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<p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>1</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>2</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>3</p><p>Direito Penal</p><p>Revisão Turbo | 41° Exame da OAB</p><p>Sumário</p><p>Aula 15/07/2024 – turno noite ........................................................................................................ 4</p><p>Aula 16/07/2024 – turno manhã ................................................................................................... 32</p><p>Aula 22/07/2024 – turno manhã ................................................................................................... 35</p><p>Aula 24/07/2024 – turno noite ...................................................................................................... 38</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>4</p><p>Aula 15/07/2024 – turno noite</p><p>1. Abolitio criminis (art. 2º “caput” do CP)</p><p>• Ocorre a chamada abolitio criminis quando a lei nova deixa de considerar crime fato</p><p>que anteriormente era considerado ilícito penal;</p><p>• A abolitio criminis, além de conduzir à extinção da punibilidade (art. 107, III CP),</p><p>apaga todos os efeitos penais da sentença condenatória, permanecendo, no</p><p>entanto, seus efeitos extrapenais, como, por exemplo, na esfera cível e</p><p>administrativa;</p><p>• Assim, o agente condenado definitivamente em 2004 pelo crime de sedução (art.</p><p>217 do CP abolido pela Lei 11.106/2005) não será considerado reincidente, se</p><p>praticar novo crime. A vítima, todavia, poderá exigir indenização na esfera cível.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>1) FGV – 2018 – OAB – 26° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Jorge foi condenado, definitivamente, pela prática de determinado crime, e se encontrava em</p><p>cumprimento dessa pena. Ao mesmo tempo, João respondia a uma ação penal pela prática de crime</p><p>idêntico ao cometido por Jorge. Durante o cumprimento da pena por Jorge e da submissão ao processo</p><p>por João, foi publicada e entrou em vigência uma lei que deixou de considerar as condutas dos dois como</p><p>criminosas. Ao tomarem conhecimento da vigência da lei nova, João e Jorge o procuram, como advogado,</p><p>para a adoção das medidas cabíveis. Com base nas informações narradas, como advogado de João e</p><p>de Jorge, você deverá esclarecer que</p><p>A) Não poderá buscar a extinção da punibilidade de Jorge em razão de a sentença condenatória já ter</p><p>transitado em julgado, mas poderá buscar a de João, que continuará sendo considerado primário e de</p><p>bons antecedentes.</p><p>B) Poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, fazendo cessar todos os efeitos civis e penais da</p><p>condenação de Jorge, inclusive não podendo ser considerada para fins de reincidência ou maus</p><p>antecedentes.</p><p>C) Poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, fazendo cessar todos os efeitos penais da</p><p>condenação de Jorge, mas não os extrapenais.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>5</p><p>D) Não poderá buscar a extinção da punibilidade dos dois, tendo em vista que os fatos foram praticados</p><p>anteriormente à edição da lei.</p><p>2. Lei temporária e lei excepcional (art. 3º CP)</p><p>• Leis excepcionais: são leis feitas para durar enquanto um estado anormal ocorrer.</p><p>Cessa a sua vigência ao mesmo tempo que a situação excepcional também</p><p>terminar. Portanto, são aquelas promulgadas em caso de calamidade pública,</p><p>guerras, revoluções, cataclismos, epidemias etc.;</p><p>• Leis temporárias: são as editadas com período determinado de duração. Ou seja,</p><p>constará na própria lei a data do início da sua vigência, bem como a do término da</p><p>sua vigência;</p><p>• Reúnem duas características:</p><p>1) Autorrevogabilidade: em regra, uma lei somente pode ser revogada por outra</p><p>lei, posterior, que a revogue expressamente, que seja com ela incompatível ou</p><p>que regule integralmente a matéria nela tratada. As leis de vigência temporária</p><p>e excepcional constituem exceção a esse princípio, visto que perdem sua</p><p>vigência automaticamente, sem que outra lei as revogue;</p><p>2) Ultratividade: significa que uma lei revogada continua gerando efeitos. É o</p><p>caso da lei temporária e da lei excepcional, que continuarão gerando efeitos</p><p>em relação aos fatos praticados durante sua vigência, mesmo após revogadas.</p><p>3. Tempo do crime (art. 4º CP)</p><p>• Em relação ao tempo do crime, o Código Penal adotou a teoria da atividade,</p><p>segundo a qual se reputa praticado o delito no momento da conduta, não</p><p>importando o instante do resultado;</p><p>• Assim, se um adolescente com 17 anos, 11 meses e 29 dias efetuar disparo de</p><p>arma de fogo contra a vítima, que vem a falecer cinco dias depois (quando já terá</p><p>adquirido a maioridade), responderá conforme as normas do ECA, já que o fato foi</p><p>praticado quando o agente ainda era adolescente.</p><p>Resolva a questão na página a seguir...</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>6</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>2) FGV – 2018 – OAB – 27° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>No dia 05/03/2015, Vinícius, 71 anos, insatisfeito e com ciúmes em relação à forma de dançar de sua</p><p>esposa, Clara, 30 anos mais nova, efetua disparos de arma de fogo contra ela, com a intenção de matar.</p><p>Arrependido, após acertar dois disparos no peito da esposa, Vinícius a leva para o hospital, onde ela ficou</p><p>em coma por uma semana. No dia 12/03/2015, porém, Clara veio a falecer, em razão das lesões causadas</p><p>pelos disparos da arma de fogo. Ao tomar conhecimento dos fatos, o Ministério Público ofereceu denúncia</p><p>em face de Vinícius, imputando-lhe a prática do crime previsto no Art. 121, § 2º, inciso VI, do Código</p><p>Penal, uma vez que, em 09/03/2015, foi publicada a Lei nº 13.104, que previu a qualificadora antes</p><p>mencionada, pelo fato de o crime ter sido praticado contra a mulher por razão de ser ela do gênero</p><p>feminino. Durante a instrução da 1ª fase do procedimento do Tribunal do Júri, antes da pronúncia, todos</p><p>os fatos são confirmados, pugnando o Ministério Público pela pronúncia nos termos da denúncia. Em</p><p>seguida, os autos são encaminhados ao(a) advogado(a) de Vinícius para manifestação. Considerando</p><p>apenas as informações narradas, o(a) advogado(a) de Vinicius poderá, no momento da manifestação</p><p>para a qual foi intimado, pugnar pelo imediato</p><p>A) Reconhecimento do arrependimento eficaz.</p><p>B) Afastamento da qualificadora do homicídio.</p><p>C) Reconhecimento da desistência voluntária.</p><p>D) Reconhecimento da causa de diminuição de pena da tentativa.</p><p>4. Tempo do crime e Súmula 711 do STF</p><p>• Crime permanente é aquele cuja execução e consumação se prolongam no tempo.</p><p>Exemplo clássico é crime de extorsão mediante sequestro (art. 159 CP). Enquanto</p><p>a vítima estiver em poder do sequestrador, o crime estará sendo permanentemente</p><p>executado, razão pela qual na hipótese de surgir lei nova, durante a execução do</p><p>delito, será aplicada ao fato, ainda que mais grave, já que passou a incidir enquanto</p><p>o crime estava sendo praticado.</p><p>• Crime continuado, previsto no artigo 71 do CP, ocorre quando o agente, com mais</p><p>de uma ação ou omissão, pratica crimes da mesma espécie, nas mesmas</p><p>condições de tempo, lugar e modo de execução. Nesse caso, considera-se a pena</p><p>do crime mais grave, e aumenta a pena em 1/6 a 2/3. Assim, se surgir lei nova</p><p>durante a continuidade delitiva, deverá ser aplicada ao caso, ainda que mais</p><p>severa, já que entrou em vigor antes de cessar a continuidade delitiva.</p><p>• É o que se extrai da Súmula 711 do STF: “A lei penal mais grave aplica-se ao crime</p><p>continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da</p><p>continuidade ou da permanência.”</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>7</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>3) FGV – 2017</p><p>recebeu um tapa em sua cabeça. Acreditando que a infração teria sido praticada por Roberto, seu</p><p>desafeto que estava no local, compareceu em sede policial e narrou o ocorrido, apontando, de maneira</p><p>precipitada, o rival como autor.</p><p>Diante disso, foi instaurado procedimento investigatório em desfavor de Roberto, sendo, posteriormente,</p><p>verificado em câmeras de segurança que, na verdade, um desconhecido teria praticado o ato. Ao tomar</p><p>conhecimento dos fatos, antes mesmo de ouvir Roberto ou Francisco, o Ministério Público ofereceu</p><p>denúncia em face deste, por denunciação caluniosa.</p><p>Considerando apenas as informações expostas, você, como advogado(a) de Francisco, deverá, sob o</p><p>ponto de vista técnico, pleitear</p><p>A) A absolvição, pois Francisco deu causa à instauração de investigação policial imputando a</p><p>Roberto a prática de contravenção, e não crime.</p><p>B) Extinção da punibilidade diante da ausência de representação, já que o crime é de ação penal</p><p>pública condicionada à representação.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>35</p><p>C) Reconhecimento de causa de diminuição de pena em razão da tentativa, pois não foi proposta</p><p>ação penal em face de Roberto.</p><p>D) A absolvição, pois o tipo penal exige dolo direto por parte do agente.</p><p>Aula 22/07/2024 – turno manhã</p><p>Prof. Nidal Ahmad</p><p>22) FGV – 2023 – OAB – 39° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>João completou 20 anos e foi colocado em liberdade, após cumprir 3 anos de internação por medida</p><p>socioeducativa em razão da prática de atos infracionais análogos a estupro e furto, conforme sentença</p><p>proferida pelo Juizado da Infância e da Juventude de sua Comarca. Ao ser solto da unidade de internação,</p><p>foi preso em flagrante pela prática do crime de roubo, sendo que João nunca respondeu por outros crimes.</p><p>Para os fins deste novo processo, assinale a afirmativa correta.</p><p>A) João é primário e com bons antecedentes, ante a inaptidão de atos infracionais serem utilizados</p><p>como circunstâncias judiciais ou induzir reincidência.</p><p>B) João é reincidente e com maus antecedentes, ante a pluralidade de infrações pretéritas, anteriores</p><p>aos delitos de roubo.</p><p>C) João é tecnicamente primário, porém, com maus antecedentes, sendo este único efeito possível</p><p>gerado pela aplicação de medidas socioeducativas.</p><p>D) João é reincidente ou com maus antecedentes, pois não é possível que a reincidência seja</p><p>também considerada circunstância judicial, ainda que se tratem de condenações distintas.</p><p>23) FGV – 2023 – OAB – 38° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Luís Alberto, primário, foi condenado a uma pena de oito meses de detenção, em regime inicial aberto,</p><p>por ter agredido sua companheira, causando-lhe lesões corporais. Na qualidade de advogado(a) de Luís</p><p>Alberto, assinale a opção que apresenta o benefício de natureza penal que pode, neste momento</p><p>processual, ser pleiteado em favor do seu assistido.</p><p>A) Aplicação de pena restritiva de direito, consistente em prestação de serviços à comunidade.</p><p>B) Suspensão condicional da pena, pelo período de dois anos.</p><p>C) Suspensão condicional do processo, pelo período de dois anos.</p><p>D) Substituição da pena privativa de liberdade por multa.</p><p>24) FGV – 2022 – OAB – 35° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>No dia 31/12/2020, na casa da genitora da vítima, Fausto, com 39 anos, enquanto conversava com Ana</p><p>Vitória, de 12 anos de idade, sem violência ou grave ameaça à pessoa, passava as mãos nos seios e</p><p>nádegas da adolescente, conduta flagrada pela mãe da menor, que imediatamente acionou a polícia,</p><p>sendo Fausto preso em flagrante. Preocupada com eventual represália e tendo interesse em ver o autor</p><p>do fato punido, em especial porque sabe que Fausto cumpre pena em livramento condicional por</p><p>condenação com trânsito em julgado pelo crime de latrocínio, a família de Ana Vitória procura você, na</p><p>condição de advogado(a), para esclarecimento sobre a conduta praticada. Por ocasião da consulta</p><p>jurídica, deverá ser esclarecido que o crime em tese praticado por Fausto é o de</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>36</p><p>A) Estupro de vulnerável (Art. 217-A do CP), não fazendo jus Fausto, em caso de eventual</p><p>condenação, a novo livramento condicional.</p><p>B) Importunação sexual (Art. 215-A do CP), não fazendo jus Fausto, em caso de eventual</p><p>condenação, a novo livramento condicional.</p><p>C) Estupro de vulnerável (Art. 217-A do CP), podendo Fausto, em caso de condenação, após</p><p>cumprimento de determinado tempo de pena e observados os requisitos subjetivos, obter novo</p><p>livramento condicional.</p><p>D) Importunação sexual (Art. 215-A do CP), podendo Fausto, em caso de condenação, após</p><p>cumprimento de determinado tempo de pena e observados os requisitos subjetivos, obter novo</p><p>livramento condicional.</p><p>Prof. Arnaldo Quaresma</p><p>25) FGV – 2024 – OAB – 40° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Antônio, funcionário público, foi designado como servidor responsável por conduzir a licitação de um</p><p>Hospital Público que desejava adquirir 100.000 (cem mil) doses de um determinado medicamento.</p><p>Patrícia, funcionária da sociedade empresária Medicante Ltda., descobre o contato de Antônio e, de seu</p><p>celular pessoal, manda um áudio no qual se oferece para dividir sua comissão com o funcionário público</p><p>caso a sua empresa fosse a vencedora. O valor da comissão de Patrícia era de R$50.000,00 (cinquenta</p><p>mil reais), em caso de vitória na licitação.</p><p>Antônio, indignado com a proposta de Patrícia, encaminha os fatos aos seus superiores que enviam</p><p>Notícia de Crime à autoridade policial com atribuição para investigar os fatos.</p><p>Tomando por base o fato de não ter havido o pagamento do valor oferecido, assinale a opção que indica</p><p>o crime pelo qual Patrícia poderá ser responsabilizada.</p><p>A) Corrupção passiva tentada, na medida em que o crime é material, sendo necessário o efetivo</p><p>pagamento da vantagem indevida para o crime ser consumado.</p><p>B) Corrupção passiva consumada, na medida em que o crime é formal, bastando o oferecimento da</p><p>vantagem ilícita ao servidor público para a sua consumação.</p><p>C) Corrupção ativa tentada, na medida em que o crime é material, sendo necessário o efetivo</p><p>pagamento da vantagem indevida para o crime ser consumado.</p><p>D) Corrupção ativa consumada, na medida em que o crime é formal, bastando o oferecimento da</p><p>vantagem ilícita ao servidor público para a sua consumação.</p><p>26) FGV – 2019 – OAB – 28° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Frederico, de maneira intencional, colocou fogo no jardim da residência de seu chefe de trabalho,</p><p>causando perigo ao patrimônio deste e dos demais vizinhos da região, já que o fogo se alastrou</p><p>rapidamente, aproximando-se da rede elétrica e de pessoas que passavam pelo local. Ocorre que</p><p>Frederico não se certificou, com as cautelas necessárias, que não haveria ninguém no jardim, de modo</p><p>que a conduta por ele adotada causou a morte de uma criança, queimada, que brincava no local.</p><p>Desesperado, Frederico procura você, como advogado(a), e admite os fatos, indagando sobre eventuais</p><p>consequências penais de seus atos.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, o(a) advogado(a) de Frederico deverá esclarecer que a</p><p>conduta praticada configura crime de</p><p>A) Homicídio doloso qualificado pelo emprego de fogo.</p><p>B) Incêndio doloso simples.</p><p>C) Homicídio culposo.</p><p>D) Incêndio doloso com aumento de pena em razão do resultado morte.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>37</p><p>27) FGV – 2018 – OAB – 25° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Flávia conheceu Paulo durante uma festa de aniversário. Após a festa, ambos foram para a casa de</p><p>Paulo, juntamente com Luiza, amiga de Flávia, sob o alegado desejo de se conhecerem melhor.</p><p>Em determinado momento, Paulo, sem qualquer violência real ou grave ameaça, ingressa no banheiro</p><p>para urinar, ocasião em que Flávia e Luiza colocam um pedaço de madeira na fechadura, deixando Paulo</p><p>preso dentro</p><p>do local. Aproveitando-se dessa situação, subtraem diversos bens da residência de Paulo e</p><p>deixam o imóvel, enquanto a vítima, apesar de perceber a subtração, não tinha condição de reagir. Horas</p><p>depois, vizinhos escutam os gritos de Paulo e chamam a Polícia.</p><p>De imediato, Paulo procura seu advogado para esclarecimentos sobre a responsabilidade penal de Luiza</p><p>e Flávia.</p><p>Considerando as informações narradas, o advogado de Paulo deverá esclarecer que as condutas de</p><p>Luiza e Flávia configuram crime de</p><p>A) Roubo majorado.</p><p>B) Furto qualificado, apenas.</p><p>C) Cárcere privado, apenas.</p><p>D) Furto qualificado e cárcere privado.</p><p>28) FGV – 2017 – OAB – 23° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Catarina leva seu veículo para uma determinada entidade autárquica com o objetivo de realizar a</p><p>fiscalização anual. Carlos, funcionário público que exerce suas funções no local, apesar de não encontrar</p><p>irregularidades no veículo, verificando a inexperiência de Catarina, que tem apenas 19 anos de idade,</p><p>exige R$ 5.000,00 para “liberar” o automóvel sem pendências.</p><p>Catarina, de imediato, recusa-se a entregar o valor devido e informa o ocorrido ao superior hierárquico de</p><p>Carlos, que aciona a polícia. Realizada a prisão em flagrante de Carlos, a família é comunicada sobre o</p><p>fato e procura um advogado para que ele preste esclarecimentos sobre a responsabilidade penal de</p><p>Carlos.</p><p>Diante da situação narrada, o advogado da família de Carlos deverá esclarecer que a conduta praticada</p><p>por Carlos configura, em tese, crime de</p><p>A) Corrupção passiva consumada.</p><p>B) Concussão consumada.</p><p>C) Corrupção passiva tentada.</p><p>D) Concussão tentada.