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AULA-02-DIREITOS-HUMANOS-E-DIVERSIDADE

Aula sobre direitos humanos e diversidade: trata de diversidade e preconceito, contextos conceituais da psicologia (behaviorismo, psicanálise, Gestalt) e áreas de atuação do psicólogo, o papel do professor e a evolução dos direitos humanos no Brasil (Constituição de 1988, ditadura e desigualdades).

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DIREITOS HUMANOS E 
DIVERSIDADE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá! 
 
Neste tópico vamos aprender sobre: Diversidade e Preconceito. 
Conforme, observamos no capítulo anterior o Brasil é um país com diversos 
grupos e é composto por diferentes crenças e valores e diante dessa grande 
diversidade de indivíduos, somos e pensamos diferente. 
Mas, apesar das nossas diferenças precisamos aprender a respeitar 
uns aos outros, é importante que se entenda que não existe apenas uma 
forma de ver e de viver à vida. É necessário que haja a equidade, ou seja, 
tratar os iguais como iguais e os desiguais como desiguais para que todos 
possam ser respeitados, na sua forma física e cultural. 
Sabe-se que o preconceito ainda existe no Brasil e em todo o mundo e 
que ele se apresenta de diversas formas, por isso a necessidade de se 
disseminar a semente da paz e do respeito, especialmente no ambiente 
escolar que é um espaço onde não apenas culturas se encontram como 
também proporciona conhecer uma diversidade humana, ambiente em que 
se deve estimular a eliminação do preconceito e a discriminação social. 
 
Bons estudos! 
 
AULA 02 -
DIVERSIDADE E 
PRECONCEITO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais da psicologia entenderá 
como ela alcançou o seu estatuto de cientificidade. Além disso, terá a oportunidade 
de conhecer as três grandes doutrinas da psicologia, behaviorismo, psicanálise e 
Gestalt, e as áreas de atuação do psicólogo. 
▪ Compreender o conceito de psicologia 
▪ Identificar as diferentes áreas de atuação da psicologia 
▪ Conhecer as áreas de atuação do psicólogo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Nesta aula, você vai conferir os contextos conceituais do fator 
Diversidade no Brasil e entenderá que diversidade vai muito além do que 
podemos imaginar. Além disso, terá a oportunidade de entender a 
necessidade da intervenção do professor enquanto formador de opinião para 
fazer da escola um ambiente de respeito ao próximo independente da sua 
condição física, intelectual, financeira, entre outros. Após esses estudos, você 
será capaz de: 
 
▪ Compreender o fator diversidade no Brasil 
▪ Identificar as diferentes dimensões quando se fala em 
diversidade e preconceito. 
▪ Entender as práticas do professor e do Estado em relação a 
diversidade de indivíduos. 
 
 
2 DIREITOS HUMANOS NO BRASIL 
SCARANO et al (2018) explicam que no Brasil, os direitos humanos são 
garantidos na Constituição Federal promulgada em 1988, os quais se trataram de um 
importante avanço jurídico para uma sociedade pluralista que foi marcada por cerca 
de 20 anos de Ditadura Civil-Militar (1964–1985). 
Se os direitos humanos não são um dado, mas um construído, enfatiza-se 
que as violações a estes direitos também o são. Isto é, as exclusões, as 
discriminações, as desigualdades, as intolerâncias e as injustiças são um 
construído histórico, a ser urgentemente desconstruído (FLORES, 2009, p. 
15). 
Naquele momento marcado por uma realidade onde a violência era legitimada 
por meio de torturas, assassinatos e desaparecimentos, momento em que os direitos 
humanos precisaram ser ratificados, pois se tornaram um importante dispositivo que 
tinha como objetivo à proteção da dignidade humana em relação a cidadania. 
Foi a partir dos anos de 1970/1980, que o viés democrático no Brasil e em 
outros países latino-americanos os readquiriram, por meio de uma importante 
construção da classe política e civil, que se tornou naquele momento um fator 
imprescindível buscando criar espaços onde a dignidade humana seja respeitada, 
além da concretização dos direitos. 
A questão da cultura democrática assume um caráter crucial no Brasil e na 
América Latina como um todo. Esta é uma sociedade na qual a desigualdade 
econômica, a miséria, a fome são os aspectos mais visíveis de um 
ordenamento social presidido pela organização hierárquica e desigual do 
conjunto das relações sociais: o que podemos chamar autoritarismo social 
(DAGNINO, 1994, p. 103). 
Cenário em que diante desses conflitos o Brasil esteve imerso, Dagnino (1994, 
p. 104) expõe que se tratava de uma cultura baseada “[...] predominantemente em 
critérios de classe, raça e gênero, esse autoritarismo social se expressa num sistema 
de classificações que estabelece diferentes categorias de pessoas, dispostas nos 
seus respectivos lugares na sociedade [...]” (DAGNINO, 1994, p. 104). E que se 
tratava de uma sociedade onde as elites exerciam uma forte influência, onde o desafio 
aos direitos humanos era ainda uma realidade a ser construída. 
Segundo Dagnino (1994), “esse autoritarismo engendra formas de 
sociabilidade e uma cultura autoritária de exclusão que subjaz ao conjunto das 
 
