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METODOLOGIA DA PESQUISA Vila Velha – ES SUMÁRIO INTRODUÇÃO ....................................................................................................................................... 4 1 - O QUE É METOLOGIA DE PESQUISA? ......................................................................................... 5 2 - NÍVEIS DE CONHECIMENTO .......................................................................................................... 7 2.1 O conhecimento empírico ................................................................................................................ 8 2.2 O conhecimento teológico ................................................................................................................ 8 2.3 O conhecimento filosófico ................................................................................................................ 9 2.4 O conhecimento científico ................................................................................................................ 9 3 - A HISTÓRIA DA CIÊNCIA ATRAVÉS DOS TEMPOS .................................................................. 10 3.1 Na Antiguidade ............................................................................................................................... 10 3.2 Na Idade Média e Renascimento ................................................................................................... 11 3.3 A Revolução Científica ................................................................................................................... 12 3.4 A Revolução Industrial ................................................................................................................... 13 3.5 O século XX ................................................................................................................................... 13 4 - A CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA ................................................................................................. 14 5 - FERRAMENTAS DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DO NÍVEL SUPERIOR .......................... 15 5.1 Conceitos, leis, teorias e doutrinas ................................................................................................ 15 6 - O QUE É UMA PESQUISA? ......................................................................................................... 18 6.1 Tipos de pesquisa: ......................................................................................................................... 19 7 - MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA ...................................................................................... 20 7.1 Métodos ......................................................................................................................................... 20 7.1 Técnicas ......................................................................................................................................... 22 7.2 Formas de pensamento ................................................................................................................. 23 8 - PRODUÇÃO CIENTÍFICA .............................................................................................................. 26 9 - PROCESSO DA ESCRITA ............................................................................................................. 26 10 - PÚBLICO ...................................................................................................................................... 27 11 - EMBASAMENTO TEÓRICO ........................................................................................................ 28 12 - NORMAS ...................................................................................................................................... 28 13 - GÊNEROS TEXTUAIS ACADÊMICOS ........................................................................................ 29 13.1 Resumo ........................................................................................................................................ 29 13.2 Resenha ....................................................................................................................................... 29 13.3 Artigo Científico ............................................................................................................................ 29 13.4 Projeto de Pesquisa ..................................................................................................................... 30 13.5 Relatório de Pesquisa .................................................................................................................. 30 13.6 Trabalho de Conclusão de Curso para a Graduação ................................................................... 30 13.7 Monografia para a Especialização ............................................................................................... 30 13.8 Dissertação de Mestrado ............................................................................................................. 30 METODOLOGIA DA PESQUISA 3 13.9 Tese de Doutorado....................................................................................................................... 30 13.10 Paper ou Position Paper ............................................................................................................ 30 13.11 Relatório de Visita Técnica ......................................................................................................... 31 13.12 Documentação (Fichamento) ..................................................................................................... 31 13.13 Apresentação oral de trabalhos científicos ................................................................................. 31 13.14 Pôster ......................................................................................................................................... 31 14 - PLÁGIO ........................................................................................................................................ 32 REFERÊNCIAS .................................................................................................................................... 33 METODOLOGIA DA PESQUISA 4 INTRODUÇÃO Esforçamo-nos para oferecer um material condizente com a graduação daqueles que se candidataram a esta especialização, procuramos referências atualizadas, embora saibamos que os clássicos são indispensáveis ao curso. As ideias aqui expostas, como não poderiam deixar de ser, não são neutras, afinal, opiniões e bases intelectuais fundamentam o trabalho dos diversos institutos educacionais, mas deixamos claro que não há intenção de fazer apologia a esta ou aquela vertente, estamos cientes e primamos pelo conhecimento científico, testado e provado pelos pesquisadores. Não obstante, o curso tenha objetivos claros, positivos e específicos, nos colocamos abertos para críticas e para opiniões, pois temos consciência que nada está pronto e acabado e com certeza críticas e opiniões só irão acrescentar e melhorar nosso trabalho. Como os cursos baseados na Metodologia da Educação a Distância, vocês são livres para estudar da melhor forma que puderem se organizar, lembrando que: aprender sempre, refletir sobre a própria experiência se somam e que a educação é demasiado importante para nossa formação e, por conseguinte, para a formação dos nossos/ seus alunos. Deste modo, o curso em questão tem como objetivo geral oferecer subsídios teórico- metodológicos para que os ingressantes na especialização possam atuar de maneira comprometida e adequada, reforçar os conhecimentos daqueles que já atuam na área, pois sabemos que o mercado atual exige renovação da bagagem profissional, valorização das novas tendências na suaconclusões, ideias ou opiniões que estejam em desacordo com as observações ou com as respostas resultantes; generalizar, isto é, estender as conclusões obtidas a todos os casos que envolvem condições similares; a generalização é tarefa do processo chamado indução, • Prever ou predizer, isto é, antecipar que, dadas certas condições, é de esperar que surjam certas relações. Mesmo assim, o método pode e deve ser adaptado às diversas ciências, à medida que a investigação de seu objeto impõe ao pesquisador lançar mão de técnicas especializadas. Parece faltar algo aqui não é mesmo? Como, por exemplo, os diversos tipos de pesquisa de acordo com os objetivos (exploratória, descritiva, explicativa), ou os delineamentos da pesquisa (bibliográfica, documental, experimental) ou ainda falar dos meios de coletar os dados, mas optamos por explanar sobre as técnicas mais amiúde, na apostila destinada a Orientações de Trabalho de Conclusão de Curso, acreditando que seria mais pertinente, sendo uma colaboração para com o estudante nessa etapa do trabalho. 7.2 Formas de pensamento O pensamento alimenta-se da realidade externa e é produto direto da experiência. O ato de pensar caracteriza-se por ser dispersivo, natural e espontâneo. A reflexão, porém, requer esforço e concentração voluntária. É dirigida e planificada. A conclusão do raciocínio constitui o último elo de uma cadeia, o período final de um ciclo de operações que se condicionam necessariamente (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Segundo Mattar (2008) vários são os movimentos que procuram discutir em sentido amplo, os métodos em ciências, alguns deles acreditamos ser importantes discorrer, pois mostram as formas de pensamento que reinaram ao longo da história da humanidade. O empirismo, a primeira dessas formas de pensamento, pode ser entendido como uma postura filosófica, assim como o racionalismo e o idealismo. O empirismo inglês afirma, de uma forma geral, que a única fonte de nossas ideias é a experiência sensível, valorizando assim os sentidos. O empirismo acabou funcionando, na história do pensamento, como um movimento que funda todas as correntes anti-idealistas, que defendem que o pensamento humano deva ser compreendido pela experiência efetiva, e não pela abstração do real. Se é claro que o empirismo não determinou o desenvolvimento das ciências naturais ou empíricas contemporâneas, ajudou sem dúvida a construir uma atmosfera intelectual que se coaduna perfeitamente com os métodos dessas ciências (MATTAR, 2008). Nesse sentido, os empiristas ingleses destacam a importância da sensação e da experiência, e discutem temas importantes como o uso das hipóteses, a estrutura do raciocínio indutivo, a importância da probabilidade, etc. Ao positivismo associa-se o ideal de neutralidade nas ciências. Seu principal nome é o de Auguste Comte (1798-1857). Para ele, a ciência seria o conhecimento por excelência. Os conceitos e as expressões possuem significado se, e apenas se ou seja, se forem operacionalizados (MATTAR, 2008). A extensão do positivismo é o neopositivismo (positivismo lógico ou empirismo METODOLOGIA DA PESQUISA 24 lógico), que também destaca a importância da operacionalização. O neopositivismo caracteriza- se pela combinação de ideias empiristas com a lógica moderna. O movimento surgiu na Áustria, com o “Círculo de Viena” (fundado pelo filósofo Moritz Schlich em 1924, durou até 1936), na Alemanha e na Polônia. Muitos de seus principais filósofos emigraram para os Estados Unidos ou a Inglaterra, fugindo do nazismo. Alguns de seus nomes mais importantes são Rudolf Carnap (1891-1970), Herbert Feigl (1902-1988), Otto Neurath (18821945) e Friedrich Waisman (1896- 1959) (MATTAR, 2008). Para o neopositivismo, a verificabilidade seria o critério de significação de um enunciado. O sentido das proposições científicas dependeria, portanto, de uma verificabilidade empírica. Assim, as ciências empíricas, guiadas pela lógica e pela matemática para manter o rigor e a correção de suas teorias, esgotariam o conhecimento possível do real. O neopositivismo destaca-se também, nesse sentido, pelas investigações centradas num critério de demarcação, que separaria as proposições científicas das não científicas (MATTAR, 2008). O pragmatismo está associado ao filósofo, matemático, lógico e cientista norte americano Charles Sanders Peirce (1839-1914). Há outros nomes importantes de pragmatistas clássicos, além de Peirce, como Ralph Waldo Emerson, William James e John Dewey, assim como de pragmatistas contemporâneos, como Richard Rorty, Hilary Putnam, Stanley Fish, Nancy Fraser, Cornel West, Ian Hacking, Richard Poirier e Stanley