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<p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 1/21</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>INFRAÇÕES PENAIS, SUJEITOS DAS INFRAÇÕES PENAIS E</p><p>VALIDADE TEMPORAL DA LEI PENAL</p><p>Francisco de Aguilar Menezes</p><p>Imprimir</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro aluno,</p><p>Na seção anterior, você concluiu os estudos sobre os princípios orientadores do</p><p>Direito Penal: ofensividade, insigni�cância, proporcionalidade, igualdade, estado de</p><p>inocência, in dubio pro reo, ne bis in idem e aplicação da lei penal mais bené�ca. A</p><p>compreensão dos princípios é de extrema importância para que você entenda o</p><p>processo de elaboração, de aplicação e de interpretação das normas penais. Além</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>Deseja ouvir este material?</p><p>Áudio disponível no material digital.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 2/21</p><p>disso, conhecê-los é conhecer também os parâmetros de atuação do Estado no</p><p>exercício do jus puniendi, pois sabe-se que o Estado, representado em matéria</p><p>penal pelo Ministério Público, tem o dever de punir as condutas que ofendam os</p><p>bens jurídicos tutelados. Contudo, essa tarefa deve ser realizada de acordo com os</p><p>princípios constitucionais-penais, sob pena de afronta ao Estado Democrático de</p><p>Direito e à segurança jurídica.</p><p>Antes de iniciar os estudos desta seção, é importante que você relembre a função</p><p>de cada princípio estudado. O princípio da ofensividade impõe que, para a punição</p><p>de uma conduta, deve esta ser efetivamente gravosa, ou seja, deve ofender e</p><p>provocar uma lesão real e concreta ao bem jurídico tutelado. O princípio da</p><p>insigni�cância ou bagatela é uma construção da doutrina penal alemã e só pode</p><p>ser aplicado de acordo com as características do caso concreto quando houver</p><p>uma ofensividade mínima ao bem jurídico e desde que preenchidos os requisitos</p><p>estabelecidos pela jurisprudência pátria dos Tribunais Superiores. O princípio da</p><p>proporcionalidade determina que a pena não pode ser maior que o grau de</p><p>responsabilidade previsto na norma penal para a prática do fato criminoso. O</p><p>princípio da igualdade se traduz na máxima de que todos são iguais perante a lei.</p><p>O princípio do estado de inocência prevê que, até o trânsito em julgado de</p><p>sentença penal condenatória, ninguém poderá ser considerado culpado.</p><p>O princípio do in dubio pro reo vincula o magistrado a optar pela absolvição nos</p><p>casos de dúvida.</p><p>O princípio do ne bis in idem se traduz em uma proibição inafastável à dupla</p><p>punição pelo mesmo fato. E, por �m, o princípio da aplicação da lei penal mais</p><p>favorável determina a observância de dois possíveis desdobramentos:</p><p>irretroatividade da lei mais grave e retroatividade da lei mais bené�ca.</p><p>Já que você concluiu seus estudos sobre os princípios que norteiam o Direito Penal,</p><p>é hora de aprender sobre os tipos de infração penal, os sujeitos da infração penal e</p><p>a validade temporal da lei penal.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 3/21</p><p>Foi apresentada a você, na última seção, uma situação-problema em que o</p><p>delegado responsável pela instauração do inquérito policial para apurar o furto de</p><p>celular, praticado por Bruno e Tiago contra Antônio, erroneamente realizou a</p><p>abertura de dois procedimentos criminais. Assim, já condenados e cumprindo</p><p>pena pelo furto do celular de Antônio mediante concurso de agentes, os dois</p><p>rapazes foram novamente citados para responder outra ação penal pelo mesmo</p><p>fato. A situação-problema proposta era a seguinte: como auxiliar Beatriz, uma</p><p>advogada recém-formada, contratada pela família de Bruno e Tiago, a impedir que</p><p>ambos respondessem novamente pelo mesmo fato? Qual princípio se aplicaria ao</p><p>caso?</p><p>Como você aprendeu, aplica-se, nessa situação, o princípio do ne bis in idem,</p><p>segundo o qual ninguém poderá ser duplamente processado pelo mesmo crime.</p><p>Desse modo, não há possibilidade de prosseguimento da ação penal, visto que</p><p>Bruno e Tiago já responderam ao processo pelo furto do celular de Antônio e,</p><p>inclusive, já estão cumprindo pena.</p><p>Diante disso, apresento a você uma nova situação-problema: re�etindo sobre tudo</p><p>o que está acontecendo em sua nova vida como advogada, sobre as batalhas que</p><p>enfrentou para se formar e ser aprovada no exame de ordem e sobre a</p><p>quantidade de coisas que tem aprendido na prática pro�ssional, surgiu uma</p><p>dúvida que fez Beatriz levantar questionamentos em relação ao seu primeiro caso</p><p>criminal, o furto de celular praticado por Bruno e Tiago. Beatriz se lembra de ter</p><p>aprendido que há dois tipos de infração penal: as reconhecidas como crime ou</p><p>delito e as chamadas contravenções penais, porém não sabe dizer com certeza</p><p>qual modalidade de infração penal constitui o fato praticado por Bruno e por Tiago</p><p>em prejuízo de Antônio.