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<p>Esvaziamento do Endodonto: Pulpectomia, Penetração Desinfetante</p><p>Pulpectomia</p><p>A pulpectomia é o tratamento radical da polpa</p><p>dentária, consistindo da incisão e exérese do tecido</p><p>pulpar vital, podendo este apresentar quadro de</p><p>alteração inflamatória ou não.</p><p>Polpa dentária de pré-molar inferior</p><p>Quando Realizar a</p><p>Pulpectomia</p><p>A pulpectomia consiste de manobras cirúrgicas que visam amputar a</p><p>polpa dentária, sem este tecido, o dente perde toda a sua capacidade</p><p>em transmitir estímulos térmicos e mecânicos, preservando apenas sua</p><p>capacidade proprioceptiva oriunda do periodonto. Portanto, é preciso</p><p>conhecimento e critério para se indicar, com segurança a realização</p><p>deste procedimento.</p><p>Alterações Inflamatórias Pulpares</p><p>Quando o tecido pulpar apresentar sinais e sintomas característicos de</p><p>irreversibilidade inflamatória (dor espontânea lancinante, aumento da dor</p><p>com estímulos quentes e alívio com estímulos frios), ou fase de transição</p><p>onde os sinais e sintomas de irreversibilidade se confundem com os de</p><p>reversibilidade, em pacientes já adultos, opta-se pela total remoção da</p><p>polpa, haja vistas que nenhum outro recurso considerado mais conservador</p><p>apresentará prognóstico favorável à manutenção da saúde pulpar e</p><p>periapical.</p><p>Exposição Pulpar</p><p>Pode ocorrer, durante o preparo cavitário, remoção de dentina cariada ou por processos patológicos, a</p><p>exposição de tecido pulpar ao meio bucal. Mesmo sendo mínima, esta exposição pode acarretar na</p><p>contaminação da polpa por microorganismos patogênicos, os quais comprometeriam a saúde tecidual.</p><p>Nestes casos, portanto, a pulpectomia é o tratamento de escolha.</p><p>Aspecto clínico do dente 24, com</p><p>dor provocada quando mastiga e</p><p>com variações térmicas: quente e</p><p>frio</p><p>Aspecto radiográfico do dente 24 Após remoção da cárie e</p><p>restauração, houve exposição</p><p>pulpar dos cornos vestibular e</p><p>palatino. Obs.: este procedimento</p><p>deveria ser feito com isolamento</p><p>absoluto</p><p>Preparos Protéticos</p><p>Para conseguir-se obter retenção e estabilidade da prótese necessita-se remover quantidade significativa</p><p>de dentina. Devido aos estímulos térmicos gerados pelo atrito da broca contra o dente, instala-se uma</p><p>reação de inflamação pulpar cuja reversibilidade depende de múltiplos fatores, tais como, idade do</p><p>paciente, estado da saúde pulpar no momento do preparo, espessura de dentina remanescente,</p><p>intensidade dos estímulos. Todos estes fatores devem ser observados para traçar-se o prognóstico da</p><p>saúde pulpar e optar pela realização ou não do tratamento endodôntico previamente ao preparo cavitário.</p><p>Aspecto clínico do dente 11 e 21. Com</p><p>relação ao dente 11, encontra-se com a</p><p>polpa sã, apenas indicou-se a</p><p>pulpectomia por razões da reabilitação</p><p>protética</p><p>Aspecto clínico do dente 11 e 21, o</p><p>paciente não relata nenhum sinal e</p><p>sintoma com relação à dor</p><p>Aspecto radiográfico</p><p>do dente 11 e 21</p><p>Dente 11, pulpectomia por razões</p><p>protéticas e cirurgia de acesso atípica,</p><p>pela incisal, devido planejamento</p><p>protético - retentor de PPF</p><p>Aspecto radiográfico</p><p>do dente 11 e 