Prévia do material em texto
<p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>WESLEI MACHADO</p><p>DICAS INFALÍVEIS</p><p>ALISTAMENTO ELEITORAL E A</p><p>RESOLUÇÃO-TSE N. 23.659/2021</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>ALISTAMENTO ELEITORAL</p><p>• Conceito e Natureza Jurídica – “O procedimento administrativo-eleitoral</p><p>pel qual se qualificam e se inscrevem os eleitores. Nele se verifica o</p><p>preenchimento de requisitos constitucionais e legais indispensáveis à</p><p>inscrição do eleitor. Uma vez deferido, o indivíduo é integrado ao corpo de</p><p>eleitores, podendo exercer direitos políticos (...). Em outras palavras,</p><p>adquire cidadania”.-</p><p>• Consoante dispõe o art. 42 do CE o alistamento “se faz mediante a</p><p>qualificação e inscrição do eleitor” no cadastro da Justiça Eleitoral.</p><p>• Sob o enfoque da aquisição da capacidade eleitoral ativa, o alistamento</p><p>eleitoral é requisito essencial para o exercício do voto.</p><p>• Sob o prisma da capacidade eleitoral passiva, o alistamento se constitui</p><p>em uma das condições de elegibilidade.</p><p>• Pode ser definido como um procedimento administrativo cartorário,</p><p>realizado pela própria Justiça Eleitoral com o objetivo de atualizar o</p><p>Cadastro Eleitoral, de caráter sigiloso, que serve de base à aferição dessa</p><p>condição de elegibilidade por ocasião do pedido de registro de candidatura</p><p>(REspe n. 0601248-48/CE, rel. Min. Tarcísio Vieira de Carvalho Neto, DJe</p><p>de 11/12/2018).</p><p>• Alistamento Obrigatório: o alistamento e o voto serão obrigatórios desde</p><p>que preenchidos os seguintes requisitos cumulativos: ser brasileiro; ter</p><p>idade entre 18 e 70 anos; e ser alfabetizado.</p><p>• O brasileiro nato deverá, obrigatoriamente, requerer sua inscrição ao</p><p>completar 18 anos, enquanto o naturalizado deverá fazê-lo até um ano</p><p>após a aquisição da nacionalidade brasileira.</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>• A aquisição do gozo de direitos políticos por pessoa brasileira em Portugal</p><p>não acarreta a suspensão de direitos políticos ou o cancelamento da</p><p>inscrição eleitoral e não impede o alistamento eleitoral ou as demais</p><p>operações do Cadastro Eleitoral, consoante dispõe o art. 11, § 3º, da Res.-</p><p>TSE n. 23.659/2021.</p><p>• Preenchidos os requisitos constitucionais, a obrigatoriedade do</p><p>alistamento e do voto se estendem às pessoas com deficiência ou</p><p>mobilidade reduzida.</p><p>• a pessoa com deficiência para quem seja impossível ou demasiadamente</p><p>oneroso o cumprimento daquelas obrigações eleitorais não estará sujeito</p><p>às sanções legais decorrentes da ausência de alistamento e do não</p><p>exercício do voto.</p><p>• Para os militares, à exceção dos conscritos, o alistamento eleitoral é</p><p>obrigatório.</p><p>• No que concerne aos indígenas, desde que preenchidos os requisitos</p><p>constitucionais, dúvida não há quanto à obrigatoriedade do alistamento</p><p>eleitoral e do voto.</p><p>• Na prestação do serviço eleitoral, é direito fundamental da pessoa</p><p>indígena ter considerados sua organização social, seus costumes e suas</p><p>línguas, crenças e tradições, consoante dispõe o caput do art. 13 da Res.-</p><p>TSE n. 23.659/2021.</p><p>• Consoante dispõe o art. 14 da CF/1988, o alistamento será facultativo para</p><p>pessoas nas seguintes situações: a) maior de 16 anos e menor de 18 anos;</p><p>b) maior de 70 anos; e c) analfabeto.</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>• O art. 30 da Res.-TSE n. 23.659/2021 faculta o alistamento eleitoral a partir</p><p>da data em que a pessoa completar 15 anos, ficando os efeitos do ato –</p><p>aquisição dos direitos políticos – postergados para a data em que</p><p>completar 16 anos.