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<p>Aula 06</p><p>Atualidades - P / TJ SP (Escrevente Técnico Judiciário – Com</p><p>Vídeos</p><p>Professor: Leandro Signori</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 38</p><p>AULA 06 – Ecologia e Desenvolvimento Sustentável</p><p>Caros Alunos,</p><p>ふ Esta é a nossa última aula de Atualidades.</p><p>ふ É verdade, nossa aula de hoje é a última…</p><p>Ah...</p><p>ふ Eu também gostei muito da companhia de vocês…</p><p>De coração, agradeço a oportunidade do convívio com vocês. Foi um</p><p>imenso prazer ter ministrado este curso.</p><p>Sobre o curso, espero, sinceramente, que ele tenha atendido as suas</p><p>expectativas e lhes propiciado um excelente aprendizado.</p><p>Continuo à disposição de vocês no Fórum de Dúvidas. Peço</p><p>encarecidamente que não vão para a prova com dúvidas. Antes me procurem.</p><p>Fico no aguardo de notícias positivas sobre suas aprovações, que</p><p>certamente virão.</p><p>Ótimos estudos até o dia da prova e que Deus os abençoe, ilumine e os</p><p>acompanhe na parte final desta jornada, como servidores públicos e em todas</p><p>as suas vidas.</p><p>Um grande abraço,</p><p>Prof. Leandro Signori</p><p>Sumário Página</p><p>1. As origens das preocupações ambientais 2</p><p>2. A sociedade de consumo 3</p><p>3. O desenvolvimento sustentável 4</p><p>4. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável 7</p><p>5. Problemas ambientais do planeta e do Brasil 9</p><p>5.1 Aquecimento global 14</p><p>5.2 Desmatamento 15</p><p>5.3 Biodiversidade e extinção de espécies 17</p><p>5.4 Desertificação 20</p><p>5.5 Escassez de água 21</p><p>5.6 Crise hídrica em São Paulo 25</p><p>5.7 Resíduos sólidos 27</p><p>6. Rompimento de barragem em Minas Gerais 28</p><p>7. Transgênicos, agrotóxicos e alimentação saudável 29</p><p>8. Simulado 36</p><p>9. Folha para a elaboração da discursiva 38</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 2 de 38</p><p>1. As origens das preocupações ambientais</p><p>A subsistência do ser humano sempre dependeu dos recursos naturais à</p><p>sua volta. Ao longo da história, a exploração do meio ambiente contribuiu para</p><p>o apogeu e para o declínio de grandes civilizações. Por conta dessa forte</p><p>interdependência, o debate ambiental ganhou visibilidade aos poucos, trazendo</p><p>diferentes visões sobre o desenvolvimento e a conservação da natureza.</p><p>Durante milhares de anos, o homem argumentou que destruía o meio</p><p>ambiente para obter recursos indispensáveis à sua subsistência. Hoje, cientistas</p><p>mostram que a própria sobrevivência da humanidade está em xeque por causa</p><p>da exploração desenfreada dos recursos da natureza. Já não resta outra saída:</p><p>a preservação de nossa espécie depende de uma mudança radical.</p><p>Praticada há milênios, a agricultura sempre produziu impactos negativos</p><p>sobre o meio ambiente. O desmatamento e a desertificação do solo promovidos</p><p>por nossos ancestrais são prova disso. Porém, foi com o avanço tecnológico que</p><p>se impôs um novo ritmo de ação predatória. Foi só a partir da industrialização</p><p>que os cientistas começaram a se articular para discutir os efeitos da poluição</p><p>e os inúmeros problemas socioambientais causados pelo novo modelo de</p><p>produção.</p><p>Iniciada na Inglaterra, a Revolução Industrial foi um divisor de águas</p><p>na história da humanidade. Ela transformou artesãos em proletários, ambientes</p><p>domesticados em artificiais, subsistência em salário, imprimindo uma drástica</p><p>mudança na organização social. Além das transformações socioeconômicas, a</p><p>Revolução Industrial também intensificou problemas ambientais, acelerando a</p><p>extração dos recursos naturais.</p><p>No final do século XVIII, a comunidade científica passa a se interessar mais</p><p>intensamente pelas questões ambientais. Preocupados com a falta de freio do</p><p>progresso tecnológico, os cientistas argumentavam que era necessário</p><p>estabelecer áreas intocáveis, onde a ação transformadora do homem fosse</p><p>bloqueada. Nasciam, assim, os primeiros santuários ecológicos, como o Parque</p><p>Yellowstone nos Estados Unidos, criado em 1872.</p><p>Após a II Guerra Mundial, no período da Guerra Fria, Estados Unidos e</p><p>União Soviética armaram-se até os dentes, ostentando arsenais bélicos</p><p>suficientes para destruir o planeta inteiro várias vezes. A corrida armamentista</p><p>alarmou não apenas os estudiosos, mas largas parcelas da população mundial.</p><p>O debate ambiental, antes restrito às camadas intelectuais, ganhou a atenção</p><p>de todas as classes, tornando-se um assunto do dia a dia.</p><p>Influenciados pela crescente pressão social, os governos não ignoraram</p><p>esses alertas. Com a chegada do século XX, diversos acordos internacionais</p><p>buscaram mitigar os efeitos nocivos da ação humana sobre a natureza.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 38</p><p>2. A sociedade de consumo</p><p>Vivemos em uma sociedade marcada e dominada pela lógica do consumo.</p><p>Todas as pessoas - jovens, adultos, idosos – sejam elas ricas ou pobres - estão</p><p>inseridas nesse contexto. São centenas de milhares de produtos apresentados</p><p>como se tivéssemos a necessidade de tê-los para se alcançar a felicidade. O ato</p><p>de consumir é colocado como uma das formas que permitem ao cidadão ou ao</p><p>indivíduo sentir-se inserido na sociedade.</p><p>A economia mundial vive um momento em que um dos seus sustentáculos</p><p>é a produção em larga escala de bens materiais. Vive-se um tempo em que</p><p>existe forte pressão para que o estilo de vida seja baseado no consumo. A casa,</p><p>o carro, as viagens fazem parte desse estilo.</p><p>A expansão do consumismo acelerado acarreta alta demanda/necessidade</p><p>de energia, minérios, água e tudo o que é necessário à produção e ao</p><p>funcionamento dos bens de consumo. O consumo exacerbado, não sustentável,</p><p>globalizou-se. A expansão desenfreada do consumo trouxe consigo problemas</p><p>que antes eram vistos como indiretos, mas que hoje estão cada vez mais ligados</p><p>de forma direta aos problemas ambientais.</p><p>A ONU tem alertado para a velocidade da utilização dos recursos naturais,</p><p>que já é muito maior que a capacidade de regeneração da natureza. Para alguns</p><p>elementos da natureza a reposição é impossível, a escala de tempo para a</p><p>formação é milhões de vezes maior que a vida média dos seres humanos.</p><p>Segundo o World Wildlife Fund (WWF), uma das ONGs ambientalistas mais</p><p>ativas no mundo, o homem está consumindo 30% a mais dos recursos naturais</p><p>que a Terra pode oferecer. Se continuarmos nesse ritmo predatório, em 2030 a</p><p>demanda atingirá os 100% - ou seja, precisaremos de dois planetas para</p><p>sustentar o mundo.</p><p>A biocapacidade é um indicador que mede a área de terras e águas</p><p>capazes de gerar recursos biológicos úteis e de absorver os resíduos produzidos</p><p>pelas atividades humanas. A Terra tem uma biocapacidade de 13,4 bilhões de</p><p>hectares globais. A pressão das atividades humanas sobre os ecossistemas é</p><p>medida pela pegada ecológica. Ela nos mostra se o nosso estilo de vida está</p><p>de acordo com a capacidade do planeta em oferecer e renovar seus recursos</p><p>naturais e absorver os resíduos provocados pela atividade humana.</p><p>O índice, apresentado em hectares globais, representa a superfície</p><p>ocupada por terras cultivadas, pastagens, florestas, áreas de pesca ou</p><p>edificadas. Em tese, a sustentabilidade do planeta estaria garantida se cada</p><p>pessoa no mundo utilizasse 1,8 hectares de área (quase dois campos de futebol).</p><p>O problema é que essa média é de cerca de 2,7 hectares. Nos países</p><p>desenvolvidos, esse número é ainda maior – o índice dos Estados Unidos, por</p><p>exemplo, é de 9,6 hectares por pessoa.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 38</p><p>Pegada ecológica humana</p><p>Crédito: Ecological Footprint Network, 2010</p><p>PASSAMOS DO LIMITE - A linha azul representa tudo de que a humanidade</p><p>dispõe para sobreviver - os recursos de um planeta, nem mais nem menos. É</p><p>sobre esse planeta que a humanidade imprime sua pegada ecológica (linha</p><p>vermelha). A maneira de manter o equilíbrio entra a pegada ecológica e a</p><p>biocapacidade é reduzir o ritmo de exploração dos recursos naturais,</p><p>desenvolvendo a produção de uma forma equilibrada.</p><p>3. O desenvolvimento sustentável</p><p>Apesar de relativamente recente, a ideia de “desenvolvimento</p><p>sustentável” era percebida há muitas décadas. A deterioração do ar,</p><p>de Saúde de 2013, do IBGE, o brasileiro</p><p>come pouca quantidade de hortaliças e frutas, ingere mais alimentos gordurosos</p><p>do que o recomendado, troca cada vez mais refeições completas por lanches</p><p>rápidos e é sedentário. A pesquisa apontou ainda que pessoas de baixa renda</p><p>compram alimentos pouco saudáveis, ou seja, além de fatores como saúde,</p><p>religião, meio ambiente, a questão social ainda é um limitador do consumo de</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 34 de 38</p><p>alimentos, principalmente daqueles considerados mais nutritivos, que costumam</p><p>ser mais caros.</p><p>Esse estilo de vida, que não é característico apenas do brasileiro e pode</p><p>ser observado em boa parte do mundo, fez com que o número de problemas de</p><p>saúde decorrentes da má alimentação ou do consumo em excesso de produtos</p><p>industrializados aumentasse, tal como a obesidade e problemas cardíacos.</p><p>Mesmo nesse cenário houve um aumento considerável de consumidores</p><p>que valorizam a comida natural, orgânica, segundo um relatório recente da</p><p>empresa de pesquisas Nielsen. A pesquisa aponta um aumento de 5% nas</p><p>vendas de itens considerados saudáveis, como frutas, verduras, chás, iogurtes,</p><p>água, entre os anos de 2012 e 2014. Considerando apenas a América Latina,</p><p>esse número chega a 16%.</p><p>De olho neste mercado, muitas empresas já prometeram retirar corantes</p><p>e aromatizantes artificiais de diversos produtos, buscando atender as demandas</p><p>do consumidor. Mas trata-se de um movimento que ainda precisa ganhar força</p><p>para atingir uma maior parcela de consumidores, que possa ser beneficiada e</p><p>ter acesso a tais alimentos.</p><p>Dentro desse contexto, a preocupação com a procedência da comida</p><p>passou a fazer parte da rotina desses consumidores que, além de produtos</p><p>naturais, buscam comprar marcas e fabricantes que não agridem o meio</p><p>ambiente nem os animais (como as granjas, onde a forma como as galinhas são</p><p>criadas varia) para a produção de alimentos.