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Alimentos e Alimentação Animal

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<p>ROSEMARY LAÍS GALATI</p><p>(Organizadora)</p><p>Alimentos</p><p>Alimentação&</p><p>Animal</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>ROSEMARY LAÍS GALATI</p><p>(Organizadora)</p><p>Alimentos</p><p>Alimentação&</p><p>Animal</p><p>2021 - GUARUJÁ - SP</p><p>1ª EDIÇÃO</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>Diagramação e arte</p><p>Equipe editorial</p><p>Imagens da capa</p><p>Adobe Stock - licensed by Editora Científica Digital - 2021</p><p>Revisão</p><p>Os autores</p><p>2021 by Editora Científica Digital</p><p>Copyright© 2021 Editora Científica Digital</p><p>Copyright do Texto © 2021 Os Autores</p><p>Copyright da Edição © 2021 Editora Científica Digital</p><p>Acesso Livre - Open Access</p><p>EDITORA CIENTÍFICA DIGITAL LTDA</p><p>Guarujá - São Paulo - Brasil</p><p>www.editoracientifica.org - contato@editoracientifica.org</p><p>Parecer e revisão por pares</p><p>Os textos que compõem esta obra foram submetidos para avaliação do Conselho Editorial da Editora</p><p>Científica Digital, bem como revisados por pares, sendo indicados para a publicação.</p><p>O conteúdo dos capítulos e seus dados e sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade</p><p>exclusiva dos autores. É permitido o download e compartilhamento desta obra desde que no formato</p><p>Acesso Livre (Open Access) com os créditos atribuídos aos respectivos autores, mas sem a possibilidade</p><p>de alteração de nenhuma forma ou utilização para fins comerciais.</p><p>Esta obra está licenciado com uma Licença Creative Commons Atribuição-Não Comercial-Sem Derivações 4.0</p><p>Internacional (CC BY-NC-ND 4.0).</p><p>Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)</p><p>(eDOC BRASIL, Belo Horizonte/MG)</p><p>A411 Alimentos e alimentação animal / Organizadora Rosemary Laís Galati. – Guarujá, SP: Científica Digital, 2021.</p><p>E-</p><p>BO</p><p>OK</p><p>AC</p><p>ES</p><p>SO</p><p>LI</p><p>VR</p><p>E O</p><p>N L</p><p>INE</p><p>-</p><p>IM</p><p>PR</p><p>ES</p><p>SÃ</p><p>O P</p><p>RO</p><p>IBI</p><p>DA</p><p>Formato: PDF</p><p>Requisitos de sistema: Adobe Acrobat Reader</p><p>Modo de acesso: World Wide Web</p><p>ISBN 978-65-5360-014-0</p><p>DOI 10.37885/978-65-5360-014-0</p><p>1. Nutrição animal. I. Galati, Rosemary Laís.</p><p>CDD 636 2 0 2 1</p><p>Elaborado por Maurício Amormino Júnior – CRB6/2422</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>CORPO EDITORIAL</p><p>Direção Editorial</p><p>R e i n a l d o C a r d o s o</p><p>J o ã o B a t i s t a Q u i n t e l a</p><p>Editor Científico</p><p>P r o f . D r . R o b s o n J o s é d e O l i v e i r a</p><p>Assistentes Editoriais</p><p>E r i c k B r a g a F r e i r e</p><p>B i a n c a M o r e i r a</p><p>S a n d r a C a r d o s o</p><p>Bibliotecário</p><p>M a u r í c i o A m o r m i n o J ú n i o r - C R B 6 / 2 4 2 2</p><p>Jurídico</p><p>D r . A l a n d e l o n C a r d o s o L i m a - O A B / S P - 3 07 8 5 2</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>Robson José de Oliveira</p><p>Universidade Federal do Piauí, Brasil</p><p>Eloisa Rosotti Navarro</p><p>Universidade Federal de São Carlos, Brasil</p><p>Rogério de Melo Grillo</p><p>Universidade Estadual de Campinas, Brasil</p><p>Carlos Alberto Martins Cordeiro</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Ernane Rosa Martins</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás, Brasil</p><p>Rossano Sartori Dal Molin</p><p>FSG Centro Universitário, Brasil</p><p>Domingos Bombo Damião</p><p>Universidade Agostinho Neto, Angola</p><p>Carlos Alexandre Oelke</p><p>Universidade Federal do Pampa, Brasil</p><p>Patrício Francisco da Silva</p><p>Universidade CEUMA, Brasil</p><p>Reinaldo Eduardo da Silva Sales</p><p>Instituto Federal do Pará, Brasil</p><p>Dalízia Amaral Cruz</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Susana Jorge Ferreira</p><p>Universidade de Évora, Portugal</p><p>Fabricio Gomes Gonçalves</p><p>Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil</p><p>Erival Gonçalves Prata</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Gevair Campos</p><p>Faculdade CNEC Unaí, Brasil</p><p>Flávio Aparecido De Almeida</p><p>Faculdade Unida de Vitória, Brasil</p><p>Mauro Vinicius Dutra Girão</p><p>Centro Universitário Inta, Brasil</p><p>Clóvis Luciano Giacomet</p><p>Universidade Federal do Amapá, Brasil</p><p>Giovanna Moraes</p><p>Universidade Federal de Uberlândia, Brasil</p><p>André Cutrim Carvalho</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Silvani Verruck</p><p>Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil</p><p>Auristela Correa Castro</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Osvaldo Contador Junior</p><p>Faculdade de Tecnologia de Jahu, Brasil</p><p>Claudia Maria Rinhel-Silva</p><p>Universidade Paulista, Brasil</p><p>Dennis Soares Leite</p><p>Universidade de São Paulo, Brasil</p><p>Silvana Lima Vieira</p><p>Universidade do Estado da Bahia, Brasil</p><p>Cristina Berger Fadel</p><p>Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil</p><p>Graciete Barros Silva</p><p>Universidade Estadual de Roraima, Brasil</p><p>Juliana Campos Pinheiro</p><p>Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil</p><p>Cristiano Marins</p><p>Universidade Federal Fluminense, Brasil</p><p>Silvio Almeida Junior</p><p>Universidade de Franca, Brasil</p><p>Raimundo Nonato Ferreira Do Nascimento</p><p>Universidade Federal do Piaui, Brasil</p><p>Marcelo da Fonseca Ferreira da Silva</p><p>Escola Superior de Ciências da Santa Casa de Misericórdia de Vitória, Brasil</p><p>Carlos Roberto de Lima</p><p>Universidade Federal de Campina Grande, Brasil</p><p>CONSELHO EDITORIAL</p><p>Mestres, Mestras, Doutores e Doutoras</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>CONSELHO EDITORIAL</p><p>Daniel Luciano Gevehr</p><p>Faculdades Integradas de Taquara, Brasil</p><p>Maria Cristina Zago</p><p>Centro Universitário UNIFAAT, Brasil</p><p>Wescley Viana Evangelista</p><p>Universidade do Estado de Mato Grosso, Brasil</p><p>Samylla Maira Costa Siqueira</p><p>Universidade Federal da Bahia, Brasil</p><p>Gloria Maria de Franca</p><p>Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil</p><p>Antônio Marcos Mota Miranda</p><p>Instituto Evandro Chagas, Brasil</p><p>Carla da Silva Sousa</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil</p><p>Dennys Ramon de Melo Fernandes Almeida</p><p>Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Brasil</p><p>Francisco de Sousa Lima</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil</p><p>Reginaldo da Silva Sales</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil</p><p>Mário Celso Neves De Andrade</p><p>Universidade de São Paulo, Brasil</p><p>Maria do Carmo de Sousa</p><p>Universidade Federal de São Carlos, Brasil</p><p>Mauro Luiz Costa Campello</p><p>Universidade Paulista, Brasil</p><p>Sayonara Cotrim Sabioni</p><p>Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil</p><p>Ricardo Pereira Sepini</p><p>Universidade Federal de São João Del-Rei, Brasil</p><p>Flávio Campos de Morais</p><p>Universidade Federal de Pernambuco, Brasil</p><p>Sonia Aparecida Cabral</p><p>Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, Brasil</p><p>Jonatas Brito de Alencar Neto</p><p>Universidade Federal do Ceará, Brasil</p><p>Moisés de Souza Mendonça</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil</p><p>Pedro Afonso Cortez</p><p>Universidade Metodista de São Paulo, Brasil</p><p>Iara Margolis Ribeiro</p><p>Universidade do Minho, Brasil</p><p>Julianno Pizzano Ayoub</p><p>Universidade Estadual do Centro-Oeste, Brasil</p><p>Vitor Afonso Hoeflich</p><p>Universidade Federal do Paraná, Brasil</p><p>Bianca Anacleto Araújo de Sousa</p><p>Universidade Federal Rural de Pernambuco, Brasil</p><p>Bianca Cerqueira Martins</p><p>Universidade Federal do Acre, Brasil</p><p>Daniela Remião de Macedo</p><p>Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, Portugal</p><p>Dioniso de Souza Sampaio</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Rosemary Laís Galati</p><p>Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil</p><p>Maria Fernanda Soares Queiroz</p><p>Universidade Federal de Mato Grosso, Brasil</p><p>Leonardo Augusto Couto Finelli</p><p>Universidade Estadual de Montes Claros, Brasil</p><p>Thais Ranielle Souza de Oliveira</p><p>Centro Universitário Euroamericano, Brasil</p><p>Alessandra de Souza Martins</p><p>Universidade Estadual de Ponta Grossa, Brasil</p><p>Claudiomir da Silva Santos</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil</p><p>Fabrício dos Santos Ritá</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil</p><p>Danielly de Sousa Nóbrega</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, Brasil</p><p>Livia Fernandes dos Santos</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre, Brasil</p><p>Liege Coutinho Goulart Dornellas</p><p>Universidade Presidente Antônio Carlos, Brasil</p><p>Ticiano Azevedo Bastos</p><p>Secretaria de Estado da Educação de MG, Brasil</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>CONSELHO EDITORIAL</p><p>Walmir Fernandes Pereira</p><p>Miami University of Science and Technology, Estados Unidos da América</p><p>Jónata Ferreira De Moura</p><p>Universidade Federal do Maranhão, Brasil</p><p>Camila de Moura Vogt</p><p>Universidade</p><p>Company</p><p>Abmael da Silva Cardoso</p><p>FCAV/Unesp</p><p>Daniel Rume Casagrande</p><p>UFLA</p><p>Eliéder Prates Romanzini</p><p>FCAV/Unesp</p><p>Bruno Ramalho Vieira</p><p>Ricardo Andrade Reis</p><p>FCAV/Unesp</p><p>Ana Cláudia Ruggieri</p><p>FCAV/Unesp</p><p>10.37885/210705360</p><p>https://dx.doi.org/10.37885/210705360</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>42</p><p>Key-Words: Canopy, Defoliation, Morphogenesis, Tillering.</p><p>ABSTRACT</p><p>The purpose of this research was to evaluate how different grazing sward heights (15,</p><p>25, 35 cm) change the frequency of tiller visitation, morphogenesis, structural characte-</p><p>ristics, tillering dinamic of palisadegrass (Urochloa brizantha) managed under continuous</p><p>stocking. Método: The experimental design adopted was randomized blocks with three</p><p>treatments: 15, 25 and 35 cm and four replicates (paddocks) and year (2007/2008 and</p><p>2008/2009) was used as blocking factor. The results desmonstrates that each increment</p><p>of 1 cm in sward height led to an increase of 0.09 days for tiller visits, 0.18 days for</p><p>phyllochron, 0.85 days for leaf life span, 0.035 for number of leaves, 4.48 mm for leaf</p><p>size, 0.0030 for tillers survival. In addition, each increment 1 cm in sward height caused</p><p>a decrease in leaf appearence rate by 0.0006 mm/leaf/tiller, tiller density in 74.71 tillers/</p><p>m², 0.0030 in tiller mortality. Varying grazing sward height from 15 up to 35 cm, directly</p><p>affected the frequency of tiller visitation as well as morphogenesis and structural variables</p><p>of palisadegrass under continuous stocking, the height of 25 cm a indicates for handling</p><p>in continuous stocking.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>42 43</p><p>INTRODUCTION</p><p>Pastures are the main component of ruminant diets and the most economical food source</p><p>in livestock systems. The ingestive behavior of cattle is affected by the canopy structure and</p><p>forage density, so understanding the plant-animal interaction caused by defoliation events</p><p>allows the adoption of target management heights, which do not compromise the plant and</p><p>animal development.. Although Brazil has vast pasture areas, many are in a state of degra-</p><p>dation due to the lack of information for the adequate grazing management. The control of</p><p>grazing height is a pratical low-cost method to manage tropical pastures. Sward height is one</p><p>of the most efficient methods that can be applied to control pasture production and animal</p><p>performance. The use of sward height as a management strategy can result in variations in</p><p>frequency of tiller visitation (i.e. defoliation), structural characteristics of the canopy and nu-</p><p>tritional value (REIS et al., 2016), mainly due to the effect on ingestive behavior of herbivores</p><p>(VIEIRA et al., 2017). Thus, certain heights of grazing management can decrease perennial</p><p>and lead to pasture degradation. Variables such as frequency of tiller visitation, tiller density,</p><p>leaf appearance and tiller rate, among others, can be used as indicators of the effect of gra-</p><p>zing on plant regrowth and production (SALES et al., 2014; SANTANA et al., 2017) as well</p><p>as animal’s ingestive behavior. The hypothesis of this study is that different grazing heights</p><p>of palisadegrass (15, 25 and 35 cm) affect the frequency of visitation of tillers and therefo-</p><p>re the morphogenesis variables, canopy structure and dynamics of palisadegrass tillering.</p><p>Therefore, this study aims to evaluate the impact of increasing grazing sward heights on</p><p>frequency tiller visitation, morphogenesis and structural variables and the tillering dynamics</p><p>of palisadegrass managed under continuous grazing.</p><p>METHOD</p><p>The experiment was conduced between November 2007 and March 2009 at the School</p><p>of Agricultural and Veterinarian Sciences - Unesp, Department of Animal Sciences, located in</p><p>Jaboticabal-SP, at 21º15’22’’ south latitude and 48º18’58’’ west longitude and 600 m altitude.</p><p>The pastures of Urochloa brizantha cv. Marandu (palisadegrass) were established in 2005.</p><p>The climate of the region is tropical of the Aw type, mesothermal with humid summer and dry</p><p>winter, according to the Köppen classification. The average values of temperature, accumu-</p><p>lated precipitation was collected from the Agroclimatological Station, Department of Exact</p><p>Sciences, FCAV/Unesp (Table 1). All procedures have been Conducted in accordance with the</p><p>guidelines set out by the Brazilian College of Animal Experimentation (COBEA) in the Code</p><p>of Practice for the Care and Use of Animals for Experimental Purposes and were reviewed</p><p>and approved by the Animal Ethics Committee of the Sao Paulo State University (CEBEA).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>44</p><p>The soil was classified as dystrophic oxisol, clayey texture (EMBRAPA, 2018). The</p><p>results of the soil nutritent analysis were pH (CaCl2) = 5.0; organic matter (OM) = 19.3 g/</p><p>dm3; phosphorus (P) = 7.3 mg/dm3; potassium (K) = 1.7 mg/dm3; calcium (Ca) = 13.6 mg/</p><p>dm3; magnesium (Mg) = 9.3 mg/dm3; potential acidity (H + Al) = 26.0 mg/dm3; sum of bases</p><p>(SB) = 24.7 mg/dm3; base saturation (V) = 49.0%. In November of 2007, 250 kg/ha of the</p><p>formula 20:05:20 (N-P2O5-K2O) was applied and, in the same month of 2008,150 kg/ha of</p><p>the formula 8:28:16 (N-P2O5-K2O). The nitrogen fertilizations were carried out in December</p><p>of 2007; January, February, December of 2008; and February of 2009 when 100, 150, 100,</p><p>100 and 150 kg/ha of urea were used, respectively.</p><p>The experiment was conducted in an area of 12 hectares divided into twelve paddocks</p><p>(experimental unit), ranging from 0.7 to 1.3 ha, plus an adjacent area for the maintenance of</p><p>regulating animals. The treatments were 15, 25 and 35 cm of average sward height of the</p><p>palisadegrass, managed under continuous stocking and variable stocking rate. The sward</p><p>height was monitored using a graduated ruler and measuring 100 points per paddock every</p><p>five to six days. Seven Nellore heifers (Bos taurus indicus) were maintained with an initial</p><p>average weight of 200 kg, with sward height regulating animals being added or removed. The</p><p>stocking rate was calculated by adding the weight of all cattle in each paddock and dividing</p><p>by 450 kg, which corresponds to one animal unity (AU; Table 1).</p><p>The identification of palisadegrass tillers (72 tillers/height) was done at three represen-</p><p>tative points of the canopy height in each paddock and identified with iron piles. In each point,</p><p>6 tillers were selected approximately 40 cm apart and identified with colored plastic threads.</p><p>The process of tiller identification was repeated every 28 days.</p><p>The frequency of tiller visitation was obtained by the equation: frequency of tiller visitation</p><p>= number of touches/(number of possible touches × duration of the evaluation). The expanded</p><p>leaves were measured from its ligula. Leaves going through senescence were measured only</p><p>at the green part of the leaf blade. Were considered going through senescence only leaves</p><p>with a maximum of 50% of the leaf blade senescent. The leaf appearance rate (leaf/day)</p><p>was calculated by dividing the number of leaves that appeared in the evaluated period by the</p><p>number of leaves evaluated duration of evaluation (days). Phyllochron was calculated as the</p><p>inverse of the leaf appearance rate. The leaf life span (days) was calculated by multiplying</p><p>the number of live leaves per tiller × phyllochron. The rate of leaf elongation and stems (mm/</p><p>tiller/day) and leaf senescence rate (mm/tiller/day) were calculated using the ratio between</p><p>two consecutive evaluations. The final length of the leaves was proportional to the average</p><p>size of all the expanded and integral leaves in each evaluation period, the number of live</p><p>leaves (expanded/elongating) in each tiller was also counted.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>44 45</p><p>To collect the tiller population pattern, three 20 cm diameter polyvinyl chloride rings were</p><p>used per paddock, attached to the soil by staples. The first tillers were marked with colored</p><p>plastic rings before the beginning of the first grazing cycle. On that occasion, all palisade-</p><p>grass tillers within the area delimited by the rings were marked with single-colored</p><p>plastic</p><p>thread, named the first generation of tillers (G0). During subsequent month, the first tillers</p><p>were counted again, and the new tillers were marked with different colored plastic threads</p><p>and named second generation tillers (G1), and so on, the next generations being counted</p><p>at the beginning of each month. cycle, until the end of the period of use of palidadegrass,</p><p>totaling four generations (G0, G1, G2 and G3).</p><p>Tiller appearance (TAP), mortality and survival (TSP) rates were obtained for each tiller</p><p>generation. The rate of tiller appearance, in each generation, was obtained by counting the</p><p>new tillers that appeared between two consecutive evaluations. The survival rate of each</p><p>generation of tillers was obtained by the difference between the population existing at the time</p><p>of counting and the population existing in the previous count, the values being calculated as</p><p>a percentage. The mortality rate was estimated from the survival rates, subtracting from 100.</p><p>With the sum of the number of tillers belonging to each generation, it was possible to deter-</p><p>mine the density of tillers in each generation (tillers/m2). The stability index (IE) of the tiller’s</p><p>population was obtained according to Bahmani et al. (2003), where: IE = TSP × (1 + TAP).</p><p>The forage mass was determined by the double sampling method (SOLLENBERGER</p><p>and CHERNEŶ, 1995). Forage biomass data was regressed over sward height measurements</p><p>every 28 days. The sward height was measured at nine points per experimental unit using</p><p>an ascending plate. The sward height measurements were taken at average height (n = 3),</p><p>highest height (n = 3) and lowest height (n = 3). At each of the nine points, the forage inside</p><p>the ascending dish (0.25 m2) was harvested at the ground level, identified, and weighed.</p><p>Pasture samples were dried in an oven with air circulation at 55ºC for 72 hours and weighed</p><p>again. After obtaining the data for height and mass of green forage and DM, linear regression</p><p>was determined to calculate the forage mass.</p><p>The experimental design used was complete randomized blocks with three treatments</p><p>(heights), four repetitions (paddocks) and years (2007/2008 and 2008/2009) considered as</p><p>a blocking factor. Data was checked for normality and subjected to analysis of variance by</p><p>the mixed procedure of the SAS® statistical program. The statistical model used considered</p><p>the fixed effect of the treatments (heights) and the random effects of the residue and the</p><p>years. A covariance structure selection test was performed, using the Akaike information</p><p>criterion (AIC) to indicate the model that best represented the data, which were analyzed in</p><p>the SAS® program. The assumptions of the analysis were evaluated (Homoscedasticity test:</p><p>Box Cox, error normality tests: Cramer von-Mises, model selection criteria: AIC). Tukey’s test</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>46</p><p>at 5% was used to compare treatments. The variables were subjected to regression analysis,</p><p>using the different heights as explaratory variable, and applying a polynomial function to the</p><p>second order. In the regression analysis, the selection of the models was based on the sig-</p><p>nificance of the linear and quadratic coefficients, using the Student t-Test, at 5% probability.</p><p>RESULTS AND DISCUSSION</p><p>Environmental conditions, mean temperature and cumulative rainfall (Table 1), did not</p><p>limit forage development.</p><p>Table 1. Temperature, precipitation, and rain of December to April in the years 2007/2008 and 2008/2009.</p><p>Maximum1 Minimum1 Mean1 Precipitation2 ND3</p><p>2007</p><p>December 31.5 20.0 24.8 204.4 13</p><p>2008</p><p>January 29.2 20.1 23.5 325.0 22</p><p>January 30.3 19.8 23.9 302.7 20</p><p>March 29.6 18.8 23.2 108.4 14</p><p>April 28.8 18.1 22.3 131.4 13</p><p>December 31.0 19.1 24.3 278.9 14</p><p>2009</p><p>January 29.7 19.8 23.9 238.0 18</p><p>January 31.2 20.6 23.8 190.0 16</p><p>March 31.0 20.2 24.7 217.9 16</p><p>April 29.5 17.2 24.4 70.8 5</p><p>Data obtained from the Department of Ciências Exatas of FCAV/Unesp Jaboticabal, located 500 m from the experimental area. 1</p><p>Temperature in degrees Celsius (ºC); 2 millimeters (mm); 3 number of days.</p><p>Source: Authors.</p><p>The frequency of tiller visitation was fitted to the linear equation (Ŷ = 9.51 + 0.09x, P =</p><p>0.0026; r² = 0.99) in relation to the grazing sward heights. The resuts shows that each 1 cm</p><p>increment in sward height will lead to an increase of 0.09 visitation days. According to Tesk</p><p>et al. (2018) the number of animals per area and their needs for nutrients will determine the</p><p>frequency of visitation (Table 2). It would be expected that swards grazed at shorter heights</p><p>would have higher frequency of tiller visitation due to the greater stocking rate, however the</p><p>results seems to indicate that the increases in frequency of tiller visitation, as sward height</p><p>increases, may be related to the increase in forage digestibility (GOMES et al., 2018).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>46 47</p><p>Table 2. Stocking rate of Palisadegrass managed at different heights (15, 25 and 35cm) during the 2007/08 and 2008/09</p><p>(rain season).</p><p>Stocking rate1</p><p>Year</p><p>Heights (cm)</p><p>CV2 Published article</p><p>15 25 35</p><p>2007/08 5.6 4.3 3.7 12.5 Casagrande et al., 2011</p><p>2008/09 5.5 4.2 3.4 7.9 Vieira et al., 2017</p><p>1</p><p>Animal unit (450 kg of body weight), 2 Coefficient of variation (%).</p><p>Source: Authors.</p><p>The leaf appearance rate was fitted to a negative linear relationship, which predicts that</p><p>each increase of 1 cm in sward height would lead to a decrease in the leaf appearance rate</p><p>by 0.0006 tiller/leaf/day. The other morphogenesis variables, number of leaves and final leaf</p><p>length were fitted to positive linear relationship. The results shows that each increase in 1 cm</p><p>in sward height would lead to an increase of 0.18 days the phyllochron, 0.10 leaves/tillers the</p><p>rate of leaf expansion, 0.85 days a leaf life duration, 0.0154 mm/leaf/tiller at the stem elonga-</p><p>tion rate, 0.035 the number of leaves per tiller and at 4.48 mm/leaf/tiller the final leaf length.</p><p>The leaf appearance rate assess the frequency that a leaf follows the path along the</p><p>pseudo stem till its emergence. Swards grazed at greater heights have bigger pseudo stem</p><p>and therefore a lower appearance rate and a greater phylochron (SALES et al., 2014). The</p><p>results obtained in this study for leaf elongation rate, stem elongation rate, final leaf length</p><p>and number of leaves per tiller seems to be affected by the frequency of visitation to tiller</p><p>and stocking rate used to maintain the management heights. This increase in the values of</p><p>these variables indicates that there was a sub-pasture, allowing the canopy to have more</p><p>leaves and larger leaves, a consequence of the higher elongation rate, and also a higher</p><p>elongation of stems, even with the increased frequency of tiller visits. This increase in the</p><p>frequency of visitation is due to the effect of the decrease in the nutritional values of higher</p><p>canopies (KUNRATH et al., 2019).</p><p>In this study, the leaf’s life span, leaf senescence rate and stem elongation rate increa-</p><p>sed with increasing sward height. These are undesirable characteristics for palisadegrass,</p><p>which indicates that there is a height where there is a balance in plant production. Leaf life</p><p>span (LLS) is the morphogenesis variable that determines the balance between leaf tissue</p><p>development and death. When working with short grazing intervals in relation to the average</p><p>time of LLS, the pasture efficiency of use will be optimized. However, if the intervals between</p><p>grazing events are longer than the useful life of the leaves, a greater amount of leaf tissue</p><p>will senescence before the beginning of the next grazing cycle causing a reduction in grazing</p><p>efficiency (GASTAL and LEMAIRE, 2015).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>48</p><p>The tiller appearance rate (0.32 ± 0.02) and the stability index (0.96 ± 0.01 tiller) were</p><p>not affected by changes in sward heights. The tiller mortality rate and population density were</p><p>fitted to a negative linear relationship, while the tiller survival rate fitted to a postivive linear</p><p>relationship. The results suggestes that increasing the sward height by 1 cm would cause a</p><p>decrease in tiller mortality by 0.0030 and the density by 74.71 tillers/m² and the tiller survival</p><p>would increase by 0.0030.</p><p>A factor of great importance in determining the tiller appearance rate is the frequency</p><p>of tiller visitation during grazing, especially under conditions of severe grazing compared to</p><p>lenient grazing (MATTHEW et al., 2000). Even at the height of 35 cm, where the visitation of</p><p>tillers was greater, this variable was not altered, demonstrating the stability (value close to</p><p>1.00) in the emission of tillers during the season (SANTANA et al., 2017). The values close</p><p>to 1.0, of the tillers stability index indicate stable tillers density, in which the number of tillers</p><p>practically does not vary, despite being the result of a dynamic balance (BAHMANI et al.,</p><p>2003; SOUSA et al., 2013 ). The similarity in population density and tiller stability index is</p><p>probably related to the low incidence of light at the base of the canopy, which negatively</p><p>affects tillering (MATTHEW et al., 2000). This lower incidence of light is due to the greater</p><p>amount of forage mass which limits the passage of light to the lower strata of the pasture</p><p>and thus does not stimulate tillering (SANTANA et al., 2017). Higher swards, in which the</p><p>number of leaves and their length are greater and where there is more frequency of visitation,</p><p>the survival rate of these tillers is higher, as there are better conditions for them to establish</p><p>themselves (SANTANA et al., 2017).</p><p>Table 3. Regression of morphogenesis variables and number of Palisadegrass leaves managed under different heights</p><p>(15, 25, 35 cm) during the 2007/08 and 2008/09 (rain season).</p><p>Variable Equation r² CV4 SEM5</p><p>Appearance rate1 Ŷ= 0.0985 – 0.0006x 0.99 22.19 0.0019</p><p>Phyllochron2 Ŷ = 8.87 + 0.18x 0.97 29.96 0.42</p><p>Elongation rate3 Ŷ = 6.62 + 0.10x 0.72 27.34 0.25</p><p>Leaf life span2 Ŷ = 37.90 + 0.85x 0.99 18.38 1.14</p><p>Senescence rate3 Ŷ = 0.75 + 0.14 0.88 29.71 0.13</p><p>Number of leaves Ŷ = 3.34 + 0.035x 0.99 12.12 0.05</p><p>Final sheet length3 Ŷ=49.50 + 4.48x 0.99 15.78 2.63</p><p>1leaf/tiller/day; 2days; ³mm/leaf/tiller; 4 Coefficient of variation; 5 Standard error mean.</p><p>Source: Authors.</p><p>The forage mass was fitted to a positive linear relationship (Ŷ = 2066.2 + 209.6x; P =</p><p>0.0001; r² = 0.98). The results shows that would be expected that the increase of 1 cm in</p><p>the sward height will lead to an increase in forage mass of 209.6 kg/ha. At greater sward</p><p>heights, leaf life span, pseudo stem elongation rate and lower defoliation frequency leads</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>48 49</p><p>to greater production of forage mass, leaves and stems (JANUSCKIEWICZ et al., 2019;</p><p>VIEIRA et al., 2017).</p><p>Table 4. Regression equations for the tillering variables of Palisadegrass managed under different heights (15, 25, 35 cm)</p><p>during the 2007/08 and 2008/09 (rain season).</p><p>Variable Equation r² CV2 SEM3</p><p>Tiller population density1 Ŷ = 5903.4 – 74.71x 0.94 18.97 156.28</p><p>Tiller survival rate1 Ŷ = 0.65 + 0.0030x 0.66 12.65 0.0094</p><p>Tiller mortality rate1 Ŷ = 0.34 – 0.0030x 0.66 33.64 0.0094</p><p>1 tiller/tiller/m²; 2 Coefficient of variation; 3 Standard error mean.</p><p>Source: Authors</p><p>The results indicate that grazing palisadegrass grass at 25 cm in a continuous stocking</p><p>method would not compromise ingestive behavior (VIEIRA et al., 2017) allowing high avera-</p><p>ge daily gain and production per hectare (REIS et al., 2013) and lower methane emissions</p><p>per kilogram produced (BARBERO et al., 2015). At that time, desirable characteristics of</p><p>morphogenesis variables (appearance of leaves, phyllochron, leaf life span) and canopy</p><p>structural (rate of survival and mortality of tillers, forage mass, leaf/stem ratio) are combined.</p><p>Santana et al. (2017) pointed out that the optimum sward grazing height would be between</p><p>20 and 30cm for both continuous and intermittent stocking. Other research groups have de-</p><p>veloped studies on the effect of different sward grazing heights on palisadegrass grass and</p><p>recommended the the height of 30 cm as the most appropriate for palisadegrass grass when</p><p>ranging from 25 to 35 cm (FIALHO et al., 2012; EUCLIDES et al., 2014; EUCLIDES et al.,</p><p>2019). The height of 25 cm was the management criterion for palisadegrass grass in conti-</p><p>nuous stocking (DELEVATTI et al., 2019) which applied different doses of nitrogen (urea; 0,</p><p>90, 180, 270 kg N/ha/year), allowing an average gain of 0.925g/day and a linear increase in</p><p>the stocking rate of 3.3, 4.6, 5.8 and 6.5 AU/ha, without compromising the canopy structure.</p><p>CONCLUSION</p><p>Grazing palisadegrass at different sward heights (15, 25, 35 cm) alter the frequency</p><p>of tiller visitation, as well as the morphogenesis variables, tillering and forage mass of pali-</p><p>sadegrass. Based on the results on this study and the literature available, we conclude that</p><p>grazing palisadegrass at 25 cm (range 20 a 30 cm) of sward height to be most suitable in</p><p>order to favor plant and animal production under a continous grazing system.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>50</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. BARBERO, R. P. et al. Combining Marandu grass grazing height and supplementation level to</p><p>optimize growth and productivity of yearling bulls. Anim. Feed Sci. Tech., Amsterdan, v.209,</p><p>p.110–118, Nov. 2015. Available in: https://doi.org/10.1016/j.anifeedsci.2015.09.010. Access</p><p>in: July 8th 2021.</p><p>2. BAHMANI, I. et al. Tiller dynamics of perennial ryegrass cultivars derived from different New</p><p>Zealand ecotype: effects of cultivar, season, nitrogen fertilizer and irrigation. Aust. J. Agric.</p><p>Res., Clayton, v. 54, n. 8, p. 803-817, Aug. 2003. Available in: https://doi.org/10.1071/AR02135.</p><p>Access in: July 8th 2021.</p><p>3. DELEVATTI, L.M. et al. Effect of nitrogen application rate on yield, forage quality, and animal</p><p>performance in a tropical pasture. Sci. Rep., California, v. 9, e.7596, May 2019. Available in:</p><p>https://doi.org/10.1038/s41598-019-44138-x. Access in: July 8th 2021.</p><p>4. EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa e Agropecuária. Sistema brasileiro de classi-</p><p>ficação de solos. 5. ed. Brasília: EMBRAPA. 2018. 356p.</p><p>5. EUCLIDES, V. P. B. et al. Manejo do pastejo de cultivares de Brachiaria brizantha (Hochst)</p><p>Stapf e de Panicum maximum Jacq. Rev. Ceres, Viçosa, v. 61, n. 7, p. 808-818. Nov./Dec.</p><p>2014. Available in: https://doi.org/10.1590/0034-737x201461000006. Access in: July 8th 2021.</p><p>6. EUCLIDES, V. P. B. et al. Grazing intensity affects forage accumulation and persistence of</p><p>Marandu palisadegrass in the Brazilian savannah. Grass Forage Sci., v. 74, n. 3, p. 450-462.</p><p>Sept. 2019. Available in: https://doi.org/10.1111/gfs.12422. Access in: July 8th 2021.</p><p>7. FIALHO, C. A. et al. Tiller population density and tillering dynamics in marandu palisade grass</p><p>subjected to strategies of rotational stocking management and nitrogen fertilization. Acta Sci.</p><p>- Anim. Sci., Maringá, v. 34, n. 3, p. 245-251. Sept. 2012. Available in: https://doi.org/10.4025/</p><p>actascianimsci.v34i3.13739. Access in: July 8th 2021.GASTAL, F. and LEMAIRE, G. Defoliation,</p><p>Shoot Plasticity, Sward Structure and Herbage Utilization in Pasture: Review of the Underlying</p><p>Ecophysiological Processes. Agriculture, v. 5, n. 4, p. 1146–117. Nov. 2015. Available in:</p><p>https://doi.org/10.3390/agriculture5041146. Access in: July 8th 2021.</p><p>8. GOMES, F. K. et al. Effects of grazing management in brachiaria grass-forage peanut pastures</p><p>on canopy structure and forage intake. J. Anim. Sci., v. 96 n. 9, p. 3837-3849. Sept. 2018.</p><p>Available in: https://dx.doi.org/10.1093%2Fjas%2Fsky236. Access in: July 8th 2021.</p><p>9. JANUSCKIEWICZ, E.R. et al. Sward structure and ingestive behavior of cows in tropical pastures</p><p>managed under different forage allowances. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., Belo Horizonte, v.</p><p>71, n. 6, p. 2009-2016. Nov./Dec. 2019. Available in: https://doi.org/10.1590/1678-4162-10913.</p><p>Access in: July 8th 2021.</p><p>10. KUNRATH, T.R. et al. Sward height determines pasture production and animal performance</p><p>in</p><p>a long-term soybean-beef cattle integrated system. Agric. Syst., v. 177, e.102716. Jan. 2020.</p><p>Available in: https://doi.org/10.1016/j.agsy.2019.102716. Access in: July 8th 2021.</p><p>11. MATTHEW, C.; ASSUERO, S. G.; BLACK, C. K. Tiller Dynamics of Grazed Swards. In: LEMAI-</p><p>RE, G.; HODGSON, J.; MORAES, A.; CARVALHO, P. C. F.; NABINGER, C. (orgs.) Grassland</p><p>ecophysiology and grazing ecology. New York: CABI, 2000. chap. 7, p.127-151.</p><p>https://doi.org/10.1016/j.anifeedsci.2015.09.010</p><p>https://doi.org/10.1071/AR02135</p><p>https://doi.org/10.1038/s41598-019-44138-x</p><p>https://doi.org/10.1590/0034-737x201461000006</p><p>https://doi.org/10.1111/gfs.12422</p><p>https://doi.org/10.4025/actascianimsci.v34i3.13739</p><p>https://doi.org/10.4025/actascianimsci.v34i3.13739</p><p>https://doi.org/10.3390/agriculture5041146</p><p>https://dx.doi.org/10.1093%2Fjas%2Fsky236</p><p>https://doi.org/10.1590/1678-4162-10913</p><p>https://doi.org/10.1016/j.agsy.2019.102716</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>50 51</p><p>12. REIS, R. A.; BARBERO, R. P.; HOFFMANN, A. Impactos da qualidade da forragem em siste-</p><p>mas de produção de bovinos de corte. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, v. 37, n. 292,</p><p>p. 36-53. 2016.</p><p>13. REIS, R. A. et al. (2013) Performance of young nelore bulls grazing marandu grass pasture</p><p>at different heights. Trop. Grassl., v. 1,n. 1, p. 114-115. Sept. 2013. Available in: https://doi.</p><p>org/10.17138/tgft(1)114-115. Access in: July 8th 2021.</p><p>14. SALES, E. C. J. et al. Características morfogênicas e estruturais da Brachiaria brizantha cv.</p><p>Marandu submetida a diferentes doses de nitrogênio e alturas de resíduos. Semin. Cienc.</p><p>Agrar., Londrina, v. 35, n. 5, p. 2673-2684. 2014. Available in: http://dx.doi.org/10.5433/</p><p>1679-0359.2014v35n5p2673. Access in: July 8th 2021.</p><p>15. SANTANA, S. S. et al. Canopy characteristics and tillering dynamics of Marandu palisade grass</p><p>pastures in the rainy–dry transition season. Grass Forage Sci., v.72, n. 2, p. 261–270. Jun.</p><p>2017. Available in: https://doi.org/10.1111/gfs.12234. Access in: July 8th 2021.</p><p>16. SOLLENBERGER, L.E.; CHERNEY, D.J.R. Evaluating Forage Production and Quality. In: BAR-</p><p>NES, R. F.; MILLER, D. A.; NELSON, C. J. (orgs.). 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Access in: July 8th 2021.</p><p>https://doi.org/10.17138/tgft(1)114-115</p><p>https://doi.org/10.17138/tgft(1)114-115</p><p>http://dx.doi.org/10.5433/1679-0359.2014v35n5p2673</p><p>http://dx.doi.org/10.5433/1679-0359.2014v35n5p2673</p><p>https://doi.org/10.1111/gfs.12234</p><p>https://doi.org/10.1590/S1516-35982013000100006</p><p>https://doi.org/10.36560/1152018667</p><p>https://doi.org/10.36560/1152018667</p><p>https://doi.org/10.1111/asj.12696</p><p>04</p><p>Minerais orgânicos na nutrição de</p><p>suínos: uma revisão de literatura</p><p>Marcos Speroni Ceron</p><p>UNIFENAS</p><p>Carlos Augusto Rigon Rossi</p><p>UFSM</p><p>Henrique da Costa Mendes Muniz</p><p>UFSM</p><p>Vladimir de Oliveira</p><p>UFSM</p><p>Alexandre de Mello Kessler</p><p>UFRGS</p><p>Bruno Neutzling Fraga</p><p>UNIPAMPA</p><p>Daniela Regina Klein</p><p>UFSM</p><p>Michael Silveira Reis</p><p>UNIFENAS</p><p>Carlos Eduardo Botega</p><p>UNIFENAS</p><p>10.37885/210805882</p><p>https://dx.doi.org/10.37885/210805882</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>53</p><p>Palavras-chave: Alimentação, Quelato, Sustentabilidade.</p><p>RESUMO</p><p>Os minerais são elementos essenciais para composição das dietas, uma vez que exercem</p><p>várias funções essenciais no organismo dos suínos, estando disponíveis no mercado nas</p><p>formas orgânica e inorgânica. Os minerais orgânicos são elementos de alta estabilidade,</p><p>solubilidade e disponibilidade biológica, sendo constituídos por íons metálicos adsorvidos</p><p>por substâncias orgânicas (aminoácidos, peptídeos ou polissacarídeos). Com isso, esses</p><p>minerais são mais biodisponíveis em relação aos inorgânicos, resultando em menores</p><p>taxas de excreção pelos suínos, agregando sustentabilidade ao sistema suinícola de pro-</p><p>dução. Assim, o objetivo desta revisão de literatura é abordar de maneira prática-científica</p><p>os principais minerais orgânicos utilizados na nutrição de suínos.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>54</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A literatura científica possui catalogados 96 elementos minerais, porém, destes, ape-</p><p>nas 16 são considerados nutricionalmente essenciais, os quais desempenham diversas</p><p>funções metabólicas no organismo animal, atuando nos sistemas imunológicos, respiratório,</p><p>reprodutivo, além da formação esquelética, entre outras utilidades (ESPÍNDOLA, 2016).</p><p>São classificados segundo suas necessidades dietéticas em macrominerais (g.dia–1) e mi-</p><p>crominerais (mg.dia–1), onde na forma orgânica por estarem associados a outras moléculas</p><p>(estas sim orgânicas), possuem maior biodisponibilidade em relação a fontes inorgânicas,</p><p>favorecendo a aplicabilidade do conceito de nutrição de precisão, em relação aos minerais</p><p>(Mc DONALD et al., 2002; ESPÍNDOLA, 2016).</p><p>O conceito da nutrição de precisão pode ser considerado uma técnica inovadora nos</p><p>últimos anos de pesquisas em suínos, visando melhorar a eficiência de utilização dos princi-</p><p>pais nutrientes pelo animal sendo eles proteína, carboidratos, lipídeos, vitaminas e minerais.</p><p>Sabe-se que o desbalanço da quantidade de minerais na dieta pode resultar em problemas</p><p>no crescimento, reprodução e saúde dos suínos (NRC, 2012).</p><p>Tratando-se exclusivamente de minerais, a maioria das exigências obtidas nas refe-</p><p>rências literárias foram mensuradas com animais com baixo melhoramento genético, sendo</p><p>muitas delas estimadas de forma empírica (RUTZ e MURPHY, 2009), o que, segundo Leeson</p><p>(2008), pode funcionar, porém, corre-se o risco de déficits, excesso e até mesmo interações</p><p>adversas entre minerais as quais podem resultar tanto em redução do desempenho quanto</p><p>aumento dos níveis nas excreções. Além disso, a determinação empírica das exigências</p><p>nutricionais em microminerais tem sido essencialmente realizada com fontes inorgânicas de</p><p>baixa biodisponibilidade, como óxidos e sulfatos, o que superestima as necessidades diárias</p><p>no caso de ser usada fonte mais disponível como os minerais orgânicos.</p><p>A melhora do metabolismo e do desempenho dos animais monogástricos e a redução</p><p>da contaminação ambiental por minerais inorgânicos (McCartney, 2008) pode ser obtida</p><p>pelo uso de minerais orgânicos. Esses são obtidos pela ligação de íons metálicos a uma</p><p>molécula orgânica o que resulta em estruturas mais estáveis e com elevada biodisponibili-</p><p>dade mineral (AAFCO, 2000). O objetivo desta revisão de literatura foi abordar de maneira</p><p>prática-científica os principais minerais orgânicos utilizados na nutrição de suínos.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>54 55</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>Zinco:</p><p>O zinco (Zn), às vezes classificado como metal de transição ainda que estritamente</p><p>não seja, possui massa atômica de 65,4 u e apresenta-se nos tecidos de origem vegetal</p><p>e animal, com maior concentração no fígado, pele e pelos. Atua como cofator na consti-</p><p>tuição de várias enzimas corporais e está envolvido no processo de multiplicação celular</p><p>(SAKOMURA et al., 2014).</p><p>O zinco inorgânico na forma de óxido (ZnO) é muito utilizado para o controle de diar-</p><p>reia (Escherichia coli) e como promotor de crescimento em leitões pós-desmame, devido</p><p>ao seu baixo custo (GAUDRÉ e QUINOU, 2009). A suplementação de zinco proporciona</p><p>efeitos benéficos ao sistema imunológico dos animais, pois possui propriedades anti-infla-</p><p>matórias. No entanto,</p><p>a absorção de Zn inorgânico varia conforme idade, componentes da</p><p>dieta e estado fisiológico animal (FURLAN e POZZA, 2014). O zinco orgânico possui maior</p><p>biodisponibilidade em relação à sua forma inorgânica, podendo ser encontrado quelatado a</p><p>aminoácidos como o zinco-lisina e zinco-metionina, ou complexado a proteína parcialmente</p><p>hidrolisada ou polissacarídeos (RUTZ e MURPHY, 2009).</p><p>A substituição parcial ou total do zinco inorgânico pelo orgânico pode trazer bene-</p><p>fícios ao desempenho dos animais e reduzir a excreção de nutrientes (CARLSON et al.,</p><p>2004). A substituição gradual do zinco inorgânico por níveis menores de zinco-metionina</p><p>(ZnMet) não apresentou efeitos negativos sobre o desempenho e a digestibilidade dos</p><p>nutrientes em leitões recém-desmamados (XIE, 2019). Nesse estudo, a suplementação de</p><p>50 mg.kg–1 de ZnSO4 + 25 mg.kg–1 de ZnMet em dieta a base de milho e farelo de soja para</p><p>leitões melhorou a digestibilidade do zinco e, consequentemente, o sistema imunológico na</p><p>fase mais crítica da produção.</p><p>O fornecimento de altas doses (200 e 2.500 mg.kg–1) do quelato zinco-glutamato em</p><p>curto prazo (7 dias), reduziram a colonização por Escherichia coli no intestino de leitões</p><p>recém-desmamados (MAZZONI et al. 2010), sendo também observado maior altura de vilo-</p><p>sidade e profundidade de cripta no duodeno, o que pode favorecer o processo de absorção</p><p>dos nutrientes pelos animais.</p><p>Cobre</p><p>O cobre (Cu) é um metal de transição, com massa atômica de 63,5 u, apresenta-se em</p><p>estado sólido à temperatura ambiente. Este micromineral é necessário para o crescimento</p><p>ósseo e formação de algumas enzimas cúpricas como: citrocomo-oxidase, amina-oxidase,</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>56</p><p>catalase, peroxidase, ceruloplasmina, lactase, uricase, tirosinase e dismutase-superóxido</p><p>(SAKOMURA, 2014). Além disso, está associado ao metabolismo do ferro e na síntese de</p><p>hemoglobina (BERTECHINI, 2014).</p><p>O cobre inorgânico (sulfato de cobre) é muito utilizado como promotor de crescimento</p><p>para suínos devido ao seu baixo custo, possui efeito antimicrobiano e causa aumento nos</p><p>níveis de RNAm para hormônio do crescimento (BERTECHINI, 2014). Além disso, no pós-</p><p>-abate os animais apresentam redução na quantidade de gordura na carcaça e aumento da</p><p>quantidade de ácidos graxos insaturados (AMER e ELLIOT, 1973; PETTIGREW e ESNAOLA,</p><p>2001). Contudo, a absorção intestinal do Cu é relativamente baixa e varia conforme a fonte</p><p>utilizada, assim o uso indiscriminado pode causar problemas ao meio ambiente (RUTZ e</p><p>MURPHY, 2009). Desta maneira, recomenda-se o uso de fontes orgânicas devido à maior</p><p>absorção e retenção nos tecidos corporais.