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<p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Luz e sombra</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Reconhecer o uso de luz e sombra como elemento básico para pro-</p><p>duzir volumetria</p><p>� Definir a fonte de luz e a luz refletida dos objetos</p><p>� Aplicar as técnicas de sombra própria e sombra projetada</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você irá estudar o conceito e a aplicação de luz e sombra</p><p>nos desenhos. Luz e sombra são os elementos básicos para gerar o efeito</p><p>de volume nos objetos, sem eles não é possível representar a tridimen-</p><p>sionalidade nos desenhos.</p><p>A descoberta da utilização de claro e escuro na história da arte mo-</p><p>dificou radicalmente os parâmetros de representação que se conheciam</p><p>até então. Na arquitetura, a luz e a sombra são basicamente elementos</p><p>que fazem parte de sua constituição. A correta representação desses</p><p>elementos é essencial para compreensão e apresentação dos estudos</p><p>arquitetônicos.</p><p>Conceito de luz e sombra</p><p>Para transformar um desenho linear, bidimensional, em um desenho tridimen-</p><p>sional, é imprescindível que você utilize os efeitos de luz e sombra. Assim como</p><p>quando observamos elementos reais, nossos olhos só conseguem distinguir</p><p>as dimensões de profundidade.</p><p>Caso um objeto esteja sob luz intensa por todos os lados, ficará totalmente</p><p>iluminado e sem contraste, caso não esteja sob nenhuma fonte de luz, ficará</p><p>completamente escuro e também não será possível perceber sua volumetria.</p><p>Ao olhar para os objetos, o que você enxerga é a reflexão da luz sobre</p><p>as superfícies. A reflexão pode variar conforme a fonte luminosa, o tipo de</p><p>DA_U2_C06.indd 95 01/12/2017 16:59:27</p><p>material das superfícies e as interferências dos demais objetos no fluxo de luz.</p><p>As sombras visíveis representam, na verdade, a ausência de luz.</p><p>A utilização dos efeitos de luz e sombra foi a base que modificou radical-</p><p>mente a arte na história. Na arte antiga, como a dos egípcios (veja a Figura</p><p>1), os desenhos não possuíam esses elementos na sua composição, portanto,</p><p>o resultado eram desenhos sem profundidade, em duas dimensões e com</p><p>aparência pouco realista.</p><p>Figura 1. Ilustração egípcia em que é possível perceber a ausência de profundidade e</p><p>variação de tons sombreados na técnica utilizada.</p><p>Fonte: Vectomart/Shutterstock.com.</p><p>No Renascimento europeu, principalmente nas obras de Leonardo da</p><p>Vinci, começam a ser valorizados os efeitos de luz e sombra nas artes. Nesta</p><p>época, surge o termo chiaroscuro, que significa claro e escuro em italiano.</p><p>Esta geração de artes renomadas ficou marcada pela utilização da luz em suas</p><p>Luz e sombra96</p><p>DA_U2_C06.indd 96 01/12/2017 16:59:27</p><p>obras. Leonardo da Vinci desenvolveu uma técnica conhecida como sfumato,</p><p>que significava o tratamento das sombras sem linhas ou fronteiras, em forma</p><p>de degrade e esfumaçadas. Essa técnica gerava um efeito bem mais leve das</p><p>sombras na pintura e foi muito importante principalmente para as tonalidades</p><p>em rostos. Você pode observar isso na Figura 2.</p><p>Figura 2. Monalisa, de Leonardo da Vinci. Pintura com trabalho de sombreamento usando</p><p>a técnica sfumato.</p><p>Fonte: Oleg Golovnev/Shutterstock.com.</p><p>Após a consolidação da importância de luz e sombra como elementos bási-</p><p>cos na arte, no século XVI, alguns artistas levaram a experiência realista da luz</p><p>para outro nível. Durante a época Barroca, os artistas passaram a utilizar esses</p><p>efeitos para demonstrar as emoções das cenas. O uso do contraste extremo,</p><p>com sombras bem escuras e os pontos claros muito iluminados, geraram cenas</p><p>97Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 97 01/12/2017 16:59:28</p><p>muito expressivas. Essa tendência foi chamada de “Tenebrismo”. Observe o</p><p>uso de luz e sombra como expressão de sentimentos de forma dramática na</p><p>Figura 3.</p><p>Figura 3. Madona de Loreto, arte de Caravaggio (1604).</p><p>Fonte: Renata Sedmakova/Shutterstock.com.</p><p>Assim como ocorreu ao longo da história da arte, o importante ao realizar</p><p>um desenho é buscar o equilíbrio entre os contrastes, procurando atribuir a</p><p>volumetria real dos objetos, mas sem pesar demais.</p><p>Luz</p><p>O primeiro passo para iniciar o trabalho de iluminação no desenho é a defini-</p><p>ção da fonte de luz. Em termos gerais, podemos considerar como fonte a luz</p><p>Luz e sombra98</p><p>DA_U2_C06.indd 98 01/12/2017 16:59:29</p><p>natural (sol) ou a luz artificial (luminárias). É possível também utilizar uma</p><p>combinação dos dois tipos de fontes, vindas de direções variadas.</p><p>Conforme o tipo e a posição da fonte de luz, as áreas claras e as sombras</p><p>ficarão adequadas para cada situação específica. No caso de optar pelo uso</p><p>de iluminação natural, você deve atentar para gerar uma luz mais difusa no</p><p>ambiente, pois o índice de reflexão será maior. Excetua-se dessa situação</p><p>casos em que a luz natural esteja adentrando o ambiente por um orifício muito</p><p>pequeno, o que deixará a luz focada internamente. Na Figura 4 você pode</p><p>observar exemplos de luz forte e luz difusa.</p><p>Figura 4. Demonstração dos efeitos com luz forte e luz difusa sobre os objetos.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 52).</p><p>A luz natural vinda do alto cria sombras paralelas aos objetos; já a luz</p><p>artificial, que ilumina de forma focada e limitada, cria sombras divergentes.</p><p>A observação de objetos reais sob a incidência de diversas posições e tipos de</p><p>luz é fundamental para a compreensão e melhor aplicação desses conceitos.</p><p>Na Figura 5 são apresentados diferentes exemplos da incidência da luz sobre</p><p>objetos.</p><p>99Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 99 01/12/2017 16:59:30</p><p>Figura 5. Exemplos de direcionamento da fonte de luz sobre os objetos.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 53).</p><p>Em termos gráficos, a incidência de luz é a ausência de preenchimento, ou seja, é</p><p>importante que, quanto maior for o contraste entre as faces adjacentes no desenho,</p><p>mais iluminada seja a parte clara.</p><p>Luz e sombra100</p><p>DA_U2_C06.indd 100 01/12/2017 16:59:31</p><p>Neste momento do desenho, a orientação é demarcar a posição da fonte de</p><p>luz, o tipo de fonte que será utilizada e traçar suavemente no desenho a direção</p><p>que ela fará sobre os objetos. Após este lançamento, é possível avaliar os trechos</p><p>que deverão ficar sem preenchimento, nos quais a luz incidirá diretamente.</p><p>Já devem ser avaliados, também, os locais onde o desenho ficará sombreado.</p><p>Além da ausência de preenchimento, é indicado utilizar a borracha para</p><p>valorizar ainda mais as áreas claras, gerando mais contraste. No desenho, a</p><p>borracha é tão importante quanto o lápis. Observe a iluminação da Figura 6.</p><p>Figura 6. Desenho de cena interna com iluminação artificial. Observe os trechos mais</p><p>claros próximos às luminárias, além do formato de sombreamento resultante deste tipo</p><p>de iluminação.</p><p>Fonte: Doyle (2002, p. 122).</p><p>101Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 101 01/12/2017 16:59:33</p><p>Quando um objeto está sobre uma superfície, deve-se analisar os efeitos de reflexão</p><p>gerados por essa superfície de apoio. O trecho do objeto que estiver próximo à super-</p><p>fície terá uma área iluminada, mesmo que seja na zona de sombreamento, em razão</p><p>da reflexão. No exemplo da Figura 7, você pode ver que a parte inferior da esfera está</p><p>iluminada por um degrade feito com lápis.</p><p>Figura 7. Esfera sobre superfície. A fonte de luz está posicionada em um ponto superior</p><p>e à esquerda do objeto.</p><p>Fonte: Egle Lipeikaite/Shutterstock.com.</p><p>Sombras</p><p>As</p><p>A face ganhou volumetria, ressaltando os pontos iluminados</p><p>e escurecendo as partes mais profundas do rosto e do tecido.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 48).</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas92</p><p>DA_U2_C05.indd 92 01/12/2017 16:59:25</p><p>1. Observe a figura a seguir e assinale</p><p>a alternativa que apresenta</p><p>o tipo de técnica de texturas</p><p>para desenho utilizada.</p><p>Fonte: fatbob/Shutterstock.com.</p><p>a) Hachuras circulares.</p><p>b) Pontilhismo.</p><p>c) Hachuras paralelas.</p><p>d) Hachuras cruzadas.</p><p>e) Manchas.</p><p>2. Nas hachuras com movimentos</p><p>circulares, os desenhos são feitos</p><p>utilizando-se ondas para preencher</p><p>o espaço. Qual o efeito obtido por</p><p>meio dessa técnica?</p><p>a) Profundidade.</p><p>b) Movimento.</p><p>c) Densidade.</p><p>d) Ondulação.</p><p>e) Detalhes.</p><p>3. O pontilhismo é uma técnica que</p><p>pode ser usada em desenhos</p><p>arquitetônicos com o intuito</p><p>de impressionar o cliente</p><p>com propostas impactantes</p><p>e lúdicas. Para variar o efeito</p><p>de preenchimento entre mais</p><p>escuro e mais difuso nessa</p><p>técnica, é necessário:</p><p>a) mudar a cor do grafite</p><p>utilizado nos pontos.</p><p>b) intensificar a pressão</p><p>aplicada sobre o lápis.</p><p>c) variar o espaçamento</p><p>entre os pontos.</p><p>d) seguir à risca o contorno</p><p>inicial.</p><p>e) esfumar os traços</p><p>com um instrumento</p><p>chamado esfuminho.</p><p>4. Para representar, de forma</p><p>expressiva, a volumetria</p><p>dos objetos em desenhos</p><p>arquitetônicos, ressaltando os</p><p>pontos iluminados e escurecendo</p><p>as partes mais profundas do</p><p>objeto, qual das seguintes</p><p>técnicas é recomenda?</p><p>a) Pontilhismo.</p><p>b) Manchas.</p><p>c) Hachuras paralelas e</p><p>cruzadas.</p><p>d) Hachuras circulares.</p><p>e) Impressionismo.</p><p>5. Com a técnica de pontilhismo,</p><p>é possível criar desenhos sem</p><p>utilizar as linhas de contorno.</p><p>Entre os materiais citados a</p><p>seguir, qual é o instrumento</p><p>de desenho mais indicado para</p><p>graficar os pontos nesta</p><p>técnica?</p><p>a) Régua.</p><p>b) Esfuminho.</p><p>c) Caneta.</p><p>d) Borracha.</p><p>e) Papel.</p><p>93Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 93 01/12/2017 16:59:26</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>ARQUITETURA E DESENHO. Aula 03: desenho de hachura e degradês - fundamentos</p><p>do desenho para arquitetura e design. [S.l.]: YouTube, 2017. 1 vídeo. Disponível em:</p><p><https://www.youtube.com/watch?v=nmcMpaDjSSc>. Acesso em: 07 nov. 2017.</p><p>DESENHEIROS. Hachura. [S.l.], 2013. Disponível em: <https://desenheirosofficial.wor-</p><p>dpress.com/2013/07/04/hachura/>. Acesso em: 08 nov. 2017.</p><p>DESIGN CULTURE. Pontilhismo: uma técnica de vários estilos. [S.l.], 2014. Disponível</p><p>em: <https://designculture.com.br/pontilhismo-uma-tecnica-de-varios-estilos>.</p><p>Acesso em: 10 nov. 2017.</p><p>PORTAL SÃO FRANCISCO. Pontilhismo. [S.l.], c2017. Disponível em: <http://www.por-</p><p>talsaofrancisco.com.br/arte/pontilhismo>. Acesso em: 10 nov. 2017.</p><p>SOUSA, R. Um pouco sobre hachura. Campinas: Desenho Artístico & Arquitetura, 2014.</p><p>Disponível em: <http://desenhoartisticoarquitetura.blogspot.com.br/2014/01/um-</p><p>-pouco-sobre-hachura.html>. Acesso em: 06 nov. 2017.</p><p>Referência</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas94</p><p>DA_U2_C05.indd 94 01/12/2017 16:59:26</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Luz e sombra</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Reconhecer o uso de luz e sombra como elemento básico para pro-</p><p>duzir volumetria</p><p>� Definir a fonte de luz e a luz refletida dos objetos</p><p>� Aplicar as técnicas de sombra própria e sombra projetada</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você irá estudar o conceito e a aplicação de luz e sombra</p><p>nos desenhos. Luz e sombra são os elementos básicos para gerar o efeito</p><p>de volume nos objetos, sem eles não é possível representar a tridimen-</p><p>sionalidade nos desenhos.</p><p>A descoberta da utilização de claro e escuro na história da arte mo-</p><p>dificou radicalmente os parâmetros de representação que se conheciam</p><p>até então. Na arquitetura, a luz e a sombra são basicamente elementos</p><p>que fazem parte de sua constituição. A correta representação desses</p><p>elementos é essencial para compreensão e apresentação dos estudos</p><p>arquitetônicos.</p><p>Conceito de luz e sombra</p><p>Para transformar um desenho linear, bidimensional, em um desenho tridimen-</p><p>sional, é imprescindível que você utilize os efeitos de luz e sombra. Assim como</p><p>quando observamos elementos reais, nossos olhos só conseguem distinguir</p><p>as dimensões de profundidade.</p><p>Caso um objeto esteja sob luz intensa por todos os lados, ficará totalmente</p><p>iluminado e sem contraste, caso não esteja sob nenhuma fonte de luz, ficará</p><p>completamente escuro e também não será possível perceber sua volumetria.</p><p>Ao olhar para os objetos, o que você enxerga é a reflexão da luz sobre</p><p>as superfícies. A reflexão pode variar conforme a fonte luminosa, o tipo de</p><p>DA_U2_C06.indd 95 01/12/2017 16:59:27</p><p>material das superfícies e as interferências dos demais objetos no fluxo de luz.</p><p>As sombras visíveis representam, na verdade, a ausência de luz.</p><p>A utilização dos efeitos de luz e sombra foi a base que modificou radical-</p><p>mente a arte na história. Na arte antiga, como a dos egípcios (veja a Figura</p><p>1), os desenhos não possuíam esses elementos na sua composição, portanto,</p><p>o resultado eram desenhos sem profundidade, em duas dimensões e com</p><p>aparência pouco realista.</p><p>Figura 1. Ilustração egípcia em que é possível perceber a ausência de profundidade e</p><p>variação de tons sombreados na técnica utilizada.</p><p>Fonte: Vectomart/Shutterstock.com.</p><p>No Renascimento europeu, principalmente nas obras de Leonardo da</p><p>Vinci, começam a ser valorizados os efeitos de luz e sombra nas artes. Nesta</p><p>época, surge o termo chiaroscuro, que significa claro e escuro em italiano.</p><p>Esta geração de artes renomadas ficou marcada pela utilização da luz em suas</p><p>Luz e sombra96</p><p>DA_U2_C06.indd 96 01/12/2017 16:59:27</p><p>obras. Leonardo da Vinci desenvolveu uma técnica conhecida como sfumato,</p><p>que significava o tratamento das sombras sem linhas ou fronteiras, em forma</p><p>de degrade e esfumaçadas. Essa técnica gerava um efeito bem mais leve das</p><p>sombras na pintura e foi muito importante principalmente para as tonalidades</p><p>em rostos. Você pode observar isso na Figura 2.</p><p>Figura 2. Monalisa, de Leonardo da Vinci. Pintura com trabalho de sombreamento usando</p><p>a técnica sfumato.</p><p>Fonte: Oleg Golovnev/Shutterstock.com.</p><p>Após a consolidação da importância de luz e sombra como elementos bási-</p><p>cos na arte, no século XVI, alguns artistas levaram a experiência realista da luz</p><p>para outro nível. Durante a época Barroca, os artistas passaram a utilizar esses</p><p>efeitos para demonstrar as emoções das cenas. O uso do contraste extremo,</p><p>com sombras bem escuras e os pontos claros muito iluminados, geraram cenas</p><p>97Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 97 01/12/2017 16:59:28</p><p>muito expressivas. Essa tendência foi chamada de “Tenebrismo”. Observe o</p><p>uso de luz e sombra como expressão de sentimentos de forma dramática na</p><p>Figura 3.</p><p>Figura 3. Madona de Loreto, arte de Caravaggio (1604).</p><p>Fonte: Renata Sedmakova/Shutterstock.com.</p><p>Assim como ocorreu ao longo da história da arte, o importante ao realizar</p><p>um desenho é buscar o equilíbrio entre os contrastes, procurando atribuir a</p><p>volumetria real dos objetos, mas sem pesar demais.</p><p>Luz</p><p>O primeiro passo para iniciar o trabalho de iluminação no desenho é a defini-</p><p>ção da fonte de luz. Em termos gerais, podemos considerar como fonte a luz</p><p>Luz e sombra98</p><p>DA_U2_C06.indd 98 01/12/2017 16:59:29</p><p>natural (sol) ou a luz artificial (luminárias). É possível também utilizar uma</p><p>combinação dos dois tipos de fontes, vindas de direções variadas.</p><p>Conforme o tipo e a posição da fonte de luz, as áreas claras e as sombras</p><p>ficarão adequadas para cada situação específica. No caso de optar pelo uso</p><p>de iluminação natural, você deve atentar para gerar uma luz mais difusa no</p><p>ambiente, pois o índice de reflexão será maior. Excetua-se dessa situação</p><p>casos em que a luz natural esteja adentrando o ambiente por um orifício muito</p><p>pequeno, o que deixará a luz focada internamente. Na Figura 4 você pode</p><p>observar exemplos de luz forte e luz difusa.</p><p>Figura 4. Demonstração dos efeitos com luz forte e luz difusa sobre os objetos.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 52).</p><p>A luz natural vinda do alto cria sombras paralelas aos objetos; já a luz</p><p>artificial, que ilumina de forma focada e limitada, cria sombras divergentes.</p><p>A observação de objetos reais sob a incidência de diversas posições e tipos de</p><p>luz é fundamental para a compreensão e melhor aplicação desses conceitos.</p><p>Na Figura 5 são apresentados diferentes exemplos da incidência da luz sobre</p><p>objetos.</p><p>99Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 99 01/12/2017 16:59:30</p><p>Figura 5. Exemplos de direcionamento da fonte de luz sobre os objetos.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 53).</p><p>Em termos gráficos, a incidência de luz é a ausência de preenchimento, ou seja, é</p><p>importante que, quanto maior for o contraste entre as faces adjacentes no desenho,</p><p>mais iluminada seja a parte clara.</p><p>Luz e sombra100</p><p>DA_U2_C06.indd 100 01/12/2017 16:59:31</p><p>Neste momento do desenho, a orientação é demarcar a posição da fonte de</p><p>luz, o tipo de fonte que será utilizada e traçar suavemente no desenho a direção</p><p>que ela fará sobre os objetos. Após este lançamento, é possível avaliar os trechos</p><p>que deverão ficar sem preenchimento, nos quais a luz incidirá diretamente.</p><p>Já devem ser avaliados, também, os locais onde o desenho ficará sombreado.</p><p>Além da ausência de preenchimento, é indicado utilizar a borracha para</p><p>valorizar ainda mais as áreas claras, gerando mais contraste. No desenho, a</p><p>borracha é tão importante quanto o lápis. Observe a iluminação da Figura 6.