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TEXTO 1 - BARRETO, C L B T ; SANTOS, S E B Ação Clínica no viver cotidiano - um diálogo com a fenomenologia existencial

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<p>ACÃO CLÍNICA NO VIVERCOTIDTANO: UM DIÁLOGo cOM A</p><p>FENOMENOLOGIA EXISTENCIAL</p><p>Suely Emlia de Barros Santos</p><p>Carmem Lücia Brito Tavares Barreto</p><p>Tot Introdução</p><p>O presente texto tem como proposta discutir a prática de psicólogos que exercem uma ação</p><p>clinica fora de contextos institucionalizados. A pesqulsadora, coautora do presente capitulo,</p><p>vem construindo sua tese de doutorado, 16 discutindo como a ação clinica de psicólogos se</p><p>apresenta no viver cotidiano, em espaços coletivamente habitados. Para o desenvolvimento</p><p>do presente capitulo, a discussão terá como foco dois fenömenos que se destacaram, até o</p><p>presente momento, como próprios da ação clinica no viver cotidiano. são eles: o desafio de</p><p>uma intervenção que transcenda o modelo consultorial e a lnserção do psicólogo em</p><p>ambientes coletivamente habitados, construída pela atitude de se põr em andança. No</p><p>desenvolvimento da pesquisa e construção da tese, as pesquisadoras (doutoranda e</p><p>orientadora) discutem os caminhos percorridos como tambem algumas compreensões que</p><p>foram apresentando-se e, sob esse enfoque, trazem algumas reflexões sobre o modo como</p><p>a compreensão de ação dinica, numa perspectiva fenomenológica existencial, pode ser</p><p>contemplada a partir do contexto da pesquisa.</p><p>Constata-se, na atualidade, a ampliação dos contextos de intervençäo do psicólogo, o que</p><p>vem demandando a constituiçäo de outras modalidades de prätica psicológica que se</p><p>proponham acompanhar/atender a tais demandas, desvinculadas do modelo tradicional de</p><p>clínica consultorial. ESsa realidade nos convoca a considerar a "Dispersão do pensamento</p><p>psicologicO", como aponta Penna (1997), uma vez que constatamos a presença de uma</p><p>diversidade de olhares teorico-metodológicos que norteiam o desenvolvimento de</p><p>modalidades da prática clinica de profissionais de Psicologia que trabalham em diferentes</p><p>contextos. Tals modalidades de pratica foram-se constituindo, gradativamente e</p><p>rvedrdm uma Oimensao tecnica decorente da aplicação de teorias psicológicas</p><p>fundadas em pressupostos metafisicos da subjetividade. Teorias contextualizadas por</p><p>matrizes psicologlicas que apontam para direrentes concepçoes de homem, de mundo e de</p><p>objeto de estudo da psicologia, ressaltando "um espaço de dispersão", constituido por</p><p>diversas perspectivas epistemológicas, metodol ógicase conceptuais. Tal contexto</p><p>possibilitou pensar a ação clinica a partir de diversos pressupostos teórico-metodológicoSe</p><p>ate frilosóficos, bem como norteou o delineamento de uma gama de modalidades de prática</p><p>psicológica, com realce para a psicoterapia, modalidade de pråtica consultorial. Mesmo</p><p>reconhecendo tal multiplicidade e já adiantando possiveis polêmicas com relação à proposta</p><p>a ser trabalhada, comungamos com o pensamento de Feijoo (2009), ao alertar para a</p><p>presença de questionamentos e até desconfianças, quando se discute a possibilidade de</p><p>uma Psicoloala aue dialoaa com os oressUDOstos da fenomenoloaia existencial. ao modo de</p><p>a</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>E CRV</p><p>Heidegger, como possibilidade para pensar a ação clínica e modalidades de prática exercidas</p><p>pelo psicólogo (psicoterapia, plantão psicológico, psicodiagnóstico, atendimento em grupo,</p><p>entre outras).</p><p>Considerando tal contexto, bem como o desafio que se apresenta ao tentar pensar aa</p><p>presença do psicólogo num contexto de intervenção desvinculado de protocolos que</p><p>demarcam o espaço clínico tradicional, importa apresentar, brevemente, a pesquisa que</p><p>está sendo realizada, a qual tem como objetivo compreender, como a ação clínica ocorre noo</p><p>viver cotidiano em espaços coletivamente habitados. O campo de pesquisa foi o Morro Bom</p><p>Jesus, localizado no interior de Pernambuco, e teve como participantes colaboradores, três</p><p>(03) profissionais de Psicologia que trabalham numa perspectiva fenomenológica existencial</p><p>e se dispuseram a contar suas experiëncias como psicólogas acompanhando a comunidade</p><p>residente no Morro Bom Jesus, em Caruaru/PE, bem como 06 (seis) clientes maiores de 18</p><p>anos de idade, moradores/habitantes do Morro Bom Jesus, que estão ou foram</p><p>acompanhados pelas participantes-psicólogas e outros profissionais de Psicologia. Tomando</p><p>como direção a questão-bússola: Como a ação clínica de psicólogos, por uma compreensão</p><p>fenomenológica existencial, ocorre no viver cotidiano, está em curso uma pesquisa</p><p>qualitativa e interventiva, sobre ação clínica, a qual toma como orientação para análise a</p><p>hermenêutica filosófica de Gadamer (2008; 2010) e a Analítica do sentido, com ênfase nos</p><p>movimentos de realização, de Critelli (1996).</p><p>Diante desse cenário, fica evidenciada a relevância desta discussão, a qual põe em</p><p>andamento, de um lado, a possibilidade de contribuir para pensar uma clínica psicológica</p><p>dialogando com os pressupostos da fenomenologia existencial, e de outro, compreender</p><p>uma ação clínica tecida no viver cotidiano em espaços coletivamente habitados. Os</p><p>resultados encontrados até o presente momento também nos permitem discutir a formação</p><p>do psicólogo e o modo hegemônico que atravessa tal formação, fundada na clínica</p><p>tradicional de consultório.