</p><p>O uso do complexo quitosana-cobre (CS-Cu), na dieta de leitões desmamados melhora</p><p>a morfologia do intestino delgado ao aumentar a altura das vilosidades e da relação altura</p><p>de vilosidade/profundidade de cripta (XIAOJING, 2017). O CS-Cu pode aumentar a quan-</p><p>tidade de nutrientes prontamente disponíveis para absorção intestinal e, assim, melhorar o</p><p>desenvolvimento e a regeneração das vilosidades intestinais. Desta maneira, a integridade</p><p>intestinal contribui para o aumento da saúde intestinal ao reduzir a apoptose das células</p><p>epiteliais do íleo e a incidência de diarreia.</p><p>O fornecimento de Cu orgânico pode melhorar o crescimento e a conversão alimentar</p><p>de suínos nas fases de creche, crescimento e terminação (ÁLVAREZ, 2019). Efeito atribuído</p><p>à ação antimicrobiana do Cu melhora a absorção dos nutrientes à nível intestinal (RUTZ</p><p>e MURPHY, 2009).</p><p>Existem evidências que a suplementação de quelato de Cu (80 mg.kg–1) em substitui-</p><p>ção ao CuSO4 (4 e 160 mg.kg–1) causou aumento (P <0,05) no peso de carcaça e profun-</p><p>didade de lombo. Álvarez et al. (2019) observaram que a suplementação com proteinato</p><p>de Cu causou aumento (P <0,05) na área de olho de lombo em fêmeas, redução (P<0,05)</p><p>na espessura de toucinho em machos castrados e aumento (P <0,05) nos rendimentos dos</p><p>cortes primários e na qualidade da carne. As melhorias observadas nas características de</p><p>carcaça ocorrem porque o Cu é responsável por estimular o hormônio do crescimento, atuar</p><p>como regulador da lipólise e favorecer a deposição de proteína (KRISHNAMOORTHY et al.,</p><p>2016; ZHOU et al., 1994). Além disso, o Cu atua como cofator da enzima citocromo oxidase</p><p>que é essencial na produção de ATP na cadeia respiratória (LIM e PAIK, 2006). Portanto, a</p><p>maior biodisponibilidade do Cu orgânico favorece a produção do ATP na célula e mantém</p><p>a integridade das proteínas musculares, melhorando a qualidade da carne.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>56 57</p><p>Na perspectiva ambiental, a substituição do Cu inorgânico (CuSO4) por análogos or-</p><p>gânicos pode ser benéfica. Em leitões na fase de creche, a suplementação com proteinato</p><p>de Cu (100 mg.kg–1) permitiu reduzir (P <0,05) a ingestão, aumentar (P <0,05) a absorção e</p><p>a retenção corporal Cu, além de reduzir (P <0,05) a excreção (VEUM 2004). Nas fases de</p><p>crescimento e terminação, nas quais os suínos produzem grande quantidade de dejetos, o</p><p>uso de Cu orgânico permite reduzir excreção de Cu (LIU et al., 2016), sem comprometer o</p><p>desempenho dos animais.</p><p>Ferro</p><p>O ferro (Fe) é um metal de transição com massa atômica de 55,8 u, sendo o quarto</p><p>elemento mais abundante na crosta terrestre. É um mineral importante para o organismo do</p><p>animal ao constituir a hemoglobina, mioglobina, citrocomo, succinato-desidrogenase, oxidase</p><p>e oxigenase. O Fe também é necessário para a mineralização adequada do tecido ósseo</p><p>a fim de proteger a medula espinhal e é um cofator das enzimas envolvidas na síntese dos</p><p>neurotransmissores (SPENCER e PALMER, 2012).</p><p>A suplementação de ferro na forma inorgânica, com o uso de sulfato ferroso (FeSO4),</p><p>geralmente é feita nas primeiras semanas de vida dos leitões quando há deficiência. A anemia</p><p>ferropriva em leitões provém da baixa reserva de Fe corporal no recém-nascido associada</p><p>a baixa concentração deste mineral no leite da porca (ABCS, 2014).</p><p>O Fe orgânico, quelato ou complexado à aminoácidos ou polissacarídeos, é quimica-</p><p>mente mais estável e utiliza os mesmos mecanismos de absorção de proteína e polissaca-</p><p>rídeos o que o torna mais biodisponível (RUTZ e MURPHY, 2009; CHABAEV et al., 2020).</p><p>Pesquisas indicam que a suplementação de porcas com Fe orgânico no terço final</p><p>da gestação, período onde ocorre maior desenvolvimento dos tecidos maternos e cres-</p><p>cimento dos fetos, pode ser eficaz para melhorar o peso ao nascer das leitegadas (WAN</p><p>et al., 2018). Isso ocorre porque o fornecimento de Fe orgânico pode melhorar a absorção</p><p>de Fe intestinal, e consequentemente aumentar a transferência de Fe via placenta aos fetos</p><p>(NOVAIS et al., 2016). O uso de Fe e outros minerais proteinados (Cu, Mn e Zn) em porcas</p><p>gestantes e lactantes, causa aumento do peso dos leitões ao nascimento e desmame, bem</p><p>como aumentou os níveis de Fe no leite (LIANXIANG et al., 2020). Os autores justificam</p><p>que maior biodisponibilidade do Fe orgânico favorece a passagem do mineral através da</p><p>placenta e da glândula mamária aumentando o crescimento pré e pós-natal. Nesse estudo,</p><p>o uso de mineral orgânico permitiu redução de 20% nos requerimentos nutricionais de Fe,</p><p>Cu, Mn e Zn, aproximadamente, causando redução da presença desses microminerais nas</p><p>fazes das matrizes. No entanto, os efeitos sobre desempenho reprodutivo das porcas ainda</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>58</p><p>são inconsistentes na literatura, variando conforme a fonte de mineral inorgânico utilizada</p><p>(NOVAIS et al., 2016; WAN et al., 2018).</p><p>A suplementação de leitões lactentes com o complexo metal-aminoácido, em substi-</p><p>tuição ao sulfato de ferro contribuiu para redução da mortalidade e na incidência de diarreia</p><p>(GRELA et al., 2005). Já para leitões recém-desmamados, tanto o uso de FeSO4, quan-</p><p>to Fe-Gly, causaram aumento (P <0,05) na concentração de Fe nos tecidos musculares</p><p>e melhorias na integridade do epitélio intestinal, quando comparados ao grupo controle</p><p>(ZHUO et al., 2019).</p><p>Selênio</p><p>O Selênio (Se) é um elemento químico</p><p>com massa atômica de 79 (78,96) u, a utiliza-</p><p>ção do selênio (Se) na alimentação humana e animal desperta a atenção de pesquisadores</p><p>por ser um micromineral essencial que quando ingerido em altas concentrações se torna</p><p>altamente tóxico (GIERUS, 2007; PUTAROV, 2010; CALVO et al., 2017). O interesse pri-</p><p>mário pelo Se ocorreu devido ao seu efeito tóxico, mas em 1957 Schwarz e Foltz descobri-</p><p>ram Se também é um elemento traço essencial e as pesquisas passaram a se concentrar</p><p>no papel metabólico e nas consequências de sua deficiência. Dada a baixa disponibilidade</p><p>do selênio em forrageiras, cereais e grãos proteicos, a suplementação desse mineral em</p><p>animais de produção é uma prática comum desde 1970. Durante as últimas décadas, estudos</p><p>sugerem que a forma de selênio ofertada na dieta determina sua eficiência e as exigências</p><p>nutricionais dos animais (FONTINHAS, 2021).</p><p>O Se pode se apresentar na natureza em duas categorias: orgânica e inorgâni-</p><p>ca. A maior contribuição para o consumo de Se é via dieta e tipicamente é encontrada em</p><p>cereais, carnes, ovos e leite, onde a sua concentração varia amplamente entre as fontes.</p><p>Nos tecidos vegetais a concentração dependerá da região geográfica e do nível e disponi-</p><p>bilidade do Se encontrado no solo (NRC, 2006; PUTAROV, 2010). Para os tecidos animais,</p><p>a concentração de Se dependerá da quantidade ingerida presente na dieta (TODD, 2006).</p><p>Algumas plantas e microrganismos são capazes de substituir o enxofre (S) dos aminoácidos</p><p>cisteína e metionina por Se inorgânico, transformando-os em fontes orgânicas: a selenocis-</p><p>teína (SeCis) e selenometionina (SeMet).</p><p>Enquanto que a forma predominante de suplemento de selênio para animais é o se-</p><p>lenito de sódio inorgânico, a principal forma natural é a L-selenometionina, um análogo de</p><p>selênio do aminoácido metionina (JACQUES, 2001).</p><p>A absorção de Se está diretamente ligada à sua forma química como biocomplexo</p><p>ou inorgânica. A forma biocomplexada mais utilizada na suinocultura é a selenometionina</p><p>(principal forma de selênio nas leveduras) por possuir absorção semelhante à da metionina</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>58 59</p><p>(BURK et al., 2003). A selenometionina ingerida é absorvida no intestino delgado por meio</p><p>do sistema de transporte de aminoácidos sódio dependente, ou seja, por transporte ativo</p><p>(SCHRAUZER, 2000), enquanto que a forma inorgânica é absorvida por meio de difusão</p><p>simples (BERTECHINI, 2014).</p><p>A absorção de Se por fontes biocomplexadas e inorgânicas são distintas, porém todo</p><p>o Se absorvido é convertido a seleneto inorgânico e seleneto de hidrogênio (H2Se) antes</p><p>da incorporação específica da selenocisteína no sítio ativo das selenoproteínas (DANIELS,</p><p>1996). Schrauzer (2000), afirma que a selenometionina que não é prontamente metabolizada</p><p>incorpora-se em tecidos com alta síntese proteica, como músculos esqueléticos, eritrócitos,</p><p>pâncreas, fígado, rim, estômago e mucosa intestinal. E por fim, o selenito de sódio em ex-</p><p>cesso é excretado (OLIVEIRA et al., 2014).</p><p>A principal característica que torna o Se um elemento bastante estudado é o seu po-</p><p>tencial antioxidante que combate os radicais livres relacionados à oxidação das membranas</p><p>celulares. É importante ressaltar que a vitamina E previne a formação de peróxidos enquanto</p><p>o Se combate os peróxidos formados que são radicais livres extremamente danosos às</p><p>células (BERTECHINI et al., 2014). Esta ação ocorre pela ativação da enzima glutationa</p><p>peroxidase (GSH-Px) em conjunto com outras enzimas não selenadas (superóxido dismu-</p><p>tase e catalase) que constituem o sistema primário de defesa antioxidante (LI et al., 2017).</p><p>As selenoproteínas possuem atividades enzimáticas aprimoradas pela incorporação es-</p><p>pecífica de selênio por meio da selenocisteína (COULOIGNER et al., 2015). São conhecidas</p><p>pelo menos 25 selenoproteínas comuns para animais e humanos dentre elas estão as glu-</p><p>tationa peroxidases, tioredoxina redutases e iodotironina deiodinases (CHANG et al., 2017).</p><p>O Se atua também na regulação dos níveis dos hormônios tireoideanos, por meio da</p><p>enzima iodotironina deiodinase responsável por catalisar a reação de conversão de T4 em</p><p>T3, sua forma ativa (NRC, 2006). Outra função do Se está relacionada com a manutenção</p><p>do sistema imunológico, segundo Cao et al. (2014), uma ingestão adequada do micromine-</p><p>ral garante uma melhor função imune e uma deficiência pode ocasionar uma depleção nos</p><p>mecanismos de defesa.</p><p>A deficiência de Se induz o estresse oxidativo, inflamação e apoptose celular, além de</p><p>causar distúrbios estruturais e funcionais nos tecidos dos animais como: músculos, fígado,</p><p>sistema imunológico, rim, pâncreas e tireoide (DALIA et al., 2017). As principais doenças</p><p>que acometem os animais domésticos nutricionalmente deficientes em Se são a distrofia</p><p>muscular, a diátese exsudativa, o fígado necrótico e as doenças cardíacas (Zarczynska et al.,</p><p>2013; Cao et al., 2014), além do comprometimento reprodutivo pela perda da integridade</p><p>funcional dos espermatozóides.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>60</p><p>Estudos para avaliar o impacto do Se na nutrição de reprodutores suínos abrangem</p><p>os benefícios na puberdade, melhoria da libido, do vigor sexual e no desenvolvimento e</p><p>manutenção das glândulas endócrinas (CLOSE e COLE, 2001). A partir disso, sabe-se que</p><p>dietas inadequadas para reprodutores suínos reduzem a motilidade espermática e aumentam</p><p>as anormalidades morfológicas, principalmente as relacionadas à peça intermediária com</p><p>menor concentração de ATP e menor atividade da enzima glutationa peroxidase (GPx) nas</p><p>mitocôndrias (MARIN-GUZMAN et. al., 1997). Portanto, machos que consomem dietas com</p><p>baixo teor de selênio produzem células espermáticas com baixa motilidade e anormalidades</p><p>aumentadas (HANSEN e DEGUCHI, 1996). Além disso, o selênio é um micromineral essen-</p><p>cial necessário para o crescimento embrionário, biossíntese de testosterona e participa na</p><p>formação e desenvolvimento de espermatozóides (BEHNE et al., 1996).</p><p>A suplementação com selênio orgânico ajuda no aumento do número de doses semi-</p><p>nais e reduz o custo médio da dieta por dose seminal (SPEIGHT et al., 2012). Reprodutores</p><p>suplementados selênio orgânico, quando comparado com aqueles que recebiam selênio</p><p>inorgânico na dieta, apresentaram uma concentração espermática significativamente maior</p><p>(SPEIGHT et al., 2012), e também maior número de espermatozoides totais por ejaculado</p><p>(MARIN-GUZMAN et. al., 1997; MARTINS et al., 2015).</p><p>O mecanismo pelo qual o selênio aumenta o número das doses seminais ainda é ampla-</p><p>mente desconhecido, no entanto, alguns mecanismos moleculares foram propostos. O selênio</p><p>desempenha um papel na regulação da proliferação e diferenciação das células germinativas</p><p>no testículo. Por isso, sugere-se que seu papel não é limitado apenas como antioxidante</p><p>(GSH-Px) ou como componente estrutural da bainha mitocondrial do esperma (SHALINI e</p><p>BANSAL, 2006). Foi demonstrado que, além de estar envolvido na formação das células</p><p>espermáticas, o selênio também é necessário no metabolismo normal da testosterona e na</p><p>manutenção de morfologia testicular.</p><p>As formas de selênio disponíveis para a nutrição animal são classificadas em três ge-</p><p>rações distintas (L-SeMet, OH-SeMet e Zn-L-SeMet). A última geração ou produtos puros se</p><p>destacam na suplementação animal por apresentar resultados positivos comparados às ge-</p><p>rações anteriores. Todos os aditivos de terceira geração apresentam como característica co-</p><p>mum o selênio (Se) disponível sob a forma de selenometionina (SeMet) (FONTINHAS, 2021).</p><p>A principal vantagem em suplementar os animais com SeMet frente às fontes inor-</p><p>gânicas é que, devido à similaridade química entre a metionina e a SeMet, essa última é</p><p>absorvida e metabolizada como uma molécula de metionina. Essa característica leva à</p><p>formação de um depósito inespecífico de Se em cadeias de aminoácidos corporais (i.e.</p><p>proteínas corporais), que pode ser utilizado posteriormente pelos animais de maneira mais</p><p>eficiente e segura. Por outro lado, todas</p><p>as outras formas de Se não criam depósitos de Se e,</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>60 61</p><p>portanto, qualquer excesso é excretado imediatamente pelos animais, evitando sua toxici-</p><p>dade (FONTINHAS, 2021).</p><p>Dada a diversidade de opções disponíveis, a comunidade científica buscou maneiras de</p><p>avaliar a eficácia destes diferentes aditivos. Admite-se, no entanto, que a melhor maneira de</p><p>avaliar a bioeficácia das formas puras de SeMet é pela comparação da deposição de Se nos</p><p>tecidos animais, sendo a deposição em músculos a referência mais utilizada. Jachacz et al.,</p><p>(2017), publicaram uma meta-análise com a compilação de 13 estudos diferentes, onde se</p><p>concluiu que quando suplementadas a mesma dose, L-SeMet e OH-SeMet apresentaram</p><p>a mesma eficiência.</p><p>Manganês</p><p>O manganês (Mn) é um metal de transição, com massa atómica de 54,9 u e apresen-</p><p>ta-se em estado sólido à temperatura ambiente. De acordo com Leeson e Summers (2001),</p><p>quem primeiro demonstrou que o manganês era elemento essencial para nutrição animal</p><p>foi Kemmeres e colaboradores em 1931. O manganês está envolvido na síntese da matriz</p><p>orgânica da cartilagem epifisial, pois ativa as enzimas glicosiltransferases necessárias para</p><p>a síntese de sulfato de condroitina que compõe a molécula de proteoglicana da cartilagem</p><p>e zonas de crescimento (LEACH, 1986). O manganês também é necessário para a fosfori-</p><p>lação oxidativa na mitocôndria, para síntese de ácidos graxos e incorporação de acetato no</p><p>colesterol (LEESON e SUMMERS, 2001).</p><p>O manganês está envolvido na manutenção do tecido conjuntivo, no crescimento ós-</p><p>seo, nas funções reprodutivas e no metabolismo de carboidratos e lipídios como cofator</p><p>da enzima piruvato carboxilase, além de diversas outras (APPLE et al., 2005; KIEFER,</p><p>2005). A deficiência deste mineral acarreta em prejuízos ao crescimento, desenvolvimento</p><p>do esqueleto e função reprodutora. É possível observar alterações no ciclo estral, reabsorção</p><p>fetal, redução da secreção láctea e nascimento de leitões fracos e com ataxia (COMINETTI</p><p>e COZZOLINO, 2009; MORENO et al., 2012).</p><p>Componente da enzima superóxido dismutase mitocondrial (SOD), o manganês é</p><p>responsável pela correta metabolização dos radicais livres nas mitocôndrias, sendo essen-</p><p>cial para a síntese de sulfato de condroitina, um componente dos mucopolissacarídeos da</p><p>matriz orgânica dos ossos (NRC, 2012). O manganês exerce papel importante na função</p><p>imunológica por interagir com a atividade de neutrófilos e macrófagos (FURLAN e POZZA,</p><p>2014; MATEOS et al., 2005). Outras funcionalidades deste mineral seriam para a fosforila-</p><p>ção oxidativa na mitocôndria, para a síntese de ácidos graxos e incorporação de acetato no</p><p>colesterol (LEESON e SUMMERS, 2001).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>62</p><p>A ativação da enzima superóxido dismutase pelo manganês desencadeia a quebra</p><p>de radicais livres e, consequentemente, pode proporcionar uma redução nos valores das</p><p>substâncias reativas ao ácido tiobarbitúrico em cortes de carne suína, auxiliar na prevenção</p><p>da descoloração da carne na prateleira. Quando em deficiência há aumento na deposição</p><p>de gordura (FURLAN e POZZA, 2014).</p><p>O manganês possui baixa absorção e, portanto, sua excreção relativa nas fezes é con-</p><p>siderada alta (FURLAN e POZZA, 2014). Talvez, isso decorra da baixa biodisponibilidade nos</p><p>principais alimentos (LEESON e SUMMERS, 2001). Alguns fatores afetam positivamente a</p><p>absorção como a deficiência de ferro (Fe), enquanto que altos níveis de cálcio (Ca) e fósforo</p><p>(P) prejudicam (HILL e SPEARS, 2001).</p><p>A absorção e excreção parecem ser dependentes da formação de um quelato natural</p><p>especialmente com sais biliares e mudanças marcantes têm sido notadas na distribuição</p><p>do manganês no organismo com o uso de quelatos artificiais (LEESON E SUMMERS,</p><p>2001). O manganês é encontrado em pequena quantidade na maioria dos tecidos, em níveis</p><p>de 2 a 4ppm nos ossos, fígado, hipófise, glândulas mamárias, rins, pâncreas e nos músculos</p><p>em níveis de 1ppm (ANDRIGUETTO et al., 2002).</p><p>As exigências de manganês para suínos são baixas, a recomendação média é de</p><p>4,11mg.kg–1 de ração para suínos dos 35 aos 135 quilogramas (NRC, 2012). Ammermam</p><p>et al. (1995), observaram que a disponibilidade relativa para o Mn-metionina e Mn-proteinato</p><p>foram 120 e 110%, respectivamente, quando comparado com o sulfato de manganês. As fon-</p><p>tes proteicas vegetais contêm normalmente de 30 a 50 mg.kg–1 de manganês e as fontes de</p><p>origem animal entre 5 e 15 mg kg–1 (HILL e SPEARS, 2001). Além disso, esse mineral traço</p><p>é altamente concentrado nas camadas exteriores dos grãos, isto significa que a inclusão de</p><p>farelo dos alimentos pode aumentar o manganês dietético (SUTTLE, 2010). Porém, Baker</p><p>(2001), sugere que no milho, soja, farelo de trigo e farinha de peixe o manganês deve ser</p><p>considerado praticamente indisponível para frangos e suínos, enquanto que no farelo de</p><p>arroz a biodisponibilidade é mínima.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Afirma-se que perante o conceito de nutrição de precisão, não se trata mais da quanti-</p><p>dade de determinado nutriente, mas sim sua eficiência de utilização pelo organismo animal.</p><p>Com o uso de minerais orgânicos na alimentação dos suínos, busca-se uma fonte mineral</p><p>com maior biodisponibilidade, sendo encontrado em produtos biossintéticos, ou combinados</p><p>com aminoácidos, polissacarídeos, entre outras formas, a fim de melhorar o desempenho</p><p>animal e reduzir a carga poluente ocasionada pelo excesso de minerais indisponíveis ao</p><p>metabolismo animal que são excretados através dos dejetos.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>62 63</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. ÁLVAREZ, C.M.B. et al. 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A quantificação do Nitrogênio Uréico no Leite (NUL) é uma ferramenta utilizada</p><p>para indicar o status nutricional das vacas, dessa forma quando os níveis de NUL estão</p><p>elevados em um rebanho, pode ser reflexo do pouco aproveitamento da proteína die-</p><p>tética, sendo que a avaliação dos níveis de NUL tem se mostrado uma técnica rápida,</p><p>pouco invasiva, e eficiente para monitorar a nutrição das vacas em lactação. Observou-</p><p>se por meio da revisão da literatura que a análise de NUL é uma importante ferramenta</p><p>que permite adequar o nível proteico das dietas, o que contribui para a redução dos</p><p>custos com alimentação, redução das excreções de nitrogênio no ambiente decorrentes</p><p>do excesso de proteína dietética, além de perdas reprodutivas e melhor qualidade dos</p><p>alimentos disponibilizados ao consumidor.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>70</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O Brasil, segundo a Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), é o</p><p>terceiro maior produtor mundial do setor leiteiro. O leite está entre os seis primeiros produtos</p><p>mais importantes da agropecuária brasileira, com produção de mais de 30 bilhões de litros</p><p>anuais. 98% dos municípios do país desenvolvem a atividade, predominando pequenas e</p><p>médias propriedades, empregando aproximadamente 4 milhões de pessoas (MAPA, 2020).</p><p>Cita-se que a produtividade sempre foi um fator primordial na atividade leiteira, porém</p><p>no cenário atual o que dita às regras no mercado do leite não é apenas produção a quali-</p><p>dade é fator determinante para a aceitação do produto e estabelecimento do preço a ser</p><p>pago pelo mesmo.</p><p>Sabe-se que a proteína na dieta tem grande importância para o desempenho produ-</p><p>tivo de vacas em lactação. Tanto dietas com níveis proteicos deficientes quanto em ex-</p><p>cesso geram impacto negativo sobre a atividade leiteira (MEYER, 2003; PACHECO et al.,</p><p>2020). A concentração de nitrogênio uréico no leite (NUL) se propõe como um indicador para</p><p>o monitoramento da nutrição proteica de vacas em lactação, permitindo ajustar o conteúdo</p><p>de proteína e energia da dieta, reduzir de custo de alimentação e aumentar de desempenho</p><p>produtivo do rebanho.</p><p>O NUL também está diretamente ligado à quantidade de nitrogênio que é liberado</p><p>na urina, desta forma, além de auxiliar na verificação dos níveis proteicos da dieta, tem</p><p>importante papel no controle da quantidade de nitrogênio que é liberada pelos animais via</p><p>urinária. Uma vez que este é um elemento contaminante ao meio ambiente e apenas 35%</p><p>do nitrogênio consumido é secretado no leite, o restante pela urina e fezes (CHASE, 1994).</p><p>Desta forma, o monitoramento do NUL é de extrema importância para o ponto de vista</p><p>ambiental, permitindo reduzir o teor de nitrogênio excretado pelos animais no ambiente, no</p><p>âmbito tecnológico, altos níveis de NUL resultam em leite com menores teores de proteína</p><p>verdadeira, o monitoramento e adequação do mesmo contribuirão de forma positiva no</p><p>rendimento e qualidade dos lácteos, nutricionalmente possibilitará o fornecimento de dietas</p><p>com níveis proteicos adequados aos rebanhos e menos onerosas ao produtor, desta forma</p><p>o conhecimento sobre o NUL se faz necessário para o profissional da áreas de agrárias e</p><p>para o produtor rural.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>70 71</p><p>REVISÃO DA LITERATURA</p><p>Nitrogênio Uréico do Leite</p><p>De acordo com Walstra e Jenness (1984) o leite apresenta além das proteínas e</p><p>peptídeos, uma fração de compostos nitrogenados não-proteicos (NNP) como a ureia, a</p><p>creatina e a creatinina que perfazem aproximadamente 5% do total de nitrogênio do leite,</p><p>em contrapartida o nitrogênio proteico representa 95%.</p><p>O nitrogênio uréico representa a porção de nitrogênio no leite na forma de ureia. O nível</p><p>de NUL segue os níveis de Nitrogênio Uréico Plasmátivo (NUP), com atraso de uma a duas</p><p>horas, desta forma o NUL reflete o nível de nitrogênio sanguíneo nas últimas 12 horas em</p><p>que o leite foi produzido (PERES, 2001).</p><p>Peres (2001) explica que alta concentração de proteína bruta (PB) na dieta, de modo</p><p>especial Proteína Degradável no Rúmen (PDR) está positivamente associada com maior</p><p>degradação de proteína e concentração de amônia ruminal. Quando a concentração de</p><p>amônia no rúmen excede a capacidade de captura e utilização pela microbiota ruminal, a</p><p>mesma é absorvida pela parede do rúmen e transportada ao fígado, por meio do sistema</p><p>porta e então transformada em ureia, o que eleva o teor de nitrogênio uréico no plasmático</p><p>(NUP). A concentração de ureia equilibra-se rapidamente aos fluidos corporais, incluindo o</p><p>Leite (NUL), o que resulta em alta correlação com o NUP, o excesso de nitrogênio além de</p><p>ser liberado no leite também é excretado na urina e fezes.</p><p>Rebanhos que apresentam altos níveis de NUL são indicativos de que as vacas não</p><p>utilizam a proteína de forma eficiente, ao invés disso, excretam grande quantidade de nitro-</p><p>gênio na urina. Rebanhos com baixo NUL indica uso extremamente eficiente da proteína</p><p>da dieta ou uma possível deficiência</p><p>Federal do Pará, Brasil</p><p>José Martins Juliano Eustaquio</p><p>Universidade de Uberaba, Brasil</p><p>Adriana Leite de Andrade</p><p>Universidade Católica de Petrópolis, Brasil</p><p>Francisco Carlos Alberto Fonteles Holanda</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Bruna Almeida da Silva</p><p>Universidade do Estado do Pará, Brasil</p><p>Clecia Simone Gonçalves Rosa Pacheco</p><p>Instituto Federal do Sertão Pernambucano, Brasil</p><p>Ronei Aparecido Barbosa</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sul de Minas, Brasil</p><p>Julio Onésio Ferreira Melo</p><p>Universidade Federal de São João Del Rei, Brasil</p><p>Juliano José Corbi</p><p>Universidade de São Paulo, Brasil</p><p>Thadeu Borges Souza Santos</p><p>Universidade do Estado da Bahia, Brasil</p><p>Francisco Sérgio Lopes Vasconcelos Filho</p><p>Universidade Federal do Cariri, Brasil</p><p>Francine Náthalie Ferraresi Rodriguess Queluz</p><p>Universidade São Francisco, Brasil</p><p>Maria Luzete Costa Cavalcante</p><p>Universidade Federal do Ceará, Brasil</p><p>Luciane Martins de Oliveira Matos</p><p>Faculdade do Ensino Superior de Linhares, Brasil</p><p>Rosenery Pimentel Nascimento</p><p>Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil</p><p>Irlane Maia de Oliveira</p><p>Universidade Federal do Amazonas, Brasil</p><p>Lívia Silveira Duarte Aquino</p><p>Universidade Federal do Cariri, Brasil</p><p>Xaene Maria Fernandes Mendonça</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Thaís de Oliveira Carvalho Granado Santos</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Fábio Ferreira de Carvalho Junior</p><p>Fundação Getúlio Vargas, Brasil</p><p>Anderson Nunes Lopes</p><p>Universidade Luterana do Brasil, Brasil</p><p>Carlos Alberto da Silva</p><p>Universidade Federal do Ceara, Brasil</p><p>Keila de Souza Silva</p><p>Universidade Estadual de Maringá, Brasil</p><p>Francisco das Chagas Alves do Nascimento</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Réia Sílvia Lemos da Costa e Silva Gomes</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Arinaldo Pereira Silva</p><p>Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Brasil</p><p>Laís Conceição Tavares</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil</p><p>Ana Maria Aguiar Frias</p><p>Universidade de Évora, Brasil</p><p>Willian Douglas Guilherme</p><p>Universidade Federal do Tocatins, Brasil</p><p>Evaldo Martins da Silva</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Biano Alves de Melo Neto</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Baiano, Brasil</p><p>António Bernardo Mendes de Seiça da Providência Santarém</p><p>Universidade do Minho, Portugal</p><p>Valdemir Pereira de Sousa</p><p>Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil</p><p>Sheylla Susan Moreira da Silva de Almeida</p><p>Universidade Federal do Amapá, Brasil</p><p>Miriam Aparecida Rosa</p><p>Instituto Federal do Sul de Minas, Brasil</p><p>Rayme Tiago Rodrigues Costa</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Brasil</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>CONSELHO EDITORIAL</p><p>Priscyla Lima de Andrade</p><p>Centro Universitário UniFBV, Brasil</p><p>Andre Muniz Afonso</p><p>Universidade Federal do Paraná, Brasil</p><p>Marcel Ricardo Nogueira de Oliveira</p><p>Universidade Estadual do Centro Oeste, Brasil</p><p>Gabriel Jesus Alves de Melo</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia, Brasil</p><p>Deise Keller Cavalcante</p><p>Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro</p><p>Larissa Carvalho de Sousa</p><p>Instituto Politécnico de Coimbra, Portugal</p><p>Susimeire Vivien Rosotti de Andrade</p><p>Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Brasil</p><p>Daniel dos Reis Pedrosa</p><p>Instituto Federal de Minas Gerais, Brasil</p><p>Wiaslan Figueiredo Martins</p><p>Instituto Federal Goiano, Brasil</p><p>Lênio José Guerreiro de Faria</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Tamara Rocha dos Santos</p><p>Universidade Federal de Goiás, Brasil</p><p>Marcos Vinicius Winckler Caldeira</p><p>Universidade Federal do Espírito Santo, Brasil</p><p>Gustavo Soares de Souza</p><p>Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo, Brasil</p><p>Adriana Cristina Bordignon</p><p>Universidade Federal do Maranhão, Brasil</p><p>Norma Suely Evangelista-Barreto</p><p>Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Brasil</p><p>Larry Oscar Chañi Paucar</p><p>Universidad Nacional Amazónica de Madre de Dios, Peru</p><p>Pedro Andrés Chira Oliva</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Daniel Augusto da Silva</p><p>Fundação Educacional do Município de Assis, Brasil</p><p>Aleteia Hummes Thaines</p><p>Faculdades Integradas de Taquara, Brasil</p><p>Elisangela Lima Andrade</p><p>Universidade Federal do Pará, Brasil</p><p>Reinaldo Pacheco Santos</p><p>Universidade Federal do Vale do São Francisco, Brasil</p><p>Cláudia Catarina Agostinho</p><p>Hospital Lusíadas Lisboa, Portugal</p><p>Carla Cristina Bauermann Brasil</p><p>Universidade Federal de Santa Maria, Brasil</p><p>Humberto Costa</p><p>Universidade Federal do Paraná, Brasil</p><p>Ana Paula Felipe Ferreira da Silva</p><p>Universidade Potiguar, Brasil</p><p>Ernane José Xavier Costa</p><p>Universidade de São Paulo, Brasil</p><p>Fabricia Zanelato Bertolde</p><p>Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil</p><p>Eliomar Viana Amorim</p><p>Universidade Estadual de Santa Cruz, Brasil</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>E s t a o b r a c o n s t i t u i u - s e a p a r t i r d e u m p r o c e s s o c o l a b o r a t i v o e n t r e d o c e n t e s , e s t u d a n t e s e p e s q u i s a d o r e s . R e s u l t a ,</p><p>t a m b é m , d e m o v i m e n t o s i n t e r i n s t i t u c i o n a i s e d e a ç õ e s d e i n c e n t i v o à p e s q u i s a q u e c o n g re g a m p e s q u i s a d o re s d e d i f e re n t e s</p><p>I n s t i t u i ç õ e s d e e n s i n o e p e s q u i s a . O l i v ro a b o rd a a l g u n s a s p e c t o s re l a c i o n a d o s a o t e m a A l i m e n t o s e A l i m e n t a ç ã o , e i n s t i g a</p><p>p ro f i s s i o n a i s n a b u s c a p o r m e l h o r i a s n a p ro d u ç ã o a p a r t i r d o u s o d e a l i m e n t o s t ra d i c i o n a i s o u a l t e r n a t i v o s , c o m re d u ç ã o d e</p><p>c u s t o s e o b t e n ç ã o d e p r o t e í n a a n i m a l d e q u a l i d a d e . A g r a d e c e m o s a o s a u t o r e s p e l o e m p e n h o , d i s p o n i b i l i d a d e e d e d i c a ç ã o</p><p>p a r a o d e s e n v o l v i m e n t o e c o n c l u s ã o d e s s a o b r a . Es p e r a m o s q u e o l i v r o A l i m e n t o s e A l i m e n t a ç ã o , s e j a a p e n a s o p r i m e i r o</p><p>d e m u i t o s , e q u e s i r v a d e i n s t r u m e n t o d i d á t i c o - p e d a gó g i c o p a r a e s t u d a n t e s , p r o f e s s o r e s d o s d i v e r s o s n í v e i s d e e n s i n o</p><p>e m s e u s t r a b a l h o s e d e m a i s i n t e r e s s a d o s p e l a t e m á t i c a .</p><p>Rosemary Laís Galati</p><p>SUMÁRIO</p><p>CAPÍTULO 01</p><p>ASPECTOS NUTRICIONAIS E MANEJO ALIMENTAR DO PIRARUCU (ARAPAIMA GIGAS)</p><p>Kárita Fernanda da Silva Lira; Luan Shinhiti Kajikawa; Sidney dos Santos Silva; Márcio Aquio Hoshiba</p><p>' 10.37885/210906287 .................................................................................................................................................................................. 12</p><p>CAPÍTULO 02</p><p>CARACTERIZAÇÃO BROMATOLÓGICA DAS FOLHAS DA MIMOSA CAESALPINIIFOLIA BENTH (SABIÁ) NO ESTADO DO</p><p>MARANHÃO, BRASIL</p><p>Raimundo Morais dos Santos; Danilo Rodrigues Barros Brito; Christoph Gehring; Livio Martins Costa Júnior; Ellen Cristina Vale Silva;</p><p>Maria Elisabeth Detert; Dauana Mesquita Sousa; Helder Louvandini</p><p>' 10.37885/210805903 ..................................................................................................................................................................................25</p><p>CAPÍTULO 03</p><p>FORAGE MANAGEMENT INTO BEEF CATTLE PRODUCTION HELPING TO FARM OWNER DECISIONS</p><p>Mariana Vieira Azenha; Fernando Ongaratto; Abmael da Silva Cardoso; Daniel Rume Casagrande; Eliéder Prates Romanzini; Bruno</p><p>Ramalho Vieira; Ricardo Andrade Reis; Ana Cláudia Ruggieri</p><p>' 10.37885/210705360 ..................................................................................................................................................................................41</p><p>CAPÍTULO 04</p><p>MINERAIS ORGÂNICOS NA NUTRIÇÃO DE SUÍNOS: UMA REVISÃO DE LITERATURA</p><p>Marcos Speroni Ceron; Carlos Augusto Rigon Rossi; Henrique da Costa Mendes Muniz; Vladimir de Oliveira; Alexandre de Mello</p><p>Kessler; Bruno Neutzling Fraga;</p><p>protéica. A determinação de NUL é uma análise re-</p><p>lativamente simples. Níveis de NUL muito abaixo de 10 mg/dL (média de rebanho) reflete</p><p>ou uma deficiência de proteína na dieta ou alta eficiência no aproveitamento da PDR, com</p><p>pleno aproveitamento de amônia disponível às bactérias. Por outro lado, níveis de NUL de</p><p>15 mg/dL podem indicar excesso de proteína degradável na dieta sem ajustar com uma</p><p>fonte adequada de carboidrato (CHO) (FERNANDES e SENO, 2009).</p><p>Quadro 1. Valores referenciais de nitrogênio uréico no leite (NUL) de acordo com diferentes autores.</p><p>Fonte NUL mg/dL</p><p>Moore e Varga (1996) 10 a 14</p><p>Jonker et al. (1998) 10 a 16</p><p>Peres (2001) 12 a 18</p><p>Meyer (2003) 10 a 16</p><p>Fernandes e Seno (2009) 10 a 15</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>72</p><p>Como demonstrado no Quadro 1, estudos propõem valores de NUL considerados nor-</p><p>mais, aqueles que não sejam inferiores a 10 mg/dL e nem superiores a 18 mg/dL. Valores</p><p>inferiores ou superiores aos citados podem indicar inadequado manejo nutricional</p><p>Métodos de análise de nitrogênio uréico no leite</p><p>A análise NUL é uma alternativa que vem se difundindo na bovinocultura leiteira</p><p>(MEYER, 2003). De acordo com Magalhães (2003) geralmente análises de NUL são reali-</p><p>zadas com auxílio de equipamentos automatizados pelos métodos de calorimetria enzimática,</p><p>feita por meio de urease, por métodos enzimáticos potenciométricos, onde a amônia que é</p><p>produzida é detectada por eletrodos, ou por espectrofotometria em infravermelho. Tais equi-</p><p>pamentos permitem rapidez no processo de análise e fornecem resultados muito precisos.</p><p>O método de determinação laboratorial da ureia no leite (NUL) realizada por metodo-</p><p>logia enzimática, baseia-se na reação de Berthelot. Primeiramente a amostra é coletada e</p><p>transportada para um reservatório automaticamente e mantida a 40ºC, onde é adicionada</p><p>a enzima urease que durante a reação libera amônia e dióxido de carbono. Tempo após</p><p>a incubação, a adição de uma solução de corante e um ativador, forma um complexo de</p><p>coloração verde. A intensidade da cor é proporcional à concentração de amônia a qual é</p><p>determinada espectrofotometricamente. Para a leitura é adicionado um catalisador no co-</p><p>rante para acelerar a reação, melhorando a sensibilidade do método. O uso de instrumento</p><p>de alta precisão dispensa a utilização de diluições. Os resultados são expressos em mg/dL</p><p>(AOAC, 1994 citado por MEYER, 2003; FAGAN, 2010; BOTARO et al., 2011; CONTI, 2011).</p><p>Fatores que afetam o nitrogênio uréico no leite</p><p>A composição do leite está susceptível a alterações, uma vez que vários fatores liga-</p><p>dos ao manejo, genética e estado nutricional podem afetar os constituintes básicos do leite</p><p>(SANTOS e FONSECA, 2007). Fatores genéticos influenciam na composição do leite de</p><p>modo lento, enquanto que os ligados ao manejo e a nutrição podem proporcionar alterações</p><p>de forma mais rápida e econômica (GONZÀLEZ, 2004).</p><p>No que se refere à nutrição animal diversos fatores podem influenciar no aumento de</p><p>nitrogênio uréico no plasma e por consequência no leite. O aumento da ingestão de proteí-</p><p>na e/ou aumento da proporção de PDR são fatores que resultam em maior proporção de</p><p>proteína dietética sendo convertida em amônia (NRC, 1989).</p><p>Fernandes e Seno (2009) relataram que os teores de proteína da dieta e a degrada-</p><p>bilidade diferentes das mesmas, tem efeitos sobre a produção de leite e as concentrações</p><p>de NUL e do NUP. Tanto a deficiência de proteína quanto os excessos de proteína não de-</p><p>gradável no rúmen (PNDR) e ou PDR trazem desvantagem em relação à dieta ajustada às</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>72 73</p><p>exigências do NRC (1989), que recomenda de 35 a 40% da proteína bruta (PB) total, como</p><p>não degradável no rúmen. Duas dietas com o mesmo teor de proteína, porém com degrada-</p><p>bilidade diferente, resultam em diferentes produções de leite como também diferentes teores</p><p>de NUL e NNP, o que afeta o teor da caseína e menor rendimento do queijo (Tabela 1).</p><p>Tabela 1. Formulação de dietas e efeitos no nitrogênio uréico plasmático (PUN), no nitrogênio uréico do leite (NUL), NNP</p><p>(nitrogênio não protéico) do leite e na produção de leite.</p><p>Indicadores</p><p>Dietas</p><p>A B C D E</p><p>PB(%) 12,2 15,2 15,5 16,4 17,6</p><p>PNDR1 80 100 120 100 120</p><p>PDR2 80 100 80 120 120</p><p>Leite (kg/dia) 23,6 26,4 24,4 25,2 26,0</p><p>PUN (mg/dL) 8,2d 14,8c 16,5b 17,8b 20,7a</p><p>NUL (mg/dL) 5,6d 14,8c 16,5b 17,8b 20,7ª</p><p>NNP do leite (g/100g N total) 28,7c 33,9b 35,6b 36,8b 39,8a</p><p>1Proteína não degradável no rúmen (% de recomendação do NRC, 1989). 2Proteína degradável no rúmen (% de</p><p>recomendação do NRC, 1989). A,b,c,d (p<0,05).</p><p>Fonte: ROSELER et al. (1993) apud FERNANDES e SENO (2009).</p><p>Fontaneli (2001) ressalta que a proteína não degradável poderá ter efeito positivo desde</p><p>que seja complementar a proteína microbiana. Se o perfil aminoacídico for inferior ao neces-</p><p>sário para a síntese de proteína no leite, o efeito pode ser negativo. Conti (2011) verificou</p><p>que o NNP foi influenciado pelo teor de PB da dieta, sendo maior para as dietas com 16%</p><p>de PB em relação as dietas com 14,5% de PB. Houve interação entre a fonte nitrogenada e</p><p>o teor de proteína bruta da dieta para a PB e proteína verdadeira do leite.</p><p>A produção de leite com alta concentração de NUL é indicativo de excesso de PB na</p><p>dieta, o que onera o custo alimentar e reduz a eficiência produtiva (MEYER, 2003). Dietas</p><p>com quantidade inadequada de energia podem ocasionar excesso de amônia ruminal, de-</p><p>sencadeando aumento da concentração de NUP associado à redução na concentração de</p><p>proteína no leite (NRC, 1989).</p><p>As dietas que continham ureia como fonte nitrogenada principal foi mais eficiente, com</p><p>menor excreção de NUL (Figura 1).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>74</p><p>Figura 1. Interação entre a fonte nitrogenada e o teor de proteína bruta da dieta sobre o NUL.</p><p>Fonte: CONTI, 2011. *Farelo de soja (FS).</p><p>A utilização de dietas com alto teor de proteína, com grande fração de rápida degra-</p><p>dação ruminal sem o adequado suporte de energia faz com que haja um aumento do NNP</p><p>no leite, o que pode ser aferido pela presença elevada de ureia no leite. O teor de NUL é</p><p>altamente relacionado com o de ureia no sangue que, por sua vez, reflete o excesso de</p><p>proteína degradável no rúmen ou a falta de glicídios fermentescíveis no rúmen (PERES,</p><p>2001). O Quadro 2 resume situações que podem alterar o NUL.</p><p>Silva e Veloso (2011) justificaram que essa redução da proteína do leite é em função</p><p>do efeito de diluição, por causa do aumento da produção total de leite, mas a principal ra-</p><p>zão estaria ligada à menor disponibilidade de aminoácidos na glândula mamária. O teor de</p><p>proteína do leite tem grande correlação com a síntese de proteína microbiana, uma vez que</p><p>esta apresenta alto valor biológico, é rica em aminoácidos essenciais para o ruminante, com</p><p>perfil aminoacídico semelhante ao da proteína do leite e com menor custo de produção.</p><p>Quadro 2. Fatores que afetam o valor de nitrogênio uréico no leite (NUL).</p><p>Proteína do leite % NUL baixo (<12) NUL ótimo (12-18) NUL alto (>18)</p><p>< 3,0%</p><p>Deficiência de:</p><p>- PB</p><p>- Proteína solúvel</p><p>- Proteína degradável</p><p>Deficiência de:</p><p>- PB</p><p>- CHO não estruturais</p><p>- Aminoácidos</p><p>- Excesso de:</p><p>- PB</p><p>- Proteína solúvel</p><p>- Proteína degradável.</p><p>- Deficiência de:</p><p>- CHO não estruturais</p><p>- Desbalanço de AA</p><p>>3,2 %</p><p>Adequação de AA.</p><p>Deficiência de:</p><p>- Proteína solúvel</p><p>- Proteína degradável.</p><p>Excesso de:</p><p>- CHO não estruturais</p><p>Balanço de AA</p><p>Balanço de CHO</p><p>- Excesso de:</p><p>- Proteína solúvel</p><p>- Proteína degradável . -</p><p>Deficiência de:</p><p>- CHO não estruturais</p><p>Nitrogênio Uréico no leite (NUL); Proteína Bruta (PB); Carboidrato (CHO); aminoácido (AA).</p><p>Fonte: FONTANELI (2001).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>74 75</p><p>Conti (2011) ressalta que as dietas devem favorecer a máxima síntese de proteína</p><p>microbiana. Em dietas desbalanceadas ou com excesso de PB ou PDR há aumento da</p><p>concentração de compostos de origem proteica no leite, que apesar de incrementar a PB do</p><p>leite, não favorecem o rendimento dos produtos lácteos, por não causar aumento da pro-</p><p>teína</p><p>verdadeira.</p><p>A adição de gordura geralmente leva a uma redução no teor de proteína do leite em</p><p>torno de 0,1 a 0,3 unidades percentuais, ou cerca de 0,07% para cada 450g de gordura</p><p>adicionada. Uma explicação encontrada para tal fato é que os microrganismos do rúmen</p><p>não são aptos para a utilização da gordura como fonte de energia para o seu desenvolvi-</p><p>mento afetando a síntese de proteína microbiana e, consequentemente, o fornecimento de</p><p>aminoácidos para a composição da proteína do leite (FONTANELI, 2001).</p><p>De acordo com Meyer et al. (2006) entre os fatores não-nutricionais, a produção de leite</p><p>e a concentração de proteína do leite são os que mais se correlacionam com as concentra-</p><p>ções de NUL. Para aumento de 1 kg na produção de leite, há um aumento de 0,1054 mg/</p><p>dL na concentração de NUL, podendo utilizar deste parâmetro como indicador de avaliação</p><p>nutricional em vacas em lactação.</p><p>Botaro et al. (2011) avaliaram o efeito da raça Holandês, Jersey e Girolando; Contagem</p><p>de Células Somática (CCS) e período do ano sobre a composição e frações proteicas do</p><p>leite. Observou que os teores de NUL no leite diferiram entre as raças estudadas apre-</p><p>sentando maior média entre os animais da raça Holandês (11,76%), conforme demons-</p><p>trados na Tabela 2.</p><p>Doska et al. (2012) afirmaram que vacas leiteiras de alta produção apresentam maiores</p><p>valores de NUL, quando comparadas a vacas de menor produção. Esta relação positiva é</p><p>explicada devido ao alto teor de PB na dieta de vacas de alta produção, resultando em maior</p><p>liberação de amônia e assim elevação dos teores de NUL.</p><p>Gonzalez et al. (2004) e Martins et al. (2006) verificaram diferença para os teores de</p><p>proteína total e verdadeira para as estações do ano, com maiores médias durante primavera</p><p>e o verão e não constataram efeito do período do ano sobre o teor de NUL. Tais resultados</p><p>diferiram dos encontrados por Botaro et al. (2011) onde não observaram efeito das estações</p><p>do ano sobre os teores de proteína bruta e verdadeira, porém, houve efeito sobre o NUL</p><p>com maior média nos meses de verão e outono.