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Rochas Sedimentares - 4 ed - Maurice E Tucker

Guia de campo sobre rochas sedimentares. Explica como registrar feições e elaborar perfis colunares; descreve e orienta a medição de tipos, texturas e estruturas; traz um capítulo sobre fósseis e um capítulo final sobre identificação de fácies e interpretação de sequências e ciclos.

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<p>Rochas Sedimentares EDIÇÃO GUIA GEOLOGICO D E CAMPO bookman Maurice E. Tucker</p><p>ABDR ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DIREITOS REPROGRÁFICOS o T891r Tucker, Maurice E. Rochas sedimentares [recurso eletrônico] : guia geológico de campo / Maurice E. Tucker ; tradução: Rualdo Menegat - -4. ed. - Dados eletrônicos. - Porto Alegre : Bookman, 2014. Editado também como livro impresso em 2014. ISBN 978-85-8260-128-0 1. Geologia. 2. Rochas sedimentares. I. Título. CDU 552.5(036) Catalogação na publicação: Ana Paula M. Magnus - CRB 10/2052</p><p>Maurice E. Tucker Departamento de Ciências da Terra Universidade de Durham, Durham, Inglaterra Rochas Sedimentares EDIÇÃO GUIA DE CAMPO Tradução Rualdo Menegat Mestre em Geociências e doutor em Ciências pela UFRGS Coordenador do Curso de Geologia da UFRGS Professor adjunto do Departamento de Paleontologia e Estratigrafia do Instituto de Geociências/UFRGS Presidente do Fórum Nacional dos Cursos de Geologia Membro da International Commission on the History of Geological Sciences of International Union of Geological Sciences Versão impressa dessa obra: 2014 bookman 2014</p><p>Obra originalmente publicada sob o título Sedimentary Rocks in the Field: A Practical Guide, 4th Edition ISBN 9780470689165 / 0470689161 Copyright John Wiley & Sons Limited. All Rights Reserved. Authorised translation from the English language edition published by John Wiley & Sons Limited. Responsibility for the accuracy of the translation rests solely with Bookman Companhia Editora Ltda. and is not the responsibility of John Wiley & Sons Limited. No part of this book may be reproduced in any form without the written permission of the original copyright holder, John Wiley & Sons Limited. Gerente editorial: Arysinha Jacques Affonso Colaboraram nesta edição: Coordenadora editorial: Denise Weber Nowaczyk Capa: Márcio Monticelli (arte sobre capa original) Preparação de originais: Amanda Jansson Breitsameter Editoração: Techbooks Reservados todos os direitos de publicação, em língua portuguesa, à BOOKMAN EDITORA LTDA., uma empresa do GRUPO A EDUCAÇÃO S.A. Av. Jerônimo de Ornelas, 670 - Santana 90040-340 - Porto Alegre - RS Fone: (51) 3027-7000 Fax: (51) 3027-7070 É proibida a duplicação ou reprodução deste volume, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, mecânico, gravação, fotocópia, distribuição na Web e outros), sem permissão expressa da Editora. Unidade São Paulo Av. Embaixador Macedo Soares, 10.735 - Pavilhão 5 - Cond. Espace Center Vila Anastácio - 05095-035 - São Paulo - SP Fone: Fax: (11) 3667-1333 SAC 0800 703-3444 - www.grupoa.com.br IMPRESSO NO BRASIL PRINTED IN BRAZIL</p><p>PREFÁCIO O estudo das rochas sedimentares é frequentemente uma ocupação estimulante, desafiadora, recompensadora e agradável. Entretanto, para se obter o máximo de informações dessas rochas, é necessário empreender um trabalho de campo preciso e acurado. O segredo é um olhar afiado e uma mente inquiridora; conhecer o que o espera e o que investigar é importante, embora você precise manter a mente aberta. Seja observador, investigue tudo no afloramento e, então, pense sobre as feições vistas e observe-as novamente. Este livro tem o objetivo de mostrar como as rochas sedimentares são abordadas no campo e foi escrito para aqueles que possuem algum conhecimento geológico, o equivalente ao primeiro ano do curso. Já de início, o livro descreve como as feições das rochas sedimen- tares podem ser registradas no campo, particularmente por meio da ela- boração de perfis colunares. Esta última técnica é amplamente utilizada, pois permite um modo de anotar todos os detalhes de uma forma prá- tica. Além disso, a partir dos dados, as tendências existentes ao longo da sucessão e as diferenças entre os horizontes tornam-se prontamente evidentes. Nos capítulos seguintes, são discutidos como os diferentes tipos de rochas sedimentares, texturas e estruturas podem ser descritos e medidos no campo. Um pequeno capítulo trata dos fósseis, uma vez que eles são importantes componentes das rochas sedimentares e podem contribuir com informações bastante úteis para a análise paleoambien- tal. Eles também são importantes para a correlação estratigráfica e os estudos paleontológicos. Uma vez coletadas as informações de campo, precisamos saber o que fazer com elas. capítulo que conclui a obra trata brevemente da identificação de fácies e analisa os caminhos da interpretação faciológica e da identificação de sequências e ciclos. Maurice E. Tucker</p><p>AGRADECIMENTOS Gostaria de agradecer aos amigos e colegas que, de bom grado, leram os manuscritos deste manual, sugeriram mudanças para esta quarta edição e gentilmente forneceram fotografias, em particular a Jenny Bevan, Telm Bover-Arnal, Jim Gallagher, Annette George, Dougal Jer- ram, Juan-Carlos Laya, Mike Mawson, Zahra Seyedmehdi e Paul Wri- ght; e a Zoe, pela fotografia da capa. Estou em dívida com Vivienne por dar-me apoio, encorajamento, assistência e paciência de uma forma que somente uma esposa pode fazer.</p><p>SUMÁRIO 1. Introdução 1 1.1 Ferramentas da atividade de campo 1 1.2 Outros instrumentos para campo 4 1.3 Uso de GPS (Sistema de Posicionamento Global) no estudo sedimentar 5 1.4 Segurança e diretrizes gerais para o trabalho de campo 6 2. Técnicas de Campo 13 2.1 O que observar 13 2.2 A abordagem 15 2.3 Anotações de campo 16 2.4 Perfis colunares 18 2.5 Perfil de testemunhos 25 2.6 Códigos de litofácies 27 2.7 Coleta de amostras 29 2.8 Apresentação dos resultados 30 2.9 sentido de topo dos estratos sedimentares 31 2.10 Prática estratigráfica 33 3. Tipos de Rochas Sedimentares 45 3.1 Grupos litológicos principais 45 3.2 Arenitos 49 3.3 Conglomerados e brechas 56 3.4 Lamitos 59 3.5 Calcários 60 3.6 Evaporitos 74 3.7 Formações ferríferas 79 3.8 Chertes 82 3.9 Depósitos de fosfato (fosforitos) 84</p><p>viii Sumário 3.10 Depósitos ricos de matéria orgânica (MO) 84 3.11 Depósitos vulcanoclásticos 87 4. Texturas de Rochas Sedimentares 105 4.1 Introdução 105 4.2 Tamanho do grão sedimentar e seleção 105 4.3 Morfologia do grão 110 4.4 Fábrica dos sedimentos 112 4.5 Maturidade textural 115 4.6 Textura de conglomerados e brechas 116 4.7 Endurecimento e grau de alteração 119 4.8 Cor das rochas sedimentares 122 5. Estruturas Sedimentares e Geometria de Depósitos Sedimentares 129 5.1 Introdução 129 5.2 Estruturas erosivas 129 5.3 Estruturas deposicionais 136 5.4 Estruturas deposicionais de calcários (incluindo dolomitos) 178 5.5 Estruturas sedimentares pós-deposicionais 192 5.6 Estruturas sedimentares biogênicas 209 5.7 A geometria dos depósitos sedimentares e as mudanças laterais de fácies 228 6. Fósseis no Campo 235 6.1 Introdução 235 6.2 Distribuição e ocorrência de fósseis 239 6.3 Associações fósseis e diversidade 245 6.4 Preservação de esqueletos (tafonomia) e diagênese 251 7. Análise de Paleocorrente 257 7.1 Introdução 257 7.2 Medidas de paleocorrentes 257</p><p>Sumário ix 7.3 Estruturas para medir paleocorrentes 265 7.4 Apresentação dos resultados e cálculo do vetor médio 268 7.5 Interpretação do padrão de paleocorrente 270 8. Qual é o Próximo Passo? Identificação de Fácies e Análise de Sequências 275 8.1 Introdução 275 8.2 Análise de fácies 275 8.3 Fácies, modelos de fácies e ambientes deposicionais 278 8.4 Estratigrafia cíclica e estratigrafia de sequências 280 Referências 317 Índice 319</p><p>Esta página foi deixada em branco intencionalmente.</p><p>1 INTRODUÇÃO Este livro tem por objetivo ser um guia para ajudar na descrição das rochas sedimentares no campo. Ele explica como reconhecer as litolo- gias, texturas e estruturas sedimentares mais comuns e como registrar e medir essas feições. Há um capítulo exclusivo indicando como os fós- seis podem ser estudados no campo, já que eles são comuns em muitas rochas sedimentares e bastante úteis para a análise paleoambiental. O capítulo final fornece uma breve introdução para a interpretação de su- de cessões de rochas sedimentares: fácies, associações de fácies, sedimen- tação cíclica e sequências. 1.1 Ferramentas da atividade de campo Além de um computador portátil (tamanho aproximado de 20 X 10 cm), canetas, lápis, lapiseiras, roupas adequadas, botas e uma mochila, o equipamento básico de um geólogo de campo inclui martelo, cinzéis, lupa de mão, bússola com clinômetro, trena, frasco com ácido, mochila para amostras e pincel marcador permanente. Um aparelho receptor de informações do Sistema de Posicionamento Global (GPS Glo- bal Positioning System) é muito útil em todos os lugares e não apenas em regiões remotas (ver Item 1.3). Um capacete de proteção quando o trabalho for feito na base de penhascos verticais e em pedreiras, bem de como óculos de proteção enquanto se fragmenta a rocha com o mar- telo, também devem ser levados para o campo e utilizados; veja no Item 1.4 algumas considerações específicas de segurança. Uma câmera fotográfica é imprescindível. Cartas topográficas e mapas geológicos também devem ser adicionados, bem como literatura pertinente. Se houver previsão de levantamento de grande quantidade de perfis colu- nares (ver Item 2.4), devem ser preparadas com antecedência as folhas necessárias para a anotação de dados no campo. Dentre os itens não de geológicos úteis incluem-se apito, equipamento de primeiros socorros,</p><p>2 Rochas Sedimentares no Campo fósforos, comida de emergência, canivete, roupa impermeável e uma "lona". Para a maior parte das rochas sedimentares, um martelo geológico com peso de 0,5 a 1 kg é suficiente. Entretanto, seja cuidadoso com o afloramento e lembre-se de que muitas gerações