21,</p><p>após tratamento no</p><p>11 e retratamento</p><p>endodôntico no 21 e</p><p>instalação dos</p><p>retentores intra-</p><p>radiculares</p><p>Aspecto clínico após reabilitação protética</p><p>Doença Periodontal</p><p>Por vezes, a doença periodontal</p><p>pode se estender de forma a</p><p>comprometer o endodonto.de</p><p>modo que este passe a ser mais</p><p>um agente causal da afecção</p><p>periodontal. Nestes casos, a cura</p><p>da lesão periodontal, não</p><p>dispensando a terapêutica própria,</p><p>requer, também a remoção da</p><p>polpa viva, justificando a prática</p><p>da pulpectomia.</p><p>Normalmente, a doença</p><p>periodontal compromete a saúde</p><p>pulpar quando acomete o feixe</p><p>vásculo nervoso principal ou</p><p>forame, como no caso clínico ao</p><p>lado, levando à inflamação pulpar</p><p>generalizada e mortificação do</p><p>elemento 11, o qual já não</p><p>responde aos testes de</p><p>sensibilidade pulpar térmicos.</p><p>Aspecto clínico do dente 11, portador de</p><p>doença periodontal localizada</p><p>Aspecto radiográfico</p><p>do dente 11</p><p>Dente 11 e 12 acometidos por doença</p><p>periodontal localizada, porém sem</p><p>comprometer o feixe vásculo nervoso</p><p>principal, talvez canal lateral nas imediações</p><p>do terço cervical radicular, envolvendo a</p><p>saúde pulpar</p><p>Aspecto radiográfico</p><p>do dente 11 e 12</p><p>Aspecto radiográfico após</p><p>tratamento endodôntico do 11 e o</p><p>dente 22 mantém saúde pulpar</p><p>normal após intervenção</p><p>periodontal, segundo testes de</p><p>sensibilidade pulpar</p><p>Trauma</p><p>Trauma dentário é um assunto cuja complexidade</p><p>necessita de um capítulo à parte para melhor ser</p><p>compreendido. Na figura ao lado podemos observar o</p><p>dente 11 acometido por trauma, com exposição pulpar e</p><p>rizogênese completa com fechamento apical, no qual</p><p>estaria indicado a pulpectomia. No caso da rizogênese</p><p>estar incompleta, a pulpotomia estaria indicada.</p><p>Aspecto radiográfico do dente 11</p><p>Dente 11 após remoção do teto da</p><p>câmara pulpar parcialmente exposta por</p><p>meio do trauma</p><p>Aspecto radiográfico</p><p>do dente 11</p><p>Realização da pulpectomia</p><p>A pulpectomia por esmagamento é realizada em canais atrésicos e/ou curvos. Nesta modalidade de</p><p>pulpectomia, a polpa é removida durante o preparo químico-cirúrgico.</p><p>A pulpectomia propriamente dita é realizada em canais amplos retos ou com curvatura leve. Nesta</p><p>modalidade, objetiva-se incisar a polpa no comprimento de trabalho e removê-la por inteiro, como será</p><p>explicado a seguir:</p><p>Modus faciendi</p><p>A-) Anestesia, isolamento absoluto e antissepsia do campo operatório.</p><p>B-) Cirurgia de acesso coronário (C.A.) - a correta abertura coronária do</p><p>dente possibilita que o instrumento toque todas as paredes do conduto.</p><p>C-) Farta irrigação e aspiração da câmara pulpar (cânula fina e grossa,</p><p>respectivamente) com hipoclorito de sódio (NaOCl) a 1,0%, a fim de</p><p>impedir a contaminação da polpa por microorganismos.</p><p>C. A. Irrig/Asp</p><p>D-) Corte e remoção do tecido pulpar coronário com curetas de pescoço longo afiadas estéreis, seguida</p><p>de nova irrigação com hipoclorito de sódio.