 
práticas sociais e reproduz a desigualdade nas relações sociais em todos os seus 
níveis” (DAGNINO, 1994, p. 104). O que se observa na atualidade é que o Brasil tem 
avançado em busca da concretização dos direitos humanos, porém, conforme se 
percebe muito ainda precisa ser feito para que estes avanços sejam realmente 
concretizados. 
2.1 Direito a educação na perspectiva intercultural 
Alias (2016) esclarece que se espera, conforme mencionado na abertura e 
também na aula anterior é que a escola seja um espaço democrático, onde o 
educando tenha um espaço de amplo debate e possa aprender, graças a diversidade 
tanto cultural quanto de pessoas, com as quais ele poderá ter contato neste ambiente. 
É altamente desejável que seja assim, conforme recomendam os Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCNs). 
A escola se trata de um espaço privilegiado no qual devem ser fomentadas 
ações que promovam tanto a igualdade quanto a eliminação de toda forma de 
discriminação e racismo. Tal instituição apresenta o potencial de possibilitar dentro de 
seu espaço físico, o convívio de pessoas com distintas origens principalmente as 
étnico-raciais, além das questões culturais e outras de ordem religiosa. 
Ademais, a atuação da escola é intencional, pois ocorre de forma sistemática, 
constante e obrigatória, uma vez que a educação se trata de uma obrigação do 
Estado, que tem o dever de oferecê-la e da família: a de prover meios para manter a 
criança estudando. Quando abordamos a questão de raça e de etnia, uma ampla 
discussão se abre: Primeiro, porque raça e etnia não são sinônimas, muito embora o 
conceito de raça esteja diretamente associado ao de etnia. A palavra etnia deriva do 
grego ethnos, que significa povo. Em linhas gerais, a etnia: 
➢ Trata-se de uma comunidade humana; 
➢ É definida por afinidades linguísticas e culturais. 
Etnia engloba, também, fatores culturais, tais como nacionalidade, religião, 
língua e tradições. Etnia engloba, também, fatores culturais, tais como nacionalidade, 
religião, língua e tradições. O conceito de raça diz respeito exclusivamente aos fatores 
morfológicos (constituição física, cor de pele, estatura, dentre outros). 
 
