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<p>UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL</p><p>FACULDADE DE VETERINÁRIA</p><p>CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA</p><p>TRABALHO DE CONCLUSÃO DO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM</p><p>PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA</p><p>DANIELA SILVA DA SILVA</p><p>PORTO ALEGRE</p><p>2020</p><p>UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL</p><p>FACULDADE DE VETERINÁRIA</p><p>CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PATOLOGIA CLÍNICA VETERINÁRIA</p><p>MESOTELIOMA EM CÃES: REVISÃO DE LITERATURA</p><p>Autor: Daniela Silva da Silva</p><p>Trabalho apresentado à Faculdade de</p><p>Veterinária como requisito parcial</p><p>para conclusão do Curso de</p><p>Especialização em Patologia Clínica</p><p>Veterinária.</p><p>Orientadora: Dra. Stella de F. Valle</p><p>PORTO ALEGRE</p><p>2020</p><p>RESUMO</p><p>O presente trabalho trata de uma revisão de literatura sobre o mesotelioma, um tipo de</p><p>neoplasma que atinge as serosas das cavidades corpóreas dos cães e gatos e a túnica vaginal do</p><p>testículo nos cães, não havendo predileção por raça ou sexo. Sua etiologia não está totalmente</p><p>elucidada nos animais domésticos. O sinal clínico mais comum é a dispneia e tosse seca em</p><p>decorrência do derrame pleural ou abdome distendido por derrame peritoneal. Os principais</p><p>meios de diagnósticos são a citologia e a histologia, o prognóstico é reservado e não existe um</p><p>tratamento satisfatório.</p><p>Palavras-chave: células mesoteliais malignas, neoplasias, caninos.</p><p>ABSTRACT</p><p>The aim of present study is a literature review of mesothelioma, a neoplasm that affects the</p><p>body cavities of dogs and cats, and the tunic vaginal of testicle in dogs, with no predilection to</p><p>breed or gender. In domestic animals, the etiology is not completary understood. The most</p><p>common clinical sign is dyspnea and dry cough due to pleural effusion or distended abdomen</p><p>due to peritoneal effusion. The diagnose is based in cytology and histology. To cases, no</p><p>satisfactory treatment and the prognosis is reserved.</p><p>Key-Words: Mesothelial cells, Neoplasm, Tumors.</p><p>SUMÁRIO</p><p>1- INTRODUÇÃO .........................................................................................................01</p><p>2- REVISÃO DE LITERATURA DO MESOTELIOMA..........................................02</p><p>2.1 Etiologia......................................................................................................................02</p><p>2.2 Ocorrência..................................................................................................................02</p><p>2.3 Características............................................................................................................03</p><p>2.4 Sinais Clínicos.............................................................................................................04</p><p>2.5 Diagnóstico..................................................................................................................05</p><p>3- CONSIDERAÇÕES FINAIS....................................................................................08</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...........................................................................09</p><p>1</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>O mesotelioma é uma neoplasia das células do revestimento seroso das cavidades, sendo</p><p>mais comumente observada em cães e raramente em gatos. Ocorrem com maior frequência em</p><p>animais idosos, no entanto animais recém-nascidos ou jovens também podem ser afetados. Pode</p><p>haver formação de efusão pleural que resulta em distúrbio respiratório, tosse e perda de peso.</p><p>O diagnóstico citológico através da análise de efusão pode ser difícil devido à</p><p>semelhança morfológica entre células mesoteliais malignas e as reativas. Na histologia as</p><p>células epiteliais formam ninhos, fitas, ácinos ou protuberâncias papilares que se assemelham</p><p>ao carcinoma, e o componente mesenquimal pode se assemelhar ao fibrossarcoma. A detecção</p><p>imuno-histoquímica de vimentina e citoqueratina, e a detecção de mucinas ácidas pela mancha</p><p>azul de Alcian, são úteis para distinguir o mesotelioma de outras neoplasias epiteliais ou não</p><p>epiteliais.