</p><p>A onda mais recente do mercado de alimentação é a onda de</p><p>“gourmetização” da comida, onde se vende a ideia de que você estará</p><p>consumindo um alimento com algum toque mais refinado. Da coxinha, o pastel,</p><p>o sanduíche ao feijão com arroz, tudo pode ser “gourmet”.</p><p>Esse refinamento, no entanto, nem sempre recupera o lado mais humano</p><p>das refeições. Muitas vezes, a sofisticação acaba apenas reproduzindo essa</p><p>dinâmica consumista num tom elitista, que mais uma vez direciona um</p><p>determinado produto a um tipo de classe social ou perfil.</p><p>Entre todas essas questões, a que parece precisar de uma resposta mais</p><p>urgente sobre alimentação é: com a previsão de que em 2020 a população</p><p>mundial seja de 9 bilhões de pessoas, teremos comida para todo mundo?</p><p>As opções não podem ficar reduzidas apenas à produção industrial ou</p><p>orgânica e local, embora elas certamente venham a oferecer novas soluções. O</p><p>alto consumo de animais vai tornar o meio tradicional escasso, assim como os</p><p>efeitos ambientais da agricultura podem custar muito caro à humanidade, seja</p><p>pela sua relação como aquecimento global ou perda da biodiversidade.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 35 de 38</p><p>Usar recursos naturais de forma eficiente, aumentar a produção para</p><p>nutrição humana (isso porque parte da produção vira ração para animais, é</p><p>usada nos biocombustíveis e pela indústria), consumir de forma responsável e</p><p>valorizar o alimento estão entre os passos necessários para garantir que ao</p><p>longo dos próximos anos, a comida chegue a um número maior de pessoas, em</p><p>vez de terminar desperdiçada na lata de lixo.</p><p>Disponível em: http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-</p><p>disciplinas/atualidades/sociedade-as-mudancas-no-ato-de-comer-e-como-</p><p>vamos-garantir-comida-para-todos.htm</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 36 de 38</p><p>8. Simulado</p><p>PROVA DISCURSIVA</p><p>Texto I</p><p>Desde 2008, o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de consumo de</p><p>agrotóxicos. Enquanto nos últimos dez anos o mercado mundial desse setor</p><p>cresceu 93%, no Brasil, esse crescimento foi de 190%, de acordo com dados</p><p>divulgados pela Anvisa. Segundo o Dossiê Abrasco, publicado nesta terça-feira</p><p>(28/04) no Rio de Janeiro, 70% dos alimentos in natura consumidos no país</p><p>estão contaminados.</p><p>Adaptado de: http://brasil.elpais.com/brasil.</p><p>Texto II</p><p>O modelo agrícola baseado na utilização de sementes transgênicas é a</p><p>trilha de um caminho insustentável. O aumento dramático no uso de</p><p>agroquímicos decorrentes do plantio de transgênicos é exemplo de prática que</p><p>coloca em cheque o futuro dos nossos solos e de nossa biodiversidade agrícola.</p><p>Diante da crise climática em que vivemos, a preservação da biodiversidade</p><p>funciona como um seguro, uma garantia de que teremos opções viáveis de</p><p>produção de alimentos no futuro e estaremos prontos para os efeitos das</p><p>mudanças climáticas sobre a agricultura.</p><p>Nesse cenário, os transgênicos representam um duplo risco. Primeiro por</p><p>serem resistentes a agrotóxicos, ou possuírem propriedades inseticidas, o uso</p><p>contínuo de sementes transgênicas leva à resistência de ervas daninhas e</p><p>insetos, o que por sua vez leva o agricultor a aumentar a dose de agrotóxicos</p><p>ano a ano. Não por acaso o Brasil se tornou o maior consumidor mundial de</p><p>agrotóxicos em 2008 – depois de cerca de dez anos de plantio de transgênicos</p><p>– sendo mais da metade deles destinados à soja, primeira lavoura transgênica</p><p>a ser inserida no País.</p><p>Além disso, o uso de transgênicos representa um alto risco de perda de</p><p>biodiversidade, tanto pelo aumento no uso de agroquímicos (que tem efeitos</p><p>sobre a vida no solo e ao redor das lavouras), quanto pela contaminação de</p><p>sementes naturais por transgênicas. Neste caso, um bom exemplo de alimento</p><p>importante, que hoje se encontra em ameaça, é o nosso bom e tradicional arroz.</p><p>Fonte: http://www.greenpeace.org/brasil/</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 38</p><p>Texto III</p><p>Ao refletir sobre os perigos dos alimentos transgênicos e sobre os</p><p>caminhos para uma alimentação mais saudável e sustentável, a nutricionista</p><p>(...) Claudia Witt (...) afirma que “os alimentos orgânicos são uma excelente</p><p>forma de alimentação saudável, pois são livres de agrotóxicos. Esses alimentos</p><p>contribuem para a saúde das pessoas, prevenindo doenças crônicas não</p><p>transmissíveis, como o câncer, por exemplo” (...).</p><p>Internet: http://www.opera10.com.br/2014/05/redacao-proposta-2014-29-transgenicos.html</p><p>Considerando que os fragmentos de textos acima têm caráter unicamente</p><p>motivador, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema.</p><p>TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS X CAMINHOS PARA UMA</p><p>ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL</p><p>Ao elaborar seu texto, aborde os seguintes aspectos:</p><p>1. argumentos favoráveis e contrários aos transgênicos; [valor: 12,00 pontos]</p><p>2. os riscos à saúde pelo uso de agrotóxicos na produção de alimentos; [valor:</p><p>13,00 pontos]</p><p>3. alternativas para uma alimentação saudável [valor: 13,00 pontos]</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 38</p><p>Folha para a elaboração da discursiva</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>7</p><p>8</p><p>9</p><p>10</p><p>11</p><p>12</p><p>13</p><p>14</p><p>15</p><p>16</p><p>17</p><p>18</p><p>19</p><p>20</p><p>21</p><p>22</p><p>23</p><p>24</p><p>25</p><p>26</p><p>27</p><p>28</p><p>29</p><p>30</p><p>da água e</p><p>dos solos já preocupava muitos governos europeus, que vivenciavam a</p><p>destruição das florestas e dos rios, bem como a péssima qualidade de vida dos</p><p>seus habitantes.</p><p>No início do século XX ficava cada vez mais claro que esses problemas</p><p>somente cresceriam e que seria necessária uma ação conjunta. Porém, foi</p><p>somente depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) que os esforços</p><p>internacionais pela preservação ambiental começaram a ter algum resultado.</p><p>Gradativamente, a comunidade internacional despertava para a</p><p>problemática atual, até que em 1972, o Clube de Roma, uma organização</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 5 de 38</p><p>voltada ao debate do futuro da humanidade, publicou com apoio de especialistas</p><p>do Massachusetts Institute of Technology (MIT), o relatório Limites do</p><p>Crescimento. Alvo de muita polêmica, o relatório afirmava que se</p><p>continuassem os ritmos de crescimento da população, da utilização de recursos</p><p>naturais e da poluição, a humanidade correria sérios riscos de sobrevivência no</p><p>final do século XXI.</p><p>O relatório do Clube de Roma repercutiu de tal forma que, em 1972, a</p><p>ONU organizou a Conferência de Estocolmo, conhecida como 1ª Conferência</p><p>Internacional para o Meio Ambiente Humano.</p><p>Considerada um marco do movimento ambiental, foi a primeira</p><p>conferência organizada pela ONU que debateu os problemas ambientais do</p><p>planeta. Poucos avanços foram conseguidos ao final da conferência, porém, a</p><p>sensibilização das lideranças da comunidade internacional acabou levando a</p><p>ONU a criar o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).</p><p>Após a Conferência de Estocolmo, a comunidade internacional continuou</p><p>debatendo e se mobilizando sobre o tema. Mas o conceito de desenvolvimento</p><p>sustentável só iria surgir quinze anos depois, em 1987, em um contundente</p><p>documento divulgado pelo Pnuma – o Relatório Nosso Futuro Comum</p><p>(também chamado de Relatório Brundtland). A coordenação da elaboração</p><p>do documento coube a então primeira-ministra da Noruega – Gro Harlem</p><p>Brundtland.</p><p>O relatório Nosso Futuro Comum é o primeiro grande documento científico</p><p>que apresenta com detalhes as causas dos principais problemas ambientais e</p><p>ecológicos, envolvendo atividades e políticas econômicas e discutindo</p><p>abertamente os problemas das tecnologias usadas para movimentar a</p><p>sociedade.</p><p>O documento popularizou o conceito de desenvolvimento sustentável,</p><p>assim definido pelo relatório:</p><p>“Desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades da</p><p>geração presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de</p><p>satisfazerem as suas próprias necessidades.”</p><p>Galera, não há um conceito único para o desenvolvimento sustentável. Há</p><p>muitos conceitos, que variam conforme o autor. Por isto, é fundamental</p><p>compreender a ideia, a proposta do desenvolvimento sustentável.</p><p>Vários autores propõe o conceito de sustentabilidade, que, segundo os</p><p>próprios, seria mais abrangente que o desenvolvimento sustentável. Pode-se</p><p>dizer que o desenvolvimento sustentável diz respeito à noção de que a sociedade</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 6 de 38</p><p>deve viver com os recursos naturais que o meio ambiente pode fornecer-lhe, e</p><p>não com o que ela deseja que a Terra lhe forneça. O grande desafio é aliar o</p><p>progresso econômico à preservação do meio ambiente, o que exige uma</p><p>mudança de modelo de desenvolvimento e nos padrões de consumo</p><p>vigentes.</p><p>Sustentável é o desenvolvimento visto da maneira mais ampla possível –</p><p>crescimento econômico com igualdade e justiça social, sem comprometer os</p><p>recursos naturais, que garanta qualidade de vida para as gerações futuras. A</p><p>ideia é que a pressão exercida pelas atividades humanas não seja tão intensa a</p><p>ponto de esgotar seus recursos, como as terras aráveis, água limpa e florestas.</p><p>Ao mesmo tempo, todo desenvolvimento deve garantir condições de saúde,</p><p>moradia e educação a toda a população – respeitando, inclusive, as</p><p>peculiaridades e culturas de diferentes grupos, como as populações indígenas.</p><p>O debate sobre a insustentabilidade do atual modelo de desenvolvimento</p><p>e sobre formas de alcançar o desenvolvimento sustentável seguiu após a</p><p>divulgação do Relatório Nosso Futuro Comum. Na verdade, é um tema central,</p><p>cada vez mais presente nas conferências ambientais da ONU. Perpassou a ECO-</p><p>92, Rio+5, Rio+10 e Rio+20.