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<p>PENSAMENTO CIENTÍFICO</p><p>Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>UNIDADE 1,</p><p>SEÇÃO 1</p><p>CONHECENDO A DISCIPLINA</p><p>A disciplina de Pensamento Científico tem como objetivo proporcionar maior facilidade de</p><p>compreensão da importância do conhecimento no mundo real, tanto na solução de problemas teóricos</p><p>como práticos, favorecendo a identificação dos diversos tipos de conhecimentos, distinguindo suas</p><p>principais particularidades e, principalmente, identificando seus limites para a solução de problemas</p><p>cotidianos.</p><p>Ao longo da disciplina, com base em exemplos objetivos, exploraremos as distinções entre o</p><p>conhecimento vulgar e o científico, desconstruindo mitos popularmente aceitos sobre suas</p><p>aplicabilidades e enfatizando seus desafios no mundo globalizado.</p><p>Examinaremos também os diversos tipos de conhecimentos filosóficos existentes frequentemente</p><p>associados com o científico, destacando seus aspectos valiosos e suas dificuldades que se refletem no</p><p>estabelecimento de uma aceitação universal por parte de pesquisadores acadêmicos no campo da</p><p>ciência e da filosofia.</p><p>Finalmente, avaliaremos a relação entre o conhecimento filosófico e o religioso, com o objetivo de</p><p>proporcionar clareza e entendimento profundo das consequências da aplicabilidade desses</p><p>conhecimentos na realidade.</p><p>O estudo desta disciplina favorecerá a fomentação de uma cultura intelectual mais sofisticada,</p><p>contribuindo para melhores tomadas de decisão frente aos desafios globais, sobretudo na problemática</p><p>da mudança climática e da saúde pública, e ajudando na resolução dos problemas pertinentes à vida</p><p>cotidiana.</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>QUAL A DIFERENÇA ENTRE O SENSO</p><p>COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO?</p><p>Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>CONVITE AO ESTUDO</p><p>Caro aluno,</p><p>Observe o quanto o mundo real é baseado em dois principais pilares: ciência e tecnologia. Hoje, mais</p><p>do que em outras épocas, a relação desses dois campos proporcionou inovação global e facilidade de</p><p>acesso à informação.</p><p>A inovação contribuiu para o rápido progresso tecnológico da sociedade, principalmente com a</p><p>automatização provocada pelo uso de Inteligência Artificial, e o acesso à informação aumentou com a</p><p>ascensão da Internet. Os mecanismos de buscas das grandes empresas, como o Google e o Bing,</p><p>unificaram esses dois elementos e, com base em algoritmos cada vez mais refinados, proporcionaram a</p><p>emergência de anúncios e resultados de buscas cada vez mais personalizados de acordo com os dados</p><p>de acessos dos usuários. No entanto, o rápido progresso tecnológico não preparou cognitivamente a</p><p>população para a avaliação crítica das informações recebidas nos meios digitais com acesso à Internet.</p><p>Atualmente, em todo o mundo, enfrentamos o problema da fake news, que é um conceito em inglês</p><p>para designar notícia falsa. A fake news atinge todos os setores da atividade humana, trazendo sempre</p><p>algum dano real, como a consequência dos boatos do movimento antivacina, que contribuíram para</p><p>que doenças até então erradicas no Brasil, como a febre amarela, voltassem à tona.</p><p>A fake news se aproveita da falta de entendimento do grande público sobre o que é conhecimento e</p><p>como avaliá-lo. Dessa forma, o indivíduo-alvo acaba não tendo o fundamento e as ferramentas</p><p>necessárias para identificar o quão real é a informação recebida.</p><p>Ao decorrer do livro, você será capaz não apenas de entender os diversos tipos de conhecimentos, mas</p><p>também de identificar um tipo peculiar de crença psicológica que finge ser científica, geralmente</p><p>sustentando narrativas fantasiosas ou sensacionalistas.</p><p>O resultado será a compreensão da atividade científica, da importância de sua aplicação na vida</p><p>cotidiana e do impacto que o falso conhecimento, elemento de estrutura das fake news, provoca na</p><p>sociedade contemporânea.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Você já precisou procurar alguma informação para a realização de um trabalho? É muito provável que</p><p>sim. Qual o principal meio de busca para encontrar a resposta que você precisa? Provavelmente, você</p><p>responderá Google, Bing ou algum outro site de pesquisas online. Diferentemente, nas gerações</p><p>anteriores ao surgimento e popularização da Internet, as buscas eram realizadas através de bibliotecas,</p><p>livros, sumarizações e enciclopédias.</p><p>A Era da Informação trouxe uma enorme facilidade, no sentido de praticidade, do encontro de</p><p>informações. No entanto, com o excesso de informações, é possível que não tenhamos acesso a algo</p><p>verídico. Portanto, será necessário questionar: “As primeiras respostas do Google realmente são o</p><p>conhecimento mais coerente frente à realidade?”</p><p>Com o advento do mundo contemporâneo, o indivíduo que tem um conhecimento sólido em sua</p><p>prática profissional é muito valorizado, mesmo sendo preciso que ele esteja disponível para aprender e</p><p>atualizar sua formação profissional, exigindo cada vez mais uma busca por conhecimentos mais</p><p>avançados em sua área de atuação.</p><p>Pensar cientificamente é uma ótima maneira para garantir uma progressão de aprendizado,</p><p>autocorreção e adaptação conforme a necessidade. Sendo assim, o profissional cientificamente</p><p>orientado pensará nos meios de maximizar sua produtividade, levando em conta os impactos que o</p><p>trabalho excessivo poderia causar em seu estado de saúde e, ao mesmo tempo, proporcionando maior</p><p>capacidade de gestão na organização de tarefas em equipe.</p><p>Em uma sala de aula, quatro estudantes são desafiados pelo professor de Filosofia a responderem a três</p><p>questões, que são recorrentes ao longo da história da humanidade.</p><p>1. De onde viemos?</p><p>2. Para onde vamos após a morte?</p><p>3. Por que estamos aqui?</p><p>Cada aluno, em seu modus operandi, adota uma postura diferente em relação às respostas. Um vê o</p><p>mundo a partir do (A) conhecimento científico; outro, do (B) religioso; o seguinte, do (C) filosófico e,</p><p>por fim, o último, através do (D) senso comum. Diante dessa situação, a resposta de cada um é:</p><p>Aluno A: Tudo se iniciou no Big Bang, e através de um processo de evolução por meio da seleção</p><p>natural. Após a morte, nossa consciência não mais existe. Não há nenhum propósito especial, com base</p><p>no que conhecemos através da ciência.</p><p>Aluno B: Deus criou o Céu e a Terra tal qual está escrito na Bíblia. Para o paraíso ou inferno. Para</p><p>atender aos desígnios de Deus.</p><p>Aluno C: Qual é a origem do Universo? Qual é a melhor teoria científica? Podemos advogar pela</p><p>defesa do Big Bang? É necessário submeter ao escrutínio da filosofia analítica a análise semântica das</p><p>teorias científicas. Do mesmo modo, é necessário clarificar o conceito de morte, olhando pelas</p><p>implicações do conhecimento científico. Essa pergunta traz problemas de ordem metafísica, portanto, é</p><p>necessário analisar o significado do conceito de propósito.</p><p>Aluno D: Depende do contexto. Um indiano, provavelmente, responderia com base em suas crenças</p><p>culturais regionais, manifestando explicações de caráter hinduísta. Se fosse um japonês, provavelmente</p><p>advogaria pelo zen budismo. Um brasileiro responderia conforme as crenças compartilhadas de sua</p><p>região, por exemplo, existem regiões no Brasil onde há prevalência de mitos da origem da vida e do</p><p>universo que têm uma relação intrínseca com crenças religiosas africanas, enquanto outras são</p><p>fortemente influenciadas pelo catolicismo europeu. Nesse sentido, como foi explicado no texto, o</p><p>conhecimento popular absorve sempre aspectos de outros conhecimentos quando incorporados</p><p>fortemente pela cultura.</p><p>Nessa interação, percebemos que cada aluno apresenta sua perspectiva pessoal frente às três grandes</p><p>questões. Assim, recomenda-se instigá-los sobre as possíveis consequências das adoções de certos</p><p>tipos de conhecimento e crenças para os desafios de sua vida diária e do mundo contemporâneo,</p><p>tratando de fazê-los responder qual o melhor tipo de conhecimento para uma situação específica e</p><p>como conciliá-lo com outros. Por exemplo, como a adoção de uma</p><p>questionador frente a uma</p><p>gama de hipóteses sobre o mundo.</p><p>Devido à natureza peculiar do conhecimento científico, suas diversas características revelam o porquê</p><p>de ele poder ser considerado como um tipo de conhecimento mais profundo, verdadeiro e confiável.</p><p>Embora muitos argumentem que o aspecto autocorretivo seja uma sentença de risco, o que levaria a</p><p>duvidarmos cada vez mais do nível de verdade e profundidade desse tipo de conhecimento, ignora-se</p><p>que a requerida compatibilidade das teorias com as evidências é o que aproxima a ciência da descrição</p><p>mais precisa o possível da realidade.</p><p>FAÇA VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>O ceticismo científico é uma das características fundamentais da ciência e de toda a atividade</p><p>intelectual. O astrônomo e divulgador científico Carl Sagan escreveu uma obra chamada O Mundo</p><p>Assombrado Pelos Demônios (2006), em que ele descreve exemplos de aplicação do ceticismo</p><p>científico na vida cotidiana. O ceticismo, argumenta Sagan, é uma ferramenta indispensável para não</p><p>deixar enganar a nós mesmos.</p><p>Qual é a definição de ceticismo científico?</p><p>a. Uma abordagem filosófica que adota a suspensão de juízo pela impossibilidade de provar</p><p>algum fenômeno.</p><p>b. Uma abordagem niilista que considera a ciência isenta de valores.</p><p>c. A negação absoluta do conhecimento científico.</p><p>d. Uma abordagem que consiste na dúvida metódica ou razoável aplicada a situações e</p><p>afirmações destituídas de boas evidências.</p><p>Correto!</p><p>O ceticismo científico é uma posição moderada que foi defendida pelo filósofo Paul Kurtz e pelo</p><p>astrônomo e divulgador científico Carl Sagan. Esse tipo de ceticismo é aplicado como uma abordagem</p><p>metodológica para avaliar afirmações e hipóteses acerca das quais não existem evidências</p><p>suficientemente fortes para apoiá-las. O ceticismo científico também pode ser aplicado em situações da</p><p>vida cotidiana, como quando compramos um objeto usado e perguntamos sobre suas reais condições.</p><p>Ele pode, ainda, ser aplicado no âmbito coletivo da investigação científica, quando uma hipótese é</p><p>levada à crítica responsável da comunidade científica – por exemplo, quando os cientistas analisam os</p><p>principais problemas de uma determinada hipótese e a qualidade de sua evidência para apoiá-la ou</p><p>refutá-la. Sem ceticismo, o dogmatismo reinaria não apenas na ciência, mas em toda atividade</p><p>intelectual.</p><p>e. A crença religiosa no poder da ciência.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-1%20.item-5</p><p>Questão 2</p><p>A verificabilidade é a noção que advoga a preocupação com o teste experimental. No entanto, essa</p><p>posição não pode ser confundida com o verificacionismo do Círculo de Viena e nem com o</p><p>falseacionismo do filósofo da ciência Karl Popper.</p><p>O que significa verificacionismo?</p><p>a. Um critério de demarcação entre ciência e pseudociência.</p><p>b. Um critério para verificar através da observação se certos enunciados são significativos.</p><p>Correto!</p><p>O verificacionismo é a tese filosófica do lógico Rudolf Carnap, que era membro do Círculo de Viena</p><p>do positivismo lógico. Essa tese assume que uma proposição tem sentido se, e somente se, existir uma</p><p>circunstância que permita sua verificação. Se não existir, a proposição não faria outra coisa senão</p><p>trazer pseudoproblemas. Nos anos 1930, essa tese foi duramente criticada pelo filósofo da ciência Karl</p><p>Popper. Em comparação com o verificacionismo, a tese falseacionista de Popper assume um critério</p><p>exclusivo para hipóteses e teorias que pretendem ser científicas. Segundo Popper, uma teoria é</p><p>científica se, e somente se, existir uma circunstância que permita sua refutação. Se não existir, a teoria</p><p>não pode ser considerada científica.</p><p>c. Um critério ético para a ciência.</p><p>d. Um axioma matemático.</p><p>e. Uma lógica não clássica.</p><p>Questão 3</p><p>A lógica é uma ciência formal, embora possa ser aplicada na ciência fática com o objetivo de</p><p>proporcionar melhor clareza e objetividade para os enunciados científicos. Seu uso evita a</p><p>ambiguidade da linguagem ordinária, facilita o entendimento conceitual e impede a contradição no</p><p>conhecimento científico. A dialética, por outro lado, tolera contradições e ambiguidades da linguagem</p><p>ordinária. No entanto, ela ainda é considerada por muitos como uma ferramenta essencial para a</p><p>ciência, os quais acabam ignorando suas implicações com o Princípio da Não Contradição de</p><p>Aristóteles e defendendo que ela serve como uma técnica de comparabilidade entre ideias</p><p>aparentemente distintas, a partir da qual, de alguma forma, seria possível a extração de uma nova ideia</p><p>ou hipótese.</p><p>Historicamente, qual pensador é considerado o pai da dialética?</p><p>a. Friedrich Hegel.</p><p>b. Friedrich Nietzsche.</p><p>c. Martin Heidegger.</p><p>d. Aristóteles.</p><p>e. Heráclito.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-2%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s2.html#accordion-3%20.item-5</p><p>Correto!</p><p>O filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso (500 a.C.-450 a.C.) é considerado o pai da dialética. Ele é</p><p>conhecido por formular algumas noções que são preservadas ainda hoje em versões mais</p><p>contemporâneas da dialética, como o Princípio da Unidade dos Contrários e o Princípio de</p><p>Mutabilidade dos fenômenos da realidade. O primeiro princípio defende que todo ente possui uma</p><p>contraparte (por exemplo, partícula e antipartícula), enquanto o segundo assume que a realidade em</p><p>todos os seus níveis está em constante movimento (como o fluxo de corrente de ar ou água do mar).</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BUNGE, M. La Ciencia, su Método y su Filosofía. [S.l.]: Editora Sudamericana, 2014.</p><p>CARNAP, R. The Logical Structure of the World and Pseudoproblems in Philosophy. [S.l.]:</p><p>Editora Open Court, 2003.</p><p>MARCONDES, D. Textos Básicos de Filosofia e História das Ciências: a revolução científica. [S.l.]:</p><p>Editora Zahar, 2016.</p><p>POPPER, K. A Lógica da Pesquisa Científica. 2. ed. [S.l.]: Editora Cultrix, 2013.</p><p>SAGAN, C. O Mundo Assombrado Pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. [S.l.]:</p><p>Editora Companhia de Bolso, 2006.</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DO</p><p>CONHECIMENTO CIENTÍFICO?</p><p>Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>Para resolver o problema, é necessário pensar nas circunstâncias sociais que moldam a administração e</p><p>gestão universitária.</p><p>Desse modo, pode-se concluir que a pseudociência mantém algum nível de prestígio e lugar na</p><p>universidade, não por razões teóricas ou níveis de verdade, mas simplesmente pela pressão social</p><p>exercida pelos próprios praticantes da disciplina, de modo que a simples existência de grupos</p><p>fechados, onde apenas profissionais certificados da área sejam tolerados, contribui para o impedimento</p><p>da livre circulação de ideias sobre os problemas que o campo enfrenta.</p><p>Ao impedir que profissionais de outros campos relacionados tenham direito ao debate, como</p><p>psicólogos experimentais, neurocientistas cognitivos e biólogos evolutivos, revela-se o indicador de</p><p>dogmatismo, que está presente em qualquer pseudociência e visa impedir o fomento da crítica</p><p>científica responsável com o objetivo não apenas de análise dos problemas de um campo, mas também</p><p>de procurar ajustar suas hipóteses aos melhores dados disponíveis da investigação comportamental.</p><p>Revelados seus aspectos opostos ao do conhecimento científico, justifica-se que um campo ou</p><p>disciplina não se constitui de um saber científico autêntico. Então, é necessário também procurar saber</p><p>as motivações que os envolvidos na prática teriam apenas para manter o ensino de psicanálise em</p><p>instituições de educação, como a questão da remuneração excessiva envolvida e a reputação da qual</p><p>gozam em certos setores universitários e da grande mídia.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>ANÁLISE DA SUPOSTA REIVINDICAÇÃO CIENTÍFICA POR COACHES</p><p>O mundo empresarial está repleto de “choaches profissionais”, que são sujeitos que alegam dedicar-se</p><p>ao desenvolvimento cognitivo, comportamental e organizacional da classe trabalhadora por meio de</p><p>técnicas que devem ser aplicadas diariamente para maximizar a capacidade de trabalho. O coaching,</p><p>porém, não é uma profissão regulamentada e, constantemente, choca-se com o mesmo tipo de</p><p>problema que é tratado por profissionais certificados, como psicólogos, psiquiatras, técnicos de</p><p>administração e de gestão de empresas. Os coaches, de forma rotineira, fazem uso do jargão científico,</p><p>alguns reivindicam até que suas ideias são compatíveis com a física quântica, com o objetivo de</p><p>enfatizarem que suas técnicas possuem respaldo da ciência. Com base no que você aprendeu ao longo</p><p>do livro, como alguém poderia saber se as reivindicações dos coaches são realmente baseadas em</p><p>evidência?</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>O primeiro indicativo de que o coaching não é baseado em evidência é a falta de regulamentação</p><p>profissional para um campo que reivindica técnicas para a saúde mental, a segurança e a gestão no</p><p>trabalho.</p><p>O segundo indicativo é o excesso de autodenominados coaches que alegam possuir técnicas próprias</p><p>e/ou originais baseadas em ciência, porque uma técnica testada não é um produto “original”. Uma</p><p>técnica baseada em ciência geralmente é aperfeiçoada ao longo do tempo, por mais de uma pessoa, de</p><p>modo que sua originalidade individual é extirpada pelo enriquecimento da contribuição coletiva da</p><p>ciência. No entanto, os coaches não alegam que sua técnica foi produto de estudo colaborativo da</p><p>ciência, embora reivindiquem o status de cientificidade.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u1s2.html#resolucao%20.item-1</p><p>O terceiro indicativo é a busca por papers, ou seja, artigos científicos que são publicados em revistas</p><p>acadêmicas especializadas. Esses papers passam por um processo de revisão por pares, que é</p><p>basicamente um processo de crítica responsável feita por pesquisadores independentes para avaliar a</p><p>consistência dos dados com a hipótese proposta e procurar possíveis indicações de fraudes e/ou falhas</p><p>metodológicas ao longo da estrutura do trabalho submetido. Se o coaching, por exemplo, não tem</p><p>trabalhos publicados em revistas especializadas com alto fator de impacto, confirmando assim suas</p><p>principais hipóteses, então o campo é qualquer coisa, exceto ciência e técnica baseada em evidência.</p><p>O quarto indicativo é o apelo à física quântica, uma falácia lógica contemporânea, que consiste em</p><p>reivindicar a autoridade da teoria quântica para supostamente embasar alguma afirmação</p><p>extraordinária. Pelo fato de a física quântica possuir uma matemática complexa, ela geralmente acaba</p><p>sendo mal compreendida pelo público leigo, de modo que hoje coaches e outros pseudocientistas a</p><p>invocam para explicar qualquer coisa sobre o mundo. A física quântica, no entanto, não lida</p><p>diretamente com aspectos comportamentais dos seres humanos e nem endossa qualquer alegação de</p><p>autoajuda individual e empresarial. Ela também não diz nada sobre o pensamento alterar a realidade.</p><p>Normalmente, a física quântica lida com o estudo de objetos pequenos, como campos e partículas</p><p>elementares, bem como algumas de suas aplicações para estudar fenômenos biológicos (como a</p><p>bússola magnética dos pássaros) e químicos. Essas concepções equivocadas da teoria quântica surgem</p><p>de uma confusão envolvendo o conceito de observador (uma noção propagada pelo documentário</p><p>pseudocientífico Quem Somos Nós, de 2004), que, contrariamente à crença popular e ao significado da</p><p>linguagem ordinária, não significa consciência, pensamento ou seres humanos, mas, sim, instrumento</p><p>de medida – ou seja, o aparato técnico que faz a medição da partícula. Então, quando um suposto</p><p>profissional diz que a física quântica explica o comportamento, a sociedade, a mente, ou que ela alega</p><p>que o pensamento pode mudar realidade, significa que essa pessoa não entende de física quântica ou</p><p>está sendo bem mal-intencionada para vender alguma receita milagrosa e, consequentemente, falsa.</p><p>Por conta desses indicativos, é razoável supor, com um grande nível de certeza, que a disciplina</p><p>reivindicada, como o coaching (autoajuda empresarial), constitui um exemplo de campo não baseado</p><p>em evidência. Mais ainda, em razão de o campo apelar à ciência para justificar suas alegações que</p><p>carecem de evidências (ou simplesmente são falsas), é seguro sentenciar que o coaching constitui um</p><p>exemplo de pseudociência.</p><p>SEÇÃO 3</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>COMO AGIR COM ÉTICA NA PESQUISA</p><p>CIENTÍFICA?</p><p>Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Provavelmente, em algum momento de sua vida, você já pensou sobre as possíveis consequências</p><p>éticas do uso de animais na pesquisa científica, ou mesmo sobre os experimentos nazistas com</p><p>humanos. Com base nesses exemplos, é possível que você tenha considerado que a ciência poderia</p><p>estar isenta de princípios éticos, ao menos é o que algumas pessoas defendem.</p><p>No entanto, será que a ciência é um “tudo vale”, em que reflexões sobre a ética e a saúde dos</p><p>indivíduos ou animais de laboratórios não são consideradas? Será que a ética representa um empecilho</p><p>para o desenvolvimento pleno da ciência? Até que ponto devemos estar cientes da importância dos</p><p>postulados éticos que norteiam a pesquisa científica?</p><p>Na corrida não apenas por um entendimento profundo sobre doenças emergentes, mas também pelo</p><p>desenvolvimento de medicamentos e vacinas, certos protocolos éticos desempenham sua importância</p><p>na investigação científica. Além disso, a ética, enquanto campo de investigação, tem conseguido</p><p>acompanhar a ciência com o objetivo de enriquecê-la ao estudar seus potenciais problemas éticos.</p><p>Com base no estudo recíproco entre ciência e ética, alternativas cada vez mais humanísticas para o</p><p>estudo em laboratório têm sido apresentadas, com o objetivo de evitar o uso e o teste desenfreados com</p><p>animais. Mesmo o campo da tecnologia, que mantém uma relação bilateral com a ciência, também tem</p><p>levado em consideração o raciocínio ético, principalmente ao pensar nas possíveis consequências sobre</p><p>o desenvolvimento de armas e robôs automatizados em um contexto de guerra.</p><p>Aqui, convido você a concentrar-se nos fundamentos éticos da pesquisa científica, analisando seus</p><p>possíveis impactos e benefícios no desenvolvimento da ciência.</p><p>Um grupo de cientistas quer investigar o cérebro humano e, para isso, eles lançam uma ficha de</p><p>inscrição solicitando voluntários para sua pesquisa. A pesquisa é apresentada como tendo grande</p><p>potencial para a área da saúde, com o objetivo de testar um futuro medicamento para a doença de</p><p>Alzheimer. No entanto, a ficha de inscrição não diz nada sobre os possíveis riscos aos voluntários ao</p><p>serem submetidos ao teste experimental. Em resumo, não há avaliação dos riscos sendo apresentada</p><p>para os voluntários.</p><p>Mesmo na ausência de protocolos de riscos, diversos voluntários assinam a ficha de inscrição com o</p><p>objetivo de contribuírem para a ciência. Então, o grupo de cientistas inicia sua pesquisa</p><p>neurocientífica.</p><p>No experimento, os cientistas dividem seus voluntários em dois grupos: o grupo A e o grupo B. O</p><p>grupo A recebe uma droga com potencial de reparar danos nas células cerebrais e maximizar a</p><p>memória, enquanto o grupo B recebe placebo. Quem está incumbida de ministrar os comprimidos é</p><p>uma enfermeira voluntária.</p><p>No decorrer do experimento, o grupo A começa a relatar cefaleia, náuseas, vômitos, diarreias e perda</p><p>de apetite. O grupo B, no entanto, relata apenas uma sensação de relaxamento. Então, após os</p><p>cientistas decidirem dosar uma segunda leva de comprimidos, ocorre a morte de um voluntário no</p><p>grupo A.</p><p>O grupo de cientistas, então, decide que o experimento deve ser encerrado, por conta da morte e dos</p><p>efeitos graves provocados pela ingestão da substância.</p><p>acordo com a situação-problema, quais foram as violações éticas que o grupo de cientistas cometeu e</p><p>que contribuíram para o fracasso do experimento científico?</p><p>O progresso científico, guiado pelos princípios morais delineados nos demais mandamentos, é a</p><p>condição indispensável do progresso humano e das liberdades individuais e por isso ele não será</p><p>jamais obstado por qualquer princípio religioso, por relativismos culturais ou particularismos sociais</p><p>que possam existir."</p><p>Richard Dawkins.</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>A ÉTICA NA PESQUISA CIENTÍFICA: A QUESTÃO DOS VOLUNTÁRIOS</p><p>A ética é um campo de conhecimento filosófico que estuda os princípios éticos. No entanto, existe</p><p>também uma ética científica, que é o enfoque multidisciplinar que, em conjunto com a ciência, busca</p><p>avaliar a plausibilidade da adoção de certos princípios éticos e normas sociais. No geral, esse campo</p><p>pode ser visto como o estudo do comportamento moral com base na antropologia, na psicologia, na</p><p>sociologia e na história, tratando de abordar o surgimento, a manutenção, a reforma e o declínio das</p><p>normas sociais, enquanto a ética filosófica analisa conceitos éticos, como altruísmo, bondade e</p><p>cooperação, bem como filosofias éticas ou simplesmente preceitos morais, ou seja, ações justificadas</p><p>por princípios éticos filosóficos que podem ser benéficas ou nocivas para outras pessoas.</p><p>A ética também estuda a ciência – especialmente, as normas éticas que vigoram na comunidade</p><p>científica. Ela estuda ainda o impacto ético de certos estudos que são feitos com animais e humanos.</p><p>Além disso, a ética está interessada no comportamento inadequado durante o desenvolvimento de uma</p><p>pesquisa – principalmente, na motivação do cientista em fraudar resultados. De fato, a ética é uma</p><p>disciplina abrangente por conta de sua ampla gama de problemas estudáveis, sobretudo da ciência.</p><p>Entre os diversos problemas éticos que advém da atividade científica, três merecem atenção: a questão</p><p>do consentimento dos voluntários para o desenvolvimento de uma pesquisa, o problema da</p><p>preservação de identidade e integridade e, por último, a relação entre voluntários e pesquisadores no</p><p>decorrer da investigação científica.</p><p>O primeiro problema ético, que envolve a questão do consentimento dos voluntários, refere-se à</p><p>autorização prévia de uso de certos dados dos participantes na pesquisa científica. De outro modo, uma</p><p>pesquisa que utiliza de forma indevida dados de seus voluntários sem o consentimento necessário está</p><p>violando princípios éticos e, consequentemente, prejudicando a qualidade da pesquisa.</p><p>O segundo problema ético, referente à preservação de identidade e integridade, refere-se à proteção de</p><p>informações sensíveis dos participantes de um estudo experimental. Também se refere ao princípio de</p><p>que os participantes devem estar cientes dos riscos envolvidos no teste experimental do qual serão</p><p>voluntários – nesse caso, é importante deixar claros os possíveis riscos trazidos aos voluntários ao se</p><p>submeterem ao experimento.</p><p>O terceiro problema ético envolve a relação entre voluntários e pesquisadores. Nesse sentido, o</p><p>problema mais evidente é a possível manipulação do comportamento dos voluntários de acordo com a</p><p>intenção do cientista de obter um resultado específico em um estudo clínico. Por exemplo, um</p><p>voluntário poderia agir de acordo com as expectativas do pesquisador ao ser submetido a um teste</p><p>clínico para investigar a eficácia de algum fármaco – o que, consequentemente, enviesaria os</p><p>resultados, prejudicando a qualidade da evidência. O voluntário poderia dizer que, ao ingerir o fármaco</p><p>testado, ele conseguiu obter os melhores benefícios à saúde, mesmo que o relato, de fato, não proceda.</p><p>Portanto, durante a condução de testes clínicos, principalmente no âmbito da saúde, é necessário que</p><p>os voluntários sejam selecionados de forma aleatória (randomizados), que exista uma amostragem</p><p>significativa para ser representativa e, mais ainda, que existam grupos de controle de placebo –</p><p>especialmente para identificar a possibilidade de o resultado obtido sobre a eficácia do fármaco ser</p><p>estatisticamente significativo quando comparado ao grupo que tomou placebo (por exemplo, uma</p><p>pílula de farinha que visivelmente parece ser o fármaco real, mas sem suas propriedades</p><p>farmacológicas).</p><p>ÉTICA COM OS DADOS DA PESQUISA</p><p>A ética também está relacionada à forma como o trabalho científico é produzido e apresentado na hora</p><p>da avaliação pelos pares, de modo que plágios, manipulações de dados estatísticos e falsificações não</p><p>são tolerados quando descobertos pelos revisores. Na pseudociência, acontece o contrário:</p><p>a</p><p>manipulação e falsificação de dados é sempre tolerada em nome do convencimento público em favor</p><p>de uma hipótese. Por exemplo, o caso envolvendo o hoteleiro Erich von Däniken, autor do livro Eram</p><p>os Deuses Astronautas? (2018), que falsificou dados para apoiar a sua reivindicação de que os</p><p>alienígenas teriam visitado a Terra no passado e ajudado as civilizações antigas a construírem artefatos</p><p>megalíticos; e o caso relatado pelo crítico literário Frederick Crews, em seu livro Freud: The Making of</p><p>an Illusion (2017), que expõe diversas fraudes cometidas pelo médico e neurologista Sigmund Freud</p><p>no decorrer da história da psicanálise – especialmente, quando Freud mentiu sobre os benefícios da</p><p>cocaína em pacientes viciados em morfina, ou quando se apropriou dos escritos de outros autores que</p><p>já haviam produzido trabalhos sobre o inconsciente e quando reforçou, sem qualquer evidência, a</p><p>histeria como um comportamento estereotipado do sexo feminino.</p><p>A parapsicologia é um excelente exemplo histórico que mostra como a ética pode ser vital para a</p><p>questão da validade de um campo de investigação, pois é uma disciplina que nasceu no século XIX</p><p>como sendo um exemplo de ciência, mas que caiu no esquecimento após um enriquecimento de seus</p><p>protocolos éticos de pesquisa. Basicamente, a parapsicologia nasceu com o objetivo de estudar o</p><p>suposto fenômeno paranormal, que era tratado como real pelos parapsicólogos. No entanto, com o</p><p>auxílio de mágicos e ilusionistas entre o final do século XIX e início do século XX, como o famoso</p><p>cético Harry Houdini, o fenômeno paranormal começou a ser identificado como meros truques de</p><p>ilusão, sendo apenas produtos de fraude intencional, nos quais os cientistas acreditavam porque não</p><p>estavam instruídos sobre seus pontos cegos. Com a orientação de Houdini e, muito mais tarde, de</p><p>outros mágicos que surgiram em meados dos anos 1980, como James Randi, os protocolos de pesquisa</p><p>científica de pesquisa parapsicológica começaram a ser projetados por ilusionistas e céticos</p><p>interessados nesse tipo de investigação. Após a implementação desses protocolos, seguida pela</p><p>constante revisão de estudos do campo da parapsicologia, absolutamente nenhuma evidência foi</p><p>encontrada a favor do suposto fenômeno paranormal. Desde então, estudos do campo da ética sobre a</p><p>pesquisa científica têm utilizado a parapsicologia como um expressivo exemplo de como fraudes e</p><p>manipulação de dados levam à degradação de um campo de investigação e à consequente classificação</p><p>de pseudociência, pois ainda que a hipótese do fenômeno paranormal nunca fosse confirmada</p><p>experimentalmente, os parapsicólogos, caso estivessem orientados pela ética em sua pesquisa,</p><p>poderiam realizar estudos investigando os fatores sociais que levariam as pessoas a acreditarem em</p><p>crenças paranormais ou espirituais, sem precisarem pressupor que elas são reais.</p><p>Na comunidade científica, esses exemplos de comportamentos antiéticos não são tolerados sob</p><p>nenhuma forma – por isso, nenhum astrônomo ou astrobiólogo responsável considera como plausível a</p><p>noção de que extraterrestres já visitaram a Terra; nenhum filósofo científico, psicólogo experimental</p><p>ou neurocientista cognitivo considera a psicanálise como um campo válido do conhecimento</p><p>científico; e, claro, nenhum físico ou psicólogo experimental considera a parapsicologia uma ciência.</p><p>Um trabalho científico orientado eticamente é original, com dados normalmente refletindo as</p><p>consequências reais do estudo. De fato, podem ocorrer casos em que os revisores independentes</p><p>encontram falhas, mas um cientista que preza pela ética buscará corrigir o trabalho que apresentar</p><p>problemas. Também é possível a violação dessas condutas éticas durante a investigação científica, mas</p><p>quando isso acontece, os pesquisadores são punidos, em vez de recompensados – por exemplo, na</p><p>pseudociência, como nos casos de Däniken e de Freud, eles são considerados revolucionários, em vez</p><p>de charlatões, pelo grande público.</p><p>ASSIMILE</p><p>1. A ética é um campo de investigação filosófico que pode usar os dados da ciência para</p><p>avaliar princípios éticos ou normas sociais.</p><p>2. A ética também é um princípio filosófico que norteia a pesquisa científica, de modo</p><p>que não é possível a existência da ciência sem princípios éticos ou normas sociais</p><p>(como o ethos da ciência clarificado pelo sociólogo da ciência Robert K. Merton).</p><p>3. Apenas a pseudociência negligencia os princípios éticos, de modo que a trapaça é</p><p>considerada válida para moldar a crença ou opinião de algum indivíduo.</p><p>ÉTICA COM O RIGOR CIENTÍFICO</p><p>A atitude ética na investigação científica representa o cuidado que os pesquisadores devem ter ao</p><p>elaborarem seus projetos de pesquisa, pois existem órgãos reguladores que avaliam as consequências</p><p>sobre certos tipos de estudos que usam animais e humanos – por exemplo, estudos com impactos</p><p>nocivos à saúde dos indivíduos geralmente não são aprovados, especialmente por conta de</p><p>experiências relatadas anteriormente em investigações psicológicas, como o famoso experimento de</p><p>aprisionamento de Stanford, cujo objetivo era analisar o comportamento humano numa sociedade na</p><p>qual os indivíduos eram apenas definidos pelo grupo. Esse experimento teve que ser interrompido bem</p><p>antes de sua conclusão porque os voluntários começaram a usar formas de tratamento abusivas com</p><p>outros participantes, como violência física e verbal.</p><p>A orientação ética na pesquisa científica destaca que o cientista também deve ter cuidado durante a</p><p>coleta de dados, de modo a evitar possíveis contaminações e/ou enviesamento cognitivo, pois</p><p>poderiam prejudicar a qualidade do trabalho. Resultados obtidos de forma duvidosa levam ao</p><p>desperdício de recursos essenciais – às vezes, dinheiro público –, que poderiam ser usados em</p><p>pesquisas mais bem projetadas. Por essa mesma razão, a replicação de estudos é vista como uma tarefa</p><p>fundamental para identificar o risco de contaminação e enviesamento nos resultados de um estudo</p><p>individual.</p><p>Um cientista deve ser orientado pelos riscos que uma pesquisa malfeita pode trazer a longo prazo,</p><p>principalmente em uma sociedade com recursos escassos que esteja passando pelo enfrentamento de</p><p>crises econômicas ou pandemias. A ética revela o nível de responsabilidade do cientista com sua</p><p>produção intelectual, de modo que negligenciá-la só contribuirá para a justificação ideológica de corte</p><p>orçamentário da pesquisa científica – pelo menos, é o pretexto mais frequentemente utilizado por</p><p>governos anticientíficos, pois não enxergam a ciência como um investimento vital para o progresso</p><p>social, mas como um gasto desnecessário, sob a desculpa do suposto excesso de fraudes, vieses</p><p>cognitivos e erros ao longo da história da ciência.</p><p>REFLITA</p><p>1. Qual lição podemos aprender ao adotarmos princípios éticos na elaboração das</p><p>pesquisas científicas?</p><p>2. Como a ciência pode contribuir com a ética?</p><p>3. Por que a rejeição dos princípios éticos leva ao florescimento da pseudociência?</p><p>INSTÂNCIAS ÉTICAS</p><p>Quando um cientista é denunciado por fraude, uma comissão de ética pode ser convocada para analisar</p><p>o caso, podendo ocorrer até a perda da titulação acadêmica do pesquisador. Em outras situações,</p><p>dependendo do nível da ocorrência, a retratação pública do próprio cientista pode ser vista como</p><p>suficiente em um caso não intencional de erro na elaboração de sua pesquisa.</p><p>Órgãos regulatórios também contribuem para analisar de que forma os animais usados em</p><p>experimentos estão sendo tratados, de modo que a violência e o sofrimento não são toleráveis no ato da</p><p>pesquisa científica. A violação das normas éticas de proteção animal pode levar ao encerramento</p><p>imediato da investigação científica e o autor poderá responder a processo por conta dessa violação –</p><p>além, é claro, do possível impedimento no exercício de futuras pesquisas experimentais.</p><p>Finalmente, os cientistas adotam tacitamente um conjunto de princípios éticos em comunidade,</p><p>também chamados de ethos da ciência – primeiramente percebido e estudado pelo sociólogo da ciência</p><p>Robert K. Merton –, que consistem em universalidade, desinteresse, ceticismo coletivo, comunismo</p><p>epistêmico e originalidade. A universalidade se refere à ciência poder ser praticada por qualquer</p><p>pessoa, independentemente de sua etnia ou localização geográfica. O desinteresse se refere à</p><p>necessidade de os anseios coletivos estarem acima dos interesses individuais/privados. O ceticismo</p><p>coletivo (ou ceticismo científico) se refere à dúvida metódica, em que hipóteses e teorias são sujeitas à</p><p>crítica responsável pela comunidade científica. O comunismo epistêmico, que não tem nenhuma</p><p>relação com o conceito de comunismo político, refere-se à noção de que a ciência é uma propriedade</p><p>de todos, acessível a todos, independente da situação socioeconômica. Por último, mas não menos</p><p>importante, a originalidade se refere ao estimulo à produção de novas pesquisas e teorias.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>1. A ética orienta os cientistas na produção de pesquisas mais sofisticadas,</p><p>proporcionando o conhecimento dos impactos que afetariam sua qualidade.</p><p>2. A ética é um incentivo na busca pela verdade, porque contribui para a rejeição de</p><p>atitudes que possam levar ao comportamento fraudulento.</p><p>3. Existem órgãos e comissões de ética responsáveis por avaliar um projeto de pesquisa,</p><p>tendo a cautela de olhar para a questão do cuidado animal e humano na investigação</p><p>científica.</p><p>A ética é o princípio norteador da investigação científica, contribuindo não apenas para a elaboração</p><p>de pesquisas mais bem executadas, mas também para que os cientistas mantenham um elevado nível</p><p>de responsabilidade com seus projetos experimentais. Sem ética, a ciência não seria possível, pois a</p><p>preocupação coletiva com a saúde dos indivíduos, sobretudo dos voluntários de pesquisa, seria</p><p>substituída pelo interesse individual. O princípio ético humanista, cultivado nas ciências da saúde e na</p><p>prática da medicina, seria substituído pelo comercialismo. A preocupação com a verdade daria cada</p><p>vez mais espaço para a necessidade de ganho financeiro elevado. Portanto, uma disciplina ausente de</p><p>princípios éticos, principalmente em nível de comunidade, não pode ser considerada uma ciência, mas</p><p>uma pseudociência em sua mais pura essência.</p><p>FAÇA VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>A ética é um campo de investigação filosófico e, ao mesmo tempo, o princípio que norteia a atividade</p><p>científica. Ela contribui de diversas formas para o conhecimento científico e tecnológico e tem servido</p><p>como indicador em inúmeros trabalhos de filosofia da ciência para detectar produções de qualidade</p><p>altamente duvidosa e disciplinas com tendências pseudocientíficas. Inclusive, a ética já foi usada em</p><p>conjunto com procedimentos experimentais para avaliar os experimentos conduzidos por um campo</p><p>que nasceu como ciência, mas se tornou pseudociência.</p><p>Qual é o campo que nasceu como ciência e se tornou pseudociência com a aplicação de princípios</p><p>éticos na avaliação dos trabalhos experimentais?</p><p>a. Astronomia.</p><p>b. Psicologia.</p><p>c. Psicanálise.</p><p>d. Ufologia.</p><p>e. Parapsicologia.</p><p>Correto!</p><p>A parapsicologia nasceu como um campo científico no século XIX – especialmente, por conta da</p><p>emergência do espiritualismo francês na França e sua popularização em Londres, Inglaterra.</p><p>Inicialmente, as supostas demonstrações de fenômenos paranormais haviam convencido os diversos</p><p>cientistas. No entanto, com a contribuição de mágicos e ilusionistas, como Harry Houdini, a evidência</p><p>que confirmava o suposto fenômeno começou a ser vista como um mero produto de fraude ou engano</p><p>por parapsicólogos que queriam confirmar o paranormal a todo custo. Em meados do século XX, com</p><p>a contribuição do mágico James Randi e céticos norte-americanos, foram elaborados os primeiros</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-1%20.item-5</p><p>protocolos de pesquisas para o fenômeno paranormal. Desde então, a parapsicologia não produziu uma</p><p>única prova positiva a favor do fenômeno paranormal e tem sido amplamente considerada como um</p><p>exemplo de pseudociência. A partir desse momento, a parapsicologia começou a ser usada como uma</p><p>advertência do que ocorreria com a ciência caso ela fosse destituída de princípios éticos, como a</p><p>admissão de que os cientistas devem procurar a verdade e que existe a possibilidade de fraudes</p><p>comprometerem o trabalho científico.</p><p>Questão 2</p><p>O ethos da ciência é o conjunto de princípios éticos ou normas sociais que norteia toda a comunidade</p><p>científica. Esses princípios são conhecidos como Normas de Merton. No entanto, existem também as</p><p>chamadas contranormas, que são atitudes as quais não se esperam de uma comunidade científica.</p><p>Algumas dessas normas opostas às da ciência são facilmente identificáveis em exemplos de</p><p>pseudociência.</p><p>Quais são as contranormas identificadas pelo sociólogo da ciência Robert K. Merton?</p><p>a. Ceticismo, comunismo, desinteresse e originalidade.</p><p>b. Dogmatismo, isolamento, particularismo e desinteresse.</p><p>c. Dogmatismo, isolamento, particularismo e interesse.</p><p>Correto!</p><p>No livro Sociologia: Teoria e Estrutura (1968), o sociólogo da ciência Robert K. Merton, ao estudar as</p><p>normas sociais presentes na comunidade científica, identificou cerca de quatro princípios éticos, que</p><p>são ceticismo, comunismo, desinteresse e originalidade. No entanto, ele também identificou princípios</p><p>opostos que obstaculizam o progresso da ciência, as chamadas contra normas, que são dogmatismo,</p><p>isolamento, particularismo e interesse.</p><p>d. Ceticismo, socialismo, comunismo e desinteresse.</p><p>e. Dogmatismo, comunismo, ceticismo, individualismo.</p><p>Questão 3</p><p>Os princípios éticos norteiam não apenas a prática da atividade científica, mas também a atividade</p><p>médica, pois levam aos médicos e pesquisadores a reflexão sobre a importância de todos os envolvidos</p><p>numa pesquisa médica. O princípio ético humanista, por exemplo, enfatiza que a prática médica deve</p><p>ser vista como destituída de motivações financeiras, de modo que seu foco é centrado no bem-estar, e</p><p>não no lucro comercial.</p><p>Por que os princípios éticos são essenciais para a elaboração de experimentos nas ciências da saúde?</p><p>a. Os princípios éticos levantam preocupações legítimas sobre os potenciais riscos</p><p>envolvidos no quadro de saúde dos voluntários e auxiliam na informação prévia para</p><p>consentimento das pessoas que participarão dos experimentos como voluntárias.</p><p>Correto!</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-2%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>Os princípios éticos levantam preocupações sobre os riscos de saúde dos voluntários, bem como de</p><p>animais usados em experimentos laboratoriais, com o objetivo de evitar projetos experimentais</p><p>antiéticos que poderiam trazer danos físicos e psicológicos aos sujeitos envolvidos. Historicamente,</p><p>essas violações das normas éticas já ocorreram em experimentos nazistas e soviéticos.</p><p>b. Os princípios éticos servem para alertar os voluntários de que a ciência não é confiável.</p><p>c. A ciência funciona de forma isenta de valores e princípios éticos.</p><p>d. Os princípios éticos são adotados durante a investigação pseudocientífica.</p><p>e. Os princípios éticos não desempenham nenhuma tarefa na ciência, pois são considerados</p><p>exemplos que freiam o progresso científico.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BUNGE, M. Ética, ciencia y técnica. [S.l.]: Editora Sudamericana, 1996.</p><p>BUNGE, M. La Ciencia, su Método y su Filosofía. [S.l.]: Editora Sudamericana, 2014.</p><p>MERTON, R. K. Sociologia: teoria e estrutura. [S.l.]: Editora Mestre Jou, 1968.</p><p>SAGAN, C. O Mundo Assombrado Pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. [S.l.]:</p><p>Editora Companhia de Bolso, 2006.