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<p>ISSN 1983-3237 Corpo Movimento Faculdades Integradas Padre Albino Volume 4 - Número 1 - jan/dez 2011</p><p>Corpo Movimento ISSN 1983-3237 Corpo Mov. Ed. Fís., Catanduva, V. 4, n. 1, p. 01-51 jan./dez.2011 EDITOR FACULDADES INTEGRADAS PADRE ALBINO EDITOR - CHEFE Luciana de Carvalho Leite CONSELHO EDITORIAL Luciana Bernardo Miotto Marcelo Velloso Heren Bibliotecária e Assessora Técnica Marisa Centurion Stuchi FUNDAÇÃO PADRE ALBINO + Conselho de Administração Presidente: Antônio Hércules Diretoria Administrativa FUNDAÇÃO PADRE Presidente: Geraldo Paiva de Oliveira ALBINO FACULDADES INTEGRADAS PADRE ALBINO Diretor-Geral: Nelson Jimenes Faculdades Vice-Diretor: José Carlos Rodrigues Amarante Integradas Coordenadora Pedagógica: Padre Albino Dulce Maria Silva Vendruscolo Núcleo Gestor de Educação: Antônio Carlos de Araújo CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA Coordenadora: Luciana de Carvalho Leite</p><p>CONSELHO TÉCNICO Cassiano Merussi Neiva - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP, Bauru-SP. Dulce Maria Silva Vendruscolo Faculdades Integradas Padre Albino - FIPA, Catanduva-SP. Edmur Antonio Stoppa - Universidade de São Paulo, USP Leste. Escola de Artes, Ciências e Humanidades, São Paulo-SP. Ismael Forte Freitas - Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" - UNESP, Presidente Prudente-SP. Liana Abrão Romera - Universidade Federal do Espírito Santo, Centro de Educação Física e Desportos Luciana Bernardo Miotto Faculdade Integrada Metropolitana de Campinas - METROCAMP, Campinas-SP. Maria Angela Figueiredo Tuma - Faculdades Integradas Padre Albino FIPA, Catanduva-SP Maria Silvia Azarite Salomão - Faculdades Integradas Padre Albino - FIPA, Catanduva-SP. Instituto Municipal de Ensino Superior - IMES, Catanduva-SP. Pedro Balikian Junior Universidade Estadual Paulista de Mesquita Filho" - UNESP, Presidente Prudente-SP. NÚCLEO DE EDITORAÇÃO DE REVISTAS Coordenador: Marino Cattalini Membros: Luciana Bernardo Miotto Marisa Centurion Stuchi Virtude Maria Soler NER do Editoração Corpo Movimento Física É uma publicação com periodicidade anual, editada pelo Curso de Educação Física das Faculdades Integradas Padre Albino (FIPA). Os artigos publicados são de inteira responsabilidade dos autores. Capa: Ato Comunicação Impressão: Art Graf - Gráfica e Encadernação C822 Corpo e Movimento Educação Física / Faculdades Integradas Padre Albino, Curso Educação Física. Vol. 4, n. 1 (jan./dez.2011) Catanduva : Faculdades Integradas Padre Albino, Curso de Educação Física, 2008- V. il. ; 27 cm Anual. ISSN 1983-3237 1. Educação Física periódico. I. Faculdades Integradas Padre Albino. Curso de Educação Física. CDD 796 Rua dos Estudantes, 225 Parque Iracema Catanduva SP CEP. 15809-144 Telefone (17)3311-3328 (17)3311-3335 E-mail: corpoemovimento@fipa.com.br</p><p>Corpo Movimento física ISSN 1983-3237 Corpo Mov. Ed. Fís., Catanduva, 4, n. 1, p. 01-51 jan./dez.2011 SUMÁRIO / SUMMARY 05 Editorial Luciana de Carvalho Leite ARTIGOS ORIGINAIS AVALIAÇÃO DA FADIGA MUSCULAR ATRAVÉS DA ANÁLISE CINEMÁTICA DE NADADORAS 09 EUROPEIAS E BRASILEIRAS NA PROVA DE 400M NADO LIVRE EVALUATION OF MUSCLE FATIGUE ANALYSIS ACROSS THE KINEMATICS OF EUROPEAN AND BRAZILIAN SWIMMERS IN RACE 400M FREESTYLE Gilberto Pivetta Pires, Idico Luiz Pellegrinotti, Aylton José Figueira Junior PERFIL DE IDOSAS PARTICIPANTES DE UM GRUPO DE CONVIVÊNCIA 16 DA TERCEIRA IDADE SOCIODEMOGRAPHIC PROFILE OF ELDERLY PARTICIPANTS IN A SUPPORT GROUP OF SENIORS OF THE THIRD AGE Igor Augusto Braz, Cléria Maria Lobo Bittar, Américo Riccardi Vaccari Lourenço ARTIGOS DE REVISÃO 22 METODOLOGIAS DE ENSINO PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR METHODOLOGIES OF TEACHING TO THE SCHOOL PHYSICAL EDUCATION Testa Junior 29 AMBIENTE VIRTUAL: UM NOVO ESPAÇO DE LAZER VIRTUAL ENVIRONMENT: A NEW AREA OF LEISURE Wesley Marques da Silva, Cinthia Lopes da Silva, Nelson Carvalho Marcellino ARTIGOS DE ATUALIZAÇÃO WHEY PROTEIN: PROPRIEDADES E APLICABILIDADE NO EXERCÍCIO FÍSICO 35 WHEY PROTEIN: PROPERTIES AND APPLICABILITY IN EXERCISE Maria Angela Figueiredo Tuma, Rafael Galetti Moreno 43 ÍNDICE DE FORÇA MÁXIMA RELATIVA DE HOMENS TREINADOS NOS EXERCÍCIOS SUPINO RETO, SUPINO INCLINADO, SUPINO VERTICAL E CRUCIFIXO MAXIMUM FORCE INDEX OF TRAINED MEN ON THE BENCH PRESS, INCLINED BENCH PRESS, CHEST PRESS AND FLY EXERCISES Natalia Santanielo Silva, Cristiani Gomes Lagoeiro, Vanessa Teixeira Castellan, Cássio Mascarenhas Robert Pires, Rodrigo Ferro Magosso COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA 48 EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR, RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS E EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE SCHOOL PHYSICAL EDUCATION, PROBLEM SOLVING AND HEALTH EDUCATION Ademir Testa Junior 49 NORMAS PARA PUBLICAÇÃO</p><p>Corpo Movimento Física ISSN 1983-3237 Corpo Mov. Ed. Fís., Catanduva, 4, n. 1, p. 01-51 jan./dez.2011 EDITORIAL Luciana de Carvalho A revista Corpo e Movimento chega ao seu volume para, mais uma vez, apresentar o resultado de pesquisas que abarcam a Educação Física, a partir de estudos oriundos sobre as possibilidades de pensar a cultura do movimento e seus reflexos na qualidade de vida da população. A Comissão Editorial vem trabalhando com o objetivo de cada vez mais a revista, levando em consideração os critérios indicados pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, o Qualis, e também outros aspectos que sempre se fazem presentes em trabalhos acadêmicos. Certamente, os avanços conquistados dentro da profissão são produto e ao mesmo tempo alavanca para o aumento de diversos investimentos nesta área de conhecimento. Alguns investimentos são mais facilmente percebidos como aqueles que envolvem eventos esportivos de grande participação internacional, outros mais acanhados, porém não menos importantes, como abertura de postos de trabalho dentro do sistema único de saúde pública. Todos mostram a necessidade de pesquisas que contribuam para minimizar os problemas sociais, tanto na área da educação como de saúde pública, por meio da prevenção, promoção, reabilitação da saúde e da qualidade de vida da população. Neste contexto, publicamos textos que refletem questões atuais e relevantes, assim como aqueles de interesse permanente tanto para a licenciatura como para o bacharelado. Os artigos são apresentados por categorias. A categoria "Artigo Original" apresenta dois artigos: o primeiro mostra os resultados do estudo com nadadoras europeias e nadadoras brasileiras, realizado a partir dos parâmetros cinemáticos relacionados à mecânica de nado, como a velocidade média, comprimento e frequência média de braçada e índice de fadiga, em provas de 400m nado livre. As provas foram filmadas conforme o protocolo europeu de avaliações cinemáticas e analisadas em programa de edição de vídeo. No segundo artigo foi feita uma análise do perfil sociodemográfico de idosas participantes do programa de promoção de saúde da terceira idade, oferecido pela Faculdade de Educação Física de Catanduva-SP. Os dados foram levantados com base em um questionário com perguntas de múltipla escolha sobre o nível de escolaridade, frequência semanal de atividade física estruturada, estado civil, moradia, trabalho e religião. A categoria "artigo de revisão" apresenta apenas dois estudos. primeiro sobre as metodologias de ensino existentes, que apontam para as possibilidades de reflexão sobre a cultura de movimento dentro do contexto escolar regular. O segundo visa analisar alguns aspectos do ambiente virtual como novo espaço de lazer para interações, vivências e encontros. A categoria "artigo de atualização" apresenta dois artigos. Um sobre os benefícios da suplementação de whey protein para os praticantes de atividade física e as propriedades benéficas para a saúde. segundo avaliou o Índice de Força Máxima Relativa nos exercícios supino reto, inclinado, vertical e crucifixo de homens treinados adultos, além de fornecer informações para a classificação dos níveis de força máxima e diagnóstico neuromuscular. A sessão "comunicação científica" apresenta a metodologia com base em resolução de problemas, desenhada especificamente para aulas de educação física. Trata-se de uma metodologia que pode promover aprendizagens conceituais, procedimentais e atitudinais sobre a prática de exercícios físicos direcionados para a saúde. Finalmente, deixamos registrados nossos sinceros agradecimentos aos pesquisadores que acreditaram que a pesquisa é um dos instrumentos na formação de bons profissionais. E temos a clareza de que esse trabalho dependeu de colaboradores que contribuem técnica e administrativamente para esta publicação. Mestre em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba. Docente do Curso de Educação Física das Faculdades Integradas Padre Albino (FIPA), Catanduva-SP. Contato: lucianaleite@fipa.com.br</p><p>Artigos Originais Artigos de Revisão Artigos de Atualização Comunicação Científica Corpo Movimento</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 09-15 jan./dez.201 Avaliação da fadiga muscular através da análise de nadadoras europeias brasileiras na prova de 400m nado livre 9 AVALIAÇÃO DA FADIGA MUSCULAR ATRAVÉS DA ANÁLISE CINEMÁTICA DE NADADORAS EUROPEIAS E BRASILEIRAS NA PROVA DE 400M NADO LIVRE EVALUATION OF MUSCLE FATIGUE ANALYSIS ACROSS THE KINEMATICS OF EUROPEAN AND BRAZILIAN SWIMMERS IN RACE 400M FREESTYLE Gilberto Pivetta Pires* Ídico Luiz Aylton José Figueira Junior*** Resumo objetivo do presente estudo foi avaliar os indicadores cinemáticos e o índice de fadiga muscular em atletas de natação do sexo feminino em prova de 400m nado livre. Foram avaliadas oito nadadoras brasileiras (NB) e sete nadadoras europeias (NE), participantes das competições nacionais de seus respectivos países. Os parâmetros cinemáticos relacionados à mecânica de nado (velocidade média do nado VM, comprimento médio de braçada CB, frequência média de braçada FB e o índice de fadiga IF) foram coletados através da filmagem. Todas as provas foram filmadas conforme o protocolo europeu de avaliações cinemáticas e analisadas em programa de edição de vídeo Windows Media versão Pro 7.0. Os cálculos do IF foram realizados segundo protocolo sugerido por Montgomery et al. (1989). Os resultados do estudo evidenciaram que as NE apresentaram maior VM que as NB. NE e NB apresentaram valores similares na CB e FB em todas as parciais da prova de 400m nado livre. As NB apresentaram maior IF nas parciais: 50m-100m (5,63%) e 100m-150m (2,24%). As NE não apresentaram fadiga muscular nos últimos 100m, demonstrando aumento na VM entre os 300m-350m (-2,00%) e 350m-400m (-1,96%). Assim, o presente estudo permitiu concluir que houve melhor desempenho das NE que as NB nas provas de 400m, sugerindo que o maior CB apresentado pelas NE tenha contribuído com a VM. Ainda pudemos verificar que quanto maior o CB, maior a eficiência do nadador durante a prova, o que diretamente interfere no comportamento da fadiga muscular em nadadores. Palavras-chave: Natação. Velocidade. Frequência de braçada. Comprimento de braçada. Fadiga. Abstract The aim of this study was to evaluate the kinematic indicators and the index of muscle fatigue in swimmers female race in 400m freestyle. We evaluated eight Brazilians swimmers (BS) and seven European swimmers (ES) that competed in national and international. Kinematics parameters related to swimming technique (mean swimming velocity SV, mean of stroke length SL; mean stroke frequency SF and fatigue index FI) were collected through video recording of national and international competition. All swimming competitions were recorded according to the European protocol of kinematic evaluation and was analyzed by Windows Media version Pro 7.0. Fatigue Index was assessed following Montgomery et al. (1989) protocol. Data evidenced that ES presented better SV than BS. ES and BS presented similar responses on SL and SF in all distances of 400 freestyle. We found that BS presented higher FI on: 50m-100m (5.63%) and 100m-150m (2.24%). The ES did not present As muscle fatigue in the last 100m, showing increase in SV between 300m and 350m (-2.00%) and 350m-400m (-1.96%). Thus this paper allowed us to conclude that there was better performance of ES that BS, suggesting that SL influenced the SV. Also we verified that as higher SL, better swimming efficiency what may interfere on swimmers muscle fatigue Keywords: Swimming. Speed. Stroke rate. Stroke length. Fatigue. *Mestre em Educação Física. Professor Efetivo do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Roraima (IFRR), Boa Vista-RR. Doutorando em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação Stricto sensu da Universidade São Judas Tadeu (USJT), São Paulo-SP. Contato: Bolsista Capes. ** Doutor em Ciências Biológicas. Livre Docente da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Campinas SP. Docente da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), Piracicaba-SP. ***Doutor em Educação Professor do Programa de Pós-Graduação Stricto sensu da Universidade São Judas Tadeu (USJT), São Paulo-SP.</p><p>10 Corpo Movimento Avaliação da fadiga muscular através da análise cinemática de nadadoras europeias brasileiras na prova de 400m nado livre V. 4, n. 1, p. 09-15 jan./dez.2011 INTRODUÇÃO foram retirados dos relatórios do European Junior Short A análise cinemática aplicada à natação tem se Course Championships realizado em piscina de 25m no ano tornado um importante instrumento na avaliação dos de 2004 (HALJAND, 1998) e comparados com os resultados efeitos do treinamento no desempenho do nadador, tanto das análises cinemáticas das NB. A média de idade das NE em competição como nos períodos regulares de foi de anos e tempo de prática superior a quatro treinamento. Os parâmetros cinemáticos frequentemente anos. utilizados em provas de natação são a frequência média de A avaliação dos parâmetros cinemáticos das NB braçadas (FB), comprimento médio de braçada (CB) e ocorreu através da filmagem da prova com uma câmera de velocidade média de nado (VM), os quais permitem a vídeo da marca JVC VideoMovie S-VHS, modelo GR- avaliação técnica do nadador e sua eficiência nas diferentes AX606U, com capacidade de gravação de 60 fields/s (60Hz). etapas da prova (SEIFERT et al., 2010; STALLMAN; A filmadora foi posicionada na arquibancada, ajustada para KJENDLIE, 2006; TOUSSAINT; BEEK, 1992; WAKAYOSHI et focalizar as marcações nas bordas da piscina nas distâncias al., 1995). de 10m e 15m da cabeceira de saída conforme o protocolo Quanto a VM, utilizada como critério principal do de análise de provas no formato europeu (HALJAND, 1998), desempenho do nadador, pode ser observada a partir da o mesmo aplicado nas NE. capacidade em manter o tempo de nado nas passagens A avaliação das filmagens foi realizada por meio da durante a prova. A alteração dos tempos em cada passagem reprodução das imagens armazenadas nas fitas de vídeo, da prova indica a ocorrência da fadiga muscular, decorrente através do programa de edição de vídeo Windows Media de aspectos neuromusculares (ENOKA; STUART, 1992; Studio® versão Pro 7.0. As fitas foram digitalizadas a 30 GREEN, 1995; SIMÃO, 2003; DIEFENTHAELER; VAZ, 2008) quadros/s sendo avaliado quadro-a-quadro, permitindo a e metabólicos (KESKINEN; KOMI, 1993; DESCHENES; edição de um novo vídeo a partir de várias imagens. KRAEMER, 2002; SANTOS; DEZAN; SARRAF, 2003) ou a A análise das imagens permitiu determinar o número combinação entre ambos (PRESTES et al., 2010). de ciclos completos de braçadas e o tempo em segundos Embora estudos clássicos relacionados à fadiga gasto no percurso a cada parcial de 50m da prova de 400m muscular sejam encontrados em diferentes modalidades nado livre. Estes dados foram registrados quando a cabeça (HAGBERG, 1981; GANDEVIA, 1992; ENOKA; STUART, do nadador atingia a distância entre os 10m e 15m contados 1992; McKENNA, 1992; GREEN, 1995; McLESTER JUNIOR, a partir da saída, somando os 5m de ida e os 5m de volta a 1997), a análise da fadiga a partir de indicadores cada passagem de 50m da prova. cinemáticos na natação ainda é escassa na literatura do Utilizamos as fórmulas propostas por Hay e treinamento esportivo. Portanto, a aplicação da avaliação Guimaraes (1983). Elas indicam que a FB é o resultado da cinemática em provas de natação pode contribuir com a divisão entre o número de ciclos de braçadas e o tempo análise da performance dos atletas durante as sessões de gasto no percurso em segundos; o CB é resultado da treinamento e competição. divisão da distância avaliada (10m) pelo número de ciclos Assim, presente estudo teve como objetivo de braçada (metros/ciclo); e a VM é o resultado da analisar a variação da frequência de braçada (FB), multiplicação da FB com a CB. Todos esses indicadores comprimento de braçada (CB), velocidade de nado (VM) e foram obtidos através da avaliação cinemática. indicadores de fadiga (IF) em nadadoras europeias e cálculo do índice de fadiga (IF) foi determinado brasileiras de alto nível competitivo. pela variável cinemática da VM, segundo o protocolo de Montgomery et al. (1989), com base na seguinte fórmula: MATERIAL E MÉTODO O comportamento dos parâmetros cinemáticos das Índice de fadiga (IF) = (VM inicial VM final) X 100 nadadoras brasileiras (NB) foi analisado durante o VM inicial Campeonato Paulista Júnior I, II e Sênion de Natação do ano Assim, a expressão do cálculo da IF ocorreu em cada de 2004 realizado em piscina de 25m. Para tanto, foram trecho da prova de 400m livres, que foi fracionada de 50 em avaliadas as oito melhores atletas do sexo feminino da 50m (50-100m; 100-150m; 150-200m; 200-250m; 250- prova de 400m nado livre que tinham uma média de idade 300m; 300-350m e 350-400m). de anos e tempo de prática na natação superior Todos os participantes assinaram o Termo de a quatro anos. Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), de acordo com a Os parâmetros cinemáticos das sete melhores Resolução CNS-196/96, concordando com a participação na nadadoras europeias (NE) da prova de 400m nado livre pesquisa e autorizando a análise de suas imagens durante a</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 09-15 jan./dez.2011 Avaliação da fadiga muscular atrav és da análise cinemática de nadadoras europeias brasileiras na prova de 400m nado livre 11 filmagem da prova. O trabalho foi autorizado pelo Comitê de padrão das variáveis CB nas oito parciais da prova de 400m Ética do Conselho Técnico da Federação Aquática Paulista. nado livre. Acerca dos dados estatísticos a análise foi CB das NE mostrou-se constante até a quinta organizada com base na estatística descritiva em valores parcial (250m), apresentando queda em relação às demais médios e desvios-padrão nas variáveis cinemáticas (VM, CB, parciais. Entretanto, a análise estatística intergrupos não e FB) e porcentagem média na determinação das apontou diferença significante entre as parciais (Tabela 2). diferenças entre os grupos. A comparação entre os valores A análise estatística intergrupos das variáveis CB das de cada variável foi realizada por meio da Análise de NB apontou diferenças estatísticas entre a primeira parcial Variância, com análise intragrupos (comparando brasileiras (50m, e a última parcial (400m, 1,79- e europeias) pelo Teste de Wilcoxon para amostras metros/ciclo) da prova de 400m nado livre (Tabela 2). independentes e, posteriormente, uma análise intergrupos A análise estatística intragrupo demonstrou que pelo Teste de Mann-Whitney para amostras dependentes. entre as NE e NB a CB apresentou diferença Os cálculos estatísticos foram realizados pelos programas estatisticamente significante nas parciais de 200m e 300m e GraphPad InStat, sendo o nível de significância p<0,05. na média total (Tabela 2). RESULTADOS Tabela 2 Valores de média (M) e desvio-padrão (DP) da CB em cada O presente estudo avaliou a frequência média de parcial da prova de 400m livre das nadadoras brasileiras e europeias braçada (FB), o comprimento médio de braçada (CB), a COMPRIMENTO DE BRACADA velocidade média de nado (VM) e o índice de fadiga (IF) de DISTANCIA EUROPEIAS BRASILEIRAS S S metros metros/ciclo metros/ciclo nadadoras europeias e brasileiras. 50 2.09 0,14 1.96 0.12a Na Tabela 1 são apresentados os resultados médios 100 2.09 0.13 1.87 0.18 150 2.11 0.13* 1.94 e desvio-padrão das variáveis FB nas oito parciais da prova 200 2.09 0.12 1.92 0.16 250 2.10 0.12 1.89 0,30 de 400m nado livre. 