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<p>Você conhece a Criminalística?</p><p>Ela é a disciplina mais importante para o dia a dia de um perito criminal. É por meio da</p><p>Criminalística que um perito é capaz de realizar a análise de manchas de sangue em um local</p><p>de crime, realizar estudos balísticos, entre outras diversas ferramentas importantes para</p><p>entender a dinâmica de um crime que ocorreu.</p><p>Vamos começar com um breve histórico da Criminalística.</p><p>No Império Romano, surgem os primeiros casos de médicos que eram chamados pelos</p><p>governantes para esclarecer as circunstâncias de mortes. Assim, podemos dizer que tudo</p><p>começou com a Medicina emprestando seus serviços à Justiça.</p><p>Por muito tempo, a Medicina foi a única das ciências que prestou grandes contribuições à</p><p>Justiça, surgindo assim a Medicina Legal.</p><p>Com o tempo, passou-se a exigir mais e mais explicações dos médicos legistas, que acabaram</p><p>desenvolvendo outras técnicas, como:</p><p>● A interpretação dos vestígios em local de crime</p><p>● Análises químicas, físicas e biológicas para a aplicação da lei</p><p>● A identificação humana</p><p>● A compreensão da dinâmica de um tiro em um corpo humano</p><p>Devido a essa expansão dos conhecimentos exigidos, o escopo da Medicina Legal estava se</p><p>tornando amplo demais, até que surgiu Hans Gross, considerado o “pai” da Criminalística.</p><p>Hans Gross era um juiz de instrução na Alemanha. Em seu livro System der Kriminalistik, ele foi</p><p>o primeiro a definir a Criminalística como uma disciplina separada da Medicina Legal, em 1893.</p><p>Para ele, “Criminalística é o estudo da fenomenologia do crime e dos métodos práticos de sua</p><p>investigação.”</p><p>Outro grande nome para a história da Criminalística é Edmond Locard, conhecido também</p><p>como o Sherlock Holmes da França. Ele formulou o princípio básico de ciência forense:</p><p>”Todo contato deixa uma marca”</p><p>Este ficou conhecido como o Princípio da Troca de Locard. Em linhas gerais, ele diz que</p><p>sempre que uma pessoa realiza uma ação em um local de crime, serão deixados vestígios.</p><p>Esse princípio é o que garante que, em teoria, não existe crime perfeito.</p><p>E no Brasil?</p><p>Somente em 1947, no Brasil, foi adotada a denominação de Criminalística. Neste ano, José Del</p><p>Picchia definiu a Criminalística como “disciplina que tem por objetivo o reconhecimento e</p><p>interpretação dos indícios materiais extrínsecos, relativos ao crime ou à identidade do</p><p>criminoso”.</p><p>Assim, de forma grosseira, podemos dizer que a Criminalística se encarrega dos vestígios</p><p>extrínsecos, ou seja, externos ao corpo da vítima, enquanto os vestígios internos (ou</p><p>intrínsecos) são responsabilidade da Medicina Legal.</p><p>Tendo trazido esse histórico, agora podemos falar sobre os objetivos da Criminalística. Os</p><p>principais objetivos são:</p><p>● Dar a materialidade do fato típico, ou seja, constatar a ocorrência da infração penal</p><p>● Fornecer a dinâmica do delito, verificando os meios e os modos como foi praticado</p><p>● Indicar a autoria do delito, quando possível</p><p>Os principais objetivos da Criminalística estão relacionados à materialidade, dinâmica e</p><p>autoria do crime.</p><p>Assim, ao se deparar com um possível local de crime como estes, o trabalho do perito criminal</p><p>é responder algumas perguntas. Ele deve estudar o local do crime e tentar dizer, em seu laudo:</p><p>● O que aconteceu nesse local? (homicídio, suicídio, acidente?)</p><p>● Quando o fato ocorreu?</p><p>● Onde o fato ocorreu?</p><p>● Como o fato ocorreu?</p><p>● Quem cometeu o ato?</p><p>● Com que auxílio o ato foi cometido? (armas, cúmplices etc.)</p><p>A única pergunta que não é da alçada de um perito responder é o “Por que o fato ocorreu?”.</p><p>Essa é uma pergunta que pertence à ciência da Criminologia, e não da Criminalística.</p><p>Descobrir a motivação do crime é trabalho do investigador.</p><p>Para responder todas essas perguntas, a Criminalística pega emprestados conhecimentos de</p><p>diversas ciências, e por isso ela é multidisciplinar. Entre as muitas áreas úteis à elucidação</p><p>dos diversos tipos de crimes estão:</p><p>● Antropologia</p><p>● Química</p><p>● Física</p><p>● Toxicologia</p><p>● Biologia</p><p>● Informática</p><p>● Engenharia</p><p>● Balística</p><p>● Biologia</p><p>● Geologia</p><p>● Genética</p><p>● Documentoscopia</p><p>E esses são apenas alguns exemplos. Peritos não estudam apenas homicídios, mas diversos</p><p>outros tipos de crime! Muitos exames são feitos para responder àquelas perguntas.</p><p>Exames laboratoriais de perícia veterinária</p><p>Exames para detecção de sêmen e identificação por DNA em crimes sexuais</p><p>Exames químicos para análise de drogas</p><p>Exame de confronto microbalístico para identificação da arma de fogo usada no crime</p><p>Exame de documentoscopia forense</p><p>Perícia de informática forense em computadores, celulares, HDs e pen drives para investigação</p><p>de crimes de pedofilia</p><p>Perícia de crimes ambientais</p><p>Perícia de engenharia em incêndios</p><p>Perícia de engenharia em áudios</p><p>Esses são apenas alguns dos inúmeros tipos de perícias que são realizadas, e todas estas são</p><p>feitas seguindo os princípios e métodos da Criminalística.</p><p>E quais são esses princípios?</p><p>São 5 os princípios fundamentais da Criminalística:</p><p>Princípio da Observação: Todo contato deixa uma marca (Edmond Locard)</p><p>Princípio da Análise: A perícia deve sempre seguir o método científico.</p><p>Princípio da Interpretação (ou Individualidade): 2 pessoas ou 2 objetos podem ser parecidos</p><p>ou semelhantes, mas jamais idênticos. Também conhecido como princípio de Kirk.</p><p>Princípio da Descrição: O resultado de um exame pericial é constante em relação ao tempo e</p><p>seus resultados devem ser descritos de forma clara.</p><p>Princípio da Documentação: Todo vestígio deve ser documentado, desde seu</p><p>reconhecimento ao seu descarte. Isso é essencial para a validade da cadeia de custódia e,</p><p>consequentemente, das provas como um todo.</p><p>Vamos ver como esses princípios guiam o trabalho de um perito criminal?</p><p>O primeiro guia de um perito ao ser convocado para examinar um local de crime é o Princípio</p><p>da Análise. O método científico deve estar presente do início ao fim de seu trabalho. Por conta</p><p>disso, toda e qualquer opinião ou convicção pessoal prévia deve ser abandonada antes de</p><p>começar os exames. Não há espaço para “achismos” na perícia. A metodologia deve ser</p><p>seguida a rigor desde o reconhecimento dos primeiros vestígios no local do crime até a entrega</p><p>do laudo.</p><p>Agora observe esse local de crime, onde a perita está trabalhando. Trata-se de uma execução,</p><p>em que a vítima (cujo corpo pode ser visto abaixo da porta do carro na foto) foi alvejada</p><p>diversas vezes dentro do veículo.</p><p>Aqui aplica-se o Princípio da Observação. Todo contato deixa uma marca. Os disparos</p><p>efetuados pelo(s) atirador(es) deixam as cápsulas de munição no chão, que permitem estimar a</p><p>posição de onde os tiros partiram. Pelos orifícios nas janelas e parabrisa do carro e no corpo da</p><p>vítima, é possível verificar o ângulo de incidência dos tiros. Os próprios estojos de munição</p><p>espalhados pelo chão devem ser recolhidos, assim como os projéteis encontrados na vítima e</p><p>no carro, pois a partir deles é possível fazer exames comparativos para identificar a arma do</p><p>crime. As armas deixam “suas digitais” nos estojos de munição e nos projéteis. Assim é</p><p>possível definir se foi utilizada uma ou mais armas no ato. Se os policiais encontrarem a arma</p><p>que foi utilizada, eventualmente, mesmo que anos depois, será possível identificar se aquela foi</p><p>a arma utilizada nesse crime.</p><p>O celular da vítima, se encontrado no local, deve ser também levado como um importante</p><p>vestígio. Posteriormente, uma perícia no dispositivo poderá revelar se a vítima tinha inimizades,</p><p>se foi ameaçada ou teve alguma discussão previamente. Mesmo a ausência do celular do</p><p>homem no local pode ser interpretado como um vestígio. Podemos estar diante de um</p><p>latrocínio ou então o próprio assassino pode ter levado o celular com o propósito de esconder</p><p>evidências. E isso não deixa de ser um indício. Todo contato deixa uma marca.</p><p>Os princípios da Interpretação e da Documentação podem ser observados também nessa foto.</p><p>Veja as plaquinhas amarelas numeradas no chão. Elas identificam os vestígios de interesse</p><p>nesse local. No caso, cada placa está identificando uma cápsula de munição. Todas serão</p><p>fotografadas na posição</p><p>em que foram encontradas. Aqui inicia-se a documentação dos</p><p>vestígios. E por que cada plaquinha tem um número? É para identificar vestígios que, à</p><p>primeira vista, são semelhantes. Cada estojo de munição deve ser recolhido, identificado e</p><p>embalado individualmente. Posteriormente, por exames de confronto microbalístico em</p><p>laboratório, será possível se identificar se todos partiram de uma mesma arma, ou se foram de</p><p>duas ou até três armas diferentes. Nenhum vestígio é idêntico ao outro.</p><p>Lesões por projéteis de arma de fogo nas costas.</p><p>Entrada de projétil de arma de fogo por disparo a curta distância. Formação de zona de</p><p>tatuagem.</p><p>Sinais de tiro encostado. Sinal de Werkgaertner.</p><p>Os vestígios no próprio corpo da vítima também são de extrema importância. É possível, entre</p><p>muitas outras coisas, identificar sinais da distância dos disparos realizados.</p><p>Seguindo o Princípio da Descrição, os resultados de todos esses exames realizados serão</p><p>descritos minuciosamente no laudo pericial, que dará materialidade ao fato típico e servirá</p><p>como uma prova muito forte no julgamento do infrator, quando este for capturado.</p><p>Vamos trazer mais um exemplo de local de crime:</p><p>Pegada marcada em sangue.</p><p>Corpo da vítima coberto (local de crime não preservado) próximo da arma do crime e outros</p><p>vestígios</p><p>Corpo da vítima com uma única lesão fatal.</p><p>Detalhe da lesão perfurocortante fatal.</p><p>Nesse caso, a vítima foi morta por uma arma branca. A faca que aparece nas fotos acima. Uma</p><p>única lesão foi suficiente para ocasionar a morte, pois perfurou o coração. Nesse caso, o</p><p>homem conseguiu tomar a arma do agressor e atacá-lo de volta, mas o assassino fugiu e a</p><p>vítima perdeu sangue até ir a óbito. Agora imagine a quantidade de vestígios importantes</p><p>deixados nessa faca. Certamente há DNA do agressor na arma, como muito comumente ocorre</p><p>em crimes cometidos com armas brancas.</p><p>Se você leu até aqui, peço que reaja com uma caveira (💀) à mensagem em que enviei esse</p><p>PDF, para eu saber que você gostou. Se esse PDF tiver pelo menos 25 reações de caveira,</p><p>trarei mais conteúdos assim nas próximas semanas.</p><p>Galera, já falei demais. O que eu tinha para apresentar é isso. Espero que vocês tenham</p><p>gostado e aprendido algo. Fico à disposição para tirar quaisquer dúvidas que tiverem, e</p><p>futuramente pretendo trazer mais conteúdos como este. Um abraço a todos. Vou deixar aqui,</p><p>por fim, uma questão de concurso sobre esse tema, que pode e deve cair na sua prova de</p><p>perito criminal:</p><p>Instituto AOCP - 2021 - Perito Criminal - RN</p><p>Alguns dos princípios da criminalística podem receber várias denominações. Um deles, por</p><p>exemplo, pode ser igualmente chamado de Princípio da Interpretação, Princípio do Uso ou</p><p>Princípio de Kirk. Tal princípio pode ser sintetizado pela frase:</p><p>A) “Dois objetos podem ser indistinguíveis, mas nunca idênticos”.</p><p>B) “Todo contato deixa uma marca”.</p><p>C) “O tempo que passa é a verdade que foge”.</p><p>D) “A análise pericial deve sempre seguir o método científico”.</p><p>E) “Visum et repertum”.</p><p>Gabarito:</p><p>Alternativa A: “Dois objetos podem ser indistinguíveis, mas nunca idênticos”.</p>

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