</p><p>Neste primeiro momento, trazemos algumas reflexões na tentativa de apresentar nossa</p><p>compreensão dos pressupostos fenomenológicos existenciais que subsidiam a ação clínica</p><p>em discussão, sem perder de vista o contexto em que tal ação acontece e as contribuições</p><p>que podem advir da pesquisa em andamento, incorporadas no final do texto, à guisa de</p><p>arremate ou considerações.</p><p>Inicialmente, partimos do pressuposto de que o diálogo com o pensamento de Heidegger</p><p>pode ampliar possibilidades compreensivas sobre os diversos modos do homem "habitar" o</p><p>mundo, bem como sobre as diversas manifestações de sofrimento que se apresentam no</p><p>momento contemporâneo. Essa posição abre, também, para possibilidades de se pensar</p><p>modalidades de prática psicológica que atendam às diversas demandas, considerando os</p><p>contextos em que acontecem. Tal situação pode apresentar-se como um desafio constante,</p><p>já que implica colocar-se à escuta de uma compreensão mais fundamental dos modos</p><p>cotidianos de coexistência na busca de compreender os chamados" advindos da clinica,</p><p>seja num enquadre psicoterápico ou num leito de hospital, seja nos ambulatórios de saúde</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>Outro na explicitação do sentido de sua dor, da sua dificuldade, do seu sofrimento e até</p><p>mesmo da apropriação das suas possibilidades negadas (MICHELAZZ0, 2002).</p><p>Dialogando com o pensamento de Heldeggere considerando que pretendemos compreender</p><p>como se da a ação clinica junto à população que habita o "Morro BomJesus, começamos</p><p>nossa refiexao dial0gando com a compreensao que apresenta sobre o habitar, com o</p><p>intuito de assim tentar compreender a condição de existir dos nossos colaboradores.</p><p>Partimos do pressuposto heideggeriano de que o homem e à medida que habita seu mundo.</p><p>mporta ressaltar que habitar consiste no modo de ser do homem e nao se limitar a viver</p><p>em determinado lugar, uma vez que e possivel morar num lugar e nao habita-lo de fato.</p><p>Assim, também, é possivel habitar lugares que não no0s servem como moradia. Dessa</p><p>forma, o habitar seria o fim a que leva todo construir responsavel, refletido. Habitar e</p><p>construir não devem ser pensados de modo separados, já que o sentido da palavra construir</p><p>em suas raízes na lingua alem� significa, também, habitar. Construir como habitar é estar</p><p>na terra, para a experiencia cotidiana de ser humano. Habitar estaria, então, nas mültiplas</p><p>atividades cotidianas de cuidar e edificar. Habitar e ser levado a paz, e permanecer livre, e</p><p>dexar que as coisas sejam como sao esencialmente. Pensar habitar como a maneira como</p><p>Os mortais sao na terra inclu um pertencimento a comunidade dos homens e a condiçao</p><p>que tem que aprender a habitar (HEIDEGGER, 2001b).</p><p>Tal reflexäo permite pensar sobre o modo como os moradores do Morro Bom Jesus habitam,</p><p>alem de encaminhar outra questão - o modo como a prätica psicológica</p><p>pode acontecer em</p><p>espaços habitados coletivamente (espaços de convivio cotidiano, de moradia, de lazer,</p><p>dentre outros), no viver cotidiano das pessoas. Considerando tal contexto e refletindo sobre</p><p>a condição em que ocorre a pråtica de psicólogos que caminham pelos espaços públicos e</p><p>se "inclinam" na busca de acolher, recolher as demandas que chegam, poderiamos ainda</p><p>questionar: sera que eles tambem habitam" esses espaços, apesar de não morarem na</p><p>comunidade em que exercem sua pr�tica profissional? Indo mais além, como pensar a</p><p>pratica de psicologos que exercem a açao clinica no viver cotidiano, caminhando por entre</p><p>espaços coletivamente habitados, colocando-se a disposição e acolhendo demandas a partir</p><p>do momento em que são solicitados? Serå possivel nomear tal pråtica como psicológica ja</p><p>que acontece na rua, por entre os becos, na praça e no caminhar junto ao cliente pelo</p><p>bairro onde mora? De antemão reconhecemos a complexidade de tais questöes, já que</p><p>anunciam um modo de fazer profissional que desaloja o psicólogo, retirando-o da "proteção"</p><p>oferecida pelos espaços/lugares convencionalmente instituidos para o exercicio da clinica</p><p>psicológica.</p><p>Importa ressaltar que tais questões nos aproximam da experiència de muitos psicólogos na</p><p>atualidade que, ao tematizarem Suas experiencias, buscam "pensar" uma pratica psicologica</p><p>desvinculada tanto dos espaços/lugares onde acontecem como das questões das tecnicas</p><p>psicológicas que norteiam a formação do psicólogo, na busca de conceder um maior relevo</p><p>à posição que o psicólogo pode sustentar/habitar para gue a ação clinica acontega. Ação</p><p>Cinica que, na pesquisa em discussao, acontece caminnando, mas que se mostra como uma</p><p>acriita atanta na cictantaran in ontatn rom a avnarianria da am a aromnanhann</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>clinica que, na pesquisa em discussão, acontece caminhando, mas que se mostra como uma</p><p>escuta atenta na sustentação do contato com a experiência de quem e acompanhado.</p><p>Salientamos que tal compreensäão é compartilhada com Barreto (2006), quando apresenta a</p><p>açao clinica como poSsibilidade de intervençao do pSicologo implicado no movimento de</p><p>experienciação do cliente" (p. 205), e ainda</p><p>como espaço aberto, condição de possibilidade para a emergencia de uma</p><p>transformação não produzida, mas emergente em forma de reflexão, aqui</p><p>compreendida como quebra do estabelecido e condição necessaria para novo</p><p>olhar poder emergir (P 200)</p><p>Nessa direção, Figueiredo e Coelho Júnior (2000, p. 18) consideram como indispensável</p><p>estar em contato "com a dimensão fenomenológica da experiência, aquela que já inicia seu</p><p>tränsito no campo do sentido, mesmo que de um sentido incipiente".