300 2.06 1.87 350 2.04 0.12 1.94 0.28 400 2.04 0.11 1.79 0.18a Tabela 1 Valores de média (M) e desvio-padrão (DP) da FB em cada Média; Desvio-Padrão Análise intragrupo: sinal * indica diferença estatística para p=0,05 parcial da prova de 400m livre das nadadoras europeias e brasileiras Análise intergrupo: letras iguais indicam diferença estatística para p=0,05 a - diferença estatística significante entre as parciais de 50m e 400m nas NB DE BRACADA DISTÂNCIA EUROPEIAS BRASILEIRAS S Os resultados médios e desvio-padrão da VM a cada metros ciclos/segundo ciclos/segundo 50 0.73 0.06 passagem da prova de 400m nado livre podem ser 100 0.72 0,06 150 0.68 visualizados na Tabela 3. Foram encontradas diferenças 200 0,71 0,05 0.69 0.07 250 0.72 0,05 0.08 significantes em todas as parciais (Tabela 3) e na média total 300 0.73 0,05 0.06 350 0.75 0,05 0.68 0.10 na variável VM entre NE (1,52-m/segundo) e NB (1,33- 400 0.72 0.07 m/segundo). Quanto ao intragrupo, a análise estatística aplicada a cada passagem de 50m não demonstrou diferenças Tabela 3 Valores de média da VM em cada parcial da prova de 400m livre das nadadoras europeias e brasileiras estatísticas entre as NE e NB. Assim, foi observado que tanto NE quanto NB, possuem comportamento similar nesta VELOCIDADE MEDIA DO NADO DISTANCIA BRASILEIRAS EURO X BRA variável. Ambos apresentaram queda na FB em relação à X metros primeira parcial (50m) até a terceira parcial (150m), 50 7.2 100 0,03*c 10,7 mantiveram-se constantes até a sexta parcial (300m) no 150 200 0.02*b.d 11.4 grupo das NE e sétima parcial (350m) nas NB, com posterior 250 1.50+ 0,03* 1,31+ 0,06*h 12,7 300 aumento até o término da prova. Sobre os intergrupos a 350 análise estatística em cada parcial de 50m demonstrou que 400 0.04*c a FB em ambos os grupos manteve o mesmo Média; Desvio-Padrão Análise intragrupo: sinal * indica diferença estatística para p = 0,05 comportamento descrito anteriormente. A análise Análise intergrupo: letras iguais indicam diferença estatística para 0,05 a diferença estatística significante entre as parciais de 50m e 150m nas NE estatística das médias em cada parcial da prova de 400m b diferença estatística significante entre as parciais de 50m 200m nas NE diferença estatística significante entre as parciais de 100m e 400m nas NE nado livre demonstrou diferença estatisticamente d diferença estatística significante entre as parciais de 200m e 350m nas NE e diferença estatística significante entre as parciais de 50m e 100m nas NB significante na média total da FB entre os grupos (NE = f diferença estatística significante entre as parciais de 50m e 150m nas NB g diferença estatística significante entre as parciais de 50m 200m nas NB 0,73-ciclos/segundo e NB = 0,70-ciclos/segundo) (Tabela h diferença estatística significante entre as parciais de 50m e 250m nas NB diferença estatística significante entre as parciais de 50m 300m nas NB 1). j diferença estatística significante entre as parciais de 50m e 350m nas NB A Tabela 2 apresenta os resultados médios e desvio- diferenca estatística significante entre as parciais de 50m 400m nas NB</p><p>12 Corpo Movimento Avaliação da fadiga mus cular através da de nadadoras europeias e brasileiras na prova de 400m nado livre 4, n. 1, p. 09-15 jan./dez.2011 A análise estatística intergrupo aplicada na VM das DISCUSSÃO NB aponta diferenças significantes na primeira parcial Um componente importante que auxilia o treinamento de atletas de natação é a utilização de (50m) para as demais parciais. A maior VM registrada pelas instrumentos que permitam a identificação dos elementos NB foi na parcial de 50m (1,42-m/segundo). Após essa técnicos e táticos responsáveis pela melhoria do primeira etapa da prova, as NB mantiveram VM constante desempenho específico da prova do nadador. Exercícios entre as parciais intermediárias (100m; 150m; 200m; específicos e métodos de treinamento podem ser 250m; 300m e 350m) (Tabela 3). A VM voltou a diminuir na desenvolvidos a partir de criteriosas análises, última parcial da prova de 400m (1,29-m\segundo). As menores diferenças na média de porcentagem especialmente por meio de vídeo, propiciando adequar as cargas de treinamento ao longo de diferentes mesociclos, entre as NE e NB foram registradas nas parciais de 50m ao mesmo tempo em que permite conhecer as adaptações (7,2%) e de 100m (10,7%), e as maiores nas parciais de positivas e negativas da técnica de nado. 350m (14,4%) e 400m (17,3%). Os valores de índice de fadiga estão apresentados na A técnica de nado, segundo Seifert et al. (2010), Tabela 4. associa-se a avaliação do nível de habilidade e índice de coordenação, potência mecânica e eficiência em nadadores de diferentes níveis técnicos do estilo crawl. O presente Tabela 4 Valores de índice de fadiga (IF) da variável VM entre cada passagem da prova de 400m nado livre das nadadoras europeias e brasileiras estudo busca auxiliar a organização de um programa de treinamento com informações que dizem respeito à VM DISTÂNCIAS VELOCIDADE MÉDIA DE NADO gasta para cada passagem numa prova de 400m nado livre EUROPEIAS BRASILEIRAS Parciais IF (%) IF (%) em nadadoras em condição real de competição, juntamente 1.96 5.63 com elementos relacionados à mecânica de nado (FB e CB), 0,00 2.24 0,67 -0.76 para o aprimoramento da técnica e melhoria de sua tática de -1.34 0.76 250 300 0,66 0.00 prova. A câmera de vídeo auxilia na análise destas variáveis 300 350 -2.00 0.00 do nado, bem como determina áreas onde têm sido bem 350 400 -1.96 1.53 executadas, e outras a serem melhoradas durante a situação competitiva e de treinamento (HALJAND, 1998). Na presente pesquisa, as análises cinemáticas realizadas As NE apresentaram IF entre as primeiras parciais de permitiram identificar comportamentos diferentes entre as 50m e 100m de 1,96% da prova de 400m nado livre. Após a NE e NB quanto ao comportamento da VM, do CB e da FB. primeira parcial, as NE tenderam a manter o ritmo na parte intermediária da prova (100m-150m; 150m-200m e 250m- As análises feitas na variável VM indicaram o melhor 300m) chegando na passagem dos 200m a 250m a desempenho das NE em relação às NB. Um fator que pode explicar tal diferença nos resultados seria o encontrado por melhorarem seu ritmo de prova (-1,34%). Estas atletas, ao Pelayo et al. (1996), que analisando as relações entre VM, contrário do que foi visto entre as NB, apresentaram FB e CB de nadadores de ambos os sexos, na prova de 400m melhora do IF nos últimos 100m da prova de 400m nado nado livre, encontraram que os parâmetros livre, como mostra a Tabela 4, de acordo com valores antropométricos se associaram com o melhor desempenho negativos na porcentagem do índice de fadiga entre as na VM dos atletas do sexo masculino em relação as parciais de 300m e 350m (-2,00%); 350m e 400m (- mulheres, visto que seus valores de CB se apresentaram 1,96%). maiores que os valores das mulheres nadadoras, em função As NB apresentaram um elevado IF entre as parciais da maior estatura e envergadura. de 50m-100m (5,63%) e de 100m-150m (2,24%). Após Craig et al. (1985) também apontaram o CB como este primeiro momento da prova as NB tenderam a determinante da VM do nadador após avaliar os resultados estabilizar o ritmo de nado nas parciais intermediárias da cinemáticos de CB, FB e VM dos nadadores participantes da prova (150-200m; 200-250m; 250m-300m e 300-350m), seletiva olímpica norte-americana de natação. A melhora na não apresentando diferenças significantes no IF (Tabela 4). VM foi atribuída ao aumento do CB. Segundo os autores, um Somente ao final da prova de 400m nado livre entre as CB longo é um atributo importante de nadadores que parciais de 350m-400m (1,53%) foi constatado novo apresentam melhor performace Estes dados corroboram aumento na IF (Tabela 4). com a presente pesquisa, pois as NE apresentaram maior CB</p><p>Corpo Movimento V. 4, n. 1, p. 09-15 jan. dez.2011 Avaliação da fadiga mus cular através da análise cinemática de nadadoras europeias brasileiras na prova de 400m nado livre 13 em relação às NB em todas as parciais da prova de 400m padrão de endurance como velocidade (MAGLISCHO, nado livre, sendo estatisticamente significante nas parciais 1999), faz-se necessário o controle do ritmo de prova, de 150 e 300m (Tabela 2). utilizado com o objetivo de controlar a velocidade e padrão Tanto o estudo de Craig et al. (1985) quanto o de do nado (CHATARD; CHOLLET; MILLET, 1998). Pelayo et al. (1996) não observaram diferenças Os resultados da presente investigação apontaram estatisticamente significantes na FB entre os grupos que a alta demanda energética nas primeiras parciais da avaliados, o mesmo observado em todas as parciais na prova resultou no comprometimento da resposta presente pesquisa entre NE e NB (Tabela 1). Entretanto cinemática em toda a prova de 400m nado livre das NB. A Craig et al. (1985) destacaram que em provas de 400m nado análise do IF apontou um índice de 5,63% de fadiga entre a livre, para atletas do sexo masculino, esta variável foi uma passagem de 50-100m e 2,24% entre a passagem de 100- característica determinante na seleção dos finalistas da 150m destas atletas (Tabela 4). Na tentativa de manter uma prova, pois aumentaram a VM nos últimos 100m da prova, elevada VM as NB iniciaram a primeira parcial (50m) da aumentando a FB sem diminuir significativamente o CB. prova com uma FB de 0,73 ciclos/segundo, possivelmente mesmo foi percebido no presente estudo com relação às NE, acima das suas capacidades fisiológicas. A elevada FB que nos últimos 100m da prova aumentaram a VM, registrada pelas NB no início da prova não representou aumentando a FB sem diminuir significativamente o CB eficiência no nado, pois mesmo obtendo o melhor índice de (Tabelas 1, 2 e 3). Assim, as NE obtiveram melhor CB entre todas as parciais (50m, 1,96m/segundo), esta não desempenho, como visto na Tabela 4, entre as parciais de foi estatisticamente significante comparado às demais, com exceção a última parcial dos 400m (1,79m/ciclo). Além 300-350m (-2,00%) e 350-400m (-1,96%). As NE disso, comparando parciais intermediárias, verificou-se que apresentam índice de fadiga (IF) com valores negativos que as atletas apresentaram níveis semelhantes de CB (parciais correspondem a uma melhora no rendimento, o contrário de 150m, 200m e 350m) com uma menor FB. das NB que nos últimos 50m apresentam aumento na FB, provocando diminuição no CB e consequente diminuição da É consenso entre os pesquisadores que a VM na VM, gerando uma IF de 1,53%. natação está relacionada com o CB e a FB dos nadadores Embora todas as parciais da prova de 400m nado (CRAIG et al., 1985; HAY; GUIMARAES, 1983; PELAYO et al., livre apresentassem diferenças estatisticamente significantes 1996). Diferentes pesquisas estudaram as variações na VM entre NE e NB, foi observado, através dos resultados, introduzidas em estilos de nado (CHENGALUR; BROWN, que houve um aumento gradativo da diferença das médias 1992) e distâncias de provas (PELAYO et al., 1996). Estes percentuais a cada passagem da prova de 400m nado livre, autores relataram que desempenhos de nado são sendo que as maiores diferenças entre NE e NB ocorreram caracterizados por uma maior variabilidade em CB que em FB. nas passagens dos 350m (14,4%) e 400m (17,3%). Hay e Guimarães (1983), analisando a prova de Analisando os dados da Tabela 3, que descreve a variação 200m nado livre de nadadores universitários, constataram da VM no percurso da prova de 400m nado livre, declínio da VM durante a prova, consequência da diminuição observamos que o comportamento tático das NE foi similar do CB, ficando a FB constante durante a prova. Os as nadadoras olímpicas norte-americanas avaliadas por resultados da análise estatística da atual pesquisa na FB e Craig et al. (1985) e pelos estudos com os melhores CB corroboram com estes relatos. No atual estudo não nadadores do mundo feito por Platonov e Fessenko (2004). houve diferença estatística significante entre as parciais na Esses dados sugerem que na primeira passagem da variável FB entre NE e NB. prova, a VM em geral é a maior de toda a prova, reduzindo e Como a magnitude do CB está relacionada com as mantendo valor médio constante na parte intermediária da forças propulsivas que um nadador apresenta enquanto prova, voltando a aumentar a partir dos últimos 100m. As está nadando, diferenças em força e tamanho do corpo NB participantes deste estudo apresentaram podem responder as diferenças observadas na VM. De comportamento semelhante da VM antes dos 300m da acordo com os resultados obtidos por Toussaint e Beek prova. Porém, apresentaram redução na VM nos últimos (1992) em uma investigação de dois grupos de nadadores, 50m da prova. Uma prova de 400m nado livre, com duração em níveis diferentes, a diferença em CB entre homens e aproximada de 4 minutos, classificada como prova de meia mulheres poderia ser relacionada à menor estatura distância, exigindo dos atletas tanto resposta associada ao feminina.</p><p>14 Corpo Movimento Avaliação da fadiga mus cular através da cinemática de nadadoras europeias e brasileiras na prova de 400m nado livre 4, n. 1, p. 09-15 jan./dez.2011 Normalmente, nadadores mais altos realizam prova das NB. mesmo observado por De Jesus et al. braçadas mais longas, em qualquer distância (WEISS et al., (2012) ao analisarem os efeitos da fadiga sobre os 1988). As NE poderiam apresentar maior estatura que as parâmetros cinemáticos de sete nadadoras em esforços NB, que as levaria a melhor desempenho, como sugerem submáximo e máximo de 100m nado borboleta, em que a Chengalur e Brown (1992), que avaliaram o desempenho de fadiga levou as nadadoras a apresentaram-se 165 homens e 127 mulheres em provas de 200m durante os mecanicamente menos eficientes, provocando aumento na Jogos Olímpicos de Seul no ano de 1988, por intermédio de VM. três câmeras de vídeo (semelhante ao atual estudo), Vilas-Boas et al. (2001) e Figueiredo et al. (2011) encontrando fortes relações entre a altura X tempo final e demonstraram que em provas simuladas de 200m nado altura X CB. livre a diminuição do CB e ligeiro aumento da FB, quando Grimston e Hay (1996) não encontraram fortes comparado o início com o final da prova, seriam explicadas relações entre a VM e o físico dos atletas de uma equipe principalmente pela fadiga causada pela acidose. A acidose colegial americana, através de filmagens de vídeo, mas ocorre devido à elevação do metabolismo anaeróbio que destacaram que a combinação do CB e FB para alcançar causa, entre outras consequências, a redução na velocidade uma determinada VM está muito relacionada em função do de contração dos músculos, diminuindo, portanto, a físico do nadador. Mas, como estes dados não foram eficiência do gesto técnico do nadador. Em nadadores de avaliados neste estudo, tentativas no sentido de justificar a competição, além das consequências fisiológicas da causa da diferença nos resultados apresentados entre NE e acidose, também estariam relacionadas à queda no CB a NB provocadas por diferenças na estatura seriam fadiga psicológica e a tolerância à dor como principais especulações, pois não foram coletados estes dados de componentes (MAGLISCHO, 1999). ambos os grupos. Tsalis et al. (2011), examinando as respostas Pelos resultados apresentados nesta pesquisa, fisiológicas, alterações de parâmetros cinemáticos e a percebe-se que existe uma relação negativa entre CB e FB. capacidade de sustentar a VM correspondente à velocidade Arellano et al. (1994) analisaram as provas de 50m, 100m e crítica de nadadores de diferentes faixas etárias em 200m nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992, tanto em estímulos de 50m, 100m, 200m, 400m e séries de 5x300m e nadadores quanto em nadadoras,e observaram que, 5x400m, constataram que a diminuição do CB pode indicar conforme aumenta a distância da prova, existe um aumento precocemente a fadiga em nadadores jovens e adultos. do CB e diminuição da VM e FB. A diminuição da VM e CB ao Levando-se em consideração a fadiga, a redução no longo da prova está relacionada para estes autores com o CB estaria relacionada ao metabolismo anaeróbico, desenvolvimento de fadiga muscular localizada. características das intensidades elevadas. Já a manutenção Este fato é confirmado pelo estudo de Alberty et al. ou aumento da FB, na última passagem da prova, estaria (2009), no qual avaliaram dez nadadores que nadaram três relacionado com a habilidade de manutenção de adequada vezes a distância de 400m nado livre até a exaustão em ativação neural (KESKINEN; KOMI, 1993). Assim, podemos velocidades correspondentes da 95%, 100% e 110% da concluir que diminuição da VM e do CB, e aumento da FB VM. Observaram que o desenvolvimento da fadiga induzida encontrado nas últimas passagens entre as NB, podem pelo modelo proposto levou os indivíduos da amostra a um estar relacionados a estes fatores fisiológicos. aumento gradual da FB e redução concomitante do CB Com base nos dados da presente pesquisa podemos devido à redução da capacidade para gerar impulso prever que as NE, além de serem maiores e mais fortes propulsor. fisicamente, são mais bem preparadas tecnicamente, Há de se considerar que a fadiga é um complexo taticamente e fisiologicamente em prova de 400m nado processo que envolve todos os níveis da atividade do organismo e que se manifesta no conjunto das mudanças livre comparado às NB. As NE Conseguem, mesmo relacionadas com as transformações da homeostase, com o apresentando aumento da FB e diminuição do CB nas desenvolvimento do sentido do cansaço e a diminuição últimas parciais da prova (350m e 400m), melhorar os temporária da capacidade de trabalho (PLATONOV, 2001). valores de VM. O presente estudo sugere que a excessiva demanda CONCLUSÃO energética que levou as NB a atingirem um elevado IF no Os indivíduos participantes deste estudo início da prova, causou uma menor eficiência do CB e FB na apresentaram alterações significativas nos parâmetros</p><p>Corpo e Movimento V. 4, n. 1, p. 09-15 jan./dez.2011 Avaliação da fadiga muscular através da análise cinemática de nadadoras europeias e brasileiras na prova de 400m nado livre 15 cinemáticos analisados. Pelo fato de apresentarem Jr, J. R. Muscle contraction and fatigue: the role of adenosine 5'- diphosphate and inorganic phosphate. 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Foi aplicado um questionário com perguntas de múltipla escolha para traçar o perfil sociodemográfico do grupo FTI. As variáveis analisadas foram: idade, nível de escolaridade, frequência semanal de atividade física estruturada, estado civil, moradia, trabalho e religião. As idosas participantes do grupo de convivência FTI apresentaram idade média de anos e indicaram um nível de escolaridade satisfatório. As idosas participantes do estudo declararam, em média, praticar atividade física estruturada vezes por semana; 63,33% das idosas do grupo FTI eram casadas, 80% moravam acompanhadas, 86,66% não trabalhavam e 90% eram católicas. A frequência adequada de prática de atividade física do grupo parece estar atrelada à participação no grupo. nível educacional satisfatório das integrantes do grupo pode ter contribuído na inserção das idosas no grupo de convivência. Palavras-chave: Promoção de saúde. Gênero feminino. Grupos multiprofissionais da terceira idade. Qualidade de vida. Abstract The aim of this study was to analyze the demographic profile of elderly participants in a support group of seniors and verify participation in the group can interfere with the weekly frequency of leisure physical activity of these elderly. Thirty women formed the group of older members of the group College of the Third Age (FTI). This health promotion program for the elderly is offered by the Faculty of Physical Education Catanduva, SP. We used a questionnaire with multiple choice questions to profile the sociodemographic group FTI. The variables analyzed were age, education level, weekly structured physical activity, marital status, housing, work and religion. The older participants living group had a mean age of years and indicated a satisfactory level of education. The older study participants reported, on average, structured physical activity times a week; of the elderly women of the group were married, 80% were living together, were not working and 90% were catholic. The appropriate frequency of physical activity practice group appears to be linked to participation in the group. The educational level of satisfactory FTI members of the group may have contributed to the inclusion of the elderly in the living group. Keywords: Health promotion. Elderly women. Multidisciplinary groups of elderly. Quality of life. * Mestrando do Programa de Mestrado em Promoção de Saúde da Universidade de Contato: igorbraz@uol.com.br ** Docente do Programa de Mestrado em Promoção de Saúde da Universidade de *** Mestrando do Programa de Mestrado em Promoção de Saúde da Universidade de Franca-SP. Trabalho realizado em Catanduva-SP.</p><p>Corpo Movimento 4, n. 1, p. 16-20 jan./dez.2011 Perfil sociodemográfico de idosas participantes de um grupo de convivência da terceira idade 17 INTRODUÇÃO explica totalmente essa característica, visto que as O aumento do contingente de idosos no Brasil é mulheres enxergam a terceira idade como um momento apontado há diversos anos (CHAIMOWICZ, 1997; VERAS, propício para atender anseios antes impossíveis (SERBIM; 1987). A expectativa de vida dos brasileiros aumentou 25,4 FIGUEIREDO, 2011; SILVA et al., 2011). anos em 50 anos, chegando ao valor médio de 73,4 anos em Ao investigar o sentido da velhice para homens e 2010 (IBGE, 2011). Ao conquistar uma maior longevidade, mulheres idosos, Fernandes e Garcia (2010) indicaram que o ser humano passou a buscar uma melhor qualidade nos para os homens a velhice está atrelada à dependência, anos vividos. Particularmente, os idosos almejam desfrutar doença, aposentadoria, finitude e limitação produtiva, de momentos de lazer que possam trazer sentimentos enquanto para as mulheres idosas, a velhice expressa um prazerosos. Todavia, o isolamento social e o ócio dos mais significado ambíguo, visto que apesar de entenderem a velhos desencadeiam sentimentos negativos que levam à terceira idade como um período de limitações, depressão e, em casos severos, ao suicídio (NIMH, 2011). dependência, finitude, abandono e feiura, essa fase Os desafios enfrentados pelos idosos na terceira também é experimentada como uma oportunidade para idade se traduzem em dificuldades e limitações no elas desfrutarem os anos de vida que lhes restam de forma desempenho de tarefas que exigem habilidades físicas, mais liberta e positiva. Do mesmo modo, Silva et al. (2011) cognitivas e sociais, já que essas aptidões são afetadas de acreditam que as mulheres têm maior atenção com a saúde forma negativa pelo processo de senilidade. e com o autocuidado do que os idosos do sexo masculino. Uma importante estratégia da promoção de saúde A participação nos grupos de convivência fortalece na terceira idade, que visa proporcionar um ambiente vínculos afetivos que se transformam em redes de apoio agradável aos seus integrantes, é a formação dos grupos de social aos seus integrantes. A maior parte dos estudos tem convivência de idosos. Esses grupos multiprofissionais são demonstrado que as redes sociais abalam de maneira concebidos como instrumentos a serviço da autonomia e do significativa os efeitos do estresse nos indivíduos mais desenvolvimento contínuo do nível de saúde, aprimorando velhos. Essas redes de apoio podem oferecer suporte social as condições de vida (SANTOS et al., 2006). na forma de amor, afeição, preocupação e assistência Neste tipo de trabalho, torna-se mais fácil (COCKERHAM, 1991) e funcionar como um meio para aprofundar discussões de temas atuais, ampliar prevenir muitos problemas de saúde, além de reduzir custos conhecimentos sobre temas relacionados à saúde, públicos com tratamento de saúde para pessoas idosas estimular a adoção de hábitos saudáveis e contribuir para (RAMOS, 2002). Diversos estudos têm apontado a eficácia da mudança de comportamento (VICTOR et al., 2007), além de participação nesses grupos de convivência da terceira idade promover socialização entre os participantes e melhorar sobre a percepção da qualidade de vida, sobretudo, de suas capacidades físicas. idosas, pela maior adesão de mulheres neste tipo de Diante destes benefícios, a formação de grupos de programa (ALMEIDA et al., 2010; COELHO, 2012; LIMA, convivência de idosos vem sendo utilizada para 2010). Desta maneira, torna-se fundamental investigar proporcionar-lhes a preservação da capacidade funcional, perfil de idosas que decidiram buscar um suporte social que mantém a autonomia e a independência na terceira coletivo, através de um grupo de convivência da terceira idade. Segundo Pena e Santo (2006), o aumento da idade. expectativa de vida e a qualidade de vida dos idosos não se restringe apenas aos avanços da tecnologia e da medicina, OBJETIVOS mas também estão atrelados à convivência dos idosos em Analisar o perfil sociodemográfico de idosas grupos, visto que essas atividades envolvem aspectos participantes de um grupo de convivência da terceira idade. emocionais e comportamentais. Verificar se a participação no grupo de convivência É possível observar uma predominância maior de da terceira idade pode interferir na frequência semanal de mulheres idosas que participam dos grupos de convivência atividade física de lazer destas idosas. A "feminilização dos idosos", que faz alusão à proporção METODOLOGIA superior de mulheres que ultrapassam a barreira dos 60 O curso de graduação em Educação Física das anos de idade, em comparação ao