</p><p>Figura 6. Desenho de cena interna com iluminação artificial. Observe os trechos mais</p><p>claros próximos às luminárias, além do formato de sombreamento resultante deste tipo</p><p>de iluminação.</p><p>Fonte: Doyle (2002, p. 122).</p><p>101Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 101 01/12/2017 16:59:33</p><p>Quando um objeto está sobre uma superfície, deve-se analisar os efeitos de reflexão</p><p>gerados por essa superfície de apoio. O trecho do objeto que estiver próximo à super-</p><p>fície terá uma área iluminada, mesmo que seja na zona de sombreamento, em razão</p><p>da reflexão. No exemplo da Figura 7, você pode ver que a parte inferior da esfera está</p><p>iluminada por um degrade feito com lápis.</p><p>Figura 7. Esfera sobre superfície. A fonte de luz está posicionada em um ponto superior</p><p>e à esquerda do objeto.</p><p>Fonte: Egle Lipeikaite/Shutterstock.com.</p><p>Sombras</p><p>As sombras são a representação do efeito que a iluminação gera sobre os</p><p>objetos. Elas são fundamentais pelo delineado das formas e a representação</p><p>de profundidade.</p><p>Existem basicamente dois tipos de sombras: as sombras próprias e as</p><p>sombras projetadas. As sombras próprias são aquelas geradas nas próprias</p><p>faces do objeto, seja por ausência de luz ou por interferência de outros objetos.</p><p>As sombras projetadas consistem naquelas que o objeto produz sobre outras</p><p>faces, como superfícies de apoio ou objetos adjacentes.</p><p>Além desses dois tipos de sombra, temos também outros elementos, como</p><p>reflexos, luz plena e meia sombra. Os reflexos são produzidos pela incidência</p><p>de luz em objetos ou superfícies vizinhas e tornam a sombra da face que recebe</p><p>a luz mais clara, portanto, devem ser considerados no desenho.</p><p>Luz e sombra102</p><p>DA_U2_C06.indd 102 01/12/2017 16:59:35</p><p>Já as zonas de transição entre as áreas de sombra e a as áreas iluminadas</p><p>são chamadas de meia sombra ou meio tom. No desenho a meia sombra, esta</p><p>deve ser representada com menos intensidade, gerando um degrade entre a</p><p>zona clara e a sombra própria do objeto.</p><p>A presença ou não destes elementos varia muito conforme o tipo de cena,</p><p>os objetos existentes e o tipo de iluminação. Por isso, as sombras devem ser</p><p>avaliadas e desenvolvidas em cada situação específica. Na Figura 8 você pode</p><p>ver exemplos de luz e sombra.</p><p>Figura 8. Ilustração que demonstra os efeitos de luz e sombra no objeto (sugestão de</p><p>desenho para reprodução).</p><p>Para iniciar o trabalho de sombreamento, a sugestão é lançar formas ge-</p><p>ométricas simples em um papel, preferencialmente mais espesso e poroso.</p><p>Utilize um lápis macio, o grafite 4B, por exemplo, para facilitar a graficação</p><p>das sombras.</p><p>103Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 103 01/12/2017 16:59:36</p><p>Após desenhar as formas básicas e definir o posicionamento e a direção</p><p>da fonte de luz, você deve estudar o formato que as sombras terão nos objetos</p><p>e as sombras projetadas. A melhor forma de compreender o funcionamento</p><p>das sombras é iniciando com desenhos de observação, no qual o desenho será</p><p>uma reprodução da realidade. Pratique esse exercício com os mesmos objetos</p><p>e a fonte de luz posicionada em locais diferentes, pois, assim, será possível</p><p>analisar o impacto que a luz gera no conjunto de objetos.</p><p>As sombras podem ser lançadas com o uso da técnica de hachuras paralelas</p><p>e cruzadas, nas quais o escurecimento é feito utilizando linhas. Podem também</p><p>ser feitas com movimentos circulares contínuos.</p><p>Outra técnica bastante utilizada é o sombreamento misto, no qual se aplicam</p><p>rabiscos de grafite sobre o papel e, em seguida, os esfumaça, utilizando os</p><p>dedos, um papel macio ou com o auxílio de esfuminho. A ideia de esfumar</p><p>auxilia no desenvolvimento do degrade entre as tonalidades. Caso utilize</p><p>algum método com tracejado de linhas, elas devem ser espaçadas ao longo</p><p>da sombra, para suavizar até chegar ao ponto de claridade total.</p><p>Você precisa estar atento para não pesar demais nas sombras, deixando o</p><p>desenho desequilibrado. O ideal é trabalhar lentamente, sobrepondo as man-</p><p>chas para escurecer aos poucos, evitando os excessos. As sombras próprias</p><p>tendem a ser mais claras que as projetadas, porém isso não é uma regra e deve</p><p>ser avaliada em cada caso. Observe, a seguir, os exemplos apresentados nas</p><p>Figuras 9, 10 e 11.</p><p>Figura 9. Desenho de figuras geométricas. Observar os pontos de claridade, sombra</p><p>própria e sombra projetada. As sombras, especialmente as projetadas, foram esfumadas</p><p>para uma maior uniformidade.</p><p>Fonte: Oana_Unciuleanu/Shuterstock.com.</p><p>Luz e sombra104</p><p>DA_U2_C06.indd 104 01/12/2017 16:59:37</p><p>Você pode perceber, na Figura 9, que os trechos imediatos onde os objetos</p><p>encontram na superfície de apoio possuem uma linha bem intensa de sombra,</p><p>pois é um local que praticamente não recebe incidência de luz.</p><p>Figura 10. Cubo cujo sombreamento próprio e projetado foi feito utilizando a técnica de</p><p>hachuras.</p><p>Fonte: Risovanna/Shutterstock.com.</p><p>Figura 11. Croqui feito com grande contraste entre claro e escuro, gerando um desenho</p><p>bastante expressivo.</p><p>Fonte: Rana Hasanova/Shutterstock.com.</p><p>105Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 105 01/12/2017 16:59:38</p><p>A utilização de luz e sombra nos desenhos de arquitetura é indispensável,</p><p>pois são fundamentais para a compreensão das volumetrias e profundidades,</p><p>além da relação entre elementos das edificações. As técnicas citadas servem</p><p>como exercícios iniciais para o treinamento da percepção das relações entre</p><p>claro e escuro e para desenvolver os métodos de desenho que serão mais</p><p>adequados para cada um.</p><p>1. Luz e sombra são elementos</p><p>considerados técnicas:</p><p>a) opcionais, inseridos conforme</p><p>a necessidade estética da</p><p>imagem a ser construída.</p><p>b) estruturais,</p><p>pois é a partir do seu</p><p>uso que a ideia inicial do projeto</p><p>é representada graficamente.</p><p>c) essenciais, uma vez que é a</p><p>partir de seu uso que é possível</p><p>simular profundidade e compor</p><p>as imagens de modo realista.</p><p>d) ultrapassadas, pois não</p><p>permitem que os objetos</p><p>sejam dimensionados.</p><p>e) opcionais, pois é a partir de seu</p><p>uso que a ideia inicial do projeto</p><p>é representada graficamente.</p><p>2. Ao iniciar a representação</p><p>da luz em uma imagem,</p><p>devemos iniciar pela:</p><p>a) representação da claridade,</p><p>utilizando a borracha para</p><p>intensificar a clareza do foco de luz.</p><p>b) definição dos pontos de origem</p><p>da fonte de luz, possibilitando</p><p>definir os ângulos de</p><p>representação da luminosidade.</p><p>c) representação das sombras</p><p>entorno dos objetos.</p><p>d) definição de intensidade e</p><p>tonalidades escuras, que serão</p><p>utilizadas na representação</p><p>da luminosidade.</p><p>e) escolha da escala de</p><p>representação das sombras e</p><p>definição do único foco de luz.</p><p>3. Preencha as lacunas da seguinte</p><p>frase: A luminosidade natural</p><p>é representada __________,</p><p>enquanto a luminosidade</p><p>artificial é _____________.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta</p><p>as opções corretas.</p><p>a) de modo difuso – representada</p><p>também de modo difuso,</p><p>porém com mais suavidade.</p><p>b) de modo focado – de</p><p>modo difuso.</p><p>c) de modo predominantemente</p><p>focado – de modo</p><p>completamente focal.</p><p>d) de modo focado –</p><p>representada também de</p><p>modo difuso, porém com</p><p>maior intensidade.</p><p>e) de modo predominantemente</p><p>difuso – de modo focado.</p><p>4. Sobre o sombreamento, assinale a</p><p>alternativa correta.</p><p>a) É a técnica considerada</p><p>padrão-ouro para</p><p>representação fidedigna das</p><p>dimensões do desenho.</p><p>Luz e sombra106</p><p>DA_U2_C06.indd 106 01/12/2017 16:59:38</p><p>b) É o resultado da incidência da</p><p>luz sobre os objetos, sendo</p><p>representado pela luminosidade</p><p>a partir do uso da cor branca.</p><p>c) É a única técnica existente</p><p>para representar volumetrias</p><p>e dimensões em uma figura.</p><p>d) É uma técnica que pode</p><p>ser expressa tanto pela</p><p>sombra projetada como pela</p><p>sombra própria do objeto.</p><p>e) É a região de transição do</p><p>desenho, em que são</p><p>utilizados os tons mais</p><p>escuros.</p><p>5. A sombra pode ser representada por</p><p>quais tipos de técnicas?</p><p>a) Hachuras e esfumados.</p><p>b) Uso da borracha nas zonas claras,</p><p>destacando a luminosidade</p><p>que se deseja representar.</p><p>c) Pontilhismo hachurado.</p><p>d) Sobreposição de manchas</p><p>com uso de lápis coloridos</p><p>aquareláveis.</p><p>e) Pontilhamento paralelo.</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa-</p><p>gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>CORTOPASSI, L. Claro-escuro. [S.l.]: Tudo sobre Pintura, 2012. Disponível em: <http://</p><p>lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano-</p><p>-cortopassi.html>. Acesso em: 11 nov. 2017.</p><p>PORTO, G. Tenebrismo. [S.l.]: InfoEscola, c2006-2017. Disponível em: <https://www.</p><p>infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/>. Acesso em: 12 nov. 2017.</p><p>WIKIPÉDIA. Sfumato. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/</p><p>Sfumato>. Acesso em: 12 nov. 2017.</p><p>107Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 107 01/12/2017 16:59:38</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Manuseio dos instrumentos</p><p>de desenho</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Diferenciar os tipos de materiais de graficação utilizados no desenho.</p><p>� Identificar as variações de papéis e quais suas aplicações.</p><p>� Listar os instrumentos auxiliares para desenho e suas funções.</p><p>Introdução</p><p>Não existe certo e errado quando se trata da escolha de instrumentos de</p><p>desenho. O segredo é sempre experimentar para encontrar os melhores</p><p>instrumentos, conforme o tipo de trabalho que se pretende executar.</p><p>Materiais de graficação são os instrumentos que pigmentam ou apagam</p><p>os desenhos, e devem ser escolhidos de acordo com o efeito a ser gerado,</p><p>desde desenhos rápidos com traços marcados a desenhos mais técnicos</p><p>com traços finos e detalhamentos. Além disso, você precisa saber também</p><p>quais instrumentos auxiliares serão necessários e qual o melhor papel a</p><p>ser utilizado (visto que existem diversos tipos, que variam em espessura,</p><p>textura, transparência e capacidade de absorção).</p><p>Neste capítulo, você irá estudar os variados tipos de instrumentos</p><p>utilizados no desenho técnico, conhecendo suas características, funções</p><p>e possíveis aplicações.</p><p>Materiais de graficação</p><p>Existem diversos tipos de materiais de graficação utilizados para desenhar</p><p>que possuem aplicações distintas para cada situação de desenho.</p><p>DA_U1_C01.indd 11 01/12/2017 16:50:59</p><p>Grafites</p><p>Vamos falar inicialmente sobre as variações de grafites, que podem ser apre-</p><p>sentadas em formato de lápis, lapiseiras ou avulsos.</p><p>As minas de grafites são divididas nas seguintes graduações, por escala</p><p>de dureza:</p><p>� Traço fino, ideal para desenho técnico: 9H, 8H, 7H, 6H, 5H, 4H,</p><p>3H, 2H.</p><p>� Traço médio, utilizado para escrita e desenho: H, F, HB.</p><p>� Traço grosso, mais utilizado em desenho artístico e esboços: B, 2B,</p><p>3B, 4B, 5B, 6B, 7B, 8B, 9B.</p><p>A letra H vem de hard (“duro”, em inglês). Trata-se de uma mina mais dura,</p><p>portanto o resultado é um traçado mais claro. A letra B vem da palavra black</p><p>(“preto”, em inglês). O grafite B é macio e, quanto maior for a numeração de</p><p>B, mais macia será a mina e mais preta será a escrita. Já o HB (hard/black)</p><p>é um grafite intermediário, comumente encontrado como lápis de escrita.</p><p>Em desenhos técnicos, é mais usual utilizar grafites mais duros para poder</p><p>trabalhar melhor os detalhes e ter maior controle das espessuras de linhas, que,</p><p>no caso de desenho de arquitetura, exigem muita precisão. Croquis, esboços</p><p>e desenhos artísticos pedem grafites mais macios, que geram desenhos mais</p><p>soltos. Entretanto, conforme o tipo de acabamento a ser feito no desenho, como</p><p>sombreamentos e acabamentos finos, por exemplo, a escolha da graduação</p><p>pode variar para cada situação.</p><p>Os grafites são constituídos de uma mistura entre carvão e argila. Quanto</p><p>maior for a quantidade de carvão na mistura, mais macio será o grafite e mais</p><p>preta a escrita. Se a quantidade de argila for maior, a mina será mais rija e a</p><p>escrita, mais clara. Na Figura 1, você pode ver um exemplo de lápis com as</p><p>suas graduações.</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho12</p><p>DA_U1_C01.indd 12 01/12/2017 16:50:59</p><p>Figura 1. Conjunto de lápis com a marcação das devidas graduações.</p><p>Fonte: V J Matthew/Shutterstock.com</p><p>As Figuras 2 e 3 apresentam exemplos de desenhos arquitetônicos com a</p><p>utilização de diferentes tipos de grafites.</p><p>Figura 2. Desenho arquitetônico sendo feito a lápis.</p><p>Fonte: Roman Motizov/Shutterstock.com.</p><p>13Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 13 01/12/2017 16:51:02</p><p>Figura 3. Desenho feito a lapiseira de grafite espesso.</p><p>Fonte: Radu Bercan/Shutterstock.com.</p><p>Carvão vegetal</p><p>O carvão vegetal em barra é feito com o carbono seco que sobra após a queima</p><p>da madeira. Segundo Brian Curtis (2015), é um material seco que pode tanto</p><p>deixar marcas como ser apagado facilmente</p><p>da maioria das superfícies. Por</p><p>ter essa característica, é utilizado para esboços e desenhos de traços rápidos.</p><p>Já o carvão comprimido, mesmo material encontrado nas minas de lápis,</p><p>é aglutinado com argila e bem mais versátil. Pode ser encontrado também</p><p>nos formatos de cilindros, como você pode ver na Figura 4, e em blocos</p><p>comprimidos.</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho14</p><p>DA_U1_C01.indd 14 01/12/2017 16:51:04</p><p>Figura 4. Modelos de lápis e cilindros de carvão comprimido.</p><p>Fonte: Burhan Bunardi/Shutterstock.com</p><p>Na Figura 5, você pode observar um desenho realizado com bloco de</p><p>carvão comprimido.</p><p>Figura 5. Desenho sendo produzido com bloco de carvão comprimido.</p><p>Fonte: Africa Studio/Shutterstock.com</p><p>15Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 15 01/12/2017 16:51:07</p><p>Para aprender mais sobre materiais de desenho e ver dicas para técnicas de desenho,</p><p>consulte o livro Desenho de Observação (CURTIS, 2015).</p><p>Caneta nanquim</p><p>A caneta nanquim é o principal método de graficação utilizado na finalização</p><p>do desenho técnico. Possui grande variedade de graduações, gerando diferentes</p><p>espessuras de linhas. Muito utilizada sobre papel manteiga ou vegetal, é encon-</p><p>trada também em versões coloridas. Possui utilização tanto no desenho técnico</p><p>como em artístico e croquis. Devido à existência de canetas com espessuras</p><p>muito finas, permite traçados em trechos ou desenhos bem detalhados. Veja</p><p>os exemplos de caneta nanquim nas Figuras 6 e 7.</p><p>Figura 6. (a) Ilustração de caneta nanquim ponta fina. (b) Exemplo de caneta em desenho</p><p>arquitetônico.</p><p>Fonte: (a) DesignPrax/Shutterstock.com / (b) sindlera/Shutterstock.com.</p><p>Lápis de cor</p><p>Velhos conhecidos da maioria das pessoas, os lápis de cor são quase indis-</p><p>pensáveis quando se trata de desenho a cores. Podem ser encontrados desde</p><p>modelos bem populares a marcas conceituadas de valores bastante elevados. A</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho16</p><p>DA_U1_C01.indd 16 01/12/2017 16:51:09</p><p>diferença entre eles é basicamente a qualidade das minas – os de maior valor</p><p>costumam ter mais intensidade de pigmento e facilidade de aplicação. Além</p><p>disso, possuem uma infinidade de cores e tonalidades.</p><p>Os lápis aquareláveis são muito utilizados no universo do desenho artístico,</p><p>por permitirem a aplicação de pincel molhado sobre o pigmento, diluindo a cor</p><p>e gerando o efeito de aquarela. Mesmo sem a utilização de água, este modelo</p><p>de lápis é de uma maciez muito agradável ao uso.</p><p>Caneta hidrográfica</p><p>As canetas hidrográficas, também conhecidas como “canetinhas”, possuem</p><p>versões mais profissionais para uso no desenho. São muito utilizadas as que</p><p>possuem ponta chanfrada, que geram linhas mais largas e facilitam os preenchi-</p><p>mentos das ilustrações. São encontradas em diversas tonalidades, que passam</p><p>até mesmo por escalas de cinza e geram um efeito levemente translúcido.</p><p>Essas canetas são grandes aliadas no desenho arquitetônico artístico, pois</p><p>podem ser utilizadas tanto em perspectivas como para realçar plantas baixas.</p><p>Esfuminho</p><p>O esfuminho é um instrumento em rolo cilíndrico de papel, enrolado bem</p><p>apertado. Possui formato cilíndrico e ponta aparada, como se fosse um lápis.</p><p>Sua utilização principal é para esfumar trechos do desenho em que se deseja</p><p>que o pigmento fique suavizado. Seu uso permite gerar efeitos de sombras,</p><p>auxiliar em efeito degradê, suavizar contornos e gerar efeitos de desfoque,</p><p>conforme você pode observar na Figura 7.</p><p>17Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 17 01/12/2017 16:51:10</p><p>Figura 7. Esfuminho ao lado de borracha “limpa tipo”. Ao fundo, desenho com efeito</p><p>esfumado.</p><p>Fonte: Warren Price Photography/Shutterstock.com.</p><p>Borrachas</p><p>É impossível falarmos sobre materiais de graficação sem falarmos nos elemen-</p><p>tos complementares opostos, que são as borrachas. Em diversas composições</p><p>e modelos, possuem aplicações distintas para cada necessidade.</p><p>A borracha comum, demonstrada na Figura 8, é o tipo mais encontrado</p><p>nas livrarias e que conhecemos como borracha escolar. Boa para usos diários</p><p>menos detalhados. Esfarela bastante e é necessário cuidado para não borrar.