 
Um erro que ocorre com bastante frequência é a utilização equivocada do termo 
“etnia” como um eufemismo para raça. A língua é utilizada como o principal 
instrumento de classificação dos grupos étnicos. Merece destaque o fato de que existe 
um grande número de línguas multiétnicas, em que algumas etnias utilizam diversas 
línguas, como no caso da Índia, por exemplo. 
De forma resumida, entende-se que os grupos étnicos apresentam as 
seguintes características: 
➢ Compartilham uma origem comum; 
➢ Apresentam uma continuidade no tempo; 
➢ Possuem uma noção de história em comum; 
➢ Projetam um futuro comum, como povo. 
Todos esses elementos são alcançados por meio da transmissão que acontece 
entre as gerações, as quais herdam a linguagem comum, suas tradições e seus 
valores e até mesmo suas instituições. Cada raça e etnia carrega seus conhecimentos 
e costumes,desenvolvidos e acumulados em decorrência do passar do tempo, do 
local e das condições de sobrevivência a que foram submetidos (ALIAS, 2016). 
O somatório desses elementos dá o tom de cada nação e precisa ser 
respeitado, sob pena de que um dia tenhamos algo pasteurizado, homogêneo e sem 
diversidade. Por isso mesmo, pobre culturalmente sob todos os aspectos. A história 
da humanidade tem se caracterizado pela riqueza dos povos que a compõem. 
Suprimir essa diversidade, diminuindo o ser humano por causa de sua cor de pele, da 
língua falada, da religião praticada ou das suas diversas formas de manifestação 
cultural, representa um erro que não pode ser ignorado. 
Mais grave é utilizar esses elementos para justificar a superioridade ou 
inferioridade de uma raça ou etnia frente às demais. Trata-se de um erro que a própria 
História já demonstrou ser equivocado, e para desfazer tal posicionamento é que a 
escola exerce papel fundamental como espaço estratégico de debates e de 
conscientização (ALIAS, 2016). 
2.2 Direito a educação na perspectiva inclusiva 
Para Alias (2016), as atividades decorrentes da modalidade educação especial 
 
 
sejam eficazes, um importante recurso auxiliar deve ser oferecido nas salas de 
recurso: trata-se do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Para viabilizar o 
AEE, a escola deve organizar os seus horários de tal modo que esse atendimento 
aconteça sempre nos contraturnos, pelo motivo de que tal atendimento é 
complementar, sendo vedada a substituição da escola regular por este. Recomenda-
se a adoção da seguinte escala de atendimento: 
➢ O aluno estuda na escola no período matutino e recebe o AEE no período 
vespertino; 
➢ O aluno estuda na escola no período vespertino e recebe o AEE no período 
matutino. 
O AEE pode ser prestado por professores capacitados para esse atendimento 
na própria escola ou em serviços conveniados, como as Associações de Pais e 
Amigos dos Excepcionais (APAE), em convênio com os governos estaduais ou 
municipais. É importante destacar que tanto as escolas públicas como as 
Organizações Não Governamentais (ONG) recebem do governo um repasse de verba 
do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização 
dos Profissionais da Educação (FUNDEB) para a manutenção do AEE (ALIAS, 2016). 
 
As escolas particulares/privadas 
 A Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, prevê̂ que a 
educação deve ser oferecida pelo Estado em escolas públicas e por parte da iniciativa 
privada em escolas particulares. Conforme já estudamos anteriormente, a educação 
é um direito fundamental do cidadão, garantido a todas as crianças e adolescentes, 
possuindo ou não deficiência, e deve ser garantida também nas escolas privadas, sem 
qualquer forma de distinção. 
Em relação à autorização de funcionamento, as escolas privadas necessitam 
obter tal autorização por parte do Poder Público, de forma a desenvolverem suas 
atividades de acordo com todos os dispositivos legais. Devem, para isso, cumprir uma 
série de requisitos dispostos em normativas gerais da educação. São sujeitas ainda à 
avaliação de qualidade de seu ensino por parte do Estado brasileiro (ALIAS, 2016). 
A legislação veda a qualquer escola, inclusive a privada, que pratique atos que 
impliquem ações discriminatórias em relação aos alunos com deficiência, seja no 
 
 
momento da matrícula, seja na sua permanência na escola. Assim como na escola 
pública, a escola particular deve oferecer condições de acessibilidade e inclusão aos 
alunos com deficiência, de tal modo que eles possam ter oportunidade real de 
aprendizagem. 
É importante destacar o fato de que não se permite (e eticamente é 
inadmissível) que, apenas em decorrência da deficiência, a escola recuse a efetivação 
de matrícula ou imponha condições diferenciadas para a matrícula e permanência do 
aluno com deficiência, como: 
➢ Cobrar valores extras, sob qualquer pretexto; 
➢ Exigir que os pais disponibilizem, sob seu custo, um professor para dedicar-se 
exclusivamente ao aluno deficiente; 
➢ Limitar sua participação a apenas algumas atividades que são oferecidas aos 
demais alunos; 
➢ Colocá-lo em ambiente separado dos demais alunos etc. 
É importante ter em mente que a escola particular, assim como a pública, 
encontra-se obrigada a observar e seguir todas as diretrizes básicas e os preceitos 
nacionais da educação, respeitando os aparatos legais vigentes, assim como a 
Constituição Federal. 
 