sexo masculino, não Faculdades Integradas Padre Albino (FIPA), em</p><p>18 Corpo Movimento Perfil sociodemográfico de idosas participantes de um grupo de convivência da terceira idade 4, n. 1, p. 16-20 jan./dez.2011 Catanduva-SP oferece um programa de promoção de saúde grupo FTI foram trabalhados sob estatística descritiva da na terceira idade, através do grupo de convivência seguinte maneira: as variáveis idade, nível de escolaridade "Faculdade da Terceira Idade" (FTI), que é composto e frequência semanal de atividade física estruturada foram somente por mulheres. Professores e colaboradores de quantificadas em média e desvio-padrão (DP). As demais diversas áreas ministram aulas e oficinas práticas e teóricas variáveis (estado civil, moradia, trabalho e religião) foram que desenvolvem aspectos físicos, cognitivos e sociais, calculadas em números absolutos e porcentagem. Os dados além de promoverem momentos recreativos e agradáveis foram processados no software de estatística GraphPad InStat 3.0. às participantes da FTI. As atividades ocorrem no espaço físico das FIPA. RESULTADOS Para tanto, realizou-se uma pesquisa de caráter As idosas integrantes do grupo FTI apresentaram idade média de anos. As descritivo e corte transversal para analisar perfil variáveis nível de escolaridade e frequência semanal de sociodemográfico de idosas participantes do grupo de atividade física de lazer foram quantificadas no intuito de convivência da terceira idade FTI. Um questionário com analisar os valores médios de cada variável. Desta maneira, questões objetivas foi o instrumento aplicado. estudo faz em relação à escolaridade, quando uma participante parte de um trabalho que visa comparar a percepção da assinalava uma alternativa, essa correspondia a um valor. qualidade de vida de idosas participantes e não Os valores atribuídos às alternativas foram: Ensino participantes do grupo FTI. Fundamental Incompleto, 0 (zero); Ensino Fundamental Trinta mulheres idosas, com 60 anos de idade ou Completo, 1 (um); Ensino Médio Completo, 2 (dois); Ensino mais, que frequentavam o grupo FTI assiduamente, há pelo Superior completo, 3 (três). Desta maneira, o nível de menos seis meses, participaram voluntariamente do escolaridade médio do FTI foi de estudo. Todas as participantes, após receberem informações Do mesmo modo, para quantificar a variável frequência semanal de atividade física de lazer, as sobre as finalidades do estudo e os procedimentos aos quais alternativas eram atreladas aos seguintes valores: não seriam submetidas, assinaram um Termo de Consentimento pratica atividade física, 0 (zero); realiza atividade física uma Livre e Esclarecido (TCLE). estudo foi aprovado pelo vez por semana, 1 (um); pratica atividade física duas vezes Comitê de Ética da Universidade de Franca, de acordo com por semana, 2 (dois); realiza atividade física três vezes por as normas da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de semana ou mais, 3 (três). Desta forma, o FTI indicou Saúde sobre pesquisa envolvendo seres humanos. frequência de atividade física média de vezes por As reuniões da FTI são realizadas duas vezes por semana. Os resultados das variáveis citadas acima seguem semana, com duração de 3 horas diárias. Assim, todas apresentados na Tabela 1. Os dados estão expressos em terças e quintas-feiras as idosas se reúnem e praticam média e DP. atividades físicas estruturadas, participam de discussões de Tabela 1 Idade, nível de escolaridade e frequência semanal de atividade temas atuais, recebem apoio psicológico e organizam física de idosas integrantes do grupo de convivência FIT (valores em média e desvio-padrão) eventos e viagens. Além disso, são ministradas aulas Variável (n-30) práticas e teóricas, abordando a promoção de saúde e a Idade prevenção de doenças na terceira idade. Os intervalos das Escolaridado 1,5+1,16 Atividade física 2,1+0,60 atividades são caracterizados por momentos agradáveis já Nota: idade (anos). que ocorrem trocas de experiências. A Tabela 2 indica o perfil das idosas que As participantes do estudo responderam perguntas compõem FTI. No grupo estudado, 19 (63,33%) mulheres de múltipla escolha com o intuito de o perfil eram casadas, 1 (3,33%) solteira e 10 (33,33%) viúvas, sociodemográfico do grupo FTI. Todas as idosas tiveram além disso, 6 (20%) idosas moravam sozinhas e 24 (80%) uma explicação, vindas de um único aplicador, sobre como acompanhadas. Quanto à população economicamente ativa, FTI indicou que 4 (13,33%) participantes ainda proceder diante das questões. As voluntárias responderam trabalhavam, enquanto 26 (86,66%) não trabalhavam mais as questões de modo particular. Não era necessário se ou nunca trabalharam. Na variável religião foi constatado identificar no questionário pré-estruturado. que no grupo FTI, 27 (90%) declararam ser católicas e 3 Os dados que traçaram o perfil sociodemográfico do (10%) espíritas.</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 16-20 jan./ ez.2011 Perfil sociodemográfico de idosas participantes de um grupo de convivência da terceira idade 19 Tabela 2 Estado civil, moradia, trabalho e religião de idosas integrantes As idosas do grupo FTI apontaram que praticam do grupo de convivência FIT (valores em média e desvio-padrão) atividade física de lazer em uma frequência semanal média Variável de 2,1. Ao considerar que as integrantes do grupo FTI têm a casada 19(63,33%) oportunidade de praticar atividade física estruturada duas solteira 1(3,33%) Estado civil divorciada 0 vezes por semana, no grupo de convivência, pode-se supor viúva 10(33,33%) que muitas idosas dependem da participação no grupo para Moradia sozinha 6(20%) acompanhada praticar exercícios físicos regularmente, fator protetor de Trabalho sim 4(13,33%) saúde, especialmente na terceira idade, devido ao processo não Religião católicas 27(90%) de senilidade. 3(10%) Nota: de Cupertino, Rosa e Ribeiro (2007) acreditam que as boas relações sociais podem proporcionar uma saúde social satisfatória nas pessoas, sejam as relações DISCUSSÃO desempenhadas no contexto familiar, ou não. Diante disso, Em estudo prévio, Silva et al. (2011) traçaram o acredita-se que o estado civil possa influenciar de maneira perfil sociodemográfico de 65 idosos, homens e mulheres, peculiar em cada indivíduo. No entanto, é possível afirmar que participavam de um grupo de convivência de Iguatu- que as limitações impostas por maridos na idade adulta se CE. A maior parte dos integrantes desse grupo era configurem de maneira mais branda na terceira idade. mulheres, dado idêntico ao encontrado no presente estudo Assim, as mulheres idosas veem essa oportunidade como Serbim e Figueiredo (2011) delinearam o perfil um momento oportuno para atender desejos que antes de 15 participantes de um grupo de convivência de Porto eram dificultados. Alegre-RS, sendo 14 mulheres. estudo encontrou grande proporção de viúvos e uma baixa adesão de evangélicos; Desta forma, a união conjugal na terceira idade tem se mostrado como um fator interessante no combate ao 20% dos idosos moravam sozinhos, dado que corrobora isolamento social, que pode abalar a saúde tanto quanto o com os achados do presente estudo e com o estudo de Silva fumo, a obesidade e a pressão arterial elevada (ANDRADE; et al. (2011). VAITSMAN, 2002). grupo analisado no presente estudo Os países com maior desenvolvimento indicou que 19 (63,33%) idosas são casadas, enquanto 11 consideram a faixa dos 65 anos de idade como o ponto de (36,66%) mulheres não mantêm relação conjugal inserção na terceira idade. No Brasil, os indivíduos com 60 anos de idade ou mais são considerados idosos. No estudo No entanto, apenas seis (20%) idosas atual, a idade média de 70,73 anos revela que as idosas, em declararam morar sozinhas. Da mesma maneira que essa sua maioria, procuram os grupos de convivência de idosos situação pode indicar um acentuado isolamento social, após transcorrer um grande período na terceira idade. outros autores defendem que as idosas que moram Ao quantificar a variável nível de escolaridade, sozinhas apresentam melhores condições financeiras observa-se que o valor máximo que as idosas poderiam (CAMARGOS; MACHADO; RODRIGUES, 2007). alcançar era três. valor médio apresentado pelo grupo FTI Infelizmente, muitos idosos passam por foi de 1,5. Esse resultado indica que as integrantes do grupo dificuldades financeiras e sequer podem almejar momentos FTI apresentam bom nível de escolaridade, o que pode ter de lazer. Os altos custos dos medicamentos e uma baixa influenciado na decisão das mulheres de se inserirem em aposentadoria, que não acompanha a inflação, privam um grupo de convivência da terceira idade, já que no grupo muitos idosos de momentos recreativos. Em outros casos, estudado dez idosas completaram o Ensino Médio, grande parcela da população mais velha não recebe enquanto sete concluíram o Ensino Superior. aposentadoria ou pensão e se submete a trabalhos As reuniões da FTI ocorrem em frequência insalubres por não ter outra fonte de renda. bissemanal e um dos dois períodos de cada reunião é Para Coutrim (2006) a situação é ainda mais dedicado às atividades físicas de lazer. As atividades físicas agravante, já que os idosos encontraram nas ruas mais do estruturadas e coordenadas por um profissional de que um rendimento complementar à aposentadoria ou educação física promovem melhorias nas capacidades pensão, encontraram uma forma de socialização e de físicas das praticantes e maior participação social entre as manter o poder familiar em uma relação de troca participantes (COELHO, 2011). intergeracional. Contudo, esta situação não esconde</p><p>20 Corpo e Movimento Perfil sociodemográfico de idosas participantes de um grupo de convivência da terceira idade 4, n. 1, p. 16-20 jan./dez.2011 a precariedade da vida do idoso que, em muitos casos, LIMA, L. C. V. Avaliação da percepção de qualidade de vida em diferentes grupos de idosos da cidade de Carneirinho-MG. 2010. Dissertação busca no trabalho o apoio e a aceitação que não recebe em (Mestrado em Promoção de Saúde) Universidade de Franca, Franca-SP, 2010. casa. No estudo atual, apenas quatro (13,33%) mulheres declararam trabalhar no momento da investigação. NIMH. National Institute of Mental Health. Older adults: depression and suicide facts. 2009. Disponível em: Ao analisar a variável religião, os dados mostram suicide-facts-fact-sheet/index.shtml> Acesso em: 25 ago. 2011. que a maioria se definiu como católica, e somente três, PENA, F. SANTO, F. H. E. o movimento das emoções na vida dos idosos: espíritas, não havendo seguidoras de outras religiões. um estudo com um grupo da terceira idade. Rev. Eletr. Enferm., Goiânia, 8, n. 1, p. 17-24, 2006. CONSIDERAÇÕES FINAIS RAMOS, M. P. Apoio social e saúde entre idosos. Sociologias, Porto Alegre, A participação no grupo de convivência da ano 4, n. 7, p. jan./jun. 2002. terceira idade contribui na manutenção de uma frequência SANTOS, L. M. et al. Grupos de promoção à saúde no desenvolvimento da regular de atividade física de lazer de idosas. autonomia, condições de vida e saúde. Rev. Saúde Pública, V. 40, n. 2, p. 346-352, nível educacional satisfatório das idosas do grupo FTI pode ter colaborado na inserção dessas mulheres SERBIM, A. K.; FIGUEIREDO, A. E. L. Qualidade de vida de idosos em um grupo de convivência. Scientia Medica, Porto Alegre, V. 11, n. 4, p. 166-72, no grupo multiprofissional da terceira idade. 2011. estado civil parece não interferir na inserção SILVA, et al. Perfil epidemiológico de idosos frequentadores de grupos das idosas em um grupo de convivência da terceira idade. de convivência no município de Iguatu, Ceará. Rev. Bras. Gerontol., Rio de Janeiro, V. 14, n. 1, p. 123-133, 2011. Morar acompanhada a outra pessoa pode VERAS, R. P. Crescimento da população idosa no Brasil: transformações e uma idosa a se inserir em um grupo de na sociedade. Rev. Saúde Pública, São Paulo, V. 21, n. 3, p. 225-233, jun. 1987. convivência da terceira idade, por influência do parceiro. As idosas que se enquadram dentro da VICTOR, J. F. et al. Grupo feliz idade: cuidado de enfermagem para a promoção da saúde na terceira idade. Rev Esc. Enferm., V. 41, n. 4, p. 724- população economicamente ativa indicam maior dificuldade 730,2007. na adesão aos grupos de convivência da terceira idade. REFERÊNCIAS ALMEIDA, E. A. et al. Comparação da qualidade de vida entre idosos que participam e idosos que não participam de grupos de convivência na cidade de Itabira-MG. Rev. 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Neste contexto, atualmente a Educação Física necessita estimular os estudantes à aquisição de conhecimentos de ordem conceitual, procedimental e atitudinal. Tal discussão nos remete aos pensamentos sobre as metodologias de ensino existentes que, teoricamente, apontam para as possibilidades de estudo sobre a cultura corporal de movimento. objetivo do presente trabalho reside exatamente em descrever e refletir sobre as metodologias de ensino da Educação Física, buscando compreendê-las diante do desenvolvimento da sua práxis, diante da complexidade da cultura corporal de movimento, assim como das necessidades específicas da própria tarefa de estimular aprendizagens conceituais, procedimentais e atitudinais por parte dos estudantes. Para tanto, fizemos a descrição teórica das ideias que embasam as metodologias de ensino, analisando-as à luz das perspectivas atuais para o trabalho nas aulas de Educação Física na escola. Nossas reflexões teóricas nos permitem compreender que as situações de aprendizagem são compostas por uma combinação de características de todas as metodologias de ensino. No entanto, compreendemos que existem mecanismos metodológicos que podem ser considerados mais ou menos adequados a determinadas situações. Sendo assim, a metodologia baseada na resolução de problemas pode, em determinadas situações, ser uma alternativa interessante para o trabalho educacional durante as aulas de Educação Física na escola. Palavras-chave: Metodologias de ensino. Educação física. Escola. Abstract The Physical Education, as every area of knowledge, has assumed greater complexity from many studies throughout history. Changes include perspectives of teaching and learning goals. In this context, currently the physical education needs to encourage students to acquire knowledge of a conceptual, procedural and attitudinal. This discussion leads us to thoughts on teaching methodologies exist that theoretically point to the possibilities of study on the culture of body movement. The aim of this work lies in exactly describe and reflect on the teaching methodologies of Physical Education, seeking to understand them before the development of their practice, given the complexity of the physical culture movement, as well as the specific needs of the actual task of stimulating learning conceptual, procedural and attitudinal by students. Therefore, we made theoretical description of the ideas that underlie the teaching methodologies, analyzing them in light of the current prospects for work in physical education classes at school. Our theoretical reflections enable us to understand that learning situations are composed of a combination of characteristics of all teaching methodologies. However, we understand that there are methodological mechanisms that can be considered more or less suitable for certain situations. Therefore, the methodology based on problem solving can, in certain situations, be an interesting alternative to the educational work during physical education classes at school. Keywords: Methodologies of teaching. Physical education. School. Licenciado em Educação Física (FAEFI-SP) e em Pedagogia (UNINOVE-SP). Especialista em Psicopedagogia Educacional e Clínica (FACITA-SP) e em Educação Física Escolar (UEPG-PR). Mestre em Educação (USAL/Buenos Aires, Argentina). Docente da Escola Superior de Educação Física de Catanduva-SP (ESEFIC-FIPA) e das Faculdades Integradas de Jaú (FIJ). Contato: ademirtj@gmail.com.</p><p>Corpo Movimento 4, n. 1, p. 22-28 jan./dez.2011 Metodologias de ensino para a educação física escolar 23 INTRODUÇÃO conhecimentos prévios [...]; atividades que promovam uma forte Coll et al. (2000) e Chervel (1990) afirmam que um ação mental, favorecendo essas relações [...]; atividades que outorguem significado e funcionalidade aos novos conceitos e componente curricular deve apresentar um complexo corpo princípios; atividades que suponham um desafio ajustado às de conhecimentos organizados e adequados à possibilidades reais etc. aprendizagem, sempre orientados pelos objetivos gerais. Nesse contexto, para Coll et al. (2000), Guedes e As habilidades e destrezas, os métodos, as Guedes (1994), Marante e Santos (2008) e Neira (2009), a estratégias e as técnicas, segundo Neira (2009), são Educação Física Escolar, enquanto área de conhecimento, pertinentes aos conhecimentos procedimentais, ou seja, o deve possibilitar aprendizagens sobre a cultura corporal de que está ligado ao saber fazer. De maneira geral, as ações movimento, atendendo a três dimensões: dimensão neste sentido se aprendem fazendo, por isso podemos dizer procedimental (relativa ao saber fazer), conceitual (relativa que adquirimos os conhecimentos procedimentais através ao saber sobre) e a dimensão atitudinal (saber ser). de modelos. Proporcionar vivências práticas diversificadas Para Neira (2009), os conhecimentos conceituais aos estudantes é extremamente importante no que diz referem-se ao conjunto de fatos, objetos ou símbolos que respeito à aquisição e domínio dos conhecimentos possuem características comuns. Os princípios são as procedimentais. alterações que ocorrem num fato que normalmente descreve relações de causa e efeito ou de correlação, em Para o domínio dos conhecimentos procedimentais, comparação com outros fatos, ou seja, saber sobre. é preciso praticá-los até que sejam dominados. Contudo, Segundo Coll et al. (2000), há dois tipos de conhecimentos para Neira (2009), não basta exercitar os conhecimentos conceituais, um deles refere-se aos dados e fatos, e outro procedimentais, é preciso refletir sobre a maneira e as aos conceitos propriamente ditos. Os autores defendem condições de realização, bem como sobre os momentos que, dentro dos conhecimentos conceituais, a ideais para a aplicação dos mesmos. "Quer dizer, é aprendizagem nunca pode ser considerada acabada, já que imprescindível conhecer as chaves do conteúdo para poder sempre existe a possibilidade de ampliá-la, ou de torná-la melhorar sua utilização" (NEIRA, 2009, p. 66), indicando mais relevante e significativa. que, "saber fazer consiste em saber operar com objetos e Os dados e fatos são adquiridos através da informação" (COLL et al., 2000, p. 81). memorização, ou seja, dependem da quantidade de De certa maneira, essa premissa nos leva a atribuir repetições para serem armazenados, e são facilmente importância aos componentes teóricos dos conhecimentos esquecidos caso não sejam mais utilizados. Já os conceitos procedimentais, daí a necessidade de uma forte base de propriamente ditos, estão ligados à necessidade de conhecimentos conceituais associados aos procedimentais, compreensão, de estabelecimento de relações com outros a fim de aplicá-los de maneira consciente. Aplicar conceitos e principalmente com os conhecimentos prévios conscientemente os conhecimentos pode ser um caminho do sujeito. Uma aprendizagem conceitual implica em viável para as aulas de Educação Física. É importante que os atribuição de sentido e significado de maneira gradativa, estudantes vivenciem uma grande diversidade de por isso são mais difíceis de serem esquecidos (COLL et al., movimentos, para atuar com a aplicação desses 2000). Certamente, os dois tipos de conhecimentos conhecimentos em contextos nem sempre esperados, pois conceituais são importantes, já que a compreensão e entendemos que quanto maior o número e a diversidade pensamentos acerca de determinadas teorias, das vivências, maior será a possibilidade de os estudantes procedimentos e até tomada de decisões, dependem conseguirem aplicar seus conhecimentos em situações adversas. fortemente dos dados ou fatos armazenados, assim como Outra característica dos conhecimentos dos conceitos e relações construídas pelas pessoas entre os procedimentais, segundo Coll et al. (2000), é sua mesmos. possibilidade de transferência, ou seja, são conhecimentos Neira (2009, p. 65) define as condições para que aplicáveis em diferentes áreas e em diversas situações. Não ocorra a aprendizagem dos conhecimentos conceituais: nos referimos ao saber fazer como conhecimento Trata-se de atividades complexas, que provocam um verdadeiro estritamente prático, mas como resultado da processo de elaboração e construção pessoal do conceito; atividades experimentais que favoreçam que novos conteúdos interdependência entre os aspectos cognitivos e motores de aprendizagem se relacionam substantivamente com os envolvidos na aprendizagem procedimental.