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E-Book_Introdução à Profissão - Farmácia (Farmácia - Profissão e Carreira)_CENGAGE_V2 (Versão Digital) (1)

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<p>INTRODUÇÃO À PROFISSÃO</p><p>- FARMÁCIA</p><p>ORGANIZADORES ALYNE ALMEIDA DE LIMA; LUANNA GABRIELLA RESENDE DA SILVA</p><p>Introdução à pro�ssão - Farm</p><p>ácia</p><p>GRUPO SER EDUCACIONAL</p><p>Neste livro, você terá acesso a informações imprescindíveis para conhecer</p><p>de forma mais abrangente a pro�ssão de farmacêutico.</p><p>Abordaremos aqui a história da pro�ssão, as leis vigentes e os Conselhos</p><p>que regulam a pro�ssão. Veja aqui como se iniciou a utilização de drogas e</p><p>especiarias, o surgimento das boticas e dos boticários e a formação da</p><p>pro�ssão farmacêutica. Para �nalizar, as autoras explicam como se dá o</p><p>trabalho multipro�ssional na área da saúde, especi�camente, para o</p><p>pro�ssional farmacêutico.</p><p>Fundamental para o estudo da pro�ssão, esta obra é ilustrada e apresenta-</p><p>da de forma clara e didática.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>À PROFISSÃO</p><p>- FARMÁCIA</p><p>(Farmácia:</p><p>Profissão e Carreira)</p><p>ORGANIZADORES ALYNE ALMEIDA DE LIMA; LUANNA GABRIELLA</p><p>RESENDE DA SILVA</p><p>gente criando futuro</p><p>I SBN 9786555580761</p><p>9 786555 580761 ></p><p>C</p><p>M</p><p>Y</p><p>CM</p><p>MY</p><p>CY</p><p>CMY</p><p>K</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A PROFISSÃO -</p><p>FARMÁCIA</p><p>Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou</p><p>transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo</p><p>fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de</p><p>informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional.</p><p>Diretor de EAD: Enzo Moreira</p><p>Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato</p><p>Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes</p><p>Coordenadora educacional: Pamela Marques</p><p>Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa</p><p>Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha</p><p>Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi</p><p>Lima, Alyne Almeida de.</p><p>Introdução à profissão - Farmácia/ Alyne Almeida de Lima</p><p>Luanna Gabriella Resende da Silva. – São Paulo: Cengage, 2020.</p><p>Bibliografia.</p><p>ISBN: 9786555580112</p><p>1. Saúde - farmacêutico. 2. Profissões - farmacêutico. 3. Silva, Luanna Gabriella Resende da.</p><p>Grupo Ser Educacional</p><p>Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro</p><p>CEP: 50100-160, Recife - PE</p><p>PABX: (81) 3413-4611</p><p>E-mail: sereducacional@sereducacional.com</p><p>“É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com</p><p>isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns</p><p>anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também</p><p>passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o</p><p>aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino</p><p>Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil.</p><p>O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec,</p><p>tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar</p><p>seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento</p><p>da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da</p><p>democracia com a ampliação da escolaridade.</p><p>Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar</p><p>as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer-</p><p>lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no</p><p>contexto da sociedade.”</p><p>Janguiê Diniz</p><p>PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL</p><p>Autoria</p><p>Alyne Almeida de Lima</p><p>Graduada em Farmácia, especialista em farmácia clínica e prescrição farmacêutica e mestra em Ciências</p><p>Farmacêuticas. Atualmente professora de Farmacologia nos cursos de Graduação em Farmácia,</p><p>Odontologia e Psicologia e também ministra a disciplina de Cosméticos e Saneantes na Faculdade</p><p>Maurício de Nassau. Professora de Pós-graduação na área de Clínica Farmacêutica, Farmacologia,</p><p>Toxicologia e Fitoterapia.</p><p>Luanna Gabriella Resende da Silva</p><p>Graduada em Farmácia, com habilitação em Bioquímica. Possui experiência em dispensação</p><p>farmacêutica, farmácia magistral, farmácia clínica e análises clínicas. Atualmente é mestranda em</p><p>Ciências Farmacêuticas pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas, na Universidade</p><p>Federal de São João del-Rei, Minas Gerais.</p><p>SUMÁRIO</p><p>Prefácio .................................................................................................................................................8</p><p>UNIDADE 1 - Noções gerais da profissão: noções e histórico ..........................................................9</p><p>Introdução.............................................................................................................................................10</p><p>1. Noções gerais da profissão: definição e histórico ............................................................................ 11</p><p>2. A profissão dentro da área da saúde: regional, nacional e mundial .................................................21</p><p>3. Assistência Farmacêutica e a PNM (Política Nacional de Medicamentos) .......................................24</p><p>PARA RESUMIR ..............................................................................................................................26</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................27</p><p>UNIDADE 2 - Boticário ...................................................................................................................29</p><p>Introdução.............................................................................................................................................30</p><p>1 História da profissão farmacêutica .................................................................................................... 31</p><p>2 Áreas de atuação farmacêutica .......................................................................................................... 33</p><p>3 Prescrição Farmacêutica .................................................................................................................... 37</p><p>4 Conselhos de classe da profissão farmacêutica ................................................................................. 40</p><p>5 Código de Ética ................................................................................................................................... 45</p><p>PARA RESUMIR ..............................................................................................................................48</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................49</p><p>UNIDADE 3 - O papel do profissional: lei do exercício profissional ..................................................53</p><p>Introdução.............................................................................................................................................54</p><p>1. Normas para o exercício da profissão farmacêutica .........................................................................55</p><p>2 Assistência Farmacêutica (AF) ............................................................................................................ 61</p><p>PARA RESUMIR ..............................................................................................................................71</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................72</p><p>UNIDADE 4 - Integração ................................................................................................................75</p><p>Introdução.............................................................................................................................................76</p><p>1 Equipe multiprofissional (multidisciplinar) em saúde ........................................................................77</p><p>2 Gestão técnica da Assistência Farmacêutica ...................................................................................... 78</p><p>3 Farmacêuticos na assistência ao paciente .........................................................................................</p><p>discriminando as funções de Presi-</p><p>dente, Vice-Presidente, Tesoureiro e Secretário-Geral, sendo imprescindível que todos os</p><p>4 (quatro) candidatos componentes da chapa, e não apenas parte deles, já tenham man-</p><p>dato ou condição prévia para que possam se eleger como Conselheiro Regional Efetivo;</p><p>• em caso de empate entre as chapas de Diretoria, será escolhida a chapa em que o Presi-</p><p>dente tiver inscrição profissional mais antiga, aplicando-se o mesmo critério para o de-</p><p>sempate entre as Chapas de Conselheiros Federais e aos Conselheiros Regionais;</p><p>• serão proclamados Conselheiros Suplentes os candidatos que obterem votação imedia-</p><p>tamente inferior à do Conselheiro Efetivo eleito até o limite das vagas a preencher dos</p><p>respectivos mandatos.</p><p>Sobre a votação, em que os farmacêuticos inscritos no Conselhos votam pela Internet, deverá</p><p>obrigatoriamente observar os seguintes requisitos:</p><p>a) o sigilo do voto;</p><p>b) a impossibilidade que o eleitor vote mais de uma vez;</p><p>c) a imparcialidade e transparência do procedimento;</p><p>d) endereço exclusivo na Internet;</p><p>e) possibilidade de auditoria integral e independente do código-fonte;</p><p>f) assinatura digital do código-executável;</p><p>g) segurança através de mecanismos eficazes de criptografia de dados e canais de</p><p>comunicação;</p><p>h) criação de “back-up” com assinatura digital antes e depois da eleição;</p><p>44</p><p>i) espelhamento do banco de dados;</p><p>j) garantia de, pelo menos, 5.000 transações por minuto;</p><p>k) hardenização (mapeamento das ameaças, riscos e execução das atividades corretivas, com</p><p>foco na infraestrutura e objetivo principal de torná-la preparada para enfrentar tentativas de</p><p>ataque) do sistema operacional;</p><p>l) “firewall” com monitoramento durante o período de eleição;</p><p>m) centralização em Brasília/DF;</p><p>n) disponibilização de emissão de relatório prévio antes do início das eleições, declarando</p><p>que não há votos computados no banco de dados referente aos eleitores.</p><p>Sobre o Conselho Federal de Farmácia (CFF):</p><p>a eleição para a Diretoria do CFF observará o que dispuser no seu Regimento Interno</p><p>(farmacêuticos que não estão no CFF não votam, ao contrário das eleições do CRF), mas poderão</p><p>se candidatar;</p><p>as eleições para Diretoria do CFF serão convocadas, em obediência ao calendário eleitoral,</p><p>pelo Presidente do CFF, em edital a ser afixado na sede do órgão ou seu Plenário, indicando-se:</p><p>• local e período das inscrições;</p><p>• local, data e horário da realização da eleição;</p><p>• requisitos a serem cumpridos pelos candidatos;</p><p>• prazo para impugnação de candidatos, cujos nomes figurarão em Portaria a ser afixada</p><p>em lugar visível na sede do CFF;</p><p>• número e data da resolução do CFF que deu origem ao edital;</p><p>• assinatura do Presidente do CFF.</p><p>Os candidatos às funções de Diretores do CFF deverão registrar sua chapa completa mediante</p><p>requerimento dirigido a Comissão Eleitoral regimentalmente nomeada previamente à realização</p><p>do pleito, devendo ser composta por 3 (três) farmacêuticos que não sejam empregados do CFF,</p><p>não façam parte do Plenário, bem como não sejam parentes ainda que por afinidade, até o</p><p>segundo grau, bem como o cônjuge respectivo, de qualquer dos candidatos.</p><p>O requerimento de registro da candidatura em chapa será encaminhado pela Comissão</p><p>Eleitoral ao Plenário do CFF para a sua devida homologação, decidindo-se na mesma oportunidade</p><p>45</p><p>eventual pedido de impugnação;</p><p>antes da eleição, a Comissão Eleitoral afixará na sede do CFF a lista das chapas concorrentes;</p><p>• a secretaria do CFF confeccionará as cédulas únicas, que serão rubricadas no verso por</p><p>todos os membros da Comissão Eleitoral, com indicação dos nomes das chapas, dos res-</p><p>pectivos integrantes e das funções a que concorrem como Presidente, Vice-Presidente,</p><p>Secretário-Geral e Tesoureiro, na ordem em que forem registradas;</p><p>• a Comissão Eleitoral funcionará, em momentos distintos, como Mesas Receptora e Apu-</p><p>radora, devendo garantir o sigilo do voto (ao contrario das eleições do CRF, que são pela</p><p>internet (anteriormente a cédula chegava na casa do farmacêutico ele votava e enviava</p><p>novamente para o CRF por meio dos Correios);</p><p>• o eleitor indicará seu voto assinalando a quadrícula ao lado da chapa escolhida;</p><p>• não pode o eleitor suprimir ou acrescentar nomes ou rasurar a cédula, sob pena de nuli-</p><p>dade do voto;</p><p>• após o encerramento, a Mesa Apuradora procederá à contagem dos votos, proclamando</p><p>o resultado e a eleição dos integrantes da chapa mais votada;</p><p>• todo o procedimento eleitoral para Diretoria do CFF deverá ocorrer em sessão plenária</p><p>única (Brasil, 1960)</p><p>Ademais, conhecer as diferenças entre as eleições dos CRF e CFF faz com que o farmacêutico</p><p>entenda como pode participar de forma ativa na composição dos Conselhos, orientando aqueles</p><p>que pretendem ocupar um dos cargos dos Conselhos da classe farmacêutica.</p><p>5 CÓDIGO DE ÉTICA</p><p>A ética, muitas vezes, é confundida com leis, embora as leis quase sempre possuam como base</p><p>os princípios éticos. Entretanto, diferentemente da lei, nenhum indivíduo pode ser compelido,</p><p>pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer penalidade</p><p>pela desobediência a essas leis (LISBOA, 1997).</p><p>O código de ética é um documento que busca expor os princípios e a missão de uma</p><p>determinada profissão ou empresa. Seu conteúdo deve ser pensado para atender às necessidades</p><p>que aquela categoria serve e representa. Antes de explanar sobre o código de ética farmacêutico,</p><p>é importante conhecer os principais objetivos de um código de ética. Segundo informações</p><p>contidas na homepage (CÓDIGO DE ÉTICA, [s.d]), são eles:</p><p>especificar os princípios de uma certa instituição e/ou profissão diante da sociedade; documentar</p><p>os direitos e deveres do profissional; dar os limites das relações que o profissional deve ter com colegas</p><p>e clientes/pacientes; explicar a importância de manter o sigilo profissional (essencial em muitos casos);</p><p>46</p><p>defender o respeito aos direitos humanos nas pesquisas científicas e na relação cotidiana; delimitar</p><p>e especificar o uso de publicidade em cada área; falar sobre a remuneração e os direitos trabalhistas.</p><p>5.1 Código de Ética Farmacêutica: direitos e deveres</p><p>Os principais direitos e deveres dos farmacêuticos são regulamentados pela resolução no 596</p><p>de 21 de fevereiro de 2014 (BRASIL, 2014). Os principais direitos são:</p><p>• exigir dos profissionais da saúde o cumprimento da legislação sanitária;</p><p>• recusar-se a exercer sua atividade sem remuneração adequada (piso salarial estabelecido</p><p>pelo sindicato dos farmacêuticos de cada estado) ou condições dignas de trabalho;</p><p>• negar-se a realizar atos farmacêuticos que sejam contrários à ciência e ética;</p><p>• ser valorizado e respeitado;</p><p>• ter acesso a todas as informações técnicas relacionadas ao seu local de trabalho;</p><p>• decidir, justificadamente, sobre o aviamento ou não de qualquer prescrição (BRASIL,</p><p>2014; CÓDIGO DE ÉTICA, [s.d.]).</p><p>Os deveres estabelecidos pela mesma resolução citada anteriormente são:</p><p>• comunicar os fatos que caracterizem descumprimento da moral, ética e/ou leis;</p><p>• respeitar o direito de decisão do usuário sobre seu tratamento;</p><p>• preservar os legítimos interesses da profissão e da saúde,</p><p>• respeitar a vida;</p><p>• contribuir para a promoção, proteção e recuperação da saúde (BRASIL, 2014; CÓDIGO DE</p><p>ÉTICA, [s.d.]);</p><p>5.2 Leis: Proibições, infrações e sanções legais</p><p>O farmacêutico não pode exercer simultaneamente a Medicina, devido à ligação das</p><p>condições clínicas apresentadas pelo paciente e o local que fornece insumos para tais condições.</p><p>Ainda, deve honrar o juramento feito na conclusão do curso sobre a profissão: negar socorro ou</p><p>informações/orientações ao paciente, por motivo nenhum; submete-se a condições comerciais</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>A média salarial do farmacêutico no Brasil é R$ 3 472,00, sendo o menor piso R$ 1687,00</p><p>em Roraima e o maior R$ 4400,00 no distrito Federal, média de 40 horas semanais, podendo</p><p>haver variações nos diferentes ramos da profissão.</p><p>47</p><p>somente, comprometendo assim sua atividade profissional,</p><p>nunca. É importante ressaltar</p><p>que não se deve aceitar remuneração abaixo do piso salarial estabelecido pelo Sindicato dos</p><p>farmacêuticos do estado onde atua.</p><p>Algumas atitudes do farmacêutico são consideradas infrações, classificadas em leves,</p><p>moderadas e graves. Alguns exemplos de infrações são:</p><p>• infração leve: aceitar receber menos que o piso salarial;</p><p>• infração moderada: exercer simultaneamente a Medicina;</p><p>• infração grave: usar documentos, atestados, certidões ou declarações falsas ou alteradas</p><p>(Brasil, 2014).</p><p>Veja a seguir as penalidades que os farmacêuticos podem receber dependendo do grau de</p><p>infração.</p><p>Quadro 2 - Penalidades x grau de infração</p><p>Fonte: CÓDIGO DE ÉTICA, [s.d.]</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra uma tabela com 5 colunas: a primeira contém os três níveis</p><p>de infração (leve, moderada, grave); as seguintes (1ª falta, 2ª falta, 3ª falta e reincidência) contém</p><p>as penalidades em cada caso.</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>48</p><p>Nesta unidade, você teve a oportunidade de:</p><p>• conhecer a história da profissão farmacêutica;</p><p>• informar-se sobre as diversas áreas de atuação;</p><p>• saber mais sobre a prescrição farmacêutica;</p><p>• conhecer os Conselhos da classe;</p><p>• saber sobre o código de ética farmacêutico.</p><p>PARA RESUMIR</p><p>ANDRADE, L.B. O papel do farmacêutico no âmbito hospitalar. Recife, 2015. 26 f.</p><p>Monografia (Pós-graduação Latu Sensu)- Centro de Capacitação Educacional, Instituto</p><p>Nacional de Ensino Superior e Pesquisa.</p><p>ARAÚJO, R. G.; ALMEIDA, S. M. Farmácia clínica na Unidade Terapia Intensiva. Pharmacia</p><p>Brasileira – nov/dez, 2008.</p><p>BERNSTEIN P. L. O Poder do Ouro. Rio de Janeiro: Campus, 2001.</p><p>BRASIL. Lei nº 3.820, de 11 de novembro de 1960. Cria o Conselho Federal e os Conselhos</p><p>Regionais de Farmácia, e dá outras providências. Brasília,11 de novembro de 1960.</p><p>BRASIL. Lei 9.649 de 27 de Maio de 1998. Dispõe sobre a organização da Presidência da</p><p>República e dos Ministérios, e dá outras providências. Brasília, 1998a. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9649cons.htm. Acesso em: 7 mar. 2020</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde/SNVS. Portaria n°344 de 12 de maio de 1998. Aprova o</p><p>Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial.</p><p>Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 31 de dez. de 1998b.</p><p>BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Resolução CNE/CP no 2, de 19 de fevereiro</p><p>de 2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de licenciatura, de graduação</p><p>plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior. Brasília, 4 de</p><p>março de 2002.</p><p>BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução do CFF nº 572, de 25 de abril de</p><p>2013. Dispõe sobre a regulamentação das especialidades farmacêuticas, por linhas de</p><p>atuação, Diário Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília 25 de abr. 2013a.</p><p>BRASIL. Conselho Federal de Farmácia. Resolução nº 586 de 29 de agosto de</p><p>2013. Regula a prescrição farmacêutica e dá outras providências. Brasília, 4 de</p><p>março de 2013b. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/noticias/</p><p>Resolu%C3%A7%C3%A3o586_13.pdf. Acesso em: 25 de mar. 2020.</p><p>BRASIL. Resolução no 596 de 21 de fevereiro de 2014. Dispõe sobre o Código de Ética</p><p>Farmacêutica, o Código de Processo Ético, e estabelece as infrações e regras de aplicação</p><p>das sanções disciplinares aos farmacêuticos. Brasília, 25 de março de 2014a. Disponível</p><p>em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/C%C3%B3digo%20de%20Etica%2003fev2014.</p><p>pdf. Acesso em: 25 mar. 2020.</p><p>BRASIL. Resolução 13.021, de 08 de agosto de 2014. Dispõe sobre o exercício e a</p><p>fiscalização das atividades farmacêuticas. Diário Oficial da República Federativa do</p><p>Brasil. Brasília 31 de ago. 2014b.</p><p>BRASIL. Resolução 660, de 28 de setembro de 2018. Aprova o Regulamento Eleitoral</p><p>para os Conselhos Federal e Regionais de Farmácia e dá outras providências. Diário</p><p>Oficial da República Federativa do Brasil. Brasília, 3 out. 2018.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>BURLAGE, H.M.et al. Fundamental principles and process of pharmacy. New York:</p><p>McGraw Hill, 1944.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA (CFF). História da profissão farmacêutica. Disponível</p><p>em: http://www.cff.org.br/pagina.php?id=19&menu=1&titulo=Hist%C3%B3ria. Acesso</p><p>em: 9 mar. 2020.