Cavell, de origem filosófica, o pragmatismo apresentará ramificações na política, na educação e na crítica literária, para se constituir como um método científico (MATTAR, 2008). Para os pragmatistas, a clareza de nossas ideias implica concebermos seus efeitos práticos, ou seja, sensações e reações associadas com o objeto do pensamento. A máxima pragmatista diz que, para clarificar, para “desenvolver” o significado de uma concepção, é preciso determinar que hábitos ela produz, pois aquilo que uma coisa significa é simplesmente os hábitos que ela envolve. O pragmatismo busca os resultados, mais do que as origens, em nossa compreensão das ideias. Assim, equivale aos procedimentos experimentais básicos das ciências de laboratório, e poderia ser empregado em qualquer campo do conhecimento. É sinônimo, portanto, do método experimental das ciências para adquirir e desenvolver o conhecimento humano (MATTAR, 2008). A estrutura do método científico, segundo o pragmatismo, dividir-se-ia em: Identificar o problema; Oferecer uma hipótese explanatória usando meios abdutivos; e Testar nossa hipótese contra o problema por meios dedutivos. O que poderia ser resumido pela tríade problema-hipótese-teste. A estrutura básica do método do pragmatismo para a aquisição e o desenvolvimento do conhecimento humano, portanto, implica três passos: • Identificar o problema que se tem em mãos, seja pela experiência comum, como se aprende, ou pelos fatos ou explicações especiais ou peculiares da disciplina acadêmica. • Produzir, usando toda a criatividade possível, uma explicação ou, ainda melhor, uma hipótese explanatória (algo passível de teste) que se acredite que possa pelo menos parcialmente resolver o problema. • Testar a sua explicação cuidadosa e repetidamente, principalmente a sua hipótese, contra aquilo a que ela está programada a explicar, principalmente o problema, e com o mesmo cuidado (ou ainda mais cuidado) observar e anotar os resultados desse teste buscando erros (MATTAR, 2008). O pragmatismo seria, nesse sentido, o método dos métodos, ou o método dos outros métodos. Seriam seus métodos subsidiários: o raciocínio abdutivo, do qual derivam as hipóteses METODOLOGIA DA PESQUISA 25 que são selecionadas para testar o raciocínio dedutivo, pelo qual, idealmente, a certeza do conhecimento é expressa e pelo qual, com a finalidade de certeza, hipóteses erradas são eliminadas de nosso conjunto de explicações; e o raciocínio indutivo, pelo qual, sobretudo, probabilidades são examinadas e, de acordo com elas, hipóteses que sobrevivem a nossos exercícios de eliminação dedutiva são consideradas, para investigações futuras (MATTAR, 2008). É importante distinguir o marxismo como metodologia do marxismo como programa social. Como método, é necessário destacar pelo menos dois aspectos do marxismo: • Em primeiro lugar, o marxismo, ao descrever o movimento da realidade e do próprio pensamento por meio deuma dialética tese/antítese/síntese, defende a necessidade do trabalho com a negação e com a contradição: por meio da confrontação entre as ideias, seria possível gerar uma síntese, que por sua vez deveria ser submetida a uma nova contradição, e assim por diante. • Em segundo lugar, o marxismo é importante por defender que os níveis econômico, jurídico-político e ideológico devem ser estudados no processo de construção do conhecimento. Assim, o marxismo insiste que essas perspectivas devem ser levadas em conta, nas ciências humanas, para a análise e interpretação dos fenômenos relacionados ao ser humano, e, em relação às ciências empíricas, introduz uma perspectiva de estudar a verdade científica em sua exterioridade, ou seja, não apenas por meio do desenvolvimento interno das ciências, de seus métodos e sua lógica, mas também das influências socioeconômicas que determinam o seu progresso, a maior ou menor aceitação das teorias científicas, a transmissão do conhecimento científico, etc. (MATTAR, 2008). O estruturalismo desenvolveu-se na França, entre os anos 1950 e 1960, envolvendo os campos da psicanálise e da psicologia, da filosofia, da antropologia, da linguística, das ciências sociais, da crítica literária e da semiótica, incluindo a matemática e a lógica, a física e a biologia. Nomes de destaque no movimento são: os linguistas Ferdinand de Saussure (com seu clássico Curso de Linguística Geral), Roman Jakobson; o antropólogo Claude Lévi-Strauss; os filósofos Michel Foucault, Jacques Derrida; o estudioso da cultura grega Jean-Pierre Vernant; O psicólogo Jacques Lacan; além de Roland Barthes, Louis Althusser, Pierre Bourdieu e George Dúmezil (MATTAR, 2008). O estruturalismo defende que a realidade é composta de estruturas. Assim, seria possível encontrar e estudar estruturas em arquitetura, no corpo, nas línguas, na psicologia, na matemática, na geologia, na anatomia, e inclusive nas ciências humanas e sociais. O método das ciências, portanto, seria identificar essas estruturas e explicar como suas partes organizam-se numa totalidade, formalizando- as. A estrutura não deveria, entretanto, necessariamente ser entendida como algo estático, mas sim como uma totalidade que se transforma e se autorregula. Por fim, temos Karl Popper, bastante conhecido como o introdutor do critério de falseabilidade para diferenciar as teorias científicas dos discursos não científicos. Um conceito científico deve ser refutável ou falseável, ou seja, deve ser possível admitir uma situação prática, como resultado de uma experiência, em que esse conceito possa ser desmentido. Uma teoria científica deve implicar a possibilidade de sua contradição: as teorias que não admitem sua possível negação pela experiência não seriam científicas (MATTAR, 2008). Em linhas gerais, Popper defende a substituição do método indutivo por um método hipotético-dedutivo. Ele se propõe a responder às seguintes questões, com o objetivo de distinguir entre ciência e pseudociência: “Quando uma teoria deve ser classificada como científica” e “Há um critério para o caráter ou estatuto científico de uma teoria” (MATTAR, 2008). Nessa direção, Popper realiza uma crítica à teoria da história de Marx, à psicanálise freudiana e à psicologia individual de Alfred Adler: METODOLOGIA DA PESQUISA 26 há muitas verificações de suas verdades, e essas teorias acabam por ser sempre confirmadas. Para Popper, as confirmações devem ser classificadas como científicas apenas se forem o resultado de uma previsão que tiver assumido riscos. Uma teoria científica seria, então, uma proibição: quanto mais proíbe, melhor. Uma teoria que não é refutável por nenhum evento concebível não deve ser considerada científica; para assumir tal estatuto, ela deve ser incompatível com certos resultados possíveis da observação. 8 - PRODUÇÃO CIENTÍFICA Fonte: https://www.acessoacademico.com.br/blog/tag/producao- cientifica/ Como visto até agora, toda pesquisa científica possui uma finalidade. Ao montar o projeto de pesquisa deve-se pensar essencialmente sobre: i) o que pesquisar; ii) o que já está produzido sobre este assunto (uma revisão bibliográfica); iii) por quê pesquisar este tema; iv) o que a pesquisa traz de inovação; v) de que forma pesquisar; vi) o que se pretende (hipótese e objetivos). É no processo de sistematização dos dados de pesquisa que a produção científica é desenvolvida. Além comunicar aos outros pares, ou não, todos os aspectos da pesquisa relacionados acima, conhecidos como aspectos de projeto, trará os resultados da pesquisa, a análise dos dados, discussão e também a conclusão. 9 - PROCESSO DA ESCRITA Fonte: https://karinakuschnir.wordpress.com/2015/07/15/dez-truques- da-escrita-num-livro-so/ Machado e Bianchetti (2000) dizem que a escrita é uma “ginástica do intelecto, o ápice da atividade intelectual, um ato essencialmente manual, artesanal”. (p.31). São as informações dispostas de maneira inteligível, de forma criativa, consciente e criteriosa que irão formar uma “estrutura significativa aliada ao conjunto de ideias acumuladas, privilegiando sempre a clareza e o objetivo” (BRAVO, 2008. P.161). Todo processo é inerente à uma intencionalidade. Podemos pensar então na estruturação de uma produção acadêmica a partir de algumas perguntas básicas que se desenvolverão, posteriormente, no corpo específico do texto, como: i) “o que escrever? ” – delimitação do tema a ser desenvolvido. Para o estudante que veio do processo de pesquisa, este é o tema da própria pesquisa. Contudo, existem pesquisas que podem ser fragmentadas em vários tipos de publicações. https://karinakuschnir.files.wordpress.com/2015/07/truquesdaescritap.jpg METODOLOGIA DA PESQUISA 27 ii) “por que escrever? ” – consiste na identificação da fonte que demanda a escrita. Muitas vezes se escreve para uma determinada disciplina, tendo como exemplo os projetos ou o TCC, outras vezes a demanda é apresentar algum tema relacionado a uma pesquisa ou assunto específico de interesse em um encontro ou congresso. iii) “quem irá consumir a produção? ”– uma das fases mais importantes é a definição do público alvo. Pois aqui será definido o tipo de linguagem empregada. Um texto de divulgação científica para crianças é diferente de um trabalho universitário ou de um texto científico para uma revista científica, por exemplo. A produção não precisa ser, necessariamente escrita, ela pode ser um vídeo ou áudio, um programa, etc. iv) “qual o tipo de produção será? ” – esta pergunta está intimamente ligada ao questionamento anterior, pois a produção será um trabalho, será submetida à publicação em uma revista ou será uma apresentação de banner em congresso? iv) “qual a principal mensagem da produção? ” – pensar sobre isso é refletir sobre seus objetivos com esta produção, a resposta para esta pergunta deve estar na sua apresentação e na sua conclusão, ela deve respaldar todo seu trabalho. Entendendo a produção científica como um processo de comunicação o mais importante é se fazer entender, ser inteligível. Na produção científica, deve-se primar pela excelência e compreende premissas como: escrever a partir da norma ortográfica culta – mesmo que isso não signifique uma escrita muito refinada –, normalmente formatada a partir das regras estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e respeitando uma organização textual tradicional – deve ter começo, meio e fim, como em qualquer redação, ou seja: Introdução: os principais pontos da hipótese ou tema, o que você gostaria que o leitor tenha em mente antes que você entre de fato na apresentação dos seus resultados de pesquisa. Desenvolvimento: deve ser apresentado seu referencial teórico, quais as ideias articuladas, de que forma suas ideias foram articuladas (metodologia), quais foram seus resultados e o que pode ser discutido a partir disso na visão de outros autores. Conclusão: qual a sua opinião sobre todo o processo. 10 - PÚBLICO Ao realizar uma produção acadêmica, é fundamental pensar nas seguintes questões: • Para que esta produção servirá? • Por quem será lida? Estas indagações são fundamentais pois darão o caráter da escrita a ser desenvolvida. Pode ser que ela seja uma produção para de caráter avaliativo em uma disciplina ou de fim de curso. Contudo, a produção pode romper os muros da academia e ser divulgada em meios de comunicação, tais como revistas ou periódicos, congressos, encontros e outros. O que é produzido pode chamar atenção dos professores de forma positiva ou negativa, no caso dos trabalhos acadêmicos, e também pode ser uma porta entrada para o mercado de trabalho, no caso das submissões externas e eventos. METODOLOGIA DA PESQUISA 28 11 - EMBASAMENTO TEÓRICO Fonte: https://noticias.unb.br/117-pesquisa/2870-por-um-impacto- cada-vez-maior-unidades-avaliam-producao-cientifica-na-unb Sempre é bom lembrar que todo trabalho precisa ter um embasamento científico, para isso é NECESSÁRIO que se pesquise em fontes seguras e confiáveis. Claro que a pesquisa pode ser feita em pesquisas e instituições específicas, mas é vantajoso procurar em bases digitais que reúnem informações de dissertações, teses, artigos e revistas científicas entre outros. Essas bases são então um repositório de informações para pesquisa. É muito importante fazer uma escolha inteligente da base de dados. Algumas delas são de acesso restrito, precisam ser pagas ou são exclusivos de instituições. Outras bases são abertas ao público. Aqui segue uma pequena lista com Bases de Dados muito consistentes e internacionalmente reconhecidas. - SciELO: a Scientific Electronic Library Online (https://scielo.org/pt/) traz artigos principalmente da América Latina e Caribenha. - Biblioteca Digital de Teses e Dissertações: traz teses e dissertações nacionais e internacionais. Pode ser acessada em www.bdtd.ibict.br . - Periódico CAPES: O portal (http://www.periodicos.capes.gov.br) relaciona em suas pesquisas quase 22 mil revistas brasileiras e estrangeiras. Também é possível realizar o acesso pelo APP “.periodicos” (https://play.google.com/store/apps/details?id=br. gov.capes.periodicos&hl=en_US). - Microsoft Academic Search: (https://academic.microsoft.com) é uma plataforma em inglês que possui mais de 38 milhões de publicações em vários idiomas. - HighBeam: (https://www.questia.com/hbr-welcome) também em língua inglesa, possui um grande acervo, onde o usuário pode procurar publicações de acordo com o seu perfil, o que deixa essa busca bem mais precisa. - Google Scholar: (https://scholar.google.com.br/) é uma base de dados bastante comum, que deve ser usada de forma consciente. Nele você pode delimitar o tipo de publicação, língua e período de publicações. Saber escolher o TIPO de publicação nesta base de dados é muito importante, porque ela irá varrer a internet e trará várias respostas relacionadas à sua busca. É recomendado que, sempre que for possível, o estudante evite se basear em trabalhos de TCC, baseando-se em publicações que passaram por uma banca, como publicações em anais de eventos, dissertações, teses, livros (de editoras confiáveis) ou arquivos de internet com boas fontes. - Plataforma Sucupira (https://sucupira.capes.gov.br/sucupira): é uma plataforma brasileira que traz uma lista interessante sobre as revistas ao redor do mundo e também a sua qualificação. Esta é uma boa recomendação para achar as publicações de acordo com a área de interesse. Visto isso, o pesquisador pode entrar na plataforma da revista e pesquisar o tema de interesse. 