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<p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/18</p><p>FUNDAMENTOS TEÓRICOS DA</p><p>LITERATURA</p><p>AULA 3</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/18</p><p>Prof. Phelipe de Lima Cerdeira</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Esta aula será muito importante por já assinalar uma etapa distinta de nosso estudo, na qual a</p><p>sua participação e reflexão serão ainda mais necessárias. Desde o início, nos esforçamos em</p><p>demonstrar que cada um dos temas apresentados aqui tem o compromisso de expandir o que foi –</p><p>muito provavelmente – abordado em sala de aula no contexto de sua formação no ensino médio,</p><p>ainda que de maneira mais ampla ou não necessariamente sistematizada.</p><p>A grande diferença é que, agora, na graduação e, principalmente, pensando nas demandas</p><p>exigidas para um aluno de Letras, é preciso que tenhamos paciência para tirar todas as dúvidas e</p><p>pensar a literatura para além de uma disciplina obrigatória. Juntos, seguimos com a apresentação dos</p><p>principais conceitos, categorias, elementos e problemáticas que irão acompanhá-los ao longo dos</p><p>estudos literários. É fundamental, pois, que você aproveite todas as considerações trabalhadas aqui</p><p>não apenas como uma introdução, mas também como um conteúdo que pode ser acessado</p><p>permanentemente, sempre que for necessário retomar alguma ideia-chave para as demais disciplinas.</p><p>Pois bem, com base na apresentação de diferentes teóricos e críticos literários, foi possível</p><p>entender que o que determina a ideia da literatura não é apenas a forma como um texto se estrutura</p><p>e manipula a linguagem, dando ênfase para um conjunto de fatores externos, tal como o contexto</p><p>histórico e cultural de uma determinada comunidade. Ainda que a literatura congregue em sua</p><p>origem uma relação com o ato de escrever e com a consagração de certo tipo de manifestação</p><p>artística, foi possível aprender o quanto critérios de seleção acabam determinando o que é e o que</p><p>não é literatura. Assim, se no início do século XX parecia ser suficiente investigar um texto literário</p><p>com base em seus elementos estruturais – aquilo que os teóricos do estruturalismo russo chamariam</p><p>de literariedade ou literaturidade –, hoje, a proposição está muito distante de atender às expectativas</p><p>dos estudiosos da literatura.</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/18</p><p>Ao dar ênfase a uma compreensão da literatura como manifestação discursiva múltipla, abrimos</p><p>novas frentes para pensar e encarar os nossos estudos. Ao vencer o que poderíamos chamar de</p><p>problemática zero – a difícil tarefa de determinar o que é a literatura –, passamos a pensar nas</p><p>diferentes naturezas e formas em que o texto literário pode se manifestar. Ao retomar discussões</p><p>presentes na Poética de Aristóteles, descobrimos que épica, lírica e drama se fundamentam como os</p><p>gêneros literários clássicos. Ainda que o reconhecimento de cada um desses gêneros garanta uma</p><p>abordagem mais didática e de identificação, reservamos espaço para demonstrar como a perspectiva</p><p>do pós-modernismo tem assumido papel preponderante para que as fronteiras entre os gêneros</p><p>sejam relativizadas, justamente por conta de projetos literários cada vez mais híbridos.</p><p>Após retomar tudo o que discutimos até aqui, cabe-nos um exercício para identificar algumas</p><p>das características que modulam dois dos grandes gêneros literários: a narrativa e a lírica. Para tanto,</p><p>iniciaremos o nosso raciocínio buscando um reconhecimento dos gêneros literários baseados em</p><p>suas características mais epidérmicas ou salientes. Ganhará destaque, por isso, a própria relação entre</p><p>o texto e o papel, pensando na manifestação tanto da narrativa quanto da poesia em suas expressões</p><p>impressas. Após tal estágio, esta aula dará destaque para os elementos que consagram a</p><p>narratologia, grande área dos estudos literários dedicada à observação dos principais elementos que</p><p>arquitetam uma narrativa (narrador, personagem, enredo, tempo e espaço).</p><p>Como sempre, a fim de que seja possível facilitar a sua leitura e a retomada de algum conteúdo,</p><p>a disciplina segue a proposta de divisão em seções, as quais são apresentadas a seguir:</p><p>1. Contextualizando;</p><p>2. A ideia da mancha no papel;</p><p>3. Narratologia: a importância de Genette;</p><p>4. O narrador e o jogo narrativo;</p><p>5. Tempo, espaço, enredo e personagens.