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<p>MARINHA DO BRASIL</p><p>DIRETORIA DE PORTOS E COSTAS</p><p>ENSINO PROFISSIONAL MARÍTIMO</p><p>CURSO DE FORMAÇÃO DE AQUAVIÁRIOS</p><p>(CFAQ-MAF/MMA)</p><p>SEGURANÇA E RESPONSABILIDADE SOCIAL</p><p>SRE-001</p><p>2</p><p>Sumário</p><p>1 LEGISLAÇÃO APLICADA À MARINHA MERCANTE BRASILEIRA 5</p><p>Legislação Pertinente (CLT / LESTA / RELESTA / NORMAM) .................................. 5</p><p>Águas jurisdicionais brasileiras ........................................................................... 7</p><p>Caderneta De Inscrição E Registro – CIR .............................................................. 9</p><p>Rol de equipagem ............................................................................................. 10</p><p>Atribuições do comandante .............................................................................. 10</p><p>Atribuições dos aquaviários .............................................................................. 12</p><p>Legislação Ambiental ........................................................................................ 13</p><p>2 PRIMEIROS SOCORROS 16</p><p>Abordagem inicial à vítima ............................................................................... 17</p><p>Parada Cardiorrespiratória (PCR)....................................................................... 23</p><p>Obstrução das vias aéreas................................................................................. 26</p><p>Convulsão ........................................................................................................ 28</p><p>Desmaio ........................................................................................................... 30</p><p>Queimaduras ................................................................................................... 31</p><p>Choque Elétrico ................................................................................................ 33</p><p>Principais lesões traumato-ortopédicas e suas consequências ............................ 34</p><p>Hemorragias .................................................................................................... 38</p><p>3 TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA PESSOAL 40</p><p>Embarcações de sobrevivência.......................................................................... 40</p><p>Embarcação de salvamento .............................................................................. 41</p><p>Equipamentos individuais ................................................................................. 41</p><p>Fundamentos da sobrevivência no mar ............................................................. 44</p><p>4 SEGURANÇA NO TRABALHO 47</p><p>Conceitos e definições ...................................................................................... 47</p><p>3</p><p>Legislação ........................................................................................................ 49</p><p>Riscos nos ambientes de trabalho ..................................................................... 50</p><p>5 PREVENÇÃO E CONTROLE DA POLUIÇÃO - MEIO AMBIENTE AQUAVIÁRIO 53</p><p>Meio ambiente ................................................................................................ 53</p><p>Poluição ........................................................................................................... 53</p><p>Degradação dos rios brasileiros ......................................................................... 55</p><p>Poluição e outros Crimes Ambientais ................................................................ 59</p><p>Principais agentes poluidores ........................................................................... 60</p><p>6 PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA 64</p><p>Procedimentos básicos para a sobrevivência ..................................................... 64</p><p>Procedimentos básicos para o trat de transtornos emoc e de saúde mental ....... 68</p><p>Procedimentos de Abandono ............................................................................ 74</p><p>Ações a serem empreendidas quando do abandono da embarcação .................. 76</p><p>7 RELAÇÕES INTERPESSOAIS E RESPONSABILIDADES SOCIAIS 85</p><p>Relações humanas ............................................................................................ 85</p><p>Personalidade .................................................................................................. 85</p><p>Trabalho em equipe .......................................................................................... 93</p><p>Relacionamento humano a bordo do navio ..................................................... 103</p><p>Responsabilidade social .................................................................................. 106</p><p>Relações humanas a bordo ............................................................................. 108</p><p>8 PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO 110</p><p>Teoria do fogo ................................................................................................ 110</p><p>Classificação dos incêndios ............................................................................. 111</p><p>Métodos de extinção do fogo ......................................................................... 115</p><p>Agentes extintores ......................................................................................... 117</p><p>Equipamentos de combate a incêndios ........................................................... 124</p><p>4</p><p>Combate a incêndios a bordo .......................................................................... 129</p><p>Agentes extintores usados a bordo - resfriamento ........................................... 131</p><p>Agentes extintores usados a bordo - abafamento ............................................ 132</p><p>Técnicas de Combate a Incêndio ..................................................................... 135</p><p>REFERÊNCIAS 142</p><p>5</p><p>1 LEGISLAÇÃO APLICADA À MARINHA MERCANTE BRASILEIRA</p><p>Legislação Pertinente (CLT / LESTA / RELESTA / NORMAM)</p><p>A carreira do aquaviário, ou seja, a formação, certificação e controle do pessoal</p><p>da Marinha Mercante, é regulada pela NORMAM 13. Regulamento da Lei de Segurança</p><p>do Tráfego Aquaviário (RLESTA) e regulamentou a Lei n. 9.537, de 11 de dezembro de</p><p>1977 (LESTA), que dispõe sobre a Segurança do Tráfego Aquaviário em águas sob</p><p>Jurisdição Nacional.</p><p>As Normas da Autoridade Marítima para Aquaviários - NORMAM 13, aprovadas</p><p>pela Portaria n. 111, de 16 de dezembro de 2003, estabelecem os procedimentos</p><p>relativos à carreira dos Aquaviários, em cumprimento da Lei mencionada e sua</p><p>regulamentação. A NORMAM 13, foi elaborada buscando atender a Convenção</p><p>Internacional sobre Padrão de Treinamento de Marítimos e de Certificação em Serviço</p><p>de Quarto, mais conhecida como STCW-78/95 (Standards of Training Certification and</p><p>Watchkeeping) da Organização Marítima Internacional (IMO).</p><p>Autoridade marítima é o representante legal do país, responsável, dentre outras</p><p>atribuições, pelo ordenamento e regulamentação das atividades da Marinha Mercante,</p><p>cabendo a ela promover a implementação e a execução da Lei de Segurança do Tráfego</p><p>Aquaviário - LESTA, com o propósito de assegurar a salvaguarda da vida humana, a</p><p>segurança da navegação, no mar aberto e hidrovias interiores, e a prevenção da poluição</p><p>ambiental por parte de embarcações, plataformas ou suas instalações de apoio.</p><p>A Autoridade Marítima no Brasil é o Comandante da Marinha. O Diretor de</p><p>Portos e Costas é o representante da Autoridade Marítima para a Marinha Mercante,</p><p>Segurança do Tráfego Aquaviário e Meio Ambiente. Estão sob sua responsabilidade os</p><p>assuntos concernentes à Marinha Mercante, ao Ensino Profissional Marítimo e aos</p><p>Aquaviários, à segurança do Tráfego Aquaviário, à Inspeção Naval, à segurança das</p><p>embarcações, à praticagem e à prevenção de poluição ambiental por parte de navios,</p><p>plataformas e suas estações de apoio e à poluição causada por vazamento de óleo e</p><p>outras substâncias nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional.</p><p>6</p><p>As representações da Autoridade Marítima referentes a fiscalização do</p><p>cumprimento</p><p>ou risco ocupacional como a</p><p>combinação da probabilidade de ocorrência de eventos ou exposições perigosas a</p><p>agentes nocivos relacionados aos trabalhos e da gravidade das lesões e problemas de</p><p>saúde que podem ser causados pelo evento ou exposição.</p><p>É importante destacar que somente haverá o risco caso exista exposição do</p><p>trabalhador e/ou de terceiros ao perigo, pois o risco está associado à exposição ao</p><p>perigo. Se pensarmos em uma linha cronológica, inicialmente surge o Perigo para em</p><p>seguida, se houver exposição, surgir o risco.</p><p>Risco = Perigo + Exposição</p><p>49</p><p>Exemplos de Risco</p><p>Perigo: A operação da empilhadeira por um trabalhador sem capacitação;</p><p>Risco(s): Acidente, morte, danos materiais, etc.</p><p>Perigo: A realização de trabalhos em altura;</p><p>Risco(s): Queda e ferimentos, etc.</p><p>Perigo: Manutenção em equipamentos elétricos ou subestações;</p><p>Risco(s): Choque elétrico, queda e ferimentos.</p><p>Perigo: Conduzir os automóveis da empresa sem carteira de motorista (CNH);</p><p>Risco(s): Acidente, morte, danos materiais, etc.</p><p>Legislação</p><p>As leis que regem a segurança do trabalho são muitas. Pois, além das normas</p><p>gerais contidas no capítulo V, da CLT, ainda encontramos outras leis sobre o tema, como</p><p>as normas regulamentadoras, portarias, decretos e normas técnicas. Como regra geral,</p><p>todas essas contêm dispositivos cujo objetivo é a adoção de medidas preventivas contra</p><p>a ocorrência de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais. Isto é, esses dispositivos</p><p>buscam garantir a saúde e o bem-estar do colaborador.</p><p>Destaca-se, ainda, que as negociações coletivas, tanto os acordos coletivos de</p><p>trabalho quanto as convenções, também podem gerir normas relacionadas à segurança</p><p>e saúde do trabalhador, desde que obedeçam às normas superiores. Assim sendo, além</p><p>da legislação formal, as empresas são obrigadas a respeitar os dispositivos acordados</p><p>durante as negociações coletivas da categoria.</p><p>As Normas Regulamentadoras (NR’s) consistem em obrigações, direitos e</p><p>deveres a serem cumpridos por empregadores e trabalhadores com o objetivo de</p><p>garantir trabalho seguro e sadio, prevenindo a ocorrência de doenças e acidentes de</p><p>trabalho, de cumprimento obrigatório pelas empresas, sejam privadas ou públicas, bem</p><p>como os órgãos do governo que porventura tenham trabalhadores regidos pela</p><p>Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT).</p><p>50</p><p>As primeiras normas regulamentadoras foram publicadas pela Portaria MTb nº</p><p>3.214, de 8 de junho de 1978. As demais normas foram criadas ao longo do tempo,</p><p>visando assegurar a prevenção da segurança e saúde de trabalhadores em serviços</p><p>laborais e segmentos econômicos específicos.</p><p>As Normas Regulamentadoras são, atualmente, 37, as quais tratam diversos</p><p>assuntos.</p><p>Riscos nos ambientes de trabalho</p><p>Os locais de trabalho, pela própria natureza da atividade desenvolvida e pelas</p><p>características de organização, relações interpessoais, manipulação ou exposição a</p><p>agentes físicos, químicos, biológicos, situações de deficiência ergonômica ou riscos de</p><p>acidentes, podem comprometer o trabalhador em curto, médio e longo prazo,</p><p>provocando lesões imediatas, doenças ou a morte, além de prejuízos de ordem legal e</p><p>patrimonial para a empresa.</p><p>Os riscos ambientais estão divididos em cinco grupos. São eles: riscos físicos,</p><p>riscos químicos, riscos biológicos, riscos de acidentes e riscos ergométricos.</p><p>Agentes físicos - São os decorrentes de processos e equipamentos produtivos,</p><p>como ruídos, vibrações, pressões fora do normal, temperaturas extremas, radiações</p><p>ionizantes e as não ionizantes;</p><p>Agentes químicos - São os decorrentes de manipulação e processamento de</p><p>matérias-primas, como poeiras, fumos, vapores, névoas, neblinas e gases — que podem</p><p>ser absorvidos por via respiratória ou por meio da pele;</p><p>Agentes biológicos - São os decorrentes de manipulação, transformação e</p><p>modificação de seres vivos microscópicos, como bactérias, genes, bacilos, parasitas,</p><p>protozoários, vírus;</p><p>Riscos ergonômicos - São os decorrentes de fatores relacionados a aspectos</p><p>psicológicos e fisiológicos, como imposição de ritmos excessivos, jornadas de trabalho</p><p>prolongadas, levantamento e transporte manual de peso, exigência de postura</p><p>inadequada, esforço físico intenso e controle rígido de produtividade.</p><p>51</p><p>Riscos de acidentes - São os decorrentes de máquinas ou equipamentos, como</p><p>maquinários desprotegidos, ferramentas inadequadas ou com defeitos, iluminação</p><p>inadequada, arranjo físico inadequado e probabilidade de explosão ou incêndio;</p><p>Orientação e treinamentos</p><p>Os colaboradores precisam estar cientes dos riscos existentes, bem como devem</p><p>saber quais são as medidas e procedimentos de prevenção. Para tal, a realização de</p><p>treinamentos e capacitações deve ser constante.</p><p>Durante os treinamentos, deve ser promovido o estímulo ao comportamento</p><p>seguro, correção e orientação quanto às boas práticas de segurança, além de reforço à</p><p>cultura de segurança do trabalho.</p><p>Medidas de controle</p><p>Várias atitudes podem ser utilizadas para diminuir os riscos, como a colocação</p><p>de placas indicando possibilidades de choques, quedas de materiais e explosões. As</p><p>máquinas devem ser sinalizadas e apresentar instruções de uso de maneira clara e</p><p>objetiva.</p><p>Os EPIs e EPCs devem ser identificados e estar em locais de fácil acesso. O</p><p>ambiente interno da empresa deve estar iluminado, limpo e bem organizado.</p><p>Proteção e fiscalização</p><p>A NR 6 disponibiliza uma lista de EPIs que se enquadram para cada função. Ela é</p><p>dividida de acordo com a parte do corpo o Equipamento de Proteção Individual protege.</p><p>Alguns desses itens mais comuns são:</p><p> Cabeça: Capacetes e capuz ou balaclava;</p><p> Olhos e face: Óculos, viseiras e máscara de solda;</p><p> Auditiva: Protetores auriculares, tampões e abafadores de ruídos;</p><p> Respiratória: Máscaras, filtros e respiradores;</p><p> Tronco: Aventais e coletes à prova de balas;</p><p>52</p><p> Membros superiores: Luvas, braçadeiras, mangotes e creme protetor</p><p>contra agentes e produtos químicos;</p><p> Membros inferiores: Calçado (coturnos, botas e tênis, por exemplo),</p><p>meia, perneira e calça;</p><p> Corpo inteiro: macacão e outro tipo de vestimenta que cubra o corpo</p><p>todo;</p><p> Contra quedas: Cinto e cinturão de segurança.</p><p>53</p><p>5 PREVENÇÃO E CONTROLE DA POLUIÇÃO NO MEIO AMBIENTE AQUAVIÁRIO</p><p>Meio ambiente</p><p>Para conceituarmos meio ambiente é fundamental o entendimento do termo</p><p>ecologia.</p><p>Este termo define o estudo das relações dos organismos ou grupo de organismos</p><p>com o seu ambiente, sendo, portanto, a ciência das inter-relações dos seres vivos e o</p><p>ambiente no qual são encontrados.</p><p>Considerando de forma simples o meio ambiente é o espaço ou área geográfica</p><p>onde a vida se desenvolve, portanto pode ser considerado meio ambiente:</p><p> planeta terra na sua totalidade;</p><p> o mar (chamado de meio ambiente marinho);</p><p> uma cachoeira;</p><p> uma floresta;</p><p> uma área de mangue;</p><p> um rio;</p><p> uma praia;</p><p> um campo de futebol;</p><p> o quintal de sua casa, etc.</p><p>Poluição</p><p>A atividade humana pode afetar a circulação de nutrientes (alimentos) no meio</p><p>ambiente, tanto no aspecto qualitativo quanto quantitativo e, realmente a circulação de</p><p>alguns nutrientes se processa essencialmente com a intervenção dos seres vivos, como</p><p>é o caso do nitrogênio, fósforo e do oxigênio. Esta intervenção desequilibrada muitas</p><p>vezes causa sérios prejuízos ao funcionamento da cadeia alimentar provocando doenças</p><p>que podem eliminar colônias inteiras de seres vivos.</p><p>Algumas substâncias, quando despejadas pelo homem no meio ambiente,</p><p>passam a fazer parte dos organismos e são repassadas, através da cadeia alimentar ao</p><p>chamados seres superiores (as aves, os peixes, o homem, etc) dando origem a sérias</p><p>doenças.</p><p>54</p><p>Um exemplo histórico foi a utilização de DDT (pó de broca), como defensivo</p><p>agrícola nas décadas de 60 e 70, que se acumula em grandes quantidades nos tecidos</p><p>gordurosos de animais, sendo os mais afetados</p><p>aqueles do topo da cadeia alimentar,</p><p>como águias e falcões que ingerem grandes quantidades de presas menores, as quais</p><p>uma vez contaminadas, inibem a formação de cálcio nas águias e falcões, interferindo</p><p>na formação da casca dos ovos que, fragilizados, facilmente se quebram e, como</p><p>consequência quase causou a extinção de diversas espécies de aves.</p><p>A literatura nos alerta com diversas citações a respeito de envenenamento de</p><p>seres humanos por defensivos agrícolas e metais pesados, tais como os episódios de</p><p>Bophal e do “Smog” fotoquímico de Londres em 1950, quando foram lançadas</p><p>substâncias altamente tóxicas para o meio ambiente natural, com graves consequências</p><p>sobre a saúde e o bem-estar de populações inteiras.</p><p>Com relação a contaminação por metais outro episódio importante que deve ser</p><p>lembrado é a “Síndrome de Minamata” – Minamata é uma cidade do Japão que na</p><p>década de 50 abrigava uma indústria – esta indústria poluía as águas da baía com</p><p>despejos de mercúrio metálico. Este material era absorvido por microrganismo e através</p><p>da cadeia alimentar os peixes ao se alimentarem destes seres menores iam acumulando</p><p>em sua carne o mercúrio metálico. Esta cidade dependia muito da pesca do local, sendo</p><p>o peixe o alimento básico de seus habitantes – apareceu no local uma doença muito</p><p>estranha que levava suas vítimas à morte após grande sofrimento. Passados os anos foi</p><p>descoberto que o mercúrio ao se acumular no ser humano, através da corrente</p><p>sanguínea afetava o sistema nervoso central, levando à perda de movimentos</p><p>voluntários, a grande sofrimento e à morte. Milhares de pessoas morreram vítimas</p><p>desta contaminação da água por mercúrio metálico.</p><p>55</p><p>Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/3184892/</p><p>Degradação dos rios brasileiros</p><p>O desmatamento</p><p>É um dos problemas mais sérios que o Brasil enfrenta nos dias de hoje. O</p><p>desmatamento das nascentes está provocando a escassez das águas dos rios e o</p><p>desmatamento das áreas próximas às margens provocando enchentes graves com</p><p>alteração dos cursos dos rios e destruição da fauna e flora deste ecossistema e, em</p><p>muitos casos, acabando com o pescado, antes abundante. Por vezes, enchentes têm</p><p>aterrorizado comunidades ribeirinhas, levando pânico para moradores de pequenos</p><p>municípios cortados por rios.</p><p>Entretanto, as pessoas não percebem que elas são as causadoras de sua própria</p><p>tragédia. A utilização das margens dos rios e canais para atracação de embarcações vem</p><p>provocando desbarrancamentos devido à falta de uma infraestrutura adequada para</p><p>esta atividade. Os atracadouros surgem da noite para o dia, sem que tenha sido feito</p><p>um estudo de impacto ambiental por parte das autoridades locais nem por parte dos</p><p>usuários da atividade. A destruição de mangues por aterramento, que acabam dando</p><p>origem a favelas nas periferias de balneários e cidades, vem levando à destruição de</p><p>várias espécies de vidas marinhas que antes garantiam o sustento de pequenas</p><p>comunidades. Estas, ao perderem sua fonte de sustento, acabam engrossando o</p><p>número de pedintes nos centros urbanos. O desmatamento de manguezais para uso de</p><p>sua madeira, em algumas regiões do Brasil, está provocando a erosão nestes locais com</p><p>o consequente avanço do mar para dentro da costa. Antes de destruirmos os</p><p>56</p><p>manguezais devemos ter em mente que ele impede o avanço do mar para terra e é rico</p><p>em biodiversidade não encontrada em outro ecossistema.</p><p>Os areais</p><p>A retirada de areia do leito dos rios é danosa ao meio ambiente, pois afeta os</p><p>animais, altera o curso dos rios e promove a erosão das margens. Esta atividade se</p><p>ocorrer fora de controle provocará danos irreversíveis ao meio ambiente. Soma-se a isso</p><p>uma cultura brasileira de desmatar as áreas adjacentes às margens dos rios.</p><p>A remoção de areia do fundo dos rios provoca sérios problemas para os animais</p><p>devido ao alto grau de detritos em suspensão nas águas, à redução do nível de oxigênio</p><p>e à consequente morte dos organismos que vivem nestes locais, o que torna a pesca</p><p>impossível porque os peixes não conseguem sobreviver nessas condições ambientais.</p><p>Cabe a todo homem e em particular ao pescador ajudar a preservar os mares, os</p><p>rios e o meio ambiente de onde retiram o sustento de suas famílias.</p><p>O garimpo</p><p>O garimpo de ouro em rios brasileiros, principalmente na Amazônia, vem sendo</p><p>conduzido de forma indiscriminada e, de certa forma, fora do controle das autoridades</p><p>que cuidam do meio ambiente. Por esta razão, por muitos anos e de forma menos</p><p>intensa nos dias de hoje, o mercúrio metálico tem sido utilizado para facilitar a</p><p>separação do ouro dos cascalhos. A Síndrome de Minamata já foi detectada,</p><p>isoladamente, junto à população ribeirinha do Amazonas. É importante estarmos</p><p>atentos e combater esta prática pois o mal causado é irreversível e prejudica</p><p>exatamente aquele que não se beneficiam da exploração deste mineral, podendo levar</p><p>à morte famílias inteiras que dependem do peixe para sua sobrevivência e podem estar</p><p>sendo envenenadas sem saberem.</p><p>Riscos associados ao excesso de água nas enchentes</p><p>Cheias são fenômenos naturais dos rios que decorrem dos seus regimes.</p><p>57</p><p>Enchentes são cheias catastróficas em geral agravadas por ações humanas, tais</p><p>como:</p><p> supressão da cobertura vegetal; e</p><p> impermeabilização do solo (pavimentação de ruas e quintais), construção</p><p>de casas e etc.</p><p>Por meio dessas ações, reduz-se a capacidade de infiltração e de retenção do</p><p>solo e aumenta-se o escoamento superficial.</p><p>A sua ajuda, muito bem-vinda, é fundamental para a preservação deste meio</p><p>ambiente e pode ocorrer das seguintes formas:</p><p> não lançando lixo, óleo ou esgoto nas águas;</p><p> reaproveitando (reciclando) o lixo, principalmente plásticos; e</p><p> denunciando para as autoridades, sempre que encontrar alguém</p><p>lançando lixo, óleo ou esgoto nos rios, lagoas, baías e mares.</p><p>A poluição é definida no art. 3 da Lei Federal No 6938 de 31/08/1981, que dispõe</p><p>sobre a política nacional de meio ambiente:</p><p>“poluição é a degradação de qualidade ambiental resultante de atividades que</p><p>direta ou indiretamente:</p><p> prejudiquem a saúde, segurança e o bem-estar da população (diarreia,</p><p>asma, feridas na pele);</p><p> criem condições adversas às atividades sociais e econômicas (prejudique</p><p>a pesca em rios, lagoas, baías e mares);</p><p> afetem desfavoravelmente à biota (garrafas plásticas em, rios, mangues,</p><p>lagoas e baías);</p><p> afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente (esgoto e</p><p>óleo lançados na Baía de Guanabara, Sepetiba etc.); e</p><p> lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais</p><p>estabelecidos (lançamento pela indústria de mercúrio, óleo e outros</p><p>metais nas águas)”</p><p>58</p><p>Portanto todos que se utilizam das águas, para a pesca ou para locomoção tem</p><p>o dever de preservá-las, não poluindo e denunciando para os representantes da</p><p>Autoridade Marítima ou Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais</p><p>Renováveis (IBAMA) aqueles que estejam poluindo ou praticando atos que causem</p><p>danos a este meio ambiente.</p><p>A Lei Nº 9.966, de 28 de abril de 2000, trata sobre a prevenção, o controle e a</p><p>fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas</p><p>ou perigosas em águas sob jurisdição nacional e dá outras providencias é denominada</p><p>dentro do cotidiano de “Lei do Óleo”. Cabe destacar:</p><p>A quem a Lei se aplica:</p><p> às embarcações nacionais, portos organizados, instalações portuárias,</p><p>dutos, plataformas e suas instalações de apoio;</p><p> às embarcações, plataformas e instalações de apoio estrangeiras, cuja</p><p>bandeira arvorada seja ou não de país contratante da Marpol 73/78,</p><p>quando em águas sob jurisdição nacional;</p><p> às instalações portuárias especializadas em outras cargas que não óleo e</p><p>substâncias nocivas ou perigosas, e aos estaleiros, marinas, clubes</p><p>náuticos e outros locais e instalações similares.</p><p>Vemos que a Lei se aplica a todos que fazendo</p><p>uso de rios, lagoas, lagos, mar</p><p>territorial e Zona Econômica Exclusiva ou de áreas próximas (Instalações Portuárias por</p><p>exemplo) são potenciais poluidores destes locais.</p><p>Substâncias nocivas</p><p> categoria A - alto risco tanto para a saúde humana como para o</p><p>ecossistema aquático;</p><p> categoria B - médio risco tanto para a saúde humana como para o</p><p>ecossistema aquático;</p><p> categoria C - risco moderado tanto para a saúde humana como para o</p><p>ecossistema aquático;</p><p>59</p><p> categoria D - baixo risco tanto para a saúde humana como para o</p><p>ecossistema aquático.</p><p>Poluição e outros Crimes Ambientais</p><p>O Art 54º da Lei Nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, estabelece para aquele</p><p>que causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam</p><p>resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a</p><p>destruição significativa da flora, atribuindo: Pena - reclusão de um a quatro anos e</p><p>multa.</p><p>Já em relação à poluição das águas a Lei estabelece:</p><p> causar poluição hídrica que torne necessária a interrupção do</p><p>abastecimento público de água de uma comunidade;</p><p> dificultar ou impedir o uso público das praias;</p><p> ocorrer por lançamento de resíduos sólidos, líquidos ou gasosos, ou</p><p>detritos, óleos ou substâncias oleosas, em desacordo com as exigências</p><p>estabelecidas em leis ou regulamentos:</p><p>Pena - reclusão de um a cinco anos</p><p>A prevenção para não ocorrer poluição quando do transporte de derivados de</p><p>petróleo e de substâncias nocivas é cada vez mais importante. A Lei 9.966 traduz esta</p><p>preocupação ao obrigar a tomada de diretriz e ações, por todos aqueles envolvidos com</p><p>o manuseio destes produtos, como o desenvolvimento de Treinamentos do pessoal e</p><p>Planos de Contingência que ajudam a diminuir a ocorrência de acidentes, e se</p><p>ocorrerem, por certo, minimizará seus efeitos danosos para o meio ambiente.</p><p>As embarcações de pequeno porte, por serem em grande número e estarem</p><p>presentes em praticamente todos os ambientes sujeitos à poluição, tem um papel</p><p>fundamental para ajudar na proteção do meio ambiente aquaviário e devem sempre</p><p>que ocorra poluição por manobra fortuita ou intencional de uma grande embarcação,</p><p>porto ou terminal informar as autoridades locais.</p><p>60</p><p>Lembre-se: qualquer contribuição, por menor que seja, é fundamental para a</p><p>preservação do meio ambiente garantindo a nossa sobrevivência.</p><p>Principais agentes poluidores</p><p>Lixo</p><p>O lixo é responsável por um dos mais graves problemas ambientais de nosso</p><p>tempo e é, também, o grande desafio para o homem na atualidade. Para a preservação</p><p>do meio ambiente o seu tratamento deve ser considerado como uma questão que deve</p><p>envolver toda a sociedade. Quando jogado em terrenos baldios favorece o</p><p>desenvolvimento de vetores (insetos e ratos) transmissores de doenças.</p><p>Lixões são depósitos de lixo sem nenhum tratamento. No Brasil esse problema é</p><p>gravíssimo, pois cerca de 80% dos municípios depositam seu lixo nestes locais. Esses</p><p>depósitos podem causar poluição do solo, das águas potáveis e do ar, em virtude da</p><p>combustão espontânea, propiciada pela emissão de gases oriundos da decomposição</p><p>de materiais orgânicos.</p><p>Incineradores são grandes fornos onde o lixo sofre uma queima controlada, com</p><p>filtros para evitar que os gases formados na combustão dos materiais atinjam e poluam</p><p>a atmosfera. Eles têm a grande vantagem de reduzir o seu volume em até 85%, mas</p><p>mesmo assim existe uma sobra de cinzas e dejetos (os outros 15%), que precisam ser</p><p>levados para um aterro sanitário.</p><p>Aterros sanitários são a melhor solução para o lixo que não pode ser</p><p>reaproveitado ou reciclado. Trata-se de áreas de terreno preparadas para receber</p><p>dejetos, com tratamento para os gases e líquidos resultantes da decomposição dos</p><p>materiais, de maneira a proteger o solo, a água e o ar da poluição.</p><p>Coleta seletiva de lixo consiste na segregação de tudo o que pode ser</p><p>reaproveitado, como papel, latas de alumínio, vidro e plástico enviando-se esse material</p><p>para reciclagem. A implementação de programas de coleta seletiva não só contribui para</p><p>a redução da poluição, como também proporciona economia de recursos naturais –</p><p>como matérias-primas, água e energia - e, em alguns casos, pode representar a</p><p>obtenção de recursos, pela comercialização do material reciclável.</p><p>61</p><p>Reciclagem é a recuperação de detritos por meio de reprocessamento, para uso</p><p>industrial. Permite reduzir substancialmente a quantidade de lixo jogada no meio</p><p>ambiente, o que resulta em menor agressão à natureza e, economicamente, reverte em</p><p>ganhos para as empresas. Vidros, papéis, ferros-velhos e metais como alumínio, cobre,</p><p>chumbo e zinco são os mais reaproveitados.</p><p>Algumas regras básicas para as embarcações:</p><p> Durante a permanência no porto, fundeadas ou atracadas, o lixo deve ser</p><p>recolhido em recipientes adequados e assim mantidos até a sua retirada</p><p>de bordo. Para evitar que, acidentalmente, detritos caiam no mar, não</p><p>deve ser permitido que camburões de lixo, sacos plásticos e outros</p><p>recipientes fiquem dependurados pela borda.</p><p> Os lastros contaminados, água da lavagem dos tanques e outros resíduos</p><p>de óleos devem ser conservados a bordo para serem descarregados nas</p><p>instalações de recepção situadas no porto.</p><p> É proibido efetuar qualquer tipo de esgoto ou descarga direta para o mar</p><p>durante a permanência no porto. A retirada de produtos químicos, óleos</p><p>ou substâncias poluentes poderá ser feita empregando-se chata de óleo</p><p>ou caminhão.