</p><p>Figura 8. Borracha do tipo comum.</p><p>Fonte: Mega Pixel/Shutterstock.com.</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho18</p><p>DA_U1_C01.indd 18 01/12/2017 16:51:11</p><p>A borracha plástica, ilustrada na Figura 9, é muito utilizada no desenho</p><p>técnico. Por ser de constituição mais firme, pode-se utilizar suas extremidades</p><p>para apagar detalhes nos desenhos. Além disso, tem a característica de não</p><p>borrar muito o papel.</p><p>Figura 9. Exemplo de borracha plástica.</p><p>Fonte: tnehala77/Shutterstock.com</p><p>A borracha “limpa tipo”, ilustrada na Figura 10, tem esse nome porque era</p><p>utilizada para apagar letras de máquinas de escrever. Essa borracha é essencial</p><p>no desenho artístico; por ser muito maleável, permite que seja moldada no</p><p>formato desejado, como uma massa de modelar. Ao formar pontas do formato</p><p>necessário para o trecho a ser apagado, o resultado é uma alta precisão. A</p><p>borracha é constituída de um material que absorve o pigmento do desenho</p><p>e, por isso, ela não borra o papel. Por outro lado, isso faz com que ela fique</p><p>mais escura ao longo do tempo, com o uso.</p><p>Figura 10. Borracha “limpa tipo”.</p><p>Fonte: ImagePixel/Shutterstock.com.</p><p>19Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 19 01/12/2017 16:51:13</p><p>Tipos de papel</p><p>O papel é um material utilizado há milhares de anos e possui uma grande</p><p>importância na história do mundo. É um instrumento muito democrático,</p><p>disponível em uma infinidade de texturas, formatos e espessuras.</p><p>A gramatura do papel é a indicação do seu peso por metro quadrado, e é</p><p>esta representação que utilizamos para diferenciar sua espessura. O pH do papel</p><p>também é um fator importante, o papel neutro (pH = 7), por exemplo, garante</p><p>uma maior durabilidade da obra. Não podemos classificar um papel como bom ou</p><p>ruim, mas sim entender a aplicação de cada um deles para situações específicas.</p><p>Além disso, o usuário define, por meio da experimentação, qual o papel mais</p><p>adequado para seu trabalho, conforme o gosto e materiais de desenho que utiliza.</p><p>É importante conhecer as dimensões dos papéis na hora de desenvolver um projeto</p><p>arquitetônico. As dimensões das pranchas técnicas são regidas pela Norma Brasileira</p><p>Regulamentadora (NBR) nº 10.068: Folha de Desenho – Leiaute e dimensões (ASSO-</p><p>CIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 1987). As principais dimensões de folhas,</p><p>como você pode observar na Figura 11, são as seguintes:</p><p>� A4 – 21,0 x 29,7 cm.</p><p>� A3 – 29,7 x 42,0 cm.</p><p>� A2 – 42,0 x 59,4 cm.</p><p>� A1 – 59,4 x 84,1 cm.</p><p>� A0 – 84,1 x 118,9 cm.</p><p>Figura 11. Esquema internacional para dimensões de papéis.</p><p>Fonte: iunewind/Shutterstock.com.</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho20</p><p>DA_U1_C01.indd 20 01/12/2017 16:51:13</p><p>Sulfite</p><p>É o tipo mais comum de papel, também chamado de off-set. É muito utilizado</p><p>para impressões, escrita e em ambiente escolar. É indicado para esboços e treinos</p><p>de traçados, porém não é um papel muito abrangente para uso no desenho, espe-</p><p>cialmente por ser muito poroso. Pode ser encontrado em gramaturas de 50 g/m2</p><p>a 300 g/m2. A gramatura de 75 g/m2, mais comum, é indicada para lápis escolar</p><p>HB ou 2B. As gramaturas maiores suportam grafites mais macios como 4B e 6B.</p><p>Canson</p><p>O nome provém de uma marca fabricante de papéis especiais desde 1557 que</p><p>se popularizou devido à imensa cartela de opções de papéis existentes para</p><p>a área do desenho, além da qualidade das folhas. É bastante indicado para</p><p>desenhos, pois possui boa textura e variação de texturas. É um papel muito</p><p>utilizado, pois é mais acessível que os papéis especiais de desenho, que em</p><p>geral têm valores mais altos. Além disso, é adequado para a maioria dos</p><p>materiais de graficação e coloração, como grafites, lápis, canetas, e suporta</p><p>também tintas aguadas como aquarelas e tinta acrílica.</p><p>Manteiga</p><p>O papel manteiga é muito utilizado no meio arquitetônico. É um pouco mais</p><p>fino que o papel vegetal, fosco e possui semitransparência.</p><p>É indicado na</p><p>utilização de grafites, de preferência mais duros, caneta nanquim e canetas</p><p>hidrocor. Por ser muito fino, não aceita bem correções no nanquim e não</p><p>permite a utilização de aquarelas. Esse tipo de papel é muito útil para sobrepor</p><p>em outros esboços e desenhos, devido à sua propriedade translúcida.</p><p>Vegetal</p><p>É mais espesso que o papel manteiga e também semitranslúcido. É indicado</p><p>para graficação em nanquim para as versões finais de projeto. Sua transparência</p><p>permite que sejam “passados a limpo” desenhos de esboços anteriores para</p><p>a versão final. A constituição mais espessa desse papel permite raspagens de</p><p>nanquim. As folhas não devem ser dobradas, pois as dobras deixam marcas</p><p>e o papel acaba rasgando. Permite a utilização de grafites, nanquim, hidrocor</p><p>e lápis de cor. Não possui absorção para ser utilizado com materiais aguados</p><p>como lápis aquareláveis.</p><p>21Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 21 01/12/2017 16:51:13</p><p>Nas Figuras 12 e 13 você pode observar imagens com tipos diferentes de</p><p>papéis.</p><p>Figura 12. Projetos em papel sulfite abertos na mesa e rolos de projeto em papel vegetal.</p><p>Fonte: Dimitar Sotirov/Shutterstock.com.</p><p>Figura 13. Projetos arquitetônicos em papel vegetal.</p><p>Fonte: Dimitar Sotirov/Shutterstock.com.</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho22</p><p>DA_U1_C01.indd 22 01/12/2017 16:51:18</p><p>O ideal é sempre prender a folha utilizando fitas adesivas na mesa de trabalho. É muito</p><p>importante que o papel se mantenha firme e não se movimente ou enrole durante</p><p>a produção do desenho. Utilize materiais de fácil descolamento, como fita crepe.</p><p>Instrumentos auxiliares de desenho</p><p>Existe uma infinidade de instrumentos que podem nos auxiliar na produção dos</p><p>desenhos, seja gerando precisão nas linhas, facilitando as medições, gerando</p><p>conforto para quem está desenhando, entre outros. Agora, você vai conhecer</p><p>alguns dos instrumentos mais utilizados.</p><p>Esquadros</p><p>São uma espécie de régua triangular cuja função principal é o traçado, espe-</p><p>cialmente em desenho técnico, pois gera precisão nas linhas. São normalmente</p><p>usados em duas unidades, dos seguintes tipos:</p><p>� Com um ângulo de 30º e dois ângulos de 45º.</p><p>� Com um ângulo reto, um ângulo de 30º e um de 60º.</p><p>Os esquadros são indispensáveis no desenho técnico. Deve-se ter o cuidado</p><p>de adquirir materiais de boa qualidade, pois serão a base de apoio para o</p><p>traçado reto e inclinado das linhas e não podem ter reentrâncias ou saliências</p><p>que prejudiquem o desenho.</p><p>Transferidor</p><p>É um instrumento curvo, com graduações numerais. Sua função é medir e</p><p>transferir ângulos no desenho. Pode ser encontrado em formato de semicírculo,</p><p>com graduação até 180º, ou círculo completo, graduado até 360º.</p><p>Observe os materiais que foram descritos na Figura 14.</p><p>23Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 23 01/12/2017 16:51:18</p><p>Figura 14. Régua junto a um conjunto de esquadros e transferidor.</p><p>Fonte: Gearstd/Shutterstock.com.</p><p>Gabaritos</p><p>São placas de acrílico perfuradas com formas variadas que auxiliam o dese-</p><p>nho. Sua função é servir de molde para traçar as formas. Podem ter formas</p><p>de letras, números, formas geométricas, louças sanitárias, etc. Existem em</p><p>diversas escalas para se adaptar à escala do desenho.</p><p>Compasso</p><p>Sua função é especialmente para traçar linhas curvas e círculos. Possui for-</p><p>mato em “V” e é ajustável, como você pode ver na Figura 15. Uma de suas</p><p>extremidades é pontiaguda e seca, servindo para apoiar e firmar o compasso</p><p>ao papel. Além do uso para traçados curvos, pode também ser utilizado para</p><p>transferir medidas de um trecho a outro do desenho.</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho24</p><p>DA_U1_C01.indd 24 01/12/2017 16:51:24</p><p>Figura 15. Desenhos produzidos com o auxílio de compasso.</p><p>Fonte: Kucher Serhii/Shutterstock.com.</p><p>Escalímetro</p><p>É uma régua com função de medir e transferir medidas em escalas variadas.</p><p>Essa ferramenta auxilia na redução ou ampliação das medidas para outras</p><p>escalas. Usualmente, é encontrada em formato triangular, como demonstrado</p><p>na Figura 16, mas pode ser em outros formatos. Muitas vezes, suas laterais são</p><p>marcadas em cores diferenciadas para agilizar a localização de cada escala.</p><p>Não deve ser utilizada como suporte para riscar no papel. É um instrumento</p><p>muito usual para os arquitetos, pois é aplicado para medir inclusive desenhos</p><p>impressos gerados por computador.</p><p>25Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 25 01/12/2017 16:51:25</p><p>Figura 16. Escalímetro sobre projetos arquitetônicos.</p><p>Fonte: Ricardo Romero/Shutterstock.com.</p><p>Mesa de desenho</p><p>Sua função é ser a grande auxiliar na produção de desenhos, pois possui</p><p>características específicas para gerar conforto a quem está desenhando. Mais</p><p>comumente, a mesa é encontrada em estrutura de madeira ou metal e possui</p><p>variedade de dimensões. Uma das características essenciais é o sistema de</p><p>regulagens que permite a inclinação do tampo, conforme você pode ver na</p><p>Figura 17, mantendo o papel em uma posição adequada para visualização e</p><p>desenvolvimento do desenho. Normalmente, é encontrada na cor branca ou</p><p>forrada com película verde, sendo o verde uma cor adequada pois não gera</p><p>ofuscamento aos olhos.</p><p>Figura 17. Modelo de mesa de desenho.</p><p>Fonte: BimXD/Shutterstock.com.</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho26</p><p>DA_U1_C01.indd 26 01/12/2017 16:51:30</p><p>Longas horas de trabalho em uma mesa de desenho podem gerar dores na coluna</p><p>e pescoço. É importante escolher um assento confortável e manter a postura ereta</p><p>para evitar desgaste físico.</p><p>Régua paralela</p><p>Trata-se do principal instrumento auxiliar da mesa de desenho. A régua é</p><p>transparente, normalmente com suporte metálico para manuseio e é fixada na</p><p>mesa horizontalmente ao plano de trabalho, conforme representação da Figura</p><p>18. Seu sistema de fixação permite que a régua seja movimentada ao longo da</p><p>superfície da mesa, permitindo posicioná-la no local exato a serem traçadas</p><p>as linhas. Sua função é auxiliar no traçado das linhas horizontais e também</p><p>servir de apoio para os esquadros, para traçar linhas verticais e diagonais.</p><p>Figura 18. Detalhe de régua paralela.</p><p>Fonte: Paraksa/Shutterstock.com.</p><p>Luminária</p><p>De nada adianta termos todos os instrumentos para o desenho se não tivermos</p><p>uma iluminação adequada no local de trabalho. É recomendado que se utilize</p><p>uma luminária com fixação específica para a mesa de desenho, ou com possi-</p><p>27Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 27 01/12/2017 16:51:31</p><p>bilidade de prender nesta. A luminária deve ficar posicionada na extremidade</p><p>superior do tampo, direcionada para baixo. Sua função é iluminar o papel,</p><p>sem que a pessoa que está desenhando gere sombra no desenho, de acordo</p><p>com a representação da Figura 19. Deve ser observado também o cuidado</p><p>em utilizar lâmpadas de boa qualidade, para não gerar distorção nas cores.</p><p>Figura 19. Ilustração de mesa com posição adequada da iluminação.</p><p>Fonte: Iconic Bestiary/Shutterstock.com.</p><p>As lâmpadas possuem uma escala para medir a qualidade com a qual reproduzem a</p><p>cor dos objetos que estão sob sua iluminância. Essa escala é denominada Índice de</p><p>Reprodução de Cor (IRC). Quanto mais próximo de 100 for o índice, com mais fidelidade</p><p>as cores serão reproduzidas. Recomenda-se utilizar lâmpadas com IRC acima de 80.</p><p>Bigode</p><p>Pincel com cerdas macias e volumosas, a função do bigode é a remoção do</p><p>excesso de pó de grafite ou farelo de borracha. Esse pincel evita gerar bor-</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho28</p><p>DA_U1_C01.indd 28 01/12/2017 16:51:37</p><p>rões no desenho, algo que pode facilmente ocorrer se essa limpeza for feita</p><p>utilizando as mãos.</p><p>Você pode perceber que cada material tem sua função própria e deve ser</p><p>aplicado em situações específicas. Alguns podem variar conforme o efeito</p><p>desejado no desenho, como é o caso dos materiais de graficação e coloração,</p><p>ao passo que outros são instrumentos de apoio que facilitam e melhoram as</p><p>condições de trabalho durante o desenho.</p><p>O desenho à mão é uma expressão muito particular,</p><p>e a escolha dos ma-</p><p>teriais depende muito da intenção e afinidade da pessoa que fará o desenho.</p><p>Entretanto, conhecer o universo de instrumentos de desenho é fundamental</p><p>para a qualidade final do trabalho a ser realizado.</p><p>1. Um arquiteto vai desenvolver</p><p>croquis com estudos de volumetria</p><p>de um prédio. Esse desenho será</p><p>feito com traços rápidos e densos,</p><p>sem detalhamentos. Qual seria</p><p>o método de graficação mais</p><p>indicado para este desenho?</p><p>a) Lápis de cor.</p><p>b) Caneta nanquim ponta fina.</p><p>c) Bloco de carvão comprimido.</p><p>d) Caneta hidrográfica.</p><p>e) Lápis com grafite 9H.</p><p>2. Para fazer um desenho, um</p><p>artista está buscando um lápis</p><p>ultramacio, que deixe as linhas</p><p>bem escuras e marcadas. Assinale</p><p>a alternativa que apresenta qual</p><p>lápis este artista deve comprar.</p><p>a) 8H.</p><p>b) HB.</p><p>c) 2B.</p><p>d) 5H.</p><p>e) 9B.</p><p>3. Ao desenvolver um trabalho de</p><p>desenho artístico da faculdade,</p><p>um aluno irá colorir com lápis</p><p>aquarelável, diluindo o pigmento</p><p>com pincel molhado. Com base</p><p>nessas informações, qual é o papel</p><p>mais adequado para este trabalho?</p><p>a) Sulfite 75 g/m2.</p><p>b) Manteiga.</p><p>c) Canson.</p><p>d) Sulfite 120 g/m2.</p><p>e) Vegetal.</p><p>4. Existem diversos instrumentos</p><p>que auxiliam na hora de traçar os</p><p>desenhos. Assinale a alternativa</p><p>que descreve o instrumento auxiliar</p><p>representado no desenho a seguir.</p><p>Fonte: hunthomas/Shutterstock.com</p><p>29Manuseio dos instrumentos de desenho</p><p>DA_U1_C01.indd 29 01/12/2017 16:51:40</p><p>a) Régua paralela.</p><p>b) Esquadro.</p><p>c) Transferidor.</p><p>d) Compasso.</p><p>e) Bigode.</p><p>5. O instrumento da imagem a seguir</p><p>é muito utilizado em desenhos</p><p>arquitetônicos. Assinale a alternativa</p><p>que representa a sua função.</p><p>Fonte: Epps_Taniam/Shutterstock.com.</p><p>a) Medir e transferir ângulos</p><p>no desenho.</p><p>b) Traçar desenhos circulares.</p><p>c) Realizar desenhos em</p><p>ângulos de 60º.</p><p>d) Medir e transferir medidas</p><p>em escalas variadas.</p><p>e) Traçar linhas paralelas ao</p><p>plano de trabalho.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10068: Folha de desenho –</p><p>leiaute e dimensões – padronização. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.</p><p>CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>DOMINGUES, F. Croquis e perspectivas. Porto Alegre: Masquatro, 2011.</p><p>FARRELLY, L. Técnicas de representação. Porto Alegre: Bookman, 2011. (Coleção Fun-</p><p>damentos de Arquitetura).</p><p>MAIA, O. Materiais p/ desenho. [S.l.]: A expressão da Arte, [2010]. Disponível em: <ht-</p><p>tps://dessiner.wordpress.com/passo-a-passo/materiais-para-desenho/>. Acesso em:</p><p>02 out. 2017.</p><p>MONTENEGRO, G. Desenho arquitetônico. 3. ed. São Paulo: Blucher, 1997.</p><p>NOGUEIRA, L. Desenho para iniciantes (introdução). [S.l.]: Desenhe Tudo, [2011]. Disponí-</p><p>vel em: <http://desenhetudo.blogspot.com.br/p/desenho-para-iniciantes-introducao.</p><p>html>. Acesso em: 03 out. 2017.</p><p>Manuseio dos instrumentos de desenho30</p><p>DA_U1_C01.indd 30 01/12/2017 16:51:41</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Forma e processos de</p><p>síntese da forma</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Identificar as características estruturais do espaço compositivo.</p><p>� Reconhecer em composições bidimensionais as regras dos terços, a</p><p>regra das três arestas e a regra dos ímpares.</p><p>� Distinguir em composições os recursos de desenho profundidade,</p><p>vazio e fechamento.</p><p>Introdução</p><p>Sabendo que os elementos compositivos formam todas as composições,</p><p>e conhecendo como se relacionam entre eles e com o espaço, neste</p><p>capítulo você irá estudar em que lugar do espaço bidimensional é pos-</p><p>sível dispor os elementos visuais, a fim de tornar as composições mais</p><p>equilibradas e agradáveis para o espectador.</p><p>Compreendendo o espaço compositivo</p><p>Qualquer espaço compositivo oculta uma estrutura, que pode evidenciar, ou</p><p>não, as formas nele distribuídas. O esqueleto estrutural do espaço compositivo,</p><p>combinado com o sentido de leitura visual, pode fornecer pistas sobre como</p><p>dispor as formas no espaço bidimensional.</p><p>Estrutura oculta do quadrado</p><p>Suponha que nosso espaço de composição seja um quadrado. O quadrado</p><p>oculta em si um esqueleto estrutural que faz nossa atenção ser atraída para</p><p>determinados pontos. Segundo o autor Rudolf Arnheim (2011), o centro do</p><p>quadrado tem forte poder de atração dos elementos compositivos, conforme</p><p>DA_U3_C08.indd 125 01/12/2017 17:00:36</p><p>você pode observar na Figura 1, pois no centro os pesos visuais estão equili-</p><p>brados, como apresentado na Figura 2.</p><p>Figura 1. Elementos compositivos.</p><p>Figura 2. Pesos visuais.</p><p>Segundo o mesmo autor (ARNHEIM, 2011), as margens também possuem</p><p>a capacidade de atrair para ela os elementos de composição, o que torna a com-</p><p>posição visualmente mais confortável, como você pode observar na Figura 3.</p><p>Forma e processos de síntese da forma126</p><p>DA_U3_C08.indd 126 01/12/2017 17:00:39</p><p>Figura 3. Atração das margens.</p><p>Sentido da leitura</p><p>Conforme o autor Brian Curtis (2015), o direcionamento da leitura interfere</p><p>na assimilação dos elementos formais no espaço compositivo. Influenciado</p><p>pelo padrão de escrita, os ocidentais tendem a mover seus olhos em torno das</p><p>bordas do quadrado, começando pelo lado superior esquerdo, passando pelo</p><p>centro e terminando no lado inferior direito, como exemplificado na Figura 4.