</p><p>29) FGV – 2017 – OAB – 23° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Roberta, enquanto conversava com Robson, afirmou categoricamente que presenciou quando Caio</p><p>explorava jogo do bicho, no dia 03/03/2017. No dia seguinte, Roberta contou para João que Caio era um</p><p>“furtador”.</p><p>Caio toma conhecimento dos fatos, procura você na condição de advogado(a) e nega tudo o que foi dito</p><p>por Roberta, ressaltando que ela só queria atingir sua honra.</p><p>Nesse caso, deverá ser proposta queixa-crime, imputando a Roberta a prática de</p><p>A) 1 crime de difamação e 1 crime de calúnia.</p><p>B) 1 crime de difamação e 1 crime de injúria.</p><p>C) 2 crimes de calúnia.</p><p>D) 1 crime de calúnia e 1 crime de injúria.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>38</p><p>Aula 24/07/2024 – turno noite</p><p>21. Crimes contra a vida</p><p>21.1. Homicídio</p><p>a) Homicídio simples (art. 121, caput): o homicídio simples se dá por exclusão, ou seja,</p><p>quando não presente nenhuma circunstância qualificadora prevista no parágrafo 2º. Via de regra</p><p>não é considerado crime hediondo, somente se for praticado mediante atividade típica de grupo</p><p>de extermínio.</p><p>b) Homicídio privilegiado (art. 121, § 1º do CP): o artigo 121, § 1º, do Código Penal,</p><p>descreve o homicídio privilegiado como o fato de o sujeito cometer o delito impelido por motivo</p><p>de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a</p><p>injusta provocação da vítima. Neste caso, o juiz pode reduzir a pena de 1/6 a 1/3.</p><p>c) Homicídio qualificado (art. 121, § 2º CP): é o homicídio praticado com circunstâncias</p><p>legais que integram o tipo penal incriminador, alterando para mais a faixa de fixação da pena.</p><p>Dizem respeito aos motivos determinantes do crime e aos meios e modos de execução,</p><p>reveladores de maior periculosidade ou extraordinário grau de perversidade do agente. Portanto,</p><p>da pena de reclusão de 06 a 20 anos, prevista para o homicídio simples, passa-se ao mínimo de</p><p>12 e ao máximo de 30 para a figura qualificada. Tentado ou consumado, o homicídio doloso</p><p>qualificado é crime hediondo, nos termos do artigo 1º, inciso I, da Lei nº 8.072/90.</p><p>d) Feminicídio: a partir da edição da Lei nº 13.104/2015, o crime de homicídio passou a</p><p>ser qualificado também se praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino.</p><p>Nos termos do artigo 121, parágrafo 2º-A, o legislador considera que há razões de</p><p>condição de sexo feminino quando o crime envolve:</p><p>I - violência doméstica e familiar;</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>39</p><p>II - menosprezo ou discriminação à condição de mulher.</p><p>Para o STJ a qualificadora do feminicídio pode ser cumulada com o motivo torpe ou fútil</p><p>sem que haja bis in idem.</p><p>e) Lei nº 14.344/2022: com o advento da Lei Henry Borel (Lei nº 14.344 de 2022) o</p><p>homicídio praticado contra menor de 14 anos passou a ser qualificado, nos termos do artigo 121,</p><p>§ 2º, inciso IX do CP. Ademais, o artigo 121, § 2ºB (incluído também pela Lei Henry Borel) elenca</p><p>causas de aumento de pena específicas, quais sejam:</p><p>I - 1/3 (um terço) até a metade se a vítima é pessoa com deficiência ou com doença que</p><p>implique o aumento de sua vulnerabilidade;</p><p>II - 2/3 (dois terços) se o autor é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,</p><p>companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro</p><p>título tiver autoridade sobre ela.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>30) FGV – 2018 – OAB – 25° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Márcia e Plínio se encontram em um quarto de hotel e, após discutirem o relacionamento por várias horas,</p><p>acabaram por se ofenderem reciprocamente. Márcia, então, querendo dar fim à vida de ambo, ingressa</p><p>no banheiro do quarto e liga o gás, aproveitando-se do fato de que Plínio estava dormindo. Em razão do</p><p>forte cheiro exalado, quando ambos já estavam desmaiados, os seguranças do hotel invadem o quarto e</p><p>resgatam o casal, que foi levado para o hospital. Tanto Plínio quanto Márcia acabaram sofrendo lesões</p><p>corporais graves. Registrado o fato na delegacia, Plínio, revoltado com o comportamento de Márcia,</p><p>procura seu advogado e pergunta se a conduta dela configuraria crime.</p><p>Considerando as informações narradas, o advogado de Plínio deverá esclarecer que a conduta de Márcia</p><p>configura crime de</p><p>A) Lesão corporal grave, apenas.</p><p>B) Tentativa de homicídio qualificado e tentativa de suicídio.</p><p>C) Tentativa de homicídio qualificado, apenas.</p><p>D) Tentativa de suicídio, por duas vezes.</p><p>21.2. Induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou automutilação</p><p>(art. 122 do CP)</p><p>a) Conceito de suicídio: é a morte voluntária, que resulta, direta ou indiretamente, de um</p><p>ato positivo ou negativo, realizado pela própria vítima, a qual sabia dever produzir este resultado.</p><p>O Código Penal leva em conta o ato da vítima, que vem a destruir a própria vida.</p><p>Observação especial: se o ato de destruição é praticado pelo próprio agente haverá o</p><p>crime de homicídio. Da mesma forma se não houver voluntariedade (vítima induzida a erro ou</p><p>obrigada a se mantra) haverá o crime de homicídio.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>40</p><p>b) Automutilação: a autolesão não é punida. O que constitui crime é a conduta de induzir,</p><p>instigar ou auxiliar a vítima a se automutilar, ou seja, de causar lesões em si própria.</p><p>c) Ação nuclear: trata-se de um tipo misto alternativo (crime de ação múltipla ou de</p><p>conteúdo variado).</p><p>Induzir significa dar a ideia a quem não possui, inspirar, incutir. Portanto, nessa primeira</p><p>conduta, o agente sugere à vítima que dê fim à sua vida ou se automutile. Instigar é fomentar</p><p>uma ideia já existente. Trata-se, pois, do agente que estimula a ideia que alguém anda</p><p>manifestando. Já o auxílio é a forma mais concreta e ativa de agir, pois significa dar apoio</p><p>material ao ato suicida.</p><p>d) Figuras típicas qualificadas (art. 122, §1º).</p><p>e) Formas majoradas (art. 122, § 3º):</p><p>• Se o crime é praticado por motivo egoístico;</p><p>• Se a vítima é menor;</p><p>• Tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.</p><p>Por fim, é de ressaltar que o suicida com resistência nula, pelos abalos ou situações</p><p>supramencionadas, incluindo-se a idade inferior a 14 anos, haverá o emprego das regras</p><p>especiais estabelecidas</p><p>nos parágrafos 6º e 7º do CP.</p><p>f) Pacto de morte: é possível que duas ou mais pessoas promovam um pacto de morte,</p><p>deliberando morrer ao mesmo tempo. Se cada uma das pessoas ingerir veneno, de per si, por</p><p>exemplo, aquela que sobreviver responderá por participação em suicídio, tendo por sujeito</p><p>passivo a outra. Se uma delas ministrar diretamente o veneno na outra, a que sobreviver</p><p>responderá por homicídio. Em síntese, os atos executórios contra a própria vida devem partir</p><p>exclusivamente da vítima.</p><p>21.3. Infanticídio (art. 123 do CP)</p><p>Princípio da especialidade:</p><p>Veja o esquema na página a seguir...</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>41</p><p>Marco inicial: início do parto (eliminação da vida humana durante o parto ou logo após).</p><p>Antes do início do parto: aborto.</p><p>Atenção ao erro sobre a pessoa: art. 20, §3º, do CP.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>31) FGV – 2012 – OAB – 6° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Grávida de nove meses, Maria se desespera e, visando evitar o nascimento de seu filho, toma um</p><p>comprimido contendo um complexo vitamínico, achando, equivocadamente, tratar-se de uma pílula</p><p>abortiva. Ao entrar em trabalho de parto, poucos minutos depois, Maria dá à luz um bebê saudável.</p><p>Todavia, Maria, sob a influência do estado puerperal, lança a criança pela janela do hospital, causando-</p><p>lhe o óbito.</p><p>Com base no relatado acima, é correto afirmar que Maria praticou</p><p>A) Crime de homicídio qualificado pela utilização de recurso que impediu a defesa da vítima.</p><p>B) Em concurso material os crimes de aborto tentado e infanticídio consumado.</p><p>C) Apenas o crime de infanticídio.</p><p>D) Em concurso formal os crimes de aborto tentado e infanticídio consumado.</p><p>21.4. Aborto</p><p>Divisão:</p><p>Veja o esquema na página a seguir...</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>42</p><p>Eliminação da vida humana intrauterina:</p><p>Marco inicial: nidação.</p><p>Marco final: antes do início do parto (se for após haverá homicídio ou infanticídio).</p><p>ADPF 54: aborto do feto anencefálico (dignidade da pessoa humana).</p><p>Atenção ao crime impossível: art. 17 do CP.</p><p>22. Lesão corporal (art. 129 do CP)</p><p>Na lesão corporal o agente atua com animus laedendi, ou seja, age com a intenção de</p><p>produzir uma lesão corporal na vítima. Assim sendo, o agente não tem intenção de matar nem</p><p>assume o risco de produzir o resultado morte, pois, em tal caso, responderia pelo crime de</p><p>homicídio.</p><p>a) Lesão corporal dolosa: lesão corporal dolosa, regra geral, varia de acordo com o grau</p><p>da lesão corporal.</p><p>• Lesão corporal grave: art. 129, §1°;</p><p>• Lesão corporal gravíssima: art. 129, §2°;</p><p>• Lesão corporal seguida de morte: art. 129, §3°.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>43</p><p>A lesão corporal seguida de morte possui natureza preterdolosa, ou seja, deve o agente</p><p>agir com dolo em relação à conduta inicial (lesão corporal) e culpa em relação ao resultado morte.</p><p>Trata-se de crime expressamente subsidiário, somente podendo ser reconhecido na</p><p>impossibilidade do homicídio (se o agente agiu com dolo direto ou dolo eventual em relação ao</p><p>resultado morte).</p><p>b) Lesão corporal culposa (art. 129, §6º): a lesão corporal culposa não varia de acordo</p><p>com a intensidade, sempre será culposa (se agindo com negligência, imprudência ou imperícia).</p><p>c) Lesão corporal especial (art. 129, § 13): se a lesão for praticada contra a mulher, por</p><p>razões da condição do sexo feminino.</p><p>d) Lesão corporal funcional (art. 129, §12): é crime hediondo em se tratando de lesão</p><p>corporal gravíssima ou seguida de morte.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>32) FGV – 2017 – OAB – 23° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Pedro, quando limpava sua arma de fogo, devidamente registrada em seu nome, que mantinha no interior</p><p>da residência sem adotar os cuidados necessários, inclusive o de desmuniciá-la, acaba, acidentalmente,</p><p>por dispará-la, vindo a atingir seu vizinho Júlio e a esposa deste, Maria.</p><p>Júlio faleceu em razão da lesão causada pelo projétil e Maria sofreu lesão corporal e debilidade</p><p>permanente de membro.</p><p>Preocupado com sua situação jurídica, Pedro o procura para, na condição de advogado, orientá-lo acerca</p><p>das consequências do seu comportamento.</p><p>Na oportunidade, considerando a situação narrada, você deverá esclarecer, sob o ponto de vista técnico,</p><p>que ele poderá vir a ser responsabilizado pelos crimes de</p><p>A) Homicídio culposo, lesão corporal culposa e disparo de arma de fogo, em concurso formal.</p><p>B) Homicídio culposo e lesão corporal grave, em concurso formal.</p><p>C) Homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso material.</p><p>D) Homicídio culposo e lesão corporal culposa, em concurso formal.</p><p>23. Crimes contra a honra</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>44</p><p>23.1. Calúnia (art. 138 do CP)</p><p>Imputação falsa de fato definido como crime. Tem certeza de que está imputando um</p><p>crime a um inocente. O fato precisa ser um crime. Via de regra, cabe exceção da verdade. Só</p><p>não caberá exceção da verdade nos casos previstos no parágrafo 3º do artigo 138.</p><p>23.2. Injúria (art. 140 do CP)</p><p>Imputação de uma qualidade negativa. A injúria, quando cometida por escrito, admite a</p><p>tentativa; quando por meio verbal, não.</p><p>Nos termos do artigo 140, parágrafo 2º do CP se a injúria consiste em violência ou vias</p><p>de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes haverá a injúria</p><p>real com pena de detenção de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à</p><p>violência.</p><p>Por sua vez, nos termos do artigo 140, parágrafo 3º CP (já com a redação atualizada pela</p><p>Lei nº 14.532/2023) se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a religião ou à</p><p>condição de pessoa idosa ou com deficiência haverá a injúria qualificada com pena de reclusão,</p><p>de 1 a 3 anos e multa.</p><p>Quando o agente se dirige a uma pessoa de determinada raça, insultando-a com</p><p>argumentos ou palavras de conteúdo pejorativo, responderá por injúria racial, nos termos do</p><p>artigo 2º-A da Lei nº 7716 de 1989, com pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa não podendo</p><p>alegar que houve uma injúria simples, tampouco uma mera exposição do pensamento (como</p><p>dizer que todo “judeu é corrupto” ou que “negros são desonestos”), uma vez que não há limite</p><p>para tal liberdade.</p><p>Assim, quem simplesmente dirigir a terceiro palavras referentes à “raça”, “cor”, “etnia” ou</p><p>“procedência nacional”, com o intuito de ofender, responderá por injúria racial nos termos do</p><p>dispositivo legal citado. Ademais, vale destacar que, nos termos do parágrafo único do artigo 2º-</p><p>A da Lei nº 7.716/1989 a pena será aumentada de metade se o crime for praticado mediante o</p><p>concurso de duas ou mais pessoas.</p><p>23.3. Difamação (art. 139 do CP)</p><p>Imputação de um fato ofensivo à reputação do indivíduo (que não é crime). Pode ser</p><p>contravenção penal. Via de rega, não cabe exceção da verdade. Caberá exceção da verdade se</p><p>a ofensa for dirigida a funcionário público no exercício das funções.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>45</p><p>Causas de aumento de pena (art. 141 do CP):</p><p>• Contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;</p><p>• Contra funcionário público, em razão de suas funções, ou contra os Presidentes do</p><p>Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal;</p><p>• Na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia,</p><p>da difamação ou da injúria;</p><p>• Contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no</p><p>caso de injúria.</p><p>Retratação:</p><p>Art. 143 do Código Penal</p><p>O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação,</p><p>fica isento de pena.</p><p>Parágrafo único - Nos casos em que o querelado tenha praticado a calúnia ou a difamação</p><p>utilizando-se de meios de comunicação, a retratação</p><p>dar-se-á, se assim desejar o</p><p>ofendido, pelos mesmos meios em que se praticou a ofensa.</p><p>Ação penal:</p><p>Art. 145 do Código Penal</p><p>Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando,</p><p>no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.</p><p>Parágrafo único - Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do inciso</p><p>I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação do ofendido, no caso do</p><p>inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3º do art. 140 deste Código.</p><p>Regra: ação penal privada da vítima ou do seu representante legal. Todavia, resultando</p><p>lesão física na vítima (injúria real com lesão corporal), apura-se o crime mediante ação penal</p><p>pública incondicionada. No entanto, com o advento da Lei nº 9.099/1995, alguns autores</p><p>entendem que se trata de ação penal pública condicionada à representação, já que é a prevista</p><p>para os crimes de lesão corporal leve.</p><p>Será penal pública condicionada à representação no caso de o delito ser cometido contra</p><p>funcionário público, no exercício das funções (art. 141, II), e condicionada à requisição do</p><p>Ministro da Justiça no caso do inciso I do art. 141 (contra o Presidente da República ou Chefe</p><p>de Governo Estrangeiro).</p><p>Súmula nº 714 do STF. É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do</p><p>ministério público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime</p><p>contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>46</p><p>Por último, vale destacar que a injúria qualificada do parágrafo 3º do artigo 140 será de</p><p>ação penal pública condicionada à representação enquanto a injúria racial (art. 2º-A da Lei nº</p><p>7.716 de 1989) será de ação penal pública incondicionada.</p><p>24. Crimes contra o patrimônio</p><p>24.1. Furto</p><p>• Ação nuclear é subtrair, que significa tirar, retirar de outrem bem móvel, sem a sua</p><p>permissão com o fim de assenhoreamento definitivo. A subtração implica sempre a</p><p>retirada do bem sem o consentimento do possuidor ou proprietário;</p><p>• O agente não tem a posse anterior do bem e inverte a posse;</p><p>• É indispensável que o agente tenha a intenção de possuir a coisa alheia móvel,</p><p>submetendo-a ao seu poder, isto é, de não devolver o bem, de forma alguma. É o</p><p>chamado animus rem sibii habendi;</p><p>• Não existe na modalidade culposa.</p><p>Para os nossos Tribunais Superiores (STF/STJ), para o furto atingir a consumação basta</p><p>a subtração da coisa, ou seja, a inversão da posse, ainda que por curto espaço de tempo e em</p><p>seguida a perseguição do agente, sendo prescindível a posse mansa e pacífica ou desvigiada.</p><p>Neste sentido temos a Súmula 582 do STJ (referente ao roubo, mas aplicável por analogia ao</p><p>crime de furto), o RESP 1524450/RJ, o AgRg nº ARESP 1.546.170/SO de 26/11/2019 do STJ e</p><p>o HC 135674 de 27/09/2016 da 2° turma do STF.</p><p>24.2. Apropriação indébita (art. 168 do CP)</p><p>O pressuposto do crime de apropriação indébita é a anterior posse lícita da coisa alheia,</p><p>da qual o agente se apropria indevidamente. A posse, que deve preexistir ao crime, deve ser</p><p>exercida pelo agente em nome alheio, isto é, em nome de outrem.</p><p>O núcleo do tipo é o verbo “apropriar-se”, que significa fazer sua a coisa alheia. Tendo o</p><p>sujeito a posse ou a detenção do objeto material, em dado momento faz mudar o título da posse</p><p>ou da detenção, comportando-se como se dono fosse.