Professor assistente ou auxiliar, mediador, aluno colaborador e cuidador 
Antes de prosseguir, cabe um aviso: as definições em relação às categorias de 
professor assistente ou auxiliar, mediador, aluno colaborador ou mediador devem ser 
utilizadas apenas como referência, uma vez que, na prática, identificou-se que, 
dependendo da localidade, existe um nome específico para cada atividade, além das 
atribuições diferentes que podem ser adotadas para cada tipo de apoio, dependendo 
das necessidades existentes, pois cada escola ou mesmo cada sala de aula possui 
sua especificidade. 
A título de exemplo, existem locais onde os professores auxiliares exercem o 
papel de mediadores e de cuidadores. Em outros, os próprios cuidadores realizam 
adequações ao currículo dos alunos. Por fim, existem escolas com escassez de 
profissionais, nas quais os professores de educação especial são lotados em salas de 
recurso e, também, acompanham os alunos em sala de aula. Ou seja, desempenham 
 
 
duas atribuições ao mesmo tempo (ALIAS, 2016). 
 
Professor assistente ou auxiliar 
 O professor assistente, também denominado professor auxiliar, é o profissional 
que divide as atribuições de sala de aula com o professor titular e sob sua 
coordenação. O professor assistente ou auxiliar não necessariamente possui 
formação em educação especial. 
 
Mediador 
O mediador tem a principal atribuição de ajudar o aluno a criar suas próprias 
ferramentas, de tal modo que faça uso do espaço escolar de forma independente e 
gradual, ganhando autonomia para a sua vida escolar. Compete ao mediador, ao atuar 
em parceria com a escola, proporcionar meios para que o aluno sob os seus cuidados 
se encontre efetivamente incluído na escola. E essa inclusão pressupõe que o aluno 
com necessidades educativas especiais aprenda e participe de todas as atividades 
em sala de aula, sendo acolhido por parte de seus colegas e professores. 
A autora menciona ainda que a filosofia do trabalho do mediador se baseia no 
ideal de que para incluir é preciso envolver o coletivo. O mediador trata-se de um 
profissional capacitado na área da educação inclusiva, tendo o conhecimento de que, 
ao atingir o seu objetivo, deixa de se fazer necessário, dado que o aluno já tem 
condições de prosseguir sua caminhada, continuando o seu aprendizado junto com 
os seus professores e amigos. O mediador, portanto, encerra um trabalho com um 
aluno, mas imediatamente inicia um novo ciclo com novos desafios ao lado de outro 
aluno que necessite de seu cuidado (ALIAS, 2016). 
 
Aluno colaborador 
O aluno colaborador tem a atribuição de combater mitos, ações de intolerância, 
assim como barreiras comportamentais. Trata-se de uma ação de tutoria, portanto, 
recomenda-se a troca do aluno colaborador de tempos em tempos. Todas as suas 
ações estão sob a orientação do professor, considerando as necessidades do aluno 
a ser incluído, observando ainda as habilidades que possui, as dificuldades que 
apresenta, assim como o seu nível de autonomia. Tais informações são obtidas a 
partir de um diagnóstico do perfil do aluno. São áreas em que a atuação do aluno 
 