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA (CFF). Missão, metas e objetivos do</p><p>Conselho Federal de Farmácia. Disponível em: http://www.cff.org.br/pagina.</p><p>php?id=19&menu=1&titulo=Hist%C3%B3ria. Acesso em 9 mar. 2020</p><p>CÓDIGO DE ÉTICA. Código de Ética. [s.d.]. Disponível em: http://codigo-de-etica.info/.</p><p>Acesso em: 5 mar.2020.</p><p>CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DE MINAS GERAIS (CRF/MG). Competências dos</p><p>CRF no Brasil. Rev. Do. Farm. 2011. Disponível em: https://www.crfmg.org.br/site/</p><p>Institucional/ Competencias. Acesso em 6 mar. 2020</p><p>CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO RIO GRANDE DO SUL (CRF/RS). Sedes do</p><p>Conselho Federal de Farmácia do Rio Grande do Sul. Disponível em: https://crfrs.org.</p><p>br/. Acesso em: 6 mar. 2020</p><p>CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DE SÃO PAULO (CRF/SP). Estou me mudando</p><p>de estado, o que faço?. Disponível em: http://www.crfsp.org.br/103-orientacao-</p><p>farmaceutica/sngpc/10125-perguntas-fre quentes.html. Acesso em: 7 mar. 2020.</p><p>FILHO, J.R.; BATISTA L.M. Perfil da atenção farmacêutica nas farmácias comerciais no</p><p>município de João Pessoa-PB. Rev. Braz. J. Pharm, v.3, n.92, p. 137-141, 2011.</p><p>GOMES-JÚNIOR, M.S. ABC da Farmácia. São Paulo: Org.Andrei, 1988.</p><p>HOBSBAWM, E.J. En Angleterre: Révolution industrielle et vie matérielle des classes</p><p>populares. Annales. Histoire, Sciences Sociales, v.17, n.6, p.1047-1061,1962.</p><p>HORN, E.; JACOBI, J. The critical care clinical pharmacist: evolution of an essential team</p><p>member. Crit Care Med. v. 34, n.3, p. 46-51, mar 2006.</p><p>INSTITUTO DE CIÊNCIA, TECNOLOGIA E QUALIDADE. Carreira do farmacêutico</p><p>na farmácia magistral. ©2016. Disponível em: https://www.ictq.com.br/guia-de-</p><p>carreiras/507-farmaceutico-magistral. Acesso em 04 mar.2020.</p><p>LEONARDI, E. 16 passos para montar um consultório farmacêutico. ICQT 2020. Disponível</p><p>em: https://www.ictq.com.br/farmacia-clinica/496-a-montagem-de-um-consultorio-</p><p>farmaceutico. Acesso em 9 mar. 2020.</p><p>LEONARDI, E. Resolução 586/13, sobre prescrição farmacêutica, comentada. ICQT.</p><p>Disponível em: https://www.ictq.com.br/varejo-farmaceutico/833-resolucao-586-13-</p><p>sobre-prescricao-farmaceutica-comentada. Acesso em 8 de mar. 2020.</p><p>LEONARDI, E.; MATOS, J. As tendências para as farmácias em 2020. ICQT 2020.</p><p>Disponível em: https://www.ictq.com.br/varejo-farmaceutico/1079-as-tendencias-</p><p>para-as-farmacias-em-2020. Acesso em 7 mar. 2020.</p><p>LISBOA, L. P. Ética Geral e Profissional em Contabilidade. 2ed. São Paulo: Atlas S.A, 1997.</p><p>LYRA, D.P.J et al. Impact of pharmaceutical care interventions in the identification and</p><p>resolution of drug-related problems and on quality of life in a group of elderly out</p><p>patients. Ther Clin Risk Manag. v.3, n.6, p. 1- 10, 2007.</p><p>MACIULEVICIUS, P. O que é a Prescrição Farmacêutica? Veja aqui as 10 perguntas</p><p>mais frequentes. CRF/MS 2013. Disponível em: https://www.crfms.org.br/noticias/</p><p>prescricao-farmaceutica/2471-o-que-e-a-prescrica o-farmaceutica-veja-aqui-as-10-</p><p>perguntas-mais-frequentes. Acesso em: 8 mar. 2020.</p><p>OLIVEIRA-JÚNIOR, J. C. Responsabilidade técnica em farmácias e demais empresas do</p><p>ramo: a quem compete fiscalizar, Vigilância Sanitária ou Conselho Regional de Farmácia?</p><p>JusBrasil, 2014. 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Através</p><p>da Lei nº 3.829 de novembro de 1960, foi que esses fatores foram normatizados, com</p><p>auxilio dos líderes do governo nacional. A partir desta lei, foram criados os Conselhos</p><p>da profissão: Conselho Federal de Farmácia (CFF) e os Conselhos Regionais de Farmácia</p><p>(CRFs). A estas entidades estão atribuídas personalidades jurídicas e públicas, possuindo</p><p>autonomia administrativa e financeira nas decisões que regem a profissão farmacêutica</p><p>no Brasil.</p><p>Bons estudos!</p><p>55</p><p>1. NORMAS PARA O EXERCÍCIO DA PROFISSÃO</p><p>FARMACÊUTICA</p><p>Os Conselhos de Farmácia representam os interesses individuais e principalmente coletivos</p><p>gerais da profissão farmacêutica, e têm por intuito assegurar os serviços prestados a toda</p><p>população, e claro zelando sempre pelos princípios éticos e disciplinares.</p><p>O decreto nº 85.878 (BRASIL, 1981), de 7 de abril de 1981, foi fundamental para o detalhamento</p><p>e especificações da profissão, ele “estabelece normas para execução da Lei anteriormente citada,</p><p>sobre o exercício da profissão de farmacêutico, e dá outras providências”.</p><p>No artigo 1º são descritas as “atribuições privativas dos profissionais farmacêuticos”, ou</p><p>seja, estabelece um conjunto de normas laborais e funcionais para o exercício, de maneira que o</p><p>cumprimento por profissional não habilitado é passível de aplicação de multa e até cassação de</p><p>licença, por exercício ilegal. Neste caso, para os registrados em outros conselhos.</p><p>Como exemplo, temos o ocorrido, em fevereiro do ano de 2019, em Vitória, no estado do</p><p>Espírito Santo. Uma farmacêutica foi acusada de inúmeras fraudes ao ser descoberta, quando</p><p>apresentou um falso diploma ao Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo. Entre outras</p><p>alegações, ela foi acusada de descarte irregular de medicamentos, venda de medicamentos</p><p>controlados sem apresentação de receituário médico, medicamentos vencidos ou com</p><p>vencimentos violados.</p><p>Este caso foi percebido principalmente pelo fato de que o diploma foi expedido na cidade</p><p>de Brasília – Distrito Federal, mas a instituição de ensino estava situada na cidade de Blumenau</p><p>– Santa Catarina. Com isto, o Conselho a denunciou à polícia local, que a investiga por crimes de</p><p>tráfico de drogas, exercício ilegal da profissão, falsidade ideológica, uso de documentos falsos e</p><p>crimes contra as relações de consumo e, com isto, pode ser condenada a até 33 anos de prisão.</p><p>Neste caso, podemos perceber a importância e veracidade da lei, e da atuação do respectivo</p><p>conselho de classe.</p><p>Ainda quanto ao artigo 1º do Decreto nº 85.878 de 1981 (BRASIL, 1981), o Inciso I infere sobre o</p><p>“desempenho das funções de dispensação ou manipulação de formas magistrais e farmacopeicas,</p><p>quando a serviço do público em geral ou mesmo de natureza privada”. O farmacêutico é um</p><p>profissional capacitado dentro de suas diretrizes curriculares da graduação para tais funções. A</p><p>assistência farmacêutica tem, em seu ciclo, a dispensação, mas, a partir da atenção farmacêutica,</p><p>o ato de dispensação passou a ter outra conotação: que excede um simples ato de entregar o</p><p>medicamento ao paciente.</p><p>56</p><p>A partir do ano de 1990, essa terminologia foi utilizada pela primeira vez para descrever</p><p>um conjunto de atividades focado na orientação ao paciente e promoção do uso racional de</p><p>medicamentos, estabelecendo-se uma relação direta com o paciente. Tudo isto com interesse</p><p>voltado para o paciente e assegurando uma farmacoterapia correta, podendo assim melhorar a</p><p>adesão e até mesmo a eficácia do tratamento.</p><p>Esse princípio nos relembra as antigas boticas, onde eram preparados os medicamentos</p><p>e comercializados. Este cenário foi modificado após as guerras e a revolução industrial. A</p><p>concentração das responsabilidades do preparo das formulações nas indústrias gerou insatisfação,</p><p>óbvia, dos farmacêuticos; e os distanciou do paciente e da participação na equipe multidisciplinar.</p><p>Somente após os movimentos profissionais e da abertura para participação na área hospitalar,</p><p>em 1980, foi que essa prática voltou a emergir.</p><p>Figura 1 - Manipulação de medicamentos</p><p>Fonte: STOCK-ASSO, Shutterstock, 2020</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra instrumentos das antigas boticas: uma tigela branca com um</p><p>pilão, um livro antigo aberto e uma balança tradicional ao fundo, em cima de uma mesa de madeira.</p><p>Ainda com base no Inciso I (BRASIL, 1981), vale ressaltar a importância dos conhecimentos</p><p>farmacotécnicos e das boas práticas de fabricação adquiridos pelo farmacêutico. A grande</p><p>vantagem em torno disto é o caráter individualizado das produções, destinadas a um individuo</p><p>com necessidades específicas, as quais são obtidas através da aplicação dos métodos de atenção</p><p>farmacêutica. Percebe o quanto as áreas são interligadas e dependentes?</p><p>Vamos exemplificar. Imagine pacientes que possuem restrições como intolerância à lactose,</p><p>alérgicos a corantes ou flavorizantes, entre outros, podendo ser crianças, adultos ou até mesmo</p><p>os idosos, que necessitam utilizar algum medicamento por via oral. Para estes pacientes, a</p><p>prescrição e a manipulação das fórmulas precisa ser restrita e extremamente individualizada, ou</p><p>seja, a atuação do farmacêutico é imprescindível para a manipulação segura, desde o começo até</p><p>o final do tratamento farmacológico.</p><p>57</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>Ainda referente às atividades privativas, o Inciso II (BRASIL, 1981) nos esclarece quanto ao</p><p>assessoramento e a responsabilidade técnica em estabelecimentos industriais, laboratórios,</p><p>depósitos entre outros.</p><p>Está descrito que qualquer indústria farmacêutica que fabrique produtos com ação terapêutica,</p><p>anestésica ou que sejam substâncias utilizadas para fins de diagnóstico, ou ainda que possam</p><p>causar qualquer tipo de dependência, seja psíquica ou física, deve ter sua responsabilidade</p><p>técnica assumida por profissional farmacêutico.</p><p>Ainda explicita que “órgãos, laboratórios, setores ou estabelecimentos farmacêuticos em que</p><p>se executem controle e/ou inspeção de qualidade, análise prévia, análise de controle e análise</p><p>fiscal de produtos que tenham destinação terapêutica, anestésica ou auxiliar de diagnósticos ou</p><p>capazes de determinar dependência física ou psíquica” (BRASIL, 1981) também devem atender à</p><p>mesma responsabilidade.</p><p>Além das atividades acima, alguns laboratórios e estabelecimentos realizam as mesmas</p><p>atividades citadas, além de processos de extração e purificação, com relação a produtos</p><p>de origem vegetal, animal e mineral. Estes locais também devem obrigatoriamente possuir</p><p>farmacêutico. Qualquer lugar que armazene produtos farmacêuticos, os chamados depósitos,</p><p>também necessita de responsabilidade técnica e isto é atividade privativa do farmacêutico.</p><p>O Inciso III nos destaca como atividade privativa do farmacêutico na “fiscalização profissional</p><p>sanitária e técnica de empresas, estabelecimentos, setores, fórmulas, produtos, processos e</p><p>métodos farmacêuticos ou de natureza farmacêutica”</p><p>(BRASIL, 1981). Isso nos reforça que</p><p>a fiscalização de atividades farmacêuticas, sejam elas quais forem, deve ser realizada por</p><p>farmacêutico também. Portanto, ao se deparar com a fiscalização em seu ambiente de trabalho,</p><p>se certifique de que ela está ocorrendo da maneira correta, como assegurada na legislação.</p><p>58</p><p>Com isto, o Inciso IV reitera que elaborar laudos técnicos e realizar perícia técnico-legais nestas</p><p>características acima citadas também é de propriedade do farmacêutico (BRASIL, 1981).</p><p>Em relação aos cursos de graduação em Farmácia, a legislação cita em seu Inciso V que as</p><p>disciplinas/matérias específicas só podem ser ministradas por profissionais farmacêuticos, assim</p><p>como os demais ”serviços e funções, não especificados no presente Decreto, que se situem no</p><p>domínio de capacitação técnico-científica profissional.” (BRASIL, 1981).</p><p>Além destas, o farmacêutico possui outras atribuições, mas estas, que não são atividades</p><p>exclusivas ou privativas, são tratadas no artigo 2º. Ainda referente à direção, assessoramento, a</p><p>responsabilidade técnica e o desempenho de funções especializadas o Inciso I determina que:</p><p>a) órgãos, empresas, estabelecimentos, laboratórios ou setores em que se preparem ou fabriquem</p><p>produtos biológicos, imunoterápicos, soros, vacinas, alérgenos, ototerápicos para uso humano e</p><p>veterinário, bem como de derivados do sangue.</p><p>b) órgãos ou laboratórios de análises clínicas ou de saúde pública ou seus departamentos</p><p>especializados</p><p>c) estabelecimentos industriais em que se fabriquem produtos farmacêuticos para uso veterinário;</p><p>d) estabelecimentos industriais em que se fabriquem insumos farmacêuticos para uso humano ou</p><p>veterinário e insumos para produtos dietéticos e cosméticos com indicação terapêutica;</p><p>e) estabelecimentos industriais em que se fabriquem produtos saneantes, inseticidas, raticidas,</p><p>antissépticos e desinfetantes;</p><p>f) estabelecimentos industriais ou instituições governamentais onde sejam produzidos</p><p>radioisótopos ou radiofármacos para uso em diagnóstico e terapêutica;</p><p>g) estabelecimentos industriais, instituições governamentais ou laboratórios especializados em</p><p>que se fabriquem conjuntos de reativos ou de reagentes destinados às diferentes análises auxiliares</p><p>do diagnóstico médico;</p><p>h) estabelecimentos industriais em que se fabriquem produtos cosméticos sem indicação</p><p>terapêutica e produtos dietéticos e alimentares;</p><p>i) órgãos, laboratórios ou estabelecimentos em que se pratiquem exames de caráter químico-</p><p>toxicológico, químico-bromatológico, químico-farmacêutico, biológicos, microbiológicos, fitoquímicos</p><p>e sanitários;</p><p>j) controle, pesquisa e perícia da poluição atmosférica e tratamento dos despejos industriais. (Art.</p><p>2ª, Inciso I, Decreto 85.878/81)</p><p>Quando se trata destes produtos acima citados, alguns outros profissionais de saúde como</p><p>biomédicos, químicos e médicos veterinários, por exemplo, podem assumir de acordo com suas</p><p>modalidades e conhecimentos profissionais.</p><p>Os artigos 3º ao 6º esclarecem que o disposto neste Decreto (BRASIL, 1981) abrange tanto</p><p>a atuação da profissão farmacêutica no âmbito público da União, Estados, Distrito Federal,</p><p>59</p><p>Territórios, Municípios e seus respectivos órgãos, como nos locais particulares.</p><p>Continua esclarecendo que as dúvidas sobre a profissão devem ser resolvidas através</p><p>do Conselho Federal, cabendo a ele também a função de expedir resoluções para melhor</p><p>compreensão das atividades do profissional farmacêutico (BRASIL, 1981).</p><p>1.1 Lei nº 13.021/2014– exercício e fiscalização das atividades</p><p>farmacêuticas</p><p>A Lei nº 13.021 de 8 de agosto de 2014 (BRASIL, 2014) rege as ações e serviços de assistência</p><p>farmacêutica como um todo, desde pessoas físicas a jurídicas, pública ou no âmbito privado. Traz</p><p>definições referentes a termos importantes da área da farmácia, como assistência farmacêutica,</p><p>farmácias e drogarias, entre outras características importantes para o funcionamento dos</p><p>estabelecimentos farmacêuticos. Além de ressaltar que o farmacêutico fiscal não pode exercer</p><p>qualquer outra atividade na área da farmácia como, por exemplo, responsabilidades técnicas,</p><p>propriedade ou participar de sociedades em estabelecimentos farmacêuticos.</p><p>Figura 2 - Atendimento em farmácias</p><p>Fonte: SYDA PRODUCTIONS, Shutterstock, 2020</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra uma mulher de jaleco branco (aparenta se ruma farmacêutica)</p><p>segurando um frasco de remédio marrom de tampa branca, como se estivesse mostrando ele a</p><p>um homem que está ao seu lado (aparenta ser um cliente). Ao fundo, há prateleiras de farmácia</p><p>cheias de produtos.</p><p>1.2 Obrigatoriedades do farmacêutico no exercício de suas atividades</p><p>Durante o exercício de suas atividades o farmacêutico possui obrigações perante a lei. Entre</p><p>elas está a organização do cadastro com todos os dados, sejam ele técnicos e/ou científicos, de</p><p>todos os produtos (com finalidades terapêuticas), disponíveis no estabelecimento em que ele</p><p>atua, assim como a manutenção destes dados atualizados.</p><p>60</p><p>Em casos de ocorrência de relatos de efeitos colaterais, reações adversas, intoxicações (sejam</p><p>aquelas que ocorreram sem causa específica ou não), dependências a fármacos, o farmacêutico</p><p>deve notificar os profissionais de saúde em geral, a vigilância sanitária, o laboratório responsável</p><p>pela produção do respectivo medicamento e registrar as notificações para gerar dados de</p><p>farmacovigilância.</p><p>A geração de protocolos para vigilância farmacológica e sua aplicação da maneira correta</p><p>também é responsabilidade do farmacêutico com intuito de assegurar o uso racional de</p><p>medicamentos, promover sua segurança e sua eficácia terapêutica.</p><p>O acompanhamento farmaco-terapêutico do paciente em redes públicas e privadas deve ser</p><p>realizado em hospitais, com pacientes internos ou não, em ambulatórios, etc.</p><p>É importante estabelecer um perfil da farmacoterapia do paciente, de forma sistemática,</p><p>elaborando ou adaptando fichas farmaco-terapêuticas, preenchendo-as corretamente, obtendo</p><p>informações do paciente e interpretando os dados colhidos, com intuito de auxiliar a melhoria do</p><p>tratamento farmacológico.</p><p>Diante disto, a orientação do farmacêutico para o paciente deve ser realizada para esclarecer</p><p>a relação entre risco e benefício existente em todos os tratamentos, como deve ser feita a</p><p>conservação dos produtos, a correta utilização, as possíveis interações, entre outros fatores que</p><p>podem ser cruciais para a excelência do tratamento farmacológico</p><p>1.3 Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT)</p><p>Antes de falarmos sobre a Assistência Farmacêutica, vamos entender um pouco sobre a CFT</p><p>(Comissão de Farmácia e Terapêutica). O principal objetivo desta comissão é auxiliar o responsável</p><p>pela gestão e toda a equipe de saúde em assuntos que se referiram a medicamentos.</p><p>A seleção e elaboração do Formulário Terapêutico é uma das principais funções da CFT, assim</p><p>como assessorar a gerência farmacêutica a realizar a validação dos protocolos terapêuticos,</p><p>formular materiais com função informativa sobre os medicamentos e desenvolver ações com</p><p>objetivos educativos, além de apoiar e também promover educação continuada.</p><p>O que é o Formulário Terapêutico? De acordo com o Ministério da Saúde (BRASIL, 2002):</p><p>É um documento com informações científicas sobre os medicamentos selecionados, extraídas de</p><p>fontes seguras e atualizadas, visando subsidiar os profissionais de saúde na prescrição e dispensação</p><p>dos medicamentos da RME (Relação de Medicamentos Essenciais).</p><p>61</p><p>2 ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA (AF)</p><p>As informações descritas na lei do exercício da profissão farmacêutica são iniciadas com</p><p>definições referentes à Assistência Farmacêutica. Mas, de fato, qual a definição desse termo?</p><p>Um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde, tanto individual</p><p>como coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial e visando o acesso e seu uso racional.</p><p>Este conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem</p><p>como a sua seleção, programação,</p><p>aquisição, distribuição, dispensação, garantia da qualidade dos</p><p>produtos e serviços, acompanhamento e avaliação de sua utilização, na perspectiva da obtenção de</p><p>resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população (BRASIL, 1981).</p><p>A AF é um dos setores com maior representatividade no setor financeiro das Secretarias</p><p>Estaduais de Saúde, e estes valores só tendem a crescer, pois acompanham o aumento da</p><p>demanda por medicamentos.</p><p>O maior problema relativo a estes gastos, fora a necessidade, é claro, é a falta de gerenciamento</p><p>efetivo, causando desperdícios ou, até mesmo, compras realizadas de maneiras equivocadas.</p><p>Gerenciar de forma eficiente é essencial para um bom desenvolvimento de todos os processos</p><p>que envolvem a Assistência Farmacêutica.</p><p>São essenciais os planejamentos, execuções, mas também o acompanhamento e avaliação</p><p>constante dos resultados. Esta avaliação é que trará informações sobre necessidade de mudanças,</p><p>de formulação de novos planejamentos e consequentemente novos resultados e novas avaliações.</p><p>Todas as ações da Assistência Farmacêutica devem ter fundamento nos princípios do artigo</p><p>198 da Constituição Federal e na Lei Orgânica de Saúde, através do artigo 7º, além de outros</p><p>preceitos que são próprios da AF. (BRASIL, 2016; BRASIL, 1990)</p><p>Entre eles, estão os princípios de universalidade, equidade, integralidade e descentralização.</p><p>Regionalização e hierarquia dos serviços de saúde, sendo assim, cada esfera do governo tem</p><p>uma responsabilidade específica quando se trata do fornecimento de medicamentos, e materiais</p><p>relacionados à saúde.</p><p>Entre os outros fatores inclusos estão à multidisciplinaridade (imprescindível para um bom</p><p>desenvolvimento da saúde), intersetorialidade e a garantia de qualidade do que for ofertado.</p><p>Estruturação, organização e normalização dos serviços farmacêuticos também são imprescindíveis.</p><p>2.1 Ciclo da Assistência Farmacêutica</p><p>O ciclo da assistência farmacêutica é o condutor, o principal norteador da AF. É chamado de</p><p>ciclo, pois as ações são coordenadas de forma sistemática e uma influencia e depende da outra.