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>47</p><p>24.3. Roubo (art. 157 do CP)</p><p>Ação nuclear: a ação nuclear do tipo, identicamente ao furto, consubstancia-se no verbo</p><p>subtrair, que significa tirar, retirar, de outrem, no caso bem móvel. Agora, contudo, estamos</p><p>diante de um crime mais grave que o furto, na medida em que a subtração é realizada mediante</p><p>o emprego de grave ameaça ou violência contra a pessoa, ou por qualquer outro meio que reduza</p><p>a capacidade de resistência da vítima.</p><p>24.3.1. Espécies de roubo</p><p>Roubo próprio (artigo 157,</p><p>caput)</p><p>• Admite violência ou grave ameaça (violência própria)</p><p>ou violência imprópria (diminuição da capacidade de</p><p>resistência).</p><p>• A violência ou grave ameaça é empregada antes ou</p><p>durante a subtração.</p><p>• A violência ou a grave ameaça é empregada como</p><p>meio para subtrair o bem para si ou para terceiro.</p><p>Roubo impróprio (artigo</p><p>157, § 1°)</p><p>• Somente admite a violência ou grave ameaça</p><p>(violência própria).</p><p>• A violência ou a grave ameaça é empregada após a</p><p>subtração.</p><p>• A violência ou grave ameaça é empregada</p><p>• para assegurar a impunidade ou a detenção da coisa</p><p>para si ou para terceiro.</p><p>Consumação e tentativa: nos termos da Súmula nº 582 do STJ:</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>48</p><p>Consuma-se o crime de roubo com a inversão da posse do bem mediante emprego de</p><p>violência ou grave ameaça, ainda que por breve tempo e em seguida à perseguição</p><p>imediata ao agente e recuperação da coisa roubada, sendo prescindível a posse mansa e</p><p>pacífica ou desvigiada.</p><p>24.4. Estelionato</p><p>a) Ação nuclear: consiste em induzir ou manter alguém em erro, mediante o emprego de</p><p>artifício, ardil, ou qualquer meio fraudulento, a fim de obter, para si ou para outrem, vantagem</p><p>ilícita em prejuízo alheio. A característica primordial do estelionato é a fraude: engodo empregado</p><p>pelo sujeito para induzir ou manter a vítima em erro, com o fim de obter um indevido proveito</p><p>patrimonial.</p><p>O meio de execução deve ser apto a enganar a vítima. Tratando-se de meio grotesco, que</p><p>facilmente demonstra a intenção fraudulenta, não há nem tentativa, por atipicidade do fato.</p><p>b) Consumação e tentativa: trata-se de crime material. Consuma-se com a obtenção da</p><p>vantagem ilícita indevida, em prejuízo alheio, ou seja, quando o agente aufere o proveito</p><p>econômico, causando dano à vítima. Via de regra, esses resultados ocorrem simultaneamente.</p><p>Há, assim, ao mesmo tempo, a obtenção de proveito pelo estelionatário e o prejuízo da vítima.</p><p>A tentativa é perfeitamente possível, por exemplo, no caso em que o agente por</p><p>circunstâncias alheias à sua vontade não consiga obter o prejuízo em detrimento da vítima.</p><p>Considerações importantes! Falsidade documental como fraude para a prática do</p><p>estelionato: imagine que o agente pratique uma falsidade documental (falsidade de documento</p><p>público, particular ou ideológica) como meio para induzir ou manter a vítima em erro e desta</p><p>forma obter a vantagem ilícita e causar prejuízo alheio. Exemplo: o agente falsifica um cheque</p><p>para comprar em determinada rede de estabelecimentos comerciais. O STJ, na Súmula nº 17,</p><p>entende pela absorção do delito de falso pelo estelionato, desde que não haja mais</p><p>potencialidade lesiva.</p><p>c) Fraude no pagamento por meio de cheque (art. 171, § 2°, inciso VI do CP): se o</p><p>indivíduo emite um cheque na certeza de que tem fundos disponíveis para o devido pagamento</p><p>pelo banco, quando na realidade não há qualquer numerário depositado na agência bancária,</p><p>não se pode falar em ilícito criminal, ante a ausência de má-fé.</p><p>O que a lei penal pune é o pagamento fraudulento. Nesse sentido é o teor da Súmula nº</p><p>246 do STF: “comprovado não ter havido fraude, não se configura o crime de emissão de cheque</p><p>sem fundos”.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>49</p><p>Podemos destacar que diante das alterações promovidas pela Lei nº 14.155 de 2021</p><p>essa súmula perdeu o objeto, uma vez que no parágrafo 4º do artigo 70 do CPP o juízo</p><p>competente será o do domicílio da vítima.</p><p>Arrependendo-se o agente antes da apresentação do título pelo beneficiário no banco</p><p>sacado, e depositando o numerário necessário para cobrir a quantia constante do cheque, haverá</p><p>arrependimento eficaz, não respondendo ele por crime algum.</p><p>Se, por outro lado, o agente arrepender-se somente após a consumação do crime, ou</p><p>seja, após a recusa do pagamento</p><p>pelo banco sacado, incidirá a Súmula nº 554 do STF: “O</p><p>pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não</p><p>obsta ao prosseguimento da ação penal”. Assim, o pagamento do cheque antes do recebimento</p><p>da denúncia extingue a punibilidade do agente.</p><p>d) Lei nº 14.155/2021: cumpre ressaltar que a Lei nº 14.155/2021, a qual entrou em vigor</p><p>em 27 de maio de 2021, acrescentou os parágrafos 2°-A e 2°-B:</p><p>§ 2º-A. A pena é de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa, se a fraude é cometida</p><p>com a utilização de informações fornecidas pela vítima ou por terceiro induzido a erro por</p><p>meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de correio eletrônico fraudulento, ou</p><p>por qualquer outro meio fraudulento análogo.</p><p>§ 2º-B. A pena prevista no § 2º-A deste artigo, considerada a relevância do resultado</p><p>gravoso, aumenta-se de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado mediante</p><p>a utilização de servidor mantido fora do território nacional.</p><p>e) Ação penal (art. 171, § 5° do CP): com o advento da Lei nº 13.964/19, a qual incluiu o</p><p>parágrafo 5° no artigo 171 do CP, o qual dispõe que a regra da ação penal no crime de estelionato</p><p>será pública condicionada à representação, com exceção nos casos em que a administração</p><p>pública (direta ou indireta), criança ou adolescente, pessoa com deficiência mental ou maior de</p><p>70 anos de idade ou incapaz forem vítimas, hipóteses em que a ação penal será pública e</p><p>incondicionada.</p><p>24.5. Extorsão (art. 158 do CP)</p><p>Art. 158 do Código Penal:</p><p>Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter para</p><p>si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de</p><p>fazer alguma coisa:</p><p>Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.</p><p>(Causas de aumento de pena):</p><p>§ 1º Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com emprego de arma, aumenta-</p><p>se a pena de um terço até metade.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>50</p><p>(Extorsão Qualificada):</p><p>§ 2º Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o disposto no § 3º do artigo anterior.</p><p>(Sequestro-Relâmpago):</p><p>§ 3º Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da vítima, e essa condição</p><p>é necessária para a obtenção da vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis)</p><p>a 12 (doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou morte, aplicam-se as</p><p>penas previstas no art. 159, §§ 2º e 3º, respectivamente.</p><p>a) Conduta típica: extorsão é o fato de o sujeito constranger alguém, mediante violência</p><p>ou grave ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica,</p><p>a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa.</p><p>A diferença em relação ao roubo concentra-se no fato de a extorsão exigir a participação</p><p>ativa da vítima fazendo alguma coisa, tolerando que se faça ou deixando de fazer algo em virtude</p><p>da ameaça ou da violência sofrida.</p><p>b) Consumação: a extorsão atinge a consumação com a conduta típica imediatamente</p><p>anterior à produção do resultado visado pelo sujeito.</p><p>Para a consumação, portanto, o agente deve atingir o segundo estágio, isto é, a</p><p>consumação ocorre quando a vítima cede ao constrangimento imposto e faz ou deixa de fazer</p><p>algo. Esse é o entendimento que prevalece na doutrina. Nesse sentido, a Súm. no 96 do STJ:</p><p>“O crime de extorsão consuma-se independentemente da obtenção da vantagem indevida”.</p><p>A tentativa é admissível. Ocorre quando o sujeito passivo, não obstante constrangido pelo</p><p>autor por meio da violência física ou moral, não realiza a conduta positiva ou negativa pretendida,</p><p>por circunstâncias alheias à sua vontade.</p><p>c) Extorsão qualificada (art. 158, §2º): as duas hipóteses (lesão corporal grave ou morte)</p><p>elencadas, como no roubo, caracterizam condições de exasperação da punibilidade em razão</p><p>da maior gravidade do resultado.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>51</p><p>Inusitadamente, o legislador deixou de considerar hediondo o crime de extorsão</p><p>qualificada pelo resultado morte, ao dar nova redação ao art. 1o, III, da Lei nº 8.072/1990, que</p><p>passou a prever como crime hediondo somente a extorsão qualificada pela restrição da liberdade</p><p>da vítima, ocorrência de lesão corporal ou morte (art. 158, § 3º).</p><p>d) Sequestro-relâmpago (art. 158, §3º): nada mais é do que uma modalidade qualificada</p><p>do delito de extorsão, na qual a privação da liberdade da vítima é condição indispensável para</p><p>obtenção da vantagem econômica pretendida pelo agente.</p><p>Trata-se de crime hediondo, nos termos do artigo 1º, inciso III da lei 8.072/90.</p><p>e) Diferença para a extorsão mediante sequestro (art. 159): no artigo 158, parágrafo</p><p>3° o agente depende do comportamento da vítima para conseguir a vantagem econômica</p><p>indevida, a qual é prestada pela própria vítima. Já no delito de extorsão mediante sequestro a</p><p>vantagem necessariamente é prestada por pessoa diversa daquela que tem a liberdade</p><p>restringida.</p><p>Ademais, no sequestro-relâmpago a restrição da liberdade da vítima é tão somente pelo</p><p>tempo necessário para o agente obter a vantagem indevida, razão pela qual entende a doutrina</p><p>que se o agente restringir a liberdade da vítima por tempo além do necessário para obter a</p><p>vantagem indevida haverá o crime do artigo 159, ainda que a própria vítima preste a vantagem.</p><p>24.6. Extorsão mediante sequestro (art. 159 CP)</p><p>Art. 159 do Código Penal</p><p>Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como</p><p>condição ou preço do resgate:</p><p>Pena - reclusão, de oito a quinze anos.</p><p>(Figura qualificada I):</p><p>§ 1º Se o sequestro dura mais de 24 (vinte e quatro) horas, se o sequestrado é menor de</p><p>18 (dezoito) ou maior de 60 (sessenta) anos, ou se o crime é cometido por bando ou</p><p>quadrilha.</p><p>Pena - reclusão, de doze a vinte anos.</p><p>(Figura qualificada II):</p><p>§ 2º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave. Pena - reclusão, de dezesseis</p><p>a vinte e quatro anos.</p><p>(Figura qualificada III):</p><p>§3º - Se resulta a morte:</p><p>Pena - reclusão, de vinte e quatro a trinta anos</p><p>(Delação premiada/diminuição de pena):</p><p>§ 4º - Se o crime é cometido em concurso, o concorrente que o denunciar à autoridade,</p><p>facilitando a libertação do sequestrado, terá sua pena reduzida de um a dois terços.</p><p>a) Conduta típica: o crime consubstancia-se no verbo sequestrar, que significa privar a</p><p>vítima de sua liberdade de locomoção, ainda que por breve espaço de tempo. Exige a presença</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>52</p><p>de um elemento subjetivo específico, consistente na finalidade de obtenção, para si ou para</p><p>outrem, de qualquer vantagem como condição ou preço de resgate. É crime hediondo.</p><p>b) Consumação: a consumação ocorre com a privação de liberdade de locomoção da</p><p>vítima, exigindo-se tempo juridicamente relevante. Trata-se de crime permanente, cuja</p><p>consumação se prolonga no tempo. Assim, enquanto a vítima estiver submetida à privação de</p><p>sua liberdade de locomoção, o crime estará em fase de consumação.</p><p>Tratando-se de crime formal, pune-se a mera atividade de sequestrar pessoa, tendo a</p><p>finalidade de obter vantagem. Assim, embora o agente não consiga a vantagem almejada, o</p><p>delito está consumado quando a liberdade da vítima é cerceada.</p><p>24.7. Dano</p><p>Art. 163 do Código Penal:</p><p>Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:</p><p>Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.</p><p>(Dano Qualificado):</p><p>Parágrafo único - Se o crime é cometido:</p><p>I - com violência à pessoa ou grave ameaça;</p><p>II - com emprego de substância inflamável ou explosiva, se o fato não constitui crime mais</p><p>grave</p><p>III - contra o patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de Município ou de</p><p>autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa</p><p>concessionária de serviços públicos;</p><p>IV - por motivo egoístico ou com prejuízo considerável para a vítima:</p><p>Pena - detenção, de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à</p><p>violência.</p><p>(Ação Penal):</p><p>Art. 167 - Nos casos do art. 163, do inciso IV do seu parágrafo e do art. 164, somente se</p><p>procede mediante queixa.</p><p>Observações importantes: destruir quer dizer arruinar, extinguir ou eliminar. Inutilizar</p><p>significa tornar inútil ou imprestável alguma coisa aos fins para os quais se destina. Deteriorar é</p><p>a conduta de quem estraga ou corrompe alguma coisa parcialmente.</p><p>O delito de dano somente é punido na forma dolosa, não havendo punição para a forma</p><p>culposa.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>53</p><p>De acordo com o art. 167, a ação penal privada é cabível no crime de dano simples</p><p>(art.163, caput, do CP) e dano qualificado pelo motivo egoístico ou prejuízo considerável.</p><p>A ação penal pública incondicionada é cabível nas demais hipóteses.</p><p>24.8. Receptação</p><p>Art. 180 do Código Penal</p><p>Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que</p><p>sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou</p><p>oculte:</p><p>Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.</p><p>(Receptação qualificada):</p><p>§ 1º - Adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito, desmontar, montar,</p><p>remontar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou</p><p>alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, coisa que deve saber ser produto</p><p>de crime:</p><p>Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa.</p><p>§ 2º - Equipara-se à atividade comercial, para efeito do parágrafo anterior, qualquer forma</p><p>de comércio irregular ou clandestino, inclusive o exercício em residência.</p><p>(Receptação culposa):</p><p>§ 3º - Adquirir ou receber coisa que, por sua natureza ou pela desproporção entre o valor</p><p>e o preço, ou pela condição de quem a oferece, deve presumir-se obtida por meio</p><p>criminoso:</p><p>Pena - detenção, de um mês a um ano, ou multa, ou ambas as penas.</p><p>(Dispositivos importantes):</p><p>§ 4º - A receptação é punível, ainda que desconhecido ou isento de pena o autor do crime</p><p>de que proveio a coisa.</p><p>§ 5º - Na hipótese do § 3º, se o criminoso é primário, pode o juiz, tendo em consideração</p><p>as circunstâncias, deixar de aplicar a pena. Na receptação dolosa aplica-se o disposto no</p><p>§ 2º do art. 155</p><p>§ 6º - Tratando-se de bens do patrimônio da União, de Estado, do Distrito Federal, de</p><p>Município ou de autarquia, fundação pública, empresa pública, sociedade de economia</p><p>mista ou empresa concessionária de serviços públicos, aplica-se em dobro a pena prevista</p><p>no caput deste artigo.</p><p>Observações importantes: nos termos do art. 180, caput, do CP, a receptação é o fato</p><p>de adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que</p><p>sabe ser produto de crime, ou influir para que terceiro, de boa-fé, a adquira, receba ou oculte.</p><p>Já a forma qualificada é praticada no exercício de atividade comercial ou industrial e tem</p><p>como elemento subjetivo o dolo, seja direto ou eventual.</p><p>É pressuposto do crime de receptação a existência de crime anterior. Trata-se de delito</p><p>acessório, em que o objeto material deve ser produto de crime antecedente, chamado de delito</p><p>pressuposto.</p><p>Para a concretização do crime de receptação não importa se houve a condenação do</p><p>autor do crime anterior. Porém, é necessário evidenciar-se a existência do crime anterior.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>54</p><p>A receptação culposa constitui o fato de o sujeito adquirir ou receber coisa que, por sua</p><p>natureza ou pela desproporção entre o valor e o preço, ou pela condição de quem a oferece,</p><p>deve presumir-se obtida por meio criminoso (art. 180, § 3º).</p><p>Nos termos do art. 180, § 5º, 1ª parte, do CP, na hipótese da receptação culposa, se o</p><p>criminoso é primário, deve o juiz, tendo em consideração determinadas circunstâncias, deixar de</p><p>aplicar a pena. No caso, fixaram a doutrina e a jurisprudência que, além da primariedade, deve-</p><p>se exigir o seguinte: a) diminuto valor da coisa objeto da receptação; b) bons antecedentes; c)</p><p>ter o agente atuado com culpa levíssima.</p><p>24.9. Disposições gerais (art. 181 a 183 do CP)</p><p>Art. 181 do Código Penal</p><p>É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em prejuízo:</p><p>I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;</p><p>II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou</p><p>natural.</p><p>Art. 182 do Código Penal</p><p>Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é cometido</p><p>em prejuízo:</p><p>I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;</p><p>II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;</p><p>III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita</p><p>Art. 183 do Código Penal</p><p>Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:</p><p>I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave</p><p>ameaça ou violência à pessoa;</p><p>II - ao estranho que participa do crime.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>55</p><p>III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta) anos</p><p>a) Imunidade absoluta (art. 181 do CP): trata-se da chamada imunidade penal absoluta,</p><p>também conhecida como escusa absolutória, incidente sobre os crimes contra o patrimônio, nas</p><p>seguintes hipóteses:</p><p>I – do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;</p><p>II – de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou</p><p>natural.