</p><p>24 Metodologias de ensino para a educação física escolar Corpo Movimento n. 1, p. 22-28 jan./dez.2011 Por outro lado os conhecimentos atitudinais (NEIRA, a atitude e as próprias ações, favorecem a mudança de 2009) são aqueles que envolvem diferentes valores, atitudes (COLL et al., 2000). atitudes e normas. Para Coll et al. (2000, p. 122), "Podemos A tipologia dos (NEIRA, definir, então, as atitudes como tendências ou disposições 2009) pode servir para definir as diferentes posições a adquiridas e relativamente duradouras a avaliar de um serem assumidas pela educação. Dessa maneira, uma modo determinado um objeto, pessoa, acontecimento ou educação que vise uma formação integral dos estudantes situação e a atuar de acordo com essa avaliação". irá priorizar um equilíbrio entre os diferentes tipos de Dessa forma, podemos entender que a formação Consideramos que a Educação das atitudes depende, em grande parte, dos conhecimentos Física deve assumir, neste contexto, sua função de conceituais e procedimentais adquiridos pelas pessoas ao colaborar na formação integral dos estudantes. longo de suas experiências. Freire e Oliveira (2004) defendem que As atitudes são tendências comportamentais das conhecimento aprendido deve se transformar numa forma pessoas para atuar em determinadas situações: cooperar de agir, pela qual os estudantes possam tomar decisões que com grupo, ajudar os colegas, respeitar o meio ambiente, julgarem necessárias, utilizando dados e informações participar das tarefas, praticar atividades e/ou exercícios articuladas de forma significativa. Completam enfatizando físicos. São consideradas instáveis, pois se apresentam que para isso é necessário que os estudantes compreendam diferentemente ao longo da vida através do as vantagens e desvantagens e diversas implicações do comportamento, e também através da opinião, que é a movimento humano, que saibam executar as atividades de maneira correta e saudável e, ainda, que tenham atitude expressão verbal da atitude. para adotá-las em sua vida cotidiana. Além disso, as atitudes estão intimamente vinculadas aos aspectos afetivos e da motivação. Uma Diante das ideias expostas, devemos refletir sobre atitude sempre carrega a tendência de ação em direção a as perspectivas metodológicas da Educação Física que determinados objetivos. O componente afetivo é ativador colocam o estudante como sujeito da própria da atitude. As atitudes diferenciam-se dos hábitos, pois os aprendizagem, para compreendermos como podemos ajudar os estudantes na aquisição de aprendizagens estes são automáticos e as atitudes não. As atitudes são conceituais, procedimentais e a atingir a dimensão ações vinculadas aos saberes conceituais e procedimentais, atitudinal do conhecimento. É claro que atualmente uma por isso uma ação com certo nível de racionalidade. Porém, situação de aprendizagem ou aula está regulada pela uma atitude pode tornar-se um hábito à medida que for mescla das diferentes teorias e tendências metodológicas interiorizada e utilizada constantemente (COLL et al., 2000). existentes. Assim, a melhor metodologia de ensino é aquela Segundo Neira (2009, p. 68), "aprende-se uma que mais se adequa às características do contexto da atitude quando uma pessoa pensa, sente e atua de uma situação de ensino e aprendizagem. forma mais ou menos constante frente ao objeto concreto Portanto, o objetivo do presente trabalho não é ao qual a atitude é dirigida". Os vínculos afetivos, relações classificar as metodologias de ensino da Educação Física, condicionadas pelas necessidades pessoais (COLL et al., mas fazer emergir suas principais características a fim de 2000), do ambiente, do contexto, e da cultura a que refletir sobre elas como parte fundamental no pertencem, são aspectos potencializadores da desenvolvimento de um programa para as aulas de interiorização das atitudes. Por exemplo, as atitudes de Educação Física no âmbito escolar. pessoas com quem sujeito tem fortes vínculos afetivos Para a realização do presente estudo, realizamos podem funcionar como modelos atitudinais ao sujeito. uma breve descrição das metodologias de ensino A consistência das atitudes se amplia quando a predominantemente apontadas por Oliveira (1997), Palafox atitude é fortemente enraizada no indivíduo, é considerada e Nazari (2011) e Bernardi et al. (2011), para o ensino relevante dentro dos padrões de comportamento atuais, há escolar nas aulas de Educação Física. Logo buscamos fortes vínculos com componente afetivo ou é importante refletir sobre as propostas metodológicas em relação aos para ele. A discrepância entre a atitude atual e novas interesses e necessidades da Educação Física no âmbito informações, as atitudes do sujeito e as atividades das escolar, a luz das teorias que envolvem a eficiência e eficácia pessoas com quem o sujeito possui fortes vínculos afetivos, das formas de estimular aprendizagens.</p><p>Corpo Movimento 4, n. 1, p. 22-28 jan./dez.2011 Metodologias de ensino para a educação física escolar 25 Atualmente a Educação Física conta com quatro parte de uma interpretação da realidade; judicativa porque propostas metodológicas de destaque: metodologia crítico- estabelece juízo de valor, e teleológica porque apresenta superadora; metodologia construtivista; metodologia intenções, metas e fins a serem alcançados. e metodologia de ensino aberta. Em Metodologia de ensino construtivista seguida, destacamos as características de cada uma delas A tendência metodológica construtivista não de acordo com as indicações dos autores. apresenta todas as características do movimento Metodologia de ensino crítico-superadora denominado construtivismo, ela está denominada assim Essa tendência metodológica desenvolvida por um porque é a proposta que mais se aproxima dessa teoria. coletivo de autores é denominada "critico-superadora" Tem como principal estudioso na Educação Física João porque parte da concepção histórico-crítica. Assim, ela Batista Freire. Os autores afirmam que a ideia construtivista entende o conhecimento como mediador entre o estudante baseia-se na teoria sociointeracionista de Jean Piaget. O e seu apreender. O objeto de estudo e os conteúdos objetivo do processo ensino e aprendizagem é partir do propostos para a Educação Física nesta tendência são os conhecimento de brincadeiras e das experiências motoras que os estudantes já possuem, para desenvolver temas pertinentes à cultura corporal do homem e da mulher habilidades que permitam a expressão no mundo. brasileiros, temas que para os autores fazem parte da Os conteúdos são as partes da cultura corporal dos realidade social complexa dos estudantes, tais como: o próprios estudantes, por isso não temos a elaboração prévia jogo, o esporte, a ginástica e a dança. de outros conteúdos a serem ensinados. A metodologia O objetivo referente aos estudantes é de construtivista utiliza a ideia do conflito cognitivo, pois a apreender a cultura corporal, sendo que apreender carrega partir do que o sujeito sabe, sugere-se as atividades, o significado de construir, de compreender e explicar para criando o conflito entre o que se sabe e o que é preciso ser poder intervir na realidade social em que se vive. Essa aprendido. É desse conflito que os construtivistas da perspectiva metodológica propõe a divisão das séries Educação Física defendem que surge a consciência do fazer. escolares em ciclos, sendo eles: Nesse processo o professor e o estudante constroem 1° ciclo ano do ensino fundamental): organização o conhecimento juntos. Construção que depende da identificação dos dados da realidade neste momento a diretamente dos recursos biológicos e psicológicos de cada criança tem uma visão sincrética da realidade, ou seja, da sujeito, quanto das condições do ambiente em que ele vive. realidade como algo unificado, assim cabe ao professor Tal construção do conhecimento depende dos processos de organizar a identificação dos dados descritos pelos assimilação e acomodação, sendo que a Educação Física é estudantes e encontrar relações, semelhanças e diferenças apenas o meio para o desenvolvimento dos estudantes. Por entre eles; isso, segundo Darido (2003), essa é a Educação Física como 2° ciclo ano do ensino fundamental): iniciação à meio para um outro fim, o que gera fortes críticas ao modelo sistematização do conhecimento; pela "fuga" da especificidade da Educação Física e 3° ciclo ano do ensino fundamental): aplicação da aproximação de um trabalho interdisciplinar. Para a autora sistematização do conhecimento; e não se trata de diminuir a importância do trabalho ciclo (ensino médio): aprofundamento da interdisciplinar, mas de pensar que a Educação Física só é sistematização do conhecimento. valiosa para a escola como um todo quando guarda a O enfoque metodológico desta tendência propõe preocupação de introduzir os estudantes no mundo da olhar as práticas da cultura corporal como práticas sociais, cultura corporal de movimento. O jogo e a brincadeira são produzidas pela ação humana a fim de atender os principais meios nessa perspectiva metodológica, pois se determinadas necessidades sociais. Dessa forma, as defende que enquanto joga, a criança aprende. atividades corporais devem ser vivenciadas e analisadas em Metodologia de ensino seu "fazer" corporal e também no sentido da possibilidade A tendência metodológica crítico-emancipatória de executar essa ação corporal. A tendência defende a apresenta como idealizador Elenor Kunz. A metodologia diretividade pedagógica, pois cabe ao professor explicitar a possui como conteúdo movimento intencionalidade das atividades. Podemos dizer que através do esporte, da dança e das atividades lúdicas. Os estamos diante de uma tendência que é diagnóstica, porque aspectos a serem questionados nos esportes são: o</p><p>26 Corpo Movimento Metodologias de ensino para a educação física escolar 4. n. 1, p. 22-28 jan./dez.2011 rendimento, a representação, o esporte de tempo livre, ensino aberto traz consigo a importância da aula além do comércio e consumo no esporte e seus efeitos. de Educação Física que procura uma ligação do aprender A proposta defende que cada disciplina deve tornar- escolar com a vida de movimento dos estudantes; que não se um verdadeiro campo de estudos e de pesquisa, pois, olha para o esporte só como rendimento; que considera as embora o estudo possa se tornar algo divertido, os necessidades e interesses, medos e aflições dos estudantes visitam a escola para estudar e não para se estudantes, e que não os reduz às condições prévias de divertir, ou para praticar esportes e jogos, embora essa aprendizagem motora; que mantém o caráter de prática tenha sua importância. brincadeira no movimento e na forma natural dos Essa metodologia tem como focos: o trabalho, a estudantes, ou seja, que faça com que isso se desenvolva interação e a linguagem. Assim, uma aula deve ter como na discussão social; que considera a relação entre caminho a ser percorrido em seu desenvolvimento: arranjo movimento, percepção e realização; e que possibilite aos material, transcendência de limites pela experimentação, estudantes a participação em todas as etapas do processo transcendência de limites pela aprendizagem, ensino-aprendizagem. Tudo em uma relação coparticipativa transcendência de limites, pela criação. Por isso, a relação que se amplia conforme o amadurecimento e entre professor e estudantes está pautada na ação responsabilidade assumidos pelos integrantes do grupo. comunicativa problematizadora, com o objetivo de produzir Segundo Hildebrandt e Laging (2005), o que torna uma interação responsável e produtiva. Isso significa que: uma metodologia de ensino aberta ou fechada é exatamente o grau de participação atribuído aos envolvidos Do ponto de vista das orientações didáticas, o papel do professor no processo, sobre as decisões que precisam ser tomadas na concepção critico-emancipatória confronta, num primeiro ao longo do desenvolvimento do mesmo processo. Assim, momento, o aluno com a realidade do ensino, o que o autor denominou de transcendência de limites. Concretamente a forma segundo os autores, a metodologia de ensino aberta é de ensinar pela transcendência de limites pressupõe três fases. aquela que atribui algum grau de participação a cada Na primeira os alunos descobrem, pela própria experiência indivíduo participante do processo. Como tratamos da manipulativa, as formas e meios para uma participação bem- Educação Física Escolar, esse processo é o de ensino e sucedida em atividades de movimentos e jogos. Devem também manifestar, pela linguagem ou representação cênica, que aprendizagem. experimentaram e o que aprenderam numa forma de exposição, Dessa maneira, o ensino aberto determina que deva e por último, alunos devem a e questionar haver tomada de decisões por parte dos estudantes. O nível sobre suas aprendizagens e descobertas, com a finalidade de de decisão pode ser maior ou menor, ou seja, podemos ter entender o significado cultural da aprendizagem. (DARIDO, 2003, desde uma autonomia relativamente pequena, até o que p. 26). chamamos autonomia relativamente grande por parte dos Desse modo, parece-nos claro que a proposta estudantes. Porém, "atribuir a competência de decisão aos metodológica traz a ideia de estimular os estudantes para a estudantes sem ensinar-lhes a usar esta competência, não aprendizagem além da prática, além da informação, além é um ensino aberto" (HILDEBRANDT; LAGING, 2005, p. 15). do próprio espaço e momento de aprendizagem, pois se Neste sentido, o ensino aberto também se apresenta continua aprendendo a vida toda. subordinado ao planejamento, e a autonomia dada aos estudantes deve avançar gradativamente, à medida que os Metodologia de ensino aberta mesmos apresentem domínio sobre a competência da A metodologia de ensino aberta propõe uma decisão. termo "aberto" não significa ausência de perspectiva humanista para o processo de ensino objetivos, mas que o ensino precisa estar aberto às aprendizagem e, consequentemente, para a Educação experiências condicionadas à história social e à vida dos Física. Essa proposta se caracteriza pelo desenvolvimento estudantes e suas necessidades. das situações de aprendizagem através de ações problematizadoras, pelas quais as ações metodológicas são Somente quando estivermos, como professores, em condições organizadas de forma a conduzir a um aumento do nível de de abrir o ensino para as necessidades e interesses subjetivos dos alunos ou, em outras palavras, somente quando o aluno tiver complexidade dos temas tratados e a serem realizados em a oportunidade, em aula, de vivenciar sua ação como uma ação participativa, na qual professor e estudantes subjetivamente importante, somente quando ele tiver a interagem na resolução de problemas e no estabelecimento possibilidade de conquistar colocações positivas e manutenções de temas geradores. de valores em relação ao esporte, somente quando ele puder</p><p>Corpo Movimento 4, n. 1, p. 22-28 jan./dez.2011 Metodologias de ensino para a educação física escolar 27 desenvolver um interesse para a prática da Educação Física e comumente. "Para que o ensino se desenrole elevar sua prontidão afetiva de aprendizagem, somente, então, satisfatoriamente para professores e alunos, necessita-se, ele considerará a prática da Educação Física como algo que faz sentido e identificar-se-á com o objetivo que quer alcançar na sempre, de um processo mais longo" (HILDEBRANDT; aula de Educação Física através do esporte. (HILDEBRANDT; LAGING, 2005, p. 48). LANGING, 2005, p. 21). CONSIDERAÇÕES FINAIS No que se refere à citação acima, concordamos com De acordo com as características das metodologias a ideia de subjetivação do ensino, mas nos parece que os apresentadas, observamos que há um objetivo similar entre autores colocam o esporte como conteúdo primordial das as propostas, ou seja, a de oferecer uma disciplina de aulas de Educação Física, com o que discordamos. Apenas Educação Física recheada de conteúdos significativos e de constitui uma das vertentes possíveis para a abordagem grande importância aos participantes. Nesta perspectiva, didática e pedagógica durante as aulas de Educação Física assim como o conhecimento historicamente produzido e as na escola, até porque quando se trata de "abrir o ensino vivências prévias dos estudantes, o papel do professor é para as necessidades e os interesses dos estudantes", fundamental ao processo de construção do conhecimento. devemos abrir primeiramente a mente enquanto Se observarmos a trajetória histórica da Educação Física, professores, para conseguir visualizar a dimensão dessa logo saberemos que as metodologias atuais são fruto de área de conhecimento, e inteligentemente em conjunto construção histórica, e que suas características e com os estudantes selecionar os caminhos a serem metodologias seguem peculiaridades da sociedade. percorridos. E, talvez, o esporte não seja a melhor ideia para próprio processo de transformação da Educação as aulas em determinado momento e em determinada Física no Brasil, idealiza o desenvolvimento das capacidades turma de jovens. de criticar e criar conscientemente através da ludicidade, É evidente também que há a preocupação dos não formalidade, cooperação, flexibilidade de regras e autores com a questão da subjetivação do ensino, que se solução de problemas. Mas corre-se o risco do insucesso refere exatamente à importância de levar em conta as dessa ideia, caso não tenhamos percepções para seu particularidades de cada estudante no processo de desenvolvimento. construção dos próprios conhecimentos. Assim, um ensino Contudo, segundo Oliveira (1997), as novas ideias e que segue o princípio da subjetivação, precisa encontrar propostas metodológicas não deram resultados favoráveis medidas não-diretivas (aquelas que levam em conta as ao ensino em Educação Física por motivos decorrentes da ideias e favorecem a autonomia dos estudantes) que falta de percepção do papel social que tem a educação. As favoreçam a elaboração e execução de situações de ensino, tendências indicam filosofias dentro da Educação Física, onde o grupo de estudantes possa modificar tais situações e mas não propostas eficientes e eficazes de desenvolvimento transformá-las de acordo com as suas necessidades, a fim da disciplina. Isso não quer dizer que as metodologias de de desenvolver iniciativas próprias e produtivas. ensino, quando bem aplicadas, sejam capazes de solucionar Segundo Hildebrandt e Laging (2005), os estudantes só passarão a utilizar os conhecimentos todos os problemas associados ao processo de ensino e pertinentes à Educação Física em sua vida extra ou pós aprendizagem. Mas que um desenho metodológico escolar, à medida que perceberem esses conteúdos e adequado às demandas da Educação Física certamente conhecimentos como subjetivamente importantes. Os pode potencializar as aprendizagens e reflexões. autores ainda defendem que os estudantes precisam ser Por isso, defendemos a necessidade de propor estimulados constantemente, pois o ensino da Educação metodologias que atendam as particularidades da Física através de concepções abertas depende sempre das Educação Física, bem como favoreçam o aprendizado e a condições de situações e motivações dos participantes da autonomia, por parte dos estudantes, sobre a cultura aula. corporal de movimento. E para superar esse embate, Nesta tendência metodológica, os autores defendemos que é preciso refletir o novo a partir de defendem que não podemos ter esperança de que os iniciativas ousadas, e para ousar é preciso estar munido de estudantes reagirão sempre e imediatamente de maneira competência e compromisso, uma vez que em torno de toda positiva em relação à aula, porque estamos diante de um iniciativa mal estruturada existe um retrocesso perigoso e modelo bem diferente do que os estudantes participam comprometedor para as novas gerações.</p><p>28 Metodologias de ensino para a educação física escolar Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 22-28 jan. dez.2011 Para Marante e Santos (2008, p. 77), "[...] por mais Nesse sentido, considerando o exposto sobre as bem elaboradas que possam parecer, as estratégias quatro tendências metodológicas mais observadas metodológicas utilizadas para o ensino e a aprendizagem de atualmente, talvez uma medida não diretiva, como uma algum conteúdo só serão bem-sucedidas se os alunos dela proposta metodológica baseada na resolução de problemas participarem efetivamente". que leve em conta a de subjetivação do ensino dentro Precisamos realmente considerar os estudantes da tendência de ensino aberto, possa produzir resultados como sujeitos construtores da própria aprendizagem, e positivos quanto à aquisição de conhecimentos conceituais atender às necessidades da Educação Física como e procedimentais acerca da cultura corporal de movimento. educação antes de física, e como componente capaz de É necessário privilegiar a dimensão atitudinal dos transformar e intervir diretamente na realidade escolar e conhecimentos, afinal o maior valor da aprendizagem reside extra-escolar. na mudança comportamental do sujeito cognoscente. REFERÊNCIAS BERNARDI, A. P. et al. Propostas pedagógicas das escolas e metodologias de ensino da Educação Física escolar: uma importante relação. Revista Digital, Buenos Aires, ano 13, n. 127, dez. 2008. Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd127/metodologias-de-ensino-da- educacao-fisica-escolar.htm> Acesso em: 13 abr. 2011. CHERVEL, A. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um campo de pesquisa. Teoria & Educação, Porto Alegre, n. 2, p. 177-229, 1990. COLL, C. et al. Os conteúdos na reforma: ensino e aprendizagem de conceitos, procedimentos e atitudes. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. DARIDO, S. C. Educação física na escola: questões e reflexões. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003. FREIRE, E. S.; OLIVEIRA, J. G. M. Educação física no ensino fundamental: identificando conhecimento de natureza conceitual, procedimental e atitudinal. Rev. Motriz, Rio Claro, V. 10, n. 3, p. 140-151, set./dez. 2004. GUEDES, D. P; GUEDES, J. E. R. 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Disponível em: <http://www.efdeportes.com/efd112/abordagens- Acesso em: 13 abr. 2011.