</p><p>UNIDADE 2</p><p>SEÇÃO 1</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>QUAIS OS PRINCIPAIS TIPOS DE PESQUISA?</p><p>Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s3.html#accordion-3%20.item-5</p><p>CONVITE AO ESTUDO</p><p>Caro aluno,</p><p>Veja como a ciência está em todos os lugares. Hoje, ela é um dos elementos mais básicos em todos os</p><p>aparatos tecnológicos, como no celular, na televisão, no computador e, principalmente, nos</p><p>dispositivos de GPS.</p><p>No entanto, todos esses aparatos tecnológicos não surgiram do nada. Essas tecnologias são produtos de</p><p>investigações científicas mais elementares, principalmente com base no estudo com partículas</p><p>elementares, estudo exige a adoção de um método para avaliar o nível de verdade das hipóteses e das</p><p>teorias.</p><p>Esse é o método científico. Embora muito pouco compreendido, ele também nos auxilia na hora de</p><p>avaliarmos afirmações que nos parecem duvidosas, como quando vamos avaliar a existência de</p><p>evidência para alguma substância ou terapias que nossos amigos e familiares nos recomendaram para</p><p>um problema específico.</p><p>Devido ao fato desse momento único na história ser altamente dependente da ciência e tecnologia, é</p><p>necessário entendermos como o conhecimento científico é produzido, quais passos nos levam cada vez</p><p>mais próximos à verdade e, principalmente, quais os limites desse tipo único de conhecimento – é isso</p><p>que veremos ao longo desta unidade.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Você sabe o que é o método científico? Talvez você já deve ter pensado que é uma fórmula secreta</p><p>para produzir conhecimento científico. Uma sugestão para essa resposta é geralmente apresentada em</p><p>diagramas e infográficos, que reduzem a concepção de método científico a algo análogo a uma receita</p><p>de bolo, porém, isso não é uma representação fidedigna do método científico nem representa o grau</p><p>mais elementar da pesquisa científica.</p><p>O método científico, que será apresentado ao longo do livro, deve ser visto como um conjunto de</p><p>procedimentos teóricos, experimentais e, principalmente, éticos, que podem ser usados não apenas na</p><p>ciência, mas na filosofia, tecnologia e até mesmo na vida cotidiana para a resolução de problemas.</p><p>Um exemplo de aplicação do método científico na vida cotidiana para avaliação de um problema é na</p><p>hora de averiguar a plausibilidade da reivindicação de um farmacêutico que tenha como objetivo</p><p>vender um produto homeopático ou qualquer tipo de medicina alternativa. Para isso, seria necessário</p><p>apenas um celular com acesso à internet para consultar – especialmente, na base de dados de um</p><p>periódico de medicina baseada em evidências – estudos de revisão de literatura científica, com o</p><p>objetivo de extrair da conclusão a resposta mais adequada para contrastar com a reivindicação do</p><p>farmacêutico. Suponha-se, para fins didáticos, que o farmacêutico tenha afirmado que a homeopatia é</p><p>recomendada para a gripe, sobretudo, para melhorar o sistema imunológico, enquanto que o estudo de</p><p>revisão aponta que, com base na avaliação de 500 estudos randomizados e com controle de placebo, a</p><p>homeopatia não tenha apresentado nenhum efeito clínico significativamente estatístico. A partir dessa</p><p>informação, você pode desconsiderar a afirmação do farmacêutico e, consequentemente, evitar que seu</p><p>dinheiro seja desperdiçado com homeopatia e outros tipos de pseudomedicinas.</p><p>Porém, existem diversas outras formas de avaliar certas reivindicações, principalmente com base na</p><p>realização de pesquisas experimentais. Devido à abrangência dos diferentes tipos de técnicas e</p><p>metodologias científicas, bem como de sua importância na vida cotidiana, convido-lhe a mergulhar no</p><p>processo de construção do conhecimento, analisando suas diferentes abordagens na solução de</p><p>problemas.</p><p>Um grupo de cientistas quer investigar os possíveis efeitos da homeopatia no organismo de pessoas</p><p>com gripe. Para isso, o grupo decidiu fazer uma pesquisa exploratória - especialmente um ensaio</p><p>observacional.</p><p>Os cientistas selecionaram cerca de 20 voluntários gripados para ingerir doses de comprimidos</p><p>homeopáticos. Cerca de 4 horas após a ingestão de substâncias homeopáticas, os pesquisadores</p><p>perguntam aos voluntários o que eles sentem. Todos eles, sem exceção, relataram algum nível de</p><p>melhoria em sua condição de saúde.</p><p>Então, os pesquisadores encerram o experimento e escrevem suas descobertas em trabalho formalizado</p><p>e, consequentemente, submetem para uma revista científica.</p><p>Tendo como base a descrição desse tipo de experimento,</p><p>é seguro afirmar que ele foi bem conduzido?</p><p>O método científico é comprovado e verdadeiro. Não é perfeito, é apenas o melhor que temos.</p><p>Abandoná-lo, junto com seus protocolos céticos, é o caminho para uma idade das trevas."</p><p>Carl Sagan</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>TIPOS DE PESQUISAS CIENTÍFICAS</p><p>Há diversos tipos de pesquisas científicas, cada qual com seus objetivos, particularidades e,</p><p>principalmente, objetos de estudos. A diversidade da pesquisa científica permite estudar diversos</p><p>problemas, da origem do Universo ao comportamento humano, também permite estudar um mesmo</p><p>problema sob diferentes perspectivas metodológicas, com o objetivo de enriquecer o conhecimento</p><p>científico, proporcionando uma visão de mundo mais ampla e consistente com as evidências</p><p>científicas.</p><p>Por causa dessa ampla variedade metodológica de pesquisas, uma consequência inevitável é o</p><p>investimento diversificado para cada tipo de pesquisa, de modo que um físico experimental, por conta</p><p>da necessidade de instrumentação adequada e a necessidade de exportar ainda mais ferramentas para</p><p>empreender sua pesquisa, acaba recebendo mais verba para sua pesquisa do que um filósofo ou</p><p>sociólogo literário, que desenvolve pesquisas de cunho teórico, geralmente revisando a literatura</p><p>acadêmica vigente para desenvolver seu trabalho.</p><p>Isso, no entanto, contribui para uma visão valorativa incorreta da ciência - especialmente pela crença</p><p>de que maior investimento em uma ciência é um critério que define sua qualidade metodológica ou seu</p><p>nível de importância. Um exemplo didático que refuta essa concepção equivocada da ciência é dado</p><p>por cientistas e filósofos, que desenvolveram pesquisas bibliográficas que tinham como objetivo</p><p>analisar a metodologia de estudos da psicologia evolutiva sobre a questão da divisão do trabalho,</p><p>diferenças de gêneros e, sobretudo, desigualdades sociais.</p><p>Esse tipo de estudo da psicologia evolutiva tem tido ampla repercussão e tem sido considerado útil em</p><p>decisões políticas que envolvem a possibilidade de rejeitar a implementação de políticas públicas. Uma</p><p>ideia constantemente propagada para reforçar a posição contrária às políticas sociais é de que a</p><p>pobreza e a desigualdade social estão nos genes, de que políticas sociais são inúteis e que o quociente</p><p>de inteligência (Q.I.) é determinado pela genética. No entanto, diversos cientistas e filósofos têm</p><p>argumentado amplamente contra a metodologia desses estudos dizendo que “são apenas histórias”, ou</p><p>seja, que não possuem qualquer tipo de correspondência empírica entre a hipótese e a afirmação do</p><p>qual os proponentes do campo defendem. Por causa dos críticos da psicologia evolutiva que</p><p>enfatizaram sobre o possível impacto da implementação de ideias “evolutivas” no âmbito político, os</p><p>cientistas e filósofos contribuíram para reforçar a importância das ciências sociais – mesmo com o</p><p>campo recebendo pouca verba para a pesquisa e sendo constantemente ameaçado por ideólogos e</p><p>pseudocientistas.</p><p>Os tipos diversificados de pesquisas científicas incluem a pesquisa bibliográfica, a pesquisa</p><p>documental, a pesquisa de campo, a pesquisa de laboratório, a pesquisa qualitativa, a pesquisa</p><p>quantitativa, a pesquisa exploratória, a pesquisa descritiva e a pesquisa explicativa. Cada tipo de</p><p>pesquisa tem sua importância dentro da ciência, mas elas também podem ser conduzidas em outros</p><p>campos de conhecimento, como na filosofia, no jornalismo e, principalmente, na tecnologia -</p><p>especialmente nas tecnologias sociais, como a administração, o direito e a pedagogia.</p><p>A pesquisa bibliográfica, utilizada amplamente em estudos de revisões de literatura científica, refere-</p><p>se a um tipo de estudo que busca consultar amplas bases de dados, sobretudo indexadores de artigos</p><p>científicos e livros-textos com o objetivo de procurar saber o quanto um problema já foi estudado e o</p><p>quão significativo é a sua evidência. Um exemplo prático desse tipo de estudo é quando o objetivo do</p><p>pesquisador é identificar a reivindicação de eficácia de alguma terapia ou técnica médica para algum</p><p>problema de saúde. O pesquisador, dessa maneira, consulta a base de dados, filtra os resultados de</p><p>buscas, escolhe os estudos, analisa suas discrepâncias metodológicas, emprega uma técnica estatística</p><p>adequada e extraí a porcentagem de evidência resultante da revisão dos estudos selecionados.</p><p>Digamos, por exemplo, que o cálculo estatístico, após a análise dos estudos selecionados, revelou que</p><p>a acupuntura não produziu nenhum efeito clínico estatístico significativo para o tratamento da dor</p><p>lombar. Então, o autor adiciona sua metodologia, procedimento e conclusão em sua pesquisa</p><p>bibliográfica.</p><p>A pesquisa documental é amplamente utilizada na história, porque ela envolve a investigação</p><p>primária de algum fenômeno ou ocorrência do passado com base na coleta de documentos, livros,</p><p>testamentos, gravações, fotografias, cartas, artefatos e mais outras coisas das quais seriam úteis na</p><p>condução da investigação. Ela também tem aplicação no âmbito da investigação forense, contribuindo</p><p>para a solução de crimes com base na sua metodologia de extração de dados com o objetivo de</p><p>fornecer a melhor evidência para o julgamento criminal.</p><p>A pesquisa de campo é importante para estudar fenômenos naturais e climáticos, como a atividade</p><p>vulcânica em uma área geologicamente ativa, coletando rochas vulcânicas na área de ocorrência do</p><p>evento com o objetivo de estudar sua estrutura, composição e sua possível utilidade para prever a</p><p>ocorrências de novas erupções vulcânicas. Esse tipo de pesquisa também tem utilidade na solução de</p><p>acidentes tecnológicos, contribuindo, por exemplo, para decifrar a causa de acidentes aéreos ao</p><p>analisar o local da queda.</p><p>A pesquisa de laboratório é uma forma de estudar problemas de forma direta, com o objetivo de</p><p>produzir ou reproduzir pequenas condições em seu objeto de estudo e avaliar suas possíveis</p><p>implicações, como para testar a efetividade de uma vacina em camundongos ou mesmo para reproduzir</p><p>as circunstâncias ambientais da Terra primitiva com o objetivo de estudar a origem da vida. Esse tipo</p><p>de pesquisa também é empregado no campo da tecnologia, com o objetivo de produzir e testar a</p><p>segurança dos organismos geneticamente modificados.</p><p>A pesquisa quantitativa visa a implementação de ferramentas estatísticas para quantificar os dados e</p><p>resultados alcançados após a investigação de um fenômeno ou problema da realidade. Nesse tipo de</p><p>estudo, também utilizado em ciência social, os pesquisadores podem utilizar estatística inferencial e</p><p>deduzida, bem como modelagem computacional para prever a ocorrência de um fenômeno em termos</p><p>quantificáveis, como crises econômicas, desigualdades sociais e o impacto da implementação de uma</p><p>política pública.</p><p>A pesquisa qualitativa é aplicada que não há necessidade de empregar ferramentas estatísticas. Ela</p><p>pode ser aplicada em psicologia através de questionários para entender o comportamento de uma dada</p><p>população, por exemplo, analisando a atitude das pessoas ao decorrer da pandemia de coronavírus.</p><p>A pesquisa exploratória é uma abordagem inicial para o estudo de um problema ou fenômeno da</p><p>realidade. Esse tipo de pesquisa não tem como objetivo proporcionar um conhecimento aprofundado</p><p>sobre qualquer coisa. Na sua aplicação na área da saúde, por exemplo, os pesquisadores utilizam</p><p>poucos voluntários, uma amostragem pouco ou nada representativa da população, para testar algum</p><p>novo medicamento ou terapia. Essa pesquisa serve de base para outras mais aprofundadas e pode ser</p><p>facilmente conduzida por alunos de iniciação científica ou estagiários de laboratórios.</p><p>A pesquisa descritiva tem como objetivo interpretar e mapear a ocorrência de um fenômeno com base</p><p>em técnicas de observação e análise de dados. Ela pode ser empregada no estudo de eventos</p><p>astronômicos, como supernovas, com o objetivo de estabelecer as condições iniciais do fenômeno e</p><p>relacionar variáveis</p><p>para chegar à melhor interpretação dos dados.</p><p>A pesquisa explicativa busca estabelecer um conhecimento avançado sobre um fenômeno natural ou</p><p>social procurando explicar sua origem, evolução e impacto na realidade. Nesse tipo de pesquisa, o</p><p>pesquisador busca analisar a compatibilidade de uma ideia com o conhecimento do momento, emprega</p><p>pesquisas empíricas e tenta explicar as causas de um evento. No caso das ciências naturais, por</p><p>exemplo, esse evento pode ser a evolução das espécies, com pesquisadores engajados em fornecer a</p><p>melhor explicação dos mecanismos envolvidos na transmissão de genes entre parentescos e sua</p><p>implicação no comportamento humano. No caso das ciências sociais, por exemplo, um típico evento</p><p>estudado são as crises econômicas, com cientistas tentando identificar as variáveis importantes do</p><p>sistema político-econômico do momento a fim de prever quais razões poderiam levar um país ao</p><p>colapso financeiro.</p><p>Cada tipo de pesquisa tem sua importância e utilidade, de modo que elas não podem ser vistas com</p><p>base numa visão hierárquica. Todos esses tipos de pesquisa auxiliam a ciência, ajustando as teorias à</p><p>realidade e, até mesmo, proporcionando um amplo conhecimento sobre problemas que ainda não</p><p>foram explorados.</p><p>ASSIMILE</p><p>1. Existem diversos tipos de pesquisas científicas, cada uma com um objetivo específico,</p><p>que são igualmente importantes para a construção de conhecimento científico.</p><p>2. Existem diversos modelos de métodos científicos. Entre eles, se destacam o método</p><p>hipotético-dedutivo, a falseabilidade popperiana e a concepção bungeana.</p><p>3. O anarquismo epistemológico, cuja a posição é exposta na máxima “tudo vale” ou</p><p>“qualquer coisa serve”, é incompatível com a investigação científica.</p><p>MÉTODOS CIENTÍFICOS</p><p>O “método científico” é um conceito difícil de definir, embora seja constantemente tratado de forma</p><p>incorreta e, às vezes, pejorativa. Na literatura filosófica do século XX, por exemplo, o método</p><p>científico chegou a ser considerado como um mito, como um elemento não existente na investigação</p><p>científica, de modo que essa visão inspirou a ideia de que a ciência é um campo onde “tudo vale” ou</p><p>“qualquer coisa serve”, tratando a ciência como um terreno baldio e equivalente a crenças religiosas,</p><p>superstições e pseudociências. Essa foi uma visão inspirada no filósofo austríaco Paul Feyerabend que</p><p>foi considerada como razoável em determinados setores das humanidades, bem como no campo da</p><p>filosofia da ciência, mas incorreta sobre a ciência e o método científico.</p><p>Outras visões de método científico, embora incorretas, também ganharam uma ampla aceitação nos</p><p>setores mais atrasados da ciência básica; em particular, duas visões tiveram uma ampla aceitação: a</p><p>visão de que a ciência funciona mediante a aplicação do método indutivo.</p><p>Karl Popper foi um dos filósofos mais críticos desse pensamento que buscava comprovar teorias</p><p>mediante a observação ou coleta de dados particulares. Isto é, digamos que um pesquisador tenha</p><p>observado um grupo de ursos pretos numa floresta e, então, tenha deduzido uma regra geral de que</p><p>todos os ursos são pretos. Uma observação de um urso polar no continente antártico, portanto, falsearia</p><p>a proposição de que “todos os ursos são pretos”, o que levaria a um problema epistemológico,</p><p>conhecido como problema da indução. Popper, então, estabeleceu que o que determina as condições de</p><p>cientificidade não é a observação particular da suposta regularidade de um evento, mas a falseabilidade</p><p>de uma hipótese ou teoria científica, ou seja, a hipótese ou teoria científica deveria ter consequências</p><p>das quais fossem possíveis de extrair sua refutação.</p><p>O exemplo que corrobora com o modelo de Popper é fornecido pelo próprio naturalista inglês Charles</p><p>Darwin, em seu livro A Origem das Espécies, que descreve que sua teoria da evolução poderia ser</p><p>falseada, caso alguém conseguisse demonstrar que algum órgão complexo existiu e que não poderia ter</p><p>sido formado por leves modificações numerosas e sucessivas ao longo do tempo.</p><p>Popper propõe o método hipotético-dedutivo que, em síntese, passa pelas seguintes etapas:</p><p>a. Elaboração do problema (decorrente, muitas vezes, de conflitos de teorias existentes).</p><p>b. Construção de um modelo teórico (em que há a formulação das hipóteses centrais).</p><p>c. Tentativa de falseamento das hipóteses por meio da observação e da experimentação.</p><p>Caso a hipótese não seja verificada por meio dos testes, ela estará falseada, exigindo uma nova</p><p>reformulação da hipótese ou do problema. Caso ela se supere os testes rigorosos, então ela estará</p><p>parcialmente confirmada, mesmo que provisoriamente.</p><p>Embora o critério de Popper estivesse alinhado a algumas características das teorias científicas, como</p><p>no caso da própria teoria da evolução, ele era insuficiente para demarcar a ciência de qualquer</p><p>atividade não científica, na qual inclui não apenas a filosofia, mas também a pseudociência. Um</p><p>exemplo é fornecido pelo filósofo Mario Bunge, em sua obra Pseudociência e Ideologia, que</p><p>argumenta que levar em consideração a falseabilidade, enquanto critério de demarcação, exigiria</p><p>considerar todas as teorias falsas como científicas, e também exigiria descartar teorias científicas de</p><p>alto nível que não são falseáveis, como a Teoria Geral dos Campos e a Teoria Geral da Informação,</p><p>que, sendo tão gerais, só podem ser testadas indiretamente por meio de sua especificação.</p><p>Em resposta às propostas simplistas de cientificidade, Bunge desenvolveu sua própria tese,</p><p>distinguindo o critério de demarcação do modelo de método científico. Para Bunge, o que demarca a</p><p>ciência de outros campos cognitivos, como a filosofia e a pseudociência, é a presença de uma</p><p>comunidade de pesquisadores, uma sociedade tolerante à atividade científica, o domínio sobre</p><p>entidades reais, uma base filosófica (envolvendo a pressuposição de que [a] o mundo é composto de</p><p>coisas concretas que mudam, segundo leis, [b] uma epistemologia realista, [c] um sistema de valores</p><p>que enaltece a claridade, a exatidão, a profundidade, a coerência e a verdade, [d] e o ethos da busca</p><p>livre da verdade), uma base formal (coleção de teorias lógicas ou matemáticas do momento), uma base</p><p>específica (coleção de dados, hipóteses e teorias do momento), uma problemática (problemas</p><p>cognitivos relativos à natureza dos objetos concretos), um fundo de conhecimento (específico e</p><p>acumulado), objetivos racionais (descobrir ou utilizar leis, sistematizar hipóteses e refinar métodos),</p><p>uma metódica bem delineada (procedimentos verificáveis e justificáveis) e um campo cognitivo sendo</p><p>componente de um campo de conhecimento mais abrangente.</p><p>Bunge considerou o método científico como sendo um conjunto de procedimentos gerais mutáveis,</p><p>ajustados para cada problema e objeto estudado, constando com (a) a identificação de um problema</p><p>envolvendo o reconhecimento de um fato, a descoberta de um problema e, em seguida, a formulação</p><p>do problema; (b) a construção de um modelo teórico envolvendo a seleção de fatores pertinentes do</p><p>problema, a invenção de hipóteses centrais e suposições auxiliares e, principalmente, tradução</p><p>matemática; (c) a dedução de características particulares envolvendo a busca por suportes racionais e</p><p>empíricos, (d) a demonstração da prova ou evidência da hipótese envolvendo a representação e</p><p>execução da prova ou evidência, a elaboração de dados e a inferência da conclusão; (e) a introdução</p><p>das consequências na teoria envolvendo a comparação das conclusões com as predições e o reajuste de</p><p>modelo; e (f), finalmente, a sugestão referente ao trabalho anterior.</p><p>Essas características apresentadas por Bunge também rompem com concepções que levavam em</p><p>consideração a unidade do método científico como sendo algo imutável, ou mesmo semelhante a uma</p><p>receita de bolo para produzir conhecimento. Para Bunge, o método científico, mesmo sendo único e</p><p>universal, deve ser visto como um conjunto de procedimentos</p><p>amplos que mudam conforme o tempo e</p><p>se ajustam a cada ciência em particular, de modo que a forma como os biólogos investigam</p><p>microrganismos não envolve o emprego das mesmas técnicas de investigação utilizadas pelos</p><p>sociólogos para estudar comportamentos sociais ou crises econômicas. De fato, há algumas exceções,</p><p>como o uso de ferramentas matemáticas e lógicas semelhantes, bem como a atitude de busca pela</p><p>verdade e admissão de cognoscibilidade da realidade, mas não é como advogam os naturalistas</p><p>metodológicos, que defendem que o método das ciências naturais deve ser o mesmo das ciências</p><p>sociais. Essa proposta também rompe com o anarquismo epistemológico de Feyerabend, a ideia</p><p>segundo a qual não existiria um método científico e universal, pois Bunge reconhece que ele existe e</p><p>pode ser – e está sendo – aplicado para estudar problemas cognitivos, bem como todos os objetos</p><p>existentes da realidade, como partículas, elementos químicos, moléculas, planetas, estrelas,</p><p>supernovas, microrganismos, cérebros, consciência, comportamento, sociedade, ética, experiência</p><p>estética, artes, cultura, política, linguagem, economia, filosofia e muitas outras coisas, como a própria</p><p>ciência (sociologia da ciência ou ciência da ciência), diferente da crença falsa compartilhada em</p><p>diversos campos das humanidades.</p><p>REFLITA</p><p>1. O que torna o método científico uma abordagem confiável?</p><p>2. Qual a importância das revisões sistemáticas no contexto das investigações científicas</p><p>na área da saúde?</p><p>3. Quais elementos contribuem para a objetividade científica?</p><p>PESQUISA COM PESQUISA: METANÁLISES E REVISÕES</p><p>Nenhuma pesquisa individual é suficiente para conduzir ou representar uma verdade no mundo, pois</p><p>ela pode estar sujeita a falhas metodológicas, vieses cognitivos e fraudes intencionais. Também pode</p><p>ser o caso de um estudo individual ser conduzido sem um grupo de controle adequado para avaliar de</p><p>forma rigorosa a efetividade um medicamento ou terapia. Talvez um estudo individual não tenha uma</p><p>amostragem suficientemente representativa para a população, ou pode ser que os animais utilizados</p><p>para um determinado experimento tenham predisposição a alguma doença, de modo que um teste</p><p>experimental poderia não representar fielmente as possíveis consequências da ingestão de uma</p><p>determinada substância. Nesse contexto, entra a importância de conduzir mais experimentos com o</p><p>objetivo de tentar reproduzir os mesmos resultados – a tal chamada “reprodutibilidade”.</p><p>Na reprodutibilidade, ocasionalmente, ocorre de os cientistas chegarem a resultados discrepantes do</p><p>estudo original. Na verdade, tem-se argumentado que a ciência está enfrentando uma crise de</p><p>reprodutibilidade por conta das divergências nos resultados experimentais alcançados por</p><p>pesquisadores independentes ao tentarem replicar experimentos anteriores. Por causa dessas diferenças</p><p>nos resultados experimentais e, principalmente, nas potenciais falhas metodológicas dos diversos</p><p>estudos científicos desenvolvidos ao longo dos anos, tornou-se necessária a utilização de estudos de</p><p>revisão sistemática para avaliar a qualidade da evidência produzida ao longo da análise de dezenas,</p><p>centenas ou mais de artigos científicos.</p><p>Esses estudos de revisão sistemática são extremamente importantes no campo da medicina, porque,</p><p>com base neles, é possível identificar potenciais falhas, vieses e limitações nos estudos realizados até o</p><p>momento, contribuindo para fornecer uma visão sobre o estado atual das coisas, como para identificar</p><p>a qualidade e o nível da evidência produzida até o momento. Em resumo, a revisão sistemática é um</p><p>tipo de pesquisa secundária com o objetivo de reunir estudos semelhantes, publicados ou não, a fim de</p><p>avaliá-los criticamente e, quando possível, reuni-los numa ampla análise estatística, chamada</p><p>metanálise.</p><p>A metanálise é uma técnica estatística utilizada para combinar resultados oriundos de diferentes</p><p>estudos, geralmente aplicada na revisão sistemática. A metanálise ajuda a extrair resultados estatísticos</p><p>com base na análise geral dos estudos. No entanto, a revisão sistemática pode ser feita de forma</p><p>independente das técnicas estatísticas, pois não é sempre possível e nem mesmo adequado aplicá-las</p><p>em todos os casos.</p><p>Existem diversos estudos com medicina alternativa indexados no repositório do PubMed, revelando</p><p>possíveis efeitos benéficos à saúde humana, mas isso não significa que esses estudos tenham sido bem</p><p>conduzidos. Na verdade, existir um estudo não significa que ele seja bom nem que seja “científico”,</p><p>pois a pseudociência também produz estudos, embora de baixa qualidade, sem o controle adequado,</p><p>mergulhado em vieses cognitivos e, às vezes, até com indícios de falsificações. Esse é o caso das</p><p>medicinas alternativas, como acupuntura, homeopatia, quiropraxia, naturopatia, ozonoterapia,</p><p>antroposofia, reiki, cura quântica, hidroterapia de cólon e, principalmente, psicanálise, que são</p><p>exemplos típicos de pseudociências, pseudoterapias ou pseudotecnologias, que negligenciam os</p><p>resultados extraídos das revisões sistemáticas, que normalmente revelam que elas não produzem</p><p>nenhum efeito estatisticamente significativo, exceto efeitos placebos – que não são causados pela</p><p>suposta eficácia da medicina alternativa, mas simplesmente por conta do estado psicológico do</p><p>paciente, bem como de sua relação de confiança com seu médico. Efeitos placebos também não curam</p><p>absolutamente nada, ao contrário da crença equivocada amplamente divulgada pelos “médicos</p><p>alternativos”, o efeito placebo está relacionado simplesmente ao alívio de sintomas subjetivos, como</p><p>dor, por exemplo.</p><p>As revisões sistemáticas, com ou sem abordagem metanalítica, são necessárias até mesmo na</p><p>elaboração de políticas públicas baseadas em evidências, pois, com base nelas, podemos guiar o</p><p>financiamento para técnicas e terapias realmente eficazes, evitando o desperdício de dinheiro público</p><p>com medicina alternativa e oferecendo o melhor tratamento disponível à população. Em resumo, as</p><p>revisões sistemáticas produzem o tipo mais confiável de evidência científica e podem ser guias úteis</p><p>em nossas escolhas da vida cotidiana, principalmente quando estamos procurando cuidados médicos.</p><p>ESTRUTURA E ELEMENTOS</p><p>O método científico é a estrutura geral da ciência moderna, de modo que não é possível conceber uma</p><p>ciência sem método. No entanto, ainda existem mais algumas particularidades, por exemplo,</p><p>a estrutura do método científico é ordenada logicamente, o que significa que é permitido contradição.</p><p>Consequentemente, a dialética, por violar o princípio da não contradição, não faz parte da ciência nem</p><p>do método científico.</p><p>Essa estrutura permite que o método científico, enquanto um conjunto de procedimentos teóricos,</p><p>experimentais e éticos, seja aplicado na ciência com o objetivo de fornecer a melhor explicação da</p><p>realidade. Uma consequência inevitável é que a estrutura do método requer um nível de</p><p>compatibilidade das hipóteses com as teorias mais bem confirmadas do momento, o que significa que</p><p>uma hipótese deve estar em concordância com as leis que regem o mundo, portanto, hipóteses sobre a</p><p>existência de almas, espíritos ou instâncias psíquicas psicanalíticas, por conflitarem com o princípio de</p><p>conservação de energia das leis da termodinâmica, não são científicas, mas pseudocientíficas.</p><p>O método científico também faz uso de elementos ou símbolos formais, de modo que é possível</p><p>aplicar ferramentas da lógica e da matemática para extrair das proposições a melhor precisão e</p><p>objetividade possível, evitando, dessa forma, a ambiguidade da linguagem ordinária e, principalmente,</p><p>a armadilha da polissemia com certos conceitos. Além disso, adoção de certos elementos ou símbolos</p><p>formais refuta a crença de que não existe objetividade na ciência.</p><p>Mesmo na construção de hipóteses científicas, esses elementos são adicionados ou incrementados com</p><p>o objetivo de analisar logicamente a compatibilidade</p><p>das proposições com a conclusão. Mas isso não é</p><p>uma coisa exclusiva da ciência, pois, atualmente, a filosofia científica é desenvolvida com essas</p><p>mesmas ferramentas formais e aplica o método científico para avaliar hipóteses filosóficas pela</p><p>compatibilidade com o conhecimento científico do momento.</p><p>O entendimento claro, preciso e profundo do conhecimento científico, bem como a capacidade de</p><p>comunicar descobertas científicas em diversos países e línguas, é o que revela o aspecto de</p><p>objetividade da ciência, que não é apenas possível, mas desejável para evitar a confusão e o</p><p>autoengano. O que não devemos fazer é cair no erro de pensar que objetividade é sinônimo de</p><p>neutralidade, pois a ciência advoga por princípios éticos de busca pela verdade, racionalidade,</p><p>humanismo e comprometimento com a investigação da realidade mediante contribuição da</p><p>comunidade científica. Além disso, os cientistas podem ser inspirados por posições pessoais, bem</p><p>como políticas, ideológicas e religiosas, de modo que essas posições possam contribuir com alguma</p><p>nova ideia para resolver um problema. Então, a ciência não é neutra, mas isso não significa que as</p><p>ideologias pessoais dos cientistas determinem o que é verdade, pois a ciência, enquanto comunidade,</p><p>advoga por princípios éticos que neutralizam as preferências individuais dos pesquisadores. Daí a</p><p>importância das revisões sistemáticas e da reprodutibilidade na ciência, pois são formas de identificar</p><p>exceções das quais as intenções pessoais sobrepuseram à vontade coletiva da comunidade científica</p><p>pela verdade.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>1. O método científico não é uma receita de bolo para produzir conhecimento, mas um</p><p>conjunto de procedimentos teóricos, experimentais e éticos que auxiliam na</p><p>investigação de um problema.</p><p>2. O método científico pode ser aplicado não apenas na ciência, mas também na filosofia</p><p>e na vida cotidiana.</p><p>3. As ferramentas formais da matemática e da lógica contribuem para que a ciência</p><p>mantenha sua objetividade e exatidão, evitando as armadilhas da linguagem ordinária e</p><p>a subjetividade interpretativa.</p><p>Como foi apresentado, existem diversos tipos de pesquisas científicas que norteiam a ciência, cada</p><p>qual com sua importância e aplicação para o estudo de um problema específico. A pluralidade de</p><p>investigação permite a extração de um conhecimento mais amplo sobre a realidade mediante uso de</p><p>método científico. No entanto, o conceito de método científico é pouco claro, de modo que diversas</p><p>tentativas de modelos foram apresentadas ao longo da história da ciência e da filosofia com o objetivo</p><p>de classificá-lo, sendo os mais conhecidos o Método Hipotético-Dedutivo (inspirado na indutivismo do</p><p>filósofo Francis Bacon), a Falseabilidade do filósofo da ciência Karl Popper e a Concepção Sistêmica</p><p>da Ciência, do físico e filósofo científico Mario Bunge. Embora a ciência leve em consideração um</p><p>conjunto de procedimentos teóricos, experimentais e éticos ao longo de sua investigação e construção</p><p>de conhecimento, existem diversas ferramentas formais que contribuem para sua melhor objetividade,</p><p>evitando as armadilhas da linguagem ordinária e a subjetividade interpretativa.</p><p>FAÇA VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>O campo de conhecimento responsável em estudar a ciência, incluindo seus limites e o próprio método</p><p>científico. Também busca analisar as distinções entre ciência e pseudociência com o objetivo de</p><p>resolver o problema da demarcação.</p><p>Qual o nome da disciplina responsável pela tarefa descrita no enunciado?</p><p>a. Linguística da ciência.</p><p>b. Sociologia da ciência.</p><p>c. Psicologia da ciência.</p><p>d. História da ciência.</p><p>e. Filosofia da ciência.</p><p>Correto!</p><p>A filosofia da ciência é um ramo da filosofia preocupada com os fundamentos, métodos, implicações e</p><p>limites da ciência. As discussões centrais se referem ao que podemos considerar como ciência, bem</p><p>como sobre o problema a respeito da confiabilidade das teorias científicas e da importância do critério</p><p>de demarcação entre ciência e pseudociência.</p><p>Questão 2</p><p>Pesquisa conduzida por cientistas e tecnólogos, geralmente em ambiente controlado, que tem a</p><p>intenção de estudar microrganismos, camundongos ou simplesmente o próprio ambiente da Terra</p><p>primitiva.</p><p>Assinale o tipo de pesquisa descrita no enunciado.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-1%20.item-5</p><p>a. Metanálise.</p><p>b. Pesquisa laboratorial.</p><p>Correto!</p><p>A pesquisa de laboratório ou laboratorial é um tipo de pesquisa que visa estudar problemas de forma</p><p>direta, com o objetivo de produzir pequenas condições em seu objeto de estudo e avaliar suas possíveis</p><p>implicações em algum cenário de interesse particular para os cientistas envolvidos. Esse tipo de</p><p>pesquisa também é adotado no campo da tecnologia, especialmente no desenvolvimento de vacinas e</p><p>de organismos geneticamente modificados.</p><p>c. Pesquisa exploratória.</p><p>d. Pesquisa bibliográfica.</p><p>e. Revisão sistemática.</p><p>Questão 3</p><p>Um tipo de pesquisa que visa extrair diversos estudos semelhantes para avaliar o nível de evidência de</p><p>uma intervenção específica que pode usar uma técnica estatística de metanálise para quantificar os</p><p>dados, sendo essencial para avaliar reivindicações no campo da saúde.</p><p>Assinale o nome desse tipo de pesquisa.</p><p>a. Pesquisa exploratória.</p><p>b. Hipotético-dedutivo.</p><p>c. Pesquisa bibliográfica.</p><p>d. Revisão sistemática.</p><p>Correto!</p><p>Uma revisão sistemática é um tipo de estudo de revisão da literatura científica que utiliza métodos</p><p>sistemáticos para coletar dados secundários, avaliar criticamente os estudos de pesquisa e sintetizar as</p><p>descobertas de forma qualitativa ou quantitativamente. No último caso, esse tipo de estudo utiliza uma</p><p>técnica estatística, chamada de metanálise.</p><p>e. Pesquisa laboratorial.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BUNGE, M. La Ciencia, su Método y su Filosofía. [S.L.]: Editora Sudamericana, 2014.</p><p>BUNGE, M. Las pseudociencias ¡vaya timo! 2. ed. [S.L.]: Editora Laetoli, 2014.</p><p>BUNGE, M. Seudociencia e ideología. [S.L.]: Editora Alianza, 1986.</p><p>FEYERABEND, P. Contra o Método. 2. ed. [S.L.]: Editora Unesp, 2011.</p><p>POPPER, K. A Lógica da Pesquisa Científica. 2. ed. [S.L.]: Editora Cultrix, 2013.</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>QUAIS OS PRINCIPAIS TIPOS DE PESQUISA?</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-2%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-3%20.item-4</p><p>crença oriunda do conhecimento</p><p>religioso poderia impactar em questões de saúde individual e coletiva? Qual consequência o</p><p>conhecimento vulgar, aquele de senso comum, traria para a sociedade ao enriquecer mais rapidamente</p><p>do conhecimento científico? A absorção do conhecimento científico, tanto no âmbito individual como</p><p>coletivo, nos tornaria melhores tomadores de decisão? Essas questões, consequentemente, reforçariam</p><p>a existência de diferentes tipos de conhecimentos no âmbito da vida cotidiana e fomentariam o</p><p>pensamento crítico dos alunos.</p><p>Saber muito não lhe torna inteligente. A inteligência se traduz na forma que você recolhe, julga,</p><p>maneja e, sobretudo, onde e como aplica esta informação.</p><p>Carl Sagan, trecho do documentário Cosmos (1980).</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>DOXA, O CONHECIMENTO VULGAR DA SOCIEDADE</p><p>Desde Aristóteles, o conceito de conhecimento tem sido central no debate filosófico. Inicialmente,</p><p>conhecimento era tratado como um tipo de crença racional, verdadeira e justificada. Crença, porque</p><p>faria relação com um estado psicológico do sujeito; racional, porque envolveria o exercício de nossas</p><p>faculdades cognitivas; verdadeira, porque faria alusão a objetos ou fenômenos da realidade; e,</p><p>principalmente, justificada, porque requereria um conjunto de enunciados estruturados logicamente.</p><p>Essa definição, porém, não dá conta dos diversos tipos de conhecimentos existentes, alguns dos quais</p><p>serão tratados ao longo do livro.</p><p>Para começar nossa jornada, vamos entender um pouco o conceito de conhecimento vulgar, também</p><p>chamado senso comum ou saber popular. Etimologicamente, refere-se ao conceito aristotélico de</p><p>doxa, ou simplesmente opinião.</p><p>O conhecimento vulgar trata-se de um conhecimento que não quer nenhum tipo de exercício crítico,</p><p>também não envolve nenhum tipo de verificação experimental. Geralmente, ele é transmitido</p><p>culturalmente, de gerações a gerações, muitas vezes preservando mitos que eram aceitos em</p><p>determinada época. Por exemplo, o mito de que o chinelo virado com a sola para cima traz azar, ou a</p><p>ideia de que um trevo de quatro folhas traz sorte. No entanto, também é verdade que alguns</p><p>ensinamentos transmitidos pelo conhecimento vulgar possam ser verdadeiros, como a ideia de não</p><p>colocar a mão no fogo para não se queimar, ou mesmo não entrar em uma lagoa se não souber nadar,</p><p>porque é possível se afogar.</p><p>O conhecimento vulgar também pode se enriquecer do conhecimento científico, especialmente quando</p><p>este último se torna bastante popularizado ao ponto de seu entendimento se tornar familiar por quase</p><p>toda população. Por exemplo, a ideia de que certos alimentos, como carnes, são mais bem preservados</p><p>quando congelados, evitando sua contaminação e exposição a microrganismos no ambiente aberto.</p><p>Apesar de estabelecer uma pequena relação com o conhecimento científico, o conhecimento vulgar</p><p>não é suficiente para explicar a realidade, exatamente por preservar em seu núcleo ensinamentos que</p><p>podem ser falsos ou simplesmente mitos.</p><p>CONHECIMENTO RELIGIOSO</p><p>O conhecimento religioso pode se enriquecer do conhecimento vulgar, especialmente das tradições</p><p>culturais e religiosas cultivadas ao longo do tempo. Por exemplo, na preservação dos mitos gregos de</p><p>que os deuses reinavam nos céus, apropriada pelas religiões politeístas.</p><p>Esse tipo de conhecimento requer um elemento-chave para alcançá-lo, ao menos da forma como</p><p>defenderam diversos pensadores da Idade Média, que é a iluminação religiosa como método para</p><p>conhecer a verdade ou a Deus.</p><p>Essa iluminação religiosa seria como um sentimento de vislumbre por uma paisagem maravilhosa,</p><p>como relatou o cientista Francis Collins (apud SHERMER, 2012) em sua experiência pessoal. É como</p><p>um sentimento de inspiração e encantamento com algo notoriamente belo, diante do qual uma pessoa</p><p>não encontra palavras para expressar tal sensação. No entanto, essas experiências religiosas podem ser</p><p>despertadas mediante o uso de substâncias psicoativas, como alucinógenos ou antidepressivos, ou</p><p>podem ser vivenciadas igualmente por qualquer pessoa que tenha apreço pela natureza, de modo que</p><p>seu principal método não caracteriza uma forma autêntica e racionalmente justificada para conhecer a</p><p>realidade. Por conta da subjetividade envolvida durante a iluminação religiosa, não é possível</p><p>demonstrar que a observação pessoal produziu cenas reais no cérebro dessas pessoas.</p><p>Outro método comumente cultivado na construção do conhecimento religioso é a hermenêutica. A</p><p>hermenêutica é um tipo de filosofia subjetivista, como defendeu o cientista e filósofo argentino Mario</p><p>Bunge, porque ela dependeria simplesmente da interpretação do autor para trazer à luz dos escritos</p><p>bíblicos a extração de um suposto fato vivenciado em tempos remotos.</p><p>A hermenêutica é uma abordagem problemática, pois ela não exige a investigação empírica da</p><p>realidade, como a recolha de dados para contrastar fatos históricos bem documentados com a</p><p>interpretação pessoal do hermeneuta ou teólogo.</p><p>O hermeneuta e o teólogo são os responsáveis por construir esse tipo conhecimento, embora o primeiro</p><p>contemple uma atividade mais geral, podendo abarcar o uso da hermenêutica para textos literários ou</p><p>filosóficos. No entanto, como foi apontado anteriormente, o simples fato de invocar a subjetividade do</p><p>interpretador, ao invés de fatos objetivos, lança um desafio na validade desse tipo de conhecimento.</p><p>O CONHECIMENTO FILOSÓFICO: EMPÍRICO E RACIONALISTA</p><p>O conhecimento filosófico é amplo, abarcando diversos posicionamentos ao longo da história da</p><p>filosofia, especialmente o empírico e o racionalista. Esse tipo de conhecimento também pode incluir o</p><p>religioso, uma vez que a base de todo conhecimento são os pressupostos filosóficos. Noções de</p><p>verdade, intuição, dedução, cognoscibilidade, crença, realidade, fenômeno, utilidade e outras são</p><p>conceitos filosóficos indispensáveis em qualquer tipo de conhecimento. O conhecimento empírico</p><p>pressupõe a cognoscibilidade dos fenômenos com base nas experiências sensíveis do sujeito, enquanto</p><p>o racional pressupõe que o conhecimento já é derivado da mente do sujeito, independentemente de</p><p>qualquer experiência empírica.</p><p>David Hume e John Locke eram filósofos empiristas e, portanto, defendiam que a fonte de</p><p>conhecimento derivava dos dados sensíveis. René Descartes, por outro lado, acreditava que o</p><p>conhecimento eterno ou matemático poderia ser alcançado pelo simples uso da razão, sem a</p><p>necessidade de qualquer experiência empírica. Embora seja verdade também que ele tenha defendido</p><p>que uma junção de mais fatores era condição necessária para alcançar verdades absolutas ou</p><p>irrefutáveis, por via de seu método cartesiano, que estabelecia, no mínimo, quatro condições, como</p><p>evidência, análise, ordem e enumeração, ele deduzia que todos esses princípios eram alcançados</p><p>mediante o uso da razão.</p><p>Embora Descartes tivesse defendido o papel da razão como principal responsável pelo conhecimento</p><p>absoluto, ele fez investigações empíricas durante toda sua vida, especialmente nos campos da anatomia</p><p>e da fisiologia, contribuindo para uma descrição de partes do cérebro humano, como a glândula pineal,</p><p>e especulando sobre sua real função no organismo.</p><p>Houve também pensadores de grande importância da filosofia que tentaram unir os dois tipos de</p><p>conhecimentos, sendo o mais famoso o filósofo Immanuel Kant, que lançou as bases de seu método</p><p>racioempirista. Esse método consistia em tomar elementos que ele considerava verdadeiros do</p><p>empirismo e do racionalismo. Kant apropriou-se do fenomenismo dos empiristas, em que a fonte de</p><p>conhecimento se dá através dos fenômenos, e não da realidade em si. Kant acreditava que não</p><p>poderíamos conhecer nada além das aparências, de modo que todo o mundo estaria subordinado a</p><p>impressões ou dados sensíveis, tal como acredita Hume. Mais ainda, Kant buscou resgatar o</p><p>apriorismo do racionalismo, argumentando sobre a plausibilidade de verdades independentes</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s1.html#accordion-3%20.item-5</p><p>Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>O experimento não foi bem delineado, porque um estudo mais rigoroso deveria considerar um número</p><p>de amostragem maior para ser representativo. Também seria necessário um estudo randomizado e</p><p>controlado por placebo com o objetivo de reduzir a possibilidade de vieses e possibilitar uma</p><p>comparação estatística entre a substância homeopática e o efeito placebo.</p><p>Também seria importante avaliar a condição de saúde dos indivíduos e não apenas colher seus relatos</p><p>subjetivos de suposta melhora para avaliar de forma mais significativa os possíveis efeitos na saúde</p><p>dos pacientes.</p><p>O tempo da condução do experimento também deveria ser maior a fim de avaliar possíveis</p><p>implicações na saúde dos pacientes ao longo do dia, mesmo com a possibilidade sendo extremamente</p><p>baixa. Portanto, também seria necessário deixar os voluntários cientes dos riscos envolvidos antes de</p><p>conduzir o experimento.</p><p>Depois de um experimento bem delineado, os cientistas poderiam submeter suas descobertas relatadas</p><p>no trabalho à revisão por pares em uma revista científica conceituada.