</p><p>b) Imunidade relativa (art. 182, I, II e III, do CP): consubstancia-se em imunidade penal</p><p>relativa ou processual, que não extingue a punibilidade, mas tão somente impõe uma condição</p><p>objetiva de procedibilidade.</p><p>Neste caso, ao contrário da imunidade absoluta, o autor do crime não é isento de pena,</p><p>mas os crimes de ação penal pública incondicionada passam a ser condicionados à</p><p>representação do ofendido.</p><p>c) Exclusão de imunidade ou privilégio (art. 183 do CP): dá-se nas seguintes</p><p>hipóteses:</p><p>I – se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave</p><p>ameaça ou violência à pessoa;</p><p>II – ao estranho que participa do crime;</p><p>III – se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta)</p><p>anos.</p><p>Veja o esquema na página a seguir...</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>56</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>57</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>33) FGV – 2022 – OAB – 36° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Américo é torcedor fanático de um grande clube brasileiro, que disputa todos os principais campeonatos</p><p>nacionais e internacionais. Américo recebeu a notícia de que seu clube iria jogar uma partida no estádio</p><p>de sua cidade, porém, ao tentar adquirir os ingressos, descobriu que estes já haviam se esgotado. André,</p><p>seu vizinho, torcedor do time rival, sempre incomodado com os gritos de comemoração que Américo</p><p>soltava em dias de jogo, resolveu se vingar, oferecendo ingressos falsos para Américo. Sem saber da</p><p>falsidade, Américo aceitou a oferta, porém, no momento da concretização do pagamento, percebeu, por</p><p>sua acurada expertise no tema ingressos de futebol, que os ingressos eram falsos.</p><p>Com base na situação hipotética, é correto afirmar que a conduta de André corresponde ao crime de</p><p>A) “Cambismo”, do Estatuto do Torcedor, na modalidade tentada.</p><p>B) Falsificação de documento público.</p><p>C) Estelionato, na modalidade tentada.</p><p>D) Uso de documento falso.</p><p>25. Crimes contra a dignidade sexual</p><p>25.1. Ação penal</p><p>Art. 225 do Código Penal</p><p>Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante ação penal</p><p>pública incondicionada.</p><p>25.2. Causas de aumento de pena</p><p>Art. 226 do Código Penal</p><p>A pena é aumentada:</p><p>I – de quarta parte, se o crime é cometido com o concurso de 2 (duas) ou mais pessoas;</p><p>II</p><p>- de metade, se o agente é ascendente, padrasto ou madrasta, tio, irmão, cônjuge,</p><p>companheiro, tutor, curador, preceptor ou empregador da vítima ou por qualquer outro</p><p>título tiver autoridade sobre ela;</p><p>III – revogado;</p><p>IV - de 1/3 (um terço) a 2/3 (dois terços), se o crime é praticado:</p><p>a) mediante concurso de 2 (dois) ou mais agentes;</p><p>b) para controlar o comportamento social ou sexual da vítima.</p><p>25.3. Estupro</p><p>Art. 213 do Código Penal</p><p>Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a</p><p>praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:</p><p>Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>58</p><p>Tipo penal misto alternativo: desta feita, se o agente no mesmo contexto fático praticar</p><p>ato libidinoso diverso e conjunção carnal mediante violência ou grave ameaça contra a mesma</p><p>vítima haverá apenas um crime de estupro e não concurso de crimes.</p><p>Prescindibilidade do contato físico entre o agente e a vítima: pode-se falar em crime</p><p>de estupro mesmo que não haja contato físico.</p><p>Estupro qualificado:</p><p>Art. 213 do Código Penal</p><p>§ 1º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18</p><p>(dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos:</p><p>Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.</p><p>§ 2º Se da conduta resulta morte:</p><p>Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos.</p><p>25.4. Estupro de vulnerável (art. 217-A do CP)</p><p>Ter conjunção carnal ou praticar ato libidinoso diverso com menor de 14 anos (ainda que</p><p>não haja violência, ainda que haja o consentimento da vítima). Neste sentido vale destacar que</p><p>nos termos da súmula 593 do STF e do parágrafo 5 do artigo 217-a do CP a presunção de</p><p>vulnerabilidade será absoluta.</p><p>Outras pessoas consideradas vulneráveis:</p><p>Art. 217-A do Código Penal</p><p>§ 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que,</p><p>por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática</p><p>do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.</p><p>Atenção especial: deve o agente ter ciência da condição de vulnerabilidade da vítima.</p><p>caso o agente erra sobre tal condição, como por exemplo, acreditar que está mantendo relação</p><p>sexual com alguém maior de 18 anos quando na verdade tinha menos de 14 anos poderá alegar</p><p>o erro de tipo, tornando o fato atípico (erro de tipo).</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>59</p><p>25.5. Assédio Sexual (art. 216-A do CP)</p><p>Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual,</p><p>prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência</p><p>inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função.</p><p>Pena – detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos.</p><p>Parágrafo único. (VETADO)</p><p>§ 2º A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos.</p><p>O crime só pode ser praticado por superior hierárquico ou ascendente em relação de</p><p>emprego, cargo ou função da vítima ou com ela tenha ascendência inerente ao exercício de</p><p>emprego.</p><p>Já o sujeito passivo é aquele na condição especial de subalterno ou subordinado do autor,</p><p>importante ressaltar que o tipo penal não faz menção a sexo, podendo assim admitir o crime de</p><p>assédio entre pessoas do mesmo sexo.</p><p>No que tange à tipicidade subjetiva, podemos concluir que o legislador pune somente a</p><p>forma dolosa, consistente na vontade consciente de constranger a vítima, aliado a finalidade</p><p>especial de obter vantagem ou favorecimento sexual.</p><p>O crime em questão possui natureza formal, se consumando no momento que ocorrem</p><p>os atos que importem em constranger a vítima, não havendo necessidade que aconteçam os</p><p>atos efetivamente que impliquem nas vantagens ou favorecimento sexual exigidos pelo agente.</p><p>Embora difícil a identificação é admissível a tentativa, por exemplo, na forma escrita um</p><p>bilhete que se extravia contendo proposta indecorosa.</p><p>26. Crimes contra a fé pública</p><p>26.1. Conceito de fé pública</p><p>A Fé Pública que pode ser entendida como a presunção de legitimidade e de veracidade</p><p>que os documentos e os procedimentos públicos possuem, ou seja, basicamente a crença de</p><p>que os documentos e procedimentos públicos são verdadeiros e estão em consonância com a</p><p>lei.</p><p>26.2. Inexistência de crimes culposos</p><p>Os crimes contra a fé pública são exclusivamente dolosos, não havendo previsão de</p><p>modalidade culposa.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>60</p><p>Observação especial: há tipos penais contra a fé pública que além do dolo exigem uma</p><p>finalidade especial do agente, tais como o crime de fraudes em certames de interesse público</p><p>(art. 311-A), falsidade ideológica (art. 299 do CP) e falsa identidade (art. 307 do CP).</p><p>26.3. Incriminação autônoma de atos preparatórios</p><p>O legislador, no artigo 291 e no artigo 294, incrimina, de forma autônoma, atos</p><p>preparatórios de outros crimes:</p><p>Petrechos para falsificação de moeda</p><p>Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar</p><p>maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto destinado à falsificação de moeda:</p><p>Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.</p><p>Petrechos de falsificação (papéis públicos)</p><p>Art. 294 - Fabricar, adquirir, fornecer, possuir ou guardar objeto especialmente destinado</p><p>à falsificação de qualquer dos papéis referidos no artigo anterior:</p><p>Pena - reclusão, de um a três anos, e multa.</p><p>26.4. Exigência da imitatio veri</p><p>É a aptidão do objeto falsificado para enganar, ou seja, é a semelhança com o produto</p><p>original. Assim sendo se a falsificação for grosseira não haverá lesão à fé pública, podendo</p><p>subsistir outros crimes como o estelionato por exemplo.</p><p>Súmula nº 73 do STJ: a utilização de papel-moeda grosseiramente falsificado configura,</p><p>em tese, o crime de estelionato, da competência da justiça estadual.</p><p>26.5. Principais crimes contra a fé pública</p><p>a) Falsificação de documento público (art. 297): este artigo trata da falsidade material,</p><p>ou seja, aquela que diz respeito à forma do documento. As ações nucleares se consubstanciam</p><p>nos verbos:</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>61</p><p>O crime consuma-se com a falsificação ou alteração do documento, sendo prescindível o</p><p>uso efetivo deste.</p><p>A tentativa é possível, pois há um iter criminis que pode ser fracionado. A tentativa</p><p>ocorrerá se, por exemplo, o agente, estando no início do processo de formação da escritura</p><p>pública falsa, tendo preenchido apenas algumas linhas, é surpreendido por terceiro. Nessa</p><p>hipótese, não ocorreu ainda a contrafação total do documento, portanto o crime reputa-se</p><p>tentado.</p><p>Aplica-se a Súmula nº 17 do STJ: “Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais</p><p>potencialidade lesiva, é por este absorvido”. Trata-se da aplicação da regra de que o crime-fim</p><p>absorve o crime-meio.</p><p>b) Falsificação de documento particular (art. 298): também se trata de falsidade</p><p>material, ou seja, aquela que diz respeito à forma do documento. A consumação e a tentativa,</p><p>neste crime, funcionam da mesma forma como no crime de Falsificação de Documento Público.</p><p>c) Falsidade ideológica: diferentemente dos delitos precedentes, estamos agora diante</p><p>da chamada falsidade ideológica, aquela em que o documento é formalmente perfeito, sendo,</p><p>no entanto, falsa a ideia nele contida. O sujeito tem legitimidade para emitir o documento, mas</p><p>acaba por inserir-lhe um conteúdo sem correspondência com a realidade dos fatos.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>62</p><p>d) Uso de documento falso:</p><p>Art. 304 do Código Penal</p><p>Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados ou alterados, a que se referem os arts. 297</p><p>a 302.</p><p>Pena - a cominada à falsificação ou à alteração.</p><p>Súmula nº 546</p><p>do STJ: A competência para processar e julgar o crime de uso de</p><p>documento falso é firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o</p><p>documento público, não importando a qualificação do órgão expedidor.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>34) FGV – 2018 – OAB – 27° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Talles, desempregado, decide utilizar seu conhecimento de engenharia para fabricar máquina destinada</p><p>à falsificação de moedas. Ao mesmo tempo, pega uma moeda falsa de R$ 3,00 (três reais) e, com um</p><p>colega também envolvido com falsificações, tenta colocá-la em livre circulação, para provar o sucesso da</p><p>empreitada.</p><p>Ocorre que aquele que recebe a moeda percebe a falsidade rapidamente, em razão do valor suspeito, e</p><p>decide chamar a Polícia, que apreende a moeda e o maquinário já fabricado. Talles é indiciado pela</p><p>prática de crimes e, já na Delegacia, liga para você, na condição de advogado(a), para esclarecimentos</p><p>sobre a tipicidade de sua conduta.</p><p>Considerando as informações narradas, em conversa sigilosa com seu cliente, você deverá esclarecer</p><p>que a conduta de Talles configura</p><p>A) Atos preparatórios, sem a prática de qualquer delito.</p><p>B) Crimes de moeda falsa e de petrechos para falsificação de moeda.</p><p>C) Crime de petrechos para falsificação de moeda, apenas.</p><p>D) Crime de moeda falsa, apenas, em sua modalidade tentada.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>63</p><p>27. Crimes contra a administração pública</p><p>27.1. Súmula nº 599 do STJ</p><p>A Súmula nº 599 do STJ, diante da especificidade do bem jurídico moralidade</p><p>administrativa e da dificuldade de se precisar um valor, veda a aplicação do princípio da</p><p>insignificância aos crimes contra a administração pública. A exceção diz respeito ao crime de</p><p>descaminho, previsto no artigo 334 do CP, no qual STF e STJ reconhecem a insignificância para</p><p>valores até R$ 20.000,00.</p><p>27.2. Conceito de funcionário público</p><p>Conceito de funcionário público para fins penais: art. 327 do CP.</p><p>27.3. Principais crimes praticados por funcionário público contra a</p><p>administração pública em geral</p><p>27.3.1. Peculato (art. 312, do CP)</p><p>O peculato próprio, na realidade, constitui uma apropriação indébita, só que praticada por</p><p>funcionário público com violação do dever funcional. Antes de ser uma ação lesiva aos interesses</p><p>patrimoniais da Administração Pública, é principalmente uma ação que fere a moralidade</p><p>administrativa, em virtude de quebra do dever funcional.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>64</p><p>a) Peculato-apropriação (artigo 312, “caput”, 1ª parte do CP): é o denominado</p><p>peculato próprio. A ação nuclear típica consubstancia-se no verbo apropriar. Assim como no</p><p>crime de apropriação indébita, o agente tem a posse (ou detenção) lícita do bem móvel, público</p><p>ou particular, e inverte esse título, pois passa a comportar-se como se dono fosse, isto é,</p><p>consome-o, aliena-o.</p><p>b) Peculato-desvio (artigo 312, “caput”, 2ª parte do CP): é o denominado peculato</p><p>próprio. Está previsto na segunda parte do caput do art. 312: “ou desviá-lo, em proveito próprio</p><p>ou alheio”. O agente tem a posse da coisa e lhe dá destinação diversa da exigida por lei, agindo</p><p>em proveito próprio ou de terceiro.</p><p>Observação importante: não confundir peculato-desvio com o peculato-uso que é fato</p><p>atípico, uma vez que no peculato de uso há o ânimo de temporariedade com a intenção de</p><p>posterior restituição de determinado bem infungível, por exemplo, no caso do policial que se</p><p>utiliza da viatura para levar o seu filho ao colégio.</p><p>Sujeitos do delito: trata-se de crime próprio. Somente o funcionário público (art. 327,</p><p>caput) e as pessoas a ele equiparadas legalmente (art. 327, §§1º e 2º) podem praticar o delito</p><p>de peculato.</p><p>A condição especial funcionário público, como elementar do crime de peculato, comunica-</p><p>se ao particular que eventualmente concorra, na condição de coautor ou partícipe, para a prática</p><p>do crime, nos termos da previsão do art. 30 do CP. Portanto, é perfeitamente possível o concurso</p><p>de pessoas, dada a comunicabilidade da elementar do crime (art. 30).</p><p>c) Peculato-furto (artigo 312, parágrafo 1º do CP): é o denominado peculato impróprio.</p><p>Estamos agora diante de um crime de furto, só que praticado por funcionário público, o qual se</p><p>vale dessa qualidade para cometê-lo. Aqui o agente não tem a posse ou detenção do bem como</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>65</p><p>no peculato-apropriação ou desvio, mas se vale da facilidade que lhe proporciona a qualidade</p><p>de funcionário público para realizar a subtração.</p><p>d) Peculato culposo (artigo 312, parágrafo 2° do CP): o funcionário para ser punido</p><p>insere-se na figura do garante, prevista no art. 13, § 2º. Assim, tem ele o dever de agir, impedindo</p><p>o resultado de ação delituosa de outrem. Não o fazendo, responde por peculato culposo.</p><p>Extinção da punibilidade no peculato culposo – art. 312, § 3º: deve ser completa e</p><p>não exclui eventual sanção administrativa contra o funcionário. A extinção da punibilidade</p><p>somente aproveita o funcionário, autor do peculato culposo.</p><p>Consoante a segunda parte do § 3º, no crime culposo, se a reparação do dano é posterior</p><p>à sentença irrecorrível, isto é, transitada em julgado, haverá a redução de metade da pena</p><p>imposta.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>35) FGV – 2023 – OAB – 38° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Francisco, funcionário público concursado de uma autarquia federal, recebeu de seu órgão de atuação</p><p>um notebook funcional, tendo assinado o livro de carga referente ao objeto e assumido o compromisso</p><p>de zelar pelo bem da administração. Durante suas férias, Francisco viaja para uma pousada no interior</p><p>do estado de São Paulo e leva o computador na mochila, uma vez que tinha o costume de assistir séries</p><p>através do aparelho. Durante sua estadia na pousada, Francisco leva o notebook para a piscina e o coloca</p><p>na mesa onde deixara seus demais pertences. Após se ausentar por cerca de 40 minutos para jogar uma</p><p>partida de futebol, retorna para a piscina e constata que o notebook fora furtado. Desesperado, procura</p><p>a administração do local que após analisar as câmeras de segurança não consegue identificar quem teria</p><p>subtraído o computador.</p><p>Diante dos fatos, o órgão funcional ao qual Francisco era vinculado instaura procedimento administrativo</p><p>e, ato contínuo, encaminha pedido de instauração de Inquérito na Polícia Federal que culmina no</p><p>oferecimento de denúncia por parte do Ministério Público Federal pela prática do crime de peculato</p><p>culposo. Francisco procura a repartição pública e se oferece para pagar o valor referente ao notebook, o</p><p>que é aceito, sendo certo que o ressarcimento ao erário se deu antes do julgamento da ação penal.</p><p>Diante dos fatos narrados, é correto afirmar que Francisco</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>66</p><p>A) Terá direito à redução de metade da pena pelo fato de o ressarcimento ter sido feito após o recebimento</p><p>da denúncia.</p><p>B) Terá direito à extinção da punibilidade pelo fato de o ressarcimento ter sido feito antes da sentença</p><p>irrecorrível.</p><p>C) Não terá direito à atenuante referente à reparação do dano, prevista no Art. 65, inciso III, alínea b, do</p><p>CP, na medida em que esta exige a reparação do dano antes do recebimento da denúncia.