</p><p>A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento – ECO92, realizou-se no Rio de Janeiro, de 3 a 14 de junho</p><p>de 1992. A Agenda 21, foi o mais importante documento aprovado pelos</p><p>Estados-membros presentes na ECO 92. O documento está dividido em quatro</p><p>seções e quarenta capítulos sobre as mais variadas áreas. Trata-se de um</p><p>planejamento de futuro, com ações de curto, médio e longo prazos, contendo</p><p>metas, indicadores, instrumentos, recursos e responsabilidades definidas. Não é</p><p>uma agenda ambiental, mas uma agenda para o desenvolvimento sustentável.</p><p>O compromisso com a sustentabilidade traduz-se, na Agenda 21, em vinte</p><p>e sete princípios, calcados em três premissas:</p><p>• os países desenvolvidos devem mudar seu padrão de produção e</p><p>consumo e, portanto, seu modelo econômico;</p><p>• os países em desenvolvimento devem manter as metas de crescimento,</p><p>mas adotar métodos e sistemas de produção sustentáveis;</p><p>• as nações desenvolvidas devem apoiar o crescimento das mais pobres,</p><p>com recursos financeiros, transferência de tecnologia e reformas nas relações</p><p>comerciais e financeiras internacionais.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 7 de 38</p><p>Vinte anos após a Rio92, os países membros da ONU, reuniram-se em</p><p>2012, no Rio de Janeiro, na Conferência da ONU para o Desenvolvimento</p><p>Sustentável - RIO+20. O evento teve como objetivo analisar os progressos</p><p>feitos, desde 1992, e avançar na adoção de políticas para o desenvolvimento</p><p>sustentável.</p><p>Previamente à conferência, a ONU divulgou um balanço geral da situação</p><p>do planeta. A entidade considerou que o progresso em prol da sustentabilidade</p><p>nas duas décadas anteriores, havia sido bastante limitado. Segundo a ONU,</p><p>novas tecnologias e métodos de produção adotados pela indústria baixaram em</p><p>um terço o volume de recursos empregados em cada bem ou serviço produzido</p><p>nos últimos vinte e cinco anos.</p><p>Apesar dessa evolução, no resultado final, o planeta passou a consumir</p><p>50% a mais de recursos naturais. Isso ocorreu porque as nações mais ricas não</p><p>reduziram seu nível de consumo. Simultaneamente, as economias emergentes,</p><p>como Índia e China, extremamente populosas, passaram a consumir mais do</p><p>que nas décadas anteriores.</p><p>Como o cenário era de muita expectativa, esperavam-se resultados</p><p>concretos. Não foi o que ocorreu. A Rio+20 causou frustração aos que</p><p>esperavam metas ou agendas de compromissos.</p><p>4. Objetivos do Desenvolvimento Sustentável</p><p>A Rio+20 deliberou pela elaboração dos Objetivos do Desenvolvimento</p><p>Sustentável (ODS), que viriam após o fim do período dos Objetivos do</p><p>Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU.</p><p>Em, 2015, após mais de três anos de discussão, os líderes de governo e</p><p>de estado aprovaram, por consenso, o documento “Transformando Nosso</p><p>Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”. Nas</p><p>palavras da PNUD/ONU, “a Agenda é um plano de ação para as pessoas, o</p><p>planeta e a prosperidade. Ela busca fortalecer a paz universal com mais</p><p>liberdade e reconhece que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e</p><p>dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global ao</p><p>desenvolvimento sustentável”.</p><p>A Agenda consiste em uma Declaração, 17 Objetivos de Desenvolvimento</p><p>Sustentável e as 169 metas, uma seção sobre meios de implementação e de</p><p>parcerias globais, e um arcabouço para acompanhamento e revisão. Os ODS</p><p>aprovados foram construídos sobre as bases estabelecidas pelos Objetivos de</p><p>Desenvolvimento do Milênio (ODM), de maneira a completar o trabalho deles e</p><p>responder a novos desafios. São integrados e indivisíveis e mesclam, de forma</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 8 de 38</p><p>equilibrada, as três dimensões do desenvolvimento sustentável, consideradas</p><p>pela ONU: a econômica, a social e a ambiental.</p><p>A Agenda considera cinco áreas como de importância crucial para a</p><p>humanidade e para o planeta no período 2016-2030, denominadas de cinco P’s.</p><p>Vejamos na figura a seguir:</p><p>Os cinco P´s da Agenda 2030</p><p>Vamos ver agora os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável:</p><p>1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.</p><p>2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da</p><p>nutrição e promover a agricultura sustentável.</p><p>3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos,</p><p>em todas as idades.</p><p>4. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e</p><p>promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.</p><p>5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e</p><p>meninas.</p><p>6. Assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e</p><p>saneamento para todos.</p><p>7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço</p><p>acessível à energia para todos.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 38</p><p>8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e</p><p>sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos.</p><p>9. Construir infraestruturas robustas, promover a industrialização</p><p>inclusiva e sustentável e fomentar a inovação.</p><p>10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.</p><p>11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos,</p><p>seguros, resistentes e sustentáveis.</p><p>12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.</p><p>13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima e seus</p><p>impactos.</p><p>14. Conservar e usar sustentavelmente dos oceanos, dos mares e dos</p><p>recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.</p><p>15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos</p><p>ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a</p><p>desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de</p><p>biodiversidade.</p><p>16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento</p><p>sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir</p><p>instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.</p><p>17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global</p><p>para o desenvolvimento sustentável.</p><p>5. Problemas ambientais do planeta e do Brasil</p><p>5.1 Aquecimento global</p><p>O aquecimento global tem como causa a intensificação do</p><p>fenômeno natural do efeito estufa. Ele permite à atmosfera da Terra reter</p><p>parte do calor que o Sol envia ao planeta, o que mantém a temperatura média</p><p>do nosso planeta em torno de 14ºC, essencial para boa parte das formas de</p><p>vida.</p><p>Quando os cientistas falam em mudança do clima e em aquecimento</p><p>global, estão se referindo ao aumento extraordinário da capacidade da</p><p>atmosfera de reter calor. Situações desse tipo já ocorreram antes na história da</p><p>Terra, motivadas, por exemplo, por alterações na atividade solar ou por grandes</p><p>erupções vulcânicas. Mas agora a maioria dos cientistas acredita que o fenômeno</p><p>está sendo alimentado pela ação do homem.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 10 de 38</p><p>Os gases responsáveis pelo efeito estufa, como o dióxido de carbono e o</p><p>gás carbônico (CO2), são produzidos pela queima de combustíveis fósseis, como</p><p>petróleo e carvão mineral. O metano (CH4) é gerado pelo arroto e flatulência do</p><p>gado, pela decomposição da matéria orgânica no lixo e em plantações alagadas.</p><p>O óxido nitroso (N2O) advém do processo digestivo do gado. Além disso, ao</p><p>alterar o uso da terra, por meio do desmatamento e de atividades agrícolas, o</p><p>ser humano lança no ar CO2 que estava acumulado nas plantas e no solo.</p><p>Efeito Estufa</p><p>O excesso de gases liberados na atmosfera tem como consequência</p><p>alterações no clima, como o aumento das chuvas em várias regiões, o avanço</p><p>do mar em áreas litorâneas e rasas e o agravamento das secas.</p><p>Considerando as emissões anuais, tendo como base os últimos anos, a</p><p>China é o maior emissor mundial de CO2, seguida dos Estados Unidos, União</p><p>Europeia, Rússia, Índia, Japão, Brasil e Canadá. No entanto, se considerarmos</p><p>as emissões acumuladas, os dados são diferentes. Estudo do World Resources</p><p>Institute e Global Carbon Project/Programa Internacional Geosfera-Biosfera das</p><p>emissões acumuladas, no período entre 1850 a 2011, informam que os Estados</p><p>Unidos são os maiores emissores de CO2, seguidos da União Europeia, China,</p><p>Rússia e Japão.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 38</p><p>O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da</p><p>ONU analisa e acompanha o processo do aquecimento global. O organismo</p><p>elabora relatórios e documentos para acompanhar a situação ambiental do</p><p>planeta. As conclusões são de que já existe um aquecimento global em</p><p>andamento, com evidências de que ele é agravado pelas atividades humanas.</p><p>A posição do IPCC não é unânime no meio científico. Um grupo</p><p>bastante minoritário de cientistas contesta a afirmação de que o aquecimento</p><p>global estaria sendo causado pelas atividades humanas. Os críticos argumentam</p><p>que até hoje a ciência não conhece todos os mecanismos que regem o clima, e</p><p>que mudanças climáticas intensas sempre aconteceram e são naturais.</p><p>Nos últimos 500 mil anos ocorreram vários períodos glaciais (nos quais a</p><p>temperatura global baixava muito) e também interglaciais (em que havia um</p><p>aquecimento global). Assim, para os críticos, mesmo que esteja ocorrendo um</p><p>aquecimento global, ele pode ter causas naturais, e não há certeza de que as</p><p>ações humanas reforcem significativamente o efeito estufa.</p><p>De acordo com três das mais importantes instituições de monitoramento</p><p>do clima no mundo - Nasa (agência espacial dos EUA), Noaa (Administração</p><p>Nacional de Oceanos e Atmosfera, também dos EUA) e Met Office (serviço de</p><p>meteorologia do Reino Unido) – 2015 desbancou 2014 e foi o ano mais quente</p><p>desde que os registros globais de temperatura começaram, em 1880. O século</p><p>XXI teve 15 dos 16 anos mais quentes, desde 1880.</p><p>O ano que passou ficou marcado por eventos climáticos extremos em todo</p><p>o mundo – seca e incêndios nos EUA, recordes de temperatura no verão de</p><p>países europeus, onda de calor que deixou milhares de mortos na Índia, calor</p><p>acima da média na Rússia, na China e na América do Sul, com algumas capitais</p><p>brasileiras batendo recordes históricos de temperatura, ciclones extratropicais</p><p>como o Patrícia, inundações na Ásia, entre outros.