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>A IMPORTÂNCIA DA PESQUISA NA EMPRESA</p><p>Uma empresa está interessada em avaliar o nível de felicidade de seus funcionários. Para realizar esse</p><p>feito, ela aplicou um questionário padrão a todos seus colaboradores. No questionário, por exemplo,</p><p>havia itens como nível de estresse, grau de satisfação com o trabalho e com o chefe.</p><p>O objetivo da empresa, após obter os resultados sobre os níveis de felicidade de seus funcionários, era</p><p>melhorar a relação entre os diversos cargos e setores responsáveis pelos ativos da empresa,</p><p>melhorando, dessa forma, a produtividade de seus funcionários e promovendo a cooperação.</p><p>Qual tipo de pesquisa foi implementado pela empresa para avaliar o nível de felicidade de seus</p><p>funcionários?</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>A empresa aplicou uma pesquisa qualitativa, pois tinha como pretensão apenas descrever os níveis de</p><p>felicidades de seus funcionários, bem como alguns aspectos de seus comportamentos, sem a</p><p>necessidade de quantificar estatisticamente os resultados.</p><p>SEÇÃO 2</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>QUAIS MÉTRICAS SÃO UTILIZADAS NA</p><p>PESQUISA?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro estudante,</p><p>O conhecimento científico desfruta de grande prestígio na sociedade em virtude da alta confiabilidade</p><p>do conhecimento científico. Com a democratização do fazer científico, a construção de universidades,</p><p>agências e centros de pesquisa, a literatura científica expandiu enormemente, tornando a comunicação</p><p>científica um nicho de mercado altamente rentável. A pressão por publicações decorrente da</p><p>concorrência do campo científico produziu um efeito negativo sobre a qualidade das publicações.</p><p>A fim de organizar esse volume de publicações, filtrando as boas e más produções científicas,</p><p>surgiram os indicadores e indexadores, por meio dos quais conseguimos ter uma base dos periódicos e</p><p>pesquisadores mais relevantes em determinado campo de conhecimento. Como você sabe, conhecer a</p><p>literatura científica estabelecida de uma área é importante no início de qualquer pesquisa, tanto para</p><p>fundamentá-la, quanto para extrair as questões que merecem uma investigação mais profunda.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u2s1.html#resolucao%20.item-1</p><p>Conhecendo indicadores e indexadores, você estará mais próximo de encontrar as produções</p><p>científicas mais relevantes para sua área de estudo. Geralmente, as boas pesquisas também possuem</p><p>boas fundamentações teóricas. Tais plataformas também dispõem de redes e mídias sociais de</p><p>colaboração que podem auxiliar no processo de comunicação entre você e pesquisadores de todo o</p><p>mundo.</p><p>Um parecerista contratado por uma agência de fomento à pesquisa é responsável pela análise técnica</p><p>de dois projetos de pesquisa que buscam financiamento. O parecerista deve analisar não apenas os</p><p>objetivos e a relevância de cada pesquisa, mas também o currículo acadêmico desses pesquisadores.</p><p>As tabelas a seguir apresentam respectivamente a produção de cada pesquisador.</p><p>Pesquisador A</p><p>Artigos Nº de Citações</p><p>Artigo 1 30</p><p>Artigo 2 28</p><p>Artigo 3 20</p><p>Artigo 4 10</p><p>Artigo 5 4</p><p>Pesquisador B</p><p>Artigos Nº de Citações</p><p>Artigo 1 59</p><p>Artigo 2 45</p><p>Artigo 3 39</p><p>Artigo 4 2</p><p>Artigo 5 1</p><p>Considerando os dados apresentados, indique qual é o índice H de cada pesquisador e qual deveria ser</p><p>o pesquisador contemplado com o financiamento da pesquisa.</p><p>Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino.</p><p>Paulo Freire</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>INDICADORES E MÉTRICAS NA PESQUISA CIENTÍFICA</p><p>Depois de desenvolver a pesquisa, entramos no campo da comunicação científica. É o dever de todo</p><p>pesquisador divulgar os resultados de sua pesquisa a fim de contribuir com o avanço daquela área de</p><p>conhecimento. Além disso, as publicações servem como um indicador de produtividade científica do</p><p>pesquisador, o que pode se transformar tanto em oportunidades e reconhecimento acadêmico, quanto</p><p>em obtenção de maior apoio financeiro para as pesquisas da área.</p><p>A forma de comunicação mais usual dos resultados de uma pesquisa é através da publicação de artigos</p><p>científicos, que são publicados em periódicos ou anais de eventos científicos e acadêmicos.</p><p>Os primeiros periódicos (revistas) foram criados em 1665 e, com o passar do tempo, o número de</p><p>periódicos só cresceu. Atualmente, há um grande número de periódicos, o que desencadeou grandes</p><p>volumes de artigos de baixa qualidade. Por essa razão, foram desenvolvidos métricas e indicadores</p><p>capazes de auxiliar na avaliação da qualidade de um periódico ou de um pesquisador, de forma a</p><p>separar o joio do trigo.</p><p>É importante que os pesquisadores analisem cuidadosamente o periódico que pretendem publicar, e os</p><p>indicadores de qualidade podem ajudar nesse processo. A avaliação da qualidade do trabalho de um</p><p>pesquisador ou periódico usualmente se dá com o auxílio de uma análise bibliométrica realizada por</p><p>indicadores. Adicionalmente, existem ferramentas analíticas de produção científica, como InCites,</p><p>SciVal, VantagePoint e Google Scholar Metrics.</p><p>De acordo com a Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA), os principais</p><p>indicadores de qualidade da pesquisa científica são:</p><p>a. Produção científica (scholary outputs): esse indicador mede volume e produtividade,</p><p>mostrando o número total de itens publicados em um dado período, por exemplo.</p><p>b. Contagem de citações (citation count): esse indicador mede o total de citações que um autor,</p><p>uma instituição ou um país acumulou durante um período, e têm como uma das vantagens a</p><p>comparação dos pesquisadores entre si.</p><p>c. Citações por publicação (citation per publication): esse indicador mostra o número de citações</p><p>de um artigo ou trabalho. Indica também uma média do impacto das citações.</p><p>d. Índice H (h-index): esse indicador é um dos mais utilizados atualmente, ele mede o equilíbrio</p><p>entre a produtividade e o impacto das citações. O índice pode ser calculado manualmente,</p><p>ordenando as publicações com o número de suas citações de forma decrescente. O índice é o</p><p>ponto de encontro entre a quantidade de publicação com o número de citações. Exemplo, o</p><p>Índice-H 8 significa que um autor tem, no mínimo, 8 artigos publicados e estes receberam pelo</p><p>menos 8 citações cada um.</p><p>e. Impacto de citação (citation impact): esse indicador mostra o número médio de citações que</p><p>um artigo recebeu em um período, ele é calculado pela divisão do número total de citações pelo</p><p>número total de publicações.</p><p>f. Impacto de citação ponderado por área de conhecimento (field-weighted citation impact): esse</p><p>indicador tem a vantagem de comparar publicações</p><p>similares em termos de citação, por</p><p>exemplo, se a publicação se sobressai ou não em relação à média das citações das publicações</p><p>nesse campo.</p><p>g. Fator de impacto do periódico (journal impact factor): esse indicador mostra quantas vezes o</p><p>artigo foi citado em relação ao total de trabalhos já publicados pelo periódico em determinado</p><p>período de tempo.</p><p>h. Fator de impacto do periódico sem autocitações (journal impact factor without self cites): esse</p><p>indicador adiciona uma exceção ao anterior – as citações que provém de outros trabalhos do</p><p>pesquisador são excluídas do cálculo.</p><p>i. Fator de impacto do periódico em 5 anos (five year journal impact factor): esse indicador</p><p>mostra o número de vezes que os trabalhos de um periódico têm sido citados no ano, de acordo</p><p>com o JCR (Journal Citation Reports).</p><p>j. Produção no top percentis (outputs in the top percentiles): esse indicador mostra o grau em que</p><p>as publicações estão presentes em termos percentis no universo de dados analisado. Ele mostra,</p><p>por exemplo, quantas publicações de um grupo, instituição ou país estão no topo de 1%, 10%</p><p>ou 25% dos trabalhos mais citados. Esse indicador também serve para comparar pesquisadores</p><p>que possuem índices semelhantes pelos fatores anteriores.</p><p>k. Colaboração (collaboration): esse indicador mostra o número de publicações de uma</p><p>instituição, pesquisador ou grupo que são produzidas com coautoria. Autorias únicas podem ser</p><p>contabilizadas.</p><p>l. Impacto das colaborações (collaboration impact): esse indicador mostra o impacto da citação</p><p>de uma publicação em colaboração, por exemplo, quantas citações recebeu em nível nacional,</p><p>internacional etc.</p><p>Além dos indicadores, temos ferramentas analíticas digitais que podem ser úteis para mensurar a</p><p>qualidade das pesquisas. O Incites é uma plataforma on-line de avaliação de citações e tem como base</p><p>de dados o Web of Science. O SciVal também é uma ferramenta de análise que tem como base o</p><p>Scopus e o Science Direct. O VantagePoint é uma ferramenta de mineração e análise de dados que</p><p>realiza análises bibliométricas bastando que se tenha a base de dados. O Publish ou Perish é um</p><p>software gratuito que analisa os dados do Google Scholar obtendo várias estatísticas sobre o impacto</p><p>das pesquisas. Por fim, o Google Scholar Metrics é uma das ferramentas mais conhecidas e fácil de</p><p>utilizar para avaliar rapidamente a visibilidade e a influência de produções na ciência.</p><p>ASSIMILE</p><p>O uso de indicadores de produção científica tem sido muito utilizado na avaliação da qualidade de</p><p>pesquisadores e produções acadêmicas. As análises bibliométricas realizadas por meio de indicadores</p><p>são utilizadas também para fomento de recursos às pesquisas científicas.</p><p>ALTMETRIAS NA CIÊNCIA</p><p>Há formas de bibliometrias não tradicionais que surgem como alternativas ou complementos às</p><p>métricas tradicionais. Chamadas de altmetrias (altmetrics), não são baseadas em contagens de citações,</p><p>mas sim no impacto acadêmico medido com base nas pesquisas on-line, mídias sociais, mídias on-line</p><p>etc.</p><p>O surgimento da altmetria pode ser explicado por fatores como: a insatisfação com os medidores</p><p>tradicionais de impacto das pesquisas científicas; a ampliação das ferramentas de rede e das formas de</p><p>comunicação como um todo; a carência de filtros para a seleção de informações relevantes; o</p><p>movimento open access, que visa democratizar o acesso aos resultados das pesquisas científicas.</p><p>Tais ferramentas analisam a quantidade de compartilhamentos em redes sociais, como Facebook,</p><p>Twitter, Blogs etc., citações, menções, comentários, curtidas, downloads, tagueamento, visualizações,</p><p>notícias etc. A altmetria se preocupa com o debate e a repercussão das publicações científicas em toda</p><p>a sociedade; nesse sentido é importante compreender como os resultados das pesquisas têm sido vistos</p><p>e utilizados. São algumas delas:</p><p>a. Altmetric: é uma empresa que rastreia onde as pesquisas publicadas são mencionadas,</p><p>fornecendo formas de monitorar as publicações no meio digital.</p><p>b. Impactstory: é uma ferramenta de código aberto que ajuda os pesquisadores a medir o impacto</p><p>dos resultados de pesquisa em periódicos, blogs, base de dados etc.</p><p>c. Plum Analytics: é uma empresa de altimetria, pertencente à Elsevier, que realiza a mensuração</p><p>de artigos e trabalhos acadêmicos considerando uma ampla base de dados.</p><p>Como acontece com os outros indicadores, cabe lembrar que a altmetria não mede de maneira</p><p>automática a qualidade de um artigo científico, mas auxilia no processo de avaliação do impacto deste.</p><p>Artigos bem citados e publicados em periódicos relevantes têm uma grande chance de serem bons.</p><p>Todavia, é possível existir casos de artigos citados repetidamente pelo fato de terem cometidos grandes</p><p>erros, o que mostra que uma análise da qualidade dos artigos apenas por indicadores de citações nem</p><p>sempre é confiável. Sendo assim, para medir de fato a qualidade de um artigo é indispensável uma</p><p>análise rigorosa sobre o seu conteúdo, metodologia e resultados.</p><p>REFLITA</p><p>A expressão “publish or perish” (publique ou pereça) é uma expressão comum utilizada para</p><p>exemplificar a pressão por publicações no meio científico. Em sua visão, quais são as principais</p><p>vantagens e desvantagens de um ambiente competitivo na produção de conhecimento científico?</p><p>MARKETING CIENTÍFICO DIGITAL</p><p>Com as redes de internet, as formas de comunicação passaram por grandes transformações. Devido à</p><p>grande presença de pessoas on-line, cresceu a necessidade de que a comunicação científica chegue</p><p>nesses espaços. Dada essas novas necessidades, novas práticas de publicação das pesquisas e de</p><p>mensuração de relevância têm sido adotadas no mundo todo, levando à criação da ciência 2.0.</p><p>A ciência 2.0 é pensada a partir da aplicação das tecnologias de redes sociais nos processos de</p><p>produção do conhecimento científico, em especial, no processo de comunicação científica.</p><p>Com o objetivo de melhorar a comunicação científica nesses espaços e seu engajamento, surgiram</p><p>iniciativas como o marketing científico digital. O marketing científico digital é uma modalidade de</p><p>marketing que está sendo utilizada para auxiliar no processo de consumo do conhecimento científico.</p><p>Dessa maneira, ele é utilizado para alavancar uma boa imagem da ciência e de seus resultados</p><p>(produtos), tendo como um dos fins a ampliação da confiança e do investimento nas pesquisas</p><p>científicas.</p><p>Segundo Araújo (2015), o marketing científico busca uma adesão ampla pelo público do discurso</p><p>científico, a promoção e divulgação dos trabalhos visando o reconhecimento das pesquisas em diversos</p><p>âmbitos e a projeção de autores a fim de conquistarem o prestígio e a visibilidade.</p><p>As estratégias de marketing científico digital são definidas com base no tipo de imagem que se quer</p><p>transmitir para o público-alvo. De acordo com Araújo (2015), os pesquisadores, os editores e as</p><p>instituições que buscam o marketing científico precisam observar três fatores indispensáveis:</p><p>a. A presença on-line: é importante que os interessados visem o alcance de um público amplo.</p><p>Criar blogs ou perfis em mídias sociais são ações que auxiliam nesse objetivo.</p><p>b. Oferecimento de um conteúdo adequado ao ambiente: o conteúdo a ser transmitido nas redes</p><p>deve ser criativo e a linguagem adequada à mídia social em questão.</p><p>c. Atuação responsiva: é necessário que se atente à interação com os usuários consumidores do</p><p>conteúdo para que se tenha um bom desempenho no ambiente digital. Sugere-se a criação de</p><p>espaços de participação e colaboração pelos usuários.</p><p>VISIBILIDADE CIENTÍFICA</p><p>Dada a importância das redes de internet no mundo atual, a visibilidade nestas redes tem sido cada vez</p><p>mais almejada pelo impacto social que gera tanto na ampliação do debate acadêmico quanto na</p><p>popularização da ciência. Todavia no âmbito da comunicação científica digital cabe diferenciar as</p><p>diferentes expressões e modalidades de divulgação.</p><p>Por comunicação científica, entende-se a produção e circulação de dados sobre a ciência, tecnologia e</p><p>inovação. Em geral, a comunicação científica se destina a um público especializado, de modo que ela</p><p>se dirige aos periódicos, eventos acadêmicos etc., e geralmente possui a linguagem formal utilizada</p><p>nas pesquisas.</p><p>Por divulgação científica, entende-se um processo de difusão de informação científica ao público mais</p><p>amplo, especializada em um público leigo. Dessa maneira, o discurso e a linguagem científica são</p><p>adequados para atender esse público, pois há a necessidade de tradução de termos científicos para</p><p>termos de entendimento mais popular; o objetivo é fazer com a audiência entenda o assunto.</p><p>Por jornalismo científico, entende-se uma publicação que é produzida e tratada por profissionais de</p><p>jornalismos que têm acesso a dados das pesquisas científicas. O objetivo muitas vezes é comunicar em</p><p>meios de comunicação de massa a informação científica de interesse público, todavia, há casos em que</p><p>as pesquisas são tratadas com sensacionalismos e distorcidas, visando apenas uma maior audiência e</p><p>engajamento do público. Por meio desses canais, os cientistas podem buscar a visibilidade de suas</p><p>pesquisas. Além disso, um fator que tem contribuído para o aumento da visibilidade são as redes de</p><p>colaboração entre os cientistas.</p><p>Atualmente, há uma tendência crescente do processo de internacionalização da ciência que é percebida</p><p>como uma forma de melhoria na qualidade de conhecimento produzido e de democratização da</p><p>produção científica. Essa internacionalização tem sido expressa a partir da participação de autores de</p><p>outros países nas publicações regionais (coautoria), da difusão dos resultados das pesquisas em outros</p><p>idiomas e periódicos internacionais e, também, na mensuração dos impactos das publicações</p><p>internacionais que mostram a influência das pesquisas em outros países. Uma expressão de suas</p><p>vantagens está na contestação realizada por estudos de que o número de citações das publicações que</p><p>envolvam pesquisadores de diferentes países é superior quando comparado ao número de citações das</p><p>publicações estritamente nacionais (GHENO, 2020).</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>O indicador impacto da citação é calculado dividindo o número total de citações obtidas pelo número</p><p>total de publicações. O IC mostra o número médio de citações que uma publicação recebeu em</p><p>determinado período de tempo. Entretanto, o indicador ignora o volume total da produção e isso pode</p><p>causar distorções. Exemplo, o pesquisador X publica um artigo que obtém 50 citações. Por sua vez, o</p><p>pesquisador Y publica 10 artigos com receberam 200 citações. No cálculo do impacto de citação, o</p><p>pesquisador X tem um maior número que o pesquisador Y, mesmo que ele tenha publicado mais.</p><p>Esse caso ilustra que é preciso ter cuidado na interpretação e no uso dos indicadores.</p><p>Assegurar a qualidade da produção científica é parte constitutiva de sua credibilidade. Tão</p><p>fundamental quanto conhecer as etapas da produção científica é saber encontrar produções de</p><p>qualidade. Os indicadores e as ferramentas digitais altimétricas estão disponíveis para nos auxiliar com</p><p>essa tarefa.</p><p>FAÇA A VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>Os indicadores de produção científica surgiram da necessidade cada vez mais crescente de avaliar a</p><p>qualidade de pesquisadores e produções acadêmicas para fins de reconhecimento e mérito acadêmico,</p><p>bem como avaliação comparativa para fomento de recursos às pesquisas científicas.</p><p>Assinale a alternativa que contém um indicador de produção científica.</p><p>a. Scholary Count.</p><p>b. Citation per count.</p><p>c. Scholary Impact.</p><p>d. Citation Impact.</p><p>Correto!</p><p>O citation impact, ou impacto de citação, é um indicador de produção científica que mostra o número</p><p>médio de citações que uma publicação recebeu em determinado período. Ele é calculado pela divisão</p><p>do número total de citações pelo número total de publicações do pesquisador. Há também a versão</p><p>ponderada por área de conhecimento.</p><p>e. Ten year scholary impact.</p><p>Questão 2</p><p>As redes de internet provocaram enormes transformações na comunicação humana e afetaram também</p><p>a forma como se dá o reconhecimento da produção científica, isso porque a insatisfação com os</p><p>medidores tradicionais de impacto de pesquisas levou a um movimento que buscava incluir as redes de</p><p>internet como formas legítimas de mensuração de impacto das produções científicas.</p><p>Assinale a alternativa que nomeia a forma alternativa de bibliometria que o texto se refere:</p><p>a. Scholar Metrics.</p><p>b. Altmetrics.</p><p>Correto!</p><p>Há formas de bibliometrias não tradicionais que surgem como alternativas ou complementos às</p><p>métricas tradicionais. Chamadas de altmetrias, não são baseadas em contagem de citações, mas sim no</p><p>impacto acadêmico medido com base nas pesquisas on-line, mídias sociais, mídias on-line etc. O</p><p>surgimento da altmetria pode ser explicado por fatores como: a insatisfação com os medidores</p><p>tradicionais de impacto das pesquisas científicas; a ampliação das ferramentas de rede e das formas de</p><p>comunicação como um todo; a carência de filtros para a seleção de informações relevantes; o</p><p>movimento open access, que visa democratizar o acesso aos resultados das pesquisas científicas.</p><p>c. Open Access.</p><p>d. Scientific Analytics.</p><p>e. Paywall.</p><p>Questão 3</p><p>A comunicação on-line se consagrou como uma das formas de comunicação mais importantes do</p><p>nosso século. A comunidade científica percebeu a necessidade de ocupar esse espaço, ampliando as</p><p>formas de divulgação científica para as redes sociais. O marketing científico digital surge para</p><p>aumentar a visibilidade da ciência e dos pesquisadores nas redes de internet.</p><p>Assinale a alternativa que contém três fatores a serem observados, considerando uma estratégia de</p><p>marketing científico digital:</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-2%20.item-5</p><p>a. Presença on-line, oferecimento de conteúdo inadequado ao ambiente e atuação</p><p>responsiva.</p><p>b. Presença off-line, oferecimento de conteúdo adequado ao ambiente e atuação interativa.</p><p>c. Presença on-line, oferecimento de conteúdo inadequado ao ambiente e atuação</p><p>prescritiva.</p><p>d. Presença off-line, oferecimento de conteúdo adequado ao ambiente e atuação interativa.</p><p>e. Presença on-line, oferecimento de conteúdo adequado ao ambiente e atuação</p><p>responsiva.</p><p>Correto!</p><p>De acordo com Araújo (2015), os pesquisadores, os editores e as instituições que buscam o marketing</p><p>científico precisam observar três fatores indispensáveis: 1. a presença on-line em mídias como</p><p>Facebook; 2. o oferecimento de um conteúdo adequado ao ambiente (com uma linguagem adequada à</p><p>internet); 3. uma atuação responsiva, procurando ter uma relação</p><p>interativa com os usuários</p><p>consumidores do conteúdo.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Agência USP de Gestão da Informação Acadêmica (AGUIA). Indicadores e Métricas. Publicado em</p><p>novembro, 2016. Disponível em: http://bit.ly/3qcOtO1. Acesso em: 10 dez. 2020.</p><p>ARAÚJO, R. F. Marketing científico digital e métricas alternativas para periódicos: da visibilidade ao</p><p>engajamento. Perspectivas em Ciência da Informação, v. 20, n. 3, p. 67-84, 2015.</p><p>GHENO, E. M. et al. Impacto da internacionalização na visibilidade da produção científica do</p><p>Programa de Pós-Graduação em Ciências Biológicas: BIOQUÍMICA/UFRGS (2007-</p><p>2016). Encontros Bibli: revista eletrônica de biblioteconomia e ciência da informação, v. 25, p. 01-25,</p><p>2020</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>QUAIS MÉTRICAS SÃO UTILIZADAS NA</p><p>PESQUISA?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s2.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://www.aguia.usp.br/apoio-pesquisador/indicadores-pesquisa/lista-indicadores-bibliometricos/</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>A situação apresenta um parecerista que deve analisar dois projetos de pesquisa que buscam</p><p>financiamento. O parecerista faz análise do currículo acadêmico dos pesquisadores. Pela análise da</p><p>tabela anteriormente apresentada, o estudante deve perceber que o pesquisador A tem um índice H</p><p>maior que o pesquisador B e, portanto, deve ser escolhido em uma análise que segue esse critério.</p><p>O pesquisador A tem o índice H = 4, porque o índice H é calculado verificando a quantidade dos</p><p>artigos e a quantidade de citações que eles tiveram. Sendo assim, o pesquisador A tem pelo menos 4</p><p>artigos com pelo menos 4 citações.</p><p>No caso do pesquisador B, ele possui um índice H = 3, porque ele tem pelo menos 3 artigos com pelo</p><p>menos 3 citações.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>BUSCANDO O MARKETING CIENTÍFICO DIGITAL</p><p>O editor chefe de uma revista científica recém-lançada contrata uma agência de marketing com o</p><p>objetivo de aumentar a visibilidade de suas publicações. A agência traz a estratégia do marketing</p><p>científico digital que busca ampliar a comunicação científica ao público mais leigo por meio das</p><p>mídias sociais.</p><p>Para que essa revista ganhe visibilidade nas redes de internet, quais os três fatores indispensáveis a</p><p>serem observados por seus editores, considerando uma estratégia de marketing científico digital?</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>A situação apresenta o editor chefe de uma revista científica que procura uma agência de marketing</p><p>para alavancar a visibilidade nas redes sociais. O estudante deveria relembrar que, de acordo com</p><p>Araújo (2015), os pesquisadores, os editores e as instituições que buscam o marketing científico</p><p>precisam observar três fatores indispensáveis: 1. a presença on-line em mídias como Facebook, 2. o</p><p>oferecimento de um conteúdo adequado ao ambiente (com uma linguagem adequada à internet e 3.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u2s2.html#resolucao%20.item-1</p><p>uma atuação responsiva, procurando ter uma relação interativa com os usuários consumidores do</p><p>conteúdo.</p><p>SEÇÃO 3</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>É POSSÍVEL CONFIAR EM UMA PESQUISA</p><p>CIENTÍFICA?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro estudante,</p><p>Você já deve ter ouvido falar em Fake News. As Fake News são notícias fabricadas que propagam</p><p>mentiras a respeito de um assunto em particular ou sobre uma pessoa, em geral, pública. Elas são</p><p>extremamente danosas à sociedade e muitas vezes causam danos irreversíveis, como a queda brusca</p><p>nas taxas de vacinação de uma população.</p><p>As Fake News devem ser combatidas com informação e conhecimento de qualidade e nós sabemos que</p><p>o conhecimento científico pode ser muito útil nessa tarefa. Devemos criar o hábito de sempre checar as</p><p>informações antes de compartilhá-las. De preferência, devemos nos informar por meios confiáveis,</p><p>incluindo publicações científicas de periódicos de qualidade.</p><p>Atualmente, o processo de avaliação dos manuscritos científicos inclui a utilização de indicadores e</p><p>métricas que auxiliam na garantia da confiabilidade e segurança das informações publicadas. Nesta</p><p>seção, você aprenderá como identificar as Fake News e as formas de combatê-la. É importante saber</p><p>diferenciar as informações de forma genuína, portanto, você também aprenderá sobre as ferramentas e</p><p>os processos envolvidos na análise da qualidade de publicações e pesquisadores, incluindo o controle</p><p>dos interesses que podem interferir negativamente na produção do conhecimento científico.</p><p>Um parecerista contratado por uma agência de fomento à pesquisa é responsável pela análise técnica</p><p>de dois projetos de pesquisa que buscam financiamento. Os recursos são limitados, portanto, de acordo</p><p>com a avaliação do parecerista, o melhor projeto receberá todos os recursos.</p><p>Nos projetos não constam os nomes dos pesquisadores participantes a fim de evitar conflito de</p><p>interesses, todavia, o parecerista percebe que um dos projetos envolve a pesquisa no laboratório Finz,</p><p>em que é colaborador. A decisão do parecerista é favorável ao financiamento desse projeto.</p><p>Explique se há indícios de conflito de interesses nessa avaliação e quais providências deveriam ter sido</p><p>tomadas.</p><p>Nossas preferências não determinam o que é verdade.</p><p>Carl Sagan</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>QUALIDADE DAS PUBLICAÇÕES</p><p>Como se sabe, a produção de conhecimento científico envolve algumas etapas, dentre elas duas são</p><p>essenciais: a produção de conhecimento – dada pela condução da investigação – e a divulgação dos</p><p>resultados – feita pelas publicações e comunicações em meios especializados. Ao submeter um artigo a</p><p>uma revista, o manuscrito é geralmente submetido à revisão por pares e sua aprovação se dá quando os</p><p>critérios e as condições que regem uma boa pesquisa são seguidos pelos cientistas.</p><p>O número de artigos submetidos para publicação cresce vertiginosamente. Por conta desse</p><p>crescimento, os sistemas de avaliação passaram por mudanças como a criação de métricas e</p><p>indicadores que facilitassem na avaliação da qualidade dos trabalhos publicados. Um dos indicadores</p><p>mais utilizados se chama Fator de Impacto (FI). O FI mostra quanto um periódico contribuiu para o</p><p>avanço de uma área a partir do número de citações dos artigos publicados por ele. Esse indicador é</p><p>utilizado para avaliar as revistas científicas do mundo todo, se utiliza do International Scientific</p><p>Indexing (ISI), um banco de dados com periódicos selecionados.</p><p>Com a popularização do FI, muitas revistas também passaram a utilizá-lo na avaliação dos</p><p>pesquisadores, abrindo uma tendência que hoje é denominada de “produtivismo acadêmico” e também</p><p>muito criticada por exigir que o pesquisador publique cada vez mais, acarretando, muitas vezes, que</p><p>ele não dê a importância devida para a qualidade do que é publicado.</p><p>O FI é calculado levando em conta um ano como período, trata-se de ver a soma de todas as citações</p><p>que a revista recebeu nos dois anos</p><p>anteriores e fazer a divisão pelo total de artigos publicados dentro</p><p>desse período. Surgiram também variações desse índice, como o Índice de Imediatez, que faz o mesmo</p><p>cálculo, mas não leva em conta o período de dois anos, favorecendo a análise das revistas criadas a</p><p>pouco tempo.</p><p>Apesar da relevância do FI para a bibliometria na ciência, pondera-se que o FI pode apresentar</p><p>distorções, afinal, artigos com erros grosseiros podem ser citados como uma forma de exemplificar o</p><p>que não deve ser feito. Nesse sentido, há a necessidade de uma análise global que leve em conta outros</p><p>fatores a fim de garantir a qualidade do periódico e dos artigos publicados.</p><p>Na esteira da busca por métricas de avaliação de periódicos, surgiu o processo de indexação. A</p><p>indexação se tornou um reflexo da qualidade dos periódicos, uma vez que as revistas indexadas são</p><p>consideradas de maior qualidade científica. Um periódico indexado nada mais é do que uma revista</p><p>que faz parte de uma base de dados reconhecida como Scopus, Web of Science, Scielo etc.</p><p>Considera-se que as revistas indexadas possuem um trabalho metodológico rigoroso na avaliação dos</p><p>artigos submetidos. Os editores almejam que suas revistas sejam indexadas de modo a atestar o</p><p>patamar de qualidade de suas publicações. Um dos indexadores mais conhecidos é Scopus, uma base</p><p>multidisciplinar relevante na área médica, assim como o PubMed. Temos também a SciELO, que</p><p>abrange uma coleção de periódicos brasileiros, considerada a maior base de acesso aberto da América</p><p>Latina.</p><p>Há outras bases de dados indexadoras como a Directory Open Access Journals (DOAJ), que é um</p><p>diretório on-line de acesso aberto e independente; seu financiamento se dá por doações. Temos a</p><p>Redalyc, uma base de revistas em acesso aberto ibero-américas. Além dessas, uma das mais</p><p>conhecidas e relevantes indexadoras é a Web of Science, baseada em assinatura e permite uma</p><p>exploração profunda dos campos e subcampos de uma área de pesquisa.</p><p>Tanto o Scopus quanto o Web of Science são consultados somente mediante o pagamento de um plano</p><p>de assinatura. Todavia, é prática comum as universidades públicas possuírem acesso, como acontece</p><p>aqui no Brasil.</p><p>Por fim, no campo da educação, temos como mais conhecidas as bases Educ@ e Edubase. Há ainda</p><p>outras bases indexadoras, caberá o pesquisador buscar conhecer quais são as mais relevantes na sua</p><p>área de estudos.</p><p>ASSIMILE</p><p>O Fator de Impacto (Impact Factor) é uma das métricas mais utilizadas na avaliação de revistas</p><p>científicas atualmente. Ele contabiliza as citações recebidas, sendo utilizado no Brasil até por</p><p>comissões que compõem a Qualis Periódicos. O cálculo é feito somando todas as citações que a revista</p><p>recebeu no prazo de dois anos e dividindo pelo número total de publicações desse mesmo período. O</p><p>fator de impacto é criticado principalmente por não distinguir as revistas mais recentes das revistas</p><p>tradicionais, além de não distinguir áreas que podem possuir características de produção diferentes.</p><p>QUALIDADE DOS PESQUISADORES</p><p>Os pesquisadores fazem da ciência um processo contínuo de investigação, são eles que desenvolvem</p><p>as pesquisas e publicam os resultados, que, muitas vezes, configuram-se como o ponto de partida da</p><p>investigação. São os pesquisadores também que avaliam seus pares, recompensam os méritos ou</p><p>aplicam punições quando se infringe as regras e os valores da ética científica. A organização da ciência</p><p>se dá com base em uma troca de informações visando reconhecimento social. Segundo Bourdieu</p><p>(1994), o campo científico é um campo de disputas em que os cientistas concorrem entre si pelo</p><p>alcance da autoridade científica e do poder social que isso traz. Por essas razões, o campo científico é</p><p>permeado de diversos interesses.</p><p>É um mito comum achar que os cientistas são desinteressados em suas investigações. Na verdade,</p><p>como todos os seres humanos possuem motivações para realizar determinadas tarefas, os</p><p>pesquisadores possuem motivações para realizar suas pesquisas. Eles podem se importar com o avanço</p><p>da ciência, mas também com o ganho da autoridade científica ou ainda com a vontade de aprenderem e</p><p>crescerem intelectualmente. O pesquisador compartilha de anseios que são da própria natureza</p><p>científica, como a vontade de trazer algum avanço na sua área de pesquisa, bem como anseios</p><p>pessoais, como o desejo de sucesso profissional.</p><p>Tais motivações acabam afetando a prática científica no sentido de que, muitas vezes, os pesquisadores</p><p>vão se interessar pelas questões mais relevantes de uma área pelo desejo de que os outros percebam da</p><p>mesma maneira a relevância de sua pesquisa. Os anseios pessoais, segundo Bourdieu (1994), não só</p><p>podem influenciar na escolha dos objetos da pesquisa, como também nos métodos empregados na</p><p>pesquisa, isto é, o cientista que se preocupa com o reconhecimento social buscará métodos que são</p><p>aceitos e reconhecidos pelos seus pares.</p><p>Dessa maneira, a contribuição que o pesquisador faz à sociedade é um dos aspectos relevantes que</p><p>contam para seu reconhecimento no meio científico. Como os outros pesquisadores também possuem a</p><p>vontade de serem reconhecidos, eles competem entre si, de forma que a análise de seus pares se torna</p><p>extremamente rigorosa.</p><p>Para Merton (1985), dado esse contexto, além de buscar a aceitação por seus pares, o objetivo do</p><p>pesquisador é afirmar sua autoridade científica. Para isso, os pesquisadores precisam saber escolher</p><p>problemas que sejam relevantes para toda a comunidade e não só para eles próprios, na intenção de</p><p>propor uma solução adequada a ele.</p><p>A reputação junto com seus pares também pesa no alcance desse reconhecimento. Bolsas de pesquisa e</p><p>prêmios obtidos pelos pesquisadores são formas de obter seu reconhecimento. Pesquisadores que</p><p>cometem fraudes podem tornar sua imagem negativa na comunidade científica de uma forma</p><p>irreversível.</p><p>Como a ciência é um campo em disputa, de acordo com Bourdieu (1994), os pesquisadores mais</p><p>antigos e que ocupam as posições de prestígios terão resistências quanto a novas teorias ou</p><p>corroborações que questionem seus trabalhos e ameacem seu status de autoridade no assunto. Essas</p><p>novas teorias que provocam rupturas com os conhecimentos estabelecidos enfrentam muita dificuldade</p><p>e críticas, todavia, caso o cientista consiga superá-las, ele ganhará grande destaque profissional. É por</p><p>essa razão que, atualmente, quanto mais impacto uma publicação científica tem, maior qualidade se</p><p>atribui a ela.</p><p>Com o intuito de avaliar a excelência acadêmica de um cientista utiliza-se indicadores que traçam</p><p>análises sobre a quantidade de pesquisas publicadas, o número de citações em determinada área etc.</p><p>Um dos indicadores mais utilizados é o Índice H (h-index), que mede o equilíbrio entre a</p><p>produtividade e o impacto das citações. Por exemplo, um índice h de 10 indica que 10 artigos foram</p><p>citados pelo menos 10 vezes cada. Todavia, hoje se sabe que essas avaliações devem contemplar a</p><p>qualidade do conteúdo dessas publicações.</p><p>A busca por reconhecimento pessoal, incentivos financeiros, questões sociais e geopolíticas, conflitos</p><p>de interesses, são fatores que influenciam na produção científica e, consequentemente, ditam a</p><p>qualidade dos artigos e a qualidade dos pesquisadores. É necessário analisar a ciência como atividade</p><p>humana em construção que tem como característica seu caráter colaborativo. O modo como o campo</p><p>científico se configurou inibe quaisquer romantismos e idealismos em relação à produção de</p><p>conhecimento científico. Assim, não se trata de impedir que os pesquisadores tenham seus próprios</p><p>interesses, trata-se de colaborar para que a vontade de contribuir com o avanço da ciência e da</p><p>sociedade prevaleça em relação às demais.</p><p>REFLITA</p><p>É comum dizer que as crianças são cientistas natos, todavia, nem todo mundo segue a carreira de</p><p>cientista na fase adulta. Em sua visão, o que motiva um cientista a fazer seu trabalho?</p><p>Quais fatores</p><p>podem inibir essa motivação?</p><p>CONFLITO DE INTERESSES</p><p>Como dito anteriormente, os cientistas são responsáveis pela produção de conhecimento científico em</p><p>diversos âmbitos e, como seres humanos, os cientistas possuem motivações e interesses tanto</p><p>compartilhados quanto pessoais. A fim de que a motivação principal seja sempre a contribuição</p><p>genuína com a área de estudo, os pesquisadores desenvolvem mecanismos para inibir os conflitos de</p><p>interesse que porventura surgem durante as investigações. Conflitos de interesse podem interferir</p><p>negativamente na credibilidade da produção científica.</p><p>cientificamente válidos.</p><p>Tais conflitos se referem tanto a problemas com financiamentos de pesquisas e patrocinadores, por</p><p>exemplo, como também se somam aos interesses relacionados ao prestígio acadêmico, aos poderes</p><p>sociais e ao reconhecimento almejados pelos cientistas. Em situações em que há conflito de interesses,</p><p>o julgamento do pesquisador é potencialmente afetado, isto é, o cientista pode manipular os resultados</p><p>de uma pesquisa a fim de que corroborem com os resultados esperados pela empresa que patrocina o</p><p>estudo. Se não há um controle rigoroso sobre esse processo e se o conflito de interesse não for</p><p>identificado, a credibilidade da pesquisa pode ser minada.</p><p>Para melhor ilustrar uma situação de conflito de interesses, suponhamos um caso comum do meio</p><p>médico. Antes de um medicamento ser colocado à venda, ele precisará passar por testes para que sua</p><p>eficácia e segurança sejam comprovadas. Todavia, muitas vezes as pesquisas são financiadas pelas</p><p>empresas que possuem interesse na venda desse medicamente, além disso, os pesquisadores são,</p><p>geralmente, funcionários dessas empresas e, por consequência, também estão interessados na</p><p>manutenção dos seus empregos e no sucesso comercial da empresa.</p><p>Pode ser que tais interesses, ainda que existam e que devem ser reconhecidos, não atrapalhem a boa</p><p>condução da pesquisa, porque os pesquisadores seguiram a metodologia científica com o máximo de</p><p>rigor e possuem o interesse ético em contribuir positivamente com a sociedade, reduzindo ao máximo</p><p>os riscos de efeitos colaterais no uso desse medicamento. Todavia, pode ser também que tais interesses</p><p>conflitem e o interesse da empresa de colocar o medicamento para ser vendido prevaleça frente à</p><p>questão da segurança do mesmo.</p><p>A responsabilidade por observar esses conflitos de interesse é de todos os atores envolvidos na</p><p>produção de conhecimento científico: pesquisadores, orientadores, editores, universidades,</p><p>patrocinadores etc. Todos eles podem se encontrar em meio a situações de conflito de interesses pelas</p><p>mais variadas motivações e devem identificar prontamente a natureza desse conflito. Em geral, sugere-</p><p>se que a identificação desse conflito também seja inserida no artigo, na seção de discussão, por</p><p>exemplo.</p><p>A revisão por pares, a qual os artigos são submetidos antes de serem publicados, geralmente ocorre em</p><p>uma abordagem duplo cego para inibir conflito de interesses. Os avaliadores dos manuscritos não</p><p>podem ter ciência dos autores dos artigos, a fim de preservar o julgamento estritamente profissional,</p><p>eliminando qualquer interferência de questões pessoais, como relações pessoais ou profissionais</p><p>favoráveis ou desfavoráveis entre o avaliador e o avaliado, decorrentes da competição acadêmica, por</p><p>exemplo.</p><p>Diversos conflitos de interesses podem aparecer durante a condução de uma pesquisa e é tarefa do</p><p>pesquisador reconhecê-los. Além disso, deverá demonstrar quais medidas foram tomadas para</p><p>controlar tais influências com o propósito de não comprometer a credibilidade dos resultados. Cada</p><p>caso pode exigir uma estratégia diferente, o que dificulta a explanação de fórmulas prontas de</p><p>resolução desses conflitos.</p><p>Ainda assim, dois princípios podem ser observados: o princípio da plena informação e o princípio da</p><p>verificabilidade. O primeiro atesta que toda a sociedade deve ser informada sobre os potenciais</p><p>conflitos de interesse de uma pesquisa. O segundo preza pelo tratamento crítico dos resultados de</p><p>pesquisas antes de serem considerados cientificamente válidos.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>Suponha que um pai seja o árbitro no jogo de futebol do seu filho. Apesar do pai ser uma pessoa</p><p>absolutamente íntegra, temos aqui um exemplo de conflito de interesses: a vontade de que seu filho</p><p>tenha um bom desempenho conflita com a necessidade de conduzir a partida com imparcialidade.</p><p>Muitas decisões que o árbitro toma envolvem sua percepção e, portanto, sua subjetividade. Nessas</p><p>circunstâncias, nem todas as decisões parciais podem ser controladas ou evitadas. A regra geral para</p><p>evitar o conflito de interesses é afastar todos aqueles que serão potencialmente beneficiários da função</p><p>de juízes e avaliadores. Entretanto, pode haver situações mais complexas que fogem da aplicação dessa</p><p>regra de forma integral e requerem uma avaliação minuciosa caso por caso.</p><p>CIÊNCIA VERSUS FAKE NEWS</p><p>Nos dias de hoje, o termo Fake News tem sido adotado como referência às notícias que divulgam</p><p>informações falsas ou manipuladas e que têm dominado as mídias digitais em escala global. A ciência,</p><p>embora preserve sua integridade pelo rigor na aplicação do método científico, não está imune de seus</p><p>efeitos.</p><p>As Fake News também podem se perpetuar utilizando de bases supostamente científicas a fim de</p><p>convencer o maior número de pessoas. Sua atuação pode ser vista tanto em reportagens</p><p>sensacionalistas sobre assuntos científicos na mídia em geral, que podem ser mal-intencionadas ou</p><p>não, quanto por notícias falsas deliberadamente fabricadas.</p><p>Falsificações que se pretendem científicas podem exercer efeitos extremamente negativos em uma</p><p>sociedade, como exemplificado por Peter Schulz por meio do caso “O Projeto Huemul”, desenvolvido</p><p>de 1948 a 1952, na Argentina, sob o comando do presidente Juan Perón.</p><p>Perón foi profundamente influenciado por um autoproclamado cientista alemão chamado Ronald</p><p>Richter, que migrou para a Argentina depois da derrota do nazismo, a desenvolver esse projeto.</p><p>Segundo Richter, seria possível, através de um projeto de controle de fusão nuclear, produzir energia</p><p>barata e sem lixo radioativo, o que elevaria a Argentina ao título de primeira potência mundial. Perón</p><p>investiu enorme esforço governamental e muito dinheiro público para que esse projeto fosse</p><p>desenvolvido e os experimentos de Richter não resultaram em nada. A fraude foi desmascarada por</p><p>José Antônio Balseiro, um cientista de verdade.</p><p>Além disso, as Fake News podem provocar sequelas permanentes em pessoas quando divulgam</p><p>supostos efeitos negativos das vacinas, por exemplo. Alegações totalmente falsas como “vacina contra</p><p>meningite vai dar meningite” são comuns nas redes, mas carecem totalmente de comprovação</p><p>científica e se contrapõem ao conhecimento já seguramente estabelecido sobre as vacinas. As Fake</p><p>News já levaram a uma queda expressiva na vacinação em diversos lugares do mundo.</p><p>A melhor forma de combater as Fake News é pela informação, mas não basta afirmar a autoridade</p><p>científica, é preciso contribuir no sentido de fazer as pessoas entenderem o porquê tais afirmações são</p><p>falsas. É necessário levar o conhecimento básico científico até as pessoas, além disso, é preciso</p><p>incentivar o pensamento científico para que se desenvolva o pensamento crítico.</p><p>Há alguns passos básicos para identificar se uma notícia é falsa. O primeiro deles é verificar a fonte da</p><p>informação, o site em que está sendo divulgado e o autor do conteúdo. Todavia, muitos sites possuem</p><p>nomes semelhantes a sites confiáveis, sendo necessário estar atento à autenticidade daquele endereço.</p><p>O segundo passo é verificar a estrutura do texto, pois as Fake News frequentemente apresentam erros</p><p>de português que mostram que o texto não foi revisado. Também apresentam um teor sensacionalista e</p><p>muitas afirmações, com explicações rasas e simplórias dos assuntos.