</p><p> É proibida a eliminação no mar de materiais plásticos, cabos e redes de</p><p>pesca em fibra sintética, papel, trapos, vidros, metais, garrafas, louça</p><p>doméstica, cinza de incineração, material de estiva, revestimento e</p><p>material de embalagem.</p><p> A eliminação no mar dos restos de comida (material orgânico degradável)</p><p>poderá ser autorizada, desde que seja feita o mais distante possível da</p><p>terra, mas em nenhum caso a menos de 12 milhas da costa.</p><p>Óleo</p><p>O petróleo e seus derivados como: óleo pesado, óleo diesel, querosene, gasolina,</p><p>etc., poluem as águas causando a morte de algas, pequenos crustáceos e peixes por</p><p>envenenamento ou ausência de oxigênio. A poluição por óleo na costa e principalmente</p><p>62</p><p>em área de manguezais causam um dano irreparável aos seres que ali vivem e para</p><p>aqueles que dependem destes animais para a sua sobrevivência.</p><p>O óleo derramado nas águas acabará desaparecendo um dia, por meio da</p><p>evaporação ou servindo de alimento para um tipo especial de bactéria. Entretanto,</p><p>ambos os processos são muito lentos e este óleo permanece causando danos por muitos</p><p>anos.</p><p>A existência de grandes reservas de petróleo em mar aberto tem levado a</p><p>ocorrência de poluição por óleo devido a vazamentos naturais e incontroláveis.</p><p>Entretanto, grandes poluições por óleo ocorreram durante o seu transporte de um país</p><p>produtor para o país consumidor, sendo que o maior número de acidentes aconteceu</p><p>durante o carregamento ou descarga de navios. Apesar das severas punições aplicadas</p><p>àqueles que poluem as águas com óleo, muitas poluições ocorrem sem que se possa</p><p>identificar seus autores.</p><p>O pescador utiliza-se das águas como via de transporte e deve denunciar sempre</p><p>que perceber qualquer embarcação poluindo nossos rios, baías, lagoas ou mares.</p><p>Por meio da coleta da película de óleo da superfície, mesmo misturada a água é</p><p>possível provar sua procedência, não cabendo defesa ao navio que lançou este óleo.</p><p>Lembre-se: Não importa se a quantidade de óleo derramada ao mar, rio, baía ou</p><p>lagoa foi pequena, ela levara muitos anos para desaparecer e causará prejuízos muito</p><p>sérios para os seres que habitam estes locais.</p><p>De acordo com a lei No 9.966, de 28 de abril de 2000, fica estabelecido que o</p><p>valor da multa é no mínimo de R$7.000,00 (sete mil reais) e o máximo de</p><p>R$50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais). Cabendo ao IBAMA estabelecer o valor</p><p>da multa após avaliar a extensão do acidente, sua motivação</p><p>e suas consequências para</p><p>o meio ambiente aquaviário.</p><p>Esgoto</p><p>Existem dois tipos de esgoto que devemos considerar: o residencial e o industrial.</p><p>63</p><p>O crescimento urbano desordenado dos grandes centros no Brasil e a falta de</p><p>planejamento de sistema de esgoto e tratamento de águas servidas faz com que na</p><p>cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, jogue-se aproximadamente três Maracanãs</p><p>cheios de esgoto contaminado com coliformes na Baía de Guanabara todo dia. Os</p><p>investimentos necessários hoje para reverter esta situação são imensos pois será</p><p>necessário refazer toda a rede de esgoto direcionada a uma ou mais estações de</p><p>tratamento de águas servidas.</p><p>Todas as outras grandes cidades do Brasil sofrem do mesmo mal e só para</p><p>lembrar citaremos algumas: São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Belo</p><p>Horizonte, entre outras.</p><p>O esgoto industrial é também muito danoso ao meio ambiente, entretanto a</p><p>nova Lei de meio ambiente oferece instrumentos mais eficazes no combate a este tipo</p><p>de poluição e os empresários vêm se esforçando para cumprir as novas exigências. Uma</p><p>maneira de obrigar a indústria a tratar as águas por ela utilizadas é exigir que a tomada</p><p>de água para uso fique localizada abaixo do ponto de despejo das águas servidas, o que</p><p>é procedimento usual no Japão.</p><p>Os navios de grande porte têm que ter uma pequena estação de tratamento de</p><p>águas oriundas de banheiros, cozinhas, copas, etc. Somente após o tratamento esta</p><p>água pode ser lançada no mar, baía, etc. Em pequenas embarcações é proibido o uso de</p><p>banheiros dentro de baías e lagoas e em certas situações são lacrados.</p><p>64</p><p>6 PROCEDIMENTOS DE EMERGÊNCIA</p><p>Procedimentos básicos para a sobrevivência</p><p>Processos mais comuns para a obtenção de água potável</p><p>A água é o principal objetivo de uma pessoa em perigo em um barco salva-vidas.</p><p>Sem água potável, a expectativa de vida humana é significativamente reduzida,</p><p>estimada em apenas alguns dias.</p><p>É por isso que os botes salva-vidas são equipados com rações líquidas, que</p><p>atualmente são acondicionadas em sacos plásticos ou recipientes plásticos.</p><p>A quantidade de água no equipamento para cada pessoa a bordo depende do</p><p>tipo de baleeira.</p><p>Em relação às embarcações salva-vidas, o Código Internacional de Equipamentos</p><p>de Salvamento estipula que devem existir recipientes impermeáveis com um total de 3</p><p>(três) litros de água potável para cada pessoa na embarcação.</p><p>Nas balsas salva-vidas infláveis, essa quantidade de água é menor, 1,5 (um litro</p><p>e meio) de água potável em recipiente impermeável para cada pessoa permitida na</p><p>balsa.</p><p>O Estado-Maior das Forças Armadas determina o consumo diário de 750 ml de</p><p>água para que uma pessoa mantenha condições físicas e psicológicas favoráveis.</p><p>No entanto, o montante a distribuir por uma vítima em perigo deve ser reduzido</p><p>se, por exemplo, for prevista uma viagem de sobrevivência mais longa ou um maior</p><p>número de pessoas no bote salva-vidas. No entanto, a quantidade mínima de água que</p><p>uma pessoa precisa consumir a cada 2 horas para sobreviver no mar é de 350 ml.</p><p>Fonte: https://www.borestenautica.com.br/arquivos/Sobrevivencia_Meio_Aquaviario.pdf</p><p>65</p><p>Observa-se que a quantidade de água potável disponível na ração líquida é</p><p>limitada, por isso o náufrago busca fontes alternativas.</p><p>A principal fonte de água potável é a chuva. A cobertura da embarcação de</p><p>resgate possui água da chuva, que foi projetada para facilitar sua coleta.</p><p>Este coletor geralmente consiste em uma calha, que direciona a água da chuva</p><p>através de uma tubulação para o interior do bote, onde é coletada em tanques</p><p>coletores. Por isso é importante que os náufragos tenham à disposição recipientes para</p><p>água da chuva, por exemplo, sacos de plástico, recipientes vazios da ração líquida já</p><p>consumida, etc. Houve casos em que pessoas em dificuldades não conseguiram coletar</p><p>água da chuva porque não havia recipientes para armazená-la. Outro ponto</p><p>extremamente importante que o sobrevivente deve levar em consideração antes de</p><p>coletar a água da chuva é se a capota do bote está limpa, ou seja, livre de cristais de sal</p><p>acumulados. Portanto, o toldo deve ser batido de vez em quando para remover o sal. A</p><p>primeira água captada pode ser imprópria para consumo, água salobra, pois se mistura</p><p>com o sal da cobertura.</p><p>O orvalho que se forma no toldo também pode ser recolhido se não estiver</p><p>contaminado com sal. Um náufrago pode usar uma das esponjas do convés para coletar</p><p>as caixas. Como há duas esponjas na embarcação salva-vidas, uma delas seria para essa</p><p>função específica e a outra seria para secar o fundo da embarcação. Se usássemos duas</p><p>esponjas para secar o fundo da embarcação, ambas estariam "contaminadas" com sal e</p><p>não poderiam ser usadas para coletar as gotículas de água.</p><p>Hoje existem no mercado aparelhos muito úteis que podem transformar a água</p><p>do mar em água potável. São destiladores solares e usinas de dessalinização por osmose</p><p>reversa. No entanto, a Lei Marítima Internacional (Código Internacional de</p><p>Equipamentos Salva-Vidas) ainda não exige tais equipamentos. Portanto, a</p><p>disponibilidade de tal equipamento no convés da balsa salva-vidas depende de quem</p><p>equipa as embarcações salva-vidas.</p><p>66</p><p>De acordo com o Código Internacional de Equipamentos de Salvamento, nos</p><p>botes salva-vidas é previsto 1,5 litros de água potável por pessoa, 0,5 (meio) litros por</p><p>pessoa pode ser substituído por um dispositivo de dessalinização (por exemplo,</p><p>aquecedor solar) capaz de produzir a mesma quantidade de água potável em dois dias.</p><p>Ou 1 (um) litro de água potável por pessoa pode ser substituído por um dispositivo de</p><p>dessalinização por osmose reversa operado manualmente que pode produzir a mesma</p><p>quantidade de água potável em dois dias.</p><p>Para baleeiras, esses valores são duplicados, ou seja, 1 litro e 2 litros por pessoa,</p><p>respectivamente, que podem ser substituídos por um destilador solar ou dessalinizador</p><p>de osmose reversa.</p><p>A obtenção de alimentos do meio marinho e os cuidados necessários ao</p><p>consumi-los</p><p>O mar fornece uma série de fontes de alimentação para os marinheiros, como</p><p>peixes, aves marinhas, tartarugas, algas, moluscos, crustáceos, etc.</p><p>O desespero dos náufragos por comida não se justifica.</p><p>Você já sabe que sua prioridade não é a alimentação, mas a manutenção do</p><p>equilíbrio hídrico.</p><p>Embora a sensação de fome seja desagradável, o náufrago acaba se</p><p>acostumando, pois o tamanho do estômago diminui com o tempo.</p><p>Isso não significa que você não precise se preocupar com a pesca. Pelo contrário.</p><p>A pesca é um passatempo muito importante para a sobrevivência no mar. É uma</p><p>atividade produtiva que mantém o grupo trabalhando e unido. Assim, a pesca é um</p><p>exemplo de terapia ocupacional.</p><p>Lifeboat Survival Guide fornece instruções para obter alimentos. Essas diretrizes</p><p>devem ser seguidas, pois são o resultado das experiências de outros sobreviventes.</p><p>O líder deve estimular a pesca no grupo porque, além de direcionar os esforços</p><p>dos refugiados para a obtenção de alimentos, desenvolve uma atividade produtiva.</p><p>67</p><p>O Código Internacional de Equipamentos de Salvamento inclui um conjunto de</p><p>equipamentos de pesca em botes salva-vidas. Este kit deve incluir linha de pesca, anzóis,</p><p>chumbadas e iscas artificiais.</p><p>Vários guias de sobrevivência dão conselhos para a pesca dentro de uma jangada</p><p>ou bote salva-vidas. Aqui estão alguns:</p><p> As iscas em movimentação atraem os peixes com mais facilidade do que</p><p>as iscas estacionárias;</p><p> Deve-se ser extremamente cuidadoso ao manusear anzóis, facas ou</p><p>outros objetos que possam danificar a balsa salva-vidas inflável;</p><p> A linha de pesca não deve ser amarrada ao corpo do náufrago, pois se for</p><p>pescado um peixe maior, a pessoa poderá ser jogada na água. Também</p><p>não é recomendado ancorar a linha na balsa salva-vidas inflável, pois esta</p><p>pode ser danificada quando o peixe tentar se livrar do anzol.</p><p> À noite,</p><p>o facho de uma lanterna direcionado para a água pode atrair</p><p>peixes e lulas. O reflexo da lua em uma superfície metálica pode ter o</p><p>mesmo efeito;</p><p> A pesca deve ser praticada durante a noite e o dia, variando o</p><p>comprimento da linha de pesca; e</p><p> Não se esqueça de verificar o Guia de Sobrevivência no Mar para outras</p><p>dicas importantes.</p><p>Ao pescar, é recomendável matá-lo antes de soltá-lo no barco. Se você colocar</p><p>um peixe grande no bote enquanto ele ainda estiver vivo, pode causar acidentes, pois</p><p>com certeza o animal vai brigar e bater na pessoa, causando ferimentos ou até mesmo</p><p>danificando o bote salva-vidas.</p><p>Os kits de pesca de sobrevivência marinha usam iscas artificiais. No entanto,</p><p>sabe-se que os peixes preferem alimentos de seu habitat natural. Peixes pequenos</p><p>capturados perto do bote salva-vidas, bem como intestinos de peixes maiores e</p><p>pássaros, podem ser usados como isca.</p><p>68</p><p>Se um grupo perdeu o equipamento ou deseja aumentar o número de linhas na</p><p>água, um anzol pode ser improvisado usando grampos, alfinetes, pregos e distintivos de</p><p>uniforme da equipe.</p><p>Os peixes capturados em mar aberto são geralmente comestíveis. Como</p><p>mostrado acima, a maioria das espécies venenosas são encontradas em águas tropicais</p><p>perto de recifes de corais. No entanto, você deve ter cuidado ao comer peixe.</p><p>Primeiro, não engula o peixe. Deve-se mastigar a carne do peixe e descartar as</p><p>peles e nervos, usando-os como isca. A explicação para usar este procedimento é</p><p>simples. Anteriormente, vimos que uma forma de perda de água ocorre através do trato</p><p>digestivo. Portanto, quando uma pessoa engole carne de peixe, o corpo funciona e</p><p>produz fezes, e uma pequena quantidade de água é removida das fezes.</p><p>Outro cuidado a ser observado diz respeito aos peixes doentes, que são</p><p>identificados por guelras brancas e brilhantes, olhos fundos, pele e carne malcheirosa.</p><p>Lembre-se de que a diarreia aumenta muito a perda de água, aumentando o</p><p>desequilíbrio hídrico do corpo.</p><p>É difícil manter o peixe em um bote salva-vidas porque estraga rapidamente.</p><p>Existe uma técnica para conservar o peixe durante vários dias, em que a carne é cortada</p><p>em tiras muito finas e deixada a secar ao sol após a salga.</p><p>Especialistas dizem que peixes de carne azul, como o atum, são muito sensíveis</p><p>a microrganismos e devem ser consumidos imediatamente.</p><p>Finalmente, cabe uma observação. Como não é possível fazer fogo no bote</p><p>salva-vidas, o peixe é comido cru. Nem todos podem comer carne de peixe cru e podem</p><p>sentir náuseas e até vômitos, se necessário, o que não é desejável. Nesses casos, é</p><p>melhor não comer, pois a principal prioridade do náufrago é manter o equilíbrio hídrico.</p><p>Procedimentos básicos para o tratamento de transtornos emocionais e de</p><p>saúde mental</p><p>Um naufrágio é uma situação traumática que pode causar pânico e reações</p><p>psicológicas negativas nas pessoas.</p><p>69</p><p>Primeiro, é essencial um líder competente com conhecimentos teóricos e</p><p>práticos de sobrevivência. Este líder deve inspirar confiança em outros que estão</p><p>quebrados.</p><p>A disciplina é importante em um barco salva-vidas. A disciplina do bote salva-</p><p>vidas não é alcançada impondo uma hierarquia existente em um navio abandonado,</p><p>mas confiando nas pessoas para liderar.</p><p>Um grupo de sobreviventes deve formar um grupo único, unificado e indivisível</p><p>com um objetivo bem definido, que é a salvação de todos os sobreviventes.</p><p>Todos devem ser tratados com justiça e igualdade para evitar o favoritismo e o</p><p>naufrágio da unidade. O mais importante é a união de todos.</p><p>A terapia ocupacional é a melhor maneira de tratar esses transtornos</p><p>emocionais e mentais. A terapia ocupacional refere-se ao envolvimento em atividades</p><p>positivas, como busca por comida (pesca), trabalho por turnos, manutenção de um</p><p>diário de sobrevivência.</p><p>Não se esqueça que os distúrbios emocionais são causados principalmente por</p><p>medo, lesões, exaustão ou ingestão de água do mar. Em tais circunstâncias, a pessoa</p><p>aflita não deve ser tratada com muita severidade, pois isso pode piorar sua situação e</p><p>até torná-la violenta.</p><p>Cuidado com pessoas deprimidas e excessivamente ansiosas, pois elas podem</p><p>ter um grande colapso emocional que pode contagiar todo o grupo de sobreviventes.</p><p>O líder deve considerar suas ações. Deve saber ser rígido, conciliador e imparcial</p><p>quando a situação o exigir. Deve inspirar fé em outras pessoas devastadas.</p><p>Ele não deve demonstrar ansiedade ou hesitação, e sempre que isso for sugerido,</p><p>ele deve usar um pouco de humor.</p><p>Lembre-se de que uma boa gestão em uma jangada ou bote salva-vidas reduz a</p><p>possibilidade de conflito e aumenta muito as chances de sobrevivência bem-sucedida.</p><p>70</p><p>Medidas preventivas para manter a saúde</p><p>Hipotermia: embora existam botes salva-vidas a bordo, podem ocorrer</p><p>circunstâncias excepcionais que os tornem inacessíveis. Portanto, uma pessoa perdida</p><p>pode ficar algum tempo na água esperando pelo resgate.</p><p>A hipotermia é uma queda na temperatura interna do corpo causada pela</p><p>exposição excessiva a um ambiente frio.</p><p>A hipotermia pode ser definida como uma queda da temperatura corporal</p><p>abaixo de 35°C. Pode acontecer tanto na terra quanto na água. A hipotermia causada</p><p>pela imersão na água é mais rápida do que no ar. A razão para isso é a condutividade</p><p>térmica da água, que é aproximadamente 20 (vinte) vezes maior que a do ar</p><p>atmosférico.</p><p>A sobrevivência de uma pessoa imersa em água fria antes da parada cardíaca é</p><p>determinada principalmente pela temperatura da água e pelo tempo de imersão do</p><p>corpo, que também afeta a estrutura física e a atividade da pessoa na água.</p><p>Quanto menor a temperatura da água, menor a sobrevivência. O resfriamento</p><p>do corpo é acompanhado por um colapso rápido e gradual dos estados de resistência</p><p>física e mental e, a uma temperatura interna de cerca de 27 graus, o ritmo cardíaco é</p><p>interrompido e a morte pode ocorrer devido a batimentos cardíacos não sincronizados</p><p>e descontrolados.</p><p>O primeiro sintoma de perigo é um tremor incontrolável do corpo, seguido de</p><p>perturbação mental e dormência nas pernas e braços.</p><p>O impulso imediato de uma pessoa exposta ao frio é fazer exercícios ou sacudir-</p><p>se vigorosamente para tentar se aquecer. Ao contrário do que se imagina, essa reação</p><p>retira as últimas reservas de calor do corpo e encurta significativamente a sobrevida.</p><p>A pessoa, imersa em água fria, deve procurar manter a calma, sem se agitar</p><p>desnecessariamente. Se você estiver usando um colete salva-vidas, deve assumir a</p><p>posição HELP, mantendo a cabeça, o pescoço e o pescoço fora da água, os tornozelos</p><p>cruzados e os joelhos para cima, os braços próximos ao corpo ou abraçados às pernas</p><p>71</p><p>ou as mãos entre as axilas, para proteger as partes do corpo onde ocorre maior troca de</p><p>calor.</p><p>Fonte: https://www.sobrasa.org/new_sobrasa/arquivos/EMERGENCIAS_OFFSHORE.pdf</p><p>Roupas largas devem ser usadas em vez de roupas grossas e apertadas, porque</p><p>a água presa entre o corpo e o tecido atinge rapidamente a temperatura da superfície</p><p>do corpo, agindo como um isolante térmico para a água externa.</p><p>Qualquer medida que reduza a perda de calor corporal retardará o</p><p>aparecimento de sintomas típicos de hipotermia e prolongará a sobrevida.</p><p>Tanto em terra como no mar devem ser tomadas as seguintes medidas:</p><p>• Usar vestuário adequado à temperatura ambiente;</p><p>• Proteger a cabeça, pescoço, nuca, axilas e virilha, pois são as áreas mais</p><p>quentes;</p><p>• Manter-se seco, se possível;</p><p>• Proteja-se do vento, pois em clima frio apenas um vento fraco aumenta a</p><p>perda de calor, podendo congelar partes abertas do corpo (fechar a capota da baleeira);</p><p>• Não bebe álcool;</p><p>• Evite chá e café, pois são bebidas diuréticas;</p><p>• Evite exercícios desnecessários;</p><p>72</p><p>• Tomar comprimidos para náuseas (as náuseas tornam as pessoas mais</p><p>suscetíveis à hipotermia);</p><p>• Se estiver sozinho na água, coloque-se na posição HELP; e</p><p>• Em um bote salva-vidas, o grupo deve tentar ficar o mais próximo possível do</p><p>calor do outro, e o fundo duplo deve ser inflado para aumentar o isolamento da água</p><p>fria do mar.</p><p>Insolação: Uma vez que a insolação é causada por um aumento da temperatura</p><p>corporal sem a remoção adequada desse calor, sua prevenção é impedir a exposição de</p><p>uma pessoa ao calor e todo desgaste físico. Além disso, alimentos líquidos devem ser</p><p>dados a quem necessitar.</p><p>Você também deve tentar baixar a temperatura do corpo com uma toalha</p><p>molhada.</p><p>A ventilação do bote salva-vidas deve ser privilegiada e permiter que o ar fresco</p><p>circule no interior.</p><p>Desidratação: Como vimos anteriormente, a desidratação é causada por um</p><p>desequilíbrio de água no corpo. Como a regra de sobrevivência no mar é a escassez de</p><p>água potável para hidratar o corpo, a única medida que um marinheiro pode tomar para</p><p>reduzir a desidratação é reduzir a perda de água corporal.</p><p>Para fazer isso, você deve se proteger do sol e do vento, porque o calor e o ar</p><p>em movimento aumentam a evaporação. Reduza a transpiração molhando as roupas e</p><p>a capota da balsa salva-vidas com água do mar para evitar o efeito estufa.</p><p>Não coma, especialmente peixe e aves, porque a água do corpo é usada para</p><p>digerir esses alimentos. Tente evitar possíveis náuseas e diarreia.</p><p>Reduza a atividade física fazendo todo o trabalho ao entardecer e ao amanhecer</p><p>quando as temperaturas são baixas.</p><p>Queimadura solar: Para evitar queimaduras solares, o marinheiro deve manter</p><p>a cabeça e a pele cobertas e ficar na sombra. O perigo de queimaduras solares não é</p><p>73</p><p>apenas quando os raios incidem diretamente sobre a pele, mas também os que refletem</p><p>na água.</p><p>Ao atuar como vigia, proteja o pescoço e a nuca com uma aba improvisada.</p><p>Capa, roupas e óculos podem ser meios de proteção dos raios solares no bote salva-</p><p>vidas.</p><p>Inflamação ocular: Fortes reflexos do céu e da água podem causar vermelhidão</p><p>dos olhos, deixando-os inflamados ou doloridos. Portanto, é conveniente usar óculos de</p><p>proteção ou, na falta deles, improvisar proteção com um pano ou curativo.</p><p>Se houver colírios antissépticos disponíveis, use-os para controlar a inflamação.</p><p>Se seus olhos doerem, coloque um curativo leve sobre eles. Antes de aplicar o curativo,</p><p>umedeça a gaze com água potável e coloque-a sobre os olhos.</p><p>Úlceras causadas por água salgada: O contato constante com água salgada na</p><p>pele causa úlceras. O marinheiro deve evitar abri-las ou pressioná-las. Use o creme</p><p>antisséptico no kit de primeiros socorros do bote salva-vidas.</p><p>Não deixe a humidade entrar nas feridas. Mantenha a ferida o mais seca</p><p>possível.</p><p>Enjoo: Tonturas, náuseas e vômitos são os problemas mais comuns no mar,</p><p>principalmente em navios que balançam muito. Sobrevivendo no mar com um bote</p><p>salva-vidas impulsionado pelas ondas, o problema se torna crítico, pois os vômitos</p><p>causados pelo enjoo significam a perda de água interna do corpo e, consequentemente,</p><p>o aumento da desidratação. Em tal situação, o náufrago deve se deitar, mudar a posição</p><p>da cabeça, evitar comer e beber e tomar remédios para enjoo o mais rápido possível.</p><p>Prisão de ventre e dificuldade em urinar: Disfunção intestinal é um fenômeno</p><p>comum em pessoas enjoadas devido à falta de comida.</p><p>Não se excite demais e não tome laxantes. Faça o máximo possível de exercícios</p><p>físicos leves.</p><p>74</p><p>A cor escura da urina e a dificuldade para urinar também são fenômenos</p><p>normais nessas condições. Esta é a maneira do corpo de manter a água dentro do corpo.</p><p>Pé de imersão: causado pela exposição prolongada dos pés e pernas ao frio e à</p><p>água. Se a exposição continuar por vários dias, manchas pretas necróticas podem se</p><p>formar nas pernas e pés. A melhor precaução é manter o corpo o mais seco possível,</p><p>exercitando as pernas e movimentando os dedos dos pés para melhorar a circulação.</p><p>Pelo mesmo motivo, botas, sapatos apertados ou meias molhadas devem ser retirados.</p><p>Procedimentos de Abandono</p><p>Todos os tripulantes a bordo devem conhecer todas as suas funções, incluindo</p><p>situações de emergência. Nos navios mercantes temos uma tabela mestra que é uma</p><p>tabela onde são organizadas as atribuições de todos os tripulantes para as principais</p><p>tarefas de emergência - Abandono, Incêndio e Colisão/Vítima. A maior emergência</p><p>possível é o naufrágio.</p><p>Todas as pessoas a bordo, tripulantes ou passageiros devem se fa miliarizar com</p><p>a tabela mestra.</p><p>Lembremo-nos sempre do seguinte:</p><p>O NOSSO NAVIO É UM LUGAR SEGURO NO MAR</p><p>Abandonar o navio é a última escolha do homem. Concluímos, portanto, que o</p><p>abandono é um último recurso e, portanto, somente o comandante deve ordenar o</p><p>abandono do navio.</p><p>Se você ouvir um alarme geral (uma sequência de sete ou menos toques curtos</p><p>seguidos por um toque longo), coloque roupas extras e um colete salva-vidas e vá para</p><p>a o ponto de encontro. Esta chamada precede a chamada de emergência (incêndio,</p><p>colisão e abandono).</p><p>O importante a saber é o seguinte: esta chamada não significa abandono do</p><p>navio. O toque abandonado é indicado pela ativação de um alarme geral soando</p><p>continuamente.</p><p>75</p><p>No ponto de encontro, a tripulação recebe informações sobre a situação de</p><p>emergência e as providências a serem tomadas. Ao chegar ao ponto de encontro, em</p><p>hipótese alguma volte à sua cabine para retirar pertences pessoais. Nenhuma posse</p><p>material é mais importante do que a sua vida.</p><p>O comandante do navio avalia a situação e verifica se há motivos para abandoná-</p><p>lo.</p><p>Quando ordenado a sair, entre no bote salva-vidas. Lembre-se que a principal</p><p>forma de entrar na embarcação salva-vidas é diretamente sem contato com a água.</p><p>A importância do vestuário adequado para proteger o corpo</p><p>A principal causa de morte na sobrevivência no mar é a hipotermia. A hipotermia</p><p>pode ser definida como uma queda na temperatura corporal causada pela exposição a</p><p>um ambiente frio, principalmente quando imerso em água fria.</p><p>Um náufrago pode sofrer um choque térmico antes mesmo de enfrentar</p><p>problemas de hipotermia, que podem resultar até na morte do mergulhador. Roupas</p><p>adicionais reduzirão esse efeito.</p><p>O vestuário é, portanto, a primeira proteção para uma pessoa em perigo no mar.</p><p>Nunca saia do barco sem estar devidamente vestido.</p><p>Roupas quentes devem ser trocadas antes de deixar o navio. A prática mostra</p><p>que as melhores roupas para os náufragos são roupas de lã. Se possível, proteja também</p><p>a cabeça, pois é a parte do corpo onde o calor é mais liberado. Não se esqueça de</p><p>proteger também as outras partes do corpo, como mãos e pés. Nunca se esqueça do</p><p>seu colete salva-vidas!</p><p>Se você tiver alguma dessas roupas disponíveis, use-as sobre as roupas extras</p><p>que estiver usando.</p><p>Cuidados devem ser tomados com roupas de imersão. Em termos de</p><p>flutuabilidade, existem dois tipos de trajes: os flutuantes e os não flutuantes.</p><p>76</p><p>Se o colete salva-vidas do seu navio for de um tipo sem flutuabilidade, use um</p><p>colete salva-vidas.</p><p>A importância do uso de destroços como meio de flutuação</p><p>Se por algum imprevisto não for possível o uso de balsas salva-vidas, improvise</p><p>uma balsa com os pedaços de madeira ou outros materiais que estejam boiando local</p><p>do naufrágio.</p><p>Lembre-se que o mais importante para sobreviver no mar é sair da água.</p><p>Vimos anteriormente que o colete salva-vidas é a peça mais importante do</p><p>equipamento de salvatagem. É importante que todas as pessoas coloquem um colete</p><p>salva-vidas ao sair do navio.</p><p>No entanto, se alguém entrar na água sem colete salva-vidas (o que é errado!),</p><p>ele pode usar os destroços de um navio naufragado como dispositivo de flutuação.</p><p>Então, se você estiver na água sem colete salva-vidas, tente abraçar o máximo</p><p>de objetos que estiverem flutuando ao seu redor.</p><p>Tente tirar o máximo possível de seu corpo da água. Lembre-se daquele</p><p>personagem do filme Titanic que foi salvo por ficar de pé sobre uma porta que flutuava.</p><p>Ações a serem empreendidas antes, durante e após o abandono da</p><p>embarcação</p><p>Procedimentos antes do abandono</p><p>O pré-abandono é o momento em que ainda não foi dada a ordem de abandono</p><p>do navio, mas há indícios de que o navio já não oferece condições de preservar a vida</p><p>das pessoas a bordo.</p><p>Todas as pessoas a bordo devem usar roupa extra contra o frio (se houver fato</p><p>de mergulho a bordo, devem usá-lo), equipamento de proteção individual (capacete,</p><p>luvas, botas) e colete salva-vidas. Você também deve levar o seu cobertor.</p><p>No ponto de encontro na estação das baleeiras, o responsável pela tarefa deve</p><p>verificar se todas as baleeiras estão prontas para o lançamento.</p><p>77</p><p>No plano de emergência do navio, o grupo de apoio à tarefa de abandono deve</p><p>fornecer rações adicionais, principalmente água potável, bem como cobertores e</p><p>equipamentos adicionais considerados necessários para a sobrevivência.</p><p>Ao mesmo tempo, o responsável pela navegação deve verificar o local exato do</p><p>sinistro, e essa informação deve ser transmitida na mensagem de socorro. Ao dirigir-se</p><p>ao posto de embarque, este tripulante deverá levar consigo equipamentos de</p><p>navegação (cartas náuticas, régua paralela, bússola, lápis, apagador, etc.).</p><p>Também é importante trazer dispositivos de sinalização adicionais (pirotecnia e</p><p>sinais de fumaça). Esses dispositivos podem ser encontrados na ponte do navio.</p><p>EPIRB e SART não devem ser deixados a bordo. A tabela mestra do navio já conta</p><p>com um tripulante selecionado responsável pelo transporte desses aparelhos. No</p><p>entanto, é importante que o responsável pelo trabalho de abandono assegure-se de que</p><p>este equipamento seja carregado na baleeira.</p><p>Procedimentos durante o abandono</p><p>O momento do abandono começa quando o alarme da estação de abandono é</p><p>ativado (soa continuamente).</p><p>Todas as manifestações de pânico devem ser controladas, pois o pânico pode</p><p>contagiar qualquer coisa, tornando caótico o abandono do navio.</p><p>Ao ouvir o alarme de partida, dirija-se à sua estação de partida de acordo com a</p><p>tabela mestra.</p><p>A pessoa encarregada do barco salva-vidas verifica se todas as pessoas</p><p>designadas para aquele barco salva-vidas estão presentes e, em seguida, determina o</p><p>lançamento do barco salva-vidas.</p><p>Todos os tripulantes devem executar suas tarefas de acordo com o que está</p><p>determinado na tabela mestra, sempre com habilidade e sem pressa.</p><p>Em seguida, embarque na embarcação salva-vidas determinada e afaste-se,</p><p>imediatamente, do navio naufragado.</p><p>78</p><p>Procedimentos após o abandono</p><p>Após o abandono do navio naufragado, o tripulante deve estabilizar a baleeira</p><p>nas proximidades do acidente para facilitar sua localização pelas equipes de busca e</p><p>salvamento.</p><p>Aqueles embarcados nas embarcações de sobrevivência devem recolher as</p><p>pessoas que possam estar na água.</p><p>Para fazer isso, eles podem usar um anel flutuante do bote salva-vidas ou se</p><p>aproximar desses náufragos enquanto estiverem em um barco salva-vidas a motor.</p><p>Todos os botes salva-vidas devem estar próximos para que as equipes de busca</p><p>e salvamento tenham um campo de visão maior, facilitando sua localização.