</p><p>D) Poderá ser beneficiado pelo arrependimento posterior, previsto no Art. 16 do Código Penal em razão</p><p>de ter reparado o dano antes da sentença.</p><p>27.3.2. Concussão (art. 316, do CP)</p><p>Ação nuclear: a ação nuclear consubstancia-se no verbo exigir, isto é, ordenar,</p><p>reivindicar, impor como obrigação.</p><p>A vítima cede às exigências formuladas pelo agente ante o temor de represálias</p><p>relacionadas ao exercício da função pública por ele exercida. Assim, não é necessária a</p><p>promessa da causação de um mal determinado; basta o temor que autoridade inspira.</p><p>Consumação</p><p>e tentativa: trata-se de crime formal. A consumação ocorre com a mera</p><p>exigência da vantagem indevida, independentemente de sua efetiva obtenção. Se esta</p><p>sobrevém, há mero exaurimento do crime. É possível a tentativa, tendo em vista em que o crime</p><p>é plurissubsistente, ou seja, admite o fracionamento em mais de um ato executório.</p><p>27.3.3. Excesso de exação (art. 316, parágrafos 1° e 2° do CP)</p><p>Modalidades: são duas as modalidades previstas:</p><p>1) Exigência indevida: aqui a exigência do tributo ou contribuição social é indevida</p><p>(elemento normativo do tipo), isto é, não há autorização legal para sua cobrança,</p><p>ou seu valor já foi quitado pela vítima, ou então se refere a quantia excedente à</p><p>fixada por lei;</p><p>2) Cobrança vexatória ou gravosa não autorizada em lei (excesso no modo de exação</p><p>ou exação fiscal vexatória): ao contrário da modalidade criminosa precedente, aqui</p><p>a exigência de tributo ou contribuição social é devida, mas a cobrança se faz com</p><p>o emprego de meio gravoso ou vexatório para o devedor, o qual não é autorizado</p><p>por lei.</p><p>Consumação e tentativa:</p><p>a) Exigência indevida: aqui o delito se consuma no momento em que é feita a</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>67</p><p>exigência do tributo ou contribuição social. Trata-se de crime formal, portanto a</p><p>consumação independe do efetivo pagamento do tributo ou contribuição social pela</p><p>vítima. A tentativa é possível;</p><p>b) Cobrança vexatória ou gravosa: consuma-se com o emprego do meio vexatório ou</p><p>gravoso na cobrança do tributo ou contribuição social, independentemente de seu</p><p>efetivo recebimento. A tentativa é possível.</p><p>Excesso de exação – forma qualificada – art. 316, § 2º: nessa modalidade mais gravosa</p><p>do crime de excesso de exação, pune-se o funcionário público que, em vez de recolher o tributo</p><p>ou contribuição social, indevidamente exigido (§1º), para os cofres públicos, desvia-o em proveito</p><p>próprio ou alheio.</p><p>27.3.4. Corrupção passiva (art. 317, do CP)</p><p>Ação nuclear: trata-se de crime de ação múltipla. Três são as condutas típicas previstas:</p><p>1) Solicitar;</p><p>2) Receber;</p><p>3) Aceitar a promessa de recebê-la.</p><p>Classificação:</p><p>a) Corrupção passiva própria: o funcionário, em troca de alguma vantagem, pratica</p><p>ou deixa de praticar ato de ofício para beneficiar alguém. O ato a ser praticado pode</p><p>ser ilegítimo, ilícito ou injusto. É a chamada corrupção própria;</p><p>b) Corrupção passiva imprópria: também configura o crime a prática de ato legítimo,</p><p>lícito, justo. É a chamada corrupção passiva imprópria.</p><p>Sujeitos do delito: trata-se de crime próprio. Portanto, o delito só pode ser cometido por</p><p>funcionário público em razão da função (ainda que esteja fora dela ou antes de assumi-la). Nada</p><p>impede, contudo, a participação do particular, ou de outro funcionário, mediante induzimento,</p><p>instigação ou auxílio.</p><p>O particular que oferece ou promete vantagem indevida ao funcionário público responde</p><p>pelo delito de corrupção ativa (art. 333) e não pela participação no crime em estudo. Trata-se de</p><p>exceção à regra prevista no artigo 29 do CP.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>68</p><p>Consumação e tentativa: trata-se de crime formal. Portanto, a consumação ocorre com</p><p>o ato de solicitar, receber ou aceitar a promessa de vantagem indevida. A corrupção passiva</p><p>consuma-se instantaneamente, isto é, com a simples solicitação da vantagem indevida,</p><p>recebimento desta ou com a aceitação da mera promessa daquela.</p><p>O tipo penal não exige que o funcionário pratique ou se abstenha da prática do ato</p><p>funcional. Se isso suceder, haverá mero exaurimento do crime, o qual constitui condição de maior</p><p>punibilidade (causa de aumento de pena prevista no § 1º do art. 317).</p><p>A tentativa é de difícil ocorrência, mas não é impossível. Basta que haja um iter criminis a</p><p>ser cindido.</p><p>Causa de aumento de pena – art. 317, § 1º: eleva-se em 1/3 a pena do agente que, em</p><p>razão da vantagem recebida ou prometida, efetivamente retarda (atrasa ou procrastina) ou deixa</p><p>de praticar (não leva a efeito) ato de ofício que lhe competia desempenhar ou termina praticando</p><p>o ato, mas desrespeitando o dever funcional. É o que a doutrina classifica de corrupção exaurida.</p><p>Figura privilegiada – art. 317, § 2º: trata-se de conduta de menor gravidade, na medida</p><p>em que o agente pratica, deixa de praticar ou retarda o ato de ofício, não em virtude do</p><p>recebimento de vantagem indevida, mas cedendo a pedido ou influência de outrem, isto é, para</p><p>satisfazer interesse de terceiros ou para agradar ou bajular pessoas influentes.</p><p>27.4. Prevaricação (art. 319, do CP)</p><p>Elementos do tipo/ação nuclear/objeto material:</p><p>1) Retardar: é atrasar, adiar, protelar, pro crastinar, não praticar o ato de ofício dentro do</p><p>prazo estabelecido (crime omissivo).</p><p>2) Deixar de praticar: trata-se de mais uma modalidade omissiva do crime em estudo.</p><p>Aqui, no entanto, ao contrário da conduta precedente, há o ânimo definitivo de não praticar o ato</p><p>de ofício.</p><p>3) Praticar (contra disposição expressa de lei): cuida-se aqui de conduta comissiva, em</p><p>que o agente efetivamente executa o ato, só que de forma contrária à lei. O interesse pessoal é</p><p>qualquer proveito, vantagem, podendo ser patrimonial ou moral. Quanto ao interesse patrimonial,</p><p>importa distinguir algumas situações:</p><p>Se o ato praticado, retardado ou omitido tiver sido objeto de acordo anterior entre o</p><p>funcionário e o particular, visando aquele indevida vantagem, o crime passará a ser outro:</p><p>corrupção passiva;</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>69</p><p>Se houver, anteriormente à prática ou omissão do ato, a exigência de vantagem indevida</p><p>pelo funcionário público, haverá o crime de concussão.</p><p>Quanto ao sentimento pessoal podemos destacar que se manifesta em suas mais</p><p>variadas formas, tais como amor, paixão emoção ou ódio.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>70</p><p>Gabaritos das questões:</p><p>1 – C 2 – B 3 – A 4 – A 5 – B 6 – D</p><p>7 – C 8 – C 9 – B 10 – C 11 – D 12 – C</p><p>13 – D 14 – D 15 – B 16 – D 17 – A 18 – D</p><p>19 – C 20 – D 21 – D 22 – A 23 – B 24 – A</p><p>25 – D 26 - D 27 – A 28 – B 29 – B 30 – C</p><p>31 – C 32 - D 33 – C 34 – C 35 – B</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>71</p><p>https://ceisc.com.br/categorias/oab_2fase/</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>72</p><p>– OAB – 24° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Bárbara, nascida em 23 de janeiro de 1999, no dia 15 de janeiro de 2017, decide sequestrar Felipe, por</p><p>dez dias, para puni-lo pelo fim do relacionamento amoroso. No dia 16 de janeiro de 2017, efetivamente</p><p>restringe a liberdade do ex-namorado, trancando-o em uma casa e mantendo consigo a única chave do</p><p>imóvel. Nove dias após a restrição da liberdade, a polícia toma conhecimento dos fatos e consegue libertar</p><p>Felipe, não tendo, assim, se realizado, em razão de circunstâncias alheias, a restrição da liberdade por</p><p>dez dias pretendida por Bárbara. Considerando que, no dia 23 de janeiro de 2017, entrou em vigor nova</p><p>lei, mais gravosa, alterando a sanção penal prevista para o delito de sequestro simples, passando a pena</p><p>a ser de 01 a 05 anos de reclusão e não mais de 01 a 03 anos, o Ministério Público ofereceu denúncia</p><p>em face de Bárbara, imputando-lhe a prática do crime do Art. 148 do Código Penal (Sequestro e Cárcere</p><p>Privado), na forma da legislação mais recente, ou seja, aplicando-se, em caso de condenação, pena de</p><p>01 a 05 anos de reclusão. Diante da situação hipotética narrada, é correto afirmar que o advogado de</p><p>Bárbara, de acordo com a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, deverá pleitear</p><p>A) A aplicação do instituto da suspensão condicional do processo.</p><p>B) A aplicação da lei anterior mais benéfica, ou seja, a aplicação da pena entre o patamar de 01 a 03</p><p>anos de reclusão.</p><p>C) O reconhecimento da inimputabilidade da acusada, em razão da idade.</p><p>D) O reconhecimento do crime em sua modalidade tentada.</p><p>5. Territorialidade (art. 5º CP)</p><p>• Pelo princípio da territorialidade, aplicam-se as leis brasileiras aos delitos</p><p>cometidos dentro do território nacional;</p><p>• Nos termos do art. 5º, § 1º, do CP, há duas situações de território brasileiro por</p><p>equiparação, razão pela qual será aplicada a lei penal brasileira:</p><p>a) embarcações e aeronaves brasileiras de natureza pública ou a serviço do</p><p>governo brasileiro onde estiverem;</p><p>b) embarcações e aeronaves brasileiras, de propriedade privada, que estiverem</p><p>navegando em alto-mar ou sobrevoando águas internacionais.</p><p>6. Lugar do crime (art. 6º CP)</p><p>• O Código Penal adotou a teoria da ubiquidade ou mista, segundo a qual, para</p><p>fins de aplicação da lei penal brasileira, considera-se lugar do crime onde ocorreu</p><p>a conduta do agente, bem como o local onde se deu ou deveria se dar o resultado.</p><p>• Assim, na hipótese de o agente, que se encontra na cidade brasileira de Santana</p><p>do Livramento-RS, efetuar disparos de arma de fogo contra a vítima, que se</p><p>encontra na cidade de Rivera, em solo uruguaio, causando-lhe a morte, aplica-se</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>8</p><p>a lei penal brasileira, já que os atos executórios do crime foram praticados em</p><p>território brasileiro, embora o resultado tenha sido produzido em país estrangeiro.</p><p>7. Crimes omissivos</p><p>7.1. Crimes omissivos próprios</p><p>• São aqueles em que há um tipo penal específico descrevendo a conduta omissiva;</p><p>• Nesse caso, o crime consiste em o sujeito amoldar a sua conduta ao tipo legal que</p><p>descreve uma conduta omissiva;</p><p>• Em síntese, o agente será responsabilizado por não cumprir o dever de agir contido</p><p>implicitamente na norma incriminadora;</p><p>• Exemplo: crime de omissão de socorro:</p><p>Art. 135. Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à</p><p>criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em</p><p>grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública:</p><p>Pena – detenção, de um a seis meses, ou multa.</p><p>Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de</p><p>natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.</p><p>7.2. Crimes omissivos impróprios ou comissivos por omissão (art. 13,</p><p>§ 2º, do CP)</p><p>• Para que alguém responda por crime comissivo por omissão é preciso que tenha o</p><p>dever jurídico de impedir o resultado, desde que seja fisicamente possível;</p><p>• O dever de agir incumbe aos agentes que se enquadram numa das hipóteses do</p><p>artigo art. 13, § 2º, do CP:</p><p>1) Ter por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância:</p><p>a) Nesse caso, por expressa imposição da lei, o agente estará obrigado a agir</p><p>para evitar o resultado. Assim, se o agente se omitir, ou seja, deixar de agir,</p><p>quando lhe era possível, responderá pelo resultado gerado.</p><p>b) Exemplo: mãe que deixa de alimentar o filho, que, por conta da sua</p><p>negligência, acaba morrendo por inanição. Essa mãe deverá responder</p><p>pelo resultado gerado, qual seja, homicídio culposo. Se, de outro lado, a</p><p>mãe desejou a morte do filho ou assumiu o risco de produzi-la, responderá</p><p>por homicídio doloso.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>9</p><p>2) De outra forma, assumir a responsabilidade de impedir o resultado:</p><p>a) Aqui a obrigação de agir para evitar o resultado não decorre de lei, mas do</p><p>fato de o agente ter assumido a responsabilidade de impedi-lo.</p><p>b) Exemplo: babá que, por negligência, deixa de cumprir corretamente sua</p><p>obrigação de cuidar da criança, que acaba caindo na piscina e, por isso,</p><p>morre afogada. Nesse caso, responderá pelo resultado gerado, qual seja,</p><p>homicídio culposo. Se, de outro lado, desejou a morte da criança ou</p><p>assumiu o risco de produzi-la, responderá por homicídio doloso.</p><p>3) Com o comportamento anterior, criar o risco da ocorrência do resultado:</p><p>a) Nesta hipótese, o sujeito, com o comportamento anterior, cria situação de</p><p>perigo para bens jurídicos alheios penalmente tutelados, de sorte que,</p><p>tendo criado o risco, fica obrigado a evitar que ele se degenere ou</p><p>desenvolva para o dano ou lesão.</p><p>b) Exemplo: aluno veterano, por ocasião de um trote acadêmico, sabendo que</p><p>a vítima não sabe nadar, joga o incauto calouro na piscina. Nesse caso,</p><p>contrai o dever jurídico de agir para evitar o resultado, sob pena de</p><p>responder por homicídio.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>4) FGV – 2019 – OAB – 28º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>David, em dia de sol, levou sua filha, Vivi, de 03 anos, para a piscina do clube. Enquanto a filha brincava</p><p>na piscina infantil, David precisou ir ao banheiro, solicitando, então, que sua amiga Carla, que estava no</p><p>local, ficasse atenta para que nada de mal ocorresse com Vivi. Carla se comprometeu a cuidar da filha</p><p>de David. Naquele momento, Vitor assumiu o posto de salva-vidas da piscina. Carla, que sempre fora</p><p>apaixonada por Vitor, começou a conversar com ele e ambos ficam de costas para a piscina, não</p><p>atentando para as crianças que lá estavam. Vivi começa a brincar com o filtro da piscina e acaba sofrendo</p><p>uma sucção que a deixa embaixo da água por tempo suficiente para causar seu afogamento. David vê</p><p>quando o ato acontece através de pequena janela no banheiro do local, mas o fecho da porta fica</p><p>emperrado e ele não consegue sair. Vitor e Carla não veem o ato de afogamento da criança porque</p><p>estavam de costas para a piscina conversando. Diante do resultado morte, David, Carla e Vitor ficam</p><p>preocupados com sua responsabilização penal e procuram um advogado, esclarecendo que nenhum</p><p>deles adotou comportamento positivo para gerar o resultado.</p><p>Considerando as informações narradas, o advogado deverá esclarecer que:</p><p>A) Carla e Vitor, apenas, poderão responder por homicídio culposo, já que podiam atuar e possuíam</p><p>obrigação de agir na situação.</p><p>B) David, apenas, poderá responder por homicídio culposo, já que era o único com dever legal de agir</p><p>por ser pai da criança.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>10</p><p>C) David, Carla, Vitor poderão responder por homicídio culposo, já que os três tinham o dever de agir.</p><p>D) Vitor, apenas, poderá responder pelo crime de omissão de socorro.</p><p>8. Tentativa (art. 14 do CP)</p><p>• Nos termos do art. 14, II, do CP, para caracterizar ao menos crime tentado, deve o</p><p>agente</p><p>passar pelos atos preparatórios e dar início à execução do delito, que, por</p><p>razões alheias à sua vontade, não alcance a consumação;</p><p>• Se o crime for tentado, a pena do crime na modalidade consumada será reduzida</p><p>de 1/3 a 2/3, nos termos do artigo 14, parágrafo único, do CP, mediante o seguinte</p><p>critério: quanto mais próximo da consumação, menor será a redução (1/3); quanto</p><p>mais distante da consumação, maior será a redução (2/3).</p><p>9. Desistência voluntária e arrependimento eficaz</p><p>Art. 15, do Código Penal</p><p>O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede que o</p><p>resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.</p><p>9.1. Desistência voluntária</p><p>• O sujeito inicia a execução do delito, mas interrompe os atos executórios;</p><p>• Desiste de prosseguir nos atos executórios, antes de esgotar sua potencialidade</p><p>lesiva;</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>11</p><p>• Tomemos como exemplo a conduta do agente que, com a intenção homicida,</p><p>desfere um disparo de arma de fogo contra a vítima, acertando-a em região não</p><p>letal. Podendo prosseguir, já que tinha mais cinco balas no revólver, o agente</p><p>resolve, por vontade própria, não efetuar mais disparos, deixando a vítima</p><p>sobreviver.</p><p>9.2. Arrependimento eficaz</p><p>• O agente chega próximo à consumação, esgotando sua potencialidade lesiva;</p><p>• Antes da consumação, arrepende-se e impede a produção do resultado;</p><p>• Exemplo: agente que, com a intenção homicida, após efetuar disparos de arma de</p><p>fogo contra a vítima, utilizando todas as balas do revólver, arrepende-se e,</p><p>adotando postura ativa, leva a vítima até o hospital, que, submetida a intervenção</p><p>cirúrgica exitosa, acaba sobrevivendo.</p><p>9.3. Efeitos</p><p>• Responde pelos atos até então praticados;</p><p>• Elimine a alternativa que trata de crime tentado. Jamais o sujeito responderá por</p><p>tentativa, nos casos de desistência voluntária ou arrependimento eficaz;</p><p>• Nos exemplos acima, o agente responderá pelo crime de lesão corporal (leve,</p><p>grave ou gravíssima, conforme o caso);</p><p>• Se não for eficaz o arrependimento, ou seja, se o resultado se produzir, o sujeito</p><p>responderá pelo delito na modalidade consumada.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>5) FGV – 2023 – OAB – 39º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Paulo estava desempregado, precisando de dinheiro, quando, dentro do metrô, avistou uma mulher com</p><p>a bolsa entreaberta e a carteira à mostra. Paulo decidiu pegar a carteira, sem que ninguém visse. Durante</p><p>a empreitada criminosa, Paulo inseriu a mão na bolsa da mulher e segurou a carteira. Porém, com crise</p><p>de consciência, Paulo decidiu por livre e espontânea vontade não prosseguir na empreitada criminosa.