12 - NORMAS A escrita acadêmica ou a produção científica é a comunicação científica do conhecimento produzido. Independente do gênero da produção, ela deverá seguir regras claras dadas pela Associação Brasileira de https://noticias.unb.br/117-pesquisa/2870-por-um-impacto-cada-vez-maior-unidades-avaliam-producao-cientifica-na-unb https://noticias.unb.br/117-pesquisa/2870-por-um-impacto-cada-vez-maior-unidades-avaliam-producao-cientifica-na-unb https://scielo.org/pt/ http://www.bdtd.ibict.br/ http://www.periodicos.capes.gov.br/ https://play.google.com/store/apps/details?id=br.gov.capes.periodicos&hl=en_US https://play.google.com/store/apps/details?id=br.gov.capes.periodicos&hl=en_US https://academic.microsoft.com/ https://www.questia.com/hbr-welcome https://scholar.google.com.br/ https://sucupira.capes.gov.br/sucupira METODOLOGIA DA PESQUISA 29 Normas Técnicas – ABNT, de acordo com a Lei 4150/1962. Essas regras são utilizadas para Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), Artigos Científicos, Projetos de Pesquisa, Resumos Acadêmicos, entre outros, de forma que estas produções tenham uma linguagem e estilo adequados à natureza científica. Não é raro encontrar quem reclame do processo da leitura das normas da ABNT, pois os manuais são muito técnicos e em algumas situações a terminologia dificulta a compreensão. Pensando nisso, Ardinete Rover e Gegina O. Mello lançaram em 2020, pela Editora Unoesc, o livro “Normas da ABNT: Orientações para a produção científica”, que apresenta uma estética agradável, linguagem acessível. Além de original, o livro é livre e está disponível em: https://www.unoesc.edu.br/images/uploads/editor a/Normas_da_ABNT_-_Miolo_-_2020.pdf 13 - GÊNEROS TEXTUAIS ACADÊMICOS Fonte: https://terracoeconomico.com.br/lista-de-leitura-de-um- economista-problematico/ Compreender os gêneros textuais é parte importante do processo de escrita. Tomando como base o livro citado acima (o qual, realmente, recomendamos a leitura integral) temos: 13.1 Resumo O resumo, segundo a ABNT NBR 6028, é uma “apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento”. • Resumo Científico: É um item obrigatório nas produções científicas, devem descrever sobretudo o (s) objetivo (s), a metodologia adotada, os resultados obtidos e a que conclusão o autor atingiu com seu trabalho. Deve ser escrito na voz ativa e na terceira pessoa do singular, como é a regra de toda a produção científica. É um resumo bem objetivo e a quantidade de palavras é, geralmente, delimitada pelo ente ao qual o resumo será submetido. Neste tipo de resumo não é permitido referências. Muitas revistas exigem resumos entre 150 e 200 palavras, alguns docentes pedem resumos de 500, 600 palavras. • Resumo expandido: Este tipo de resumo deve conter referências, discussões e outros detalhes da pesquisa ou do projeto. É preciso estar atento às regras de submissão específicas de cada ente de submissão. • Resumo como trabalho de síntese: É um resumo direto de um artigo, capítulo, livro. Não é permitido pontos de vista de quem o escreve. • Resumo crítico: É uma síntese que permite que o autor exponha sua opinião. 13.2 Resenha Este gênero pode ser crítico ou descritivo, deve apresentar um título diferente do título da obra original, que pode ser um livro, um texto, uma peça, um espetáculo. Os textos não devem ser subdivididos, ou seja, não devem ter subdivididos, mas a passagem das partes precisa ser clara para quem o lê e para isso o autor deve organizá-la corretamente. • Resenha descritiva: É uma descrição técnica do todo, sem conter a opinião de quem a escreve. • Resenha crítica: Citando Rauen (2015, apud in ROVER E MELLO, 2020. p.23) a resenha crítica é “um exercício de reflexão, compreensão e análise da obra”. É o tipo de texto que suporta, por exemplo, comparaçõesde abordagens da mesma área de conhecimento. 13.3 Artigo Científico Segundo a ABNT NBR 6022, é a publicação de ideias técnicas oriundas de uma investigação/pesquisa científica. O artigo tem a https://www.unoesc.edu.br/images/uploads/editora/Normas_da_ABNT_-_Miolo_-_2020.pdf https://www.unoesc.edu.br/images/uploads/editora/Normas_da_ABNT_-_Miolo_-_2020.pdf METODOLOGIA DA PESQUISA 30 finalidade de publicação se constituindo como uma memória do que é publicado (PEREIRA, 2013. p.8, apud in ROVER E MELLO, 2020. p.25). A estrutura do artigo deve conter obrigatoriamente: Elementos pré-textuais: título, autor, resumo, datas de submissão e aprovação; Elementos textuais: introdução, desenvolvimento, considerações finais; Elementos pós-textuais: referências. 13.4 Projeto de Pesquisa Segundo Severino (2016, apud in ROVER E MELLO, 2020. p.28) é um planejamento das atividades que devem ser desenvolvidas. O projeto é importante porque nele é percebido alguns aspectos importantes como a viabilidade do projeto, o período, questões de recursos, entre outros. Deve conter obrigatoriamente: folha de rosto, referencial teórico, metodologia, recursos e cronograma, referências. Desenvolvimento de projetos é algo extremamente importante, é o aspecto fundamental para muitas empresas e instituições de ensino que o pedem não apenas para pesquisa, mas para ensino e extensão. O projeto de pesquisa é, geralmente, item obrigatório para exames de mestrado e doutorado. 13.5 Relatório de Pesquisa É o relato como um todo o processo de pesquisa, segue a ABNT NBR 14724. Brasileiro (2013, p. 140, apud in ROVER E MELLO, 2020. p.31, 32) ressalta que o objetivo do relatório é “apresentar a revisão bibliográfica, os dados, os procedimentos utilizados, os resultados obtidos as análises, as conclusões e recomendações”. Deve conter obrigatoriamente: capa, folha de rosto, resumo, sumário, introdução, desenvolvimento, conclusão e referências. 13.6 Trabalho de Conclusão de Curso para a Graduação O objetivo desta escrita é ”levar o aluno a refletir sobre temas determinados e transpor suas ideias para o papel sob a forma de um relatório [no qual] não se deve perder de vista a clareza, a objetividade e a seriedade da pesquisa. ” (SILVA et al., 2010. p.17, apud in ROVER E MELLO, 2020. p.33). 13.7 Monografia para a Especialização São desenvolvidas na graduação e na pós-graduação latu sensu sob orientação de um docente e deve seguir a ABNT NBR 14724. Este tipo de trabalho não precisa ser inédito, mas precisa apresentar uma reflexão sobre o tema abordado, Salomon (2014, apud in ROVER E MELLO, 2020. p.34) ressalta que este é o principal ponto deste tipo de escrita. 13.8 Dissertação de Mestrado Este tipo de escrita é voltado às pós- graduações stricto sensu, mestrado, é desenvolvida sob orientação de um docente com grau de doutorado. É exigida uma defesa oral frente a uma banca especializada no assunto. O tema abordado não exige ineditismo. 13.9 Tese de Doutorado De acordo com Silva et al. (2010, p.18, apud in ROVER E MELLO, 2020. p.35) a tese se caracteriza “como um avanço significativo na área de conhecimento em estudo. As teses devem tratar de algo novo e inédito naquele campo de conhecimento, de forma que promovam uma descoberta, ou mesmo uma real contribuição para a ciência. ” Como na dissertação de mestrado, a tese deverá ser defendida frente a uma banca de especialistas. 13.10 Paper ou Position Paper “Consiste em um pequeno artigo científico ou texto elaborado para comunicação em congressos sobre determinado tema ou sobre os resultados de um projeto de pesquisa” (FREITAS; PRODANOV. 2013, p.161, apud in METODOLOGIA DA PESQUISA 31 ROVER E MELLO, 2020. p.36). É uma espécie de síntese original. Rover e Mello, citando Martins (2011, p.181) roteirizam esta produção: visualização e compreensão de materiais sobre o tema; esquematização das principais ideias sobre o tema; destaque dos pontos mais relevantes sobre o tema. A diferença entre o Paper e o Position Paper é que este último suporta argumentação, exposição de exemplos e discussão. 13.11 Relatório de Visita Técnica É um registro de uma atividade prática realizada em uma visita a um certo empreendimento. Se for permitido, o estudante deve tirar fotos, gravar aúdio, etc. e anexar ao seu relatório. Deve ser escrito em norma culta na sequência do que foi proposto no empreendimento. Coelho (2010, p. 105 apud in ROVER E MELLO, 2020. p.38) propõe o seguinte roteiro: cabeçalho, nome do empreendimento visitado, objetivo, introdução, desenvolvimento, considerações finais, observações e referências. 13.12 Documentação (Fichamento) É a separação dos documentos, referências, artigos, entre outros, que o pesquisador levantou durante seu levantamento bibliográfico de um tema em específico ou ao longo de sua carreira. É interessante realizar o fichamento para consultas futuras. No caso dos trabalhos científicos o fichamento auxilia na escrita e também na referenciação bibliográfica. A ficha de referências deve ter uma estrutura padrão a fim de facilitar as consultas futuras. Propõem-se: Assunto geral: ex. Agronomia Específico: ex. Correção e Nutrição de Solos Local onde se encontra: ex. Repositório UFMG. Link: www.xxxxxxxxx.br Corpo da ficha: Ideia central ou pontos relevantes. Como citar: De acordo com o tipo do documento, ver NBR ABNT. 13.13 Apresentação oral de trabalhos científicos É uma forma de compartilhar os resultados do trabalho, tem tempo específico que varia de acordo com o evento. Pode ser na sala de aula, semanas de conhecimento, congressos, encontros, entre outros. O apresentador deve ter atenção com relação aos recursos disponíveis, pois sua apresentação deve ser adequada às ferramentas que se pode utilizar. No caso do uso de recursos visuais, o pesquisador deve montar um slide limpo, sem muitas informações com letras miúdas que impeça o expectador de ler com clareza. Deve-se evitar ler o slide, usando-o apenas como meio de suporte para sua apresentação. É interessante que coloque materiais gráficos para tornar a apresentação atrativa para que a vê. Evite linguagem coloquial e gírias. A apresentação deve estar estruturada de acordo com o projeto de pesquisa, de forma que contemple todos os elementos abordados, principalmente a metodologia, análise de dados e referências. 13.14 Pôster De acordo com a NBR ABNT 15437 ele é um “instrumento de comunicação, exibido em diversos suportes, que sintetiza e divulga o conteúdo a ser apresentado”. É necessário que o pôster tenha informações claras porque ele deve “falar por si”, é um instrumento que não Dica: O capítulo 3 do livro de Rover e Mello (2020) tem todas as formas de citações com exemplos didáticos. http://www.xxxxxxxxx.br/ METODOLOGIA DA PESQUISA 32 acompanha a apresentação oral, desta forma precisa abranger todos os aspectos da pesquisa de forma concisa. Geralmente, encontros, congressos, entre outros, tem layouts específicos que são socializados com o pesquisador no momento de sua inscrição no evento. 