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<p>Acordando</p><p>Em sonho, às vezes, se o sonhar quebranta</p><p>Este meu vão sofrer, esta agonia,</p><p>Como sobe cantando a cotovia,</p><p>Para o Céu a minh’ alma sobe e canta.</p><p>Canta a luz, a alvorada, a estrela santa,</p><p>Que ao mundo traz piedosa mais um dia...</p><p>Canta o enlevo das coisas, a alegria</p><p>Que as penetra de amor e as alevanta...</p><p>Mas, de repente, um vento húmido e frio</p><p>Sopra sobre o meu sonho: um calafrio</p><p>Me acorda. – A noite é negra e muda: a dor</p><p>Cá vela, como dantes, ao meu lado...</p><p>Os meus cantos de luz, anjo adorado,</p><p>São sonho só, e sonho o meu amor!</p><p>1. Divide o poema em partes lógicas, relacionando essa divisão com os seus dois polos estruturantes.</p><p>2. Apresenta uma explicação para a repetição dos verbos «subir» e «cantar».</p><p>3. Interpreta o valor do deítico «Cá», tendo em conta o sentido geral do poema.</p><p>Antero de Quental, Sonetos Completos</p><p>1. O soneto baseia-se na oposição sonho/realidade, estes são os dois polos estruturantes do poema, que pode ser dividido em duas partes. Na primeira, correspondente às duas quadras, o sujeito poético refere a sua evasão da realidade para o sonho («se o sonhar quebranta / Este meu vão sofrer», vv. 1-2). Nesta parte, é explorado um vocabulário de conotação positiva: «cantando», «Céu», «luz», «alvorada», «estrela santa», «piedosa», «enlevo», «alegria», «amor». No início do primeiro terceto, a conjunção adversativa «Mas» introduz uma oposição ao que foi descrito anteriormente. Inicia-se assim a segunda parte do poema, correspondente aos dois tercetos. Nesta parte, o sujeito poético refere o acordar do sonho e a sua consequência – o regresso à angústia. O vocabulário, de conotação negativa, opõe-se ao da primeira parte: «vento húmido e frio» (v. 9), «calafrio» (v. 10), «A noite é negra e muda», «dor» (v. 11). O título do poema («Acordando») sugere o momento de charneira entre o sonho e a realidade; conjugado no gerúndio, transmite a ideia de lentidão, como se o sujeito lírico se quisesse agarrar à perfeição e felicidade que o sonho lhe dá, atrasando a sua «caída» na realidade.</p><p>2. Os verbos «subir» e «cantar» surgem na primeira parte do poema, relacionando-se um com o outro e associando-se à felicidade do sonho. O sujeito poético compara a sua alma à da cotovia. A sua alma «sobe e canta» «Para o céu» (v. 4), tal «Como sobe cantando a cotovia» (v. 3). A sua alma sobe, eleva-se para o «Céu», para um mundo ideal e perfeito. A repetição anafórica de «Canta», na segunda estrofe, destaca a sua importância, pois é quase uma Ação de Graças, um louvor ao mundo, à alegria e ao amor. E só o sonho permite essa libertação e elevação da alma, só o sonho permite atingir essa plenitude.</p><p>3. O deítico «Cá» situa a dor próxima do sujeito poético («a dor / Cá vela, como dantes, ao meu lado», vv. 11-12), comprovando que o sonho, espaço e tempo de evasão da realidade e da angústia, é breve, efémero. Subentendemos que, se a dor da realidade está «cá», o sonho, a felicidade e o ideal estarão «lá», distantes, ainda que intensamente desejados.</p><p>Noturno</p><p>Espírito que passas, quando o vento</p><p>Adormece no mar e surge a lua,</p><p>Filho esquivo1 da noite que flutua,</p><p>Tu só entendes bem o meu tormento...</p><p>5</p><p>10</p><p>Como um canto longínquo – triste e lento –</p><p>Que voga2 e subtilmente se insinua,</p><p>Sobre o meu coração, que tumultua,</p><p>Tu vertes pouco a pouco o esquecimento...</p><p>A ti confio o sonho em que me leva</p><p>Um instinto de luz, rompendo a treva,</p><p>Buscando, entre visões, o eterno Bem.</p><p>E tu entendes o meu mal sem nome,</p><p>A febre de Ideal, que me consome,</p><p>Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!</p><p>QUENTAL, Antero de, 2016. Os Sonetos Completos.</p><p>Porto: Porto Editora (p. 56)</p><p>1. esquivo: fugidio;</p><p>2. voga: flutua.</p><p>1. Caracteriza o interlocutor do sujeito poético, destacando o seu papel junto do mesmo.