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<p>Francis Albert Cotta</p><p>Negociação</p><p>&</p><p>Gerenciamento de Crises</p><p>Belo Horizonte</p><p>2023</p><p>Copyright © da Editora Academia do Prado Mineiro</p><p>Editor-Chefe: Ten Cel PM Vanderlan Hudson Rolim</p><p>Revisão Geral: Maj PM Francis Albert Cotta</p><p>Projeto Gráfico: Maj PM Francis Albert Cotta e 3º Sgt PM Aníbal Francisco Gonçalves Júnior</p><p>Diagramação e Capa: 3º Sgt PM Aníbal Francisco Gonçalves Júnior</p><p>Capa criada com imagens de Freepik.com (Free License for commercial use with attribution).</p><p>DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO - CIP</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Academia de Polícia Militar de</p><p>Minas Gerais - Centro de Pesquisa e Pós-Graduação - Bibliotecária Regina Simão</p><p>Paulino - CRB-6/1154</p><p>2023</p><p>Proibida a reprodução parcial ou total desta obra sem autorização da Editora Academia do Prado Mineiro.</p><p>Todos os direitos desta edição são reservados pela Editora Academia do Prado Mineiro.</p><p>Editora Academia do Prado Mineiro</p><p>Rua Diábase, 320, Prado. Belo Horizonte</p><p>Minas Gerais. Brasil – CEP: 30.411-060</p><p>Tel: (31) 2123-9513</p><p>C846n COTTA, Francis Albert.</p><p>Negociação e gerenciamento de crises. - Belo Horizonte: Academia</p><p>do Prado Mineiro, 2023.</p><p>145 p.</p><p>ISBN 978-65-89353-25-6</p><p>Acesso e-book: www.policiamilitar.mg.gov.br/site/ebookweb/</p><p>1. Gerenciamento de crises. 2. Gestão de incidentes críticos. 3.</p><p>Protocolo de intervenção especializada. 4. Psicologia criminal. 5.</p><p>Negociação. I. Título.</p><p>CDU 316.6</p><p>CDD 341.66</p><p>Conselho Editorial</p><p>Presidente: Cel PM Eugênio Pascoal da Cunha Valadares (APM/PMMG)</p><p>Vice-presidente: Ten Cel PM Vanderlan Hudson Rolim (CPP/APM/PMMG)</p><p>Membros</p><p>Dr. Hélio Hiroshi Hamada (PMMG)</p><p>Dr. Silvio Jose de Sousa Filho (PMMG)</p><p>Dra. Sônia Francisca de Souza (PMMG)</p><p>Dr. Antônio Hot Pereira de Faria (PMMG)</p><p>Dr. Eduardo Godinho Pereira (PMMG)</p><p>Dr. Tiago Farias Braga (PMMG)</p><p>Comitê Científico</p><p>Dr. Anderson Duarte Barboza (APM CE)</p><p>Dr. Antônio Sérgio Barcala Jorge (Unimontes)</p><p>Dr. César Augusto de Castro Fiuza (UFMG)</p><p>Dr. Edson Benedito Rondon Filho (IBSP)</p><p>Dr. Francis Albert Cotta (UEMG)</p><p>Dr. Gabriel Eduardo Guerrero Nieto (PNC - Colômbia)</p><p>Dr. Jorge Mascarenhas Lasmar (PUC Minas)</p><p>Dr. João Batista da Silva (APM RN)</p><p>Dr. João Batista Mendes (Unimontes)</p><p>Dr. Luís Flávio Sapori (PUC Minas)</p><p>Dr. Rafael Soares Duarte de Moura (Unimontes)</p><p>Dr. Ronilson de Souza Luiz (APM SP)</p><p>Dr. Marcos Roberto de Souza Peres (APM PR)</p><p>Dra. Marlene Inês Spaniol (ABM RS)</p><p>Este livro passou por avaliação e aprovação às cegas de dois ou mais pareceristas</p><p>ad hoc.</p><p>PREFÁCIO</p><p>A longa trajetória prática e acadêmica do Dr. Francis Albert Cotta o</p><p>torna especialmente qualificado para nos ensinar como podemos</p><p>melhorar e agir em situações de negociações e gerenciamento de</p><p>crises. Não por acaso, esta obra é um recurso inestimável escrito para</p><p>equipar policiais e líderes com o conhecimento, habilidades e</p><p>estratégias necessárias para navegar decisiva e eficazmente em</p><p>situações de alto risco.</p><p>As agências policiais em todo o mundo têm a enorme responsabilidade</p><p>de manter a segurança pública e garantir o bem-estar de suas</p><p>comunidades. No exercício de suas funções, os oficiais muitas vezes se</p><p>deparam com cenários complexos e voláteis, onde a capacidade de</p><p>negociar e administrar crises pode significar a diferença entre a vida e</p><p>a morte. Esses momentos críticos exigem uma compreensão profunda</p><p>do comportamento humano, técnicas de comunicação eficazes e a</p><p>aplicação de estratégias de negociação baseadas em princípios.</p><p>É nesse sentido que essa obra fornece aos profissionais atuantes em</p><p>negociação e gestão de crise uma estrutura abrangente para não</p><p>apenas conduzir negociações e mediações bem-sucedidas, mas</p><p>também gerenciar crises com sucesso. Ao longo de suas páginas,</p><p>encontramos uma riqueza de orientações e melhores práticas</p><p>derivadas da extensa pesquisa acadêmica e experiência profissional do</p><p>autor. O conteúdo da obra aborda cuidadosamente os desafios únicos</p><p>enfrentados pelos policiais nas linhas de frente, capacitando-os com</p><p>as ferramentas necessárias para diminuir as tensões, construir</p><p>relacionamento e forjar soluções colaborativas mesmo nas</p><p>circunstâncias mais exigentes.</p><p>Assim, cada capítulo desta obra investiga um aspecto específico das</p><p>negociações e gestão de crises. São abordados tópicos como escuta</p><p>ativa, comunicação eficaz, dinâmica psicológica, considerações éticas</p><p>e negociações complexas. Sua estrutura guia os leitores através de</p><p>uma exploração abrangente de negociações e gerenciamento de crises</p><p>de maneira lógica e sequencial. O capítulo inicial começa com uma</p><p>visão geral dos princípios e doutrinas de gerenciamento de crises e</p><p>gestão de incidentes críticos (Capítulo 1). Os capítulos subsequentes</p><p>abordam tópicos como protocolos de intervenção especializada</p><p>(Capítulo 2), dinâmicas do processo decisório (Capítulo 3) e psicologia</p><p>criminal (Capítulo 4). O livro também oferece uma exploração</p><p>abrangente das metodologias mais recentes, incluindo a integração de</p><p>tecnologia e a adaptação de técnicas de negociação em diversos</p><p>contextos ao abordar os meandros das negociações, desde a</p><p>estruturação de equipes de negociação, passando por técnicas de</p><p>negociação até a gestão de incidentes com bombas e explosivos</p><p>(Capítulo 5). Pode-se perceber que a obra foi meticulosamente</p><p>elaborada para equipar oficiais e líderes com o conhecimento, as</p><p>habilidades e as estratégias essenciais necessárias para navegar com</p><p>eficácia em situações de alta tensão e risco e obter soluções pacíficas.</p><p>Tenho a certeza de que este manual servirá como uma referência</p><p>indispensável para as agências policiais, fornecendo-lhes o</p><p>conhecimento e a confiança para lidar com situações de alta pressão</p><p>e contribuindo para a preservação da vida humana e da confiança do</p><p>público. O conhecimento e as estratégias apresentadas nestas páginas</p><p>certamente contribuirão para a melhoria contínua das práticas de</p><p>negociação e gestão de crises. Acredito sinceramente que esta obra</p><p>contribuirá para aprimorar suas habilidades e enriquecerá sua</p><p>compreensão sobre negociações e gerenciamento de crises,</p><p>permitindo um melhor enfrentamento dos desafios de sua nobre</p><p>profissão com confiança, integridade e compaixão.</p><p>Por último, expresso minha mais profunda gratidão aos dedicados</p><p>profissionais da segurança pública que voluntariamente se colocam</p><p>em perigo em situações de alto risco para buscar, através da</p><p>negociação e mediação, soluções pacíficas para as crises e incidentes</p><p>críticos. Seu compromisso e sacrifício são verdadeiramente louváveis.</p><p>Nova Lima, maio de 2023.</p><p>Jorge M. Lasmar, PhD</p><p>Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais</p><p>da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - PUC Minas</p><p>7</p><p>SUMÁRIO</p><p>Capítulo 1 - Gerenciamento de Crises e Gestão de Incidentes</p><p>Críticos .................................................................................. 12</p><p>Pressupostos ................................................................. 12</p><p>Processo histórico do Gerenciamento de Crises no Brasil .... 14</p><p>Doutrina Internacional ......................................................... 16</p><p>Objetivos do Gerenciamento de Crises ......................... 18</p><p>Critérios de Ação ........................................................... 19</p><p>Medidas de resposta imediata ...................................... 20</p><p>Perímetros de segurança .............................................. 21</p><p>Classificação dos graus de risco e níveis de resposta .... 22</p><p>Elementos essenciais de informações ........................... 23</p><p>Tipologia dos perpetradores de um incidente crítico ... 23</p><p>Gestão de Incidentes Críticos ............................................... 25</p><p>Componentes operacionais na Cena de Ação ............... 28</p><p>Eclosão</p><p>Crítico e o Comandante da Cena de Ação utilizarão</p><p>as alternativas táticas de acordo com a evolução do incidente crítico,</p><p>sempre baseados em criterios técnicos e assessorados pelos líderes das</p><p>equipes táticas.</p><p>Negociação - A negociação é a primeira</p><p>alternativa tática e deve ser empregada</p><p>mesmo em situações em que o emprego da</p><p>força letal é uma exigência vital, uma vez que</p><p>a utilização da negociação tática proporciona</p><p>o deslocamento e o posicionamento das</p><p>células do Time Tático e mesmo dos Snipers.</p><p>A negociação poderá ser aplicada com um fim em si mesma ou conjugada</p><p>de forma tática com outras alternativas.</p><p>Negociação Técnica - Consiste no processo de</p><p>convencimento de rendição dos perpetradores</p><p>por meios pacíficos utilizando conhecimentos</p><p>das ciências do comportamento, da linguagem e</p><p>da comunicação.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>62</p><p>Negociação Tática - Ações que buscam coletar o</p><p>maior número de informações para suprir as demais</p><p>alternativas, de forma a preparar o ambiente para o</p><p>emprego de outra alternativa tática.</p><p>Técnicas e Tecnologia Não-Letal - A</p><p>utilização de técnicas, armas, munições</p><p>e equipamentos não-letais é uma das</p><p>alternativas táticas que está a</p><p>disposição do Gestor do Incidente</p><p>Crítico e do Comandante da Cena de</p><p>Ação para a resolução do incidente.</p><p>Essa alternativa será empregada de</p><p>acordo com a análise técnica da situação tendo em vista as chances reais</p><p>de sucesso.</p><p>Técnicas não-letais - É o conjunto de</p><p>métodos utilizados para resolver</p><p>determinado litígio de modo a preservar as</p><p>vidas dos envolvidos com a utilização de:</p><p>luz, bombas de fedor, drogas indutoras de</p><p>sono, defesa pessoal, espumas de</p><p>aderência, redes de aprisionamento, uso de frequências sonoras</p><p>desagradáveis.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>63</p><p>Armas não-letais - São as projetadas e</p><p>empregadas especificamente para incapacitar</p><p>pessoal ou material, minimizando mortes,</p><p>ferimentos permanentes, danos indesejáveis à</p><p>propriedade e comprometimento do meio</p><p>ambiente, tais como o armamento de emissão</p><p>de impulsos elétricos.</p><p>Munições não-letais - São as munições</p><p>desenvolvidas com objetivo de causar a redução da</p><p>capacidade operativa e/ou combativa do agressor</p><p>ou oponente. Podendo ser empregadas em armas</p><p>convencionais ou específicas para atuações não-</p><p>letais. Um exemplo são as munições de elastômero</p><p>(borracha prensada).</p><p>Equipamentos não-letais - Todos os artefatos –</p><p>inclusive os não classificados como armas –</p><p>desenvolvidos com finalidade de preservar vidas,</p><p>durante atuação policial ou militar, inclusive os</p><p>equipamentos de proteção individual (EPI’s) e de</p><p>proteção coletiva (EPC’s), tais como: óculos táticos,</p><p>balaclava, luvas, capacete, colete, escudos.</p><p>Tiro de Precisão - A responsabilidade pela</p><p>realização do tiro de precisão é da Equipe de</p><p>Snipers. Além do tiro de precisão, os spotters</p><p>e snipers realizam a observação (o que</p><p>proporciona a coleta e transmissão de</p><p>informações no interior do ponto crítico) e a</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>64</p><p>cobertura, em termos de segurança, dos policiais envolvidos na resolução</p><p>do incidente crítico (negociadores, células do Time Tático). O Tiro de</p><p>Precisão (técnico ou tático) é o disparo realizado pelo Sniper, utilizando</p><p>armamento adequado, em um ponto específico no corpo do perpetrador</p><p>do incidente crítico para sua neutralização, proporcionando a atuação do</p><p>Time Tático para libertar as vítimas.</p><p>Entrada Tática (Assault) - Dentre todas as alternativas é</p><p>a que coloca em risco o maior número de policiais, uma</p><p>vez que as células táticas entrarão do ponto crítico para</p><p>neutralizar o (s) perpetrador (es) e resgatar as vítimas.</p><p>AÇÕES ANTES DA ENTRADA TÁTICA DELIBERADA</p><p>Antes da realização da autorização da entrada tática verificar:</p><p>1) documentação dos esforços e as decisões anteriores;</p><p>2) preparação das pessoas-chaves do processo de gestão do</p><p>incidente;</p><p>3) realizar o último briefing;</p><p>4) verificar as últimas negociações;</p><p>5) transferir o controle: do Comandante da Cena de Ação para o</p><p>Gestor do Incidente Crítico;</p><p>6) utilizar a surpresa (cargas de distração/Negociação Tática);</p><p>7) executar a ação conforme treinamentos das células táticas;</p><p>8) monitoramento / recomendações finais.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>65</p><p>METODOLOGIA PARA ENTRADA TÁTICA</p><p>Autorizada a entrada, as células táticas adotarão a seguinte medologia:</p><p>1) operacionalização da entrada pelas células do Time Tático;</p><p>2) ações no ponto crítico de acordo com protocolos do Time</p><p>Tático;</p><p>3) neutralização e/ou captura dos perpetradores do incidente</p><p>crítico;</p><p>4) identificação dos reféns e perpetradores capturados nos</p><p>diferentes lugares dentro do ponto crítico;</p><p>5) informação ao Gestor do Incidente Crítico sobre a situação;</p><p>6) comparecimento do Gestor do Incidente Crítico ao ponto</p><p>crítico;</p><p>7) consolidação dos fatos/ações pelo Gestor do Incidente Crítico</p><p>e anúncio da situação ao Comandante da Cena de Ação.</p><p>DESOCUPAÇÃO DO PONTO CRÍTICO</p><p>Após a Entrada Tática serão realizadas as seguintes ações:</p><p>1) entrega dos perpetradores capturados para a Polícia</p><p>Judiciária, em local previamente definido na Ordem de Operações;</p><p>2) preservação da Cena de Crime para a realização da perícia;</p><p>3) entrega dos reféns para os integrantes do Time de</p><p>Gerenciamento de Crises e encaminhamento a local previamente</p><p>definido, diferente daquele em que estarão os perpetradores;</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>66</p><p>4) deslocamento das células táticas para a Área Tática de Espera;</p><p>5) deslocamento da Equipe de Snipers para a Área Tática de</p><p>Espera;</p><p>6) reunião de todas as Equipes Táticas na Área Tática de Espera.</p><p>REALIZAÇÃO DO RELATÓRIO FINAL</p><p>A elaboração do Relatório Final deve ser realizada na Área Tática de</p><p>Espera. Nele serão congregadas todas as informações, ações e</p><p>deliberações que culminaram no desfecho do incidente crítico. Sua</p><p>confecção será coordenada pelo Gestor do Incidente Crítico e terá a</p><p>chancela do Comandante da Cena de Ação.</p><p>O Relatório Final subsidiará esclarecimentos por parte do Comandante</p><p>da Cena de Ação aos órgãos de imprensa, autoridades do Sistema de</p><p>Defesa Social, Magistrados, Ministério Público.</p><p>Ele não se confunde com a elaboração do Protocolo de Intervenção, que</p><p>é finalizado após a realização do debriefing na base da Força Especial de</p><p>Polícia e tem caráter mais técnico.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>67</p><p>6ª FASE: PÓS-INCIDENTAL</p><p>AÇÕES A SEREM REALIZADAS</p><p>Na fase pós-incidental serão adotadas as seguintes ações:</p><p> percorrer a Cena de Ação sem interromper os esforços de</p><p>coleta da evidências da Polícia Científica;</p><p> realizar uma revista minuciosa após a ação do Time Tático;</p><p> transferir o ponto crítico, após a revista, para a Polícia</p><p>Científica;</p><p> realizar uma sessão com os componentes do Posto de</p><p>Comando para informar o resultado da intervenção;</p><p> identificar os problemas, conflitos e os desafios.</p><p> analisar o desempenho de todas as áreas e agências;</p><p> preparar e socializar o relatório sobre as condições depois da</p><p>ação;</p><p> modificar o Plano de Pronta-Resposta diante de Incidentes</p><p>Críticos e os memorandos de entendimento baseados nas lições</p><p>aprendidas;</p><p> socializar as lições</p><p>aprendidas;</p><p> finalizar o Protocolo de</p><p>Intervenção Especializada (vide</p><p>Capítulo 2).</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>68</p><p>TRATO COM A IMPRENSA</p><p>Devido o caráter</p><p>informativo da atividade</p><p>dos profissionais de</p><p>Imprensa é importante</p><p>que se busque maior</p><p>aproximação com os</p><p>repórteres, com</p><p>informações detalhadas</p><p>sobre suas atividades, sua organização e suas dificuldades. Essa</p><p>proximidade permitirá que os jornalistas percebam as ações sem atitude</p><p>premeditada de só criticar com ênfase nas falhas.</p><p>Cabe ao Comandante da Cena de Ação disponibilizar as informações</p><p>necessárias à Imprensa por meio de seu representante, devidamente</p><p>designado,</p><p>com indicação de um local adequado para o desenvolvimento</p><p>de suas atividades, em perfeita segurança.</p><p>Os servidores públicos responsáveis pela Segurança do Cidadão devem</p><p>ser instruídos no sentido de eliminar conflitos com os profissionais da</p><p>Imprensa, porque estes se fazem presentes para cobertura do evento e</p><p>repasse do desenrolar dos fatos à sociedade. As agências públicas e a</p><p>Imprensa devem trabalhar em comum acordo. Cada integrante, de ambos</p><p>os lados, deve conhecer as funções de cada um, de modo que os</p><p>interesses profissionais não sobrepujem e não prejudiquem os interesses</p><p>sociais.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>69</p><p>Na Cena de Ação deve ser montado um local especial para receber a</p><p>Imprensa que está cobrindo ao vivo o incidente crítico. Um servidor</p><p>público do Sistema de Segurança do Cidadão, com capacitação específica,</p><p>deve ficar responsável por receber os profissionais da Imprensa,</p><p>repassando-lhes aas informações oficiais do Comandante da Cena de</p><p>Ação e, após encerrada a intervenção, montar num local adequado, a</p><p>entrevista coletiva.</p><p>Referências</p><p>SANTOS, Gilmar Luciano. Como Vejo a Crise. Gerenciamento de</p><p>Ocorrências de Alta Complexidade. Belo Horizonte: Bigráfica, 2008.</p><p>SILVA, Dejanir Braz Pereira, RAMALHO, Alexandre Ofranti, FREIRE, Paulo</p><p>Henrique Batista. Ocorrências com reféns. Fundamentos e práticas no</p><p>Brasil. Vitória: Imprensa Oficial, 2003.</p><p>70</p><p>PROTOCOLO DE</p><p>INTERVENÇÃO</p><p>ESPECIALIZADA</p><p>CARACTERÍSTICAS DA FERRAMENTA</p><p>Por intermédio de dados concretos e das ações desenvolvidas pelos</p><p>atores envolvidos o Protocolo busca mostrar que a resolução do incidente</p><p>não é um ato solitário de determinada organização ou de um grupo</p><p>especializado, mas sim um esforço sinergético de diversos órgãos, em prol</p><p>do restabelecimento da Paz Social. Os diversos profissionais envolvidos se</p><p>veem como co-responsáveis pela resolução do evento.</p><p>Outra proposta inovadora do Protocolo é a noção de empoderamento de</p><p>cada líder e sua equipe em áreas pré-determinadas de atuação. Isso não</p><p>pressupõe quebra da Unidade de Comando, uma vez que todas as</p><p>decisões passam por um órgão colegiado montado exclusivamente para</p><p>a gestão do Incidente Crítico.</p><p>O Protocolo busca sensibilizar e destacar a importância da integração</p><p>e do envolvimento de todos os profissionais dos órgãos do Sistema</p><p>de Defesa Social na gestão de Incidentes Críticos. Essa é uma</p><p>preocupação que acompanha os gestores de segurança pública há</p><p>vários anos. Entretanto, vários entraves ainda permanecem em</p><p>intervenções reais. É preciso avançar em direção à efetiva gestão.</p><p>Nesse sentido, rever as normas, adequar terminologias e conceitos,</p><p>além de redefinir funções é fundamental para sua efetivação no</p><p>campo operacional.</p><p>CAPÍTULO 2</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>71</p><p>É impossível para o Comandante da Cena de Ação, por mais experiente e</p><p>capacitado que seja, acompanhar sozinho o processo de resolução do</p><p>Incidente Crítico. Ele deve ser assessorado com base em dados concretos</p><p>oriundos pelo Gestor do Incidente Crítico e esse pelos líderes de equipes</p><p>táticas, bem como pelos responsáveis pelas áreas estabelecidas no Protocolo.</p><p>A dinâmica de gestão proposta pelo Protocolo e a estruturação do</p><p>formulário impresso devem ser de conhecimento de todos os envolvidos,</p><p>pois, assim, o profissional terá a clara noção de que ele é peça</p><p>fundamental na resolução do evento. Ele e sua equipe não podem agir</p><p>isoladamente, pois se encontram inseridos num contexto mais amplo cujo</p><p>foco é a proteção dos direitos do cidadão.</p><p>PARTES INTEGRANTES DO PROTOCOLO</p><p>Todas as ações, realizadas de forma integrada e sistêmica, são avaliadas.</p><p>AVALIAÇÃO DAS AÇÕES DESENVOLVIDAS NA GESTÃO DO INCIDENTE: 1) Insuficiente, 2) Regular, 3)</p><p>Bom, 4) Muito Bom, 5) Ótimo. Obs.: Quando a avaliação de determinado item for “1” ou “2”, o gestor</p><p>deverá, no campo sugestões/observações, mencionar as limitações detectadas</p><p>VISÃO SISTÊMICA DA GESTÃO DO INCIDENTE CRÍTICO 1 2 3 4 5</p><p>Procedimentos na Cena de Ação</p><p>Operacionalmente, as intervenções iniciam-se com os Procedimentos</p><p>Iniciais na Cena da Ação. Eles se traduzem em ações procedimentais, que</p><p>se subdividem em itens a serem observados pelos responsáveis pela</p><p>coordenação e controle. Destaque é dado ao Primeiro Interventor e ao</p><p>Controlador do Incidente, pois quando da eclosão de um Incidente Crítico,</p><p>geralmente o servidor público que autua em determinado setor será o</p><p>primeiro a se deparar com a situação. A eles cabem as primeiras ações.