</p><p>• A Constituição Federal proíbe o alistamento eleitoral para as seguintes</p><p>pessoas: a) Os conscritos, durante o período de serviço militar obrigatório</p><p>(art. 14, § 2º, da CF/1988); e b) Os estrangeiros, com exceção do português</p><p>e desde que haja reciprocidade em Portugal do direito aqui concedido (art.</p><p>14, § 2º, da CF/1988)</p><p>• São alistáveis aqueles que, uma vez cumprido o período militar</p><p>obrigatório, decidiram continuar nas forças armadas, além dos oficiais,</p><p>aspirantes a oficiais, guardas-marinha, subtenentes ou suboficiais,</p><p>sargentos ou alunos das escolas militares de ensino superior para</p><p>formação de oficiais.</p><p>• Consoante o § 2º do artigo 14 da CF, a não alistabilidade como eleitores</p><p>somente é imputada aos estrangeiros e, durante o período do serviço</p><p>militar obrigatório, aos conscritos, observada, naturalmente, a vedação</p><p>que se impõe em face da incapacidade absoluta nos termos da lei civil.</p><p>Sendo o voto obrigatório para os brasileiros maiores de 18 anos,</p><p>ressalvada a facultatividade de que cuida o inciso II do § 1º do artigo 14 da</p><p>CF, não há como entender recepcionado preceito de lei, mesmo de índole</p><p>complementar à Carta Magna, que imponha restrição ao que a norma</p><p>superior hierárquica não estabelece. Vedado impor qualquer empecilho</p><p>ao alistamento eleitoral que não esteja previsto na Lei Maior, por</p><p>caracterizar restrição indevida a direito político, há que afirmar a</p><p>inexigibilidade de fluência da língua pátria para que o indígena ainda sob</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>tutela e o brasileiro possam se alistar como eleitores Declarada a não</p><p>recepção do art. 5º, inciso II, do Código Eleitoral pela Constituição Federal</p><p>de 1988. (PA n. 19.840, rel. Min. Fernando Gonçalves, DJe de 20/8/2010).</p><p>• A não apresentação do requerimento de inscrição eleitoral no prazo</p><p>devido pelos que têm obrigação em se alistar atrai a incidência da multa</p><p>prevista no art. 8º do Código Eleitoral, cuja cobrança no valor de 3 a 10 por</p><p>cento do salário-mínimo, será realizada no ato da inscrição tardia.</p><p>• Estabelece o art. 33 da Res.-TSE n. 23.659/2021: Art. 33. Incorrerá em</p><p>multa a ser imposta pelo juízo eleitoral e cobrada no ato do alistamento a</p><p>pessoa brasileira: I – nata, nascida em território nacional, que não se alistar</p><p>até os 19 anos; II – nata, nascida em território nacional ou nascida no</p><p>exterior, filha de brasileiro ou brasileira registrada em repartição</p><p>diplomática brasileira, que não se alistar até os 19 anos; e III – naturalizada,</p><p>maior de 18 anos, que não se alistar até um ano depois de adquirida a</p><p>nacionalidade brasileira.</p><p>• Ficam excluídos do pagamento de multa por atraso no ato de inscrição</p><p>eleitoral, aquele que: a) se alfabetizar tardiamente; e b) declarar, perante</p><p>qualquer juízo eleitoral, sob as penas da lei, seu estado de pobreza.</p><p>• A ausência do requerimento de alistamento impossibilita o indivíduo de</p><p>exercer seus direitos políticos, notadamente o exercício do voto,</p><p>sujeitando-o ainda às restrições listadas no art. 7º, § 1º, do CE: I –</p><p>inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, investir-</p><p>se ou empossar-se neles; II – receber vencimentos, remuneração, salário</p><p>ou proventos de função ou emprego público, autárquico ou para estatal,</p><p>bem como fundações governamentais, empresas, institutos e sociedades</p><p>de qualquer natureza, mantidas ou subvencionadas pelo governo ou que</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>exerçam serviço público delegado, correspondentes ao segundo mês</p><p>subsequente ao da eleição; III – participar de concorrência pública ou</p><p>administrativa da União, dos Estados, dos Territórios, do Distrito Federal</p><p>ou dos Municípios, ou das respectivas autarquias; V – obter passaporte ou</p><p>carteira de identidade; VI – renovar matrícula em estabelecimento de</p><p>ensino oficial ou fiscalizado pelo governo; VII – praticar qualquer ato para</p><p>o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda.</p><p>• O alistamento se faz por meio da qualificação e inscrição do eleitor.</p><p>• Nenhum requerimento de inscrição eleitoral ou de transferência será</p><p>recebido dentro dos cento e cinquenta dias anteriores à data da eleição.</p><p>• Para o alistamento, a pessoa requerente apresentará: I - um ou mais dos</p><p>seguintes documentos de identificação:I – Carteira de identidade ou</p><p>carteira emitida pelos órgãos criados por lei federal, controladores do</p><p>exercício profissional</p><p>II – certidão de nascimento ou de casamento</p><p>expedida no Brasil ou registrada em repartição diplomática brasileira e</p><p>transladada para o registro civil, conforme a legislação própria. III –</p><p>documento público do qual se infira ter a pessoa requerente a idade</p><p>mínima de 15 anos, e do qual constem os demais elementos necessários à</p><p>sua qualificação; IV – documento congênere ao registro civil, expedido</p><p>pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI); V – documento do qual se infira</p><p>a nacionalidade brasileira, originária ou adquirida, da pessoa requerente;</p><p>VI – publicação oficial da Portaria do Ministro da Justiça e o documento de</p><p>identidade de que tratam os arts. 22 do Decreto n. 3.927, de 2001, e 5º da</p><p>Lei n. 7.116, de 1983, para as pessoas portuguesas que tenham obtido o</p><p>gozo dos direitos políticos no Brasil.</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>• A apresentação de mais de um documento somente será exigível nas</p><p>situações em que o primeiro documento apresentado não contenha os</p><p>dados suficientes para a correta identificação do requerente.</p><p>• Não obstante o certificado de quitação militar possa ser requerido pelo</p><p>juiz eleitoral para complementar informações acerca do indivíduo, a sua</p><p>apresentação somente é obrigatória para alistandos do gênero masculino</p><p>que pertençam à classe dos conscritos (art. 35 da Res.-TSE n.</p><p>23.659/2021).</p><p>• Apresentada a documentação no cartório eleitoral ou no posto de</p><p>alistamento, o servidor da Justiça Eleitoral preencherá, na presença do</p><p>eleitor, o Requerimento de Alistamento Eleitoral – RAE ou digitará as</p><p>informações no sistema de acordo com a documentação entregue,</p><p>complementando com outras informações pessoais do indivíduo, em</p><p>conformidade com as exigências do processamento de dados.</p><p>• No momento da formalização do pedido, o requerente manifestará sua</p><p>preferência sobre local de votação, entre os estabelecidos para a zona</p><p>eleitoral.</p><p>• A fase de análise do pedido, cumpre informar que o TSE autorizou que</p><p>travestis ou transexuais se candidatem com o chamado “nome social”.</p><p>Para que isso seja possível, a inclusão do nome social deve ser realizada, a</p><p>tempo e modo, no cadastro eleitoral, razão pela qual esta matéria será</p><p>agora estudada.</p><p>• Considera-se nome social a designação pela qual a pessoa travesti ou</p><p>transexual se identifica e é socialmente reconhecida, considerando que a</p><p>identidade de gênero como dimensão da identidade de uma pessoa diz</p><p>respeito à forma como a pessoa se relaciona com as representações de</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>masculinidade e feminilidade e como isso se traduz em sua prática social,</p><p>sem guardar necessária relação com o sexo biológico atribuído ao</p><p>nascimento.