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<p>UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI</p><p>Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal</p><p>Soryana Gonçalves Ferreira de Melo</p><p>DESEMPENHO AGRONÔMICO, QUALIDADE FISIOLÓGICA E</p><p>ARMAZENAMENTO DE SEMENTES DE CANOLA</p><p>Diamantina</p><p>2024</p><p>Soryana Gonçalves Ferreira de Melo</p><p>DESEMPENHO AGRONÔMICO, QUALIDADE FISIOLÓGICA E</p><p>ARMAZENAMENTO DE SEMENTES DE CANOLA</p><p>Tese apresentada ao Programa de Pós-Graduação em</p><p>Produção Vegetal da Universidade Federal dos Vales</p><p>do Jequitinhonha e Mucuri, como requisito parcial</p><p>para obtenção do título de “Doutora”.</p><p>Orientador: Prof. Dr. Anderson Barbosa Evaristo</p><p>Coorientadora: Profª. Dra. Marcela Carlota Nery</p><p>Diamantina</p><p>2024</p><p>Catalogação na fonte - Sisbi/UFVJM</p><p>Elaborada pelo Sistema de Geração Automática de Ficha Catalográfica da UFVJM com os</p><p>dados fornecidos pelo(a) autor(a).</p><p>Este produto é resultado do trabalho conjunto entre o bibliotecário Rodrigo Martins Cruz/CRB6-</p><p>2886</p><p>e a equipe do setor Portal/Diretoria de Comunicação Social da UFVJM</p><p>M528 Gonçalves Ferreira de Melo, Soryana</p><p>2024 Desempenho agronômico, qualidade fisiológica e</p><p>armazenamento de sementes de canola [manuscrito] / Soryana</p><p>Gonçalves Ferreira de Melo. -- Diamantina, 2024.</p><p>89 p.: il.</p><p>Orientador: Prof. Anderson Barbosa Evaristo.</p><p>Coorientador: Prof. Marcela Carlota Nery.</p><p>Tese (Doutorado em Produção Vegetal) -- Universidade</p><p>Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Programa de Pós-</p><p>Graduação em Produção Vegetal, Diamantina, 2024.</p><p>1. Brassica napus L. var. oleifera Moench. 2. Deterioração.</p><p>3. Vigor. 4. NIR. 5. Teor de óleo. I. Barbosa Evaristo,</p><p>Anderson. II. Carlota Nery, Marcela. III. Universidade</p><p>Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri. IV. Título.</p><p>Soryana Gonçalves Ferreira de Melo</p><p>DESEMPENHO AGRONÔMICO, QUALIDADE FISIOLÓGICA E</p><p>ARMAZENAMENTO DE SEMENTES DE CANOLA</p><p>Tese apresentada ao Programa de Pós- Graduação</p><p>em Produção Vegetal da Universidade Federal dos</p><p>Vales do Jequitinhonha e Mucuri, como requisito</p><p>parcial para obtenção do título de “Doutora”.</p><p>Orientador: Prof. Dr. Anderson Barbosa Evaristo</p><p>Data de aprovação: 22/03/2024.</p><p>Prof.ª Dra. Denise Cunha Fernandes dos Santos Dias - UFV</p><p>Participante externo</p><p>Prof.ª Dra. Raquel Maria de Oliveira Pires - UFLA</p><p>Participante externo</p><p>Dr. Bruno Galvêas Laviola – Embrapa Agroenergia</p><p>Participante externo</p><p>Prof.ª Dra. Marcela Carlota Nery – UFVJM</p><p>Participante interno</p><p>Prof. Dr. Anderson Barbosa Evaristo</p><p>Presidente</p><p>Diamantina</p><p>À minha família, em especial aos meus pais,</p><p>pelo amor incondicional, e sacrifícios</p><p>que fizeram para me proporcionar</p><p>educação e oportunidades na vida.</p><p>DEDICO</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>Agradeço primeira a Deus, por atender minhas súplicas, meus pedidos de orações e,</p><p>principalmente, por sempre abençoar e guiar os meus caminhos.</p><p>À Nossa Senhora, mãe de Jesus, que a cada minuto me cobre com Seu manto</p><p>sagrado de amor e nunca me deixou só.</p><p>Aos meus pais, Célio e Soraya, por serem minha inspiração, meu alicerce e por</p><p>estarem sempre ao meu lado, me aconselhando e sendo os melhores exemplos de luta,</p><p>honestidade e humildade que eu poderia ter.</p><p>Às minhas irmãs, Samyra e Sylmara, pelo apoio incondicional, pela amizade e por</p><p>estarem sempre comigo. E ao meu cunhado, William, pelo apoio.</p><p>Às minhas sobrinhas, Manuela e Maitê, que mesmo sem palavras me acalmam e</p><p>me faz querer lutar.</p><p>Ao Rafael, por todo apoio, paciência, motivação e por todo carinho.</p><p>Aos meus avós, Florita, João, Zaida e Demosténes, pelos ensinamentos, pelas</p><p>orações e por sempre acreditarem em mim.</p><p>A todos os meus amigos e familiares, pela compreensão e por sempre estarem na</p><p>torcida por mim.</p><p>À minha orientadora, Marcela Carlota Nery, pelo valioso conhecimento transmitido</p><p>ao longo desses anos, pela amizade, paciência e confiança.</p><p>Aos meus amigos do NES da UFVJM e ao GSem UFV, pela parceira, apoio,</p><p>amizade e pela incansável e indispensável ajuda.</p><p>Ao técnico do laboratório, Fabiano Ramos pelo suporte nas atividades laboratoriais.</p><p>Ao meu orientador, Anderson Barbosa Evaristo, pelo apoio e incentivo durante a</p><p>execução de todo o trabalho.</p><p>Ao Professor Rogério Santana, por todo empenho e ajuda com as análises</p><p>estatísticas e por toda a paciência.</p><p>À professora Denise, pela ajuda, paciência e recepção na UFV.</p><p>À Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e a</p><p>Universidade Federal de Viçosa (UFV) pela oportunidade e ao Programa de Pós-</p><p>Graduação em Produção Vegetal (PPGPV), pela oportunidade de realizar meu doutorado.</p><p>Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela</p><p>concessão da bolsa de estudos.</p><p>A todos vocês, minha eterna gratidão!</p><p>RESUMO</p><p>SORYANA GONÇALVES FERREIRA DE MELO. DESEMPENHO AGRONÔMICO,</p><p>QUALIDADE FISIOLÓGICA E ARMAZENAMENTO DE SEMENTES DE</p><p>CANOLA. 2024. 90p. (Tese – Doutorado em Produção Vegetal) – Universidade Federal</p><p>dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, Diamantina, 2024.</p><p>A canola é uma oleaginosa que se destaca, mundialmente, para consumo humano, animal e</p><p>na produção de biocombustíveis. A avaliação da qualidade fisiológica das sementes, é</p><p>fundamental para assegurar o bom desempenho da lavoura identificando lotes com maior</p><p>potencial de se estabelecerem adequadamente em campo e durante o armazenamento.</p><p>Objetivou-se com essa pesquisa avaliar o desempenho agronômico, a qualidade fisiológica,</p><p>o teor de óleo de sementes de cultivares de canola cultivadas em área de cerrado com altitude</p><p>elevada (>1.300 m), bem como analisar a viabilidade da espectroscopia NIR em conjunto</p><p>com métodos quimiométricos para detectar variações na qualidade fisiológica, além de</p><p>investigar as modificações fisiológicas e bioquímicas das sementes submetidas ao</p><p>armazenamento em diferentes tipos de embalagens e condições. Todas as cultivares</p><p>estudadas, Nuola 300, Alth B4, Diamond e Hyola 575 demonstraram um desempenho</p><p>agronômico satisfatório, com produtividade e teor de óleo comparáveis à média nacional,</p><p>destacando sua viabilidade para cultivo em regiões de cerrado de altitude elevada. A</p><p>aplicação da espectroscopia NIR, combinada com quimiometria, alcançou uma precisão de</p><p>96% após pré-processamento com método de dispersão, revelando a qualidade das sementes</p><p>de canola. A qualidade fisiológica das sementes de canola foi preservada tanto em condições</p><p>de ambiente quanto em câmara fria até os nove meses de armazenamento, e a embalagem de</p><p>polietileno mostrou-se eficaz na conservação das sementes de canola por até doze meses de</p><p>armazenamento. A atividade da enzima antioxidativa SOD foi capaz de identificar o menor</p><p>nível de deterioração das sementes armazenadas em embalagens de polietileno em câmara</p><p>fria.</p><p>Palavras-chaves: Brassica napus L. var. oleifera Moench; Deterioração; Vigor; NIR; Teor</p><p>de óleo.</p><p>ABSTRACT</p><p>SORYANA GONÇALVES FERREIRA DE MELO. AGRONOMIC PERFORMANCE,</p><p>PHYSIOLOGICAL QUALITY AND STORAGE OF CANOLA SEEDS. 2024. 90p.</p><p>(Thesis – Doctorate in Plant Production) – Federal University of Vales do Jequitinhonha and</p><p>Mucuri, Diamantina, 2024.</p><p>Canola is an oilseed that stands out worldwide for human and animal consumption and in the</p><p>production of biofuels. Assessment of the physiological quality of seeds is essential to ensure</p><p>good crop performance by identifying lots with</p><p>e desenvolvimento relacionados à canola têm crescido</p><p>notavelmente, especialmente devido à introdução de genótipos com baixos teores dessas</p><p>substâncias, resultando em um aumento significativo no rendimento da colheita e na</p><p>qualidade das sementes, como destacado por Raboanatahiry et al (2021) e Zheng et al</p><p>(2022).</p><p>As sementes desempenham um papel crucial na implantação das lavouras, sendo</p><p>que no Brasil observa-se uma escassez de informações sobre a produção de sementes de</p><p>canola, apesar da crescente demanda do mercado internacional (Gularte et al., 2020).</p><p>Portanto, é de extrema importância enfatizar a relevância de técnicas que assegurem os</p><p>atributos de qualidade das sementes.</p><p>A avaliação da qualidade fisiológica das sementes é conduzida por meio do teste</p><p>de germinação, sendo recomendável a complementação deste procedimento com testes</p><p>de vigor. A análise desses testes busca identificar lotes de sementes com melhor</p><p>desempenho no armazenamento e no campo (Torres et al., 2012). No entanto, avanços</p><p>recentes na compreensão da interação entre luz e matéria permitiram a extração de</p><p>informações dos componentes internos das sementes (Secchi et al., 2023). Geralmente,</p><p>mudanças na composição química e nas características anatômicas internas das sementes</p><p>estão associadas à perda de viabilidade e vigor ao longo do tempo (Ahmed et al., 2018).</p><p>36</p><p>Essas alterações nas sementes podem ser diagnosticadas com o uso da</p><p>espectroscopia no infravermelho próximo (NIR), tornando-se uma técnica com grande</p><p>potencial para a avaliação e classificação da qualidade de sementes. O NIR se destaca</p><p>devido sua simplicidade analítica, rapidez e caráter não destrutivo, dispensando a</p><p>necessidade de preparação prévia das amostras, e por não utilizar reagentes proporcionam</p><p>características positivas quando comparado aos métodos tradicionais na avaliação da</p><p>qualidade das sementes (Ribeiro et al., 2021).</p><p>A técnica NIR é baseada na absorção de radiação eletromagnética em</p><p>comprimentos de onda na faixa de 780 a 2.500 nm. Essa técnica fornece informações</p><p>relacionadas a grupos de hidrogênio, como C-H, N-H e O-H, permitindo a análise da</p><p>composição da matéria orgânica (Hills, 2017; Ozaki et al., 2016). A radiação</p><p>eletromagnética depende da interação do composto com a radiação eletromagnética, que</p><p>é absorvida por água, carboidratos, lipídios e proteínas (Larios et al., 2020). As</p><p>informações espectrais obtidas de moléculas orgânicas extraídas de leituras no</p><p>equipamento NIR, quando associadas a métodos quimiométricos, podem permitir</p><p>evidenciar diferenças na composição bioquímica das sementes, que podem estar</p><p>relacionadas com a viabilidade (Kusumaningrum et al., 2018) e vigor (Fan et al., 2020).</p><p>A espectroscopia NIR e a quimiometria interagem de maneira complementar. Os</p><p>espectros iniciais do NIR, com suas bandas amplas e superpostas, requerem pré-</p><p>processamento, tornando a quimiometria uma ferramenta poderosa para extrair</p><p>informações dos espectros NIR. Isso possibilita a identificação e quantificação de vários</p><p>parâmetros em diferentes amostras (Souza; Poppi, 2012; Souza et al., 2013).</p><p>A espectroscopia NIR tem sido empregada na avaliação da qualidade de sementes</p><p>de diversas espécies de Brassicas, tais como repolho, rabanete (Shetty et al., 2011) e</p><p>espinafre (Shetty et al., 2012). Contudo, pesquisas acerca da capacidade do NIR em</p><p>discriminar níveis de qualidade fisiológica em sementes de canola podem ajudar na sua</p><p>aplicação. A validação da metodologia empregada, pode representar um avanço</p><p>significativo na avaliação da qualidade das sementes de canola com maior precisão e</p><p>eficiência, contribuindo para a complementação dos resultados obtidos em outros testes</p><p>no controle de qualidade de sementes, além da economia de recursos e tempo. Desta</p><p>forma, objetivou-se analisar a viabilidade da espectroscopia NIR, em conjunto com</p><p>métodos quimiométricos, para a detecção de variações na qualidade fisiológica de</p><p>sementes de canola.</p><p>37</p><p>2. MATERIAL E MÉTODOS</p><p>Para a realização dos experimentos foram utilizados três lotes de sementes de</p><p>canola das cultivares Nuola 300 – Lote 1 (Lavras – MG, 2020), Lote 2 (Diamantina –</p><p>MG, 2021), Lote 3 (Lavras – MG, 2019); dois lotes da cultivar Hyola 575 CL® – Lote 4</p><p>(Diamantina – MG, 2021), Lote 5 (Lavras – MG, 2020); e três lotes da cultivar Diamond</p><p>– Lote 6 (Cascavel – PR, 2018), Lote 7 (Lavras – MG, 2021) e Lote 8 (Lavras – MG,</p><p>2020).</p><p>2.1 Caracterização inicial dos lotes de sementes</p><p>O grau de umidade das sementes foi determinado pelo método da estufa a 105°C</p><p>durante 24 horas (Brasil, 2009), sendo os resultados expressos em porcentagem.</p><p>O teste de germinação foi conduzido de acordo com as recomendações para a</p><p>Brassica napus, dispostas sob três folhas de papel germitest, umedecidas com água</p><p>destilada, na proporção de 2,5 o peso do substrato, colocadas para germinar em caixas</p><p>plásticas tipo gerbox e acondicionadas em câmaras de germinação Biochemical Oxygen</p><p>Demand (B.O.D), com temperatura de 20°C. As avaliações se iniciaram a partir do 5º dia</p><p>(primeira contagem da germinação) e finalizada ao 7º dia (contagem final), computando-</p><p>se as plântulas normais. Foi avaliado o índice de velocidade de germinação diariamente,</p><p>computando-se o número de sementes com protrusão, calculadas de acordo com a fórmula</p><p>de Maguire (1962).</p><p>A condutividade elétrica foi realizada via metodologia descrita por Kaefer et al</p><p>(2014) para sementes de canola, em que 50 sementes foram embebidas em 75 mL de</p><p>água, durante um período de 4 horas, e os resultados expressos em µS cm-1 g-1.</p><p>2.2 Comprimento de plântulas</p><p>Ao finalizar o teste de germinação, plântulas normais da contagem final do teste de</p><p>germinação, foram transferidas do papel de germinação para a base fotográfica, feita de</p><p>folha de espuma vinílica acetinada (E.V.A) de coloração azul, contendo onze células de</p><p>cinco centímetros de largura, divididas por faixas brancas e, em seguida, fotografadas. A</p><p>aquisição das imagens foi feita por meio de fotografias, utilizando-se a câmera digital</p><p>Nikon, modelo Coolpix P510, configurada em 16 Megapixels, com 1/15 segundos de 33</p><p>velocidade de disparo do obturador e f/3.3 de abertura do diafragma. A câmera foi</p><p>mantida na altura de 40 cm e angulação de 90° em relação à base fotográfica, utilizando</p><p>38</p><p>o suporte do tipo copystand. A intensidade luminosa incidente sobre a base fotográfica</p><p>foi de 260 lux. As imagens após retiradas foram armazenadas e, posteriormente, inseridas</p><p>no software ImageJ®, para medições da parte área e raiz. Foi utilizado o software R,</p><p>através do pacote SeedCalc (Silva et al., 2019), e calculado o comprimento da parte aérea</p><p>(mm), comprimento médio da raiz (mm), comprimento total (mm), relação do</p><p>comprimento médio da raiz/ comprimento da parte aérea (mm), índice de uniformidade,</p><p>índice de crescimento e índice de vigor.</p><p>2.3 Análises físicas (teste de raios X)</p><p>Para obtenção das imagens radiográficas, foram utilizadas 100 sementes de cada lote,</p><p>fixadas de forma ordenada e equidistante sobre papel adesivo. Este procedimento foi</p><p>realizado para permitir a identificação individual de cada semente para posterior análise. As</p><p>imagens radiográficas foram geradas por um aparelho Faxitron, modelo MX-20 (Faxitron x-</p><p>ray Corp. Wheeling, IL, EUA). O aparelho foi ajustado para uma voltagem de 23 kV e as</p><p>sementes foram expostas à radiação por 10 segundos, a uma distância focal de 41,6 cm. O</p><p>contraste da imagem foi calibrado em 970 (largura) x 2300 (centro). As imagens foram</p><p>processadas no software ImageJ®. As variáveis obtidas nesta análise foram: área (mm),</p><p>densidade (gray.pixel -1) e densidade integrada (valor de pixel-1 mm2).</p><p>2.4 Aquisição dos espectros NIR</p><p>Os espectros foram obtidos por meio da seleção aleatória</p><p>de amostras de sementes</p><p>inteiras de cada lote, dispostas de forma sobrepostas na abertura do equipamento. O</p><p>procedimento consistiu em quatro repetições, cada uma com três leituras, totalizando 12</p><p>espectros para cada lote. As leituras foram conduzidas utilizando o espectrômetro Thermo</p><p>Scientific, Modelo Antaris II, na faixa de comprimento de onda de 1.000 a 2.500 nm, em</p><p>modo de reflectância (R). O software TQ Analysis, associado ao espectrômetro, foi</p><p>empregado para o registro dos espectros.</p><p>2.5 Análise estatística</p><p>Para os testes de caracterização inicial, comprimento de plântulas e raios X,</p><p>utilizou-se o delineamento inteiramente casualizado (DIC) com quatro repetições. Os</p><p>dados foram testados quanto à distribuição normal dos erros pelo teste de Shapiro-Wilk e</p><p>à homogeneidade de variâncias pelo teste de Bartlett. Em seguida, os dados foram</p><p>39</p><p>submetidos à análise de variância e as médias obtidas para cada cultivar foram</p><p>comparadas pelo teste de Scott-Knott a 5% de probabilidade (ANEXO A).</p><p>Os lotes foram classificados conforme o desempenho fisiológico obtidos pelos</p><p>testes de caracterização inicial, comprimento de plântulas e raios X. As variáveis foram</p><p>submetidas a análise de componentes principais (PCA), para posterior análise de cluster</p><p>com o método K-means.</p><p>As sementes foram classificadas de acordo com as classes C1 – Alto vigor e C2 –</p><p>Baixo Vigor, e realizada uma análise exploratória com os espectros, plotando-se gráficos</p><p>dos espectros originais da média dos espectros por classe. Posteriormente, os dados foram</p><p>submetidos aos métodos quimiométricos de pré-processamento e construção de modelos</p><p>de classificação. Foram utilizados os pré-processamento: Standard Normal Variate</p><p>(SNV), Multiplicative Scatter Correction (MSC), 1ª e 2ª derivadas de Savitzky-Golay.</p><p>Para cada pré-tratamento foi gerado um modelo de classificação por meio de</p><p>Partial Least Squares-Discriminant Analysis (PLS-DA) (Barker; Rayens, 2003), em que</p><p>70% dos dados foram usados para treinamento e 30% para validação. O desempenho dos</p><p>modelos foi avaliado pela acurácia e kappa obtidos para os dados de treinamento e de</p><p>validação. Ainda, foram identificadas as faixas de comprimento de onda que foram mais</p><p>importantes para as classes de vigor na construção do modelo de classificação.</p><p>As análises dos dados foram realizadas por meio do software R 4.0.2 (R Core</p><p>Team, 2022), com o auxílio dos pacotes dplyr, caret, signal, prospectr, nira e patchwork.</p><p>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO</p><p>O grau de umidade variou entre 8,8% e 10,7% (ANEXO A), permanecendo dentro</p><p>do limite máximo tolerável de 2,0 pontos percentuais para a padronização das análises e</p><p>a avaliação confiável do potencial fisiológico dos lotes (Marcos-Filho, 2015). A</p><p>determinação do teor de água nas sementes é essencial nos testes oficiais de qualidade em</p><p>lotes de sementes, uma vez que exerce influência direta em diversos aspectos de sua</p><p>qualidade fisiológica (Sarmento et al., 2015).</p><p>A Figura 1 apresenta a análise multivariada de componentes principais (PCA) a</p><p>fim de distinguir os lotes de sementes com base nos diferentes níveis de qualidade</p><p>fisiológica dos lotes. Os dois componentes principais explicaram 70,8% da variância</p><p>acumulada (CP1 47,9% e CP2 22,9%) (Figura 1).</p><p>40</p><p>Figura 1 - Biplot da análise de componentes principais (PCA) (A) e Cluster (B) com a separação</p><p>das classes. Primeira contagem da germinação (PC); germinação (G); índice de velocidade de</p><p>germinação (IVG); condutividade elétrica (CE); comprimento da parte aérea (CPA);</p><p>comprimento médio da raiz (CPR); comprimento total (CT); relação do comprimento médio da</p><p>raiz/ comprimento da parte aérea (CRA); índice de uniformidade (Unif); índice de crescimento</p><p>(Cresc); índice de vigor (Vigor); área; densidade (Den); densidade integrada (Denint).