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<p>CADORE & LEDUR Análise sintática APLICADA YZ G</p><p>Luiz Agostinho Cadore Paulo Flávio Ledur Análise sintática APLICADA Fundamentos de concordância, regência, crase, colocação, pontuação e significado edição AGE EDITORA PORTO ALEGRE 2016</p><p>parte Dos termos da oração A palavra é 0 fio de ouro do pensamento. (Sócrates) Numa visão de conjunto, os termos da oração classificam-se como mostramos no Quadro sinótico 1. TERMOS ESSENCIAIS SUJEITO X PREDICADO Quando externamos um pensamento, em outras palavras, quando forma- mos uma oração, recorremos, normalmente, a dois elementos considerados indispensáveis e, por isso mesmo, chamados essenciais. eles: a) SUJEITO - o ser do qual declaramos alguma coisa. b) PREDICADO - aquilo que declaramos do sujeito. o poder público necessita de bons gestores. sujeito predicado A juíza interrogou o réu com muita segurança. sujeito predicado SINTÁTICA 23</p><p>TERMOS DA ORAÇÃO Simples Sujeito Composto Indeterminado Verbo intransitivo Verbal Verbo transitivo + Objeto direto e objeto indireto Verbo de ligação + Predicado Nominal Predicativo do sujeito Verbo transitivo Verbo- ou intransitivo + nominal Predicativo do sujeito ou do objeto Objeto direto Objeto indireto Complemento verbal Objeto direto preposicionado Objeto direto pleonástico Complemento nominal Agente da passiva Adjunto adnominal Adjunto adverbial Aposto Vocativo Quadro sinótico 1. Como mostram os exemplos anteriores, tudo, na oração, que não for sujeito, será predicado. No entanto, alguém pode perguntar, com razão: onde ficam, então, os demais termos da oração apresentados no quadro sinótico? 24 CADORE & LEDUR</p><p>A resposta é simples: Esses termos se agrupam em torno dos núcleos do sujeito e do predicado, com o objetivo de complementá-los ou, simples- mente, para ajuntar-lhes uma ideia a mais. SUJEITO Como vimos, sujeito é o ser do qual declaramos alguma coisa. sujeito predicado Um moderno estabelecimento de ensino atendia aquela comunidade. núcleo núcleo do sujeito, nesta oração, é o substantivo estabelecimento, que vem acompanhado dos elementos secundários um, moderno e de Modo prático para identificar sujeito Encontramos facilmente o sujeito formulando ao predicado a pergunta: - Quem é que? (para pessoas) ou que é que? (para coisas). Ex.: que é que atendia aquela comunidade? R.: "Um moderno estabelecimento de ensino." Pronto! A resposta é o sujeito da oração. TREINAMENTO IMEDIATO Empregando, agora, a maneira prática para identificar o sujeito, na coluna e, na coluna, transcreva os seus núcleos. Siga o modelo: Orações Sujeitos Núcleos 1 Uma banda de rock sacudia a galera. Uma banda de rock banda (continua) SINTÁTICA AP IICADA 25</p><p>(continuação) Orações Sujeitos Núcleos 2 imenso bloco de gelo ruiu em meio às águas do Polo 3 Caiu silêncio. 4 Um canto mavioso invadia a brisa da noite. 5 Achava-se aquela casa na beira da 6 Cada novo dia permite uma nova 7 A ignorância é a maior enfermidade do gênero humano. (Cicero) 8 A primeira criatura de Deus foi a luz. 9 Um livro fechado é apenas um bloco de papel. (prov. chinês) 10 o homem sensato corrige seus erros pelo erro dos outros. (Osvaldo Cruz) Constituição do sujeito Se o sujeito é o ser sobre o qual fazemos uma declaração, o seu núcleo deve, evidentemente, ser constituído de um Não é necessário, no entanto, que o núcleo do sujeito seja um substantivo propriamente dito; basta que seja constituído de um substantivo virtual, isto é, de uma palavra, locução ou oração com força de substantivo. Dessa forma, além do substantivo essencial, pode o núcleo do sujeito ser expresso por: 1. Uma palavra substantivada Mas é uma conjunção coordenativa adversativa. não é uma palavra dura e necessária. Rir é o melhor remédio. o impossível acontece. 26 CADORE & LEDUR</p><p>2. Uma locução substantivada Independência ou Morte! foi o grito do Ipiranga. Saber para servir foi o lema escolhido pelos formandos. 3. Um pronome Tu não te preocupas com o teu futuro? Tudo anda muito bem. Quem está Isto é uma maravilha! 4. Uma oração Convém que estudes informática. É bom que voltes mais vezes. 5. Um numeral Apenas dez conseguiram aprovação. Somente três permaneceram sentados. Classificação do sujeito 1. SIMPLES: aquele que possui um só núcleo. sujeito simples predicado o jovem empresário inovou negócio. núcleo no singular sujeito simples predicado Três quadros de Picasso enriquecem a exposição. núcleo no plural Consideramos simples também o sujeito constituído de dois substantivos sinônimos que, coordenados, mantêm o verbo no singular. A Botânica ou a Fitologia estuda a variedade das plantas. 2. COMPOSTO: aquele que apresenta dois ou mais núcleos. sujeito composto o ouro e as riquezas são as principais causas das guerras. núcleo núcleo SINTÁTICA 27</p><p>sujeito composto No restaurante são proibidos cigarro, cachimbo e charuto. núcleo núcleo núcleo 3. INDETERMINADO: aquele que não aparece expresso, nem é de- terminado ou especificado objetivamente, porque não queremos ou porque não achamos necessário. Dizem por aí que... Fala-se à boca pequena que... sujeito indeterminado pode ocorrer sob duas formas: a) Com o verbo na pessoa do singular, acompanhado da partícula SE, que denota a indeterminação do sujeito: Vive-se bem neste condomínio. Precisa-se muito de bons administradores. Quem é que vive bem neste condomínio? Resposta: Alguém, a gente - sujeito indeterminado, pois a oração não nomeia, nem especifica condômino algum daquele condomínio. Quem é que precisa muito de bons administradores? Resposta: Alguém, a gente - sujeito indeterminado, pois o enunciado não nomeia nem especifica pessoa alguma que precisa de administrador. b) Com o verbo na pessoa do plural, sem referência a ser ou seres determinados: Dizem que o ladrão foi preso. Contam lorotas por aí. verbo na pess. pl. verbo na pess. pl. Quem é que o diz? Resposta: alguém, a gente, não sabemos ao certo. Quem é que as conta? Resposta: alguém, a gente, não sabemos ao certo. Logo, nos dois casos, o sujeito é indeterminado. Observação: Não devemos confundir sujeito indeterminado com sujeito subentendido (na desinência verbal). Sujeito subentendido é sujeito não expresso, porém conhecido; enquanto que sujeito indeterminado não é expresso nem conhecido, menos ainda determinado. Exemplos: 28 CADORE & LEDUR</p><p>Encontrei a solução. Quem é que encontrou a solução? R.: [Eu] sujeito simples subentendido. Nesta turma fala-se muito. Quem é que fala muito? R.: Alguém, a gente: sujeito indeterminado. 