</p><p>• Em respeito aos direitos dessas pessoas, elas podem, no momento do</p><p>alistamento eleitoral ou de atualização de seus dados no cadastro</p><p>eleitoral, requerer que a inscrição eleitoral seja realizada com o seu nome</p><p>social e a sua identidade de gênero, desde que não seja ridículo e não</p><p>atente contra o pudor.</p><p>• Uma vez deferida a inscrição eleitoral com o uso do nome social, o título</p><p>eleitoral será expedido com essa designação.</p><p>• O nome social e a identidade de gênero constarão do cadastro eleitoral em</p><p>campos próprios, preservados os dados do registro civil.</p><p>• Apesar da manutenção dos dados do registro civil no cadastro eleitoral do</p><p>cidadão que tenha requerido a inscrição com o uso do nome social e da</p><p>identidade de gênero, a Justiça Eleitoral restringirá o acesso à divulgação</p><p>dessas informações, com a finalidade de preservar a intimidade e a vida</p><p>privada da pessoa.</p><p>• Ao apreciar o requerimento de alistamento eleitoral, o juiz, se tiver dúvida</p><p>quanto à identidade do requerente, comprovação de domicílio eleitoral na</p><p>circunscrição ou sobre qualquer outro requisito para o alistamento,</p><p>poderá converter o requerimento em diligência para que o solicitante</p><p>esclareça ou complete a prova, fixando prazo razoável para tanto.</p><p>• Em seguida, o juiz eleitoral disponibilizará aos partidos políticos, em</p><p>sistema específico, e ao Ministério Público Eleitoral, mediante ofício, nos</p><p>dias 1º e 15 de cada mês ou no primeiro dia útil que lhes seguir, listagem</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>contendo as inscrições eleitorais em que houve requerimento de</p><p>alistamento ou transferência deferido ou indeferido.</p><p>• A intimação do cidadão ou da cidadã da decisão de indeferimento do seu</p><p>alistamento ou da sua transferência eleitoral é pessoal, realizada</p><p>preferencialmente por meio eletrônico.</p><p>• À pessoa indígena ou quilombola que tenha informado uma dessas</p><p>condições no alistamento e não tenha consignado número pessoal de seu</p><p>telefone celular é assegurada a intimação por meio de carta com aviso de</p><p>recebimento ou por oficial de justiça, contando o prazo recursal da data</p><p>em que for recebida a intimação.</p><p>• Da decisão que indeferir o requerimento de inscrição, caberá recurso</p><p>interposto pelo eleitor (intimação pessoal) ou pelo Ministério Público</p><p>Eleitoral (intimação mediante ofício) no prazo de 5 dias da intimação, e, da</p><p>que deferir, poderá recorrer qualquer delegado de partido político ou o</p><p>Ministério Público Eleitoral, no prazo de 10 dias, contados da publicação</p><p>pelo cartório eleitoral da mencionada relação de inscrições atualizadas no</p><p>cadastro eleitoral.</p><p>• Apresentado o recurso por partido político ou pelo Ministério Público</p><p>Eleitoral contra o deferimento da inscrição eleitoral, o requerente será</p><p>intimado para apresentar contrarrazões no prazo de 10 dias.</p><p>• Além da fiscalização exercida pelo requerente sobre o pedido de sua</p><p>inscrição eleitoral, qualquer eleitor ou eleitora, partido político ou</p><p>Ministério Público poderá peticionar ao juízo eleitoral, às corregedorias</p><p>regionais eleitorais ou à Corregedoria-Geral Eleitoral, no âmbito de suas</p><p>respectivas competências, para requerer a apuração de irregularidades no</p><p>alistamento, na transferência e na revisão de qualquer pedido.</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>• Sem prejuízo dessa fiscalização, aos partidos políticos é dada a permissão</p><p>legal de participar ativamente do processo de inscrição eleitoral de</p><p>eleitores (art. 66, CE).