</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 29-34 jan./dez.2011 Ambiente virtual: um novo espaço de lazer 29 AMBIENTE VIRTUAL: UM NOVO ESPAÇO DE LAZER VIRTUAL ENVIRONMENT: A NEW AREA OF LEISURE Wesley Marques da Silva* Cinthia Lopes da Silva** Nelson Carvalho Marcellino*** Resumo Este artigo visa analisar alguns aspectos do ambiente virtual como novo espaço de lazer. Foi elaborado a partir de uma pesquisa bibliográfica com base nos seguinte questionamento: "Ambiente virtual: um novo espaço de lazer para interações, vivências e encontros. Espaço seguro ou não?" Na tentativa de compreender essa questão, o primeiro tópico do texto apresenta uma análise conceitual do lazer e do trabalho dentro do processo civilizatório até a contemporaneidade. Em seguida, discute-se o lazer produzido pela sociedade do século XXI e o surgimento do lazer no ambiente virtual. A terceira parte do artigo trata do questionamento sobre segurança ou não do lazer no ambiente virtual e violência. Na sequência, são apresentadas as considerações finais. Nossa crítica não é baseada numa visão romântica das atividades de lazer. tempo é outro e o ambiente virtual é irreversível. Porém, o seu uso como lazer não precisa ser único e exclusivo. Ele precisa ser questionado e um dos pontos de questionamento é a posição enganadora de colocá-lo como um novo espaço mais seguro para a prática do lazer. mesmo deve ser também vivenciado nesse meio, mas não só nele, pois as trocas de experiências e a busca da identidade corporal podem ser alcançadas através do corpo vivido e não apenas na janela de vidro. Palavras-chave: Lazer. Ambiente virtual. Civilização. Sociedade Abstract This article aims to analyze some aspects of the virtual environment as a new leisure area. Was drawn from a literature search based on the following questions: Was drawn from a literature search based on the following questions: "Virtual environment: a new leisure space for interactions, experiences and encounters. Space safe or not?" In trying to understand this issue, the first topic of the text presents a conceptual analysis of leisure and work within the process of civilization until the present. Then it discusses the pleasure produced by society of the XXI century and the emergence of leisure in the virtual environment. The third part of the article deals with the question on whether or not the security in the virtual environment and leisure violence. Following presents the final considerations. Our criticism is not based on a romantic view of leisure activities. Time is another, and the virtual environment is irreversible. But its use as leisure, need not be unique and exclusive. He needs to be questioned, and one of the points is questioning the position of deceptive put it as a new safer place for leisure practice. The same must also be experienced in this medium, but not only him, for the exchange of experiences and the pursuit of bodily identity can be achieved through the lived body, not just the window glass. Keywords: Leisure. Virtual environment. Civilization. Contemporary society. Graduação em Educação Física pelo Centro Universitário do Triângulo (2006), Especialização em Educação Física Escolar pela Universidade Federal de Lavras (UFLA-2009). Mestrado em Desenvolvimento pela Universidade Metodista de Piracicaba na área de Educação Física. Membro do Grupo de Pesquisa em Lazer Professor da rede municipal, estadual e particular na cidade de Docente no curso de graduação em Pedagogia pela UNIESP Faculdade Contato: wesleymarques1985@bol.com.br ** Bacharelado em Treinamento em Esportes pela Faculdade de Educação Física (FEF) da UNICAMP (1997). Licenciatura em Educação Física pela FEF-UNICAMP (2002). Mestrado em Educação Física (área Estudos do Lazer) pela FEF-UNICAMP (2003). Doutorado em Educação Física (área Educação Física e Sociedade) pela FEF-UNICAMP com doutorado sanduíche na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Técnica de Lisboa, Portugal (2008). Professora e pesquisadora atuante nos cursos de graduação e mestrado em Educação Física na UNIMEP. Coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Lazer, Práticas Corporais e Cultura (GELC). *** Graduação em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1972). Mestrado em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (1984). Doutorado em Educação pela UNICAMP (1988). Livre docência em Estudos do Lazer Educação Física pela UNICAMP (1996). Professor aposentado da UNICAMP e atualmente professor da Universidade Metodista de Piracicaba (UNIMEP), nos cursos de licenciatura e bacharelado em Educação Física, de mestrado em Educação Física e doutorado em Educação. Líder do Grupo de Pesquisas em Lazer (GPL) e membro do Oricolé - Laboratório de Pesquisa sobre Formação e Atuação Profissional em Lazer UFMG Coordenador do Núcleo da Rede no</p><p>30 Corpo Movimento Ambiente virtual: um novo espaço de lazer 4, n. 1, p. 29-34 jan./dez.2011 INTRODUÇÃO de afirmar-se e o lazer uma forma de se recompor para o Este trabalho tem como objetivo a revisão de mesmo, ou seja, inserção do indivíduo na sociedade de literatura sobre lazer, considerando o contexto social, a consumo. civilização e as novas tecnologias, como eixos norteadores Lafargue (1970) contrapõe-se a essa visão da produção do novo lazer do século XXI, e o lazer no utilitarista do lazer, utilizada por Elias (1994) dentro do ambiente virtual. processo civilizatório, e discute a falta do mesmo propiciada Na busca do entendimento desse novo lazer, pelo vício do trabalho. Situa o lazer como grande utilizamos como base a internet, entendendo-a como um "salvador" de uma sociedade limitada pelo atarefamento e espaço de interação, vivência e encontros sem o contato cita a máquina como o principal avanço, para que a presencial. tecnologia possa sanar as longas horas de trabalho, A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, esquecendo-se, porém, que a mesma tem dono. O direito à com base em Severino (2002), sendo realizadas as análises preguiça de Lafargue (1970) opõe-se às longas horas de textual, temática e interpretativa. levantamento trabalho vivenciadas cotidianamente, e trata do "tempo bibliográfico ocorreu no ambiente virtual Google livre" como o direito à preguiça. Segundo o autor, "Jeová, Acadêmico, nos sistemas de bibliotecas da UNIMEP e do Deus barbudo e rebarbativo, deu aos seus adoradores o grupo de estudos do Grupo de Pesquisa em Lazer (GPL), nas exemplo supremo da preguiça ideal; depois de seis dias de trabalho, repousou para a eternidade" (LAFARGUE, 1970, p. dependências da UNIMEP, e em textos das disciplinas do 16). Ao analisar o vício do trabalho, mesmo cita uma frase curso de Mestrado em Educação Física pela UNIMEP. Os contextualizada na época: "Trabalhem, trabalhem, descritores utilizados foram: civilização, lazer, ambiente proletários, para aumentar a fortuna social e as vossas virtual, sociedade contemporânea e cyberbullying. misérias individuais, trabalhem, trabalhem, para que, o lazer e a civilização tornando-vos mais pobres, tenham mais razão para Para falar sobre o lazer na contemporaneidade trabalhar e para serem miseráveis" (LAFARGUE, 1970, p. torna-se necessário entender o processo civilizatório e 26). como o lazer esteve embutido dentro dele. A relação de poder demonstrada dentro do processo Seguindo as ideias de Norbert Elias (1994), o civilizatório, principalmente através da relação do trabalho, processo civilizatório nada mais é que o refinamento das tem seu ápice na passagem citada por Veblen (1965) onde condutas morais e dos padrões sociais, ou seja, a influência um rei nega-se a fazer um trabalho servil de arrastar sua do meio social sobre o autocontrole do ser. Controle este cadeira para longe de uma lareira, e tem seu corpo propiciado, entre outros, através da formação do Estado e queimado, simplesmente para não contaminar-se com uma tarefa servil. aumento de centralização política. Reviver a civilização é entender um processo de Outro marco no processo de entendimento para com poder e violência, especialmente na forma de trabalho e a sociedade contemporânea é o surgimento da classe lazer. Uma vez que o individuo carece, para existir, construir ociosa no curso da evolução cultural, originada de uma relações com outros, o lazer e o trabalho parecem contribuir divisão entre a mesma e a classe trabalhadora, entre em muito por uma sociedade de "justa posição". Elias trabalho feminino e masculino, segundo Veblen (1965), existente desde os tempos de barbarismo. (1994) caracteriza o lazer como uma válvula de escape que Neste processo a riqueza torna-se honrosa ao facilita o processo de incorporação das normas sociais, uma possuidor, principalmente aquela adquirida por herança e forma de procurar alívio da repressão social. Para o autor é não por cunho de trabalho; a não necessidade do trabalho no lazer que ocorre a busca da excitação, sendo que no passa a ser uma forma de demonstrar poder e decência. "tempo livre" são permitidas sensações que o mundo das Com o desenvolvimento industrial e o poder nas mãos de obrigações não aceita. Com essa generalização de regras o poucos, cresce o padrão de riqueza da classe mais alta, com indivíduo necessita reprimir desejos e sonhos a fim de isso o lazer passa a ser tido como uma forma de demonstrar construir uma sociedade com leis e regras morais e honra e poder, os trabalhadores sofrem com a violência da superiores. Nesse sentido, o autor parece atentar-se para abstenção ao mesmo pelo simples fato de estarem ligados uma visão utilitarista do lazer, isto é, o mesmo serviria como ao "vício do trabalho", idealizado pela igreja como forma de elemento para aflorar as excitações reprimidas pela ordem salvamento da alma, e pelo processo de sobrevivência contemporânea, onde o trabalho parece ser o principal ato imposto pela civilização.</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 29-34 jan./ dez.2011 Ambiente virtual: um novo espaço de lazer 31 As transformações ocorridas dentro do processo Gomes (2008, p. 8), tomando por base as ideias de servil e a nova busca de distribuição de tarefas e Lefebvre, salienta que: fragmentação de espaços trouxeram consigo uma nova Com o avanço do modo de produção industrial capitalista, o dinâmica de trabalho e tecnologia. Eis que surge a máquina, campo passou a da cidade para sua própria produção, tida então como a grande descoberta do século XIX, aquisição de ferramentas e bens de consumo de vários tipos. Foi essa situação de total subordinação do campo à cidade que maximizando a produtividade e, como consequência, intensificou o processo de urbanização em nosso contexto, aumentando o tempo livre. problema é que os trazendo como consequência a redução da urbe à cidade pesquisadores da época deixaram de questionar que esta industrial: cidade de trabalho, injustiça e exclusão, atingindo os máquina tinha dono, e que este processo culminou não em vários aspectos que compõem a nossa vida social. Obviamente essas transformações afetaram profundamente o lazer da uma transformação libertadora, e sim, no aparecimento da população, sobretudo das camadas menos abastadas, pois, ociosidade. Lafargue (1970, p. 34) em "O direito à preguiça" sendo uma dimensão da cultura, ele dialoga com o contexto no cita que: "À medida que a máquina se aperfeiçoa e qual se constitui. despacha o trabalho do homem com uma rapidez e uma precisão incessantemente crescentes, o operário, em vez de A compressão do espaço aliada ao surgimento de prolongar o seu repouso proporcionalmente, redobra de novas tecnologias e ao aumento da violência trouxe consigo ardor, como se quisesse rivalizar com a máquina. ó uma nova busca de lazer no século XXI, o lazer no ambiente ocorrência absurda e mortal!" virtual. Cabe saber se essa nova forma de interação, A ascensão econômica proporcionada pela vivências e encontros, onde o corpo não se torna presente, modernidade junto ao encolhimento do espaço, trouxe à é uma forma mais segura, e se a mesma não deveria ser tona o princípio da competitividade. Segundo Harvey (1993, questionada pela falta de contato entre as pessoas. Essa p. 257) "os bancos eletrônicos e o dinheiro de plástico foram nova forma de busca do lazer não seria, talvez, uma algumas das inovações que aumentaram a rapidez do fluxo condição de vida da sociedade atual? de dinheiro inverso, fazendo vinte e quatro horas ser um o lazer do século XXI tempo bem longo nos mercados globais de ações". Voltar-se para si e pensar o corpo de uma forma Nessa nova forma de desenvolvimento do trabalho, diferenciada parece-nos ser o grande objetivo do século lazer passou a ser tido como forma compensatória para o XXI; busca-se uma nova filosofia na qual o lazer tornou-se mesmo. Percebeu-se que um trabalhador que vivenciava o "direito de todos" e possibilidade de estar-se desenvolvendo lazer, como consequência, desenvolvia uma maior a saúde e a qualidade de vida. Mas que qualidade de vida é potencialidade dentro do trabalho, o que era até então essa, uma vez que nos dias atuais não sabemos se vivemos impensável. Na Inglaterra, por exemplo, associava-se a para trabalhar ou se trabalhamos para viver. ideia de caos na produção industrial à diminuição do tempo lazer tornou-se uma válvula de escape na busca da de trabalho. reabilitação de uma sociedade "adoentada" pelo estresse. Mas em que o lazer está relacionado com trabalho, Segundo Marcellino (2008, p. 7), "Além disso, o caráter processo civilizatório e sociedade contemporânea? social requerido pela produtividade confina e adia o prazer Marcellino (1987, p. 31) conceitua lazer como: do expediente, para os fins de semana, para os períodos de "Cultura compreendida no seu sentido mais amplo, férias, ou, mais drasticamente, para a aposentadoria". vivenciada (praticada ou fruída) no 'tempo disponível'. A industrialização e a urbanização parecem ser o importante, como traço definidor, é o caráter dessa vivência. Não se busca, pelo menos grande marco para este dado, a conquista da classe fundamentalmente, outra recompensa além da satisfação trabalhadora, perder-se dentro de um mundo de restritas provocada pela situação." vivências prazerosas e da busca exacerbada de afirmação. confinamento, ou melhor, o adiamento do lazer Entende-se tempo disponível como um processo em ultrapassou fronteiras, e as transformações sociais que o sujeito está livre de suas obrigações, sejam elas passaram a afetar não só a relação lazer versus trabalho, políticas, religiosas, de trabalho ou família. o que o torna mas outros segmentos tais como a religião, a família a diferente do tempo desocupado, resultante da ociosidade, educação e as relações interpessoais, que sofrem com as da ideia errônea que a máquina traria compensação e alívio transformações da modernidade. Vivenciar a contraposição através do tempo livre. do "lazer mercadoria" remete categorizar o lazer em</p><p>32 Ambiente virtual: um novo espaço de lazer V. 4, n. 1, p. 29-34 elementos fundamentais como tempo, espaço e atitude. Dizemos que a atual geração fez mais em vinte anos do que lazer não deve ser adiado para determinados momentos da todo o passado e, se realmente formos tomar como base vida, e nem ter sentido compensatório a insatisfação e a todas as discussões sobre ciência, isso se torna verdade. alienação dentro do processo capitalista. Temos vários exemplos, como o aparecimento de celulares, Falar em uma política de atuação no lazer significa computadores, máquinas cada vez mais sofisticadas, além falar em uma redução da jornada de trabalho, sem redução da internet, base de nossa discussão. de salários, portanto, em uma política de reorganização do A internet tornou-se uma forma de vivências, tempo, que leve em conta o divertimento, o encontros e interações, sem a necessidade da presença desenvolvimento pessoal e social e o descanso de uma física; uma nova forma de lazer resultante da compressão forma prazerosa e motivante, pois não existe um lazer bom do tempo, propiciada por um capitalismo competitivo. Antes ou ruim: a forma como este é conduzido é o que determina de falar desse novo espaço de lazer, torna-se necessário se seus efeitos serão benéficos. entender sua história. Marcellino (2008, p. 24), em seu livro "Lazer e A internet surgiu como uma forma de interesse sociedade", cita a importância do lazer, mas de um lazer militar e somente atingiu o âmbito social em 1960. Segundo crítico e criativo, ressaltando: "lazer sim, mas não qualquer Silva e Fraga (2010, p. 3): lazer, não o mero entretenimento, não o lazer mercadoria". É preciso que o poder público entenda a importância dos "A partir do momento que foi disponibilizada para a sociedade, deixa de ser ferramenta destinada apenas para espaços urbanos de lazer nas cidades, antes que as a segurança e passa a ser utilizada para vários fins, de empresas os transformem em produtos acessíveis somente acordo com cada interesse, tornando assim um caminho de interação entre pessoas no mundo virtual". às classes mais altas. lazer deve ser cultura, direito de todos, possibilidade de desenvolver a saúde e a qualidade de vida, a formação do individual e do coletivo, e sua Entendemos a internet como um não lugar, pois não capacidade de re)criação e transformação. possui historicidade, identidade com o ser, ou seja, cada um conduz somente seus interesses, ficando isolado Fica a pergunta de como falar em lazer para todos, fisicamente, perdendo o contato antes propiciado pelo lazer sendo que, mesmo em pleno século XXI, esta ideia acaba de corpo presente. Segundo Daolio e Roble (2006, p. 223), por chocar as classes dominantes. Basta citar como "A virtualização libera a necessidade do físico, prometendo a exemplo as grandes indústrias que, com o avanço existência no plano quase autônomo do pensamento. Nos tecnológico, poderiam diminuir a carga horária de seus computadores, a gestualidade fica restrita ao minimalismo funcionários, porém, preferem continuar a produzir, da digitação". gerando uma automação e por consequência a ociosidade, que parece ser o maior mal do século. ser humano precisa Um mundo em que as fronteiras se misturam e em que o corpo de políticas públicas para o lazer, mas, ao mesmo tempo, se apaga, [...] sem outro toque além do toque no teclado do computador, sem outro olhar além do olhar na tela. [no espaço precisa também de políticas públicas que se preocupem cibernético] [...] o corpo deixa de se impor como materialidade e com seu emprego. ainda mais como identidade, porque todos os jogos são possíveis A era globalizada do capitalismo cada vez mais adia a esse respeito. (LEBRETON, 2003, p. 142). ou transforma o lazer; este que antes era praticado em As consequências da pós-modernidade trazem espaços como praças, clubes, campos de futebol, parques, como característica uma economia capitalista. Harvey vem sendo substituído pelo lazer no ambiente virtual, com (1993, p. 270) cita que: base em uma teoria que diz que o mesmo seria uma nova forma de vivências, encontros e interações, sem a relação Hoje é possível a geografia do mundo vicariamente, como um o entrelaçamento de simulacros da vida corpo presente, portanto nascendo um novo espaço, mais diária reúne no mesmo espaço e no mesmo tempo diferentes seguro. Será mesmo? mundos (de mercadorias). Mas ele o faz de tal modo que oculta de maneira quase perfeita quaisquer vestígios de origem, dos Ambiente virtual: espaço seguro? A discussão sobre o lazer na atualidade engloba processos de trabalho que os produziram ou das relações sociais implicadas em sua produção. barreiras religiosas, políticas, econômicas, sociais e familiares. A sociedade moderna gaba-se pelo grande Com isso o corpo passou a ser visto como objeto, e desenvolvimento de tecnologias. nos esquecemos, porém, da necessidade de sermos corpos</p><p>Corpo Movimento 4, n. 1, p. 29-34 jan./ dez.2011 Ambiente virtual: um novo espaço de lazer 33 humanamente socializados com reais interações com a A virtualidade viabiliza a comunicação sem a sociedade. Atualmente, as necessidades e desejos necessidade de deslocamento, mas não diminui os casos de elementares dos seres humanos são esmagados e insegurança. Na atualidade, deparamo-nos com a barbárie pisoteados por interesses altamente voltados ao de encontrar comunidades virtuais que incitam a violência, rendimento e ao consumo, visando quase sempre o lucro, como se a busca da excitação fosse alcançada pelo fato de esquecendo-se que a qualidade de vida voltada à saúde e à causar danos a outrem. A sociedade brasileira conduz suas socialização está inteiramente interligada à corporeidade do relações, na maioria das vezes, com traços de superioridade indivíduo. capitalismo, na verdade, oprime, induz e de um sobre o outro, e com isso a violência está se tornando direciona ações cotidianas de um ser, impossibilitando-o de um fator corriqueiro, como se fosse natural e inevitável na vivenciar suas limitações, diretamente ligadas ao seu bem vida em sociedade. estar, relacionadas ao seu meio e aos seus verdadeiros As vivências corporais deveriam ser mais momentos de prazer e lazer. importantes que o fato do isolamento infundado, em que A imagem da corporeidade em nossa cultura coloca um simples click pode acabar com uma relação de "fraca" o corpo a ser usado segundo a vontade de cada um, ou, o amizade, por uma palavra mal dita, um gesto mal que é pior, conforme os interesses econômicos, políticos e entendido. Castells (2002, p. 470) afirma que: "Com relação ideológicos de outros grupos. A ampla oferta de lazer no à sociabilidade, a avaliação feita é pelo tipo de laços 'fracos' virtual, junto à comodidade e o trabalho cada vez mais e 'fortes', sendo que é predominante na rede o exacerbado, podem ser as grandes responsáveis pelo desenvolvimento de múltiplos laços fracos". Eles são surgimento do novo lazer do século XXI, o lazer no ambiente resultantes, segundo o autor, do baixo custo nas trocas de virtual. A virtualidade tornou-se uma válvula de escape da informações, colocando "estranhos" em igualdade de falta de tempo, e na forma de isolamento vivenciado interação. grande problema da supermodernidade parece principalmente na internet, o que não significa dizer que ser não se conectar às redes sociais, essas que parecem esse espaço é seguro ou não. Segundo Silva e Fraga (2010, atender a grupos que formam suas "regras" e quando p. 12), seguindo as ideias de Recuero (2009): algum membro já não as atende é eliminado. Não difere do ambiente real, onde nos deparamos com alunos que criam Os lugares destinados ao lazer começaram a apresentar certos suas regras dentro das escolas para que outros alunos riscos para a segurança da sociedade, lugares esses que eram possam entrar em seus grupos e, em sua maioria, isso se pontos de encontro que propiciavam uma construção de laços torna possível através de humilhações sofridas. sociais mais ativos, contando com a presença física, tendo como exemplo: parques, clubes, campos de futebol, áreas de computador citado como uma forma de acesso ao caminhada, corridas, etc. Esses lugares começaram a apresentar lazer com maior segurança (SILVA; FRAGA, 2010, p. 19), alguns riscos de violência, afastando as pessoas tanto do próprio vem tornando-se um meio não tão seguro, pois as trocas local quanto umas das outras, criando, assim, um na que ocorriam somente no espaço virtual passaram a utilização destes pontos que eram destinados para a prática do lazer junto à comunicação social. acontecer também de corpo presente, em encontros marcados por meio do mesmo. Encontros também Silva e Fraga (2010) nos remetem a um dos grandes destrutivos. mesmo click que acaba com amizades problemas de nossa era, a violência, salientando-a no instantâneas e massifica outras. Tornou-se corriqueiro ligar espaço presencial do lazer. O ambiente virtual tornou-se a televisão e nos depararmos com notícias que divulgam também um grande espaço de atos de bullying. Segundo casos de jovens que, na busca do lazer pela internet, Santomauro (2010, p. 2), o bullying pode ser definido como: acabam conhecendo pessoas pelo ambiente virtual, e que essas trocas intensificam e terminam em casos horrendos Palavra do inglês que pode ser traduzida como "intimidar" ou de violência, ou mesmo quando torcidas organizadas "amedrontar". Sua principal característica é que a agressão (física, moral ou material) é sempre intencional e repetida várias vezes utilizam-se da tecnologia para marcar grandes batalhas sem uma motivação específica. Mais recentemente, a tecnologia campais, como uma forma de buscar excitação. ambiente deu nova cara ao problema. Emails ameaçadores, mensagens virtual, antes visto como forma de lazer seguro, já que a negativas em sites de relacionamento e torpedos com fotos e violência tomou forma dentro de parques, clubes e ruas, textos constrangedores para a vítima foram batizados de cyberbullying. hoje tem sido vivenciado de outra maneira e precisa ser repensado e discutido.</p><p>34 Corpo Movimento Ambiente virtual: um novo espaço de lazer 4, n. 1, p. 29-34 jan./dez.2011 CONCLUSÃO REFERÊNCIAS "Menino, vem pra casa e vai tomar banho, seu pai já CASTELLS, M. A sociedade em rede. A era da informação: economia, está chegando e a janta está quase pronta". que hoje é sociedade e cultura. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002. V. 1. tido como um "causo" discutido em debates, universidades DAOLIO, J.; ROBLE, O. J. Do corpo identitário ao corpo virtual: algumas ou mesmo em um simples bate-papo, parece ser implicações para a educação física. Pró-posições, Campinas, V. 17, n. 1, p. 217-226,2006. irreversível. As altas horas de trabalho, o caos dos grandes ELIAS, N. processo civilizador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994. V. 2 centros, aliados ao crescente índice de violência, atormentam uma sociedade altamente mercantilista. GOMES, C. L. Lazer urbano, contemporaneidade e educação das sensibilidades. Revista Itinerarium, Rio de Janeiro, V. 1, p. 1-18, 2008. O século da era digital precisa ser muito questionado HARVEY, D. A condição pós-modema: uma pesquisa sobre as origens da quando o assunto é o uso dessa tecnologia, no sentido de mudança cultural. São Paulo: Loyola, 1993. que as grandes jornadas de trabalho sejam reduzidas e o LAFARGUE, P. direito à preguiça. Lisboa: Estampa, 1970. principal seja o bem estar da população. Ao voltarmos, LEBRETON, D. Adeus ao corpo: antropologia e sociedade. Campinas: historicamente, à construção do processo civilizatório, Papirus, 2003. deparamo-nos com um forte período marcado pelo ócio MARCELLINO, N. C. Lazer e educação. Campinas: Papirus, 1987. vicário e onde o lazer era deleite e forma de status apenas para pessoas com poderio financeiro. Na Lazer e sociedade. Campinas: Alínea, 2008. atualidade marcada pela compra de mão de obra, o lazer RECUERO, R. Redes sociais na internet. Porto Alegre: Sulina, 2009. parece ser compensatório, ou seja, possui sentido na SANTOMAURO, B. Cyberbullying: a violência virtual. Rev. Nova Escola, Rio tentativa de refazer o trabalhador para o outro dia de de Janeiro, V. 233, p. 1-8, 2010. trabalho, e as grandes empresas o vendem, como o lazer na SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 22. ed. São Paulo: empresa, na disposição de clubes, ou até mesmo em férias, Cortez, 2002. onde os empregados compram o lazer durante um tempo SILVA, C. L; FRAGA, E. A. M. Comunidades virtuais de internet: atualização do para voltarem a sua rotina. debate sobre lazer. Licere, Belo Horizonte, v.13, n.4, p 1-20, 2010. VEBLEN, T. A teoria da classe ociosa. São Paulo: Pioneira, 1965. As brincadeiras de rua ou em parques e clubes, o passeio com os filhos, os jogos populares, o simples ato de se sujar na terra, parecem não ter mais um ambiente propício ao seu desenvolvimento. A mídia se vende, os programas infantis parecem cada vez mais voltados a tecnologias, o modismo tornou-se assustador. Pobre sociedade que não presta atenção em si mesma, que prefere sentar em frente à televisão ao jantar, que sentar-se em uma mesa e trocar vivências do dia a dia. Pobre sociedade onde estar conectado, é primordial, essencial e forma a "identidade" do ser. Nossa crítica não é baseada numa visão romântica das atividades de lazer. tempo é outro e o ambiente virtual é irreversível. Porém, o seu uso como lazer não precisa ser único e exclusivo. Ele precisa ser questionado, e um dos pontos de questionamento é a posição enganadora de colocá-lo como um novo espaço mais seguro para a prática do lazer. Ele pode dar início à violência das mais variadas formas, com um simples click. Que lugar seguro é esse, onde hackers atacam redes, prejudicando e escancarando a vida pessoal de seus membros? lazer deve ser também vivenciado nesse meio, mas não só nele, pois as trocas de experiências e a busca da identidade corporal podem ser alcançadas através do corpo vivido e não apenas na janela de vidro.</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 35-42 jan./dez.2011 Whey protein: propriedades e aplicabilidade no exercício 35 WHEY PROTEIN: PROPRIEDADES E APLICABILIDADE NO EXERCÍCIO FÍSICO WHEY PROTEIN: PROPERTIES AND APPLICABILITY IN EXERCISE Maria Angela Figueiredo Tuma* Rafael Galetti Moreno** Resumo suplemento whey protein, composto nutricional formulado a partir da proteína do soro do leite, é uma fonte particularmente concentrada em aminoácidos essenciais, incluindo os de cadeia ramificada (BCAA ou ACR). As proteínas do soro do leite têm sido muito utilizadas por praticantes de atividade física. Possuem alto valor nutricional e pesquisas recentes demonstram que seu consumo está ligado a hipertrofia muscular, redução de gordura corporal, redução da fadiga muscular e aumento da imunidade. objetivo deste trabalho é discutir, através de revisão da literatura, os benefícios da suplementação de whey protein para os praticantes de atividade física e as propriedades benéficas para a saúde. presente estudo tem no levantamento bibliográfico revisão da literatura e documentos online sua principal fonte de coleta de informações. A pesquisa foi realizada nas bases de dados do MEDLINE, LILACS, SciELO, com o cruzamento dos descritores da saúde: whey protein, proteína do soro do soro do leite, suplementação e atividade física, utilizando artigos publicados entre os anos de 1995 a 2011. A proteína do soro do leite tem duas funções primordiais dentro da nutrição esportiva. A primeira é sua contribuição para o aumento da taxa de anabolismo muscular, devido à alta concentração de aminoácidos de cadeia ramificada, os quais representam, aproximadamente, 30% das proteínas musculares e são utilizados durante o esforço físico. A segunda contribuição é a melhora do sistema imunológico, facilitando o processo de recuperação muscular. A vantagem do whey protein sobre o ganho muscular está relacionada ao perfil de aminoácidos que esta fonte proteica apresenta, além da rápida absorção. Praticantes de exercícios com o objetivo de hipertrofia muscular necessitam de maior ingestão proteica e a quantidade e o tipo de proteína ou aminoácido fornecido após o exercício físico influenciam a síntese proteica. Dessa forma o whey protein representa uma boa estratégia na recuperação ao esforço. Esta revisão mostrou que a ingestão de whey protein pode favorecer a recuperação e a síntese proteica muscular, diminuir a fadiga e gordura corporal, sendo uma boa estratégia de suplementação nutricional para praticantes de atividades físicas. Palavras-chave: Proteína do soro do leite. Atividade física. Suplementação. Whey protein. Abstract The whey protein supplement, nutritional compound formulated from the whey protein is concentrated a source particularly of essential amino acids, including branched chain (BCAA or ACR). The whey proteins have long been used by practitioners of physical activity. Have high nutritional value and recent surveys show that consumption is linked to muscular hypertrophy, reduced body fat, reduced muscle fatigue and increased immunity. The objective of this paper is to discuss, through literature review, the benefits of whey protein supplements for physically active and beneficial properties for health. The present study is the literature literature review and documents online their main source of information gathering. The research was conducted in the databases of MEDLINE, LILACS, SciELO, with the intersection of health descriptors: whey protein, whey protein whey, supplementation and physical activity, using articles published between the years 1995 to 2011. The whey protein has two primary functions within the sports nutrition. The first is their contribution to the increased rate of muscle anabolism, due to the high concentration of branched chain amino acids, which represent approximately 30% of the muscle proteins and are utilized during physical exertion. The second contribution is the improvement of the immune system, easing the process of muscle recovery. The advantage of whey protein on muscle gain is related to the amino acid profile that this protein source presents, besides the rapid absorption. Practitioners of exercises aimed at muscle hypertrophy require higher protein intake and the amount and type of protein or amino acid supplied after exercise influence protein synthesis. Thus the whey protein is a good strategy in the recovery effort. This review showed that the intake of whey protein can promote recovery and muscle protein synthesis, decrease fatigue and body fat, and a good nutritional supplementation strategy for physically active individuals. Keywords: Whey protein. Physical activity. Supplementation. Whey protein. * Mestre em Ciências Nutricionais e Professora do Curso de Educação Física das Faculdades Integradas Padre Albino (FIPA), Catanduva-SP. Contato: tuma.angela@gmail.com Discente do curso de Educação Física das Faculdades Integradas Padre Albino (FIPA), Catanduva-SP.</p><p>36 Whey protein: propriedades e aplicabilidade no exercício físico Corpo Movimento 4, n. 1, p. 35-42 jan./dez.2011 INTRODUÇÃO As proteínas solúveis do soro do leite apresentam Desde a Antiguidade, atletas e seus treinadores têm um excelente perfil de aminoácidos, caracterizadas como utilizado dietas especiais na busca pelo aumento de proteínas de alto valor biológico. Os aminoácidos performance. Nas décadas de 1960 e 1970, os métodos essenciais, com destaque para os aminoácidos de cadeia farmacológicos, principalmente os esteroides anabólicos ramificada, favorecem o anabolismo, assim como a redução androgênicos, foram os mais utilizados, mas a gravidade de do catabolismo proteico, favorecendo o ganho de força seus riscos à saúde e sua proibição pelo Comitê Olímpico muscular (HARAGUCHI et al., 2006). Internacional (COI) fizeram com que atletas e cientistas Por possuir uma rápida digestão e absorção procurassem alternativas legais, como os suplementos intestinal, proporciona a elevação da concentração de alimentares, para otimizar a performance (VIEBIG; NACIF, aminoácidos no plasma que, por sua vez, estimula a síntese proteica dos tecidos. Pode-se citar também sua influência 2010). Nos últimos anos tem-se verificado um avanço na liberação de hormônios anabólicos como insulina, que importante da nutrição esportiva, com base em princípios favorece a captação de aminoácidos para o interior das células musculares, favorecendo a síntese proteica e, fisiológicos e bioquímicos. Diversos trabalhos têm buscado consequentemente, a hipertrofia muscular (HARAGUCHI et estabelecer recomendações relativas ao consumo al., 2006). nutricional e estratégias dietéticas que possam aperfeiçoar Evidências recentes sustentam a teoria de que as o desempenho e minimizar o impacto negativo do exercício proteínas do leite, incluindo as proteínas do soro, além de na saúde (SALZANO 2002), sendo que uma seu alto valor biológico, possuem bioativos que alimentação especial pode promover melhor saúde e trazer atuam como agentes antimicrobianos, anti-hipertensivos, benefícios ao treinamento. reguladores da função imune, assim como fatores de As necessidades proteicas de atletas têm recebido crescimento (SGARBIERI, 1996). atenção especial dos investigadores nas últimas décadas. A O presente trabalho caracteriza-se como revisão ingestão proteica deve ser obtida por uma dieta normal e literária integrativa, intervencionista de assuntos variada, sendo a suplementação uma forma prática e relacionados à suplementação nutricional e sua relação segura de adequar sua ingestão de boa qualidade e a com o exercício. A pesquisa foi realizada nas bases de dados biodisponibilidade de aminoácidos para as demandas do MEDLINE, LILACS, SciELO, com o cruzamento dos aumentadas de um atleta em treinamento e competição descritores da saúde: whey protein, proteína do soro do (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DO ESPORTE, soro do leite, suplementação e atividade física, nos idioma 2009). português e inglês, nos anos de 1995 a 2011. Alimentos ou componentes dos alimentos que aumentam o desempenho de um indivíduo são Desta forma, o objetivo deste trabalho é discutir os denominados ergogênicos. A palavra ergogênico é derivada benefícios da suplementação de whey protein para os das palavras gregas ergo (trabalho) e gen (produção de) e é praticantes de atividade física e as propriedades benéficas comumente definida como melhora do potencial para para a saúde. produção de trabalho. Nos esportes, vários recursos Definição e composição nutricional do whey protein ergogênicos têm sido usados com o objetivo de melhorar o A Agência Nacional da Vigilância Sanitária (ANVISA, desempenho dos atletas, entre eles os métodos de 2008) dispõe as seguintes definições sobre alimentos para suplementação de nutrientes como: carboidratos, atletas: vitaminas, aminoácidos de cadeia ramificada, creatina, carnitina etc (TIRAPEGUI; ROSSI; ROGERO, 2005). alimento para atletas: produto especialmente A suplementação proteica é amplamente utilizada formulado para auxiliar os atletas a suprir suas como recurso ergogênico com objetivo de hipertrofia necessidades nutricionais adicionais com o muscular. Dentre os suplementos proteicos, numerosas objetivo de rendimento; esse produto visa pesquisas vêm destacando as qualidades nutricionais das complementar a alimentação do atleta e não deve proteínas solúveis do soro do leite, também conhecidas ser utilizado como substituto de refeições ou única como whey protein (AIRES, 2010). fonte alimentar; e</p><p>Corpo Movimento 4, n. 1, p. 35-42 jan./dez.2011 Whey protein: propriedades e aplicabilidade no exercício físico 37 suplemento proteico para atleta: produto Quadro 1 Composição média de aminoácidos por grama de proteína do soro formulado com a finalidade de complementar as Aminoácidos Quantidade mg/g necessidades proteicas em decorrência de Alanina 4,9mg treinamento ou competição. Arginina 2,4mg Asparigina 3,8mg A palavra whey protein refere-se às proteínas Ácido aspártico 10,7mg Cisteina 1,7mg contidas no soro do leite. Essas proteínas são extraídas da Glutamina 3,4mg parte aquosa do leite gerado durante a fabricação de Acido glutâmico 15,4mg Glicina 1,7mg queijos e coalhadas. Durante muitos anos, esse soro foi Histidina 1,7mg Lisina dispensado pela indústria de alimentos. A partir dos anos 9,5mg Metionina 3,1 mg 1970, cientistas passaram a estudar as propriedades Fenilalanina 3,0mg Prolina 4,2mg daquelas proteínas e verificaram que nelas havia um Serina 3,9mg produto com alto valor biológico. Atualmente, as proteínas Treonina 4,6 mg Triptofano 1,3mg do soro do leite são conhecidas como alimento funcional e Tirosina 3,4mg de grande aplicabilidade nutricional (GRANUZZO, 2008). Aminoácidos de cadeia ramificada Quantidade mg/g Segundo Haraguchi et al. (2006), as proteínas do Isoleucina 4,7mg Leucina soro leite são constituidas por frações de pepetídios como: 11,8mg Valina 4,7mg Fonte: Etzel (2004). a beta-lactoglobulina, o maior peptídeo do soro (45%-57%), representando, no leite bovino, Os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA) cerca de 3,2g/l. É o peptídeo que apresenta perfazem 21,2% e todos os aminoácidos essenciais maior teor de aminoácidos de cadeia ramificada constituem 42,7%. Esses valores estão acima da média, (BCAA), com cerca de 25,1%; quando comparados de outras fontes proteicas, fornecendo às proteínas do soro importantes propriedades a alfa-lactoalbumina (ALA) que representa de nutricionais (ETZEL, 2004). 15%-25% do soro do leite bovino, contém o Em relação aos micronutrientes, possui, em média, maior teor de triptofano (6%) entre todas as 1,2mg de ferro, 170mg de sódio e 600mg de cálcio por 100g fontes proteicas alimentares, sendo, também, de concentrado proteico (SALZANO 2002). rica em lisina, leucina, treonina e cistina. A ALA Existem vários produtos a base de whey protein no possui a capacidade de se ligar a certos minerais, mercado, que se diferenciam quanto ao processo de como cálcio e zinco, o que pode afetar extração, digestibilidade e velocidade de absorção, positivamente sua absorção; porcentagem de proteína presente no produto, assim como a albumina (BSA), que corresponde a cerca de teor de gorduras, carboidratos, lactose e substâncias 10% das proteínas do soro do leite. É um bioativas (GARRETT 2003). peptídeo rico em cistina (aproximadamente Segundo Granuzzo (2008), os produtos são 6%), e relevante precursor da síntese de basicamente classificados em três tipos: isolados, glutationa; e concentrados e hidrolisados. as Ig's que são proteínas e quatro das cinco whey protein isolado possui alto teor de classes das Ig's estão presentes no leite bovino proteínas, que pode chegar a 95% da (IgG, IgA, IgM e IgE), sendo a IgG a principal, composição do produto, e baixos níveis de constituindo cerca de 80% do total, o que lhe lactose, gorduras e carboidratos, quando esses confere ação imunológica e atividade valores não são nulos. antioxidante. whey protein concentrado é aquele que possui Segundo Salzano Júnior (2002), 100g de menor valor de proteínas, o qual pode variar de concentrado proteico do soro do leite possui, em média, 8g de carboidratos 7g de gorduras e 80g de proteínas, com 25% a 80% da concentração do produto, com valor energético de 414kcal (HARAGUCHI et al., 2006; uma considerável quantidade de lactose, SALZANO 2002). Quadro 1 apresenta a gorduras, sais minerais entre outros composição de aminoácidos por grama de proteína do soro, segundo Etzel (2004). componentes.</p><p>38 Corpo e Movimento Whey protein: propriedades e aplicabilidade no exercício físico 4, n. 1, p. 35-42 jan./dez.2011 whey protein hidrolisado é acompanhado de oxidação dos aminoácidos, notadamente no exercício um alto poder de digestão e absorção dos prolongado e de alta intensidade, em que ocorre a redução nutrientes. Há também outras formas de dos estoques de glicogênio muscular. O aumento da síntese comercialização de whey protein que surgiram proteica no período pós-exercício ocorre em decorrência de com o avanço da tecnologia no mercado de atividades que envolvam força e intensidade moderada/alta suplementos nutricionais, com inovadores (PEREIRA, 2007). processos de extração e alto grau de pureza. Embora o trabalho com sobrecargas aumente a Porém, em virtude da complexidade desses síntese de proteínas, ele por si só não promove a deposição processos, esses produtos possuem um alto dos aminoácidos no músculo e, segundo Pereira (2007), o custo (GRANUZZO, 2008). processo de síntese proteica no músculo é controlado por Efeitos da ingestão de whey protein no treinamento processos hormonais e nutricionais, destacando-se a ação A necessidade de ingestão proteica na dieta pode da insulina e a disponibilidade dos aminoácidos. A insulina ser influenciada por alguns fatores, dentre os quais não promove síntese proteica, apenas a facilita. Portanto, a destacam-se a intensidade, a duração e o tipo de exercício, disponibilidade de aminoácidos é o fator principal para o o conteúdo de glicogênio, o balanço energético, o sexo, a aumento da síntese proteica e, consequentemente, idade e o tempo de treinamento. Além disso, a ingestão aumento de massa muscular. inadequada de energia acarreta um aumento da As proteínas fazem parte essencial no reparo de necessidade proteica na dieta, presumivelmente, porque microlesões musculares decorrentes da prática esportiva. algumas das proteínas, utilizadas normalmente para o Essas necessidades aumentam com tipo de exercício processo de síntese de proteínas funcionais (enzimática) e praticado, sua intensidade, duração e frequência e não há estruturais (tecidual), são desviadas para o fornecimento de uma definição em relação a diferenças quanto ao sexo energia nesta condição metabólica (PEREIRA, 2007). (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DO ESPORTE, treinamento de força induz a um aumento na 2009). captação de proteínas principalmente pelo tecido muscular. Indivíduos envolvidas em treinos de resistência A alimentação equilibrada pode suprir parte dessa necessitam de 1,2 a 1,4g de proteína/kg/dia, enquanto demanda, contudo a suplementação com proteínas pode atletas de força, 1,6 a 1,7g/kg de peso/dia, bem superior melhorar a recuperação do tecido muscular e, aos 0,8 a 1,0g/kg de peso/dia, estabelecidos para consequentemente, o desempenho físico e o ganho de indivíduos sedentários (SALZANO 2002). A massa magra. Existem períodos que os músculos estão ingestão de proteína ou aminoácidos, após exercícios envolvidos na produção de energia, períodos de físicos, favorece a recuperação e a síntese proteica recuperação e períodos de crescimento. Para que o muscular. Além disso, quanto menor o intervalo entre o metabolismo muscular funcione na sua melhor forma término do exercício e a ingestão proteica, melhor será a durante estes períodos, é necessário que se ofereçam os resposta anabólica ao exercício. nutrientes mais adequados nas quantidades e momentos A recomendação de proteínas para indivíduos mais apropriados (MORAIS et al., 2008). sedentários é de 0,8g de proteína por kg peso corporal/dia. Segundo Bacurau (2007), estudos demonstraram Já indivíduos ativos, com a ingestão de 1,2 a 1,4g/kg/dia que em indivíduos envolvidos com treinamento de força, teriam sua demanda atendida. Os exercícios de força ocorreu o aumento da síntese proteica quando o consumo exigem maior consumo de proteínas quando comparados de proteínas passou de 0,9g/kg/dia para 1,4g/kg/dia. com as demandas exigidas pelos trabalhos de resistência. Quando esse valor foi aumentado para 2,4g/kg/dia, não Para aqueles que têm por objetivo aumento de massa ocorreu ganho adicional de massa muscular. Dessa forma, muscular, sugere-se a ingestão de 1,6 a 1,7g por quilo de reforça-se a ideia de que a ingestão de proteínas não é fator peso, por dia. Para os esportes em que o predomínio é a determinante do ganho de massa muscular e esta quando resistência, as proteínas têm um papel auxiliar no em excesso, pode atuar como fator limitante se oferecida fornecimento de energia para a atividade, calculando-se ser em quantidade inadequada. de 1,2 a 1,6g/kg de peso a necessidade de seu consumo Durante o exercício, o processo de síntese proteica diário (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DO encontra-se reduzido e há o aumento no processo de ESPORTE, 2009).</p><p>Corpo Movimento 4, n. 1, p. 35-42 jan./dez.2011 Whey protein: propriedades e aplicabilidade no exercício físico 39 Estudos recomendam que o uso dos suplementos de cadeia ramificada (AACR), pela baixa atividade da proteicos, como a proteína do soro do leite ou a albumina da enzima aminotransferase de cadeia ramificada, escapam da clara do ovo, deve estar de acordo com a ingestão proteica captação hepática e são captados por tecidos periféricos. Os total. O consumo adicional desses suplementos proteicos principais locais apontados para a degradação dos AACR acima das necessidades diárias (1,8g/kg/dia) não são a musculatura esquelética e o tecido adiposo determina ganho de massa muscular adicional, nem (TIRAPEGUI; ROSSI; ROGERO, 2005). promove aumento do desempenho. aumento do Existem diferentes vias pelas quais as proteínas do consumo proteico na dieta, além dos níveis recomendados, soro do leite favorecem a hipertrofia muscular e o ganho de não leva a aumento adicional da massa magra. Há um limite força, otimizando, dessa forma, o treinamento e o para o acúmulo de proteínas nos diversos tecidos desempenho físico. A quantidade e o tipo de proteína ou de (SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DO ESPORTE, aminoácido, fornecidos após o exercício, influenciam a 2009). síntese proteica. Estudos têm mostrado que somente os O Gráfico 1 exemplifica as necessidades de aminoácidos essenciais, especialmente a leucina, são proteínas para síntese proteica muscular, de acordo com o necessários para estimular a síntese proteica (HARAGUCHI tipo de treinamento esportivo. et al., 2006). perfil de aminoácidos das proteínas do soro, principalmente ricas em leucina, pode, desta forma, Gráfico 1 - Representação esquemática de como o exercício pode alterar as necessidades diárias de proteínas favorecer o anabolismo muscular. A leucina influencia o controle de curto prazo da Síntese protéica muscular 50 50 etapa de tradução da síntese proteica e este efeito é Treinamento de força sinérgico com a insulina, que é um hormônio anabólico, com 40 40 Treinamento da potência aeróbia papel crítico na manutenção da síntese proteica muscular. 