</p><p>É importante reforçar que, ao falar de literatura, espera-se que a leitura seja sempre uma ação</p><p>presente e necessária. Conto com a sua participação para que possamos estabelecer um diálogo</p><p>profícuo até o final desta aula, (re)descobrindo um mundo chamado literatura.</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/18</p><p>TEMA 1 – CONTEXTUALIZANDO</p><p>Ao tomarmos o pressuposto, enfim, de que a literatura vai além de uma elaboração específica da</p><p>língua como código, passa a ser possível avançar em nosso raciocínio. A proposta é começar a</p><p>esmiuçar certas condicionantes da literatura, sendo possível estudar as diferentes manifestações do</p><p>plano literário baseando-se em seus gêneros. Como já sabemos, a figura de Aristóteles é uma</p><p>referência para os estudos literários, justamente pelo fato de o pensador grego sistematizar na</p><p>Poética algumas das características do que chamamos como gêneros clássicos. Na referida obra,</p><p>Aristóteles dedica atenção especial para diferenciar os discursos de natureza histórica (diretamente</p><p>ligados à imagem de Heródoto) e os demais de natureza poética (personificados pelo caso de</p><p>Homero, por exemplo). Passa a ganhar relevância na perspectiva aristotélica, assim, a ideia da</p><p>representação daquilo que é narrado, da imitação da realidade, ou, como preferimos pensar na</p><p>literatura, do conceito da mimese.</p><p>A mimese é certamente um conceito-chave para quem estuda a literatura, não apenas por</p><p>permitir pensar os limites e fronteiras entre os discursos, mas também por ajudar a determinar certas</p><p>nuanças entre os gêneros literários. Dentre tantas contribuições seminais para os estudos literários, é</p><p>fundamental que você, aluno, tenha em seu horizonte de perspectiva e de leitura futura um trabalho</p><p>seminal que parte da ideia da mimese de Aristóteles: trata-se da obra Mímesis: a representação da</p><p>realidade ocidental (1971), de autoria do filólogo alemão Erich Auerbach. Neste momento, por</p><p>questões didáticas, não dedicaremos um maior aprofundamento dessa obra, justamente pelo fato de</p><p>entender que algumas das discussões presentes nesse texto exigem um caminho anterior que será</p><p>desenvolvido em outras disciplinas, como é o caso de Teoria da Literatura. Por ora, vale a rápida</p><p>alusão para que seja entendida a dimensão da contribuição de Aristóteles e como a ideia de</p><p>representação da realidade permeia os estudos para se pensar o discurso literário.</p><p>O que nos é caro, neste momento, sem dúvida, é como a forma escolhida para representar ou</p><p>imitar certa realidade acabou definindo a natureza dos gêneros literários. Na Poética, pontualmente</p><p>no capítulo V, Aristóteles exemplificará as diferenças entre epopeia (forma particular do gênero</p><p>narrativo) e tragédia (forma, por sua vez, ligada ao drama):</p><p>7. Quanto à epopeia, por seu estilo corre a par com a tragédia na imitação dos assuntos sérios, mas</p><p>sem empregar um só metro simples ou forma negativa. Nisto a epopeia difere da tragédia.</p><p>8. E também nas dimensões. A tragédia empenha-se, na medida do possível, em não exceder o</p><p>tempo de uma revolução solar, ou pouco mais. A epopeia não é tão limitada em sua duração; e</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/18</p><p>esta é outra diferença. (Aristóteles, 2001, p. 8, grifos nossos).</p><p>Na leitura do excerto anterior, é possível vislumbrar que Aristóteles arrola questões pragmáticas</p><p>que diferenciam os dois gêneros, tais como o uso específico de um metro (alusão a um tipo de</p><p>notação rítmica das palavras) e da própria extensão do que é representado. Ainda que saibamos que,</p><p>na contemporaneidade, a teoria literária guarda reserva para esse</p><p>tipo de simplificação, é bem</p><p>verdade que a lógica aristotélica acaba sendo utilizada por muitos de nós – leitores e estudiosos –</p><p>para uma aproximação e identificação inicial de determinado texto literário. Parece-lhe impossível</p><p>que isso ocorra em nossa prática leitora até hoje? Seria um exagero dizer que a forma, a estrutura de</p><p>determinado texto verbal acaba suscitando nos interlocutores diversas hipóteses iniciais? Certamente</p><p>não. Diante de uma formação minimamente semelhante ao longo dos anos na educação básica,</p><p>acabamos por nos acostumar a classificar certo texto segundo o gênero dramático, narrativo ou lírico</p><p>logo de partida, apenas pela maneira que o enunciado é apresentado.