</p><p>Portanto, a ação clinica do psicólogo vai-se configurando como um modo singular do</p><p>psicólogo acompanhar o cliente, constituindo-se como um modo especial de presença. No</p><p>C radoe Coelho Júnior (2000, p. 20, grifos do autor), "trata-se de uma</p><p>presença que comporta uma certa ausencia, uma ausencia convidativa, um convite, no</p><p>caso, que se constitui como disponibilidade e confiabilidade". Ela e a própria intervenção e</p><p>está ligada ao um modo próprio de intervir, sendo então, permeada por uma perspectiva</p><p>epistemológica e/ou metodológica. Quanto à prätica psicologica, esta se apresenta como</p><p>uma modalidade de intervenção clinica. EO modo como a açao clinica pode acontecer</p><p>Assim,</p><p>Diante de tal contexto, é possivel apontar que a aç�o clinica, enquanto</p><p>intervenção propriamente dita do psicólogo esta presente nas diversas</p><p>modalidades de pråtica psicológica, a saber: psicoterapia, plantão psicológico,</p><p>psicodiagnóstico interventivo/colaborativo, entre outras. Como também podemos</p><p>acrescentar que pode ser encaminhada por diversas orientações</p><p>teóricas/epistemológicas e/ou escolas psicológicas (SANTOS; BARRETO;</p><p>MORATO, 2014, p. 118)</p><p>ApOs essa breve contextualização da ação clinica, retomamos o dialogo com a</p><p>fenomenologia existencial de Heidegger, que se apresenta proficuo para pensar a pratica</p><p>psicologica para além do campo da discussão das teorias e técnicas psicológicas, abrindo</p><p>possibilidades para poder pensar melhor questoes a que a dinica psicologica nos convoca. A</p><p>esse titulo, ao buscar um dialogo entre ação clinica tecida no viver cotidiano e a</p><p>Fenomenologia Existencial, não podemos pensar diferente. Tambem aqul, esta tarefa de</p><p>conhecimento deve assumir essa perspectiva de um saber inacabado, que considere o</p><p>aparentemente irrelevante, afastando-se de qualquer tentativa de prever, dominar e</p><p>controlar o acontecer clinico, subjugando-o ao campo do sentido já dado. Caso contrário,</p><p>correriamos o risco de transformar a Fenomenologia Existencial em teoria cientifica com</p><p>conceitos "seguros" e "definidoS", o que certamente distancia e contrariaa sua proposta. Ao</p><p>assumir tal posiçao, nao se faz necessario apresentar justificativas que nos façam procurar</p><p>checonar a anni"ea nianra nn nacrannarinn mae cim aeimir u ninar nue nne nara</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>CRV</p><p>assumir tal posição, não se faz necessário apresentar justificativas que nos façam procurar</p><p>sossegar a angústia diante do desconhecido, mas sim assumir um olhar que nos conecte</p><p>Com uma possibilidade de encontraar sentido ao que pretendemos</p><p>construir/produzir/contar/narrar. Lembrando Serres (1993, p. 15),</p><p>Nenhum aprendizado dispensa viagem. [...] Parti, sai. Sai do ventre de tua mãe,</p><p>do berço, da sombra oferecida pela casa do pai e pelas paisagens juvenis. Ao</p><p>vento, sob a chuva: do lado de fora faltam abrigos. [...] Bifurcar a direção dita</p><p>natural. [...] Bifurcar quer dizer obrigatoriamente decidir-se por um caminho</p><p>transversal que conduz a um lugar ignorado. [...] Partir. Sair. Deixar-se um dia</p><p>seduzir. Tornar-se vários, desbravar o exterior, bifurcar em algum lugar. [...]</p><p>Porque não há aprendizado sem exposição, às vezes perigosa, ao outro. Nunca</p><p>mais saberei quem sou, onde estou, de onde venho, aonde vou, por onde passar.</p><p>Eu me exponho ao outro, às estranhezas.</p><p>Quando partimoss em direção à compreensão da ação clinica numa perspectiva</p><p>Fenomenológica Existencial, consideramos que ela dialoga com uma visão de homem e de</p><p>mundo diferentes daquela que norteou a construção da Psicologia Científica Moderna,</p><p>centrada na dimensão intrapsíquica e fundada na compreensão de uma subjetividade</p><p>naturalizada e essencialista. Além disso, considerando que a unidade interna da ciência e da</p><p>metafisica é uma questão de destinação, no dizer de Heidegger, não importa assumir um</p><p>reducionismo científico nem uma subordinação ao discurso filosófico na busca de uma</p><p>unidade discursiva com vista à formação de um discurso clínico heideggeriano, como bem</p><p>nos advertem Figueiredo e Coelho Júnior (2000).</p><p>O que importa, portanto, não é buscar uma fundamentação heideggeriana para a ação</p><p>clínica do psicólogo que exerce sua prática em diálogo com a fenomenologia existencial,</p><p>mas procurar pensar as questões que a clínica nos coloca, a partir da própria clínica que, noo</p><p>presente contexto, apresenta-se no viver cotidiano das pessoas transitando por ambientes</p><p>coletivamente habitados.</p><p>Nessa direção, podemos começar pensando a ação clínica como uma disposição atravessada</p><p>por uma atitude fenomenológica que se constitui por uma inclinação/cuidado para o outro</p><p>em seu modo de ser-no-mundo-com-os-outros. Segundo Sá (2008).