</p><p>O terceiro passo é verificar a data de publicação. Muitas vezes notícias antigas são divulgadas como</p><p>sendo novas. Além disso, é necessário ir além do título e do subtítulo. Frequentemente, o conteúdo</p><p>contradiz o que se está dizendo no título.</p><p>O quarto passo é checar as afirmações feitas em outros sites, utilizando mecanismos de pesquisa como</p><p>Google, Bing etc., também é importante acessar os indexadores de artigos e revistas de referência,</p><p>como PubMed para a área médica, que divulga informações especializadas sobre o assunto e tais</p><p>informações são publicadas apenas quando já se deu a revisão por pares. Há também diversos blogs e</p><p>sites que se preocupam em desmentir as notícias falsas que estão circulando na web, além de agências</p><p>de checagem que fazem esse trabalho de monitoramento e correção.</p><p>Por fim, cabe frisar que, se tratando de assuntos complexos, não existem respostas absolutas. É</p><p>prudente sempre adotar uma postura questionadora, compatível com o pensamento científico, a fim de</p><p>evitar consumir conteúdos de pessoas que parecem donos da verdade e que pregam conspirações ou</p><p>pseudociências. Além disso, o não compartilhamento dessas notícias, mesmo que para criticá-las, é</p><p>importante, porque o compartilhamento em si traz engajamento ao conteúdo e, com frequência, ajuda a</p><p>disseminá-las.</p><p>FAÇA A VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>Os indicadores de produção científica surgiram como reação ao grande volume de publicações</p><p>científicas a partir dos anos 1960. A necessidade de avaliar as boas e más produções se alinhou à</p><p>constatação de que os recursos para pesquisa são limitados e devem ser dados àquelas que trazem</p><p>contribuições positivas à sociedade.</p><p>Assinale a alternativa que contém um indicador de produção científica:</p><p>a. Fator de Citação.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-1</p><p>b. Fator de Publicação.</p><p>c. Fator de Relevância.</p><p>d. Fator de Impacto.</p><p>Correto!</p><p>Um dos indicadores mais utilizados na avaliação científica se chama Fator de Impacto (FI). O FI</p><p>mostra quanto um periódico contribuiu para o avanço de uma área, a partir do número de citações dos</p><p>artigos publicados por ele. Esse indicador é utilizado para avaliar as revistas científicas do mundo</p><p>todo, se utiliza do ISI, um banco de dados com periódicos selecionados.</p><p>e. Fator de Confiança.</p><p>Questão 2</p><p>É importante ter muito cuidado ao navegar na internet. Em uma pesquisa rápida, encontramos milhões</p><p>de sites e portais de notícias que nem sempre constituem fontes seguras de informação. Em verdade,</p><p>atualmente, alguns deles foram criados para enganar e manipular a opinião pública, dando origem à</p><p>explosão de notícias falsas que conhecemos atualmente.</p><p>Assinale a alternativa que contém o termo utilizado para nomear o fenômeno que o texto se refere:</p><p>a. Fake Fact.</p><p>b. Fake View.</p><p>c. Fake News.</p><p>Correto!</p><p>Fake News é um termo usado para se referir a notícias fabricadas com a intenção de enganar as</p><p>pessoas. Essas notícias falsas têm sido utilizadas amplamente visando o abalo da reputação de pessoas,</p><p>em geral, públicas e a manipulação da opinião popular sobre um tema específico. Elas devem ser</p><p>combatidas porque podem causar muitos danos à sociedade.</p><p>d. Fake Idea.</p><p>e. Fake Count.</p><p>Questão 3</p><p>Os ___________ são comuns na avaliação da ___________. Como os ___________, em geral,</p><p>também são pesquisadores, eles podem conhecer os ___________ do projeto avaliado ou ainda estar</p><p>ligado às ___________ em que tais projetos são desenvolvidos. Entretanto, o conflito de interesse deve</p><p>ser imediatamente controlado, a fim de garantir a ___________ da avaliação.</p><p>Assinale a alternativa que preencha correta e respectivamente as lacunas:</p><p>a. conflitos de interesse; pesquisa acadêmica; avaliadores; participantes; habitações;</p><p>parcialidade.</p><p>b. conflitos de interesse; pesquisa científica; avaliadores; desenvolvedores; instituições;</p><p>integridade.</p><p>Correto!</p><p>Os conflitos de interesse são comuns na avaliação da pesquisa científica. Como os avaliadores em</p><p>geral, também são pesquisadores, eles podem conhecer os desenvolvedores do projeto avaliado ou</p><p>ainda estar ligado às instituições em que tais projetos são desenvolvidos. Entretanto, o conflito de</p><p>interesse deve ser imediatamente controlado, a fim de garantir a integridade da avaliação.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-2%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-2</p><p>c. conflitos de interesse; pesquisa acadêmica; redatores; participantes; habitações;</p><p>maleabilidade.</p><p>d. conflitos de interesse; pesquisa científica; redatores; participantes; instituições;</p><p>parcialidade.</p><p>e. conflitos de interesse; pesquisa acadêmica; avaliadores; desenvolvedores; habitações;</p><p>comunicabilidade.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BOURDIEU, P. O campo científico. In: ORTIZ, Renato (org.). Pierre Bourdieu: Sociologia. Trad. de</p><p>Paula Montero e Alícia Auzmendi. São Paulo: Ática, 1983 b, p.122- 155.</p><p>DELMAZO, C.; VALENTE, J. C.L. Fake news nas redes sociais online: propagação e reações à</p><p>desinformação em busca de cliques. Media & Jornalismo, v. 18, n. 32, p. 155-169, 2018.</p><p>DROESCHER, F. D.; SILVA, E. L. da. O pesquisador e a produção científica. Perspectivas em</p><p>ciência da informação, v. 19, n. 1, p. 170-189, 2014.</p><p>GREGOLIN, J. A. R. et al. Capítulo 5-Análise de Indicadores de Produção Científica. 2004.</p><p>MERTON, R. K. La sociología de la ciencia. Madri, Alianza Editorial, 2 vol., 1985.</p><p>REGO, S.; PALÁCIOS, M. Conflitos de interesses e a produção científica. Revista Brasileira de</p><p>Educação Médica, v. 32, n. 3, p. 281-282, 2008.</p><p>SANTOS, G. C.; XAVIER, I. D. C. M. Fontes de indexação importantes para a pesquisa. Blog PPEC,</p><p>Campinas, v.2, n.2, fev. 2018. ISSN 2526-9429. Disponível em: https://bit.ly/3sOHs7U. Acesso em:</p><p>20 jan. 2021.</p><p>SANTOS, L. H. L. dos; PEREZ, J. F. Conflito de interesses: um desafio inevitável. Revista Pesquisa</p><p>FAPESP, n. 62, p. 12, 2001</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>É POSSÍVEL CONFIAR EM UMA PESQUISA</p><p>CIENTÍFICA?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u2s3.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://periodicos.sbu.unicamp.br/blog/index.php/2018/02/28/indexacao/</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>A situação-problema envolve um parecerista que é responsável pela avaliação de dois projetos de</p><p>pesquisa que buscam financiamento. O projeto de pesquisa escolhido pelo avaliador é o projeto que se</p><p>desenvolverá em um laboratório no qual o parecerista é colaborador. Nesse caso, está claro a presença</p><p>de um conflito de interesses: o parecerista procurará escolher o projeto em questão porque os recursos</p><p>disponíveis irão para o laboratório onde é colaborador.</p><p>Ao invés de tomar uma decisão, o parecerista deveria notificar o conflito de interesse para a agência de</p><p>fomento, a fim de que eles troquem de especialista na avaliação dessa demanda. Não sendo possível a</p><p>troca do parecerista, ele deve deixar claro que é parte interessada e caberá uma revisão da</p><p>administração ao dar a decisão final.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>COMBATENDO FAKE NEWS</p><p>Como pesquisador científico, você é convidado por um jornal de grande circulação para falar dos</p><p>efeitos nocivos que as Fake News podem causar à sociedade como um todo. O jornal pede que você</p><p>formule um roteiro com os principais meios para reconhecer a falsidade de uma notícia. Elenque cinco</p><p>passos a serem seguidos pelos leitores que os auxiliarão nessa tarefa.</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>Alguns passos básicos para identificar fake news:</p><p>1. Ir além do título. Muitas vezes os títulos contradizem ou distorcem o conteúdo publicado.</p><p>2. Verificar a fonte da informação. Existem sites confiáveis em que a notícia foi publicada?</p><p>3. Verificar a gramática e estrutura lógica do texto. As notícias falsas frequentemente possuem erros</p><p>de português ou mesmo contradições.</p><p>4. Verificar a data da publicação. Muitas vezes notícias antigas são republicadas a fim de</p><p>modificarem alguma circunstância atual. É comum o uso delas durante as eleições.</p><p>5. Verificar as informações por meio de pesquisas sobre o tema e em sites que fazem</p><p>sistematicamente a verificação de notícias falsas, como agências de checagem de fatos.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u2s3.html#resolucao%20.item-1</p><p>UNIDADE 3</p><p>SEÇÃO 1</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>QUAL É SUA PERGUNTA E COMO RESPONDÊ-LA?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>CONVITE AO ESTUDO</p><p>Caro estudante,</p><p>Você já deve ter feito perguntas como “Por quê?” e “Como?” muitas vezes na vida. Essa é uma</p><p>facilidade especialmente das crianças. Nós nascemos curiosos para saber a origem das coisas e a</p><p>causas dos fenômenos que observamos. A curiosidade é uma das características elementares do ser</p><p>humano.</p><p>O ser humano encontrou muitas formas de sanar suas dúvidas. Uma dessas formas, considerada a mais</p><p>confiável, é o método científico. Ao longo das tentativas da humanidade de desenvolver um</p><p>conhecimento seguro, foram desenvolvidas regras e procedimentos básicos que colocavam o ser</p><p>humano mais próximo do conhecimento verdadeiro. Tais regras formam o método científico, que tem</p><p>como etapa inicial a elaboração de um problema ou uma questão a ser investigada pelo pesquisador.</p><p>Na pesquisa científica, as perguntas ganham uma forma específica, seguindo certas regras e princípios,</p><p>com a finalidade de tornar possível a condução de uma pesquisa com metodologia e rigor científico.</p><p>Por essa razão, as perguntas científicas geralmente são menos vagas e mais claras dos que as que</p><p>fazemos no nosso dia.</p><p>Fazer perguntas em ciência é uma prática constante que não termina com a elaboração do projeto de</p><p>pesquisa. Na verdade, a todo o momento da pesquisa, o cientista pode se sentir motivado a fazer</p><p>perguntas, especialmente quando suas hipóteses não são corroboradas pela experiência, isso deve fazer</p><p>o cientista se perguntar como e por quê a experiência é diferente do que se pensava. Dessa forma, fazer</p><p>ciência implica em saber fazer as perguntas da maneira correta.</p><p>Convido-lhe a exercitar a sua curiosidade a partir da abordagem da ciência que envolve, entre outras</p><p>coisas, investigar as causas, elaborar hipóteses, resolver problemas, criar soluções.</p><p>Caro estudante,</p><p>Você já deve ter visto como a ciência e a tecnologia estão presentes em nossa vida cotidiana em</p><p>diversos segmentos. Por trás de toda construção desses artefatos ou conhecimentos estão as perguntas,</p><p>elas são muito importantes porque configuram a motivação do cientista para iniciar uma investigação.</p><p>Toda pesquisa deve conter um problema a ser tratado ou uma pergunta como fio condutor. Tais</p><p>problemas ou perguntas possuem fontes diversas, que podem surgir a partir de conversa com</p><p>familiares, de uma reflexão individual, de uma conversa com colegas de faculdade ou trabalho. Mas há</p><p>uma série de adaptações a serem feitas para que essa curiosidade inicial se torne uma pergunta</p><p>científica que possibilite o desenvolvimento de uma pesquisa.</p><p>No desenvolvimento da pesquisa, há a formulação inicial do problema, a elaboração do projeto de</p><p>pesquisa (que consiste em um planejamento rigoroso de cada etapa da pesquisa), a criação de um</p><p>modelo de análise (as hipóteses a serem testadas), que é a forma do pesquisador quantitativo de testar a</p><p>resposta que acha mais plausível para sua pergunta, a coleta e análise de dados e a comunicação dos</p><p>resultados.</p><p>Saber conduzir uma boa pesquisa é essencial tanto a produção de conhecimento básico, quanto para a</p><p>produção de conhecimento aplicado, financiados por empresas ou governos.</p><p>O conhecimento dessas etapas e desses procedimentos que envolvem todo o método científico não só</p><p>possibilitará o desenvolvimento de uma boa pesquisa, mas também exercitará o seu pensamento</p><p>crítico. A partir do conhecimento de como uma pesquisa deve ser conduzida, você se tornará mais</p><p>capaz de julgar quando uma pesquisa é rigorosa ou não com seus resultados. Por sua vez, ficará mais</p><p>difícil de acreditar em notícias sensacionalistas, pseudociências e fórmulas mágicas de resolução de</p><p>problemas que não são verificadas ou que ainda não foram replicadas por uma comissão independente.</p><p>Imagine que você trabalha em uma empresa química em que o departamento de marketing quer</p><p>verificar o efeito da propaganda na venda de álcool em gel. Com as informações dos faturamentos</p><p>anteriores desse produto, a empresa começa a fazer grandes campanhas publicitárias e o faturamento</p><p>desse produto no mês seguinte, fevereiro, é significativamente maior.</p><p>O departamento de marketing imediatamente comemora os resultados e supõe que a propaganda</p><p>provocou um efeito positivo nas vendas do produto. Para comprovar essa hipótese, você é convocado</p><p>enquanto pesquisador a realizar o teste da hipótese. Você elabora os seguintes enunciados:</p><p>Observação 1: As vendas do álcool em gel aumentaram no mês de fevereiro.</p><p>Hipótese básica: Elas aumentaram em decorrência do investimento em propaganda pela empresa.</p><p>Hipótese alternativa: Há algum outro fator externo, como preocupação com a saúde, que elevou o</p><p>faturamento do produto.</p><p>Quais seriam os possíveis procedimentos a serem realizados a fim de confirmar ou refutar as</p><p>hipóteses?</p><p>“A ciência é muito mais do que um corpo de conhecimento. É uma maneira de pensar.”</p><p>Carl Sagan</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>COMO FAZER PESQUISA CIENTÍFICA: ELABORANDO PERGUNTAS</p><p>Um dos primeiros passos ao desenvolver uma pesquisa científica passa por elaborar a pergunta de</p><p>pesquisa, isso porque, ao desenvolver uma pesquisa, o pesquisador tem em si alguma inquietação,</p><p>dúvida ou problema que almeja sanar. A pergunta da pesquisa é justamente essa incerteza</p><p>que o</p><p>pesquisador possui sobre determinado assunto e que o encoraja a desenvolver uma investigação, mas,</p><p>se engana quem pensa que o produto final de toda investigação é a solução dessa pergunta. Na</p><p>verdade, mesmo quando é possível produzir respostas satisfatórias a uma dada pergunta (e nem sempre</p><p>é possível), outras questões surgem decorrentes da investigação, além da existência própria daquelas</p><p>que tangenciam a pesquisa e sequer foram tratadas.</p><p>Há ainda as questões-problemas que surgem a partir de um avanço na ciência. As novas tecnologias e</p><p>os novos instrumentos utilizados pela ciência geraram uma série de perguntas sobre questões já</p><p>conhecidas que originaram novos paradigmas de pesquisa. Essa capacidade de gerar novas perguntas é</p><p>uma marca do pensamento científico. Dessa maneira, não faltam incertezas a serem trabalhadas em</p><p>projetos de pesquisa. O desafio que se coloca ao pesquisador é conseguir elaborar uma questão que</p><p>possa ser transformada em um “plano de estudo factível e válido” (HULLEY, 2008, p. 36).</p><p>São muitas as origens dos problemas de pesquisa. Um pesquisador mais experiente geralmente toma</p><p>como questão de pesquisa os problemas encontrados em seus estudos anteriores. Um pesquisador</p><p>iniciante pode e deve revisar a literatura sobre determinado tema, a fim de encontrar questões abertas.</p><p>Ele deve procurar ter um certo domínio sobre a literatura do campo de estudo que almeja começar uma</p><p>investigação. Os livros, as revisões sistemáticas e os eventos de comunicação de pesquisa são bons</p><p>pontos de partida tanto para quem sabe ou não se sabe qual questão estudar. Os eventos de</p><p>comunicação científica são grandes oportunidades de conhecimento para o pesquisador iniciante</p><p>porque ele terá contato com pesquisas mais recentes da sua área, poderá conversar com pesquisadores</p><p>experientes que já passaram pela fase que ele está, poderá sanar dúvidas sobre as referências</p><p>bibliográficas mais relevantes, além de formar parcerias de pesquisa. Não se esqueça: a ciência é uma</p><p>construção coletiva e não individual!</p><p>Para elaborar um projeto de pesquisa, aconselha-se que o pesquisador procure um orientador que pode</p><p>ser tanto um professor quanto um profissional especialista na área. Ele ou ela saberá avaliar se, à luz</p><p>do campo estudado, a questão elaborada pelo pesquisador é adequada visando os métodos e as</p><p>ferramentas da área disponíveis, isso porque algumas questões são interdisciplinares ou muito</p><p>abrangentes e precisam ser delimitadas para garantir a boa condução do estudo. Há também pesquisas</p><p>que contam com mais de um mentor. De maneira geral, uma boa pergunta de pesquisa tem como</p><p>característica ser: factível, interessante, nova, ética e relevante (FINER).</p><p>Factível: diversos estudos não alcançam seus objetivos porque não conseguem delimitar o tamanho da</p><p>sua amostra. É preciso planejar o número de pessoas participantes que serão suficientes para a coleta</p><p>de dados e isso implica em uma análise de adequação de estratégia, tempo e critérios de inclusão ou</p><p>exclusão de participantes. Além disso, o pesquisador deverá ter acesso às técnicas que precisa para o</p><p>desenvolvimento da pesquisa, isso inclui equipamentos e habilidades como: fazer a delimitação do</p><p>estudo, recrutar os participantes quando for o caso, conhecer os métodos de coleta e análise de dados e</p><p>variáveis, etc. Também há que se ver quanto tempo o estudo irá durar e quanto irá custar, pois</p><p>dependendo da pesquisa, os custos são altos. O pesquisador deve ter o planejamento de tempo por</p><p>etapa e de insumos antes de iniciar a pesquisa, incluindo imprevistos. Uma situação que pode</p><p>acontecer sem o planejamento adequado é o encerramento da pesquisa ainda na fase de</p><p>desenvolvimento por falta de recursos. Nem sempre, é claro, isso é uma responsabilidade dos</p><p>pesquisadores. As agências que financiam pesquisas com bolsas e recursos para o desenvolvimento</p><p>dos testes são, em sua maioria, financiadas pelo governo. Um corte significativo de gastos poderá</p><p>comprometer muitas pesquisas em andamento. Por fim, o pesquisador deve ter um escopo bem</p><p>definido, caso contrário poderá se perder tentando responder mais questões do que lhe seriam</p><p>pertinentes. Mesmo que problemas secundários sejam interessantes, é importante focar em uma</p><p>questão específica a fim de conseguir se dedicar a ela e entregar resultados relevantes. Já dizia o</p><p>ditado: “mais vale um pássaro na mão do que dois voando”.</p><p>Interessante: a questão precisa ser interessante para a ciência, porque não basta que ela seja</p><p>interessante apenas para o pesquisador que a faz. Para conseguir aporte financeiro, muitas vezes, é</p><p>preciso que outros pesquisadores da área reconheçam a pertinência da questão. Os especialistas e</p><p>orientadores são essenciais nesse momento pois poderão dar o feedback necessário para saber se o</p><p>projeto de pesquisa é pertinente à luz dos seus objetivos.</p><p>Nova: Nem sempre é preciso inovar em ciência, mas com uma questão bem delimitada, é possível e</p><p>desejável a produção de novas informações a partir da pesquisa. Além disso, um avaliador do projeto</p><p>de pesquisa pode achar que um estudo que não produz nada novo não vale os recursos reivindicados</p><p>pelo pesquisador. A questão não precisa ser completamente original, mas novas informações sobre o</p><p>assunto constituem um resultado esperado de boas pesquisas.</p><p>Ética: a pergunta de pesquisa deve ser ética, de modo que não cause risco de vida para os</p><p>participantes, nem uma completa invasão de suas privacidades. Geralmente, os projetos de pesquisa</p><p>que envolvem testes em humanos ou animais não humanos passam por uma comissão de ética para</p><p>serem aprovados e as pesquisas devem seguir suas normatizações com extremo rigor. Uma pesquisa</p><p>que incorra em infrações éticas também não consegue produzir resultados relevantes em ciência.</p><p>Relevante: A relevância tem um papel central na busca por uma boa pergunta de pesquisa. Uma forma</p><p>de pensar a relevância da pergunta é imaginar as conclusões que a pesquisa poderá chegar e pensar</p><p>quais contribuições e avanços essa conclusão pode trazer à sociedade; vale aqui também discutir com</p><p>os orientadores e especialistas da área a relevância da pergunta, bem como do projeto de pesquisa</p><p>como um todo.</p><p>Desenvolver uma boa pergunta de pesquisa, embora pareça uma tarefa individual, é, antes, uma</p><p>elaboração coletiva que envolve a participação de especialistas, professores, amigos, colaboradores e</p><p>certo domínio da literatura. São alguns exemplos de perguntas de pesquisa: A redução da gordura</p><p>alimentar pode reduzir a câncer de mama? Qual a origem dos índios americanos? Qual a composição</p><p>da atmosfera de Marte? Qual a relação entre subdesenvolvimento e dependência econômica? “A</p><p>criatividade, a persistência e a capacidade de julgamento são qualidades necessárias a serem</p><p>exercitadas nessa tarefa” (HULLEY, 2008, p. 43).</p><p>ASSIMILE</p><p>1. A pergunta de pesquisa é o ponto de partida de todos os estudos científicos. Ela expressa a</p><p>dúvida, inquietação e incerteza do pesquisador frente a uma parte do campo de estudo de uma</p><p>disciplina.</p><p>2. Para elaborar uma boa pergunta de pesquisa, é necessário ter um certo domínio da literatura da</p><p>área de estudos. Também é recomendável que o pesquisador discuta sobre ela com os seus</p><p>pares.</p><p>3. Uma boa pergunta de pesquisa tem cinco características, sob o acrônimo FINER. Ela é:</p><p>factível, interessante, nova, ética e relevante.</p><p>A CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES</p><p>Uma vez elaborada a questão de pesquisa pode ser necessária a elaboração de hipóteses a serem</p><p>testadas que darão uma resposta quanto ao problema colocado pelo pesquisador. As hipóteses são uma</p><p>espécie de diretrizes da pesquisa; elas indicam o que os pesquisadores estão buscando ou o que eles</p><p>estão tentando comprovar, sendo tentativas prévias de explicação do fenômeno analisado e devem ser</p><p>formuladas de forma clara e concisa. A hipótese não deve ser confundida com pressuposto teórico,</p><p>uma vez que no decorrer da pesquisa,</p><p>ela pode ser descartada e avaliada. A hipótese é sempre</p><p>provisória e provável.</p><p>Nem todas as pesquisas formulam hipóteses. A formulação de hipóteses é dada apenas em estudos</p><p>correlacionais ou explicativos, isto é, que preveem um dado acerca do fenômeno analisado. Em geral,</p><p>pesquisas apenas exploratórias não formulam hipóteses. As pesquisas que formulam hipóteses se</p><p>utilizam do método hipotético-dedutivo que consiste na construção de conjecturas, isto é, premissas</p><p>altamente prováveis baseadas em hipóteses que, se confirmadas, confirmam também sua veracidade.</p><p>Um estudo que busque medir o índice de delitos de uma cidade pode ter como hipótese que o índice</p><p>para determinado semestre será menor que o semestre anterior baseado em determinados fatores. Mais</p><p>exemplos de hipóteses: quanto maior variedade houver no trabalho, maior será a motivação do</p><p>trabalhador; o índice de câncer pulmonar é maior entre fumantes que não fumantes; a psicoterapia</p><p>aumenta gradativamente a expressão do paciente sobre o futuro e diminui a expressão sobre os fatos</p><p>passados.</p><p>Uma hipótese é diferente de uma afirmação, pois o pesquisador não tem plena certeza de sua</p><p>comprovação. As fontes comuns para formulação de hipóteses são as teorias, generalizações empíricas</p><p>sobre o problema de pesquisa e estudos revisados, mas elas também podem surgir em campos de</p><p>estudo pouco explorados. Nesse caso, quanto menor o fundamento empírico da hipótese, maior o</p><p>cuidado que o pesquisador deve ter quanto a sua aceitação ou rejeição. Um erro grave ao elaborar</p><p>hipóteses se faz quando o pesquisador não revê a literatura do campo de estudo e formula hipóteses</p><p>que já foram significativamente aceitas ou descartadas por outros estudos.</p><p>Lakatos e Marconi (1991) listaram onze características que uma boa hipótese deve conter:</p><p>• Consistência Lógica: o enunciado da hipótese não deve ser contraditório, além disso, deve ser</p><p>compatível com o conhecimento científico já existente.</p><p>• Verificabilidade: a hipótese deve ser passível de verificação.</p><p>• Simplicidade: a hipótese deve ser simples, evitando enunciados obscuros ou complexos</p><p>demais.</p><p>• Relevância: a hipótese deve poder explicar ou prever algum dado significativo para a pesquisa.</p><p>• Apoio teórico: a hipótese precisa ser baseada em uma teoria já estabelecida, a fim de que haja</p><p>uma probabilidade maior de produção de conhecimento relevante.</p><p>• Especificidade: a hipótese deve indicar as operações de sua verificabilidade.</p><p>• Plausibilidade e clareza: a hipótese deve ser provável e seu enunciado claro.</p><p>• Profundidade, fertilidade e originalidade: a hipótese deve indicar os mecanismos que podem</p><p>levar o conhecimento a um nível de maior complexidade do problema. Deve facilitar que mais</p><p>deduções sejam feitas e expressar uma resolução inédita para a questão.</p><p>Ainda segundo Lakatos e Marconi (1991), as hipóteses se dividem em duas categorias: hipóteses</p><p>básicas e hipóteses secundárias. As hipóteses básicas são aquelas escolhidas pelo pesquisador e que</p><p>respondem o problema diretamente, por sua vez, as hipóteses secundárias indicam respostas</p><p>complementares ou outras possibilidades de resposta para o problema em questão. Além dessa</p><p>classificação, há outras maneiras de classificar hipóteses mais gerais que variam de acordo com o</p><p>objetivo da pesquisa como: hipóteses de pesquisa, hipóteses nulas, hipóteses alternativas e hipóteses</p><p>estatísticas. As hipóteses de pesquisa podem ser entendidas como proposições acerca das possíveis</p><p>relações entre duas ou mais variáveis. Comumente se representa essas variáveis como H11, H2, H3, etc.</p><p>E há ainda uma classificação para os tipos de hipóteses de pesquisa, sendo:</p><p>• Descritivas: as hipóteses desse tipo são utilizadas em estudos descritivos, por exemplo, “a</p><p>expectativa de salário dos trabalhadores da empresa x oscila entre 800 e 1.000 reais”.</p><p>• Correlacionais: as hipóteses desse tipo explicam as relações entre variáveis, por exemplo,</p><p>“quanto maior a autoestima, menor o medo da rejeição”.</p><p>• Da diferença entre grupos: as hipóteses desse tipo têm a finalidade de comparar grupos,</p><p>exemplo, “o efeito persuasivo para deixar de fumar será maior em adolescentes que adultos”.</p><p>• Causalidade: as hipóteses desse tipo estabelecem relações bem mais fortes entre duas variáveis,</p><p>em que uma variável estabelece com a outra uma relação de dependência, por exemplo, “a</p><p>ausência da figura paterna contribui para uma maior probabilidade de conduta antissocial”.</p><p>Além das hipóteses de pesquisa, temos as hipóteses nulas. Elas são os opostos das hipóteses de</p><p>pesquisa, pois as refutam. Retomando os exemplos anteriores, uma hipótese nula seria “a expectativa</p><p>de salário dos trabalhadores da empresa x varia entre 800 e 1.000 reais”. Ou ainda, “não há relação</p><p>entre autoestima e o medo de sucesso”.</p><p>Há ainda, as hipóteses alternativas e as hipóteses estatísticas. A primeira são as possibilidades de</p><p>respostas alternativas ao problema de pesquisa. Assim, poderíamos dizer, como no exemplo anterior,</p><p>que “a expectativa de salário dos trabalhadores da empresa x oscila entre 1.200 e 1.500 reais”. As</p><p>hipóteses estatísticas, por sua vez, são exclusivas das pesquisas quantitativas e representam as</p><p>hipóteses (pesquisa, nula e alternativa) em símbolos estatísticos.</p><p>REFLITA</p><p>1. Além do valor das hipóteses para a obtenção de resultados, no que as hipóteses podem</p><p>contribuir para a pesquisa científica?</p><p>2. O que pode ser feito quando a hipótese básica é rejeitada?</p><p>3. Qual relação entre a pergunta de pesquisa e a elaboração da hipótese?</p><p>A CONDUÇÃO DA PESQUISA</p><p>Para que a pesquisa científica seja conduzida da forma correta, é necessário que o pesquisador observe</p><p>uma série de regras e princípios. De acordo com Academia Brasileira de Ciências (ABC, 2013), os</p><p>princípios gerais que todo pesquisador deve seguir são: honestidade na apresentação e descrição dos</p><p>procedimentos da pesquisa; confiabilidade na execução e comunicação da pesquisa; objetividade na</p><p>coleta e no tratamento de informações; imparcialidade na execução da pesquisa; cuidado na coleta, no</p><p>armazenamento e no tratamento de dados; respeito pelos voluntários e animais que participarem de</p><p>testagens; veracidade na atribuição dos créditos aos outros; e, por fim, responsabilidade com a</p><p>formação e supervisão de novos cientistas.</p><p>Além disso, a ABC recomenda uma série de boas práticas que garantem a boa condução da pesquisa.</p><p>Em resumo, no que concerne ao planejamento da pesquisa, o pesquisador deve observar:</p><p>a. Os recursos e materiais necessários à execução do projeto.</p><p>b. A averiguação da capacidade científica do pesquisador em dar procedimento à pesquisa.</p><p>c. A documentação de dados e informações prévias relevantes para a pesquisa.</p><p>d. Reconhecimento dos possíveis conflitos de interesse que possam atrapalhar a pesquisa.</p><p>e. A análise sobre propriedade intelectual quando for pertinente à pesquisa.</p><p>No que concerne ao manuseio de dados, o pesquisador ou a equipe responsável deve:</p><p>f. Registrar os dados coletos de forma fidedigna.</p><p>g. Guardar os dados da melhor forma.</p><p>h. Arquivar os dados da pesquisa por prazo razoável.</p><p>i. Colocar os dados à disposição para que outros pesquisadores possam replicar o estudo.</p><p>No que concerne a execução do projeto, o pesquisador ou a equipe responsável devem:</p><p>j. Conduzir a pesquisa visando a prevenção de falhas e desperdício de recursos.</p><p>k. Tratar todos os objetos de pesquisa com respeito, incluindo artefatos culturais.</p><p>l. Ter compromisso com a saúde dos participantes da pesquisa.</p><p>m. Garantir a confiabilidade dos dados e resultados.</p><p>n. Dar crédito aos financiadores dos seus projetos.</p><p>A integridade da pesquisa é um valor absoluto. Tais regras gerais valem para todo tipo de pesquisa,</p><p>embora haja regras mais pertinentes a algumas pesquisas que outras. Isso porque há, ao menos, duas</p><p>abordagens em pesquisa: as pesquisas qualitativas e as pesquisas quantitativas. As pesquisas</p><p>quantitativas se debruçam</p><p>da</p><p>experiência, que, segundo ele, estariam ali, prontas na mente.</p><p>O racioempirismo kantiano levou a discussões calorosas no campo da filosofia e, junto com outros</p><p>pensadores, inspirou posições bem diferentes entre si na filosofia – especialmente, a fenomenologia e o</p><p>positivismo lógico.</p><p>O incômodo com a posição de Kant é que ele havia se apropriado de elementos problemáticos de</p><p>ambos os conhecimentos empírico e racionalista, não levando em consideração a própria ciência da</p><p>época na elaboração de sua filosofia. Os astrônomos Galileu Galilei e Johannes Kepler, por exemplo,</p><p>já investigavam a realidade além dos fenômenos limitados a dados sensíveis. Galileu estendeu sua</p><p>percepção com um telescópio que ele havia aprimorado e descobriu três satélites de Júpiter, enquanto</p><p>Kepler havia calculado a trajetória das elipses planetárias usando ferramentas matemáticas, hipóteses</p><p>auxiliares e instrumentação de medidas. Isaac Newton, um dos maiores nomes da revolução científica,</p><p>estabeleceu leis científicas que poderiam se aplicar a quaisquer objetos não diretamente observáveis,</p><p>mas com velocidades menores do que a da luz. Isso, porém, não foi suficiente para ruir a possibilidade</p><p>de unificação entre empirismo e racionalismo.</p><p>No século XX, o cientista e filósofo Mario Bunge procurou unificar o empirismo com o racionalismo,</p><p>resgatando o conceito de racioempirismo, mas se desvinculando das posições kantianas notoriamente</p><p>emblemáticas. Bunge uniu a experiência empírica com a condição de exercê-la mediante uso crítico da</p><p>razão como forma de investigar a realidade. Mais ainda, ele estabeleceu que seria necessária a</p><p>unificação do realismo com o cientificismo proclamado dos filósofos da ala radical do iluminismo</p><p>francês, sobretudo com Condorcet, para formular verdades mais profundas sobre o mundo.</p><p>O realismo é a filosofia que advoga a existência de um mundo independente do sujeito (realismo</p><p>ontológico) e que ele pode ser conhecido (realismo epistemológico), mesmo que indireta e</p><p>parcialmente, enquanto o cientificismo é a posição segundo a qual a ciência pode produzir o</p><p>conhecimento mais profundo e verdadeiro da realidade, em comparação com outras formas de</p><p>conhecimentos, como o religioso proveniente da iluminação religiosa ou mesmo do interpretacionismo</p><p>hermenêutico. Porém, diferente da concepção caricata difundida sobre o conceito de cientificismo, ele</p><p>não é uma posição preconceituosa e nem autorrefutável, mas uma atitude esperada de qualquer</p><p>pesquisador interessado em investigar a realidade e que acredita que o progresso científico é possível e</p><p>desejável. Mais ainda, o cientificismo é um tipo de filosofia que enriquece a ciência, favorecendo a</p><p>investigação científica, em vez de focar a atenção exclusiva na contemplação excessiva de leituras</p><p>sagradas ou de ideias do próprio indivíduo, como faziam os filósofos irracionalistas e teólogos, que</p><p>negligenciaram séculos de progressos científicos. O cientificismo, hoje, está entrelaçado com o</p><p>realismo, dando origem à posição conhecida como realismo científico.</p><p>O realismo científico é a filosofia que admite que podemos tratar teorias científicas como descrições</p><p>ou representações verdadeiras do mundo, mesmo que sejam, por vezes, incompletas. É a posição mais</p><p>defendida dentro da filosofia da ciência, em comparação com sua concorrente antirrealista. O</p><p>antirrealismo, por sua vez, evita fazer uso de afirmações ou teorias que não correspondam diretamente</p><p>à observação pura da realidade, desconsiderando o progresso contínuo provocado pela física de</p><p>partículas ao estudar acontecimentos ou elementos que são imperceptíveis diretamente à nossa</p><p>experiência sensível ou mesmo a teorização ou modelagem matemática de fenômenos macrossociais</p><p>que escapam da observação individual do pesquisador sociológico.</p><p>Em resumo, o conhecimento filosófico é amplo, contemplando posições muitas vezes compatíveis ou</p><p>relacionáveis com a ciência, enquanto outras vezes apresentando um tipo de conhecimento totalmente</p><p>oposto ao científico. Sua característica mais fundamental é o exercício de análise lógica dos</p><p>enunciados e das teorias científicas, geralmente realizadas por filósofos analíticos ou filósofos da</p><p>ciência. Seu mérito reside no fato de que ele alimenta tacitamente a ciência em um processo de</p><p>feedback positivo, proporcionando um vocabulário mais refinado para a ciência e, ao mesmo tempo,</p><p>alimentando seu repertório de problemas com os novos dados da investigação científica.</p><p>ASSIMILE</p><p>1. No mínimo, existem quatro tipos de conhecimentos, cada qual com sua utilidade e</p><p>aplicação no mundo real.</p><p>2. O conhecimento filosófico também tem uma relação de absorção com outros tipos de</p><p>conhecimentos, principalmente com o científico, contribuindo para o fornecimento de</p><p>um tratamento conceitual adequado e o levantamento de problemas sobre a realidade.</p><p>3. Apenas o conhecimento científico possui um mecanismo de autocorreção com o qual</p><p>ajuda a ciência a se ajustar cada vez mais à realidade.</p><p>O CONHECIMENTO CIENTÍFICO</p><p>O conhecimento científico é um tipo de conhecimento sui generis, ou seja, uma classe de</p><p>conhecimento único em sua forma. Esse tipo de conhecimento levou séculos para que fosse</p><p>desenvolvido e teve a participação de diversos filósofos ao longo da história, especialmente o egípcio</p><p>Ibn al-Haytham e o filósofo inglês Robert Grosseteste, além de figuras notoriamente conhecidas como</p><p>Francis Bacon, Galileu Galilei e David Hume.</p><p>Haytham é considerado o primeiro cientista, porque aplicou métodos empíricos de investigação para</p><p>estudar a óptica, sobretudo os efeitos da luz. Grosseteste, por outro lado, é uma figura comumente</p><p>negligenciada em livros históricos, mesmo tendo importância central no desenvolvimento das bases do</p><p>método científico. Por outro lado, a literatura vigente considera apenas as contribuições de Bacon,</p><p>Galileu, Hume e Descartes.</p><p>Bacon advogava pela noção de conhecimento intuitivo, ou seja, a ideia de que, com base em</p><p>observações particulares, era possível realizar generalizações. Galileu, por outro lado, é conhecido por</p><p>realmente ter aplicado um método científico para a investigação de objetos celestes, indo além do que</p><p>os empiristas defendiam, ao usar o raciocínio abstrato, a imaginação e a instrumentalização adequada</p><p>para ultrapassar suas experiências sensíveis. Hume, porém, limitava-se a propor um método atrelado à</p><p>percepção, de modo que se fôssemos levar ao pé da letra sua posição, não seria possível algo como</p><p>biologia molecular, cosmologia e principalmente mecânica quântica, já que essas disciplinas</p><p>transcendem a pura percepção do investigador científico.</p><p>Descartes, no entanto, conciliou um aspecto importante que Hume também defendia, o chamado</p><p>ceticismo metodológico. O ceticismo metodológico é a posição que nos permite duvidar de certas</p><p>conjecturas ou hipóteses que não foram submetidas à prova. Essa posição é basicamente uma dúvida</p><p>razoável, nunca absoluta, na falta de boas evidências. Em resumo, essa é a posição que norteia toda a</p><p>atividade científica ainda hoje.</p><p>Com base numa compreensão mais profunda da realidade, os filósofos do século XX tentaram</p><p>caracterizar de forma objetiva o conhecimento científico, buscando delimitá-lo de outras formas de</p><p>conhecimentos, sendo a figura mais importante dessa atitude o filósofo austríaco Karl Popper.</p><p>REFLITA</p><p>1. O que torna o conhecimento científico confiável?</p><p>2. Como o conhecimento filosófico pode contribuir com o conhecimento científico?</p><p>3. De forma satisfatória, é possível estabelecer um critério de demarcação entre ciência e</p><p>pseudociência, indo além das concepções propostas no século XX?</p><p>Karl Popper (2013) tentou propor um critério de demarcação entre ciência e não ciência (onde se</p><p>incluem artes, filosofia e pseudociência), com o objetivo também de responder ao problema de Hume.</p><p>Sua ideia era de que nenhuma observação é suficiente para confirmar uma teoria, que bastaria um</p><p>sobre dados que podem ser quantificados, usualmente recorre à linguagem</p><p>matemática, especialmente à estatística, a fim de mostrar as causas e relações de determinado</p><p>fenômeno. A pesquisa qualitativa, por sua vez, não se preocupa com a representação matemática dos</p><p>fenômenos e sim com a compreensão mais geral deles. Os seus objetos não são quantificáveis,</p><p>centrando-se na compreensão e explicação de dinâmicas sociais.</p><p>De acordo com as características de cada projeto de pesquisa, são escolhidas diferentes formas de</p><p>pesquisa, sendo que não há uma melhor que a outra, mas a que mais se adequa aos seus objetivos. É</p><p>possível, inclusive, aliar a pesquisa qualitativa com a quantitativa.</p><p>As pesquisas diferem-se também quanto a sua natureza: a pesquisa básica enfoca em construir</p><p>conhecimentos novos sem aplicação prática prevista, enquanto a pesquisa aplicada visa os resultados</p><p>práticos desse novo conhecimento, dessa maneira, como as pesquisas visam objetivos diferentes, é</p><p>possível classificá-las de maneira mais específica. De maneira geral, as pesquisas exploratórias têm</p><p>como objetivo tornar o problema mais explícito ou elaborar hipóteses, isso envolve levantamento</p><p>bibliográfico, entrevistas (pesquisa semiestruturada) e análise de exemplos do problema. A pesquisa</p><p>descritiva visa descrever os fatos e fenômenos de determinada realidade, sendo exemplos: estudos de</p><p>caso, análise documental e pesquisa ex-post-facto. A pesquisa explicativa visa determinar os fatores</p><p>responsáveis pela ocorrência de determinados fenômenos.</p><p>Os procedimentos de pesquisa também variam. As pesquisas experimentais seguem um planejamento</p><p>extenso e rigoroso. Usualmente tais pesquisas definem o objeto, suas variáveis e a elaboração de</p><p>instrumentos para a coleta de dados, podendo ser desenvolvidas em laboratório ou no campo. Já a</p><p>pesquisa bibliográfica é feita a partir da obtenção de referências teóricas como livros e artigo</p><p>científicos, com o objetivo de recolher neles informações que ajudem a solucionar o problema inicial.</p><p>A pesquisa documental segue caminho semelhante, mas também pode recorrer a fontes mais</p><p>diversificadas como cartas, filmes, fotografias, pinturas, jornais etc.</p><p>Há ainda pesquisas de campo, etnográficas, de levantamentos (censos) e estudos de caso. Cada</p><p>pesquisa tem sua particularidade, mas em termos gerais, as pesquisas científicas seguem as seguintes</p><p>etapas: reconhecimento e formulação do problema, exploração do problema na bibliografia ou coleta</p><p>de dados exploratória, planejamento da pesquisa e elaboração da problemática, elaboração de um</p><p>modelo de análise (hipóteses), coleta de dados, análise dos dados e comunicação dos resultados.</p><p>ACEITAÇÃO E REJEIÇÃO DE HIPÓTESES</p><p>Em algumas pesquisas, principalmente se correlacionais ou explicativas, se faz necessário a elaboração</p><p>de hipóteses, a fim de que possa se obter informações que ajudam a responder o problema de pesquisa.</p><p>Cada pesquisa é diferente, portanto, algumas podem ter mais de uma hipótese analisada,</p><p>principalmente quando o problema de pesquisa é complexo. Uma etapa central da pesquisa é avaliar se</p><p>a hipótese foi aceita ou rejeitada no confronto com os dados empíricos. À rigor, um estudo não é capaz</p><p>de aceitar ou rejeitar uma hipótese de maneira definitiva, o estudo apenas indica evidências a favor ou</p><p>contra. Lembre-se que na ciência não há certezas absolutas ou indiscutíveis.</p><p>Há vários métodos para testar as hipóteses. Um deles é o Método Hipotético-Dedutivo, elaborado pelo</p><p>filósofo da ciência Karl Popper na obra Conjecturas e Refutações: o desenvolvimento do conhecimento</p><p>científico (2003). Segundo Popper, quando os conhecimentos acerca de determinado tema são</p><p>insuficientes, surgem os problemas. Visando explicar o problema, as hipóteses são formuladas. São</p><p>elas que ditam as consequências que terão de ser testadas ou falseadas. A partir dessa etapa, procura-se</p><p>evidências empíricas que contradizem a hipótese. Quando não se consegue derrubá-la, então a hipótese</p><p>é corroborada. Assim temos o esquema: PROBLEMA – HIPÓTESE – PREVISÃO – TENTATIVA</p><p>DE FALSEAR – CORROBORAÇÃO.</p><p>Há também o método hipotético-indutivo quando se constrói as hipóteses a partir da observação da</p><p>experiência. Quando se tem alguma informação que dá à hipótese um certo nível de probabilidade, é</p><p>mais comum o uso do método hipotético-dedutivo. Todavia, na prática, os dois métodos se articulam,</p><p>pois os modelos elaborados na ciência geralmente atendem tanto um quanto o outro.</p><p>Os resultados encontrados na tentativa de falsear a hipótese devem ser comparados com os resultados</p><p>esperados para que se possa tirar conclusões. Se houver divergência entre eles, é necessário fazer uma</p><p>análise que contemple saber: qual a causa dessa divergência, no que a experiência é diferente do que se</p><p>presumia na hipótese e, a partir de uma nova análise de dados disponíveis, agora é possível elaborar</p><p>novas hipóteses e examinar em que medida elas respondem melhor o problema colocado. Nem sempre</p><p>as hipóteses são aceitas nas pesquisas, mas isso não significa que a pesquisa não tenha utilidade. O</p><p>simples fato de eliminar uma das hipóteses, ainda que provisoriamente, faz com que os cientistas</p><p>fiquem mais próximos da resposta do problema de suas pesquisas.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>Veja o exemplo prático de formulação hipótese em uma pesquisa sobre as cobras corais.</p><p>Observação 1: As cobras corais são coloridas.</p><p>Pergunta: Por que essa espécie tem esse tipo de coloração?</p><p>Hipótese básica: As cores fortes servem para afastar possíveis predadores.</p><p>Hipótese secundária ou alternativa: Na natureza, as cores fortes servem de camuflagem.</p><p>Previsão: se colocarmos cobras de borracha uma com cores e uma marrom em fundos brancos com a</p><p>presença de pássaros, os pássaros tentaram atacar a de borracha, em vez da colorida (H1), ou atacaram</p><p>as duas igualmente (H2).</p><p>Coleta de dados: Nos testes efetuados, os pássaros atacaram significativamente mais as cobras</p><p>marrons.</p><p>Interpretação dos resultados: A hipótese básica é mais provável e foi corroborada.</p><p>A elaboração de boas perguntas, a construção de hipóteses significativas e a testagem delas de forma</p><p>adequada são fundamentais em uma pesquisa quantitativa. Além disso, o pesquisador deve estar</p><p>sempre atento aos princípios e valores éticos tais como honestidade, respeito, imparcialidade,</p><p>responsabilidade, entre outros, a fim de garantir uma condução adequada da pesquisa. Uma boa</p><p>pesquisa, mesmo sem a corroboração de hipótese, colabora com o avanço da ciência.