</p><p>Logo, os elementos compositivos localizados nesses espaços ganham destaque,</p><p>como você pode observar na Figura 5.</p><p>127Forma e processos de síntese da forma</p><p>DA_U3_C08.indd 127 01/12/2017 17:00:39</p><p>Figura 4. Observação conforme sentido da leitura.</p><p>Figura 5. Disposições que ganham destaque na observação.</p><p>Forma e processos de síntese da forma128</p><p>DA_U3_C08.indd 128 01/12/2017 17:00:41</p><p>Regras de composição</p><p>A distribuição dos elementos visuais no espaço compositivo torna-se menos</p><p>complicada depois que você compreende como ele funciona. Considerando</p><p>os espaços mais estáveis e equilibrados – portanto mais confortáveis aos</p><p>olhos – podemos orientar a proporção das formas no espaço bidimensional.</p><p>Seja qual for a orientação de proporção escolhida, você pode guiar a com-</p><p>posição por uma ou pela combinação de várias regras de composição.</p><p>Regra dos terços</p><p>A regra dos terços deriva da proporção áurea, uma razão de proporcionalidade</p><p>muito comum na natureza, presente, por exemplo, nas conchas espirais de</p><p>alguns moluscos. Ela consiste em traçar quatro linhas imaginárias no espaço</p><p>compositivo e posicionar os elementos de composição na ou nas intersecções</p><p>dessas linhas (veja a Figura 6) para obter um enquadramento mais harmonioso</p><p>da cena, como você pode observar na Figura 7.</p><p>Figura 6. Regra dos terços.</p><p>129Forma e processos de síntese da forma</p><p>DA_U3_C08.indd 129 01/12/2017 17:00:41</p><p>Figura 7. Regra dos terços</p><p>Regra das três arestas</p><p>A regra das três arestas consiste em aproveitar a atração natural de três margens</p><p>do espaço compositivo para a distribuição dos elementos visuais, conforme</p><p>demonstrado na Figura 8.</p><p>Figura 8. Regara das três arestas.</p><p>Forma e processos de síntese da forma130</p><p>DA_U3_C08.indd 130 01/12/2017 17:00:42</p><p>Regra dos ímpares</p><p>O aumento do interesse visual das composições condiz com a preferência</p><p>geral por elementos visuais que se repetem em quantidades ímpares,</p><p>e</p><p>não pares, de agrupamentos. Assim, em uma distribuição orientada pela</p><p>regra dos ímpares, os elementos compositivos são dispostos no espaço</p><p>de acordo com seu peso visual, sempre em número ímpar. Observe um</p><p>exemplo na Figura 9.</p><p>Figura 9. Regra dos ímpares.</p><p>Recursos compositivos extras</p><p>Para a confecção de uma composição interessante visualmente, equilibrada</p><p>e agradável aos olhos do espectador não é necessário se prender muito a</p><p>regras específicas. Uma composição rica do ponto formal e de percepção é</p><p>feita a partir dos conhecimentos dos elementos compositivos e suas relações</p><p>formais e espaço-formais, bem como da interação desses elementos com o</p><p>espaço compositivo.</p><p>Ainda assim, destacaremos aqui algumas possibilidades para tornar suas</p><p>composições mais elaboradas formalmente e envolventes do ponto de vista</p><p>visual.</p><p>131Forma e processos de síntese da forma</p><p>DA_U3_C08.indd 131 01/12/2017 17:00:43</p><p>Profundidade</p><p>Segundo o autor Brian Curtis (2015), mesmo cientes de que vemos imagens</p><p>chatas, estamos predispostos a atribuir uma grande importância visual às</p><p>ilusões de profundidade, ainda que essa parte da imagem contenha pouca ou</p><p>nenhuma informação adicional que atraia a atenção. O mecanismo específico</p><p>que provoca essa reação não está bem definido, mas parece que reagimos</p><p>intuitivamente ao volume cúbico do espaço vazio sugerido pela ilusão espacial.</p><p>A ilusão de um objeto tridimensional no espaço bidimensional pode ser</p><p>criada de várias maneiras, exemplificados na Figura 10.</p><p>Figura 10. Ilusão tridimensional. a) Por meio da sobreposição dos elementos compositivos.</p><p>b) Por meio de transparência. c) Utilizando o claro-escuro. d) Pela perspectiva cônica.</p><p>Vazio</p><p>Um dos métodos mais surpreendentes para criar impacto na composição é</p><p>balancear formatos identificáveis com o espaço vazio. Para que esse contraste</p><p>funcione, é preciso um volume suficiente de espaço vazio para compensar</p><p>o peso visual das formas identificáveis. Observe um exemplo na Figura 11.</p><p>Forma e processos de síntese da forma132</p><p>DA_U3_C08.indd 132 01/12/2017 17:00:44</p><p>Figura 11. Exemplo de vazio.</p><p>Fechamento</p><p>A Gestalt, também conhecida como psicologia da Gestalt ou psicologia da</p><p>boa forma, é uma doutrina que estuda as formas no âmbito da percepção.</p><p>Segundo o autor João Gomes Filho (2000), embora não exista uma tradução exata</p><p>para o termo alemão Gestalt, a explicação mais próxima é “[...] forma, totalidade</p><p>sensível ou jogo entre figura e fundo de um campo perceptivo.”. O que interessa na</p><p>comunicação visual, vista pela Gestalt, é o valor perceptivo, ou seja, algo que atrai o</p><p>espectador pelo arranjo de cores, formas ou ritmo.</p><p>O fechamento é uma das leis básicas da Gestalt. Ele se expressa quando</p><p>mesmo diante de uma figura não totalmente fechada, conseguimos ler sua</p><p>forma como se estivesse fechada.</p><p>133Forma e processos de síntese da forma</p><p>DA_U3_C08.indd 133 01/12/2017 17:00:44</p><p>Na Figura 12, embora as formas a e b não estejam fechadas pelo desenho,</p><p>você consegue perceber um círculo em a e um triângulo em b.</p><p>Figura 12. Exemplos de fechamento.</p><p>1. Assinale a alternativa cuja</p><p>Figura representa, no espaço</p><p>compositivo, o lugar onde as formas</p><p>ganham mais destaque.</p><p>a) b)</p><p>Forma e processos de síntese da forma134</p><p>DA_U3_C08.indd 134 01/12/2017 17:00:46</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>2. Assinale a alternativa na qual foi</p><p>aplicada a regra dos terços para a</p><p>divisão do espaço compositivo.</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>3. Assinale a alternativa que</p><p>contempla a combinação de duas</p><p>regras de composição, a das três</p><p>arestas e dos ímpares.</p><p>a)</p><p>b)</p><p>135Forma e processos de síntese da forma</p><p>DA_U3_C08.indd 135 01/12/2017 17:00:47</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>4. Identifique a alternativa que</p><p>apresenta o conceito de obtenção</p><p>de ilusão de tridimensionalidade no</p><p>espaço bidimensional.</p><p>a) Perspectiva cônica.</p><p>b) Regra dos terços.</p><p>c) Sentido da leitura.</p><p>d) Regra dos ímpares.</p><p>e) Estrutura oculta dos</p><p>sólidos geométricos.</p><p>5. Identifique a alternativa que</p><p>demonstra a o conceito de</p><p>Fechamento da Gestalt.</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>Forma e processos de síntese da forma136</p><p>DA_U3_C08.indd 136 01/12/2017 17:00:48</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Colagens e técnicas diversas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Distinguir as técnicas artísticas de colagem, monotipia e guache lavado.</p><p>� Identificar os artistas plásticos que utilizam essas técnicas, ampliando</p><p>seu universo artístico.</p><p>� Diferenciar os efeitos pictóricos de cada técnica para possíveis apli-</p><p>cações futuras.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você irá estudar três técnicas artísticas: a colagem, a mo-</p><p>notipia e o guache lavado.</p><p>A monotipia, provavelmente de origem italiana, remonta ao século</p><p>XVIII, mas reaparece no século XIX com o pintor francês Edgar Degas.</p><p>A colagem inicia seu trajeto como técnica de arte no século XX, com a</p><p>chegada da Arte Moderna, mais especificamente do movimento cubista</p><p>de Georges Braque. Ambas as técnicas são empregadas na arte contem-</p><p>porânea por artistas brasileiros como Carlos Vergara e Beatriz Milhazes. Já</p><p>sobre a técnica de guache lavada, não se encontram muitas informações</p><p>disponíveis, portanto, não se consegue traçar uma linha do tempo de sua</p><p>existência no universo artístico, embora seja uma técnica ensinada em</p><p>faculdades de arte e empregada por diversos artistas contemporâneos.</p><p>Monotipia</p><p>A monotipia é um tipo de gravura que se obtém por meio de desenho ou pintura</p><p>sobre uma superfície lisa, por exemplo, uma placa de vidro ou acrílico. Depois</p><p>de feito o desenho ou a pintura sobre a superfície, ele é transferido para uma</p><p>DA_U4_C09.indd 139 01/12/2017 17:01:08</p><p>folha de papel utilizando uma técnica de pressão do papel sobre o desenho,</p><p>manual ou mecanicamente.</p><p>Monotipo é uma impressão única, devido à maior parte da tinta ser removida</p><p>durante a prensagem inicial, daí o seu nome. Porém, uma segunda cópia pode</p><p>ser obtida, por meio de uma segunda prensagem da mesma matriz.</p><p>O processo de monotipia foi, provavelmente, criado no século XVII, por Giovanni</p><p>Benedetto Castiglione (1609-1664), um pintor italiano, que também foi o primeiro</p><p>artista a produzir esboços como obras acabadas em vez de estudos para trabalho.</p><p>Figura 1. Cabeça de um Oriental Barbudo, monotipia com retoques em tinta e velatura (The</p><p>Royal Collection, Londres) de Giovanni Benedetto Castiglione.</p><p>Fonte: Wikipédia (2016).</p><p>Regina Helena Shrimpton (2012), em sua dissertação de mestrado, descreve</p><p>que, na época, a gravura Cabeça de um Oriental Barbudo não era vista como</p><p>arte e não tinha qualquer valor estético. Seu valor como arte só veio a ocorrer</p><p>no século XIX, depois da invenção dos processos litográficos e fotomecânicos.</p><p>Poucos artistas usaram essa técnica até que o pintor impressionista Edgar</p><p>Degas, dois séculos depois, resgatou a monotipia do anonimato ao qual tinha</p><p>sido relegada desde a época de Castiglione.</p><p>Colagens e técnicas diversas140</p><p>DA_U4_C09.indd 140 01/12/2017 17:01:08</p><p>A partir de 1874, data de sua primeira monotipia, A Lição de Dança, o</p><p>Mestre de Balé, Degas realizou entre 300 e 500 monotipias</p><p>(entre 1874 e</p><p>1893), representando paisagens, bailarinas, cenas de café, cafés-concertos e</p><p>nus. Entre elas, aproximadamente 100 são monotipias puras, isto é, em preto</p><p>e branco com variações de tom, feitas com tinta tipográfica. Outras 100 são</p><p>monotipias retocadas com pastéis. As Figura 2 e 3 apresentam exemplos das</p><p>monotipias de Degas.</p><p>Figura 2. Ao Lado da Lareira, monotipia em tinta preta, 1876-77.</p><p>Fonte: Wikimedia Commons (2017).</p><p>141Colagens e técnicas diversas</p><p>DA_U4_C09.indd 141 01/12/2017 17:01:09</p><p>Figura 3. Balé - A Estrela, 1876-77, pastel sobre monotipia.</p><p>Fonte: Wikimedia Commons (2009).</p><p>Na atualidade, o gaúcho Carlos Vergara (1941-) utiliza matérias-primas</p><p>naturais, como terra e pigmentos, para encapsular, por meio da técnica de</p><p>monotipia, coisas que foram feitas em um lugar específico, mas que podem</p><p>ir para outro lugar, por exemplo, um museu, e adquirir uma outra instância,</p><p>conforme relatado no trabalho de mestrado de Regina Helena Shrimpton (2012).</p><p>Nas Figuras 4 e 5 você pode observar trabalhos de Vergara.</p><p>Colagens e técnicas diversas142</p><p>DA_U4_C09.indd 142 01/12/2017 17:01:09</p><p>Figura 4. Monotipia, década de 1990.</p><p>Fonte: Wikipédia (2017).</p><p>Figura 5. Imagem da exposição “Sudários”, 2014.</p><p>Fonte: Wikipédia (2014b).</p><p>A monotipia, como você pode observar, tem características pictóricas</p><p>bem marcantes, comumente executada com tinta preta, que faz a figura se</p><p>sobressai no branco do papel. A composição fica carimbada pelo gesto do</p><p>artista quando faz o desenho, utilizando uma ponta seca ou uma bucha de</p><p>143Colagens e técnicas diversas</p><p>DA_U4_C09.indd 143 01/12/2017 17:01:10</p><p>papel, e pela pressão colocada na transferência da superfície para o suporte.</p><p>O acaso, o gesto espontâneo e a imprecisão do desenho obtido são efeitos que</p><p>conferem riqueza e beleza a essa técnica.</p><p>Colagem</p><p>Colagem é uma composição elaborada com diversos materiais (papel, madeira,</p><p>metal e formas), superfícies, volumes, cores e texturas coladas sobrepostas ou</p><p>lado a lado, a fim de formar uma imagem figurativa ou abstrata.</p><p>Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2017), a</p><p>colagem é um procedimento técnico antigo, porém, apenas a partir do movimento</p><p>de arte moderna Cubismo, no século XX, ela passa a ser empregada como técnica</p><p>artística. Você pode observar um exemplo de obra do Cubismo na Figura 6.</p><p>Figura 6. Fruteira e Copo (1912), de Georges Braque (1882-1963). Esta obra é considerada</p><p>uma das primeiras colagens da arte moderna.</p><p>Fonte: The Metropolitan Museum of Art (c2017).</p><p>Na Figura 7, você pode observar a obra de Amadeo Souza Cardozo, con-</p><p>feccionada com a técnica de colagem.</p><p>Colagens e técnicas diversas144</p><p>DA_U4_C09.indd 144 01/12/2017 17:01:10</p><p>Figura 7. Obra cubista Cozinha da Casa de Manhufe (1913), óleo sobre madeira.</p><p>Fonte: Wikimedia Commons (c2017a).</p><p>O uso de papéis colados levou as pesquisas cubistas para novas direções,</p><p>e a utilização, cada vez mais livre de materiais heterogêneos, não só papel,</p><p>deu origem a objetos tridimensionais e relevos. Nessa direção, Juan Gris</p><p>(1887-1927), outro grande nome do cubismo, trabalhou exaustivamente com</p><p>colagens e definiu a pintura como uma “[...] espécie de arquitetura plana com</p><p>cor.” Observe uma obra de Gris na Figura 8.</p><p>Figura 8. Obra cubista do espanhol Juan Gris, Bodegón con botella de Burdeos (1919).</p><p>Fonte: Wikipédia (2002).</p><p>Os princípios de composição inaugurados pelas colagens encontraram</p><p>seguidores em todo o mundo, e com interpretações distintas de um mesmo</p><p>145Colagens e técnicas diversas</p><p>DA_U4_C09.indd 145 01/12/2017 17:01:11</p><p>procedimento. Na Rússia, as colagens aderiram às tendências construtivas da</p><p>época e ganharam destaque nos princípios de composição propriamente ditos</p><p>e no poder expressivo dos materiais, conforme exemplo da Figura 9.</p><p>Figura 9. Técnica mista com colagem, Composição com Mona Lisa, do russo Kazimir Malevich</p><p>(1878-1935).</p><p>Fonte: Wikimedia Commons (2016).</p><p>No movimento moderno Surrealismo, você pode notar uma articulação</p><p>imprevista dos elementos da colagem com o irracional, que leva ao limite a</p><p>ideia de associação de elementos díspares e de construção de uma “realidade</p><p>irreal”, conforme demonstrado na Figura 10.</p><p>Colagens e técnicas diversas146</p><p>DA_U4_C09.indd 146 01/12/2017 17:01:13</p><p>Figura 10. Obra surrealista de Salvador Dalí, Rosto de Mae West Podendo Ser Utilizado como Apar-</p><p>tamento Surrealista, de 1934-35, que utiliza guache, grafite e colagem sobre página de revista.</p><p>Fonte: VÍRUS DA ARTE & CIA., 2014</p><p>Nas artes plásticas brasileiras, as colagens foram testadas por diferentes</p><p>artistas, por exemplo, Carlos Scliar (1920-2001), Piza (1928), Guignard (1896-</p><p>1962), Jorge de Lima (1893-1953) e Athos Bulcão (1918-2008).</p><p>Atualmente, a colagem contempla os trabalhos da artista plástica brasileira</p><p>Beatriz Milhazes, que você pode observar na Figura 11. Pintora, gravadora e</p><p>ilustradora, a carioca destaca-se em mostras internacionais e integra acervos</p><p>de museus como o Museum of Modern Art (MoMa), Solomon R. Guggenheim</p><p>Museum, The Metropolitan Musem of Art (Met), em Nova York, e o Museo</p><p>Reina Sofia, em Madrid.</p><p>147Colagens e técnicas diversas</p><p>DA_U4_C09.indd 147 01/12/2017 17:01:14</p><p>Figura 11. Painel Samambaia (2009), de Beatriz Milhazes, confeccionado para a Fundação</p><p>Cartier, em Paris.</p><p>Fonte: Dalbéra (2009).</p><p>A colagem é uma técnica com bastante controle na sua execução. Em geral,</p><p>você consegue obter resultados pictóricos precisos, com elementos composi-</p><p>tivos bem-definidos pelas bordas e cores. A colagem é uma técnica rica, pois</p><p>aceita diversos materiais com a possibilidade de tridimensionalização da obra,</p><p>além de permitir que se trabalhe com exatidão os elementos compositivos,</p><p>suas relações formais e espaço-formais.</p><p>Guache lavado</p><p>A técnica de guache lavado consiste em utilizar tinta guache e tinta nanquim</p><p>em duas etapas, no mesmo suporte, que pode ser o papel. Segundo o dicionário</p><p>Priberam da Língua Portuguesa “[...] o nanquim é um material corante preto</p><p>originário da China e é preparada com negro-de-fumo, substância oriunda</p><p>do carvão.” (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013b). Já o guache “[...] é uma</p><p>preparação feita com substâncias corantes, goma arábica e mel, diluídas em</p><p>água.” (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013a).</p><p>No guache lavado, o desenho é feito sobre o suporte de papel, preferencial-</p><p>mente adaptado para técnicas a úmido; depois, é passado sobre o desenho a</p><p>tinta guache, comumente branca. Após breve secagem, o papel é todo coberto</p><p>Colagens e técnicas diversas148</p><p>DA_U4_C09.indd 148 01/12/2017 17:01:14</p><p>com nanquim, geralmente preto. Então, o suporte é “lavado” em água corrente,</p><p>daí o nome da técnica.</p><p>Depois de lavado, as partes do desenho que foram cobertas com guache</p><p>aparecem normalmente descobrindo o papel e revelando sua cor. Aquelas</p><p>partes do suporte que não receberam guache permanecem com a cor do</p><p>nanquim usado. Veja exemplos da técnica guache lavado nas Figura 12 e 13.</p><p>Figura 12. Folheto para divulgação de casa noturna usando a técnica de guache lavado,</p><p>criado pelo aluno Deimerson Motta do curso de Design Gráfico.</p><p>Fonte: Imagem cedida por Deimerson Motta</p><p>149Colagens e técnicas diversas</p><p>DA_U4_C09.indd 149 01/12/2017 17:01:15</p><p>Figura 13. Trabalho desenvolvido durante o curso de Desenho e Plástica, utilizando a técnica</p><p>de guache lavado sobre papelão, de Carla Allegretti (1998), 45x65 cm.