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>72</p><p>AVALIAÇÃO DAS AÇÕES DESENVOLVIDAS NA GESTÃO DO INCIDENTE: 1) Insuficiente, 2) Regular, 3) Bom,</p><p>4) Muito Bom, 5) Ótimo. Obs.: Quando a avaliação de determinado item for 1 ou 2 o gestor deverá, no</p><p>campo sugestões/observações, mencionar as limitações detectadas</p><p>VISÃO SISTÊMICA DA GESTÃO DO INCIDENTE CRÍTICO 1 2 3 4 5</p><p>1 PROCEDIMENTOS NA CENA DE AÇÃO</p><p>1.1 PRIMEIRO INTERVENTOR. Policial responsável:</p><p>1.1.1 Isolamento inicial</p><p>1.1.2 Contenção</p><p>1.1.3 Acionamento da Força Especial de Polícia (GATE)</p><p>1.1.4 Estabilização</p><p>1.1.5 Contato verbal (aproximação segura, se necessária)</p><p>1.2 CONTROLADOR DO INCIDENTE (CI). Policial responsável:</p><p>1.2.1 Coordenação e controle dos policiais do batalhão territorial</p><p>1.2.2 Qualidade das informações colhidas pelo CI e transmitidas à equipe</p><p>especializada</p><p>1.2.3 Qualidade do isolamento realizado</p><p>1.2.4 Colaboração prestada à equipe especializada durante a gestão do</p><p>Incidente Crítico</p><p>1.2.5 Implementação das Medidas de Proteção e Segurança</p><p>1.3 POSTO DE COMANDO/GABINETE DE GERENCIAMENTO DA CRISE (PC/GGC). Responsável:</p><p>1.3.1 Local apropriado em termos de segurança e acesso às autoridades</p><p>1.3.2 Definição dos policiais responsáveis pela montagem do PC/GGC</p><p>1.4 DEFINIÇÕES DAS AUTORIDADES POLICIAIS PARA A GESTÃO DO INCIDENTE CRÍTICO</p><p>1.4.1 Gestor do Incidente Crítico (Oficial da Força Especial de Polícia):</p><p>1.4.2 Gerente da Crise ou Comandante da “Cena de Ação”:</p><p>1.5 RELACIONAMENTO COM OS ÓRGÃOS DO SISTEMA DE DEFESA SOCIAL</p><p>1.5.1 Polícia Civil. Policial responsável:</p><p>1.5.2 Sub secretaria de Assuntos Prisionais. Responsável pela equipe:</p><p>1.5.3 Corpo de Bombeiros Militar. Responsável pela equipe:</p><p>1.5.4 Serviço de Atendimento Médico de Urgência:</p><p>1.5.5 Guarda Municipal. Responsável pela equipe:</p><p>1.5.6 Viatura da Polícia responsável pelo setor territorial. Responsável</p><p>pela equipe:</p><p>1.6 ELABORAÇÃO DE PLANO DE AÇÃO. Responsáveis:</p><p>1.6.1 Definição das atribuições dos órgãos envolvidos, bem como de cada</p><p>equipe</p><p>1.6.2 Integração de esforços</p><p>1.6.3 Utilização do Posto de Comando/ Gabinete de Gerenciamento de</p><p>Crises para deliberação</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>73</p><p>Processo de Negociação</p><p>Outro aspecto vislumbrado pelo Protocolo é o Processo de Negociação. A</p><p>negociação é a primeira alternativa tática na resolução de um Incidente</p><p>Crítico, ela é permeada por ações específicas, integradas e pontuais.</p><p>2 PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO</p><p>RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO E CONTROLE:</p><p>________________________________________________</p><p>2.1. Time de Negociadores</p><p>2.1.1 Negociador-titular:</p><p>2.1.2 Negociador-adjunto:</p><p>2.1.3 Negociador anotador-cronometrista:</p><p>2.1.4 Assessor psicológico:</p><p>2.1.5 Líder da Equipe de Negociação:</p><p>2.2 Time de Coleta de Dados e Logística</p><p>2.5 Monitoramento (visualização e controle interno e externo do Ponto</p><p>Crítico). Responsável:</p><p>2.6 Observador (fotografias, filmagens e anotações). Responsável:</p><p>2.7 Utilização de técnicas apropriadas à resolução do Incidente Crítico</p><p>2.8 Utilização de equipamentos apropriados à resolução do Incidente Crítico</p><p>Administração dos Talentos Humanos</p><p>O terceiro ponto do protocolo é a Administração</p><p>dos Talentos Humanos.</p><p>Aqui, cada envolvido no processo de resolução do Incidente Crítico é</p><p>cientificado das peculiaridades do evento e das funções que irá</p><p>desenvolver. O responsável pela coordenação e controle desse aspecto</p><p>fará a seleção dos especialistas de acordo com as potencialidades técnicas</p><p>de cada um; providenciará os meios para a realização de simulações com</p><p>vistas ao emprego tático dos talentos humanos e estará atento para</p><p>questões de desgaste fisiológico.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>74</p><p>3 ADMINISTRAÇÃO DOS TALENTOS</p><p>HUMANOS</p><p>RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO E CONTROLE:</p><p>_____________________________________________</p><p>3.1 Briefing aos envolvidos e definição de atribuições individuais e coletivas</p><p>3.2 Seleção de especialistas das equipes especializadas tendo em vista a</p><p>natureza da intervenção</p><p>3.3 Realização de treinamento para intervenção através de procedimentos</p><p>previamente definidos</p><p>3.4 Identificação das potencialidades e restrições dos talentos humanos da</p><p>equipe especializada</p><p>3.5 Controle do desgaste fisiológico para emprego eficiente da equipe</p><p>Produção de Informações</p><p>No processo de gestão não há uma ação superior a outra, entretanto,</p><p>percebe-se que desde o contato do Primeiro Interventor até a rendição</p><p>do perpetrador do Incidente Crítico as decisões são realizadas após a</p><p>análise criteriosa das informações disponíveis. Dessa forma, o Protocolo</p><p>destina um espaço para definir algumas ações no campo da Produção de</p><p>Informações. Todas as informações são canalizadas para um integrante</p><p>do Time de Coleta Dados e Logística que as socializa não somente para os</p><p>negociadores e líderes das equipes táticas, mas também para o Gabinete</p><p>de Gestão do Incidente Crítico.</p><p>4 PRODUÇÃO DE INFORMAÇÕES</p><p>RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO E CONTROLE:</p><p>________________________________________</p><p>4.1 Definição dos policiais que realizarão a coleta, análise e difusão</p><p>4.2 Realização de levantamentos de dados em fontes diversas</p><p>4.3 Pesquisa em banco de dados informatizados</p><p>4.4 Identificação de pontos vulneráveis /críticos e consequente neutralização</p><p>ou controle</p><p>4.5 Estabelecimento de canais apropriados para o compartilhamento das</p><p>informações</p><p>4.6 Fornecimento de informações ao gestor do evento para tomada de</p><p>decisões</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>75</p><p>Gestão Logística</p><p>O provimento logístico eficaz, adequado e oportuno é alvo do quinto item</p><p>do Protocolo. A Gestão Logística é colocada sob a responsabilidade de um</p><p>profissional experiente que conhece os meandros da gestão de um</p><p>Incidente Crítico. Sua atuação é abrangente e vai desde o “simples”</p><p>fornecimento de água para os negociadores até a verificação da</p><p>disponibilidade de tecnologia não-letal e de outros equipamentos,</p><p>armamentos e munições para as intervenções.</p><p>5 GESTÃO LOGÍSTICA</p><p>RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO E CONTROLE:</p><p>_______________________________________________</p><p>5.1 Provimento logístico eficaz, adequado e oportuno</p><p>5.1.1 Rádios e baterias/Sistema de comunicação adequado à natureza da</p><p>intervenção</p><p>5.1.2 Celulares e baterias</p><p>5.1.3 Alimentação para os profissionais envolvidos</p><p>5.1.4 Armamento e munições apropriadas de acordo com a estratégia</p><p>operacional</p><p>5.1.5 Equipamentos de proteção individual e coletiva</p><p>5.1.6 Veículos apropriados para respostas rápidas</p><p>5.1.7 Local para descanso das equipes (eventos prolongados)</p><p>5.2 Contribuição, de forma significativa, para uma boa</p><p>estratégia de ação/otimização das tarefas</p><p>Relacionamento com a Imprensa e com a Comunidade Local</p><p>O sexto item do Protocolo destaca a necessidade do Relacionamento com</p><p>a Imprensa e com a Comunidade Local de forma transparente. Ao terem</p><p>acesso a informações verdadeiras e ao constarem que o gestor do</p><p>Incidente Crítico está a atuar de forma técnica, ética e legal, haverá por</p><p>parte das pessoas o consentimento necessário para a realização das</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>76</p><p>atividades de reestabelecimento da Paz Social. Respeito à dignidade dos</p><p>envolvidos e a garantia dos direitos individuais devem estar na base da</p><p>atuação e no trato com os profissionais da imprensa.</p><p>6 RELACIONAMENTO COM A IMPRENSA E</p><p>COM A COMUNIDADE</p><p>RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO E CONTROLE:</p><p>__________________________________________</p><p>6.1 Atuação no processo de legitimação do uso da força perante a opinião</p><p>pública (consentimento)</p><p>6.2 Trato com a imprensa, autoridades, população e familiares (Impacto</p><p>positivo na comunidade)</p><p>6.3 Sinergia com as demais atividades desenvolvidas na Cena da Ação</p><p>6.4 Identificação das principais lideranças em cada setor</p><p>Emprego da Força e Estratégia Operacional</p><p>O Emprego da Força de maneira progressiva, legal, ética e técnica é a base</p><p>da elaboração da Estratégia Operacional. Em Incidentes Críticos que</p><p>envolvam reféns as ações poderão iniciar com a verbalização, passando</p><p>pelas táticas defensivas não letais, chegando, em último caso, ao uso da</p><p>força letal, conforme preceitua os preceitos internacionais, nacionais e</p><p>institucionais de Direitos Humanos. Em todas as situações o foco da ação</p><p>será salvar vidas e aplicar a lei. Não haverá margens para improvisações</p><p>ou amadorismos. Todas as alternativas devem ser plenamente</p><p>conhecidas.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>77</p><p>7 EMPREGO DA FORÇA/ESTRATÉGIA</p><p>OPERACIONAL</p><p>RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO E CONTROLE:</p><p>_________________________________________</p><p>7.1 Observância de pressupostos básicos para o uso gradual e legal da força</p><p>7.2 Adoção de estratégias, táticas e técnicas adequadas e oportunas</p><p>7.3 Avaliação racional dos riscos e conhecimento dos fatores adversos,</p><p>pontos fortes e fracos</p><p>7.4 Execução objetiva do Plano de Ação com definição clara das funções dos</p><p>envolvidos</p><p>7.5 Flexibilidade do Plano de Ação (linhas alternativas de ação)</p><p>Administração da Rendição</p><p>O Incidente Crítico não termina quando o perpetrador resolve se entregar.</p><p>Nesse sentido, o Protocolo destina um item para a Administração da</p><p>Rendição. Além da definição dos profissionais que receberão a(s) vítima(s)</p><p>e o(s) agente(s), no caso de Incidentes Críticos envolvendo Reféns ou o</p><p>suicida, em situações de tentativas, deverá ser escolhido um local</p><p>apropriado e elaborado um plano específico.</p><p>8 ADMINISTRAÇÃO DA RENDIÇÃO</p><p>RESPONSÁVEL PELA COORDENAÇÃO E CONTROLE:</p><p>__________________________________________</p><p>8.1 Elaboração do Plano de Rendição</p><p>8.2 Seleção prévia do pessoal para recepção dos reféns/causador da crise</p><p>8.3 Escolha de local apropriado para entrevista e recepção do</p><p>perpetrador/reféns</p><p>78</p><p>PROCESSO DECISÓRIO</p><p>PRESSUPOSTOS</p><p>É a análise e escolha, entre várias</p><p>alternativas disponíveis em curso, que</p><p>o profissional deverá seguir.</p><p>A tomada de decisão ocorre durante</p><p>um intervalo curto de tempo e,</p><p>frequentemente, inclui a avaliação de</p><p>várias alternativas.</p><p>Herbert Simon afirma que: “Uma decisão complexa é como um grande</p><p>rio, que traz de seus afluentes as premissas incontáveis que constituem</p><p>ou formam um processo de decisão”.</p><p>CAPÍTULO 3</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>79</p><p>MÉTODOS PARA TOMADA DE DECISÃO</p><p>ALTO COMANDO - O gestor compila / avalia a informação</p><p>necessária e em seguida toma uma decisão unilateral com base</p><p>na sua experiência anterior.</p><p>EM GRUPO OU PARTICIPATIVO - o gestor junta-</p><p>se ao grupo e compartilha a responsabilidade da</p><p>decisão unânime.</p><p>COLABORATIVO - combinação de</p><p>Alto Comando e participativo: o</p><p>gestor compila a informação entre</p><p>seus subordinados e em seguida</p><p>toma uma decisão com base em</p><p>todas as fontes de informação, análise e recomendações.</p><p>O método Alto Comando é oportuno, pois fixa a autoridade e a</p><p>responsabilidade. No método Participativo as decisões tornam-se</p><p>melhor</p><p>informadas, são implementadas com maior facilidade. Tomam maior</p><p>tempo para deliberação. No método Colaborativo não se toma tanto</p><p>tempo quanto o método Participativo. Reconhece a participação do</p><p>subordinado, e, portanto, tem maior possibilidade de aceitação.</p><p>+</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>80</p><p>VARIÁVEIS DA TOMADA DE DECISÃO</p><p>- Tempo disponível.</p><p>- Disposição dos colaboradores para participar no processo de</p><p>tomada de decisão.</p><p>- Quantidade de informação necessária.</p><p>- Aceitação por parte dos colaboradores.</p><p>- Qualidade/precisão da decisão.</p><p>- Cultura/estrutura organizacional.</p><p>COMO MELHORAR A TOMADA DE DECISÃO SOB PRESSÃO</p><p>- Tenha um plano integral para administração de crise.</p><p>- Tenha objetivos claramente definidos.</p><p>- Mantenha-se atualizado com respeito às informações</p><p>pertinentes.</p><p>- Inclua os colaboradores no processo da tomada de decisão.</p><p>- Evite a ação imperativa.</p><p>- Use os critérios de ação.</p><p>- Realize treinamento regular de simulação de crise.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>81</p><p>Fluxograma da tomada de decisão</p><p>TRATO COM AS EXIGÊNCIAS DOS PERPETRADORES</p><p>EXIGÊNCIAS NEGOCIÁVEIS</p><p>Cada situação com refém, refém/vítima ou suicida armado é marcada por</p><p>especificidades, contingências e variáveis específicas ditadas pelo caso</p><p>concreto. Dessa forma, as orientações a seguir referem-se à média das</p><p>respostas dadas diante de incidentes críticos concretos. Existem</p><p>princípios que devem servir de base e de norte para as tomadas de</p><p>decisão e ação, entre eles a legalidade e a dignidade da pessoa humana.</p><p>COMIDA – é provavelmente a exigência mais frequente feita pelos</p><p>perpetradores de incidentes críticos, em especial dos tomadores de</p><p>reféns. Os locais onde os reféns se encontram (casas, apartamentos,</p><p>escritórios) geralmente têm uma fonte de água ou de outros líquidos. E</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>82</p><p>geralmente não tem comida. Com o passar do tempo, os sequestradores</p><p>e reféns vão ficando com fome. Se os sequestradores não requisitam</p><p>comida, o negociador pode sugeri-la. Comida pode ser uma das mais</p><p>valiosas ferramentas do negociador para ganhar a confiança do</p><p>sequestrador, desenvolvendo a Síndrome de Estocolmo entre os</p><p>sequestradores e reféns, e libertando-os antes da resolução do incidente</p><p>(nunca dê algo ser receber algo em troca).</p><p>CIGARROS – após comida, cigarros são a segunda maior exigência mais</p><p>barganhada pelos sequestradores. Cigarros devem ser dados um de cada</p><p>vez e sempre trocados por alguma coisa, preferencialmente um refém.</p><p>BEBIDAS – Frequentemente refrigerantes, água ou outras bebidas não-</p><p>alcoólicas podem ser negociadas. Em geral, as mesmas regras da comida</p><p>aplicam-se às bebidas: Não forneça mais que o que foi pedido, forneça a</p><p>mínima quantidade possível, e não envenene as bebidas. As bebidas</p><p>devem ser suaves, descafeinadas. Dê bebidas mais geladas possíveis, pois</p><p>as bebidas geladas não saciam a sede tanto quanto as bebidas mornas.</p><p>COBERTURA DA MÍDIA – se está sendo dado cobertura da mídia ao</p><p>perpetrador, os membros da imprensa devem ficar em um ponto onde</p><p>eles não corram risco de tornarem-se reféns ou serem feridos pelo</p><p>perpetrador. Antes de terem permissão para entrevistar o perpetrador,</p><p>os representantes da mídia devem ter um resumo do incidente, quem é</p><p>o perpetrador, quem são os reféns, o que fez com que se desenvolvesse</p><p>aquela situação e algumas outras informações que não irão comprometer</p><p>a negociação.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>83</p><p>EXIGÊNCIAS NÃO NEGOCIÁVEIS</p><p>ARMAS – A ameaça de violência dá poder ao perpetrador. Essa ameaça</p><p>requer inicialmente uma arma. Se o perpetrador não tivesse armas, os</p><p>reféns andariam normalmente e não existiria o incidente. Negociar uma</p><p>arma dá ao perpetrador a percepção de ter poder na situação. Se</p><p>apresentada como uma exigência, esclareça prontamente que armas não</p><p>são negociáveis.</p><p>DROGAS – Drogas ilícitas e sem prescrição não são negociáveis. Muitos</p><p>perpetradores têm o hábito de consumir droga ou são dependentes</p><p>(físico e/ou psicológico). A maioria das drogas ilícitas podem produzir</p><p>episódios psicóticos e paranoia, reduzir a racionalidade e aumentar o</p><p>sentimentalismo, e aumentar a possibilidade de ocorrer algo inesperado</p><p>e comportamento violento.</p><p>LIBERTAÇÃO DE PRISIONEIROS – Assim como as armas, esclareça</p><p>imediatamente que a libertação de prisioneiros não é negociável, sem</p><p>levar em consideração se por razões políticas ou sociais.</p><p>TROCA DE REFÉNS – Trocar de reféns não é aconselhável por muitas</p><p>razões. A troca de reféns irá romper a Síndrome de Estocolmo. A</p><p>Síndrome de Estocolmo ocorre quando os perpetradores e reféns se veem</p><p>como pessoas reais, não como objetos de troca. A Síndrome de Estocolmo</p><p>é extremamente importante para evitar danos aos reféns. Se forem</p><p>trocados reféns, os novos reféns não serão “pessoas” para os</p><p>perpetradores e estarão bem mais propensos a serem feridos.</p><p>Referências</p><p>OLIVEIRA, Onivan Elias. Técnicas de Negociação. João Pessoa: Academia</p><p>de Polícia Militar da Paraíba, 2001.</p><p>84</p><p>UM POUCO DE</p><p>PSICOLOGIA</p><p>CRIMINAL</p><p>A Psicologia Criminal consiste no estudo do comportamento do</p><p>criminoso. Para explicar o comportamento do criminoso, entender as</p><p>atividades criminais, ligar tais processos psicológicos a crimes é</p><p>necessário o uso da Psicologia Investigativa.</p><p>TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ANTISSOCIAL</p><p>O conceito de normalidade psíquica é</p><p>relativo, contudo, existem certos tipos de</p><p>comportamento que destoam em excesso</p><p>dos padrões aceitos pela sociedade,</p><p>ofendendo à moral e trazendo prejuízos</p><p>para ordem social. Os transtornos de</p><p>personalidade não são considerados doenças mentais, sendo que desta</p><p>forma os portadores destas características pessoais se submetem de</p><p>forma plena ou parcial aos rigores da lei. Entre os transtornos de</p><p>personalidade são os transtornos de personalidade antissocial.</p><p>Transtornos de</p><p>Personalidade</p><p>Antissocial</p><p>Indivíduos dissimulados, amorais, não aceitam</p><p>regras ou correções, têm dificuldade de estabelecer-</p><p>se por muito tempo no mesmo grupo social,</p><p>ausência do sentimento de culpa ou remorso.</p><p>Conhecido como sociopatas ou psicopatas.</p><p>CAPÍTULO 4</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>85</p><p>Geralmente os psicopatas tem sérios déficits na</p><p>educação, sendo muito comum sua associação a</p><p>traumas de infância como abusos e espancamentos.</p><p>Tem juízo crítico de seus atos e é muito perigoso,</p><p>devido à sua capacidade de fingir emoções e se</p><p>apresentar extremamente sedutor, consegue</p><p>sempre enganar suas vítimas.</p><p>Ele busca constantemente seu próprio prazer. É solitário, muito sociável</p><p>e de aspecto encantador. Ele age como se tudo lhe fosse permitido, se</p><p>excita com o risco e com o proibido. Quando mata, tem como objetivo</p><p>final humilhar a vítima para reafirmar sua autoridade e realizar sua auto-</p><p>estima. Raramente utiliza armas de fogo, prefere o contato direto com</p><p>sua vítima.</p><p>Têm a plena consciência do caráter ilícito de suas ações. Contudo nem</p><p>sempre são capazes de determinar-se de acordo com tal entendimento,</p><p>razão pela qual podem ser considerados inimputáveis, parcialmente</p><p>imputáveis e completamente imputáveis.</p><p>Sendo punidos até mesmo com agravantes de pena devido à crueldade</p><p>de seus crimes. Países como os EUA os psicopatas costumam ser</p><p>condenados à pena de morte ou à prisão perpetua, visto que não é</p><p>possível ressocializar este tipo de criminoso.</p><p>A produção de um ato criminoso se dá mediante forças e estímulos</p><p>resultantes de meio interno ou do ambiente externo, portanto o agente</p><p>criminoso responde a estas solicitações internas ou externas, que por</p><p>sua vez vão tentar vencer as forças resistentes, levando o sujeito ao ato</p><p>delituoso.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>86</p><p>ESTRUTURAÇÃO DO CARÁTER</p><p>A, em que essa formação de críticas pode ser capaz de conter os impulsos</p><p>ou r estruturação do caráter do indivíduo</p><p>é composta pela introjeção de</p><p>valores, por meio do Superego expostas socialmente reprováveis diante</p><p>das solicitações variadas advindas do meio.</p><p>Existem duas forças contrárias agindo ao mesmo tempo:</p><p>1) uma decorrente das condições</p><p>solicitadoras, desencadeantes.</p><p>2) outra da própria da personalidade do</p><p>sujeito, seja resistindo, seja predispondo</p><p>à situação.</p><p>Com o superego frágil, esses sujeitos fogem dos padrões estabelecidos</p><p>pela sociedade quando cometem crimes, sendo essa estrutura</p><p>superegóica que detém o censor moral, introjetada na infância pelos pais,</p><p>ou pelos seus substitutos.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>87</p><p>ASPECTOS</p><p>COGNITIVOS</p><p>ASPECTOS AFETIVOS</p><p>TRAÇOS DE CARÁTER</p><p>TEMPERAMENTO</p><p>CONTROLE DE</p><p>IMPULSOS</p><p>ASPECTO PSICOLÓGICO</p><p>DETERMINANTE PARA A AÇÃO</p><p>CRIMINOSA</p><p>COMPORTAMENTO CRIMINOSO</p><p>A personalidade tem grande influência na formação da tipologia do</p><p>sujeito criminoso e do crime cometido. É inegável a afirmativa de que</p><p>existe uma permanente interação entre os fatores biológicos e os</p><p>ambientais</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>88</p><p>O caráter ou a personalidade é o modo habitual de conduta de uma</p><p>pessoa. Essa conduta, por sua vez, é a resultante final de uma série de</p><p>complexas operações referentes aos modos habituais de adaptação do</p><p>ego ao mundo externo, ao id e ao superego.