4. ORAÇÃO SEM SUJEITO Há casos em que a oração não tem sujeito. o predicado apenas expressa fato verbal, sem atribuí-lo a nenhum agente. Isso ocorre com certos verbos chamados impessoais, porque se apresentam só na pessoa do singular. Eis os principais: a) Verbos que denotam fenômenos próprios da natureza: amanhecer, anoitecer, entardecer, chover, relampejar, trovejar, ventar, etc. Amanhece cedo no verão. Em certos lugares, choveu sem parar. Quem é que amanhece cedo? Não há resposta; logo, oração sem sujeito. Quem é que choveu sem parar? Não há resposta; logo, oração sem sujeito. Mas, em sentido figurado, tais verbos passam a ter sujeito e viram verbos pessoais, como podemos ver pelos exemplos: Para aquele concurso, choveram candidatos. Choveram pérolas nas provas do Enem. o instrutor trovejava ordens sobre os recrutas. Seus olhos relampejavam de felicidade. b) Verbo haver significando existir ou ocorrer (a palavra que se segue a este verbo desempenha a função de objeto direto). Havia fartura em todos os lares. (Existia fartura...) ofertas para todos os gostos. (Existem ofertas...) c) Verbos haver e fazer, indicando tempo decorrido (também aqui, o que se segue aos verbos é objeto direto, e não sujeito). meses que espero pela vaga. Faz duas horas que o despertador tocou. SINTÁTICA 29</p><p>É importante observar que haver e fazer transmitem a impessoalidade aos seus verbos auxiliares, que, junto com eles, formam locução verbal: Deve fazer dez graus na serra. Pode haver várias soluções. d) Verbos bastar e chegar acompanhados da preposição de, em orações exclamativas. Basta de brincadeiras! Chega de críticas infundadas! e) Verbos ser e estar indicando tempo, hora ou data. Era cedo ainda. Está muito frio. Hoje é primeiro de abril. Acorde, filho, já são 10h. Observando o último exemplo, vemos que o verbo ser, por atração, pode concordar com o predicativo. Outro exemplo: Eram cinco horas da tarde. APLICAÇÃO PRÁTICA Concordância verbal É na identificação do sujeito que se aplica a regra da concordância verbal, pois, com exceção dos verbos de ligação, o verbo sempre concorda em pessoa e número com o sujeito. Atente para os exemplos: jovem empresário inovou o negócio. Três quadros de Picasso enriquecem a exposição. Como podemos observar, os verbos inovar e enriquecer concordaram com os núcleos dos sujeitos simples empresário pess. sing.) e quadros pess. pl.). ouro e a ganância são as principais causas das guerras. Como sujeito tem dois núcleos (sendo, portanto, composto), o verbo ser foi para o plural. 30 CADORE & LEDUR</p><p>[eu] Gostei do seu trabalho. Aqui o sujeito é subentendido, mas claramente identificado (eu); então, verbo gostar concordou com ele. Vive-se bem naquele condomínio. Neste exemplo, o sujeito é indeterminado, ou seja, apesar de se saber que alguém vive, não se sabe exatamente quem, ou seja, sujeito é desco- nhecido. Como poderia o verbo concordar com o desconhecido? Resultado: o verbo fica na forma impessoal, que é a terceira pessoa do singular (vive). Observação: Em frases como Dizem que ladrão foi preso e Contam lorotas por ai, o sujeito é indeterminado, mas há a intenção de dizer que mais de um disse e conta, razão por que os verbos estão no plural. Havia ofertas para todos os gostos. Faz seis anos. Chega de infundadas. Estas frases não têm sujeito, não podendo o verbo concordar com o que não existe; por isso, os verbos haver, fazer e chegar ficam na forma impessoal, ou seja, na terceira pessoa do singular. Esclareça-se que ofertas, seis anos e de infundadas são complementos verbais, e não sujeitos. Casos particulares de concordância verbal serão esclarecidos na parte deste livro (p. 109 e segs.). EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO A. Complete os espaços pontuados, analisando o sujeito. Siga o mo- delo: 1. "A morte e o jogo nivelam todas as classes." (Samuel Foote) Sujeito: A morte e o jogo. Núcleo(s): morte - jogo. Classificação: composto. AP 31</p><p>2. Pelas coxilhas da campanha, corria o vento frio de agosto. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: 3. Nóbrega e Anchieta salvaram Piratininga do assalto indígena. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: 4. que e o se são pequenas palavras de muitas funções. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: 5. Aprender é mudar. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: 6. A incerteza, o despeito, o receio pintavam-se nos rostos de muitos. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: 7. Parece que a situação melhorou. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: 8. era seu lema predileto. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: 9. Cobriam a lauta mesa caviar, carne de faisão, uvas especiais e tâmaras. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: 32 CADORE & LEDUR</p><p>10. Botaram o bloco na rua aqueles sambistas inveterados. Sujeito: Núcleo(s): Classificação: B. Diga se o sujeito das orações seguintes é simples, subentendido (ou impli- cito), indeterminado, ou se a oração é sem sujeito: 1. À noite, choveu torrencialmente. 2. Luta-se por mais justiça no mundo. 3. Não há grandeza sem esforço. 4. Precisa-se de bons mecânicos. 5. Fomos sorteados na última Loto. 6. Alguém bateu à porta. 7. Nunca se assistiu a um filme tão emocionante. 8. Era alta noite. 9. Sombras espessas cobriam as margens daquele rio. 10. Estão cortando árvores demais. C. Transforme o sujeito indeterminado em sujeito simples subentendido (ou Siga o modelo: 1. Picharam o muro da Av. Mauá. [Eu] Pichei o muro da Av. Mauá. SINTÁTICA 33</p><p>2. Lançaram cartazes de combate à dengue. 3. Optou-se pelo sistema simples na declaração do imposto de renda. 4. Precisa-se de corretores de imóveis. 5. Naquela roda, só se falava de futebol. 6. Hoje em dia, muito pouco. PREDICADO Predicado, como já vimos, é tudo quanto se declara do sujeito; e, quando a oração é sem sujeito, ele apenas enuncia um simples fato. A respeito do sujeito, pode o predicado declarar: a) uma ação praticada ou sofrida por ele. cientista investiga os fenômenos. sujeito agente predicado ação praticada inimigo foi derrotado. sujeito paciente predicado ação sofrida b) uma qualidade, estado ou condição. Francisco está debilitado. sujeito predicado estado guarda de trânsito foi vigilante. sujeito predicado qualidade 34 CADORE & LEDUR</p><p>Classificação do predicado 1. Verbal, quando o seu núcleo é constituído de um verbo. Se o predicado exprimir que o sujeito faz ou sofre, ele será sempre verbal, pois, nesses casos, cabe ao verbo ser o elemento principal da de- claração. predicado verbal o técnico apresentou a nova seleção. núcleo (verbo) verbo apresentou traduz, sem dúvida, a ideia principal do que se afirma do sujeito técnico; por tal motivo, predicado é verbal. Como, no entanto, o verbo apresentou não foi capaz de expressar tudo quanto se quis dizer do sujeito, reclamou, para complementá-lo, o termo integrante que o segue: a nova seleção. 