</p><p>Conforme a Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras (2017),</p><p>o artista baiano Raimundo de Oliveira, gravador, escultor e desenhista, utilizou</p><p>a técnica de guache lavado na primeira fase de sua produção artística. A obra de</p><p>Raimundo de Oliveira se desenrolou no universo religioso, com santos, imagens</p><p>e cenas bíblicas. Nas décadas de 1950 e 1960 predominaram as composições</p><p>com cores sombrias e caráter expressionista. Suas figuras são marcadas por</p><p>traços dolorosos e dramáticos, definidas com nanquim e contornos negros,</p><p>como Cabeça de Cristo, 1957, Crucificado, s.d., e Moisés, 1960.</p><p>O guache lavado é uma técnica de efeitos pictóricos inconfundíveis. O</p><p>preto quase sempre presente em função do uso do nanquim, a mescla da cor do</p><p>papel com o residual do guache branco, as bordas pouco delimitadas e a marca</p><p>deixada do sentido que a água escorre, são características únicas. O guache</p><p>Colagens e técnicas diversas150</p><p>DA_U4_C09.indd 150 01/12/2017 17:01:18</p><p>lavado tem um processo de maior controle que a monotipia, por exemplo, mas</p><p>sua riqueza ainda é maior com as imprecisões e os felizes acasos da técnica.</p><p>1. Qual das alternativas a seguir</p><p>apresenta um exemplo de artista</p><p>plástico que trabalha com a</p><p>técnica de colagem?</p><p>a) Beatriz Milhazes.</p><p>b) Juan Gris.</p><p>c) Pablo Picasso.</p><p>d) Salvador Dali.</p><p>e) Tarsila do Amaral.</p><p>2. É um tipo de gravura que se</p><p>obtém por meio do desenho ou</p><p>pintura sobre uma superfície lisa</p><p>e transferido para uma folha de</p><p>papel com o uso da pressão do</p><p>papel sobre o desenho, manual ou</p><p>mecanicamente. Esta definição se</p><p>refere a qual técnica?</p><p>a) Monotipia.</p><p>b) Guache lavado.</p><p>c) Colagem.</p><p>d) Desenho de observação.</p><p>e) Pintura.</p><p>3. Quem é considerado o</p><p>inventor da monotipia?</p><p>a) O italiano Giovanni</p><p>Benedetto Castiglione.</p><p>b) O francês Edgar Degas.</p><p>c) O brasileiro Carlos Vergara.</p><p>d) O espanhol Juan Gris.</p><p>e) O russo Kazimir Malevich.</p><p>4. Pelas características pictóricas de</p><p>mistura entre desenho e pintura com</p><p>resultados imprecisos e gestuais,</p><p>manchas negras e figura em</p><p>branco, a imagem correspondente</p><p>a uma monotipia está em qual</p><p>das seguintes alternativas?</p><p>a)</p><p>Fonte: Wikimedia Commons (c2017b).</p><p>b)</p><p>Fonte: Imagem cedida por Vinícius Müller Becker</p><p>c)</p><p>151Colagens e técnicas diversas</p><p>DA_U4_C09.indd 151 01/12/2017 17:01:18</p><p>d)</p><p>Fonte: Wikipédia (2014a).</p><p>e)</p><p>Fonte: Yury Shchipakin/Shutterstock.com.</p><p>5. É característica marcante</p><p>da técnica de colagem:</p><p>a) a definição dos elementos</p><p>compositivos.</p><p>b) a imprecisão técnica.</p><p>c) o gestual marcado.</p><p>d) a cor preto de fundo ou figura.</p><p>e) a possibilidade de revelar</p><p>a cor do suporte.</p><p>DALBÉRA, J.-P. Beatriz Milhazes (Fondation Cartier). [S.l.]: Flickr, 2009. Disponível em:</p><p><https://www.flickr.com/photos/dalbera/3625301979>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>ENCICLOPÉDIA ITAÚ CULTURAL DE ARTE E CULTURA BRASILEIRAS. Colagem. São Paulo:</p><p>Itaú Cultural, 2017. Verbete. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/</p><p>termo369/colagem>. Acesso em: 30 out. 2017.</p><p>PRIBERAM DICIONÁRIO. Guache. [S.l.]: Priberam Informática, c2013a. Disponível em:</p><p><https://www.priberam.pt/dlpo/guache>. Acesso em: 30 out. 2017.</p><p>PRIBERAM DICIONÁRIO. Nan.quim. [S.l.]: Priberam Informática, c2013b. Disponível em:</p><p><https://www.priberam.pt/dlpo/nanquim>. Acesso em: 30 out. 2017.</p><p>SHRIMPTON, R. H. Monotipia: uma investigação técnica e artística. 2012. 116 f. Disserta-</p><p>ção (Mestrado em Comunicação, Cultura e Artes)–Universidade do Algarve, Faro, 2012.</p><p>Disponível em: <https://sapientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/3522/1/Monotipia170513.</p><p>pdf>. Acesso em: 30 out. 2017.</p><p>THE METROPOLITAN MUSEUM OF ART. Fruit dish and glass. New York: ARS, c2017. Dis-</p><p>ponível em: <https://www.metmuseum.org/exhibitions/view?oid=490612>. Acesso</p><p>em: 13 nov. 2017.</p><p>VÍRUS DA ARTE & CIA. Rosto de Mae West Podendo Ser Utilizado como Apartamento</p><p>Surrealista. [S.l.: s.n.], 2014. Disponível em: <http://virusdaarte.net/dali-rosto-de-mae-</p><p>-west/>. Acesso em: 21 nov. 2017.</p><p>Colagens e técnicas diversas152</p><p>DA_U4_C09.indd 152 01/12/2017 17:01:20</p><p>WIKIMEDIA COMMONS. Amadeo de Souza Cardoso. [S.l.: s.n.], c2017a. Disponível em:</p><p><https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/91/Amadeo_de_Souza-Car-</p><p>doso-3.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>WIKIMEDIA COMMONS. Composition with the Mona Lisa (inscribed ‘partial eclipse’). [S.l.:</p><p>s.n.], 2016. Disponível em: <https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kazimir_Male-</p><p>vich,_1914,_Composition_with_the_Mona_Lisa,_oil,_collage_and_graphite_on_</p><p>canvas,_62.5_%C3%97_49.3_cm,_Russian_Museum.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>WIKIMEDIA COMMONS. Edgar Degas. [S.l.: s.n.], c2017b. Disponível em: <https://upload.</p><p>wikimedia.org/wikipedia/commons/3/39/Edgar_Degas_-_Profil_perdu_%C3%A0_</p><p>la_boucle_d%27oreille.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>WIKIMEDIA COMMONS. L’Étoile, ou la Danseuse sur Scène. [S.l.: s.n.], 2009. Disponível em:</p><p><https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ballet_dEdgar_Degas_(Mus%C3%A9e_</p><p>dOrsay)_(3210104203).jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>WIKIMEDIA COMMONS. The fireside. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://commons.</p><p>wikimedia.org/wiki/File:The_Fireside_MET_DT11921.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>WIKIPÉDIA. La Piccola Madonna, Rafael. [S.l.: s.n.], 2014a. Disponível em: <https://</p><p>pt.wikipedia.org/wiki/Pintura_do_Renascimento#/media/File:Raffaello_Madonna_</p><p>Cowper.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>WIKIPÉDIA. Monotipia de Carlos Vergara. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://</p><p>pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Monotipia_de_carlos_vergara.jpg>. Acesso em: 13</p><p>nov. 2017.</p><p>WIKIPÉDIA. Monotipo (gravura). [S.l.: s.n.], 2016. Disponível em: <https://pt.wikipedia.</p><p>org/wiki/Monotipo_(gravura)>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>WIKIPÉDIA. Stilleben mit Bordeuauxflasche (Bodegón con botella de Burdeos), 1919, Wer-</p><p>ner, Berlín. [S.l.: s.n.], 2002. Disponível em: <https://es.wikipedia.org/wiki/Juan_Gris#/</p><p>media/File:Juan_Gris_002.jpg>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>WIKIPÉDIA. Vista da exposição de Carlos Vergara. [S.l.: s.n.], 2014b. Disponível em: <ht-</p><p>tps://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Sud%C3%A1rios_-_vista_da_exposicao.jpg>.</p><p>Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>INSTITUTO MOREIRA SALLES. Por dentro dos acervos: glossário de técnicas e proces-</p><p>sos gráficos e fotográficos do século XIX. Rio de Janeiro: IMS, 2014. Disponível em:</p><p><https://ims.com.br/por-dentro-acervos/glossario-de-tecnicas-e-processos-graficos-</p><p>-e-fotograficos-do-seculo-xix/>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>MACIEL, N. D. G. O universo poético-mítico de Raimundo de Oliveira. 2009. Dissertação</p><p>(Pós-Graduação em Artes Visuais)–Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2009.</p><p>Disponível em: <https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/9845/1/Macielparte1.pdf>.</p><p>Acesso em: 30 out. 2017.</p><p>153Colagens e técnicas diversas</p><p>DA_U4_C09.indd 153 01/12/2017 17:01:20</p><p>MARTINS, L. R. Colagem: investigações em torno de uma técnica moderna. ARS, São</p><p>Paulo, v. 5, n. 10, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ar</p><p>ttext&pid=S1678-53202007000200006>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>MOSMANN, R.; SILVA, C. B.; BLAUTH, L. Xilogravura e monotipia como forma de</p><p>expressão: marcas e memórias. Revista Conhecimento Online, Novo Hamburgo, ano</p><p>6, v. 1, abr. 2014. Disponível em: <periodicos.feevale.br/seer/index.php/revistaconhe-</p><p>cimentoonline/article/view/214/191>. Acesso em: 30 out. 2017.</p><p>WEISS, L. Monotipias: algumas considerações. Cadernos de [Gravura], Campinas, n. 2,</p><p>nov. 2003. Disponível em: <http://www.iar.unicamp.br/cpgravura/cadernosdegravura/</p><p>downloads/p2_GRAVURA_2_nov_2003.pdf>. Acesso em: 13 nov. 2017.</p><p>Colagens e técnicas diversas154</p><p>DA_U4_C09.indd 154 01/12/2017 17:01:20</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Desenho de objetos</p><p>tridimensionais</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste</p><p>texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Diferenciar os materiais básicos, instrumentos e superfícies de desenho.</p><p>� Escolher a posição mais adequada para desenhar e empunhar o lápis.</p><p>� Identificar as habilidades para elaboração de desenhos e os elementos</p><p>de sua composição.</p><p>Introdução</p><p>Desenhar é a capacidade de observar e compreender as relações entre</p><p>os elementos da composição. Contudo, antes de começar a desenhar, é</p><p>preciso escolher o material adequado de desenho.</p><p>Neste capítulo você irá conhecer os materiais básicos para desenhar,</p><p>além de aprender sobre como a posição do desenhista e a pega do lápis</p><p>podem interferir no resultado da composição. Ainda, verá a técnica mais</p><p>utilizada no desenho artístico, o desenho de observação, bem como as</p><p>cinco habilidades básicas para desenhar.</p><p>Materiais e superfícies de desenho</p><p>A escolha do material adequado certamente contribui para a confecção de</p><p>um bom desenho. Os materiais para desenho podem ser classificados em três</p><p>categorias: profissional, universitário e escolar.</p><p>Os materiais escolares são especialmente produzidos para serem atóxicos,</p><p>e a diferença de manejo entre os materiais profissionais e universitários é</p><p>pequena, embora as linhas profissionais sejam mais extensas e duráveis.</p><p>DA_U4_C10.indd 155 01/12/2017 17:08:02</p><p>Materiais</p><p>Grafite</p><p>O grafite não era muito usado como instrumento de desenho até 1795, quando</p><p>passou a ser fabricado na forma de lápis com corpo de madeira pelo francês</p><p>Nicholas Conté. Além da forma de lápis, apresentada na Figura 1, o grafite</p><p>também está disponível na forma de bastões retangulares maciços e sem re-</p><p>vestimento, conforme você pode observar na Figura 2, lápis cilíndricos “sem</p><p>madeira” e em pó, podendo ser aplicada diretamente à superfície do desenho.</p><p>Os grafites são classificados pela sua dureza, do mais macio, que resulta na</p><p>cor preta e é classificado como B, ao mais duro, que resulta em um acinzentado</p><p>e é classificado como H.</p><p>Escala do grafite mais duro ao mais macio é:</p><p>9H > 8H > 7H > 6H > 5H > 4H > 3H > 2H > H > HB > B ></p><p>2B > 3B > 4B > 5B > 6B > 7B > 8B > 9B</p><p>Para rafes, desenhos e projetos a mão livre, recomenda-se o uso de lápis</p><p>macio do tipo B.</p><p>Figura 1. Lápis.</p><p>Fonte: Xiuxia Huang/Shutterstock.com.</p><p>Desenho de objetos tridimensionais156</p><p>DA_U4_C10.indd 156 01/12/2017 17:08:03</p><p>Figura 2. Grafite em barra.</p><p>Fonte: Shoptime (c2017).</p><p>Carvão vegetal</p><p>O carvão é considerado o mais antigo instrumento de desenho e é, atualmente,</p><p>comercializado em duas formas: carvão vegetal e carvão comprimido.</p><p>O carvão vegetal em barra, veja exemplo na Figura 3, é feito com o car-</p><p>bono seco que sobra após a queima da madeira. A barra de carvão vegetal</p><p>de melhor qualidade é o carvão de videira, um material seco e farelento que</p><p>borra facilmente e necessita de fixador para aderir ao papel.</p><p>Já o carvão comprimido, em forma de lápis, também apresentado na Figura</p><p>3, é um instrumento de desenho mais versátil, feito de carvão vegetal em pó</p><p>misturado com aglutinante. O aglutinante ajuda na aderência do pigmento à</p><p>superfície do papel e enriquece a cor preta.</p><p>Figura 3. Carvão vegetal e carvão comprimido.</p><p>Fonte: Burhan Bunardi/Shutterstock.com.</p><p>157Desenho de objetos tridimensionais</p><p>DA_U4_C10.indd 157 01/12/2017 17:08:04</p><p>Superfícies</p><p>O sistema moderno de formatos de papel International Organization for Stan-</p><p>dardization (ISO) se baseia em uma observação feita pelo professor de física</p><p>alemão Georg Christoph Lichtenberg que, em 1786, percebeu as vantagens</p><p>de os tamanhos de papel terem uma razão entre altura e largura, ou seja, um</p><p>papel com a razão de Lichtenberg mantém sua proporção quando é cortado</p><p>pela metade. No sistema ISO os formatos vão de A4 até A0.</p><p>Tamanho</p><p>O tamanho padrão dos papéis varia de A0 a A8, veja os diferentes tamanhos</p><p>de papéis conforme sua classificação:</p><p>A0 – 84,0 × 118,8 cm</p><p>A1 – 59,4 × 84,0 cm</p><p>A2 – 42,0 × 59,4 cm</p><p>A3 – 29,7 × 42,0 cm</p><p>A4 – 21,0 × 29,7 cm</p><p>A Figura 4 apresenta um modelo para que você tenha ideia de proporção</p><p>entre os diferentes tamanhos de papel.</p><p>Figura 4. Tamanhos de papel.</p><p>Desenho de objetos tridimensionais158</p><p>DA_U4_C10.indd 158 01/12/2017 17:08:05</p><p>Além da série de tamanhos A, existem tamanhos intermediários, da série</p><p>B e C, que são utilizados para envelopes. O Canadá e os Estados Unidos são</p><p>os únicos países industrializados que não utilizam o sistema ISO.</p><p>Você pode saber mais sobre as séries, formatos e usos dos variados tamanhos de papel</p><p>no livro Fundamentos de Design Criativo (AMBROSE; HARRIS, 2012).</p><p>Fibra</p><p>Os papéis mais comuns são fabricados com fibras de madeira, já os mais</p><p>nobres com fibras de algodão puro. Papéis de fibras de algodão são duráveis e</p><p>permanentes, ou seja, mantém suas propriedades originais após muitos anos.</p><p>Os papéis de fibras de madeira, por sua vez, precisam ser tratados quimica-</p><p>mente para obter um PH neutro e evitar o amarelamento e a deterioração.</p><p>Gramatura</p><p>Refere-se à espessura do papel e é expressa em gramas, portanto, quanto</p><p>maior for a gramatura do papel maior será a sua grossura. As gramaturas</p><p>variam comumente entre 90, 120, 180, 210, 240, 320 g/m2, mas existem outras</p><p>gramaturas disponíveis, dependendo da aplicação do papel.</p><p>Indicação de uso</p><p>Veja as indicações de uso para os diferentes tipos de papel:</p><p>� Papel sulfite: papel liso, conforme apresentado na Figura 5, utilizado</p><p>para esboços.</p><p>� Papel para técnicas secas: papel liso ou texturizado, ilustrado na Figura 6,</p><p>usado para desenhos com grafite, carvão, nanquim, pastel seco e oleoso.</p><p>� Papel para técnicas úmidas: papel texturizado ou liso, indicado para</p><p>técnicas úmidas como aquarela e tinta acrílica.</p><p>� Papel para marcador: papel de alta-alvura, especialmente desenvolvido</p><p>para marcadores.</p><p>159Desenho de objetos tridimensionais</p><p>DA_U4_C10.indd 159 01/12/2017 17:08:05</p><p>� Papel vegetal: papel liso e translúcido para grafite, marcadores, nan-</p><p>quim, etc.</p><p>Mecânica do desenho</p><p>A posição para desenhar interfere no resultado final do desenho, portanto, o</p><p>desenhista deve estar afastado do objeto desenhado cerca de 60 cm – mais</p><p>ou menos um braço seu de distância – para obter uma visualização clara do</p><p>objeto desenhado.</p><p>O desenhista também deve se manter em uma posição fixa, para não perder</p><p>o ponto de observação. A posição da mesa, prancheta ou suporte de desenho</p><p>deve formar um ângulo de 90° em relação à linha de visão para que o desenho</p><p>não se deforme, conforme você pode observar na Figura 5.</p><p>Figura 5. Desenho de observação.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 20).</p><p>Além da posição correta para desenhar, a pega do lápis pode permitir ou não</p><p>uma maior movimentação do instrumento de desenho sobre a superfície do papel</p><p>Desenho de objetos tridimensionais160</p><p>DA_U4_C10.indd 160 01/12/2017 17:08:06</p><p>e, desse modo, possibilitar uma maior fluidez e expressão do traçado. Tente uma</p><p>empunhadura alternativa, conforme ilustrado na Figura 6, que proporcione um</p><p>controle maior sobre a pressão da ponta do instrumento sobre o papel.</p><p>Figura 6. Desenho de observação.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 21).</p><p>Desenho de observação</p><p>O desenho de observação consiste na observação real do objeto tridimensional.</p><p>Na técnica de observação in loco, apreendemos do objeto aquilo que é mais</p><p>relevante, captamos a sua essência. Nesse processo, contamos com a ajuda</p><p>dos posicionamentos corretos do papel e do desenhista e das habilidades de</p><p>percepção necessárias para desenhar: percepção das bordas, dos espaços, dos</p><p>relacionamentos, de luz e sombra e do todo.</p><p>O desenho de observação, além de propiciar o desenvolvimento de seu próprio</p><p>traçado, produz um resultado personalizado, bem gestual e muito expressivo em</p><p>todos os seus elementos, como as linhas, os preenchimentos, a luz e a sombra.</p><p>Cinco habilidades básicas para desenhar</p><p>Segundo a autora Betty Edwards (2000), as cinco habilidades básicas para</p><p>desenhar são:</p><p>1. Percepção das bordas: os contornos dos objetos.</p><p>161Desenho de objetos tridimensionais</p><p>DA_U4_C10.indd</p><p>sombras são a representação do efeito que a iluminação gera sobre os</p><p>objetos. Elas são fundamentais pelo delineado das formas e a representação</p><p>de profundidade.</p><p>Existem basicamente dois tipos de sombras: as sombras próprias e as</p><p>sombras projetadas. As sombras próprias são aquelas geradas nas próprias</p><p>faces do objeto, seja por ausência de luz ou por interferência de outros objetos.</p><p>As sombras projetadas consistem naquelas que o objeto produz sobre outras</p><p>faces, como superfícies de apoio ou objetos adjacentes.</p><p>Além desses dois tipos de sombra, temos também outros elementos, como</p><p>reflexos, luz plena e meia sombra. Os reflexos são produzidos pela incidência</p><p>de luz em objetos ou superfícies vizinhas e tornam a sombra da face que recebe</p><p>a luz mais clara, portanto, devem ser considerados no desenho.</p><p>Luz e sombra102</p><p>DA_U2_C06.indd 102 01/12/2017 16:59:35</p><p>Já as zonas de transição entre as áreas de sombra e a as áreas iluminadas</p><p>são chamadas de meia sombra ou meio tom. No desenho a meia sombra, esta</p><p>deve ser representada com menos intensidade, gerando um degrade entre a</p><p>zona clara e a sombra própria do objeto.