</p><p>Curetas de pescoço longo Pulpotomia: corte da polpa coronária Polpa coronária</p><p>E-) Exploração do conduto com instrumento tipo K pré-curvado de fino calibre. Durante esta manobra,</p><p>ladeia-se a polpa com o instrumento com o intuito de descolá-la ou desinseri-la das paredes do canal</p><p>radicular.</p><p>F-) Preparo de entrada do canal radicular. Proceder com farta irrigação de hipoclorito de sódio a 1,0%.</p><p>Repetir o embrocamento do campo operatório.</p><p>G-) Cálculo do X. Levar o instrumento de fino calibre pré-curvado até o CRI, descolando a polpa das</p><p>paredes do conduto. Proceder com a tomada radiográfica excêntrica, a fim de se obter a distância da</p><p>ponta do instrumento ao vértice radiográfico da raiz (X).</p><p>H-) Cálculo do comprimento real de trabalho (CRT). Lembrar que objetiva-se trabalhar dentro do canal</p><p>dentinário preservando o remanescente pulpar, ou seja, o CRT deverá estar contido entre 1,0mm e</p><p>1,5mm aquém do vértice radiográfico, segundo as considerações anatômicas e biológicas ligadas à</p><p>reparação.</p><p>I-) Confirmação do CRT. Introduzir um instrumento tipo K até o comprimento de trabalho obtido</p><p>anteriormente, tomando-se o cuidado de não enovelar a polpa, e realizar nova radiografia para confirmar</p><p>a posição da ponta do instrumento.</p><p>J-) Corte da polpa. Calibrar uma lima Hedstroen compatível com o diâmetro do canal no CRT. Introduzir</p><p>este instrumento até o comprimento de trabalho em seguida, aplicar pressão lateral de uma parede à</p><p>outra do conduto, com o intuito de descolar a polpa e prendê-la ao instrumento.</p><p>K-) Remoção da polpa. Ladeia-se a polpa com o instrumento Hedstroen pressionando o instrumento de</p><p>uma parede à outra do conduto, a fim de remover o tecido excisado com a lima.</p><p>Irrig/Asp</p><p>NaOCl</p><p>Descolament</p><p>o pulpar até</p><p>CRT</p><p>Hedstroen com</p><p>pressão lateral de</p><p>Cuidado p/</p><p>não</p><p>Lima Hedstroen com pressão lateral de uma</p><p>parede à outra do conduto</p><p>uma parede à outra</p><p>do conduto</p><p>enovelar a</p><p>polpa</p><p>Lima Tipo Hedstroen com a polpa</p><p>excisada</p><p>Polpa radicular Irrigação/Aspira</p><p>ção</p><p>Pulpecto</p><p>mia</p><p>concluida</p><p>Após a conclusão da pulpectomia e em função do tempo despendido podemos utilizar MIC com NDP e</p><p>selamento provisório. Sempre que possível, concluir o PQC e utilizar também o NDP como MIC.</p><p>No acaso de haver descontrole do limite de trabalho (CRT) além do desejado ou quando enovelamos a</p><p>polpa, normalmente podemos nos deparar com pós operatórios indesejáveis.</p><p>Penetração Desinfetante</p><p>O tratamento das periodontites</p><p>apicais corresponde à maior parte</p><p>dos procedimentos endodônticos</p><p>sendo, portanto, indispensável a</p><p>habilidade do cirurgião dentista</p><p>em lidar com estas patologias. O</p><p>problema do tratamento de dentes</p><p>despolpados com ou sem lesão</p><p>apical condiciona-se a dois</p><p>fatores: o biológico e o</p><p>bacteriológico. A penetração</p><p>desinfetante visa neutralizar e/ou</p><p>remover o conteúdo necrótico,</p><p>microorganismos, substratos e</p><p>produtos bacterianos encontrados</p><p>no interior do canal radicular</p><p>(fatores bacteriológicos), sem</p><p>levar estes componentes à porção</p><p>apical ou, eventualmente, à região</p><p>periapical (fator biológico).</p><p>Lesões cariosas extensas, segundo testes de</p><p>sensibilidade pulpar, apenas o 11 mantém-se</p><p>com vitalidade</p><p>Aspecto radiográfico</p><p>exibindo rarefações</p><p>ósseas periapicais</p><p>Modus faciendi</p><p>A-) Anestesia, isolamento absoluto e antissepsia do campo operatório.