</p><p>Por outro lado, Hojman et al. (2005) constataram que a estação do ano tem efeito sig-</p><p>nificativo no teor de NUL, sendo maiores nas estações mais quentes, primavera e verão, e</p><p>menores nos meses mais frios, outono e inverno. Fagan et al. (2010) também constataram</p><p>que os fatores ambientais das estações do ano causaram variação na produção e compo-</p><p>sição do leite, assim como nos valores de NUL.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>76</p><p>De acordo com Silveira et al. (2013) maiores valores de NUL ocorreram nas estações</p><p>mais quentes do ano, aos quais correspondem a primavera e verão. Porém, variação nos</p><p>valores de NUL por estação, podem decorrer do perfil nutricional de cada experimento.</p><p>Regiões onde há maior disponibilidade de gramíneas de inverno, que são muito ricas em</p><p>PB, acabam aumentando os valores de NUL nesta estação.</p><p>Tabela 2. Médias de nitrogênio uréico no leite, proteína total, proteína verdadeira e nitrogênio não-proteico do leite de</p><p>acordo com a Raça, contagem de células somáticas (CCS) e estação do ano.</p><p>Componente</p><p>Raça</p><p>Holandês (n=146) Jersey (n=59) Girolando (n=264)</p><p>NUL 2 (mg/dL) 11,76 a 9,43b 9,17b</p><p>Proteína total (%) 3,21b 3,38a 3,22b</p><p>Proteína Verdadeira (%) 3,06b 3,25a 3,07b</p><p>Nitrogênio não-proteico (%) 0,152a 0,133b 0,139b</p><p>Classe de células somáticas (x103 células/mL) n=286</p><p><280 281-500 501-780 >781</p><p>Proteína total (%) 3,19 3,21 3,25 3,21</p><p>Proteína Verdadeira (%) 3,03 3,07 3,11 3,07</p><p>Nitrogênio não-proteico (%) 0,152 0,141 0,141 0,140</p><p>Período do ano (n=284)</p><p>Primavera Verão Outono Inverno</p><p>Proteína total (%) 3,23 3,22 3,24 3,20</p><p>Proteína Verdadeira (%) 3,11 3,08 3,08 3,06</p><p>Nitrogênio não-proteico (%) 0,12c 0,15ab 0,16a 0,14b</p><p>Médias seguidas por letras iguais, na mesma coluna, não diferem entre si pelo teste de Tukey a 5%.</p><p>Fonte: Adaptado de Botaro et al. (2011).</p><p>Meyer et al. (2006) relataram que a CCS influenciou as concentrações de NUL, os quais</p><p>diminuíram em 0,29 mg/dL a cada aumento de uma unidade de CCS. Porém os resultados</p><p>de Botaro et al. (2011) se diferiram, a CCS não influenciou nas frações nitrogenadas apesar</p><p>da mastite também ser responsável pelo aumento das concentrações de NNP, em especial</p><p>os teores de NUL.</p><p>Meyer et al. (2006) observaram que dentre os componentes do leite, a concentração</p><p>de proteína foi o que mais explicou a variabilidade de NUL. A cada aumento de uma unidade</p><p>percentual de proteína, sólidos totais, lactose e gordura do leite, observaram-se decréscimos</p><p>na concentração de NUL, sendo assim, altas concentrações de NUL causam diminuição</p><p>dos sólidos do leite.</p><p>Ureia: meio ambiente e aspectos tecnológicos</p><p>A produção animal tem sido identificada como uma das principais fontes de poluição</p><p>ambiental, devido excessivo volume de dejetos que são lançados no meio ambiente sem</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>76 77</p><p>tratamento (DANADIO e BOGA, 2005). Magalhães (2003) destacou que o nitrogênio apre-</p><p>senta importância em locais de produção animal intensa. Os dejetos dos animais contribuem</p><p>para a poluição do ambiente, especialmente, em função do nitrogênio, que convertido em</p><p>amônia é volatilizada para o ar, assumindo importância na contaminação do mesmo e para</p><p>o efeito estufa. Os nitratos que se incorporam no solo podem ser perdidos por lixiviação, o</p><p>que gera um impacto ambiental negativo, afetando os lençóis freáticos.</p><p>Bergner (2009) citou que a compreensão do metabolismo do nitrogênio depende da</p><p>digestão e absorção do nitrogênio na forma de proteína, peptídeos e aminoácidos, da síntese</p><p>de proteína, da excreção do nitrogênio via fezes via urina e nas inter-relações entre os pro-</p><p>dutos da excreção e dos mecanismos de controle da biossíntese da proteína. Jonker et al.</p><p>(1998) ressaltaram que os teores de NUL e NUP são base para se efetuar ajustes visando</p><p>evitar desperdícios por perdas urinárias de nitrogênio, que geram prejuízos à produção ani-</p><p>mal e em consequência contaminação ambiental.</p><p>O aumento dos teores de NUL também repercute de forma negativa na tecnologia</p><p>de produção dos derivados, quando em altas concentrações determina menor rendimento</p><p>industrial na produção de queijos, uma vez que parte da proteína verdadeira formada pela</p><p>caseína e proteínas do soro são substituídas pelo nitrogênio não proteico (CORASSIM e</p><p>GRATÃO, 2006; GRANDE e SANTOS, 2010).</p><p>Gustafsson e Palmquist (1993) em seus estudos constataram que no processo de fa-</p><p>bricação de queijos cujo leite possuía teores mais elevados de NUL, gastava-se maior tempo</p><p>no processo de coagulação, além da diminuição da qualidade do produto final.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A qualidade é fator determinante para a cadeia produtiva; para o produtor ela é res-</p><p>ponsável por melhor preço a ser pago pelo leite, e para a indústria é sinônimo de lácteos</p><p>com qualidade e rendimento. Leite de baixa qualidade causa perdas ao setor, representa</p><p>um risco à segurança alimentar, impossibilita a conquista de mercados mais lucrativos e</p><p>compromete a credibilidade da cadeia (DÜRR, 2005).</p><p>O NUL é uma importante ferramenta frente a três âmbitos, nutricional, tecnológico e</p><p>ambiental. Nutricionalmente permite monitorar os teores proteicos das dietas, repercutindo</p><p>em menores teores de nitrogênio liberados principalmente via urinária, minimizando prejuízos</p><p>econômicos e ambientais.</p><p>No ponto de vista tecnológico, leite com altos índices de NUL possui menores teores de</p><p>proteína verdadeira o que compromete o rendimento industrial e a qualidade dos derivados,</p><p>alterando as características sensoriais de lácteos fermentados, portanto, conhecer o perfil</p><p>e a associação deste parâmetro as características produtivas de vacas leiteira mestiças</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>78</p><p>auxiliará o setor na intervenção e adoção de medidas corretivas, visando a melhoria dos</p><p>índices de produção e qualidade do leite.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. BERGEN, W.G.; WU, G. Intestinal nitrogen recycling and utilization in health and disease.</p><p>Journal of Nutrition, Bethesda, v.139, n.5, p.821-825,</p><p>2009.</p><p>2. BERKE, O. 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A facilidade do cultivo, a alta</p><p>produção de forragem por unidade de área e manutenção da qualidade bromatológica,</p><p>durante os meses mais secos do ano, são algumas características que contribuem para</p><p>o grande uso desta gramínea na alimentação de bovinos nas pequenas propriedades</p><p>rurais. Em grande parte destas propriedades, o cultivo da cana-de-açúcar é realizado</p><p>nas áreas menos férteis e de mecanização mais difícil. Nestas, o corte e o transporte</p><p>da cana-de-açúcar demandam grande quantidade de horas de recursos humanos e,</p><p>estes constituem isoladamente o item de maior percentual de custo e de desgaste físico</p><p>dos agricultores nessa cultura. Em canaviais mais produtivos, o rendimento do corte é</p><p>maior e tanto o desgaste do agricultor quanto os custos são proporcionalmente menores.</p><p>Neste capítulo, são descritas técnicas gerenciais e agrícolas adotadas pelos autores na</p><p>implantação e condução de canaviais de alta produtividade, destinados à alimentação</p><p>de bovinos, em pequenas propriedades rurais do centro-sul do Brasil. São discutidas</p><p>as características bromatológicas da cana-de-açúcar, avaliação da fertilidade do solo,</p><p>calagem, gessagem, adubação verde, plantio de variedades mais produtivas, adubação</p><p>química, uso de dejetos de bovinos e de cama de aviário na adubação das rebrotas,</p><p>avaliação do estado nutricional do canavial, balanço de nutrientes no sistema solo-planta</p><p>e produção e qualidade da forragem.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>82 83</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A cana-de-açúcar tem sido uma forrageira bastante utilizada nas pequenas proprie-</p><p>dades rurais do centro-sul do Brasil, principalmente durante os meses mais secos do ano.</p><p>Dentre os principais fatores que contribuem para o uso da cana-de-açúcar na alimentação</p><p>de bovinos podem-se citar: grande produção de forragem por unidade de área; facilidade</p><p>de cultivo, pois quando está madura, mantém sua qualidade bromatológica; tem baixo custo</p><p>relativo por unidade de matéria seca produzida; é semi-perene; apresenta maior flexibilida-</p><p>de quanto às épocas de plantio e de corte, em comparação com as culturas anuais, o que</p><p>facilita o gerenciamento da atividade; podendo ser uma das fontes de energia de menor</p><p>custo. Devido a essas características essa forrageira é um volumoso de grande interesse,</p><p>tanto para a alimentação de novilhas quanto para vacas de pequena à média produtividade</p><p>(OLIVEIRA et al., 2007; VALADARES FILHO et al., 2008; OLIVEIRA et al., 2021).</p><p>Outra característica vantajosa da cana-de-açúcar é ausência de período crítico de</p><p>deficiência hídrica tão definido como o do milho, cultura mais utilizada para a produção</p><p>de forragem de alto valor bromatológico. A planta do milho é muito sensível ao déficit de</p><p>água no solo, principalmente na fase de enchimento de grãos, e, às vezes, os veranicos</p><p>que acontecem no centro-sul do Brasil, no final de dezembro - início de janeiro, influenciam</p><p>negativamente na produtividade e no valor bromatológico da forragem de milho destinada à</p><p>ensilagem, uma vez que o percentual de grãos na massa a ser ensilada será menor. Em anos</p><p>que ocorrem déficits hídricos mais acentuados na cultura do milho, a cana-de-açúcar é ain-</p><p>da mais utilizada como forrageira substituta na alimentação do rebanho bovino (OLIVEIRA</p><p>et al., 2007; SILVA et al., 2007; OLIVEIRA et al., 2019).</p><p>A forma mais comum de utilizar a cana-de-açúcar na alimentação dos bovinos nas</p><p>pequenas propriedades rurais é o corte diário, com posterior picagem e fornecimento aos</p><p>animais. O deslocamento até ao canavial, o corte diário e o transporte da cana-de-açúcar</p><p>até ao local de picagem, geralmente é feito com carroça à tração animal ou cangalhas, bem</p><p>como a distribuição nos cochos de alimentação dos animais demandam grande quantidade</p><p>de horas de recursos humanos e estes constituem isoladamente o item de maior percentual</p><p>de custo e de desgaste físico dos agricultores que usam a cana como forrageira. Assim, é</p><p>necessário um bom planejamento na instalação do canavial de forma a se ter alta produtivi-</p><p>dade no ciclo de cana-planta e pequenos decréscimos nos cortes subsequentes. Outro item</p><p>de grande importância para aumentar o rendimento do trabalhador no corte, e evitar picadas</p><p>de animais peçonhentos é manter a cultura da cana-de-açúcar livre de plantas daninhas.</p><p>Quando a cultura é mantida livre de plantas daninhas até aos 40 dias após início da rebrota,</p><p>o próprio sombreamento da cana-de-açúcar controla a emergência e o desenvolvimento de</p><p>plantas invasoras (OLIVEIRA et al., 2007; OLIVEIRA et al., 2019). Na Figura 1, é mostrado</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>84</p><p>um contraste entre um canavial de alta produtividade, com excelente controle de plantas</p><p>daninhas, e outro de baixa produtividade e controle deficiente de plantas daninhas.</p><p>Figura 1. Contraste entre canavial de alta produtividade, com excelente controle de plantas daninhas, e o de baixa</p><p>produtividade e controle deficiente de plantas daninhas.</p><p>CARACTERÍSTICAS BROMATOLÓGICAS DA CANA-DE-AÇÚCAR</p><p>A cana-de-açúcar é constituída basicamente de carboidratos estruturais: celulose,</p><p>hemicelulose, pectina e lignina (que compõem a parede celular) e o conteúdo celular (prin-</p><p>cipalmente os açúcares e, em menor quantidade, minerais e proteínas). A cana-de-açúcar</p><p>quando colhida madura tem altos teores de açúcares e moderado teor de fibra insolúvel em</p><p>detergente neutro (FDN), constituída pela celulose, hemicelulose e lignina. A utilização dos</p><p>constituintes da cana-de-açúcar pelos bovinos é contrastante, uma vez que os açúcares</p><p>são rapidamente fermentados no rúmen e, consequentemente, de fácil aproveitamento pelo</p><p>animal. A pectina mesmo sendo um componente estrutural da parede celular também é de</p><p>digestão rápida. Por outro lado, a celulose, a hemicelulose e a lignina têm digestão mais</p><p>lenta e dependem totalmente da atividade enzimática dos microrganismos do trato gastroin-</p><p>testinal dos ruminantes (VAN SOEST, 1994; COSTA et al., 2004; MEDEIROS et al., 2015;</p><p>BORGES et al., 2016).</p><p>O teor de FDN da cana-de-açúcar se equipara ao de uma boa silagem de milho,</p><p>cerca de 55%, contudo, a digestibilidade da FDN da cana é aproximadamente metade da</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>84 85</p><p>digestibilidade da FDN da silagem de milho. Para a silagem do milho têm sido relatados</p><p>valores de digestibilidade da FDN de 42%, enquanto para a digestibilidade da FDN da cana-</p><p>-de-açúcar esses valores são de aproximadamente 23,0% (CORREA et al., 2003). A baixa</p><p>digestibilidade da FDN da cana-de-açúcar está relacionada à alta concentração de lignina</p><p>e à sua ligação com a hemicelulose e celulose, o que dificulta a ação dos microrganismos</p><p>do rúmen sobre estes carboidratos estruturais. Essa baixa digestibilidade da FDN da ca-</p><p>na-de-açúcar é um dos fatores que interferem negativamente no desempenho de animais</p><p>alimentados exclusivamente com cana (SILVA et al., 2007).</p><p>Na Figura 2, é mostrada a partição da matéria natural da cana-de-açúcar. Quando a</p><p>cana-de-açúcar está madura os colmos representam, em média, de 83 a 87% da matéria</p><p>natural, assim, em uma tonelada de forragem tem-se de 830 a 870 kg de colmos indus-</p><p>trializáveis e, de 130 a 170 kg de folhas verdes + folhas secas + ponteiros. Geralmente a</p><p>cana-de-açúcar é cortada nos meses mais secos do ano e tem 28 a 33% de matéria seca,</p><p>sendo que os carboidratos solúveis, incluindo os açúcares, constituem 40 a 43% desta ma-</p><p>téria seca. Por exemplo, considerando uma cana-de-açúcar com 30% de matéria seca: em</p><p>100 kg de cana-de-açúcar, têm-se 30 kg de matéria seca e 12,0 a 12,9 kg de carboidratos</p><p>solúveis (OLIVEIRA et al., 2007; VALADARES</p><p>FILHO et al., 2008).</p><p>Figura 2. Valores médios da partição da matéria natural da cana-de-açúcar, quando madura.</p><p>Conforme mostrado na Figura 2, os colmos industrializáveis são de 83 a 87% da matéria</p><p>natural da biomassa aérea da cana-de-açúcar. Desta forma, há grande influência dos colmos</p><p>industrializáveis na digestibilidade da biomassa aérea da cana-de-açúcar. A cana-de-açú-</p><p>car é uma forrageira que apresenta baixos teores de proteína, variando de 1,5 a 4,4% na</p><p>matéria seca (15 a 44 g de proteína bruta por kg de matéria seca), sendo mais comuns, em</p><p>canaviais bem nutridos, teores de proteína da ordem de 3%. Uma alternativa para elevar os</p><p>teores de proteína bruta da cana-de-açúcar seria aumentar a dose de adubação nitrogenada.</p><p>Entretanto, em estudos conduzidos pelos autores deste capítulo, em Mercês-MG, com as</p><p>variedades de cana-de-açúcar RB835486, RB855536 e RB867515, verificou-se que, mes-</p><p>mo sob alta adubação nitrogenada (300 kg de N ha–1) e fornecimento adequado dos outros</p><p>nutrientes, o teor de proteína bruta da biomassa aérea (colmos industrializáveis + folhas</p><p>secas + folhas verdes + ponteiros) destas variedades de cana-de-açúcar aumentou pouco,</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>86</p><p>não ultrapassando a 4,4%. Teores máximos desta mesma ordem de grandeza são citados</p><p>por Salas et al. (1992), com doses de adubação nitrogenada também de 300 kg de N ha–1.</p><p>Nussio et al. (2008) ao citarem a composição química de amostras de cana-de-açúcar ana-</p><p>lisadas no Laboratório de Bromatologia da ESALQ/USP, relatam valor máximo de 4,43% de</p><p>proteína bruta na biomassa aérea da cana-de-açúcar. Tanto nos estudos conduzidos em</p><p>Mercês-MG, quanto nos relatados por Salas et al. (1992), a produtividade do canavial é que</p><p>foi muito influenciada pelo aumento da adubação nitrogenada.</p><p>Outra limitação bromatológica da cana-de-açúcar são os baixos teores de minerais</p><p>principalmente fósforo, cálcio e enxofre. Devido a esses baixos teores de proteína e minerais</p><p>é necessária a suplementação com minerais e fontes de nitrogênio, sendo usual a utiliza-</p><p>ção da mistura de ureia + sulfato de amônio numa relação de 9:1, empregando-se, após</p><p>período de adaptação dos animais, 1,0 kg da mistura para cada 100 kg de biomassa aérea</p><p>da cana-de-açúcar picada (cana + ureia a 1,0%). A adição de uma fonte de enxofre melho-</p><p>ra a síntese de proteína microbiana no rúmen, especialmente os aminoácidos sulfurados</p><p>metionina, cistina e cisteína, aumentando o fluxo de proteína microbiana e o suprimento de</p><p>aminoácidos no intestino delgado, repercutindo em melhor desempenho animal.</p><p>A cana-de-açúcar adicionada de ureia pode ser usada com sucesso na recria, em</p><p>vacas não lactantes, em vacas em lactação com menor demanda nutricional e em baixas</p><p>inclusões na dieta de vacas de maior produtividade. A complementação da cana com uma</p><p>fonte de nitrogênio não proteico, como a ureia, mantém as características de uma dieta de</p><p>baixo custo e possibilita a melhora acentuada nos teores de proteína dessa gramínea. Em di-</p><p>versos estudos foi constatado que, em função de suas características, alimentos utilizados</p><p>na formulação de dietas à base de cana-de-açúcar deveriam ser ricos em proteína não</p><p>degradável no rúmen e apresentar amido com baixa degradabilidade ruminal.</p><p>A inclusão de fontes de proteína não degradável no rúmen resulta em maior consumo</p><p>voluntário de matéria seca, maior digestibilidade da matéria seca e, consequentemente, maior</p><p>desempenho animal. O fornecimento de ureia visa atender diretamente à necessidade da</p><p>microflora ruminal por nitrogênio, enquanto fontes de proteína não degradável têm a função</p><p>de atender às necessidades de proteína do animal. Como suplementação proteica, é comum</p><p>a utilização de farelos cujo teor de proteína bruta pode variar de 13%, a exemplo do farelo</p><p>de arroz, com 46%, como no caso do farelo de soja (CORREA et al., 2003; NUSSIO et al.,</p><p>2008; VALADARES FILHO et al., 2008; BORGES et al., 2016).</p><p>PLANEJAMENTO E CUSTO DE IMPLANTAÇÃO DO CANAVIAL</p><p>Na implantação e condução do canavial nas pequenas propriedades rurais podem-se</p><p>utilizar diversas tecnologias, mas as escolhidas e recomendadas são as que maximizam o</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>86 87</p><p>uso dos insumos, da terra e dos recursos humanos, com consequentes reduções de custos</p><p>operacionais e com incrementos na produtividade do sistema de produção, dessa forma,</p><p>contribuindo para a preservação do meio ambiente (OLIVEIRA et al., 2007; OLIVEIRA et al.,</p><p>2019). Os autores têm orientado os pequenos produtores rurais a adotarem práticas que re-</p><p>cuperem e mantenham a fertilidade dos solos, reciclem nutrientes, diminuam a compactação</p><p>e o selamento da camada superficial do solo, associadas às outras práticas que permitam</p><p>alta produtividade na cana-planta e pequenos decréscimos nos ciclos posteriores (OLIVEIRA</p><p>et al., 2007; OLIVEIRA et al., 2018a; OLIVEIRA et al., 2021).</p><p>Dentre as práticas recomendadas para a melhoria das propriedades físicas do terreno</p><p>está o rompimento das camadas adensadas ou compactadas do solo. Este rompimento ou</p><p>descompactação resulta em menor resistência ao aprofundamento do sistema radicular e,</p><p>por outro lado, aumenta a condutividade hidráulica e a capacidade de retenção de água no</p><p>solo, facilita as trocas gasosas, resultando em maior eficiência na absorção e utilização dos</p><p>nutrientes (MARSCHNER, 1995; OLIVEIRA et al., 2019). Como exemplo, cita-se na Tabela</p><p>1 os resultados de características físicas e hídricas de um Latossolo Vermelho distroférrico</p><p>(“Latossolo Roxo distrófico”), em uma área de solo não compactado, comparativo ao de uma</p><p>área compactada. A cana-de-açúcar cultivada no solo compactado apresentava-se com defi-</p><p>ciência hídrica apenas três a quatro dias após a ocorrência de chuva (VITTI e MAZZA, 2002).</p><p>Observa-se pela análise da Tabela 1 que, embora os valores de densidade tenham se</p><p>modificados apenas de 1,0 g cm–3 para 1,17 g cm–3 (17%), a macroporosidade do solo foi</p><p>reduzida, de 14% e 24% no solo sem compactação, para 6% e 14% no solo compactado,</p><p>respectivamente para as profundidades de 0 a 10 cm e 10 a 30 cm. Para a macroporosidade</p><p>a redução foi da ordem de 50%, o que determinou reduções muito semelhantes na água</p><p>disponível, uma vez que quantidades de água ao redor de 340 a 400 L/m3 (34 a 40 mm/10</p><p>cm de solo) na área sem compactação, reduziram-se para 165 a 256 L/m3 (16,5 a 25,6 mm/</p><p>10 cm de solo) no solo compactado (VITTI e MAZZA, 2002).</p><p>Tabela 1. Características físicas e hídricas de um Latossolo Vermelho Distroférrico, em áreas de solo compactado ou sem</p><p>compactação: alterações na macroporosidade, na capacidade de campo (C.C.), no ponto de murcha permanente (PMP)</p><p>e água disponível (A.D.) para a cana-de-açúcar.</p><p>Profundidade Densidade % de argila C.C. PMP A.D.</p><p>(cm) (g/cm3) no solo Macro Micro Total</p><p>10 1,00 60 14 48 62 595 251 344</p><p>30 0,97 63 24 46 70 683 281 402</p><p>10 1,17 61 6 51 57 468 303 165</p><p>30 1,12 62 14 46 60 519 263 256</p><p>.----------------------------------------------------------------- Solo compactado ---------------------------------------------------.</p><p>Porosidade (%)</p><p>litros de água/m3 de solo</p><p>.----------------------------------------------------------- Solo sem compactação -----------------------------------------------.</p><p>Fonte: Vitti e Mazza (2002).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>88</p><p>Outro efeito negativo da compactação, além de diminuir a água disponível devido a</p><p>redução da macroporosidade, é o aumento da resistência do solo ao desenvolvimento do</p><p>sistema radicular da cana-de-açúcar, que repercutirá negativamente tanto na absorção de</p><p>água quanto na absorção de nutrientes, conforme citado anteriormente. Dessa forma, a com-</p><p>pactação ou adensamento na camada de 0 a 35-40 cm, que é a camada com maior fertilida-</p><p>de, interfere negativamente na eficiência de aproveitamento dos nutrientes fornecidos pelos</p><p>corretivos e fertilizantes. Vitti e Mazza (2002) ressaltam ainda que o grau de influência da</p><p>compactação na produtividade da lavoura apresenta elevada correlação com o ano agrícola,</p><p>em</p><p>função da distribuição das chuvas. Em anos agrícolas com boa distribuição de chuvas,</p><p>ocorre redução da resistência oferecida pelo solo ao desenvolvimento do sistema radicular.</p><p>Por outro lado, nos anos com distribuição irregular de chuvas, aumenta a dependência da</p><p>água disponível, retida a baixas tensões e relacionada à macroporosidade do solo (VITTI e</p><p>MAZZA, 2002; DEMATTÊ, 2020).</p><p>Há relatos na literatura mostrando alta correlação entre a evapotranspiração e a quan-</p><p>tidade de luz interceptada pela planta, bem como entre a evapotranspiração e a fixação do</p><p>CO2 atmosférico e com a expansão das células. A pressão de água contra a parede celular</p><p>(“pressão de tugor”) é a força que expande as células em crescimento. Boyer (1970), num</p><p>estudo clássico com plantas de milho, mostrou que quando o potencial hídrico da folha</p><p>diminuiu de -0,30 MPa para -1,0 MPa a fixação do CO2 atmosférico reduziu em 25%. Para</p><p>melhor entendimento dessas tensões hídricas podemos citar, comparativamente, a pressão</p><p>de calibração de um pneu de automóvel. Quando o pneu é calibrado a 30 libras por polegada</p><p>quadrada, esta pressão equivale a 0,21 MPa. A fixação do CO2 atmosférico pelas folhas do</p><p>milho no potencial hídrico de -0,30 MPa foi de 50 mg de CO2/dm2 por hora, valor de mesma</p><p>ordem de grandeza dos observados para a cana-de-açúcar, na fase máxima de crescimen-</p><p>to, sob suprimento adequado de água, nutrientes, luz e temperatura oscilando em torno de</p><p>30°C. Em relação a expansão das células da folha do milho, Boyer (1970) constatou redução</p><p>exponencial quando o potencial hídrico da folha diminui de -0,20 MPa para -1,0 MPa, sendo</p><p>que no potencial hídrico de -1,0 MPa não houve expansão das células da folha do milho.</p><p>Na Figura 3, é mostrada a disponibilidade de água no solo em função da força (tensão)</p><p>com que essa água é retida pelas partículas do solo. Os valores apresentados são valores</p><p>médios e podem variar em função do tipo de solo e da planta cultivada. A água higroscópi-</p><p>ca é aquela fortemente retida nas partículas do solo com uma tensão superior a -3,1 MPa,</p><p>sendo removida apenas quando o solo é seco a 105 °C. A água capilar é a retida nos poros</p><p>capilares e microcapilares. Nesta faixa de retenção, há dois extremos importantes para as</p><p>plantas cultivadas: a capacidade de campo e o ponto de murcha permanente. A capacidade</p><p>de campo é a quantidade máxima de água que um solo pode reter depois que toda a água</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>88 89</p><p>gravitacional percolou. O ponto de murcha permanente é quando as plantas não conse-</p><p>guem absorver mais a água do solo, devido à alta tensão que é retida pelas partículas do</p><p>solo. A água gravitacional é retida passageiramente no solo, pois devido a força da gravidade</p><p>irá percolar no solo, indo para os lençóis freáticos (MARENCO e LOPES, 2013).</p><p>Figura 3. Disponibilidade de água no solo em função da força (tensão) que é retida pelas partículas do solo.</p><p>Fonte: Adaptado de Marenco e Lopes (2013).</p><p>A redução da macroporosidade causa, além dos malefícios citados anteriormente,</p><p>grande alteração na difusão de gases no solo e, em caso de compactação severa, pratica-</p><p>mente não há ar entre as partículas do solo, prevalecendo então condições de anaerobio-</p><p>se, extremamente prejudiciais ao crescimento do sistema radicular da cana-de-açúcar e à</p><p>absorção de nutrientes (DEMATTÊ, 2020). Nessas condições de deficiência de oxigênio no</p><p>sistema radicular, a síntese de fitohormônios como a citocinina e giberelina também diminui.</p><p>Marschner (1995) relata estudo no qual foi avaliado a influência da pressão parcial de oxigê-</p><p>nio no entorno das raízes de plantas de cevada, sobre a absorção do fósforo e do potássio.</p><p>Foi considerado como 100% o valor de absorção de fósforo e potássio na pressão parcial</p><p>de oxigênio de 20,0%. Verificaram-se reduções na absorção do P e do K de 25% e 44%,</p><p>respectivamente, quando a pressão parcial de oxigênio reduziu para 5,0%. Estas reduções</p><p>na absorção do P e do K foram ainda maiores na pressão parcial de oxigênio de 0,5%: 63%</p><p>para o fósforo e 70% para o potássio.</p><p>Geralmente, há camadas adensadas ou compactadas em áreas de implantação de</p><p>canavial com histórico de muito trânsito de máquinas e implementos agrícolas ou nas áreas</p><p>anteriormente sob pastagens. Estas camadas adensadas ou compactadas precisam ser</p><p>rompidas. Às vezes o pequeno produtor tem dificuldade para alugar um trator de maior</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>90</p><p>potência, com o subsolador, assim quando não for possível a subsolagem, recomenda-se</p><p>uma aração mais profunda do terreno, com arado de disco, por ocasião do preparo do solo.</p><p>Na Tabela 2, estão citados os principais itens de custos para a implantação de um</p><p>hectare de cana-de-açúcar na região centro-sul do Brasil. Os itens listados referem-se ao</p><p>plantio de “cana-de-ano e meio”, precedida pelo cultivo de crotalária juncea. Contudo, como</p><p>será discutido mais à frente, em algumas situações o pequeno produtor rural talvez tenha</p><p>que fazer o plantio da “cana de ano”. Na atualidade, o custo médio de implantação de 1,0</p><p>hectare de canavial oscila ao redor de R$7.000,00, sendo os itens de maior dispêndio as</p><p>mudas de cana, os fertilizantes e os corretivos de acidez do solo, que juntos totalizam cerca</p><p>de 55% dos custos da implantação do canavial.</p><p>Tabela 2. Principais itens de custos para a implantação de um hectare de cana-de-açúcar sugerido pelos autores para</p><p>pequenas propriedades rurais do centro-sul do Brasil.</p><p>(R$) (R$) %</p><p>A) Consumo</p><p>Calcário t</p><p>Gesso t</p><p>Semente de crotalária juncea kg/ha</p><p>Adubos kg</p><p>Mudas de cana t</p><p>Inseticida químico L ou kg</p><p>Herbicidas L ou kg</p><p>Formicida L ou kg</p><p>Inseticida biológico L</p><p>Subtotal (A)</p><p>B) Serviço</p><p>Aluguel da terra ha</p><p>Análise de solos amostra</p><p>Aração h/m</p><p>Semeadura da crotalária juncea h/m</p><p>Incorporação da crotalária ao solo</p><p>Sulcagem para o plantio da cana h/m</p><p>Aplicação do adubo no sulco de plantio h/m ou d/H</p><p>Distribuição e picagem das mudas d/H</p><p>Aplicação de inseticida sobre as mudas h/h ou d/H</p><p>Cobertura das mudas h/m ou d/H</p><p>Aplicação de herbicidas h/m ou d/H</p><p>Aplicação de formicida d/H</p><p>Aplicação do inseticida d/H</p><p>Subtotal (B)</p><p>Custo Total de Implantação do canavial (A+B)</p><p>Item de custo Unidade1 Preço Unitário Quantidade Preço Total Participação</p><p>1- t: tonelada, kg/ha: quilogramas por hectare, L: Litros, kg: Quilograma, h/m: horas máquina, d/H: dias trabalho por homem,</p><p>amostra: valor do serviço para análise química do solo.</p><p>A área a ser plantada com a cana-de-açúcar irá depender da produtividade esperada</p><p>e da demanda de forragem do produtor. Na Tabela 3, é apresentada uma simulação da</p><p>produtividade do canavial em 14 cenários, que combinam altas e médias produtividades</p><p>no ciclo de cana-planta, associadas aos baixos, médios ou aos altos decréscimos de pro-</p><p>dutividade ao longo de sete ciclos (sete cortes). Pela análise desta tabela, observa-se que,</p><p>para alimentar um rebanho equivalente a 25 animais adultos, durante 365 dias, consumindo</p><p>20 kg de matéria natural por animal/dia, são necessários 1,63 hectare de um canavial que</p><p>apresenta alta produtividade na cana-planta e cerca de 10% de decréscimo nos ciclos sub-</p><p>sequentes (Cenário 1).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>90 91</p><p>Tabela 3. Simulação de área de um canavial necessário para alimentar o equivalente a 25 animais adultos, consumindo</p><p>20 kg de matéria natural por animal/dia e alimentados durante 365 dias por ano, em função da produtividade da cana-</p><p>planta e estabilidade de produção em sete cortes.</p><p>Área do Área</p><p>Cenários Decréscimo de 1º 2º 3º 4º 5º 6º 7º Média Canavial (%)</p><p>produtividade (ha)*</p><p>(%)</p><p>1 10,0 150 135 122 109 98 89 80 112 1,63 100</p><p>2 15,0 150 128 108 92 78 67 57 97 1,88 115</p><p>3 10,0 120 108 97 87 79 71 64 89 2,04 125</p><p>4 15,0 120 102 87 74 63 53 45 78 2,35 144</p><p>5 17,5 120 99 82 67 56 46 38 72 2,52 154</p><p>6 20,0 120 96 77 61 49 39 31 68 2,69 165</p><p>7 10,0 110 99 89 80 72 65 58 82 2,23 137</p><p>8 15,0 110 94 79 68 57 49 41 71 2,56 157</p><p>9 17,5 110 91 75 62 51 42 35 66 2,75 169</p><p>10 20,0 110 88 70 56 45 36 29 62 2,94 180</p><p>11 10,0 100 90 81 73 66 59 53 75 2,45</p><p>150</p><p>12 15,0 100 85 72 61 52 44 38 65 2,82 173</p><p>13 17,5 100 83 68 56 46 38 32 60 3,02 185</p><p>14 20,0 100 80 64 51 41 33 26 56 3,23 198</p><p>.---------------------- Cortes ---------------------.</p><p>.---------------- t de matéria natural por ha-------------.</p><p>Por outro lado, para um canavial de produtividade média na cana-planta e alto de-</p><p>créscimo nos ciclos subsequentes (Cenário 14) são necessários cerca de 3,3 hectares de</p><p>cana. Em canaviais com produtividade média inferior a 60 toneladas de matéria natural por</p><p>hectare, cerca de 50 t de colmos industrializáveis, pois, além de diminuir o rendimento da terra</p><p>e da mão-de-obra, o controle químico de plantas daninhas geralmente é pouco eficiente, uma</p><p>vez que a cultura não sombreia totalmente o solo, permitindo a emergência e o crescimento</p><p>de plantas invasoras. Então, por ocasião do corte manual desta cana, o trabalhador estará</p><p>mais exposto a picadas de cobras e escorpiões, conforme citado anteriormente.</p><p>ESCOLHA DA VARIEDADE DE CANA-DE-AÇÚCAR</p><p>A escolha correta da variedade é uma tecnologia muito importante e de baixo custo para</p><p>o produtor. Atualmente, dispõem-se de vários cultivares de cana com boas características</p><p>agronômicas e zootécnicas, tais como: alta resposta à melhoria da fertilidade do solo; cres-</p><p>cimento ereto e resistência ao tombamento, o que facilita a colheita; alta produtividade de</p><p>colmos e de sacarose; vigor das rebrotas; resistência às pragas e doenças; e, boa digestibili-</p><p>dade da matéria seca (MACEDO JÚNIOR et al., 2007; OLIVEIRA et al., 2007; VALADARES</p><p>FILHO et al., 2008; OLIVEIRA et al., 2019). Na Tabela 4, são apresentadas algumas carac-</p><p>terísticas de sete variedades de cana-de-açúcar cultivadas no centro-sul do Brasil.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>92</p><p>Tabela 4. Características agroindustriais, morfológicas e de tolerância às doenças, de sete variedades de cana-de-açúcar</p><p>cultivadas no centro-sul do Brasil.</p><p>RB835054 RB855536 RB867515 RB928064 RB975201 SP80-1816 SP80-3280</p><p>Produtividade1 Alta Alta Alta Alta Alta Alta Alta</p><p>Maturação Precoce Média Média Tardia Tardia Média Média</p><p>Sacarose2 Alto Alto Alto Médio Médio Alto Alto</p><p>Colheita3 Abr-Nov Jun-Nov Jun-Set Set-Nov Ago - Nov Jun-Set Jun-Set</p><p>Solos4 Média Média Baixa Alta Média Média Média</p><p>Rebrotas5 Boa Excelente Boa Boa Boa Excelente Boa</p><p>Perfilhamento6 Médio Excelente Médio Muito bom Médio Muito bom Muito bom</p><p>Tombamento7 Frequente Pouco Pouco Pouco Frequente Pouco Raro</p><p>Despalha8 Fácil Média Fácil Média Fácil Média Fácil</p><p>Joçal9 Não Não Não Sim Não Sim Não</p><p>Florescimento Ausente Ausente Médio Ausente Ausente Ausente Presente</p><p>Chochamento Ausente Ausente Médio Ausente Ausente Pouco Sim</p><p>Sens. Herbic.10 Alta Média Baixa Baixa Baixa Média Média</p><p>Carvão11 Resist. Interm. Resist. Resist. Resist. Interm. Interm.</p><p>Ferrugem11 Suscep. Resist. Resist. Resist. Resist. Resist. Resist.</p><p>Estr. Verm.11 Resist. Interm. Suscep. Resist. Interm. Resist. Resist.</p><p>Escaldadura11 Resist. Interm. Resist. Resist. Resist. Resist. Resist.</p><p>Característica</p><p>------------------------------------------------Variedade --------------------------------------------------------</p><p>1Produtividade: Produção, por hectare, de colmos industrializáveis e de biomassa (Alta, Média ou Baixa).</p><p>2Sacarose: Teor de sacarose.</p><p>3Colheita: Meses recomendados para a colheita da cana destinada à produção de açúcar mascavo e rapadura.</p><p>4Solos: Exigência em fertilidade de solos (Alta, Média ou Baixa).</p><p>5Rebrotas: vigor da brotação das rebrotas sob condições de pisoteio por máquinas ou veículos a tração animal. 6Perfilhamento:</p><p>refere-se a velocidade de crescimento e sombreamento do solo minimizando a mato-competição. 7Tombamento dos colmos: está</p><p>relacionado ao hábito de crescimento da planta o qual varia de ereto a decumbente; mesmo os cultivares de colmos eretos podem</p><p>vir a tombar em condições de elevada produtividade.</p><p>8Despalha: Despalha das folhas secas ou aderência da bainha ao colmo.</p><p>9 Joçal: Presença ou não de joçal.</p><p>10Sens. Herbic.; Sensibilidade a alguns herbicidas.</p><p>11Doenças da parte aérea das plantas. Estr. Verm.: Estrias vermelhas. Resist.:Resistente; Interm.: Intermediária; Suscep.: Susceptível.</p><p>Fontes: Silveira, L. C. I. Informação pessoal, Oliveira et al. (2019).</p><p>Os autores deste capítulo têm recomendado aos pequenos produtores o plantio de</p><p>duas ou três variedades, bem adaptadas à região e ao sistema de produção adotado pelo</p><p>produtor, sempre implementando medidas para manter ou elevar a fertilidade do solo, bem</p><p>como realizar o corte da variedade de cana na época mais indicada. Definidas as varieda-</p><p>des a serem plantadas, é necessário certificar-se da qualidade das mudas, devendo ser</p><p>escolhidas preferencialmente aquelas provenientes de viveiros, de boa sanidade, com idade</p><p>variando entre 8 e 10 meses, de primeiro ou no máximo segundo corte. É importante também</p><p>confirmar a sanidade da muda quanto a doenças, pragas e mistura de outros cultivares.</p><p>Das variedades citadas na Tabela 4, a RB855536, a RB867515 e a SP801816, junta-</p><p>mente com a RB835486, têm sido as mais estudadas na alimentação de bovinos. Alguns</p><p>produtores têm preferência pela SP801816 devido ao fato desta variedade tombar muito</p><p>pouco, mas a SP801816 se mantém ereta devido ao maior teor de lignina e ao maior per-</p><p>centual de casca em relação os colmos, uma vez que na maioria das lavouras, mesmo nas</p><p>mais nutridas, esta variedade tem colmos finos. A RB835486 é a variedade que apresentou</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>92 93</p><p>isoladamente, na quase totalidade dos estudos (RODRIGUES et al., 2001; MELO et al.,</p><p>2006; BONOMO et al., 2009), a maior digestibilidade da matéria seca e da fibra insolúvel em</p><p>detergente neutro (FDN). Contudo, com muita frequência, nos canaviais mais produtivos, esta</p><p>variedade tomba, dificultando o corte manual. Como citado inicialmente, o corte manual da</p><p>cana-de-açúcar é uma das atividades mais onerosas e desgastantes no uso desta forrageira</p><p>para a alimentação animal. Além disso, a RB835486 é susceptível à ferrugem, devendo-se</p><p>evitar o plantio de cana de ano e o corte tardio, depois de agosto. Por esses motivos, a</p><p>RB855536 e a RB867515 têm sido as variedades mais recomendadas pelos autores para</p><p>o plantio em pequenas propriedades, visando a alimentação de bovinos.</p><p>Na Figura 4, é mostrada a taxa de acúmulo de matéria seca na parte aérea de quatro</p><p>variedades de cana-de-açúcar: RB835486, RB855536, RB8675115 e SP801816. O estudo,</p><p>conduzido em blocos ao acaso com cinco repetições, foi instalado em solo de textura média,</p><p>no município de Mercês, MG, com coordenadas -21,260232 de latitude, longitude - 43,298827</p><p>e altitude de 503 m. O solo tinha sido corrigido anteriormente com a aplicação de 6,0 t de</p><p>calcário dolomítico e 3,0 t de gesso agrícola por hectare, seguindo-se recomendações des-</p><p>critas por Oliveira et al. (2007) e Raij (2011b).</p><p>Em agosto do ano anterior ao plantio da cana-de-açúcar, foram coletadas amostras de</p><p>solo e verificou-se saturação por bases na camada de 0 a 20 cm e 20 a 40 cm, respectiva-</p><p>mente, de 72% e 46%. Os teores de fósforo e de potássio na camada de 0 a 20 cm foram,</p><p>respectivamente, de 17 e 73 mg dm–3. No início de outubro, logo após as primeiras chuvas,</p><p>o solo foi arado e gradeado e, posteriormente, semeou-se a crotalária juncea. No início de</p><p>fevereiro, quando a crotalária estava na fase de grãos farináceos, mas ainda sem viabilida-</p><p>de para germinação, incorporou-se a leguminosa ao solo com grade aradora. O acúmulo</p><p>de matéria seca na parte aérea da crotalária juncea oscilou em torno de 15 t ha–1 e o de</p><p>nitrogênio foi da ordem de 300 kg por hectare. Cerca de dez dias após a incorporação da</p><p>crotalária juncea, sulcou-se o solo e plantou-se a cana-de-açúcar. A adubação química,</p><p>constituída apenas de fósforo, foi aplicada no fundo do sulco de plantio, na dose de 100 kg</p><p>de fósforo por hectare (o equivalente a 229 kg de P2O5 por hectare). O controle de plantas</p><p>daninhas foi químico, usando herbicida pré-emergente. No início de outubro, logo após</p><p>as primeiras chuvas, aplicou-se na entrelinha</p><p>da cana-de-açúcar 200 kg de potássio por</p><p>hectare (o equivalente a 240 kg de K2O por hectare). A adubação potássica foi aplicada em</p><p>setembro, apenas para favorecer o fluxo de caixa, uma vez que o cloreto de potássio pode</p><p>ser aplicado em cobertura, devido a sua alta solubilidade.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>94</p><p>Figura 4. Acúmulo de matéria seca na parte aérea de quatro variedades de cana, plantadas em fevereiro e colhidas em</p><p>julho do ano subsequente. Estudo conduzido no município de Mercês, Zona da Mata Mineira.</p><p>0</p><p>10</p><p>20</p><p>30</p><p>40</p><p>50</p><p>60</p><p>F M A S D F A J</p><p>t d</p><p>e</p><p>m</p><p>at</p><p>ér</p><p>ia</p><p>s</p><p>ec</p><p>a</p><p>po</p><p>r h</p><p>ec</p><p>ta</p><p>re</p><p>RB867515 RB855536 SP801816 RB835486</p><p>As avaliações do acúmulo de matéria seca foram realizadas nos meses de abril, se-</p><p>tembro e dezembro do ano de plantio da cana-de-açúcar e, em fevereiro, abril e julho do</p><p>ano subsequente. Como mostrado na figura 4, a RB8555536 e a RB867515 produziram</p><p>cerca de 5 t de matéria seca a mais que RB835486 e a SP801816, o que corresponde a</p><p>aproximadamente 15 t de forragem por hectare. O percentual médio de colmos na forragem</p><p>dessas variedades foi de 85%, logo a RB8555536 e a RB857515 produziram 12 t de colmos</p><p>industrializáveis a mais que as outras duas variedades.</p><p>Outras variáveis, além da produtividade, têm sido consideradas na escolha das va-</p><p>riedades de cana-de-açúcar destinadas à alimentação de bovinos. Uma delas é a relação</p><p>entre a fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) e a sacarose aparente no caldo dos col-</p><p>mos industrializáveis e, esta variável, é um indicador da qualidade bromatológica. No setor</p><p>sucroalcooleiro a sacarose aparente no caldo dos colmos industrializáveis é designada</p><p>incorretamente de “Pol”. Conforme citado anteriormente, a FDN é constituída pela celulose,</p><p>hemicelulose e lignina. Assim, desconsiderando a pectina, molécula que une as células</p><p>vegetais, é solúvel no detergente neutro e tem alta digestibilidade no rúmen, a FDN é uma</p><p>medida da massa da parede celular das plantas em relação aos demais constituintes da cé-</p><p>lula. Outra variável muito utilizada na avaliação da qualidade bromatológica da cana-de-açú-</p><p>car é a relação entre FDN e os sólidos solúveis dos colmos industrializáveis, designado de</p><p>“Brix”. Brix (símbolo °Bx) é uma escala numérica que mede a quantidade de sólidos solúveis</p><p>em uma solução açucarada. Esta escala é uma homenagem ao matemático e engenheiro</p><p>alemão Adolf Ferdinand Wenceslaus Brix (1798-1870), que a propôs.</p><p>Nas avaliações a seguir utilizaremos a expressão “Brix” e “sacarose aparente” para</p><p>nos referirmos, respectivamente, a concentração de sólidos solúveis e a concentração de</p><p>sacarose no caldo dos colmos industrializáveis da cana. A sacarose é aparente, porque na</p><p>análise realizada por polarimetria alguns compostos orgânicos presentes no caldo da cana</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>94 95</p><p>podem desviar a luz polarizada no mesmo ângulo que a sacarose. Contudo, quando a análise</p><p>é realizada até 72 horas após o corte da cana, os resultados da análise do caldo da cana</p><p>por polarimetria tem acima de 95% de concordância com os determinados por cromatogra-</p><p>fia líquida de alta eficiência (“HPLC”, em inglês), o método é referência, mas de alto custo</p><p>analítico. Na Tabela 5 estão apresentados os teores de FDN, FDA, Brix, sacarose aparente</p><p>e relações FDN/ Brix e FDN/sacarose aparente das quatro variedades de cana-de-açúcar,</p><p>citadas na figura 4, no estudo conduzido em Mercês, MG.</p><p>Tabela 5. Teores de fibra insolúvel em detergente neutro (FDN) e fibra insolúvel em detergente ácido (FDA) na matéria</p><p>seca da parte aérea, teores de sólidos solúveis (Brix) e sacarose aparente no caldo dos colmos industrializáveis (Sac. Apar.)</p><p>das quatro variedades de cana, plantadas em fevereiro e colhidas em julho do ano subsequente, no estudo conduzido</p><p>no município de Mercês, Zona da Mata Mineira.</p><p>.-- FDN --. .-- FDA --. Brix Sac. Apar. Pureza</p><p>RB835486 42,69 a 26,75 a 22,50 a 20,46 a 90,97 b 1,90 a 2,09 a</p><p>RB855536 46,28 a 29,01 a 22,41 a 20,30 a 90,60 b 2,07 a 2,28 b</p><p>RB867515 46,82 a 29,31 a 22,39 a 20,04 a 89,49 a 2,09 a 2,34 b</p><p>SP801816 53,56 b 33,31 b 22,38 a 20,15 a 90,05 a 2,39 b 2,66 c</p><p>Média geral 47,34 29,59 22,42 20,24 90,28 2,11 2,34</p><p>C.V. (%) 6,22 8,27 2,91 2,80 1,20 6,53 6,34</p><p>Variedade FDN/Brix FDN/Sac. Apar.</p><p>.-- % na MS cana --. .-- % no caldo dos colmos --.</p><p>Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem entre si pelo teste de Scott-Knott a 5%.</p><p>Observa-se que a variedade SP801816 teve maior teor de FDN e FDA que as RB835486,</p><p>RB855536 e RB867515. Em relação ao Brix e a sacarose aparente no caldo, não houve</p><p>diferença entre as variedades, sendo que todas apresentaram alta concentração de Brix e</p><p>sacarose aparente, indicativo que estavam maduras. A pureza do caldo, valor percentual da</p><p>sacarose aparente em relação ao total de sólidos solúveis (sacarose aparente/Brix x 100),</p><p>situou-se acima de 90%, havendo diferença estatística entre as variedades, devido ao baixo</p><p>coeficiente de variação (1,20%), mas para a alimentação animal estas diferenças na pureza</p><p>do caldo podem ser desconsideradas.