2. Nominal, quando seu núcleo é um nome. Se o predicado traduz o que o sujeito é (estado ou qualidade), como está (estado ou qualidade) ou passa a ser (estado, qualidade ou condição), cabe ao nome exprimir a declaração principal do predicado. é continua permanece Felisbino anda FELIZ. está núcleo parece (nome) Como vemos, o núcleo do predicado, nessas orações, já não é mais um dos verbos, mas sim o nome feliz, pois que realmente se atribui a Felisbino é o seu estado de felicidade. Feliz é, assim, o núcleo do predicado, enquanto que os verbos é, con- tinua..., serviram, unicamente, para ligar o nome feliz ao sujeito Felisbino; chamam-se, por isso, verbos de ligação. Os principais verbos de ligação são: ser, estar, ficar, andar, parecer, per- manecer, continuar, virar e mais alguns poucos. nome que constitui núcleo do predicado nominal vem a ser predicativo do sujeito. Outros exemplos de predicados nominais: SINTÁTICA 35</p><p>sujeito predicado nominal A crisálida virou borboleta. V. de ligação predicativo do sujeito sujeito predicado nominal o calor ficara insuportável. de ligação predicativo do sujeito 3. Verbo-nominal, quando possui dois núcleos: um verbo e um nome. sujeito predicado A modelo desfilou nervosa. núcleo núcleo Nesta oração, na realidade, há duas afirmações, que podemos assim destacar: modelo desfilou. verbal) núclco 2. A modelo estava nervosa. (pred. nominal) núcleo (nome) Como podemos observar, houve no exemplo a fusão de dois tipos de predicados, para se constituírem num terceiro: predicado verbo-nominal, fruto da soma do predicado verbal + predicado nominal. Confirmemos essa dupla estrutura com outro exemplo: sujcito predicado noivo esperava ansioso a entrada da noiva. núcleo (verbo) núcleo (nome) 1. noivo cspcrava.. (prcd. vcrbal) 2. noivo estava ansioso (pred. nominal) 36 CADORE & LEDUR</p><p>TREINAMENTO IMEDIATO Preencha adequadamente as colunas do quadro abaixo e classifique o pre- dicado. Siga o modelo: Predicado Núcleo(s) Classificação 1. cineasta foi foi homenageado homenageado nominal homenageado. 2. velho cacique passeava soturno diante da cabana. 3. "Não descende covarde do forte." (G.D.) 4. Olavo já está transferido. 5. Os soldados voltaram abatidos. 6. "Então, forasteiro, cai prisioneiro de um troço guerreiro." (G.D.) 7. "A história é a mestra da vida." (Cicero) 8. A moça ficou pensativa. 9. lutador virou uma fera. 10. A chuva levemente. TERMOS INTEGRANTES São termos integrantes da oração os que completam o sentido de um verbo, ou integram o significado de um nome. SINTÁTICA AP IICADA 37</p><p>TIPOS DE COMPLEMENTOS a) Complementos verbais na voz ativa: objeto direto objeto indireto b) Complemento verbal na voz passiva: agente da passiva c) Complemento do nome (substantivo, adjetivo e advérbio) de sen- tido incompleto: - complemento nominal. Iniciemos com os itens a e b. PREDICAÇÃO VERBAL que é predicação verbal? É o estudo dos verbos e de seus complementos. Para bem entendermos o que são complementos verbais, observemos as frases abaixo: pássaro voa. Nós enfrentamos O sol brilha. Eu obtive A criança brinca. Pedro depende A simples leitura dessas frases nos diz que, nas orações da coluna, não houve necessidade de nenhum termo a mais depois dos verbos voa, e brinca. Ninguém, certamente, nos indagará: "O que é que o pássaro voa? que é que o sol brilha? que é que a criança brinca?" Esses verbos são autossuficientes; eles não reclamam, nem exigem termo algum, pois encerram sentido completo. Tais verbos denominam-se verbos intransitivos. mesmo não sucede com os exemplos da coluna. Sentimos, ao fazer sua leitura, a falta de mais um termo, pois os verbos das três orações não têm o seu sentido completo. Precisamos responder as seguintes indagações: - o que é que nós enfrentamos? que é que eu obtive? De que ou de quem Pedro depende? Logo, concluímos que é necessário inteirar o sentido desses verbos, acrescentando-lhes os complementos que reclamam. 38 CADORE & LEDUR</p><p>Assim, teremos: Nós enfrentamos desafio. (compl. verbal) Eu obtive bons resultados. (compl. verbal) Pedro depende de terceiros (compl. verbal) Portanto, os verbos cujo sentido deve ser completado por um termo integrante denominam-se verbos transitivos. TRANSITIVIDADE DOS VERBOS 1. Transitivos diretos o termo que lhes integra sentido liga-se a ele diretamente, isto é, sem auxílio de preposição; por isso, chama-se de objeto direto (OD), e o verbo, verbo direto (VT). Nós enfrentamos desafio. (objeto direto) VTD OD Eu obtive bons resultados. (objeto direto) VTD OD 2. Transitivos indiretos o termo que integra sentido desses verbos liga-se a ele indiretamente, isto é, com auxílio de preposição; por tal motivo, chama-se objeto indireto (OI), e o verbo, verbo indireto (VTI). Pedro depende de terceiros. (objeto indireto) VTI OI Refiro-me ao (objeto indireto) VTI OI 3. Transitivos diretos e indiretos Os termos que integram sentido desses verbos numa mesma oração, com um objeto sem preposição e outro objeto com preposição: o turista confundiu periquito com papagaio. sujeito VTDI OD OI jornal nacional noticiou aos servidores o novo salário. sujeito VTDI OI OD ANÁUSE AP 39</p><p>Observação: Há verbos transitivos (de predicação incompleta) que podem intransitivar-se; e verbos intransitivos (de predicação completa) que podem transitivar-se. Comparemos os exemplos: Clarice Lispector escrevia contos. VTD OD Clarice Lispector escrevia. VI Eugênio vive. VI Eugênio vive momentos difíceis. VTD OD OBJETO DIRETO PREPOSICIONADO Às cmbora o verbo scja transitivo direto, admite que o objeto direto scja introduzido por preposição. É que se convencionou chamar objeto direto Vejamos quando e por que isso ocorre. 1. Com os verbos de sentimento: amar, louvar, estimar, etc.: A criatura louva no Criador. VTD OD prep. 2. Com os pronomes oblíquos: mim, ti, si, ele, ela, nós, vós: Convidaram a mim c a ti. OD prep. OD prep. A ele ninguém convidou. OD prep. A mim você nunca engana. OD prep. 3. Com pronomes demonstrativos, indefinidos e de tratamento: Admiro muito a Vossa Senhoria. OD prep. Observava a todos. OD prep. 40 CADORE & LEDUR</p><p>Elogiei a este. OD prep. 4. Com pronome relativo quem. Ele tinha uma filha a quem idolatrava. OD prep. 5. Com substantivos próprios ou que indicam Judas traiu a Cristo. OD prep. 6. Para realçar a ideia de porção, parte: Deste pão não comerás. OD prep. Ele provou do vinho tinto. OD prep. 7. Para realçar a mensagem com expressões idiomáticas. Sacar da espada. Chamar por alguém. Puxar da faca. Gozar de liberdade. Pegar da caneta. Acabar com o litígio Pedir por socorro. Ansiar pelo cargo. 8. Para desfazer ambiguidades. Vencia o Grêmio ao Colorado. OD prep. Bruto a Júlio César assassinou. OD prep. OBJETO DIRETO E OBJETO INDIRETO PLEONÁSTICOS Em certos casos, tanto objeto direto como indireto podem ser repetidos na mesma oração por motivo de Exemplos: A mentira, detesto-a. (obj. direto A mim não me agrada esta torcida. (obj. indireto pleonástico) Meu filho, jamais te enganarei a ti. (obj. direto pleonástico). ANÁUSE 41</p><p>Modo prático de identificar os objetos direto e indireto Para identificar objeto direto da oraçao, basta perguntar, depois do verbo, ou QUEM? o professor esclareceu as dúvidas. professor esclareceu que. R.: as dúvidas (OD) Por outro lado, basta verificar a possibilidade de usar as palavras ALGUÉM ou ALGUMA COISA depois de ter enunciado o verbo. Quem esclarece, esclarece alguma coisa. Logo, as dúvidas é o objeto direto. Para identificar o objeto indireto da oração, também basta perguntar, depois do verbo, ou QUEM? Precedido da preposição regida pelo verbo da oração. Ronaldinho obedece ao técnico. Ronaldinho obedece A QUEM? R.: ao técnico (OI) Por outro lado, basta verificar a necessidade de usar diante das palavras ALGUÉM ou ALGUMA COISA uma preposição adequada ao sentido do verbo (a, para, de, em, com, etc.). Quem obedece, obedece A ALGUÉM. Logo, ao técnico é o objeto indireto. Verbos de ligação Há verbos que não são intransitivos nem transitivos. São simplesmente verbos de ligação. Eles servem apenas para ligar atributos ao sujeito na função de pre- dicativo do sujeito. Também podem ligar atributos a objetos diretos e indiretos. sujeito predicado A nova ponte está imponente. VL pred. do sujeito 42 CADORE & LEDUR</p><p>Atenção: Mas, alguns verbos, em determinados contextos, tam- bém são de ligação, enquanto, em outros, podem ser transitivos ou, ainda, intransitivos. Comparemos: jogador virou fera no campo. campeão virou a torcida. VL pred. do sujeito VTD objeto direto No segundo tempo, o placar virou. Ele continua meu amigo. sujeito VI VL pred. do suj. Ele continua a viagem. VTD OD TREINAMENTO IMEDIATO Transcreva, nas linhas pontuadas, o complemento verbal e, em seguida, classifique o verbo da oração. Siga o modelo: 1. o girassol e a madressilva enfeitam qualquer jardim. qualquer jardim - obj. direto verbo transitivo direto (VTD) 2. Isto não agradará ao chefe da seção. 3. As ideias grandes e generosas enaltecem a inteligência humana. 4. bradou Independência ou Morte! 5. A mim ninguém engana mais. 6. Ninguém simpatizava com aquele sujeito. AP 43</p><p>7.A maioria dos vestibulandos optou pelos cursos técnicos. 8. Canudos oferecia aos jagunços um último 9. Os hipócritas, Jesus os condenava. 10. Tomamos daquele vinho reservado. Funções sintáticas dos pronomes pessoais átonos da terceira pessoa Empregamos as formas oblíquas a, os e as quando o verbo pedir objeto direto e usamos os oblíquos e lhes quando o verbo reclamar objeto Comete, portanto, um desvio da linguagem padrão quem diz "Eu felicito", uma vez que o verbo felicitar, sendo transitivo direto, requer objeto direto. o oblíquo a ser usado é, pois, E a construção certa é: "Eu felicito". Vejamos, agora, outro exemplo: "Eu procurei o dia todo". Ora, quem procura, procura alguém. Como vemos, o verbo procurar rege objeto direto; não podemos, pois, usar o oblíquo the, mas sim, a forma Então, a construção certa é: "Eu procurei o dia todo". Da mesma forma, engana-se quem diz e escreve: "Eu porque o verbo obedecer é transitivo indireto, pois quem obedece, obedece a alguém. Portanto, nesse caso, o oblíquo será e a frase ficará assim: "Eu 44 CADORE & LEDUR</p><p>Importante Os oblíquos a, os e as tomam as formas lo, la, los e las depois das formas verbais terminadas em r, ou Motivo: eufonia. Quero conhecer-o. Quero conhecê-lo. Amamos-o muito. Amamo-lo muito. Fiz-o retornar. Fi-lo retornar. Esses mesmos pronomes, quando figuram depois de uma forma verbal terminada em som nasal, tomam as formas no, na, nos e nas. Motivo: eufonia. sobre a mesa. sobre a mesa. Conheceram-a ontem. Conheceram-na ontem. Abracem-o por mim. Abracem-no por mim. TREINAMENTO IMEDIATO Preencha as lacunas com os oblíquos estudados, conforme a regência exigida pelo verbo. Modifique a forma verbal e o pronome quando for necessário: 1. Sei que devo respeitar- (ela). 2. A professora observou- (ele) em classe. 3. Iludiram- (ele) com falsas promessas. 4. Estas rosas são belas; colher- (elas). 5. Mandei- (a você) esta mensagem. 6. A redação está bem feita; fiz- (ela) com alma. 7. Perdoo (a você) de todo coração. 8. Este livro foi muito elogiado: comprei- (ele) ontem. 9. Esta blusa é linda; vendem- (ela) naquela esquina. SINTÁTICA AP IICADA 45</p><p>10. Quando precisares do livro, manda buscar- (ele). 11. Devemos reconhecer nossos defeitos, mas o principal é corrigir- (eles). 12. (elas) de graça a quem (elas) pedir. 13. pai fez- (o filho) reconciliar-se com o irmão. 14. Nossa mãe é incrível; respeitamos-.......(ela), honramos- (ela), obedecemos - (a ela) prontamente. 15. Minha avó é muito idosa, por isso fiz- (ela) sentar-se um pouco. Funções sintáticas dos oblíquos me, te, se, nos e vos Estes oblíquos podem desempenhar a função tanto de objeto direto como de objeto indireto. Funcionarão como objetos diretos se puderem ser substituídos pelos oblíquos a, os e as; como objetos indiretos, se puderem ser substituídos pelos oblíquos e lhes. Vejamos isso pelos exemplos seguintes: 1. Conta-me a verdade. Conta-lhe a verdade. Logo, me = objeto indireto. 2. Tira-me daqui! Tira-o daqui! Logo, me = objeto direto. 3. Nada te faltará. Nada faltará. Logo, te = objeto indireto. 4. Afastou-nos com modos amenos. Afastou-os com modos amenos. Logo, nos = objeto direto. 46 CADORE & LEDUR</p><p>Todos enganaram. Logo, se = objeto direto. 6. Ofereceram-nos casa e comida. Ofereceram-lhe casa e comida. Logo, nos = objeto indireto. 7. Nunca vos ofendi. Nunca os ofendi. Logo, vos = objeto direto. Duas observações 1. Quando, na oração, o verbo já está claramente completado por um objeto direto, os oblíquos me, te, se, nos e vos sempre serão objetos indiretos. sujeito predicado amigo trouxe-me um belo presente. OD Logo, me = objeto indireto. 2. Os pronomes tônicos (mim, ti, si, nós e antecedidos de pre- posição podem funcionar como objeto direto preposicionado ou objeto indireto. Tudo depende do verbo. diretor recebeu a mim prontamente. Ora, quem recebe, recebe Logo, a mim = objeto direto preposicionado. técnico entregou a ti o da vitória. Ora, quem entrega, entrega alguma coisa a alguém. OD OI Logo, a ti = objeto indireto. SINTÁTICA 47</p><p>EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO A. Sublinhe os objetos diretos com um traço e circule os objetos indi- retos: 1. A maquete dava-nos uma ideia perfeita do condomínio. 2. dinheiro os tornou presunçosos. 3. Prometo-vos um bom emprego. 4. Sacou da espada e investiu contra o inimigo. 5. Ele enviava, ao mesmo tempo, diversas mensagens aos seus ami- gos. 6. Os policiais entregaram-no à justiça. 7. Os deputados apresentaram suas reivindicações ao STF. 8. Informamos-lhe que contrato venceu ontem. 9. A nós você nunca consultou. 10. Cada um cumpra com seu dever. 11. atleta preparava-se para a luta. 12. Deus vos leve, defenda e traga. 13. Não respeitaram a você, nem a ninguém. 14. A vida, leve-a sempre numa boa! 15. Não lhe obedeço, porque você não me obedece. B. Classifique os verbos destacados nas orações, numerando os parênteses de acordo com a seguinte convenção: (1) Verbo intransitivo (2) Verbo transitivo direto (3) Verbo transitivo indireto (4) Verbo transitivo direto e indireto (5) Verbo de ligação 1. Longe do barulho, o poeta escreve seus versos. 2. desfile das escolas foi 3. Eu lhes direi toda a verdade. 4. Os jovens optam por uma vida mais saudável. 5. Aumenta uso do plantio direto. 48 CADORE & LEDUR</p><p>COMPLEMENTO NOMINAL Ao lado dos verbos de sentido incompleto - os transitivos - existem também os nomes (substantivos, adjetivos e advérbios) de significação incompleta. Observemos os nomes em negrito das orações abaixo: Sou favorável... Li a notícia... Votou contrariamente... Ele é hostil... Realmente, são palavras que não se bastam. Por isso, de imediato, impõe-se à mente uma pergunta pelo que falta: Favorável (a quê?) Notícia (de quê?) Contrariamente (a quê?) Hostil (a quem?) termo que, respondendo as perguntas dos parênteses, vai integrar o significado dos nomes em negrito chama-se complemento nominal. Assim, podemos ter: Sou favorável à Reforma Tributária. compl. nominal (CN) Li a notícia da isenção do IPI. CN Votou contrariamente ao projeto de reforma. CN Ele é hostil aos exploradores. CN complemento nominal vem sempre antecedido de preposição, como ocorre com o objeto indireto. Portanto, o CN é um verdadeiro "objeto indireto" de nomes (substan- tivos, adjetivos, advérbios). Na maioria dos casos, o CN constitui-se de nomes (substantivo, ad- jetivo, advérbio) derivados dos verbos transitivos e de adjetivos transitivos e de substantivos ou advérbios derivados destes. Vejamos os dois casos por meio de exemplos: AP IICADA 49</p><p>1. Colocar cartazes colocação de cartazes. VTD OD nome CN Depender do resultado dependente do resultado. VTI OI nome CN Participar da festa participação da festa. VTI OI nome CN Obedecer às leis obediência às leis. VTI OI CN 2. Apto ao trabalho aptidão ao trabalho. nome CN nome CN Louco por viagens loucura por viagens. nome CN nome CN Certo de vencer certeza de vencer. nome CN nome CN CN pode fazer parte tanto do sujeito quanto de termos localizados no predicado. sujeito predicado A criação de energia alternativa preserva meio ambiente. núcleo CN "Criação" é um substantivo de sentido vago e incompleto. Necessita, pois, do CN "de energia alternativa". sujeito predicado o brasileiro é apaixonado pelo futebol. núcleo VL núcleo CN "Apaixonado" é um nome/adjetivo de sentido vago e incompleto. Ne- cessita, pois, do CN "pelo futebol". 50 CADORE & LEDUR</p><p>Complemento nominal Objeto indireto Como distinguir complemento nominal do objeto indireto Há uma diferença fácil de ser entendida. Vejamos: o complemento nominal sempre é introduzido por preposição e completa o sentido de um nome (substantivo, adjetivo e advérbio). Tenho necessidade de boa alimentação. VTD subst. prep. compl. núcleo do OD nominal: CN Nesta oração, "de boa alimentação" não é complemento do verbo tenho; mas é complemento do nome necessidade. Logo, "de boa ali- mentação" é CN de "necessidade". Por outro lado, o objeto indireto também é introduzido por prepo- sição, mas completa o sentido de um verbo e não de um nome. Necessito de alimentação saudável. VTI prep. compl. verbal: OI APLICAÇÃO PRÁTICA Regência e crase É neste ponto que se resolvem as questões de regência verbal e nominal, de uso adequado dos pronomes átonos, e, em boa parte, da crase. Quanto ao emprego dos pronomes átonos, como se viu anteriormente, lhe e lhes são sempre objeto indireto, enquanto que os pronomes a, as, o, os SINTÁTICA 51</p><p>e suas variações (la, las, lo, los, na, nas, no, e nos) são sempre objeto direto; portanto, mais uma vez, trata-se de questão de regência. Regência verbal: este é um dos pontos mais complexos da nossa gra- mática, pois, como vimos, há verbos que não necessitam de complemento (intransitivos), outros exigem-no e a ele se ligam diretamente, sem auxílio de preposição (transitivos diretos), enquanto outros exigem a presença de alguma preposição (transitivos indiretos). Isso exige que se saiba: primeiro, se o verbo rege complemento; segundo, se ele se liga diretamente ao com- plemento ou se o faz mediante o uso de preposição; e, terceiro, quando exige a presença de preposição, qual delas deve ser usada? Comprove isso nos exemplos utilizados no estudo dos objetos direto e indireto 39). Regência nominal: muitas vezes os nomes também precisam de comple- mento para ter o significado que se deseja; é complemento nominal. Essa ligação sempre se dá mediante o uso de alguma preposição. Alguns adjuntos adnominais também se ligam ao nome mediante o uso de preposição. mesmo ocorre em certos adjuntos adverbiais. Verifique isso nos exemplos utilizados no estudo do complemento nominal (p. 49) c dos adjuntos ad- verbial e adnominal (p. 63 e 68). Crase: a crase é sempre resultado da soma de a + a. o a pode ter as funções de artigo feminino, de preposição e de pronome feminino. Para que ocorra crase, é necessária a presença de dois deles. Portanto, sempre que na introdução do objeto indireto, do complemento nominal e dos adjuntos adnominais e adverbais a preposição requerida for pode ocorrer crase, pois faltará apenas o artigo a para que a soma a + a (crase) se concretize. Se for outra preposição, ou se não houver preposição, não pode haver crase. o detalhamento dos casos de crase você encontra na parte deste livro (p. 118). EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO A. Identifique os complementos nominais sublinhando-os: 1. ensino deve ser acessível a todos. 2. povo está ansioso por dias melhores. 3. A mulher condenada estava isenta de culpa. 4. Senado votou favoravelmente ao interesse do povo. 5. velho pajé parecia alheio às coisas do mundo. 52 CADORE & LEDUR</p><p>B. Construa frases com os nomes abaixo e sublinhe os complementos nominais introduzidos pela preposição entre parênteses: 1. receio (de). Não tenha receio da crise econômica. 2. referência (a) 3. suspeito (de) 4. licença (para) 5. contrário (a) 6. descoberta (de) 7. interesse (em) 8. notável (por) 9. (contra) 10. zelo (por) C. Assinale o termo grifado com um traço se for complemento nominal; circule se ele for objeto direto ou indireto: 1. Senado concorda com a 2. A concordância com a Câmara foi decisiva. 3. Este editor sempre foi cuidadoso com a arte gráfica. 