14 - PLÁGIO Fonte: https://br.freepik.com/vetores-gratis/conceito-de-plagio- ilustrado-com-pessoa-trabalhando-e-ladrao_6372318.htm O plágio no âmbito acadêmico é o uso de produções intelectuais sem dar ao autor ou à fonte os devidos créditos. É uma espécie de roubo de ideias e como todo ato criminoso é passível de implicação civil ou penal. Plágio Conceitual: geralmente envolvem paráfrases, sem citação de fonte; Plágio Parcial: uso de uma miscelânea de fontes parafraseando-as, mas sem citá-las; Plágio Integral: é uma cópia fiel de cada palavra da fonte sem citá-la. Autoplágio: quando um ou maisdos tipos de plágio citados acima é realizado em obras do próprio autor, mas sem citar a fonte do trabalho original No Brasil, toda produção intelectual é protegida pela LEI Nº 9.610, de fevereiro de 1998, conhecida como a LEI DOS DIREITOS AUTORAIS. Os sansões civis previstas nesta lei estão listados a partir do Art. 102 ao Art. 110. www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9610.htm LEI Nº 9.610, DE 19 DE FEVEREIRO DE 1998. Não é um problema se basear no que outro publicou, até porque precisamos de um referencial teórico, o problema está em fazer o uso de forma indevida. Por isso, sempre guarde e liste as fontes utilizadas no seu trabalho a fim de evitar a caracterização de crime. Em 2018 o jornal Gazeta do Povo fez uma reportagem bem interessante sobre Plágio Acadêmico. Confira em: https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/mes mo-sendo-crime-casos-de-plagios-ainda-fazem- parte-do-mundo-academico- 7752lsha4o2tqbg8271ct0b0p/. http://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/Viw_Identificacao/lei%209.610-1998?OpenDocument https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/mesmo-sendo-crime-casos-de-plagios-ainda-fazem-parte-do-mundo-academico-7752lsha4o2tqbg8271ct0b0p/ https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/mesmo-sendo-crime-casos-de-plagios-ainda-fazem-parte-do-mundo-academico-7752lsha4o2tqbg8271ct0b0p/ https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/mesmo-sendo-crime-casos-de-plagios-ainda-fazem-parte-do-mundo-academico-7752lsha4o2tqbg8271ct0b0p/ https://www.gazetadopovo.com.br/educacao/mesmo-sendo-crime-casos-de-plagios-ainda-fazem-parte-do-mundo-academico-7752lsha4o2tqbg8271ct0b0p/ METODOLOGIA DA PESQUISA E DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA 33 REFERÊNCIAS BELLO, José Luiz de Paiva. Metodologia Científica (2004). Disponível em: . Acesso em jun. 2020. BERMÚDEZ, A. C. 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Nesta apostila nosso assunto é a Metodologia da Pesquisa e Produção Científica, o que inclui as suas origens, os níveis de conhecimentos existentes, um pouco da história das ciências através dos tempos, as ferramentas de trabalho do profissional do nível superior, os métodos, técnicas e formas de pensamento através dos tempos. Trata-se de uma reunião do pensamento de vários autores que entendemos serem os mais importantes para a disciplina. São inúmeros os autores que discutem os temas tratados na Metodologia da Pesquisa, optamos por seguir a linha de pensamento de três autores mais especificamente que são Lakatos e Marconi (2004), Cervo, Bervian e Silva (2007) e Mattar (2008), Fazenda, et al (2010),Minayo, et al (2002), mas salientamos que existem inúmeros outros autores que nos oferecem uma bibliografia rica nesse conteúdo. Para maior interação com o aluno deixamos de lado algumas regras de redação científica, mas nem por isso o trabalho deixa de ser científico. Desejamos a todos uma boa leitura e caso surjam algumas lacunas, ao final da apostila encontrarão nas referências consultadas e utilizadas aporte para sanar dúvidas e aprofundar os conhecimentos. METODOLOGIA DA PESQUISA 5 1 - O QUE É METOLOGIA DE PESQUISA? Para Minayo et al (2002:16) entende-se que “metodologia o caminho do pensamento e a prática exercida na abordagem da realidade. ” Trata-se de uma disciplina acadêmica com o objetivo de nortear as técnicas e métodos científicos para abordar o objeto de pesquisa através da pesquisa. Para isso, torna-se necessário criar variadas fases para o processo de investigação. Entretanto, as fases que refiro são simplesmente as técnicas e métodos que favorecem no processo de investigação. Ao problematizar o objeto a ser estudado, faz-se necessário a coleta de dados e informações pertinentes ao assunto, isto é, a formação do marco teórico de referência, o levantamento de hipóteses, análise de dados e, finalmente, comprovação das hipóteses. O principal objetivo do nosso trabalho a produção da ciência em seus dois níveis: o da produção do conhecimento científico – nível da interioridade, da subjetividade do produtor do conhecimento – e o da produção da ciência propriamente dita – nível de exterioridade, da objetividade, ou seja, ciência com instituição e prática social do saber. O QUE É CIÊNCIA? Etimologicamente a palavra ciência vem do latim scientia, que quer dizer por definição ampla, conhecimento ou reconhecimento. Podemos inferir também que ela origina do verbo scire = saber. Num sentido mais restrito a palavra ciência nos leva a um modo de adquirir conhecimento baseado no método científico, ou seja, é o esforço que o ser humano faz para descobrir e aumentar o seu conhecimento de como funciona a realidade. Segundo Bello (2004) a evolução humana corresponde ao desenvolvimento de sua inteligência. Sendo assim são definidos três níveis de desenvolvimento da inteligência dos seres humanos desde o surgimento dos primeiros hominídeos: o medo, o misticismo e a ciência. a) O medo: os seres humanos pré- históricos não conseguiam entender os fenômenos da natureza. Por este motivo, suas reações eram sempre de medo: tinham medo das tempestades e do desconhecido. Como não conseguiam compreender o que se passava diante deles, não lhes restava alternativa senão o medo e o espanto daquilo que presenciavam. b) O misticismo: num segundo momento, a inteligência humana evoluiu do medo para a tentativa de explicação dos fenômenos através do pensamento mágico, das crenças e das superstições. Era, sem dúvida, uma evolução já que tentavam explicar o que viam. Assim, as tempestades podiam ser fruto de uma ira divina, a boa colheita da benevolência dos mitos, as desgraças ou as fortunas do casamento do humano com o mágico. c) A ciência: como as explicações mágicas não bastavam para compreender os fenômenos os seres humanos finalmente evoluíram para a busca de respostas através de caminhos que pudessem ser comprovados. Desta forma, nasceu a ciência metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica. O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar. Esta característica permite que nós, os seres humanos, sejamos capazes de refletir sobre o significado de nossas próprias experiências. Assim sendo, somos capazes de novas descobertas e de transmiti-las aos nossos descendentes. O desenvolvimento do conhecimento humano está intrinsecamente ligado à sua característica de viver em grupo, ou seja, o saber de um indivíduo é transmitido a outro, que, por sua vez, aproveita-se deste saber para somar outro. Assim evolui a ciência. Uma boa definição está no Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Ferreira (2004) define ciência como um conjunto de conhecimentos socialmente adquiridos ou METODOLOGIA DA PESQUISA 6 produzidos, historicamente acumulados, dotados de universalidade e objetividade que permitem sua transmissão, e estruturados com métodos, teorias e linguagens próprias, que visam compreender e orientar a natureza e as atividades humanas. Popularmente é entendida como sabedoria ou habilidade intuitiva. Lakatos e Marconi (2004) no clássico livro “Metodologia Científica” levantam várias definições para Ciência, mas no entendimento dessas autoras, todas incompletas. Abaixo estão algumas delas: “Acumulação de conhecimentos sistemáticos”. “Atividade que se propõe a demonstrar a verdade dos fatos experimentais e suas aplicações práticas”. “Conhecimento certo do real pelas suas causas”. “Conjunto de enunciados lógica e dedutivamente justificados por outros enunciados”. Para as autoras acima, a melhor definição é de Ander-Egg (1978) apresentada na obra Introducción a las técnicas de investigación social: “A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais, certos ou prováveis, obtidos metodicamente, sistematizados e verificáveis, que fazem referência a objetos de uma mesma natureza”. Fazendo uma decomposição ou análise da definição de Ander-Egg encontramos que: a) conhecimento racional – é aquele que exige um método e está constituído por uma série de elementos básicos, tais como sistema conceitual, hipóteses, definições. b) certo ou provável – já que não se pode atribuir à ciência a certeza indiscutível de todo o saber que a compõe. Ao lado dos conhecimentos certos, é grande a quantidade dos prováveis. Antes de tudo, toda lei indutiva, é meramente provável, por mais elevada que seja sua probabilidade. c) obtidos metodicamente – pois não se adquire ao acaso ou na vida cotidiana, mas mediante regras lógicas e procedimentos técnicos. d) sistematizadores – isto é, não se trata de conhecimentos dispersos e desconexos, mas de um saber ordenado logicamente, constituindo um sistema de ideias (teoria). e) verificáveis – pelo fato de que as afirmações, que não podem ser comprovadas ou que não passam pelo exame da experiência, não fazem parte do âmbito da ciência, que necessita, para incorporá-las, de afirmações comprovadas pela observação. f) relativos a objetos de uma mesma natureza – ou seja, objetos pertencentes a determinada realidade, que guardam entre si certos caracteres de homogeneidade (LAKATOS; MARCONI, 2004). Cervo, Bervian e Silva (2007) ressaltam que a ciência, em sua condição atual, é o resultado de descobertas ocasionais, nas primeiras etapas, e de pesquisas cada vez mais metódicas, nas etapas posteriores. “É uma das poucas realidades que podem ser legadas às gerações seguintes. Os homens de cada período histórico assimilam os resultados científicos das gerações anteriores, desenvolvendo e ampliando aspectos novos”.Mas, por que estamos alongando tanto em um conceito? Fácil! A Metodologia da Pesquisa que uma grande maioria dos estudantes tem “medo” ao se aproximar dela, nos levam ao conhecimento científico e precisamos deixá-los tranquilos, uma vez que ela não é o “bicho de sete cabeças” que muitos pensam. Desde o ingresso em um curso superior, a metodologia científica deveria ser apresentada ao aluno, em toda sua grandiosidade e simplicidade. Ela deveria guiar o aluno, uma vez que significa o estudo dos caminhos do saber, METODOLOGIA DA PESQUISA 7 mas o que temos observado é que ela é apresentada em sua grandiosidade, esquecendo, contudo, sua praticidade e simplicidade. O conteúdo da Metodologia da Pesquisa pode ser classificado como conceitual e procedimental, uma vez que não basta memorizar as ações ou as normas da Associação Brasileira de Normas técnicas (ABNT) sem uma construção de sentidos, pois é preciso compreender sua lógica de funcionalidade, bem como, realizar as etapas - que comporta o saber fazer – para isso as condições de aprendizagem são: • A reflexão sobre a ação que o sujeito está fazendo; • A exercitação constante, pois é preciso fazer uso deste conhecimento com frequência; • A descontextualização – saber aplicar em outras situações que se apresentam como necessidade (ZABALA, 2001). No entendimento de Neves (2005), um dos grandes méritos desta disciplina, é a reflexão sobre a inconstância do conhecimento, pois permite a compreensão da necessidade do ser humano produzir perguntas e respostas relacionadas às dúvidas e questionamentos postos, objetivando a interpretação e a explicação da realidade, das coisas e dos fenômenos. Neste sentido, o fato de podermos hoje validar um conhecimento e amanhã o refutarmos, constitui-se num aspecto fantástico que se traduz na própria inconclusão do ser, na ideia do provisório. Isso nos remete ao campo da produção das explicações e das verdades. É comum os alunos e alunas terem um conceito de verdade absoluto, uma única referência. No processo de leituras e debates a desconstrução destas ideias, é algo que se torna inevitável. A metodologia instrumentaliza o futuro profissional auxiliando-o na investigação, levando-o a comunicar-se de forma correta, inteligível, demonstrando um pensamento estruturado, plausível e convincente. Ela mostra por onde começar, qual o primeiro passo a ser dado, o que é mais urgente. No capítulo 6 falaremos detalhadamente do método científico, deixamos por hora o seguinte entendimento: embora a utilização de métodos científicos não seja da alçada exclusiva da ciência, não há ciência sem o emprego de métodos científicos (LAKATOS E MARCONI, 2004). 