p><p>obrigações, sem força para transmitir ou constituir o direito real. Ainda, segundo Serra</p><p>e Serra (2018), é um primeiro passo a ser seguido, constituindo uma fase chamada</p><p>obrigacional. Encerrada a fase obrigacional, inicia-se outra, na qual o intuito de transferir</p><p>ou criar o direito real deve ser manifestado diante do Registro Imobiliário. A manifestação</p><p>deve ser clara e definitiva, sem ser sob condição ou termo. A fase é necessária para que</p><p>se desvincule o título que originou o direito real do registro, fazendo com que o sistema</p><p>possua presunção absoluta de veracidade, ou seja, o direito, uma vez levado ao registro,</p><p>é válido.</p><p>Diferentemente do que acontece no sistema registral brasileiro, ocorre uma fase</p><p>intermediária entre o contrato puramente obrigacional e o registro, mas é somente com</p><p>o registro que se opera a transferência do domínio. Dessa forma, só será proprietário</p><p>com o nome registrado no imóvel. Nesse ponto, assemelha-se com o sistema brasileiro,</p><p>pois já diz o ditado: só é dono quem registra.</p><p>Desse modo, no sistema alemão, vale o que está no registro, pois</p><p>o registro diz e o que o registro diz é exato. Com isso, mesmo que,</p><p>posteriormente, se prove ser nula ou anulável aquela transmissão,</p><p>tendo ela ingressado no fólio real, estará convalidada a bem da</p><p>segurança jurídica decorrente do sistema. A característica decorre do</p><p>princípio</p><p>da abstração, que estabelece que os contratos obrigacionais</p><p>ou causais e o contrato real (que autoriza a inscrição) são princípios</p><p>independentes um do outro (SERRA; SERRA, 2018, p. 82).</p><p>Em consequência, para Serra e Serra (2018), qualquer vício existente no</p><p>contrato criador não se estende ao contrato real. O contrato real é abstrato e tem, como</p><p>elemento objetivo, o acordo das partes sobre a modificação jurídica do direito real, não</p><p>fazendo parte o contrato obrigacional. Contudo, apesar de o contrato obrigacional não</p><p>ser mencionado no contrato real, o registrador, para aceitar a inscrição, deve analisar o</p><p>contrato obrigacional, a fim de evitar que qualquer vício existente passe desapercebido</p><p>e se crie um direito real.</p><p>Deve, o registrador, comprovar a legalidade do processo como um todo para que</p><p>se defira o pedido de inscrição. Se houver algum vício no direito obrigacional, este deverá</p><p>ser apontado como impedimento para a prática do ato. Não podemos nos esquecer</p><p>de que, para o sistema alemão, com a inscrição, fica o direito real tendo a presunção</p><p>absoluta de veracidade.</p><p>No registro alemão, também prevalece o princípio da publicidade, mas as infor-</p><p>mações somente são repassadas para aqueles que justiçarem o interesse à informação</p><p>buscada.</p><p>29</p><p>4 NATUREZA JURÍDICA E A FINALIDADE DO REGISTRO</p><p>DE IMÓVEIS</p><p>Ao estudar os Serviços de Registro de Imóveis, é preciso colocá-los em sua</p><p>categoria, ou seja, nos Serviços Notariais e Registrais, e identificar qual a sua natureza</p><p>jurídica, determinante para entender o papel do Registrador Imobiliário diante dos</p><p>serviços exercidos. Quem nos ensina muito bem sobre essa matéria são Serra e Serra</p><p>(2018). Vejamos, a seguir, o que eles apresentam:</p><p>Conforme o Art. 236 da Constituição Federal, “os serviços notariais e de registro</p><p>são exercidos em caráter privado, por delegação do Poder Público” (BRASIL, 1988,</p><p>s.p.). Tal definição é complementada pelo Art. 3º da Lei nº 8.935/94, que regulamentou</p><p>referido dispositivo constitucional e assim define: Notário, ou tabelião e oficial de registro,</p><p>ou registrador são profissionais do direito, dotados de fé pública, a quem é delegado o</p><p>exercício da atividade notarial e de registro.</p><p>Conforme os dispositivos trazidos, ainda de acordo com o autor, destaca-</p><p>se que os Serviços Notariais e de Registros são recebidos pelo particular por meio</p><p>de delegação. Delegar consiste em atribuir atividade própria da administração a um</p><p>ente privado ou público. Assim, as atividades notariais e registrais são públicas por</p><p>excelência, sendo exercidas em caráter privado, por particulares investidos na função</p><p>pública por delegação. Em resumo, podemos afirmar que a natureza da atividade é de</p><p>serviço público, mas sua gestão é particular.</p><p>Então, para Serra e Serra (2018), há a definição de Cartório, Serventia ou Serviço</p><p>Público de Registro de Imóveis como um local público, que presta um serviço público.</p><p>As pessoas fazem o registro dos seus bens imóveis (terrenos, casas, apartamentos,</p><p>vagas de garagens, lojas etc.) e conseguem informações seguras sobre a verdadeira</p><p>situação jurídica.</p><p>O cartório judicial é administrado por um Oficial de Registro de Imóveis que não</p><p>é um funcionário público, apesar de ter ingressado na atividade mediante concurso pú-</p><p>blico. Esse concurso é de provas e títulos, realizado pelo Poder Judiciário, com partici-</p><p>pação da Ordem dos Advogados do Brasil, do Ministério Público, de um notário e de um</p><p>registrador, de forma que nenhuma delegação deve permanecer vaga, sem abertura</p><p>de concurso, por mais de seis meses, ideal que tem sido amplamente perseguido pelo</p><p>Conselho Nacional de Justiça. O Oficial de Registro de Imóveis, então, é considerado a</p><p>luz da lei como titular de uma função pública delegada pelo Estado, ou seja, particular</p><p>em colaboração com a administração, pois trata-se de um serviço público não privativo.</p><p>A remuneração do oficial e tabelião, segundo Serra e Serra (2018), é feita por</p><p>meio do pagamento, pelos usuários, dos emolumentos praticados, cuja regulamentação</p><p>é de competência de cada Estado. A natureza jurídica das custas é discutida pela dou-</p><p>trina, mas, há muito tempo, tem, o Supremo Tribunal Federal, firmado entendimento, no</p><p>sentido de se tratar de taxa, modalidade de tributo.</p><p>30</p><p>Do caráter privado do exercício dessas atividades, extrai-se, ainda,</p><p>que os prepostos (funcionários contratados para auxílio na prestação</p><p>dos serviços) deverão ser contratados diretamente pelo delegado,</p><p>por meio do regime previdenciário comum (INSS) e pelas normas</p><p>contidas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A categoria</p><p>de prepostos é um resquício do sistema que vigorava antes da</p><p>Constituição de 1988, quando não se tinha claro o caráter privado</p><p>do exercício da atividade. Porém, tais funcionários, por não terem</p><p>realizado concurso público, e não sendo funcionários públicos, são</p><p>prepostos com regime previdenciário diferenciado (SERRA; SERRA,</p><p>2018, p. 13-14).</p><p>O Registro de Imóveis, por se tratar de uma Serventia Registral Pública, trata de</p><p>todas as informações registrais referentes aos imóveis, dentro do território brasileiro,</p><p>como públicas. Todas essas informações estão ao alcance de qualquer um, mediante</p><p>pagamento de taxa e emolumentos pertinentes. Com o registro de imóveis, busca-se</p><p>a segurança estática, ou seja, a do titular dos direitos referentes a determinado imóvel,</p><p>sendo atribuição, do tabelião, a tutela da segurança jurídica dinâmica do adquirente.</p><p>De uma maneira mais abstrata, Serra e Serra (2018) ensinam que se pode dizer</p><p>que o registro de imóveis é a instituição competente para a formação e conservação do</p><p>assento de dados relacionados aos direitos reais previstos na legislação pátria, além das</p><p>demais informações, cuja inscrição a lei determina para efeitos da publicidade.</p><p>Assim, podemos ampliar as atribuições do Registro de Imóveis e incluir a orga-</p><p>nização, conservação e o controle do ingresso de atos no fólio real. Tal controle é feito</p><p>por meio da análise da legalidade e da conformação do ato que se almeja inscrever aos</p><p>requisitos e exigências normativas, a chamada qualificação registral.</p><p>Inscrição é a inserção de dados no registro imobiliário. Na nossa</p><p>sistemática atual, é feita por atos de registro, por atos de averbação</p><p>ou pela abertura de novas matrículas. No entanto, tais atos não</p><p>esgotam a competência do Registro de Imóveis, que pratica,</p><p>ainda, uma série de outros atos, como assentamento em livros</p><p>diversos, como a aquisição de imóveis rurais por estrangeiros.</p><p>NOTA</p><p>Fólio real, conforme definem Serra e Serra (2018), é dotado de múl-</p><p>tiplos sentidos, mas podemos nos referir a uma classificação dos sis-</p><p>temas registrais imobiliários existentes no mundo, a todos os dados</p><p>arquivados na serventia ou, simplesmente, designar a matrícula.</p><p>NOTA</p><p>31</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Há uma longa história e implementação do Sistema do Registro Torrens no Brasil,</p><p>desde a sua criação por Torrens até a implementação no nosso país, formato trazido</p><p>por Rui Barbosa.</p><p>• Existem sistemas registrais nos quais se moldou o sistema registral brasileiro.</p><p>• São expostas a finalidade e a natureza jurídica dos Sistemas Registrais.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>32</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O Registros de Imóveis no Brasil gera presunção absoluta ou relativa de veracidade</p><p>dos seus atos? Justifique.</p><p>2 Sobre o Registro Torrens, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) O Registro Torrens pode ser requerido sobre imóveis rurais ou urbanos.</p><p>b) ( ) Não são registradas, no mesmo dia, duas hipotecas constituídas sobre o mesmo</p><p>imóvel, em favor de pessoas diversas, salvo se as escrituras, do mesmo dia,</p><p>indicarem a hora em que foram lavradas.</p><p>c) ( ) O pedido de Registro Torrens pode ser formalizado por qualquer interessado</p><p>no imóvel, sem apresentar os documentos comprobatórios</p><p>do domínio do</p><p>requerente nem ato que comprove quaisquer atos que limitem ou modifiquem a</p><p>propriedade.</p><p>d) ( ) Hoje em dia, são admitidas as alienações e onerações no próprio título do</p><p>Registro Torrens, pois este ainda é o registro vigente para os imóveis urbanos</p><p>e nada há em comum com o sistema comum, no qual tem a exceção de que a</p><p>transmissão dos direitos reais sobre imóveis só se faz com o Registro Torrens.</p><p>3 Quem foi o responsável por trazer o Registro Torrens para o Brasil? Ainda, como o</p><p>Registro Torrens funciona na atualidade?</p><p>4 Existe um limite para aquisição de terras por estrangeiros no município? Justifique.</p><p>5 Qual é a natureza jurídica dos Registros de Imóveis e como é feita a contratação dos</p><p>funcionários?</p><p>33</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>DIREITO REGISTRAL IMOBILIÁRIO</p><p>UNIDADE 1</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>O direito registral imobiliário é um ramo específico do Direito, pois possui normas</p><p>e princípios orientadores próprios, mas, ao mesmo tempo, é de matéria ampla, pois</p><p>requer, do Registrador, conhecimento das mais diversas áreas do Direito, como o Civil,</p><p>Tributário, Comercial, Ambiental, Penal etc. Já vimos que os Registros Públicos, no Brasil,</p><p>são regulados pela Lei nº 6.501/73, e estes têm, como fundamento, a segurança jurídica.</p><p>Neste Tópico 3, estudaremos os princípios informadores dos Registros de</p><p>Imóveis, pois os princípios são a base norteadora do direito registral. Também veremos a</p><p>especificidade dos Atos Registrais e os Livros Próprios do Registro de Imóveis.</p><p>Aproveite a leitura e mergulhe no universo de conhecimentos.</p><p>2 PRINCÍPIOS</p><p>Podemos definir princípio como o momento em que uma coisa tem origem;</p><p>aquilo do qual alguma coisa procede na ordem do conhecimento ou da existência;</p><p>característica determinante de alguma coisa; regras ou código de (boa) conduta pelas</p><p>quais alguém governa a sua vida e as suas ações; lei, doutrina ou acepção fundamental</p><p>em que outras são baseadas. Já para o jurista Miguel Reale (2013, p. 57), temos a</p><p>seguinte definição:</p><p>Princípios são verdades ou juízos fundamentais, que servem de</p><p>alicerce ou de garantia de certeza a um conjunto de juízos, ordenados</p><p>em um sistema de conceitos relativos à dada porção da realidade.</p><p>Às vezes, também se denominam princípios certas proposições que,</p><p>apesar de não serem evidentes ou resultantes de evidências, são</p><p>assumidas como fundantes da validez de um sistema particular de</p><p>conhecimentos, como seus pressupostos necessários.</p><p>Os princípios servem para nortear a aplicação das leis. Conforme Abreu (2013),</p><p>devem informar a finalidade dos serviços registrais, os requisitos dos atos e os efeitos e</p><p>atos atribuídos.</p><p>34</p><p>FIGURA 3 – PRINCÍPIOS DO DIREITO REGISTRAL</p><p>FONTE: <https://bit.ly/3gQ3JkH>. Acesso em: 29 maio 2020.</p><p>Muitas são as nomenclaturas e classificações dos princípios, mas vamos traba-</p><p>lhar de forma sistemática, para que haja um bom entendimento do conteúdo trabalhado</p><p>neste tópico. Podemos dizer que os princípios mais utilizados na doutrina são os des-</p><p>critos a seguir.</p><p>Vejamos, então, a classificação dos princípios referentes ao registro de imóveis,</p><p>conforme ensinam Serra e Serra (2018), trazendo uma classificação dos princípios de</p><p>uma forma mais didática e de fácil entendimento:</p><p>Princípio da Segurança Jurídica: oferecer segurança é um ato que tutela a fina-</p><p>lidade dos serviços notariais e registrais. Tão grande é sua importância, que esse prin-</p><p>cípio vem elencado no primeiro artigo da Lei nº 8.935/94, que dispõe: Serviços notariais</p><p>e de registros são os de organização técnica e administrativa destinados a garantir a</p><p>publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos jurídicos.</p><p>O princípio é comum a todas as categorias de Registro Público e trata-se da</p><p>própria finalidade da atividade registral. É que o sistema registral brasileiro converge em</p><p>torno do mesmo objetivo, ou seja, toda a estrutura criada visa atingir a seguinte meta:</p><p>garantir a segurança nas relações jurídicas e nos atos da vida jurídica. O registro deve</p><p>garantir o que está assentado/inscrito. É importante porque fortalece a economia, uma</p><p>vez que a segurança trazida pelo sistema registral reflete na efetividade das garantias</p><p>reais oferecidas no mercado, ocasionando uma queda nas taxas de juros em virtude</p><p>do grau de recuperação dos valores ofertados com a execução das referidas garantias.</p><p>Princípio da Unitariedade da Matrícula ou da Unicidade da Matrícula: este prin-</p><p>cípio traz que todo imóvel deve possuir uma única matrícula e que cada matrícula deve</p><p>conter um único imóvel. Por esse princípio, é impossível a abertura de matrículas de</p><p>frações ideais, tendo em vista que a fração ideal nada mais é que uma parte do todo,</p><p>de modo que, se fosse matriculada, essa parte do imóvel abrangeria duas matrículas ao</p><p>mesmo tempo, a matrícula da fração ideal e a matrícula do todo.</p><p>35</p><p>Para o registro de imóveis, a expressão imóvel pressupõe uma continuidade</p><p>territorial, de modo que, caso esta seja perdida, passam a existir dois ou mais imóveis</p><p>dentro da matrícula, obrigando o desdobramento. Um exemplo é quando uma estrada</p><p>municipal passa a cortar uma propriedade, separando-a em duas glebas. Nessa situa-</p><p>ção, a estrada passa a pertencer ao poder público, quebrando a continuidade territorial</p><p>do imóvel, de forma a dividi-lo em dois, exigindo-se a abertura de nova matrícula para</p><p>a área que ficou isolada.</p><p>Princípio da Inscrição: é um dos princípios que informa os efeitos dos registros,</p><p>pois orienta a partir de qual momento o direito se torna real, regulando seus efeitos</p><p>antes e depois do ato inscritivo. O Art. 176 e parágrafos da Lei nº 6.015/73 definem os</p><p>requisitos legais e obrigatórios a serem observados e satisfeitos para a efetivação da</p><p>matrícula. O objetivo é cadastrar todos os imóveis do território nacional, cujo controle</p><p>e exatidão das informações darão, ao sistema registral brasileiro, mais autenticidade,</p><p>segurança e eficácia.</p><p>Veremos que a publicidade, que também é um princípio do registro de imóveis,</p><p>somente é atingida mediante inscrição do título no registro de imóveis competente.</p><p>Assim, a constituição, a transmissão e a extinção dos direitos reais sobre imóveis só se</p><p>operam por atos inter vivos, mediante a inscrição no registro imobiliário, sendo que, nos</p><p>casos das transmissões causa mortis e aquisições originárias, apesar de não ser a ins-</p><p>crição necessária para a efetivação, ela é imprescindível para sua publicidade perante</p><p>terceiros e para garantir, aos titulares, a disponibilidade sobre os direitos.</p><p>Princípio da Publicidade: é um dos princípios que informa os efeitos do registro.</p><p>A publicidade registral, no Brasil, decorre da inscrição no registro de imóveis e é obriga-</p><p>tória para todos os atos de competência, de acordo com o Art. 169 da Lei nº 6.015/73.</p><p>Pelo registro, é possível indicar, aos interessados, o lugar certo onde encontrar as in-</p><p>formações necessárias sobre o estado da propriedade imóvel, e qualquer pessoa, in-</p><p>vocando a publicidade do registro, pode pedir as certidões que entender, sem importar</p><p>o motivo ou interesse. O princípio objetiva a proteção dos interesses de terceiros. Nin-</p><p>guém poderá alegar desconhecimento se praticar ato em dissonância com o que está</p><p>registrado na matrícula.</p><p>Um exemplo é que se, na matrícula de determinado imóvel, constar o registro de</p><p>uma penhora, quem comprar não poderá alegar desconhecimento e boa-fé em face do</p><p>credor. Assim, pelo princípio, todos os atos inscritos no registro de imóveis se tornam públi-</p><p>cos, e somente sua inscrição faz com que atinjam a publicidade desejada perante terceiros.</p><p>Princípio da presunção e da fé pública: é o princípio geral a todas as categorias</p><p>de Registros Públicos. A fé pública, para Abreu (2013), inerente ao registro e à presunção</p><p>de domínio, está diretamente ligada à validade do negócio jurídico. Trata-se da carac-</p><p>terística própria ao agente público que exerce a função registral. O Registrador</p><p>possui</p><p>fé pública. Já os atos praticados por este são dotados de autenticidade, ou seja, presu-</p><p>36</p><p>mem-se verdadeiros. É sabido que o título só será registrado se atender aos requisitos</p><p>legais. Presume-se que é perfeitamente válido o negócio jurídico que originou o título</p><p>registrado, conferindo, a seu titular, uma presunção juris tantum de domínio, ou seja,</p><p>presunção relativa que pode ser contestada por terceiros em ação própria, cabendo, ao</p><p>contestante, o ônus da prova. Assim, a fé pública é qualidade atribuída ao agente, e a</p><p>autenticidade é a qualidade do ato praticado.</p><p>Princípio da Segurança Jurídica: trata-se da própria finalidade da atividade</p><p>registral. É que o sistema registral brasileiro, segundo Abreu (2013), concentra-se em</p><p>torno desse mesmo objetivo, ou seja, toda a estrutura criada visa atingir a meta: garantir</p><p>a segurança nas relações jurídicas e nos atos da vida jurídica. O registro deve garantir o</p><p>que nele está assentado/inscrito.</p><p>Legalidade: O princípio da legalidade, segundo Serra e Serra (2018), é um dos</p><p>princípios que informa os requisitos do registro, determinando quais títulos têm ingresso</p><p>na serventia imobiliária e como deve ser o conteúdo desses títulos. O registrador tem</p><p>a obrigação de examinar a legalidade, validade e eficácia dos títulos apresentados,</p><p>obstando aqueles que possuem vícios materiais ou formais. A validade da inscrição</p><p>depende da validade do negócio jurídico e da faculdade de disposição do alienante.</p><p>Para Serra e Serra (2018, p. 149):</p><p>Assim, o princípio da legalidade determina que somente terão</p><p>ingresso no registro de imóveis os direitos reais assim definidos em</p><p>lei, determinando, ainda, que esses títulos passíveis de ingresso no</p><p>fólio real devem ser juridicamente válidos e atender aos requisitos</p><p>legais da registrabilidade.</p><p>O princípio se desdobra em dois aspectos: o primeiro diz respeito à taxatividade</p><p>dos direitos indescritíveis no registro de imóveis. Sob a ótica, o legislador não deixa, a</p><p>critério da parte, decidir quais direitos gostaria de levar a registro, muito pelo contrário,</p><p>a lei deixa bem claro quais são esses direitos, de modo que não pode ingressar, na ser-</p><p>ventia imobiliária, o direito que não está previsto expressamente na lei.</p><p>Já o segundo aspecto do princípio da legalidade, para Serra e Serra (2018),</p><p>refere-se ao controle da legalidade exercido pelo registrador sobre os títulos previstos</p><p>em lei como hábeis para que tenham ingresso na serventia imobiliária. Esse controle</p><p>da legalidade é considerado um poder-dever ao registrador e, como tal, deve ser sua</p><p>origem ou forma.</p><p>Presunção: A presunção de validade e eficácia dos atos jurídicos inscritos no regis-</p><p>tro de imóveis é iuris tantum (registro comum). A exceção é o Registro Torrens, que tem pre-</p><p>sunção de validade e eficácia iuris et de iure, impossibilitando que o registro seja atacado.</p><p>Prioridade: O título que primeiro ingressar no Livro Protocolo terá a prioridade</p><p>e preferência à inscrição. O controle da prioridade, no registro de imóveis, se faz com</p><p>o ingresso do título no livro protocolo, de modo que a ordem de inscrição no referido</p><p>37</p><p>livro produz a prevalência dos direitos sobre o imóvel. Esse princípio, no entanto, não</p><p>determina, de forma absoluta, que o título que ingressou primeiro na Serventia deve ser</p><p>primeiro registrado.</p><p>Podemos exemplificar a situação no seguinte sentido, conforme Serra e Ser-</p><p>ra (2018): nas Serventias, são comuns vários escreventes e que, cada qual, realize os</p><p>serviços conforme a ordem de ingresso. Contudo, pode acontecer de um escrevente</p><p>receber, da distribuição, um serviço extremamente complexo, com muitos detalhes e</p><p>atos a serem observados e praticados, enquanto isso, outro escrevente pode receber</p><p>um serviço de simples execução, que pode ser resolvido de forma rápida. Na situação,</p><p>não seria eficiente pensar que, para atender ao princípio da prioridade, o segundo es-</p><p>crevente teria que esperar o primeiro terminar o serviço, sendo que podem ser precisos</p><p>dias ou meses para nenhum ato, pois não poderia pegar nenhum outro serviço antes do</p><p>colega finalizar. Como não se está tratando do mesmo imóvel, os direitos decorrentes</p><p>do registro do primeiro título em nada afetariam os demais, e vice-versa, de modo que</p><p>o princípio da prioridade não estaria sendo lesado, uma vez que não existiriam direitos</p><p>contraditórios ou ordem de gradação.</p><p>Observa-se que o registrador que pratica o ato de seus “amigos” antes dos atos</p><p>dos demais, se os direitos não forem contraditórios ou se entre eles não existir ordem</p><p>de gradação, não estará ferido o princípio da prioridade, mas o princípio da moralidade</p><p>administrativa, da imparcialidade, e pode até ser tipificado crime de prevaricação.</p><p>Crime de prevaricação: é um crime funcional, praticado por funcioná-</p><p>rio público contra a administração pública. A prevaricação consiste em</p><p>retardar, deixar de praticar ou praticar indevidamente ato de ofício, ou</p><p>praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou</p><p>sentimento pessoal.</p><p>NOTA</p><p>Princípio da Especialidade: É um dos princípios que informa os requisitos do re-</p><p>gistro, pois determina, em um primeiro momento, a necessidade de descrição completa</p><p>do imóvel e do direito, além da qualificação de seus sujeitos, tanto na matrícula quanto</p><p>no título. Ainda, determina a necessidade de coincidência entre os elementos constan-</p><p>tes do título e os existentes na matrícula, para que o primeiro possa ser registrado.</p><p>Esse princípio, segundo Serra e Serra (2018), subdivide-se em três espécies,</p><p>sendo a especialidade objetiva, a especialidade subjetiva e a especialidade do fato</p><p>jurídico inscritível. Vejamos, resumidamente, cada uma delas:</p><p>38</p><p>Especialidade objetiva: foca no objeto do registro, ou seja, no imóvel. Dessa</p><p>forma, exige-se, em um primeiro momento, que o imóvel matriculado possua todos os</p><p>requisitos determinados na lei. Esses requisitos são encontrados no Art. 176, II, 3 da Lei nº</p><p>6.015/73, que assim dispõe: “a identificação do imóvel, que será feita com indicação: a -</p><p>se rural, do código do imóvel, dos dados constantes do CCIR, da denominação e de suas</p><p>características, confrontações, localização e área; b - se urbano, de suas características</p><p>e confrontações, localização, área, logradouro, número e de sua designação cadastral,</p><p>se houver” (BRASIL, 1973, s.p.). Assim, conforme Serra e Serra (2018, p. 153):</p><p>A especialidade objetiva tem o intuito de individualizar os imóveis</p><p>inscritos na Serventia, de forma que qualquer pessoa consiga</p><p>identificá-los, diferenciando-os dos demais, evitando confusões e</p><p>facilitando a localização com precisão na base territorial. É importante</p><p>destacar que a especialidade objetiva se forma com base nos atos</p><p>jurídicos dos quais os direitos sobre o imóvel são decorrentes. Não</p><p>se está livre de ocorrer uma diferença no que se encontra no mundo</p><p>jurídico registrário com o que se encontra no mundo fático. Nessas</p><p>situações, deve-se apurar a origem dessas diferenças e corrigi-</p><p>las para contemplar o princípio da especialidade objetiva. Com a</p><p>apuração de que houve algum erro nos atos registrários, a matrícula</p><p>deve ser retificada. Se for identificada alguma falha na titulação do</p><p>direito, esta também deve ser corrigida.</p><p>A especialidade subjetiva diz respeito às pessoas que, por qualquer motivo,</p><p>aparecem nas relações jurídicas constantes da matrícula. Em relação a estas, o princí-</p><p>pio também determina a sua perfeita identificação, o que se faz por meio da qualificação</p><p>pessoal.</p><p>A qualificação está prevista no Art. 176, II, 4 da Lei nº 6.015/73: “o nome, domicílio</p><p>e nacionalidade do proprietário: a) tratando-se de pessoa física, o estado civil, a profis-</p><p>são, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do Ministério da Fazenda</p><p>ou do Registro Geral da cédula de identidade; b) tratando-se de pessoa jurídica, a sede</p><p>social e</p><p>o número de inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fa-</p><p>zenda” (BRASIL, 1973, s.p.).</p><p>Podemos trazer, como exemplo, um vendedor em uma escritura de venda. Deve</p><p>aparecer na matrícula como sendo o proprietário, para atender ao princípio da conti-</p><p>nuidade. A qualificação desse vendedor deve coincidir com a constante na matrícula</p><p>em que ele figura como proprietário. Caso exista alguma diferença, é preciso corrigir.</p><p>Sempre é necessário fazer a análise dos dados, pois, havendo um erro no título, este</p><p>deve ser retificado.</p><p>Já a terceira espécie é a chamada especialidade do fato jurídico inscritível, que</p><p>se refere ao direito que está sendo publicitado com a inscrição. O Art. 176, III elenca os</p><p>requisitos que devem constar nos registros feitos na matrícula, esclarecendo que o ato</p><p>em si que deve constar, o título da transmissão ou do ônus; a forma do título, sua proce-</p><p>dência; o valor do contrato, da coisa ou da dívida, prazo, condições e juros.</p><p>39</p><p>Princípio da Continuidade: Deve existir uma cadeia de atos e de titularidade de</p><p>direitos, sequencial e ininterrupta, gerando uma coerência jurídica e cronológica dos</p><p>atos inscritos, ou seja, aquele que instituiu os direitos que estão sendo transferidos ou</p><p>que possibilita instituição ou extinção do direito, de acordo com o título que pretende</p><p>inscrição. Segundo Serra e Serra (2018, p. 146):</p><p>É importante manter o controle sobre os direitos reais, fazendo</p><p>cumprir a regra geral de que ninguém pode transmitir mais direitos</p><p>do que possui. Através desse princípio que a matrícula se torna uma</p><p>cadeia de atos consecutivos em que um ato deriva do outro e não</p><p>é aberta uma nova matrícula a cada ato. Entendemos, assim, que a</p><p>sequência não pode ser quebrada, como uma pessoa, para transmitir</p><p>uma propriedade, primeiramente, deve provar que é proprietária, e</p><p>isso se dará na confirmação do registro do título de aquisição.</p><p>Os titulares de direitos na matrícula e suas qualificações devem seguir uma se-</p><p>quência lógica a partir das alterações ou inclusões. Por exemplo, para averbar um divór-</p><p>cio de um dos titulares de direitos na matrícula, primeiramente, deve estar averbado o</p><p>casamento.</p><p>Princípio da Disponibilidade: Já vimos que ninguém pode transferir mais bens</p><p>ou direitos do que efetivamente possui. Basicamente, é o que nos apresenta o princípio</p><p>da disponibilidade, segundo Abreu (2013), pois somente posso disponibilizar os direitos</p><p>conferidos a mim e que estão registrados.</p><p>Princípio da Territorialidade: O registrador imobiliário, para Abreu (2013), só pode</p><p>praticar atos relativos a imóveis da sua circunscrição, que é definida por lei, sob pena de</p><p>nulidade, salvo as exceções previstas.</p><p>Princípio da Cindibilidade: O princípio está relacionado com direitos distintos, ou</p><p>seja, um título pode expressar diversos direitos distintos, desde que envolva as mes-</p><p>mas partes. Esses direitos podem ter ou não uma relação de dependência entre si. Um</p><p>exemplo é a permuta de imóveis. Um título que contém mais de um ato a ser inscrito</p><p>pode ser objeto de inscrição parcial, desde que um não dependa do outro, porém, o</p><p>apresentante deve solicitar expressamente a cisão do título (ex.: formal de partilha que</p><p>contém mais de um imóvel, inventário, no qual existem diversos imóveis). O princípio,</p><p>então, segundo Serra e Serra (2018, p. 158), possibilita que a parte requeira o registro de</p><p>apenas parte dos direitos apresentados no título, desde que exista a possibilidade de</p><p>separação dos referidos direitos.</p><p>É importante destacar que o princípio da cindibilidade não permite</p><p>que se edite um direito único, desfigurando-o. Assim, não é possível</p><p>que se requeira a cindibilidade para evitar o registro de apenas</p><p>algumas cláusulas do negócio, como no caso de uma doação com</p><p>cláusula de inalienabilidade, de reversão ou qualquer outra que</p><p>faça parte da essência da vontade expressa no ato. Podemos ter</p><p>a seguinte situação: devemos sempre pensar se, sem a parte que</p><p>40</p><p>não estaria sendo registrada no momento, o negócio teria ocorrido?</p><p>Sua postergação altera a vontade das partes? Há possibilidade</p><p>de qualquer tipo de prejuízo? Se qualquer dessas perguntas tiver</p><p>resposta afirmativa, não é possível aplicar o princípio da cindibilidade.</p><p>Um exemplo prático é o contrato de compra e venda com mútuo e alienação</p><p>fiduciária em garantia. Perceba que, na situação, temos um vendedor, um comprador, o</p><p>qual também é devedor do mútuo, e um credor do valor emprestado para o comprador.</p><p>Não se pode admitir que a cindibilidade seja usada para permitir apenas o registro da</p><p>compra, sem o registro da garantia real. O contrato instrumentaliza um negócio jurídico</p><p>coligado, em que mais de um negócio jurídico distinto é coligado para formar um só</p><p>todo. No caso, a venda, o mútuo e a garantia real estão unidos.</p><p>Quando é aplicado o princípio da cindibilidade, o registrador deve deixar bem</p><p>claro, no título, que somente parte dos direitos foi registrada, especificando-os, pois a</p><p>regra geral é o registro integral do título, e como estamos tratando de uma exceção, é</p><p>preciso tomar todos os cuidados para que terceiros possam ser induzidos em erro.</p><p>Princípio da Concentração: Nenhum fato ou ato jurídico que diga respeito ao</p><p>imóvel ou às pessoas envolvidas deve ficar de fora do sistema registral, mesmo que</p><p>seja apenas para dar publicidade ao referido fato ou ato jurídico. Podemos dizer que o</p><p>princípio está implícito na lei, em virtude da instituição da matrícula. A ideia da matrícula</p><p>foi concebida como sendo o cadastro do imóvel no qual devem se concentrar todos os</p><p>direitos reais e atos que digam respeito ao imóvel cadastrado. Desse modo, para Serra e</p><p>Serra (2018), pelo próprio conceito da matrícula, verifica-se a expressão do princípio da</p><p>concentração. Ainda há muito o que se buscar para a efetividade do princípio da con-</p><p>centração nas decisões jurisprudenciais. Um exemplo que podemos trazer é no que se</p><p>refere à reafirmação da necessidade da inscrição dos atos de competência do registro</p><p>de imóveis, ora para a constituição, ora para a validade perante terceiros.</p><p>Mais recentemente, o governo promulgou a Lei nº 13.097/2015, que trouxe gran-</p><p>des avanços na efetiva adoção do princípio da concentração. Trazemos, aqui, a situação</p><p>do art. 554 da referida lei, que prevê que não poderão ser opostas situações jurídicas</p><p>não constantes da matrícula no Registro de Imóveis, inclusive para fins de evicção, ao</p><p>terceiro de boa-fé que adquirir ou receber, em garantia, direitos reais sobre o imóvel.</p><p>Segundo Serra e Serra (2018), não deverão ser mais aceitas exceções baseadas</p><p>na publicidade natural do ato, publicidade administrativa, como o tombamento, ou pu-</p><p>blicidade processual, garantindo uma enorme segurança jurídica às partes, estas que</p><p>não precisarão mais se preocupar com a possibilidade de serem surpreendidas com a</p><p>oposição de direitos que não se encontravam na matrícula.</p><p>41</p><p>O que são princípios? Suas fases, distinções e juridicidade</p><p>Os princípios, além de serem a origem, a base de sustentação da norma, também são</p><p>ideias mais genéricas. Podem ser extraídas concepções e intenções para a criação de</p><p>outras normas, ou uma sustentação em caso de lacunas na sua aplicação.</p><p>Princípios são os alicerces da norma, são o seu fundamento em essência, são o refúgio em</p><p>que a norma encontra sustentação para racionalizar a sua legitimação, são a base de onde</p><p>se extrai o norte a ser seguido por um ordenamento, seja em sentido lato, como é possível</p><p>observar princípios constitucionais, no caso do princípio da legalidade, por exemplo, em</p><p>que todos devem obediência à lei (não só os indivíduos, mas também o Estado), seja</p><p>em ramos específicos do direito, como o trabalhista, em que o princípio da proteção do</p><p>trabalhador serve de alicerce para a construção de todos os outros princípios.</p><p>Para o Dicionário Aurélio Eletrônico, princípio significa o primeiro impulso dado a uma</p><p>coisa; origem; o que constitui a matéria; o que</p><p>entra na composição de algo; regras ou</p><p>conhecimentos fundamentais e mais gerais.</p><p>A definição de princípio, para o Dicionário Eletrônico Michaelis, é o momento em que</p><p>uma coisa tem origem; aquilo do qual alguma coisa procede na ordem do conhecimento</p><p>ou da existência; característica determinante de alguma coisa; regras ou código de (boa)</p><p>conduta pelas quais alguém governa a sua vida e as suas ações; lei, doutrina ou acepção</p><p>fundamental em que outras são baseadas.</p><p>Melo (2009) define princípio como mandamento nuclear de um sistema, verdadeiro alicer-</p><p>ce, disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas, compondo o espírito</p><p>e sentido servido de critério para sua exata compreensão e inteligência, exatamente por</p><p>definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo.</p><p>O que se pode extrair, então, desse compêndio inicial? É que os princípios, além de serem</p><p>a origem, a base de sustentação da norma, também são ideias mais genéricas. É possível</p><p>extrair concepções e intenções para a criação de outras normas, ou encontrar a sua</p><p>sustentação em caso de lacunas na sua aplicação. É o que bem se observa no Art. 4º da</p><p>LINDB – Lei de Introdução às Normas de Direito Brasileiro, no Art. 8º, parágrafo único da</p><p>CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, além do Art. 126 do CPC – Código de Processo</p><p>Civil. Todos afirmam que, em caso de omissão de regra, o juiz deve decidir a lide baseado</p><p>em analogia, costumes e princípios gerais de direito.</p><p>Atualmente, o direito encontra-se posto e as regras estão a regular a vida das pessoas em</p><p>sociedade. Assim, os princípios participaram, com esse caráter primário, da formulação</p><p>das leis vigentes, assim como se prestam a auxiliá-las, mesmo após promulgadas e válidas,</p><p>sendo o sustentáculo, no caso de socorro, para a sua aplicação. Além do caráter primário</p><p>e da base na construção normativa, o princípio ainda possui uma característica subsidiária,</p><p>pois ele será chamado a auxiliar na aplicação da norma, no momento em que não forem</p><p>encontrados fundamentos, na própria norma, para o seu emprego de forma autônoma.</p><p>Ainda, caso seja necessária uma visão sistêmica de todo o ordenamento para que se</p><p>alcance o real sentido de aplicação da norma (caso em que uma interpretação literal da lei,</p><p>por exemplo, poderia não trazer o resultado esperado na sua aplicação), sendo desejado</p><p>o auxílio do princípio na composição do fundamento da interpretação.</p><p>IMPORTANTE</p><p>42</p><p>Até se chegar a essa compreensão moderna da aplicabilidade e juridicidade dos princípios,</p><p>foi necessária a transposição de algumas fases, são elas: a jusnaturalista, a positivista e a</p><p>pós-positivista.</p><p>Na jusnaturalista, era entendido que os princípios não possuíam normatividade. Eles</p><p>seriam diretrizes de justiça praticamente sem aplicabilidade. Essa fase caiu em declínio</p><p>com o movimento de codificação do século XIX.</p><p>Já na positivista, os princípios são codificados. Entra, em voga, a doutrina positivista, em</p><p>que prevalecia a legalidade estrita. Na fase, os princípios derivavam das leis, mas não</p><p>teriam força normativa, eles se prestariam ao preenchimento de lacunas e ao auxílio para</p><p>interpretação das leis. O Holocausto e todos os abusos cometidos na 2ª Guerra Mundial</p><p>contribuíram para a derrocada da fase, pois muitas críticas surgiram quando os alemães</p><p>procuraram justificar os seus atos no cumprimento de ordens fundadas em leis válidas.</p><p>Naquele momento, o direito era dissociado da moral e dos valores, consolidado na</p><p>legalidade estritamente formal.</p><p>Surge, então, a fase pós-positivista, aquela em que os princípios passam a ter normati-</p><p>vidade. O direito ainda é positivo, contudo, fica superada a legalidade estrita, ganhando</p><p>espaço o direito de valores, da moral. É a fase em que os princípios são hodiernamente</p><p>conhecidos, sendo eles normas, em que é possível serem extraídos princípios e regras.</p><p>Norma é resultado da interpretação dos textos jurídicos (leis). O aplicador não interpreta</p><p>normas, mas textos, para, deles, extrair a norma. O texto, em decorrência da cultura,</p><p>da época, ou do contexto em que está inserido, pode ter diversas interpretações e,</p><p>consequentemente, dar origem a normas com significados totalmente distintos.</p><p>A regra estabelece ou proíbe algo, é um conceito fechado. Exemplo: a proibição da utilização</p><p>de prova ilícita não é um princípio, é uma regra, já que está ordenando que algo não seja</p><p>feito; a motivação das decisões pelo magistrado também não é um princípio, mas uma regra,</p><p>pois obriga o magistrado a dizer a razão de estar tomando aquela decisão, sob pena de</p><p>nulidade do ato. A regra estabelece a conduta devida, e sua importância não a transforma</p><p>em princípio, um erro comum. A relevância da regra leva a alçá-la ao status de princípio.</p><p>Em suma, o princípio não proíbe nem obriga, ele deixa o sistema aberto,</p><p>objetivando um determinado estado de coisas, sem informar como se chega a esse</p><p>resultado. Deixa margem para que a situação concreta demonstre o que é melhor. Ele</p><p>está em consonância com o ordenamento vigente. Sendo este alterado, seguindo uma</p><p>evolução social, o seu entendimento pode levar a uma nova interpretação do princípio. O</p><p>princípio, como conceito aberto que é, consegue perpetuar a norma.</p><p>Dos Livros Próprios do Registro de Imóveis</p><p>Os livros do Registro de Imóveis são dotados de nomes e números que os identificam.</p><p>Dispõe a Lei dos Registros Públicos, em seu Art.173, que os livros são:</p><p>Livro nº 1 – Protocolo</p><p>Livro nº 2 – Registro Geral</p><p>Livro nº 3 – Registro Auxiliar</p><p>Livro nº 4 – Indicador Real</p><p>Livro nº 5 – Indicador Pessoal</p><p>Um livro manuscrito encadernado era a regra adotada antes da edição da Lei nº 6.015/73.</p><p>A partir de então, faculta-se o uso do livro de folhas soltas e fichas. Assim, atualmente, a</p><p>expressão “livro” é utilizada para indicar a localização, o suporte físico do registro, face o</p><p>desuso dos livros propriamente ditos nos Registros de Imóveis.</p><p>43</p><p>No caso do uso de livros, poderão ser abertos e escriturados, concomitantemente, até</p><p>dez livros de Registro Geral, obedecendo, no caso, sua escrituração ao algarismo final</p><p>da matrícula. Assim, as matrículas de número 1 serão feitas no Livro 2-1, as de final 2</p><p>serão feitas no Livro 2-2, e assim sucessivamente. Já os livros 3,4 4 também podem ser</p><p>desdobrados, a critério do Registrador.</p><p>A Lei nº 6.015/73 prevê a faculdade da adoção do sistema informatizado, mas sua utiliza-</p><p>ção não afasta a obrigatoriedade da existência dos livros em meio físico, por intermédio</p><p>de impressão dos dados computadorizados. Todo o acervo, inclusive o banco de dados</p><p>e programas de informática utilizados, independentemente do sistema de escrituração</p><p>adotado, é parte integrante da respectiva serventia. Vejamos, em síntese, cada um dos</p><p>livros, conforme a lição de Abreu (2013):</p><p>Livro nº 1 - Protocolo: Somente são cadastrados os títulos prenotados, ou seja, uma vez</p><p>recepcionados, entram em uma fila de precedência, de modo que possuem preferência</p><p>para registro com relação a eventuais títulos que sejam recepcionados posteriormente,</p><p>é o chamado princípio da prioridade, contido no Art. 186 da Lei de Registros Públicos</p><p>(6.015/73). A prenotação do título terá validade de 30 (trinta) dias e somente poderá</p><p>ser prorrogada em casos excepcionais. Se decorridos 30 dias do lançamento do título</p><p>no protocolo, o interessado/apresentante, por omissão, não cumprir as exigências</p><p>formuladas, cessarão automaticamente os efeitos da prenotação.</p><p>Pretonação e protocolização são sinônimos: significam o ato de registrar no Livro de</p><p>Protocolo. No protocolo, registra-se a “entrada” do título em Cartório. Cada título recebe</p><p>um número de ordem na sequência rigorosa da apresentação. O número de ordem e sua</p><p>data serão lançados no título.</p><p>Temos, então, os seguintes requisitos da escrituração no Livro Protocolo:</p><p>- número de ordem, que seguirá indefinidamente nos livros da mesma espécie;</p><p>- data da apresentação: mês, dia, ano;</p><p>- nome do apresentante;</p><p>- natureza formal do título;</p><p>- atos que formalizar (atos praticados), resumidamente</p><p>mencionados.</p><p>No livro, devem ser efetuadas, pelo Registrador, as anotações, por exemplo, se houve</p><p>suspensão do prazo para registro, o término do expediente etc.</p><p>Livro nº 2 - Registro Geral: É o principal livro do Registro de Imóveis. Será destinado à</p><p>matrícula dos imóveis e ao registro ou averbação dos atos não atribuídos ao Livro 3.</p><p>Como já vimos, cada imóvel terá matrícula própria, aberta por ocasião do primeiro registro</p><p>a ser feito na vigência da LRP. A matrícula recebe um número que seguirá o imóvel para</p><p>sempre. Na sua margem, registrar-se-ão os atos relativos ao imóvel, como as transferên-</p><p>cias de direitos reais, ônus, averbações etc.</p><p>São requisitos do registro:</p><p>- número do registro (R 1/2/3...) ao lado do número da matrícula;</p><p>- data</p><p>- título da transmissão ou do ônus;</p><p>- nome, domicílio e nacionalidade do transmitente, ou do devedor e do adquirente, ou</p><p>credor, bem como:</p><p>* se pessoa física: estado civil, profissão, CPF, RG ou filiação.</p><p>* se pessoa jurídica: sede social e CNPJ.</p><p>44</p><p>- forma do título (sua procedência e caracterização: se escritura pública, instrumento</p><p>particular);</p><p>- objeto;</p><p>- preço: valor do contrato, da coisa ou da dívida. Prazo, condições e demais especificações,</p><p>inclusive juros, se existirem;</p><p>- número e data do protocolo;</p><p>- assinatura do oficial.</p><p>Livro nº 3 - Registro Auxiliar: O Livro nº 3 será destinado ao registro dos atos que, sendo</p><p>atribuídos ao Registro de Imóveis por disposição legal, não digam respeito diretamente</p><p>a um imóvel matriculado, por exemplo: cédulas de crédito rural, de crédito industrial, de</p><p>crédito à exportação e de crédito comercial; as convenções de condomínio; o penhor</p><p>de máquinas e de aparelhos utilizados na indústria, instalados e em funcionamento,</p><p>com os respectivos pertences ou sem eles; as convenções antenupciais; os títulos que, a</p><p>requerimento do interessado, forem registrados no seu inteiro teor, sem prejuízo do ato</p><p>praticado no Livro nº 2; transcrição integral da escritura de instituição do bem da família,</p><p>sem prejuízo do registro no Livro nº 2; tombamento definitivo do imóvel etc.</p><p>São requisitos do registro:</p><p>- número;</p><p>- data;</p><p>- título;</p><p>- contratantes;</p><p>- forma do título;</p><p>- condições;</p><p>- número e data do protocolo;</p><p>- assinatura do oficial.</p><p>Livro nº 4 - Indicador Real: Será o repositório das indicações de todos os imóveis que fi-</p><p>gurarem no Livro nº 2, contendo a identificação e o número da matrícula. Os imóveis são</p><p>catalogados por sua localização, em ordem alfabética, para facilitar as buscas e certidões.</p><p>Se não for utilizado o sistema de fichas, o Livro 4 conterá, ainda, o número de ordem, que</p><p>seguirá indefinidamente nos livros da espécie. Adotado o sistema de fichas, os oficiais de-</p><p>verão ter, para auxiliar na consulta, um livro-índice ou fichas organizadas por ruas, quando</p><p>forem imóveis urbanos, e pelos nomes e situações, quando rurais.</p><p>Livro nº 5 - Indicador Pessoal: Dividido alfabeticamente, será o repositório dos nomes</p><p>de todas as pessoas que, individual ou coletivamente, ativa ou passivamente, direta ou</p><p>indiretamente, inclusive os cônjuges, figurarem nos demais livros, fazendo</p><p>referências aos respectivos números de ordem.</p><p>Se não for utilizado o sistema de fichas, o livro conterá, ainda, o número</p><p>de ordem de cada letra do alfabeto, que seguirá indefinidamente nos</p><p>livros da mesma espécie.</p><p>45</p><p>46</p><p>47</p><p>48</p><p>49</p><p>50</p><p>Dos Atos Registrais</p><p>É importante, para a boa técnica registral, saber distinguir e diferenciar as espécies de atos</p><p>registrais, pois cada uma possui conceito e finalidade próprios. Antes da Lei nº 6.015/73,</p><p>transcrição era o nome do registro que transmitia a propriedade ou procedia a divisão</p><p>do imóvel. Já inscrição era o nome do registro que não transferia a propriedade, mas que</p><p>instituía direitos e ônus reais.</p><p>Tais nomenclaturas foram criadas em 1864, que, posteriormente, foram substituídas por</p><p>alguns decretos. O Código Civil de 1916 manteve o sistema da transcrição e da inscrição,</p><p>o que permaneceu até a Lei nº 6.015/73.</p><p>De forma resumida, pode-se dizer que a Lei nº 6.015/73 passou a denominar, como regis-</p><p>tro, os atos registrais antes designados como transcrição e inscrição. A grande novidade</p><p>da LRP, no entanto, foi a criação da matrícula que implicou reformulação total do sistema</p><p>registral brasileiro.</p><p>Anteriormente, os imóveis eram transcritos a cada alienação, recebendo, a cada momen-</p><p>to, números de transcrições diversos, gerando dispersão das informações cadastrais dos</p><p>imóveis.</p><p>Hoje, cada imóvel possui matrícula própria, aberta na ocasião do primeiro registro efetua-</p><p>do na vigência da Lei nº 6.015/73. O número que a matrícula recebe seguirá o imóvel para</p><p>sempre, o que fez aumentar a confiabilidade no sistema e, por consequência, a segurança</p><p>jurídica nas relações imobiliárias.</p><p>Vamos relembrar o que é uma matrícula.</p><p>A matrícula é um documento físico, público, que consiste em uma ficha de individualização</p><p>ou especialização, contendo a descrição perfeita de um imóvel. É a base física dos assen-</p><p>tamentos registrais, com a descrição do imóvel e a enunciação da titularidade.</p><p>Na matrícula do imóvel, são lançados/registrados/adicionados/escritos os registros e</p><p>averbações, demostrando a real situação jurídica do imóvel, sendo a base física dos as-</p><p>sentamentos registrais. Cada matrícula tem um número de ordem para identificação. O</p><p>número é exclusivo daquela matrícula. Através da matrícula, identificamos toda a cadeia</p><p>de proprietários que o imóvel possuiu. Assim, os atos de averbação e registro são lança-</p><p>dos na matrícula do imóvel.</p><p>51</p><p>Assim, são praticados os seguintes atos registrais:</p><p>a) Matrícula (M.): é o lançamento que procede ao cadastramento do imóvel e sua</p><p>especialização.</p><p>b) Registro (R.): é o lançamento dos atos da constituição da propriedade e demais di-</p><p>reitos reais (alienações e onerações), de acordo com o rol taxativo do Art. 167, I, da</p><p>Lei nº 6.015/73. Compreende os atos que anteriormente eram inscritos e transcritos.</p><p>Exemplos: compra e venda, doação, usufruto, hipoteca, penhora, sequestro, arresto,</p><p>partilha em inventário, divórcio etc.</p><p>c) Averbação (Av.): é o lançamento dos atos acessórios ao registro. Possui rol meramente</p><p>enumerativo na Lei nº 6.015/73, Art. 167, II. Exemplo: construção, demolição, óbito,</p><p>casamento, alteração do nome do logradouro etc.</p><p>FONTE:https://jus.com.br/artigos/45194/o-que-sao-principios-suas-fases-distincoes-e-</p><p>juridicidade. Acesso em: 29 maio 2020.</p><p>52</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Há princípios que regem o Registro de Imóveis, lembrando que são as fontes nortea-</p><p>doras do Direito.</p><p>• Os princípios podem nortear as situações no Registro de Imóveis.</p><p>• Os livros norteiam a atividade registral.</p><p>• Existe a matrícula, além dos atos registrais.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>53</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O Livro Protocolo pode ser substituído por fichas? Justifique.</p><p>2 De acordo com a LRP, o prazo de validade da prenotação, nos Registros de Imóveis,</p><p>é de:</p><p>a) ( ) 30 dias, prorrogáveis a pedido da parte.</p><p>b) ( ) 30 dias, prorrogáveis a critério do registrador.</p><p>c) ( ) 15 dias, improrrogáveis.</p><p>d) ( ) 30 dias, prorrogáveis em caso de suscitação de dúvida.</p><p>3 No Livro 3 do Registro de Imóveis, faz-se o registro:</p><p>a) ( ) Dos atos que não digam respeito diretamente ao imóvel matriculado, como as</p><p>cédulas de crédito rural.</p><p>b) ( ) Das sentenças declaratórias de usucapião.</p><p>c) ( ) Das citações de ações reais ou pessoais reipersecutórias relativas à propriedade</p><p>de imóveis.</p><p>d) ( ) Da enfiteuse.</p><p>3 Até quantos livros podem ser abertos e escriturados concomitantemente, no que diz</p><p>respeito aos livros de “Registro Geral”? Justifique.</p><p>4 Pode existir mais de um indicador real para o mesmo imóvel? Justifique.</p><p>54</p><p>55</p><p>PROCEDIMENTOS NOS</p><p>REGISTROS DE IMÓVEIS</p><p>UNIDADE 2 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• entender os conceitos específicos dos procedimentos realizados no registro de</p><p>imóveis;</p><p>• identificar os</p><p>atos e fatos dos sujeitos do registro de imóveis;</p><p>• analisar questões relativas do georreferenciamento;</p><p>• compreender os sistemas de fólio real e fólio pessoal.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de</p><p>reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – TRANSCRIÇÃO, INSCRIÇÃO, MATRÍCULA, REGISTRO E AVERBAÇÃO</p><p>TÓPICO 2 – DIREITOS, ATOS E FATOS SUJEITOS AO REGISTRO IMOBILIÁRIO</p><p>TÓPICO 3 – RETIFICAÇÃO E GEORREFERENCIAMENTO</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>56</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 2!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>57</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>TRANSCRIÇÃO, INSCRIÇÃO, MATRÍCULA,</p><p>REGISTRO E AVERBAÇÃO</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Olá, estudante, tudo bem? Vamos dar início ao estudo de questões bem par-</p><p>ticulares do procedimento do registro, principalmente no que diz respeito ao registro</p><p>de imóveis.</p><p>Vamos tratar, neste tópico, da transcrição, inscrição, matrícula, registro e da</p><p>averbação. Esses procedimentos são básicos do registro de imóveis, nos quais o regis-</p><p>trador deve seguir toda uma formalidade para a realização do ato. Estudaremos, tam-</p><p>bém, o sistema de fólio real e o sistema de fólio pessoal, este que está diretamente</p><p>relacionado com a transcrição.</p><p>Boa leitura e bons estudos!</p><p>2 TRANSCRIÇÃO</p><p>A transcrição de imóvel, no cartório de registro de imóveis, deu-se através do</p><p>Decreto nº 4.857/1939. O registro se baseava em transcrever as transmissões no livro</p><p>de transcrição, sendo que o modelo de registro evidenciava os dados pessoais dos pro-</p><p>prietários, já o imóvel em si era apenas o objeto daquele registro e, por esse motivo, as</p><p>transcrições apresentavam descrição precária referente ao imóvel. Não existia a con-</p><p>centração de todos os atos sobre um determinado imóvel em um só livro, pelo contrário,</p><p>os atos eram organizados pelo tipo e eram inscritos por ordem cronológica de ingresso</p><p>na Serventia. Assim, existia um livro específico para os atos de transmissões, que era o</p><p>Livro nº 3, de transcrição das transmissões. Esse livro era escriturado em uma sequên-</p><p>cia em que cada transmissão gerava uma nova transcrição com número próprio.</p><p>Um fato importante nos registros de transcrições é que quando um imóvel</p><p>sofria uma alteração de proprietários, um novo número de transcrição era gerado,</p><p>sendo o número de transcrição anterior finalizado.</p><p>Na mesma página do livro, era possível encontrar A vendendo para B o imóvel X,</p><p>sendo que o próximo ato seria C vendendo para D o imóvel Y. Assim, os atos não tinham</p><p>ligação entre si. O imóvel X era adquirido no Livro nº 3 e sua transmissão ocorria no Livro</p><p>nº 3-R, existindo, entre os dois atos, inúmeros outros que não tinham, com o referido</p><p>imóvel, nenhuma relação.</p><p>58</p><p>Em virtude dessas situações, quando se fala em fólio pessoal, como veremos</p><p>mais adiante em nosso material, fala-se do regime de transcrições. O sistema não era</p><p>organizado exatamente pelo nome, mas pela sequência dos atos, com isso, dava-se</p><p>mais importância às pessoas que figuravam no registro, sendo que era por meio das</p><p>pessoas que seguíamos o que acontecia no imóvel.</p><p>Não havia rigor nas descrições dos imóveis, podendo ser descrito de uma forma</p><p>na aquisição, e de outra na alienação. Acontecia, por exemplo, alienar frações ideais de</p><p>imóveis que constavam como se fossem independentes do todo, ainda que fosse o caso</p><p>do condomínio, no qual o adquirente se tornava dono de porcentagem que não consti-</p><p>tuía área certa e determinada. Existia a possibilidade de, em uma única transcrição, pro-</p><p>ceder com a transferência de mais de um imóvel. Para isso, bastava que se vinculasse</p><p>ao mesmo adquirente, podendo haver diversos transmitentes.</p><p>As descrições eram bem precárias, sendo comuns expressões como “mais ou</p><p>menos”, para elucidar o tamanho de um imóvel, visto que as áreas não eram elementos</p><p>essenciais, sendo consideradas meramente enunciativas. As medidas perimetrais e as</p><p>confrontações também, na maioria das vezes, não se mostravam precisas, sendo muito</p><p>encontrada a expressão “com quem de direito” para designar confrontantes, além da</p><p>indicação de confrontantes que nunca foram titulares de direitos reais sobre os imóveis</p><p>vizinhos, sendo meros posseiros, detentores, permissionários etc.</p><p>3 INSCRIÇÃO</p><p>O princípio da inscrição é um dos princípios que informa os efeitos do registro,</p><p>pois orienta, a partir de qual momento, o direito se torna real, regulando seus efeitos</p><p>antes e após o ato inscritivo.</p><p>Antes da Lei nº 6.015/1973, um mesmo imóvel poderia ter inscrições e trans-</p><p>crições em mais de um livro, dependendo dos atos praticados, pois a escrituração era</p><p>feita por tipo de ato, existindo, assim, os seguintes livros: Livro n. 2 – eram inscritas as</p><p>garantias hipotecárias; Livro n. 3 – destinado às transcrições das transmissões; Livro n.</p><p>4 – se faziam registros diversos, como penhoras, anticrese, promessa de compra e ven-</p><p>da; Livro n. 5 – destinado à inscrição das emissões de debêntures; Livro n. 6 – indicador</p><p>real, no qual eram apontados os imóveis que constavam dos outros livros existentes na</p><p>Serventia.; Livro n. 7 – indicador pessoal, destinado à indicação de todas as pessoas que</p><p>comparecessem a qualquer título em qualquer dos outros livros da Serventia; Livro n.</p><p>8 – registro especial, destinado ao registro dos loteamentos e incorporações, além de</p><p>promessas de compra e venda de lotes ou unidades autônomas; Livro n. 9 – registro de</p><p>cédulas de crédito rural; Livro n. 10 – registro de cédulas de crédito industrial.</p><p>59</p><p>A diferenciação dos atos que iriam ser praticados era em consideração ao ato</p><p>a ser praticado. Quando se tratava de uma transmissão, o ato deveria ser transcrito;</p><p>quando se tratava da instituição do ônus real, deveria ser inscrito. Já com a Lei nº</p><p>6.015/1973, iniciou-se, no Brasil, o sistema de fólio real, que se configura pela criação de</p><p>um sistema registrário que tem, na sua organização, foco no imóvel. Dessa forma, todos</p><p>os atos praticados sobre o imóvel se encontram, no sistema atual, em um único lugar,</p><p>ou seja, no livro. Assim, foram criadas as matrículas, em que o imóvel é individualizado e</p><p>caracterizado, de modo a tirar qualquer dúvida em relação a outro. São feitos os registros</p><p>que diz respeito ao bem.</p><p>A legislação deixou de lado os termos transcrição e inscrição, tendo estes sido</p><p>abrangidos de forma genérica pelo conceito de registro. O termo averbação já existia na</p><p>legislação e continua existindo com o mesmo significado: designar alteração procedida</p><p>sobre registros ou matrículas. Pode ser que, em alguns casos, se encontre a palavra</p><p>registro em sentido amplo, significando ato praticado dentro do sistema registral. Nesse</p><p>sentido, então, a expressão engloba tanto os atos de averbação quanto os de abertura</p><p>de matrícula.</p><p>4 MATRÍCULA</p><p>A matrícula é o cadastro do imóvel, a partir do qual os acontecimentos que</p><p>influam em algum direito real sobre o referido imóvel devem ser ali assentados em</p><p>uma sequência de atos encadeados. Não se pode confundir a matrícula com o registro</p><p>ou a averbação, que são os atos sobre ela lançados, visando exprimir a constituição,</p><p>transmissão, alteração ou extinção dos direitos reais referentes ao imóvel cadastrado</p><p>na matrícula.</p><p>Por ser o ato cadastral, segundo Serra e Serra (2018), o ato a partir do qual</p><p>todos os demais atos são assentados, a abertura da matrícula é requisito para a prática</p><p>do registro na vigência da legislação atual. Todo imóvel objeto de título a ser registrado</p><p>deve estar matriculado no Livro nº 2 - Registro Geral. Ainda, O Livro nº 2 - Registro Geral</p><p>é destinado à matrícula dos imóveis e ao registro ou averbação.</p><p>Então, de acordo com a legislação vigente, para praticar um ato de registro,</p><p>é necessário que, primeiramente, seja feita a abertura da matrícula do imóvel. Assim,</p><p>podemos nos questionar: qual é o</p><p>momento para a abertura da matrícula? A legislação</p><p>prevê uma mudança imediata entre os sistemas, encerrando os antigos livros de</p><p>transcrição e abrindo matrículas imediatamente para todos os imóveis? A matrícula é</p><p>efetuada por ocasião do primeiro registro a ser lançado na vigência da lei, mediante os</p><p>elementos constantes do título apresentado e do registro anterior.</p><p>60</p><p>Alguns estudiosos entendem que a expressão registro foi mencionada no dis-</p><p>positivo tratado em seu sentido amplo, ou seja, querendo designar ato registrário de</p><p>uma forma geral, motivo pelo qual as averbações também ensejariam a abertura de ma-</p><p>trícula, apesar de o Art. 169 (BRASIL, 1988) determinar que elas fossem feitas à margem</p><p>do registro, mesmo quando o imóvel tivesse passado a pertencer a outra circunscrição.</p><p>É possível definir a matrícula como o documento que individualiza o imóvel,</p><p>podendo fazer uma comparação com uma certidão de nascimento, pois ela traz as in-</p><p>formações essenciais para identificação jurídica, como localização, qualificação dos</p><p>proprietários (se pessoa física ou jurídica), alterações ocorridas, transações de compra</p><p>e venda (registro), inventários, doações, hipotecas/alienações fiduciárias, desmembra-</p><p>mentos, desapropriações, ações judiciais, usufruto, e outras informações. É, na ma-</p><p>trícula, que está o histórico de todas as ocorrências relativas à casa ou apartamento,</p><p>inclusive, o histórico de escrituras que o imóvel já sofreu por mudanças de proprietário.</p><p>A matrícula deve se referir apenas a um imóvel e deve receber um número único</p><p>na serventia. Dessa forma, segundo Serra e Serra (2018), é necessário ter um controle</p><p>muito estrito da numeração, a fim de evitar duplicidade de número. Caso ocorra tal</p><p>equívoco, não é possível admitir a inserção de letras para diferenciar uma matrícula da</p><p>outra, mas encerrar ambas as áreas, mediante autorização do corregedor permanente,</p><p>descerrando novas matrículas, com numeração diferente e na sequência correta.</p><p>FIGURA 1 – MATRÍCULA</p><p>FONTE: O autor</p><p>61</p><p>Em 31 de dezembro de 1975, entrou, em vigor, a regulamentação para a utili-</p><p>zação do livro de matrículas no cartório de registro de imóveis, a Lei dos Registros Pú-</p><p>blicos. A lei alterou algumas práticas cartorárias, inclusive no que diz respeito à esfera</p><p>do cartório do registro de imóveis. A mudança na lei não excluiu a validade do sistema</p><p>anterior, nem mudou a situação dos imóveis registrados no livro de transcrição. Assim,</p><p>os imóveis que foram registrados no livro de transcrição e que não passaram por atuali-</p><p>zações, inclusive, atualização do registro de imóvel no livro de matrículas, permanecem</p><p>registrados no livro de transcrições.</p><p>A matrícula do imóvel apresenta a correta localização, descrição e benfeitorias.</p><p>Na sequência, aparecem as informações a respeito das transmissões e atuais proprie-</p><p>tários, averbações e outras anotações.</p><p>Vimos, em nossos estudos, que a matrícula de imóvel é a base física dos assentamentos</p><p>registrais, com a descrição do imóvel e a enunciação da titularidade. Trata-se de uma ficha</p><p>de individualização ou especialização, contendo a descrição perfeita de um imóvel.</p><p>Na matrícula do imóvel, são registrados os registros e averbações, demostrando a real</p><p>situação jurídica, a base física dos assentamentos registrais. Cada matrícula tem um</p><p>número de ordem para pronta identificação, exclusivo. É, através da matrícula, que</p><p>identificamos toda a cadeia de proprietários que o imóvel já possuiu. Além disso, é</p><p>importante lembrarmos que:</p><p>• As matrículas têm validade apenas por 30 dias em todo o território nacional.</p><p>• As matrículas não são gratuitas e deveremos solicitá-las e arcar com</p><p>suas despesas de expedição.</p><p>• As matrículas serão sempre públicas e sua solicitação pode ser</p><p>realizada por qualquer pessoa.</p><p>• Cada registro de imóveis cria uma identidade visual para a matrícula.</p><p>Assim, as matrículas expedidas por registros de imóveis diferentes têm</p><p>pequenos detalhes diferentes, como molduras ao redor das descrições,</p><p>desenhos, descrições mais completas, brasões da república, nome do</p><p>Oficial Registrador da Serventia Registral e outros enfeites.</p><p>• Todas as matrículas possuem uma numeração única e crescente, as-</p><p>sim como a descrição do imóvel.</p><p>ATENÇÃO</p><p>A matrícula-mãe engloba um empreendimento em seu todo</p><p>(matrícula originária do terreno antes das incorporações de</p><p>condomínio e loteamentos). Ela é chamada assim porque traz</p><p>a situação do todo do imóvel, ou seja, antes da abertura das</p><p>matrículas das frações ideais destinadas às unidades futuras</p><p>ou aos respectivos lotes.</p><p>NOTA</p><p>62</p><p>Após a conferência do título apresentado (escritura de compra e venda do</p><p>bem) pelo corretor de imóveis ao Oficial Registrador, estando o Registrador de Imóveis</p><p>de acordo (não apresentando impugnações), são lançadas, na matrícula do imóvel, as</p><p>informações constantes da escritura pública de compra e venda, como nome dos novos</p><p>proprietários do bem, valor pago pelo bem, valor pago de ITBI, concluindo-se, assim,</p><p>perfeitamente, o negócio jurídico.</p><p>5 REGISTRO E AVERBAÇÃO</p><p>É importante sempre lembrarmos que a matrícula é o cadastro do imóvel na</p><p>serventia registral imobiliária. Devem ser assentados todos os atos previstos em lei que</p><p>digam respeito ao imóvel ou às partes que, por qualquer motivo, figurem direitos. Esses</p><p>atos devem ser praticados na matrícula, na legislação atual, e devem, necessariamente,</p><p>tomar a forma de registro ou averbação.</p><p>O Art. 232 da Lei nº 6.015/1973 relata que cada lançamento de registro será</p><p>precedido pela letra R e, o da averbação, pelas letras AV, seguindo-se o número de</p><p>ordem de lançamento e o da matrícula, como R-1-1, AV-3-1 etc.</p><p>A expressão registro, na legislação, por vezes, é utilizada de forma geral, queren-</p><p>do designar ato que tem ingresso no registro de imóveis, caso em que também abrange</p><p>as averbações. O mesmo ocorre com a expressão inscrição. Todavia, em seu sentido</p><p>estrito, pode-se dizer que o registro é o ato praticado para constituição ou transmissão</p><p>do Direito Real em si, enquanto as averbações são atos anexos praticados para alterar</p><p>as condições do Registro ou extinguir seus efeitos. De forma sucinta, pode-se dizer que</p><p>a Lei nº 6.015/1973 passou a denominar registro os atos registrais antes designados</p><p>como transcrição e inscrição. A maior inovação da lei de registros públicos, no entanto,</p><p>foi a criação da matrícula, gerando a reformulação total do sistema registral brasileiro.</p><p>É sabido que cada imóvel possui matrícula própria, aberta na ocasião do pri-</p><p>meiro registro efetuado. O número que a matrícula recebe segue o imóvel para sempre,</p><p>o que faz aumentar a confiabilidade no sistema e, por consequência, a segurança ju-</p><p>rídica nas relações imobiliárias. Veremos algumas situações de descrição para os atos</p><p>de registros.</p><p>O item 16, inciso II, do Art. 167 da Lei nº 6.015/1973, que traz a determinação do</p><p>ato de averbação para inscrição dos contratos de locação para exercício do direito, de</p><p>preferência em contraposição ao item 3, inciso I, do mesmo artigo, determina o registro</p><p>dos mesmos contratos para o direito de vigência quando da alienação do imóvel. É im-</p><p>portante perceber que não é o contrato de locação que encontra inscrição no registro</p><p>de imóveis, mas a cláusula de vigência ou a cláusula de preferência.</p><p>63</p><p>Podemos conceituar a cláusula de vigência sendo aquela que determina que,</p><p>no caso de alienação do imóvel, durante o período de locação, o novo proprietário é</p><p>obrigado a respeitar o restante do período contratual de locação, mesmo esta não tendo</p><p>sido firmada diretamente, mas com o antigo proprietário.</p><p>É preciso registro na serventia imobiliária para que haja validade perante ter-</p><p>ceiros. Isso se dá, tendo em vista que o contrato de locação é um contrato meramente</p><p>obrigacional e, como tal, tem validade apenas entre as partes signatárias. Assim, para</p><p>que uma cláusula atinja terceiros, é imprescindível que ela se revista da</p><p>publicidade</p><p>registrária. Desse modo, terceiros interessados na aquisição do imóvel têm notícia da</p><p>restrição pendente sobre ele antes de realizar o negócio e, assim, podem ponderar a</p><p>viabilidade da aquisição, segundo seu interesse.</p><p>Já a cláusula de preferência é a que determina que, no caso de alienação da</p><p>coisa locada, o locatário tem direito a adquirir, prioritariamente, a coisa, se oferecer o</p><p>mesmo valor e condições oferecidas por terceiros. Seu ingresso no registro de imóveis</p><p>se dá mediante ato de averbação, pois a preferência mais se assemelha a uma condição</p><p>que tem que ser respeitada em caso de alienação do bem.</p><p>Outra situação que exige análise detalhada dos atos, segundo Serra e Serra</p><p>(2018), diz respeito ao item 3, inciso II, Art. 167 da Lei nº 6.015/1973, que, apesar de es-</p><p>pecificar a constituição de um direito real (compromisso de compra e venda), determina</p><p>que o ato se dá por meio de uma averbação.</p><p>Em separações, divórcios, declarações de nulidade ou anulação do casamento,</p><p>segundo Serra e Serra (2018), devemos analisar se está ou não ocorrendo a partilha dos</p><p>bens. Caso não esteja ocorrendo, a serventia deve apenas averbar, nas matrículas dos</p><p>imóveis pertencentes a qualquer uma das partes, a mudança do estado civil.</p><p>Há, ainda, outras situações que podem ser consideradas nos atos de registro e</p><p>averbação, mas trataremos apenas dessas questões, por sua relevância e usabilidade.</p><p>Contudo, caso tenha curiosidade e interesse no assunto, não deixe de aprofundar seu</p><p>conhecimento.</p><p>Assim, a averbação é o ato que escritura/anota as alterações, acréscimos e ex-</p><p>tinções do ato de registro, referentes ao imóvel ou às pessoas que constam na matrícula</p><p>do imóvel.</p><p>O ato de averbar é a necessidade de constar, na matrícula do imóvel ou registro,</p><p>a ocorrência de todos atos que modifiquem o imóvel. As inclusões acabam alterando</p><p>o registro e a própria matrícula. A averbação ainda é feita em casos como: inclusão de</p><p>habite-se, mudanças/ajustes de nome, modificações de estado civil decorrentes de ca-</p><p>samento ou divórcio, alterações viárias etc. Também informam situações formais sobre</p><p>os eventuais cancelamentos de hipoteca, penhoras, arresto etc., e são realizadas nas</p><p>matrículas dos imóveis.</p><p>64</p><p>6 COMO REQUERER?</p><p>Para requerer uma averbação no registro de imóveis, é necessário, apenas,</p><p>apresentar um requerimento simples, pelo próprio interessado. A seguir, há alguns</p><p>outros exemplos de averbações:</p><p>• Convenção antenupcial e regime de bens diversos, além do direito real de qualquer</p><p>um dos cônjuges, inclusive os bens adquiridos após o matrimônio.</p><p>• Convenção de condomínio.</p><p>• Caução e cessão fiduciária relativas ao imóvel.