30 30 Contudo, a insulina de modo isolado não é suficiente para Sedentários 20 20 estimular a síntese proteica muscular no estado pós- RDA para RDA para absortivo, sendo necessária a ingestão de proteínas ou de RDA potência aeróbia força 10 10 aminoácidos para completamente as taxas de 0 0 síntese proteica. Desta forma, a insulina exerce um efeito 0.5 1.0 1.5 2.5 Consumo protéico diário (g/kg) permissivo sobre a síntese proteica na presença de aminoácidos (COUTINHO; MENDES; ROGERO, 2010). Fonte: Pereira (2007). RDA = quantidade diária recomendada. Pesquisas relacionando o uso combinado de whey emprego da suplementação aminoacídica está protein com carboidratos realizadas por Hoffman et baseado na hipótese de que alguns aminoácidos podem (2008 apud GRANUZZO, 2008, p. 42) mostraram-se mais promover anabolismo (ganho de massa magra), e sua efetivas em relação à utilização do carboidrato isolado no utilização durante o treinamento de força poderia reabastecimento de glicogênio muscular e hepático após potencializar a síntese tecidual e levar a maiores ganhos de exercício. Evidências afirmam que a leucina poderia exercer massa magra e de força. Esta crença surgiu de estudos com tal efeito, já que resultados obtidos com bioativos administração intravenosa de aminoácidos com posterior de BCAA's constituintes da whey protein sugeriram uma aumento da secreção de hormônio de crescimento (GH). O estimulação no transporte de glicose para o músculo GH exerce efeitos metabólicos no organismo, incluindo esquelético. Os aminoácidos essenciais e insulina estímulo ao crescimento de tecidos, facilitação da síntese de estimulam a sinalização da mTOR e aceleram a síntese proteínas e ativação da lipólise e oxidação de lipídios proteica. (TIRAPEGUI; ROSSI; ROGERO, 2005). Os aminoácidos de cadeia ramificada (leucina, Em relação à síntese proteica no músculo, alguns isoleucina e valina) são preferencialmente oxidados pelo trabalhos evidenciam e indicam a utilização da whey protein músculo esquelético. Após o consumo de dieta rica em como melhor indutora de ganho proteico. Resultados proteínas, o destino da maioria dos aminoácidos absorvidos positivos foram encontrados em homens jovens treinados e é ser metabolizado no fígado. No entanto, os aminoácidos suplementados pós-treino com whey protein (10g), sendo J. et al. Effects of a pre and post exercise whey protein supplement on recovery from resistance training session. J. Int. Society Sports Nutrition, n. 5, p.1-2, 2008.</p><p>40 Corpo Movimento Whey protein: propriedades e aplicabilidade no exercício físico 4, n. 1, p. 35-42 jan./dez.2011 que essa pequena dose proteica ofertada após o treino pode esse hormônio estimula a transferência de cálcio para os estimular a síntese de proteína muscular, colaborando, adipócitos. Nos adipócitos, altas concentrações de cálcio consequentemente, para a hipertrofia muscular levam à lipogênese e à redução da lipólise (HARAGUCHI et (CAMPBELL, 1995). al., 2006). Em virtude da importante característica do whey Diversos estudos mostram que o alto teor de BCAA protein em conter quantidades significativas de das proteínas do soro afeta os processos metabólicos da aminoácidos essenciais e de seus efeitos na capacidade de regulação energética, favorecendo o controle e a redução síntese proteica muscular geralmente serem atribuídos a de gordura corporal. As dietas com maior relação estes aminoácidos, uma pesquisa foi proposta por Katsanos são mais eficientes para o controle da et (2006 apud GRANUZZO, 2008, p. 41) suplementando glicemia e da insulina pós-prandial, favorecendo, assim, a redução da gordura corporal e a preservação da massa 15g de whey protein ou 7g de aminoácidos essenciais muscular durante a perda de peso (BARBANTI, 1996). (simulando a quantidade relativa existente nas 15g de whey Evidências afirmam que as proteínas aumentam a protein), buscando identificar benefícios extras na síntese sensação de saciedade e promovem redução do apetite, o de proteína muscular. Os resultados obtidos mostraram que que colabora para uma menor ingestão durante as a estimulação da síntese proteica foi maior no grupo refeições, favorecendo um balanço calórico negativo. suplementado com whey protein, o que provavelmente se Pesquisas mostraram que voluntários que ingeriram uma deve, em parte, a maior excitação e secreção de insulina. solução contendo 48g de proteína do soro 90 minutos antes A utilização de whey protein é também estudada da refeição, apresentavam uma redução significativa no relacionando características metabólicas voltadas à apetite e aumento da saciedade, quando comparados ao estrutura muscular. Resultados positivos foram encontrados grupo que ingeriu a mesma solução contendo caseína por Hoffman et al. (2008 apud GRANUZZO, 2008, p. 42), ao (HARAGUCHI et al., 2006). examinar a ingestão de 42g pré e pós-exercício na Whey protein e a redução da pressão arterial recuperação aguda de uma seção de treinamento de força A importância das proteínas do soro no controle da para atletas, mas que, por outro lado, não evidenciaram hipertensão arterial tem sido foco de inúmeras pesquisas. aumento de força e nem diferença em relação ao número de As proteínas do leite possuem peptídeos que inibem a ação repetições das séries. da enzima conversora de angiotensina (ECA). Essa enzima Desta forma, os benefícios sobre o ganho de massa catalisa a formação de um potente vasoconstritor e inibe a muscular estão relacionados ao perfil de aminoácidos, ação da brandicina, um vasodilatador. Apesar de muitos principalmente da leucina (um importante desencadeador resultados serem observados in vitro, pesquisadores da síntese proteica), à rápida absorção intestinal de seus avaliaram o efeito de um hidrolisado de proteínas do soro e aminoácidos e peptídeos e à sua ação sobre a liberação de observaram que sua utilização reduziu significativamente a hormônios anabólicos, como, por exemplo, a insulina pressão sanguínea, tanto sistólica como diastólica, via (HARAGUCHI et al., 2006). inibição da ECA, e aumentou a atividade da brandicina em Whey protein e a redução de gordura corporal humanos (KAWASE et al.3, 2000 apud HARAGUCHI et al., excesso de gordura corporal é considerado um 2006). problema de saúde publica há muitos anos. Estudos Kawase et al. (2000) observaram que a populacionais vêm mostrando que o excesso de peso é um administração de leite fermentado, enriquecido com WPC problema tanto para países desenvolvidos como para países (suplemento de proteína concentrada do soro do leite), diminuiu significativamente a pressão sanguínea sistólica em desenvolvimento (HARAGUCHI et al., 2006). aumento em humanos, após oito semanas de estudo. Nesse mesmo gradativo de gordura corporal é fator de risco para o estudo, observou-se que os voluntários apresentavam aparecimento de doenças crônicas. significativa elevação da concentração de colesterol HDL, whey protein é rico em cálcio. Estudos têm redução da concentração de triacilglicerois e diminuição do verificado uma relação inversa entre a ingestão de cálcio e a risco cardíaco. gordura corporal. Uma provável explicação seria que o aumento de cálcio na dieta reduz as concentrações dos Atividade imunomoduladora hormônios calcitrópicos. Em altas concentrações, Uma das propriedades funcionais fisiológicas mais C. S. et al. Muscle protein synthesis in the elderly following ingestion of whey protein or its corresponding essential amino acids content. Med. Sci. Sports Exerc., V. 38, n. 5, p. 112, 2006. M. et al. Effects of administration of fermented milk containing whey protein concentrate to rats and healthy men on serum lipids and blood pressure. J. Dairy Sci., V. 83, n. 2, p. 255-263, Feb. 2000.</p><p>Corpo Movimento n. 1, p. 35-42 jan./dez.2011 Whey protein: propriedades e aplicabilidade no exercício físico 41 estudadas e importantes das proteínas do soro do leite se Haraguchi et al. (2006, p. 485) mostraram que ao relaciona com seu poder As suplementar 20g de whey protein a adultos jovens durante imunoglobulinas (Ig's) do leite permanecem quase que três meses, houve um aumento de 35,5% na concentração integralmente no soro e continuam a desempenhar função de glutationa. aumento dessa substância promove importante, não somente no sistema gastrointestinal, mas redução da disfunção celular provocada por agentes sistemicamente em todo o organismo. oxidantes. Além disso, os indivíduos suplementados Na década de 1980, uma série de pesquisas conseguiram gerar mais potência e maior quantidade de desenvolvidas particularmente no Canadá por Bounous et trabalho em testes de velocidade, sugerindo melhor (1989) apud Sgarbieri (2004, p. 400) mostraram que rendimento. dietas a base de concentrados de proteínas de soro de leite bovino, não desnaturadas, promovia estímulo imunológico o problema da adulteração dos suplementos com superior a um grande número de outras proteínas isoladas e anabolizantes testadas comparativamente, quanto ao poder de estimular Em contrapartida a todos os benefícios que o whey a produção de imunoglobulina. protein proporciona à saúde, há o problema da procedência, A eficácia das proteínas isoladas do soro do leite no qualidade e origem do produto. sentido de melhorar a atuação do sistema imunológico foi Recentemente, um estudo feito no Instituto Adolfo também testada em humanos portadores do vírus HIV. Lutz concluiu que um em cada quatro suplementos Bounous (1998) apud Sgarbieri (2004, p. 400) afirma que nutricionais para praticantes de atividade física apresentam esses vírus, mesmo quando a doença está sob controle, por substâncias de natureza esteroidal não declaradas nos efeito de medicação, causam um desequilíbrio dos linfócitos rótulos. o levantamento também apontou que 85,6% dos TCD4+ (linfócitos de defesa do organismo), deixando suplementos não apresentavam informações de prevalecer os linfócitos TCD8+ ou linfócitos de ataque procedência. (Tkiller). Embora com número reduzido de sujeitos, três e estudo mostrou ainda o perigo do praticante de quatro indivíduos, respectivamente, a administração de 10g atividade física tomar o produto sem saber a composição, já a 40g diárias de proteínas de soro a esses indivíduos que a presença dos anabolizantes não era mencionada na portadores de HIV elevou a concentração de glutationa nos fórmula. Tomar essas substâncias sem orientação médica linfócitos e o número de linfócitos TCD4 +, melhorando as pode causar sérios problemas, como impotência sexual, condições gerais dos pacientes, inclusive com ganho de desordens menstruais, insônia, dor de cabeça, acne, peso de 2kg a 7kg, no período de três meses de aumento dos níveis de colesterol, problemas cardíacos, suplementação (SGARBIERI, 2004). crescimento indevido de pelos, aumento da agressividade, Considerando que o exercício físico exaustivo causa engrossamento da aumento da pressão sanguínea e depressão imunológica, produção de radicais livres e até infarto do miocárdio (ROMERO, 2009). catabolismo proteico, e que as proteínas do soro de leite e seus hidrolisados agem estimulando o sistema imune CONCLUSÃO (celular e humoral) através do estímulo linfocitário e As proteínas solúveis do soro do leite apresentam produção de anticorpos; que várias proteínas do soro de um excelente perfil de aminoácidos, caracterizando-as leite e seus produtos metabólicos são antioxidantes e como proteínas de alto valor biológico. Possuem sequestrantes de radicais livres, que essas proteínas são bioativos do soro que conferem a essas proteínas diferentes rapidamente digeridas e absorvidas e que a composição de propriedades funcionais. aminoácidos das mesmas favorece a síntese de proteínas Os aminoácidos essenciais, com destaque para os de musculares (aminoácidos de cadeias ramificadas), é de se cadeia ramificada, favorecem o anabolismo, assim como a esperar que sua ação seja altamente benéfica ao organismo redução do catabolismo proteico, favorecendo o ganho de humano e animal, antes, durante e após períodos de força muscular e reduzindo a perda de massa muscular exercícios intensos e/ou prolongados (SGARBIERI, 2004). durante a perda de peso. Atividade antioxidante alto teor de cálcio favorece a redução da gordura A redução da fadiga muscular é evidenciada com o corporal, por mecanismo associado ao hormônio 1,25 uso da proteína do soro do leite. Lands et al. (1999) apud (OH)2D. G. et al. Immuno-enchancing property of dietary whey protein in mice: role of glutathione. Med, V. 12, n. 3, p. 154-161, 1989. G. Immuno-enchancing properties of undenatured milk serum protein isolate in HIV patients. Proc. Int. Dairy Fed., Brussels, Belgium, p. 293-305, 1998. L.C. et al. Effect of supplementation with cysteine donor on muscular performance. J. Appl. V. 87, n. 4, p.1381-1385, 1999.</p><p>42 Corpo Movimento Whey protein: propriedades e aplicabilidade no exercício físico 4, n. 1, p. 35-42 jan./dez.2011 Melhoram, também, o desempenho muscular, por elevarem as concentrações de glutationa, diminuindo, assim, a ação dos agentes oxidantes nos músculos esqueléticos. Exercem papel importante na saúde humana, como, por exemplo, no controle da pressão sanguínea, e como agente redutor do risco cardíaco. Além disso, as proteínas do soro têm sido muito utilizadas pela indústria de alimentos, em diferentes áreas. Contudo, ainda são necessários novos estudos in vivo e epidemiológicos para avaliar a real eficácia de seus componentes. REFERÊNCIAS SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DO ESPORTE (SBME). Modificações AIRES, A. G. soro do leite como suplemento proteico para 2012. dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: Monografia (Graduação em Engenharia de Alimentos) Universidade Federal comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Diretriz da do Rio Grande do Sul, Porto 2010. Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Rev. Bras. Med. Esporte, V. 15, n. 3, maio/jun. 2009. (Suplemento). ANVISA. Consulta Pública n° 60, de 13 de novembro de 2008. Disponível em: Acesso em: 09 abr. 2008. TIRAPEGUI, J.; ROSSI, L.; ROGERO, M.M. Proteínas e atividade física. In: TIRAPEGUI, J. Nutrição, metabolismo e suplementação na atividade física. BACURAU, R. F. Nutrição e suplementação esportiva. 5. ed. São Paulo: São Paulo: Atheneu, 2005. Phorte, 2007. VIEBIG, R. F.; NACIF, M. 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Nutr., Campinas, V. 17, n. 4, p. 397-409, out./dez. 2004.</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 43-47 jan./dez.2011 Índice de força máxima relativa de homens treinados nos exercícios supino supino supino vertical e crucifixo 43 ÍNDICE DE FORÇA MÁXIMA RELATIVA DE HOMENS TREINADOS NOS EXERCÍCIOS SUPINO RETO, SUPINO INCLINADO, SUPINO VERTICAL E CRUCIFIXO MAXIMUM RELATIVE FORCE INDEX OF TRAINED MEN ON THE BENCH PRESS, INCLINED BENCH PRESS, CHEST PRESS AND FLY EXERCISES Natalia Santanielo Silva* Cristiani Gomes Lagoeiro* Vanessa Teixeira Castellan* Cássio Mascarenhas Robert Pires** Rodrigo Ferro Magosso** Resumo treinamento de força vem se destacando em todo planejamento que vise condicionamento físico global, e para prescrição da intensidade e volume no treinamento de força o teste de 1RM é visto como o "padrão ouro". Porém o teste de 1RM, por mais específico que possa ser ao treinamento de força, possui uma limitação no que diz respeito à sua praticidade. Com isso, o objetivo do presente estudo foi avaliar o Índice de Força Máxima Relativa (IFMR) nos exercícios supino reto (SR), supino inclinado (SI), supino vertical (SV) e crucifixo (Cr) de homens treinados adultos. Foram avaliados nove homens treinados em força, com peso corporal de que realizaram teste de 1RM nos exercícios SR SI SV (110,33+16,77kg) e Cr em ordem aleatória e com intervalo de 72 horas entre os testes. IFMR dos voluntários obtido foi de no SR, no SI, no SV e no Cr. Entendemos, assim, que essa população com composição corporal atlética levanta no teste de 1RM 99%, 133% e 79%, de seu peso corporal nos exercícios SR, SI, SV e Cr, respectivamente. Esses valores permitem estimar o valor de 1RM de indivíduos treinados nestes exercícios, além de fornecer informações para a classificação dos níveis de força máxima e diagnóstico neuromuscular. Palavras-chave: Antropometria. Massa corpórea. Peitoral. Teste de 1RM. Abstract Strength training has been highlighted for global conditioning programs, and for intensity prescription, the 1 repetition maximum (1RM) test is seen as the gold standard. However, as specific to strength training as the 1RM test may be, it has several limitations relate to its practicality. Thus, the purpose of the study was to evaluate the Maximum Relative Force Index (MRFI) of trained young men on the bench press (BP), inclined bench press (IBP), chest press (CP) and fly exercises. Nine strength trained men volunteered for the study, with a body weight of who underwent to one 1RM test a day in exercises BP IBP (82.11+13.20kg), CP (110.33+16.77kg) and FI (65.78+10.97kg), all 72-hours apart and in a random order. MRFI for the exercises were on BP, on IBP, on CP and 0.11 on We conclude that this population is able to lift 99%, 133% e 79% of their body weight on these exercises respectively. The values enable us to estimate 1RM of trained individuals for these exercises and yields a classification of maximum strength and neuromuscular diagnosis. Keywords: Anthropometry. Body mass. Pectoralis major. 1RM test. Graduação em Educação Física, UNIRP; Especialização em Fisiologia do Exercício, Graduação em Educação Física pela UFSCar; Especialização em Fisiologia do Exercício pela UFSCar; Mestrado em Ciências Bioengenharia Graduação em Educação Física, Fundação Educacional de São Carlos; Especialização em Treinamento Desportivo, UNIMEP; Especialização em Ciências do Esporte, UNICAMP; Mestrado em Ciências Fisiológica, UNESP.</p><p>44 Corpo Movimento Índice de força máxima relativa de homens treinados nos exercícios supino reto. supino inclinado, supino vertical e crucifixo n. 1, p. 43-47 jan./dez.2011 INTRODUÇÃO MATERIAIS E MÉTODOS treinamento de força vem se destacando e Amostra merecendo grande atenção em todo planejamento que vise A amostra foi constituída de nove voluntários do condicionamento físico global, sendo, inclusive, gênero masculino e praticantes de treinamento de força há, recomendado que este faça parte de qualquer treinamento pelo menos, três anos, não fumantes e não usuários de com o intuito de promover a aptidão física em adultos e esteroides anabólicos androgênicos. Foram excluídos os idosos (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2003; indivíduos com histórico conhecido de doença PEREIRA; GOMES, 2003; WILLARDSON; BURKETT, 2006). cardiovascular, respiratória, diabetes, hipertensão, Para a prescrição da intensidade e volume no treinamento desordem hormonal, lesão muscular (últimos 12 meses), de força (BENTON; SWAN; PETERSON, 2009; MAYHEW et além daqueles que estavam administrando ou haviam al., 2011), o teste de 1RM é visto como "padrão ouro" administrado medicação ou suplementos nos seis meses (AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2000). que antecederam o início do estudo. Todos os participantes Porém o teste de 1RM, por mais específico que possa ser ao foram informados dos procedimentos e riscos do estudo e treinamento de força, possui uma limitação no que diz assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido respeito à sua praticidade, sendo considerado um teste (TCLE). demorado, pois requer intervalos de descanso adequados Protocolo experimental durante as tentativas (WEIR; WAGNER; HOUSH, 1994), Para análise do IFMR, verificamos a força máxima podendo durar, em média, 15 minutos, e não se pode dos voluntários nos exercícios, SR, SI, SV e Cr. Os realizar mais que três ou quatro testes com um indivíduo por voluntários compareceram a cinco sessões, sendo a dia. Devido à falta de praticidade imposta por esse tipo de primeira para a determinação da composição corporal; nas teste, algumas equações foram desenvolvidas, visando seguintes sessões foram realizados os testes de 1RM de estimar a carga máxima que um indivíduo pode suportar maneira aleatória, separados por 72 horas e sempre no através da utilização de cargas submáximas (LACIO et al., mesmo horário do dia para evitar interferências do ritmo 2010). circadiano. Para a análise da composição corporal foram As equações de regressão para predição de 1RM são realizadas as seguintes medidas: massa corporal (kg), estabelecidas a partir de uma série de repetições máximas massa magra (kg), percentual de gordura (%), dobras em um determinado exercício (DESGORCES et al., 2010; cutâneas (mm): peitoral, abdominal e coxa. A medida de BRECHUE; MAYHEW, 2012; RONTU et al., 2010), ou pela massa corporal (kg) foi realizada numa balança relação de 1RM em diferentes exercícios (HALET et al., antropométrica da marca Para as medidas de 2009; SIMPSON et al., 1997; WILLARDSON; BRESSEL, espessura de dobras cutâneas foi utilizado o compasso de 2004). Outra forma de estimar 1RM é a partir da massa dobras cutâneas Para a determinação da corpórea. Segundo Marsola, Carvalho e Robert Pires (2011), densidade corporal utilizou-se a equação de três dobras de a relação entre o peso levantado no teste de 1RM e peso Jackson, Pollock e Ward (1978). Após a determinação do corporal de indivíduos destreinados pode ser utilizada como valor da densidade corporal foi determinado o percentual de uma medida indireta da força máxima relativa. Dividindo-se gordura a partir da equação de Siri (1961) (Tabela 1). o peso levantado no teste de 1RM de um determinado Tabela Caracterização dos participantes do estudo exercício pela massa corporal individual, obtém-se o índice Variáveis Média + Desvio Padrão Idade (anos) de força máxima relativa (IFMR). Percentual de Gordura (%) Diante disso, encontrar estimativas de 1RM através Massa Magra (kg) do IFMR facilita não somente a prescrição da intensidade e Massa Corporal (kg) Estatura (cm) volume no treinamento de força, mas também a condução IMC do teste de 1RM, e a informação sobre os níveis de aptidão Tempo de Treino física do indivíduo. Teste de uma repetição máxima (1RM) Devido ao baixo número de estudos que demostram Após o aquecimento geral (corrida leve de 10 o IFMR, este estudo teve como objetivo avaliar o IFMR dos minutos em esteira rolante a 50% da frequência cardíaca exercícios supino reto (SR), supino inclinado (SI), supino máxima) os voluntários executaram uma série de vertical (SV) e crucifixo (Cr) de homens treinados adultos. aquecimento de oito repetições a 50% de 1RM estimada (de</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 43-47 jan./ dez.2011 Índice de força relativa de homens treinados nos exercícios supino reto, supino inclinado, supino vertical e crucifixo 45 acordo com a experiência de treinamento dos válida quando os cotovelos atingem 90° em relação aos participantes). Após um minuto de descanso, uma série de ombros. três repetições a 70% de 1RM estimada foi realizada. Determinação do Índice de Força Máxima Relativa Os levantamentos seguintes foram repetições (IFMR) simples com cargas progressivamente mais pesadas. IFMR foi determinado a partir do cálculo teste foi repetido até a 1RM ser determinada. intervalo de matemático da divisão do peso do teste de 1RM pelo peso descanso entre cada tentativa foi de três minutos, corporal do avaliado (MARSOLA; CARVALHO; ROBERT totalizando três a cinco o número de tentativas para PIRES, 2011), conforme equação a seguir: determinação da carga máxima. Todos os procedimentos IFMR = peso 1RM / peso corporal para determinação da força máxima dinâmica, inclusive a padronização das angulações de movimentos, seguiram as Análise estatística descrições de Brown e (2001). Os dados foram expressos pela estatística descritiva, Padronização para a execução dos exercícios média + desvio padrão. A análise estatística foi realizada A padronização da execução dos exercícios adotada inicialmente pelo teste de normalidade de Shapiro-Wilk e neste estudo foi baseada em Marchetti, Calheiros e Charro pelo teste de homocedasticidade (critério de Bartlett). (2007), sendo: Todas as variáveis analisadas apresentaram distribuição a) Supino Reto: o indivíduo posiciona-se deitado, normal e homocedasticidade. com os pés apoiados no solo. afastamento da pegada RESULTADOS deve ser ajustado na posição média entre a amplitude Os voluntários apresentaram um peso corporal máxima de pegada e a alinhada com os ombros, e a barra na médio de Os valores de 1RM obtidos foram: direção dos mamilos. Os ombros, cotovelos e punhos no supino reto, no supino devem ser alinhados no plano transversal. movimento é inclinado, no supino vertical, iniciado com a extensão completa dos cotovelos e a barra no crucifixo (Tabela: 2). deve encostar no peito para que a repetição seja Tahela 2- Valores de nos exercícios considerada válida. Supino Reto Supino Inclinado Supino Vertical Crucifixo b) Supino Inclinado: o indivíduo posiciona-se deitado, com os pés apoiados no solo. O afastamento da Assim, com a divisão dos valores de 1RM pelo peso pegada deve ser ajustado na posição média entre a corporal, o IFMR obtido pelos voluntários foi de amplitude máxima de pegada e a alinhada com os ombros. no SR, no SI, 1,31+0,17 no SV e no Cr banco foi inclinado em 45° em relação ao solo. (Tabela 3; Figuras 1-4). movimento é iniciado com a extensão completa dos cotovelos e a barra deve encostar no peito para que a Tabela 3 IFMR SR SV Supino Reto repetição seja considerada válida. Supino Inclinado Supino Vertical Crucifixo c) Supino Vertical: o indivíduo posiciona-se sentado, com os pés apoiados no suporte, de forma que o ângulo entre o tronco e coxas aproxime-se de 90°. As Figura 1 IFMR do SR articulações dos punhos, cotovelos e ombros devem estar IFMR Supino Reto 1.4 alinhadas no plano horizontal. movimento é iniciado com 1.2 a extensão completa dos cotovelos, a repetição só é considerada válida quando os cotovelos atingem 90° em 0,8 relação ao tronco. 