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<p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 1/19</p><p>TERMOS TÉCNICOS NO</p><p>COMÉRCIO EXTERIOR</p><p>AULA 3</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/19</p><p>Prof. Luciana Mazzuti Leal</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Estamos avançando em nossos estudos e, nesta aula, abordaremos negociação internacional,</p><p>acordos comerciais, parcerias comerciais, Incoterms e sistemática de importação.</p><p>A negociação internacional é a etapa precursora de um projeto de comércio exterior, sendo</p><p>necessário que as partes cheguem a uma concordância sobre determinado tema para que possam</p><p>avançar em um acordo benéfico para. As partes normalmente envolvem dois ou mais países e devem</p><p>sempre respeitar as regras da OMC ou os acordos bilaterais, ambos estabelecidos pelos governos e</p><p>atuantes nas mais diversas áreas, como desenvolvimento técnico-científico, infraestrutura, tributário,</p><p>dentre outros.</p><p>Para auxiliar nas negociações, contamos também com os Incoterms, que constituem um manual</p><p>que normatiza e padroniza as regras de transferências de responsabilidades financeiras e de seguro</p><p>envolvidas na movimentação internacional da carga.</p><p>Bons estudos!</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Os países que buscam se desenvolver por meio do comércio exterior certamente têm como</p><p>estratégia oferecer qualidade e preços atrativos com o objetivo de se tornarem competitivos no</p><p>mercado externo. Para que essa estratégia possa ser eficiente, é necessário que as empresas e os</p><p>profissionais de comércio exterior sejam capazes de analisar os mercados e competidores a fim de se</p><p>colocarem no mercado.</p><p>Existem formas para isso acontecer e uma delas é a utilização das técnicas de negociação</p><p>internacional. A negociação internacional é um tema bastante complexo, pois envolve psicologia,</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 3/19</p><p>conhecimento do mercado, sazonalidade e técnicas para negociar com outros países. Cada país</p><p>possui culturas e idioma próprios e, principalmente, costumes em relação aos negócios, com os quais</p><p>o negociador deve estar muito atento.</p><p>TEMA 1 – NEGOCIAÇÃO INTERNACIONAL</p><p>O conceito de negociação pode ser definido como duas ou mais partes interagindo para chegar a</p><p>um consenso sobre o que lhes interessa, podendo ser um negócio, um acordo, um desconto, uma</p><p>meta ou um objetivo comum.</p><p>Na vida profissional ou pessoal somos obrigados a negociar praticamente todos os dias, mesmo</p><p>que involuntariamente, sobre os mais diversos assuntos: decisões familiares, atividades do dia a dia,</p><p>trabalho, melhor caminho para casa e até mesmo com amigos. Partindo dessa premissa, a negociação</p><p>internacional leva em conta os fatores acima na relação entre países, a fim de maximizar os objetivos</p><p>desejados de forma satisfatória para as partes. É importante considerar o ambiente político e legal, já</p><p>que esses dois fatores podem aproximar investidores com facilidades burocráticas, estabilidade</p><p>política e boa gestão econômica ou expeli-los, nos casos opostos.</p><p>1.1 LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO</p><p>A linguagem e a comunicação são fatores muito importantes em uma negociação internacional. É</p><p>necessário que as partes compreendam o que está sendo proposto de forma clara e objetiva. Isso</p><p>pode parecer óbvio, mas é nessa parte que negociadores despreparados comentem.</p><p>As boas práticas utilizam o inglês como língua oficial nos negócios, porém o espanhol é muito</p><p>utilizado nos países da América Latina. A língua é a base de uma comunicação eficiente, entretanto</p><p>são necessários meios para uma boa comunicação. Atualmente, temos uma infinidade de meios para</p><p>nos comunicar, como telefone, e-mail, WhatsApp, Instagram, Facebook, Skype, dentre outros. No</p><p>mundo dos negócios, quanto mais rápida e clara a comunicação acontecer mais facilmente as</p><p>negociações se desenrolam.