</p><p>A presença ou não destes elementos varia muito conforme o tipo de cena,</p><p>os objetos existentes e o tipo de iluminação. Por isso, as sombras devem ser</p><p>avaliadas e desenvolvidas em cada situação específica. Na Figura 8 você pode</p><p>ver exemplos de luz e sombra.</p><p>Figura 8. Ilustração que demonstra os efeitos de luz e sombra no objeto (sugestão de</p><p>desenho para reprodução).</p><p>Para iniciar o trabalho de sombreamento, a sugestão é lançar formas ge-</p><p>ométricas simples em um papel, preferencialmente mais espesso e poroso.</p><p>Utilize um lápis macio, o grafite 4B, por exemplo, para facilitar a graficação</p><p>das sombras.</p><p>103Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 103 01/12/2017 16:59:36</p><p>Após desenhar as formas básicas e definir o posicionamento e a direção</p><p>da fonte de luz, você deve estudar o formato que as sombras terão nos objetos</p><p>e as sombras projetadas. A melhor forma de compreender o funcionamento</p><p>das sombras é iniciando com desenhos de observação, no qual o desenho será</p><p>uma reprodução da realidade. Pratique esse exercício com os mesmos objetos</p><p>e a fonte de luz posicionada em locais diferentes, pois, assim, será possível</p><p>analisar o impacto que a luz gera no conjunto de objetos.</p><p>As sombras podem ser lançadas com o uso da técnica de hachuras paralelas</p><p>e cruzadas, nas quais o escurecimento é feito utilizando linhas. Podem também</p><p>ser feitas com movimentos circulares contínuos.</p><p>Outra técnica bastante utilizada é o sombreamento misto, no qual se aplicam</p><p>rabiscos de grafite sobre o papel e, em seguida, os esfumaça, utilizando os</p><p>dedos, um papel macio ou com o auxílio de esfuminho. A ideia de esfumar</p><p>auxilia no desenvolvimento do degrade entre as tonalidades. Caso utilize</p><p>algum método com tracejado de linhas, elas devem ser espaçadas ao longo</p><p>da sombra, para suavizar até chegar ao ponto de claridade total.</p><p>Você precisa estar atento para não pesar demais nas sombras, deixando o</p><p>desenho desequilibrado. O ideal é trabalhar lentamente, sobrepondo as man-</p><p>chas para escurecer aos poucos, evitando os excessos. As sombras próprias</p><p>tendem a ser mais claras que as projetadas, porém isso não é uma regra e deve</p><p>ser avaliada em cada caso. Observe, a seguir, os exemplos apresentados nas</p><p>Figuras 9, 10 e 11.</p><p>Figura 9. Desenho de figuras geométricas. Observar os pontos de claridade, sombra</p><p>própria e sombra projetada. As sombras, especialmente as projetadas, foram esfumadas</p><p>para uma maior uniformidade.</p><p>Fonte: Oana_Unciuleanu/Shuterstock.com.</p><p>Luz e sombra104</p><p>DA_U2_C06.indd 104 01/12/2017 16:59:37</p><p>Você pode perceber, na Figura 9, que os trechos imediatos onde os objetos</p><p>encontram na superfície de apoio possuem uma linha bem intensa de sombra,</p><p>pois é um local que praticamente não recebe incidência de luz.</p><p>Figura 10. Cubo cujo sombreamento próprio e projetado foi feito utilizando a técnica de</p><p>hachuras.</p><p>Fonte: Risovanna/Shutterstock.com.</p><p>Figura 11. Croqui feito com grande contraste entre claro e escuro, gerando um desenho</p><p>bastante expressivo.</p><p>Fonte: Rana Hasanova/Shutterstock.com.</p><p>105Luz e sombra</p><p>DA_U2_C06.indd 105 01/12/2017 16:59:38</p><p>A utilização de luz e sombra nos desenhos de arquitetura é indispensável,</p><p>pois são fundamentais para a compreensão das volumetrias e profundidades,</p><p>além da relação entre elementos das edificações. As técnicas citadas servem</p><p>como exercícios iniciais para o treinamento da percepção das relações entre</p><p>claro e escuro e para desenvolver os métodos de desenho que serão mais</p><p>adequados para cada um.</p><p>Luz e sombra106</p><p>DA_U2_C06.indd 106 01/12/2017 16:59:38</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa-</p><p>gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>CORTOPASSI, L. Claro-escuro. [S.l.]: Tudo sobre Pintura, 2012. Disponível em: <http://</p><p>lucianocortopassipordentrodapintura.blogspot.com.br/2012/11/claro-escuro-luciano-</p><p>-cortopassi.html>. Acesso em: 11 nov. 2017.</p><p>PORTO, G. Tenebrismo. [S.l.]: InfoEscola, c2006-2017. Disponível em: <https://www.</p><p>infoescola.com/movimentos-artisticos/tenebrismo/>. Acesso em: 12 nov. 2017.</p><p>WIKIPÉDIA. Sfumato. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/</p><p>Sfumato>. Acesso em: 12 nov. 2017.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Diana Lemos</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Desenho de observação</p><p>e de memória</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Descrever as técnicas de desenho de linhas a mão livre com grafite,</p><p>dos elementos da forma de objetos e da arquitetura.</p><p>� Identificar as técnicas de proporções de desenho de observação e</p><p>a mão livre.</p><p>� Listar as aplicações dos métodos de projeções cônica e paralela.</p><p>Introdução</p><p>O desenho a mão livre é uma ferramenta valiosa para os arquitetos ur-</p><p>banistas, pois permite expressar a maioria das suas ideias rapidamente</p><p>e de forma eficaz. Algumas pessoas criativas possuem essa habilidade,</p><p>outras, contudo, podem desenvolvê-la. O desenho de observação e de</p><p>memória é uma forma extraordinária de expandir essa habilidade, pois</p><p>fortalecer a capacidade de ver e de representar, como você irá perceber.</p><p>Neste texto, você irá assimilar as técnicas de desenho de linhas, for-</p><p>matos e proporções e os métodos de projeção, para esboçar a figura</p><p>humana e os elementos naturais e arquitetônicos.</p><p>Técnicas de desenho de linhas e de formatos</p><p>A vantagem do desenho a mão livre é que você vai precisar de poucos ins-</p><p>trumentos (papel, lápis grafite e borracha). Objetivos mais elaborados podem</p><p>requerer de você outras técnicas, como a utilização do carvão vegetal e dos</p><p>creions. Contudo, aprender a desenhar uma variedade de técnicas mecânicas</p><p>e suas teorias não é uma tarefa simples. Portanto, para começar, neste tópico,</p><p>você vai aprender a técnica do lápis grafite e os elementos da forma e do</p><p>espaço, apresentados não como um fim em si mesmo, mas como significado</p><p>DA_U1_C03.indd 49 01/12/2017 16:51:45</p><p>para trazer subsídios para o desenho da observação, conforme a estrutura de</p><p>conhecimento a seguir:</p><p>1. Escolher o tipo de lápis, borracha e papel para atender aos seus objetivos.</p><p>2. Aprender</p><p>161 01/12/2017 17:08:06</p><p>2. Percepção dos espaços: as partes que preenchem os contornos e também</p><p>as que ficam fora dele.</p><p>3. Percepção dos relacionamentos: as relações entre as partes do mesmo</p><p>objeto, entre os objetos da cena ou, ainda, entre as figuras e o fundo,</p><p>por exemplo, quando percebemos que a alça da xícara fica centralizada</p><p>no seu bojo e que um dos alhos está na frente dos outros três.</p><p>4. Percepção de luz e sombra: é a percepção do claro – a parte que fica</p><p>mais “para fora” dos objetos, e do escuro – a parte que fica mais “para</p><p>dentro” dos objetos.</p><p>5. Percepção do todo: é a composição total da cena.</p><p>Observe, na Figura 7, essas habilidades básicas em um modelo de desenho.</p><p>Figura 7. Habilidades básicas de desenho.</p><p>Fonte: KUCO/Shutterstock.com.</p><p>Saiba mais sobre técnicas de preenchimento – tonalidade localizada, luz e sombra,</p><p>hachura e textura – nos livros Desenho para Arquitetos, de Francis Ching (2012), e Desenho</p><p>de Observação, de Brian Curtis (2015).</p><p>Desenho de objetos tridimensionais162</p><p>DA_U4_C10.indd 162 01/12/2017 17:08:06</p><p>Evidenciando o elemento compositivo</p><p>A partir da técnica de observar, qualquer desenho pode ser construído com</p><p>a utilização de linhas, superfícies e volumes, evidenciando mais ou menos o</p><p>elemento compositivo, conforme você pode observar nas Figuras 8, 9 e 10.</p><p>Figura 8. Desenho de Rembrandt, Pedro ao Leito de Morte de Tabitha (Kupferstichkabinett,</p><p>Dresden) evidenciando linhas.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 44).</p><p>Figura 9. Georges Seurat, Espetáculo Secundário do Circo (1887-1888, Museu Metropolitano</p><p>de Arte de Nova York), evidenciando as superfícies do desenho.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 288).</p><p>163Desenho de objetos tridimensionais</p><p>DA_U4_C10.indd 163 01/12/2017 17:08:07</p><p>Figura 10. William Hogarth, Absurdos de Perspectiva, 1754, gravura evidenciando volumes.</p><p>Fonte: Curtis (2015, p. 287).</p><p>A artista plástica e crítica de arte Fayga Ostrower (2013) em seu livro Universos da Arte</p><p>apresenta vários exemplos de arte, arquitetura e design de trabalhos elaborados</p><p>utilizando linhas, superfícies e volumes. Certamente, a escolha do material de desenho</p><p>adequado, um bom grafite e um papel de qualidade, influenciam de forma positiva</p><p>no resultado de uma composição. Porém, um desenho simples, elaborado somente</p><p>tendo linhas como seu elemento primário, pode ser muito interessante e valoroso</p><p>se for executado em um gesto livre, com um traço próprio e original. Um traçado</p><p>personalizado pode ser adquirido com o exercício diário do desenho, experimentando</p><p>técnicas e testando materiais.</p><p>Desenho de objetos tridimensionais164</p><p>DA_U4_C10.indd 164 01/12/2017 17:08:08</p><p>1. Avalie o desenho de observação de uma cafeteira a seguir e, depois assinale a</p><p>alternativa que apresenta o que devemos observar quando avaliamos um desenho</p><p>de observação?</p><p>a) Observar se as formas elementares do objeto</p><p>foram representadas no desenho.</p><p>b) Observar se a reprodução do objeto desenhado é fidedigna.</p><p>c) Observar se o acabamento do desenho final está perfeito.</p><p>d) Observar o fator estético.</p><p>e) Observar se as medidas condizentes com a realidade.</p><p>2. Observe o desenho de observação de uma cafeteira do tipo italiana, a seguir.</p><p>Sobre as cinco habilidades básicas para desenhar relacionadas a esse desenho, é</p><p>correto afirmar que:</p><p>Fonte: Imagem cedida por Daniela Duarte Alves.</p><p>a) a percepção do todo está relacionada com a percepção das bordas, dos espaços,</p><p>dos relacionamentos e da luz e sombra, além da proporção do objeto desenhado.</p><p>b) as bordas do desenho não interferem na proporção do objeto.</p><p>c) a proporção do objeto independe da percepção do todo.</p><p>d) a observância dos relacionamentos é irrelevante na percepção do todo.</p><p>e) a percepção espaços não alteram a proporção do objeto.</p><p>165Desenho de objetos tridimensionais</p><p>DA_U4_C10.indd 165 01/12/2017 17:08:08</p><p>3. O desenho de observação a seguir evidencia qual elemento compositivo?</p><p>Fonte: Nuh Ugur Karsli/Shutterstock.com.</p><p>a) A Linha.</p><p>b) A superfície.</p><p>c) O volume.</p><p>d) O Ritmo.</p><p>e) A assimetria.</p><p>4. Sobre as cinco habilidades básicas para desenhar relacionadas aos desenhos de</p><p>observação a seguir, assinale a alternativa que demostra corretamente a percepção</p><p>das bordas, espaços, relacionamentos, luz e sombra que o desenho apresenta.</p><p>Fonte: adaptada de psynovec/Shutterstock.com</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>Desenho de objetos tridimensionais166</p><p>DA_U4_C10.indd 166 01/12/2017 17:08:35</p><p>e)</p><p>5. O desenho de observação a seguir evidencia, além do elemento compositivo,</p><p>um recurso compositivo que o torna interessante visualmente. Que elemento</p><p>compositivo e que recurso são esses?</p><p>Fonte: babayuka/Shutterstock.com.</p><p>a) Linha e profundidade.</p><p>b) Superfície e vazio.</p><p>c) Volume e profundidade.</p><p>d) Linha e vazio.</p><p>e) Superfície e profundidade.</p><p>AMBROSE, G.; HARRIS, P. Fundamentos de design criativo: uma introdução abrangente</p><p>aos princípios do design criativo, apresentados por meio de explicações detalhadas</p><p>e ilustrados com exemplos do design contemporâneo. 2. ed. Porto Alegre: Bookman,</p><p>2012.</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015.</p><p>EDWARDS, B. Desenhando com o lado direito do cérebro. Rio de Janeiro: Ediouro, 2000.</p><p>OSTROWER, F. Universos da arte. Campinas: Unicamp, 2013.</p><p>SHOPTIME. Grafite em barra Caran D’ache Grafcube 015 mm 6b 0782.256. Rio de Janeiro,</p><p>c2017. Disponível em: <https://goo.gl/ACcczb>. Acesso em: 22 nov. 2017</p><p>Leitura recomendada</p><p>OCVIRK, O. G. et al. Fundamentos de arte. 12. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014.</p><p>167Desenho de objetos tridimensionais</p><p>DA_U4_C10.indd 167 01/12/2017 17:08:41</p><p>Gabaritos168</p><p>Para ver as respostas de todos os exercícios deste</p><p>livro, acesse o link abaixo ou utilize o código QR</p><p>ao lado.</p><p>https://goo.gl/3EzCQx</p><p>Gabaritos</p><p>DA_Gabaritos.indd 168 01/12/2017 17:08:44</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Composição: noções básicas</p><p>e conceitos fundamentais</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Interpretar uma composição por meio dos elementos compositivos</p><p>linha, superfície e volume.</p><p>� Diferenciar as relações formais ao analisar uma composição.</p><p>� Identificar as relações espaço-formais na leitura de composições.</p><p>Introdução</p><p>Os elementos compositivos visuais e formais, ou simplesmente formas, estão</p><p>presentes em composições de qualquer natureza, seja arquitetônica, artística</p><p>ou de design. A escolha dos elementos visuais e sua ordenação no espaço</p><p>compositivo qualificam uma boa composição do ponto de vista formal.</p><p>Neste capítulo, você irá estudar o que é uma composição e seus</p><p>aspectos construtivos, por meio dos elementos compositivos da lin-</p><p>guagem visual.</p><p>Composição e elementos compositivos</p><p>Você sabe o que é uma composição? Composição, segundo o dicionário Pri-</p><p>beram, é o todo, proveniente da reunião de partes ou o modo de reunir partes</p><p>para formar um todo (PRIBERAM DICIONÁRIO, c2013).</p><p>A Figura 1 ilustrando uma paisagem nevada, com um chalé e árvores, é</p><p>uma composição, é o todo. Esse todo é composto pelo chão nevado, pelo céu,</p><p>pelas árvores</p><p>e pelo chalé. O chão, o céu, as árvores e o chalé são os elementos</p><p>que compõe o todo da paisagem.</p><p>DA_U3_C07.indd 109 01/12/2017 16:59:56</p><p>Figura 1. Paisagem nevada.</p><p>Fonte: Dmitry Savin/Shutterstock.com.</p><p>Ao transcrever elementos que compõe a paisagem para elementos de</p><p>uma composição artística, cada parte que compõe o todo é chamada de ele-</p><p>mento compositivo ou forma ou, ainda, elemento visual. Na Figura 2, você</p><p>pode observar a tradução das partes que formam a paisagem em elementos</p><p>compositivos.</p><p>Figura 2. Elementos compositivos da paisagem.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais110</p><p>DA_U3_C07.indd 110 01/12/2017 17:00:03</p><p>O tronco das árvores são as linhas, o chalé é um volume e as paredes e o</p><p>telhado do chalé são as superfícies. Na verdade, pode-se dizer que os elementos</p><p>compositivos compõem todas as coisas e, se observarmos bem, eles podem</p><p>ser percebidos em tudo aquilo que nos rodeia!</p><p>Linha, superfície e volume</p><p>Segundo a autora Fayga Ostrower (2003) os elementos compositivos da lin-</p><p>guagem visual (veja a Figura 3) são cinco:</p><p>� linha;</p><p>� superfície;</p><p>� volume;</p><p>� luz;</p><p>� cor.</p><p>Figura 3. Elementos compositivos.</p><p>Você vai conhecer, a seguir, três desses elementos: a linha, a superfície</p><p>e o volume.</p><p>Linha</p><p>Conforme Ostrower (2003), a linha é um elemento unidirecional, ou seja,</p><p>possui uma só dimensão: o comprimento. Observe o exemplo da Figura 4.</p><p>111Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 111 01/12/2017 17:00:04</p><p>Figura 4. Linha.</p><p>De acordo com o autor Wucius Wong (2010), as formas enquanto linhas podem</p><p>ser classificadas em: geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares e outras:</p><p>� Geométricas: construídas matematicamente.</p><p>� Orgânicas: com curvas livres e fluidas.</p><p>� Retilíneas: linhas retas que não se relacionam matematicamente.</p><p>� Irregulares: associação de linhas retas e curvas que não se relacionam</p><p>matematicamente.</p><p>Observe os modelos de classificação das linhas na Figura 5.</p><p>Figura 5. Tipos de linhas.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais112</p><p>DA_U3_C07.indd 112 01/12/2017 17:00:05</p><p>Superfície</p><p>Conforme Ostrower (2003), a superfície é um elemento determinado pela</p><p>junção de diferentes linhas ou pela mudança de direção de uma linha reta ou</p><p>curva, conforme apresentado na Figura 6. A superfície possui duas dimensões,</p><p>a altura e o comprimento.</p><p>Figura 6. Superfície.</p><p>Segundo Wong (2010), as formas enquanto superfícies também podem ser</p><p>classificadas em geométricas, orgânicas, retilíneas e irregulares, entre outras,</p><p>como você pode ver na Figura 7.</p><p>Figura 7. Tipos de superfície.</p><p>113Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 113 01/12/2017 17:00:07</p><p>Ostrower (2003), por sua vez, classifica as superfícies de acordo com o as-</p><p>pecto de suas margens em fechadas ou abertas, como representado na Figura 8.</p><p>Figura 8. Classificação das superfícies de acordo com as margens.</p><p>Volume</p><p>O volume é um elemento formado pelo agrupamento das superfícies, de acordo</p><p>com o autor Christian Leborg (2015), e caracteriza-se por três dimensões:</p><p>largura, altura e profundidade. Observe o exemplo na Figura 9.</p><p>Figura 9. Volume.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais114</p><p>DA_U3_C07.indd 114 01/12/2017 17:00:08</p><p>Segundo Wong (2010), as formas enquanto volumes também podem ser</p><p>classificadas em geométricas, orgânicas, retilíneas, irregulares e outras, como</p><p>demonstrado na Figura 10.</p><p>Figura 10. Classificação do volume.</p><p>Relações formais</p><p>As relações formais descrevem as características dos elementos compositivos</p><p>presentes, dispostos e combinados na composição: quantos são, quais são, são</p><p>grandes ou pequenos, e assim por diante.</p><p>Semelhanças e diferenças</p><p>Ostrower (2003) observa a relação entre os elementos de composição por</p><p>meio de semelhanças e diferenças de forma, tamanho, proporção, orientação</p><p>e posição, como representado na Figura 11. Algumas diferenças são mais</p><p>facilmente identificadas, como as de forma e tamanho.