</p><p>Ao pensar nisso, surgiu em sua mente outra dúvida: ela se recorda que, para cada</p><p>infração penal, existem as �guras do sujeito ativo e do sujeito passivo, porém não</p><p>consegue a�rmar com certeza quem é o sujeito ativo e quem é o sujeito passivo do</p><p>furto de celular praticado por seus clientes.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 4/21</p><p>Para ajudar Beatriz a solucionar suas dúvidas na situação-problema, você</p><p>precisará:</p><p>1. Compreender o conceito de infração penal e suas espécies.</p><p>2. Aprender a diferença entre sujeito ativo e sujeito passivo de infrações penais.</p><p>conhecimentos teóricos, que o auxiliarão a solucionar a questão e também a</p><p>aprender sobre a validade temporal da lei penal.</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>As escolas penais surgiram num período histórico relativamente recente. Sob</p><p>perspectivas diversas, todas elas tentam, de uma forma ou de outra, criar um</p><p>conjunto de premissas que formam, cada uma com peculiaridades próprias,</p><p>concepções sobre o fenômeno do crime, fundamentos e �nalidades do sistema</p><p>penal. Neste trabalho, vamos destacar algumas delas.</p><p>Embora possamos contestar a existência de uma Escola Clássica – como se os</p><p>integrantes dela tivessem (o que não tinham) desejo de a ela pertencerem –,</p><p>segundo a autora Miranda Santos (2018), é possível extrair elementos comuns que</p><p>identi�cariam autores com a�nidades �losó�cas sobre o direito penal. Seus</p><p>representantes a�rmavam, dentre outras convicções, que a pena seria um mal</p><p>necessário imposto ao indivíduo que, por ter agido de forma consciente e</p><p>voluntária contra o contrato social estabelecido para manter a ordem e a moral,</p><p>merecia sofrer um castigo. Apesar disso, essa visão �losó�ca orientava-se no</p><p>sentido de interromper a notória barbárie em que o direito penal medieval havia</p><p>se transformado ao longo dos séculos. Isso se fazia com a introdução de um</p><p>tratamento mais humanitário em favor dos acusados e condenados, o que,</p><p>comumente, era feito por meio da adoção de princípios e de métodos racionais de</p><p>exame sobre o crime. Os autores dessa doutrina eram, em geral, contrários à</p><p>tortura, a investigações/processos autoritários e propunham a legalidade como</p><p>limite das reações do Estado. Como um dos maiores expoentes desse momento,</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 5/21</p><p>podemos destacar Cesare Bonesana, Marquês de Beccaria</p><p>(1738-1794), que</p><p>escreveu uma obra a qual é, ainda hoje, referência na doutrina penal, chamada</p><p>Dos Delitos e das Penas (1764).</p><p>Outro autor igualmente reconhecido dessa escola é Francesco Carrara, quem</p><p>sugere ser o crime uma conduta que viola o direito e que, por isso mesmo, pelo</p><p>direito, deve vir também a solução. Segundo esse último autor italiano, a pena é a</p><p>resposta jurídica para a proteção do direito de todos, sendo que ela está</p><p>condicionada à noção de justiça. Isso signi�ca que a sanção precisa ser orientada</p><p>pela racionalidade e sua medida deve ser proporcional ao dano. Outro autor que</p><p>merece destaque e que pertenceria a esse grupo é Paul Johann Anselm Ritter von</p><p>Feuerbach, que criou o famoso brocardo nullum crimen sine lege, nulla poena sine</p><p>lege. É dele também a concepção preventiva da pena que serviria para dissuadir o</p><p>potencial delinquente a desistir de iniciar a prática criminosa ciente das</p><p>consequências provenientes do ato. Defendeu igualmente que a existência do</p><p>crime no ordenamento estava condicionada à tutela de um interesse (BRANDÃO,</p><p>2010).</p><p>Em seguida, veio a Escola Positivista Penal, inspirada na �loso�a de Augusto</p><p>Comte. Seus seguidores acreditavam que o criminoso era fruto de fatores</p><p>biológico-físicos, antropológicos e sociais. Veja que interessante: enquanto a escola</p><p>anterior visava a punição do crime em razão do fato, o que limitava o poder</p><p>punitivo estatal, os positivistas do século XIX e início do século XX acreditavam que</p><p>deveriam consolidar o poder punitivo estatal e expandi-lo o su�ciente para atingir</p><p>o criminoso como causa do delito (SANTOS, 2018).</p><p>A alteração radical do paradigma não foi sem propósito. A Europa sofria com um</p><p>estado socialmente caótico. Havia, só na França, dois milhões de indigentes, 300</p><p>mil mendigos e 130 mil menores abandonados. En�m, a miséria e a criminalidade</p><p>incentivaram o surgimento, na Sociologia, de estudos que defendiam a</p><p>necessidade de estabelecimento da ordem e do progresso como forma de</p><p>legitimar a moral e a convivência entre o capital e o trabalho.