</p><p>62</p><p>O ciclo é composto por:</p><p>• seleção;</p><p>• programação;</p><p>• aquisição;</p><p>• armazenamento;</p><p>• distribuição;</p><p>• e utilização</p><p>Vamos entender cada um deles e como se dá a participação do farmacêutico nestas ações.</p><p>SELEÇÃO: é o início do ciclo, fase em que se selecionam quais medicamentos serão</p><p>disponibilizados naquele local específico de atendimento. A seleção tem por finalidade principal</p><p>a racionalização do uso, além de direcionar as politicas farmacêuticas e identificar quais os</p><p>medicamentos necessários pra cada região de atendimento.</p><p>No SUS, esta seleção é realizada a partir da RENAME (Relação Nacional de Medicamentos</p><p>Essenciais), que é uma referência nacional; mas a dimensão territorial e diversidade do Brasil</p><p>fazem com que sejam necessários alguns medicamentos específicos por região. Algumas</p><p>doenças estão presentes em alguns estados brasileiros e em outros não, por isto medicamentos</p><p>específicos para essas doenças só precisarão ser selecionados para as regiões que apresentem</p><p>casos da doença. Isto é denominado de características epidemiológicas.</p><p>Para que um medicamento seja selecionado, para que ele esteja presente na RENAME, é</p><p>preciso que sua atividade terapêutica seja comprovada por meio de evidências técnicas e</p><p>científicas, referentes à sua segurança, eficácia, efetividade e também se é viável economicamente</p><p>para a compra, de acordo com o financiamento existente.</p><p>Outro fator importante é a condição relacionada à estabilidade do medicamento, ou seja,</p><p>como ele deve ser armazenado, transportado e dispensado para que sua qualidade seja mantida.</p><p>Para que seja excluído, adicionado ou substituído algum medicamento nas relações, são</p><p>necessárias comprovações quanto à vantagem do novo produto em relação ao antigo, com</p><p>base no custo-efetividade. O custo-efetividade é uma característica para racionalizar os recursos</p><p>financeiros. Deve ser analisado não somente o custo da compra, ou seja, da aquisição, mas</p><p>também os custos com armazenamento, distribuição, por exemplo.</p><p>PROGRAMAÇÃO: nesta etapa são analisadas e programadas todas as etapas do processo,</p><p>para que seja garantido que o medicamento estará disponível na quantidade e no momento</p><p>63</p><p>necessário. Para isso, são analisados o histórico de utilização dos produtos, a capacidade e, claro,</p><p>os dados epidemiológicos do local.</p><p>Toda a programação deve ser realizada com base na RENAME e na REMUME. Nestas os</p><p>nomes dos medicamentos estão organizado por nome genérico, ou seja, o nome do principio</p><p>ativo, forma farmacêutica e apresentação.</p><p>AQUISIÇÃO: É o momento de compra do medicamento. São realizados procedimentos</p><p>administrativos, técnicos e jurídicos para as compras dos produtos.</p><p>Neste momento, se responde aos questionamentos sobre o que comprar, para quem, o modo</p><p>de realizar essa aquisição, quanto, quando e como realizar a compra.</p><p>Quando se fala de compra de materiais médico-hospitalares, esta é realizada basicamente</p><p>por licitações e pregão eletrônico. No caso dos medicamentos, ao vencer a licitação ou o pregão,</p><p>a empresa vencedora deve apresentar:</p><p>• atestado de Capacidade Técnico-Operacional;</p><p>• autorização de funcionamento da empresa (AFE) e, em caso de medicamentos controla-</p><p>dos, a autorização especial (AE);</p><p>• alvará ou licença sanitária;</p><p>• certificado de registro do produto;</p><p>• certidão de regularidade técnica.</p><p>ARMAZENAMENTO: Esta etapa envolve desde o recebimento, a estocagem, conservação,</p><p>toda a parte de controle de estoque e o mecanismo de entrega que garanta a preservação do</p><p>medicamento, até as características microbiológicas e físico-químicas.</p><p>Para que seja garantida a qualidade do medicamento, é importante a obtenção de um</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>A RENAME é uma relação nacional elaborada de acordo com as necessidades do país.</p><p>Os estados selecionam os medicamentos formulando sua REME (Relação Estadual de</p><p>Medicamentos Essenciais) e os municípios a REMUME (Relação Municipal de Medicamentos</p><p>Essenciais) de acordo com suas necessidades epidemiológicas.</p><p>64</p><p>certificado emitido pela ANVISA (Agência de Vigilância Sanitária) e regulamentado pela RDC</p><p>(Resolução de Diretoria Colegiada) nº 39/2013 denominado: Certificado de Boas Práticas de</p><p>Armazenagem.</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>A obtenção deste certificado só acontece após toda uma verificação do cumprimento de todos</p><p>os requisitos descritos no Manual de Boas Práticas de Fabricação e Boas Práticas de Distribuição</p><p>e/ou Armazenagem.</p><p>Padronizar todas as operações é um dos pontos principais e isso ocorre através da criação e</p><p>cumprimento dos POP’s (Procedimentos Operacionais Padrão). Esses procedimentos descrevem</p><p>como deve ser realizada a limpeza, como os produtos devem ser recebidos, a temperatura e</p><p>umidade do ambiente de armazenamento, o controle do estoque e de características como lotes</p><p>e prazos de validade, o que fazer em caso de violação, ou produtos com alguma alteração de</p><p>embalagem, entre outras informações importantes.</p><p>O local onde todo este processo acontece é a Central de Abastecimento Farmacêutico, mais</p><p>conhecido através da sua sigla: CAF. Por que este nome? Na CAF, são armazenados somente</p><p>medicamentos. Os demais produtos, como materiais hospitalares, são acondicionados em</p><p>depósitos, almoxarifados, estoques, etc.</p><p>DISTRIBUIÇÃO/DISPENSAÇÃO: esta fase do ciclo é quando ocorre o suprimento das unidades</p><p>de saúde com os medicamentos necessários, na quantidade e no tempo oportuno, e com boa</p><p>qualidade, para que seja então dispensado à população por meio de prescrição.</p><p>Para que a distribuição seja efetiva, é necessário que haja rapidez no processo, cumprindo</p><p>o cronograma estabelecido e não deixando que haja atrasos e/ou falta de abastecimento. Além</p><p>disto, é necessário garantir que os produtos irão chegar ao seu destino com as especificações</p><p>65</p><p>corretas, e com a qualidade necessária para serem consumidos pelos usuários.</p><p>O monitoramento desta distribuição deve</p><p>ser bem realizado. O sistema precisa ser</p><p>alimentado frequentemente com todos os dados referentes aos produtos: lote, validade, em</p><p>qual lugar do estoque ele esta armazenado, quantidades em estoque, quantidades distribuídas,</p><p>demanda, estoque máximo e mínimo, ou seja, qualquer informação que seja pertinente para um</p><p>gerenciamento eficaz.</p><p>Figura 3 - Controle de produtos farmacêuticos</p><p>Fonte: DOTSHOCK, Shutterstock, 2020</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra um farmacêutico, corretamente paramentado com jaleco branco,</p><p>fazendo conferencia de produtos, por meio de anotações em um papel, em um setor de armazenamento</p><p>de produtos de saúde, visto a presença de estantes de ferro e caixas de papelão ao fundo.</p><p>O cuidado no transporte dos produtos é essencial, ele deve garantir que as condições</p><p>necessárias para manutenção da estabilidade do produto sejam ofertadas. Deve ser avaliada a</p><p>distância das rotas, o tempo de entrega e os custos desse processo, que foram avaliados lá no</p><p>começo do ciclo e precisam ser cumpridos.</p><p>Exemplificando, os veículos que transportam os medicamentos necessitam de isolamento</p><p>térmico em sua estrutura, para garantir a estabilidade, principalmente em casos de viagens mais</p><p>longas e principalmente de produtos termolábeis como vacinas, soros, insulinas, colírios, entre</p><p>outros. Os motoristas precisam de treinamento quanto à responsabilidade e cuidados com a</p><p>carga que estão transportando; manuseio; e principalmente quanto ao alto custo e os cuidados</p><p>para que fatores externos não prejudiquem o andamento da entrega e a qualidade do produto.</p><p>A periodicidade da distribuição também é outro ponto importante. Programar os intervalos</p><p>de tempo entre elas, pois quanto menor o intervalo, maior o custo com o vai e vem, muitas vezes</p><p>desnecessário, quando se tem uma programação de distribuição bem realizada e efetiva.</p><p>66</p><p>É preciso que o farmacêutico avalie o processo como um todo, por exemplo: a entrega mensal</p><p>dos medicamentos faz com que o acompanhamento e o gerenciamento sejam mais eficazes, mas, em</p><p>compensação, o custo é mais alto, portanto mais onerosos ao sistema financeiro dedicado a este setor.</p><p>A distribuição ocorre por etapas, iniciando com uma solicitação de medicamentos por parte</p><p>do farmacêutico responsável por aquela unidade de saúde, visando a suprir as demandas por um</p><p>tempo especifico. A solicitação é analisada e, quando aprovada, é repassada para que o pedido</p><p>seja processado. Neste momento, o pedido é realizado e uma copia dele é enviado para a unidade</p><p>que pediu os produtos; e a outra segue para que o pedido seja preparado e liberado.</p><p>Todo pedido deve ser preparado por uma pessoa e conferido por outra, para que sejam</p><p>minimizados os erros. A conferência é realizada e o responsável assina as vias, atestando que</p><p>tudo o que foi pedido está sendo enviado. Para finalizar, o registro de saída é dado e tudo fica</p><p>arquivado por um período de cinco anos.</p><p>Quanto ao processo de dispensação, precisamos primeiramente definir este termo. Dispensar</p><p>significa entregar ao paciente medicamentos, seja um ou mais, de acordo com uma prescrição</p><p>realizada por profissional autorizado para tal. Porém, não é somente isto: na dispensação, o</p><p>farmacêutico deve informar, orientar o paciente quanto ao uso correto do medicamento, horários,</p><p>dose, se pode consumir com alimento ou precisa de jejum, interação com outros possíveis</p><p>medicamentos já utilizados pelo paciente, as principais reações adversas e efeitos colaterais, bem</p><p>como a maneira de conservar o medicamento em casa, entre outas orientações particulares a</p><p>cada caso (do paciente ou até mesmo do medicamento).</p><p>É importante que o ato da dispensação auxilie a educação em saúde do paciente: que ele</p><p>compreenda o que está utilizando e como fazê-lo de forma correta e racional, cumprir a prescrição</p><p>médica; ou seja precisa fornecer produtos com qualidade, na quantidade e concentrações</p><p>corretas, além de prestar atenção farmacêutica.</p><p>Alguns aspectos legais regem este processo, segue abaixo uma listagem para consulta.</p><p>Estabelecimento de critérios para prescrição e dispensação dos medicamentos genéricos</p><p>Resolução ANVISA – MS - n° 10/01.</p><p>Estabelecimento de competências dos farmacêuticos e intercambialidade para os</p><p>medicamentos genéricos</p><p>Resolução CFF- n° 349/00.</p><p>Lei dos Medicamentos Genéricos</p><p>67</p><p>Lei n° 9787/99.</p><p>Regulamentação do fracionamento de medicamentos</p><p>Portaria SVS n° 99/93.</p><p>Estabelecimento de requisitos para dispensação em Farmácias e Drogarias</p><p>Resolução ANVISA - MS, n° 328/99.</p><p>Estabelecimento de critérios para medicamentos sob controle especial</p><p>Portaria SVS n° 344/98.</p><p>Boas Práticas de Dispensação de Medicamentos</p><p>Resolução C.F.F. n° 357/01.</p><p>De acordo com o Ministério da Saúde (2002), os principais aspectos que precisam ser</p><p>abordados na orientação ao paciente são indicação, contraindicação, via de administração,</p><p>duração de tratamento, dosagem, posologia, cumprimento dos horários, influência dos alimentos</p><p>e interações com outros medicamentos.</p><p>As atividades de responsabilidade do farmacêutico neste processo são importantíssimas para</p><p>o desenvolver eficaz do tratamento. A análise da prescrição médica é essencial para identificação</p><p>de possíveis erros, desde o preenchimento ou de escolha de medicamento inadequada para</p><p>determinados casos.</p><p>O Manual de Assistência Farmacêutica do Distrito Federal (DISTRITO FEDERAL, [s.d.]) destaca</p><p>como pontos a serem observados na prescrição:</p><p>Legibilidade e ausência de rasuras;</p><p>Identificação correta do paciente;</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>Todas as legislações estão disponíveis para consulta online. É extremamente importante que</p><p>você conheça o que regulamenta sua profissão para que trabalhe dentro das permissões.</p><p>Assim como conhecer o seu código de ética que dispõe, além de outras informações, os seus</p><p>direitos e deveres quanto farmacêutico.</p><p>68</p><p>Local e data de emissão da prescrição;</p><p>Identificação do medicamento, concentração, dosagem, forma farmacêutica e quantidade;</p><p>Informações de posologia e duração do tratamento;</p><p>Identificação do prescritor com número de registro no respectivo conselho e assinatura.</p><p>Manter o conhecimento quanto à atenção farmacêutica e os serviços clínicos são, de fato, um</p><p>fator que merece destaque, além do conhecimento quanto à legislação que rege a dispensação</p><p>de produtos terapêuticos.</p><p>É importante destacar que a dispensação de medicamentos de controle especial deve ser</p><p>feita pelo farmacêutico, mediante apresentação de receituário e preenchimento de notificação</p><p>de controle especial, seguindo o que determina a Portaria 344/1998 (BRASIL, 1998a). Estas devem</p><p>ser lançadas diariamente nos registros e permanecer arquivadas por um período de dois anos.</p><p>As classes devem obrigatoriamente se notificadas em seus documentos da cor específica:</p><p>• amarela:</p><p>• entorpecentes;</p><p>• azul:</p><p>• psicotrópicos;</p><p>• branca:</p><p>• retinoides de uso sistêmico e imunossupressores.</p><p>Outra classe que merece destaque é a de antimicrobianos ou mais conhecidos como</p><p>antibióticos. A dispensação destes deve ser realizada mediante apresentação de receita com</p><p>duas vias. A segunda via ficará retida e a primeira é devolvida ao paciente. Esta prescrição só tem</p><p>validade de 10 dias a contar da data em que foi realizada.</p><p>Vale ressaltar, portanto, que a assistência do farmacêutico para com o paciente não</p><p>deve finalizar neste momento. Para garantir um atendimento humanizado e um tratamento</p><p>medicamentoso seguro, é necessário um acompanhamento farmacoterapêutico eficaz e sem</p><p>interrupções.</p><p>69</p><p>Figura 4 - Atendimento ao paciente</p><p>Fonte: ISTOCK-874793774, 2020</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra uma profissional da área da saúde, usando crachá, com anotações</p><p>e uma caneta nas mãos e orientando a paciente. As duas estão sorrindo sentadas em um sofá.</p><p>2.2 Atribuição do farmacêutico na AF</p><p>O farmacêutico é um profissional de atividades cruciais no âmbito da AF, como o próprio</p><p>nome já confirma. Deve gerenciar todo o ciclo da AF, desde o momento da seleção, programação,</p><p>aquisição, armazenamento, distribuição/dispensação</p><p>de medicamentos e materiais médico-</p><p>hospitalares, para que o inicio e fim de cada processo garanta qualidade dos produtos e serviços</p><p>prestados.</p><p>O treinamento de todos os participantes em casa fase do ciclo também é de responsabilidade</p><p>do farmacêutico, e é essencial uma boa capacitação para se obter resultados satisfatórios.</p><p>Outros pontos descritos também pelo Manual de Assistência Farmacêutica do Distrito Federal</p><p>(DISTRITO FEDERAL, [s.d.]) são:</p><p>Prestar serviços clínicos farmacêuticos aos usuários, especialmente, aos que necessitem</p><p>acompanhamento constante, como os de doenças crônicas; Acompanhar e avaliar a utilização de</p><p>medicamentos pela população, para evitar usos incorretos; Educar a população e informar aos</p><p>profissionais de saúde sobre o uso racional de medicamentos, por intermédio de ações que disciplinem</p><p>a prescrição, a dispensação e o uso de medicamentos.</p><p>Portanto, é notória a importância do profissional farmacêutico nos mais diversos âmbitos</p><p>da área de saúde. Sempre com foco na atenção ao paciente, na garantia do seu bem-estar e</p><p>proporcionando o melhor do tratamento farmacoterapêutico.</p><p>70</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>71</p><p>Nesta unidade, você teve a oportunidade de:</p><p>• conhecer a lei do exercício profissional farmacêutico;</p><p>• identificar as atividades privativas do farmacêutico;</p><p>• compreender a importância do farmacêutico no ambiente de saúde;</p><p>• aprofundar seus conhecimentos sobre a assistência farmacêutica;</p><p>• estudar sobre a consulta farmacêutica e a farmácia clínica;</p><p>• identificar a função da ANVISA;</p><p>• destacar as principais funções do farmacêutico na dispensação de medicamentos.</p><p>PARA RESUMIR</p><p>APOIADORES DA ATENÇÃO BÁSICA DA SES/SP. Assistência farmacêutica na atenção básica.</p><p>São Paulo, 2009. Disponível em: <http://www.saude.sp.gov.br/resources/ses/perfil/</p><p>gestor/atencaobasica/apresentacaodeaulas/aulas/assistenciafarmaceuticanaatenc</p><p>aobasica.pdf> Acesso em: 03/02/2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Lei nº. 3.829, de novembro de 1960. Diário Oficial da</p><p>União. Brasília, 1960. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/educacao_</p><p>farmaceutica/Comissao_Ensino/Outras%20Legislacoes/Lein3820_1960.pdf. Acesso em:</p><p>06/02/2020.</p><p>______. Decreto nº 85.878, 7 de abril de 1981. Estabelece normas para execução da Lei</p><p>nº 3.820, de 11 de novembro de 1960, sobre o exercício da profissão de farmacêutico,</p><p>e dá outras providências. Diário Oficial da União. Acesso em: 06/02/2020. Disponível</p><p>em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/ Antigos/D85878.htm. Acesso em:</p><p>11 mar. 2020.</p><p>______. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO</p><p>DE 1990. Brasília, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.</p><p>htm. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Ministério da Saúde. Portaria nº. 344, de 12 de maio de 1998. Diário Oficial</p><p>da União. Brasília, 1998a. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/</p><p>svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html. Acesso em: 06/02/2020.</p><p>______. Ministério da Saúde. Portaria nº. 3.916, de 30 de outubro de 1998. Diário</p><p>Oficial da União. Brasília, 1998b. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/</p><p>portarias/3916_gm.pdf. Acesso em: 06/02/2020.</p><p>______. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. Assistência farmacêutica</p><p>na atenção básica instruções técnicas para a sua organização. Brasília, 2002.</p><p>Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd03_15.pdf>. Acesso em</p><p>02/02/2020.</p><p>______. Constituição da República Federativa do Brasil. Texto constitucional</p><p>promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações determinadas pelas Emendas</p><p>Constitucionais de Revisão nos 1 a 6/94, pelas Emendas Constitucionais nos 1/92 a</p><p>91/2016 e pelo Decreto Legislativo no 186/2008. Brasília, 2016. Disponível em: https://</p><p>www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf.</p><p>Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA – CFF. Resolução – RDC nº 585 de 29 de agosto</p><p>de 2013. Ementa: Regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico e dá outras</p><p>providências. Brasília, 2013a. Disponível em: http://www.cff.org.br/userfiles/file/</p><p>resolucoes/585.pdf. Acesso em: 06/02/2020.</p><p>______. Resolução – RDC nº 586 de 29 de agosto de 2013. Ementa: Regula a prescrição</p><p>farmacêutica e dá outras providências. Brasília, 2013b. Disponível em: http://www.cff.</p><p>org.br/userfiles/file/resolucoes/586.pdf. Acesso em: 04/02/2020.</p><p>CORADI, A. E. P. A importância do farmacêutico no ciclo da Assistência Farmacêutica.</p><p>Arquivos Brasileiros de Ciências da Saúde, v.37, n. 2, p. 62-64, Maio/Ago 2012.</p><p>DISTRITO FEDERAL. Secretaria Estadual de Saúde do Distrito Federal. Diretoria de</p><p>Assistência Farmacêutica/CATES/SAIS/SES. Manual da Assistência Farmacêutica. Brasília,</p><p>[s.d.]. Disponível em: http://www.saude.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/04/</p><p>Manual_ASSIST%C3%8ANCIA-FARMAC%C3%8AUTICA.pdf. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>UNIDADE 4</p><p>Integração</p><p>Você está na unidade Integração. Conheça aqui o que é uma equipe multiprofissional de</p><p>saúde e como o farmacêutico atua junto a outros profissionais na otimização e segurança</p><p>do tratamento do paciente. Serão apresentadas as fases da assistência farmacêutica,</p><p>passando pela atuação em hospitais e atenção básica. Serão apresentadas também</p><p>algumas residências multiprofissionais em saúde, assim como o papel do farmacêutico no</p><p>Médicos Fronteiras (MSF). A ética dentro de uma equipe multiprofissional será tratada,</p><p>para que se possa ter uma noção de que ela é primordial para ser um bom profissional.</p><p>Bons estudos!</p><p>Introdução</p><p>77</p><p>1 EQUIPE MULTIPROFISSIONAL</p><p>(MULTIDISCIPLINAR) EM SAÚDE</p><p>Muito se ouve falar em equipe multiprofissional no atendimento ao paciente, mas, na prática,</p><p>o que é uma equipe multiprofissional e como trabalham? Primeiramente, vale frisar que a</p><p>formação de uma equipe multidisciplinar traz benefícios clínicos, humanísticos e econômicos para</p><p>a instituição, além de tornar o atendimento mais efetivo e seguro para o paciente. Os profissionais</p><p>clínicos trabalham juntos desde o diagnóstico, tratamento até a recuperação do paciente, sendo</p><p>que cada etapa demanda um grupo de profissionais de diferentes áreas de atuação.