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DIREITOS HUMANOS E DIVERSIDADE Olá! Neste tópico vamos aprender sobre: Diversidade e Preconceito. Conforme, observamos no capítulo anterior o Brasil é um país com diversos grupos e é composto por diferentes crenças e valores e diante dessa grande diversidade de indivíduos, somos e pensamos diferente. Mas, apesar das nossas diferenças precisamos aprender a respeitar uns aos outros, é importante que se entenda que não existe apenas uma forma de ver e de viver à vida. É necessário que haja a equidade, ou seja, tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais para que todos possam ser respeitados, na sua forma física e cultural. Sabe-se que o preconceito ainda existe no Brasil e em todo o mundo e que ele se apresenta de diversas formas, por isso a necessidade de se disseminar a semente da paz e do respeito, especialmente no ambiente escolar que é um espaço onde não apenas culturas se encontram como também proporciona conhecer uma diversidade humana, ambiente em que se deve estimular a eliminação do preconceito e a discriminação social. Bons estudos! AULA 02 - DIVERSIDADE E PRECONCEITO Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais da psicologia entenderá como ela alcançou o seu estatuto de cientificidade. Além disso, terá a oportunidade de conhecer as três grandes doutrinas da psicologia, behaviorismo, psicanálise e Gestalt, e as áreas de atuação do psicólogo. ▪ Compreender o conceito de psicologia ▪ Identificar as diferentes áreas de atuação da psicologia ▪ Conhecer as áreas de atuação do psicólogo. Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais do fator Diversidade no Brasil e entenderá que diversidade vai muito além do que podemos imaginar. Além disso, terá a oportunidade de entender a necessidade da intervenção do professor enquanto formador de opinião para fazer da escola um ambiente de respeito ao próximo independente da sua condição física, intelectual, financeira, entre outros. Após esses estudos, você será capaz de: ▪ Compreender o fator diversidade no Brasil ▪ Identificar as diferentes dimensões quando se fala em diversidade e preconceito. ▪ Entender as práticas do professor e do Estado em relação a diversidade de indivíduos. 2 DIREITOS HUMANOS NO BRASIL SCARANO et al (2018) explicam que no Brasil, os direitos humanos são garantidos na Constituição Federal promulgada em 1988, os quais se trataram de um importante avanço jurídico para uma sociedade pluralista que foi marcada por cerca de 20 anos de Ditadura Civil-Militar (1964–1985). Se os direitos humanos não são um dado, mas um construído, enfatiza-se que as violações a estes direitos também o são. Isto é, as exclusões, as discriminações, as desigualdades, as intolerâncias e as injustiças são um construído histórico, a ser urgentemente desconstruído (FLORES, 2009, p. 15). Naquele momento marcado por uma realidade onde a violência era legitimada por meio de torturas, assassinatos e desaparecimentos, momento em que os direitos humanos precisaram ser ratificados, pois se tornaram um importante dispositivo que tinha como objetivo à proteção da dignidade humana em relação a cidadania. Foi a partir dos anos de 1970/1980, que o viés democrático no Brasil e em outros países latino-americanos os readquiriram, por meio de uma importante construção da classe política e civil, que se tornou naquele momento um fator imprescindível buscando criar espaços onde a dignidade humana seja respeitada, além da concretização dos direitos. A questão da cultura democrática assume um caráter crucial no Brasil e na América Latina como um todo. Esta é uma sociedade na qual a desigualdade econômica, a miséria, a fome são os aspectos mais visíveis de um ordenamento social presidido pela organização hierárquica e desigual do conjunto das relações sociais: o que podemos chamar autoritarismo social (DAGNINO, 1994, p. 103). Cenário em que diante desses conflitos o Brasil esteve imerso, Dagnino (1994, p. 104) expõe que se tratava de uma cultura baseada “[...] predominantemente em critérios de classe, raça e gênero, esse autoritarismo social se expressa num sistema de classificações que estabelece diferentes categorias de pessoas, dispostas nos seus respectivos lugares na sociedade [...]” (DAGNINO, 1994, p. 104). E que se tratava de uma sociedade onde as elites exerciam uma forte influência, onde o desafio aos direitos humanos era ainda uma realidade a ser construída. Segundo Dagnino (1994), “esse autoritarismo engendra formas de sociabilidade e uma cultura autoritária de exclusão que subjaz ao conjunto das práticas sociais e reproduz a desigualdade nas relações sociais em todos os seus níveis” (DAGNINO, 1994, p. 104). O que se observa na atualidade é que o Brasil tem avançado em busca da concretização dos direitos humanos, porém, conforme se percebe muito ainda precisa ser feito para que estes avanços sejam realmente concretizados. 