</p><p>TEMA 2 – A IDEIA DA MANCHA NO PAPEL</p><p>Sem nos preocuparmos inicialmente com uma leitura crítica, ao abrirmos um livro em uma</p><p>biblioteca ao acaso e não buscarmos demais informações anteriores – pistas presentes no título, a</p><p>classificação da editora localizada na ficha catalográfica, os comentários do prefácio ou mesmo as</p><p>notas presentes na orelha da obra –, é possível que tenhamos uma opinião inicial sobre o gênero</p><p>literário ao qual pertence a obra avaliada. Sem contar com a formação especializada em um curso de</p><p>Letras, é possível dizer que muitos seriam capazes de determinar ou, no mínimo, se arriscariam a</p><p>dizer se a obra avaliada é um exemplo de narrativa, um poema ou um drama. Já se permitiu pensar</p><p>por que isso acontece? A resposta está ligada, geralmente, à nossa relação de consumo com a</p><p>linguagem editorial. Trata-se de uma reação imediata a um determinado padrão com que o texto</p><p>verbal nos é apresentado desde a nossa formação leitora.</p><p>Como leitores, estamos familiarizados com determinadas lógicas associadas aos gêneros</p><p>literários. Seja pelo número das páginas, seja pela apresentação do texto verbal em blocos formados</p><p>por frases curtas, seja pelo uso de diálogos com o uso de travessões, seja pela presença de capítulos,</p><p>ao folhearmos um livro, acabamos por lançar diferentes palpites sobre a sua natureza literária. Trata-</p><p>se, como é possível inferir, de uma herança daquela perspectiva aristotélica plasmada na obra</p><p>Poética, comentada anteriormente. Mesmo sem querer ou não estando preocupados em criar</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/18</p><p>significados para um enunciado, nossa primeira impressão para diagnosticar o gênero literário de um</p><p>texto se baseará em uma impressão visual.</p><p>Para criar uma hipótese para descobrir se um texto corresponde ao gênero narrativo, lírico ou</p><p>dramático, acabamos por nos fiar na primeira impressão decodificada pelos nossos olhos. Como</p><p>leitores, sempre nos servirá de atalho (nem sempre confiável) a chamada mancha no papel, isto é, a</p><p>forma como um texto verbal aparece diagramada nas páginas do livro, criando os blocos de palavras</p><p>e frases. O termo “mancha no papel” vem justamente da ideia de uma folha em branco que passa a</p><p>ser “manchada” pela presença das palavras. Sem mesmo ler o que está escrito, nossos olhos acionam</p><p>uma primeira interpretação baseando-se nessa mancha no papel, contando, é claro, com um padrão</p><p>e com o método de comparação. Quer um exemplo? Visualize, pois, a imagem a seguir (Figura 1)</p><p>como se estivesse abrindo um livro neste momento, sem se preocupar em ler exatamente o que está</p><p>escrito, procurando fazer um diagnóstico de leitura apenas pela mancha no papel:</p><p>Figura 1 – Reprodução de uma página do poemário Las otras (Antología mínima del silencio)</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/18</p><p>Fonte: Bolaños, 2004, p. 28.</p><p>Se você seguiu o desafio e não se preocupou em ler o que estava contido na página, pautando-</p><p>se apenas na mancha no papel, é bem possível que tenha construído uma ideia de que se trata de</p><p>um livro de um gênero literário específico, certo? Por conta da mancha, da forma como as palavras</p><p>estão dispostas na folha, pela quantidade de caracteres, pelo alinhamento das frases, é também</p><p>provável que o seu repertório leitor tenha suscitado a ideia de versos, correto? Se sim, quase</p><p>imediatamente o seu palpite se encaminhou no sentido de que a mancha no papel representa um</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/18</p><p>poema e, por conseguinte, o livro poderia ser catalogado juntamente com os demais de poesia, que</p><p>fazem parte do gênero lírico. O mais interessante é que o exercício da mancha no papel permite que</p><p>criemos hipóteses de leitura, ainda que o código linguístico não seja entendido. Em uma análise</p><p>preliminar, portanto, independe se o texto está em português, em nossa língua materna, ou em</p><p>castelhano, inglês ou até russo. A mancha no papel será “escaneada” pelo nosso olhar curioso e</p><p>gerará uma primeira decodificação. Curiosamente, a mancha no papel da Figura 1 se transformou em</p><p>segundos em um exemplo de poema.