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<p>CURSO FIC</p><p>POLÍTICAS E</p><p>GESTÃO CULTURAIS</p><p>Acessibilidade</p><p>Cultural</p><p>MATERIAL DE ESTUDO</p><p>© 2024 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás.</p><p>Os artigos assinados, no que diz respeito tanto à linguagem quanto ao</p><p>conteúdo, não refletem necessariamente a opinião do Instituto Federal de</p><p>Goiás. As opiniões são de responsabilidade exclusiva dos respectivos autores.</p><p>É permitida a reprodução total ou parcial desde que citada a fonte. ESCULT</p><p>ESCOLA SOLANO TRINDADE DE FORMAÇÃO E</p><p>QUALIFICAÇÃO ARTÍSTICA TÉCNICA E CULTURAL</p><p>PROGRAMA NACIONAL DE FORMAÇÃO</p><p>E QUALIFICAÇÃO PARA O MUNDO DO</p><p>TRABALHO EM CULTURA</p><p>Coordenação geral do projeto</p><p>Mônica Mitchell Morais Braga</p><p>Coordenação de EaD</p><p>Helen Betane Ferreira Pereira</p><p>Coordenação pedagógica</p><p>Rosselini Diniz Barbosa Ribeiro</p><p>Coordenação de Cursos</p><p>Nayara Joyse Silva Monteles</p><p>Editoria</p><p>Helen Betane Ferreira Pereira</p><p>Rosselini Diniz Barbosa Ribeiro</p><p>Revisão</p><p>Aguimario Pimentel Silva</p><p>Capa, projeto gráfico e diagramação</p><p>Pedro Henrique Pereira de Carvalho</p><p>Giorgia Barreto Lima Parrião</p><p>Equipe elaboradora</p><p>Many Pereira dos Santos</p><p>Mestranda em Cultura e Territorialidades</p><p>pela Universidade Federal Fluminense (UFF),</p><p>pós-graduada em Acessibilidade Cultural</p><p>pela Universidade Federal do Rio de Janeiro</p><p>(UFRJ), graduada em Produção Cultural pelo</p><p>Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ) e</p><p>bacharela em Turismo pela Universidade</p><p>Veiga de Almeida (UVA). Possui vasta experi-</p><p>ência na formação em Acessibilidade Cultu-</p><p>ral EaD, atuando também como palestrante,</p><p>consultora e assessora técnica na área. Atua</p><p>como como professora de produção cultural,</p><p>possuindo mais de 12 anos de experiência.</p><p>Atualmente, presta serviços de produção</p><p>executiva em programas de educação e aces-</p><p>sibilidade em museus.</p><p>Maressa Stephany F. Souza</p><p>Pós-graduada em Docência do Ensino Supe-</p><p>rior pela Faculdade Brasileira de Educação e</p><p>Cultura (FABEC), graduada em Serviço Social</p><p>pela Pontifícia Universidade Católica de Goi-</p><p>ás (PUC-GO) e em Tecnologia em Produção</p><p>Cênica e Música pelo Instituto Tecnológico de</p><p>Goiás em Artes Basileu França. Atua há mais</p><p>de 10 anos como assistente social, produtora</p><p>cultural/cênica e musicista. Possui experi-</p><p>ência abrangente na elaboração e gestão de</p><p>projetos culturais e sociais.</p><p>INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DE GOIÁS</p><p>Diretoria de Educação a Distância - Reitoria</p><p>Avenida C-198, Qd. 500, Jardim América</p><p>Goiânia/GO | CEP 74270–040</p><p>(62) 3612-2278</p><p>coordenacao.minc@ifg.edu.br</p><p>contato@escult.cultura.gov.br</p><p>escult.cultura.gov.br</p><p>mailto:coordenacao.minc%40ifg.edu.br?subject=</p><p>mailto:contato%40escult.cultura.gov.br?subject=</p><p>http://www.escult.cultura.gov.br</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>Outras</p><p>dimensões da</p><p>acessibilidade</p><p>TÓPICO 3</p><p>COMUNICACIONAL E FÍSICA</p><p>Unidades Temáticas do Tópico</p><p>Neste tópico, vamos conhecer mais a fundo duas dimensões da acessibilidade: a</p><p>acessibilidade física, também chamada de arquitetônica, e a acessibilidade</p><p>comunicacional. É comum que as pessoas com deficiência física sejam mais</p><p>facilmente identificadas, pelo uso de uma cadeira de rodas ou de uma bengala,</p><p>por exemplo, mas as deficiências ocultas, como a surdez, o transtorno do espectro</p><p>autista (TEA) e a deficiência intelectual, podem passar despercebidas, pois</p><p>requerem outros recursos que deem conta do uso mais intuitivo e autônomo</p><p>possível pela pessoa com deficiência, para além de rampas, elevadores ou piso</p><p>tátil. É o que veremos nesta parte do curso. Bom aprendizado!</p><p>3.1</p><p>3.2</p><p>Acessibilidade comunicacional</p><p>Acessibilidade física</p><p>Objetivos:</p><p>AO FINAL DESTE TÓPICO, VOCÊ DEVERÁ SER CAPAZ DE:</p><p>Conhecer a legislação e as normas técnicas sobre acessibilidade física e</p><p>comunicacional;</p><p>1.</p><p>Aplicar estratégias para a comunicação eficaz em todos os contextos que</p><p>envolvam a deficiência;</p><p>2.</p><p>Saber utilizar meios para tornar um ambiente cultural acessível,</p><p>empregando recursos multissensoriais ou de tecnologia assistiva para</p><p>promoção da experiência de todos os públicos.</p><p>3.</p><p>44</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>3. Outras dimensões da acessibilidade:</p><p>comunicacional e física</p><p>Caminhando e cantando e seguindo a canção</p><p>Somos todos iguais braços dados ou não</p><p>Nas escolas, nas ruas, campos, construções</p><p>Caminhando e cantando e seguindo a canção</p><p>(Geraldo Vandré, 1968)</p><p>Somos todos iguais? A letra da música escrita por Geraldo Vandré, “Pra não</p><p>dizer que não falei das flores”, em pleno período de ditadura militar no Brasil (1964-</p><p>1985), incentivava o povo a lutar pela liberdade. A luta das pessoas com deficiência</p><p>(PcD) sempre foi por inclusão e equidade. O conceito de equidade diz respeito a dar</p><p>às pessoas o que elas precisam para que todos tenham acesso às mesmas</p><p>oportunidades, pois, mesmo que sejamos todos iguais em direitos, não possuímos</p><p>as mesmas condições de acesso. Algumas pessoas precisam ter mais do que direitos</p><p>para estar em condição de igualdade na sociedade.</p><p>Você viu no tópico 1 deste curso que a Lei nº 14.624/2023 modificou a LBI (Lei</p><p>nº 13.146/2015) para acrescentar nela o seguinte artigo: “Art. 2º-A. É instituído o</p><p>cordão de fita com desenhos de girassóis como símbolo nacional de identificação</p><p>de pessoas com deficiências ocultas”. A lei deixa claro que o uso é opcional e que</p><p>ele não dispensa o uso de documento de comprovação da deficiência, caso este seja</p><p>exigido.</p><p>Ao optar pelo uso do cordão para identificar deficiências que poderiam passar</p><p>despercebidas, a pessoa com deficiência não só está fazendo valer os seus direitos</p><p>sociais, mas também comunicando essa condição à esfera pública. O cordão é uma</p><p>forma de garantia de direitos, como a prioridade em filas e transportes, por</p><p>exemplo, sendo também um instrumento de conscientização da sociedade de que</p><p>outros recursos podem ser necessários para além de rampas, elevadores ou</p><p>bengalas.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>45</p><p>Glossário</p><p>No Brasil, temos alguns instrumentos jurídicos que visam diminuir as</p><p>diferenças e a desigualdade social que atinge os grupos minoritários, tais como</p><p>negros, mulheres e pessoa com deficiência, as chamadas ações afirmativas e as</p><p>leis de cota. A Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, que trata do benefício da</p><p>previdência social, ficou conhecida como a lei que prevê cotas para pessoas com</p><p>deficiência em empresas com mais de 100 empregados, o que é explicitado em seu</p><p>Art. 93.</p><p>Apesar de ser obrigatória a contratação das pessoas com deficiência nas</p><p>empresas de grande porte, todas as empresas, sejam de médio ou pequeno porte,</p><p>devem oferecer vagas visando a diversidade humana, ampliando, assim, a sua</p><p>capacidade de inclusão e a diminuição das barreiras impostas aos grupos</p><p>marginalizados e socialmente excluídos.</p><p>Como já salientamos neste curso, muitas das soluções motivadas pela</p><p>acessibilidade beneficiam toda a população, uma vez que os sentidos podem ser</p><p>potencializados com o oferecimento de diferentes oportunidades sensoriais. Sendo</p><p>assim, entendemos a cultura como um direito humano fundamental, o qual deve</p><p>proporcionar fruição, participação, produção e expressão de vivências de pessoas</p><p>com deficiência em ambientes culturais.</p><p>Para serem consideradas cidadãs, é preciso que as pessoas com e sem deficiência</p><p>tenham acesso em igualdade de direitos. Porém, igualdade, em alguns casos, não</p><p>basta. É necessário que se criem condições de equiparação de direitos. Se uma</p><p>pessoa com a visão normal dispõe de um semáforo com cores que a ajudam a fazer</p><p>uma travessia segura, uma pessoa cega ou com baixa visão deve ter o mesmo</p><p>direito, autonomamente inclusive, de fazer a travessia segura, com um sinal de</p><p>trânsito sonoro.</p><p>Ao aceitarmos que a cidade é feita para pessoas sem deficiência, estamos</p><p>excluindo e segregando um contingente considerável de pessoas. Ainda que</p><p>houvesse apenas uma pessoa com deficiência, esse direito seria o mesmo. Logo, as</p><p>políticas públicas para pessoas com deficiência precisam partir do pressuposto da</p><p>equiparação.</p><p>Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por</p><p>cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de</p><p>deficiência, habilitadas, na seguinte proporção:</p><p>I - até 200 empregados .................................................................. 2%;</p><p>II - de 201 a 500 ............................................................................. 3%;</p><p>III - de 501 a 1.000 ......................................................................... 4%;</p><p>IV - de 1.001 em diante................................................................. 5%</p><p>Sobre as dimensões da acessibilidade, podemos citar a atitudinal, que vimos</p><p>no primeiro tópico deste curso, a física (ou arquitetônica) e a comunicacional,</p><p>sendo que cada uma delas pode ser desmembrada ou incluída em outras, como a</p><p>virtual, a financeira e a sensorial. O professor e grande estudioso do assunto</p><p>Romeu Sassaki (1938-2022) categorizou as seguintes dimensões, que destacamos</p><p>em negrito abaixo:</p><p>“A revolução dos bichos”, do escritor e jornalista George</p><p>Orwell, é um livro-fábula sobre a tirania e o poder que</p><p>faz refletir sobre liberdade e igualdade social.</p><p>Boa leitura!</p><p>As seis dimensões são arquitetônica (sem barreiras físicas), comunicacional (sem barreiras na</p><p>comunicação entre pessoas), metodológica (sem barreiras nos métodos e técnicas de lazer,</p><p>trabalho, educação etc.), instrumental (sem barreiras instrumentos, ferramentas, utensílios etc.),</p><p>programática (sem barreiras embutidas em políticas públicas, legislações, normas etc.) e</p><p>atitudinal (sem preconceitos, estereótipos, estigmas e discriminações nos comportamentos da</p><p>sociedade para pessoas que têm deficiência) (Sassaki, 2009, p. 1).</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>46</p><p>Fonte: Jusbrasil (2019)</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>47</p><p>A fundação Dorina Nowill, que trabalha com a inclusão de pessoas cegas e com baixa</p><p>visão no Brasil, indica, além das dimensões mencionadas acima, a acessibilidade</p><p>natural, que se refere à “extinção de barreiras da própria natureza”, por exemplo,</p><p>quando alguns projetos conseguem oferecer banho de mar adaptado em cadeiras</p><p>anfíbias.</p><p>Assim, podemos perceber um conceito ampliado de acessibilidade, considerando que as</p><p>deficiências podem ser de naturezas diversas, na maioria das vezes com barreiras</p><p>socialmente construídas, que podem ser eliminadas ou reduzidas.</p><p>Desse modo, a acessibilidade cultural também poderia ser considerada uma dimensão</p><p>da acessibilidade. Vimos o conceito de acessibilidade cultural no tópico 2, lembra?</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>48</p><p>3.1 Acessibilidade comunicacional</p><p>A legislação brasileira de acessibilidade exige que espaços públicos urbanos e</p><p>edificações possam ser usados por todos, incluindo pessoas com os mais diversos</p><p>tipos e níveis de deficiência. Em 2004, o Decreto nº 5.296 regulamentou as leis nº</p><p>10.048, de 8 de novembro de 2000, que “dá prioridade de atendimento às pessoas</p><p>que especifica”, e nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que “estabelece normas</p><p>gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras</p><p>de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências”.</p><p>No seu capítulo VI, que trata do acesso à informação e à comunicação, o decreto</p><p>abrange o acesso e a utilização de internet, telefonia celular e fixa, televisão,</p><p>computadores e outros aparelhos de comunicação com recursos acessíveis saídos</p><p>das fábricas e fornecidos por empresas de telecomunicações. Isso é acessibilidade</p><p>comunicacional.</p><p>Alguma vez você ou alguém da sua família precisou recorrer ao botão de</p><p>acessibilidade nas configurações do aparelho celular? Nele é possível usar um leitor</p><p>para todo o conteúdo da tela, bem como melhorias de audição, com transcrição</p><p>instantânea, legendas instantâneas, melhorias de visibilidade que permitem</p><p>configurar o brilho, o tamanho dos caracteres e o contraste, auxiliando não só as</p><p>pessoas surdas e cegas ou com baixa visão, mas também as pessoas idosas. Se</p><p>ainda não usou, que tal fazer o teste?</p><p>O Decreto nº 6.949/2009, que promulgou a Convenção Internacional sobre os</p><p>Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, define, em seu</p><p>Artigo 2º:</p><p>Consequentemente, a acessibilidade comunicacional, nos espaços culturais ou</p><p>não, pressupõe tradutores e intérpretes de Língua Brasileira de Sinais (Libras), vídeos</p><p>com legendas e janela de intérprete, recursos de audiodescrição, texto em braille,</p><p>letras ampliadas, escrita simplificada e contraste, dentre outras possibilidades de</p><p>tecnologia assistiva. Vamos, então, conhecer os recursos mais utilizados?</p><p>“Comunicação” abrange as línguas, a visualização de textos, o braille, a comunicação tátil, os</p><p>caracteres ampliados, os dispositivos de multimídia acessível, assim como a linguagem</p><p>simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz digitalizada e os modos,</p><p>meios e formatos aumentativos e alternativos de comunicação, inclusive a tecnologia da</p><p>informação e comunicação acessíveis; “Língua” abrange as línguas faladas e de sinais e</p><p>outras formas de comunicação não-falada (Brasil, 2009).</p><p>Língua de sinais (Libras)</p><p>A comunidade surda engloba as pessoas surdas oralizadas, surdos alfabetizados</p><p>em língua de sinais (a Libras, no caso do Brasil), surdos que fazem leitura labial,</p><p>surdos com implante coclear (dispositivo eletrônico, parcialmente implantado, que</p><p>visa proporcionar aos seus usuários sensação auditiva próxima à função orgânica da</p><p>audição), e até mesmo aqueles que não foram alfabetizados nem aprenderam a</p><p>língua de sinais. Por causa disso, fazem-se necessárias várias maneiras de</p><p>comunicação e interação com a pessoa surda, conforme sugere Machado (2018).</p><p>Glossário</p><p>A língua de sinais se define como uma língua natural dos surdos. Ela é um</p><p>símbolo de identidade e um meio de interação social. Mas nem sempre foi assim. Em</p><p>1880, houve um congresso em Milão, na Itália, que proibiu o uso da língua de sinais</p><p>em prol do uso da oralização. Essa proibição durou mais de um século e causou um</p><p>grande atraso no desenvolvimento educacional das pessoas surdas.</p><p>A surdez pode ser adquirida tanto hereditariamente quanto por infecções contraídas na</p><p>gestação, após sofrer um traumatismo craniano, por acidentes de trânsito e de trabalho.</p><p>Pessoas surdas são aquelas que possuem perda auditiva (total, bilateral ou parcial) de 41</p><p>decibéis ou mais. Por exemplo, se a pessoa possui deficiência auditiva moderada, o som mais</p><p>baixo que ela consegue ouvir em boas condições de audição é a partir de 41 decibéis. Sons</p><p>como o choro de um bebê são difíceis de serem ouvidos, neste caso (Machado, 2018).</p><p>Clique aqui, para saber mais sobre esse período de retrocesso</p><p>para a comunidade surda.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>49</p><p>Para acessibilização dos espaços culturais, podemos utilizar intérpretes de língua</p><p>de sinais, texto em português para os alfabetizados nessa língua, QR Codes, com</p><p>explicações mais detalhadas em vídeos com intérprete de Libras e legenda em</p><p>português ou aplicativos tradutores, como o Hand Talk ou VLIBRAS.</p><p>No entanto, cada vez mais as instituições estão investindo em profissionais</p><p>bilíngues para atender a comunidade surda. A Língua Brasileira de Sinais, ou</p><p>simplesmente Libras, é uma conquista da comunidade surda, reconhecida através da</p><p>Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002, sendo considerada a primeira língua da pessoa</p><p>surda, estando a língua portuguesa em segundo lugar.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>50</p><p>QR Code: é a sigla para Quick Response Code, uma espécie de código de</p><p>barras utilizado de forma digital, com uma extensa capacidade de</p><p>armazenamento de dados.</p><p>O Hand Talk é uma plataforma de tradução automática de língua de sinais, através</p><p>de</p><p>um avatar.</p><p>O VLibras é um conjunto de ferramentas gratuitas e de código aberto que traduz</p><p>conteúdos digitais (texto, áudio e vídeo) em português para Libras.</p><p>A legislação em vigor no país prevê que os estabelecimentos culturais, tanto na</p><p>esfera municipal quanto na federal, devem disponibilizar tradutores/intérpretes de</p><p>Libras ou servidores fluentes nessa língua.</p><p>O Decreto 5.626, de 22 de dezembro de 2005, em seu artigo 26, reafirma a</p><p>importância e estabelece mecanismos para a difusão da Libras e seu uso em todas as</p><p>instituições que possuem atendimento ao público, que devem ter pelo menos cinco por</p><p>cento de seus servidores capacitados para o atendimento na língua de sinais.</p><p>Como vimos, o Decreto 5.296/04 é um dos primeiros que reconhecem e identificam</p><p>o profissional intérprete de Libras como agente da acessibilidade em espaços</p><p>culturais. Posteriormente, o Decreto 5.626/05 instituiu mecanismos para a difusão e o</p><p>uso da Libras em instituições que possuem atendimento ao público. Entretanto, o</p><p>direito adquirido ainda não se tornou uma prática do cotidiano, existindo a</p><p>necessidade de capacitação de funcionários e contratação de intérpretes na maior</p><p>parte dos espaços de cultura do país.</p><p>Art. 26. A partir de um ano da publicação deste Decreto, o Poder Público, as empresas</p><p>concessionárias de serviços públicos e os órgãos da administração pública federal, direta e</p><p>indireta devem garantir às pessoas surdas o tratamento diferenciado, por meio do uso e</p><p>difusão de LIBRAS e da tradução e interpretação de LIBRAS - Língua Portuguesa, realizados por</p><p>servidores e empregados capacitados para essa função, bem como o acesso às tecnologias de</p><p>informação, conforme prevê o Decreto n. 5.296, de 2004.</p><p>§ 1o. As instituições de que trata o caput devem dispor de, pelo menos, cinco por cento de</p><p>servidores, funcionários e empregados capacitados para o uso e interpretação da LIBRAS</p><p>(Brasil, 2005).</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>51</p><p>Linguagem simples</p><p>Podemos pensar no recurso da escrita simples para todos os tipos de pessoas,</p><p>mas principalmente para pessoas com dificuldade de leitura, bem como pessoas</p><p>com deficiência intelectual leve (que causa perda de memória e comprometimento</p><p>na aquisição e emprego da linguagem) e moderada (que causa comprometimento</p><p>das habilidades intelectuais e baixa concentração), tornando, assim, as informações</p><p>acessíveis, inclusive para crianças e idosos, públicos que são comumente atendidos</p><p>pelo setor educativo dos museus e espaços culturais.</p><p>Na publicação Guia de Acessibilidade na cultura: igualdade de direitos para as</p><p>pessoas com deficiência, do British Council (2015, p. 32), temos algumas dicas de</p><p>como escrever um texto simples em material gráfico, design e impressão acessíveis:</p><p>DESIGN:DESIGN:</p><p>Em materiais genéricos tente escrever as informações em linguagem simples. Ficará mais claro</p><p>para todos. Use frases curtas e palavras não muito complicadas.</p><p>Como uma instituição criativa, você não deve comprometer sua abordagem criativa ou descritiva.</p><p>O desafio é tornar o que você escreve interessante e acessível.</p><p>Em alguns casos, você pode escolher produzir uma versão de Leitura Fácil de um material mais</p><p>complexo. Torne-o visualmente interessante e trate o leitor de forma inteligente. O objetivo é</p><p>que o material tenha um padrão tão bom quanto o do material mais longo, mais detalhado e</p><p>complexo.</p><p>IMPRESSÃO:IMPRESSÃO:</p><p>Use fonte 14 (12 é o mínimo absoluto). Muitas pessoas com deficiência visual e pessoas com</p><p>baixa visão requerem um tamanho de fonte 18 ou mais. Na dúvida, pergunte.</p><p>Evite fontes itálicas, serifa e ‘manuscritas’ ou letras maiúsculas para textos longos e contínuos.</p><p>O contraste entre as cores e o texto deve ser de pelo menos 25%.</p><p>Use contraste de cor de forma criativa! Tons de azul claro e escuro, por exemplo, ou tons de</p><p>diferentes paletas de cores funcionam bem.</p><p>Evite colocar texto sobre imagens, a menos que você use um gradiente ou uma camada</p><p>semitransparente entre o texto e a imagem para ‘suavizar’ a imagem.</p><p>Textos muito espremidos podem incomodar o leitor. Deixe espaço entre os parágrafos e use</p><p>parágrafos curtos.</p><p>Não amontoe informações na página – mantenha-a clara e simples.</p><p>Evite papéis brilhantes (eles refletem muita luz), papéis muito finos (pois o texto pode</p><p>trespassar) e dobras no papel que possam atrapalhar o texto.</p><p>Em geral arquivos PDF são incompatíveis com software de leitura de tela e, portanto, podem</p><p>ser inacessíveis para cegos e pessoas com baixa visão.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>52</p><p>QR Code</p><p>Ultimamente temos visto o uso massivo do QR Code ou Código QR (sigla oriunda</p><p>do inglês Quick Response) em diversos contextos, desde o cardápio do restaurante</p><p>até o uso de vídeos em Libras e a audiodescrição em exposições. O QR Code é um</p><p>código de barras bidimensional que pode ser facilmente escaneado usando a</p><p>maioria dos telefones celulares ou tablets equipados com câmera e/ou aplicativos</p><p>gratuitos para essa função, além de apresentar um grande volume de informações se</p><p>comparado ao código de barras de uma dimensão.</p><p>Os códigos de barras convencionais são capazes de armazenar no máximo 20 a</p><p>30 dígitos, enquanto o QR Code é capaz de armazenar 7.089 dígitos. O QR Code para</p><p>textos curtos ou endereços de e-mail e telefones não necessita de conexão com a</p><p>internet, o que o torna um recurso ainda mais acessível.</p><p>Tendo em vista que muitos internautas e usuários de aparelhos celulares são</p><p>pessoas com deficiência visual, deficiência auditiva ou mobilidade reduzida, por</p><p>exemplo, excluídas tecnologicamente do acesso à informação via web, por falta de</p><p>acessibilidade nos projetos desenvolvidos para esse setor, o QR Code se apresenta</p><p>como uma ferramenta de inclusão social, de custo relativamente baixo. Os</p><p>conteúdos em áudio, os vídeos, as traduções em Libras e as legendas podem ser</p><p>hospedados em um drive e disponibilizados em um link criado a partir de um</p><p>gerador de QR Code. Depois, basta imprimir o código em um papel, de preferência</p><p>adesivo, ou plastificá-lo.</p><p>Aponte a câmera do celular ou o aplicativo leitor de QR</p><p>Code para acessar o Guia de acessibilidade na cultura:</p><p>igualdade de direitos para as pessoas com deficiência.</p><p>Audiodescrição (AD)</p><p>Os recursos de audiodescrição, ou somente AD, conseguem traduzir imagens</p><p>estáticas ou não em áudio, sendo um dos principais recursos de acessibilidade</p><p>comunicacional para pessoas cegas ou com baixa visão. A cegueira ou baixa visão</p><p>pode ser adquirida ou congênita, ou seja, de nascença, levando à necessidade de</p><p>recursos como bengala, piso tátil, lupa, cão-guia, leitor de tela, sistema braille, além</p><p>da audiodescrição, dentre outros, para a locomoção e comunicação. O professor</p><p>Antônio João Menescal Conde, do Instituto Benjamin Constant, em artigo publicado</p><p>no site do IBC, explica as características da deficiência visual.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>53</p><p>A audiodescrição de imagens estáticas ou conteúdos audiovisuais é mais um</p><p>recurso de tecnologia assistiva (TA).</p><p>Diversamente do que poderíamos supor, o termo cegueira não é absoluto, pois reúne indivíduos com</p><p>vários graus de visão residual. Ela não significa, necessariamente, total incapacidade para ver, mas, isso</p><p>sim, prejuízo dessa aptidão a níveis incapacitantes para o exercício de tarefas rotineiras. Falamos em</p><p>“cegueira parcial” (também dita legal ou profissional): nessa categoria estão os indivíduos apenas</p><p>capazes de contar dedos a curta distância e os que só percebem vultos. Mais próximos da cegueira total,</p><p>estão os indivíduos que só têm percepção de projeções luminosas. No primeiro caso, há apenas a</p><p>distinção entre claro e escuro; no segundo (projeção) o indivíduo é capaz de identificar também a direção</p><p>de onde provém a luz. A cegueira total ou simplesmente amaurose, pressupõe completa perda de visão. A</p><p>visão é nula, isto é, nem a percepção luminosa está</p><p>presente. No jargão oftalmológico, usa-se a</p><p>expressão “visão zero”. Pedagogicamente, define-se como cego aquele que, mesmo possuindo visão</p><p>subnormal, necessita de instrução em Braille (sistema de escrita por pontos em relevo) e como portador</p><p>de visão subnormal aquele que lê tipos impressos ampliados ou com o auxílio de potentes recursos</p><p>ópticos (Conde, 2016).</p><p>Tecnologia Assistiva refere-se a produtos, equipamentos, dispositivos, recursos,</p><p>metodologias, estratégias, práticas e serviços que tenham como objetivo promover a</p><p>funcionalidade, relacionada à atividade e à participação da pessoa com deficiência ou com</p><p>mobilidade reduzida, visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e</p><p>inclusão social (Lei nº 13.146/2015).</p><p>Abaixo vemos, segundo Teles e Alves (2017), uma definição de como são feitas as</p><p>traduções:</p><p>Devemos tratar, então, a audiodescrição como uma atividade de mediação linguística e uma modalidade</p><p>de tradução intersemiótica, bem como a técnica utilizada para tornar o teatro, o cinema, a TV, obras de</p><p>arte visuais, ou seja, qualquer ambiente social e cultural acessível a pessoas com deficiência visual,</p><p>contribuindo para sua inclusão e interação sociocultural. As intervenções são inseridas entre os diálogos</p><p>em produtos audiovisuais e não interfere nos efeitos musicais e sonoros. No caso de obras de artes</p><p>plásticas (pintura, escultura), ocorre a tradução dos aspectos da obra como composição das telas ou</p><p>técnicas utilizadas. A AD pode ser gravada ou feita ao vivo, seguindo um roteiro pré-definido ou de</p><p>maneira totalmente simultânea (Alves; Teles, 2017, p. 419).</p><p>Ou seja, um bom roteirista de AD irá ajustar a descrição nas pausas dos vídeos,</p><p>também chamadas de “respiros”. Outra técnica possível é a pausa da cena para que</p><p>a AD seja feita. Esse recurso não é o mais indicado para vídeos longos, pois aumenta</p><p>ainda mais o tempo final do produto. Para fazer uma audiodescrição gravada é</p><p>necessária a contratação de um profissional capacitado para a função, pois, como</p><p>vimos acima, dependendo do evento, pode-se necessitar de um roteiro prévio.</p><p>Assim, serão necessários, no mínimo, um roteirista, um narrador e, o mais</p><p>importante, um consultor em acessibilidade, uma pessoa com deficiência visual que</p><p>irá validar a audiodescrição gravada.</p><p>Ao vivo, a tarefa torna-se mais complexa, exigindo que o profissional estude</p><p>antecipadamente o local, os participantes e o assunto ou tema que será narrado. A</p><p>AD ao vivo não conta com a validação do consultor, sendo importante, por isso, a</p><p>experiência de quem está narrando, construindo antecipadamente um roteiro com</p><p>todas as informações disponíveis.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>Nos casos em que não for possível contar com esse recurso, seja gravado ou ao vivo,</p><p>podemos dispor de um guia narrador, a pessoa que acompanhará o visitante com</p><p>deficiência pelo espaço, descrevendo literalmente o que estiver vendo, de modo claro e</p><p>objetivo, sem inferências ou interpretações pessoais sobre o que está sendo descrito, do</p><p>modo mais neutro possível.</p><p>Atualmente, em tempos de atuação cultural no digital, muitas lives, vídeos e imagens</p><p>postadas nas redes sociais contam com recursos como janela de Libras, legenda e</p><p>audiodescrição. O Facebook, o Twitter (atual X) e o Instagram já possuem o recurso de</p><p>texto alternativo em imagens estáticas, que pode ser editado pelo usuário.</p><p>Outro exemplo de iniciativa para acessibilizar conteúdo nas redes é a tag #PraCegoVer,</p><p>um projeto de disseminação da cultura da acessibilidade nas redes sociais que tem por</p><p>princípio a audiodescrição de imagens para apreciação pelas pessoas com deficiência</p><p>visual. Foi idealizado pela professora Patrícia Silva de Jesus, conhecida como Patrícia</p><p>Braille, como consta na página Pra Cego Ver no Facebook. Os cegos acessam</p><p>computadores com a ajuda de programas leitores de tela, que, no entanto, não leem</p><p>imagens. Por isso, mesmo que seja feita de maneira informal e não técnica, a prática de</p><p>descrever imagens ou vídeos combate a exclusão digital imposta a esse público por um</p><p>mundo excessivamente imagético, isto é, permeado de imagens para transmitir</p><p>informações.</p><p>Mas como audiodescrever as imagens? Patrícia Silva de Jesus lançou, em 2023, um</p><p>manual com algumas dicas importantes e instruções que precisam ser observadas para a</p><p>elaboração de uma boa audiodescrição. Para iniciar, é importante observar as seguintes</p><p>instruções:</p><p>A B C</p><p>Comece a audiodescrever da esquerda</p><p>para a direita, de cima para baixo.</p><p>Algumas imagens exigirão a quebra</p><p>desta ordem, mas para efeito de</p><p>organização do olhar e ganho de</p><p>habilidade no início do ofício de</p><p>audiodescrever, ter um norte é</p><p>fundamental. Com o tempo, você vai</p><p>notar que a própria imagem diz como</p><p>ela deve ser lida e a partir de que</p><p>direção ela precisa ser observada.</p><p>Anuncie o tipo de imagem:</p><p>fotografia, cartum, tirinha,</p><p>ilustração etc.</p><p>Informe as cores: fotografia em tons</p><p>de cinza, em tons de sépia, em branco</p><p>e preto. Se a foto for colorida, não</p><p>precisa informar “fotografia colorida”,</p><p>porque você vai dizer as cores dos</p><p>elementos da foto na audiodescrição</p><p>e a indicação ficará redundante. Se</p><p>você já vai dizer que a moça está de</p><p>casaco vermelho, ao lado de flores</p><p>amarelas, não é preciso dizer que a</p><p>foto é colorida.</p><p>D</p><p>Audioescreva todos os elementos de</p><p>um determinado ponto da foto e só</p><p>depois passe para o próximo ponto,</p><p>criando uma sequência lógica.</p><p>E</p><p>Audioescreva com períodos</p><p>curtos (se posso falar com três</p><p>palavras, não vou usar cinco).</p><p>Não emita opinião! Considerar bonito,</p><p>atraente, feio etc. é papel do receptor.</p><p>F</p><p>54</p><p>E, no caso de um post, que aspectos precisam ser observados para que ele seja</p><p>realmente acessível? Você já pensou a respeito?</p><p>Para fazer um post acessível, escolha uma imagem e siga esta ordem:</p><p>#pratodosverem Arte gráfica quadrada interligada por</p><p>pontos e linhas brancas divulgando o lançamento do vídeo</p><p>institucional do projeto Polos HUB. No canto superior</p><p>esquerdo a logomarca do programa Polos HUB, uma letra H</p><p>maiúscula vazada com contorno branco. O fundo do cartaz</p><p>é uma imagem colorida de uma pessoa digitando em um</p><p>notebook. Na tela, a página do programa Polos HUB no</p><p>Youtube. Abaixo, em um fundo branco e maiúsculas pretas</p><p>a indicação do lançamento e o pedido para acessar o canal.</p><p>Na barra, em fundo branco, as logomarcas do patrocínio da</p><p>OI, Secretaria da Cultura e Economia Criativa do Rio de</p><p>Janeiro e Governo do Estado, realização Coeficiente</p><p>Artístico e correalização OI Futuro e Musehum. Fim da</p><p>descrição.</p><p>Fonte: @poloshubprojeto (Instagram)</p><p>G H I</p><p>J</p><p>Perceba se a sua audiodescrição</p><p>responde a estas questões: O</p><p>que/quem? Onde? Como?</p><p>Comece pelos elementos menos</p><p>importantes, contextualizando a</p><p>cena, e vá afunilando até chegar ao</p><p>clímax, no ponto chave da imagem.</p><p>Usar artigos indefinidos quando os</p><p>personagens surgirem e definidos</p><p>quando já forem conhecidos.</p><p>Use o tempo verbal sempre no presente (Jesus, 2023, p. 13)</p><p>1 2 3</p><p>Insira, se quiser, as hashtags que</p><p>tenham conexão com o conteúdo</p><p>a ser publicado.</p><p>Escreva a legenda do seu post</p><p>(notícia, motivação, poesia etc.).</p><p>Escreva “audiodescrição” ou, se você</p><p>preferir, use alguma hashtag que</p><p>indique o início da audiodescrição e</p><p>audiodescreva a imagem conforme as</p><p>instruções.</p><p>A audiodescrição da imagem deve estar no fim do seu post. Isso dará à pessoa com</p><p>deficiência a certeza de ter lido toda a audiodescrição, sem a necessidade de você</p><p>escrever “Fim da audiodescrição”.</p><p>Veja a seguir um exemplo de um post acessível:</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>55</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>56</p><p>Atualmente, a tag mais utilizada é #pratodosverem, reforçando o entendimento de</p><p>que a AD beneficia diversos públicos.</p><p>Mas, então, qual seria a diferença entre fazer a AD com uma tag ou com texto</p><p>alternativo?</p><p>A AD com texto alternativo fica embutida na imagem, sendo lida apenas por</p><p>leitores</p><p>de tela, enquanto a tag funciona como uma mensagem educativa, pois todas as pessoas</p><p>leem e entendem que aquele é um recurso de acessibilidade, incentivando o aumento do</p><p>número de pessoas que fazem a AD de suas fotos e imagens.</p><p>A seguir, vejamos um exemplo de audiodescrição de imagem estática:</p><p>Obra: Tortura, de Claudio Valério Teixeira (1970). Acervo Museu Histórico Nacional. Foto: Many Pereira.</p><p>Três mulheres ocupam toda a superfície da tela monocromática na cor</p><p>dourada. Nuas, estão amarradas em cordas que perpassam o corpo e</p><p>apertam o pescoço, mantendo-as presas. Duas mulheres: uma, à frente</p><p>e à esquerda; a outra, no centro e pouco atrás. Pelas pernas a do centro</p><p>está um pouco atrás da mulher à esquerda, mas pelos ombros a do</p><p>centro está à frente em relação à mulher da esquerda. Defrontam o</p><p>espectador com seus rostos encapuzados por panos brancos. À direita,</p><p>de cabeça raspada e livre do pano, com o corpo levemente virado para</p><p>o lado, a terceira mulher possui o pescoço flexionado para trás e olha</p><p>para o alto. Seus corpos estão rígidos, com as mãos espalmadas ao</p><p>longo do corpo e as pernas entrelaçadas. Fim da descrição.</p><p>Note que, no caso da audiodescrição em um texto como esse, existe a necessidade de</p><p>se indicar o final da descrição, pois essa AD ficaria em um QR Code ao lado da obra na</p><p>exposição.</p><p>E como você imagina que é feita a audiodescrição de imagens em movimento? Acesse</p><p>aqui um exemplo de audiodescrição de imagens em movimento, disponível no canal do</p><p>Museu de Arte do Rio (MAR) no YouTube.</p><p>Como ressaltamos, não são apenas as pessoas com deficiência visual que se beneficiam</p><p>da audiodescrição. A audiodescrição de um objeto, de uma cena de filme ou de uma</p><p>fotografia também pode auxiliar idosos, disléxicos, pessoas com deficiência intelectual,</p><p>autistas e pessoas com déficit de atenção, além de ampliar a percepção e o senso de</p><p>observação dos espetáculos, shows, filmes e peças de teatro em pessoas sem deficiência.</p><p>Faça um teste: assista a um vídeo ou filme com audiodescrição, de olhos fechados, e</p><p>descubra outras maneiras de fruição sensorial.</p><p>Braille</p><p>O braille é um recurso que permite que as pessoas com deficiência visual ou baixa</p><p>visão tenham autonomia em textos escritos. O código foi criado pelo francês Louis Braille</p><p>(1809-1852) e chegou ao Brasil na data de inauguração do Instituto Benjamin Constant</p><p>(RJ), em 1854. O sistema é baseado em um processo de escrita que combina 64 caracteres</p><p>em alto-relevo, baseados na combinação de seis pontos que permitem a representação</p><p>do alfabeto e dos números, da simbologia matemática, fonética e musicográfica,</p><p>adaptando-se plenamente às peculiaridades da leitura tátil, pois cada caractere pode</p><p>ser percebido pela parte mais sensível do dedo indicador com apenas um toque.</p><p>Aprofundando a nossa compreensão, é preciso entender que existem pessoas cegas</p><p>com históricos de vida diferentes e que, por isso, podem ter mais ou menos dificuldade</p><p>em compreender certos conceitos. Para o cego de nascença, os conceitos abstratos,</p><p>como justiça e beleza, são mais difíceis de serem compreendidos do que para quem um</p><p>dia já enxergou. Os conceitos concretos, que podem ser tateáveis (carro, sapato,</p><p>brinquedo) e não tateáveis (música e fenômenos climáticos) podem ser construídos mais</p><p>facilmente por associação e com a ajuda de outros sentidos.</p><p>Como o ponto de observação e percepção dos cegos passa comumente pelo</p><p>ensinamento dos videntes, os outros sentidos, como tato e olfato, são de suma</p><p>importância para a educação formal e não formal desse público. As crianças cegas</p><p>aprendem com a família e com os professores, além do contato com outras crianças.</p><p>Nesse sentido, não tolher/inibir a aprendizagem da pessoa cega por considerá-la</p><p>incapaz é a melhor maneira de transmitir conceitos e conhecimentos, com o uso de</p><p>materiais pedagógicos adequados e por meio de associações e metáforas, além do uso</p><p>do braille.</p><p>Hoje em dia existem impressoras modernas que, conectadas à internet, facilitam a</p><p>impressão de textos em braille. Infelizmente, nem todos os cegos no Brasil sabem braille,</p><p>assim como nem todo surdo sabe Libras. Por isso, é importante investir em outros</p><p>recursos acessíveis, como a audiodescrição, as maquetes táteis e os recursos sensoriais</p><p>e olfativos.</p><p>Além de impressoras em braille, há as impressoras 3D, que podem ser utilizadas para</p><p>fazer um modelo tridimensional de uma obra de arte, que em tese não poderia ser</p><p>tocada, ou de uma fotografia, permitindo que a imagem se revele na ponta dos dedos</p><p>das pessoas cegas ou com baixa visão.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>57</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>58</p><p>O espaço tridimensional é aquele que pode ser definido como tendo</p><p>três dimensões, o que na prática indica relevo.</p><p>A tecnologia tem sido aliada das pessoas cegas e surdas. O uso de smartphones</p><p>facilitou sobremaneira a comunicação dessas pessoas. Aplicativos de mensagens por</p><p>áudio e vídeo, por exemplo, diminuem a dificuldade de comunicação com videntes e</p><p>ouvintes.</p><p>Agora que você já conhece as diversas opções para a oferta de acessibilidade</p><p>comunicacional, vamos falar sobre a acessibilidade física.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>59</p><p>3.2 Acessibilidade Física</p><p>A deficiência física é definida pelo Decreto nº 5.296, publicado em 3 de</p><p>dezembro de 2004, como:</p><p>Alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o</p><p>comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de paraplegia,</p><p>paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia,</p><p>hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral,</p><p>nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades</p><p>estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções (Brasil, 2004,</p><p>grifo nosso).</p><p>Então, as barreiras arquitetônicas em espaços públicos ou privados, abertos</p><p>ou fechados, como a falta de calçadas rebaixadas, rampas, corrimões, elevadores,</p><p>escadas rolantes com plataforma para cadeiras de rodas, banheiros adaptados</p><p>etc., impedem que as pessoas com deficiência física circulem em igualdade de</p><p>condições e autonomia. O decreto nº 5.296/2004 também estabelece normas</p><p>gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com</p><p>deficiência ou mobilidade reduzida, inclusive em espaços culturais, como</p><p>podemos ver a seguir.</p><p>Art. 23. Nos teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, locais de espetáculos</p><p>e de conferências e similares, serão reservados espaços livres para pessoas em cadeira de</p><p>rodas e assentos para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, de acordo com</p><p>a capacidade de lotação da edificação.</p><p>§ 1º Os espaços e os assentos a que se refere o caput, a serem instalados e sinalizados conforme os</p><p>requisitos estabelecidos nas normas técnicas de acessibilidade da Associação Brasileira de Normas</p><p>Técnicas - ABNT, devem:</p><p>I - ser disponibilizados, no caso de edificações com capacidade de lotação de até mil lugares, na</p><p>proporção de:</p><p>a) dois por cento de espaços para pessoas em cadeira de rodas, com a garantia de, no mínimo, um</p><p>espaço; e</p><p>b) dois por cento de assentos para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, com a</p><p>garantia de, no mínimo, um assento; ou</p><p>II - ser disponibilizados, no caso de edificações com capacidade de lotação acima de mil lugares, na</p><p>proporção de:</p><p>a) vinte espaços para pessoas em cadeira de rodas mais um por cento do que exceder mil lugares; e</p><p>b) vinte assentos para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida mais um por cento do que</p><p>exceder mil lugares.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>60</p><p>§ 2º Cinquenta por cento dos assentos reservados para pessoas com deficiência ou com mobilidade</p><p>reduzida devem ter características dimensionais e estruturais para o uso por pessoa obesa, conforme</p><p>norma técnica de acessibilidade da ABNT, com a garantia de, no mínimo, um assento.</p><p>§ 3º Os espaços e os assentos a que se refere este artigo deverão situar-se em locais que garantam a</p><p>acomodação de um acompanhante ao lado da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida,</p><p>resguardado o direito de se acomodar proximamente a grupo familiar e comunitário.</p><p>§ 4º Nos locais referidos no caput, haverá, obrigatoriamente, rotas de fuga e saídas de emergência</p><p>acessíveis, conforme padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT, a fim de permitir a saída</p><p>segura de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, em caso de emergência.</p><p>§ 5º As áreas de acesso aos artistas, tais como coxias e camarins, também devem ser acessíveis a</p><p>pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.</p><p>Coxia: corredor em torno do palco, não visível ao público.</p><p>Destacamos em negrito, no texto acima, dois critérios fundamentais para a</p><p>inclusão das pessoas com deficiência: a garantia de um acompanhante próximo e o</p><p>acesso aos bastidores, como coxias e camarins, que beneficiam não só o público,</p><p>mas também o artista com deficiência.</p><p>O Art. 10 do mesmo decreto cita que “a concepção e a implantação dos projetos</p><p>arquitetônicos e urbanísticos devem atender aos princípios do desenho universal,</p><p>tendo como referências básicas as normas técnicas de acessibilidade da ABNT”. A</p><p>ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) editou a NBR 9050/2015, como</p><p>citamos no tópico 1. Além dessa NBR, é importante falarmos sobre o desenho</p><p>universal citado no decreto.</p><p>O horizonte desejável de uma sociedade verdadeiramente inclusiva envolve, certamente,</p><p>pensar em todos nas suas diferenças. As pessoas com deficiência representam apenas um</p><p>recorte da grande diversidade que constitui o mundo. Conceber-se (cada um e todos) como</p><p>parte de um todo constituído de muitas diferenças talvez seja o caminho para desconstruir</p><p>essa organização linear que classifica as pessoas segundo uma série de critérios. Sob este</p><p>prisma, já se concebe que é possível avançar ainda mais, não bastando realizar adaptações</p><p>exclusivas para as pessoas com deficiência, de modo que estas fiquem reclusas a espaços</p><p>separados, mas planejar os ambientes de modo a possibilitar que o maior número possível</p><p>de pessoas possa se beneficiar com tais medidas. Nesse sentido nasce a ideia do “desenho</p><p>universal” (Correia, 2015, p. 16-17).</p><p>NBR 9050/2015</p><p>De acordo com a NBR 9050/2015 (atualizada em 2020), a norma</p><p>regulamentadora de acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e</p><p>equipamentos urbanos, todos os indivíduos deveriam poder utilizar de</p><p>maneira autônoma, independente e segura os ambientes, as edificações e</p><p>os equipamentos urbanos, independentemente de idade, estatura ou</p><p>limitação de mobilidade ou percepção.</p><p>Com certeza você já se deparou com uma sinalização indicando</p><p>acessibilidade física em calçadas, estacionamentos ou edifícios. Essa</p><p>sinalização é utilizada internacionalmente, e seu uso se torna um recurso</p><p>educativo, além de informativo, pois garante a condição de acesso da</p><p>pessoa com deficiência e contribui para a conscientização dos demais sobre</p><p>esse direito. Conforme a ABNT NBR 9050 (2020, p. 41),</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>61</p><p>Desenho Universal</p><p>A imagem abaixo auxilia no entendimento dos princípios do desenho universal,</p><p>tema que será aprofundado no tópico 4 deste curso, mas que é relevante quando</p><p>falamos de acessibilidade física.</p><p>Fonte: Núcleo de Design Gráfico Ambiental (NDGA) - UFRGS: Prof. Me. Eduardo Cardoso,</p><p>Camila Chisini (Graduanda em Design Visual) e Ricardo de Menezes Costa (Graduando em</p><p>Design de Produto).</p><p>A indicação de acessibilidade nas edificações, no mobiliário, nos espaços e nos</p><p>equipamentos urbanos deve ser feita por meio do símbolo internacional de acesso – SIA. A</p><p>representação do símbolo internacional de acesso consiste em um pictograma branco sobre</p><p>fundo azul (referência Munsell 10B5/10 ou Pantone 2925 C). Este símbolo pode,</p><p>opcionalmente, ser representado em branco e preto (pictograma branco sobre o fundo preto</p><p>ou pictograma preto sobre fundo branco), e deve estar sempre voltado para o lado direito,</p><p>conforme Figura 35. Nenhuma modificação, estilização ou adição deve ser feita a estes</p><p>símbolos.</p><p>A ABNT define desenho universal como “concepção de produtos, ambientes,</p><p>programas e serviços a serem utilizados por todas as pessoas, sem necessidade de</p><p>adaptação ou projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva”</p><p>(ABNT, 2020, p. 4). A LBI/2015 traz o mesmo conceito.</p><p>Isso significa que todas as pessoas, todos os corpos, com ou sem mobilidade,</p><p>podem utilizar os mesmos espaços e recursos sem necessidade de adaptação, com</p><p>segurança e autonomia, desde que estes tenham se pautado pelo desenho</p><p>universal.</p><p>Os recursos mais comuns de acessibilidade física são rampas, elevadores,</p><p>cadeiras de rodas, muletas, órteses e próteses, banheiros adaptados, balcões de</p><p>atendimento, bebedouros e telefones públicos com altura reduzida, piso tátil,</p><p>assentos para obesos, dentre outros. Para além de todos os recursos citados neste</p><p>tópico, existem outras ações importantes a que o profissional da cultura deve</p><p>estar atento, visando um atendimento igualitário a todas as pessoas. Veja quais</p><p>são elas:</p><p>Símbolos universais: utilizar símbolos e ícones universalmente reconhecíveis</p><p>para transmitir informações de forma mais clara e acessível;</p><p>Iluminação adequada: garantir uma iluminação adequada em todo o percurso</p><p>para facilitar a visualização dos materiais e obstáculos;</p><p>Maquetes e mapas táteis: disponibilizar maquetes e mapas táteis que permitam</p><p>às pessoas com deficiência visual explorar e entender o layout de uma exposição</p><p>ou espaço de forma tátil;</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>62</p><p>SÍMBOLO INTERNACIONAL DE ACESSO</p><p>Forma A</p><p>Forma B</p><p>Fonte: ABNT-NBR-9050</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>63</p><p>Toque orientado: recriar peças do acervo ou objetos educativos em materiais</p><p>que possam ser tocados, como argila, feltro, impressoras 3D. Disponibilizar</p><p>peças ou objetos originais para toque orientado pelas pessoas com deficiência</p><p>visual, desde que não haja dano ao objeto;</p><p>Roteiros audiodescritos: oferecer audioguias (não é AD) com roteiros</p><p>descritivos detalhados para acompanhar o percurso, permitindo que as</p><p>pessoas com deficiência visual tenham uma experiência mais informativa;</p><p>Áreas de descanso: disponibilizar áreas de descanso adequadas para pessoas</p><p>com mobilidade reduzida ou com outras necessidades específicas;</p><p>Acessibilidade digital: assegurar que o conteúdo da peça, exposição ou show</p><p>também esteja disponível online de forma acessível, seguindo padrões de</p><p>acessibilidade web.</p><p>Como vimos, a acessibilidade envolve ter atitude e fornecer meios de inclusão,</p><p>às vezes bem simples e que só dependem de cada um, como, por exemplo, fazer</p><p>um curso de Libras para aprender a se comunicar com a comunidade surda, fazer</p><p>um curso como este, de acessibilidade cultural, etc. Tudo isso é ter empatia, é</p><p>estar atento às questões sociais que garantem pleno direito às minorias, não só</p><p>às pessoas com deficiência, mas também aos idosos, às mulheres, aos refugiados,</p><p>às pessoas em situação de rua ou em vulnerabilidade social, em um conceito mais</p><p>amplo de cidadania cultural.</p><p>Dessa maneira, concluímos que existem muitas formas de se prover</p><p>acessibilidade física e acessibilidade de conteúdo para caminharmos em direção</p><p>a uma sociedade mais inclusiva e mais igualitária, na qual produtos, serviços,</p><p>espaços e conteúdos possam ser gerados de maneira a atender a todos, com</p><p>autonomia, segurança e possibilidade de escolha, respeitando sempre as</p><p>diferenças.</p><p>Chegamos ao final deste tópico. Neste momento do curso, esperamos que</p><p>você compreenda um pouco mais</p><p>sobre a importância da acessibilidade cultural e</p><p>tenha ampliado os seus conhecimentos sobre os direitos de acesso da pessoa</p><p>com deficiência. Desejamos, também, que você consiga agora identificar e definir</p><p>os tipos de deficiência e de acessibilidade, entendendo a necessidade de se</p><p>praticar as acessibilidades comunicacional e física.</p><p>Material complementar</p><p>Leia os materiais complementares disponibilizados e assista aos vídeos indicados,</p><p>de forma a ampliar a sua visão sobre o tema.</p><p>VÍDEO</p><p>Workshop Sensibilização em Audiodescrição com audiodescrição</p><p>VÍDEO</p><p>Peça A Princesinha Medrosa inova no teatro infantil | GUIA FORA DA CASINHA</p><p>VÍDEO</p><p>Residência Educativa – OcupAÇÕES Acessíveis – convida Programa Educativo Oi Futuro</p><p>ARTIGO</p><p>Impressora 3D permite que cegos apreciem obras de arte clássica pela primeira vez</p><p>ARTIGO</p><p>Acessibilidade em museus e centros de ciências: experiências, estudos e desafios</p><p>64</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=cRZO4cMh-0k&t=2s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=cRZO4cMh-0k&t=2s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=cRZO4cMh-0k&t=2s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=yJ3Cx6P2UDY</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=yJ3Cx6P2UDY</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=yJ3Cx6P2UDY</p><p>https://vimeo.com/367340261</p><p>https://vimeo.com/367340261</p><p>https://vimeo.com/367340261</p><p>https://www.vidamaislivre.com.br/impressora-3d-permite-que-cegos-apreciem-obras-de-arte-classica-pela-primeira-vez/</p><p>https://www.vidamaislivre.com.br/impressora-3d-permite-que-cegos-apreciem-obras-de-arte-classica-pela-primeira-vez/</p><p>https://www.vidamaislivre.com.br/impressora-3d-permite-que-cegos-apreciem-obras-de-arte-classica-pela-primeira-vez/</p><p>https://revistaforum.com.br/blogs/ativismo-de-sofa/2016/12/6/ecapacitismoquando-hashtag-amplia-debate-nas-redes-sociais-832.html</p><p>https://revistaforum.com.br/blogs/ativismo-de-sofa/2016/12/6/ecapacitismoquando-hashtag-amplia-debate-nas-redes-sociais-832.html</p><p>https://grupomccac.org/wp-content/uploads/2021/03/LivroAcessibilidadeEmMuseusDeCiencias_v2021-03-30b.pdf</p><p>65</p><p>Referências</p><p>BRASIL. Decreto-Lei 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de</p><p>2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras, e o art. 18 da Lei no 10.098, de 19 de</p><p>dezembro de 2000. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2005.</p><p>BRASIL. Decreto n° 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os</p><p>Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinado em Nova York, em 30</p><p>de março de 2007. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2009.</p><p>ALVES, Soraya Ferreira; TELES, Veryanne Couto. Audiodescrição simultânea: propostas</p><p>metodológicas e práticas. Trabalhos em Linguística Aplicada, Campinas, v. 56, n. 2, p. 417-441, 2017.</p><p>Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/tla/article/view/8647486.</p><p>Acesso em: 20 maio 2024.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050: acessibilidade a edificações, mobiliário,</p><p>espaços e equipamentos urbanos. Rio de Janeiro, 2015.</p><p>BRASIL. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência</p><p>Social e dá outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 1991.</p><p>BRASIL. Lei nº 14.624, de 17 de julho de 2023. Altera a Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015 (Estatuto da</p><p>Pessoa com Deficiência), para instituir o uso do cordão de fita com desenhos de girassóis para a</p><p>identificação de pessoas com deficiências ocultas. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2023.</p><p>BRASIL. Decreto nº 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nos 10.048, de 8 de</p><p>novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de</p><p>dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da</p><p>acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras</p><p>providências. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2004.</p><p>BRITISH COUNCIL BRASIL. Guia de acessibilidade na cultura: igualdade de direitos para as pessoas</p><p>com deficiência. British Council, 2015. Disponível em:</p><p>https://issuu.com/britishcouncilbrasil/docs/guia_unlimited_de_acessibilidade_na#google_vignett</p><p>e. Acesso em: 19 maio 2024.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais-LIBRAS e dá</p><p>outras providências. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2002.</p><p>CARDOSO, Eduardo (org.). Uso de infográficos no ensino de acessibilidade em design e arquitetura.</p><p>Porto Alegre: UFRGS, [s. d.]. Disponível em: https://www.ufrgs.br/comacesso/wp-</p><p>content/uploads/2022/09/Uso-de-infogra%CC%81ficos-no-ensino-de-acessibilidade-em-design-e-</p><p>arquitetura_Eduardo-Cardoso-Org.pdf. Acesso em: 30 abr. 2024.</p><p>CONDE, Antônio João Menescal. Definição de cegueira e baixa visão. Instituto Benjamin Constant,</p><p>2016. Disponível em: http://antigo.ibc.gov.br/educacao/71-educacao-basica/ensino-</p><p>fundamental/258-definicao-de-cegueira-e-baixa-visao. Acesso em: 20 maio 2024.</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p><p>https://web.facebook.com/jobita0/posts/10222596941506405?__cft__</p><p>https://web.facebook.com/jobita0/posts/10222596941506405?__cft__</p><p>https://web.facebook.com/jobita0/posts/10222596941506405?__cft__</p><p>CORREIA, João Batista Santana. Plano Nacional de Cultura e acessibilidade: a inclusão cultural em</p><p>museus. 2015. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Relações Públicas) – Universidade</p><p>Federal do Pampa, São Borja, 2015. Disponível em:</p><p>https://cursos.unipampa.edu.br/cursos/relacoespublicas/files/2016/10/PLANO-</p><p>NACIONAL-DE-CULTURA-E-ACESSIBILIDADE-A-inclus%C3%A3o-cultural-em-museus.pdf. Acesso em: 20</p><p>maio 2024.</p><p>FUNDAÇÃO DORINA NOWILL PARA CEGOS. Conheça 7 tipos de acessibilidade para tornar nossa</p><p>sociedade mais inclusiva. Fundação Dorina Nowill para Cegos, São Paulo, 30 mar. 2020. Disponível em:</p><p>https://fundacaodorina.org.br/blog/sete-tipos-de-acessibilidade/. Acesso em: 20 maio 2024.</p><p>JESUS, Patrícia Silva de. Audiodescrição em QR Code para produtos editoriais. Feira de Santana, BA:</p><p>UFRB, 2023.</p><p>MACHADO, Ana Paula. Cultura surda é desconhecida pela sociedade brasileira. Humanista, Porto</p><p>Alegre, 22 jan. 2018. Disponível em: https://www.ufrgs.br/humanista/2018/01/22/cultura-surda-e-</p><p>desconhecida-pela-sociedade-brasileira/. Acesso em: 20 maio 2024.</p><p>PRA CEGO VER. Página no Facebook. Disponível em: https://www.facebook.com/PraCegoVer?</p><p>locale=pt_BR. Acesso em: 20 maio 2024.</p><p>SASSAKI, Romeu Kazumi. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de</p><p>Reabilitação (Reação), São Paulo, ano XII, p. 10-16, mar./abr. 2009.</p><p>66</p><p>CURSO FIC</p><p>ACESSIBILIDADE CULTURAL</p><p>TÓPICO 3</p><p>OUTRAS DIMENSÕES DA ACESSIBILIDADE</p>