4. Ele cuidou muito das ilustrações e das cores. 5. Henrique está apaixonado por Laura. 6. Ele, depois, apaixonou-se pelo emprego. 7. A candidata obteve todas as informações. 8. A obtenção de todas as informações foi importante. 9. Congresso optou pelo voto aberto. 10. A opção pelo voto secreto não é D. Transcreva e classifique, nos espaços pontilhados, os termos integrantes (objeto direto, objeto indireto e complemento nominal) das orações abaixo. Siga o modelo: 1. Os jornais noticiaram a queda dos juros. - a queda dos juros - objeto direto - completa noticiaram. dos juros - complemento nominal - completa queda. ANAUSE AP IICADA 53</p><p>2. clube de bons jogadores. 3. o respeito às leis dignifica o cidadão. 4. Naquela noite, não havia luar. 5. Tudo espero de ti, meu filho. 6. Chegou o aviso da devolução do IR. 7. A falsidade, sempre a condenei. AGENTE DA PASSIVA Agente da passiva é uma expressão preposicionada que indica o praticante da ação de um verbo na PASSIVA. Dai dizermos agente da passiva, ou seja, aquele ou aquilo que age na voz passiva, o agente. Quando o verbo está na VOZ ATIVA, o sujeito pratica a ação; na VOZ PASSIVA, o sujeito sofre a ação. voz ATIVA A enchente danificou a ponte. sujeito agente verbo na objeto direto voz ativa voz PASSIVA A ponte foi danificada pela enchente. sujeito paciente verbo na agente da passiva voz passiva Somente com verbos transitivos diretos e transitivos diretos e indiretos é possível transformar a voz ativa em voz passiva: o objeto direto se tornará 54 CADORE & LEDUR</p><p>sujeito paciente e o sujeito agente, agente da passiva. Na verdade, muda a forma, mas não sentido. Vejamos então por meio de exemplos: Com verbo direto: / A torcida / receberá / o time vencedor. / suj. agente VTD OD / o time vencedor / será recebido / pela torcida. / suj. paciente na voz passiva agente da passiva Com verbo transitivo direto e indireto: / empresário / atribuiu / o rendimento / aos empregados. / sujeito agente VTDI OD OI / o rendimento / foi atribuído / pelo empresário / aos empregados./ sujeito paciente na voz passiva agente da passiva OI Excepcionalmente com alguns verbos transitivos indiretos (obedecer, pagar, perdoar): / Todos / obedeceram / aos sinais. / suj. agente VTI OI / Os sinais / foram obedecidos / por todos. / suj. paciente na voz passiva agente da passiva / juiz / perdoou / ao réu arrependido. / suj. agente VTI OI / réu arrependido / foi perdoado / pelo juiz. / suj. paciente na voz passiva agente da passiva Como vemos, o sujeito da oração na voz passiva não executa, mas sofre a ação expressa pelo verbo. Outro é, pois, o elemento da oração que pratica, que executa a ação; em outras palavras, outro é o agente. A tal elemento, executor da ação verbal, damos o nome de AGENTE DA PASSIVA. AP LICADA 55</p><p>Agente da passiva X Objeto indireto É importante distinguir o AGENTE DA PASSIVA do OBJETO IN- DIRETO, pois ambos são termos preposicionados na oração, podendo ser confundidos. Aqui vão duas dicas práticas para tanto: 1. AGENTE DA PASSIVA pratica, executa a ação na VOZ PASSIVA. A prova foi elaborada por um grupo especializado. paciente na voz passiva agente da passiva: pratica a ação 2. OBJETO INDIRETO, porém, é beneficiário da ação na VOZ ATIVA e também na VOZ PASSIVA. Na voz ativa: o dentista optou por um implante. sujeito na voz obj. indireto: ativa não pratica a ação Na voz passiva: As teses foram desenvolvidas pelo orientador aos v. na voz passiva agente da passiva objeto indireto: não pratica a ação EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO A. Sublinhe o agente da passiva com um traço e circule o objeto indireto: 1. condomínio será cercado pela construtora. 2. foi carregado pela 3. carro do grupo especial era puxado por um trator. 4. Todos ansiamos por dias melhores. 5. Era elogiado por todos aqueles conferencistas. 6. Os novos artefatos foram testados pela fábrica. 56 CADORE & LEDUR</p><p>7. Pelas férias todos esperam. 8. Serei conduzido por ao honroso cargo. 9. habitadas pelos as regiões polares. 10. Por nossos amigos somos muito incentivados. B. Passe a oração que estiver na voz ativa para a voz passiva; a que estiver na passiva, passe para a ativa: 1. Aquele marceneiro batizou cada tipo de ferramenta. 2. de guarda foi atropelado pelo 3. o goleador da partida era ovacionado pela torcida. 4. No mesmo dia, divulgaram a boa notícia. 5. Ele foi convidado por mim. 6. A polícia ainda não prendera o criminoso. 7. Aquele rico apartamento será vendido pela imobiliária. 8. As autoridades esportivas encerraram os Jogos Olímpicos. 9. Os acrobatas do Circo Soleil foram admirados pelo público infantil. 10. A nota jornalística anunciara antecipadamente a nova greve. PREDICATIVOS Para melhor entendermos a constituição dos predicados nominais - já estu- dados anteriormente é necessário fazer um estudo mais aprofundado dos PREDICATIVOS. Já adiantamos que pode ocorrer PREDICATIVO, tanto AP LICADA 57</p><p>no predicado nominal como no verbo-nominal, por meio de seus núcleos- -nomes. Vejamos então: Predicativo no predicado nominal Na oração: sujeito predicado nominal Os benefícios da educação são inestimáveis. núcleo predicado nominal são inestimáveis é assim chamado porque o seu núcleo (inestimáveis) é um nome-adjetivo que, além de encerrar a ideia prin- cipal, atribui qualidade ao núcleo do sujeito (beneficios). Então, o adjetivo inestimáveis denomina-se PREDICATIVO DO SUJEITO. que vem a ser afinal predicativo do sujeito? Podemos defini-lo assim: É a parte do predicado que atribui qualidade ou estado ao sujeito. Observação: Para um predicado ser nominal deve figurar nele, obrigatoriamente, um verbo de ligação, cuja única função é ligar o PREDICATIVO ao SUJEITO. Os principais verbos de sao: Ser, estar, ficar, parecer, permanecer, andar, continuar, tornar-se, etc. Os candidatos/ estaol nervosos. Muitos criminosos/ continuaml impunes. vidro elétrico lé /automático. A lua cheia/ parecial uma bolha de Importante 1. Alguns verbos de ligação, em contextos diferentes, podem ser tran- sitivos ou intransitivos. Basta compará-los nos seguintes exemplos: jogador virou fera no campo. (= ficou) VL pred. do sujeito 58 CADORE & LEDUR</p><p>A canoa virou com a força das ondas. (= emborcou) VI adj. adverbial João vive aborrecido. (= esta) VL pred. do sujeito vive sua vida sossegada. (= passa) VTD obj. direto custo de vida continua alto. (= está) VL pred. do sujeito A caravana continua seu caminho. (= prossegue) VTD obj. direto 2. Nem sempre verbo de ligação vem expresso: ele pode estar su- bentendido ou elíptico na frase. Exemplos: Os seus trajes eram modestos e seus proventos, atrasados. sujeito [eram] pred. do sujeito mistério permanecia indecifrável, a dor, incompreensível. sujeito pred. do sujeito [permanecia] Constituição do predicativo Várias classes de palavras podem funcionar como predicativo, exceto artigo, preposição, conjunção e interjeição. Dessa forma, predicativo pode ser constituído por um (a): 1. substantivo: sol é uma estrela. 