 
colaborador é possível: 
➢ O auxílio na motivação escolar; 
➢ A interação e a inclusão no grupo social. 
Cuidador 
 O cuidador é o profissional que tem, dentre as suas atribuições,a de acompanhar 
o aluno de forma mais individualizada no ambiente escolar. O objetivo da utilização 
do cuidado é o de fornecer o amparo em aspectos que dizem respeito à mobilidade 
do aluno com necessidades especiais, observando as suas necessidades pessoais e 
a realização das tarefas a ele atribuídas. Cabe destacar que o limite de atuação do 
cuidador reside nas condições do aluno com deficiência. 
Dessa forma, nem todos os alunos com deficiência necessariamente 
demandarão a presença dessa figura. Verificamos que a escola inclusiva representa 
um importante papel na vida dos alunos que possuem deficiências educacionais. 
Nesse ambiente, todos os profissionais atuam em prol do aluno, em especial os 
professores, que desempenham papel de protagonistas em diversas ocasiões, de 
modo a eliminar qualquer vestígio de preconceito ou discriminação contra esse 
público. 
A esse educador cabe, ainda, uma série de atribuições que amparam e 
proporcionam um ambiente escolar acolhedor para o aluno deficiente, de modo que 
ele venha a desenvolver todas as suas competências e habilidades, em condições de 
igualdade, como qualquer outro aluno que não possua tais deficiências (ALIAS, 2016). 
 
2.3 Práticas pedagógicas inclusivas 
Alias (2016) verifica, que os principais teóricos da educação defendem que as 
práticas educacionais devem acontecer a partir da educação infantil, tornando a aula 
como contexto de desenvolvimento do estudante, ao oferecer uma aprendizagem 
significativa, ou seja, em que o aluno se sinta reconhecido e interessado pelo conteúdo 
que está sendo oferecido, e podendo estabelecer relações com outros assuntos que 
já conhece. 
Diante de todo o exposto, vamos discutir a respeito das práticas em sala de 
aula voltadas para a questão da diversidade. Existem diversas normativas e acordos 
internacionais a respeito da importância do estudo desse tema, dos quais destacamos 
 
 
a Convenção sobre os Direitos da Criança (Organização das Nações Unidas), 
ratificada pelo Brasil em 1990, que dispôs que o Estado é obrigado a adotar as 
medidas necessárias para proteger a criança contra todas as formas de discriminação. 
Outro importante momento foi a Conferência Mundial sobre Educação para 
Todos, de 1990, realizada na Tailândia, que recomendou atenção especial às 
necessidades básicas de aprendizagem das pessoas com deficiência, bem como a 
adoção de medidas para assegurar igualdade de acesso à educação, como parte 
integrante do sistema educacional. Em 1994, a Conferência Mundial sobre 
Necessidades Educacionais Especiais: Acesso e Qualidade, também conhecida como 
Conferência de Salamanca, dispôs sobre a obrigatoriedade das escolas de acolher 
todas as crianças, independentemente de suas condições pessoais. 
Em relação aos benefícios sociais da inclusão escolar, Katz e Mirenda (2002) 
apontam a existência de evidências de que as interações que se estabelecem dentro 
de sala de aula entre alunos com necessidades educativas especiais e seus 
respectivos pares, os professores, são relevantes no tocante ao desenvolvimento de 
aspectos de comportamentos, da sua comunicação e das habilidades nas áreas 
sociais, bem como para o desempenho escolar. 
As práticas em sala de aula visam tornar a aprendizagem mais significativa para 
todos. É importante que tais práticas utilizem uma série de estratégias de respostas à 
diversidade, de modo que o aluno seja capaz de aplicar a aprendizagem às situações 
novas e de aprender a aprender. Um meio para a disseminação do conhecimento de 
princípios que estão associados à diversidade é a utilização de atividades voltadas 
para a aprendizagem cooperativa. Para tal, os processos de ensino devem ser 
organizados de tal forma que viabilizem a aprendizagem e a participação de todos os 
alunos de forma igual 
Com o objetivo de verificar se tal requisito está sendo cumprido, é 
recomendável que se faça uma crítica a ele, a fim de aferir se o objetivo para o qual 
está proposto está sendo atingido. Outro recurso é a promoção, dentro de sala de 
aula, de atividades que envolvam o trabalho colaborativo entre duplas, motivando os 
estudantes a conseguirem uma pré-disposição favorável para aprender. 
Por fim, cabe destacar que os docentes devem se preocupar com duas 
questões que, não raro, surgem na prática de sala de aula: a resiliência e autoestima. 
A resiliência tem sido entendida, atualmente, como a capacidade que uma pessoa 
 