futuras de geólo- gos também vão querer ver a exposição. Em muitos casos, não se faz necessário martelar as rochas, pois é possível coletar as amostras sãs que estão sobre o chão. Uma variedade de cinzéis pode ser útil, se for provável que se realizem muitas amostragens. A lupa de mão é uma peça essencial do equipamento. Um aumen- de to de 10x é recomendado, de modo que grãos e feições de tamanho menor que 100 um possam ser observados. Quando você segura a lupa próximo ao seu olho, o campo de visão que é examinado com a lente de 10x de aumento tem cerca de 10 mm de diâmetro. Para familiarizar- -se com o tamanho dos grãos observados com o uso da lupa de mão, examine-os com uma régua graduada em milímetros. Para calcários, pode ser mais fácil observar os grãos depois de umedecer com saliva a superfície recém-rompida. Uma bússola com clinômetro é importante não apenas para a ob- tenção de medidas estruturais rotineiras de direção e mergulho, entre outras, mas também para se medir a direção e o sentido das paleo- correntes. Não se esqueça de corrigir a bússola de acordo com o ân- gulo de declinação magnética, formado entre o norte magnético e o norte verdadeiro. Esse ângulo está normalmente disponível nas cartas de topográficas da região. Você também deverá prestar atenção na rede elétrica, em torres e objetos metálicos (como o martelo) e em algumas rochas (geralmente corpos ígneos máficos e ultramáficos) que podem afetar a leitura da bússola e produzir resultados adulterados. Uma fita métrica ou trena metálica, preferencialmente com vários metros de comprimento, é necessária para medir a espessura das camadas e as dimensões das estruturas sedimentares. Uma baliza graduada com um metro de comprimento pode ser útil para levantamentos de perfis co- de lunares. Uma bússola geralmente possui uma escala com graduação</p><p>Introdução 3 centimétrica e milimétrica, que pode ser útil para medir o tamanho de pequenos objetos, como seixos e fósseis. Para a identificação de sedimentos calcários, um frasco plástico de ácido hidroclorídrico (em torno de 10%) é útil, e se for adicionado um pouco do corante Vermelho de Alizarina S, será possível distinguir os dolomitos dos calcários (estes se tingem de rosados, enquanto os dolo- mitos não se tingem). Sacos de polietileno ou de tecido, para guardar amostras, e uma caneta marcadora permanente (preferencialmente à prova d'água e com tinta de rápida secagem), para numerar os espéci- mes, também são necessários. Espécimes friáveis e fósseis deverão ser cuidadosamente embalados para evitar que se danifiquem. de Para sedimentos atuais e rochas inconsolidadas, pode ser útil uma colher de pedreiro e/ou pá. Um tubo de plástico transparente de 0,5 a 1,5 m de comprimento e 5 a 10 cm de diâmetro é muito útil para fincá-lo em sedimentos atuais com o intuito de obter-se um testemunho rudimentar. Telas de tecidos impregnados com resina epóxi podem ser feitas no campo em perfis verticais de sedimentos arenosos não consolidados. As técnicas para obtenção de tais telas são encontradas em Bouma (1969). Em resumo, corte e apare uma superfície vertical plana através dos sedimentos; pulverize um jato de resina epóxi sobre a superfície exposta; coloque uma tela de musseli- na ou algodão sobre os sedimentos e aplique outro jato de aerossol no tecido. Deixe a resina impregnar o tecido (por cerca de 10 min) e re- mova-o cuidadosamente. Uma delgada lâmina de sedimentos deverá de estar grudada nele e mostrará as várias estruturas. Espane ou sacuda levemente o pano para retirar o excesso de sedimentos que não fica- ram aderidos. Sedimentos de praias, dunas, rios, planícies de maré e desertos atuais são ideais para o uso dessa técnica de amostragem. Espuma de fibra de vidro (ainda que essa seja uma substância muito perigosa) também pode ser pulverizada sobre sedimentos inconsoli- dados para se obter uma amostra. de * N. de T.: Também conhecida pelo vocábulo em inglês peels, que significa "pele, casca, cobertura".</p><p>4 Rochas Sedimentares no Campo 1.2 Outros instrumentos para o campo Instrumentos mais sofisticados são levados a campo para que se pos- sa tomar medidas de certos atributos das rochas sedimentares. Nor- malmente, eles são utilizados como parte de um projeto de pesquisa mais detalhado e preciso, mais do que em estudos sedimentológicos rotineiros. Tais instrumentos incluem minipermeabilímetro, registrador de susceptibilidade magnética espectrômetro de raios gama e equipamento para levantamentos de radar de penetração no e varredura a laser (LIDAR**) minipermeabilímetro serve para estimar a permeabilidade de de uma rocha. No mercado, estão disponíveis aparelhos portáteis, pró- prios para o uso em campo. A susceptibilidade magnética das rochas sedimentares pode ser medida de forma relativamente fácil no campo, embora em muitos ca- SOS seja muito débil. Lamitos e outras rochas com alto teor de matéria orgânica e de minerais de ferro tendem a fornecer boas leituras. Com medidas feitas a intervalos de cerca de poucos centímetros, pode-se elaborar uma estratigrafia de susceptibilidade magnética (sus-mag). A partir dela, ciclos e ritmos podem ser reconhecidos, especialmente em fácies bacinais. A espectrometria de raios gama é uma técnica para se medir a radiação gama natural emitida pelas rochas. Ela pode ser utilizada para determinar a quantidade de argila em uma sucessão de fácies e, assim, torna-se útil para reconhecer diferentes tipos de lamitos, ou a variação de do teor de argila em arenitos e calcários lamíticos. No campo, a me- dição do espectro de raios gama a partir de um espectrômetro portátil tem sido utilizada para correlacionar diferentes afloramentos de super- fície entre si e também com os de subsuperfície. * N. de T.: Nome comercial do medidor de susceptibilidade magnética portátil KM-7. de ** N. de T.: Em inglês ground-penetrating radar GPR. *** N. de T.: Acrônimo da expressão inglesa light detection and ranging. Em português, DETEL detecção e telemetria pela luz.</p><p>Introdução 5 O radar de penetração de solo é uma técnica útil para observar as estruturas e a variação de sedimentos subsuperficiais rasos, como em planícies costeiras e de inundação atuais. Unidades sedimentares, como barras de pontal arenosas e preenchimento de meandros abando- nados, podem ser reconhecidas em subsuperfície. A varredura a laser de um afloramento pode fornecer uma imagem digital de alta precisão, que pode ser utilizada em programas computa- dorizados de imageamento 3-D. Medidas bastante precisas podem ser feitas a partir desses dados para o estudo detalhado de feições como orientação de fraturas e espessura de camadas. O equipamento é, en- tretanto, muito caro. Informações adicionais de uma área podem ser de obtidas a partir de técnicas de sensoriamento remoto multiespectral e também de modelos digitais de elevação (MDE, também denomina- dos "modelos digitais de terreno", MDT), que podem mostrar o relevo de uma área, permitindo que ele seja examinado mais detalhadamente. A partir dessas técnicas, imagens digitais 3-D de formações geológicas podem ser elaboradas. 1.3 Uso de GPS (Sistema de Posicionamento Global) no estudo sedimentar O GPS vem se tornando um instrumento comum no equipamento de campo para fins de localização, mas ele também pode ser útil para me- dir seções sedimentares. O GPS fornece a localização precisa de onde você se encontra, e essa leitura em latitude e longitude (ou coordenadas de de referência) pode ser inserida em seu computador de campo e ano- tada nas folhas de descrição de perfis colunares. O aparelho receptor também permite que você se desloque de um lugar para outro, buscan- do uma localização específica, ou que você trace o caminho de volta até o lugar de onde partiu. A precisão da leitura do receptor depende de vários fatores (fabricante e modelo, tempo na localidade, projeto, cor- reções, etc.) e o método de posicionamento. Com um GPS autônomo, a precisão é de 5 a 30 m; utilizando-se o Sistema de Posicionamento de * N. de T.: Em inglês, digital elevations models (DEM) ou digital terrains models (DTM).</p><p>6 Rochas Sedimentares no Campo Global Diferencial (DGPS) e aplicando-se correções, a precisão pode- rá ser menor que 3 m. Entretanto, uma estação de referência deverá ser configurada para o DGPS. Os aparelhos de GPS possuem atualmente uma boa capacidade de memória, de modo que todas as leituras feitas durante o dia, inclusive as de uma semana, podem ser recuperadas. Assim, você poderá refazer seus passos e revisitar as localidades sem dificuldades. Isso é de grande utilidade em paisagens onde não há feições de referência. Os dados do receptor poderão ser descarregados diretamente para um computador, de modo que será possível guardar um registro permanente dos lugares de que você descreveu. Além das vantagens de saber onde você se encontra, o GPS per- mite medir desde grandes até médias estruturas com um grau de preci- são melhor do que o obtido utilizando apenas mapas e fitas métricas. Com o uso de GPS, a tomada de várias medidas de canais preenchi- dos, corpos recifais ou lentes conglomeráticas, etc., de várias centenas de metros de extensão, possibilita a obtenção de melhores estimativas das dimensões desses elementos. Um telêmetro a laser pode ser útil para medir objetos distantes, como as feições em faces de penhascos, e para saber com maior precisão a que distância você se encontra de determinado lugar. 