</p><p>2. Explica em que consiste a «febre de Ideal» (v. 13) do «eu».</p><p>3. Justifica o «tormento» em que se encontra o sujeito poético, atendendo ao conteúdo dos tercetos.</p><p>1. O sujeito poético dirige-se ao «Génio da Noite»</p><p>(v. 14), que coincide com um «Espírito» (v. 1), «Filho esquivo da noite» (v. 3), confidente e depositário único da angústia e do «tormento» (v.4) do sujeito poético: «Tu só entendes bem o meu tormento...» (v. 4); «A ti confio o sonho em que em leva / Um instinto de luz, rompendo a treva»(vv. 9-10). É, pois, o seu amparo íntimo e o seu consolo (vv. 7-8 e 12-14).</p><p>2. O «tormento» do «eu» decorre da sua existência angustiada (v. 7), na «treva» (v. 10), metáfora do mundo real, em que se deixa dominar por um «mal sem nome» (v. 12) e se dedica à busca do «eterno Bem» (v. 11).</p><p>3. A «febre de Ideal» corresponde ao desejo angustiado que «consome» (v. 13) o sujeito poético na tentativa de encontrar o «eterno Bem» (v. 11). Coincide com o «sonho» (v. 9) que o conduz a partir de «um instinto de luz», entre as «visões» (v. 11) do mundo real, na procura de um estado psicológico alternativo ao «mal sem nome»(v. 12) em que vive.</p><p>Ignoto Deo1</p><p>Que beleza mortal se te assemelha,</p><p>Ó sonhada visão desta alma ardente,</p><p>Que refletes em mim teu brilho ingente2,</p><p>Lá como sobre o mar o sol se espelha?</p><p>5</p><p>10</p><p>O mundo é grande – e esta ânsia me aconselha</p><p>A buscar-te na terra: e eu, pobre crente,</p><p>Pelo mundo procuro um Deus clemente,</p><p>Mas a ara3 só lhe encontro... nua e velha...</p><p>Não é mortal o que eu em ti adoro.</p><p>Que és tu aqui? olhar de piedade,</p><p>Gota de mel em taça de venenos...</p><p>Pura essência das lágrimas que choro</p><p>E sonho dos meus sonhos! se és verdade,</p><p>Descobre-te, visão, no céu ao menos!</p><p>ANTERO, Quental de, 2016. Os Sonetos Completos.</p><p>Porto: Porto Editora (p. 27)</p><p>1. Ignoto Deo: A um Deus Desconhecido;</p><p>2. ingente: desmedido, enorme;</p><p>3. ara: altar.</p><p>1. Apresenta as características apontadas pelo sujeito poético ao destinatário do seu poema, fundamentando a tua resposta.</p><p>2. Comprova que o sujeito poético procura algo que dê sentido à sua existência.</p><p>3. Apresenta uma explicação para o título do soneto.</p><p>4. Completa as afirmações abaixo apresentadas, selecionando da tabela a opção adequada a cada espaço. Regista apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.</p><p>Através da (a) presente no segundo verso é possível caracterizar quer o sujeito poético quer o destinatário das suas palavras.</p><p>As reticências, na segunda estrofe, (b) .</p><p>Os versos dez a doze evidenciam (c) .</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>1. anáfora</p><p>2. sinestesia</p><p>3. metáfora</p><p>4. apóstrofe</p><p>1. assinalam a extroversão do sujeito poético</p><p>2. reforçam o sentimento de desilusão do sujeito poético</p><p>3. destacam a inquietação do destinatário</p><p>4. apelam à tristeza do leitor</p><p>1. a presença do Deus desconhecido no mundo real</p><p>2. a ausência de Deus no mundo real</p><p>3. que o sujeito poético deseja mudar o mundo</p><p>4. a fragilidade do Deus desconhecido</p><p>1. O sujeito poético caracteriza o destinatário do poema como belo («beleza mortal», v. 1), luminoso e incandescente («teu brilho ingente», v. 3; «Lá como sobre o mar o sol se espelha?», v. 4), uma espécie de sonho e ideal («Ó sonhada visão desta alma ardente», v. 2; «Pura essência», v. 12; «sonho dos meus sonhos», v. 13; «visão», v. 14), dotado de imortalidade («Não é mortal o que em ti adoro», v. 9) e bondade («olhar de piedade,/Gota de mel em taças de venenos», vv. 10-11). Contudo, os seus contornos são vagos e indefinidos («Que és tu aqui?», v. 10; «Descobre-te, visão, no céu ao menos!», v. 14).</p><p>2. O sujeito poético mostra a sua inquietação, referindo-se à sua alma como «alma ardente» (v. 2) que reflete o brilho intenso de uma «sonhada visão» (v. 2). Essa inquietação manifesta-se numa procura incessante de algo que dê sentido à sua existência («esta ânsia me aconselha/A buscar-te», vv. 5-6; «Pelo mundo procuro um Deus clemente», v. 7).