</p><p>FAÇA A VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>A pesquisa científica exige uma série de regras e boas condutas para garantir a obtenção de bons</p><p>resultados. Sem o cumprimento dessas regras e práticas, teríamos uma menor confiabilidade dos</p><p>resultados científicos, um atraso no avanço da ciência e, por consequência, um desperdício de recursos.</p><p>Segundo a Academia Brasileira de Ciências, qual dos princípios a seguir são esperados na condução de</p><p>uma pesquisa científica?</p><p>a. Subjetividade.</p><p>b. Responsabilidade.</p><p>Correto!</p><p>Um dos princípios a serem observados na condução de uma pesquisa, de acordo com a Academia</p><p>Brasileira de Ciências, é a Responsabilidade. A responsabilidade refere-se à supervisão e formação</p><p>responsável de novos pesquisadores pelos docentes.</p><p>c. Desonestidade.</p><p>d. Passividade.</p><p>e. Cordialidade.</p><p>Questão 2</p><p>A pesquisa começa por uma pergunta. Essa pergunta pode surgir a partir de uma curiosidade, dúvida,</p><p>incerteza ou problema que o pesquisador identifica em uma determinada área de estudo. Ela expressa a</p><p>motivação do pesquisador para fazer uma investigação. Sem a capacidade humana de fazer perguntas,</p><p>o surgimento das ciências ficaria comprometido.</p><p>Qual acrônimo expressa as características que uma boa pergunta de pesquisa deve conter?</p><p>a. FIVER.</p><p>b. FOPER</p><p>c. FAER.</p><p>d. FERA.</p><p>e. FINER.</p><p>Correto!</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-2%20.item-5</p><p>Uma boa pergunta de pesquisa deve ter certas características, conhecidas pelo acrônimo FINER. São</p><p>elas: factível, interessante, nova, ética e relevante.</p><p>Questão 3</p><p>Depois da elaboração e exploração do problema de pesquisa, os pesquisadores desenvolvem as</p><p>hipóteses explicativas do fenômeno estudado. As hipóteses, quando elaboradas, devem seguir certas</p><p>características para garantir que sejam compatíveis com o método científico.</p><p>Segundo Lakatos e Marconi (1991), quais são as características que uma hipótese de pesquisa deve</p><p>possuir?</p><p>a. Consistência Lógica, Simplicidade, Destreza, Apoio Teórico, Especificidade,</p><p>Plausibilidade, Clareza, Profundidade, Verificabilidade e Cognoscibilidade.</p><p>b. Consistência Lógica, Complexidade, Significância, Apoio Teórico,</p><p>Especificidade, Plausibilidade, Clareza, Profundidade, Verificabilidade e</p><p>Eticidade.</p><p>c. Consistência Lógica, Simplicidade, Relevância, Apoio Teórico, Especificidade,</p><p>Plausibilidade, Clareza, Profundidade, Fertilidade e Originalidade.</p><p>Correto!</p><p>Para Lakatos e Marconi (1991), são onze as características que uma boa hipótese de pesquisa, são elas:</p><p>Consistência Lógica, Simplicidade, Relevância, Apoio Teórico, Especificidade, Plausibilidade,</p><p>Clareza, Profundidade, Fertilidade e Originalidade.</p><p>d. Consistência Lógica, Complexidade, Relevância, Apoio Teórico,</p><p>Especificidade, Marcabilidade, Clareza, Profundidade, Fertilidade e Eticidade.</p><p>e. Consistência Lógica, Simplicidade, Significância, Apoio Teórico,</p><p>Especificidade, Plausibilidade, Clareza, Profundidade, Verificabilidade e</p><p>Cognoscibilidade.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ABC. Rigor e integridade na condução da pesquisa científica. 2013.</p><p>HULLEY, S. B. et al. Delineando a pesquisa clínica. 4 ed. Artmed Editora, 2015.</p><p>LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo: Atlas,</p><p>1991.</p><p>POPPER, K.; BETTENCOURT, B.; ESPADA, J. C. Conjecturas e refutações: o desenvolvimento do</p><p>conhecimento científico. 2003.</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>QUAL É SUA PERGUNTA E COMO</p><p>RESPONDÊ-LA?</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s1.html#accordion-3%20.item-5</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>Um dos procedimentos possíveis a serem feitos pelo pesquisador são:</p><p>1. Pesquisa semiestruturada: realizar uma pesquisa com os novos clientes a fim de entenderem a</p><p>motivação da compra do produto e o meio publicitário no qual elas encontraram o produto.</p><p>2. Pesquisa exploratória: verificar se há outros fatores atualmente relevantes que poderiam causar</p><p>esse aumento como: surtos de doenças altamente transmissíveis pelo contato, grandes eventos</p><p>previstos para o mês de fevereiro, etc.</p><p>Na pesquisa com os novos clientes, a amostra indicou que 30% deles compraram o produto por</p><p>preocupação com a saúde; 50% pelos benefícios do produto em relação aos concorrentes e os outros</p><p>20% por motivos diversos. Além disso, na pesquisa exploratória, foram rejeitadas as hipóteses de surto</p><p>por doenças ou de grandes eventos.</p><p>O pesquisador, analisando os dados, observou que há mais evidências a favor dos efeitos positivos da</p><p>pesquisa publicitária do que de efeitos externos, apontando então que poderia existir de fato uma</p><p>correlação entre o investimento em publicidade.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>AVALIANDO A BOA CONDUÇÃO DA PESQUISA</p><p>Você é o supervisor do departamento científico nessa empresa química. Após a realização do teste de</p><p>hipóteses, a fim de verificar o efeito positivo nas vendas do álcool em gel, você recebeu o relatório da</p><p>pesquisa e deve fazer uma análise sobre a condução da pesquisa.</p><p>Você observa que o pesquisador responsável não considerou a sazonalidade de compras do álcool em</p><p>gel como fator externo a ser descartado na hipótese alternativa. Além disso, o pesquisador cometeu</p><p>diversas falhas éticas como plágio e manipulação de dados na elaboração da pesquisa.</p><p>Dada a situação apresentada, qual seria a recomendação do supervisor ao pesquisador responsável pelo</p><p>experimento?</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u3s1.html#resolucao%20.item-1</p><p>O supervisor recomendou ao pesquisador responsável que refizesse desde o início sua pesquisa, pois o</p><p>resultado poderia ser totalmente diferente do que o que foi constatado. Além disso, o supervisor</p><p>orientou sobre as falhas éticas graves cometidas pelo pesquisador na condução do experimento, como</p><p>plágio e manipulação de dados dos entrevistados. O supervisor proibiu que o estudo fosse publicado</p><p>até a sua correção completa</p><p>SEÇÃO 2</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>COMO COLETAR DADOS E</p><p>ANÁLISÁ-LOS?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro estudante,</p><p>Você já deve ter percebido como o conhecimento científico é cercado de prestígio e autoridade. Até os</p><p>dias de hoje, há uma crença de que a ciência é, de algum modo, superior aos outros conhecimentos.</p><p>Produtos e técnicas produzidos por pesquisa científicas são quase imediatamente aceitos pela</p><p>sociedade. Na verdade, o selo “comprovado cientificamente” é um fator relevante para muitas pessoas</p><p>na hora de decidir comprar ou não determinado produto. Além disso, diversos conhecimentos</p><p>procuram se passar por científicos buscando, de alguma forma, alcançar sua credibilidade.</p><p>Esse</p><p>prestígio da ciência deve muito aos seus resultados práticos nos diversos segmentos da sociedade. Tais</p><p>resultados, considerados confiáveis e bem-sucedidos, só foram alcançados por meio de um método</p><p>especial que, quando seguido rigorosamente, produz conhecimento confiável e verdadeiro. Assim, o</p><p>método científico tem uma série de regras e procedimentos a serem conduzidos e que não podem ser</p><p>negligenciados. Uma das etapas mais importantes, o núcleo da confiabilidade científica, é a etapa de</p><p>análise e coleta de dados. Convido-lhe ao estudo das fontes, técnicas e formas de coletar e analisar</p><p>dados brutos ou secundários, tão essenciais à integridade da pesquisa.</p><p>Em uma indústria química, o departamento de marketing quer verificar o efeito da propaganda na</p><p>venda de álcool em gel. Com as informações dos faturamentos anteriores desse produto, a empresa</p><p>começa a fazer grandes campanhas publicitárias e o faturamento desse produto no mês seguinte,</p><p>fevereiro, é significativamente maior. O departamento de marketing imediatamente comemora os</p><p>resultados e supõe que a propaganda provocou um efeito positivo nas vendas do produto. Para</p><p>comprovar essa hipótese, a empresa financia uma pesquisa científica.</p><p>Na etapa de coleta de dados, o pesquisador responsável define “estado civil” como uma das variáveis</p><p>do estudo. Isto é, na amostra de 1.050 pessoas entrevistadas, 1.000 disseram ser solteiras. A atribuição</p><p>de “estado civil” como variável nesta etapa a pesquisa está correta? Justifique.</p><p>“O conhecimento científico é independente dos conhecimentos da fé que são imutáveis, a fé nos faz</p><p>dizer creio, e a ciência, sei”</p><p>Blaise Pascal</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>COMO COLETAR DADOS: FONTE DE DADOS</p><p>A pesquisa científica geralmente tem pelo menos cinco fases: a elaboração e exploração do problema,</p><p>o estabelecimento de um modelo de análise (hipóteses), a verificação e coleta de dados, a análise de</p><p>dados e os resultados. A coleta de dados é uma etapa essencial a qualquer pesquisa científica, todavia,</p><p>os métodos e procedimentos de coleta serão diferentes para cada tipo de pesquisa. Por exemplo, temos</p><p>ao menos dois tipos gerais de pesquisa: a pesquisa experimental, que envolve a coleta de dados em</p><p>campo ou laboratório, podendo ser tanto qualitativa quanto quantitativa, e a pesquisa bibliográfica, que</p><p>envolve a procura na literatura existente de uma resposta para o problema tratado. Ela também é</p><p>essencial para a fundamentação teórica de qualquer pesquisa.</p><p>Como se pode observar, ambas abordagens são complementares e geralmente trabalham juntas. Na</p><p>pesquisa experimental, as fontes dos dados mais comuns são: experimentos laboratoriais, estudos de</p><p>campo, entrevistas, estudos de caso, observações empíricas, experimentos computacionais, etc. Na</p><p>pesquisa bibliográfica, as fontes são documentos, registros, atas, cartas, livros, teses, artigos</p><p>científicos, relatórios, periódicos técnicos, estudos gerais, metanálises, bancos de dados digitais etc.</p><p>Cada fonte exige um tratamento específico da informação.</p><p>Há pesquisas que contam com fontes secundárias e fontes primárias de informação. As fontes</p><p>secundárias são geralmente dados que já foram coletados por outros estudos e estão disponíveis por</p><p>meio de alguma listagem de informação. As fontes primárias seriam os dados brutos a serem coletados</p><p>na pesquisa, como os dados obtidos de um questionário elaborado pelo pesquisador.</p><p>Na pesquisa quantitativa, com relação a suas fontes primárias, em geral elas podem vir da observação</p><p>ou da utilização de instrumentos como levantamentos ou survey, que são formas de descobrir o que</p><p>existe e como existe no ambiente social analisado; em geral, são descritivos e visam determinar as</p><p>características, opiniões de populações, a partir de amostragens representativas. Têm como vantagem</p><p>a aplicação simples, fácil decodificação e análise dos dados. Como desvantagem, há o problema de</p><p>confiabilidade, pois uma vez que se faz perguntas às pessoas, elas podem se recusar a prestar</p><p>informações verídicas, por isso é necessário muito cuidado na análise dos dados coletados.</p><p>Devido ao grande volume de informações disponíveis nas pesquisas bibliográficas, que ocorrem tanto</p><p>para fundamentar teoricamente a pesquisa quanto para dar respostas ao problema tratado, deve-se ter</p><p>muito cuidado com a confiabilidade e autenticidade das informações coletadas. Em geral, as fontes de</p><p>pesquisa e bancos de dados são a base para verificar o que já existe publicado e o que está em pauta na</p><p>comunidade científica. Ao longo do tempo, muitas teorias foram consagradas e conhecê-las é tarefa</p><p>indispensável de um pesquisador iniciante.</p><p>Procurar conhecer fontes seguras sobre o assunto tratado é fundamental. As informações servem à</p><p>tomada de decisão nas pesquisas. Dessa maneira, o pesquisador precisa ter a capacidade de saber</p><p>filtrar, verificar consistência, validade e pertinência das informações que encontra. Com informações</p><p>mais consistentes, chegamos a decisões mais corretas e, por consequência, a resultados melhores.</p><p>Na pesquisa bibliográfica, recomenda-se o fichamento de artigos, teses ou demais materiais. São</p><p>perguntas essenciais a serem feitas quando se ficha o artigo: como se procedeu a pesquisa? Quais</p><p>foram os caminhos para alcançar o objetivo proposto? Qual foi o tipo de pesquisa? Como foi utilizada</p><p>a amostragem? Quais instrumentos utilizados para a coleta de dados? Quais foram os resultados?</p><p>(BARLETA et al., 2018, p. 8).</p><p>A maioria das bases de dados confiáveis estão vinculadas ao trabalho realizado em universidades.</p><p>Essas são algumas bases de dados de acesso gratuito: BV – Biblioteca Virtual, Periódicos CAPES,</p><p>SIB, Livres, BDTD, Biblioteca digital de Produção Intelectual, Portal de Livros Abertos USP,</p><p>SciELO, ERIC, Educ@, WebQualis, Dedalus, Biblioteca digital de teses, entre outros. Há também</p><p>fontes seguras para a pesquisa bibliográfica que são pagas ou por convênio, algumas delas: Scopus,</p><p>Web of Science, JSTOR, LISA, Academic Search Premier, Project Muse, ANPAD, entre outras.</p><p>Outras fontes de busca possíveis: Google Scholar, Books, Open Library, Bioline International, Arca,</p><p>Directory of Open Acess Journal, SpringerLink, Scirus, Inomics, BPubs, EconLit, American History</p><p>Online, Ethnologue, Political Information, WikiArt, WorldWideScience, MathGuide, Academic Index,</p><p>Lexis, entre outros.</p><p>ASSIMILE</p><p>1. Há dois tipos gerais de pesquisa: experimental e bibliográfica. A pesquisa experimental</p><p>envolve a coleta de dados brutos, sendo possível mesclar com a bibliográfica. A pesquisa</p><p>bibliográfica envolve a coleta de dados produzidos anteriormente por outros estudos.</p><p>2. As fontes de pesquisa devem ser confiáveis. É necessário checar a consistência lógica, validade</p><p>e pertinência das informações antes de adotá-las.</p><p>3. Na pesquisa bibliográfica, recomenda-se o fichamento dos artigos, teses, livros, estruturando e</p><p>elencando os objetivos, a metodologia e os resultados do estudo analisado.</p><p>TÉCNICAS DE COLETA DE DADOS</p><p>Há diversas técnicas de coletas de dados. Cada pesquisa utilizará uma técnica que esteja mais</p><p>adequada aos seus objetivos. Nas pesquisas quantitativas, as fontes dos dados podem vir da</p><p>observação, levantamentos ou survey. Comecemos pela observação, que pode ser classificada em seis</p><p>tipos:</p><p>a. Estruturada: em que é especificado o que deve ser observado e como deve ser sua coleta.</p><p>b. Não estruturada: o problema ainda não foi formulado, apenas se orienta a observação.</p><p>c. Natural: no ambiente em que a situação ocorre.</p><p>d. Planejada: em um ambiente artificial.</p><p>e. Disfarçada: entrevistados não sabem que estão sob observação.</p><p>f. Não disfarçada: entrevistados sabem que estão sob observação.</p><p>A observação é muito importante na pesquisa científica e, em relação a outros métodos, ela traz a</p><p>vantagem de que os dados são apreendidos diretamente, sem intermediação. Contudo, uma possível</p><p>desvantagem é que o próprio pesquisador pode provocar alterações</p><p>nos fenômenos observados,</p><p>podendo dar uma interpretação deslocada do objeto, produzindo resultados pouco confiáveis. Por essa</p><p>razão, o pesquisador observador deve estar atento para não contaminar sua observação com suas</p><p>crenças, pensamentos e opiniões.</p><p>Os levantamentos, por sua vez, examinam amostras de uma população ou grupo por meio de</p><p>documentos, questionários, entrevistas e formulários. A entrevista é a técnica em que o pesquisador</p><p>formula perguntas ao sujeito observado. As questões devem ser elaboradas pensando nas mais</p><p>relevantes ao estudo, além de estarem baseadas em uma bibliografia atualizada do assunto. Todos os</p><p>dados coletados devem ser verificados em termos da sua credibilidade.</p><p>Como vantagem, a entrevista: é eficiente na obtenção de dados com profundidade, os dados são</p><p>suscetíveis à classificação e quantificação, permite a avaliação de informações não previstas</p><p>anteriormente, etc. As desvantagens seriam: fornecimento de respostas inverídicas, influência exercida</p><p>pelo entrevistador no entrevistado, etc. A entrevista ainda pode ser classificada como sendo:</p><p>estruturada (roteiro previamente estabelecido), não estruturada (sem direcionamento do processo pelo</p><p>pesquisador) e semiestruturada (roteiro básico flexível).</p><p>O questionário é uma série de perguntas que devem ser respondidas pelo público pertinente à pesquisa.</p><p>Ele deve ser objetivo e com uma extensão limitada, estando acompanhado de instruções que</p><p>esclareçam o propósito e facilite o preenchimento pelo público-alvo. As vantagens dos questionários</p><p>são: menor curso, anonimato das respostas, menor influência dos entrevistadores, etc. As desvantagens</p><p>podem ser: baixo índice de retorno, limitado a quem saiba ler e escrever, etc. É preciso que o número</p><p>de questões não seja extenso. Os tipos de questões podem ser classificados em abertas (em que o</p><p>informante pode responder livremente), fechadas (escolha entre duas opções disponíveis de resposta) e</p><p>múltipla escolha (dispõe uma série de respostas possíveis).</p><p>Os formulários, por sua vez, são coleção de questões anotadas pelo entrevistador na presença do</p><p>público-alvo que pode ser configurado como um meio termo entre entrevista e questionário. Suas</p><p>vantagens são: a presença do pesquisador. que pode elucidar os objetivos da pesquisa, e ser</p><p>amplamente utilizado e flexível. Como desvantagens possíveis do formulário temos: menor liberdade</p><p>de respostas dada a presença do pesquisador, tempo de resposta mais demorado e risco de distorções</p><p>pela presença do pesquisador entrevistador.</p><p>Na elaboração do projeto e no planejamento de pesquisa, caberá ao pesquisador indicar qual método de</p><p>coleta de dados mais se adequa a sua pesquisa e aos seus objetivos. Também é possível que o</p><p>pesquisador insira outros métodos quando os dados obtidos não parecerem atender suficientemente à</p><p>demanda da pesquisa.</p><p>REFLITA</p><p>Em sua opinião, como o pesquisador pode fazer para diminuir as chances de interferência da sua</p><p>própria subjetividade no objeto observado?</p><p>METODOLOGIAS E PROCEDIMENTOS</p><p>As metodologias e os procedimentos em pesquisa devem responder as perguntas “como” e “onde”,</p><p>porque são elas que ditam o trajeto a ser seguido para o alcance dos objetos de pesquisa. Assim, o</p><p>primeiro passo para coleta de dados é determinar qual o método de análise adequado à pesquisa. Além</p><p>disso, deve-se determinar qual a natureza da pesquisa: qualitativa ou quantitativa.</p><p>Deve estar claro o tipo de pesquisa que será trabalhada: bibliográfica, documental ou de campo. A</p><p>pesquisa bibliográfica é obtida a partir de material já existente presente em teses, livros e artigos. A</p><p>pesquisa documental é similar, a diferença é a natureza das fontes, pois as informações dos</p><p>documentos não necessariamente foram anteriormente tratadas e analisadas. Já a pesquisa de campo</p><p>consiste na produção dos dados no ambiente observado.</p><p>Também é preciso indicar as modalidades da pesquisa, isto é, o papel do pesquisador e dos</p><p>participantes na pesquisa.</p><p>a. Pesquisa participante: trata-se do envolvimento do pesquisador com o objeto observado, o</p><p>pesquisador interage com os participantes em todas as situações acompanhando-os bem de</p><p>perto.</p><p>b. Pesquisa ação: o pesquisador não só acompanha o ambiente, como também intervém para</p><p>modificá-lo. Existe um objetivo de alterar a situação dos participantes.</p><p>c. Estudo de caso: o pesquisador traça um estudo profundo sobre um objeto particular que pode</p><p>ser representativo dos demais.</p><p>d. História oral: os participantes são protagonistas nos registros dos fatos; é um método que se</p><p>utiliza de entrevistas e retratos autobiográficos.</p><p>Vale lembrar que tais métodos não são excludentes entre si, eles podem ser utilizados em conjunto na</p><p>pesquisa. Os pesquisadores devem ter ciência do tipo de universo e amostragem da pesquisa, bem</p><p>como das técnicas que podem ser utilizadas, como observação, questionários, formulários, entrevistas.</p><p>O universo trata do conjunto da população a ser estudada e a amostragem é a base lógica do estudo que</p><p>serve de referencial do todo. A amostragem para ser representativa precisa oferecer a melhor descrição</p><p>da população. Ela é exclusiva da pesquisa quantitativa, na qual temos: amostragem probabilísticas e</p><p>não probabilísticas. A primeira busca uma maior imparcialidade, pode ser aleatória, sistemática,</p><p>estratificada ou de conglomerados. É o único método que permite a representação do todo. A segunda</p><p>consiste em uma escolha dos elementos que irão compor a amostra, embora exija uma análise</p><p>imparcial, podendo ser dos tipos: conveniência, intencional ou cotas.</p><p>A coleta de dados também pode ser classificada em termos de contínuas, periódicas ou ocasionais. A</p><p>primeira ocorre quando as informações dos eventos que acontecem são coletadas à medida que eles</p><p>ocorrem. A segunda acontece em ciclos, como os levantamentos (censos). Por fim, a terceira ocorre</p><p>sem preocupação de continuidade ou periodicidade. Nas pesquisas em que são realizadas coletas de</p><p>dados contínuas ou periódicas, o objetivo é a enumeração total. A estatística participa desse processo</p><p>dando organização e delineamento aos dados a fim de permitir inferências a partir das informações</p><p>coletadas.</p><p>ANÁLISE DE DADOS</p><p>Depois de feita a coleta, os dados estão desorganizados e pouco claros, então, a primeira coisa a fazer é</p><p>tratá-los. A apresentação dos dados pode se dar por meio de tabelas, quadros e gráficos que permitam</p><p>ao pesquisador fazer inferências e chegar a conclusões. Para a elaboração desses, há inúmeros recursos</p><p>digitais que auxiliam a apresentação dos dados, como o Excel.</p><p>As tabelas são formas não discursivas, representadas por números e códigos, dispostos em ordem,</p><p>segundo as variáveis analisadas do fenômeno. As tabelas, preferencialmente, devem ser completas para</p><p>que dispense a consulta ao texto, contenha os dados necessários, tenha uma estrutura simples, objetiva</p><p>e certa consistência lógica.</p><p>Os quadros podem ser entendidos como arranjos de palavras dispostas em colunas e linhas, com ou</p><p>sem números. Eles possuem um teor esquemático e descritivo, não estatístico como as tabelas, mas</p><p>suas formas de apresentação são bastante semelhantes.</p><p>Por sua vez, os gráficos representam a forma dinâmica dos dados, sendo mais eficientes na</p><p>visualização de tendências. Não se deve utilizar tabela e gráfico para uma mesma informação.</p><p>O gráfico pode ser particularmente útil para traduzir dados de difícil compreensão em uma linguagem</p><p>simples.</p><p>As escalas dividem-se em duas: nominais e de ordem. As nominais consistem na atribuição de nomes a</p><p>eventos ou objetos: gênero, local de nascimento. As ordinais são atribuição de ordem, hierarquia a</p><p>dados qualitativos como: classe social (A, B, C), estado geral do paciente (ruim, regular, bom).</p><p>Na análise de dados, também é importante o procedimento de operacionalização dos dados, que</p><p>consiste em transformar os dados em variáveis para que depois sejam expressos em tabelas,</p><p>gráficos e</p><p>quadros.</p><p>Uma variável é simplesmente alguma coisa que muda, ou seja, as variáveis devem assumir valores</p><p>diferentes ou categorias diferentes. Exemplo, as variáveis de valor podem ser as idades: 17, 18, 20, 32,</p><p>45. As variáveis de categoria podem ser os gêneros: feminino, masculino, não binário etc.</p><p>As variáveis são muito importantes porque, através delas, observamos as variações dos fenômenos</p><p>analisados na pesquisa. Elas podem ser de dois tipos: qualitativas e quantitativas. As variáveis</p><p>qualitativas são os dados de atributos ou qualidades, por exemplo, sobre o assunto que você mais lê:</p><p>Literatura. Já as variáveis quantitativas são números em certa escala, por exemplo, quantos livros você</p><p>lê ao ano: 12.</p><p>As variáveis também se dividem por tipos:</p><p>a. Independentes: são explicativas das variáveis dependentes, consistem em fatores</p><p>determinantes, causas, de certo resultado. Exemplo: testagem da temperatura como fator</p><p>modificador da taxa de crescimento de determinado organismo. A variável independente é a</p><p>temperatura, enquanto a dependente é a taxa de crescimento.</p><p>b. Dependentes: são afetadas pelas variáveis independentes, constituem o resultado ou a resposta</p><p>de algo que foi estimulado.</p><p>c. Moderadoras: também pode ser condição, causa, estímulo, contudo, são menos importantes que</p><p>as independentes. Por exemplo, o desempenho do aluno pode variar dependendo do número de</p><p>horas de estudo (variável independente) e da iluminação do ambiente (variável moderada).</p><p>d. Intervenientes: são as variáveis que estão entre as independentes e dependentes. Elas afetam o</p><p>fenômeno observado, mas não podem ser mensuradas devido ao seu caráter puramente</p><p>hipotético. Exemplo: menor nº de dias trabalhados -> satisfação no trabalho -> produtividade.</p><p>e. De controle: as variáveis de controle são neutralizadas ou anuladas de propósito para não</p><p>interferirem na análise da relação entre variável independente e dependente. Por exemplo, sexo</p><p>e idade. A hipótese colocada: as variáveis “sexo” e “idade” influenciam a relação entre asma e</p><p>alergia. Assim, o pesquisador saberá que variações próximas dessas hipóteses não são</p><p>significativas, porque a hipótese não é verdadeira.</p><p>As variáveis também expressam relações: lineares, curvilíneas ou exponenciais. Isso significa analisar</p><p>se, por exemplo, caso X mude, há mudanças em Y? Caso aumente Y, X também aumenta? Se Y</p><p>diminui, X aumenta? etc.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>Na realização de pesquisas com questionários, cada questão se torna uma variável. Cada variável deve</p><p>ser codificada em uma coluna de uma planilha e cada questionário ocupa uma linha da planilha.</p><p>Você deve ter notado que os procedimentos metodológicos podem variar de acordo com o escopo, o</p><p>objetivo e a natureza da pesquisa. Por essa razão, o planejamento deve ser feito levando em conta as</p><p>características do objeto de estudo, dos objetivos da pesquisa e do problema que se propõe resolver.</p><p>FAÇA A VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>A circulação de notícias falsas tem levado a um crescente ceticismo quanto à veracidade e</p><p>confiabilidade das informações disponíveis na internet. Todavia, atualmente, a internet é um lugar</p><p>imprescindível para a divulgação da pesquisa científica. Dessa maneira, sabendo filtrar, é possível</p><p>chegar a informações certas e seguras.</p><p>Quando se pesquisa na internet, qual é o procedimento que deve ser realizado acerca das informações?</p><p>a. É necessário checar a inteligibilidade, a validade e relevância das</p><p>informações, antes de adotá-las.</p><p>b. É necessário checar a gramática, invalidade e utilidade das informações,</p><p>antes de adotá-las.</p><p>c. É necessário checar a consistência, invalidade e relevância das informações,</p><p>antes de adotá-las.</p><p>d. É necessário checar a consistência lógica, validade e pertinência das</p><p>informações, antes de adotá-las.</p><p>Correto!</p><p>Procurar conhecer fontes seguras sobre o assunto tratado é fundamental, uma vez que as informações</p><p>servem à tomada de decisão nas pesquisas. Dessa maneira, o pesquisador precisa ter a capacidade de</p><p>saber filtrar, verificar consistência, validade e pertinência das informações que encontra. Com</p><p>informações mais consistentes, chegamos a decisões mais corretas e, por consequência, a resultados</p><p>melhores na pesquisa.</p><p>e. É necessário checar a inteligibilidade, validade e utilidade das informações,</p><p>antes de adotá-las.</p><p>Questão 2</p><p>A entrevista é uma técnica de coleta de dados em que o pesquisador tem um contato direto com a</p><p>pessoa ou grupo observado a fim de coletar suas impressões acerca de um assunto. Esse método não</p><p>dispensa um planejamento adequado de seus objetivos, desenvolvimento e aplicação. Caso contrário, a</p><p>entrevista pode não gerar dados confiáveis.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-1%20.item-5</p><p>Assinale a alternativa que completa correta e respectivamente:</p><p>As _________ da entrevista devem ser elaboradas pensando nas mais ________ ao estudo e devem</p><p>estar baseadas em uma _____________ do assunto. Todos os dados coletados devem ser _________</p><p>em termos da sua ___________.</p><p>a. teorias, irrelevantes, bibliografia atualizada, clonados, plausabilidade.</p><p>b. hipóteses, relevantes, bibliografia desatualizada, verificados, credibilidade.</p><p>c. questões, irrelevantes, bibliografia atualizada, apagados, razoabilidade.</p><p>d. teorias, relevantes, bibliografia desatualizada, direcionados, confiabilidade.</p><p>e. questões, relevantes, bibliografia atualizada, verificados, credibilidade.</p><p>Correto!</p><p>A entrevista é a técnica em que o pesquisador formula perguntas ao sujeito observado. As questões</p><p>devem ser elaboradas pensando nas mais relevantes ao estudo, e devem estar baseadas em uma</p><p>bibliografia atualizada do assunto. Todos os dados coletados devem ser verificados em termos da sua</p><p>credibilidade.</p><p>Questão 3</p><p>Na pesquisa quantitativa, após a coleta dos dados brutos, é necessário organizá-los em termos de</p><p>variáveis ou constantes e em termos de apresentação que podem ser por gráficos, quadros e tabelas.</p><p>Esse procedimento garante que as informações estejam claras e organizadas para a visualização das</p><p>causas, efeitos e tendências do fenômeno observado.</p><p>Em relação às variáveis dependentes e independentes, assinale a alternativa correta:</p><p>a. A primeira é explicada pela segunda, a segunda é determinante da primeira.</p><p>b. A primeira é determinante pela segunda, a segunda é explicada pela primeira.</p><p>c. A primeira é causada pela segunda, a segunda é determinante da primeira.</p><p>Correto!</p><p>As variáveis independentes são explicativas das variáveis dependentes e consistem em fatores</p><p>determinantes, causas, de certo resultado. Já as variáveis dependentes são afetadas pelas variáveis</p><p>independentes, constituem o resultado ou</p><p>resposta de algo que foi estimulado.</p><p>d. A primeira é explicada pela segunda, a segunda é causada pela primeira.</p><p>e. A primeira é causada pela segunda, a segunda é explicada pela primeira.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>DA SILVA, D.; LOPES, E. L.; JUNIOR, S. S. B. Pesquisa quantitativa: elementos, paradigmas e</p><p>definições. Revista de Gestão e Secretariado, v. 5, n. 1, p. 01-18, 2014.</p><p>BARLETA, M. et al. Fontes de pesquisa e bases de dados especializadas, PUC, 2018.</p><p>LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. Fundamentos de Metodologia Científica. São Paulo: Atlas,</p><p>1991.</p><p>SEVERINO, A. Metodologia do Trabalho Científico. Cortez, 2002.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-2%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s2.html#accordion-3%20.item-5</p><p>COMO COLETAR DADOS E</p><p>ANÁLISÁ-LOS?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>Em uma indústria química, o departamento de marketing quer verificar o efeito da propaganda na</p><p>venda de álcool em gel. A empresa passa a fazer grandes campanhas publicitárias e o faturamento</p><p>desse produto no mês seguinte, fevereiro, é significativamente maior. O departamento de marketing</p><p>imediatamente comemora os resultados e supõe que a propaganda provocou um efeito positivo nas</p><p>vendas do produto. Para comprovar essa hipótese, a empresa financia uma pesquisa científica. O</p><p>pesquisador responsável, na etapa de coleta de dados, define “estado civil” como uma das variáveis do</p><p>estudo. Isto é, na amostra de 1.050 pessoas entrevistadas, 1.000 disseram ser solteiras.</p><p>Todavia, para a pesquisa em questão, a variável “estado civil” deve ser descartada.</p><p>A variável deve servir como medida de variação da amostra. Como 90% da população analisada é</p><p>solteira, então não houve variação significativa e, por consequência, essa variável não ajuda a explicar</p><p>as diferenças com relação às outras variáveis (ela não pode ser uma variável independente, por</p><p>exemplo, porque não ajuda a explicar nenhuma outra).</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>DIFERENCIANDO TIPOS DE VARIÁVEIS</p><p>Em uma indústria química, o departamento de marketing quer verificar o efeito da propaganda na</p><p>venda de álcool em gel. A empresa passa a fazer grandes campanhas publicitárias e o faturamento</p><p>desse produto no mês seguinte, fevereiro, é significativamente maior. O departamento de marketing</p><p>imediatamente comemora os resultados e supõe que a propaganda provocou um efeito positivo nas</p><p>vendas do produto. Para comprovar essa hipótese, a empresa financia uma pesquisa científica</p><p>O pesquisador responsável pelo teste de hipótese, a fim de verificar a relação entre o aumento de</p><p>vendas e a propaganda, atribuiu ao “estado civil” a característica de variável. No entanto, a variável em</p><p>questão não teve variação significativa que explicasse alguma dimensão do fenômeno analisado, sendo</p><p>descartada da pesquisa. A variável em questão poderia ser transformada em uma variável de controle?</p><p>Justifique.</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>Variáveis de controle precisam ter uma variação significativa. Como a variável “estado civil” não teve</p><p>variação significativa na amostra em questão, então ela não pode ser transformada em variável de</p><p>controle.</p><p>As variáveis de controle também são causas, condições ou estímulos de determinado efeito no</p><p>fenômeno observado, no entanto, ela é considerada secundária porque seus efeitos são, na prática, zero,</p><p>geralmente porque na literatura já foi comprovado que a variável de controle não tem relação com</p><p>outras variáveis. Todavia, isso não significa que a quantificação do seu efeito de variação não deve ser</p><p>significativa, isto é, não pode ser como no caso da variável “estado civil”.</p><p>Os efeitos das variáveis de controle são, então, desprezíveis. Na prática se sabe que é próximo a zero.</p><p>As variáveis de controle existem para que se possa comparar com as outras variáveis, a fim de notar</p><p>efeitos significativos das variáveis relevantes para o estudo.</p><p>SEÇÃO 3</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>ESCREVER E PUBLICAR: COMO LEVAR A CIÊNCIA PARA</p><p>AS PESSOAS?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro estudante,</p><p>Atualmente, a informação científica é um recurso valioso para o desenvolvimento da sociedade em</p><p>seus diversos setores: acadêmico, industrial, governamental, empresarial, etc. Esse tipo de informação</p><p>é gerido por uma grande indústria de editores de revistas e livros a nível mundial. Conhecer o contexto</p><p>de transformação desse processo, os meios de publicação científica, a estrutura e os formatos dos</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u3s2.html#resolucao%20.item-1</p><p>textos científicos são fundamentais para que se possa produzir ciência. Também é necessário conhecer</p><p>as tecnologias que trouxeram muitas ferramentas positivas para o desenvolvimento das pesquisas</p><p>científicas e comunicação dos resultados. Há ferramentas digitais que auxiliam na pesquisa de fontes</p><p>bibliográficas, na análise de dados, na revisão de textos e no gerenciamento das referências</p><p>bibliográficas.</p><p>Convido-lhe a refletir sobre a dimensão da produção de conhecimento científico e tecnológico em</p><p>nossos tempos.</p><p>Em uma indústria química, o departamento de marketing quer verificar o efeito da propaganda na</p><p>venda de álcool em gel. Com as informações dos faturamentos anteriores desse produto, a empresa</p><p>começa a fazer grandes campanhas publicitárias e o faturamento desse produto no mês seguinte,</p><p>fevereiro, é significativamente maior. O departamento de marketing imediatamente comemora os</p><p>resultados e supõe que a propaganda provocou um efeito positivo nas vendas do produto. Para</p><p>comprovar essa hipótese, a empresa financia uma pesquisa científica.</p><p>Após a conclusão da pesquisa, o pesquisador inicia o processo de publicação dos resultados. Para isso,</p><p>ele resolve fazer uma busca nas revistas científicas mais relevantes disponíveis na internet sobre a</p><p>temática do estudo. Qual o principal critério que o pesquisador deve observar na hora de escolher uma</p><p>revista a fim de alcançar esse objetivo?</p><p>“A nossa geração tem que escolher o que ela valoriza mais: lucros de curto prazo ou habitabilidade de</p><p>longo prazo no nosso lar planetário?”</p><p>Carl Sagan</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>FORMATOS E NORMAS DE PUBLICAÇÃO CIENTÍFICA</p><p>A publicação científica ocorre quando os pesquisadores buscam tornar acessíveis a outros os</p><p>resultados de suas investigações. A divulgação dos resultados da investigação pode ser expressada por</p><p>diversas formas de publicação. A publicação científica faz parte de um ramo mais amplo denominado</p><p>de Comunicação Científica, que envolve diferentes formas de comunicação dos resultados (formais,</p><p>informais, escritas, verbais) e que, por sua vez, se insere no contexto mais amplo da Investigação</p><p>Científica. A preocupação</p><p>com a difusão do conhecimento existiu quase sempre, no entanto, ao longo</p><p>do tempo ocorreram transformações na sociedade que afetaram a comunicação científica. São</p><p>exemplos:</p><p>a. O surgimento das tecnologias de informação afetou enormemente os sistemas de produção e</p><p>divulgação da ciência. Como exemplo, temos a migração do papel para os meios digitais.</p><p>b. O crescimento do número de revistas científicas e também o aumento na formação de</p><p>pesquisadores.</p><p>c. A parte editorial da publicação científica deixou de ser acadêmica e passou a ser comercial.</p><p>A comunicação científica acaba envolvendo diversos atores da sociedade como acadêmicos</p><p>(responsáveis pela investigação), universidades (instituições que possuem os recursos e ambiente</p><p>necessário para a investigação), financiadores (órgãos do governo ou agências que financiam bolsas e</p><p>materiais da pesquisa), editores (gerem o controle de qualidade, produção e distribuição do</p><p>conhecimento), bibliotecários (fazem a gestão da informação e sua preservação) e a população geral</p><p>(todos nós que somos indiretamente e diretamente beneficiados com a pesquisa).</p><p>Os formatos mais comuns de publicação são: artigo científico, artigo de revisão, comunicações, cartas</p><p>ao editor, working papers. O artigo científico é o formato mais comum, em geral, eles comunicam os</p><p>resultados da pesquisa científica. Sua estrutura é normalizada, isto é, segue uma série de padrões e</p><p>regras. Os artigos são estruturados em: Introdução, Método, Resultados e Discussão. Esse tipo de</p><p>artigo passa por um processo chamado de Peer-Review ou revisão por pares (especialistas na área)</p><p>antes de ser publicado.</p><p>O artigo de revisão traça uma avaliação crítica sobre diversos artigos com o assunto de interesse da</p><p>pesquisa, apresentando uma visão comparativa entre eles. São bons para ter uma visão geral do</p><p>assunto. Metanálises ou revisões sistemáticas fazem parte desse nicho e também passam por Peer-</p><p>Review.</p><p>As comunicações são apresentações resumidas da pesquisa a fim de divulgá-las, que compõem uma</p><p>síntese geral da pesquisa e podem ser feitas enquanto a pesquisa está em desenvolvimento. Em geral,</p><p>tais comunicações, apesar de passarem por Peer-Review, são publicadas em um curto espaço de tempo.</p><p>Essa é uma de suas vantagens.</p><p>As cartas ao editor são expressões de opinião sobre um artigo publicado na revista que constitui um</p><p>tema em discussão na comunidade científica. Esse formato não apresenta resultados, apenas opiniões</p><p>do autor. Não passa por Peer-Review.</p><p>Working papers são artigos em fase de elaboração disponíveis, normalmente, em programas de pós-</p><p>graduação das universidades. Costuma conter informações bastante atualizadas sobre diversos temas.</p><p>Independente do tipo de publicação que o pesquisador irá escolher, recomenda-se que o autor consulte</p><p>a seção “Diretrizes para publicação” da revista que ele está interessado em publicar. Isso porque os</p><p>artigos científicos têm uma estrutura bastante definida e padronizada. O autor precisa adequar sua</p><p>pesquisa ao tipo de normalização que a revista em questão adota.</p><p>A normalização refere-se ao processo de aplicação de normas previstas para a publicação científica.</p><p>Ela fixa regras para o tratamento das publicações referenciadas no trabalho científico, isto é, elas</p><p>padronizam e uniformizam as referências bibliográficas da pesquisa. Esse processo traz vantagens</p><p>como:</p><p>a. Garante a veracidade e segurança das informações.</p><p>b. Protege os direitos autorais dos estudos citados.</p><p>c. Facilita a comunicação das informações, sejam elas primárias ou secundárias.</p><p>d. Evita duplicidade de fontes.</p><p>As regras da normalização técnica são feitas por órgãos especializados. No Brasil, a normalização se</p><p>dá pela entidade privada e sem fins lucrativos ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas,</p><p>fundada em 1940. Cada país tem seu órgão responsável pela padronização de informações. Nos</p><p>Estados Unidos, por exemplo, é a APA - American Psychological Association.</p><p>Atualmente, a norma brasileira de padronização de Referências Bibliográficas é a NBR 6023/agosto</p><p>2002. Ela fixa as condições a serem seguidas na padronização das referências de um trabalho. Tais</p><p>normas podem ser acessadas através de manuais simplificados que faculdades e universidades, em</p><p>geral, disponibilizam na internet, a fim de orientar estudantes, docentes e pesquisadores.</p><p>ASSIMILE</p><p>A normalização acadêmica consiste no processo de organização dos conteúdos da pesquisa visando a</p><p>prevenção de problemas, cooperação entre os pares e economicidade. Elas existem para facilitar e</p><p>organizar o acesso ao conteúdo científico produzido. Possui, ao menos, quatro vantagens: garante a</p><p>veracidade e segurança das informações, protege os direitos autorais, facilita a comunicação das</p><p>informações e evita a duplicidade de fontes.</p><p>FERRAMENTAS DIGITAIS</p><p>Um dos maiores desafios em uma pesquisa científica é capturar, organizar, consultar e utilizar as</p><p>informações obtidas durante todo o processo da pesquisa. Atualmente, há inúmeras ferramentas</p><p>digitais que auxiliam na organização das informações e referências bibliográficas, como Mendeley,</p><p>Zotero, Endnote e fastformat.co.</p><p>O Mendeley, fundado em 2008, é um gerenciador de referências bibliográficas e também uma rede</p><p>social. Por meio dele é possível organizar as bibliografias automaticamente, colaborar com outros</p><p>pesquisadores, importar com facilidade artigos, encontrar informações relevantes no artigo que está</p><p>lendo, além de acessar e ler seus e outros artigos de qualquer lugar. Com esse software é possível gerar</p><p>estatísticas de número de artigos, regiões geográficas e identificação de leitores por área do</p><p>conhecimento, entre outros recursos.</p><p>O Zotero, fundado em 2006, também é um gerenciador de bibliografia, em que é possível registrar</p><p>dados bibliográficos de livros, artigos, páginas web, etc. Um dos seus diferenciais é o fato de ser</p><p>gratuito e de Código Aberto. Com esse software é possível gerar citações e referências de acordo com</p><p>as normalizações, como ABNT, APA, Chicago, etc.</p><p>O EndNote, fundado em 1988, também é um gerenciador de referências bibliográficas. Ele dispõe de</p><p>recursos que permitem a busca, o armazenamento e a organização das referências recolhidas em bases</p><p>de dados credenciadas. O software é integrado a diversas bases de dados confiáveis. Enquanto o</p><p>Mendeley e o Zotero são gratuitos, o EndNote é pago.</p><p>O fastformat.co, por sua vez, é uma ferramenta gratuita de formatação de texto que deixa suas</p><p>informações totalmente de acordo com as regras ABNT, entre outras. A ferramenta formata todo o</p><p>texto da forma correta, com caixas para que você escreva dentro, permitindo visualizar o arquivo</p><p>durante esse processo. É muito útil, principalmente, para dissertações, teses e monografias.</p><p>REFLITA</p><p>Como os conflitos de interesse econômicos na ciência podem afetar os princípios e valores que regem</p><p>a pesquisa científica como objetividade, positividade, racionalidade e explicabilidade?</p><p>PUBLICAÇÃO DOS RESULTADOS: ACESSO ABERTO E ACESSO PAGO</p><p>Antigamente, os principais financiadores das pesquisas científicas eram pessoas ricas que utilizavam</p><p>seus recursos para apoiar o avanço da ciência. Com o passar do tempo, a ciência foi aumentando em</p><p>importância na sociedade e os investimentos no avanço científico foram institucionalizados, tornando-</p><p>se um foco de questões políticas, sociais e empresariais. A motivação para tal é que a ciência se tornou</p><p>um diferencial competitivo na sociedade capitalista. Atualmente, os países com as maiores economias</p><p>do mundo investem milhões de dólares em ciência e tecnologia.