</p><p>• A averbação tem o objetivo de garantir a publicidade da alteração do registro, garan-</p><p>tindo eficácia e segurança jurídica.</p><p>• Mudança de nome da rua, numeração de casa/prédio, edificação, reconstrução,</p><p>demolição, desmembramento e loteamento do imóvel.</p><p>• Cláusula de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade imposta ao imóvel.</p><p>• Cédulas hipotecárias e rurais.</p><p>• Sentença de divórcio ou separação.</p><p>• Cancelamento ou extinção de ônus reais e/ou direito real.</p><p>• Contrato de promessa de compra e venda, cessões e promessas de cessões.</p><p>• Restabelecimento de sociedade conjugal.</p><p>• Decisões e recursos, além dos efeitos.</p><p>• Alteração do nome por casamento, separação ou divórcio, ou por outras circunstân-</p><p>cias que, de qualquer modo, tenham influência no registro.</p><p>• Partilha de Bens.</p><p>• Contrato de locação.</p><p>• Notificação de parcelamento.</p><p>• Usucapião.</p><p>• Extinção da concessão de uso especial do imóvel para fins de moradia.</p><p>• Cessão de crédito imobiliário.</p><p>Após as averbações concluídas, as futuras certidões de matrículas expedidas</p><p>referentes àquele imóvel são emitidas com as devidas inclusões consolidadas e</p><p>atualizadas.</p><p>Já o registro tem, por finalidade, escriturar os atos translativos ou declaratórios.</p><p>Trata-se de um ato cartorial que declara quem é o proprietário formal e legal do imóvel</p><p>e, ainda, informa se a propriedade do bem está sendo transmitida de uma pessoa para</p><p>outra. Os registros são realizados nas matrículas dos imóveis.</p><p>Podem ser feitos os seguintes registros das matrículas dos imóveis:</p><p>• Instituição de bem de família.</p><p>• Hipotecas legais, judiciais e convencionais.</p><p>• Contratos de locação de prédios, nos quais tenha sido consignada cláusula de</p><p>vigência no caso de alienação da coisa locada.</p><p>65</p><p>• Penhor de máquinas e de aparelhos utilizados na indústria, instalados e em</p><p>funcionamento, com os respectivos pertences ou sem eles.</p><p>• Penhoras, arrestos e sequestros de imóveis.</p><p>• Servidões em geral.</p><p>• Usufruto, uso sobre imóveis e habitação, quando não resultarem do direito de família.</p><p>• Rendas constituídas sobre imóveis ou a eles vinculadas por disposição de última</p><p>vontade.</p><p>• Contratos de compra e venda de cessão e de promessa de cessão, com ou sem cláu-</p><p>sula de arrependimento, que tenham por objetos imóveis não loteados e cujo preço</p><p>tenha sido pago no ato da celebração, ou a prazo, de uma só vez ou em prestações.</p><p>• Enfiteuse.</p><p>• Anticrese.</p><p>• Convenções antenupciais.</p><p>• Cédulas de crédito rural.</p><p>• Cédulas de crédito industrial.</p><p>• Contratos de penhor rural.</p><p>• Empréstimos por obrigações ao portador ou debêntures, inclusive as conversíveis em</p><p>ações.</p><p>• Incorporações, instituições e convenções de condomínio.</p><p>• Contratos de promessa de venda, cessão ou promessa de cessão de unidades</p><p>autônomas condominiais.</p><p>• Loteamentos urbanos e rurais.</p><p>• Contratos de promessa de compra e venda de terrenos loteados, e respectivas ces-</p><p>são e promessa de cessão.</p><p>• Citações de ações reais ou pessoais reipersecutórias, relativas a imóveis.</p><p>• Sentenças de desquite e de nulidade ou anulação de casamento, quando, nas</p><p>respectivas partilhas, existirem imóveis ou direitos reais sujeitos a registro.</p><p>• Julgados e atos jurídicos entre vivos que dividirem imóveis ou os demarcarem,</p><p>inclusive, nos casos de incorporação que resultarem em constituição de condomínio</p><p>e atribuírem uma ou mais unidades aos incorporadores.</p><p>• Sentenças que, nos inventários, arrolamentos e partilhas, adjudicarem bens de raiz</p><p>em pagamentos das dívidas da herança.</p><p>• Atos de entrega de legados de imóveis, dos formais de partilha e das sentenças de</p><p>adjudicação em inventário ou arrolamento quando não houver partilha.</p><p>• Arrematação e adjudicação em hasta pública.</p><p>• Dote.</p><p>• Sentenças declaratórias de usucapião.</p><p>• Compra e venda puras e condicionais.</p><p>• Permuta.</p><p>• Dação em pagamento.</p><p>• Transferência de imóvel à sociedade, quando integrar quota social.</p><p>• Doação entre vivos.</p><p>• Desapropriação amigável e das sentenças que, em processo de desapropriação,</p><p>fixarem o valor da indenização.</p><p>66</p><p>Se você leva, a um cartório de registro de imóveis, por exemplo, uma escritura</p><p>de compra e venda de um imóvel, é realizado, pela Serventia Registral, o registro na</p><p>matrícula, ou seja, os dados dessa compra e venda feitas são anotados na matrícula do</p><p>imóvel.</p><p>Matrícula (M): é o lançamento que procede cadastramento do imóvel e sua especialização.</p><p>Registro (R): é o lançamento dos atos de constituição da propriedade e</p><p>demais direitos reais (alienações e onerações). Compreende os atos que,</p><p>anteriormente, eram inscritos e transcritos. Exemplo: compra e venda,</p><p>doação, usufruto, hipoteca, penhora, sequestro, arresto, partilha em</p><p>inventários, separação ou divórcio etc.</p><p>Averbação (Av): é o lançamento dos atos acessórios ao registro que, de</p><p>qualquer modo, o alterem. Exemplo: construção, demolição, óbito, pacto</p><p>antenupcial, casamento, retificação do registro, alteração do nome do</p><p>logradouro etc.</p><p>IMPORTANTE</p><p>67</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>REGISTRO DE IMÓVEL E AVERBAÇÃO: QUAIS AS DIFERENÇAS</p><p>E QUAL A IMPORTÂNCIA NO MUNDO JURÍDICO?</p><p>Sofia Jacob</p><p>Muita confusão ainda é enfrentada ao discutirmos os termos averbação de</p><p>imóvel e registro</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................52</p><p>AUTOATIVIDADE ...................................................................................................53</p><p>UNIDADE 2 — PROCEDIMENTOS NOS REGISTROS DE IMÓVEIS ........................55</p><p>TÓPICO 1 — TRANSCRIÇÃO, INSCRIÇÃO, MATRÍCULA, REGISTRO E</p><p>AVERBAÇÃO ...................................................................................... 57</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 57</p><p>2 TRANSCRIÇÃO ................................................................................................... 57</p><p>3 INSCRIÇÃO .........................................................................................................58</p><p>4 MATRÍCULA ........................................................................................................59</p><p>5 REGISTRO E AVERBAÇÃO .................................................................................62</p><p>6 COMO REQUERER? ............................................................................................64</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................. 67</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ...........................................................................................71</p><p>AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 72</p><p>TÓPICO 2 — DIREITOS, ATOS E FATOS SUJEITOS AO REGISTRO</p><p>IMOBILIÁRIO ..................................................................................... 73</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 73</p><p>2 TÍTULOS REGISTRÁVEIS ................................................................................... 73</p><p>3 DIREITOS, FATOS E ATOS DOS SUJEITOS DO REGISTRO IMOBILIÁRIO ........78</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ..........................................................................................85</p><p>AUTOATIVIDADE ...................................................................................................86</p><p>TÓPICO 3 — RETIFICAÇÃO E GEORREFERENCIAMENTO ...................................87</p><p>1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................87</p><p>2 RETIFICAÇÃO .....................................................................................................87</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................93</p><p>AUTOATIVIDADE ...................................................................................................94</p><p>UNIDADE 3 — DOS IMÓVEIS E A FISCALIZAÇÃO .................................................95</p><p>TÓPICO 1 — CONCEITOS RELACIONADOS AOS IMÓVEIS ................................... 97</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 97</p><p>2 PARCELAMENTO DO SOLO ................................................................................ 97</p><p>3 LOTEAMENTO URBANO .....................................................................................98</p><p>4 LOTEAMENTO RURAL .....................................................................................105</p><p>5 CONDOMÍNIO EDILÍCIO ....................................................................................106</p><p>6 INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA (LEI Nº 4591/64) .......................................... 107</p><p>6.1 OS ATORES DO PROCESSO DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA ............................ 109</p><p>6.2 REGISTRO DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA .......................................................... 110</p><p>7 PATRIMÔNIO DE AFETAÇÃO – LEI 10.931/2004 ............................................ 112</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................ 116</p><p>AUTOATIVIDADE ..................................................................................................117</p><p>TÓPICO 2 — FISCALIZAÇÃO ................................................................................119</p><p>1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................119</p><p>2 SERVIÇOS DE REGISTRO ..................................................................................119</p><p>3 ORDEM DE SERVIÇO ........................................................................................120</p><p>4 ATOS PRATICADOS .......................................................................................... 121</p><p>5 HIPOTECAS, ALIENAÇÕES, ARRESTOS E CÉDULAS DE CRÉDITO ............... 122</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 126</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................ 129</p><p>AUTOATIVIDADE .................................................................................................130</p><p>TÓPICO 3 — ESTATUTO DA CIDADE ....................................................................131</p><p>1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................131</p><p>2 A LEI ...................................................................................................................131</p><p>3 REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA E O DIREITO À MORADIA ...............................133</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................ 137</p><p>AUTOATIVIDADE .................................................................................................138</p><p>REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 139</p><p>1</p><p>UNIDADE 1 —</p><p>O REGISTRO IMOBILIÁRIO</p><p>NO BRASIL</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• identificar os atos jurídicos que são desempenhados nos registros públicos;</p><p>• conhecer os atos que são desempenhados, exclusivamente, no registro de imóveis;</p><p>• estudar os principais sistemas de registro imobiliário;</p><p>• localizar as legislações que tratam do registro imobiliário e dos seus sistemas, pois</p><p>não é apenas uma lei que trata do assunto, mas vários diplomas legais.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de</p><p>reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – EVOLUÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL E DO REGISTRO IMOBILIÁRIO</p><p>NO BRASIL</p><p>TÓPICO 2 – REGISTRO TORRENS</p><p>TÓPICO 3 – DIREITO REGISTRAL IMOBILIÁRIO</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>2</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 1!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>3</p><p>EVOLUÇÃO DA PROPRIEDADE IMÓVEL E</p><p>DO REGISTRO IMOBILIÁRIO NO BRASIL</p><p>TÓPICO 1 — UNIDADE 1</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Os registros públicos no Brasil são regulados pela Lei nº 6.015, de 31 de dezembro</p><p>de 1973 (BRASIL, 1973), e podem ser conceituados como arquivos públicos de atos e</p><p>fatos jurídicos, que têm, como fundamento, a segurança jurídica. Como atos jurídicos,</p><p>podemos trazer como exemplos o casamento, a compra e venda, a constituição de</p><p>pessoa jurídica etc. Já o fato jurídico é o nascimento e o óbito.</p><p>A segurança jurídica é alcançada pelos princípios da publicidade e eficácia ge-</p><p>rada pelo registro que detém autenticidade, ou seja, os registros públicos são órgãos</p><p>de fé pública, organizados pelo Estado e postos a serviço do cidadão para obtenção de</p><p>segurança jurídica. Vários são os princípios que norteiam o funcionamento do sistema</p><p>registral.</p><p>A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988), a ativi-</p><p>dade registral passou a ser exercida em caráter privado, por delegação do poder público.</p><p>A delegação, por sua vez, é concedida por meio de concurso público de provas e títulos.</p><p>No decorrer desta unidade, nós estudaremos</p><p>de imóvel. Ainda mais, se incluirmos os termos: matrícula, registro e</p><p>averbação nas negociações imobiliárias. Neste artigo, o foco é na averbação e registro</p><p>do imóvel.</p><p>O Registro de Imóveis é um documento que fica arquivado no Cartório de</p><p>Registro de Imóveis, e a averbação é uma anotação de alguma alteração ocorrida, seja</p><p>em relação ao imóvel ou proprietário.</p><p>Pela definição, averbação é o ato ou efeito de averbar, anotar, registrar. A aver-</p><p>bação é um "acessório" do registro de imóveis, porque atualiza a real situação do imó-</p><p>vel, constando reformas significativas, construções, demolições, penhoras, hipotecas,</p><p>arrestos, financiamentos bancários, ações possessórias (usucapião, reintegração de</p><p>posse) etc. Também é preciso realizar a averbação em alguns casos de casamento e/ou</p><p>divórcio, ou inventário.</p><p>Outro exemplo é a compra de um terreno, que, no decorrer dos anos, construiu-</p><p>se uma ou mais casas. No Registro de Imóvel, consta apenas o terreno, assim, é</p><p>necessário realizar a averbação da (ou das) casa (s) construída (s). Todas essas situações</p><p>estão sujeitas à averbação.</p><p>O Art. 167, II, da Lei de Registros Públicos expõe 21 situações que devem ser</p><p>averbadas, porém, no Art. 246, há previsão de que podem ser averbadas as subroga-</p><p>ções e outras ocorrências que, por qualquer modo, alterem o registro.</p><p>A principal função da averbação é tornar públicas as alterações relacionadas ao</p><p>imóvel e seu registro, trazendo segurança jurídica e eficácia ao ocorrido.</p><p>O procedimento é feito no cartório de registro de imóveis responsável pelo</p><p>imóvel, normalmente, na mesma cidade em que está localizado o imóvel. Isso permite</p><p>constatar quem é o proprietário legítimo, as condições reais do imóvel, tipo de constru-</p><p>ção ou a existência de dívidas pendentes.</p><p>68</p><p>Conclusão</p><p>Toda e qualquer alteração que venha a ser realizada no imóvel precisa ser</p><p>adicionada ao registro do imóvel, para assim mantê-lo com todas as informações</p><p>atualizadas, garantido segurança e eficácia jurídica.</p><p>Frisa-se, ainda, que alguns transtornos ocorrem na compra e venda de um</p><p>imóvel que não esteja com a averbação em dia (alguns bancos não financiam imóveis</p><p>com pendências na averbação).</p><p>Com essas questões apresentadas, precisamos lembrar que, no princípio da</p><p>legalidade, no registro de imóveis, o rol de sujeitos a registro na serventia é taxativo,</p><p>ou seja, exaustivo, e somente os direitos elencados expressamente em lei podem ter</p><p>ingresso na serventia registral imobiliária. Porém, quando se trata do rol das averbações</p><p>possíveis no registro de imóveis, encontramos o Art. 167, II, da Lei nº 6.015/1973, que</p><p>elenca uma série de hipóteses que ensejam o ato todo. Vejamos:</p><p>No registro de imóveis, além da matrícula, será feita a averbação:</p><p>1) das convenções antenupciais e do regime de bens diversos do legal, nos registros</p><p>referentes a imóveis ou a direitos reais pertencentes a qualquer dos cônjuges,</p><p>inclusive os adquiridos posteriormente ao casamento;</p><p>2) por cancelamento, da extinção dos ônus e direitos reais;</p><p>3) dos contratos de promessa de compra e venda, das cessões e das promessas de</p><p>cessão;</p><p>4) da mudança de denominação e de numeração dos prédios, da edificação, da re-</p><p>construção, da demolição, do desmembramento e do loteamento de imóveis;</p><p>5) da alteração do nome por casamento ou por desquite ou, ainda, de outras circuns-</p><p>tâncias que, de qualquer modo, tenham influência no registro ou nas pessoas nele</p><p>interessadas;</p><p>6) dos atos pertinentes a unidades autônomas condominiais, quando a incorporação</p><p>tiver sido formalizada;</p><p>7) das cédulas hipotecárias;</p><p>8) da caução e da cessão fiduciária de direitos relativos a imóveis;</p><p>9) das sentenças de separação de dote;</p><p>10) do restabelecimento da sociedade conjugal;</p><p>11) das cláusulas de inalienabilidade, impenhorabilidade e incomunicabilidade impos-</p><p>tas a imóveis, além da constituição de fideicomisso;</p><p>12) das decisões, recursos e seus efeitos, que tenham, por objeto, atos ou títulos</p><p>registrados ou averbados;</p><p>13) do antigo ofício dos nomes dos logradouros, decretados pelo poder público.</p><p>14) das sentenças de separação judicial, de divórcio e de nulidade ou anulação de ca-</p><p>samento, quando, nas respectivas partilhas, existirem imóveis ou direitos reais su-</p><p>jeitos a registro.</p><p>69</p><p>15) da rerratificação do contrato mútuo com pacto adjeto de hipoteca em favor de en-</p><p>tidade integrante do Sistema Financeiro da Habitação, ainda que importando eleva-</p><p>ção da dívida, desde que mantidas as mesmas partes e que inexista outra hipoteca</p><p>registrada em favor de terceiros.</p><p>16) do contrato de locação, para fins de exercício de direito de preferência;</p><p>17) do Termo de Securitização de créditos imobiliários, quando submetidos a regime</p><p>fiduciário;</p><p>18) da notificação para parcelamento, edificação ou utilização compulsórios de imóvel</p><p>urbano;</p><p>19) da extinção da concessão de uso especial para fins de moradia;</p><p>20) da extinção do direito de superfície do imóvel urbano;</p><p>21) da cessão de crédito imobiliário;</p><p>22) da reserva legal;</p><p>23) da servidão ambiental.</p><p>24) do destaque de imóvel de gleba pública originária;</p><p>25) do auto de demarcação urbanística;</p><p>26) da extinção da legitimação de posse;</p><p>27) da extinção da concessão de uso especial para fins de moradia;</p><p>28) da extinção da concessão de direito real de uso.</p><p>29) da sub-rogação da dívida, da respectiva garantia fiduciária ou hipotecária e da</p><p>alteração das condições contratuais, em nome do credor que venha a assumir na</p><p>forma do disposto pelo Art. 31 da Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997, ou do</p><p>Art. 347 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, com realização em</p><p>ato único, a requerimento do interessado instruído com documento comprobatório</p><p>firmado pelo credor original e pelo mutuário.</p><p>30) da certidão de liberação de condições resolutivas dos títulos de domínio resolúvel</p><p>emitidos pelos órgãos fundiários federais na Amazônia Legal.</p><p>31) do termo de quitação de contrato de compromisso de compra e venda registrado e</p><p>do termo de quitação dos instrumentos públicos ou privados oriundos da implan-</p><p>tação de empreendimentos ou de processo de regularização fundiária, pelo empre-</p><p>endedor proprietário do imóvel ou pelo promotor do empreendimento ou da regula-</p><p>rização fundiária objeto de loteamento, desmembramento, condomínio de qualquer</p><p>modalidade ou de regularização fundiária, exclusivamente para fins de exoneração</p><p>da sua responsabilidade sobre tributos municipais incidentes sobre o imóvel peran-</p><p>te o município, não implicando transferência de domínio ao compromissário com-</p><p>prador ou ao beneficiário da regularização.</p><p>FONTE: JACOB, S. Registro de imóvel e averbação: Quais as diferenças e qual a importância no mundo</p><p>jurídico? 2019. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/75343/descubra-a-diferenca-entre-averbacao-e-</p><p>registro-de-imoveis. Acesso em: 5 jun. 2020.</p><p>70</p><p>Todavia, o referido rol é meramente exemplificativo, tendo em vista que coloca</p><p>que também serão objeto de averbação outras ocorrências que, por qualquer modo,</p><p>alterem o registro. Com isso, é muito importante prestar atenção para o fato de que a</p><p>abertura existente nos atos de averbação não permite que sejam pegos direitos que,</p><p>originalmente, comportariam registro no registro de imóveis.</p><p>As averbações abertas, ou seja, não previstas expressamente em lei, que</p><p>podem ser praticadas no registro de imóveis, são aquelas que, por qualquer modo,</p><p>alterem o registro. No caso, temos as averbações puramente acessórias de um registro</p><p>já existente. O motivo para o legislador trazer a abertura decorre justamente do fato de</p><p>que ficaria impossível prever, de forma taxativa, todas as situações</p><p>que poderiam surgir</p><p>e gerar alterações em um registro preexistente.</p><p>Sistema de Fólio Pessoal e Sistema de Fólio Real</p><p>Já estudamos, no capítulo anterior, os Sistemas Registrais Imobiliários, mas, na</p><p>continuidade do nosso tema abordado, relembraremos os conceitos de Sistema de Fólio</p><p>Pessoal e Sistema de Fólio Real. Vejamos:</p><p>Sistema de Fólio Pessoal: a organização se dá em virtude das pessoas envol-</p><p>vidas ne relação obrigacional, independentemente do imóvel que esteja envolvido na</p><p>transação.</p><p>Estudiosos da área defendem que o sistema anteriormente adotado no Brasil,</p><p>o sistema de transcrição, se assemelhava mais ao Sistema de Fólio Pessoal. O sistema</p><p>de transcrição, como visto, não era organizado por imóveis, os lançamentos eram feitos</p><p>por tipo de ato e na sequência cronológica em que foram apresentados. A única forma</p><p>de seguir o histórico dos atos praticados sobre o imóvel seria por meio do indicador</p><p>pessoal da serventia, porque, no sistema, não se tinha foco no imóvel, permitindo que a</p><p>descrição fosse diferente a cada negócio.</p><p>Já no Sistema de Fólio Real, segundo ensinam Serra e Serra (2018), o registro se</p><p>dá com base no objeto, ou seja, todos os lançamentos de direitos reais são estrutura-</p><p>dos em função do imóvel. É o que ocorre no sistema atual, no qual os direitos reais são</p><p>estruturados em matrículas, as quais, por sua vez, são divididas por imóveis, sendo que</p><p>cada matrícula corresponde a um imóvel.</p><p>71</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Transcrição é o modelo de registro que evidencia os dados dos proprietários, e não os</p><p>dados do imóvel, fazendo com que a descrição, muitas vezes, seja precária.</p><p>• Na inscrição, são informados os efeitos do registro, pois é através dele que o direito</p><p>se torna real, regulando seus efeitos antes e após o ato inscritivo.</p><p>• Matrícula é o lançamento que procede cadastramento do imóvel e especialização.</p><p>• Registro é o lançamento dos atos da constituição da propriedade e demais direitos</p><p>reais, como alienação e oneração.</p><p>• Averbação é o lançamento de atos acessórios ao registro que, de qualquer modo, o</p><p>alterem.</p><p>• No Sistema de Fólio Pessoal, a organização se dá em virtude das pessoas envolvidas</p><p>na relação obrigacional, independentemente do imóvel que esteja envolvido na</p><p>transação. Já no Sistema de Fólio Real, o registro se dá com base no objeto, ou seja,</p><p>todos os lançamentos de direitos reais são estruturados em função do imóvel. É o</p><p>que ocorre no sistema atual.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>72</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Assinale a alternativa que corresponde, respectivamente, aos atos de registro de</p><p>averbação, no ofício de registro de imóveis:</p><p>a) ( ) Instituição de bem de família e servidões em geral.</p><p>b) ( ) Concessão de direito real de uso no direito de preferência e cessão de crédito</p><p>imobiliário.</p><p>c) ( ) Cédulas hipotecárias para fins de direito de preferência.</p><p>d) ( ) Cédulas de crédito rural e contrato de locação para fins de exercício de direito de</p><p>preferência.</p><p>2 O que se refere ao Sistema de Fólio Pessoal, além do Sistema de Fólio Real? Qual está</p><p>mais relacionado com a legislação atual?</p><p>3 Onde é realizada a averbação? Qual o procedimento para requerer?</p><p>4 O que é a cláusula de vigência no contrato de locação?</p><p>73</p><p>DIREITOS, ATOS E FATOS SUJEITOS</p><p>AO REGISTRO IMOBILIÁRIO</p><p>UNIDADE 2 TÓPICO 2 —</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No Tópico 2, estudaremos os atos e fatos de direito que estão relacionados com</p><p>o registro imobiliário. Nele, apresentaremos quais são os títulos passíveis de registros</p><p>e o que não é possível registrar. Além disso, não podemos esquecer daquela máxima</p><p>muito utilizada no meio imobiliário: só é dono quem registra.</p><p>Abordaremos os títulos passíveis de registro e os atos e fatos cabíveis aos</p><p>registros de imóveis. Veremos, também, que cada título tem a sua jurisdição, não</p><p>podendo escolher onde quer registrar o imóvel. Vamos lá?</p><p>2 TÍTULOS REGISTRÁVEIS</p><p>Título é o documento, o instrumento que expressa o negócio jurídico ou direito</p><p>real apresentado a registro. Divide-se em material e formal. No sentido formal, é o</p><p>instrumento que formaliza e representa o negócio jurídico ou direito que tem objeto.</p><p>Exemplo: contrato particular, escritura pública, carta de sentença, mandado judicial. Já</p><p>no sentido material, é o próprio direito ou negócio jurídico. Por exemplo: a compra e</p><p>venda, doação, usufruto etc.</p><p>Como já vimos, só podem ser registrados títulos previstos no Art. 221, incisos I</p><p>a IV da Lei de Registros Públicos (LRP – Lei 6.015/73). É preciso destacar que os títulos</p><p>enumerados na LRP somente são admitidos a registro se tiverem, por objeto, direitos</p><p>reais, direitos reais equiparados por lei ou, ainda, constrições judiciais.</p><p>Vejamos, então, os títulos registráveis, segundo Abreu (2013):</p><p>I- Escrituras públicas, inclusive as lavradas em consulados brasileiros: as escrituras</p><p>públicas podem ser apresentadas, para registro, em original, certidão ou cópia</p><p>autenticada. Elas são lavradas por tabelião ou, no exterior, por autoridade consular</p><p>brasileira. O registro de escritura pública, proveniente de outro Estado, deve ser</p><p>precedido da confirmação da eficácia do instrumento por intermédio de meio idôneo,</p><p>como fax, carta com Aviso de Recebimento (AR), telegrama e correio eletrônico.</p><p>Comprovadas a procedência e a eficácia da escritura pública, o Registrador deve</p><p>fazer constar a realização da providência.</p><p>74</p><p>II- Escritos particulares autorizados em lei, assinados pelas partes e testemunhas, com</p><p>as firmas reconhecidas, dispensando o reconhecimento quando forem atos praticados</p><p>por entidades vinculadas ao Sistema Financeiro de Habitação. Os escritos ou instru-</p><p>mentos particulares somente podem ser registrados no original e devem ser arquiva-</p><p>dos na serventia com os documentos apresentados. Assim, arquiva-se uma via original</p><p>do instrumento particular com os documentos respectivos. Se somente houver uma</p><p>via original, esta é arquivada em cartório, fornecendo, se solicitada, uma certidão.</p><p>Somente são admitidos os instrumentos particulares que versarem, sobre</p><p>imóveis avaliados, até 30 (trinta) salários mínimos. Isso não quer dizer que títulos que</p><p>excedam esse limite não possam ser protocolizados. Uma vez efetuada a análise, eles</p><p>são rejeitados. Claro que há algumas exceções à regra dos 30 salários mínimos.</p><p>Quando se trata dos instrumentos particulares com força de escritura pública,</p><p>os quais podem ter, por objeto, imóveis com valor acima de 30 salários mínimos e con-</p><p>tratos de compra e venda efetuados por bancos, os provenientes do Sistema Financeiro</p><p>de Habitação e os contratos que versam sobre alienação fiduciária de imóveis.</p><p>O instrumento particular com força de escritura, a confirmação de procedência</p><p>e validade da procuração, a exigência de apresentação de certidão de nascimento ou</p><p>casamento do outorgante e a verificação da autenticidade, tarefas incumbidas ao tabe-</p><p>lião, devem ser realizadas pelo Registrador de Imóveis.</p><p>Em regra, tanto os instrumentos particulares quanto aqueles com força de es-</p><p>critura pública devem vir assinados com firma reconhecida pelas partes e testemunhas.</p><p>É exigido o reconhecimento por autenticidade/verdadeira da assinatura dos trans-</p><p>mitentes. Já as firmas dos adquirentes e das testemunhas podem ser reconhecidas</p><p>por semelhança.</p><p>Dispensa-se o reconhecimento de firma:</p><p>a) quando se tratar de ato praticado por entidades vinculadas ao Sistema Financeiro</p><p>da Habitação.</p><p>b) no registro de Cédulas de Crédito Rural, Cédulas de Crédito Industrial, Cédulas</p><p>de Crédito à Exportação, Cédulas de Crédito ao Comércio e respectivos aditivos e</p><p>menções adicionais.</p><p>III- Atos autênticos de países estrangeiros, com força de instrumentos públicos,</p><p>legalizados e traduzidos na forma da lei e registrados no cartório do Registro de</p><p>Títulos e Documentos, assim como sentenças proferidas por tribunais</p><p>estrangeiros</p><p>após homologação pelo Supremo Tribunal Federal. Os documentos estrangeiros,</p><p>para que tenham validade no Brasil, devem ser traduzidos por tradutor juramentado e</p><p>75</p><p>registrados no Registro de Títulos e Documentos. Assim, somente são considerados</p><p>aptos a registro, perante o registro de imóveis competente, os títulos estrangeiros</p><p>que cumprem tais formalidades.</p><p>IV- Cartas de sentença, formais de partilha, certidões e mandados extraídos de autos</p><p>processuais: para que sejam admitidos em registro, esses documentos devem vir no</p><p>original ou cópia autenticada, e observar os requisitos dos seguintes artigos da LRP:</p><p>Art. 222 - Em todas as escrituras e em todos os atos relativos a imóveis, além</p><p>das cartas de sentença e formais de partilha, o tabelião ou escrivão deve fazer referência</p><p>à matrícula ou ao registro anterior, seu número e cartório.</p><p>Art. 225 - Os tabeliães, escrivães e juízes fazem com que, nas escrituras e nos</p><p>autos judiciais, as partes indiquem, com precisão, as características, as confrontações</p><p>e as localizações dos imóveis, mencionando os nomes dos confrontantes e, ainda,</p><p>quando se tratar só de terreno, se este fica do lado par ou do lado ímpar do logradouro,</p><p>em que quadra e distância métrica da edificação ou da esquina mais próxima, exigindo,</p><p>dos interessados, certidão do registro imobiliário.</p><p>O registro dos atos judiciais deve ser promovido diretamente pela parte</p><p>interessada, mediante a apresentação de mandado, ofício ou certidão do juízo, cabendo</p><p>o pleno acompanhamento do processo perante a respectiva serventia.</p><p>V- Contratos ou termos administrativos, assinados com a União, Estados, Municípios ou</p><p>o Distrito Federal, no âmbito de programas de regularização fundiária e de progra-</p><p>mas habitacionais de interesse social, dispensado o reconhecimento da firma.</p><p>Existem três outras hipóteses em que a propriedade de um imóvel se adquire:</p><p>a) Acessão, ou seja, modo originário de adquirir, em virtude do qual fica pertencendo, ao</p><p>proprietário, tudo quanto se une ou se incorpora ao seu bem. Exemplo - formação de</p><p>ilhas.</p><p>b) Usucapião, ou seja, direito que um cidadão adquire em relação à posse de um bem</p><p>móvel ou imóvel em decorrência do uso por um determinado tempo.</p><p>c) Imóveis que se adquirem pelo direito hereditário, ou seja, ocorrido o falecimento de</p><p>uma pessoa. No caso, os herdeiros recebem a propriedade dos bens, automatica-</p><p>mente, em razão da morte do autor da herança.</p><p>Em todos esses casos, o registro é necessário apenas para disponibilizar e</p><p>especificar a transmissão, mantendo, assim, a continuidade da cadeia dominial em</p><p>nomes dos titulares, nos registros do Cartório de Registro de Imóveis. Assim, com</p><p>exceção das três hipóteses, o processo de aquisição de um bem imóvel só se dá pelo</p><p>registro do contrato no Registro de Imóveis.</p><p>76</p><p>Alguns modelos de atos registrais são:</p><p>FIGURA 2 – ATO REGISTRAL</p><p>FONTE: O autor</p><p>77</p><p>FIGURA 3 – ABERTURA DE MATRÍCULA</p><p>FONTE: O autor</p><p>78</p><p>FIGURA 4 – REGISTRO DE PARCELAMENTO</p><p>FONTE: O autor</p><p>3 DIREITOS, FATOS E ATOS DOS SUJEITOS DO REGISTRO</p><p>IMOBILIÁRIO</p><p>Cartório, Serventia ou Serviço Público de Registro de Imóveis é um local público</p><p>que presta serviço público. As pessoas fazem o registro dos seus bens imóveis e conse-</p><p>guem informações seguras sobre a verdadeira situação jurídica.</p><p>O cartório judicial é administrado por um Oficial de Registro de Imóveis, que</p><p>não é um funcionário público, apesar de ter ingressado na atividade mediante concurso</p><p>público. O Oficial de Registro de Imóveis é considerado a luz da lei, titular de uma função</p><p>pública delegada pelo Estado. Em colaboração com a administração, trata de serviços</p><p>público não privativos.</p><p>No registro de imóveis, por se tratar de uma Serventia Registral Pública, trata</p><p>de todas as informações registrais referentes aos imóveis, dentro do território brasileiro,</p><p>como públicas. Assim, todas essas informações estão ao alcance de qualquer um,</p><p>mediante pagamento de taxa e emolumentos pertinentes.</p><p>Através dessas Serventias Registrais (Registro de Imóveis) que os direitos reais</p><p>se constituem, se alteram ou se extinguem. O registro de imóveis é o depósito de todas</p><p>as informações da propriedade do imóvel que fazem parte da zona de atuação, com</p><p>caráter de autenticidade, além de eficácia.</p><p>79</p><p>Dependendo do tamanho das cidades, podem existir um ou mais serviços de</p><p>registros de imóveis. Geralmente, em cidades maiores, como capitais de Estados, ob-</p><p>servamos a existência de mais de um serviço de registro de imóvel. As leis de organiza-</p><p>ção judiciária dividem o território em circunscrições. Em São Paulo capital, por exemplo,</p><p>existem 18 registros, cada um com sua circunscrição territorial bem delimitada. Toda</p><p>Serventia de Registro de Imóveis possui um limite territorial determinado pela lei de</p><p>organização judiciária, e o registro imobiliário é feito sempre no cartório onde o imóvel</p><p>está localizado, sob pena de nulidade.</p><p>Vejamos mais alguns exemplos: Em Porto Alegre, há seis registros, cada um</p><p>com sua circunscrição territorial delimitada, conforme o exposto a seguir:</p><p>FIGURA 5 – REGISTROS</p><p>FONTE: O autor</p><p>80</p><p>Essas divisões se tornam importantes para a organização do registro dos imóveis.</p><p>Assim, com a delimitação territorial, sabendo onde devo realizar o ato que desejo no local</p><p>correto, há organização, conservação e controle do ingresso de atos no fólio real.</p><p>Temos a justificativa para existência do registro de imóveis, que é a segurança</p><p>da aquisição da propriedade imobiliária através de atos oriundos de acordos de vontade</p><p>das partes. Um imóvel pertence a uma determinada zona registral e isso é permanente.