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<p>ESTUDO DE CASO – TDAH</p><p>Paciente J.L.P.A, sexo feminino, 32 anos, natural de Balsas- MA, casada, católica, ensino superior completo, mora com o esposo, sem filhos.</p><p>Paciente relata que os pais sempre falaram que sua gestação não foi planejada, a gravidez aconteceu enquanto eles ainda namoravam e o casamento teve que ser realizado as pressas. Todo o período gestacional ocorreu de forma tranquila e sem intercorrências. Quando a paciente tinha apenas três meses de vida, sua família mudou-se de cidade, e no novo lar seus pais não tinham rede de apoio, sua mãe se desdobrava para cuidar da casa e da filha, enquanto seu pai trabalhava de madrugada. Segundo relatos de sua mãe, a paciente foi um bebê que não dormia a noite e passava as madrugadas chorando, em um momento de grande estresse, sua mãe por contra própria deu remédio para fazer a filha dormir (Ritalina), mas depois ficou com medo e suspendeu essa prática.</p><p>Relata que teve um desenvolvimento considerado normal até os três anos de idade, porém a partir dos quatro anos, ela começou a demonstrar mudanças que foram observadas por seus pais e por pessoas que convivam com ela. Constantemente era chamada de levada, e considerada muito agitada para sua idade, tinha dificuldade para obedecer aos pais e em comparação com crianças da sua idade, demorou mais que o normal para aprender a usar o vaso sanitário.</p><p>Aos 10 anos, relata que apresentava dificuldades na escola e em casa, no convívio com seus pais e irmãos. Na escola seus professores relatavam que ela era incapaz de se concentrar nas atividades, constantemente se levantava da cadeira, e ficava inquieta quando estava sentada. Reclamações por conversar muito também eram constantes. Por conta da sua dificuldade em se concentrar, seu desempenho escolar estava caindo. Expõe que constantemente era comparada com seus irmãos “por ser menos inteligente e incapaz de concluir uma atividade.” As comparações aconteciam, pois, seus irmãos sempre tiravam boas notas e tinham facilidade para concluir tarefas, isso fazia com que a paciente se sentisse inferior. Afirma que sempre teve dificuldade de atenção, foco na escola, mas, quando se interessava por algo levava muito tempo fazendo somente aquilo, como por exemplo, ler um livro dos super-heróis que a interessava. Diz sobre a dificuldade em manter foco em filmes e novelas, além de não construir muitas amizades por “preguiça” nas relações. Porém, diz sentir falta de estar com amigos.</p><p>Afirma que seus pais a consideravam uma adolescente difícil, eles a repreendiam por não conseguir concluir suas tarefas e estar sempre esquecida de suas obrigações. Iniciou cinco cursos de inglês e nunca concluiu nenhum deles. Suas queixas a acompanharam também na vida acadêmica, período em que se intensificaram. Era comum perder prazos e esquecer de fazer atividades proposta na sala de aula.</p>