</p><p>As inovações são dadas pela ciência e ter acesso à informação científica é crucial no desenvolvimento</p><p>de novos conhecimentos e tecnologias. Desse modo, os canais de comunicação científica e publicação</p><p>do conhecimento ganham cada vez mais relevância. No entanto, a cobrança de assinaturas com preços</p><p>muito elevados, pelos editores comerciais das</p><p>revistas científicas, tem impedido que informações</p><p>novas a partir de estudos realizados sejam acessadas por grande parte da comunidade científica que</p><p>não dispõe de recursos para tal. O paywall ou acesso pago na ciência tem provocado inúmeros</p><p>problemas: o orçamento de bibliotecas tem ficado quase totalmente comprometido, o acesso pago</p><p>impede que diversos cientistas altamente qualificados tenham acesso a informações relevantes para</p><p>suas próprias pesquisas em andamento, além de contribuir para a exclusão de pessoas da atividade</p><p>científica.</p><p>Nesse contexto, surgiram iniciativas de plataformas de compartilhamento e colaboração gratuitas,</p><p>visando a comunicação científica em sua forma mais ampla e inclusiva. O open acess ou ciência aberta</p><p>é um meio de fazer o conhecimento voltar a circular entre os cientistas. A internet amplificou e</p><p>fortaleceu esse movimento pois forneceu novas formas de publicação e compartilhamento das</p><p>pesquisas. Esse movimento incentiva a transparência na ciência, promove esclarecimento na gestão</p><p>dos dados científicos, que passam a estar acessíveis a toda sociedade e, por consequência, amplia a</p><p>participação e o conhecimento de outros grupos sobre a ciência que está sendo desenvolvida.</p><p>Nesses bancos de dados gratuitos é possível encontrar artigos publicados com revisão por pares, pré-</p><p>prints, deixando que a pessoa leia, distribua, imprima, copie e use em sua pesquisa. As únicas</p><p>restrições são dos direitos autorais, em que o autor precisa ser reconhecido e citado. Além disso, há</p><p>modelos de comunicação científica em que a pesquisa é compartilhada desde o início. Conclui-se que</p><p>o modelo de ciência aberta contribui enormemente com a transparência, aprendizado, colaboração,</p><p>reutilização e inclusão social no meio científico.</p><p>DIVULGANDO A PESQUISA</p><p>A publicação de um artigo científico passa por diversas etapas, em geral, segue a seguinte ordem:</p><p>seleção da revista, submissão do artigo, avaliação inicial do editor (aceitação do artigo, peer-</p><p>review (revisão por pares), atualização do artigo (propostas pelos pares), submissão do artigo revisado</p><p>e publicação. O processo de publicação é frequentemente demorado e raramente decorre em menos de</p><p>seis meses entre a submissão e a aceitação para publicação. Em muitos casos, as revistas mencionam a</p><p>data de submissão e a de aceitação quando o artigo é publicado. Além disso, é cada vez mais comum a</p><p>disponibilização digital do artigo, ao invés da publicação impressa.</p><p>Existem três modelos principais de publicação:</p><p>• Publicação Tradicional: este modelo se baseia na venda de artigos por subscrição, isto é, os</p><p>autores publicam seus artigos que só são acessados mediante pagamento de assinatura.</p><p>• Acesso Aberto: neste modelo, os autores submetem seus artigos, podendo ou não pagar uma</p><p>taxa de submissão, porém os utilizadores têm acesso livre ao artigo, contribuindo para a</p><p>eliminação de barreiras no acesso ao conhecimento científico.</p><p>• Modelo Híbrido: o modelo híbrido é uma opção que mescla os dois anteriores, em que se</p><p>mantém o pagamento de acesso, mas existe a opção de publicação em acesso aberto. São</p><p>exemplos: Elsevier, Taylor & Francis ou Springer.</p><p>A publicação Acesso Aberto aplica-se tanto a artigos como a dados científicos resultantes das</p><p>pesquisas que não foram utilizados. Há duas vias de publicação:</p><p>• Via Dourada: o acesso aos artigos é gratuito através do site da revista, mas cobra-se o</p><p>pagamento de taxas de publicação. Nessa via, o acesso é imediato após a publicação, que passa</p><p>pela análise Peer-Review.</p><p>• Via Verde: o acesso aos artigos também é gratuito através do depósito dos artigos em</p><p>repositórios de acesso aberto (institucionais ou temáticos). Os artigos também se submetem</p><p>ao peer-review e podem ficar retidos por um período.</p><p>Alguns desses repositórios são: DOAJ (Directory of Open Access Journals), OpenDOAR (The</p><p>Directory of Open Access Repositories), ROAR (Registry of Open Access Repositories), ROARMAP</p><p>(The Registry of Open Access Repository Mandates and Policies), Sherpa / Juliet (Research Funders'</p><p>Open Access Policies), SPARC (Scholarly Publishing and Academic Resources Coalition).</p><p>O processo de peer-review pode identificar más posturas na pesquisa científica. A pressão para a</p><p>publicação tem ficado cada vez maior. É necessário que autor pense na qualidade do seu trabalho, pois</p><p>isso pode afetar sua reputação acadêmica. Fraudes, plágios, conflitos de interesse não divulgados,</p><p>manipulação de dados, submissões simultâneas de um mesmo artigo em duas revistas, duplicação de</p><p>artigos, pode marcar de forma negativa a imagem dos pesquisadores.</p><p>O plágio destaca-se por ser considerado uma das piores posturas no âmbito da publicação científica. É</p><p>preciso que o artigo a ser publicado seja original. Caso você queira sanar sua dúvida em relação ao</p><p>plágio, muitos autores recorrem a softwares detectores de plágio. Um dos mais utilizados pelos</p><p>editores é o Thenticate, no entanto, existem também outros gratuitos como o Plagiarism Tools.</p><p>Se o artigo for aceito ou publicado, é importante conhecer, de preferência antes da submissão, o fator</p><p>de impacto das revistas. O fator de impacto é um meio de avaliar a qualidade e relevância das revistas.</p><p>Esse impacto da publicação pode ser avaliado por meio de indicadores bibliométricos, para avaliação</p><p>dos autores, que se baseiam no número de citações do artigo. Esses indicadores bibliométricos</p><p>permitem saber, por exemplo, quais são os autores mais citados em uma área científica específica e</p><p>quais revistas têm o maior impacto em uma determinada área. É imprescindível conhecer e se manter</p><p>atento a esses indicadores tanto para a publicação quanto para o almejado reconhecimento profissional</p><p>de um pesquisador.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>De maneira geral, o processo de peer-review se dá pelas seguintes etapas:</p><p>o recebimento do manuscrito; a verificação se o manuscrito atende os pré-requisitos, por exemplo, o</p><p>número de palavras, padronização de referências, etc.; avaliação da qualidade e relevância do</p><p>manuscrito pela revista; escolha de um a três revisores especialistas na área para conferirem um</p><p>parecer. A partir daí, com base no parecer dos revisores, o editor da revista toma a decisão de aceitação</p><p>ou rejeição do manuscrito. Se aceito, o manuscrito entra no processo de publicação.</p><p>A ciência como atividade humana é profundamente afetada pelas demandas e relações de uma época.</p><p>A publicação científica deve ser vista como parte do processo de desenvolvimento da pesquisa. Como</p><p>a ciência nos beneficia coletivamente, não se pode esconder os resultados de uma pesquisa, é</p><p>necessário divulgá-los para que, assim, eles tragam inúmeros retornos práticos à sociedade como um</p><p>todo.</p><p>FAÇA A VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>A normalização acadêmica consiste no processo de organização dos conteúdos da pesquisa visando a</p><p>prevenção de problemas, cooperação entre os pares e economicidade. Elas existem para facilitar e</p><p>organizar o acesso ao conteúdo científico produzido.</p><p>Assinale a alternativa que contém a sigla do órgão responsável pela normalização dos trabalhos</p><p>técnicos no Brasil.</p><p>a. APAC.</p><p>b. CMS.</p><p>c. APA.</p><p>d. ANPOF.</p><p>e. ABNT.</p><p>Correto!</p><p>No Brasil, a normalização se dá pela entidade privada e sem fins lucrativos</p><p>ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas, fundada em 1940.</p><p>Questão 2</p><p>O modelo mais atual de divulgação do conhecimento é o que dá acesso à pesquisa disponível</p><p>gratuitamente, sem restrições de uso. Essa ideia se baseia na visão de que as informações científicas</p><p>devem estar disponíveis a todos e se põe àqueles que obriga a assinatura de revistas para ter acesso aos</p><p>conteúdos publicados.</p><p>Considerando o contexto apresentado, assinale a alternativa a que ele se refere:</p><p>a. Acesso livre.</p><p>b. Acesso pago.</p><p>c. Acesso restrito.</p><p>d. Acesso hibrido.</p><p>e. Acesso aberto.</p><p>Correto!</p><p>O acesso aberto no âmbito da ciência é um conceito que se refere à pesquisa</p><p>disponível gratuitamente,</p><p>sem restrições de uso. Essa ideia se baseia na visão</p><p>de que as informações científicas devem estar disponíveis a todos e se põe</p><p>ao paywall ou acesso pago, que obriga a assinatura de revistas para ter acesso</p><p>aos conteúdos publicados.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-2%20.item-5</p><p>Questão 3</p><p>Atualmente, a pesquisa científica ganhou tanta credibilidade quanto o interesse de vários setores da</p><p>sociedade nas informações produzidas por ela. Isso acarretou em uma transformação significativa da</p><p>maneira como se dá a produção e divulgação do conhecimento científico.</p><p>Assinale a alternativa que mostra algumas das transformações sociais que afetaram a forma de</p><p>produzir e publicar conhecimento científico.</p><p>a. Surgimento das tecnologias analógicas, aumento no número de</p><p>pesquisadores e revistas científicas e ênfase na dimensão qualitativa da ciência.</p><p>b. Surgimento das tecnologias digitais, diminuição do número de pesquisadores</p><p>e revistas científicas e a ênfase na dimensão quantitativa da ciência.</p><p>c. Surgimento das tecnologias digitais, aumento no número de pesquisadores e</p><p>revistas científicas e a ênfase na dimensão comercial da ciência.</p><p>Correto!</p><p>A preocupação com a difusão do conhecimento existiu quase sempre, no entanto, ao longo do tempo</p><p>ocorreram transformações na sociedade que afetam a comunicação científica. São exemplos: o</p><p>surgimento das tecnologias de informação afetou enormemente os sistemas de produção e divulgação</p><p>da ciência. Como exemplo, temos a migração do papel para os meios digitais. O crescimento do</p><p>número de revistas científicas e também aumento na formação de pesquisadores. A parte editorial da</p><p>publicação científica deixou de ser acadêmica e passou a ser comercial.</p><p>d. Surgimento das tecnologias analógicas, diminuição no número de</p><p>pesquisadores e revistas científicos e a ênfase na dimensão quantitativa da</p><p>ciência.</p><p>e. Surgimento das tecnologias digitais, aumento no número de pesquisadores e</p><p>revistas científicas e a ênfase na dimensão qualitativa da ciência.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CASARIN, H. C. S.; CASARIN, S. J. C. Pesquisa Científica: da teoria à prática. Curitiba: Ibpex,</p><p>2011.</p><p>ÖCHSNER, A. Introduction to scientific publishing: Backgrounds, concepts, strategies. Heidelberg:</p><p>Springer, 2013</p><p>YAMAKAWA, E. K. et al. Comparativo dos softwares de gerenciamento de referências bibliográficas:</p><p>Mendeley, EndNote e Zotero. Transinformação, v. 26, n. 2, p. 167-176, 2014.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u3s3.html#accordion-3%20.item-5</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>ESCREVER E PUBLICAR: COMO LEVAR A CIÊNCIA PARA</p><p>AS PESSOAS?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>Após a conclusão da pesquisa, o pesquisador iniciou o processo de publicação dos seus resultados. Ele</p><p>resolve buscar na internet as revistas mais relevantes no tema do artigo em questão. O principal critério</p><p>para avaliar a relevância de uma revista é o fator de impacto. Em geral, esse fator de impacto é um</p><p>índice gerado a partir da avaliação dos autores já publicados e a quantidade de citações dos artigos</p><p>publicados. Além disso, há critérios, como a submissão dos artigos à revisão por pares, que devem ser</p><p>observados na hora de escolher uma revista que preze pela qualidade do conteúdo publicado.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>UTILIZANDO AS FERRAMENTAS DIGITAIS DISPONÍVEIS</p><p>Você submete um artigo a uma revista especializada na sua área de estudos. No processo de revisão</p><p>por pares, o parecerista retorna com a posição de que o artigo deve ser publicado após alguns ajustes.</p><p>O parecerista comenta que algumas referências bibliográficas não se encontram no padrão ABNT</p><p>necessário para a publicação. Um exemplo de referência errada encontrada no texto: “Principles of</p><p>Marketing. J. Rowe. F. Clark. 1927. Economica”</p><p>Quais ferramentas digitais você poderia utilizar para resolver esse problema?</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>Visando normalizar a pesquisa, você poderia ter utilizado os softwares Mendeley, Zotero, EndNote ou</p><p>fastformat.co que são, além de outras coisas, gerenciadores de referências bibliográficas. Eles dispõem</p><p>de recursos em que as referências podem ser automaticamente padronizadas, de acordo com as regras</p><p>das normas ABNT, por exemplo. Utilizaremos o Mendelely como ilustração.</p><p>Com o Mendeley instalado e configurado, vá na aba “View” e clique em “Citation Style”. Procure por</p><p>ABNT, clique em “Install”. Não se esqueça de instalar também o plugin para o Word.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u3s3.html#resolucao%20.item-1</p><p>Feito isso, vá em “Literature Search” no Mendeley, procure o título do artigo e clique em “Save</p><p>Reference”.</p><p>Agora, abra o Word e clique na guia Referências e na aba do Mendeley, clique em “Insert Citation”,</p><p>busque pelo título do texto e adicione a citação (no lugar em que ela deve aparecer no texto). Depois</p><p>de inserida a citação, vá em “Insert Bibliography” para inserir a referência de acordo com ABNT.</p><p>Procure pela referência e clique em ok.</p><p>Resultado da referência no padrão ABNT:</p><p>UNIDADE 4</p><p>SEÇÃO 1</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>COMO ANALISAR UM TRABALHO CIENTÍFICO?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>CONVITE AO ESTUDO</p><p>Caro estudante,</p><p>Ao final de um curso ou disciplina, muitas vezes você é encorajado a escrever uma</p><p>monografia sobre o</p><p>assunto que estudou. Os trabalhos de final de curso ou monografias te preparam para a redação</p><p>científica, em que quase sempre é necessário seguir uma estrutura que conta com etapas de introdução,</p><p>desenvolvimento, conclusão, etc. A escrita científica é parte da metodologia a ser seguida no</p><p>desenvolvimento das pesquisas, por isso é importante conhecê-la. Dada a enorme quantidade de</p><p>artigos e pesquisas publicados atualmente, se faz necessário distinguir as pesquisas que seguem o</p><p>maior rigor e excelência científica.</p><p>Nesta unidade, você aprenderá como analisar e redigir um artigo científico, a modalidade mais comum</p><p>de divulgação científica. É importante conhecer o que se espera de cada seção do artigo, com particular</p><p>atenção à seção de metodologia e resultados que contempla, dentre outras coisas, a coleta e o</p><p>tratamento dos dados da amostra. Não obstante, a partir da experiência com a redação científica de</p><p>artigo, você conseguirá alinhar o conteúdo da sua pesquisa com os outros diversos formatos de</p><p>comunicação científica já conhecidos por você, sejam eles, resumos, comunicações, revisões, entre</p><p>outros.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro estudante,</p><p>A essa altura, você já deve saber que a informação mais qualificada da atualidade é a informação</p><p>científica. A credibilidade da ciência foi construída por meio da aplicação de metodologias rigorosas</p><p>do início ao fim da pesquisa, capazes de produzir resultados efetivamente confiáveis. Você já deve</p><p>saber também que a comunicação científica é indispensável nesse processo, pois é por ela que os</p><p>cientistas e toda a sociedade ficam cientes do surgimento de novos problemas, bem como de soluções</p><p>para os problemas.</p><p>Assim, dado seu papel crucial, a produção de artigos científicos também deve seguir uma metodologia</p><p>rigorosa que permita a explanação clara dos resultados e a plena comunicação com seus pares. Os</p><p>artigos possuem uma estrutura que comumente consiste em introdução, desenvolvimento, metodologia</p><p>e resultados, mas que pode variar dependendo do campo de pesquisa. Saber como redigir artigos</p><p>científicos, bem como saber interpretá-los, é parte essencial na busca por informações qualificadas nos</p><p>dias atuais e pode contribuir em muito com o aprimoramento e a atualização da prática profissional em</p><p>qualquer área de atuação.</p><p>Você construiu sua carreira como pesquisador e foi contratado por uma empresa automobilística para</p><p>desenvolver um estudo sobre a eficiência energética de dois tipos de ar-condicionado para automóveis.</p><p>A ideia apresentada pela equipe é encontrar o aparelho com maior eficiência energética para ser</p><p>instalado em um novo modelo de carro.</p><p>Sendo assim, você deve elaborar a metodologia que deve ser empregada na condução do estudo,</p><p>indicando o método de coleta de dados, os possíveis cálculos efetuados para mensuração da eficiência</p><p>energética e qual seria a melhor ferramenta estatística para a apresentação dos dados coletados.</p><p>Quando se é alfabetizado cientificamente, o mundo parece diferente à sua vista, e essa compreensão</p><p>dá-lhe poder. – Neil de Grasse Tyson</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>ENTENDIMENTO DA METODOLOGIA</p><p>Saber redigir e analisar artigos científicos é uma habilidade essencial a ser adquirida pelo pesquisador.</p><p>Antes de tudo, é necessário compreender a estrutura de um artigo que geralmente passa por introdução,</p><p>metodologia, resultados e discussão. Cada etapa da pesquisa possui uma série de critérios e</p><p>procedimentos a serem seguidos, os quais podem variar conforme o tipo de pesquisa. Todavia, em</p><p>geral, construímos uma análise fundamentada de um artigo observando se ele cumpre adequadamente</p><p>os seguintes aspectos (CASARIN, 2012; PEREIRA, 2018):</p><p>a. Tema: inicialmente, deve-se ficar claro o tema do trabalho analisado. Esse tema deve ser</p><p>relevante na área de conhecimento ao qual se enquadra, pois assim se justifica o emprego dos</p><p>recursos.</p><p>b. Título: o título do artigo deve ser elucidativo, preciso e curto. Os leitores que buscam o artigo</p><p>devem conseguir saber pelo título se o artigo atende suas necessidades de pesquisa. Para isso, é</p><p>aconselhável que tenha entre 10 a 12 palavras.</p><p>c. Autores: são aqueles que efetivamente contribuíram no desenvolvimento da pesquisa e deve-se</p><p>observar suas instituições de origem ou qualificação de cada um deles. Também recomenda-se</p><p>incluir formas de contato.</p><p>d. Resumo: tem a finalidade de síntese da pesquisa, dando uma ideia de quais foram os objetivos</p><p>e os caminhos encontrados. Inclui-se aqui os métodos utilizados. Geralmente, também se</p><p>coloca uma versão do resumo em outro idioma.</p><p>As palavras-chave identificam o tema do artigo por meio da catalogação.</p><p>e. Introdução: é a parte do trabalho em que é apresentado o problema da investigação, as</p><p>justificativas da pesquisa, a fundamentação teórica da pesquisa, bem como os objetivos do</p><p>trabalho, as hipóteses e variáveis utilizadas. A fundamentação teórica se baseia, em geral, nas</p><p>últimas pesquisas da área de estudo.</p><p>f. Justificativas da pesquisa: o relatório da pesquisa deve incluir uma consideração sobre a</p><p>relevância do tema ou problema a ser investigado, o que e onde se pode contribuir com a</p><p>realização da pesquisa.</p><p>g. Objetivos gerais e específicos: o artigo deve ser claro quanto aos seus propósitos, os objetivos</p><p>devem ser bem definidos e coerentes, além de compatíveis com os métodos e o corpo de</p><p>conhecimento estabelecido da área.</p><p>h. Hipóteses e variáveis: as variáveis são os parâmetros que irão variar, os atributos que se</p><p>pretende investigar. Elas devem estar bem definidas e explícitas no artigo. Além disso, deve</p><p>haver uma previsão do comportamento destas (hipótese) que é apoiada na literatura da área.</p><p>i. Metodologia: o artigo deve informar claramente quais são os procedimentos e métodos</p><p>utilizados a fim de testar as hipóteses. O nível de detalhamento deve ser alto para permitir que</p><p>outro pesquisador replique o experimento. Inclui saber qual o tipo de pesquisa, a abordagem, o</p><p>lócus da pesquisa, a população, a amostra, os instrumentos utilizados, os cuidados técnicos, as</p><p>medidas éticas e a forma de análise de dados.</p><p>j. Amostra: o artigo deve detalhar muito bem a população do estudo para que outras pesquisas</p><p>possam ter parâmetros de comparação. A análise desse conteúdo deve ser meticulosa porque</p><p>podem esconder falhas que comprometem os resultados da investigação.</p><p>k. Instrumento de coleta de dados: o artigo deve ser explícito quanto aos procedimentos utilizados</p><p>na coleta de dados, aos meios e instrumentos utilizados, às variáveis de estudo e escalas de</p><p>variação. A utilização de um instrumento não confiável pode comprometer totalmente o</p><p>resultado obtido. Além disso, deve-se dizer quem coletou, qual período da coleta, os cuidados</p><p>tomados durante, etc.</p><p>l. Validade interna e externa: consiste em uma das etapas mais importantes nas análises dos</p><p>artigos. Aqui é necessário observar criticamente se, por exemplo, não há situações</p><p>intervenientes que convergem com a variável independente e podem afetar a variável</p><p>dependente; se a forma de seleção da amostra é adequada quando não é aleatória, se não há</p><p>enviesamento na amostragem, etc.</p><p>Em suma, é necessário verificar se não há possibilidades de interferência dos resultados que</p><p>não tenham sido levadas em conta. Há que se verificar também a validade externa, o quanto os</p><p>resultados conseguem gerar generalizações em outros ambientes ou com outras amostragens. A</p><p>avaliação também inclui uma análise da confiabilidade e validade dos instrumentos utilizados</p><p>na coleta de dados.</p><p>m. Dimensão Ética: o artigo deve respeitar os princípios e as diretrizes éticas determinados pelo</p><p>Comitê de Ética da instituição a que ele está vinculado, principalmente durante a</p><p>experimentação com humanos e animais não humanos. Sem esse controle, os resultados da</p><p>pesquisa são severamente comprometidos.</p><p>n. Resultados, discussão e conclusão: o artigo deve apontar claramente quais foram</p><p>contraexemplo para demonstrar sua falsidade. Analogamente ao exemplo mais tipicamente usado, o</p><p>fato de observar cisnes brancos em uma região não permite fazer uma generalização apressada de que</p><p>todos os cisnes são brancos, pois a observação de um cisne negro refutaria a teoria. Então, Popper</p><p>lançou a condição de que toda teoria, para ser científica, deveria ser passível de falseabilidade ou</p><p>falseacionismo, ainda mais porque contribuiria para seu refinamento. A falseabilidade é a condição de</p><p>que teorias devem ter a capacidade de serem provadas falsas em alguma circunstância.</p><p>Popper argumentava que a confirmação trivial não assegurava uma boa teoria, utilizando a psicanálise</p><p>como exemplo de caso para mostrar que a observação do analista geraria uma confirmação excessiva,</p><p>embora não suficiente para avaliar seu grau de verdade. Mais ainda, ele argumentou que a falta de</p><p>condições de refutação da teoria psicanalítica seria um elemento vital para sua fossilização, como o</p><p>caso do inconsciente freudiano, que admite a existência de três instâncias psíquicas ou entidades</p><p>desencarnadas (id, ego e superego), mas que nunca é clarificado se são conceitos meramente</p><p>simbólicos ou objetos tão reais quanto axônios, neurônios, sinapses e partículas.</p><p>Com seu critério de demarcação, Popper foi duramente criticado pelos filósofos irracionalistas,</p><p>sobretudo Thomas Kuhn e Paul Feyerabend. Kuhn (2017) defendeu que existiam, no mínimo, duas</p><p>ciências: a normal e a extraordinária. A normal é a ciência acerca da qual existe minimamente um</p><p>consenso estabelecido entre a comunidade científica. Em seguida, dentro da ciência normal, segundo</p><p>Kuhn, ocorre uma crise sem precedentes, ocasionada por uma nova descoberta, passando a existir a</p><p>dificuldade de estabelecimento de um consenso. Quando essa nova descoberta se consolida, ocorre</p><p>uma revolução científica, dando início à etapa de uma nova e extraordinária ciência, rompendo com</p><p>velhas concepções de mundo. Pense, por exemplo, na revolução científica ocasionada pela emergência</p><p>da teoria da relatividade geral, que, embora seja sempre lembrada como fruto do trabalho de Albert</p><p>Einstein, também teve a contribuição de outros grandes nomes da física, como Henri Poincaré. A</p><p>relatividade provocou uma reação de incerteza na comunidade científica por conta de sua aceitação</p><p>total ao longo de anos e das limitações físicas agora evidentes das teorias newtonianas para o estudo de</p><p>objetos de grande massa. Isso, porém, não significa que a relatividade geral demoliu a física de</p><p>Newton. Isso também não sustenta a defesa de Kuhn de que não existe algo como progresso científico.</p><p>A teoria da relatividade e o uso da mecânica de Newton têm permanecido de pé ainda hoje, sendo a</p><p>última responsável pela possibilidade de envio de foguetes ao Espaço.</p><p>Feyerabend (2011), por outro lado, foi ainda mais radical e sentenciou que não existe algo como</p><p>método científico e que, na ciência, “tudo vale”, de modo que não existiriam regras para serem</p><p>seguidas, a ponto de, segundo ele, os cientistas diversos romperem com os protocolos de investigação</p><p>para formularem suas ideias. Feyerabend foi seduzido por essa visão por conta de sua descrença na</p><p>medicina científica e a suposta experiência de cura por uma curandeira, o que o levou a relativizar o</p><p>status epistemológico da medicina em seus trabalhos. Sua posição ficou conhecida como anarquismo</p><p>epistemológico. Embora essa seja a visão que mais prevalece na academia, ela é falsa, porque ignora</p><p>que não existe ciência sem método científico (ou seja, sem regras minimamente estabelecidas e/ou</p><p>procedimentos experimentais de investigação, principalmente de acordo com os princípios da pesquisa</p><p>bioética) e, principalmente, sem ethos (ou código de conduta) tacitamente aceito pela comunidade</p><p>científica. Uma ciência sem método não seria capaz de investigar a realidade em todos os seus níveis,</p><p>também não seria capaz de progredir ao longo dos anos e, mais importante, sem ethos tanto a verdade</p><p>como a mentira teriam pesos igualmente válidos dentro da comunidade científica.</p><p>O ethos da ciência foi primeiramente clarificado pelo sociólogo da ciência Robert K. Merton (1968).</p><p>Ao investigar a comunidade científica, ele identificou alguns princípios que norteavam a pesquisa</p><p>científica, sendo eles: comunismo epistêmico, universalismo, desinteresse, ceticismo coletivo e</p><p>originalidade.</p><p>O comunismo epistêmico enfatiza que o conhecimento científico é propriedade de todos, portanto, ele</p><p>deve ser sempre acessível; o universalismo advoga que todos os cientistas, independente de sua etnia</p><p>ou localização geográfica, podem contribuir com a ciência; o desinteresse destaca que os cientistas</p><p>devem agir conforme a comunidade, de acordo com os interesses coletivos, sempre acima dos</p><p>interesses pessoais; o ceticismo coletivo determina que as reivindicações científicas devem ser</p><p>submetidas à análise crítica da comunidade; e, finalmente, a originalidade diz respeito à ideia de que as</p><p>demandas científicas devem contribuir com a novidade, seja na formulação de novos problemas, dados</p><p>ou teorias. A suspensão do ethos leva ao florescimento da pseudociência.</p><p>O conceito de pseudociência, de antemão, exige uma compreensão do que é a ciência. No entanto,</p><p>nenhum filósofo havia sido capaz de conceituar a ciência de forma adequada, deixando sempre espaço</p><p>para que reivindicações não científicas se passassem como ciência. O filósofo Mario Bunge (2010)</p><p>mostrou que a concepção popperiana de ciência deixava espaço para que reivindicações</p><p>parapsicológicas fossem tratadas como ciência, simplesmente porque satisfaziam o critério de</p><p>falseabilidade. Porém, como Bunge enfatizou, o que torna um campo científico não é sua condição de</p><p>falseabilidade, mas uma série de princípios, entre os quais estão incluídos um fundo de conhecimento,</p><p>uma base formal, uma epistemologia realista, uma ontologia materialista, um ambiente livre de</p><p>pesquisa e, principalmente, a prática de um ethos entre membros da comunidade científica. Nesse</p><p>sentido, Bunge (2014) define a ciência como um sistema de ideias caracterizados como um</p><p>conhecimento sistemático, racional, exato, verificável e, portanto, falível, sendo uma representação</p><p>conceitual do mundo. Além disso, quando um campo falha em satisfazer a maior parte dos princípios</p><p>de cientificidade, ele pode ser considerado pseudocientífico.</p><p>A pseudociência, consequentemente, pode ser conceituada de forma oposta à ciência, como sendo um</p><p>sistema de crenças subjetivas, irracionalistas ou puramente intuicionistas, inexata, inverificável e,</p><p>portanto, dogmática, pois ela não submete à prova suas crenças, não exige uma linguagem clara,</p><p>precisa e objetiva, nem um vocabulário articulado de ideias inter-relacionadas, e, quando se mostra</p><p>falha, como na hipótese da existência do inconsciente freudiano da psicanálise ou das ondas psi da</p><p>parapsicologia, ela permanece estagnada no tempo, não atualizando suas crenças à luz de novas</p><p>evidências.</p><p>Em resumo, o conhecimento científico é um tipo especial de conhecimento, que possui em seu aspecto</p><p>central a revisão constante de hipóteses e teorias científicas, sempre submetendo à prova conjecturas e,</p><p>mais ainda, proporcionando a melhor representação da realidade em todos os seus níveis (físico,</p><p>químico, biológico, psicológico, social, artificial, etc.). Por ser um tipo de conhecimento antidogmático</p><p>por princípio, ele não deve ser confundido com a pseudociência, em que, em sua característica mais</p><p>essencial, o livre debate de ideias é substituído pelo culto à autoridade e pela salvação contínua de</p><p>crenças falsas, por conta do sentimento de incerteza provocado pelo mal entendimento da ciência.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>1. O conhecimento vulgar (ou senso comum) absorve todos os tipos de conhecimentos ao</p><p>longo dos anos. No entanto, ele pode conservar em seu núcleo crenças falsas sobre a</p><p>realidade. Por sua vez, o conhecimento religioso possui,</p><p>os resultados,</p><p>de forma lógica, objetiva e ordenada, podendo utilizar para isso tabelas, gráficos, como</p><p>material complementar. O artigo deve ser capaz de responder diretamente e objetivamente a</p><p>questão-problema colocada na introdução. Após essa etapa, os resultados devem ser discutidos</p><p>à luz do conhecimento da literatura, comparando-os com outros estudos, a fim de reforçar a</p><p>validade de sua resposta ou solução.</p><p>Parece óbvio, mas um dos aspectos importantes de análise é a coerência geral do artigo</p><p>desde a introdução até a discussão final. Ele não deve conter contradições, mas sim uma</p><p>harmonia lógica entre as ideias. A falta de coerência pode ser uma das fontes de erros e</p><p>falhas da pesquisa científica. Não menos importante, o artigo deve indicar adequadamente</p><p>todas as referências utilizadas para sua composição. É muito comum que as referências</p><p>sejam normalizadas para facilitar a comunicação com os outros pesquisadores. Uma boa</p><p>pesquisa, em geral, conta com um número razoável de referências, indicando que se</p><p>conhece bem a literatura disponível sobre o tema.</p><p>ASSIMILE</p><p>Conforme explica Casarin (2012), os trabalhos científicos são frequentemente estruturados em ordem</p><p>cronológica: Introdução, Metodologia, Resultados e Discussão, Conclusão e Referenciais</p><p>Bibliográficos.</p><p>a. A seção “Introdução” contém as razões que motivaram a investigação e mostra para os leitores</p><p>como o artigo está estruturado.</p><p>b. A seção “Metodologia” fornece detalhes suficientes para outros cientistas reproduzirem os</p><p>experimentos descritos no artigo.</p><p>c. As seções “Resultados” e “Discussão” apresentam e discutem os resultados da pesquisa,</p><p>respectivamente. Essas duas seções frequentemente são combinadas para que os leitores</p><p>entendam o que os resultados significam.</p><p>d. A seção “Conclusão” apresenta o resultado do trabalho interpretando os achados em um nível</p><p>de abstração mais alto do que a Discussão e relacionando esses achados ao problema de</p><p>pesquisa declarado na Introdução.</p><p>LEITURA DOS RESULTADOS</p><p>Dada sua importância, abordaremos mais profundamente a análise dos resultados de um artigo</p><p>científico. A seção dos resultados indica o que foi encontrado na pesquisa, isto é, mostra os dados</p><p>relevantes obtidos pelo pesquisador. Segundo Pereira (2013), é importante que se apresente as</p><p>características “demográficas, socioeconômicas, clínicas ou de outra natureza” do objeto estudado.</p><p>Tais dados podem ser alocados em tabelas para uma melhor visualização. Essa parte serve como</p><p>indicativo das condições a serem observadas para o estudo poder ser replicado. Também deve-se</p><p>indicar os critérios de exclusão dos participantes na amostra.</p><p>Após a explicitação da amostragem, os resultados devem ser elencados em uma ordenação. Primeiro,</p><p>os mais relevantes, aqueles que respondem diretamente à questão do artigo. O pesquisador, na</p><p>sequência, poderá expor os resultados secundários, aqueles achados que não eram esperados, mas que</p><p>são relevantes. Há algumas dicas que podem ser seguidas para facilitar a elaboração da seção de</p><p>resultados, são elas:</p><p>a. Apresentar os resultados de forma ordenada e lógica.</p><p>b. Dar ênfase somente a informações imprescindíveis.</p><p>c. Não emitir opiniões ou julgamentos sobre o que foi encontrado, pois a parte interpretativa cabe</p><p>à seção de discussão.</p><p>d. Não replicar no texto os resultados que estão nas ilustrações.</p><p>e. Indicar a significância estatística dos resultados.</p><p>Assim, espera-se que na seção de resultados se encontre as informações mais relevantes que a pesquisa</p><p>obteve. A seção de resultados deve ter um texto curto, simples, objetivo, que preze pela clareza e pela</p><p>ordenação lógica, seguindo sempre as regras da comunicação científica. Muitas vezes, se faz</p><p>necessário redigir o texto mais de uma vez, até alcançar a clareza pretendida.</p><p>REFLITA</p><p>Na hora de interpretar os dados e expor os resultados, o pesquisador deve ter muito cuidado para não</p><p>enviesar e comprometer esses dados com sua análise. Na sua visão, quais práticas podem ser feitas</p><p>durante a pesquisa a fim de minimizar uma análise tendenciosa dos dados coletados?</p><p>ANÁLISE DE TABELAS, QUADROS E GRÁFICOS</p><p>Na etapa da análise de dados, é comum o uso de estatística descritiva que auxilia na forma de obter</p><p>informações a partir dos dados coletados. São utilizadas para essa tarefa, resumos, gráficos e tabelas.</p><p>Muitas vezes, a simples visualização dos dados coletados não consegue expressar todas as informações</p><p>contidas neles, pois existem informações escondidas que só podem ser visualizadas com aplicações de</p><p>técnicas e métodos estatísticos. Antes de resumir em gráficos, tabelas e quadros, precisamos saber</p><p>sobre o que iremos falar, isto é, qual o tipo de variável que estamos interessados. Segundo Da Silva</p><p>(2011), elas podem ser:</p><p>a. Qualitativas: as variáveis desse tipo medem a qualidade, podendo ser ordinais, como o índice</p><p>de aprovação de um político (péssimo, ruim, regular, bom ou ótimo), ou podem ser nominais,</p><p>como o sexo de uma pessoa, feminino ou masculino.</p><p>b. Quantitativas: as variáveis desse tipo medem a quantidade, podem ser discretas (os valores são</p><p>contáveis) ou contínuas (os valores dentro de um intervalo), por exemplo, a altura de uma</p><p>pessoa.</p><p>Existem também métodos específicos quando queremos descrever duas ou mais variáveis e como se</p><p>relacionam entre si. As ferramentas descritivas e analíticas de dados são inúmeras e devem ser</p><p>utilizadas conforme os objetivos da pesquisa, são algumas delas:</p><p>a. Tabela de frequência: indica a frequência observada de um fenômeno. Essa frequência pode ser</p><p>classificada em absoluta ou relativa – absoluta como o número de eventos e relativa como o</p><p>percentual. Podemos utilizá-la, por exemplo, quando queremos observar a variável “torcedor de</p><p>time” em uma turma com 20 alunos em São Paulo, conforme a Tabela 4.1.</p><p>Tabela 4.1 | Exemplo de tabela de frequência</p><p>Categoria</p><p>Frequência</p><p>Absoluta</p><p>Frequência</p><p>Relativa</p><p>Corinthians 10 0,50</p><p>Palmeiras 7 0,35</p><p>São Paulo 2 0,10</p><p>Santos 1 0,05</p><p>Total 20 1,00</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>b. Gráfico de barras: o gráfico de barras apresenta a frequência absoluta ou relativa de uma</p><p>observação ou fração de observações. A altura das barras representa o que mais foi observado.</p><p>Um exemplo desse tipo de gráfico ilustra a nota de cada aluno em uma turma (Figura 4.1).</p><p>Figura 4.1 | Exemplo de gráfico de barras</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>c. Gráfico de setores (pizza): esse gráfico apresenta uma frequência relativa de uma observação.</p><p>Eles não são bons para comparações temporais. A Figura 4.2 traz um exemplo desse tipo</p><p>aplicado às notas dos alunos.</p><p>Figura 4.2 | Exemplo de gráfico de setores (pizza)</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>d. Histograma: se parece com o gráfico de barras, mas possui diferenças. O histograma mede um</p><p>grupo de dados e não uma certa informação como o gráfico de barras. Note que, em relação ao</p><p>gráfico de barras, no histograma não é possível identificar a nota de cada aluno.</p><p>Figura 4.3 | Exemplo de histograma</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>e. Tabulação cruzada: quando queremos descobrir se há alguma relação entre duas variáveis</p><p>diferentes, podemos utilizar a tabulação cruzada. Por exemplo, podemos fazer uma tabulação</p><p>cruzada com duas variáveis: preço da refeição (R$ 10 a R$ 40) e avaliação da qualidade (ruim,</p><p>bom, ótimo, excelente) pelos entrevistados. Note que a tabela a seguir indica que conforme</p><p>aumenta o preço, a satisfação com a qualidade aumenta.</p><p>Tabela 4.2 | Exemplo de tabulação cruzada</p><p>Preço da Refeição</p><p>Qualidade R$ 10-20 R$ 20-40</p><p>Bom 15 1</p><p>Muito</p><p>Bom</p><p>10 10</p><p>Excelente 1 37</p><p>Total 26 48</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>f. Diagramas de dispersão: mostra a relação de duas variáveis quantitativas. Cada par observado</p><p>de duas variáveis (x, y) é marcado como um ponto a partir das coordenadas. O diagrama é</p><p>usado para verificar a existência de uma relação de causa e efeito entre duas variáveis</p><p>quantitativas. A Figura 4.4 traz um exemplo de gráfico comparativo entre idade da mulher e do</p><p>marido. Como se observa, à medida que a idade da mulher aumenta, a idade do marido também</p><p>aumenta.</p><p>Figura 4.4 | Exemplo de diagrama de dispersão</p><p>Fonte: Martins (2014, s/p)</p><p>g. Gráfico temporal ou sequencial: esse tipo de gráfico mostra a evolução de uma variável ao</p><p>longo do tempo. É semelhante ao de dispersão, mas neste caso, pode-se unir os pontos</p><p>consecutivos (Figura 4.5).</p><p>Figura 4.5 | Exemplo de gráfico sequencial</p><p>Fonte: Elaborada pela autora.</p><p>Cabe lembrar que não basta apresentar os dados em formas de gráficos ou tabelas sem ter uma teoria</p><p>estabelecida que ajude a interpretá-los corretamente e fundamente a leitura. Caso contrário, pode-se</p><p>incorrer nas chamadas relações espúrias. As relações espúrias são correlações estatísticas entre</p><p>variáveis que não possuem significado teórico, isto é, não existe nenhuma relação de causa e efeito</p><p>entre elas. Elas podem acontecer por pura coincidência ou por uma terceira variável. Um caso muito</p><p>conhecido desse tipo é a relação estatística existente entre um aumento nos números de afogamentos e</p><p>os lançamentos de filmes com o ator Nicolas Cage.</p><p>Figura 4.6 | Exemplo de correlação espúria</p><p>Fonte: Brenner (2019, s/p).</p><p>CENÁRIO DA PESQUISA</p><p>O cenário da pesquisa consiste na descrição do lugar onde o pesquisador estudará o fenômeno</p><p>observado, da população ou tamanho da amostra a ser utilizada e dos eventos a serem observados</p><p>naquele ambiente. Por exemplo, o cenário de uma pesquisa sobre o trabalho rural pode ser as próprias</p><p>propriedades rurais, como fazendas, e os sujeitos entrevistados podem ser posseiros.</p><p>O lócus da pesquisa irá variar de acordo com o tipo de pesquisa. As pesquisas de campo podem ser</p><p>classificadas em três tipos, de acordo com os objetos de estudo e metodologias: pesquisas</p><p>exploratórias, quantitativas-descritivas e experimentais.</p><p>As pesquisas exploratórias objetivam uma compreensão mais ampla do tema estudado, as quantitativas</p><p>uma compreensão mais detalhada do objeto em dados quantitativos e as experimentais se objetiva o</p><p>conhecimento das variáveis que produzem o efeito analisado no objeto estudado.</p><p>Apesar das particularidades de cada pesquisa, em geral, sugere-se que uma descrição detalhada do</p><p>lócus da pesquisa inclua uma definição adequada da população, o método a ser utilizado na coleta de</p><p>dados, o tipo de abordagem da pesquisa, quais fenômenos serão estudados e quais eventos serão</p><p>observados, os métodos de mensuração utilizados e a fundamentação teórica do problema investigado.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>O cenário da pesquisa consiste em uma descrição detalhada de todo o ambiente onde a pesquisa será</p><p>desenvolvida, os atores envolvidos, as características relevantes do lugar para a pesquisa. É</p><p>extremamente importante escolher corretamente o cenário da pesquisa. Por exemplo, para verificar</p><p>uma mudança nos padrões de competitividade da indústria de automóveis, pode ser feita uma pesquisa</p><p>dentro de empresas de automóveis do Grande ABC, em São Paulo. A escolha desse lugar não é</p><p>arbitrária, uma vez que a região abriga e já abrigou inúmeras empresas de automóveis, tornando-se um</p><p>polo relevante desse setor.</p><p>Escrever um artigo científico pode exigir muito tempo e esforço, mas os seus resultados contribuem</p><p>para o avanço do conhecimento científico, o que torna o processo gratificante. Com as ferramentas</p><p>adequadas e a metodologia correta, a escrita científica pode ser facilitada. A prática constante da</p><p>redação científica é a garantia para um aprimoramento contínuo da comunicação científica pelo</p><p>pesquisador.</p><p>FAÇA A VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>Nesta seção, foi apresentado o problema da investigação, as justificativas da pesquisa, a</p><p>fundamentação teórica da pesquisa, bem como os objetivos do trabalho, as hipóteses e variáveis</p><p>utilizadas.</p><p>Assinale a alternativa que representa corretamente a seção descrita.</p><p>a. Introdução.</p><p>Correto!</p><p>A introdução é a parte do trabalho em que é apresentado o problema da investigação, as justificativas</p><p>da pesquisa, a fundamentação teórica da pesquisa, bem como os objetivos do trabalho, as hipóteses e</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-1%20.item-1</p><p>variáveis utilizadas. As demais alternativas fazem parte da estrutura do texto, mas não incluem, por</p><p>exemplo, as motivações do estudo.</p><p>b. Resumo.</p><p>c. Resultados e discussão.</p><p>d. Conclusão.</p><p>e. Metodologia.</p><p>Questão 2</p><p>Os artigos científicos são frequentemente estruturados em ordem cronológica: Introdução,</p><p>Metodologia, Resultados e Discussão e Conclusão, Referenciais Bibliográficos.</p><p>Além da estrutura formal, um artigo científico deve conter:</p><p>a. O projeto de pesquisa.</p><p>b. Dados originais.</p><p>c. Consistência lógica.</p><p>Correto!</p><p>Um dos aspectos importantes de análise é a coerência geral do artigo desde a introdução até a</p><p>discussão final. Ele não deve conter contradições, mas sim uma harmonia lógica entre as ideias. A falta</p><p>de consistência lógica pode ser uma das fontes de erros e falhas da pesquisa científica. As demais</p><p>alternativas não são consideradas seções obrigatórias da estrutura básica de um artigo científico.</p><p>d. Agradecimentos.</p><p>e. O salário dos pesquisadores.</p><p>Questão 3</p><p>Consiste na descrição do lugar onde o pesquisador estudará o fenômeno observado, da população ou</p><p>tamanho da amostra a ser utilizada e dos eventos a serem observados naquele ambiente.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta corretamente a ideia referida no texto.</p><p>a. Cenário da Universidade.</p><p>b. Lócus dos Dados.</p><p>c. Cenário de Pesquisa.</p><p>Correto!</p><p>O cenário da pesquisa ou lócus da pesquisa consiste na descrição do lugar onde o pesquisador estudará</p><p>o fenômeno observado, da população ou tamanho da amostra a ser utilizada e dos eventos a serem</p><p>observados naquele ambiente.</p><p>d. Lócus da Habitação.</p><p>e. Cenário da Investigação.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRENNER, W. Por que toda vez que o Nicolas Cage aparece em um filme, várias pessoas</p><p>morrem afogadas? Up date or die, 2019. Disponível em: https://bit.ly/38btNj5. Acesso em: 20 dez.</p><p>2020.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-2%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s1.