 
possui para enfrentar as adversidades, superá-las e sair delas, fortalecida ou mesmo 
transformada. Quando abordada em relação à diversidade, significa respeitá-la e 
aprender com seus aspectos positivos, e não simplesmente tolerar. 
A autoestima é outro aspecto a ser considerado, porque é comum que alunos 
que sejam integrantes de minorias ou aqueles que apresentam necessidades 
educativas especiais sejam vítimas de situações discriminatórias ou vexatórias ou já 
as tenham vivenciado em algum momento de suas vidas. Outros podem ter inclusive 
sofrido algum tipo de agressão ou discriminação. Para todas essas situações, é 
necessária a sensibilidade do professor, e também é preciso realizar atividades que 
utilizem como exemplos outros casos semelhantes que tenham sido resolvidos 
(ALIAS, 2016). 
Ao final de todo o processo, caso seja autorizado pelos responsáveis e pelo 
próprio aluno, o professor pode também utilizar sua experiência com esse aluno como 
um case de aprendizado. Chama-se atenção para a necessidade de participação ativa 
da família como aliada ao processo inclusivo. Aliás, o contexto familiar do estudante 
pode influenciar diretamente seu grau de apreensão dos conteúdos, bem como sua 
inclusão ao todo escolar e social, por isso, é importante que os educadores conheçam 
e tenham acesso aos familiares desse aluno. 
Em casos nos quais sejam detectados dificuldades ou problemas no 
relacionamento interfamiliar do estudante, o acionamento de psicólogos e assistentes 
sociais pode ser um recurso de grande valia. É importante destacar que a diversidade 
é um assunto a ser tratado de forma transversal aos demais conteúdos, conforme 
preceituam os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), prevendo inclusive a 
colaboração entre docentes e profissionais especializados. 
Em relação à avaliação dos resultados, destacamos que o processo deve ser 
avaliado como um todo. Na avaliação pontual, é preciso realizar a observação dos 
seus produtos ou resultados. Para tal, podem ser utilizados inúmeros recursos, como 
registros de episódios (incidentes, fatos ou episódios mais relevantes), diário do 
professor, lista de verificação (métrica que permite verificar se o objetivo de tal 
atividade foi alcançado), análise de trabalhos elaborados pelos alunos e, ainda, outros 
recursos não relacionados (ALIAS, 2016). 
Pode ocorrer que, a despeito de todos os procedimentos adotados em sala de 
aula, ainda exista uma reação adversa à abordagem do tema. Nesse caso, a 
 
 
flexibilização do currículo a ser oferecido ao aluno pode ser o último recurso a ser 
adotado. Determinações sociais na organização e no desenvolvimento do trabalho 
pedagógico diante dos alunos com necessidades educacionais especiais. Quando nos 
referimos a alunos com necessidades educativas especiais, estamos abordando, 
inclusive, a deficiência. 
Em um breve histórico, podemos afirmar que as representações socioculturais 
de cada comunidade, ao longo das gerações, e o nível de desenvolvimento científico, 
econômico, político e ético das sociedades serviram para definir, em parte, o que era 
deficiência e como se dava sua interpretação, ao considerá-la como fenômeno 
humano, tanto no aspecto individual quanto no social (ALIAS, 2016). 
Importante destacar que as pessoas com deficiência sempre foram alvos de 
forterejeição, discriminação e preconceito, cuja origem data de tempos remotos. Em 
muitas sociedades antigas, era comum a prática da verificação do recém-nascido, 
visando identificar algum tipo de deficiência. Aqueles que eram julgados como 
portadores de alguma anormalidade ou debilidade eram assassinados (no chamado 
infanticídio). 
Na Idade Média o deficiente foi vítima de tratamentos diversos que decorriam 
dos diferentes tipos de entendimentos. A consequência era a exclusão ou a violência 
por parte da sociedade. Diante da repercussão desses casos, alguns pais adotavam 
superproteção, em uma tentativa de isolar os filhos com deficiências do preconceito 
social. A falta de um entendimento uniforme a respeito das deficiências gerava visões, 
as mais variadas, como os casos das pessoas que possuíam deficiências mentais e 
eram consideradas influenciadas por maus espíritos. A consequência imediata era a 
sua exclusão do convívio social (ALIAS, 2016). 
Por outro lado, aquelas que possuíam deficiência visual ou auditiva eram 
julgadas como possuidoras de dons e/ou poderes sobrenaturais. Eram exploradas 
economicamente por charlatães ou mesmo por seus familiares, que viam a 
possibilidade de conseguir algum tipo de rendimento 
Por fim, alguns filósofos cristãos acreditavam que a deficiência poderia ter sido 
atribuída à pessoa por questões de âmbito espiritual, como um castigo por algum 
pecado cometido ou mesmo como uma forma de expiação de seus pecados. Seria, 
então, merecida Santo Tomás de Aquino rompeu com tais perspectivas ao apresentar 
uma nova concepção a respeito, na qual a deficiência se constituiria em um fenômeno 
 