</p><p>É importante que todo negociador sempre formalize propostas e intenções em um negócio e a</p><p>forma mais eficiente de se fazer isso é por meio de um contrato ou por e-mail. Muito cuidado, pois</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 4/19</p><p>essa informação parece óbvia, mas em muitas negociações as partes negociam verbalmente e depois</p><p>se enfrentam legalmente em disputas comerciais.</p><p>1.2 ESTRATÉGIAS DE NEGOCIAÇÃO</p><p>Nas negociações internacionais existe uma grande variedade de fatores a serem levados em</p><p>consideração, como a logística internacional, a forma de pagamento, os prazos de entrega, a</p><p>certificação de qualidade, dentre outros fatores que podem tornar uma negociação extremamente</p><p>difícil.</p><p>Para alcançar os objetivos em uma negociação internacional, devemos imaginar que ambas as</p><p>partes têm objetivos a serem alcançados da melhor forma possível, porém nem sempre se consegue</p><p>tudo o que é esperado. Os negociadores podem utilizar técnicas e estratégias para melhorar o</p><p>desempenho e os resultados em uma negociação. Conforme o livro O Manual de Negociação, do</p><p>autor Chester L. Karras, temos mais de 200 táticas e estratégias para aplicar em uma negociação, por</p><p>exemplo:</p><p>Barganha: forma de jogar com os preços de um fornecedor para outro.</p><p>Acordos aos poucos: iniciar uma negociação com a metade da quantidade necessária e</p><p>aumentar a quantidade em troca de melhor preço.</p><p>Cansaço: forma de negociar com calma e devagar para cansar e motivar o vendedor a ceder aos</p><p>seus objetivos.</p><p>Sazonalidade: avaliar o início da negociação com antecedência das altas estações.</p><p>Mudar de negociador: no andar da negociação o negociador inicial sai de cena e combina com</p><p>um novo negociador os objetivos a serem atingidos.</p><p>Concessões: apresentar concessões pré-definidas no andamento da negociação.</p><p>Armadilhas: atuar com mentiras e táticas de jogador. Esta última tática foi colocada</p><p>propositalmente, pois, em regra, os negociadores devem estar atentos a estratégias de</p><p>negociadores mal-intencionados.</p><p>Além das técnicas práticas de negociação, é possível aprofundarmos o assunto com técnicas de</p><p>persuasão, estratégias psicológicas e uma infinidade de ferramentas disponíveis no mercado. A</p><p>persuasão e as técnicas psicológicas normalmente são aplicadas por negociadores altamente</p><p>preparados e capazes de atingir seus objetivos sem que uma das partes perceba. Se você tiver</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 5/19</p><p>interesse em se aprofundar no assunto, indicamos o livro O Poder da Persuasão, de Robert B. Cialdine.</p><p>Esse livro trata dos gatilhos mentais pré-programados nas pessoas, que são as formas como o ser</p><p>humano responde a estímulos e a relação do comportamento nas negociações.</p><p>Como percebemos, a negociação internacional é uma tarefa complexa e quanto maiores os</p><p>objetivos, mais capacitados devem ser os negociadores.</p><p>1.3 ERROS MAIS COMUNS NAS NEGOCIAÇÕES INTERNACIONAIS</p><p>Visto que os negociadores utilizam as mais diversas estratégias para negociar, é possível que</p><p>muitos cometam deslizes. Podemos elencar alguns erros conforme o livro Negociando Racionalmente,</p><p>de Max H. Bazerman:</p><p>Negociador se compromete com algo que não pode cumprir e não tem como voltar atrás.</p><p>O desejo de sempre vencer pode destruir a estratégia racional de negociação.</p><p>Desconhecer o outro negociador e sua área de atuação ou estar despreparado para negociar.</p><p>Blefar sem ter alternativa.</p><p>Não se comportar como cliente em uma compra.</p><p>Abrir muitas informações que não foram solicitadas.</p><p>Em uma negociação de alto nível, é possível perceber falhas e aproveitá-las a seu favor, já que o</p><p>mercado global é extremamente competitivo e a capacidade de negociação é um diferencial ao</p><p>profissional de comércio exterior.</p><p>TEMA 2 – ACORDOS COMERCIAIS</p><p>Os acordos comerciais têm relação direta com o que tratamos no tema 1, já que são negociações</p><p>internacionais entre países que buscam melhorar o ambiente de negócios entre as partes e podem se</p><p>dar das seguintes formas:</p><p>Acordos bilaterais: são acordos que visam a estabelecer o desenvolvimento saudável nos</p><p>negócios entre dois países a partir de regras</p><p>pré-estabelecidas, que podem ser econômicas,</p><p>políticas, de infraestrutura, entre outras.