</p><p>Trabalhando-se em conjunto, aumenta-se a percepção de problemas clínicos, visto que cada</p><p>um o paciente de uma forma, gerando pontos de vistas distintos, que devem ser debatidos para</p><p>se chegar a um diagnóstico e/ou melhoria do tratamento (Acioli apud PINHEIRO et. al., 2004).</p><p>1.1 Composição das equipes multiprofissionais no SUS</p><p>O SUS (Sistema único de Saúde), trabalha, em todos os seus níveis de atenção à saúde</p><p>(Atenção Primária, Secundária e Terciária), com equipes multiprofissionais, que devem atuar</p><p>juntas e sincronizadas (convivência, organização, comunicação).</p><p>Entende-se por Atenção Primária as Estratégias Saúde da Família (ESF), comumente conhecidos</p><p>como postos de saúde; Atenção Secundária as Unidades de Pronto Atendimentos (UPA), hospitais</p><p>que realizam procedimentos de média complexidade (geralmente hospitais de pequenas cidades</p><p>em que transferências para outros hospitais acontecem rotineiramente); e Atenção Terciária</p><p>os grandes hospitais, policlínicas, que realizam procedimentos de alta complexidade, aqueles</p><p>responsáveis pelos sinais vitais (SES-MG, 2019).</p><p>1.2 Farmacêuticos na equipe multiprofissional de saúde</p><p>Para que se possa entender o papel do farmacêutico na equipe multiprofissional, é necessário</p><p>compreender todo o ciclo de assistência farmacêutica e a diferença entre assistência e atenção</p><p>farmacêutica (cuidado farmacêutico).</p><p>Assistência farmacêutica abrange desde a produção do medicamento até a farmacovigilância</p><p>(após o consumo do medicamento, eventos indesejados). O cuidado farmacêutico está inserido</p><p>dentro da assistência farmacêutica, no que diz respeito à farmácia clínica, avaliação do uso</p><p>racional, reações adversas (RAM) e adesão ao tratamento, resumindo, o conjunto de ações para</p><p>tornar a farmacoterapia</p><p>do paciente mais efetiva e segura (CORRER et al., 2011). A assistência</p><p>farmacêutica pode ser melhor visualizada da seguinte maneira:</p><p>78</p><p>Figura 1 - Assistência Framacêutica</p><p>Fonte: Adaptado de Corret et al. (2011)</p><p>#PraCegoVer: imagem mostra uma representação de todas as etapas do ciclo de Assistência</p><p>Farmacêutica, enfatizando a importância do profissional em cada etapa.</p><p>2 GESTÃO TÉCNICA DA ASSISTÊNCIA</p><p>FARMACÊUTICA</p><p>Entende-se por gestão técnica da assistência farmacêutica o conjunto de atividades farmacêuticas</p><p>dependentes uma da outra com foco na qualidade, acesso e uso racional de medicamentos, ou</p><p>seja, na produção, seleção, programação, aquisição, distribuição, armazenamento e dispensação</p><p>dos medicamentos (Marin et. al., 2003 apud ACÚRCIO, 2003). Essas ações são estruturadas para dar</p><p>conta da logística do ciclo do medicamento (CORRER et. al, 2011).</p><p>79</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>2.1 Gerenciamento da Farmácia Hospitalar</p><p>Nos hospitais, é necessário que haja muita atenção e organização no estoque dos</p><p>medicamentos, visto que a falta de um deles pode ocasionar danos irreversíveis aos pacientes</p><p>(GONÇALVES et. al., 2006). Assim, é necessário treinamento contínuo da equipe, visto que os</p><p>produtos estão em constante inovação, e versões mais efetivas e seguras são lançadas a todo</p><p>momento (LANNA, 2011).</p><p>Os principais problemas na gestão de estoque da farmácia hospitalar estão relacionados com</p><p>a falta de informações para que a compra realizada seja condizente com a realidade de consumo</p><p>no hospital, visando a evitar desabastecimento do estoque e perdas por expiração da validade</p><p>dos medicamentos (BARBOSA, 2015). A seguir, serão abordadas de forma sucinta as etapas da</p><p>gestão de estoque da farmácia hospitalar.</p><p>2.2 Etapas da gestão da farmácia hospitalar</p><p>A seleção de medicamentos para a farmácia hospitalar deve ser feita para que haja no estoque</p><p>os produtos certos para o tratamento dos pacientes-alvo, ao menor custo possível, sendo que a</p><p>classificação ABC é uma ferramenta norteadora na hora da compra (SILVA, 2010). Segundo este</p><p>procedimento, os materiais de consumo podem ser divididos em três classes (VECINA-NETO</p><p>et.al.,1998):</p><p>Classe A: abriga o grupo de itens mais importantes, que correspondem a um pequeno número</p><p>de medicamentos, correspondendo a ± 80% do valor (R$) total do estoque.</p><p>Classe B: representa um grupo de itens em situação e valores intermediários entre a classe A</p><p>e C, sendo 15% do total de itens em estoque, consumindo ± 15% dos recursos financeiros.</p><p>80</p><p>Classe C: agrupa cerca de 70% (a maioria) dos itens, cuja importância em valor é pequena,</p><p>representando cerca de 20% do valor do estoque.</p><p>O processo de compras considera aspectos diversos como relacionamento com fornecedores,</p><p>negociação de preços e prazos de entregas, e planejamento de compras programadas, visando</p><p>à redução de custos e a sempre atender à demanda do hospital. É importante lembrar que, em</p><p>diferentes épocas do ano, é necessário que se dê ênfase a determinados tipos de medicamentos,</p><p>devido às características epidemiológicas de cada um dos 12 meses do ano (SILVA, 2015).</p><p>Para Baily et al. (2000), a “compra é vista pela organização como uma atividade de</p><p>importância estratégica considerável. Sua finalidade é suprir materiais ou serviços em qualidades</p><p>e quantidades certas, a preço adequado, e no momento preciso.”.</p><p>Quanto ao armazenamento,</p><p>é necessário que haja uma área que possua armários e prateleiras em aço para armazenamento</p><p>e acondicionamento dos medicamentos. A disposição dos medicamentos obedece à ordem alfabética</p><p>dentro das classificações: injetáveis, comprimidos, soluções e suspensões, cremes, pomadas, géis e</p><p>termolábeis acondicionados em geladeira. A sala de armazenamento possui sistema de ar condicionado</p><p>com temperatura e umidade controladas diariamente (BARBOSA, 2015).</p><p>Para se ter sucesso no atendimento ao paciente, o sistema de distribuição de medicamentos</p><p>(que é a saída do medicamento da farmácia para que seja feita a medicação do paciente) deve</p><p>ser:</p><p>• racional,</p><p>• efetivo,</p><p>• econômico,</p><p>• seguro,</p><p>• e deve estar de acordo com o esquema terapêutico prescrito.</p><p>Os objetivos desse sistema são reduzir os erros de medicação, racionalizar a distribuição,</p><p>aumentar o controle, reduzir os custos dos medicamentos e aumentar a segurança para os</p><p>pacientes (CAVALLINI et.al., 2002).</p><p>3 FARMACÊUTICOS NA ASSISTÊNCIA AO PACIENTE</p><p>Ações assistenciais ao paciente incluem: dispensação especializada, acompanhamento da</p><p>adesão ao tratamento, conciliação medicamentosa, gestão de caso, atendimento à demanda</p><p>espontânea e participação em grupos operativo-educativos (GOMES et. al., 2010; SOLER et. al.,</p><p>81</p><p>2010). Segundo Correr et al. (2011), essas ações integradas à equipe multiprofissional contribuem</p><p>decisivamente para a melhoria da qualidade da atenção à saúde.</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>3.1 Dispensação</p><p>A dispensação de medicamentos é o ato farmacêutico associado à entrega e dispensação dos</p><p>mesmos, mediante prescrição médica, no qual o profissional farmacêutico analisa a prescrição,</p><p>repassa informações necessárias para o bom uso dos medicamentos e, em alguns casos, prepara</p><p>as doses a serem administradas (ORTIZ, 2004).</p><p>Está mais ligada, entretanto, ao simples ato de entregar (distribuição) o medicamento para o</p><p>consumo (seja em âmbito hospitalar ou não), do que à assistência ao paciente propriamente dita</p><p>(PELLEGRINO et. al., 2009), o que é uma condição preocupante, que muitos profissionais buscam</p><p>a cada dia mudar dentro de seu ambiente de trabalho.</p><p>3.2 Dispensação de medicamentos em hospitais</p><p>Há basicamente dois tipos de dispensação de medicamentos bem definidos nos hospitais:</p><p>a dispensação intra-hospitalar e a dispensação extra-hospitalar ou ambulatorial. A dispensação</p><p>intra-hospitalar é direcionada ao paciente hospitalizado, e a outra é destinada aos pacientes que</p><p>são atendidos nos ambulatórios do hospital (Molero et. al, apud BONAL, 2002; OPAS/OMS, 1997).</p><p>A dispensação intra-hospitalar difere da dispensação ambulatorial e da dispensação realizada</p><p>na farmácia comercial ou pública, porque, além da prescrição ser direcionada ao farmacêutico,</p><p>o medicamento não é entregue diretamente ao paciente, mas à equipe de enfermagem, e esta é</p><p>responsável pela administração ao paciente dos medicamentos prescritos pelo médico e aviados</p><p>pelo farmacêutico (Luiza et. al apud FUCHS et. al., 2004).</p><p>82</p><p>4 CUIDADO FARMACÊUTICO</p><p>Como demonstrado na imagem Assistência Farmacêutica (no início da unidade), quando o</p><p>paciente entra em contato com o medicamento, começa a sua função de atenção farmacêutica</p><p>(cuidado farmacêutico), que pode ser exercida em diversas áreas do SUS. Atenção farmacêutica,</p><p>hoje denominada Cuidado farmacêutico, é definida, pela OMS, como: “provisão responsável</p><p>do tratamento farmacológico com o objetivo de alcançar resultados satisfatórios na saúde,</p><p>melhorando a qualidade de vida do paciente.” (OMS, 1994). Ainda, esse conceito foi ampliado,</p><p>em uma reunião da OMS, em que o papel do farmacêutico-chave foi estipulado como “estender o</p><p>caráter de beneficiário da Atenção Farmacêutica ao público, em seu conjunto e reconhecer, deste</p><p>modo, o farmacêutico como dispensador da atenção sanitária que pode participar, ativamente, na</p><p>prevenção das doenças e da promoção da saúde, junto com outros membros da equipe sanitária”</p><p>(OMS, 1994). A partir desse momento, o olhar se volta para o paciente e o medicamento deixa de</p><p>ser o centro da atenção na farmacoterapia.</p><p>4.1 Atribuições do farmacêutico e outros profissionais de saúde no</p><p>amparo ao paciente</p><p>Ainda sobre a imagem Assistência Farmacêutica, observa-se como se dá o cuidado</p><p>farmacêutico. É importante que os conhecimentos técnicos científicos sejam amparados também</p><p>pela experiência clínica e pelas vontades e condições do paciente. Há algumas orientações a</p><p>serem seguidas para um maior êxito do cuidado, entretanto cada profissional se adapta de uma</p><p>maneira, conforme o cenário em que atua,</p><p>se atenção primária, secundária ou terciária; saúde</p><p>suplementar (particular) e localização onde trabalha, visto que diferentes lugares têm pacientes</p><p>com características diferentes (CORRER et. al. 2011).</p><p>O atendimento ao paciente é feito de forma individualizada, seguindo o fluxo:</p><p>• coletar e organizar dados do paciente, por meio de entrevista clínica;</p><p>• abrir uma ficha para registro do atendimento, que será arquivada no prontuário do pa-</p><p>ciente;</p><p>• revisar os medicamentos em uso;</p><p>• identificar problemas relacionados à farmacoterapia, presentes e potenciais do paciente;</p><p>pela abordagem clínica (conversa com o paciente).</p><p>Depois de todas essas informações, é necessário elaborar um plano de cuidado em conjunto</p><p>com o paciente, que pode incluir intervenções farmacêuticas e/ou encaminhamento a outros</p><p>profissionais. Por fim, o farmacêutico deve agendar o retorno, a fim de avaliar os resultados</p><p>de suas condutas. Todo processo é reiniciado no surgimento de novos problemas, queixas ou</p><p>83</p><p>mudanças significativas no tratamento (CIPOLLE et. al., 2000; CORRER et. al, 2011).</p><p>4.2 Como identificar problemas relacionados à farmacoterapia</p><p>Segundo o Consenso Brasileiro de Atenção Farmacêutica (ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA</p><p>DE SAÚDE, 2002), problemas relacionados à farmacoterapia são definidos como, “problema de</p><p>saúde, relacionado ou suspeito de estar relacionado à farmacoterapia, que interfere ou pode</p><p>interferir nos resultados terapêuticos e na qualidade de vida do usuário”.</p><p>Os problemas relacionados à farmacoterapia são diversos e, muitas vezes, não são tão fáceis</p><p>de identificar. Segundo Cipolle et. al (2004), os problemas podem ir desde erros da prescrição</p><p>até a falta de adesão do paciente ao tratamento. A identificação desses problemas está para os</p><p>farmacêuticos, assim como o diagnóstico está para medicina.</p><p>4.3 Assistência farmacêutica para o SUS: é viável economicamente?</p><p>Em uma entrevista dada ao CFF (Conselho Federal de Farmácia) (CFF, 2017), Rossana Spigel,</p><p>conselheira do CFF pelo estado do Acre, ressalta com dados estatísticos sobre a participação do</p><p>farmacêutico atuantes no SUS:</p><p>Os dados estatísticos sobre a atuação do farmacêutico no SUS são visíveis, mesmo que se fale</p><p>pouco sobre isso. Até 24,2% das internações hospitalares de urgência ou emergência são provocadas</p><p>por problemas relacionados a medicamentos e cerca de 70% podem ser evitadas. Considerando esses</p><p>dados, somente em 2013, o país poderia ter economizado até R$ 2,5 bilhões com hospitalizações de</p><p>urgência e emergência. Segundo dados do Departamento de Informática do SUS (Datasus) nesse ano</p><p>foram registradas 3,2 milhões de internações de urgência e emergência associadas a problemas com</p><p>medicamentos no país, que custaram R$3,6 bilhões aos cofres públicos (considerando o custo médio</p><p>de R$1,13 mil por internação pelo SUS). O montante que poderia ser economizado corresponde a 70%</p><p>desse valor.</p><p>4.4 Residência multiprofissional em saúde: o que é e como entrar?</p><p>Residência multiprofissional em saúde é considerada como pós-graduações latu sensu</p><p>(Especialização), voltada para a educação em serviço (saúde do Idosos, saúde da criança, Urgência</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>O PRF (problema relacionado à farmacoterapia) nem sempre é o mais evidente. O paciente</p><p>pode não tomar o medicamento e nem por isso o PRF será falta de adesão. É preciso</p><p>investigar o porquê: são reações adversas? Medicamento inacessível economicamente?</p><p>Converse sempre abertamente com o paciente.</p><p>84</p><p>e Emergência e etc) e destinada às categorias que integram a área de saúde. É um programa de</p><p>cooperação intersetorial para favorecer a inserção qualificada de profissionais de saúde em áreas</p><p>prioritárias, principalmente do SUS (SOUZA, 2017).</p><p>As residências multiprofissionais foram criadas partir da promulgação da Lei n° 11.129 de</p><p>2005 (BRASIL, 2005) e abrange as seguintes profissões da área de saúde:</p><p>• Biomedicina,</p><p>• Ciências Biológicas,</p><p>• Educação Física,</p><p>• Enfermagem,</p><p>• Farmácia,</p><p>• Fisioterapia,</p><p>• Fonoaudiologia,</p><p>• Medicina Veterinária,</p><p>• Nutrição,</p><p>• Odontologia,</p><p>• Psicologia,</p><p>• Serviço Social,</p><p>• Terapia Ocupacional (BRASIL, 2005; BRASIL, 1998).</p><p>Ainda sobre a criação da Residência multiprofissional, foi instituída, em 2009, a Comissão</p><p>Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde – CNRMS, por meio da Portaria Interministerial</p><p>nº 1.077, de 12 de novembro de 2009, é coordenada conjuntamente pelo Ministério da Saúde e</p><p>do Ministério da Educação (BRASIL, 2009).</p><p>Para ser um residente, é necessário fazer o processo seletivo da instituição que oferece a</p><p>residência em saúde, e os requisitos mínimos são (BRASIL, 1988):</p><p>• ter diploma de graduação ou comprovante equivalente em cursos de na área da saúde</p><p>citados acima,</p><p>• estar inscrito no conselho de classe,</p><p>• dedicar-se exclusivamente ao curso, sendo proibido possuir qualquer vínculo empregatício.</p><p>Assim, é oferecida uma bolsa no valor de R$ 3 340,00, para uma carga horária de 60 horas/</p><p>85</p><p>semanais (o mais recente reajuste ocorreu em 2016), segundo a Portaria Interministerial no 3, de</p><p>16 de março de 2016 (BRASIL, 2016). Vale ressaltar que a carga horária é dividida entre atividades</p><p>teóricas e práticas, agregando uma grande experiência na área.</p><p>São diversas as residências multiprofissionais oferecidas ao profissional de saúde no Brasil.</p><p>Na figura Residência multiprofissional em saúde, é possível observar quais são as principais</p><p>especialidades oferecidas nos anos de 2019 e 2020, em diversos locais do Brasil, com vagas para</p><p>farmacêuticos:</p><p>Figura 2 - Residência multiprofissional em saúde</p><p>Fonte: Elaborado pela autora, 2020.</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em duas colunas: na primeira, estão</p><p>listadas as instituições que oferecem os cursos de residência; na segunda, os cursos oferecidos</p><p>por cada uma dessas instituições.</p><p>4.5 Atuação do farmacêutico junto aos pacientes HIV positivo no SUS</p><p>Sabe-se que o SUS oferece o coquetel medicamentoso, quando um indivíduo é diagnosticado</p><p>como HIV positivo. Esse coquetel é a combinação de três fármacos (geralmente): Lamivudina</p><p>86</p><p>(3TC), Tenofovir (TDF) e Efavirenz (EFZ) (BRASIL, 2013). A combinação de múltiplos medicamentos</p><p>leva a uma maior possibilidade de interações medicamentosas e reações adversas.</p><p>Devido à complexidade do tratamento aos portadores de HIV/AIDS, faz-se necessária a</p><p>atuação de uma equipe interdisciplinar no processo de adesão à terapia, e essa equipe deve</p><p>ser composta por profissionais de diferentes áreas multiprofissionais, como enfermeiros,</p><p>médicos, nutricionistas, psicólogos e farmacêuticos. A integralidade de uma equipe de saúde é</p><p>voltada para a quebra de um paradigma existente há muito tempo, de que os profissionais de</p><p>saúde são divididos em categorias, no qual cada um exerce a sua função, não havendo troca de</p><p>conhecimentos e experiências, o que pode dificultar o trabalho em busca da qualidade de vida</p><p>dos pacientes. Hoje em dia, existem os Serviços de Assistência Especializada, os SAEs, em HIV/</p><p>AIDS, em muitos estados do Brasil, o que proporciona um trabalho em equipe e uma comunicação</p><p>maior entre os profissionais (BORGES et. al. 2012).</p><p>O cuidado farmacêutico é responsável pela interação entre farmacêutico e paciente, que</p><p>se caracteriza como um conjunto de ações do profissional farmacêutico, dentro do âmbito da</p><p>assistência farmacêutica, que engloba as atitudes mais coerentes do profissional para promoção</p><p>à saúde de forma integrada com toda a equipe multidisciplinar. A prática se faz importante para</p><p>garantir o contato direto do farmacêutico com o usuário do medicamento, em que o objetivo</p><p>principal se baseia na promoção de uma farmacoterapia racional para o paciente ter melhor</p><p>qualidade de vida (NEVES; PINA, 2016).</p><p>O farmacêutico, nos SAEs, tem a função de planejar, controlar e armazenar os medicamentos,</p><p>propiciando o uso racional, controlando os desperdícios e preenchendo formulários com todas</p><p>as informações relativas aos medicamentos. Assim, a sua atuação vai desde o planejamento da</p><p>terapia</p><p>ideal para o paciente, até o convencimento do mesmo de que a terapia lhe trará sucesso</p><p>se a prescrição for cumprida da maneira correta (SILVA, 2007).</p><p>Rodrigues et. al. (2015) atestam que o atendimento farmacêutico individualizado contribui</p><p>para um melhor tratamento de doenças de caráter crônico, dentre essas, incluem-se atualmente</p><p>os portadores de HIV/AIDS. Além disso, os pacientes também se mostraram satisfeitos com o</p><p>serviço de cuidado farmacêutico realizado.</p><p>Quanto ao trabalho do farmacêutico com os pacientes portadores de HIV/AIDS, Caetano et.</p><p>al. (2017), chegaram à conclusão de que:</p><p>Atenção Farmacêutica (Cuidado Farmacêutico) ajuda no processo de adesão a terapia</p><p>antirretroviral, pois o farmacêutico pode fornecer informações mais precisas sobre os medicamentos,</p><p>bem como efeitos e interações com fármacos de outras classes farmacológicas. Apesar de ser</p><p>considerado um profissional importante para este processo, a presença de farmacêuticos nos SAE´s</p><p>ou em outros estabelecimentos de saúde que trabalham com portadores de HIV/AIDS, ainda é</p><p>insatisfatória sendo explicada pela falta de apoio ou incentivo a estes profissionais para exercerem</p><p>87</p><p>este tipo de trabalho, e também pelo fato do Cuidado Farmacêutico ainda ser uma prática recente no</p><p>Brasil, apresentando com isso algumas falhas na execução. Para mudar este cenário, a união da classe</p><p>farmacêutica é fundamental para o avanço dos trabalhos no SUS e em todos os serviços de saúde,</p><p>recuperando a importância da atuação do farmacêutico.</p><p>4.6 Farmacêuticos na Organização Médicos sem Fronteiras (MSF)</p><p>O acesso a medicamentos essenciais é uma das principais preocupações do MSF. Segundo</p><p>informações da homepage dessa organização, o farmacêutico que atua no Médicos sem Fronteiras</p><p>é responsável por:</p><p>• garantir que as práticas farmacêuticas estejam de acordo com as regras locais;</p><p>• responsabilizar-se pela gestão de medicamentos e equipamentos médicos, por seu arma-</p><p>zenamento e pedidos e por sua distribuição para projetos de MSF;</p><p>• supervisionar o pessoal que trata da gestão diária de produtos;</p><p>• garantir boas práticas de distribuição;</p><p>• trabalha em parceria com médicos, enfermeiros e outros profissionais locais e estrangei-</p><p>ros (equipe multidisciplinar).