</p><p>O presente trabalho tem como objetivo fazer uma revisão de literatura sobre o</p><p>mesotelioma, abordando os fatores predisponentes, sinais clínicos e os principais meios de</p><p>diagnóstico utilizados para a identificação dessa neoplasia.</p><p>2</p><p>2. REVISÃO DE LITERATURA</p><p>2.1 Etiologia</p><p>Os mesoteliomas são neoplasmas originados a partir das células mesoteliais do</p><p>revestimento seroso das cavidades corpóreas, incluindo cavidade torácica, abdominal e</p><p>pericárdica, nos cães e gatos, e túnica vaginal do testículo nos cães (Semolin et al., 2014). A</p><p>malignidade pode ser apresentada como projeções de vilosidades em um mesentério espessado</p><p>ou superfície serosa e as células mesoteliais neoplásicas podem mostrar diferenciação epitelial</p><p>ou mesenquimal (Viscone et al., 2019). Nos cães, os tumores mesoteliais primários foram</p><p>relatados na cavidade torácica, cavidade abdominal, saco pericárdico e túnicas vaginais do</p><p>escroto. No gato, mesoteliomas primários foram relatados no pericárdio, pleura e peritônio, bem</p><p>como em todo o abdômen, pulmão, mediastino com metástases no linfonodo (Garret, 2013).</p><p>Sua etiologia não está totalmente elucidada nos animais domésticos, mas; em humanos,</p><p>sabe-se que a exposição crônica às fibras de amianto tem grande relação com o</p><p>desenvolvimento do mesotelioma pleural e peritoneal (Semolin et al., 2016). Dessa forma, cães</p><p>cujos proprietários apresentavam alguma forma de exposição ao produto, utilizado na indústria</p><p>automobilística, de refrigeração, entre outras, estavam mais predispostos a desenvolver esse</p><p>neoplasma (Semolin, et al., 2016).</p><p>O processo inflamatório crônico, como infusão pericárdica hemorrágica idiopática, vem</p><p>sendo estudado como fator transformador neoplásico das células mesoteliais, predispondo os</p><p>pacientes ao desenvolvimento do mesotelioma (Garret, 2013; Semolin et al., 2016). Embora</p><p>também não haja comprovação de que esses fatores estejam envolvidos na etiopatogenia do</p><p>mesotelioma nos animais domésticos, existem suspeitas de que essa neoplasia possa ser</p><p>congênita naqueles casos em que animais jovens são acometidos (Magnusson & Veit, 1987;</p><p>Leisewitz & Nesbit, 1991).</p><p>2.2 Ocorrência</p><p>3</p><p>Mesotelioma espontâneo foi relatado em humanos, bem como em muitas espécies de</p><p>animais, incluindo cães, bovinos, cabras, equinos, ratos e hamsters, sendo mais comum em</p><p>bovinos (Reggeti et al., 2005).</p><p>Os tumores mesoteliais ocorrem mais frequentemente em animais idosos, no entanto,</p><p>animais recém-nascidos ou jovens podem ser afetados. Mesotelioma juvenil foi relatado em</p><p>dois cães de raças mistas com menos de um ano de idade e nenhuma etiologia subjacente foi</p><p>identificada (Garret, 2013). Um relato de um filhote de 7 semanas de idade com mesotelioma</p><p>sugere que uma forma congênita possa existir (Garret, 2013).</p><p>2.3 Características</p><p>Os mesoteliomas podem ser epiteliais ou mesenquimais, dependendo do tipo celular</p><p>predominante, ou ainda uma combinação de ambos, sendo denominado, nesse caso, bifásico.</p><p>Nos cães e gatos, as formas mais comuns são as epiteliais e bifásicas. O mesotelioma epitelial</p><p>assemelha-se a um carcinoma ou adenocarcinoma, enquanto a forma mesenquimal, também</p><p>conhecida como esclerosante, assemelha-se a um sarcoma, sendo necessária a diferenciação</p><p>desses neoplasmas por meio de técnicas imunohistoquímicas (Garret, 2013; Semolin., et al</p><p>2016).</p><p>Outra forma de apresentação é o mesotelioma peritoneal cístico, que já foi relatada em</p><p>cães e humanos, sendo descrito pelo comportamento benigno pouco agressivo, de evolução</p><p>lenta</p><p>e tratado cirurgicamente quando a doença está localizada. Embora alguns autores</p><p>defendam a possibilidade de existência de alguns mesoteliomas benignos, a maioria dos</p><p>patologistas caracteriza essa neoplasia como exclusivamente maligna em virtude do fato de as</p><p>células neoplásicas sobre as superfícies serosas serem invasivas por implantação (Garret, 2013;</p><p>Semolin et al., 2016).