</p><p>Blocos econômicos: são acordos feitos entre vários países que se reúnem com o mesmo fim de</p><p>desenvolvimento comercial. Existem acordos comerciais que se dão entre blocos e um país, é o</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 6/19</p><p>exemplo do acordo Mercosul com o México (ACE-53); entre blocos, como o caso do</p><p>Mercosul/Sacu (uma união aduaneira de países africanos) ou o mais recentemente assinado,</p><p>Mercosul/União Europeia.</p><p>Em quaisquer desses arranjos, a Organização Mundial do Comércio (OMC) define regras para que</p><p>os acordos possam ser firmados.</p><p>2.1 ACORDOS BILATERAIS</p><p>Na área econômica, esses acordos são conhecidos como Acordos de Complementação Econômica</p><p>(ACE) e visam a estabelecer benefícios tributários e burocráticos nas relações comerciais entre os</p><p>países, por exemplo, zerando a alíquota do imposto de importação ou reduzindo a burocracia; o</p><p>imposto de importação é cobrado na entrada de produtos estrangeiros no país. Conforme o</p><p>Ministério da Indústria e Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o Brasil possui sete ACE:</p><p>Brasil – Uruguai (ACE-02)</p><p>Brasil – Argentina (ACE-14)</p><p>Brasil – México (ACE-53)</p><p>Mercosul – Peru (ACE-58)</p><p>Brasil – Suriname (ACE-41)</p><p>Brasil – Venezuela (ACE-69)</p><p>Brasil – Paraguai (ACE-74)</p><p>Os bilaterais podem ser utilizados por exportadores e importadores a fim de verificar se suas</p><p>operações estão contempladas nos acordos por meio da NCM dos produtos. O código de cada ACE,</p><p>por exemplo Brasil/ Argentina (ACE-14), é utilizado no registro da importação junto à Receita Federal.</p><p>Imagine que uma empresa importadora brasileira deseja importar peças automotivas do México</p><p>e precisa saber se existe um ACE entre Brasil e México para que possa fazer a importação com isenção</p><p>ou redução do imposto de importação. Antes de iniciar a importação, o importador pergunta ao</p><p>exportador a NCM do produto e envia ao despachante aduaneiro. O despachante analisa a NCM na</p><p>Receita Federal para confirmar se o importador pode utilizar do ACE –53 Brasil/México e reduzir a</p><p>alíquota de importação. Veremos adiante que serão necessários documentos comprobatórios para</p><p>utilização dos ACE.</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 7/19</p><p>2.2 ACORDOS ENTRE BLOCOS ECONÔMICOS E PAÍSES</p><p>Diferente dos acordos bilaterais entre apenas dois países, os acordos de blocos econômicos são</p><p>formados por um grupo de países que se unem para reduzir barreiras e impostos entre os</p><p>participantes. Podemos citar como exemplo de blocos econômicos o Mercosul e a União Europeia.</p><p>Na mesma pesquisa feita no item 2.1, é possível encontrar os acordos entre blocos econômicos</p><p>conforme abaixo:</p><p>Mercosul (ACE-18)</p><p>Mercosul – Chile (ACE-35)</p><p>Mercosul – Bolívia (ACE-36)</p><p>Mercosul – México (ACE-54)</p><p>Automotivo Mercosul – México (ACE-55)</p><p>Mercosul – Peru (ACE-58)</p><p>Mercosul – Colômbia, Equador e Venezuela (ACE-59)</p><p>Mercosul – Colômbia (ACE-72)</p><p>Mercosul – Cuba (ACE-62)</p><p>Mercosul/Índia</p><p>Mercosul/Israel</p><p>Mercosul/Egito</p><p>Similar aos acordos bilaterais, os acordos entre blocos econômicos e países visam a beneficiar os</p><p>signatários. Agora, reflita: existe algum documento necessário para que uma importação usufrua um</p><p>acordo bilateral ou entre blocos econômicos? A resposta é sim; o principal e obrigatório documento é</p><p>o Certificado de Origem.</p><p>2.3 CERTIFICADO DE ORIGEM</p><p>O Certificado de Origem (CO) é um documento emitido por órgãos autorizados pelo governo de</p><p>um país que garantem procedência e confirmam a chamada Regra de Origem, na qual se estipula</p><p>percentual de produção nacional, não apenas a origem do produto a ser exportado, evitando, assim,</p><p>beneficiar países que não fazem parte do acordo.