</p><p>A relação FDN/sacarose aparente da RB835486 foi a menor das quatro variedades,</p><p>reforçando resultados de estudo conduzidos por Rodrigues et al. (2001), Melo et al. (2006)</p><p>e Bonomo et al. (2009) nos quais a RB835486 se destacou isoladamente das demais va-</p><p>riedades quanto a menor relação FDN/ sacarose aparente. A relação FDN/sacarose apa-</p><p>rente expressa qual é a massa da parede celular de toda a forragem em relação a massa</p><p>de sacarose dos colmos industrializáveis, assim, quanto menor essa relação mais energia</p><p>facilmente digestível o animal consumirá. Além disso, há correlação negativa entre o teor</p><p>de FDN da forragem da cana-de-açúcar e consumo de forragem pelo bovino. Maior teor</p><p>de FDN na variedade de cana-de-açúcar resulta também em maior tempo de retenção da</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>96</p><p>forragem no rúmen (maior tempo de passagem), menor ingestão de novos alimentos e,</p><p>consequentemente, menor produtividade animal.</p><p>Nos estudos conduzidos por Rodrigues et al. (2001), foi observado que a relação FDN/</p><p>sacarose aparente correlacionou-se negativamente (r= -0,85) com a digestibilidade in vitro da</p><p>matéria seca da parte aérea de 18 variedades de cana-de-açúcar, colhidas aos 12 meses de</p><p>idade. Thiago (2008) também observou que a digestibilidade in vitro da matéria seca da parte</p><p>aérea apresentou relação inversa com a FDN/sacarose aparente e FDN/Brix, tendo obtido</p><p>coeficiente de correlação de -0,6755 e -0,6940, respectivamente, ambos com significância a</p><p>0,1%. Na escolha de variedades com maior valor bromatológico, caso diversas variedades</p><p>de cana-de-açúcar apresentem relação FDN/Brix semelhantes, deve-se optar pelas varie-</p><p>dades com menor FDN. Assim, das variedades apresentadas na Tabela 4, a RB835486, a</p><p>RB855536 e a RB867515 seriam as escolhidas, lembrando, contudo, que a RB835486 tem</p><p>menor potencial produtivo, maior tombamento e susceptibilidade a doenças foliares.</p><p>IMPLANTAÇÃO DO CANAVIAL</p><p>Nas pequenas propriedades do centro-sul do Brasil os plantios de cana-de-açúcar, sem</p><p>irrigação, são realizados basicamente em duas épocas: início do período chuvoso (setembro</p><p>a outubro) e final do período chuvoso: fevereiro a março. O canavial implantado no início</p><p>do período chuvoso poderá ser colhido a partir de abril-maio do ano seguinte e, por isto, é</p><p>designado de “cana de ano”, mas, para o plantio de fevereiro a março a colheita ocorrerá</p><p>cerca de 15 a 18 meses após, sendo conhecida como “cana de ano e meio” (OLIVEIRA</p><p>et al., 2019; OLIVEIRA et al., 2021).</p><p>Os autores têm recomendado o plantio de “cana de ano” em solos mais férteis, de re-</p><p>levos mais suaves e menos erosivos, pois, há chuvas muito intensas nesse período. Devido</p><p>a cana-de-açúcar iniciar a fase de crescimento máximo a partir de janeiro, quando começa</p><p>a diminuir a disponibilidade hídrica e térmica, o suprimento de nutrientes não deverá ser um</p><p>fator limitante ao desenvolvimento da planta, para que possam ser obtidas produtividades</p><p>de biomassa superiores a 120 t de matéria natural por hectare. Entretanto, o plantio de</p><p>“cana de ano e meio” tem sido recomendado para os solos de relevos mais acidentados e</p><p>de menor fertilidade, uma vez que a cana permanecerá crescendo no campo por mais tem-</p><p>po e a fase de crescimento máximo, como mostrado na Figura 4, coincide com as épocas</p><p>de maior disponibilidade hídrica e luminosa, o que resulta tanto em maior recobrimento do</p><p>solo pela folhagem da cana-de-açúcar, quanto em maior taxa fotossintética e acúmulo de</p><p>matéria seca. Outras duas grandes vantagens do plantio da “cana de ano e meio” são, a</p><p>possibilidade do cultivo de crotalária juncea antecedendo ao plantio da cana e a obtenção</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>96 97</p><p>de mudas pelo sistema do Método Interrotacional Ocorrendo Simultaneamente, designado</p><p>de MEIOSI (OLIVEIRA et al., 2019; OLIVEIRA et al., 2021).</p><p>AVALIAÇÃO DA FERTILIDADE DO SOLO, CALAGEM E GESSAGEM</p><p>A cana-de-açúcar, por produzir grande quantidade de massa, extrai e acumula, con-</p><p>sequentemente, grande quantidade de nutrientes do solo. Em avaliações realizadas pelos</p><p>autores em pequenas propriedades da zona da Mata Mineira, verificou-se que para uma</p><p>produção de 120 toneladas de forragem por hectare, cerca de 100 t de colmos industriali-</p><p>záveis, o acúmulo de nutrientes na parte aérea da planta é da ordem de 150, 40, 180, 90,</p><p>50 e 40 kg de N, P, K, Ca, Mg e enxofre, respectivamente. No caso dos micronutrientes:</p><p>ferro, manganês, zinco, cobre e boro, os acúmulos na biomassa da parte aérea, também</p><p>para uma produção de 120 t, são por volta de 8,0; 3,0; 0,6; 0,4; e, 0,3 kg, respectivamente.</p><p>Devido a essa alta remoção de nutrientes, deve-se conhecer a capacidade de forne-</p><p>cimento de nutrientes pelo solo para, se necessário, complementá-la com adubações e, se</p><p>constatada a presença de elementos em níveis tóxicos, reduzir sua concentração pela cala-</p><p>gem e gessagem. Normalmente, avaliam-se a disponibilidade de nutrientes e a presença de</p><p>elementos em níveis tóxicos no solo pela análise química da camada arável, sendo também</p><p>de grande valia o histórico da área, sobretudo as adubações realizadas e, se houve ou não,</p><p>ocorrência de sintomas de deficiência ou de toxidez nos cultivos anteriores (OLIVEIRA et al.,</p><p>2007; RAIJ, 2011a; OLIVEIRA et al., 2019).</p><p>Usualmente, coletam-se amostras de solo das camadas de 0 a 20 e de 20 a 40 cm de</p><p>profundidade. Os resultados da análise da camada de 0 a 20 cm têm sido utilizados para</p><p>calcular a adubação e a calagem e, os da camada de 20 a 40 cm, para os cálculos da ne-</p><p>cessidade de gessagem. Devido as áreas serem pequenas, os autores deste capítulo têm</p><p>orientado aos produtores a coletarem as amostras de solo usando cavadeira e pá reta, pois,</p><p>o uso da pá reta diminui a variabilidade dos índices de fertilidade do solo. Mais detalhes</p><p>sobre os procedimentos de amostragem, variabilidade amostral, secagem de amostras e</p><p>comparação entre extratores químicos podem ser obtidos em Oliveira et al. (2018b).</p><p>Os solos da região centro-sul são, em sua grande maioria, naturalmente ácidos, apre-</p><p>sentando baixa saturação por cátions básicos, como cálcio, magnésio e potássio. A defi-</p><p>ciência desses cátions básicos, associada aos altos teores de alumínio, ferro e manganês,</p><p>tem sido prejudicial ao crescimento do sistema radicular e, consequentemente, de toda a</p><p>cana-de-açúcar (OLIVEIRA et al., 2007). Por esses motivos, a calagem e a gessagem são</p><p>importantes práticas usualmente recomendadas pelos autores. Vários materiais têm sido</p><p>usados como corretivos da acidez de solos, sendo os mais empregados os calcários do-</p><p>lomíticos, porém, usam-se também os calcários calcíticos, magnesianos e os silicatos de</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>98</p><p>cálcio e magnésio, designados de escórias de siderurgias. Nessas escórias, o teor de óxido</p><p>de magnésio oscila em torno de 8%, enquanto os calcários calcíticos possuem teores de</p><p>MgO inferiores a 5%, os magnesianos entre 6 e 12% e os dolomíticos acima de 12%. A efi-</p><p>ciência desses produtos na correção da acidez do solo depende, dentre outros fatores, da</p><p>sua granulometria, da distribuição uniforme no campo e da disponibilidade hídrica do solo</p><p>(OLIVEIRA et al., 2007; RAIJ, 2011a; OLIVEIRA et al., 2018a).</p><p>O método de análise de solo que utiliza o acetato de cálcio para a determinação do H+ +</p><p>Al+3 é muito usado no centro-sul do Brasil. Esse extrator subestima demasiadamente a</p><p>quantidade de H+ + Al+3, resultando em subestimativa da capacidade de troca catiônica a</p><p>pH 7,0 e, consequentemente, da dose de calcário a ser a aplicada (ERNANI e ALMEIDA,</p><p>1986; KAMINSKI et al. 2002; OLIVEIRA et al., 2004; OLIVEIRA et al., 2018a). Por esses</p><p>motivos, os autores têm recomendado elevar de 1,5 a 2,0 vezes a quantidade de calcário a</p><p>ser aplicado. Para a cana-de-açúcar cultivada nas pequenas propriedades, a recomenda-</p><p>ção é elevar a saturação por bases (V) a 60%. Raij (2011 b) cita seis estudos conduzidos</p><p>com cana-de-açúcar nos quais foram comparadas as doses recomendadas de calcário e</p><p>gesso com as doses desses insumos para a produtividade máxima econômica. O preço do</p><p>calcário e do gesso equivaleu-se ao de 2,0 t de colmos industrializáveis, valor relativo muito</p><p>alto para calcário e o gesso. O resultado econômico, apresentado na Tabela 6, foi altamen-</p><p>te lucrativo para todos os casos, quando se compara as doses recomendadas de calcário</p><p>e gesso e as doses desses insumos para a produtividade máxima econômica, reforçando</p><p>que as recomendações oficiais de calagem e gessagem estão subestimadas. Para alcançar</p><p>a produtividade máxima, as doses de calcário e de gesso devem ser duas vezes maiores</p><p>que as recomendadas (OLIVEIRA et al., 2007; RAIJ, 2008; RAIJ, 2011b; OLIVEIRA et al.,</p><p>2018a). A quantidade de calcário (QC) a ser usada, quando se emprega o método de satu-</p><p>ração por base, é calculada pela seguinte expressão (Eq.1):</p><p>QC (t ha–1) = [(60 – V) x T] ÷ PRNT (Eq. 1) , sendo V = saturação por bases atual do</p><p>solo; T = capacidade de troca catiônica a pH 7,0; e PRNT = poder relativo de neutralização</p><p>total do corretivo utilizado.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>98 99</p><p>Tabela 6. Doses de calcário e de gesso calculadas com bases nas recomendações oficiais, comparativamente às doses</p><p>que permitiram alcançar a produtividade máxima econômica, considerando uma relação de troca de 2,0 t de colmos</p><p>industrializáveis para cada tonelada de calcário ou de gesso.</p><p>Tipo de PRNT do Dose de Dose de Aumento de produção Custo do calcário e</p><p>solo calcário calcário1 gesso1 Calcário Gesso em quatro anos do gesso3</p><p>(%)</p><p>LVE 63 2,5 1,0 4,0 2,0 76 12</p><p>LVA 77 5,3 1,4 10,0 6,0 72 32</p><p>LR 73 4,1 0,0 0,0 0,0 12 0</p><p>LVA 69 1,6 0,0 3,0 4,0 44 14</p><p>LVA 61 1,6 1,1 1,8 4,8 120 13</p><p>LVE 52 9,8 3,5 10,0 10,0 76 40</p><p>Dose adequada2</p><p>.----------------- t por hectare ----------------. .- t de colmos industrializáveis por hectare -.</p><p>1Dose de calcário e de gesso baseada nas recomendações oficiais; 2Dose de calcário e de gesso para alcançar</p><p>a produtividade máxima; 3Incluindo os custos de compra, transporte e aplicação.</p><p>Fonte: Raij (2008).</p><p>Em relação ao tipo de calcário, recomenda-se o dolomítico quando o teor de magné-</p><p>sio na camada de 0 a 20 cm for inferior a 0,40 cmolc/dm3 de solo (OLIVEIRA et al., 2007;</p><p>OLIVEIRA et al., 2018a). No entanto, se o teor de magnésio na camada de 0 a 20 cm for</p><p>maior que 0,40 cmolc/dm3 de solo, a orientação é para utilizar aquele corretivo que tenha o</p><p>menor preço por tonelada de PRNT na lavoura. Dessa forma, inclui-se um fator econômico</p><p>na tomada de decisão quanto ao tipo de calcário a ser empregado. Quanto ao gesso, seu</p><p>uso tem sido recomendado com base nos resultados da análise química da camada de</p><p>20 a 40 cm. O gesso tem sido aplicado quando os teores de cálcio são menores que 0,40</p><p>cmolc/dm3 de solo ou a saturação por alumínio (m%) é maior que 20%. A dose usualmente</p><p>recomendada é de um terço da dose de calcário. Um exemplo: supondo-se que a quan-</p><p>tidade de calcário a ser aplicada é de 4,5 t/hectare, então a dose de gesso será de</p><p>1,5 t/</p><p>hectare. O calcário e o gesso são misturados para posterior aplicação ao solo. A aplicação</p><p>de gesso levará à melhoria do ambiente radicular das camadas abaixo da arável, efeito que</p><p>perdura por vários anos, por esse motivo não é necessária a reaplicação anual do gesso</p><p>(OLIVEIRA et al., 2007; RAIJ, 2011b; OLIVEIRA et al., 2018a).</p><p>Quando o pequeno produtor rural tiver dificuldade para adquirir o gesso deve-se optar</p><p>pela aplicação do superfosfato simples como fonte de fósforo, uma vez que esse fertilizante</p><p>contém sulfato de cálcio. Em pesquisa conduzida por Morelli et al. (1992), estudou-se do-</p><p>ses de calcário e gesso, em cana-de-açúcar cultivada em solos de textura média e baixa</p><p>capacidade de troca catiônica, tendo-se constatado muito boa relação entre os teores de</p><p>cálcio no solo e o crescimento do sistema radicular. Aos 27 meses após o início do estudo,</p><p>verificou-se no tratamento que recebeu a aplicação de 2,8 t de gesso por hectare a maior</p><p>produção de biomassa e de colmos industrializáveis. Pela análise do solo constatou-se re-</p><p>lação entre o cálcio trocável e o sistema radicular da cana: a 150 cm de profundidade o Ca+2</p><p>era de 0,60 cmolc/dm3 e a massa de raízes de 1,1 g/ dm3. Diversos autores têm relatado que,</p><p>em condições de baixa disponibilidade de cálcio no solo, as raízes da cana concentram-se</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>100</p><p>na camada de 0 a 30 cm de profundidade; entretanto, no estudo conduzido por Morelli et al.</p><p>(1992), citados na Tabela 7, cerca de 50% da massa do sistema radicular encontrava-se</p><p>na camada de 51 a 150 cm.</p><p>Tabela 7. Teores de cálcio no solo e o crescimento do sistema radicular da cana-de-açúcar, em solo que recebeu aplicação</p><p>de calcário e de gesso.</p><p>Camada Cálcio trocável Massa de raíz</p><p>(cm) .--- (cmolcdm-3) ---. .----- (g dm-3) ----.</p><p>0 a 25 2,10 4,4 29,93</p><p>26 a 50 1,37 3,0 20,41</p><p>51 a 75 0,90 2,4 16,33</p><p>76 a 100 0,82 2,0 13,61</p><p>101 a 125 0,70 1,8 12,24</p><p>126 a 150 0,60 1,1 7,48</p><p>% do sistema</p><p>radicular</p><p>Fonte: Adaptado de Morelli et al. (1992).</p><p>Nas pequenas propriedades, geralmente a distribuição da mistura calcário + gesso</p><p>é manual. Um método recomendado para esses pequenos produtores tem sido demarcar,</p><p>um quadrado ou retângulo com a própria mistura de calcário + gesso e, nessa área, aplicar</p><p>um volume correspondente à dose recomendada. Por exemplo: supondo-se que a dose re-</p><p>comendada tenha sido de 6.000 kg (4.500 kg de calcário + 1.500 kg de gesso, por hectare)</p><p>e a densidade da mistura calcário + gesso seja de 1,25 kg/L, então devem ser aplicados</p><p>4.800 L da mistura por hectare ou 0,48 L da mistura/m2. Uma das opções para o pequeno</p><p>produtor distribuir manualmente o calcário + gesso, seria demarcar, com a própria mistura,</p><p>áreas de 25 m2 e, nelas, aplicar 12,0 L de calcário + gesso. Após a aplicação do calcário</p><p>+ gesso, geralmente faz-se uma aração e uma gradagem para a incorporação dos produ-</p><p>tos ao solo. Na grande maioria das pequenas propriedades rurais, tem-se recomendado a</p><p>subsolagem, para a descompactação dos solos ou rompimento de camadas compactadas,</p><p>após aração e gradagem (Figura 5).</p><p>Figura 5. Subsolador utilizado para romper camadas compactadas do solo em uma área destinada ao plantio da cana-</p><p>de-açúcar. A subsolagem foi realizada após a incorporação do calcário e do gesso.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>100 101</p><p>A recomendação de subsolagem é com base no histórico de uso da área, no trânsito</p><p>de máquinas, de implementos e de animais, na observação visual de presença de crostas</p><p>na superfície do terreno, presença de ervas indicadoras e sistema radicular superficial da</p><p>vegetação natural. Embora possa ser um ônus a mais para o pequeno produtor, a presen-</p><p>ça de camadas adensadas ou compactadas tem consequências maléficas na absorção de</p><p>água, nutrição mineral, no desenvolvimento da lavoura e na longevidade do canavial (VITTI</p><p>e MAZZA, 2022; OLIVEIRA et al, 2019). Conforme citado anteriormente, às vezes o pequeno</p><p>produtor tem dificuldade para alugar um trator de maior potência, com o subsolador, assim</p><p>quando não for possível a subsolagem, recomenda-se uma aração mais profunda do terreno,</p><p>com arado de disco, por ocasião do preparo do solo.</p><p>Os teores de cálcio e de magnésio do solo diminuem ao longo dos ciclos da cana-</p><p>-de-açúcar, tanto pela remoção de bases pelas colheitas da cana quanto pela acidificação</p><p>causada pelos adubos nitrogenados. Os autores deste capítulo têm recomendado realizar</p><p>a calagem nas áreas de rebrota quando se constatar saturação por bases inferior a 50%</p><p>na camada de 0 a 20 cm. A aplicação do corretivo deverá ser em área total, procedendo</p><p>posteriormente uma leve incorporação do corretivo na entrelinha da cana-de-açúcar usando</p><p>grade ou uma capinadeira à tração animal.</p><p>ADUBAÇÃO VERDE EM ÁREAS DE PLANTIO DE “CANA DE ANO</p><p>MEIO”</p><p>No item “Implantação do canavial”, foi comentado que uma das vantagens do plantio da</p><p>“cana de ano e meio” é a possibilidade de uma adubação verde antecedendo ao plantio da</p><p>cana-de-açúcar. Dentre as principais características desejáveis de uma planta a ser utilizada</p><p>como adubo verde podem-se destacar: possibilidade de mecanização desde a semeadura</p><p>até a colheita de sementes; capacidade de se associar às bactérias fixadoras do nitrogênio</p><p>do ar atmosférico; crescimento rápido para controlar plantas daninhas; possuir mecanismos,</p><p>ou sintetizar compostos, que auxiliem no controle de pragas como, por exemplo, nematoides</p><p>e doenças; ausência de sementes dormentes; sistema radicular vigoroso e profundo que</p><p>auxilie na reciclagem de nutrientes das camadas mais profundas e na descompactação dos</p><p>solos, pois o uso intensivo do solo com práticas convencionais, como a excessiva mecani-</p><p>zação, tem reduzido a matéria orgânica e causado compactação desses solos (OLIVEIRA</p><p>et al., 2007; OLIVEIRA et al., 2019; OLIVEIRA et al.; 2021).</p><p>Outro aspecto a ser considerado é o fornecimento de substrato orgânico e mineral para</p><p>os micro-organismos do solo, assim, a adubação verde também contribui para a melhoria da</p><p>qualidade biológica do terreno. Diversas leguminosas possuem essas características, mas, de</p><p>modo geral, há preferência pela crotalária juncea na região centro-sul do Brasil. Em estudos</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>102</p><p>conduzidos pelos autores deste capítulo, na região da zona da Mata Mineira, a adubação</p><p>verde com crotalária juncea, antecedendo ao plantio da “cana de ano e meio”, resultou em</p><p>aumento de produção nos ciclos de cana-planta e primeira rebrota, que, somados, oscila-</p><p>ram de 23 a 31 t de forragem por hectare. Numa análise de vários anos, os custos dessa</p><p>adubação verde variaram, em preços equivalentes, de 7,5 a 14 t de forragem por hectare,</p><p>assim, o aumento de produtividade cobriu com folga os custos do cultivo da leguminosa.</p><p>Deve-se considerar ainda que, há estudos em que o aumento de produtividade da cana-de-</p><p>-açúcar devido a adubação verde com crotalária juncea foi maior: Mascarenhas et al. (1994),</p><p>em estudos conduzidos por vários anos em Sales Oliveira, estado de São Paulo, relatam</p><p>aumentos de produtividade de forragem variando em 32 a 50 t por hectare. Mais detalhes</p><p>sobre a adubação verde podem ser obtidos em Oliveira et al. (2021).</p><p>SULCAGEM, ADUBAÇÃO E PLANTIO DA CANA-DE-AÇÚCAR</p><p>A sulcagem do solo para o plantio da cana-de-açúcar é realizada após a aração e gra-</p><p>dagem do terreno para a incorporação do calcário e do gesso ou, depois da incorporação da</p><p>crotalária juncea, no caso do plantio da “cana de ano e meio”. Normalmente essa sulcagem</p><p>é realizada com sulcadores-adubadores que abrem o sulco e simultaneamente adubam.</p><p>Quando não se dispõem desse implemento, pode-se empregar o arado de aivecas ou de dis-</p><p>cos, utilizando apenas um disco, sulcando-se sempre que possível em nível. Uma alternativa</p><p>para o pequeno produtor rural é a sulcagem com arado a tração animal e, se for necessário,</p><p>faz-se manualmente um acerto no sulco usando enxada valetadeira. A sulcagem deverá ser</p><p>realizada o mais próximo possível da distribuição das mudas e do plantio, para conservar</p><p>Daniela Regina Klein; Michael Silveira Reis; Carlos Eduardo Botega</p><p>' 10.37885/210805882 ..................................................................................................................................................................................52</p><p>CAPÍTULO 05</p><p>MONITORAMENTO DO NITROGÊNIO URÉICO NO LEITE: NUTRIÇÃO ANIMAL, QUALIDADE AMBIENTAL E DO LEITE</p><p>Luciana dos Reis Valadão; Karyne Oliveira Coelho; Edmar Soares Nicolau; Rodrigo Balduino Soares Neves</p><p>' 10.37885/210906099 ................................................................................................................................................................................ 68</p><p>CAPÍTULO 06</p><p>PRODUÇÃO DE CANA-DE-AÇÚCAR PARA A ALIMENTAÇÃO DE BOVINOS</p><p>Mauro Wagner de Oliveira; Christiano Nascif; Manoel Gomes Pereira; Thiago Camacho Rodrigues; Terezinha Bezerra Albino Oliveira;</p><p>Rogério Jacinto Gomes; Dalmo de Freitas Santos</p><p>' 10.37885/210805744 ..................................................................................................................................................................................81</p><p>SUMÁRIO</p><p>CAPÍTULO 07</p><p>QUALIDADE DAS FARINHAS DE ORIGEM ANIMAL UTILIZADAS EM RAÇÕES AVÍCOLAS: UM REFERENCIAL TEÓRICO</p><p>Cleriston Andrade Machado; Felipe Dilelis; Cristina Amorim Ribeiro de Lima</p><p>' 10.37885/210504811 ................................................................................................................................................................................. 118</p><p>CAPÍTULO 08</p><p>RAÇÃO PARA NÃO RUMINANTES EM UMA FÁBRICA SOB SERVIÇO DE INSPEÇÃO FEDERAL NO ESTADO DO MARANHÃO:</p><p>UMA ABORDAGEM PRODUTIVA</p><p>Karen Regina Silveiro Mousinho; Pedro Louzeiro Pavão; Marcelo de Abreu Falcão; Maria Inez Fernandes Carneiro; Hamilton Pereira</p><p>Santos; Danilo Cutrim Bezerra; Viviane Correa da Silva Coimbra; Nancyleni Pinto Chaves Bezerra</p><p>' 10.37885/211006392 ............................................................................................................................................................................... 140</p><p>CAPÍTULO 09</p><p>RESÍDUO DE BISCOITO NA ALIMENTAÇÃO DE CODORNAS: UM REFERENCIAL TEÓRICO</p><p>Sandra Roseli Valerio Lana; Geraldo Roberto Quintão Lana; Ana Patrícia Alves Leão; Romilton Ferreira de Barros Júnior</p><p>' 10.37885/210705353.................................................................................................................................................................................153</p><p>SOBRE O ORGANIZADORA ................................................................................................................................. 162</p><p>ÍNDICE REMISSIVO ............................................................................................................................................. 163</p><p>01</p><p>Aspectos nutricionais e manejo</p><p>alimentar do pirarucu (Arapaima</p><p>gigas)</p><p>Kárita Fernanda da Silva Lira</p><p>UFMT</p><p>Luan Shinhiti Kajikawa</p><p>UFMT</p><p>Sidney dos Santos Silva</p><p>UFMG</p><p>Márcio Aquio Hoshiba</p><p>UFMT</p><p>10.37885/210906287</p><p>https://dx.doi.org/10.37885/210906287</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>13</p><p>Palavras-chave: Dieta, Exigência Nutricional, Peixe Nativo, Piscicultura.</p><p>RESUMO</p><p>O pirarucu (Arapaima gigas), considerado o maior peixe de escama de água doce, possui</p><p>características que atraem o seu consumo e consequentemente sua produção. No en-</p><p>tanto, um dos maiores entraves na criação dessa espécie é o custo elevado com ração,</p><p>principalmente devido a inclusão de alto teor de proteína de origem animal. Na literatura,</p><p>ainda são poucos os trabalhos que abordam as pesquisas realizadas na área, para que</p><p>assim possam ser desenvolvidas dietas balanceadas atendendo todas as exigências</p><p>do pirarucu em suas diferentes fases. Neste intuito, este trabalho tem como objetivo</p><p>apresentar um compilado de conhecimentos referentes a nutrição e a alimentação do</p><p>pirarucu, a fim de facilitar o entendimento dos hábitos alimentares da espécie e auxiliar o</p><p>desenvolvimento de pesquisas futuras. Ainda há grande carência de estudos que demons-</p><p>trem exigências de proteína, energia, aminoácidos, vitaminas, minerais e ácidos graxos</p><p>para as diferentes fases de desenvolvimento da espécie. Porém, é possível observar o</p><p>incremento de novas tecnologias na produção de pirarucu em cativeiro.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>14</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O Arapaima gigas, considerado o maior peixe de escama de água doce do mundo,</p><p>pertence à família Arapaimatidae, inserido na ordem dos Osteoglossiformes. É denomina-</p><p>do popularmente de pirarucu, palavra de origem indígena, sendo a união de “pira” (peixe)</p><p>e “urucu” (vermelho), em referência a coloração de suas escamas (FONTENELLE, 1948;</p><p>CARDOSO, 2015). É um peixe endêmico da Bacia Amazônica, podendo ser encontrado</p><p>tanto no Brasil como no Peru, Colômbia e Guiana (RIBEIRO, 2008).</p><p>O pirarucu pode alcançar de 2 a 3 metros de comprimento e pesar aproximadamente</p><p>200 quilos em ambiente natural (ONO et al., 2004). Em cativeiro pode chegar a pesar cer-</p><p>ca de 10 kg já no primeiro ano de cultivo, tendo um rendimento de carne de 57% do peso</p><p>vivo (IMBIRIBA, 2001). Além do alto rendimento de carcaça, possui características como a</p><p>ausência de espinhos intramusculares, textura firme, sabor suave e uma porcentagem de</p><p>proteína de 17,55% no lombo e 14,93% na costela, demostrando assim, sua alta qualidade</p><p>e saudabilidade (SOUSA et al., 2015). Outros atributos do pirarucu são: a presença de esca-</p><p>mas grandes, utilizadas para a produção de artesanatos e o couro que pode ser aproveitado</p><p>pela indústria de curtume.</p><p>O pirarucu é um peixe de águas “quentes”, tolera temperaturas entre 24 e 31ºC, alcan-</p><p>çando melhores resultados em águas com temperatura entre 28 e 30ºC (ITUASSÚ, 2002).</p><p>Sendo assim explicado o sucesso desta espécie na região norte do país, onde em 2019,</p><p>foi produzido em 2 051 estabelecimentos, representando 63,18% dos locais de produção</p><p>nacional (PEIXE BR, 2020).</p><p>A disseminação da criação dessa espécie apresenta um grande potencial devido as</p><p>suas características produtivas, a rusticidade apresentada pela capacidade de respiração</p><p>aérea advinda da bexiga natatória modificada em pulmão possibilitando que essa espécie</p><p>capture o ar atmosférico (IMBIRIBA, 2001; ONO e KEHDI, 2013). Além disso, mesmo sendo</p><p>uma espécie de hábito alimentar carnívoro, não costumam praticar o canibalismo, tendo</p><p>assim bons índices de sobrevivência de alevinos e fácil condicionamento ao arraçoamento</p><p>(IMBIRIBA, 1991; ONO et al., 2004).</p><p>Os principais entraves para a produção estão relacionados às dificuldades no domínio</p><p>da técnica de reprodução, o que dificulta o fornecimento regular de alevinos para abastecer</p><p>as estações de piscicultura, e o custo elevado com ração, principalmente devido a inclusão</p><p>de alto teor de proteína de origem animal (ONO, 2007; RIBEIRO, 2008).</p><p>Os custos com a alimentação em uma piscicultura podem chegar a 60% dos custos</p><p>totais (SCORVO-FILHO, 2010), por isso o conhecimento dos hábitos alimentares e exigência</p><p>nutricional da espécie podem melhorar os indicadores de desempenho zootécnico e diminuir</p><p>os custos com arraçoamento. Portanto, diante do exposto, este trabalho tem como objetivo</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>14 15</p><p>compilar conhecimentos referentes a nutrição e a alimentação do pirarucu (Arapaima gigas),</p><p>afim de facilitar o entendimento dos hábitos alimentares desta espécie e auxiliar a realização</p><p>de pesquisas futuras.</p><p>CARACTERÍSTICAS DA ESPÉCIE</p><p>A anatomorfologia e as características histológicas do trato digestivo do pirarucu são</p><p>semelhantes a outros teleósteos carnívoros e permitem a espécie ingerir, armazenar e di-</p><p>gerir grandes itens alimentares, conforme relatado por Rodrigues e Cargnin-Ferreira (2017)</p><p>ao analisar três classes de tamanho de juvenis de pirarucu comercial (peso médio de 3,33;</p><p>72,07 e 1.328,10 g). O desenvolvimento da morfologia e espessura do aparelho digestivo</p><p>aumentou conforme o tamanho do pirarucu, apresentando um coeficiente intestinal de 0,94</p><p>na classe I, 1,00 na classe II e 1,30</p><p>a</p><p>umidade do solo, em dias secos ou evitar o assoreamento dos sulcos, em dias chuvosos.</p><p>O espaçamento entre sulcos tem oscilado de 0,90 a 1,40 m, variando em função</p><p>da distância entre os pneus da carroça ou do implemento que transitará na lavoura, da</p><p>topografia, da fertilidade do solo e do tipo de cultivo. Em áreas mais férteis são adotados</p><p>espaçamentos mais largos para evitar que a cana afine e futuramente possa tombar com</p><p>os ventos. Entretanto, em solos de menor fertilidade e menos adubados, mais inclinados ou</p><p>quando são utilizados cultivares de menor capacidade de perfilhamento, devem-se adotar</p><p>espaçamentos mais estreitos para permitir melhor distribuição espacial das plantas, cobertura</p><p>mais uniforme do solo e aumento de produtividade (OLIVEIRA et al., 2019).</p><p>Os principais adubos químicos utilizados na cultura da cana-de-açúcar e a concentração</p><p>de macronutrientes nesses fertilizantes, estão listados na Tabela 8. Infelizmente, ainda se</p><p>expressam os valores de concentração de fósforo e de potássio dos fertilizantes em P2O5 e</p><p>K2O, um resquício da química do século 19, quando ainda se incineram os materiais para</p><p>a análise química.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>102 103</p><p>Tabela 8. Principais adubos químicos utilizados na cultura da cana-de-açúcar e a concentração de macronutrientes nesses</p><p>fertilizantes.</p><p>N P K Ca Mg S</p><p>Ureia 45,0 ------- ------- ------- ------- --------</p><p>Sulfato de amônio 21,0 ------- ------- ------- ------- 23,0</p><p>Nitrato de cálcio 13 a 15 ------- ------- 17 a 19 ------- --------</p><p>Nitrato de amônio 34,0 ------- ------- ------- ------- -------</p><p>Superfosfato simples ------- 7,8 a 9,2 18 a 20 ------- 12,0</p><p>Superfosfato triplo ------- 18,3 a 20,9 ------- 8 a 10 ------- 1 a 2</p><p>Fosfato monoamônio (MAP) 9 a 11 21,8 a 23,6 ------- ------- ------- --------</p><p>Fosfato diamônio (DAP) 16 a 18 18,3 a 20,0 ------- 20 a 22 ------- --------</p><p>Termosfosfato Yoorin ------- 7,8 a 8,7 ------- ------- --------</p><p>Cloreto de potássio ------- ------- 50 a 51 ------- ------- --------</p><p>Sulfato de potássio ------- ------- 41 a 43 ------- ------- 17 a 18</p><p>Adubo</p><p>-------------- Concentração de Nutrientes (%) ----------------</p><p>Nos adubos fosfatados citados na tabela, o fósforo está na forma de H3PO4 porque a ro-</p><p>cha fosfatada, geralmente a hidroxiapatita [(Ca10(OH)2(PO4)6] ou a fluorapatita [(Ca10F2(PO4)6]</p><p>são solubilizadas com ácidos (sulfúrico ou fosfórico), originando o H3PO4 e alguns outros</p><p>produtos, dentre eles o gesso agrícola. Para transformar os valores de P e K, citados na</p><p>Tabela 8, em P2O5 e K2O, é necessário multiplicar por 2,29 e 1,2, respectivamente.</p><p>Para a cana-planta recomendam-se apenas adubação fosfatada e potássica, pois,</p><p>em estudos conduzidos pelos autores do capítulo, constatou-se ausência de resposta da</p><p>cana à adubação nitrogenada. Essa baixa ou ausente resposta da cana-planta à adubação</p><p>é generalizada para os solos cultivados com cana-de-açúcar no Brasil (OLIVEIRA et al.,</p><p>2007). A ausência de resposta da cana-planta à adubação nitrogenada deve-se à mine-</p><p>ralização da matéria orgânica do solo e à maior eficiência nutricional do sistema radicular</p><p>da cana-planta, comparativamente às rebrotas (OLIVEIRA et al., 2007; OLIVEIRA et al.,</p><p>2018a). Em relação à mineralização da matéria orgânica do solo, pode-se recorrer aos es-</p><p>tudos conduzidos nos tabuleiros costeiros de Pernambuco, nordeste do Brasil, por Salcedo</p><p>et al. (1985) para reforçar essa afirmação. Salcedo e colaboradores quantificaram a minera-</p><p>lização do carbono e do nitrogênio em um Podzólico vermelho-amarelo, latossólico arenoso,</p><p>ao longo do ciclo da cana-planta, amostrando o solo antes do plantio e, aos 3, 6, 11 e 16</p><p>meses após, nas profundidades de 0 a 20; 20 a 40 e de 40 a 60 cm.</p><p>Os teores de carbono total foram de 6,7; 4,1 e 3,4 g kg–1, enquanto que, para o N total,</p><p>obtiveram-se valores de 0,7; 0,4 e 0,3 g kg–1. Foi constatado que, as quantidades estimadas</p><p>do N potencialmente mineralizável foram de 139 e 132 kg por hectare, para as profundidades</p><p>de 0 a 20 e 20 a 60 cm respectivamente, com uma constante de mineralização de 0,074 por</p><p>semana. Salcedo et al. (1985) citam ainda que, apesar do solo estudado ser considerado de</p><p>baixa fertilidade, pelos resultados obtidos, pode-se afirmar que as quantidades de N orgânico</p><p>mineralizado seriam suficientes para satisfazer as necessidades da cana-planta.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>104</p><p>A absorção e o metabolismo do nitrogênio são muito influenciados pela disponibili-</p><p>dade endógena de fósforo (RUFTY et al., 1990; OLIVEIRA et al., 2007; OLIVEIRA et al.,</p><p>2018). Em plantas com suprimento adequado de P ocorre aumento na absorção do nitrato</p><p>da solução do solo; há maior translocação de nitrato das raízes para a parte aérea, aumen-</p><p>tando o acúmulo de aminoácidos em folhas e raízes (RUFTY et al., 1990; OLIVEIRA et al.,</p><p>2007). Oliveira et al. (2007) citam pesquisas conduzidas no estado de Minas Gerais, nas</p><p>quais verificaram-se que o aumento da dose de adubação fosfatada, aplicada no sulco de</p><p>plantio, repercutiu em maiores acúmulos de N na biomassa da parte aérea da cana-planta,</p><p>tendo-se observado que, para cada quilograma de P aplicado, houve aumento de cerca de</p><p>um quilograma de N nessa biomassa. Esses resultados são decorrentes dos efeitos das</p><p>alterações causadas na absorção e no metabolismo do N, conforme citado por Rufty et al.</p><p>(1990) e Oliveira et al. (2018a).</p><p>Diferentemente da cana-planta, há alta resposta das rebrotas a adubação nitrogenada.</p><p>Assim, é necessário adubar as rebrotas com nitrogênio, podendo-se adotar o critério de adu-</p><p>bação de restituição do nitrogênio removido pela colheita da cana. Nos estudos conduzidos</p><p>pelos autores, os teores de proteína bruta de canaviais bem nutridos têm oscilado de 2,6 a</p><p>3,2% (26 a 32 g de proteína bruta por kg de matéria seca). Em média a proteína bruta tem</p><p>16% de nitrogênio, assim a remoção de N pela colheita da parte aérea da cana-de-açúcar</p><p>oscila de 4,16 a 5,12 g de N por kg de matéria seca de forragem. Supondo que uma rebrota</p><p>tenha produtividade de 135 t de forragem por hectare, com 30% de matéria seca, então ha-</p><p>verá remoção de nitrogênio variando de 168 a 207 kg de N por hectare. Nesse caso, poderia</p><p>ser recomendada adubação nitrogenada variando de 170 a 210 kg de N por hectare. Se a</p><p>fonte do adubo nitrogenado for ureia, há necessidade de enterrio no solo, para evitar perdas</p><p>por volatilização. Para fontes amoniacais ou nítricas, não há necessidade de incorporação</p><p>ao solo ou enterrio.</p><p>A recomendação de adubação fosfatada e potássica para a cana-planta é baseada</p><p>nos resultados da análise de solo, na camada de 0 a 20 cm, e na expectativa de produti-</p><p>vidade do canavial (Tabelas 9 a 13). A maior dose de fósforo deve ser aplicada no fundo</p><p>do sulco de plantio. Essa aplicação, a uma profundidade maior, aumenta a absorção do</p><p>nutriente pela cana, uma vez que a disponibilidade hídrica da subsuperfície varia menos</p><p>que na superfície. A mobilidade do fósforo no solo é pequena e sua difusão é influenciada</p><p>por diversos fatores, com destaque para: precipitação por cátions como o ferro, alumínio e</p><p>cálcio; conteúdo volumétrico de água no solo; adsorção do fósforo pelos coloides do solo;</p><p>complexidade da estrutura do meio; compactação do solo; distância a percorrer até atingir</p><p>as raízes e o teor do elemento no solo (NOVAIS e SMITH, 1999).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>104 105</p><p>Tabela 9. Classes de fertilidade do solo considerando os teores de argila, o fósforo e o potássio extraídos com Mehlich.</p><p>Baixo Médio Alto</p><p>0 a 150 Menor que 20 20 a 30 Acima de 30</p><p>150 a 350 Menor que 15 15 a 20 Acima de 20</p><p>350 a 600 Menor que 10 10 a 15 Acima de 15</p><p>600 a 1.000 Menor que 5 5 a 10 Acima de 10</p><p>Baixo Médio Alto</p><p>Menor que 40 41 a 90 Acima de 90</p><p>Teor de argila</p><p>(g kg-1)</p><p>Classificação do Fósforo Disponível</p><p>.------------- mg dm-3 ---------------.</p><p>Classificação do Potássio Disponível</p><p>.------------- mg dm-3 ---------------.</p><p>Em geral, são registrados valores muito baixos de transporte de fósforo, devido a sua</p><p>forte interação</p><p>com os coloides do solo, principalmente em solos muito intemperizados e,</p><p>segundo Novais e Smith (1999), pode-se estimar que o transporte é em média de 0,013mm</p><p>por dia. Se houve aplicação de gesso no solo deve-se optar pelo uso de superfosfato triplo,</p><p>para diminuir os custos de implantação do canavial, uma vez que o kg de fósforo originário</p><p>do superfosfato triplo é mais barato que o do superfosfato simples.</p><p>Tabela 10. Doses de fósforo sugeridas para a adubação da cana-planta, baseando-se na disponibilidade do fósforo extraído</p><p>com Mehlich e na expectativa de produção de forragem (matéria natural).</p><p>Baixa Média Alta</p><p>Menos de 100 80 ------- -------</p><p>100 a 150 90 70 50</p><p>150 a 180 100 80 60</p><p>Maior que 180 120 90 70</p><p>Expectativa de Produção de Forragem no</p><p>Ciclo de Cana-Planta (t ha-1)</p><p>Classe de Fertilidade do Solo</p><p>.---- Dose de P (kg ha-1)* -----.</p><p>* Para transformar P em P2O5, multiplica-se o valor desejado por 2,29.</p><p>O fósforo aplicado por ocasião do plantio da cana assegura, na maioria das vezes,</p><p>suprimento adequado do elemento para a cana-planta e para a primeira rebrota, devendo-</p><p>-se utilizar formulações contendo P na adubação das rebrotas posteriores. Antecedendo</p><p>a adubação fosfatada das rebrotas, deve-se analisar o solo na camada de 0 a 20 cm, e,</p><p>caso a saturação por bases (V) seja inferior a 50%, recomenda-se, primeiramente, realizar</p><p>uma calagem para elevar V para 60%. A ausência de alumínio trocável na solução do solo</p><p>aumenta a eficiência da adubação fosfatada, especialmente por não haver formação de fos-</p><p>fato de alumínio, tanto no solo quanto dentro das raízes das plantas, uma vez que o fosfato</p><p>de alumínio é um composto de baixa solubilidade. Caso a saturação por bases seja maior</p><p>que 50% e o teor de P, extraído com Melhich, seja menor que 10 mg dm–3, recomenda-se</p><p>a adubação fosfatada da rebrota.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>106</p><p>Tabela 11. Doses de fósforo sugeridas para a adubação da cana-planta, baseando-se na disponibilidade do fósforo extraído</p><p>com resina de troca iônica e na expectativa de produção de forragem (matéria natural).</p><p>0 a 6 7 a 17 16 a 40 > 40</p><p>Menos de 100 80 44 30 20</p><p>100 a 150 90 55 40 26</p><p>Mais de 150 100 66 45 35</p><p>Expectativa de Produção de Forragem</p><p>no Ciclo de Cana-Planta (t ha-1)</p><p>Fósforo Extraído (mg dm-3)</p><p>.-------- Dose de P (kg ha-1)* ------.</p><p>Para transformar P em P2O5, multiplica-se o valor desejado por 2,29.</p><p>Fonte: adaptado de Raij (1997).</p><p>A dose de fósforo utilizada na adubação das rebrotas pode ser baseada na restituição</p><p>do P removido pela colheita; nesse caso, para cada t de matéria natural devem-se aplicar de</p><p>200 a 300 g de P. Caso, por exemplo, a produção de forragem (matéria natural) da rebrota</p><p>tenha sido de 135 t por hectare, devem ser aplicados de 27 a 40 kg de P por hectare. O adubo</p><p>fosfatado deverá ser aplicado juntamente com o N e o K. A adubação N-P-K das rebrotas</p><p>poderá ser realizada simultaneamente com a operação de cultivo da entrelinha. Em pequenas</p><p>propriedades, a sulcagem da entrelinha da cana com arado de tração animal para posterior</p><p>adubação tem apresentado bons resultados. O adubo N-P-K é aplicado no sulco aberto na</p><p>entrelinha da cana e, posteriormente, coberto com terra, usando-se novamente implemento</p><p>de tração animal.</p><p>A adubação potássica da cana é realizada no plantio e após cada corte da cana, devido</p><p>ao fato de o potássio se deslocar no perfil do solo. Essa adubação se baseia nos resultados</p><p>da análise de solo da camada de 0 a 20 cm e na produtividade que se deseja obter. Nas</p><p>Tabelas 12 e 13, são apresentadas as recomendações para adubação potássica da cana-</p><p>-planta e das rebrotas, tendo como extrator o Melhich ou a resina de troca iônica.</p><p>Tabela 12. Sugestão de doses de potássio para a adubação da cana, baseando-se na disponibilidade do potássio extraído</p><p>com Mehlich e na expectativa de produção de matéria natural.</p><p>Baixa Média Alta</p><p>Menos de 90 120 ------ -------</p><p>90 a 120 140 120 120</p><p>120 a 150 160 140 140</p><p>150 a 180 180 160 160</p><p>Mais de 180 200 180 180</p><p>Expectativa de Produção de Forragem no</p><p>Ciclo da Cana-Planta (t ha-1)</p><p>Classe de Fertilidade do Solo</p><p>.---- Dose de K (kg ha-1)* -----.</p><p>* Para transformar K em K2O, multiplica-se o valor desejado por 1,20.</p><p>Fonte: Oliveira et al. (2007).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>106 107</p><p>Tabela 13. Sugestão de doses de potássio para a adubação da cana, baseando-se na disponibilidade do potássio extraído</p><p>com resina de troca iônica e na produtividade esperada.</p><p>0 a 0,7 0,8 a 1,5 1,6 a 3,0 3,1 a 6,0 > 6,0</p><p>Menos de 100 120 100 60 60 0</p><p>100 a 150 160 140 100 80 0</p><p>Mais de 150 200 160 120 100 0</p><p>Expectativa de Produção de Forragem</p><p>no Ciclo da Cana-Planta (t ha-1)</p><p>K Extraído com Resina (mmolc dm-3)</p><p>.-------------- Dose de K (kg ha-1)* --------------.</p><p>* Para transformar K em K2O, multiplica-se o valor desejado por 1,20.</p><p>Fonte: adaptado de Raij, 1997.</p><p>A dose de K a ser aplicada nas rebrotas pode-se basear na restituição do potássio re-</p><p>movido pela colheita, à semelhança do sugerido para as adubações nitrogenada e fosfatada.</p><p>Esse método foi adotado pelos autores e tem sido recomendado com excelentes resultados</p><p>agronômicos e financeiros. Embora a absorção e a remoção de potássio variem entre os</p><p>cultivares de cana-de-açúcar, pode-se considerar que para cada t de forragem colhida (ma-</p><p>téria natural) há, em média, uma remoção de l,5 kg de potássio. Não há necessidade de se</p><p>parcelar o potássio utilizado nas adubações das rebrotas, devido às possíveis perdas por</p><p>lixiviação (OLIVEIRA et al., 2007). Nos estudos conduzidos pelos autores do capítulo, não</p><p>foram verificadas perdas de K por lixiviação, resultados confirmados por Sampaio e Salcedo</p><p>(1991) que também observaram que as perdas de K, por percolação abaixo de 100 cm de</p><p>profundidade, foram de 9,0 kg ha–1, totalmente compensados pelo aporte de K provindos da</p><p>água da chuva, 18 kg por ha.</p><p>Em relação ao plantio da cana, recomenda-se densidade de gemas oscilando de 12</p><p>a 15 gemas por metro de sulco, gastando-se em média de 12 a 14 t de mudas por hectare.</p><p>Conforme citado anteriormente, as mudas de cana-de-açúcar devem ser de boa qualidade,</p><p>escolhendo-se preferencialmente aquelas provenientes de viveiros, de boa sanidade, de</p><p>primeiro ou, no máximo, segundo corte. É importante também confirmar a sanidade da muda</p><p>quanto às doenças, pragas e mistura de outros cultivares. A disposição das canas dentro do</p><p>sulco deve, preferencialmente, ser orientada no sentido de pé com ponta cruzado com um</p><p>colmo ao lado do outro. Em seguida, picam-se os colmos em toletes de duas ou três gemas,</p><p>os quais são, posteriormente, cobertos com camada de terra variando de 5,0 a 8,0 cm, não</p><p>devendo ser superior a 10 cm de espessura. Normalmente, a prática cultural que sucede ao</p><p>plantio da cana-de-açúcar é a aplicação de herbicidas para o controle de plantas daninhas.</p><p>CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS</p><p>As plantas daninhas competem com a cultura da cana-de-açúcar, durante a fase</p><p>de crescimento, por água, luz, nutrientes, podendo exsudar compostos de ação fitotóxica</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>108</p><p>(alelopatia) e hospedar pragas e doenças (SOUZA, 1985; PROCÓPIO et al., 2003, OLIVEIRA</p><p>et al., 2007). A cana-de-açúcar apresenta metabolismo C4, o que a torna relativamente mais</p><p>competitiva na assimilação do CO2 atmosférico e no uso de nutrientes, porém diversas plantas</p><p>daninhas são da mesma família da cana e, portanto, apresentam o mesmo metabolismo.