2. adjetivo: réu permanecia mudo. 3. expressão adjetiva: Ela continua sem dentes. (= desdentada) 4. pronome substantivo: Hoje já és 5. numeral: Ângelo é primeiro da lista. 6. infinitivo: Aprender é 7. adverbio: Estamos bem de finanças. 8. pronome pessoal: Eu não sou você. 9. oração: Meus votos são que sejas feliz. AP 59</p><p>Predicativo no predicado verbo-nominal No predicado verbo-nominal, predicativo pode ser do sujeito ou do objeto. a) Predicativo do sujeito núcleo 2." núcleo Os noivos partiram alegres. sujeito predicado verbo-nominal Desdobrando o predicado verbo-nominal, vamos descobrir que o nome (adjetivo) alegres refere-se ao sujeito da oração, motivo por que chamamos de predicativo do sujeito. Os noivos partiram. Os noivos [estavam] alegres. núcleo) sujeito VL clíptico pred. do b) Predicativo do objeto OD pred. do objeto [Eu] Considerei negócio vantajoso. sujeito predicado verbo-nominal nome (adjetivo) vantajoso refere-se, claramente, ao objeto direto negócio e não ao sujeito elíptico eu. Denominamo-lo, por isso, predicativo do objeto direto, porque ele atribui qualificação, estado ou condição ao objeto direto negócio, estando verbo de ligação (ser) subentendido: Considerei o negócio ser vantajoso. Outro exemplo: OD pred. do objeto o professor considerava o aluno inteligente. sujeito predicado verbo-nominal 60 CADORE & LEDUR</p><p>aluno (era) inteligente. (predicativo do objeto direto) predicativo do objeto pode - raramente - referir-se a um objeto indireto. Na realidade, isso ocorre só com o verbo Os colegas chamam-lhe (de) joão-teimoso. or predicativo do objeto indireto the é objeto indireto, porque corresponde a a ele; a preposição de que, às vezes, introduz o predicativo é facultativa. Atenção: Os predicativos podem, por motivo de clareza ou ! se, vir preposicionados. Nesses casos, não devem ser confundidos com o objeto indireto. Eles tinham por inteligente. OD prep. predic. do OD Taxavam de injusta a medida. prep. predic. do OD OD EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO A. Identifique os predicativos, sublinhando-os: 1. o réu está arrependido. 2. A análise sintática parece 3. A arquiteta continua sem problemas. ANAUSE SINTÁTICA 61</p><p>4. Meu desejo é que venças na profissão. 5. Todos ficamos aliviados. 6. trânsito permanece caótico. 7. A criança corria indefesa. (verbo ser subentendido) 8. É saudável comer alimentos com fibras. 9. Meu sonho é viajar. 10. A lagarta virou borboleta. B. Transcreva e classifique, nos espaços pontilhados, os predicativos das orações abaixo. Siga modelo: 1. Todos consideram excelente filme. excelente - predicativo do objeto direto filme. 2. Não se faça de esperto. 3. Tragam-no vivo ou 4. Os esgrimistas pareciam tranquilos. 5. A sala foi encontrada em desordem. 6. uso da droga é um lento. 7. mágico deixou a plateia estupefata. 8. Os inimigos chamavam-lhe de traidor. 9. A juíza declarou o réu inocente. 10. Todos satisfeitos da reunião. 62 CADORE & LEDUR</p><p>TERMOS ACESSÓRIOS Bem compreendidos os termos essenciais e integrantes da oração, vamos estudar os termos acessórios. Chamamos esses termos de acessórios porque eles não são rigorosamente necessários à compreensão do enunciado. Eles servem simplesmente para determinar, qualificar, especificar e modificar outros termos. Os integrantes são complementos, os acessórios são adjuntos. Podemos dizer que, assim como há complementos de nomes e verbos, também há adjuntos de nomes e verbos. São três os adjuntos, como veremos em seguida. ADJUNTO ADVERBIAL É uma palavra ou expressão que modifica o verbo, o adjetivo ou o próprio a) o astro-rei surgiu no horizonte. sujeito verbo adjunto adv. b) Esta menina é muito determinada. sujeito adj. adv. adjetivo 7 c) A procissão andava bem devagar. sujeito verbo adj. adv. advérbio Constituição do adjunto adverbial adjunto adverbial pode ser constituído por um(a): 1. Seguirei 2. Palavra adverbiada - Meu coração pulsa forte. (isto é, fortemente). a cerveja que desce redondo (isto é, redondamente). o adjetivo redondo virou uma palavra adverbiada. ANAUSE SINTÁTICA 63</p><p>3. Locução adverbial - Ele entrou com discrição na sala de trabalho e ficou em silêncio. 4. Substantivo (regido de Os perdedores tremiam de raiva, porque foram vencidos sem piedade. 5. Pronome - Venha comigo ao supermercado. 6. Oração adverbial - Não foi ao passeio porque chovia. Classificação dos adjuntos adverbiais Os adjuntos adverbiais, tanto os representados por palavras, como os repre- sentados por locuções, exprimem grande variedade de circunstâncias. a grande quantidade de advérbios. Destacamos os principais advérbios de: 1. Lugar (onde): Moro em Campo Grande. (aonde): Vou a Veranópolis. (para onde): Fui para (por onde): Passei por (donde): Cheguei do Centro. 2. Tempo: Às onze horas, encerramos a sessão. A cavalhada partirá cedo. 3. Modo: Fale corretamente a sua língua. Devagar se vai ao longe. 4. Júlio César partiu com todo exército. jogo com vocês. 5. Causa: Fui ao Rio Quente por conselho Fui multado por excesso de velocidade. 6. Instrumento ou meio: "Quem com ferro fere, com ferro será ferido." Viajei de 7. Intensidade: o time ficou muito cansado. As previsões são de bastante chuva. 8. Afirmação: Você, efetivamente, nada sabe do assunto. 9. Dúvida: Talvez eu viaje amanhã. Porventura, você virá me visitar? 10. Negação: Não há, no universo, duas coisas exatamente iguais. 11. Matéria: A casa foi construída de alvenaria. 64 CADORE & LEDUR</p><p>12. Preço: castelo foi avaliado em cinquenta milhões de reais. 13. Finalidade: Trabalhaste bem em prol da Segurança Pública. 14. Oposição: Devemos lutar contra a discriminação racial. Adjunto adverbial X Objeto indireto Como distinguir o adjunto adverbial do objeto indireto? o adjunto adverbial pode se referir a um verbo; o objeto indireto sempre completa um verbo através de uma preposição. adjunto adverbial, muitas vezes, também se liga ao verbo com auxílio de pre- posição. Então, como distingui-los? Para facilitar a distinção, consideremos as orações seguintes, bem como as devidas explicações: 1. [Eu] Voltei da praia. (De onde voltei?) S VI Explicação: o verbo voltar do exemplo é intransitivo, isto é, tem sentido completo, não precisa do complemento verbal (objeto indireto), que é termo in- tegrante; aceita, se muito, um adjunto adverbial, que é termo acessório e cuja única função é modificar o verbo, jamais completá-lo. Portanto, da praia é apenas adjunto adverbial de lugar que modifica o verbo como termo acessório. 