</p><p>ABORDAGENS SOBRE VIOLÊNCIA E AGRESSIVIDADE</p><p>IMPULSIVIDADE</p><p>•Em alguns indivíduos o alto índice de violência diante de uma</p><p>habitual e sem importância provocação, produz comportamentos</p><p>agressivos</p><p>Em um contexto criminoso, situações extremas de excitação psíquica</p><p>podem produzir atitudes impulsivas que são descarregadas na ação</p><p>criminosa.</p><p>•Sofre de escasso autocontrole.</p><p>Estereótipo</p><p>comum</p><p>•Rígidas inibições ao comportamento agressivo</p><p>manifesto.</p><p>•Só se exibem quando o nível de ira despertado</p><p>é bastante elevado para dominá-las.</p><p>Cronicamente</p><p>controlado</p><p>TIPOS</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>89</p><p>COMPORTAMENTO AGRESSIVO E VIOLENTO</p><p>Para a abordagem behaviorista a frustração (definida como um bloqueio</p><p>a uma resposta orientada para o objetivo) é a única causa da agressão. Se</p><p>as circunstâncias criam frustração, então esta criará um impulso que</p><p>motivará o comportamento agressivo.</p><p>A abordagem sócio-cognitiva afirma que a exposição ao comportamento</p><p>agressivo, seja como for, pode aumentar o potencial para agressão dos</p><p>observadores.</p><p>Para a abordagem psico-dinâmica a agressão é uma pulsão inata.</p><p>Relaciona-se à pessoa (processo psíquicos do indivíduo) e não a situação.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>90</p><p>Para Freud nunca podemos eliminar a agressão, podemos apenas</p><p>procurar controlá-la canalizando-a de determinadas maneiras que</p><p>envolvem a gratificação simbólica (sublimação e catarse).</p><p>Para a abordagem humanista a agressão surge em resposta a</p><p>circunstância em que a satisfação de uma das necessidades básicas é</p><p>obstruída.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>91</p><p>ALGUNS PERFIS PSICOPATOLÓGICOS DE PERPETRADORES</p><p>Não é correto estigmatizar pessoas por possuírem</p><p>psicopatologias. Na maioria dos casos elas não se</p><p>enveredam pelo mundo do crime. A tipologia aqui</p><p>expressa se refere ao perfil psicopatológico da média</p><p>dos perpetradores de incidentes críticos</p><p>encontrados em intervenções reais, a saber: psicótico, neurótico e</p><p>sociopata/psicopata.</p><p>PSICÓTICO</p><p>A psicose é um quadro psicopatológico</p><p>que se caracteriza por certa perda do</p><p>sentimento do real ou da realidade, bem</p><p>como da alteração profunda dos laços</p><p>sociais. Há uma quebra total ou parcial</p><p>da relação sujeito X mundo. Podem</p><p>ocorrer alucinações e delírios. O</p><p>psicótico ignora seu estado e constrói um mundo inteiramente</p><p>imaginário, que supõe ser o mundo real. As principais formas de psicose</p><p>são:</p><p> Esquizofrenia - é um estado doentio, caracterizado pela perda</p><p>do contato e do sentimento de realidade com o mundo exterior. O</p><p>indivíduo vive num mundo próprio, por ele criado como se este</p><p>mundo fosse real. Geralmente apresenta delírios, alucinações,</p><p>discurso e comportamento desorganizados. O criminoso</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>92</p><p>esquizofrênico mata rápido. Não mede consequência. Possui uma</p><p>personalidade pré-mórbida.</p><p> Psicose maníaco-depressiva - a característica principal desta</p><p>psicose é a mudança brusca de afetividade e do humor; ora o</p><p>paciente fica deprimido, ora fica excitado. Esta última é chamada</p><p>maníaca, enquanto a primeira é a depressiva. O bipolar oscila entre</p><p>a mania e a depressão. Pode a vir a cometer delitos como lesões</p><p>corporais mutilantes e suicídio.</p><p>Nos casos de depressões psicóticas se produz uma alteração da</p><p>percepção, em que são comuns as alucinações auditivas (o indivíduo julga</p><p>ouvir vozes ou palavras). As alucinações relacionam-se com os erros</p><p>passados e presentes do indivíduo depressivo. Elas são uma forma de</p><p>autocrítica e de auto-recriminação.</p><p>NEURÓTICO</p><p>Neurose é uma maneira da pessoa SER e de reagir à vida. A pessoa É</p><p>neurótica e não ESTÁ neurótica. Por sua vez o distúrbio neurótico é uma</p><p>reação exagerada do sistema nervoso em relação a uma experiência</p><p>vivida (Reação Vivencial).</p><p>É uma doença mental leve a moderadamente grave em que o senso de</p><p>realidade está mantido e o desajuste à vida é de natureza limitada.</p><p>Para a perspectiva psicanalítica a estrutura de cada pessoa é dividida em</p><p>três unidades fundamentais: Id, Super Ego e o Ego.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>93</p><p>O Id é a estrutura que nasce com a pessoa,</p><p>compreende todos os fatores instintivos</p><p>(instinto da vida, da morte, o sexual, etc.).</p><p>O Super Ego é o conjunto de estímulos por</p><p>meio dos quais o ambiente forma e</p><p>modifica a personalidade. Agem desde o</p><p>nascimento e tendem a inibir os impulsos</p><p>primitivos que o indivíduo tenderia a</p><p>exprimir por meio dos seus instintos.</p><p>Ego é o equilíbrio entre o Id e o Super Ego,</p><p>portanto se identifica com o</p><p>comportamento que cada um exerce na sua</p><p>vida e observa diretamente nos outros.</p><p>Quando ocorre desequilíbrio, isto é, uma</p><p>das forças opostas prevalece sobre a outra</p><p>ocorre a neurose. Se o Id prevalece sobre o</p><p>Super Ego ocorrerá uma Neurose por</p><p>ausências de inibições. Ex: TOC,</p><p>Somatoformes. Quando o Super Ego</p><p>prevalece o Id, ocorrerá uma neurose por</p><p>excesso de inibições. Ex: Fobia.</p><p>Na neurose o indivíduo conserva a</p><p>consciência do seu estado, sendo uma</p><p>doença de sintomas psíquicos: obsessão,</p><p>fobia, angústia, dentre outros. Veja um</p><p>pouco mais sobre esses sintomas.</p><p>SINTOMAS</p><p>Fobias - são reações de</p><p>medo, que podem ser</p><p>definidas como o medo</p><p>irracional pelas coisas.</p><p>São irracionais porque</p><p>não são compreendidas</p><p>facilmente pela pessoa.</p><p>Obsessão - significa a</p><p>fixação num pensamento</p><p>ou desejo que a pessoa</p><p>encara como falso, inútil,</p><p>aborrecido, mas do qual</p><p>não consegue livrar-se.</p><p>Compulsão - é uma</p><p>tendência irresistível para</p><p>praticar alguma ação,</p><p>mesmo quando se sabe</p><p>quer será desnecessária</p><p>ou absurda.</p><p>Angústia - aparece como</p><p>extrema inquietação ou</p><p>medo irracional, causado</p><p>pela impressão de perigo</p><p>iminente, acompanhada</p><p>de palpitações do</p><p>coração, suores, visão</p><p>perturbada, etc.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>94</p><p>Classificação dos Distúrbios Neuróticos</p><p> Distúrbios de Ansiedade: Pânico, Fóbicos Ansiosos e</p><p>Obsessivo Compulsivo</p><p> Distúrbio Somatoformes: Somatização, Hipocondria,</p><p>Distúrbio de conversão.</p><p> Distúrbios Dissociativos: Amnésia dissociativa, fuga</p><p>dissociativa, distúrbio dissociativo da identidade e distúrbio da</p><p>despersonalização.</p><p>SOCIOPATA - PSICOPATA</p><p>São distúrbios na esfera da vontade, dos sentimentos, e dos instintos. Os</p><p>Sociopatas (psicopatas), embora não possam ser considerados loucos,</p><p>também não podem ser considerados indivíduos normais. São</p><p>desequilibrados, e suas atividades e moções</p><p>não correspondem ao que</p><p>julgamos normais. Estão sempre fazendo sofrer as pessoas, porque se</p><p>importam apenas consigo mesmo. Tipos de Sociopatas (psicopatas):</p><p>Fanáticos - são fanáticos pela religião, política ou filosofia.</p><p>Explosivos - são indivíduos irritáveis, coléricos.</p><p>Atímicos - indivíduos insensíveis, sem conceitos morais ou éticos.</p><p>Sexuais - exibicionistas.</p><p>Necrófilos - tendência a destruição. Sente prazer em destruir.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>95</p><p>Agressão do</p><p>ambiente contra</p><p>o Ego</p><p>Sentimentos</p><p>agressivos do Ego</p><p>contra o ambiente</p><p>Impossibilidade de</p><p>realizar a agressão</p><p>Volta a agressão</p><p>contra o Ego</p><p>SUÍCÍDIO</p><p>Elementos desencadeadores:</p><p>- Transtornos mentais</p><p>- Alcoolismo</p><p>- Doenças físicas</p><p>- Depressão</p><p>O sociopata é, em geral, o indivíduo sem sentimentos éticos ou morais</p><p>(tem a nação do certo e do errado). Não tem sentimento de honra, de</p><p>vergonha, de piedade. É duro, frio, calculista, sem remorsos e rebelde.</p><p>Premedita a cada dia. Não tem delírios de ciúmes. Não estabelece laços</p><p>afetivas. Não é paranóico. Possui uma auto-imagem forte, acima do bem</p><p>e do mal (delírio de grandeza). Poderá reincidir em atos antissociais. Tem</p><p>necessidade de mostrar que foi o autor de um delito.</p><p>SUICIDA</p><p>O comportamento suicida pode estar relacionado às perdas, aos</p><p>transtornos mentais, à bordeline, à esquizofrenia e à psicose maníaco-</p><p>depressiva (ouve vozes, depressão). O suicídio está no nível do</p><p>pensamento. O indivíduo tem um plano elaborado.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>96</p><p>Alguns transtornos mentais</p><p>Os Transtornos Mentais Orgânicos são transtornos mentais com etiologia</p><p>demonstrável de doença ou lesão celebral, ou outra afecção, que leve a</p><p>uma disfunção cerebral. Os transtornos mentais relacionados a</p><p>substâncias psicoativas são considerados como um agrupamento que</p><p>compreende numerosos transtornos que diferem entre si pela gravidade</p><p>variável e por sintomatologia diversa, mas que tem em comum o fato de</p><p>serem todos atribuídos ao uso de várias substâncias psicoativas,</p><p>prescritas ou não por médico.</p><p>A identificação da substância psicoativa deve ser feita a partir de todas as</p><p>fontes de informações possíveis. Essas compreendem: informações</p><p>fornecidas pelo próprio sujeito, análises de sangue e de outros líquidos</p><p>corporais, os sintomas físicos e psicológicos característicos, os sinais e os</p><p>comportamentos clínicos, e outras evidências tais como as drogas</p><p>achadas com o indivíduo e os relatos de terceiros bem informados.</p><p>Numerosos usuários de drogas consomem mais de um tipo de substância</p><p>psicoativa. O diagnóstico principal deverá ser classificado, se possível, em</p><p>função da substância tóxica ou da categoria de substâncias tóxicas.</p><p>Existem transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de</p><p>álcool, opiáceos, canabinóides, sedativos e hipnóticos, cocaína,</p><p>estimulantes, alucinógenos, fumo, solventes voláteis.</p><p>Os Transtornos de Ansiedade é um estado emocional de apreensão, uma</p><p>expectativa de que algo ruim aconteça, acompanhado por várias reações</p><p>físicas e mentais desconfortáveis. Os principais transtornos de ansiedade</p><p>são: Síndrome do Pânico, Fobia Específica, Fobia Social, Estresse Pós-</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>97</p><p>Traumático, Transtorno Obssessivo-Compulsivo e Distúrbio de Ansiedade</p><p>Generalizada.</p><p>O aspecto central dos Transtornos Dissociativos (também chamados</p><p>conversivos) é a perda total ou parcial de uma função mental ou</p><p>neurológica. As funções comumente afetas são a memória, a consciência</p><p>da própria identidade, sensações corporais, controle dos movimentos</p><p>corporais. Esses acometimentos estão ligados a algum evento</p><p>psicologicamente estressante na vida do indivíduo cuja ligação ele</p><p>costuma negar e consequentemente o profissional de saúde mental</p><p>precisa de auxílio para detectar.</p><p>Os Transtornos Somatoformes caracterizam-se pela presença de</p><p>sintomas físicos (Transtorno do Pânico). Em comparação com os</p><p>Transtornos Factícios e a Simulação, os sintomas físicos não são</p><p>intencionais.</p><p>Referências</p><p>COTTA, Francis Albert. Psicologia Forense. Pedro Leopoldo: Fundação</p><p>Pedro Leopoldo, 2014.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>98</p><p>INCIDENTES COM REFÉNS E REFÉNS/VÍTIMA</p><p>O FBI caracteriza todos os incidentes críticos – independente do motivo,</p><p>saúde mental ou história criminal do causador – como situações de reféns</p><p>ou situações com refém/vítima.</p><p>INCIDENTE CRÍTICO COM REFÉM</p><p>Durante situações de reféns, os sujeitos</p><p>tomam outra pessoa ou pessoas a fim</p><p>de obrigar ao cumprimento das</p><p>exigências substantivas3 mediante um</p><p>terceiro, geralmente o executor da lei.</p><p>Geralmente fazem ameaças de ferir reféns se suas reivindicações não</p><p>forem satisfeitas.</p><p>Os perpetradores demonstram</p><p>comportamento orientado para</p><p>objetivos e propósitos definidos. Eles</p><p>usam os reféns como alavanca para</p><p>que a polícia atenda suas exigências.</p><p>Mesmo permanecendo em risco, o</p><p>principal objetivo do perpetrador</p><p>não é ferir os reféns. Eles têm consciência de que somente mantendo os</p><p>reféns vivos e sem agressões poderão obter resultados favoráveis.</p><p>3 Exigências Substantivas</p><p>Incluem coisas que o</p><p>sujeito não pode obter por</p><p>si, tais como: dinheiro, fuga</p><p>e mudança política ou</p><p>social.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>99</p><p>Empregar estratégias de</p><p>contenção altamente visível para</p><p>demonstrar ao sujeito que a</p><p>polícia pode e é capaz de usar a</p><p>força se necessário.</p><p>Usar táticas de passagem de</p><p>tempo – Tática da Demora – e</p><p>iniciar uma barganha de dar-e-</p><p>receber.</p><p>Diminuir as expectativas do</p><p>perpetrador e inverter o seu</p><p>sentimento de domínio e</p><p>controle.</p><p>Contrastar os benefícios da</p><p>rendição com o risco da resistência.</p><p>Oferecer rendição segura com</p><p>dignidade.</p><p>Estratégia de Intervenção em</p><p>Incidentes com Refém</p><p>Ao contrário da tomada de reféns sem interesse previamente</p><p>determinado, em situações que envolvem reféns com algum vínculo com</p><p>o tomador, o indivíduo age de maneira emotiva, insensível e geralmente</p><p>auto-destrutiva.</p><p>Incapaz de controlar suas emoções em resposta aos estresses da vida, o</p><p>sujeito é motivado pelo ódio, frustração, ferida sentimental, confusão e</p><p>depressão.</p><p>Tipologia dos perpetradores deste Incidente Crítico:</p><p> Empregados demitidos;</p><p> Cônjuges rejeitados;</p><p> Amantes desprezados;</p><p> Fanáticos idealistas;</p><p> Indivíduos com problemas mentais;</p><p> Pessoas com aspirações não preenchidas que sentem que</p><p>foram mal interpretados pelos outros.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>100</p><p>Estratégias dos perpetradores</p><p>Se “barrica” ou mantém eu seu poder outras pessoas contra suas</p><p>vontades, com o objetivo de expressar sua raiva sobre uma situação ou</p><p>sobre esta pessoa que ele tomou como “refém”.</p><p>Tecnicamente a pessoa que está</p><p>sendo segura não é um “refém”,</p><p>usada para assegurar o</p><p>preenchimento de uma exigência,</p><p>mas uma “vítima”, a qual o sujeito</p><p>deseja atingir.</p><p>Agem de forma emotiva, insensível e geralmente auto-destrutiva.</p><p>Fazem “reféns” com o intuito de feri-los.</p><p>Geralmente não têm exigências substantivas ou algumas totalmente não-</p><p>realísticas.</p><p>Frases Típicas do Perpetrador</p><p>O sujeito dirá à polícia:</p><p> “Vão embora”.</p><p> “Não precisamos de vocês ou queremos vocês aqui”.</p><p> “Isto não é da conta de vocês”.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>101</p><p>ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO EM INCIDENTES DE</p><p>REFÉM/VÍTIMA</p><p> Empregar esquema de contenção discreta, menos</p><p>confrontativo e demonstre intenções pacíficas.</p><p> Demonstrar paciência e compreensão.</p><p> Tentar diminuir as emoções do perpetrador, minimizar a ira e</p><p>fazê-lo retornar a um pensamento mais racional.</p><p> Geralmente o perpetrador não quer conversar com a polícia.</p><p> Tratar de temas positivos tais como responder às suas</p><p>preocupações.</p><p> Tomar conhecimento do medo do sujeito e reassumir que a</p><p>polícia quer ajudar-lhe.</p><p> Aplicar técnicas de escuta ativa para desenvolver rapport.</p><p> Usar a força</p><p>somente quando necessária e valer a pena o risco.</p><p> Coordenar todas as ações numa abordagem em grupo.</p><p>A Equipe de Negociação deve entender e avaliar se está diante de um</p><p>incidente com reféns ou com refém/vítima. Depois de determinar qual é</p><p>o tipo adotar as medidas técnicas pertinentes.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>102</p><p>Referências</p><p>GARY W., Noesner. Negotiation Concepts for Commanders. Trad.</p><p>Onierbeth Elias de Oliveira. FBI Law Enforcement Bulletin. Washington:</p><p>January, 1999, p. 6-14.</p><p>ATENÇÃO!</p><p>O potencial para homicídio seguido de suicídio em muitos casos</p><p>é muito alto.</p><p>O sujeito está claramente numa crise e a polícia deve responder</p><p>a isto de uma maneira muito cuidadosa.</p><p>O sujeito geralmente desconfia dos motivos da polícia e</p><p>manifesta altos índices de paranóia.</p><p>Apresenta hipervigilância e hipersensibilidade aos movimentos</p><p>da polícia e podem reagir com violência ao menor sinal de</p><p>provocação.</p><p>103</p><p>NEGOCIAÇÃO</p><p>No processo de gestão de um incidente</p><p>crítico é necessário o emprego operacional</p><p>da Equipe de Negociação e de outra equipe</p><p>formada por profissionais previamente</p><p>designados para a coleta de dados,</p><p>montagem de equipamentos, estruturação e</p><p>controle do Posto de Comando, além de prover a assessoria ao Gestor do</p><p>Incidente e ao Comandante da Cena de Ação. Com essas equipes em</p><p>funcionamento os objetivos da negociação terão mais chances de serem</p><p>alcançados, a saber: - ganhar tempo; abrandar exigências; colher</p><p>informações; prover um suporte tático e libertar os reféns.</p><p>ESTRUTURAÇÃO E ATRIBUIÇÕES DA EQUIPE DE NEGOCIAÇÃO</p><p>A Equipe de Negociação apresenta a seguinte composição:</p><p>Negociador Líder da equipe;</p><p>Negociador Principal;</p><p>Negociador Secundário;</p><p>Negociador Anotador</p><p>Negociador Assessor Psicológico.</p><p>CAPÍTULO 5</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>104</p><p>Negociador Líder - função executada por um profissional formado em</p><p>negociação de crises e com larga experiência operacional. Entre suas</p><p>atribuições na cena de ação, estão:</p><p> ter o controle direto sobre todos os negociadores;</p><p> determinar as opções viáveis de negociação e apresentá-las ao</p><p>Gestor do Incidente;</p><p> assegurar o cumprimento, por parte dos negociadores, das</p><p>estratégias do Gestor do Incidente;</p><p> envidar esforços para que as informações obtidas por meio da</p><p>negociação cheguem rápidas e precisas à Inteligência;</p><p> fazer levantamento periódico da situação psicológica dos</p><p>perpetradores e negociadores, mediante assessoria de um</p><p>profissional de saúde, psicólogo ou psiquiatra;</p><p> assegurar que a provisão de itens negociáveis seja satisfeita;</p><p> providenciar sistema de descanso e revezamento para os</p><p>membros da Equipe quando em incidentes prolongados;</p><p> cadastrar e instruir consultores voluntários ou contratados,</p><p>por exemplo psiquiatras, médicos, psicólogos, intérpretes e</p><p>religiosos;</p><p> assegurar que sejam feitos e atualizados constantemente os</p><p>mapas e anotações visualizando nestes as informações reunidas</p><p>pelos negociadores;</p><p> assegurar que o acesso ao posto de negociação seja</p><p>rigorosamente controlado;</p><p> garantir que o processo de negociação seja gravado para</p><p>futuros fins, seja na justiça ou para instrução da tropa;</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>105</p><p> assistir o depoimento das testemunhas;</p><p> ser o responsável pela existência, conservação e uso correto</p><p>do material de comunicação, gravação, de escuta e de reprodução</p><p>da Equipe;</p><p> ser o responsável pela atualização das fontes de consulta;</p><p> avaliar os membros da Equipe de Negociação e propor</p><p>substituições necessárias (VASCONCELOS, 1990, p.84);</p><p>Negociador Principal – profissional que estabelece contato verbal direto</p><p>com o perpetrador do incidente crítico, deve conhecer as técnicas e</p><p>táticas de negociação. Entre suas atribuições, elencam-se:</p><p> comunicar-se com o perpetrador do incidente crítico;</p><p> atuar de comum acordo com o líder dos negociadores;</p><p> não tomar decisões próprias;</p><p> dominar os recursos de comunicação;</p><p> adquirir informações;</p><p> tentar ganhar a confiança do perpetrador;</p><p> seguir as regras e técnicas de negociação (VASCONCELOS,</p><p>1990, p. 85).</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>106</p><p>Negociador Secundário - está sempre em contato com o negociador</p><p>principal, prestando-lhe auxilio. Deverá estar ciente do andamento do</p><p>processo de negociação, sempre em condições de substituí-lo, seja qual</p><p>for o motivo (descanso do negociador principal, falta de empatia do</p><p>negociador com o perpetrador etc.). São suas atribuições:</p><p> acompanhar as negociações;</p><p> anotar dados da negociação;</p><p> sugerir pontos de abordagem de conversação;</p><p> proporcionar apoio moral ao negociador principal;</p><p> policiar as ações do negociador principal;</p><p> manter escuta da rede-rádio;</p><p> estar disposto e apto para substituir o negociador principal</p><p>(VASCONCELOS, 1990, p. 86).</p><p>Negociador Anotador - é o responsável pelo controle do tempo. Faz</p><p>anotações sobre tudo que se passa, ou seja, reúne as informações que</p><p>chegam e repassa aos negociadores. São exemplos de fontes de</p><p>informações importantes: nome e descrição do perpetrador; nome e</p><p>descrição do refém; as exigências e prazos; tipo de armas e munições que</p><p>o perpetrador está portando; problemas de saúde dos envolvidos; tipo de</p><p>personalidade do perpetrador, planta do local para possível ação do Time</p><p>Tático, especialmente no caso de uso de explosivos, enfim tenta</p><p>encontrar as respostas para os questionamentos: Por quê? Como?