</p><p>3. O título em latim «Ignoto Deo» significa «A um Deus desconhecido» e anuncia que o poema tem um destinatário. E tem, efetivamente, ainda que os seus contornos sejam indefinidos – «sonhada visão» (v. 2), «sonho dos meus sonhos» (v. 13), «Deus clemente» (v. 7), «Que és tu aqui?» (v. 10). O sujeito poético atribui-lhe no título, a designação de Deus,</p><p>pois talvez esta seja a que, na sua sensibilidade, melhor encaixa no seu ideal de perfeição e pureza. O sujeito poético reitera no poema que procura um «Deus clemente» (v. 7). Contudo, apesar do brilho da sua procura, o que o «pobre crente» (v. 6) encontra deixa-o desiludido («Mas a ara só lhe encontro... nua e velha», v. 8). Então, ainda que não seja esta a forma que procura, o sujeito poético não perde a esperança; algures, algo, um Deus (talvez) ainda desconhecido aguarda por se revelar, por se descobrir «no céu» (v. 14).</p><p>4. (a) 4.; (b) 2.; (c) 1.</p><p>5</p><p>10</p><p>A um poeta</p><p>Surge et ambula4</p><p>Tu, que dormes, espírito sereno,</p><p>Posto à sombra dos cedros seculares,</p><p>Como um levita à sombra dos altares,</p><p>Longe da luta e do fragor terreno,</p><p>Acorda! é tempo! O sol, já alto e pleno,</p><p>Afugentou as larvas tumulares…</p><p>Para surgir do seio desses mares,</p><p>Um mundo novo espera só um aceno…</p><p>Escuta! é a grande voz das multidões!</p><p>São teus irmãos, que se erguem! são canções…</p><p>Mas de guerra… e são vozes de rebate!</p><p>Ergue-te, pois, soldado do Futuro,</p><p>E dos raios de luz do sonho puro,</p><p>Sonhador, faze espada de combate!</p><p>Antero de Quental, Poesia II, Sonetos Completos, ed. crítica de Luiz Fagundes Duarte, Lisboa: Abysmo, 2017, p. 122.</p><p>1. Indica marcas linguísticas que denotam o carácter apelativo do poema.</p><p>2. Explica o valor expressivo da comparação presente na primeira quadra.</p><p>3. Caracteriza o sujeito poético, apoiando-te em elementos textuais.</p><p>4. Indica qual é a missão do poeta, na perspetiva do “eu” poético e infere a sua conceção de arte poética.</p><p>Grupo I</p><p>A.</p><p>1. Ao longo do soneto, surgem vários verbos no imperativo: “Acorda” (v.5), Escuta!” (v.9), apóstrofes: “Tu que dormes” (v.1) e frases exclamativas: “É tempo!” (v.5) que constituem formas de apelo ao interlocutor.</p><p>2. A primeira quadra descreve um estado de apatia que o sujeito pretende combater com o apelo que faz ao longo do poema.</p><p>Para melhor ilustrar a inação de alguns, o sujeito recorre à comparação de caráter religioso e à imagem do “levita” que medita ”à sombra dos cedros seculares” numa atitude passiva de contemplação e recolhimento que o sujeito rejeita.</p><p>3. O sujeito poético apresenta-se, neste poema, como um otimista, que acredita na luta por uma sociedade melhor, que defende a ideia de um poeta “soldado do Futuro” que “dos raios de luz do sonho puro” faça “espada de combate”.</p><p>4. Para o sujeito poético, o poeta é alguém que, através da escrita, não se resigna, que luta pelo bem comum, que acredita, que persegue o sonho de um futuro mais luminoso para todos. No fundo, a produção poética é uma forma de intervenção social.</p><p>Ideal</p><p>Aquela que eu adoro não é feita</p><p>De lírios nem de rosas purpurinas,</p><p>Não tem as formas lânguidas, divinas</p><p>Da antiga Vénus de cintura estreita...</p><p>Não é a Circe, cuja mão suspeita</p><p>Compõe filtros mortais entre ruínas,</p><p>Nem a Amazona, que se agarra às crinas</p><p>Dum corcel e combate satisfeita...</p><p>A mim mesmo pergunto, e não atino</p><p>Com o nome que dê a essa visão,</p><p>Que ora amostra ora esconde o meu destino...</p><p>É como uma miragem, que entrevejo,</p><p>Ideal, que nasceu na solidão,</p><p>Nuvem, sonho impalpável do Desejo...</p><p>Soneto: “forma mais completa do lirismo puro”.</p><p>Estrutura externa:</p><p>14 versos decassilábicos;</p><p>duas quadras e dois tercetos;</p><p>rima: ABBA e CDC.