</p><p>Se estiverem longe do navio avariado (aprox. 150 metros), a âncora flutuante</p><p>deve ser lançada ao mar. Este dispositivo reduz os efeitos da deriva e estabiliza a</p><p>embarcação próximo ao local sinistrado.</p><p>Um líder estabelece o posto de vigia do qual todos devem participar, porque esta</p><p>tarefa é a mais importante para a sobrevivência de todos.</p><p>Após esses primeiros momentos, começa a jornada de sobrevivência. Os</p><p>náufragos devem fazer algo para manter o moral.</p><p>Devem preparar-se para: chegada de forças de busca e salvamento, reboque,</p><p>salvamento por helicóptero ou mesmo aterragem, caso estejam próximo de terra.</p><p>A Importância do treinamento para enfrentamento de naufrágios</p><p>A melhor forma de se preparar para emergências é o treinamento periódico.</p><p>Somente uma equipe bem treinada pode executar tarefas com eficiência e, acima de</p><p>tudo, sem pânico, de acordo com o plano de contingência e a tabela mestra.</p><p>Quando há uma emergência a bordo, seja ela qual for, não há tempo para</p><p>consultar manuais ou tirar dúvidas sobre o funcionamento dos equipamentos.</p><p>79</p><p>A tripulação deve saber como funciona o equipamento de resgate e isso só é</p><p>possível através de exercícios e prática.</p><p>Existem três tipos de treinamento de salvamento a bordo:</p><p> Familizarização</p><p> Abandono</p><p> Resgate</p><p>A familiarização destina-se a tripulantes novos ou que tenham de cumprir as suas</p><p>responsabilidades.</p><p>Essa orientação também se estende aos passageiros, principalmente quanto à</p><p>colocação correta dos coletes salva-vidas e o trajeto de sua cabine até o ponto de</p><p>encontro no convés do bote salva-vidas.</p><p>O treinamento de abandono é prescrito pela regra 19 da Convenção</p><p>Internacional para a Salvaguarda da Vida Humana no Mar. Todos os membros da</p><p>tripulação devem participar de pelo menos um exercício de abandono do navio e um</p><p>exercício de incêndio por mês. Sempre que possível, esses exercícios devem ser</p><p>realizados como se fosse uma emergência real.</p><p>Qualquer exercício de abandono de navio deve incluir:</p><p> Chamar os passageiros e a tripulação para o ponto de encontro;</p><p> Introdução de funções e preparação para tarefas descritas na</p><p>tabela mestra;</p><p> Verificar se os passageiros e tripulantes estão devidamente</p><p>trajados;</p><p> Verificar se os coletes salva-vidas estão devidamente ajustados;</p><p> Abaixar pelo menos uma embarcação salva-vidas após completar</p><p>todos os preparativos necessários para o lançamento;</p><p> Partida e operação do motor do barco salva-vidas;</p><p> Uso de turcos utilizados para abaixar os botes salva-vidas (se</p><p>necessário);</p><p>80</p><p> Simulação de busca e salvamento de passageiros presos em</p><p>camarotes; e</p><p> Instruções de operação de rádio para equipamentos de resgate.</p><p>Após cada exercício deve ser feita uma avaliação, para que eventuais deficiências</p><p>sejam corrigidas.</p><p>Utilização dos sinais de salvamento</p><p>É importante que os náufragos possuam equipamentos de sinalização para</p><p>informar as equipes SAR (sigla em inglês para Search and Rescue Services).</p><p>Existem vários dispositivos que informam as equipes de busca e salvamento</p><p>sobre a localização de pessoas em perigo. Dispomos de equipamento de sinalização</p><p>visual de emergência que inclui pirotecnia (iluminação por paraquedas e lanterna</p><p>manual), fumígeno, espelho heliográfico e lanterna. Esses dispositivos são os mais</p><p>tradicionais.</p><p>Outro equipamento que também é utilizado para indicar a direção do bote salva-</p><p>vidas é o apito, que tem um alcance logicamente limitado.</p><p>No entanto, os métodos de sinalização mais eficazes atualmente são EPIRB e</p><p>SART (Search and Rescue Transponder) - transponder de radar.</p><p>Vamos conhecer cada um deles.</p><p>Foguetes com paraquedas: Os faróis equipados com paraquedas são dispositivos</p><p>de sinalização para uso noturno. São acondicionados em tubos cilíndricos, que podem</p><p>ser de metal refratário ou baquelite, que são impermeáveis.</p><p>Um foguete lançado verticalmente deve atingir uma altura de pelo menos 300</p><p>metros, e no ponto mais alto ou próximo ao ponto mais alto da trajetória de voo, o</p><p>foguete deve lançar de paraquedas um objeto pirotécnico iluminador (em vermelho).</p><p>O tempo de queima deve ser de pelo menos 40 segundos e a velocidade de</p><p>descida não deve exceder 5 m/s.</p><p>81</p><p>Use este dispositivo com extremo cuidado. O manual do usuário é sempre</p><p>impresso nos próprios objetos.</p><p>O foguete deve ser lançado longe da baleeira, a favor do vento, com o braço</p><p>estendido do casco, elevado a 45°.</p><p>Lembre-se que o número desses sinais por bote salva-vidas é limitado (quatro</p><p>unidades por embarcação). Portanto, não os desperdice. Nunca o dispare, a menos que</p><p>você tenha certeza de que alguém está ao alcance.</p><p>Fachos manuais: Também são dispositivos noturnos. São acondicionados em</p><p>bisnagas cilíndricas, que podem ser de material refratário ou baquelite,</p><p>que são</p><p>impermeáveis.</p><p>O facho emite uma luz vermelha brilhante quando aceso e deve queimar por pelo</p><p>menos 1 minuto.</p><p>Só utilize este aparelho após ler, atentamente, as instruções contidas no corpo</p><p>do facho.</p><p>As precauções são semelhantes às dos aparelhos de iluminação dotados de</p><p>paraquedas, ou seja, o sinalizador deve ser lançado longe do bote salva-vidas, a favor do</p><p>vento, com o braço estendido do casco, elevado a 45º.</p><p>Cada salva-vidas geralmente tem seis fachos.</p><p>Nota: Tanto nos fachos dotados de paraquedas quanto no fachos manuais, se a</p><p>combustão falhar, esses dispositivos devem ser descartados, ou seja, jogados no mar,</p><p>porque se os mantivermos nas embarcações salva-vidas, eles podem queimar e causar</p><p>acidentes.</p><p>Sinal fumígeno flutuante: O sinal fumígeno é um dispositivo de sinalização para</p><p>uso diurno.</p><p>Embalado em caixa estanque. Quando ativado, emite fumaça bem visível</p><p>(geralmente laranja) por pelo menos 4 minutos.</p><p>O manual do usuário também está impresso na caixa.</p><p>82</p><p>O sinal fumígeno não é feito para o náufrago manter nas mãos após a ativação.</p><p>O mesmo deve se deixado na água, também atrás do vento, para que a fumaça não seja</p><p>lançada para o interior do bote salva-vidas.</p><p>Cada balsa e bote salva-vidas, normalmente, tem dois sinais fumígeno</p><p>flutuantes.</p><p>Nota: um sinal de fumaça pode ser usado em operações de resgate para indicar</p><p>a direção e força do vento ao piloto do helicóptero para ajudá-lo a se aproximar do</p><p>naufrágio.</p><p>Espelho heliográfico: O espelho heliográfico é um dispositivo de sinalização para</p><p>uso diurno. A experiência dos sobreviventes mostrou que um espelho pode ser um</p><p>dispositivo de sinalização eficaz em dias ensolarados.</p><p>No caso de uma aeronave de busca e salvamento, os observadores podem notar</p><p>o reflexo antes que a pessoa em perigo a bordo veja a própria aeronave.</p><p>Assim, ao ouvir o ruído do motor de um avião, a pessoa em perigo deve sinalizar</p><p>com um espelho em sua direção, mesmo que não esteja na linha de visão.</p><p>É interessante que os náufragos pratiquem o uso do espelho durante uma</p><p>viagem marítima, para que possam sinalizar habilmente seu uso real.</p><p>Ao sinalizar com espelhos, as instruções são as seguintes: o sobrevivente deve</p><p>segurar o espelho a alguns centímetros do rosto e focar o alvo através da viseira,</p><p>refletindo o feixe de luz no material refletor, direcionar a abertura do espelho com o</p><p>orifício de busca e o alvo que deseja atingir.</p><p>Na ausência de um espelho heliográfico, pode ser usado um pequeno espelho de</p><p>bolso.</p><p>Apito: O uso do apito é muito limitado. A sua utilização está geralmente</p><p>associada ao rescaldo imediato de um acidente, onde os botes salva-vidas são reunidos</p><p>para indicar a direção em que devem vir os marinheiros em perigo, especialmente à</p><p>noite ou com pouca visibilidade.</p><p>83</p><p>Também pode ser usado para sinalização de curto alcance para um navio ou</p><p>pessoas em terra.</p><p>Lanterna: utilizada para sinalizar à noite. A lanterna encontrada no equipamento</p><p>do bote salva-vidas deve possuir dispositivo capaz de transmitir sinais Morse. Deve ser</p><p>à prova d'água e ter baterias sobressalentes e uma lâmpada sobressalente.</p><p>Além dos dispositivos de sinalização mais tradicionais, o GMDSS - Global</p><p>Maritime Distress and Safety System - permite o envio e recebimento automático de</p><p>mensagens de socorro a longas distâncias com grande confiabilidade.</p><p>GMDSS é um serviço global de comunicações baseado em sistemas</p><p>automatizados, tanto satélites quanto estações terrestres, para emitir alertas de</p><p>emergência e disseminar informações de segurança marítima aos navegantes.</p><p>Como resultado, o GMDSS permite alertar tanto as agências terrestres de busca</p><p>e salvamento quanto os navios nas proximidades do local do acidente sobre uma</p><p>situação perigosa, o que reduz significativamente o tempo de resposta para operações</p><p>de resgate.</p><p>Desde 1999, os navios abrangidos pela convenção SOLAS devem transportar</p><p>certos equipamentos de comunicação. O Capítulo IV da Convenção SOLAS aplica-se aos</p><p>equipamentos de rádio que fazem parte das estações GMDSS dos navios. O GMDSS é</p><p>uma combinação de Comunicações por Satélite, Radiotelefonia nas bandas MF, HF, VHF,</p><p>Radiotelex, Transmissores de Radar - SART, Indicadores de Rádio - EPIRBs e Chamada</p><p>Digital Seletiva - DSC.</p><p>O segmento de satélites é o grande responsável pela eficiência de todo o sistema.</p><p>É composto por duas organizações, INMARSAT e COSPAS-SARSAT.</p><p>EPIRB: é um sinal flutuante que emite automaticamente um sinal de perigo que</p><p>é recebido pelos satélites GMDSS (COSPAS-SARSAT) e retransmitido para as estações de</p><p>recepção em terra onde estes sinais são decodificados e então a localização do</p><p>radiofarol é fornecido. Portanto, é importante que a tripulação leve o EPIRB para o bote</p><p>salva-vidas antes de deixar o navio.</p><p>84</p><p>O alarme é então encaminhado para as autoridades de Busca e Salvamento</p><p>(SAR), que em nosso país é a SALVAMAR BRASIL da Marinha do Brasil.</p><p>SART - TRANSCEPTOR DE RADAR: Este dispositivo opera em 9GHz, compatível</p><p>com radares de Banda X. Quando o SART é ligado e recebe um sinal de resposta de um</p><p>radar operando naquela frequência em um navio, embarcação de resgate ou mesmo</p><p>uma aeronave de busca e salvamento, o SART responderá através de um "eco" forte.</p><p>Um radar de busca em funcionamento recebe esse sinal de "eco" e exibe a resposta na</p><p>tela do radar.</p><p>85</p><p>7 RELAÇÕES INTERPESSOAIS E RESPONSABILIDADES SOCIAIS</p><p>Relações humanas</p><p>O aspecto confinado das embarcações e os longos períodos em que,</p><p>muitas vezes, estas se ausentam dos seus portos de origem são um constante</p><p>desafio ao convívio e entendimento entre os integrantes de sua tripulação de</p><p>forma a preservar as relações interpessoais em elevado nível, mantendo-se as</p><p>relações hierárquicas e a disciplina que permitam a atingir o objetivo a que se</p><p>propuseram. Esta matéria prevê conceitos básicos, que devem ser do</p><p>conhecimento de todos a bordo, para que seja possível transformar uma reunião</p><p>de pessoas que irão tripular uma embarcação numa equipe de trabalho</p><p>consciente das dificuldades naturais imposta pelo meio aquaviário.</p><p>Personalidade</p><p>A personalidade é um dos fenômenos mais complexos estudados pela</p><p>ciência. É talvez o mais fascinante, porque todos nós desejamos nos conhecer e</p><p>conhecer outras pessoas com as quais convivemos. Saber o que em nós é comum</p><p>a todas as pessoas e o que mais nos distingue delas, talvez seja o mais constante</p><p>desejo do homem. Conhecer nossas qualidades positivas e verificar nossos traços</p><p>negativos é um trabalho diário que nos preocupa e incentiva.</p><p>Enfim, a coisa mais importante para nós é a nossa personalidade. Os</p><p>conceitos vulgares de personalidade não coincidem com o utilizado pelos</p><p>estudiosos do comportamento. O mais vulgar deles talvez seja este:</p><p>“Personalidade é a impressão causada por você sobre outra pessoa”. Por</p><p>exemplo, dizemos: José tem uma personalidade marcante. Para alguns, isto não</p><p>quer dizer nada. O que quer dizer é que José tem certos traços de caráter que o</p><p>distinguem das pessoas com quem convive.</p><p>A personalidade é uma abstração. Ela é a soma de certas características</p><p>mais ou menos estáveis de uma pessoa. O comportamento de uma pessoa numa</p><p>entrevista, por exemplo, não revela todos os seus atributos, os seus traços. As</p><p>relações constantes que temos com uma pessoa é que nos mostrarão a</p><p>86</p><p>frequência de certos traços, os aspectos de sua personalidade. E apesar de um</p><p>dia ela se mostrar expansiva, faladora, continuaremos dizendo que é introvertida</p><p>fechada, voltada mais aos seus problemas que aos dos outros. Não é com os</p><p>traços variáveis que julgamos os outros, mas com o mais ou menos estável. Se</p><p>assim não fosse, seria muito difícil o relacionamento social.</p><p>Portanto, definimos Personalidade como a soma de todas as</p><p>características cognitivas, afetivas e físicas de uma pessoa, tal como se</p><p>manifestam e a diferenciam de outras. É a integração</p><p>de sete componentes:</p><p>fisiologia, necessidades, interesses, atitudes, aptidões, temperamento e</p><p>morfologia.</p><p>Influência da personalidade nos padrões de comportamento</p><p>A personalidade influência nos padrões de comportamento, porque é por</p><p>meio dos traços de personalidade que uma pessoa se integra e se ajusta dentro</p><p>dos grupos sociais, inclusive o grupo de trabalho. Um dos traços de</p><p>personalidade mais importante e valorizado em uma pessoa dentro do ambiente</p><p>de trabalho é o que promove a adaptação e o ajuste nas diversas situações que</p><p>se apresentam no dia a dia.</p><p>As relações humanas compreendem as interações das pessoas numa</p><p>ampla variedade de circunstâncias e situações sociais. As interações humanas</p><p>podem ser agradáveis e compensadoras, ou podem ser frustrantes e geradoras</p><p>de conflito. Essas relações envolvem pessoas de diferentes grupos étnicos,</p><p>crenças religiosas ou políticas e, naturalmente, trabalhadores e seus chefes,</p><p>quando se ocupam de situações e problemas com que se defrontam. O número</p><p>de pessoas envolvidas, os assuntos em pauta, a disposição e a competência dos</p><p>participantes e o nível de respeito recíproco entre os indivíduos influem no</p><p>resultado e na qualidade das relações humanas, bem como no nível de satisfação</p><p>de cada pessoa envolvida na situação.</p><p>Deve-se desenvolver uma forma para se adaptar a situações de trabalho</p><p>e reduzir os conflitos interpessoais desnecessários.</p><p>87</p><p>É necessário, portanto, que se compreendam as forças humanas e sociais</p><p>existentes em um ambiente de trabalho.</p><p>Ao atingir a primeira fase da vida adulta, a maioria das pessoas já</p><p>desenvolveu um sistema funcional de relações humanas.</p><p>No entanto, a mesma pessoa que se sente confiante quanto aos seus</p><p>relacionamentos pessoais com amigos e com a família, sente-se, às vezes,</p><p>inseguro quanto ao seu comportamento em situações profissionais. Em todas as</p><p>situações em que uma pessoa precisa interagir, tendo em vista algum objetivo</p><p>comum, existe a possibilidade da desorientação quando diversos pontos de vista</p><p>e metas pessoais entram em conflito.</p><p>A importância do comportamento humano como referencial no resultado do</p><p>trabalho</p><p>As relações humanas se aplicam amplamente às interações e à</p><p>cooperação de pessoas em grupos; aos superiores cabe o papel de manutenção</p><p>de um nível aceitável de sociabilidade com seus subordinados, como também de</p><p>padrões aceitáveis de desempenho profissional. Portanto, as relações humanas</p><p>significam a integração de pessoas em situações que as motivem a trabalhar</p><p>juntas produtiva e cooperativamente, com satisfação econômica, social e</p><p>psicológica. Cada pessoa acaba se tornando seu próprio psicólogo quando</p><p>analisa o comportamento das outras. Se alcançarem sucesso em seus</p><p>relacionamentos sociais, tendem a acreditar que suas práticas de “relações</p><p>humanas” são eficazes e, assim, encontram pouca motivação para mudar seu</p><p>comportamento ou sua perspectiva. Por outro lado, pessoas que não</p><p>experimentam o sucesso ou a satisfação no trato social, podem acreditar que o</p><p>defeito esteja nos outros, e não nelas mesmas; tal atitude é, muitas vezes, uma</p><p>racionalização. Cada pessoa que contribui para o sucesso de um grupo deve ser</p><p>responsável pelo próprio comportamento. Embora algumas pessoas em situação</p><p>de trabalho desejem ser responsáveis pelo próprio comportamento, não têm</p><p>certeza sobre o que delas se espera em termos de relações humanas. Jovens</p><p>88</p><p>empregados podem não compreender suas tarefas recém-designadas em grupos</p><p>de trabalho. Podem ser inexperientes ou inseguros quanto à atuação correta e</p><p>as responsabilidades que lhes são atribuídas. Empregados jovens ou</p><p>inexperientes não são os únicos que encontram problemas de ajustamento no</p><p>trabalho. Qualquer pessoa que mude de atividade ou função, em um grupo,</p><p>defronta-se com um novo conjunto de “problemas de relações humanas”. A</p><p>promoção para uma posição superior, com aumento de responsabilidades e de</p><p>autoridade, torna frequente e necessária uma mudança de comportamento. Que</p><p>comportamento deve ser esse? Como pode ser mais bem obtida uma mudança</p><p>no comportamento desejado? Como se pode produzir impacto positivo? Qual é</p><p>o estilo mais eficaz de liderança? Atingir tais finalidades não é simples. Fatores</p><p>sociais, psicológicos, organizacionais e físicos complicam a integração e a</p><p>motivação das pessoas em grupos. Assim, torna-se necessário o</p><p>desenvolvimento de uma quantidade de métodos e técnicas destinados a</p><p>acomodar a integração dos trabalhadores em uma organização. Porém a</p><p>complexidade do ambiente profissional demonstra que os métodos em curto</p><p>prazo, de eficiência não comprovada, e mais fantasiosos do que cuidadosamente</p><p>pensados não serão suficientes.</p><p>Causas do surgimento dos conflitos</p><p>O crescimento e o desenvolvimento de qualquer sistema têm como etapa</p><p>de transição os conflitos Estes surgem principalmente pelo apego de algumas</p><p>pessoas à situação vigente, seja por posse ou comodismo, criando resistência a</p><p>efetuar mudanças. Isso não quer dizer que não existam mudanças sem conflitos.</p><p>Portanto, entendemos por conflito o processo que se inicia quando uma das</p><p>partes em interação percebe que a outra frustrou ou está por frustrar suas</p><p>necessidades ou objetivos. As principais causas de surgimento de conflitos em</p><p>uma equipe de trabalho, são:</p><p> luta pelo poder;</p><p> desejo de êxito econômico;</p><p> recursos escassos;</p><p>89</p><p> marcadas diferenças culturais e individuais</p><p> tentativa de autonomia;</p><p> direitos não atendidos/conquistados;</p><p> mudanças externas acompanhadas por tensões, ansiedade e</p><p>medo;</p><p> necessidade de status;</p><p> exploração de terceiros (manipulação);</p><p> necessidades individuais não atendidas</p><p> expectativas não atendidas;</p><p> carência de informação, tempo e tecnologia;</p><p> divergência de metas;</p><p> emoções não-expressas ou inadequadas;</p><p> obrigatoriedade de consenso</p><p> meio ambiente adverso; e</p><p> preconceitos.</p><p>Toda pessoa procura se ajustar ou se adaptar quando enfrenta inibições</p><p>e frustrações, com o objetivo de organizar-se e equilibrar-se diante das suas</p><p>experiências e expectativas do universo que a rodeia. Dentre os vários efeitos</p><p>indiretos do conflito, o mais significativo é o aparecimento da angústia,</p><p>proveniente de ameaças ao autorrespeito, de sentimento de culpa ou medo de</p><p>punição. Essa angústia leva a pessoa a apresentar vários mecanismos de defesa,</p><p>que são reações para abrandá-la ou evitá-la.</p><p>Características da boa comunicação no ambiente de trabalho</p><p>A eficácia da comunicação com os liderados depende do grau em que a</p><p>liderança se empenha para manter uma cadeia aberta, honesta e abrangente. A</p><p>eficácia resultante da boa comunicação tornar-se-á um importante fator para o</p><p>fortalecimento ou o enfraquecimento da equipe de trabalho.</p><p>90</p><p>Os líderes bem-sucedidos no cumprimento de sua responsabilidade são</p><p>os que se colocam no ponto de enfoque da cadeia de comunicação em sua</p><p>equipe.</p><p>Uma informação somente pode ser passada quando ocorrem recepção e</p><p>emissão mantendo-se o “ruído” em um mínimo. Observar, ouvir e ler são tão</p><p>essenciais à liderança quanto demonstrar, falar e escrever. Embora o</p><p>intercâmbio de informações seja altamente influenciado por fatores não verbais</p><p>como ansiedades e apreensões, atitudes e emoções, personalidade e tom de voz,</p><p>grande parte da informação assume inevitavelmente uma forma de tirania das</p><p>palavras. As técnicas de comunicação são mais eficazes quando: (1) forem</p><p>utilizadas em combinação ao invés de isoladamente; e (2) quando</p><p>adequadamente harmonizadas com a situação e as pessoas envolvidas. Cada</p><p>situação do dia a dia de trabalho, principalmente em confinamentos dentro de</p><p>embarcações, requer um método ou uma combinação de métodos mais</p><p>aplicável. Para mostrar a alguns liderados o quanto aprecia sua cooperação, tudo</p><p>o que o líder tem a fazer é dar-lhes ocasionalmente uma tapinha nas costas.</p><p>Outros, porém, podem necessitar de</p><p>frequente reafirmação verbal. Outros,</p><p>ainda, somente acreditarão quando o líder o fizer por escrito. As comunicações</p><p>que alcançam maior êxito são aquelas encaminhadas por líderes que conhecem</p><p>muitas maneiras de transmitir suas ideias, instruções e atitudes. Portanto, a</p><p>comunicação eficiente por parte do líder deve ser isenta de preconceito,</p><p>preferências e todos os demais sentimentos que podem prejudicar ou atrapalhar</p><p>o bom ambiente de trabalho.</p><p>Ações preventivas para um bom relacionamento no trabalho</p><p>As ações preventivas para evitar o surgimento de conflitos são difíceis de</p><p>serem tomadas, pois quando o conflito aflora, já está instalado nas pessoas que</p><p>compõem um grupo de trabalho. Compete ao líder observar constantemente o</p><p>comportamento dos membros da sua equipe de trabalho para, assim que</p><p>detectar as atitudes citadas, assumir seu papel e solucioná-los logo no seu início.</p><p>91</p><p>As formas mais frequentes de mecanismos de defesa e ajustamento das pessoas</p><p>são:</p><p> Agressão – surge geralmente quando as ideias de uma pessoa não</p><p>são aceitas ou quando a pessoa não é aceita pelo grupo. A</p><p>agressão manifesta-se através de gestos, palavras ou ainda</p><p>violência física.</p><p> Obsessividade – caracteriza-se pela preocupação excessiva de</p><p>detalhes sem importância. Ex: a limpeza frequente de um</p><p>armário, gaveta, a sequência rígida numa discussão, ser atendido</p><p>sempre pela mesma pessoa em um determinado local comercial,</p><p>etc.</p><p> Compensação – é o mecanismo que imprime nova direção à</p><p>motivação, ou seja, consiste em desviar ou substituir um objetivo</p><p>que a pessoa não foi capaz de realizar por outro, transferindo e</p><p>dirigindo sua energia para este novo objetivo.</p><p> Racionalização ou Autojustificação – ocorre quando, ao não</p><p>conseguir realizar uma determinada tarefa, atribuímos uma</p><p>explicação racional, aparentemente lógica para encobrir uma</p><p>insatisfação emocional. O exemplo clássico deste mecanismo é a</p><p>fábula da raposa e as uvas, em cujo texto o animal, por não</p><p>conseguir alcançá-las, diz que as uvas estão verdes.</p><p> Projeção – ocorre quando uma pessoa transfere seus próprios</p><p>sentimentos para uma outra pessoa ou situação. Por exemplo, um</p><p>marinheiro tem dificuldade de compreender uma determinada</p><p>explicação de um companheiro e joga a culpa em quem está</p><p>explicando ou passando a informação.</p><p> Idealização – é o mecanismo utilizado sob a forma de</p><p>supervalorização de si mesmo, ou de algumas atitudes específicas,</p><p>ou do grupo a que pertence, negando a ocorrência de alguns</p><p>fracassos ou limitações. Exemplo: uma equipe de vendas, com</p><p>92</p><p>baixa produção, ao perceber que seus concorrentes estão se</p><p>sobressaindo, passa a supervalorizar as qualidades de seus</p><p>vendedores ao invés de detectar as falhas do grupo.</p><p> Fuga – é uma forma de reação em que há o afastamento do</p><p>problema, fugindo do fato que provoca angústia. A pessoa desiste</p><p>e evita a situação de conflito, excluindo, na maioria das vezes, a</p><p>possibilidade de uma solução efetiva do problema. Exemplo: o</p><p>abandono da escola por causa do fracasso escolar, o chefe da</p><p>família que abandona sua casa diante dos problemas familiares.</p><p> Apatia – ausência de sentimento, indiferença. Frente a uma</p><p>situação que causa angústia, a pessoa se torna desinteressada,</p><p>desligada, construindo uma parede que a separa do impacto da</p><p>situação real.</p><p> Negativismo – caracteriza-se por uma conduta habitual na qual se</p><p>responde, diante das mais diversas situações, de forma sempre</p><p>negativa, derrotista. Exemplo: “Isto não vai dar certo...”; “Eu sei</p><p>que não vou conseguir...”.</p><p> Regressão – ocorre quando se adota uma conduta já vivida</p><p>anteriormente, com “a esperança” de ser tratado da mesma</p><p>forma, ou seja, quando uma pessoa traumatizada procura</p><p>retornar a um estágio anterior. Exemplo: uma criança que volta a</p><p>agir como bebê, quando é muito “cobrado” para ter atitudes</p><p>adultas.</p><p> Fantasia – caracteriza-se, basicamente, por “sonhar acordado”. É</p><p>a formação de imagens mentais de cenas ou, com frequência, de</p><p>sequências de eventos ou experiências que realmente não</p><p>aconteceram ou que se passaram de modo consideravelmente</p><p>diverso do fantasiado.</p><p>Esses mecanismos de defesa apresentam-se em todas as pessoas.</p><p>Tornam-se sintomas de anormalidade apenas quando aparecem, numa pessoa,</p><p>93</p><p>em quantidade excessiva. Os mecanismos de defesa podem ter consequências</p><p>benéficas ou prejudiciais para o ajustamento da pessoa. São benéficos quando</p><p>diminuem a angústia, mantêm e acentuam o autorrespeito e ajudam a proteger</p><p>o indivíduo de angústias e ameaças futuras. Como resultado dessa proteção, a</p><p>pessoa pode ser capaz de suportar o conflito, durante um período suficiente para</p><p>provocar um ajustamento mais realista e mais eficiente ao problema. Mas a</p><p>ocorrência prolongada e excessiva dos mecanismos de defesa pode gerar efeitos</p><p>prejudiciais ao ajustamento efetivo à vida.</p><p>Trabalho em equipe</p><p>As principais razões que levam as pessoas a formarem equipes são, em</p><p>primeiro lugar, a necessidade, em segundo lugar o desejo de proximidade e,</p><p>finalmente, os desafios. Equipes se constituem a partir da existência de</p><p>interesses comuns que vão desde a necessidade de sobrevivência até os anseios</p><p>de segurança, estima ou status. O desejo da proximidade física está ligado à</p><p>atração que as pessoas exercem umas sobre as outras e à possibilidade que elas</p><p>têm de confirmar suas crenças e valores. A interação social atende à necessidade</p><p>de reconhecimento, estruturação do tempo e outras carências humanas.</p><p>Os desafios fazem com que as pessoas se reúnam para tentar superar</p><p>coletivamente as dificuldades e são uma poderosa razão para a formação de</p><p>equipes de trabalho. Nos campeonatos esportivos, podemos observar inúmeros</p><p>exemplos de grupos de alta competência movidos quase que exclusivamente</p><p>pelos desafios. E não só os atletas estão em busca da superação de seus recordes</p><p>desportivos como os patrocinadores e organizadores atrás de seus recordes</p><p>econômicos. O público em geral assiste, torce e participa, movido pelo desejo de</p><p>proximidade, o de pertencer e expressar-se emocionalmente, mesmo assistindo</p><p>pela televisão. São três os fatores básicos que fazem as pessoas se aproximarem:</p><p>1. A existência de um objetivo comum; 2. Uma certa divisão de papéis ou de</p><p>tarefas; e 3. A existência de algum tipo de relacionamento entre as pessoas. No</p><p>enfoque psicossocial surgirá, como fundamental para a existência de uma</p><p>equipe, a presença de fatores sócios afetivos de coesão que são:</p><p>94</p><p>1. A existência de um alvo comum e visível para os membros da equipe;</p><p>2. A percepção da possibilidade de promover uma ação conjunta; e 3. O</p><p>sentimento de “pertencer”.</p><p>Aspectos importantes do trabalho em equipe</p><p> Aumenta a produtividade;</p><p> Melhora a comunicação: o negócio de uma equipe é compartilhar</p><p>informação e delegar trabalho;</p><p> Realiza tarefas que grupos comuns não podem fazer: há</p><p>conhecimento demais para que uma única pessoa possa saber de</p><p>tudo;</p><p> Faz melhor uso dos recursos: a equipe é a ideia do “just-in-time”,</p><p>aplicada à estrutura organizacional e ao princípio de que nada</p><p>pode ser desperdiçado;</p><p> As equipes são mais criativas e eficientes na resolução de</p><p>problemas: elas invariavelmente sabem mais sobre comprimento,</p><p>profundidade e largura de uma organização do que a hierarquia</p><p>piramidal;</p><p> Decisões de alta qualidade: a essência da idéia de equipe é o</p><p>conhecimento compartilhado, e sua conversão imediata para</p><p>liderança compartilhada; e</p><p> Melhores produtos e serviços: as equipes permitem às</p><p>organizações misturar pessoas com diferentes tipos de</p><p>conhecimento sem que essas diferenças rompam o tecido da</p><p>organização.</p><p>Nós somos criaturas sociais. Não apenas gostamos da companhia uns dos</p><p>outros, mas também buscamos uns aos outros, situação após situação.