</p><p>Agora, será que o mesmo acontecerá se você abrir uma obra desconhecida e vislumbrar a Figura</p><p>2, apresentada na página a seguir?</p><p>Figura 2 – Reprodução de uma página do romance O cortiço</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/18</p><p>Fonte: Azevedo, 1973, p. 103.</p><p>Ao escanear a mancha no papel, lhe parece que a obra se trata de mais uma antologia de</p><p>poemas, de um livro ligado ao gênero lírico? Como leitor, muito provavelmente, ao se basear apenas</p><p>na construção visual, uma das primeiras hipóteses a serem refutadas é que se trata de um poema,</p><p>justamente porque temos certo padrão para identificar o lírico (que não será respeitado por diversas</p><p>escolas literárias e por projetos como os de Oswald de Andrade, por exemplo). Sendo assim,</p><p>pautando-se apenas com a informação padrão, a de maior recorrência, é bem provável que a sua</p><p>hipótese será a de que se trata de um texto do gênero narrativo, que se trata de um fragmento de</p><p>um romance ou de um conto, por exemplo. Pois bem, a sua intuição acionada com base na</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/18</p><p>observação da mancha no papel estava correta, já que a imagem é uma reprodução de uma página</p><p>do romance O cortiço, de Aluísio de Azevedo, publicado no final do século XIX, em 1890.</p><p>A proposta de avaliar a mancha no papel é uma provocação, um exercício que muitos leitores já</p><p>fazem ao se deparar com um livro novo, ainda que não tenham essa ação de maneira sistematizada.</p><p>Agora, como investigadores da área de Letras, cabe-nos expandir essa primeira impressão, usando tal</p><p>estratégia, inclusive, como elemento para uma análise mais criteriosa e crítica. Muito além de servir</p><p>como uma ferramenta para categorizar um texto como exemplo do gênero narrativo, lírico ou</p><p>dramático, descobriremos que a mancha no papel também pode ser o resultado de uma decisão</p><p>para criar tensão ou mesmo para gerar efeitos de sentido no texto. No caso do gênero lírico, por</p><p>exemplo, discutiremos posteriormente como a disposição da mancha no papel servirá com um</p><p>recurso para pensar na concretude das palavras e na multiplicação de significados. Por ora, mesmo</p><p>que com reservas, parece que a mancha no papel nunca mais será avaliada despretensiosamente.</p><p>TEMA 3 – NARRATOLOGIA: ELEMENTOS NARRATIVOS</p><p>Depois de destacar a ideia da mancha no papel, esta aula tem como proposta abrir um capítulo</p><p>especial para pensar em um dos gêneros literários: o gênero narrativo. A proposta de dar dimensão</p><p>para esse gênero é o fato de que, como leitores, acabamos por ter grande parte do nosso contato</p><p>diário com diferentes formas fixas narrativas, seja por conta da leitura de um romance, do</p><p>acompanhamento de um conto, pela leitura de uma crônica compartilhada no Facebook por alguém</p><p>que faz parte da nossa rede de contatos ou mesmo por um trecho de um ensaio lido na época do</p><p>ensino médio.</p><p>Se, na época de Aristóteles, o gênero narrativo já era foco de interesse (sendo, muitas vezes,</p><p>personificado pela épica), no nosso tempo, a sua dimensão parece ter sido ainda mais multiplicada.</p><p>São diferentes as formas possíveis para a construção de uma narrativa, apresentando</p><p>desde</p><p>elaborações mais complexas e abertas, como é o caso do romance, passando por resoluções como a</p><p>novela, o conto, o miniconto, o ensaio, a crônica, dentre outros. De maneira geral, o gênero narrativo</p><p>acabou ganhando a figura de destaque dentro os gêneros literários, sobretudo após o impacto</p><p>causado pela elaboração dos tipos móveis fundidos, invenção do alemão Johannes Gutenberg no</p><p>ano de 1455. A partir do final do século XV, então, a maneira de se difundir e se publicar um texto se</p><p>transforma exponencialmente, permitindo, dentro do contexto da época, um maior acesso aos textos</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/18</p><p>literários. Ao longo dos séculos XVI e XVII, sem dúvida alguma, o número de leitores passa a se</p><p>elevar, ainda que fosse limitado a pequenos estratos sociais e campos intelectuais. Será no século</p><p>XVII, inclusive, que a literatura ocidental testemunhará a publicação de uma obra narrativa que</p><p>mudará o rumo de se pensar a literatura, dando ênfase para o diálogo concreto entre as obras.