 
natural da espécie humana. 
Santo Tomás de Aquino foi o desenvolvedor do pensamento “tomista”, que foi 
construído em bases racionais e empíricas, ao separar a filosofia da teologia, embora 
a primeira esteja subordinada à segunda. Para Aquino, o papel da razão seria 
demonstrar e ordenar os mistérios revelados pela fé. A falta de informação, aliada a 
pontos de vista conflitantes e contraditórios, gerava sentimentos e atitudes diferentes, 
o que veio a culminar na criação das ações de proteção e cuidados, como hospitais, 
prisões e abrigos. Verifica-se, então, que elas possuíam cunho social, religioso e 
caritativo (ALIAS, 2016). 
Com o surgimento das ciências, durante o período do Renascimento, 
concepções de cunho racional buscaram entender as causas das deficiências, o que 
deu origem às concepções racionais acerca delas. A partir desse corte temporal, o 
ponto de vista médico começou a apontar algumas das deficiências como originárias 
de doenças de caráter hereditário, de males físicos congênitos ou adquiridos, ou ainda 
como distúrbios da mente. 
No que tange à educação de pessoas com deficiência, podemos afirmar que a 
mesma decorreu da preocupação de pessoas dedicadas à religião, bem como 
daquelas voltadas para ações filantrópicas na Europa. Inicialmente, tais ações tiveram 
caráter assistencialista e terapêutico. O surgimento de uma estrutura mais 
consistente, como os primeiros programas para prover atenção e cuidados básicos de 
saúde, moradia, alimentação e educação para esse público, até então marginalizado 
e abandonado pela sociedade, só viria muito tempo depois, nos Estados Unidos e no 
Canadá (ALIAS, 2016). 
2.4 Resumindo 
 
Conforme você pode observar o preconceito ainda existe, no entanto por meio 
de diversas instituições que tem por objetivo trabalhar para que estas pessoas tenham 
todos os seus direitos garantidos, faz com que exista todo um trabalho voltado para 
demonstrar o quanto a diversidade é boa e pode transformar o ambiente em que 
vivemos, de forma especial o ambiente escolar. 
Na próxima aula vamos tratar do tema: Étnico raciais História da África, cultura 
afro-brasileira e indígena. 
Até lá... 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ALIAS, Gabriela. Diversidade, currículo escolar e projetos pedagógicos: a nova 
dinâmica na escola atual. Cengage Learning. São Paulo, SP, 2016. 
BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 
04/11/2022. 
DAGNINO, E. Os movimentos sociais e a emergência de uma nova noção de 
cidadania. In: DAGNINO, E. (Org.). Anos 90: política e sociedade no Brasil. São 
Paulo: Brasiliense: 1994. p. 103-115. 
FLORES, H. J. A reinvenção dos direitos humanos. Florianópolis: Fundação 
Boiteux, 2009. 
KATZ, J.; MIRENDA, P. Including students with developmental disabilities in general 
education classrooms: social benefits. International Journal of Special Education, 
17, 2, p. 26-36, 2002. 
PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais: documento completo, atualizado e 
interativo [documento online]. 
SCARANO et al. Direitos humanos e diversidade. Porto Alegre: SAGAH, 2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://legislacao.planalto.gov.br/legisla/legislacao.nsf/viwTodos/509f2321d97cd2d203256b280052245a?OpenDocument&Highlight=1,constitui%C3%A7%C3%A3o&AutoFramed
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm

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