</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 8/19</p><p>Para conhecer entidades autorizadas a emitir o certificado, basta fazer uma consulta simples no</p><p>portal do Ministério da Economia (MDIC). Os requisitos analisados para emissão do Certificado estão</p><p>contidos nas regras gerais e podem ser resumidos da seguinte maneira:</p><p>Insumos originários: totalmente obtidos, integralmente elaborados ou totalmente produzidos.</p><p>Exemplo: molho de pimenta produzido com matéria-prima brasileira.</p><p>Insumos não-originários: há critérios de qualificação de origem, que são o salto tarifário, o valor</p><p>de conteúdo regional e os requisitos produtivos.</p><p>Como exemplo prático dessa explicação, temos, de acordo com o MDIC:</p><p>uma determinada empresa A do Brasil exporta o produto lata de alumínio com tampa, classificado</p><p>na NCM 7612.90.19 para a empresa B do Uruguai. Para esse produto ser considerado originário do</p><p>Brasil, no âmbito do regime de origem do Mercosul, deve estar classificado em uma posição tarifária</p><p>distinta dos insumos não-originários. Considerando que o produto contém os seguintes insumos de</p><p>terceiros países: bobinas de alumínio (NCM: 7606.92.00); verniz externo (NCM: 3209.10.20); e tampa</p><p>de alumínio (NCM: 8309.90.00), em relação ao produto final, é possível verificar que houve mudança</p><p>de classificação tarifária dos insumos não originários (salto de posição). Portanto, o produto é</p><p>considerado originário do Brasil.</p><p>Observe um modelo de certificado de origem do ACE 18, Mercosul:</p><p>Figura 1 – Modelo de certificado de origem</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 9/19</p><p>Fonte: MDIC.</p><p>Para concluir, ressaltamos que o Certificado de Origem garante a procedência de um produto e</p><p>faz jus ao direito de utilização dos benefícios em acordos bilaterais ou por meio de blocos</p><p>econômicos.</p><p>TEMA 3 – PARCERIAS COMERCIAIS</p><p>As parcerias comerciais no comércio internacional se dão principalmente por meio dos acordos</p><p>celebrados pelos governos, sejam eles, como vimos anteriormente, entre blocos ou bilaterais.</p><p>Os países todos se beneficiam desses acordos e parcerias nas suas trocas comerciais; não apenas</p><p>enviando e recebendo mercadorias que passam fisicamente pelas aduanas, mas também tecnologias</p><p>e serviços considerados bens intangíveis, os quais são tratados por acordos específicos. Um exemplo</p><p>é o acordo de coprodução cinematográfica entre Brasil e Israel, aprovado pelo Decreto n. 143/2016,</p><p>em vigor desde 2017.</p><p>Os acordos que tratam de bens intangíveis, assim como os que tratam das mercadorias, também</p><p>estabelecem regras mínimas que devem ser obedecidas para que a transferência de recursos dos</p><p>governos envolvidos aconteça em sua plenitude.</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 10/19</p><p>É importante entender que os acordos comerciais e as parcerias se formam com a intenção de</p><p>benefício e desenvolvimento mútuo. Sendo assim, eles seguem protocolos e prazos bem</p><p>estabelecidos para seu cumprimento e por isso é importante que sejam constantemente consultados</p><p>pelas partes negociantes. Cabe a cada um saber de suas obrigações para poder usufruir plenamente</p><p>do estabelecido.</p><p>TEMA 4 – INTERNATIONAL COMMERCIAL TERMS (INCOTERMS)</p><p>Os Termos Internacionais de Comércio, conhecidos como Incoterms, organizam e determinam as</p><p>responsabilidades do exportador e do importador nas questões que se referem à transferência física</p><p>da mercadoria e do seguro de transporte, ou seja, regram o que tange a logística internacional. Essas</p><p>responsabilidades também incluem riscos logísticos, incertezas, complexidades dos processos e</p><p>empresas terceirizadas envolvidas (Segalis et al., 2012).</p><p>É de responsabilidade da International Chamber of Commerce (ICC) manter atualizadas essas</p><p>regras, bem como adequá-las aos novos movimentos da logística internacional. Até a última</p><p>atualização, nesse ano de 2020, os termos eram revistos a cada dez anos, porém, a velocidade com</p><p>que os negócios e principalmente a logística internacional têm mudado faz a ICC pensar em</p><p>atualizações mais dinâmicas.</p><p>Mais importante que decorar os termos é entender do que eles fundamentalmente tratam. Esses</p><p>termos foram criados originalmente com o propósito de facilitar a comunicação e o entendimento</p><p>entre importadores e exportadores naquilo que diz respeito à logística de entrega da mercadoria e do</p><p>seguro do transporte envolvido.