</p><p>A PCA (Figura 1A) apresenta os vetores da caracterização inicial dos lotes. A</p><p>CPR, Cresc, Vigor, CT e Uniformidade foram posicionadas à esquerda do diagrama de</p><p>ordenação. Portanto, os indivíduos localizados nos escores negativos da PC1 apresentam</p><p>valores de contribuição consideravelmente maiores para essas variáveis. As variáveis</p><p>Área, DenInt e Densidade estão localizados nos escores positivos da PC2, e contribuíram</p><p>de forma significativa para a classificação dos lotes em diferentes níveis de qualidade</p><p>fisiológica. Os testes de desempenho fisiológico estabelecido nos testes de caracterização</p><p>inicial, comprimento de plântulas e raios X, foram utilizados para a formação das duas</p><p>classes (clusters) entre os lotes de canola (Figura 1B): a Classe 1, representando maior</p><p>qualidade fisiológica dos lotes de sementes de canola, foi composta pelos lotes, L1, L2,</p><p>L3 e L5, enquanto a Classe 2, pelos lotes L4, L6, L7 e L8, caracterizados por uma</p><p>qualidade inferior.</p><p>A análise dos espectros do NIR nos dados brutos dos lotes revelou distintos níveis</p><p>de qualidade fisiológica nas sementes de canola, evidenciando as Classes 1 (alto vigor) e</p><p>2 (baixo vigor) (Figura 2). É relevante notar que os espectros brutos originais</p><p>correspondem àqueles não submetidos a pré-processamentos (Sohn et al., 2022).</p><p>41</p><p>Figura 2 - Média dos dados espectrais por classe (A) e espectros originais (B). Em verde,</p><p>sementes de canola de alto vigor – C1, e em roxo, sementes de baixo vigor – C2.</p><p>Nos espectros, é evidente uma variação na linha de base ao longo de toda a faixa</p><p>de leitura. Essa variação pode ter origem na desuniformidade das amostras, uma vez que</p><p>foram utilizadas sementes inteiras ao invés de sementes moídas (Zhang et al., 2022). Ao</p><p>utilizar os dados brutos, Mukasa et al (2019) estudando a detecção de sementes viáveis</p><p>em Cipreste hinoki observaram que os espectros exibiram uma característica uniforme,</p><p>ampla dispersão e continham ruídos, não sendo possível distinguir sementes viáveis e</p><p>inviáveis. O comportamento espectral semelhante, foi observado em híbridos de sementes</p><p>de milho (Andriazzi et al., 2023). Isso ressalta a importância do pré-processamento dos</p><p>espectros.</p><p>A leitura dos espectros pode ter sido afetada pela disparidade do tamanho das</p><p>sementes entre os lotes das sementes de canola, bem como pelas diferenças na espessura</p><p>do tegumento. As amostras de sementes têm o potencial de influenciar na dispersão da</p><p>luz na espectroscopia NIR. Portanto, é necessário aplicar métodos de pré-processamentos</p><p>para reduzir os efeitos físicos da morfologia da amostra nos espectros (Souza et al., 2023).</p><p>A informação analítica contida nos espectros de NIR é complexa e de difícil</p><p>interpretação devido à sua natureza multivariada. Isso torna desafiador distinguir</p><p>pequenas diferenças espectrais entre as amostras. Assim, para extrair informações</p><p>valiosas de extensos conjuntos de dados espectrais de maneira ágil e eficaz, a utilização</p><p>de algoritmos quimiométricos avançados se faz indispensável, esses algoritmos pré-</p><p>processam os dados (Xia et al., 2019).</p><p>42</p><p>A seleção de um método de pré-processamento ideal é difícil, uma vez que</p><p>múltiplas transformações matemáticas diferentes são usadas e diferentes métodos de pré-</p><p>processamento fornecem diferentes resultados de previsão (Sohn et al., 2021). Portanto,</p><p>é necessário pré-processar os dados espectrais para remover qualquer informação</p><p>irrelevante e melhorar o desempenho do modelo de calibração (Xia et al., 2019).</p><p>Os espectros foram submetidos a diferentes tipos de pré-processamentos e por</p><p>meio do método PLS-DA foram obtidos modelos de classificação de dois níveis de</p><p>qualidade fisiológica das sementes, Classe 1 (alto vigor) e Classe 2 (baixo vigor) (Tabela</p><p>2).</p><p>Os métodos de pré-processamento são aplicados com o objetivo de diminuir a</p><p>variabilidade causada pela dispersão entre as amostras, incluem o Multiplicative Scatter</p><p>Correction (MSC) ou o Standard Normal Variate (SNV), bem como métodos derivativos,</p><p>como o Savitzky-Golay,</p><p>para produzir a primeira e a segunda derivadas de suavização de</p><p>sinal dos espectros, que por sua vez reduz a sobreposição de picos (Ambrose et al., 2016).</p><p>O pré-processamento adequado para a construção do modelo de calibração, foi</p><p>determinado com base na capacidade de predição das classes de qualidade fisiológica das</p><p>sementes dos lotes, conforme valores de acurácia e coeficiente kappa em relação aos</p><p>modelos obtidos para cada tipo de pré-processamento (Tabela 2).</p><p>Tabela 2 - Resultados de acurácia e kappa para treinamento e validação (teste) dos diferentes</p><p>métodos de pré-processamento obtidos pelos modelos de classificação via PLS-DA para lotes de</p><p>sementes de canola.</p><p>Pré-Processamento</p><p>Treinamento (n=68) Teste (n=28)</p><p>Acurácia Kappa Acurácia Kappa</p><p>Espectros Originais 1,000 1,000 0,9286 0,8571</p><p>SNV 1,000 1,000 0,9643 0,9286</p><p>MSC 1,000 1,000 0,9643 0,9286</p><p>1ª Derivada de SG 1,000 1,000 0,9643 0,9286</p><p>2ª Derivada de SG 1,000 1,000 0,5714 0,1429</p><p>SNV = Standard Normal Variate (Variação Normal Padrão); MSC = Multiplicative Scatter Correction (Correção do</p><p>Espalhamento Multiplicativo); Derivada de SG = Derivada de Savitzky-Golay.</p><p>O modelo classificatório obtido por meio dos espectros originais, sem qualquer</p><p>tipo de pré-tratamento e os dados pré-processados demonstraram para o treinamento alta</p><p>acurácia de 100% e kappa de 1,0. Já o teste para os dados originais, apresentou acurácia</p><p>(92%) e kappa, (0,8571) menores. Após o pré-processamento dos dados no teste, os</p><p>métodos SNV, MSC e a 1ª derivada de SG apresentaram métricas semelhantes de acurácia</p><p>https://www.sciencedirect.com/topics/computer-science/calibration-model</p><p>43</p><p>(96%) e kappa (0,92). Já as métricas na 2ª derivada de SG, foram menores tanto para o</p><p>teste (57%), quanto para o kappa (0,1429) (Tabela 2).</p><p>O coeficiente kappa é utilizado como índice de avaliação do modelo, sendo maior</p><p>o valor kappa, melhor será o resultado da classificação e mais estável será o modelo (Hu</p><p>et al., 2019). O índice Kappa obtidos nos métodos SNV, MSC e 1ª Derivada de SG</p><p>podem ser classificados como quase perfeitos (0,81 – 1,00) conforme classificação</p><p>proposta Landis e Koch (1977).</p><p>A avaliação do modelo matemático é indicar a acurácia, a exatidão, a precisão e a</p><p>robustez das previsões do modelo (Kohn et al., 2002). A acurácia e o índice Kappa foram</p><p>utilizados com sucesso para avaliar a eficiência dos modelos com melhor ajuste na</p><p>classificação para sementes de mandioca quanto a qualidade fisiológica (Sousa et al.,</p><p>2023) e Urochloa decumbens (Souza et al., 2023).</p><p>Ao utilizar os modelos com pré-processamentos SNV, MSC e 1ª derivada de SG,</p><p>observou-se uma melhor separação das classes C1 - Alto Vigor e C2 - Baixo Vigor.</p><p>Portanto, foi escolhido o modelo SNV devido à sua simplicidade e característica de</p><p>correção de dispersão dos dados, além da possibilidade de visualização clara no gráfico</p><p>de scores da PLS-DA (Figura 3). A PLS-DA possibilita a identificação e seleção</p><p>discriminativa de variáveis (Brereton & Lloyd, 2014).</p><p>Figura 3 - Gráfico de pontuação da análise discriminante por mínimos quadrados parciais (PLS-</p><p>DA) com os dois primeiros componentes discriminantes de sementes de canola de alto vigor –</p><p>C1, e sementes de baixo vigor – C2, com base nos espectros FT-NIR com os dados do pré-</p><p>processamento de SNV.</p><p>Classes</p><p>https://onlinelibrary-wiley.ez36.periodicos.capes.gov.br/doi/full/10.1111/jfpe.13769#jfpe13769-bib-0014</p><p>44</p><p>Os resultados apresentados para os modelos de classificação PLS-DA obtidos com</p><p>os espectros do NIR, concordam com estudos anteriores envolvendo a classificação de</p><p>sementes por técnicas de espectroscopia (Venkatesan et al., 2020). Essa classificação é</p><p>eficaz na modelagem de dados de alta correlação (Zhang et al., 2022). Visto que, por</p><p>meio da PLS-DA é possível, realizar a identificação e/ou seleção discriminativa de</p><p>variáveis (Brereton; Lloyd, 2014).</p><p>O uso de uma abordagem combinada de um algoritmo de suavização de Savitzky-</p><p>Golay e correções do SNV é relevante para otimizar os dados NIRS, no caule da canola,</p><p>milho e sorgo (Goñi et al., 2024). Para a quantificação do teor de óleo, proteína e</p><p>glucosinolatos de três cultivares de colza obteve resultados com o pré-processamento com</p><p>o Savitzky-Golay (Petisco et al., 2010). O método SNV teve o melhor desempenho na</p><p>discriminação entre os lotes de sementes de soja (Larios et al., 2020). E quantificação do</p><p>teor de óleo em sementes de canola (Santiago et al., 2023).</p><p>Medeiros et al (2022) discriminaram espécies de Brassicas e forneceram uma</p><p>estimativa do teor de óleo das sementes com 100% no desempenho do modelo PLS-DA</p><p>com dados de espectrômetro NIR. Santiago et al (2023), encontraram resultados</p><p>semelhantes em sementes de canola. O PLS-DA, também foram utilizados para</p><p>determinar a concentração de carboidratos solúveis em água (Goñi et al., 2024) e o teor</p><p>de tocoferol, presentes em canola (Xu et al., 2019).</p><p>Além da acurácia e kappa, a matriz de confusão é uma ferramenta muito utilizada</p><p>para avaliações do desempenho de modelos de classificação por aprendizado de máquina.</p><p>A matriz exibe a distribuição das sementes em termos de suas classes atuais e de suas</p><p>classes previstas e indica a qualidade e eficiência do modelo (Figura 4). A matriz de</p><p>confusão dos dados após o pré-processados pelo método SNV indica que os erros foram</p><p>principalmente associados ao C1 – alto vigor para a validação dos dados.</p><p>Calibração Validação</p><p>Calibração Validação</p><p>(n=68) (n=28) (n=68) (n=28)</p><p>C1 C2</p><p>C1 C2</p><p>S</p><p>N</p><p>V</p><p>C1 C2</p><p>C1 C2</p><p>D</p><p>a</p><p>d</p><p>o</p><p>s</p><p>o</p><p>ri</p><p>g</p><p>in</p><p>a</p><p>is</p><p>C1 34 0</p><p>C1 13 1 C1 34 0</p><p>C1 14 1</p><p>C2 0 34 C2 1 13 C2 0 34</p><p>C2 0 13</p><p>45</p><p>Figura 4 - Matriz de confusão da classificação dos lotes de sementes de canola em níveis de vigor</p><p>C1 - alto vigor e C2 - baixo vigor, por meio do modelo PLS-DA utilizando-se os espectros</p><p>originais e após o processamento com SNV, MSC e 1ª derivada de SG.</p><p>Os comprimentos de onda que mais contribuíram de acordo com os modelos que</p><p>se ajustaram as classificações das sementes em diferentes níveis de qualidade, estão</p><p>descritos na Figura 5. Os picos de importância nas faixas de comprimento de onda</p><p>correspondem a grupos funcionais que contribuíram para a classificação qualitativa dos</p><p>lotes quanto à qualidade (Zhang et al., 2020).</p><p>Figura 5 – Importância das variáveis de comprimento de ondas para classificação via PLS-DA</p><p>dos níveis de vigor de sementes de canola.</p><p>Nota-se que os 20 comprimentos de onda entre 68% e 100% de importância, estão</p><p>na faixa de comprimento de onda na faixa entre 1.004 nm a 1.064 nm e 1.698 nm a 1.907</p><p>nm (Figura 5). Foram observadas diferenças espectrais importantes entre sementes</p><p>viáveis e não viáveis nas bandas entre 1.000 nm a 1.900 nm (Xia et al., 2019). Segundo</p><p>Wang et al (2021), os comprimentos de onda entre 500 nm a 1.100 nm ou 1.000 nm a</p><p>1.850 nm, possuem significado biológico para a detecção do vigor das sementes.</p><p>As bandas de absorção na região NIR estão ligadas a grupos funcionais</p><p>relacionados a água, proteínas, óleo e carboidratos, geralmente são amplas e se sobrepõem</p><p>em várias partes do espectro. Os comprimentos de onda mais importantes com pico nas</p><p>faixas 1.060 nm a 1.195 nm estão relacionados à carboidratos e 1.100 nm a 1.185 nm à</p><p>estrutura de proteínas enquanto a faixa espectral entre 930 nm a 1.390 nm refere ao teor</p><p>46</p><p>de óleo (Shenk et al., 2007; Al-Amery et al., 2018; Medeiros et al., 2022). Assim, como,</p><p>os picos entre 1.700 nm a 1.800 nm (Guinda et al., 2015).</p><p>Os espectros NIR compreendem bandas de comprimentos de onda mais altos</p><p>decorrentes de absorções sobrepostas correspondentes a combinações de ligações</p><p>químicas, como C-H, O-H e N-H (Xia et al., 2019). Em sementes de Brassica napus, Xu</p><p>et al (2019),</p><p>correlacionaram a absorbância de 1.722 nm com a ligação C-H, enquanto a</p><p>banda de 1.908 nm foi atribuída ao estiramento O-H, associado ao lipídeo. Na mesma</p><p>espécie, o pico de 1.725 nm está relacionado às vibrações de estiramento C-H, e a banda</p><p>de 1.940 nm corresponde à vibração de estiramento ou à combinação de deformação O-</p><p>H, atribuível aos principais macronutrientes presentes nas sementes, como água, óleo e</p><p>fibra (Medeiros et al., 2022).</p><p>Um pico de absorção em 1.002 nm está associado à sacarose amorfa (Ozaki et al.,</p><p>2016). A região entre 1.880 nm a 1.930 nm está associada a bandas de combinação de</p><p>vibração de O-H (Hourant et al., 2000). Há também combinação de vibração de</p><p>estiramento de O-H e do terceiro sobretom de C-O associado à celulose com absorção em</p><p>1.820 nm (Workman; Weyer, 2007). O pico de absorção em 1.860 nm é relatado pela</p><p>combinação de estiramento assimétrico do N-H com amida II, relacionado a moléculas</p><p>de proteínas (Kusumaningrum et al., 2018). A ampla faixa de comprimento de onda de</p><p>350-2.500 nm, está associada ao ácido oleico (Guinda et al., 2015).</p><p>As sementes inviáveis de Cipreste hinoki exibiram absorção nas faixas de 1.000 a</p><p>1.500 nm e 2.300 a 2.500 nm, enquanto as sementes viáveis apresentaram valores mais</p><p>elevados de absorção na região de comprimento de onda de 1700 a 1910 nm. As</p><p>discrepâncias nos padrões espectrais médios observados podem ter origem em</p><p>divergências nos componentes químicos das sementes (Mukasa et al., 2019).</p><p>A perda da viabilidade das sementes está associada a mudanças na composição</p><p>química das membranas, alterando a composição dos lipídeos e proteínas (Venkatesan et</p><p>al., 2020). As proteínas desempenham papéis essenciais para o crescimento e</p><p>desenvolvimento do eixo embrionário e na formação e emergência de plântulas no campo</p><p>(Erbaş et al., 2016). No entanto, durante o processo de deterioração das sementes, ocorre</p><p>desnaturação e diminuição do conteúdo e síntese de proteínas, sendo a degradação</p><p>proteica um dos mecanismos responsáveis como causa da perda de viabilidade das</p><p>sementes (Pinheiro et al., 2023). Portanto, as bandas atribuídas a estes compostos, pode</p><p>estar associado as sementes da classe de baixo vigor.</p><p>47</p><p>Embora a identificação de compostos químicos específicos em sementes seja</p><p>bastante difícil, devido à sobreposição de bandas espectrais que podem estar associada a</p><p>diferentes compostos (Kusumaningrum et al., 2018), foram evidenciadas regiões do</p><p>espectro eletromagnético que apresentam maior importância para distinguir os níveis de</p><p>vigor em sementes de canola, sendo comprovados pela alta acurácia e kappa adequadas</p><p>aos pré-processamentos (Tabela 2).</p><p>A espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) é uma ferramenta valiosa para</p><p>a classificação de lotes de sementes, permitindo a avaliação rápida da qualidade,</p><p>principalmente na rápida tomada de decisão quanto ao descarte ou destinação dos lotes</p><p>de sementes, economizando tempo e recursos na indústria de sementes. Além disso,</p><p>desempenha um papel fundamental em programas de melhoramento genético e na</p><p>preservação de germoplasma, fornecendo uma abordagem não destrutiva para prever a</p><p>qualidade das sementes (Venkatesan et al., 2020; Medeiros et al., 2020).</p><p>4. CONCLUSÃO</p><p>A utilização dos espectros do NIR, pré-processados por meio de métodos</p><p>derivativos e correção de dispersão, demonstraram acurácia de 96,4% para a classificação</p><p>de lotes de sementes de canola em diferentes níveis de qualidade fisiológica.</p><p>5. REFERÊNCIAS</p><p>AL-AMERY, M. et al. Near-infrared spectroscopy used to predict soybean seed germination</p><p>and vigour. Seed Science Research, v. 28, n. 3, p. 245-252, 2018.</p><p>AHMED, M. R. et al. X-ray CT image analysis for morphology of muskmelon seed in relation</p><p>to germination. Biosystems Engineering, v. 175, p. 183–193, 2018.</p><p>AMBROSE, A. et al. 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Current Research in Food Science, v.5, p. 1305–1312, 2022.</p><p>52</p><p>ANEXO A - Resultados médios de grau de umidade (GU), primeira contagem da</p><p>germinação (PC), germinação (G), índice de velocidade de germinação (IVG),</p><p>condutividade elétrica (CE), comprimento da parte aérea (CPA); comprimento médio da</p><p>raiz (CPR); comprimento total (CT), relação do comprimento médio da raiz/</p><p>comprimento da parte aérea (CRA), índice de uniformidade (Unif), índice de crescimento</p><p>(Cresc), índice de vigor (Vigor), área, densidade (Den) e densidade integrada (Den Int),</p><p>obtidos para a avaliação da qualidade fisiológica de lotes (L) de sementes de canola.</p><p>Médias seguidas pela mesma letra, na coluna, não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott, a 5% de</p><p>probabilidade.</p><p>Lotes</p><p>GU PC G IVG CE CPA CPR CT</p><p>-------------%------------- Índice µScm-1 g-1 -----------------mm-----------------</p><p>L1 8,8 96a 96a 23,56a 82,61a 12,9b 23,1 a 35,2a</p><p>L2 10,5 99 a 99 a 23,85 a 56,50b 11,4 b 23,5a 34,9a</p><p>L3 10,7 94 a 94 a 21,22 b 88,08a 11,8 b 23,3a 35,1a</p><p>L4 9,2 96a 97 a 18,96 b 58,72b 9,9 d 15,0b 25,0c</p><p>L5 9,8 90b 96 a 22,27a 88,78a 7,4d 19,6a 27,0 b</p><p>L6 9,0 99 a 99 a 24,53 a 60,7b 15,3a 13,5b 30,9b</p><p>L7 8,8 84 c 88b 22,27 c 76,62a 13,7a 14,0b 25,7b</p><p>L8 9,7 92 b 96 a 24,33 b 86,66a 8,7c 11,4b 19,3c</p><p>CV % 3,62 2,25 3,2 8,87 5,48 7,86 7,38</p><p>Lotes</p><p>CRA Unif. Cresc. Vigor Área Den Den Int</p><p>mm ----------índice---------- mm2 valor de pixel-1 valor de pixel-1 mm2</p><p>L1 205,1b 860 a 235a 1850,3a 0,9c 52,3c 49,2e</p><p>L2 206,6b 770a 223a 1800a 1,2a 57,3c 72,1d</p><p>L3 197,9b 824a 222a 1801a 0,9c 86,3b 80,7d</p><p>L4 156,2d 508b 153c 1222,2c 1,1b 96,1a 114,1b</p><p>L5 206,5a 772a 184b 1522b 0,9c 91,3b 88,3c</p><p>L6 198,9d 777a 144c 1356c 1,2a 100,1a 127,0a</p><p>L7 173,1c 770a 137c 1195b 0,9c 89,8b 83c</p><p>L8 123,4d 773a 111c 1012c 0,9c 88,3b 83c</p><p>CV % 8,66 12 14,54 16,08 1,63 4,33 5,56</p><p>53</p><p>CAPÍTULO 3 - Alterações fisiológicas e bioquímicas em sementes de canola sob</p><p>diferentes condições de armazenamento</p><p>https://www.locus.ufv.br/handle/123456789/30790</p><p>https://www.locus.ufv.br/handle/123456789/30790</p><p>54</p><p>RESUMO</p><p>A crescente expansão do cultivo da canola ressalta</p><p>a importância fundamental de um</p><p>armazenamento adequado das sementes para garantir sua qualidade fisiológica,</p><p>promovendo e assegurando o sucesso no processo produtivo da cultura. Este estudo teve</p><p>como objetivo avaliar as modificações fisiológicas e bioquímicas de sementes de canola</p><p>submetidas ao armazenamento em diferentes tipos de embalagens e condições. Sementes</p><p>da cultivar Diamond foram acondicionadas em embalagens de alumínio, sacos de papel</p><p>kraft e polietileno e armazenadas em câmara fria e seca (10 °C ± 2,0 e 45% UR ± 2,0) e</p><p>ambiente não controlado (20°C ± 1,8 e 76% UR ± 7,2). O grau de umidade e as análises</p><p>fisiológicas (germinação, primeira contagem de germinação, emergência,</p><p>envelhecimento acelerado e teste de frio) e bioquímicas (proteína e atividade das enzimas</p><p>SOD, POX, CAT e APX) foram realizadas inicialmente e repetidas aos 3, 6, 9 e 12 meses</p><p>de armazenamento. O experimento foi instalado no delineamento inteiramente</p><p>casualizado, no esquema fatorial duplo: 3x5 (três embalagens – kraft, polietileno e</p><p>alumínio e cinco períodos de armazenamento - 0, 3, 6, 9 e 12 meses). Para a análise</p><p>estatística, foram utilizados modelos lineares generalizados (MLGs) juntamente com o</p><p>teste de Tukey para comparações pareadas das médias, com um nível de significância de</p><p>5%. O grau de umidade das sementes variou ao longo do tempo de armazenamento em</p><p>diferentes condições. O grau de umidade das sementes armazenadas com 10%, variaram</p><p>ao longo dos períodos de armazenamento, em ambas as condições em todas as</p><p>embalagens. A porcentagem de germinação na condição de câmara fria não apresentou</p><p>variações aos três, seis e doze meses de armazenamento das sementes, no entanto, aos</p><p>nove meses, a porcentagem de germinação foi maior para a embalagem de papel kraft.