</p><p>1.ª quadra</p><p>Figura feminina: indefinida; não é concreta; não tem correspondência no mundo real; não possui a beleza física da deusa do amor.</p><p>2.ª quadra</p><p>Não tem o perigo de Circe: personificação. Carácter sombrio e sinistro – angústia existencial. Não tem qualidades de guerreira.</p><p>Figuras da mitologia: carácter idealizado e distante.</p><p>1.º terceto</p><p>Monólogo interior : introspeção. Indefinição e incompreensão. Indecisão e desilusão.</p><p>2.º terceto</p><p>Chave de ouro.</p><p>Ser amado:</p><p>· miragem;</p><p>· ideal;</p><p>· nuvem;</p><p>· sonho impalpável.</p><p>· Natureza vaga e indefinida do sentimento.</p><p>· A solidão levou à fantasia: comparação e personificação do sentimento.</p><p>· “Desejo” : o carácter idealizado e distante.</p><p>· Desânimo: o seu ideal não existe é apenas fantasia.</p><p>Despondency 1</p><p>5</p><p>10</p><p>Deixá-la ir, a ave, a quem roubaram</p><p>Ninho e filhos e tudo, sem piedade…</p><p>Que a leve o ar sem fim da soledade2</p><p>Onde as asas partidas a levaram…</p><p>Deixá-la ir, a vela, que arrojaram3</p><p>Os tufões pelo mar, na escuridade,</p><p>Quando a noite surgiu da imensidade,</p><p>Quando os ventos do Sul se levantaram…</p><p>Deixá-la ir, a alma lastimosa,</p><p>Que perdeu fé e paz e confiança,</p><p>À morte queda, à morte silenciosa…</p><p>Deixá-la ir, a nota desprendida</p><p>Dum canto extremo4… e a última esperança…</p><p>E a vida… e o amor… deixá-la ir, a vida!</p><p>Antero de Quental, Os Sonetos Completos, Porto,</p><p>Porto Editora, 2016, p. 71</p><p>NOTAS</p><p>1 Despondency – desalento, desânimo.</p><p>2 soledade – solidão.</p><p>3 arrojaram – arrastaram.</p><p>4 extremo – último.</p><p>1. Comenta a expressividade da anáfora “Deixá-la ir” no início de cada estrofe, relacionando-a com o título do poema.</p><p>2. Explora o valor alegórico da “ave”, explicitando o desejo manifestado pelo “eu”, na primeira estrofe.</p><p>3. Explicita o estado de espírito do “eu”, tendo em conta a gradação que acentua o desprendimento perante a vida, ao longo do texto.</p><p>4. Mostra o efeito expressivo da aliteração dos sons m, n e nh e das reticências.</p><p>5. Relaciona o valor simbólico de “escuridade” (verso 6) e “noite” (verso 7) com o apelo à morte, presente nos versos 11, 13 e 14.</p><p>6. Analisa o poema quanto à estrutura externa, tendo em conta o número de estrofes e versos e a rima.</p><p>Ficha 5</p><p>1. O título sugere um estado de espírito de desalento, desânimo. Já a anáfora aponta para a intensificação do sentimento de desprendimento e de vazio, presente na “ave”</p><p>(v. 1), na “vela” (v. 5), na “alma” (v. 9) e na “nota desprendida” (v. 12). Assim, existe uma correlação entre o título e a anáfora.</p><p>2. A ave simboliza a liberdade. Contudo, no poema, trata-se de uma liberdade perdida, com as “asas partidas” (v. 4), a quem tudo “roubaram” (v. 1) e que o “eu” deseja que possa partir, em “soledade” (v. 3).</p><p>3. O “eu” evidencia uma angústia existencial, que é dominada pelo desalento e desesperança, por um sentimento de abandono e, finalmente, um desejo de anulação. Essa angústia inicialmente manifesta o desalento pela perda da liberdade, a “ave”, pela letargia resultante da perda da “vela”, pela “alma” que se entrega e perdeu a “fé”, pela nota musical derradeira e, finalmente, pelo desprendimento face à “vida”, numa gradação crescente que culmina num desejo de anulação do “eu”.</p><p>4. A aliteração dos sons nasais, por exemplo, nas palavras “quem”, “Ninho”, “fim”, “tufões”, “confiança”, “silenciosa” e “desprendida”, contribui para um fechamento das vogais, associado a estados de alma pessimistas. Por seu turno, as reticências contribuem para um ritmo lento e arrastado do texto, associado ao desprendimento e ao vazio.</p><p>5. A “escuridade” e a “noite” representam, simbolicamente, a morte, sendo, por isso, outra forma de o “eu” mostrar que se trata de uma ideia dominante ao longo de todo o soneto.