</p><p>Vale saber que os Incoterms não são imposições, mas, sim, uma forma de facilitar a negociação.</p><p>Assim, comprador e vendedor podem definir fora do que reza o termo, quem ficará responsável pelo</p><p>desembaraço da carga na origem; caso não haja outro acordo, valerá a regra. Também não é</p><p>necessário que se use o Incoterm vigente, porém, é preciso lembrar de indicar qual versão das regras</p><p>está sendo usada, por exemplo, FOB Santos, Incoterm 2010.</p><p>Para facilitar o entendimento dos termos, podemos dividi-los em:</p><p>Família E: o único termo é EXW (Ex-works), no qual há menor responsabilidade para o</p><p>exportador, que deixa a mercadoria em sua fábrica/armazém livre para o importador coletar.</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 11/19</p><p>Indicado para quem tem pouco conhecimento da logística internacional.</p><p>Família F (FOB, FAS e FCA): aqui a responsabilidade do exportador é de contratar transporte na</p><p>origem. Deve entregar a mercadoria em um terminal conforme o modal acordado; é também</p><p>responsável pelo desembaraço da carga. Sua responsabilidade cessará após o carregamento em</p><p>equipamento de transporte internacional.</p><p>Família C (CPT, CIP, CFR e CIF): esses são os termos que dão ao exportador a responsabilidade</p><p>do transporte principal (o de longo curso). Nessa família encontramos dois Incoterms que</p><p>colocam a responsabilidade de contratação de seguro de transporte internacional nas mãos do</p><p>exportador, são eles o CIF e o CIP.</p><p>Família D (DAP, DPU e DDP): temos aqui o maior grau de responsabilidade do exportador, vez</p><p>que esses termos designam a entrega (delivery) da mercadoria no destino, ou seja, o exportador</p><p>será responsável por contratar transporte e entregar a mercadoria no destino, conforme</p><p>acordado, podendo ser com impostos inclusos ou não.</p><p>Agora, observe as responsabilidades das Incoterms.</p><p>Figura 2 – Responsabilidades por Incoterm</p><p>Crédito: Smile ilustras.</p><p>São os Incoterms que determinam as responsabilidades do exportador e do importador nos</p><p>diversos serviços envolvidos na cadeia de transporte, porém, eles não dispensam um contrato de</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 12/19</p><p>compra e venda ou um documento claro com essas informações. Os Incoterms, por exemplo, não</p><p>tratam de transferência de propriedade da mercadoria.</p><p>Para ampliar seu conhecimento, veja o glossário dos termos:</p><p>EXW (Ex-works): sem transporte, na fábrica, local de origem, do exportador.</p><p>FOB (Free on Board): livre do transporte principal, entregue embarcado no navio, mercadoria</p><p>desembaraçada.</p><p>FCA (Free Carrier): livre do transporte principal, porém, entregue ao transportador em local</p><p>designado pelo importador.</p><p>FAS (Free Alongside Ship): entregue no costado do navio, é utilizado para embarque de</p><p>automóveis geralmente.</p><p>CFR (Cost and Freight): transporte principal por conta do exportador; vendedor entrega carga ao</p><p>transportador no navio designado pelo importador.</p><p>CIF (Cost, Insurance and Freight): transporte principal e seguro de transporte é por conta do</p><p>exportador, mercadoria entregue no porto de destino.</p><p>CPT (Carriage Paid To): transporte principal pago pelo exportador (usado para transportes</p><p>rodoviários ou aéreos).</p><p>CIP (Carriage and Insurance Paid): transporte principal e seguro pagos pelo exportador,</p><p>mercadoria entregue no destino, aeroporto ou armazém, para outros modais que não marítimo.</p><p>DAP (Delivery at Place): entregue no local de destino, pronta para desembaraço, no meio de</p><p>transporte designado.</p><p>DDP (Delivery Duty Paid): exportador entrega no destino com obrigações (impostos) pagos em</p><p>local designado.</p><p>DPU (Delivery at Place Unloaded): exportador entrega a mercadoria no destino, local designado,</p><p>descarregada do meio de transporte local.</p><p>Falamos bastante até aqui dos termos, mas vale dizer que os Incoterms só podem ser usados</p><p>para comércio de mercadorias, não sendo aplicados às transações internacionais de serviços.