2.1 Direito a educação na perspectiva intercultural Alias (2016) esclarece que se espera, conforme mencionado na abertura e também na aula anterior é que a escola seja um espaço democrático, onde o educando tenha um espaço de amplo debate e possa aprender, graças a diversidade tanto cultural quanto de pessoas, com as quais ele poderá ter contato neste ambiente. É altamente desejável que seja assim, conforme recomendam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). A escola se trata de um espaço privilegiado no qual devem ser fomentadas ações que promovam tanto a igualdade quanto a eliminação de toda forma de discriminação e racismo. Tal instituição apresenta o potencial de possibilitar dentro de seu espaço físico, o convívio de pessoas com distintas origens principalmente as étnico-raciais, além das questões culturais e outras de ordem religiosa. Ademais, a atuação da escola é intencional, pois ocorre de forma sistemática, constante e obrigatória, uma vez que a educação se trata de uma obrigação do Estado, que tem o dever de oferecê-la e da família: a de prover meios para manter a criança estudando. Quando abordamos a questão de raça e de etnia, uma ampla discussão se abre: Primeiro, porque raça e etnia não são sinônimas, muito embora o conceito de raça esteja diretamente associado ao de etnia. A palavra etnia deriva do grego ethnos, que significa povo. Em linhas gerais, a etnia: ➢ Trata-se de uma comunidade humana; ➢ É definida por afinidades linguísticas e culturais. Etnia engloba, também, fatores culturais, tais como nacionalidade, religião, língua e tradições. Etnia engloba, também, fatores culturais, tais como nacionalidade, religião, língua e tradições. O conceito de raça diz respeito exclusivamente aos fatores morfológicos (constituição física, cor de pele, estatura, dentre outros). Um erro que ocorre com bastante frequência é a utilização equivocada do termo “etnia” como um eufemismo para raça. A língua é utilizada como o principal instrumento de classificação dos grupos étnicos. Merece destaque o fato de que existe um grande número de línguas multiétnicas, em que algumas etnias utilizam diversas línguas, como no caso da Índia, por exemplo. De forma resumida, entende-se que os grupos étnicos apresentam as seguintes características: ➢ Compartilham uma origem comum; ➢ Apresentam uma continuidade no tempo; ➢ Possuem uma noção de história em comum; ➢ Projetam um futuro comum, como povo. Todos esses elementos são alcançados por meio da transmissão que acontece entre as gerações, as quais herdam a linguagem comum, suas tradições e seus valores e até mesmo suas instituições. Cada raça e etnia carrega seus conhecimentos e costumes,desenvolvidos e acumulados em decorrência do passar do tempo, do local e das condições de sobrevivência a que foram submetidos (ALIAS, 2016). O somatório desses elementos dá o tom de cada nação e precisa ser respeitado, sob pena de que um dia tenhamos algo pasteurizado, homogêneo e sem diversidade. Por isso mesmo, pobre culturalmente sob todos os aspectos. A história da humanidade tem se caracterizado pela riqueza dos povos que a compõem. Suprimir essa diversidade, diminuindo o ser humano por causa de sua cor de pele, da língua falada, da religião praticada ou das suas diversas formas de manifestação cultural, representa um erro que não pode ser ignorado. Mais grave é utilizar esses elementos para justificar a superioridade ou inferioridade de uma raça ou etnia frente às demais. Trata-se de um erro que a própria História já demonstrou ser equivocado, e para desfazer tal posicionamento é que a escola exerce papel fundamental como espaço estratégico de debates e de conscientização (ALIAS, 2016). 