</p><p>Para ingressar na equipe de MSF, os requisitos básicos do profissional farmacêutico são:</p><p>• diploma de graduação em farmácia;</p><p>• experiência profissional significativa e comprovada em gestão de estoque e distribuição</p><p>de medicamentos, preparação de pedidos, controle de recepção, acompanhamento de</p><p>medicamentos controlados, inventários, acompanhamento de consumação, distribuição</p><p>para clínicas, centros de saúde e hospitais;</p><p>• experiência prática e conhecimento teórico sobre medicamentos voltados para as doen-</p><p>ças mais comumente tratadas por MSF: malária, cólera, tuberculose, hepatite, leishma-</p><p>niose, tripanossomíase, febre tifoide, febre hemorrágica, HIV/Aids e doenças sexualmen-</p><p>te transmissíveis;</p><p>• experiência em treinamento e supervisão de funcionários;</p><p>• senso de organização;</p><p>• disponibilidade e vontade de trabalhar fora do Brasil, por períodos de 6 a 12 meses;</p><p>• disponibilidade e habilidade para trabalhar e viver em condições básicas;</p><p>• ótimos conhecimentos de francês e/ou inglês;</p><p>• conhecimentos em informática;</p><p>88</p><p>• motivação pelo trabalho humanitário;</p><p>• flexibilidade, fácil adaptação, sociabilidade, facilidade e interesse pelo trabalho em equipe;</p><p>• capacidade de administrar o estresse, grande carga de trabalho e condições de trabalho,</p><p>por vezes, difíceis;</p><p>• estar em boas condições de saúde física e psíquica;</p><p>• Comprometimento com os objetivos e valores de MSF.</p><p>O MSF busca profissionais que queiram construir uma carreira na organização, e, por isso,</p><p>proporciona a possibilidade de atuação em países e contextos diferentes por longos períodos.</p><p>A organização também oferece diversos treinamentos ao longo da carreira para membros da</p><p>equipe. O recrutamento passa pelas seguintes fases:</p><p>Análise do currículo:</p><p>Análise do currículo somente em inglês ou francês. MSF-Brasil retorna somente aos candidatos</p><p>selecionados para pré-entrevista. Este retorno poderá ser dado entre duas semanas e um mês.</p><p>Pré-entrevista:</p><p>Se aprovado na primeira etapa, a pré-entrevista é realizada por telefone, a fim de investigar</p><p>sobre a experiência do candidato e sua motivação. Parte da entrevista será em uma das línguas</p><p>exigidas.</p><p>Atividade presencial:</p><p>Se aprovado na segunda etapa, o candidato é convidado para uma atividade presencial de</p><p>recrutamento. Essa última etapa, que dura um dia, consiste em uma reunião informativa sobre a</p><p>organização, entrevista individual, um teste vivencial e um teste de língua estrangeira realizados</p><p>no escritório do MSF no Rio de Janeiro.</p><p>Período de espera:</p><p>Os aprovados na seleção entram num período de espera que tem duração variável, até ser</p><p>encontrado o posto de trabalho mais adequado para seu perfil. A duração padrão da participação</p><p>em um projeto é de aproximadamente nove meses.</p><p>Os eventuais custos (transporte, acomodação, alimentação, etc.) para participar da seleção</p><p>ficam a cargo do candidato. É importante ressaltar que a disponibilidade do profissional</p><p>selecionado deverá estar de acordo sua própria demanda, no entanto, ele não escolhe, a princípio,</p><p>em que país irá trabalhar.</p><p>89</p><p>5 CONDUTAS ÉTICAS ESSENCIAIS AOS</p><p>PROFISSIONAIS DE SAÚDE</p><p>A ética na saúde, de uma forma mais abrangente, diz respeito aos princípios que motivam</p><p>e orientam o comportamento humano a respeito de normas e valores de uma realidade social.</p><p>Pode ser compreendida como o conjunto de regras e preceitos morais de um indivíduo. E</p><p>isso deve ser aplicado à avaliação de méritos, riscos e preocupações sociais das atividades de</p><p>promoção do bem-estar dos pacientes, enquanto leva em consideração a moral vigente em um</p><p>determinado tempo e local (QUEIROZ et.al. 2005).</p><p>5.1 Necessidade e desafios para a ética em saúde no cotidiano</p><p>Atualmente, conhecer e aplicar a ética na saúde é fundamental, uma vez que a humanização</p><p>nos mais variados campos é amplamente debatida e estimulada na sociedade. É fundamental</p><p>respeitar as necessidades individuais e conquistar a confiança de forma natural e gradual. Isso</p><p>fica mais fácil quando se esclarecem os procedimentos, se debatem as dúvidas e se transmite</p><p>segurança com um linguajar compreensível e adequado para quem não é especialista na área.</p><p>Embora já tenha havido evolução nesse aspecto, há ainda diversos obstáculos que devem ser</p><p>superados. Só assim pode-se garantir uma ética eficiente e aplicada pelos profissionais de saúde,</p><p>inclusive para uma atuação mais efetiva em uma equipe multidisciplinar.</p><p>O desafio começa na formação acadêmica, que mostra a importância de uma abordagem</p><p>com caráter humanizado. Os cargos de chefia em hospitais, clínicas e postos de saúde precisam</p><p>estimular essa prática, de forma a incentivar a atuação holística dos profissionais.</p><p>5.2 Como agir de forma ética na área da saúde</p><p>Há vários aspectos que envolvem a ética em saúde: pacientes, familiares, colegas de trabalho.</p><p>Alguns pontos importantes sobre a ética em saúde serão debatidos a seguir:</p><p>a) Respeito à equipe multidisciplinar: é importante, para manter a ética na saúde, prezar</p><p>por um bom relacionamento com os demais participantes da equipe multidisciplinar. Embora</p><p>isso pareça simples em um primeiro momento, os desafios do dia a dia e a própria rotina podem</p><p>tornar essa tarefa mais árdua. É fundamental nunca desacreditar dos integrantes do grupo e</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>Farmacêuticos e outros profissionais das equipes multiprofissionais que compõem a</p><p>organização Médicos Sem Fronteiras, deixam seus relatos na página Diário de Bordo. Veja o</p><p>que a Farmacêutica Milena Radaelli relatou em fevereiro de 2020 (RADAELLI, 2020).</p><p>90</p><p>valorizar sempre que possível o trabalho de todos. Quando houver algum equívoco, é essencial</p><p>que ele seja debatido e discutido antes de trazer algum engano moral perante os pacientes.</p><p>b) Manter o sigilo do paciente: manter o sigilo</p><p>80</p><p>4 Cuidado Farmacêutico ....................................................................................................................... 82</p><p>5 Condutas éticas essenciais aos profissionais de saúde .....................................................................89</p><p>PARA RESUMIR ..............................................................................................................................91</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................92</p><p>Esta obra apresenta a profissão farmacêutica e todos os aspectos relacionados a</p><p>ela.</p><p>A primeira unidade vai mostrar como se deu a evolução da história da profissão</p><p>desde os primórdios. A história do medicamento também será abordada nesta unidade</p><p>além de mostrar os aspectos científicos e sociais quanto à história da Farmácia.</p><p>A revolução farmacológica do século XX será abordada mencionando os filósofos e</p><p>médicos Hipócrates e Galeno. Você também entenderá como se iniciou a utilização</p><p>de drogas e especiarias, o surgimento das boticas e dos boticários e a formação da</p><p>profissão farmacêutica.</p><p>Na sequência, a unidade 2 vai expandir o assunto sobre a profissão e apresentará</p><p>desde os primeiros relatos até os dias atuais, bem como suas principais atribuições</p><p>e o papel dos Conselhos de classe no amparo ao profissional. Serão abordadas as</p><p>principais áreas de atuação do farmacêutico e a inserção do profissional no mercado,</p><p>assim como as mudanças na atualidade e perspectivas para a profissão. O código de</p><p>ética será apresentado de forma precisa e objetiva, porque é necessário que haja um</p><p>olhar crítico sobre ele, visto que a ética é o principal pilar de toda profissão.</p><p>Conheça nesta terceira unidade as informações sobre as atividades do</p><p>farmacêutico. O profissional farmacêutico é habilitado para prestar serviços na área</p><p>da saúde em todos os níveis de atenção (básica, média e alta complexidade) tanto no</p><p>âmbito privado quanto no público. Aqui serão descritos os Conselhos que normatizam</p><p>a profissão, assim como as leis existentes</p><p>Na quarta unidade, o livro abordará a integração das profissões. Conheça aqui</p><p>o que é uma equipe multiprofissional de saúde e como o farmacêutico atua junto a</p><p>outros profissionais na otimização e segurança do tratamento do paciente.Serão</p><p>apresentadas as fases da assistência farmacêutica, passando pela atuação em hospitais</p><p>e atenção básica. Serão apresentadas também algumas residências multiprofissionais</p><p>em saúde, assim como o papel do farmacêutico no Médicos Sem Fronteiras (MSF). A</p><p>ética dentro de uma equipe multiprofissional será abordada a fim de apresentar uma</p><p>noção de que ela é primordial para ser um bom profissional.</p><p>PREFÁCIO</p><p>UNIDADE 1</p><p>Noções gerais da profissão: noções e</p><p>histórico</p><p>Olá,</p><p>Você está na unidade Noções gerais da profissão: noções e histórico. Conheça aqui os</p><p>conceitos básicos da profissão farmacêutica e como se deu a evolução da sua história,</p><p>desde os primeiros passos. Além disso, conheça também a história do medicamento,</p><p>bem como alguns aspectos científicos e sociais quanto à história da farmácia. Hipócrates</p><p>e Galeno não podem deixar de ser citados quando se fala da farmácia, assim como a</p><p>revolução farmacológica do século XX. Você também entenderá como começou a</p><p>utilização de drogas e especiarias, o surgimento das boticas e dos boticários, além da</p><p>formação da profissão farmacêutica.</p><p>Bons estudos!</p><p>Introdução</p><p>11</p><p>1. NOÇÕES GERAIS DA PROFISSÃO: DEFINIÇÃO E</p><p>HISTÓRICO</p><p>A Farmácia tem uma história milenar, tão antiga quanto a história da humanidade. Trata-se</p><p>de uma ciência e de uma profissão que vem evoluindo incansavelmente com o decorrer dos anos,</p><p>dos séculos. O farmacêutico, primariamente chamado de boticário, é o profissional formado</p><p>através de ensino superior e autorizado por lei a exercer atividades farmacêuticas.</p><p>1.1 Definição do termo “Farmácia”</p><p>Quando dizemos que a farmácia se trata de uma ciência e de uma profissão, ressaltamos o</p><p>fato de que sua definição pode estar voltada tanto para o cunho técnico-científico, que é a área</p><p>da pesquisa e estudo da relação entre medicamento e organismo vivo, associada em termos de</p><p>conteúdos à Biologia, Medicina e Química; quanto para o cunho da área profissional dedicada</p><p>à preparação do medicamento, e atendimento direto ao paciente, antes ocorrido somente</p><p>durante a dispensação, hoje já há outras áreas que crescem muito como o farmacêutico clínico e</p><p>o farmacêutico esteta.</p><p>A relação entre o farmacêutico, a sociedade, e o medicamento tem mudado muito. Visto</p><p>anteriormente como o profissional do medicamento, a profissão do farmacêutico tem avançado</p><p>para outros campos, fazendo com que o novo farmacêutico necessite ter formação e habilidades</p><p>para diversas outras atividades, que não colocam o medicamento como o centro do seu trabalho,</p><p>mas sim a qualidade de vida e o bem-estar do paciente.</p><p>Assim, o medicamento deixa de ser visto apenas como um formulação, composição e técnicas</p><p>para seu desenvolvimento/preparação ou algo que necessita de uma dispensação correta mediante</p><p>legislação, para tornar-se um produto de saúde que deve ser prescrito ao paciente quando</p><p>necessário, sempre prezando pelo uso racional de medicamentos; mas que também deve ser</p><p>retirado quando o paciente apresentar efeitos colaterais ou reações adversas, ou simplesmente</p><p>quando ele não necessitar mais daquela substância para manutenção de seu organismo.</p><p>1.2 História da Farmácia</p><p>Em meados do século XVI a.C., um documento egípcio referenciou mais de 7000 substâncias</p><p>com alguma atividade medicinal e, entre elas, mais de 800 fórmulas. Esse documento é conhecido</p><p>como Papiro de Ebers e faz parte, com destaque, do início da história da farmácia.</p><p>Outro importante destaque é Dioscórides, que aparece no século I d.C. e é considerado</p><p>o fundador da farmacognosia (ramo da farmacologia que estuda os ativos naturais). Ele</p><p>catalogou mais de 600 plantas com ativos medicinais e indicou como elas devem ser escolhidas</p><p>12</p><p>e armazenadas, sendo também o responsável por descrever a fonte de uma das principais</p><p>substâncias usadas para dor, o ácido acetilsalicílico, que é extraído da planta popularmente</p><p>chamada de salgueiro-branco.</p><p>Ao falar sobre a história da Farmácia, é imprescindível também falar sobre o pai da farmácia,</p><p>o grego Claudius Galeno. Um homem de um conhecimento que abrangia áreas como filosofia,</p><p>matemática, lógica, astronomia, medicina, agricultura e literatura foi um marco para a Farmácia,</p><p>por seus preparos e ensinamentos, que se perpetuaram por toda a Idade Média e influenciaram</p><p>a medicina e a farmácia por mais de 1000 anos. Galeno investigava suas suposições na área, as</p><p>ciências médicas, através de minuciosos exames em animais (macacos), pois o uso de corpos</p><p>humanos para dissecação era proibido.</p><p>Seus estudos eram inspirados pelas pesquisas do pai da medicina, Hipócrates (460-370</p><p>a.C.), que foi o responsável por apresentar as primeiras explicações da relação entre a saúde e a</p><p>doença, com a teoria dos humores corpóreos.</p><p>E o que seria essa teoria? A explicação da saúde e da doença, sem estar atrelada à</p><p>sobrenaturalidade, começou na filosofia grega em busca da explicação da constituição da</p><p>natureza. Em 535 a.C., Alcméon foi o primeiro a descrever a saúde como sendo um equilíbrio</p><p>do corpo entre as qualidades opostas, como o quente e o frio, úmido e seco, amargo e doce; e a</p><p>doença seria um predomínio de uma delas - essa ideia surgiu a partir da ideia de Pitágoras sobre</p><p>o equilíbrio baseado em proporções numéricas.</p><p>A partir daí, Hipócrates seguiu a teoria do equilíbrio entre os humores, que seriam eles:</p><p>sangue procedente do coração, fleuma do cérebro, bílis amarela do fígado e bílis negra do baço;</p><p>tendo cada um deles uma característica:</p><p>• sangue:</p><p>• quente e úmido</p><p>• fleuma:</p><p>• fria e úmida</p><p>• bílis amarela:</p><p>• quente e seca</p><p>• bílis negra:</p><p>• fria e seca</p><p>Desta forma, os indivíduos eram classificados como fleumáticos, sanguíneos,</p><p>é um princípio ético indispensável — mesmo</p><p>que qualquer conversa ou revelação tenha a melhor das intenções, como, por exemplo, citar</p><p>casos que estimulem outros pacientes. Por isso, é muito importante tomar cuidado para não</p><p>divulgar quaisquer informações no atendimento. Da mesma maneira, devem-se manter em</p><p>segredo todas as informações clínicas ou que sejam provenientes de estudos compartilhados e</p><p>debatidos pela equipe multidisciplinar. A regra vale mesmo que os dados tenham sido obtidos em</p><p>discussões, prontuários, relatos e outros.</p><p>c) Cuidado na relação com o paciente: profissionais de saúde devem ser cautelosos ao fazer</p><p>aproximações emocionais com o público. É preciso estabelecer uma separação clara entre o</p><p>que é profissional e o que é um sentimento de amizade ou coleguismo. Deve-se utilizar uma</p><p>sinalização de distinção e se valer, por exemplo, de instrumentos como o tratamento pela</p><p>titulação profissional, do uso constante de jaleco ou uniforme, e até do próprio comportamento.</p><p>Todos esses aspectos são bastante úteis nesse cenário.</p><p>d) Respeitar normas internas e externas: todas as profissões da área de saúde possuem</p><p>associações de classe específicas que procuram regular a prática, normatizar a atuação, e</p><p>defender os direitos dos profissionais. E, entre outras coisas, essas instituições estabelecem</p><p>códigos de ética para nortear e estimular uma atuação positiva dentro da moral vigente na época</p><p>e no local. Por isso, é muito importante respeitar essas normas, bem como as regras internas de</p><p>hospitais, clínicas e postos de saúde. Também é indispensável observar as titulações, condutas e</p><p>legislações, bem como facilitar a troca de informações entre as especialidades e as disciplinas da</p><p>área (FORTES et al., 2004, GARRAFA, et al., 1997).</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>91</p><p>Nesta unidade, você teve a oportunidade de:</p><p>• compreender o que é uma equipe multiprofissional em saúde;</p><p>• aprender sobre os diferentes níveis da assistência farmacêutica;</p><p>• conhecer a atuação do farmacêutico na assistência ao paciente;</p><p>• aprofundar seus conhecimentos sobre o Cuidado Farmacêutico, bem como seu</p><p>trabalho nas mais diversas equipes multiprofissionais;</p><p>• valorizar a ética ao trabalhar em conjunto com outros profissionais.</p><p>PARA RESUMIR</p><p>ACIOLI, S. Os sentidos de cuidado em práticas populares voltadas para a saúde e</p><p>a doença. In: PINHEIRO, R.; MATTOS, R. A., organizadores. Cuidado: as fronteiras da</p><p>integralidade. São Paulo: Hucitec; p. 187-204, 2004.</p><p>BAILY, P. et al. Compras: princípios e administração. São Paulo: Atlas, 2000 p.16.</p><p>BARBOSA, K.S.S. Hospital pharmacy management: quality optimization, productivity</p><p>and financial resources. Rev. Saude e Desenv. V.7, n.4, jan-dez 2015.</p><p>BORGES, M. J. L. et al. Trabalho em equipe e interdisciplinaridade: desafios para a</p><p>efetivação da integralidade na assistência ambulatorial às pessoas vivendo com HIV/</p><p>Aids em Pernambuco. Ciênc Saúde Coletiva, v. 17, n. 1, p. 147-56, 2012.</p><p>BRASIL. Conselho Nacional de Saúde nº 287, de 10 de outubro de 1998. Relaciona</p><p>categorias profissionais de saúde de nível superior para fins de atuação do CNS. Diário</p><p>Oficial da União, 1998.</p><p>BRASIL. Lei n° 11.129 de 2005. Institui o Programa Nacional de Inclusão de Jovens –</p><p>ProJovem; cria o Conselho Nacional da Juventude – CNJ e a Secretaria Nacional de</p><p>Juventude; altera as Leis nº s 10.683, de 28 de maio de 2003, e 10.429, de 24 de abril de</p><p>2002; e dá outras providências. Diário Oficial da União, 2005.</p><p>BRASIL. Portaria Interministerial nº 45, de 12 janeiro de 2007. Dispõe sobre a Residência</p><p>Multiprofissional em Saúde e a Residência em Área Profissional de Saúde e institui a</p><p>Comissão Nacional de Residência Médica Multiprofissional em Saúde, elencando suas</p><p>principais atribuições. Diário Oficial da União, 2007.</p><p>BRASIL. Portaria Interministerial nº 1.077, de 12 de novembro de 2009. Dispõe sobre a</p><p>Residência Multiprofissional em Saúde e a Residência em Área Profissional da Saúde, e</p><p>institui o Programa Nacional de Bolsas para Residências Multiprofissionais e em Área</p><p>Profissional da Saúde e a Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde.</p><p>Diário Oficial da União, 2009.</p><p>BRASIL. Portaria interministerial nº 1.320, de 11 de novembro de 2010. Revoga a Portaria</p><p>Interministerial Nº 593 de 15 de maio de 2008 e dispõe sobre a estrutura, organização</p><p>e funcionamento da Comissão Nacional de Residência Multiprofissional em Saúde –</p><p>CNRMS. Diário Oficial da União, 2010.</p><p>BRASIL. Portaria Interministerial no 3, de 16 de março de 2016. Fica alterado para R$</p><p>3.330,43 (três mil, trezentos e trinta reais e quarenta e três centavos) o valor da bolsa</p><p>assegurada aos profissionais de saúde residentes, em regime especial de treinamento</p><p>em serviço de sessenta horas semanais. Diário Oficial da União, 2016.</p><p>CAETANO, T. U. F.; NETO, O.H. C. Atenção Farmacêutica aos portadores de HIV/AIDS no</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS). Rev. Bras. Cienc.da Vida, v.5, 2017.</p><p>CAVALLINI, M. E.; BISSON. M.P. Farmácia hospitalar: um enfoque em sistemas de saúde.</p><p>São Paulo: Manole, 2002. 218 p.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>CIPOLLE, R.J. et al. El ejercício de la atención farmaceutica. Madrid: McGraw Hill -</p><p>Interamericana; 2000. 368 p.</p><p>CIPOLLE, R.J. et al. Pharmaceutical Care Practice. The clinician’s guide. 2th Ed. New York:</p><p>McGraw-Hill, 2004. 394p.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA (CFF). Farmacêutico na saúde</p><p>pública gera economia para o SUS, diz Rossana Spiguel. 2017. Disponível</p><p>e m : htt p : / / w w w. c f f. o rg . b r / n o t i c i a . p h p ? i d = 4 2 8 2 & t i t u l o = % 2 0 Fa r m % 2 0</p><p>ac%C3%AAutico+na+sa%C3%BAde+p%C3%BAblica+gera+economia+</p><p>para+o+SUS%2C+diz+Rossana+Spiguel. Acesso em: 26/03/2020.</p><p>CORRER, C.J. et al. Pharmaceutical services integrated into the healthcare process:</p><p>clinical management of medicines. Rev. Pan-Amz Saúde, v.2, n.3, p.41-49, 2011.</p><p>FORTES, P.A.C.; ZABOLI, E.L.C.P, organizadores. Bioética e Saúde Pública. São Paulo:</p><p>Centro Universitário São Camilo, 2004.</p><p>GARRAFA, V. et al. Saúde pública, bioética e equidade. Revista Bioética, Brasília, v. 5, n.</p><p>1, p. 27-35, 1997.</p><p>GOMES C.A.P. et al. A assistência farmacêutica na atenção à saúde. Belo Horizonte:</p><p>Fundação Ezequiel Neves; 2010.