</p><p>TEMA 5 – SISTEMÁTICA DE IMPORTAÇÃO</p><p>A sistemática de importação são etapas que pessoas físicas ou jurídicas (empresas) devem</p><p>executar seguindo normas e regulações da Receita Federal e recolhendo os impostos devidos. Uma</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 13/19</p><p>empresa pode importar por conta própria após habilitação (importação direta) ou com auxílio de</p><p>outra empresa já habilitada (importação indireta), também conhecida como comercial importadora ou</p><p>trading (o que não dispensa sua habilitação).</p><p>A habilitação é conhecida como Rastreamento da Atuação dos Intervenientes Aduaneiros (Radar)</p><p>e deve ser feita pelas empresas que desejam operar no comércio exterior brasileiro de forma on-line</p><p>no site <https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/habilitacao>; sem essa</p><p>habilitação não é possível importar. Existem três tipos de Radar:</p><p>Expresso: empresa pode importar até 50 mil dólares americanos a cada seis meses, não</p><p>cumulativo.</p><p>Limitado: empresa pode importar até 150 mil dólares americanos a cada seis meses, não</p><p>cumulativo.</p><p>Ilimitado: empresa pode importar acima de 150 mil dólares americanos, sem restrição.</p><p>Os tipos de Radar se aplicam à pessoa física, porém o Radar para pessoa física não pode ser</p><p>utilizado para importações com finalidade de comercialização, neste caso para empresas.</p><p>O Radar tem vencimento de seis meses caso não utilizado. Se vencer, o importador deverá</p><p>solicitá-lo novamente, como se fosse a primeira vez. Assim que aprovado pela Receita Federal, a</p><p>pessoa física ou empresa é habilitada a utilizar o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) e</p><p>pode fazer sua primeira importação respeitando o tipo do seu Radar conforme acabamos de ver. Se a</p><p>empresa não possuir o Radar, não pode operar no Siscomex e, consequentemente, não pode</p><p>importar.</p><p>5.1 SISTEMA INTEGRADO DE COMÉRCIO EXTERIOR (SISCOMEX)</p><p>O Siscomex, instituído pelo Decreto n. 660, de 25 de setembro de 1992, é um sistema</p><p>informatizado responsável por integrar as atividades de registro, acompanhamento e controle das</p><p>operações de comércio exterior, por meio de um fluxo único e automatizado de informações.</p><p>O Siscomex permite acompanhar a saída e o ingresso de mercadorias no país, uma vez que os</p><p>órgãos reguladores do governo podem, em diversos níveis de acesso, controlar e interferir no</p><p>processamento de operações para uma melhor gestão de processos. Por intermédio do próprio</p><p>https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/habilitacao</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/19</p><p>sistema, o importador troca informações com os órgãos responsáveis pela autorização e fiscalização</p><p>(Brasil, 1992).</p><p>5.2 DESPACHANTE ADUANEIRO</p><p>Despachante aduaneiro é o profissional que atua como representante legal da pessoa física ou</p><p>empresa perante a Receita Federal no âmbito das atividades de comércio exterior pelo Siscomex.</p><p>Existem empresas especializadas no despacho aduaneiro que são conhecidas como comissárias de</p><p>desembaraço aduaneiro.</p><p>As pessoas físicas ou empresas importadoras contratam as comissárias de desembaraço</p><p>aduaneiro e ou despachantes aduaneiros para representá-las junto às aduanas e aos órgãos de</p><p>fiscalização.</p><p>5.3 PEDIDO INTERNACIONAL</p><p>O pedido internacional é o documento que confirma a intenção de aquisição de um produto ou</p><p>serviço de um fornecedor internacional. Nesse documento serão determinadas as condições</p><p>comerciais negociadas entre o exportador e o importador sobre os detalhes do negócio ou relação</p><p>comercial, manifestando assim as intenções de vontade de duas ou mais partes para criar relações</p><p>comerciais ou de serviços.</p><p>5.4 DOCUMENTOS DE IMPORTAÇÃO</p><p>Os documentos exigidos pela Receita Federal são: conhecimento de carga, fatura proforma,</p><p>fatura comercial e romaneio de carga. Para cada transporte existe um documento chamado</p><p>Conhecimento de Transporte, um tipo de conhecimento de embarque. Esse</p><p>documento é emitido</p><p>pelo transportador e possui quatro funções:</p><p>Define a contratação da operação de transporte internacional da origem até o destino.