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 6/21</p><p>Nesse sentido, Lombroso (1878) defendia que o homem delinquente apresentava</p><p>sinais que indicavam sua predisposição ao crime (como: o tamanho das</p><p>mandíbulas e do crânio, peso do cérebro, critérios psicológicos, etc). Já Enrico Ferri</p><p>teria classi�cado o criminoso em cinco grupos: natos (por razões físicas nasciam</p><p>com pouco senso moral e predisposição ao crime); loucos habituais (indivíduos que</p><p>se transformaram em criminosos em razão do ambiente em que foram criados);</p><p>ocasionais (que esperam uma oportunidade aparecer para praticarem o crime); e,</p><p>por �m, passionais (devido à imaturidade, deixavam-se ser dominados por uma</p><p>emoção que os conduzia a praticar um delito). De acordo com Aguiar (2018), os</p><p>membros dessa escola defendiam o crime como um fato de ordem social e natural</p><p>que determinaria o destino do indivíduo. Embora a sociedade possa ser</p><p>responsabilizada pelo resultado, alguns doutrinadores positivistas defendiam a</p><p>aplicação da pena de morte e outras punições severas como defesa de direitos de</p><p>todos os membros sociais.</p><p>A terceira via do Direito Penal (Terza Scuola) surge como forma de tentar reduzir a</p><p>distância entre as duas escolas anteriores e pretendendo conciliar elementos</p><p>típicos de cada uma. Embora tenha decidido pela divisão entre imputáveis e</p><p>inimputáveis, essa escola não aceitava o livre-arbítrio como fundamento para a</p><p>responsabilização penal, nem o determinismo incutido na ideia de criminoso nato.</p><p>Seus defensores acreditavam que a pena servia como defesa social e que tinha</p><p>funções preventivas. Além disso, a pena não seria apenas a retribuição, mas</p><p>serviria para a correção dos condenados.</p><p>Com Arturo Rocco, surgiu a Escola Técnico-jurídica. Seu objetivo era eliminar as</p><p>confusões provocadas pelo positivismo do século XIX, que misturava as áreas do</p><p>Direito Penal com a criminologia e as políticas criminais (ROCCO apud</p><p>BITENCOURT, 2020, p. 126). Essa escola preferiu abordar a ciência penal como um</p><p>ramo autônomo do conhecimento que deveria, em razão dessa característica, usar</p><p>objeto e métodos próprios. Isso signi�ca que a ordem jurídica não era apenas uma</p><p>das características do direito, mas que o direito positivo deveria ser a única fonte</p><p>de estudos sobre o Direito Criminal. O delito seria, assim, uma forma de relação</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 7/21</p><p>jurídica prevista em lei, que pressupõe uma consequência diante da sua incidência,</p><p>qual seja: a pena. Esta se justi�caria por razões preventivas (especial e geral).</p><p>En�m, dizia-se que o ser humano expressa sua moral pelos atos que pratica, pelo</p><p>fato de que ele é livre para agir contra ou conforme o direito. Assim, distanciava-se</p><p>do determinismo da escola anterior, priorizando a ideia de livre arbítrio e de</p><p>independência cientí�ca.</p><p>Crise do positivismo: de acordo com Cláudio Brandão (2010), o positivismo</p><p>jurídico, que perdurou de forma absoluta, provocou situações de absoluta</p><p>injustiça. A simples subsunção dos fatos às normas, desprezando-se as</p><p>peculiaridades do caso concreto, era insu�ciente para permitir uma solução</p><p>adequada e coerente aos �ns e às funções das próprias penas. Bitencourt (2017)</p><p>chega a a�rmar que o método indutivo e formalista do positivismo deu lugar às</p><p>considerações axiológicas e materiais, como o neokantismo propõe. Entretanto,</p><p>para um desenvolvimento histórico, considera-se essa breve e generalista</p><p>introdução satisfatória para lhe despertar interesse sobre as escolas penais.</p><p>Outras que discutirão com mais profundidade o neokantismo, o funcionalismo e o</p><p>pós-funcionalismo você poderá estudar mais à frente no nosso material. Não deixe</p><p>também de ler sobre a Escola Correcionalista, sobre a Escola Moderna Alemã,</p><p>entre outras. Você poderá pesquisar sobre isso na obra do autor Cezar Roberto</p><p>Bitencourt, Tratado de Direito Penal (BITENCOURT, 2017).</p><p>INFRAÇÃO PENAL</p><p>O Brasil adotou o sistema binário/bipartido/dualista para de�nição das espécies de</p><p>infração penal. Assim, ela se divide em crime (delito) e contravenção penal.</p><p>A infração penal, ou seja, o descumprimento por ação ou omissão de uma norma</p><p>penal pode caracterizar a prática tanto de um crime ou delito quanto de uma</p><p>contravenção penal. Ontologicamente não há distinção entre as espécies de</p><p>infrações penais, sendo certo que tal divisão baseia-se na gravidade de ambos.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 8/21</p><p>Segundo Cezar Roberto Bitencourt (2014, p. 277), os crimes ou delitos possuem um</p><p>conceito formal, material e analítico. A concepção formal de�ne como crime toda</p><p>ação ou omissão proibida por lei, sob ameaça de pena. Já a concepção material</p><p>conceitua o crime como toda ação ou omissão que afronta os valores ou interesses</p><p>do corpo social, exigindo sua proibição com ameaça de pena.