</p><p>Alude-se, aqui, ao romance Dom Quixote, de Miguel de Cervantes, com a sua primeira parte</p><p>publicada em 1605 e a segunda em 1614.</p><p>Perceba que a obra cervantina tem relação direta com uma forma fixa do gênero narrativo: o</p><p>romance. Será exatamente tal modalidade narrativa que será eleita como uma espécie de porta-voz</p><p>do leitor moderno, principalmente de uma camada social chamada de burguesia. Diante de um afã</p><p>para registrar uma nova história, diferente daquela heroica e aristocrática, a perspectiva burguesa</p><p>acabou fazendo do gênero narrativo e, pontualmente, do romance, a voz de um novo tempo. A</p><p>preocupação é cada vez maior para aquilo que se entende como realismo, uma marca fundamental</p><p>para diferir os interesses da narrativa moderna do que até então era trabalhado na narrativa clássica.</p><p>No ensaio A ascensão do romance (publicado em1957), o teórico Ian Watt (2010), ainda que</p><p>estivesse pensando sobre a forma fixa do romance, ajudará a entendermos as diferenças entre as</p><p>narrativas moderna e clássica.</p><p>uma característica do romance que é análoga ao atual significado filosófico do “realismo”: o gênero</p><p>surgiu na era moderna, cuja orientação intelectual geral se afastou decisivamente de sua herança</p><p>clássica e medieval rejeitando – ou pelo menos tentando rejeitar – os universais.</p><p>Certamente o moderno realismo parte do princípio de que o indivíduo pode descobrir a verdade</p><p>através dos sentidos: tem suas origens em Descartes e Locke e foi formulado por Thomas Reid em</p><p>meados do século XVIII. (Watt, 2010, p. 12).</p><p>Ao dar ênfase à individualidade, a narrativa girará o seu eixo não para o herói, um semideus</p><p>como Aquiles, mas para a perspectiva do homem comum, do João da Silva, de um certo Tom Jones,</p><p>como foi o caso do romance Tom Jones (1749), do escritor inglês Henry Fielding. Watt dedicará</p><p>atenção especial para o desenvolvimento do apetite romanesco na literatura, relembrando o fato de</p><p>que</p><p>[o] romance é a forma literária que reflete mais plenamente essa reorientação individualista e</p><p>inovadora. As formas literárias anteriores refletiam a tendência geral de suas culturas a</p><p>conformarem-se à prática tradicional do principal teste da verdade: os enredos da epopeia clássica</p><p>e renascentista, por exemplo, baseavam-se na História ou na fábula e avaliavam-se os méritos do</p><p>tratamento dado pelo autor segundo uma concepção de decoro derivada dos modelos aceitos no</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/18</p><p>gênero. O primeiro grande desafio a esse tradicionalismo partiu do romance, cujo critério</p><p>fundamental era a fidelidade à experiência individual – a qual é sempre única e, portanto, nova.</p><p>Assim, o romance é o veículo literário lógico de uma cultura que, nos últimos séculos, conferiu um</p><p>valor sem precedentes à originalidade, à novidade. (Watt, 2010, p. 13).</p><p>Explicada a razão da dimensão assumida pelo romance e a relevância do gênero romanesco</p><p>quando comparado aos demais (lírico e dramático), na teoria literária, passará a ganhar destaque</p><p>uma área específica apenas para pensar a narrativa. É assim que, na década de setenta do século XX,</p><p>será consagrada a narratologia, sobretudo por conta do nome do estudioso Gérard Genette, numa</p><p>obra seminal e que, sem dúvida alguma, o acompanhará em sua formação como aluno de Letras.</p><p>Alude-se aqui à Discurso da narrativa: ensaio do método (1979), resultado de uma compilação das</p><p>reflexões de Genette realizadas em um seminário na École Pratique des Hautes Études, na França. No</p><p>início desta obra, Genette fará menção ao termo narratologia (Genette, 1979, p. 20), apresentando</p><p>aos seus leitores o que seria a área que deveria abarcar os estudos sobre as narrativas.</p><p>Ao tomar como exemplo alguns dos romances do francês Marcel Proust, Genette fará uma</p><p>importante diferenciação entre as ideias de história, narrativa e narração. Para ele, a história é “o</p><p>significado ou conteúdo narrativo” (Genette, 1979, p. 25); a narrativa, por sua vez, seria o</p><p>“significante, enunciado, discurso ou texto narrativo em si” (Genette, 1979, p. 25); finalmente, a</p><p>narração seria o “acto narrativo produtor e, por extensão, o conjunto da situação real ou fictícia na</p><p>qual toma lugar” (Genette, 1979, p. 25). Falando de outra forma, a história seria o que se conta, a</p><p>narrativa o como e de que forma se conta e, por último, a narração o próprio ato de contar.