</p><p>Quando? Onde? Quem? Para quê? (TEIXEIRA, 2002).</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>107</p><p>Negociador Assessor Psicológico - Esboça o perfil psicológico do</p><p>perpetrador, sugerindo estratégias de negociação. Também acompanha</p><p>a evolução da relação entre o negociador e perpetrador. Observa a</p><p>interação entre o perpetrador e os reféns. Realiza a entrevista com os</p><p>reféns após liberação e, por fim, coordena a reunião de stress pós</p><p>incidente crítico.</p><p>DOCUMENTAÇÃO DA NEGOCIAÇÃO</p><p>São quatro os tipos de documentação utilizados na negociação (podem</p><p>ser formais ou informais, com exceção ao Estudo de Caso):</p><p>1) Relatórios de Situação - resumos de cada contato com os</p><p>suspeitos;</p><p>2) Resumos de Eventos Importantes – ações ocorridas do turno,</p><p>principalmente do Quadro de Situação;</p><p>3) Relatório de Posição da Negociação - preparado somente</p><p>com o necessário e contém três seções básicas:</p><p>a) Situação atual do incidente;</p><p>b) Avaliação do suspeito, sua motivação e comportamento;</p><p>c) Estratégia recomendada baseada na avaliação.</p><p>4) Estudos de Caso</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>108</p><p>LOGÍSTICA PARA A EQUIPE DE NEGOCIAÇÃO</p><p>Os recursos da eletrônica e da informática são importantes não somente</p><p>para suprir a negociação, mas para todas as alternativas táticas, obtendo</p><p>uma quantidade de informação suficiente, como: o monitoramento no</p><p>interior de um cativeiro; a localização exata dos reféns e perpetrador; o</p><p>que estão conversando; qual armamento possui. Entre eles, estão:</p><p>- escutas – popularmente conhecidos por grampos ou bugs, as escutas</p><p>eletrônicas proporcionam o monitoramento do ambiente e de linhas</p><p>telefônicas, podendo ser instalados por fora do local ou introduzidos</p><p>disfarçadamente;</p><p>- microfones direcionais – uma variação de escuta para situações</p><p>onde não se tem acesso físico ou proximidade no local a ser monitorado,</p><p>pois são capazes de captar sons de forma canalizada, a longas distâncias;</p><p>- microcâmeras – permanecerem imperceptíveis em um ambiente.</p><p>Possui um sistema de transmissor de imagens, sendo a sua capacitação e</p><p>gravação feita fora do local observado;</p><p>- rastreadores - são equipamentos de escuta de ondas de rádio,</p><p>capazes de monitorar e gravar a comunicação de aparelhos telefônicos</p><p>celulares, rádio-transmissor e até mesmo computadores.</p><p>- visor noturno – pode trabalhar por meio de sistemas de raios</p><p>infravermelhos ou de intensificadores</p><p>de luz residual. Pode ser acoplados</p><p>a filmadoras e máquinas fotográficas;</p><p>- câmera capilar – tipo específico de micro-câmera, composto por um</p><p>fino tubo articulado, que é introduzido em frestas, por baixo de portas e</p><p>outros pontos, filmando o local com direcionamento da imagem (VAZ,</p><p>2001, p. 52).</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>109</p><p>QUADRO DE SITUAÇÃO</p><p>Permite ao negociador obter</p><p>informações precisas e</p><p>atualizadas dentro do Centro de</p><p>Operações de Negociações</p><p>(CON). São baratos e não</p><p>requerem manutenção. Podem</p><p>ser facilmente guardados no</p><p>porta-malas ou em um armário no veículo dos negociadores.</p><p>Podem ser feitos de blocos de papel do tipo cartolina, papel do tipo usado</p><p>por açougueiros e outros similares, bem como quadros brancos</p><p>reutilizáveis. São afixados na parede do Centro de Operações de</p><p>Negociações com fita, grampos ou percevejos.</p><p>Todas as informações são escritas em letra de forma clara, com marcador</p><p>de cor escura, tipo pincel atômico. Estão localizados estrategicamente</p><p>dentro do campo de visão do negociador principal e do seu orientador.</p><p>Eliminam a necessidade de cartões de fichário, bem como dos</p><p>papeizinhos que se amontoam na mesa de negociações.</p><p>Proporcionam ao pessoal responsável pela gestão oportunidade de ler as</p><p>informações atualizadas sem a necessidade de levantar perguntas básicas</p><p>que tendem a interromper o trabalho do CON.</p><p>INDIVÍDUO Nº 1 -</p><p>HOMEM, TEM</p><p>ARMAS</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>110</p><p>Referências</p><p>SARDINHA, Marcos Fernando dos Santos. Time de Gerenciamento de</p><p>Crises: concepção, funcionamento e emprego operacional. 2008.</p><p>Orientador: Francis Albert Cotta. 2008. Monografia (Bacharelado em</p><p>Ciências Militares, com ênfase em Defesa Social) – Centro de Ensino de</p><p>Graduação, Academia de Polícia Militar de Minas Gerais, Belo Horizonte,</p><p>2008.</p><p>TEIXEIRA, Gilmar Prates. Equipe de Negociação: criação e atuação na</p><p>Polícia Militar de Minas Gerais para assessoria aos comandantes</p><p>operacionais no Gerenciamento de Crises. Monografia (Especialização</p><p>em Segurança Pública) – Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da</p><p>Academia de Polícia Militar/Escola de governo Fundação João Pinheiro,</p><p>Belo Horizonte 2002.</p><p>VASCONCELOS, Pedro Ivo de. Atuação da PMMG na tomada de reféns.</p><p>Belo Horizonte. 191f. Monografia (Curso Superior de Polícia). Belo</p><p>Horizonte: Academia de Polícia Militar, 1990.</p><p>VAZ, Renato de Toledo Guimarães. Gerenciamento de Crise no contexto</p><p>da Segurança Pública. São Paulo: [s.n.] 2001.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>111</p><p>TÉCNICAS BÁSICAS DE NEGOCIAÇÃO</p><p>QUEM É O NEGOCIADOR?</p><p>Um policial com treinamento específico e assistido por conselheiros. Ele</p><p>não tem poder de decisão. Sua função é servir de intermediário entre os</p><p>perpetradores do incidente crítico e o Comandante da Cena de Ação.</p><p>Deve possuir as seguintes características: conhecimento global da</p><p>doutrina; respeitabilidade e confiança; disciplina, fleuma e paciência;</p><p>espírito de equipe; autoconfiança e autocontrole; comunicabilidade; e</p><p>perspicácia.</p><p>CONTATO INICIAL</p><p>No seu contato inicial com o perpetrador o negociador poderá utilizar as</p><p>seguintes expressões:</p><p>Meu nome é...........e gostaria de ajudar.</p><p>Como posso chamá-lo?</p><p>Estou aqui para ajudá-lo.</p><p>Você pode me dizer o que está havendo?</p><p>Calma, que resolveremos juntos numa boa!</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>112</p><p>O primeiro contato é importantíssimo, assim, seguem algumas dicas:</p><p> Mantenha um diário, registrando todas as comunicações.</p><p> Permita que o perpetrador fale.</p><p> Evite dar ordens que possam levar a uma percepção de</p><p>confronto.</p><p> Diminua a importância dos eventos passados.</p><p> Não forneça nada ao perpetrador, salvo a garantia de vida.</p><p> Evite atrair a atenção para as vítimas.</p><p> Seja tão honesto quanto possível.</p><p> Se não entender o que o perpetrador disse, pergunte-lhe.</p><p> Nunca despreze nenhum pedido considerando-o trivial.</p><p> Nunca diga não taxativamente.</p><p>INDICATIVOS DE ALTO RISCO</p><p>O supervisor do Critical Incident Response Group – FBI, Dennis W. Braiden,</p><p>elenca os seguintes indicativos de alto risco durante o processo</p><p>negociação:</p><p>Sobre a vítima:</p><p> é conhecida do sujeito e foi escolhida especificadamente,</p><p>principalmente se teve um caso amoroso ou ser membro da família.</p><p> são feitas ameaças de ferimentos contra a vítima.</p><p> antecedentes de problemas entre a vítima e perpetrador</p><p>(abuso sexual ou se a vítima realizou alguma queixa anterior).</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>113</p><p>Sobre o perpetrador:</p><p> sofreu algum revés recentemente, como por exemplo, perdas</p><p>econômicas, demissão do emprego, trauma emocional ou perda do</p><p>amor próprio.</p><p> pertence a um grupo étnico cujos valores culturais</p><p>estabelecem que “não se deve perder prestígio ou ficar mal” ou o</p><p>“macho ou o varão predomina”.</p><p> não pertence a nenhum grupo familiar nem tem um sistema</p><p>de apoio, carecendo de família ou amigos, ou quando existe um</p><p>isolamento crônico em sua família.</p><p> participou de incidentes semelhantes anteriormente.</p><p> forneceu um “testamento oral” a alguém ou andou, antes do</p><p>incidente crítico, colocando em ordem os seus assuntos particulares.</p><p>INTERVALO NA NEGOCIAÇÃO</p><p>Para rever o que foi ouvido ou aprendido.</p><p>Para pensar em questões para perguntar.</p><p>Para explorar alternativas possíveis.</p><p>Fazer uma revisão das estratégias que esteja usando.</p><p>Determinar como você reagiria para novas exigências.</p><p>Consultar especialistas, comandantes e pessoal tático.</p><p>Descansar.</p><p>Analisar quaisquer mudanças nas exigências, comportamentos ou</p><p>atitudes.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>114</p><p>NEGOCIAÇÃO FACE-A-FACE</p><p>- Somente utilize se tiver a proteção de</p><p>um escudo balístico, uma boa proteção</p><p>física e o apoio de um sniper.</p><p>- manter distância segura, para não ser</p><p>feito refém.</p><p>- Escolha o momento certo de</p><p>implementá-la.</p><p>- Não negocie com uma arma apontada para você.</p><p>- Nunca negocie com mais de um perpetrador ao mesmo tempo.</p><p>- Não dê as costas para o perpetrador.</p><p>ORIENTAÇÕES PONTUAIS NO PROCESSO DE NEGOCIAÇÃO</p><p>Uniformidade de linguagem.</p><p>Paciência e persistência.</p><p>Deve-se exigir que mostre os reféns ilesos.</p><p>Observe se não está sendo feito um túnel para fuga.</p><p>Cumprir o que prometeu.</p><p>Calma e revezamento.</p><p>Explorar as informações.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>115</p><p>FATORES QUE LEVAM AO ÊXITO NA NEGOCIAÇÃO</p><p>Informação da outra parte.</p><p>Conhecimento do objeto da negociação.</p><p>Técnica na busca da informação.</p><p>Habilidade interpessoal.</p><p>INDICADORES DE SUCESSO DA NEGOCIAÇÃO</p><p>Ninguém foi morto desde que as negociações foram iniciadas.</p><p>O número de incidentes emocionais, como é o caso das ameaças verbais</p><p>aos reféns, está diminuindo.</p><p>A duração de cada conversa com o perpetrador do incidente crítico tem</p><p>aumentado, havendo menos referências à violência e a sua velocidade no</p><p>falr está mais lenta.</p><p>Houve liberação de reféns.</p><p>Os prazos fatais transcorreram sem incidentes.</p><p>TÉCNICAS DE NEGOCIAÇÃO</p><p>Mostre-se receptivo a tudo que é dito pelo perpetrador.</p><p>Mostre alternativas para a resolução do problema.</p><p>Mostre que não vale a pena atos de violência.</p><p>Use sempre a expressão “estou aqui para lhe ajudar”.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>116</p><p>Ofereça garantia de vida enquanto estiver negociando.</p><p>Evite dizer: “não, jamais, nunca, vão lhe matar”.</p><p>Peça-o para afastar a arma de perto da “pessoa” que está com ele ou com</p><p>os outros.</p><p>PRAZOS</p><p> Descubra qual a prioridade do sujeito em determinado prazo</p><p>e converse com ele sobre as dificuldades desse prazo.</p><p> Evite falar do prazo dado pelo sujeito quando falando com ele.</p><p> Não estabeleça um prazo por conta própria.</p><p> Use a desculpa de crise e caos, se necessário, para não chegar</p><p>ao prazo determinado.</p><p> Catalogue todos os prazos e informe ao Comando.</p><p>MEMBROS DA FAMÍLIA</p><p> Desconhece a dinâmica daquela família.</p><p> Despertar complicações psicológicas.</p><p> Um vê a perspectiva</p><p>diferente do outro sobre o caso.</p><p> Pode estar querendo dizer adeus antes de matar e suicidar e</p><p>quer que aquela pessoa veja a cena.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>117</p><p>Referências</p><p>COTTA, Francis Albert. Negociação em Situações Críticas. Belo</p><p>Horizonte: Pós-graduação em Arbitragem e Mediação de Conflitos.</p><p>Faculdade Batista de Minas Gerais, 2008.</p><p>LIMA, Carlos Luis; SANTOS, Gilmar Luciano. Negociação em ocorrências</p><p>policiais de alta complexidade. Belo Horizonte: Bigráfica, 2009.</p><p>OLIVEIRA, Onivan Elias. Técnicas de Negociação. João Pessoa: Academia</p><p>de Polícia Militar da Paraíba, 2001.</p><p>118</p><p>GESTÃO DE INCIDENTES</p><p>COM BOMBAS E</p><p>EXPLOSIVOS</p><p>TIPOLOGIA DAS INTERVENÇÕES OPERACIONAIS DO ESQUADRÃO</p><p>ANTIBOMBAS</p><p>Antes de iniciar as orientações sobre os procedimentos as serem</p><p>adotados diante de incidentes que envolvam bombas4 e explosivos é</p><p>importante conhecer a tipologia das intervenções do Esquadrão</p><p>Antibombas5, a saber: vistoria antibombas; busca antibombas; ameaça de</p><p>bombas; encontro de simulacros, IED, EOD, UXOs, objetos suspeitos;</p><p>explosões; ameaças QBRNE. Vamos ao conceito de cada tipo de</p><p>intervenção.</p><p>4 Bombas são artefatos idealizados e construídos com vistas a</p><p>incapacitar, causar atordoamento e confusão nos sentidos, provocar</p><p>danos a instalações e objetos, e lesionar ou matar pessoas.</p><p>Bombas manufaturadas: são os artefatos explosivos fabricados</p><p>industrialmente para uso civil, policial ou militar, de forma lícita,</p><p>possuindo padrões de controle e distribuição.</p><p>Bombas improvisadas: são os artefatos construídos sem nenhum</p><p>padrão, norma ou controle.</p><p>CAPÍTULO 6</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>119</p><p>Vistoria Antibombas é uma técnica operacional</p><p>preventiva, realizada por profissionais</p><p>capacitados, que visa localizar possíveis artefatos</p><p>explosivos improvisados. Por sua natureza</p><p>preventiva ela é realizada antes de eventos com</p><p>a presença de autoridades ou com elevado</p><p>número de pessoas.</p><p>Busca Antibombas é uma técnica operacional reativa</p><p>realizada pelos especialistas do Esquadrão Antibombas</p><p>para localizar artefatos explosivos ou ameaças QBRN.</p><p>Geralmente é realizada diante de uma ameaça de</p><p>bombas, ou após a explosão de um artefato explosivo.</p><p>Ameaça de Bomba é situação de anormalidade que se caracteriza pelo</p><p>aviso (telefônico, pela internet, escrito ou por mensageiro) de perigo</p><p>envolvendo substâncias química, radiológica e/ ou biológica de natureza</p><p>explosiva, podendo ser falsa ou real, capaz de causar pânico ou tumulto.</p><p>5 Esquadrão Antibombas é a designação para a unidade ou equipe</p><p>policial, formada por desativadores de artefatos explosivos</p><p>responsáveis pelas intervenções em incidentes com bombas e</p><p>explosivos. Esses especialistas possuem capacitação (formação e</p><p>educação continuada), logística apropriada e protocolos operacionais</p><p>específicos para atuação.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>120</p><p>Os Simulacros são objetos que possuem todas as</p><p>características de um artefato explosivo improvisado,</p><p>entretanto lhes faltam a carga explosiva, ou mesmo uma</p><p>lógica de funcionamento. Para o leigo, o simulacro seria</p><p>uma bomba. Mesmo o especialista em desativação de</p><p>bombas somente terá condições de afirmar se o objeto</p><p>suspeito se trata de um simulacro após tomar todas as</p><p>medidas de desativação.</p><p>Explosive Ordnance Disposal (EOD) –</p><p>Dispositivo Explosivo Convencional - são,</p><p>por exemplo, as granadas, militares ou</p><p>policiais. Por intermédio das fichas</p><p>técnicas dos fabricantes, se conhecem os</p><p>dispositivos de acionamento, bem como a</p><p>quantidade de carga explosiva e seus efeitos.</p><p>Improvised Explosive Device (IED) ―</p><p>Dispositivo Explosivo Improvisado ― é a sigla</p><p>internacionalmente utilizada para designar os</p><p>improvisados. Nesse tipo de artefato não se</p><p>sabe a quantidade e o tipo de explosivo ou seu</p><p>sistema de acionamento.</p><p>O termo UXO, vem de Unexploded Ordnance. São todos os</p><p>artefatos explosivos convencionais que após acionados não</p><p>explodiram, tais como granadas e minas, e, portanto, se</p><p>constituem um risco.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>121</p><p>Os objetos suspeitos são malas, pacotes,</p><p>embrulhos, caixas ou similares que são</p><p>encontrados na via pública ou mesmo em</p><p>estabelecimentos públicos ou privados ou</p><p>que deixados em residências. Por questões</p><p>de suspeição, merecem dos técnicos do</p><p>Esquadrão Antibombas todos os procedimentos técnicos inerentes à</p><p>desativação de um possível IED.</p><p>As explosões podem mecânicas (geradas</p><p>pela liberação descontrolada e instantânea</p><p>de pressão de um recipiente), nucleares</p><p>(geradas pelo rompimento da partícula</p><p>atômica) e químicas (rompimento de</p><p>moléculas - combustão, deflagração e</p><p>detonação). As mais comuns são as explosões químicas.</p><p>QBRNe significa “químico biológico</p><p>radiológico nuclear e explosivo”, e podem</p><p>ser empregado em forma de uma bomba,</p><p>sendo da família das armas de destruição</p><p>em massa (ADM).</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>122</p><p>CLASSIFICAÇÃO DAS OPERAÇÕES ANTIBOMBAS</p><p>Pré Incidental - São operações preventivas/proativas e que visam a</p><p>segurança das pessoas e a proteção das instalações, tais como: vistorias,</p><p>treinamentos, fiscalizações, palestras, assessorias e vistas técnicas.</p><p>Incidental - São operações reativas</p><p>desenvolvidas para o restabelecimento da</p><p>ordem pública. Entre elas estão: as buscas para</p><p>localização de bombas e explosivos, a</p><p>desativação, neutralização, remoção e</p><p>destruição de artefatos explosivos.</p><p>Pós Incidental - São as buscas pós-</p><p>explosão; recolhimento de fragmentos;</p><p>elaboração de relatórios técnicos;</p><p>isolamento de local de explosão;</p><p>assessoria ao Instituto de Criminalística.</p><p>Operações Especiais – emprego de especialistas em explosivos para</p><p>realizar arrombamentos para dar acesso à equipe de resgate de reféns e</p><p>em operações de contraterrorismo.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>123</p><p>TEORIA DA EXPLOSÃO</p><p>Explosão é o escape súbito e repentino de gases do interior de um espaço</p><p>limitado, gerando gases, pressão, elevada temperatura, luminosidade e</p><p>som.</p><p>A pressão positiva é extremamente curta em duração, na taxa de</p><p>microssegundos o milionésimo de segundo. Entretanto, as pressões de</p><p>pico medidas em libras por polegadas (PSI), são extremamente altas.</p><p>Explosivos sólidos podem gerar pressões de vários milhões de psi,</p><p>dependendo do explosivo particularmente utilizado e da capacidade do</p><p>meio que o continha. Assim a onda de pressão positiva cria ventos de alta</p><p>velocidade.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>124</p><p>Os EFEITOS PRIMÁRIOS são a sobrepressão, a onda de choque (positiva e</p><p>negativa), fragmentação e calor.</p><p>Onda positiva - a onda de choque “empurra” o ar,</p><p>gera o vácuo e vai enfraquecendo até sua força</p><p>equiparar-se com a força da pressão atmosférica.</p><p>Onda Negativa - ocorre quando a pressão atmosférica</p><p>retorna na direção do epicentro da explosão,</p><p>eliminando o vácuo deixado pela onda positiva.</p><p>PRESSÃO ATM</p><p>O</p><p>SFÉR</p><p>ICA</p><p>PRESSÃO ATMOSFÉRIC</p><p>A</p><p>PR</p><p>ES</p><p>SÃ</p><p>O ATMOSFÉRIC</p><p>A</p><p>Onda Positiva</p><p>Onda Negativa</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>125</p><p>Os EFEITOS SECUNDÁRIOS da explosão são: reflexão, convergência e</p><p>proteção.</p><p>Reflexão – a onda de choque rebate em sólidos</p><p>resistentes e redireciona sua força em outra</p><p>direção.</p><p>Convergência - é divisão da onda positiva,</p><p>quando ela encontra um objeto que não</p><p>consegue fragmentar e que não possua área</p><p>suficiente para provocar uma reflexão.</p><p>Proteção - é o espaço formado</p><p>imediatamente após a convergência ou</p><p>reflexão da onda positiva.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>126</p><p>AMEAÇA DE BOMBA</p><p>A ameaça de bomba pode ter objetivos variados, de acordo com o intento</p><p>do perpetrador. Suas motivações podem ir desde brincadeiras de crianças</p><p>ou adolescentes, passando por funcionários insatisfeitos,</p><p>ou alunos que</p><p>não se prepararam para as avaliações, chegando a crimes de conotação</p><p>político-ideológica ou mesmo ações terroristas. As ameaças podem ser</p><p>falsas ou reais.</p><p>As ameaças podem ser falsas ou reais. As falsas são</p><p>aquelas em que não existe nenhuma prova ou</p><p>confirmação da existência da bomba. As reais são</p><p>aquelas em que há a localização de um objeto suspeito</p><p>ou situações em que o ameaçador forneça provas da</p><p>existência da bomba; ou ainda, se existem outros</p><p>elementos de prova que materialize a ameaça.</p><p>As formas mais utilizadas para sua execução são ligações telefônicas,</p><p>bilhetes ou cartas, sempre anônimas e às vezes confeccionadas com</p><p>colagens de recortes de palavras de jornais ou revistas.</p><p>As ameaças podem ser dirigidas a instalações ou pessoas e, normalmente,</p><p>trazem alguma advertência alertando para a necessidade de desocupação</p><p>do local. Outra característica comum é o tom de denúncia na ameaça, ou</p><p>seja, o ameaçador se apresenta como alguém querendo evitar um mal</p><p>maior e por isso está comunicando sobre a presença de uma bomba no</p><p>local. Como há uma perturbação da ordem pública com a eclosão do</p><p>incidente, a Polícia de Prevenção Criminal é acionada.</p><p>Geralmente, em situações de ameaças de bombas o primeiro servidor do</p><p>Sistema de Defesa Social que comparece ao local – Primeiro Interventor -</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>127</p><p>adota várias ações para socorrer as pessoas e impedir os danos que</p><p>porventura possam ocorrer em virtude de uma explosão hipotética.</p><p>O Primeiro Interventor deve adotar as seguintes AÇÕES PRELIMINARES:</p><p>- Localizar a pessoa que recebeu a ameaça e o responsável pelo</p><p>local ameaçado para análise de veracidade das informações.</p><p>- Comunicar de imediato ao Esquadrão Antibombas.</p><p>- Seguir o modelo de avaliação de ameaça:</p><p>COLETA DE INFORMAÇÕES</p><p>1. Origem da informação da ameaça: por telefone (número e nome do usuário?).