</p><p>O mesotelioma pleural se espalha e implanta dentro da cavidade pleural podendo causar</p><p>derrame torácico persistente e muitas vezes invadindo o tecido subjacente ou atingindo a</p><p>cavidade abdominal por meio de linfáticos ou implantação sobre as superfícies serosas (Capen,</p><p>4</p><p>2009; Semolin et al., 2016). Os mesoteliomas clássicos ocorrem como uma massa nodular</p><p>difusa ou massas multifocais que cobrem as superfícies da cavidade do corpo (Garret, 2013).</p><p>2.4 Sinais clínicos</p><p>Derrames extensos ocorrem devido a exsudação da superfície do tumor ou por linfáticos</p><p>obstruídos pelo tumor; portanto, o sinal de apresentação mais comum é dispneia por derrame</p><p>pleural ou abdome distendido por derrame peritoneal. Cães com mesoteliomas pericárdicos ou</p><p>de base cardíaca podem apresentar tamponamento agudo e insuficiência cardíaca do lado direito</p><p>(Garret, 2013).</p><p>A dispneia é um sinal tradicional que ocorre quando a pleura é afetada pelo neoplasma.</p><p>A dispneia é geralmente acompanhada de líquido na cavidade e/ou de uma massa moderada a</p><p>extensa que preenche o espaço pleural. Observações sobre a evolução da doença sugerem que</p><p>quanto maior a área coberta pela neoplasia, mais intensos ou graves são os sinais clínicos</p><p>(Martins et al., 2011).</p><p>Muitas pessoas direcionam a atenção unicamente ao tumor e sua localização, entretanto</p><p>componentes bioquímicos e celulares liberados pelas neoplasias podem provocar alterações em</p><p>locais distantes, denominadas síndromes paraneoplásicas. Essas síndromes podem ser</p><p>detectadas antes ou depois do câncer e reduzir significativamente a qualidade de vida do</p><p>paciente (Oliveira et al., 2013). Constituem um conjunto de sinais que precedem as diferentes</p><p>formas de neoplasias ou cursam com elas paralelamente, compondo acometimento variado e</p><p>sistematizado. Essas manifestações, por vezes dependentes à distância do tumor, acompanham</p><p>sua evolução podendo até regredir com a exérese da massa neoplásica, ou mesmo com a rádio</p><p>ou quimioterapia (Neto, 1992).</p><p>Os sinais clínicos do mesotelioma são os mesmo do derrame pleural: dor torácica</p><p>ventilatório-dependente, dispneia e tosse seca (Carvalho et al., 2013).</p><p>No mesotelioma esclerosante há formação de tecido fibroso espesso na cavidade</p><p>peritoneal ou pleural, podendo levar a restrições ao redor dos órgãos e sinais clínicos</p><p>obstrutivos, como vômito e disfunções urinárias (Garret, 2013; Semolin et al., 2016).</p><p>5</p><p>2.5 Diagnóstico</p><p>O diagnóstico presuntivo da neoplasia é determinado pelo histórico, sinais clínicos e</p><p>exame físico do paciente. O diagnóstico definitivo é definido pelo exame histopatológico.</p><p>Como esse tumor se origina das células de revestimento (mesotélio) das cavidades pleural,</p><p>peritoneal, pericárdica e as túnicas vaginais e testiculares, a abordagem diagnóstica dependerá</p><p>do local onde se desenvolve o tumor – em alguns casos, mais de uma cavidade pode estar</p><p>involucrada no processo, causando uma variedade de sinais clínicos e, consequentemente,</p><p>sendo necessário realizar diversos testes diagnósticos (Semolin et al., 2016).</p><p>As células mesoteliais reativas podem imitar de perto o mesotelioma e o carcinoma no</p><p>exame histopatológico e citológico de tecidos e derrames, respectivamente, e é amplamente</p><p>reconhecido na medicina humana e veterinária que distinguir mesotélio reativo de neoplásico</p><p>pode ser muito desafiador. Isso é particularmente problemático no pericárdio, porque a</p><p>reatividade das células mesoteliais é mais acentuada neste local, provavelmente devido ao</p><p>aumento da fricção local causada pelo coração palpitante. Em cães, também foi sugerida uma</p><p>categoria intermediária de “proliferação mesotelial atípica”, conforme descrito em pessoas</p><p>(Milne et al., 2018).</p><p>Assim, a análise citológica do fluido deve ser o primeiro estudo diagnóstico a ser</p><p>realizado. A efusão pode ter característica de transudato modificado ou de exsudato, além disso,</p><p>podem ser viscosas a gelatinosas e podem apresentar conteúdo hemorrágico (Semolin et al.,</p><p>2016). Na citologia, são detectados numerosos grupamentos de células mesoteliais neoplásicas</p><p>com diversos critérios de malignidade, como anisocitose, anisocariose, pleomorfismo, elevada</p><p>relação N:C, citoplasma basofílico, cromatina frouxa, nucléolos evidentes, além de binucleação</p><p>e multinucleação(Semolin et al., 2016; figura 1).