</p><p>• Os partidos políticos, por meio dos seus delegados, podem atuar ainda no</p><p>início do processo de alistamento. Isso em face da permissão dada a eles</p><p>de acompanhar todos os processos de inscrição e examinar, sem</p><p>perturbação, os documentos relativos ao alistamento eleitoral, podendo</p><p>deles tirar cópias.</p><p>• Para viabilizar essa fiscalização, os partidos políticos poderão manter até</p><p>quatro delegados ou delegadas perante o tribunal regional eleitoral e até</p><p>três delegados ou delegadas em cada zona eleitoral, que se revezam, não</p><p>sendo permitida a atuação simultânea de mais de um de cada partido.</p><p>• O título poderá ser impresso ou disponibilizado via digital. A via</p><p>impressa do título somente será entregue pelo atendente da Justiça</p><p>Eleitoral à pessoa eleitora, vedada a interferência ou intermediação</p><p>de terceiros.</p><p>• O eleitor ou a eleitora que possua inscrição eleitoral regular ou</p><p>suspensa poderá solicitar, a qualquer tempo: I – a impressão do título</p><p>eleitoral; e II – a via digital do título eleitoral, por meio do aplicativo.</p><p>• A validação da via digital do título de eleitor poderá ser realizada nas</p><p>páginas do Tribunal Superior Eleitoral e dos tribunais regionais</p><p>eleitorais na internet, ou pela leitura do QR Code disponível no próprio</p><p>aplicativo.</p><p>• O eleitor ou a eleitora que tenha biometria registrada na Justiça</p><p>Eleitoral poderá utilizar a via digital do título de eleitor como</p><p>identificação para fins de votação, devendo respeitar a vedação legal</p><p>ao porte de aparelho de telefonia celular dentro da cabine de votação.</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>• O título eleitoral impresso ou digital comprova o alistamento e a existência</p><p>de inscrição regular ou suspensa na data</p><p>de sua emissão, mas não faz</p><p>prova da quitação eleitoral ou da regularidade de obrigações eleitorais</p><p>específicas.</p><p>• Para o efeito da inscrição, é domicílio eleitoral o lugar de residência ou</p><p>moradia do requerente, e, verificado ter o alistando mais de uma,</p><p>considerar-se-á domicílio qualquer delas.</p><p>• No âmbito eleitoral, está assentado que o conceito de domicílio é mais</p><p>elástico do que no Direito Civil, pois “possui maior abrangência,</p><p>alcançando vínculos políticos, econômicos, sociais ou familiares” (RvE</p><p>0600007-82/PB, rel. Min. Carlos Horbach, DJe DE 04.08.2022). 1. A</p><p>jurisprudência desta Corte se fixou no sentido de que a demonstração do</p><p>vínculo político é suficiente, por si só, para atrair o domicílio eleitoral, cujo</p><p>conceito é mais elástico que o domicílio no Direito Civil. 2. Recurso especial</p><p>provido. (REspe n. 85-51/CE, rel. Min. Luciana Lóssio, Dje de 7/5/2014).</p><p>• 1. Na espécie, a declaração subscrita por delegado de polícia constitui</p><p>requisito suficiente para comprovação da residência do agravado e</p><p>autoriza a transferência de seu domicílio eleitoral, nos termos do art. 55,</p><p>§ 1º, III, do CE. 2. O TSE já decidiu que o conceito de domicílio no Direito</p><p>Eleitoral é mais elástico do que no Direito Civil e satisfaz-se com a</p><p>demonstração de vínculo político, social ou afetivo. No caso, o agravado</p><p>demonstrou vínculo familiar com o Município de Barra de Santana/PB,</p><p>pois seu filho reside naquele município. (AgR/AI n. 72-86/PB, rel. Min.</p><p>Nancy Andrighi, DJe de 14/3/2013).