</p><p>..] a atitude fenomenológica pode servir de guia para a elaboração temática da</p><p>prática clínica com explicitação da experiência vivida, visando o favorecimento da</p><p>atenção, do cuidado, da consciência de si e da desconstrução de identificações</p><p>rigidas e restritivas do poder-ser humano. Tal compreensão pode se dar tanto</p><p>nos contextos psicoterápicos propriamente ditos, quanto naqueles das</p><p>supervisões clínicas e outras situações que envolvem a formação de profissionais</p><p>e agentes comunitários nos diversos âmbitos acadêmicos e institucionais. [..] O</p><p>exercício clínico da atitude</p><p>fenomenológica não se caracteriza, portanto, pelo</p><p>método ou pela técnica empregada, mas pelo fato de que seja qual for a técnica</p><p>utilizada, caso alguma o seja, ela deve estar sempre subordinada a uma</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>CR</p><p>utilizada, caso alguma o seja, ela deve estar sempre subordinada a uma</p><p>compreensão fenomenológica hermenêutica da existência.</p><p>Nessa direção, ampliando a compreensão apresentada e apontando para uma mudança de</p><p>olhar/lente, podemos pensar a clínica como cuidado. Em tal perspectiva,</p><p>a ação clinica desloca-se do âmbito das teorias e técnicas psicológicas para</p><p>aquele da existência, compreendida como abertura originaria ao ser dos entes</p><p>enquanto compreensão e à condição de estar lançado a facticidade temporal</p><p>(BARRETO, 2013, p. 39).</p><p>Assim, o cuidado, a partir da compreensão heideggeriana, remete-nos a pensar a ação</p><p>clínica implicada em acompanhar o cliente na tarefa de apropriar-se da sua existência,</p><p>considerando que "clínica, pois, é mais do que uma ocupação profissional, é dedicar-se ao</p><p>cuidado dos clientes com solicitude, desvelo e preocupação" (ROCHA, 2011, p. 87). Essa</p><p>preocupação não deve ser entendida como prescrita por normas ou técnicas, mas assume o</p><p>sentido de se inclinar para o outro, não tanto para cuidá-lo, nem tampouco para ser</p><p>cuidado; mas para poder chamá-lo a si mesmo, posto que, no viver cotidiano nos diversos</p><p>modos de ser-aí, é o próprio homem quem cuida de existir, tendo como tarefa ter-que-ser.</p><p>Mas como será o acontecer deste chamado? Segundo Sá (2002, p. 356), "Uma clínica</p><p>hermenêutica, pretende-se um espaço de tematização de sentido, de desnaturalização dos</p><p>sentidos previamente dados, da ampliação dos limites dos horizontes de compreensão".</p><p>Nessa direção, o psicólogo acompanha o cliente na possibilidade de apropriar-se e</p><p>responsabilizar-se por si, mediante uma compreensão do sentido de seu modo de ser, de</p><p>existir com-outros, apropriando-se de sua história e reinterpretando-a.</p><p>Continuando em tal linha de reflexão, surge outro desafio acerca de como compreender</p><p>uma aç�o clínica que se preocupe com os modos de ser do ser-do-homem e não apenas</p><p>voltada para tentar explicar e encontrar soluções para o sofrimento humano. Para Santos</p><p>(2005, p. 87, grifos da autora), "E no cuidado do fazer saber que o como ser encontra</p><p>espaço em lugar doo como saber fazer modelatôrio". Fazer saber é um termo utilizado por</p><p>Morato (1989) que rompe com a valorização de um saber tecnicista, apontando para a</p><p>importância de que na prática psicológica a ação do psicólogo encaminha um saber. Assim,</p><p>Olhar para a clínica como um fazer saber é assumir-se na implicação do que é próprio no</p><p>processo do acontecer clínico" (SANTOS, 2005, p. 87). Podemos então olhar/compreender a</p><p>ação clíinica, numa perspectiva fenomenológica existencial como uma "téchne para cuidar"</p><p>acontecendo no próprio acontecer da vida cotidiana vivida com-outros?</p><p>Convocados pela clínica, voltamos a procurar na obra de Heidegger (2001a), mais</p><p>especificamente na sua conferência "A questão da técnica", ajuda para pensara quest�o da</p><p>técnica na prática psicológica. Em tal contexto, chama a atenção para a diferença entre a</p><p>técnica e sua essência. A técnica, enquanto instrumental, seria um conjunto de meios para</p><p>alcançar um fim. Já com relação à essência da técnica, Heidegger interroga sua dimensão</p><p>instrumental e chama atenção para seu caráter de armação (Gestell) que, enquanto modo</p><p>privilegiado de desocultar, pode ofuscar todos os outros modos de desocultamento,</p><p>raduzindo n car do homam à condican da armazenamantn contrala a uco idicrriminadn</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>rivilegiado de desocultar, pode ofuscar todos os outros modos de desocultamento,</p><p>reduzindoo ser do homem a condição de armazenamento, controle e uso indiscriminado.</p><p>Nessa mesma direçao, ao chamar a atençao para o carater destinamental da tecnica</p><p>moderna, Considera que nenhuma ação humana, considerada na sua dimensão</p><p>instrumental, pode transformar a essência da técnica. Só outra relação coma essência da</p><p>tecnica moderna pode possibilitar outra relação com o ser do ser do homem. E aqui que</p><p>podemos dialogar com a "serenidade para com as colsas", reflexoes desenvolvidas por</p><p>Heidegger (1959) ao discutir as duas possibilidades de constituição do pensamento</p><p>humano, a saber, o pensamento calculante e o pensamento que medita.</p><p>Antes, porém, vale ressaltar que, para a era moderna, a questão do conhecimento està</p><p>intrinsecamente relacionada à questao do metodo e este liga-se a raz�o como</p><p>representações adequadas, certezas inquestionáveis, verdades absolutas construidas a</p><p>partir de critérios lógicos, os quais podem prever e controlar o que está a sua volta. Esta é</p><p>a modalidade calculante do pensamento humano. Por outro lado, o pensamento que medita,</p><p>longe de ser acompanhado de uma atitude passiva, solicita disponibilidade e abertura para</p><p>se voltare envolver com questões que se fazem presença em nosso pensar. Assim, meditar</p><p>requer uma atitude de parar, aguardar diante das coisas e refletir/meditar sobre elas, pondo</p><p>proprio pensar em questão. Podemos dizer então que o pensamento que medita não e</p><p>uma funçao linguistica ou psicologica; ele pertence ao ambito dalinguagem, compreendida</p><p>como o lugar em queo homem habita (HEIDEGGER, 2001a, p. 138,139, grifos do autor).