</p><p>A combinação das mudanças climáticas globais, causadas pelo acúmulo de</p><p>gases de efeito estufa na atmosfera, e de um forte El Niño está provavelmente</p><p>por trás do tamanho do recorde – a última vez que um recorde de alta de</p><p>temperatura global foi batido com tanta folga foi justamente em 1998, outro ano</p><p>de El Niño forte. O El Niño é um ciclo natural de aquecimento no Oceano Pacífico,</p><p>que tem um impacto sobre o clima global, elevando os termômetros.</p><p>O Protocolo de Kyoto</p><p>Para enfrentar o problema do aquecimento global, governos do mundo</p><p>todo buscam, sob o guarda-chuva da ONU, adotar atitudes em conjunto para</p><p>diminuir as emissões dos gases de efeito estufa. Pelo Protocolo de Kyoto,</p><p>elaborado em 1997, os países desenvolvidos se comprometeram a reduzir sua</p><p>emissão de gases do efeito estufa em pelo menos 5,2% em relação aos níveis</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 38</p><p>de 1990 – meta que deveria ser cumprida entre 2008 e 2012. Nações em</p><p>desenvolvimento, como Brasil e China, não têm metas de redução.</p><p>Para entrar em vigor, o protocolo precisava ser ratificado por países que</p><p>representassem pelo menos 55% das emissões mundiais de gases do efeito</p><p>estufa. O Protocolo de Kyoto entrou em vigor em 2005, mas grandes poluidores,</p><p>como os Estados Unidos, não o ratificaram, por considerar que isso afetaria sua</p><p>economia.</p><p>O prazo do protocolo venceu em 2005, mais foi prorrogado até 2020 por</p><p>falta de um</p><p>novo acordo.</p><p>E o Brasil?</p><p>O Brasil é o sétimo maior emissor mundial de gases estufa. Neste</p><p>quesito, o Brasil continua melhorando, ao diminuir as suas emissões totais. A</p><p>Terceira Comunicação Nacional do Brasil, submetida à Convenção-Quadro das</p><p>Nações Unidas sobre Mudança do Clima, aponta redução de 53,5% no total de</p><p>gás carbônico (CO2) emitido pelo Brasil na atmosfera, entre 2005 e 2010. O</p><p>setor que mais se destacou na redução das emissões foi o uso da terra, ou</p><p>seja, a retirada da vegetação para a atividade agropecuária.</p><p>A Lei da Política Nacional da Mudança do Clima (PNMC) oficializa o</p><p>compromisso do país em reduzir as suas emissões de gases de efeito estufa em</p><p>37% até 2025 e 43% até 2030 em relação aos valores de 2005. Essas metas</p><p>apresentadas na COP-21 foram consideradas ambiciosas porque são absolutas,</p><p>ou seja, não dependem do crescimento da economia como foi apresentado por</p><p>outros países. Vejamos as metas apresentadas pelo Brasil:</p><p> Acabar com o desmatamento ilegal;</p><p> Restaurar 12 milhões de hectares de florestas;</p><p> Recuperar 15 milhões de hectares de pastagens degradadas;</p><p> Integrar 5 milhões de hectares de lavoura-pecuária-florestas;</p><p> Garantir 45% de fontes renováveis no total da matriz energética;</p><p> Ampliar para 66% a participação da fonte hídrica na geração de</p><p>eletricidade;</p><p> Ampliar para 23% a participação de fontes renováveis (eólica, solar</p><p>e biomassa) na geração de energia elétrica; e</p><p> Aumentar para 16% a participação de etanol carburante e das</p><p>biomassas derivadas de cana-de-açúcar no total da matriz</p><p>energética.</p><p>Segundo relatório científico do Painel Brasileiro de Mudanças</p><p>Climáticas, 2013, o aquecimento global pode levar a uma elevação da</p><p>temperatura no Brasil de 3ºC a 6ºC até 2100, situação que ficaria ainda mais</p><p>crítica com uma possível escassez de chuvas.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 38</p><p>Na Amazônia, por exemplo, em 2100 a temperatura pode subir cerca de</p><p>6ºC e a distribuição de chuvas na região pode cair 45%. Desmatamento e</p><p>queimadas no bioma podem contribuir para alterar drasticamente o ciclo</p><p>hidrológico da floresta, prolongando a estação de seca e alterando a distribuição</p><p>de chuvas no país.</p><p>O calor acentuado, até 5,5ºC a mais do que a temperatura registrada</p><p>atualmente, desencadearia um processo de desertificação da Caatinga, bioma já</p><p>considerado ameaçado de extinção. O Pantanal sofreria uma redução de 45%</p><p>na quantidade de chuvas e um aumento de 4,5ºC na temperatura. Na Mata</p><p>Atlântica (porção Sul/Sudeste) a quantidade de chuva pode subir até 30% nas</p><p>próximas décadas, e no Pampa, até 40% – o que aumenta o risco de inundações</p><p>e deslizamentos em áreas costeiras.</p><p>Se acontecerem, essas mudanças trarão drásticas consequências para a</p><p>produtividade agrícola, a vazão dos rios vai diminuir reduzindo a geração de</p><p>energia, entre outros efeitos negativos. Veja no mapa a seguir, as previsões do</p><p>Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas.</p><p>Fonte: Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas</p><p>COP-21 – Conferência do Clima de Paris</p><p>A Vigésima Primeira Conferência das Partes da Convenção Quadro sobre a</p><p>Mudança do Clima (COP 21) da ONU, realizou-se nos dias 30 de novembro a 11</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 14 de 38</p><p>de dezembro de 2015, em Paris, França. A COP-21 foi realizada sobre um inédito</p><p>e fortíssimo sistema e controle de segurança, pois, foi realizada poucos dias após</p><p>os atentados terroristas de Paris.</p><p>O acordo, alcançado na COP-21, determina que seus 195 países</p><p>signatários ajam para que temperatura média do planeta sofra uma</p><p>elevação "muito abaixo de 2°C", mas "reunindo esforços para limitar o</p><p>aumento de temperatura a 1,5°C", frente aos níveis da era pré-</p><p>industrial. Não foram dadas metas de redução de emissão de gases do efeito</p><p>estufa, mas uma intenção global em mudar para uma economia de baixo</p><p>carbono.</p><p>É a primeira vez que se atinge um consenso global em um acordo em que</p><p>todos os países reconhecem que as emissões de gases do efeito estufa precisam</p><p>ser desaceleradas e, em algum momento, comecem a cair.</p><p>Cientistas criticaram a ausência de metas específicas de cortes de emissão</p><p>para períodos de longo prazo – de 2050 -, mas o acordo deixa em aberto a</p><p>possibilidade de que essas sejam estabelecidas posteriormente, com "a melhor</p><p>ciência possível".</p><p>O tratado não determina com precisão até quando as emissões precisam</p><p>parar de subir e começar a cair, mas reconhece o pico tem de ocorrer logo.</p><p>"As partes do acordo visam atingir um pico global nas emissões de gases</p><p>de efeito estufa assim que possível, reconhecendo que o pico levará mais tempo</p><p>para países em desenvolvimento", diz o texto.</p><p>O documento ainda conclama os países a "adotarem reduções rápidas a</p><p>partir de então, de acordo com a melhor ciência disponível, de modo a atingir</p><p>um equilíbrio entre as emissões antropogênicas por fontes [queima de</p><p>combustíveis fósseis] e pela remoção por sorvedouros de gases de efeito estufa</p><p>na segunda metade deste século."</p><p>Antes da COP-21, as partes (países) apresentaram Contribuições</p><p>Nacionalmente Determinadas (CND) de redução de emissões. São intenções de</p><p>cada país, não são compromissos obrigatórios. O Brasil apresentou como CND</p><p>reduzir a emissão de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e em 43% até</p><p>2030, sobre o que o país emitiu no ano de 2005.</p><p>Também está incluído o compromisso de países ricos de garantirem um</p><p>financiamento de ao menos US$ 100 bilhões por ano para combater a mudança</p><p>climática em nações pobres e em desenvolvimento a partir de 2020, até ao</p><p>menos 2025, quando o valor deve ser rediscutido.</p><p>O acordo também inclui um mecanismo para revisão periódica das</p><p>promessas nacionais dos países para rever suas metas (CNDs) de desacelerar</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 15 de 38</p><p>as emissões do efeito estufa, que não atingem hoje nem metade da ambição</p><p>necessária para evitar o aquecimento de 2°C.</p><p>Tanto o financiamento quanto a ambição terão de ser revistos de cinco em</p><p>cinco anos. A primeira reunião para reavaliar o grau de ambição dos cortes é</p><p>prevista para 2023, mas em 2018 deve ocorrer um encontro que vai debatê-las</p><p>antecipadamente.</p><p>Em novembro de 2016, entrou oficialmente em vigor. O limite mínimo de</p><p>55 países que representam 55% das emissões mundiais de gases do efeito</p><p>estufa -- necessário para que o acordo entrasse em vigor -- foi atingido antes</p><p>do que os especialistas esperavam. O Brasil foi um dos primeiros países a</p><p>retificar o acordo. Entre os principais países emissores, Rússia, Austrália e Japão</p><p>ainda não ratificaram o acordo.</p><p>A COP-22, que se realizará em novembro de 2016, em Marrakesh, no</p><p>Marrocos, deve avançar no detalhamento do Acordo de Paris.</p><p>Nas discussões sobre a mudança do clima, o Brasil se articula e coordena</p><p>posições com a China, Índia e África do Sul, num grupo denominado de</p><p>Basic.</p><p>Principais pontos do Acordo do Clima aprovado:</p><p>- Manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C e</p><p>perseguir esforços para limitar este aumento em 1,5 °C acima dos níveis pré-</p><p>industriais.</p><p>- Pico de emissões o mais rápido possível - As partes deste acordo</p><p>objetivam alcançar um pico de emissões de GEE o mais rapidamente possível,</p><p>reconhecendo que as nações em desenvolvimento vão levar mais tempo para</p><p>alcançar seu pico de emissões. O texto não determina quando emissões</p><p>precisam parar de subir.</p><p>- Não há menção à porcentagem de corte de emissão de gases-estufa</p><p>necessária - Cada parte (país) deve fazer sucessivas contribuições</p><p>nacionalmente determinadas (CND) para o acordo, mas no acordo não há um</p><p>número a ser atingido ou já inicialmente prometido.</p><p>- Países ricos devem garantir financiamento de US$ 100 bilhões por ano,</p><p>em ajuda aos países em desenvolvimento para se adaptarem a mudança do</p><p>clima e enfrentarem o aquecimento global.</p><p>- Acordo deve ser revisto a cada 5 anos.</p><p>5.2 Desmatamento</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 16 de</p><p>38</p><p>A destruição das florestas está entre os grandes problemas ambientais da</p><p>humanidade. O desmatamento acentua o aumento das temperaturas globais e</p><p>afeta os níveis de biodiversidade. A expansão de novas terras dedicadas à</p><p>agropecuária corresponde a ¾ da redução das superfícies das formações</p><p>florestais do mundo. Outras causas do desmatamento são a exploração de</p><p>madeira, o crescimento das cidades, a construção de grandes obras, como</p><p>estradas e barragens de hidrelétricas, e a mineração.