</p><p>115Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 115 01/12/2017 17:00:08</p><p>Figura 11. Relações formais.</p><p>Ritmo e contraste</p><p>Ostrower (2003) também indica que as semelhanças entre os elementos com-</p><p>positivos podem originar os ritmos, e as diferenças, os contrastes.</p><p>Os ritmos são constituídos por semelhanças repetidas e organizadas. Já os</p><p>contrastes se encontram em grandes diferenças, conforme você pode observar</p><p>na Figura 12.</p><p>Figura 12. Ritmo e contraste.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais116</p><p>DA_U3_C07.indd 116 01/12/2017 17:00:09</p><p>Para haver ritmo em uma composição você precisa se imaginar “dançando” ela. Em</p><p>um ritmo de repetição você dançaria um passo para a direita e outro para a esquerda,</p><p>conforme representação da Figura 13.</p><p>Figura 13. Exemplo de ritmo de repetição.</p><p>Em um ritmo alternado, você poderia dançar um passo atrás e dois para frente,</p><p>como exemplificado na Figura 14.</p><p>Figura 14. Exemplo de ritmo alternado.</p><p>Em um ritmo decrescente, você pode se imaginar dançando cada vez mais len-</p><p>tamente, até a música acabar, como representado na Figura 15. No ritmo crescente,</p><p>acontece o contrário.</p><p>Figura 15. Exemplo de ritmo decrescente.</p><p>Já para haver contraste em uma composição, ela deve ter o efeito “uau” no espec-</p><p>tador, como se ele levasse um susto. Uma pequena diferença não impacta, mas uma</p><p>grande, sim (veja a Figura 16).</p><p>(a) (b)</p><p>Figura 16. (a) Pequena diferença. (b) Contraste.</p><p>Fonte: Eric Isselee/Shutterstock.com.</p><p>117Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 117 01/12/2017 17:00:12</p><p>Relações espaço-formais</p><p>São as relações entre os elementos compositivos e o espaço de composição</p><p>em que estão inseridos.</p><p>Orientação espacial</p><p>A orientação espacial refere-se ao peso visual dos elementos de composição</p><p>no espaço. Ostrower (2003) entende que linhas pesam menos que superfícies,</p><p>superfícies pesam menos que volumes, assim como formas orgânicas pesam</p><p>menos que formas geométricas.</p><p>Segundo o autor Rudolph Arnheim (2000), a parte inferior do espaço de</p><p>composição recebe melhor os elementos compositivos mais pesados, assim</p><p>como a lateral esquerda. Por isso, o peso visual dos elementos compositivos</p><p>define a orientação espacial. Observe a ilustração da Figura 17.</p><p>Figura 17. Relação espaço-formais.</p><p>Equilíbrio de simetria</p><p>Conforme Ostrower (2003), a simetria ocorre quando em um eixo imaginário</p><p>horizontal, vertical ou diagonal pode-se observar o efeito de espelhamento</p><p>entre os elementos da composição. No equilíbrio de simetria, a orientação</p><p>espacial também é definida pelo peso visual dos elementos compositivos. Veja</p><p>a exemplificação disso na Figura 18.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais118</p><p>DA_U3_C07.indd 118 01/12/2017 17:00:14</p><p>Figura 18. Equilíbrio de simetria.</p><p>A simetria perfeita, continua a autora, acontece quando nos três eixos</p><p>imaginários (horizontal, vertical e diagonal) pode-se observar o efeito de</p><p>espelhamento entre os elementos de composição. Na simetria perfeita, quando</p><p>os elementos compositivos estão centralizados no espaço, pode-se usar qualquer</p><p>orientação espacial, como você pode ver na Figura 19.</p><p>Figura 19. Simetria perfeita.</p><p>119Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 119 01/12/2017 17:00:15</p><p>Equilíbrio de assimetria</p><p>A assimetria ocorre quando em nenhum dos eixos imaginários (horizontal,</p><p>vertical e diagonal) é possível observar o efeito de espelhamento entre os</p><p>elementos de composição. No equilíbrio de assimetria, a orientação espacial</p><p>sempre é definida pelo peso visual dos elementos compositivos. Veja o exemplo</p><p>da Figura 20.</p><p>Figura 20. Equilíbrio de assimetria.</p><p>Movimento visual</p><p>Movimento visual, de acordo com a definição de Ostrower (2003), é a capa-</p><p>cidade que os elementos visuais obtêm, pela sua ordenação, de fazer com que</p><p>os olhos do espectador percorram uma grande parte do espaço compositivo.</p><p>Observe um exemplo na Figura 21.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos</p><p>fundamentais120</p><p>DA_U3_C07.indd 120 01/12/2017 17:00:16</p><p>Figura 21. Movimento visual.</p><p>Os elementos compositivos, suas relações formais e espaço-formais nos dão</p><p>uma compreensão racional e material de composição. Eles tornam o espaço</p><p>compositivo organizado, formalmente rico e atraente aos olhos, prendendo a</p><p>atenção do espectador.</p><p>A monografia de conclusão de curso disponível no link a seguir (ZATTERA, 2016) trata</p><p>da identificação dos elementos formais e suas relações em uma imagem bidimensional</p><p>de capa de livro.</p><p>https://goo.gl/hVJ9Ph</p><p>121Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 121 01/12/2017 17:00:16</p><p>1. Observe a imagem a seguir, identificando os elementos visuais</p><p>da composição. Em seguida, assinale a alternativa correta.</p><p>Fonte: Panupong Boonsuebchart / Shutterstock.com.</p><p>a) A composição é formada pelo equilíbrio de linhas e superfícies</p><p>orgânicas e por volumes e superfícies geométricas.</p><p>b) A composição é formada apenas por volumes geométricos.</p><p>c) A composição é formada por superfícies e volumes geométricos.</p><p>d) A composição não apresenta nenhum elemento visual.</p><p>e) A composição contempla somente formas orgânicas.</p><p>2. Identifique a alternativa que conceitua a relação formal de ritmo corretamente.</p><p>a) Ritmo é constituído pela repetição ordenada de</p><p>elementos compositivos semelhantes ou iguais.</p><p>b) Qualquer composição com elementos semelhantes</p><p>constitui uma composição de ritmo.</p><p>c) Ritmo é o mesmo que semelhança.</p><p>d) A ordenação é dispensável na composição do ritmo.</p><p>e) O ritmo pode ser constituído de elementos compositivos diferentes.</p><p>3. Identifique a alternativa que apresenta a relação formal de ritmo.</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais122</p><p>DA_U3_C07.indd 122 01/12/2017 17:00:28</p><p>4. Assinale a alternativa que apresenta uma orientação espacial adequada.</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e) Nenhuma das opções de</p><p>orientação espacial é adequada,</p><p>visto que os pesos visuais</p><p>não são equilibrados.</p><p>5. Indique a opção em que a composição apresenta a relação espaço-formal</p><p>movimento visual.</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>d)</p><p>e)</p><p>123Composição: noções básicas e conceitos fundamentais</p><p>DA_U3_C07.indd 123 01/12/2017 17:00:34</p><p>ARNHEIM, R. Arte e percepção visual. 13. ed. São Paulo: Pioneira, 2000.</p><p>LEBORG, C. Gramática visual. São Paulo: GG BRASIL, 2015.</p><p>OSTROWER, F. Universos da arte. 32. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2003.</p><p>PRIBERAM DICIONÁRIO. Com.po.si.ção. [S.l.]: Priberam Informática, c2013. Disponível</p><p>em: <https://www.priberam.pt/dlpo/composi%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 28</p><p>nov. 2017.</p><p>WONG, W. Princípios de forma e desenho. 2. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.</p><p>ZATTERA, I. G. Comunicação visual e ilustração: análise da imagem na capa de livro</p><p>de literatura de fantasia. 2016. Monografia (Bacharelado)–Universidade de Caxias do</p><p>Sul, Caxias do Sul, 2016.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>CHING, F. Arquitetura: forma, espaço e ordem. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CHING, F.; ECKLER, J. F. Introdução à arquitetura. Porto Alegre: Bookman, 2013.</p><p>Composição: noções básicas e conceitos fundamentais124</p><p>DA_U3_C07.indd 124 01/12/2017 17:00:36</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>a desenhar linhas a mão livre.</p><p>3. Identificar os elementos da forma.</p><p>Tipos de lápis, borracha e papel</p><p>“A efetividade geral de um desenho é determinada, acima de tudo, pela quali-</p><p>dade, variedade e sensibilidade dos traços que o compõem.” (CURTIS, 2015,</p><p>p. 3). Esta qualidade está diretamente relacionada à escolha do lápis e do papel</p><p>e em como você aplica as técnicas de desenho de observação.</p><p>Os grafites de lápis e de lapiseiras são classificados como dura, média e</p><p>macia e suas aplicações podem ser observadas na Tabela 1.</p><p>Fonte: Adaptada de Giesecke et al. (2002).</p><p>Classificação Grafite Quando aplicar</p><p>Dura 9H/8H/7H/6H/5H/4H/ Usar quando for necessária extrema</p><p>precisão em desenhos técnicos, pois</p><p>as linhas tendem a ser muito claras.</p><p>Média 3H/2H/H/F/HB/B/ Usar para esboços técnicos</p><p>e letreiros. HB e B são usados</p><p>para desenhos a mão livre,</p><p>para desenhar linhas finas.</p><p>Macia 2B/3B/4B/5B/6B/7B/ Usar, essencialmente, para</p><p>desenhos a mão livre, trabalhos</p><p>artísticos de vários tipos e para</p><p>detalhes em tamanho natural</p><p>do desenho arquitetônico.</p><p>Tabela 1. Classificação dos grafites.</p><p>As lapiseiras automáticas são fabricadas para grafites de 0,3 mm, 0,5 mm,</p><p>0,7 mm e 0,9 mm. A primeira é adequada ao desenho técnico fino; a segunda,</p><p>para escrever e traçar linhas finas no desenho técnico e a mão livre; a terceira,</p><p>para uso geral no desenho a mão livre; e a de 0,9 mm, para executar linhas</p><p>Desenho de observação e de memória50</p><p>DA_U1_C03.indd 50 01/12/2017 16:51:46</p><p>grossas. Associado ao lápis, você vai precisar de uma borracha macia, que é</p><p>a borracha plástica. Por deixar muitos resíduos, você poderá precisar de um</p><p>bigode, espanador especial para desenho, para limpar a sua superfície.</p><p>Você vai encontrar uma grande variedade de tamanhos, pesos e superfícies</p><p>de papel. O tamanho varia segundo os formatos técnicos (A4, A3, A2, A1 e</p><p>A0), podendo ser folhas soltas ou blocos de desenho, inclusive quadriculados.</p><p>Você pode até mesmo criar as folhas com moldes ou grades no AutoCad e</p><p>colocar embaixo do seu desenho, para facilitar no processo de aprendizado.</p><p>O peso do papel está relacionado a sua constituição, por exemplo, cartolina,</p><p>papel duplex ou tríplex, entre outros. A sua superfície perpassa do liso ao</p><p>extremamente áspero (mais granulado), abrangendo muitas variações. Você</p><p>deve usar a superfície lisa para o lápis grafite e a mais granulada para técnicas</p><p>que utilizem tinta, pastel e carvão vegetal. Uma visita à papelaria pode ser</p><p>mais elucidativa do que qualquer outra fonte de conhecimento sobre assunto.</p><p>No desenho de observação, o ideal é investir em um cavalete de artista</p><p>durável, ainda que nem sempre seja possível carregá-lo. A correta posição</p><p>para o desenho de observação é 90º, com o observador em pé.</p><p>Com uma simples alteração na sua posição em relação ao objeto, você pode renovar</p><p>o seu olhar e descansar um pouco, mas é preciso retornar à posição original, ao voltar</p><p>a desenhar.</p><p>Desenho de linhas a mão livre</p><p>Segundo Curtis (2015), uma linha pode variar entre grossa e fina, clara e escura,</p><p>angular e orgânica, de contornos duros e suaves, gerando uma centelha de</p><p>energia a um desenho realizado com sensibilidade. Assim, um desenho esbo-</p><p>çado a mão livre, além de expressar um sentimento, também deve demostrar</p><p>preocupação com a clareza e a espessura correta das linhas.</p><p>Para esboçar linhas longas, marque suas extremidades e desenhe a linha</p><p>mantendo o olhar na direção da marca para a qual você está movendo o lá-</p><p>pis. Repita vários traços até encontrar a precisão da linha. Se a linha estiver</p><p>ondulada demais, você pode estar empunhando de forma equivocada o lápis</p><p>ou estar segurando-o com muita força. Contudo, são permitidas pequenas</p><p>51Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 51 01/12/2017 16:51:46</p><p>ondulações e eventuais intervalos, desde que a linha fique em um traçado reto,</p><p>mas não precisamente reto como no AutoCAD. Desenhe sempre as linhas</p><p>horizontais da esquerda da direita, com um movimento natural do pulso e do</p><p>braço e nas linhas verticais, de cima para baixo com movimentos do dedo e</p><p>do pulso (CURTIS, 2015).</p><p>A variação da espessura da linha representa um assunto chave no desenho</p><p>de observação. Dada à timidez do traçado no início do aprendizado, você pode</p><p>se esquivar de variar mais a sua espessura, mas é muito importante desenhar</p><p>com variedade e liberdade, conforme as orientações a seguir.</p><p>Você deve utilizar linhas finas quando forem:</p><p>� Linhas de construção: estas devem ser muito claras, de modo que</p><p>fiquem pouco visíveis.</p><p>� Linhas de centro: estas devem ser nítidas.</p><p>� Linhas de prolongamento de um objeto: estas devem ser nítidas e</p><p>escuras.</p><p>Você pode aumentar a espessura da linha, quando:</p><p>� estiver comparativamente muito mais próxima do observador;</p><p>� estiver embaixo do objeto, para indicar peso.</p><p>“Os contornos dominam a nossa percepção do mundo visual. [...] Algumas</p><p>destas arestas são claras, outras se perdem no plano de fundo, conforme mudam</p><p>de cor ou de tonalidade. [...] No processo de observação, a mente acentua estas</p><p>arestas e as vê como contornos.” (CHING, 2012, p. 17).</p><p>Você vai tender a variar a espessura da linha do contorno, mas tente ter</p><p>em mente que seu desenho com uma linha grossa deve ser utilizado no caso</p><p>de incidência de sombra, ou quando representa a aresta de um objeto que se</p><p>sobrepõe a outro ou quando as arestas do objeto, de fato, variam em espessura.</p><p>Em geral, a linha do contorno deve variar de forma uniforme em relação a</p><p>todo desenho. Definir de três a quatro variações de linha no desenho poderá</p><p>ajudar você a manter o equilíbrio na intensidade de utilização das linhas.</p><p>Desenho de observação e de memória52</p><p>DA_U1_C03.indd 52 01/12/2017 16:51:46</p><p>No capítulo “A mecânica de desenhar”, do livro Desenho de Observação, de Curtis</p><p>(2015), você pode aprender mais sobre as técnicas de empunhadura de desenho e</p><p>de variação de traço.</p><p>Elementos da forma de objetos e da arquitetura</p><p>Os elementos da forma são o ponto, a linha, o plano e o volume. O ponto, o</p><p>primeiro gerador da forma, indica uma posição no espaço, e você pode adotá-</p><p>-lo para estabilizar, dominar e organizar os elementos ao seu redor, quando</p><p>este for o elemento central da composição. Quando localizado fora do centro,</p><p>transmite agressividade e sugere um eixo para organizar formas construídas</p><p>por meio do estabelecimento de dois pontos (CHING, 1979).</p><p>Segundo os conceitos de Ching (1979), enquanto o ponto é estático, a linha</p><p>descreve o caminho de um ponto em movimento, expressando uma direção ou</p><p>um crescimento. Permite unir, circundar ou descrever arestas. A linha vertical</p><p>expressa um estado de equilíbrio, com a força da gravidade; a linha horizontal</p><p>representa estabilidade, o horizonte ou um corpo que repousa; e linha oblíqua</p><p>expressa dinamismo ou uma atividade visual, como um nascer do sol.</p><p>Ainda que o espaço arquitetônico disponha de quatro dimensões, sua</p><p>forma tridimensional e a experiência da arquitetura, segundo o conceito de</p><p>Zevi (1996), a sua forma pode ser linear, quando acomoda um movimento</p><p>de percurso, como nas pontes. Elementos verticais lineares, como colunas,</p><p>obeliscos e torres vêm sendo utilizados em larga escala na história grega,</p><p>romana e, mais recentemente, no neoclassicismo, para comemorar eventos,</p><p>por exemplo.</p><p>A sua percepção do plano é sempre distorcida pela perspectiva cônica. A</p><p>definição dos limites e as fronteiras de um volume é função do plano, sendo</p><p>este um elemento chave no vocabulário arquitetônico, pois seu tamanho,</p><p>sua forma, sua cor, sua textura e a relação espacial entre eles determinam</p><p>as propriedades visuais da forma e a qualidade do espaço que ele encerra.</p><p>Um elemento de desenho pode ser neutro ou visualmente ativo, opaco ou</p><p>transparente e fonte de luz e de observação. Portanto, a forma da edificação</p><p>pode ser planar, pela diferenciação dos planos verticais e horizontais, como</p><p>projetado na Casa da Cascata de Frank Lloyd Wright, ou com variações no</p><p>material, na cor e na textura (CHING,</p><p>1979).</p><p>53Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 53 01/12/2017 16:51:46</p><p>Um plano estendido ou a adição de planos compreende um volume, ele-</p><p>mento tridimensional do vocabulário arquitetônico, cujas propriedades são</p><p>comprimento, largura e profundidade. Os principais volumes do vocabulário</p><p>arquitetônico são a esfera, o cilindro, o cone, a pirâmide e o cubo.</p><p>A esfera representa uma forma centralizada, concentrada e estável. O</p><p>cilindro pode ser facilmente estendido através do seu eixo e assume uma forma</p><p>estável, se repousa sobre uma de suas faces circulares, mas pode, também,</p><p>se tornar instável, quando seu eixo central é inclinado. O cone, assim como</p><p>o cilindro, é estável se apoiado sobre sua face circular e instável quando seu</p><p>eixo é descolado. Pode indicar balanço, se apoiado sobre o seu eixo vertical. A</p><p>pirâmide possui propriedades de estabilidade e de balanço como a do cilindro,</p><p>porém é estável se apoiada sobre qualquer uma de suas faces. Por fim, o cubo</p><p>dispõe de seis faces quadradas iguais, representando uma forma estática sem</p><p>aparente direção (CHING, 1979).</p><p>Para compreender seu significado na prática, busque objetos reais forma-</p><p>dos por esses elementos, buscando perceber os significados de estabilidade,</p><p>instabilidade e balanço enunciados por Ching (1979).</p><p>Acessando o link ou o código a seguir, do site Ar-</p><p>chDaily (FRACALOSSI, 2012, você pode visualizar</p><p>as imagens da Casa da Cascata, de Frank Lloyd</p><p>Wright.</p><p>https://goo.gl/LtkNhV</p><p>Desenho de observação e de memória54</p><p>DA_U1_C03.indd 54 01/12/2017 16:51:47</p><p>Veja na Figura 1 três exemplos da aplicação do volume em projetos e obras arquite-</p><p>tônicas com a utilização da esfera, do cilindro e do cone.