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://www.updateordie.com/2019/09/26/por-que-toda-vez-que-o-nicolas-cage-aparece-em-um-filme-varias-pessoas-morrem-afogadas/</p><p>CASARIN, H. C. S; CASARIN, S. J. Pesquisa científica: da teoria à prática. Curitiba: InterSaberes,</p><p>2012.</p><p>DA SILVA, T. R. Avaliação da Disciplina de Tratamento e Análise de Dados/Informações. São</p><p>Paulo: JupiterWeb, 2011.</p><p>FIRMINO, C. Aprenda como reduzir o custo de produção na sua indústria de alimentos. MF</p><p>Consultoria, 2017. Disponível em: https://bit.ly/3eakOTm. Acesso em: 20 dez. 2020.</p><p>GREENHALGH, T. Como ler artigos científicos. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2015.</p><p>KOLLER, S. H.; DE PAULA COUTO, M. C. P.; VON HOHENDORFF, J. Manual de produção</p><p>científica. Porto Alegre: Penso Editora, 2014.</p><p>MARTINS, E. G. M. Diagrama ou gráfico de dispersão, Rev. Ciência Elem., V2(3), 2014.</p><p>PEREIRA, M. G. A seção de resultados de um artigo científico. Epidemiologia e Serviços de Saúde,</p><p>v. 22, n. 2, p. 353-354, 2013.</p><p>PEREIRA, M. G. Artigos científicos: como redigir, publicar e avaliar. Rio de Janeiro: Guanabara</p><p>Koogan, 2018</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>COMO ANALISAR UM TRABALHO CIENTÍFICO?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>Você foi contratado por uma empresa automobilística para desenvolver uma pesquisa sobre eficiência</p><p>energética de ar-condicionado para automóveis. Ao elaborar a metodologia, você definiu que</p><p>mensuraria o consumo de energia dos equipamentos em diferentes intervalos de tempo e em</p><p>temperaturas variadas, a fim de avaliar qual deles apresentaria uma melhor eficiência energética.</p><p>Assim, em um intervalo definido de tempo, como a cada duas horas, por exemplo, com intervalos de</p><p>temperatura graduais, sob condições controladas em laboratório, é possível mensurar qual dos</p><p>aparelhos consome mais energia. Em uma conta simples, a eficiência energética pode ser mensurada</p><p>por meio da quantidade de energia gasta dividida pelo total oferecido pela rede elétrica durante a</p><p>atividade. O ar-condicionado que tem maior eficiência energética será o que dá o resultado mais</p><p>próximo de 1.</p><p>https://mfconsultoria.org/aprenda-como-reduzir-o-custo-de-producao-na-sua-industria-de-alimentos/</p><p>Para exposição dos dados coletados, o gráfico sequencial é o mais indicado, pois esse tipo de gráfico</p><p>mostra a evolução de uma variável ao longo do tempo. A variável em questão é a temperatura.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>AVALIANDO UM MANUSCRITO CIENTÍFICO</p><p>Um parecerista é contratado para avaliar a aceitação de um manuscrito submetido a uma revista</p><p>científica de alto impacto na literatura. Contudo, ao ler o manuscrito, o parecerista se depara com o</p><p>seguinte trecho na seção de “Introdução”:</p><p>Os testes foram aplicados em jovens de 15 a 19 anos. Os jovens, a princípio, respondiam a perguntas</p><p>de aquecimento sobre o tema de pesquisa. Em seguida, os jovens respondiam a perguntas sobre</p><p>comportamentos-alvo. Os resultados mostraram que 45,4% dos jovens responderam...</p><p>(KOLLER, 2014, p. 133)</p><p>Considerando o contexto apresentado, escreva a indicação do parecerista com os erros cometidos pelo</p><p>autor na redação deste trecho e indique de que maneira tais erros podem ser corrigidos.</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>Em primeiro lugar, a introdução é a seção em que se apresentam as motivações da pesquisa, os</p><p>problemas a serem investigados e uma breve revisão literária. Portanto, a disposição dos resultados não</p><p>poderia estar na seção de Introdução. Em segundo lugar, a redação do texto mostra que o manuscrito</p><p>não foi submetido à revisão antes do envio para a revista. Uma má escrito do texto compromete o</p><p>objetivo da comunicação científica. O trecho em questão pode ser corrigido e reescrito da seguinte</p><p>forma:</p><p>Os testes foram aplicados em jovens de 15 a 19 aos. A princípio, os participantes respondiam a</p><p>perguntas de aquecimento sobre o tema da pesquisa. Em seguida, eram questionados sobre os</p><p>comportamentos-alvo. Os resultados mostraram que 45,4% dos entrevistados indicaram...”.</p><p>(KOLLER, 2014, p. 134)</p><p>SEÇÃO 2</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>QUAIS FATORES PODEM INTERFERIR EM UMA ANÁLISE</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u4s1.html#resolucao%20.item-1</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro estudante,</p><p>Você já deve ter notado que muitas vezes tratamos dados como sinônimo de informação e informação</p><p>como sinônimo de conhecimento, mas essas são associações enganosas. Os dados necessitam da</p><p>interpretação e, portanto, da informação para que tenham significado. A informação, por sua vez, é</p><p>construída por um arranjo de dados visando um objetivo específico. Não há realmente informação</p><p>desinteressada, desconectada de um sujeito que realiza a organização dos dados. Por essa razão, como</p><p>os dados precisam ser interpretados e analisados, é bem possível – na verdade, muito provável – que</p><p>sejam interpretados incorretamente, em algum momento.</p><p>No desenvolvimento de uma pesquisa científica, é crucial que o pesquisador tenha noção de seus</p><p>próprios vieses cognitivos a fim de minimizar a interpretação incorreta dos dados. Muitas vezes, nós</p><p>ficamos cegos dos nossos próprios vieses e apenas um observador externo consegue nos indicar esses</p><p>problemas. Nesta seção, convido você a compreender a dimensão de responsabilidade e cuidado</p><p>exigidas no tratamento de qualquer tipo de dados. Reconhecer o papel do sujeito na interpretação e no</p><p>tratamento de dados é fundamental ao desenvolvimento de um pensamento mais criterioso na busca</p><p>pela informação e pelo conhecimento.</p><p>Uma indústria automobilística está preocupada com os defeitos que um de seus produtos vem</p><p>apresentando. A fim de sanar o problema na escala de produção, a empresa contrata você, pesquisador</p><p>da área, para a composição de um levantamento detalhado da produção desse item. Ao iniciar a</p><p>investigação, você elabora uma tabela com os tipos de problemas encontrados e a frequência com que</p><p>eles têm ocorrido após cada item produzido ser analisado.</p><p>Tabela | Problemas e frequência na produção</p><p>Problemas Frequência Problemas Frequência</p><p>A 10</p><p>B 15</p><p>C 25</p><p>A. Defeito na tampa plástica.</p><p>B. Defeito na placa de processamento.</p><p>C. Soldas soltas.</p><p>Considerando o contexto apresentado, indique se os dados apresentados com a variável “Problemas”</p><p>são nominais, ordinais, contínuos ou discretos. Além disso, justifique sua resposta.</p><p>Os números não falam por si próprios. Nós falamos por eles. Nós os imbuímos de significado. – Nate</p><p>Silver.</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>INFORMAÇÕES, DADOS E CONHECIMENTO</p><p>Nos dias atuais, temos um grande volume de informação disponível a nós apenas por um clique.</p><p>Antigamente, reis e rainhas eram privilegiados por possuírem uma, duas ou três centenas de livros.</p><p>Atualmente, qualquer pessoa pode ter facilmente essa quantidade de livros, principalmente em</p><p>formatos digitais. Com tanta informação disponível, é comum nós assimilarmos inteligência com</p><p>quantidade de informação, mas essa conexão pode ser bastante enganosa.</p><p>Tratar a informação e o conhecimento como sinônimos é uma crença bastante comum nos nossos</p><p>tempos. Nós lidamos com dados, informações e conhecimento diariamente, todavia muitas vezes os</p><p>tomamos como sinônimos e cabe saber diferenciá-los.</p><p>Dados podem ser definidos como a matéria-prima da informação, eles representam significados que</p><p>isoladamente não transmite nenhuma mensagem ou conhecimento. Em uma pesquisa de opinião sobre</p><p>a qualidade de um produto, por exemplo, a coleta da opinião de cada pessoa só poderá produzir</p><p>alguma informação significativa sobre a satisfação com o produto depois de ser tratada e agregada às</p><p>demais.</p><p>As informações, por sua vez, são os dados tratados. A informação é resultado do processamento dos</p><p>dados coletados que interessam ao pesquisador. Como elas possuem significado, auxiliam</p><p>no processo</p><p>de tomadas de decisão.</p><p>No exemplo anterior, a informação expressaria os níveis de satisfação das pessoas entrevistadas com o</p><p>produto, revelando se a imagem que elas possuem é positiva ou negativa. Frequentemente, se utiliza</p><p>ferramentas estatísticas como indicadores para tratar os dados e obter alguma informação que antes</p><p>não poderia ser vista.</p><p>O conhecimento está além da informação porque tem tanto significado como aplicação. O</p><p>conhecimento envolve nossa faculdade de abstração, em que se é capaz de produzir novas ideias a</p><p>partir das informações que temos em dado momento. Ele exige que um sujeito seja capaz de processar</p><p>as informações identificando o que ali é importante e as direcione para algum fim. Nesse sentido, a</p><p>informação é como se fosse a matéria-prima do conhecimento.</p><p>ASSIMILE</p><p>Os dados são observações simples sobre do mundo, facilmente estruturados e que podem ser obtidos</p><p>por meio de maquinários. São quantificáveis e transferíveis.</p><p>As informações são dados tratados em termos de relevância e propósito. Necessariamente, exige a</p><p>intervenção humana, pois também exige um consenso acerca de seu significado.</p><p>O conhecimento é a informação tratada em termos de reflexão, síntese e contexto. Sua estruturação é</p><p>difícil, também não é fácil de ser construído por máquinas e frequentemente é difícil de ser</p><p>transferível.</p><p>Há ainda uma quarta diferenciação possível: a diferença entre sabedoria e conhecimento. Segundo</p><p>Ackoff (1999), sabedoria é um processo extrapolativo e não determinístico que invoca os outros níveis</p><p>de conhecimento, informação, dados e também princípios valorativos como códigos morais, éticos,</p><p>etc. Ao contrário dos níveis anteriores, a sabedoria é essencialmente filosófica, pois coloca perguntas</p><p>para as quais não há uma resposta fácil, em alguns casos, pode não haver uma resposta. Sabedoria</p><p>envolve um processo pelo qual discernimos o que é o certo e o errado, o bom e o mau. Por ser um</p><p>estado exclusivamente humano, os computadores ainda não têm (e talvez nunca tenham) a capacidade</p><p>de possuir a sabedoria.</p><p>Para que você consiga compreender plenamente, o Quadro 4.1 demonstra com exemplos as diferenças</p><p>que podemos encontrar entre os assuntos trabalhados anteriormente.</p><p>Quadro 4.1 | Diferenças entre dados, informação, conhecimento e sabedoria</p><p>Dados Os dados representam um fato ou uma declaração de evento sem relação com outras</p><p>coisas.</p><p>Exemplo: Está chovendo.</p><p>Informação A informação incorpora a compreensão de uma relação de algum tipo, possivelmente</p><p>causa e efeito.</p><p>Exemplo: A temperatura caiu 15 graus e começou a chover.</p><p>Conhecimento O conhecimento representa um padrão que conecta e geralmente fornece um alto nível</p><p>de previsibilidade, como o que é descrito ou o que vai acontecer a seguir.</p><p>Exemplo: Se a umidade for muito alta e a temperatura cair substancialmente, é</p><p>improvável que a atmosfera seja capaz de reter a umidade, então chove.</p><p>Sabedoria A sabedoria incorpora mais uma compreensão dos princípios fundamentais</p><p>incorporados no conhecimento que são essencialmente a base para o conhecimento ser</p><p>o que é. A sabedoria é essencialmente sistêmica.</p><p>Exemplo: O fenômeno chuva ocorre porque engloba uma compreensão de todas as</p><p>interações que acontecem entre chuva, evaporação, correntes de ar, mudanças de</p><p>temperatura, etc.</p><p>Fonte: Elaborado pela autora.</p><p>DADOS ISOLADOS</p><p>Os dados, como vimos, constituem a matéria-prima da informação. Dados isolados são</p><p>dados que não têm nenhum significado ou nenhum sentido objetivo. Por exemplo,</p><p>queremos saber se uma empresa está sendo bem sucedida em determinado ramo. Sabe-se</p><p>que a empresa teve um faturamento no 2° semestre do ano passado de meio milhão de</p><p>reais. O que isso significa? O que se diz da empresa a partir disso? É possível dizer que é</p><p>uma empresa de sucesso ou não? Provavelmente você acha que não, porque não podemos</p><p>aferir essa informação apenas com esse dado isolado. Para fazer avaliações como essas é</p><p>necessário cruzar, organizar e alinhar dados isolados. Esse tratamento pode ser feito por</p><p>meio de ferramentas estatísticas, gráficos, tabelas, figuras. Quando fazemos isso, nós</p><p>transformamos os dados em informações que serão úteis para qualquer análise que se</p><p>almeje fazer.</p><p>Quando temos um histórico de faturamento crescente no semestre, informação que obtemos a partir do</p><p>alinhamento dos dados isolados de faturamento de cada mês, podemos afirmar o que está ocorrendo</p><p>com a empresa, por exemplo. Somente por meio do processamento desses dados, obtemos respostas</p><p>para a nossa investigação. Os dados podem ser classificados em duas grandes categorias:</p><p>• Dados qualitativos: esses dados são considerados não numéricos, por exemplo, a cor dos olhos,</p><p>a cor da pele, a textura do cabelo etc.</p><p>• Dados quantitativos: esses dados são especificamente numéricos e através dos números são</p><p>apresentados. Tais dados estão ligados a perguntas como “quanto?”, “qual valor de?”, etc.</p><p>Há, ainda, uma classificação mais específica. Os dados qualitativos apresentam sempre uma</p><p>característica de atributo ou qualidade do objeto de pesquisa. Tais dados podem ser divididos em dois</p><p>tipos gerais: nominal e ordinal. O dado nominal é o dado que não exige nenhuma ordenação para a</p><p>interpretação de seus resultados. Exemplos podem ser: tipo sanguíneo, sexo etc. Já o dado ordinal, ao</p><p>contrário, exige uma ordem para a interpretação de seus resultados, como de pequeno a grande, bom a</p><p>mau etc. Exemplos podem ser: grau de instrução (fundamental, médio, superior), ordem de chegada</p><p>(primeiro, segundo, terceiro).</p><p>Os dados quantitativos, por sua vez, podem ser divididos em contínuos e discretos. Dados contínuos</p><p>são medidos e não contados, são dados em que todos os valores são possíveis. Por exemplo, a medição</p><p>da altura de uma pessoa é um dado contínuo e pode ser dada em metros, centímetros, milímetros etc.</p><p>Assim como a definição da idade de uma pessoa em anos, meses ou dias. Já os dados discretos são</p><p>utilizados com números que contam e não medem. São utilizados números inteiros apenas. Por</p><p>exemplo, a quantidade de alunos em uma sala sempre será um número inteiro.</p><p>INFORMAÇÕES CONTEXTUALIZADAS</p><p>A informação é uma espécie de conjunto de dados contextualizados. Isto é, os dados brutos ou isolados</p><p>só ganham significado ou se transformam em informações a partir da experiência do pesquisador e do</p><p>que ele almeja obter nesse processo. Sendo assim, a partir dos objetivos da pesquisa definidos pelo</p><p>pesquisador, os dados são organizados de forma a constituírem informações.</p><p>A informação, por exemplo, é fabricada a partir da experiência dos indivíduos e de acordo com suas</p><p>preferências. Muitas vezes ela aparece atrelada a um contexto de aplicação. Nesse sentido, o olhar do</p><p>pesquisador sobre os dados definirá a aplicabilidade das informações. Por exemplo, pode ser que em</p><p>uma pesquisa sobre a obesidade, a coleta de dados sobre a cor dos olhos do público analisado não seja</p><p>relevante, assim, para essa pesquisa o dado “cor dos olhos” não terá nenhuma significação e será</p><p>descartado. Por outro lado, os dados sobre as idades ou gênero do público podem ser úteis quando</p><p>cruzados com outras informações.</p><p>Já o conhecimento provém de uma sábia utilização das informações. Essa tarefa também é influenciada</p><p>da experiência e perspectiva do pesquisador, muitas vezes pessoas diferentes produzem conhecimentos</p><p>diferentes. Dado, informação e conhecimento são muito valiosos para nossa compreensão de mundo.</p><p>REFLITA</p><p>Você já se deparou com a percepção de que quanto mais nos aprofundamos em um assunto, muitas</p><p>vezes as coisas se tornam cada vez mais abstratas e deslocadas da realidade? Ao refletirmos sobre o</p><p>papel do pesquisador e as metodologias científicas, vemos, entretanto, que por mais abstrata que a</p><p>pesquisa possa parecer, ela tem a função de interpretar a realidade que vivemos a partir de nossas</p><p>necessidades. Além disso, a todo momento o pesquisador é</p><p>convocado a tomar decisões que refletem</p><p>sua experiência e bagagem profissional. Em sua visão, a investigação científica pode ser considerada</p><p>uma prática social de conhecimento?</p><p>INDICADORES PONDERADOS</p><p>Frequentemente, os dados coletados de pesquisas não são exatamente representativos da população-</p><p>alvo. A ponderação é uma técnica estatística que pode ser usada para corrigir quaisquer desequilíbrios</p><p>nos perfis de amostra após a coleta de dados. Imagine que temos uma população-alvo dividida</p><p>igualmente por gênero. Se entrevistarmos uma amostra de 400 pessoas nessa população, dos quais 300</p><p>são homens e 100 mulheres, saberemos que nossa amostra representa mais homens. Ponderar os dados</p><p>resultantes pode nos ajudar a corrigir esse desequilíbrio.</p><p>As proporções desejadas para homens e mulheres são 50%. A proporção de homens, portanto,</p><p>precisaria ser “reduzida” de 75% (300 em 400 entrevistas) para 50%, enquanto a proporção de</p><p>mulheres precisaria ser “ponderada” de 25% para 50%. Nesse caso, a ponderação multiplicaria as</p><p>entrevistas com as mulheres por 2, de modo que a resposta feminina fosse ampliada nos dados. Por</p><p>exemplo, na questão de gênero, temos 100 pessoas respondendo do sexo feminino, mas após a</p><p>ponderação, isso se torna 200, pois os dados "feminino" são contados duas vezes.</p><p>As entrevistas com homens precisam ser correspondentemente reduzidas. Nesse caso, precisamos</p><p>obter 300 respostas para contar efetivamente como 200, portanto, multiplicamos as respostas</p><p>masculinas por dois terços. Antes de ponderar, tínhamos 300 homens codificados na questão de</p><p>gênero. A multiplicação por dois terços nos dá 200 homens, igualando o número de respostas</p><p>femininas após a ponderação.</p><p>Os números usados para multiplicar as respostas de cada proporção da amostra são chamados de</p><p>fatores de ponderação. Normalmente, a ponderação é usada para combinar o perfil da população em</p><p>mais de uma variável para obter uma amostra mais representativa possível. Por exemplo, para obter</p><p>uma amostra representativa da população de um país, podemos ponderar uma série de variáveis</p><p>demográficas, como sexo, idade, região e nível social.</p><p>A ponderação pode alterar a estrutura de seus dados de maneira negativa, portanto, é necessário cautela</p><p>ao aplicá-la. Não é aconselhável, por exemplo, aumentar o peso de pequenos grupos de entrevistados</p><p>para que representem uma proporção significativa da amostra total, pois isso significa que os</p><p>resultados da pesquisa são desproporcionalmente afetados por uma pequena minoria de entrevistados.</p><p>Há inúmeros recursos estatísticos de ponderação. A média ponderada é um dos indicadores de</p><p>ponderação. Nos cálculos em que se utiliza a média aritmética simples, todos os valores têm o mesmo</p><p>peso ou importância. Ponderar significa pesar, então, na média ponderada, multiplicamos cada valor</p><p>por um peso que expressa sua importância relativa. Em geral, calcula-se a média aritmética ponderada</p><p>da seguinte maneira: soma-se os produtos dos valores pelos seus pesos (p1, p2, p3, ..., pn) e depois</p><p>divide-se esse resultado pela soma dos pesos.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>Suponha que você tenha prestado um concurso em que as disciplinas da prova detinham pesos</p><p>diferentes. As disciplinas eram Português, Matemática, Informática e Direito Administrativo, cada</p><p>disciplina tinha o respectivo peso 3, 3, 2 e 2. Ao olhar o resultado preliminar, você constata que</p><p>acertou 8 em Português, 7 em Matemática, 5 em Informática e 4 em Direito Administrativo.</p><p>Dessa maneira, o cálculo da sua nota é a média ponderada desses valores. Sendo assim, no numerador</p><p>temos: . No denominador temos os pesos: 3 + 3 + 2 + 2 = 10. Assim, a divisão de 63/10 dá 6,3 como</p><p>sua média ponderada e nota final.</p><p>Nesta seção, você aprendeu a diferenciar informação, dados e conhecimento. Aprendeu também as</p><p>diferentes classificações dos dados e soube da importância de saber aplicá-los à sua pesquisa. O</p><p>tratamento dos dados é uma das partes mais importantes na apresentação dos resultados da pesquisa,</p><p>pois ainda que sua pesquisa possa trazer avanços significativos, um tratamento deficiente dos dados</p><p>pode colocar tudo a perder.</p><p>FAÇA A VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>Existe uma diferença entre dados e informações. Dados são os fatos ou detalhes dos quais as</p><p>informações são derivadas. Dados individuais raramente são úteis sozinhos.</p><p>Para que os dados se mostrem úteis, eles precisam passar pelo processo de:</p><p>a. Contextualização.</p><p>Correto!</p><p>Para que os dados se tornem significativos, eles precisam ser contextualizados pelo sujeito pesquisador</p><p>por meio do tratamento e organização desses dados. A partir disso, os dados são transformados em</p><p>informações.</p><p>b. Pressurização.</p><p>c. Experimentação.</p><p>d. Apropriação.</p><p>e. Automatização.</p><p>Questão 2</p><p>Dados são fatos brutos e desorganizados que precisam ser processados. Os dados podem ser algo</p><p>simples, aparentemente aleatório e inútil até que sejam organizados.</p><p>Os dados podem ser classificados de diferentes maneiras. Assinale a alternativa que apresenta uma</p><p>forma correta de classificação de dados qualitativos.</p><p>a. Contínuo.</p><p>b. Discreto</p><p>c. Nominal.</p><p>Correto!</p><p>Os dados qualitativos podem ser classificados em nominais e ordinais. Os dados nominais não</p><p>possuem uma ordem ou uma hierarquia em seus resultados, podem se referir, por exemplo, ao sexo,</p><p>feminino ou masculino.</p><p>d. Organizacional.</p><p>e. Cardinal.</p><p>Questão 3</p><p>Esses dados assumem valores em um intervalo constante de números. Em geral, este tipo de dado é</p><p>proveniente de medições de uma característica da qualidade de uma peça ou produto. Os possíveis</p><p>valores incluem "todos" os números do intervalo de variação da característica medida.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta o tipo correto de dado que o texto se refere.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-2%20.item-5</p><p>a. Dados contínuos.</p><p>Correto!</p><p>Os dados quantitativos contínuos podem expressar um conjunto infinito de valores numa escala</p><p>contínua, não precisam ser inteiros (como os discretos). Representam mensurações como peso,</p><p>diâmetro etc.</p><p>b. Dados discretos.</p><p>c. Dados nominais.</p><p>d. Dados ordinais.</p><p>e. Dados intercalares.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ACKOFF, R. L. Ackoff’s Best. John Wiley & Sons, New York, 1999, p. 170-172.</p><p>BURCH, S. Sociedade da informação/sociedade do conhecimento. In: AMBROSI, A.; PEUGEOT, V.;</p><p>PIMENTA, D. Desafios das palavras. Paris: C&F Editions, 2005. Disponível</p><p>em: https://bit.ly/3kJgJXr. Acesso em: 28 jan. 2021.</p><p>BUSSAB, W. O.; MORETIN, P. A. Estatística básica. 4. ed. São Paulo: Atual Editora, 1987.. Acesso</p><p>em: 28 jan. 2021.</p><p>MAGALHÃES, M. N.; LIMA, C. P. Noções de probabilidade e estatística. 3. ed. São Paulo:</p><p>EDUSP, 2001.</p><p>FOCO</p><p>NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>QUAIS FATORES PODEM INTERFERIR EM UMA ANÁLISE?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>Você é contratado por uma indústria automobilística para sanar os problemas de um dos produtos de</p><p>sua linha de produção. Ao analisar o caso, você mapeia três tipos de problema e a frequência com que</p><p>eles aparecem, tal como indica a Tabela.</p><p>Para a elaboração da tabela, os dados apresentados na variável “A” devem ser qualitativos nominais,</p><p>pois para cada item do produto você verificou um defeito A, B ou C. Todos os defeitos possuem o</p><p>mesmo grau de severidade, afinal, qualquer um deles afeta a qualidade de produção. Sendo assim, não</p><p>há uma ordem entre eles e, portanto, tais dados podem ser considerados qualitativos nominais.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s2.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://vecam.org/archives/article519.html</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>SUBTÍTULO DE CONTEÚDO</p><p>Imagine que você trabalha em um grande hospital como pesquisador e a sua equipe médica está</p><p>conduzindo uma pesquisa sobre fatores de internação e está interessada em saber quantas pessoas</p><p>internadas naquele estabelecimento têm diabetes. Sua equipe faz um levantamento com 7 grupos de 50</p><p>pessoas cada. A Tabela a seguir representa um resumo dos dados coletados.</p><p>Tabela | Resumo do número de pessoas com diabetes.</p><p>Nº de Pessoas com Diabetes Grupos</p><p>5 1</p><p>6 2</p><p>7 3</p><p>8 4</p><p>9 5</p><p>10 6</p><p>11 7</p><p>Considerando o contexto apresentado, avalie se os dados da variável “nº de pessoas com diabetes” são</p><p>nominais, ordinais, contínuos ou discretos. Além disso, justifique sua resposta.</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>No hospital que você trabalha, sua equipe médica conduziu uma pesquisa sobre fatores que levam à</p><p>internação, mapeando quantas pessoas internadas naquele estabelecimento possuem diabetes. Ao</p><p>avaliar a tabela apresentada por seus colegas, você deve ter identificado que a variável “nº de pessoas</p><p>com diabetes” traz valores quantitativos discretos, porque a quantidade de pessoas com diabetes é</p><p>contada e, portanto, assume valores inteiros, configurando um caso de dado quantitativo discreto.</p><p>SEÇÃO 3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u4s2.html#resolucao%20.item-1</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>COMO TRADUZIR PESQUISAS PARA A PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro estudante,</p><p>Veja como a ciência está na vida cotidiana. Alimentos, celulares, refrigeradores, GPS, computadores,</p><p>televisores, medicamentos, vestimentas, políticas públicas – a ciência está por trás de todos eles. A</p><p>cada dia surge um novo produto ou conhecimento a partir das pesquisas científicas e de seu</p><p>aprimoramento. Pela importância que a ciência detém na nossa sociedade, ela passou a ser considerada</p><p>um bem público.</p><p>Seja para o nosso consumo ou para nossa prática profissional, o conhecimento científico é muito</p><p>valioso. É possível aplicar o método científico para contextos amplos, como em negócios e empresas.</p><p>A mentalidade científica aplicada ao ambiente profissional contribui para a inovação, criatividade e</p><p>resolução de problemas.</p><p>Com a velocidade de produção do conhecimento científico cada vez maior, também é importante ficar</p><p>atento aos novos métodos, procedimentos e conhecimentos na sua área profissional. Assim, ser um</p><p>bom profissional hoje em dia, em qualquer área, exige estar atualizado quanto ao que de novo é</p><p>produzido.</p><p>Convido você a conhecer as modalidades da formação continuada que auxiliam nessa atualização</p><p>profissional.</p><p>Você é contratado por uma empresa automobilística para a elaboração de um projeto de melhoria de</p><p>uma peça metálica defeituosa. A equipe de profissionais aplica o método científico do início ao fim</p><p>dos estudos. A análise inicial aponta que:</p><p>I. A peça metálica possui um grande risco em um dos seus componentes.</p><p>II. Foi constatado que a máquina responsável pela manufatura estava suja durante a produção do</p><p>componente.</p><p>III. A hipótese básica elaborada pelos pesquisadores é que o risco pode ter sido proveniente da</p><p>sujeira da máquina.</p><p>Considerando o contexto apresentado, esboce as próximas etapas do estudo utilizando o método</p><p>científico, incluindo a predição da hipótese, experimentação e possíveis resultados.</p><p>Os benefícios da ciência não são apenas para os cientistas, mas para toda a humanidade. – Louis</p><p>Pasteur.</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>PESQUISA TRAZENDO AVANÇOS NA PRÁTICA</p><p>Além de sanar a curiosidade humana, a ciência é importantíssima para achar soluções aos problemas</p><p>que a humanidade enfrenta. A ciência, tecnologia e inovação se consagraram como fundamentais para</p><p>o desenvolvimento da sociedade em muitos aspectos, como educação, crescimento econômico, geração</p><p>de emprego e renda. Por essa razão, investir em ciência se tornou uma necessidade pelo seu diferencial</p><p>competitivo. No mundo todo, a pesquisa científica possibilitou enormes avanços na saúde,</p><p>alimentação, produção de energia, entre outros setores. Isso porque uma das suas características é a</p><p>capacidade de produzir inovações, de especial interesse no contexto empresarial, ambiental ou</p><p>econômico.</p><p>A inovação pode agregar valor em produtos de uma empresa, diferenciando-os, promovendo vantagens</p><p>competitivas, mesmo que momentaneamente. Em mercados competitivos como de commodities, ela é</p><p>ainda mais fundamental. Aqueles que conseguem inovar neste contexto ficam em posição de vantagem</p><p>em relação aos demais, alavancando suas vendas e seus lucros, permitindo o acesso a novos mercados</p><p>ou até mesmo novos modelos de negócio.</p><p>Atualmente, pela importância que desempenha na sociedade, a pesquisa científica é vista como um</p><p>bem público. No Brasil, a Constituição Federal de 1988 reserva os artigos 218 e 219 para a promoção</p><p>da pesquisa e da capacidade tecnológica (BRASIL, 1988). O desenvolvimento de qualquer país está</p><p>diretamente ligado à aplicação de investimentos nesse setor. As pesquisas científicas não só produzem</p><p>produtos e inovação, mas também auxiliam na busca por soluções definitivas para problemas</p><p>relacionados a políticas públicas de Estado, como o combate à pobreza, educação desigual, melhora da</p><p>educação, melhora da saúde etc.</p><p>Os investimentos em ciência podem ser feitos em duas dimensões complementares: a ciência básica e</p><p>a ciência aplicada. A ciência básica produz conhecimento que alimenta os processos de inovação,</p><p>como carros, máquinas de raios-X, computadores, vacinas, etc. Ela é feita a longo prazo, de modo que</p><p>não se esperam retornos financeiros de forma imediata. Já a ciência aplicada estuda formas de</p><p>aplicação do conhecimento científico em benefício da sociedade, buscando a solução de problemas</p><p>práticos, visando uma utilidade econômica e o desenvolvimento tecnológico.</p><p>Assim, enquanto a ciência básica produz conhecimentos novos, a ciência aplicada reinterpreta esses</p><p>conhecimentos com uma finalidade pragmática. Ambas são complementares e muito importantes para</p><p>o avanço científico. Todavia, a pesquisa básica é muitas vezes negligência pela demora de trazer</p><p>resultados. Não há como esperar inovação sem o investimento em pesquisa básica.</p><p>As pesquisas trazem implicações para questões que enfrentamos, das mais básicas às mais complexas.</p><p>O simples ato de lavar as mãos é um hábito fruto do avanço do conhecimento científico. Há 150 anos,</p><p>não</p><p>era um ritual comum, inclusive pelos médicos, mas a partir da teoria microbiana desenvolvida</p><p>pelos biólogos, se constatou que a lavagem das mãos evitava infecções e sua propagação.</p><p>Uma pessoa nascida no final do século 18, morreria sem completar os 40 anos de idade. Todavia,</p><p>alguém que nasce hoje provavelmente poderá viver até os 70 anos, no mínimo. Diversos fatores</p><p>decorrentes dos avanços científicos são responsáveis por isso, como o avanço na prevenção e no</p><p>combate das doenças, o desenvolvimento da produção de alimentos, a melhora nas condições de</p><p>trabalho e redução da carga horária de trabalho, etc. Tudo isso foi construído durante os séculos</p><p>através de pesquisas científicas.</p><p>Uma visão científica de mundo ainda pode proporcionar outros benefícios que podem ser utilizados no</p><p>dia a dia. Utilizar o raciocínio científico, buscar evidências, elaborar soluções da mesma forma que o</p><p>cientista, pode ajudá-lo a resolver problemas cotidianos, inclusive na prática profissional, como a</p><p>melhoria de processos administrativos ou de engenharia, por exemplo.</p><p>ASSIMILE</p><p>Commodities são produtos que funcionam como matéria-prima e indiferenciados, que não há diferença</p><p>em função do produtor, produzidos em larga escala. São exemplos de commodities: soja, milho,</p><p>minérios, petróleo, café.</p><p>FORMAÇÃO CONTÍNUA</p><p>A formação é o motor de evolução da carreira profissional de qualquer pessoa. Atualmente, a formação</p><p>contínua ganhou força, dada a rapidez que o conhecimento científico se desenvolve.</p><p>A formação contínua envolve um processo de constante aprimoramento e um esforço contínuo de</p><p>atualização dos saberes necessários à área de atuação profissional. Para ser um bom profissional é</p><p>necessário estar atento à atualização do conhecimento aprendido. Cursos de atualização e</p><p>especialização complementam a formação obtida no ensino superior, ampliando ideias já adquiridas,</p><p>modificando-as e propondo novos conceitos.</p><p>À medida que as teorias de uma área de estudo vão sendo testadas, novas linhas de pesquisa e</p><p>conclusões surgem, abrindo novos caminhos e formas de aplicar esses conhecimentos, com técnicas</p><p>aprimoradas, mais eficientes, etc. A pós-graduação é a modalidade de ensino que abarca as</p><p>especializações ministradas presencialmente ou a distância, ela serve para alavancar a carreira,</p><p>proporcionando muitas vezes melhores salários e cargos de liderança no mercado de trabalho.</p><p>Existem diversos tipos de pós-graduação, são alguns deles:</p><p>1. Especialização: é um tipo que enfoca no nível técnico profissional, fornecendo o título de</p><p>especialista no campo de estudo e objetiva o aprofundamento dos conhecimentos da sua área de</p><p>formação, fazendo o direcionando da graduação. Para obter o título de especialista, é necessário</p><p>a entrega de uma monografia.</p><p>2. Aperfeiçoamento: são similares às especializações, com a diferença que dispensam os</p><p>requisitos gerais das especializações, não exigindo a entrega de monografia.</p><p>3. MBA: o significado da sigla é Mestre em Administração de Negócios e é voltado para a</p><p>atuação profissional, com foco na área de negócios e administração. Compreendido muitas</p><p>vezes como uma especialização do ramo corporativo. O trabalho final é sempre feito com</p><p>ênfase na prática, na realidade das corporações.</p><p>4. Mestrado acadêmico – Stricto Sensu: esse tipo de pós-graduação tem o período fixo de dois</p><p>anos e é voltado para a pesquisa cientifica. O seu objetivo é aprofundar e direcionar os</p><p>conhecimentos obtidos na graduação e formar pesquisadores e professores de ensino superior.</p><p>Ele conta com a supervisão de um orientador e exige defesa de uma dissertação para a</p><p>obtenção do título de mestre.</p><p>5. Mestrado profissional: possui as mesmas exigências que o acadêmico, todavia têm como foco o</p><p>desenvolvimento de técnicas e estudos voltados ao mercado de trabalho.</p><p>6. Doutorado: objetiva um aprofundamento maior que o mestrado e também é voltado para a</p><p>pesquisa científica. Esse tipo de formação leva quatro anos e exige a elaboração de uma tese</p><p>sobre uma área a ser defendida como requisito para obtenção do título. Essa tese, em geral,</p><p>deve possuir um conteúdo original que contribuía com o avanço do campo de estudos.</p><p>REFLITA</p><p>Dada a rapidez como o conhecimento é produzido hoje em dia, em sua visão, por que ser um</p><p>profissional atualizado no mercado de trabalho? Quais os diferenciais competitivos que esse</p><p>profissional ganha com a formação continuada?</p><p>CIÊNCIA DO COTIDIANO</p><p>Os avanços da ciência trouxeram muitas mudanças na vida cotidiana, são inúmeros os exemplos:</p><p>meios de comunicação rápida, computadores, celulares, eletricidade, máquinas, carros, vacinas,</p><p>tratamentos, cirurgias, medicamentos, entretenimento, internet, etc. Imagine como era o mundo sem</p><p>muitas dessas invenções. Tais avanços mudaram completamente nossos hábitos, aumentou a</p><p>velocidade da vida, ampliou nossas ocupações, os limites de nossas curiosidades, as formas de lazer e</p><p>o conforto que jamais foram sonhados por nossos antepassados.</p><p>Nossa alimentação, vestimenta, higiene devem muito ao conhecimento científico acumulado durante</p><p>séculos. Esse conhecimento ajudou a humanidade de diversas formas, contribuindo inclusive para</p><p>manutenção da espécie, ao diminuir e até mesmo erradicar doenças consideradas graves que já</p><p>mataram muitas pessoas, colaborando para a duplicação da expectativa de vida em diversos países.</p><p>Desde os tempos da revolução industrial, no século XVIII, houve enormes esforços para baratear uma</p><p>série de matérias-primas como aço, vidro, cobre, que seriam utilizadas em novos processos de</p><p>fabricação e de geração de energia. A partir desse contexto, o aumento crescente das indústrias, a</p><p>expansão das telecomunicações e o avanço da medicina trouxeram para a ciência uma dimensão global</p><p>(MACHADO, [s.d]).</p><p>Atualmente, estamos no desenvolvimento de uma quarta revolução, a da informação (SCHWAB,</p><p>2016). Muitos artefatos, recursos, processos de organização estão migrando para o ambiente virtual.</p><p>Desde a comunicação até moedas virtuais, tudo a partir do avanço das áreas de biotecnologia,</p><p>computação, nanotecnologia, robótica, quântica, etc. Nesse processo, surgem novas necessidades e</p><p>ferramentas que auxiliam em nossas atividades diárias. Se hoje a sociedade desfruta diariamente de</p><p>todos os benefícios dessas inovações é em decorrência do investimento de recursos públicos e privados</p><p>no financiamento das pesquisas científicas.</p><p>Sendo assim, a ciência deixou de ser um empreendimento de poucos para ser parte integrante do nosso</p><p>dia a dia. Matemática, Biologia, Química não são disciplinas meramente abstratas, são conhecimentos</p><p>que ancoram nossas principais ferramentas, utensílios, conhecimento e recursos diários. A mesa em</p><p>que estuda, o papel em que lê, a casa, o avião, praticamente tudo está ancorado direta ou indiretamente</p><p>em conhecimento científico.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>Pode parecer estranho nos dias de hoje, mas um século atrás a notícia de que você ou um familiar seu</p><p>tinha diabetes era praticamente uma sentença de morte. Foi graças à descoberta da insulina, em 1921,</p><p>por Frederick Banting e Charles Best que possibilitou a criação de um tratamento, permitindo que os</p><p>diabéticos tivessem uma vida normal (PIRES e CHACRA, 2008). Graças à ciência, uma pessoa com</p><p>diabetes, nos dias de hoje, tem a expectativa de vida equiparável a de uma pessoa saudável.</p><p>APLICANDO NOVOS CONHECIMENTOS NA ATUAÇÃO PROFISSIONAL</p><p>Atualmente é crescente a preocupação para se adotar uma mentalidade científica na prática</p><p>profissional. Toda profissão requer uma ampla e diversificada gama de habilidades. Os cientistas têm</p><p>habilidades e maneiras de trabalhar que são relevantes e transferíveis para problemas fora da ciência.</p><p>Você se lembra como funciona o método científico. Iniciamos com um problema de pesquisa que pode</p><p>ser tanto uma lacuna no conhecimento quanto um problema real que precisa ser solucionado. Na</p><p>prática profissional, muitas vezes encontramos</p><p>problemas que precisam ser explicados e solucionados,</p><p>seja um processo que não funciona como deveria, um produto defeituoso, uma logística ou gestão</p><p>ineficiente.</p><p>Começamos sempre elaborando uma hipótese. A hipótese deve indicar e explicar a causa do problema</p><p>trabalhado. Além disso, é muito importante que da hipótese derive-se predições. Tais predições são</p><p>maneiras de solucionar o problema que serão testadas, a fim de verificar qual traz a melhor solução. É</p><p>importante que, sendo pesquisador ou não, você explicite qual hipótese é, em sua visão, a mais</p><p>explicativa. Além disso, também é essencial ter mais de uma hipótese para qual você irá recorrer caso</p><p>a sua hipótese básica seja descartada.</p><p>Vamos dar um exemplo prático. Uma empresa preocupada com a baixa produtividade dos funcionários</p><p>busca meios de alcançar uma melhoria nesse aspecto. A hipótese inicial é a de que a baixa</p><p>produtividade está relacionada a uma motivação deficiente por parte dos funcionários. A empresa</p><p>pode, a fim de testar sua hipótese, implementar uma política de incentivos salariais e progressão</p><p>salarial por produtividade. Durante um período de tempo, pode-se observar se a motivação dos</p><p>funcionários aumentou ou não através de levantamentos e entrevistas. A partir disso, busca-se</p><p>encontrar uma correlação entre maior motivação e produtividade. Em caso de negativa, a hipótese deve</p><p>ser reformulada.</p><p>Vemos então que podemos incorporar uma mentalidade científica à nossa prática profissional por meio</p><p>da aplicação do raciocínio científico. Temos pelo menos três atitudes que contribuem para o</p><p>pensamento científico e podem ser aplicadas a contextos mais amplos.</p><p>1. Questionar sempre: os cientistas precisam ser céticos. Como seus colegas de negócios e da</p><p>indústria, eles também devem inovar. À medida que questionam o estabelecido, os cientistas</p><p>inovam, surgem novos produtos, designers, áreas. Inovação e questionamento andam juntos.</p><p>Na prática, pense se determinado processo é o mais adequado, se existiria outra forma de</p><p>aumentar sua eficiência. A atitude de curiosidade e ceticismo diante da vida são fundamentais</p><p>para a inovação.</p><p>2. Competitividade colaborativa: os melhores cientistas competem e colaboram prontamente uns</p><p>com os outros. Alguém em um campo ou organização diferente pode ter a chave para</p><p>desvendar o problema no qual está trabalhando. Quando os problemas ficam difíceis, os</p><p>cientistas querem formar a melhor equipe, mesmo que o parceiro seja um competidor feroz.</p><p>Observe que muitos problemas não podem ser resolvidos isoladamente. Em muitos casos, a</p><p>elaboração de uma equipe ou a colaboração de outras pessoas é necessária para desenvolver a</p><p>solução de um problema complexo. Colabore como um cientista.</p><p>3. Não ter medo de problemas: o negócio do cientista é o desconhecido. Muitas vezes é necessário</p><p>encarar o desconhecimento, o difícil e o incerto. Para o cientista, o desconhecido é uma</p><p>oportunidade a ser perseguida e não evitada. Nesse sentido, quando surgem problemas, deve-se</p><p>racionalizar: divida o problema em hipóteses menores a serem testadas. Avalie as</p><p>probabilidades e a inter-relação entre os fatores que afetam a causa do problema. É importante</p><p>construir uma equipe que saiba lidar com a incerteza e volatilidade do conhecimento.</p><p>Incorporar um pensamento científico sólido às decisões do dia a dia na prática profissional pode ajudar</p><p>a inovação, ao estimular o pensamento ousado e criativo. Uma mentalidade científica apreende o</p><p>mundo de uma forma sistemática: comece com alguma pergunta geral baseada em sua experiência;</p><p>formule uma hipótese que resolveria o quebra-cabeça e que também gere uma previsão testável; reúna</p><p>dados para testar sua previsão; e, finalmente, avalie sua hipótese em relação às hipóteses concorrentes.</p><p>No entanto, muitas vezes, precisamos agir em estado de ignorância parcial, com pouco ou nenhum</p><p>conhecimento acumulado sobre o assunto. Nesses casos em que não podemos testar nossas hipóteses, o</p><p>método científico nos ensina a não inferir muito de qualquer resultado. Às vezes, a única resposta</p><p>verdadeira é que simplesmente não sabemos.</p><p>O método científico é instrutivo, não para extrair respostas, mas para destacar os limites do que pode</p><p>ser conhecido. Uma mente científica deve sempre permanecer cética sobre o que sabe. Seja cético em</p><p>relação aos dados por todos os meios, mas também seja cético em relação a explicações plausíveis,</p><p>sabedoria convencional, ideologias inspiradoras, anedotas convincentes e, acima de tudo, sua própria</p><p>intuição. O resultado não deve ser uma paralisia total, nem uma adesão servil aos dados, muito menos</p><p>excluir a criatividade ou a imaginação. Em vez disso, deve nos levar a um mundo mais racional e</p><p>baseado em evidências.</p><p>Nesta seção você refletiu sobre a presença e a importância da ciência na vida cotidiana, o modo como a</p><p>produção científica revolucionou as relações sociais, os hábitos e as necessidades de grande parte da</p><p>humanidade. A ciência se destaca não só por seus feitos, mas por ser uma maneira de pensar. O</p><p>pensamento científico, ao induzir a criatividade e inovação, se mostra importante até mesmo para os</p><p>negócios.</p><p>FAÇAVALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>A ciência e seus frutos são muito úteis para a sociedade de forma em geral, mas ela não é reduzida ao</p><p>trabalho em laboratórios. Na verdade, o pensamento científico pode ser aplicado a contextos mais</p><p>amplos.</p><p>Assinale a alternativa que contém um exemplo de contexto em que é possível aplicar o método</p><p>científico.</p><p>a. Relacionamentos.</p><p>b. Administração de negócios.</p><p>Correto!</p><p>É possível aplicar o método científico para contextos amplos, como em negócios e empresas. A</p><p>mentalidade científica aplicada ao ambiente profissional contribui para a inovação, criatividade e</p><p>resolução de problemas. As demais alternativas não seguem o tipo de raciocínio empregado na</p><p>produção científica.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-1%20.item-2</p><p>c. Crítica de cinema.</p><p>d. Avaliação artística.</p><p>e. Tratado filosófico.