</p><p>Ainda é possível dizer, pelo conceito analítico, que o crime é o fato típico, ilícito e</p><p>culpável. Por sua vez, a contravenção, também chamada de crime-anão ou delito</p><p>liliputiano, pode ser conceituada como uma violação de menor gravidade à norma</p><p>penal, de�nida a critério do legislador.</p><p>Para facilitar a compreensão das principais diferenças entre os crimes e as</p><p>contravenções, veja o quadro comparativo a seguir:</p><p>Quadro 1.2 | Crimes x Contravenções</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 9/21</p><p>CRIMES OU DELITOS CONTRAVENÇÕES PENAIS</p><p>Estão previstos no Código Penal ou em</p><p>leis esparsas:</p><p>Maior gravidade da conduta</p><p>praticada.</p><p>Admissão de pena de reclusão e de</p><p>detenção.</p><p>Admissão de todos os tipos de ação</p><p>penal.</p><p>Limite de cumprimento de pena: 40</p><p>anos (modi�cado pelo pacote</p><p>anticrime).</p><p>Regimes de cumprimento de pena:</p><p>fechado, semiaberto e aberto.</p><p>O período de prova no sursis varia</p><p>de 2 a 4 anos.</p><p>A competência para processo e</p><p>julgamento será da Justiça Estadual</p><p>ou da Justiça Federal.</p><p>Estão previstas na Lei de</p><p>Contravenções Penais (Decreto-Lei nº</p><p>3.688/1941):</p><p>Baixa gravidade da conduta</p><p>praticada.</p><p>Admissão apenas de prisão</p><p>simples, que, em termos mais</p><p>claros, signi�ca ausência de rigor</p><p>penitenciário.</p><p>Admissão apenas da Ação Penal</p><p>Pública Incondicionada.</p><p>Embora admitam a tentativa, não</p><p>será punível.</p><p>Limite de cumprimento de pena: 5</p><p>anos.</p><p>Regimes de cumprimento de pena:</p><p>semiaberto e aberto.</p><p>O período de prova no sursis varia</p><p>de 1 a 3 anos.</p><p>A competência para processo e</p><p>julgamento será da Justiça</p><p>Estadual.</p><p>Fonte: elaborado pelo autor.</p><p>ATENÇÃO</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 10/21</p><p>Há quatro principais modalidades de ação penal e elas serão objeto de</p><p>estudo da disciplina de Direito Processual Penal:</p><p>Ação penal pública incondicionada.</p><p>Ação penal pública condicionada a representação.</p><p>Ação penal privada.</p><p>Ação penal privada subsidiária da pública.</p><p>É importante entender que, além das contravenções penais previstas no Decreto-</p><p>Lei nº 3.688/1941, existem também os chamados crimes de menor potencial</p><p>ofensivo, ou seja, crimes cuja pena máxima prevista não ultrapassa dois anos,</p><p>conforme estabelecido pelo art. 61 da Lei nº 9.099/95. Esses crimes podem estar</p><p>previstos tanto no Código Penal (CP) quanto em legislações penais especiais.</p><p>REFLITA</p><p>Quando é o caso de o contraventor possuir foro por prerrogativa de função,</p><p>há deslocamento de competência para a Justiça Federal?</p><p>FAÇA VOCÊ MESMO</p><p>Pesquise na doutrina e na jurisprudência as seguintes questões: constitui</p><p>crime quando o agente porta somente a munição sem a arma? E quando a</p><p>arma está quebrada? A arma deve ter sido apreendida e periciada?</p><p>Dada a baixa gravidade das condutas de�nidas como contravenção e como crime</p><p>de menor potencial ofensivo, a Constituição Federal de 1988, em observância ao</p><p>princípio da proporcionalidade, determinou a criação dos juizados especiais para o</p><p>julgamento dessas infrações penais.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 11/21</p><p>Portanto, as contravenções penais e os crimes de menor potencial ofensivo são</p><p>objeto de apreciação pelos Juizados Especiais Criminais.</p><p>PESQUISE MAIS</p><p>Sugestões para aprofundar seus conhecimentos:</p><p>Para saber mais sobre as contravenções penais e para conseguir visualizar</p><p>a diferença entre crimes e contravenções, conheça os tipos penais previstos</p><p>no Decreto-Lei nº 3.688/1941 e os compare com os tipos penais previstos</p><p>no Código Penal a partir do art. 121.</p><p>Assista também ao documentário a seguir:</p><p>JUÍZO. Direção: Maria Augusta Ramos. Rio de Janeiro: Diler & Associados:</p><p>Nofoco �lmes, 2007. (90min), color., 35mm. (O �lme auxilia na re�exão</p><p>sobre a aplicação da lei aos menores infratores).</p><p>SUJEITO ATIVO VERSUS SUJEITO PASSIVO</p><p>Para avançar nos estudos iniciais de Direito Penal, é necessário diferenciar a �gura</p><p>do sujeito ativo da �gura do sujeito passivo do crime.</p><p>Será o sujeito ativo aquele que pratica o fato criminoso, isto é, é aquele que realiza</p><p>o núcleo comissivo ou omissivo do tipo penal.</p><p>Já o sujeito passivo, em regra, é a pessoa física que sofre os danos decorrentes do</p><p>fato delituoso praticado, ou seja, é o titular do bem jurídico tutelado pela norma</p><p>incriminadora.</p><p>Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:</p><p>I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o</p><p>julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial</p><p>ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas hipóteses previstas em lei, a</p><p>transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de primeiro grau.</p><p>— (BRASIL, [2020, s. p.])