</p><p>Comprova o recebimento da mercadoria na origem e a obrigação de entregá-la no lugar de</p><p>destino.</p><p>Constitui prova de posse ou propriedade da mercadoria.</p><p>Ampara a mercadoria e descreve a operação de transporte.</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 15/19</p><p>A Fatura Comercial é o documento que contém todos os dados do negócio tomando como base</p><p>o Regulamento Aduaneiro, Decreto n. 6.759, de 05 de fevereiro de 2009. Esse documento deverá ser</p><p>apresentado para a Receita Federal em sua forma original, carimbada e assinada a punho, com caneta</p><p>esferográfica azul ou preta.</p><p>O romaneio de carga é o documento que apresenta como a importação está montada em suas</p><p>embalagens ou disposta dentro de um caminhão, contêiner ou pallet, número e tamanho das caixas, e</p><p>disposição da organização dos produtos, visando a facilitar a vistoria da Receita Federal, caso</p><p>necessário.</p><p>5.5 REGISTRO DA IMPORTAÇÃO</p><p>A nacionalização da carga está diretamente relacionada ao registro da Declaração de Importação.</p><p>A Declaração de Importação (DI) é o documento registrado pelo importador ou representante</p><p>legal que lhe atribui numeração automática única, sequencial e nacional, reiniciada a cada ano e que</p><p>consiste na prestação das informações correspondentes à operação de importação, contendo dados</p><p>de natureza comercial, fiscal e cambial sobre as mercadorias. O registro da DI caracteriza o início do</p><p>despacho de importação.</p><p>Atualmente, a Receita Federal trabalha na simplificação do processo de importação aos moldes</p><p>do que já aconteceu (e continua se atualizando) na exportação com a DU-E, digitalizando também a</p><p>DI, a chamada Duimp. O pagamento dos tributos e contribuições federais devidos na importação de</p><p>mercadorias, assim como os demais valores exigidos em decorrência da aplicação de direitos</p><p>antidumping, compensatórios ou de salvaguarda, será efetuado no ato do registro da respectiva DI.</p><p>5.6 PARAMETRIZAÇÃO E CANAIS DE CONFERÊNCIA</p><p>A parametrização é a análise fiscal da importação pela Receita Federal e está amparada no artigo</p><p>21 da Instrução Normativa n. 680, de 02 de outubro de 2006. Ela ocorre após o registro da Declaração</p><p>de Importação no Siscomex e será submetida a um dos canais de conferência aduaneira, que podem</p><p>ser:</p><p>Canal Verde: importação parametrizada em canal verde significa desembraço automático da</p><p>mercadoria, dispensada de análise dos documentos ou análise física da mercadoria pela Receita</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 16/19</p><p>Federal. Na importação, desembraço é o processo pelo qual a importação passa até ser liberada</p><p>ou nacionalizada. A importação é chamada de desembraçada quando a carga se encontra</p><p>liberada pela Receita Federal. Dizer que a carga está desembraçada é a mesma coisa dizer que</p><p>ela foi liberada.</p><p>Canal Amarelo: importação parametrizada em canal amarelo significa desembaraço não</p><p>automático da mercadoria, sendo necessário apenas exame documental da importação pela</p><p>Receita Federal. Os documentos (item 6.3) são enviados de forma eletrônica no Siscomex e, não</p><p>havendo nenhuma irregularidade, a carga é desembraçada pela fiscal em que o processo foi</p><p>direcionado.</p><p>Canal Vermelho: importação parametrizada em canal vermelho significa desembaraço não</p><p>automático da mercadoria, sendo necessário exame documental da importação e física da</p><p>mercadoria pela Receita Federal. Nesse caso, a importação passa pelo rito do canal amarelo</p><p>descrito acima e quando o fiscal direcionado do canal amarelo liberar a análise documental, o</p><p>processo de importação será direcionado para exame físico da mercadoria por um novo fiscal.</p><p>Não havendo nenhuma irregularidade, a carga é desembraçada pela fiscal em que o processo</p><p>foi direcionado.