</p><p>Houve uma redução no vigor das sementes aos nove meses, seguida de um aumento aos</p><p>doze meses, para os testes de primeira contagem e envelhecimento acelerado. A menor</p><p>atividade da SOD observada em sementes sob condição de ambiente em embalagem de</p><p>polietileno aos nove meses de armazenamento. A qualidade fisiológica das sementes de</p><p>canola foi preservada tanto em condições de ambiente quanto em câmara fria até os nove</p><p>meses de armazenamento, e a embalagem de polietileno mostrou-se eficaz na</p><p>conservação das sementes de canola por até doze meses de armazenamento.</p><p>Palavras-chaves: Brassica napus L. var. oleífera Moech; Embalagem; Modelos</p><p>lineares generalizados; Enzimas antioxidativas.</p><p>55</p><p>ABSTRACT</p><p>The growing expansion of canola cultivation highlights the fundamental importance of</p><p>adequate seed storage to guarantee their physiological quality, promoting and ensuring</p><p>success in the crop's production process. This study aimed to evaluate the physiological</p><p>and biochemical changes of canola seeds subjected to storage in different types of</p><p>packaging and conditions. Seeds of the Diamond cultivar was packed in aluminum</p><p>packaging, kraft paper and polyethylene bags and stored in a cold, dry room (10 °C ± 2.0</p><p>and 45% RH ± 2.0) and an uncontrolled environment (20 °C ± 1.8 and 76% RH ± 7.2).</p><p>The degree of humidity and physiological (germination, first germination count,</p><p>emergence, accelerated aging and cold test) and biochemical (protein and activity of</p><p>SOD, POX, CAT and APX enzymes) analyzes were initially performed and repeated at</p><p>3, 6, 9 and 12 months of storage. The experiment was carried out in a completely</p><p>randomized design, in a double factorial scheme: 3x5 (three packages – kraft,</p><p>polyethylene and aluminum and five storage periods – 0, 3, 6, 9 and 12 months). For</p><p>statistical analysis, generalized linear models (GLMs) were used together with the Tukey</p><p>test for pairwise comparisons of means, with a significance level of 5%. The degree of</p><p>seed moisture varied over storage time under different conditions. The degree of humidity</p><p>of seeds stored at 10% varied throughout the storage periods, in both conditions in all</p><p>packages. The percentage of germination in the cold chamber condition did not vary at</p><p>three, six and twelve months of seed storage, however, at nine months, the percentage of</p><p>germination was higher for the kraft paper packaging. There was a reduction in seed vigor</p><p>at nine months, followed by an increase at twelve months, for the first count and</p><p>accelerated aging tests. The lowest SOD activity observed in seeds under ambient</p><p>conditions in polyethylene packaging after nine months of storage. The physiological</p><p>quality of canola seeds was preserved both under ambient conditions and in a cold room</p><p>for up to nine months of storage, and the polyethylene packaging proved to be effective</p><p>in preserving canola seeds for up to twelve months of storage.</p><p>Keywords: Brassica napus L. var. oleífera Moech; Packaging; Generalized linear</p><p>models; Antioxidative enzymes.</p><p>56</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>A canola (Brassica napus L. var oleifera Moench) figura como a terceira</p><p>oleaginosa mais cultivada globalmente (USDA, 2023). As sementes contêm teores de</p><p>óleo variando entre 42% e 48% e de proteína entre 21% e 33% (Yuldasheva, 2023), sendo</p><p>uma matéria-prima valiosa para diversos propósitos industriais e alimentares. Nesse</p><p>contexto, o armazenamento adequado das sementes na fase inicial do processo agrícola</p><p>desempenha um papel crucial para facilitar seu transporte e posterior comercialização.</p><p>Garantir a qualidade de um lote de sementes com os atributos sanitários, genéticos, físicos</p><p>e fisiológicos, é essencial para a consolidação bem-sucedida da cultura da canola na</p><p>agricultura brasileira.</p><p>Destes, destaca-se a qualidade fisiológica, que se refere ao potencial de</p><p>germinação e vigor das sementes, desempenhando um papel fundamental na capacidade</p><p>de armazenamento e longevidade das mesmas (Marcos-Filho, 2015). O principal objetivo</p><p>do armazenamento é garantir a máxima preservação da qualidade das sementes, visando</p><p>minimizar a taxa de deterioração ao longo do tempo (Baudet; Villela, 2019; Marcos-</p><p>Filho, 2015). O processo de deterioração das sementes é, portanto, progressivo e</p><p>irreversível (Bewley et al., 2013). E está associado a uma variedade de alterações</p><p>celulares, metabólicas e químicas, incluindo peroxidação lipídica, ruptura da membrana,</p><p>danos no DNA, comprometimento do RNA e síntese de proteínas (Yi et al., 2023).</p><p>O estresse oxidativo pode ocorrer devido ao desequilíbrio entre a produção e a</p><p>eliminação de espécies reativas de oxigênio (EROs), tais como o radical superóxido (O2</p><p>•-), peróxido de hidrogênio (H2O2) e radical hidroxila (OH-), o qual é considerado uma</p><p>causa significativa da deterioração das sementes (Bailly, 2004)</p><p>No entanto, as sementes são dotadas de mecanismos de defesa, destacando-se</p><p>entre eles as enzimas antioxidantes, que atuam na neutralização do excesso de EROs,</p><p>protegendo os componentes celulares das sementes (Bailly, 2004; Ebone et al., 2020;</p><p>Mittler, 2002). O sistema antioxidante enzimático compreende, entre suas principais</p><p>enzimas, a superóxido dismutase (SOD), a catalase (CAT) e as enzimas do ciclo</p><p>ascorbato-glutationa.</p><p>A SOD desempenha um papel primordial como a primeira enzima a exercer</p><p>atividade antioxidante, promovendo a dismutação do radical superóxido (O2•-) para</p><p>peróxido de hidrogênio (H2O2) (Bailly, 2004). O H2O2, que também é tóxico, é eliminado</p><p>pela ação da catalase (CAT). As enzimas do ciclo ascorbato-glutationa, como ascorbato</p><p>57</p><p>peroxidase (APX), monodehidroascorbato redutase (MDAR), desidroascorbato redutase</p><p>(DHAR) e glutationa redutase (GR), também participam da eliminação do H2O2 (Bailly,</p><p>2004; Mittler, 2002). Dessa forma, sementes de qualidade exibem uma elevada atividade</p><p>das enzimas do sistema de defesa antioxidativo (Corbineau, 2024; Ebone et al., 2020).</p><p>Assim, sementes armazenadas sob condições inadequadas em altas temperaturas</p><p>e umidade relativa e com elevados teores de água na semente, podem</p><p>potencializar o</p><p>processo respiratório das sementes, levando ao acúmulo progressivo de danos oxidativos</p><p>às células, contribuindo para um aumento do processo de deterioração (Bewley et al.,</p><p>2013; Krzyzanowski et al., 2022).</p><p>A escolha adequada da embalagem utilizada para o armazenamento das sementes,</p><p>também desempenha um papel crucial em sua longevidade, uma vez que a natureza das</p><p>embalagens está diretamente relacionada ao teor de água das sementes (Coradi et al.,</p><p>2019; Corbineau, 2024; Lamichaney et al., 2019).</p><p>Portanto, para o armazenamento eficaz das sementes de canola, é crucial</p><p>considerar suas características. A germinação, emergência e estabelecimento da cultura</p><p>podem ser prejudicados devido ao pequeno tamanho das sementes, que possuem reservas</p><p>nutricionais limitadas, resultando em um intervalo curto entre a germinação e a</p><p>emergência, o que pode dificultar o estabelecimento adequado das plantas no campo</p><p>(Day, 2022). As sementes de canola recém-colhidas mantêm uma alta taxa de respiração</p><p>e levam tempo para entrar em estado quiescente (Sathya et al., 2009). Além disso, o</p><p>elevado teor de óleo pode comprometer a intensidade da respiração (He et al., 2020).</p><p>Neste contexto, com a presente pesquisa objetivou-se avaliar as modificações</p><p>fisiológicas e bioquímicas sementes de canola submetidas ao armazenamento em</p><p>diferentes tipos de embalagens e condições ambientais.</p><p>2. MATERIAIS E MÉTODOS</p><p>A pesquisa foi conduzida no Departamento de Agronomia (DAG) da</p><p>Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), Campus JK,</p><p>município de Diamantina/MG, e no Departamento de Agronomia na Universidade</p><p>Federal de Viçosa (UFV), município de Viçosa/MG.</p><p>Iniciou-se com produção das sementes, na Área Experimental do DAG, localizada</p><p>no Campus JK (18º20”29.95” S; 43º57º289” O e altitude de 1.387 m). O clima do local é</p><p>Cwb, conforme a classificação Köppen, com inverno seco e chuvas no verão e</p><p>58</p><p>temperatura média de 20 ºC. O solo local é Neossolo Quartzarênico Órtico típico,</p><p>segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos – SiBCS.</p><p>As propriedades químicas do solo, obtidas após a análise de solo, encontram-se</p><p>no ANEXO A.</p><p>Com base nas informações da análise de solo, foi realizada a calagem 30 dias antes</p><p>do plantio com o uso de carbonato de cálcio (CaCO3) e carbonato de magnésio (MgCO3).</p><p>A adubação de plantio consistiu na aplicação de 60, 110, 55 e 20 kg/ha de N, P2O5, K2O</p><p>e S, respectivamente. Para a adubação de cobertura, foram aplicados 30 kg/ha de N e 28</p><p>kg/ha de K2O (Tomm et al., 2009).</p><p>O plantio foi realizado em 27 de abril e a colheita em 11 de setembro de 2021,</p><p>seguindo as diretrizes do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a cultura</p><p>da canola (Brasil, 2021).</p><p>A cultivar de canola Diamond foi semeada em área de 22 m², em 28 linhas</p><p>espaçadas por 0,35 cm e 5,5 cm entre sementes e 0,5 m por parcela. Esse plantio foi em</p><p>abril e a colheita em setembro de 2021, seguindo as diretrizes do Zoneamento Agrícola</p><p>de Risco Climático (Zarc) para a cultura da canola (Brasil, 2021). A irrigação foi feita</p><p>diariamente com aspersores, de acordo com a necessidade das plantas. Aos 50 dias após</p><p>o plantio, foi realizado uma campina manual.</p><p>Os dados climáticos referentes ao período entre a semeadura e colheita estão</p><p>apresentados na Figura 1.</p><p>Figura 1 - Médias diárias de temperatura (T °C) e umidade relativa (UR %) do plantio a colheita</p><p>da canola. Diamantina - Minas Gerais, UFVJM, 2021.</p><p>59</p><p>As plantas foram colhidas manualmente na área útil da parcela, no estádio</p><p>fenológico G5, quando 60-80% da coloração das síliquas das cultivares, estavam</p><p>amarelas e secas e as sementes com coloração marrom e teor de água em torno de 18%</p><p>(Guimarães et al., 2022), e mantidas em um galpão à sombra para retirada das síliquas,</p><p>que foram debulhadas manualmente.</p><p>As sementes foram submetidas ao beneficiamento e armazenadas em três distintos</p><p>tipos de embalagens: alumínio, saco de papel kraft® trifoliado (tipo pardo e selado com</p><p>fita adesiva transparente) e embalagem de polietileno. As embalagens de alumínio e</p><p>polietileno foram seladas hermeticamente com o uso de uma seladora, garantindo</p><p>impermeabilidade. As sementes acondicionadas nas respectivas embalagens foram</p><p>armazenadas por doze meses, a partir de setembro de 2021 até setembro de 2022 em duas</p><p>condições: câmara fria e seca (10 °C ± 2,0 e 45% UR ± 2,0) e ambiente não controlado</p><p>(19°C ± 1,8 e 71% UR ± 7,2), no laboratório de Sementes da UFVJM.</p><p>A cada três meses (3, 6, 9 e 12 meses), as sementes foram avaliadas quanto ao</p><p>grau de umidade, e as análises da qualidade fisiológica e bioquímica:</p><p>O grau de umidade das sementes foi determinado utilizando o método de estufa, a</p><p>uma temperatura de 105ºC, durante um período de 24 horas, conforme descrito por</p><p>(Brasil, 2009). Foram utilizadas duas repetições com o peso da amostra de um grama de</p><p>sementes para cada repetição. Os resultados foram expressos em porcentagem (base</p><p>úmida).</p><p>2.1. Qualidade fisiológica</p><p>2.1.1 Germinação</p><p>O teste de germinação foi realizado de acordo os critérios estabelecidos pelas Regras</p><p>de Análise de Sementes (Brasil, 2009), com quatro repetições de 50 sementes por</p><p>tratamento, colocadas para germinar em caixas plásticas do tipo gerbox sobre três folhas</p><p>de papel germitest, umedecidas com água destilada, utilizando-se 2,5 vezes a massa do</p><p>papel seco. Posteriormente, as sementes foram acondicionadas em germinador tipo</p><p>B.O.D., com temperatura de 20°C constante. As avaliações foram encerradas ao 7° dia</p><p>(contagem final), computando-se as plântulas normais, anormais deformadas, anormais</p><p>infeccionadas, sementes duras, dormentes e mortas.</p><p>2.1.2 Emergência</p><p>60</p><p>Para o teste de emergência foi realizado com quatro repetições de 50 sementes.</p><p>As sementes foram semeadas em caixas plásticas contendo areia e terra na proporção 2:1,</p><p>umedecida com água destilada. As caixas foram mantidas em sala de crescimento a</p><p>temperatura de 20ºC com fotoperíodo constante. Após o início da emergência, foram</p><p>realizadas avaliações diariamente, computando-se o estande inicial ao 5° dia, sendo o</p><p>teste encerrado após a porcentagem de emergência estabilizar-se por três dias, avaliando</p><p>o número de plântulas normais emergidas.</p><p>2.1.3 Envelhecimento Acelerado</p><p>Para o teste de envelhecimento acelerado, foram utilizadas quatro repetições de 50</p><p>sementes. As sementes foram dispostas de maneira a formar uma camada uniforme sobre</p><p>um recipiente de tela fina colocado na superfície da tela de alumínio acoplada a uma caixa</p><p>plástica tipo gerbox, contendo 40 mL de água destilada. Os gerboxes foram levados para</p><p>câmaras de germinação do tipo B.O.D, à temperatura de 42°C (Ávila et al., 2005), pelo</p><p>período de 72h. Após o envelhecimento foi realizado o teste de germinação conforme</p><p>descrito anteriormente, avaliando o número de plântulas normais no quinto dia após a</p><p>semeadura (Brasil, 2009).</p><p>2.1.4 Teste de Frio</p><p>O teste de frio foi conduzido conforme as recomendações de Cicero e Vieira (2020),</p><p>em que quatro repetições de 50 sementes, foram acondicionadas em papel germitest</p><p>umedecidas em quantidade de água equivalente a 2,5 vezes a massa do papel seco. Em</p><p>seguida, os rolos foram agrupados em grupos de quatro (repetições) com atilhos de</p><p>borracha (elásticos), assim vedadas com sacos plásticos e mantidas em B.O.D à</p><p>temperatura de 10ºC durante sete dias, após essa permanência, os rolos foram retirados</p><p>dos sacos de plásticos e colocados em germinador à temperatura de 25°C, sendo a</p><p>avaliação realizada ao quinto dia, avaliando-se a porcentagem de plântulas normais.</p><p>2.2 Análises bioquímicas</p><p>Para estas análises as sementes de canola foram colocadas para embeber em água por</p><p>18h em papel germitest para a ativação do metabolismo celular. Decorrido este período,</p><p>foi retirado o tegumento com o auxílio de um</p><p>bisturi e, em seguida, as sementes foram</p><p>congeladas em nitrogênio líquido. As sementes congeladas foram liofilizadas no</p><p>61</p><p>liofilizador Labconco modelo FreeZone® de 4,5 Litros (Kansas, EUA), por 24h para a</p><p>remoção total de água e estabilização de compostos orgânicos.</p><p>Após esse procedimento de conservação, as sementes foram</p><p>maceradas em um moinho de bolas Tissuelyser da Retsch, vibratório, modelo MM 400</p><p>na frequência de 29,0 Hz e tempo de 2 min por amostra, de forma a obter-se um material</p><p>com granulometria finíssima. Em seguida, o material foi armazenado em microtubos tipo</p><p>eppendorf de 2 ml e mantido em dessecador até o momento das avaliações.</p><p>A quantificação das enzimas foi realizada por meio de leituras de</p><p>absorbâncias utilizando o espectrofotômetro, modelo Thermo ScientificTM UV-Vis</p><p>Genesys 10S.</p><p>Preparo do extrato enzimático: para a obtenção dos extratos enzimáticos brutos, 0,05 g</p><p>da amostra foram misturados a 2 mL do meio de homogeneização composto pelo tampão</p><p>fosfato de potássio 0,1M, pH 6,8, ácido etilenodiaminotetracético (EDTA) 0,1 mM,</p><p>fluoreto de fenilmetilsulfônico (PMSF) 1 mM e polivinilpirrolidona (PVPP) 1% (p/v)</p><p>(Peixoto et al., 1999).</p><p>O meio de homogeneização e o material foram agitados por um</p><p>minuto e em seguida, foi feita uma centrifugação a 14.000 xg por 15 minutos, a 4 °C para</p><p>retirada da camada do sobrenadante.</p><p>2.2.1Superóxido dismutase (SOD)</p><p>A atividade da enzima foi determinada adicionando 100 µL de extrato enzimático ao</p><p>meio de reação constituído de tampão fosfato de sódio 50 mM, pH 7,8, metionina 13 mM,</p><p>azul de p-nitro tetrazólio (NBT) 75 μM, EDTA 0,1 mM e riboflavina 2 μM (Del Longo</p><p>et al., 1993).</p><p>A reação foi realizada em temperatura de 25 °C dentro de uma</p><p>câmara revestida de papel alumínio com iluminação fluorescente de 15 W. Após 5 min</p><p>de exposição a luz, a reação foi medida pela absorbância de 560 nm da formazan azul</p><p>produzida pela fotorredução do NBT.</p><p>As leituras da absorbância das amostras foram feitas no</p><p>espectrofotômetro. Os resultados foram expressos com a quantidade de enzimas</p><p>necessária para inibir em 50% a fotorredução do NBT (Beauchamp; Fridovich, 1971).</p><p>2.2.2 Ascorbato Peroxidase (APX)</p><p>62</p><p>A atividade foi determinada adicionando 100 µL de extrato enzimático ao meio de</p><p>reação constituído de tampão fosfato de potássio 50 mM, pH 7,8, ácido ascórbico 0,25</p><p>mM, EDTA 0,1 mM e H2O2 0,3 mM. A reação é realizada em temperatura de 25 °C com</p><p>leituras das amostras pela absorbância de 290 nm utilizando espectrofotômetro.</p><p>A atividade enzimática foi calculada com o coeficiente de extinção</p><p>molar de 2,8 mM-1 cm-1 e o resultado expresso em nmol min-1 mg-1 de proteína (Nakano;</p><p>Asada, 1981).</p><p>2.2.3 Catalase (CAT)</p><p>A atividade foi determinada adicionando 100 µL de extrato enzimático ao meio de</p><p>reação constituído de tampão fosfato de potássio 50 mM, pH 7,0 e H2O2 12,5 mM (Havir;</p><p>Mchale, 1987). A reação é realizada em temperatura de 25 °C com leituras das amostras</p><p>pela absorbância de 240 nm utilizando espectrofotômetro.</p><p>A atividade enzimática foi calculada com o coeficiente de extinção</p><p>molar de 36 mM-1 cm-1 e o resultado expresso em μmol min-1 mg-1 de proteína</p><p>(Anderson et al., 1995).</p><p>2.2.4 Peroxidase (POX)</p><p>Para determinação da atividade da peroxidase, 150 L do extrato enzimático bruto</p><p>foi adicionado a 2,95 ml do meio de reação, constituído por tampão fosfato de potássio</p><p>25 mM, a pH 6,8, piragalol 20 mM e H2O2 20 mM (Kar; Mishra2, 1976).</p><p>Para zerar o equipamento foi usado meio de reação e a leitura das</p><p>amostras no comprimento de onda 420 nm. O aumento na absorbância foi calculado</p><p>durante um minuto (ΔAbs/min) e a atividade da enzimática definida utilizando-se o</p><p>coeficiente de extinção molar de 2,47 mM-1 cm1 (Maehly; Chance, 1954).</p><p>2.2.5 Proteína</p><p>Os teores de proteínas solúveis dos extratos enzimáticos utilizados para a</p><p>determinação das atividades enzimáticas foram determinados pelo método de Bradford</p><p>(1976), utilizando albumina bovina (BSA) como padrão. 10 μl do extrato enzimático</p><p>foram adicionados a 0,990 ml do reagente de Bradford, seguido de agitação. Após 20</p><p>minutos, foi realizada a leitura da absorbância da amostra no comprimento de onda de</p><p>595 nm.