</p><p>B-) Cirurgia de acesso coronário - a correta abertura coronária do dente possibilita que o instrumento</p><p>toque todas as paredes do conduto.</p><p>C-) Preenchimento da câmara pulpar com hipoclorito de sódio a 1,0%.</p><p>D-) Introduzir um instrumento tipo K de fino calibre até cerca de 2,0mm além da entrada do canal, com</p><p>suaves movimentos de vaivém, agitando a solução até se perceber o seu turvamento.</p><p>E-) Remover o instrumento, irrigar com hipoclorito de sódio e aspirar.</p><p>F-) Preencher novamente a câmara pulpar com hipoclorito de sódio e introduzir o instrumento até 2,0mm</p><p>além do limite anterior. Realizar movimento de vaivém, agitando a solução até o seu turvamento, remover</p><p>o instrumento, irrigar com hipoclorito de sódio e aspirar. Repetir esta manobra até alcançar as</p><p>proximidade do CRI.</p><p>G-) Preparo de entrada dos canais radiculares com brocas de Largo e Gates-Glidden, procedido por farta</p><p>irrigação com hipoclorito de sódio.</p><p>Cirurgia de</p><p>acesso</p><p>Irrigação /</p><p>Aspiração com NaOCl</p><p>Limas Tipo K de fino</p><p>calibre</p><p>Câmara pulpar</p><p>preenchida com NaOCl e</p><p>lima de fino calibre,</p><p>agitando mm a mm</p><p>Preparo</p><p>cervical e</p><p>Irrigação /</p><p>Aspiração</p><p>NaOCl</p><p>H-) Cálculo do X. Continuar com a manobra de penetração desinfetante até o CRI. Realizar a radiografia</p><p>excêntrica, a fim de se obter a distância da ponta do instrumento ao vértice radiográfico da raiz (X).</p><p>I-) Cálculo do comprimento real de trabalho (CRT). Lembrar que objetiva-se trabalhar dentro do canal</p><p>dentinário em toda a sua extensão, ou seja, o CRT deverá estar contido entre 0,5mm e 1,0mm aquém do</p><p>vértice radiográfico, segundo as considerações anatômicas e patológicas ligadas à reparação.</p><p>J-) Confirmação da odontometria. Continuar com a manobra de penetração desinfetante até o CRT</p><p>calculado. Realizar a radiografia excêntrica, com o intuito de confirmar a localização da ponta do</p><p>instrumento no interior do canal.</p><p>Penetração</p><p>desinfetante mm</p><p>a mm</p><p>Irrigação /</p><p>Aspiração com</p><p>NaOCl</p><p>Penetração</p><p>desinfetante</p><p>até CRI</p><p>Irrigação /</p><p>Aspiração com</p><p>NaOCl</p><p>Penetração</p><p>desinfetante até</p><p>CRT</p><p>Conteúdo</p><p>tóxico</p><p>necrótico</p><p>neutralizado</p><p>no interior do</p><p>canal</p><p>Após a conclusão da penetração desinfetante e em função do tempo despendido podemos utilizar MIC</p><p>com PRP e selamento provisório. Sempre que possível, concluir o PQC e utilizar Hidróxido de Cálcio</p><p>como MIC.</p><p>No acaso de haver descontrole do limite de trabalho (CRT) além do desejado, normalmente podemos nos</p><p>deparar com pós operatórios indesejáveis ou até mesmo, quando levamos o conteúdo tóxico necrótico</p><p>para as imediações do periápice.</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>PAIVA, J. G. & ANTONIAZZI, J. H. Endodontia: Bases para a prática clínica. 2ª. ed. São Paulo. Ed.</p><p>Artes Médicas. 1991. 886p.</p><p>https://www.endo-e.com/images/Esvaziamento/esvaziamento.htm acesso em 15/02/2023</p><p>https://www.endo-e.com/images/Esvaziamento/esvaziamento.htm%20%20%20%20%20%20acesso%20em%2015/02/2023</p>