</p><p>Assim, não é possível “mudar” ou “escolher” um registro de imóvel para a realização dos</p><p>atos registrais.</p><p>Quando o objeto é um bem móvel, a propriedade deste se adquire simplesmen-</p><p>te com a simples entrega do bem ao seu adquirente – a chamada tradição. Todavia, se</p><p>estamos tratando de um bem imóvel, este somente pode ser adquirido através de regis-</p><p>tro de contrato pertinente no competente Registro de Imóveis.</p><p>Se estivermos tratando de compra e venda de imóvel, considerando que o</p><p>contrato ainda não está registrado, o adquirente ainda não é o proprietário do imóvel.</p><p>O título deve ser encaminhado para registro no registro de imóveis competente. O</p><p>Registrador, então, inicia o ato de “qualificação do título”. Ao desempenhar a função,</p><p>o Registrador constitui, modifica ou extingue direitos reais sobre os imóveis. É função,</p><p>do Oficial Registrador, ainda, examinar os títulos e documentos que são apresentados,</p><p>verificando sua registrabilidade, evidenciando se são válidos e se estão de acordo com</p><p>as disposições legais.</p><p>O Oficial Registrador verifica pontualmente a legalidade e a validade do título,</p><p>procedendo ou não com o registro. Para esses atos, a competência do Oficial Registrador</p><p>é ampla. Após a realização do exame do título, é feito um julgamento no seguinte sentido:</p><p>é admitido o título como perfeito e apto a gerar o direito real pretendido, determinando o</p><p>registro, ou é devolvido o título a quem apresentou para que seja complementado com</p><p>as exigências apontadas pelo oficial.</p><p>Temos a prenotação, que é a anotação prévia e provisória no protocolo, feita por</p><p>oficial de registro público de um título apresentado para registro, gozando de prioridade</p><p>no registro.</p><p>A prenotação tem validade de 30 dias, nos termos do Art. 188 da Lei 6.015/1973,</p><p>que dispõe: “Protocolizado o título, proceder-se-á ao registro, dentro do prazo de 30</p><p>(trinta) dias, salvo nos casos previstos nos artigos seguintes” (BRASIL, 1973). Assim,</p><p>caso o título venha a ser devolvido para cumprimento de exigências e for reapresentado</p><p>após o prazo de 30 (trinta) dias do ingresso inicial, o protocolo é cancelado.</p><p>Em alguns casos, mesmo tendo decorrido o prazo de 30 (trinta) dias, a preno-</p><p>tação permanece em vigor, ou seja,</p><p>o prazo de validade da prenotação é prorrogado em</p><p>virtude da previsão legal. É o caso, por exemplo, da suscitação de dúvida, da indisponi-</p><p>bilidade de bens etc.</p><p>81</p><p>Pode ocorrer de o documento apresentado para registro ser recusado, sob a</p><p>alegação de dúvida no aspecto formal, apresentando defeitos. Assim, o oficial deve</p><p>indicar, por escrito e de forma fundamentada, as exigências que devem ser feitas, para</p><p>que o título ingresse no fólio real. O ato de devolução do título é chamado de Nota de</p><p>Impugnação, Nota Devolutiva ou Nota Explicativa de Exigência.</p><p>Se o apresentante não concordar com a exigência do oficial, ou não puder</p><p>satisfazer o que é pedido, o título, a seu requerimento e com declaração de dúvida,</p><p>é remetido ao juízo competente. Todo e qualquer título, independentemente da sua</p><p>origem, que ingressar na serventia imobiliária, passa pela qualificação para verificar</p><p>se está apto para o registro. Assim, devem passar, pela qualificação registral, tanto</p><p>as escrituras públicas quanto os atos particulares, além dos títulos judiciais. Ainda, é</p><p>necessária a realização de uma exigência e, sendo cumprida, o registro é realizado.</p><p>Não sendo cumpridas as exigências, nada é registrado e cessam, automaticamente, os</p><p>efeitos da prenotação.</p><p>Exemplo de nota de exigência de uma compra e venda de imóvel:</p><p>FIGURA 6 – NOTA DE EXIGÊNCIA</p><p>FONTE: O autor</p><p>82</p><p>A exigência trata de apresentar a prova de alteração de quarteirão para pos-</p><p>sibilitar a averbação na matrícula do imóvel e corrigir a escritura em relação à Avenida</p><p>Neuza Brizola, em Porto Alegre/RS.</p><p>A nota de impugnação só pode ser dada uma única vez.</p><p>NOTA</p><p>As notas de impugnações ou exigências devem ser apontadas pelo Oficial de</p><p>Registro de Imóveis de uma vez só. Por isso, o registrador imobiliário deve examinar mi-</p><p>nuciosamente os títulos apresentados, tanto pelo aspecto formal quanto pelo aspecto</p><p>material e as exigências devem ser feitas todas de uma vez, considerando irregular e</p><p>protelatória a prática de exigências sucessivas quando os motivos já se encontravam</p><p>presentes nos documentos apresentados desde o primeiro exame. O oficial deve fazer</p><p>a análise do título inteiro antes de emitir uma nota de devolução, não devendo inter-</p><p>romper o exame já no primeiro empecilho registrário, pois podem existir outros, os quais</p><p>devem ser apontados na devolução.</p><p>Todavia, existem situações em que o cumprimento de uma nota de impugna-</p><p>ção, ou seja, o atendimento ou tentativa de resolução por parte do apresentante, faz</p><p>com que novas exigências precisem ser cumpridas para a perfectibilização de todas as</p><p>impugnações apontadas no título apresentado. Por exemplo, podem existir situações</p><p>nas quais a devolução com exigências solicita a apresentação de novos documentos</p><p>para complementação do ato a ser registrado. Assim, ao analisar essa nova documenta-</p><p>ção apresentada, que não existia até então, o Oficial Registrador pode encontrar outros/</p><p>novos problemas que impeçam o registro, situação em que deve ser realizada uma se-</p><p>gunda nota de devolução. Na situação, não há desacordo com o princípio da eficiência,</p><p>este que norteia os atos administrativos. Na hipótese, não teria como o registrador pre-</p><p>ver que a documentação apresentada posteriormente apresentaria falhas.</p><p>Todo e qualquer título, sem exceção, e independentemente da sua origem, que</p><p>ingresse na serventia imobiliária, passa por essa qualificação, para verificação se está</p><p>apto para o registro. Assim, passam, pela qualificação, as escrituras públicas, os atos</p><p>particulares e os títulos judiciais.</p><p>83</p><p>O fato de um título ter tido a sua origem no Poder Judiciário não retira</p><p>o poder-dever do registrador de proceder à qualificação registrária, e</p><p>não isenta o registrador de possíveis responsabilizações decorrentes</p><p>da falta de qualificação ou da qualificação incompleta dos títulos.</p><p>NOTA</p><p>Se chegar, na Serventia, um mandado determinando a transmissão da proprie-</p><p>dade do nome de João para Pedro, sem trazer outras determinações, o registrador deve</p><p>exigir que o imóvel esteja no nome de João. Se for imóvel rural, deve exigir a apresen-</p><p>tação do Certificado de Cadastro de Imóvel Rural e do Imposto Territorial Rural (ITR).</p><p>O imóvel deve estar perfeitamente descrito e caracterizado no título e essa descrição</p><p>deve coincidir com a que consta na matrícula. Deve haver descrição das partes, e assim</p><p>por diante. Na situação, percebe-se que o registrador deve exigir todos os requisitos</p><p>do registro, podendo contestar e solicitar, completamente, todos os aspectos que não</p><p>envolvam a transmissão.</p><p>Pode ocorrer uma situação um pouco diversa, se, por exemplo, na ordem judi-</p><p>cial, estiver constatando a determinação da transmissão do imóvel de João para Pedro,</p><p>independentemente da apresentação do Certificado de Cadastro de Imóvel e dos cinco</p><p>últimos ITRs. Não cabe, ao registrador, contestar a exatidão do decidido, mesmo porque</p><p>as partes que se sentirem prejudicadas por uma decisão judicial possivelmente equi-</p><p>vocada têm os meios corretos para recorrer, e esses meios não envolvem a serventia</p><p>imobiliária, que não tem, como papel, revisar as decisões judiciais. Por outro lado, o re-</p><p>gistrador também se exime da responsabilidade da decisão judicial e pelos atos.</p><p>Em resumo, tem-se o roteiro de qualificação:</p><p>1. legalidade formal do título;</p><p>2. nulidades de pleno direito, vícios evidentes;</p><p>3. autenticidade do instrumento;</p><p>4. identidade e qualificação das partes;</p><p>5. identidade e situação jurídica do imóvel;</p><p>6. questões fiscais (recolhimento dos tributos, certidões negativas).</p><p>84</p><p>Usucapião</p><p>Roteiro de Qualificação:</p><p>- Mandado judicial, constando qualificação completa das partes, especificação e valor do</p><p>imóvel usucapido, também a origem, se for o caso. Os requisitos da matrícula devem</p><p>constar no mandado judicial.</p><p>- Sentença com certidão de trânsito em julgado.</p><p>- Documentos do processo – cópias autenticadas.</p><p>- Certidões completas do imóvel, caso este tenha matrícula e esteja ainda em outra</p><p>serventia.</p><p>- Dos adquirentes: certidão de nascimento ou casamento e pacto antenupcial, se houver.</p><p>- Recolhimento do Fundo do Reaparelhamento da Justiça (FRJ): é requisito, para a efetua-</p><p>ção do registro, a apresentação dos comprovantes do pagamento do FRJ.</p><p>- Comprovante de recolhimento ou comprovante de isenção/não incidência de ITBI:</p><p>apesar de se tratar da aquisição originária, há prefeituras que entendem haver incidência</p><p>de ITBI no caso de usucapião, com a necessidade do comprovante.</p><p>Obs.: No caso de usucapião coletivo, devem constar, no título (Mandado</p><p>de Registro), o nome e a qualificação completa de todos os proprietários</p><p>(que se tornam condôminos da área usucapida), além das frações ideais</p><p>correspondentes. As mesmas regras se aplicam à concessão de</p><p>uso especial para fins de moradia (coletiva).</p><p>IMPORTANTE</p><p>85</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• Há títulos possíveis de registro.</p><p>• Existe um roteiro de qualificação, além da nota de impugnação.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>86</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 No que diz respeito ao registro de títulos judiciais na Serventia Registral Imobiliária,</p><p>assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) Considera-se regular o registro do imóvel, mesmo que a sua metragem não</p><p>corresponda à metragem informada na matrícula anterior.</p><p>b) ( ) Todos os títulos, inclusive os judiciais, devem ser qualificados, sendo passíveis</p><p>de devolução.</p><p>c) ( ) As escrituras lavradas em decorrência de autorização judicial são dispensadas</p><p>às referências, à matrícula anterior, seu número e cartório.</p><p>d) ( ) Os títulos oriundos de decisão judicial não são conferidos.</p><p>2 Como pode ser realizada a averbação de alteração de nome?</p><p>3 O que é a nota de exigência?</p><p>4 Quais são os títulos passíveis de registro?</p><p>5 O que é a prenotação?</p><p>87</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>RETIFICAÇÃO E GEORREFERENCIAMENTO</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No Tópico 3 do nosso estudo, estudaremos a retificação no registro imobiliário.</p><p>Essa é uma questão muito importante, pois o oficial registrador confere autenticidade</p><p>ao documento a ser registrado e, em caso de dúvidas, obrigatoriamente, deve solicitar</p><p>informações para que o documento seja claro.</p><p>Após, vamos estudar o georreferenciamento, que é o mecanismo utilizado para</p><p>identificar uma área rural no planeta Terra.</p><p>2 RETIFICAÇÃO</p><p>A retificação de registro imobiliário é a medida eficaz para a correção de uma</p><p>matrícula que não reflete a realidade do imóvel registrado, pois constam alterações em</p><p>suas divisas, ou porque há qualquer outro erro material no registro. A Lei de Registros</p><p>Públicos, Lei 6.015/73 traz, em seu Art. 212:</p><p>Art. 212. Se o registro ou a averbação for omissa, imprecisa ou não exprimir</p><p>a verdade, a retificação será feita pelo Oficial do Registro de Imóveis competente, a</p><p>requerimento do interessado, por meio do procedimento administrativo previsto no art.</p><p>213, facultado, ao interessado, requerer a retificação por meio de procedimento judicial.</p><p>Já com a edição da Lei nº 10.931/2004, o dispositivo passou a elencar três</p><p>hipóteses de cabimento de retificação do registro/averbação:</p><p>a) omissão;</p><p>b) imprecisão;</p><p>c) quando o registro/averbação não exprimir a verdade.</p><p>A retificação é feita pelo Oficial do Registro de Imóveis competente, a reque-</p><p>rimento do interessado, por meio do procedimento administrativo. A escolha da reti-</p><p>ficação administrativa, segundo Abreu (2013), não exclui o direito de a parte requerer</p><p>a prestação jurisdicional, caso se sinta prejudicada. Assim, a lei assegura, à parte, a</p><p>faculdade de requerer a retificação por meio de procedimento judicial.</p><p>88</p><p>Há casos em que o registrador retificará o registro ou averbação de ofício ou a</p><p>requerimento do interessado:</p><p>a) omissão ou erro cometido na transposição de qualquer elemento do título;</p><p>b) indicação ou atualização de confrontação;</p><p>c) alteração de denominação de logradouro público, comprovada por documento oficial;</p><p>d) retificação que objetive a indicação de rumos, ângulos de deflexão ou inserção de</p><p>coordenadas georreferenciadas, em que não haja alteração das medidas perimetrais;</p><p>e) alteração ou inserção que resulte de mero cálculo matemático feito a partir das</p><p>medidas perimetrais constantes do registro;</p><p>f) reprodução de descrição de linha divisória de imóvel confrontante que já tenha sido</p><p>objeto de retificação;</p><p>g) inserção ou modificação dos dados de qualificação pessoal das partes, comprovada</p><p>por documentos oficiais, ou mediante despacho judicial quando houver necessidade</p><p>de produção de outras provas.</p><p>Temos, ainda, a possibilidade de bloqueio da matrícula, conforme dispõe o Art.</p><p>214, §§ 3º e 4º da Lei nº 6.015/1973:</p><p>Art. 214 - As nulidades de pleno direito do registro, uma vez provadas,</p><p>invalidam-no, independentemente de ação direta:</p><p>§ 3o Se o juiz entender que a superveniência de novos registros poderá</p><p>causar danos de difícil reparação, de ofício, a qualquer momento,</p><p>ainda que sem oitiva das partes, o bloqueio da matrícula do imóvel.</p><p>§ 4o Bloqueada a matrícula, o oficial não poderá mais nela praticar</p><p>qualquer ato, salvo com autorização judicial, permitindo-se, todavia,</p><p>aos interessados, a prenotação de seus títulos, que ficarão com o</p><p>prazo prorrogado até a solução do bloqueio (BRASIL, 1973, s.p.).</p><p>Com isso, constitui-se requisito, à efetivação do bloqueio da matrícula de um</p><p>determinado imóvel, a possibilidade de a superveniência de novos registros vir a causar</p><p>danos de difícil reparação.</p><p>O registrador não pode mais praticar qualquer ato na matrícula bloqueada, salvo</p><p>com autorização judicial. Contudo, destaca-se, de outro lado, a possibilidade de os in-</p><p>teressados prenotarem seus títulos, com o prazo prorrogado até a solução do bloqueio,</p><p>garantindo a preferência no registro e, consequentemente, no direito real respectivo.</p><p>Prenotação: é a anotação prévia e provisória no protocolo, feita por</p><p>oficial de registro público de um título apresentado para registro.</p><p>Segundo Abreu (2013), todo título protocolado está automaticamente</p><p>prenotado, passando a gozar de prioridade no registro em relação</p><p>àquele protocolado posteriormente. A prenotação é válida por 30</p><p>dias, incluído o dia do lançamento no protocolo.</p><p>NOTA</p><p>89</p><p>Uma vez cancelada (prenotação), ainda para Abreu (2013), não se convalida.</p><p>Isso quer dizer que, caso o título venha a ser devolvido para cumprimento de exigências,</p><p>e vier a ser reapresentado após os 30 dias do ingresso inicial, deve receber um novo</p><p>número de protocolo.</p><p>Um outro procedimento que pode acontecer é a suscitação de dúvida, que nada</p><p>mais é que o procedimento administrativo previsto na LRP, instaurado pelo registrador</p><p>a requerimento do apresentante que não se conformou com as exigências formula-</p><p>das ou que não pode satisfazê-las. O objeto da dúvida é a regularidade/legalidade das</p><p>exigências formuladas pelo registrador em determinado caso concreto. Recebendo o</p><p>pedido do apresentante, o registrador formula as razões da dúvida e anota, à margem</p><p>do protocolo do título, sua ocorrência, ficando o prazo de 30 dias do registro suspenso</p><p>até a solução a ser dada.</p><p>O pedido de suscitação de dúvida pode ser motivado pelo inconformismo com</p><p>a exigência do oficial ou com a impossibilidade de atendimento. Em ambos os casos,</p><p>há uma reavaliação do juízo qualificador negativo do oficial pelo juiz corregedor perma-</p><p>nente da serventia. Em grau de recurso, pelo Conselho Superior da Magistratura, ou,</p><p>ainda, o órgão a quem a lei de organização judiciária do respectivo estado determinar</p><p>ser competente.</p><p>O procedimento é autuado como processo de jurisdição voluntária. O apresen-</p><p>tante do título é qualificado como suscitado e o registrador como suscitante. Recebida a</p><p>inicial e passado o prazo dos 15 dias da notificação do apresentante, independentemen-</p><p>te da sua manifestação, o juiz competente dá vistas aos autos, ao Ministério Público,</p><p>pelo prazo de 10 dias.</p><p>É importante saber que a falta de impugnação não implica revelia ou confissão,</p><p>e sempre será julgada por sentença. Por essa razão, não se admite pedido de produção</p><p>de prova de qualquer natureza, pois o título deve ser constituído e apto a ser registrado.</p><p>Exceção é admitida quando a parte alega absoluta impossibilidade de atender às</p><p>exigências do registrador.</p><p>Não se admite, também, que a parte atenda, no curso do procedimento de</p><p>dúvida, qualquer das exigências anteriormente formuladas, pois admitir seria criar forma</p><p>de, artificiosamente, prolongar o efeito do protocolo, especialmente a prioridade, para</p><p>além do prazo de 30 dias.</p><p>Admite-se, na doutrina e jurisprudência, a suscitação de dúvida inversa. A</p><p>suscitação é feita diretamente pelo interessado, que apresenta as suas razões e os</p><p>motivos da dúvida ao juiz competente, sem o intermédio do oficial. A única diferença</p><p>prática entre a suscitação de dúvida prevista em lei, suscitação de dúvida convencional,</p><p>para a suscitação de dúvida inversa, é que é remetido, ao registrador, o procedimento,</p><p>para que este protocolize o título.</p><p>90</p><p>Passado o prazo para a manifestação do Ministério Público, o juiz julga a dúvida</p><p>por sentença no prazo de 15 dias, se não forem requeridas diligências. Na sentença, o</p><p>juiz pode:</p><p>a) Julgar a dúvida procedente e o título não ser registrado. Assim, os documentos são</p><p>restituídos à parte, independentemente de translado, dando-se ciência da decisão</p><p>ao oficial para que a consigne no protocolo e cancele a prenotação.</p><p>b) Julgar a dúvida improcedente e ordenar o registro do título. Na situação, o interessado</p><p>apresenta, de novo, os seus documentos, com o respectivo mandado ou certidão de</p><p>sentença, que ficam arquivados para que, desde logo, haja o registro, declarando, ao</p><p>oficial, o fato na coluna de anotações do protocolo.</p><p>c) Extinguir o procedimento sem julgamento do mérito. Na opção em questão, podem</p><p>ocorrer duas situações: quando há o acertamento</p><p>do título, ou seja, quando o</p><p>suscitado atende às exigências do registrador, e quando o título pode ser registrado.</p><p>No caso, não há mais razão para o andamento do processo. O registrador peticiona ao</p><p>juiz informando o acertamento do título e este extingue o processo, sem julgamento</p><p>do mérito. A outra situação é quando uma das partes desiste do procedimento.</p><p>A decisão de dúvida tem natureza administrativa e não impede o</p><p>uso do processo contencioso competente. A disposição decorre</p><p>do princípio da inafastabilidade da jurisdição.</p><p>NOTA</p><p>Da sentença proferida em procedimento de suscitação de dúvida, cabe apela-</p><p>ção com os efeitos devolutivo e suspensivo. O recurso de apelação pode ser interposto</p><p>pelo interessado (apresentante), pelo Ministério Público e pelo terceiro prejudicado. Já</p><p>o registrador não tem legitimidade, nem legítimo interesse em recorrer.</p><p>No que se refere ao pagamento de custas extrajudiciais, apesar de cada estado</p><p>ter sua regulamentação, a Lei nº 6.015/1973 dispõe que os oficiais devem devolver os</p><p>valores pagos no ato da prenotação para a prática do registo, caso este não seja efetu-</p><p>ado. Pode haver retenção de parte do valor a título de pagamento pelas buscas e pela</p><p>prenotação. Já com relação às custas judiciais, há autorização para cobrança apenas se</p><p>a dúvida for julgada procedente, ou seja, se for apurado que o oficial tem razão e que o</p><p>título não tem condições de ingresso na serventia registrária da forma que se apresenta.</p><p>91</p><p>Aspectos procedimentais da suscitação de dúvida</p><p>Lei de Registros Públicos dispõe que oficiais são civilmente responsáveis pelos prejuízos</p><p>que causarem, por culpa ou dolo, aos interessados no registro.</p><p>Os serviços notoriais e de registros públicos são exercidos em caráter privado, por</p><p>delegação do poder público, e têm, como finalidades, a autenticidade, segurança e</p><p>eficácia dos atos jurídicos. Assim, os oficiais devem ser rigorosos em relação à forma no</p><p>exercício da atividade.</p><p>Para garantir tal rigor, a nº Lei 6.015/1973 (Lei de Registros Públicos) estabelece, em seu</p><p>Art. 28, que os oficiais são, civil e criminalmente, responsáveis por todos os prejuízos que</p><p>causarem aos interessados no registro, por culpa ou dolo.</p><p>As diversas situações com que se deparam os registradores e, por outro lado, a</p><p>responsabilidade envolvida na atividade registral, ensejam, muitas vezes, a formulação</p><p>de exigências pelos registradores para a prática de um determinado ato. Prevê, a lei, o</p><p>procedimento de dúvida, objeto deste breve estudo.</p><p>A exigência é ato administrativo, por escrito, que enuncia, ao interessado, as causas</p><p>impeditivas do registro pretendido.</p><p>Prevê, a lei, o procedimento de dúvida, que submete, ao poder judiciário, em atividade</p><p>de caráter eminentemente administrativo, o acerto da exigência formulada pelo cartório,</p><p>chancelando ou não a atitude do oficial e direcionando as providências a serem tomadas</p><p>pelo interessado no registro.</p><p>Segundo Walter Ceneviva, dúvida é pedido de natureza administrativa, formulado pelo</p><p>oficial, a requerimento do apresentante de título imobiliário, para que o juiz competente</p><p>decida sobre a legitimidade da exigência feita, como condição de registro pretendido.</p><p>Não se trata de uma dúvida do registrador a ser resolvida pelo Judiciário em uma espécie</p><p>de consulta. Trata-se de procedimento administrativo, por meio do qual o Judiciário se</p><p>manifesta sobre o entendimento do cartório, ante a existência de um inconformismo do</p><p>interessado.</p><p>O procedimento está previsto no Art. 198 da Lei 6.015/1973:</p><p>Art. 198 - Havendo exigência a ser satisfeita, o oficial deve</p><p>indicar por escrito. Não se conformando, o apresentante,</p><p>com a exigência do oficial, ou não a podendo satisfazer, é</p><p>o título, a seu requerimento e com a declaração de dúvida,</p><p>remetido ao juízo competente para dirimi-lo, seguindo o</p><p>seguinte:</p><p>I- no Protocolo, anotará, o oficial, à margem da prenotação,</p><p>a ocorrência da dúvida;</p><p>Il- após certificar, no título, a prenotação e a suscitação da</p><p>dúvida, rubricará, o oficial, todas as suas folhas;</p><p>III- em seguida, o oficial dará ciência dos termos da dúvida</p><p>ao apresentante, fornecendo cópia da suscitação e notifi-</p><p>cando-o para impugná-la, perante o juízo competente, no</p><p>prazo de 15 (quinze) dias;</p><p>IMPORTANTE</p><p>92</p><p>IV- certificado o cumprimento do disposto no item anterior,</p><p>remeter-se-ão, ao juízo competente, mediante carga, as</p><p>razões da dúvida, acompanhadas do título.</p><p>Como é possível verificar no texto legal, a dúvida somente pode ser declarada pelo oficial,</p><p>não sendo possível a chamada "dúvida inversa", que é dirigida ao juiz diretamente pela</p><p>parte, sem intermediação do oficial de registro. O STF, inclusive, já se pronunciou.</p><p>Não obstante, cumpre registrar que a jurisprudência tem entendido,</p><p>frente ao princípio da inafastabilidade da jurisdição, que o procedimento</p><p>de dúvida pode ser suscitado pelo interessado na hipótese de negativa</p><p>do cartório. No caso, o juiz deve notificar o registrador para que este</p><p>se manifeste.</p><p>Leia mais em: https://www.migalhas.com.br/dePeso/</p><p>16,MI187650,31047-Aspectos+procedimentais+da+suscitacao</p><p>+de+duvida.</p><p>93</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A retificação de registro imobiliário é a medida eficaz para a correção de uma matrícula</p><p>que não reflete a realidade do imóvel registrado porque houve alteração em suas</p><p>divisas ou porque há qualquer outro erro material no registro.</p><p>• O Oficial Registrador é obrigado a conferir todos os dados dos documentos</p><p>apresentados e, em caso de dúvidas, solicitar explicações e, até mesmo, retificação.</p><p>• Georreferenciamento significa situar a terra rural no globo terrestre, estabelecer um</p><p>endereço. A localização se dá através de levantamento topográfico, que descreve</p><p>os limites, confrontações e características da terra. É feito por meio de memorial</p><p>descritivo que deve conter as coordenadas dos vértices definidores dos limites dos</p><p>imóveis rurais, georreferenciadas ao Sistema Geodésico Brasileiro. Tem a finalidade</p><p>de evitar fraudes na documentação das terras rurais.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>94</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Com relação ao procedimento de dúvida, é correto afirmar:</p><p>a) ( ) Aplica-se, exclusivamente, aos registros imobiliários, não se aplicando nas ou-</p><p>tras especialidades registrais.</p><p>b) ( ) Em caso de sentença improcedente, é determinado, ao Oficial, que proceda com</p><p>o registro do título.</p><p>c) ( ) A respectiva sentença pode ser objeto de apelação pelo interessado, pelo Minis-</p><p>tério Público ou pelo Oficial Registrador.</p><p>d) ( ) Em processo de dúvida, é sempre cabível a ação rescisória.</p><p>2 O que é a dúvida registrária?</p><p>3 Quando é cabível a dúvida?</p><p>4 É admitida a produção de prova no procedimento de dúvida?</p><p>5 Qual a importância do georreferenciamento?</p><p>95</p><p>DOS IMÓVEIS E A</p><p>FISCALIZAÇÃO</p><p>UNIDADE 3 —</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:</p><p>• identificar os conceitos relacionados aos imóveis, como parcelamento do solo,</p><p>loteamento urbano, loteamento rural etc.;</p><p>• entender como funciona a fiscalização no que diz respeito aos imóveis e</p><p>construções;</p><p>• compreender o que o Estatuto das Cidades apresenta em relação à legislação</p><p>urbana;</p><p>• compreender os atos de fiscalização relacionados aos imóveis.</p><p>A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de</p><p>reforçar o conteúdo apresentado.</p><p>TÓPICO 1 – CONCEITOS RELACIONADOS AOS IMÓVEIS</p><p>TÓPICO 2 – FISCALIZAÇÃO</p><p>TÓPICO 3 – ESTATUTO DA CIDADE</p><p>Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure</p><p>um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.</p><p>CHAMADA</p><p>96</p><p>CONFIRA</p><p>A TRILHA DA</p><p>UNIDADE 3!</p><p>Acesse o</p><p>QR Code abaixo:</p><p>97</p><p>TÓPICO 1 —</p><p>CONCEITOS RELACIONADOS AOS IMÓVEIS</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste Tópico 1, estudaremos os conceitos de imóveis e as suas diferenças. Os</p><p>imóveis são tudo aquilo que não pode ser transportado de um lugar para outro sem</p><p>alteração da</p><p>substância. Os bens imóveis são classificados, pela doutrina, da seguinte</p><p>forma: imóveis por natureza (somente o solo, com sua superfície, subsolo e espaço</p><p>aéreo); imóveis por acessão natural (tudo que se adere naturalmente ao solo, como as</p><p>árvores, os frutos pendentes, os acessórios); imóveis por acessão artificial ou industrial</p><p>(é a aderência de um bem ao solo por força humana, como as construções e as</p><p>plantações); e imóveis por determinação legal (são bens que são considerados imóveis</p><p>por força de lei, dando segurança a determinadas relações jurídicas).</p><p>Para o nosso estudo, importa sabermos o conceito de imóvel urbano, o imóvel</p><p>rural, o condomínio edilício e as características que definem cada um desses tipos de</p><p>imóveis. Antes disso, abordaremos o conceito de parcelamento do solo para, posterior-</p><p>mente, estudar os conceitos que a legislação e a doutrina apresentam. Ao fim do tópico,</p><p>você encontrará autoatividades relacionadas ao estudo. Vamos lá?!</p><p>2 PARCELAMENTO DO SOLO</p><p>O parcelamento do solo, como a própria expressão apresenta, é a subdivisão do</p><p>solo, seja ele urbano ou rural. O parcelamento do solo significa dividir uma área. O termo</p><p>parcelamento de solo urbano é gênero das espécies loteamento e desmembramento.</p><p>É a divisão da terra em unidades juridicamente independentes, com vistas à edificação,</p><p>podendo ser realizada na forma de loteamento, desmembramento e fracionamento,</p><p>sempre mediante aprovação municipal.</p><p>Há padrões para as diferentes zonas da cidade definidos não apenas pelo Plano</p><p>Diretor, mas também por leis estaduais e federais. O parcelamento do solo é regido pela</p><p>Lei nº 6.766/79, que é a Lei do Parcelamento do Solo Urbano – LPS, principalmente, em</p><p>seu Art. 2º, que traz:</p><p>Art. 2º - O parcelamento do solo urbano poderá ser feito mediante</p><p>loteamento ou desmembramento, observadas as disposições desta</p><p>Lei e as das legislações estaduais e municipais pertinentes.</p><p>98</p><p>1º - Considera-se loteamento a subdivisão de gleba em lotes</p><p>destinados à edificação, com abertura de novas vias de circulação, de</p><p>logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação</p><p>das vias existentes.</p><p>2º - Considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em lotes</p><p>destinados à edificação, com aproveitamento do sistema viário exis-</p><p>tente, desde que não implique na abertura de novas vias e logradou-</p><p>ros públicos, nem no prolongamento, modificação ou amplificação</p><p>dos já existentes (BRASIL, 1979, s.p.).</p><p>Os parcelamentos podem ser feitos de diversas formas, mas, em qualquer caso,</p><p>é necessário aprovar o projeto na Prefeitura Municipal.</p><p>3 LOTEAMENTO URBANO</p><p>No que diz respeito ao parcelamento do solo urbano, é a divisão de áreas maio-</p><p>res em menores, onde se pode ou não aproveitar a infraestrutura urbana já existente.</p><p>Isso pode ocorrer através de um loteamento, onde se cria toda uma infraestrutura ne-</p><p>cessária, como a abertura de ruas, ou através de um desmembramento.</p><p>Loteamento é a divisão de uma área de terras em lotes destinados à edificação,</p><p>com abertura de novas vias de circulação e implantação de infraestrutura mínima defi-</p><p>nida em lei. Considerando a localização, o loteamento pode ser urbano ou rural. O rural</p><p>tem disciplina diferenciada e requer prévia audiência do INCRA.</p><p>O Parcelamento do Solo Urbano é tratado pela Constituição Federal de 1988, e</p><p>está presente no inciso VIII do Art. 30, e pela Lei nº 6.766, de 19 de dezembro de 1979.</p><p>Tem, como objetivo primordial, regrar a forma de se dividir o solo urbano. Vamos, então,</p><p>verificar o que trazem esses textos legais:</p><p>A CF/88 traz, em seu texto legal, que:</p><p>Art. 30. Compete aos Municípios:</p><p>VIII- promover, no que couber, adequado ordenamento territorial,</p><p>mediante planejamento e controle do uso, do parcelamento e</p><p>da ocupação do solo urbano (BRASIL, 1988, s.p.).</p><p>Já a Lei do Parcelamento de Solo traz, nos artigos iniciais, as seguintes</p><p>definições:</p><p>Art. 1º. O parcelamento do solo para fins urbanos será regido por esta</p><p>Lei.</p><p>Parágrafo único - Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios po-</p><p>derão estabelecer normas complementares relativas ao parcelamen-</p><p>to do solo municipal para adequar o previsto nesta Lei às peculiarida-</p><p>des regionais e locais (BRASIL, 1979, s.p.).</p><p>99</p><p>O parcelamento de solo, então, é um ato em que as determinações municipais</p><p>têm imenso peso. Cada município do país, através do seu Plano Diretor (criado em</p><p>sintonia absoluta com o Estatuto da Cidade), complementa e regra o parcelamento de</p><p>solo, adequando-o às realidades e peculiaridades da região.</p><p>Analisando, ainda, a Lei n° 6.766/79, temos que:</p><p>Art. 2º - O parcelamento do solo urbano poderá ser feito mediante</p><p>loteamento ou desmembramento, observadas as disposições desta</p><p>Lei e as das legislações estaduais e municipais pertinentes.</p><p>§1º - Considera-se loteamento a subdivisão de gleba em lotes</p><p>destinados à edificação, com abertura de novas vias de circulação, de</p><p>logradouros públicos ou prolongamento, modificação ou ampliação</p><p>das vias existentes.</p><p>§2º - Considera-se desmembramento a subdivisão de gleba em</p><p>lotes destinados à edificação, com aproveitamento do sistema</p><p>viário existente, desde que não implique na abertura de novas vias</p><p>e logradouros públicos, nem no prolongamento, modificação ou</p><p>amplificação dos já existentes.</p><p>[...]</p><p>§ 4º Considera-se lote o terreno servido de infraestrutura básica,</p><p>cujas dimensões atendam aos índices urbanísticos definidos pelo</p><p>plano diretor ou lei municipal para a zona (BRASIL, 1979, s.p.).</p><p>Para entendermos o conceito de loteamento, é importante sabermos o que são</p><p>glebas e lotes.</p><p>GLEBA: é a terra crua, sem qualquer regulamentação e adequação às leis</p><p>brasileiras e regionais. Trata-se da área do terreno que ainda não foi objeto de loteamento</p><p>ou desmembramento regular. Após o registro do parcelamento, o imóvel deixa de existir</p><p>juridicamente como gleba, e passa a existir como coisa loteada ou desmembrada,</p><p>composta de lotes e áreas públicas.</p><p>Conforme Scavone Jr. (2019, s.p.):</p><p>Gleba é a porção de terra que não tenha sido submetida a parcela-</p><p>mento sob a égide da Lei n° 6.766/79, o que equivale dizer que es-</p><p>taremos diante de uma gleba se a porção de terra jamais foi loteada</p><p>ou desmembrada sob a vigência da nova lei.</p><p>O Plano Diretor é o instrumento básico da política de desenvolvi-</p><p>mento do município. Sua principal finalidade é orientar a atuação</p><p>do poder público e da iniciativa privada na construção dos espaços</p><p>urbano e rural na oferta dos serviços públicos essenciais, assegu-</p><p>rando melhores condições de vida para a população.</p><p>NOTA</p><p>100</p><p>FIGURA 1 – REGISTRO DE IMÓVEIS DE CONCHAS</p><p>FONTE: <http://eduardoaugusto-irib.blogspot.com.br/>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>O lote é um terreno que possui infraestrutura básica, cujas dimensões atendem</p><p>aos índices urbanísticos definidos pelo plano diretor ou lei municipal para a zona em</p><p>que se localiza. Assim, para ser lote, é necessário possuir as seguintes infraestruturas</p><p>básicas:</p><p>• Equipamentos urbanos de escoamento pluvial.</p><p>• Iluminação pública.</p><p>• Esgotamento sanitário.</p><p>• Abastecimento de água.</p><p>• Energia elétrica: pública, residencial e nas vias de circulação.</p><p>O tamanho legal mínimo do lote deve ser de, pelo menos, cento e vinte e cinco</p><p>metros quadrados (125m²), e frente de cinco metros (5m²), conforme a legislação.</p><p>Contudo, há restrições da legislação estadual, municipal e nos casos de loteamentos</p><p>destinados à urbanização específica ou edificação de conjuntos habitacionais de</p><p>interesse social, já previamente aprovados.