2 - NÍVEIS DE CONHECIMENTO Em todos ou quase todos os livros dedicados aos temas: Metodologia Científica, Métodos e Técnicas de Pesquisa, Redação de Monografias, Teses e Dissertações, encontraremos um tópico destinado aos diversos tipos ou níveis de conhecimento, dependendo dos autores, mas que tem uma finalidade comum: objetiva mostrar que existem vários tipos de conhecimentos, mas que aos olhos da ciência, possuem grandes e marcantes diferenças. Relembrando, quando falamos em conhecimentos, estamos falando em saberes que podem ser sistematizados ou não, verificáveis ou não, certo ou provável, falível ou infalível, exato ou inexato. O conhecimento está diretamente ligado ao homem, à sua realidade. Como o conhecimento pretende idealizar o bem-estar do ser humano, logo ele advém das relações do homem com o meio. O indivíduo procura entender o meio partindo dos pressupostos de interação do homem com os objetivos. É uma forma de explicar os fenômenos das relações, seja, entre sujeito/objeto, homem/razão, homem/desejo ou homem/realidade. A forma de explicar e entender o conhecimento passa por várias vertentes como: conhecimento empírico (vulgar ou senso comum), conhecimento filosófico, conhecimento teológico e conhecimento científico. METODOLOGIA DA PESQUISA 8 Para Lakatos e Marconi (2004) no caso do conhecimento empírico, este não se distingue do conhecimento científico nem pela veracidade nem pela natureza do objeto conhecido: o que os diferencia é a forma, o modo ou o método e os instrumentos do conhecer, por isso podemos dizer que a ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade. Mais uma vez veremos a importância do método para conferir veracidade a um fato e torná-lo mais real. 2.1 O conhecimento empírico Segundo Bello (2004) o conhecimento empírico é obtido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou seja, é o conhecimento adquirido através de ações não planejadas. É aquele adquirido pela própria pessoa na sua relação com o meio ambiente ou com o meio social, obtido por meio da interação contínua na forma de ensaios e tentativas que resultam em erros e em acertos (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Do ponto de vista da utilização de métodos e técnicas científicas, esse tipo de conhecimento, mesmo quando consolidado como convicção, como cultura ou como tradição, é ametódico e assistemático. A característica de assistemático baseia-se na organização particular das experiências próprias do sujeito cognoscente, e não em uma sistematização das ideias, na procura de uma formulação geral que explique os fenômenos observados, aspecto que dificulta a transmissão de pessoa a pessoa, desse modo de conhecer. É valorativo por excelência, pois se fundamenta numa seleção operada com base em estados de ânimo e emoções: como o conhecimento implica uma dualidade de realidades, isto é, de um lado o sujeito cognoscente e, de outro lado, o objeto conhecido e este é possuído, de certa forma, pelo cognoscente, os valores do sujeito impregnam o objeto conhecido. É reflexivo, mas estando limitado pela familiaridade com o objeto, não pode ser reduzido a uma formulação geral. É verificável, visto que está limitado ao âmbito da vida diária e diz respeito ao que se pode perceber no dia-a-dia. É falível e inexato, pois se conforma com a aparência e com o que se ouviu dizer a respeito do objeto, ou seja, não permite formular hipóteses sobre a existência de fenômenos situados além das percepções objetivas (LAKATOS; MARCONI, 2004). 2.2 O conhecimento teológico O conhecimento teológico ou religioso apoia-se em doutrinas que contém proposições sagradas (valorativas), por terem sido reveladas pelo sobrenatural (inspiracional) e, por esse motivo, tais verdades são consideradas infalíveis e indiscutíveis (exatas). É um conhecimento sistemático do mundo (origem, significado, finalidade e destino) como obra de um criador divino; suas evidências n’ão são verificadas: está sempre implícita uma atitude de fé perante um conhecimento revelado. Assim, o conhecimento religioso ou teológico parte do princípio de que as verdades tratadas são infalíveis e indiscutíveis, por consistirem em revelações da divindidade (LAKATOS; MARCONI, 2004). Para Bello (2004) é o conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem, ser confirmado ou negado. Depende da formação moral e das crenças de cada indivíduo. Ou seja, é um conhecimento ao qual as pessoas chegaram não com o auxílio de sua inteligência, mas mediante a aceitação dos dados da revelação divina. Valese de modo especial do argumento de autoridade. São os conhecimentos adquiridos nos livros sagrados e aceitos racionalmente pelas pessoas, depois de terem passado pela crítica histórica mais exigente (LAKATOS; MARCONI, 2004). METODOLOGIA DA PESQUISA 9 Dentre os exemplos do conhecimento teológico temos: o acreditar em reencarnação, acreditarque foi curado de uma doença por milagre, acreditar em espíritos. 2.3 O conhecimento filosófico O conhecimento filosófico é valorativo, pois seu ponto de partida consiste em hipóteses, que não poderão ser submetidas à observação: as hipóteses filosóficas baseiam-se na experiência, portanto, este conhecimento emerge da experiência e não da experimentação, e por este motivo, o conhecimento filosófico é não verificável, já que os enunciados das hipóteses filosóficas, ao contrário do que ocorre no campo da ciência, não podem ser confirmadas nem refutadas (LAKATOS; MARCONI, 2004). É fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo sobre fenômenos, gerando conceitos subjetivos. Busca dar sentido aos fenômenos gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência (BELLO, 2004). É racional em virtude de consistir num conjunto de enunciados logicamente correlacionados. Outra característica do conhecimento filosófico é ser sistemático, pois suas hipóteses e enunciados visam a uma representação coerente da realidade estudada, numa tentativa de apreendê-la em sua totalidade. É também infalível e exato, já que, quer na busca da realidade capaz de abranger todas as outras, quer na definição do instrumento capaz de apreender a realidade, seus postulados, assim como suas hipóteses, não são submetidos ao decisivo teste da observação (experimentação) (LAKATOS; MARCONI, 2004). O procedimento científico leva a circunscrever, delimitar, fragmentar e analisar o que se constitui o objeto de pesquisa, atingindo segmentos da realidade, ao passo que a filosofia se encontra sempre à procura do que é mais geral, interessando-se pela formulação de uma concepção unificada e unificante do universo. Para tanto, procura responder às grandes indagações do espírito humano e até busca as leis mais universais que englobem e harmonizem as conclusões da ciência (LAKATOS; MARCONI, 2004). 2.4 O conhecimento científico O conhecimento científico vai além do empírico, assim como o filosófico, é racional, pretendendo ser sistemático e revelar aspectos da realidade. É real porque lida com ocorrências ou fatos, isto é, com toda forma de existência que se manifesta de algum modo. É contingente, pois suas proposições ou hipóteses têm sua veracidade ou falsidade conhecida por meio de experimentação e não apenas pela razão, como ocorre no conhecimento filosófico. É sistemático porque trata de um saber ordenado logicamente, formando um sistema de ideias (teorias) e não conhecimentos dispersos e desconexos. Apresenta a característicav de verificabilidade: as afirmações ou hipóteses que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência. “A investigação nunca começa no início. Não existe problema puro, mas sim algo problemático surgindo de inúmeras convicções relativamente estabelecidas; a investigação encontra-se sempre no meio, corrigindo assunções e inferências prévias, harmonizando hábitos de pensamento ao engajar a realidade com as hipóteses testadas”. METODOLOGIA DA PESQUISA 10 É um conhecimento falível, em virtude de não ser definitivo, absoluto ou final e por esse motivo, é aproximadamente exato, ou seja, novas proposições e o desenvolvimento de técnicas podem reformular o acervo de teoria existente. O ciclo do conhecimento científico (inclusive o das ciências empíricas) inclui a observação, a produção de teorias para explicar essa observação, o teste dessas teorias e seu aperfeiçoamento. Há nas ciências, um movimento circular, que parte da observação da realidade para a abstração teórica, retorna à realidade, direciona- se novamente à abstração, num fluxo constante entre a experiência e a teoria. Como diz Neville (2001) Lakatos e Marconi (2004) inferem que apesar da separação metodológica entre os tipos de conhecimentos popular, filosófico, religioso e científico, no processo de apreensão da realidade do objeto, o sujeito cognoscente pode penetrar nas diversas áreas. Ao estudar o homem, por exemplo, pode-se • Tirar uma série de conclusões sobre sua atuação na sociedade, baseada no senso comum ou na experiência cotidiana; • Pode-se analisá-lo como um ser biológico, verificando, com base na investigação experimental, as relações existentes entre determinados órgãos e suas funções; • Pode-se questioná-los quanto a sua origem e destino; assim como quanto a sua liberdade; finalmente, • Pode-se observá-lo como ser criado pela divindade, a sua imagem e semelhança, e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados. Por sua vez, essas mesmas formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista, voltado, por exemplo, ao estudo da física, pode ser crente praticante de determinada religião, estar filiado a um sistema filosófico e, em muitos aspectos de sua vida cotidiana, agir segundo conhecimentos provenientes do senso comum. 3 - A HISTÓRIA DA CIÊNCIA ATRAVÉS DOS TEMPOS Acreditamos que todo conhecimento passa por uma evolução histórica, sendo este um caminho interessante que nos situa no tempo, no espaço e nos mostra o quanto podemos construir, modificar, aprender, enfim evoluir através dos tempos. Podemos traçar a história da ciência de várias maneiras: apresentando os principais nomes que fizeram o seu progresso, destacando os trabalhos e livros mais importantes, estudando o progresso das teorias científicas, apontando as principais invenções técnicas, acompanhando o desenvolvimento dos instrumentos utilizados nas ciências, listando as descobertas científicas importantes, abordando a história dos métodos científicos, centrando o estudo nas mudanças dos paradigmas científicos, chamando a atenção para a continuidade ou descontinuidade no desenvolvimento das ciências, ressaltando o contexto social, econômico ou outro das descobertas da ciência, enfim, várias são as maneiras de vislumbrarmos os progressos da ciência. Faremos uma síntese dos acontecimentos ao longo da evolução humana, mas lembramos que aconteceu muito mais do que apresentamos aqui. Caso tenham necessidade de aprofundar nessa história, uma dica é a leitura do livro “Metodologia Científica na Era da Informática” de João Mattar que traz um capítulo dedicado à evolução da ciência ao longo dos tempos. 3.1 Na Antiguidade Para nós, “sujeitos moderno”, a ciência caminha a passos muito lentos, principalmente se pensarmos que cerca de 02 bilhões de anos atrás, o Australopitecus fabricou a primeira METODOLOGIA DA PESQUISA 11 ferramenta de pedra e que foi necessário mais um bilhão de anos para que esta fosse aperfeiçoada, transformada em arma de caça e para que o fogo fosse descoberto. Somente 10 mil anos atrás o homem abandonou sua condição de nômade e passou a fazer uso da pecuária e agricultura que marcam o início da nossa civilização e da ciência, isto porque cada estágio do cultivo de plantas e domesticação de animais requer invenções, daí surgem as inovações técnicas e acabam dando fundamento a princípios científicos (BRONOWSKI, 1992 apud MATTAR, 2008). Na Medicina encontramos na Babilônia as primeiras cirurgias, os egípcios usando grande variedade de remédios, incluindo o ópio. Os indianos antigos realizavam cirurgias no nariz, na China, o uso da acupuntura. Somente a partir de Hipócrates (460-370 a.C.), considerado pai da medicina, o qual passa a criticar as causas apontadas para as doenças e mortes, dentre elas as superstições e os aspectos sagrados, é que a medicina começa a ser vista sob o prisma científico. Por volta de 180 d.C. Galeno resume e sistematiza o pensamento médico da Antiguidade. A Botânica, nessa época, também passa a ter um pensamentomais sistematizado. No final do século VII e início do século VI, o modo de explicar o mundo, que passa do mitológico para o racional, é considerado por muitos autores como um dos mais bonitos e importantes espetáculos da humanidade. Mitos e religião começam a ser abandonados dando lugar à Filosofia (MATTAR, 2008). O pensamento racional surgiu com a escrita, diminuindo a importância da memória e audição começando a prevalecer a experiência e razão. Aumenta também a importância da observação da realidade sobre a história dos deuses. Lógica e geometria alcançam desenvolvimento exemplar na Grécia Antiga. Por volta de 300 a.C. começam a ser organizados respectivamente, o Museu e a Biblioteca de Alexandria com toda estrutura para o desenvolvimento da ciência e onde Ptolomeu elaborou sua teoria geocêntrica que mais tarde na Idade Média irá marcar o Tratado sobre a Óptica. Apesar de toda evolução, nada na Antiguidade se parecia com a ciência moderna. Todos os temas ainda estavam no campo da Filosofia. Por exemplo, não havia muita distinção entre um filósofo natural e um matemático. 