</p><p>63</p><p>2.3 Análises dos dados</p><p>Os experimentos foram conduzidos em delineamento inteiramente casualizado (DIC)</p><p>em esquema fatorial duplo: 3x5 (três embalagens – kraft, polietileno e alumínio e cinco</p><p>períodos de armazenamento - 0, 3, 6, 9 e 12 meses) em duas condições de armazenamento</p><p>– ambiente e câmara fria, com quatro repetições. A significância dos efeitos foi analisada</p><p>pela análise de deviance (ANODEV), utilizando-se o teste t-Student. A normalidade dos</p><p>erros dos dados foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk (Shapiro; Wilk, 1965), a</p><p>independência dos resíduos, testada pelo teste de Bartlett (Tobias; Carlson, 1969), bem</p><p>como a homogeneidade da variância, verificada por Durbin e Watson (Durbin; Watson,</p><p>1950). Quando significativo, as médias das embalagens foram comparadas pelo teste de</p><p>Tukey a 5% de significância, com o nível α corrigido pelo método de Sidak, e as médias</p><p>dos períodos, quando significativas, analisada pela regressão logística.</p><p>A ANODEV foi empregada com a estrutura dos Modelos Lineares Generalizados</p><p>(MLG) (Nelder; Wedderburn, 1972). Os MLG foram adotados devido à sua menor</p><p>restrição quanto às suposições de normalidade dos resíduos e homogeneidade de</p><p>variância, uma vez que a distribuição de probabilidade da variável aleatória não</p><p>necessariamente segue uma distribuição normal.</p><p>Em caso de interação significativa entre os fatores, os desdobramentos foram</p><p>conduzidos agrupando as médias das embalagens através do teste de Tukey e os períodos</p><p>de armazenamento por meio de análise de regressão através do teste t-Student.</p><p>Para análise das variáveis relacionadas à germinação (Emergência,</p><p>Envelhecimento Acelerado, Germinação, Primeira Contagem da Germinação e Teste de</p><p>Frio), que envolvem processos de contagem e modelagem de proporções, foi utilizado o</p><p>modelo da distribuição quase-binomial. Esse modelo é especialmente adequado para</p><p>dados que exibem superdispersão, onde a variância é maior que a média.</p><p>Por outro lado, para variáveis das análises bioquímicas, Proteína, APX, CAT,</p><p>POX e SOD, que são medidas contínuas, foram empregados modelos de distribuição</p><p>gaussiana, inversa gaussiana e gama, com funções de ligação identidade e logarítmica,</p><p>respectivamente. A seleção do melhor modelo foi baseada no Critério de Informação de</p><p>Akaike (AIC) (Akaike, 1974), onde o modelo com o menor valor de AIC foi considerado</p><p>o mais adequado.</p><p>Todas as análises foram conduzidas utilizando o software R (R CORE TEAM,</p><p>2022), versão 4.3.2, utilizando as funções glm(), anova() e summary() do pacote stats para</p><p>64</p><p>o ajuste do modelo, a análise de deviance e a análise da regressão pelo teste t-Student,</p><p>respectivamente. Para o agrupamento de médias pelo teste de Tukey, foram utilizadas as</p><p>funções emmeans() e cld() dos pacotes emmeans e multcomp.</p><p>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO</p><p>Os ambientes e as condições das embalagens influenciaram as médias do grau de</p><p>umidade das sementes de canola durante o armazenamento. No ambiente não controlado,</p><p>os níveis de umidade das sementes mostraram variação de 2,85%, 5,28% e 3,98% em</p><p>embalagens de alumínio, papel kraft e polietileno, respectivamente. Já em condições de</p><p>armazenamento em câmara fria, os teores de água foram de 4,00%, 4,94% e 3,58% para</p><p>as mesmas embalagens, respectivamente (Tabela 1).</p><p>Tabela 1 – Médias do Grau de Umidade (%) de sementes de canola durante os períodos de</p><p>armazenamento (0, 3, 6, 9 e 12 meses) em diferentes embalagens (alumínio, kraft e polietileno)</p><p>e condições de ambiente e câmara fria.</p><p>Ambiente</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>3 6 9 12</p><p>Alumínio 8,91 9,97 8,81 7,12</p><p>Kraft 9,94 10,61 8,21 5,33</p><p>Polietileno 9,36 10,45 8,65 6,47</p><p>Câmara fria</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>3 6 9 12</p><p>Alumínio 9,88 9,86 9,66 5,88</p><p>Kraft 10,05 10,41 8,59 5,47</p><p>Polietileno 9,61 10,55 9,08 6,97</p><p>Avaliação inicial 10,00</p><p>As sementes armazenadas com 10% de umidade demonstraram variação no teor</p><p>de água, tanto em condições ambiente quanto em câmara fria, ao longo dos períodos de</p><p>armazenamento (Tabela 1), apresentando flutuações de decréscimo e ganho. A redução e</p><p>ganho do percentual de teor de água ao longo dos meses de armazenamento pode ser</p><p>atribuída à higroscopicidade da semente, isto é, sua capacidade de absorver ou liberar</p><p>água para o ar circundante (Costa et al., 2015; Oliveira et al., 2014). As flutuações de</p><p>umidade no interior das embalagens durante o armazenamento causam variações no teor</p><p>de água das sementes durante esse período, devido à presença de tecidos higroscópicos</p><p>na semente (Capilheira et al., 2019). Scariot et al (2017) verificaram que o grau de</p><p>65</p><p>umidade de sementes de trigo (Triticum aestivum L.) é oscilante durante o período de</p><p>armazenamento.</p><p>No entanto, aos doze meses de armazenamento, na embalagem de papel kraft</p><p>houve perda de umidade mais significativa em ambas as condições, em comparação com</p><p>as embalagens de alumínio e polietileno (Tabela 1), sugerindo que a embalagem facilita</p><p>as trocas de vapor d'água entre as sementes e o ambiente.</p><p>O armazenamento de sementes em embalagens permeáveis permite que a umidade</p><p>interna se altere com o ambiente, provocando aumentos ou diminuições no teor de água</p><p>até atingir o equilíbrio higroscópico (Moreano et al., 2018). Além disso, o grau de</p><p>umidade das sementes é o fator que, isoladamente, mais afeta a deterioração ao longo do</p><p>tempo. A interação entre o teor de água nas sementes e as condições ambientais, incluindo</p><p>umidade relativa e temperatura, desempenha um papel fundamental na modulação do</p><p>processo de deterioração durante o armazenamento (Carvalho; Nakagawa, 2012; Walters</p><p>et al., 2010).</p><p>Smaniotto et al (2014) conduziram um estudo sobre o armazenamento de</p><p>sementes de soja, observando redução no teor de água para 11,16; 12,24 e 13,21%, em</p><p>sementes armazenadas com umidade de 12, 13 e 14%, respectivamente, que foi atribuída</p><p>à permeabilidade da embalagem, permitindo uma maior intensidade de trocas de vapor</p><p>de água com o ambiente. No entanto, em condições ambientais convencionais, a umidade</p><p>relativa do ar varia ao longo do ano, resultando em flutuações no teor de água das</p><p>sementes, enquanto em condições ambientais controladas, essa variação é menor (Silva</p><p>et al., 2022).</p><p>De forma geral, embalagens de polietileno foram eficazes na preservação do grau</p><p>de umidade das sementes ao longo de doze meses em câmara fria, enquanto embalagens</p><p>de alumínio foram mais adequadas para ambiente (Tabela 1). O aumento da umidade no</p><p>ambiente de armazenamento das sementes de canola é um fator chave, segundo He et al</p><p>(2020), devido às trocas gasosas, podendo afetar o teor de água das sementes e causar</p><p>efeitos adversos, como modificação da viscosidade citoplasmática e da estabilidade do</p><p>citoplasma, acelerando a deterioração das sementes (Groot et al., 2012).</p><p>A redução no teor de água ou na temperatura das sementes armazenadas prolonga</p><p>seu período de viabilidade, aumentando assim o tempo de armazenamento seguro (Jian,</p><p>2022). O teor de água da semente desempenha um papel crucial em suas características</p><p>físicas e bioquímicas, sendo um dos principais fatores responsáveis pela sua deterioração,</p><p>afetando tanto a viabilidade quanto o vigor. Portanto, é de extrema importância monitorar</p><p>66</p><p>o grau de umidade das sementes durante o armazenamento (Carvalho; Nakagawa, 2012;</p><p>Lamichhane et al., 2018).</p><p>3.1 Qualidade fisiológica</p><p>Os resultados da germinação, primeira contagem, emergência, envelhecimento</p><p>acelerado e teste de frio foram apresentados na análise de deviance (ANODEV) (Tabela</p><p>2). O teste de Durbin-Watson verificou a autocorrelação não significativa para as</p><p>condições ambiente e câmara fria das variáveis analisadas (Tabela 2). A análise da</p><p>independência dos resíduos pelo teste de Durbin-Watson para avaliar a randomização do</p><p>experimento mostrou que todas as variáveis atenderam a este pressuposto.</p><p>Tabela 2 – ANODEV para as porcentagens da germinação, primeira contagem, emergência,</p><p>envelhecimento acelerado e teste frio para as condições ambiente e câmara fria para o modelo da</p><p>distribuição quase-binomial.</p><p>*Significativo ao nível de 5%; **significativo ao nível de 1%, ***significativo ao nível de 0,1% de probabilidade pelo</p><p>teste t-Student; ns: não significativo ao nível de 5% de probabilidade.</p><p>Observou-se que os parâmetros de dispersão (𝜙) de todas as variáveis analisadas</p><p>(Tabela 2) foram significativas e maiores que 1, ou seja, a distribuição de probabilidade</p><p>quase-binomial se ajustou bem às variáveis analisadas.</p><p>Na condição de armazenamento em temperatura ambiente, a análise da</p><p>germinação revelou significância apenas para o fator período (Tabela 2), conduzindo à</p><p>realização de uma análise de regressão ao longo dos períodos de armazenamento,</p><p>incluindo os Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e os coeficientes de</p><p>determinação (R²) (ANEXO B). Para as demais variáveis, foi observada uma interação</p><p>significativa entre os fatores embalagem e período (ExP) (Tabela 2), o que demandou o</p><p>desdobramento, com o agrupamento das médias das embalagens por meio do teste de</p><p>Tukey para a primeira contagem (Tabela 4), emergência (Tabela 5), envelhecimento</p><p>Condição</p><p>Fontes de</p><p>Variação</p><p>GL Germinação</p><p>Primeira</p><p>Contagem</p><p>Emergência</p><p>Envelhecimento</p><p>Acelerado</p><p>Teste</p><p>de Frio</p><p>Ambiente</p><p>Embalagem 2 11,84ns 116,65*** 47,90** 3,82ns 26,92**</p><p>Período 4 105,81*** 405,79*** 21,18ns 585,39*** 71,34***</p><p>E x P 8 29,60ns 193,27*** 139,09*** 589,32*** 67,12***</p><p>Durbin-Watson 0,10 ns 0,35 ns 0,05 ns 0,64 ns 0,29 ns</p><p>𝜙 2,46*** 5,13**** 4,73*** 3,83*** 2,30***</p><p>CV (%) 1,14 1,30 1,15 1,37 1,14</p><p>Câmara</p><p>Fria</p><p>Embalagem 2 11,73ns 14,20 ns 0,99 ns 20,75 ns 28,03***</p><p>Período 4 115,80*** 295,51*** 7,49 ns 669,47*** 62,62***</p><p>E x P 8 67,50** 25,20ns 69,20* 173,18** 26,30*</p><p>Durbin-Watson 0,75 ns 0,06 ns 0,20 ns 0,76 ns 0,97 ns</p><p>𝜙 2,83*** 5,55*** 3,60*** 3,55*** 1,56**</p><p>CV (%) 1,12 1,19 1,12 1,28 1,16</p><p>67</p><p>acelerado (Tabela 6), e teste de frio (Tabelas 7), enquanto os períodos de armazenamento</p><p>foram analisados por meio de regressão, através do teste t-Student, considerando os</p><p>ajustes dos modelos (β1) significativos (ANEXO C), para a primeira contagem (Figura</p><p>2), envelhecimento acelerado (Figura 3) e teste de frio (Figura 4).</p><p>Na condição de armazenamento em câmara fria, a primeira contagem apresentou</p><p>significância apenas para o fator período, levando à realização de uma análise de</p><p>regressão ao longo dos períodos de armazenamento (ANEXO C). Para as demais</p><p>variáveis, verificou-se uma interação significativa entre os fatores embalagem e período</p><p>(ExP) (Tabela 2), o que exigiu o desdobramento, com a agrupação das médias das</p><p>embalagens através do teste de Tukey para a germinação (Tabela 3), emergência (Tabela</p><p>5), envelhecimento acelerado (Tabela 6), e teste de frio (Tabelas 7), enquanto os períodos</p><p>de armazenamento foram analisados por meio de regressão, portanto não houve β1</p><p>significativos (ANEXO C) para a emergência, envelhecimento acelerado e teste de frio</p><p>nesta condição. Entretanto, para a porcentagem de germinação, ajuste não significativo</p><p>ao nível de 5% para o modelo linear.</p><p>As porcentagens de germinação ao longo dos períodos de armazenamento e os</p><p>tipos de embalagens na condição de armazenamento em câmara fria, estão apresentados</p><p>na Tabela 3.</p><p>Tabela 3 – Médias da Germinação (%) das sementes de canola durante os períodos de</p><p>armazenamento (0,</p><p>3, 6, 9 e 12 meses) em diferentes embalagens (alumínio, kraft e polietileno) e</p><p>condição de câmara fria.</p><p>Câmara Fria</p><p>Embalagem</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 99 a 96 a 96 a 91 b 96 a</p><p>Kraft 99 a 95 a 98 a 99 a 96 a</p><p>Polietileno 99 a 98 a 98 a 84 b 99 a</p><p>Médias seguidas das mesmas letras, dentro de cada período de armazenamento, minúsculas na coluna, não diferem a</p><p>5% de probabilidade pelo teste de Tukey, com o nível α corrigido pelo método de Sidak.</p><p>Não foram observadas diferenças significativas no período inicial e de três, seis e</p><p>doze meses de armazenamento das sementes de canola em relação aos tipos de</p><p>embalagens, mantendo uma germinação superior a 95% (Tabela 3). Em outro estudo,</p><p>Ramiro et al (1995), relataram que sementes de B. cretica e B. montana foram</p><p>armazenadas a 5°C com grau de umidade de 8% e mantiveram uma média de 90% de</p><p>capacidade de germinação ao longo de 8 e 9 anos, respectivamente, em um banco de</p><p>68</p><p>germoplasma. Da mesma forma, sementes de B. napus, mantidas a 5°C com um grau de</p><p>umidade de 5%, mantiveram a percentagem de germinação e um menor grau de</p><p>deterioração, mesmo após 6 meses de armazenamento. Por outro lado, condições de</p><p>temperatura elevada, associadas a níveis mais altos de umidade, resultaram em uma maior</p><p>taxa de deterioração (Alivand et al., 2013).</p><p>No entanto, aos nove meses, a porcentagem de germinação foi maior para a</p><p>embalagem de kraft em condição de câmara fria, quando comparada às demais</p><p>embalagens (Tabela 3). A condição de armazenamento em câmara fria favoreceu a</p><p>permeabilidade da embalagem, permitindo trocas gasosas. De acordo com Zuchi et al</p><p>(2013) que avaliaram a germinação de sementes de soja armazenadas em diferentes</p><p>condições, a refrigeração teve efeitos benéficos. Lima et al (2014) constataram que</p><p>sementes de gergelim permanecem viáveis por até doze meses quando armazenadas em</p><p>ambiente frio e seco ou na geladeira, independentemente do tipo de embalagem utilizada.</p><p>Em contraste, no ambiente natural, as sementes permaneceram viáveis por até seis meses</p><p>de armazenamento.</p><p>As sementes armazenadas na condição de câmara fria, mesmo após os doze meses,</p><p>independente da embalagem (Tabela 3), apresentaram germinação superior aos padrões</p><p>mínimos para produção e comercialização de sementes de canola estabelecido pela</p><p>Instrução Normativa n° 45, que é de 80% (Brasil, 2013). Sementes de canola armazenadas</p><p>a 10°C, mantiveram a germinação superior a 80% mesmo após 20 semanas de</p><p>armazenamento (Sun et al., 2014).</p><p>Os resultados da primeira contagem da germinação (Tabela 4), na condição</p><p>ambiente, durante os diferentes períodos de armazenamento e tipos de embalagens,</p><p>indicam notavelmente, que a embalagem de polietileno demonstrou menor eficácia para</p><p>os períodos de três, seis e nove meses de armazenamento. No período de nove meses, as</p><p>sementes armazenadas tanto as embalagens de kraft quanto as de polietileno apresentaram</p><p>desempenho inferior.</p><p>Tabela 4 – Médias da Primeira Contagem (%) das sementes de canola durante os períodos de</p><p>armazenamento (0, 3, 6, 9 e 12 meses) em diferentes embalagens (alumínio, kraft e polietileno) e</p><p>condição de ambiente.</p><p>Ambiente</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 92 a 86 a 95 a 85 a 74 a</p><p>Kraft 92 a 89 a 92 a 50 b 87 a</p><p>Polietileno 92 a 60 b 77 b 53 b 81 a</p><p>Médias seguidas das mesmas letras, dentro de cada período de armazenamento, minúsculas na coluna, não diferem a</p><p>5% de probabilidade pelo teste de Tukey, com o nível α corrigido pelo método de Sidak.</p><p>69</p><p>Na condição ambiente, as embalagens impermeáveis de polietileno levaram a uma</p><p>redução no vigor das sementes aos três, seis e nove meses (Tabela 4), caracterizada pela</p><p>limitada troca de ar e umidade entre os materiais das embalagens e o ambiente de</p><p>armazenamento. Resultados semelhantes foram observados em sementes de gergelim</p><p>armazenadas em embalagens impermeáveis e herméticas (Lima et al., 2014). A restrição</p><p>da circulação de ar nas sementes durante o armazenamento impacta negativamente na sua</p><p>qualidade, devido ao acúmulo de calor resultante do processo respiratório (Chattha et al.,</p><p>2012). Nesse sistema, há uma drástica redução no conteúdo de oxigênio na atmosfera</p><p>intergranular, enquanto o conteúdo de dióxido de carbono aumenta a um nível que</p><p>inviabiliza a respiração aeróbica (Bala et al., 1990).</p><p>O baixo vigor observado pelo teste de primeira contagem da germinação aos três,</p><p>seis e nove meses nas embalagens de polietileno e alumínio (Tabela 4), pode ser atribuído</p><p>à possível indução da dormência das sementes. A dormência em sementes de B. napus L.</p><p>desempenha um papel no mau estabelecimento do estande da planta em campo, já que é</p><p>induzida quando as condições ambientais não são favoráveis à germinação (Brown et al.,</p><p>2023). Amaro et al (2020) relataram que sementes de crambe apresentam dormência pós-</p><p>colheita, que é parcialmente superada após seis meses de armazenamento em embalagens</p><p>de papel.</p><p>Portanto, aos doze meses de armazenamento, não foram observadas diferenças</p><p>significativas entre as embalagens, e as médias da porcentagem da primeira contagem da</p><p>germinação aumentaram (Tabela 4). Segundo He et al. (2020) quando o período de</p><p>armazenamento for prolongado, se manter o teor de água da semente até um certo valor</p><p>crítico, a germinação ocorrerá.</p><p>Em condição de câmara fria, a primeira contagem (PC%) da germinação é</p><p>representada no gráfico do modelo de regressão quase-binomial com a função de ligação</p><p>logística ao longo dos períodos de armazenamento para a embalagem de alumínio (Figura</p><p>2).</p><p>70</p><p>Figura 2 - Gráfico da regressão logística para o desdobramento do fator período dentro da</p><p>embalagem de alumínio na condição ambiente para a variável primeira contagem (PC%).</p><p>Durante o armazenamento em condição ambiente, o ajuste do modelo foi</p><p>significativo e observada uma redução linear do vigor pelo teste de primeira contagem</p><p>(Figura 2). Foram desenvolvidos diversos modelos matemáticos para prever a germinação</p><p>de sementes armazenadas de canola, levando em consideração fatores como a temperatura</p><p>e umidade de armazenamento e os efeitos aditivos lineares ou não lineares associados à</p><p>redução da germinação em condições especificas (Jian et al., 2022). Além disso,</p><p>diferentes modelos foram criados para prever a germinação em diversas condições de</p><p>armazenamento, conforme relatado por Sun et al (2014), não apenas para canola, mas</p><p>também para sementes de cânhamo, trigo duro, trigo e centeio.</p><p>Na Tabela 5, as embalagens não mostraram diferenças significativas na</p><p>porcentagem de emergência em condições de ambiente durante os períodos de três e nove</p><p>meses de armazenamento.</p><p>Tabela 5 – Médias do Emergência (%) de sementes de canola durante os períodos de</p><p>armazenamento (0, 3, 6, 9 e 12 meses) em diferentes embalagens (alumínio, kraft e polietileno) e</p><p>condições de ambiente e câmara fria.</p><p>Ambiente</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 94 a 95 a 79 b 94 a 83 b</p><p>Kraft 94 a 95 a 96 a 92 a 90 ab</p><p>Polietileno 94 a 89 a 100 a 94 a 95 a</p><p>Câmara fria</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 94 a 96 ab 96 a 95 a 96 ab</p><p>71</p><p>Kraft 94 a 99 a 97 a 95 a 89 b</p><p>Polietileno 94 a 92 b 93 a 98 a 98 a</p><p>Médias seguidas das mesmas letras, dentro de cada período de armazenamento, minúsculas na coluna, não diferem a</p><p>5% de probabilidade pelo teste de Tukey, com o nível α corrigido pelo método de Sidak.</p><p>Aos seis e doze meses, constatou-se menor porcentagem de emergência para as</p><p>sementes armazenadas na embalagem de alumínio em condições de ambiente (Tabela 5).</p><p>De acordo com Haeberlin et al (2020) sementes de canola armazenadas em um sistema</p><p>semi-hermético</p><p>greater potential to establish themselves</p><p>properly in the field and during storage. The objective of this research was to evaluate the</p><p>agronomic performance, physiological quality, and oil content of seeds of canola cultivars</p><p>grown in a savannah area with high altitude (>1,300 m), as well as to analyze the viability of</p><p>NIR spectroscopy in conjunction with chemometric methods to detect variations in</p><p>physiological quality, in addition to investigating the physiological and biochemical</p><p>modifications of seeds subjected to storage in different types of packaging and conditions. All</p><p>cultivars studied, Nuola 300, Alth B4, Diamond and Hyola 575 demonstrated satisfactory</p><p>agronomic performance, with productivity and oil content comparable to the national average,</p><p>highlighting their viability for cultivation in high-altitude savannah regions. The application of</p><p>NIR spectroscopy, combined with chemometrics, achieved an accuracy of 96% after pre-</p><p>processing with a dispersion method, revealing the quality of canola seeds. The physiological</p><p>quality of canola seeds was preserved both under ambient conditions and in a cold room for up</p><p>to nine months of storage, and the polyethylene packaging proved to be effective in preserving</p><p>canola seeds for up to twelve months of storage. The activity of the SOD antioxidant enzyme</p><p>was able to identify the lowest level of deterioration in seeds stored in polyethylene packaging</p><p>in a cold room.</p><p>Keywords: Brassica napus L. var. oleifera Moench; Deterioration; Force; NIR; Oil content.</p><p>SUMÁRIO</p><p>INTRODUÇÃO GERAL ....................................................................................................... 11</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................................. 14</p><p>CAPÍTULO 1 - Desempenho agronômico de cultivares de canola e qualidade fisiológica</p><p>de sementes cultivadas em altitude elevada no cerrado ...................................................... 16</p><p>RESUMO ................................................................................................................................. 17</p><p>ABSTRACT ............................................................................................................................ 18</p><p>1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 19</p><p>2. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................ 20</p><p>2.1 Caracterização local ........................................................................................................ 20</p><p>2.2 Desempenho agronômico ................................................................................................. 21</p><p>2.3 Qualidade fisiológica e teor de óleo nas sementes .......................................................... 21</p><p>2.3 Análise estatística .............................................................................................................. 23</p><p>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ..................................................................................... 24</p><p>3.1 Desempenho agronômico ................................................................................................. 24</p><p>3.2 Qualidade fisiológica e teor de óleo nas sementes .......................................................... 26</p><p>4. CONCLUSÕES ............................................................................................................... 29</p><p>5. REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 29</p><p>CAPÍTULO 2 - Espectroscopia do infravermelho próximo (NIR) para classificação da</p><p>qualidade fisiológica de sementes de canola ......................................................................... 32</p><p>RESUMO ................................................................................................................................. 33</p><p>ABSTRACT ............................................................................................................................ 34</p><p>1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 35</p><p>2. MATERIAL E MÉTODOS ............................................................................................ 37</p><p>2.1 Caracterização inicial dos lotes de sementes .................................................................. 37</p><p>2.2 Comprimento de plântulas ............................................................................................. 37</p><p>2.3 Análises físicas (teste de raios X) ................................................................................... 38</p><p>2.4 Aquisição dos espectros NIR ........................................................................................... 38</p><p>2.5 Análise estatística .............................................................................................................. 38</p><p>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................................... 39</p><p>4. CONCLUSÃO ................................................................................................................. 47</p><p>5. REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 47</p><p>ANEXO A - Resultados médios de grau de umidade (GU), primeira contagem da</p><p>germinação (PC), germinação (G), índice de velocidade de germinação (IVG),</p><p>condutividade elétrica (CE), comprimento da parte aérea (CPA); comprimento médio da</p><p>raiz (CPR); comprimento total (CT), relação do comprimento médio da raiz/</p><p>comprimento da parte aérea (CRA), índice de uniformidade (Unif), índice de crescimento</p><p>(Cresc), índice de vigor (Vigor), área, densidade (Den) e densidade integrada (Den Int),</p><p>obtidos para a avaliação da qualidade fisiológica de lotes (L) de sementes de canola. .... 52</p><p>CAPÍTULO 3 - Alterações fisiológicas e bioquímicas em sementes de canola sob diferentes</p><p>condições de armazenamento ................................................................................................ 53</p><p>RESUMO ................................................................................................................................. 54</p><p>ABSTRACT ............................................................................................................................ 55</p><p>1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 56</p><p>2. MATERIAIS E MÉTODOS ........................................................................................... 57</p><p>2.1. Qualidade fisiológica ....................................................................................................... 59</p><p>2.1.1 Germinação .................................................................................................................... 59</p><p>2.1.2 Emergência ..................................................................................................................... 59</p><p>2.1.3 Envelhecimento Acelerado ........................................................................................... 60</p><p>2.1.4 Teste de Frio ................................................................................................................... 60</p><p>2.2 Análises bioquímicas ........................................................................................................ 60</p><p>2.2.1Superóxido dismutase (SOD) ......................................................................................... 61</p><p>2.2.2 Ascorbato Peroxidase (APX) ........................................................................................ 61</p><p>2.2.3 Catalase (CAT) ..............................................................................................................</p><p>mostraram menor vigor após 135 dias de armazenamento.</p><p>Na condição de câmara fria, as embalagens não afetaram o vigor das sementes nos</p><p>períodos de seis e nove meses de armazenamento por meio do teste de emergência (Tabela</p><p>5). Sementes de canola armazenadas em recipientes de acrílico mantiveram alto vigor</p><p>após 120 dias de armazenamento (Melo et al., 2019).</p><p>Tanto na condição ambiente quanto em câmara fria, a eficácia da embalagem</p><p>impermeável de polietileno permaneceu maior após doze meses de armazenamento,</p><p>destacando-se por sua superioridade na preservação do vigor das sementes (Tabela 5).</p><p>Embalagens impermeáveis possibilitam a preservação de sementes por períodos</p><p>prolongados, sendo essencial que estas estejam devidamente secas e as embalagens sejam</p><p>armazenadas em baixas temperaturas (Jácome, 2012). A recomendação de embalagens</p><p>impermeáveis é destacada como uma estratégia eficaz para controlar a taxa de</p><p>deterioração em sementes de lentilha (Negi et al., 2020) e feijão-fava (Santos et al., 2023).</p><p>Em trabalho com sementes de soja, Coradi et al (2020) observaram que armazenar</p><p>sementes de soja em embalagens de ráfia revestidas com polietileno em temperatura</p><p>ambiente resulta em sementes com qualidades fisiológicas semelhantes às armazenadas</p><p>sob refrigeração.</p><p>Para a porcentagem de germinação pelo teste de envelhecimento acelerado (EA%)</p><p>em condições de ambiente durante os períodos de armazenamento (Figura 3), somente a</p><p>embalagem de polietileno foi significativa para os modelos de regressão da distribuição</p><p>quase-binomial (ANEXO C). Durante o armazenamento em condição ambiente, foi</p><p>observada uma redução linear do vigor (Figura 3).</p><p>72</p><p>Figura 3 - Gráfico da regressão logística para o desdobramento do fator período dentro da</p><p>embalagem polietileno na condição ambiente para o envelhecimento acelerado (EA%).</p><p>Na condição ambiente, os resultados do teste de envelhecimento acelerado</p><p>mostram que, no período de seis meses, não foram observadas diferenças significativas</p><p>entre as embalagens (Tabela 6).</p><p>Tabela 6 – Médias do Envelhecimento Acelerado (%) de sementes de canola durante os períodos</p><p>de armazenamento (0, 3, 6, 9 e 12 meses) em diferentes embalagens (alumínio, kraft e polietileno)</p><p>e condições de ambiente e câmara fria.</p><p>Ambiente</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 84a 81a 94a 24b 84a</p><p>Kraft 84a 46b 90a 79a 68 b</p><p>Polietileno 84a 68b 93a 71a 55 b</p><p>Câmara fria</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 84 a 47 b 90 b 87 a 87 a</p><p>Kraft 84 a 75 a 91 b 76 a 88 a</p><p>Polietileno 84 a 36 b 99 a 84 a 84 a</p><p>Médias seguidas das mesmas letras, dentro de cada período de armazenamento, minúsculas na coluna, não diferem a</p><p>5% de probabilidade pelo teste de Tukey, com o nível α corrigido pelo método de Sidak.</p><p>No entanto, nos períodos de três e doze meses, a embalagem de alumínio resultou</p><p>em uma maior porcentagem de germinação após o teste de envelhecimento acelerado nas</p><p>sementes, e inferior aos nove meses de armazenamento (Tabela 6). As sementes de cebola</p><p>podem ser armazenadas em sacos laminados de alumínio embalados a vácuo por até 2</p><p>anos sem que haja impacto no vigor das sementes (Tripathi et al., 2014).</p><p>Para a condição de câmara fria, no período de três meses, o teste de</p><p>envelhecimento acelerado mostrou que a embalagem kraft apresentou superioridade em</p><p>relação às demais, enquanto no período de seis meses, a embalagem de polietileno</p><p>73</p><p>demonstrou ser a mais eficaz (Tabela 6). Nos períodos de nove e doze meses, as</p><p>embalagens não demonstraram impacto significativo no vigor das sementes (Tabela 6).</p><p>As sementes de soja foram armazenadas em sacos de filme metalizado e em sacos</p><p>de papel alumínio observados germinação e vigor das sementes altamente dentro dos</p><p>padrões (Chuansin et al., 2006). Embalar a semente em papel alumínio e saco plástico</p><p>tem efeito na diminuição de envelhecimento acelerado em sementes de cânhamo</p><p>(Suriyong et al., 2015).</p><p>Observa-se redução do vigor pelo teste de envelhecimento acelerado,</p><p>principalmente aos três e nove meses em ambas as condições (Tabela 6), possivelmente</p><p>devido à dormência secundária. Momoh et al (2002) realizaram testes em sementes de</p><p>B. napus L. para investigar a dormência secundária em diferentes condições de</p><p>armazenamento, variando desde temperatura ambiente até baixas temperaturas. Foi</p><p>observado que quanto mais tempo os lotes de sementes permaneceram armazenados em</p><p>condições frias, maior foi a dormência secundária. Embora não tenha sido</p><p>especificamente concebido para testar as condições de armazenamento, os resultados</p><p>estão condizentes com o observado entre as espécies, indicando que temperaturas de</p><p>armazenamento refrigerado tendem a manter o grau de dormência secundária.</p><p>Para o teste de frio (TF%) em condições de ambiente durante os períodos de</p><p>armazenamento (Figura 4), somente a embalagem de kraft foi significativa para os</p><p>modelos de regressão da distribuição quase-binomial (ANEXO C). Durante o</p><p>armazenamento em condição ambiente, o vigor das sementes permaneceu praticamente</p><p>constante pelo teste de frio (Figura 4).</p><p>Figura 4 - Gráfico da regressão logística para o desdobramento do fator período dentro da</p><p>embalagem polietileno na condição ambiente para a variável Teste de Frio (TF%).</p><p>74</p><p>A Tabela 7 mostra as porcentagens de plântulas normais após o teste de frio. Na</p><p>condição ambiente, aos três meses, a embalagem de polietileno influenciou</p><p>negativamente a qualidade das sementes.</p><p>Tabela 7 – Médias do Teste de Frio (%) de sementes de canola durante os períodos de</p><p>armazenamento (0, 3, 6, 9 e 12 meses) em diferentes embalagens (alumínio, kraft e polietileno)</p><p>e condições de ambiente e câmara fria.</p><p>Ambiente</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 99 a 95 a 98 a 100 a 95 a</p><p>Kraft 99 a 99 a 96 ab 94 b 96 a</p><p>Polietileno 99 a 87 b 91 b 98 ab 96 a</p><p>Câmara fria</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 99 a 97 a 91 b 97 a 95 b</p><p>Kraft 99 a 98 a 99 a 99 a 98 ab</p><p>Polietileno 99 a 98 a 91 b 98 a 99 a</p><p>Médias seguidas das mesmas letras, dentro de cada período de armazenamento, minúsculas na coluna, não diferem a</p><p>5% de probabilidade pelo teste de Tukey, com o nível α corrigido pelo método de Sidak.</p><p>Em sementes de rabanete (Raphanus sativus L.), com 99% de germinação, secas</p><p>até 6,5% de umidade e acondicionadas em diferentes tipos de embalagens, sob</p><p>temperaturas variáveis, conseguiram manter a viabilidade após 25 anos de</p><p>armazenamento (Doijode, 2010). Entretanto, a escolha adequada do tipo de embalagem</p><p>para o acondicionamento das sementes deve levar em consideração o período de</p><p>armazenamento, o teor de água das sementes e as condições ambientais predominantes</p><p>(Jácome, 2012).</p><p>Aos seis meses em condição ambiente, a embalagem de polietileno resultou em</p><p>sementes com vigor inferior, enquanto a embalagem de kraft apresentou vigor</p><p>intermediário e a de alumínio superior. Da mesma forma, aos nove meses, a embalagem</p><p>de alumínio impactou positivamente no vigor das sementes, enquanto a de polietileno foi</p><p>intermediária e a de kraft foi inferior. Resultados semelhantes foram observados por Silva</p><p>et al (2010), que também constataram que sementes de arroz, milho, feijão e grão-de-bico</p><p>armazenadas em embalagens permeáveis à temperatura de câmara apresentaram</p><p>diminuição do vigor ao longo do tempo de armazenamento (Silva et al., 2022).</p><p>Na condição de câmara fria, o vigor pelo teste de frio foi influenciado pela</p><p>embalagem aos seis meses de armazenamento, sendo as sementes de kraft superiores. Já</p><p>aos doze meses, as sementes armazenadas em embalagem de polietileno apresentaram</p><p>vigor superior, enquanto as de kraft foram intermediárias e</p><p>as de alumínio inferiores</p><p>75</p><p>(Tabela 7). Em um estudo com sementes de Guizotia abyssinica (Lf), embalagens</p><p>semipermeáveis de plástico e permeáveis de recipiente de vidro foram observadas como</p><p>favoráveis para a manutenção do vigor das sementes após 150 dias de armazenamento</p><p>(Pagliarini et al., 2021). Da mesma forma, a qualidade das sementes de Crambe abssynica</p><p>armazenadas em embalagem impermeável foi mantida (Brito et al., 2012).</p><p>Sementes de oleaginosas deterioram-se devido à peroxidação lipídica. Durante o</p><p>armazenamento, as condições em que as sementes são submetidas são decisivas para</p><p>garantir a sua qualidade fisiológica. Embora esta qualidade não possa ser melhorada,</p><p>condições adequadas durante esse período ajudarão a mantê-los viáveis por mais tempo,</p><p>retardando o processo de deterioração (Zuchi et al., 2013). A viabilidade e o vigor da</p><p>semente dependem em grande parte da capacidade de armazenamento, que é determinada</p><p>pela umidade da semente, umidade relativa e temperatura do ar (Tripathi et al., 2014).</p><p>Nota-se que o tipo de embalagem empregada para o acondicionamento das</p><p>sementes durante o armazenamento assumiu relevante importância sob a qualidade das</p><p>sementes, sendo que a embalagem de polietileno impediu a troca de vapor d’água entre</p><p>as sementes e o ambiente e auxiliou na redução da velocidade de deterioração na condição</p><p>de câmara fria. Outras pesquisas têm demonstrado a superioridade da embalagem</p><p>impermeável para a preservação da qualidade de sementes em ambiente não controlado</p><p>(Alemayehu et al., 2019; Coradi et al., 2020; Lamichaney et al., 2021; Satasiya et al.,</p><p>2021).</p><p>Portanto, é crucial um armazenamento eficiente como componente essencial dos</p><p>programas de sementes para manter a alta qualidade desde a colheita até a semeadura em</p><p>estações subsequentes (Dadlani; Yadava, 2023). A qualidade da semente não pode ser</p><p>melhorada durante o armazenamento, mas o controle da temperatura e umidade relativa</p><p>pode conservar sua qualidade fisiológica (Coradi et al., 2020; Zhang et al., 2014).</p><p>3.2 Análises bioquímicas</p><p>A avaliação da atividade do sistema enzimático antioxidativo, incluindo a</p><p>superóxido dismutase (SOD), a catalase (CAT), a peroxidase de ascorbato (APX) e a</p><p>peroxidase (POX), pode fornecer informações cruciais sobre o potencial fisiológico das</p><p>sementes, especialmente após o armazenamento. Isso ocorre porque a capacidade das</p><p>sementes em neutralizar espécies reativas de oxigênio (EROs) é determinante para</p><p>minimizar os danos celulares causados pelos processos de deterioração. Neste contexto,</p><p>em relação à atividade das enzimas antioxidativas, que envolvem dados contínuos, foi</p><p>76</p><p>necessário testar diferentes distribuições utilizando o critério de informação de Akaike</p><p>(AIC) para selecionar o modelo mais adequado para cada enzima (Proteína, APX, CAT,</p><p>POX e SOD) (Tabela 8).</p><p>Tabela 8 – Valores do critério de informação de Akaike (AIC) para a seleção do modelo</p><p>Gaussiano, Gama ou Inverso Gaussiano para Proteína, e as enzimas APX, CAT, POX e SOD em</p><p>sementes de canola.</p><p>Condição Modelos</p><p>AIC</p><p>Proteína APX CAT POX SOD</p><p>Ambiente</p><p>Gaussiano 90,25 -67.31 473.97 150.45 95.58</p><p>Gama 96.58 -126.06 418.66 -118.21 -54.85</p><p>Inverso Gaussiano 120.07 -16.45 410.12 -14.55 98.86</p><p>Câmara Fria</p><p>Gaussiano 63.56 -48.59 510.73 99.11 117.57</p><p>Gama 65.52 -111.51 411.59 -123.22 -27.65</p><p>Inverso Gaussiano 70.80 -63.03 393.73 -134.03 105.35</p><p>Os modelos propostos incluíram o Gaussiano, Gama e Inverso Gaussiano, e o</p><p>critério de seleção para determinar o modelo que melhor se ajusta foi o menor valor de</p><p>AIC, conforme apresentado na Tabela 8. Na condição ambiente, o modelo de menor valor</p><p>para a proteína foi o Gaussiano, com AIC de 90,25. Para a CAT, o modelo Inverso</p><p>Gaussiano (410,12) mostrou-se mais adequado. Quanto à APX, POX e SOD, os modelos</p><p>Gama foram os que melhor se ajustaram, com valores de AIC de -126,06, - 118,21 e -</p><p>54,85, respectivamente (Tabela 8).