</p><p>Canal Cinza: importação parametrizada em canal cinza significa desembaraço não automático</p><p>da mercadoria, sendo necessário exame documental da importação e física da mercadoria pela</p><p>Receita Federal, além de verificação de indícios de fraude, principalmente referente ao preço</p><p>declarado na Declaração de Importação.</p><p>Após a parametrização e, em casos de conferência, o importador apresentar os documentos</p><p>exigidos, a importação será liberada e a última atividade do importador será emitir a nota fiscal de</p><p>entrada.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Considerando os acordos comerciais celebrados pelo Brasil, seja no âmbito do Mercosul, seja</p><p>bilateralmente, comente os benefícios que eles trazem à economia local. Compartilhe conosco sua</p><p>opinião.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 17/19</p><p>Atividade prática</p><p>Para realizar a atividade proposta, leia o conteúdo desta aula e a matéria jornalística. Bons</p><p>estudos e bom trabalho!</p><p>Mercosul e União Europeia fecham acordo de livre comércio após 20 anos</p><p>Este é o maior acordo já firmado pelo Mercosul e abrange bens, serviços, investimentos e</p><p>compras governamentais</p><p>O Mercosul e a União Europeia finalizaram nesta sexta-feira, 28, as negociações para o</p><p>acordo entre os dois blocos. O tratado, que abrange bens, serviços, investimentos e compras</p><p>governamentais, vinha sendo discutido há duas décadas por europeus e sul-americanos.</p><p>A rodada final de negociações foi iniciada por técnicos na semana passada. Diante do</p><p>avanço nas tratativas, os ministros do Mercosul e da União Europeia foram convocados e, desde</p><p>a quinta-feira, 27, estão fechados em reuniões na Bruxelas.</p><p>O acordo entre Mercosul e União Europeia representa um marco. É segundo maior tratado</p><p>assinado pelos europeus – perde apenas para o firmado com o Japão, segundo integrantes do</p><p>bloco – e o mais ambicioso já acertado pelo Mercosul, que reúne Brasil, Argentina, Paraguai e</p><p>Uruguai.</p><p>Com a vigência do acordo, produtos agrícolas de grande interesse do Brasil terão suas tarifas</p><p>eliminadas, segundo o governo, como suco de laranja, frutas (melões, melancias, laranjas, limões,</p><p>entre outras), café solúvel, peixes, crustáceos e óleos vegetais.</p><p>Fonte: Revista Exame, Caderno Economia – 28 jun. 2019.</p><p>Agora, faça o que se pede:</p><p>1. Com base no texto, elabore e fundamente sua opinião sobre os benefícios e as</p><p>oportunidades que os acordos comerciais trazem aos signatários, considerando o ponto de vista</p><p>do empresário brasileiro.</p><p>2. Comente como nosso país pode ser mais competitivo considerando o conteúdo exposto</p><p>nesta aula.</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 18/19</p><p>FINALIZANDO</p><p>Chegamos ao final desta aula. Seu objetivo principal foi entender o que são os acordos</p><p>comerciais e como eles interferem na dinâmica de comércio internacional. Também compreendemos</p><p>que existem importantes conceitos de negociação que devem ser levados em consideração desde o</p><p>início de uma tratativa de compra e venda internacional, a despeito dos contratos e dos Incoterms.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Institui o Sistema Integrado de Comércio Exterior – Siscomex. Decreto n. 660 de 25</p><p>de setembro de 1992. Brasília, 1992. Disponível em:</p><p><http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/D0660.htm>. Acesso em: 09 set. 2020.</p><p>BRASIL. Ancine. Decreto n. 143/2016. Disponível em: <https://www.ancine.gov.br/pt-</p><p>br/legislacao/acordos-internacionais/acordos-bilaterais/israel>. Acesso em: 09 set. 2020.</p><p>ICC. International Chamber of Commerce. Rules for any mode or modes of transport. 2010.</p><p>Disponível em: <https://iccwbo.org/resources-for-business/incoterms-rules/incoterms-rules-2010/>.</p><p>Acesso em: 09 set. 2020.</p><p>MDIC. Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Certificado de</p><p>Origem Digital. Disponível em: <http://www.mdic.gov.br/images/REPOSITORIO/secex/deint/coreo/se</p><p>minario/Seminrio-COREO-2017_COD.pdf>. Acesso em: 09 set. 2020.</p><p>SEGALIS, G. et al. Fundamentos de exportação e importação. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2012.</p><p>23/02/2024, 18:55 UNINTER</p><p>https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 19/19</p>