</p><p>NEVES, D. B. S.; PINA, J. Assistência Farmacêutica no SUS: os desafios do profissional</p><p>farmacêutico. Saúde & Ciência em ação, v. 1, n. 1, p. 83-104, 2016.</p><p>GONÇALVES, A. A. et al. Otimização de farmácias hospitalares: eficácia da utilização de</p><p>indicadores para gestão de estoques. In: XXVI ENEGEP. 2006 Fortaleza/ CE, Brasil.</p><p>LANNA, E. C. Estratégias e Práticas para um gerenciamento logístico eficiente na área</p><p>hospitalar. Perspectivas Online, v 5. n. 17, 2011.</p><p>LUIZA,V.L. et al. Farmacologia clínica: fundamentos da terapêutica racional. Rio de</p><p>Janeiro: Guanabara Koogan, p.102-112, 2004.</p><p>MARIN, N. et al. Assistência farmacêutica para gerentes municipais. Rio de Janeiro:</p><p>OPAS/OMS; 2003.</p><p>MOLERO, R.; ACOSTA, M.- Planificación y organización de um Servício de Farmácia. In:</p><p>BONAL, F. J. et al (Eds). Farmacia Hospitalaria. 3. ed. Madrid: SCM,S.L. (Doyma), Tomo1,</p><p>cap.1, p.3-28, 2002.</p><p>ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE (OMS). The role of the pharmacist in the health</p><p>care system. Geneva: OMS, 1994. 24p.</p><p>ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE / ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE</p><p>(OPAS/OMS). Guia para el Desarollo de Serviços Farmacêuticos Hospitalarios: Sistema</p><p>de Distribuición de Medicamentos por Dosis Unitárias.Washington: OPAS, 25 p. (Série</p><p>5.3),1997.</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ORGANIZAÇÃO PANAMERICANA DA SAÚDE. Consenso Brasileiro de Atenção</p><p>Farmacêutica - Proposta. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; 2002.</p><p>ORTIZ, R.L. Gestión de um Servicio de Farmácia Hospitalaria. 1. ed. Buenos Aires: elibro.</p><p>net, 53p., 2004.</p><p>OSORIO-DE-CASTRO, C.; CASTILHO, S. R. (Org.). Diagnóstico da farmácia hospitalar no</p><p>Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 150p, 2004.</p><p>PELLEGRINO, A.N. et al. Medication therapy management services: definitions and</p><p>outcomes. Drugs. v.</p><p>69, n. 4, p. 393-406, 2009.</p><p>PERINI, E. Assistência farmacêutica: fundamentos teóricos e conceituais. In: ACURCIO, F.</p><p>A. Medicamentos e assistência farmacêutica. Belo Horizonte: Coopmed; 2003.</p><p>QUEIROZ, A. et.al. Ética e responsabilidade social nos negócios. São Paulo: Saraiva,2005.</p><p>RADAELLI, M. A oportunidade do recomeço. Médicos sem Fronteiras. 2020. Disponível</p><p>em: https://www.msf.org.br/diarios-de-bordo/oportunidade-do-recomeco. Acesso em:</p><p>26 mar. 2020.</p><p>RODRIGUES, J. P. V. et al. Impacto do atendimento farmacêutico individualizado na</p><p>resposta terapêutica ao tratamento antirretroviral de pacientes HIV positivos. Journal of</p><p>Applied Pharmaceutical Sciences–JAPHAC, v. 2, n. 1, p. 18-28, 2015.</p><p>SECRETARIA DE ESTADO DE SAÚDE DE MINAS GERAIS (SES-MG). SUS. 2019. Disponível</p><p>em: < https://www.saude.mg.gov.br/sus>. Acesso em 13 mar.2020.</p><p>SILVA, C. G. S. Specialized assistance service (SAS): a professional experience. Psicologia:</p><p>Ciência e Profissão, v. 27, n. 1, p. 156-163, 2007.</p><p>SILVA, M.A. P. Aplicação do Método Curva ABC de Pareto e sua Contribuição para Gestão</p><p>das Farmácias Hospitalares. 2010. Monografia (Curso de Especialização em Gestão de</p><p>Sistemas e Serviços de Saúde). Centro de Pesquisa Aggeu Magalhães, Fundação Oswaldo</p><p>Cruz, Recife, 2010.</p><p>SILVA, S.K. Gerenciamento de farmácia hospitalar: otimização da qualidade,</p><p>produtividade e recursos financeiros. Rev. Saud. Desenv., v.7, n.4, 2015.</p><p>SOLER, O. et al. Assistência farmacêutica clínica na atenção primária à saúde por meio</p><p>do programa saúde da família. Rev Bras Farm. v. 91, n.1, p.37-45, 2010.</p><p>SOUZA, N. O que é Residência em Saúde e como “ser” um residente? (2017) Disponível</p><p>em: < https://www.pontodosconcursos.com.br/artigo/14505/natale-souza/o-que-e-</p><p>residencia-em-saude-e-como-ser-um-residente>. Acesso em 15 mar. 2020.</p><p>VECINA NETO, G.; REINHARDT FILHO, W. Gestão de Recursos Materiais e de</p><p>Medicamentos. volume 12 / São Paulo: Faculdade de Saúde Pública da Universidade de</p><p>São Paulo, 1998 (Série Saúde & Cidadania).</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>Neste livro, você terá acesso a informações imprescindíveis para</p><p>conhecer de forma mais abrangente a profissão de farmacêutico.</p><p>Abordaremos aqui a história da profissão, as leis vigentes e</p><p>os Conselhos que regulam a profissão. Veja aqui como se iniciou a</p><p>utilização de drogas e especiarias, o surgimento das boticas e dos</p><p>boticários e a formação da profissão farmacêutica. Para finalizar, as</p><p>autoras explicam como se dá o trabalho multiprofissional na área da</p><p>saúde, especificamente, para o profissional farmacêutico.</p><p>Fundamental para o estudo da profissão, esta obra é ilustrada e</p><p>apresentada de forma clara e didática.</p><p>biliosos ou</p><p>13</p><p>coléricos, e melancólicos. E o objetivo do tratamento era ajudar o organismo a seguir com seus</p><p>mecanismos funcionando de forma normal, ajudando a retirar os excessos de humor. Hipócrates</p><p>sempre deu importância à dieta, exercícios e utilizava ventosas, e até mesmo sangrias nas</p><p>terapêuticas, os medicamentos não eram a primeira escolha. Atualmente, estamos percebendo</p><p>o retorno dessas técnicas no cuidado com a saúde, mas o uso de medicamentos, e também a</p><p>automedicação, ainda é prevalente.</p><p>Os contextos de Galeno eram baseados em conceitos racionalistas e empiristas, retirando</p><p>deles os recursos que considerava importantes para construção da sua própria visão da medicina e</p><p>posteriormente da farmácia. Devido à complexidade de seus estudos, pesquisando em particular</p><p>disciplinas atualmente compreendidas como anatomia, fisiologia, patologia, sintomatologia</p><p>e terapêutica, Galeno sempre defendeu a dissecação e vivissecção de corpos, como métodos</p><p>essenciais para a formação de profissionais médicos. Foram seus estudos que descobriram que</p><p>as artérias transportavam sangue e não ar, como se acreditava; também descreveu a estrutura da</p><p>caixa craniana, e comprovou que o rim é o órgão que excreta a urina.</p><p>Entretanto, o que ele fez para ser o pai da farmácia se ele era médico? Galeno escreveu sobre</p><p>muitos medicamentos e sobre a farmácia, cerca de 450 fármacos são encontrados descritos em</p><p>suas obras, e, além disto, baseado em critérios fisiológicos e patológicos humorais que são seco,</p><p>úmido, quente e frio, classificou-os em 3 grandes grupos:</p><p>• simplícia: os que possuíam apenas uma das quatro qualidades</p><p>• composita: quando possuía mais que uma</p><p>• terceiro grupo: quando o fármaco tinha um efeito específico, próprio da substância</p><p>Foi desta forma que a medicina e a farmácia seguiram até o século XVII, e ainda receberam</p><p>influência do chamado galenismo, até o século XVIII. Em se tratando da aplicação dos</p><p>medicamentos, a terapêutica de Galeno dizia que a prescrição deveria ser baseada em diversos</p><p>fatores como a idade do paciente, a raça, o clima do ambiente em que vive e até mesmo a</p><p>personalidade do doente.</p><p>Explicando melhor como se daria todo esse processo: caso uma criança e um idoso</p><p>apresentassem um quadro de febre, de acordo com Galeno, as crianças precisariam de um</p><p>medicamento mais frio em comparação aos idosos, visto que o temperamento da criança é mais</p><p>sanguíneo (eufórico e vigoroso), e o do idoso fleumático (calmo, frio e vida descompromissada).</p><p>Deste modo, o tipo de medicamento era determinado de acordo com suas qualidades e</p><p>intensidade, mas a dose não era importante, pois o remédio ainda era algo mais qualitativo que</p><p>quantitativo.</p><p>E como essas qualidades eram determinadas? Através das sensações de odor, sabor, cor e</p><p>14</p><p>textura, com ênfase nos dois primeiros. E a partir daí se tornava mais fácil a classificação e as</p><p>possíveis evidências de atividades farmacológicas. Por este fato, as especiarias eram as mais</p><p>facilmente trabalhadas, por conterem cheiros mais fortes e característicos.</p><p>No século II, a primeira escola de farmácia foi criada, inclusive com leis que regiam a</p><p>profissão; e somente por volta do início século X, em plena Idade Média, surgiram as boticas.</p><p>Botica é um nome antigo que designava estabelecimentos que surgiram na França e Espanha.</p><p>Nesses estabelecimentos, se trabalhava com a manipulação e comercialização de preparações</p><p>medicinais. Eram utilizadas drogas vegetais como o ópio da papoula, preparações animais como</p><p>a gordura da cobra víbora, minerais como os arsenicais, antídotos como o mithridate, essências</p><p>entre outros.</p><p>Tudo era preparado de modo extremamente caseiro ainda sem aplicação de métodos e</p><p>estudos baseados em ciência. Os tratamentos das doenças eram baseados e misturados com as</p><p>mais variadas crenças, sem que houvesse comprovação das mesmas. Os profissionais responsáveis</p><p>por manipular tais fórmulas eram os chamados boticários, apenas no Reino Unido e nos Estados</p><p>Unidos, eram denominados de apotecários, e os estabelecimentos de apotecas.</p><p>Um crescimento importante na pesquisa de ativos de plantas e minerais ocorreu no século</p><p>XVI. No Brasil, durante o período colonial, surgiu o primeiro boticário, com ele, os medicamentos</p><p>e outros remédios para serem comprados nas boticas. A produção/manipulação dos produtos,</p><p>em sua maioria, era realizada na frente do cliente, de acordo com a prescrição trazida após uma</p><p>consulta médica ou de acordo com a farmacopéia da época.</p><p>Diogo de Castro foi o primeiro boticário do Brasil, era português e foi trazido pelo governador</p><p>Thomé de Souza em 1549, quando perceberam que, somente quando expedições vinham da</p><p>Espanha, França ou Portugal era que os habitantes do Brasil tinham acesso a medicação trazidas</p><p>por um barbeiro ou algum tripulante em caixas de botica, e os donos de fazendas e engenhos as</p><p>possuíam.</p><p>O aprendizado e experiência eram adquiridas na prática diária e, depois disso, os boticários</p><p>eram submetidos a exames pelos comissários do físico-mor do Reino, quando aprovados,</p><p>recebiam a carta de examinação. Assim, eles concorriam com os físicos e os cirurgiões no exercício</p><p>da medicina, chegando alguns a ter que trocar de profissão, sendo então cirurgiões-barbeiros,</p><p>por exemplo.</p><p>No ano de 1640, as boticas foram legalizadas como comércio e os donos eram os boticários.</p><p>Estes eram aprovados também pelo físico-mor na cidade de Coimbra, ou pelo delegado, na</p><p>cidade de Salvador, que era a capital do Brasil neste momento. A aprovação era fácil, fazendo</p><p>com que até mesmo analfabetos fossem autorizados a exercer a atividade, mesmo com pouco</p><p>conhecimento e leitura sobre medicamentos. Com a chegada da reforma feita por Dom Manuel</p><p>15</p><p>em 1744, a profissão começou a ser fiscalizada, e foram proibidas as ilegalidades no comercio dos</p><p>produtos medicamentosos e drogas.</p><p>Neste momento, as indústrias químicas ainda não existiam e vieram a aparecer somente no</p><p>final do século XIX. Até então, as espécies eram retiradas da natureza e utilizadas em preparações</p><p>e misturas purificadas, com sua forma inalterada. No ano de 1809, a primeira disciplina médica e de</p><p>farmácia foi ofertada na então escola médica Escola Anatômica, Cirúrgica e Médica do Rio de Janeiro;</p><p>e o primeiro livro da faculdade foi escrito por José Maria Bontempo, o então primeiro professor de</p><p>farmácia do Brasil. Com o passar de 10 anos, foi ofertada a disciplina de farmácia, matéria médica</p><p>e terapêutica, na Academia Médico-Cirúrgica da Bahia, ambas ministrada por médicos portugueses.</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>O curso de farmácia somente foi fundado após a reforma do ensino médico em 1832, quando</p><p>D. Pedro II institucionalizou o ensino da farmácia por meio de uma lei, em 03 de outubro, mas</p><p>o curso continuou vinculado às faculdades médicas acima citadas. Com a criação do curso, foi</p><p>determinado que só teria autorização para curar, ter botica ou partejar pessoas que obtivessem</p><p>o título de farmacêutico. A partir daí, iniciou a obrigatoriedade de que os donos de farmácia</p><p>contratassem farmacêuticos para dar nome a seus estabelecimentos. Após 7 anos deste</p><p>acontecimento, foi fundada a primeira Escola de Farmácia de Ouro Preto em Minas Gerais, sendo</p><p>a primeira do Brasil e da América do Sul.</p><p>Os boticários ainda continuaram existindo até meados de 1886. Após a Segunda Guerra</p><p>Mundial, foi o momento em que ocorreu uma grande industrialização e a responsabilidade do</p><p>Estado com a saúde, e então os medicamentos industrializados ganharam destaque frente aos</p><p>manipulados. Ainda no século XX, o curso de farmácia que, em sua criação, tinha duração de 3</p><p>anos, passou a ter 2 em 1901, voltou a 3 anos em 1911 e passou a 4 anos em 1925, tendo conteúdo</p><p>com enfoque em indústria de medicamentos, legislação farmacêutica e análises microbiológicas.</p><p>16</p><p>Figura 1 - Industrialização do medicamento</p><p>Fonte: SHEVELEVVLADIMIR, shutterstock, 2020.</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra diversos vidros de remédio na coloração ambar e com</p><p>tampas</p><p>brancas plásticas, em prateleiras redondas.</p><p>No dia 20 de janeiro de 1916, foi fundada a Associação Brasileira de Farmacêuticos e, por isto,</p><p>é comemorada nesta data o Dia do Farmacêutico, desde 1942, mas foi oficializada por lei em 2007.</p><p>1.3 Farmacêutico generalista</p><p>Anteriormente o curso de farmácia era fracionado, o estudante cursava algumas disciplinas em</p><p>comum e depois decidia se seguiria pela carreira das análises clínicas, chamando-se farmacêutico</p><p>bioquímico; ou se formaria para área industrial. Após 2002, com novas diretrizes curriculares, o</p><p>curso de farmácia habilitava o seu estudante a seguir em qualquer área da farmácia sendo então</p><p>denominado farmacêutico generalista.</p><p>Com isto, o farmacêutico pode realizar tanto as funções do antes farmacêutico bioquímico,</p><p>na área das análises clínicas, bromatológicas, toxicológicas; como também na área industrial,</p><p>voltada para o medicamento, para a biotecnologia, além da saúde pública, hospitalar e outras</p><p>tantas áreas de atuação hoje permitidas ao profissional da farmácia graduado.</p><p>1.4 História da farmácia hospitalar</p><p>Em 1752, a primeira farmácia hospitalar foi criada nos Estados Unidos, onde a primeira</p><p>proposta de padronizar os medicamentos foi desenvolvida. Na Santa Casa de Misericórdia e</p><p>17</p><p>nos Hospitais Militares, é onde se encontram as farmácias mais antigas do Brasil. No início, os</p><p>farmacêuticos destes hospitais manipulavam os medicamentos com matéria-prima retirada do</p><p>ervanário dos próprios hospitais.</p><p>Com o surgimento das indústrias de medicamentos, os farmacêuticos começaram a ser</p><p>extintos do ambiente hospitalar, pois não havia, de acordo com as direções da época, motivo para</p><p>mantê-los, visto que não precisavam mais manipular medicamento, uma vez que a compra do</p><p>produto pronto já era possível. Contudo, anos depois percebeu-se a importância do farmacêutico</p><p>no controle de estabilidade do medicamento, na farmacocinética, farmacodinâmica entre outros,</p><p>recuperando as vagas farmacêuticas dentro dos hospitais e retomando a relação entre este</p><p>profissional e os demais profissionais da saúde, como médicos e enfermeiros; além da relação</p><p>com os próprios pacientes, através da orientação quanto ao tratamento farmacoterapêutico.</p><p>Então, começou a surgir uma das principais habilidades atualmente necessárias ao</p><p>farmacêutico, a informação. Surgiu em 1965 a chamada Farmácia Clínica, que tem como enfoque</p><p>principal, entre outros, o uso racional de medicamentos, fazendo com que o profissional não tenha</p><p>suas atribuições voltadas somente para o medicamento, mas sim para o paciente. É necessário</p><p>assim que o farmacêutico atue não somente em dispensar ou comprar produtos, mas também</p><p>em prestar assistência ao paciente, com foco em suas necessidades, sendo o medicamento</p><p>apenas um instrumento no tratamento como um todo.</p><p>Até este momento, ainda não estava presente na grade de formação em farmácia, disciplinas</p><p>voltadas para a clínica ou para a área hospitalar em específico; quando, em 1975, a Universidade</p><p>Federal de Minhas Gerais adicionou a disciplina de farmácia hospitalar à grade, que atualmente</p><p>está presente em todos os cursos de Farmácia. Além disto, em 1980, diante do grande crescimento</p><p>da profissão, foi implantada uma pós-graduação em Farmácia Hospitalar na Universidade Federal</p><p>do Rio de Janeiro.</p><p>1.5 Uso de plantas e especiarias no início da farmácia</p><p>A relação entre as plantas medicinais e a cura de doenças é bastante antiga, relatos de 2600</p><p>anos já citavam o uso pelos chineses de diversas substâncias extraídas das plantas. Além deles,</p><p>os egípcios, há mais de 1500 anos, também utilizavam as plantas, sais de chumbo, e unguentos</p><p>retirados de animais como leão, hipopótamo, cobra e crocodilo.</p><p>Os gregos utilizavam as plantas nas chamadas fórmulas mágicas e conjuros, durante as curas</p><p>dentro dos seus templos e, na Índia, mais de 600 tipos de remédios foram criados a partir das</p><p>plantas.</p><p>O uso do ópio, por exemplo - nome este derivado do latim opium, que significa suco da planta</p><p>- ou seja, era uma mistura de alcaloide, retirada de uma flor chamada papoula, que tem por nome</p><p>18</p><p>científico Papaver somniferum, foi registrado na história desde 6000 a.C. pelos sumérios.</p><p>O ópio era utilizado, devido a sua ação analgésica e hipnótica, mas somente no ano 1804</p><p>a substância presente no ópio, que tinha esta atividade, foi isolada pelo farmacêutico alemão</p><p>Friedrich Serturner, e chamada de morfina; e em 1925 Gulland e Robinson determinaram</p><p>a estrutura desse complexo alcalóide. No ano de 1952, Marshal D. Gates conseguiu sintetizar</p><p>a morfina em laboratório em 29 etapas, mas com baixíssimo rendimento para preparação de</p><p>medicamentos somente em laboratório, sem necessitar mais utilizar a papoula.</p><p>A Organização Mundial da Saúde, em 1990, publicou que cerca de 64 a 80% da população</p><p>dos países em desenvolvimento era dependente das plantas para curar enfermidades (AKERELE,</p><p>1993). E mesmo com toda evolução das indústrias farmacêuticas que citamos acima, populações</p><p>de baixa renda possuem um acesso ainda difícil ao atendimento e posterior obtenção dos</p><p>medicamentos, fazendo com que recorram ao uso de plantas que, além do fácil acesso, ainda</p><p>trazem consigo uma grande história de tradição no seu uso (VEIGA JUNIOR et al., 2005).</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>Ser um profissional farmacêutico é muito mais do que ser especialista em produção e</p><p>terapias medicamentosas. É colaborar para o êxito no tratamento, e principalmente na</p><p>qualidade de vida do paciente como um todo, desde a melhoria de hábitos até a prevenção</p><p>de doenças e promoção da saúde.</p><p>19</p><p>1.6 História do símbolo da Farmácia</p><p>O símbolo da farmácia é representado por uma taça de ouro envolta por uma serpente.</p><p>Vamos entender por que. Uma lenda da mitologia grega diz que o início se dá com Chiron, um</p><p>centauro que era diferente dos demais, porque não era selvagem e violento, ele se dedicou aos</p><p>estudos e conhecimentos sobre a cura, e teve diversos discípulos, entre eles, o Deus Asclépio, ao</p><p>qual ensinou todos os segredos das ervas medicinais.</p><p>Asclépio também chamado de Esculápio, Deus da medicina, era um dominador da arte</p><p>medicinal e tinha poderes de ressuscitar pessoas. Zeus, para afirmar seu poder e com uma revolta</p><p>pelo fato de que Asclépio estava quebrando o ciclo natural da vida ao ressuscitar os mortos, o</p><p>mata com um raio.</p><p>Hígia, que era filha do Deus da medicina, assume o lugar do pai se tornando a Deusa da</p><p>saúde. Ela era representada por uma taça de ouro e, ao ficar no lugar do seu pai, adicionou a</p><p>serpente como parte do seu símbolo. Foi a partir dessa lenda que a taça e a cobra se tornaram as</p><p>representantes da farmácia.</p><p>A taça, também chamada de cálice, simboliza a cura; enquanto a cobra, que na antiguidade</p><p>sempre possuiu forte simbologia, representa o poder, sabedoria, inteligência e ciência.</p><p>A cobra é um animal sempre presente nos símbolos da saúde. Já notaram a similaridade do</p><p>nosso símbolo com o da medicina? Isto mesmo. Este fato se dá pelo fato de que Asclépio, como</p><p>vimos o pai da medicina, era representado por um bastão (ou cetro) e duas cobras, sendo este o</p><p>símbolo da medicina.</p><p>1.7 O hino da farmácia</p><p>A proposta de criar um Hino da Farmácia foi idealizada pelo então presidente do Conselho</p><p>Federal de Farmácia, em 2004, Jaldo Souza Santos que apresentou a ideia aos diretores do órgão,</p><p>e posteriormente levou a proposta à Plenária do CFF.</p><p>O concurso contou com uma Comissão Julgadora e, para vencer, a composição passou por</p><p>duas fases. A primeira que era uma seletiva com 27 concorrentes. Desta seletiva, foram escolhidas</p><p>as 6 melhores. Estas 6 foram submetidas a outro julgamento final, no dia 8 de outubro de 2004,</p><p>e ocorreu durante o 5º Congresso Brasileiro de Medicamentos Genéricos, que aconteceu no</p><p>auditório do Othon Palace Hotel na cidade de Salvador, Bahia.