</p><p>Por ocasião da colheita, a presença de plantas daninhas continua a causar prejuízos, pois,</p><p>quando o corte da cana é realizado manualmente e sem a queima prévia, a presença de</p><p>mato diminui o rendimento do trabalhador e o torna mais vulnerável às picadas de cobras</p><p>e escorpiões. A longevidade do canavial, também, diminui quando não se realiza um con-</p><p>trole eficiente das plantas daninhas. Mantendo-se a cultura livre de matocompetição até o</p><p>fechamento das entrelinhas, o sombreamento do solo assegura, na maioria das vezes, uma</p><p>colheita da cana sem a presença de plantas daninhas.</p><p>Há várias formas de se controlar as plantas daninhas, entretanto, as associações mais</p><p>comuns são de métodos culturais, com os mecânicos e os químicos (PROCÓPIO et al.,</p><p>2003, OLIVEIRA et al., 2007). Os métodos culturais são práticas que visam tornar a cultura</p><p>da cana mais competitiva em relação às plantas daninhas e englobam a redução de espa-</p><p>çamentos de plantio; cultivos intercalares ou rotação de cultura com soja, amendoim, milho</p><p>e adubos verdes; e, o uso de variedades de alto perfilhamento que sombreiam o solo mais</p><p>rapidamente (PROCÓPIO et al., 2003; OLIVEIRA et al., 2007). Em pesquisas conduzidas</p><p>pelos autores deste capítulo, em áreas densamente infestadas com capim marmelada,</p><p>a semeadura de crotalária juncea por ocasião da reforma do canavial teve grande efeito</p><p>supressor, devido ao sombreamento causado no capim, reduzindo o número de sementes</p><p>produzidas pela gramínea.</p><p>O método químico tem sido o mais utilizado pelos pequenos produtores (Figura 6),</p><p>havendo no mercado herbicidas que são utilizados na pré-emergência do mato ou na pós-</p><p>-emergência, com as plantas daninhas em estágios iniciais ou muito desenvolvidas.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>108 109</p><p>Figura 6. O uso de herbicidas que mantém a cultura livre de matocompetição até o fechamento das entrelinhas, o que</p><p>assegura, na maioria das vezes, uma colheita da cana-de-açúcar sem a presença de plantas daninhas.</p><p>No controle mecânico utilizam-se arados e grades por ocasião da reforma do canavial</p><p>e este método é de grande eficiência, dependendo da umidade do solo, da radiação solar e</p><p>das espécies predominantes na área. Para o controle de mato na entrelinha da cana podem</p><p>ser usados cultivadores à tração animal. A capina manual, outrora utilizada como principal</p><p>método de controle, hoje se restringiu a catação e pequenas áreas. O cultivo mecânico</p><p>apresenta limitações especialmente por não controlar o mato da linha da cana e, mesmo</p><p>para o mato da entrelinha, sua eficiência pode ser grandemente diminuída, dependendo das</p><p>condições climáticas e das plantas infestantes, como algumas do gênero brachiaria, que se</p><p>multiplicam de forma vegetativa.</p><p>A seguir são descritas considerações sobre alguns herbicidas utilizados na cultura da</p><p>cana-de-açúcar e, na Tabela 14, consta o nome comercial de alguns desses herbicidas.</p><p>Ametryne: Recomendado para a fase pré ou pós-emergência inicial em aplicação iso-</p><p>lada ou em misturas com outros herbicidas (diuron, 2,4-D, tebuthiuron, clomazone, MSMA</p><p>e outros). Esse herbicida causa pequena toxicidade à cultura da cana-de-açúcar. O período</p><p>efetivo de controle ou efeito residual é cerca de 70 a 100 dias. É eficaz no controle de capim</p><p>colchão (Digitaria horizontalis), capim marmelada (Brachiaria plantaginea), capim pé de</p><p>galinha (Eleusine indica), beldroega (Portulaca oleracea), caruru (Amaranthus spp), picão</p><p>preto (Bidens pilosa) e carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). As dosagens</p><p>têm variado de 3,0 a 5,0 litros por hectare. As doses menores são para solos mais leves</p><p>ou aplicação em solo úmido, indicando-se as doses maiores para solos pesados ou aplica-</p><p>ção em solos secos.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>110</p><p>Tabela 14. Principais herbicidas utilizados na cultura da cana-de-açúcar e épocas de aplicação em relação à emergência</p><p>das plantas daninhas.</p><p>Mecanismo de ação Época de aplicação Herbicida (Marca comercial)</p><p>Oxyfluorfen Pré ou pós-emergência Goal</p><p>Sulfentrazona Pré-emergência Boral e Solara</p><p>Ametrina Pré ou pós-emergência Ametrina, Gesapax, Herbipax e Metrimex</p><p>Atrazina Pré ou pós-emergência Atrazinax, Gesaprim, Atrazina Nortox</p><p>Atrazina + Simazina Pré ou pós-emergência Extrazin, Triamex, Primatop e Herbimix</p><p>Diuron Pré ou pós-emergência Karmex, Diuron Nortox</p><p>Ametrina + Diuron Pré ou pós-emergência Ametron</p><p>Hexazinone + Diuron Pré ou pós-emergência Velpar K e Advance</p><p>Metribuzin Pré ou pós-emergência Sencor</p><p>Simazina Pré-emergência Gesatop</p><p>Tebuthiuron Pré-emergência Combine, Tebuthiuron</p><p>Alachor Pré-emergência Laço</p><p>Pendimethalin Pré-emergência Herbadox</p><p>Trifluralin Pré-emergência Trifluralina Nortox, Treflan e Premerlin</p><p>MSMA Pós- emergência Daconate, Dessecan</p><p>Flazasulfuron Pré ou pós-emergência Katana</p><p>Glifosato Pós- emergência Glifosato, Roundup, Trop</p><p>Halosulfurona Pós- emergência Sempra</p><p>Imazapic Pré ou pós-emergência Plateau</p><p>Imazapyr Pré ou pós-emergência Arsenal, Contain e Chopper</p><p>Trifloxysulfuron +ametrina Pós- emergência Krismar</p><p>Clomazone Pré-emergência Gamit</p><p>Isoxaflutole Pré-emergência Provence</p><p>Clomazone + Ametrina Pré-emergência Sinerge, Ranger</p><p>2,4 D Pré ou pós-emergência DMA</p><p>Dicamba Pré ou pós-emergência Banvel 480</p><p>Picloran + 2,4 D Pré ou pós-emergência Dontor</p><p>Destruidores de membrana</p><p>Inibidores de mitose e crescimento inicial</p><p>Inibidores da respiração</p><p>Inibidores da síntese de aminoácidos</p><p>Inibidores da síntese de pigmentos</p><p>Reguladores de crescimento</p><p>Inibidores de fotossíntese</p><p>2,4-D: Recomendado para aplicação em pós-emergência, misturado ou não com outros</p><p>herbicidas (Diuron, MSMA, tebuthiuron, ametryne e outros). O período efetivo de controle é</p><p>cerca de 25 a 40 dias. É eficaz somente no controle de dicotiledôneas. As dosagens variam</p><p>de 0,8 a 1,5 litro por hectare.</p><p>Diuron: Recomendado em pré ou em pós-emergência inicial do mato em aplicação</p><p>isolada ou em misturas com outros herbicidas (2,4-D, tebuthiuron, MSMA e outros). Apresenta</p><p>efeito residual de 150 a 180 dias. É eficaz no controle de capim colchão (Digitaria horizon-</p><p>talis), capim marmelada (Brachiaria plantaginea), capim pé de galinha (Eleusine indica),</p><p>beldroega (Portulaca oleracea), caruru (Amaranthus spp), picão preto (Bidens pilosa) e</p><p>carrapicho-de-carneiro (Acanthospermum hispidum). As dosagens têm variado de 1,8 L/ha</p><p>(Diuron 500) a 3,2 L/ha (Karmex GRDA).</p><p>Em condições de muita umidade. Tem amplo espectro de controle e efeito residual de</p><p>90 a 120 dias. Para o Advance e o Velpar K as doses têm variado de 2,2 a 2,8 e, 1,5 a 2,7</p><p>kg/ha, respectivamente.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>110 111</p><p>MSMA: Recomendado em pós-emergência tardia do mato em jato dirigido. Causa</p><p>elevada toxicidade à cultura da cana-de-açúcar. Tem sido muito utilizado em misturas com</p><p>outros herbicidas (diuron, 2,4-D, tebuthiuron, ametryne, Velpar K e outros). É eficaz no con-</p><p>trole de diversas gramíneas anuais e perenes, bem como da tiririca quando esta apresenta</p><p>cerca de 4 a 8 folhas. Para o MSMA 790, recomendam-se doses variando de 0,5 a 0,87 L/ha.</p><p>Tebuthiuron. Recomendado em pré-emergência, inclusive para aplicação em solo</p><p>seco. Em pós-emergência não há eficiência do produto. Sua persistência no solo é grande,</p><p>com efeito residual entre 12 a 15 meses. Não deve ser utilizado nas áreas que se pretende</p><p>reformar o canavial e realizar rotação de cultura com soja, amendoim e feijão. Apresenta</p><p>elevado espectro de controle, sendo eficiente para controle de diversas dicotiledôneas e</p><p>gramíneas, exceto o capim-colchão (Digitaria horizontalis).</p><p>Diuron + Hexazinone: São comercializados com os nomes de Advance e Velpar K. O</p><p>Advance é mais usado em cana-planta e o Velpar K nas rebrotas, sendo aplicados em pré</p><p>ou em pós-emergência inicial, em solo com umidade. Esses herbicidas causar toxicidade à</p><p>cultura, especialmente em solos arenosos.</p><p>ADUBAÇÃO DAS REBROTAS COM DEJETO DE BOVINOS OU CAMA</p><p>DE AVIÁRIO</p><p>Os dejetos de bovino e a cama de aviário são os resíduos orgânicos mais utilizadas na</p><p>adubação da cana-de-açúcar, nas pequenas propriedades rurais. A utilização desses adubos</p><p>orgânicos é uma forma de diminuir os custos de produção, reciclar nutrientes e melhorar as</p><p>propriedades físicas, químicas e biológicas do solo. A eficiência dos dejetos de bovino e a</p><p>cama de aviário na nutrição mineral da cana-de-açúcar depende da composição química</p><p>do dejeto, da quantidade aplicada e de fatores ambientais, especialmente da temperatura e</p><p>da umidade. A análise química dos dejetos de bovinos permite calcular a quantidade des-</p><p>ses resíduos que devem ser aplicados no solo, visando repor os nutrientes removidos pela</p><p>colheita da cana-de-açúcar.</p><p>Na Tabela 15, são mostrados os resultados das análises químicas de dejetos de vacas</p><p>leiteiras, de pequenas propriedades da zona da Mata Mineira, alimentadas com diferentes</p><p>volumosos e quantidades de ração concentrada. Considerando apenas a remoção do nitro-</p><p>gênio, fósforo e potássio pela colheita de 150 toneladas de forragem (colmos + ponteiros</p><p>+ folhas) há remoção de nutrientes da ordem de 150, 45 e 225 kg de N, P e K, respectiva-</p><p>mente. A relação K/N da forragem é de 1,5, bem superior à dos dejetos de bovinos. Dessa</p><p>forma, se o canavial estiver sendo adubado com dejetos de bovinos há necessidade de</p><p>complementar a adubação com potássio, visando repor os nutrientes removidos com a</p><p>colheita da cana-de-açúcar.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>112</p><p>Tabela 15. Porcentagem de matéria seca no dejeto de vacas leiteiras (% de MS no dejeto) e de nitrogênio (N), fósforo</p><p>(P), potássio (K), cálcio (Ca), magnésio (Mg) e enxofre (S) na matéria seca de dejetos de vacas leiteiras, alimentadas com</p><p>diferentes volumosos e quantidades de ração concentrada.</p><p>N P K Ca Mg S</p><p>Volumoso Ração Concentrada</p><p>(kg/vaca/dia)</p><p>Pastagem 9 14,1 19,4 14,4 12,0 13,9 7,1 3,5 0,62</p><p>Silagem de milho 8 13,9 23,6 10,0 10,4 10,5 5,1 3,1 0,44</p><p>Silagem de milho 10 11,7 21,1 10,9 11,2 11,6 4,5 3,4 0,53</p><p>Silagem de milho 12 12,9 24,1 11,2 11,7 12,3 4,6 3,6 0,48</p><p>13,1 22,0 11,6 11,3 12,0 5,3 13,6 0,52</p><p>Alimentação % de MS no</p><p>dejeto</p><p>Relação</p><p>K/N.-------- g kg-1de matéria seca de dejetos --------.</p><p>Média</p><p>Em um estudo conduzido por Oliveira (OLIVEIRA, M.W., dados não publicados) em</p><p>pequena propriedade rural, no município de Mercês, Estado de Minas Gerais, avaliou-se o</p><p>uso de dejetos de vacas leiteiras na adubação da cana-de-açúcar, comparativamente à adu-</p><p>bação química. O solo, de textura média, recebeu aplicação de 6,0 t de calcário dolomítico</p><p>e 3,0 t de gesso, baseando-se na análise de solo e seguindo-se recomendação de Oliveira</p><p>et al. (2007) e Raij (2011a). Por ocasião do plantio da cana-de-açúcar, todas as parcelas</p><p>receberam aplicação de 100 kg de P e 250 kg de K por hectare, devido aos baixos teores</p><p>de fósforo e de potássio desse solo. O estudo iniciou-se após a colheita da cana-planta,</p><p>sendo constituído de duas fontes de nutrientes: 1) Dejetos de vacas leiteiras e, 2) Adubação</p><p>química com ureia e cloreto de potássio. O delineamento experimental utilizado foi o de</p><p>blocos ao acaso, com sete repetições. Foram avaliados nos ciclos de primeira e segunda</p><p>rebrotas, o estado nutricional, a produção e a qualidade da forragem e a produção de colmos</p><p>industrializáveis da variedade de cana-de-açúcar RB867515.</p><p>Tanto na adubação da cana de primeira rebrota quanto na de segunda rebrota foram</p><p>aplicadas as mesmas quantidades de nutrientes: 220 kg de nitrogênio e 250 kg de potássio</p><p>ha–1, independentemente de a adubação ser química ou orgânica. Na adubação química</p><p>foram utilizados ureia e cloreto de potássio, enquanto na adubação orgânica houve neces-</p><p>sidade de complementação com cloreto de potássio devido a relação N: K no dejeto ser</p><p>de 1,78: 1,0, quando a desejada é de 1,0:1,0 a 1,0:1,2 (OLIVEIRA et al., 2007). Em média,</p><p>cerca de 50% do potássio usada na adubação orgânica foi proveniente do fertilizante quími-</p><p>co. A quantidade de dejetos de vacas leiteiras aplicada oscilou em torno de 12 t de matéria</p><p>seca por hectare por ano.</p><p>Em relação ao estado nutricional das plantas, constatou-se que não houve efeito de</p><p>ciclo ou do tipo de adubação sobre os teores de macro e micronutrientes no terço do limbo</p><p>da folha +3. Por esse motivo, na Figura 7, estão apresentados os valores médios, dos dois</p><p>ciclos e dos dois tipos de adubação. Verificou-se que as plantas estavam bem nutridas, com</p><p>base nas faixas de concentração de nutrientes citadas Oliveira et al. (2007) e Raij (2011).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>112 113</p><p>Figura 7. Valores médios dos teores de macro e micronutrientes na folha +3 da cana-de-açúcar variedade RB867515,</p><p>comparativamente aos valores mínimos e máximos citados por autores brasileiros.</p><p>0</p><p>5</p><p>10</p><p>15</p><p>20</p><p>25</p><p>P Mg S Ca K N</p><p>Te</p><p>or</p><p>d</p><p>e</p><p>nu</p><p>tr</p><p>ie</p><p>nt</p><p>es</p><p>n</p><p>a</p><p>fo</p><p>lh</p><p>a</p><p>+3</p><p>(g</p><p>k</p><p>g-1</p><p>)</p><p>Teor Mínimo</p><p>Adubação química</p><p>Dejeto de vacas leiteiras</p><p>Teor Máximo</p><p>0</p><p>50</p><p>100</p><p>150</p><p>200</p><p>250</p><p>B Cu Fe Mn Zn</p><p>Te</p><p>or</p><p>d</p><p>e</p><p>nu</p><p>tr</p><p>ie</p><p>nt</p><p>es</p><p>n</p><p>a</p><p>fo</p><p>lh</p><p>a</p><p>+3</p><p>(</p><p>m</p><p>g</p><p>kg</p><p>-1</p><p>)</p><p>Teor Mínimo</p><p>Adubação química</p><p>Dejeto de vacas leiteiras</p><p>Teor Máximo</p><p>O acúmulo médio de matéria natural na biomassa aérea da cana-de-açúcar foi de 134 t</p><p>por hectare no ciclo de primeira rebrota e de 126 t no ciclo de segunda rebrota, não havendo</p><p>efeito significativo de ciclo. O percentual de colmos na matéria natural da biomassa aérea</p><p>foi cerca de 85% e o percentual de matéria seca na biomassa aérea oscilou em torno de</p><p>30%, porém, estes percentuais não foram influenciados por tipo de adubação e, ou ciclo da</p><p>cana-de-açúcar. Os ciclos e os tipos de adubação também não tiveram efeito na qualidade</p><p>bromatológica da forragem. Na biomassa seca da parte aérea, o teor médio de proteína foi</p><p>de 29,4 g por kg de matéria seca, enquanto que para a fibra insolúvel em detergente neutro</p><p>(FDN), fibra insolúvel em detergente ácido (FDA) e lignina obtiveram-se médias de 466,</p><p>246 e 41 g por kg de matéria seca. Embora tenha sido avaliado apenas dois ciclos, pelos</p><p>resultados obtidos nesse estudo, pode-se concluir que a adubação com dejetos de vacas</p><p>leiteiras teve o mesmo efeito da adubação química no estado nutricional das plantas, na</p><p>produção e na qualidade da forragem da cana-de-açúcar.</p><p>A cama de aviário é mais uma alternativa de adubação orgânica para a cana-de-açúcar.</p><p>Nos últimos anos, esse resíduo teve demanda e preço diminuídos pela proibição do seu uso</p><p>na alimentação de bovinos. A concentração de nutrientes na cama de aviário é influenciada</p><p>pelo material usado para cobrir o piso do aviário de frangos de corte e, a grande maioria</p><p>dos avicultores da região da zona da Mata Mineira opta pelo uso de casca de arroz, casca</p><p>de café, capim napier, maravalha e sabugo de milho. Na Tabela 16, são apresentados os</p><p>teores de nutrientes de cinco camas de aviário, coletadas na região, depois de utilizadas</p><p>em um lote de frango de corte (48 dias em média), na densidade de 15 aves/m2. Assim, a</p><p>cama de aviário pode ser um adubo orgânico alternativo à fertilização química, devendo-se,</p><p>à semelhança dos dejetos bovinos, complementar a adubação com potássio, visto que na</p><p>cama de aviário a relação média do K/N é de 0,80.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>114</p><p>Tabela 16. Nutrientes na matéria seca (g kg–1 de MS) de cinco camas de aviário, nas quais foram utilizados diferentes</p><p>materiais para cobrir o piso do aviário de frangos de corte.</p><p>Cama de aviário N P K Ca Mg S</p><p>Casca de arroz 34,7 a 15,9 b 26,8 b 25,7 a 6,2 a 16 ab</p><p>Casca de café 32,8 a 14,4 b 28,9 ab 25,0 a 5,5 b 15 b</p><p>Capim napier 34,8 a 15,1 b 23,3 c 25,5 a 6,0 a 15 b</p><p>Maravalha 30,9 a 13,7 b 24,4 c 25,8 a 5,7 b 14 b</p><p>Sabugo 34,2 a 18,6 a 29,7 a 28,3 a 6,7 a 18 a</p><p>Média 33,5 15,5 26,6 26,1 6,0 15,0</p><p>CV (%) 10,60 12,20 10,00 6,60 8,20 10,10</p><p>.-------------------- g kg-1 de MS -----------------------.</p><p>Médias seguidas de mesma letra na coluna não diferem estatisticamente entre si pelo teste de</p><p>Tukey a 5%.</p><p>Fonte: SOUZA et al. (2012).</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A cana-de-açúcar é uma cultura de alto potencial produtivo que responde muito bem</p><p>à melhoria das propriedades físico-químicas e biológicas do solo. Devido a esse alto po-</p><p>tencial produtivo, há grande remoção de nutrientes por ocasião da colheita e, devem ser</p><p>implementadas ações para assegurar a restituição deste elemento ao solo, com o objetivo</p><p>de manter ou elevar a fertilidade do terreno. As tecnologias recomendadas pelos autores</p><p>aos pequenos produtores rurais para a implantação e condução de canaviais têm resultado</p><p>em alta produtividade no ciclo de cana-planta e pequenos decréscimos nos cortes subse-</p><p>quentes. Além disso, as técnicas propostas maximizaram o uso dos insumos, da terra e de</p><p>recursos humanos, com consequentes</p><p>reduções de custos operacionais.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. BONOMO, P. et al. Potencial forrageiro de variedades de cana-de-açúcar para alimentação de</p><p>ruminantes. Acta Scientiarium Animal Sciences, Maringá, v.31, n.1, p.54-59, 2009.</p><p>2. BORGES, A.L.C. et al. O uso da cana-de-açúcar com ureia na alimentação de bovinos. 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Informa-</p><p>ções Agronômicas, n.8, p.12-37, 2020.</p><p>7. ERNANI, P.R.; ALMEIDA, J. A. Comparação de métodos analíticos para avaliar a necessidade</p><p>de calcário dos solos do Estado de Santa Catarina. Revista Brasileira de Ciência do Solo,</p><p>v.10, p.143-150, 1986.</p><p>8. KAMINSKI, J. et al. Estimativa da acidez potencial em solos e sua implicação no cálculo da</p><p>necessidade de calcário. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.26, p.1107-1113, 2002.</p><p>9. MACEDO JÚNIOR, G. L. et al. Qualidade da fibra para a dieta de ruminantes. Ciência Animal,</p><p>17, 7-17. 2007.</p><p>10. MARENCO, R.A., LOPES, N.F. Fisiologia Vegetal: fotossíntese, respiração, relações hí-</p><p>dricas e nutrição mineral de plantas. 3 ed. Viçosa, MG. Ed. UFV, 486 p. 2013.</p><p>11. MARSCHNER, O. Mineral nutrition of higher plants. 2 ed. Ney York: Academic Press, 889</p><p>p. 1995.</p><p>12. MASCARENHAS, H.A.A. et al. Efeito residual de leguminosa sobre rendimento físico e</p><p>econômico da cana-planta. Campinas, Instituto Agronômico, 1994.</p><p>13. MEDEIROS, S. R. et al. Nutrição de bovinos de corte: fundamentos e aplicações. Brasília,</p><p>DF: Embrapa, 2015. 162 p.</p><p>14. MELLO, S. Q. S. et al. Parâmetros do valor nutritivo de nove variedades de cana-de-açúcar</p><p>cultivadas sob irrigação. Ciência Animal Brasileira, Goiânia, v.7, n.4, p.373-380, 2006.</p><p>15. MORELLI, J.L. et al. Calcário e gesso na produtividade da cana-de-açúcar e nas características</p><p>químicas de um Latossolo de textura média álico. Revista Brasileira de Ciência do Solo,</p><p>Viçosa, v.16, n.2, p.187-194, 1992.</p><p>16. NOVAIS, R. F.; SMITH, T. J. Fósforo em solo e plantas em condições tropicais. Viçosa:</p><p>Universidade Federal de Viçosa. 1999. 399 p.</p><p>17. NUSSIO, L.G. et al. Cana-de-açúcar para a produção intensiva de leite a pasto. Cadernos</p><p>Técnicos de Veterinária e Zootecnia. v.57., p. 40-66. 2008.</p><p>18. OLIVEIRA M. W. et al. Adubação verde com crotalária juncea em áreas de implantação ou</p><p>reforma de canaviais, em pequenas propriedades rurais. In: Extensão Rural: práticas e</p><p>pesquisas para o fortalecimento da agricultura familiar. v.2, 2021. Disponível em: https://</p><p>downloads.editoracientifica.org/articles/201102246.pdf.</p><p>19. OLIVEIRA M.W. et al. Nutrição mineral e adubação da cana-de-açúcar. Informe Agropecu-</p><p>ário, n.28, p.30-43. 2007.</p><p>20. OLIVEIRA M.W. et al. Mineral nutrition and fertilization of sugarcane. In: Sugarcane – Tech-</p><p>nology and Research. 1ed. Londres: INTECH - Open Science, 2018a. Disponível em: https://</p><p>www.intechopen.com/books/ sugarcane-technology-and-research/mineral-nutrition-and-fertili-</p><p>zation-of-sugarcane.</p><p>21. OLIVEIRA, M.W. et al. Variabilidade da fertilidade do solo, do estado nutricional da produtivi-</p><p>dade em canavial manejado homogeneamente e visualmente uniforme. In: Agronomia: Elo</p><p>da cadeia produtiva, v.2. p.293-309. 2018b.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>116</p><p>22. OLIVEIRA, M.W. et al. Biomass yield, nutritional status and industrial quality of sugarcane</p><p>as a function of nitrogen and potassium fertilization. Australian Journal of Crop Science,</p><p>v.12, n. 5, p. 834- 840. 2018c. Disponível em: https://search.informit.org/doi/10.3316/ infor-</p><p>mit.733069745781164.</p><p>23. OLIVEIRA, M.W. et al. Doses de corretivos e alterações químicas em dois solos. I Congresso</p><p>Brasileiro de Mamona. Campina Grande, Paraíba. 2004. CD Room.</p><p>24. OLIVEIRA, M.W. et al. Sugarcane Production Systems in Small Rural Properties. In: Multi-</p><p>functionality and Impacts of Organic and Conventional Agriculture. 1ed. Londres: INTECH</p><p>- OpenScience, 2019. Disponível em: https://www.intechopen.com/books/ multifunctionality-</p><p>-and-impacts-of-organic-and-conventional-agriculture/sugarcane-production-systems-in-small-</p><p>-rural-properties.</p><p>25. PROCÓPIO, S. O. et al. Manejo de plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar. Viçosa:</p><p>Suprema, 2003. 150 p.</p><p>26. RAIJ, B. Fertilidade do Solo e Manejo de Nutrientes. 1. ed. Piracicaba - SP: IPNI - Interna-</p><p>tional Plant Nutrition Institute, 2011a. 420 p.</p><p>27. RAIJ, B.V. Melhorando o ambiente radicular em subsuperfície. Informações Agronômicas,</p><p>n. 153, POTAFOS, Piracicaba. p.8-18, 2011b.</p><p>28. RAIJ, B.V. Nova tabela de adubação e calagem para a cana-de-açúcar. In: SEMANA DA CA-</p><p>NA-DE-AÇÚCAR DE PIRACICABA, 2., Piracicaba, 1997. Anais... Piracicaba, ESALQ/IAC,.</p><p>p.40-42. 1997.</p><p>29. RAIJ, B.V. Gesso na agricultura. Campinas: Instituto Agronômico/ Fundação IAC, 2008. 233p.</p><p>30. RODRIGUES, A.A. et al. Qualidade de dezoito variedades de cana-de-açúcar como alimento</p><p>para bovinos. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA, 38, 2001,</p><p>Piracicaba. Anais... São Paulo: Sociedade Brasileira Zootecnia.</p><p>31. RUFTY, T. W. et al. Phosphorus Stress Effects on Assimilation of Nitrate. Plant Physiol.,</p><p>1990, 94: 328-333.</p><p>32. SALAS, M. et al. Effect of variety, stage of maturity and nitrate fertilization on nutritive values of</p><p>sugar canes. Animal feed Science and Technology, v.39, n.3-4, p. 265-277. 1992. Disponível</p><p>em: https://doi.org/10.1016/0377-8401(92)90046-9.</p><p>33. SALCEDO I. H. et al. Mineralização do carbono e do nitrogênio em solo cultivado com cana-</p><p>-de-açúcar. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.9, p,33-38, 1985.</p><p>34. SAMPAIO, E.V.S.; SALCEDO, I. H. Dinâmica de nutrientes em cana-de-açúcar. V. Balanço</p><p>de K em quatro ciclos de cultivo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.26, n.9, p.1323-</p><p>1335, 1991.</p><p>35. SILVA, E.A. et al. Utilização da cana-de-açúcar na alimentação de ruminantes. Informe</p><p>Agropecuário, v.28, n.239, p.101-119, 2007.</p><p>36. SOUZA, C.R. et al. Phosphorus transformation in poultry litter and litter-treated oxisol of Brazil</p><p>assessed by 31P-NMR and wet chemical fractionation. Revista Brasileira de Ciência do Solo,</p><p>v.36, p.1516-1527, 2012.</p><p>https://www.intechopen.com/books/multifunctionality-and-impacts-of-organic-and-conventional-agriculture</p><p>https://www.intechopen.com/books/multifunctionality-and-impacts-of-organic-and-conventional-agriculture</p><p>https://doi.org/10.1016/0377-8401(92)90046-9</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>116 117</p><p>37. SOUZA, I.F. Mecanismos de ação de herbicidas. In: Informe Agropecuário, n. 129, 1985.</p><p>Belo Horizonte. p.28-31.</p><p>38. THIAGO, R.D.R.T. Avaliação nutricional da cana-de-açúcar submetida a métodos de</p><p>colheita para a produção animal. Dissertação – ESALQ /USP. 2009. 100p.</p><p>39. VALADARES FILHO, S.C. et al. Otimização de dietas à base de cana-de-açúcar. In: Simpósio</p><p>de Produção de Gado de Corte, 6, Viçosa: Universidade Federal de Viçosa, p.121-182. 2008.</p><p>40. VAN SOEST, P. J. Nutritional ecology of the ruminant. 2. Ed. Ithaca, Cornell University</p><p>Press, 1994.</p><p>41. VITTI, G.C.; MAZZA, J.A. Planejamento, estratégias de manejo e nutrição da cultura de cana-</p><p>-de-açúcar. Informações Agronômicas, n. 97. Piracicaba: POTAFOS, 2002. 16p.</p><p>07</p><p>Qualidade das farinhas de origem</p><p>animal utilizadas em rações avícolas:</p><p>um referencial teórico</p><p>Cleriston Andrade Machado</p><p>Felipe Dilelis</p><p>UFRRJ</p><p>Cristina</p><p>Amorim Ribeiro de Lima</p><p>UFRRJ</p><p>10.37885/210504811</p><p>https://dx.doi.org/10.37885/210504811</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>119</p><p>Palavras-chave: Avicultura, Ingredientes, Qualidade, Rações, Subprodutos.</p><p>RESUMO</p><p>A avicultura no Brasil é uma atividade de grande importância econômica na agropecuária</p><p>devido ao seu rápido desenvolvimento tecnológico e às diversas pesquisas e investimen-</p><p>tos que tem envolvido a produção animal ao longo dos anos. Os principais ingredientes</p><p>utilizados em dietas avícolas são de fonte vegetal, entretanto, não seria viável aumentar</p><p>o volume de produção agrícola em função da criação das aves, principalmente pelo</p><p>crescimento acelerado da avicultura. Desta forma, outras fontes alimentícias, como as</p><p>de origem animal, passaram a ser pesquisadas e exploradas com o intuito de fornecer</p><p>para as aves, uma alimentação de menor custo e com a mesma qualidade. Os resíduos</p><p>gerados por abatedouros, de aves, suínos, ou bovinos, por exemplo, originam uma grande</p><p>quantidade de coprodutos e estes podem ser transformados em farinhas e incorporados</p><p>nas dietas, para melhor aproveitamento. Assim, torna-se possível reduzir os custos das</p><p>rações e, simultaneamente minimizar o impacto ambiental causado pela atividade pecuá-</p><p>ria, uma vez que tais resíduos deixam de ser descartados. Por fim, como no Brasil esses</p><p>coprodutos são produzidos em grande escala e por diferentes indústrias, são necessários</p><p>estudos sobre a qualidade microbiológica e a composição bromatológica dessas maté-</p><p>rias-primas, garantindo que estes produtos estarão adequados para utilização nas dietas</p><p>dos animais. Frente ao exposto, o presente trabalho tem por objetivo reunir informações</p><p>científicas para uma abordagem mais detalhada sobre a qualidade dos ingredientes de</p><p>origem animal que são utilizados nas formulações de rações avícolas.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>120</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A proteína é o nutriente mais caro na formulação de rações para aves, assim como o</p><p>fósforo é o terceiro nutriente mais caro para ser suprido. A busca por alimentos alternativos</p><p>ao milho e farelo de soja para reduzir os custos produtivos, especialmente devido à alta e</p><p>escassez das fontes de fósforo não-fítico como também a flutuação de preços do farelo</p><p>de soja, viabilizaram o uso de subprodutos de origem animal na dieta de aves. Soma-se a</p><p>esse fator a alta da produção de produtos cárneos no Brasil, e consequentemente grande</p><p>disponibilidade de subprodutos de origem animal para utilização na formulação de rações.</p><p>Para cada tonelada de carne preparada para consumo humano, cerca de 300 kg são</p><p>descartados como não comestíveis, e deste total, 200 kg são destinados como farinhas de</p><p>origem animal (LESSON & SUMMERS, 1997).</p><p>As farinhas de subprodutos animais podem ser definidas como produtos não comes-</p><p>tíveis, resultantes do processamento de resíduos de animais, que atendam ao padrão de</p><p>qualidade em relação a aspectos higiênico-sanitários e nutricionais.</p><p>Devido as características do material, bem como sua forma de obtenção, existe grande</p><p>variabilidade na composição destes ingredientes, sejam elas físicas, químicas ou microbio-</p><p>lógicas. A variabilidade dificulta a utilização na formulação de rações, levando a utilização</p><p>de alta margem de segurança pelos nutricionistas. Ademais, contaminação microbiológica</p><p>pode causar sérios danos à cadeia produtiva devido à inserção de patógenos na criação.</p><p>O objetivo com este referencial teórico é reunir informações publicadas previamente</p><p>sobre a caracterização dos produtos de origem animal, bem como dados sobre a compo-</p><p>sição química, qualidade nutricional e microbiológica destas matérias-primas usados em</p><p>dietas avícolas.</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>Ingredientes de origem animal utilizados na alimentação de aves</p><p>A principal fonte de nutrientes para alimentação avícola são os ingredientes de origem</p><p>vegetal, entretanto, com a rapidez com que a avicultura se desenvolve, compete com o vo-</p><p>lume de produção agrícola no mundo para a alimentação humana. Logo, faz-se necessário</p><p>explorar e utilizar outros recursos alimentícios que sejam fonte nutricional de qualidade e</p><p>que não sejam utilizados pelo homem em sua alimentação (AHMAD et al., 2017).</p><p>Nas dietas de frangos de corte, cerca de 25% dos custos de produção correspondem</p><p>as fontes proteicas. Sendo assim, fontes alternativas, como as farinhas de origem animal,</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>120 121</p><p>têm sido utilizadas com objetivo de reduzir os custos de produção, porém sem interferir no</p><p>desempenho produtivo dos animais (OLIVEIRA, 2018).</p><p>Entende-se por farinha de origem animal os resíduos de abatedouros não destinados ao</p><p>consumo humano, resultantes de um processamento que atenda a um padrão de identidade</p><p>e qualidade preestabelecido, nos aspectos higiênico sanitários, tecnológicos e nutricionais,</p><p>podendo ser utilizadas na alimentação de animais não ruminantes (BRASIL, 2008).</p><p>Uma alternativa para reduzir os custos de produção é o uso dos subprodutos oriundos</p><p>dos abatedouros, tais como a farinha de carne e ossos e a farinha de víscera de aves, tendo</p><p>em vista que esses produtos são fonte de proteína e de fósforo e desta forma, podem subs-</p><p>tituir parcialmente ou totalmente alguns dos ingredientes de alto custo, como por exemplo, o</p><p>farelo de soja e o fosfato bicálcico (SCHEUERMANN et al., 2007). Além de que, a utilização</p><p>desses resíduos contribui para redução do impacto que seria causado no meio ambiente,</p><p>já que este tipo de matéria, quando descartado na natureza, atrai insetos e pode ser fonte</p><p>de nutriente para microrganismos, que consequentemente contaminam fontes de água por</p><p>lixiviação e polui o ar, devido a emissão de gases nocivos (FAO, 2011).</p><p>Para caracterizar os alimentos de origem animal, primeiramente deve ser realizada a</p><p>obtenção e padronização dos mesmos. De acordo com Compêndio Brasileiro de Nutrição</p><p>Animal (2013), as farinhas de origem animal, que por sua vez podem ser utilizadas na ali-</p><p>mentação de aves, são definidas da seguinte forma:</p><p>Farinha de penas hidrolisadas (FPH): é o produto resultante da cocção, sob pressão, de</p><p>penas limpas e não decompostas, obtidas no abate de aves, sendo permitida a participação</p><p>de sangue desde que a sua inclusão não altere significativamente a composição da FPH.</p><p>Farinha de vísceras (FV): é o produto resultante da cocção, prensagem e moagem de</p><p>vísceras de aves, sendo permitida a inclusão de cabeças e pés. Não deve conter penas,</p><p>exceto aquelas que podem ocorrer não intencionalmente, e nem resíduos de incubatórios</p><p>e de outras matérias estranhas à sua composição. Não deve apresentar contaminação</p><p>com casca de ovo.</p><p>Farinha de penas e vísceras (FPV): é o produto resultante das penas limpas e não de-</p><p>compostas, hidrolisadas sob pressão e misturadas com resíduos do abate (vísceras, pescoço</p><p>e pés de aves abatidas) cozidos, prensados para extração do óleo e moído. É permitida a</p><p>participação de carcaças e sangue desde que a sua inclusão não altere significativamente</p><p>a composição estipulada.</p><p>Farinha de resíduo de incubatório (FRI): é o produto resultante da cocção, secagem</p><p>e moagem da mistura de cascas de ovos, ovos inférteis e não eclodidos, pintos não viáveis</p><p>e os descartados, removida ou não a gordura por prensagem.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>122</p><p>Farinha de carne e ossos bovina (FCOB): é produzida em graxarias por coleta de resí-</p><p>duos ou em frigoríficos a partir de ossos e tecidos, após a desossa completa da carcaça de</p><p>bovinos, moídos, cozidos, prensados para extração de gordura e novamente moídos. Não</p><p>deve conter sangue, cascos, chifres, pêlos, conteúdo estomacal a não ser os obtidos invo-</p><p>luntariamente dentro dos princípios de boas práticas de fabricação (BPF). Não deve conter</p><p>matérias estranhas. Deve ter no mínimo 4 % de fósforo (P) e o cálcio não deve exceder a</p><p>2,2 vezes o nível de P e a proteína deve ter solubilidade em pepsina superior a 86%.</p><p>Farinha de carne e ossos suína (FCOS): é produzida em graxarias por coleta de resí-</p><p>duos ou em frigoríficos a partir de ossos e tecidos,</p><p>após a desossa completa da carcaça de</p><p>suínos, moídos, cozidos, prensados para extração de gordura e novamente moídos. Não deve</p><p>conter sangue, unhas, pêlos, conteúdo estomacal a não ser os obtidos involuntariamente</p><p>dentro dos princípios de BPF. Não deve conter matérias estranhas. Deve ter no mínimo 4</p><p>% de fósforo (P) e o cálcio não deve exceder a 2,2 vezes o nível de P.</p><p>Farinha de carne bovina, suína ou mista (FC): é o produto oriundo do processamento</p><p>industrial de tecidos de bovinos e/ou suínos, sem ossos. A farinha de carne é obtida se-</p><p>melhantemente a FCOB, FCOS e FCOM, mas o nível de fósforo será não superior a 4% e</p><p>terá 55 % de PB.</p><p>Farinha de ossos calcinada (FOC): é o produto obtido após coleta de ossos e proces-</p><p>sados em graxarias ou em frigoríficos a partir de ossos oriundos da desossa da carcaça de</p><p>qualquer espécie animal, moídos, queimados com ar abundante e novamente moídos. Deve</p><p>conter no mínimo 15% de fósforo.</p><p>Farinha de sangue (FS): é o produto resultante do processo de cozimento e secagem</p><p>do sangue fresco. A farinha de sangue convencional é produzida de sangue fresco, sem</p><p>cerdas, urina e conteúdo digestivo, exceto em quantidades que podem ser admitidas nas</p><p>boas práticas de processamento.</p><p>Farinha integral de peixe (FIP): é o produto obtido de peixes inteiros e/ou cortes de</p><p>peixes de várias espécies, não decomposto, com ou sem extração de óleo, tendo sido seco</p><p>e moído. Não deve conter mais do que 10% de umidade e o teor de Cloreto de Sódio (NaCl)</p><p>deve ser indicado.</p><p>Farinha residual de peixe (FP): é o produto obtido de cortes e/ou partes de peixes de</p><p>várias espécies (cabeças, rabo, pele, escamas, vísceras e barbatanas) não decomposto,</p><p>com ou sem extração de óleo, tendo sido seco e moído. Não deve conter mais do que 10%</p><p>de umidade e o teor de NaCl deve ser indicado.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>122 123</p><p>Dados de produção de farinhas de origem animal e seu uso em dietas avícolas</p><p>De acordo com o boletim SINDIRAÇÕES (2020), em 2019 a produção de rações aví-</p><p>colas foi destaque no país com um aumento expressivo de sua produção, sendo a avicultura</p><p>responsável por produzir 51,22% do total de todos os segmentos do setor agropecuário.</p><p>Atualmente, o Brasil é um dos principais países produtores de proteína animal do mun-</p><p>do, destacando as produções de carnes bovina, suína e de aves. Além disto, vale destacar</p><p>que o processo de produção é feito de forma a contribuir para o desenvolvimento sustentá-</p><p>vel das cadeia produtivas, visto que o aproveitamento dos resíduos de abate dos animais,</p><p>tais como, ossos, vísceras, sangue, penas, escamas, aparas de carne e gordura e outras</p><p>partes do animal não utilizadas para o consumo humano que causariam impacto ambiental,</p><p>sanitário e econômico, são processadas e transformadas, podendo ser aproveitadas como</p><p>coprodutos por outras indústrias, principalmente a de produção animal, que é responsável</p><p>pelo consumo de aproximadamente 56% do produto deste mercado (Figura 1) (ABRA, 2019).</p><p>Figura 1. Mercado consumidor de coprodutos de origem animal.</p><p>Fonte: ABRA (2019).</p><p>Dentre os coprodutos gerados pela indústria, tem-se as farinhas, que são utiliza-</p><p>das em sua maior parte na formulação de rações como matérias-primas de grande qua-</p><p>lidade (Figura 2).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>124</p><p>Figura 2. Mercado consumidor de farinhas de origem animal.</p><p>Fonte: ABRA (2019).</p><p>Processo produtivo das farinhas de origem animal</p><p>O processamento das farinhas de origem animal pode ser por dois sistemas básicos,</p><p>pelos de frigoríficos com produção própria ou por um sistema de coleta de resíduos por pro-</p><p>cessadores independentes. O processo básico de produção, descrito por Bellaver (2005),</p><p>consiste em retirar os excessos de água dos resíduos não comestíveis do abate, picar e/</p><p>ou triturar, levá-los aos digestores para cocção com ou sem pressão, retirar a gordura do</p><p>produto por prensagem ou drenagem e moer o resíduo sólido na forma de farinha com es-</p><p>pecificações de granulometria variáveis.</p><p>A partir de 2008, a cocção com pressão tornou-se obrigatória para todos os tipos de</p><p>farinhas, pois foi proibido o uso de resíduos destinados à alimentação animal sem passarem</p><p>pelo tratamento térmico, com a função principal de eliminar microrganismos patogênicos</p><p>ou não. O aquecimento para farinhas segue o estabelecido pela Instrução Normativa (IN)</p><p>34, na qual a temperatura não pode ser inferior a 133ºC, durante pelo menos 20 minutos,</p><p>sem interrupção, a uma pressão absoluta não inferior a 3 bar, produzida por vapor saturado</p><p>(BRASIL, 2008). Além disso, a norma oficial estabelece que as matérias primas devam ser</p><p>processadas dentro de 24 horas após o abate dos animais, seja nos frigoríficos com fabri-</p><p>cação própria ou nos processadores independentes.</p><p>O processo geral de produção de farinhas animais pode ser visualizado conforme o</p><p>esquema mostrado nas Figuras 3, 4 e 5.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>124 125</p><p>Figura 3. Fluxograma geral do processamento de resíduos de abatedouros ou de resíduos coletados para a fabricação</p><p>de farinhas de carne e ossos e sebo.</p><p>Fonte: BELLAVER (2002)</p><p>Figura 4. Fluxograma geral do processamento de resíduos de abatedouros avícolas para fabricação de farinhas de vísceras,</p><p>de penas ou de sangue.</p><p>Fonte: BELLAVER, 2001</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>126</p><p>Figura 5. Fluxograma geral do processamento de resíduos de abatedouros piscícola para fabricação de farinha de peixe</p><p>e óleo de peixe.</p><p>Fonte: HIGUCHI (2015)</p><p>Ao observar os fluxogramas e entender como funciona o processo de fabricação das</p><p>farinhas de origem animal pode-se perceber como a heterogeneidade dos resíduos, bem</p><p>como as variáveis intrínsecas aos processos aos quais os materiais são submetidos são</p><p>capazes de influenciar o coproduto final.</p><p>Controle de qualidade de farinhas de origem animal</p><p>O controle da qualidade das matérias primas e subprodutos é um dos pontos principais</p><p>para obtenção de farinhas de boa qualidade, já que ingredientes de baixa qualidade conse-</p><p>quentemente irão gerar uma ração de má qualidade (BELLAVER, 2001). Segundo Albino</p><p>e Silva (1996), a variação dos valores de energia das farinhas de origem animal pode ser</p><p>em função das diferentes qualidades da matéria prima, bem como dos métodos utilizado no</p><p>processamento. Para melhorar a qualidade desses ingredientes, faz-se o uso de ferramentas</p><p>de controle e padronização, com destaque para o Programa de Análise de Perigos e Pontos</p><p>Críticos de Controle (APPCC), muito utilizado na indústria de alimentos. Com a utilização do</p><p>APPCC, a empresa elabora relatórios periódicos e permite a constante supervisão de agentes</p><p>fiscalizadores. Além de assegurar ao consumidor a qualidade prometida (BELLAVER, 2001).</p><p>As variações na composição das farinhas de origem animal são muito frequentes</p><p>e podem afetar a qualidade do produto final, seja a ração animal, ou o coproduto em si</p><p>(SCHEUERMANN e ROSA, 2007). Dentre os fatores que influenciam a qualidade das farinhas</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>126 127</p><p>de origem animal, os de maior importância são a umidade, alta temperatura e tempo no</p><p>digestor, moagem, excesso de gordura, contaminações, tempo entre o sacrifício e o proces-</p><p>samento da farinha, proteína bruta, acidez, índice de peróxidos e contaminação microbiana</p><p>(BELLAVER, 2009).</p><p>Para a determinação dos indicativos de qualidade das farinhas de origem animal várias</p><p>análises podem ser realizadas, que podem ser divididas em análises físico-químicas e aná-</p><p>lises microbiológicas. Parâmetros para avaliação da qualidade de alguns desses produtos</p><p>estão descritos na Tabela 1.</p><p>Tabela 1. Parâmetros de avaliação de qualidade de farinhas de origem animal</p><p>Parâmetro Unidade FCO1 FPH² FV² FS²</p><p>Umidade (máx) (%) 8 10 8 10</p><p>Proteína bruta (min) (%) 36-55 80 56 80</p><p>Extrato etéreo (min) (%) 8 2 10 2</p><p>Matéria mineral (max) (%) 28-45 4 13 4,5</p><p>Cálcio (max) (%) 9,5-16 - 5 0,3</p><p>Fósforo (min) (%) 4,5-7,5 - 1,5 0,25</p><p>Dig. em pepsina (min) (%) 70 40 60 70</p><p>Acidez (máx) mgNaOH/g 3 2 6 -</p><p>Índice de peróxido (máx) meq/1000g 5 10</p><p>10 -</p><p>Salmonella Ausente em 25g Ausente Ausente Ausente Ausente</p><p>FCO = farinha de carne e ossos; FPH = farinha de penas hidrolisada; FV = farinha de vísceras; FS = farinha de sangue.</p><p>¹Souza (2005); ²Butolo (2002)</p><p>Análises de qualidade físico-químicas</p><p>A grande variabilidade da composição das farinhas de origem vegetal pode gerar di-</p><p>ficuldades para nutricionistas ao formularem dietas avícolas. Conhecer o valor nutricional</p><p>do ingrediente a ser utilizado é de extrema importância para nutrir adequadamente os ani-</p><p>mais. Os indicativos de qualidade físico-químicos auxiliam na decisão dos valores nutricionais</p><p>a serem utilizados na matriz nutricional destes ingredientes.</p><p>Dentre as análises básicas a serem realizadas podem-se citar a determinação do</p><p>conteúdo em matéria seca, proteína bruta, extrato etéreo, matéria mineral, cálcio, fósforo,</p><p>digestibilidade em pepsina, acidez e índice de peróxido. Essas análises dependem de rotinas</p><p>laboratoriais complexas, onerosas e demoradas. Fábricas de ração têm apostado no uso da</p><p>tecnologia Nirs (Near-Infrared Spectroscopy) para facilitar a caracterização da amostra. Esta</p><p>tecnologia permite estimar alguns destes parâmetros com rapidez e segurança em alguns</p><p>poucos segundos (LIMA, 2016).</p><p>Algumas considerações podem ser feitas em relação às análises físico-químicas e a</p><p>qualidade das farinhas de origem animal (FOA):</p><p>Umidade: FOA que possuam umidade acima de 8% tem grande facilidade em se de-</p><p>compor, em permitir aumento na população microbiana e acidificar. No entanto, umidade</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>128</p><p>muito baixa está, em geral, associada à queima do produto. A queima poderia estar asso-</p><p>ciada ao desgaste do equipamento, excessivo tempo de retenção e/ou mau funcionamento</p><p>de manômetros e termômetros (BUTOLO, 2002). Assim, uma FOA de boa qualidade deve</p><p>conter de X a Y% de umidade.</p><p>Extrato etéreo: a diversidade de tipos de equipamentos para extração de gordura faz</p><p>com que haja variação acentuada no nível de gordura residual na farinha e não é raro o</p><p>uso de produto em discordância com os valores considerados nas formulações o que causa</p><p>desbalanceamento do cálcio e fósforo (BUTOLO, 2002).