</p><p>Por escrito (quem trouxe e como chegou?). Por mensageiro (quem?).</p><p>2. Voz do ameaçador ou denunciador: sexo, idade presumida, timbres, disfarces,</p><p>sotaques.</p><p>3. Ruídos de fundo: trânsito de via pública, maquinário, música.</p><p>4. Houve conversação com o ameaçador/denunciador? Quais foram as palavras</p><p>usadas?</p><p>5. Há características de trote?</p><p>6. Houve exigências para não explodir a bomba ou explosivo?</p><p>7. O local ameaçado tem importâncias estratégicas, sociais ou políticas?</p><p>8. Há circunstâncias relacionadas à ameaça? (dia de prova escolar; véspera de</p><p>feriado)</p><p>9. Há alguém que é alvo em potencial de ameaça de morte?</p><p>10. Há possibilidade de vingança ou atentado por parte de algum funcionário?</p><p>11. Há testemunhas sobre a indicação e localização exata da bomba ou explosivo?</p><p>12. Há testemunha da preparação do atentado?</p><p>13. Há objeto suspeito indicado pelo ameaçador/denunciador?</p><p>14. A segurança do local é eficaz?</p><p>15. Há antecedentes de ameaça de atentados a bombas ou explosivos no local</p><p>ameaçado?</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>128</p><p>Analisar e interpretar as informações classificando como ameaça FALSA</p><p>ou ameaça REAL de acordo com o quadro abaixo:</p><p>Ameaça Falsa Ameaça Real</p><p>- Características de ameaça tipo trote;</p><p>- Características de ameaça tipo criminosa</p><p>ou terrorista;</p><p>- Não existem provas materiais ou</p><p>testemunhais de uma possível bomba;</p><p>- Existem provas materiais ou</p><p>testemunhais de uma possível bomba;</p><p>- Não existe clima ou motivação para</p><p>um atentado;</p><p>- Existem antecedentes de problemas</p><p>com bombas;</p><p>- Não existem antecedentes de</p><p>problemas com bombas;</p><p>- Existe clima ou motivação para um</p><p>atentado;</p><p>- Local ou pessoa ameaçada não é um</p><p>alvo potencial;</p><p>- Local ou pessoa ameaçada é um alvo</p><p>potencial;</p><p>- Segurança é eficiente e confiável. - Segurança é ineficiente ou falha.</p><p>O Primeiro Interventor deve classificar a ameaça, como falsa ou real, de</p><p>acordo com as características e dados disponíveis:</p><p>AÇÕES NA CLASSIFICAÇÃO DE AMEAÇA FALSA</p><p>1) NÃO desocupar o local.</p><p>2) Vistoriar preventivamente sem alterar a rotina.</p><p>3) Orientar os funcionários em seus próprios locais de trabalho,</p><p>acompanhado pelo responsável (detentor do patrimônio), para observar</p><p>e relatar se há objetos estranhos às atividades.</p><p>4) Orientar os funcionários a NÃO MEXER, NÃO TOCAR e NÃO</p><p>REMOVER nada que seja alheio à rotina do ambiente de trabalho.</p><p>5) Retornar à rotina em caso de comprovação de ameaça falsa ou se</p><p>nenhum objeto estranho for encontrando.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>129</p><p>AÇÕES NA CLASSIFICAÇÃO DE AMEAÇA REAL</p><p>1) Acionar, via central de operações, o Esquadrão Antibombas.</p><p>2) Estabelecer um planejamento de busca.</p><p>3) Realizar a observação do ambiente em três níveis a partir da porta de</p><p>entrada: chão, linha da cintura e teto.</p><p>4) Atentar para tudo que não é próprio do local ou que não havia sido</p><p>percebido pelo responsável.</p><p>5) NÃO MEXER, NÃO TOCAR e NÃO REMOVER qualquer objeto estranho</p><p>ao ambiente que remeta a possibilidade de ser uma bomba.</p><p>6) Identificar quem localizou o objeto, se foi manipulado, quem o</p><p>manipulou e o porquê do objeto ser considerado suspeito.</p><p>7) Reportar de imediato a descrição do objeto para a central de</p><p>operações (odores, manchas, tipo de invólucro, cor, sons e tamanho).</p><p>8) Informar a área exata onde se encontra o objeto, o ponto de</p><p>localização no ambiente e há quanto tempo ele foi percebido.</p><p>9) Isolar o local estabelecendo um perímetro de isolamento.</p><p>10) Arrolar testemunhas.</p><p>11) Orientar a remoção de materiais inflamáveis próximos ao perímetro</p><p>de isolamento.</p><p>12) Não fumar, não usar interruptores, não usar elevadores, não abrir</p><p>portas, gavetas e armários antes de ser confirmada a segurança do local.</p><p>13) Recepcionar a unidade de desativação de bombas.</p><p>14) Providenciar a desocupação total de forma organizada evitando o</p><p>pânico. A desocupação parcial somente será feita em locais com diferentes</p><p>níveis de segurança, em áreas restritas e áreas de circulação pública.</p><p>15) Estabelecer uma zona segura para a concentração de pessoas até o</p><p>encerramento do incidente de ameaça.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>130</p><p>QUADRO DE ANALISE DE MOTIVAÇÃO DA AMEAÇA DE BOMBA</p><p>TIPO CARACTERÍSTICAS OBJETIVOS</p><p>TROTE</p><p> Apresenta a ameaça como evento</p><p>imediato, informando horários e</p><p>alertando para a necessidade da</p><p>evacuação.</p><p> Fala rápida e curta.</p><p> Disfarce da voz ou sotaques</p><p>forçados.</p><p> Não receptivo a conversação.</p><p> Não apresenta detalhes técnicos ou</p><p>objetivos da ameaça.</p><p> Não insiste no convencimento da</p><p>ameaça.</p><p> Criar clima de</p><p>confusão e</p><p>instabilidade.</p><p> Provocar a</p><p>paralisação ou</p><p>liberação de</p><p>atividades (provas</p><p>escolares, vésperas</p><p>de feriados).</p><p>CRIMINOSA</p><p> Faz exigências ou condiciona a</p><p>ameaça a pedidos.</p><p> Fala e conversação tensas ou</p><p>inquietas.</p><p> Direcionada a ameaça para</p><p>determinada pessoa ou local.</p><p> Procura dar convencimentos ou</p><p>provas da veracidade da ameaça.</p><p> Vingança</p><p> Extorsão</p><p> Paralisação ou</p><p>danos na atividade</p><p>TERRORISTA</p><p> Apresenta a ameaça como</p><p>possibilidade futura de ocorrer.</p><p> Declara suas intenções, motivações</p><p>e grupo a que pertence.</p><p> É receptivo a conversação.</p><p> Demonstra conhecimentos técnicos</p><p>sobre explosivos.</p><p> Procura dar convencimentos ou</p><p>provas da veracidade da ameaça.</p><p> Criar clima de</p><p>medo e pânico.</p><p> Chamar atenção</p><p>para determinada</p><p>causa.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>131</p><p>ANÁLISE PARA DESOCUPAÇÃO 6</p><p>Não desocupação: análise de ameaça falsa; bomba não localizada.</p><p>Desocupação parcial: análise de ameaça real; bomba localizada; cálculo</p><p>de danos controlados; acesso de pessoas/objetos no local é limitado.</p><p>Desocupação total: análise de ameaça real; bomba localizada ou não;</p><p>cálculo de danos elevados; acesso de pessoas/objetos no local é livre.</p><p>6 Desocupação é ato de retirar todas as pessoas que estejam dentro</p><p>de um provável raio de abrangência de destruição, a partir da</p><p>localização de uma bomba ou objeto suspeito.</p><p>Desocupação total: quando todas as áreas e os locais adjacentes no</p><p>entorno</p><p>do incidente e ações operacionais iniciais ....... 30</p><p>Cena de Ação ................................................................. 32</p><p>Fases do Processo de Gestão de Incidente Crítico ................. 36</p><p>1ª Fase: Pré-incidental ......................................................... 37</p><p>Tipos de Planos .............................................................. 39</p><p>Componentes de um plano ........................................... 40</p><p>8</p><p>2ª Fase: Pronta-Resposta ..................................................... 43</p><p>Ações de pronta-resposta ............................................ 43</p><p>Metodologia de emprego operacional ......................... 46</p><p>3ª Fase: Coordenação e Controle .......................................... 49</p><p>Ordem Preparatória ..................................................... 49</p><p>Preparação dos Recursos ............................................. 49</p><p>Implementação da Equipe Avançada ........................... 50</p><p>Atribuição de tarefas para a Equipe de Inteligência .... 53</p><p>4ª Fase: Planejamento Deliberado ....................................... 55</p><p>Ações iniciais para o planejamento .............................. 55</p><p>Elementos essenciais de informação ........................... 56</p><p>Levantamento preliminar das informações ................. 59</p><p>Impacto Social da Situação Crítica ................................ 60</p><p>Dinâmica de Formação do Grupo (Simétrico ou</p><p>Assimétrico) .................................................................. 60</p><p>5ª Fase: Resolução ............................................................... 61</p><p>Alternativas Táticas ...................................................... 61</p><p>Ações antes da entrada tática deliberada .................... 64</p><p>Metodologia para entrada tática ................................. 65</p><p>Desocupação do Ponto Crítico ..................................... 65</p><p>Realização do Relatório Final ....................................... 66</p><p>9</p><p>6ª Fase: Pós-incidental ......................................................... 67</p><p>Ações a serem realizadas .............................................. 67</p><p>Trato com a Imprensa ................................................... 68</p><p>Capítulo 2 – Protocolo de Intervenção Especializada .............. 70</p><p>Características da ferramenta ....................................... 70</p><p>Partes integrantes do protocolo ................................... 71</p><p>Capítulo 3 – Processo Decisório ............................................. 78</p><p>Pressupostos ................................................................. 78</p><p>Métodos para tomada de decisão ................................ 79</p><p>Variáveis da tomada de decisão .................................... 80</p><p>Como melhorar a tomada de decisão sob pressão ....... 80</p><p>Trato com as exigências dos perpetradores .......................... 81</p><p>Exigências negociáveis .................................................. 81</p><p>Exigências não-negociáveis ........................................... 83</p><p>Capítulo 4 – Um pouco de Psicologia Criminal ........................ 84</p><p>Transtorno de Personalidade Antissocial ...................... 84</p><p>Estruturação do caráter ................................................ 86</p><p>Comportamento criminoso ........................................... 87</p><p>Abordagens sobre violência e agressividade ................ 88</p><p>Comportamento agressivo e violento ........................... 89</p><p>10</p><p>Alguns perfis psicopatológicos de perpetradores .................. 91</p><p>Psicótico........................................................................ 91</p><p>Neurótico ...................................................................... 92</p><p>Sociopata/Psicopata ..................................................... 94</p><p>Suicida .......................................................................... 95</p><p>Incidentes com reféns e reféns/vítima ................................. 98</p><p>Incidente crítico com refém ......................................... 98</p><p>Estratégias de intervenção em incidentes de Refém/Vítima</p><p>...................................................................................... 101</p><p>Capítulo 5 – Negociação ........................................................ 103</p><p>Estruturação e atribuições da Equipe de Negociação .. 103</p><p>Documentação da Negociação ..................................... 107</p><p>Logística para a Equipe de Negociação ........................ 108</p><p>Quadro de Situação ...................................................... 109</p><p>Técnicas Básicas de Negociação ........................................... 111</p><p>Quem é o Negociador? ................................................. 111</p><p>Contato inicial ............................................................... 111</p><p>Indicativos de alto risco ................................................ 112</p><p>Intervalo na negociação ............................................... 113</p><p>Negociação face-a-face ................................................ 114</p><p>Orientações pontuais no processo de negociação ....... 114</p><p>Fatores que levam ao êxito na negociação .................. 115</p><p>Indicadores de sucesso da Negociação ........................ 115</p><p>11</p><p>Técnicas de negociação ................................................. 115</p><p>Prazos ............................................................................ 116</p><p>Membros da família ...................................................... 116</p><p>Capítulo 6 - Gestão de Incidentes com bombas e explosivos... 118</p><p>Tipologia das intervenções operacionais do Esquadrão</p><p>Antibombas .................................................................. 118</p><p>Classificação das Operações Antibombas ..................... 122</p><p>Teoria da Explosão ........................................................ 123</p><p>Ameaça de bomba ............................................................... 126</p><p>Ações na classificação de ameaça falsa......................... 128</p><p>Ações na classificação de ameaça real .......................... 129</p><p>Análise para desocupação ............................................. 131</p><p>Técnicas de vistoria e busca antibombas .............................. 133</p><p>Referências ........................................................................... 141</p><p>Sobre o Autor ........................................................................ 145</p><p>12</p><p>GERENCIAMENTO DE</p><p>CRISES E GESTÃO DE</p><p>INCIDENTES CRÍTICOS</p><p>PRESSUPOSTOS</p><p>Eclosão de Incidentes Críticos: A necessidade de conhecimentos e</p><p>planejamento</p><p>Diante de um incidente crítico, os responsáveis pela intervenção e</p><p>resolução adequada devem estar preparados para dar respostas, entre</p><p>outras, às seguintes questões:</p><p>Incidentes Críticos são situações complexas de matriz intrapessoal</p><p>e/ou interpessoal que colocam em risco, de maneira mais</p><p>contundente, a integridade física e psíquica das vítimas, dos</p><p>perpetradores, dos servidores públicos e dos cidadãos que estão</p><p>presentes na Cena de Ação. Eles apresentam, entre outras, a seguinte</p><p>tipologia: pessoas feitas reféns por motivos financeiros ou para fazer</p><p>cumprir exigências de outra natureza; pessoas mantidas por</p><p>perpetradores por motivos passionais e/ou de vingança; infratores</p><p>armados barricados; tentativas de auto-extermínio com armas ou</p><p>qualquer outro tipo de material ofensivo; localização de artefatos</p><p>explosivos; infratores armados e organizados que praticam atos de</p><p>terrorismo (COTTA, 2008).</p><p>CAPÍTULO 1</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>13</p><p>• Quem está no comando (servidor responsável por realizar a</p><p>coordenação e controle das atividades)?</p><p>• Quais são as ações iniciais de pronta resposta, e quais os</p><p>profissionais responsáveis por realizá-las?</p><p>• Quais são as normas de enfrentamento e a política de uso da</p><p>força?</p><p>• Quais recursos são necessários e de onde virão?</p><p>• Como ocorrerá o acionamento, a recepção e a coordenação</p><p>do objeto suspeito são isolados e abandonados.</p><p>Desocupação parcial: quando as áreas próximas e adjacentes ao</p><p>objeto suspeito são isoladas e abandonadas mantendo as demais</p><p>áreas liberadas.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>132</p><p>A tabela abaixo, construída a partir de cálculos reconhecidos</p><p>internacionalmente, apresenta a quantidade aproximada de explosivos</p><p>de acordo com seu invólucro e a as distâncias a serem respeitadas, com</p><p>proteção e sem proteção.</p><p>Ao localizar um objeto suspeito jamais tente</p><p>remover, tocar, cortar fios ou mesmo</p><p>manter-se próximo a ele por muito tempo.</p><p>Mantenha a distância de segurança,</p><p>desocupe as instalações e acione o</p><p>Esquadrão Antibombas.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>133</p><p>TÉCNICAS DE VISTORIA E BUSCA ANTIBOMBAS</p><p>Procedimentos Básicos</p><p>Procurar e observar objetos:</p><p>- Que não deveriam estar no local;</p><p>- Que estejam fora do lugar habitual;</p><p>- Semelhantes ao objeto descrito na denúncia;</p><p>- Comunicar o andamento da vistoria ao Centro de Controle.</p><p>Busca</p><p>É o procedimento utilizado para detectar bombas. É mais eficiente</p><p>quando realizada por pessoas que conhecem perfeitamente o local.</p><p>O responsável pela busca deverá: saber o que se busca; selecionar</p><p>os lugares prováveis; organizar a busca; usar pelo menos duas</p><p>pessoas; suspeitar de objetos anormais ou abandonados; não abrir</p><p>gavetas portas armários, acender luzes etc. sem confirmar</p><p>segurança.</p><p>Para não se perder durante a busca, o especialista deve fazer uma</p><p>divisão imaginária do ambiente do local a ser analisado, de forma a</p><p>organizar e minimizar seu trabalho.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>134</p><p>Área Externa</p><p>Área Externa</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>135</p><p>Área Interna de acesso público</p><p>Área Interna - Divisão por andares</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>136</p><p>Checagem auditiva (sons)</p><p>Checagem Visual (altura)</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>137</p><p>Checagem Visual (direção)</p><p>Regras para realização da busca</p><p> Usar pelo menos duas pessoas e sinalizar o local já analisado;</p><p> Não abrir portas, armários ou gavetas sem confirmar a segurança;</p><p> Não acender ou apagar luzes e não usar o elevador sem confirmar</p><p>a segurança;</p><p> Procurar por objetos suspeitos – tudo aquilo que não é conhecido</p><p>ou do local;</p><p> Tudo pode ser uma bomba.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>138</p><p>Técnicas de buscas</p><p>Processo de fazer divisões imaginárias do local a ser vistoriado, de forma</p><p>a organizar e minimizar o trabalho:</p><p>- Divisão em quadrantes;</p><p>- Sequência espiral;</p><p>- Zonas Longitudinais;</p><p>- Arcos Capazes.</p><p>Módulos de busca</p><p>1º Módulo – do chão até a</p><p>cintura.</p><p>2º Módulo – da cintura aos</p><p>olhos.</p><p>3º Módulo – dos olhos ao</p><p>teto.</p><p>4º Módulo – forros e</p><p>fundos falsos.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>139</p><p>Objeto encontrado</p><p>Caso algo de anormal seja encontrado, procurar saber a quem pertence</p><p>ou quem deixou no local. Adote as seguintes ações:</p><p> não toque no objeto suspeito;</p><p> retire as pessoas que ainda estejam no ambiente;</p><p> isole o perímetro entorno do objeto para protegê-lo de ser</p><p>perturbado por alguém;</p><p> se houver denúncia do objeto nas centrais de emergência ou</p><p>ao próprio local isole todo o perímetro imediatamente;</p><p> controle o estado de pânico;</p><p> categorize o incidente;</p><p> entreviste as pessoas do local para encontrar o dono do</p><p>objeto;</p><p> assessore o detentor do patrimônio a proceder desocupação</p><p>parcial ou total de acordo com a análise de carga explosiva;</p><p> acione um controlador para o incidente;</p><p> acione o Esquadrão Antibombas, após a categorização do</p><p>incidente.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>140</p><p>Referências</p><p>COTTA, Francis Albert, SOUZA, Euler Roberto Soares de. Ocorrências</p><p>envolvendo artefatos explosivos. Belo Horizonte: O Alferes, 2003.</p><p>COTTA, Francis Albert; SOUZA, Maurício Carlos de. Gestão de Incidentes</p><p>com Bombas e Explosivos. Belo Horizonte: GATE, 2014</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>141</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BOLZ JUNIOR, Frank. How to be a hostage and live. New York: Faber and</p><p>Faber, 1987.</p><p>BRAGA, Jorge. Resgate de Reféns. Um desafio à Inteligência das Polícias</p><p>Militares. 1991. Monografia (Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais) -</p><p>Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores, Polícia Militar do</p><p>Estado de São Paulo, São Paulo,1991.</p><p>COTTA, Francis Albert. Gestão Integrada de Eventos de Defesa Social de</p><p>Alto Risco. FGR em Revista. Belo Horizonte. Ano 3. Nº 4. Agosto de 2009,</p><p>p. 39-44.</p><p>________. Gestão Integrada de Tentativa de Auto-extermínio. Rio de</p><p>Janeiro: Rede Brasileira de Policiais e Sociedade. 2010.</p><p>COTTA, Francis Albert; SOUZA, Euler Roberto Soares. Ocorrências</p><p>envolvendo artefatos explosivos: a partir de retrospectiva histórica, a</p><p>necessidade da sistematização de procedimentos operacionais. Revista</p><p>O Alferes, Belo Horizonte, vol. 18. Edição Especial. Out. 2003, p. 101-118.</p><p>COTTA, Francis Albert; STOCHIERO, Danny Eduardo. Intervenções</p><p>Integradas em Tentativas de Suicídio. Belo Horizonte: Time de</p><p>Gerenciamento de Crises - Grupamento de Ações Táticas Especiais,</p><p>2007.</p><p>__________. Visão Sistêmica para Elaboração de uma Estratégia de</p><p>Intervenção Policial Especializada. Belo Horizonte: Time de</p><p>Gerenciamento de Crises - Grupamento de Ações Táticas Especiais,</p><p>2008.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>142</p><p>FEDERAL BUREAU OF INVESTIGATION. Negotiations situates of crisis. FBI</p><p>National Academy: Virgínia, EUA, 1990.</p><p>FUSELIER, Dwayne; NOESNER, Gary. Confronting the terrorist hostage</p><p>taker. New York, EUA: Paladin Press, 1990.</p><p>LUCCA, Diógenes Viegas Dalle. Alternativas táticas na resolução de</p><p>ocorrências com reféns localizados. 2002. Monografia (Curso de</p><p>Aperfeiçoamento de Oficiais) - Centro de Aperfeiçoamento e Estudos</p><p>Superiores, Polícia Militar do Estado de São Paulo, São Paulo, 2002.</p><p>MAGALHÃES, Alexander Ferreira de Magalhães; SACRAMENTO, Carlos</p><p>Alberto do; SOUZA, Khátia Aparecida Cardoso. Gerenciamento das</p><p>situações de crise geradas por ocorrências com tomada de reféns. 1998.</p><p>Monografia (Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais) – Centro de</p><p>Pesquisa e Pós-graduação da Academia de Polícia Militar de Minas</p><p>Gerais/Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte, 1998.