1.4 Segurança e diretrizes gerais para o trabalho de de campo O trabalho de campo pode ser uma experiência segura, agradável e recompensadora se forem tomadas algumas medidas básicas de pre- caução. O trabalho de campo geológico é uma atividade que envolve alguns riscos e perigos inerentes, como, por exemplo, em exposi- ções de regiões costeiras, pedreiras, minas, seções em rios e mon- tanhas. Condições severas de tempo podem acontecer em qualquer estação do ano, especialmente em áreas montanhosas ou na costa. O trabalho de campo envolve uma boa dose de autoconfiança e a de habilidade de enfrentá-lo sozinho ou em um grupo pequeno. Você</p><p>Introdução 7 é responsável por sua própria segurança no campo, mas há algumas precauções simples que podem ser tomadas para evitar problemas e minimizar riscos. Vista roupas e botas adequadas para o tipo de clima e terreno que você vai encontrar. Procure saber diariamente a previsão do tempo na região antes de sair. Observe constantemente possíveis mudanças. Não hesite em voltar caso as condições de tempo pio- rarem. Utilizar botas com bom solado é fundamental. Calçados para esportes não são adequados em montanhas, pedreiras e regiões de inóspitas. Planeje cuidadosamente o trabalho, tendo em mente o nível de sua experiência e treinamento de campo, a natureza do terreno e o tempo que vai enfrentar. Tenha cuidado para não superestimar os objetivos que podem ser alcançados. Aprenda sobre segurança nas montanhas e normas para cavernas e, em particular, conheça os efeitos das intempéries. Todo geólogo deveria fazer um curso de Primeiros Socorros. É uma boa prática, antes de in para o campo, deixar um bilhete e, de preferência, um mapa mostrando qual o roteiro e os locais pro- váveis de estudo que serão visitados, bem como a data de retorno e as pessoas que irão junto com você. Saiba como proceder em caso de emergência (p.ex., acidente, doença, tempo severo, escuridão). Conheça os sinais internacio- de nais de emergência: seis assopros de apito, sinais luminosos com lanterna ou ondas com uma peça de roupa de cor clara, repetidos em intervalos de minuto. Carregue todo o tempo um pequeno estojo de primeiros socor- ros, alimento suplementar para situações emergenciais (chocolate, biscoito, barra de cereais, tabletes de glicose), um saco de dormir de sobrevivência (ou saco plástico grande), apito, lanterna, mapa, bússola e relógio. de</p><p>8 Rochas Sedimentares no Campo Coloque um capacete de segurança (de preferência com cordões para prendê-lo sob o queixo) quando em visitas a pedreiras, bases de penhascos, encostas pedregosas, cavernas, entre outros, e sem- pre quando houver risco de queda de objetos. Ele é obrigatório em visitas a pedreiras ativas, minas e em canteiros de obras, junto a coletes de segurança de alta visibilidade e botas reforçadas. Evite martelar o afloramento sempre que possível, seja um con- servacionista. Use óculos de segurança (ou óculos de segurança com lentes de plástico) para proteger-se de lascas que saltam quando se bate nas de rochas com o martelo ou utilizando cinzéis. Não use um martelo geológico como ponteira batendo-o com ou- tro martelo; use somente ponteiras de aço carbono. Evite martelar próximo a outra pessoa ou ficar olhando outra pes- soa martelando. Não deixe restos de rochas nas rodovias ou acos- tamentos. Desenvolva uma visão conservacionista e tenha simpatia pelas re- giões interioranas e pelas grandes bem como por pes- soas, animais e plantas que ali vivem. Quando coletar amostras, não saqueie ou espolie sítios onde há fósseis especiais e minerais raros. Retire somente o que realmente for necessário para análises posteriores. Tenha especial cuidado com bordas de penhascos e pedreiras ou qualquer outro terreno com faces rochosas íngremes ou a prumo, de particularmente com rajadas de ventos fortes. * N. de T.: Principalmente em afloramentos inclusos como "sítios geológicos e paleobio- lógicos" pelo Serviço Geológico do Brasil. Ver Comissão Brasileira de Sítios Geológicos (2013) disponível em: ** N. de T.: No Brasil, as "grandes paisagens" são mais relacionadas à biopaisagem ("ecos- sistemas e biomas") do que à geopaisagem. Diferentemente do que ocorre, por exemplo, de no Grand Canyon, nos Estados Unidos, nos Alpes, na Europa, nos Andes, na América do Sul em que prevalece a geopaisagem, tendência que cresce com o conceito de "geoparque".</p><p>Introdução 9 Assegure-se de que as rochas localizadas mais acima do lugar em que você vai estejam firmes, antes de aventurar-se ali. Pedreiras com faces que possuem rochas soltas por explosivos são especial- mente perigosas. Evite trabalhar abaixo de uma saliência rochosa instável. Evite rochas soltas em encostas íngremes. Evite trabalhar imediatamente acima ou abaixo de outra pessoa. Nunca role rochas encosta abaixo ou em queda livre em penhas- cos por diversão. Não corra para baixo em encostas íngremes. Cuidado com escorregamentos ou corridas de lama que ocorrem de em escarpas argilosas, taludes argilosos de minas ou quedas de rocha em qualquer penhasco. Quando em pedreiras, minas ou canteiro de obras, evite tocar em qualquer equipamento ou máquina. Atenda a normas de se- gurança, procedimentos de segurança com explosão e qualquer instrução dada por autoridades. Mantenha adequada distância de veículos em movimento e afins. Tenha cuidado com lagoas de lama. Não escale penhascos, rochedos ou faces rochosas salientes, ex- ceto se tiver experiência em escaladas ou estiver em companhia de alguém. Tenha grande cuidado quando estiver caminhando em rochedos íngremes ou os escalando abaixo do nível de maré alta em cos- de tas rochosas. Ocorreram muito mais acidentes com geólogos, incluindo alguns fatais, ao longo de costas rochosas do que em qualquer outro lugar; mantenha o olhar atento para as ondas fortes. Tenha muito cuidado com o tráfego quando estiver examinando cortes em beira de estrada. Observação de cortes em beira de ferrovias e motovias geralmente não são facultadas para geólogos, exceto com permissão especial das autoridades competentes. de Não entre em minas ou cavernas de mineração antigas, exceto se tiver experiência ou equipamento adequado.</p><p>10 Rochas Sedimentares no Campo Evite ficar preso pela maré em barras intermaré ou no sopé de Obtenha informações locais sobre marés e correntes. Tenha particular atenção com a amplitude da maré. Em falésias marinhas, dicas de segurança locais podem ser obtidas com auto- ridades de segurança pública. Permissões: sempre tente obter permissão para entrar em proprie- dades privadas. Existem muitas áreas, como parques nacionais e reservas naturais em vários países e sítios de interesse científico especial (SICs) ou sítios protegidos**, em que se faz necessária per- missão oficial para retirar amostras e, em alguns casos, mesmo de para se fazer observações de campo e estudos científicos. Avaliação de riscos: em muitos casos atuais, é necessário fazer uma avaliação de riscos antes de iniciar um trabalho de campo. Isso pode ser um requisito para contratar seguros, bem como para conseguir permissão e poder propor projetos de pesquisa. Embora possa parecer ser uma burocracia desnecessária, fazer uma ava- liação de risco pode ser um exercício útil para pensar sobre os problemas e questões que por ventura você pode encontrar e assim ajudá-lo a preparar-se melhor. de * N. de T.: Essa recomendação é particularmente importante para as falésias das praias do Nordeste do Brasil, onde a maré alta pode aprisionar as pessoas em enseadas ladeadas por de que adentram o mar e permitem passagem somente na maré baixa. ** N. de T.: Em inglês, sites of special scientific interest (SSSI). Também se incluem nesse caso áreas declaradas patrimônio natural, paisagístico ou histórico, e terras indígenas.</p><p>Limite de sequência DSA/DSB TSNA DSB SIM CPTSNB DSB Plataforma de TSNA DSA retrogradação escalonada TST ST NÍVEL RELATIVO DO MAR DSB DSA DSB CTSRF DSA LS TSNA TSNA TST SBRF CTSRF CPTSNB N Figura 1.1 Interpretação de uma sucessão estratigráfica de duas sequências (denominadas DSA e DSB) do Cretáceo Médio da Bacia Maestrat, leste da Espanha. Abreviaturas: TS=trato de sistemas; TST=trato de sistemas transgressivo;</p><p>Esta página foi deixada em branco intencionalmente.</p><p>2 TÉCNICAS DE CAMPO 2.1 que observar Existem seis aspectos das rochas sedimentares que devem ser consi- derados no campo e registrados com o maior detalhamento possível, a saber: 1. a litologia, que é a composição e/ou mineralogia do sedimento; 2. a textura, que se refere às feições e aos arranjos dos grãos nos se- de dimentos, em que o aspecto mais importante a examinar no campo é o tamanho do grão e suas variações; 3. as estruturas sedimentares, presentes nas superfícies de acama- mento e subsuperfícies de ordem menor, e dentro das camadas, algumas das quais registram as paleocorrentes que depositaram a rocha; 4. a cor dos sedimentos; 5. a geometria e as relações das camadas ou unidades de rochas en- tre si e suas mudanças laterais e verticais em termos de espessura e composição; e 6. a natureza, distribuição e preservação dos fósseis contidos nas ro- chas sedimentares. Um esquema geral para o estudo das rochas sedimentares no cam- de po é mostrado na Tabela 2.1, que vai desde as feições de escala mais ampla até as de escala mais restrita. Os diversos atributos de uma rocha sedimentar combinam-se para definir uma fácies, produto de um ambiente deposicional par- ticular ou de processos deposicionais naquele A identifi- cação de fácies e sua análise são os próximos passos depois que os dados de campo foram coletados. Esses tópicos serão brevemente * N. de T.: Deve-se evitar o sentido ambiental do termo fácies, como em "fácies fluviais"; de embora ele seja o resultado de um ambiente deposicional, não é sinônimo deste. Todavia, neste livro, o autor utiliza-se do conceito ambiental de fácies.