</p><p>Veja alguns tipos de tamanhos de lotes:</p><p>101</p><p>FIGURA 2 – GABARITO DO TAMANHO DOS LOTES</p><p>FONTE: <http://www.sij.com.br/>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>Veja, a seguir, o que é um loteamento:</p><p>FIGURA 3 – LOTEAMENTO</p><p>FONTE: <http://www.sij.com.br>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>É necessário entender dois conceitos que, infelizmente, fazem parte da realida-</p><p>de de muitos municípios: o loteamento irregular e o loteamento clandestino.</p><p>Loteamento irregular é aquele loteamento que, apesar de estar aprovado pelo</p><p>poder público ou registrado no registro de imóveis competente, não foi executado aten-</p><p>dendo às exigências legais. Exemplo: ausência de infraestrutura, de área comunitá-</p><p>102</p><p>ria, de área verde. Já o loteamento clandestino é aquele loteamento que não possui a</p><p>aprovação do poder público ou não possui o registro no Cartório de Registro de Imóveis</p><p>competente. Ele não possui matrícula, tampouco individualização dos respectivos lotes.</p><p>Assim, podemos usar o exemplo de um corretor de imóveis que busca uma área para</p><p>uma futura implantação de loteamento. Ele dever ter em mente os seguintes elementos</p><p>para que sua busca seja assertiva:</p><p>• Tamanho do lote.</p><p>• Dimensão da via.</p><p>• Infraestrutura urbana: Drenagem, Sanitário, Preventivo de Incêndio, Energia Elétrica</p><p>e Iluminação Pública e Pavimentação (conforme Lei Municipal de cada local).</p><p>• Doação de Áreas Públicas (análise da necessidade);</p><p>• Faixas no aedificandi de Equipamentos Urbanos e Cursos de Água (conforme</p><p>determina o Código Florestal).</p><p>Caberá, ao loteador, a execução de obras de infraestrutura do loteamento,</p><p>que incluem, no mínimo, a implantação das vias de circulação, demarcação dos lotes,</p><p>quadras e logradouros e obras de escoamento das águas pluviais. Leis municipais podem</p><p>estabelecer outras exigências, além daquelas já previstas na lei federal. O Habite-se,</p><p>inclusive, somente será concedido pela prefeitura após a vistoria técnica atestar que</p><p>a obra do loteamento está em consonância com os projetos gráficos aprovados e os</p><p>parâmetros urbanísticos do município.</p><p>Outro elemento que temos, em relação à divisão de terras, é o desmembramento.</p><p>Desmembramento é uma forma de parcelamento do solo, realizada de</p><p>maneira mais simplificada e conveniente ao empreendedor. Isso se dá ao fato de que</p><p>o ônus referente à abertura de novas vias, ampliação de vias existentes e instalação</p><p>da respectiva infraestrutura é de responsabilidade do requerente, que, às vezes, não</p><p>faz. O desmembramento de imóveis urbanos é um direito que a prefeitura concede,</p><p>ao proprietário, de dividir sua propriedade em duas ou mais partes, desde que siga as</p><p>especificações exigidas.</p><p>De uma forma mais técnica, o ato de desmembrar seria a subdivisão de gleba</p><p>em lotes destinados à edificação, com aproveitamento do sistema viário existente,</p><p>desde que não implique na abertura de novas vias e logradouros públicos, nem no</p><p>prolongamento, modificação ou ampliação dos já existentes.</p><p>O descumprimento das obrigações dá margem a situações não adequadas que</p><p>geram futuros déficits de áreas de uso comum (ex.: parques, praças, creches, postos de</p><p>saúde, escolas), fazendo com que a produção da cidade seja feita de forma prejudicial</p><p>para a sociedade como um todo.</p><p>Veja, a seguir, o que é um desmembramento:</p><p>103</p><p>FIGURA 4 – PROJETO DE DESMEMBRAMENTO</p><p>FONTE: <https://www.totalconstrucao.com.br/desmembramento-de-terreno/>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>É fundamental conhecer alguns conceitos com relação ao parcelamento</p><p>de solo. Assim, ainda, é importante esclarecermos que DESDOBRO é diferente de</p><p>DESMEMBRAMENTO e diferente de REMEMBRAMENTO.</p><p>O DESDOBRO, em um primeiro momento, parece ser muito semelhante ao</p><p>DESMEMBRAMENTO. A figura do DESDOBRO não foi comtemplada na Lei de Parcela-</p><p>mento de Solo, todavia, é aceita em inúmeros estados do país.</p><p>Temos que DESDOBRO é um fracionamento/divisão (da área) do LOTE para</p><p>formação de novo ou de novos LOTES. Evidentemente que tal divisão deve estar de</p><p>acordo e atender às exigências mínimas de dimensionamento e índices urbanísticos</p><p>para edificação existente em cada município.</p><p>REMEMBRAMENTO: é união. Destina-se a realizar a fusão ou unificação de dois</p><p>ou mais lotes, para a formação/criação de um único novo lote. Esse reagrupamento</p><p>é capaz de formar lotes contíguos e maiores. Assim como no desdobro, o terreno</p><p>resultante do remembramento é considerado tecnicamente um novo imóvel, uma vez</p><p>que possui: uma nova matrícula própria e uma nova área com novas metragens de</p><p>limites e confrontações.</p><p>Veja, a seguir, o que é um REMEMBRAMENTO:</p><p>104</p><p>FIGURA 5 – REMEMBRAMENTO</p><p>FONTE: <https://eipengenharia.com.br/desmembramento-e-remembramento/>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>O imóvel urbano é aquele situado em zona urbana, de acordo com as normas</p><p>municipais. Pode ser, ainda, considerado imóvel urbano, aquele que, mesmo fora da</p><p>zona urbana ou sem definição de zoneamento, tenha, no mínimo, dois dos requisitos a</p><p>seguir:</p><p>• meio-fio ou calçamento, com canalização de águas pluviais;</p><p>• abastecimento de água;</p><p>• sistema de esgoto sanitário;</p><p>• rede de iluminação pública;</p><p>• escola primária ou posto de saúde com distância máxima de 3 (três) quilômetros do</p><p>imóvel.</p><p>Sobre a incidência de imposto territorial urbano, incide o IPTU sobre o imóvel ur-</p><p>bano, que é cobrado anualmente e fiscalizado pela prefeitura municipal. A competência</p><p>para fixação do valor de IPTU é da prefeitura, com base no valor venal do imóvel.</p><p>O IPTU incide sobre a propriedade, a posse e o domínio útil. Já o não pagamento</p><p>gera algumas consequências, como a inscrição do débito em dívida ativa, o impedimen-</p><p>to da comercialização da propriedade do imóvel e a constituição de garantias.</p><p>Há casos em que alguns imóveis, mesmo situados em zona urbana, devido à</p><p>destinação rural, ou seja, exploração extrativista, pecuária, agricultura em geral, deixam</p><p>de pagar IPTU para pagar Imposto Territorial Rural – ITR, mas é uma exceção à regra do</p><p>imóvel urbano.</p><p>105</p><p>Ainda, com relação à Lei de Parcelamento de Solo, é preciso estar ciente de que</p><p>somente é admitida a realização do parcelamento de solo em áreas urbanas, de</p><p>expansão urbana ou de urbanização específica.</p><p>Diante disso, não é permitido parcelamento de solo:</p><p>• em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações;</p><p>• em terrenos que tenham sido aterrados com material nocivo à saúde humana;</p><p>• em terrenos com declividade igual ou superior a 30% (trinta por cento);</p><p>• em terrenos onde as condições geológicas não aconselham a edificação;</p><p>• em áreas de preservação ecológica.</p><p>Ainda, temos o conceito de áreas públicas, que são aquelas automaticamente</p><p>transmitidas para a titularidade do Poder Público com o registro do loteamento. São</p><p>consideradas áreas públicas aquelas destinadas ao sistema de circulação, implantação</p><p>de equipamentos urbanos, como equipamentos para o abastecimento de água, esgoto,</p><p>energia elétrica, e os espaços livres de uso público.</p><p>4 LOTEAMENTO RURAL</p><p>Com relação ao loteamento rural e à conversão de área rural em área urbana,</p><p>temos que perceber que a LPS é uma lei que trata do parcelamento do solo urbano, e</p><p>não do rural, por isso, aplica-se apenas ao parcelamento dos imóveis urbanos. Com isso,</p><p>é preciso verificar se o imóvel se encontra no cadastro imobiliário municipal, ou se está</p><p>no cadastro de imóveis rurais do INCRA.</p><p>Somente é admitido o parcelamento do solo para fins urbanos em zonas urba-</p><p>nas, de expansão urbana ou de urbanização específica, com definição pelo plano diretor</p><p>ou por lei municipal. Cabe, ao município, então, definir e organizar sua zona urbana, além</p><p>de como definir a área em que essa zona urbana deve crescer, transformando a parte</p><p>rural em urbana.</p><p>Ainda, é muito comum que o loteamento se desenvolva sobre área que era rural</p><p>e que passa a ser urbana. Contudo, para que isso aconteça, todas as alterações de uso do</p><p>solo rural para fins urbanos dependem de prévia audiência do Instituto Nacional de Colo-</p><p>nização e Reforma Agrária – INCRA e da aprovação da Prefeitura Municipal ou do Distrito</p><p>Federal quando for o caso, segundo as exigências da legislação pertinente.</p><p>Projetos de loteamentos rurais, com o objetivo de urbanização, industrialização</p><p>ou sítio de recreio, para serem aprovados, só podem ser</p><p>feitos em áreas que já sejam</p><p>consideradas urbanas (ou em planos de urbanização), se é oficialmente declarada zona</p><p>de turismo, estância hidromineral ou balneária, ou que, comprovadamente, tenham sido</p><p>perdidas as características produtivas (agropastoris).</p><p>106</p><p>Para provar que a área é improdutiva, o Art. 53 da Lei n° 6.766/79 (sobre</p><p>parcelamento do solo) menciona que toda alteração de uso do solo rural para fins</p><p>urbanos depende, antes, de análise e aprovação do Instituto Nacional de Colonização e</p><p>Reforma Agrária (Incra)</p><p>Um exemplo prático da situação é quando o interessado leva, ao conhecimento</p><p>do INCRA, a lei municipal que tornou a área urbana, mais a inscrição da área no</p><p>cadastro municipal, requerendo o cancelamento do cadastro no INCRA. Feita a análise</p><p>da regularidade, além da veracidade da documentação, o INCRA emite um termo</p><p>autorizando a baixa no registro de imóveis, que deve ser requerido pelo proprietário.</p><p>Tal ato é vinculado bastando a comprovação, ao INCRA, da mudança da destinação</p><p>do imóvel.</p><p>5 CONDOMÍNIO EDILÍCIO</p><p>O condomínio edilício tem, como requisito para poder ser constituído, a existên-</p><p>cia de edificações, partes que são propriedades exclusivas, e partes que são propriedades</p><p>comuns dos condôminos. Ou seja, sua instituição requer a existência de edificações.</p><p>Um condomínio edilício é um espaço que une ambientes privados e ambientes de uso</p><p>conjunto. Cada proprietário é dono da sua parte individual, mas também é dono de uma</p><p>fração das áreas em comum.</p><p>Portaria, piscina, jardins e salões de festa são considerados áreas em comum,</p><p>assim como a rede elétrica, de esgoto, de refrigeração e telhado.</p><p>O condomínio edilício também é conhecido por outros nomes, como:</p><p>• Condomínio em plano horizontal;</p><p>• Propriedade horizontal;</p><p>• Condomínio sui generes;</p><p>• Condomínio por andares ou em edifício de andares.</p><p>Contudo, embora uma das características mais importantes do condomínio seja</p><p>a necessidade de existência de edificação, há outras que merecem destaque:</p><p>a) o condomínio edilício é regulamentado pelos arts. 1331 e seguintes do Código Civil, e</p><p>pelos artigos da Lei nº 4.591/64;</p><p>b) a constituição desse tipo de condomínio é feita pela união indissolúvel da proprieda-</p><p>de exclusiva com a propriedade comum de bens;</p><p>c) todos os proprietários devem seguir a convenção do condomínio e seu regimento</p><p>interno, registrados no cartório de registro de imóveis;</p><p>d) toda a área do condomínio, seja de propriedade exclusiva, seja de propriedade comum,</p><p>é particular e pertence aos condôminos, de forma exclusiva ou de forma coletiva.</p><p>107</p><p>e) os condôminos têm o dever legal de contribuir para as despesas do condomínio na</p><p>proporção das suas frações ideais, exceto disposições em contrário na convenção</p><p>coletiva;</p><p>f) As partes da propriedade exclusiva podem ser alienadas e gravadas livremente por</p><p>seus proprietários, exceto os abrigos para veículos, que não podem ser alienados</p><p>ou alugados a pessoas estranhas ao condomínio, salvo autorização expressa na</p><p>convenção de condomínio;</p><p>g) As partes comuns são utilizadas por todos os condôminos e não podem ser alienadas</p><p>separadamente ou divididas.</p><p>Existem os condomínios edilícios e os condomínios gerais. Em uma situação</p><p>de condomínio geral, também conhecido como “comum”, todos os proprietários são</p><p>donos de tudo, sem diferenciação ou exclusividade. No caso, não existe nenhum tipo de</p><p>marcação do que pertence à pessoa A ou à pessoa B.</p><p>Para simplificar, imagine que o condomínio é um imóvel de dois quartos. No</p><p>local, moram dois irmãos: João e Roberto. Se aplicarmos o modelo de condomínio geral</p><p>na casa, os dois irmãos são donos dos quartos, banheiros, garagem, ou seja, de tudo.</p><p>Não há espaço exclusivo no imóvel, e os dois podem fazer o que bem entenderem com</p><p>qualquer área.</p><p>Se imaginarmos essa casa como um Condomínio Edilício, cada um dos irmãos é</p><p>dono de um quarto e as partes restantes são de uso compartilhado. Cozinha, banheiro</p><p>e jardim são divididos entre os dois, enquanto os quartos são privativos. João não pode</p><p>alugar, vender ou modificar qualquer coisa no quarto de Roberto.</p><p>Em um edifício residencial, que seja condomínio edilício, cada condômino é pro-</p><p>prietário exclusivo do seu apartamento, e também tem direito a acessar a portaria, ele-</p><p>vadores, salão de festas, piscina, ou seja, as áreas em comum. Se uma área residencial</p><p>utilizasse a legislação de um condomínio geral, todos os apartamentos e todas as partes</p><p>em comum pertenceriam a todos os condôminos. Imagine o caos que seria.</p><p>Outra questão que diferencia os dois modelos é que condomínios edilícios não</p><p>podem ser vendidos ou extintos. Mesmo que todos os proprietários estejam de acordo</p><p>ou exista uma ação judicial, esse tipo de condomínio não pode ser encerrado.</p><p>6 INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA (LEI Nº 4591/64)</p><p>A Incorporação Imobiliária está diretamente ligada quando nos deparamos com</p><p>um imóvel na situação de lançamento e, logo, começamos a perceber que, repetidas</p><p>vezes, o termo “Incorporação Imobiliária” é mencionado.</p><p>108</p><p>• Incorporação Imobiliária</p><p>A lei que trata da Incorporação Imobiliária é a Lei nº4591/64. Em sentido geral,</p><p>incorporação significa inclusão, união ou ligação de uma coisa no corpo de outra coisa.</p><p>A incorporação imobiliária consiste em um negócio jurídico de natureza com-</p><p>plexa, subordinado a um regime legal especial. O legislador se preocupa a criar meca-</p><p>nismos para defesa dos interesses dos adquirentes (clientes) de unidades autônomas</p><p>de edifícios ainda em fase de construção.</p><p>Em uma análise mais pontual, o que temos são situações jurídicas que podem</p><p>gerar vários negócios ou contratos entre o construtor, o adquirente e outras pessoas</p><p>que, eventualmente, pertençam àquela negociação, como o proprietário do terreno, a</p><p>empresa de projeto, a administradora das vendas etc.</p><p>No mundo dos negócios imobiliários, a expressão “incorporação imobiliária” tem</p><p>o significado de mobilizar fatores de produção para construir e vender, total ou parcial-</p><p>mente, durante a construção, unidades imobiliárias em edificações coletivas, envolven-</p><p>do o agrupamento de pessoas com o objetivo final de promover uma construção até a</p><p>real finalização (CHALHUB, 2010).</p><p>O Art. 28 da Lei n° 4591/64, em seu parágrafo único, traz a definição de</p><p>incorporação imobiliária:</p><p>Art. 28. [...].</p><p>Parágrafo único. Para efeito desta Lei, considera-se incorporação</p><p>imobiliária a atividade exercida com os intuitos de promover e realizar</p><p>a construção, para alienação total ou parcial, de edificações ou</p><p>conjunto de edificações compostas de unidades autônomas (BRASIL,</p><p>1964, s.p.).</p><p>Assim, atividade de incorporação imobiliária deve ser entendida como um pro-</p><p>cesso pelo qual uma pessoa física ou jurídica desenvolve um empreendimento. A em-</p><p>presa ou pessoa que promoveu a construção, ou seja, que administrou o projeto, pro-</p><p>vavelmente, será quem efetuará a venda das futuras unidades. Essa pessoa é chamada</p><p>de incorporadora.</p><p>Entenderemos, agora, quem são os atores do processo de Incorporação Imobiliária.</p><p>A sistemática que regra a forma com que acontecem os atos de criação de uma</p><p>incorporação imobiliária, regrada pela Lei nº 4.591/64, é um encadeamento de muitos</p><p>atos jurídicos que, obrigatoriamente, abrangem:</p><p>a) alienação de uma área ou fração ideal de uma área (terreno);</p><p>b) processo de construção (do início ao fim) de um edifício;</p><p>c) venda das unidades concluídas ou não concluídas (na planta);</p><p>d) condomínio a ser constituído.</p><p>109</p><p>6.1 OS ATORES DO PROCESSO DE INCORPORAÇÃO</p><p>IMOBILIÁRIA</p><p>PROPRIETÁRIO DO TERRENO – é o dono do terreno que não deve ser confundi-</p><p>do com o incorporador, mas que também pode ser o incorporador.</p><p>INCORPORADOR – muitas são as pessoas que podem ocupar esse papel.</p><p>Inicialmente, considerando que uma incorporação imobiliária é uma atividade que</p><p>visa lucro, o incorporador é, geralmente, a empresa ou empresário</p><p>que constrói o</p><p>empreendimento, podendo, ainda, ser:</p><p>a) o proprietário do terreno, o promitente comprador, o cessionário ou promitente</p><p>cessionário;</p><p>b) o construtor;</p><p>c) o corretor de imóveis;</p><p>CONSTRUTOR OU CONSTRUTORA – A construtora pode ser uma empresa con-</p><p>tratada pela incorporadora para a execução da obra. Uma mesma empresa pode exercer</p><p>as funções de incorporadora e construtora. Muitas vezes, as próprias incorporadoras</p><p>possuem construtoras. No tocante aos regimes de construção, é possível optar por dois</p><p>regimes diferentes:</p><p>• Incorporação em que a construção seja feita pelo regime de empreitada: na mo-</p><p>dalidade, o contrato de construção deve trazer, expressamente, o orçamento atu-</p><p>alizado da obra, calculado de acordo com as normas da ABNT. O contrato de em-</p><p>preitada, a preço fixo ou reajustável na incorporação imobiliária, rege-se pela Lei nº</p><p>4591/64 e, subsidiariamente, pelas disposições contidas nos arts. 1.237 a 1.247 do</p><p>CC. Assim, são, da responsabilidade do empreiteiro, os riscos, a solidez e a segurança</p><p>do trabalho. A construção por empreitada se divide em empreitada por preço fixo e</p><p>empreitada a preços reajustáveis.</p><p>• Incorporação em que a construção seja feita pelo regime de administração ou</p><p>a preço de custo: na modalidade, cabe, ao condômino, fornecer, ao incorporador e</p><p>ao construtor, nos prazos estipulados, as parcelas destinadas ao pagamento das</p><p>despesas. No sistema, nenhuma responsabilidade pode ser imputada ao incorporador</p><p>ou ao construtor pela paralisação ou atraso das obras, se houver impontualidade por</p><p>parte dos condôminos, ou a assembleia geral estipular valores insuficientes.</p><p>• Em situações legais, no tocante ao pagamento do preço desses imóveis futuros,</p><p>ou mesmo no tocante à entrega final aos consumidores adquirentes, sem dúvidas,</p><p>situações como essas se solucionam pelas regras do Código Civil.</p><p>• Em situações legais, no tocante à forma de desempenho do construtor durante a</p><p>execução do projeto da obra, incidem as regras da empreitada, solucionadas pelas</p><p>regras do Código Civil.</p><p>110</p><p>• Em situações legais, no tocante a problemas entre o condômino e a comissão de</p><p>representantes, devido a questionamentos em relação ao não recolhimento das</p><p>cotas na forma e no tempo adequados, a regência jurídica não é pelas regras do</p><p>Código Civil, e sim pela sistemática especial da Lei nº 4.591/64.</p><p>Diante dos exemplos, fica claro que a Lei nº 4.591/64 é muito importante para a</p><p>atuação do corretor de imóveis, em especial, para aqueles que trabalham com vendas</p><p>de imóveis do tipo “lançamento”. É tão especial, o regime da incorporação imobiliária,</p><p>no tocante à venda de unidades, que a lei autoriza, especialmente o condomínio, em</p><p>determinados casos, a romper o contrato com o construtor e com o incorporador. Assim,</p><p>eles podem assumir as rédeas da construção, podendo, para isso, inclusive, substituir a</p><p>equipe de obra.</p><p>Com relação ao CDC (Código de Defesa do Consumidor), pode ser aplicado</p><p>frente aos imóveis vendidos em regime de incorporação?</p><p>Apenas recorrer ao CDC para coibir abuso praticado pelo</p><p>fornecedor, seja no estabelecimento de cláusula abusiva, seja por</p><p>defeito do produto ou do serviço. Deve ocorrer, portanto, fora</p><p>do âmbito fixado pelas regras da lei de incorporação, estas que</p><p>operam as do CDC.</p><p>NOTA</p><p>6.2 REGISTRO DE INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA</p><p>Analisaremos a questão do Registro da Incorporação Imobiliária de Imóveis, o</p><p>conhecido “RI”. Veremos o seu conceito, que é tão importante para o nosso estudo.</p><p>Afinal, o que é o RI? É o Registro de Incorporação Imobiliária.</p><p>Para que a incorporação se torne legítima, o incorporador deve fazer o registro</p><p>com o Cartório de Registro de Imóveis. A incorporação sem o devido registro é ilegal</p><p>e, juridicamente, não existente. Assim, o incorporador se dirige ao Registro de Imóveis</p><p>competente com uma vasta e específica documentação legal e, por requerimento,</p><p>solicita, ao oficial do Registro de Imóveis, para que proceda ao registro da incorporação</p><p>daquele empreendimento. No ato do protocolo, o registrador faz a prenotação do</p><p>protocolo do pedido de registro da Incorporação Imobiliária.</p><p>Antecede um exame cauteloso por parte do oficial do registro, que, ao encon-</p><p>trar alguma irregularidade, deve impugnar a incorporação (apresentar uma exigência),</p><p>apontando o erro e solicitando ajuste. Segundo Serra (2010), o erro deve ser soluciona-</p><p>111</p><p>do pelo incorporador, e a documentação deve, novamente, ser submetida ao Registro</p><p>de Imóveis para nova apreciação. Após, o registrador procede ao registro da incorpora-</p><p>ção com o posterior arquivamento de toda a documentação. O Registro de Incorporação</p><p>do Empreendimento (RI) descreve todas as características construtivas do empreendi-</p><p>mento e tem, como principal objetivo, informar, ao comprador, de que forma o projeto</p><p>é executado. Pelo Registro de Incorporação, é possível obter informações, como áreas</p><p>comuns e privativas do empreendimento, vagas de garagem e área de lazer disponível.</p><p>O registro recebe um número de ordem na sequência da matrícula do terreno,</p><p>a referência principal de todos os atos jurídicos relacionados àquela incorporação.</p><p>O registro de incorporação imobiliária tem validade legal de 180 dias, podendo ser</p><p>revalidado. Dentro do prazo, o incorporador pode dar início à alienação das unidades</p><p>autônomas.</p><p>O Registro de Incorporação apresenta todo o seu potencial multiplicador para o</p><p>Mercado Imobiliário.</p><p>Algumas situações que podem ocorrer com as incorporações e que o corretor</p><p>de imóveis deve estar muito atento, conforme a legislação:</p><p>• Caso vencido o prazo de 180 dias sem nenhuma alienação de unidade, deve, o in-</p><p>corporador, atualizar a documentação, solicitando, ao Registro de Imóveis, a revalida-</p><p>ção do registro por mais 180 dias.</p><p>• Caso vencido o prazo de 180 dias sem nenhuma alienação de unidade, sem que a</p><p>revalidação tenha sido operada, é ilegal seguir vendendo as unidades.</p><p>• Caso tenham ocorrido alienações de unidades autônomas do empreendimento, o</p><p>contrato de compra e venda gerado pode ser averbado. Ocorrendo isso, a incorporação</p><p>é considerada “perfectibilizada”, e as vendas podem seguir normalmente. Não há</p><p>necessidade de renovação do prazo anteriormente mencionado.</p><p>Caso o incorporador deseje DESISTIR da incorporação, o que acontece?</p><p>É permitido, ao incorporador, determinar, para si, um prazo para desistir da</p><p>incorporação, dentro do prazo de carência. A desistência deve ser denunciada por escrito</p><p>ao Registro de Imóveis e comunicada, também por escrito, a cada um dos adquirentes,</p><p>sob pena do incorporador responder civil e criminalmente.</p><p>Havendo a denúncia (pedido), o oficial do Registro de Imóveis procede com a</p><p>averbação da desistência, arquivando-se o respectivo instrumento. Deve, o incorpora-</p><p>dor, então, dentro de 30 dias, devolver, aos adquirentes, as importâncias pagas devida-</p><p>mente corrigidas, podendo cobrá-las mediante execução.</p><p>112</p><p>É importante saber que a matrícula de um imóvel, quando recebe uma incor-</p><p>poração imobiliária, recebe inúmeras novas folhas com as novas informações. Assim,</p><p>geralmente, um empreendimento proveniente de incorporação imobiliária tem uma ma-</p><p>trícula muito grande e com valor mais elevado, devido ao grande número de folhas.</p><p>O incorporador tem, também, direitos que devem ser observados:</p><p>a) Exigir do compromissário da venda e compra e/ou outro pertinente à transação da</p><p>unidade imobiliária, comprovante do cumprimento das suas obrigações, sob pena de</p><p>rescisão do pré-contrato com possíveis perdas de parcelas pagas.</p><p>b) Cobrar, judicialmente, as prestações em atraso.</p><p>c) Ajuizar ação de rescisão contratual ou de reintegração de posse, se for o caso, pela</p><p>inadimplência causada pelo compromissário comprador.</p><p>d) Reter a unidade a ser entregue nos casos de alienação por compromisso de venda e</p><p>compra ou</p><p>um pouco da história dos registros</p><p>públicos, mas com um olhar voltado, especialmente, para o registro de imóveis.</p><p>2 UM POUCO DE HISTÓRIA</p><p>Historicamente, é possível perceber que o funcionamento do sistema registral</p><p>imobiliário de cada país tem reflexos diretos na economia, pois, de acordo com Serra e</p><p>Serra (2018), busca-se a garantia da segurança jurídica nas transações sobre direitos</p><p>reais e, como consequência, a segurança do crédito por meio da proteção dos direitos</p><p>reais de garantia, gerando negócios e desenvolvimento, que levam ao aquecimento da</p><p>economia.</p><p>O sistema registral, conforme Serra e Serra (2018), pode ser definido como o</p><p>conjunto de regras e princípios acerca da criação, modificação e extinção dos direitos</p><p>reais. Trata não só da tutela dos direitos, como também da liberdade de contratar sobre</p><p>eles e os efeitos decorrentes da publicidade inscritiva.</p><p>4</p><p>Pela Lei nº 6.015/73, que regulamenta os registros públicos no Brasil, são quatro</p><p>as categorias previstas. São elas:</p><p>• Registro Civil de Pessoas Naturais: em resumo, tem, por finalidades, o arquivamento e</p><p>registro (compreendidos no termo anotações e averbações) de atos e fatos jurídicos</p><p>da vida civil, como nascimentos, casamentos e óbitos.</p><p>• Registro Civil das Pessoas Jurídicas: suas atribuições são o arquivamento e o registro</p><p>da constituição de pessoas jurídicas (associações, sociedades e fundações), além da</p><p>averbação das alterações estatutárias e contatuais. As sociedades empresárias, no</p><p>entanto, vinculam-se ao Registro Público de Empresas Mercantis, a cargo das Juntas</p><p>Comerciais.</p><p>• Registro de Títulos e Documentos: é o arquivo público por essência. Exceto nos casos</p><p>previstos em lei, nos quais o registro gera efeitos contra terceiros, ele visa, em suma,</p><p>à conservação dos documentos trazidos para registro.</p><p>• Registro de Imóveis: tem, por objeto, o registro dos atos jurídicos relativos a direitos</p><p>reais sobre imóveis e aos direitos equiparados por lei (BRASIL, 1973).</p><p>Existem outros registros públicos regidos por leis extravagantes no nosso siste-</p><p>ma jurídico, como o registro mercantil, que fica a cargo das Juntas Comerciais, registro</p><p>da propriedade industrial, registro de marcas e patentes, todos prestados diretamente</p><p>pelo Estado.</p><p>Direcionaremos um olhar especial para o registro de imóveis, que é o tema do</p><p>nosso material de estudos. Assim, o registro de imóveis, para Abreu (2013), pode ser</p><p>conceituado como o cadastro jurídico da propriedade no Brasil. Tem, por finalidades, o</p><p>assentamento e o arquivamento de atos relativos a direitos reais imobiliários ou a equi-</p><p>parados por lei, como a cláusula de vigência e o direito de preferência em contrato de</p><p>locação. Por meio do registro é que se constituem a propriedade e os demais direitos</p><p>reais imobiliários.</p><p>Para entender melhor o Sistema Registral Brasileiro atual, é importante que se</p><p>faça uma análise da evolução dos direitos reais. Assim, faremos uma análise dos primór-</p><p>dios, antes das primeiras regulamentações sobre o tema, partindo-se do pressuposto</p><p>de que, no início, todas as terras eram públicas, ou seja, pertenciam ao Estado.</p><p>A primeira regra de distribuição de terras no Brasil, segundo Serra e Serra (2018),</p><p>foi, por consequência, a primeira norma que tratou dos direitos reais no país. Veio dis-</p><p>posta nas Ordenações do Reino, que trouxeram as chamadas Capitanias Hereditárias.</p><p>Na sistemática, a Coroa Portuguesa conferiu o título de propriedade precária e resolúvel</p><p>a algumas pessoas escolhidas, sem transmitir o domínio pleno até a satisfeita condição</p><p>de exploração efetiva das terras, sob pena de retorno à Coroa. Assim, segundo o autor,</p><p>surgiu a expressão terras devolutas, aplicada às terras que não cumpriram as condições</p><p>estabelecidas pela Coroa, sendo devolvidas.</p><p>5</p><p>Na sequência, ainda sobre Serra e Serra (2018), que estudam a matéria, a</p><p>Coroa Portuguesa transpôs, para o Brasil, o Sistema das Sesmarias, que já utilizava</p><p>em Portugal desde 1735. Esse sistema possibilitava que fossem distribuídas terras a</p><p>terceiros, primeiramente, pelos donatários das capitanias, depois, pelo próprio governo,</p><p>sob a condição de exploração. Diferentemente das Sesmarias implantadas em Portugal,</p><p>que se caracterizavam por doações de terras em caráter vitalício, mas que não se</p><p>transmitiam com a morte, no Brasil, essas doações adquiriram caráter perpétuo, desde</p><p>que cumpridos os requisitos de exploração. Isso se deu devido à necessidade de</p><p>povoamento das terras descobertas.</p><p>Com as distribuições de terras, houve um lapso de tempo no ordenamento, no</p><p>qual não se dispôs a respeito da propriedade imóvel, além das transmissões, sendo</p><p>que estas, na sistemática corrente, passaram a ser feitas pela simples tradição. Dessa</p><p>forma, para Serra e Serra (2018), aqueles que não possuíam títulos decorrentes das</p><p>Sesmarias ou das Capitanias Hereditárias passaram a ocupar as terras, de modo que a</p><p>situação passou a girar em torno da posse. A situação, em um primeiro momento, não</p><p>despertou o interesse do legislador por ser, a posse, algo concreto que satisfazia os</p><p>anseios das partes. Todavia, a situação não se mostrou tão eficiente no que se refere</p><p>à garantia hipotecária já existente na época. Tendo em vista que uma mesma pessoa</p><p>dava, em hipoteca, o imóvel para vários credores, muitas vezes, sem uns saberem dos</p><p>outros, era comum que, em um certo ponto, as dívidas superassem em muito o valor</p><p>da propriedade, de forma que os credores não conseguiam satisfazer os seus créditos.</p><p>Até o momento em que começavam a surgir os vários credores, não havia como uns</p><p>tomarem conhecimento dos outros.</p><p>A falta de controle das hipotecas veio para enfraquecer o instituto, o que</p><p>trouxe graves reflexos para a economia, como a diminuição dos créditos e o aumento</p><p>das taxas de juros. Em virtude do exposto, surgiu a Lei Orçamentária nº 317, de 31 de</p><p>outubro de 1843, regulamentada pelo Decreto nº 482, de 14 de novembro de 1846,</p><p>que criou o nosso primeiro Registro Geral de Hipotecas. Temos, então, que a primeira</p><p>forma de registro existente no Brasil não veio a tratar da propriedade, a qual continuou</p><p>desassistida, mas do registro das hipotecas, lembrando que, para o registro delas, não</p><p>se fazia nenhum controle no sentido de se a pessoa que estava dando a garantia era a</p><p>pessoa competente.</p><p>O registro paroquial era uma tentativa do governo de fazer um levantamento da</p><p>quantidade de terras que se encontrava nas mãos de particulares no país, baseando-se,</p><p>meramente, na declaração dos ditos possuidores de terras. Tinha efeitos estatísticos e</p><p>não conferia propriedade, visto que sua formação consistia em a pessoa que dizia deter</p><p>a terra no momento comparecer à igreja e declarar a descrição da terra ao pároco, que</p><p>transcrevia no livro paroquial e emitia um certificado para a parte. Dessa forma, como</p><p>se pode observar, o registro paroquial não estava ligado à propriedade, não sendo seus</p><p>títulos expressão dela, mas indícios de posse sobre a área descrita pelo declarante.</p><p>6</p><p>Ainda hoje, é possível encontrar várias propriedades que possuem apenas o</p><p>referido título paroquial, motivo pelo qual, muitas vezes, deparamo-nos com pedidos</p><p>de ingresso na Serventia Registral. Todavia, para Serra e Serra (2018), o título paroquial</p><p>não pode ser considerado um título de propriedade e, por mais que ele seja apto a servir</p><p>como prova em uma possível ação de usucapião, não terá ingresso direto no Registro</p><p>Imobiliário atual.</p><p>Seguindo com a análise histórica, temos a Lei nº 1.237, de 24 de setembro de</p><p>1864, que trouxe inovações. Foi a primeira legislação que trouxe uma central de regis-</p><p>tros com foco na propriedade, lembrando que, até o presente momento, mesmo que a</p><p>parte desejasse registrar sua propriedade, não havia previsão legal para tanto, havendo</p><p>somente a inscrição paroquial, que se referia à presunção de posse, e não à proprieda-</p><p>de, e o registro das hipotecas, que estava focado</p><p>por venda, até que o adquirente cumpra suas obrigações.</p><p>e) Interpelar, judicialmente ou extrajudicialmente, pelo Cartório de Títulos, o compro-</p><p>missário inadimplente, para que, dentro de 15 dias, coloque em dia suas prestações</p><p>atrasadas, depois de 90 dias de vencida e não paga a primeira delas.</p><p>f) Passar, a terceiros, as unidades resultantes de rescisão contratual, por força de mer-</p><p>cado ou outro.</p><p>7 PATRIMÔNIO DE AFETAÇÃO – LEI 10.931/2004</p><p>A Lei n° 10.931, de 2 de agosto de 2004, institui o Regime Especial Tributário</p><p>do Patrimônio de Afetação “PA”, aplicável às incorporações imobiliárias, em caráteres</p><p>opcional e irretratável.</p><p>Tecnicamente patrimônio de afetação, é um regime opcional da incorporação.</p><p>Todos os bens e direitos relativos àquele empreendimento ficam apartados (separados</p><p>ou blindados) do patrimônio da incorporadora e não respondem por outras dívidas ou</p><p>obrigações que a incorporadora venha a ter, mesmo no caso de falência.</p><p>O PA é constituído, exclusivamente, do patrimônio próprio de cada empreen-</p><p>dimento imobiliário, não se confundindo, tampouco se misturando, com o restante do</p><p>patrimônio da empresa. O patrimônio de cada empreendimento imobiliário é conta-</p><p>bilmente apartado (separadamente) do patrimônio total da empresa responsável pela</p><p>construção e/ou incorporação do imóvel.</p><p>A adesão ao PA é efetivada a partir da entrega do termo de opção com a</p><p>Secretaria da Receita Federal pelo incorporador/proprietário do terreno do processo</p><p>de incorporação. Primeiramente, é realizada a averbação da afetação na Matrícula do</p><p>Imóvel, no Registro de Imóveis competente, por ocasião do registro da incorporação, ou</p><p>no caso de incorporação já existente. Em documento apartado, pode ser feita a opção,</p><p>pelo incorporador, pelo regime especial de tributação.