</p><p>• A transferência somente será admitida se satisfeitas as seguintes</p><p>exigências:1) recebimento do pedido no cartório eleitoral do novo</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>domicílio no prazo estabelecido pela legislação vigente; 2) residência</p><p>mínima de três meses no novo domicílio, declarada, sob as penas da lei,</p><p>pelo próprio eleitor; 3) transcurso de, pelo menos, um ano do alistamento</p><p>ou da última transferência; e 4) regular cumprimento das obrigações de</p><p>comparecimento às urnas e de atendimento a convocações para auxiliar</p><p>nos trabalhos eleitorais.</p><p>• Consoante dispõe o art. 38, § 1º, da Res.-TSE 23.659/2021, as exigências</p><p>do transcurso de, pelo menos, um ano do alistamento ou da última</p><p>transferência e a prova de residência por, pelo menos, 3 meses no novo</p><p>domicílio não se aplicam à transferência de título eleitoral de: 1) servidora</p><p>ou servidor público civil e militar ou de membro de sua família, por</p><p>motivo de remoção, transferência ou posse; e 2) indígenas,</p><p>quilombolas, pessoas com deficiência, trabalhadoras e trabalhadores</p><p>rurais safristas e pessoas que tenham sido forçadas, em razão de</p><p>tragédia ambiental, a mudar sua residência.</p><p>• As inscrições eleitorais têm caráter de definitividade. Não obstante,</p><p>existem algumas situações que podem ensejar o cancelamento da</p><p>inscrição do eleitor. Essas hipóteses estão previstas no art. 71 do</p><p>Código Eleitoral: I – a infração dos arts. 5º e 42; II – a suspensão ou</p><p>perda dos direitos políticos; III – a pluralidade de inscrição; IV – o</p><p>falecimento do eleitor; V – deixar de votar em 3 (três) eleições</p><p>consecutivas.</p><p>• Nos casos de duplicidade, a competência para a solução da irregularidade,</p><p>na esfera administrativa, é do juiz eleitoral da zona em que efetuada a</p><p>inscrição mais recente.</p><p>Se o caso for de pluralidade de inscrições, a competência, na esfera</p><p>administrativa, é definida da seguinte forma:</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>• Detectada a pluralidade de inscrições em uma mesma zona eleitoral,</p><p>a competência para solucionar a pendência, na esfera administrativa,</p><p>é do juiz eleitoral da respectiva Zona. Aliás, não afasta a competência</p><p>do juiz eleitoral para processar e julgar requerimento de</p><p>cancelamento de inscrição eleitoral o fato de, no curso da ação, ser</p><p>requerida a transferência da inscrição para outra circunscrição. (AG</p><p>n. 7179/SP, rel. Min. Caputo Bastos, DJ de 31.10.2006);</p><p>• Detectada a pluralidade em inscrições de zonas eleitorais diversas de</p><p>uma mesma circunscrição (mesmo Estado), a competência desloca-</p><p>se para a Corregedoria Regional Eleitoral;</p><p>• Detectada a pluralidade em zonas eleitorais de circunscrições diversas</p><p>(Estados diferentes), a competência é da Corregedoria-Geral</p><p>Eleitoral.</p><p>• No procedimento de regularização de duplicidades/pluralidades de</p><p>inscrição eleitoral, a autoridade competente realizará o cancelamento</p><p>de uma ou mais delas, na seguinte ordem de preferência,</p><p>estabelecida no art. 87, da Res.-TSE n. 23.659/2021: I – na inscrição</p><p>mais recente, efetuada contrariamente às instruções em vigor; II –</p><p>na inscrição que não corresponda ao domicílio eleitoral do eleitor ou</p><p>da eleitora; III – na inscrição que não foi utilizada para o exercício do</p><p>voto pela última vez; IV – na mais antiga.</p><p>• Confirmada, ao final, a existência de duas ou mais inscrições a um</p><p>mesmo eleitor, além da correção administrativa, os autos deverão ser</p><p>remetidos pela autoridade judiciária competente ao Ministério Público</p><p>Eleitoral, para averiguação de ilícito na esfera penal, excetuados os</p><p>casos de evidente falha dos serviços eleitorais.</p><p>• Não sendo cogitada a ocorrência de ilícito penal eleitoral a ser</p><p>apurado, os autos deverão ser arquivados na zona eleitoral onde o</p><p>eleitor possui inscrição regular.