</p><p>Precisamos dessa interação da mesma forma que necessitamos de ar, água e</p><p>segurança. Todos nós necessitamos de:</p><p>das normas de Segurança do Tráfego Aquaviário e do Meio Ambiente, são</p><p>exercidas pelos Comandantes de Distritos Navais e do Comando Naval da Amazônia</p><p>Ocidental, diretamente ou por meio das Capitanias dos Portos e Capitanias Fluviais, suas</p><p>Delegacias e Agências, denominadas Agentes da Autoridade Marítima. De acordo com</p><p>o artigo 4° da Lei n. 9.537 de 11 de dezembro de 1997(LESTA), que dispõe sobre a</p><p>segurança do tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional, são atribuições da</p><p>Autoridade Marítima:</p><p>1) Elaborar normas para:</p><p> Habilitação e cadastro dos aquaviários e amadores; tráfego e</p><p>permanência das embarcações nas águas sob jurisdição nacional, bem</p><p>como sua entrada e saída de portos, atracadouros, fundeadouros e</p><p>marinas;</p><p> Realização de inspeções navais e vistorias; arqueação, determinação da</p><p>borda livre, lotação, identificação e classificação das embarcações;</p><p> Inscrição das embarcações e fiscalização do Registro de Propriedade;</p><p> Execução de obras, dragagens, pesquisa e lavra de minerais sob, sobre e</p><p>às margens das águas sob jurisdição nacional, no que concerne ao</p><p>ordenamento do espaço aquaviário e à segurança da navegação, sem</p><p>prejuízo das obrigações frente aos demais órgãos competentes;</p><p> Cadastramento e funcionamento das marinas, clubes e entidades</p><p>desportivas náuticas, no que diz respeito à salvaguarda da vida humana</p><p>e à segurança da navegação no mar aberto e em hidrovias interiores;</p><p> Cadastramento de empresas de navegação, peritos e sociedades</p><p>classificadoras;</p><p> Estabelecimento e funcionamento de sinais e auxílios à navegação;</p><p> Aplicação de penalidade pelo Comandante.</p><p>7</p><p>Águas jurisdicionais brasileiras</p><p>De acordo com a NORMAM 04 as águas jurisdicionais brasileiras compreendem</p><p>as águas interiores e os espaços marítimos, nos quais o Brasil exerce jurisdição, em</p><p>algum grau, sobre atividades, pessoas, instalações, embarcações e recursos naturais</p><p>vivos e não vivos, encontrados na massa líquida, no leito ou no subsolo marinho, para</p><p>os fins de controle e fiscalização, dentro dos limites da legislação internacional e</p><p>nacional. Esses espaços marítimos compreendem a faixa de duzentas milhas marítimas</p><p>contadas a partir das linhas de base, acrescida das águas sobrejacentes à extensão da</p><p>Plataforma Continental além das duzentas milhas marítimas, onde ela ocorrer.</p><p>A Lei No 8.617 de 04 de janeiro de 1993, que dispõe sobre o mar territorial, a</p><p>zona contígua, a zona econômica exclusiva e a plataforma continental brasileira define:</p><p>Mar territorial brasileiro</p><p> Compreende uma faixa de doze milhas marítimas de largura, medidas a</p><p>partir da linha de baixa-mar do litoral continental e insular brasileiro, tal</p><p>como indicada nas cartas náuticas de grande escala, reconhecidas</p><p>oficialmente no Brasil.</p><p> A soberania do Brasil estende-se ao mar territorial, ao espaço aéreo</p><p>sobrejacente, bem como ao seu leito e subsolo.</p><p> É reconhecido aos navios de todas as nacionalidades o direito de</p><p>passagem inocente no mar territorial brasileiro.</p><p> A passagem será considerada inocente desde que não seja prejudicial à</p><p>paz, à boa ordem ou à segurança do Brasil, devendo ser contínua e rápida.</p><p> A passagem inocente poderá compreender o parar e o fundear, mas</p><p>apenas na medida em que tais procedimentos constituam incidentes</p><p>comuns de navegação ou sejam impostos por motivos de força maior ou</p><p>por dificuldade grave, ou tenham por fim prestar auxílio a pessoas a</p><p>navios ou aeronaves em perigo ou em dificuldade grave.</p><p> Os navios estrangeiros no mar territorial brasileiro estarão sujeitos aos</p><p>regulamentos estabelecidos pelo Governo brasileiro.</p><p>8</p><p>Zona contígua</p><p>Compreende uma faixa que se estende das doze às vinte e quatro milhas</p><p>marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para medir a largura do mar</p><p>territorial. Na zona contígua, o Brasil poderá tomar as medidas de fiscalização</p><p>necessárias para:</p><p>I – Evitar as infrações às leis e aos regulamentos aduaneiros, fiscais, de imigração</p><p>ou sanitários, no seu território ou no seu mar territorial;</p><p>II – Reprimir as infrações às leis e aos regulamentos, no seu território ou no seu</p><p>mar territorial.</p><p>Zona Econômica Exclusiva</p><p>A zona econômica exclusiva brasileira compreende uma faixa que se estende das</p><p>doze às duzentas milhas marítimas, contadas a partir das linhas de base que servem para</p><p>medir a largura do mar territorial. Na zona econômica exclusiva, o Brasil tem direitos de</p><p>soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos</p><p>naturais, vivos ou não-vivos, das águas sobrejacentes ao leito do mar, do leito do mar e</p><p>seu subsolo, e no que se refere a outras atividades com vistas à exploração e ao</p><p>aproveitamento da zona para fins econômicos. O Brasil, no exercício de su a jurisdição,</p><p>tem o direito exclusivo de regulamentar a investigação científica marinha, a proteção e</p><p>preservação do meio marítimo, bem como a construção, operação e uso de todos os</p><p>tipos de ilhas artificiais, instalações e estruturas. A investigação científica marinha na</p><p>zona econômica exclusiva só poderá ser conduzida por outros Estados com o</p><p>consentimento prévio do Governo brasileiro, nos termos da legislação em vigor que</p><p>regula a matéria. É reconhecido a todos os Estados o gozo, na zona econômica exclusiva,</p><p>das liberdades de navegação e sobrevoo, bem como de outros usos do mar</p><p>internacionalmente lícitos, relacionados com a referidas liberdades, tais como os ligados</p><p>à operação de navios e aeronaves.</p><p>9</p><p>Plataforma continental</p><p>A plataforma continental do Brasil compreende o leito e o subsolo das áreas</p><p>submarinas que se estendem além do seu mar territorial, em toda a extensão do</p><p>prolongamento natural de seu território terrestre, até o bordo exterior da margem</p><p>continental, ou até uma distância de duzentas milhas marítimas das linhas de base, a</p><p>partir das quais se mede a largura do mar territorial, nos casos em que o bordo exterior</p><p>da margem continental não atinja essa distância.</p><p>Caderneta De Inscrição E Registro – CIR</p><p>Após aprovação em curso do Ensino Profissional Marítimo, o candidato será</p><p>inscrito numa Capitania dos Portos e será expedida uma Caderneta de Inscrição e</p><p>Registro (CIR) onde serão feitas obrigatoriamente as seguintes anotações:</p><p> Dados de identificação do Aquaviário;</p><p> Averbação de cursos e outras certificações;</p><p> Categoria profissional;</p><p> Anexação de certificados, averbação de títulos de habilitação;</p><p> Data e local do embarque ou do desembarque;</p><p> Dados da embarcação.</p><p>Causas de cancelamento e de apreensão da CIR</p><p>O cancelamento será efetuado nos seguintes casos:</p><p> Requerimento do aquaviário;</p><p> Como medida disciplinar imposta pela Autoridade Marítima ou seu</p><p>representante;</p><p> Falecimento;</p><p> Quando o aquaviário for aposentado por invalidez impeditiva de exercer</p><p>a profissão.</p><p>A CIR será apreendida nos seguintes casos:</p><p> Posse ou uso indevido da CIR não pertencente ao portador;</p><p>10</p><p> Alteração, falsificação ou adulteração de registro;</p><p> Cumprimento de condenação passada ou julgada;</p><p> Falta de pagamento de multa aplicada e julgada por autoridade</p><p>competente;</p><p> Cumprimento de pena de suspensão;</p><p> Falsificação, emissão fraudulenta ou alteração da CIR; e</p><p> Servir-se de documento falsificado ou adulterado, ou prestar informação</p><p>não verdadeira, para fim de anotações na CIR.</p><p>Rol de equipagem</p><p>O Rol de Equipagem é emitido pela Capitania dos Portos, em duas vias, e é de</p><p>responsabilidade do comandante o seu correto preenchimento. É o documento hábil</p><p>para a garantia dos direitos decorrentes dos embarques de tripulantes verificados em</p><p>uma única embarcação, devendo conter as seguintes anotações:</p><p> Dados da embarcação, do(s) proprietário(s) e do armador;</p><p> Assinatura e nome legível do comandante do navio, proprietário,</p><p>armador ou seu preposto (representante legal);</p><p> Dados do tripulante; e</p><p> Dados do embarque e desembarques</p><p> Afeição;</p><p>95</p><p> Afiliação;</p><p> Reconhecimento;</p><p> Troca de ideias; e</p><p> Valorização pessoal.</p><p>Apesar da nossa tendência de pertencer a uma equipe, também não</p><p>queremos mudar nossas vidas e prioridades individuais pelo bem do grupo sem</p><p>um benefício pessoal.</p><p>Portanto, trabalhar em equipe ou pertencer a uma equipe significa saber</p><p>manter um equilíbrio constante entre as necessidades da equipe e as</p><p>necessidades individuais (aquelas coisas que cada um de nós deseja, coisas que</p><p>nada têm a ver com equipes ou cargos). Dez maneiras de manter a equipe</p><p>integrada e motivada:</p><p>1. Ter um compromisso com as metas - a primeira coisa que todos os</p><p>membros de uma equipe eficaz fazem é definir aquilo que estão perseguindo,</p><p>quais as metas e objetivos da equipe.</p><p>2. Demonstrar um interesse verdadeiro pelos outros membros da equipe.</p><p>Os membros de equipes eficazes desenvolvem um interesse verdadeiro no bem-</p><p>estar de outros membros de sua equipe.</p><p>3. Enfrentar conflitos – a única maneira de descobrir e resolver diferenças</p><p>dentro da equipe é se abrir, reconhecer a discórdia e negociar uma solução.</p><p>4. Escutar ativamente – escutar de forma ativa e enfática é importante</p><p>para qualquer um, esteja ou não em uma equipe. É particularmente importante</p><p>para a comunicação aberta entre os membros de uma equipe. Escutar</p><p>enfaticamente significa ser sensível não só ao conteúdo da mensagem que a</p><p>outra pessoa está transmitindo, mas à emoção por trás da mensagem. Significa</p><p>entrar na cabeça e no coração do outro.</p><p>5. Comunicar-se com clareza – quando você tiver algo bom a dizer,</p><p>focalize o que é bom. Quando as notícias não forem tão boas, vá direto ao</p><p>96</p><p>assunto. A melhor coisa é dizer o que precisa ser dito. Esta é a maneira mais</p><p>respeitosa de se conduzir o problema. Não sonegue informações à equipe,</p><p>lembre-se que a nossa mente preenche a lacuna com informações negativas de</p><p>nossa própria autoria.</p><p>6. Treinar a tomada de decisões – membros de equipes eficazes mostram</p><p>os primeiros rascunhos de suas decisões aos demais antes de agir.</p><p>7. Valorizar as diferenças individuais – é necessário e importante</p><p>descobrir como usar as diferenças naturais para beneficiar os resultados da</p><p>equipe.</p><p>8. Contribuir livremente com ideias – membros de equipes eficazes não</p><p>guardam suas ideias. Quando têm uma opinião sobre alguma coisa a expressam,</p><p>mesmo que seja apenas para apoiar a opinião de outro.</p><p>9. Fornecer “feedback” sobre o desempenho da equipe – é importante</p><p>que todos solicitem “feedback” a outros membros da equipe.</p><p>10. Comemorar realizações – comemorar realizações ligadas a resultados</p><p>de curto prazo levanta o moral tanto pessoal como profissional da equipe.</p><p>Cooperação e competição</p><p>Um dos processos mais necessários à obtenção de bons resultados na</p><p>vida pessoal, social ou organizacional é, sem dúvida, o processo de cooperação.</p><p>É a cooperação que possibilita somar esforços em benefício de um</p><p>objetivo comum. É também, por meio da cooperação que podemos ultrapassar</p><p>nossas próprias limitações, atingindo resultados que, sozinhos, não</p><p>conseguiríamos. É, ainda, por meio da cooperação que usualmente participamos</p><p>na vida social, reforçando nosso senso de valor pessoal, satisfazendo</p><p>necessidades pessoais e servindo às necessidades alheias A cooperação é,</p><p>portanto, um processo básico e naturalmente esperado numa cultura como a</p><p>nossa, onde a complexidade dos problemas e das condições de vida torna a</p><p>97</p><p>satisfação impossível, ou quase, apenas ao nível individual das exigências mais</p><p>simples.</p><p>Em verdade, quase tudo que fazemos pressupõe a cooperação do outro.</p><p>O pão que comemos necessita do padeiro, do agricultor, do transportador e</p><p>assim por diante; a vida normal do lar não teria sentido sem a participação dos</p><p>cônjuges e dos filhos, e tudo o mais pode ser enquadrado no mesmo raciocínio.</p><p>Tal como as pessoas – e com mais forte razão - os grupos e organizações</p><p>existem graças à participação de seus membros. Nenhuma organização cumpre</p><p>seus objetivos, se não é capaz de assegurar um nível satisfatório de participação,</p><p>dirigido à consecução de suas metas.</p><p>Seria, portanto, natural que as pessoas e organizações desenvolvessem</p><p>sua capacidade de cooperar, levando-a (pela prática continuada) a um ponto tal</p><p>de maestria, que este problema pudesse ser considerado de menor importância.</p><p>Mas isso não ocorre na prática.</p><p>Quando pesquisamos a natureza dos grandes problemas, quer laborais</p><p>quer pessoais, quase sempre encontramos a afirmativa de que é difícil obter</p><p>cooperação.</p><p>Os chefes reclamam que as pessoas, hoje em dia, parecem resistir à ideia</p><p>de cooperar; os clientes lamentam nos consultórios psicológicos que “ninguém</p><p>me ajuda”, ou algo parecido; e as empresas e as pessoas carecem de cooperação</p><p>para satisfazer suas necessidades e muitas vezes têm problemas sérios que</p><p>assumem aspectos de crise.</p><p>Cooperar significa, essencialmente, “operar com”, isto é, trabalhar lado a</p><p>lado ou unindo esforços, para a obtenção de um resultado comum. Assim dito,</p><p>parece bastante simples o processo, e de fato o é. Apenas surgem reações devido</p><p>a alguns aspectos que essa dinâmica envolve e para as quais nem sempre</p><p>voltamos a nossa atenção, gerando problemas variados.</p><p>98</p><p>Examinemos algumas das dimensões que o processo envolve.</p><p>Comecemos por observar que a cooperação não pode ser um processo</p><p>unilateral; é preciso, pelo menos, duas partes. Logo, não são apenas os meus</p><p>problemas ou atributos que intervêm no processo, os atributos e problemas do</p><p>outro são, pelo menos, tão importantes como os meus.</p><p>Isso nos traz à mente uma dimensão básica: a das necessidades de ambas</p><p>as partes. Quando alguém procura encontrar cooperação é porque necessita</p><p>dela, mas quando presta cooperação também está satisfazendo alguma</p><p>necessidade, talvez menos evidente, mas nem por isso menos real. Nem sempre</p><p>é fácil reconhecer as nossas ou as necessidades alheias, e se eu não posso</p><p>reconhecê-las, provavelmente eu não terei motivação suficiente para buscar ou</p><p>dar cooperação. Isso exige, por conseguinte, um certo grau de sensibilidade,</p><p>onde a empatia exerce papel relevante. É essa sensibilidade que nos permitirá</p><p>ver os problemas pelos olhos alheios, isto é, de acordo com o quadro de</p><p>referência de quem está sendo afetado pelo problema e não por meio dos meus</p><p>pontos de vista pessoais.</p><p>Quando percebemos as necessidades que a situação provoca, surge outra</p><p>dimensão: a das possibilidades e limitações. A cooperação supõe uma estimativa</p><p>de quais são as minhas possibilidades, e consequentemente, das minhas</p><p>limitações, para atuar cooperativamente. Se eu não me vejo como capaz ou</p><p>hábil, disponível ou preparado, eu não posso inclinar-me a cooperar. Se eu me</p><p>vejo capaz, isso não garante minha predisposição ou disponibilidade em</p><p>cooperar, mas no caso inverso, é quase certo que eu me sinta inibido. Muitas</p><p>pessoas fazem dessa auto estimativa uma defesa racional para suas dificuldades</p><p>pessoais de ajudar e cooperar. É que, frequentemente, a cooperação diz respeito</p><p>menos às capacidades e conhecimentos técnicos do que à pura e simples</p><p>disponibilidade pessoal, à boa vontade, ao estímulo, ao apoio e, algumas vezes,</p><p>a uma simples palavra de incentivo. Muitas vezes, o que ocorre numa</p><p>organização não é a falta de habilidades disponíveis, mas a falta de um genuíno</p><p>interesse, traduzida numa atmosfera sem calor humano (frase típica: “eu já</p><p>99</p><p>tenho os meus problemas, quem quiser que cuide dos seus”). Portanto, nós</p><p>podemos nos autolimitar com rigor excessivo, bloqueando a cooperação.</p><p>Mesmo quando essa autolimitação não é excessiva, outra dimensão pode</p><p>interferir: a da expectativa dos riscos a correr. Quando eu coopero com alguém</p><p>– ainda que a pedido desse alguém – eu me exponho a certos riscos: eu</p><p>provavelmente serei avaliado, eu provavelmente revelarei algumas incertezas e</p><p>áreas em que sou inseguro eu provavelmente facilitarei que</p><p>o outro penetre um</p><p>pouco na minha intimidade, e, não menos importante, eu provavelmente corro</p><p>o risco de fracassar naquilo que esperam e eu mesmo espero de mim. Tais</p><p>vivências podem ser exatamente ameaçadoras para certas personalidades,</p><p>principalmente as mais inseguras. É verdade que o outro corre os mesmos riscos,</p><p>mas isso em nada modifica a minha percepção. Logo, a cooperação envolve outra</p><p>dimensão: a da confiança. Sem confiança os riscos são maximizados; com</p><p>confiança, são minimizados. A consequência disso é que para haver cooperação</p><p>é preciso, primeiro, desenvolver a confiança, o que supõe a criação de uma</p><p>atmosfera relativamente livre e não manipuladora, onde eu possa ser o que sou,</p><p>sem necessidade de encobrir minhas falhas e me defender contra o julgamento</p><p>alheio. Ao contrário, quando, numa relação as pessoas se percebem</p><p>reciprocamente empenhadas numa tarefa de ajuda mútua e onde vivenciam um</p><p>clima de aceitação, então as possibilidades de cooperação são exploradas</p><p>conjuntamente e os efeitos colaterais de autossatisfação beneficiam a ambas as</p><p>partes.</p><p>Finalmente, a última dimensão relevante diz respeito à capacidade</p><p>individual de dar e/ou receber ajuda. Frequentemente pessoas que podem</p><p>cooperar mantêm-se inativas (em prejuízo de suas próprias necessidades), como</p><p>que à espera de que parta do outro o primeiro passo. Não é assim tão fácil iniciar</p><p>a ação. Pedir a alguém que o ajude, significa a superação de alguma resistência</p><p>interna – quando se descobre necessitando de outro – representada no próprio</p><p>processo de pedir. Por isso, algumas pessoas podem se sentir diminuídas ou</p><p>menos capazes aos seus próprios olhos (e consideram que também aos olhos de</p><p>100</p><p>quem é solicitado). Por outro lado, dar ajuda a alguém também permite</p><p>distorções perceptivas - quando, por exemplo, vivencia-se que, em ajudando,</p><p>estará humilhando ou deixando entender que se considera mais capaz ou até</p><p>superior ao ajudado.</p><p>Todas essas dimensões mostram que existem forças atuando sobre</p><p>ambas as partes envolvidas num processo de cooperação. As pessoas que</p><p>buscam cooperar entre si não são, apenas, limitadas à natureza do problema ou</p><p>dificuldades que buscam resolver através da cooperação. Elas são – em toda sua</p><p>plenitude – pessoas, e, como tal têm necessidades, sentimentos e valores que</p><p>influem poderosamente no processo de inter-relacionamento através do qual se</p><p>dá a cooperação. Daí porque as atitudes são tão importantes. Se, por exemplo,</p><p>se espera que a relação com alguém seja difícil, porque ele vai provocar</p><p>impaciência, é muito provável que a pessoa se porte impacientemente, a</p><p>despeito de qualquer reação objetiva da pessoa. A recíproca também é</p><p>verdadeira.</p><p>À vista das condições e dimensões analisadas, não será difícil reconhecer</p><p>um processo de cooperação dentro de um processo de competição. Mesmo</p><p>diante de um objetivo comum e ainda quando as partes se propõem a cooperar</p><p>entre si, é fácil observar o surgimento de uma disputa (mais ou menos</p><p>dissimulada, mas nem sempre), caracterizando a competição.</p><p>Competir não é um mal. Ao contrário, a competição não só é uma</p><p>constante em nossa vida social como é, em certo sentido, e dentro de certos</p><p>limites bastante benéfica. Acima de tudo a competição é uma poderosa fonte</p><p>energética que motiva nossos esforços e dirige nossa conduta.</p><p>Não se trata, portanto, de julgar a competição declarando-a boa ou má,</p><p>benéfica ou maléfica. Como muitas outras coisas, a competição pode ser bem</p><p>usada ou não, pode ser orientada positiva ou negativamente.</p><p>O que é perigoso no processo de competição é o seu desenvolvimento,</p><p>dados os efeitos que acarreta. Nesse sentido, o que era cooperação transforma-</p><p>101</p><p>se facilmente em competição e daí em conflito. Felizmente, também pode</p><p>acontecer o inverso; isto é, do conflito chega-se à competição e desta à</p><p>cooperação.</p><p>Na essência desses processos está um problema de percepção social:</p><p>quando as pessoas (e o mesmo se verifica com grupos e organizações) deixam</p><p>de perceber um objetivo comum e passam a perceber objetivos divergentes, na</p><p>verdade elas não poderiam mais falar de nós e deveriam falar em termos de eu</p><p>e ele ou do nosso grupo “versus” o outro grupo. Neste instante, desaparece a</p><p>cooperação, se é que havia, e domina a competição. Aqui, o envolvimento</p><p>emocional tende a dominar outros aspectos e, facilmente, os objetivos se</p><p>transformam: o que, originalmente, era um objetivo comum passa a se constituir</p><p>em dois objetivos divergentes e, quase sempre antagônicos. Por isso, os grupos</p><p>se comportam visando, acima de tudo, derrotar o adversário; e até, algumas</p><p>vezes, diante de certas dificuldades maiores, os grupos não se importam em</p><p>vencer, contanto que o outro também não vença. É um raciocínio do tipo “eu</p><p>não me importo em perder, contanto que ele também perca”.</p><p>O pior é que grupos neutros, como, por exemplo, a empresa como um</p><p>todo, são quase sempre os mais prejudicados, pois dependem e confiam na</p><p>efetiva cooperação dos seus subsistemas.</p><p>No caso inverso – da competição à cooperação – o mesmo mecanismo</p><p>básico ocorre: os objetivos parciais, que eram tidos como divergentes e</p><p>antagônicos, passam a ser percebidos como um objetivo único e maior. O</p><p>raciocínio, aqui, é do tipo “se eu me unir a ele, ele vai lucrar, mas eu também</p><p>vou”.</p><p>Vários experimentos têm demonstrado esses princípios, seja com base</p><p>nos exercícios de simulação feitos em laboratórios de desenvolvimento</p><p>organizacional, seja com base em fatos reais. O que torna difícil a observação é</p><p>que o processo de interação passa relativamente despercebido.</p><p>102</p><p>Por exemplo, se o pessoal envolvido na elaboração de um projeto</p><p>industrial tiver dificuldades intergrupais com o pessoal de produção, estas</p><p>pessoas podem (mais ou menos inconscientemente) não corrigir os erros que</p><p>verificam no projeto original (plantas, esquemas, etc.). O produto final, de má</p><p>qualidade, pode ser suficientemente visível, mas a falta de interesse da equipe</p><p>da produção (que ignorou o que era um erro, após constatá-lo) é muito difícil de</p><p>caracterizar. Por que? Esse interesse era, essencialmente, dependente de uma</p><p>atitude e se traduzia numa decisão pessoal e não em algo que fosse formalmente</p><p>de sua obrigação no trabalho.</p><p>Pelo mesmo processo, às vezes, sonegam-se informações preciosas ou</p><p>omitem-se certos dados (embora não o conjunto), etc. Já quando as equipes</p><p>percebem a si mesmas como integrantes de fato num trabalho conjunto, cujo</p><p>resultado é mais nosso do que meu ou seu, então a cooperação emerge.</p><p>O mais difícil, contudo, é que nem sempre a competição é formalmente</p><p>declarada ou mesmo consciente. As equipes podem viver uma situação</p><p>competitiva, experimentar um grande envolvimento emocional, desenvolver</p><p>todas as reações típicas já descritas e não se darem conta de que estão</p><p>competindo. Por exemplo, no caso anterior, entre o pessoal de projeto e o</p><p>pessoal de produção, o desejo de bater o inimigo era patente e provavelmente</p><p>cada uma das equipes oponentes se via a si própria como boa e a outra como</p><p>má, sem que para isso fosse preciso reconhecer formalmente a situação.</p><p>A importância do indivíduo dentro de uma equipe de trabalho</p><p>A pessoa que trabalha em equipe sente-se motivada, mantendo sua</p><p>autoestima, pois a discussão e solução de problemas importantes invocam</p><p>poderosas forças individuais de auto expressão e autodeterminação. O</p><p>significado das decisões tomadas pela equipe, para seus participantes, é um dos</p><p>fatores decisivos nas questões relacionadas à satisfação no trabalho e ao</p><p>aumento da produtividade.</p><p>103</p><p>Relacionamento humano a bordo do navio</p><p>Os navios se constituem em locais de trabalho perigosos devido a sua</p><p>própria natureza e aos diferentes tipos de atividades que desenvolvem. Essas</p><p>atividades, por sua vez, são desenvolvidas através de diferentes processos</p><p>quando são utilizados os mais diversos equipamentos. Portanto, todas</p><p>as</p><p>pessoas que dele participam, tanto em viagem quanto no porto, devem estar</p><p>adequadamente qualificadas e treinadas para desenvolver suas tarefas de modo</p><p>seguro, a fim de que não causem acidentes ou incidentes.</p><p>Importância da comunicação</p><p>A comunicação é um processo cíclico, cujos componentes básicos são: o</p><p>emissor, o receptor, a mensagem, o veículo (ou canal) e o feedback (ou</p><p>realimentação).</p><p>O emissor pode ser uma pessoa ou um grupo de pessoas com o objetivo</p><p>de mudar o comportamento de outras pessoas. O objetivo do emissor tem de</p><p>ser expresso em forma de mensagem. O emissor deve ser capaz de codificar, isto</p><p>é, colocar suas ideias num código, exprimindo seus objetivos sob forma de</p><p>mensagem. O receptor é o interprete da mensagem. As decisões tomadas pelo</p><p>receptor e a sua maneira de mudar comportamentos são medidas da eficiência</p><p>da comunicação. Portanto, um dos princípios mais importantes da comunicação</p><p>é que os significados estão nos receptores e não na mensagem.</p><p>Métodos de comunicação</p><p>O veículo é o canal ou a cadeia de canais que liga o emissor ao receptor.</p><p>Cada veículo exerce sua influência sobre a mensagem, tornando-se parte da</p><p>mesma. Podem ser:</p><p> Verbal (escrevendo, lendo, falando ou qualquer comunicação que</p><p>use palavras);</p><p> Não verbal (sons e gestos);</p><p> Icônico (sinais, figuras, diagramas, pinturas e fotografias, filmes).</p><p>104</p><p>Todos os três métodos são necessários para a eficiência e o apropriado</p><p>entendimento a bordo. A comunicação verbal inclui toda a comunicação</p><p>pertinente ao uso das palavras, tais como: ler, escrever e falar. A linguagem</p><p>corporal e o uso de símbolos, fotos, desenhos e filmes são mais eficazes do que</p><p>uma simples comunicação verbal. Para completar o ciclo, outras cadeias</p><p>precisam ser estabelecidas de volta entre o receptor e o emissor. Essas cadeias</p><p>de retorno têm sido chamadas de realimentação ou feedback.</p><p>Barreiras na comunicação</p><p>Quase nunca existem comunicações exatas já que entre o emissor e o</p><p>receptor, existem sempre “ruídos” (em geral de natureza psicológica) que</p><p>sempre distorcem a mensagem. Ruído pode ser definido como qualquer fator</p><p>que interfira na mensagem. Estudos revelam que 70% do período do dia, o ser</p><p>humano, estando conscientemente acordado, dedica à comunicação. Desse</p><p>tempo, em termos médios, têm-se os seguintes percentuais: 9% escrevendo;</p><p>16% lendo; 30% falando e 45% escutando.</p><p>Sem uma formação especial de como escutar, existe a tendência de</p><p>operar com um nível de eficácia de 25% numa conversação de 10 minutos.</p><p>Considerando que o ser humano fala a uma velocidade de 100 a 125 palavras por</p><p>minuto e pensa a uma velocidade de 400 palavras por minuto, surgem defeitos</p><p>na comunicação e/ou distorções nas informações.</p><p>Ao escutar uma conferência, por exemplo, podem surgir os seguintes</p><p>defeitos:</p><p>1. Ouvir mal a voz e não remediar;</p><p>2. Pensar que o tema carece de interesse;</p><p>3. Captar o anedótico e não as ideias;</p><p>4. Excitar-se por algo que é dito;</p><p>5. Obcecar-se por anotar;</p><p>105</p><p>6. Simular atenção ao conferencista;</p><p>7. Criticar interiormente o estilo do orador;</p><p>8. Gastar de forma inadequada a rapidez do pensamento, aplicando-o a</p><p>distração ao invés da reflexão.</p><p>Tão importante quanto a comunicação verbal é a não verbal, pois cada</p><p>parte do corpo transmite mensagens (movimentos faciais e corporais, gestos,</p><p>olhares, apresentação pessoal e mesmo a entonação de voz). Quando há</p><p>coerência e sintonia entre a linguagem verbal e a não verbal, a comunicação</p><p>ganha credibilidade.</p><p>Vale ressaltar que, quando emissor, é necessário um esforço para</p><p>adequar a linguagem à do receptor e, quando receptor, é necessário desenvolver</p><p>a capacidade de escutar, lembrando que “ouvir” é perceber sons pelo sentido da</p><p>audição e “escutar” é estar atento para ouvir.</p><p>Audição: ouvir e escutar</p><p> Ouvir: é perceber sons pelo sentido da audição.</p><p> Escutar: é estar atento para ouvir.</p><p> Para escutar:</p><p> Deixe de falar;</p><p> Faça com que seu interlocutor tenha confiança;</p><p> Demonstre ao seu interlocutor que está disposto a escutá-lo;</p><p> Elimine distrações;</p><p> Estabeleça uma empatia com seu interlocutor;</p><p> Seja paciente;</p><p> Domine seu temperamento;</p><p> Não critique nem argumente em excesso;</p><p> Pergunte o que seja necessário.</p><p>106</p><p>Feedback</p><p> Deve ser descritivo e não avaliativo;</p><p> Deve ser específico e não geral;</p><p> Deve atender à necessidade de quem o recebe;</p><p> Deve dirigir-se a comportamentos que podem ser modificados;</p><p> Deve ser solicitado e não imposto;</p><p> Deve ser oferecido em momento oportuno;</p><p> Deve ser checado para garantir a eficácia.</p><p>Efeitos e consequências de erros de comunicação</p><p>Os erros de comunicação podem levar a acidentes com as pessoas,</p><p>propriedades e meio ambiente, assim como também dificultar o bom</p><p>relacionamento entre as pessoas a bordo. A má comunicação ou a falta de</p><p>comunicação pode levar os tripulantes à execução errada de tarefas, obrigando</p><p>ao retrabalho, o que levará ao aborrecimento, à perda de tempo, à perda de</p><p>matéria prima, além do estresse dos envolvidos.</p><p>Benefícios da boa comunicação</p><p>Uma boa comunicação cria um ambiente que conduz ao trabalho seguro,</p><p>vida feliz e saudável entre todas as pessoas a bordo.</p><p>Hábitos, valores e atitudes podem ser modificados pelo efeito da</p><p>comunicação e conhecimento dos princípios básicos do relacionamento</p><p>interpessoal quando os que querem aprender absorvem os conhecimentos e</p><p>experiências dos outros membros da equipe.</p><p>Responsabilidade social</p><p>Cada membro da tripulação tem responsabilidade social com o seu navio,</p><p>com ele próprio, com seus colegas, para com a companhia e para com o meio</p><p>ambiente.</p><p>Cada tripulante tem direito a expressar suas opiniões de maneira</p><p>transparente e a fazer solicitações a qualquer tempo, porém, considerando o</p><p>107</p><p>direito do outro dizer não. O tripulante tem direito a comunicações claras de</p><p>modo a aumentar o relacionamento interpessoal a bordo.</p><p>A tripulação deve cumprir suas atribuições de função conforme o</p><p>estabelecido na NORMAN 13, além de cumprir as regras internacionais e as</p><p>particulares de sua empresa, considerando que o navio é uma unidade comercial</p><p>que visa ao lucro financeiro e, para isso, deve realizar suas tarefas de maneira</p><p>honesta, dando o máximo de sua competência.