</p><p>Pela via do pensamento que medita, o homem se coloca aberto a um deixar acontecer, um</p><p>deixar-viger" como afirma Heldegger (2001a): "o deixar-viger concerne à vigência daquilo</p><p>que, na pro-duçao e no pro-duzir, chega a aparecer e apresentar-se (P. 16). vale</p><p>esclarecer que para o referido filósofo, "Em sua essência, produzir é conduzir para diante</p><p>de.. e pro-duzir." (p. 138). Esse modo de pensar nos leva ao sentido que os gregos da</p><p>antiguidade davam a tecnica</p><p>Tékhné n�o significa, para os gregos, nem arte, nem artesanato, mas um deixar</p><p>aparecer algo como isso ou aquilo, dessa ou daquela maneira, no ambito do que</p><p>ja estar em vigor. Os gregos pensam a tékhné [...], o produzir, a partir do deixar</p><p>aparecer (HEIDEGGER, 2001a, p. 138-139).</p><p>pensamento que medita solicita uma abertura compreensiva, a qual possibilita que algo</p><p>que ainda não se desvelou, possa vir à luZ, ou como afirma Critelli (2002), é abrir-se ao</p><p>inaudito e desconhecido, tamponando os ouvidospara 0 que e habitual, o conhecido.</p><p>Diante desses dois modos de pensar, Heidegger (1959) nos convoca a assumir uma atitude</p><p>de Serenidade, a qual diz sime não, simultaneamente à técnica moderna. Dizer sim e</p><p>assumir a inevitavel presença da tecnica em noss0 Viver cotidiano; dizer nao a poderosa</p><p>imposição do emprego da tecnica e possivel pela via da dimensão meditativa e reflexiva do</p><p>pensamento. Através dela, podemos "levar à frente, sem desafiar, sem visarà subsistência,</p><p>pois reconhece os limites e os paradoxos da própria existência" (FELJOO, 2004, p. 89).</p><p>Partindo desses dois modos e pensar podenos indagar d agdo cinica de psicologos, numa</p><p>narenortihva fannmanslániea avietansial ca As rnmn tárnira comn tárhna? Contini*anis a</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>Partindo desses dois modos de pensar, podemos indagar: a ação clínica de psicólogos, numa</p><p>perspectiva fenomenológica existencial, se dá como técnica ou como téchne? Continuando a</p><p>interrogar, perguntamos: será que os psicólogos que exercem sua ação clinica em espaços</p><p>coletivamente habitados, pondo-se em andança, conseguem estabelecer uma ação mais</p><p>tranquila/serena com a técnica psicológica proposta pelas teorias psicológicas?</p><p>Considerando seu desalojamento de um setting já definido institucionalmente e seu modo</p><p>de se pôr em andança por entre as ruas, como compreendem sua ação junto aos habitantes</p><p>da comunidade pela qual transita ou habita?</p><p>Nesse momento, importa dar a palavra às psicólogas que exercem essa atenção e que se</p><p>dispuseram a narrar sua experiência na tentativa de compreender a prática que estão</p><p>exercendo e vivenciando.</p><p>Iniciamos o segundo momento do texto abrindo espaço para as narrativas das psicólogas ao</p><p>tentarem</p><p>compreender a ação que exercem ao caminhar por entre os espaços</p><p>coletivamente habitados, no contato com o viver cotidiano das pessoas que as procuram.</p><p>De imediato, somos tomados pelos depoimentos de Tiê e Maiara, quando procuram nos</p><p>apresentar o que fazem no Morro:</p><p>Tiê17 Interessante!!.. porque quando eu comecei lá no Morro... eu achava que</p><p>não ia ter sentido! Que era tudo tão solto... tão sem direção... tão sem rumo..</p><p>que eu achava que não ia chegar a lugar nenhum! Porque na verdade... a gente</p><p>está acostumada com tudo predeterminado! Acho que em Psicologia na</p><p>faculdade.. a gente sempre aprendia que tinha que ser quarenta e cinco</p><p>minutos... dentro de uma sala.. padronizado.. sem os acasos.. e lá não! A</p><p>gente contava com os acasos o tempo todo!! [...] Porque no curso de Psicologia</p><p>ainda é muito clínico.. no sentido de consultório! Mais de clínica de consultório! E</p><p>aí a gente tinha outros professores que tinham uma outra visão.. a visão do</p><p>plantão psicológico... a visäo da fenomenologia existencial.. e aí as vezes a</p><p>gente ficava... naquela confusão! Como é a clínica nesse lugar.. o Morro? Mas aí</p><p>aos poucos a gente foi afunilando... e a gente foi lendo muita coisa... e a prática</p><p>também.. e aí a gente foi vendo... que não tinha nada determinado.. que era</p><p>aquilo mesmo que era da vida! Que na vida não tem nada determinado!</p><p>Maiara Começava a construir algo novo! Assim... tinha tipo... desapegando de</p><p>uma fórmula... tipo assim.. e vendo que tem algo a mais do que o que se passa</p><p>na maior parte do curso!</p><p>Diante de tais narrativas, deparamo-nos com a dificuldade vivida na pele, como fazer uma</p><p>clínica que não obedece aos contornos preestabelecidos pela Psicologia, como agir diante do</p><p>inusitado, do novo, como desvincular-se dos modelos de prática psicológica aprendidos na</p><p>formação com privilégio para o modelo consultorial? De alguma maneira, a dificuldade</p><p>sentida já encaminha para outro modo de pensar, nomeado por Maiara de novo, com</p><p>desapego de fôrmulas prévias aprendidas durante a formação.</p><p>Tal inquietação nos leva a pensar na formação do psicólogo e, neste impasse, convocamos</p><p>dialaaa Vakis 12nnE idada da</p><p>Aa</p><p>E CRV</p><p>uuvupuyv uu iviIUIu piuvius upiIuIuu uuIUIIL u IviIIuyuv</p><p>Tal inquietação nos leva a pensar na formação do psicólogo e, neste impasse, convocamos</p><p>para dialogar Yehia (2005, p. 344, aspas da autora), quando considera a necessidade de</p><p>instigar o psicólogo para olhar para a importância de "desencastelar-se e 'ir à rua' [...]