</p><p>“</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 12/21</p><p>No que tange às classi�cações quanto ao sujeito ativo, chamamos de crime comum</p><p>aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa, ou seja, a norma</p><p>incriminadora não identi�ca qualquer característica do sujeito ativo.</p><p>Chamamos de crime próprio aquele que só pode ser praticado por pessoas</p><p>especí�cas, isto é, pessoas que possuem as características descritas no tipo penal.</p><p>Contudo, ainda cabe coautoria ou participação por parte de quem não possui tal</p><p>característica, conforme veremos no capítulo referente ao concurso de pessoas.</p><p>Por �m, crimes de mão própria são aqueles para os quais a norma incriminadora</p><p>descreve uma conduta fungível, de forma que o autor não pode se fazer substituir.</p><p>Entretanto, ainda caberá concurso de pessoas na modalidade participação.</p><p>ASSIMILE</p><p>Pessoa jurídica pratica crime? Existem basicamente duas correntes:</p><p>1º corrente: adotada por Bitencourt, essa corrente entende que pessoa</p><p>jurídica NÃO pode ser responsabilizada criminalmente. Caso fosse admitida</p><p>tal responsabilização, haveria violação ao princípio da responsabilidade</p><p>subjetiva, entre outros (BITENCOURT, 2020, p. 321).</p><p>2ª corrente: adotada pelo STJ e pelo STF, essa corrente defende que é</p><p>possível, SIM, a pessoa jurídica ser responsabilizada criminalmente pela</p><p>prática de crimes ambientais, por exemplo. Aliás, conforme o entendimento</p><p>hoje presente nos julgados dos tribunais superiores, nem mesmo é</p><p>necessária a dupla imputação, isto é, não é necessário que a pessoa física</p><p>que praticou o crime ambiental seja criminalizada juntamente com a</p><p>pessoa jurídica (CUNHA, 2020, p. 204).</p><p>Quanto às classi�cações, o sujeito passivo pode ser:</p><p>Sujeito passivo formal/constante: é o Estado.</p><p>Sujeito passivo material/eventual: é o titular do bem jurídico atingido.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 13/21</p><p>Sujeito passivo próprio: ocorre quando o tipo penal exige uma qualidade</p><p>essencial do sujeito passivo. Exemplo: art. 123 do CP.</p><p>Crime bipróprio: exige uma qualidade essencial tanto da vítima como do autor.</p><p>Exemplo: art. 123 do CP.</p><p>Dupla subjetividade passiva: é classi�cação atribuída aos crimes em que</p><p>obrigatoriamente há mais de um sujeito passivo.</p><p>LEMBRE-SE</p><p>Não é possível ser sujeito ativo e passivo do crime ao mesmo tempo.</p><p>O animal não pode ser sujeito passivo do crime, mas pode ser considerado</p><p>objeto material.</p><p>PESQUISE MAIS</p><p>A pessoa jurídica pode ser vítima de crime contra a honra?</p><p>VIGÊNCIA E REVOGAÇÃO DA LEI PENAL</p><p>A lei penal, assim como as demais legislações pátrias, está sujeita às previsões do</p><p>art. 1° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, também conhecida</p><p>como LINDB:</p><p>Como se vê, a lei nova entrará em vigor na data indicada em seu texto e, caso haja</p><p>omissão, em 45</p><p>dias a contar de sua publicação.</p><p>Art. 1º Salvo disposição contrária, a lei começa a vigorar em todo o país quarenta e cinco dias depois de</p><p>o�cialmente publicada.</p><p>§ 1º Nos Estados estrangeiros, a obrigatoriedade da lei brasileira, quando admitida, se inicia três meses depois</p><p>de o�cial- mente publicada.</p><p>§ 2º [dispositivo revogado]</p><p>§ 3º Se, antes de entrar a lei em vigor, ocorrer nova publicação de seu texto, destinada a correção, o prazo deste</p><p>artigo e dos parágrafos anteriores começará a correr da nova publicação.</p><p>§ 4º As correções a texto de lei já em vigor consideram-se lei nova.</p><p>— (BRASIL, [2010, s. p.])</p><p>“</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 14/21</p><p>Tratando-se de lei brasileira cuja aplicação é admitida em outros países, a vigência</p><p>se dará em três meses a contar da publicação.</p><p>É importante lembrar que se denomina vacatio legis o período compreendido</p><p>entre a publicação da nova lei e sua entrada em vigor.</p><p>Ainda quanto às regras de vigência e de revogação da lei, veja os arts. 2° e 3° da</p><p>LINDB:</p><p>Há dois tipos de revogação da lei: a total, denominada ab-rogação, e a parcial,</p><p>denominada derrogação. A revogação pode ocorrer de forma expressa (quando</p><p>declarada pela lei) ou tácita (quando regulamentar inteiramente a matéria da qual</p><p>tratava a lei revogada). Ademais, pela regra geral prevista na LINDB, a</p><p>repristinação, isto é, a restauração da lei outrora revogada a partir do �m da</p><p>vigência da lei revogadora, só ocorre se o texto legal assim o previr expressamente.</p><p>Por �m, o mero desconhecimento da lei é inescusável, contudo, em Direito Penal, o</p><p>erro sobre a ilicitude do fato pode afastar a culpabilidade e isentar de pena. As</p><p>distinções entre desconhecimento da lei e erro sobre a ilicitude serão estudadas</p><p>nas próximas seções.