</p><p>Os tripulantes devem cumprir a política da companhia descrita nos seus</p><p>manuais e estar comprometidos com as políticas de segurança e proteção do</p><p>meio ambiente.</p><p>Também devem estar preparados para socorrer colegas em situações de</p><p>risco e atuar em operações de busca e salvamento e combate à poluição.</p><p>Condições dos empregadores</p><p>Os acordos coletivos, celebrados entre os sindicatos e as empresas,</p><p>estabelecem as vantagens empregatícias das tripulações.</p><p>Álcool e Drogas</p><p>É obrigatório o cumprimento de Regras Nacionais e Internacionais contra</p><p>o uso, transporte ou distribuição de drogas ou álcool.</p><p>Essa prática é proibida pelas empresas de navegação e as punições são</p><p>severas e podem levar demissão por justa causa.</p><p>Graves acidentes aconteceram em virtude de trabalhadores terem</p><p>ingerido algum tipo de álcool ou droga durante ou antes de iniciarem suas</p><p>jornadas de trabalho.</p><p>Os tripulantes devem conhecer e entender, fortemente, a Política de</p><p>Álcool e Drogas de sua empresa reconhecendo que autoridades externas podem</p><p>usar meios para comprovação do uso de álcool ou drogas pela tripulação.</p><p>108</p><p>A prática do uso de álcool e drogas poderá repercutir negativamente ao</p><p>navio, à empresa e ao tripulante que, além da demissão certa, poderá ter sua</p><p>carreira marítima encerrada.</p><p>Higiene e saúde a bordo</p><p>Todos devem ter a responsabilidade de manter a higiene pessoal, a</p><p>higiene das instalações comuns e das suas próprias acomodações, observando</p><p>sua apresentação pessoal, que deverá sempre demonstrar boa saúde.</p><p>A limpeza e a organização são fundamentais para a manutenção da</p><p>higiene e saúde de</p><p>todos, contribuindo para um bom relacionamento entre todas</p><p>as pessoas a bordo.</p><p>Relações humanas a bordo</p><p>Obviamente uma vida em grupo em que todos tenham um bom</p><p>relacionamento pessoal, tornará a convivência a bordo bem mais confortável, o</p><p>que contribuirá para a saúde e para a prevenção de acidentes.</p><p>A diferença de cultura, escolaridade e personalidade das pessoas</p><p>embarcadas devem ser respeitadas, para que essas pessoas possam conviver de</p><p>maneira que o respeito venha a contribuir para que os propósitos do trabalho</p><p>sejam atingidos de maneira tranquila e eficiente.</p><p>Um agradável ambiente a bordo, tanto nas horas de trabalho como nas</p><p>horas de lazer, possibilita que o período de embarque passe de maneira a não</p><p>causar estresse físico ou mental. As empresas devem manter locais de lazer,</p><p>como salão de jogos, salas de TV, academias, piscina e quadras esportivas, como</p><p>forem possíveis, para contribuir com o bem-estar das pessoas e sua valorização</p><p>pessoal.</p><p>A política da Companhia é estabelecida de maneira que todos saibam</p><p>seus objetivos e metas, para que possam ter um comportamento adequado a</p><p>essa política. O gerenciamento das empresas é adequado a atingir metas pré-</p><p>estabelecidas de modo que essas metas sejam alcançadas, sem que ocorram</p><p>109</p><p>quaisquer acidentes com as propriedades, com o meio ambiente e,</p><p>principalmente, com as pessoas.</p><p>A existência da hierarquia a bordo visa à adequada organização para que</p><p>os objetivos sejam alcançados com um mínimo de transtornos, uma vez que</p><p>dentro dessa hierarquia há a distribuição das responsabilidades que veem a</p><p>atender as necessidades individuais o navio, da companhia e as necessidades</p><p>sociais. A disciplina a bordo é fundamental para que o ambiente e o</p><p>relacionamento interpessoal sejam mantidos em elevado nível de cordialidade e</p><p>respeito.</p><p>A política da Companhia é estabelecida de maneira que todos saibam</p><p>seus objetivos e metas, para que possam ter um comportamento adequado a</p><p>essa política. O gerenciamento das empresas é adequado a atingir metas pré-</p><p>estabelecidas de modo que essas metas sejam alcançadas, sem que ocorram</p><p>quaisquer acidentes com as propriedades, com o meio ambiente e,</p><p>principalmente, com as pessoas.</p><p>A existência da hierarquia a bordo visa à adequada organização para que</p><p>os objetivos sejam alcançados com um mínimo de transtornos, uma vez que</p><p>dentro dessa hierarquia há a distribuição das responsabilidades que veem a</p><p>atender as necessidades individuais do navio, da companhia e as necessidades</p><p>sociais. A disciplina a bordo é fundamental para que o ambiente e o</p><p>relacionamento interpessoal sejam mantidos em elevado nível de cordialidade e</p><p>respeito.</p><p>110</p><p>8 PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIO</p><p>Teoria do fogo</p><p>Para prevenir e combater incêndios de modo eficiente é necessário entender o</p><p>“funcionamento do incêndio”. As bases teóricas sobre como ocorrem e como se</p><p>comportam o fogo e o incêndio são indispensáveis para podermos entender e dominar</p><p>as técnicas de combate e prevenção.</p><p>A combustão (ou fogo) é uma reação química na qual um material combustível</p><p>reage com um oxidante, chamado de comburente e que normalmente é o oxigênio,</p><p>produzindo energia na forma de calor e, muitas vezes, luz. Essa reação depende de uma</p><p>energia de ativação para que se inicie e, após iniciada, prossegue de forma</p><p>autossustentável.</p><p>Para que esta reação aconteça e se mantenha, são necessários quatro</p><p>elementos: o combustível, o comburente, o calor e a reação em cadeia. Estes elementos</p><p>são, didaticamente, simbolizados pelo tetraedro do fogo.</p><p>Fonte: https://www.cursonr10.com/protecao-e-combate-a-incendios/</p><p>Um tetraedro é uma figura espacial que tem quatro lados e, por ter cada lado em</p><p>forma de um triângulo, foi escolhido como melhor maneira de ensinar sobre os</p><p>elementos da combustão, já que, anteriormente, a figura utilizada para demonstrar tais</p><p>elementos era o triângulo, conhecido como o “triângulo do fogo”, que não leva em</p><p>consideração a reação em cadeia que mantém a combustão, mas se demonstrou como</p><p>excelente ferramenta didática para o ensino de leigos no assunto.</p><p>111</p><p>Na prática é fácil entender que os combustíveis não reagem automaticamente</p><p>com o oxigênio, via de regra. Vemos madeira, papel, tecido e até álcool em contato com</p><p>o ar, ou seja, em contato com o oxigênio, sem que queimem. Mas se aproximarmos uma</p><p>chama, a reação pode começar rapidamente.</p><p>O que ocorre é que as moléculas dos combustíveis estão estáveis e não reagirão</p><p>com o oxigênio. É necessário forçá-las a sair de seu estado. Quando aquecemos um</p><p>corpo, aumentamos a vibração das moléculas e, com isso, muitas conseguem se</p><p>desprender deixando sua situação estável e passando a estar ávidas por reagirem para</p><p>estar novamente estáveis e então reagem com o oxigênio começando a queima. Essas</p><p>moléculas que se desprendem de um combustível é que reagem com o oxigênio e não</p><p>as que permanecem no corpo. Essa “quebra” do combustível em partes menores é</p><p>chamada de termólise (quebra pela temperatura) ou pirólise (quebra pelo fogo) e, pelo</p><p>fato dessa “quebra” ser necessária é que a energia de ativação é um requisito para que</p><p>se inicie a combustão, pois é essa energia que produz a quebra para que ocorra a reação.</p><p>Depois que a combustão se inicia, a fonte inicial de energia pode ser retirada.</p><p>Depois de acendermos uma fogueira, podemos apagar o fósforo que a acendeu. Por</p><p>quê? Isso ocorre pelo fato de que, uma vez iniciada, surge a reação em cadeia, ou seja,</p><p>a queima das moléculas que se desprendem gera calor suficiente para quebrar o</p><p>combustível e desprender mais moléculas em quantidade suficiente para continuar a</p><p>reagir com o oxigênio, gerando mais calor e assim por diante. Daí dizer-se que a</p><p>combustão é uma reação autossustentável, pois ela, uma vez iniciada, produz a energia</p><p>necessária para que continue ocorrendo.</p><p>Assim, uma vez iniciada a reação, além dos três requisitos do triângulo do fogo,</p><p>a reação em cadeia deve ser acrescida como elemento da combustão. Disso surge a</p><p>representação dos elementos da combustão pelo TETRAEDRO DO FOGO.</p><p>Classificação dos incêndios</p><p>Incêndio classe “A”</p><p>Incêndio envolvendo combustíveis sólidos comuns, como papel, madeira, pano,</p><p>borracha e plástico.</p><p>112</p><p>É caracterizado pelas cinzas e brasas que deixam como resíduos e por queimar</p><p>razão do seu volume, isto é, a queima se dá na superfície e em profundidade. Como os</p><p>sólidos queimam em superfície e profundidade, é necessário um método que possa</p><p>atingir a combustão no interior do combustível.</p><p>Isso nos remete ao resfriamento para a sua extinção o que, na maioria das vezes,</p><p>é feito com o uso de água ou soluções que a contenham em grande porcentagem, a fim</p><p>de reduzir a temperatura do material em combustão, abaixo do seu ponto de ignição.</p><p>O emprego de agentes que agem por abafamento irá apenas retardar a</p><p>combustão, pois extinguirá as chamas apenas na superfície, não agindo na queima em</p><p>profundidade e ocasionando uma posterior reignição do material.</p><p>Incêndio classe “B”</p><p>Incêndio envolvendo líquidos inflamáveis, graxas e óleos. É caracterizado por não</p><p>deixar resíduos e queimar apenas na superfície exposta e não em profundidade.</p><p>Necessita para a sua extinção do abafamento ou da interrupção (quebra) da</p><p>reação em cadeia. No caso de líquidos muito aquecidos (ponto da ignição), é necessário</p><p>resfriamento. O abafamento é mais eficientemente feito com uso de espuma, mas</p><p>também pode ser feito com pós ou água finamente pulverizada.</p><p>A quebra da reação é feita com uso de pós extintores.</p><p>Incêndio classe “C”</p><p>Incêndio envolvendo equipamentos energizados. Como são sólidos, o melhor</p><p>seria resfriá-los, mas o risco de haver condução da corrente elétrica caso se use água</p><p>deve ser observado. Caso o fornecimento de energia elétrica seja desligado, o incêndio</p><p>assumirá as características de um incêndio classe A e assim deverá ser combatido.</p><p>Apesar da possibilidade</p><p>dessa classe de incêndio poder ser mudada para “A”, se</p><p>for interrompido o fluxo elétrico, deve-se ter cuidado com equipamentos (televisores,</p><p>por exemplo) que acumulam energia elétrica, pois estes continuam energizados mesmo</p><p>após a interrupção da corrente elétrica.</p><p>113</p><p>Caso permaneça energizado, para a sua extinção necessita-se de agente extintor</p><p>que não conduza a corrente elétrica e utilize o princípio de abafamento ou da</p><p>interrupção (quebra) da reação em cadeia. Os agentes mais comumente utilizados são</p><p>o PQS e o CO2.</p><p>O uso do PQS tem o inconveniente de danificar equipamentos pela sua ação</p><p>corrosiva, o que pode ocorrer também com o CO2 se for usado em equipamentos</p><p>eletrônicos delicados pelo excesso de resfriamento que causa.</p><p>Em CPDs ou locais onde haja equipamentos sensíveis, pode-se encontrar</p><p>sistemas de proteção que inundem o ambiente com outros gases inertes que extinguirão</p><p>por abafamento sem danificar o maquinário.</p><p>Incêndio classe “D”</p><p>Incêndio envolvendo metais combustíveis pirofóricos (magnésio, selênio,</p><p>antimônio, lítio, potássio, alumínio fragmentado, zinco, titânio, sódio, zircônio). É</p><p>caracterizado pela queima em altas temperaturas e por reagir com agentes extintores</p><p>comuns (principalmente os que contenham água).</p><p>A reação com água é violenta, pois, ocorre a quebra das moléculas de água</p><p>(hidrólise) liberando O2, que é comburente e alimenta as chamas e H2, que é um gás</p><p>explosivo.</p><p>Como é difícil o resfriamento sem utilização de água, surge a extinção química</p><p>como método mais eficiente de extinção.</p><p>Para a extinção química, necessitam-se de agentes extintores especiais</p><p>(normalmente pós) que se fundam em contato com o metal combustível, formando uma</p><p>espécie de capa que o isola do ar atmosférico, interrompendo a combustão. Muitos</p><p>entendem isso como abafamento, pela separação entre combustível e comburente,</p><p>entretanto, a separação dá-se pelo fato de que o agente extintor se funde com o metal</p><p>pirofórico, há ligação química entre eles. Assim, o “abafamento” nada mais é do que</p><p>consequência da interferência química do agente extintor no combustível.</p><p>114</p><p>O abafamento também pode ser feito por meio de gases ou pós inertes que</p><p>substituam o O2 nas proximidades do combustível, mas não é tão eficiente pois, devido</p><p>às altíssimas temperaturas que esse tipo de queima atinge, a menor baforada de ar é</p><p>capaz de propiciar a reignição.</p><p>Pós especiais (PQE – Pó Químico Especial) para classe “D” dependem do tipo de</p><p>material que queima e, normalmente, são a base de grafite ou cloreto de sódio ou pó</p><p>de talco. Usam o CO2 ou o N2 como propulsores. Podem ser ainda compostos dos</p><p>seguintes materiais: cloreto de sódio, cloreto de bário, monofosfato de amônia e grafite</p><p>seco.</p><p>O princípio da retirada do material também é aplicável com sucesso nesta classe</p><p>de incêndio, bem como nas demais.</p><p>Outras classes</p><p>Há, como dito, outras classes de incêndio conforme classificações diferenciadas,</p><p>mas que, pela especificidade que apresentam não serão por nós abordadas.</p><p>Entendemos conveniente, entretanto, fazer algumas ressalvas.</p><p>A primeira delas é quanto à classe designada para fogo em óleos e gorduras que,</p><p>segundo o padrão americano é denominada de Classe “K” e, segundo o esquema</p><p>europeu, Classe “E”.</p><p>Não julgamos necessária a separação de incêndios em óleos e gorduras em classe</p><p>separada da dos líquidos inflamáveis, haja vista que apresentam as mesmas</p><p>características de queima e de combate. A exceção é que os óleos e gorduras são todos</p><p>insolúveis em água, mas entendemos que isso não justifica a abertura de uma classe só</p><p>para eles.</p><p>No padrão americano, adotado largamente no Brasil, os incêndios em gases</p><p>combustíveis são colocados dentro da Classe “B”, o que consideramos um erro, haja</p><p>vista a peculiaridade dos incêndios em gases combustíveis (veremos adiante em técnicas</p><p>de combate), mas resolvemos não abrir uma classe só para eles para não divergir da</p><p>nomenclatura mais usual. Por isso, ainda não adotamos aqui o padrão europeu, pois</p><p>115</p><p>nele, há a classe separada para os gases, mas se trata da Classe “C”, letra já designada</p><p>habitualmente para outro tipo de incêndio. A norma americana separa óleos e gorduras</p><p>pelo fato de que lá, existe extintores específicos para óleos e gorduras diferentes dos</p><p>extintores destinados aos demais líquidos combustíveis. Isso justifica a separação lá nos</p><p>EUA. Aqui no Brasil, os extintores para óleos e gorduras não diferem dos extintores para</p><p>os demais líquidos combustíveis, não havendo, portanto, razão para separá-los aqui.</p><p>Métodos de extinção do fogo</p><p>Considerando a teórica básica do fogo, concluímos que o fogo só existe quando</p><p>estão presentes, em proporções ideais, o combustível, o comburente e o calor, reagindo</p><p>em cadeia.</p><p>Calcado nesses conhecimentos, concluímos que, quebrando a reação em cadeia</p><p>e isolando um dos elementos do fogo, teremos interrupção da combustão.</p><p>Isolamento - Extinção por retirada do material</p><p>É a forma mais simples de se extinguir um incêndio. Baseia-se na retirada do</p><p>material combustível, ainda não atingido, da área de propagação do fogo,</p><p>interrompendo a alimentação da combustão. Método também denominado corte,</p><p>isolamento ou remoção do combustível.</p><p>Se o combustível é o campo de propagação das chamas, controlando o campo</p><p>de propagação, dirige-se o incêndio ou interrompe-se sua propagação.</p><p>Há outras técnicas que se encaixam nesse método de atuação, pois existem</p><p>outras formas de atuar no combustível que não seja apenas a retirada do que ainda está</p><p>intacto. Ex.: fechamento de válvula ou interrupção de vazamento de combustível líquido</p><p>ou gasoso, retirada de materiais combustíveis do ambiente em chamas, realização de</p><p>aceiro, etc.</p><p>Veja-se o exemplo de um incêndio urbano onde uma poltrona está em chamas</p><p>na sala de uma casa. Se apenas a poltrona está em chamas, retirá-la do ambiente e</p><p>colocá-la ao ar livre, apenas isso, foi a extinção do incêndio, pois, ao ar livre, o fogo na</p><p>poltrona está sob controle, não sendo mais caracterizado como incêndio.</p><p>116</p><p>Resfriamento</p><p>É o método mais utilizado. Consiste em diminuir a temperatura do material</p><p>combustível que está queimando, diminuindo, consequentemente, a liberação de gases</p><p>ou vapores inflamáveis.</p><p>A água é o meio mais usado para resfriamento, por ter grande capacidade de</p><p>absorver calor e ser facilmente encontrada na natureza, além de outras propriedades</p><p>que veremos adiante.</p><p>A redução da temperatura do incêndio está ligada à quantidade e à forma de</p><p>aplicação da água (jatos), de modo que ela absorva mais calor que o incêndio é capaz de</p><p>produzir.</p><p>É inútil o emprego de água onde queimam combustíveis com baixo ponto de</p><p>combustão (menos de 20ºC), pois a água resfria até a temperatura ambiente e o</p><p>material continuará produzindo gases combustíveis.</p><p>Abafamento</p><p>Este método consiste em impedir que o COMBURENTE (geralmente o oxigênio),</p><p>permaneça em contato com o combustível, numa porcentagem ideal para a alimentação</p><p>da combustão.</p><p>Para combater incêndios por abafamento podem ser usados os mais diversos</p><p>materiais, desde que esse material impeça a entrada de oxigênio no fogo e não sirva</p><p>como combustível por um determinado tempo.</p><p>Conforme já vimos anteriormente, a diminuição do oxigênio em contato com o</p><p>combustível vai tornando a combustão mais lenta, até a concentração de oxigênio</p><p>chegar abaixo de 7%, quando não haverá mais combustão. Colocar uma tampa sobre</p><p>um recipiente contendo álcool em chamas, ou colocar um copo voltado de boca para</p><p>baixo sobre uma vela acesa, são duas experiências práticas que mostram que o fogo se</p><p>apagará tão logo se esgote o oxigênio em contato com o combustível.</p><p>117</p><p>Pode-se abafar o fogo com uso de materiais diversos, como areia, terra,</p><p>cobertores, vapor d’água, espumas, pós, gases especiais, etc.</p><p>Extinção química</p><p>Também é chamada de quebra da reação em cadeia. Consiste no uso de agentes</p><p>que interferem quimicamente na reação diminuindo a capacidade de reação entre</p><p>comburente e combustível. Esses agentes agem interferindo nos radicais livres</p><p>formados na reação, capturando-os antes de se coligarem na próxima etapa da reação.</p><p>Certos agentes extintores, quando lançados sobre o fogo, sofrem ação do calor,</p><p>reagindo sobre a área das chamas, interrompendo assim a “reação em cadeia” (extinção</p><p>química). Isso ocorre porque o oxigênio comburente deixa de reagir com os gases</p><p>combustíveis. Essa reação só ocorre quando há chamas visíveis. Quando se descobriu a</p><p>possibilidade de isso ocorrer (estudando o PQS, como visto no tópico Reação em Cadeia)</p><p>percebeu-se a existência de mais um método de atacar a combustão e,</p><p>consequentemente, foi necessário inserir mais um entre os elementos na teoria da</p><p>combustão.</p><p>Agentes extintores</p><p>Existem vários agentes extintores, que atuam de maneira específica sobre a</p><p>combustão, extinguindo o incêndio através de um ou mais métodos de extinção já</p><p>citados.</p><p>Os agentes extintores devem ser utilizados de forma criteriosa, observando a sua</p><p>correta utilização e o tipo de classe de incêndio, tentando, sempre que possível,</p><p>minimizar os efeitos danosos do próprio agente extintor sobre materiais e</p><p>equipamentos não atingidos pelo incêndio.</p><p>Dos vários agentes extintores, os mais utilizados são os que possuem baixo custo</p><p>e um bom rendimento operacional, os quais passaremos a estudar a seguir:</p><p>Água</p><p>A água atua na combustão principalmente por resfriamento, sendo a sua elevada</p><p>eficiência de arrefecimento resultante da grande capacidade de absorver calor.</p><p>118</p><p>A água é mais eficaz quando usada sob a forma de chuveiro, dado que as</p><p>pequenas gotas de água vaporizam mais facilmente que uma massa de líquido e</p><p>possuem área total de contato maior, absorvendo mais rapidamente o calor da</p><p>combustão.</p><p>É o agente extintor "universal". A sua abundância e as suas características de</p><p>emprego, sob diversas formas, possibilitam a sua aplicação em diversas classes de</p><p>incêndio.</p><p>Como agente extintor a água age principalmente por resfriamento e por</p><p>abafamento, podendo paralelamente a este processo agir por emulsificação e por</p><p>diluição, segundo a maneira como é empregada.</p><p>Por muitos anos, a água foi aplicada no combate a incêndio sob a forma de jato</p><p>pleno, hoje sabemos que a água apresenta um resultado melhor quando aplicada de</p><p>modo pulverizado, pois absorve calor numa velocidade muito maior, diminuindo</p><p>consideravelmente a temperatura do incêndio e, consequentemente, extinguindo-o.</p><p>Quando fragmentamos as gotículas de água, aumentamos a superfície de contato,</p><p>acelerando a absorção de energia.</p><p>O efeito de abafamento é obtido em decorrência da água, quando transformada</p><p>de líquido para vapor, ter o seu volume, aumentado cerca de 1700 vezes (esse volume</p><p>duplica a 450 ºC). Este grande volume de vapor, desloca, ao se formar, igual volume de</p><p>ar que envolve o fogo em suas proximidades, portanto reduz o volume de ar (oxigênio)</p><p>necessário ao sustento da combustão. Além disso, expulsa a fumaça para fora do</p><p>ambiente.</p><p>O efeito de emulsificação é obtido por meio de jato chuveiro ou neblinado de</p><p>alta velocidade. Dependendo do combustível, somente se consegue este efeito por meio</p><p>da adição de produtos à água (aditivos).</p><p>Pode-se obter, por este método, a extinção de incêndios em líquidos inflamáveis</p><p>viscosos, pois o efeito de resfriamento que a água proporcionará na superfície de tais</p><p>líquidos, impedirá a liberação de seus vapores inflamáveis.</p><p>119</p><p>Normalmente na emulsificação, gotas de líquidos inflamáveis ficam envolvidas</p><p>individualmente por gotas de água, dando no caso dos óleos, aspecto leitoso; com</p><p>alguns líquidos viscosos a emulsificação apresenta-se na forma de uma espuma que</p><p>retarda a liberação dos vapores inflamáveis.</p><p>O efeito de diluição é obtido quando usamos água no combate a combustíveis</p><p>nela solúveis, tomando o cuidado para não derramar o combustível do seu reservatório</p><p>antes da diluição adequada do mesmo, o que provocaria uma propagação do incêndio.</p><p>Espuma</p><p>A espuma de combate a incêndios é um agregado estável de pequenas bolhas</p><p>com uma densidade inferior à de muitos líquidos combustíveis e água, que apresenta</p><p>qualidades para cobrir superfícies horizontais; obtém-se introduzindo ar numa solução</p><p>de água e concentrado de espuma, através de equipamento adequado.</p><p>A espuma forma uma manta contínua sobre uma superfície ardente, excluindo o</p><p>ar, vedando os vapores combustíveis voláteis, separando as chamas e arrefecendo o</p><p>combustível.</p><p>As espumas contra incêndios devem ter algumas características básicas: controle</p><p>da velocidade, fluidez, resistência ao calor, resistência ao combustível e capacidade de</p><p>supressão de vapor.</p><p>A formação da espuma ocorre da seguinte forma: uma quantidade constante de</p><p>concentrado de espuma é adicionada a um fluxo de água através de um dispositivo de</p><p>dosagem. A solução formada é então expandida no dispositivo de formação de espuma</p><p>à medida que o ar é introduzido. Dependendo do tipo de concentrado utilizado e da</p><p>quantidade de ar incorporado, obtém-se uma espuma de baixa, média ou alta expansão.</p><p>Quando o jato de água sob pressão passa através do indutor, através do princípio</p><p>Venturi cria-se um "vácuo" que introduz uma quantidade proporcional de concentrado</p><p>de espuma na corrente, formando uma solução de espuma; no dispositivo de descarga</p><p>introduz-se ar na solução, obtendo-se assim a espuma mecânica. Este é um dos métodos</p><p>120</p><p>mais simples de obter espuma contra incêndios; dependendo da aplicação são utilizados</p><p>outros métodos de geração.</p><p>Fonte: https://www.portalincendio.com.br/utilizacao-de-espumas-no-combate-a-incendios-</p><p>artigos-tecnicos</p><p>Utilização de espumas de combate a incêndios</p><p>Graças à sua excelente fluidez, a espuma de baixa expansão pode ser aplicada no</p><p>combate a incêndios de líquidos e sólidos. A espuma se espalha em um curto espaço de</p><p>tempo por toda a superfície queimada e a veda para evitar contato com o ar.</p><p>Quando utilizada preventivamente, a espuma de baixa expansão suprime a</p><p>emissão de vapores em derrames de líquidos inflamáveis. O material inflamável</p><p>permanece coberto por uma camada de espuma isolante estanque ao gás e refrigerante</p><p>por um longo período de tempo.</p><p>A espuma de baixa expansão pode ser usada em aeroportos, em tanques de</p><p>armazenamento de hidrocarbonetos, na indústria de processamento e reciclagem de</p><p>plásticos, em navios e em instalações offshore. Eles também são adequados para</p><p>extinção de sprinklers e sprinklers em edifícios onde grandes quantidades de</p><p>combustível e líquido inflamável são armazenados.</p><p>A espuma de média expansão pode ser utilizada para numerosas aplicações: com</p><p>uma expansão de 50 a 100, em incêndios de plásticos, borrachas, brasas e incêndios</p><p>líquidos; com uma expansão de 100 a 200, para inundar espaços planos como canais,</p><p>condutas, poços, diques, etc., e em todos os locais onde a extinção bem sucedida</p><p>depende da rápida formação de grandes quantidades de espuma.</p><p>121</p><p>A espuma de expansão média pode ser usada para suprimir vapores perigosos.</p><p>Espumas específicas são necessárias dependendo dos produtos químicos envolvidos.</p><p>A espuma de alta expansão pode ser usada para inundar completamente grandes</p><p>áreas em um curto espaço de tempo, como hangares, salas de armazenamento, porões,</p><p>passagens subterrâneas ou porões de navios onde é difícil ou impossível alcançarem um</p><p>incêndio. A espuma atua para parar a convecção e o acesso ao ar para a combustão. Seu</p><p>conteúdo de água também resfria e diminui o oxigênio pelo deslocamento do vapor.</p><p>Espumas deste tipo (com raios de expansão de 400 a 500) podem ser utilizadas para</p><p>controlar incêndios de derrames de gás natural liquefeito (GNL) e ajudar a dispersar a</p><p>nuvem de vapor resultante.</p><p>Limitações das espumas de combate a incêndios</p><p>As espumas não são normalmente adequadas para</p><p>extinguir incêndios</p><p>envolvendo gases, gases liquefeitos (tais como butano, butadieno, propano, etc.) ou</p><p>líquidos criogênicos. Há algumas exceções onde espumas de alta expansão podem ser</p><p>usadas.</p><p>Os incêndios líquidos tridimensionais, tais como derrames de tanques suspensos</p><p>ou fugas de pressão, não são facilmente extinguíveis com espumas, a menos que o</p><p>combustível tenha um ponto de inflamação relativamente elevado e possa ser</p><p>arrefecido até ser extinto pela água contida na espuma.</p><p>Espumas não devem ser usadas com fogos envolvendo materiais que reagem</p><p>violentamente com a água, como sódio e potássio.</p><p>As soluções de espuma são condutoras e, portanto, não devem ser usadas em</p><p>incêndios onde haja energia elétrica.</p><p>Deve-se ter cuidado ao aplicar espumas a óleos quentes, asfalto ou líquidos</p><p>ardentes que estejam acima do ponto de ebulição da água. Isto porque quando a água</p><p>entra em contato com o combustível muito quente, torna-se imediatamente vapor; a</p><p>espuma forma uma emulsão de vapor, ar e combustível. Isto pode produzir um aumento</p><p>122</p><p>de quatro vezes no volume quando aplicado a um tanque de incêndio, com um perigoso</p><p>transbordamento da superfície do líquido inflamado.</p><p>Pós químicos</p><p>O pó químico é o agente extintor mais utilizado em extintores portáteis. Os pós</p><p>químicos são eficientes e como não se dispersam tanto na atmosfera como um gás,</p><p>permitem atacar as chamas de modo mais rápido e eficaz. Há vários tipos de pós com</p><p>composições e características diferentes.</p><p>Os pós químicos são um grupo de agentes extintores de finíssimas partículas</p><p>sólidas, e têm como características não serem abrasivas, não serem tóxicas, mas que</p><p>podem provocar asfixia se inaladas em excesso. Não conduzem corrente elétrica,</p><p>porém, tem o inconveniente de contaminar o ambiente sujando- o, podendo danificar</p><p>inclusive equipamentos eletrônicos.</p><p>Assim sendo, deve-se evitar sua utilização em ambientes que possuam estes</p><p>equipamentos no seu interior. Ainda apresenta o inconveniente de dificultar a</p><p>visualização do ambiente enquanto está em suspensão.</p><p>Os pós agem de imediato por abafamento, substituindo o O2 nas imediações do</p><p>combustível, mas também principalmente por extinção química interferindo na reação</p><p>de combustão capturando radicais livres. Essa atuação por quebra da reação em cadeia</p><p>aumenta de eficiência em temperaturas acima de 1000 ºC.</p><p>Os pós são classificados conforme a sua correspondência com as classes de</p><p>incêndio que se destinam a combater. Vejamos:</p><p> ABC – composto a base de fosfato de amônio ou fosfatomonoamônico,</p><p>sendo chamado de polivalente, pois atua nas classes A, B e C.</p><p>Ao inverso dos outros, o pó ABC, apresenta considerável eficiência em fogos de</p><p>Classe A, pois quando aquecido se transforma em um resíduo fundido, aderindo à</p><p>superfície do combustível e isolando-o do comburente (abafamento).</p><p>123</p><p> BC – Nesta categoria está o tipo de pó mais comum e conhecido o PQS</p><p>ou Pó Químico Seco. Os extintores de PQS para classe B e C utilizam os</p><p>agentes extintores bicarbonato de sódio, bicarbonato de potássio ou</p><p>cloreto de potássio, tratados com um estearato a fim de torná-los</p><p>antihigroscópicos e de fácil descarga.</p><p> D – usado especificamente na classe D de incêndio, sendo a sua</p><p>composição variada, pois cada metal pirofórico terá um agente</p><p>especifico, tendo por base a grafita misturada com cloretos e carbonetos.</p><p>São também denominados de Pós Químicos Especiais ou PQEs.</p><p>O pó químico especial é normalmente encontrado em instalações industriais,</p><p>que utilizam metais pirofóricos em seus depósitos, tendo em vista a periculosidade dos</p><p>diferentes materiais pirofóricos (agentes extintores devem ser pesquisados para cada</p><p>caso).