</p><p>Durante o concurso, o próprio autor poderia cantar o hino ou outra pessoa por ele designada.</p><p>Durante as apresentações, o presidente de emocionou bastante por</p><p>esse marco na história da</p><p>farmácia.</p><p>20</p><p>Jaldo alegou que seria um alcance cultural e de grande importância para a identidade da</p><p>profissão. A escolha foi feita através de um concurso que, além de tudo, traria integração e</p><p>interesse dos profissionais e estudantes pela história da farmácia.</p><p>O vencedor do concurso foi o farmacêutico Islou Silva, da cidade de Uruana, Goiás. Segundo</p><p>ele, o processo de produção durou 4 meses, levantando informações sobre a história da</p><p>farmácia não só no Brasil, mas no mundo. Sua esposa, que era cantora gospel, o apoiou e ajudou</p><p>incessantemente.</p><p>Islou Silva é farmacêutico formado em Goiânia e foi morar em Brasília no ano de 1994,</p><p>lá realizou pós-graduação em Cosmetologia e em Didática do Ensino Superior. Atuou como</p><p>responsável técnico e como gerente em farmácias comunitárias, mas sempre ressaltou que a</p><p>cosmetologia é uma área que sempre o atraiu e trabalha desenvolvendo fórmulas cosméticas.</p><p>“A cura do homem no passado</p><p>Que por meio de ungüentos se dava</p><p>Foi pelo eterno Hipócrates</p><p>Do tempo dos deuses tirada</p><p>Da inesgotável fonte de Deus</p><p>O homem de remédios se proveu</p><p>Dos fartos recursos naturais</p><p>Com sabedoria se serviu</p><p>Oh, que herança inaudita</p><p>Farmácia, ciência milenar</p><p>De Galeno as antigas boticas</p><p>Vieram a dor do homem minorar</p><p>Ergo os meus olhos bem alto</p><p>E contemplo a missão do saber</p><p>Que melhora a vida do homem</p><p>E com prazer o ajuda a viver.</p><p>Da grande missão da ciência</p><p>Serei sempre um forte aliado</p><p>Em busca de conhecimento</p><p>Com a ética sempre ao meu lado</p><p>Carrego pra sempre em meus ombros</p><p>A intrépida vontade de vencer</p><p>E cultuo no meu coração</p><p>O afã da cura nos trazer.”</p><p>( Autor: Islou Silva</p><p>CRF-DF 1.123)</p><p>21</p><p>A melodia e vídeos do hino você encontra no site do Conselho Federal de Farmácia.</p><p>2. A PROFISSÃO DENTRO DA ÁREA DA SAÚDE:</p><p>REGIONAL, NACIONAL E MUNDIAL</p><p>Como vimos, a profissão farmacêutica está inserida na área da saúde, no mundo todo, desde</p><p>o início da humanidade. No entanto, foi somente em 1931 que foi publicado o Decreto nº 19,606</p><p>(BRASIL, 1931), que dispõe sobre a profissão farmacêutica e seu exercício no Brasil. Isto ocorreu</p><p>na mesma década (década de 30) em que o farmacêutico estava perdendo espaço nos hospitais,</p><p>devido à industrialização dos medicamentos, e necessitavam se redirecionar para outras áreas.</p><p>2.1 Crescimento da farmácia por décadas</p><p>No mundo, entre a década de 50 e 60, foram observados grandes avanços com a descoberta de</p><p>novos fármacos para o tratamento de doenças graves, que levavam o paciente à morte naqueles</p><p>anos. Entre eles, estão os famosos antibióticos, antipsicóticos, medicamentos para tuberculose e</p><p>doenças cardiovasculares (como a hipertensão arterial), além da vacina via oral para a poliomielite</p><p>e a primeira pílula anticoncepcional. Porém, foi nesta mesma década de 60 que ocorreu a famosa</p><p>Tragédia da Talidomida, na qual diversas crianças nasceram com má-formação congênita, advinda</p><p>do uso deste medicamento pelas mães durante o período gestacional. Desta forma, a necessidade</p><p>da atenção quanto à segurança dos medicamentos foi alertada e a farmacovigilância se iniciou.</p><p>Figura 2 - Terapia medicamentosa em doenças crônicas</p><p>Fonte: ESB PROFESSIONAL, shutterstock, 2020</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra uma seringa preenchida por líquido transparente, ampola de</p><p>vidro, cápsulas, comprimidos com um papel abaixo escrito “Doenças crônicas”.</p><p>Ainda nos anos 60, foi criado no Brasil o Conselho Federal de Farmácia, e os respectivos Conselhos</p><p>Regionais, p Laboratório Farmacêutico público da Secretaria de Saúde de São Paulo e a Fundação</p><p>22</p><p>para o Remédio Popular. Em 1963, o Ministério da Educação estabeleceu o primeiro currículo mínimo</p><p>para os farmacêuticos. Em 1969, cerca de 98% dos medicamentos prescritos pelos médicos já era</p><p>produzido no Brasil, mas por industrias multinacionais que se instalaram aqui no país.</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>Ainda no Brasil, na década de 70, foi criado um plano diretor chamado de CEME (Central do</p><p>Medicamento), que era ligado à presidência e tinha por intuito regular a produção e distribuição</p><p>dos medicamentos no Brasil, ampliar o acesso da população de baixa renda a eles, controlar o</p><p>acesso a assistência farmacêutica, definir alguns indicadores de saúde específicos e incentivar a</p><p>pesquisa e expansão da produção de medicamentos.</p><p>O Brasil se tornou então o sétimo maior mercado de medicamentos. Novas leis foram criadas</p><p>nessa década, como a Lei Federal 5.991/73 (BRASIL, 1973), que dispõe sobre o controle sanitário</p><p>do comércio de drogas, medicamentos, insumos e correlatos; a Lei 6.360/76 (BRASIL, 1976); o</p><p>Decreto 74.170/74 (BRASIL, 1974); e o Decreto 79.094/77 (BRASIL, 1977) importantíssimos para</p><p>a regulamentação do controle e vigilância sanitária de produtos farmacêuticos.</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>Você sabia que muitos famosos da história mundial e nacional eram farmacêuticos? Entre</p><p>eles estão o Carlos Drummond de Andrade, Henri Nestlé, Alberto de Oliveira, fundador da</p><p>Academia Brasileira de Letras, e John Pemberton, farmacêutico responsável pela criação da</p><p>fórmula da Coca-Cola.</p><p>23</p><p>Figura 3 - Anotações diárias</p><p>Fonte: ISTOCK-667825426, mediapool/fabrico, 2020</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra as duas mãos de uma pessoa, usando um jaleco brando,</p><p>segurando uma prancheta, com uma mão, e uma caneta com a outra. A pessoa está utilizando a</p><p>caneta para escrever no papel apoiado na prancheta.</p><p>Seguindo para a década de 80, a produção de medicamentos essenciais aumentou no Brasil,</p><p>e o SUS (Sistema Único de Saúde) foi criado, tornando assim o estado responsável por promover</p><p>e garantir a saúde para toda a população, com os conceitos de universalidade, integralidade e</p><p>equidade no atendimento. Enquanto isso, no mundo, o vírus HIV causador da AIDS, através do</p><p>compartilhamento de objetos perfurantes, exposição ao sangue e derivados, ou contato sexual</p><p>foi conhecido. Em 1991, o Ministério da Saúde do Brasil iniciou a distribuição dos medicamentos</p><p>para doenças virais, devido ao aparecimento do HIV. No Brasil, cerca de 1805 casos foram</p><p>notificados entre 10 milhões de infectados no mundo.</p><p>Nos anos 90, se destaca no mundo o início dos estudos do genoma humano, com intuito</p><p>de identificar e decodificar todo o material genético humano, e o surgimento de medicamentos</p><p>eficazes no combate a doenças que matavam a maioria de seus portadores, como o AVE (Acidente</p><p>Vascular Encefálico) e a doença arterial coronariana. Além do famoso AZT (zidovudina), que junto</p><p>a seus análogos formam o coquetel para combate da AIDS.</p><p>Esta década foi de extrema importância para evolução da profissão farmacêutica no mundo como</p><p>um todo, principalmente após a publicação pela OMS do documento que dispõe sobre “O papel do</p><p>farmacêutico no sistema de atenção à saúde” (OPAS; OMS, 2010) no qual foi descrita a missão do</p><p>profissional na saúde, citando sete qualidades que o farmacêutico deve apresentar e como deve</p><p>seguir sua contribuição no fornecimento de produtos e serviços para a saúde da população.</p><p>A Portaria nº 344 (BRASIL, 1998), que regulamenta os medicamentos sujeitos a controle</p><p>especial, também foi promulgada nos anos 90. Nos anos 2000, um dos maiores marcos para a</p><p>profissão farmacêutica tomou lugar, os primeiros registros de medicamentos genéricos. Por outro</p><p>24</p><p>lado, o século XXI veio intenso e repleto de novidades para a farmácia. A PNM (Política Nacional</p><p>de Medicamentos) (BRASIL, 2001) foi publicada no ano de 2001. Em 2002, foram instituídas as</p><p>diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia (BRASIL, 2017).</p><p>Várias outras Portarias, Resoluções e Leis foram publicadas, mas o destaque maior está em</p><p>2013, quando foram regulamentadas no Brasil as atividades do atendimento clínico farmacêutico</p><p>(Resolução nº 585) e a regulamentação da prescrição farmacêutica (Resolução nº 586). Em</p><p>2014, a farmácia foi definida não mais como um simples comércio de produtos, mas sim como</p><p>um estabelecimento de saúde com prestação de serviços farmacêuticos, assistência à saúde e</p><p>orientação quanto</p><p>ao uso racional de medicamentos.</p><p>Em 2015, mais um crescimento importante para o profissional no Brasil foi a Resolução nº</p><p>616, que define o trabalho do farmacêutico na saúde estética, que vem crescendo radicalmente;</p><p>e em 2018 a autorização para prestação de serviços de vacinas.</p><p>O papel do Farmacêutico no mundo é tão nobre quão vital. O Farmacêutico representa o órgão de</p><p>ligação entre a medicina e a humanidade sofredora. É o atento guardião do arsenal de armas com que</p><p>o Médico dá combate às doenças. É quem atende às requisições a qualquer hora do dia ou da noite.</p><p>O lema do Farmacêutico é o mesmo do soldado: servir. Um serve à pátria; outro à humanidade, sem</p><p>nenhuma discriminação de cor ou raça. (LOBATO, [s.d.])</p><p>3. ASSISTÊNCIA FARMACÊUTICA E A PNM</p><p>(POLÍTICA NACIONAL DE MEDICAMENTOS)</p><p>A assistência farmacêutica, de acordo com Brasil (2004), compreende diversos serviços que</p><p>podem ser prestados à saúde. De acordo com a PNM, ela é um conjunto de ações voltadas à</p><p>promoção, proteção e recuperação da saúde de forma individual ou mesmo coletiva, sendo o</p><p>medicamento o insumo essencial e destacando o uso racional deles.</p><p>Pesquisa, desenvolvimento e produção de medicamentos, além de todo o seu ciclo - desde</p><p>a seleção, programação, aquisição, distribuição, dispensação até a garantia de qualidade tanto</p><p>dos medicamentos, quanto dos serviços com acompanhamento e avaliação sempre com foco na</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>Dentro do Brasil, o farmacêutico precisa estar associado ao Conselho Regional de Farmácia</p><p>do estado em que irá atuar, este que é subordinado ao Conselho Federal de Farmácia. Caso</p><p>você, como profissional de farmácia, vá atuar em dois estados diferentes, precisa estar quite</p><p>com os dois Conselhos Regionais.</p><p>25</p><p>qualidade de vida do paciente e/ou da população como um todo – são tarefas do farmacêutico</p><p>(BRASIL, 2004).</p><p>Desde 1988, a saúde foi vinculada ao Estado e passou a ser seu dever garanti-la a toda a</p><p>população. Isso ocorreu através do SUS através da Lei 8.080 do ano de 1990 (BRASIL, 1990). Nesta</p><p>lei, a assistência terapêutica foi incluída, estando o farmacêutico presente nesta equipe. A partir</p><p>daí, foi criada a PNM para organizar a responsabilidade das esferas municipais, estaduais e federal</p><p>do governo, para com o fornecimento/custeio dos medicamentos e da assistência farmacêutica,</p><p>desde os medicamentos essenciais a excepcionais, sempre conforme a descrição da RENAME</p><p>(Relação Nacional de Medicamentos), REME (Relação Estadual de Medicamentos) e a REMUME</p><p>(Relação Municipal de Medicamentos), sendo as duas últimas elaboradas de acordo com a</p><p>necessidade local, mas sempre estando dentro dos medicamentos especificados na RENAME.</p><p>Mesmo com tantos anos após a publicação desta lei, a assistência farmacêutica no âmbito</p><p>municipal ainda é baixa, quando comparada à necessidade do profissional farmacêutico para</p><p>estruturar todo o âmbito que envolve medicamentos, insumos e correlatos. Somente cerca de</p><p>13,2% dos municípios brasileiros possuem uma CFT (Comissão de Farmácia e Terapêutica) e, falando</p><p>sobre investimento, apenas 11,9% é relacionado à qualificação profissional. (SOUZA et al., 2017)</p><p>Todos estes fatores nos fazem entender o motivo de, dentro de um mesmo país (Brasil),</p><p>encontrarmos diferentes níveis de organização e estrutura dos serviços; de constituição de equipe</p><p>profissional e consequentemente várias formas de desenvolvimento da assistência farmacêutica,</p><p>mesmo com todas as diretrizes, portarias, protocolos e leis disponíveis (BERNARDINO; BATISTA, 2019)</p><p>26</p><p>Nesta unidade, você teve a oportunidade de:</p><p>• entender o que significa o termo “farmácia” e suas variações no decorrer da história;</p><p>• conhecer a história da Farmácia e da profissão farmacêutica;</p><p>• entender como ocorreu a evolução dos cursos de formação em farmácia;</p><p>• compreender o que é um farmacêutico generalista;</p><p>• aprender sobre a história da farmácia hospitalar;</p><p>• compreender o uso das plantas e especiarias desde o início da farmácia até hoje;</p><p>• conhecer a história do símbolo da farmácia;</p><p>• entender como foi o crescimento da farmácia no Brasil e no mundo através das</p><p>décadas.</p><p>PARA RESUMIR</p><p>AKERELE, O. Summary of WHO guidelines for assessment of herbal medicines. Herbal</p><p>Gram, v.28, p.13-19, 1993.</p><p>BERNARDINO, C. N.; BATISTA A.M. Assistência Farmacêutica na atenção primária à saúde</p><p>de um Município Potiguar, Brasil. INFARMA Ciências Farmacêutica, v. 31, e. 2, p. 86-92,</p><p>2019.</p><p>BRASIL. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. DECRETO Nº 19.606 DE 19 DE</p><p>JANEIRO DE 1931. Brasília, 1931. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto/1930-1949/D19606.htm. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI N 5.991, DE 17 DE DEZEMBRO</p><p>DE 1973. Brasília, 1973. Disponível em:http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5991.</p><p>htm”>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5991.htm. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. DECRETO No 74.170, DE 10 DE</p><p>JUNHO DE 1974.. Brasília, 1974. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto/Antigos/D74170.htm. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. LEI No 6.360, DE 23 DE SETEMBRO</p><p>DE 1976. Brasília, 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6360.</p><p>htm. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. DECRETO No 79.094, DE 5 DE</p><p>JANEIRO DE 1977. Brasília, 1977. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/</p><p>decreto/Antigos/D79094.htm. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 8.080, DE 19 DE SETEMBRO</p><p>DE 1990. Brasília, 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.</p><p>htm. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. PORTARIA Nº 344, DE 12</p><p>DE MAIO DE 1998. Brasília, 1998. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudele-</p><p>gis/svs/1998/prt0344_12_05_1998_rep.html. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Ministério da Saúde. Secretaria de Políticas de Saúde. POLÍTICA NACIONAL DE</p><p>MEDICAMENTOS (PNM). Brasília, 2001. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/</p><p>publicacoes/politica_medicamentos.pdf. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>______. Ministério da Saúde. Resolução nº 338, 6 de maio de 2004. Aprova a Política</p><p>Nacional de Assistência Farmacêutica. Diário Oficial da União, 20 de maio de 2004. Seção</p><p>1. p. 52.</p><p>______. Ministério da Saúde. Diretrizes para estruturação de farmácias no âmbito do</p><p>Sistema Único de Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009.</p><p>______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. RESOLUÇÃO Nº 6, DE</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>19 DE OUTUBRO DE 2017. Brasília, 2017. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/do-</p><p>cman/outubro-2017-pdf/74371-rces006-17-pdf/file. Acesso em: 11 mar. 2020.</p><p>DIAS, J.P.S. A farmácia e a história: uma introdução à história da farmácia, da farmacolo-</p><p>gia e da terapêutica. Lisboa: Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa, 2005.</p><p>FARIAS M. R, et al. Assistência farmacêutica no Brasil: política, gestão e clínica. v. 3. Ed. da</p><p>UFSC. 2016.</p><p>SOUZA G. S. et al. Caracterização da institucionalização da assistência farmacêutica na</p><p>atenção básica no Brasil. Rev Saude Publica. 2017, v. 51, p.1-12, 2017.</p><p>VEIGA JUNIOR, V. F. et al.. Plantas medicinais: cura segura?. Química Nova, São Paulo, v.</p><p>28, n. 3, p. 519-528, 2005.</p><p>UNIDADE 2</p><p>Boticário</p><p>Você está na unidade Boticário. Conheça aqui a história da profissão farmacêutica,</p><p>desde os primeiros relatos até os dias atuais, bem como suas principais atribuições e o</p><p>papel dos Conselhos de classe no amparo ao profissional. Serão abordadas as principais</p><p>áreas de atuação do farmacêutico e a inserção do profissional no mercado, assim como</p><p>as mudanças na atualidade e perspectivas para a profissão. O código de ética será</p><p>apresentado de forma precisa e objetiva, porque é necessário que haja um olhar crítico</p><p>sobre o mesmo, visto que a</p><p>ética é o principal pilar de toda profissão.</p><p>Bons estudos!</p><p>Introdução</p><p>31</p><p>1 HISTÓRIA DA PROFISSÃO FARMACÊUTICA</p><p>Historiadores apontam que a medicina moderna se originou na Grécia, quando os médicos</p><p>visitavam os doentes, carregando uma pequena maleta com seus medicamentos, chamada</p><p>boticário (GOMES-JÚNIOR, 1988).</p><p>Em Alexandria (depois da divisão do império de Alexandre, o Grande), foi fundado um centro</p><p>intelectual que originou a escola dogmática e, sucessivamente, a escola empírica, no século 3</p><p>a.C.. Essa última tinha, por fundamento, o estudo experimental dos medicamentos. Nessa</p><p>época, surgiu, pela primeira vez, a divisão entre médicos, cirurgiões, raizeiros e farmacópolos,</p><p>que eram aqueles que preparavam remédios compostos. A partir de então, as fórmulas mais</p><p>complexas começaram a ser apreciadas, chegando a conter 54 ingredientes, caracterizando assim</p><p>a polifarmácia (BURLAGE et al.1944; RISING, 1959; GOMES-JÚNIOR, 1988).</p><p>Na década de 1940, a farmácia, que até então era vista como parte do estudo de medicina, foi</p><p>regulamentada como profissão independente, por meio da carta magna da medicina, criada pelo</p><p>imperador romano Frederico II. Logo, essa separação ocorreu em vários outros lugares, surgindo</p><p>assim três classes de profissionais diferentes: médicos, cirurgiões e boticários, que mais tarde</p><p>seriam conhecidos como farmacêuticos (BURLAGE et al.1959).</p><p>1.1 Das boticas para as farmácias: um breve histórico</p><p>No Brasil, os chamados curandeiros andavam de casa em casa para examinar e manipular</p><p>medicamentos de acordo com a necessidade de cada paciente. Apenas em 1640, a farmácia foi</p><p>regularizada como comércio, inicialmente chamadas de botica. O boticário atuava como a figura</p><p>central na relação com o paciente e, mesmo sendo um ambiente comercial, cada medicamento</p><p>era feito com a dose correta para o paciente, respeitando a individualidade de cada um. Na época</p><p>citada acima, não era necessária a formação no âmbito da saúde, logo os boticários eram muitas</p><p>vezes pessoas com baixa ou nenhuma escolaridade, mas que conheciam de perto a relação</p><p>medicamento-paciente. É importante ressaltar que as farmácias hospitalares também eram</p><p>chamadas de botica (GOMES-JÚNIOR,1988; FILHO; BATISTA, 2011).</p><p>No Brasil, a regulamentação da profissão farmacêutica, que até então também era parte do</p><p>ensino da medicina, veio mais tarde, em 1839. Foram criadas duas escolas de farmácia: uma em</p><p>Ouro Preto e outra em São João del-Rei, ambas no estado de Minas Gerais. Apenas em 1886, a</p><p>presença do farmacêutico foi exigida como figura central da farmácia, causando um desconforto</p><p>entre os boticários e boticários formados (farmacêuticos). O farmacêutico foi, por muito tempo,</p><p>referência de saúde para a população, construindo um elo importante com os fregueses da botica</p><p>(VALLADÃO, 1981).</p><p>32</p><p>Figura 1 - Boticas</p><p>Fonte: VILLOREJO, shutterstock, 2020</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra um salão com janelas grandes de vitral, estantes e balcões de</p><p>madeira e piso de mármore. Nas estantes, há portas de vidro e, dentro delas, é possível ver pequenos</p><p>frascos de porcelana. Em cima dos balcões, há recipientes grandes com líquidos coloridos.</p><p>1.2 Revolução Industrial e mudança no cenário da profissão</p><p>Com a 2a Revolução Industrial, ocorrida em meados da década de 1920, os Estados Unidos</p><p>e Europa passavam por uma estabilidade social e política, que, com o passar do tempo, teria</p><p>como consequência o aumento da população do país. Porém, a expectativa de vida não passava</p><p>muito dos 40 anos e o aumento exponencial da população era devida à explosão dos índices de</p><p>natalidade. Não havia um meio, naquela época, para prolongar a vida da população e isso de fato</p><p>era um grande problema (HOBSBAWM et al, 1962).</p><p>A solução encontrada para aumentar os anos vividos de um indivíduo foi tirar os avanços</p><p>da Química de dentro de laboratórios. Poucas pessoas tinham acesso a esses avanços, a grande</p><p>maioria tratava-se com medicamentos caseiros. Essa situação durou até março de 1877, quando</p><p>começaram a surgir, aos poucos, as indústrias farmacêuticas (BERNSTEIN, 2001).