</p><p>14 Rochas Sedimentares no Campo Tabela 2.1 Esquema geral para o estudo de rochas sedimentares no campo e respectivos capítulos em que os assuntos são referidos neste livro Obtenha uma vista geral do afloramento a partir de uma distância su- ficiente para ver arranjo geral das unidades e tipos de Faça uma rápida avaliação de quaisquer feições estruturais, falhas e dobras, e estruturas sedimentares proeminentes canais, calcários de recifes, clinoformas, dobras sinsedimentares, antes de olhar a exposição mais de perto*. Registre detalhes do afloramento e da sucessão por meio de notas, esque- mas e croquis na caderneta de campo, além de fotografias; se for apro- priado, faça um perfil colunar; se as rochas estiverem dobradas, verifique de o sentido de topo dos estratos; ver Tabela 2.2. Identifique a litologia por meio da mineralogia/composição da rocha; ver Capítulo 3. Examine a textura da rocha: tamanho do grão, forma e arredondamento, seleção, fábrica e cor; ver Capítulo 4. Observe as estruturas sedimentares sobre os planos de acamamento e na superfície inferior da camada e dentro das camadas; ver Capítulo 5. Registre a geometria das camadas e unidades sedimentares; determine as relações entre elas e entre os pacotes de camadas/unidades ou grandes variações de tamanho de das camadas; a suces- são é cíclica? Ver Itens 5.7 e 8.4. Procure fósseis e anote os tipos existentes; modos de ocorrência e preser- vação; ver Capítulo 6. Meça todas as estruturas que fornecem paleocorrentes; ver Capítulo Considere, talvez em uma data posterior ao campo, litofácies, ciclos, se- quências, processos deposicionais, interpretações ambientais e paleogeo- de grafia; ver Capítulo 8. Faça análises de laboratório para confirmar e ampliar as observações de campo sobre a composição/mineralogia da rocha, textura, estruturas, fósseis, etc.; adote outras linhas de investigação, como biogeografia, dia- gênese e geoquímica dos sedimentos, e consulte literatura técnica rele- vante sobre tema, por exemplo, manuais de sedimentologia/petrologia sedimentar e periódicos científicos apropriados, ou use a internet. Ver item Leituras Recomendadas e referências dos capítulos. de * N. de T.: eminente estratígrafo brasileiro, Professor Dr. Jorge Della Fávera (2006), denominou esse procedimento de "método do zoom" ou também "telescópico", em que o afloramento é observado do geral para o particular.</p><p>Técnicas de Campo 15 discutidos no Capítulo 8. Existem vários livros sobre fácies e mode- los de fácies. Atualmente, há muito interesse em aspectos em escala mais ampla das sucessões sedimentares, como os arranjos geomé- tricos da unidades de rocha; a variação lateral e vertical de feições, como a litologia e o tamanho de grão; o empacotamento e padrão de empilhamento das unidades; a presença de ciclos deposicionais nas sucessões. Esses aspectos são tratados nos Itens 5.7 e 8.4. Essas feições refletem o controle da sedimentação de longa duração e am- pla escala, principalmente das mudanças relativas do nível do mar, do espaço de acomodação (o espaço disponível para os sedimentos serem depositados), tectônica, suprimento de sedimentos/produção de de sedimentos e clima. 2.2 A abordagem A questão de quantos afloramentos devem ser examinados por qui- lômetro quadrado depende dos objetivos de estudo, do tempo dis- ponível, da variação lateral e vertical de fáceis e da complexidade estrutural da Caso se trate de um levantamento apenas para re- conhecimento de uma formação ou grupo particular, exposições bem espaçadas podem ser suficientes. Se um membro ou camada específi- ca estiver sendo estudada, todos os afloramentos disponíveis precisa- rão ser descritos; camadas individuais talvez tenham de ser seguidas lateralmente. A melhor abordagem em um afloramento consiste em descrever de as rochas a partir de certa distância, observando-se as relações gerais e eventuais dobras ou falhas presentes. Certas estruturas de ampla escala, como canais e superfícies de erosão, a geometria das unida- des de rochas sedimentares, variações na espessura das camadas e a presença de ciclos são mais bem observadas em distâncias interme- diárias. Observe o modo de alteração das rochas e a vegetação. Isso * N. de T.: As condições de preservação do registro também são determinantes. Em áreas de onde o intemperismo é muito acentuado, levantamentos em escalas de detalhe são menos praticáveis.</p><p>16 Rochas Sedimentares no Campo pode refletir as litologias (p.ex., lamitos que não estão bem expostos ou encontram-se cobertos por vegetação) e pode mostrar a presença de ciclos. Depois, faça observações mais próximas e veja que litolo- gias e litofácies estão ali expostas. Em rochas dobradas ou verticali- zadas, verifique o sentido de topo dos estratos utilizando estruturas sedimentares, como estratificação cruzada, gradação normal, cortes, estruturas de sola, geopetais em calcários ou relações de clivagem e estratificação, de modo que se possa saber o sentido no qual as cama- das são mais novas (ver Item 2.9). Tendo estabelecido aproximadamente quais afloramentos estão de disponíveis, decida em que ponto o perfil colunar ou sessão será cui- dadosamente descrito em detalhes. Ao fazê-lo, é melhor registrar a su- cessão na forma de um perfil colunar (ver Item 2.4). Se a exposição não for boa o suficiente para levantar um perfil, anote observações e esquemas na caderneta de campo. De qualquer modo, nem todas as informações de campo podem ser registradas no perfil. 2.3 Anotações de campo Sua caderneta deve ser mantida tão caprichada e bem organizada quanto possível. A localização da seção a ser examinada deverá ser feita com precisão, preferencialmente com coordenadas geográficas e anotada em um mapa base, de modo que poderá ser encontrada no futuro. Por meio de GPS, você pode obter uma localização bastante de precisa (ver Item 1.3). Você pode querer numerar os pontos observa- dos sequencialmente e anotar os números em uma carta topográfica. Poderá utilizar o método de fazer um furo com um alfinete (não adotado por todos!); faça um furo no mapa com um alfinete e anote no verso o número do ponto. Caso você saiba, informações estrati- gráficas relevantes, elas também devem ser registradas na caderneta: nome da formação, idade e assim por diante. Torna-se muito fácil esquecer essas coisas com a passagem do tempo. Fatos incidentais também podem ser apontados, como as condições do tempo ou um de pássaro observado, tornando a caderneta mais interessante e esti-</p><p>Técnicas de Campo 17 mulando sua memória a recordar a localidade quando você rever as anotações no futuro. As anotações registradas na caderneta de campo devem ser fatu- ais, descrevendo precisamente o que você observou. Descreva e meça, quando possível, tamanho, forma e orientação das feições como dis- cutido e explicado nos capítulos seguintes deste livro. Também anote os dados estruturais caso as rochas estejam mergulhando ou existam dobras e clivagem observáveis. Aponte as principais fraturas e juntas e a respectiva orientação, além de eventuais mineralizações. Faça es- quemas legendados limpos e precisos das feições, incluindo escala e orientação, como a direção do norte. de Registre a localização e o objeto das fotografias na caderne- ta. Quando for tirar fotografias, não se esqueça de colocar a esca- la. Fotomosaicos de paredões rochosos, cortes de beira de estrada e pedreiras podem ser muito úteis em exposições contínuas, e neles pode-se sempre fazer anotações diretas ou em um papel transparente sobreposto. Um parâmetro dos sedimentos que não pode ser adequadamente registrado em um perfil colunar é a geometria de toda a camada ou unidade de rocha (ver Item 5.7). Deve-se fazer esquemas, fotografias e descrições das formas e mudanças laterais da espessura das camadas como observadas nas faces dos paredões rochosos e pedreiras. Binócu- los podem ser muito úteis para se observar paredões inacessíveis e para fazer exames preliminares. Mapas locais e perfis detalhados de diver- de sas seções pequenas podem ser necessários para deduzir as mudanças laterais em áreas com pouca exposição. Nesse caso, o GPS poderá ser útil para fornecer localizações precisas dos afloramentos e mesmo para dar as dimensões das feições. Nos pontos onde houver excelentes aflo- ramentos e você tiver um projeto de pesquisa bem delimitado, a varre- dura a laser nas faces de um paredão rochoso ou de pedreira poderá ser de grande ajuda. A Tabela 2.2 fornece uma lista dos principais itens a serem consi- derados na descrição de um afloramento na caderneta de campo. de</p><p>18 Rochas Sedimentares no Campo Tabela 2.2 Os principais descritores que devem ser atendidos na caderneta de campo Detalhes do lugar: localização, número do ponto, coordenadas de referên- cia geográfica/GPS; data e hora, tempo. Unidade estratigráfica e idade da formação rochosa, observações estrutu- rais (mergulho, direção, clivagem, etc.). As feições de grande porte do afloramento (p.ex., falhas, dobras, canais, grandes superfícies de erosão, eventuais arranjos geométricos das unida- des adelgaçamento, sobreposição lateral). Litologia/mineralogia e textura: identificar e descrever/medir. Estruturas sedimentares: e fazer esquemas/tirar fotografias. de Medidas de paleocorrentes: coletar medidas e plotar em diagrama de roseta. Fósseis: identificar e fazer observações sobre as assembleias, orientação, preservação, etc. Elaborar um perfil colunar, se for o caso, e croquis das relações laterais. Anotar a localização das amostras e fósseis coletados. Identificar as fácies descritas, associações de fácies e repetições. as unidades de rocha e eventuais ciclos na sucessão. Fazer interpretações apropriadas e sugestões para trabalhos futuros (p.ex., no laboratório). 2.4 Perfis colunares O método usual para coletar dados de campo de sedimentos e rochas de sedimentares é o de construir um perfil colunar da sucessão (Figu- ra 2.1). O perfil fornece uma percepção visual imediata do pacote e é uma maneira conveniente para fazer uma correlação e comparação entre pacotes equivalentes de outras áreas. Repetições de fácies, ci- clos sedimentares e tendências gerais podem tornar-se evidentes, como mudança sistemática em direção ao topo na espessura das camadas ou dos ciclos, ou no tamanho do grão, seja aumentando ou diminuindo. Além disso, a disposição visual do perfil gráfico ajuda na interpretação de * N. de T.: Também chamado de "perfil gráfico". Embora seja também utilizado o termo "seção", reservamos esse vocábulo para designar "cortes, vistas ou seccionamentos laterais".