</p><p>Diante dos fatos narrados, é correto afirmar que Paulo deve ser beneficiado pelo instituto do(a):</p><p>A) Arrependimento posterior.</p><p>B) Desistência voluntária.</p><p>C) Tentativa.</p><p>D) Arrependimento eficaz.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>12</p><p>10. Arrependimento posterior</p><p>Art. 16, do Código Penal</p><p>Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou</p><p>restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do</p><p>agente, a pena será reduzida de um a dois terços.</p><p>• Incide depois da consumação do delito;</p><p>• Para crimes praticados sem violência ou grave ameaça;</p><p>• Reparação do dano ou restituição da coisa até do recebimento da denúncia ou</p><p>queixa.</p><p>• É causa de diminuição da pena de 1/3 a 2/3;</p><p>• Assim, se o agente subtraiu uma TV do seu local de trabalho e, ao chegar em casa</p><p>com a coisa subtraída, é convencido pela esposa a devolvê-la, o que efetivamente</p><p>vem a fazer no dia seguinte, mesmo quando o fato já havia sido registrado na</p><p>delegacia, haverá arrependimento posterior, com reflexo na dosimetria da pena;</p><p>• Se o crime for praticado com violência ou grave ameaça, ou, se praticado sem</p><p>violência ou grave ameaça, mas a reparação do dano ou restituição da coisa</p><p>aconteceu depois do recebimento da denúncia ou queixa, incidirá a atenuante do</p><p>artigo 65, III, “b”, do CP.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>6) FGV – 2019 – OAB – 29º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Durante a madrugada, Lucas ingressou em uma residência e subtraiu um computador. Quando se</p><p>preparava para sair da residência, ainda dentro da casa, foi surpreendido pela chegada do proprietário.</p><p>Assustado, ele o empurrou e conseguiu fugir com a coisa subtraída. Na manhã seguinte, arrependeu-se</p><p>e resolveu devolver a coisa subtraída ao legítimo dono, o que efetivamente veio a ocorrer. O proprietário,</p><p>revoltado com a conduta anterior de Lucas, compareceu em sede policial e narrou o ocorrido. Intimado</p><p>pelo Delegado para comparecer em sede policial, Lucas, preocupado com uma possível</p><p>responsabilização penal, procura o advogado da família e solicita esclarecimentos sobre a sua situação</p><p>jurídica, reiterando que já no dia seguinte devolvera o bem subtraído. Na ocasião da assistência jurídica,</p><p>o(a) advogado(a) deverá informar a Lucas que poderá ser reconhecido(a)</p><p>A) A desistência voluntária, havendo exclusão da tipicidade de sua conduta.</p><p>B) O arrependimento eficaz, respondendo o agente apenas pelos atos até então praticados.</p><p>C) O arrependimento posterior, não sendo afastada a tipicidade da conduta, mas gerando aplicação de</p><p>causa de diminuição de pena.</p><p>D) A atenuante da reparação do dano, apenas, não sendo, porém, afastada a tipicidade da conduta.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>13</p><p>11. Crime impossível</p><p>Art. 17, do Código Penal.</p><p>Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta do meio ou por absoluta</p><p>impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o crime.</p><p>• O crime impossível por ineficácia absoluta do meio guarda relação com o meio</p><p>de execução ou instrumento utilizado pelo agente, que, por sua natureza, será</p><p>incapaz de produzir qualquer resultado, ou seja, jamais alcançará a consumação</p><p>do delito. É o caso do agente que, pretendendo matar a vítima, usa como meio</p><p>executório arma completamente defeituosa, que jamais efetuaria qualquer disparo.</p><p>A substância que não tem qualquer efeito abortivo.</p><p>• O crime impossível pela impropriedade absoluta do objeto guarda relação com</p><p>o objeto material, compreendendo a pessoa ou coisa sobre o qual recai a conduta</p><p>do agente. Tomemos como exemplo a conduta do agente que, pretendendo matar</p><p>a vítima, desfere vários disparos de arma de fogo contra o seu corpo, verificando-</p><p>se, após, que, ao receber os disparos, já se encontrava morta, em decorrência de</p><p>ter sofrido, momentos antes, fulminante ataque cardíaco. Evidente, neste caso, a</p><p>impropriedade absoluta do objeto, diante da impossibilidade de ceifar a vida de</p><p>pessoa que já estava morta.</p><p>• Nesse caso, nem sequer a tentativa poderá ser punida, havendo, portanto,</p><p>atipicidade da conduta.</p><p>• Se a ineficácia ou impropriedade for relativa, o sujeito vai responder pela tentativa.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>14</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>7) FGV – 2019 – OAB – 30º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Mário trabalhava como jardineiro na casa de uma família rica, sendo tratado por todos como um</p><p>funcionário exemplar, com livre acesso a toda a residência, em razão da confiança estabelecida. Certo</p><p>dia, enfrentando dificuldades financeiras, Mário resolveu utilizar o cartão bancário de seu patrão, Joaquim,</p><p>e, tendo conhecimento da respectiva senha, promoveu o saque da quantia de R$ 1.000,00 (mil reais).</p><p>Joaquim, ao ser comunicado pelo sistema eletrônico do banco sobre o saque feito em sua conta, efetuou</p><p>o bloqueio do cartão e encerrou sua conta. Sem saber que o cartão se encontrava bloqueado e a conta</p><p>encerrada, Mário tentou novo saque no dia seguinte, não obtendo êxito. De posse das filmagens das</p><p>câmeras de segurança do banco, Mário</p><p>foi identificado como o autor dos fatos, tendo admitido a prática</p><p>delitiva. Preocupado com as consequências jurídicas de seus atos, Mário procurou você, como</p><p>advogado(a), para esclarecimentos em relação à tipificação de sua conduta. Considerando as</p><p>informações expostas, sob o ponto de vista técnico, você, como advogado(a) de Mário, deverá esclarecer</p><p>que sua conduta configura</p><p>A) Os crimes de furto simples consumado e de furto simples tentado, na forma continuada.</p><p>B) Os crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado e de furto qualificado pelo abuso</p><p>de confiança tentado, na forma continuada.</p><p>C) Um crime de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado, apenas.</p><p>D) Os crimes de furto qualificado pelo abuso de confiança consumado e de furto qualificado pelo abuso</p><p>de confiança tentado, em concurso material.</p><p>12. Erro de tipo essencial x erro de proibição</p><p>12.1. Erro de tipo essencial – art. 20, “caput”, do CP</p><p>Art. 20, do Código Penal</p><p>O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite a</p><p>punição por crime culposo, se previsto em lei.</p><p>• O erro de tipo essencial é aquele em que o agente pratica uma conduta incorrendo</p><p>em erro acerca de um dos elementos constitutivos do tipo penal incriminador;</p><p>• Por conta do erro, o agente não sabe que está praticando uma conduta típica;</p><p>• No crime de homicídio, o agente erra quanto ao elemento “alguém”; no crime de</p><p>furto, erra quanto ao elemento “coisa alheia”; no crime de estupro de vulnerável,</p><p>erra quanto ao elemento “menor de 14 anos de idade”.</p><p>• O erro de tipo essencial pode ser:</p><p>1) Invencível, inevitável, escusável:</p><p>a) É aquele erro em que qualquer pessoa, nas mesmas circunstâncias,</p><p>incorreria. É o erro inevitável, desculpável ou escusável, que não poderia ser</p><p>evitado, mesmo por uma pessoa cautelosa e prudente.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>15</p><p>b) Tomemos como exemplo a conduta de uma estudante que deixa seu celular</p><p>carregando na tomada da sala de aula e sai para comprar café na cantina</p><p>do local. Quando retorna, retira um celular da tomada que, na verdade, não</p><p>era o seu aparelho, mas de sua colega, que havia colocado um celular</p><p>idêntico para carregar em substituição ao da estudante. Nesse caso, há</p><p>evidente erro de tipo, pois a estudante, por conta da falsa percepção da</p><p>realidade (supôs ser seu o celular, já que idêntico), errou em relação ao</p><p>elemento “alheio” do tipo que define o crime de furto. E, trata-se de erro de</p><p>tipo invencível, porque qualquer pessoa, nas circunstâncias, consideraria</p><p>que era o seu telefone celular que estava carregando na tomada em que</p><p>havia deixado.</p><p>c) O erro de tipo invencível, inevitável ou escusável exclui o dolo e a culpa.</p><p>Sendo a conduta elemento do fato típico, a ausência de dolo ou culpa leva à</p><p>atipicidade da conduta.</p><p>2) Vencível, evitável ou inescusável:</p><p>a) É aquele erro em que uma pessoa mais cautelosa e prudente, nas mesmas</p><p>circunstâncias, não incorreria. É o erro evitável, indesculpável ou</p><p>inescusável, que uma pessoa cautelosa e prudente teria evitado. Assim, se</p><p>o fato for punido sob a forma culposa, o agente responderá por crime</p><p>culposo. Quando o tipo, entretanto, não admitir essa modalidade, a</p><p>consequência será inexoravelmente a exclusão do crime, já que configurará</p><p>fato atípico.</p><p>b) Exemplo: sujeito praticando caça em mata próxima à zona urbana, onde</p><p>havia circulação de pessoas. Se apontar para um alvo, localizado atrás de</p><p>arbustos, supondo ser um animal, e efetuar disparo, constatando-se, após,</p><p>tratar-se de uma pessoa, que estava no local escondida, para surpreender</p><p>uma caça, o agente responderá pelo crime de homicídio culposo, já que se</p><p>trata de erro de tipo vencível.</p><p>12.2. Erro de proibição</p><p>Art. 21, do Código Penal</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>16</p><p>O desconhecimento da lei é inescusável. O erro sobre a ilicitude do fato, se inevitável,</p><p>isenta de pena; se evitável, poderá diminuí-la de um sexto a um terço.</p><p>Parágrafo único - Considera-se evitável o erro se o agente atua ou se omite sem a</p><p>consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível, nas circunstâncias, ter ou atingir</p><p>essa consciência.</p><p>• Nesse caso, o agente sabe o que está fazendo. Não há erro quanto à situação de</p><p>fato ou acerca da presença do elemento do tipo.</p><p>• O agente pratica um fato supondo ser permitido, quando, na verdade, é proibido,</p><p>ou seja, é ilícito. O erro, portanto, recai sobre a ilicitude do fato.</p><p>• O erro de proibição escusável, inevitável ou invencível ocorre quando o erro</p><p>sobre a ilicitude do fato é impossível de ser evitado, valendo-se o ser humano da</p><p>sua diligência ordinária. Ex.: um telejornal de alcance nacional informa, de forma</p><p>equivocada, a aprovação da lei que autoriza a eutanásia de doentes em estágio</p><p>terminal. Não havendo nenhuma razão para duvidar da veracidade da notícia, o</p><p>agente dirige-se até o hospital e desliga os aparelhos que mantinham vivo um ente</p><p>querido, que se encontrava sofrendo com a doença que o acometia e em estágio</p><p>terminal, causando-lhe a morte. Praticou fato típico e ilícito, mas lhe faltou potencial</p><p>consciência da ilicitude, incidindo o erro de proibição inevitável, cuja consequência</p><p>será a exclusão da culpabilidade.</p><p>• O erro de proibição inescusável ou evitável ocorre quando o erro sobre a ilicitude</p><p>do fato que não se justifica, pois, se tivesse havido um mínimo de empenho em se</p><p>informar, o agente poderia ter tido conhecimento da realidade. O critério de aferição</p><p>do erro de proibição inescusável, vencível ou evitável encontra-se no parágrafo</p><p>único do art. 21 do CP, segundo o qual “considera-se evitável o erro se o agente</p><p>atua ou se omite sem a consciência da ilicitude do fato, quando lhe era possível,</p><p>nas circunstâncias, ter ou atingir essa consciência”. Tratando-se de erro de</p><p>proibição evitável, permanece hígida a culpabilidade do agente, sendo, no</p><p>entanto, causa de diminuição da pena de um sexto a um terço.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>8) FGV – 2017 – OAB – 22° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Tony, a pedido de um colega, está transportando uma caixa com cápsulas que acredita ser de remédios,</p><p>sem ter conhecimento que estas, na verdade, continham Cloridrato de Cocaína em seu interior. Por outro</p><p>lado, José transporta em seu veículo 50g de Cannabis Sativa L. (maconha), pois acreditava que poderia</p><p>ter pequena quantidade do material em sua posse para fins medicinais. Ambos foram abordados por</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>17</p><p>policiais e, diante da apreensão das drogas, denunciados pela prática do crime de tráfico de</p><p>entorpecentes. Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Tony e José deverá alegar</p><p>em favor dos clientes, respectivamente, a ocorrência de</p><p>A) Erro de tipo, nos dois casos.</p><p>B) Erro de proibição, nos dois casos.</p><p>C) Erro de tipo e erro de proibição.</p><p>D) Erro de proibição e erro de tipo.</p><p>13. Erro sobre a pessoa (art. 20, §3º, do CP)</p><p>Art. 20, § 3º, do Código Penal</p><p>O erro quanto à pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se</p><p>consideram, neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as da pessoa contra</p><p>quem o agente queria praticar o crime.</p><p>• Ocorre quando o agente pretende praticar crime contra determinada pessoa, mas,</p><p>por erro na identificação, pratica o crime contra pessoa diversa.</p><p>• Não há erro na execução, ou seja, o agente não erra o alvo, equivocando-se quanto</p><p>à identificação da pessoa pretendida.</p><p>• Faz a pontaria em direção ao alvo e acerta, mas se equivoca quanto à identidade</p><p>da pessoa atingida.</p><p>• Como consequência, consideram-se as condições ou qualidades da pessoa</p><p>pretendida.</p><p>• Consideremos a hipótese de o filho desalmado, pretendendo matar seu pai, que</p><p>contava com 59 anos de idade, realizar disparos de arma</p><p>de fogo contra o homem</p><p>que estava na varanda da residência do genitor, causando a morte deste. O filho,</p><p>então, deixa o local satisfeito, por acreditar ter concluído seu intento delitivo, mas</p><p>vem a descobrir que matara um amigo de seu pai, que contava com 65 anos de</p><p>idade, que, de costas, era com ele parecido.</p><p>• Nesse caso, o filho desalmado responderá pelo crime de homicídio, com a</p><p>incidência da agravante de ter praticado crime contra ascendente, prevista no art.</p><p>61, II, e, 1ª parte, do CP, sem a incidência da causa de aumento de pena do artigo</p><p>121, § 4º, do CP.</p><p>14. Erro na execução</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>18</p><p>Art. 73, do Código Penal</p><p>Quando, por acidente ou erro no uso dos meios de execução, o agente, ao invés de atingir</p><p>a pessoa que pretendia ofender, atinge pessoa diversa, responde como se tivesse</p><p>praticado o crime contra aquela, atendendo-se ao disposto no § 3º do art. 20 deste Código.</p><p>No caso de ser também atingida a pessoa que o agente pretendia ofender, aplica-se a</p><p>regra do art. 70 deste Código.</p><p>• Não há erro na identificação da vítima. O erro reside no uso dos meios de execução,</p><p>onde a vítima pretende atingir uma pessoa, mas atinge pessoa diversa. Ou, por</p><p>acidente, o agente, ao invés de atingir a vítima pretendida, acerta pessoa diversa.</p><p>• A consequência jurídica da conduta do agente encontra-se retratada no art. 73, 1ª</p><p>parte, do CP, que faz expressa remissão ao art. 20, § 3º, do CP. Ou seja, na</p><p>hipótese de erro na execução, deve-se observar o disposto no art. 20, § 3º,</p><p>segundo o qual, embora tenha atingido pessoa diversa, o agente deve receber</p><p>tratamento penal considerando-se as condições ou qualidades da pessoa</p><p>pretendida (vítima virtual), desprezando-se as condições pessoais da vítima</p><p>efetivamente atingida.</p><p>• Pode ocorrer quando, por erro nos meios de execução, o agente, em vez de</p><p>atingir a pessoa pretendida, atinge pessoa diversa. Exemplo: agente pretendendo</p><p>matar Wilson, visualiza a vítima, tendo-a como certa, faz a mira e efetua o disparo,</p><p>mas, no entanto, erra o alvo pretendido, atingindo uma criança, que se encontrava</p><p>próxima ao local. Nesse caso, responderá pelo crime de homicídio, sem a</p><p>incidência da qualificadora de ter praticado crime contra menor de 14 anos de</p><p>idade.</p><p>• A aberratio ictus pode ocorrer quando, por acidente, o agente, em vez de atingir a</p><p>pessoa pretendida, atinge pessoa diversa. Suponhamos, nesse caso, que o agente</p><p>pretende matar Wilson, efetua o disparo, e, no exato momento, Pedro, pessoa com</p><p>65 anos de idade, se coloca em frente à vítima pretendida, sendo atingido pelo</p><p>disparo, vindo a falecer. Nesse caso, o agente responde pelo crime de homicídio,</p><p>mas sem a causa de aumento de pena de ter praticado crime contra maior de 60</p><p>anos, prevista no artigo 121, § 4º, do CP.</p><p>• Na aberratio ictus com resultado duplo, o agente, além de atingir a vítima</p><p>pretendida, atinge também pessoa diversa. Nesse caso, com uma única ação, o</p><p>agente produz mais de um resultado: atinge a pessoa pretendida e também pessoa</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>19</p><p>diversa. Por essa razão, o art. 73, 2ª parte, do CP faz expressa remissão ao art. 70</p><p>do CP, devendo ser aplicada a regra do concurso formal de crimes.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>9) FGV – 2019 – OAB – 30° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Regina dá à luz seu primeiro filho, Davi. Logo após realizado o parto, ela, sob influência do estado</p><p>puerperal, comparece ao berçário da maternidade, no intuito de matar Davi. No entanto, pensando tratar-</p><p>se de seu filho, ela, com uma corda, asfixia Bruno, filho recém-nascido do casal Marta e Rogério,</p><p>causando-lhe a morte. Descobertos os fatos, Regina é denunciada pelo crime de homicídio qualificado</p><p>pela asfixia com causa de aumento de pena pela idade da vítima.</p><p>Diante dos fatos acima narrados, o(a) advogado(a) de Regina, em alegações finais da primeira fase do</p><p>procedimento do Tribunal do Júri, deverá requerer</p><p>A) O afastamento da qualificadora, devendo Regina responder pelo crime de homicídio simples com</p><p>causa de aumento, diante do erro de tipo.</p><p>B) A desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, não podendo ser</p><p>reconhecida a agravante pelo fato de quem se pretendia atingir ser descendente da agente.</p><p>C) A desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro na execução (aberratio ictus), podendo</p><p>ser reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são consideradas as</p><p>características de quem se pretendia atingir.</p><p>D) A desclassificação para o crime de infanticídio, diante do erro sobre a pessoa, podendo ser</p><p>reconhecida a agravante de o crime ser contra descendente, já que são consideradas as características</p><p>de quem se pretendia atingir.</p><p>15. Inimputabilidade pela doença mental ou desenvolvimento mental</p><p>incompleto ou retardado</p><p>Art. 26, do Código Penal. É isento de pena o agente que, por doença mental ou</p><p>desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão,</p><p>inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo</p><p>com esse entendimento.</p><p>• Não basta que o agente esteja acometido de doença mental ou desenvolvimento</p><p>mental incompleto ou retardado, devendo, ainda, em razão dessa circunstância,</p><p>estar inteiramente incapaz de compreender o caráter ilícito do fato ou de se</p><p>comportar de acordo com esse entendimento;</p><p>• Adota-se, por isso, o critério biopsicológico;</p><p>• A natureza jurídica da sentença é absolutória imprópria;</p><p>• Isso porque se aplica medida de segurança, que pode ser de internação ou</p><p>tratamento ambulatorial, conforme o artigo 97 do CP;</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>20</p><p>• O período mínimo de duração da medida de segurança é de 1 a 3 anos (art. 97, §</p><p>1º, do CP). O período máximo de duração da medida de segurança corresponde</p><p>ao máximo da pena cominada ao delito (Súmula 527 do STJ).</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>10) FGV – 2019 – OAB – 30° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Durante ação penal em que Guilherme figura como denunciado pela prática do crime de abandono de</p><p>incapaz (Pena: detenção, de 6 meses a 3 anos), foi instaurado incidente de insanidade mental do</p><p>acusado, constatando o laudo que Guilherme era, na data dos fatos (e permanecia até aquele momento),</p><p>inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato, em razão de doença mental. Não foi indicado,</p><p>porém, qual seria o tratamento adequado para Guilherme. Durante a instrução, os fatos imputados na</p><p>denúncia são confirmados, assim como a autoria e a materialidade delitiva. Considerando apenas as</p><p>informações expostas, com base nas previsões do Código Penal, no momento das alegações finais, a</p><p>defesa técnica de Guilherme, sob o ponto de vista técnico, deverá requerer:</p><p>A) A absolvição imprópria, com aplicação de medida de segurança de tratamento ambulatorial, podendo</p><p>a sentença ser considerada para fins de reincidência no futuro.</p><p>B) A absolvição própria, sem aplicação de qualquer sanção, considerando a ausência de culpabilidade.</p><p>C) A absolvição imprópria, com aplicação de medida de segurança de tratamento ambulatorial, não sendo</p><p>a sentença considerada posteriormente para fins de reincidência.</p><p>D) A absolvição imprópria, com aplicação de medida de segurança de internação pelo prazo máximo de</p><p>02 anos, não sendo a sentença considerada posteriormente para fins de reincidência.</p><p>16. Embriaguez completa e acidental</p><p>Art. 28, § 1º, do Código Penal</p><p>É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou</p><p>força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o</p><p>caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.</p><p>• A embriaguez voluntária ou culposa não exclui a imputabilidade, nos termos</p><p>do</p><p>artigo 28, II, do CP.</p><p>• A embriaguez que isenta o sujeito de pena, ou seja, que exclui a culpabilidade, é a</p><p>decorrente de caso fortuito ou força maior.</p><p>• No caso fortuito, o sujeito desconhece o efeito inebriante da substância que ingere,</p><p>ou quando, desconhecendo uma particular condição fisiológica, ingere substância</p><p>que possui álcool (ou substância análoga), ficando embriagado. É o caso do agente</p><p>que está tomando determinado medicamento e ingere bebida alcóolica. A</p><p>conjugação do medicamento e da bebida alcoólica potencializa o metabolismo do</p><p>agente, a ponto de deixá-lo embriagado. É também o caso do agente que ingere</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>21</p><p>determinada bebida sem saber que nela foi colocada uma substância capaz de lhe</p><p>retirar os sentidos, deixando-o embriagado, como, por exemplo, o chamado “boa</p><p>noite cinderela”.</p><p>• Na força maior, o agente é obrigado a ingerir bebida alcoólica. Não desejando se</p><p>embriagar nem de se exceder culposamente, o agente é forçado a ingerir bebida</p><p>alcoólica. É o caso, por exemplo, do trote acadêmico de péssimo gosto em que os</p><p>veteranos obrigam, forçam os calouros a ingerirem bebida alcoólica.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>11) FGV – 2021 – OAB – 33° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Após o expediente, Márcio saiu com seus colegas de trabalho para comemorar o sucesso das vendas</p><p>naquele mês e sua escolha como melhor funcionário do período. Ao chegarem ao bar, Márcio entregou</p><p>a chave de seu carro aos colegas, alertando-os que iria beber até se embriagar e cair. Após cumprir a</p><p>promessa feita aos colegas, Márcio, completamente alterado, se dirigiu até o caixa do bar para pagar sua</p><p>conta. Devido a divergências quanto à quantidade de bebida consumida, Márcio iniciou uma forte</p><p>discussão com o atendente do estabelecimento e arremessou a garrafa de cerveja que segurava em sua</p><p>direção, acertando a cabeça do funcionário e causando-lhe ferimentos de natureza grave. Preocupado</p><p>com as consequências jurídicas de seu ato, Márcio o(a) procura, na condição de advogado(a), para</p><p>assistência técnica.</p><p>Considerando apenas as informações expostas, sob o ponto de vista técnico, você, como advogado(a),</p><p>deverá esclarecer que a conduta praticada por Márcio configura</p><p>A) Crime de lesão corporal grave, diante da embriaguez culposa, podendo ser reconhecida causa de</p><p>diminuição de pena, já que a embriaguez era completa.</p><p>B) Conduta típica e ilícita, mas não culpável, diante da embriaguez culposa, afastando a culpabilidade do</p><p>agente.</p><p>C) Crime de lesão corporal grave, com reconhecimento de agravante, diante da embriaguez preordenada.</p><p>D) Crime de lesão corporal grave, diante da embriaguez voluntária.</p><p>17. Concurso de pessoas</p><p>Art. 29 do Código Penal</p><p>Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na</p><p>medida de sua culpabilidade.</p><p>(...)</p><p>• Autor é aquele quem executa a ação descrita no verbo nuclear do tipo;</p><p>• Partícipe é aquele quem contribui de qualquer modo para a prática delituosa, sem</p><p>executar a ação descrita no verbo nuclear do tipo. É aquele que induz, instiga ou</p><p>auxilia o autor na prática delituosa.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>22</p><p>• Requisitos do concurso de pessoas:</p><p>1) Pluralidade de condutas:</p><p>a) Trata-se de requisito elementar do concurso de pessoas: a concorrência de</p><p>mais de uma pessoa na execução de uma infração penal.</p><p>b) Assim, para que haja concurso de pessoas, exige-se que cada um dos</p><p>agentes tenha realizado ao menos uma conduta relevante. Pode ser em</p><p>coautoria, em que há duas condutas principais; ou autoria e participação, em</p><p>que há uma conduta principal e outra acessória, praticadas,</p><p>respectivamente, por autor e partícipe.</p><p>2) Relevância causal das condutas:</p><p>a) Para justificar a punição de duas ou mais pessoas em concurso, afigura-se</p><p>necessário que a conduta do agente tenha efetivamente contribuído, ainda</p><p>que minimamente, para a produção do resultado.</p><p>b) Se a conduta não tem relevância causal, isto é, se não contribuiu em nada</p><p>para a produção do resultado, não pode ser considerada integrante do</p><p>concurso de pessoas.</p><p>c) Imaginemos que a empregada doméstica de uma residência, profundamente</p><p>irritada por ter sido ofendida pela patroa, observa que há uma movimentação</p><p>suspeita no lado externo da casa, concluindo que era alguém observando o</p><p>local para praticar o delito de furto. Para facilitar o sucesso da subtração, a</p><p>empregada deixa aberta a porta da frente da residência. Durante a</p><p>empreitada criminosa, sem saber que a porta da frente se encontrava</p><p>destrancada, o agente de atitude suspeita arrombou a porta dos fundos,</p><p>ingressou na residência, e subtraiu diversos objetos. Diante desse quadro</p><p>fático, a empregada doméstica não deverá responder por qualquer infração</p><p>penal, uma vez que a sua contribuição foi absolutamente irrelevante para o</p><p>sucesso da subtração.</p><p>3) Do liame subjetivo e normativo (vínculo subjetivo e normativo entre os</p><p>participantes):</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>23</p><p>a) Exige-se homogeneidade de elemento subjetivo-normativo. Significa que</p><p>autor e partícipe devem agir com o mesmo elemento subjetivo (dolo + dolo)</p><p>ou normativo (culpa + culpa).</p><p>b) Os agentes devem atuar conscientes de que participam de crime comum,</p><p>ainda que não tenha havido acordo prévio de vontades. A ausência desse</p><p>elemento psicológico inviabiliza o concurso de pessoas, ensejando condutas</p><p>isoladas e autônomas.</p><p>c) Exemplo: uma empregada doméstica, percebendo a presença de um ladrão,</p><p>para vingar-se do patrão, deliberadamente deixa a porta aberta, facilitando</p><p>a prática do furto. Há participação, e, não obstante, o ladrão desconhecia a</p><p>colaboração da empregada. Por consequência, a empregada também</p><p>responderá pelo crime de furto.</p><p>4) Identidade de infração para todos os participantes:</p><p>a) Nos termos do art. 29 do CP, todos que concorrem para o crime respondem</p><p>pelo mesmo delito.</p><p>b) Exemplo: alguém planeja a realização da conduta típica, ao executá-la,</p><p>enquanto um desvia a atenção da vítima, outro lhe subtrai os pertences e</p><p>ainda um terceiro encarrega-se de evadir-se do local com o produto do furto.</p><p>É uma exemplar divisão de trabalho constituída de várias atividades,</p><p>convergentes, contudo, a um mesmo objetivo típico: subtração de coisa</p><p>alheia móvel. Respondem todos por um único tipo penal, qual seja, furto.</p><p>1) Participação de menor importância (art. 29, § 1º, CP):</p><p>Art. 29 do Código Penal</p><p>§ 1º - Se a participação for de menor importância, a pena pode ser diminuída de um sexto</p><p>a um terço.</p><p>• A participação de menor importância caracteriza-se, pois, pela mínima contribuição</p><p>para a produção do resultado. A conduta do agente efetivamente influencia na causa</p><p>do resultado, mas com reduzida relevância;</p><p>• Imaginemos o agente que apenas deu carona ao comparsa até o local do crime,</p><p>para a prática de um crime de furto. Nesse caso, a conduta do agente se restringiu</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>24</p><p>a dar carona, sendo relevante para o furto (pois, se não tivesse dado carona, o furto</p><p>não teria ocorrido da forma como ocorreu), mas foi de menor importância;</p><p>• Logo, o agente responderá pelo crime de furto, mas com causa de diminuição da</p><p>pena de 1/6 a 1/3.</p><p>2) Cooperação dolosamente distinta:</p><p>Art. 29 do Código Penal</p><p>§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada</p><p>a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o</p><p>resultado mais grave.</p><p>• O agente que desejava praticar um delito, sem a condição de prever a</p><p>concretização de crime mais grave, deve responder pelo que pretendia praticar;</p><p>• Ex.: “A” determina a “B” que espanque “C”. “B” mata “C”. Segundo o art. 29, § 2º,</p><p>“A” responde por</p><p>crime de lesão corporal, cuja pena deve ser aumentada até</p><p>metade se a morte da vítima lhe era previsível.</p><p>3) Incomunicabilidade das circunstâncias pessoais:</p><p>Art. 30 do Código Penal</p><p>Não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando</p><p>elementares do crime.</p><p>• Nos termos do artigo 30 do CP, via de regra, as circunstâncias e condições</p><p>pessoais relacionadas a um dos agentes não se comunica aos outros que</p><p>contribuíram para a prática delituosa. Assim, se um dos agentes é reincidente, essa</p><p>circunstância agravante não se comunicará ao outro, pois se trata de circunstância</p><p>pessoal, que não é elementar de crime.</p><p>• Se integrar o crime, ou seja, for elementar do crime, as circunstâncias ou condições</p><p>pessoais relacionadas a um dos sujeitos se comunicam aos demais coautores ou</p><p>partícipes.</p><p>• Exemplo: “A”, funcionário público, comete um crime de peculato (art. 312), com a</p><p>participação de “B”, não funcionário público. A condição pessoal (funcionário</p><p>público) é elementar do crime de peculato, comunicando-se, portanto, ao agente</p><p>que não é funcionário público. Logo, os dois respondem por crime de peculato.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>25</p><p>• De outro lado, as circunstâncias objetivas alcançam o partícipe ou coautor se, sem</p><p>haver praticado o fato que as constitui, integraram o dolo ou culpa.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>12) FGV – 2022 – OAB – 36° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Túlio e Alfredo combinaram de praticar um roubo contra uma joalheria. Os dois ingressam na loja, e</p><p>Alfredo, com o emprego de arma de fogo, exige que Fernanda, a vendedora, abra a vitrine e entregue os</p><p>objetos expostos.</p><p>Enquanto Alfredo vasculha as gavetas da frente da loja, Túlio ingressa nos fundos do estabelecimento</p><p>com Fernanda, em busca de joias mais valiosas, momento em que decide levá-la ao banheiro e, então,</p><p>mantém com Fernanda conjunção carnal. Após, Túlio e Alfredo fogem com as mercadorias.</p><p>Em relação às condutas praticadas por Túlio e Alfredo, assinale a afirmativa correta</p><p>A) Túlio e Alfredo responderão por roubo duplamente circunstanciado, pelo concurso de pessoas e</p><p>emprego de arma de fogo, e pelo delito de estupro, em concurso material.</p><p>B) Túlio responderá por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e estupro; Alfredo responderá</p><p>por roubo duplamente circunstanciado, pelo concurso de pessoas e emprego de arma de fogo.</p><p>C) Alfredo e Túlio responderão por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e emprego de arma</p><p>de fogo; Túlio também responderá por estupro, em concurso material.</p><p>D) Túlio e Alfredo responderão por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas e emprego de arma</p><p>de fogo; Túlio responderá por estupro, ao passo que Alfredo responderá por participação de menor</p><p>importância no delito de estupro.</p><p>18. Regime inicial de cumprimento de pena</p><p>• Após estabelecer a quantidade da pena imposta da sentença, cumpre ao juiz fixar</p><p>o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade, levando em conta:</p><p>a) a quantidade da pena imposta; b) a reincidência; c) as circunstâncias judiciais</p><p>do art. 59 do CP.</p><p>• Nos termos do art. 33, caput, do CP, nos crimes apenados com reclusão, o juiz</p><p>poderá fixar o regime inicial fechado, semiaberto ou aberto. Aos crimes apenados</p><p>com detenção, não é possível ao juiz fixar o regime inicial fechado, podendo, no</p><p>entanto, haver regressão para o regime fechado, no caso, por exemplo, de falta</p><p>grave.</p><p>• Nos crimes apenados com reclusão:</p><p>1) Pena aplicada superior a 8 anos: regime fechado;</p><p>2) Pena aplicada superior a 4 anos até 8 anos, não sendo reincidente: regime</p><p>semiaberto;</p><p>3) Pena aplicada não superior a 4 anos, não sendo reincidente: regime aberto.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>26</p><p>• Súm. nº 269 do STJ: “É admissível a adoção do regime prisional semiaberto aos</p><p>reincidentes condenados à pena igual ou inferior a 4 anos se favoráveis as</p><p>circunstâncias judiciais”.</p><p>• Além disso, a imposição de regime inicial fechado depende de fundamentação</p><p>adequada, não se revestindo a gravidade em abstrato do delito motivação idônea</p><p>para a fixação do regime de cumprimento de pena mais severo do que a pena</p><p>aplicada exigir. É o que se extrai das Súm. nº 718 e 719 do STF, e Súm. nº 440 do</p><p>STJ.</p><p>19. Penas restritivas de direito</p><p>• Nos termos do art. 43 do CP, as penas restritivas de direitos são:</p><p>• Requisitos:</p><p>1) Crimes dolosos:</p><p>a) Pena aplicada até 4 anos;</p><p>b) Crime praticado sem violência ou grave ameaça.</p><p>2) Crimes culposos:</p><p>a) Regra: qualquer que seja a pena aplicada;</p><p>b) Exceção: art. 312-A do CTB.</p><p>3) Réu não reincidente em crime doloso: nos termos do art. 44, II, do CP, para</p><p>concessão do benefício, é necessário que o sujeito não seja reincidente em</p><p>crime doloso. O texto não trata de qualquer reincidente. Refere-se ao não</p><p>reincidente em crime “doloso”, de modo que não há impedimento à aplicação</p><p>da pena alternativa quando: a) os dois delitos são culposos; b) o anterior é</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>27</p><p>culposo e o posterior é doloso; c) o anterior é doloso e o posterior culposo.</p><p>Exceção: art. 44, § 3º, do CP;</p><p>4) A culpabilidade, os antecedentes, a conduta ou a personalidade ou ainda os</p><p>motivos e circunstâncias recomendarem a substituição: conforme o art. 44, III,</p><p>do CP, “a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade</p><p>do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa</p><p>substituição seja suficiente”.</p><p>• Penas restritivas de direitos e violência doméstica ou familiar contra a mulher:</p><p>conforme a Súm. nº 588 do STJ, a prática de crime ou contravenção penal contra</p><p>a mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a</p><p>substituição de pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.</p><p>20. Concurso de crimes</p><p>1) Concurso material de crimes:</p><p>Art. 69 do Código Penal</p><p>Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,</p><p>idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que</p><p>haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção,</p><p>executa-se primeiro aquela.