</p><p>Gases inertes</p><p>Os gases inertes contêm, sobretudo, elementos químicos como o argônio, hélio,</p><p>neônio e dióxido de carbono. Este tipo de agente extintor não é normalmente utilizado</p><p>em extintores portáteis de incêndio, mas sim em instalações fixas, para proteger, por</p><p>exemplo, salas de computadores e outros riscos semelhantes.</p><p>A sua eficiência é relativamente baixa, pois geralmente são necessárias grandes</p><p>quantidades de gás para proteção de espaços relativamente pequenos, que devem ser</p><p>estanques para não permitir a dispersão do agente extintor para o exterior. Exemplos</p><p>de agentes extintores constituídos por gases inertes são os produtos conhecidos com os</p><p>nomes comerciais “Inergen” e “Argonite”.</p><p>Os gases inertes atuam por abafamento, ocupando o espaço do ar e levando a</p><p>mistura ar-vapores abaixo do limite inferior de inflamabilidade.</p><p>Dióxido de carbono (CO2)</p><p>O dióxido de carbono é mais um gás inerte. É mais pesado que o ar, atuando</p><p>sobre a combustão pelo processo de “abafamento”, isto é, por substituição do oxigênio</p><p>124</p><p>que alimenta as chamas, e também em pequena parte por resfriamento. Como se trata</p><p>de um gás inerte, tem a grande vantagem de não deixar resíduos após aplicação. O</p><p>grande inconveniente deste tipo de agente extintor é o choque térmico produzido pela</p><p>sua expansão ao ser libertado para a atmosfera através do difusor do extintor (a</p><p>expansão do gás pode gerar temperaturas da ordem dos –40 ºC na proximidade do</p><p>difusor, havendo, portanto, um risco de queimaduras por parte do utilizador).</p><p>Apesar de não ser tóxico, o CO2 apresenta ainda outra desvantagem para a</p><p>segurança das pessoas, sobretudo quando utilizado em extintores de grandes</p><p>dimensões ou em instalações fixas para proteção de salas fechadas: existe o risco de</p><p>asfixia quando a sua concentração na atmosfera atinge determinados níveis, não pela</p><p>toxicidade do CO2, mas pela diminuição da concentração de O2. Por não ser condutor</p><p>de corrente elétrica geralmente recomenda-se este tipo de agente extintor na proteção</p><p>de equipamento e quadros elétricos.</p><p>Compostos Halogenados (Halon)</p><p>São compostos químicos formados por elementos halogênios (flúor, cloro,</p><p>bromo e iodo). Atuam na quebra da reação em cadeia devido às suas propriedades</p><p>específicas e, de forma secundária, por abafamento. São ideais para o combate a</p><p>incêndios em equipamentos elétricos e eletrônicos sensíveis, sendo mais eficientes que</p><p>o CO2.</p><p>Assim como o CO2, os compostos halogenados se dissipam com facilidade em</p><p>locais abertos, perdendo seu poder de extinção.</p><p>Equipamentos de combate a incêndios</p><p>Os equipamentos de combate a incêndio são itens extremamente importantes</p><p>para ajudar na prevenção e combate a incêndios. Estes equipamentos visam garantir a</p><p>segurança e ajudam a salvar vidas. Os extintores de incêndio, mangueiras de incêndio e</p><p>acessórios, são parte de alguns dos equipamentos contra incêndio mais utilizados.</p><p>Extintores portáteis</p><p>São aparelhos de fácil manuseio, destinados a combater princípios de incêndio.</p><p>125</p><p>Extintor de água pressurizada</p><p> É o agente extintor indicado para incêndios de classe A.</p><p> Age por resfriamento e/ou abafamento.</p><p> Podem ser aplicados na forma de jato compacto, chuveiro e neblina. Para</p><p>os dois primeiros casos, a ação é por resfriamento. Na forma de neblina,</p><p>sua ação é de resfriamento e abafamento.</p><p>Características</p><p> Carga: 10 litros</p><p> Aplicação: incêndio Classe “A”</p><p> Alcance médio do jato: 10 metros</p><p> Tempo de descarga: 60 segundos.</p><p> Funcionamento: a pressão interna expele a água quando o gatilho é</p><p>acionado.</p><p>Cuidados</p><p> Nunca use água em fogo das classes C e D.</p><p> Nunca use jato direto na classe B.</p><p>Extintor de gás carbônico (CO2)</p><p> É o agente extintor indicado para incêndios da classe C, por não ser</p><p>condutor de eletricidade;</p><p> Age por abafamento, podendo ser também utilizado nas classes A,</p><p>somente em seu início e na classe B em ambientes fechados.</p><p>Características</p><p> Carga: 2, 4 e 6 kg.</p><p> Aplicação: incêndios classes “B” e “C”.</p><p> Alcance do jato: 2,5 metros</p><p> Tempo de descarga: 25 segundos.</p><p>126</p><p> Funcionamento: O gás é armazenado sob pressão e liberado quando</p><p>acionado o gatilho.</p><p>Cuidados</p><p></p><p>Segurar pelo punho do difusor, quando da operação.</p><p> É asfixiante e por isso deve-se evitar o seu uso em ambientes fechados</p><p>com pouco espaço.</p><p>Extintor de pó químico</p><p> Há várias composições de pós, divididas em tipo BC (líquidos inflamáveis</p><p>e energia elétrica); ABC (múltiplo uso, polivalente, para fogo em sólidos,</p><p>líquidos inflamáveis e eletricidade); e D (metais combustíveis).</p><p> É o agente extintor indicado para combater incêndios da classe B;</p><p> Age por abafamento, podendo ser também utilizados nas classes A e C,</p><p>podendo nesta última danificar o equipamento.</p><p>Características</p><p> Carga: 1, 2, 4, 6, 8 e 12 kg.</p><p> Aplicação: incêndios classes “B”, “C” e “D”; Classe “D”, utilizando pó</p><p>químico seco especial.</p><p> Alcance médio do jato: 5 metros.</p><p> Tempo de descarga: 15 segundos para extintor de 4 kg; 25 segundos para</p><p>extintor de 12 Kg.</p><p> Funcionamento: O pó sob pressão é expelido quando o gatilho é acionado</p><p>Extintor de pó químico seco</p><p> É o agente extintor indicado para incêndios da classe D;</p><p> Age por abafamento.</p><p>Características</p><p> Carga: 4, 6, 8 e 12 kg.</p><p> Aplicação: incêndios classes “B” e “C”. Classe “D”, utilizado PQS especial.</p><p>127</p><p> Alcance médio do jato: 5 metros.</p><p> Tempo de descarga: 15 segundos para extintor de 4 kg; 25 segundos para</p><p>extintor de 12 kg.</p><p> Funcionamento: Junto ao corpo do extintor há um cilindro de gás</p><p>comprimido acoplado. Este, ao ser aberto, pressuriza o extintor,</p><p>expelindo o pó quando o gatilho é acionado.</p><p>Extintor de espuma mecânica pressurizada</p><p> É um agente extintor indicado para incêndios das classes A e B.</p><p> Age por abafamento e secundariamente por resfriamento.</p><p> Por ter água na sua composição, não se pode utilizá-lo em incêndio de</p><p>classe C, pois conduz corrente elétrica.</p><p>Características</p><p> Carga 9 litros (mistura de água e EFE)</p><p> Aplicação: incêndio Classe “A” e "B"</p><p> Alcance: médio do jato 5 metros</p><p> Tempo de descarga: 60 segundos.</p><p> Funcionamento: A mistura de água e EFE já estão sob pressão, sendo</p><p>expelida quando acionado o gatilho; ao passar pelo esguicho lançador,</p><p>ocorrem o arrastamento do ar atmosférico e o batimento, formando a</p><p>espuma.</p><p>Extintor de Espuma Mecânica (Pressão Injetada) - Gás- EG</p><p>Extintor de espuma Mecânica Pressurizada a Gás tem a mesma característica do</p><p>pressurizado EP, mais mantendo a ampola externa para manter a pressurização no</p><p>instante do uso.</p><p>Características</p><p> Carga: 9 litros (mistura de água e EFE)</p><p> Aplicação: incêndio Classe “A” e "B".</p><p>128</p><p> Alcance médio do jato: 5 metros.</p><p> Tempo de descarga: 60 segundos.</p><p> Funcionamento: Há um cilindro de gás comprimido acoplado ao corpo do</p><p>extintor que, sendo aberto, pressuriza, expelindo a mistura de água e EFE</p><p>quando acionado o gatilho. A mistura, passando pelo esguicho lançador,</p><p>se combina com o ar atmosférico e sofre o batimento, formando a</p><p>espuma.</p><p>Extintor de Pó ABC (Fosfato de Monoamônico)</p><p>Os extintores de uso múltiplo para as classes A, B e C utilizam Monofosfato de</p><p>Amônia siliconizados como agente extintor. Isolam quimicamente os materiais</p><p>combustíveis da classe A, e se derretem e aderem à superfície do material em</p><p>combustão. Atuam abafamento e interrompendo a reação em cadeia de incêndios da</p><p>classe B. Não são condutores de eletricidade. Devido à sua fácil operação e uso universal</p><p>são indicados para proteção residencial e comercial, com aplicações para a indústria.</p><p> É o agente extintor indicado para incêndios das classes A, B e C;</p><p> Age por abafamento</p><p>Extintor classe K</p><p>Os extintores de agente úmido Classe K, contém uma solução especial de Acetato</p><p>de Potássio, diluída em água, que quando acionado, é descarregada com um jato tipo</p><p>neblina (pulverização) como em um sistema fixo. O fogo é extinto por resfriamento e</p><p>pelo efeito asfixiante da espuma (saponificação). É dotado de um aplicador, que permite</p><p>ao operador estar a uma distância segura da superfície em chamas, e não espalha o óleo</p><p>quente ou gordura. A visão do operador não é obscurecida durante ou após a descarga.</p><p>Ao considerar-se eficiência na extinção e a segurança do pessoal é o melhor extintor</p><p>portátil para cozinhas comerciais/industriais. Desenhado para combate aos mais difíceis</p><p>fogos (CLASSE K) como: gorduras e banhas quentes, incêndios de óleos e gorduras de</p><p>cozinhas e áreas de preparação de alimentos em restaurantes, lojas de conveniências,</p><p>praças de alimentação, cafeterias de escolas e hospitais, e outros. Equipamentos típicos</p><p>a serem protegidos pelo Classe K, fritadeiras, frigideiras, grelhas, assadeiras, etc.</p><p>129</p><p>Extintor portátil K</p><p>Cilindro fabricado em aço inoxidável polido; Mangote de descarga de pequeno</p><p>comprimento, para facilitar o manuseio em espaços pequenos e cozinhas de área</p><p>reduzida; Bico de descarga montado em ângulo de 45º para facilitar a aplicação; Válvula</p><p>em latão cromado, com cabo e gatilho em aço inoxidável;</p><p>Proporciona melhor visibilidade durante o combate; minimiza o “espalhamento”</p><p>do perigo.</p><p>Limpeza e remoção mais fáceis que os agentes tipo Pós Extintores; Agente de</p><p>baixo PH, não ataca o aço inoxidável.</p><p>Extintor de Halon (Composto Halogenado)</p><p>Características</p><p> Carga: 1, 2, 4 e 6 kg.</p><p> Aplicação: incêndios classes “B” e “C”.</p><p> Alcance médio do jato: 3,5 metros</p><p> Tempo de descarga: 15 segundos, para extintor de 2 kg.</p><p> Funcionamento: O gás sob pressão é liberado quando acionado o gatilho.</p><p>O halon é pressurizado pela ação de outro gás (excelente), geralmente</p><p>nitrogênio.</p><p>Combate a incêndios a bordo</p><p>Incêndios de materiais sólidos presentes nos navios</p><p>Em um navio poderemos encontrar inúmeros materiais combustíveis sólidos tais</p><p>como: lonas, colchões, caixas de madeira, papel, estopa, roupas, etc.</p><p>A água age como agente extintor, nesses materiais, por abafamento combinado</p><p>com resfriamento.</p><p>Dessa forma, o uso de água ou de espumas que contenham água em grande</p><p>proporção é o mais indicado para tal situação. O resfriamento da fonte do incêndio e da</p><p>130</p><p>área contínua deverá continuar por tempo suficiente para se eliminar totalmente o risco</p><p>de uma reignição.</p><p>Incêndios de petróleo e seus derivados em navios</p><p>A espuma é o agente mais adequado para se utilizar no combate a incêndios em</p><p>petróleo e seus derivados, visto que a água geralmente é mais densa do que ele e acaba</p><p>ficando por baixo dele, perdendo sua capacidade de abafamento.</p><p>Incêndios de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em navios</p><p>Incêndios envolvendo escapamentos de GLP devem ser extintos, quando</p><p>possível, pela interrupção do fluxo de gás. Se o fluxo de gás não puder ser interrompido,</p><p>poderá ser mais seguro permitir que o combustível continue queimando e, ao mesmo</p><p>tempo, usar neblina d’água para resfriar os tanques adjacentes e outras partes do navio</p><p>ou do parque de tanques, a fim de controlar os efeitos do calor irradiado.</p><p>Extinguir a chama pode resultar em vasta dispersão do gás não queimado e em</p><p>subsequente mais vasto alastramento da chama ou explosão de compartimentos do</p><p>navio, por onde o gás possa penetrar, no caso de uma reignição inesperada.</p><p>É de bom tom que se monitore com explosímetro, a todo instante, os</p><p>compartimentos adjacentes, a fim de se diminuir o risco de explosão por acúmulo de</p><p>gás no interior destes.</p><p>Caso o vazamento seja causado por alguma válvula aberta, não danificada, que</p><p>pode ser fechada, pode-se extinguir as chamas de pequenos vazamentos, utilizando-se</p><p>extintores de pó químico.</p><p>Jatos d’água nunca devem ser usados diretamente sobre um incêndio de gás</p><p>liquefeito de petróleo. A espuma também não extinguirá tais incêndios.</p><p>Incêndios em equipamentos elétricos de bordo</p><p>Os incêndios em equipamentos elétricos podem ser causados por curto-circuito,</p><p>superaquecimento, ou alastramento do incêndio de qualquer outra fonte. A ação</p><p>131</p><p>imediata deve desalimentar (desenergizar) o equipamento, para então extinguir o fogo,</p><p>usar um agente não condutor,</p><p>tal com gás carbônico, halon ou pó químico.</p><p>Agentes extintores usados a bordo - resfriamento</p><p>A água</p><p>A água é o agente resfriador mais comum. É amplamente empregada porque</p><p>absorve muito bem o calor e é fartamente disponível em terminais e navios.</p><p>Um jato d’água, embora seja excelente para combater incêndios envolvendo</p><p>materiais combustíveis, não deve ser usado sobre petróleo em combustão, ou sobre</p><p>gorduras ou óleos combustíveis em chamas nas cozinhas de navios ou terminais, devido</p><p>ao perigo de espalhar o fogo.</p><p>Neblina d’água (de alta ou de baixa velocidade) pode ser usada eficazmente</p><p>contra incêndios de petróleo e para estabelecer uma barreira entre o incêndio e aqueles</p><p>que o estão combatendo. Com isso, grande parte do calor irradiado será absorvida pela</p><p>água e não atingirá o pessoal que combate o incêndio.</p><p>Neblina d’água também poderá ser utilizada para resfriar anteparas e portas do</p><p>navio que necessitem ser abertas, tomando as devidas precauções com a formação de</p><p>vapor que pode envolver o bombeiro no caso ambientes confinados. Para isso, o</p><p>tripulante poderá cobrir toda a chaparia de aço ao redor a fim de ampliar a área de</p><p>resfriamento. Todo aquaviário que combater incêndio em navio deverá possuir luvas</p><p>adequadas para proteger as mãos de queimaduras por contato com materiais</p><p>aquecidos.</p><p>Devido ao perigo de choque elétrico, a água nunca deverá ser lançada sobre</p><p>qualquer equipamento elétrico de bordo. Lembre-se que o navio possui geradores</p><p>poderosos que, em muitos casos, poderiam servir para iluminar uma pequena cidade.</p><p>Nem sempre é possível desligar todo o sistema elétrico do navio, pois</p><p>dependendo do tipo de avaria sofrida por este talvez seja preciso o uso de bombas</p><p>elétricas de bordo para manter o navio flutuando.</p><p>132</p><p>Um agente umectante poderá ser adicionado a água, podendo ser usado sobre</p><p>materiais combustíveis embalados compactamente para se diminuir a tensão superficial</p><p>da água, aumentando-lhe assim o poder de penetração.</p><p>Agentes extintores usados a bordo - abafamento</p><p>A espuma</p><p>A espuma é um agregado de pequenas bolhas, de peso específico menor que o</p><p>do óleo ou o da água, que se espalha sobre a superfície de um líquido em combustão e</p><p>forma um manto abafador uniforme.</p><p>A espuma, por absorver alguma quantidade de calor, reduzirá também a</p><p>temperatura na superfície do líquido.</p><p>A espuma não deve entrar em contato com qualquer equipamento elétrico.</p><p>O gás carbônico</p><p>O gás carbônico (CO2) é um agente extintor excelente para extinguir incêndios,</p><p>quando usado em condições que não permitam que ele se dispense.</p><p>O gás carbônico é, portanto, eficaz em espaços fechados tais como</p><p>compartimentos de máquinas, casas de bombas e compartimentos de quadros elétricos,</p><p>locais em que o CO2 pode ser lançado e que outros agentes não consigam alcançar.</p><p>Pelo fato de ser gasoso o CO2 pode chegar onde a maioria dos outros agentes</p><p>não consegue e, ainda, sem o perigo de transmissão de choques elétricos.</p><p>Em convés aberto e em áreas de cais o CO2 é, em comparação com outros meios</p><p>de extinção, ineficaz, por ser facilmente dispersável ao ar livre.</p><p>O CO2 não avaria máquinas ou outros instrumentos delicados e, não sendo</p><p>condutor, pode ser usado, com segurança, diretamente sobre equipamento elétrico ou</p><p>em suas imediações.</p><p>Devido à possibilidade de geração de eletricidade estática, o CO2 não deve ser</p><p>injetado em espaços em que exista atmosfera inflamável que não tenha, ainda, entrado</p><p>em combustão.</p><p>133</p><p>O CO2 é asfixiante e não detectável pela visão ou pelo olfato. Ninguém deve</p><p>entrar em espaço, total ou parcialmente confinado, em que tenha sido usado CO2, a</p><p>menos que esteja sob supervisão e protegido por EPR e com uso de cabo guia.</p><p>Por isso, cuidado com compartimentos do navio onde se tenha descarregado o</p><p>sistema fixo de gás, ou se tenha utilizado o sistema de gás inerte.</p><p>Qualquer compartimento que tenha sido inundado por CO2 terá que ser</p><p>completamente ventilado antes que alguém entre sem equipamento de proteção</p><p>respiratória.</p><p>O vapor</p><p>Vapor é ineficaz como agente abafador devido à perda de tempo que pode haver</p><p>antes que uma quantidade eficaz de ar possa ser deslocada para tornar a atmosfera</p><p>incapaz de manter a combustão.</p><p>Devido a possibilidade de geração de eletricidade estática, não deve ser injetado</p><p>vapor em espaço contendo atmosfera inflamável que ainda não entrou em combustão.</p><p>Inibidores de chamas</p><p>Inibidores de chamas são materiais que interferindo quimicamente no processo</p><p>da combustão extinguem as chamas.</p><p>Entretanto para impedir a reignição é necessário o resfriamento ou a retirada do</p><p>combustível.</p><p>Precauções necessárias</p><p>A grande maioria das embarcações é construída em aço, material</p><p>reconhecidamente condutor de calor, sendo, portanto, necessários todos os cuidados</p><p>para proteção física dos envolvidos.</p><p>É altamente recomendável que o todo o pessoal envolvido esteja utilizando EPI</p><p>completo adequado, priorizando materiais como o “nomex” e na medida do possível,</p><p>descartar as tradicionais luvas de vaqueta, que não oferecem a proteção necessária.</p><p>134</p><p>O uso do colete salva-vidas pela guarnição embarcada ou próxima a água é</p><p>obrigatório devido ao risco de queda e/ou abandono de emergência.</p><p>O pessoal que estiver sujeito à ação da fumaça deverá estar utilizando EPR</p><p>autônomo ou ligado à embarcação por mangueiras.</p><p>É recomendável que as embarcações de apoio no combate ao incêndio se</p><p>posicionem de forma que o vento passe por elas primeiro e depois pelo navio sinistrado,</p><p>a fim de que a fumaça, o calor e o fogo não atinjam o pessoal que está auxiliando no</p><p>combate.</p><p>O embarque do pessoal no navio sinistrado deverá ser feito com máxima cautela,</p><p>e sempre depois de avaliar a real necessidade.</p><p>Nunca se deve empregar, desnecessariamente, pessoal em locais de risco.</p><p>No caso do combate ao incêndio, exigir que a guarnição ingressar em locais</p><p>confinados (porões, paióis, praça de máquinas, etc.) deve ser usado a técnica adequada,</p><p>sendo necessário conhecimento prévio do local e de suas características (tipo de escada,</p><p>portas, escotilha, etc.) e proceder conforme descrito no processo de abertura do acesso</p><p>e entrada em compartimento do navio.</p><p>Numa operação de combate a incêndio, pode-se utilizar o sistema de hidrantes</p><p>do próprio navio ou de embarcações de apoio, devendo-se dar preferência por utilizar</p><p>o sistema do próprio navio sempre que possível, a fim de se evitar o transporte, para</p><p>bordo, de equipamentos pesados (mangueiras, derivantes, etc.).</p><p>É sempre recomendável que, quando estiver usando equipamentos de outras</p><p>embarcações, estas estejam amarradas ao navio, pois as mangueiras e demais</p><p>acessórios, quando cheios de água ficarão extremamente pesados e poderão “puxar” a</p><p>guarnição em direção a amurada do navio ou jogá-la ao mar.</p><p>Estando os equipamentos amarrados ao navio, os homens terão maior</p><p>mobilidade e não precisarão fazer tanto esforço físico para segurá-los.</p><p>135</p><p>É prudente consultar o comandante do navio sinistrado para saber qual carga o</p><p>navio está transportando e onde ela está acomodada. Se no navio houver produtos</p><p>perigosos, deve-se consultar o manual do produto ou sua FISPQ para verificar qual o</p><p>procedimento de segurança a ser tomado e quais agentes extintores que poderão ser</p><p>usados.</p><p>Deve-se ter em mente que o navio possui tanques com grande quantidade</p><p>combustível para alimentar seus próprios motores, por isso, deve-se tomar cuidado</p><p>quando o incêndio estiver próximo à praça de máquinas ou nos locais onde os tanques</p><p>estejam localizados. Para se ter essa informação, pode-se consultar o Cmt do navio, seus</p><p>tripulantes ou sua planta de construção.</p><p>Se o navio estiver afundando ou adernando rapidamente, retire imediatamente</p><p>todo pessoal de bordo para evitar que os homens sejam tragados pelo navio.</p><p>Alguns navios possuem sistema de gás inerte, que poderá ser usado para</p><p>extinguir incêndios nas cobertas</p><p>e paióis inferiores, fechando-se todas as portas, gaiútas</p><p>e quaisquer outras aberturas que permitam a entrada de comburente, e direcionando</p><p>os gases inertes para o local sinistrado.</p><p>Toda a tripulação deverá ser evacuada do local onde se pretende utilizar o gás</p><p>inerte e, somente depois de se ter certeza de que estão todos a salvo, é que se poderá</p><p>utilizar tal sistema, pois caso contrário, corre-se o risco de haver mortes por asfixia de</p><p>quem ficar confinado.</p><p>Técnicas de Combate a Incêndio</p><p>Combate a incêndio</p><p>No combate a incêndio, o tripulante deve observar os perigos específicos de cada</p><p>situação, tais como: Explosões, intoxicações, queimaduras, vazamento de produtos,</p><p>processos industriais perigosos, dificuldade de controle, deslocamento, áreas de</p><p>estocagem, etc, pois os riscos gerados e envolvidos são os mais diversos, expondo a</p><p>tripulação a diferentes modalidades de perigo.</p><p>As embarcações possuem pelo menos uma ou mais das seguintes situações:</p><p>136</p><p> Praça de máquinas</p><p> Sala de geradores</p><p> Caldeiras</p><p> Cozinhas</p><p> Sala de bombas</p><p> Tanques de cargas</p><p> Tanques de combustíveis</p><p>Os Fatores que podem influir na diferenciação dos incêndios em embarcações:</p><p>dentre outros, aumentando em muito a possibilidade de uma explosão ou qualquer</p><p>outro sinistro:</p><p> Condições atmosféricas</p><p> Tipo de embarcação</p><p> Existência de medidas de proteção ao maquinário e locais perigosos</p><p> Condições de armazenamento (dentro ou não das normas de segurança)</p><p> Existência ou não de equipamentos diversos de prevenção e combate a</p><p>incêndio previstos de acordo com normas regulamentares vigentes</p><p> Vigilância permanente ou não</p><p> Tripulação treinada</p><p> Tempo decorrido, do início do fogo ao combate inicial</p><p>Ataque</p><p>A estratégia de ataque é o objetivo precípuo da tripulação no combate aos</p><p>incêndios e dentro da possibilidade sempre deve ser usada, observando a chegada no</p><p>local da ocorrência, (sinalização, isolamento, apoio, etc.) preservando sempre a</p><p>segurança pessoal, observando o uso do “EPI”.</p><p>No combate ao incêndio, pode haver ação defensiva, mas somente para impedir</p><p>que o fogo progrida durante a operação.</p><p>Caso o progresso do fogo não possa ser impedido, devem ser empregadas,</p><p>simultaneamente, ações defensivas e de ataque.</p><p>137</p><p>A base da estratégia de ataque é a velocidade associada à técnica, a</p><p>agressividade e rapidez da operação, sendo usada quando os recursos e técnicas forem</p><p>suficientes para dominar a situação.</p><p>Defesa ou salvaguarda</p><p>Para tomar essa decisão, na ocorrência de incêndio em navios, a tripulação</p><p>necessita de conhecimentos técnicos de combate e extinção de incêndio (teóricos e</p><p>práticos) adquiridos, utilizando-os imediatamente na chegada ao local.</p><p>Caso verifique alguma circunstância que diminua, enormemente, a possibilidade</p><p>de sucesso, deve optar pela circunscrição do fogo a uma área limitada, decisão essa</p><p>configurada como operação de defesa ou salvaguarda.</p><p>Na prática a operação de defesa ou salvaguarda deve ser empregada, somente,</p><p>quando a estratégia de ataque não possa ser utilizada ou já tenha falhado.</p><p>Em linhas gerais a operação de defesa ou salvaguarda, pode ser usada nas</p><p>seguintes circunstâncias:</p><p> Quando o perigo é visivelmente tão grande, que se qualifica de</p><p>catastrófico e imenso, por queimar materiais cujas possibilidades de</p><p>salvamento seriam mínimas e com exposição e riscos;</p><p> Quando, no caso de materiais altamente inflamáveis, é iminente o risco</p><p>da propagação rápida do fogo;</p><p> Quando, comprometida, estruturalmente, a embarcação, ocorra o perigo</p><p>de afundamento da embarcação incendiada;</p><p> Quando, após vazamento de gás, produto perigoso ou risco de explosão,</p><p>há prioridade de evacuação das proximidades do local do sinistro de</p><p>pessoas e materiais;</p><p> Quando os equipamentos são insuficientes ou inadequados para</p><p>executar um ataque com êxito, quer por impossibilidade de lançar</p><p>agentes extintores ao fogo, quer devido a falhas mecânicas, ou ainda,</p><p>guarnições em quantidades insuficientes;</p><p>138</p><p> Quando há falta de água (impossibilidade de acionamento da bomba de</p><p>incêndio) ou outro material para executar um ataque maciço;</p><p> Quando, no convés, a intensidade e velocidade do vento facilita a</p><p>propagação, ocasionando inclusive outros focos de incêndio;</p><p>É certo também que determinadas ações são executadas e podem ser</p><p>catalogadas como auxiliares da defesa e do ataque, ou sejam:</p><p> Interrupção da corrente elétrica, na zona sinistrada; e</p><p> Retirada de todos os materiais inflamáveis e explosivos que possam ser</p><p>atingidos pela ação do fogo evitando o aumento de sua extensão (técnica</p><p>de isolamento).</p><p> O estabelecimento de cortina d'agua, com a armação de linhas de</p><p>mangueiras em pontos estratégicos, constitui uma operação de</p><p>salvaguarda, com vistas a ouros compartimentos, embarcações próximas</p><p>ou mesmo terminais e/ou portos.</p><p>O Comandante das operações deve assegurar a possibilidade de movimentar</p><p>rapidamente a tripulação, passando da ação de defesa para a de ataque, devendo</p><p>sempre ter em mente a possibilidade de aplicação imediata de um novo plano.</p><p>O combate a incêndio é uma faina de equipe, cujo desenvolvimento se faz sob</p><p>tensões físicas e emocionais. Qualquer trabalho assim executado necessita que</p><p>determinados requisitos básicos sejam satisfeitos para ser bem-sucedido, a saber:</p><p> ORGANIZAÇÃO - É dar aos tripulantes a disposição necessária para a</p><p>execução de funções a que elas se destinam.</p><p> INSTRUÇÃO - É o conhecimento técnico individual a função, para a qual</p><p>está designado o tripulante, pela organização.</p><p> ADESTRAMENTO - É a execução de uma função por um tripulante, para</p><p>a qual já foi instruído durante um certo número de vezes, de um trabalho</p><p>em conjunto.</p><p> MANUTENÇÃO DO MATERIAL - É de responsabilidade de toda tripulação</p><p>zelar pela conservação dos equipamentos de segurança do navio,</p><p>139</p><p>cabendo ao comandante requisitar do armador a substituição e reparos</p><p>nos materiais defeituosos, a fim de que estes possam sempre estar em</p><p>condições de pronta utilização em caso de emergência.</p><p>Quando alguém constata a existência de um incêndio, a primeira providência a</p><p>tomar, a bordo, é comunicar o fato ao OFICIAL DE SERVIÇO, que é o Oficial de Náutica</p><p>escalado no turno de serviço.</p><p>Há uma certa tendência, errada, de que essa primeira providência seja relegada</p><p>a uma segunda etapa, por um impulso natural de se iniciar o combate às chamas com</p><p>os recursos mais ao alcance das mãos naquele momento.</p><p>Nesta situação, qualquer pequeno erro de avaliação poderá transformar um</p><p>início de incêndio em um sinistro incontrolável.</p><p>É mandatário, portanto, o seguinte procedimento:</p><p> Comunicar o fato ao Oficial de Serviço, pessoalmente ou por qualquer</p><p>meio seguro, informando qual o compartimento incendiado e, se</p><p>possível, qual o material em combustão;</p><p> Após a comunicação, iniciar o combate ao incêndio com os meios que</p><p>dispuser.</p><p> O Oficial de Serviço, sabendo que ocorre um incêndio a bordo, fará soar</p><p>o alarme geral, avisando pelo fonoclama: "Incêndio no compartimento</p><p>nome e número tal".</p><p>Ao soar o alarme de incêndio, a tripulação ocupará os POSTOS DE COMBATE.</p><p>A fim de ser assegurada uma imediata ação de combate ao incêndio, existirão</p><p>sempre pessoas experientes escaladas para, ao ser tocado o alarme, dirigirem-se de</p><p>pronto ao local incendiado, iniciando o combate às chamas com os meios existentes no</p><p>local, até que os demais recursos sejam mobilizados.</p><p>Vias de escape (rotas de fuga)</p><p>140</p><p>Os requisitos abaixo deverão ser observados em qualquer embarcação com AB</p><p>superior a 50:</p><p>a) Em todos os níveis de acomodações, de compartimentos de serviço ou da</p><p>Praça de Máquinas deverá haver, pelo menos, duas vias de escape amplamente</p><p>separadas, provenientes de cada compartimento restrito ou grupos de compartimentos;</p><p>b) Abaixo do convés aberto mais baixo, a via de escape principal deverá ser uma</p><p>escada e a outra</p><p>dos tripulantes.</p><p>Atribuições do comandante</p><p>Inúmeras são as atribuições do comandante; citemos algumas relacionadas com</p><p>a sua competência para aplicar penalidades. Ao comandante compete:</p><p> Cumprir e fazer cumprir, por todos os subordinados, as leis e</p><p>regulamentos em vigor, mantendo a disciplina na sua embarcação,</p><p>zelando pela execução dos deveres dos tripulantes de todas as categorias</p><p>e funções, sob as suas ordens;</p><p> Impor penas disciplinares aos que perturbarem a ordem da embarcação,</p><p>cometerem faltas disciplinares ou deixarem de fazer o serviço que lhes</p><p>for destinado, comunicando às autoridades competentes, na forma da</p><p>legislação em vigor; e</p><p>11</p><p> Instaurar inquérito e demais atos de direito, para as ocorrências de</p><p>bordo.</p><p> Aplicação de penalidades.</p><p>As penalidades da competência do comandante são:</p><p> Repreensão verbal;</p><p> Repreensão por escrito;</p><p> Suspensão do exercício das funções;</p><p> Desembarque.