3.2 Na Idade Média e Renascimento Em termos de história, geralmente a Idade Média nos é apresentada como o período das trevas e do atraso, porém, atualmente é debatida por historiadores que a idade média não concerne no período das trevas. Cabe salientar que E segundo Xavier et al (2017), apontam que (...) ao contrário, conforme ficou amplamente debatido e demonstrado, as formas sistemáticas de escolas e universidades atuais têm suas raízes exatamente na Idade Média. Ao contrário de “mil anos de escuridão”, é na Idade Medieval que temos os mais sólidos espaços educacionais e argamassas culturais de que somos herdeiros. São também provenientes desse período as várias invenções tecnológicas utilizáveis tanto no campo como na cidade. Acrescente-se também que são legados da Idade Média as várias formas de convívio e funcionamento das instituições atuais, especialmente as educacionais. Mas precisamos atentar que esse pensamento volta- se para o campo das ciências em seu sentido mais restrito, entretanto, as artes e a cultura que antes eram desconsideradas apresentam grandes progressos. Há introdução do sistema hindu-arábico e aperfeiçoamento do nosso sistema decimal. A “[...] os árabes foram os líderes em ciências tais como a matemática, química, astronomia e medicina. Até hoje empregamos os algarismos arábicos [...]. Em alguns campos, a cultura árabe era mesmo superior à cristã” (Gaarder, 2004, p. 191). METODOLOGIA DA PESQUISA 12 invasão da Europa pelos árabes é essencial para o desenvolvimento da álgebra e matemática aplicada. A alquimia, uma atividade misteriosa praticada na Idade Média, a qual tinha como objetivo maior transformar quaisquer metais em ouro, também procurava explicar seus esforços através da ciência. Astrologia e astronomia assim como alquimia, magia, espiritualismo e química tinham fronteiras muito tênues. Por volta do século XIV, desenvolve-se em Oxford e depois em Paris, uma linha de pensamento denominada teoria impetus, que desafia as teorias aristotélicas sobre o movimento ainda dominante na Europa. As definições e os teoremas elaborados por esse grupo de lógicos e matemáticos serão importantes para a Cinética, desenvolvida posteriormente por Galileu, representando, assim, o primeiro estágio na história da revolução científica (MATTAR, 2008). A invenção da imprensa no final do Renascimento foi importante para o desenvolvimento da ciência, pois a partir dela, o conhecimento pode ser reproduzido com mais facilidade e outro inventos como gravuras colocaram novos instrumentos a disposição dos cientistas permitindo copiar e multiplicar desenhos e diagramas. No entendimento de Mattar (2008) o maior mérito da Idade Média foi organizar o conteúdo da Filosofia grega e Islâmica, assim como do cristianismo e uma das principais conquistas foi a instituição de escolas e universidades como “lar” para a organização de tais conteúdos. 3.3 A Revolução Científica O desenvolvimento dos instrumentos de viagem como o astrolábio (dispositivo de observação astronômica que media grosseiramente a elevação do Sol ou de uma estrela permitindo determinar latitude, as horas do nascer e pôr-do-sol) funcionando como relógio de bolso e régua de cálculo foi um dos inventos que marcou esse novo período, sendo batizado de Revolução Científica. METODOLOGIA DA PESQUISA 13 A medicina também tomou novos rumos: em 1543, Andreas Vesalius publica De fabrica humani corporis, que corrige erros médicos dos gregos e revolucionou a disciplina, constituindo os fundamentos da anatomia moderna. Em 1615, William Harvey, estabelece a mecânica do funcionamento do coração e da circulação do sangue (MATTAR, 2008). Não há dúvidas que a Revolução Científica é caracterizada pelos avanços marcados na Astronomia. Nomes como Copérnico, Kepler, Galileu e Newton marcaram época na História das Ciências, como veremos brevemente no quadro abaixo:Evidentemente que muitos outros nomes fizeram história dentro da ciência, foram grandes as evoluções na botânica, na medicina, na química, enfim, em todos os campos, mas nosso intuito ao falar destas invenções é exclusivamente mostrar que existe uma evolução no pensamento e a importância do método para provar e refutar os fenômenos. 3.4 A Revolução Industrial A Revolução Industrial, a partir do século XIX, foi marcada pela criação e pelo uso da energia, assim, ciência e produção passaram a se influenciar mutuamente, ou seja, a necessidade de meios mais eficientes de produção fez com que a ciência se desenvolvesse. “Os problemas técnicos da indústria começam a gerar constantes desafios às ciências, ao mesmo tempo em que a indústria se tornam dependente dos progressos científicos” (MATTAR, 2008). É inventado o primeiro termômetro de mercúrio; provou-se que os raios são eletricidade; a indústria têxtil é desenvolvida a partir do aperfeiçoamento da primeira máquina a vapor; a química avança mostrando que o ar não é uma substância elementar, mas composto de vários gases, dentre eles o oxigênio é isolado pela primeira vez; é instaurada a lei da conservação das massas (na natureza nada se perde, nada se cria, tudo se transforma); a matemática também alcança progressos principalmente no campo das equações diferenciais; a medicina entra na era da prevenção com a introdução da técnica de vacinação. O século XIX apresenta, sem dúvida, uma série de invenções importantes, é também o século da invenção das ciências biológicas: 1821 – inventado o motor elétrico. 1824 – funda-se a dinâmica do calor ou termodinâmica. 1843 – surge o primeiro telégrafo elétrico. 1859 – Darwin formula a sua teoria da evolução das espécies. 1860 – inventado o motor a gasolina. 1866 – surge a dinamite. 1876 – é inventado o telefone. 1887 – é descoberto o elétron. Mais uma vez o que desejamos é mostrar que a utilização de métodos próprios leva ao avanço das ciências, principalmente a partir de pesquisas e descobertas em ramos específicos do conhecimento. 3.5 O século XX A racionalidade e a consciência representam apenas uma camada da psique humana, que é também determinada por processos inconscientes e irracionais sobre os quais o ser humano não tem controle; não é possível prever os fenômenos nucleares, já que seus movimentos são irregulares e desordenados; tempo e espaço não são absolutos, mas relativos; o universo está em constante expansão; os átomos são estruturas praticamente vazias, e não maciças: a matéria é descontinua (MATTAR, 2008, p. 18). Por mais paradoxal que possa parecer, ointenso desenvolvimento da ciência, no século XX, acabou abalando a crença do ser humano num universo regido por leis e passível de ser METODOLOGIA DA PESQUISA 14 conhecido em seus mínimos detalhes. Ao contrário, o progresso científico do século passado levou o ser humano a perceber que só pode compreender o mundo em que vive pelas leis da probabilidade, por meio de aproximações que, em geral, são passíveis de erro. A ciência passou a conviver com a ideia de que o acaso desempenha papel primordial no universo, assim como no próprio ser humano. “A ciência não é epistemológica e tampouco ontologicamente neutra” (MATTAR, 2008, p. 18) e vemos nas pesquisas em Física uma contribuição nesse sentido quando propõe que o átomo já não é mais considerado um maciço e nem indivisível. Na segunda metade do século XX, as ciências físicas alcançam também um alto grau de abstração quando começa a desenvolver uma teoria de que o universo não é estático, mas em constante movimento e expansão. Os avanços na genética, principalmente através do Projeto Genoma Humano, um dos mais audaciosos do final do século XX promete revolucionar a medicina, as ciências biológicas, a indústria relacionada à biotecnologia (agricultura, produção de energia, controle de lixo, despoluição ambiental). Enfim, o papel das ciências, do conhecimento científico é insumo indispensável para o desenvolvimento econômico e social do planeta. 4 - A CLASSIFICAÇÃO DA CIÊNCIA Devido à complexidade do universo e da diversidade dos fenômenos que acontecem nele, foi preciso haver uma divisão da ciência em vários ramos para que o homem estudasse e entendesse esses fenômenos. Essa divisão ou classificação obedece várias características: ou pelo conteúdo, pela diferença dos enunciados ou pela metodologia empregada. A primeira classificação foi proposta por Augusto Comte que obedeceu uma ordem crescente de complexidade: Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia, Sociologia e Moral. Outros autores aliaram a complexidade crescente com o conteúdo. Em relação ao conteúdo, a classificação primeira foi feita por Rudolf Carnap, que dividiu as ciências em formais (contendo apenas enunciados analíticos, isto é, cuja verdade depende unicamente do significado de seus termos ou de sua estrutura lógica) e factuais (além dos enunciados analíticos, contém, sobretudo os sintéticos, aqueles cuja verdade depende não só do significado de seus termos, mas, igualmente, dos fatos a que se referem). Bunge (1976, p. 41 apud Lakatos e Marconi, 2004, p. 27) apresenta a seguinte classificação: • Formal (lógica e matemática); • Factual: - natural (física, química, biologia e psicologia individual); • Cultural (psicologia social, sociologia, economia, ciência política, história material e história das ideias). • Na classificação de Wundt (1952 apud Lakatos e Marconi, 2004, p. 27) temos: • Formais (matemática) • Reais – ciências da natureza • Ciências do espírito Mesmo não havendo muito consenso entre as classificações, a diferença fundamental é ser formal ou factual, ou seja, a ciência formal estuda as ideias e a ciência factual estuda os fatos. Nas primeiras (ciências formais) encontramos a lógica e a matemática, que não tendo relação com algo encontrado na realidade, não podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas. Por outro lado, a física e a sociologia, sendo ciências factuais, referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e, em consequência, recorrem à observação e à experimentação para METODOLOGIA DA PESQUISA 15 comprovar (ou refutar) suas fórmulas (hipóteses) (LAKATOS; MARCONI, 2004). A lógica e a matemática tratam de entes ideais, tanto abstratos quanto interpretados, existentes apenas na mente humana e, mesmo nela, em âmbito conceitual e não fisiológico. Em outras palavras, constroem seus próprios objetos de estudo, mesmo que, muitas vezes, o faça, por abstração de objetos reais (naturais ou sociais). Segundo Lakatos e Marconi (2004) citando Trujillo (1974) e Bunge (1976) a divisão em ciências formais e factuais leva alguns aspectos em consideração, conforme o quadro comparativo a seguir. 5 - FERRAMENTAS DE TRABALHO DO PROFISSIONAL DO NÍVEL SUPERIOR Para Cervo, Bervian e Silva (2007) não se pode deixar de tratar dos conceitos, leis, teorias e doutrinas quando estamos falando em Metodologia da Pesquisa, mesmo porque o profissional do nível superior, principalmente das áreas de ciências humanas e sociais, utiliza em seu trabalho, ferramentas teóricas e não ferramentas manuais ou técnicas como é característico dos níveis de formação de ensino médio e técnico. “Ferramentas teóricas são um conjunto de ideias, códigos, símbolos e valores que indicam uma série de operações realizáveis, física e/ou mentalmente, a partir da manipulação de conceitos abstratos” (FERRARI, 1974, p. 98). 