</p><p>Técnicas de Campo 19 da sucessão. Entretanto, um perfil acentua as mudanças verticais da sucessão, em detrimento das variações laterais. A escala vertical a ser utilizada depende dos detalhes pretendidos, da variabilidade dos sedimentos e do tempo disponível. Em trabalhos precisos e seções pequenas, as escalas 1:10 e 1:5 são utilizadas, mas para a maior parte dos casos, 1:50 (ou seja, 1 cm no perfil gráfico equi- vale a 0,5 m) ou 1:100 (1 cm equivale a 1 m) são adequadas. Em algu- mas situações, não se faz necessário um perfil de toda a sucessão ou de uso da mesma escala durante todo o pacote. Um perfil representativo pode ser suficiente. Não há um formato padrão para o perfil gráfico. Além disso, as de feições que podem ser registradas variam de sucessão a sucessão. As feições que precisam ser registradas e, portanto, requerem uma colu- na própria no gráfico são: espessura das camadas ou das unidades de litologia; textura, especialmente o tamanho do grão; estrutu- ras sedimentares; paleocorrentes; cor e fósseis. O tipo de contato das camadas também pode ser anotado no perfil. Uma coluna final para feições especiais ou adicionais ("observações") também pode ser útil. Vários tipos de perfis colunares foram ilustrados por Graham em Tu- cker (1988), e as colunas próprias para um perfil no formato de folha estão ilustradas na página 325. Se seu o trabalho de campo for longo, vale a pena preparar as folhas de perfilagem antes de ir. Alternativa- mente, é possível construir um perfil colunar na própria caderneta de campo, mas em geral o resultado é menos satisfatório, pois as páginas de da maioria das cadernetas são muito pequenas. Quando as exposições são contínuas ou pouco descontínuas, não há problemas relacionados ao caminhamento do perfil. Simplesmente faça-o pelo caminho mais fácil. Contudo, se o afloramento é mas sem continuidade em qualquer que seja o caminho, faz-se necessário mover-se lateralmente ao longo da seção para encontrar os respectivos afloramentos das camadas que se sucedem. Alguma escavação poderá se fazer necessária quando as rochas da sucessão, geralmente lamitos, não estiverem expostas; não sendo possível, escreva "encoberto" no de * N. de T.: Uma unidade de rocha pode ser equivalente à "fácies".</p><p>20 Rochas Sedimentares no Campo Localização: Praia (entremaré) de Howick, Unidade: Calcário Superior, Data: Northumberland Grid Ref. NU 259/079* Grupo Namurian, Carbonif. 04/01/80 textura da da e areia fmg COT 8 12 * CZ scr Amostra 9.10 06 11 prt Carvão + pirita 0,3 7 de 10 (siderita) CZ scr Foto 4 6 9 4 5 5 am/ 8 mr Amostra 718 1,4 4 T 7 Conglomerado impersist. 6 1,2 3 0 CZ 5 Corpo de 2 T 2,1 am/ arenito T T mr T T tabular Figura 2.1 Exemplo de perfil colunar; a legenda das texturas e dos símbolos encontra-se na Figura 2.2. perfil. É melhor levantar o perfil da base para o topo da sucessão. Des- se modo, registra-se como a deposição mudou com o passar do tem- de po, sendo melhor do que voltar contra o tempo geológico, e também porque é mais fácil identificar os limites das camadas e mudanças de fácies ao mover-nos para o topo da seção. 2.4.1 Espessura das camadas e das unidades de rocha A espessura é medida com uma trena. Cuidados especiais são neces- sários quando as rochas mergulham em alto ângulo e a superfície de exposição for oblíqua ao acamamento. Também se deve dar atenção aos limites entre as unidades da sucessão. Se houver planos de aca- de * N. de T.: Refere-se ao Sistema de Quadrículas da Grä-Bretanha, utilizado para localiza- ção geográfica.</p><p>Técnicas de Campo 21 mamento bem definidos ou mudanças na litologia, não há problema. Camadas delgadas, todas parecendo idênticas, poderão ser agrupadas em uma única unidade litológica no perfil, caso uma escala restrita estiver sendo utilizada. Quando houver uma rápida alternância de ca- madas delgadas de litologias diferentes, por exemplo, intercalação de arenitos e folhelhos (heterolíticos), poderá ser tratada como uma única unidade, sendo descritas a espessura e as características de cada cama- da individualmente, anotando-se eventuais aumentos ou diminuições na espessura ao longo da unidade. Assim, quando da primeira abordagem de uma exposição para fazer a perfilagem, afaste-se um pouco e observe onde há quebras na- de turais da sucessão para, assim, poder definir as várias camadas ou uni- dades de rochas. Frequentemente, atribui-se para cada camada ou unidade de rocha um número, de modo a facilitar as referências posteriores; inicie pela camada estratigraficamente mais inferior. 2.4.2 Litologia No perfil colunar, a litologia é registrada pelo uso de texturas gráficas apropriadas (Figura 2.2). Se for possível subdividir as litologias pos- teriormente, podem ser adicionados mais símbolos ou pode-se colorir utilizando lápis de cor. Se duas litologias estiverem delgadamente in- tercaladas, o perfil poderá ser divido em dois por meio de uma linha vertical, e os dois tipos de texturas gráficas serão ali incluídos. Mais de comentários detalhados e observações sobre a litologia poderão ser anotados na caderneta de campo, utilizando-se como referência o nú- mero da camada ou da unidade de rocha. 2.4.3 Textura e tamanho do grão Na folha do perfil, deve haver uma escala horizontal na coluna da textura. Para muitas rochas, essa escala mostra lama (argila + silte), areia (subdividida em muito fina, fina, média, grossa e muito grossa) e cascalho. Este poderá receber subdivisões, caso sedimentos grossos de estiverem sendo levantados. Para ajudar a registrar o tamanho do grão</p><p>22 Rochas Sedimentares no Campo LITOLOGIA Sedimentos siliciclásticos Carbonatos Outros argilito, arenito lítico calcário cherte lamito folhelho grauvaca dolomito p turfa carvão marrom marga arenito argiloso calcário arenoso b (linhito) símbolos para incluir siltito arenito calcífero carvão duro intraclastos intercalação ooide arenito halita arenito/folhelho oncoide/pisoide quartzo conglomerado 2 mm de diâmetro gipsita-anidrita T -arenito clasto-suportado peloide de arenito conglomerado fóssil (indiferenciado) sedimento arcoziano matriz-suportado para símbolos vulcanoclástico específicos, ver abaixo ESTRUTURAS SEDIMENTARES turboglifo laminação laminação de estromatólito plano-paralela marca de onda contramarca laminação de sulco* normal estratificação leve bio- cruzada turba- x Marca de estratificação instrumento inversa gradacional intensa ção cruzada plana marca de estratificação contato entre estratificação cruzada truncada as camadas carga cruzada acanalada greta de imbricação definido, plano 1111 estratificação cruzada contração** estruturas de espinha de peixe definido, irregular estrias/ escorregamento estratificação cruzada lineações dobra - de baixo ângulo gradacional convoluta S marca de acamamento paleocorrente nódulos onda simétrica flaser azimute marca de onda acamamento estilólitos assimétrica lenticular direção FÓSSEIS de fóssil braquiópodes equinoides algas calcárias (indiferenciado) fragmentos briozoários gastrópodes de plantas fóssil quebrado raízes coral solitário amonites graptólitos escavação belemnitas S estromatoporóides biogênica** coral composto inclua outros bivalves trilobitas crinoide quando necessário Figura 2.2 Símbolos para litologias, estruturas sedimentares e fósseis para uso em perfis colunares. Esta figura está disponível no site www.bookman. com.br. de * N. de T.: Em inglês, groove cast. ** N. de T.: Em inglês, shirinkage crack. *** N. de T.: Em inglês, burrow.</p><p>Técnicas de Campo 23 (ou do cristal), linhas verticais finas podem ser desenhadas nessa co- luna exatamente nos limites de cada classe de tamanho de grão. Uma vez determinado o tamanho do grão da unidade de rocha, marque-o na coluna e sombreie a área; quanto mais larga a coluna, mais grossa será a rocha. Os símbolos das litologias ou das estruturas sedimentares podem ser adicionados nessa coluna da textura. Em muitos perfis, a litologia e a textura são colocadas juntas em uma mesma coluna. Outras feições texturais, como fábrica dos grãos, arredondamento e forma poderão ser anotadas na caderneta de campo, embora questões específicas possam ser anotadas na coluna de "observações" do perfil. Atenção particular deve ser dada a essas feições caso ocorram conglo- de merados e brechas na sucessão (ver Item 4.6). Para elaborar perfis de rochas carbonáticas, é prático reunir em uma só as colunas de litologia/textura e utilizar a classificação de Du- nham (Figura 2.3). Assim, têm-se colunas para calcário mudstone (M), wackestone (W), packstone (P) e grainstone (G); uma coluna para boundstones (B) pode ser adicionada se rochas recifais ou estromató- litos estiverem presentes. Se houver calcários muito grossos, colunas separadas podem ser adicionadas para rudstones (R) e floatstones (F) (ver Item 3.5.2). 2.4.4 Estruturas sedimentares e contatos entre as camadas As estruturas sedimentares e os contatos das camadas dentro da pilha podem ser registrados em uma coluna própria por meio de símbolos. de As estruturas sedimentares ocorrem nas superfícies superiores e infe- riores das camadas, bem como dentro delas. Colunas separadas podem ser úteis para anotar estruturas internas ou de superfície se ambas fo- rem comuns. Símbolos para as estruturas sedimentares mais comuns são encontrados na Figura 2.2. Medidas, croquis e descrições das es- truturas podem ser feitos na caderneta de campo. * N. de T.: Este nome e os que seguem da classificação de Dunham geralmente compa- recem na literatura técnica sem tradução. Contudo, Suguio (2003) propôs a seguinte tra- de dução: calcário "tipo lamito" (M), "tipo vaque" (W), "compacto" (P), "granular" (G) e "agregado" (B), respectivamente.</p><p>24 Rochas Sedimentares no Campo 3 2 1 0 de mudstone W p g b Figura 2.3 Perfil gráfico com texturas para calcários utilizando a classificação de Dunham (w=wackstone, p=packstone, g=grainstone, b=boundstone). Anote os pontos em que os contatos entre as camadas forem (i) definido e plano; (ii) definido e erosivo; ou (iii) gradacional; cada qual pode ser representado na coluna da litologia por uma linha reta, ondu- lada/irregular ou tracejada, respectivamente. Tipos de planos de aca- mamento encontram-se na Figura 5.5. Pode ser útil separar uma coluna no perfil exclusivamente para mostrar o grau de bioturbação. Estime o índice de bioturbação (1 a 6) para a camada de acordo com a Figura 5.69 e a Tabela 5.8 (ver Item 5.6.1). de 2.4.5 Direções de paleocorrentes Para o perfil colunar, as leituras podem ser anotadas ou em uma coluna separada ou próximo ao perfil de textura por meio de uma seta ou linha de direção. O valor das medidas pode ser registrado na caderneta de campo; faça uma tabela para as medidas (ver Figura 7.2). 