</p><p>MONTEIRO, Roberto das Chagas. Gerenciamento de Crises da Polícia</p><p>Federal. Brasília: Departamento de Polícia Federal, 1991.</p><p>NEW YORK POLICE DEPARTMENT. Hostage Negotiaton: Organizational</p><p>and Tactical Guide. New York, NYPD, 1986.</p><p>SANTOS, César Romero Machado. Ação de comando em “Ocorrências de</p><p>Alta Complexidade”: estratégias institucionais na Polícia Militar de Minas</p><p>Gerais. 2003. Monografia (Especialização em Gestão Estratégica de</p><p>Segurança Pública) – Centro de Pesquisa e Pós-graduação da Academia</p><p>de Polícia Militar de Minas Gerais/Fundação João Pinheiro, Belo</p><p>Horizonte, 2003.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>143</p><p>SOUZA, Wanderley Mascarenhas de. Gerenciamento de Crises:</p><p>Negociação e atuação de Grupos Especiais de Polícia na solução de</p><p>eventos críticos. 1995. Monografia (Curso de Aperfeiçoamento de</p><p>Oficiais) - Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores, Polícia</p><p>Militar do Estado de São Paulo, São Paulo, 1995.</p><p>_______. Gerenciando Crises em Segurança. São Paulo: Sicurezza, 2000.</p><p>SANTOS, Gilmar Luciano. Como Vejo a Crise: gerenciamento de</p><p>ocorrências policiais de alta complexidade. Belo Horizonte: Probabilis</p><p>Assessoria, 2008.</p><p>SANTOS, Gilmar Luciano. Negociação em Ocorrências Policiais de Alta</p><p>Complexidade. Belo Horizonte: Bigráfica, 2009.</p><p>SANTOS, Gilmar Luciano. Competência jurídica para determinação do</p><p>emprego letal do Sniper Policial Militar em ocorrências com reféns</p><p>localizados no Estado de Minas Gerais. Orientador: Euler Pereira</p><p>Queiroz. 2010,</p><p>120 f. Monografia (Especialização em Segurança Pública)</p><p>– Academia de Polícia Militar de Minas Gerais/ Fundação João Pinheiro,</p><p>Belo Horizonte, 2010.</p><p>SOUZA, Euler Roberto. Gestão de Ameaças com Bombas. Orientador:</p><p>Francis Albert Cotta. Monografia (Especialização em Segurança Pública e</p><p>Justiça Criminal) - Fundação João Pinheiro. Belo Horizonte, 2010.</p><p>SOUZA, Wanderley Mascarenhas de. Gerenciamento de Crises:</p><p>Negociação e atuação de Grupos Especiais de Polícia na solução de</p><p>eventos críticos. 1995. Monografia (Curso de Aperfeiçoamento de</p><p>Oficiais) - Centro de Aperfeiçoamento e Estudos Superiores, Polícia</p><p>Militar do Estado de São Paulo, São Paulo, 1995.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>144</p><p>STOCHIERO, Danny Eduardo. A segurança jurídica do policial em</p><p>intervenções de suicídio. 2006. Monografia (Especialização em Segurança</p><p>Pública) - Academia de Polícia Militar de Minas Gerais/Fundação João</p><p>Pinheiro, Belo Horizonte, 2006.</p><p>TEIXEIRA, Gilmar Prates. Equipe de Negociação: criação e atuação na</p><p>Polícia Militar de Minas Gerais para assessoria aos comandantes</p><p>operacionais no gerenciamento de crises. 2002. Monografia</p><p>(Especialização em Segurança Pública) – Academia de Polícia</p><p>Militar/Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte, 2002.</p><p>THOMÉ, Ricardo Lemos; SALIGNAC, Angelo Oliveira. O Gerenciamento de</p><p>Situações Policiais Críticas. Curitiba: Editora Gênesis, 2001.</p><p>VAZ, R. Toledo. Gerenciamento de Crise no Contexto da Segurança</p><p>Pública. São Paulo: Atlas, 2001.</p><p>VENTURA, M. Fonseca. Reféns: como a PMESP deve agir. 1987.</p><p>Monografia (Curso Superior de Polícia) - Centro de Aperfeiçoamento e</p><p>Estudos Superiores, Polícia Militar do Estado de São Paulo, São Paulo,</p><p>1987.</p><p>VASCONCELOS, Pedro Ivo de. Atuação da PMMG na Tomada de Reféns.</p><p>Belo Horizonte. 1990. Monografia (Especialização em Gestão Estratégica</p><p>em Segurança Pública) – Centro de Pesquisa e Pós-graduação da</p><p>Academia de Polícia Militar/Fundação João Pinheiro. Belo Horizonte,</p><p>Belo Horizonte. 1990.</p><p>145</p><p>SOBRE O AUTOR</p><p>Francis Albert Cotta é Major da Polícia Militar de</p><p>Minas Gerais e autor destas compilações e</p><p>reflexões. Nelas, o oficial condensou as</p><p>doutrinas de Gerenciamento de Crises e de</p><p>Negociação, consolidadas em nível nacional.</p><p>Aos preceitos teóricos e principiológicos</p><p>agregou parte de sua experiência de mais de</p><p>duas décadas em intervenções reais bem-</p><p>sucedidas, realizadas no Batalhão de Operações</p><p>Especiais da Polícia Militar de Minas Gerais.</p><p>Realizou doutorado e pós-doutorado em</p><p>História Social da Cultura, ambos na</p><p>Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),</p><p>pós-doutorado em Direito Penal e Garantias</p><p>Constitucionais pela Universidade Nacional de La Matanza, na Argentina;</p><p>pós-doutorado em Psicologia Social, pela Universidade John F. Kennedy, pós-</p><p>doutorado em Ciências Sociais pela PUC Minas e em Educação pela UFMG.</p><p>Na sua trajetória profissional, se dedicou à área de Gerenciamento de Crises</p><p>por 20 anos. Atuou como negociador de crises com reféns localizados,</p><p>suicidas armados, mediador de conflitos com movimentos sociais e</p><p>desativador de artefatos explosivos.</p><p>Atualmente é professor permanente no Mestrado Profissional em Segurança</p><p>Pública e Cidadania da Universidade do Estado de Minas Gerais, Subchefe do</p><p>Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da Academia de Polícia Militar de Minas</p><p>Gerais e Coordenador do Mestrado Profissional em Ciências Policiais e</p><p>Tecnologias Inovadoras da Universidade Estadual de Montes Claros, em</p><p>associação com a Academia de Polícia Militar de Minas Gerais.</p><p>de</p><p>outras agências?</p><p>• Quais serão as linhas de comunicação?</p><p>• O incidente provocará efeitos colaterais, como minimizá-los ou</p><p>controlá-los?</p><p>• Qual será o impacto sobre outras áreas?</p><p>• Qual protocolo será empregado?</p><p>Se o gestor público e seus colaboradores tiverem respostas às perguntas</p><p>elencadas, estão em ótimo caminho. Caso não possuam todas as</p><p>respostas, o conhecimento sobre Gerenciamento de Crises lhe será útil</p><p>diante do quadro de complexidade que se instalará. Improviso não é uma</p><p>boa alternativa.</p><p>A doutrina de Gerenciamento de Crises, desenvolvida e aplicada pela</p><p>Academia do Federal Bureau of Investigation (FBI) na década de 1970 deu</p><p>origem à produção do consagrado e vastamente difundido “Manual de</p><p>Gerenciamento de Crises”, da Academia Nacional de Polícia, do</p><p>Departamento de Polícia Federal do Brasil (1990).</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>14</p><p>O “Gerenciamento de Crises é o processo de identificar, obter e aplicar os</p><p>recursos necessários à antecipação, prevenção e resolução de uma crise”</p><p>(FBI). Assim, os servidores públicos responsáveis pela segurança do</p><p>cidadão devem realizar as intervenções de maneira técnica, ética e legal.</p><p>Etimologicamente a palavra “crise”, em</p><p>chinês “危機” relaciona-se a perigo,</p><p>causar perigo, ameaçar, risco, precário,</p><p>precipitado, medo, pavor, receio. Em sua</p><p>matriz latina “crĭsis” refere-se a um</p><p>momento de decisão, de mudança</p><p>súbita. Em grego “Krisis” é a ação ou faculdade de distinguir, decisão;</p><p>assim, a um momento decisivo, difícil. A derivação do verbo grego “Kríno”</p><p>se refere às ações de separar, decidir e julgar. Portanto, “o</p><p>Gerenciamento de Crises pode ser descrito como um processo racional e</p><p>analítico de resolver problemas baseado em probabilidades” (DPF, 1995,</p><p>p. 7).</p><p>PROCESSO HISTÓRICO DE GERENCIAMENTO DE CRISES NO BRASIL</p><p>Sob a influência de tais literaturas, acrescidas de outras de origem norte-</p><p>americana, notadamente do Departamento de Polícia de Nova York</p><p>(NYPD, 1996; BOLZ JUNIOR, 1987; FUSELIER, NOESNER, 1990) surgiram as</p><p>primeiras publicações brasileiras que trataram do tema, principalmente</p><p>àquelas que envolviam reféns, tentativas de suicídio, rebeliões em</p><p>A Academia Nacional do FBI conceitua Crise como sendo “um evento</p><p>ou situação crucial que exige uma resposta especial da Polícia, a fim</p><p>de assegurar uma solução aceitável”.</p><p>http://pt.wiktionary.org/wiki/%E5%8D%B1%E6%A9%9F</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>15</p><p>presídios e tratativas na lida com artefatos explosivos (VENTURA, 1987;</p><p>VASCONCELOS, 1990; MONTEIRO, 1991, SOUZA, 1995; MAGALHÃES,</p><p>SACRAMENTO, SOUZA, 1998; COTTA, SOUZA, 2003).</p><p>Aportada de maneira mais sólida tal temática em solo brasileiro,</p><p>associado ao fato de que esta recebeu destacada importância, tendo em</p><p>vista a carência de tratativas teóricas sobre o assunto, bem como de uma</p><p>emergente necessidade de se inseri-lo nas práticas policiais de gestão das</p><p>crises, o termo Gerenciamento de Crises, até então utilizado vastamente</p><p>pelos teóricos da Administração, foi reapropriado e passou a fazer parte</p><p>dos ensinamentos de técnicas e táticas de polícia.</p><p>O Gerenciamento de Crises consagrou-se como disciplina integrante da</p><p>malha curricular de diversos cursos de formação e especialização das</p><p>polícias do Brasil (militares, civis, federal, rodoviária), abrangendo</p><p>também as Guardas Municipais e Agentes do Sistema Prisional. Diante</p><p>desse cenário, surgiu a oportunidade de se estabelecer um diálogo entre</p><p>os procedimentos regulados pela prática cotidiana nas atividades de</p><p>Gerenciamento de Crises e os seus referenciais teóricos. Com esse</p><p>diálogo, ocorrendo no Brasil há pelo menos 20 anos, sentiu-se a</p><p>necessidade de sistematização dos procedimentos em nível operacional.</p><p>Daí surgiu, a partir da realidade de Minas Gerais a concepção de “Gestão</p><p>de Incidentes Críticos em Defesa Social”.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>16</p><p>DOUTRINA INTERNACIONAL</p><p>Nesta aula será apresentada a doutrina institucionalizada e consolida</p><p>pelos Estados Unidos da América sobre Gerenciamento de Crises. Ela se</p><p>tornou mundial, sendo chancelada em países da Europa e América Latina.</p><p>Essa doutrina foi compilada e faz parte de cursos, apostilas e</p><p>treinamentos ministrados aos integrantes do Sistema de Segurança do</p><p>Cidadão em todo o Brasil.</p><p>Para a doutrina são consideradas características essenciais de uma crise:</p><p>1. Imprevisibilidade;</p><p>2. Compressão de tempo (urgência);</p><p>3. Ameaça à vida;</p><p>4. Necessidade de:</p><p>- postura organizacional não rotineira;</p><p>- planejamento analítico especial e capacidade de</p><p>implementação;</p><p>- considerações legais especiais.</p><p>A postura organizacional não rotineira dos órgãos que compõe o Sistema</p><p>de Segurança do Cidadão obriga as diversas agências a treinamentos e o</p><p>desenvolvimento de protocolos integrados.</p><p>Em termos de planejamento analítico especial e da capacidade de</p><p>implementação devem ser observados os seguintes pontos:</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>17</p><p>a) identificar e evitar respostas exageradamente suaves ou</p><p>ríspidas aos incidentes críticos;</p><p>b) identificar e evitar ações potencialmente capazes de violar os</p><p>Direitos Humanos;</p><p>c) seguir todo o processo metodológico de intervenção:</p><p> montar a estrutura necessária;</p><p> investigar as causas da situação crítica;</p><p> identificar os perpetradores do incidente;</p><p> impedir a escalada de violência.</p><p>Quanto ao aspecto das Considerações</p><p>Legais Especiais as questões giram em</p><p>torno da Legítima Defesa, Estrito</p><p>Cumprimento do Dever Legal,</p><p>Responsabilidade Civil.</p><p>É necessário saber de quem será a competência para atuar? Quem serão</p><p>os encarregados das decisões, da gestão e da resposta ao incidente</p><p>crítico? Sabe-se que a resposta a incidentes críticos é tarefa da polícia.</p><p>Entretanto, as decisões sobre os vários procedimentos a serem adotados</p><p>estão além da responsabilidade da polícia. Algumas decisões necessitam</p><p>do respaldo e apoio de outras agências, tais como: Poder Judiciário,</p><p>Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>18</p><p>De acordo com a doutrina internacional os dois primeiros objetivos estão</p><p>elencados em ordem rigorosamente axiológica1. Assim, a preservação da</p><p>vida ocupa lugar primordial no processo de Gerenciamento de Crises.</p><p>Entre as “vidas a serem preservadas, as das pessoas inocentes tem</p><p>absoluta prioridade” (DPF, 1995, p. 8). Os responsáveis pelas intervenções</p><p>técnicas devem ter em mente o princípio da Dignidade da Pessoa</p><p>Humana, que perpassa todo o arcabouço legal brasileiro, e, em especial à</p><p>Constituição da República do Brasil.</p><p>1 Axiologia vem do grego άξιος "valor" + λόγος "estudo, tratado". É é o</p><p>estudo de valores, uma teoria do valor geral, compreendido no sentido</p><p>moral (UNESP, 2004, p. 7)</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>19</p><p>Os profissionais responsáveis pela gestão do incidente crítico, em diversos</p><p>níveis( em especial o Comandante da Cena de Ação) e nas mais variadas</p><p>situações deverão tomar decisões. Suas ações devem ter como parâmetro</p><p>os “Critérios de Ação”2 definidos pela doutrina internacional de</p><p>Gerenciamento de Crises, a saber: 1) necessidade; 2) validade do risco; 3)</p><p>aceitabilidade (ética, moral e legal). Vejamos cada um deles:</p><p> Necessidade – a ação somente deve ser implementada</p><p>quando for indispensável. O decisor deverá fazer a seguinte</p><p>pergunta: “isso é realmente necessário”?</p><p> Validade do risco – a ação deve levar em conta se os riscos</p><p>dela advindos são compensados pelos resultados. O decisor deverá</p><p>responder à pergunta: “vale a pena correr este risco?” O FBI</p><p>recomenda que a validade do risco é justificada “quando a</p><p>probabilidade de redução da ameaça exceder os perigos a serem</p><p>enfrentados e a continuidade do status quo” (FBI).</p><p>2 Critérios de ação são referenciais que servem para nortear o tomador</p><p>de decisão em qualquer incidente crítico</p><p>(FBI).</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>20</p><p> Aceitabilidade – a ação deve ter respaldo legal, moral e</p><p>ético. Aceitabilidade legal significa que o ato deve estar amparado</p><p>pelo arcabouço jurídico vigente. Em termos morais, a ação deve ter</p><p>aceitabilidade baseada na moralidade e bons costumes. A ética deve</p><p>sustentar e permear as ações.</p><p>MEDIDAS DE RESPOSTA IMEDIATA</p><p>Ao eclodir o incidente crítico o Primeiro Interventor deve adotar</p><p>imediatamente as seguintes medidas:</p><p> CONTER - evitar que a crise aumente o seu grau de risco. A</p><p>ação visa evitar o agravamento da situação ou que ela se alastre.</p><p>Impedir que os causadores:</p><p>- aumentem o número de reféns;</p><p>- ampliem sua área de controle;</p><p>- conquistem posições mais seguras;</p><p>- tenham acesso a recursos que facilitem ou ampliem o seu</p><p>potencial ofensivo.</p><p> ISOLAR – além de definir os perímetros de segurança é</p><p>necessário interromper o contato dos perpetradores e reféns com o</p><p>exterior. A polícia assume o controle como único veículo de</p><p>interlocução. Quanto melhor for o isolamento, melhores as</p><p>possibilidades de negociação.</p><p> PARLAMENTAR - estabelecer um elo com o perpetrador do</p><p>incidente crítico. Focar na busca de coleta de dados por meio da escuta</p><p>ativa.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>21</p><p>PERÍMETROS DE SEGURANÇA</p><p>Torna-se imperativo e fundamental o estabelecimento dos perímetros de</p><p>segurança para que a crise possa ser gerenciada, quais sejam:</p><p>INTERNO - É um cordão de isolamento que circunda o ponto crítico,</p><p>formando o que se denomina de zona estéril. No seu interior, somente</p><p>devem permanecer os perpetradores do incidente, o refém (se houver) e</p><p>os policiais especialmente designados. E ninguém mais.</p><p>EXTERNO - É também um cordão de isolamento, destinado a formar uma</p><p>zona tampão entre o perímetro interno e o público, onde nela ficam</p><p>instalados o posto de comando (PC) do Comandante da Cena de Ação</p><p>(comandante do teatro de operações) e o posto de comando tático (PCT),</p><p>do Gestor do Incidente Crítico (comandante da Força Especial de Polícia).</p><p>A mídia e o público devem permanecer fora dos perímetros.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>22</p><p>CLASSIFICAÇÃO DOS GRAUS DE RISCO E NÍVEIS DE RESPOSTA</p><p>A otimização de talentos humanos e recursos materiais está intimamente</p><p>vinculada à tipificação do Grau de Risco do incidente crítico. Não</p><p>superdimensione, tampouco subdimensione o grau de risco do incidente.</p><p>Procure identificá-lo perfeita e precisamente. A classificação está</p><p>diretamente relacionada ao Nível de Resposta a ser implementado.</p><p>1º GRAU</p><p>Alto Risco</p><p>Assalto a banco perpetrado por um infrator</p><p>armado sem reféns.</p><p>2º GRAU</p><p>Altíssimo Risco</p><p>Assalto a banco perpetrado por vários infratores</p><p>portando armas longas e mantendo vários</p><p>reféns.</p><p>3º GRAU</p><p>Ameaça Extraordinária</p><p>Terroristas armados no interior de uma aeronave</p><p>mantendo todos os passageiros como reféns.</p><p>4º GRAU</p><p>Ameaça Exótica</p><p>Terrorista, que estando de posse de material,</p><p>químico, biológico ou radioativo, ameaça uma</p><p>população</p><p>Nível de Resposta</p><p>Recursos locais</p><p>Nível de Resposta</p><p>Recursos locais e</p><p>Força Especial de</p><p>Polícia</p><p>Nível de Resposta</p><p>Recursos locais, Força</p><p>Especial de Polícia, Alta</p><p>Gestão , CDTN, EB,</p><p>FUNED</p><p>Nível de Resposta</p><p>Recursos locais, Força</p><p>Especial de Polícia e</p><p>Alta Gestão da Polícia</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>23</p><p>ELEMENTOS ESSENCIAIS DE INFORMAÇÕES</p><p>Decida sempre fundado em informações devidamente trabalhadas pelo</p><p>serviço de Inteligência. O gestor e o Comandante da Cena de Ação devem</p><p>conhecer:</p><p>ELEMENTO DADOS A SEREM OBTIDOS</p><p>INFRATOR</p><p>Quantidade, motivação, estado mental, habilidade no</p><p>manuseio de armas, explosivos, conhecimento de táticas e</p><p>técnicas.</p><p>REFÉM</p><p>Quantidade, idade, condição física, localização no ponto</p><p>crítico, proeminência ou relevância social (...).</p><p>EDIFÍCIO</p><p>Localização, tamanho, vulnerabilidade, condições de</p><p>tempo, condições do terreno que o circunda, etc.</p><p>ARMAS</p><p>Quantidade, tipo, letalidade, localização no ponto crítico,</p><p>etc.</p><p>TIPOLOGIA DOS PERPETRADORES DE UM INCIDENTE CRÍTICO</p><p>Para que o processo de gestão do incidente crítico seja dirigido de</p><p>maneira técnica procure identificar as características psicológicas dos</p><p>perpetradores. O Capitão Frank Bolz, do Departamento de Polícia de Nova</p><p>Iorque classificou os perpetradores em três tipos fundamentais:</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>24</p><p>TIPO CARACTERÍSTICAS</p><p>Criminoso</p><p>“Profissional”</p><p>É uma pessoa que se mantém por meio de repetidos</p><p>furtos e roubos e de uma vida dedicada ao crime. Pode</p><p>provocar uma crise por acidente, devido a um</p><p>confronto inesperado com a polícia, na flagrância de</p><p>alguma atividade ilícita.</p><p>Emocionalmente</p><p>Perturbado</p><p>Indivíduo que não conseguiu lidar com seus problemas</p><p>de trabalho, ou de família, ou pessoa que apresente</p><p>uma psicopatologia específica.</p><p>Terrorista</p><p>Trata-se de fanáticos com fortes motivações (religiosa</p><p>ou política), que causam o maior estardalhaço com</p><p>seus atos violentos, onde o requinte e o planejamento</p><p>geralmente são cuidadosamente estudados.</p><p>Fonte: BOLZ JUNIOR, Frank A. How to be a hostage and live. Lyle Stuart Inc. Secaucus, nº</p><p>J, 1987, p. 47.</p><p>De todos os elementos essenciais de informação os perpetradores se</p><p>mostram como os mais importantes, pois são eles que fazem as</p><p>exigências, com eles são realizadas as negociações, deles dependem as</p><p>vidas dos reféns e eles enfrentarão a força policial em caso da alternativa</p><p>tática negociação falhar.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>25</p><p>GESTÃO DE INCIDENTES CRÍTICOS</p><p>A Gestão de Incidentes Críticos em</p><p>Defesa Social é uma verticalização</p><p>do processo de resolução de</p><p>situações críticas conhecido por</p><p>Gerenciamento de Crises. Ela é</p><p>apreciada numa perspectiva</p><p>micro, com foco na cena de ação.</p><p>Nela as funções operacionais são</p><p>previamente definidas respeitando-se a visão sistêmica, os direitos</p><p>humanos e o uso gradual da força. Uma das ferramentas utilizadas na</p><p>gestão é o Protocolo de Intervenção Policial Especializada. Por sua vez, ele</p><p>possibilita o acompanhamento e a avaliação do desempenho de cada</p><p>servidor público envolvido na resolução do incidente; auxilia o gestor no</p><p>processo de tomada de decisão e fornece dados para a responsabilização</p><p>de todas as ações adotadas.</p><p>Em virtude das demandas operacionais, da necessidade de se sistematizar</p><p>os procedimentos quando da gestão de um Incidente Crítico e,</p><p>fundamentalmente, por intermédio de estudos acadêmicos percebeu-se</p><p>que não era suficiente investir apenas na formação de negociadores</p><p>policiais, todos os policiais deveriam saber como se desenvolvem as</p><p>intervenções policiais especializadas.</p><p>A partir do diálogo entre a prática cotidiana, das atividades operacionais</p><p>na Cena de Ação e os referenciais teóricos, do campo acadêmico, sentiu-</p><p>se a necessidade de sistematizar procedimentos, dando-lhes coerência e</p><p>cientificidade. Em decorrência desse contexto cunhou-se a expressão:</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>26</p><p>Gestão de Incidentes Críticos.