</p><p>A Tabela 9 apresenta a análise de deviance (ANODEV) para a Proteína, APX,</p><p>CAT, POX e SOD para a condição ambiente e câmara fria, e modelos que melhor se</p><p>adequaram de acordo com os valores de AIC apresentados na Tabela 8. O teste de Durbin-</p><p>Watson verificou a autocorrelação não significativa para as condições ambiente e câmara</p><p>fria das variáveis analisadas (Tabela 9).</p><p>Tabela 9 – ANODEV para análises bioquímicas para as condições ambiente e câmara fria para</p><p>Proteína, APX, CAT, POX e SOD.</p><p>Condição</p><p>Fontes de</p><p>Variação</p><p>GL</p><p>Proteína APX CAT POX SOD</p><p>Modelos</p><p>Gaussiano Gama</p><p>Inverso</p><p>Gaussiano</p><p>Gama Gama</p><p>Ambiente</p><p>Embalagem 2 0,26ns 0,62ns 0,06 ns 0,33ns 0,05ns</p><p>Período 4 3,91* 24,21*** 0,23** 2,28ns 168,21***</p><p>E x P 8 1,34 ns 2,98 ns 0,08 ns 2,12 ns 1,74*</p><p>Durbin-Watson 0,20 ns 0,62 ns 0,09ns 0,87ns 0,20 ns</p><p>CV (%) 0,68 5,00 0,06 22,10 0,54</p><p>GL Gaussiano Gama</p><p>Inverso</p><p>Gaussiano</p><p>Inverso</p><p>Gaussiano</p><p>Gama</p><p>Câmara</p><p>Fria</p><p>Embalagem 2 0,46 ns 1,34 ns 0,03 ns 13,05 ns 0,08ns</p><p>Período 4 1,72* 29,25*** 0,44*** 34,22*** 170,43***</p><p>E x P 8 2,15ns 2,40 ns 0,06ns 11,36 ns 2,30ns</p><p>Durbin-Watson 0,33 ns 0,06 ns 0,07 ns 0,68 ns 0,63ns</p><p>CV (%) 0,65 5,44 0,06 5,56 0,50</p><p>77</p><p>*Significativo ao nível de 5%; **significativo ao nível de 1%, ***significativo ao nível de 0,1% de probabilidade pelo</p><p>teste t-Student; ns: não significativo ao nível de 5% de probabilidade.</p><p>Na condição de armazenamento em ambiente, a análise de proteína, APX, CAT, e</p><p>SOD foram significativas para o fator período (Tabela 9), conduzindo à realização de uma</p><p>análise de regressão ao longo dos períodos de armazenamento, incluindo os Estimadores</p><p>de Máxima Verossimilhança (EMV) e os coeficientes de determinação (R²) (ANEXO E).</p><p>A interação significativa entre os fatores embalagem e período (ExP) (Tabela 9), foi</p><p>significativa apenas para a SOD, o que demandou o desdobramento, com a agrupação das</p><p>médias das embalagens por meio do teste de Tukey (Tabela 10), enquanto os períodos de</p><p>armazenamento foram analisados por meio de regressão, através do teste t-Student,</p><p>considerando os ajustes dos modelos (β1) significativos para a SOD (ANEXO D), e</p><p>representados na Figura 4, para as embalagens de alumínio (Figura 5a), kraft (Figura 5b)</p><p>e polietileno (Figura 5c).</p><p>Na condição de armazenamento em câmara fria, todas as variáveis apresentaram</p><p>significância para o fator período, levando à realização de uma análise de regressão ao</p><p>longo dos períodos de armazenamento (ANEXO E). O β1 foi significativo para SOD,</p><p>portanto, a regressão é representada na Figura 6. Não se verificou interação significativa</p><p>entre os fatores embalagem e período (ExP) (Tabela 9), para as análises bioquímicas.</p><p>A Tabela 10 apresenta a condição de armazenamento ambiente para a superóxido</p><p>dismutase (SOD) ao longo dos períodos de armazenamento. Ressaltando que a principal</p><p>função da SOD é dismutar o ânion superóxido (O2•-) em peróxido de hidrogênio (H2O2),</p><p>que é menos reativo, porém tóxico quando presente em altas concentrações. Neste</p><p>sentido, enzimas como a CAT, APX e POX fazem parte de um grupo de peroxidases que</p><p>neutralizam o excesso de H2O2 por diferentes rotas (Das; Roychoudhury, 2014)</p><p>Tabela 10 – Médias da SOD (U min-1 mg-1 proteína) de sementes de canola durante os períodos</p><p>de armazenamento (0, 3, 6, 9 e 12 meses) em diferentes embalagens (alumínio, kraft e polietileno)</p><p>e condição de ambiente.</p><p>Ambiente</p><p>Embalagens</p><p>Períodos</p><p>0 3 6 9 12</p><p>Alumínio 5,29a 2,62 a 2,11 a 0,03 b 0,02 a</p><p>Kraft 5,29a 2,28 a 1,77 a 0,03 b 0,03 a</p><p>Polietileno 5,29 a 2,23 a 1,94 a 0,07 a 0,02 a</p><p>Médias seguidas das mesmas letras, dentro de cada período de armazenamento, minúsculas na coluna, não diferem a</p><p>5% de probabilidade pelo teste de Tukey, com o nível α corrigido pelo método de Sidak.</p><p>78</p><p>Na condição ambiente, durante os períodos de três, seis e nove meses, não</p><p>foram</p><p>identificadas diferenças significativas entre as diferentes embalagens, como indicado na</p><p>Tabela 10. Entretanto, a partir dos nove meses de armazenamento, nota-se uma menor</p><p>atividade da enzima antioxidante SOD em embalagens de alumínio e kraft (Tabela 10), o</p><p>que pode ter contribuído para a redução do vigor dessas sementes pelos testes fisiológicos,</p><p>como o envelhecimento acelerado (Tabela 6) para embalagem de alumínio e kraft para a</p><p>primeira contagem (Tabela 4) e teste de frio (Tabela 7), que também detectou menor vigor</p><p>aos nove meses de armazenamento.</p><p>É importante ressaltar que essa redução do vigor não comprometeu a germinação</p><p>das sementes aos nove meses de armazenamento. Assim, a menor atividade da SOD,</p><p>confirmam a peroxidação de lipídios como um dos fatores responsáveis pela redução no</p><p>vigor das sementes. A menor atividade da SOD pode ter sido insuficiente para prevenir</p><p>os efeitos nocivos das EROS (Gill et al., 2015). A inativação enzimática, e</p><p>consequentemente a perda da capacidade protetora das células contra as EROS é o</p><p>primeiro evento na deterioração de sementes (Ebone et al., 2019). Portanto, sementes</p><p>armazenadas aos nove meses em embalagem de polietileno, aumentaram a atividade da</p><p>enzima SOD, quando comparada as médias das demais embalagens.</p><p>Corroborando com Naghisharifi et al (2024), que constatou que sob condições de</p><p>estresse, as sementes de canola, aumentaram em até duas vezes a média de sua atividade</p><p>enzimática da SOD. Estudos demonstraram que condições de estresse está associado a</p><p>alterações na atividade das enzimas antioxidantes no algodão e está relacionado com a</p><p>capacidade das sementes de eliminar EROS, e que influencia o potencial de</p><p>armazenamento das sementes (Goel et al., 2003). Além disso, o conteúdo de H2O2</p><p>em sementes envelhecidas de cártamo (Carthamus tinctorius L.) está correlacionado</p><p>com a atividade das enzimas SOD e CAT.</p><p>Para a atividade da enzima SOD na condição ambiente (Figura 5) e condição</p><p>câmara fria (Figura 6) de armazenamento, o R² foi superior a 60% para todas as</p><p>embalagens (Figura 5) e ao longo dos períodos de armazenamento (Figura 6),</p><p>demonstrando que o modelo é capaz de explicar a variação da SOD em função dos</p><p>diferentes períodos dentro das embalagens.</p><p>https://www.sciencedirect.com/topics/agricultural-and-biological-sciences/safflower-seed</p><p>https://www.sciencedirect.com/topics/agricultural-and-biological-sciences/carthamus-tinctorius</p><p>79</p><p>Figura 5 - Gráfico da regressão linear do modelo da distribuição Gama com a função de ligação</p><p>logarítmica para o fator período na condição ambiente para a SOD (U min-1 mg-1 de proteína) para</p><p>a embalagem (a) alumínio, (b) kraft e (c) polietileno.</p><p>Figura 6 - Gráfico da regressão linear do modelo da distribuição Gama com a função de ligação</p><p>logarítmica para o fator período na condição câmara fria para a variável SOD (U min-1 mg-1 de</p><p>proteína).</p><p>As Figuras 5 e 6 mostram o comportamento da atividade da enzima superóxido</p><p>dismutase (SOD) para todas as embalagens tanto na condição de armazenamento em</p><p>ambiente quanto em câmara fria. Observa-se que a atividade da enzima é mais elevada</p><p>no início do período de armazenamento, diminuindo ao longo do tempo. Este padrão</p><p>S</p><p>O</p><p>D</p><p>(</p><p>U</p><p>m</p><p>in</p><p>-1</p><p>m</p><p>g</p><p>-1</p><p>d</p><p>e</p><p>p</p><p>ro</p><p>te</p><p>ín</p><p>a)</p><p>S</p><p>O</p><p>D</p><p>(</p><p>U</p><p>m</p><p>in</p><p>-1</p><p>m</p><p>g</p><p>-1</p><p>d</p><p>e</p><p>p</p><p>ro</p><p>te</p><p>ín</p><p>a)</p><p>S</p><p>O</p><p>D</p><p>(</p><p>U</p><p>m</p><p>in</p><p>-1</p><p>m</p><p>g</p><p>-1</p><p>d</p><p>e</p><p>p</p><p>ro</p><p>te</p><p>ín</p><p>a)</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>S</p><p>O</p><p>D</p><p>(</p><p>U</p><p>m</p><p>in</p><p>-1</p><p>m</p><p>g</p><p>-1</p><p>d</p><p>e</p><p>p</p><p>ro</p><p>te</p><p>ín</p><p>a)</p><p>80</p><p>sugere uma resposta inicial vigorosa das sementes à preservação, seguida por uma</p><p>redução gradual da atividade da enzima à medida que o armazenamento prossegue.</p><p>Em situações de estresse, as sementes de canola apresentaram uma redução</p><p>significativa de 70% na capacidade germinativa, portanto, as plântulas geradas a partir</p><p>dessas sementes demonstraram alterações nas vias metabólicas de carboidratos e</p><p>proteínas nos tecidos primários, sugerindo uma adaptação na alocação de nutrientes e</p><p>mesmo diante do processo de deterioração das sementes, as plântulas sobreviventes</p><p>desenvolveram uma capacidade elevada para lidar com o estresse oxidativo, indicando</p><p>um crescimento adaptativo. Condições inadequadas de temperatura e umidade durante o</p><p>armazenamento das sementes de canola podem desencadear mudanças bioquímicas e</p><p>metabólicas nas plântulas resultantes (Naghisharifi et al., 2024).</p><p>Os efeitos da deterioração das sementes ocorrem em grande parte devido a</p><p>processos oxidativos (Walters et al., 2010), que podem levar à degradação das proteínas,</p><p>incluindo enzimas (Goel et al., 2003), lipídios e, portanto, membranas celulares (Harman;</p><p>Mattick, 1976), RNA (Fleming et al., 2019) e DNA (El-Maarouf-Bouteau et al., 2011).</p><p>Tudo isso afeta negativamente a integridade celular e metabólica de sementes e das</p><p>plântulas (Kranner, 2013).</p><p>4. CONCLUSÕES</p><p>A qualidade fisiológica das sementes de canola foi preservada tanto em condições</p><p>de ambiente quanto em câmara fria até os nove meses de armazenamento, e a embalagem</p><p>de polietileno mostrou-se eficaz na conservação das sementes de canola por até doze</p><p>meses de armazenamento.</p><p>A atividade da enzima antioxidativa SOD foi capaz de detectar o menor nível de</p><p>deterioração das sementes em embalagem de polietileno armazenadas em câmara fria.</p><p>5. REFERÊNCIAS</p><p>AKAIKE, H. A New Look at the Statistical Model Identification. IEEE Transactions on</p><p>Automatic Control, v. 19, n. 6, p. 716–723, 1974.</p><p>81</p><p>ALEMAYEHU, S. et al. Evaluating different hermetic storage technologies to arrest mold</p><p>growth, prevent mycotoxin 1 accumulation and preserve germination quality of stored chickpea</p><p>in Ethiopia. Journal of Stored Products Research, v. 85, p. 101526, 2019.</p><p>ALIVAND, R.; AFSHARI, R. T.; SHARIFZADE, F. 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H + Al - Extrator Acetato de Cálcio 0,5 mol/L - pH 7,0; CTC –</p><p>capacidade de troca de cátions; V - Índice de saturação de bases; M - Índice de saturação de</p><p>alumínio; m – Índice de saturação por alumínio e MO (Mat. Orgânica).</p><p>pH (H2O) P K S B Cu Fe Mg Zn</p><p>6,72</p><p>mg/dm3</p><p>6,71 115,74 5,06 2 0,24 141,57 12 2,48</p><p>Ca+2 Mg2+ Al3+ H + Al CTC V m MO</p><p>cmolc/dm3 % dag/Kg</p><p>3,93 0,41 <0,1 1,07 5,7 81 0 1,66</p><p>ANEXO B – Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e coeficiente de determinação (R²)</p><p>para os modelos de regressão da distribuição quase-binomial para a primeira contagem na</p><p>condição ambiente e a germinação na condição de câmara fria de armazenamento.</p><p>Embalagens Parâmetros do Modelo</p><p>EMV</p><p>Ambiente Câmara Fria</p><p>Primeira Contagem Germinação</p><p>Alumínio</p><p>β0 2,53*** 3,66***</p><p>β1 -0,11** -0,09ns</p><p>R2 0,34 0,14</p><p>Kraft</p><p>β0 2,27*** 3,85***</p><p>β1 -0,11ns -0,04ns</p><p>R2 0,19 0,03</p><p>Polietileno</p><p>β0 1,25** 3,95***</p><p>β1 -0,05ns -0,12ns</p><p>R2 0,05 0,11</p><p>*Significativo ao nível de 5%; **significativo ao nível de 1%, ***significativo ao nível de 0,1% de probabilidade pelo</p><p>teste de t-Student; ns: não significativo ao nível de 5% de probabilidade, β0 = intercepto; β1 = coeficiente angular; R2 =</p><p>coeficiente de determinação.</p><p>ANEXO C – Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e coeficiente de determinação</p><p>(R²) para os modelos de regressão da distribuição quase-binomial para a emergência,</p><p>envelhecimento acelerado e teste de frio para condições de ambiente e câmara fria de</p><p>armazenamento.</p><p>Condição Embalagem Parâmetros do modelo</p><p>EMV</p><p>Emergência</p><p>Envelhecimento</p><p>Acelerado</p><p>Teste de</p><p>Frio</p><p>Ambiente</p><p>Alumínio</p><p>β0 2,53*** 1,61* 3,74***</p><p>β1 -0,08ns -0,11ns -0,04ns</p><p>R2 0,08 0,10 0,01</p><p>Kraft</p><p>β0 2,94*** 0,99** 4,21***</p><p>β1 -0,05ns 0,00ns -0,12*</p><p>R2 0,14 0,00 0,25</p><p>Polietileno</p><p>β0 2,47*** 1,67*** 2,56***</p><p>β1 0,06ns -0,10* 0,03ns</p><p>R2 0,06 0,22 0,02</p><p>Câmara Fria</p><p>Alumínio</p><p>β0 2,78*** 0,78* 3,53***</p><p>β1 0,03 ns 0,09 ns -0,07 ns</p><p>R2 0,02 0,16 0,10</p><p>Kraft β0 3,38*** 1,43*** 4,31***</p><p>88</p><p>β1 -0,08 ns 0,03ns -0,03 ns</p><p>R2 0,16 0,03 0,01</p><p>Polietileno</p><p>β0 2,33*** 0,70 ns 3,51***</p><p>β1 0,11ns 0,09 ns -0,01 ns</p><p>R2 0,19 0,09 0,00</p><p>*Significativo ao nível de 5%; **significativo ao nível de 1%, ***significativo ao nível de 0,1% de probabilidade pelo</p><p>teste de t-Student; ns: não significativo ao nível de 5% de probabilidade, β0 = intercepto; β1 = coeficiente angular; R2 =</p><p>coeficiente de determinação.</p><p>ANEXO D – Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e coeficiente de</p><p>determinação (R²) para os modelos de regressão gama com a função</p><p>de ligação</p><p>logarítmica para a SOD, em condição de ambiente ao longo dos períodos de</p><p>armazenamento.</p><p>Embalagens Parâmetros do Modelo EMV</p><p>Alumínio</p><p>β0 2,56***</p><p>β1 -0,52***</p><p>R2 0,68</p><p>Kraft</p><p>β0 -0,43ns</p><p>β1 -9,02***</p><p>R2 0,75</p><p>Polietileno</p><p>β0 -0,37ns</p><p>β1 -9,13***</p><p>R2 0,76</p><p>*Significativo ao nível de 5%; **significativo ao nível de 1%, ***significativo ao nível de 0,1% de probabilidade pelo</p><p>teste de t-Student; ns: não significativo ao nível de 5% de probabilidade, β0 = intercepto; β1 = coeficiente angular; R2 =</p><p>coeficiente de determinação.</p><p>ANEXO E – Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e coeficiente de</p><p>determinação (R²) para os modelos de regressão gama e inversa gaussiana com as funções</p><p>de ligação logarítmica e identidade para Proteína, APX, CAT, POX e SOD para as</p><p>condições ambientes e câmara fria.</p><p>Condição Variável Distribuição Parâmetros EMV</p><p>Ambiente</p><p>Proteína Gaussiana</p><p>β0 1,41***</p><p>β1 0,66ns</p><p>R2 0,00</p><p>CAT Inversa Gaussiana</p><p>β0 17,15***</p><p>β1 0,36ns</p><p>R2 0,02</p><p>APX Gama</p><p>β0 -1,49***</p><p>β1 -0,02ns</p><p>R2 0,02</p><p>Câmara fria</p><p>Proteína Gaussiana</p><p>β0 1,43***</p><p>β1 0,02ns</p><p>R2 0,04</p><p>SOD Gama</p><p>β0 2,64***</p><p>β1 -0,51***</p><p>R2 0,71</p><p>89</p><p>CAT Inversa Gaussiana</p><p>β0 17,15***</p><p>β1 0,22ns</p><p>R2 0,01</p><p>POX Inversa Gaussiana</p><p>β0 0,15***</p><p>β1 0,01ns</p><p>R2 0,07</p><p>APX Gama</p><p>β0 -1,57***</p><p>β1 -0,01ns</p><p>R2 0,01</p><p>*Significativo ao nível de 5%; **significativo ao nível de 1%, ***significativo ao nível de 0,1% de probabilidade pelo</p><p>teste de t-Student; ns: não significativo ao nível de 5% de probabilidade, β0 = intercepto; β1 = coeficiente angular; R2 =</p><p>coeficiente de determinação.</p><p>90</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Os resultados obtidos neste estudo revelam um desempenho agronômico</p><p>satisfatório de todas as cultivares avaliadas, com uma produtividade e teor de óleo que se</p><p>equiparam à média nacional, destacando assim sua aptidão para o cultivo em regiões de</p><p>cerrado de alta altitude.</p><p>A aplicação da espectroscopia NIR, combinada com técnicas quimiométricos,</p><p>após o pré-processamento com métodos de correção de dispersão, proporcionou uma</p><p>valiosa revelação sobre a qualidade das sementes de canola.</p><p>A qualidade fisiológica das sementes de canola foi preservada tanto em condições</p><p>de ambiente quanto em câmara fria até os nove meses de armazenamento, e a embalagem</p><p>de polietileno mostrou-se eficaz na conservação das sementes de canola por até doze</p><p>meses de armazenamento. Por fim, a análise da atividade da enzima antioxidativa SOD</p><p>revelou sua capacidade em identificar o menor nível de deterioração das sementes</p><p>armazenadas em embalagens de polietileno em câmara fria, fornecendo assim</p><p>informações para práticas de armazenamento seguras.</p><p>62</p><p>2.2.4 Peroxidase (POX) .......................................................................................................... 62</p><p>2.2.5 Proteína .......................................................................................................................... 62</p><p>2.3 Análises dos dados ............................................................................................................ 63</p><p>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO .................................................................................... 64</p><p>3.1 Qualidade fisiológica ........................................................................................................ 66</p><p>3.2 Análises bioquímicas ........................................................................................................ 75</p><p>4. CONCLUSÕES ............................................................................................................... 80</p><p>5. REFERÊNCIAS .............................................................................................................. 80</p><p>ANEXO A - Valores para pH em água; Fósforo – P (Mehlich); Potássio – K; Enxofre – S;</p><p>Boro – B; Cobre – Cu; Ferro – Fe; Manganês – Mn; Zinco – Zn; Extrator Mehlich-1 Ca2+</p><p>- Mg2+ - Al3+ - Extrator: KCl - 1 mol/L. H + Al - Extrator Acetato de Cálcio 0,5 mol/L -</p><p>pH 7,0; CTC – capacidade de troca de cátions; V - Índice de saturação de bases; M -</p><p>Índice de saturação de alumínio; m – Índice de saturação por alumínio e MO (Mat.</p><p>Orgânica). ................................................................................................................................ 87</p><p>ANEXO B – Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e coeficiente de</p><p>determinação (R²) para os modelos de regressão da distribuição quase-binomial para a</p><p>primeira contagem na condição ambiente e a germinação na condição de câmara fria de</p><p>armazenamento. ...................................................................................................................... 87</p><p>ANEXO C – Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e coeficiente de</p><p>determinação (R²) para os modelos de regressão da distribuição quase-binomial para a</p><p>emergência, envelhecimento acelerado e teste de frio para condições de ambiente e câmara</p><p>fria de armazenamento. ......................................................................................................... 87</p><p>ANEXO D – Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e coeficiente de</p><p>determinação (R²) para os modelos de regressão gama com a função de ligação logarítmica</p><p>para a SOD, em condição de ambiente ao longo dos períodos de armazenamento. ......... 88</p><p>ANEXO E – Estimadores de Máxima Verossimilhança (EMV) e coeficiente de</p><p>determinação (R²) para os modelos de regressão gama e inversa gaussiana com as funções</p><p>de ligação logarítmica e identidade para Proteína, APX, CAT, POX e SOD para as</p><p>condições ambientes e câmara fria........................................................................................ 88</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................................. 