2.2 Direito a educação na perspectiva inclusiva Para Alias (2016), as atividades decorrentes da modalidade educação especial sejam eficazes, um importante recurso auxiliar deve ser oferecido nas salas de recurso: trata-se do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Para viabilizar o AEE, a escola deve organizar os seus horários de tal modo que esse atendimento aconteça sempre nos contraturnos, pelo motivo de que tal atendimento é complementar, sendo vedada a substituição da escola regular por este. Recomenda- se a adoção da seguinte escala de atendimento: ➢ O aluno estuda na escola no período matutino e recebe o AEE no período vespertino; ➢ O aluno estuda na escola no período vespertino e recebe o AEE no período matutino. O AEE pode ser prestado por professores capacitados para esse atendimento na própria escola ou em serviços conveniados, como as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), em convênio com os governos estaduais ou municipais. É importante destacar que tanto as escolas públicas como as Organizações Não Governamentais (ONG) recebem do governo um repasse de verba do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) para a manutenção do AEE (ALIAS, 2016). As escolas particulares/privadas A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, prevê̂ que a educação deve ser oferecida pelo Estado em escolas públicas e por parte da iniciativa privada em escolas particulares. Conforme já estudamos anteriormente, a educação é um direito fundamental do cidadão, garantido a todas as crianças e adolescentes, possuindo ou não deficiência, e deve ser garantida também nas escolas privadas, sem qualquer forma de distinção. Em relação à autorização de funcionamento, as escolas privadas necessitam obter tal autorização por parte do Poder Público, de forma a desenvolverem suas atividades de acordo com todos os dispositivos legais. Devem, para isso, cumprir uma série de requisitos dispostos em normativas gerais da educação. São sujeitas ainda à avaliação de qualidade de seu ensino por parte do Estado brasileiro (ALIAS, 2016). A legislação veda a qualquer escola, inclusive a privada, que pratique atos que impliquem ações discriminatórias em relação aos alunos com deficiência, seja no momento da matrícula, seja na sua permanência na escola. Assim como na escola pública, a escola particular deve oferecer condições de acessibilidade e inclusão aos alunos com deficiência, de tal modo que eles possam ter oportunidade real de aprendizagem. É importante destacar o fato de que não se permite (e eticamente é inadmissível) que, apenas em decorrência da deficiência, a escola recuse a efetivação de matrícula ou imponha condições diferenciadas para a matrícula e permanência do aluno com deficiência, como: ➢ Cobrar valores extras, sob qualquer pretexto; ➢ Exigir que os pais disponibilizem, sob seu custo, um professor para dedicar-se exclusivamente ao aluno deficiente; ➢ Limitar sua participação a apenas algumas atividades que são oferecidas aos demais alunos; ➢ Colocá-lo em ambiente separado dos demais alunos etc. É importante ter em mente que a escola particular, assim como a pública, encontra-se obrigada a observar e seguir todas as diretrizes básicas e os preceitos nacionais da educação, respeitando os aparatos legais vigentes, assim como a Constituição Federal. Professor assistente ou auxiliar, mediador, aluno colaborador e cuidador Antes de prosseguir, cabe um aviso: as definições em relação às categorias de professor assistente ou auxiliar, mediador, aluno colaborador ou mediador devem ser utilizadas apenas como referência, uma vez que, na prática, identificou-se que, dependendo da localidade, existe um nome específico para cada atividade, além das atribuições diferentes que podem ser adotadas para cada tipo de apoio, dependendo das necessidades existentes, pois cada escola ou mesmo cada sala de aula possui sua especificidade. A título de exemplo, existem locais onde os professores auxiliares exercem o papel de mediadores e de cuidadores. Em outros, os próprios cuidadores realizam adequações ao currículo dos alunos. Por fim, existem escolas com escassez de profissionais, nas quais os professores de educação especial são lotados em salas de recurso e, também, acompanham os alunos em sala de aula. Ou seja, desempenham duas atribuições ao mesmo tempo (ALIAS, 2016). Professor assistente ou auxiliar O professor assistente, também denominado professor auxiliar, é o profissional que divide as atribuições de sala de aula com o professor titular e sob sua coordenação. O professor assistente ou auxiliar não necessariamente possui formação em educação especial. Mediador O mediador tem a principal atribuição de ajudar o aluno a criar suas próprias ferramentas, de tal modo que faça uso do espaço escolar de forma independente e gradual, ganhando autonomia para a sua vida escolar. Compete ao mediador, ao atuar em parceria com a escola, proporcionar meios para que o aluno sob os seus cuidados se encontre efetivamente incluído na escola. E essa inclusão pressupõe que o aluno com necessidades educativas especiais aprenda e participe de todas as atividades em sala de aula, sendo acolhido por parte de seus colegas e professores. A autora menciona ainda que a filosofia do