</p><p>Os estudos da narratologia passam a se interessar por cinco elementos principais, que seriam</p><p>como uma espécie de pilares de toda e qualquer narrativa. Trata-se, pois, dos seguintes eixos:</p><p>narrador, tempo, espaço, personagens e enredo. Vale lembrar que, para pensar nos elementos que</p><p>constituem os estudos da narratologia, Genette se baseia em contribuições realizadas anteriormente,</p><p>como foi o caso de Todorov. Vejamos, a seguir, o primeiro elemento-chave para a narratologia: o</p><p>narrador.</p><p>TEMA 4 – O NARRADOR E O JOGO NARRATIVO</p><p>De todos os elementos que compõem uma narrativa, segundo Genette, a instância do narrador</p><p>se constitui como uma espécie de eixo fundamental, justamente por assumir a responsabilidade de</p><p>apontar de que forma uma história será contada. Não à toa, o narrador é também aludido por alguns</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/18</p><p>pesquisadores como foco narrativo ou perspectiva narrativa. É com base nos “olhos” do narrador que</p><p>os leitores serão apresentados a uma história, baseada em uma versão ou perspectiva dos fatos (cada</p><p>vez mais, como leitores e estudiosos da literatura, passamos a desconfiar do narrador e da</p><p>impossibilidade de uma verdade absoluta ou totalidade de uma história).</p><p>O pesquisador Luís Miguel Cardoso (2003, p. 57) relembra que</p><p>O narrador é considerado como o agente, integrado no texto, que é responsável pela narração dos</p><p>acontecimentos do mundo ficcional, sendo, por este motivo, distinto do autor empírico e mesmo</p><p>das personagens desse mundo ficcional, pela amplitude narrativa.</p><p>Aprendemos, dessa forma, que o foco narrativo, a instância do narrador não é a mesma de</p><p>quem escreve a narrativa. A diferença dada pela narratologia é fundamental, não apenas para que</p><p>nos afastemos de uma leitura de corte puramente biográfico, mas, principalmente, para que</p><p>possamos valorizar o potencial de arquitetura narrativa. Assim, passa a ser possível entender o</p><p>porquê de as narrativas escolherem tipos de narradores diferentes para serem armadas. Há, pois, três</p><p>tipos principais de narrador:</p><p>1. Narrador autodiegético (quando o narrador é a personagem principal da narrativa);</p><p>2. Narrador homodiegético (aquele que participa da ação como personagem);</p><p>3. Narrador heterodiegético (voz que não participa diretamente da ação narrada e que,</p><p>muitas vezes, parece assumir um grau de omnisciência, ou seja, de conhecimento total dos</p><p>fatos).</p><p>O último tipo de narrador, o narrador heterodiegético ou de terceira pessoa, acabou definindo</p><p>muitas das narrativas do século XIX, assumindo aquele olhar quase</p><p>de um Deus, capaz de narrar e de</p><p>dizer o que se passa na cabeça de todas as personagens. Em uma entrevista cedida ao pesquisador</p><p>João Adalberto Campato Júnior, o crítico português Carlos Reis propõe exatamente uma discussão a</p><p>respeito da omnisciência do narrador:</p><p>É verdade que associamos o termo omnisciência a propriedades divinas, de transcendente</p><p>conhecimento das coisas e das pessoas. Mas em regime homo e autodiegético, essa omnisciência é</p><p>por assim dizer (e mesmo que a expressão pareça estranha, neste contexto) relativizada à</p><p>capacidade de conhecimento de uma personagem agora narrador, que sabe mais, muito mais, do</p><p>que quando era simplesmente personagem. Trata-se de uma sabedoria experienciada e</p><p>temporalmente sustentada - hoje sabemos mais do que ontem e no próximo ano mais do que</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/18</p><p>neste e assim sucessivamente -, incutido a quem narra a sua própria vida, aventuras e desventuras</p><p>uma sabedoria peculiar. Parece excessivo chamar omnisciência? Talvez. Então a questão é a de</p><p>saber que termo substituiria este. (Reis, citado por Campato Júnior, 2004, p. 8).</p><p>Afastando-nos um pouco do narrador heterodiegético e a modo de exemplificação de um</p><p>narrador autodiegético, escolhemos apresentar a seguir um fragmento da narrativa Quarto de</p><p>despejo: diário de uma favelada (1960), obra da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus:</p><p>17 de maio.</p><p>Levantei nervosa. Com vontade de morrer. Já que os pobres estão mal colocados, para que viver?</p><p>Será que os pobres de outro País sofrem igual aos pobres do Brasil? Eu estava descontente que até</p><p>cheguei a brigar com o meu filho José Carlos sem motivo.</p><p>... Chegou um caminhão aqui na favela. O motorista e o seu ajudante jogam umas latas. É linguiça</p><p>enlatada. Penso: É assim que fazem esses comerciantes insaciáveis [sic]. Ficam esperando os preços</p><p>subir na ganancia de ganhar mais. E quando apodrece jogam fora para os corvos e os infelizes</p><p>favelados.</p><p>Não houve briga. Eu até estou achando isto aqui monótono [sic]. Vejo as crianças abrir as latas de</p><p>linguiça e exclamar satisfeitas:</p><p>- Hum! Tá gostosa!</p><p>A Dona Alice deu-me uma para experimentar. Mas a lata está estufada. Já está podre. (Jesus, 2013,</p><p>p. 33-34).</p><p>TEMA 5 – TEMPO, ESPAÇO, ENREDO E PERSONAGENS</p><p>Após examinarmos algumas das características do que chamamos como elemento-chave da</p><p>narratologia, o narrador, resta-nos comentar brevemente a respeito dos demais elementos de uma</p><p>narrativa.</p><p>O tempo é apontado por Genette como mais um dos elementos constituintes da narrativa,</p><p>estando ele relacionado não apenas à dimensão cronológica, ou seja, ao período temporal narrado,</p><p>mas também à questão psicológica do tempo. Se pensarmos na arquitetura de uma narrativa, será</p><p>possível perceber que nem sempre a escolha do foco narrativo será pautada pela observação linear</p><p>do tempo, usando, para isso, recursos como analepes (flashbacks para contar fatos que ocorreram</p><p>anteriormente ao material narrado) e prolepses (adiantamentos de ações que estão no futuro). Ao</p><p>pensar sobre o tempo, Genette (1979, p. 33) pondera sobre como</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/18</p><p>[e]studar a ordem temporal de uma narrativa é confrontar a ordem de disposição dos</p><p>acontecimentos ou segmentos temporais no discurso narrativo com a ordem de sucessão desses</p><p>mesmos acontecimentos ou segmentos temporais na história, na medida em que é indicada</p><p>explicitamente pela própria narrativa ou pode ser inferida deste ou aquele indício indirecto.</p><p>Com base nos estudos da narratologia, será possível destacar como o gênero narrativo fará a</p><p>distinção entre o tempo da narrativa (matéria ficcional narrada) e o tempo da narração (como tal</p><p>matéria é narrada). De acordo com o caso, os tempos da narrativa e da narração podem variar,</p><p>ajudando a construir o tensionamento e a relação com o leitor.</p><p>O espaço é outro elemento pertencente ao gênero narrativo. Nele, é possível vislumbrar onde é</p><p>desenvolvida uma narrativa. Da mesma forma que ocorre com o tempo, o espaço pode assumir uma</p><p>perspectiva física e psicológica. No primeiro caso, o espaço pode ser resumido em uma cidade, uma</p><p>região ou até mesmo um lugar específico, como um bar, uma delegacia, um aeroporto ou uma sala</p><p>de consulta de uma cartomante, por exemplo. Em outros casos, a narrativa pode fundamentar o</p><p>espaço não a partir de demarcações físicas – paredes ou outros perímetros –, mas via a própria</p><p>consciência de uma personagem. Casos como esse podem ser exemplificados por projetos narrativos</p><p>que valorizam o fluxo de consciência de uma voz ficcional (casos emblemáticos são os romances de</p><p>Clarice Lispector).</p><p>O enredo, por sua vez, ganha atenção na narratologia por determinar o tema ou assunto de uma</p><p>narrativa. Mais do que aludir à temática de uma narrativa, o enredo, de alguma forma, assume a</p><p>função de organizar o foco narrativo.</p><p>A instância das personagens é, finalmente, o último elemento selecionado pela narratologia</p><p>como constituinte do gênero narrativo. As personagens são, pois, as vozes escolhidas para dar</p><p>dimensão ao enredo e ao foco narrativo. O grande destaque é que essas podem ser planas ou</p><p>redondas. Personagens planas seriam aquelas que parecem não apresentar ambiguidades ou grandes</p><p>contrastes, sendo elas avalizadas por uma perspectiva maniqueísta. Na prática, isso significa que as</p><p>personagens são ou boas ou ruins. Do contrário, as personagens redondas demonstram a</p><p>impossibilidade de um discurso dualista ou simplificado. Pensando na literatura brasileira, um</p><p>exemplo irresistível seria a personagem Macunaíma, do romance homônimo de Mario de Andrade.