</p><p>Nos anos subsequentes, os medicamentos deixaram de ser feitos na dose correta para cada</p><p>paciente, passando a ser fabricados em escalas industriais. Assim, farmacêutico foi deixando de ser</p><p>a referência central de saúde para as famílias, se escondeu atrás de caixas de medicamentos e da</p><p>simples dispensação, sem uma conexão do farmacêutico com o paciente/consumidor (LAPORTE</p><p>et al, 1989).Essa situação ainda é comum nos dias atuais, e a utilização maciça de medicamentos</p><p>é um dos problemas emergentes de saúde pública (PEREIRA; NASCIMENTO, 2011).</p><p>33</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>2 ÁREAS DE ATUAÇÃO FARMACÊUTICA</p><p>De acordo com a Resolução do CFF nº 572, de 25 de abril de 2013 (BRASIL, 2013a), as</p><p>especialidades farmacêuticas são agrupadas em 10 linhas de atuação: alimentos; análises clínico-</p><p>laboratoriais; educação; farmácia; farmácia hospitalar e clínica; farmácia industrial; gestão;</p><p>práticas integrativas e complementares; saúde pública e toxicologia. Hoje, para efeito de registro</p><p>de certificados e títulos na carteira profissional, existem 135 especialidades (Brasil, 2013a),</p><p>dentre elas:</p><p>1. análises clínicas;</p><p>2. análises toxicológicas;</p><p>3. assistência farmacêutica;</p><p>4. atenção farmacêutica;</p><p>5. atenção farmacêutica domiciliar;</p><p>6. atendimento farmacêutico de urgência e emergência;</p><p>7. avaliação de tecnologia em saúde;</p><p>8. bacteriologia clínica;</p><p>9. banco de leite humano;</p><p>10. banco de materiais biológico;</p><p>34</p><p>11. banco de órgãos, tecidos e células;</p><p>12. banco de sangue;</p><p>13. controle de qualidade;</p><p>14. controle de qualidade de alimentos;</p><p>15. controle de qualidade e tratamento de água;</p><p>16. controle de vetores e pragas urbanas;</p><p>17. docência do ensino superior;</p><p>18. epidemiologia genética;</p><p>19. farmácia clínica na geriatria;</p><p>20. saúde da família (ESF).</p><p>2.1 Atuação do farmacêutico em farmácias e drogarias</p><p>Segundo a Resolução 13.021, de 08 de agosto de 2014 (BRASIL, 2014b), é necessária a</p><p>presença de um farmacêutico durante todo o horário de funcionamento da drogaria. Como</p><p>dito anteriormente, após a revolução industrial, o farmacêutico ficou cada vez mais distante da</p><p>população, realizando atividades burocráticas ou atendendo os pacientes como se fossem simples</p><p>clientes, devido à grande proporção comercial que tomaram as drogarias (Brasil, 2018).</p><p>O farmacêutico é responsável pela conferência de receitas que ficam retidas na farmácia,</p><p>tendo como obrigação relatar, junto à Vigilância Sanitária, por meio do SNGPC (Sistema Nacional</p><p>de Gerenciamento de Produtos Controlados) a entrada e saída de psicotrópicos (medicamentos</p><p>que precisam de receita). A Portaria 344 de 1998 do Ministério da Saúde (BRASIL, 1998) diz que</p><p>esses medicamentos devem ficar em armários fechados à chave, e só podem ser dispensados</p><p>na presença do farmacêutico. O que consta no armário (quais medicamentos, quantidade de</p><p>cada) deve ser o mesmo que consta no sistema da ANVISA, e o vencimento também deve ser</p><p>FIQUE DE OLHO</p><p>O leque de especialidades farmacêuticas é muito grande, indo desde a produção de</p><p>insumos, medicamentos, logística e dispensação, até membros de equipes multidisciplinares</p><p>de saúde. Conheça as outras especialidades em Brasil (2013a).</p><p>35</p><p>comunicado para que se possa dar baixa no sistema (BRASIL, 1998).</p><p>Ainda em farmácias, o farmacêutico pode ser responsável por laboratórios de manipulação</p><p>(quando há na farmácia) de medicamentos e insumos alopáticos (medicamentos “normais”) assim</p><p>como em laboratórios de homeopatia. No último caso, é necessário ser especializado em homeopatia.</p><p>Quando responsável pela manipulação é designado com farmacêutico magistral (SAMPAIO, 2018).</p><p>Na farmácia magistral, o profissional farmacêutico se responsabiliza por todo o processo, desde a</p><p>conferência das matérias-primas, realizando testes de densidade, aspecto do pó) até o produto final,</p><p>que chega ao consumidor. As receitas</p><p>para manipulação são conferidas, e técnicos em farmácia e/ou</p><p>trabalhadores treinados pesam, manipulam, rotulam e enviam ao farmacêutico para a última conferência.</p><p>Só depois o medicamento é liberado para o paciente. Os colaboradores do laboratório devem seguir a</p><p>Boas Práticas de Manipulação, um passo-a-passo de todo processo, escrito pelo farmacêutico.</p><p>A fiscalização da farmácia é feita pela Vigilância Sanitária da cidade ou regional e pelo CRF (Conselho</p><p>Regional de Farmácia). A primeira fiscaliza os medicamentos controlados, higienização da farmácia</p><p>e da sala de injetáveis, bem como a temperatura da geladeira (que deve estar entre 1 a 8o C) que</p><p>armazena os medicamentos e insumos termolábeis. O CRF fiscaliza se o farmacêutico está presente no</p><p>estabelecimento ou não, sendo passível de advertências, multas ou até a suspensão temporária pelo</p><p>conselho, caso haja reincidências de ausências do profissional (OLIVEIRA-JÚNIOR, 2014).</p><p>Figura 2 - Farmacêutico nas drogarias</p><p>Fonte: ADRIATICFOTO, shutterstock, 2020.</p><p>#PraCegoVer:A imagem mostra um homem vestido de branco atrás de um balcão, entregando</p><p>um medicamento a uma mulher. Atrás dele, é possível ver uma estante cheia de caixas de remédios.</p><p>2.2 Farmacêutico Bioquímico</p><p>O farmacêutico bioquímico é um profissional bastante valorizado, devido a exigências de</p><p>36</p><p>conhecimento aprofundado em uma atividade tão complexa. O farmacêutico bioquímico atua em</p><p>laboratórios de análises clínicas, tanto particulares quanto públicos. É responsável pela gestão do</p><p>laboratório e pelas análises realizadas nele, sendo de seu encargo a supervisão e/ou realização de</p><p>exames hematológicos, como, por exemplo, hemograma, exames bioquímicos (glicose, colesterol ,</p><p>hormônios da tireoide), exames citológicos (Papanicolau, conhecido como exame preventivo de câncer</p><p>no colo do útero), exames para descobrir em quais antibióticos há resistência bacteriana (a bactéria</p><p>não é atingida pelo antibiótico), indicando assim qual o medicamento adequado ao paciente, além de</p><p>exames urológicos (urina, sêmen) e parasitológicos (geralmente em amostras de fezes) (ICQT, 2016).</p><p>A partir de 2002, a Resolução no 02 do Conselho Nacional de Educação (BRASIL, 2002),</p><p>responsável pelas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia, instituiu</p><p>que o diploma do farmacêutico não apresenta mais a designação de farmacêutico bioquímico,</p><p>sendo que, para se obter esse título, é necessário habilitação em análises clínicas ou especialização</p><p>na área (BRASIL, 2002).</p><p>Os cursos de especialização em bioquímica/análises clínicas devem ser credenciados pelo</p><p>CFF (Conselho Federal de Farmácia); SBAC (Sociedade Brasileira de Análises Clínicas); SBRAFH</p><p>(Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar), entre outras.</p><p>Figura 3 - Farmacêutica bioquímica</p><p>Fonte: BLUE PLANET STUDIO, Shutterstock, 2020.</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra uma mulher farmacêutica bioquímica olhando através de um</p><p>microscópio.</p><p>2.3 Farmacêutico Hospitalar</p><p>O farmacêutico hospitalar tem como atividades: garantir o abastecimento da farmácia,</p><p>otimizando custos x benefícios, dispensação dos fármacos aos enfermeiros e técnicos em</p><p>enfermagem, controle de estoque, acesso do medicamento ao paciente (não deixando faltar</p><p>medicamentos para doenças mais prevalentes do município), rastreabilidade (saber para qual</p><p>paciente o medicamento foi entregue) e uso racional de medicamentos (ANDRADE, 2015).</p><p>A introdução da farmácia clínica ao serviço de farmácia hospitalar está sendo bastante</p><p>debatido, e os hospitais vêm solicitando a atuação do farmacêutico com o intuito de evitar erros</p><p>37</p><p>nas medicações e prescrições desnecessárias de medicamentos, visando também à diminuição</p><p>do custo da terapia e o tempo de internação dos pacientes (ANDRADE, 2015).</p><p>O farmacêutico pode, ainda, fazer parte da equipe multidisciplinar da UTI (Unidade de Terapia</p><p>Intensiva), dando assistência a pacientes em estados graves e instáveis (ARAÚJO; ALMEIDA, 2007; 2008):</p><p>Horn e Jacobi (2006) ressaltam que os farmacêuticos em UTI são capazes de formar uma ligação</p><p>entre médico e o enfermeiro, ter visão geral de todo o processo da prescrição até a administração</p><p>do medicamento e, desta maneira, integrar segurança ao paciente no uso de medicamento na forma</p><p>de Intervenção Farmacêutica (IF), que é o ato planejado, documentado e realizado juntamente com</p><p>ao usuário e profissionais de saúde, que propõe resolver ou prevenir problemas que interferem ou</p><p>que podem ir a interferir na farmacoterapia, sendo parte essencial do processo de acompanhamento/</p><p>seguimento farmacoterapêutico, intervindo de maneira primária, garantindo segurança e efetividade.</p><p>Portanto, a atuação do farmacêutico hospitalar traz benefícios para o hospital e para os</p><p>pacientes, reduzindo erros de prescrições e dispensação, problemas relacionados à farmacoterapia</p><p>do indivíduo, como reações adversas e intoxicações, podendo evitar consequências graves, como</p><p>invalidez e óbito (LYRA et.al. 2007).</p><p>Figura 4 - Farmacêutico hospitalar</p><p>Fonte: AS PHOTO STUDIO, Shutterstock, 2020.</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra duas mulheres com estetoscópio no pescoço e roupa verde,</p><p>em frente a uma prateleira de remédios.</p><p>3 PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA</p><p>Prescrição farmacêutica, segundo a resolução no 586 do Conselho Federal de Farmácia</p><p>(BRASIL, 2013b), “é o ato pelo qual o farmacêutico seleciona e documenta terapias farmacológicas</p><p>e não farmacológicas, e outras intervenções relativas ao cuidado à saúde do paciente, visando à</p><p>promoção, proteção e recuperação da saúde, e à prevenção de doenças e de outros problemas de</p><p>saúde.” Até 2013, não era permitido ao farmacêutico qualquer tipo de prescrição (Brasil, 2013b).</p><p>38</p><p>Trata-se de um processo seguro para o paciente, visto que o profissional especialista em</p><p>prescrição clínica deve seguir uma série de etapas para uma correta prescrição, como identificar</p><p>a necessidade e o objetivo terapêutico, selecionar os medicamentos seguros, efetivos e que</p><p>respeitem as condições socioeconômicas do paciente, as evidências científicas (saúde baseada</p><p>em evidências – SBE) e as condições clínicas do paciente (BRASIL, 2013b)</p><p>Aprofundando-se mais na prescrição farmacêutica, esta deve seguir as seguintes etapas,</p><p>conforme Maciulevicius (2013) orienta na homepage do Conselho Regional de Farmácia do Mato</p><p>Grosso do Sul:</p><p>• identificação das necessidades do paciente relacionadas à saúde;</p><p>• definição do objetivo terapêutico;</p><p>• seleção da terapia ou intervenções relativas ao cuidado à saúde, com base em sua segu-</p><p>rança, eficácia, custo e conveniência, dentro do plano de cuidado;</p><p>• redação da prescrição;</p><p>• orientação ao paciente;</p><p>• avaliação dos resultados;</p><p>• documentação do processo de prescrição (MACIULEVICIUS, 2013).</p><p>3.1 Resolução 586/2013 do Conselho Federal de Farmácia (BRASIL,</p><p>2013b)</p><p>A resolução 586/2013 do CFF (BRASIL, 2013b) permite que o farmacêutico prescreva</p><p>medicamentos isentos de prescrição ou medicamentos de venda livre. Parece estranho prescrever</p><p>medicamentos que são isentos de prescrição. Se são isentos de prescrição, por que precisaria</p><p>alguém prescrevê-los?</p><p>A resposta é bem simples e, ao mesmo tempo, preocupante: os medicamentos isentos</p><p>de prescrição (ou sem tarja) são vendidos sem qualquer análise do histórico do paciente,</p><p>alimentando a automedicação e, como consequência, as interações medicamentosas, eventos</p><p>adversos, intoxicações e mais internações hospitalares, onerando o sistema público de saúde e</p><p>diminuindo a qualidade de vida do paciente (LEONARDI, [s.d.]).</p><p>Mesmo que o estudante de farmácia tenha se formado em instituições reconhecidas pelo</p><p>MEC (Ministério da Educação) e tenha conhecimento técnico-científico, é necessário que haja</p><p>bastante atenção ao prescrever, experiência e capacitação no assunto, para que a farmacoterapia</p><p>seja segura.</p><p>39</p><p>No Brasil, os números relacionados à automedicação são alarmantes. Um estudo realizado</p><p>pelo ICQT (Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação) para o Mercado Farmacêutico “mostrou que</p><p>76%</p><p>da população afirmava se automedicar em 2014. Já em 2016, a porcentagem apresentou</p><p>uma leve queda para 72%, mas voltou a crescer em 2018, somando 79%. Esse ano (2020), a</p><p>pesquisa mostrou que já chegam a 81% os brasileiros que tomam medicamentos por conta</p><p>própria.” (LEONARDI, [s.d.]), elucidando assim a importância dos farmacêuticos na utilização</p><p>desses medicamentos.</p><p>Utilize o QR Code para assistir ao vídeo:</p><p>3.2 Consultório farmacêutico: restabelecendo o laço com o paciente</p><p>Grande parte dos clientes e pacientes desconhecem o serviço de farmácia clínica. Desde 2014,</p><p>quando os farmacêuticos foram liberados para prescrever, várias farmácias particulares e públicas</p><p>passaram a disponibilizar as consultas para a população. Além disso, o cuidado farmacêutico foi</p><p>implantado na atenção primária (posto de saúde) e secundária (policlínicas) de vários municípios</p><p>(LEONARDI; MATOS, 2020).</p><p>O serviço de farmácia clínica, além de guiar na utilização de medicamentos isentos de</p><p>prescrição, ajuda o paciente a entender melhor suas comorbidades (doenças) e o uso correto</p><p>dos medicamentos, já que muitas vezes o próprio paciente não sabe o porquê de estar tomando</p><p>determinado fármaco, e essa situação se agrava em pacientes idosos, devido às mudanças</p><p>fisiológicas próprias do envelhecimento, que alteram o mecanismo de ação dos medicamento</p><p>e que muitas vezes estão em polifarmácia (utilizando vários medicamentos ao mesmo tempo).</p><p>Por vezes, o farmacêutico é capaz de perceber interações medicamentosas e até mesmo</p><p>medicamentos que o paciente não precisa mais utilizar (PEREIRA; NASCIMENTO, 2011).</p><p>O consultório farmacêutico deve ser:</p><p>40</p><p>• higienizado;</p><p>• ventilado;</p><p>• bem iluminado;</p><p>• além de ser capaz de garantir a confidencialidade do paciente.</p><p>Diversos serviços podem ser oferecidos, como perfuração de lóbulo auricular, aferição de</p><p>pressão e temperatura corporal e administração de medicamentos.</p><p>O farmacêutico pode também solicitar exames para monitorar as condições clinicas dos</p><p>pacientes e encaminhá-los ao médico quando necessário (LEONARDI et.al., 2020). Testes rápidos</p><p>também podem ser oferecidos, como glicemia capilar (único permitido pela lei). Seguindo a</p><p>legislação, outros testes rápidos como para o HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana), colesterol,</p><p>devem ser requisitados a um laboratório de análises clínicas. Assim sendo, o futuro da profissão</p><p>está cada vez mais na farmácia clínica.</p><p>4 CONSELHOS DE CLASSE DA PROFISSÃO</p><p>FARMACÊUTICA</p><p>Até 1998, os conselhos profissionais eram vinculados ao Ministério do Trabalho. A situação mudou</p><p>devido a Lei 9.649/98 (BRASIL, 1998a) em que os conselhos profissionais passaram a ser entidades de</p><p>direito privados, não havendo mais necessidade de prestar contas à União. Mesmo com a separação</p><p>dos conselhos e Ministério do Trabalho, os conselhos profissionais possuem o poder de fiscalização e</p><p>policiamento, mesmo essas atividades sendo inerentes aos órgãos públicos (Brasil, 1998a).</p><p>O conselho profissional é dividido entre regional, onde cada estado da federação possui um</p><p>conselho regional, podendo este ter mais de uma sede em cidades diferentes, como, por exemplo,</p><p>o Conselho Regional de Farmácia do Rio Grande do Sul tem sedes em Porto Alegre, Passo Fundo,</p><p>Caxias do Sul e Santa Maria (CRF-RS, 2020). O Conselho Federal de Farmácia tem sua sede em</p><p>Brasília e há um Conselho Regional situado no Distrito Federal (CFF, 2008).</p><p>4.1 Conselho Regional de Farmácia</p><p>Após o estudante se formar, agora como profissional, deve-se registrar no Conselho Regional</p><p>de Farmácia do respectivo estado onde atuará, independente de qual ramo irá seguir (drogaria,</p><p>laboratório, industrias e etc).</p><p>Caso o profissional vá exercer a profissão em outro estado, este deve dar baixa junto ao CRF</p><p>em que está inscrito, e se registrar no CRF de destino, não sendo possível farmacêutico ter dois</p><p>registros no CRF (CRF/SP, 2020).</p><p>41</p><p>Mesmo assim, há algumas dúvidas do profissional quanto à utilidade e como o Conselho o</p><p>ajudará na profissão. As atividades que competem ou não aos Conselhos Regionais de Farmácia</p><p>(CRF) estão descritas abaixo:</p><p>Quadro 1 - Competências dos CRF</p><p>Fonte: Elaborado pela autora, 2020.</p><p>#PraCegoVer: A imagem mostra um quadro dividido em três colunas: na primeira, estão</p><p>listadas as competências dos CRF; na segunda, a palavra sim (que deve ser assinalada caso se</p><p>trate de uma competência do CRF); na terceira, a palavra não (que deve ser assinalada caso não</p><p>se trate de uma competência do CRF).</p><p>4.2 Conselho Federal de Farmácia</p><p>Foram apresentadas as atribuições e restrições dos Conselhos Regionais de Farmácia. Porém,</p><p>o que compete então ao Conselho Federal de Farmácia?</p><p>Relembrando um pouco a história, várias reivindicações pelo país estavam acontecendo para</p><p>que se criasse um órgão profissional de farmácia. Por meio da Lei no 3.820/1960, foi criado o</p><p>Conselho Federal de Farmácia (BRASIL,1960).</p><p>O principal objetivo do CFF, assim como os CRF, é a valorização do profissional farmacêutico</p><p>com um olhar voltado para a comunidade. Algumas atribuições do CFF, que constam na homepage</p><p>do mesmo são:</p><p>• expedir resoluções, definindo ou modificando atribuições ou competência dos profissio-</p><p>nais de farmácia;</p><p>42</p><p>• propor as modificações que se tornarem necessárias à regulamentação do exercício pro-</p><p>fissional;</p><p>• ampliar o limite de competência do exercício profissional;</p><p>• colaborar na disciplina das matérias de ciência e técnica farmacêutica, ou que de qual-</p><p>quer forma digam respeito à atividade profissional;</p><p>• organizar o código de deontologia (leis) farmacêutica;</p><p>• deliberar sobre questões oriundas do exercício de atividades afins às do farmacêutico;</p><p>• zelar pela saúde pública, promovendo a assistência farmacêutica. (CFF, 2008).</p><p>Assim, é possível observar que os Conselhos Regionais e Federal de Farmácia trabalham em</p><p>sincronia, lutando pela valorização farmacêutica e promovendo a saúde da comunidade</p><p>4.3 Eleições dos Conselhos regionais e federais de farmácia</p><p>Segundo Resolução no 660, de 28 de setembro de 2018 (BRASIL, 2018), a eleição para o</p><p>Conselho Federal e para os Conselhos Regionais se dá por meio do voto direto e secreto, sendo</p><p>obrigatório a todos os farmacêuticos inscritos com idade menor que 65 anos, e facultativo aos</p><p>profissionais com 65 anos ou mais. A seguir serão apresentados os principais pontos dessa</p><p>resolução, no que tange à candidatura ao Conselho Regional de Farmácia e votação pelos</p><p>farmacêuticos.</p><p>Para que se possa concorrer aos cargos dos conselhos, os farmacêuticos devem estar</p><p>regularmente inscritos, em pleno gozo de seus direitos profissionais, desde que satisfaçam os</p><p>seguintes requisitos:</p><p>a) ser brasileiro;</p><p>b) estar com inscrição profissional principal e definitiva no quadro de farmacêuticos, aprovada</p><p>pelo Plenário do respectivo CRF, até a data de encerramento do prazo de inscrição de candidatos;</p><p>c) não estar proibido ou suspenso de exercer a profissão;</p><p>d) estar quite com a Tesouraria do CRF, sem qualquer débito ou parcela vencida no ato da</p><p>inscrição do candidato;</p><p>e) ter, no mínimo, 3 (três) anos de inscrição em qualquer CRF até o encerramento do prazo</p><p>de inscrição;</p><p>f) apresentação de certidão da justiça estadual, federal, militar e eleitoral, essa última fornecida</p><p>pelas zonas eleitorais, pelos Tribunais Regionais Eleitorais e pelo Tribunal Superior Eleitoral</p><p>43</p><p>g) apresentação de certidão da justiça estadual e federal onde não conste sentença</p><p>condenatória por improbidade administrativa;</p><p>h) apresentação de declaração própria, sob as penas da legislação vigente, atestando que não</p><p>tem qualquer outra causa de inelegibilidade, nos termos desta resolução.</p><p>Os farmacêuticos candidatos a Conselheiro Regional, a funções públicas de Diretoria e a</p><p>Conselheiro Federal e Suplente não podem se candidatar simultaneamente ao CRF e ao CFF. Não</p><p>é permitido também o registro de candidato para mais de um cargo.</p><p>As funções serão ocupadas pelos candidatos ou chapas mais votados.</p><p>• a chapa para Diretoria deverá ser inscrita completa,</p>

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