</p><p>Os conhecimentos do que se</p><p>convencionou chamar de</p><p>Gerenciamento de Crises não</p><p>são abandonados, apenas</p><p>ocorre, com esse novo</p><p>conceito, uma verticalização,</p><p>um aprofundamento do olhar</p><p>e da reflexão sobre a Cena de Ação, das intervenções operacionais efetivas</p><p>e do papel de cada profissional envolvido.</p><p>Os Incidentes Críticos necessitam de intervenções qualificadas e</p><p>integradas de vários órgãos que compõe o Sistema de Defesa Social e,</p><p>portanto, exigem equipamentos, armamentos, tecnologias e</p><p>treinamentos especializados para o restabelecimento da Paz Social. A</p><p>resolução do incidente exige o cumprimento de três aspectos básicos:</p><p>Protocolos Operacionais Específicos; Capacitação (formação e educação</p><p>continuada) e Logística Apropriada. Destaca-se que é colocada em relevo</p><p>a visão sistêmica e integrada na gestão. Nesse sentido, uma Força</p><p>Especial</p><p>de Polícia não resolverá isoladamente o Incidente Crítico.</p><p>O sentido da gestão nesses incidentes vai muito além do ato de condução</p><p>das atividades por um líder ou mesmo por uma equipe. Ela é entendida</p><p>enquanto o conjunto de ações que englobam a concepção, elaboração,</p><p>implementação, direção, execução e avaliação. As partes do processo são</p><p>construídas, executadas e avaliadas por todos os envolvidos. Existe o</p><p>empoderamento (empowerment) de cada servidor público no sentido de</p><p>permitir-lhe participação efetiva e consequentemente dotando-o de</p><p>responsabilidades específicas. Ele não é um simples cumpridor de ordens,</p><p>é co-participante de um processo mais amplo que será acompanhado e</p><p>avaliado.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>27</p><p>Nesse processo destaca-se a importância do briefing, momento em que é</p><p>repassado o conjunto de informações a todos os envolvidos na resolução</p><p>do Incidente Crítico. Nele serão explanados os problemas, as linhas de</p><p>ação operacional, as responsabilidades individuais, entre outros pontos.</p><p>Ainda, na concepção de gestão, após a intervenção, o debrifieng será o</p><p>momento de verificar se todos os pontos foram atingidos e se todos</p><p>cumpriram o seu papel específico na Cena de Ação. Opta-se por designar</p><p>o local onde se desenrola o Incidente Crítico pelo termo policial Cena de</p><p>Ação, relacionando-o ao ambiente físico onde estão presentes os diversos</p><p>atores. O Teatro de Operações é mais amplo e engloba outros “lugares”</p><p>da crise.</p><p>Em termos de coordenação e controle na Cena de Ação elaborou-se o</p><p>Protocolo de Intervenção Policial Especializada. Além da aplicação da</p><p>visão sistêmica em casos concretos, possibilita o acompanhamento e a</p><p>avaliação do desempenho de cada servidor público na cena de ação.</p><p>Também orienta a tomada de decisão do Gestor do Incidente Crítico e do</p><p>Comandante da Cena de Ação oferecendo-lhes uma série de alternativas</p><p>que levam em consideração o uso progressivo da força, a legalidade, a</p><p>ética, o respeito aos Direitos Humanos e os princípios técnicos e táticos da</p><p>gestão de Incidentes Críticos. No protocolo são traçados e concatenados,</p><p>numa ordem lógica, sistemática e coerente, os passos em que o trabalho</p><p>será desenvolvido. Evitam-se, assim, surpresas e inconsistências.</p><p>Fonte: COTTA, Francis Albert. Protocolo de Intervenção Policial Especializada: uma</p><p>experiência bem-sucedida da Polícia Militar de Minas Gerais na Gestão de Eventos de</p><p>Defesa Social de Alto Risco. Revista Brasileira de Segurança Pública. São Paulo. Ano 3, 5,</p><p>Ago/Set. 2009. Disponível em: http://www.forumseguranca.org.br/institucional/wp-</p><p>content/uploads/2009/09/revista_fbsp_05_dossie_3.pdf</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>28</p><p>Apropriando-se da estrutura operacional existente nos órgãos de Segurança</p><p>Pública, (em especial na polícia de prevenção criminal) em termos de</p><p>intervenção, coordenação e controle, a proposta de Gestão de Incidente</p><p>Crítico é utilizar a lógica já estabelecida adequando-a as respostas</p><p>necessárias que estes profissionais darão ao incidente. Para uma boa</p><p>organização da cena de ação é necessária a seguinte configuração em termos</p><p>de componentes operacionais: 1) Primeiro Interventor; 2) Controlador do</p><p>Incidente; 3) Gestor do Incidente Crítico, e 4) Comandante da Cena de Ação.</p><p>COMPONENTES OPERACIONAIS NA CENA DE AÇÃO</p><p>COMPONENTES ATRIBUIÇÕES</p><p>Primeiro</p><p>Interventor</p><p>Profissional de Segurança Pública que primeiro se depara com</p><p>o Incidente Crítico e toma as ações iniciais de resposta.</p><p>Controlador do</p><p>Incidente</p><p>Profissional de Segurança Pública com poder de coordenação</p><p>e controle dos recursos logísticos e talentos humanos locais.</p><p>Ele é o responsável por redefinir o isolamento e realizar as</p><p>medidas de proteção e segurança.</p><p>Gestor do</p><p>Incidente</p><p>Crítico</p><p>Comandante da Força Especial de Polícia.</p><p>Coordena e controla as equipes especializadas e alternativas</p><p>táticas na cena de ação:</p><p>1) Time de Negociadores: solução dialogada;</p><p>2) Sniper: executa o tiro de precisão;</p><p>3) Time Tático: realiza o resgate de reféns;</p><p>4) Peritos em explosivos: suporte técnico.</p><p>Elabora, juntamente com o Comandante da Cena os planos</p><p>que serão implementados no processo de gestão para a</p><p>resolução do incidente crítico.</p><p>Comandante</p><p>da Cena de</p><p>Ação</p><p>Denominação internacional utilizada para designar o</p><p>responsável pela coordenação e controle da Cena de Ação. Ele</p><p>define e determina a aplicação das estratégias políticas para a</p><p>solução do incidente crítico. É o responsável pela definição</p><p>das ações de emergência. É a autoridade de linha ou</p><p>hierárquica (possui o poder de comandamento e disciplinar</p><p>sobre os órgãos subordinados). É assessorado diretamente</p><p>pelo Gestor do Incidente Crítico em termos de emprego de</p><p>alternativas táticas.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>29</p><p>Primeiro Interventor - Em virtude da</p><p>imprevisibilidade em termos de eclosão do</p><p>incidente crítico a ação de primeiro</p><p>interventor pode recair em um agente do</p><p>Sistema Prisional, Guarda Municipal, um</p><p>Bombeiro Militar, um Policial Federal, um</p><p>Policial Civil ou um Policial Militar. Assim,</p><p>sendo esses profissionais representantes do</p><p>Estado, em diversos níveis e esferas de</p><p>atuação, deverão possuir capacitação</p><p>necessária para realizar as primeiras medidas</p><p>de proteção e segurança.</p><p>O Controlador do Incidente é funcionalmente</p><p>superior ao Primeiro Interventor, pois cabe a</p><p>ele realizar a coordenação e controle dos</p><p>recursos logísticos e dos profissionais locais</p><p>envolvidos no processo de intervenção inicial.</p><p>Exerce suas atribuições no nível operacional,</p><p>sendo responsável por realizar as ligações externas iniciais como outras</p><p>agências. Este profissional acionará, de acordo com a tipologia do</p><p>incidente crítico, a Força Especial de Polícia por intermédio da Central de</p><p>Operações.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>30</p><p>O fluxograma do processo de eclosão e gestão de incidentes críticos</p><p>define as das ações a serem adotadas pelo Primeiro Interventor e</p><p>Controlador do Incidente.</p><p>ECLOSÃO DO INCIDENTE E AÇÕES INICIAIS</p><p>O Gestor do Incidente Crítico é um Oficial da Força Especial de Polícia</p><p>que, em virtude de conhecer em profundidade as alternativas táticas e as</p><p>peculiaridades da intervenção, realiza a gestão técnica na cena de ação.</p><p>Devido sua experiência e capacitação específica, possui legitimidade para</p><p>orientar ou assessorar o Controlador do Incidente em questões pontuais</p><p>relacionadas à cena de ação e às medidas de proteção e segurança. Ele é</p><p>o catalisador das informações advindas de cada líder das equipes táticas.</p><p>Dessa forma, possui visão sistêmica, técnica e holística do que ocorre na</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>31</p><p>cena de ação, estando apto a se posicionar sobre limites e possibilidades</p><p>de emprego das alternativas táticas. Portanto, ele é o assessor técnico do</p><p>Comandante da Cena de Ação para tomada de decisão.</p><p>Uma vez que a Polícia Militar, de acordo com a Constituição da República,</p><p>é a Força de Segurança responsável pela polícia de prevenção criminal e</p><p>pelo restabelecimento da ordem pública, a função de Comandante da</p><p>Cena de Ação recairá sobre o Oficial de maior posto, em termos</p><p>hierárquicos, que se fizer presente no local e assumir o comando da</p><p>operação policial. Esta perspectiva visa cumprir o princípio da “unidade</p><p>de comando”. Ele é o responsável pela tomada de decisão e emite,</p><p>mediante assessoramento do Gestor do Incidente Crítico, ordens</p><p>específicas para intervenção em nível de alternativas táticas.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>32</p><p>CENA DE AÇÃO</p><p>É o ambiente operacional onde está a ocorrer o incidente crítico. São</p><p>componentes da Cena de Ação:</p><p>1) Ponto Crítico (local onde se encontra, por exemplo: o</p><p>perpetrador e vítimas, o artefato explosivo improvisado, o epicentro</p><p>de uma explosão),</p><p>2) Posto Tático ou Posto de Contramedidas (local onde</p><p>permanecem unicamente as equipes</p><p>táticas);</p><p>3) Posto de Comando (local coordenado pelo Comandante da Cena</p><p>de Ação. Nele permanece o staff necessário para tomada de decisão).</p><p>Tratando especificamente da</p><p>organização da cena de ação pela</p><p>Polícia de Prevenção Criminal</p><p>percebe-se que ela se origina da</p><p>eclosão do incidente crítico e</p><p>diante desse fato inicia-se com a</p><p>atuação imediata do Primeiro</p><p>Interventor. Ele deve ser um</p><p>profissional proativo e dinâmico, pois adota diversas ações para</p><p>minimizar possíveis danos. Este é um perfil necessário a todos os</p><p>profissionais de segurança do cidadão (independentemente do nível</p><p>hierárquico ou funcional que se encontre).</p><p>A primeira intervenção não se limita aos policiais que estão</p><p>diuturnamente a atuar na atividade operacional nas diversas modalidades</p><p>de policiamento, geralmente Graduados ou Oficiais nos primeiros postos;</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>33</p><p>ela pode ser realizada por policiais que atuam na alta gestão da instituição</p><p>ou mesmo pelos que desempenham atividades administrativas. O</p><p>Primeiro Interventor é o que se depara com o incidente crítico e</p><p>criteriosamente realiza as medidas de proteção e segurança. Seu foco</p><p>sempre é a preservação de vidas e minimização de danos.</p><p>No “fluxograma de eclosão” enumeram-se as ações do Primeiro</p><p>Interventor. Quando prescreve a adoção de “Medidas de Proteção e</p><p>Segurança” se refere ao exercício do “Mandato Policial” de maneira firme,</p><p>demonstrando que ali está um servidor público que está agindo em nome</p><p>da sociedade com a chancela do Estado, e, portanto, direciona ações para</p><p>minimizar os danos que podem advir do incidente crítico. A definição da</p><p>tipologia do incidente é importante para que se mobilizem corretamente</p><p>os recursos disponíveis em termos de equipes especializadas. Para</p><p>realizar esta ação deve, caso seja possível e necessário, aproximar-se com</p><p>segurança a fim de visualizar a situação ou inteirar-se dos fatos.</p><p>O Primeiro Interventor deve conter a situação em termos físicos e</p><p>subjetivos. Assim, deve lançar mão de sua experiência como profissional</p><p>que conhece algumas nuances do comportamento humano, pois sua ação</p><p>visa diminuir ou não inserir mais tensão externa no “ponto crítico”. A</p><p>contenção da situação tem por objetivo impedir seu alastramento,</p><p>atingindo outras pessoas ou ambientes, o que maximizaria o potencial</p><p>ofensivo. Quando se fala de isolamento não se refere apenas ao aspecto</p><p>físico, de perímetros, mas também do corte de comunicação do</p><p>perpetrador do incidente com o mundo externo. Após a adoção dessas</p><p>primeiras ações operacionais, o Primeiro Interventor comunica os fatos</p><p>de maneira mais detalhada ao Controlador do Incidente. Deve</p><p>permanecer no processo de estabilização do ambiente, impedindo</p><p>interferências externas e, de maneira segura, coletar dados até a chegada</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>34</p><p>do Controlador do Incidente e das Equipes Especializadas da Força</p><p>Especial de Polícia.</p><p>A dinâmica operacional de coordenação e controle das Polícias de</p><p>Prevenção Criminal no Brasil possui a figura do Coordenador de</p><p>Policiamento da Unidade (CPU) ou Coordenador de Policiamento da</p><p>Companhia (CPCia). Eles são os policiais responsáveis pela gestão</p><p>operacional das viaturas policiais de atendimento à comunidade.</p><p>Utilizando-se dessa função operacional no processo de Gestão de</p><p>Incidente Crítico, o CPU transforma-se em Controlador do Incidente.</p><p>O Controlador do Incidente realiza o contato com o Primeiro Interventor</p><p>e confirma a tipologia do incidente crítico. Essa confirmação é importante,</p><p>pois as especificidades dos incidentes se relacionam aos recursos,</p><p>técnicas e equipes que serão mobilizadas para a resposta. Um incidente</p><p>inicialmente tipificado como tomada de refém pode ser redefinido para</p><p>“refém/vítima”. Neste último caso há um componente a mais: a</p><p>passionalidade, aflorada de forma mais intensa. Este tipo diferencia-se do</p><p>primeiro, pois neste caso o perpetrador mantém contra a vontade a</p><p>pessoa que na sua percepção é a causa de sua angústia, isso impactará no</p><p>processo de negociação, nas formas de abordagem e no emprego das</p><p>alternativas táticas.</p><p>Confirmada ou retificada a tipologia, o Controlador do Incidente</p><p>potencializa as medidas de proteção e segurança inicialmente realizadas</p><p>pelo Primeiro Interventor. Como o Controlador do Incidente é o</p><p>profissional responsável pela coordenação e controle do policiamento na</p><p>área de eclosão do incidente ele realiza, de acordo com a necessidade, a</p><p>realocação dos recursos disponíveis. Cabe ao Controlador, caso não tenha</p><p>sido feito, acionar as equipes especializadas da Polícia Militar e de outras</p><p>agências. Na sequência das ações, o Controlador prepara os locais para</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>35</p><p>recepção das equipes que chegar e para a montagem do Posto de</p><p>Comando. O Controlador repassará todas as informações coletadas e</p><p>permanecerá em condições de apoio e assessoramento, uma vez que</p><p>dispõe dos recursos locais e conhece a dinâmica territorial.</p><p>Por seu turno, o Gestor do Incidente Crítico, de acordo com a tipologia do</p><p>incidente, seleciona as equipes táticas (que formam a Unidade de</p><p>Intervenção Tática) ou especializadas (Esquadrão Antibombas e Comando</p><p>de Operações em Mananciais e Áreas de Floresta). Nesse processo define</p><p>os recursos necessários e os especialistas capacitados para intervenção.</p><p>Cabe a ele realizar o briefing operacional e deliberar sobre os itinerários</p><p>(principal e secundário) até o local do incidente.</p><p>In loco o Gestor do Incidente Crítico realiza contato com o Controlador do</p><p>Incidente. A natureza do incidente definirá as equipes que serão</p><p>empregadas na sua resolução. Essa seleção é realizada pelo Gestor do</p><p>Incidente Crítico, oficial da Força Especial de Polícia, que conhece em</p><p>profundidade as técnicas, táticas e estratégias necessárias à gestão de</p><p>incidente.</p><p>O Comandante da Cena de Ação, em termos funcionais, deverá ser</p><p>hierarquicamente superior ao Gestor do Incidente Crítico. Caso o policial</p><p>com responsabilidade territorial não tenha esta ascendência funcional</p><p>sobre o Gestor do Incidente Crítico, este tomará as decisões pertinentes</p><p>à resolução do incidente. Em incidentes mais complexos, de acordo com</p><p>as normas em vigor, ocorrerá a montagem do Comitê de Gerenciamento</p><p>de Crises (formado por representantes de diversas agências), sendo o</p><p>Comandante da Cena de Ação o representante da Polícia de Prevenção</p><p>Criminal.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>36</p><p>FASES DO PROCESSO DE GESTÃO DE INCIDENTE CRÍTICO</p><p>Os incidentes críticos no campo da Segurança Pública se caracterizam pela</p><p>surpresa e imprevisibilidade, nas quais vidas correm perigo. Neles,</p><p>sempre estarão presentes elevado nível de stress e de tensão. As</p><p>probabilidades de intervenção com sucesso por parte da polícia são</p><p>limitadas; dessa forma, as respostas das Forças de Segurança devem ser</p><p>criteriosas e realizadas por equipes especialmente treinadas e equipadas</p><p>para esse fim. Os incidentes críticos levam a situações críticas, que</p><p>culminam com a crise. Eles causam grande impacto na população e por</p><p>sua repercussão são acompanhados pela imprensa e exigem</p><p>accountability dos órgãos do Estado à Sociedade.</p><p>De acordo com o Plano Federal de Resposta Nacional dos Estados Unidos</p><p>da América o processo de gestão dos órgãos públicos com vistas à</p><p>resolução de incidentes críticos se caracteriza por englobar medidas que</p><p>visam identificar, adquirir e planejar a utilização dos recursos necessários</p><p>para antecipar, prevenir e/ou resolver uma ameaça específica ou um ato</p><p>de terrorismo (EUA, 2004, p. 64). Os Estados Unidos da América se</p><p>tornaram referência internacional no enfrentamento de situações críticas</p><p>e crises, portanto a metodologia de atuação diante de tais situações foi</p><p>testada em situações reais e obteve bons resultados.</p><p>O processo de atuação dos órgãos de Defesa Social na resolução dos</p><p>incidentes críticos é denominado</p><p>Gestão de Eventos de Defesa Social de</p><p>Alto Risco.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>37</p><p>A gestão do incidente crítico é dividida em seis fases:</p><p>1ª Fase - Pré-Incidental</p><p>2ª Fase - Pronta-Resposta ou Resposta Imediata</p><p>3ª Fase - Coordenação e Controle</p><p>4ª Fase - Planejamento Deliberado</p><p>5ª Fase - Resolução</p><p>6ª Fase - Pós-Incidental</p><p>1ª FASE: PRÉ-INCIDENTAL</p><p>Nessa primeira fase são realizadas ações proativas antes da eclosão</p><p>incidente críticos. São atos preparatórios que englobam a produção de</p><p>protocolos integrados de atuação, memorandos de acordos entre agências,</p><p>planos e treinamentos (capacitação básica e educação continuada) que</p><p>visam capacitar aqueles profissionais que serão acionados no processo de</p><p>resolução do incidente. A capacitação se dá de: forma individual; tática ou</p><p>em grupo; e, estratégica, que envolve todo o sistema. Nessa fase também</p><p>estão presentes as ações de antecipação e de prevenção.</p><p>Na antecipação as ações desenvolvidas pelo aparato estatal são proativas,</p><p>no sentido de identificar as situações que possam se tornar incidentes</p><p>críticos. Após a identificação são adotadas contramedidas para conter,</p><p>controlar ou mesmo neutralizar os processos.</p><p>Na prevenção as ações são mais amplas, com o objetivo de impossibilitar</p><p>a eclosão de situações críticas possíveis, mas não identificadas.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>38</p><p>Geralmente ela atinge uma camada maior da população. Podem ser</p><p>realizadas por meio de orientações, palestras, seminários, abordagem a</p><p>grupos específicos e também por intervenções práticas em determinados</p><p>locais.</p><p>Na fase Pré-Incidental são elaborados os planos de pronto-emprego; de</p><p>pronta-resposta; de contingências e os protocolos operacionais. Neles,</p><p>são observados os preceitos teóricos e principiológicos que nortearão as</p><p>ações dos envolvidos em todas as etapas do processo. Nessa fase serão</p><p>adotadas as seguintes ações:</p><p>- confecção de planos de contingências e de resposta para os</p><p>diversos tipos de incidentes críticos. Neles os papéis das diversas</p><p>agências devem estar definidos: a coordenação e o controle, a</p><p>jurisdição e os aspectos jurídicos envolvidos;</p><p>- elaboração de protocolos de atuação conjunta entre as diversas</p><p>agências que compõe o Sistema de Defesa Social;</p><p>- seleção e treinamento dos policiais que integrarão as Equipes de</p><p>Pronto-Emprego (operacionais aptos a atuar na Pronta-Resposta-</p><p>designação do Gestor de Incidente Crítico e de seu Adjunto.</p><p>- designação dos líderes das Equipes Táticas e definição das</p><p>funções que realizarão quando do emprego na fase de Pronta-</p><p>Resposta.</p><p>- criação e divulgação de protocolos operacionais internos.</p><p>- treinamentos conjuntos das diversas Equipes Táticas.</p><p>- aquisição de equipamentos e armamentos necessários à</p><p>resolução dos diversos tipos de incidentes críticos.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>39</p><p>- identificar e avaliar as potencialidades e as limitações</p><p>operacionais das diversas agências envolvidas no processo de</p><p>gestão.</p><p>TIPOS DE PLANOS</p><p>Existem três tipos de planos que podem ser elaborados: deliberados,</p><p>intempestivos e contingenciais.</p><p>a) Deliberados</p><p>- São usados para condução de todas as operações que possam</p><p>ser previstas e que permitam planejamento detalhado.</p><p>- Os planos deliberados são considerados a melhor linha-de-ação;</p><p>- Eles são os planos-mestre.</p><p>b) Intempestivos</p><p>- Usados para situações espontâneas ou imprevistas.</p><p>- Possibilita resposta organizada à surpresa.</p><p>- Adotados quando tempestividade e resposta rápida são cruciais.</p><p>- São respostas a preocupações imediatas.</p><p>c) Contingenciais</p><p>- Elaborados para modificar Planos Deliberados ou Intempestivos.</p><p>- Focalizam raciocínio sobre problemas previsíveis que possam</p><p>surgir durante a operação.