</p><p>113</p><p>O PA é, ainda, uma forma de evitar que o incorporador utilize recursos de um</p><p>empreendimento em outros empreendimentos, objetivando resguardar o bom anda-</p><p>mento das obras do empreendimento em questão. Logo, não há possibilidade de desvio</p><p>desses recursos para outras obras ou despesas da lavra do incorporador.</p><p>Os recursos necessários para a execução do empreendimento-objeto do</p><p>patrimônio de afetação devem ser mantidos em conta de depósito, a ser aberta,</p><p>especificamente, para o empreendimento.</p><p>Para quem intermedia a venda de imóveis, os corretores de imóveis, estes po-</p><p>dem sempre informar, a seus clientes, que o regime de afetação gera maior credibi-</p><p>lidade ao empreendimento, em decorrência da separação patrimonial imposta. Toda-</p><p>via, é importante saber que, contudo, não há garantia de que a obra será executada,</p><p>mas sim de que há um patrimônio reservado. Com efeito, são facultados, aos promis-</p><p>sários-compradores, os direitos de fiscalizar e acompanhar o patrimônio de afetação,</p><p>acompanhando as contas de depósito através de uma Comissão de Representantes ou,</p><p>ainda, por interposta pessoa jurídica ou física. É segurança jurídica nas negociações.</p><p>Outro detalhe que deve ser observado, com atenção ao patrimônio de afetação,</p><p>é a exclusividade dos imóveis. Nos casos em que não há o registro da incorporação</p><p>imobiliária exigido, muito comum em grupos fechados, podem também realizar a insti-</p><p>tuição do patrimônio de afetação. Isso pode acontecer em qualquer fase da construção,</p><p>porém, deve ser feito mediante o registro da instituição de condomínio.</p><p>A constituição do regime de afetação sobre o empreendimento só pode ser</p><p>realizada mediante averbação no Registro de Imóveis. Isso pode acontecer a qualquer</p><p>momento, assim como também pode ser feito pelos titulares de direitos reais de</p><p>aquisição sobre a área. Porém, é importante ressaltar que o patrimônio de afetação</p><p>deve ser lançado à margem da matrícula do imóvel. Isso deve ser feito em ato distinto e</p><p>posterior ao que originou o Registro de Imóvel.</p><p>Outra vantagem do patrimônio de afetação nas incorporações imobiliárias se</p><p>deve ao fato de ser um importante recurso de mídia. Isso acontece porque esse regime</p><p>é configurado como uma garantia jurídica ao adquirente. Isso significa que a intenção</p><p>em concretizar o negócio pode contribuir para a construção de uma boa imagem do</p><p>empreendimento.</p><p>Ainda com relação ao patrimônio de afetação, esse regime gera credibilidade</p><p>por parte da construtora/incorporadora. Isso contribui para aumentar as vendas</p><p>em planta, uma vez que os interessados estão certos de estarem investindo em um</p><p>negócio mais seguro. Contudo, não há garantia, para esses consumidores, de que a</p><p>obra será executada, mas sim que há um patrimônio destinado. Assim, é facultada,</p><p>114</p><p>aos promissários-compradores, a garantia de fiscalizar e acompanhar o patrimônio de</p><p>afetação. Tudo isso pode acontecer através de uma Comissão de Representantes ou</p><p>pessoa jurídica/física nomeada pela comissão.</p><p>Para finalizar, não podemos nos esquecer de que a submissão do imóvel-</p><p>objeto da incorporação imobiliária ao regime fica a critério do incorporador. O direito do</p><p>consumidor seria firmado diante da obrigatoriedade do recurso.</p><p>Condômino inadimplente não pode ser impedido de</p><p>usar áreas comuns do prédio</p><p>O morador que esteja com as mensalidades do condomínio em atraso não pode ser</p><p>impedido de usar as áreas comuns do prédio, como piscina, brinquedoteca, salão de</p><p>festas ou elevadores.</p><p>O entendimento foi adotado pela Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao dar</p><p>provimento ao recurso de uma proprietária de apartamento que estava impedida de usar</p><p>as áreas comuns do condomínio por causa do não pagamento das cotas condominiais.</p><p>Por unanimidade, o colegiado considerou inválida a regra do regulamento interno, que</p><p>impedia o uso das áreas comuns em razão de inadimplência das taxas.</p><p>No caso discutido no recurso, a dívida acumulada era de R$ 290 mil em 2012, quando a</p><p>condômina entrou com ação para poder utilizar as áreas comuns após ter sido proibida</p><p>pelo condomínio.</p><p>Ela alegou que a inadimplência ocorreu devido a uma situação trágica, pois ficou</p><p>impossibilitada de arcar com as despesas depois que seu marido foi vítima de latrocínio.</p><p>Além disso, afirmou que já há duas ações de cobrança em andamento, nas quais foram</p><p>penhorados imóveis em valor superior à dívida.</p><p>O pedido foi julgado improcedente em primeira instância, decisão mantida pelo Tribunal</p><p>de Justiça de São Paulo (TJSP), que entendeu que a utilização de serviços não essenciais</p><p>sem contraprestação seria um incentivo à inadimplência.</p><p>Controvérsia</p><p>Em 2016, a Terceira Turma do STJ, ao julgar um caso semelhante, decidiu, no mesmo</p><p>sentido, declarando a impossibilidade de regras regimentais restringirem o acesso às</p><p>áreas comuns em caso de não pagamento de taxas condominiais.</p><p>O relator do recurso especial analisado pela Quarta Turma, ministro Luis Felipe Salomão,</p><p>destacou o ineditismo da questão no colegiado, lembrando que a doutrina tem posições</p><p>divergentes quanto à possibilidade de restrição do uso de áreas comuns em caso de</p><p>inadimplência.</p><p>Salomão disse que o Código Civil estabeleceu, como característica, a mescla da</p><p>propriedade individual com a copropriedade sobre as partes comuns, perfazendo uma</p><p>unidade orgânica e indissolúvel.</p><p>IMPORTANTE</p><p>115</p><p>O ministro destacou a regra do inciso II do Art. 1.335 do Código Civil – clara, segundo ele,</p><p>na garantia do uso das áreas comuns como um direito do condômino.</p><p>“Além dos direitos de usufruir e gozar da sua unidade autônoma, tem, o condômino, os</p><p>direitos de usar e gozar das partes comuns, desde que não venham a embaraçar nem</p><p>excluir a utilização dos demais”, afirmou o relator.</p><p>Segundo o ministro, o condomínio não pode impor sanções, que não estejam previstas</p><p>em lei, para constranger o devedor ao pagamento do débito. Ele disse que “não há dúvidas</p><p>de que a inadimplência dos recorrentes vem gerando prejuízos ao condomínio”, mas que</p><p>o próprio Código Civil estabeleceu meios legais “específicos e rígidos” para a cobrança</p><p>de</p><p>dívidas, “sem qualquer forma de constrangimento à dignidade do condômino e demais</p><p>moradores”.</p><p>Sem previsão legal</p><p>O relator concordou com um dos argumentos da recorrente: o parágrafo 1º do Art.</p><p>1.336 do CC/2002 é claro quanto às penalidades a que está sujeito o condômino inadim-</p><p>plente, e não está a proibição de utilização das áreas comuns.</p><p>“Como é sabido, por uma questão de hermenêutica jurídica, as normas que restringem</p><p>direitos devem ser interpretadas restritivamente, não comportando exegese ampliativa”.</p><p>O ministro ressaltou que a falta de pagamento das taxas condominiais</p><p>vem sendo desestimulada em razão da possibilidade de perda do imóvel,</p><p>exceção expressa à impenhorabilidade do bem de família.</p><p>FONTE: STJ. Condômino inadimplente não pode ser impedido de</p><p>usar áreas comuns do prédio. 2019. Disponível em: http://www.</p><p>stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/Condomino-</p><p>inadimplente-nao-pode-ser-impedido-de-usar-areas-comuns-do-</p><p>predio.aspx. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>116</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• O parcelamento do solo, como a própria expressão apresenta, é a subdivisão do solo,</p><p>seja ele urbano ou rural. O parcelamento do solo significa dividir uma área. O termo</p><p>parcelamento de solo urbano é gênero das espécies loteamento e desmembramento.</p><p>• Loteamento é a divisão de uma área de terras em lotes destinados à edificação, com</p><p>abertura de novas vias de circulação e implantação de infraestrutura mínima definida</p><p>em lei. Considerando a localização, o loteamento pode ser urbano ou rural.</p><p>• GLEBA: é a terra crua, sem qualquer regulamentação e adequação às leis brasileiras</p><p>e regionais. Trata-se da área do terreno que ainda não foi objeto de loteamento ou</p><p>desmembramento regular.</p><p>• Loteamento irregular é aquele loteamento que, apesar de estar aprovado pelo</p><p>poder público ou registrado no registro de imóveis competente, não foi executado</p><p>atendendo às exigências legais. Exemplo: ausência de infraestrutura, de área</p><p>comunitária, de área verde. Já o loteamento clandestino é aquele loteamento que</p><p>não possui a aprovação do poder público ou não possui o registro no Cartório de</p><p>Registro de Imóveis competente. Ele não possui matrícula, tampouco individualização</p><p>dos respectivos lotes.</p><p>• Desmembramento é uma forma de parcelamento do solo, realizada de maneira</p><p>mais simplificada e conveniente ao empreendedor. Isso se dá ao fato de que o ônus</p><p>referente à abertura de novas vias, ampliação de vias existentes e instalação da</p><p>respectiva infraestrutura é de responsabilidade do requerente, que, às vezes, não faz.</p><p>• A incorporação imobiliária consiste em um negócio jurídico de natureza complexa,</p><p>subordinado a um regime legal especial. O legislador se preocupa a criar mecanismos</p><p>para defesa dos interesses dos adquirentes (clientes) de unidades autônomas de</p><p>edifícios ainda em fase de construção.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>117</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O que significa parcelamento do solo?</p><p>2 Aprovado pela autoridade competente, o projeto de desmembramento do solo urba-</p><p>no, o loteador deve submetê-lo ao registro imobiliário:</p><p>a) ( ) No prazo de um ano.</p><p>b) ( ) Quando iniciar a venda dos lotes.</p><p>c) ( ) Quando terminar a construção.</p><p>d) ( ) No prazo de 180 dias.</p><p>3 O que é desmembramento de imóveis?</p><p>118</p><p>119</p><p>FISCALIZAÇÃO</p><p>UNIDADE 3 TÓPICO 2 —</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste tópico de estudos, veremos conceitos relacionados aos serviços pres-</p><p>tados pelo Registro de Imóveis, como a ordem de serviço, os atos praticados, como as</p><p>hipotecas, alienações, as cláusulas especiais, o arresto e as cédulas de crédito.</p><p>As serventias de registro de imóveis, as quais atuam em colaboração com o</p><p>Poder Judiciário, possuem funções administrativas relacionadas aos direitos reais, além</p><p>de outras acessórias correlatas aos direitos de propriedade.</p><p>Lembrando que já vimos, em nosso estudo, que o Cartório de Registro de Imó-</p><p>veis é onde as pessoas fazem o registro dos seus terrenos, casas, apartamentos, lojas,</p><p>e onde conseguem informações seguras sobre a verdadeira situação jurídica desses</p><p>bens imóveis. Posteriormente, também estudaremos as alienabilidades. No fim do tópi-</p><p>co, surgirão as autoatividades, para você reforçar o conteúdo.</p><p>Boa leitura e bons estudos!</p><p>2 SERVIÇOS DE REGISTRO</p><p>Já vimos, na Unidade 1, os serviços competidos ao Serviço de Registro de Imó-</p><p>veis. Rapidamente, relembramos que os serviços notariais e de registro são exercidos em</p><p>caráter privado por delegação do Poder Público. Essa delegação do serviço público ao</p><p>particular se dá através de concurso público de provas e títulos, e tem a participação do</p><p>Poder Judiciário, do Ministério Público, da OAB, e de um notário registrador.</p><p>A fiscalização dos atos notariais e de registro é realizada também pelo Poder</p><p>Judiciário, que exerce função totalmente atípica ou anômala, ou seja, de caráter ad-</p><p>ministrativo. A legislação estadual deve fixar a competência sobre a fiscalização, sendo</p><p>que, por exemplo, no estado de São Paulo, é exercida pelo Corregedor Geral da Justiça</p><p>e pelos Juízes de Direito investidos na função de corregedores permanentes. Para que a</p><p>fiscalização seja eficaz, a Lei nº 8.935/94 confere, ao juiz corregedor, o poder de aplicar,</p><p>de acordo com o grau de gravidade do ato praticado pelo oficial ou tabelião, as penas de</p><p>repreensão, multa, suspensão e perda da delegação, respeitados os direitos aos contradi-</p><p>tórios para ampla defesa.</p><p>120</p><p>Além de garantir que o imóvel realmente pertença a uma pessoa, o Cartório de</p><p>Registro de Imóveis guarda o histórico completo de cada bem registrado. Por isso, o</p><p>cartório tem condições de informar, por meio de certidões, quais foram os vários donos</p><p>de um imóvel, quem são os atuais proprietários, se o bem tem, se há algo que impeça a</p><p>compra ou a venda do imóvel. No Cartório de Registro de Imóveis, que são efetuados a</p><p>matrícula, o registro dos imóveis e, ainda, as averbações que têm relação com os bens.</p><p>3 ORDEM DE SERVIÇO</p><p>Sobre a temática da ordem de serviço, temos os regramentos para o funciona-</p><p>mento das Serventias Notariais e de Registro, como os horários de funcionamento, dias</p><p>de expediente, as práticas de atos, formas de horário, necessidade de atentar para a</p><p>ordem de preferência dos títulos, recebimentos de custas e impedimentos.</p><p>O Serviço Notarial e de Registros começa e termina nas mesmas horas, todos os</p><p>dias úteis, com exceção do Registro Civil das Pessoas Naturais, que, pela natureza dos</p><p>serviços que presta, também deve funcionar aos sábados, domingos e feriados, ainda</p><p>que por sistemas de rodízio e plantão.</p><p>Não há um horário fixo para o funcionamento das serventias, de modo que esse</p><p>horário não é uniforme em todo o país, devendo ser determinado pelo oficial, mediante</p><p>a autorização do juiz corregedor ou por lei estadual, atendendo às particularidades do</p><p>local. O que a lei estabelece, apenas, é que o atendimento deve ser de, no mínimo, seis</p><p>horas diárias.</p><p>Se houver o desrespeito ao horário fixado pela norma competente, para a prá-</p><p>tica de atos de registro, haverá a nulidade do ato, pois a legislação traz que é nulo o</p><p>registro lavrado fora das horas regulamentares ou em dias sem expediente, sendo civil</p><p>e criminalmente responsável o oficial que der causa à nulidade. Isso tudo é feito para</p><p>evitar a ocorrência de fraudes, principalmente, o lançamento de títulos no protocolo,</p><p>em hipóteses que a precedência na prenotação assegura a prioridade do registro.</p><p>O fato de o oficial ou seus prepostos deixarem o ato pré-pronto para formalizá-lo</p><p>no dia seguinte não se enquadra na conduta que causaria uma responsabilidade cível ou</p><p>criminal, visto que a prática do ato termina com a sua formalização, ou seja, impressão e</p><p>assinatura pelo oficial regularmente autorizado, em presença das partes ou testemunhas,</p><p>sempre levando em consideração a precedência dos direitos apresentados.</p><p>121</p><p>4 ATOS PRATICADOS</p><p>O Art. 14 da Lei nº 6.015/73 menciona o direito conferido,</p><p>ao registrador, de</p><p>receber os emolumentos pela prática dos atos requeridos.</p><p>Art. 14. As custas devidas aos oficiais do registro, pelos atos que</p><p>praticarem, incumbirão aos interessados e serão pagas no ato do</p><p>requerimento ou no da apresentação do título (BRASIL, 1973, s.p.).</p><p>Como já apresentado no nosso material, o registrador exerce uma atividade</p><p>pública em caráter privado, sendo remunerado pelas partes que requerem o serviço.</p><p>Essa remuneração se dá por meio do pagamento de emolumentos, cujos valores são</p><p>determinados por lei estadual, devendo, assim, ser uniformes dentro do mesmo estado,</p><p>sendo consideradas irregulares a cobrança a mais e a cobrança a menos.</p><p>Os oficiais dos registros são obrigados a ceder recibo dos valores, e devem fixar</p><p>tabela em um local visível e de fácil leitura para o público. No recibo, devem constar o</p><p>valor correspondente às custas de escrituras, certidões, buscas, averbações e registros</p><p>de qualquer natureza.</p><p>Com relação à ordem de serviço, a LRP traz que o oficial fica impedido de pra-</p><p>ticar atos para as pessoas com grau de parentesco. Com parentesco em pessoa inte-</p><p>ressada no registro, o serventuário é impediente de atuação direta, que deve passar, a</p><p>seu substituto, a responsabilidade do ato. O mesmo ocorre quando o interesse for do</p><p>próprio oficial, seu cônjuge ou companheiro. Esse impedimento é até o 3º grau, por con-</p><p>sanguinidade ou afinidade, em linha reta ou colateral, por analogia aos impedimentos</p><p>dos juízes e testemunhas.</p><p>Essa mesma regra é trazida também no Art. 27 da Lei nº 8.935/94:</p><p>Art. 27. No serviço titular, o notário e o registrador não poderão prati-</p><p>car, pessoalmente, qualquer ato de seu interesse, ou de interesse de</p><p>seu cônjuge ou de parentes, na linha reta, ou na colateral, consan-</p><p>guíneos ou afins, até o terceiro grau (BRASIL, 1994, s.p.).</p><p>Esses impedimentos são justificados, pois seria muito fácil surgirem conflitos</p><p>de interesses, afetando a credibilidade dos registros. Além disso, um fato de ato</p><p>público, celebrado diretamente por aquele que, possivelmente, teria interesse, feriria</p><p>a moralidade administrativa. Ainda, a imparcialidade necessária para o exercício da fé</p><p>pública poderia estar prejudicada.</p><p>Devemos estar atentos, pois a lei não exige que o ato seja praticado em outra</p><p>Serventia, mesmo porque no caso de Registro de Imóveis isso não seria possível. A</p><p>regra para o registro de imóveis é que a prática dos atos é o local do imóvel, de modo</p><p>que somente uma Serventia pode praticar atos sobre determinado imóvel. Então, o</p><p>substituto deve lavrar o ato.</p><p>122</p><p>5 HIPOTECAS, ALIENAÇÕES, ARRESTOS E CÉDULAS DE</p><p>CRÉDITO</p><p>A hipoteca é um direito real de garantia sobre bem de terceiro. Conforme Serra</p><p>(2010), a hipoteca é a garantia sobre o bem que grava coisa imóvel pertencente ao de-</p><p>vedor ou terceiro, conferindo, ao credor, o direito de promover a sua venda judicial.</p><p>A hipoteca pode abranger, também, navios e aviões, mas, nesses casos, depende</p><p>de registro específico sobre o direito de referidos bens. O tipo mais utilizado de hipoteca é</p><p>a chamada hipoteca convencional. Assim, segundo Serra (2010), a hipoteca pode ser</p><p>constituída por ato inter vivos, mediante escritura pública, ou instrumento particular,</p><p>caso o valor do imóvel e da garantia não ultrapassem trinta vezes o maior salário mínimo</p><p>vigente no país. A hipoteca convencional pode, ainda, ser constituída por instrumento</p><p>particular, caso seja garantia de alguma das espécies de cédula de crédito e, com isso,</p><p>há uma regra especial.</p><p>A hipoteca, para ser válida, segundo Serra (2010), quando pessoas casadas, é</p><p>necessária a outorga do outro cônjuge para hipotecar, exceto nos casos de regime de</p><p>separação absoluta dos bens e comunhão final dos aquestos, quando se pactua a livre</p><p>disposição dos bens.</p><p>Há, ainda, a hipoteca legal, que surge a requerimento da parte, em decorrência de</p><p>uma sentença judicial que condena o réu ao pagamento de uma prestação consistente</p><p>em dinheiro ou coisa. Essa hipoteca é, necessariamente, constituída por uma sentença</p><p>de especialização ou escritura pública, caso em que as partes que se encontrarem na</p><p>situação prevista em lei, como autorizadora da extração de uma hipoteca legal, sejam</p><p>maiores e capazes e estejam de acordo com a constituição da referida hipoteca.</p><p>A hipoteca legal difere da hipoteca judicial. Há uma decisão que condena o</p><p>réu ao pagamento de prestação consistente em dinheiro e a que determina a conver-</p><p>são de prestação de fazer, de não fazer ou de dar coisa, além da prestação pecuniária,</p><p>como título constitutivo de hipoteca judiciária. O novo Código de Processo Civil traz que</p><p>a hipoteca judiciária pode ser realizada mediante apresentação da cópia da sentença</p><p>perante o cartório de registro imobiliário, independentemente de ordem judicial ou de</p><p>demonstração de urgência.</p><p>No que diz respeito às características da hipoteca, vejamos, de maneira simpli-</p><p>ficada, o que apresenta o CC, no Art. 1424:</p><p>Art. 1.424. Os contratos de penhor, anticrese ou hipoteca declararão,</p><p>sob pena de não terem eficácia:</p><p>I- o valor do crédito, sua estimação, ou valor máximo;</p><p>II- o prazo fixado para pagamento;</p><p>III- a taxa dos juros, se houver;</p><p>IV- o bem dado em garantia com as suas especificações.</p><p>123</p><p>Com relação às alienações, encontramos a definição no Art. 22 da Lei nº 9.514/97:</p><p>Art. 22. A alienação fiduciária regulada por esta Lei é o negócio</p><p>jurídico pelo qual o devedor, ou fiduciante, com o escopo de garantia,</p><p>contrata a transferência ao credor, ou fiduciário, da propriedade</p><p>resolúvel de coisa imóvel.</p><p>§ 1o A alienação fiduciária poderá ser contratada por pessoa física</p><p>ou jurídica, não sendo privativa das entidades que operam no SFI,</p><p>podendo ter, como objeto, além da propriedade plena:</p><p>I- bens enfitêuticos, hipótese em que será exigível o pagamento do</p><p>laudêmio, se houver a consolidação do domínio útil no fiduciário;</p><p>II- o direito de uso especial para fins de moradia;</p><p>III- o direito real de uso, desde que suscetível de alienação;</p><p>IV- a propriedade superficiária.</p><p>De forma simplificada, podemos esclarecer a alienação fiduciária da seguinte</p><p>forma: o proprietário do imóvel aparece vendendo o bem, enquanto o comprador apa-</p><p>rece, ao mesmo tempo, comprando e dando o imóvel em alienação fiduciária a terceiro,</p><p>que lhe emprestou, total ou parcialmente, dinheiro usado para a compra. Assim, con-</p><p>forme Serra (2010), ocorreriam dois negócios interligados, a compra e venda e a cons-</p><p>tituição da alienação fiduciária em garantia da dívida formada pelo empréstimo do valor</p><p>utilizado para a aquisição do bem.</p><p>A alienação fiduciária, em garantia de bem imóvel, traz o desdobramento da</p><p>propriedade e da posse do imóvel. Embora a posse seja uma situação fática, o desdo-</p><p>bramento não depende de um ato físico, dando-se por meio do instrumento que mate-</p><p>rializou a vontade das partes na criação do instituto.</p><p>O arresto é uma medida cautelar que, segundo Serra (2010), tem, como finali-</p><p>dade, a apreensão de bens do devedor, para garantir futura execução por quantia certa,</p><p>sempre que houver perigo de dilapidação do patrimônio.</p><p>Vejamos o que menciona o Art. 301 do CPC:</p><p>Art. 301. A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada</p><p>mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de pro-</p><p>testo contra alienação de bem e qualquer outra medida idônea para</p><p>asseguração do direito.</p><p>A decisão que concede o arresto é materializada mediante mandado ou cer-</p><p>tidão do escrivão, contendo os requisitos exigidos para o registro, o nome do juiz, do</p><p>depositário, das partes e a natureza do processo. O título tem seu ingresso no registro</p><p>de imóveis, resultando no registro da medida na matrícula do imóvel que se pretende</p><p>resguardar para o pagamento da dívida. O arresto nada mais é que uma medida prepa-</p><p>ratória que, no curso do processo, deve se transformar em penhora.</p><p>As cédulas de crédito podem</p><p>ser conceituadas, conforme Abreu (2013), como</p><p>títulos de créditos utilizados para a constituição de garantias reais e vinculadas a uma</p><p>124</p><p>determinada linha de financiamento. Toda cédula, com exceção da cédula de produto</p><p>rural, que se expressa na promessa de entrega de produtos, exterioriza uma promessa</p><p>de pagamento em dinheiro.</p><p>Necessariamente, as cédulas possuem garantias reais (bens móveis ou imóveis).</p><p>Não havendo essa garantia real, trata-se, então, de uma nota de crédito que pode ser</p><p>industrial ou rural. Todavia, existe exceção a tal regra, pois as cédulas de crédito bancário</p><p>podem ser constituídas sem garantia real. Já no que diz respeito às cédulas de crédito</p><p>bancário, convém destacar que podem ser utilizadas por qualquer linha de financiamento.</p><p>Os requisitos para o registro da cédula têm determinação específica na lei.</p><p>De forma geral, devem ser apresentadas, a registro, no mínimo, duas vias, sendo uma</p><p>negociável e outra não negociável, em linhas paralelas. Como se trata de instrumento</p><p>particular, a via original, não negociável, deve, obrigatoriamente, ser arquivada em</p><p>cartório. É dispensado reconhecimento de firmas, mas todas as vias devem ser assinadas</p><p>e rubricadas. Todas as partes integrantes e anexos mencionados no texto da cédula</p><p>devem ser apresentados e arquivados.</p><p>Vejamos uma Cédula de Crédito Bancária:</p><p>FIGURA 6 – ESTRUTURAÇÃO DE UMA CCB</p><p>FONTE: <http://twixar.me/vWvm>. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>125</p><p>Apresentamos, aqui, as características da cédula de crédito bancário:</p><p>• Todas as operações são definidas como títulos líquidos.</p><p>• Todas as operações podem ser emitidas com ou sem garantias.</p><p>• É um papel negociável no mercado, pode ser cedido a outra instituição financeira ou</p><p>investidores.</p><p>• Todas as operações são atribuídas à força de título executivo extrajudicial.</p><p>• A execução para resolver uma possível inadimplência é mais ágil.</p><p>• É mais abrangente que outras cédulas ou certificados mais específicos, como Cédula</p><p>de Crédito Rural, Comercial ou Industrial.</p><p>• Reduz os custos operacionais dos bancos, com isso, os custos e aprovação de crédito</p><p>ficam mais baratos e acessíveis.</p><p>• Não existe a necessidade de uma destinação específica para os recursos captados</p><p>via uma emissão de CCB.</p><p>A emissão de uma Cédula de Crédito Bancário (CCB) pode e deve explicar todo o</p><p>processo da operação, mitigando o máximo de questionamentos futuros, descrevendo,</p><p>de forma bem clara, todas as especificações de contratação como juros e sua incidência,</p><p>formas de capitalização, demais encargos e obrigações do credor. Quanto mais detalha-</p><p>da estiver a contratação, menor serão as divergências ou recursos de contestação.</p><p>126</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>CÉDULA DE CRÉDITO IMOBILIÁRIO</p><p>A Cédula de Crédito Imobiliário (CCI) é representativa de créditos imobiliários.</p><p>EMISSÃO</p><p>A CCI será emitida pelo credor do crédito imobiliário e poderá ser integral,</p><p>quando representar a totalidade do crédito, ou fracionária, quando representar parte</p><p>dele, não podendo, a soma das CCI fracionárias emitidas em relação a cada crédito,</p><p>exceder o valor total do crédito.</p><p>As CCI fracionárias poderão ser emitidas simultaneamente ou não, a qualquer</p><p>momento antes do vencimento do crédito.</p><p>GARANTIA, AVERBAÇÃO E CONSTRIÇÃO</p><p>A CCI poderá ser emitida com ou sem garantia, real ou fidejussória, sob a forma</p><p>escritural ou cartular.</p><p>Sendo o crédito imobiliário garantido por direito real, a emissão da CCI será</p><p>averbada no Registro de Imóveis da situação do imóvel, na respectiva matrícula, devendo</p><p>constar, exclusivamente, o número, a série e a instituição custodiante.</p><p>A averbação da emissão da CCI e o registro da garantia do crédito respectivo,</p><p>quando solicitados simultaneamente, serão considerados como ato único para efeito de</p><p>cobrança de emolumentos.</p><p>É vedada a averbação da emissão de CCI com garantia real quando houver</p><p>prenotação ou registro de qualquer outro ônus real sobre os direitos imobiliários</p><p>respectivos, inclusive penhora ou averbação de qualquer mandado ou ação judicial.</p><p>A constrição judicial que recaia sobre crédito representado por CCI será efe-</p><p>tuada nos registros da instituição custodiante ou mediante apreensão da respectiva</p><p>cártula.</p><p>O credor da CCI deverá ser imediatamente intimado de constrição judicial que</p><p>recaia sobre a garantia real do crédito imobiliário representado por aquele título.</p><p>127</p><p>CCI ESCRITURAL</p><p>A emissão da CCI, sob a forma escritural, far-se-á mediante escritura pública ou</p><p>instrumento particular, devendo o instrumento permanecer custodiado em instituição</p><p>financeira e registrado em sistemas de registro e liquidação financeira de títulos priva-</p><p>dos autorizados pelo Banco Central do Brasil.</p><p>No caso de CCI emitida sob a forma escritural, caberá, à instituição custodiante,</p><p>identificar o credor, para o fim da intimação de constrição judicial.</p><p>REQUISITOS</p><p>A CCI deverá conter:</p><p>I- a denominação "Cédula de Crédito Imobiliário", quando emitida cartularmente;</p><p>II- o nome, a qualificação e o endereço do credor e do devedor e, no caso de emissão</p><p>escritural, também o do custodiante;</p><p>III- a identificação do imóvel-objeto do crédito imobiliário, com a indicação da respectiva</p><p>matrícula no Registro de Imóveis competente e do registro da constituição da</p><p>garantia;</p><p>IV- a modalidade da garantia, se for o caso;</p><p>V- o número e a série da cédula;</p><p>VI- o valor do crédito que representa;</p><p>VII- a condição de integral ou fracionária e, nessa última hipótese, também a indicação</p><p>da fração que representa;</p><p>VIII- o prazo, a data de vencimento, o valor da prestação total, incluídas as parcelas de</p><p>amortização e juros, as taxas, seguros e demais encargos contratuais de responsa-</p><p>bilidade do devedor, a forma de reajuste e o valor das multas previstas contratual-</p><p>mente, com a indicação do local de pagamento;</p><p>IX- o local e a data da emissão;</p><p>X- a assinatura do credor, quando emitida cartularmente;</p><p>XI- a autenticação pelo Oficial do Registro de Imóveis competente, no caso de contar</p><p>com garantia real; e</p><p>XII- cláusula à ordem, se endossável.</p><p>NATUREZA</p><p>A CCI é título executivo extrajudicial, exigível pelo valor apurado de acordo com</p><p>as cláusulas e condições pactuadas no contrato.</p><p>O crédito representado pela CCI será exigível mediante ação de execução,</p><p>ressalvadas as hipóteses em que a lei determine procedimento especial, judicial ou</p><p>extrajudicial para satisfação do crédito e realização da garantia.</p><p>128</p><p>EMISSÃO E NEGOCIAÇÃO</p><p>A emissão e negociação de CCI independem de autorização do devedor do cré-</p><p>dito imobiliário.</p><p>A cessão do crédito representado por CCI poderá ser feita por meio de sistemas</p><p>de registro e de liquidação financeira de títulos privados autorizados pelo Banco Central</p><p>do Brasil.</p><p>A cessão do crédito representado por CCI implica automática transmissão das</p><p>respectivas garantias ao cessionário, sub-rogando-o em todos os direitos represen-</p><p>tados pela cédula, ficando o cessionário, no caso de contrato de alienação fiduciária,</p><p>investido na propriedade fiduciária.</p><p>A cessão de crédito garantido por direito real, quando representado por CCI</p><p>emitida sob a forma escritural, está dispensada de averbação no Registro de Imóveis,</p><p>aplicando-se o disposto nos Arts. 286 e seguintes da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de</p><p>2002 - Código Civil Brasileiro.</p><p>SECURITIZAÇÃO</p><p>A CCI, objeto de securitização nos termos da Lei n° 9.514, de 20 de novembro de</p><p>1997, será identificada no respectivo Termo de Securitização de Créditos, mediante in-</p><p>dicação do seu valor, número, série e instituição custodiante, dispensada a enunciação</p><p>das informações já constantes da Cédula ou do seu registro na instituição custodiante.</p><p>O regime fiduciário de que trata a Seção VI do Capítulo I da Lei n° 9.514, de 1997,</p><p>no caso de emissão de Certificados de Recebíveis Imobiliários lastreados em créditos</p><p>representados por CCI, será registrado na instituição custodiante,</p><p>mencionando o pa-</p><p>trimônio separado, não se aplicando o disposto no parágrafo único do Art. 10 da men-</p><p>cionada lei.</p><p>RESGATE</p><p>O resgate da dívida representada pela CCI é provado com a declaração de</p><p>quitação, emitida pelo credor, ou, na falta desta, por outros meios admitidos em direito.</p><p>FONTE: NORMAS LEGAIS. Cédula de crédito imobiliário. 2019. Disponível em: http://www.</p><p>normaslegais.com.br/guia/clientes/cedula-de-credito-imobiliario.htm. Acesso em: 30 jun. 2020.</p><p>129</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• O serviço cartorário não é um serviço público.</p><p>• O registrador exerce uma atividade pública em caráter privado, sendo remunerado</p><p>pelas partes que requerem o serviço. Essa remuneração se dá por meio de pagamento</p><p>de emolumentos, cujos valores são determinados por lei estadual, devendo, assim,</p><p>ser uniformes dentro do mesmo estado, sendo consideradas irregulares a cobrança</p><p>a mais e a cobrança a menos.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>130</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O que são cédulas de crédito imobiliário?</p><p>2 No que consiste a hipoteca legal?</p><p>3 Como é a dinâmica do Serviço Notarial Registral no que diz respeito ao seu</p><p>funcionamento?</p><p>131</p><p>TÓPICO 3 —</p><p>ESTATUTO DA CIDADE</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste tópico, estudaremos o Estatuto da Cidade, legislação que merece desta-</p><p>que, devido à importância para o desenvolvimento urbano.</p><p>O Estatuto da Cidade é a denominação oficial da Lei nº 10.257, de 10 de julho</p><p>de 2001, que regulamenta o capítulo "Política Urbana" da Constituição Federal. Seus</p><p>princípios básicos são o planejamento participativo e a função social da propriedade. É</p><p>uma tentativa de democratizar a gestão das cidades brasileiras através de instrumentos</p><p>de gestão, como o Plano Diretor, obrigatório para toda a cidade, com mais de vinte mil</p><p>habitantes ou aglomerados urbanos. Aprecie a leitura do material! Boa leitura!</p><p>2 A LEI</p><p>O Estatuto da Cidade, lei criada em 2001, tem, como objetivo, orientar o proces-</p><p>so de crescimento das áreas urbanas, fornecendo diretrizes para a criação de políticas</p><p>públicas. Essa lei, e também o direito urbanístico, estruturam-se em torno da função</p><p>social da cidade e também da função social da propriedade.</p><p>A criação de normas para regulamentar a urbanização sempre foi muito neces-</p><p>sária, visto o período de urbanização desenfreado que o Brasil passou na metade do sé-</p><p>culo passado. Era preciso regulamentar a urbanização, e isso se deu até a promulgação</p><p>do Estatuto da Cidade. A questão da função social da propriedade é uma das questões</p><p>fundamentais trazidas pelo Estatuto. Segundo ele, cabe, ao município, a promoção e</p><p>controle do desenvolvimento urbano de acordo com a legislação urbanística, além da fixa-</p><p>ção das condições e prazos para o parcelamento, edificação ou utilização da propriedade</p><p>(ou do solo).</p><p>No primeiro capítulo, o Estatuto traz as diretrizes gerais para a execução da</p><p>política urbana, ordenando o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e da</p><p>propriedade urbana. Dentre as diretrizes gerais para a execução da política urbana, po-</p><p>demos destacar a gestão democrática, cooperação entre governos, planejamento das</p><p>cidades e a garantia do direito a cidades sustentáveis.</p><p>132</p><p>É preciso destacar a importância da execução de uma política urbana eficaz,</p><p>capaz de frear o crescimento globalizado descontrolado, capitalista e político, que sem-</p><p>pre atingiu interesses da minoria da população. Ainda, as normas de ordem pública</p><p>e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da</p><p>segurança e do bem-estar dos cidadãos, além do equilíbrio ambiental.