2.4.6 Fósseis Os fósseis sugeridos para o perfil colunar registram os principais gru- de pos fósseis presentes nas rochas. Os símbolos normalmente utilizados encontram-se na Figura 2.2. Eles podem ser adicionados na coluna</p><p>Técnicas de Campo 25 reservada para os fósseis que fica ao lado daquela das estruturas se- dimentares. Se os fósseis constituem grande parte da rocha (como em alguns calcários), então o(s) símbolo(s) do(s) grupo(s) principal(is) pode(m) ser utilizado(s) diretamente na coluna reservada para a litolo- gia. Subdivisões na coluna de textura do perfil podem ser desenhadas para registrar rudstones e floatstones, quando fósseis grandes forem abundantes e estiverem em contato entre si ou suportados pela ma- triz, respectivamente (ver Item 3.5.2). Observações adicionais sobre os fósseis encontrados podem ser anotadas na caderneta de campo (ver Capítulo 6). de 2.4.7 Cor A cor de uma rocha sedimentar é mais bem registrada por meio do uso de uma tabela de cores; no entanto se ela não estiver disponível, simplesmente faça uso de abreviaturas na coluna reservada para a cor (ver Item 4.8). 2.4.8 Coluna de "observações" Esta coluna pode ser utilizada para anotar feições especiais da camada ou da unidade de rocha, como o grau de alteração (ver Item 4.7) e pre- sença de minerais autigênicos (pirita, glauconita, etc.) e dados suple- mentares sobre estruturas sedimentares, textura e litologia. A presença de juntas e fraturas também pode ser anotada aqui (seu espaçamento e densidade; ver Item 5.5.8). Você também pode anotar o número das de amostras e espécimes e a localização das fotografias tiradas, além de fazer referências cruzadas dos croquis de sua caderneta. 2.5 Perfil de testemunhos As mesmas técnicas do perfil colunar e abordagens aplicadas no campo podem ser utilizadas para perfilar testemunhos de rochas sedimentares de subsuperfície, obtidos, por exemplo, durante a exploração de reser- vatórios de hidrocarbonetos, depósitos minerais ou apenas para estabe- de lecer a sucessão. O perfil de testemunho também ajuda a fornecer uma representação do tamanho de grão/textura e da litologia, presença de</p><p>26 Rochas Sedimentares no Campo estruturas sedimentares, índice de bioturbação, fósseis, ao longo da sucessão; no entanto, além disso, há um lugar para anotar a ocorrên- cia de zonas porosas e talvez do próprio óleo e betume. As tendências persistentes de tamanho de grão/fácies e a presença de ciclos são cuida- dosamente observadas, assim como a ocorrência das várias superfícies de acamamento e as quais podem indicar exposição/ afogamento e assim por diante. Essas feições, é claro, não são fáceis de ser visualizadas em um testemunho de 10 cm de diâmetro. Medir a es- pessura da camada em um testemunho também pode não ser fácil, pois atualmente muitos poços são perfurados obliquamente ou verticalmen- de te e, depois, horizontalmente, e podem desviar-se totalmente do lugar. Normalmente, as fraturas são de grande interesse (em termos de poro- permeamibilidade) e podem justificar especial atenção (ver Item 5.5.8), mas as fraturas também podem ser induzidas durante a perfuração. É de particular importância, em um testemunho, a ocorrência de falhas, as quais, é claro, poderão suprimir ou repetir uma dada suces- são. No primeiro caso, é muito difícil reconhecer uma falha e, então, é muito difícil determinar o rejeito, tipo e direção do movimento e, por isso, o significado da falha a partir de um único testemunho. Os testemunhos são mais bem examinados se forem cortados ao meio longitudinalmente, de modo a obter-se uma superfície plana. Fre- quentemente, os testemunhos são sujos e totalmente sem polimento. Assim, um suprimento de água e esponja ou um frasco plástico com pulverizador de água são praticamente essenciais para umedecer a su- de perfície e evidenciar as estruturas. Um amplo espaço para dispor os testemunhos também se faz necessário. De igual modo, é preciso lupa de mão (ou microscópio binocular), martelo, cinzel de aço/canivete (para testar a dureza), HCI diluído, tabela de tamanho de grão (ver Figura 4.1), sacos para amostras e pincel marcador à prova d'água. Frequentemente, são muito úteis perfis físicos do poço, caso também estejam disponíveis e possam ser comparados com o próprio testemu- nho ou com o perfil do testemunho. de As folhas para a perfilagem de testemunhos não possuem qual- quer diferença em relação àquelas utilizadas no campo. A finalidade é</p><p>Técnicas de Campo 27 a mesma, qual seja, registrar todos os dados necessários para o projeto em curso. Uma coluna especial para o registro de mancha de petróleo pode ser útil - ausente, fraca, forte. Existem muitos intervalos sem re- cuperação do testemunho (marcado por linhas cruzadas) e lugares em que a rocha desintegrou-se durante a perfuração, de modo que foram obtidos apenas fragmentos dela. O testemunho é um material precioso (até porque normalmente é muito caro para ser obtido), então é sempre melhor guardar metade dele para referência futura do que utilizar todo o intervalo para análises químicas ou extração de microfósseis. Para informações adicionais sobre perfilagem de poços, veja Blackbourne (2000). Uma folha de perfilagem para testemunhos está disponível em de 2.6 Códigos de litofácies Para o estudo de certos tipos de rochas sedimentares - principalmente sedimentos clásticos glaciais, fluviais e de água profunda -, códigos abreviados são utilizados para tornar as descrições de afloramentos e a elaboração de perfis colunares mais rápida e eficiente. Um exemplo encontra-se na Tabela 2.3, onde C, A, F e D referem-se, respectiva- mente, a cascalho, areia, finos (lama/lamitos) e diamiction/diamictitos (cascalho com argila/conglomerados); também se utilizam as letras m, p, h, etc., como qualificativos adicionais dos sedimentos para, res- pectivamente: estratificação cruzada acanalada, estratificação cruzada plana, marca de onda, laminação horizontal, etc. As letras mf, de f, m, g e mg adicionadas antes do A ou C podem referir-se a: muito fino, fino, médio, grosso e muito grosso. Assim, fAlo refere-se a arenito fino, laminado horizontalmente e com marcas de onda. Para os carbonatos (Tabela 2.4), as iniciais de grainstone (G), packstone (P), wackestone (W), mudstone (M), boundstone (B) e assim por diante, podem ser usadas com qualificativos apropriados como e (estromatolítico), f (fenestral), o (ooide), C (coral), b (bio- clástico), q (quartzítico) e assim por diante. Assim, fGqo significaria: de</p><p>28 Rochas Sedimentares no Campo grainstone de grão fino, quartzítico e oolítico (ver Item 3.5.2 para tipos de calcários). Os códigos de litofácies podem ser úteis se estiver documentando uma sucessão muito espessa de sedimentos. Desenvolva seus próprios códigos quando apropriado, dependendo das litofácies e estruturas se- dimentares observadas, explanando-os na caderneta de campo. Os códigos de litofácies, contudo, têm recebido algumas críti- cas, posto que permitem levar a uma grande simplificação ou genera- lização da sucessão. Há um perigo em compartimentar o sedimento de Tabela 2.3 Códigos de litofácies para sedimentos siliciclásticos. Essas abreviaturas podem ser úteis para uma descrição rápida de sedimentos glaciais, fluviais e de águas profundas, mas tenha cuidado com as limitações do esquema (ver Item 2.6) Litologias C = cascalho, A = areia, F = finos (lama), D = diamiction Qualificativos (sufixos) m = p = estratificação cruzada plana, a = estratificação cruzada acanalada, = laminação de marcas de onda, h = laminação horizontal, = laminação, r = marca de raízes, S = paleossolos, etc. Prefixos mf = muito fino, f = fino, m = médio, g = grosso, mg = muito grosso de Tabela 2.4 Códigos de litologias úteis para agilizar as descrições de sedimentos carbonáticos, mas tenha cuidado com as limitações do esquema (ver Item 2.6) Litologias Qualificativos (sufixo) M = mudstone, W = wackestone, P = packstone, G = grainstone, B = boundstone, R = rudstone, F = floatstone, D = dolomito f = fenestral, e = estromatolíticos, o = ooide, p = peloide, b = bioclástico, cr = crinoide, = cavidade, etc. de Prefixos f = fino, m = médio, g = grosso, CX = cristalino, d = dolomítico, S = silicoso, etc.</p><p>Técnicas de Campo 29 com um código. O esquema deve ser flexível para permitir a apro- priada inclusão de tipos de rocha pouco comuns, mas ambientalmen- te significativos. 