trabalho do mediador se baseia no ideal de que para incluir é preciso envolver o coletivo. O mediador trata-se de um profissional capacitado na área da educação inclusiva, tendo o conhecimento de que, ao atingir o seu objetivo, deixa de se fazer necessário, dado que o aluno já tem condições de prosseguir sua caminhada, continuando o seu aprendizado junto com os seus professores e amigos. O mediador, portanto, encerra um trabalho com um aluno, mas imediatamente inicia um novo ciclo com novos desafios ao lado de outro aluno que necessite de seu cuidado (ALIAS, 2016). Aluno colaborador O aluno colaborador tem a atribuição de combater mitos, ações de intolerância, assim como barreiras comportamentais. Trata-se de uma ação de tutoria, portanto, recomenda-se a troca do aluno colaborador de tempos em tempos. Todas as suas ações estão sob a orientação do professor, considerando as necessidades do aluno a ser incluído, observando ainda as habilidades que possui, as dificuldades que apresenta, assim como o seu nível de autonomia. Tais informações são obtidas a partir de um diagnóstico do perfil do aluno. São áreas em que a atuação do aluno colaborador é possível: ➢ O auxílio na motivação escolar; ➢ A interação e a inclusão no grupo social. Cuidador O cuidador é o profissional que tem, dentre as suas atribuições,a de acompanhar o aluno de forma mais individualizada no ambiente escolar. O objetivo da utilização do cuidado é o de fornecer o amparo em aspectos que dizem respeito à mobilidade do aluno com necessidades especiais, observando as suas necessidades pessoais e a realização das tarefas a ele atribuídas. Cabe destacar que o limite de atuação do cuidador reside nas condições do aluno com deficiência. Dessa forma, nem todos os alunos com deficiência necessariamente demandarão a presença dessa figura. Verificamos que a escola inclusiva representa um importante papel na vida dos alunos que possuem deficiências educacionais. Nesse ambiente, todos os profissionais atuam em prol do aluno, em especial os professores, que desempenham papel de protagonistas em diversas ocasiões, de modo a eliminar qualquer vestígio de preconceito ou discriminação contra esse público. A esse educador cabe, ainda, uma série de atribuições que amparam e proporcionam um ambiente escolar acolhedor para o aluno deficiente, de modo que ele venha a desenvolver todas as suas competências e habilidades, em condições de igualdade, como qualquer outro aluno que não possua tais deficiências (ALIAS, 2016). 2.3 Práticas pedagógicas inclusivas Alias (2016) verifica, que os principais teóricos da educação defendem que as práticas educacionais devem acontecer a partir da educação infantil, tornando a aula como contexto de desenvolvimento do estudante, ao oferecer uma aprendizagem significativa, ou seja, em que o aluno se sinta reconhecido e interessado pelo conteúdo que está sendo oferecido, e podendo estabelecer relações com outros assuntos que já conhece. Diante de todo o exposto, vamos discutir a respeito das práticas em sala de aula voltadas para a questão da diversidade. Existem diversas normativas e acordos internacionais a respeito da importância do estudo desse tema, dos quais destacamos a Convenção sobre os Direitos da Criança (Organização das Nações Unidas), ratificada pelo Brasil em 1990, que dispôs que o Estado é obrigado a adotar as medidas necessárias para proteger a criança contra todas as formas de discriminação. Outro importante momento foi a Conferência Mundial sobre Educação para Todos, de 1990, realizada na Tailândia, que recomendou atenção especial às necessidades básicas de aprendizagem das pessoas com deficiência, bem como a adoção de medidas para assegurar igualdade de acesso à educação, como parte integrante do sistema educacional. Em 1994, a Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: Acesso e Qualidade, também conhecida como Conferência de Salamanca, dispôs sobre a obrigatoriedade das escolas de acolher todas as crianças, independentemente de suas condições pessoais. Em relação aos benefícios sociais da inclusão escolar, Katz e Mirenda (2002) apontam a existência de evidências de que as interações que se estabelecem dentro de sala de aula entre alunos com necessidades educativas especiais e seus respectivos pares, os professores, são relevantes no tocante ao desenvolvimento de aspectos de comportamentos, da sua comunicação e das habilidades nas áreas sociais, bem como para o desempenho escolar. As práticas em sala de aula visam tornar a aprendizagem mais significativa para todos. É importante que tais práticas utilizem uma série de estratégias de respostas