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<p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Fundamentos de Saúde Após a descoberta do Brasil, o país foi colônia de exploração por um Coletiva longo período, não havendo interesse de Portugal em investir em infraestrutura para melhoria das condições de vida de quem vivia Universidade Paulista (UNIP) aqui. Araçatuba/SP A população era composta majoritariamente por indígenas, escravos, senhores muitas vezes nobres e aventureiros portugueses e poucos colonos degredados ou fugidos de Portugal e Aula 1. História da Saúde Pública no Brasil do restante da Europa. Como a economia estava pautada no Prof. Dr. Guilherme Akio Tamura Ozaki extrativismo, bastava haver portos com estrutura mínima para o escoamento da matéria-prima explorada. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL perfil de adoecimento era marcado pela presença de doenças A assistência à saúde não existia. Quem tinha dinheiro ia à Europa transmissíveis, tanto as originais do país quanto as importadas ou trazia médicos de lá para se tratar. Quem não tinha procurava a (doenças essas que dizimaram milhares de indígenas em várias medicina popular, a fim de cuidar do espírito e fazer uso de ervas. regiões e que ainda permanecem como um mal entre diversas As Santas Casas de Misericórdia ainda não possuíam caráter de tribos). hospital propriamente dito, eram voltadas para abrigar pobres e São exemplos a malária, introduzida em 1549, a varíola, em 1561, a doentes mentais, sem um cuidado apropriado. A primeira Santa febre amarela e a hanseníase, por volta de 1680. Todas essas Casa do Brasil foi inaugurada em 1543, em Santos (SP). doenças foram trazidas pelos colonizadores, pelos aventureiros e pelo comércio de negros africanos para o trabalho escravo.</p><p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL A situação da saúde no país passou a mudar por volta do séc. XVIII, Apenas com a vinda da família real portuguesa para o Brasil que quando houve um maior afluxo de médicos e nobres portugueses fugia de Napoleão Bonaparte, imperador francês -, em 1808, houve para cá e as cidades começaram a aumentar. um início de preocupação com a saúde das pessoas nas cidades, A grande preocupação nas cidades era com o lixo, que se acumulava mas isso só aconteceu porque toda a nobreza veio junto, nas vias públicas. Por isso foram criados órgãos que cuidavam da totalizando cerca de 15 mil pessoas! limpeza e da higiene das cidades, mas nada era feito ainda em A chegada da corte trouxe muitas melhorias para o país, pois coisas relação à saúde das pessoas. antes proibidas por Portugal, como indústrias, passaram a ser permitidas, e diversos órgãos públicos foram criados, entre eles, a Primeira Escola de Cirurgia em Salvador, seguida da Segunda Escola no Rio de Janeiro. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Mas nem tudo eram flores, pois a corte esbanjava dinheiro e quem A Proclamação da República, em 1889, determinou uma nova pagava a conta era o povo, que até teve de ceder suas casas para os configuração da política brasileira e, consequentemente, das formas membros da corte morarem. de se viver no país. desconforto político com a monarquia culminou na Proclamação A abolição da escravidão, em 1888, trouxe a necessidade de mais da República, que tornou o Brasil uma república federativa, mão de obra para as fazendas estimulando a imigração, princi- derrubando a monarquia e aclamando como presidente do Brasil o palmente de europeus. Marechal Deodoro da Fonseca, um dos líderes do Movimento Republicano.</p><p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL A cafeicultura, como principal produção econômica (resultando, Grandes epidemias assolavam o Brasil, como febre amarela, varíola, posteriormente, na República denominada Café com Leite, na qual peste, entre outras, e ameaçavam a economia, tendo em vista que políticos apoiados por fazendeiros de São Paulo, Minas Gerais e Rio ela estava calcada na exportação de café e outros produtos de Janeiro se alternavam no poder), gerou lucros que eram nacionais, os quais deviam ser escoados por via marítima. Mas investidos nas cidades e mudaram a face do país, mais como escoar a produção se os navios estrangeiros se negavam a precisamente das grandes cidades litorâneas, como Rio de Janeiro, parar em nossos portos, com medo de as doenças epidêmicas Santos e Salvador, e das cidades produtoras de café. matarem as tripulações? As descobertas científicas foram a solução encontrada pelo governo brasileiro para resolver o problema das epidemias em nossas cidades litorâneas e nos principais portos do país, pelo desenvolvimento da teoria bacteriológica. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Os germes já eram conhecidos pelos cientistas antes do século XIX, porém, apenas Robert Koch (1843 1910) nessa época é que foram apresentadas as primeiras provas de que eles estavam relacionados a algumas doenças. Entre as ações mais significativas, temos: Descobriu que o Bacillus anthracis formam esporos quando estão sob o médico alemão Robert Koch comprovou a transmissão do antraz; condições desfavoráveis ao crescimento (p. ex., ambiente seco). Os esporos resistem à destruição e podem permanecer viáveis no solo, na o químico francês Louis Pasteur e sua equipe centraram esforços na descoberta de e no pelo e couro de animais, e se esconderem por décadas. mecanismos de infecção e formas de prevenção; o médico inglês Edward Jenner desenvolveu a vacina contra a varíola; Esporos germinam e iniciam a multiplicação rapidamente quando entram em um ambiente rico em aminoácidos e glicose (p. ex., tecidos, sangue). o cirurgião inglês Joseph propôs o uso de fenol como antisséptico antes das cirurgias; Infecção humana pode ser adquirida por o médico húngaro Ignaz Semmelweis associou o fato de estudantes de Medicina Contato da pele (mais comum) saírem das salas de anatomia diretamente para as de parto, sem lavarem as mãos ou trocarem de roupa, a casos de febre puerperal, e recomendou a lavagem de Ingestão mãos como estratégia para evitar infecção; Inalação a enfermeira inglesa Florence Nightingale recomendou, com base nas descobertas científicas da época, que o ambiente hospitalar fosse limpo, ventilado e salubre, de Injeção modo a propiciar o tratamento e a recuperação dos doentes.</p><p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Louis Pasteur (1822 1895) Edward Jenner (1749 1823) É reconhecido pelas suas notáveis descobertas das causas e Os termos vacina e vacinação são derivados de Variolae (varíola das vacas), termo usado por Jenner para descrever a varíola. Ele usou o prevenções de doenças. Entre seus feitos mais notáveis podem-se termo pela primeira vez em 1798, no título de seu trabalho Inquiry into citar a redução da mortalidade e a criação da primeira vacina contra the Variolae vaccinae known as the Cow Pox, no qual descreve o efeito a raiva (vacina antirrábica). As suas experiências deram fundamento protetor da varíola bovina quando comparada com a varíola humana. para a teoria microbiológica da doença. Jenner é conhecido como o "pai da imunologia" e seu trabalho é Foi mais conhecido do público em geral por inventar um método reconhecido como um "salvador de vidas, mais do que qualquer outra pessoa". para impedir que leite e vinho causem doenças, um processo que veio a ser chamado pasteurização, em homenagem ao seu Na época de Jenner, a varíola aniquilou 10% da população, com a porcentagem chegando até 20% nas cidades onde a doença se espalhava sobrenome. mais facilmente. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Joseph Lister (1827 1912) Ignaz Philipp Semmelweis (1818 1865) Iniciou uma nova era no campo da cirurgia quando demonstrou, em 1865, que o ácido carbólico era um efetivo agente antisséptico, o que reduziu o número Conhecido como um pioneiro dos procedimentos antissépticos. de mortes por infecções pós-operatórias. Lister promoveu a prática, enquanto trabalhava na Glasgow Royal Infirmary, de que técnicas estéreis na cirurgia Descrito como o "salvador das mães", Semmelweis descobriu que a impediam a infecção pós-operatória, que levavam à sepsis, necrose de tecidos incidência de infecção pós-parto (também conhecida como febre de e morte por infecção generalizada. parto) poderia ser drasticamente reduzida pelo uso da desinfecção Apoiado nos avanços em microbiologia promovidos por Louis Pasteur, Lister das mãos em clínicas obstétricas. iniciou o sucesso de sua técnica com o uso do ácido carbólico como antisséptico depois de observar que o uso da substância como desinfetante por engenheiros de uma companhia de água fez diminuir sensivelmente o odor de A infecção pós-parto era comum nos hospitais na metade do século esgoto que assolava as cidades britânicas na época XIX e frequentemente fatal. Semmelweis propôs a prática de lavar Lister então empregou o uso do ácido carbólico na redução de infecções pós- as mãos com hipoclorito de cálcio em 1847 quando trabalhava no operatórias, o que tornou as cirurgias seguras para os pacientes e para os Hospital Geral de Viena, onde as enfermarias dos médicos tinham o médicos, tornando-o assim o "pai" da moderna cirurgia triplo da mortalidade das enfermarias da obstetrícia.