90</p><p>11</p><p>INTRODUÇÃO GERAL</p><p>As mudanças climáticas representam um dos maiores desafios enfrentados pelo mundo</p><p>atualmente, com evidências de que a atividade humana, seja a principal responsável e cujos</p><p>efeitos refletem no fornecimento global de alimentos e energia (Cherwoo et al., 2023; Liu et</p><p>al., 2021).</p><p>A produção e o consumo de energia têm sido predominantemente baseados em</p><p>combustíveis fósseis, que representam a principal fonte energética (Cherwoo et al., 2023;</p><p>Londoño-Pulgarin et al., 2021) com significativa parcela de quase 80% de todo o consumo</p><p>energético mundial (She et al., 2017). Diante disso, a ampla utilização de combustíveis fósseis</p><p>desencadeou uma série de fatores agravantes, incluindo problemas climáticos e ambientais.</p><p>Essa realidade justifica a busca por fontes alternativas, com especial incentivo aos</p><p>biocombustíveis (Mendes, 2008).</p><p>Os biocombustíveis emergem como alternativas sustentáveis, ecologicamente corretas</p><p>e economicamente viáveis aos combustíveis fósseis, e podem ser derivados de biomassa</p><p>agrícola ou outras fontes orgânicas (Cherwoo et al., 2023). Dentre eles, o biodiesel destaca-se</p><p>como uma opção limpa, renovável e biodegradável, obtido a partir de sementes de espécies</p><p>oleaginosas, gordura animal e, até mesmo de microalgas, evidenciando seu amplo potencial</p><p>quanto à diversidade de matéria-prima (Souza et al., 2020). Entre as várias oleaginosas que</p><p>apresentam alto teor de óleo na semente e que são favoráveis à produção de biodiesel, destacam-</p><p>se a soja, amendoim, girassol, babaçu, canola, mamona e algodão (ANP, 2021).</p><p>A canola (Brassica napus L. var. oleifera Moench), da família Brassicaceae, é uma</p><p>oleaginosa do gênero Brassica (Tomm et al., 2009). Desenvolvida no Canadá em 1974, a</p><p>primeira variedade de canola, chamada Tower, surgiu através do melhoramento genético</p><p>convencional da colza (Brassica napus L.). O termo “canola” se origina de “CANadian Oil Low</p><p>Acid”, indicando óleo canadense de baixo teor de ácido erúcico (menos de 2%) e glucosinolatos</p><p>(30 μmol/g) (Chalhoub et al., 2014; Visentainer et al., 2015).</p><p>Com seu alto teor de óleo (34% a 40%), a canola, é uma importante fonte não só para</p><p>biodiesel, mas também para óleo comestível na alimentação humana. Além disso, possui</p><p>significativa quantidade de proteína (24% a 27%), sendo utilizada na produção de farelo</p><p>12</p><p>(Battisti et al., 2013; Tomm et al., 2009; Tomm, 2006). Reconhecida como planta melífera</p><p>devido à sua alta produção de recursos florais, como pólen e néctar, a canola também pode ser</p><p>uma opção para a produção de mel (Ali et al., 2011; De Mori et al., 2014). Adicional, pode</p><p>ainda ser utilizada como forragem de pastejo, feno ou silagem, oferecendo alto valor nutritivo</p><p>e palatabilidade (Safaei et al., 2022).</p><p>Essas características têm despertado grande interesse de indústrias e cooperativas pelo</p><p>beneficiamento de seu óleo (Battisti et al., 2013), impulsionando a tropicalização do cultivo da</p><p>canola em diversas regiões do território brasileiro (Araújo et al., 2019; Gonçalves et al., 2022;</p><p>Guimarães et al., 2022). Esse movimento visa adaptar, caracterizar novas cultivares e identificar</p><p>aqueles com máximo potencial genético e produtivo em diferentes condições edafoclimáticas</p><p>(Mattioni et al., 2017; Rosa et al., 2022).</p><p>Frente a isso, a produtividade agrícola é altamente dependente de fatores de produção,</p><p>sendo as sementes de alta qualidade fisiológica, física, sanitária e genética, um dos mais</p><p>importantes. O uso de sementes de qualidade pode aumentar o rendimento de grãos em mais de</p><p>20%, mantendo-se os demais insumos constantes (Maity et al., 2023). Portanto, além dos</p><p>fatores genéticos, a produção de sementes de alta qualidade é influenciada pelos ambientes de</p><p>produção e armazenamento. Isso as tornam vulneráveis às condições climáticas adversas em</p><p>todos os estágios fenológicos, especialmente durante a formação das sementes, seu</p><p>desenvolvimento e o processamento e armazenamento pós-colheita (Maity et al., 2023;</p><p>Pritchard, 2020; Reed et al., 2022).</p><p>A qualidade fisiológica das sementes é determinada pela germinação, vigor e</p><p>longevidade, sendo essenciais no controle de qualidade interno das empresas produtoras de</p><p>sementes (Marcos-Filho, 2015). O vigor das sementes é uma característica complexa definido</p><p>como a soma das propriedades que determinam a atividade e o desempenho de lotes de sementes</p><p>com germinação aceitável em uma ampla variedade de ambientes (Reed et al., 2022),</p><p>determinando também o seu comportamento durante o armazenamento.</p><p>Em síntese, o período de armazenamento, a temperatura, a umidade relativa do ar e a</p><p>proliferação de patógenos são os principais fatores que afetam a viabilidade e o vigor das</p><p>sementes durante o armazenamento (Shaban, 2013; Zhang et</p><p>al., 2021). Uma série de alterações</p><p>bioquímicas desencadeadas pela deterioração e pelo estresse oxidativo resultam em perda de</p><p>qualidade das sementes. O processo de deterioração estimula a produção excessiva de espécies</p><p>reativas de oxigênio (EROs), que, em desequilíbrio com os mecanismos antioxidantes, promove</p><p>a peroxidação e degradação de lipídios de membranas, oxidação de proteínas, danos ao ácido</p><p>nucleico e inibição enzimática. Esses danos podem inviabilizar e até causar a morte das</p><p>15</p><p>sementes (Bewley et al., 2013; Ebone et al., 2019).</p><p>Existem diferentes testes que possibilitam avaliar a qualidade fisiológica das sementes</p><p>de canola. A espectroscopia no infravermelho próximo (NIR) é uma técnica que tem</p><p>conquistado espaço na avaliação da qualidade de sementes, por se mostrar uma técnica analítica</p><p>simples, rápida, não destrutiva, não exige preparo prévio das amostras e não faz uso de</p><p>reagentes tóxicos (Bianchini et al., 2021; Reddy et al., 2022).</p><p>Nesse contexto, com a expansão da cultura da canola no Brasil e o desenvolvimento de</p><p>novas variedades adaptadas às nossas condições, estudos sobre esse tema são fundamentais para</p><p>assegurar a comercialização de lotes com alto potencial. Metodologias adequadas</p><p>complementam as informações do teste de germinação, proporcionando uma avaliação mais</p><p>abrangente do desempenho dos lotes em campo e durante o armazenamento. Essas informações</p><p>são essenciais para garantir o controle de qualidade das sementes disponibilizadas aos</p><p>agricultores para o plantio, uma vez que a indústria de sementes desempenha um papel crucial</p><p>na segurança alimentar global.</p><p>Diante do exposto, objetivou-se com essa pesquisa avaliar a espectroscopia no</p><p>infravermelho FT-NIR, em combinação com métodos quimiométricos, para identificar</p><p>diferenças na qualidade fisiológica das sementes de canola. O estudo também visou avaliar o</p><p>desempenho agronômico, a qualidade fisiológica e o teor de óleo de cultivares de canola em</p><p>área de cerrado com altitude elevada (>1.300 m), assim como investigar as modificações</p><p>fisiológicas e bioquímicas das sementes de canola submetidas ao armazenamento em diferentes</p><p>embalagens e condições.</p><p>15</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ALI, M. et al. 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As cultivares</p><p>Nuola 300, Hyola 575 CL®, Alth B4 e Diamond foram cultivados</p><p>no município de</p><p>Diamantina, Minas Gerais, Brasil. O desempenho agronômico (população inicial, altura</p><p>da planta, inserção da primeira síliqua, número de síliquas por planta, sementes por síliqua</p><p>e produtividade), e a qualidade fisiológica (teor de água, peso de mil sementes, primeira</p><p>contagem de germinação, germinação, índice de velocidade de germinação, emergência,</p><p>estande inicial, índice de velocidade de emergência, teste de frio) e o teor de óleo de</p><p>sementes dessas cultivares, foram avaliados. As variáveis avaliadas foram maiores para</p><p>as cultivares Nuola 300, Alth B4 e Diamond. O número de sementes por síliqua e a</p><p>produtividade da cultivar Hyola 575 foram menores em condições de alta altitude, em</p><p>relação as demais cultivares. O desempenho agronômico de todas as cultivares analisadas</p><p>revelou-se satisfatório, evidenciando produtividade e teor de óleo comparáveis à média</p><p>nacional. Esses resultados reforçam a viabilidade e vantagem das cultivares para o cultivo</p><p>em regiões de cerrado de altitude elevada. A qualidade fisiológica das sementes superior</p><p>das cultivares Nuola 300, Alth B4 e Diamond em comparação com a cultivar Hyola 575,</p><p>consolida a escolha destas como promissoras para o cultivo nestas condições.</p><p>Palavras-chave: Brassica napus L. var. oleifera Moench; Oleaginosa; Produtividade.</p><p>18</p><p>ABSTRACT</p><p>Canola, used for human consumption and biodiesel production, has potential for</p><p>expansion in the cerrado, a place with high altitudes and, therefore, its productive</p><p>potential must be evaluated in new growing regions. The objective of this work was to</p><p>evaluate the agronomic performance, physiological and physical quality and oil content</p><p>of seeds of canola cultivars cultivated in a savanna area with high altitude (>1,300 m).</p><p>The experiments were conducted in a completely randomized design. The cultivars Nuola</p><p>300, Hyola 575 CL®, Alth B4 and Diamond were cultivated in the municipality of</p><p>Diamantina, Minas Gerais, Brazil. Agronomic performance (initial population, plant</p><p>height, insertion of the first silique, number of siliques per plant, seeds per silique and</p><p>productivity), and physical and physiological quality (water content, weight of a thousand</p><p>seeds, first germination count, germination, germination speed index, emergence, initial</p><p>stand, emergence speed index, cold test) and the seed oil content of these cultivars were</p><p>evaluated. The variables evaluated were greater for the cultivars Nuola 300, Alth B4 and</p><p>Diamond. The number of seeds per silique and the productivity of the cultivar Hyola 575</p><p>were lower in high altitude conditions, in relation to the other cultivars. The agronomic</p><p>performance of all cultivars analyzed was satisfactory, showing productivity and oil</p><p>content comparable to the national average. These results reinforce the viability and</p><p>advantage of the cultivars for cultivation in high-altitude savannah regions. The superior</p><p>physiological quality of the seeds of the Nuola 300, Alth B4 and Diamond cultivars</p><p>compared to the Hyola 575 cultivar, consolidates the choice of these as promising for</p><p>cultivation in these conditions.</p><p>Keywords: Brassica napus L. var oleifera Moech; Oilseed; Productivity.</p><p>19</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>A canola (Brassica napus L. var. oleifera Moench), é usada na produção de 32%</p><p>dos óleos vegetais comestíveis e 11% do biodiesel mundial, sendo a terceira oleaginosa</p><p>mais produzida (Hussain et al., 2019; Zeferino; Ramos, 2023). Sementes de canola com</p><p>cerca de 40-47% e 25-35% de óleo e proteína, respectivamente, são importantes para o</p><p>consumo humano e produção de biocombustíveis, sendo seu farelo empregado em rações</p><p>(Raboanatahiry et al., 2021; Guimarães et al., 2022).</p><p>A área cultivada, com canola, na safra de 2023, atingiu 92,1 mil hectares no Brasil,</p><p>com produtividade média de 1.591 kg ha-1 e produção total de 146,5 mil toneladas,</p><p>predominantemente, nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná (Conab, 2023). O</p><p>potencial de produção de culturas oleaginosas, como a canola, no Brasil, pode suprir a</p><p>demanda nacional e parte da global, aumentando sua importância em diferentes sistemas</p><p>de produção e rotação de cultura (Strahl et al., 2021).</p><p>A canola foi, originalmente, cultivada e adaptada a regiões com latitudes de 35° a</p><p>55°, altitudes abaixo de 600 m e clima temperado, com precipitações regularmente</p><p>distribuídas ao longo de seu período de crescimento (Tomm et al., 2009). No entanto, a</p><p>tropicalização do cultivo da canola, tem sido explorada em diversas regiões do país</p><p>(Araújo et al., 2021, Guiducci et al., 2020, Guimarães et al., 2020), com o objetivo de</p><p>priorizar o cultivo comercial em áreas com maior altitude (acima de 600 m), buscando</p><p>temperaturas mais amenas para compensar a menor latitude (Tomm et al., 2009). Isso</p><p>permite a caracterização de novas cultivares e a identificação daquelas com potencial</p><p>genético e produtivo adequado às diferentes condições edafoclimáticas (Araújo et al.,</p><p>2021).</p><p>O cultivo, dessa planta em temperaturas amenas e precipitações típicas de altitude,</p><p>em regiões com mais de 600 m de altitude, como em Diamantina (1.387 m), estado de</p><p>Minas Gerais, Brasil (Oliveira et al., 2017), pode elevar sua produção, por se adaptar a</p><p>uma ampla variedade de condições edafoclimáticas (Assis et al., 2023), apesar de</p><p>possivelmente apresentar variações na qualidade e fisiologia de suas sementes</p><p>(Lamichaney; Maity, 2021).</p><p>O objetivo deste trabalho foi avaliar o desempenho agronômico, a qualidade</p><p>fisiológica e o teor de óleo de sementes de cultivares de canola cultivados em área de</p><p>cerrado com altitude elevada (>1.300 m).</p><p>20</p><p>2. MATERIAL E MÉTODOS</p><p>2.1 Caracterização local</p><p>O experimento foi conduzido na Área Experimental e no Laboratório de Sementes</p><p>do Departamento de Agronomia da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e</p><p>Mucuri (UFVJM), Campus JK, município de Diamantina, estado de Minas Gerais, Brasil</p><p>(18º20”29.95” S; 43º57º289” O e altitude de 1.387 m). O clima do local é Cwb, conforme</p><p>a classificação Köppen, com inverno seco e chuvas no verão e temperatura média de 20</p><p>ºC. O solo local é Neossolo Quartzarênico Órtico típico, segundo o Sistema Brasileiro de</p><p>Classificação de Solos – SiBCS.</p><p>As propriedades químicas do solo, obtidas após a análise de solo, encontram-se</p><p>na Tabela 1.</p><p>Tabela 1 - Valores para pH em água; Fósforo – P (Mehlich); Potássio – K; Enxofre – S; Boro –</p><p>B; Cobre – Cu; Ferro – Fe; Manganês – Mn; Zinco – Zn; Extrator Mehlich-1 Ca2+ - Mg2+ - Al3+</p><p>- Extrator: KCl - 1 mol/L. H + Al - Extrator Acetato de Cálcio 0,5 mol/L - pH 7,0; CTC –</p><p>capacidade de troca de cátions; V - Índice de saturação de bases; M - Índice de saturação de</p><p>alumínio; m – Índice de saturação por alumínio e MO (Mat. Orgânica).</p><p>pH (H2O) P K S B Cu Fe Mg Zn</p><p>6,72</p><p>mg/dm3</p><p>6,71 115,74 5,06 2 0,24 141,57 12 2,48</p><p>Ca+2 Mg2+ Al3+ H + Al CTC V m MO</p><p>cmolc/dm3 % dag/Kg</p><p>3,93 0,41 <0,1 1,07 5,7 81 0 1,66</p><p>Com base nas informações obtidas, foi realizada a calagem 30 dias antes do</p><p>plantio com o uso de carbonato de cálcio (CaCO3) e carbonato de magnésio (MgCO3). A</p><p>adubação de plantio consistiu na aplicação de 60, 110, 55 e 20 kg/ha de N, P2O5, K2O e</p><p>S, respectivamente. Para a adubação de cobertura, foram aplicados 30 kg/ha de N e 28</p><p>kg/ha de K2O (Tomm et al., 2009).</p><p>As cultivares de canola, Nuola 300 (Estados Unidos, 2019), Hyola 575 CL®</p><p>(Estados Unidos, 2019), Alth B4 (Argentina, 2020) e Diamond (Estados Unidos, 2018),</p><p>foram semeadas de forma manual em área de 22 m² cada, em 28 linhas espaçadas por</p><p>0,35 cm e 5,5 cm entre sementes e 0,5 m por parcela. A irrigação foi feita diariamente</p><p>com aspersores, de acordo com a necessidade das plantas. Aos 50 dias após o plantio, foi</p><p>realizado uma campina manual.</p><p>O plantio foi realizado em 27 de abril e a colheita</p><p>iniciou-se em 11 de setembro</p><p>de 2021, seguindo as diretrizes do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para</p><p>21</p><p>a cultura da canola (Brasil, 2021). Os dados climáticos referentes ao período entre a</p><p>semeadura e colheita estão apresentados na Figura 1.</p><p>Figura 1 - Médias diárias de temperatura (T °C) e umidade relativa (UR %) do plantio a colheita</p><p>da canola. Diamantina - Minas Gerais, UFVJM, 2021.</p><p>Os ciclos das cultivares Diamond, Alth B4, Hyola 575 e Nuola 300 foram de 140,</p><p>143, 144 e 146 dias, respectivamente.</p><p>2.2 Desempenho agronômico</p><p>A população inicial das plantas de canola, no campo, foi obtida por contagem</p><p>direta nas quatro linhas centrais de 1,10 m de comprimento por parcela experimental, após</p><p>30 dias da semeadura.</p><p>A altura das plantas e a inserção da primeira síliqua e o número de síliquas por</p><p>planta e de sementes por síliqua foram determinados em 10 plantas coletadas ao acaso da</p><p>área útil das parcelas, no dia da colheita, calculando-se o valor médio por parcela.</p><p>A altura das plantas, foi avaliada pela distância (cm) do coleto à gema apical com</p><p>auxílio de régua graduada e a da primeira síliqua pela medição (cm), com auxílio de régua</p><p>graduada, entre a superfície do solo e seu ponto de inserção na planta.</p><p>Os números de síliquas por planta e de sementes por síliqua foi determinado por</p><p>contagem direta.</p><p>A produtividade foi obtida após a colheita e beneficiamento, pesando-se as</p><p>sementes produzidas na área útil das parcelas e os resultados expressos em kg ha-1</p><p>corrigido para 10% de umidade, base úmida.</p><p>2.3 Qualidade fisiológica e teor de óleo nas sementes</p><p>22</p><p>As sementes de todas as cultivares foram colhidas no estádio fenológico G5,</p><p>quando 60-80% da coloração das síliquas, estavam amarelas e secas e as sementes com</p><p>coloração marrom e teor de água em torno de 18% (Guimarães et al., 2022). As sementes</p><p>foram secas em ambiente entre 8-10% de umidade e beneficiadas. O ciclo das cultivares</p><p>variou e, por isso, a colheita foi feita quando o teor de água de suas sementes era de 8-</p><p>10%.</p><p>O teor de água das sementes foi obtido pelo método da estufa (Brasil, 2009)</p><p>pesando-se as sementes recém-colhidas e deixando-as a 105 °C por 24 horas e pesadas</p><p>novamente, sendo o teor determinado pela relação do peso seco pelo úmido, multiplicado</p><p>por 100.</p><p>O peso de mil sementes foi obtido com a média de cada cultivar, em oito</p><p>repetições de 100 sementes (Brasil, 2009), em balança eletrônica semi-analítica (Marca</p><p>Marte, modelo AD500) e média, desvio padrão e o coeficiente de variação expressos em</p><p>gramas (ISTA, 2019).</p><p>A germinação foi determinada de acordo com as Regras de Análises de Sementes</p><p>(RAS), com quatro repetições de 50 sementes por cultivar sob três folhas de papel</p><p>germitest, umedecidas com água destilada, na proporção de 2,5 do peso do substrato em</p><p>caixas plásticas gerbox em câmaras de germinação B.O.D, com temperatura de 20 °C. As</p><p>avaliações foram feitas do 5º (primeira contagem da germinação) e 7º (contagem final)</p><p>dias após a semeadura, computando-se as plântulas normais. O índice de velocidade de</p><p>germinação (IVG) foi calculado diariamente até o sétimo dia, a partir da protrusão</p><p>radicular e calculado utilizando a fórmula IVG= ∑ (ni/ti), em que: ni= número de</p><p>sementes que germinaram no tempo “i”; ti= tempo após instalação do teste (Maguire,</p><p>1962).</p><p>O teste de tetrazólio foi realizado nas sementes remanescentes do teste de</p><p>germinação, aquelas sementes que não germinaram e não estavam deterioradas ou com</p><p>tecido flácido. As sementes foram cortadas longitudinalmente com auxílio de pinça e</p><p>bisturi. Após o corte de cada semente, apenas metade foi colocada em solução de cloreto</p><p>de 2,3,5-trifenil tetrazólio 0,5% em recipiente escuro e mantida em câmara de germinação</p><p>tipo B.O.D. à temperatura constante de 30°C por 3 horas. As sementes foram avaliadas</p><p>considerando a localização e intensidade de coloração vermelho claro de suas partes, o</p><p>que permitiu a identificação das viáveis. As sementes viáveis foram consideradas</p><p>dormentes (Brasil, 2009).