</p><p>Figura1. Líquido de efusão consistente com mesotelioma. Agregados e células</p><p>mesoteliais neoplásicas marcadamente pleomórficas e individualizadas estão presentes.</p><p>Observe as muitas características da malignidade, como acentuada anisocariose,</p><p>multinucleação, macrocitose, , múltiplos nucléolos e mitoses atípicas. Fonte: Cowel and</p><p>Tyller’s, 2014.</p><p>6</p><p>O exame histopatológico é fundamental para diferenciar carcinoma do mesotelioma,</p><p>que podem ser facilmente confundidas no exame citológico (Mazzati et al., 2011).</p><p>Atualmente, o diagnóstico de mesotelioma pericárdico canino é baseado no exame</p><p>histopatológico de seções de tecido coradas com Hematoxilina e Eosina, obtidas na cirurgia.</p><p>No entanto, é necessária uma diferenciação mais confiável do mesotelioma da proliferação</p><p>mesotelial atípica e do mesotélio reativo. Isso permitiria aos patologistas fornecer um</p><p>diagnóstico definitivo mais preciso e, consequentemente, ajudar os clínicos a tomar melhores</p><p>decisões com relação ao tratamento e aconselhamento prognóstico (Milne et al., 2018).</p><p>Histologicamente, são descritos padrões epitelioides, sarcomatosos e bifásicos. As</p><p>células epitelioides formam ninhos, fitas, ácinos ou protuberâncias papilares que se assemelham</p><p>ao carcinoma, e o componente mesenquimal pode se assemelhar ao fibrossarcoma (Capen,</p><p>2009).</p><p>Macroscopicamente, o mesotelioma aparece como nódulos múltiplos, distintos ou</p><p>arborescentes, que se espalham sobre a superfície pleural (Figura 2. López, 2009).</p><p>Microscopicamente, tanto as células da cobertura mesotelial como o tecido de sustentação</p><p>podem ser o componente maligno predominante, de modo que o neoplasma pode aparecer</p><p>microscopicamente como um carcinoma ou como um fibrossarcoma. Embora considerado</p><p>maligno, o mesotelioma raramente metastiza (López, 2009).</p><p>7</p><p>Figura 2. Mesotelioma, pulmões e coração, equino. O tumor se proliferou e se</p><p>estendeu sobre a pleura e o pericárdio ventral. O saco pericárdio foi aberto e o epicárdio</p><p>parece essencialmente normal, indicando que o tumor não invadiu o saco pericárdico</p><p>(Fonte: López, 2009).</p><p>A detecção imuno-histoquímica de vimentina e citoqueratina, e a detecção de mucinas</p><p>ácidas pela mancha azul de Alcian, são úteis para distinguir o mesotelioma de outras neoplasias</p><p>epiteliais ou não epiteliais. A detecção da proteína de ligação ao cálcio calretinina é usada como</p><p>marcador de mesotelioma em humanos; e embora sua expressão tenha sido descrita em um</p><p>mesotelioma de um cavalo, a confiabilidade desse teste em animais não foi confirmada (Capen,</p><p>2009).</p><p>Existe um grupo de anticorpos específico que identifica as células mesoteliais</p><p>(anticitoqueratina, antivimentina e antidesmina) e permite diferenciar mesoteliomas de</p><p>carcinomas/adenocarcinomas (Semolin et al., 2016). Citoqueratina e viventina são positivas, já</p><p>que as células mesoteliais revelaram a expressão constante de filamentos intermediários típicos</p><p>tanto para as células epiteliais como para as mesenquimais. A desmina é fortemente expressa</p><p>nas células mesoteliais caninas (Semolin et al., 2016)</p><p>8</p><p>3. CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A Medicina Veterinária tem avançado progressivamente no aspecto terapêutico,</p><p>principalmente</p><p>na área de oncologia, exigindo um diagnóstico mais preciso. Portanto, deve-se</p><p>ressaltar a malignidade desse tipo de tumor, bem como sua rápida evolução, além da</p><p>necessidade de diagnóstico rápido e confiável para ser instituído tratamento adequado e</p><p>aumentar a sobrevida do paciente.</p><p>9</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>CAPEN, C. C. Endocrine glands. In: JUBB, K.V.F., KENNEDY, P.C., PALMER, N. Pathology</p><p>of Domestic Animals: 5 ed. San Diego, Academic Press, 2009 v.1, p.760.</p><p>CARVALHO, F. A.; PAIVA, F. 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