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/18</p><p>Após repassar as discussões deste encontro, responda:</p><p>1. No Ocidente, o desenvolvimento da narrativa de forma geral está relacionado com quais</p><p>transformações extratextuais?</p><p>2. Segundo os estudos da narratologia, quais são os elementos que constituem a narrativa?</p><p>Faça um resumo breve de cada elemento, buscando exemplos a partir de fragmentos literários</p><p>escolhidos por você.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Após dar dimensão às problematizações a respeito do conceito de literatura e do campo</p><p>intelectual e literário que o legitima, a nossa disciplina abriu uma nova etapa para pensar o</p><p>desenvolvimento dos gêneros literários. Foi dada atenção especial à diferenciação mais epidérmica</p><p>entre dois gêneros literários: o narrativo e o lírico. Ao aludir ao que chamamos de mancha no papel,</p><p>foi possível exemplificar como, de forma geral, muitos acabam diferenciando – em um primeiro nível</p><p>de leitura – um romance de um poema.</p><p>O nosso terceiro tema, no entanto, privilegiou as discussões a respeito do gênero narrativo. Para</p><p>tanto, foi necessário contextualizar algumas das transformações extratextuais responsáveis pela</p><p>consagração das narrativas desde o século XV até a contemporaneidade. Para os estudos literários, a</p><p>década de 70 acaba se transformando em um período emblemático, sobretudo por conta do</p><p>desenvolvimento da narratologia com base nas contribuições de Gérard Genette. Via narratologia,</p><p>demos destaque aos seus elementos constituintes (narrador, enredo, tempo, espaço e personagens),</p><p>reservando espaço para diferenciá-los de forma clara e objetiva.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALVES, J. É. L. et al. Estruturas do texto literário. Curitiba: InterSaberes, 2013.</p><p>ANDRUETTO, M. T. Hacia una literatura sin adjetivos. Córdoba: Comunic-Arte, 2013.</p><p>ARISTÓTELES. Arte poética. Brasília: Domínio Público, 2001. Disponível em:</p><p><http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000005.pdf>. Acesso em 22 mar. 2019.</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/18</p><p>AUERBACH, E. Mímesis: a representação da realidade ocidental. São Paulo: Perspectiva, 1971.</p><p>AZEVEDO, A. O cortiço. Rio de Janeiro: Americana, 1973.</p><p>BOLAÑOS, A. G. Las otras (Antología mínima del silencio). Madrid: Ediciones Torremozas, 2004.</p><p>CAMPATO JÚNIOR, J. A. Sobre narratologia:</p><p>entrevista com Carlos Reis. Terra Roxa e outras</p><p>terras – Revista de Estudos Literários, Londrina, v. 4, 2004, p. 3-8.</p><p>CANDIDO, A. Vários escritos. São Paulo: Duas cidades, 2004.</p><p>CARDOSO, L. M. A problemática do narrador: da literatura ao cinema. Revista Lumina, Juiz de</p><p>Fora, v. 6, n. 1/2, jan./dez. p. 57-72, 2003.</p><p>BANDEIRA, M. Estrela da vida inteira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1993.</p><p>COMPAGNON, A. Literatura para quê? Belo Horizonte: Ed. da UFMG, 2009.</p><p>EAGLETON, T. Teoria da literatura: uma introdução. São Paulo: Martins Fontes, 1983.</p><p>GENETTE, G. Discurso da narrativa: ensaio do método. Lisboa: Arcádia, 1979.</p><p>JESUS, C. M. de. Quarto de despejo: diário de uma favelada. São Paulo: Abril Educação, 2013.</p><p>KAVISKI, E.; FUMANERI, M. L. C. Literatura brasileira: uma perspectiva histórica. Curitiba:</p><p>InterSaberes, 2014.</p><p>LOPES, P. C. Literatura e linguagem literária. BOCC, Lisboa, Portugal. Disponível em:</p><p><http://bocc.ubi.pt/pag/bocc-lopes-literatura.pdf>. Acesso em 22 mar. 2019.</p><p>MICHAELIS. Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. Disponível em:</p><p><https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-brasileiro/>. Acesso em 22 mar.</p><p>2019.</p><p>MOISÉS, M. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 2004.</p><p>OLIVEIRA, S. Análise de textos literários: poesia. Curitiba: InterSaberes, 2017.</p><p>REIS, C.; LOPES, A. C. M. Dicionário de teoria da narrativa. São Paulo: Ática, 1988.</p><p>SOARES, A. Gêneros literários. São Paulo: Ática, 2007.</p><p>17/04/23, 13:30 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/18</p><p>TODOROV, T. A literatura em perigo. Rio de Janeiro: Difel, 2009.</p><p>WATT, I. A ascensão do romance – Estudos sobre Defoe, Richardson e Fielding. São Paulo:</p><p>Companhia das Letras, 2010.</p><p>WOOD, J. Como funciona a ficção. São Paulo: Cosac Naify, 2012.</p>

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