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Faltas disciplinares</p><p> As faltas disciplinares de tripulantes passíveis de penalidade são:</p><p> Desrespeitar seus superiores hierárquicos, não cumprindo suas ordens,</p><p>altercando com eles ou respondendo-lhes em termos impróprios;</p><p> Recusar-se a fazer o serviço determinado por seus superiores;</p><p> Apresentar-se embriagado para o serviço ou embriagar-se a bordo;</p><p> Faltar ao serviço nas horas determinadas;</p><p> Abandonar o posto quando em serviço de quarto, faina, vigilância ou</p><p>trabalho para o qual tenha sido designado;</p><p> Sair de bordo sem licença, ou exceder a mesma;</p><p> Ser negligente na execução do serviço que lhe compete;</p><p> Altercar, brigar ou entrar em conflito;</p><p> Atentar contra as regras de moralidade, honestidade, disciplina e limpeza</p><p>a bordo ou do local em que trabalha;</p><p> Deixar de cumprir as disposições da lei e das normas em vigor.</p><p>Nenhuma penalidade pode ser aplicada sem que o acusado seja ouvido.</p><p>A penalidade de desembarque só será aplicada mediante inquérito procedido a</p><p>bordo.</p><p>12</p><p>Das penalidades aplicadas pelo comandante, cabe recurso, em última instância,</p><p>ao Agente da Autoridade Marítima do primeiro porto de escala.</p><p>Atribuições dos aquaviários</p><p>Citemos algumas atribuições gerais dos marítimos no convés:</p><p> O atendimento às manobras da embarcação, ocupando os postos para os</p><p>quais tenham sido escalados;</p><p> O recebimento no convés da embarcação e o transporte para os paióis</p><p>respectivos do material de custeio pertencente à seção de convés;</p><p> A movimentação de todos os aparelhos de manobra e peso, nas fainas da</p><p>embarcação (acionar guinchos, suspender e arriar paus de carga ou onde</p><p>se fizer necessário);</p><p> A execução dos serviços necessários, a conservação, tratamento, limpeza</p><p>e pintura da embarcação, paióis e tudo mais onde se fizer necessário;</p><p> A baldeação e adoçamento da embarcação;</p><p> A conservação, a pintura das embarcações auxiliares, mangueiras de</p><p>incêndio, bombas, boias, coletes, balsas e todo material volante.</p><p> A conservação dos estais, brandais, ovéns e amaútes, o conserto em</p><p>estropos e fendas, costura em lona e demais cabos de bordo;</p><p> O auxílio ao contramestre em todas as fainas do convés, inclusive</p><p>sondagens;</p><p> A limpeza e conservação dos compartimentos dos próprios camarotes;</p><p> Auxiliar o contramestre em todas as fainas do convés, efetuando</p><p>pessoalmente a distribuição e, consequentemente, o recolhimento do</p><p>material necessário à faina diária, quando na função de paioleiro; e</p><p> Colocar na proa e popa, junto às tomadas de carga e combustível, e nos</p><p>locais de embarque de cargas perigosas, o material móvel de combate a</p><p>incêndio, quando determinado pelo oficial responsável.</p><p>Citemos algumas atribuições gerais dos marítimos nas máquinas:</p><p>13</p><p> Executar, no serviço de quarto ou de divisão, os trabalhos de lubrificação</p><p>geral dos motores principais e auxiliares, manobra de vapor, óleo, água e</p><p>sondagem, manter esgotados os porões de alimentação das caldeiras,</p><p>manutenção e limpeza de maçaricos e filtros, participar nas fainas de</p><p>tratamento, conservação e pintura, nas embarcações com praça de</p><p>máquinas desguarnecida (fechada);</p><p> Comunicar ao oficial de máquina de serviço de quarto qualquer</p><p>anormalidade que ocorra na praça de máquinas e frente de caldeiras, não</p><p>sendo permitido o seu afastamento da praça de máquinas e motores para</p><p>atender a qualquer outro setor, a não ser por necessidade imperiosa, que</p><p>deverá ser comunicada previamente ao oficial de serviço;</p><p> Dar imediato conhecimento ao oficial de máquina de serviço de qualquer</p><p>variação na leitura dos instrumentos de medidas de pressão e</p><p>temperatura, bem como das indicações dos aparelhos de alarme que</p><p>possam influir no bom funcionamento das máquinas e aparelhos a seu</p><p>cargo;</p><p> Verificar, pelo menos uma vez por quarto ou divisão, as condições de</p><p>operação dos sistemas fora da praça de máquinas (ar condicionado,</p><p>frigoríficas, engaxetamento da bucha, máquinas de leme etc.), quando o</p><p>oficial de serviço assim determinar;</p><p> O moço de máquinas deve auxiliar em serviço de quarto ou divisão o</p><p>marinheiro de máquinas;</p><p> O moço deve, ainda, limpar, pintar e conservar a praça de máquinas,</p><p>motores, caldeiras e chaminé sob a supervisão do paioleiro e ajudar no</p><p>transporte do material de sua seção.</p><p>Legislação Ambiental</p><p>Combate à poluição</p><p>As instalações portuárias exploradas por pessoa jurídica de direito público ou</p><p>privado, dentro ou fora da área do porto organizado, utilizadas na movimentação e</p><p>armazenagem de mercadorias perigosas destinadas ou provenientes de transporte</p><p>14</p><p>aquaviário, deverão ter sistemas de prevenção, controle e combate à poluição</p><p>obrigatórios, para o recebimento e tratamento dos diversos tipos de resíduos e para o</p><p>combate da poluição, observadas as normas e critérios estabelecidos pelo órgão</p><p>ambiental competente.</p><p>Nas instalações ou meios destinados ao recebimento e tratamento de resíduos</p><p>e ao combate da poluição deverá ser elaborado manual de procedimentos internos para</p><p>o gerenciamento dos riscos de poluição. Todas as instalações portuárias deverão dispor</p><p>de Planos de Emergência Individuais para o combate à poluição por óleo e substância</p><p>nociva perigosa. Também realizarão auditorias ambientais bienais.</p><p>Transporte de óleo, substância nociva ou perigosa</p><p>Todo navio com arqueação bruta superior a 50 que transporte óleo portará a</p><p>bordo, obrigatoriamente, um Livro de Registro de Óleo, aprovado nos termos da</p><p>MARPOL 73/78, que poderá ser requisitado pela Autoridade Marítima ou pelo órgão</p><p>ambiental competente e no qual serão feitas anotações relativas a todas as</p><p>movimentações de óleo, lastro e misturas oleosas, inclusive as entregas efetuadas nas</p><p>instalações de recebimento e tratamento de resíduos. Todo navio que transportar</p><p>substância nociva ou perigosa a granel deverá ter a bordo um Livro de Registro de Carga,</p><p>nos termos da MARPOL 73/78, que poderá ser requisitado pela Autoridade Marítima,</p><p>pelo órgão ambiental competente e no qual serão feitas anotações relativas às</p><p>operações de carregamento, descarregamento, transferências de carga, limpeza dos</p><p>tanques de carga etc. O navio, para qualquer descarga de óleo ou mistura oleosa no mar</p><p>proveniente de seus tanques de carga, deve cumprir as seguintes condições:</p><p> O navio esteja a mais de 50 milhas náuticas da terra mais próxima;</p><p> O regime instantâneo da descarga do conteúdo de óleo não exceda a 30</p><p>litros por milha navegada;</p><p> A quantidade total de óleo descarregado no mar não ultrapasse em</p><p>petroleiros existentes 1/15.000 da quantidade total da carga e em</p><p>petroleiros novos 1/30.000; e</p><p>15</p><p> O navio possua em operação um sistema de monitoragem e controle de</p><p>descarga de óleo e os slop tanques. Todo navio petroleiro ou não</p><p>petroleiro para descarga de óleo ou resíduo oleoso da praça de máquinas</p><p>deve cumprir as seguintes condições:</p><p> O conteúdo do efluente de óleo seja menor que 15 PPM; e</p><p> O navio possua em operação um</p><p>poderá ser um conduto ou uma escada;</p><p>c) acima do convés aberto mais baixo, as vias de escape deverão ser escadas,</p><p>portas ou janelas, ou uma combinação delas, dando para um convés aberto;</p><p>d) as rotas de escape deverão ser marcadas por meio de setas indicadoras</p><p>pintadas na cor vermelha indicando "Saída de Emergência". A marcação deverá permitir</p><p>aos passageiros e tripulantes a identificação de todas as rotas de evacuação e a rápida</p><p>identificação das saídas.</p><p>Sistemas de Comunicação e Alarme Geral de Emergência</p><p>a) Deverá haver a bordo das embarcações um Sistema de Comunicação Interior</p><p>de emergência constituído de material fixo ou portátil (ou dos dois tipos), para</p><p>comunicação bilateral entre as estações de controle de emergência, postos de reunião</p><p>e estações de embarque.</p><p>b) Deverá ser provido um sistema de alarme geral de emergência satisfazendo</p><p>as prescrições abaixo, que será usado para chamar os passageiros e a tripulação para os</p><p>postos de reunião e para iniciar as operações indicadas nas tabelas de postos. Este</p><p>sistema será complementado por um sistema de alto-falantes ou por outros meios de</p><p>comunicação adequados.</p><p>c) O Sistema de alarme de emergência deverá poder soar o sinal de alarme geral</p><p>de emergência, consistindo de sete ou mais sons curtos, seguidos de um som longo</p><p>produzidos pelo apito ou sinete do navio, além de um sino ou buzina operada</p><p>eletricamente, ou outro sistema equivalente de alarme, que será alimentado pela fonte</p><p>de alimentação de energia principal e de emergência do navio. O sistema deverá poder</p><p>141</p><p>ser operado do passadiço e, com exceção do apito do navio, também de outros pontos</p><p>estratégicos. O sistema deverá ser audível em todas as acomodações e em todos os</p><p>espaços em que normalmente a tripulação trabalha e no convés aberto.</p><p>Os materiais salva-vidas deverão ser marcados com letras romanas maiúsculas,</p><p>com tinta à prova d'água, com o nome da embarcação e do porto de inscrição ao qual</p><p>pertence.</p><p>Os equipamentos deverão também possuir as marcações seguintes: inscrições</p><p>referentes ao n° do Certificado de Homologação, nome do fabricante, modelo, classe,</p><p>n° de série e data de fabricação.</p><p>142</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDRADE, G. F. - Noções básicas de primeiros socorros – UFRRJ -RJ – 2020</p><p>BRASIL. Decreto nº 2596, de 18 de maio de 1998. RELESTA. Dispõe sobre a segurança do</p><p>tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.537, de 11 de dezembro de 1997. LESTA. Dispõe sobre a segurança do</p><p>tráfego aquaviário em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.966, de 28 de abril de 2000. Dispõe sobre a prevenção, o controle e a</p><p>fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias nocivas</p><p>ou perigosas em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências.</p><p>BRASIL. Ministério da Defesa. Marinha do Brasil. Diretoria de Portos e Costas. Norma da</p><p>Autoridade Marítima nº 4 (NORMAM 04).</p><p>CARDOSO, T. A. O. – Manual de Primeiros socorros – Fundação Oswaldo Cruz – RJ - 2003</p><p>CHIBINSKI, M. – Introdução a Segurança do Trabalho – IFPR – PR - 2011</p><p>DA CUNHA E SILVA, I. C. - Técnicas básicas de sobrevivência no mar e seus principais</p><p>equipamentos – CIAGA – RJ – 2015</p><p>DPC – Prevenção Da Poluição No Meio Ambiente – 2003</p><p>FALCK SAFETY SERVICES - Curso Básico de Segurança de Plataforma – Macaé – RJ – 2018</p><p>FLORES, B. C. et al. – Fundamentos de combate a incêndio - Corpo de Bombeiros Militar</p><p>do Estado de Goiás – Go, 2016.</p><p>GAZOLA, V. A. – Primeiros socorros – Notas de aula - 2022</p><p>MARINHA DO BRASIL – Manual de sobrevivência no mar – CAAML – RJ – 2018</p><p>OLIVEIRA, A. D. L. et al. – Prevenção e combate a incêndio - Centro de ensino e instrução</p><p>de bombeiros – ES – 2020</p><p>PMESP – Coletânea de manuais técnicos de bombeiros – Manual de combate a incêndios</p><p>em instalações portuárias e embarcações – SP – 2006</p><p>143</p><p>PROCEDURES FOR PORT STATE CONTROL, IMO - 2019</p><p>SANTOS, M. M. – Prevenção e combate a incêndio – DPC – RJ – 2013</p><p>SILVA, D. B. – Relações Interpessoais e Responsabilidades Sociais – DPC – RJ – 2013</p><p>SILVEIRA RODRIGUES, V. I. - Sobrevivência em alto mar: salvatagem e naufrágios – CIAGA</p><p>– RJ – 2015</p><p>SIMIANO, L. F. e Baumel, L. F., – Manual de prevenção e combate a princípios de incêndio</p><p>– Curso de Formação de Brigadistas Escolares – PR – 2013</p><p>sistema de monitoramento e controle</p><p>da descarga de óleo e equipamento de filtragem de óleo.</p><p>A legislação que regulamenta a poluição das águas por embarcações é conhecida</p><p>pela sigla MARPOL 73/78. É a Convenção Internacional para Prevenção da Poluição por</p><p>Navios, composta por seis anexos:</p><p>I – Poluição por óleo</p><p>II – Por substâncias líquidas nocivas a granel</p><p>III – Por substâncias perigosas transportadas embaladas</p><p>IV – Por esgoto</p><p>V – Lixo</p><p>VI – Por ar atmosférico (em vigor desde 2002)</p><p>No combate à poluição, os treinamentos periódicos a bordo são a única forma</p><p>de manter e aprimorar o nível operacional e de segurança de uma tripulação. O</p><p>tripulante sabendo o que deve fazer, melhorando sua familiarização e capacitação</p><p>individual por meio do treinamento e exercícios conjuntos. Treinar para aprimorar</p><p>sempre.</p><p>16</p><p>2 PRIMEIROS SOCORROS</p><p>Primeiros Socorros são os cuidados iniciais que devem ser prestados</p><p>rapidamente a uma pessoa, vítima de acidentes ou de mal súbito, cujo estado físico põe</p><p>em perigo a sua vida, com o fim de manter as funções vitais e evitar o agravamento de</p><p>suas condições, aplicando medidas e procedimentos até a chegada de assistência</p><p>qualificada.</p><p>Qualquer pessoa treinada poderá prestar os Primeiros Socorros, conduzindo-se</p><p>com serenidade, compreensão e confiança.</p><p>Lembramos que a função de quem está fazendo o socorro é:</p><p>1. Contatar o serviço de atendimento emergencial especializado.</p><p>2. Fazer o que deve ser feito no momento certo, a fim de:</p><p>a. Salvar uma vida</p><p>b. Prevenir danos maiores</p><p>3. Manter o acidentado vivo até a chegada deste atendimento.</p><p>4. Manter a calma e a serenidade frente a situação inspirando confiança.</p><p>5. Aplicar calmamente os procedimentos de primeiros socorros ao acidentado.</p><p>6. Impedir que testemunhas removam ou manuseiem o acidentado, afastando-</p><p>as do local do acidente, evitando assim causar o chamado "segundo trauma”.</p><p>7. Ser o elemento de ligação das informações para o serviço de atendimento</p><p>emergencial.</p><p>8. Agir somente até o ponto de seu conhecimento e técnica de atendimento.</p><p>Saber avaliar seus limites físicos e de conhecimento. Não tentar transportar um</p><p>acidentado ou medicá-lo.</p><p>17</p><p>Abordagem inicial à vítima</p><p>É primordial que o trabalhador atente para a preservação de sua segurança,</p><p>neste momento, não colocando a sua própria vida em risco. Manter a calma é essencial</p><p>para que as ações realizadas tenham êxito.</p><p>No atendimento inicial a qualquer indivíduo com danos à saúde, indicam-se as</p><p>etapas seguintes como forma de proporcionar segurança na adequação de ações a</p><p>serem empregadas, e que também conferirão ao indivíduo uma visão geral do quadro</p><p>encontrado:</p><p> Avaliação da cena.</p><p> Avaliação do Nível de Consciência (AVI).</p><p> Pedido de ajuda.</p><p> Avaliação da circulação (C).</p><p> Avaliação das vias aéreas (A).</p><p> Avaliação da respiração (B)</p><p>Avaliação da cena</p><p>Consiste na primeira etapa básica na prestação dos primeiros socorros. Ao</p><p>chegar no local do acidente, seja em casa ou no local de trabalho, assuma o controle da</p><p>situação e proceda a uma rápida e segura avaliação da ocorrência.</p><p> Peça ajuda dos serviços especializados em emergências.</p><p> Obtenha o máximo de informações possíveis sobre o ocorrido.</p><p> Evite o pânico.</p><p> Mantenha afastados os curiosos para evitar confusão e ter espaço para</p><p>trabalhar.</p><p> Observe rapidamente se existem perigos para o acidentado e para quem</p><p>estiver prestando o socorro nas proximidades da ocorrência, como, por</p><p>exemplo: fios elétricos soltos e desencapados; tráfego de veículos;</p><p>andaimes; vazamento de gás, etc.</p><p> Identifique pessoas que possam ajudar, dando ordens breves, claras,</p><p>objetivas e concisas.</p><p>18</p><p> Não altere a posição em que se encontra o acidentado, somente, no caso</p><p>de risco de vida para ele ou para o socorrista. Ex: risco de explosão,</p><p>estrada perigosa onde não haja como sinalizar.</p><p> Tranquilize o acidentado e transmita-lhe segurança e conforto.</p><p> A calma do acidentado desempenha um papel muito importante na</p><p>prestação dos primeiros socorros.</p><p>Avaliação do nível de consciência (AVI)</p><p>Consiste na 2ª etapa básica na prestação dos primeiros socorros. Ela permite o</p><p>início imediato das manobras de reanimação e o acionamento do serviço de urgência e</p><p>emergência.</p><p>Deve ser realizada em qualquer situação de urgência.</p><p>A vítima está consciente?</p><p> Toque-a no ombro com delicadeza</p><p> Fale alto perto do ouvido da vítima “posso ajudar?”</p><p>A vítima responde a estímulo verbal? Apresenta pulso? Está respirando? A via</p><p>aérea está desobstruída?</p><p>O exame deve ser rápido e sistemático, observando as seguintes prioridades:</p><p> Estado de consciência: avaliação de respostas lógicas (nome, idade, etc).</p><p> Respiração: movimentos torácicos e abdominais com entrada e saída de</p><p>ar normalmente pelas narinas ou boca.</p><p> Hemorragia: avaliar a quantidade, o volume e a qualidade do sangue que</p><p>se perde.</p><p> Pupilas: verificar o estado de dilatação e simetria (igualdade entre as</p><p>pupilas).</p><p> Temperatura do corpo: observação e sensação de tato na face e</p><p>extremidades.</p><p>19</p><p>Pedido de Ajuda</p><p>O acionamento do socorro deve ser realizado em todas as circunstâncias em que</p><p>se constate danos à saúde de um indivíduo em seu local de trabalho, rua ou em sua</p><p>residência, seja este dano de pequena, média ou grande severidade.</p><p>Caso esteja sozinho, deve-se deixar a vítima e acionar o socorro especializado</p><p>primeiramente, antes de implementar qualquer tipo de cuidado inicial.</p><p>Ao acionar o Sistema de Urgência/Emergência é importante informar:</p><p> o tipo de emergência;</p><p> o número de vítimas;</p><p> o local do evento, com pontos de referência;</p><p> o melhor acesso ao local.</p><p>Avaliação da vítima</p><p>Novas diretrizes para a abordagem inicial da vítima foram traçadas pela</p><p>American Heart Association (AHA) em 2010, que reformularam a sequência de</p><p>intervenções.</p><p>A reformulação do ABC embasou-se na necessidade de brecar o retardamento</p><p>da aplicação das compressões torácicas. Com a aplicação do C-A-B, as compressões</p><p>torácicas serão iniciadas mais cedo e o atraso na ventilação será mínimo, conferindo,</p><p>desse modo, qualidade a Ressuscitação Cardiopulmonar (RCP).</p><p>De maneira resumida, as novas diretrizes da American Heart Association (AHA)</p><p>(2015) preconizam a seguinte sequência:</p><p>1. Massagem cardíaca;</p><p>2. Desobstrução de vias aérea;</p><p>3. Boa ventilação</p><p>20</p><p>Circulação (C)</p><p>Após as verificações primárias – cena e AVI – com a constatação da inconsciência</p><p>da vítima, deve-se verificar o pulso radial da vítima.</p><p>Sua execução consiste em: utilizar o dedo médio e o indicador para palpar</p><p>durante 5 a 10 segundos a artéria radial do indivíduo, localizada no antebraço, na altura</p><p>do punho em linha com o dedo polegar. Caso haja ausência de pulso na vítima, o</p><p>socorrista estará se deparando com uma situação de Parada Cardiorrespiratória (PCR).</p><p>A verificação de circulação poderá ser feita também pelo pulso carotídeo da</p><p>vítima, devendo durar de 5 a 10 segundos também. O procedimento consiste em:</p><p> Estender o pescoço da vítima e posicionar os dedos indicador e médio</p><p>sobre a proeminência laríngea. Faça então deslizar lateralmente a ponta</p><p>dos dois dedos executando uma leve pressão sobre o pescoço até que se</p><p>perceba a pulsação.</p><p>Em situações de emergência deve ser tomado sempre o pulso central (pulso</p><p>carotídeo), uma vez que este não desaparece em condições de baixa pressão sanguínea.</p><p>Caso haja dificuldade ou dúvida da presença de pulso, deverá avaliar a presença</p><p>de sinais de Circulação, também conhecidos como Sinais Vitais. Se algum desses sinais</p><p>estiver presente, a vítima possui circulação.</p><p>Fonte: https://semioclin.files.wordpress.com/2017/03/pulso-e-frequc3aancia-cardc3adaca.pdf</p><p>21</p><p>Sinais Vitais</p><p>Sinais vitais são aqueles que indicam a existência de vida. Consistem em reflexos</p><p>ou indícios que permitem concluir sobre o estado geral de uma pessoa.</p><p>Os sinais sobre o funcionamento do corpo humano que devem ser</p><p>compreendidos e conhecidos são:</p><p> Temperatura;</p><p> Pulso;</p><p> Respiração;</p><p> Pressão arterial.</p><p>Eles podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na ausência</p><p>deles, existem alterações nas funções vitais do corpo.</p><p>Abertura das vias aéreas (A) – Avaliação das vias aéreas</p><p>A desobstrução das vias aéreas é feita pela manobra de inclinação da cabeça e</p><p>elevação do queixo. Esse processo corrige a principal causa de obstrução de vias aéreas</p><p>em indivíduos inconscientes, não vítimas de trauma: a queda de língua.</p><p>Esta ocorre quando o músculo da língua, por ausência do controle do tônus,</p><p>retrai, ficando sobre a epiglote, fechando a glote e, assim, obstruindo a passagem de ar</p><p>para a traqueia do indivíduo, o caminho dos pulmões.</p><p>Fonte: https://s3.sa-east-</p><p>1.amazonaws.com/medcel.admin/pedagogical/books/TOUR_CIRURGIA_GERAL_VOLUME_202018.pdf</p><p>22</p><p>Para executar a manobra, deve-se:</p><p> Colocar uma das mãos na fronte da vítima e a utilizar para inclinar a</p><p>cabeça para trás;</p><p> Deslocar a mandíbula para a frente com os dedos da outra mão colocada</p><p>no queixo da vítima.</p><p>Boa Ventilação (B) – Avaliação da Respiração</p><p>A respiração da vítima é verificada rapidamente, por cerca de 10 segundos, como</p><p>parte da constatação da Parada Cardiorrespiratória (PCR).</p><p>Essa nova sequência CAB recomendada pela American Heart Association (AHA)</p><p>eliminou o procedimento de “ver, ouvir e sentir”, conferindo assim agilidade para</p><p>execução do Suporte básico de vida (SBV).</p><p>Nesse momento, avalia-se a qualidade da ventilação da vítima, e para isso o</p><p>trabalhador pode utilizar como parâmetro a própria respiração.</p><p>Se a vítima não estiver ventilando — ausência de respiração —, deve-se ventilar</p><p>duas vezes com a utilização do sistema boca-máscara (pocket mask).</p><p>Dessa forma, a ventilação é realizada com a máscara de ventilação que formará</p><p>uma barreira, por meio do filtro de ar existente em sua estrutura.</p><p>É importante informar que a respiração boca a boca não é mais utilizada devido</p><p>aos riscos de contaminação por agentes patogênicos, de transmissão indivíduo a</p><p>indivíduo.</p><p>Se o profissional não possuir máscara de bolso ou não se sentir preparado para</p><p>aplicar as ventilações, ele pode realizar as compressões contínuas de 100 a 120 por</p><p>minuto.</p><p>Na utilização do sistema bolsa-máscara, deve-se seguir os seguintes</p><p>procedimentos adiante, objetivando uma ventilação eficaz do indivíduo:</p><p> Ajoelhar-se atrás ou ao lado da vítima;</p><p> Aplicar a máscara que deverá cobrir a boca e o nariz da vítima;</p><p>23</p><p> Utilizar os polegares e indicadores de ambas as mãos para fixar a máscara</p><p>na face da vítima, enquanto o terceiro, quarto e quinto dedos elevam a</p><p>mandíbula, mantendo a abertura das vias aéreas ou empregar o polegar</p><p>e o indicador de uma das mãos para fixar a máscara e elevar o queixo,</p><p>enquanto emprega o polegar e o indicador da outra mão para fixar a</p><p>máscara na face e inclinar a cabeça;</p><p> Ventilar através da máscara por duas vezes, observando a expansão do</p><p>tórax da vítima.</p><p>Fonte: https://www.medicalexpo.com/pt/prod/laerdal-medical/product-74988-476389.html</p><p>Parada Cardiorrespiratória (PCR)</p><p>A cadeia de sobrevivência corresponde à sequência básica de ações a serem</p><p>executadas por qualquer indivíduo que presencie uma situação de</p><p>urgência/emergência, seja na sua residência, no local de trabalho ou fora dele.</p><p>Etapas:</p><p>● Reconhecimento imediato da Parada Cardiorrespiratória (PCR) e acionamento</p><p>do Serviço de Emergência/Urgência;</p><p>● A Reanimação cardiopulmonar precoce, com ênfase nas compressões</p><p>torácicas;</p><p>24</p><p>● Rápida desfibrilação com uso do desfibrilador externo automático (DEA);</p><p>● Suporte Avançado de vida eficaz;</p><p>Trata-se da condição em que a vítima deixa de realizar as incursões respiratórias</p><p>(inspirar e expirar), os pulmões deixam de realizar as trocas gasosas (entrada de oxigênio</p><p>e saída de gás carbônico) e o coração deixa de realizar sua função de bombeamento do</p><p>sangue para o corpo. Então, cessa a chegada de sangue com oxigênio aos tecidos,</p><p>podendo ocasionar danos aos órgãos vitais, como o cérebro e o próprio coração.</p><p>A PCR é reversível se houver atendimento rápido, especialmente na forma do</p><p>Suporte Básico de Vida (SBV) prestado por aquele que presenciou o acidente ou que</p><p>primeiro encontrou a vítima.</p><p>A identificação e os primeiros atendimentos devem ser iniciados dentro de um</p><p>período de, no máximo, 4 minutos, a partir da ocorrência, pois os centros vitais do</p><p>sistema nervoso ainda continuam em atividade.</p><p>A maioria das paradas cardiorrespiratórias em adultos é decorrente de uma</p><p>alteração do ritmo cardíaco, denominada fibrilação ventricular.</p><p>O único tratamento para essa alteração é a desfibrilação, que consiste em uma</p><p>descarga elétrica aplicada no coração na tentativa de fazê-lo retornar a seu ritmo</p><p>normal.</p><p>Reanimação Cardiorrespiratória (RCP)</p><p>A RCP é a associação das técnicas de abertura das vias respiratórias, ventilação e</p><p>compressão torácica, e constitui as medidas iniciais para manutenção da vida do</p><p>indivíduo em PCR. A aplicação da RCP deverá ser realizada após o reconhecimento eficaz</p><p>da PCR, por meio da verificação da respiração e da pulsação da vítima.</p><p>Se tiver dúvida da ocorrência de PCR, é recomendável realizar o procedimento</p><p>de ventilação passiva (respirações de resgate - uma respiração a cada 5-6 segundos) do</p><p>indivíduo por duas vezes.</p><p>25</p><p>A RCP deverá ser realizada na forma de ciclos. Cada ciclo corresponde a duas</p><p>ventilações e 30 compressões torácicas. E, cada ventilação, precisa ter duração de um</p><p>segundo.</p><p>Para ventilar um paciente em PCR existem três (3) formas: boca a boca;</p><p>dispositivo Válvula Máscara (Pocket-Mask); dispositivo Bolsa-Válvula-Máscara (AMBU).</p><p>Depende do que estiver disponível no local.</p><p>As compressões torácicas deverão ter frequência de 100 a 120/min. Serão</p><p>realizados cinco ciclos sequenciais, o que corresponde a dois minutos de RCP.</p><p>De modo geral, função da RCP não é despertar a vítima, mas estimular a</p><p>oxigenação e a circulação do sangue até que seja iniciado o tratamento definitivo.</p><p>Técnica de compressões torácicas em adultos</p><p>1. O trabalhador deve posicionar-se de joelhos, formando boa base, ao lado da</p><p>vítima e localizar o esterno situado entre os dois mamilos (linha intermamilar).</p><p>2. Apoiar a palma de uma das mãos sobre a metade inferior do esterno, devendo</p><p>o eixo mais longo da mão acompanhar o eixo longo do esterno.</p><p>3. Colocar a outra mão sobre a primeira, com os dedos estendidos ou</p><p>entrelaçados, mas que não devem ficar em contato com o esterno.</p><p>4. Manter os braços esticados, com os ombros diretamente sobre as mãos,</p><p>efetuando a compressão sobre o esterno da vítima.</p><p>5. A força da compressão deve ser provida pelo peso do tronco e não pela força</p><p>dos braços, o que causa rapidamente cansaço.</p><p>6. O esterno deve ser comprimido cerca de 1/3 à metade de sua profundidade</p><p>para o adulto normal (cerca de 5 cm).</p><p>7. A compressão deve ser aliviada completamente sem que o socorrista retire</p><p>suas mãos do tórax da vítima.</p><p>26</p><p>Fonte: https://slideplayer.com.br/slide/13402048/</p><p>É o método efetivo de ressuscitação cardíaca que consiste em aplicações rítmicas</p><p>de pressão sobre o terço inferior do esterno. Ela deverá ser utilizada a partir do</p><p>momento que o socorrista não sentir o pulso da vítima, na etapa C – Circulação da</p><p>sequência CAB da vida.</p><p>Uma dica para ter o ritmo necessário para realizar de 100 a 120 compressões por</p><p>minuto, é realizar as compressões no ritmo de algumas músicas, como Stayin’ Alive dos</p><p>Bee Gees ou Another one Bites the Dust do Queen que possuem um ritmo de 110bpm.</p><p>A execução da RCP deve ser parada, somente, diante:</p><p> Chegada do suporte especializado</p><p> Ordem médica</p><p> Cansaço extremo do socorrista</p><p> Presença de sinais de vida na vítima</p><p>Existem outras alterações ou quadro clínicos que, se não socorridos</p><p>a tempo,</p><p>podem levar a vítima a ter consequências graves ou até a morte.</p><p>Aqui, abordaremos também, as principais Emergências clínicas e Traumáticas</p><p>mais recorrentes, suas características gerais e orientações básicas sobre os primeiros</p><p>socorros que deverão ser realizados, sendo elas:</p><p>Obstrução das vias aéreas</p><p>Ocorre mais frequentemente em crianças, idosos e indivíduos sem dentição,</p><p>devido a pedaços de alimentos e objetos pequenos que ficam detidos em alguma</p><p>localidade das vias aéreas, impedindo a passagem do ar para os pulmões. É de</p><p>27</p><p>fundamental importância para que se tenha sucesso na ajuda a indivíduos que</p><p>apresentem obstrução de vias aéreas a identificação do tipo de obstrução ocorrida.</p><p>A obstrução pode ser parcial ou total.</p><p>Na obstrução parcial, o indivíduo apresenta tosse ineficaz, ainda há ruídos</p><p>respiratórios e agudos; o indivíduo apresenta sensação de sufocamento.</p><p>Enquanto na obstrução total, a vítima fica em apneia (ausência de respiração),</p><p>ocorre cianose, ausência de ruídos respiratórios e resulta em inconsciência. Caso a</p><p>vítima não for socorrida a tempo ela poderá evoluir para PCR.</p><p>Em caso de obstrução parcial, deve-se acalmar a vítima, estimular a tosse, retirar</p><p>roupas apertadas que dificultam a respiração como golas e gravatas, bem como solicitar</p><p>socorro especializado.</p><p>Já no caso de obstrução total, deve-se solicitar ajuda especializada e iniciar a</p><p>técnica de desobstrução, chamada Manobra de Heimlich.</p><p>Fonte: https://anatomiadeumaleitora.com/2022/04/14/manobra-de-heimlich-passo-a-passo-</p><p>de-como-fazer/</p><p>Essa técnica objetiva a expulsão do corpo estranho através da eliminação do ar</p><p>residual dos pulmões, criando uma espécie de tosse artificial.</p><p>Passo a Passo - Manobra de Heimlich</p><p> Com a vítima consciente (em pé), o socorrista deve se posicionar atrás</p><p>dela, formando base com os pés e colocando uma de suas pernas entre</p><p>as pernas da vítima.</p><p>28</p><p> Abraça-se a vítima por trás, com os braços na altura do ponto entre a</p><p>cicatriz umbilical e o apêndice xifoide. Com as mãos em contato com o</p><p>abdômen da vítima, punho fechado e polegar voltado para dentro, serão</p><p>realizadas compressões abdominais sucessivas direcionadas para cima,</p><p>até desobstruir a via aérea ou a vítima perder a consciência.</p><p> Com a vítima inconsciente (deitada), o trabalhador deve inspecionar sua</p><p>boca, removendo o corpo caso seja visível; em seguida realizar duas</p><p>ventilações, com duração de um segundo cada; posicionar-se de joelhos</p><p>ao lado da vítima; realizar 30 compressões torácicas.