</p><p>23</p><p>O teste de emergência foi realizado com quatro repetições de 50 sementes por</p><p>cada cultivar. Este teste foi feito em caixas plásticas com terra e areia na proporção de</p><p>2:1, umedecida com água destilada em sala de crescimento com temperatura de 20 °C e</p><p>fotoperíodo constante. O estande inicial foi contado no quinto dia e o teste terminou</p><p>quando a porcentagem de emergência se estabilizou por três dias seguidos, sendo avaliado</p><p>o número de plântulas normais emergidas e determinando-se o índice de velocidade de</p><p>emergência (IVE), de forma similar ao realizado para o IVG (Maguire, 1962).</p><p>O teste de frio foi conduzido por cultivar, com quatro repetições de 50 sementes,</p><p>distribuídas, equidistantes na superfície do papel germitest e enroladas separadamente, e</p><p>umedecidos com volume de água equivalente a 2,5 vezes o peso do substrato (Cicero;</p><p>Vieira, 2020). Esses rolos foram agrupados com atilhos de borrachas, em sacos plásticos,</p><p>por sete dias em B.O.D a temperatura de 10 ºC e, retirados dos sacos plásticos e colocados</p><p>em germinador na temperatura de 25 °C por cinco dias, quando as plântulas normais</p><p>foram contadas.</p><p>O teor de óleo foi determinado após a trituração das sementes de cada cultivar em</p><p>liquidificador por dois minutos e deixadas em estufa a 100 °C por uma hora. Após este</p><p>período, o material obtido foi colocado em balões volumétricos de 250 mL e mantido em</p><p>dessecador por 24 horas, pesado em balança analítica e submetido a extração de forma</p><p>exaustiva por oito horas em aparato de Sohxlet, utilizando 200 mL de hexano como</p><p>solvente extrator e o solvente recuperado em evaporador rotativo. No dia seguinte, os</p><p>balões com o óleo extraído das amostras foram pesados em balança analítica e massa de</p><p>óleo obtida pela diferença entre a do balão antes e depois da extração (Zenebon et al.,</p><p>2008).</p><p>2.3 Análise estatística</p><p>Os experimentos foram conduzidos em delineamento inteiramente casualizado</p><p>(DIC). A normalidade dos erros dos dados foi verificada pelo teste de Shapiro-Wilk, a</p><p>homogeneidade de variância pelo teste de Bartlett e a independência dos erros por meio</p><p>do teste de Durbin-Watson. Dados que não atenderam essas pressuposições foram</p><p>transformados por arcsen√x/100, e, novamente, testados. Os dados foram então</p><p>submetidos ao teste F da análise de variância e as médias agrupadas pelo teste Scott-Knott</p><p>a 5% de probabilidade. O desempenho agronômico, qualidade fisiológica e teor de óleo</p><p>foram avaliados por análises de componentes principais (PCA) das quatro cultivares de</p><p>24</p><p>sementes de canola. As análises estatísticas foram feitas com o software estatístico “R.</p><p>4.1.2” (R Core Team, 2022).</p><p>3. RESULTADOS E DISCUSSÃO</p><p>3.1 Desempenho agronômico</p><p>A população inicial (PI) da cultivar Diamond foi maior, quando comparadas as</p><p>demais cultivares (Tabela 2), coincidindo com ciclo fenológico menor de 140 dias,</p><p>seguida das cultivares Hyola 575, Alth B4 e Nuola 300. A população inicial das cultivares</p><p>pode estar relacionada a fatores genéticos, ambientais e competitivos (Araújo et al.,</p><p>2021).</p><p>O ciclo fenológico das cultivares variaram de 140 a 146 dias, considerando-se uma</p><p>estratégia valiosa, proporcionando vantagens adaptativas permitindo uma gestão mais</p><p>eficiente da produção e excelente alternativa econômica para uso em esquemas de rotação</p><p>ou sucessão de culturas (Guimarães et al., 2020).</p><p>Tabela 2 - População inicial (PI; n° de plantas), altura da planta (AP; cm); altura da inserção da</p><p>1° síliqua (AIS; cm); número de síliquas por planta (NSP); número de sementes por síliqua (NSS);</p><p>produtividade (PROD; kg ha-1) (médias ± erro-padrão) de quatro cultivares de canola cultivados</p><p>em alta altitude.</p><p>Cultivares PI AP AIS NSP NSS PROD</p><p>Nuola 300 242d 149,50a 113,58a 105a 15b 2.034a</p><p>Hyola 575 338b 145,87a 87,50b 88a 11b 2.036a</p><p>Alth B4 242c 134,17a 85,63b 148a 22a 1.277c</p><p>Diamond 414a 129,80a 75,73b 118a 17ab 1.467b</p><p>CV (%) 2,46 9,32 7,92 27,88 17,52 0,61</p><p>Médias seguidas de mesma letra na coluna, não diferem pelo teste de Scott-Knott em nível α= 5% de probabilidade.</p><p>ns não significativo a 5% de probabilidade pelo teste F em nível α= 5%.</p><p>A altura das plantas (AP) foi semelhante entre as cultivares, registrando uma</p><p>média de 139,83 cm (Tabela 2). Este resultado é semelhante as médias de altura de plantas</p><p>relatadas por Nichelati et al., (2020) na canola. No campo, durante a fase de colheita,</p><p>observou-se para as cultivares uma notável desfolha na parte inferior da planta,</p><p>especificamente no caule próximo ao solo. Portanto, a ausência de diferença na altura das</p><p>plantas entre as cultivares, relaciona-se possivelmente a desfolha significativa, pois</p><p>quanto mais tarde a desfolha ocorre nas plantas de canola, especialmente próximo ao</p><p>estádio de maturidade fisiológica, menor é o impacto dela na altura média das plantas</p><p>(Santos et al., 2020).</p><p>25</p><p>A altura da inserção da primeira síliqua (AIS) da cultivar Nuola 300 foi maior que</p><p>as das demais (Tabela 2). A maior altura da inserção da primeira síliqua da cultivar Nuola</p><p>300 é importante para facilitar e reduzir perdas na colheita mecanizada. Além disso, a</p><p>maior altura de inserção reduz o apodrecimento das síliquas em contato com o solo,</p><p>desvalorizando o produto final (Costa; Carlos, 2003).</p><p>O número de síliquas por planta (NSP) foi semelhante entre as cultivares (Tabela</p><p>2). Essa característica varia com a sobrevivência de ramos, brotos, flores e síliquas jovens</p><p>(Diepenbrock, 2000). Portanto, a canola é uma planta que requer polinização cruzada para</p><p>produzir síliquas, se a polinização por insetos, como abelhas, for ineficaz devido à falta</p><p>de polinizadores ou clima inapropriado, pode resultar em menos síliquas, e</p><p>consequentemente, menor número de sementes por síliqua (Durán et al., 2010).</p><p>O número de sementes por síliqua (NSS) foi maior para a cultivar Alth B4 (Tabela</p><p>2). O número de sementes por síliqua, é dependente da cultivar, do ambiente onde é</p><p>cultivada e do ambiente selecionado para a cultivar, e esses fatores influenciam no</p><p>rendimento (Escobar et al., 2011). Genes que regulam o desenvolvimento de síliquas</p><p>foram identificados, e são relacionados a fatores intrínsecos da planta de canola (Yang et</p><p>al., 2023)</p><p>É importante destacar que as cultivares Alth B4 e Diamond apresentaram número</p><p>de sementes 22 e 17 por síliqua, respectivamente, o que corrobora com as variações</p><p>médias de 17 a 24 de sementes por síliqua observados em diferentes genótipos de canola</p><p>(Young et al., 2004; Durán et al., 2010).</p><p>Deve-se enfatizar que estresses ambientais nas fases de formação de síliquas e</p><p>expansão dos grãos podem alterar o número de síliquas por planta e de sementes por</p><p>síliquas, além do peso e tamanho dos grãos (Thomas, 2003).</p><p>A produtividade (PROD) de sementes das cultivares Nuola 300 e Alth B4 foi</p><p>maior com valores de 2.034 kg ha-1 e 2.036 kg ha-1, respectivamente, seguido do Diamond</p><p>(1.467kg ha-1) e menor valor para o Hyola 575 (1.277 kg ha-1) (Tabela 2).</p><p>A produção de sementes das cultivares Nuola 300 e Alth B4 foi superior à média</p><p>nacional da canola, 1.591 kg.ha-1 em 2023 (Conab, 2023). A produtividade média (1.703</p><p>kg ha-1) das quatro cultivares foram maiores que a média (1.413 kg ha-1) de cultivar dessa</p><p>planta em baixas altitudes no sul do Brasil (Colet et al., 2020), confirmando variações</p><p>neste parâmetro com a temperatura, umidade, luz e nutrição (Mattioni et al., 2017).</p><p>A partir dos resultados, é válido afirmar que as características agronômicas estão</p><p>intrinsecamente relacionadas à cultivar, sendo que o potencial de produção é uma</p><p>26</p><p>característica geneticamente controlada, manifestando ampla variação entre distintas</p><p>variedades. Adicionalmente, esses resultados corroboram a viabilidade da canola como</p><p>uma excelente opção de cultivo em áreas de elevada altitude (>1.300 m).</p><p>3.2 Qualidade fisiológica e teor de óleo nas sementes</p><p>O teor de água (TA) das sementes variou entre as cultivares de canola com maior</p><p>valor para Diamond com 11,00% e Hyola 575 com 10,64%, respectivamente (Tabela 3).</p><p>Estes valores estão próximos do limite máximo tolerável, de 2,0 pontos percentuais para</p><p>a padronização das análises e potencial fisiológico de sementes (Marcos-Filho, 2015).</p><p>Tabela 3 - Teor de água (TA; %), peso de mil sementes (PMS; g), primeira contagem da</p><p>germinação (PC; %), germinação (G; %), índice de velocidade de germinação (IVG), emergência</p><p>(E; %), estande inicial (EI; %), índice de velocidade de emergência e teste de frio (TF; %) e teor</p><p>de óleo (TO; %) (médias ± erro-padrão) de quatro cultivares de canola cultivados em alta altitude.</p><p>Parâmetros</p><p>Cultivares</p><p>CV (%)</p><p>Nuola 300 Hyola 575 Alth B4 Diamond</p><p>TA 8,90b 10,64a 9,43b 11,00a 9,31</p><p>PMS 3,99a 3,81b 3,99a 3,81b 1,80</p><p>PC 82a 51b 87a 93a 15,89</p><p>G 92b 65c 89b 98a 9,76</p><p>IVG 18,14a 9,15c 15,30b 20,08a 20,28</p><p>E 93b 79b 98a 91b 5,31</p><p>EI 88b 64c 94a 82b 5,72</p><p>IVE 10,83a 9,29b 10,46a 10,99a 6,01</p><p>TF 100a 89b 97a 99a 1,51</p><p>TO 44,16b 42,57c 45,51a 46,36a 2,02</p><p>Médias seguidas de mesma letra na linha, não diferem pelo teste de Scott-Knott em nível α= 5% de probabilidade.</p><p>ns não significativo a 5% de probabilidade pelo teste F em nível α= 5%.</p><p>O peso de mil sementes (PMS) diferiu entre as cultivares, de 3,81g a 3,99g, sendo</p><p>maior em Nuola 300 e Alth B4 e menor para Hyola 575 e Diamond (Tabela 3). O valor</p><p>observado segundo Brasil (2009) define as mesmas como sementes pequenas por serem</p><p>de peso menor que 200 g.</p><p>Os valores observados para as porcentagens de primeira contagem de germinação</p><p>(PC), índice de velocidade emergência (IVE) e teste de frio (TF) foram superiores para</p><p>as cultivares Nuola 300, Alth B4 e Diamond em comparação com os obtidos para Hyola</p><p>575 (Tabela 3).</p><p>No teste de germinação, maior porcentagem de plântulas normais foi obtida para</p><p>27</p><p>as sementes da cultivar Diamond, seguida pelas cultivares Nuola 300 e Alth B4, com</p><p>menor valor para Hyola 575 (Tabela 3).</p><p>Os valores obtidos para as sementes das cultivares Diamond, Nuola 300 e Alth B4</p><p>atendem os padrões mínimos para produção e comercialização de sementes de canola</p><p>estabelecido pela Instrução Normativa n° 45 do MAPA, que é de 80% (Brasil, 2013). O</p><p>índice de velocidade de germinação (IVG) das cultivares Nuola 300 e Diamond foram</p><p>maiores, o do Alth B4 intermediário e o do Hyola 575 menor (Tabela 3).</p><p>O maior índice de velocidade de germinação (IVG) nas cultivares Nuola 300 e</p><p>Diamond indicam um estabelecimento mais rápido e uniforme no campo (Singh et al.,</p><p>2021).</p><p>A emergência (E) e estande inicial (EI) da cultivar Alth B4 foi maior que as demais</p><p>cultivares (Tabela 3). A maior emergência (E) e estande inicial (EI) da cultivar Alth B4,</p><p>pode estar associada a sementes de maior vigor com emergência de plantas maiores</p><p>(Nascimento et al., 2019).</p><p>De maneira geral, pela avaliação da qualidade fisiológica das sementes observa-</p><p>se a qualidade inferior para a cultivar Hyola 575, que pode ser explicada por uma provável</p><p>dormência secundária observada pelo resultado do teste de tetrazólio para as sementes</p><p>remanescentes viáveis do teste de germinação, e relatado também em em sementes em B.</p><p>napus por Fei et al (2007), Brown et al (2022) e Brown et al (2024). Esses autores</p><p>descrevem como uma dormência de caráter altamente herdável e afetado por fatores</p><p>fisiológicos e ambientais que são induzidos durante a maturidade fisiológica das</p><p>sementes. Essa dormência se deve, especialmente, ao acúmulo de ácido abscísico (ABA)</p><p>e manutenção de giberelina (GAs), hormônio indutor germinação das sementes (Cotado</p><p>et al., 2020).</p><p>O teor de óleo (TO) das sementes variou de 42,57%</p><p>a 46,36%, com maior valor</p><p>para as cultivares Alth B4 e Diamond, menor para Hyola 575 e média para Nuola 300</p><p>(Tabela 3). O teor de óleo das sementes de canola varia de 40-47% (Raboanatahiry et al.,</p><p>2021). No entanto, para as cultivares Hyola 575, Alth B4 e Diamond cultivados em</p><p>diferentes épocas na cidade de Lavras, estado de Minas Gerais, Brasil foi de 28,80%</p><p>(Santiago et al., 2023). O menor teor de óleo foi observado em cultivares cultivadas no</p><p>Chile em sementes produzidas com menor densidade populacional (Vujakovic et al.,</p><p>2015). Conforme a análise de componentes principais, os dois primeiros componentes</p><p>principais (PC1 e PC2) juntos explicam a maior parte da variância acumulada,</p><p>discriminando 80,5% da variabilidade total dos dados (Figura 2). Segundo Jollife e</p><p>28</p><p>Cadima (2016), é considerada aceitável e confiável a variabilidade dos dados quando</p><p>atingem pelo menos 80% da variância total.</p><p>Figura 2 - Componentes principais do desempenho agronômico e qualidade fisiológica das</p><p>cultivares de canola Nuola 300, Hyola 575 CL Alth B4 e Diamond.</p><p>Observa-se no primeiro componente principal (PC1) (Figura 2) os vetores das</p><p>variáveis de qualidade fisiológica (índice de velocidade de germinação – IVG, teste de</p><p>frio – TF, teor de óleo – TO, germinação – G, primeira contagem – PC, emergência – E,</p><p>peso de mil sementes – PMS e estande inicial - EI) e desempenho agronômico (número</p><p>de síliquas por planta – NPS, número de sementes por sílica – NSS, produtividade –</p><p>PROD e altura da inserção da 1° síliqua – AIS), indicando que os autovetores encontram-</p><p>se próximos e nos mesmos sentidos, formando ângulos entre si no mesmo plano de</p><p>dimensão, com as cultivares Diamond, Nuola e Alth B4, e portanto, as informações</p><p>contidas nas variáveis são de maior relevância e alta correlação com estas cultivares.</p><p>Para o segundo componente principal (PC2) (Figura 2), que apresenta menor</p><p>variância acumulada, as variáveis de qualidade fisiológica (teor de água – TA e índice de</p><p>velocidade de emergência – IVE) e desempenho agronômico (altura da planta – AP e</p><p>população inicial – PI) mostram ter menor poder discriminatório. Isso é evidenciado pela</p><p>distância e pelo sentido oposto dos vetores em relação às demais variáveis, indicando uma</p><p>menor significância para as cultivares Diamond, Nuola e Alth B4, e maior para a cultivar</p><p>Hyola 575. Quanto mais distante o vetor da variável estiver da cultivar, menor será o</p><p>desempenho dessa cultivar em relação à variável correspondente.</p><p>29</p><p>Segundo Hongyu et al (2016), o poder discriminatório das variáveis em cada</p><p>componente principal é avaliado pelo valor da correlação. Portanto, quanto mais distante</p><p>o vetor da variável estiver do lote, menor será o desempenho desse lote em relação à</p><p>variável correspondente (Araújo et al., 2021).</p><p>O cultivo de canola em região de cerrado de elevada altitude, torna-se uma</p><p>alternativa viável. Esta cultura está ganhando mais popularidade entre os agricultores</p><p>devido aos benefícios que proporcionam na rotação das culturas, tornando o controle de</p><p>plantas mais eficaz. O desenvolvimento de cultivares mais adaptadas e com maior</p><p>potencial produtivo, aliado ao avanço das técnicas de manejo e investimentos em</p><p>adubação adequada, pode contribuir para a melhoria da produção de sementes de canola</p><p>em áreas de elevada altitude.</p><p>4. CONCLUSÕES</p><p>O desempenho agronômico das cultivares Nuola 300, Alth B4, Diamond e Hyola</p><p>575 foi adequado, evidenciando produtividade e teor de óleo comparáveis à média</p><p>nacional. Esses resultados reforçam a viabilidade e vantagem das cultivares para o cultivo</p><p>em regiões de cerrado de altitude elevada (>1.300 m).</p><p>A qualidade fisiológica das sementes, foi superior nas cultivares Nuola 300, Alth</p><p>B4 e Diamond em comparação com a cultivar Hyola 575. Isso consolida a escolha destas</p><p>como promissoras para instalação de campos de sementes nestas condições.</p><p>5. REFERÊNCIAS</p><p>ARAÚJO, L.N. et al. 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Para</p><p>aquisição dos espectros, foram selecionadas amostras aleatórias de sementes e realizado</p><p>12 leituras para cada cultivar. As cultivares foram categorizados em alto (C1) e baixo</p><p>vigor (C2). Os espectros foram submetidos aos métodos de pré-processamento Standard</p><p>Normal Variate (SNV), Multiplicative Scatter Correction (MSC), e 1ª e 2ª derivadas de</p><p>Savitzy-Golay, foram utilizados para a construção de modelos de classificação por meio</p><p>do método PLS-DA. Os modelos com os pré-processamentos SNV, MSC e 1ª derivada</p><p>de Savitzy-Golay, apresentaram alta acurácia e kappa, portanto o SNV é considerado um</p><p>modelo simples e mais bem aplicado aos dados. As regiões entre os comprimentos de</p><p>ondas de1.004-1.064 nm e 1.698-1.907 nm foram as mais importantes para distinguir os</p><p>níveis de qualidade das sementes de canola. A utilização dos espectros pré-processados</p><p>por meio do método de correção de dispersão, demonstraram acurácia de 96,4% para a</p><p>classificação de lotes de sementes de canola em diferentes níveis de qualidade fisiológica.</p><p>Palavras-chave: Brassica napus L. var. oleifera Moench.; Oleaginosa; Qualidade de</p><p>sementes; Quimiometria.</p><p>34</p><p>ABSTRACT</p><p>The use of high quality seeds is essential in the production system of any crop. Near</p><p>infrared spectroscopy (NIR) in combination with chemometric methods is a fast, non-</p><p>destructive and very promising tool for evaluating the physiological potential of seeds.</p><p>Therefore, the objective was to analyze the feasibility of NIR spectroscopy, in</p><p>conjunction with chemometric methods, for detecting variations in the physiological</p><p>quality of canola seeds. Seeds from eight lots of the cultivars Nuola 300, Hyola 575 and</p><p>Diamond were subjected to tests for initial characterization, seedling length tests and X-</p><p>ray analysis. To acquire the spectra, random seed samples were selected and 12 readings</p><p>were carried out for each grow crops. The cultivars were categorized into high (C1) and</p><p>low vigor (C2). The spectra were subjected to the pre-processing methods Standard</p><p>Normal Variate (SNV), Multiplicative Scatter Correction (MSC), and 1st and 2nd</p><p>derivatives of Savitzy-Golay, were used to build classification models using the PLS-DA</p><p>method. . The models with pre-processing SNV, MSC and 1st derivative of Savitzy-Golay</p><p>showed high accuracy and kappa, therefore SNV is considered a simple model and better</p><p>applied to the data. The regions between the wavelengths of 1,004-1,064 nm and 1,698-</p><p>1,907 nm were the most important for distinguishing the quality levels of canola seeds.</p><p>The use of pre-processed spectra using the dispersion correction method demonstrated an</p><p>accuracy of 96.4% for classifying canola seed lots at different levels of physiological</p><p>quality.</p><p>Keywords: Brassica napus L. var. oleifera Moench; Oilseed; Seed quality;</p><p>Chemometrics.</p><p>35</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>A canola (Brassica napus L. var. oleifera Moench) é uma cultura oleaginosa de</p><p>relevância global, ocupando o posto da terceira mais produzida no mundo, logo após a</p><p>soja (USDA, 2023). Seus grãos são altamente valorizados devido ao seu teor considerável</p><p>de proteína de 21% a 33% de óleo, com variações situadas na faixa de 42% a 48%</p><p>(Yuldasheva, 2023). Pertencente à família Brassicaceae e derivada do melhoramento</p><p>genético da colza, a canola, é reconhecida por seu baixo teor de ácido erúcico e</p><p>glucosinolatos (Visentainer et al., 2015).</p><p>Esta cultura desempenha um papel crucial como fonte de óleo vegetal para</p><p>consumo humano, produção de biocombustíveis e uma variedade de aplicações</p><p>industriais. O avanço em pesquisas</p>