à diversidade, de modo que o aluno seja capaz de aplicar a aprendizagem às situações novas e de aprender a aprender. Um meio para a disseminação do conhecimento de princípios que estão associados à diversidade é a utilização de atividades voltadas para a aprendizagem cooperativa. Para tal, os processos de ensino devem ser organizados de tal forma que viabilizem a aprendizagem e a participação de todos os alunos de forma igual Com o objetivo de verificar se tal requisito está sendo cumprido, é recomendável que se faça uma crítica a ele, a fim de aferir se o objetivo para o qual está proposto está sendo atingido. Outro recurso é a promoção, dentro de sala de aula, de atividades que envolvam o trabalho colaborativo entre duplas, motivando os estudantes a conseguirem uma pré-disposição favorável para aprender. Por fim, cabe destacar que os docentes devem se preocupar com duas questões que, não raro, surgem na prática de sala de aula: a resiliência e autoestima. A resiliência tem sido entendida, atualmente, como a capacidade que uma pessoa possui para enfrentar as adversidades, superá-las e sair delas, fortalecida ou mesmo transformada. Quando abordada em relação à diversidade, significa respeitá-la e aprender com seus aspectos positivos, e não simplesmente tolerar. A autoestima é outro aspecto a ser considerado, porque é comum que alunos que sejam integrantes de minorias ou aqueles que apresentam necessidades educativas especiais sejam vítimas de situações discriminatórias ou vexatórias ou já as tenham vivenciado em algum momento de suas vidas. Outros podem ter inclusive sofrido algum tipo de agressão ou discriminação. Para todas essas situações, é necessária a sensibilidade do professor, e também é preciso realizar atividades que utilizem como exemplos outros casos semelhantes que tenham sido resolvidos (ALIAS, 2016). Ao final de todo o processo, caso seja autorizado pelos responsáveis e pelo próprio aluno, o professor pode também utilizar sua experiência com esse aluno como um case de aprendizado. Chama-se atenção para a necessidade de participação ativa da família como aliada ao processo inclusivo. Aliás, o contexto familiar do estudante pode influenciar diretamente seu grau de apreensão dos conteúdos, bem como sua inclusão ao todo escolar e social, por isso, é importante que os educadores conheçam e tenham acesso aos familiares desse aluno. Em casos nos quais sejam detectados dificuldades ou problemas no relacionamento interfamiliar do estudante, o acionamento de psicólogos e assistentes sociais pode ser um recurso de grande valia. É importante destacar que a diversidade é um assunto a ser tratado de forma transversal aos demais conteúdos, conforme preceituam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), prevendo inclusive a colaboração entre docentes e profissionais especializados. Em relação à avaliação dos resultados, destacamos que o processo deve ser avaliado como um todo. Na avaliação pontual, é preciso realizar a observação dos seus produtos ou resultados. Para tal, podem ser utilizados inúmeros recursos, como registros de episódios (incidentes, fatos ou episódios mais relevantes), diário do professor, lista de verificação (métrica que permite verificar se o objetivo de tal atividade foi alcançado), análise de trabalhos elaborados pelos alunos e, ainda, outros recursos não relacionados (ALIAS, 2016). Pode ocorrer que, a despeito de todos os procedimentos adotados em sala de aula, ainda exista uma reação adversa à abordagem do tema. Nesse caso, a flexibilização do currículo a ser oferecido ao aluno pode ser o último recurso a ser adotado. Determinações sociais na organização e no desenvolvimento do trabalho pedagógico diante dos alunos com necessidades educacionais especiais. Quando nos referimos a alunos com necessidades educativas especiais, estamos abordando, inclusive, a deficiência. Em um breve histórico, podemos afirmar que as representações socioculturais de cada comunidade, ao longo das gerações, e o nível de desenvolvimento científico, econômico, político e ético das sociedades serviram para definir, em parte, o que era deficiência e como se dava sua interpretação, ao considerá-la como fenômeno humano, tanto no aspecto individual quanto no social (ALIAS, 2016). Importante destacar que as pessoas com deficiência sempre foram alvos de forterejeição, discriminação e preconceito, cuja origem data de tempos remotos. Em muitas sociedades antigas, era comum a prática da verificação do recém-nascido, visando identificar algum tipo de deficiência. Aqueles que eram julgados como portadores de alguma anormalidade ou debilidade