2.7 Coleta de amostras Para a maior parte das análises de laboratório, amostras do tamanho de uma mão são suficientes, embora isso dependa da natureza da rocha e dos propósitos requeridos para os espécimes. As amostras devem ser retiradas da rocha in situ com o cuidado de serem frescas, não alteradas e representativas da litologia. Se for necessário martelar o afloramento, de use óculos de segurança para proteger seus olhos. Coloque etiqueta na amostra; numere-a (e também sua embala- gem) com um pincel permanente à prova de água. Em alguns casos, faz-se necessário marcar a posição de base e topo da amostra: uma seta apontando o topo estratigráfico é suficiente. Para estudos detalhados da fábrica, a orientação de estruturas (direção e mergulho) também pode- rá ser marcada na amostra. Como medida de segurança, o número da amostra e os dados de orientação deverão ser anotados na caderneta de campo, com um croqui do espécime. Amostras podem ser coletadas para a extração de microfósseis, como foraminíferos de lamitos do Mesozoico-Cenozoico e conodon- tes de calcários do Paleozoico. Uma amostra de mão (~1 kg), em ge- ral, suficiente para um estudo piloto. Os macrofósseis também podem ser coletados no campo para posterior preparação e identificação. As de faunas de diferentes camadas ou litofácies devem ser guardadas em embalagens diferentes. Muitos fósseis precisam ser embalados indivi- dualmente no jornal. É uma boa prática coletá-los registrando-os e não apenas para amontoá-los; colete somente o necessário para o seu projeto. Muitos fósseis podem ser suficientemente identificados no próprio campo sem necessidade de levá-los para o laboratório, caso o estudo seja apenas sobre sedimentologia e paleoambientes. de</p><p>30 Rochas Sedimentares no Campo 2.8 Apresentação dos resultados Uma vez coletados os dados de campo, faz-se necessário, geralmente, apresentá-los ou comunicá-los para outras pessoas. Para isso, são úteis perfis colunares de síntese, bem como croquis de campo, fotografias e mapas de litofácies. Depois do trabalho de campo, os dados coletados podem ser introduzidos em perfis digitais para registro permanente. Programas computadorizados de desenho gráfico usuais podem ser utilizados (p.ex., CoreIDRAW®, FreeHand) ou programas de perfis gráficos específicos (p.ex., SedLog in Zervas et al., 2009, Computers & Geosciences, 35, 2151-2159), os quais podem ser baixados gratuita- de mente na Internet em www.sedlog.com, site hospedado pela Universi- dade Royal Holloway de Londres. Um perfil de síntese pode consistir em uma coluna ilustrando o tamanho de grão, as estruturas sedimentares principais e a litologia geral. Veja exemplos no Capítulo 8 (p.ex., Figuras 8.15, 8.16, 8.18, 8.20 e 8.24). Tal perfil fornece uma impressão imediata da natureza da sucessão de rochas, especialmente as mudanças no tamanho de grão e litologia em direção ao topo. Se for necessário apresentar mais infor- mações, a litologia poderá ser representada em uma coluna separada ao lado do perfil, ilustrando o tamanho de grão e as estruturas sedimenta- res (p.ex., Figura 2.4). As mudanças de ampla escala dos padrões de tamanho do grão dentro de uma sucessão (p.ex., granodecrescência ascendente ou granocrescência ascendente) em geral interessam. Da mesma forma, de colocam-se os padrões de mudança de fácies mais persistentes, isto é, onde há um rasamento ou afogamento para o topo de longo termo. Esses padrões podem ser indicados por setas ou triângulos estreitos ao lado do perfil para mostrar as tendências (ver Figura 8.9). Desenhos mostrando as relações laterais das unidades de rochas sedimentares podem ser incluídos nos relatórios, juntamente a croquis e/ou fotografias de aspectos mais detalhados da estória sedimentar. Mapas mostrando a distribuição de litofácies de estratos lateral- de mente equivalentes ao longo de uma área podem ser muito úteis. Os mapas também podem ser elaborados para mostrar as variações de feições específicas das fácies, como o tamanho de grão dos sedimen-</p><p>Técnicas de Campo 31 Argila Areia Litologia e silte Cascalho m Litofácies Interpretação 12 Grainstone bio-oolíticos Carbonatos de com estratificação cruzada plataforma rasa, agitada 11 b Carvão duro Depósitos 10 Lamitos com rizomas paludiais parálicos e nódulos de siderita 9 Arenito fino com estrati- Depósitos de 8 ficação cruzada canais distributários Ar. lítico com estratificação deltaicos 7 cruzada acanalada Conglomerado basal com imbricação de 6 Arenito lamoso com Sedimentos de 5 T T acamamentos flaser e lenticular planície de inundação T Quartzo-arenito com Corpos de areia estratificação cruzada de inframaré espinha de peixe Figura 2.4 Um exemplo de um perfil colunar sintético, baseado nos dados da Figura 2.1. tos, a espessura e a razão arenito/folhelho. Existem muitos programas de computador disponíveis para o processamento de dados de cam- po e para a construção de perfis, gráficos e mapas, os quais podem impressionar o leitor de um relatório. Análises estatísticas podem ser adicionadas a partir de dados da espessura de camadas, paleocorrentes e outras medidas. de 2.9 sentido de topo dos estratos sedimentares As rochas sedimentares encontram-se comumente dobradas e quando ocorrem em afloramentos pequenos, especialmente onde há camadas verticalizadas, não fica imediatamente evidente onde estão o topo e a base da sucessão. Nesses casos, faz-se necessário checar qual é o sentido das camadas mais novas. O sentido de topo dos estratos pode ser deduzido a partir de muitas estruturas sedimentares, descritas mais de adiante neste livro e mostradas na Figura 2.5.</p><p>32 Rochas Sedimentares no Campo ESTRUTURAS COM SENTIDO DE TOPO Estratificação cruzada Estratificação gradacional normal de Estruturas de corte Gretas de contração de Estruturas de carga de Figura 2.5 Esquemas de cinco estruturas muito úteis para determinar sen- tido de topo dos estratos.</p><p>Técnicas de Campo 33 Boas estruturas para esse uso são: Estratificação cruzada observe os truncamentos das estratifi- cações cruzadas. Estratificação gradacional - grãos mais grossos na base da ca- mada (tenha cuidado com a possibilidade de haver gradação in- versa, especialmente em conglomerados e arenitos muito grossos) (ver Figura 5.37). Superfícies de corte e canais - bases erosivas bem-definidas em camadas cortando sedimentos sotopostos, geralmente com grãos mais grossos sobre a superfície e mais finos embaixo (ver Figuras de 5.3 e 5.57a). Estruturas de sola - turboglifos, sulcos e marcas de instrumento na base das camadas (ver Figuras 5.1 e 5.2). Gretas de ressecamento - gretas com apontando para baixo e preenchidas com areia (ver Figura 5.39). Escape de água e estruturas de carga - estrutura em chama, diques sedimentares, vulcões de areia. Marcas de onda e gretas de ressecamento geralmente ocorrem na superfície superior das camadas. Laminação cruzada - observe os truncamentos da lâmina cru- zada. Estruturas geopetais em calcários - sedimentos internos na par- te inferior e cimento calcítico na parte superior de cavidades (ver Figuras 5.41 e 5.42). de Certos traços de fósseis e posição de crescimento de fósseis (p.ex., corais, bivalves rudistas, Conichnus). Além disso, existem algumas feições estruturais que podem ser utilizadas para deduzir o sentido de topo: relações entre clivagem-es- tratificação e direção das camadas mais novas em uma dobra. 2.10 Prática estratigráfica Estratigraficamente, as rochas são classificadas com base em litologia de (litoestratigrafia), fósseis (bioestratigrafia), superfícies-chave (estrati-</p><p>34 Rochas Sedimentares no Campo Tabela 2.5 Hierarquia de unidades litoestratigráficas Supergrupo associação formal de grupos relacionados ou superpostos. Grupo - associação de formações. Formação unidade litoestratigráfica fundamental, identificada por suas características litológicas e posição estratigráfica, geralmente tabular. Mapeável na superfície da Terra e rastreável em subsuperfície. Várias de- zenas a centenas de metros de espessura. Membro unidade litoestratigráfica formal constituinte de uma formação. Camada subdivisão distintiva de um membro; a menor unidade litoestra- tigráfica formal das rochas sedimentares. de grafia de sequência) e tempo (cronoestratigrafia). Em estudos de cam- po, as rochas sedimentares são principalmente consideradas em termos litoestratigráficos puramente descritivos, mostrados na Tabela 2.5. 2.10.1 Litoestratigrafia A unidade fundamental da litoestratigrafia é a formação, a qual possui homogeneidade litológica interna e serve como uma unidade mapeável básica. As formações adjacentes devem ser facilmente distinguíveis com base em critérios físicos ou paleontológicos. Os limites podem ser gradacionais, mas devem ser claramente definidos, mesmo quan- do arbitrários, em uma seção tipo ou seções tipo definidas. Embora a espessura não seja um critério, as formações possuem intervalos que normalmente medem de poucas a muitas centenas de metros. A espes- de sura pode variar lateralmente ao longo de uma área, e as formações são comumente diácronas em uma ampla escala. Formações estrati- graficamente adjacentes e relacionadas, como aquelas depositadas em uma mesma bacia, podem ser reunidas de modo a constituir um Grupo (geralmente com espessura m). Dois ou mais grupos associados podem, juntos, constituir um Supergrupo. Uma formação pode ser sub- dividida em membros, caracterizados por feições litológicas mais par- ticulares, e se houver uma camada distinguível dentro de um membro, de esta pode receber um nome específico. As unidades litoestratigráficas recebem nomes geográficos; para a formação, uma palavra que indica a litologia dominante pode ser incluída.</p><p>Técnicas de Campo 35 Existem muitas publicações que fornecem detalhes dos procedi- mentos para definir unidades litoestratigráficas, e há um Código Inter- nacional". Em muitas partes do mundo, antigos nomes estratigráficos são utilizados mesmo não estando de acordo com o Código Internacio- nal. Para estabelecer a litoestratigrafia de uma área, defina a sucessão estratigráfica dela ou da região e separe as diversas unidades de rocha com base na litologia e nas principais discordncias/desconformidades Depois, selecione uma localidade ou área onde ocorre o melhor aflora- mento de uma litologia particular, de modo que toda ou a maior parte da sucessão esteja exposta, e denomine a formação com o nome desse lugar. A formação pode ter várias unidades distintas dentro dela, que po- de dem ser chamadas de membros. Nomeie também essas unidades tendo como referência seus melhores afloramentos. Se estiver trabalhando em uma grande área com rochas de idades ou posicionamentos tectônicos muito diferentes, pode haver mais do que um grupo de rochas sedimen- tares identificáveis. 