</p><p>• Ocorre o concurso material, também chamado de real, quando o agente, mediante</p><p>mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não (art.</p><p>69, caput, do CP). Há, pois, pluralidade de condutas e pluralidade de resultados.</p><p>• Exemplo: o agente pratica o crime de estupro (art. 213 do CP) e, para assegurar a</p><p>sua impunidade, mata, na sequência, a vítima (art. 121, § 2º, V, do CP).</p><p>Imaginemos que o juiz fixe, em relação ao delito de estupro, a pena de 8 (oito)</p><p>anos; e em relação ao crime de homicídio qualificado, a pena de 20 (vinte) anos.</p><p>Ao final, verificando-se tratar de concurso material de crimes, o Magistrado aplicará</p><p>o sistema do cúmulo material, somando as penas, alcançando a pena definitiva de</p><p>28 anos.</p><p>2) Concurso formal de crimes:</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>28</p><p>Art. 70 do Código Penal</p><p>Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,</p><p>idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente</p><p>uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas</p><p>aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes</p><p>concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.</p><p>Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69</p><p>deste Código.</p><p>• Ocorre o concurso formal (ou ideal) quando o agente, mediante uma só ação ou</p><p>omissão, pratica dois ou mais crimes (art. 70, caput, do CP). Há unidade de conduta</p><p>e pluralidade de crimes.</p><p>• O concurso formal perfeito,</p><p>ou próprio, está previsto na primeira parte do art. 70 do</p><p>CP. Ocorre quando o agente pratica duas ou mais infrações penais por meio de</p><p>uma única conduta. Resulta de um único desígnio. O agente, de um só impulso</p><p>volitivo, dá causa a dois ou mais resultados, sem desígnios autônomos em relação</p><p>a cada um dos resultados.</p><p>• Desígnio autônomo caracteriza-se pelo fato de o agente pretender, mediante uma</p><p>única conduta, atingir dois ou mais resultados. Ou seja, o agente, mediante uma</p><p>ação ou omissão, age com consciência e vontade em relação a cada um deles,</p><p>considerados isoladamente.</p><p>• Assim, se, por exemplo, o agente, na condução de veículo automotor, atropela e</p><p>causa a morte de uma pessoa e lesão corporal em outra, pratica crime de homicídio</p><p>culposo na condução de veículo automotor (art. 302 do CTB), em concurso formal</p><p>perfeito, já que não tinha desígnios autônomos em relação a cada um dos</p><p>resultados.</p><p>• No concurso formal imperfeito, ou impróprio, o agente, mediante uma ação ou</p><p>omissão, pretende, de forma consciente e voluntária, o resultado em relação a cada</p><p>um dos crimes.</p><p>• Exemplo: o agente provoca fogo em uma residência com a intenção de matar todos</p><p>os moradores. O agente tem desígnios autônomos (intenção de matar) em relação</p><p>a cada um dos moradores da residência.</p><p>• A expressão “desígnios autônomos” abrange tanto o dolo direto quanto o dolo</p><p>eventual. Assim, haverá concurso formal imperfeito, por exemplo, entre o delito de</p><p>homicídio doloso com dolo direto e outro com dolo eventual.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>29</p><p>• Em relação ao concurso formal perfeito, ou próprio, o Código Penal adotou o</p><p>sistema de exasperação da pena. Aplica-se a pena do crime mais grave ou, se</p><p>iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até</p><p>metade.</p><p>• No concurso formal imperfeito, ou impróprio, por conta do maior grau de</p><p>reprovabilidade da conduta do agente, visando a não beneficiar agente que agiu</p><p>com desígnios autônomos em relação a cada resultado, as penas devem ser</p><p>somadas, adotando-se o critério do cúmulo material, nos termos do art. 70, caput,</p><p>2ª parte, do CP.</p><p>3) Crime continuado:</p><p>Art. 71 do Código Penal</p><p>Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes</p><p>da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras</p><p>semelhantes, devem os subsequentes ser havidos como continuação do primeiro,</p><p>aplicasse-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas,</p><p>aumentada, em qualquer caso, de um sexto a dois terços.</p><p>• Ocorre o crime continuado quando o agente, mediante mais de uma ação ou</p><p>omissão, pratica dois ou mais crimes da mesma espécie, devendo os</p><p>subsequentes, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras</p><p>semelhantes, ser havidos como continuação do primeiro.</p><p>• Para a incidência das regras do crime continuado é preciso verificar a presença de</p><p>requisitos dispostos no art. 71 do CP, consistentes: a) na pluralidade de condutas;</p><p>b) na pluralidade de crimes da mesma espécie; c) nas mesmas condições de</p><p>tempo, lugar, maneira de execução e outras semelhantes.</p><p>• Nos crimes dolosos, contra vítimas diferentes, cometidos com violência ou grave</p><p>ameaça à pessoa, poderá o juiz, considerando a culpabilidade, os antecedentes, a</p><p>conduta social e a personalidade do agente, bem como os motivos e as</p><p>circunstâncias, aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais</p><p>grave, se diversas, até o triplo, observadas as regras do parágrafo único do art. 70</p><p>e do art. 75 deste Código.</p><p>4) Concurso material benéfico:</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>30</p><p>Art. 70 do Código Penal</p><p>Parágrafo único - Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69</p><p>deste Código.</p><p>• Se da aplicação da regra da exasperação da pena, no concurso formal, a pena</p><p>tornar-se superior à que resultaria se somadas, deve-se adotar o critério do cúmulo</p><p>material, porque, nesse caso, será mais benéfico (art. 70, par. ún., do CP).</p><p>• Exemplo: suponha-se que o agente tenha praticado um homicídio simples (art. 121</p><p>do CP – pena de 6 a 20 anos) e uma lesão corporal leve (art. 129, caput, do CP –</p><p>pena de 3 meses a 1 ano), em concurso formal. Aplicado o critério da exasperação</p><p>da pena, considerando-se a pena do crime mais agrave, acrescido de 1/6, resultaria</p><p>na pena de 7 (sete) anos.</p><p>• Se aplicada a pena considerando-se o critério do cúmulo material, considerando-</p><p>se a pena aplicada para crime de homicídio simples (6 anos) e lesão corporal leve</p><p>(3 meses), a pena definitiva ficaria em 6 (seis) anos e 3 (três) meses. Essa seria a</p><p>pena a ser aplicada, já que a aplicação do critério do concurso material é mais</p><p>benéfica.</p><p>• Em face disso, a pena a ser aplicada não pode ser superior à que seria cominada</p><p>se fosse caso de concurso material, aplicando-se, nesse caso, o disposto no art.</p><p>70, par. ún., do CP.</p><p>Resolva a questão a seguir:</p><p>13) FGV – 2021 – OAB – 33° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Félix, com dolo de matar seus vizinhos Lucas e Mário, detona uma granada na varanda da casa desses,</p><p>que ali conversavam tranquilamente, obtendo o resultado desejado. Os fatos são descobertos pelo</p><p>Ministério Público, que denuncia Félix por dois crimes autônomos de homicídio, em concurso material.</p><p>Após regular procedimento, o Tribunal do Júri condenou o réu pelos dois crimes imputados e o</p><p>magistrado, ao aplicar a pena, reconheceu o concurso material. Diante da sentença publicada, Félix</p><p>indaga, reservadamente, se sua conduta efetivamente configuraria concurso material de dois crimes de</p><p>homicídio dolosos.</p><p>Na ocasião, o(a) advogado(a) do réu, sob o ponto de vista técnico, deverá esclarecer ao seu cliente que</p><p>sua conduta configura dois crimes autônomos de homicídio,</p><p>A) Em concurso material, sendo necessária a soma das penas aplicadas para cada um dos delitos.</p><p>B) Devendo ser reconhecida a forma continuada e, consequentemente, aplicada a regra da exasperação</p><p>de uma das penas e não do cúmulo material.</p><p>C) Devendo ser reconhecido o concurso formal próprio e, consequentemente, aplicada a regra da</p><p>exasperação de uma das penas e não do cúmulo material.</p><p>D) Devendo ser reconhecido o concurso formal impróprio, o que também imporia a regra da soma das</p><p>penas aplicadas.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>31</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>32</p><p>Aula 16/07/2024 – turno manhã</p><p>Prof. Nidal Ahmad</p><p>14) FGV – 2018 – OAB – 25º Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Francisco, brasileiro, é funcionário do Banco do Brasil, sociedade de economia mista, e trabalha na</p><p>agência de Lisboa, em Portugal. Passando por dificuldades financeiras, acaba desviando dinheiro do</p><p>banco para uma conta particular, sendo o fato descoberto e julgado em Portugal. Francisco é condenado</p><p>pela infração praticada. Extinta a pena, ele retorna ao seu país de origem e é surpreendido ao ser citado,</p><p>em processo no Brasil, para responder pelo mesmo fato, razão pela qual procura seu advogado.</p><p>Considerando as informações narradas, o advogado de Francisco deverá informar que, de acordo com o</p><p>previsto no Código Penal</p><p>A) Ele não poderá responder no Brasil pelo mesmo fato, por já ter sido julgado e condenado em</p><p>Portugal.</p><p>B) Ele somente poderia ser julgado no Brasil por aquele mesmo fato, caso tivesse sido absolvido em</p><p>Portugal.</p><p>C) Ele pode ser julgado também no Brasil por aquele fato, sendo totalmente indiferente a condenação</p><p>sofrida em Portugal.</p><p>D) Ele poderá ser julgado também no Brasil por aquele fato, mas a pena cumprida em Portugal atenua</p><p>ou será computada naquela imposta no Brasil, em caso de nova condenação.</p><p>15) FGV – 2024 – OAB – 40° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Júlio desferiu um tapa no rosto de Jacinto, que foi</p><p>projetado contra um poste em que havia um fio de alta</p><p>tensão exposto, algo que não foi visto nem poderia ser imaginado por Júlio, pois já era noite e havia pouca</p><p>iluminação. Jacinto recebeu uma forte descarga elétrica, que foi causa suficiente de sua morte. Sobre a</p><p>responsabilidade de Júlio pelo resultado morte, assinale a afirmativa correta.</p><p>A) Júlio deve responder pelo homicídio doloso de Jacinto, tendo em vista que o resultado morte não</p><p>teria ocorrido se não fosse a agressão dolosa.</p><p>B) A descarga elétrica é uma concausa superveniente relativamente independente que, por si só,</p><p>produziu o resultado morte, devendo Júlio responder por lesão corporal.</p><p>C) Júlio agiu com dolo no delito antecedente e culpa no consequente, devendo responder por delito</p><p>preterdoloso de lesão corporal seguida de morte.</p><p>D) A descarga elétrica pode ser imputada a Júlio, ante a violação objetiva de um dever de cuidado,</p><p>devendo Júlio ser responsabilizado por homicídio culposo.</p><p>16) FGV – 2023 – OAB – 39° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Caio, lutador de MMA, estava na praia quando viu uma senhora ser agredida por um terceiro. Caio foi em</p><p>direção ao agressor e tentou persuadi-lo a parar com as agressões, mas o agressor não deu ouvidos e</p><p>continuou a agredir a senhora. Dessa forma, Caio não viu outra alternativa a não ser desferir um soco no</p><p>agressor para afastá-lo da senhora e imobilizá-lo em seguida, até a chegada da polícia. Diante do exposto,</p><p>a conduta de Caio pode ser beneficiada pela exclusão da:</p><p>A) Tipicidade em razão da coação física irresistível.</p><p>B) Culpabilidade em razão da coação moral irresistível.</p><p>C) Ilicitude em razão do exercício regular de um direito.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>33</p><p>D) Ilicitude por legítima defesa.</p><p>Prof. Arnaldo Quaresma</p><p>17) FGV – 2024 – OAB – 40° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>O médico João dos Santos, durante a realização de uma cirurgia na perna de um paciente, cometeu um</p><p>erro que acabou provocando a necessária amputação do membro do paciente. A pena cominada à lesão</p><p>corporal culposa é de dois meses a um ano, à lesão corporal grave é de um a cinco anos e à lesão</p><p>corporal gravíssima, de dois a oito anos.</p><p>Sobre a atuação do médico João Santos, assinale a afirmativa correta.</p><p>A) Ele cometeu o crime de lesão corporal culposa, devendo sua conduta ser julgada perante o</p><p>Juizado Especial Criminal, o que, pela pena abstratamente cominada, torna aplicáveis, em tese,</p><p>as medidas despenalizadoras da Lei nº 9.099/95.</p><p>B) Ele, apesar de não ter atuado com dolo, cometeu o crime de lesão corporal gravíssima em razão</p><p>da perda de membro do paciente, não fazendo jus a nenhuma das medidas despenalizadoras da</p><p>Lei nº 9.099/95, devendo o caso ser julgado perante a Vara Criminal.</p><p>C) Ele, apesar de não ter atuado com dolo, cometeu o crime de lesão corporal grave em razão da</p><p>inutilização do membro e, apesar de ser julgado perante a Vara Criminal, fará jus à suspensão</p><p>condicional do processo, medida despenalizadora prevista na Lei nº 9.099/95.</p><p>D) Ele cometeu o crime de lesão corporal gravíssima em razão da perda de membro do paciente,</p><p>apesar de não ter atuado com dolo, e, em função da pena cominada ao delito, fará jus à suspensão</p><p>condicional do processo, medida despenalizadora prevista na Lei nº 9.099/95.</p><p>18) FGV – 2021 – OAB – 33° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Vitor, embora não tenha prestado concurso público, está exercendo, transitoriamente e sem receber</p><p>qualquer remuneração, uma função pública. Em razão do exercício dessa função pública, Vitor aceita</p><p>promessa de José, particular, de lhe pagar R$ 500,00 (quinhentos reais) em troca de um auxílio</p><p>relacionado ao exercício dessa função. Ocorre que, apesar do auxílio, José não fez a transferência do</p><p>valor prometido.</p><p>Os fatos são descobertos pelo superior hierárquico de Vitor, que o indaga sobre o ocorrido. Na ocasião,</p><p>Vitor confirma o acontecido, mas esclarece que não acreditava estar causando prejuízo para a</p><p>Administração Pública. Em seguida, preocupado com as consequências jurídicas de seus atos, Vitor</p><p>procura seu advogado em busca de assegurar que sua conduta fora legítima.</p><p>Considerando apenas as informações narradas, o advogado de Vitor deverá esclarecer que sua conduta</p><p>A) Não configura crime em razão de a função ser apenas transitória, logo não pode ser considerado</p><p>funcionário público para efeitos penais, apesar de o recebimento de remuneração ser dispensável</p><p>a tal conceito.</p><p>B) Não configura crime em razão de não receber remuneração pela prestação da função pública,</p><p>logo não pode ser considerado funcionário público para efeitos penais, apesar de o exercício da</p><p>função transitória não afastar, por si só, tal conceito.</p><p>C) Configura crime de corrupção ativa, na sua modalidade tentada.</p><p>D) Configura crime de corrupção passiva, na sua modalidade consumada.</p><p>19) FGV – 2021 – OAB – 32° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Paulo é dono de uma loja de compra e venda de veículos usados. Procurado por um cliente interessado</p><p>na aquisição de um veículo Audi Q7 e não tendo nenhum similar para vender, Paulo promete ao cliente</p><p>que conseguirá aquele modelo no prazo de sete dias.</p><p>Revisão Turbo | 41º Exame de Ordem</p><p>Direito Penal</p><p>34</p><p>No dia seguinte, Paulo verifica que um carro, do mesmo modelo pretendido, se achava estacionado no</p><p>pátio de um supermercado e, assim, aciona Júlio e Felipe, conhecidos furtadores de carros da localidade,</p><p>prometendo a eles adquirir o veículo após sua subtração pela dupla, logo pensando na venda vantajosa</p><p>que faria para o cliente interessado.</p><p>Júlio e Felipe, tranquilos com a venda que seria realizada, subtraíram o carro referido e Paulo efetuou a</p><p>compra e o pagamento respectivo. Dias após, Paulo vende o carro para o cliente. Todavia, a polícia</p><p>identificou a autoria do furto, em razão de a ação ter sido monitorada pelo sistema de câmeras do</p><p>supermercado, sendo o veículo apreendido e recuperado com o cliente de Paulo.</p><p>Paulo foi denunciado pela prática dos crimes de receptação qualificada e furto qualificado em concurso</p><p>material. Confirmados integralmente os fatos durante a instrução, inclusive com a confissão de Paulo, sob</p><p>o ponto de vista técnico, cabe ao advogado de Paulo buscar o reconhecimento do</p><p>A) Crime de receptação simples e furto qualificado, em concurso material.</p><p>B) Crime de receptação qualificada, apenas.</p><p>C) Crime de furto qualificado, apenas.</p><p>D) Crime de receptação simples, apenas.</p><p>20) FGV – 2020 – OAB – 31° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Maria, em uma loja de departamento, apresentou roupas no valor de R$ 1.200 (mil e duzentos reais) ao</p><p>caixa, buscando efetuar o pagamento por meio de um cheque de terceira pessoa, inclusive assinando</p><p>como se fosse a titular da conta. Na ocasião, não foi exigido qualquer documento de identidade. Todavia,</p><p>o caixa da loja desconfiou do seu nervosismo no preenchimento do cheque, apesar da assinatura perfeita,</p><p>e consultou o banco sacado, constatando que aquele documento constava como furtado.</p><p>Assim, Maria foi presa em flagrante naquele momento e, posteriormente, denunciada pelos crimes de</p><p>estelionato e falsificação de documento público, em concurso material.</p><p>Confirmados os fatos, o advogado de Maria, no momento das alegações finais, sob o ponto de vista</p><p>técnico, deverá buscar o reconhecimento</p><p>A) Do concurso formal entre os crimes de estelionato consumado e falsificação de documento</p><p>público.</p><p>B) Do concurso formal entre os crimes de estelionato tentado e falsificação de documento particular.</p><p>C) De crime único de estelionato, na forma consumada, afastando-se o concurso de crimes.</p><p>D) De crime único de estelionato, na forma tentada, afastando-se o concurso de crimes.</p><p>21) FGV – 2021 – OAB – 32° Exame de Ordem Unificado – Primeira Fase</p><p>Francisco foi vítima de uma contravenção penal de vias de fato, pois, enquanto estava de costas para o</p><p>autor,</p>

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