eram assassinados (no chamado infanticídio). Na Idade Média o deficiente foi vítima de tratamentos diversos que decorriam dos diferentes tipos de entendimentos. A consequência era a exclusão ou a violência por parte da sociedade. Diante da repercussão desses casos, alguns pais adotavam superproteção, em uma tentativa de isolar os filhos com deficiências do preconceito social. A falta de um entendimento uniforme a respeito das deficiências gerava visões, as mais variadas, como os casos das pessoas que possuíam deficiências mentais e eram consideradas influenciadas por maus espíritos. A consequência imediata era a sua exclusão do convívio social (ALIAS, 2016). Por outro lado, aquelas que possuíam deficiência visual ou auditiva eram julgadas como possuidoras de dons e/ou poderes sobrenaturais. Eram exploradas economicamente por charlatães ou mesmo por seus familiares, que viam a possibilidade de conseguir algum tipo de rendimento Por fim, alguns filósofos cristãos acreditavam que a deficiência poderia ter sido atribuída à pessoa por questões de âmbito espiritual, como um castigo por algum pecado cometido ou mesmo como uma forma de expiação de seus pecados. Seria, então, merecida Santo Tomás de Aquino rompeu com tais perspectivas ao apresentar uma nova concepção a respeito, na qual a deficiência se constituiria em um fenômeno natural da espécie humana. Santo Tomás de Aquino foi o desenvolvedor do pensamento “tomista”, que foi construído em bases racionais e empíricas, ao separar a filosofia da teologia, embora a primeira esteja subordinada à segunda. Para Aquino, o papel da razão seria demonstrar e ordenar os mistérios revelados pela fé. A falta de informação, aliada a pontos de vista conflitantes e contraditórios, gerava sentimentos e atitudes diferentes, o que veio a culminar na criação das ações de proteção e cuidados, como hospitais, prisões e abrigos. Verifica-se, então, que elas possuíam cunho social, religioso e caritativo (ALIAS, 2016). Com o surgimento das ciências, durante o período do Renascimento, concepções de cunho racional buscaram entender as causas das deficiências, o que deu origem às concepções racionais acerca delas. A partir desse corte temporal, o ponto de vista médico começou a apontar algumas das deficiências como originárias de doenças de caráter hereditário, de males físicos congênitos ou adquiridos, ou ainda como distúrbios da mente. No que tange à educação de pessoas com deficiência, podemos afirmar que a mesma decorreu da preocupação de pessoas dedicadas à religião, bem como daquelas voltadas para ações filantrópicas na Europa. Inicialmente, tais ações tiveram caráter assistencialista e terapêutico. O surgimento de uma estrutura mais consistente, como os primeiros programas para prover atenção e cuidados básicos de saúde, moradia, alimentação e educação para esse público, até então marginalizado e abandonado pela sociedade, só viria muito tempo depois, nos Estados Unidos e no Canadá (ALIAS, 2016). 2.4 Resumindo Conforme você pode observar o preconceito ainda existe, no entanto por meio de diversas instituições que tem por objetivo trabalhar para que estas pessoas tenham todos os seus direitos garantidos, faz com que exista todo um trabalho voltado para demonstrar o quanto a diversidade é boa e pode transformar o ambiente em que vivemos, de forma especial o ambiente escolar. Na próxima aula vamos tratar do tema: Étnico raciais História da África, cultura afro-brasileira e indígena. Até lá... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALIAS, Gabriela. Diversidade, currículo escolar e projetos pedagógicos: a nova dinâmica na escola atual. Cengage Learning. São Paulo, SP, 2016. BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 04/11/2022. DAGNINO, E. Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de cidadania. In: DAGNINO, E. (Org.). Anos 90: política e sociedade no Brasil. São Paulo: Brasiliense: 1994. p. 103-115. FLORES, H. J. A reinvenção dos direitos humanos. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2009. KATZ, J.; MIRENDA, P. Including students with developmental disabilities in general education classrooms: social benefits. International Journal of Special Education, 17, 2, p. 26-36, 2002. PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais: documento completo, atualizado e interativo [documento online]. SCARANO et al. Direitos humanos e diversidade. Porto Alegre: SAGAH, 2018. https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/509f2321d97cd2d203256b280052245a?OpenDocument&Highlight=1,constitui%C3%A7%C3%A3o&AutoFramed https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm