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<p>CASO CLINICO 1</p><p>Mariana, médica recém formada, decidiu vivenciar a experiência de trabalhar no interior de Pernambuco, no sertão, numa cidade de muito baixo IDH chamada Manaira. Desde o início ficou impactada como a prática naquele local era muito diferente do que havia aprendido na faculdade e nos livros.</p><p>Logo nos primeiros dias, numa consulta de puericultura, conheceu Joana e sua filha Lua. Lua tinha 4 meses e era dona de um sorriso fácil. Nos primeiros minutos de consulta já dava pra perceber que ela já sentava com apoio, mantinha a cabeça firme e levava objetos à boca, com uma boa coordenação motora para idade. Além disso atingia todos os outros marcos do desenvolvimento para idade.</p><p>Joana contou que não conseguiu amamentar e seguiu os conselhos da prima: começou a oferecer leite integral de vaca líquido puro, 5 vezes ao dia no volume de 200ml por vez. Às vezes, quando tinha um dinheiro a mais comprava do tipo desnatado porque achava que devia fazer bem pra sua bebê. Fora o leite, oferecia também água do poço, dizia que a água era cristalina e que todos da família consumiam e gozavam de boa saúde. Joana contou também que Lua tinha conseguido comer uma banana amassada e não engasgou, achava que era a hora de começar a dar comidinhas.</p><p>Mariana teve um verdadeiro brainstorm de dúvidas!</p><p>Diante do caso, e por perceber que possivelmente não seria apenas Joana e Lua nessa situação, Mariana resolveu estudar como poderia orientar nos casos em que a amamentação não tivesse sido possível, nem tampouco fórmula infantil. …Porque a única coisa que lembrava na hora da consulta era: “até os 6 meses leite materno e depois introdução alimentar”...</p><p>Ajudem Mariana a solucionar suas dúvidas:</p><p>Sabia que Joana não conseguiria comprar Fórmula Infantil pois vivia em situação de extrema pobreza. Daí vieram os questionamentos em cascata: 1. Esse leite integral vinha sendo oferecido de maneira correta? 2. Já podia beber água (inclusive do poço)? 3. Era tranquilo oferecer leite desnatado? 4. A partir de agora (4 meses), continuaria oferecendo outros alimentos ou só o leite até os 6 meses também? 5. Se fosse necessário iniciar a introdução: quantas vezes ao dia, quais os grupos alimentares e qual frequência nesse primeiro mês. 6. Quais são os sinais de prontidão para início da introdução?</p><p>CASO CLINICO 2</p><p>Bruninha tem 9 meses e é acompanhada rotineiramente na puericultura da USF Esperança. Sua mãe Jaqueline é muito cuidadosa, sempre quis ser mãe, fez o pré natal adequadamente e segue todas as orientações dos profissionais de saúde. Felizmente Jaqueline conseguiu um emprego assim que Bruninha completou 6 meses, desde então a menor fica com sua mãe - dona Juliete. Na consulta anterior, aos 6 meses, foi orientada a introdução alimentar e a manutenção do leite materno de acordo com a possibilidade materna de estocar o leite e de ofertar a noite. Jaqueline tem se esforçado ao máximo para manter o leite materno e dar conta do trabalho, porém a parte da introdução dos alimentos ficou a cargo da avó.</p><p>Dona Juliete tentou dar frutas amassadas mas achou que Bruninha estava cuspindo e não havia gostado. Tentou 1x com banana e 1x com maçã. Tentou ainda amassar o feijão e o arroz e achou que ela fez cara de nojo. Depois de 4 dias tentando, teve a ideia de bater tudo no liquidificador e ficou ofertando tudo liquido (2 lanches de suco e 1 almoço com tudo batido: feijão, arroz e carne). Jaqueline mantinha o aleitamento materno a noite.</p><p>Quando Bruninha demorava pra comer, dona Juliete colocava videos no tablet pois percebia que ela conseguia comer mais rápido (até brincava: “ela vira um robô, é otimo”) e estava muito satisfeita com a aceitação dos caldos que vinha ofertando. Nos fins de semana Jaqueline ainda insistia tentando dar algum alimento amassado mas não tinha paciência porque tudo ficava sujo, demorava muito e parecia que Bruninha fazia de propósito para chamar atenção - “só quer brincar com a comida!”. Jaqueline ainda achava que com as comidas amassadas ela comia muito pouco (só umas 4 colheres de sopa, no máximo).</p><p>Jaqueline e dona Juliete começaram a ficar preocupadas porque Bruninha não estava ganhando peso.</p><p>Questionamentos:</p><p>· Quais os principais problemas identificados na alimentação de Bruninha?</p><p>· Como deve ser a consistência dos alimentos - dos 6 meses ao 1 ano</p><p>· Como deveria estar sendo o cardápio de uma criança de 9 meses que ainda está em aleitamento materno - (número de refeições ao dia, grupos alimentares em cada refeição, volume do preparado) e sugestões para a família</p><p>· Dicas de como lidar com crianças que não querem comer (dar exemplo do que fazer e o que não fazer)</p><p>· Quais são as orientações atuais sobre suco</p><p>CASO CLINICO 3</p><p>Jonas tinha 1 ano e nunca havia sido consultado no posto. Sua mãe, Helena, costumava procurar a emergência quando tinha alguma dúvida sobre a saúde do seu filho. Certo dia, em uma de suas idas, dessa vez com quadro de gastroenterite, a pediatra perguntou sobre o cardápio da criança e, sem muita paciência falou: seu filho vai ficar diabético desse jeito, melhor procurar atendimento no seu posto - escreveu uma carta pedindo acompanhamento de puericultura, prescreveu um Soro de Reidratação e deu alta.</p><p>A enfermeira Laura da unidade de saúde, muito cuidadosa e competente na puericultura, desconhecia Jonas pois ele era de área descoberta mas acolheu a mãe que estava desesperada porque a médica havia falado sobre diabetes.</p><p>Jonas entrou no consultório com um saco pequeno de salgadinho na mão e a boca melada de chocolate. A mãe Maria carregava um suco de garrafinha sabor laranja. Maria não trazia nenhuma queixa específica, dizia que Jonas era “bom de boca”, comia tudo que os adultos da casa comiam e tinha poucas restrições. Relatou que até os 6 meses era só leite materno e que depois substituiu para Mingau e foi começando as comidas de casa. Na casa, Maria é responsável por todos os afazeres da casa além do cuidado de seus outros filhos, além disso ainda faz “bico” como manicure e diz ter pouco tempo para cozinhar.</p><p>CARDÁPIO:</p><p>Café - Mingau 300ml de mingau (leite: Composto Lácteo, mucilon, banana)</p><p>Lanche da manhã - danone de morango com cereal açucarado</p><p>Almoço - Feijão, arroz, macarrão, alguma carne (preferência: salsicha, nuggets, hamburguer pronto)</p><p>Lanche da tarde - Biscoito recheado, suquinho pronto</p><p>Jantar - cuscuz ou alguma raiz com ovo ou queijo de saquinho ou nuggets frito</p><p>Antes de dormir: Mingau</p><p>Laura sabe que crianças com hábitos alimentares já estabelecidos são os mais difíceis de ajustar. Ela prefere quando consegue falar sobre o assunto desde o pré natal, mas infelizmente nem sempre é possível.</p><p>Questionamentos:</p><p>1. Qual categoria de alimentos predomina na refeição de Jonas (in natura, processado, ultraprocessado)? O que é um alimento ultraprocessado e como identificá-lo?</p><p>2. Existe diferença entre composto lácteo e leite de vaca?</p><p>3. Quais são as orientações sobre açúcar e sal para as crianças menores de 2 anos?</p><p>4. Como seria o formato ideal do prato de almoço e jantar de uma criança de 1 ano (quais grupos alimentares) e qual quantidade média?</p>

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