</p><p>6. O poema é um soneto, composto por duas quadras e dois tercetos. Quanto à rima, ela é emparelhada e interpolada nas quadras e cruzada nos tercetos. O esquema rimático é abba/ abba/ cdc/ ede. A rima é predominantemente pobre, sendo rica, apenas, nos versos 12 e 14, e é consoante.</p><p>Lê o excerto da Farsa de Inês Pereira. Se necessário, consulta as notas. 5</p><p>10</p><p>15</p><p>Vem Pêro Marques e diz:</p><p>Pêro Homem que vai aonde eu vou 20</p><p>25</p><p>30</p><p>35</p><p>não se deve de correr;</p><p>ria embora quem quiser,</p><p>que eu em meu siso estou.</p><p>Não sei onde mora aqui:</p><p>olhai que m’esquece a mi!</p><p>Eu creio que nesta rua,</p><p>e esta parreira é sua;</p><p>já conheço que é aqui.</p><p>Chega a casa de Inês Pereira:</p><p>Digo que esteis1 muito embora.</p><p>Folguei ora de vir cá.</p><p>Eu vos escrevi de lá</p><p>uma cartinha, senhora:</p><p>E assi que de maneira…</p><p>Mãe Tomai aquela cadeira.</p><p>Pêro E que val2 aqui uma destas?</p><p>Inês (Oh, Jesu! Que João das bestas3!</p><p>Olhai aquela canseira4!)</p><p>Assentou-se com as costas pera elas e diz:</p><p>Pêro Eu cuido que não estou bem…</p><p>Mãe Como vos chamais, amigo?</p><p>Pêro Eu Pêro</p><p>Marques me digo,</p><p>como meu pai que Deus tem.</p><p>Faleceu (perdoe-lhe Deus,</p><p>que fora bem escusado)</p><p>e ficamos dous ereos5;</p><p>porém, meu é o mor gado6</p><p>Mãe De morgado7 é vosso estado?</p><p>Isso viria dos céus!</p><p>Pêro Mais gado tenho eu já quanto8,</p><p>e o maior de todo o gado,</p><p>digo maior algum tanto.</p><p>E desejo ser casado,</p><p>prouguesse9 ao Espírito Santo,</p><p>com Inês; que eu m’espanto</p><p>quem me fez seu namorado.</p><p>Parece moça de bem,</p><p>e eu de bem er10 também.</p><p>VICENTE, Gil, 2014. Farsa de Inês Pereira. Porto: Porto Editora (pp. 24-26)</p><p>1. esteis: estejais;</p><p>2. que val: quanto vale (no caso concreto, como equivalente de «para que serve»);</p><p>3. João das bestas: João Palerma;</p><p>4. aquela canseira: referência ao esforço de Pêro Marques para se sentar na cadeira;</p><p>5. ereos: herdeiros;</p><p>6. mor gado: a maior parte do gado;</p><p>7. morgado: filho mais velho, herdeiro de todos os bens dos progenitores;</p><p>8. Mais gado tenho eu já quanto: Tenho muito gado;</p><p>9. prouguesse: quisesse;</p><p>10. er: partícula de reforço (além disso, por outro lado) por vezes associada a «também».</p><p>1. Explicita o objetivo da visita de Pêro Marques e a maneira como ele o apresenta às outra personagens.</p><p>2. Interpreta o aparte de Inês.</p><p>3. Analisa, comparativamente, as reações de Inês e da Mãe perante o pretendente da moça.</p><p>4. Relê as falas de Pêro Marques.</p><p>Caracteriza esta personagem, ilustrando a resposta com citações relevantes.</p><p>1. O objetivo da visita de Pêro Marques é formalizar a proposta de casamento a Inês, intermediada e anteriormente anunciada por Lianor Vaz. Assim, começa por referir a «cartinha» (v. 13) que enviara a Inês, através da alcoviteira, declarando e reforçando, depois, a sua intenção de «ser casado» (vv. 32-34) com a jovem.</p><p>2. Através do aparte, nos versos 17-18, Inês explicita a sua apreciação de Pêro Marques, dando a entender,</p><p>dissimuladamente, o seu desapreço pelo pretendente. Depois de testemunhar o embaraço que ele evidencia face a uma situação banal como a utilização de uma</p><p>cadeira, a jovem constata o desfasamento existente entre Pêro Marques e o modelo de marido que deseja, ironizando com a sua inabilidade e apelidando-o de «João das bestas» (v. 17).</p><p>3. Inês reage ao pretendente com desinteresse e de forma depreciativa, expressando, em aparte, a sua avaliação negativa de Pêro Marques (vv. 17-18), por se mostrar pouco à vontade num universo diferente daquele a que está habituado. A Mãe recebe o vilão de forma afável e mostra-se solícita (v. 20), não disfarçando, depois, o seu interesse, quando Pêro Marques se refere ao seu «mor gado». Embora faça menção à quantidade de gado que detém, a mãe de Inês entende que ele é «morgado» e, dessa forma, assume que será herdeiro de grande</p><p>fortuna, expressando o seu espanto e a sua satisfação por antever nele a possibilidade de garantir à filha um</p><p>casamento fundado numa boa condição económica</p><p>(vv. 27-28).