</p><p>Com base nos instrumentos norteadores da política urbana, a população em</p><p>geral e o Poder Público Municipal são os responsáveis pela garantia da aplicação da Lei</p><p>n° 10.257/01.</p><p>Ademais, o legislador ordinário dotou os administradores públicos dos instru-</p><p>mentos adequados à prática, podendo elaborar uma nova ordem urbanística que deve</p><p>ser cumprida, atendendo habitantes de determinada cidade, satisfazendo sua função</p><p>social.</p><p>Apontamos a maior responsabilidade aos administradores públicos, na medida</p><p>em que se valem do erário público para prestar serviços na melhor das formas, devol-</p><p>vendo seus impostos, lato sensu, em benefícios para os contribuintes.</p><p>O Brasil, em 2003, deu um passo acertado em direção ao desenvolvimento ur-</p><p>bano. Com a realização da 1ª Conferência Nacional das Cidades, o Ministério das Cidades</p><p>e seus muitos delegados eleitos desenharam a criação da PNDU – Política Nacional de</p><p>Desenvolvimento Urbano.</p><p>A PNDU tem, como objetivo, implantar uma política calçada em desenvolvimen-</p><p>to urbano, proporcionando a criação de um espaço socialmente construído. A PNDU</p><p>traz, como tese central, a existência de que vivemos uma crise urbana que necessita</p><p>de políticas nacionais direcionadas que orientem e coordenem esforços, ações, planos</p><p>e investimentos da lavra do governo, poder legislativo, poder judiciário, setores privados</p><p>e sociedade civil em geral. O foco é buscar a equidade social, um aumento da eficiência</p><p>administrativa, um incremento da promoção da cidadania, sustentabilidade ambiental</p><p>e atenção aos direitos das populações tidas como vulneráveis, como negros e índios,</p><p>idosos, pessoas com deficiência, mulheres, crianças e adolescentes.</p><p>Diante da grande onda de urbanização que ocorreu no Brasil em cinco décadas,</p><p>ficou evidenciada a migração social, que passou de majoritariamente rural para majori-</p><p>tariamente urbana, acelerando, assim, moradias em diversas áreas do país.</p><p>133</p><p>3 REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA E O DIREITO À MORADIA</p><p>A regularização fundiária consiste no conjunto de medidas jurídicas, urbanís-</p><p>ticas, ambientais e sociais que visam à regularização de assentamentos irregulares e</p><p>à titulação dos ocupantes. Segundo Serra (2016), é preciso garantir o direito social à</p><p>moradia, o pleno desenvolvimento das funções sociais da propriedade urbana e o direito</p><p>ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.</p><p>Ainda, conforme Serra e Serra (2016), dessa definição, podemos extrair que a</p><p>regularização dominial é apenas um dos aspectos da regularização fundiária, e se ma-</p><p>terializa por meio de um procedimento que pode envolver várias etapas e aspectos.</p><p>É importante saber que, para se atingir o objetivo da regularização fundiá-</p><p>ria, existem vários caminhos que podem ser seguidos, de acordo com cada situação</p><p>encontrada. O primeiro passo é a identificação da situação da área a ser regulariza-</p><p>da e, de acordo com essa análise, a escolha do instrumento jurídico adequado para a</p><p>regularização.</p><p>Estatuto da Cidade</p><p>O Estatuto da Cidade visa estabelecer diretrizes gerais da Política Urbana e, especial-</p><p>mente, regulamentar o Art. 182 da Constituição Federal, fixando os princípios, objetivos,</p><p>diretrizes, e instrumentos de gestão urbana.</p><p>No que tange, especificamente, ao parcelamento de solo, estabelece, nas diretrizes gerais:</p><p>1) o ordenamento e controle do uso do solo, de forma a evitar o parcelamento do solo,</p><p>a edificação ou o uso excessivo ou inadequado em relação à infra-estrutura urbana;</p><p>2) o planejamento do desenvolvimento das cidades, da distribuição espacial da popu-</p><p>lação e das atividades econômicas do município e do território sob sua área de influ-</p><p>ência, de modo a evitar e corrigir as distorções do crescimento urbano e seus efeitos</p><p>negativos sobre o meio ambiente;</p><p>3) a simplificação da legislação de parcelamento, uso e ocupação do solo e das normas</p><p>editalícias, com vistas a permitir a redução de custos e o aumento da oferta dos lotes</p><p>e unidades habitacionais.</p><p>Determina a utilização de instrumentos para atingir os objetivos da lei: a) planos nacionais,</p><p>regionais e estaduais de ordenação do território e de desenvolvimento econômico e social;</p><p>b) planejamento das regiões metropolitanas, aglomerações urbanas e microrregiões; c)</p><p>o planejamento municipal, em especial, o Plano Diretor, a disciplina do parcelamento,</p><p>do uso e da ocupação do solo, o zoneamento ambiental, plano</p><p>plurianual; d) institutos</p><p>tributários e financeiros; e e) institutos jurídicos e políticos.</p><p>IMPORTANTE</p><p>134</p><p>Permite que lei municipal específica determine o parcelamento, edificação ou utilização</p><p>compulsório para os imóveis utilizados, aqueles que não atinjam o aproveitamento</p><p>mínimo definido no Plano Diretor ou em legislação decorrente. No caso, a municipalidade</p><p>poderá determinar as condições e os prazos para que sejam implementadas essas novas</p><p>condições.</p><p>Pelo projeto, considerava-se, também, imóvel utilizado, aquele que estivesse sendo uti-</p><p>lizado em desacordo com a legislação urbanística ou ambiental. Essa previsão legal foi</p><p>vetada pelo Presidente da República, por restringir o direito fundamental de propriedade,</p><p>assegurado pela Constituição Federal. Cumpre esclarecer que a CBIC, representando as</p><p>entidades da construção civil, como o Secovi-SP e o SindusCon-SP, solicitou, ao Presiden-</p><p>te da República, que esse dispositivo legal fosse vetado.</p><p>Será o Plano Diretor quem delimitará as áreas nas quais deve ser aplicado o parcelamento,</p><p>edificação ou utilização, considerando-se a existência de infra-estrutura e de demanda</p><p>para utilização.</p><p>Inicialmente, o proprietário será notificado para cumprir essa determinação municipal.</p><p>Estabelece, o Estatuto, os prazos máximos de: a) um ano para o proprietário protocolizar,</p><p>no órgão municipal competente, o projeto do empreendimento; e b) de dois anos para</p><p>que o proprietário do imóvel inicie as obras do empreendimento. Ressalta-se que essa</p><p>notificação deverá ser averbada no Cartório de Registro de Imóveis e será procedida por</p><p>um funcionário público municipal ou por edital, se frustrada a tentativa de notificação.</p><p>Caso não seja realizado o parcelamento, edificação ou utilização, poderá, a prefeitura,</p><p>aplicar alíquotas progressivas para o IPTU pelo prazo de cinco anos. Depois desse prazo,</p><p>o município poderá desapropriar o imóvel, com pagamento, em títulos, da dívida pública.</p><p>A alíquota do IPTU não poderá exceder duas vezes o valor cobrado no ano anterior, e não</p><p>poderá ser superior a 15% (quinze por cento). No caso, não é permitido, ao município,</p><p>conceder isenção ou anistia para os valores cobrados do proprietário.</p><p>Cumpre esclarecer que, não obstante, a CBIC, o SindusCon-SP e o Secovi-SP tenham</p><p>solicitado o veto presidencial ao dispositivo legal que fixa a progressividade de até 15%</p><p>para a alíquota do IPTU, entendendo a violação do princípio constitucional da capacidade</p><p>contributiva.</p><p>Como já dito, decorridos cinco anos de cobrança de IPTU progressivo, poderá, a</p><p>municipalidade, proceder à desapropriação do imóvel, com pagamento, em títulos, da</p><p>dívida ativa, que serão, por sua vez, resgatados no prazo de até dez anos, assegurados o</p><p>valor real da indenização e os juros legais de seis por cento ao ano.</p><p>O valor real da indenização deverá refletir o valor da base de cálculo do IPTU, descontado</p><p>o montante incorporado em função de obras realizadas pelo Poder Público na área após</p><p>a notificação. Não serão computadas expectativas de ganhos, lucros cessantes e juros</p><p>compensatórios.</p><p>Na hipótese de desapropriação, o município deverá, no prazo máximo de cinco anos,</p><p>proceder ao adequado aproveitamento do imóvel. O aproveitamento do imóvel poderá</p><p>ser efetivado diretamente pelo Poder Público ou por meio de alienação ou concessão a</p><p>terceiros, mediante procedimento licitatório.</p><p>135</p><p>É criado o usucapião especial de imóvel urbano. Aqui, o possuidor de imóvel de até 250</p><p>m², que o possuir pelo período de cinco anos, poderá adquirir seu domínio, desde que</p><p>não seja proprietário de outro imóvel. Cria também o usucapião coletivo, para a hipótese</p><p>em que não for possível identificar os terrenos ocupados (nesse caso, para áreas urbanas</p><p>superiores a 250m² e para ocupantes de baixa renda), desde que os possuidores não</p><p>sejam proprietários de outro imóvel urbano ou rural.</p><p>Na hipótese de usucapião especial coletivo de imóvel urbano, este será declarado</p><p>pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá de título para registro no cartório de</p><p>registro de imóveis, devendo, o juiz, na sentença, atribuir igual fração ideal de terreno</p><p>a cada possuidor, independentemente da dimensão do terreno que cada um ocupe,</p><p>salvo hipótese de acordo escrito entre os condôminos, estabelecendo frações ideais</p><p>diferenciadas.</p><p>No projeto de lei, havia o instituto da concessão de uso especial para fins de moradia:</p><p>aquele que possuísse, como sua área ou edificação urbana, de até duzentos e cinquenta</p><p>metros quadrados, situada em imóvel público, por cinco anos, ininterruptamente e sem</p><p>oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, teria o direito à concessão de</p><p>uso especial para fins de moradia em relação à referida área ou edificação, desde que</p><p>não fosse proprietário ou concessionário de outro imóvel urbano ou rural.</p><p>Especificamente, com relação à concessão de uso especial para fins de moradia,</p><p>esclarecemos que o presidente vetou todos os dispositivos legais que regiam o assunto,</p><p>por entender que a redação dada aos artigos contraria o interesse público. Ressaltamos</p><p>que a CBIC solicitou o veto presidencial aos arts. 15, 16, 17, 18, 19 e 20.</p><p>Permite, a Lei nº 10.257, que a lei municipal, baseada no Plano Diretor, delimite as áreas</p><p>em que incidirá o direito de preempção e o prazo de vigência (preempção: quando o</p><p>município tiver preferência na aquisição de imóvel urbano, objeto de alienação onerosa</p><p>entre particulares).</p><p>A preempção somente poderá ser utilizada quando o poder público precisar de áreas</p><p>para, entre outras hipóteses: execução de programas e projetos habitacionais e de</p><p>interesse social; b) ordenamento e direcionamento da expansão urbana; c) implantação</p><p>de equipamentos urbanos e comunitários; d) criação de espaços públicos de lazer e</p><p>áreas verdes.</p><p>No caso, o proprietário que tiver imóvel em que incide a preempção deverá notificar o</p><p>município quanto à intenção de aliená-lo. Nessa hipótese, o proprietário do imóvel anexa,</p><p>à notificação, as condições que se dará o negócio. Caso existam condições diferentes, a</p><p>venda será considerada nula para todos os efeitos legais.</p><p>Se a venda a terceiros for considerada nula, o município poderá adquirir o imóvel pelo</p><p>valor da base de cálculo do IPTU ou pelo valor indicado na proposta apresentada.</p><p>É criada a outorga onerosa do direito de construir, que deverá ser definida pelo Plano</p><p>Diretor. Ele poderá fixar as áreas nas quais o direito de construir poderá ser exercido</p><p>acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado, a relação entre área edificável e</p><p>a área do terreno, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário.</p><p>136</p><p>Também será o Plano Diretor quem definirá os limites máximos a serem atingidos pelos</p><p>coeficientes e aproveitamento, fixando as áreas em que poderá ser utilizada a outorga</p><p>onerosa.</p><p>Institui a operação urbana consorciada. Conceitua operação urbana consorciada como o</p><p>conjunto de intervenções e medidas coordenadas pelo poder público municipal, com a</p><p>participação de proprietários, usuários permanentes e investidores privados. O objetivo</p><p>é alcançar, em uma área, transformações urbanísticas estruturais, melhorias sociais e a</p><p>valorização ambiental. Poderão ocorrer, na operação urbana consorciada: a modificação</p><p>de índices e características de parcelamento, uso e ocupação do solo e subsolo e</p><p>alterações das normas edilícias, considerado o impacto decorrente.</p><p>Será a lei específica que aprovará a operação urbana consorciada, devendo prever como</p><p>deverá ser operacionalizado o plano da operação urbana consorciada.</p><p>Permite, o Estatuto da Cidade, que a lei municipal autorize proprietário de imóvel urbano</p><p>a exercer, em outro local, o seu direito de construir, previsto no Plano Diretor, desde que o</p><p>imóvel venha a ser considerado necessário para fins de: preservação ou para programas</p><p>de regularização fundiária. Ainda, o município poderá definir, por lei, os empreendimen-</p><p>tos e as atividades privados ou públicos em área urbana, que dependerão de elaboração</p><p>de estudo prévio</p><p>de impacto de vizinhança (EIV) para obter as licenças ou autorizações de</p><p>construção, ampliação ou funcionamento a cargo do Poder Público Municipal.</p><p>Com relação ao Plano Diretor, determina, o Estatuto, que será ele o instrumento básico</p><p>da política de desenvolvimento e expansão urbana, e deverá englobar o território do</p><p>município como um todo.</p><p>O processo de elaboração do Plano Diretor observará a realização de audiências públicas,</p><p>ampla participação da população, publicidade aos documentos produzidos e o acesso</p><p>de qualquer interessado aos documentos e informações produzidas. A inobservância</p><p>e qualquer um dos requisitos citados ensejará a anulação da lei que instituir o Plano</p><p>Diretor.</p><p>O Plano Diretor será obrigatório: a) para cidades com mais de 20 mil habitantes; b)</p><p>integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações urbanas; áreas de especial</p><p>interesse turístico; inseridas nas áreas de influência de empreendimentos ou atividades</p><p>com significativo impacto ambiental de âmbito regional ou nacional.</p><p>O Plano Diretor deverá conter, no mínimo: a delimitação das áreas urbanas onde poderá</p><p>ser aplicado (a): a) o parcelamento, edificação ou utilização; b) o direito de</p><p>preempção; c) a outorga onerosa do direito de construir; d) operação</p><p>urbana consorciada; e) a transferência do direito de construir.</p><p>Define, por último, os instrumentos que deverão ser utilizados, visan-</p><p>do à gestão democrática da cidade. São eles: os órgãos colegiados de</p><p>política urbana, nos níveis nacional, estadual e municipal; b) debates,</p><p>audiências e consultas públicas; c) conferências sobre assuntos de</p><p>interesse urbano; d) iniciativa popular. Pelo projeto de lei, poderiam</p><p>ser utilizados o referendo popular e plebiscito, mas os dispositivos</p><p>foram vetados.</p><p>Leia mais em: https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/514/</p><p>Estatuto-da-Cidade-Lei-10257-01.</p><p>137</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A regularização fundiária é um processo muito importante, pois está diretamente</p><p>relacionado com o direito social à moradia.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>138</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Quais são as características do Plano Diretor?</p><p>2 Qual a importância do Estatuto das Cidades para a organização das cidades?</p><p>3 Quais os requisitos do título de legitimação de posse na regularização fundiária de</p><p>interesse social?</p><p>139</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABREU, F. B. Prática de registro de imóveis. 3. ed. Florianópolis: Conceito Editorial,</p><p>2013.</p><p>BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Disponível</p><p>em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso</p><p>em: 8 jul. 2020.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.931, de 2 de agosto de 2004. Dispõe sobre o patrimônio de</p><p>afetação de incorporações imobiliárias, Letra de Crédito Imobiliário, Cédula de Crédito</p><p>Imobiliário, Cédula de Crédito Bancário, altera o Decreto-Lei nº 911, de 1º de outubro</p><p>de 1969, as Leis nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, nº 4.728, de 14 de julho de 1965,</p><p>e nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e dá outras providências. Disponível em: http://</p><p>www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/lei/l10.931.htm. Acesso em: 8</p><p>jul. 2020.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível</p><p>em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm. Acesso em: 6 out.</p><p>2019.</p><p>BRASIL. Lei n° 10.257, de 10 de julho de 2001. Regulamenta os arts. 182 e 183</p><p>da Constituição Federal, estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras</p><p>providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/</p><p>L10257.htm. Acesso em: 6 out. 2019.</p><p>BRASIL. Lei nº 9.514, de 20 de novembro de 1997. Dispõe sobre o Sistema de</p><p>Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras</p><p>providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9514.htm.</p><p>Acesso em: 8 jul. 2020.</p><p>BRASIL. Lei nº 8.935, de 18 de novembro de 1994. Regulamenta o art. 236</p><p>da Constituição Federal, dispondo sobre serviços notariais e de registro. (Lei dos</p><p>cartórios). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8935.htm. Acesso</p><p>em: 8 jul. 2020.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. 1988. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 20</p><p>out. 2019.</p><p>140</p><p>BRASIL. Lei n° 6766, de 19 de dezembro de 1979. Dispõe sobre o Parcelamento</p><p>do Solo Urbano e dá outras Providências. Disponível em http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/leis/L6766compilado.htm. Acesso em: 6 out. 2019.</p><p>BRASIL. Lei nº 6.015, de 31 de dezembro de 1973. Dispõe sobre os registros</p><p>públicos, e dá outras providências. Disponível em: http:// http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/LEIS/L6015consolidado.htm. Acesso em: 6 out. 2019.</p><p>BRASIL. Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964. Dispõe sobre o condomínio em</p><p>edificações e as incorporações imobiliárias. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/leis/l4591.htm. Acesso em: 7 jul. 2020.</p><p>BRASIL. Decreto nº 4.857, de 9 de novembro de 1939. Dispõe sobre a execução</p><p>dos serviços concernentes aos registros públicos estabelecidos pelo Código Civil.</p><p>Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/D4857.htm.</p><p>Acesso em: 29 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Decreto nº 18.542, de 24 de dezembro de 1928.</p><p>Aprova o regulamento para execução dos serviços concernentes nos registros</p><p>públicos estabelecidos pelo Código Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/</p><p>ccivil_03/decreto/1910-1929/D18542.htm. Acesso em: 26 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Lei nº 1.237, de 24 de setembro de 1864. Reforma a Legislação</p><p>Hypothecaria, e estabelece as bases das sociedades de crédito real. Disponível em: 26</p><p>jun. 2020.</p><p>BRASIL. Decreto nº 482, de 14 de novembro de 1846. Estabelece o Regulamento</p><p>para o Registro geral das hypothecas. Disponível em: https://www2.camara.</p><p>leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-482-14-novembro-1846-560540-</p><p>publicacaooriginal-83591-pe.html#:~:text=Veja%20tamb%C3%A9m%3A-,Decreto%20</p><p>n%C2%BA%20482%2C%20de%2014%20de%20Novembro%20de%201846,tres%2C%20</p><p>Decretar%20o%20seguinte%20Regulamento. Acesso em: 26 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Lei orçamentária (Lei nº 317, de 31 de outubro de 1843. Fixando</p><p>a Despesa e orçando a Receita para os exercícios de 1843-1844, e 1844-1845.</p><p>Disponível em: http://registrodeimoveis1zona.com.br/?p=387#:~:text=LEI%20</p><p>N.%C2%BA%20317%20%E2%80%93%20de,1844%2C%20e%20</p><p>1844%2D1845.&text=Constitucional%2C%20e%20Defensor%20Perpetuo%20</p><p>do,N%C3%B3s%20Queremos%20a%20Lei%20seguinte. Acesso em: 26 jun. 2020.</p><p>CENEVIVA, W. Lei dos registros públicos comentada. Saraiva: São Paulo. 2010.</p><p>141</p><p>CHALHUB, M. N. Da incorporação imobiliária. Rio de Janeiro: Renovar, 2010.</p><p>FILHO, N. B. Registro de imóveis. 8. ed. São Paulo: Atlas, 1996.</p><p>LOPES, M. M. de S. Curso de Direito Civil. 9. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2000.</p><p>MELO, M. A. S. Breves anotações sobre o registro de imóveis. 2009. Disponível</p><p>em:https://jus.com.br/artigos/5669/breves-anotacoes-sobre-o-registro-de-</p><p>imoveis/3. Acesso em: 27 set. 2019.</p><p>MICHAELIS. Dicionário da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2016.</p><p>REALE, M. Filosofia do Direito. 20. ed. São Paulo: Saraiva, 2013.</p><p>SCAVONE JR., L. A. Loteamento, loteamento fechado e loteamento irregular.</p><p>2019. Disponível em: http://www.scavone.adv.br/index.php?loteamento-</p><p>loteamento-fechado-eloteamento-irregular. Acesso em: 6 out. 2019.</p><p>SERRA, M. G.; SERRA, M. H. Registro de Imóveis I. Parte Geral. 3. ed. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2018.</p><p>SERRA, M. G.; SERRA, M. H. Registro de Imóveis III. Procedimentos Especiais. 2.</p><p>ed. São Paulo: Saraiva, 2016.</p><p>tão somente no controle e na publici-</p><p>dade dos referidos ônus. No Brasil, como em muitos outros lugares do mundo, o desejo</p><p>por terra foi o que alavancou o movimento. Tem-se que o marco dos registros públicos</p><p>surgiu da necessidade de se estabelecer o registro para os imóveis. Existia a necessi-</p><p>dade de realizar a fixação das delimitações da extensão de cada gleba particular, tendo</p><p>em vista a existência de uma ocupação de terra desordenada, feita sem planejamento,</p><p>através do povoamento e colonização.</p><p>A lei instituiu o registro de imóveis por ato inter vivos e a constituição dos ônus</p><p>reais. Dessa forma, veio unificar o registro dos ônus reais e o da propriedade num só</p><p>local. Todavia, deixou bem claro que o registro somente se aplicaria aos atos inter vivos,</p><p>deixando desamparadas as sucessões causa mortis e as transmissões judiciais.</p><p>Outra grande inovação, apresentada por Serra e Serra (2018), adveio da decla-</p><p>ração de que a transmissão não se operava a respeito de terceiros, mas pela transcrição</p><p>desde a sua data. Assim, a partir dessa declaração, é possível extrair a obrigatoriedade</p><p>de inscrição imposta pelo regramento, que determinava que a publicidade registrária</p><p>era fundamental para que o direito pudesse exercer sua oponibilidade erga omnes.</p><p>O mesmo dispositivo refreou a força do registro, ao afirmar que a inscrição imo-</p><p>biliária não induziria à prova do domínio, o que significa dizer que a lei não atribuiu qual-</p><p>quer presunção de veracidade ao registro.</p><p>Para uma análise histórica, ressaltamos que o Brasil adotou o sistema alemão,</p><p>sistema que o domínio somente se transmite com o registro. Assim, conforme explicam</p><p>Serra e Serra (2018), o título (negócio jurídico subjacente como o contrato, a escritura</p><p>pública) não é suficiente para gerar o direito real, ou seja, o contrato (ou escritura públi-</p><p>ca) somente gera direitos pessoais/obrigacionais entre as partes. Ainda, o citado autor</p><p>nos traz que o sistema registral alemão conta com presunção absoluta de veracidade,</p><p>ou seja, o direito, uma vez inscrito no Registro de Imóveis, torna-se absoluto e não pode</p><p>ser invalidado por possíveis vícios existentes no negócio jurídico.</p><p>7</p><p>É importante destacar que, no sistema brasileiro atual, encontramos a presun-</p><p>ção relativa de veracidade dos direitos inscritos no sistema imobiliário, de modo que o</p><p>referido direito é considerado válido até que se prove o contrário. Assim, o efeito cons-</p><p>titutivo (presunção do domínio/direito real) do direito está atrelado ao título. Pela siste-</p><p>mática, todavia, o registro não possuía qualquer presunção de veracidade. Resultava</p><p>que, diante de qualquer questionamento, o direito deveria ser inteiramente provado,</p><p>porém, uma vez invalidado o título causal, somente via judicial, o registro, por conse-</p><p>quência, também será atingido. Aí que está a importância do Registro de Imóveis. O</p><p>efeito constitutivo do registro pode ser considerado como a viga mestra do sistema</p><p>registral imobiliário brasileiro. A eficácia constitutiva do registro também atinge terceiros:</p><p>a partir do registro do título, toda e qualquer pessoa é obrigada a respeitar o direito real</p><p>constituído, face à publicidade gerada.</p><p>Em resumo, historicamente, podemos perceber que o sistema de Registro de</p><p>Imóveis brasileiro, apesar de adotar o sistema alemão, não o seguiu integralmente.</p><p>Como vimos, o sistema alemão não admite prova contrária ao registro, ou seja, o regis-</p><p>tro é inatacável. Já no Brasil, vigora a presunção relativa de domínio a favor daquele que</p><p>registrou o imóvel em seu nome. Quem quiser contestar seu direito, poderá fazê-lo, se</p><p>provar, em juízo, a invalidade do título causal do registro. No nosso ordenamento jurídi-</p><p>co, somente o registro pelo Sistema Torrens, que é exclusivo para imóveis rurais, como</p><p>veremos mais adiante, produz presunção absoluta.</p><p>O direito de propriedade constante, do Art. 5º, XXII de nossa Constituição Fe-</p><p>deral (BRASIL, 1988), garante a todos os brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil</p><p>o direito de propriedade. Esse direito dá, ao proprietário do bem, a faculdade de usá-lo</p><p>e de tirar dele todo o proveito que ele possa oferecer, empregando-o em seu próprio</p><p>proveito ou de terceiros (pelo proprietário autorizado), podendo aliená-lo por renda ou</p><p>doação e, até mesmo, gravá-lo de ônus, como o que acontece quando se oferece o bem</p><p>como forma de garantia de uma dívida.</p><p>Assim, temos que o Sistema Registral brasileiro será de natureza mista, ou seja,</p><p>ele poderá ser:</p><p>CONSTITUTIVO: (de natureza constitutiva) criará um direito gerando conheci-</p><p>mento para o Brasil e o mundo. Será constitutivo em relação aos atos de oneração e às</p><p>transmissões inter vivos.</p><p>DECLARATIVO: (de natureza declarativa) limitar-se-á a declarar a existência de</p><p>um direito preexistente. Será um ato declaratório operado nas aquisições originárias e</p><p>causa mortis, além dos títulos de divisão, judiciais ou extrajudiciais.</p><p>Diante disso, podemos afirmar que os sistemas de registros servem para criar,</p><p>modificar, declarar e extinguir direitos no plano da normalidade da vida em sociedade.</p><p>8</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>PANORAMA HISTÓRICO DO REGISTRO DE IMÓVEIS NO BRASIL</p><p>Décio Antônio Erpen</p><p>João Pedro Lamana Paiva</p><p>De 22 de abril de 1500 até a Independência do Brasil, pertencia, ao Rei de</p><p>Portugal, toda a posse sobre o território descoberto, a título de domínio original do</p><p>Estado. Investido o Rei do senhorio, em 1532, determinou a divisão administrativa do</p><p>território em 15 capitanias. A partir de março do mesmo ano, as primeiras cartas de</p><p>doação começaram a ser entregues aos beneficiários.</p><p>O historiador Hélio Viana afirma que, em 1504, já fora criada a primeira Capitania</p><p>Hereditária do Brasil: Ilha de São João ou da Quaresma (Fernando de Noronha), doada</p><p>a Fernão de Noronha.</p><p>Embora houvesse sido o território, na primeira divisão administrativa do Brasil,</p><p>dividido em 15 partes, foram apenas 12 os donatários, cujos quinhões foram delimitados</p><p>e as prerrogativas inseridas nas respectivas Cartas de Sesmarias. Houve o início do</p><p>domínio original do Estado, com o privado sobre as terras.</p><p>Da Independência até o ano de 1850, houve ocupação do solo pela tomada da</p><p>posse sem qualquer título.</p><p>O Registro Imobiliário no Brasil tem sua origem fixada pela Lei n° 601, de 18 de</p><p>setembro de 1850, e seu Regulamento 1.318, de 30 de janeiro de 1854, quando a posse</p><p>passou a ser reconhecida perante o Vigário da Igreja Católica. Por isso, a lei passou a</p><p>ser conhecida por “Registro do Vigário”, e se fazia na freguesia da situação do imóvel. O</p><p>efeito desse registro era meramente declaratório, para diferenciar o domínio particular</p><p>do domínio público, conforme lição de Waldemar Loureiro.</p><p>Segundo José Maria Junqueira de Azevedo, o Registro de Imóveis, com as</p><p>funções de transcrever aquisições imobiliárias e inscrever ônus reais, instituiu-se, no</p><p>Brasil, pela Lei nº 1.237, de 24 de setembro de 1864, regulamentada pelo Decreto nº</p><p>3.453, de 26 de abril de 1865. Anteriormente, com o fim restrito de inscrever hipotecas,</p><p>criou-se, pela Lei Orçamentária nº 317, de 21 de outubro de 1843, o Registro Hipotecário.</p><p>Vigoravam, até então, as normas do Registro Paroquial. A inscrição da hipoteca</p><p>antecedeu a transcrição do imóvel, que só veio a ser instituída com a lei antes referida,</p><p>que transformou o Registro de Hipotecas em “Registro Geral”.</p><p>9</p><p>A citada lei substituiu a tradição da coisa pela transcrição do título, como modo</p><p>de transferência, continuando, o contrato, a gerar apenas obrigações. Foi ampliado,</p><p>assim, o registro para as transmissões de bens de raiz por atos inter vivos e constituição</p><p>de ônus reais, firmando o princípio de que a transmissão do imóvel só se operava por</p><p>via de Registro. Embora não houvesse prova de domínio, surgiu a inscrição hipotecária,</p><p>quer legal, quer convencional, declarando indispensável a transcrição para validade</p><p>contra terceiros.</p><p>Surgiram a</p><p>Lei n° 3.272, de 5 de outubro de 1885, o Decreto 169-A, de 19 de</p><p>janeiro de 1890, e o Decreto 370, de 2 de maio 1890, que introduziram modificações no</p><p>Estatuto de 1864 e proclamaram que o contrato, antes de transcrito, só conferia direitos</p><p>pessoais aos contratantes. Tinham, a doutrina, precedentes firmados por Teixeira de</p><p>Freitas, na Consolidação das Leis Civis. Prescreviam as ordenações, no concernente à</p><p>transmissão da propriedade imóvel. Essa se operava por força do contrato, tanto que, ao</p><p>comprador, fosse entregue a cousa para pagar o preço.</p><p>Consolidando a legislação filipina e notando os inconvenientes da transmissão</p><p>de imóveis por força do contrato, assentou Teixeira de Freitas que, para a aquisição do</p><p>domínio, não basta, simplesmente, o título. Ao comentar o Art. 524, nota 27, da Consoli-</p><p>dação, melhor esclareceu o jurista: “Nos países onde o registro de títulos translativos da</p><p>propriedade imóvel é necessário, ou importando em prova oficial do domínio, ou sendo,</p><p>simplesmente, veículo de publicidade, é preferível, como legítimo adquirente, aquele</p><p>que tiver registrado seu título de aquisição, ou que tiver, a seu favor, a prioridade no re-</p><p>gistro. Em tal caso, só depois da transcrição ou inscrição no Registro é que o título opera</p><p>seus efeitos, em relação a terceiros”. Por fim, conclui afirmando: “Estamos, hoje, quanto</p><p>à transmissão de imóveis, por atos inter vivos, no caso desses países, onde o registro de</p><p>títulos translativos da propriedade de imóvel é a sua tradição legal”.</p><p>Em referência aos ônus reais, estatui o mesmo preceito: “Para a hipoteca</p><p>convencional produzir os efeitos do Art. 1.269, é necessário que seja inscrita no Registro</p><p>Geral de Hipotecas, e esses efeitos começam a existir da data da inscrição”.</p><p>Confirmou Carlos de Carvalho que “esses preceitos, estabelecendo a tradição dos</p><p>bens imóveis, por efeito de atos inter vivos, gratuitos ou não, só produzem efeitos, a res-</p><p>peito de terceiros, pela publicidade legal, isto é, a transcrição no Registro e desde a data</p><p>dele”. Aditou que “até a transcrição, a tradição só obriga as partes contratantes”. Ressal-</p><p>vou, porém, que a transcrição “não induz prova de domínio, que fica a salvo”. Ao enumerar</p><p>os atos sujeitos à transcrição, “para validação contra terceiros desde a data”, isentou, da</p><p>transcrição, as transmissões “causa mortis” ou por testamento e os atos judiciários.</p><p>Ainda no ano de 1890, assinalou-se, no Brasil, a tentativa de adoção do sistema</p><p>australiano, conhecido como Registro Torrens, nos termos do Decreto 451-b, de 31 de</p><p>maio de 1890, regulamentado pelo Decreto 955-A, de 5 de novembro do mesmo ano.</p><p>10</p><p>O Registro Torrens constituiu tentativa de emprestar, aos atos do registro da</p><p>propriedade imóvel, segurança e liquidez, fazendo incontestáveis os títulos registrados.</p><p>Seria a situação dos cadastros germânicos. Foi admitido no Brasil para certos casos de</p><p>legalização da propriedade rural. Aquele sistema, embora a afinidade com o germânico,</p><p>é originário da Austrália, idealizado pelo deputado e oficial do Registro de Imóveis Sir</p><p>Robert Torrens, que emprestou seu nome ao processo.</p><p>Para obter cadastro ou matrícula no Registro Torrens, deve, o interessado, re-</p><p>querê-lo ao Juiz, nos termos da Lei 6.015/73, aduzindo provas da legitimidade do domí-</p><p>nio pelo seu título, devidamente filiado. Assim, era uma espécie de processo depurativo</p><p>do domínio, declarado legítimo judicialmente. A titularidade seria, desse modo, inata-</p><p>cável juris et de jure. Verificada a regularidade do processo e não havendo contestação</p><p>de terceiros, promove-se o registro, ficando arquivados, em cartório, os documentos</p><p>apresentados.</p><p>Do Código Civil</p><p>Com o advento do vigente Código Civil, em 1 de janeiro de 1917, a transcrição do</p><p>título hábil, no registro imobiliário da situação do imóvel, passou a constituir exigência</p><p>para a aquisição da propriedade imóvel. Aliás, o Código Civil dedicou a Seção VI do Cap.</p><p>XI, do Tit. III, “Do direito das coisas”, ao Registro de Imóveis. Regulou minuciosamente</p><p>a matéria, determinando sua função e alcance. Inovou em muitos pontos a legislação</p><p>anterior e fez obra de sabedoria e proveito, saneando lacunas do regime anterior. São os</p><p>seguintes os pontos culminantes da codificação: “a) que os direitos reais sobre imóveis,</p><p>constituídos ou transmitidos por atos inter vivos, só se adquirem depois da transcrição</p><p>do referido título, no Registro de Imóveis (arts. 532 a 676); b) que se presume pertencer</p><p>o direito real à pessoa em cujo nome se inscreveu, ou transcreveu (art. 859); c) que os</p><p>atos sujeitos à transcrição não transferem domínio, senão da data em que se transcre-</p><p>verem (art. 533)”.</p><p>Sobre os ônus reais, estabeleceu princípios correlatos: “a) que todas as hipote-</p><p>cas serão inscritas no lugar do imóvel (art. 831), não se distinguindo entre as hipotecas</p><p>legais ou convencionais e abolindo as hipotecas ocultas; b) que o número de ordem de-</p><p>termina a prioridade e, esta, a preferência, entre as hipotecas (art. 853, par.ún.); c) que</p><p>as hipotecas somente valem contra terceiros, desde a data da inscrição e que, enquanto</p><p>não inscritas, só subsistem entre os contraentes (art. 848)”.</p><p>Determinou que o Registro de Imóveis compreendesse:</p><p>I – “a transcrição dos títulos da propriedade, enumerada no art. 532; II – a</p><p>transcrição dos títulos constitutivos de ônus reais sobre coisas alheias; III – as inscrições</p><p>das hipotecas (art. 856, I a IV)”.</p><p>11</p><p>Consagrava-se, dessa forma, o princípio de que a “propriedade imóvel só se</p><p>adquire pelo registro”, assim, a forma e o modo de aquisição. Os atos contratuais ou os</p><p>judiciários reputam-se preparatórios, pois só obrigam as partes contraentes. Vulgarizou-</p><p>se esse princípio, traduzindo-se, na linguagem popular, pela afirmação de que “quem</p><p>não registra não é dono”. O Código Civil, regulando a matéria, colocou-se entre as mais</p><p>adiantadas legislações.