</p><p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Florence Nightingale (1820 - 1910) A partir daí, uma nova explicação sobre o processo saúde-doença Fundadora da enfermagem moderna. nasceu: a Teoria Bacteriológica, de acordo com a qual a doença tem Durante seu primeiro verão em Scutari, na guerra da Crimeia, 4.077 soldados morreram por Dez vezes mais soldados morreram de doenças como tifo, febre uma causa única, a infecção. tifoide, cólera e disenteria do que feridos no campo de batalha. Essa visão foi importante para a identificação de vários agentes As condições nos hospitais de campanha eram muito prejudiciais para os pacientes devido à superlotação, drenagem sanitária deficiente e falta de ventilação. governo patogênicos e o controle deles, mas reduziu o olhar sobre o britânico levou uma comissão sanitária a Scutari em marco de 1855, quase seis meses após a chegada de Florence Nightingale, que realizava a limpeza de aterros poluentes processo de adoecimento ao desconsiderar a influência dos fatores e melhorava a ventilação. psicossociais (aqueles ligados ao funcionamento social e mental das A partir dessas medidas, a taxa de mortalidade caju rapidamente. Em seu retorno a pessoas, com forte influência no processo saúde-doença). Londres, ele começou a reunir evidências para a Comissão Real de Saúde no Exército para apoiar sua posição de que soldados morreram devido às deploráveis condições de vida no hospital. Essa experiência influenciou decisivamente sua carreira posterior, levando-a a defender a importância da melhoria das condições sanitárias hospitalares. Consequentemente, ajudou a reduzir as mortes no exército durante os tempos de paz e promoveu o projeto sanitário adequado dos hospitais. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Dois médicos formados a partir da teoria bacteriológica foram Entre as medidas tomadas, estavam a vacinação obrigatória contra chamados para sanear as cidades que possuíam os maiores e mais a varíola, o controle dos ratos e dos locais de procriação de importantes portos: Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro, e Emílio mosquitos. Ribas, em Santos (SP). A fim de controlar as doenças, no Rio de Janeiro e em São Paulo, foi Oswaldo Cruz estudou no Instituto Pasteur, em Paris, então famoso estabelecida a polícia sanitária, composta por agentes de polícia local de formação de cientistas, e Emílio Ribas era diretor do Serviço que acompanhavam os agentes de saúde na aplicação das medidas Sanitário do Estado de São Paulo, com uma forte formação em saneadoras, a fim de coibir manifestações e reações contrárias da pesquisa. população e garantir o cumprimento das ações.</p><p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL No Rio de Janeiro, os cortiços e as casas do centro da cidade foram Oswaldo Cruz alcançou seu objetivo no Rio de Janeiro, que era derrubados de forma violenta, deixando a população sem abrigo sanear a cidade e controlar as epidemias. Mesmo com toda a (muitas pessoas foram para os morros, dando início ao nascimento controvérsia sobre a forma como tudo estava sendo feito, em das favelas cariocas). poucos anos ele foi reconhecido como figura importante para a Doentes de hanseníase eram levados para os sanatórios e proibidos saúde brasileira. de conviver com seus familiares. Pessoas eram vacinadas à força contra varíola. Ele também foi responsável pela criação do Departamento Nacional de Saúde, embrião do Ministério da Saúde, e do Instituto Essas decisões tomadas de forma arbitrária e violenta provocaram uma forte reação da população carioca, e, sob liderança de militares Manguinhos, importante instituto de pesquisa voltado para a saúde opositores do governo, estourou a chamada Revolta da Vacina em pública. 1904, a qual foi fortemente reprimida e teve seu fim em menos de 48 horas. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Até a década de 1930, a saúde pública funcionou principalmente na A partir de 1920, médicos sanitaristas começaram a discutir, no forma de campanhas e com o apoio da polícia sanitária, e por isso país, ideias trazidas dos Estados Unidos e da Europa sobre um ficou conhecida como campanhista, sempre voltada para problemas sistema de saúde que funcionasse a partir dos centros de saúde, de saúde que afetavam a população, mas principalmente motivada locais onde se realizava primordialmente assistência às gestantes e por interesses econômicos. às crianças, com foco nos cuidados de higiene e alimentação na Enquanto isso, a saúde individual permanecia parecida com a do primeira infância. Brasil colônia: médico para quem podia pagar e curandeiros e Santas Casas para os pobres. Com a chegada dos imigrantes, houve Em 1923 foi promulgada a lei Elói Chaves, que determinava a uma discreta mudança. Muitos eram trabalhadores que atuavam criação das Caixas de Aposentadoria e Pensão (CAP). A lei inovou ao politicamente em seus países, com ideias sobre a importância de determinar que o empregador também contribuísse com uma sua união para garantir direitos básicos, como acesso à moradia e à porcentagem para a formação do fundo comum. Essa lei é saúde. considerada o embrião da Previdência Social no país.</p><p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL No final dos anos 1920, como resultado da concentração de poder Getúlio Vargas ficou no poder entre 1930 e 1945 e governou de político no eixo SP-MG-RJ e da crise econômica mundial (resultado modo centralizador, fechando o Congresso Nacional, perseguindo da quebra da bolsa de valores de Nova York em 1929) e a desafetos políticos e fazendo alianças com países estrangeiros a fim consequente desvalorização das exportações de café, aconteceu a de deportar presos políticos. Revolução de 1930, que colocou Getúlio Vargas no poder de forma Mas, apesar de tudo isso, ficou conhecido como pai dos pobres, por provisória. sua política populista: enquanto desmontava o movimento trabalhador, promulgava a Consolidação das Leis do Trabalho. As medidas sociais de seu governo eram uma forma de mascarar e justificar o sistema autoritário que estava instalado no país. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Na década de 1930, foram criados os Institutos de Aposentadoria e Durante a Segunda Guerra Mundial, um convênio com os EUA foi Pensão (IAP), que eram a unificação das CAP. Estado passou a acordado e assim nasceu o SESP (Serviço Especial de Saúde Pública). também contribuir financeiramente, e a administração desses Esse serviço foi moldado tendo como base o modelo norte- institutos ficou dependente do governo, o que reduziu a liberdade americano, com foco em prevenção e atuando nas áreas onde não dos trabalhadores nas tomadas de decisão. havia cobertura dos serviços tradicionais, como a Amazônia. dinheiro dos IAP passou a financiar grandes obras públicas, A atuação nessa região era estratégica para os EUA, pois a muitos empréstimos para grupos privados de saúde foram Amazônia era a segunda maior produtora de látex do mundo, realizados e usados para construir grandes hospitais, tendo como material essencial para o esforço de guerra. modelo o sistema de saúde norte-americano, centrado no cuidado hospitalar.</p><p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL o direito à saúde permanecia como um privilégio para os ricos e os Do final da ditadura Vargas até o golpe militar o país passou por uma fase denominada desenvolvimentista, durante a qual o objetivo era trabalhadores que tinham a carteira de trabalho assinada, pois modernizar o país, com o fortalecimento da indústria e a construção de somente assim era possível ter acesso aos serviços de saúde grandes estradas para o escoamento da produção nacional. oferecidos por alguns IAP. A assistência à saúde continuava dividida em campanhas para os problemas coletivos, e a assistência individual curativa, ligada aos IAP, os quais, nessa época, passaram a oferecer esse tipo de assistência à saúde. o Ministério da Saúde foi criado em 1953, resultado do desmembramento do Ministério da Saúde e da Educação, mas com pouca influência e capacidade para a tomada de decisões. o Brasil abriu-se ainda mais para os grupos estrangeiros, e, na área da saúde, isso se refletiu na entrada dos grupos de medicina privada, que comecaram a administrar diversos hospitais (construídos e equipados com dinheiro do Estado). HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL Em 31 de março de 1964, os militares tomaram a sede do governo, fecharam o Em 1975 foi criado o Sistema Nacional de Saúde, pela Lei no 6.229, de 17 de Congresso Nacional e declararam a suspensão de vários direitos individuais. As julho, a qual apenas reforçou o que já estava em vigor: a previdência social justificativas iam desde a necessidade da contenção do comunismo até a continuava responsável pela assistência médica individual e curativa, enquanto manutenção da ordem social e da democracia no país. o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais e municipais se Enquanto isso, na saúde, a situação só piorava: os empréstimos a fundos responsabilizavam pelos cuidados preventivos. perdidos (que nunca seriam recebidos) continuaram a ser feitos em larga escala A determinação social da doença florescia no Brasil. Pois então, nesse período para a construção de hospitais; o governo pagava duas vezes para os do país, essa teoria serviu de base para as discussões sobre a reforma sanitária, investidores, ao emprestar o dinheiro e, depois, ao pagar pela assistência movimento que pretendia alterar, de forma significativa, o modelo de saúde prestada à população; os IAP foram unificados no INPS (Instituto Nacional de brasileiro. As tentativas de se emplacar um modelo de atenção organizado a Previdência Social) responsável pela assistência médica individual voltada partir da participação com regionalização dos serviços existentes, apenas aos trabalhadores com carteira de trabalho assinada (trabalhadores integração do sistema público-privado e atenção primária como porta de rurais e informais continuavam excluídos do sistema). entrada no sistema foram várias, mas somente em 1986, na VIII Conferência Posteriormente, o INPS foi desmembrado, e uma de suas partes foi Nacional de Saúde, essa proposta foi aceita. denominada Inamps (Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência A grande diferença entre essa conferência e as demais foi o tema: saúde como Social), responsável pela assistência médica ambulatorial e hospitalar. A outra direito, sistema de saúde e financiamento. Esse tema convocava a sociedade, parte era o INSS (Instituto Nacional de Previdência Social). os pensadores e os profissionais para a discussão.</p><p>HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL A proposta final da conferência determinava a saúde como direito, com a o sistema de saúde foi reestruturado a partir desses princípios, universalização do acesso aos serviços de saúde e a garantia da participação popular no processo de planejamento, implantação e avaliação do sistema de resultando no SUS (Sistema Único de Saúde), regulamentado pela saúde. Lei no 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as A Constituição de 1988 aprovou a proposta quase na sua integralidade, e, pela condições para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde, a primeira vez em uma constituição brasileira, o tema saúde teve uma seção exclusiva: seção II, art. 196: organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá "A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas outras providências. sociais e econômicas que visem à do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação." Apenas com a promulgação da Constituição é que todas as ações de saúde foram unificadas os preventivos, curativos e de reabilitação passaram a ser responsabilidade do Ministério da Saúde, não sendo mais divididos com a Previdência Social. HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA NO BRASIL A saúde pública no Brasil, sob a perspectiva histórica, pode ser 1923 a 1988 (promulgação da Constituição Federal): com o advento dividida em três grandes etapas: da Lei Eloy Chaves, em 1923, quando foram criadas as caixas de aposentadoria e pensão, seguidas (e substituídas) pelos institutos de Descobrimento até 1923 (Lei Eloy Chaves): este período é aposentadoria e pensão (IAP), estes, depois, em 1960, substituídos basicamente caracterizado pela centralização e pela pelo Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), paralelamente à criação do Ministério da Saúde (em 1953, com suas finalidades mais desorganização administrativa, iniciado com o descobrimento do bem definidas em 1967) e o sistema nacional de saúde (em 1975), o Brasil, passando pelo período colonial e pelo Império, até chegar sistema de saúde público foi adotando contornos vínculados às ao início da República. São, de qualquer forma, dignas de nota políticas previdenciárias, inclusive quanto à parte de seu custeio e algumas das iniciativas adotadas nesse período. Mas, de qualquer manutenção. modo, as medidas de saúde pública implementadas traziam Vigência da Constituição Federal: somente com o advento da sempre a marca das iniciativas isoladas, nem sempre Constituição Federal, em 1988, sucedida pela legislação complementar concatenadas entre si, fundamentadas basicamente na (Lei n. 8.080/1990, Lei n. 8.142/1990, Emenda Constitucional n. 29/2000, Decreto n. 7.508/2011 e Lei Complementar n. 141/2012), filantropia. foram traçadas as bases legais atuais de funcionamento do SUS.</p>