</p><p>4. Pêro Marques revela-se um homem simples e ingénuo, pouco à vontade num espaço que não conhece e a cujos costumes não está habituado: «Não sei onde mora aqui» (v. 5), «E que val aqui uma destas?» (v. 16), «Eu cuido que não estou bem…» (v. 19). Mostra-se sensato e</p><p>honesto («ria embora quem quiser / que eu em meu siso estou», vv. 3-4), assumindo-se como um homem «de bem» (v. 37) que deseja casar-se com Inês, apesar de reconhecer a diferença existente entre o seu mundo,</p><p>rústico, e o da jovem: «E desejo ser casado, / prouguesse ao Espírito Santo, / com Inês; que eu m’espanto / quem me fez seu namorado.» (vv. 32-35).</p><p>Mãe Pêro Marques foi-se já?</p><p>Inês E pera que era ele aqui?</p><p>Mãe E não t’agrada ele a ti?</p><p>Inês Vá-se muitieramá1!5</p><p>10</p><p>15</p><p>20</p><p>25</p><p>30</p><p>35</p><p>Que sempre disse e direi:</p><p>mãe, eu me não casarei</p><p>senão com homem discreto,</p><p>e assi vo-lo prometo</p><p>ou antes o leixarei.</p><p>Que seja homem mal feito,</p><p>feio, pobre, sem feição,</p><p>como tiver discrição,</p><p>não lhe quero mais proveito.</p><p>E saiba tanger2 viola,</p><p>e coma eu pão e cebola3.</p><p>Siquer4 uma cantiguinha!</p><p>Discreto, feito em farinha5,</p><p>porque isto me degola6.</p><p>Mãe Sempre tu hás de bailar,</p><p>e sempre ele há de tanger?</p><p>Se não tiveres que comer,</p><p>o tanger te há de fartar?</p><p>Inês Cada louco com sua teima.</p><p>Com uma borda de boleima</p><p>e uma vez d’água fria7,</p><p>não quero mais cada dia.</p><p>Mãe Como às vezes isso queima8!</p><p>E que é desses escudeiros?</p><p>Inês Eu falei ontem ali,</p><p>que passaram por aqui</p><p>os judeus casamenteiros</p><p>e hão de vir agora aqui.</p><p>Vêm os Judeus casamenteiros, Latão e Vidal, e diz Latão:</p><p>Latão Ou de cá!</p><p>Inês Quem está lá?</p><p>Vidal Nome de Deus, aqui somos9!</p><p>Latão Não sabeis quão longe fomos!</p><p>Vidal Corremos a ira má.</p><p>Este e eu.</p><p>Latão Eu, e este.</p><p>Vidal Pela lama e pelo pó,</p><p>que era pera haver dó,</p><p>com chuva, sol e noroeste.40</p><p>45</p><p>Foi a coisa de maneira,</p><p>tal friúra e tal canseira,</p><p>que trago as tripas maçadas:</p><p>assi me fadem boas fadas</p><p>que me saltou caganeira.</p><p>Pera vossa mercê ver</p><p>o que nos encomendou.</p><p>VICENTE, Gil, 2014. Farsa de Inês Pereira, Porto: Porto Editora (pp. 30-33)</p><p>1. muitieramá: em muito má hora; 2. tanger: tocar; 3. coma eu pão e cebola: coma eu mal; 4. Siquer: ao menos; 5. feito em farinha: macio (meigo, condescendente); 6. me degola: me agrada; 7. uma borda de boleima/e uma vez d’ água fria: um bocado de bolo e um gole de água; 8. queima: custa; 9. Nome de Deus, aqui somos: Em nome de Deus, aqui estamos.</p><p>Apresenta as tuas respostas aos itens que se seguem de forma bem estruturada.</p><p>1. Situa as cenas da Farsa de Inês Pereira transcritas na globalidade da obra.</p><p>2. Baseando-te nas falas de Inês, explicita as características que a donzela procura no marido ideal.</p><p>3. Explicita o papel da mãe nestas cenas.</p><p>4. Caracteriza os Judeus casamenteiros.</p><p>5. Completa as afirmações abaixo apresentadas, selecionando da tabela a opção adequada a cada espaço. Regista apenas as letras e o número que corresponde à opção selecionada em cada um dos casos.</p><p>No excerto transcrito, é possível encontrar várias características do teatro vicentino, nomeadamente a sua dimensão satírica aliada ao cómico. Gil Vicente critica a mentalidade das jovens raparigas, (a) . Reconhecemos o cómico de linguagem na sequência (b) , onde se explora (c) .</p><p>(a)</p><p>(b)</p><p>(c)</p><p>1. que fazem tudo para se libertarem da dependência das mães.</p><p>2. que se deixam deslumbrar pelos falsos artistas.</p><p>3. que se iludem com homens «discretos».</p><p>4. que preferem casar com homens de nível social inferior ao seu.</p><p>1. «Que seja homem mal feito, / feio, pobre, sem feição» (vv. 10-11)</p><p>2. «Se não tiveres que comer, / o tanger te há de fartar?» (vv. 21-22)</p><p>3. «Como às vezes isso queima!» (v. 27)</p><p>4. «assi me fadem boas fadas/que me saltou caganeira» (vv. 44-45)</p><p>1. a metáfora</p><p>2. o calão</p><p>3. o trocadilho</p><p>4. a enumeração</p><p>Educação Literária</p><p>Gil Vicente, Farsa de Inês Pereira</p><p>1. As cenas situam-se após o encontro de Inês Pereira e da mãe com Pêro Marques, que, apesar de já ter enviado uma carta por Lianor Vaz, foi até casa de Inês para se apresentar pessoalmente e pedir a sua mão. Depois destas duas cenas, Inês será apresentada ao Escudeiro, com quem aceitará casar.</p><p>2. Para Inês Pereira, o marido ideal é discreto («eu me não casarei/senão com homem discreto», vv. 6-7) e sabe tocar viola («E saiba tanger viola» v. 14). É-lhe indiferente que seja feio ou pobre («Que seja homem mal feito,/feio, pobre, sem feição», vv. 10-11).</p><p>3. Nestas cenas, o papel da mãe é o de amiga, confidente e conselheira, representando a voz da experiência.</p><p>4. Na segunda cena do excerto, entram os Judeus casamenteiros, que apresentam uma linguagem algo desconexa e rude («que me saltou caganeira», v. 45). Os Judeus são esperados por Inês («os judeus casamenteiros/e hão de vir agora aqui», vv. 31-32).</p><p>5. (a) 3; (b) 4; (c) 2.</p><p>Chega o Escudeiro onde está Inês Pereira e diz:</p><p>Escudeiro Antes que mais diga agora,</p><p>Deus vos salve, fresca rosa,</p><p>e vos dê por minha esposa,</p><p>por mulher e por senhora.</p><p>Que bem vejo5</p>nesse ar, nesse despejo1, mui graciosa donzela, que vós sois, minha alma, aquela que eu busco e que desejo. Obrou bem a natureza10 em vos dar tal condição, que amais a discrição muito mais que a riqueza. Bem parece15 que a discrição merece gozar vossa fermosura, que é tal que, de ventura, outra tal não s’acontece. Senhora, eu me contento receber-vos como estais;20 se vós não vos contentais, o vosso contentamento pode falecer no mais2. Latão (Como fala! Vidal E ela como se cala!25 Este há de ser seu marido, segundo a coisa s’abala.) Escudeiro Eu não tenho mais de meu, somente ser comprador do Marichal, meu senhor,30 e sam escudeiro seu. Sei bem ler, e muito bem escrever, e bom jogador de bola, e quanto a tanger viola,35 logo me vereis tanger. Moço, que estás lá olhando? Moço Que manda Vossa Mercê? Escudeiro Que venhas cá. Moço Pera quê? Escudeiro Por que faças o que eu mando!40 Moço Logo vou. (O Diabo me tomou: sair-me de João Montês por servir um tavanês3, mor doudo que Deus criou!)45 Escudeiro Fui despedir um rapaz, por tomar este ladrão, que valia Perpinhão4. Moço! Moço Que vos praz? Escudeiro A viola.50 Moço (Oh! Como ficará tola, se não fosse5 casar ante co mais sáfio6 bargante7 que coma pão e cebola!) Ei-la aqui bem temperada8,55 não tendes que temperar9. Escudeiro Faria bem de t’a quebrar na cabeça, bem migada10. Moço E se ela é emprestada,60 quem na havia de pagar? Meu amo, eu quero-me ir. Escudeiro E quando queres partir? Moço Logo quero começar. Determino de partir65 ante que venha o inverno, porque vós não dais governo pera vos ninguém servir. Escudeiro Não dormes tu que te farte? Moço No chão, e o telhado por manta, e cerra-se-m’a garganta70 com fome. Escudeiro Isso tem arte11... Moço Vós sempre zombais assi. Escudeiro Oh! Que boas vozes tem esta viola aqui! Leixa-me casar a mi,75 depois, eu te farei bem. Mãe Agora vos digo eu que Inês está no Paraíso! Inês Que tendes de ver co isso?80 Todo o mal há de ser meu. Mãe Oh! Como é seca12 a velhice! Inês Leixai-me ouvir e folgar, que não m’hei de contentar de casar com parvoíce. Pode ser maior riqueza85 que um homem avisado13? Mãe Muitas vezes, mal pecado, é melhor boa simpreza14. VICENTE, Gil, 2014. Farsa de Inês Pereira. Porto: Porto Editora (pp. 39-44) 1. despejo: naturalidade; 2. falecer no mais: ser gorado com outro pretendente; 3. tavanês: estouvado, leviano; 4. Perpinhão: praça muito disputada no final do século XV e que, por metáfora, refere alguém valioso; 5. fosse: devia, seria mais feliz; 6. sáfio: reles, rude; 7. bargante: homem sem vergonha e sem moral; 8. temperada: afinada; 9. «verbo temperar»: jogo com o duplo sentido de afinar e cozinhar; 10. migada: feita em pedaços; 11. Isso tem arte: Isso tem graça; 12. seca: aborrecida; 13. avisado: sabido; 14. simpreza: simplicidade; 15. canaval: canavial. 1. Refere as características de Inês que o Escudeiro elogia no seu discurso inicial. 2. Caracteriza o Escudeiro a partir do excerto. Ilustra a tua resposta com exemplos do texto. 3. Apresenta as reações de Inês e da Mãe ao discurso do Escudeiro. Questão de aula – Educação Literária Gil Vicente, Farsa de Inês Pereira 1. O Escudeiro elogia a beleza e juventude de Inês («fresca rosa», v. 2), a sua naturalidade («nesse despejo», v. 6), elegância («graciosa donzela», v. 7), o seu recato («que a discrição merece/gozar vossa fermosura», vv. 15-16), as suas prioridades e gostos («amais a discrição/muito mais que a riqueza», vv. 12-13). 2. Antes de chegar perto de Inês, o Escudeiro havia feito algumas considerações acerca da aparência da moça, estranhando que fosse ainda donzela. Quando a conhece, dirige-lhe um discurso cheio de elogios, que, por ser tão exagerado e artificioso, soa a falsidade (vv. 1-23). Ainda no seu discurso inicial, o Escudeiro apresenta-se, valorizando-se e sublinhando o seu estatuto social (vv. 28-36). Podemos assim caracterizá-lo como hipócrita, falso e gabarola. A partir do diálogo com o Moço, podemos perceber que o Escudeiro é leviano («por servir um tavanês/mor doudo que Deus criou!», vv. 44-45); pelintra («vós não dais governo/pera vos ninguém servir.», vv. 66-67; «E se ela é emprestada,/quem na havia de pagar?», vv. 59-60; «No chão, e o telhado por manta,/e cerra-se-m’a garganta/com fome.», vv. 69-71); rude («Faria bem de t’a quebrar/na cabeça, bem migada.», vv. 57-58) e gozão («Vós sempre zombais assi.», v. 72). 3. Conhecendo bem a sua filha, a Mãe sabe que Inês gosta do que está a ouvir («Agora vos digo eu/que Inês está no Paraíso!», vv. 77-78). Inês está, de facto, encantada e pede à Mãe que a deixe aproveitar o momento, ouvindo as mesuras do Escudeiro (vv. 82-84). Ao contrário da Mãe, que valoriza a simplicidade («é melhor boa simpreza», v. 88), a rapariga deixa-se deslumbrar pelos contornos falsamente requintados da linguagem do Escudeiro (vv. 85-86); argumenta que será ela a casar, será ela a escolher o marido e a viver com as consequências das suas escolhas (vv. 79-80). Lacrima rerum Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. Traça o perfil do sujeito poético. (20 pontos) 2. Comenta a expressividade da personificação ao longo do soneto. (20 pontos) 3. Explicita o sentido do último terceto. 1, traca o perfil do sujeito poetic 2, comenta a expressividade da personificação ao longo do poema 3, explicita o sentido do uktimo terceto « 1. 20 pontos • Perfil do sujeito poético: “dúvida e luto” (v. 12): · inquietação, ansiedade; · questionamento/indagação, procura de conhecimento / compreensão da realidade, angústia existencial; · insatisfação face à vida, aceitação da morte. • Aspetos de conteúdo – 12 pontos. • Aspetos de estruturação do discurso e correção linguística: · estruturação do discurso – 4 pontos; · correção linguística – 4 pontos. 2. 20 pontos • Personificação da Noite: · interlocutor mudo do sujeito poético (cf. apóstrofe “Noite”, v. 1); · valor metafórico: angústia existencial, morte. 3. 20 pontos • Perante a incapacidade da inteligência humana para desvendar o mistério, o ignoto, só resta ao Homem o mundo das aparências que a sua curiosidade tenta desvendar. Nota: Tópico elaborado com base em FERREIRA, Maria Ema Tarracha (1985), Antologia Literária Comentada. Século XIX. Do Romantismo ao Realismo. Poesia. Lisboa: Editora Ulisseia.4. a. 20 pontos • Angústia existencial, associada às noções de “tédio”, “ilusão e […] vazio universais”. b .20 pontos • Configuração do Ideal (“Ideia”), conotado com a racionalidade otimista (“mundo inalterável”, “céu cristalino”, “estável, “pensamento”, “luz”).