</p><p>Leis e decretos posteriores</p><p>O Código Civil necessitou de regulamentação no tocante à matéria registrária e</p><p>seus serviços específicos, através de decretos. Houve grande progresso na matéria ao</p><p>se erigir a transcrição em troca da tradição solene da transação, geradora do direito real</p><p>para o adquirente, com a transmissão do domínio. Entretanto, com os desenvolvimen-</p><p>tos socioeconômico e jurídico do país, começaram a surgir as falhas e deficiências do</p><p>sistema imobiliário.</p><p>O Código Civil instituiu um sistema de registro imobiliário comum, mas obrigató-</p><p>rio, abrangendo todos os atos judiciais e extrajudiciais. Anteriormente, aqueles estavam</p><p>excluídos dos registros, tornando o sistema inseguro. Contudo, não se aboliu o Sistema</p><p>Torrens, ficando com dois sistemas simultâneos: um comum e obrigatório (instituído</p><p>pelo Código Civil), com presunção relativa de domínio, e outro facultativo (o Registro</p><p>Torrens), com presunção absoluta do domínio. Ainda hoje, persiste o duplo registro so-</p><p>bre determinados imóveis, em regiões localizadas.</p><p>Sucederam-se leis e decretos aplicáveis ao Registro de Imóveis, sendo, o primei-</p><p>ro, o de nº 12.343, de 3 de janeiro de 1917, que deu instruções para a execução dos atos</p><p>dos registros instituídos pelo Código Civil. Seguiram-se a Lei nº 4.827, de 7 de fevereiro de</p><p>1924, o Decreto nº 18.527, de 10 de dezembro de 1928, e o Decreto nº 4.857, de 9 de no-</p><p>vembro de 1939, modificado pelo Decreto nº 5.718, de 26 de fevereiro de 1940. Esses dois</p><p>decretos vigoraram por mais de 30 anos, contemplando figuras jurídicas novas, como o</p><p>loteamento de terrenos urbanos e rurais, para venda a prestações; a promessa de venda</p><p>e compra do imóvel loteado e não loteado; o contrato de penhor rural; e o condomínio em</p><p>prédios de apartamentos. Foi seu elaborador o eminente jurista Filadelfo de Azevedo.</p><p>Seguiu-se o Decreto-lei nº 1.000, de 21 de novembro de 1969, que atualizou as</p><p>normas da legislação anterior. Como já foi afirmado, esse Decreto-lei, depois de ter a</p><p>sua vigência prorrogada várias vezes, acabou sendo definitivamente revogado, a des-</p><p>peito de</p><p>seus incontestáveis merecimentos. Salientou-se pelo empenho em simplificar</p><p>os trâmites cartorários, dispensando, por inúteis, certos assentamentos, como os do</p><p>Livro-Talão. Ao mesmo tempo, permitiu que os livros do registro fossem substituídos</p><p>por fichas ou pelo sistema de folhas soltas, suscetíveis de serem datilografadas. Cui-</p><p>dou de abreviar providências escusadas, facilitando a tarefa dos escrivães e auxiliares.</p><p>Acompanhou, assim, o progresso da tecnologia, em matéria de escrituração dos atos do</p><p>registro, à maneira dos progressos das escriturações bancária, comercial e pública. Ten-</p><p>tou retirar, das Serventias da Justiça, os processos morosos, intrincados e obsoletos.</p><p>12</p><p>Em substituição a esse Decreto-lei, elaborou-se a vigente Lei nº 6.015, de 31 de</p><p>dezembro de 1973, alterada pela Lei nº 6.216, de 30 de junho de 1975. Dentro dos rotei-</p><p>ros da Lei nº 6.015, primou por maior simplificação, condensando, no Título V, a matéria</p><p>relativa ao Registro de Imóveis.</p><p>Vige, no país, o princípio da territorialidade para fins de registro. De regra, cada</p><p>municipalidade tem um registro imobiliário, o órgão isolado, sem conexão com os de-</p><p>mais. A competência para a prática dos atos é absoluta. Se o registro for promovido em</p><p>circunscrição diversa, o ato é considerado inexistente.</p><p>De outro lado, nas escrituras de compra e venda, exigem-se muitos documen-</p><p>tos fiscais, além do tributo correspondente, o que não acontece com os documentos</p><p>particulares. Daí porque se opta pela solução mais cômoda. O Brasil real não coinci-</p><p>de com o Brasil legal. Há um incessante combate entre os documentos públicos e</p><p>os particulares.</p><p>O principal e mais transcendente está na instituição da matrícula para cada</p><p>imóvel em sua folha. Os registros e as averbações dos títulos que têm, por objeto, o</p><p>imóvel matriculado, são efetuados, cronologicamente, modificando radicalmente a sis-</p><p>temática tradicional do registro, proporcionando a futura cadastração imobiliária, apro-</p><p>ximando-nos do sistema cadastral germânico, considerado o mais perfeito por todos os</p><p>especialistas na matéria.</p><p>Outrossim, a matrícula (fólio real), se distingue de outras em países irmãos, mas</p><p>a brasileira mantém todos os requisitos anteriores. Um autêntico curriculum vitae da</p><p>propriedade imobiliária. Contudo, ela só foi instituída a partir de 1 de janeiro de 1976,</p><p>trasladando-se os atos existentes anteriormente (transcrições e inscrições). Não houve</p><p>obrigação legal de todos os interessados de trasladarem para o novo sistema, assim,</p><p>temos propriedades tituladas sob a égide da transcrição, cujos livros obsoletos e ma-</p><p>nuscritos remanescem e são manuseados. Ainda, temos propriedades já lançadas em</p><p>matrículas abertas sob os auspícios da nova lei, valendo-se dos dados existentes. São</p><p>geradas grandes dificuldades no manuseio e controle dos atos, pela falta de espaço ou</p><p>pela corrosão do tempo. A obrigação somente ocorre quando se pratica ato passível de</p><p>registro.</p><p>Os atos judiciais são passíveis de registro, mesmo os de caráter acautelatório, v.</p><p>g., protestos contra alienação. Contudo, há uma luta constante entre a atividade regis-</p><p>tral e a jurisdicional, entendendo, alguns magistrados, que a eficácia de seus atos não</p><p>pode ser condicionada a registro, porquanto estaria ferida na soberania dos vereditos.</p><p>Não existe, ainda, no Brasil, uma consciência fundada na segurança jurídica como fator</p><p>de paz social.</p><p>A grande característica que existe na prática brasileira está nos chamados con-</p><p>tratos de promessa de compra e venda, feitos por instrumento particular. Com grande</p><p>extensão territorial, a propriedade no Brasil foi dividida sem nenhuma programação. O</p><p>13</p><p>êxodo rural precipitou o parcelamento do solo, o que se deu através de pré-contratos.</p><p>Nos tribunais, valoriza-se a posse e, hoje, no Brasil, cerca de 40% das propriedades ocu-</p><p>padas, com situação jurídica consolidada, não são tituladas. Deferiu-se, às promessas,</p><p>um direito real oponível e mesmo sem título definitivo, o promitente comprador dispõe</p><p>da coisa (v. g., constrói). É uma realidade social. Os tribunais estão abarrotados com</p><p>demandas advindas de instrumentos particulares, e sem registro, e valoriza-se a posse</p><p>como fator social, em detrimento do sistema registral que outorga a segurança jurídica.</p><p>O Direito registral somente criou sua autonomia com a Lei 6.015/73. Até então,</p><p>era mero apêndice do Código Civil. Nem a cadeira didática de Direito notarial e registral</p><p>tínhamos.</p><p>O sistema registral brasileiro é constitutivo (só se adquire a propriedade com o</p><p>registro). É descentralizado com mais ou menos 3.200 Registros de Imóveis distribuídos</p><p>pelo Brasil, sendo, o registrador, um profissional do Direito, remunerado pela parte (sis-</p><p>tema privatizado). Seu ingresso se dá por concurso público, realizado pelo Poder Judici-</p><p>ário, que fiscaliza seus atos, nos termos da recente Lei 8.935/94, que regula a atividade</p><p>de registro. Contudo, esse sistema ainda exige aperfeiçoamento.</p><p>Com efeito, a Física e a Mecânica revogaram a Geografia; o fax revogou a tele-</p><p>grafia e os correios; a informática revogou a máquina de escrever e outros hábitos; e a</p><p>mídia acirrou as tendências sociais. Há que se repensar um sistema registral moderno e,</p><p>principalmente, abrangente; a publicidade passiva, circunscrita a uma pequena munici-</p><p>palidade não integrada ao orbe, tende a desaparecer; a tendência mundial é de blocos</p><p>(de países, de Estados-membros, de microrregiões) com fins mais variados; e devemos</p><p>instituir uma publicidade similar a uma encíclica papal urbi et orbi, pena de sermos atro-</p><p>pelados pela história, se já não somos.</p><p>FONTE: ERPEN, D. A.; PAIVA, J. P. L. Panorama histórico do registro de imóveis no Brasil. 2019.</p><p>Disponível em: http://registrodeimoveis1zona.com.br/?p=270. Acesso em: 29 maio 2020.</p><p>3 FUNCIONAMENTO DO REGISTRO DE IMÓVEIS</p><p>A justificativa para existência do registro de imóveis é a segurança da aquisição</p><p>da propriedade imobiliária por atos oriundos, de acordos de vontade das partes. Um</p><p>imóvel pertencerá a uma determinada zona registral e isso será permanente. Assim,</p><p>não é possível “mudar” ou “escolher” um registro de imóvel para a realização dos atos</p><p>registrais.</p><p>Quando o objeto é um bem móvel, a propriedade deste se adquire simplesmente</p><p>com a simples entrega do bem ao seu adquirente. Todavia, se estamos tratando de</p><p>um bem imóvel, este somente poderá ser adquirido através de registro de contrato</p><p>pertinente no competente Registro de Imóveis.</p><p>14</p><p>Se estivermos tratando de compra e venda de imóvel, considerando que o</p><p>contrato ainda não está registrado, o adquirente ainda não é o proprietário do imóvel.</p><p>O título deverá ser encaminhado para registro no Registro de Imóveis competente.</p><p>O Registrador, então, iniciará o ato de “qualificação do título”. Ao desempenhar essa</p><p>função, o Registrador irá constituir, modificar ou extinguir direitos reais sobre os imóveis.</p><p>Será função do Oficial Registrador, ainda, examinar os títulos e documentos que são</p><p>apresentados, verificando sua registrabilidade, evidenciando se são válidos e se estão</p><p>de acordo com as disposições legais.</p><p>O Oficial Registrador verificará pontualmente a legalidade e a validade do título,</p><p>procedendo ou não ao seu registro. Para os atos, a competência do Oficial Registrador</p><p>é ampla.</p><p>Após a realização do exame do título, o Oficial Registrado emitirá um julgamento:</p><p>ou admite o título como perfeito e apto a gerar o direito real pretendido, determinando o</p><p>registro, ou devolve o título ao apresentante, para que o complemente com as exigências</p><p>que apontará.</p><p>O ato de devolução do título para o Apresentante chama-se Nota de Impugnação,</p><p>Nota de Exigência, Nota Devolutiva ou Nota Explicativa de Exigência etc. O Oficial</p><p>Registrador será soberano e independente sobre o registro do título (aceitação naquelas</p><p>condições), ou com sua denegação e posterior impugnação.</p><p>Dentro de um contexto um tanto embrionário</p><p>do sistema registral, segundo</p><p>Serra e Serra (2018), surgiu o Registro Torrens, que será analisado no nosso próximo</p><p>tópico, mas que visava dar uma alternativa às pessoas que buscavam a segurança do</p><p>direito de propriedade. Após uma análise detalhada do título e da propriedade, além dos</p><p>confrontantes e possíveis interessados, era deferida a inscrição, mas com presunção</p><p>absoluta de veracidade. Se, no futuro, eventualmente, fosse descoberta alguma falha</p><p>na formação do direito, ele seria mantido, salvo nos casos de fraude, erro de medição ou</p><p>oposição a outro Título Torrens previamente registrado.</p><p>Levando-se em conta que, neste momento, os títulos que encontravam</p><p>inscrição pelo sistema comum não gozavam de presunção alguma de veracidade, e que</p><p>a maioria dos direitos ainda se encontrava fora do sistema registrário, percebemos o</p><p>grande apelo que o referido sistema trouxe para a época.</p><p>Seguindo com a evolução histórica, o Código Civil foi o primeiro dispositivo</p><p>legal no Brasil a criar a instituição pública Registro Imobiliário com a incumbência de</p><p>constituição de direitos reais, atribuindo presunção relativa de veracidade a esses</p><p>direitos como decorrência da inscrição.</p><p>Antes do Código Civil, havia a obrigatoriedade da inscrição dos títulos formadores</p><p>de direitos reais, todavia, essa inscrição não gerava qualquer tipo de presunção. Ademais,</p><p>os efeitos das transcrições se limitavam às transmissões entre vivos dos imóveis</p><p>15</p><p>suscetíveis de hipoteca, ficando, de fora do sistema, as transmissões causa mortis, os</p><p>testamentos e os atos judiciários, fato que foi corrigido pelo Código, que determinou a</p><p>inscrição de todos os títulos destinados à criação, transmissão, modificação ou extinção</p><p>de direitos reais, especificando, ainda, que seriam registradas as sentenças de inventário</p><p>e partilha, além das de divisão e demarcação, vindo o Decreto nº 18.542/28 a completar</p><p>os títulos judiciais, ao determinar a inscrição das sentenças de adjudicação do imóvel</p><p>quando não houver partilha, além da entrega dos imóveis.</p><p>O Decreto nº 18.542/28 trouxe uma colaboração para a segurança do sistema</p><p>registral ao instituir o princípio da continuidade, estabelecendo a obrigatoriedade da</p><p>transcrição anterior para que se pudesse transcrever ou inscrever qualquer título no</p><p>Registro de Imóveis. Foi um grande passo para a segurança dos registros, segundo</p><p>Serra e Serra (2018), uma vez que determinou a análise da origem do direito, de forma</p><p>a garantir que ninguém transmita mais direitos do que possui. O decreto dispensava</p><p>o registro do título anterior, quando este não estivesse obrigado a registrar. O direito</p><p>então vigente, todavia, exigia a sua apresentação para a análise com o título para a</p><p>transmissão atual.</p><p>4 PRINCIPAIS SISTEMAS DE REGISTRO IMOBILIÁRIO</p><p>O Sistema Registral, segundo Serra e Serra (2018), pode ser definido como o</p><p>conjunto de regras e princípios acerca da criação, modificação e extinção dos direitos</p><p>reais. Por direitos reais, temos a propriedade, a superfície, as servidões, o usufruto, o</p><p>uso, a habitação, o direito do promitente comprador do imóvel, o penhor, a hipoteca, a</p><p>anticrese, a concessão de uso especial para fins de moradia, a concessão de direito real</p><p>de uso e a laje.</p><p>É importante sabermos que os direitos reais se diferem dos direitos pessoais ou</p><p>obrigacionais, pois os direitos reais vinculam uma pessoa a um objeto, sendo, a relação,</p><p>oponível erga omnes, decorrendo o chamado direito de sequela. Serra e Serra (2018)</p><p>trazem que os direitos pessoais vinculam duas pessoas entre si, as quais podem até</p><p>dispor sobre determinado objeto, mas a vinculação ocorre somente entre as partes que</p><p>contrataram, não obrigando terceiros que não participaram do negócio.</p><p>Existem diversas formas de classificações dos principais sistemas registrais,</p><p>mas, pela complexidade de entendimento, no nosso estudo, veremos apenas as mais</p><p>comuns. Vamos separar os sistemas registrários em três categorias, sendo elas sob o</p><p>ponto de vista da forma, sob o ponto de vista da organização e sob o ponto de vista dos</p><p>efeitos que o registro produz. Vejamos:</p><p>Sistemas de Transcrição: nesta categoria, o sistema copia ou transcreve a tota-</p><p>lidade do título, apresentando, sem se preocupar em extrair dele somente seus aspectos</p><p>puramente obrigacionais. Exemplo é o francês, no qual o registro consiste no arquivamento</p><p>em pastas organizadas por pessoa, nas quais se arquivam os títulos de transmissão.</p><p>16</p><p>Sistema de Inscrição: o assento registral corresponde a um extrato do título,</p><p>extraindo apenas as disposições que têm caracteres de direito real. Somente tais</p><p>caracteres são suscetíveis de publicação por meio do registro em função dos efeitos</p><p>decorrentes (validade perante terceiros). Exemplo desse sistema é o brasileiro.</p><p>Sistemas de Classificação: os livros de registro apresentam previamente</p><p>compartimentos ou campos, nos quais se revela, abreviadamente, o direito resultante</p><p>do documento. Esses livros se apresentam como um formulário, em que só são</p><p>preenchidas as lacunas. A categoria é apropriada para as legislações com os direitos</p><p>inscritíveis, posto que estes, no caso, estão tipificados em sua enumeração e em seu</p><p>conteúdo. É típico do sistema alemão, no qual existe uma forma rígida de como deve</p><p>ser apresentado o título.</p><p>Sob o ponto de vista da organização, temos os seguintes sistemas, o Sistema</p><p>de Fólio Real e o Sistema de Fólio Pessoal, temas que serão estudados em uma outra</p><p>unidade.</p><p>Já com relação ao ponto de vista dos efeitos que o registro produz, temos: Siste-</p><p>mas de Inoponibilidade, Sistemas de Registros de Documentos ou Sistema Declarativo.</p><p>Sistemas de Registro de Direitos ou, ainda, Sistema Constitutivo, que está divi-</p><p>dido em: Sistemas de Presunção de Exatidão ou de Fé Pública ou Sistemas da Inscrição</p><p>Constitutiva Relativa, como o sistema alemão. Por fim, sistemas de inacatabilidade.</p><p>5 A LEI Nº 6.015/73</p><p>Todos os atos pertinentes aos registros imobiliários no Brasil estão disciplinados</p><p>pela Lei nº 6.015/73. Com isso, é muito importante ter conhecimento dessa legislação,</p><p>já que trará imensa segurança jurídica à negociação. Por exemplo, em uma transação</p><p>imobiliária, uma venda que, aparentemente, parece concretizada, poderá ser desfeita</p><p>trazendo grandes prejuízos se o imóvel não for registrado da forma correta, como disci-</p><p>plinado pela Lei nº 6.015/73.</p><p>Decorridos mais de 45 anos do surgimento da lei de registros públicos, a Lei nº</p><p>6.015/73, que dispõe sobre diversos aspectos do sistema registral brasileiro, ainda é de</p><p>grande importância para toda sociedade brasileira, pois os processos mais tradicionais</p><p>são os nascimentos, óbitos e emancipações no âmbito do registro civil das pessoas</p><p>naturais; escrituras, partilhas e atas no âmbito do tabelionato de notas; registro de</p><p>contratos, abertura e encerramento de empresas no registro civil das pessoas jurídicas;</p><p>registro de incorporações, instituições, loteamentos e retificações de áreas no registro</p><p>de imóveis, registro de protesto no tabelião etc.</p><p>17</p><p>Quando falamos de registrar um título no Registro de Imóveis, estamos falando</p><p>de realizar uma anotação/um lançamento/uma nova informação de cunho legal e</p><p>pertinente, que será realizado na matrícula de um determinado imóvel, pertencente</p><p>àquela Serventia Registral. Assim, de acordo com a Lei nº 6.015/73 e suas alterações,</p><p>somente poderão ser admitidos registros de documentos, em sua maioria públicos,</p><p>taxativos e estabelecidos na Lei nº 6015/73, conforme:</p><p>Art. 221 - Somente são admitidos registro: (Renumerado com nova</p><p>redação pela Lei nº 6.216, de 1975).</p><p>I- escrituras públicas, inclusive as lavradas em consulados brasileiros;</p><p>II- escritos particulares autorizados em lei, assinados pelas partes</p><p>e testemunhas, com as firmas reconhecidas, dispensado o reco-</p><p>nhecimento quando forem atos praticados por</p><p>entidades vincu-</p><p>ladas ao Sistema Financeiro da Habitação;</p><p>III- atos autênticos de países estrangeiros, com força de instrumento</p><p>público, legalizados e traduzidos na forma da lei, e registrados no</p><p>cartório do Registro de Títulos e Documentos, assim como sen-</p><p>tenças proferidas por tribunais estrangeiros após homologação</p><p>pelo Supremo Tribunal Federal;</p><p>IV- cartas de sentença, formais de partilha, certidões e mandados</p><p>extraídos de autos.</p><p>V- contratos ou termos administrativos, assinados com a União, Es-</p><p>tados, Municípios ou o Distrito Federal, no âmbito de programas</p><p>de regularização fundiária e de programas habitacionais de in-</p><p>teresse social, dispensado o reconhecimento de firma (BRASIL,</p><p>1973, s.p.).</p><p>Conforme Lopes (2000), os títulos mencionados, quanto à forma, podem ser</p><p>públicos ou privados. Serão títulos públicos quando passados perante um Oficial Re-</p><p>gistral ou quando forem resultantes de atos judiciais. Já no segundo caso, serão títulos</p><p>privados quando feitos exclusivamente com a intervenção das partes interessadas.</p><p>Existem, ainda, três outras hipóteses em que a propriedade de um imóvel se</p><p>adquire, independentemente do registro:</p><p>Acessão: modo originário de adquirir, em virtude do qual fica pertencendo, ao</p><p>proprietário, tudo quanto se une ou se incorpora ao seu bem. Exemplo: formação de</p><p>ilhas.</p><p>Usucapião: direito que um cidadão adquire em relação à posse de um bem</p><p>móvel ou imóvel em decorrência do uso por um determinado tempo.</p><p>Imóveis que se adquirem pelo direito hereditário: ocorrido o falecimento</p><p>de uma pessoa, os herdeiros receberão a propriedade dos bens, automaticamente, em</p><p>razão da morte do autor da herança.</p><p>18</p><p>Em todos esses casos, o registro será necessário apenas para disponibilizar e</p><p>especificar tal transmissão, mantendo, assim, a continuidade da cadeia dominial em</p><p>nomes dos titulares, nos registros do Cartório de Registro de Imóveis competentes.</p><p>Diante disso, com exceção dessas três hipóteses, o processo de aquisição de um bem</p><p>imóvel só se dará pelo registro do contrato no Registro de Imóveis competente.</p><p>Há muito mais da Lei nº 6.015/73 a ser explorada. Para o nosso estudo inicial,</p><p>o conhecimento mais brando facilitará a compreensão do conteúdo a ser trabalhado</p><p>neste livro. Contudo, se você sentir curiosidade, não deixe de pesquisar ainda mais</p><p>sobre a Lei de Registros Públicos.</p><p>19</p><p>Neste tópico, você aprendeu:</p><p>• A história dos Registros de Imóveis no Brasil é longa, desde o tempo do Império e da</p><p>atuação da Coroa Portuguesa em relação aos bens imóveis, como as Sesmarias, um</p><p>sistema implementado pela Coroa no Brasil.</p><p>• O imóvel é registrado de acordo com a sua localização e zona registral.</p><p>• Os principais tipos de registros existentes são: transcrição, inscrição e classificação.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>20</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 O que era e como funcionava o Sistema das Sesmarias no Brasil? Por quem foi</p><p>implantado?</p><p>2 O Sistema Registral Brasileiro se baseou muito no Sistema Registral Alemão, mas não</p><p>o seguiu totalmente, por isso, é um sistema misto. Descreva as características do</p><p>Sistema Registral Brasileiro.</p><p>3 O Registro de Imóveis no Brasil gera presunção absoluta ou relativa da veracidade</p><p>dos seus atos? Explique.</p><p>4 Quando falamos que o assento registral corresponde a um extrato do título, do qual</p><p>são extraídas apenas as disposições que têm caracteres de direito real, e que somente</p><p>tais caracteres são suscetíveis de publicação por meio do registro em função dos</p><p>efeitos decorrentes, com validade perante terceiros, estamos falando do sistema de:</p><p>a) ( ) Transcrição.</p><p>b) ( ) Inscrição.</p><p>c) ( ) Validação.</p><p>d) ( ) Oposição.</p><p>5 Sobre a Lei nº 6.015/73, assinale a alternativa CORRETA:</p><p>a) ( ) A lei não está mais em vigor, visto que foi revogada com a entrada do Código Civil</p><p>de 2002. É estudada apenas para conhecer seus aspectos históricos.</p><p>b) ( ) Todos os atos pertinentes aos registros imobiliários no Brasil estão disciplinados</p><p>pela Lei nº 6.015/73. Por isso, é de fundamental importância ter conhecimento,</p><p>uma vez que a lei trará imensa segurança jurídica à negociação de um imóvel,</p><p>por exemplo.</p><p>c) ( ) Somente são registrados títulos privados no Sistema Registral Brasileiro, de</p><p>acordo com a Lei nº 6.015/73.</p><p>d) ( ) A Lei nº 6.015/73 trata apenas do Registro de Imóveis Brasileiro, sendo que seus</p><p>principais artigos trazem matéria sobre o Registro Torrens, que é o procedimento</p><p>para o registro de imóveis urbanos, na atualidade.</p><p>21</p><p>REGISTRO TORRENS</p><p>UNIDADE 1 TÓPICO 2 —</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste tópico, vamos estudar o Registro Torrens. Esse registro foi criado por um</p><p>irlandês e, com o passar do tempo, espalhou-se seu uso ao redor do mundo.</p><p>Historicamente, no Brasil, o sistema foi implantado por Rui Barbosa, para dar</p><p>mais garantia aos proprietários de terras e, com isso, haver um registro de comprovação</p><p>de propriedade, já que o sistema utilizado até então, o Sistema das Sesmarias, era</p><p>passível de muitos questionamentos sobre a propriedade das terras. Com o passar do</p><p>tempo e criação de outras legislações, o uso do Registro Torrens foi deixando de ser</p><p>uma prática em nosso país.</p><p>Atualmente, como veremos no nosso estudo, ele só é utilizado para o registro de</p><p>propriedade rural, não sendo mais cabível a sua utilização para registrar a propriedade</p><p>urbana. Mesmo para a propriedade rural, você verá, no decorrer do estudo, que há</p><p>particularidades e trâmites específicos para o uso do registro ou sistema. Vamos lá?</p><p>Aproveite a leitura!</p><p>2 CONCEITO E SUA IMPORTÂNCIA</p><p>Historicamente, o Registro Torrens foi criado pelo irlandês Sir Robert Richard</p><p>Torrens, para registrar propriedade imóvel, rural ou urbana. Robert Torrens, segundo</p><p>Serra e Serra (2018), exerceu vários cargos públicos na Austrália, inclusive o de Oficial</p><p>de Registro, e foi exercendo o cargo de deputado que apresentou seu sistema de regis-</p><p>tro da propriedade imobiliária, convertido em lei e com início de execução em 2 de julho</p><p>de 1858.</p><p>A título de curiosidade, na Austrália, havia uma distinção bem nítida entre di-</p><p>reitos da propriedade adquiridos sobre terras públicas e terras privadas. Os primeiros</p><p>absolutos e perfeitamente assegurados, os segundos, muito expostos às reivindicações</p><p>e pouco tutelados.</p><p>22</p><p>O Sistema Torrens propôs-se, então, a dirimir esse estado de coisas, fazendo da</p><p>matrícula, no registro fundiário, uma prova segura do direito de propriedade. O certificado</p><p>de um registro inicial serve de base a todas as transações futuras. Há, assim, um registro</p><p>matriz, constituindo um verdadeiro livro imobiliário, pois cada imóvel submetido ao ACT</p><p>Torrens é inscrito em uma folha especial, apresentando, de modo sintético, a descrição</p><p>de elementos básicos, quer do ponto de vista material, quer do ponto de vista jurídico.</p><p>A ideia central de todo sistema Torrens, segundo alguns autores pesquisados,</p><p>consiste em conferir um direito incontestável a quem se vale do registro e é portador</p><p>de um certificado. Há o poder de destruir o titular verdadeiro que se manteve oculto</p><p>ao público, direito que é imolado como direito real e substituído por um simples direito</p><p>pessoal, consistente numa ação de indenização contra o titular registrado, que se apro-</p><p>veitou do erro. O certificado é um título de propriedade absoluto. A ação de reivindicação</p><p>não é possível, ou se houver fraude, erro de limites ou quando a ação emana de um igual</p><p>portador de um certificado de título anterior. O certificado, por esse modo, é um título</p><p>destinado a resistir a toda ação, seja qual for o seu fundamento jurídico.</p><p>O sistema Torrens foi implementado no Brasil por Rui Barbosa. Segundo Serra</p><p>e Serra (2018), apesar do sistema não ser muito utilizado nos dias atuais, a sua criação</p><p>deve ser analisada no contexto histórico em que foi criado, para que se possa compre-</p><p>ender os motivos de sua criação. Ainda, é possível ter uma ideia do porquê, pouco a</p><p>pouco, de ter sido deixado de lado.</p><p>FIGURA 1 – RUI BARBOSA</p><p>FONTE: <https://s.ebiografia.com/assets/img/authors/ru/ib/rui-barbosa-l.jpg>.</p><p>Acesso em: 29 maio 2020.</p><p>23</p><p>Rui Barbosa (1849-1923) foi um político, diplomata, advogado e</p><p>jurista brasileiro. Para o site e biografia, ele representou o Brasil</p><p>na Conferência de Haia, foi reconhecido como “O Águia de Haia”.</p><p>O grande tema era a criação de uma corte permanente de justiça.</p><p>Com seus longos discursos e atacando a classificação dos países</p><p>pela sua força militar, Rui Barbosa conquistou o respeito das</p><p>nações. Foi membro e fundador da Academia Brasileira de Letras</p><p>e seu presidente entre 1908 e 1919. Rui Barbosa faleceu em</p><p>Petrópolis, Rio de janeiro, no dia 1º de março de 1923. Leia mais</p><p>em www.ebiografia.com.br.</p><p>DICA</p><p>Para Serra e Serra (2018, p. 87), o sistema Torrens foi idealizado e implementado</p><p>em um momento histórico no qual surgiam, no Brasil, as primeiras regras para a formação</p><p>de uma sistemática registral.</p><p>Não fazia muito tempo que tinha surgido a primeira possibilidade</p><p>de registro centralizada dos direitos de propriedade, em 1864, mas</p><p>ainda muito falha na medida em que não abrangia todos os atos</p><p>relativos à transmissão de imóveis, deixando de fora as transmissões</p><p>judiciais e causa mortis. Ainda declarava que a transmissão não se</p><p>operava a respeito de terceiros, senão pela transcrição desde a sua</p><p>data, mas que essa transcrição não induziria à prova do domínio. Sem</p><p>contar que, na época, a maioria dos imóveis ainda não se encontrava</p><p>registrada, tendo em vista que, anteriormente a essa legislação, não</p><p>se encontrava amparo legal para o registro, tendo apenas um registro</p><p>de hipotecas.</p><p>Esse era um período onde existia uma grande insegurança no que se refere aos</p><p>direitos reais no Brasil, sendo um atrativo para o surgimento de uma opção, na qual a par-</p><p>te teria garantia à inatacabilidade do seu direito, uma vez que este ganhasse ingresso no</p><p>registro. Contudo, o sistema em si traz, como sua principal característica, a intocabilidade</p><p>do direito registrado, ou seja, a impossibilidade de ser desconstituído por terceiro.</p><p>Para Serra e Serra (2018), o que é mais interessante é o valor jurídico da inscrição.</p><p>A ideia de todo o Sistema Torrens consiste em conferir um direito incontestável a quem</p><p>se vale do registro e é portador de um certificado. Tem o poder de destruir o titular</p><p>verdadeiro que se manteve oculto ao público, direito que é imolado como direito real</p><p>e substituído por um simples direito pessoal, consistente de uma ação de indenização</p><p>contra o titular registrado que se aproveitou do erro. No mais, a garantia é imensa. Como</p><p>já vimos anteriormente, o certificado é um título de propriedade absoluto. Contra o que</p><p>o possui, a ação de reivindicação não é possível, a menos que haja fraude, erro de limite</p><p>ou quando a ação emana de um igual portador de um certificado de título anterior. O</p><p>certificado, por esse modo, é um título destinado a resistir a toda ação, seja qual for o</p><p>seu fundamento jurídico.</p><p>24</p><p>Podemos concluir que possíveis vícios do título não afetariam a propriedade</p><p>inscrita no sistema Torrens. Ainda, caso se verifique, posteriormente, a sua inscrição,</p><p>esta que abarcou propriedades, ou parte destas, não pertencentes aos transmitentes,</p><p>tendo o real proprietário se omitido em apresentar sua oposição ao registro, essas</p><p>propriedades ficam transmitidas ao adquirente com inscrição Torrens, restando, àquele</p><p>que foi despojado da sua propriedade pela inscrição, somente direitos pessoais que, em</p><p>última análise, se resolvem na esfera indenizatória.</p><p>Originalmente, sua inscrição poderia compreender tanto imóveis urbanos</p><p>quanto rurais, todavia, deixou de ser citado no Código Civil, trazendo discussões sobre</p><p>a sua revogação.</p><p>De 1890 a 1939, foi possível a inscrição de imóveis rurais e urbanos no Sistema</p><p>de Registro Torrens, sendo que, a partir de 1939, ela não é mais permitida pela nossa</p><p>legislação, o que não significa dizer que não existem, até hoje, imóveis urbanos com</p><p>esse registro, tendo em vista que, uma vez inscrito no sistema, o imóvel não perde mais</p><p>a característica.</p><p>Se o Código Civil não revogou o Sistema Torrens, é certo que ele, ao decretar</p><p>a obrigatoriedade de um novo sistema registrário comum a todas as propriedades, fez</p><p>necessária uma análise conjunta de dois institutos, revogando, ainda que tacitamente,</p><p>todas as disposições e sua regulamentação, que fossem conflitantes com o sistema de</p><p>propriedades. Com isso, é importante destacar que, hoje, o Sistema Torrens não existe</p><p>de forma independente no nosso país, ou seja, ele convive com o sistema principal</p><p>comum, de modo que a transmissão da propriedade se dá com o registro da matrícula.</p><p>Todavia, a propriedade, uma vez constituída sob o Sistema Torrens, terá os efeitos de</p><p>presunção absoluta de veracidade em contraposição ao sistema comum, no qual se</p><p>garante apenas a presunção relativa.</p><p>FIGURA 2 – INSCRIÇÃO DO IMÓVEL</p><p>FONTE: <https://www.tvregistradores.com.br/2018/03/08/inscricao-de-imovel-no-registro-torrens-nao-</p><p>inviabiliza-pedido-de-usucapiao/>. Acesso em: 29 maio 2020.</p><p>25</p><p>Com isso, Serra e Serra (2018, p. 89) ensinam que, para que a propriedade venha</p><p>a ter presunção absoluta de veracidade, se o imóvel for rural, é possível que se realize o</p><p>procedimento de inscrição no sistema Torrens, sendo que, quando da finalização, será</p><p>realizado o registro no sistema comum, noticiando que a propriedade está incursa nos</p><p>aspectos do Registro Torrens.</p><p>Quando funcionava o sistema Torrens, na sua implementação e no</p><p>momento da inscrição de uma propriedade no sistema, era feito o</p><p>assentamento no Registro de Imóveis e era expedido um Título</p><p>Torrens, possibilitando a ocorrência de alienações e onerações</p><p>no próprio título mediante endossos e tradição sem que fosse</p><p>necessária a prévia formalização do negócio causal por meio de ato</p><p>notarial. Uma vez emitido o título Torrens, existiam duas formas de</p><p>transferência da propriedade expressa, mediante endosso ou ao se</p><p>realizar novamente todo o processo para inscrição Torrens, caso em</p><p>que era cancelado o título anterior e emitido um novo. Na hipótese</p><p>de transmissão mediante endosso, a inatacabilidade da propriedade</p><p>permanecia somente até a emissão do título, podendo todas as</p><p>transmissões procedidas por meio de endosso ser contestadas, visto</p><p>que não estariam revestidas da presunção absoluta de veracidade</p><p>do registro.</p><p>Assim, ainda segundo os autores, mesmo que o imóvel tenha sido inscrito no</p><p>sistema Torrens antes do modelo atual de matrículas implantado pela Lei nº 6.015/73,</p><p>se esse registro for transportado para o sistema atual por alguma razão, o imóvel</p><p>será matriculado e, em seguida, já será transportada a notícia de que a propriedade-</p><p>objeto daquela matrícula está inserta no Sistema Torrens, sendo mantida, assim, a sua</p><p>invulnerabilidade.</p><p>No caso de perda ou destruição do título, o art. 21 do Decreto nº 451</p><p>– B previa a possibilidade de expedição de novo título, desde que o</p><p>processo fosse cercado das cautelas ali elencadas, tais como publi-</p><p>cações, declarações a respeito de eventuais encargos ou alienações</p><p>feitas sobre o imóvel etc. (SERRA; SERRA, 2018, p. 90).</p><p>Hoje em dia, não são admitidas mais alienações ou onerações no próprio título,</p><p>pois como já estudamos, ele existe em paralelo com o sistema comum, no qual a regra</p><p>é que a constituição, transmissão ou extinção de direitos reais sobre imóveis só se faz</p><p>com o registro dos títulos que deram origem no cartório de registro de imóveis compe-</p><p>tente. Segundo Serra e Serra (2018, p. 90):</p><p>O requerimento de Registro Torrens deve ser feito diretamente</p><p>perante o oficial do Registro de Imóveis ao qual pertencer a</p><p>circunscrição do imóvel que se pretenda inscrever na categoria. O</p><p>oficial, no caso, deve receber e protocolizar os documentos elencados</p><p>pela lei. Todos os documentos</p>