2. A camareira abriu o quarto com a chave. (Abriu com quê?) sujeito VTD OD adj. adv. de instrumento Explicação: Agora o verbo abrir do exemplo é transitivo direto (Abriu o quê?) e tem sentido incompleto, reclamando objeto direto quarto para que lhe 65</p><p>integre o sentido. termo com a chave não completa o sentido do verbo, mas simplesmente modifica, especificando instrumento com que a camareira abriu o quarto: é apenas um termo acessório, adjunto adverbial de instrumento, introduzido por uma preposição. 3. A ainda pertence ao Brasil. (Pertence a quem?) sujeito VTI OI Explicação: Aqui o verbo pertencer é transitivo indireto, portanto exige um objeto indireto para ter o seu sentido integrado. o termo ao Brasil (objeto indireto) é termo integrante e não indica nenhuma das circunstâncias relacionadas na classificação do adjunto adverbial. APLICAÇÃO PRÁTICA Pontuação (1) e Crase (2) 1. A correta identificação do adjunto adverbial é essencial para a aplicação de uma regra de pontuação: quando é deslocado de sua posição normal - final da frase - está sujeito a ser seguido de vírgula: A cigarra morre de frio e de fome no inverno. Deslocando o adjunto adverbial no inverno para o início da frase, ou para o seu miolo, provocam-se vírgulas: No inverno, a cigarra morre de frio e de fome. A cigarra, no inverno, morre de frio e de fome. 2. Aqui se aplica também uma regra relativa ao uso do acento indicativo de crase: toda locução adverbial feminina que iniciar com a preposição a é caso de crase: à noite, à tarde, à esquerda, à direita, às claras, às escuras, às ocultas, à vista, às dez horas, guisa de, às alturas, à mingua, à risca, à revelia,</p><p>às cegas, às segundas-feiras, à toa, à boca pequena, às braçadas, às pressas, à vontade, às vezes, à força, à francesa, etc. A atenção ao significado é importante: observe que a retirada do acento grave retira das expressões a condição de locução adverbial, transformando-as em expressões substantivas. Exemplo: À noite (= durante a noite); a noite (= período que se segue ao dia). EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO A. Sublinhe os adjuntos adverbiais com um traço e circule os objetos indiretos: 1. coordenador precisa de ti, sem dúvida. 2. sucesso do aluno depende dele mesmo. 3. Através da neblina, mal se coava a luz do sol. 4. Perto da nossa casa, do lado de lá da serra, há uma linda manhã. 5. Meu vizinho fala muito bem o 6. Dedicou-se, por completo, à educação da juventude. 7. Todos gostam de pratos suculentos. 8. Os devotos de sempre assistiam aos ofícios divinos. 9. A inveja mata lentamente invejoso. 10. Hoje saí de casa por último. B. Classifique os adjuntos adverbiais destacados nas orações abaixo: 1. Henrique estuda para futuro. 2. A viagem com meu pai foi gratificante. 3. Meu irmão vendeu mal sua casa 4. Dirigir sem pressa evita acidentes. 5. Ele fala e escreve 6. A prova do concurso foi muito 7. Cheguei de manhazinha no povoado. 8. Talvez seu amigo chegue à tarde. 9. Este prefeito falou às claras 10. Não falo inglês, tampouco AP 67</p><p>ADJUNTO ADNOMINAL É o termo que determina, especifica ou qualifica o substantivo pertencente ao sujeito ou ao predicado. Tomemos como exemplo a seguinte oração: sujeito predicado Este livro novo traz inúmeras ilustrações modernas. substantivo, sujeito objeto direto Como vemos, o núcleo do sujeito é substantivo livro e o núcleo do objeto direto é ilustrações. Cada núcleo se faz acompanhar de outros termos, que os caracterizam convenientemente, acrescentando-lhe uma qualidade ou determinando-o: Este livro novo inúmeras ilustrações modernas. Podemos, então, analisar assim a oração: Sujeito: Este livro novo. Núcleo do sujeito: livro. Adjuntos adnominais do sujeito: este, novo. Objeto direto: inúmeras ilustrações modernas. Núcleo do objeto ilustrações Adjuntos adnominais do objeto direto: inúmeras, modernas. Constituição do adjunto adnominal Podem exercer a função de adjunto adnominal: a. Artigo: Os longos discursos fatigam auditório. b. Adjetivo: sol forte inquietava cavalo fogoso. 68 CADORE & LEDUR</p><p>Pronome adjetivo: Teus olhos, aqueles trigais, qualquer jogo, cada dia. d. Numeral adjetivo: Dois gatos, dez meses, terceiro lugar. e. Locução adjetiva (que além de qualidade, pode denotar posse ou especificação): computador de Mariane, a porta de ferro. (posse) (especificação) f. Substantivo adjetivado: Pau marfim. Observação: Funcionam, ainda, como adjuntos adnominais os pronomes átonos me, te, se, nos e vos, quando equivalem aos possessivos meu, teu, seu, dele, nosso e vosso. Quebraram-me os dentes (= Quebraram os meus dentes). a atitude (= Louvei a atitude dele). Adjunto adnominal Complemento nominal Importante Como distinguir o adjunto adnominal do complemento nominal? Muitas vezes, não sabemos se o termo que aparece junto ao nome regi- do de preposição é simples adjunto adnominal (mero termo acessório, perfeitamente dispensável, não necessário, uma vez que exerce simples função adjetiva de nomes que não necessitam ser completados), ou se é complemento nominal (parte integrante do nome, portanto indis- pensável à sua integridade semântica). Exemplos: 1. Ela comprou um brinco de De ouro é, aqui, adjunto adnominal, porque o nome (substantivo) brinco, por ser de significação completa, não reclama complemento, AP 69</p><p>que lhe venha integrar o sentido. substantivo brinco aceita, tão somente, um termo que qualifique ou especifique, pois se dissermos "ela comprou um brinco", já teremos formado uma oração de sentido completo. 2. esporte radical leva ao desprezo do perigo. termo do perigo, na frase, é complemento pois o nome (subst.) desprezo, por ser de significação incompleta, não dispensa, de forma alguma, o termo do perigo. Por outro lado, o verbo correspondente ao nome desprezo é desprezar (VTD). Ora, quem despreza, despreza algo. É um verbo que reclama complemento verbal, isto é, um objeto direto. Então, desprezo é um nome que reclama complemento nominal. 3. Tenho medo de doença contagiosa. De doença contagiosa também é complemento nominal, uma vez que medo é um nome de sentido incompleto. Quem tem medo, tem medo de algo (CN). 4. Teresa é uma menina de brio. De brio (= briosa) é adjunto adnominal, pois menina é um nome que não necessita ser completado. Adjunto (a palavra já o expressa) é uma palavra ou expressão que está junto ao nome, ora qualificando- ora especificando-o, mas nunca completando-o. APLICAÇÃO PRÁTICA Concordância nominal Assim como há relação de concordância do verbo com sujeito (concordân- cia verbal, assunto abordado nas páginas 109-113), também os nomes têm relação de concordância entre si (concordância nominal). A concordância nominal abrange as seguintes classes gramaticais: adjetivo, pronome, artigo, numeral e advérbio. 70 CADORE & LEDUR</p>