</p><p>Proteína bruta: o teor de proteína bruta das farinhas que levam ossos é inversamente</p><p>proporcional ao nível de mineral contido no processo. Da mesma forma, a umidade e a gor-</p><p>dura aumentadas, causam redução na proteína (BUTOLO, 2002).</p><p>Matéria mineral, cálcio e fósforo: são indicativos da quantidade proporção carne: os-</p><p>sos presentes na farinha. Impactam no nível de proteína das farinhas, sendo inversamente</p><p>proporcionais. Quando farinhas de carne apresentam relações de Cálcio/Fósforo superior</p><p>a 2,25, normalmente são encontradas por análise de microscopia e spot test, fontes de</p><p>cálcio não pertencentes ao produto (ex.: Calcário), o que traz então preocupações quanto a</p><p>qualidade do produto. Podem estar presentes como simples contaminantes ou como adul-</p><p>terantes (SOUZA, 2005).</p><p>Digestibilidade in vitro da proteína em pepsina: Por meio desta análise procura-se</p><p>estimar a digestibilidade da proteína in vivo. Para a farinha de carne e ossos, apesar de</p><p>muitas recomendações afirmarem ser desejável que a digestibilidade da proteína em pepsina</p><p>a 0,002% seja acima de 30%, 90% das amostras têm apresentado valores acima de 60%,</p><p>e 75% das amostras valores acima de 70%. A presença em excesso de fâneros (cascos e</p><p>chifres) e outros contaminantes ocasionam redução da digestibilidade da proteína em pep-</p><p>sina, reduzindo consequentemente o seu valor nutricional (SOUZA, 2005).</p><p>Acidez: a enzima lipase é produzida por bactérias, assim acidez elevada quase sempre</p><p>está associada à população bacteriana também elevada (BELLAVER, 2001). Pode indicar</p><p>também a ocorrência de hidrólise das gorduras, normalmente por meio de rancidez hidrolíti-</p><p>ca, que gera a presença de ácidos graxos livres. Como esta análise é realizada na amostra</p><p>integral, outros fatores que ocasionem a presença de ácidos podem ser os responsáveis</p><p>pela acidez elevada, como o tratamento do lote com soluções ácidas (SOUZA, 2005).</p><p>Índice de peróxidos: a formação de peróxidos em farinhas de origem animal ocorre</p><p>devido à oxidação das ligações duplas dos ácidos graxos insaturados presentes na gordura</p><p>das farinhas. Este processo tem como resultado a formação de radicais livres, aldeídos e</p><p>cetonas. Valores elevados de índice de peróxido refletem na rancificação e na palatabili-</p><p>dade do produto, que quando incorporados na ração podem ocasionar a destruição das</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>128 129</p><p>vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) (SOUZA, 2005). Fatores como temperatura, presença</p><p>de enzimas, incidência de luz, e íons metálicos podem influenciar na formação de radicais</p><p>livres. Portanto, é importante impedir o início da formação de radicais livres, que poderá</p><p>ser feito pelo manejo adequado de produção e armazenamento das farinhas. Substâncias</p><p>antioxidantes naturais e sintéticas podem ser incorporadas para diminuir a oxidação dos</p><p>ácidos graxos das farinhas (BELLAVER, 2001).</p><p>Análises de qualidade microbiológica</p><p>O controle microbiológico de ingredientes de origem animal destinado à alimentação</p><p>animal é de grande importância, pois a ingestão de matéria-prima contaminada por micror-</p><p>ganismos pode causar sérios danos aos animais que os ingerem (MURRY et al., 2004),</p><p>ou mesmo se tornar um problema de saúde pública humana. A qualidade microbiológica</p><p>destes ingredientes depende basicamente da contaminação da matéria-prima, da conta-</p><p>minação final do produto e das condições de armazenamento. As farinhas de subprodutos</p><p>constituem um ambiente favorável à proliferação de microrganismos, tanto durante a etapa</p><p>de processamento quanto na etapa de armazenamento, portanto, todas as operações de</p><p>processamento, incluindo o acondicionamento, devem ser realizadas sem demoras inúteis</p><p>e em condições que excluam contaminação, deterioração e proliferação de microrganismos</p><p>(CORADI et al., 2013).</p><p>A prática empregada para produtos alimentares na determinação da qualidade higiênica</p><p>dos alimentos é a determinação de organismos indicativos. Em relação aos microrganis-</p><p>mos representativos da qualidade sanitária, o Ministério da Agricultura através da Instrução</p><p>Normativa nº34, de 28 de maio de 2008 (BRASIL, 2008), que regulamenta a Inspeção</p><p>Higiênico Sanitária e Tecnológica do Processamento de Resíduos de Origem Animal, esta-</p><p>belece que devem estar previstas análises periódicas para garantir a ausência de Salmonella</p><p>sp. em 25g do produto acabado. As análises devem ser realizadas em laboratório do próprio</p><p>estabelecimento ou em laboratório terceirizado, desde que tenham um sistema de garantia</p><p>da qualidade e metodologias reconhecidas internacionalmente.</p><p>A salmonela tem seletividade para diferentes espécies animais e apresenta resistência</p><p>à variabilidade das condições ambientais (RAMIREZ et al., 2005). Oliveira e colaboradores</p><p>(2003), ao avaliarem pontos críticos de contaminação por Salmonella sp., no processo de</p><p>produção de farelo de vísceras, observaram que o tratamento térmico utilizado no processa-</p><p>mento industrial é capaz de eliminar as bactérias em farinha de vísceras, mas a contaminação</p><p>pode ocorrer novamente durante as fases de resfriamento e armazenamento.</p><p>Entre as principais doenças causadas pelas salmonelas, pode-se destacar a salmone-</p><p>lose aviária (DAVIES et al., 2004). Elas podem causar pulorose em aves jovens, tifo aviário</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>130</p><p>em aves adultas e paratifo aviário em aves adultas e jovens. O processo de contaminação</p><p>por esta espécie bacteriana na cadeia de produção avícola envolve a transmissão vertical</p><p>(via ovo, que desencadeia no nascimento de pintos infectados), e por transmissão horizon-</p><p>tal, transmitida pelo ambiente ou rações, além da transmissão via animais que possam ser</p><p>reservatórios da bactéria, como os roedores e insetos.</p><p>Análise de Salmonella sp.: Deve ser realizada em 25 g de amostra, na técnica padrão.</p><p>Primeiro a amostra deve ser homogeneizada em 225</p><p>mL de solução peptonada pré-enri-</p><p>quecida e incubada por 24 horas a 37 °C. Após a incubação, 1 mL da solução deve ser</p><p>transferido para tubos contendo 9 mL de meio enriquecido seletivo (caldo selenito cistina e</p><p>caldo tetrationato) e incubado por 24 horas a 37 °C. Após esse período, o material deve ser</p><p>transferido para placas contendo meio Ramback, sendo novamente incubada a 37 °C por 24</p><p>horas. A confirmação de Salmonella sp. é realizada pela presença de colônias vermelhas na</p><p>placa. Há também no mercado ampla variedade de kits de teste rápidos para salmonelose.</p><p>Killner (2008) avaliou o emprego de diferentes kits para determinação de salmonelose, que</p><p>quando comparados à metodologia padrão variaram de 42,3 a 100% de detecção, sendo</p><p>que todos apresentaram resultados falso-positivos e falso-negativos. Os métodos rápidos</p><p>(kits) foram indicados pelo autor para uso apenas como triagem.</p><p>Ademais, as salmonelas não são os únicos patógenos que podem estar presente em</p><p>farinhas de origem animal. A legislação Brasileira do Ministério da Agricultura (BRASIL,</p><p>2003) que aprovava o Regulamento Técnico sobre as Condições Higiênico Sanitárias e de</p><p>Boas Práticas de Fabricação para estabelecimentos que processam resíduos de animais</p><p>destinados à alimentação animal, estabelecia que o produto colhido após o tratamento tér-</p><p>mico não deveria conter bactérias patogênicas e esporos termorresistentes, especificando</p><p>“ausência de Clostridium perfringens”, além da ausência de salmonela, porém foi atualizada</p><p>pela IN 34 de 2008.</p><p>Dentre as afecções causadas pelos diferentes tipos de toxinas do Clostridium per-</p><p>fringens pode-se citar, colite pseudomembranosa (ROOD, 1998), carbúnculo sintomático</p><p>(GOMES et al., 2008), gangrena gasosa (AWAD, 2001) e enterite necrótica (ESTEVES,</p><p>2005). A enterite necrótica aviária é uma enterotoxemia aguda, que se apresenta em forma clí-</p><p>nica ou subclínica (VAN IMMERSEEL et al., 2004), causada por C. perfringens. Em infecções</p><p>subclínicas, nota-se redução na absorção dos nutrientes, consequentemente, menor ganho</p><p>de peso, diminuição da taxa de crescimento e piora na conversão alimentar (SCHOCKEN-</p><p>ITURRINO e ISHI, 2000), afetando o desempenho produtivo e a economicidade da atividade.</p><p>As bactérias do gênero Staphylococcus também se incluem na lista de potenciais</p><p>contaminantes de ingredientes de origem animal, tendo como origem a matéria prima ou</p><p>o manipulador dos alimentos (FRAZIER e WESTHOFF, 2000). Os maiores problemas que</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>130 131</p><p>causam são devidos à formação de toxinas (BERGDOLL, 1990). Uma vez formadas as to-</p><p>xinas, que são enteroxinas termoestáveis, elas não são removíveis. Portanto, por exemplo,</p><p>em rações, a peletização não interfere no processo de descontaminação, causando gran-</p><p>des possibilidades de intoxicações das aves, quando alimentadas com ração contaminada</p><p>(BERGDOLL, 1990).</p><p>A avaliação de outros grupos de microrganismos é tida como indicativo da qualidade</p><p>microbiológica dos ingredientes. A presença de coliformes nas farinhas de origem animal</p><p>fornece informações sobre a ocorrência de contaminação fecal, sobre a provável presença</p><p>de patógenos, além de indicar condições sanitárias inadequadas durante o processamento,</p><p>produção e armazenamento (CORADI, 2013). A presença de fungos também é um problema,</p><p>em função da produção de micotoxinas, que quando presentes nas dietas das aves causam</p><p>uma série de problemas clínicos e econômicos para o setor avícola (CARDOSO et al., 2016).</p><p>Coradi et al. (2013) propuseram a utilização de alguns parâmetros estabelecidos para</p><p>alimentos, de acordo com a ANVISA (ANVISA RDC nº.12, 2001), para a avaliação da qua-</p><p>lidade microbiológica das farinhas de origem animal, como descrito na Tabela 2.</p><p>Tabela 2. Parâmetros de qualidade microbiológica de ingredientes de origem animal baseados no regulamento técnico</p><p>sobre padrões microbiológicos para alimentos.</p><p>Tipos de microrganismos Bom Aceitável Inaceitável</p><p>Salmonella sp. (CFU.g-1) - Ausente Presente</p><p>Staphylococcus sp. (CFU.g-1) <103 103 a 105 >105</p><p>Coliformes totais (MPN.g-1) <103 103 a 105 >105</p><p>Mesófilos totais (NMP.g-1) <106 106 a 107 >107</p><p>Fungos (CFU.g-1) <104 104 a 105 >105</p><p>Fonte: Adaptado de Coradi et al. (2013).</p><p>Qualidade nutricional das farinhas de origem animal</p><p>É imprescindível que as FOA sejam padronizadas na sua qualidade para evitar que</p><p>ocorra interferência em seu valor nutricional, bem como na qualidade do produto que será</p><p>produzido a partir do coproduto (DOZIER et al., 2003). Devido a prática comum da utilização</p><p>dos coprodutos de origem animal, nas formulações de dietas, faz-se necessário a realização</p><p>de estudos que analisem o valor nutricional de tais ingredientes, de forma que se conheça</p><p>sua composição bromatológica e energética efetiva, reduzindo assim a inclusão limitada des-</p><p>ses produtos nas dietas formuladas. Sendo assim, análises rápidas e sensoriais tornam-se</p><p>indispensáveis e devem ser realizadas no momento do recebimento dos coprodutos (PENZ</p><p>JR. et. al, 2005).</p><p>Higuchi (2015) avaliou duas farinhas de peixes, e observou que a farinha patinga (FPA)</p><p>o continha maiores teores de matéria seca, matéria mineral, carboidratos, energia, cálcio e</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>132</p><p>fósforo quando comparadas a farinha de pintado real (FPR). O teor de proteína bruta encon-</p><p>trado foi de 59,74% para a FPR e de 50,32% para FPA. Quando comparados os aminoácidos</p><p>essenciais, a FPR continha maiores teores de isoleucina (4,16 g/100g PB) e treonina (5,61</p><p>g/100g PB), enquanto a FPA continha maior teor de cistina (0,45 g/100g PB) e prolina (7,46</p><p>g/100g PB), que são aminoácidos não essenciais.</p><p>A composição nutricional de 2.090 amostras de farinha de vísceras foi analisada por</p><p>Fernandes (2016). Nenhuma das amostras em estudo apresentou resultado positivo para</p><p>as análises de Índice de peróxido e Teste de Éber, indicando assim que, não houve dete-</p><p>rioração da matéria-prima durante o processo produtivo. Além disto, as variáveis como cor,</p><p>odor e textura apresentaram características normais no processo de fabricação de farinha</p><p>de vísceras. Os valores encontrados para matéria seca variaram de 3,82 a 8,15%, proteína</p><p>bruta de 56,83 a 64,19%, enquanto os teores de extrato etéreo apresentaram variação de</p><p>10,10 a 19,58%, estando todas as análises dentro da faixa média encontrados no NRC</p><p>(Nutrient Requirements of Pouttry, 1994).</p><p>Giongo (2017) avaliou 50 amostras de farinha de carne e ossos de dois fornecedo-</p><p>res. Em todas as amostras foram realizadas análises em aparelho NIRS para composição</p><p>centesimal, teste de Éber e acidez. Os valores obtidos para umidade variaram de 2,20 a</p><p>5,84%, com uma média de 4,14%. Todas as amostras apresentaram umidade abaixo do</p><p>limite máximo tolerável (8%). Para matéria mineral ou cinzas foram encontrados valores</p><p>em média de 30,45% para o fornecedor A e de 28,12% para o fornecedor B. Todas as</p><p>amostras, de ambos os fornecedores, apresentaram teor de gordura dentro dos padrões (8</p><p>a 16%). A média percentual de proteína bruta foi de 51,19%, não havendo diferença entre</p><p>os fornecedores, sendo o teor mínimo recomendado de 46% de PB. As concentrações de</p><p>fósforo ficaram dentro do esperado (mín. 2,5%), para todas as amostras. Já, os resultados</p><p>do teste de Éber demonstrou que apenas uma das amostras estudadas estava em processo</p><p>de decomposição por ação de enzimas produzidas por microrganismos, ou seja, resultado</p><p>positivo. Nenhuma das amostras apresentou índice de acidez acima do permitido, o que</p><p>indicou que são farinhas que não sofreram deterioração de suas gorduras.</p><p>Por último, é importante caracterizar os coprodutos a fim de reduzir a diversidade de</p><p>informações que podem ser encontradas em diversas tabelas nutricionais (ANFAR, 1998;</p><p>BELLAVER, 2002; BUTOLO, 2002; ROSTAGNO et al., 2005). Entretanto, se cada indústria</p><p>mantivesse seus próprios dados de análises para padronizar seus produtos, dados próprios</p><p>de composição nutricional seriam gerados. Logo, seria necessário realizar apenas ajustes nas</p><p>formulações,</p><p>conforme diferentes lotes de coprodutos fossem incluídos (MURAKAMI, 2018).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>132 133</p><p>Qualidade microbiológica de farinhas de origem animal produzidas no Brasil</p><p>A presença de microrganismos patogênicos em ingredientes utilizados nas dietas</p><p>avícolas pode ser um risco e causar prejuízo à atividade econômica, bem como podem</p><p>acarretar problemas de saúde humana, sendo a salmonelose uma das principais zoonoses</p><p>para a saúde pública em todo o mundo (LOURENÇO et al. 2004). Consumo de produtos</p><p>avícolas contaminados tem sido descrito como uma das fontes de contaminação humana</p><p>(SHINOHARA et al., 2008).</p><p>Os alimentos para as aves podem ser uma fonte de contaminação direta ou indire-</p><p>ta. É uma fonte direta quando o ingrediente está contaminado com microrganismos, ou</p><p>indireta quando a contaminação da ração acontece no misturador ou durante o processo</p><p>de alimentação (MACIOROWSKI et al., 2004).</p><p>A ubiquidade dos microrganismos é facilitada por algumas práticas em plantas comer-</p><p>ciais, como presença de insetos e roedores, padrão de higiene dos funcionários e da indústria,</p><p>forma de armazenamento, entre outros. A presença de Salmonela sp. tem sido relatada em</p><p>camundongos (HENZLER & OPTIZ, 1992), ratos (SCHURENBERGER et al. 1968), insetos</p><p>(LETELLIER, 1999) e no solo (FOSTER,1995). Além disso, a bactéria pode ter um alto tempo</p><p>de sobrevivência no ambiente, como demonstrado pelo estudo de Kohler (1993), que relatou</p><p>presença de Salmonela sp. no ambiente em uma fábrica de farinha de carne e ossos que</p><p>havia encerrado as operações há 18 meses. O fato agravante da introdução da salmonela</p><p>em silos, equipamentos e nas linhas de processamento de fábricas de ração é a capacidade</p><p>dessa bactéria de formar biofilmes, que a protege contra ações de desinfetantes e favorece</p><p>seu desenvolvimento e permanência no interior do sistema de produção (VESTBY, 2009).</p><p>Portanto, é de fundamental importância a aplicação de metodologias de controle de</p><p>boas práticas de fabricação e APPCC (SCAPIN, 2011). Além disto, outras técnicas podem</p><p>ser aplicadas para aumentar o controle da contaminação microbiológica das farinhas de</p><p>origem animal, como processos físicos (HA et al., 1997; MAZUTTI et al. 2010) e químicos</p><p>(HA et al., 2000; CARDOZO, 2012).</p><p>Devido aos fatores acima explicitados, o monitoramento da qualidade de farinhas de</p><p>origem animal é uma preocupação de diversos pesquisadores e das indústrias, sendo alvo</p><p>de trabalhos que investigam a qualidade microbiológica de farinhas de origem animal pro-</p><p>duzidas em abatedouros e processadores nacionais.</p><p>Oliveira et al. (2009), realizaram um estudo para determinar a composição química,</p><p>física e microbiológica de 10 diferentes farinhas de carne e ossos comercializadas no oeste do</p><p>Paraná, obtidas nas indústrias de processamento ou em revendedores que atuam na região.</p><p>Constataram que 10% das farinhas analisadas foram positivas para o índice de peróxido, e</p><p>que 20% apresentavam contaminação por salmonela. Por meio da técnica de microscopia</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>134</p><p>observaram a presença, em diferentes graus, de pelos, colágeno, cascos/chifres e conteúdo</p><p>ruminal nas 10 farinhas avaliadas.</p><p>A presença de Salmonella sp. foi constatada em farinhas de carne e ossos (47% das</p><p>60 amostras avaliadas), farinhas de pena e sangue (8% das 60 amostras avaliadas) e farinha</p><p>de vísceras (13,3% das amostras avaliadas) por Cardozo (2011). Foram detectados também</p><p>contaminações por C. perfringens, 36, 55 e 26% para as mesmas farinhas, respectivamente.</p><p>Das 180 amostras avaliadas, oriundas do estado de São Paulo, 39% estavam contaminadas</p><p>por C. perfringens e 22% por Salmonella sp.</p><p>Coradi et al. (2013) avaliaram a qualidade microbiológica de amostras de farinha de</p><p>vísceras (248), farinhas de carne e ossos (224) e farinha de penas (216), de uma fábrica</p><p>de rações localizada no estado de Minas Gerais que recebia suprimentos de 8 unidades</p><p>processadoras das farinhas. Detectaram salmonela em 72% das farinhas de vísceras, 80%</p><p>das farinhas de penas e 71% nas farinhas de carne e ossos. Além disso, foram encontrados</p><p>Staphylococcus sp., coliformes, bactérias mesófilas e fungos na maior parte das farinhas.</p><p>A contaminação por C. perfringens de farinhas de penas e sangue, vísceras e carne</p><p>ossos oriundas da região de Campinas e Votuporanga, foram avaliadas por Casagrande e</p><p>colaboradores (2013), que relataram a presença deste microrganismo em 17,5% das farinhas</p><p>de carne e ossos, 20% nas farinhas de penas e vísceras e 10% nas farinhas de vísceras</p><p>avaliadas. No total 60 amostras foram avaliadas, sendo 20 de cada ingrediente. Richardson</p><p>(2008) relatou a presença de C. perfringens em 38,5% dos ingredientes de origem animal</p><p>e de 31% na farinha de peixes.</p><p>Em trabalho recente, 70 amostras de farinhas de origem animal foram avaliadas por</p><p>Engel et al. (2017). Os autores encontraram percentuais de contaminação de 10% por</p><p>Salmonella sp., 11% por Escherichia coli e 32% por bactérias mesófilas, sendo 47% livre</p><p>de contaminação. Das farinhas contaminadas, 76% estavam contaminadas por um único</p><p>patógeno, 21% por dois, e apenas 3% pelos três tipos de microrganismos determinados.</p><p>Apesar do conhecimento e obrigatoriedade da implementação de BPF e APPCC, além</p><p>do possível uso de aditivos químicos ou métodos físicos disponíveis, para diminuir a conta-</p><p>minação por patógenos nas farinhas de origem animal, observa-se que ainda há muita con-</p><p>taminação, inclusive para Salmonella sp., que de acordo com as normas do MAPA (BRASIL,</p><p>2008), deveriam estar ausentes no produto para comercialização.</p><p>CONCLUSÃO OU CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A utilização das farinhas de origem animal na nutrição animal pode representar uma</p><p>grande economicidade no setor avícola, pois são fontes ricas em fósforo e/ou proteína bruta e</p><p>aminoácidos essenciais, além de o processamento dos coprodutos dar destino aos resíduos</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>134 135</p><p>dos abatedouros, reduzindo o impacto ambiental da atividade. A grande variabilidade da</p><p>composição química e da qualidade microbiológica são entraves à sua utilização. O avanço</p><p>da tecnologia NIR nas fábricas de rações e o desenvolvimento de kits de análises micro-</p><p>biológicas rápidas podem permitir a tomada de decisão pelos nutricionistas de forma mais</p><p>acertada. Parte das farinhas produzidas em território nacional carecem de qualidade mi-</p><p>crobiológica, sendo as análises de indicativos da qualidade microbiológica de fundamental</p><p>importância para detecção de erros nos processos relacionados à produção das farinhas</p><p>de origem animal.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. AHMAD, H.; KHALIQUE, A.; NAVEED, S.; ZIA, M.W.; RASOOL, Z.; MOOED, A. efficacy of a</p><p>synthetic antioxidant treatment in stabilizing poultry byproduct meal and subsequent impact of</p><p>the treated meal on selected growth parameters of broilers. Rev. Bras. Cienc. Avic. v. 19, p.</p><p>471-480, 2017.</p><p>2. 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Synergistic effects</p><p>of alpha-toxin and perfringolysin O in Clostridium perfringens- mediated gas gangrene. Infect.</p><p>Immun. v. 69, p. 7904–7910, 2001.</p><p>7. BELLAVER, C. Ingredientes de origem animal destinados à fabricação de rações. In: Simpósio</p><p>sobre ingredientes</p><p>na classe III. O estômago em forma de J é bastante</p><p>musculoso e distensível, possuindo duas regiões anatomicamente e histologicamente dis-</p><p>tinguíveis: o corpus, região proximal caracterizada pelo maior tamanho e mucosa dobrada;</p><p>e a piloro, região distal, que é relativamente mais muscular e com dobras mais rasas.</p><p>Ao analisarem o conteúdo estomacal de juvenis de pirarucu, presentes no lago Quatro</p><p>Bocas em Araguaiana no estado de Mato Grosso, Oliveira et al. (2005) verificaram a presença</p><p>de detritos orgânicos, moluscos, crustáceos, insetos inteiros e pedaços de insetos. Também</p><p>foi observado o pequeno consumo de detritos vegetais, sementes e partículas inorgânicas</p><p>com porções de areia fina, demonstrando a capacidade dos indivíduos de capturar alimento</p><p>próximo ao fundo da coluna d’água. Além disso, os autores também verificaram que apenas</p><p>um dos peixes amostrados foi capaz de ingerir pequenos peixes.</p><p>Segundo Ono e Kehdi (2013), em sistemas de produção extensiva de pirarucu, a ali-</p><p>mentação adotada baseia-se em peixes forrageiros vivos de baixo valor comercial, resíduos</p><p>in natura de pescados e de animais terrestres, sendo esse modelo economicamente inviável,</p><p>além de apresentar uma série de restrições nos âmbitos sanitário e ambiental. No entanto,</p><p>vale ressaltar que esse cenário tem sido alterado devido a utilização de rações balanceadas</p><p>de alta qualidade.</p><p>Por se tratar de uma espécie de hábito alimentar carnívoro, o pirarucu em sua fase</p><p>inicial de desenvolvimento, necessita de um treinamento alimentar para que a transição entre</p><p>alimento úmido e seco aconteça de forma eficiente, sendo então adotadas estratégias como</p><p>a utilização de alimento vivo ou peixe moído (CAVERO, 2003; SOUZA, 2015).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>16</p><p>TREINAMENTO ALIMENTAR</p><p>O canibalismo entre os alevinos de pirarucu durante o condicionamento alimentar é</p><p>baixo quando comparado ao observado em outras espécies de peixes carnívoros, no en-</p><p>tanto, em condições de ausência de alimentos podem ocorrer agressões entre os indivíduos</p><p>(ONO et al., 2004).</p><p>Para realizar o treinamento dos alevinos de pirarucu, Cavero et al. (2003) testaram</p><p>dois tipos de alimentos vivos (náuplios de artêmia e zooplâncton) para animais com peso</p><p>médio de 1,5 g. Os peixes foram alimentados seis vezes ao dia, sendo realizada três fases</p><p>de treinamento: a primeira consistiu em fornecer o alimento vivo diluído em água, já na se-</p><p>gunda etapa, junto com o alimento vivo, introduziu-se gradativamente a ração (1; 2 e 3% da</p><p>biomassa dos peixes) e na terceira fase os peixes foram alimentados apenas com ração até</p><p>a saciedade. Os autores observaram alta sobrevivência, sendo 99% para os alimentados</p><p>com artêmia e 99,8% para aqueles alimentados com zooplâncton.</p><p>Outro treinamento alimentar foi realizado por Souza et al. (2015) com pirarucu com peso</p><p>médio de 15,8 g, no qual foram feitas substituições graduais da dieta a cada 2, 3, 4 e 5 dias.</p><p>Realizou-se o fornecimento exclusivamente de alimento úmido de alta palatabilidade (peixe</p><p>moído), com substituição gradual por dieta formulada seca. Os resultados obtidos permitiram</p><p>observar que o condicionamento à alimentação com dieta formulada seca promove maiores</p><p>taxas de crescimento específico quando realizado substituições graduais a cada 2 e 3 dias.</p><p>FREQUÊNCIA ALIMENTAR</p><p>A frequência alimentar é um importante indicador e deve-se ser determinada especifi-</p><p>camente para cada espécie, uma vez que se realizado em frequências maiores, pode onerar</p><p>de forma desvantajosa o sistema produtivo. Crescêncio (2005) analisou o desempenho de</p><p>peixes submetidos a alimentação diurna (9 e 15h), noturna (21 e 3h) e contínua (9; 15; 21</p><p>e 3h), e observou que os pirarucus alimentados continuamente, apresentaram maiores ga-</p><p>nhos de peso e biomassa, taxa de crescimento específico e consumo total. Enquanto que</p><p>os peixes alimentados apenas durante o período diurno e os que recebiam alimento apenas</p><p>a noite apresentaram ganho de peso semelhante, porém, a alimentação diurna apresentou</p><p>a melhor conversão alimentar.</p><p>Ao analisar a frequência alimentar de pirarucu, Rodrigues et al. (2019) recomendaram</p><p>que a alimentação fosse feita 3 a 4 vezes ao dia, após observarem que com essa frequência</p><p>alimentar, os animais apresentaram maior ingestão alimentar, maior crescimento muscular e</p><p>acúmulo de gordura corporal. Ainda neste mesmo trabalho, os autores também verificaram</p><p>que a alimentação apenas 1 vez ao dia pode resultar em comportamento hiperfágico.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>16 17</p><p>Já Medeiros et al. (2018), ao analisarem alevinos submetidos a três frequências ali-</p><p>mentares (2x/dia, 3x/dia e 4x/dia) durante 15 dias experimentais, não encontraram diferença</p><p>significativa entre os parâmetros de peso final, ganho de peso e conversão alimentar. O mes-</p><p>mo foi observado por Gandra et al. (2007) ao testarem a alimentação de juvenis de pirarucu</p><p>com peso médio inicial de 1.074,0 g, com fornecimento de ração todos os dias ou em dias</p><p>alternados, verificaram que os animais alimentados duas vezes ao dia obtiveram maior ga-</p><p>nho de peso e peso final. Pedrosa et al. (2018), também constataram que o fornecimento</p><p>de ração duas vezes ao dia é suficiente para a espécie, após avaliarem a alimentação até</p><p>saciedade aparente 2 vezes ao dia, alimentação até saciedade aparente 3 vezes ao dia e</p><p>alimentação em taxas fixas (2% do peso corporal/dia) 2 vezes ao dia.</p><p>TAXA DE ARRAÇOAMENTO</p><p>A taxa de arraçoamento deve ser controlada durante todo o ciclo de produção, pois os</p><p>animais devem se alimentar de forma que apresentem o melhor desempenho, sem haver</p><p>desperdícios. Por isso, a quantidade de alimento a ser fornecida leva em consideração a</p><p>porcentagem de peso vivo do animal sendo ajustada de acordo com o crescimento.</p><p>Segundo Rodrigues (2015), o pirarucu tem uma variação de 7 a 1% na taxa de arra-</p><p>çoamento, conforme demonstrado na Tabela 1.</p><p>Tabela 1. Taxa de alimentação para recria e engorda.</p><p>Peso (g) Dias de engorda Taxa de alimentação (%)</p><p>15- 100 30 7-5</p><p>100- 500 60 5-4</p><p>500- 1000 100 4-3</p><p>1000- 5000 235 3-2</p><p>5000 – 12000 420 2-1</p><p>Fonte: Adaptada de Rodrigues (2015).</p><p>Os dados acima corroboram com os encontrados por Cardoso (2015), que ao testaram</p><p>as taxas de arraçoamento de 4, 5, 6, 7 e 8% do peso vivo, em pirarucus com peso médio</p><p>inicial de 481,2 g e peso médio final de 1259,5g, concluíram que não houve diferenças</p><p>significativas entre as taxas de arraçoamento quanto as variáveis de desempenho, sendo</p><p>recomendado o arraçoamento com 4% de peso vivo devido aos menores custos. Enquanto</p><p>que para a fase adulta, Rodrigues (2015) recomenda que a taxa de arraçoamento permaneça</p><p>entre 0,5% e 1,0% do peso vivo do animal.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>18</p><p>EXIGÊNCIA EM PROTEÍNA BRUTA E ENERGIA</p><p>No experimento realizado por Ituassú (2002) foram testadas quatro rações com di-</p><p>ferentes níveis de proteína bruta (30; 36; 42 e 48%). Ao final do período experimental, os</p><p>autores verificaram que os animais alimentados com 48% obtiveram maior ganho de peso</p><p>(235,7 g) quando comparado com os animais alimentados com níveis de 42% (141,9g), 36%</p><p>(109,3g) e 30% de PB (119,3g).</p><p>Medeiros (2014) utilizou dietas contendo 37,4; 40,8; 43,9; 45,5 e 47,1% de proteína</p><p>bruta e 4036,385 kcal; 4411,808 kcal, 4551,015 kcal, 4870,216 kcal, 5021,143 kcal de energia</p><p>digestível, respectivamente, para alimentar pirarucus na fase de engorda com peso médio</p><p>inicial de 220 g. Após o período experimental, os autores observaram que a utilização de</p><p>37,4% de PB e 4036,385 kcal na ração proporcionou maior aproveitamento proteico, menor</p><p>custo de ração e menor concentração de gordura no filé.</p><p>Lopes (2015), avaliou o efeito de mudanças de manejo durante o período experimental.</p><p>Para isso, os animais com peso médio inicial de 500 g foram alimentados por 110 dias com</p><p>uma dieta contendo níveis de proteína bruta de 36; 38; 40; 42 e 45%, seguidos de redução</p><p>nos níveis de proteína bruta nas rações para 32; 34; 36 38 e 40%, respectivamente. Nesse</p><p>trabalho, os autores verificaram que</p><p>na alimentação animal, 2001, Campinas, Anais... Campinas: CBNA – Co-</p><p>légio Brasileiro de Nutrição Animal, 2001 p. 167-190.</p><p>8. BELLAVER, C. A qualidade dos ingredientes e dos itens importantes na produção de rações.</p><p>Revista A Lavoura. p.13-15. 2002.</p><p>9. BELLAVER, C. 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VAN IMMERSEEL, F.; FIEVEZ, V.; DE BUCK, J.; PASMANS, F.; MARTEL, A.; HAESEBROUCK,</p><p>F.; DUCATELLE, R. Microencapsulated short-chain fatty acids in feed modify colonization and</p><p>invasion early after infection with Salmonella Enteritidis in young chickens. Poultry Science,</p><p>v. 83, p. 69–74, 2004.</p><p>62. VESTBY, L.K., MØRETRØ, T., LANGSRUD, S., HEIR, E., NESSE, L.L. Biofilm forming abilities</p><p>of Salmonella are correlated with persistence in fish meal- and feed factories. BMC Vet Res.,</p><p>v.27, p.5-20, 2009.</p><p>08</p><p>Ração para não ruminantes em uma</p><p>fábrica sob serviço de inspeção</p><p>federal no estado do Maranhão: uma</p><p>abordagem produtiva</p><p>Karen Regina Silveiro Mousinho</p><p>UEMA</p><p>Pedro Louzeiro Pavão</p><p>UEMA</p><p>Marcelo de Abreu Falcão</p><p>AGED – MA</p><p>Maria Inez Fernandes Carneiro</p><p>UEMA</p><p>Hamilton Pereira Santos</p><p>UEMA</p><p>Danilo Cutrim Bezerra</p><p>UEMA</p><p>Viviane Correa da Silva Coimbra</p><p>UEMA</p><p>Nancyleni Pinto Chaves Bezerra</p><p>UEMA</p><p>10.37885/211006392</p><p>https://dx.doi.org/10.37885/211006392</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>141</p><p>Palavras-chave: Alimentação Animal, Gestão da Qualidade, Procedimento Operacional</p><p>Padrão, Segurança de Alimentos.</p><p>RESUMO</p><p>Objetivou-se realizar uma abordagem produtiva sobre as etapas de fabricação de ração</p><p>para não ruminantes em uma fábrica sob Serviço de Inspeção Federal localizada no</p><p>estado do Maranhão. Para o alcance do objetivo, o estudo foi dividido em duas fases:</p><p>(i) pesquisa bibliográfica com a utilização de dados secundários obtidos de referencial</p><p>teórico; e, (ii) pesquisa de campo, fundamentada em cinco visitas técnicas à fábrica para</p><p>observação e compressão do processo produtivo e registros fotográficos para análise do</p><p>processo. A segunda fase do estudo foi realizada para avaliar as condições de produção</p><p>do estabelecimento fabricante em consonância com a Instrução Normativa n° 4/2007. Com</p><p>os procedimentos adotados foi possível acompanhar a recepção e armazenamento dos</p><p>ingredientes e da matéria-prima, funcionamento do moinho, dosagem, misturador, reser-</p><p>vatório da mistura, ensaque, armazenamento e expedição. A empresa busca apresentar</p><p>o melhor custo benefício com a realização de monitoramento dos processos. Para isso,</p><p>implementa controle de qualidade nas operações rotineiras executadas durante o pro-</p><p>cesso de elaboração das rações, por meio da aplicação dos procedimentos operacionais</p><p>padronizados e das boas práticas de fabricação que somados garantem processamento</p><p>correto e qualidade final do produto. Pontua-se para a necessidade de realização de</p><p>análises microbiológicas e bromatológicas da matéria-prima e ingredientes, treinamentos</p><p>e capacitações periódicas dos colaboradores e implementação de rastreabilidade do</p><p>produto acabado por meio do estoque de cada lote ou partida produzida. Conclui-se que</p><p>a empresa utiliza técnicas de controle de qualidade na produção com baixo custo, boa</p><p>qualidade e aceitação no mercado em consonância com a legislação brasileira.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>142</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O Brasil configura no cenário mundial como um dos maiores fabricantes de rações e</p><p>suplementos para a nutrição animal. A produção brasileira de rações alcançou no primeiro</p><p>semestre do ano de 2019, aproximadamente 33,9 milhões de toneladas, um aumento de 2,7</p><p>% em relação ao primeiro semestre de 2018 (SINDERAÇÕES, 2019). Em uma análise mais</p><p>atual, mesmo com a pandemia do Sars-Cov-2 que se instaurou no ano de 2020, o Sindicato</p><p>Nacional da Indústria de Alimentação Animal realizou levantamento e constatou que o ano</p><p>foi encerrado com um crescimento de quase 5 % e uma produção total de 81,1 milhões de</p><p>toneladas de sal mineral e rações (SINDERAÇÕES, 2020).</p><p>A ração é o insumo com maior peso sobre o custo da produção e, a depender da espécie</p><p>animal, pode representar até 70 % do total dos custos. Este insumo deve ser adquirido com</p><p>regularidade definida para que não haja interrupção da produção (SIDONIO et al., 2012).</p><p>Desta forma, produtores se preocupam cada vez mais com a qualidade do produto adquiri-</p><p>do e as empresas fabricantes devem estar atentas ao controle de qualidade da produção.</p><p>Logo, a fábrica de ração é um importante elo da cadeia produtiva e qualquer erro em uma</p><p>ou mais etapas da fabricação pode acarretar prejuízos econômicos expressivos. Embora</p><p>pareça simples, este tipo de estabelecimento apresenta variados pontos críticos que po-</p><p>dem impactar negativamente a qualidade ou mesmo a quantidade das rações produzidas</p><p>(BALDISSERA, 2009).</p><p>Os programas de qualidade implementados na indústria animal são essenciais para</p><p>garantir a produção de alimentos seguros. Por controle de qualidade, entende-se um conjunto</p><p>de procedimentos implementados com o objetivo de verificar e assegurar a conformidade da</p><p>matéria prima, do ingrediente, rótulo e da embalagem, dos produtos intermediário e acabado,</p><p>às especificações estabelecidas (BRASIL, 2007). Os programas de gestão da qualidade,</p><p>possibilitarão que a empresa diminua a ocorrência e recorrência de erros, aumente o ren-</p><p>dimento, a capacidade, a execução da produção e a melhoria de serviços e produtos em</p><p>consonância com as características para as quais foram desenvolvidos. Portanto, realizar</p><p>um adequado controle de qualidade pressupõe acrescentar, planejar, fabricar</p><p>e vender um</p><p>produto de qualidade, que siga aos requisitos mercadológicos (NOGUEIRA, 2018).</p><p>A gestão da qualidade no processo de fabricação de ração tem início no projeto da</p><p>fábrica e deve ser extensiva para a construção e instalação dos equipamentos, seleção dos</p><p>fornecedores de ingredientes, comercialização das fórmulas de rações, monitoramento da</p><p>qualidade dos ingredientes, pesagem correta, armazenagem, particularidades da moagem,</p><p>pré-mistura de concentrados e suplementos vitamínicos, mistura dos alimentos, verificação</p><p>da ração pronta, manutenção e limpeza dos equipamentos além, da higienização geral da</p><p>fábrica (OLIVEIRA, 2014).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>142 143</p><p>No contexto do controle de qualidade, cita-se as Boas Práticas de Fabricação (BPF)</p><p>que são “procedimentos higiênicos, sanitários e operacionais aplicados em todo o fluxogra-</p><p>ma de produção, desde a obtenção dos ingredientes e matérias-primas até a distribuição</p><p>do produto final, com o objetivo de garantir a qualidade, conformidade e segurança dos</p><p>produtos destinados à alimentação animal” (BRASIL, 2007). Os colaboradores responsáveis</p><p>pela qualidade, na fábrica de ração, devem possuir treinamento e conhecimento sobre as</p><p>BPF, com vistas a identificação dos perigos que interferem na inocuidade e qualidade dos</p><p>produtos destinados à nutrição animal e determinar as medidas de controle (BEUS, 2017).</p><p>Nesse sentido, considerando a importância do setor de nutrição animal para o Brasil</p><p>objetivou-se com o estudo realizar uma abordagem produtiva sobre as etapas de fabricação</p><p>de ração para não ruminantes em uma fábrica sob Serviço de Inspeção Federal localizada</p><p>no estado do Maranhão.</p><p>MÉTODO</p><p>O Maranhão integra, juntamente, com Tocantins, Piauí e Bahia o Matopiba, região que</p><p>congrega o bioma cerrado dos referidos Estados e responde por muito da produção brasileira</p><p>de fibras e grãos. O Matopiba, que até recentemente não era considerado forte na tradição</p><p>agrícola, desperta atenção por sua produtividade crescente. No agronegócio maranhense, os</p><p>grãos de soja e milho se destacam como produtos importantes e constituem matérias-primas1</p><p>para a elaboração de ração animal. Nesse sentido, solicitou-se formalmente da gerência</p><p>responsável pelo controle de qualidade da fábrica, a liberação para o acompanhamento do</p><p>processo de fabricação das rações produzidas na empresa.</p><p>Com base nos procedimentos técnicos adotados, a pesquisa é do tipo bibliográfica e</p><p>pesquisa de campo. Quanto ao problema investigado, apresenta natureza qualitativa com</p><p>uma análise exploratória e descritiva. Para o alcance do objetivo da pesquisa foram rea-</p><p>lizados os seguintes procedimentos metodológicos, divididos em duas fases: (i) pesquisa</p><p>bibliográfica com a utilização de dados secundários obtidos de referencial teórico disponível</p><p>sobre a temática proposta; e, (ii) pesquisa de campo, fundamentada em cinco visitas téc-</p><p>nicas à fábrica de ração para observação e compressão do processo produtivo e registros</p><p>fotográficos para melhor análise deste.</p><p>A segunda fase do estudo foi direcionada para avaliar as condições produtivas do</p><p>estabelecimento fabricante de ração destinada à alimentação animal em consonância com</p><p>1 Matérias-primas: toda substância que, para ser utilizada como ingrediente, necessita ser submetida a tratamento ou transformação</p><p>de natureza física, química ou biológica (BRASIL, 2007).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>144</p><p>as Instruções Normativas (INs) N° 4 de 23 de fevereiro de 2007 (BRASIL, 2007) e N° 15 de</p><p>26 de maio de 2009 (BRASIL, 2009a).</p><p>RESULTADOS</p><p>A fábrica de ração está situada em área urbana de trânsito intenso do município de São</p><p>José de Ribamar, estado do Maranhão. Dispõe de um quadro constituído por 10 colaborado-</p><p>res do sexo masculino, sendo: (i) um (01) responsável técnico (RT) graduado em Medicina</p><p>Veterinária; (ii) um (01) gerente de produção e controle de qualidade com graduação em</p><p>Zootecnia; e, (iii) oito (08) colaboradores envolvidos diretamente na produção.</p><p>A empresa foi construída em um galpão único com área total de 371 m2, onde se</p><p>encontra uma ala para recebimento da matéria-prima (Figura 01 A), ala de estocagem de</p><p>matéria-prima, ala de produção, ala de produtos acabados, ala de expedição de ensacados</p><p>(Figura 01 B), todas elas separadas por demarcação de chão e identificadas por placas no</p><p>interior do galpão.</p><p>Figura 1. Fábrica de ração para não ruminantes sob serviço de inspeção federal no estado do Maranhão: (A) ala de</p><p>recebimento de matéria-prima; (B) ala de expedição de produto final.</p><p>Fonte: Acervo dos autores.</p><p>A área física é constituída por teto de fibrocimento, paredes de tijolos desprovidas de</p><p>revestimento, piso de material resistente ao trânsito e impacto, janelas teladas. O piso é de</p><p>fácil drenagem, limpeza e higienização (Figura 2).</p><p>2 Fabricante: estabelecimento que se destina à elaboração de produtos para alimentação animal.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>144 145</p><p>Figura 2. Ala de produto acabado da fábrica de ração para não ruminantes sob serviço de inspeção federal no estado do</p><p>Maranhão, com identificação da área física (teto, paredes e chão).</p><p>Fonte: Acervo dos autores.</p><p>Quanto à matéria-prima, os ingredientes utilizados são o milho (oriundo dos municípios</p><p>de Buriticupu e Balsas, ambos do estado do Maranhão), farelo de soja (com origem nos es-</p><p>tados do Maranhão e Tocantins), fosfato bicálcio (de origem Marroquina), torta de palmiste</p><p>(estado do Pará), calcário calcítico (estado do Ceará), cloreto de sódio (provenientes dos</p><p>estados do Ceará e Rio Grande do Norte), vitaminas (A, D, E, K e do complexo B), micro</p><p>minerais (cobre, manganês e zinco), aminoácidos (lisina e metionina), aditivos tecnológicos</p><p>e aditivos promotores (antimicrobianos, anticoccidianos e enzima fitase) - os últimos pro-</p><p>venientes do estado de São Paulo. Todos os macro e micro ingredientes são registrados</p><p>no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), excetuados aqueles dis-</p><p>pensados de registros constantes no Artigo (art.) 2° da IN Nº 51, de 3 de agosto de 2020</p><p>(BRASIL, 2020).</p><p>As matérias-primas e ingredientes são adquiridos de fornecedores legalizados e na</p><p>recepção da fábrica são avaliadas as condições de transporte e dos entregadores a partir</p><p>de inspeções visuais. Quanto à documentação, confere-se a nota fiscal e as condições de</p><p>embalagens, data de validade e vencimento além do lote de todos os ingredientes. Estas</p><p>últimas são anotadas em formulário específico denominado check-list recebimento de ma-</p><p>téria-prima e embalagens.</p><p>Os ingredientes e matérias-primas chegam na fábrica a granel ou ensacados em suas</p><p>embalagens originais (Figura 3). Os primeiros passam por um processo de classificação de</p><p>acordo com o controle de qualidade e são posteriormente armazenados em silos. Já, os</p><p>ensacados são identificados quanto a data de produção, lote, validade e quantidade, arma-</p><p>zenados sobre pallets de madeira, em local seco, protegidos de luz solar direta, equidistantes</p><p>30 centímetros da parede, porém o local é pouco arejado e quente. Os ingredientes líquidos</p><p>são descarregados e armazenados em tanques específicos ou em minicontainers de 1.000</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>146</p><p>litros. Matérias-primas reprovadas no recebimento são identificadas e segregadas até ser</p><p>definido seu destino que, normalmente, é a devolução ao fornecedor.</p><p>Figura 3. Matéria-prima armazenada em suas embalagens originais na fábrica de ração para não ruminantes sob serviço</p><p>de inspeção federal do estado no Maranhão.</p><p>Fonte: Acervo dos autores.</p><p>Na fábrica de ração emprega-se a gestão de estoque PEPS, ou seja, o primeiro produto</p><p>a entrar é primeiro a sair. Quanto à produção, esta acontece por demanda em que primeiro</p><p>há o recebimento do pedido e, posteriormente, o processo de fabricação. A capacidade</p><p>produtiva da fábrica equivale a 8.000 kg/hora e 20 toneladas/dia. Mas, o estabelecimento</p><p>produz, atualmente, 39 toneladas/dia.