</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>• Manifestando-se o Ministério Público Eleitoral pela existência de</p><p>indício de ilícito penal eleitoral a ser apurado, o processo deverá ser</p><p>remetido à Polícia Federal – autoridade competente para investigação</p><p>de crimes eleitorais – para instauração de inquérito policial.</p><p>• O Código Eleitoral prevê, em seu art. 71, que o eleitor que deixar de votar</p><p>em três eleições consecutivas terá a sua inscrição eleitoral cancelada.</p><p>Trata-se de hipótese de cancelamento que tem a finalidade de manter</p><p>atualizado o cadastro de eleitores da Justiça Eleitoral.</p><p>• Essa hipótese de cancelamento não se aplica às inscrições atribuídas a</p><p>eleitores cujo exercício do voto, por prerrogativa constitucional, é</p><p>facultativo.</p><p>• A revisão eleitoral é o procedimento administrativo pelo qual se verifica se</p><p>os eleitores que figuram no cadastro eleitoral de determinada zona ou</p><p>município encontram-se efetivamente nele domiciliados e se seus títulos</p><p>são regulares. Ela tem por principal objetivo manter a atualidade do</p><p>alistamento eleitoral, tal como exigido pela própria Constituição. (STF,</p><p>ADPF n. 541, rel. Min. Luis Roberto Barroso, DJe de 31/5/2019).</p><p>• As revisões de eleitorado são iniciadas: de ofício, por determinação do</p><p>TSE, preenchidas determinadas condições; ou mediante provocação,</p><p>por meio de denúncia ao TRE.</p><p>• A revisão de eleitorado de ofício somente pode ser determinada pelo TSE,</p><p>observada a conveniência e a disponibilidade de recursos, e desde que</p><p>preenchidos os seguintes requisitos estabelecidos no art. 92 da Lei nº</p><p>9.504/1997: a) quando o total de transferência de eleitores ocorridas</p><p>no ano em curso seja 10% superior ao do ano anterior; b) quando o</p><p>eleitorado for superior ao dobro da população entre 10 e 15 anos,</p><p>somada à de idade superior a 70 anos do território do Município. Para</p><p>Siga-nos no insta: @prof.wesleimachado</p><p>aplicação dessa disposição, deve-se pegar o número de pessoas que</p><p>possuam entre 10 e 15 anos de idade e somar ao número de pessoas</p><p>que possuam mais de 70 anos de idade. Se o número de eleitores for</p><p>maior que o dobro dessa soma, faz-se revisão de eleitorado de ofício;</p><p>e c) quando o eleitorado for superior a 65% da população projetada</p><p>para aquele ano pelo IBGE (art. 92, III, da Lei n. 9504/1997).</p><p>• Não será realizada revisão de eleitorado (art. 107 da Res.-TSE n.</p><p>23.659/2021): I – em ano eleitoral, salvo se iniciado o procedimento</p><p>revisional no ano anterior ou se, verificada situação excepcional, o</p><p>Tribunal Superior Eleitoral autorizar que a ele se dê início; e II – que</p><p>abranja apenas parcialmente o</p><p>território do município, ainda que seja</p><p>este dividido em mais de uma zona eleitoral.</p><p>• A correição de eleitorado poderá ser determinada, observada a</p><p>conveniência e a disponibilidade de recursos: I – pela Corregedoria-</p><p>Geral Eleitoral, quando: a) o total de transferências ocorridas no ano</p><p>em curso seja 10% superior ao do ano anterior; b) o eleitorado for</p><p>superior ao dobro da população entre dez e quinze anos, somada à</p><p>de idade superior a setenta anos do território daquele município; c) o</p><p>eleitorado for superior a 65% e menor ou igual a 80% da população</p><p>projetada para aquele ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e</p><p>Estatística (IBGE); II – pela corregedoria regional, quando houver</p><p>indícios consistentes ou denúncia fundamentada de fraude ou outras</p><p>irregularidades no alistamento em zona ou município.</p>