</p><p>REFLITA</p><p>Não há revogação da lei penal pelo desuso, ou seja, só porque um crime ou</p><p>contravenção cai em desuso não quer dizer que ninguém mais poderá ser</p><p>punido pela prática. Enquanto a lei que o prevê não for revogada, a punição</p><p>prevista será aplicável.</p><p>Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modi�que ou revogue.</p><p>§ 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou</p><p>quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior.</p><p>§ 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modi�ca</p><p>a lei anterior.</p><p>§ 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência.</p><p>Art. 3º Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece.</p><p>— (BRASIL, [2010, s. p.])</p><p>“</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 15/21</p><p>Para o aprofundamento do tema da vigência da lei penal, é importante que você</p><p>tenha sempre em mente as regras de aplicação da lei penal estudadas na seção</p><p>anterior, re�etidas no princípio da aplicação da lei penal mais bené�ca.</p><p>LEI EXCEPCIONAL E LEI TEMPORÁRIA</p><p>Dispõe o art. 3° do CP que: “A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o</p><p>período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-</p><p>se ao fato praticado durante sua vigência” (BRASIL, 2017, p. 10).</p><p>Segundo Fernando Capez (2014, p. 80), a lei excepcional é feita para vigorar em</p><p>períodos anormais, como época de guerra, calamidade pública, epidemia, etc. Sua</p><p>duração se dará enquanto persistirem as condições que ensejaram sua criação. A</p><p>lei temporária, por sua vez, é feita para vigorar durante um período de tempo</p><p>pre�xado pelo legislador. Na própria lei, está prevista a data de sua cessação, ou</p><p>seja, desde sua entrada em vigor já se sabe a data de sua revogação. São exemplos</p><p>de leis temporárias a Lei Seca do período eleitoral e recentemente a Lei Geral da</p><p>Copa (Lei nº 12.663/2012, art. 36).</p><p>Assim, tratando-se de lei excepcional ou temporária, não há de se falar em</p><p>retroatividade da lei penal, ainda que bené�ca. Caso fosse possível, restariam</p><p>inviabilizadas as razões pelas quais teriam sido editadas tais leis.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>Vamos analisar a decisão a seguir e depois entender o que ocorreu:</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 16/21</p><p>As leis excepcionais e temporárias serão aplicáveis a todos os fatos</p><p>ocorridos durante a sua vigência independentemente de terem sido</p><p>revogadas e da lei posterior ser bené�ca. No caso da ementa reproduzida</p><p>anteriormente, o condenado pretendia que fosse reconhecida a extinção de</p><p>sua punibilidade pela prática do crime de posse ilegal de arma de fogo</p><p>durante a vigência da Lei nº 9.437/97. Entretanto, o novo Estatuto do</p><p>Desarmamento (Lei nº 10.826/03) impediu a retroação da lei em benefício</p><p>dos autores do crime de posse ilegal de arma de fogo praticado</p><p>anteriormente a sua entrada em vigor.</p><p>Trata-se de típica aplicação da regra da ultratividade em prejuízo do</p><p>condenado.</p><p>FAÇA VOCÊ MESMO</p><p>Como você já deve ter percebido, a formação do pro�ssional de Direito</p><p>demanda conhecimento técnico, raciocínio crítico, um amplo vocabulário e</p><p>uma escrita lapidada. Tais instrumentos serão capazes de auxiliá-lo na</p><p>interpretação e na resolução adequada dos casos concretos que você</p><p>enfrentará no dia a dia da pro�ssão, independentemente da área de</p><p>AGRAVO EM EXECUÇÃO PENAL. POSSE ILEGAL DE ARMA DE FOGO. FATO</p><p>PRATICADO SOB A VIGÊNCIA DA LEI 9.437/97. PRETENSÃO À EXTINÇÃO DE</p><p>PUNIBILIDADE POR VACATIO LEGIS INDIRETA. IRRETROATIVIDADE DE LEI</p><p>TEMPORÁRIA. DECISÃO CONFIRMADA.</p><p>Reeducando que pretende extinguir a punibilidade de uma das execuções</p><p>alegando a retroatividade bené�ca de abolitio criminis temporalis.</p><p>2. A extinção da punibilidade do artigo 32 do Estatuto do Desarmamento é regra</p><p>da lei temporária, atraindo a incidência do artigo 3º do Código Penal: “A lei</p><p>excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou</p><p>cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado</p><p>durante sua vigência. Trata-se da ultra-atividade gravosa, em que a lei impede a</p><p>retroação bené�ca.</p><p>3. Quem incorreu no crime de posse ilegal de arma de fogo em período anterior à</p><p>publicação da Lei 10.826/03 não foi bene�ciado com a extinção de punibilidade.</p><p>Precedente do Supremo Tribunal Federal de Repercussão Geral (RE 768494/GO).</p><p>4. Agravo desprovido .</p><p>— (BRASIL, 2015, p. 85)</p><p>“</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 17/21</p><p>atuação escolhida. Sob esse aspecto, a jurisprudência ocupa um papel de</p><p>destaque em sua formação, pois ela o transporta para diferentes situações</p><p>práticas em que foram aplicados os conteúdos estudados.