</p><p>Nos séculos passados, os países desenvolvidos devastaram a maior parte</p><p>de suas florestas. A Europa, por exemplo, praticamente eliminou todas as</p><p>matas nativas do continente. Hoje, o desmatamento é maior nas nações em</p><p>desenvolvimento, principalmente no Brasil e na Indonésia.</p><p>As áreas florestais do mundo cobrem aproximadamente 1/3 das terras</p><p>emersas do planeta. Em termos continentais, a América é o continente que</p><p>apresenta as mais extensas áreas recobertas por formações florestais, devido</p><p>principalmente as terras florestadas do Brasil, Canadá e EUA. Cinco países –</p><p>Rússia, Brasil, Canadá, Estados Unidos e China -, concentram pouco mais da</p><p>metade das formações florestais do mundo.</p><p>O Brasil é um país florestal com aproximadamente 54% do seu território</p><p>coberto por florestas naturais. No entanto, o país perde anualmente milhares de</p><p>quilômetros quadrados de vegetação com o corte de árvores e as queimadas.</p><p>Estima-se que quase um quinto da mata original já tenha sido derrubada, até</p><p>2010.</p><p>Somente no Bioma Amazônia, estima-se que, até 2010, tenham sido</p><p>derrubados em torno de 740 mil km2, cerca de 18% da mata original do Bioma.</p><p>O desmate da Amazônia acontece tanto nas zonas de transição, nas bordas da</p><p>floresta com o cerrado – região conhecida como Arco do Desmatamento –,</p><p>quanto no interior da mata, principalmente no oeste paraense e no entorno da</p><p>Rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém), na Terra do Meio.</p><p>A taxa de desmatamento na Amazônia cresceu 16% em 2015, puxada por</p><p>aumentos expressivos em Mato Grosso, Rondônia e Amazonas. A devastação</p><p>acumulada na floresta entre agosto de 2014 e julho de 2015 foi de 5.831</p><p>quilômetros quadrados, contra 5.012 quilômetros quadrados no período</p><p>anterior. O maior crescimento percentual foi no Amazonas – 54%. Mas Mato</p><p>Grosso foi o Estado que mais perdeu floresta: 433 quilômetros quadrados de</p><p>mata viraram fumaça em várias regiões mato-grossenses, mas sobretudo no</p><p>noroeste, região de grilagem, pecuária extensiva e extração de madeira.</p><p>Uma outra pesquisa, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE)</p><p>e da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), analisou o</p><p>desmatamento acumulado nos últimos dez anos. Por este levantamento o Pará</p><p>foi o Estado que mais desmatou a floresta no período analisado. “O avanço da</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 17 de 38</p><p>agricultura se dá pelo estado do Pará e Mato Grosso, por isso chefiam a lista dos</p><p>grandes desmatadores da Amazônia Legal" concluiu Igor Narvaes, que realizou</p><p>o estudo.</p><p>Diminuir o desmatamento na Amazônia é um dos focos mais importantes</p><p>da Política Nacional de Mudança do Clima (PNMC). O plano objetiva alcançar até</p><p>o ano 2020, uma taxa 80% menor que a média registrada entre 1996 e 2005.</p><p>Uma das grandes polêmicas atuais sobre o uso do solo na Amazônia diz</p><p>respeito à construção de usinas hidrelétricas, que pretendem aproveitar o</p><p>potencial hídrico da Bacia Amazônica. Em 2010 e 2011, foram iniciadas obras</p><p>das represas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, em Rondônia (ambas já</p><p>inauguradas), e a de Belo Monte, no Rio Xingu, no Pará. Essa usina, com</p><p>capacidade instalada para gerar 11,2 mil megawatts, será a segunda maior do</p><p>país. Entidades ambientalistas temem os impactos sobre os ecossistemas</p><p>amazônicos, as comunidades ribeirinhas e os 2,2 mil indígenas da região.</p><p>Outro grande problema da Amazônia, que contribui sobremaneira para o</p><p>desmatamento da Amazônia são as queimadas. Segundo o Inpe (Instituto</p><p>Nacional de Pesquisas Espaciais), entre janeiro e junho de 2016, os focos de</p><p>incêndio na Amazônia brasileira aumentaram 81% em relação à média</p><p>histórica, com dados colhidos a partir de 1999. Houve ainda um aumento de</p><p>746% no número de queimadas no Amazonas, Estado que costuma ter enormes</p><p>porções de floresta preservadas.</p><p>Queimadas na Amazônia normalmente não são acidente, mas provocadas</p><p>por ação humana. Agricultores e pecuaristas usam o fogo para desmatar</p><p>grandes áreas a fim de iniciar cultivos e outras atividades. O mês de agosto</p><p>tradicionalmente é o início da temporada dessas queimadas.</p><p>Os incêndios provocam grandes prejuízos à floresta. A fauna e a flora são</p><p>imensamente afetadas. Além disso, o fogo causa a emissões de gases estufa</p><p>que agravam o aquecimento global.</p><p>5.3 Biodiversidade e extinção de espécies</p><p>A biodiversidade consiste na variedade de todas as formas de vida</p><p>(animais, vegetais e micro-organismos), espécies e ecossistemas em uma região</p><p>ou em todo o planeta. Estudos recentes começam a avaliar o valor econômico</p><p>da biodiversidade considerando os serviços ambientais que oferece à sociedade</p><p>humana, tais como, a possibilidade de amenizar impactos de eventos extremos</p><p>(ex. enchentes) e a contribuição para o equilíbrio da saúde mental e física da</p><p>população (lazer e turismo).</p><p>Não se fala mais em conservação de florestas apenas por causa de seu</p><p>papel climático na absorção do carbono. Florestas, como outros biomas, devem</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 18 de 38</p><p>também ser conservadas porque a diversidade genética das plantas e animais é</p><p>a base das atividades agrícolas, pecuárias, pesqueiras e extrativistas e da</p><p>moderna indústria de biotecnologia. A manutenção da biodiversidade é essencial</p><p>para processos vitais do meio ambiente, como a purificação de ar e água, a</p><p>fertilidade do solo, a manutenção das chuvas e a regulação climática. A</p><p>biodiversidade não se distribui de maneira uniforme pelo planeta. Ela é maior</p><p>em ambientes em que há abundância de luz solar, água doce e clima mais</p><p>estável. Isso explica por que as florestas tropicais, mesmo ocupando</p><p>apenas 7% da superfície do globo, podem abrigar até 90% de todos os</p><p>seres vivos.</p><p>Humm .... agora deu para entender por que o Brasil é destaque em termos</p><p>de biodiversidade. Está no território nacional a maior floresta tropical úmida</p><p>(Floresta Amazônica), com mais de 30 mil espécies vegetais, bem como a maior</p><p>planície inundável (o Pantanal), além do Cerrado, da Caatinga e da Mata</p><p>Atlântica. Além disso, a costa brasileira possui uma série de ecossistemas que</p><p>incluem recifes de corais, dunas, manguezais, estuários e lagoas. O país abriga</p><p>20% das espécies conhecidas, graças à extensão de seu território e aos diversos</p><p>climas que caracterizam os seus biomas.</p><p>A Mata Atlântica é o bioma brasileiro mais devastado. Por esta situação</p><p>crítica ela é considerada um hotspot (ponto quente, em português). O termo é</p><p>usado para designar lugares que, além de apresentarem alto grau de diversidade</p><p>biológica e endemismo (referência a espécies que só existem naquele</p><p>ecossistema), devem ser especialmente protegidos, pois estão muito ameaçados</p><p>pela atividade humana. Foram definidos 34 hotspots no planeta, visando</p><p>concentrar esforços na proteção dessas áreas, sendo dois no Brasil. Além da</p><p>Mata Atlântica, o Cerrado também é um hotspot.</p><p>No mundo todo, ocorre um processo acelerado de perda de biodiversidade,</p><p>de tal modo que há cientistas falando que a Terra está passando por seu sexto</p><p>período de extinção em massa (já houve cinco antes, por diversos motivos). O</p><p>Brasil possui atualmente 627 espécies de animais ameaçados de extinção, de</p><p>acordo com o Ministério do Meio Ambiente. As principais causas de extinção de</p><p>espécies são a degradação de ambientes naturais – consequência da abertura</p><p>de grandes áreas para a implantação de pastagens ou da agricultura</p><p>convencional –, o extrativismo desordenado, a expansão urbana, a ampliação</p><p>da malha viária, os desastres ambientais</p><p>(derramamento de petróleo, poluição),</p><p>o desmatamento, a formação de lagos para hidrelétricas e a mineração.</p><p>Outra causa importante é a introdução de espécies exóticas. São aquelas</p><p>que entram em um ecossistema no qual não existiam (como, por exemplo,</p><p>ocorre no Brasil com os eucaliptos, árvore australiana). Algumas dessas espécies</p><p>se veem com vantagens competitivas no novo ambiente e, favorecidas pela</p><p>ausência de predadores, dominam nichos ocupados por espécies nativas.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 19 de 38</p><p>A Convenção da Biodiversidade é o acordo internacional que busca</p><p>garantir a conservação e o uso sustentável da biodiversidade no mundo. O</p><p>tratado estabelece que deve haver valores comerciais para o conhecimento</p><p>acumulado pelos povos das florestas, e que os países paguem pelo direito de</p><p>usar produtos sintetizados com a biodiversidade de fora de seu território. O</p><p>acordo pode significar a entrada de recursos nos países em desenvolvimento,</p><p>em que há florestas preservadas, que poderão ser aplicados para desenvolver e</p><p>preservar seus ecossistemas. Com o tratado, a saída de material genético de</p><p>uma nação para a exploração comercial em outra sem pagamento de patente</p><p>passa a ser considerada biopirataria.</p><p>No âmbito da convenção, o Protocolo de Cartagena sobre</p><p>Biossegurança estabelece normas para transferir, manipular e usar</p><p>organismos vivos modificados por biotecnologia, inclusive transgênicos. A</p><p>convenção inclui ainda o Protocolo de Nagoya, com metas para a conservação</p><p>e o uso sustentável da biodiversidade no mundo.</p><p>Hotspots</p><p>Regiões ricas em diversidade biológica mais ameaçadas do planeta</p><p>Fonte: Conservation International</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 20 de 38</p><p>5.4 Desertificação</p><p>A desertificação é a redução da vegetação e da capacidade produtiva do</p><p>solo, principalmente em regiões áridas, semiáridas e subúmidas, causada pela</p><p>ação humana e, em menor grau, por mudanças naturais. Cerca de 15% da</p><p>superfície terrestre sofre algum tipo de desertificação. As áreas mais afetadas</p><p>são o oeste da América do Sul, o nordeste do Brasil, o norte e o sul da África, o</p><p>Oriente Médio, a Ásia Central, o noroeste da China, a Austrália e o sudoeste dos</p><p>Estados Unidos.</p><p>O principal fator para a expansão das regiões áridas no globo é a ação do</p><p>homem, por meio do desmatamento, das atividades de agropecuária extensiva</p><p>e de certos tipos de mineração. Essas atividades levam à redução da cobertura</p><p>vegetal, ao surgimento de terrenos arenosos, à perda de água e nutrientes do</p><p>subsolo e à erosão eólica.</p><p>Quando o solo se desertifica, a população se desloca para outras terras,</p><p>nas quais, com frequência, provoca os mesmos danos, criando um círculo</p><p>vicioso. A longo prazo, a desertificação pode causar redução drástica das terras</p><p>férteis. Atualmente, ela ameaça mais de 110 países e afeta a vida de mais de</p><p>250 milhões de pessoas. Um bilhão vive em regiões de risco e podem ser</p><p>prejudicadas nos próximos anos.</p><p>Polígono das Secas</p><p>Mais de 60% da polução nordestina vive em áreas ameaçadas pela desertificação</p><p>Fontes: Ibama e Agência Nacional de Águas</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 21 de 38</p><p>As áreas semiáridas somam 13% do território brasileiro e incluem o</p><p>Polígono das Secas, que abrange a região do semiárido nordestino e o norte de</p><p>Minas Gerais. Cerca de 10% do polígono sofre de desertificação grave. O Brasil</p><p>conta com um Plano de Ação de Combate à Desertificação. Segundo o Ministério</p><p>do Meio Ambiente, os quatro núcleos de desertificação onde o processo ocorre</p><p>de forma mais acentuada são Cabrobó (PE), Gilbués (PI), Seridó (RN) e Irauçuba</p><p>(CE).</p><p>5.5 Escassez de água</p><p>Mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem sem acesso à quantidade</p><p>mínima de água de que necessitam diariamente. A crescente escassez hídrica é</p><p>uma realidade local e global. Resultado de um fenômeno natural e cíclico,</p><p>agravado por falta de políticas públicas eficientes, a seca castiga o ser humano</p><p>há muito tempo.</p><p>Historicamente, diversos conflitos foram travados pelo controle do líquido.</p><p>A ONU identifica 273 aquíferos e 163 bacias hidrográficas transnacionais, onde</p><p>vivem mais de 40% da população mundial. A disputa pelo controle de rios e</p><p>aquíferos integra as causas de alguns dos mais longos embates entre nações,</p><p>como o confronto entre Israel e seus vizinhos.</p><p>Costuma-se dizer que a escassez é também de qualidade da água. Estima-</p><p>se que mais de 700 milhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável</p><p>e 2,3 bilhões carecem de esgoto tratado. A água transmite diferentes tipos de</p><p>doenças, que podem ser evitadas com investimento econômico maciço na área</p><p>de saúde e saneamento básico. Essas medidas fariam a mortalidade infantil</p><p>diminuir drasticamente no mundo e, como resultado, haveria o aumento da</p><p>expectativa de vida da população mundial.</p><p>Especialistas em gestão de recursos hídricos ponderam que a crise de água</p><p>é mais uma questão de mau gerenciamento do recurso do que de escassez</p><p>natural. O acelerado crescimento demográfico, as alterações climáticas e a</p><p>rápida urbanização do planeta estão entre os principais fatores que pressionam</p><p>o ciclo hidrológico. Consome-se água mais rapidamente do que a capacidade de</p><p>reposição do líquido pela natureza.</p><p>O Brasil é um dos países mais ricos em recursos hídricos do planeta. Abriga</p><p>12% de toda a água doce disponível na superfície de planeta. O líquido, porém,</p><p>não se distribui de maneira uniforme pelo território nacional. Cerca de 72% das</p><p>reservas encontram-se nos rios da Região Norte, que reúne 5% da população</p><p>nacional.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 22 de 38</p><p>Para a gestão de políticas públicas, o Brasil é dividido em 12 regiões</p><p>hidrográficas. O clima e o regime de chuvas alimentam uma rede hidrográfica</p><p>extensa, formada por rios com grande volume de água. Com exceção das</p><p>nascentes do Rio Amazonas, que se abastecem com o derretimento das geleiras</p><p>andinas, a origem das águas dos rios brasileiros são basicamente as chuvas.</p><p>O nosso país também possui muita água subterrânea. Embora ainda não</p><p>haja dados finalizados, considera-se que existam 27 aquíferos principais no país,</p><p>entre os quais se destacam o Aquífero Guarani, que se estende do Centro-Oeste</p><p>ao Sudeste e Sul.</p><p>Maior aquífero do Brasil em extensão e volumes de água, o Sistema</p><p>Guarani, se distribui por uma área de aproximadamente 1,1 milhão de</p><p>quilômetros quadrados. Deste total, 70% estão em território brasileiro,</p><p>espalhados pelo subsolo de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas</p><p>Gerais, São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, e o restante nos</p><p>territórios do Uruguai, do Paraguai e da Argentina. As reservas potenciais</p><p>calculadas do Guarani são de 37 trilhões de metros cúbicos de água.</p><p>Em 2010, pesquisadores das universidades federais do Pará (UFPA) e do</p><p>Ceará (UFC) divulgaram dados de um estudo preliminar no qual dimensionam o</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 38</p><p>Aquífero Alter do Chão, nos estados do Pará e Amazonas, com um volume de</p><p>água que o situa entre os maiores do mundo. Com área de 437,5 mil quilômetros</p><p>quadrados, projetando reservas que seriam de 86 trilhões de metros cúbicos,</p><p>um volume tão grande que, caso confirmado, alteraria todos os cálculos das</p><p>reservas brasileiras, atualmente em 112 trilhões de metros cúbicos.</p><p>As regiões hidrográficas brasileiras</p><p>Crédito: Conjuntura dos Recursos Hídricos no Brasil - Informe 2012. Agência Nacional de Águas (ANA)</p><p>Com toda esta água na superfície e no subsolo, o Brasil não está livre do</p><p>flagelo da escassez de água. Como já dissemos, ela não está uniformemente</p><p>distribuída, tendo muito pouca água no semiárido, que sofre com secas</p><p>constantes.</p><p>No Brasil, o semiárido, no Nordeste, é uma região que sofre com secas</p><p>constantes. A seca é um fenômeno natural, mas, quando prolongada, causa</p><p>graves problemas sociais, econômicos e ambientais no sertão.</p><p>Para atenuar o problema,</p><p>o Estado brasileiro desenvolveu, principalmente</p><p>a partir do século XX, políticas públicas de combate aos efeitos da seca, tais</p><p>como a construção de açudes, represas, perímetros de irrigação e políticas</p><p>sociais. Atualmente dois grandes programas governamentais estão em execução</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 38</p><p>no semiárido. Um deles é a instalação de um milhão de cisternas para coletar a</p><p>água da chuva, nas zonas rurais.</p><p>O outro programa é a controversa obra de transposição do Rio São</p><p>Francisco, com previsão de gastos de oito bilhões de reais. Alguns especialistas</p><p>afirmam que a construção de poços profundos e de cisternas para a coleta de</p><p>água da chuva seria uma alternativa mais eficaz e barata para combater a seca.</p><p>Opositores da obra também argumentam que o projeto não alcançará muitas</p><p>comunidades e beneficiará principalmente os grandes fazendeiros, além de</p><p>causar impactos ambientais ainda não bem mensurados no entorno do “Velho</p><p>Chico”.</p><p>O Brasil é um dos países mais ricos em recursos hídricos do planeta. Abriga</p><p>12% de toda a água doce disponível na superfície de planeta. O líquido, porém,</p><p>não se distribui de maneira uniforme pelo território nacional. Cerca de 72% das</p><p>reservas encontram-se nos rios da Região Norte, que reúne 5% da população</p><p>nacional.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 38</p><p>Seca no Nordeste já dura 5 anos e pode se tornar ainda mais severa</p><p>A seca atual que aflige o Nordeste teve início em 2012 e se intensificou</p><p>desde então. Ela já dura cinco anos e é considerada a mais severa em várias</p><p>décadas. A intensidade e a persistência da atual estiagem podem ser indícios de</p><p>que as mudanças climáticas já começam a cobrar sua fatura, aponta um estudo</p><p>publicado na revista Theoretical and Applied Climatology.</p><p>"As projeções de clima geradas pelos modelos climáticos sugerem que,</p><p>daqui para a frente, as estiagens mais severas e prolongadas tenderão a ser a</p><p>regra, não mais a exceção", afirma o hidrologista e meteorologista José Antônio</p><p>Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais</p><p>(Cemaden).</p><p>A seca é um fenômeno natural no Nordeste. Há relatos da sua incidência</p><p>desde o século 16, ou seja, desde o início da colonização do país. O clima hoje</p><p>é semiárido, mas no futuro poderá não ser mais. Em outras palavras, o sertão</p><p>pode se tornar uma zona árida e favorecer um processo de</p><p>desertificação, afirma Marengo.</p><p>Atualmente, durante os meses chuvosos, há intervalos sem precipitação</p><p>que duram de cinco a seis dias. O que as projeções indicam é que esses</p><p>intervalos "secos" tenderão a ser mais numerosos e mais longos, podendo</p><p>alcançar 40 dias.</p><p>Menos chuva significa também dias mais quentes. Segundo Marengo, a</p><p>temperatura média no Nordeste já aumentou 0,8ºC entre 1900 e 2000 e as</p><p>projeções indicam que, na melhor das hipóteses, o aquecimento vai aumentar</p><p>2ºC até 2040. No pior dos cenários, até 4,4ºC até 2100.</p><p>Nestas condições, se medidas governamentais sérias e imediatas não</p><p>forem tomadas para, por exemplo, conter os desmatamentos, o sertão pode</p><p>virar um grande deserto, alerta Marengo.</p><p>Com menos chuvas e mais calor ao longo do ano, a vegetação típica da</p><p>caatinga tenderá a ser gradualmente substituída pelas cactáceas, que são</p><p>vegetação típica de desertos. O impacto disso para a agricultura, principalmente</p><p>a familiar e de subsistência, será incomensurável. Fonte: UOL – 21.09.2016</p><p>5.6 Crise hídrica em São Paulo</p><p>São Paulo viveu nos anos de 2014 e 2015 a pior crise hídrica de sua</p><p>história. Por mais de um ano, foi dramático, o cenário de escassez de água. O</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 26 de 38</p><p>Sistema Cantareira esteve com seu nível de água muito abaixo da sua</p><p>capacidade de armazenamento. Um dos maiores sistemas produtores de água</p><p>do mundo, o Cantareira, abastecia 8,8 milhões de pessoas na região</p><p>metropolitana de São Paulo. Com a crise hídrica passou a abastecer 5,6 milhões</p><p>de pessoas, as demais passaram a ser abastecidas pelos Sistemas Guarapiranga</p><p>e Alto Tietê. Outro sistema que esteve em situação crítica foi o Alto Tietê que</p><p>abastece 4,8 milhões de pessoas. Os demais sistemas – Guarapiranga (5,8</p><p>milhões de pessoas), Rio Claro (1,5 milhão de pessoas), Rio Grande (1,2 milhão</p><p>de pessoas) e Alto Cotia (410 mil) estavam em melhor situação.</p><p>O baixíssimo nível dos reservatórios teve como causa a pouca quantidade</p><p>de chuva nos meses chuvosos na região Sudeste - novembro a fevereiro. Os</p><p>meses subsequentes – março a outubro – são de poucas chuvas, insuficientes</p><p>para repor o volume de água dos reservatórios. O baixo volume de chuvas</p><p>ocorreu nos meses de novembro a fevereiro de 2013 e 2014 e no início de 2015</p><p>(novembro a janeiro).</p><p>Por 19 meses – junho de 2014 a dezembro de 2015 – o nível de água do</p><p>Sistema Cantareira esteve no volume morto, água que fica abaixo do nível de</p><p>captação das comportas.</p><p>Diante da situação de escassez, a Sabesp, companhia de saneamento do</p><p>Governo de São Paulo, ofereceu um desconto para os consumidores que</p><p>economizassem água e passou a multar aqueles que consumissem água</p><p>excessivamente. A companhia também reverteu a distribuição de água para 2,6</p><p>milhões de pessoas que passaram a ser abastecidas pelos sistemas</p><p>Guarapiranga e Alto Tietê, em vez do sistema Cantareira.</p><p>No entanto, a medida mais polêmica foi a utilização do chamado “volume</p><p>morto” das represas de Nazaré Paulista e Joanópolis. Trata-se de uma reserva</p><p>de 400 bilhões de litros d’água, que está abaixo da linha de captação das bombas</p><p>dessas represas.</p><p>Entre as medidas para solucionar a crise, o Governo de São Paulo</p><p>apresentou um pacote de obras hídricas, sendo que uma delas causou polêmica:</p><p>A transposição das águas do Rio Paraíba do Sul para o Sistema Cantareira. A</p><p>proposta chegou a gerar uma disputa entre os governos de São Paulo e do Rio</p><p>de Janeiro. Autoridades fluminenses alegaram que a transposição poderia afetar</p><p>o abastecimento de água no Rio de Janeiro, já que o Paraíba do Sul é a principal</p><p>fonte de abastecimento do Estado. Depois de uma longa negociação, em que</p><p>foram estabelecidos limites e condições para a retirada de água, o projeto</p><p>recebeu o aval da Agência Nacional de Águas (ANA). O órgão tem entre suas</p><p>funções mediar conflitos que envolvam rios que atravessam vários estados e,</p><p>portanto, pertencem à União – como é o caso do Paraíba do Sul.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 27 de 38</p><p>Não se pode atribuir culpa exclusiva à natureza para justificar a</p><p>crise. O consumo de água cresce anualmente na grande São Paulo e a</p><p>capacidade de armazenamento não acompanhou o ritmo desse crescimento. A</p><p>poluição dos rios, a degradação das suas margens e nascentes, o desperdício de</p><p>água pelos consumidores e as perdas (vazamentos) na rede de distribuição</p><p>também ajudam a explicar a atual crise.</p><p>O drama da falta d’água também atingiu, em maior ou menor grau, os</p><p>moradores dos Estados vizinhos do Rio de Janeiro e Minas Gerais.</p><p>5.7 Resíduos sólidos</p><p>A grande produção de resíduos nas sociedades modernas obriga os</p><p>governos a adotar soluções caras para armazenar esse material. Se isso não for</p><p>feito de maneira adequada, o lixo jogado na natureza contamina a água,</p><p>prejudica a flora e a fauna, compromete a saúde pública e contribui para as</p><p>enchentes.</p><p>De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, 59% do lixo produzido pelas</p><p>cidades brasileiras vão para os lixões – locais onde os resíduos são lançados a</p><p>céu aberto, sem nenhum controle – e somente 13% são reaproveitados. Dados</p><p>como esse levaram o governo federal criar a Lei da Política Nacional de</p><p>Resíduos Sólidos (PNRS), em 2010.</p><p>A lei estabelece a responsabilidade compartilhada entre o poder público, a</p><p>indústria e a sociedade. Também proíbe a criação de lixões e deu prazo de quatro</p><p>anos, findo em 02/08/2014, para que os municípios substituam os lixões por</p><p>aterros sanitários – locais adequados para o destino final dos resíduos sólidos.</p><p>Vencido</p><p>o prazo de adaptação, menos da metade dos municípios cumpriu a</p><p>determinação: somente 2.202, de um total de 5.564 municípios.</p><p>O Distrito Federal foi um dos entes federados que não cumpriu a</p><p>determinação da lei. O lixo dos brasilienses é depositado a menos de 15 km do</p><p>centro da capital federal, no Lixão da Estrutural. Está em construção o Aterro</p><p>Sanitário de Samambaia para onde deverá ser levado o lixo, após entrar em</p><p>operação.</p><p>Um dos destaques da PNRS é a chamada logística reversa, que prevê a</p><p>responsabilidade do consumidor em devolver os produtos usados no final de sua</p><p>vida útil, como também a responsabilidade do comércio de receber os aparelhos</p><p>usados, e dos fabricantes e importadores de dar uma destinação final</p><p>ambientalmente adequada ao lixo. Por exemplo, ao comprar um computador, a</p><p>pessoa fica obrigada de, ao final de sua utilização, dar um destino previamente</p><p>acertado ao produto.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 28 de 38</p><p>6. Rompimento de barragem em Minas Gerais</p><p>No dia 05 de novembro de 2015, a barragem do Fundão que</p><p>armazenava lama resultante do rejeito da produção de minério de ferro</p><p>se rompeu em Mariana (MG). O mar de lama que escorreu da barragem passou</p><p>por cima de outra barragem, a de Santarém. Ambas, ficam no subdistrito de</p><p>Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município de Mariana, cidade histórica</p><p>mineira a 124 km de distância de Belo Horizonte. As barragens são de</p><p>propriedade da mineradora Samarco, controlada pela brasileira Vale e pela</p><p>anglo-australiana BHP Billiton. Além de Santarém, que não se rompeu, outra</p><p>barragem corre o risco de se romper, a de Germano.</p><p>A avalanche de lama destruiu o subdistrito de Bento Rodrigues.</p><p>Mas de 600 pessoas ficaram desabrigadas e foram resgatadas pelo Corpo de</p><p>Bombeiros. Elas abandonaram as casas e fugiram para as partes altas do</p><p>distrito, mas afirmaram que nenhum sinal de alerta foi emitido. A</p><p>Samarco admitiu que avisou moradores somente por telefone. Ao todo, 19</p><p>pessoas morreram e 556 perderam tudo na tragédia.</p><p>A lama chegou ao Rio Doce, seguiu pelo seu leito e chegou no</p><p>Oceano Atlântico, desaguando no litoral do Espírito Santo, no município de</p><p>Linhares. Além dos metais pesados encontrados nos rejeitos, a força da lama</p><p>prejudicou a biodiversidade do rio para sempre – ambientalistas não descartam</p><p>a possibilidade de que espécies endêmicas inteiras tenham sido soterradas pela</p><p>lama. Por onde passou, a lama causou a morte de grande quantidade de peixes.</p><p>Vários municípios, alguns localizados a centenas de quilômetros de</p><p>Mariana, que dependem do rio Doce para o abastecimento de água para a</p><p>população, tiveram que suspender total ou parcialmente a captação de água no</p><p>rio. Entre eles, grandes municípios como Uberaba e Governador Valadares.</p><p>Economicamente, o município mais afetado é Mariana (MG).</p><p>Milhares de ações judiciais estão em andamento contra as mineradoras</p><p>Samarco, Vale e BHP Billiton para ressarcir os danos ambientais e sociais</p><p>causados. Em um dos acordos judiciais a Samarco deve aplicar R$ 1 bilhão na</p><p>reparação dos danos. A União pediu R$ 20 bilhões para a criação de um fundo</p><p>com a mesma finalidade.</p><p>Um ano após a tragédia ambiental de Mariana, os impactos ambientais e</p><p>sociais ainda são muitos. Os agricultores atingidos plantam menos e criam</p><p>menos animais. Os índios, da tribo Krenak, não utilizam mais o rio para o lazer</p><p>e a pesca. Os pescadores de cidades banhadas pelo Rio Doce dizem que estão</p><p>há um ano sem poder trabalhar devido aos impactos da lama. Na praia de</p><p>Regência (ES), localizada na foz do Rio Doce, os turistas praticamente sumiram.</p><p>Esses são apenas alguns dos impactos socioambientais que ainda atingem a</p><p>população afetada.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 29 de 38</p><p>O rompimento da barragem de Fundão reacendeu a discussão sobre o</p><p>Novo Código de Mineração, que está tramitando no Congresso Nacional desde</p><p>junho de 2013. O projeto de lei em discussão coloca em lados opostos os</p><p>parlamentares ambientalistas e os que de alguma forma defendem os interesses</p><p>das mineradoras.</p><p>O texto inicial do projeto, cujo relator é o deputado Leonardo Quintão</p><p>(PMDB-MG), priorizava o âmbito econômico da exploração mineral em</p><p>detrimento de garantias ambientais básicas.</p><p>Entre as propostas, havia uma para a liberação de parte da área de</p><p>Unidades de Conservação (territórios ecologicamente relevantes protegidos por</p><p>lei) para a atividade mineradora. Depois do impacto da catástrofe em Mariana,</p><p>Quintão participou de reuniões com procuradores federais e parlamentares para</p><p>alterar o texto e torná-lo mais adequado perante os riscos que a atividade traz</p><p>para o meio ambiente. Foram feitas 28 emendas e ainda não há data para a</p><p>nova versão do projeto ser votada.</p><p>O desastre em Mariana evidencia um grande paradoxo do estado de Minas</p><p>Gerais. Ao mesmo tempo que precisa combater os riscos da mineração, tem</p><p>uma economia que depende excessivamente da atividade. Um exemplo disso é</p><p>o próprio município de Mariana, em que 80% da arrecadação vinha da mineração</p><p>antes do desastre. Desde 2012, quando se iniciou uma crise internacional no</p><p>setor de mineração, autoridades de planejamento vêm falando sobre a</p><p>importância de investir em outros setores, como alta tecnologia e indústria</p><p>aeromobilística.</p><p>Como em outras regiões do país, o desafio é crescer sustentavelmente, ou</p><p>seja, com ganhos econômicos efetivos, preservando o meio ambiente e a</p><p>segurança da população. O rompimento de Fundão e suas graves consequências</p><p>têm muito a ensinar sobre o tema – pena que às custas de vidas perdidas e</p><p>danos ambientais irreversíveis.</p><p>7. Transgênicos, agrotóxicos e alimentação saudável</p><p>Em 2050, a população mundial será de 9,6 bilhões de habitantes, de</p><p>acordo com estimativas da Organização das Nações Unidas (ONU). Embora o</p><p>crescimento demográfico ocorra em ritmo menor em relação ao registrado nas</p><p>décadas passadas, o planeta vai contar com mais 2,4 milhões de habitantes até</p><p>lá. Como não restam muitas fronteiras agrícolas, ou seja, novas terras que</p><p>podem ser usadas para o plantio, como lidar com a necessidade de aumentar a</p><p>produção de alimentos?</p><p>Diante dessa questão, a biotecnologia – ramo da ciência que aplica os</p><p>conceitos da engenharia genética na geração de novos produtos – apresenta</p><p>duas alternativas para aumentar a produtividade agrícola: o uso de sementes</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 30 de 38</p><p>transgênicas e de agrotóxicos. Mas a utilização desses recursos causa polêmica</p><p>em virtude de oferecer eventuais riscos para o meio ambiente e para a saúde</p><p>humana.</p><p>Transgênicos</p><p>Mais de vinte anos depois do surgimento do primeiro alimento</p><p>geneticamente modificado, as culturas transgênicas, principalmente de soja,</p><p>milho e algodão, aumentam em todo o mundo. Já são transgênicos 80% da soja</p><p>e 30% do milho plantados no planeta. Segundo maior fornecedor mundial de</p><p>produtos agrícolas, atrás apenas dos Estados Unidos (EUA), o Brasil também fica</p><p>na segunda posição (atrás novamente dos EUA) no ranking de maior plantador</p><p>de sementes transgênicas. No total, 28 países cultivam transgênicos. A maioria</p><p>são nações em desenvolvimento – Brasil, Argentina e Índia respondem por mais</p><p>de 40% do total da área plantada.</p><p>Argumentos pró e contra</p><p>Transgênicos são Organismos Geneticamente Modificados (OGM), ou seja,</p><p>que sofreram uma alteração em seu DNA por meio da engenharia genética (com</p><p>a inserção de genes de uma espécie em outra) para adquirir uma característica</p><p>que não possuíam antes. O principal objetivo seria o desenvolvimento de</p><p>sementes e cultivos mais resistentes a pragas, a insetos e a herbicidas, com a</p><p>consequente diminuição do uso de agrotóxicos e aumento da produção agrícola.</p><p>Os críticos argumentam que a transferência de genes de uma espécie a</p><p>outra pode provocar a contaminação dos ecossistemas e comprometer a</p><p>biodiversidade. Um dos maiores receios é que, numa plantação, sementes</p><p>modificadas sejam levadas pelo vento ou pela</p><p>chuva para áreas de espécies</p><p>silvestres, afetando as plantas nativas ou a saúde de animais e, daí,</p><p>desequilibrando todo o ecossistema. Além disso, não se conhecem todos os</p><p>efeitos colaterais dos transgênicos sobre os organismos animais e humanos.</p><p>Uma recente pesquisa sobre o tema, que examinou mais de mil estudos,</p><p>divulgada em maio de 2016 pela Academia Nacional de Ciências, Engenharia e</p><p>Medicina dos EUA, afirmou que as sementes geneticamente modificadas não</p><p>trazem riscos à saúde humana e nem ao meio ambiente. No entanto, ainda não</p><p>há consenso na comunidade científica sobre a questão.</p><p>No Brasil, desde 2003, uma lei federal obriga que os produtos que levam</p><p>matéria-prima transgênica, como óleo de soja, fubá e derivados, tragam no</p><p>rótulo um “T” preto sobre um triângulo amarelo. No entanto, em abril de 2015,</p><p>a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que dispensa a</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 31 de 38</p><p>obrigatoriedade do símbolo nos rótulos dos alimentos. Até junho de 2016, o</p><p>projeto ainda não tinha sido votado no Senado.</p><p>Agrotóxicos</p><p>Não é só na plantação de transgênicos que o Brasil tem destaque. O país</p><p>também se tornou, desde 2008, o maior consumidor mundial de agrotóxicos –</p><p>os produtos (inseticidas, fungicidas e herbicidas) utilizados na agricultura para</p><p>controlar insetos, doenças (provocadas por fungos, por exemplo) ou matos</p><p>(ervas daninhas) que causam prejuízos às culturas.</p><p>Muitos especialistas apontam, no entanto, que o crescimento das culturas</p><p>transgênicas, ao contrário do que havia sido propagado, não trouxe uma</p><p>diminuição no uso de agrotóxicos, mas sim um aumento. Como determinados</p><p>transgênicos são resistentes a certo tipo de herbicida, o agricultor usa cada vez</p><p>mais o produto para proteger sua plantação, até preventivamente. Com o</p><p>tempo, esse uso excessivo leva ao surgimento de pragas também mais</p><p>resistentes, exigindo aplicações cada vez maiores. Além disso, com a introdução</p><p>dos transgênicos, há menor diversidade genética. E quando uma doença ataca,</p><p>ela acomete uma área maior, provocando o aumento de outros tipos de</p><p>agrotóxicos, como os fungicidas. Organizações críticas dos transgênicos, como</p><p>a ONG internacional Greenpeace, também relacionam o fato de as empresas que</p><p>produzem as sementes transgênicas serem as mesmas que controlam o</p><p>mercado de agroquímicos.</p><p>Os agricultores afirmam que o uso dos agrotóxicos é indispensável para a</p><p>produção de alimentos em larga escala. Mas, segundo análise por amostragem</p><p>de alimentos da cesta básica, realizada pela Agência Nacional de Vigilância</p><p>Sanitária (Anvisa) na cidade de São Paulo, em 2014, quase um terço deles tinha</p><p>agrotóxicos proibidos ou em quantidade acima da permitida por lei. De acordo</p><p>com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), os danos à saúde incluem câncer,</p><p>infertilidade, malformações fetais e efeitos sobre o sistema imunológico, entre</p><p>outros.</p><p>Leitura complementar:</p><p>Ministério da Saúde lança guia alimentar para a população</p><p>brasileira</p><p>O Ministério da Saúde lançou, nesta quarta-feira (5), o novo Guia</p><p>Alimentar para a População Brasileira. A atualização da publicação relata quais</p><p>cuidados e caminhos são recomendados para se alcançar uma alimentação</p><p>saudável, saborosa e balanceada. (...)</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 32 de 38</p><p>Dados da pesquisa Vigitel 2013 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção</p><p>para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) indicam que atualmente 50,8%</p><p>dos brasileiros estão acima do peso ideal e 17,5% são obesos. Os percentuais</p><p>são 19% e 48% superiores que os registrados em 2006 - quando a proporção</p><p>de pessoas acima do peso era de 42,6% e de obesos era de 11,8%. (...)</p><p>O Guia orienta as pessoas a optarem por refeições caseiras e evitarem a</p><p>alimentação em redes de fast food e produtos prontos que dispensam</p><p>preparação culinária (‘sopas de pacote’, pratos congelados prontos para</p><p>aquecer, molhos industrializados, misturas prontas para tortas).</p><p>Outras recomendações são o uso moderado de óleos, gorduras, sal e</p><p>açúcar ao temperar e cozinhar alimentos, e o consumo limitado de alimentos</p><p>processados (queijos, embutidos, conservas), utilizando-os, preferencialmente,</p><p>como ingredientes ou parte de refeições. Na hora da sobremesa, o ideal é</p><p>preferir as caseiras, dispensando as industrializadas.</p><p>Destaque especial é dado também às circunstâncias que envolvem o ato</p><p>de comer, aconselhando-se regularidade de horário, ambientes apropriados e,</p><p>sempre que possível companhia.</p><p>O ideal é desfrutar a alimentação, evitar a refeição assistindo à televisão,</p><p>falar no celular, ficar em frente ao computador ou atividades profissionais.</p><p>Preparação do alimento</p><p>O novo guia também busca valorizar a culinária, e indica o planejamento</p><p>das refeições e interação social, com o envolvimento de amigos e família na</p><p>elaboração da comida. “No Brasil e em muitos outros países, a transmissão de</p><p>habilidades culinárias entre gerações vem perdendo força”, admite a</p><p>coordenadora de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde e responsável</p><p>pela coordenação geral do projeto de elaboração do Guia Alimentar, Patrícia</p><p>Jaime.</p><p>“Por isso, o Guia Alimentar dedica uma parte importante de suas</p><p>recomendações à valorização do ato de cozinhar, ao envolvimento de homens e</p><p>mulheres, adultos e crianças nas atividades domésticas relacionadas ao preparo</p><p>de refeições e à defesa das tradições culinárias como patrimônio cultural da</p><p>sociedade”, enfatiza. (...)</p><p>O novo guia dá grande importância às formas pelas quais os alimentos são</p><p>produzidos e distribuídos, privilegiando aqueles cuja produção e distribuição seja</p><p>socialmente e ambientalmente sustentável como os alimentos orgânicos e de</p><p>base agroecológica.</p><p>Prof. Leandro Signori www.estrategiaconcursos.com.br 33 de 38</p><p>Disponível em: http://www.brasil.gov.br/saude/2014/11/ministerio-da-saude-</p><p>lanca-guia-alimentar-para-a-populacao-brasileira (com adaptações).</p><p>Sociedade: as mudanças no ato de comer e como vamos garantir</p><p>comida para todos</p><p>A comida sempre teve um papel importante nas sociedades. Além de ser</p><p>uma atividade fundamental, o ato de comer em grupo, por exemplo, é um dos</p><p>que define o homem como um ser cultural e participativo em um contexto social.</p><p>Os alimentos que escolhemos e a forma como consumimos também nos dizem</p><p>muito sobre identidades, costumes e características sociais e culturais de um</p><p>grupo.</p><p>Não à toa, alguns momentos importantes da história da civilização</p><p>ocidental estão relacionados à alimentação — como as grandes navegações –,</p><p>que aparece também em muitas histórias religiosas, como a multiplicação dos</p><p>pães e a ceia no cristianismo.</p><p>Mas qual é a nossa relação com a comida hoje? Da pré-história à sociedade</p><p>pós-moderna, o ato de comer passou por significativas mudanças. A chegada de</p><p>novas tecnologias para facilitar a fabricação, a produção, o transporte e a</p><p>conservação de alimentos provocou uma revolução na alimentação,</p><p>principalmente nos hábitos familiares, como as refeições partilhadas. (...)</p><p>As mudanças na produção e no ato de comer refletem o ritmo agitado</p><p>imposto pelo estilo de vida moderno, em que as pessoas passam muito tempo</p><p>no trabalho enquanto o tempo para as refeições acaba servindo para várias</p><p>atividades.</p><p>Para atender a essa realidade, começam a surgir alternativas na indústria</p><p>de alimentos: congelados, pré-cozidos e o fast-food. Por outro lado, foram essas</p><p>mudanças que ajudaram a acabar com a escassez de comida, permitindo, entre</p><p>outros, o surgimento de grandes centros urbanos e a sobrevivência da raça</p><p>humana.</p><p>Mas não foi apenas o processo que mudou. O que comemos também. O</p><p>homem pré-histórico era onívoro, ou seja, comia de tudo. O homem moderno</p><p>aderiu a uma alimentação que tem como base gorduras animais, carne,</p><p>carboidratos e açúcar. Esse sistema alimentar tem forte impacto social e</p><p>ambiental, pois demanda uma produção agrícola voltada para a forragem</p><p>animal, do qual a soja é um exemplo.</p><p>Segundo a Pesquisa Nacional</p>