</p><p> Segue-se a verificação da boca e realiza-se esta sequência (ciclo) até que</p><p>ocorra a desobstrução ou até a chegada do socorro especializado.</p><p>Convulsão</p><p>É a perda súbita da consciência acompanhada de contrações musculares bruscas</p><p>e involuntárias.</p><p>Entre as principais causas estão: Epilepsia, exposição a agentes químicos de</p><p>poder convulsígeno (inseticidas clorados e o óxido de etileno), hipoglicemia, overdose</p><p>de cocaína, abstinência alcoólica ou de outras drogas, meningite, lesões cerebrais</p><p>(tumores, AVE, TCE) e febre alta.</p><p>Os procedimentos a serem realizados são:</p><p> Avaliar a segurança da cena;</p><p> Procurar sinais de consumo de drogas ou envenenamentos;</p><p> Aplicar medidas de bioproteção;</p><p> Verificar Nível de Consciência da Vítima (AVI);</p><p> Proteger a cabeça da vítima, colocando um apoio macio</p><p> Não impedir os movimentos da vítima, não segure ou a agarre.</p><p> Não coloque a mão dentro da boca da vítima (inconscientemente a</p><p>pessoa poderá mordê-lo).</p><p> Posicione o indivíduo de lado para que o excesso de saliva, vômito ou</p><p>sangue escorra da boca, evitando broncoaspiração.</p><p>29</p><p>Atenção: Nunca tente introduzir objetos na boca da vítima durante a crise</p><p>convulsiva</p><p>Técnica de lateralização</p><p>A Posição Lateral de Segurança deve ser usada para manter a vítima em</p><p>segurança até à chegada da ajuda médica e, por isso, só pode ser feita em pessoas que</p><p>estão inconscientes, mas respirando.</p><p>Por meio dela, é possível garantir que a língua não caia sobre a garganta</p><p>obstruindo a respiração, assim como também prevenir que possíveis vômitos possam</p><p>ser engolidos e aspirados para o pulmão, causando pneumonia ou asfixia.</p><p>Sua sequência consiste em:</p><p> Colocar uma das mãos da vítima embaixo do próprio corpo.</p><p> Dobrar um dos joelhos da vítima, mantendo-o seguro com uma das mãos.</p><p> Colocar a outra mão da vítima embaixo do próprio pescoço, mantendo</p><p>uma das mãos sob o pescoço dela.</p><p> Segurar a vítima pelo joelho dobrado e pelo pescoço, lateralizando-a em</p><p>sua direção.</p><p> Posicionar a mão da vítima que estava sob seu próprio pescoço,</p><p>espalmada sob o rosto dela, a fim de evitar sufocamento por eventual</p><p>vômito.</p><p> Posicionar o braço da vítima, que se encontrava sob seu próprio corpo,</p><p>agora esticado ao lado dela.</p><p>Fonte: https://www.tuasaude.com/posicao-lateral-de-seguranca/</p><p>30</p><p>Desmaio</p><p>É a perda súbita, temporária e repentina da consciência, devido à diminuição de</p><p>sangue e oxigênio no cérebro. Automaticamente o cérebro reage com falta de força</p><p>muscular, queda do corpo e perda de consciência.</p><p>Condutas a serem seguidas:</p><p> Se a vítima estiver acordada (consciente)</p><p> Sentá-la em uma cadeira, ou outro local semelhante.</p><p> Curvá-la para frente.</p><p> Baixar a cabeça do acidentado, colocando-a entre as pernas e</p><p>pressionar a cabeça para baixo.</p><p> Manter a cabeça mais baixa que os joelhos.</p><p> Fazê-la respirar profundamente, até que passe o mal-estar.</p><p>Fonte: https://www.carajas.org/wiki/index.php/Desmaios</p><p> Havendo o desmaio:</p><p> Manter o acidentado deitado, colocando sua cabeça e ombros em</p><p>posição mais baixa em relação ao resto do corpo.</p><p> Afrouxe sua roupa.</p><p> Se houver vômito, lateralize a cabeça, para evitar sufocamento.</p><p> Se o desmaio durar mais que dois minutos agasalhar a vítima e</p><p>chame o socorro especializado.</p><p>31</p><p>Fonte: https://www.istockphoto.com/br/vetor/ilustracao-em-vetor-de-um-</p><p>desmaio-em-choque-e-de-primeiros-socorros-gm653031054-118791929</p><p>Queimaduras</p><p>É toda lesão produzida no tecido de revestimento do organismo, por agentes</p><p>térmicos, elétricos, produtos químicos, radiação ionizante, animais (água-viva) e plantas</p><p>(urtiga), entre outros.</p><p>O fogo é o principal agente das queimaduras, embora as produzidas pela</p><p>eletricidade sejam as mais graves. A dor na queimadura é resultante do contato das</p><p>terminações nervosas, expostas pela lesão, com o ar.</p><p>Os agentes causadores de queimaduras podem ser:</p><p> Físicos:</p><p>● Temperatura: vapor, objetos aquecidos, água quente, chama etc.</p><p>● Eletricidade: corrente elétrica, raio etc.</p><p>● Radiação: sol, aparelhos de raios X, raios ultravioletas, nucleares etc.</p><p> Químicos:</p><p> Produtos químicos: ácidos, bases, álcool, gasolina etc.</p><p> Biológicos:</p><p> Animais: lagarta-de-fogo, água-viva, medusa etc.</p><p>Quanto à profundidade, as queimaduras podem ser:</p><p> Primeiro grau: Só atinge a epiderme ou a pele (causa vermelhidão).</p><p>32</p><p> Segundo grau: Atinge toda a epiderme e parte da derme (forma</p><p>bolhas).</p><p> Terceiro grau: Atinge toda a epiderme, a derme e outros tecidos mais</p><p>profundos, podendo chegar até os ossos. Surge a cor preta, devido à</p><p>carbonização dos tecidos.</p><p>Na prática, é difícil de distinguirmos queimaduras de segundo e terceiro graus.</p><p>Além disto, uma mesma pessoa pode apresentar os três graus de queimaduras, no</p><p>entanto, a gravidade do quadro não reside no grau da lesão, e sim na extensão da</p><p>superfície atingida.</p><p>Quanto à extensão ou severidade, as queimaduras podem ser:</p><p> Baixa - menos de 15% da superfície corporal atingida;</p><p> Média – entre 15 e menos de 40% da pele coberta;</p><p> Alta – mais de 40% do corpo queimado.</p><p>O grau de mortalidade das queimaduras está relacionado com a profundidade e</p><p>extensão da lesão e com a idade do acidentado. Queimaduras que atinjam 50% da</p><p>superfície do corpo são geralmente fatais, especialmente em crianças e em pessoas</p><p>idosas.</p><p>Quanto</p><p>maior a extensão da queimadura, maior é o risco que corre o acidentado.</p><p>Os cuidados aos queimados devem ter as seguintes recomendações:</p><p>1. Retirar a vítima do contato com a causa da queimadura:</p><p> Em caso de vestes pegando fogo não permita que pessoa corra, pois pode</p><p>aumentar as chamas, apague o fogo, abafando com um cobertor ou</p><p>simplesmente rolando o acidentado no chão;</p><p> Verificar o nível de consciência, a respiração e o batimento cardíaco da</p><p>vítima.</p><p> Retirar a roupa do acidentado, se ela ainda contiver parte da substância</p><p>que causou a queimadura;</p><p>33</p><p> Em queimaduras de pequena extensão: lavar a área queimada com</p><p>bastante água corrente, em jato suave, por aproximadamente, 10 (dez)</p><p>minutos;</p><p> Em caso de queimaduras extensas, colocar a vítima debaixo do chuveiro</p><p>durante 30 minutos. Após este período, retire as roupas molhadas e</p><p>proteja seu corpo com um lençol ou pano limpo.</p><p>2. Aliviar a dor e prevenir infecção no local da queimadura:</p><p> Não romper as bolhas. Se as bolhas estiverem rompidas, não as colocar</p><p>em contato com a água;</p><p> Não utilizar água em queimaduras provocadas por pó químico, pois este</p><p>pode se espalhar para outras localidades e produzir novas queimaduras;</p><p> Não retirar as roupas queimadas que estiverem aderidas à pele;</p><p> Não aplicar pomadas, líquidos, cremes, manteiga, pó de café, creme</p><p>dental ou outras substâncias sobre a queimadura, pois podem complicar</p><p>o tratamento e necessitam de prescrição medicamentosa;</p><p> Não oferecer água a vítimas com mais de 20% da superfície corporal</p><p>atingida;</p><p> Não aplicar gelo sobre a queimadura. O gelo poderá agravar mais a</p><p>queimadura;</p><p> Encaminhar, o mais rápido possível, a vítima para o cuidado e</p><p>atendimento especializados.</p><p>Choque Elétrico</p><p>São abalos musculares causados pela passagem de corrente elétrica pelo corpo</p><p>humano. Os danos ao corpo humano são causados pela conversão da energia elétrica</p><p>em calor durante a passagem da eletricidade.</p><p>A gravidade depende de: tipos de corrente, resistência, duração do contato,</p><p>magnitude da energia aplicada e caminho percorrido pela corrente elétrica.</p><p>34</p><p>A partir de 50 volts, o corpo humano já sente os efeitos de uma descarga elétrica,</p><p>ou seja, um choque acima desse valor pode ser fatal, dependendo do caminho que ele</p><p>percorra no corpo e a sua duração.</p><p>As principais consequências decorrentes do choque elétrico são:</p><p> parada cardiorrespiratória;</p><p> queimaduras.</p><p>As condutas a serem realizadas quando ocorrem acidentes com choque elétrico</p><p>são:</p><p> Antes de iniciar qualquer procedimento, ligue para o atendimento</p><p>especializado.</p><p> Avaliar a segurança da cena;</p><p> Desligar a fonte de energia;</p><p> Se possível, interromper o contato da vítima com a fonte de eletricidade;</p><p> Realizar o CAB da vida;</p><p>Em caso de queimadura, proceder como indicado anteriormente.</p><p>Principais lesões traumato-ortopédicas e suas consequências</p><p>Aqui serão apresentados os principais tipos de lesões traumato-ortopédicas mais</p><p>recorrentes, suas consequências e as condutas adequadas que deverão ser tomadas</p><p>para cada um deles. Essas condutas objetivam, principalmente, impedir o agravamento</p><p>da lesão, mas também amenizar a dor causada à vítima.</p><p>A maioria das lesões traumato-ortopédicas não apresenta muita gravidade.</p><p>Porém, todas elas são extremamente dolorosas, desde as mais simples entorses até as</p><p>fraturas expostas com hemorragia.</p><p>Todo acidentado de lesão traumato-ortopédica necessita obrigatoriamente de</p><p>atendimento médico especializado.</p><p>35</p><p>Entorses</p><p>São lesões dos ligamentos das articulações, onde estes esticam além de sua</p><p>amplitude normal, rompendo-se. Quando a entorse acontece há uma distensão dos</p><p>ligamentos, mas não há o deslocamento completo dos ossos da articulação.</p><p>As causas mais comuns da entorse são violências como puxões ou rotações, as</p><p>quais forçam a articulação. Os locais mais recorrentes onde ocorrem são as articulações</p><p>do tornozelo, ombro, joelho, punho e dedos.</p><p>As condutas que deverão ser tomadas:</p><p> Aplicar bolsa térmica de gelo ou de água gelada na região afetada para</p><p>diminuir o edema e a dor, durante as primeiras 24 horas, lembrando de</p><p>colocar uma compressa (pano limpo) protegendo a pele do local de</p><p>aplicação térmica; após este tempo aplicar compressas mornas.</p><p> Se houver alguma ferida no local da entorse, agir conforme o ferimento:</p><p>cobrir com compressa seca e limpa.</p><p> Imobilizar a área afetada antes de remover a vítima.</p><p> O enfaixamento de qualquer membro ou região afetada deve ser firme,</p><p>mas sem compressão excessiva, para prevenir insuficiência circulatória;</p><p> Encaminhar a vítima para o atendimento especializado, para avaliação e</p><p>tratamento.</p><p>Luxação</p><p>São lesões em que a extremidade de um dos ossos que compõem uma</p><p>articulação é deslocada do seu lugar.</p><p>Nas luxações, ocorre o deslocamento e perda de contato total ou parcial dos</p><p>ossos que compõe a articulação afetada. Os casos de luxação ocorrem geralmente</p><p>devido a traumatismos, por golpes indiretos ou movimentos articulares violentos,</p><p>porém, às vezes uma contração muscular é suficiente para causar a luxação. As</p><p>articulações mais atingidas são os ombros, cotovelos, dedos e a mandíbula.</p><p>Para identificar uma luxação deve-se observar as seguintes características:</p><p>36</p><p> Dor intensa no local afetado (a dor é muito maior que na entorse),</p><p>geralmente, afetando todo o membro cuja articulação foi atingida</p><p> Edema</p><p> Impotência funcional</p><p> Deformidade visível na articulação. Podendo apresentar um</p><p>encurtamento ou alongamento do membro afetado</p><p>Os cuidados iniciais que deverão ser tomados são:</p><p> Acionar o sistema de urgência adequado para atendimento à vítima.</p><p> O tratamento de uma luxação (redução), recolocação na posição</p><p>anatômica original, é atividade exclusiva de pessoal especializado em</p><p>atendimento a emergências traumato-ortopédicas.</p><p> Os primeiros socorros limitam-se à aplicação de bolsa de gelo ou</p><p>compressas frias no local afetado e à imobilização da articulação,</p><p>preparando o acidentado para o transporte.</p><p> O acidentado deverá ser mantido em repouso, na posição que lhe for</p><p>mais confortável, até a chegada de socorro especializado ou até que</p><p>possa ser realizado o transporte adequado para atendimento médico.</p><p> A imobilização ou enfaixamento das partes afetadas por luxação devem</p><p>ser feitas da mesma forma que se faz para os casos de entorse. A</p><p>manipulação das articulações deve ser cuidadosa, mínima e com extrema</p><p>delicadeza, levando sempre em consideração a dor intensa que o</p><p>acidentado estará sentindo.</p><p>Contusão</p><p>São lesões provocadas por golpes ou pancadas, em que não há presença de</p><p>ferimentos abertos, isto é, sem rompimento da pele. Porém, os vasos sanguíneos</p><p>adjacentes ao local lesionado são rompidos, ocorrendo derramamento de sangue no</p><p>tecido subcutâneo ou em camadas mais profundas.</p><p>37</p><p>Quando vasos maiores são lesados, o sangue extravasado produz uma</p><p>tumoração visível sob a pele, ocorrendo o hematoma. A mancha, inicialmente arroxeada</p><p>no local contundido, vai sendo absorvida lentamente até o desaparecimento completo.</p><p>Conduta:</p><p> Aplicação de bolsa térmica de gelo ou de água gelada nas primeiras 24</p><p>horas e repouso da parte lesada são suficientes.</p><p> Caso persistirem os sintomas de dor, inchaço e vermelhidão, procure o</p><p>ajuda especializada.</p><p>Fratura</p><p>Trata-se de uma interrupção na continuidade do osso.</p><p>Ocorre geralmente devido à queda, impacto ou movimento violento com esforço</p><p>maior que o osso pode suportar.</p><p>Suspeita-se de fratura ou lesões articulares quando houver:</p><p> Dor intensa no local e que aumente ao menor movimento.</p><p> Edema local.</p><p> Paralisia (lesão de nervos).</p><p> Crepitação ao movimentar (som parecido com o amassar de papel).</p><p> Hematoma (rompimento de vasos, com acúmulo de sangue no local) ou</p><p>equimose (mancha de coloração azulada na pele e que aparece horas</p><p>após a fratura).</p><p>As fraturas podem ser</p><p>classificadas em fechadas ou abertas.</p><p>Fratura Fechada ou Interna</p><p>São as fraturas nas quais os ossos quebrados permanecem no interior do</p><p>membro sem perfurar a pele. Poderá, entretanto, romper um vaso sanguíneo ou cortar</p><p>um nervo.</p><p>38</p><p>Fratura Aberta ou Exposta</p><p>São as fraturas em que os ossos quebrados saem do lugar, rompendo a pele e</p><p>deixando exposta uma de suas partes, que pode ser produzida pelos próprios</p><p>fragmentos ósseos ou por objetos penetrantes. Este tipo de fratura pode causar</p><p>infecções.</p><p>Cuidados:</p><p> Acionar o atendimento especializado o mais rápido possível.</p><p> Manter a estrutura afetada imóvel, evitando dessa forma piora da lesão</p><p>e aumento da dor da vítima.</p><p> Em caso de fraturas abertas, deve-se proteger o tecido exposto com</p><p>compressas ou panos limpos para evitar grandes perdas sanguíneas,</p><p>mantendo a estrutura imóvel.</p><p>Atenção: Nunca se deve tentar recolocar o osso fraturado de volta no seu eixo.</p><p>As manobras de redução de qualquer tipo de fratura só podem ser feitas por pessoal</p><p>médico especializado.</p><p>Hemorragias</p><p>É a perda de sangue devido ao rompimento de um vaso sanguíneo. Ela pode</p><p>ocorrer por meio de ferimentos em cavidades naturais como nariz, boca etc. Pode ser</p><p>também, interna, resultante de um traumatismo.</p><p>As hemorragias podem ser classificadas de acordo com:</p><p> O vaso sanguíneo atingido:</p><p> Arterial: Sangramento em jato, possuem a coloração vermelho</p><p>vivo, geralmente. É mais grave que o sangramento venoso.</p><p> Venoso: Sangramento contínuo e lento, geralmente de coloração</p><p>escura.</p><p> Capilar: Sangramento contínuo discreto.</p><p> Local para onde o sangue é derramado:</p><p>39</p><p> Externa: Sangramento de estruturas superficiais com</p><p>exteriorização do sangramento. Podem, geralmente, ser</p><p>controladas utilizando técnicas de cuidados iniciais.</p><p> Interna: Sangramento de estruturas profundas. As medidas</p><p>básicas de cuidados iniciais não funcionam.</p><p>Os sinais e sintomas variam conforme a quantidade de sangue perdida:</p><p> Perdas de até 15% (aproximadamente 750 ml em adultos): Geralmente</p><p>não causam alterações; o corpo consegue compensar; é o caso da doação</p><p>de sangue.</p><p> Perdas maiores que 15% e menores de 30% (aproximadamente 750 a</p><p>1.500 ml): Ansiedade, sede, taquicardia, pulso radial fraco, pele fria,</p><p>palidez, suor frio, taquipneia</p><p> Perdas acima de 30% (maiores que 1.500 ml): Levam ao choque</p><p>descompensado com redução da pressão arterial; alterações das funções</p><p>mentais, agitação, confusão, até inconsciência; sede intensa; pele fria;</p><p>palidez; suor frio; taquicardia; pulso radial ausente;</p><p>Quanto maior a quantidade de sangue perdida, mais graves serão as</p><p>hemorragias.</p><p>Principais Condutas a serem tomadas em caso de hemorragias externas:</p><p> Acione o sistema de urgência adequado, informando o local da lesão.</p><p> Aplique as medidas de bioproteção.</p><p> Coloque uma compressa ou um pano limpo sobre o local e comprima.</p><p> No caso de a hemorragia ser em mãos, braços, pés ou pernas, mantenha-</p><p>os elevados acima do coração.</p><p> Não eleve o segmento ferido se isso produzir dor ou se houver suspeita</p><p>de lesão interna como uma fratura.</p><p> Se a compressa ficar encharcada, coloque outra por cima sem retirar a</p><p>primeira.</p><p>40</p><p>Atenção: Não utilize quaisquer produtos sobre os ferimentos, tais como pó de</p><p>café ou açúcar, pois podem ocasionar comprometimentos, provocando uma lesão</p><p>secundária, além de trazerem micro-organismos, infectando o ferimento. Não faça</p><p>torniquetes, uma vez que este procedimento é exclusivo dos profissionais de saúde</p><p>habilitados, pois ao realizá-lo pode-se comprimir um ponto arterial importante para a</p><p>irrigação dos tecidos adjacentes à lesão.</p><p>3 TÉCNICAS DE SOBREVIVÊNCIA PESSOAL</p><p>Embarcações de sobrevivência</p><p>Embarcação de sobrevivência é definida como um barco capaz de proteger a vida</p><p>de quem está em perigo desde o momento em que saem do navio.</p><p>De acordo com o Cap. III da SOLAS, as embarcações mercantes deverão carregar</p><p>em cada bordo, uma ou mais embarcações salva-vidas, de modo que sua capacidade</p><p>agregada em cada bordo, acomode todas as pessoas previstas a estarem no posto de</p><p>abandono. As baleeiras geralmente são arriadas na água, bem como recuperadas, p or</p><p>meio de dispositivos denominados de turcos.</p><p>Fonte: https://www.pescadorprofissional.com.br/pdf/10-TSP%20001-CFAQ%20I-</p><p>M%202013.pdf</p><p>A balsa inflável consiste em duas ou mais câmaras de flutuação independentes,</p><p>um piso inflável e uma cobertura erguida por um tubo também inflável.</p><p>41</p><p>Fonte: https://www.borestenautica.com.br/arquivos/Sobrevivencia_Meio_Aquaviario.pdf</p><p>Segundo a Convenção SOLAS, cada navio mercante deverá carregar uma ou mais</p><p>balsas, capazes de serem lançadas por qualquer dos bordos do navio, de modo a que</p><p>em cada posto de abandono a capacidade agregada acomode todas as pessoas a bordo.</p><p>As balsas podem ser lançadas por três métodos:</p><p> Lançamento pela borda (manual)</p><p> Liberação por flutuação livre</p><p> Arriamento por turco.</p><p>Embarcação de salvamento</p><p>Define-se embarcação de salvamento como uma embarcação concebida para</p><p>salvar pessoas em perigo e conduzir as embarcações de sobrevivência. (Cap. III da</p><p>SOLAS). Segundo SOLAS, cada navio deverá carregar a bordo pelo menos uma</p><p>embarcação de salvamento (bote de resgate).</p><p>Equipamentos individuais</p><p>É importante destacar que o equipamento individual de salvatagem faz a</p><p>diferença em uma emergência no mar, ou seja, a pessoa que estiver utilizando-o tem</p><p>muito mais chances de sobreviver do que quem não está. Os equipamentos individuais</p><p>de salvatagem podem ser coletes salva-vidas, boias salva-vidas, roupas de imersão,</p><p>meios de proteção térmica e roupas anti-exposição.</p><p>42</p><p>Colete salva-vidas</p><p>Existem vários modelos de coletes salva-vidas, contudo, para serem válidos</p><p>devem estar aprovados pela Autoridade Marítima Brasileira. Para saber se o modelo é</p><p>aprovado, basta verificar se existe um carimbo com os dizeres: “Homologado pela</p><p>Diretoria de Portos e Costas – DPC sob o no XXXX “. O propósito do colete salva-vidas é</p><p>prover flutuabilidade positiva ao náufrago, o que significa que, com o colete, a pessoa</p><p>não se afoga.</p><p>De acordo com o Capítulo 03 da convenção SOLAS, deverá existir um colete salva-</p><p>vidas para cada pessoa a bordo da embarcação. Adicionalmente, deverá haver um</p><p>número suficiente de coletes salva-vidas, guardados em locais apropriados, para o</p><p>pessoal de serviço em localidades onde seus coletes salva-vidas não estejam acessíveis</p><p>de imediato, além dos postos de abandono.</p><p>Fonte: https://www.tiburonnautica.com.br/colete-jaleco-ativa-salva-vidas-classe-ii-</p><p>homologado</p><p>Roupa de imersão</p><p>Roupa de imersão é uma roupa de proteção que reduz a perda de calor de uma</p><p>pessoa imersa em água fria, que a estiver usando (Cap. III da SOLAS). São roupas próprias</p><p>para lugares onde faz muito frio, consiste em um macacão impermeável, que possibilita</p><p>a manutenção da temperatura do corpo por um determinado período. Essa roupa, reduz</p><p>os efeitos da hipotermia, que consiste na diminuição da temperatura corporal em</p><p>decorrência da troca de calor com o meio ambiente mais frio e que pode levar à morte.</p><p>43</p><p>Fonte: https://produto.mercadolivre.com.br/MLB-1322907390-roupa-de-imerso-immerion-</p><p>suit-rsf-ll-c-lmpada-solas-_JM</p><p>Boia salva-vidas</p><p>A boia salva-vidas é um equipamento próprio para resgatar pessoas que estejam</p><p>na água, podendo ser lançada à água. Conforme o Cap 3 da convenção SOLAS, pelo</p><p>menos 8 (oito) boias salva-vidas devem ser providas a bordo de cada unidade.</p><p>O modelo mais comum é a circular, que pode ter como acessórios:</p><p> Retinida flutuante (30m de comprimento, no mínimo)</p><p> Dispositivo de iluminação automática (facho holmes)</p><p> Sinal fumígeno flutuante laranja</p><p>Fonte: https://www.inglesnosupermercado.com.br/boia-salva-vidas-lifebuoy/</p><p>44</p><p>Meio de proteção térmica</p><p>Meio de proteção térmica é um saco, ou roupa, confeccionado com material</p><p>à</p><p>prova d’água, com baixa condutividade térmica. (número 24, da regra 3 do Cap. III da</p><p>SOLAS).</p><p>Fonte: http://www.onavegante.com.br/vestimentos.html</p><p>Roupa anti-exposição</p><p>Roupa anti-exposição é uma roupa de proteção projetada para ser utilizada pela</p><p>tripulação de embarcações de salvamento e por equipes de sistemas de evacuação</p><p>marítima (número 1, da regra 3 do Cap. III da SOLAS).</p><p>Fundamentos da sobrevivência no mar</p><p>Podemos conceituar sobrevivência como o conjunto de procedimentos e</p><p>atitudes adotados por um grupo de pessoas, ou por uma pessoa sozinha, que se</p><p>encontram em situação adversa após terem abandonado um meio de transporte ou</p><p>uma instalação marítima, com a finalidade de serem resgatados com vida.</p><p>As quatro principais ameaças à vida dos náufragos após o abandono da unidade</p><p>são:</p><p>Afogamento</p><p>Uma pessoa que não saiba nadar e se encontre dentro da água sem colete salva-</p><p>vidas apresenta grande probabilidade de se afogar. Embora o corpo humano tenha uma</p><p>densidade que lhe permita flutuar (com as vias aéreas submersas), quem não sabe nadar</p><p>45</p><p>geralmente entra em pânico, bebe e aspira água, alterando a densidade de seu corpo,</p><p>vindo a afundar.</p><p>As providências a serem tomadas são:</p><p> Manter a calma em todas as circunstâncias.</p><p> Vestir sempre o colete salva-vidas.</p><p> Evitar pular na água.</p><p> Procurar abandonar a unidade diretamente para dentro de uma</p><p>embarcação de sobrevivência.</p><p>Exposição ao tempo</p><p>A exposição, tanto em clima quente como em clima frio, pode ser fatal ao</p><p>náufrago. O calor acelera a perda dos fluídos corpóreos e pode levar à morte por</p><p>insolação. O frio pode conduzir o náufrago à morte por hipotermia.</p><p>As principais ações a serem tomadas são:</p><p>Em clima quente: Proteja sua cabeça e pescoço quando expostos à luz solar</p><p>direta. Molhe as roupas com água do mar durante o dia, retirando o excesso, e evite a</p><p>superexposição à água salgada do mar, pois pode causar úlceras na pele. Evite a</p><p>exaustão pelo calor reduzindo a atividade física. Cale a boca e beba água limpa. É</p><p>importante manter a ventilação dentro do bote salva-vidas abrindo suas entradas,</p><p>molhando constantemente o convés, evitando assim o efeito estufa devido ao</p><p>aquecimento desigual.</p><p>Em clima frio: Proteja-se dos efeitos do vento, especialmente quando está</p><p>molhado. Mantenha o barco salva-vidas o mais seco possível. Sempre descarte a água</p><p>usada. Se possível, erga uma barreira para impedir a entrada de água do mar. Seque as</p><p>roupas molhadas (pressione-as para remover o excesso de água). Mantenha o corpo</p><p>aquecido cobrindo-o com o que estiver disponível no bote salva-vidas. Junte-se a outros</p><p>sobreviventes. Em hipótese alguma ofereça bebidas alcoólicas aos caçadores.</p><p>46</p><p>Sede</p><p>O náufrago pode sobreviver por longos períodos sem comer, desde que tenha</p><p>água para beber. O homem adulto tem em seu organismo, em média, 30 litros de água</p><p>e perde, diariamente, em torno de um litro de água, através do suor e da urina. Essa</p><p>perda deve ser reposta, caso contrário inicia-se um processo de desidratação, que é a</p><p>perda contínua de líquido e, como consequência, pode levar à morte. Portanto, a</p><p>reposição de água no organismo do náufrago é vital, porém em nenhuma circunstância</p><p>deve-se tomar água do mar (água salgada) ou urina, pois, a ingestão desses líquidos</p><p>pode acelerar o processo de desidratação.</p><p>As medidas de controle a serem tomadas são:</p><p>As embarcações de sobrevivência possuem água armazenada em sacos ou</p><p>outros recipientes plásticos, denominadas de ração líquida, para serem usadas nessas</p><p>situações. Entretanto, recomenda-se um racionamento rigoroso, inclusive podendo</p><p>ficar sem beber água nas primeiras 24 horas do naufrágio. Uma forma eficaz de se</p><p>manter o estoque de água é o recolhimento de água da chuva.</p><p>Fome</p><p>A alimentação está no fim da lista de prioridades para a sobrevivência no mar.</p><p>Muito mais importante do que a alimentação é a proteção contra o sol, vento, água do</p><p>mar e frio, além de manter o equilíbrio hídrico do corpo, economizando água corporal.</p><p>O corpo precisa principalmente de açúcar e carboidratos, não de carne. Em repouso, o</p><p>corpo humano pode sobreviver por semanas com apenas 750 calorias por dia. Com o</p><p>tempo, o estômago encolhe e logo o deportado se acostuma com a dieta escassa. As</p><p>principais medidas a serem tomadas são:</p><p>Os botes salva-vidas têm rações, geralmente compostas por jujubas, que devem</p><p>ser consumidas de acordo com as instruções dadas no Manual de Salvamento Marítimo.</p><p>O mar fornece fontes de alimento para os náufragos - peixes, aves marinhas, tartarugas,</p><p>algas marinhas. O líder deve estimular a pesca no grupo, pois, além de direcionar os</p><p>esforços dos exilados para a obtenção de alimentos, desenvolve uma atividade</p><p>produtiva, sendo a pesca também considerada uma terapia ocupacional.</p><p>47</p><p>Além dos principais riscos citados acima, existem outros que também devem ser</p><p>observados pelos náufragos, tais como:</p><p>Pânico</p><p>Todos nós sentimos medo em situações de perigo, até mesmo as pessoas mais</p><p>experientes sentem também, o importante é saber controlar esse medo de modo que,</p><p>não atrapalhe nas ações a serem tomadas em um momento como esse. No entanto, as</p><p>pessoas que se deixam levar pelo medo entram em pânico, ou seja, o pânico é um medo</p><p>exagerado que desorienta e faz com que a pessoa fique incapacitada de raciocinar e agir.</p><p>Cansaço</p><p>Nas primeiras horas do naufrágio há um desgaste muito grande de todos, seja</p><p>para coordenar as ações que antecedem um abandono seja o próprio desgaste</p><p>emocional que reflete no estado físico, sob a forma de cansaço extremo, ou fadiga. É</p><p>uma situação perigosa, porque a tendência é entregar os pontos, e deixar que as coisas</p><p>aconteçam perdendo, assim, o controle. Além disso, a fadiga acelera o metabolismo,</p><p>fazendo com que se perca mais água e energia.</p><p>Predadores</p><p>O náufrago é uma presa fácil para predadores, principalmente em mar aberto; e</p><p>o predador mais conhecido é, sem dúvida, o tubarão. No entanto, cabe observar que</p><p>nem todas as espécies de tubarão são predadoras, ou seja, atacam o homem. Mas,</p><p>atenção, porque esse animal é ágil e voraz.</p><p>4 SEGURANÇA NO TRABALHO</p><p>Conceitos e definições</p><p>A segurança do trabalho é uma matéria multidisciplinar que estuda as várias</p><p>possibilidades de ocorrência de incidentes e acidentes que ocorrem no desenvolvimento</p><p>das atividades laborais diárias dos trabalhadores. O objetivo principal é a prevenção de</p><p>acidentes, doenças relacionadas ao trabalho e outras mazelas que possam prejudicar a</p><p>saúde do trabalhador.</p><p>48</p><p>Acidente do trabalho, segundo o Art. 19 da Lei 8213/91, é o que ocorre pelo</p><p>exercício do trabalho a serviço de empresa ou de empregador doméstico ou pelo</p><p>exercício do trabalho dos segurados, provocando lesão corporal ou perturbação</p><p>funcional que cause a morte ou a perda ou redução, permanente ou temporária, da</p><p>capacidade para o trabalho.</p><p>Acidente é algo que ao acaso que altera a ordem regular das coisas sem que seja</p><p>parte da sua essência ou natureza; e a essa ação ou ocorrido, provoquem prejuízos ou</p><p>danos às pessoas ou aos materiais.</p><p>Mesmo com vários conceitos diferentes, o mais comum é considerar um</p><p>acontecimento que, provocado por uma ação violenta e inesperada ocasionada por um</p><p>agente externo involuntário, resulta numa lesão material e/ou física para a situação em</p><p>questão.</p><p>Incidente é um evento com potencial de provocar um acidente, ou seja, uma</p><p>ocorrência que ainda não provocou prejuízos ou danos, entretanto, caso negligenciado,</p><p>pode levar a consequências mais graves.</p><p>A nova redação da NR-01 descreve o Perigo ou fator de risco como a fonte com</p><p>o potencial para causar lesão ou problemas de saúde. Portanto, o Perigo trata-se de toda</p><p>fonte (atividade, ambiente, máquina rotativa, substância, etc.) com potencial de causar</p><p>danos à saúde e integridade física do trabalhador.</p><p>A NR-01 descreve o Risco relacionado ao trabalho</p>

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