</p><p>Agora é sua vez de analisar, interpretar e reescrever um caso concreto:</p><p>As leis excepcionais e temporárias possuem duas importantes características</p><p>(CAPEZ, 2014, p. 80-81):</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>A Lei nº 12.663/12, mais conhecida como Lei Geral da Copa, previu vários</p><p>tipos penais, mas a�rmou que suas disposições só estariam vigentes até 31</p><p>de dezembro de 2014. Assim, para os crimes previstos nessa lei e</p><p>praticados até o último dia de 2014, sanadas as condições de</p><p>procedibilidade da ação penal (representação), os delitos seriam punidos</p><p>ainda hoje, a menos que estivessem individualmente prescritos.</p><p>Pode ainda ocorrer de</p><p>uma lei posterior e mais bené�ca fazer menção ao período</p><p>anormal ou temporário e, só assim, haveria retroatividade da lei bené�ca aos</p><p>crimes praticados durante a vigência de uma lei penal temporária ou excepcional.</p><p>REFLITA</p><p>RECLAMAÇÃO. CRIME DE SONEGAÇÃO FISCAL. PARCELAMENTO DO DÉBITO.</p><p>SUSPENSÃO DA AÇÃO PENAL. LEI TEMPORÁRIA. PEDIDO JULGADO PROCEDENTE.</p><p>1. A LEI TEMPORÁRIA PREVÊ EM SEU PRÓPRIO TEXTO A DATA FINAL DE SUA</p><p>VIGÊNCIA, ASSIM, NÃO PODE SER UTILIZADA PARA ALCANÇAR CONDUTAS</p><p>PRATICADAS FORA DO LAPSO TEMPORAL ALI ESTABELECIDO. 2. RECURSO</p><p>PROVIDO.</p><p>— (BRASIL, 2010, p. 175)</p><p>“</p><p>São autorrevogáveis, o que signi�ca dizer que ao contrário das demais leis, que dependem de outra lei para</p><p>serem revogadas, elas perdem sua vigência automaticamente, sem precisar de outra lei para revogá-las. No</p><p>caso da lei temporária, sua vigência se encerra na data prevista no texto legal, e no caso da lei excepcional, sua</p><p>vigência acaba quando cessadas as condições anormais que autorizaram sua criação.</p><p>Além disso são ultrativas, ou seja, são aplicáveis, mesmo após sua autorrevogação, aos crimes praticados</p><p>durante a vigência temporária ou excepcional da lei.</p><p>“</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 18/21</p><p>Parte da doutrina, a exemplo de Za�aroni, a�rma que a ultratividade da lei</p><p>penal temporária (ou excepcional) não foi recepcionada pela Constituição</p><p>Federal. Isso porque o artigo 5º, inciso XL da Magna Carta não traz qualquer</p><p>exceção ao princípio da retroatividade da lei penal bené�ca, de forma que o</p><p>Código Penal não tem escolha a não ser obedecer ao princípio</p><p>constitucional (ZAFFARONI; PIERANGELI, 2011, p. 207). O que você pensa a</p><p>respeito?</p><p>FAÇA VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>Marque a alternativa que apresenta as duas características comuns às leis</p><p>temporárias e excepcionais.</p><p>Chama-se, usualmente, de ‘lei excepcional’ aquela que limita a sua vigência a um tempo determinado, incerto,</p><p>mas caracterizado pela presença de uma circunstância excepcional. Não se deve confundir este conceito com o</p><p>do tipo circunstanciado, que é uma lei penal ordinária que considera delito uma ação ou agrava a pena para</p><p>uma ação típica, quando há a concorrência de certas circunstâncias. A lei excepcional é uma lei que, frente a</p><p>uma circunstância extraordinária, perde a vigência. A segunda conserva a sua vigência e volta a ser aplicada</p><p>cada vez que a circunstância volte a se apresentar.</p><p>— (ZAFFARONI; PIERANGELI, 2011, p. 206)</p><p>“</p><p>a. São autorrevogáveis e ultrativas.</p><p>b. São autorrevogáveis e retroativas.</p><p>c. São irrevogáveis e ultrativas.</p><p>d. São fragmentárias e subsidiárias.</p><p>e. São irrevogáveis e irretroativas.</p><p>Questão 2</p><p>No Brasil, infração penal é gênero, podendo ser dividida em crime (ou delito) e contravenção penal (ou crime</p><p>anão, delito liliputiano ou crime vagabundo). Adotou-se o sistema dualista ou binário. Essas espécies, no</p><p>entanto, não guardam entre si distinções de natureza ontológica (do ser), mas apenas axiológica (de valor).</p><p>— (CUNHA, 2020, p. 199)</p><p>“</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 19/21</p><p>Considere as seguintes assertivas acerca das distinções entre crime e contravenção</p><p>e, em seguida, escolha a altenativa que melhor relaciona a espécie de infração a</p><p>um de seus caracteres.</p><p>I. Infração punida com pena de reclusão ou detenção.</p><p>II. Infração punida com pena de prisão simples ou multa isolada.</p><p>III. Infração incompatível com o instituto da tentativa.</p><p>IV. Infração compatível com o instituto da extraterritorialidade.</p><p>V. Infração cuja competência pode ser �xada na justiça estadual ou federal a</p><p>depender do caso.</p><p>a. I – Crime; II – Crime; III – Contravenção; IV – Crime; V – Contravenção.</p><p>b. I – Contravenção; II – Contravenção; III – Crime; IV – Crime; V – Contravenção.</p><p>c. I – Contravenção; II – Crime; III – Contravenção; IV – Crime; V – Crime.</p><p>d. I – Crime; II – Contravenção; III – Contravenção; IV – Crime; V – Crime.</p><p>e. I – Contravenção; II – Contravenção; III – Contravenção; IV – Contravenção; V – Crime.</p><p>Questão 3</p><p>Considere a seguinte assertiva e marque a alternativa que melhor preenche as</p><p>lacunas.