0,4 d) Crucifixo: o indivíduo deita-se em decúbito 0,2 0,0 dorsal, com os pés apoiados no solo, sem que a lombar 0 2 4 6 8 10 perca contato com o banco. movimento é iniciado com os Voluntários braços paralelos entre si e perpendiculares ao corpo, com leve flexão dos cotovelos, a repetição só é considerada</p><p>46 Índice de força relativa de homens treinados nos exercícios supino reto, supino inclinado, supino vertical e crucifixo Corpo Movimento 4, n. 1, p. 43-47 jan./dez.2011 Robert Pires (2011) deve-se às adaptações decorrentes ao Figura 2 IFMR do SI treinamento de força no grupo do referido estudo. IFMR Supino Inclinado Em nosso laboratório, temos observado IFMR em 1.2 indivíduos treinados em força desde 1,0 até cerca de 1,7 no 1,0 exercício SR; os maiores valores são associados a atletas de 0,6 modalidades com maiores requerimentos de força máxima 0,4 (dados não publicados), que ressalta a fidedignidade do 0.2 presente estudo, em que o IFMR no supino reto foi de 1,1. 0,0 0 2 4 6 8 10 Outro ponto a ser enfatizado é que o teste de 1RM é Voluntários comumente usado para avaliação da força máxima (MATERKO; NEVES; SANTOS, 2007) e para a prescrição do Figura 3 IFMR do SV treinamento de força, porém muito se discute sobre o IFRM Supino Vertical tempo gasto oriundo do teste (KURAMOTO; PAYNE, 1995). 1,6 Com isso, estudos recentes têm como foco a necessidade de 1,4 1,2 predizer 1RM (BRECHUE; MAYHEW, 2011; DESGORCES et 1,0 0,8 al., 2010; RONTU et al., 2010). Nesse contexto é que se 0,6 insere a proposta de nosso estudo, pois propõe mais uma 0,4 0,2 forma de predição de 1RM em específicos exercícios (SI, SV 0,0 0 2 4 6 8 10 e Cr) a partir do IFMR, evidenciando sempre a praticidade Voluntários concreta e fidedigna da avaliação neuromuscular para uma prescrição de treinamento de força para grupos treinados. Figura 4 IFMR do Cr Parece possível sugerir que o IFMR possa se configurar numa variável de extrema utilidade na condução IFMR Crucifixo 1.2 do próprio protocolo de teste de 1RM, uma vez que, 1.0 previamente à aplicação do teste, o IFMR oferece a possibilidade de se estimar o peso máximo a ser levantado, 0,6 garantindo, assim, melhores condições de condução do 0.2 protocolo e, obviamente, tornando os resultados mais 0,0 fidedignos. Da mesma forma, o IFMR também garante a 0 2 4 6 8 10 possibilidade concreta de uma avaliação (diagnóstico) dos Voluntários níveis de aptidão neuromuscular e força máxima após a DISCUSSÃO aplicação do teste de 1RM (MARSOLA; CARVALHO; ROBERT principal achado em nosso estudo foi a relação PIRES, 2011). Por exemplo, a partir da combinação dos entre peso levantado no teste de 1RM e o peso corporal resultados de nosso estudo com os de Marsola, Carvalho e (IFMR) dos voluntários, que apresentou os seguintes Robert Pires (2011), os indivíduos que apresentem IFMR no valores para os exercícios: SR de SI de supino reto de 0,7 a 0,8 podem ser considerados SV de e Cr de destreinados em força, enquanto os indivíduos que Entendemos, assim, que essa população com composição apresentem IFMR de 1,0 neste exercício podem ser corporal atlética levanta no teste de 1RM 113%, 99%, considerados treinados em força. É importante ressaltar 133% e 79%, de seu peso corporal nos exercícios SR, SI, SV e Cr, respectivamente. que os valores encontrados são referentes a uma população Marsola, Carvalho e Robert Pires (2011) avaliaram a específica e não podem ser extrapolados para populações relação entre o peso levantado no teste de 1RM no SR e o diferentes da avaliada neste estudo. peso corporal de indivíduos destreinados que apresentam Futuras pesquisas são necessárias para a análise do um IFMR de 0,73, ou seja, esses indivíduos levantam no IFMR em outros exercícios e populações, facilitando, assim, teste de 1RM, em média, 73% de seus pesos corporais. tanto a prescrição do treinamento de força pelo método de Provavelmente, a diferença entre o resultado de nosso percentual de 1RM quanto a avaliação e diagnóstico estudo com o resultado do estudo de Marsola, Carvalho e neuromuscular.</p><p>Corpo e Movimento 4, n. 1, p. 43-47 jan./dez.2011 Índice de força máxima relativa de homens treinados nos exercícios supino reto, supino inclinado, supino vertical e crucifixo 47 CONCLUSÃO SIRI, W. E. Body composition from fluids spaces and density: analysis of methods. In: BROZEK J.; HENSCHEL, A. Techniques for measuring body Os resultados obtidos do presente estudo composition. Washington: National Academy of Sciences National Research demostram que indivíduos treinados em força levantam Council, 1961. 113%, 99%, 133% e 79% de seu peso corporal nos WEIR, J. P.; WAGNER, L. L.; HOUSH, T.J. The effect of rest interval length on repeated maximal bench presses. J. Strength Cond. Res., V. 8, p. 58-60, exercícios SR, SI, SV e Cr, respectivamente. Esses valores 1994. permitem estimar o valor de 1RM de indivíduos treinados WILLARDSON, J. M.; BRESSEL, E. Predicting a 10 repetition maximum for the free weigth parallel squat using the angled Leg press. J. Strength Cond. nestes exercícios, além de fornecer informações para a Res., V. 18, n. 3, p. 567-571, ago. 2004. classificação dos níveis de força máxima e diagnóstico WILLARDSON, J. M.; BURKETT, L. N. 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Neste sentido, como a metodologia com base em resolução de problemas, desenhada especificamente para aulas de Educação Física, pode promover aprendizagens conceituais, procedimentais e atitudinais sobre a prática de exercícios físicos direcionados para a saúde? Com base neste questionamento, desenvolvemos uma sequência didática composta por seis etapas: definição do problema, compreensão do problema, elaboração de um plano, execução do plano, mapeamento conceitual, comunicação e vista retrospectiva dos resultados e conclusões. Neste estudo de caso, os dados foram analisados qualitativamente. Realizamos entrevistas semi-estruturadas com os familiares e avaliações com os alunos do 8° ano do ensino fundamental, antes e após a aplicação da sequência didática desenhada. Analisamos e comparamos os resultados dos instrumentos, incluindo os mapas conceituais produzidos pelos alunos a partir do olhar generalizado e à luz das teorias estudadas. Os alunos adquiriram conhecimentos conceituais e procedimentais durante a participação na proposta, e apresentaram-se mais ativos e conscientes sobre o assunto depois de participar das atividades. Concluímos que a metodologia baseada na resolução de problemas apresenta-se como uma proposta interessante para o trabalho em educação para a saúde. Palavras-chave: Educação física escolar. Resolução de problemas. Educação para a saúde. Abstract Despite the significant growth of physical education in a time characterized by inactivity, their classes seem to produce viewers instead of physically active individuals. The challenge lies in showing physical inactivity as a problem so that students seek to solve it. So, how the methodology based on problem-solving, designed specifically for physical education classes, learning can foster conceptual, procedural and attitudinal about the practice of physical exercises related for health? We developed a didactic sequence consists of six steps: defining the problem, understanding the problem, devise a plan, implementing the plan, conceptual mapping, communication and retrospective view of the results and conclusions. In this case study, we analyzed the data qualitatively. We conducted semi-structured interviews with parents and students to review the 8th year, before and after applying the teaching sequence. We analyze and compare the results of different instruments, including concept maps produced by students from the general look and the light of the theories studied. The Students acquired conceptual and procedural knowledge, were more active and aware about the issue after participating in activities. In conclusion, the methodology based on problem solving presents itself as an interesting proposal about the work of health education. Keywords: School physical education. Problem solving. Health education. 1 Este trabalho é parte da dissertação de mestrado defendida na Universidad Del Salvador (Buenos Aires/AR), aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Estadual Julho de Mesquita Filho (UNESP-Bauru-SP), sob o * Licenciado em Educação Física (FAEFI-SP) e em Pedagogia (UNINOVE-SP). Especialista em Psicopedagogia Educacional e Clínica (FACITA-SP) e em Educação Física Escolar (UEPG-PR). Mestre em Educação (USAL/Buenos Aires, Argentina). Docente da Escola Superior de Educação Física de Catanduva-SP (ESEFIC-FIPA) e das Faculdades Integradas de Jaú (FIJ). Contato: ademirtj@gmail.com.</p><p>Corpo Movimento 4, n. 1, p. 49-51 jan., dez.2011 Normas para publicação 49 NORMAS PARA PUBLICAÇÃO A revista CORPO E MOVIMENTO, publicada pelo curso de RELATOS DE EXPERIÊNCIA Educação Física das Faculdades Integradas Padre Albino Apresentação de dados descritivos sobre um ou mais casos. (FIPA), de periodicidade anual, tem por objetivo divulgar à Podem ser resultado de projetos de extensão. Não devem comunidade acadêmico-científica conteúdo informativo ultrapassar 10 páginas. relevante, baseado na produção técnico-científica da área de Educação Física e outras correlacionadas. Também COMUNICAÇÃO CIENTÍFICA possui a finalidade de ajudar na construção e na Divulgação de estudos desenvolvidos por discentes durante disseminação do conhecimento e da pesquisa científica. a graduação e pós-graduação, orientados pelos professores Para tanto, está aberta, durante todo o ano, em regime de e que sejam resultados de projetos de iniciação científica ou fluxo contínuo, ao recebimento de contribuições nas trabalhos de conclusão de curso. Devem ser apresentados seguintes categorias: artigos originais, artigos de revisão, na forma de resumos científicos, não ultrapassando 500 artigos de atualização, resenhas, relatos de experiência, caracteres e contendo a seguinte estrutura: introdução ao comunicação científica e resumos. É fundamental que todo tema, objetivos, metodologia, principais resultados, material encaminhado à revista seja inédito, isto é, não considerações finais e palavras-chave (descritores). publicado em outros veículos de comunicação. ENVIO DE ORIGINAIS artigo deve ser enviado pelo correio em 3 vias impressas, CATEGORIAS DE ARTIGOS DA REVISTA com cópia em CD, digitado no programa Microsoft Office Word da versão 2003 a 2010. Recomenda-se que os autores ARTIGOS ORIGINAIS guardem uma cópia do artigo encaminhado. A revista não Trabalhos de pesquisa com resultados inéditos e que se responsabilizará por eventual extravio durante o envio do agreguem valores à área da Educação Física e afins. Podem material. Após recebimento do material será enviado e- ser resultado de pesquisa ou de reflexão teórica sobre mail de confirmação ao autor responsável. determinado tema. Sua estrutura deve conter: resumo (em português e inglês), palavras-chave (descritores), Todo material encaminhado à revista, aos cuidados do introdução e justificativas, objetivos, metodologia, editor-chefe, deverá especificar sua categoria. resultados, discussão, considerações finais e referências. O(s) autor(res) deverá(ão) redigir, datar, assinar e Sua extensão não deve ultrapassar 15 páginas. encaminhar junto aos originais, uma DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE E TRANSFERÊNCIA DE DIREITOS ARTIGOS DE REVISÃO AUTORAIS, nos seguintes termos: Eu (nós), abaixo- Avaliação crítica e abrangente sobre trabalhos da área de assinado(s), transfiro(erimos) todos os direitos autorais do Educação Física e afins já publicados em revistas científicas. artigo intitulado (título) à Corpo e Movimento Educação Sua extensão não deve ultrapassar 15 páginas. Física. Declaro(amos) ainda que o trabalho é original e que não está sendo considerado para publicação em outra ARTIGOS DE ATUALIZAÇÃO revista, quer seja no formato impresso ou eletrônico. Data e Trabalhos descritivos e interpretativos sobre novas técnicas Assinatura(s). ou procedimentos globais e atuais em que se encontram No material encaminhado à revista também deverão determinados assuntos investigativos. Sua extensão não constar na folha de rosto o nome do autor responsável pela deve ultrapassar 10 páginas. correspondência junto à revista e seu respectivo endereço, RESENHAS incluindo telefone e e-mail. autor responsável receberá Análise crítica de livros publicados recentemente e que um exemplar da revista. tenham relação com a temática e a política editorial da revista. Sua extensão não deve ultrapassar 3 páginas. Todas as pesquisas envolvendo estudos com seres</p><p>50 Corpo Movimento Normas para publicação 4, n. 1, p. 49-51 jan./dez.2011 humanos deverão estar de acordo com a Resolução CNS- institucional, onde o trabalho foi realizado (se foi 196/96, devendo constar cópia da aprovação do Comitê de subvencionado, indicar o tipo de auxílio, nome da agência Ética em Pesquisa ao qual foram submetidas. No caso de financiadora) e o endereço eletrônico. experimentos com animais, os autores devem mencionar se Título e Subtítulo foram seguidas as diretrizes institucionais e nacionais para Apresentar o título do trabalho conciso e informativo em manipulação dos mesmos. português (fonte 14, negrito e maiúsculas), e também em É de responsabilidade do(s) autor(res) a revisão geral do inglês (fonte 12, sem negrito e maiúsculas). texto, incluindo revisão ortográfica e gramatical. Os editores Resumo não assumem a responsabilidade por conceitos emitidos Em português e inglês (Abstract). Deve vir após a folha de pelo(s) autor(es) em artigos assinados. rosto e se limitar a 250 palavras, contendo: objetivo do estudo, metodologia, principais resultados e conclusões. SELEÇÃO DOS TEXTOS Digitado em fonte 10, sem de parágrafo e Todo material submetido à revista CORPO E espaçamento simples. MOVIMENTO será apreciado pelo Conselho Editorial nos Palavras-chave seus aspectos gerais, normativos e sua qualidade científica. Devem aparecer abaixo do resumo, conter no mínimo 3 e no Ao ser aprovado, o material será encaminhado para máximo 5 termos que identifiquem o tema, limitando-se aos avaliação de dois revisores do Conselho Científico com descritores, recomendados no Descritores em Ciências da reconhecida competência no assunto abordado. Caso os pareceres sejam divergentes, o material será Saúde (DeCS) e apresentados pela BIREME (disponíveis em encaminhado a um terceiro conselheiro para desempate (o http://www.decs.bvs.br). Apresentá-los em letra inicial Conselho Editorial pode, a seu critério, emitir o terceiro maiúscula e separados por ponto. parecer). Os trabalhos aceitos ou sob restrições poderão ser Tabelas devolvidos aos autores para correções ou adequação à Devem ser numeradas consecutivamente com algarismos normas da revista. Trabalhos não aceitos serão devolvidos arábicos, na ordem em que forem citadas no texto, com a aos autores, com o parecer do Conselho Editorial, sendo inicial do título em letra maiúscula e sem grifo, evitando-se omitidos os nomes dos revisores. Aos artigos serão traços internos horizontais ou verticais. Notas explicativas preservados a confidencialidade e sigilo, assim como, deverão ser colocadas no rodapé das tabelas (fonte 10). respeitados os princípios éticos. Ilustrações Deverão usar as palavras designadas (fotografias, quadros, PREPARAÇÃO DO ARTIGO desenhos, gráficos etc) e devem ser limitadas ao mínimo, Apresentação dos originais O material encaminhado à revista deverá apresentar as numeradas consecutivamente com algarismos arábicos, na seguintes configurações: folha A4 (210 X 297 mm) com ordem em que forem citadas no texto. As legendas devem margem esquerda e superior de 3 cm e margem direita e ser claras, concisas e localizadas abaixo das ilustrações. inferior de 2 cm. Texto digitado em fonte Times New Roman Figuras que representem os mesmos dados que as tabelas tamanho 12, espaço 1,5 entrelinhas, com todas as páginas não serão aceitas. Para utilização de ilustrações extraídas de numeradas no canto superior direito. Deve ser redigido em outros estudos já publicados, os autores devem solicitar a português. Se for necessário incluir depoimentos dos permissão, por escrito, para reprodução das mesmas. As sujeitos, estes deverão ser em itálico, em letra tamanho 10, autorizações devem ser enviadas junto ao material por na sequência do texto. Para as citações, usar as normas ocasião da submissão. As ilustrações deverão ser enviadas propostas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas juntamente com os artigos em uma pasta denominada (ABNT) na NBR 10520. A correta citação no texto é de figuras, no formato BMP ou TIF com resolução mínima de responsabilidade do(s) autor(res). 300 DPI. Figuras coloridas não serão publicadas. Autoria Deverá aparecer logo abaixo do título do artigo, indicada Notas de Rodapé por asterisco, iniciais maiúsculas e fonte 10. No rodapé, Devem ser evitadas sempre que possível. No entanto, se deverá constar a ordem em que devem aparecer os autores não houver essa possibilidade, inseri-las na página onde na publicação, a maior titulação acadêmica obtida, filiação foram referenciadas, em algarismos arábicos.</p><p>Corpo e Movimento n. 1, p. 49-51 jan./dez.2011 Normas para publicação 51 Abreviações / Nomenclatura Artigo de periódico O uso de abreviações deve ser mínimo e utilizadas segundo MELCHIOR, R. et al. Avaliação da estrutura organizacional a padronização da literatura. Indicar o termo por extenso, da assistência ambulatorial em HIV/Aids no Brasil. Rev. seguido da abreviatura entre parênteses, na primeira vez Saúde Pública, V. 40, n. 1, p. 143-151, jan./fev. 2006. que aparecer no texto. Trabalho apresentado em congresso Citações no Texto LEDIC, I. L. et al. Estimativas de parâmetros genéticos. In: Seguir o sistema autor-data proposto pela Associação ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) na NBR 10520. ZOOTECNIA, 20., 1983, Pelotas. Anais... Pelotas: Sociedade Brasileira de Zootecnia, 1983. p. 225-227. Agradecimentos Deverão, quando necessário, ocupar um parágrafo Documentos jurídicos separado antes das referências. BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Referências Todas as referências citadas no texto devem estar em Organização do texto por Juarez de Oliveira. 4. ed. São ordem alfabética, elaboradas conforme as normas da Paulo: Saraiva, 1990. 168 p. (Série Legislação Brasileira). Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) propostas Tese/Dissertação na NBR 6023/2002. Para artigos originais e de revisão SILVA JUNIOR, C. A. A escola pública como local de sugere-se que seu número limite-se a 20, havendo, trabalho. 1990. 136 f. Tese (Livre Docência) Faculdade contudo, flexibilidade. de Filosofia e Ciências, Universidade Estadual Paulista, EXEMPLO DE REFERÊNCIAS Marília, 1990. Livro Material eletrônico BEZZON, L. A. C.; MIOTTO, L. B.; CRIVELARO, L. P. Guia PEREIRA, M. A. G.; GALVÃO, R.; ZANELLA, M. T. Efeitos da prático de monografias, dissertações e elaboração e suplementação de potássio via sal de cozinha sobre a apresentação. Campinas, SP: Átomo e Alínea, 2004. pressão arterial e a resistência à insulina em pacientes Capítulo de livro obesos hipertensos em uso de diuréticos. Revista de VIEIRA, J. M. D. silêncio da cidadania. In: BICUDO, M. A. Nutrição, Campinas, V. 18, n. 1, p. 5-17, jan./fev. 2005. V.; SILVA C. A. (Org.). Formação do educador: Disponível em dever do estado, tarefa da universidade. São Paulo: UNESP, <http://www.scielo.br/rn/v18n1/23503.pdf> Acesso em: 1996. p. 91-95. 7 jun. 2005. ENDEREÇO PARA ENCAMINHAMENTO DE ARTIGOS Corpo Movimento Física Rua dos Estudantes, 225 Parque Iracema CEP 15.809-144 Catanduva-SP Contato: corpoemovimento@fipa.com.br Telefone 17 3311-3328 / 17 3311-3335 Impressão: Gráfica Encadernação E-mail: artg@terra.com.br Rua Colorado, 212 Parque Flamingo Catanduva/SP Fone: 17 3521.6116</p>

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