5.1 Conceitos, leis, teorias e doutrinas Conceitos ou constructo pode ser entendido como ideia, sentença, opinião (FERREIRA, 2004). • Para Lakatos (1983, p. 99) “conceito expressa uma abstração, formada mediante a generalização de observações particulares”. • Para os que privilegiam a teoria em detrimento da prática, conceito seria uma técnica utilizada para obter ou medir alguma coisa para além do próprio fenômeno que descreve. Inversamente, para aqueles que privilegiam os fatos em detrimento da teoria, METODOLOGIA DA PESQUISA 16 conceito significa uma série de operações realizáveis física e/ou mentalmente, empreendidas com a finalidade de justificar ou reproduzir os referentes do fenômeno que está definindo. Conceitos são construções lógicas, estabelecidas de acordo com um sistema de referência e formando parte dele. São considerados, por um lado, como instrumentos de trabalho do cientista e, por outro, como termos técnicos do vocabulário da ciência (FERRARI, 1974, p. 98). De todo modo, cada ciência ou área de conhecimento em particular possui um vocabulário técnico específico que precisa ser de domínio comum de seus praticantes. Poucas ciências, entretanto, conseguem ou podem construir vocábulo e conceitos originais, sendo necessário que elas invadam o campo semântico de outras ciências, ocorrendo a migração de conceitos ou a apropriação de conceitos de uma ciência para outras. Conceito é a pedra angular para a construção das teorias, assim como a família é a pedra angular para a construção da sociedade e a célula, a pedra angular para a existência dos corpos vivos (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Nos processos de observação, descrição, análise, comparação e síntese das propriedades gerais e específicas dos objetos, fatos e fenômenos, a ciência encontra certas regularidades que, se uniformes, constantes e regulares, possibilitam a classificação e a generalização para objetos, fatos e fenômenos semelhantes por admitir-se que “se um fato ou fenômeno se enquadra em uma lei, ele se comportará conforme o estabelecido na lei” (KNELLER, 1980, p. 94). São duas as principais funções da lei: • Resumir grande quantidade de fatos e de fenômenos; • Possibilitar a previsão de novos fatos e fenômenos. Desse modo, temos leis gerais para explicar o comportamento dos líquidos, dos gases, da matéria, dos grandes números, do movimento etc., bem como presumimos leis gerais para explicar a natalidade, a mortalidade, o movimento de populações ou desenvolvimento pessoal e social. Quando a lei é abordada pela Metodologia da Pesquisa, trata-se de lei científica, sem qualquer conotação legislativa ou jurídica, conforme estamos acostumados a pensar. As leis científicas são,nas palavras de Montesquieu “as relações constantes e necessárias que derivam da natureza das coisas”. As leis exprimem quer relações de existência ou de coexistência (a água é um corpo incolor, inodoro, tendo tal densidade, suscetível de assumir o estado líquido, sólido e gasoso etc.), quer relações de causalidade ou de sucessão (a água ferve a cem graus centígrados, o calor dilata os metais, etc.), quer, enfim, relações de finalidade (o fígado tem por função regular a quantidade de açúcar no sangue) (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Nas ciências experimentais, as leis possuem maior rigor e exatidão do que nas ciências humanas e sociais, pois, enquanto estas estão condicionadas, mais ou menos, à liberdade humana, aquelas seguem o curso fatal do determinismo da natureza. Desse fato, entretanto, não se pode concluir que as ciências humanas e sociais se constituam em simples opiniões mais ou menos viáveis. As ciências humanas e sociais realizam todas as condições para se constituírem em ciência: • Os fenômenos que estudam são reais e distintos dos tratados nas ciências experimentais; • As causas e as leis descobertas nessa área exprimem relações necessárias entre os fatos e entre os atos; • Suas conclusões têm um caráter incontestável de certeza, embora de ordem diferente da certeza das ciências experimentais. As ciências humanas e sociais ocupam, sem dúvida, lugar distinto na hierarquia das ciências quanto aos quesitos de precisão, certeza e rigor de seus resultados. Muitos dos fatos METODOLOGIA DA PESQUISA 17 considerados nas ciências humanas e sociais não são atingidos diretamente, como os fenômenos psíquicos que apenas se manifestam no comportamento. Isso acarreta dificuldades tanto para a experimentação quanto para a generalização (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Os fatos humanos e sociais implicam maior complexidade do que os quantitativos ou físicos. A abordagem e a análise qualitativa comportam algo de a subjetividade do próprio ser humano, que tende a abordar e analisar os fatos orientados por matrizes filosóficas e ideológicas exteriores a eles. Enfim, pode-se dizer que as incertezas e as angústias humanas em relação a sua origem, finalidade e destino são componentes importantes na determinação do grau de certeza e de precisão na pesquisa, uma vez que o rigor metodológico aplicado na condução da própria pesquisa é sempre relativo. Essa é a base da origem da diversidade de opiniões, por vezes desconcertantes, sobre várias questões das ciências humanas e sociais (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Os fenômenos físicos, por serem regidos por leis determinísticas, podem ser previstos e alguns até provocados para serem mais bem observados; enquanto isso, a liberdade, que interfere mais ou menos nos atos humanos, impede que sua previsão seja absolutamente exata, tornando apenas aproximativos os cálculos quando aplicados às ciências humanas e sociais. Finalmente, as ciências da natureza tratam de fatos e objetos materiais que podem ser pesados e medidos, ao menos indiretamente. Assim, essa possibilidade de quantificação das propriedades físicas atribui aos resultados da pesquisa um pouco de rigor matemático. Aos fatos humanos e sociais, por serem essencialmente qualitativos, não são aplicáveis os processos de quantificação (pesar e medir). Embora sejam generalizadas as relações descobertas em amostras particulares, deve-se sempre ter em mente que os homens, em tese, mesmo sendo iguais, agem, pensam e se organizam socialmente de formas diferenciadas (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Por esses motivos, os resultados, como também as leis das ciências humanas e sociais, são mais flexíveis e menos rigorosos, apesar de expressarem suficiente estabilidade e constância para se constituírem em verdadeiras ciências. O emprego usual do termo teoria opõe- se ao termo prática. Nesse sentido, a teoria refere-se ao conhecimento (saber, conhecer) em oposição à prática como ação (agir, fazer). Aqui, entretanto, o termo teoria é empregado para significar um resultado a que tendem as ciências. Estas não se contentam apenas com a formulação das leis. Ao contrário, determinadas as leis, procuram interpretá-las ou explicá-las (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Assim, surgem as chamadas teorias científicas, que reúnem determinado número de leis particulares sob a forma de uma lei superior e mais universal. A teoria distingue-se da hipótese, uma vez que a hipótese é verificável experimentalmente, e a teoria não. Todas as proposições da teoria se integram no mundo do discurso (conhecimento), enquanto a hipótese comprova sua validade, submetendo-se ao teste da experiência. A teoria é interpretativa, enquanto a hipótese resulta em explicação por meio de leis naturais. A teoria formula necessariamente hipóteses, ao passo que estas subsistem independentemente dos enunciados teóricos. É importante que o estudante saiba que a teoria cumpre as seguintes funções: • Coordenar e unificar os saberes científicos; • Ser instrumento precioso do pesquisador, sugerindo-lhe analogias até então ignoradas e possibilitando-lhe, assim, novas descobertas. Com o decorrer do tempo e a evolução da ciência, as opiniões dos próprios cientistas se modificaram. Até meados do século XIX, os cientistas, de modo geral, admitiam que as teorias não só explicavam os fatos, mas também METODOLOGIA DA PESQUISA 18 eram uma apreensão da própria natureza ontológica (última) da realidade. A partir de meados do século XIX, os cientistas restringiram o valor explicativo da teoria (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Ainda que seja um sistema lógico e coerente, capaz de orientar tanto o pensamento como a ação, principalmente na investigação científica, a teoria não é e não pode ser entendida como a verdade. Ela reflete, sim, o estado da arte no conhecimento sobre determinado fato ou fenômeno em um espaço e um tempo também determinados e pode e deve ser modificada pelos avanços posteriores do conhecimento e da própria ciência. Assim sendo, o estudante deve conhecer a teoria e saber operacionalizar os conceitos nela implícitos, mas deve saber também que a teoria, mesmo se chamada de científica, tem seus limites (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Se a teoria tiver a pretensão de explicar e solucionar todo e qualquer problema, ela se torna irrefutável; logo, passa a ser uma ideologia, e não mais uma teoria. A teoria é e precisa ser parcial, pois não pode abrigar hipóteses ou proposições antagônicas ou contraditórias nem estar contra as evidências observáveis e conhecidas. O que é possível e salutar é a tentativa de unificação de teorias ou, pelo menos, a busca pela conciliação de aspectos de teorias divergentes, que podem significar importante indicativo para a investigação científica. Não admitimos tranquilamente sermos descendentes dos macacos. Um ponto de intersecção possível entre as duas teorias é a admissão de que Deus tenha criado o espírito do ser humano e a natureza seja a responsável pela evolução de sua parte física (o corpo), suficiente para estimular o surgimento de inúmeras correntes, teóricas e experimentais, que visam a buscar meios para conciliar o espírito e a matéria, a mente e o corpo, a vida física e a vida espiritual etc. (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). A ciência visa a explicar os fenômenos. Para isso observa, analisa, levanta hipóteses e as verifica, em confronto com os fatos, pela experimentação, e induz a lei, colocando-a em um contexto mais amplo, por meio de teorias. São operações que se desenvolvem em um ambiente de objetividade, de indiferença e de neutralidade. A doutrina, porém, propõe diretrizes para a ação. Em uma doutrina,há ideias morais, posições filosóficas e políticas e atitudes psicológicas. Há, também, subjacentes, interesses individuais, interesses de classes ou de nações. A doutrina é, assim, um encadeamento de correntes, de pensamentos que não se limitam a constatar e a explicar os fenômenos, mas os apreciam em função de determinadas concepções éticas e, à luz desses juízos, preconizam certas medidas e proíbem outras (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). A doutrina situa-se na linha divisória dos problemas do espírito e dos fatos (teoria = ciência versus ação) e, estando largamente assentada nesses dois domínios, permite proceder à síntese. É importante ficar claro que a postura científica é imparcial, não torce os fatos e respeita escrupulosamente a verdade. O cientista deve cultivar a honestidade, evitar o plágio, não colher como seu o que os outros plantaram, não ser acomodado e enfrentar os obstáculos e perigos que uma pesquisa possa oferecer (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). A postura científica não reconhece fronteiras, não admite nenhuma intromissão de autoridades estranhas ou limitações em seu campo de investigação e defende o livre exame dos problemas. 6 - O QUE É UMA PESQUISA? Para MARCONI; LAKATOS, (2003, p.155) trata-se de um “procedimento sistemático, controlado e crítico, que permite descobrir novos fatos ou dados, relações ou leis, em qualquer campo de conhecimento” METODOLOGIA DA PESQUISA 19 Dessa forma, a pesquisa se define em encontrar as relações entre os fenômenos, fatos, coisas. Mas para uma pesquisa científica faz- se necessário um procedimento sistemático, a fim de seguir um planejamento específico do pesquisador. 