</p><p>alterando o próprio pensar e fazer do psicólogo." Assumir uma atitude de desencastelar-se</p><p>não deve ficar restrita apenas à mudança do local de atendimento clínico tradicional - o</p><p>consultório, significa muito mais, convoca para uma mudança no modo como compreende a</p><p>condição humana de existir no mundo-com-os-outros, assumindo a ação clínica como</p><p>possibilidade de acompanhar o outro no pôr-adiante o seu modo de viver cotidiano.</p><p>Encontramos, nos relatos, o desafio assumido pelas psicólogas ao questionarem o modelo</p><p>tradicional de uma clínica psicológica restrita ao modelo de consultório eà psicoterapia.</p><p>Desafio que desaloja, já que toda a formação está orientada pela razão instrumental ea</p><p>técnica moderna que, no dizer de Feijoo (2004, p. 87), se constitui "a partir de uma</p><p>representação acerca do psiquismo humano". Quando falam da "confusão", de "como é a</p><p>clínica nesse lugar", estão procurando outro ponto de partida.</p><p>Ponto de partida que pode ser pensado no diálogo com o pensamento de Heidegger,</p><p>principalmente quando ressalta para outro modo de desvelamento possivel pela</p><p>compreensão de técnica como téchne. Importa lembrar que o filósofo também nos alerta</p><p>para o desafio de enfrentar tal desconstrução, apontando para uma atitude de "serenidade</p><p>para as coisas" que consiga lidar com a técnica moderna, podendo dizer não à veloz</p><p>utilização da técnica moderna, ao mesmo tempo em que ressalta a dimensão</p><p>reflexiva/meditativa do pensamento. Tal compreensão parece já ser apontada, pelas</p><p>psicólogas colaboradoras, quando refletem,</p><p>Maiara O aguardarse faz presente neste trabalho! E!.. é ele quem conduz..</p><p>quem tem seu tempo de refletir com a gente!</p><p>Acauã De reflexão também... sobre as afetações! Chamo de reflexão o</p><p>pensamento! Não!. meditação.. reflexão... meditando sobre aquela afetação</p><p>que ele me provocou... e que eu provoquei nele! E aí a gente passa a meditar</p><p>sobre aquela afetação.. aquela situação... aquela ação... E por esta via que se</p><p>dá! Que é uma via.. que vai... e que vem...</p><p>Pesquisadora Qual o sentido de meditação para você?</p><p>Acaua Questionar.. sobre a atitude... sobre aquilo que está ressoando em cada</p><p>um da gente. Não é um pensamento que... não tenha uma atitude! E um</p><p>pensamento que questiona... que olha pra a atitude... e que provoca algo! Esse</p><p>meditar.. é refletir sobre a atitude... mas em ação!</p><p>Chama-nos a atenção, nessas narrativas, a atitude de aguardar, de refletir/meditar em</p><p>ação. A prática exercida já aponta para outro modo de fazer clínica, ainda em construção, e</p><p>que suscita o modo como o diálogo com alguns momentos da obra de Heidegger pode nos</p><p>ajudar a ir configurando outra compreensão de ação clínica. Assim, o fazer clínico no Morro</p><p>Bom Jesus vai-se configurando como uma ação, na qual o psicólogo, ao assumir uma</p><p>atitude de cuidado, inclina-se, aguarda e acompanha, seguindo o cliente na contação de sua</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>CRV</p><p>atitude de cuidado, inclina-se, aguarda e acompanha, seguindo o cliente na contação de sua</p><p>experiência, por diversos contextos, semelhante ao dizer de Guimarães Rosa (2015),</p><p>também assumido como inspiração, quando diz: "Se quer seguir-me, narro-lhe; não uma</p><p>aventura, mas experiência [...]",</p><p>Tiê Eu acho que... resumindo... nossa ação é acolhimento!... cuidado!...</p><p>reflexão!... transformação!</p><p>Acauã O cuidado.. com certeza!!... eu vejo que éo carro chefe dessa ação...</p><p>sabe? O cuidado!... a atenção!... a disponibilidade!... a reflexão!.. são...</p><p>coisas que são fundamentais no encontro!</p><p>Tiê E possibilitar a apropriação da vida! Porque no momento em que ele se</p><p>apropria daquela realidade da vida... ele vai encontrar vários caminhos!</p><p>Acau Disponibilidade! Disponibilidade para aqueles que estão ali... e a gente</p><p>vai vendo quando está passando pelas ruas! A gente se põe disponível.. e</p><p>disponibiliza a atenção da Psicologia! A escuta... a prevenção.. do cuidar da</p><p>saúde... Assim... passando pelas ruas a gente fica na visão deles... e como</p><p>hoje... muita gente no Morro.. já conhece a gente... passar pelas ruas tem o</p><p>sentido de oferecer acolhimento... de estar disponível a escutar! ..] E na</p><p>andança mesmo pelo bairro... a gente sai dizendo da disponibilidade do</p><p>profissional de estar lá... nesse dia!</p><p>E impressionante como as psicólogas colaboradoras, ao narrarem suas experiências, vão</p><p>elaborando compreensões sobre a ação clínica exercida no morro, numa perspectiva</p><p>fenomenológica existencial. Passam a compreender a ação clínica como cuidado, um</p><p>cuidado que se mostra através da apropriação do modo como o cliente vive sua vida, o que</p><p>permite a reinterpretação da história de vida de cada um e o encaminhamento de novas</p><p>decisões. Aqui podemos dialogar com Barreto (2006, p. 44), ao compreender que "a ação</p><p>do psicólogo caminha no sentido de implicar o cliente no cuidado por si próprio."</p><p>As narrativas apontam também para outro modo singular de o psicólogo acompanhar o</p><p>cliente, constituindo-se como um modo especial de presença, no dizer de Figueiredo e</p><p>Coelho Júnior (2000). Presença que se constitui como disponibilidade e confiabilidade, como</p><p>um modo de estar-com-o-outro. Talvez seja isso que Acau� compreende quando indica:</p><p>Assim... passando pelas ruas a gente fica na visão deles.. [...] passar pelas ruas tem o</p><p>sentido de oferecer acolhimento... de estar disponível a escutar! [...] E na andança mesmo</p><p>pelo bairro... a gente sai dizendo da disponibilidade do profissional de estar lá... nesse dia!"