</p><p>O _______ é o agente ou omitente que pratica a conduta descrita no tipo. O ________</p><p>é o titular do bem jurídico protegido pelo tipo penal. Classi�ca-se de ________ o tipo</p><p>penal que prevê características especí�cas para o autor do crime e de ________ a</p><p>Por ser o crime uma ação humana, somente o ser vivo, nascido de mulher, pode ser autor de crime, embora em</p><p>tempos remotos tenham sido condenados, como autores de crimes, animais, cadáveres e até estátuas. A</p><p>conduta (ação ou omissão), pedra angular da Teoria do Crime, é produto exclusivo do Homem. A capacidade de</p><p>ação, e de culpabilidade, exige a presença de uma vontade, entendida como faculdade psíquica da pessoa</p><p>individual, que somente o ser humano pode ter.</p><p>— (BITENCOURT, 2020, p. 320)</p><p>“</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 20/21</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AGUIAR, L. Escolas penais. Jusbrasil, Brasília, 2016. Disponível em:</p><p>https://bit.ly/3itcdvu. Acesso em: 10 dez. 2018.</p><p>BATISTA, N. Introdução crítica ao direito penal brasileiro. 10. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Revan, 2005.</p><p>BECCARIA, C. Dei delitti e delle pene. Milano: Einaudi, 1973. Disponível em:</p><p>https://bit.ly/3kwSTjp Acesso em: 10 dez. 2018.</p><p>BITENCOURT, C. R. Tratado de Direito Penal: parte geral. 23. ed. São Paulo:</p><p>Editora Saraiva, 2017.</p><p>BITENCOURT, C. R. Tratado de Direito Penal: parte geral. 26. ed. São Paulo:</p><p>Saraiva educação, 2020.</p><p>BRANDÃO, C. Curso de Direito Penal: parte geral. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense,</p><p>2010.</p><p>BRASIL. Código Penal. Brasília: Senado Federal: Coordenação de edições técnicas,</p><p>2017. Disponível em: https://bit.ly/3eA2Ngv. Acesso em: 22 maio 2021.</p><p>BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de</p><p>1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2020]. Disponível em:</p><p>https://bit.ly/3zkjfJT. Acesso em: 22 maio 2021.</p><p>norma incriminadora que descreve conduta infungível. O STF, atualmente, _______ a</p><p>possibilidade de responsabilidade penal da pessoa jurídica nos crimes ambientais.</p><p>a. sujeito passivo; sujeito ativo; crime de mão própria; crime próprio; refuta.</p><p>b. sujeito ativo; sujeito passivo; crime próprio; crime de mão própria; aceita.</p><p>c. sujeito passivo; ativo; crime de mão própria; crime próprio; aceita.</p><p>d. sujeito ativo; sujeito passivo; crime próprio; crime de mão própria; refuta.</p><p>e. sujeito ativo; sujeito passivo; crime próprio; crime de mão própria; aceita.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>https://leonardoaaaguiar.jusbrasil.com.br/artigos/333110363/escolas-penais</p><p>http://www.letteraturaitaliana.net/pdf/Volume_7/t157.pdf.</p><p>https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/529748/codigo_penal_1ed.pdf</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</p><p>07/04/2024, 20:28 lddkls212_teo_jur_dir_pen</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=thayssfernandaferraz%40gmail.com&usuarioNome=THAÍS+FERNANDA+FERRAZ&disciplinaDescricao=TEORIA+JURÍDICA+DO+DIREIT… 21/21</p><p>BRASIL. Decreto-Lei nº 4.657, de 4 de setembro de 1942. Lei de Introdução às</p><p>normas do Direito Brasileiro. Brasília, DF: Presidência da República, [2010].</p><p>Disponível em: https://bit.ly/3ezufLq. Acesso em: 24 maio de 2021.</p><p>BRASIL. Tribunal de Justiça do Distrito Federal. (1. Turma). RAG: 20140020276620</p><p>DF 0028186-</p><p>76.2014.8.07.0000. Relator: George Lopes Leite, 22</p><p>de janeiro de 2015. Brasília: DJ-</p><p>e, 2015. p. 85.</p><p>BRASIL. Tribunal de Justiça do Distrito Federal. (2. Turma). RCL:</p><p>32624020108070000 DF 0003262-40.2010.807.0000. Relator: João Timóteo de</p><p>Oliveira, 21 de outubro de 2010. Brasília: DJ-e, 2010. p. 175.</p><p>CAPEZ, F. Curso de direito penal: parte geral. 18. ed. São Paulo: Saraiva, 2014.</p><p>CUNHA, R. S. Manual de direito penal. 8. ed. Salvador: Juspodivm, 2020.</p><p>DOTTI, R. A. Curso de direito penal: parte geral. 5. ed. São Paulo: RT, 2013.</p><p>JUÍZO. Direção: Maria Augusta Ramos. Rio de Janeiro: Diler & Associados: Nofoco</p><p>�lmes, 2007. (90min), color., 35mm.</p><p>LOMBROSO, C. L’uomo delinquente in rapporto all’antropologia,</p><p>giurisprudenza e alle discipline carcerarie. Roma: Fratelli Boca, 1878.</p><p>PRADO, L. R. Bem jurídico penal e constituição. 2. ed. São Paulo: RT, 1997.</p><p>PRADO, L. R. Tratado de Direito Penal Brasileiro: parte geral. 3. ed. Rio de</p><p>Janeiro: Forense, 2019.</p><p>SANTOS, B. M. de M. A defesa social, as escolas penais e as relações de poder</p><p>no sistema punitivo. [S. l.: s. n., s. d.]. Disponível em: https://bit.ly/2VYqTv0. Acesso</p><p>em: 10 dez. 2018.</p><p>ZAFFARONI, E. R.; PIERANGELI, J. H. Manual de direito penal brasileiro. 9. ed. São</p><p>Paulo: Revista dos Tribunais, 2011.</p><p>0</p><p>V</p><p>er</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>es</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del4657compilado.htm</p><p>http://www.publicadireito.com.br/artigos/?cod=1b356667c9a682f8</p>