6.1 Tipos de pesquisa: Inicialmente, definimos a pesquisa qualitativa, segundo Minayo (2002:21), “a pesquisa qualitativa responde a questões muito particulares, ela se preocupa, nas ciências sociais, com o nível da realidade que não pode ser quantificado. ” Todavia, esse tipo de pesquisa se preocupa em descrever crenças, aspirações, valores e atitudes correspondendo a um determinado espaço de relações. Delimitando nosso assunto, apontamos três tipos de pesquisa: pesquisa descritiva, experimental e pesquisa bibliográfica: • PESQUISA DESCRITIVA – Aborda fenômenos e os fatos, as suas relações e interações entre eles. O pesquisador somente observa os dados sem adulterar os resultados. A pesquisa descritiva busca caracterizar as múltiplas situações e relações que ocorrem na sociedade, econômica, política e no comportamento humano, tanto do indivíduo isolado ou nos grupos e comunidades. • PESQUISA EXPERIMENTAL – Utiliza o trabalho com as variáveis envolvidas no objeto pesquisado. Nessa pesquisa, empregam- se aparelhos e instrumentos disponíveis pela técnica, para identificar as relações que existem entre as variáveis do objeto de estudo. • PESQUISA BIBLIOGRÁFICA – Desenvolve um estudo a partir do problema, assim delimita-se a partir de um referencial teórico, inserido em publicações e material documental. O objetivo dessa pesquisa é recolher, desenvolver, desvendar e analisar as principais fontes teóricas sobre um determinado assunto, ou seja, determinado objeto de estudo. Através das pesquisas descritivas: • PESQUISA DOCUMENTAL – Realiza sua pesquisa através de documentos, procurando descrever e comparação dos costumes, usos e tendências. • PESQUISA DE OPINIÃO – Trata-se uma pesquisa de cunho “subjetivo”. Procura desvendar as razões inconscientes que levam a determinar a inclinação por alguma atitude ou produto. • ESTUDOS EXPLORATÓRIOS – identificado por alguns de pesquisa de cunho não científica. Não desenvolvem hipóteses, mas desenvolvem objetivos em busca formações mais aprofundadas sobre determinado assunto. Esses estudos são sugeridos para a construção de conhecimentos sobre o problema em estudo. • ESTUDOS DESCRITIVOS – Objetivam-se em estudar e descrever as características na realidade objeto da pesquisa. • ESTUDO DE CASO - Realiza uma pesquisa sobre algum indivíduo, grupo ou sociedade objetivando estudar variados aspectos da vida. Já a pesquisa quantitativa visa, segundo Minayo et al (2002:22): Em suma, a pesquisa quantitativa requer o uso de coletas de dados, uso de medidas e estatísticas, questionário fechado com técnicas descritivas em termos de codificação numérica. (...) o método quantitativo enquanto suficiente para explicarmos a realidade social está a questão da objetividade. Para os positivistas, a análise social seria objetiva se fosse realizada por instrumentos padronizados, pretensamente neutros. A linguagem das variáveis ofereceria a possibilidade de expressar generalizações com precisão e objetividade. METODOLOGIA DA PESQUISA 20 7 - MÉTODOS E TÉCNICAS DE PESQUISA Chegamos ao ponto que nos interessa em Metodologia da Pesquisa e que nos levará ao objetivo proposto que é desmistificar que a pesquisa e seu processo são reservados a poucos iluminados, mostrar que cada sujeito pesquisa o tempo todo, mas compreender a importância do uso do método e suas normas para que a pesquisa tenha resultado confiável e se torne um novo conhecimento universal. Não refutamos a existência dos conhecimentos teológicos, filosóficos ou empíricos, mas para a academia, para a ciência, o que vale e acreditamos ter deixado bem claro até o momento, é o conhecimento baseado na observação dos fatos, no teste das hipóteses, na verificação e comprovação e na possibilidade de sua contestação. Como dizem Lakatos e Marconi (2004) todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos; em contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam esses métodos são ciências. Dessas afirmações podemos concluir que a utilização de métodos científicos não é da alçada da ciência, mas não há ciência sem o emprego de métodos científicos. 7.1 Métodos Método em sentido geral quer dizer “Ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um certo fim ou um resultado desejado”. Nas ciências, entende-se como o conjunto de processos empregados na investigação e na demonstração da verdade (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). Lakatos e Marconi (2004) oferecem vários conceitos de método, dentre eles: “Caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda que esse caminho tenha sido fixado de antemão de modo refletido e deliberado”. “Forma de proceder ao longo de um caminho”. “Procedimento regular, explícito e passível de ser repetido para conseguir-se alguma coisa, seja material ou conceitual”. Segundo Cervo, Bervian e Silva (2007) o método não é inventado; ele depende do objeto da pesquisa. Os cientistas cujas investigações foram coroadas de êxito tiveram o cuidado de anotar os passos percorridos e os meios que os levaram aos resultados. Mesmo que no começo tenha sido usado de maneira empírica, gradativamente eles foram se transformando em métodos verdadeiramente científicos. O método científico quer descobrir a realidade dos fatos, e estes, ao serem descobertos, devem por sua vez, guiar o uso do método. Entretanto, ele é apenas um meio de acesso, pois é preciso inteligência e reflexão juntas para se descobrir o que os fatos e os fenômenos realmente são. O método científico segue o caminho da dúvida sistemática, metódica, que não se confunde com a dúvida universal dos céticos, cuja solução e impossível. O pesquisador que não tiver a evidência como arrimo precisa sempre questionar e interrogar a realidade. Mesmo no campo das ciências sociais, deve ser aplicado de modo positivo, e não de modo normativo, isto é, a pesquisa positiva deve preocupar- secom o que é, e não com o que se pensa que deve ser (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). O método científico aproveita a observação, a descrição, a comparação, a análise e a síntese, além dos processos mentais da dedução e da indução, comuns a todo tipo de investigação, quer experimental, quer racional. Quando falamos em método científico nos reportamos aos métodos indutivo, dedutivo e hipotético-dedutivo. Todos possuem alguma variante ou ramificação e evidentemente são criticados. METODOLOGIA DA PESQUISA 21 Numa acepção bem simples, a diferença fundamental entre o método dedutivo e o método indutivo é que o primeiro aspira a demonstrar, mediante a lógica pura, a conclusão na sua totalidade a partir de umas premissas, de maneira que se garante a veracidade das conclusões, se não se invalida a lógica aplicada. Trata-se do modelo axiomático proposto por Aristóteles como método científico ideal (MOLINA, 2007). Pelo contrário, o método indutivo cria leis a partir da observação dos fatos, mediante a generalização do comportamento observado; na realidade, o que realiza é uma espécie de generalização, sem que através da lógica possa conseguir uma demonstração das citadas leis ou conjunto de conclusões (MOLINA, 2007). As referidas conclusões poderiam ser falsas e, ao mesmo tempo, a aplicação parcial efetuada da lógica poderia manter a sua validade; por isso, o método indutivo necessita de uma condição adicional, a sua aplicação considera-se válida enquanto não se encontrar nenhum caso que não cumpra o modelo proposto. O método hipotético-dedutivo ou de verificação de hipóteses não coloca, em princípio, nenhum problema, visto que a sua validade depende dos resultados da própria verificação (MOLINA, 2007). Temos ainda o Método Dialético que foi proposto por Hegel, o qual postula que as contradições se transcendem dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. Nesse sentido, os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc. Outros métodos específicos das Ciências Sociais seriam o Método Histórico, o Comparativo, o Monográfico, o Estatístico, o Tipológico, o Funcionalista e o Estruturalista. Para maior clareza com relação a estes métodos citados acima, sugere-se a leitura do livro Metodologia Científica de Lakatos e Marconi, utilizado como referência nesta apostila, o qual traz de forma clara os detalhes e variantes de cada um deles. Como diz Lakatos e Marconi (2004) do mesmo modo que o conhecimento se desenvolveu, o método, sistematização das atividades, também sofreu transformações. Para Galileu, por exemplo, o primeiro teórico do método experimental, as ciências não tinham como foco principal a preocupação com a qualidade, mas com as relações quantitativas. Seu método é descrito como indução experimental, chegando-se a uma lei geral por intermédio da observação de certo número de casos particulares. Para Francis Bacon são essenciais a observação e a experimentação dos fenômenos, pois somente esta última pode confirmar a verdade: uma autêntica demonstração sobre o que é verdadeiro ou falso, somente é proporcionada pela experimentação. O tipo de experimentação proposto por Bacon é denominado coincidências constantes. Ele postula que: aparecendo a causa, dá-se o fenômeno; retirando-se a causa, o efeito não ocorre; variando-se a causa, o efeito altera-se. René Descartes afasta-se dos processos indutivos e utiliza o método dedutivo. Para ele chega-se à certeza, por intermédio da razão, princípio absoluto do conhecimento humano. O quadro comparativo abaixo nos mostra de forma sucinta o método segundo alguns cientistas famosos. METODOLOGIA DA PESQUISA 22 De forma resumida devemos entender que método é o dispositivo ordenado, o procedimento sistemático em plano geral. O método racional também é científico, embora os assuntos a que se aplica não sejam realidades, fatos ou fenômenos suscetíveis de comprovação experimental. As disciplinas que o empregam (principalmente as diversas áreas da filosofia) nem por isso deixam de ser verdadeiras ciências. Todo método depende do objetivo da investigação. A filosofia, por exemplo, não tem por objeto o estudo de coisas fantasiosas, irreais ou inexistentes. A filosofia questiona a própria realidade. Por isso, o ponto de partida do método racional é a observação dessa realidade ou a aceitação de certas proposições evidentes, princípios ou axiomas, para em seguida prosseguir por dedução ou por indução, em virtude das exigências unicamente lógicas e racionais. Mediante o método racional, que também se desdobra em diversas técnicas científicas (como a observação, a análise, a comparação e a síntese) e técnicas de pensamento (como a indução e a dedução, a hipótese e a teoria), procura-se interpretar a realidade quanto a sua origem, natureza profunda, destino e significado no contexto geral. Pelo método racional, procura-se uma compreensão e uma visão mais ampla sobre o homem, sobre a vida, sobre o mundo, sobre o ser. Essa cosmovisão, a qual leva a investigação racional, nada pode ser testada ou comprovada experimentalmente em laboratórios. E é exatamente a possibilidade comprovar ou não as hipóteses que distingue o método experimental (científico em sentido restrito) do racional (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). 7.1 Técnicas O método concretiza-se como o conjunto das diversas etapas ou passos que devem ser seguidos para a realização da pesquisa e que configuram as técnicas. Os objetos de investigação determinam o tipo de método a ser empregado, a saber, o experimental ou o racional. Um e outro empregam técnicas específicas como também técnicas comuns a ambos. Pode-se dizer que a maioria das técnicas que compõe o método científico e racional é comum, embora devam ser adaptadas ao objetivo da investigação. Por isso, as técnicas ou processos que serão explicitadas a seguir dizem respeito ao método experimental e, indiretamente, com as adaptações que se impõem, ao método racional (LAKATOS; MARCONI, 2004). Podem ser chamados de técnicas aqueles procedimentos científicos utilizados por uma ciência determinada no quadro das pesquisas próprias dessa ciência. Assim, há técnicas associadas ao uso de certos testes em laboratório, ao levantamento de opiniões de massa, à coleta de dados estatísticos; há técnicas para conduzir uma entrevista, para determinar a idade por medições de carbono, para decifrar inscrições desconhecidas etc. (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007). As técnicas em uma ciência são os meios corretos de executar as operações de interesse de tal ciência. O treinamento científico reside, em grande parte, no domínio dessas técnicas. Ocorre, entretanto, que certas técnicas são utilizadas por inúmeras ciências ou, ainda, por todas elas. O conjunto dessas técnicas gerais constitui o método. Portanto, Existe, pois, um método fundamentalmente idêntico para todas as ciências, que compreende um certo número de procedimentos, aplicações científicas ou operações levadas a efeito em qualquer tipo de pesquisa. São eles: a observação, a descrição, a comparação, a análise, e a síntese. Esses procedimentos servem aos seguintes propósitos: Métodos são técnicas suficientemente gerais para se tornarem procedimentos comuns a uma área das ciências ou a todas as ciência. METODOLOGIA DA PESQUISA 23 • Formular questões ou propor problemas e levantar hipóteses; • Efetuar observações e medidas; • Registrar tão cuidadosamente quanto possível os dados observados com o intuito de responder às perguntas formuladas ou comprovar a hipótese levantada; • Elaborar explicações ou rever