</p><p>Nessa direção, despojar-se do castelo consultorial, requer do psicólogo lançar-se numa</p><p>ação</p><p>clínica no acontecer do viver cotidiano numa atitude de se pôr em andança, percorrendo</p><p>com-outros (os clientes), espaços coletivamente habitados.</p><p>A vida nas sociedades contemporâneas está perpassada pela mobilidade, pela errância.</p><p>Segundo Jaques; Drumond (2014), atualmente, os errantes perambulam pelas cidades</p><p>grandes e não mais pelos campos como os nômades. O olhar para a atitude de se pôr em</p><p>andança nos leva a pensar que uma ação clínica no viver cotidiano solicita um lançar-se</p><p>amn m arvanto oaminhanta nalas rI9e dao cidadac hucoandn ralkor n Pnralhar r</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>andança nos leva a pensar que uma ação clínica no viver cotidiano solicita um lançar-se</p><p>como um errante caminhante pelas ruas das cidades, buscando acolher e recolher as</p><p>demandas que se revelam ao caminhar pelos espaços coletivamente habitados.</p><p>Neste momento, vale apontar que passamos a compreender a atitude de se pôr em</p><p>andança como um caminho a ser percorrido com-outros, ao invés da ideia de deslocamento,</p><p>de passar de um lugar parao outro, como podemos ver nas palavras de Kundera (1990, p.</p><p>247):</p><p>Caminho: tira de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada diferencia-se do</p><p>caminho não só porque a percorremos de carro, mas porque é uma simples linha</p><p>ligando um ponto a outro. A estrada em si não faz nenhum sentido; só têm</p><p>sentido os dois pontos ligados por ela. O caminho é uma homenagem ao espaço.</p><p>Cada trecho do caminho tem um sentido próprio e nos convida a parar.</p><p>Nesse sentido, vemos que aqui se abre a possibilidade de olhar este caminho como uma</p><p>disponibilidade que se manifesta no momento em que juntos clientes e psicólogos oo</p><p>percorrem:</p><p>Acauã Sabe Suely... essa forma de estar no cotidiano do outro... de estar.. ali</p><p>no... não é só apenas a vida privada! Ë a vida no contexto de convivência...e ali</p><p>emerge de forma dinâmica.. de um modo que a gente está vendo... com muita</p><p>claridade! A gente está dentro disso! A gente não está de fora vendo isto! A</p><p>gente está dentro do movimento do cotidiano! [...] Porque a gente está dentro</p><p>do cotidiano da convivência.. [...] Nesse outro modo de fazer.. a gente está</p><p>dentro... a gente faz parte do movimento do conviver! A gente está indo e vindo</p><p>com o outro no contexto deste dia a dia! Que aí ele espera... ou ele as vezes não</p><p>espera por esta passagem desse profissional! E quando ele espera... ele diz......</p><p>Venha c.. que esse negócio hoje esta assim!" E ai a gente j� est� dentro desse</p><p>assim... daquilo que se mostra naquele encontro! O cliente nos chama a estar</p><p>dentro do seu cotidiano! E não tem nada pronto! E aí faz com que a gente tenha</p><p>novas criatividades para estar ali com o outro... naquele momento! Vai</p><p>surgindo... e aí a gente sente... que a gente não é mais uma coisa à parte... que</p><p>a gente faz parte! [...] E o se por em andança que possibilita a gente se fazer</p><p>presente no cotidiano!</p><p>Esse depoimento já nos aponta para outro modo de compreender a ação clínica, exercida no</p><p>se pôr em andança, acompanhando o outro no seu viver cotidiano.Acauã,ao apontar para a</p><p>importância do "movimento do conviver", bem como para a atitude de se por em andança,</p><p>como possibilidade de "se fazer presente no cotidiano!", vai configurando uma modalidade</p><p>de prática psicológica, na qual a ação clínica acontece como um "poder se abrir de modo</p><p>privilegiado a experiência de copertencimento entre homem e mundo" (SA, 2009, p. 91).</p><p>Diante de tal contexto, podemo-nos perguntar: Seria a ação clínica, no viver cotidiano, uma</p><p>disponibilidade/acompanhamento para o acontecer do acontecimento apropriativo dos</p><p>modos de ser-no-mundo-com-outros? Estaria ai, uma possibilidade para o ser-o-ai</p><p>acontecer enauanto noder-ser 0 caminhar com o outro. na nrónria acontecência dos</p><p>Aa</p><p>modos de ser-no-mundo-com-outros? Estaria aí, uma possibilidade para o ser-o-aí</p><p>acontecer enquanto poder-ser? o caminhar com o outro, na própria acontecência dos</p><p>acontecimentos cotidianos, poderia ser compreendido como uma disposição para</p><p>acompanhar o cliente a reinterpretar sua história e encaminhar-se na vida de outro modo?</p><p>Ao transitar em meio às relações e acontecimentos do dia a dia, um espaço de cuidado se</p><p>anuncia num encontro inusitado entre psicólogos e clientes. Portanto, é preciso buscar</p><p>modos de se fazer presença àqueles que encontramos, quando nos pomos a caminhar,</p><p>percorrendo caminhos que nos colocam em travessia. Seguindo Serres (1993, p. 12),</p><p>quando diz que "a verdadeira passagem ocorre no meio", compreendemos que é no</p><p>cotidiano da vida que as transformações ocorrem. Assim,</p><p>Acompanhar o cliente nessa passagem significa assumir a tarefa de tornar</p><p>explícita, para o cliente, a posse do sentido de sua dor e das suas possibilidades</p><p>negadas. Nessa compreensão, não há nenhum direcionamento, mas a quebra</p><p>das habitualidades abre fissuras que são o fôlego de possíveis mudanças,</p><p>transformando o acontecer clínico em experiência em ação [...] (BARRETO;</p><p>MORATO, 2009, p. 50).