</p><p>Questão 2</p><p>É uma modalidade de formação continuada que visa o aprofundamento na área de formação, exige a</p><p>entrega de uma dissertação e tem o período de 2 anos.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta a modalidade que o texto se refere.</p><p>a. Especialização.</p><p>b. Aperfeiçoamento.</p><p>c. Mestrado.</p><p>Correto!</p><p>A entrega da dissertação é uma exigência da modalidade de Mestrado. Temos dois tipos dele: o</p><p>mestrado Acadêmico e o mestrado Profissional. O acadêmico é voltado para a pesquisa científica e tem</p><p>o período fixo de dois anos. O seu objetivo é aprofundar e direcionar os conhecimentos obtidos na</p><p>graduação e formar pesquisadores e professores de ensino superior. Já o mestrado profissional possui</p><p>as mesmas exigências que o acadêmico, todavia têm como foco o desenvolvimento de técnicas e</p><p>estudos voltados ao mercado de trabalho. A dissertação é uma exigência exclusiva do mestrado, não</p><p>sendo necessária para cursos de aperfeiçoamento, doutorado e pós-doutorado.</p><p>d. Doutorado.</p><p>e. Pós-doutorado.</p><p>Questão 3</p><p>Hoje em dia, dada a velocidade em que o conhecimento é produzido, mesmo as pessoas recém-</p><p>formadas necessitam de atualização profissional. Essa atualização pode ser obtida com programas de</p><p>formação continuada.</p><p>Assinale a alternativa que contém um dos principais benefícios da formação continuada:</p><p>a. Garantia de empregabilidade.</p><p>b. Diferencial competitivo.</p><p>Correto!</p><p>Diferencial competitivo. Atualmente, a formação continuada corrobora para que os profissionais</p><p>estejam alinhados às práticas de mercada mais atuais, criando um diferencial competitivo em relação</p><p>àqueles que não continuaram sua formação e não conhecem os avanços obtidos na área de formação. A</p><p>respeito das outras alternativas:</p><p>a formação continuada não requer uma tese. Não há garantia de</p><p>empregabilidade, pois não é um programa voltado exclusivamente ao mercado de trabalho, nem de</p><p>mudança de escolaridade, pois se trata de aperfeiçoamento curricular, nem é necessária para uma boa</p><p>relação com pesquisadores.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-2%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-3%20.item-2</p><p>c. Mudança de escolaridade.</p><p>d. Publicação de uma tese.</p><p>Contato com pesquisadores de outras áreas.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BRASIL. Constituição Federal. Presidência da República, v. 1, 1988.</p><p>MACHADO, F.. Revolução Industrial - Evolução tecnológica transforma as relações sociais.</p><p>Pedagogia & Comunicação. UOL Educação. [s.d]. Disponível em: https://bit.ly/2PzGZrL. Acesso em:</p><p>5 fev. 2021.</p><p>PASTERNAK, N.; ORSI, C. Ciência no cotidiano: Viva a razão. Abaixo a ignorância! São Paulo:</p><p>Editora Contexto, 2020.</p><p>PIRES, A. C.; CHACRA, A. R. A evolução da insulinoterapia no diabetes melito tipo 1. Arquivos</p><p>Brasileiros de Endocrinologia & Metabologia, v. 52, n. 2, p. 268-278, 2008.</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>COMO TRADUZIR PESQUISAS PARA A PRÁTICA</p><p>PROFISSIONAL?</p><p>Amanda Soares de Melo</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>Você foi contratado por uma empresa a fim de promover melhorias na produção de uma peça metálica.</p><p>Aplicando o método científico do início ao fim dos estudos, você tira algumas conclusões e elabora um</p><p>teste de hipótese baseado em duas observações: I. A peça metálica possui um grande risco em um dos</p><p>seus componentes. II. Foi constatado que a máquina responsável pela manufatura estava suja durante a</p><p>produção do componente. Sua hipótese básica pode ser a de que o risco foi ocasionado pela sujeira da</p><p>máquina. Com base nessa hipótese, temos de elaborar um teste para que ela seja corroborada ou</p><p>falseada.</p><p>Intuitivamente, a predição é que após a máquina ser limpa, não irá ocorrer mais riscos. Assim, a</p><p>experimentação será feita em um ambiente controlado com a utilização de uma máquina em condições</p><p>semelhantes àquela inicial que passe por uma limpeza padronizada. Após esse procedimento, deve-se</p><p>verificar em uma certa amostragem, como em uma amostragem de 1.000 peças, se há algum risco</p><p>semelhante ao reportado inicialmente.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html#accordion-3%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u4s3.html</p><p>Após a realização dos testes, inicia-se a análise dos dados e resultados. Alguns dos resultados possíveis</p><p>podem ser:</p><p>A. O risco sumiu em todas as peças e ao final da produção a máquina estava limpa.</p><p>B. O risco não sumiu em todas as peças e ao final da produção a máquina estava suja.</p><p>C. O risco não sumiu em todas as peças e ao final da produção a máquina estava limpa.</p><p>A análise aponta que se o resultado for A, então provavelmente a hipótese pode ser corroborada.</p><p>Caso o resultado seja B, então a máquina está se sujando durante a produção e produzindo o risco em</p><p>algumas peças. Se C for verdadeiro, então a sujeira pode não ser a causa dos riscos, ainda que possa</p><p>ser um efeito secundária da causa.</p><p>Caso B seja verdadeira, precisamos reformular as hipóteses. A nova hipótese para B, pode ser: a</p><p>máquina está se sujando durante o processo e a sujeira é responsável pelo defeito.</p><p>Assim, o novo teste de predição poderia ser a elaboração de um novo procedimento que limpe a</p><p>máquina durante o seu funcionamento.</p><p>Caso C seja verdadeira, também precisamos reformular as hipóteses. A nova hipótese para C depende</p><p>do levantamento de outras possíveis causas para o defeito da máquina, uma vez que a sujeira é, nesse</p><p>caso, descartada como agente causador do risco. Ela pode ser um efeito secundário do mal</p><p>funcionamento ou estar relacionada com a manutenção de outro componente que foi corrigido durante</p><p>a limpeza.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>PENSAMENTO CIENTÍFICO APLICADO AOS NEGÓCIOS</p><p>O diretor do RH de uma empresa elabora um novo treinamento para os funcionários com uma</p><p>metodologia de ensino que se baseia no pensamento científico. O objetivo desse treinamento é</p><p>promover entre os funcionários a criatividade, a inovação, o espírito colaborativo e uma maneira mais</p><p>produtiva de lidar com os desafios. Para auxiliá-lo, você deve indicar quais possíveis fundamentos e</p><p>pilares que esse treinamento deve ter, visando o alcance dos objetivos definidos pelo diretor.</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>Para a situação problema em questão, a partir da aplicação do pensamento científico à esfera</p><p>profissional, temos pelo menos três posturas que podem ser incentivadas no treinamento a serem</p><p>adotadas pelos funcionários da empresa. São elas:</p><p>1. Questionar sempre: os cientistas precisam ser céticos. Como seus colegas de negócios e da</p><p>indústria, eles também devem inovar. À medida que questionam o estabelecido, os cientistas</p><p>inovam, surgem novos produtos, designers, áreas. Inovação e questionamento andam juntos.</p><p>2. Competitividade colaborativa: os melhores cientistas competem e colaboram prontamente uns</p><p>com os outros. Em muitos casos, a elaboração de uma equipe ou a colaboração de outras</p><p>pessoas é necessária para desenvolver a solução de um problema complexo.</p><p>3. Não ter medo de problemas: para o cientista, o desconhecido é uma oportunidade a ser</p><p>perseguida e não evitada. Nesse sentido, quando surgem problemas, deve-se racionalizar:</p><p>dividir o problema em hipóteses menores a serem testadas, avaliar racionalmente as</p><p>probabilidades e a inter-relação entre os fatores causadores do problema.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u4s3.html#resolucao%20.item-1</p><p>ao menos, duas abordagens</p><p>principais, como a que é baseada na iluminação religiosa e a interpretacionista,</p><p>advogada por teólogos ou hermeneutas. De forma semelhante ao conhecimento vulgar,</p><p>esse tipo de conhecimento pode manter ideias falsas em seu núcleo, sobretudo por focar</p><p>sua abordagem mais no indivíduo subjetivo do que na investigação da realidade</p><p>externa.</p><p>2. O conhecimento filosófico é amplo em sua forma, sendo difícil delimitá-lo. Por essa</p><p>razão, ele pode ser desenvolvido em uma relação de dependência do conhecimento</p><p>científico, como também é possível fazê-lo de forma independente. No entanto, sua</p><p>característica mais fundamental tem sido a clarificação dos conceitos utilizados em</p><p>diversos tipos de conhecimentos. Além disso, ele é um tipo de conhecimento que</p><p>permite fazer certas generalizações sobre a realidade. Por exemplo: todos os objetos</p><p>existentes são materiais; todos os objetos reais possuem propriedades físicas, como</p><p>energia; a realidade é um grande sistema emergente e material; as leis da natureza</p><p>revelam a impossibilidade da existência de entidades desencarnadas, como almas,</p><p>espíritos, inconsciente freudiano ou cérebros dualísticos.</p><p>3. O conhecimento científico é único em sua forma. É o tipo de conhecimento que produz</p><p>o entendimento mais profundo e verdadeiro sobre a realidade, indo além das</p><p>percepções empiristas, a partir do momento que destaca o importante papel da</p><p>teorização e modelagem para representar a realidade com base nas evidências. Sua</p><p>característica mais fundamental é o mecanismo de autocorreção, que permite corrigir</p><p>imprecisões e, então, refinar cada vez mais as explicações sobre o mundo. Por sua</p><p>natureza particular, é um conhecimento antidogmático por princípio.</p><p>No decorrer do livro, foram exemplificados os diversos tipos de conhecimentos existentes, bem como</p><p>os desafios que cada um deles enfrenta. Também foi explicado como diferentes tipos de</p><p>conhecimentos podem ser relacionados com outros, como na relação recíproca entre o conhecimento</p><p>filosófico e o científico, em que um enriquece o outro, proporcionando um aumento gradual do</p><p>conhecimento na esfera da atividade humana. Dessa forma, espera-se que, com base nessa introdução,</p><p>você tenha a capacidade de distinguir os diversos tipos de conhecimentos, bem como de procurar</p><p>aprofundar seu conhecimento ao longo dos anos.</p><p>FAÇA VALER A PENA</p><p>Questão 1</p><p>A falseabilidade é o princípio filosófico no qual uma teoria, para ser considerada científica, deve ser</p><p>capaz de realizar predições que sejam possíveis de serem provadas falsas em alguma circunstância.</p><p>Um exemplo bastante difundido para expressar a ideia é a observação de um grupo de cisnes brancos</p><p>não ser suficiente para afirmar que todos os cisnes são brancos, já que a observação de um cisne negro</p><p>refutaria a afirmação.</p><p>Qual o primeiro filósofo a propor a falseabilidade como um critério de demarcação para a ciência?</p><p>a. David Hume.</p><p>b. Karl Popper.</p><p>c. Francis Bacon.</p><p>d. René Descartes.</p><p>e. Robert Grosseteste.</p><p>O filósofo da ciência Karl Popper propôs, em meados do século XX, a</p><p>falseabilidade como critério de demarcação, especialmente com o objetivo de</p><p>delimitar as fronteiras entre a ciência e a não ciência, com o último grupo</p><p>incluindo a arte, a filosofia, a teologia, a pseudociência e a religião. Sua obra</p><p>mais famosa, em que ele explica seu critério de demarcação com maior</p><p>profundidade, é A Lógica da Pesquisa Científica (2013).</p><p>Questão 2</p><p>O ethos da ciência é o conjunto de princípios éticos coletivos que norteia a comunidade científica.</p><p>Esses princípios foram percebidos, pela primeira vez, pelo sociólogo da ciência Robert K. Merton, que</p><p>destacou seus aspectos principais.</p><p>Quais princípios formam o ethos da ciência?</p><p>a. Autoritarismo - universalismo - niilismo - desinteresse - originalidade.</p><p>b. Comunismo - universalismo - ceticismo - desinteresse - originalidade.</p><p>c. Socialismo - relativismo - ceticismo - interesse - familiaridade.</p><p>d. Dogmatismo - irracionalismo - individualismo - interesse - falsidade.</p><p>e. Comunismo - absolutismo - ceticismo - desinteresse - originalidade.</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-1%20.item-5</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-2%20.item-5</p><p>O ethos da ciência destaca os aspectos éticos observados e estudados pela</p><p>primeira vez pelo sociólogo da ciência Robert K. Merton. Nomeadamente, eles</p><p>são conhecidos por comunismo (os resultados científicos são propriedade</p><p>comum de toda a sociedade), universalismo (todos os cientistas do mundo</p><p>podem contribuir com a ciência), ceticismo (toda hipótese ou teoria deve ser</p><p>submetida à análise crítica de toda a comunidade científica), desinteresse (os</p><p>interesses coletivos devem estar acima dos interesses próprios) e</p><p>originalidade (a contribuição da comunidade científica com a novidade,</p><p>através de dados, problemas, ideias, hipóteses e teorias). Em seu livro</p><p>Sociologia: Teoria e Estrutura (1968), Merton descreve esses princípios éticos</p><p>com maior exatidão, explicando suas consequências na comunidade científica.</p><p>Questão 3</p><p>A pseudociência é conhecida por conta de sua marginalidade frente ao conhecimento científico do</p><p>momento, de modo que ela não segue nenhum critério objetivo de investigação e nem sequer cultiva</p><p>uma comunidade crítica para a análise de suas ideias.</p><p>Quais são as características fundamentais da pseudociência?</p><p>a. Originalidade, ceticismo, racionalismo e claridade conceitual.</p><p>b. Falsidade, dogmatismo, relativismo e claridade conceitual.</p><p>c. Originalidade, ceticismo, racionalismo e obscurantismo.</p><p>d. Falsidade, subjetivismo, dogmatismo e obscurantismo.</p><p>e. Falsidade, obscurantismo, ceticismo</p><p>e claridade conceitual.</p><p>A pseudociência apresenta características totalmente opostas à ciência na</p><p>forma como supostas condições são estabelecidas para a defesa de seu</p><p>conjunto de crenças. Essas características são: (a) falsidade, porque mantém</p><p>crenças falsas em seu núcleo; (b) subjetivismo, porque mantém uma</p><p>linguagem aberta a interpretações múltiplas, sem cuidado com a objetividade</p><p>característica da ciência; (c) dogmatismo, porque não muda e nem atualiza</p><p>quando falha; e (d) obscurantismo, porque faz uso de jargões</p><p>incompreensíveis e nunca expõe suas reais intenções.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-1</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-2</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-3</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-4</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/npf_u1s1.html#accordion-3%20.item-5</p><p>BUNGE, M. Caçando a Realidade: a luta pelo realismo. Tradução de Gita K. Guinsburg. [S.l.]:</p><p>Editora Perspectiva, 2010.</p><p>BUNGE, M. La Ciencia, su Método y su Filosofía. [S.l.]: Editora Sudamericana, 2014.</p><p>BUNGE, M. Las pseudociencias ¡vaya timo! 2. ed. [S.l.]: Editora Laetoli, 2014.</p><p>BUNGE, M. In Defense of Realism and Scientism. Annals of Theoretical Psychology, Boston, v. 4,</p><p>p. 23-26, 1986. Springer US. Disponível em: https://bit.ly/3b59Qg3. Acesso em: 24 nov. 2020.</p><p>BUNGE, M.; SCHLÖTTER, P.; RAYNAUD, D.; ROMERO, G. E.; MOLINA, E.; PIEVANI, T.;</p><p>LARRINAGA, V. J. S.; ELÍAS, C.; CAMPO, A. C.; FISAC, M. Á. Q. Elogio del Cientificismo.</p><p>Tradução de Gabriel Andrade. [S.l.]: Editora Laetoli, 2017.</p><p>DESCARTES, R. Discurso Sobre o Método. [S.l.]: Editora Vozes de Bolso, 2018.</p><p>FEYERABEND, P. Contra o Método. 2. ed. [S.l.]: Editora Unesp, 2011.</p><p>KUHN, T. S. A Estrutura das Revoluções Científicas. [S.l.]: Editora Perspectiva, 2017.</p><p>MARCONDES, D. Textos Básicos de Filosofia e História das Ciências: a revolução científica. [S.l.]:</p><p>Editora Zahar, 2016.</p><p>MERTON, R. K. Sociologia: teoria e estrutura. [S.l.]: Editora Mestre Jou, 1968.</p><p>POPPER, K. A Lógica da Pesquisa Científica. 2. ed. [S.l.]: Editora Cultrix, 2013.</p><p>SAGAN, C. O Mundo Assombrado Pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro. [S.l.]:</p><p>Editora Companhia das Letras, 2006.</p><p>FOCO NO MERCADO DE TRABALHO</p><p>QUAL A DIFERENÇA ENTRE O SENSO</p><p>COMUM E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO?</p><p>SEM MEDO DE ERRAR</p><p>Para resolver o problema, é necessário entender o contexto histórico e filosófico por trás da origem de</p><p>cada tipo de conhecimento, destacando os aspectos fundamentais que levaram à sua aceitação ou</p><p>rejeição, fazendo analogias ou experimentos mentais (ou seja, imaginando circunstâncias nas quais</p><p>certos tipos de conhecimentos poderiam ser aplicados, levando em consideração seus possíveis</p><p>impactos na esfera da vida cotidiana) para reforçar a aprendizagem.</p><p>Um caminho para levar à resolução da situação-problema consiste na utilização da analogia do</p><p>conhecimento científico com a atividade política, entendendo suas principais diferenças, mas</p><p>destacando seus aspectos de interdependência. Por exemplo, embora a ciência dependa da política para</p><p>uma série de condições, sobretudo no direcionamento de recursos para suas atividades, ela não é</p><p>http://dx.doi.org/10.1007/978-1-4615-6453-9_3</p><p>decidida de modo semelhante, de modo que a ciência não advoga pela democracia para chegar a um</p><p>consenso, mas opera com base nos estudos e na qualidade da evidência resultante da investigação da</p><p>realidade, confrontando muitas vezes uma visão dominante dentro da ciência, ou mesmo crenças</p><p>políticas e religiosas individuais dos próprios cientistas, até a aceitação plena de teorias mais bem</p><p>confirmadas, como ocorreu historicamente no processo de aceitação da teoria da evolução de Charles</p><p>Darwin e sua implicação filosófica e política no contraste com o criacionismo bíblico, e na emergência</p><p>da mecânica quântica, da qual alguns físicos, como Albert Einstein, resistiram-se a aceitar a natureza</p><p>indeterminística da realidade.</p><p>Isso significa que muitas vezes seremos confrontados com visões que entram em desacordo com</p><p>nossas preferências políticas, ideologias e crenças religiosas, mas isso não é um sinal de que devemos</p><p>abrir mão do conhecimento científico. Na verdade, devemos trabalhar criticamente para absorvê-lo da</p><p>melhor forma possível, especialmente para ajustar nossas crenças e visões de mundo à realidade.</p><p>Pense, por exemplo, no caso das Testemunhas de Jeová e o embate notório em questões de ordem</p><p>filosófica, sobretudo ética, e de saúde pública, que norteiam as ciências da saúde, no que se refere à</p><p>rejeição de práticas e cuidados médicos relacionados ao uso da técnica de transfusão de sangue por</p><p>seus seguidores. A rejeição do conhecimento científico levaria essas pessoas a permanecerem em</p><p>sofrimento, a adoecerem progressivamente, simplesmente porque não conseguiram conciliar suas</p><p>crenças e visões de mundo com o conhecimento científico.</p><p>O conhecimento vulgar também está enraizado em diversas concepções equivocadas do mundo,</p><p>principalmente nas que trazem algum dano não apenas à humanidade, mas à natureza e aos animais.</p><p>Por exemplo, a crença social compartilhada de que gatos pretos trazem azar, o que instiga o</p><p>comportamento de maus-tratos contra animais, simplesmente porque a população não teve acesso ao</p><p>conhecimento científico para entender a origem e a consequência dos mitos ao longo da história.</p><p>Apenas o conhecimento científico pode elucidar essas questões, mostrar seus impactos no mundo real</p><p>e avaliar o quão realistas são as crenças culturais ou religiosas mais bem difundidas. Em outras</p><p>palavras, o conhecimento científico enriquece a cultura e alimenta a sociedade, contribuindo para que</p><p>o senso comum se afaste cada vez de concepções equivocadas do mundo.</p><p>Um elemento-chave que contribui para a absorção do conhecimento científico pelo senso comum é</p><p>entender que a formulação desse tipo de conhecimento que se dá através da construção das teorias</p><p>científicas não surge espontaneamente do nada, nem de forma isolada com a pura observação de um</p><p>fenômeno, mas se baseando em um problema e um fundo de conhecimento anterior. Contrastar a</p><p>ciência e a pseudociência também ajuda a entender os aspectos que influenciam os grupos humanos.</p><p>Evidenciar o princípio de abertura às novas ideias que o conhecimento científico proporciona e sua</p><p>característica de testar ideias que não nos parecem razoáveis à primeira observação, como quando</p><p>estamos pensando em comprar um carro usado e fazemos perguntas sobre a condição atual do</p><p>automóvel, contribui para ajustar nossa visão de mundo a uma posição mais crítica e realista. Mais</p><p>ainda, a consequência fundamental do senso comum absorver a ciência é, a curto prazo, a formação de</p><p>melhores tomadores de decisões.</p><p>AVANÇANDO NA PRÁTICA</p><p>A CIÊNCIA E A SAÚDE MENTAL</p><p>Uma pessoa cientificamente orientada, responsável pela análise da gestão da equipe de uma empresa,</p><p>poderia identificar que a saúde e a qualidade de vida no trabalho (QvT) estão prejudicadas no setor em</p><p>que trabalha, o que refletiria</p><p>diretamente na queda dos índices de rendimento e produtividade da</p><p>equipe. Como o conhecimento científico poderia auxiliar na resolução desse problema?</p><p>RESOLUÇÃO</p><p>A própria pessoa com competências científicas, sobretudo em psicometria aplicada às organizações,</p><p>poderia pôr em prática seu conhecimento para verificar a possível solução do problema, ou mesmo</p><p>indicar a contratação de um consultor científico mais especializado. Em um exemplo específico, pode</p><p>ser que um colega ou chefe seja responsável por boa parte dessa queda da QvT. Então, o consultor</p><p>poderia desenvolver estratégias eficazes, baseadas no conhecimento científico, para aumentar o nível</p><p>da QvT.</p><p>SEÇÃO 2</p><p>NÃO PODE FALTAR</p><p>QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS DO</p><p>CONHECIMENTO CIENTÍFICO?</p><p>Douglas Rodrigues Aguiar de Oliveira</p><p>Fonte: Shutterstock.</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Provavelmente, você já se perguntou o que torna o conhecimento científico diferenciado em</p><p>comparação com outras formas de conhecimento, razão pela qual diversas grandes potências reservam</p><p>uma parcela de seu PIB para investir em ciência e tecnologia, mas não encontrou nenhuma explicação</p><p>dentro de um contexto histórico apropriado que detalhasse as principais características do</p><p>conhecimento científico.</p><p>Sem um contexto adequado é impossível discutir o que é conhecimento científico, bem como explicar</p><p>quais seriam suas características e o porquê desse tipo de conhecimento ser único em sua espécie. Por</p><p>causa dessa dificuldade de entendimento da ciência, você, em alguma parte de sua vida, perguntou:</p><p>https://conteudo.colaboraread.com.br/202101/INTERATIVAS_2_0/PENSAMENTO_CIENTIFICO/LIVRO_DIGITAL/fmt_u1s1.html#resolucao-1%20.item-1</p><p>“Por que os cientistas estudam planetas distantes em vez de concentrarem seus esforços em problemas</p><p>sociais vigentes, como a desigualdade social, a extrema pobreza e a desnutrição?” ou “Por que investir</p><p>milhões de dólares em pesquisas básicas?”</p><p>Com um pouco de tratamento filosófico e história da ciência, seria possível responder que diversos</p><p>esforços coletivos promovidos dentro do contexto da história da Era Espacial contribuíram direta e</p><p>indiretamente para o surgimento de tecnologias usadas no dia a dia, como travesseiros, painéis solares,</p><p>satélites artificiais, detectores de fumaça e muitos outros. Poderia também ser respondido que uma</p><p>compreensão profunda da genética levou ao desenvolvimento de alimentos transgênicos, que são ricos</p><p>em proteínas, contribuem para a redução do uso de agrotóxicos e auxiliam diretamente no combate à</p><p>desnutrição em países do continente africano.</p><p>Explicar a origem de todo esse processo de construção de conhecimento enriquece a cultura à medida</p><p>que revela como as características do conhecimento científico auxiliam no progresso tecnológico,</p><p>principalmente na produção de vacinas em contextos de pandemias, como a da Gripe Espanhola e do</p><p>novo coronavírus (SARS-CoV-2).</p><p>Em uma sala de aula, um professor de Filosofia da Ciência escolhe três alunos com o objetivo de</p><p>atribuir a cada escolhido uma disciplina que alegue o status de ciência: a primeira disciplina é a</p><p>Astronomia (atribuída ao aluno A), a segunda disciplina é a Sociologia (atribuída ao aluno B) e a</p><p>terceira disciplina é a Psicanálise (atribuída ao aluno C).</p><p>Em seguida, os alunos são convidados a aplicar o ceticismo científico na disciplina atribuída a eles</p><p>para avaliar suas hipóteses e teorias, bem como questionar suas bases analisando a possível</p><p>compatibilidade com os resultados da ciência.</p><p>Supondo que os alunos tiveram êxito no trabalho proposto, considere o resultado a que cada aluno</p><p>chegou:</p><p>a. A astronomia é uma ciência porque suas teorias são compatíveis com os dados disponíveis das</p><p>melhores agências espaciais.</p><p>b. A sociologia é uma ciência porque suas teorias são baseadas em evidências. Além disso, a</p><p>sociologia consegue, com base no uso de modelagem computacional, realizar predições sobre</p><p>fenômenos sociais com alto nível de acurácia.</p><p>c. A psicanálise não parece ser uma ciência, ou talvez seja uma pseudociência, porque suas</p><p>principais hipóteses não constituem uma teoria científica. Mais ainda, algumas alegações sobre</p><p>possíveis entidades ou objetos não podem ser testadas ou demonstradas empiricamente. Ela</p><p>também tem outro ponto falho, que consiste na ausência de uma formalização lógica adequada</p><p>da qual seja possível a extração objetiva do significado de um conceito central no campo.</p><p>Normalmente, o próprio aluno C poderia indagar sobre o motivo pelo qual a psicanálise ainda mantém</p><p>um local prestigiado em universidades públicas e particulares, sendo que ela falha em cumprir os</p><p>requisitos mínimos esperados de um campo que alega produzir conhecimento científico.</p><p>Quais seriam os possíveis indicadores que revelariam o porquê de certas pseudociências, como a</p><p>psicanálise, ainda manterem algum prestígio na academia, mesmo não cumprindo requisitos esperados</p><p>de uma atividade que preza pela verdade?</p><p>A ciência é mais que um corpo de conhecimento, é uma forma de pensar, uma forma cética de</p><p>interrogar o universo, com pleno conhecimento da falibilidade humana. Se não estamos aptos a fazer</p><p>perguntas céticas para interrogar aqueles que nos afirmam que algo é verdade, e sermos céticos com</p><p>aqueles que são autoridade, então estamos à mercê do próximo charlatão político ou religioso que</p><p>aparecer.</p><p>Carl Sagan, entrevista de 1996.</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>CONHECIMENTO CIENTÍFICO: SISTEMATICIDADE, FALIBILIDADE E</p><p>QUESTIONABILIDADE</p><p>Algumas características essenciais do conhecimento científico mostram como ele é um conhecimento</p><p>único em sua espécie, trazendo maior nível de confiabilidade em comparação com outros tipos de</p><p>saberes no mundo contemporâneo. Um aspecto central é seu princípio de sistematização, que é</p><p>basicamente a forma como seus enunciados são estruturados logicamente, evitando confusões da</p><p>linguagem ordinária, como contradições lógicas e polissemia.</p><p>A sistematização do conhecimento científico permite que seus enunciados não entrem em contradição</p><p>ao longo de uma explicação a respeito de algum fenômeno da realidade, evitando a utilização de</p><p>jargões desnecessários e, por vezes, incompreensíveis, como sentenças que fazem parte de muitos</p><p>sistemas filosóficos dos chamados filósofos do irracionalismo, como Friedrich Hegel e Martin</p><p>Heidegger.</p><p>A adoção de uma estrutura lógica dentro de enunciados científicos permitiu que qualquer discurso ou</p><p>método dialéticos fosse extirpado do conhecimento científico, contrariando a crença popular de que a</p><p>dialética é um elemento indispensável na atividade científica. Isso ocorre desde o surgimento da</p><p>ciência moderna, admitindo tacitamente o Princípio da Não Contradição de Aristóteles, que assegura</p><p>que afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Portanto, a ciência evita o</p><p>uso de proposições contraditórias, como “esse círculo é quadrado”, “toda verdade é uma mentira” e</p><p>“tudo é relativo”.</p><p>A dialética é um conceito problemático desde Heráclito, significando em seus primórdios a ideia de</p><p>que existe um Princípio da Unidade dos Contrários, ou seja, a ideia de que todas as coisas que existem</p><p>possuem uma contraparte ou uma entidade oposta (por exemplo, partículas e antipartículas). Muitos</p><p>séculos depois, o filósofo Hegel buscou desenvolver a dialética dentro de seu sistema filosófico,</p><p>admitindo alguns pressupostos da tese original, como a ideia de que existe uma unidade dos opostos e</p><p>a noção segundo a qual todas as coisas mudam. No entanto, Hegel foi muito pouco claro sobre o que</p><p>ele queria dizer com “dialética”, de modo que até hoje não existe um consenso entre filósofos sobre o</p><p>que ela é: uma lógica não clássica, que romperia com o Princípio da Não Contradição da ciência</p><p>moderna; uma ontologia das coisas; ou simplesmente ambas. Apesar do extenso debate filosófico</p><p>sobre a dialética, ela não conseguiu ganhar espaço em nenhuma ciência natural, social ou biossocial</p><p>–</p><p>nem mesmo na ciência formal, com a lógica e a matemática.</p><p>Outro aspecto central do conhecimento científico é a falibilidade, que significa que todo discurso</p><p>científico é passível de correção, evitando assim qualquer tipo de dogmatismo, como a estagnação de</p><p>uma hipótese científica e o culto à autoridade. Esse conceito está presente na tese do filósofo da</p><p>ciência Karl Popper (2013), que estipulou que a falseabilidade ou refutabilidade é a condição para</p><p>refinar cada vez mais hipóteses e teorias científicas.</p><p>Esse princípio de falseabilidade é importante para a estruturação de hipóteses iniciais ou primitivas,</p><p>por polir afirmações destituídas de evidências científicas, mas não é um critério de demarcação</p><p>satisfatório para produzir conhecimento científico. Na verdade, mesmo que alguns cientistas</p><p>considerem que a ciência siga o modelo popperiano, nenhum filósofo da ciência considera-o como um</p><p>critério satisfatório – especialmente porque a pseudociência também mantém um nível de conciliação</p><p>com o respectivo critério de demarcação.</p><p>A falibilidade permite que a ciência progrida com novos dados e evidências, fazendo também com que</p><p>as teorias sejam cada vez mais (re)ajustadas à realidade, produzindo um conhecimento diferenciado em</p><p>comparação com os outros, sendo então mais profundo e verdadeiro. Essa posição também é admitida</p><p>por filósofos científicos – ou seja, filósofos que estão em dia com os resultados da ciência e tecnologia</p><p>–, que assumem que a ciência produz um tipo de conhecimento mais profundo e verdadeiro.</p><p>A ciência também mantém em seu núcleo um aspecto de questionabilidade ou ceticismo, que</p><p>significa dúvida metodológica e consiste na adoção do ceticismo científico, que é o princípio segundo</p><p>o qual todas as hipóteses e teorias devem ser questionadas de forma metódica, responsável e</p><p>cientificamente orientada. Isso significa que a ciência não adota um tipo de ceticismo conhecido como</p><p>radical, em que tudo deve ser questionado, que advoga por um questionamento absoluto, irresponsável,</p><p>descontrolado e, portanto, dogmático. A questionabilidade promovida na ciência é a que submete</p><p>alegações e hipóteses destituídas de evidências razoáveis à crítica de outros cientistas, promovendo um</p><p>diálogo construtivo, sadio e útil para o desenvolvimento da ciência.</p><p>O ceticismo científico não deve ser confundido com o negacionismo da ciência, que é a posição que</p><p>defende a rejeição completa ou parcial do conhecimento científico. O negacionismo da ciência está</p><p>atrelado a posições ideológicas de seus praticantes, entrando em cena quando a ciência revela um fato</p><p>em relação ao qual a pessoa está em desacordo por alguma razão política, religiosa ou cultural. Alguns</p><p>exemplos de negacionismo da ciência incluem a negação de efetividade das vacinas, a rejeição da</p><p>circunferência da Terra, a depreciação das consequências das mudanças climáticas e a resistência em</p><p>aceitar a evolução biológica das espécies através do processo de seleção natural.</p><p>OBJETIVIDADE, POSITIVIDADE, RACIONALIDADE E EXPLICABILIDADE</p><p>No contexto do conhecimento científico, o conceito de objetividade não deve ser confundido</p><p>com objetivismo, que é doutrina ideológica e pseudofilosófica de Ayn Rand. A objetividade se refere</p><p>à pretensão clara e objetiva na formulação de enunciados científicos, evitando o subjetivismo</p><p>interpretativo, que é a noção segundo a qual é possível a extração de diversas interpretações e</p><p>múltiplos significados de um determinado texto. Por conta de a linguagem científica ser diferente da</p><p>linguagem ordinária, principalmente pela sua construção lógica e sistematização, o subjetivismo não</p><p>faz parte das proposições científicas.</p><p>A objetividade é atrelada a uma concepção positiva de ciência, cujo papel é o acúmulo gradual de</p><p>conhecimento por meio da confirmação empírica, em vez de uma estrutura desordenada que</p><p>desmorona a cada nova revolução científica, como defendeu de forma irresponsável o filósofo e</p><p>historiador da ciência Thomas Kuhn. Segundo Kuhn (2017), a ciência muda como a moda, de modo</p><p>que o objetivo da ciência não seria mais a verdade. No entanto, essa concepção ignora que todas as</p><p>revoluções científicas são sempre parciais, que elas nunca rompem totalmente com o conhecimento</p><p>anterior, como é o caso da mecânica clássica de Newton, que, mesmo após o surgimento da teoria da</p><p>relatividade geral e da mecânica quântica, ainda permanece válida para calcular a trajetória de objetos</p><p>terrestres e continua sendo usada para enviar foguetes ao espaço.</p><p>A teoria da evolução de Charles Darwin também é outro exemplo dessa característica positiva da</p><p>ciência, pois ela foi atualizada com os dados da genética e da biologia molecular, revelando um</p><p>panorama ainda mais abrangente sobre a evolução das espécies, explicando até a origem de certos</p><p>traços comportamentais nos seres humanos modernos. No entanto, a ciência não progride apenas com</p><p>base em experimentos, ela precisa de racionalidade.</p><p>A racionalidade presente no conhecimento científico pode ser explicada de duas formas, pelo menos:</p><p>a ideia de que todo discurso científico é debatível de forma organizada (com o exercício do uso da</p><p>razão) ou a ideia de que o raciocínio formal é um alicerce na construção do conhecimento científico. A</p><p>primeira ideia pressupõe tacitamente características anteriormente explicadas, como as noções de</p><p>sistematização e de objetividade, de modo que apenas com uma linguagem compreensível,</p><p>logicamente e objetivamente coerente, é possível discutir racionalmente conhecimentos e problemas</p><p>científicos, enquanto a segunda exprime a ideia de que a construção de conceitos lógicos e formais</p><p>serve para representar objetos que possuem existência concreta, material e real na realidade, como</p><p>campos, partículas e cérebros.</p><p>De acordo com a última definição, sem o raciocínio formal, o qual consiste na ciência formal da lógica</p><p>e da matemática, nenhum conhecimento seria possível, pois são necessários sempre símbolos e</p><p>expressões matemáticas não apenas para representar objetos, mas também para quantificar os dados</p><p>oriundos da investigação científica. Até mesmo a filosofia contemporânea, como a filosofia analítica e</p><p>a filosofia científica, trata o raciocínio lógico-matemático como essencial para a produção de</p><p>conhecimento filosófico. No entanto, o conhecimento científico busca trabalhar com o raciocínio</p><p>formal visando fornecer uma explicação mais adequada com base nos dados e nas evidências da</p><p>investigação científica, de modo que não é um mero exercício lógico destituído de valor empírico.</p><p>A pretensão de elaborar cada vez mais proposições e teorias ajustadas à realidade revela o aspecto</p><p>de explicabilidade da ciência. Sem a pretensão de explicar a realidade, ou algum de seus níveis em</p><p>particular (físico, químico, biológico, psicológico, social, artificial, etc.), os cientistas não teriam</p><p>qualquer motivo para investigar o mundo e produzir conhecimento científico. A explicabilidade,</p><p>portanto, refere-se simplesmente ao papel da ciência em investigar o mundo e prover conhecimentos</p><p>cada vez mais profundos sobre as coisas.</p><p>ASSIMILE</p><p>1. O conhecimento científico advoga pelo princípio de racionalidade, de modo que seu</p><p>discurso é universalmente compreensível.</p><p>2. O aspecto corretivo do conhecimento científico é sempre guiado pelas evidências da</p><p>realidade.</p><p>3. Toda a atividade científica cultiva o questionamento cético moderado ou razoável, que</p><p>é orientado pela evidência.</p><p>REVISIBILIDADADE, AUTONOMIA, ACUMULABILIDADE E</p><p>VERIFICABILIDADE</p><p>O conhecimento científico é justamente difícil de definir por conta de suas diversas características. Em</p><p>comparação com o conhecimento religioso, por exemplo, apenas o conhecimento científico tem como</p><p>preocupação a revisibilidade de seus conceitos e teorias mediante a investigação científica. Enquanto</p><p>o conhecimento religioso admite múltiplas interpretações de um texto como igualmente válidas, o que</p><p>importa</p><p>no conhecimento científico é a compatibilidade de seu corpo de conhecimento com as</p><p>evidências, independente do que um cientista pensa a respeito. Pelo mesmo motivo, a ciência não deve</p><p>ser comparada com a política, pois seu conhecimento não é decidido como verdadeiro mediante uma</p><p>votação por decreto ou escolha da população. O conhecimento científico é tratado como verdadeiro</p><p>quando os resultados de uma investigação apontam numa determinada direção.</p><p>Já a autonomia existente na ciência pode se referir ao âmbito individual e coletivo, como quando um</p><p>cientista tem liberdade para investigar - seguindo os protocolos éticos da pesquisa científica - e quando</p><p>a ciência tem liberdade para investigar problemas que contradizem anseios políticos. Por exemplo,</p><p>quando os cientistas sociais podem estudar livremente os impactos das desigualdades sociais nas</p><p>populações de baixa renda, ou quando o objeto de estudo são os efeitos sistêmicos das mudanças</p><p>climáticas, que, normalmente, contradizem interesses privados de empresas ou políticos.</p><p>Contraexemplo: quando os cientistas são impedidos de investigar por conta de sua nacionalidade ou</p><p>etnia, como ocorreu com os físicos judeus durante a emergência do nazismo na Alemanha, ou quando</p><p>os pesquisadores são perseguidos pelo governo com a desculpa de serem infiltrados de uma potência</p><p>mundial rival ou advogarem por uma suposta ideologia contrária à aceita pelo Estado, como aconteceu</p><p>no caso dos geneticistas de plantas na antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).</p><p>Mesmo com todas as dificuldades que a história da ciência revela sobre o processo de construção do</p><p>conhecimento científico ao longo dos séculos, toda a experiência passada é traduzida em conhecimento</p><p>sociológico, revelando que a ciência e a política, embora sejam atividades completamente distintas,</p><p>dependem de uma relação amigável para prosperarem, seja para promover a investigação científica</p><p>fornecendo recursos financeiros do Estado, seja para usar os resultados científicos na elaboração de</p><p>políticas públicas mais justas.</p><p>A acumulabilidade do conhecimento científico é o que justifica seu aspecto de progresso, justamente</p><p>porque exemplos de experimentos malsucedidos são considerados, não apenas para refletir sobre os</p><p>desafios metodológicos e epistemológicos da ciência, mas também para aumentar o rigor necessário</p><p>durante a avaliação dos trabalhos que são submetidos para revistas científicas. Mais ainda, os</p><p>resultados negativos na ciência, com base no olhar sociológico, podem revelar aspectos que foram</p><p>negligenciados sistemicamente durante a época de aceitação ou implementação de uma ideia. Por</p><p>exemplo, a aplicação política de ideias pseudocientíficas, que já não eram muito bem aceitas, no início</p><p>do século XX, como a eugenia e o darwinismo social, levou ao extermínio de judeus, negros, pobres e</p><p>pessoas com deficiência, sob o pretexto de “busca pela pureza genética”.</p><p>A elucidação da pseudociência só foi possível graças ao princípio de verificabilidade da ciência, que é</p><p>a ideia segundo a qual um enunciado, uma hipótese ou uma teoria deve ser passível de ser colocada à</p><p>prova. No entanto, o conceito de verificabilidade requer um contexto adequado por conta de sua</p><p>polissemia.</p><p>A noção mais forte de verificabilidade foi apresentada pelo lógico Rudolph Carnap, durante a</p><p>emergência do positivismo lógico do Círculo de Viena. Esse círculo era formado por um grupo de</p><p>cientistas e filósofos interessados nos problemas filosóficos, históricos e sociológicos da ciência. A</p><p>despeito dos mitos que circulam sobre o círculo, eles defendiam teses bastantes heterogêneas, tinham</p><p>preocupações políticas e sociais sobre a atividade científica, não eram ingênuos e nem reducionistas</p><p>(não reduziam todo o conhecimento às ciências naturais) e buscavam uma linguagem universal para a</p><p>ciência. No entanto, a tese de Carnap ficou imensamente conhecida ao ponto de ser tratada</p><p>equivocadamente como representativa de todo o círculo.</p><p>A tese verificacionista de Carnap postulava que uma proposição tem sentido se, e somente se, existir</p><p>alguma circunstância que permita sua verificação. Se não existisse alguma possibilidade de</p><p>verificação, a proposição seria considerada como destituída de sentido e significado e, portanto, ela</p><p>não faria outra coisa a não ser trazer pseudoproblemas. Essa tese foi duramente golpeada, justamente</p><p>por outro filósofo que era simpatizante do círculo, mas que não fazia parte dele: Karl Popper.</p><p>Karl Popper enfatizou que a tese não era suficiente como um critério para proposições, além de</p><p>diversos outros problemas enumerados em sua obra A Lógica da Pesquisa Científica (2013),</p><p>argumentando que a condição de verificabilidade não é suficiente para que uma proposição ou teoria</p><p>seja considerada científica, mas simplesmente a condição de sua possível refutação. Para Popper, uma</p><p>teoria é científica se, e somente se, existir alguma circunstância que permita sua refutação. Se não</p><p>existir nenhuma circunstância passível de refutação, a teoria não é considerada científica. Com isso,</p><p>Popper lançou as bases de sua hoje conhecida tese: o falseacionismo.</p><p>REFLITA</p><p>1. Dado o sucesso do conhecimento científico na explicação de diversos fenômenos da</p><p>realidade, o que torna a ciência um campo confiável?</p><p>2. Dado o contexto de negacionismo anticientífico na sociedade contemporânea, por que é</p><p>importante adotar o ceticismo científico?</p><p>3. Por que a lógica é um elemento indispensável dentro do conhecimento científico?</p><p>FACTUALIDADE, ANALITICIDADE E COMUNICABILIDADE</p><p>A ciência não se resume a uma atividade puramente empírica. Ela também contempla disciplinas que</p><p>lidam com aspectos formais do método científico, que usam seu aspecto de racionalidade para</p><p>investigar problemas matemáticos, lógicos e semânticos. Para clarificar essa abrangência, é necessária</p><p>uma distinção rápida sobre esses dois tipos de ciências: a ciência fática (ou factual) e a ciência formal.</p><p>Como explica o filósofo Mario Bunge em seu livro La Ciencia, su Método y su Filosofía (2014),</p><p>a ciência fática lida com entes concretos ou materiais (como campos, partículas, animais, pessoas),</p><p>adequa-se aos fatos e possui consistência empírica (como a física, a química, a biologia, a psicologia, a</p><p>sociologia), enquanto a ciência formal lida com entes ideais (como números, conceitos, axiomas),</p><p>adequa-se a um conjunto de regras e possui consistência racional (como a lógica e matemática). No</p><p>entanto, tanto a ciência fática como a ciência formal normalmente se cruzam em um processo de</p><p>enriquecimento contínuo.</p><p>A ciência formal fornece à fática a analiticidade essencial para sua sistematização, formalização e</p><p>objetividade. Com esse tratamento analítico, o conhecimento científico se torna mais exato, porque</p><p>evita-se a ambiguidade e a armadilha da linguagem ordinária. Desse modo, justifica-se a definição de</p><p>Bunge (2014) da ciência como um tipo de conhecimento sistemático, racional, exato, verificável e,</p><p>portanto, falível, sendo a melhor reconstrução conceitual do mundo do qual fazemos uso.</p><p>Finalmente, a ciência preza pela comunicabilidade, ou seja, os resultados científicos são passíveis de</p><p>serem comunicáveis de forma objetiva para quaisquer pesquisadores ao redor do mundo. Mais ainda,</p><p>os resultados podem ser traduzidos na linguagem ordinária com o objetivo de visar à popularização da</p><p>ciência e ao enriquecimento cultural através da atividade de divulgação científica.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>1. O conhecimento científico tem uma estrutura lógica ordenada, a qual permite a</p><p>extração de proposições objetivas.</p><p>2. O conhecimento científico visa explicar a realidade em sua totalidade, adequando sua</p><p>metodologia científica para o estudo de cada nível (físico, químico, biológico,</p><p>psicológico, social e artificial).</p><p>3. O conhecimento científico progride ao longo do tempo, ajustando suas teorias às</p><p>evidências, corrigindo imprecisões e mantendo seu aspecto</p>