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>40</p><p>- Permite o desvio Operacional mantendo ao mesmo tempo</p><p>continuidade do Plano Deliberado.</p><p>- Protege contra interrupção de operações devido à confusão ou</p><p>mudança rápida da situação.</p><p>COMPONENTES DE UM PLANO</p><p>1) Situação;</p><p>2) Missão;</p><p>3) Execução;</p><p>4) Administração e logística;</p><p>5) Comunicações e Coordenação.</p><p>1) Situação</p><p>- Tipo de Operação.</p><p>- Locais envolvidos (endereços, números, coordenadas</p><p>geográficas).</p><p>- Indivíduos envolvidos (descrição geral).</p><p>- Inteligência disponível.</p><p>2) Missão</p><p>- Visão geral do plano.</p><p>- Identificar precisamente o objetivo a ser alcançado.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>41</p><p>- Listar de maneira geral os recursos humanos e técnicos</p><p>disponíveis.</p><p>3) Execução</p><p>- Como será executada a operação.</p><p>- Descrever precisamente como atingir cada atribuição individual,</p><p>autoridades e responsabilidades.</p><p>- Ordem de Movimentação.</p><p>- Planos de Contingência.</p><p>- Apoio de rotina e de emergência necessário e disponível para a</p><p>operação.</p><p>- Listar as ações alternativas.</p><p>4) Administração e Logística</p><p>- Focaliza aspectos de pessoal, armamento, equipamentos e</p><p>transporte.</p><p>- Fornece orientações para distribuição e administração dos</p><p>recursos (pessoal e logística).</p><p>• Logística: armamento, equipamento, ferramentas, viaturas...</p><p>• Notificações: comandantes, órgãos externos...</p><p>• Processamento de detidos, provas e devolução do local da</p><p>intervenção.</p><p>• Fardamento e equipamento para todo o efetivo empenhado</p><p>na operação.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>42</p><p>5) Comunicações e Coordenação</p><p>- Rádios: frequência primária e secundária.</p><p>- Definição de comunicações.</p><p>- Telefones: números e disponibilidade.</p><p>- Sinais: visuais, manuais e com braços.</p><p>- Sinal e autoridade para abortar/adotar solução alternativa.</p><p>- Definição de Comando e Controle.</p><p>- Ordem de movimentação.</p><p>- Transporte e determinação de viaturas.</p><p>- Sequência temporal (partida da base, Área Tática de Espera,</p><p>Centro de Operações Táticas...).</p><p>- Ensaio/Inspeção: local e horário.</p><p>- Atribuições das equipes de perímetro.</p><p>- Processamento dos feridos: hospitais, equipes médicas de</p><p>emergência, outras orientações especiais.</p><p>- Reunião final e crítica (antes da saída da base).</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>43</p><p>2ª FASE: PRONTA-RESPOSTA (RESPOSTA IMEDIATA)</p><p>A Pronta-Resposta ou Resposta Imediata (Immediate Response) – sendo</p><p>esta a nomeclatura utilizada pelo Grupo de Resposta a Incidentes Críticos</p><p>do FBI (Critical Incident Response Group - Federal Bureau of Investigation)</p><p>- é a segunda fase no processo de gestão de eventos de defesa social de</p><p>alto risco.</p><p>Na Pronta-Resposta ocorre a confrontação dos órgãos de Defesa Social</p><p>com a situação crítica. De acordo com o Federal Bureau of Investigation a</p><p>reação consiste em se dirigir até o local do incidente crítico e providenciar</p><p>para que a ação dos perpetradores seja contida; o ponto crítico isolado e</p><p>a negociação seja estabelecida.</p><p>AÇÕES DE PRONTA-RESPOSTA</p><p>1º) contato imediato com o Primeiro Interventor e Controlador de</p><p>Incidente para verificar a correta implementação das Medidas de</p><p>Proteção e Segurança e adoção dos procedimentos iniciais: isolar, conter,</p><p>estabilizar, acionar reforços e iniciar a verbalização de forma segura. O</p><p>isolamento do ponto crítico engloba a implementação dos perímetros</p><p>táticos, a interrupção ou bloqueio das comunicações telefônicas, da</p><p>energia elétrica e do fornecimento de água;</p><p>2º) definição do Gestor de Incidente Crítico (autoridade técnica</p><p>responsável pelas Equipes Táticas) e de Comandante da Cena de Ação</p><p>(On-scene Commander) que é a autoridade de linha, funcional e</p><p>hierarquicamente superior à autoridade técnica, sendo o responsável</p><p>pela emissão de ordens e pela tomada de decisão;</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>44</p><p>3º) acionamento do Plano de Pronto-Emprego - comunicação e</p><p>reunião imediata de todos os policiais capacitados para atuarem na</p><p>Pronta-Resposta ao incidente crítico;</p><p>4º) ativação do Plano de Pronta-Resposta de acordo com o Quadro</p><p>de Emprego Operacional;</p><p>5º) verificar as sequências das ações das operações, tendo como</p><p>foco: situação,</p><p>missão, execução, administração, coordenação e controle;</p><p>6º) mobilizar os especialistas para avaliarem o incidente crítico.</p><p>Nesse momento os líderes das equipes táticas realizarão:</p><p>- avaliações das vulnerabilidades e do tipo de incidente;</p><p>- inspeção do local (ponto crítico e entorno);</p><p>- identificação de necessidades especiais;</p><p>- seleção e preparação da logística apropriada;</p><p>- ensaios das equipes táticas;</p><p>- organização dos locais para o Posto de Comando e o Centro de</p><p>Operações Táticas;</p><p>- verificação dos requisitos para coordenação e controle;</p><p>- assuntos de interesse para as diversas agências envolvidas na</p><p>resolução do incidente crítico.</p><p>7º) estabelecimento das comunicações com o local da situação</p><p>crítica, com as Unidades policiais localizadas no espaço físico do incidente</p><p>e outras agências, tais como Corpo de Bombeiros e Serviço de</p><p>Atendimento Médico de Urgência;</p><p>8º) conferência dos perímetros interno e externo, com foco na proteção</p><p>das pessoas, das instalações e da segurança do Posto de Comando;</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>45</p><p>9º) montagem do Centro de Operações Táticas</p><p>- Ordem de Aviso/Ordem de Operações;</p><p>- Elaboração do Plano de Assalto de Emergência e do Plano de</p><p>Assalto Deliberado.</p><p>- Centro de Operações de Negociação (informe detalhado com</p><p>recomendações).</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>46</p><p>10º) análise e aprovação do Plano de Assalto de Emergência;</p><p>11º) processo de delegação da responsabilidade e da autoridade:</p><p>coleta inicial de dados, investigação, coordenação de Inteligência e líderes</p><p>de equipes;</p><p>12º) comunicação de maneira clara e objetiva da estratégia operativa</p><p>e das expectativas;</p><p>13º) designar um policial para manter contato com a imprensa,</p><p>fornecendo boletins periódicos.</p><p>METODOLOGIA DE EMPREGO OPERACIONAL</p><p>As equipes táticas da Força Especial de Polícia seguirão a seguinte</p><p>metodologia de emprego operacional:</p><p>1) alerta, acionamento do Plano de Pronto-Emprego e</p><p>mobilização dos integrantes das equipes táticas;</p><p>2) elaboração e missão da Ordem Preparatória pelo Comandante</p><p>da Força Especial de Polícia;</p><p>3) briefing aos responsáveis pelo cumprimento da missão com a</p><p>leitura da Ordem Preparatória;</p><p>4) seleção e preparação dos equipamentos (individuais e</p><p>coletivos), armamentos e viaturas;</p><p>5) disponibilização e instalação de equipamentos avançados</p><p>(aqueles que serão de uso coletivo, necessário às operações que</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>47</p><p>deverão ser conduzidos em veículos especiais: holofotes, gruas...) ou</p><p>mobilizados no local;</p><p>6) identificação e definição da localização da Área Tática de</p><p>Espera (poderá ser feito inicialmente pelo Controlador do Incidente</p><p>e ratificado por uma célula precursora composta por integrantes do</p><p>Time de Gerenciamento de Crises e do Esquadrão Antibombas, tendo</p><p>em vista aspectos técnicos e de segurança do efetivo a ser</p><p>empregado na resolução do incidente crítico);</p><p>7) transferência ou deslocamento do efetivo da Força Especial de</p><p>Polícia para a Área Tática de Espera.</p><p>8) organização da Célula Tática do Time Tático para assalto de</p><p>emergência;</p><p>9) distribuição das tarefas de reconhecimento aos líderes das</p><p>equipes táticas, de acordo com suas especialidades;</p><p>10) elaboração e emissão da Ordem de Operações para a Equipe</p><p>de Snipers;</p><p>11) instalação dos Snipers e Spotters;</p><p>12) orientações ao Controlador do Incidente e seu staff;</p><p>13) apresentação das demandas em termos de coleta de dados,</p><p>de produção de conhecimento às equipes de Inteligência;</p><p>14) sistematização e análise dos dados, informações e Inteligência</p><p>produzida;</p><p>15) emissão da Ordem de Operações;</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>48</p><p>16) instalação das células do Time Tático para assalto deliberado;</p><p>17) emprego de alternativas táticas de acordo com protocolos de</p><p>atuação;</p><p>18) Entrada Tática (assault) para resgate de reféns;</p><p>19) desocupação do ambiente dominado e entrega dos</p><p>perpetradores aos policiais do setor para condução;</p><p>encaminhamento dos reféns para atendimento médico e isolamento</p><p>da cena de ação para perícia;</p><p>20) elaboração do Relatório Final do Gestor do Incidente Crítico</p><p>ao Comandante da Cena de Ação para subsidiar entrevistas e</p><p>esclarecimentos;</p><p>21) retorno à base da Força Especial de Polícia;</p><p>22) debriefing e análise pós emprego;</p><p>23) confecção do Protocolo de Intervenção;</p><p>24) elaboração de Estudo de Caso e arquivamento.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>49</p><p>3ª FASE: COORDENAÇÃO E CONTROLE</p><p>ORDEM PREPARATÓRIA</p><p>Será elaborada pelo Setor Operacional da Força Especial de Polícia,</p><p>registrada formalmente com número sequencial, imprensa e assinada</p><p>pelo comandante da Unidade. Todas as ações para a sua elaboração serão</p><p>céleres em virtude da urgência das respostas exigidas. Nela constarão as</p><p>referências e a origem motivadora para sua elaboração com a definição</p><p>do grupo data/hora. Será lida aos participantes da operação, que foram</p><p>comunicados pelo Plano de Pronto-Emprego. Ela compreenderá os</p><p>seguintes elementos:</p><p>a) situação;</p><p>b) missão;</p><p>c) instruções gerais;</p><p>d) instruções específicas.</p><p>PREPARAÇÃO DOS RECURSOS</p><p>A seleção dos recursos é realizada de acordo com a qualificação técnica e</p><p>com a situação crítica que se apresenta. Nesse momento são designados</p><p>os líderes ad hoc de células táticas e são estruturadas as equipes de</p><p>acordo com os recursos mobilizados. São alocados os equipamentos e</p><p>armamentos especiais - realizar check-in funcional. Nesse momento será</p><p>designado o tempo para preparação e para partida dos homens</p><p>mobilizados.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>50</p><p>IMPLEMENTAÇÃO DA EQUIPE AVANÇADA</p><p>A Equipe Avançada será enviada tendo em vista a necessidade de</p><p>organização da Cena de Ação, a montagem da Área Tática de Espera, do</p><p>Posto de Comando, do Centro de Operações Táticas e a realização de</p><p>vistorias para tornar o local seguro. A equipe adotará as seguintes ações:</p><p>a) deslocará da base da Força Especial de Polícia para o local do</p><p>incidente crítico;</p><p>b) fará contato com o Primeiro Interventor e o Controlador do</p><p>Incidente.</p><p>c) realizará o reconhecimento dos perímetros;</p><p>d) identificará e preparará a Área Tática de Espera;</p><p>e) comunicará ao Gestor do Incidente Crítico sobre a localização</p><p>da Área Tática de Espera para que autorize o deslocamento das</p><p>Equipes Táticas.</p><p> Local da Área Tática de Espera</p><p>Será localizada no perímetro externo. Possuirá um espaço que comporte</p><p>os diversos setores da gerência do incidente crítico. Possuirá uma área</p><p>para a realização de ensaios (Time Tático e arrombadores).</p><p> Organização das células de entrada tática</p><p>Após ter sido designado os líderes de cada célula tática pelo Comandante</p><p>do Time Tático, o Gestor do Incidente Crítico adotará as seguintes ações:</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>51</p><p>a) na Área Tática de Espera definirá a célula de assalto de</p><p>emergência;</p><p>b) realizará a leitura da Ordem de Operações de Emergência;</p><p>c) identificará os veículos para deslocamentos de emergência.</p><p> Reconhecimento do local do incidente pelos líderes das Equipes</p><p>Táticas</p><p>As ações de reconhecimento tem por objetivo proporcionar:</p><p>a) identificação dos locais para a instalação dos snipers e spotters;</p><p>b) reconhecimento do objetivo pelos líderes das Equipes Táticas;</p><p>c) verificação do perímetro interno e reajuste, após análise</p><p>técnica;</p><p>d) identificação do melhor local para a instalação do Posto de</p><p>Comando;</p><p>e) delimitação do perímetro externo;</p><p>f) coleta da informação detalhada sobre os perpetradores, reféns</p><p>e objetivos;</p><p>g) atualização das informações para a elaboração da Ordem</p><p>Operacional.</p><p> Elaboração da Ordem de Operações para Snipers</p><p>Será elaborada pelo Comandante da Equipe de Snipers e será chancelada</p><p>pelo Gestor do Incidente Crítico. Ela compreenderá os seguintes</p><p>elementos:</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>52</p><p>a) situação;</p><p>b) missão;</p><p>c) instruções gerais;</p><p>d) instruções</p><p>específicas.</p><p> Instalação dos Snipers e Spotters</p><p>Após a leitura da Ordem de Operações para Snipers os especialistas</p><p>deverão estar atentos para os seguintes pontos:</p><p>a) deslocamento para os postos de observação e tiro, sua</p><p>cobertura deve ser de 360 graus;</p><p>b) designar um canal de comunicações específico para os</p><p>snipers/spotters;</p><p>c) a comunicação com as demais equipes táticas permanecerá no</p><p>canal previamente definido;</p><p>d) retransmitir as informações de Inteligência;</p><p>e) estar em condições para efetuar o disparo de acordo com os</p><p>protocolos;</p><p>f) enviar continuamente as informações de Inteligência a Área</p><p>Tática de Espera e ao Posto de Comando.</p><p> Comunicação com os perímetros</p><p>O Gestor do Incidente Crítico deverá:</p><p>a) designar um homem-de-ligação entre os perímetros;</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>53</p><p>b) determinar a utilização de um canal para a comunicação</p><p>operacional entre as Equipes Táticas, o Gestor do Incidente Crítico e</p><p>o Comandante da Cena de Ação;</p><p>c) o homem-de-ligação manterá informados a Área Tática de</p><p>Espera e o Posto de Comando sobre qualquer movimentação;</p><p>d) determinar a reserva de uma área para a imprensa fora do</p><p>perímetro externo e mantê-los informados.</p><p>ATRIBUIÇÃO DE TAREFAS PARA A EQUIPE DE INTELIGÊNCIA</p><p>A Inteligência (Intelligence) se refere a tudo o que seja necessário</p><p>conhecer antes de iniciar um curso de ação. Os dados são selecionados,</p><p>avaliados, interpretados e expressos de forma tal que evidencie sua</p><p>importância para tomada de decisão. A reunião da Inteligência adequada</p><p>proporcionará a montagem e atualização da Ordem de Operações.</p><p>A Equipe de Inteligência fornecerá:</p><p>a) informação detalhada da Cena de Ação de do Ponto Crítico;</p><p>b) informação dos perpetradores do Incidente Crítico e dos</p><p>reféns;</p><p>c) informação da estrutura física do alvo;</p><p>d) estará atenta para que ocorra o fluxo de informações.</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>54</p><p>Emissão da Ordem de Operações e check-in operacional</p><p>Com a disponibilização da Inteligência necessária será confeccionada a</p><p>Ordem de Operações. Ela será lida pelo Gestor do Incidente Crítico aos</p><p>envolvidos na resolução do incidente crítico.</p><p>Serão realizados os ensaios pelas células táticas e pelos arrombadores,</p><p>com a deliberação das técnicas de entradas táticas e dos tipos de meios</p><p>para dar acesso ao ambiente em caso de necessidade (meios mecânicos,</p><p>hidráulicos ou explosivos); verificação das células táticas, do sistema de</p><p>comunicações e da logística.</p><p>Instalação das células táticas</p><p>As células adotarão a seguinte metodologia:</p><p>a) inspeção final: armas, rádios comunicadores, equipamentos,</p><p>granadas, arríete;</p><p>b) saída da Área Tática de Espera;</p><p>c) movimentação até o Último Local Coberto;</p><p>d) deslocamento para a Posição Final de assalto.</p><p>Implementadas as ações da fase de Pronta-Resposta inicia-se a fase de</p><p>Planejamento Deliberado.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>55</p><p>4ª FASE: PLANEJAMENTO DELIBERADO</p><p>AÇÕES INICIAIS PARA O PLANEJAMENTO</p><p>Uma vez adotadas as medidas de</p><p>Pronta-Resposta, inicia-se o</p><p>Planejamento Deliberado que é</p><p>realizado mediante análise e discussão</p><p>técnica em virtude da contingência</p><p>apresentada. Esse planejamento não se</p><p>confunde com os planos elaborados na</p><p>fase Pré-Incidental.</p><p>No Planejamento Deliberado são realizadas as seguintes ações:</p><p>a) iniciar e manter atualizada a Ata do Comandante da Cena de</p><p>Ação;</p><p>b) formulação da estratégia operacional;</p><p>c) Plano de Intervenção Imediata;</p><p>d) necessidades logísticas a longo prazo;</p><p>e) manejo das informações e da situação crítica;</p><p>f) identificação das necessidades e acionamento de experts;</p><p>g) Plano de relacionamento com a imprensa;</p><p>h) sessões informativas sobre Inteligência;</p><p>i) estabelecimento de enfoque integrado;</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>56</p><p>j) emprego de especialistas de outros órgãos em nível estadual,</p><p>nacional e mesmo internacional;</p><p>k) manter sempre informados os envolvidos no processo de</p><p>resolução, por intermédio de reuniões regulares;</p><p>l) definição das funções com base em critérios técnicos, e</p><p>exigência de disciplina e responsabilidade dos envolvidos;</p><p>m) monitoramento das informações prestadas por outras</p><p>agências;</p><p>n) emprego imediato dos Negociadores na Contenção Verbal e</p><p>numa resposta tática coordenada;</p><p>o) as informações devem estar documentadas:</p><p>- arquivo histórico;</p><p>- é mais exato do que a memória;</p><p>- é a base requerida pelo testemunho (fase policial e</p><p>processual).</p><p>ELEMENTOS ESSENCIAIS DE INFORMAÇÃO</p><p>O planejamento das ações na cena de ação depende de informações</p><p>precisas sobre as instalações, as vítimas e os perpetradores. Assim, é</p><p>necessário levantar os seguintes dados:</p><p>Instalações físicas onde se encontra o ponto crítico:</p><p>a) planta baixa da edificação;</p><p>b) localização do imóvel no bairro e cidade;</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>57</p><p>c) vias de acesso;</p><p>d) vias de escape alternativas/secretas;</p><p>e) tipo de parede: alvenaria, tijolo, concreto...;</p><p>f) as instalações possuem sensores, alarmes...;</p><p>g) plantas das redes hidráulica, elétrica e de esgoto;</p><p>h) estrutura das portas e janelas;</p><p>i) formas de acesso: escada, elevadores, saídas de emergência;</p><p>j) pontos para serem tomados;</p><p>k) grau de refração da luz nos vidros das portas e janelas.</p><p>Vítimas:</p><p>a) quantos são?</p><p>b) idade, sexo.</p><p>c) algum está ferido?</p><p>d) localização no interior das instalações.</p><p>e) possui alguma alergia? Faz uso de algum remédio? Há efeitos</p><p>colaterais pelo uso ou falta?</p><p>f) é autoridade ou possui relevância social?</p><p>g) qual roupa está usando?</p><p>h) possui cicatrizes/marcas?</p><p>i) estado emocional aparente.</p><p>j) há indicativos de Síndrome de Estocolmo?</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>58</p><p>Perpetradores do incidente crítico:</p><p>a) Quantos são?</p><p>b) Qual (is) o (s) nome(s)? idade (s)?</p><p>c) Qual o perfil, dentro da tipologia de suas ações?</p><p>d) Está armado? Qual a arma? E o calibre?</p><p>e) Está ferido?</p><p>f) Qual o estado mental.</p><p>g) Possui habilidade especial?</p><p>h) Possui cursos na área policial ou na de segurança privada?</p><p>i) É ex-agente de Forças Policiais/Armadas?</p><p>j) Possui comida, água e víveres?</p><p>k) Possui prontuário?</p><p>l) Possui família? Pai, mãe, esposa, filhos?</p><p>m) Qual o motivo que o levou a cometer o delito?</p><p>n) Faz/fez uso de algum remédio/droga?</p><p>o) Está de posse de munição, explosivo, material tóxico, agente</p><p>biológico?</p><p>p) Possui marcas/cicatrizes?</p><p>Ao mesmo tempo em que as equipes táticas (Negociação e Snipers) são</p><p>elementos de coleta de informações também necessitam de informações</p><p>para subsidiarem o Gestor do Incidente Crítico na definição das linhas de</p><p>ação e mesmo na redefinição das estratégias. Assim sendo, o trabalho de</p><p>Inteligência nesses incidentes são de extrema importância.</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>59</p><p>Algumas perguntas devem ser respondidas no processo de coleta de</p><p>dados para a construção de conhecimentos que servirão para a</p><p>elaboração do Planejamento Deliberado:</p><p>a) O que aconteceu?</p><p>b) Quem estava envolvido?</p><p>c) Que sabemos?</p><p>d) Que não sabemos?</p><p>e) Que precisamos saber?</p><p>f) Que podemos fazer?</p><p>g) A quem conhecemos?</p><p>LEVANTAMENTO PRELIMINAR DAS INFORMAÇÕES</p><p>Negociação & Gerenciamento de Crises</p><p>60</p><p>IMPACTO SOCIAL DA SITUAÇÃO CRÍTICA</p><p>A Inteligência permitirá identificar quem estava (está) envolvido na</p><p>Situação Crítica: cidadãos, criminosos, terroristas; indivíduo ou grupo.</p><p>DINÂMICA DE FORMAÇÃO DO GRUPO (SIMÉTRICO OU ASSIMÉTRICO)</p><p>Francis Albert Cotta</p><p>61</p><p>5ª FASE: RESOLUÇÃO</p><p>ALTERNATIVAS TÁTICAS</p><p>Nesta fase ocorre a aplicação das alternativas táticas (negociação,</p><p>tecnologia não-letal, tiro de precisão e entrada tática) com os objetivos</p><p>de: reduzir lesões ou danos adicionais; assegurar a segurança das pessoas;</p><p>capturar os perpetradores dos incidentes críticos, aderir-se às normas</p><p>jurídicas e éticas.</p><p>O Gestor do Incidente</p>