</p><p>Desse modo, a atitude de se pôr em andança, toma rumos em direção às demandas que se</p><p>mostram numa paisagem circunstanciada, colocando o caminhante psicólogo, à vista do</p><p>outro. Segundo Ferreira Neto (2004, p. 191), "Uma atuação que não toma a demanda como</p><p>objeto de um trabalho crítico, presta um desserviço a Psicologia como profissão.". Nessa</p><p>direção, compreendemos que será a demanda revelada no caminhar com outros, um guia</p><p>para o acontecer da prática psicológica em distintos contextos e aqui, especialmente, no</p><p>acontecer do viver cotidiano.</p><p>A atitude de se pôr à vista se mostra vinculada à disposição de se dispor a caminhar com-o-</p><p>outro, suportando o inusitado, os desalojamentos, e as possibilidades de reinterpretar as</p><p>situações vividas nos acontecimentos cotidianos, acompanhando o encaminhamento que os</p><p>clientes/moradores desvelam como possibilidades.</p><p>A ação clínica no acontecer do viver cotidiano se mostra como um desafio de assumir uma</p><p>atitude de arriscar-se a desbravar outros contextos e outras intervenções clínicas,</p><p>desencastelando-se de prática psicológica no modelo de uma clínica consultorial. Essa</p><p>atitude, por outro lado, colocou-nos diante da urgência de questionar a formação do</p><p>psicólogo: estaria essa formação encastelando a prática psicológica, aprisionando-a a um</p><p>modelo consultorial?</p><p>Para começar um diálogo com essa interrogação, recorremos a Caixeta e Lima (2004, p. 3,</p><p>aspas dos autores), quando ressaltar ser</p><p>..] de fundamental importância que as Instituições formadoras assumam uma</p><p>postura crítica em relação às contingências de um mercado cada dia mais</p><p>globalizado e às exigências colocadas pelo Ministério da Educação - aí incluídos a</p><p>reformulação dos currículos e a aplicação do "Provão'. As instituições de ensino</p><p>não podem se contentar em oferecer uma formação meramente tecnicista.</p><p>nitn drrt fium- ino C*nouiau ITEC Trti*isaas</p><p>Aa</p><p>jucamp</p><p>Realce</p><p>não podem se contentar em oferecer uma formação meramente tecnicista.</p><p>Diante desta afirmação, indagamos: estão as Instituições de Ensino Superior (IES)</p><p>assumindo uma atitude questionadora? Estäo as IES formando profissionais capazes de</p><p>questionar e construir uma Psicologia ou apenas de reproduzi-la/repeti-la?</p><p>Embora a discussão sobre a tentativa de uma hegemonia da formação do psicólogo</p><p>brasileiro venha sendo realizada desde a decada de 1970, ainda ha um longo caminho a ser</p><p>percorrido, especialmente quando buscamos um diálogo com a filosofia, para nos ajudar a</p><p>pensar a ação clinica de psicólog0s, como nos aponta Wertz (2012, p. 369),</p><p>As tendencias fenomenologicas ainda são uma perspectiva pequena e minoritäria</p><p>nesse tempo, em que a maioria dos pesquisadores continua a adotar uma</p><p>abordagem hipotético-dedutiva cientifica natural que isola variáveis e apoia-se</p><p>em medidas e em análise quantitativa.</p><p>Segundo Ferreira Neto (2004), é necessário olharmos com reservas para uma formação em</p><p>Psicologia que se proponha a um desenvolvimento de um perfil técnico. Com essa critica,</p><p>podemos pensar na importância da quebra de emolduramentos</p><p>presentes na formação dos</p><p>psicólogos, a qual tenta dar um direcionamento fazendo-os deparar mais com um</p><p>forma(çao) modelação do que pode ser um psicologo, ao inves de uma torm(a)çao</p><p>formar, produzir/pór em manifesto uma ação.</p><p>Por outro lado, vem0s também, que cuidar da formação é mais do que informar o aluno</p><p>sobre teorias e técnicas ou mesmo "instrumentalizá-lo" para aplicä-las. Como diz Figueiredo</p><p>(2004, P. 157), "A da faculdade de psicologia que não consegue deixar seus alunos</p><p>desejosos de mais psicologia, ou seja, fecundamente insatisfeitos". Faz-se necessário pensar</p><p>a formação muito além de uma modelação, mas abertura para que algo poSsa "vir-a-ser"</p><p>(FIGUETREDo, 2004).</p><p>Partindo de tais considerações críiticas e considerando as reflexões tecidas acrescidas das</p><p>compreensões decorrentes das narrativas das psicólogas, podemos apontar como frutifero o</p><p>dialogo com a fenomenologia existencial, ao modo de Heidegger, como possibilidade para</p><p>pensar outros modos de fazer/saber clinico, como também desvincular o conhecimento</p><p>psicológico de suas amarras positivistas e essencialista via diálogo coma filosofia.</p><p>Para arrematar, podemos considerar que a ação clinica no viver cotidiano solicita o</p><p>desencastelar-se" e o "desatrelar-se" do modelo de prática psicológica regido pelo modelo</p><p>consultorial, solicitando o ir à rua, pondo-se em andança numa ação de cuidado e de</p><p>disponibilidade aos modos de ser-no-mundo-com-outros. No caminho proprio do pesquisar</p><p>a compreensão aqui apresentada sinaliza que ainda há questões a serem debatidas.</p><p>Entretanto escolhemos focar em dois dos fenômenos considerados, até o momento, como</p><p>reveladores para abrir horizontes que permitam pensar a possibilidade de um acontecer da</p><p>ação clinica no viver cotidiano das pessoas que habitam espaços coletivos.</p><p>REFERENCIAS</p><p>BARRETO, C. L. B. .; MORATO, H. T. P. A ação clínica e a perspectiva fenomenológica</p><p>existencial. In: MORATO, H. T. P.; BARRETO, C. L. B. T.; NUNES, A. P. Aconselhamento</p><p>nsicoláoico niuma nersnectiva fenomennláoica existenrial: uma introdiuräo. Rin de laneirn:</p><p>E CR</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BARRETO, C. L. B. T.; MORATO, H. T. P. A ação clínica e a perspectiva fenomenológica</p><p>existencial. In: MORATO, H. T. P.; BARRETO, C. L. B. T; NUNES, A. P. Aconselhamento</p><p>psicológico numa perspectiva fenomenológica existencial: uma introdução. 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