</p><p>A fábrica possui apenas uma linha de produção e em cada “batida” (tipo de produção</p><p>recarregável) são produzidos aproximadamente 2.000 kg de ração. Nessa linha são produ-</p><p>zidas as rações fareladas para animais não ruminantes de diferentes formulações, totalizan-</p><p>do 37 produtos. Destes, 20 são para frangos e 17 para suínos. As formulações são feitas</p><p>pelo RT da empresa, fundamentado em tabelas de exigências nutricionais, adicionadas a</p><p>elas níveis de qualidade.</p><p>Na fábrica, implementa-se uma ordem fixa de produção em que são considerados os</p><p>ingredientes utilizados e a sensibilidade da espécie e categorias, da seguinte forma: primei-</p><p>ramente são produzidas as formulações para aves e, posteriormente para suínos. E quanto</p><p>a categoria, das fases iniciais às finais.</p><p>Anterior à produção, os colaboradores responsáveis pelo controle de qualidade veri-</p><p>ficam os seguintes pontos críticos de controle (PCC): (i) higienização geral da fábrica; (ii)</p><p>higienização do misturador; (iii) granulometria da peneira do moinho; (iv) preparação dos</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>146 147</p><p>micronutrientes separadamente3 ; e, (v) seleção das embalagens e rotulagem4 . Quaisquer</p><p>não conformidades constatadas nesses quesitos são anotadas e realizadas as medidas</p><p>corretivas no check-list de controle de higiene ambiental e superfícies.</p><p>Quanto ao processo de produção, excetuada as etapas supracitadas (recebimento e</p><p>armazenamento dos ingredientes), este é composto por outras etapas que se inicia com a</p><p>seleção da fórmula e a quantidade a ser produzida, podendo ser sumarizada da seguinte</p><p>forma: (i) limpeza da matéria-prima milho; (ii) moagem; (iii) dosagem; (iv) mistura; (v) empa-</p><p>cotamento e estocagem do produto acabado; e, (vi) expedição (Figura 4).</p><p>Figura 4. Fluxograma de produção de ração farelada em fábrica de ração para não ruminantes sob serviço de inspeção</p><p>federal no estado do Maranhão.</p><p>Fonte: Elaborador pelos autores</p><p>O milho cai por gravidade do silo de armazenamento na máquina de limpeza vibratória</p><p>para a separação das impurezas antes da moagem do mesmo. Na sequência, as matérias-</p><p>-primas são moídas em moinho tipo martelo de aço temperado. Após a moagem, estes são</p><p>direcionados por meio de rosca transportadora tubular para o silo de armazenagem com</p><p>capacidade total de três toneladas, dividido em três compartimentos de dimensões iguais</p><p>com registro de gavetas por acionamento manual, para serem pesados de acordo com a</p><p>necessidade na inclusão das formulações.</p><p>A dosagem é a etapa de produção caracterizada por pesagem das matérias-primas, de</p><p>forma manual. Na sequência, todas são direcionados para o misturador. Neste equipamento</p><p>3 Preparação dos micronutrientes: fracionados manualmente e cada produto é pesado com concha individual, identificado e encami-</p><p>nhado para a linha de produção.</p><p>4 Rotulagem: processo realizado com rotuladora manual. A fábrica trabalha com diferentes sacarias e rótulos que possuem em comum:</p><p>datas de fabricação e vencimento, lote, modo de utilizar e níveis de garantia de qualidade do produto.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>148</p><p>vertical duplo helicoidal, permanecem por 420 segundos para obtenção de uma mistura</p><p>homogênea. Após esse período, a mistura é conduzida por rosca transportadora tubular de</p><p>aço carbono para o silo de recepção de produto acabado para ser ensacada e encaminha-</p><p>da para expedição.</p><p>As rações acabadas são direcionas para a ensacadeira, onde são pesados em sacos</p><p>de 20kg, 30kg ou 40kg, depositados em pallets de madeira para estocagem ou expedição</p><p>(Figura 2). O controle do carregamento do produto acabado se inicia na portaria da empre-</p><p>sa em que colaboradores recebem a nota fiscal do motorista para a anotação de dados na</p><p>lista de ordem de chegada. A entrada só é permitida após a liberação do funcionário que</p><p>orienta os motoristas sobre as BPF. E, o destino do produto acabado são municípios do</p><p>estado do Maranhão, entre eles São Bernardo, Caixas, Timom e aqueles integrantes da</p><p>Baixada maranhense.</p><p>Na fábrica avaliada, constatou-se a existência do Manual de BPF e procedimentos</p><p>operacionais padronizados - POPs5 aprovados, datados e assinados pela direção da em-</p><p>presa e pelo responsável do controle de qualidade, são eles: qualificação de fornecedores;</p><p>matéria-prima e embalagens; higienização de instalações, equipamentos e utensílios; higiene</p><p>e saúde dos colaboradores; potabilidade da água e higienização de reservatório; prevenção</p><p>de contaminação cruzada; manutenção e calibração de equipamentos e instrumentos; con-</p><p>trole integrado de pragas; e, controle de resíduos e efluentes.</p><p>A origem da água utilizada na fábrica é um poço artesiana e o controle da potabilidade</p><p>é realizada anualmente. Para controle de qualidade do produto acabado é realizada se-</p><p>mestralmente análise microbiológica em que os parâmetros bolores e leveduras e teste de</p><p>homogeneidade são avaliados. Quanto aos colaboradores, estes são submetidos a exames</p><p>ocupacionais no Serviço Social da Indústria (Sesi).</p><p>DISCUSSÃO</p><p>Conforme estabelecido na IN N° 15/2009 (BRASIL, 2009a), o estabelecimento que</p><p>fabrica, fraciona, importa, exporta e comercializa rações, suplementos, premix, núcleos,</p><p>alimentos para animais de companhia, ingredientes e aditivos para alimentação animal deve</p><p>ser registrado no MAPA. Os empreendimentos devem seguir a IN N° 4/2007 que define os</p><p>procedimentos básicos de higiene e de BPF para alimentos fabricados e industrializados</p><p>para o consumo dos animais (BRASIL, 2007). As vistorias, fiscalizações e auditorias para</p><p>5 Procedimentos Operacionais Padronizados – POPs: descrição pormenorizada e objetiva de instruções, técnicas e operações rotinei-</p><p>ras a serem utilizadas pelos fabricantes de produtos destinados à alimentação animal, visando à proteção, à garantia de preservação</p><p>da qualidade e da inocuidade das matérias-primas e produto final e a segurança dos manipuladores (BRASIL, 2007).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>148 149</p><p>verificação do atendimento das empresas à legislação brasileira são realizadas por au-</p><p>ditores federais.</p><p>O estabelecimento avaliado está registrado no MAPA há sete anos, na atividade fabri-</p><p>cante e categoria ração. Quanto à localização do mesmo, destaca-se a adequação parcial</p><p>do estabelecimento à IN nº 4/2007, ou seja, está situado em zona afastada de área de riscos</p><p>de inundações e alojamento de pragas, distante de outras atividades industriais isentas de</p><p>odores indesejáveis e contaminantes. Mas, pontua-se sobre a possibilidade da existência</p><p>de odores indesejáveis (fumaça) oriundos de veículos.</p><p>Quanto às instalações, estas são de material sólido, porém, não sanitariamente ade-</p><p>quadas (teto e paredes), por não serem lisas, impermeáveis e laváveis, com facilitação ao</p><p>acúmulo de poeira e possibilidade de contaminação cruzada entre as alas da fábrica. Mas,</p><p>possuem fluxo unidirecional das operações, desde a chegada das matérias-primas até a</p><p>expedição do produto final, com a identificação das alas por placas e separação das mesmas</p><p>por demarcação de chão.</p><p>A política da empresa é trabalhar com fornecedores cadastrados e idôneos e, por isso,</p><p>apenas inspeções visuais são realizadas no recebimento das matérias-primas e ingredientes.</p><p>Menezes (2018) pontua que o estabelecimento não deve aceitar matéria-prima ou ingre-</p><p>diente que contenha, micro-organismos, substância tóxicas ou estranhas e parasitas que</p><p>não podem ser reduzidas a níveis aceitáveis. Sob essa perspectiva e com a não realização</p><p>de análises bromatológicas e microbiológicas da carga recebida, segundo um plano de</p><p>amostragem previamente estabelecido pelo controle de qualidade da empresa, é impossí-</p><p>vel garantir a total idoneidade dos materiais recebidos. Pontua-se que a gestão de estoque</p><p>PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai), implementada na empresa, evita perdas por</p><p>vencimento da mercadoria e integra uma ferramenta importante do controle de qualidade.</p><p>A programação da produção, na empresa, não mantém um estoque de produtos aca-</p><p>bados já que este é feito sob encomenda. Mas, pondera-se que a capacidade de produção</p><p>atual excede a produção real da fábrica nos</p><p>quesitos mão-de-obra, maquinário e dimen-</p><p>sionamento da fábrica. Dos Santos e Valadares (2013) inferem que o controle no processo</p><p>produtivo inclui o movimento dos materiais no interior das fábricas, englobando as seguintes</p><p>atividades: descarga de materiais, inspeção de recebimento e transporte até os almoxarifados</p><p>e/ou linha de produção, controle dos materiais nos almoxarifados, solicitação de materiais</p><p>de estoques, movimento de materiais no interior das áreas de produção, deslocamentos dos</p><p>produtos acabados da linha de produção para a expedição ou para a paletização, carrega-</p><p>mento de caminhões (ou outro meio de transporte) para a expedição dos produtos acabados.</p><p>Logo, a programação e controle da produção são etapas de grande importância para uma</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>150</p><p>organização produtiva já que qualquer operação requer planos e controle a fim de que os</p><p>objetivos sejam alcançados, nos prazos e com qualidade de produtos.</p><p>A fábrica avaliada atende a IN n° 17, de 07 de abril de 2008 (BRASIL, 2008) que proíbe</p><p>a fabricação de produtos destinados a ruminantes e monogástricos na mesma planta. E, cons-</p><p>tatou-se uma ordem fixa de produção das diferentes formulações, no estabelecimento, le-</p><p>vando em consideração os ingredientes, aditivos, produtos veterinários e a sensibilidade das</p><p>espécies. Importante mencionar que a sequência adotada na empresa reduz a possibilidade</p><p>de contaminação cruzada. Adicionalmente, concernente à embalagem, rotulagem e propa-</p><p>ganda dos produtos destinados à alimentação animal, todos estão adequados a IN n° 22 de</p><p>2 de junho de 2009, a qual disciplina normas específicas sobre o assunto (BRASIL, 2009b).</p><p>Constatou-se a observância das BPF e dos POPs nas operações rotineiras realiza-</p><p>das em todo o processo de fabricação das rações, que convergem para o processamento</p><p>adequado e a qualidade final do produto com vistas a apresentar o melhor custo benefício,</p><p>mediante o monitoramento dos processos. Mas, pondera-se sobre a importância de trei-</p><p>namentos aos colaboradores, não apenas quando da admissão no estabelecimento, mas,</p><p>de forma periódica e sistemática. Ademais, destaca-se a importância da conscientização</p><p>das análises da matéria-prima e da rastreabilidade. Esta última constitui-se de informações</p><p>essenciais sobre o produto, desde a matéria-prima, perpassando pelo transporte, até o con-</p><p>sumidor final, ou seja, engloba o controle de todas as fases de produção. Logo, na empresa</p><p>avaliada, deve ser realizada a rastreabilidade do produto acabado por meio do estoque de</p><p>cada lote ou partida produzida.</p><p>CONCLUSÕES</p><p>Conclui-se que a empresa utiliza técnicas de controle de qualidade na produção da</p><p>ração farelada para não ruminantes (frangos e suínos), com baixo custo, boa qualidade e</p><p>aceitação no mercado em consonância com a legislação brasileira.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. BALDISSERA, A. V. Pontos críticos no processo de fabricação e peletização para frangos</p><p>de corte. 2009. 54 f. Monografia (Graduação em Zootecnia) – Universidade Federal de Mato</p><p>Grosso, Cuiabá, 2009.</p><p>2. BEUS, F. C. Vivência numa fábrica de rações para alimentação animal. 2017. 46 f. Monografia</p><p>(Graduação em Zootecnia) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2017.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>150 151</p><p>3. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 4, de 23</p><p>de fevereiro de 2007. Aprovar o regulamento técnico sobre as condições higiênico-sanitárias</p><p>e de boas práticas de fabricação para estabelecimentos fabricantes de produtos destinados à</p><p>alimentação animal e o roteiro de inspeção, constantes dos anexos. Diário Oficial [da] Repú-</p><p>blica Federativa do Brasil, Brasília, DF, 01 de março de 2000. Disponível em https://www.gov.</p><p>br/agricultura/pt-br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-pecuarios/alimentacao-animal/</p><p>arquivos-alimentacao-animal/InstruoNormativa04.2007.pdf. Acesso em: 01 mar. 2021.</p><p>4. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 17, de</p><p>07 de abril de 2008. Proíbe em todo o território nacional a fabricação, na mesma planta, de</p><p>produtos destinados à alimentação de ruminantes e de não-ruminantes, exceto os estabele-</p><p>cimentos que atenderem aos requisitos estipulados. Diário Oficial [da] República Federativa</p><p>do Brasil, Brasília, DF, 08 de abril de 2008. Disponível em http://www3.servicos.ms.gov.br/</p><p>iagro_ged/pdf/1258_GED.pdf. Acesso em: 01 mar. 2021.</p><p>5. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 15 de 26</p><p>de maio de 2009a. Regulamentar o registro dos estabelecimentos e dos produtos destinados</p><p>à alimentação animal, na forma do Anexo à presente Instrução Normativa. Diário Oficial [da]</p><p>República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 28 de maio de 2009. Disponível em https://www.</p><p>gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/insumos-agropecuarios/insumos-pecuarios/alimentacao-ani-</p><p>mal/arquivos-alimentacao-animal/legislacao/instrucao-normativa-no-15-de-26-de-maio-de-2009.</p><p>pdf. Acesso em: 01 mar. 2021.</p><p>6. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 22 de</p><p>02 de junho de 2009b. Regulamentar a embalagem, rotulagem e propaganda dos produtos</p><p>destinados à alimentação animal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília,</p><p>DF, 04 de junho de 2009. Disponível em https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=78101.</p><p>Acesso em: 01 mar. 2021.</p><p>7. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Instrução Normativa nº 51, de 03</p><p>de agosto de 2020. Estabelece os critérios e procedimentos para a fabricação, fracionamento,</p><p>importação e comercialização dos produtos dispensados de registro para uso na alimentação</p><p>animal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 05 de agosto de 2020.</p><p>Disponível em https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-n-51-de-3-de-agosto-</p><p>-de-2020-270471891. Acesso em: 01 mar. 2021.</p><p>8. DOS SANTOS, I. M.; VALADARES, C. M. Análise do planejamento e controle da produção</p><p>(PCP): O caso de uma fábrica de ração no município de Rio Verde/GO. Revista Organização</p><p>Sistêmica, v. 3, n. 2, p. 1-56, 2013.</p><p>9. MENEZES, R. G. D. Boas práticas de fabricação (BPF) como ferramenta de controle de quali-</p><p>dade em fábricas de ração. 2018. 29 f. Monografia (Graduação em Zootecnia) – Universidade</p><p>Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018.</p><p>10. NOGUEIRA, S. de L. Produção de ração para animais não ruminantes na Pap rações. 2018. 50</p><p>f. Monografia (Graduação em Zootecnia) –Universidade Federal do Mato Grosso, Cuiabá, 2018.</p><p>11. OLIVEIRA, F. de. Controle de qualidade em fábrica de ração para frangos de corte. 2014. 49f.</p><p>Relatório (Graduação em Zootecnia) - Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis,</p><p>2014.</p><p>12. SIDONIO, L. et al. Panorama da aquicultura no Brasil: desafios e oportunidades. BNDES</p><p>Setorial, v. 35, p. 421-463, 2012.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>152</p><p>13. SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL. Boletim de SINDIRA-</p><p>ÇÕES. 2019. Disponível em https www.siderações.org.br. Acesso em: 01 mar. 2021.</p><p>14. SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DE ALIMENTAÇÃO ANIMAL. O setor de alimentação</p><p>animal – desafios, oportunidades e muito a ser feito! 2020. Disponível em https//sindiracoes.</p><p>org.br/o-setor-de-alimentacao-animal-desafios-oportunidades-e-muito-a-ser-feito/. Acesso em:</p><p>01 mar. 2021.</p><p>09</p><p>Resíduo de biscoito na alimentação</p><p>de codornas: um referencial teórico</p><p>Sandra Roseli Valerio Lana</p><p>UFAL</p><p>Geraldo Roberto Quintão Lana</p><p>UFAL</p><p>Ana Patrícia Alves Leão</p><p>UFLA</p><p>Romilton Ferreira de Barros Júnior</p><p>UFPB</p><p>10.37885/210705353</p><p>https://dx.doi.org/10.37885/210705353</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>154</p><p>Palavras-chave: Alimentos Alternativos, Coturnicultura, Subprodutos da Panificação.</p><p>RESUMO</p><p>A coturnicultura ganha espaço no Brasil e no mundo devido ao baixo investimento, curto</p><p>ciclo de produção e alta produtividade. Assim como os outros segmentos da produção</p><p>animal, a alimentação corresponde a cerca de 70% do custo de produção.</p><p>E é nesse</p><p>sentido que pesquisas vêm sendo desenvolvidas com o intuito de viabilizar o uso de</p><p>produtos descartados (subprodutos) pela indústria de processamento de alimentos para</p><p>humanos, na ração animal. Dentre esses subprodutos, se destaca os resíduos de pani-</p><p>ficação, mais especificamente, o biscoito. O objetivo deste capítulo é discorrer sobre a</p><p>composição nutricional e alternativas de uso de resíduos de biscoito na alimentação de</p><p>codornas. Os resíduos de biscoito apresentam composição nutricional, como proteínas,</p><p>energia e minerais que evidenciam a possibilidade de utilização deste na alimentação</p><p>animal. No entanto, são necessárias mais pesquisas que permitam uma padronização</p><p>da inclusão deste nas dietas de codornas de corte e de postura nas diferentes fases de</p><p>produção. O resíduo de biscoito pode substituir parcial ou totalmente o milho na dieta de</p><p>codornas sem afetar o desempenho das aves, bem como resultar em benefícios econô-</p><p>micos quando disponível na região.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>154 155</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A avicultura é um dos principais segmentos do agronegócio mundial. Esse setor se</p><p>destaca, principalmente, pela rapidez no que diz respeito a produção de proteína animal –</p><p>carnes e ovos. Dentre os segmentos da avicultura, a criação de codornas ganha espaço no</p><p>Brasil e no mundo devido ao baixo investimento, curto ciclo de produção e alta produtivida-</p><p>de (Gonzaga et al., 2020). Oliveira, Santos e Cunha (2014) consideram que o aumento na</p><p>procura por produtos diferenciados para o consumo humano é um dos fatores que também</p><p>impulsionam o avanço da coturnicultura. No entanto, os custos com alimentação, que cor-</p><p>respondem a cerca de 70% do custo de criação, são um dos fatores que afetam a produção</p><p>avícola, bem como a produção animal como um todo.</p><p>Nos últimos anos tem-se observado um crescente interesse na busca de produtos</p><p>considerados alternativos para a alimentação animal. O aumento no preço dos alimentos,</p><p>tradicionalmente utilizados, como o milho e o farelo de soja são um dos principais fatores</p><p>que impulsionam a procura por subprodutos da indústria em geral. Muitos alimentos ou sub-</p><p>produtos que são descartados pela indústria e podem ser potenciais poluentes ambientais,</p><p>apresentam composição nutricional que permite uma substituição total ou parcial do milho e</p><p>da soja na alimentação de aves. Antes da inclusão desses alimentos é preciso que estudos</p><p>sejam conduzidos para se avaliar a composição nutricional e como estes são aproveitados –</p><p>digeridos, absorvidos e metabolizados – pelos animais. Além do mais, é preciso considerar</p><p>a disponibilidade e o custo de aquisição desses produtos.</p><p>Dentre esses subprodutos pode-se citar os resíduos da indústria de processamento</p><p>de alimentos. Os alimentos – pães, biscoitos, pastelaria, dentre outros – cuja base principal</p><p>é o trigo, principal cereal para consumo humano, registram os maiores desperdícios no</p><p>setor de alimentos (Lukanov, Pavlova e Genchev, 2021; Alcantara et al., 2021). E em vis-</p><p>ta de evitar seu desperdício são desenvolvidas pesquisas com o objetivo de utiliza-los na</p><p>alimentação animal.</p><p>O objetivo deste capítulo é discorrer sobre a composição nutricional e alternativas de</p><p>uso de resíduos de biscoito na alimentação de codornas de corte e de postura.</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>COTURNICULTURA</p><p>A cadeia produtiva de aves no Brasil modernizou-se e continua buscando formas de</p><p>melhorar ainda mais o desempenho do setor, devido à necessidade de redução de custos e</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>156</p><p>aumento de produtividade, tentando com isso não perder competitividade em nível mundial</p><p>(HOSSEINI et al., 2017).</p><p>A coturnicultura é um ramo da avicultura que está em crescente expansão. Associados</p><p>aos avanços tecnológicos nas cadeias de produção, esse segmento deixa de ser uma ati-</p><p>vidade de subsistência e passa a ser uma atividade econômica rentável que atrai a aten-</p><p>ção de produtores por precisar de pequenos espaços para ser implantada, precocidade</p><p>(35 – 42 dias), alta produtividade (cerca de 300 ovos/ano), facilidade de manejo e rápido</p><p>retorno financeiro.</p><p>A produção de codornas é uma atividade que está se expandindo e duas linhagens de</p><p>codornas são principalmente utilizadas no Brasil, a Coturnix japonica e a Coturnix coturnix,</p><p>para produção de ovos e carne, respectivamente. Estudos mostram que a carne e os ovos</p><p>de codorna são conhecidos por sua alta qualidade proteica, alto valor biológico e baixo teor</p><p>calórico (CRUVINEL et al., 2021).</p><p>O interesse por produtos diferenciados e de qualidade, a mudança de hábitos alimenta-</p><p>res da população em geral são fatores que contribuem para o aumento na produção dessas</p><p>aves. Os ovos de codorna podem ser usados como petiscos, bem como servidos em self</p><p>service, já a carne de codorna apresenta sabor forte e exótico (OLIVEIRA et al., 2014) o que</p><p>atrai o interesse dos consumidores por essas proteínas.</p><p>Como acontece na avicultura geral, para se alcançar o máximo potencial genético das</p><p>codornas é preciso que condições de manejo, ambiente e nutrição sejam atendidas. No que</p><p>diz respeito a alimentação dessas aves, o milho e a soja são os ingredientes básicos,</p><p>responsáveis por atender as demandas energéticas e proteicas, respectivamente, das co-</p><p>dornas (Tabela 1).</p><p>Tabela 1. Exigências nutricionais de energia metabolizável e proteína bruta total de codornas japonesas na fase inicial</p><p>e de crescimento.</p><p>Fase Inicial Fase de Crescimento</p><p>Energia Metabolizável (kcal/kg) 2900 2900</p><p>Proteína Bruta Total (%) 24,36 23,01</p><p>Fonte: Adaptado de Rostagno et al. (2017).</p><p>ALIMENTOS ALTERNATIVOS PARA CODORNAS</p><p>Na coturnicultura, os gastos com alimentação representam cerca de 60 a 75% dos</p><p>custos totais (BARROS JÚNIOR et al., 2020). As criações distantes das regiões produtoras</p><p>destes insumos estão mais suscetíveis às oscilações de mercado (SANTOS et al., 2017).</p><p>Deste modo, a nutrição é uma área que merece destaque na produção animal, visto que, é</p><p>um dos fatores determinantes para atingir bons índices zootécnicos. É necessário conhecer</p><p>os alimentos utilizados, sua aplicação na alimentação animal, composição bromatológica</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>156 157</p><p>dos alimentos, efeitos dos alimentos na fisiologia digestiva, de modo que os ingredientes</p><p>contenham todos os nutrientes necessários a manutenção e produção das aves, permi-</p><p>tindo assim a expressão satisfatória do seu potencial genético (OLIVEIRA et al., 2014;</p><p>CULLERE et al., 2016).</p><p>Conforme Fernandes et al. (2016), é fundamental a busca por alimentos alternativos</p><p>que possam substituir parcial ou totalmente os ingredientes que mais oneram na dieta, a fim</p><p>de reduzir os custos de produção sem comprometer o desempenho zootécnico e a qualidade</p><p>da carne. Para que um alimento seja considerado alternativo, o mesmo deve seguir o pré-</p><p>-requisito de estar disponível em uma determinada região, por um período, em quantidade</p><p>que possa permitir uma troca significativa com aquele alimento convencionalmente utilizado,</p><p>além de atender as exigências nutricionais requeridas pelo animal.</p><p>Alimentos industrializados que se destinam ao consumo humano e que, por algum moti-</p><p>vo, são descartados constituem uma categoria que desperta atenção do nutricionista animal,</p><p>como os resíduos oriundos da indústria de massas (ALCANTARA et al., 2021). O destino</p><p>adequado dos resíduos pode ser uma via para redução dos danos ambientais decorrentes</p><p>do processamento, sendo uma das alternativas, sua aplicação na alimentação de não-rumi-</p><p>nantes, pois, muitos destes resíduos agroindustriais, possuem teores de energia e proteína</p><p>significantes para a nutrição.</p><p>RESÍDUOS DA INDÚSTRIA DE PANIFICAÇÃO</p><p>O principal interesse na busca por alimentos alternativos é reduzir os custos de pro-</p><p>dução com alimentação animal, e que estes, consequentemente, também possibilitem um</p><p>aumento nas margens de lucros do segmento. Dentre eles, tem crescido o interesse dos</p><p>pesquisadores por alimentos industrializados que são destinados ao consumo humano, mas</p><p>por algum motivo - estarem quebrados,</p><p>queimados, amassados e fora do prazo de validade</p><p>- são descartados (VOLPATO et al., 2015).</p><p>Pães e biscoitos são exemplos dos resíduos de panificação que vem despertando o</p><p>interesse dos produtores para inclusão destes na alimentação animal. No entanto, é preciso</p><p>considerar que por esta ser uma categoria composta por diferentes tipos – por exemplo,</p><p>doces, salgados, recheados, etc – se faz necessário conhecer a composição química dos</p><p>mesmos antes de sua inclusão.</p><p>Avaliando a utilização de resíduos de panificação – mistura de diferentes tipos de pães,</p><p>bolos, biscoitos – Al-Ruqaie et al. (2011) concluíram que estes podem substituir 100% do</p><p>milho em dietas para frangos de corte, e destacaram ainda que o uso desses coprodutos</p><p>traz benefícios para os panificadores e avicultores.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>158</p><p>Edache et al. (2017) concluíram que resíduos de panificação podem substituir com-</p><p>pletamente o milho na alimentação de codornas e também favorecem o peso vivo e a por-</p><p>centagem de coxa e moela. Lukanov et al. (2021) consideram que substituir até 10% do</p><p>trigo na ração de codornas por resíduos extrusados de panificação resulta em benefícios</p><p>econômicos a produção.</p><p>COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL DO RESÍDUO DE BISCOITO</p><p>Os resíduos de biscoitos são considerados como alimento energético e são consti-</p><p>tuídos de matérias-primas como farinha de trigo, milho, açúcar, óleo vegetal, entre outras</p><p>(VOLPATO et al., 2014). Por ter um alto valor energético e não possui nenhum fator an-</p><p>tinutricional esses resíduos são considerados alternativas viáveis para substituir o milho</p><p>(ADEYEMO et al., 2013).</p><p>No entanto antes de sua inclusão, é preciso avaliar a sua composição química que</p><p>varia de acordo com a origem, matérias primas usadas, processamento e armazenamen-</p><p>to. É possível observar ainda, a partir do levantamento das composições químicas, que as</p><p>porcentagens do resíduo do biscoito são relativamente aproximadas a do milho (Tabela 2).</p><p>Destaca-se ainda que o biscoito apresenta principalmente, maior extrato etéreo (EE) e ener-</p><p>gia metabolizável (EM) para aves, derivado dos ingredientes utilizados em sua fabricação.</p><p>Tabela 2. Composição química de resíduos de biscoito e do milho.</p><p>MS (%) PB (%) EE (%) FB (%) Cinzas (%) EM (kcal/kg)</p><p>Adeyemo et al. (2013) 89,27 5,25 11,01 1,05 1,00 -</p><p>Apata et al. (2010) 91,73 9,64 2,78 10,05 6,85 -</p><p>Aghdam Shahryar et al. (2012)¹ 92,00 12,60 4,05 2,55 2,20 3300</p><p>Gonzaga et al. (2020) 87,45 9,37 17,00 - 1,12 3833</p><p>Odunsi et al. (2007) 89,40 9,60 6,18 1,70 6,50 3145</p><p>Omoikhoje et al. (2017) 92,40 7,87 10,16 - 1,62 -</p><p>Rostagno et al. (2017) 92,50 8,69 8,28 1,70 1,31 4010</p><p>Shittu et al. (2016) 90,04 19,25 3,64 4,16 7,06 2797</p><p>Volpato et al. (2015) RBT² 92,24 6,26 12,40 - 1,06 4494</p><p>Volpato et al. (2015) RBS³ 91,92 3,10 22,80 - 2,78 5232</p><p>Média 90,8 9,1 9,8 3,5 2,6 3830</p><p>Milho - Rostagno et al. (2017) 92,6 8,8 4,0 1,5 1,3 3464</p><p>¹Resíduo de biscoito + farinha de wafer. ²Resíduo de biscoito de trigo doce. ³Resíduo de biscoito de trigo salgado.</p><p>Na literatura são encontrados alguns trabalhos cujo objetivo é avaliar o uso de resíduos</p><p>de panificação, e dentre eles, o resíduo de biscoito na alimentação de leitões (VOLPATO</p><p>et al., 2015), frangos de corte (EPAO et al., 2017) e codornas (LUKANOV et al., 2021;</p><p>GONZAGA et al., 2020; ODUNSI et al., 2007). Odunsi et al. (2007) avaliaram a composição</p><p>do resíduo de biscoito e do milho, e constatam maior conteúdo de proteína bruta (PB) no</p><p>resíduo de biscoito (9,6% de PB) em comparação ao milho (9,1% de PB), e para o extrato</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>158 159</p><p>etéreo (EE), essa diferença foi mais acentuada, onde o resíduo de biscoito apresentou 6,8%</p><p>de EE e o milho 3,8% de EE.</p><p>Em comparação ao milho, pode-se destacar ainda o elevado conteúdo mineral do</p><p>resíduo de biscoito, o que, de acordo com Odunsi et al. (2007) pode favorecer a espessura</p><p>de casca de ovos.</p><p>RESÍDUO DE BISCOITO PARA CODORNAS</p><p>O custo dos resíduos de biscoitos é relativamente baixo em comparação com o</p><p>milho. Diversos estudos mostram sua eficácia na alimentação animal sem efeito adver-</p><p>so no desempenho.</p><p>Gonzaga et al. (2020) avaliaram a inclusão parcial do resíduo de biscoito tipo wafer</p><p>na dieta de codornas de corte em substituição ao milho e concluíram que o biscoito pode</p><p>ser incluído em até 20% sem comprometer o desempenho produtivo e o rendimento de</p><p>carcaça das codornas. Os autores destacaram ainda um menor custo de produção com o</p><p>biscoito, bem como um maior retorno financeiro. Do mesmo modo, Santos (2014) conside-</p><p>ra que resíduos de biscoito tipo cream cracker pode ser incluídos em até 20% na dieta de</p><p>codornas de corte.</p><p>Aghdam Shahryar et al. (2012) avaliaram o desempenho e rendimento de carcaça de</p><p>frangos de corte alimentados com dietas compostas por níveis crescentes de resíduo de</p><p>biscoito (8, 16 e 24%) e concluíram que é possível a substituição do milho em 24%. Adeyemo</p><p>et al. (2013) e Omoikhoje et al. (2017) afirmaram que o resíduo de biscoito pode ser incluído</p><p>em até 50% sem comprometer o desempenho e carcaça dos frangos.</p><p>Com a substituição total do milho por resíduo de biscoito, Odunsi et al. (2007), cons-</p><p>tataram maior consumo diário de ração (o que pode estar associado à maior palatabili-</p><p>dade do resíduo em comparação às outras fontes avaliadas), e maior produção diária de</p><p>ovos. Os autores ainda destacaram maior espessura de casca de ovos provenientes de</p><p>codornas alimentadas com resíduo de biscoito em comparação aquelas alimentadas com</p><p>sorgo ou milheto, o que é de interesse na cadeia produtiva, uma vez que ovos de cascas</p><p>finas são mais propensos a quebras.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Os resíduos de biscoito apresentam composição nutricional, como proteínas, energia e</p><p>minerais que evidenciam a possibilidade de utilização deste na alimentação animal. No en-</p><p>tanto, são necessárias mais pesquisas que permitam uma padronização da inclusão deste</p><p>nas dietas de codornas de corte e de postura nas diferentes fases de produção. O resíduo</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>160</p><p>de biscoito pode substituir parcial ou totalmente o milho na dieta de codornas sem afe-</p><p>tar o desempenho das aves, bem como resultar em benefícios econômicos quando dis-</p><p>ponível na região.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. ADEYEMO, G.O.; ONI O.R.; LONGE, O.G. Effect of dietary biscuit waste on performance and</p><p>carcass characteristics of broilers. Food Science and Quality Management. v.12, p.1-10, 2013.</p><p>2. AGHDAM SHAHRYAR, H. et al. Possibilities of using biscuit or wafer waste in broiler chicken</p><p>diets, Kafkas Univ Vet Fak Derg, v.18, n.5, p.759-762, 2012. DOI:10.9775/kvfd.2012.6344.</p><p>3. ALCANTARA, R.S. et al. Valores energéticos de resíduos de panificação usados em dietas de</p><p>codornas. Zootecnia Tropical, v.39, e4488560, 2021. DOI: 10.5281/zenodo.4488560.</p><p>4. AL-RUQAIE, I. M. et al. Performance, nutrient utilization and carcass characteristics and econo-</p><p>mic impact of broiler chickens fed extruded bakery waste. Journal of Animal and Veterinary</p><p>Advances, v.10, n.16, p.2061-2066, 2011.</p><p>5. APATA, E.S. et al. Effect of feeding graded levels of biscuit waste based diet on non-carcass</p><p>components of Yankasa rams. African Journal of Biotechnology, v.9, n.28, p.4499-4502,</p><p>2010. DOI: 10.5897/AJB10.1806.</p><p>6. BARROS JÚNIOR, R.F. et al. Nutritional composition, metabolizability coefficients and use of</p><p>passion fruit pulp waste in the diet of meat quail. Semina: Ciências Agrárias, v.41, n.2, p.559-</p><p>570, 2020. DOI: 10.5433/1679-0359.2020v41n2p559.</p><p>7. CRUVINEL, J. M. et al. Different dietary electrolyte balance values on performance, egg, and</p><p>bone quality of Japanese quail (Coturnix Coturnix Japonica) under heat stress. Tropical Animal</p><p>Health and Production, v.53, n.17, p.1-8, 2021.</p><p>8. CULLERE, M. et al. Black soldier fly as dietary protein source for broiler quails: apparent di-</p><p>gestibility, excreta microbial load, feed choice, performance, carcass and meat traits. Animal</p><p>Journal, v.10, n.12, p.1923-1930, 2016.</p><p>9. EDACHE, J.A. et al. Effects of feeding varying levels of bakery waste meal</p><p>on the performance</p><p>and carcass values of growing Coturnix quails (Coturnix coturnix japonica). Nigerian Journal</p><p>of Animal Production, v.44, n.3, p.294-299, 2017.</p><p>10. EPAO, V.; RAMTEKE, B.N.; GADEGAONKAR, G.M. Effect of replacement of maize with dry</p><p>bakery waste in broiler diet. Indian Journal of Veterinary Science and Biotechnology, v.13</p><p>n.2, 2017. DOI: 10.21887/ijvsbt.v13i2.10049.</p><p>11. FERNANDES, D. R. et al. Cashew nut meal in the feeding of meat quails. Tropical Animal</p><p>Health and Production. v.48, p.711–717, 2016.</p><p>12. GONZAGA, L.S. et al. Wafer-type biscuit waste in meat-quail diets. Ciência Animal Brasileira,</p><p>v. 21, e-55943. 2020. DOI: 10.1590/1809-6891v21e-55943.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>160 161</p><p>13. HOSSEINI, F. Normal ultrasonographic images of reproductive organs of female Japanese</p><p>quails (Coturnix coturnix japonica): a laboratory animal model. Laboratory Animals, v.51, n.1,</p><p>p. 75–84, 2017. DOI: 10.1177/0023677215625607.</p><p>14. LUKANOV, H.; PAVLOVA, I.; GENCHEV, A. Effect of partial replacement of wheat with extruded</p><p>bakery waste in fattened domestic quail rations. Trakia Journal of Sciences, n.1, p.44-52,</p><p>2021. DOI:10.15547/tjs.2021.01.008.</p><p>15. ODUNSI, A.A.; SANUSI, T.O.; OGUNLEYE, J.B. Comparative evaluation of maize, sorghum,</p><p>millet and biscuit waste meal as dietary energy sources for laying Japanese quails in a derived</p><p>savannah zone of Nigeria. International Journal of Applied Agricultural and Apicultural</p><p>Research, v.1 e 2, p.90-96, 2007.</p><p>16. OLIVEIRA, H.F.; SANTOS, J.S., CUNHA, F.S.A. Utilização de alimentos alternativos na ali-</p><p>mentação de codornas. Revista Eletrônica Nutritime, v.11, n.5, p. 683–3690, 2014.</p><p>17. OMOIKHOJE, S.O.; ODUDURU, O.; EGUAOJE, S.A. Effect of substituting maize with biscuit</p><p>waste meal on the growth performance, carcass traits, relative organ weight and cost benefit</p><p>of broiler chickens. Animal Research International. v.14, n.2, p.2751-2758, 2017.</p><p>18. ROSTAGNO, H.S. et al. Tabelas brasileiras para aves e suínos: Composição de alimentos</p><p>e exigências nutricionais. 4. Viçosa-MG: Universidade Federal de Viçosa, 2017. 488p.</p><p>19. SANTOS, J.S. et al. Farelo de palma da alimentação de codornas. Revista Eletrônica Nutri-</p><p>time, v.14, n.3, p.5093-5099. 2017.</p><p>20. SANTOS, J.S. Resíduo da indústria de biscoito: uma alternativa para alimentação de co-</p><p>dornas. 2014. 35 f. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) - Universidade Federal de Alagoas,</p><p>Rio Largo, AL, 2014.</p><p>21. SHITTU, M.D. et al. Replacement value of biscuit dough for maize on performance and nutrient</p><p>utilization of broiler chickens. International Journal of Science, v.5, n.3, p.1057-1065, 2016.</p><p>22. VOLPATO, R.M. et al. 2014. Coprodutos da agroindústria na alimentação de leitões. Ci-</p><p>ência Rural, v.45, n.1, p.86-91.</p><p>23. VOLPATO, R.M. et al. Coprodutos da agroindústria na alimentação de leitões. Ciência Rural,</p><p>v.45, n.1, p.86-91, 2015. DOI: https://doi.org/10.1590/0103-8478cr20130391.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>Rosemary Laís Galati</p><p>Possui graduação em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999) e doutorado em Zootecnia</p><p>também pela mesma Instituição de ensino superior (2004). É docente no Departamento de Zootecnia e Extensão Rural</p><p>pertencente à Faculdade de Agronomia e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso (Cuiabá/MT). Na graduação, ministra</p><p>Bromatologia Zootécnica, Alimentos e Alimentação, Bases da Nutrição Animal e Tópicos Especiais: construindo o trabalho de</p><p>conclusão. É colaboradora no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal. Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase</p><p>em Análise e Avaliação de Alimentos para Animais. Na Pós-graduação, ministra as disciplinas Análise de Alimentos e Métodos</p><p>Nutricionais em Ruminantes. Atua principalmente nos temas: bovinos, biodiesel, composição corporal, confinamento, coprodutos</p><p>da agroindústria, impacto ambiental, síntese microbiana, produção de gases e técnicas in vitro e in situ de avaliação de alimentos.</p><p>Lattes: http://lattes.cnpq.br/3931401847742610</p><p>SOBRE O ORGANIZADORA</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>A</p><p>Alimentação: 24, 53, 66, 135, 141, 142</p><p>Alimentação Animal: 141</p><p>Avicultura: 119</p><p>C</p><p>Canopy: 51</p><p>D</p><p>Defoliation: 50</p><p>Dieta: 13</p><p>E</p><p>Exigência: 13, 20, 22, 23, 92</p><p>Exigência Nutricional: 13</p><p>I</p><p>Ingredientes: 120, 135</p><p>N</p><p>Nutrição Animal: 63</p><p>P</p><p>Pecuária: 70, 136, 145, 151</p><p>Peixe Nativo: 13</p><p>Piscicultura: 13, 23</p><p>Plantas Forrageiras: 40</p><p>Proteína: 20, 35, 71, 74, 76, 79, 127, 128, 135,</p><p>156</p><p>Q</p><p>Qualidade: 24, 80, 115, 116, 118, 131, 133, 135,</p><p>136</p><p>Quelato: 53</p><p>S</p><p>Sazonalidade: 26</p><p>Sustentabilidade: 53, 80</p><p>T</p><p>Taninos Vegetais: 26</p><p>U</p><p>Ureia: 76, 78</p><p>ÍNDICE REMISSIVO</p><p>https://twitter.com/EditoraCientfi1</p><p>https://www.editoracientifica.org</p><p>https://www.instagram.com/editoracientifica/</p><p>mailto:contato%40editoracientifica.org?subject=</p><p>https://www.facebook.com/editoracientifica</p><p>https://www.linkedin.com/in/editora-cient%C3%ADfica-digital-27a8041b8/</p><p>https://api.whatsapp.com/send?phone=5511940349229</p><p>Alimentos</p><p>Alimentação&</p><p>Animal</p><p>VENDA PROIBIDA - acesso livre - OPEN ACCESS</p><p>editora</p><p>científica digital</p><p>01</p><p>Aspectos nutricionais e manejo alimentar do pirarucu (Arapaima gigas)</p><p>Kárita Fernanda da Silva Lira</p><p>Luan Shinhiti Kajikawa</p><p>Sidney dos Santos Silva</p><p>Márcio Aquio Hoshiba</p><p>10.37885/210906287</p><p>02</p><p>Caracterização bromatológica das folhas da Mimosa caesalpiniifolia benth (sabiá) no estado do Maranhão, Brasil</p><p>Raimundo Morais dos Santos</p><p>Danilo Rodrigues Barros Brito</p><p>Christoph Gehring</p><p>Livio Martins Costa Júnior</p><p>Ellen Cristina Vale Silva</p><p>Maria Elisabeth Detert</p><p>Dauana Mesquita Sousa</p><p>Helder Louvandini</p><p>10.37885/210805903</p><p>03</p><p>Forage management into beef cattle production helping to farm owner decisions</p><p>Mariana Vieira Azenha</p><p>Fernando Ongaratto</p><p>Abmael da Silva Cardoso</p><p>Daniel Rume Casagrande</p><p>Eliéder Prates Romanzini</p><p>Bruno Ramalho Vieira</p><p>Ricardo Andrade Reis</p><p>Ana Cláudia Ruggieri</p><p>10.37885/210705360</p><p>04</p><p>Minerais orgânicos na nutrição de suínos: uma revisão de literatura</p><p>Marcos Speroni Ceron</p><p>Carlos Augusto Rigon Rossi</p><p>Henrique da Costa Mendes Muniz</p><p>Vladimir de Oliveira</p><p>Alexandre de Mello Kessler</p><p>Bruno Neutzling Fraga</p><p>Daniela Regina Klein</p><p>Michael Silveira Reis</p><p>Carlos Eduardo Botega</p><p>10.37885/210805882</p><p>05</p><p>Monitoramento do nitrogênio uréico no leite: nutrição animal, qualidade ambiental e do leite</p><p>Luciana dos Reis Valadão</p><p>Karyne Oliveira Coelho</p><p>Edmar Soares Nicolau</p><p>Rodrigo Balduino Soares Neves</p><p>10.37885/210906099</p><p>06</p><p>Produção de cana-de-açúcar para a alimentação de bovinos</p><p>Mauro Wagner de Oliveira</p><p>Christiano Nascif</p><p>Manoel Gomes Pereira</p><p>Thiago Camacho Rodrigues</p><p>Terezinha Bezerra Albino Oliveira</p><p>Rogério Jacinto Gomes</p><p>Dalmo de Freitas Santos</p><p>10.37885/210805744</p><p>07</p><p>Qualidade das farinhas de origem animal utilizadas em rações avícolas: um referencial teórico</p><p>Cleriston Andrade Machado</p><p>Felipe Dilelis</p><p>Cristina Amorim Ribeiro de Lima</p><p>10.37885/210504811</p><p>08</p><p>Ração para não ruminantes em uma fábrica sob serviço de inspeção federal no estado do Maranhão: uma abordagem produtiva</p><p>Karen Regina Silveiro Mousinho</p><p>Pedro Louzeiro Pavão</p><p>Marcelo de Abreu Falcão</p><p>Maria Inez Fernandes Carneiro</p><p>Hamilton Pereira Santos</p><p>Danilo Cutrim Bezerra</p><p>Viviane Correa da Silva Coimbra</p><p>Nancyleni Pinto Chaves Bezerra</p><p>10.37885/211006392</p><p>09</p><p>Resíduo de biscoito na alimentação de codornas: um referencial teórico</p><p>Sandra Roseli Valerio Lana</p><p>Geraldo Roberto Quintão Lana</p><p>Ana Patrícia Alves Leão</p><p>Romilton Ferreira de Barros Júnior</p><p>10.37885/210705353</p><p>SOBRE O ORGANIZADORA</p><p>ÍNDICE REMISSIVO</p><p>os peixes alimentados com 40% de PB e posteriormente</p><p>com 36% PB, obtiveram maior ganho de peso (9076,67 g), peso final (9584,21 g) e compri-</p><p>mento final (101,50 cm), sendo os menores resultados zootécnicos obtidos para os animais</p><p>submetidos a dieta inicial com 45% de PB e em seguida com 40% de PB, com o ganho de</p><p>peso de 6714,33g e peso final de 7207,27g.</p><p>Castilho et al. (2012) também testou diferentes níveis de proteína bruta (36; 39; 42;</p><p>45 e 48%) na alimentação de pirarucus com peso médio de 68,75g, constatando que o</p><p>nível mínimo de proteína bruta na ração, responsável por proporcionar maior desempenho</p><p>zootécnico e condição fisiológica dos juvenis foi de 44,9% de PB. Da mesma forma, Del</p><p>Risco et al. (2008), utilizaram dietas testando níveis de proteína bruta de 35; 40 e 45% em</p><p>animais com peso médio inicial de 86,84 g e concluíram que o maior peso final foi obtido</p><p>nos animais alimentados com 40% de proteína bruta com 470,5 g, seguido dos animais ali-</p><p>mentados com 45% de PB (peso final = 454,4g) e os animais alimentados com 35% de PB (</p><p>peso final = 293,6g).</p><p>Ono et al. (2008). ao avaliarem juvenis com peso médio de 96,8 g submetidos a dietas</p><p>contendo duas fontes de energia não proteica (óleo de soja e gordura de aves) e quatro ní-</p><p>veis de proteína bruta (PB) e energia digestível (ED): 36,3% PB e 4021 kcal ED; 40,0% PB e</p><p>4022 kcal ED; 43,9% PB e 3965kcal ED; e 48,0% PB e 3858 kcal ED, verificaram maior</p><p>coeficiente de digestibilidade aparente da matéria seca, proteína bruta e extrativo não ni-</p><p>trogenado quando os peixes foram alimentados com ração contendo 36,3% de PB e 4021</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>18 19</p><p>kcal de ED, seguido por 40% de PB e 4022 kcal de ED, e 48,0% de PB e 3858 kcal ED.</p><p>Enquanto que os tratamentos alimentados com óleo de soja apresentaram maior coeficien-</p><p>te de digestibilidade aparente do extrato etéreo (98,5%) quando comparado com o uso de</p><p>gordura de aves (97,7%).</p><p>A utilização de ingredientes não convencionais na dieta de pirarucu pode ser uma</p><p>alternativa para diminuição dos custos da ração. Neste contexto, as pesquisas visando a</p><p>utilização de óleos vegetais na dieta estende-se além do óleo de soja. A utilização mais</p><p>promissora é a do Ocimum basilicum, conhecido popularmente como manjericão-de-folha-</p><p>-larga. Esse composto na proporção de 2,0 mL/kg na dieta pode elevar no plasma, os níveis</p><p>de proteínas totais e albumina, sendo essa condição fisiológica um indicativo de melhora no</p><p>estado nutricional (CHUNG et al., 2020).</p><p>Outras pesquisas têm sido realizadas para tentar introduzir diferentes alimentos de</p><p>origem vegetal na dieta de pirarucu com o intuito de diminuir o custo da ração. Cipriano</p><p>et al. (2016) testou a substituição de 30% dos alimentos referência pelos ingredientes testes:</p><p>farinha de carne e osso (FCO), farinha de peixe (FP), farinha de penas hidrolisada (FPH),</p><p>farinha de subprodutos de aves (FSA), farelo de soja (FS) e farinha de glúten de milho</p><p>(FGM). Os resultados indicaram que o coeficiente de digestibilidade aparente da energia</p><p>bruta foi superior para ingredientes de origem animal (FSA 96,2%; FP 89,1%; FPH 83,3%</p><p>e FCO 75,4%), quando comparados aos valores obtidos para os ingredientes de origem</p><p>vegetal (FGM 59,8% e FS 58,0%). Dessa forma, é possível concluir que o pirarucu é capaz</p><p>de utilizar as fontes proteicas de origem vegetal, porém, tem preferência pelos ingredientes</p><p>de origem animal. De forma semelhante, Santos-Cipriano et al. (2015) observaram que o</p><p>pirarucu exibiu maior capacidade de utilização da proteína de milho e amido de milho, em-</p><p>bora a espécie não fosse capaz de digerir eficientemente a energia contida em nenhum dos</p><p>ingredientes testado.</p><p>Ramos (2019) avaliou a inclusão de milho, sorgo baixo tanino, quirera de arroz, fare-</p><p>lo de arroz desengordurado e farelo de trigo, adicionadas na proporção de 20% em uma</p><p>dieta referência com 54,96% de proteína bruta. O coeficiente de digestibilidade aparente</p><p>da matéria seca foi maior para a quirera de arroz (81,14%) e o menor resultado foi obtido</p><p>com a dieta contendo milho (70,15%). O coeficiente de digestibilidade aparente da energia</p><p>bruta foi maior para o milho (77,66%), seguido de quirera de arroz (68,5%), farelo de trigo</p><p>(57,35%), farelo de arroz desengordurado (56,68%) e sorgo baixo tanino (54,98%). Quanto</p><p>ao coeficiente de digestibilidade da proteína bruta, não houve diferença significativa, sendo</p><p>obtidos os seguintes resultados: quirera de arroz (80,23%), farelo de arroz desengordurado</p><p>(67,07%), sorgo (65,94%), milho (64,44%) e farelo de trigo (54,73%).</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>20</p><p>Neste sentido, a Tabela 2. demonstra os valores recomendados segundo as pesquisas</p><p>para a exigência proteica do pirarucu.</p><p>Tabela 2. Exigência proteica do pirarucu.</p><p>Peso inicial (g) Proteína Bruta (%) Referências</p><p>68,75 44,9 CASTILO, (2012)</p><p>86,84 40,0 DEL RISCO et al., (2008)</p><p>120,00 48,0 ITUASSÚ, (2002)</p><p>200,00 37,4 MEDEIROS, (2014)</p><p>500,00 40,0 LOPES, (2015)</p><p>4441,66 36,0 LOPES, (2015)</p><p>PERFIL DE AMINOÁCIDOS</p><p>Rodrigues et al. (2017) estimaram o perfil de aminoácidos para ração de pirarucu com</p><p>base na composição de aminoácidos do tecido muscular, no qual sugere a porcentagem de</p><p>aminoácidos de acordo com os níveis de proteína (Tabela 3).</p><p>Tabela 3. Perfil de aminoácidos do tecido muscular estimada para ração contendo 40% e 45% de proteína bruta.</p><p>Aminoácido essencial</p><p>Exigência Pirarucu</p><p>40% 45%</p><p>Arginina 1,55 1,74</p><p>Histidina 0,47 0,53</p><p>Isoleucina 1,15 1,29</p><p>Leucina 2,15 2,42</p><p>Lisina 2,48 2,79</p><p>Metionina 0,74 0,84</p><p>Fenilalanina 1,11 1,25</p><p>Treonina 1,10 1,23</p><p>Triptofano 0,22 0,24</p><p>Valina 1,20 1,35</p><p>Fonte: RODRIGUES et al. (2017).</p><p>UTILIZAÇÃO DE ENZIMAS NAS DIETAS</p><p>O uso de enzimas exógenas na alimentação de pirarucu foi estudado por Cavero (2004),</p><p>no qual testou dietas contendo proteases, lipases e amilases, seguindo as proporções de</p><p>0,0; 0,1; 0,2; e 0,4%. As dietas com proteases e lipases, influenciaram positivamente no</p><p>desempenho zootécnico de juvenis de pirarucu, o qual o mesmo não foi observado para a</p><p>adição de amilase.</p><p>Em contrapartida, Alcântra, (2012) ao avaliar a adição de lipase e protease na ração</p><p>de pirarucu com substituição parcial de farinha de vísceras de aves e farinha de carne e</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>20 21</p><p>ossos, concluiu que não houve incremento nos coeficientes de digestibilidade aparente dos</p><p>nutrientes das rações, assim como na digestibilidade destes ingredientes alternativos.</p><p>A adição de enzimas na dieta também foi observada no trabalho de Bordinhon (2004),</p><p>em que o coeficiente de digestibilidade indicou redução na capacidade de aproveitamento da</p><p>fração de carboidratos da farinha de trigo crua, entretanto, ao utilizar farinha de trigo cozida</p><p>houve melhora no coeficiente de digestibilidade, sendo maximizado com as dietas contendo</p><p>farinha de trigo cozida e suplementadas com amilase exógena.</p><p>UTILIZAÇÃO DE PROBIÓTICOS NA DIETA</p><p>A utilização de probiótico é uma tecnologia estudada para melhorar a saúde e o de-</p><p>sempenho dos animais. O probiótico é produzido a partir de microrganismos comuns da</p><p>microbiota intestinal da espécie. Em estudos de isolamento microbiano, foi identificado a</p><p>presença de diferentes espécies no trato gastrointestinal do pirarucu, sendo as principais:</p><p>Enterococcus faecalis, Lactococcus lactis, Weissella paramesenteroides, Staphylococcus</p><p>sp., Lactococcus e Enterococcus faecium (DO VALE PEREIRA et al., 2017).</p><p>A partir da identificação dos microrganismos benéficos existentes na flora gastrointesti-</p><p>nal dos peixes, é possível produzir os probióticos, como por exemplo, o avaliado por Do Vale</p><p>Pereira et al. (2019) que analisou pirarucus alimentados com uma dieta contendo L. lactis</p><p>subsp. lactis em 1 × 108 CFU − 1, outra dieta contendo E. faecium a 1 × 108 CFU − 1, e com</p><p>dieta não suplementada com probiótico. Ao final do estudo os pesquisadores observaram</p><p>que a utilização de probiótico contendo L. lactis subsp. Lactis aumentou a capacidade anti-</p><p>microbiana sérica in vitro de peixes contra Pseudomonas</p><p>sp., demonstrando que a utilização</p><p>de probióticos específicos para o pirarucu é benéfica para a produção da espécie.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Ao compilar os dados, pode-se concluir que o pirarucu se desenvolve bem ao ser ali-</p><p>mentado em uma frequência de 2 vezes ao dia. Dependendo do peso do animal a taxa de</p><p>alimentação varia de 7 a 1%, com rações com porcentagem de proteína bruta de 36 a 48%.</p><p>O incremento de tecnologias como a adição de enzimas e a utilização de probióticos</p><p>específicos na ração podem auxiliar no melhor aproveitamento dos alimentos, principalmente,</p><p>os de origem vegetal os quais essa espécie tem um baixo coeficiente de digestibilidade e</p><p>assim contribuir para a redução nos custos de produção e difundir a produção da espécie.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>22</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>1. ALCÂNTARA, A. Influência da adição de protease e lipase sobre a digestibilidade de in-</p><p>gredientes da dieta em juvenis de pirarucu (Arapaima gigas). 2012. Dissertação (Mestrado</p><p>em Aquicultura), Universidade Nilton Lins, Manaus, 2012.</p><p>2. BORDINHON, A.M. Suplementação de amilase e solubilidade de amido na digestibili-</p><p>dade da ração para pirarucu Arapaima gigas. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciências</p><p>Biológicas), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia, Universidade Federal do Amazonas,</p><p>Manaus, 2004.</p><p>3. CARDOSO, G.C. Taxas de arraçoamento sobre desempenho produtivo e econômico de</p><p>alevinos de pirarucu (Arapaima gigas) de 500 a 1000g cultivado em hapas. 2015. Trabalho</p><p>de Conclusão de Curso (Engenharia de Pesca) -Fundação Universidade Federal de Rondônia,</p><p>Presidente Médici, 2015.</p><p>4. CASTILLO, C.P.C.D. Exigência proteica e respostas fisiológicas de juvenis de pirarucu,</p><p>Arapaima gigas (Schinz, 1822). Dissertação (Mestrado em Biologia de Água Doce e Pesca</p><p>Interior) - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus, 2012.</p><p>5. CAVERO, B.A.S. et al. Uso de alimento vivo como dieta inicial no treinamento alimentar de</p><p>juvenis de pirarucu. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 38, p. 1011-1015, 2003.</p><p>6. CAVERO, B.A.S. Uso de enzimas digestivas exógenas na alimentação de juvenis de Pira-</p><p>rucu, Arapaima gigas (Cuvier, 1829). 2004. Tese (Doutorado), Instituto Nacional de Pesquisa</p><p>da Amazônia, Universidade Federal do Amazonas. Manaus, 2004.</p><p>7. CHUNG, S. et al. Essential oil from Ocimum basilicum improves growth performance and does</p><p>not alter biochemical variables related to stress in pirarucu (Arapaima gigas). Anais da Aca-</p><p>demia Brasileira de Ciências, v. 92, 2020.</p><p>8. CIPRIANO, F.S. et al. Digestibility of animal and vegetable protein ingredients by pirarucu</p><p>juveniles, Arapaima gigas. Revista Brasileira de Zootecnia, v. 45, p. 581-586, 2016.</p><p>9. CRESCÊNCIO, R. et al. Influência do período de alimentação no consumo e ganho de peso</p><p>do pirarucu. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 40, p. 1217-1222, 2005.</p><p>10. DEL RISCO, M. et al. Efecto de tres niveles de proteína dietaria en el crecimiento de juveniles</p><p>de paiche, Arapaima gigas (Shinz, 1822). Folia Amazónica, v. 17, n. 1-2, p. 29-37, 2008.</p><p>11. DO VALE PEREIRA, G. et al. Characterization of microbiota in Arapaima gigas intestine and</p><p>isolation of potential probiotic bacteria. Journal of Applied Microbiology, v. 123, n. 5, p.</p><p>1298-1311, 2017.</p><p>12. DO VALE PEREIRA, G. et al. Autochthonous probiotic bacteria modulate intestinal microbiota</p><p>of Pirarucu, Arapaima gigas. Journal of the World Aquaculture Society, v. 50, n. 6, p. 1152-</p><p>1167, 2019.</p><p>13. FONTENELE, O. Contribuição para o conhecimento da biologia do pirarucu Arapaima gigas</p><p>(Cuvier), em cativeiro (Actinopterygii, osteoglossidae). Revista Brasileira de Biologia, 1948.</p><p>14. GANDRA, A.L. et al. Pirarucu growth under different feeding regimes. Aquaculture Interna-</p><p>tional, v. 15, n. 1, p. 91-96, 2007.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>22 23</p><p>15. IMBIRIBA, E.P. Produção e manejo de alevinos de pirarucu, Arapaima gigas (Cuvier).</p><p>Embrapa Amazônia Oriental-Circular Técnica (INFOTECA-E), 1991.</p><p>16. IMBIRIBA, E.P. Potencial de criação de pirarucu, Arapaima gigas, em cativeiro. Acta Amazo-</p><p>nica, v. 31, n. 2, p. 299-299, 2001.</p><p>17. ITUASSÚ, D.R. Exigência proteica de juvenis de pirarucu Arapaima gigas (Cuvier, 1829).</p><p>2002. Dissertação (Mestrado em Ciências Biológicas) Instituto Nacional de Pesquisa da Ama-</p><p>zônia, Universidade do Amazonas, Manaus, 2002.</p><p>18. LOPES, F.S.C. Desempenho produtivo e econômico do pirarucu (Arapaima gigas) em</p><p>diferentes sistemas de alimentação proteicos. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (En-</p><p>genharia de Pesca), Fundação Universidade Federal de Rondônia, Presidente Médice, 2015.</p><p>19. MEDEIROS, P.A. de Dietas práticas com diferentes níveis de proteína e energia na ali-</p><p>mentação de juvenis de pirarucu Arapaima gigas (SCHINZ, 1822) durante a engorda em</p><p>tanque-rede. 2014. Dissertação (Mestrado), Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia,</p><p>Manaus, 2014.</p><p>20. MEDEIROS, R.M.S. et al. Avaliação do crescimento de pirarucu Arapaima gigas submetidos</p><p>a diferentes frequências alimentares. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA</p><p>DE ZOOTECNIA, 55.; CONGRESSO BRASILEIRO DE ZOOTECNIA, 28., 2018, Goiânia, GO.</p><p>Construindo saberes, formando pessoas e transformando a produção animal. Goiânia, GO:</p><p>Sociedade Brasileira de Zootecnia: Associação Brasileira de Zootecnistas, 2018.</p><p>21. OLIVEIRA, V. et al. Feeding of juvenile pirarucu (Arapaima gigas, Arapaimidae) in their natural</p><p>environment, lago Quatro Bocas, Araguaiana-MT, Brazil. Neotropical Ichthyology, v. 3, p.</p><p>312-314, 2005.</p><p>22. ONO, E.A. et al. Pirarucu, o gigante esquecido. Panorama da Aqüicultura, v. 14, n. 81, p.</p><p>14-25, 2004.</p><p>23. ONO, E.A. Perspectivas para o aumento da oferta de juvenis de pirarucu. Panorama Aqui-</p><p>cultura, v. 17, p. 45-47, 2007.</p><p>24. ONO, E.A. et al. Digestibilidade aparente de dietas práticas com diferentes relações energia:</p><p>proteína em juvenis de pirarucu. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 43, p. 249-254, 2008.</p><p>25. ONO, E.; KEHDI, J. Manual de boas práticas de produção do pirarucu em cativeiro. Serviço</p><p>Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas, Brasília, 2013.</p><p>26. PEDROSA, R.U. et al. Effects of feeding strategies on growth, biochemical parameters and</p><p>waste excretion of juvenile arapaima (Arapaima gigas) raised in recirculating aquaculture sys-</p><p>tems (RAS). Aquaculture, v. 500, p. 562-568, 2019.</p><p>27. PEIXEBR. Anuário Peixe BR da piscicultura 2020. Associação Brasileira da Piscicultura,</p><p>São Paulo, 2020. Disponível em: https://www.peixebr.com.br/anuario-2020/. Acesso em: de-</p><p>zembro de 2020.</p><p>28. RAMOS, A.M.J. Avaliação da digestibilidade de ingredientes energéticos em dietas para</p><p>juvenis de pirarucu Arapaima gigas (Cuvier 1829). 2019. Dissertação (Mestrado em Aqui-</p><p>cultura), Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2019.</p><p>https://www.peixebr.com.br/anuario-2020/</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>24</p><p>29. RIBEIRO, R.A. Elaboração de ração para pirarucu (Arapaima gigas (Cuvier, 1829)) utili-</p><p>zando farinha de sangue, resíduo de castanha e farinha de carne e ossos. 2008. Tese</p><p>(Doutorado em Biotecnologia), Universidade Federal do Amazonas, Manaus, 2008.</p><p>30. RODRIGUES, A.P.O. Alimentação e nutrição do pirarucu (Arapaima gigas). Embrapa Pesca</p><p>e Aquicultura-Documentos (INFOTECA-E), 2015.</p><p>31. RODRIGUES, A.P.O. et al. Qualidade de rações comerciais utilizadas na alimentação do</p><p>pirarucu Arapaima gigas em cativeiro. Embrapa Pesca e Aquicultura-Boletim de Pesquisa</p><p>e Desenvolvimento (INFOTECA-E), 2017.</p><p>32. RODRIGUES, A.P.O.; CARGNIN-FERREIRA, E Morphology and Histology of the Pirarucu (Ara-</p><p>paima gigas) Digestive Tract. International Journal of Morphology. V.35. P.950-957, 2017.</p><p>33. RODRIGUES, A.P.O et al. Feeding frequency affects feed intake and growth in juvenile pirarucu</p><p>(Arapaima gigas). Acta Amazonica, v. 49, p. 11-16, 2019.</p><p>34. SANTOS-CIPRIANO, F. et al. Apparent digestibility of energetic ingredients by pirarucu juve-</p><p>niles, Arapaima gigas (Schinz, 1822). Latin American Journal of Aquatic Research, v. 43,</p><p>n. 4, p. 786-791, 2015.</p><p>35. SCORVO FILHO, J.D. Tilapicultura e seus insumos,</p><p>relações econômicas. Revista Brasileira</p><p>de Zootecnia, v. 39, p. 112-118, 2010.</p><p>36. SOUSA, I.J. et al. Avaliação dos parâmetros de qualidade de carne em pirarucu submetidos</p><p>â termonarcose e â concussão cerebral. IN: Jornada de Iniciação Científica e de Extensão da</p><p>Universidade Católica do Tocantins, V. Palmas, TO: Vice Direção Acadêmica, 2015.</p><p>37. SOUZA, R.F.C. et al. Períodos de condicionamento alimentar de juvenis de pirarucu na tran-</p><p>sição da alimentação de ração úmida para seca. Pesquisa Agropecuária Brasileira, v. 50,</p><p>p. 622-625, 2015.</p><p>02</p><p>Caracterização bromatológica das</p><p>folhas da Mimosa caesalpiniifolia</p><p>benth (sabiá) no estado do Maranhão,</p><p>Brasil</p><p>Raimundo Morais dos Santos</p><p>IFMA</p><p>Danilo Rodrigues Barros Brito</p><p>IFMA</p><p>Christoph Gehring</p><p>UEMA</p><p>Livio Martins Costa Júnior</p><p>UFMA</p><p>Ellen Cristina Vale Silva</p><p>UFMA</p><p>Maria Elisabeth Detert</p><p>EMA</p><p>Dauana Mesquita Sousa</p><p>UFMA</p><p>Helder Louvandini</p><p>CENA/USP</p><p>10.37885/210805903</p><p>https://dx.doi.org/10.37885/210805903</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>26</p><p>Palavras-chave: Sazonalidade, Taninos Vegetais, Plantas Forrageiras.</p><p>RESUMO</p><p>Este estudo teve como objetivo caracterizar bromatologicamente as folhas da espécie</p><p>Mimosa caesalpiniifolia no estado do Maranhão, Brasil, considerando locais de coleta,</p><p>épocas do ano e idade das plantas. As folhas foram coletadas em períodos seco e</p><p>chuvoso, em quatro municípios. As amostras foram secas à sombra e moídas poste-</p><p>riormente. Quanto aos teores de lignina, foram significantemente menores no início da</p><p>época chuvosa. Observou-se que os teores de FDA foram maiores no período seco. Não</p><p>houve diferença estatística entre as épocas do ano nas variáveis de matéria orgânica,</p><p>proteína bruta e matéria orgânica. Houve diferença significativa com maiores teores dos</p><p>fenóis totais e dos taninos totais, e tendências (p<0,10) de maior teor de matéria orgânica</p><p>na M. caesalpiniifolia de três anos de idade comparada com a de cinco anos de idade.</p><p>Observou-se efeito significativo para época seca apenas para folha quanto à matéria</p><p>orgânica, sendo encontrados valores superiores para o período chuvoso. As folhas apre-</p><p>sentaram teores de FDA e FDN elevados, em relação a efeitos sazonais, na época seca.</p><p>Quanto aos taninos condensados, apresentaram variação relevantes entre os quatros</p><p>municípios. Na época chuvosa observou-se melhor composição química das folhas da</p><p>planta. Conclui-se que o teor das variáveis bromatológicas da M. caesalpiniifolia variam</p><p>de acordo com o local e a época do ano no estado do Maranhão, Brasil.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>26 27</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Mimosa caesalpiniifolia é uma leguminosa arbórea nativa do Nordeste do Brasil, com</p><p>ocorrência nos estados do Piauí, Maranhão, Ceará e comum em regiões da Amazônia e na</p><p>Mata Atlântica, com grande potencial madeireiro, apícola e forrageiro (RIBASKI et al., 2003;</p><p>LORENZI, 2008). O conhecimento das potencialidades nutricionais e químicas de plantas</p><p>nativas através de estudos científicos proporciona incremento e fortalecimento dos saberes</p><p>das comunidades rurais, proporcionando a conservação dos recursos naturais e manutenção</p><p>da espécie em seu ecossistema, maximizando o seu uso e possibilitando o surgimento de</p><p>novas informações e uso dessa planta (LORENZI, 2008; SILVA et al., 2015).</p><p>Gonçalves et al. (2010) analisaram propriedades químicas e físicas da madeira</p><p>da M. caesalpiniifolia para mostrar o seu potencial de uso. No entanto, concluíram que</p><p>não é indicada para produção de celulose devido baixo teor de alfa-celulose e alto teor de</p><p>lignina. Todavia, considerando a M. caesalpiniifolia uma madeira de alta densidade e ao</p><p>confirmar que o alto teor de lignina e a alta densidade à madeira pode ser ótima opção para</p><p>a fabricação do carvão.</p><p>Também possui relevância na medicina caseira (Lorenzi, 2002; Maia, 2004), assim como</p><p>é uma planta que representa importante fonte de pólen e néctar para as abelhas (FIGUEIRÔA</p><p>et al., 2005). Suas flores são melíferas e por florescerem no período em que possui grande</p><p>escassez de flores, todo mel gerado é bastante específico e de alta qualidade (MAIA, 2004).</p><p>M. caesalpiniifolia também se caracteriza por sua habilidade de persistência e do seu</p><p>crescimento rápido em áreas degradadas e frequentemente queimadas, além da sua tole-</p><p>rância por secas (SANTIAGO et al., 2001). Contudo, segundo Araújo Filho (2002), o valor</p><p>nutritivo dessas plantas apresenta variações ao longo do ano, em função da fase do ciclo</p><p>fenológico, com o teor de proteína bruta (PB) e a digestibilidade in vitro da matéria seca</p><p>(DIVMS), decrescendo à medida que ocorre mudança da fase vegetativa (período chuvoso)</p><p>para a de restolho lenhoso (período seco). A flutuação estacional, ligada a fatores ambien-</p><p>tais, na disponibilidade e qualidade de fitomassa das leguminosas nativas do semiárido foi</p><p>descrita por diversos autores (VIANA e CARNEIRO, 1994; VASCONCELOS, 1997; ARAÚJO</p><p>FILHO et al., 1998).</p><p>A suplementação alimentar dos rebanhos no período da seca proporciona uma al-</p><p>ternativa alimentar de baixo custo. As folhas, verdes ou secas, assim como as vagens,</p><p>são excelentes forrageiras e possuem alto valor nutricional. Sua folhagem é considerada</p><p>valiosa fonte de alimento para grandes e pequenos ruminantes, principalmente durante a</p><p>longa estiagem do sertão semiárido, geralmente são coletados no período de abundância</p><p>de forragem (período chuvoso) para suplementar a dieta animal no período de estiagem</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>28</p><p>(VASCONCELOS, 1989). Dentre estas, o sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.) pode re-</p><p>presentar até 70% do total da forragem consumida por ruminantes durante a estação das</p><p>chuvas (MENDES, 1989).</p><p>Estudos vêm sendo desenvolvidos, buscando espécies da região Nordeste do Brasil</p><p>com potencial taninífero (AZEVEDO et al., 2017). Taninos condensados são polifenóis pre-</p><p>sentes na maioria das leguminosas tropicais e estão associados a redução da ingestão e</p><p>digestibilidade da matéria seca, matéria orgânica, proteína e fibra. Considerando a necessi-</p><p>dade de caracterizar os taninos condensado, proteínas, fibras e fenóis presente em legumi-</p><p>nosas forrageiras nativas, assim como verificar a existência de variação estacional nesses</p><p>valores, este trabalho teve como objetivo caracterizar os taninos condensados, bem como</p><p>outras variáveis bromatológicas da espécie Mimosa caesalpiniifolia, identificando os efeitos</p><p>sazonais em quatro regiões do estado do Maranhão.</p><p>MÉTODO</p><p>Áreas amostrais</p><p>O experimento foi realizado nos períodos seco e chuvoso, com coletas realizadas nos</p><p>meses de janeiro, março, julho, outubro e novembro de 2018. O sabiá (Mimosa caesalpinii-</p><p>folia) foi coletado retirando-se a folha e o pecíolo, por tração manual, em diversas partes da</p><p>planta. Após a colheita, o material foi seco à sombra, e triturado em moinho com peneira de</p><p>1 mm de porosidade, para as análises bromatológicas.</p><p>A ONG Educação e Meio Ambiente (EMA) tem experimentado desde 2007 e posterior-</p><p>mente implantado de modo sistemático plantios de sabiá até agora em aproximadamente</p><p>200 ha, distribuídos em 11 assentamentos de 10 municípios do centro-norte do Maranhão,</p><p>na maioria em prestação de serviço ao INCRA. Plantios de sabiá foram realizados em duas</p><p>etapas: a primeira etapa de plantio, com 86 mil mudas de sabiá, no ano de 2012 (deno-</p><p>minadas no experimento plantas de 5 anos de idade), nos meses de janeiro e fevereiro,</p><p>período chuvoso no Maranhão, e a segunda etapa de plantio de 110 mil mudas de sabiá,</p><p>iniciou-se no ano de 2014 (denominadas plantas de 3 anos de idade), com início do período</p><p>chuvoso, mês de janeiro.</p><p>As coletas foram realizadas em áreas de Assentamento da Reforma Agrária do Instituto</p><p>Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA do Maranhão. Os projetos de assen-</p><p>tamento onde ocorreram as coletas foram o PA (Projeto de Assentamento) Árvores Verde-</p><p>Município de Brejo, PA São José da Vitória - Município de Pirapemas, PA Olga Benário</p><p>- Município de Amarante e PAE (Projeto Agroextrativista do INCRA) Bacuri - Município de</p><p>Cajari, em áreas</p><p>com plantios de sabiá que foram implantadas pelo INCRA-MA, através do</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>28 29</p><p>Núcleo Ambiental do INCRA, com o apoio da ONG Associação Educação e Meio Ambiente</p><p>– EMA. A Figura 1 mostra os locais de coleta do sabiá no estado do Maranhão, para uma</p><p>melhor compreensão de distribuição na unidade federativa do Brasil em questão.</p><p>Figura 1. Locais de coleta da Mimosa caesalpiniifolia no estado do Maranhão, Brasil.</p><p>Fonte: Núcleo Geoambinetal UEMA).</p><p>O PA Arvores Verdes - Comunidade Escalvados, fica localizado na cidade de Brejo-MA,</p><p>possuindo as seguintes coordenadas geográficas: W 42° 43’ 07.8”, GPS S 03° 45’ 28.9”,</p><p>UTM W 753361, UTM S 9584288. Situado a 76 metros de altitude, Brejo tem as seguintes</p><p>coordenadas geográficas: Latitude: 3° 41’ 7’’ Sul, Longitude: 42° 45’ 4’’ Oeste.</p><p>O PA São José da Vitória - Comunidade Vitória, em Pirapemas –MA, possui as seguin-</p><p>tes coordenadas geográficas: GPS W 44° 09’ 59.3” GPS S 03° 48’ 28.8”, UTM W 592550,</p><p>UTM S 9579050. O município se estende por 688,8 km². A cidade de Pirapemas está situada</p><p>a 35 metros de altitude, tendo as seguintes coordenadas geográficas: Latitude: 3° 43’ 40’’</p><p>Sul, Longitude: 44° 13’ 24’’ Oeste.</p><p>O PA Bacuri - Comunidade Bacuri em Cajari-MA possui as seguintes coordenadas geo-</p><p>gráficas: GPS W 45° 07’ 15.2” GPS S 03° 22’ 46.3” UTM W 486571, UTM S 9626455. Cajari</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>30</p><p>é um município brasileiro do estado do Maranhão , situado a 3 metros de altitude, tendo as</p><p>seguintes coordenadas geográficas: Latitude: 3° 18’ 11’’ Sul, Longitude: 44° 53’ 5’’ Oeste.</p><p>A Comunidade Olga Benário, PA Olga Benário em Amarante do Maranhão-MA, pos-</p><p>sui as seguintes coordenadas geográficas GPS MAP 64 GARMIN UTM w 0342936, UTM s</p><p>9373702. Amarante do Maranhão, situado a 242 metros de altitude, tem as seguintes coor-</p><p>denadas geográficas: Latitude: 5° 34’ 8’’ Sul, Longitude: 46° 44’ 16’’ Oeste.</p><p>Coletas amostrais</p><p>As folhas da M. caesalpiniifolia foram coletadas em Janeiro, Março, Julho (período</p><p>chuvoso) e Outubro e Novembro (período seco) em todas as comunidades das áreas amos-</p><p>trais, correspondente ao início e final da época chuvosa e começo da época seca. Em cada</p><p>plantio de sabiá com área de 10 ha de tamanho, foram escolhidos 10 pontos amostrais</p><p>dispersos aproximadamente equidistante e abrangendo árvores de diferentes tamanhos,</p><p>para formar uma amostra foliar composta. Nestes pontos foram coletadas 5 a 10 kg de</p><p>folhas verdes (nem juvenis, nem senescentes) em diferentes alturas das árvores. Foram</p><p>coletadas somente folhas sadias (sem sinais de ataque por pragas ou doenças). As coletas</p><p>foram realizadas pela tarde, e transportadas para o Instituto Federal do Maranhão (IFMA),</p><p>campus Maracanã, localizado no município de São Luís. As amostras ficaram em um galpão</p><p>para secagem a sombra com temperatura inferior a 40 ºC por sete dias e posteriormente</p><p>passaram por trituração.</p><p>Análises bromatológicas</p><p>As análises bromatológicas foram realizadas no Laboratório de Nutrição Animal do</p><p>Centro de Energia Nuclear na Agricultura/USP. As amostras foram secas e enviadas para</p><p>quantificação de taninos e demais variáveis bromatológicas. As extrações de fenóis totais</p><p>e taninos totais seguiram metodologias padrão descritas por Makkar (2000) e de tanino</p><p>condensado, de acordo com Porter et al. (1986) pelo método do HCl-Butanol. Matéria seca</p><p>(Método 934.01; AOAC, 2011), matéria orgânica (método 942.05; AOAC, 2011), fibra bruta</p><p>(método de Weende AOAC 978.10), gordura (método de Weende), proteína bruta (método</p><p>920.87; AOAC, 2011) e fibra (fibra em detergente neutro-FDN, fibra em detergente ácido-FDA</p><p>e a lignina detergente ácida – LDA) (VAN SOEST, 1994).</p><p>Análises Estatísticas</p><p>Inicialmente foi avaliada a distribuição dos dados (i) visualmente via histogramas e (ii)</p><p>via testes contra normalidade de distribuição dos dados Kolmogorov-Smirnov e Lilliefor’s.</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Munic%C3%ADpio</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil</p><p>https://pt.wikipedia.org/wiki/Estados_do_Brasil</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>30 31</p><p>Foi constatado que todas as variáveis seguiram normalidade, permitindo análises paramé-</p><p>tricas dos dados.</p><p>Para averiguar possíveis efeitos da sazonalidade foi efetuada uma ANOVA (análise</p><p>de variância) entre as quatro datas amostrais, e em caso de significância aplicado o teste</p><p>de Tukey com valor de significância de p<0,05, considerando também tendências de até</p><p>p<0,10. Para averiguação do possível efeito da idade foi efetuado teste-t com os mesmos</p><p>critérios de significância. Também puderam ser investigadas possíveis correlações entre as</p><p>variáveis, visualmente também averiguando possíveis impactos sazonais ou de localização</p><p>(entre municípios).</p><p>RESULTADOS E DISCUSSÃO</p><p>Variação sazonal</p><p>Dos compostos analisados, foi observado na Figura 2 que os teores de lignina foram</p><p>significativamente menores no início da época chuvosa em relação ao início da época seca,</p><p>resultados que condizem com Lima (2015) que, ao analisar compostos estruturais: fibras,</p><p>lignina e celulose, notou que apenas a concentração de celulose variou entre as estações</p><p>seca e chuvosa, atingindo valores maiores na estação chuvosa. No entanto, Fukushima e</p><p>Hatfield (2003) afirmam que a oferta de forragens verdes em pastagens tropicais sofre direta-</p><p>mente as consequências das variações sazonais do clima e consequentemente a produção</p><p>de massa verde tende a ser menor na época seca.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>32</p><p>Figura 2. Efeito da sazonalidade no teor de lignina (g/Kg MS) em folhas de Mimosa caesalpiniifolia nos quatro municípios</p><p>do Maranhão, ano de 2018.</p><p>Lignina *</p><p>Mean</p><p>Mean±SE</p><p>Mean±SD Jan Mar Jul Nov</p><p>Coleta</p><p>420</p><p>440</p><p>460</p><p>480</p><p>500</p><p>520</p><p>540</p><p>560</p><p>580</p><p>600</p><p>620</p><p>640</p><p>660</p><p>Li</p><p>gn</p><p>in</p><p>a</p><p>*</p><p>ab</p><p>a</p><p>ab</p><p>b</p><p>Ausência de letras comuns indica diferença estatística entre épocas seguindo o teste de Tukey</p><p>a p<0,05.</p><p>Na Figura 3, observam-se a análise de fibras extraídas por detergente ácido (FDA) nas</p><p>folhas de sabiá coletadas dos quatro municípios.</p><p>Figura 3. Efeito da sazonalidade no teor de fibras extraídos por detergente ácido (g/kg MS) em folhas da Mimosa</p><p>caesalpiniifolia nos quatro municípios do Maranhão, ano de 2018.</p><p>FDA om *</p><p>Mean</p><p>Mean±SE</p><p>Mean±SD Jan Mar Jul Nov</p><p>Coleta</p><p>620</p><p>640</p><p>660</p><p>680</p><p>700</p><p>720</p><p>740</p><p>760</p><p>780</p><p>800</p><p>820</p><p>840</p><p>F</p><p>D</p><p>A</p><p>o</p><p>m</p><p>*</p><p>a</p><p>bb</p><p>b</p><p>Ausência de letras comuns indica diferença estatística entre épocas seguindo o teste de Tukey</p><p>a p<0,05.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>32 33</p><p>Constatou-se teores significativamente maiores no auge da época seca do que na época</p><p>chuvosa. Observou-se diferença significativa para fibra em detergente neutro (FDN) das folhas</p><p>conforme a Figura 4, ocorrendo valores superiores para época seca. Independentemente</p><p>do local de colheita da planta, maiores valores foram observados no período seco para fibra</p><p>em detergente ácido (FDA).</p><p>Os valores encontrados para FDN e FDA foram superiores aos relatados por Vieira</p><p>et al. (2005), que encontraram valores de 44,39 e 39,05% de FDN para época chuvosa e</p><p>seca, respectivamente e 25,80 e 21,83% de FDA para época chuvosa e seca, respectiva-</p><p>mente. Os valores das fibras variam em função das partes das plantas, e isso pode explicar</p><p>as diferenças encontradas nas folhas. Outros fatores como idade da planta, precipitação e</p><p>complexo tanino podem contribuir com essas variações.</p><p>Figura 4. Efeito da sazonalidade no teor de fibras extraídos por detergente neutro (g/kg MS) em folhas da Mimosa</p><p>caesalpiniifolia nos quatro municípios do Maranhão, ano de 2018.</p><p>aFDNom *</p><p>Mean</p><p>Mean±SE</p><p>Mean±SD Jan Mar Jul Nov</p><p>Coleta</p><p>600</p><p>620</p><p>640</p><p>660</p><p>680</p><p>700</p><p>720</p><p>740</p><p>760</p><p>780</p><p>800</p><p>820</p><p>840</p><p>860</p><p>aF</p><p>D</p><p>N</p><p>om</p><p>*</p><p>a</p><p>ab</p><p>ab b</p><p>a</p><p>Ausência de letras comuns indica diferença estatística entre épocas seguindo o Teste de Tukey</p><p>a p<0,05.</p><p>A Figura 5 mostra a variação sazonal do teor de taninos condensados nas folhas de</p><p>sabiá coletadas dos quatro municípios. Não houve variação sazonal significativa entre as</p><p>épocas amostrais.</p><p>Alimentos</p><p>e Alimentação Animal</p><p>34</p><p>Figura 5. Efeito da sazonalidade no teor de taninos condensados em folhas da Mimosa caesalpiniifolia nos quatro</p><p>municípios do Maranhão, ano de 2018.</p><p>Taninos condensados ** (p<0,084)</p><p>Mean</p><p>Mean±SE</p><p>Mean±SD Jan Mar Jul Nov</p><p>Coleta</p><p>-20</p><p>0</p><p>20</p><p>40</p><p>60</p><p>80</p><p>100</p><p>120</p><p>140</p><p>160</p><p>180</p><p>T</p><p>an</p><p>in</p><p>os</p><p>c</p><p>on</p><p>de</p><p>ns</p><p>ad</p><p>os</p><p>*</p><p>*</p><p>ANOVA não detectou diferenças significativas entre épocas (p=0,08). ** Valores expressos em</p><p>equivalente grama de leucocianidina / kg de matéria seca.</p><p>Também não houve diferenças significativas entre as épocas amostrais nas variáveis</p><p>de matéria orgânica e proteína bruta.</p><p>Efeito da idade da Mimosa caesalpiniifolia</p><p>Na Tabela 1, verificaram-se diferenças relacionadas à idade do plantio de sabiá. Houve</p><p>diferença significativa com maiores teores dos fenóis totais e dos taninos totais, e tendências</p><p>(p<0,10) de maior teor de matéria orgânica no sabiá de três anos de idade comparado com</p><p>o sabiá de cinco anos de idade. As outras variáveis bromatológicas não foram afetadas pela</p><p>idade do sabiá. Estudos de Monteiro et al. (2005) afirmam que o nível máximo de compos-</p><p>tos fenólicos foi encontrado em folhas jovens e, durante a maturação o conteúdo decresce</p><p>rapidamente. Os autores evidenciaram que os taninos mostram padrões de sazonalidade</p><p>distintos. Silva (2011) relatou que os resultados obtidos da Mimosa caesalpiniifolia podem</p><p>ser explicados pelas características genéticas da espécie, visto que é uma planta que pode</p><p>ser encontrada em diversas regiões do país. Ela mostrou bom desenvolvimento nas condi-</p><p>ções da Zona da Mata, indicando que não foram apenas as condições pluviométricas que</p><p>favoreceu a alta produção de matéria seca. A alta capacidade de renovação dos tecidos,</p><p>no período de 70 dias, resultou nas altas produções observadas para as plantas de Sabiá.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>34 35</p><p>Tabela 1. Médias das variáveis bromatológicas das folhas da Mimosa caesalpinifolia e três e de cinco anos de idade, no</p><p>estado do Maranhão, ano de 2018.</p><p>Variável Idade</p><p>(3 anos)</p><p>Idade</p><p>(5 anos) Valor de P</p><p>Matéria Orgânica (g/kg MS) 942,6 926,5 0,094356</p><p>Proteína Bruta (g/kg MS) 201,3 208,6 0,706559</p><p>Fibra em Detergente Neutro (g/kg MS) 758,2 784,9 0,379521</p><p>Fibra em Detergente Ácido (g/kg MS) 715,0 707,7 0,784023</p><p>Lignina (g/kg MS) 540,4 520,1 0,481047</p><p>Fenóis Totais* 138,3 65,9 0,009414</p><p>Taninos Totais* 118,4 56,1 0,009543</p><p>* Valores expressos em equivalente grama de ácido tânico / kg de MS Valor de significância (teste-t) entre idades (todas</p><p>as áreas e épocas juntas).</p><p>TEORES DE TANINOS CONDENSADOS RELACIONADOS AO LOCAL</p><p>E PERÍODO DO ANO</p><p>A Tabela 2 mostra a concentração dos taninos condensados nos diferentes locais de</p><p>estudo, demonstrando alta variação entre locais e época do ano. Os resultados mais eleva-</p><p>dos se mostram na segunda e terceira coleta que foram realizadas nos meses de março e</p><p>julho, época chuvosa e seca, respectivamente. Normalmente, o mês de março é o período</p><p>com intensas chuvas no estado do Maranhão, enquanto julho, normalmente é o mês que</p><p>finda o período chuvoso, ocorrendo poucas chuvas.</p><p>Tabela 2. Concentração dos taninos condensados das folhas da Mimosa caesalpiniifolia em diferentes municípios e</p><p>épocas do ano de 2018 no estado do Maranhão</p><p>Município Período Taninos condensados*</p><p>Amarante Chuvoso 0,76</p><p>Amarante Chuvoso 50,55</p><p>Amarante Seco 18,54</p><p>Amarante Seco 28,44</p><p>Brejo Chuvoso 15,86</p><p>Brejo Chuvoso 58,49</p><p>Brejo Seco -</p><p>Brejo Seco 39,29</p><p>Cajari Chuvoso 13,04</p><p>Cajari Chuvoso 58,14</p><p>Cajari Seco 146,11</p><p>Cajari Seco 60,51</p><p>Pirapemas Chuvoso 6,58</p><p>Pirapemas Chuvoso 88,3</p><p>Pirapemas Seco 127,57</p><p>Pirapemas Seco 49,99</p><p>*Valores expressos em equivalente grama de leucocianidina / kg de matéria seca.</p><p>Guimarães Beelen et al. (2006) observaram que os taninos condensados presentes</p><p>na M. casaelpiinifolia são principalmente constituídos de prodelfinidina, sendo a relação</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>36</p><p>prodelfinidina: procianidina de 90:20 nas fases de vegetação plena e floração, diminuindo</p><p>para 40:50 na fase de frutificação. Almeida et al. (2006) não encontraram diferenças entre</p><p>épocas para teor de tanino e Araújo Filho et al. (2002) encontraram variação do teor de ta-</p><p>nino nas diferentes fases fenológicas da planta, sendo os valores de tanino observados por</p><p>esses autores mais altos do que os observados em nosso trabalho. A quantidade e o tipo</p><p>de taninos sintetizados pelas plantas variam consideravelmente dependendo da espécie,</p><p>do cultivo, do estrato e das condições ambientais. Geralmente, a concentração é maior em</p><p>espécies que prosperam em solos pobres em fertilidade, tal como ocorre nas regiões tropicais</p><p>e subtropicais (OTERO e HIDALGO, 2004). Simon et al. (1999) e Teixeira (1990) relatam</p><p>sobre variações do teor de taninos que mostram que há diferenças quando as plantas são</p><p>coletadas e analisadas em períodos distintos.</p><p>Polifenóis de baixo peso molecular e elagitaninos foram analisados em HPLC, por Simon</p><p>et al. (1999), em quatro espécies de carvalho (Quercus robus L., Q. petraea Liebl., Q. pyre-</p><p>naica Wild. e Q. faginea Lam.), obtidos do extrato da madeira. As coletas foram realizadas</p><p>antes e depois de um ano e, durante este processo, as concentrações de polifenóis de</p><p>baixo peso molecular aumentaram e a concentração de elagitaninos, dímeros e monôme-</p><p>ros, diminuíram. Com estes dados, os autores deduziram que a sazonalidade natural afeta</p><p>a composição química devido a processos de desidratação e maturação e as alterações</p><p>químicas foram similares nas quatro espécies.</p><p>Ressalta-se do mesmo modo a distinção de taninos entre espécies de gênero vegetal</p><p>semelhante, de forma que essa variabilidade influi na atividade biológica dos taninos (Kahiya</p><p>et al., 2003). Alonso Díaz et al. (2011) relataram que é necessário ainda a definição de outros</p><p>aspectos envolvidos para uma melhor caracterização, tais como o estrato da planta, idade</p><p>e estado fisiológico.</p><p>EFEITO DA ÉPOCA DO ANO E LOCAL DA COLETA</p><p>Na Tabela 3 estão expressos os resultados entre as variáveis bromatológicas de acor-</p><p>do com o local da coleta da planta e a época do ano. Notam-se valores mais elevados no</p><p>mês de julho, no final do período chuvoso na região. Os resultados referentes aos teores</p><p>médios de PB, FDN e FDA, concordam com os relatos feitos por Araújo Filho et al. (2002) e</p><p>Guimarães-Beelen et al. (2006), que observaram que com o avanço da estação seca ocorre</p><p>diminuição no teor de PB e aumento da fração fibrosa da planta.</p><p>Quanto a quantidade de taninos nas folhas, observou-se maior valor para a época seca,</p><p>e quando esses valores encontrados são inferiores a 2%, Poncet e Remond (2002) afirmaram</p><p>que a digestibilidade da proteína não é afetada por concentrações de tanino abaixo de 2%.</p><p>Alimentos e Alimentação Animal</p><p>36 37</p><p>Tabela 3. Média das variáveis bromatológicas das folhas da Mimosa caesalpiniifolia em diferentes municípios e épocas</p><p>do ano de 2018 no estado do Maranhão.</p><p>Municípios Período MS MO * PB * FDN* FDA</p><p>* Lignina * Fenóis</p><p>totais **</p><p>Taninos conden-</p><p>sados ***</p><p>Amarante Chuvoso 894,74 937,66 238,17 840,82 704,87 473,83 0,76</p><p>Amarante Chuvoso 905,7 926,97 213,6 788,06 702,27 600,85 79,61 50,55</p><p>Brejo Chuvoso 871,11 930,21 197,49 813,33 705,03 488,8 15,86</p><p>Brejo Chuvoso 907,19 911,96 158,91 706,77 702,3 541,79 93,48 58,49</p><p>Cajari Chuvoso 830,4 962,69 220,72 805,75 714,07 483,91 13,04</p><p>Cajari Chuvoso 913,9 924,39 227,33 759,89 725,1 542,73 109,53 58,14</p><p>Pirapemas Chuvoso 835,52 940,4 164,62 792,25 728,88 526,09 6,58</p><p>Pirapemas Chuvoso 911,12 930,63 226,32 733,46 658,82 506,36 155,08 88,3</p><p>Amarante Seco 890,85 925,78 322,75 781,41 708,84 532,33 47,15 18,54</p><p>Amarante Seco 870,8 903,88 193,45 800,58 728,56 521,92 46,97 28,44</p><p>Brejo Seco - - - - - - - -</p><p>Brejo Seco 856,44 952,43 192,29 841,09 820,48 638,63 62,47 39,29</p><p>Cajari Seco 919,1 953,76 211,44 712,3 651,37 515,43 183,44 146,11</p><p>Cajari Seco 879,45 934,53 201,41 837,8 822,49 624,96 94,6 60,51</p><p>Pirapemas Seco 928,82 944,24 163,18 607,73 663,89 554,57 194,12 127,57</p><p>Pirapemas Seco 881,4 950,38</p>on the performance 
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Alimentos e Alimentação Animal
Rosemary Laís Galati
Possui graduação em Zootecnia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (1999) e doutorado em Zootecnia 
também pela mesma Instituição de ensino superior (2004). É docente no Departamento de Zootecnia e Extensão Rural 
pertencente à Faculdade de Agronomia e Zootecnia da Universidade Federal de Mato Grosso (Cuiabá/MT). Na graduação, ministra 
Bromatologia Zootécnica, Alimentos e Alimentação, Bases da Nutrição Animal e Tópicos Especiais: construindo o trabalho de 
conclusão. É colaboradora no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal. Tem experiência na área de Zootecnia, com ênfase 
em Análise e Avaliação de Alimentos para Animais. Na Pós-graduação, ministra as disciplinas Análise de Alimentos e Métodos 
Nutricionais em Ruminantes. Atua principalmente nos temas: bovinos, biodiesel, composição corporal, confinamento, coprodutos 
da agroindústria, impacto ambiental, síntese microbiana, produção de gases e técnicas in vitro e in situ de avaliação de alimentos.
Lattes: http://lattes.cnpq.br/3931401847742610
SOBRE O ORGANIZADORA
Alimentos e Alimentação Animal
A
Alimentação: 24, 53, 66, 135, 141, 142
Alimentação Animal: 141
Avicultura: 119
C
Canopy: 51
D
Defoliation: 50
Dieta: 13
E
Exigência: 13, 20, 22, 23, 92
Exigência Nutricional: 13
I
Ingredientes: 120, 135
N
Nutrição Animal: 63
P
Pecuária: 70, 136, 145, 151
Peixe Nativo: 13
Piscicultura: 13, 23
Plantas Forrageiras: 40
Proteína: 20, 35, 71, 74, 76, 79, 127, 128, 135, 
156
Q
Qualidade: 24, 80, 115, 116, 118, 131, 133, 135, 
136
Quelato: 53
S
Sazonalidade: 26
Sustentabilidade: 53, 80
T
Taninos Vegetais: 26
U
Ureia: 76, 78
ÍNDICE REMISSIVO
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Alimentos 
Alimentação&
Animal
VENDA PROIBIDA - acesso livre - OPEN ACCESS
editora
científica digital
	01
	Aspectos nutricionais e manejo alimentar do pirarucu (Arapaima gigas)
	Kárita Fernanda da Silva Lira
	Luan Shinhiti Kajikawa
	Sidney dos Santos Silva
	Márcio Aquio Hoshiba
	10.37885/210906287
	02
	Caracterização bromatológica das folhas da Mimosa caesalpiniifolia benth (sabiá) no estado do Maranhão, Brasil
	Raimundo Morais dos Santos
	Danilo Rodrigues Barros Brito
	Christoph Gehring
	Livio Martins Costa Júnior
	Ellen Cristina Vale Silva
	Maria Elisabeth Detert
	Dauana Mesquita Sousa
	Helder Louvandini
	10.37885/210805903
	03
	Forage management into beef cattle production helping to farm owner decisions
	Mariana Vieira Azenha
	Fernando Ongaratto
	Abmael da Silva Cardoso
	Daniel Rume Casagrande
	Eliéder Prates Romanzini
	Bruno Ramalho Vieira
	Ricardo Andrade Reis
	Ana Cláudia Ruggieri
	10.37885/210705360
	04
	Minerais orgânicos na nutrição de suínos: uma revisão de literatura
	Marcos Speroni Ceron
	Carlos Augusto Rigon Rossi
	Henrique da Costa Mendes Muniz
	Vladimir de Oliveira
	Alexandre de Mello Kessler
	Bruno Neutzling Fraga
	Daniela Regina Klein
	Michael Silveira Reis
	Carlos Eduardo Botega
	10.37885/210805882
	05
	Monitoramento do nitrogênio uréico no leite: nutrição animal, qualidade ambiental e do leite
	Luciana dos Reis Valadão
	Karyne Oliveira Coelho
	Edmar Soares Nicolau
	Rodrigo Balduino Soares Neves
	10.37885/210906099
	06
	Produção de cana-de-açúcar para a alimentação de bovinos
	Mauro Wagner de Oliveira
	Christiano Nascif
	Manoel Gomes Pereira
	Thiago Camacho Rodrigues
	Terezinha Bezerra Albino Oliveira
	Rogério Jacinto Gomes
	Dalmo de Freitas Santos
	10.37885/210805744
	07
	Qualidade das farinhas de origem animal utilizadas em rações avícolas: um referencial teórico
	Cleriston Andrade Machado
	Felipe Dilelis
	Cristina Amorim Ribeiro de Lima
	10.37885/210504811
	08
	Ração para não ruminantes em uma fábrica sob serviço de inspeção federal no estado do Maranhão: uma abordagem produtiva
	Karen Regina Silveiro Mousinho
	Pedro Louzeiro Pavão
	Marcelo de Abreu Falcão
	Maria Inez Fernandes Carneiro
	Hamilton Pereira Santos
	Danilo Cutrim Bezerra
	Viviane Correa da Silva Coimbra
	Nancyleni Pinto Chaves Bezerra
	10.37885/211006392
	09
	Resíduo de biscoito na alimentação de codornas: um referencial teórico
	Sandra Roseli Valerio Lana
	Geraldo Roberto Quintão Lana
	Ana Patrícia Alves Leão
	Romilton Ferreira de Barros Júnior
	10.37885/210705353
	SOBRE O ORGANIZADORA
	ÍNDICE REMISSIVO

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