2.10.2 Estratigrafia de sequências A estratigrafia de sequências é uma metodologia que fornece um arca- bouço para entender a evolução de sistemas deposicionais no espaço e no tempo, bem como facilita a reconstrução paleogeográfica e provê um avanço na predição de fácies para além das áreas já conhecidas. A estratigrafia de sequências tornou-se uma forma crescentemente di- fundida mas às vezes litigiosa, deve-se dizê-lo de fatiar o registro de estratigráfico, com base em superfícies-chave isto é, discordâncias e suas conformidades correlativas e superfícies de inundação, em sequências. Uma sequência é definida como "uma sucessão de estratos depositados durante um ciclo completo de mudança na acomodação ou suprimento sedimentar" (Catuneanu et al., 2009). Acomodação é o es- paço disponível para os sedimentos, positivo (aumentando) ou negativo * N de T.: O Código Brasileiro de Nomenclatura Estratigráfica encontra-se publicado na Revista Brasileira de Geociências, 1986, n. 99, p. 370-415. No livro do ínclito estratígrafo de Josué Camargo Mendes (1984), há um detalhamento do uso da classificação estratigráfica no Brasil.</p><p>36 Rochas Sedimentares no Campo (diminuindo). Uma discordância considerada limite de sequência (ls) em vários modelos de sequências é uma superfície que separa estra- tos mais novos daqueles mais antigos e ao longo da qual há evidên- cias de exposição subaérea; ela converte-se lateralmente (em direção à bacia) em uma conformidade correlativa. As principais superfícies de afogamento também têm sido interpretadas como sendo limites de sequências. Geralmente, uma sequência pode ser subdividida em vários tratos de sistemas (TSs) (definidos como uma combinação de sistemas depo- sicionais contemporâneos, i.e., fácies relacionadas ou associação de fá- de cies), depositados durante uma parte do ciclo de mudança na acomoda- ção (nível relativo do mar), os quais são: trato de sistemas do estágio de descida do nível do mar (TSED, também denominado trato de sistemas de regressão forçada, TSRF); trato de sistemas de nível baixo (TSNB); trato de sistemas transgressivo (TST); e trato de sistemas de nível alto (TSNA) (ver Figura 2.6). No modelo, o TSNA + TSRF + TSNB cons- tituem um trato de sistemas regressivo (TSR). Além das discordâncias- -concordâncias correlativas, outras superfícies-chave são: a superfície transgressiva (st), a qual pode ser coincidente com a discordância su- baérea nas porções mais proximais (em direção ao continente) da ba- cia, situada na base do TST; e a superfície de inundação máxima (sim), a qual separa o TST do TSNA (Figura 2.6). Nas porções mais distais da bacia, geralmente há a seção condensada (SC) equivalente à porção superior do TST, a sim e a parte inferior do TSNA. Os termos comuns de da estratigrafia de sequências encontram-se definidos na Tabela 2.6. Veja a Figura 1.1 como exemplo de interpretação da estratigrafia de sequências para um afloramento de carbonatos do Cretáceo. Atualmente, são utilizados vários modelos de estratigrafia de se- quências: a sequência deposicional, a sequência genética e a sequência transgressiva-regressiva (T-R), cada um com sua própria superfície li- mitante e arranjos particulares de tratos de sistemas (Catuneanu et 2009). Você poderá utilizar o modelo que é mais apropriado para a sua de sucessão. Isso depende dos dados disponíveis, do posicionamento da deposição e das fácies marinho vs não marinho, clástico vs carbo- nático, raso vs profundo - e do seu ponto de vista. Como exemplo, a</p><p>Técnicas de Campo 37 Figura 2.6 mostra o modelo básico para uma sequência deposicional com 4-TS. Na prática, existem feições que você pode indiscutivelmente des- crever no campo (como geometrias e relações dos sedimentos, padrões de tamanho de grão e de fácies e suas mudanças verticais e laterais, ten- dências das camadas e de ciclos de escala métrica; veja o Item 8.4.5). A partir desses dados você pode, então, interpretar a sucessão em termos da estratigrafia de sequências e usar o modelo mais apropriado. Muitas sequências, especialmente na plataforma carbonática e nas linhas costeiras e plataformas clásticas, são compostas por vários ou muitos ciclos de escala métrica, denominados parassequências de (originalmente definidas por superfícies de inundação em suas bases). Desse modo, os TSs podem ser definidos pelos padrões de empilha- mento das parassequências (p.ex., onde elas se adelgaçam/espessam para o topo ou são granodecrescentes/granocrescentes para o topo) e pelas mudanças de fácies para o topo, as quais são um reflexo do(s) ciclo(s) de mudança do espaço de acomodação. Veja o Item 8.4 para informações adicionais sobre como reconhecer as superfícies-chave e TSs no campo e quais feições observar em uma sucessão de parasse- quências. Tabela 2.6 Hierarquia das unidades da estratigrafia de sequências Sequência: sucessão de estratos depositados durante um ciclo completo de mudança no espaço de acomodação ou suprimento sedimentar. Há três de tipos reconhecidos: sequência deposicional, sequência genética, sequên- cia T-R. Superfícies-chave: discordância subaérea-conformidade correlativa, super- fície transgressiva, superfície de inundação máxima, as quais subdividem as sequências em tratos de sistemas. Discordância subaérea-conformidade correlativa: a discordância subaérea forma-se como resultado da erosão fluvial ou da passagem de sedimen- tos em condições subaéreas, pedogênese, degradação eólica, dissolução e/ou carstificação. A superfície submarina equivalente, chamada de con- formidade correlativa, marca a mudança da regressão normal de nível de alto para a regressão forçada/fácies de nível (Continua)</p><p>38 Rochas Sedimentares no Campo Tabela 2.6 Hierarquia das unidades da estratigrafia de sequências (Continuação) Superfície transgressiva (st) (também chamada de superfície transgressiva superfície estratigráfica que marca uma mudança nos padrões de empilhamento estratal de uma regressão normal de nível alto para uma transgressão. Superfície de inundação máxima (sim): marca uma mudança nos padrões de empilhamento estratal de uma transgressão para uma regressão nor- mal de nível alto, geralmente as fácies de águas mais profundas; as áreas distais de sedimentação faminta formam uma seção condensada (SC), sobreposta por uma sucessão de rasamento para o topo. de Limite de sequência (LS): separa uma sequência de outra; o tipo de super- fície-chave que LS é dependerá do modelo de sequência adotado. No modelo de sequências deposicionais (Figura 2.6), LS é a discordância subaérea-conformidade correlativa. Trato de sistemas (TS): uma combinação de sistemas deposicionais contem- porâneos. Cinco TSs são os mais comuns: (i) do estágio de descida de nível do mar (TSED) (também denominado regressão forçada, TSRF), fácies deposita- das durante a acomodação negativa (descida do nível relativo do mar) e regressão forçada; (ii) de nível baixo (TSNB) fácies depositadas durante nível relativo de mar baixo e regressão normal; (iii) transgressivo (TST) fácies depositadas durante a acomodação positiva (subida do nível rela- tivo do mar) e transgressão; (iv) de nível alto (TSNA) fácies depositadas durante nível relativo de nível alto e regressão normal; e (v) trato de sistemas regressivo (TSR) TSNA + TSRF + TSNB. Parassequência (psq): sucessão relativamente concordante de camadas ou conjuntos de camadas geneticamente relacionadas, tipicamente em de escala métrica, que podem estar limitadas por superfícies de inundação marinha. Conjunto de parassequências: sucessão de parassequências geneticamente relacionadas que possuem um padrão de empilhamento distinto (p.ex., adelgaçamento para topo); geralmente limitados pelas principais su- perfícies de inundação marinha. Superfície de inundação marinha (si): superfície que separa estratos mais novos daqueles mais antigos, ao longo da qual há evidência de um au- mento abrupto da profundidade do nível da água. de</p><p>Técnicas de Campo 39 TSNA TSNA TSNA Preenchimento de vale inciso sim Cunha de nível baixo (CNB) Leque de assoalho (LA) Figura 2.6 Modelo da estratigrafia de sequências geral (simplificado), que pode ser aplicado para sedimentos siliciclásticos e carbonáticos, mostrando os arranjos dos tratos de sistemas e das superfícies-chave e a localização de areias e lamas. TSRF, TSNB, TST, TSNA = tratos de sistemas de regressão forçada, nível de baixo, transgressivo e nível alto; PVI = preenchimento de vale inciso; LS = limi- te de sequência e sua conformidade correlativa, CC; st = superfície transgressi- va; sim = superfície de inundação máxima; SC = seção condensada. As sequências dentro de uma área são denominadas, geralmente, por letras ou ou a combinação de ambos, trabalhando da base para o topo. 2.10.3 Cronoestratigrafia A cronoestratigrafia considera o registro estratigráfico em termos de tem- po. Pode ser muito útil pensar os estratos dessa maneira, especialmente quando se examina a sucessão em escala de bacia e quando há quebras na sedimentação e nos períodos de soerguimento. O diagrama cronoes- de tratigráfico ilustra a sucessão no espaço e no tempo e, assim, não indica a espessura. Ele mostra onde e quando a deposição e a exposição subaérea tiveram lugar e fornece as relações entre as diferentes unidades. Assim que a análise litoestratigráfica ou da estratigrafia de se- quências estiver concluída, é comum elaborar a cronoestratigrafia (Fi- gura 2.7). As divisões cronoestratigráfica são unidades de tempo-rocha, isto é, referem-se a sucessões de rochas depositadas durante um interva- de * N. de T.: No Brasil, desde as primeiras aplicações da estratigrafia de sequências pelo professor Jorge Della Fávera (2006), costumam-se utilizar algarismos romanos.</p><p>40 Rochas Sedimentares no Campo TSNA Fácies de talude a bacinais SC sim PVI st TST SC Exposição subaérea CNB VI CC LA TSED Fácies de talude a bacinais TSNB SC Fácies arenosas Fácies lamosas Figura 2.7 Diagrama cronoestratigráfico da sucessão mostrada na Figura 2.6. de Esse diagrama apresenta a distribuição dos sedimentos no tempo e espaço e evidencia os intervalos de tempo de exposição subaérea. lo particular do tempo geológico. A cronoestratigrafia do Paleozoico, Mesozoico e Cenozoico pode ser encontrada nas Tabelas 2.7 a 2.9 com os nomes dos sistemas, séries e estágios e a idade aproximada do início da série. de de</p>

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