</p><p>Figura 1. Utilização da esfera, do cilindro e do cone na arquitetura.</p><p>Fonte: Ching (1979, p. 60).</p><p>Técnicas de proporções</p><p>A proporção é a relação do tamanho relativo, utilizada para comparar as di-</p><p>mensões de largura e de altura. Observar as proporções dos objetos cotidianos</p><p>é a melhor forma de começar a desenvolver a sensibilidade à proporção. “A</p><p>regra mais importante no desenho de observação é manter as suas proporções.”</p><p>(GIESECKE et al., 2002, p. 60).</p><p>Você pode desenhar a mão livre circunferências, com base em técnicas</p><p>de proporções, apresentadas na Figura 2. Os desenhos de arcos e de elipses</p><p>são similares ao desenho de circunferências, e o uso de gabaritos facilita o</p><p>desenho de circunferências, arcos e de elipses de tamanhos variados.</p><p>Você deve usar, no desenho de observação, um objeto com arestas retas e</p><p>paralelas (uma régua ou, ainda um lápis), também chamado de instrumento</p><p>mondriano, para estabelecer uma unidade básica de medida e uma grade</p><p>perceptual, aproximando-se do objeto para verificar as proporções, quando</p><p>55Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 55 01/12/2017 16:51:48</p><p>necessário. Uma vez estabelecida esta unidade, você pode girar o instrumento</p><p>em 90°, mantendo-o perpendicular a sua linha de visão e exatamente na mesma</p><p>distância dos olhos (CURTIS, 2015).</p><p>Se preferir, você pode utilizar o objeto mondriano como mira. A tendên-</p><p>cia de você alinhar a orientação dos objetos do campo de visão pelos eixos</p><p>cartesianos (x e y) por meio da mira é tão forte, no desenho de observação,</p><p>que você deve alinhar seu instrumento em frente a uma parede vazia, para</p><p>não perder o prumo. Ao realinha-lo, você evita que as suas percepções diretas</p><p>sejam influenciadas pelo conhecimento da sua mente (CURTIS, 2015).</p><p>Figura 2. Três técnicas para desenhar circunferências.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 60).</p><p>Enquanto as técnicas de proporção são estimadas pelo seu campo de visão,</p><p>as técnicas do sistema de medição modular vêm evoluindo ao longo dos sé-</p><p>culos, até se tornarem o sistema de medida métrico com o módulo de 10 cm,</p><p>utilizado hoje como o principal sistema de medição mundial. Esse sistema foi</p><p>adotado pela maioria dos países, já no final do século XX.</p><p>Desenho de observação e de memória56</p><p>DA_U1_C03.indd 56 01/12/2017 16:51:50</p><p>O sistema de escala teve origem no dimensionamento modular grego e</p><p>romano. As formas geométricas de Platão e Virtrúvio (o círculo, o triângulo e</p><p>o quadrado) eram, em tempos remotos, um sistema de medição que auxiliava</p><p>medir outras formas poligonais. Apesar de terem tido pouca aplicação para</p><p>projeto e construção, a partir deles foi desenvolvida a dimensão do pentágono</p><p>ideal, que embasou a relação matemática “áurea”. Posteriormente, o arquiteto Le</p><p>Corbusier desenvolveu uma teoria das proporções do corpo humano baseado nas</p><p>dimensões estéticas da relação “áurea”. O raio, a corda e a altura do triângulo</p><p>compuseram, também, um sistema geométrico de medição utilizado para a</p><p>construção de edificações redondas no período romano (NEUFERT, 2004).</p><p>Um dos principais desafios que você vai enfrentar é o esboço da figura</p><p>humana completa. Ao compreender as relações da teoria de Le Corbusier sobre</p><p>as proporções do corpo humano, você poderá se beneficiar delas na elaboração</p><p>de croquis. Você pode utilizar, também, o cânone grego de proporções que</p><p>subdivide o corpo em oito cabeças.</p><p>No século XX, com a industrialização, os arquitetos desenvolveram estudos</p><p>de coordenação modular para auxiliar na construção pré-fabricada. O módulo</p><p>era um sistema de medição para reger as superfícies e os volumes. Em 1932,</p><p>Walter Groupius projetou uma casa modular cuja planta podia crescer por adição</p><p>de novos volumes. A França, a partir de 1942, passou a adotar o módulo-base</p><p>de 10 cm, ao passo que a Inglaterra, por exemplo, passou a adotar o sistema</p><p>de quatro polegadas, a partir de 1966 (SOUSA, 2011).</p><p>Ainda que técnicas de proporção e do sistema de escala estejam intrin-</p><p>sicamente relacionadas, é importante que você consiga, a partir desse breve</p><p>histórico, isolar o sistema de escala no momento do desenho de observação.</p><p>O arquiteto tende a usar o conhecimento disponível na memória para sua</p><p>elaboração, mas é preciso lembrar que no desenho de observação, você precisa</p><p>registrar a proporção que vê, e não a que sabe. O uso constante do instrumento</p><p>ajuda a preservar a precisão das proporções percebidas, com base no sistema</p><p>cartesiano.</p><p>As dimensões que você sabe de memória, pode aplicar em esboços de</p><p>projeção paralela, conforme apresentado no próximo tópico, embora não</p><p>representem a realidade observada.</p><p>Métodos de projeção cônica e paralela</p><p>O método de projeção envolve os olhos do observador ou o ponto de vista, o</p><p>objeto, o plano de projeção e as projetantes, também chamadas de raios visuais</p><p>57Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 57 01/12/2017 16:51:50</p><p>ou linhas de visada. Existem dois métodos de projeção: a projeção cônica e a</p><p>paralela, e suas respectivas perspectivas e vistas você pode observar na Tabela 2.</p><p>Fonte: adaptada de Giesecke et al. (2002).</p><p>Projeção Perspectiva</p><p>Cônica Linear</p><p>Com 1 ponto de fuga</p><p>Com 2 pontos de fuga</p><p>Com 3 pontos de fuga</p><p>Aérea</p><p>Paralela</p><p>Ortogonal</p><p>1) Axonométrica Isométrica: todos os eixos se reduzem igualmente</p><p>Dimétrica: dois eixos se reduzem igualmente</p><p>Trimétrica: todos os três eixos se reduzem diferentemente</p><p>2) Oblíqua Cavaleira</p><p>Cabinet</p><p>Tabela 2. Classificação das projeções.</p><p>Nas vistas ortográficas (Figura 3), os raios visuais são paralelos entre si</p><p>e perpendiculares ao plano de projeção (GIESECKE et al., 2002). Você pode</p><p>utilizá-las para desenhar fachadas em esboços arquitetônicos a mão livre.</p><p>Na projeção axonométrica (Figura 3), os raios visuais também são paralelos</p><p>entre si e perpendiculares ao plano de projeção. Quando uma superfície é</p><p>inclinada, em relação ao plano de projeção, aparecendo reduzida nas vistas</p><p>principais, a perspectiva é isométrica. Nessa perspectiva, você precisa manter</p><p>todo o desenho em proporção, mas não precisa trazer as medidas de forma</p><p>precisa para localizar cada elemento do desenho (GIESECKE et al., 2002).</p><p>Na projeção oblíqua (Figura 3), os raios visuais são paralelos entre si e</p><p>oblíquos ao plano de projeção. Na perspectiva cavaleira, a vista frontal do</p><p>Desenho de</p><p>observação e de memória58</p><p>DA_U1_C03.indd 58 01/12/2017 16:51:50</p><p>objeto (largura e altura) é apresentada em verdadeira grandeza, porém as</p><p>outras superfícies aparecem em tamanho reduzido, sendo fáceis para elaborar</p><p>esboços de objetos e de arquitetura (GIESECKE et al., 2002). “Quando as</p><p>linhas fugantes são desenhadas com metade do seu tamanho, a perspectiva</p><p>cavaleira há a comumente conhecida como projeção cabinet (gabinete).”</p><p>(GIESECKE et al., 2002, p. 168).</p><p>Figura 3. Quatro tipos de representação por projeção.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 157).</p><p>Você vai utilizar, no desenho de observação, a perspectiva cônica (Figura</p><p>3), cujos raios visuais convergem para o observador. Porém, você pode adotar</p><p>a estrutura da projeção paralela em esboços a mão livre da arquitetura para</p><p>transmitir ideias ou para transmitir eventos específicos relacionados à ela,</p><p>como detalhes de telhados, de escadas e de esquadrias, pois refletem de forma</p><p>proporcional suas características. São muito utilizadas em relatórios técnicos,</p><p>para transmitir desenhos de formatos, de danos, para apoiar relatórios fotográ-</p><p>ficos, entre outros. Como você vai utilizar as técnicas de observação na sua</p><p>59Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 59 01/12/2017 16:51:51</p><p>elaboração para diferenciar do desenho de observação conceitual, você deve</p><p>chamar os esboços pelo seu nome técnico (por exemplo, fachada ou detalhe de</p><p>esquadria) e deve acrescentar o tipo de projeção adotada (vista ortográfica ou</p><p>perspectiva isométrica), para caracterizar de forma adequada o seu desenho.</p><p>No Capítulo 6 de Comunicação gráfica moderna, de Giesecke et al. (2002), você pode</p><p>aprender mais sobre as técnicas de desenho das perspectivas isométricas, cabinet e</p><p>cavaleira.</p><p>Perspectiva cônica</p><p>Os pontos de fuga das perspectivas cônicas dependem da posição do objeto</p><p>em relação ao plano de projeção, segundo Giesecke et al. (2002, p. 173):</p><p>Se o objeto está com uma face paralela ao plano de projeção, é necessário</p><p>somente um ponto de fuga. [...] Se o objeto está formando um ângulo</p><p>com o plano da perspectiva, mas com arestas verticais paralelas ao plano</p><p>da perspectiva, são necessários dois pontos de fuga [...]. Este é o tipo mais</p><p>comum de perspectiva cônica. Se o objeto está colocado de forma que</p><p>nenhum sistema de arestas paralelas seja paralelo ao plano do desenho,</p><p>são necessários três pontos de fuga.</p><p>A Figura 4 ilustra passo a passo como fazer uma perspectiva cônica com</p><p>um ponto de fuga, e a Figura 5 demonstra como realizar uma perspectiva</p><p>cônica com dois pontos de fuga.</p><p>Desenho de observação e de memória60</p><p>DA_U1_C03.indd 60 01/12/2017 16:51:51</p><p>Figura 4. Passo a passo para a perspectiva cônica com um ponto de fuga.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 173).</p><p>Figura 5. Passo a passo para a perspectiva cônica com dois pontos de fuga.</p><p>Fonte: Giesecke et al. (2002, p. 175).</p><p>61Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 61 01/12/2017 16:51:55</p><p>Para aperfeiçoar seus conhecimentos sobre as perspectivas cônicas com um e dois</p><p>pontos de fuga, leia o Capítulo 15 de Desenho de observação, de Curtis (2015).</p><p>1. Os elementos da forma – ponto,</p><p>linha, plano e volume – constituem</p><p>o alfabeto arquitetônico.</p><p>Analogamente, precisam ser</p><p>compreendidos, antes da palavra</p><p>ser formada ou de um vocabulário</p><p>desenvolvido. Seus significados</p><p>contêm soluções para os problemas</p><p>de função, de propósito e de</p><p>contexto a serem resolvidos no</p><p>partido arquitetônico. Assinale a</p><p>alternativa que apresenta a definição</p><p>e a expressão correta de cada um</p><p>destes elementos.</p><p>a) O “ponto” indica uma posição</p><p>no espaço, podendo expressar</p><p>estabilidade, domínio e</p><p>papel de organizador dos</p><p>elementos ao seu redor.</p><p>b) A definição de “linha” é um</p><p>ponto estendido, a linha defini</p><p>os limites e as fronteiras de</p><p>um volume e expressa um</p><p>estado de desequilíbrio.</p><p>c) A “linha” não representa um</p><p>formato arquitetônico, porque</p><p>a arquitetura é constituída</p><p>de quatro dimensões, sua</p><p>forma tridimensional (largura,</p><p>altura, profundidade) e a</p><p>experiência arquitetônica.</p><p>d) As propriedades do “plano”</p><p>são o comprimento, a largura</p><p>e a profundidade, e ele</p><p>determina como os elementos</p><p>visuais externos ou internos</p><p>à edificação podem ser</p><p>observados ou apreendidos.</p><p>e) O “volume” é constituído por um</p><p>plano estendido ou pela adição</p><p>de mais de um plano, consiste</p><p>em um elemento bidimensional</p><p>do vocabulário arquitetônico e</p><p>expressa estabilidade quando</p><p>está apoiado sobre uma de</p><p>suas faces, não podendo</p><p>expressar instabilidade.</p><p>2. Um desenho esboçado a mão livre</p><p>deve mostrar preocupação com</p><p>proporções, clareza e espessura</p><p>correta das linhas. Assinale a</p><p>alternativa apresenta o momento</p><p>em que você deve aumentar a</p><p>espessura e a intensidade da linha no</p><p>desenho de observação.</p><p>a) Quando representa uma</p><p>linha de construção.</p><p>b) Quando uma linha é</p><p>feita embaixo do objeto,</p><p>para indicar peso.</p><p>c) Quando representa uma</p><p>linha de centro do objeto.</p><p>d) Quando representa uma linha de</p><p>prolongamento de um objeto.</p><p>e) Quando representa uma linha</p><p>de contorno do objeto.</p><p>Desenho de observação e de memória62</p><p>DA_U1_C03.indd 62 01/12/2017 16:51:58</p><p>3. Os desenhos de observação e os</p><p>esboços a mão livre elaborados com</p><p>as técnicas de proporções ajudam a</p><p>organizar pensamentos e a registrar</p><p>ideias. Desde os gregos, o diâmetro</p><p>era utilizado com unidade básica</p><p>das dimensões. Assinale a alternativa</p><p>na qual estão apresentadas as</p><p>técnicas corretas de proporção e</p><p>as técnicas do sistema de medição</p><p>modular de um objeto.</p><p>a) A proporção é baseada nas</p><p>formas geométricas, o círculo,</p><p>o triângulo e o quadrado e</p><p>no sistema de medição, você</p><p>pode comparar várias distâncias</p><p>usando o lápis como mira.</p><p>b) A proporção é medida</p><p>por raio, corda e altura do</p><p>triângulo, e o sistema de</p><p>medição modular é baseado</p><p>no instrumento mondriano.</p><p>c) A proporção está baseada</p><p>nas normas de coordenação</p><p>modular de 4 polegadas, e</p><p>a escala pode ser estimada</p><p>pelo nosso campo de visão.</p><p>d) A proporção é o módulo</p><p>base de 10 cm, e o sistema</p><p>de medição por escala pode</p><p>ser realizado por qualquer</p><p>instrumento reto segurado.</p><p>e) A proporção está baseada na</p><p>referência dos eixos cartesianos</p><p>x/y, e o sistema de medição</p><p>por escala está baseado no</p><p>sistema de medida métrico,</p><p>com o módulo de 10 cm.</p><p>4. Os desenhos de perspectiva</p><p>podem ser criados usando tanto a</p><p>projeção cônica como a paralela.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta</p><p>o tipo de perspectiva adotada</p><p>neste esboço arquitetônico.</p><p>a) Perspectiva cavaleira.</p><p>b) Perspectiva aérea.</p><p>c) Perspectiva isométrica.</p><p>d) Perspectiva cônica com</p><p>um ponto de fuga.</p><p>e) Perspectiva cônica com</p><p>dois pontos de fuga.</p><p>5. Desenhos com vistas ortográficas</p><p>tornam possível representar objetos</p><p>complexos com precisão. Desenhos</p><p>de perspectiva são usados para</p><p>comunicar suas ideias, podendo ser</p><p>usados em catálogos, publicações</p><p>e em projetos de arquitetura.</p><p>Assinale a alternativa que apresenta</p><p>a definição correta de cada um</p><p>destes métodos de projeção.</p><p>a) As vistas ortográficas são</p><p>tipos de perspectivas, já que</p><p>mostram vários lados dos</p><p>objetos em uma única vista.</p><p>b) Na projeção axonométrica, os</p><p>raios visuais são paralelos entre si</p><p>e oblíquos ao plano de projeção.</p><p>c) Na perspectiva isométrica, as</p><p>superfícies de um objeto tem</p><p>um tamanho reduzido, porque</p><p>as projeções são oblíquas.</p><p>d) Somente na projeção cônica as</p><p>retas projetantes convergem</p><p>para um ou mais pontos de fuga,</p><p>já a vista ortográfica, a projeção</p><p>axonométrica e a projeção</p><p>oblíqua usam projeção paralela.</p><p>e) Na projeção oblíqua, os raios</p><p>visuais convergem para um</p><p>ou mais pontos de fuga,</p><p>para gerar a visão oblíqua.</p><p>63Desenho de observação e de memória</p><p>DA_U1_C03.indd 63 01/12/2017 16:52:00</p><p>CHING, F. Architecture: form, space and order. New York: Van Nostrand Reinhold, 1979.</p><p>CHING, F. Desenho para arquitetos. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012.</p><p>CURTIS, B. Desenho de observação. 2. ed. Porto Alegre: McGraw-Hill, 2015.</p><p>FRACALOSSI, I. Clássicos da arquitetura:</p><p>Casa da Cascata / Frank Lloyd Wright. Santiago:</p><p>ArchDaily, 2012. Disponível em: <http://www.archdaily.com.br/br/01-53156/classicos-</p><p>-da-arquitetura-casa-da-cascata-frank-lloyd-wright>. Acesso em: 29 out. 2017.</p><p>GIESECKE, F. E. et al. Comunicação gráfica moderna. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>NEUFERT, E. Arte de projetar em arquitetura: princípios, normas, regulamentos sobre</p><p>projeto, construção, forma, necessidades e relações espaciais, dimensões de edifícios,</p><p>ambientes, mobiliário, objetos. 17. ed. Barcelona: Gustavo Gili, 2004.</p><p>SOUSA, V. H. B. de. Arquitectura, sustentabilidade e coordenação modular: desen-</p><p>volvimento de sistema construtivo modular. 2011. Dissertação (Mestrado em</p><p>Engenharia Civil e Arquitetura)–Universidade da Beira Interior, Covilhã, 2011. Dis-</p><p>ponível em: <https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2251/2/Vitor%20Sousa_</p><p>Disserta%C3%A7%C3%A3o.pdf>. Acesso em: 09 set. 2017.</p><p>ZEVI, B. Saber ver a arquitetura. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996.</p><p>Desenho de observação e de memória64</p><p>DA_U1_C03.indd 64 01/12/2017 16:52:00</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Croquis – técnicas e</p><p>materiais diversos</p><p>Introdução</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Aplicar proporções e componentes para as cenas.</p><p>� Praticar a técnica de croqui em perspectivas com pontos de fuga.</p><p>� Identificar os materiais mais adequados para a produção de croquis.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você irá estudar sobre técnicas e materiais para a produção</p><p>de croquis.</p><p>A palavra croqui, do francês croquis, significa esboço. Os croquis são</p><p>uma forma de desenho muito utilizadas pelos arquitetos, pois tratam-se</p><p>de formas rápidas de desenho para representar ideias gerais sobre algum</p><p>conceito de projeto. São desenhos normalmente com bastante expressão</p><p>e pouco refinamento, apesar de alguns serem extremamente detalhados.</p><p>O principal objetivo é utilizar-se da liberdade do desenho à mão</p><p>para gerar formas que, futuramente, serão desenvolvidas de maneira</p><p>mais técnica.</p><p>São muito úteis para expor propostas de conceito para aprovação do</p><p>cliente, para posteriormente seguir aos detalhamentos. Nessas situações,</p><p>são muito importantes em razão de sua característica visual e por ser de</p><p>fácil entendimento para maioria das pessoas.</p><p>DA_U2_C04.indd 65 01/12/2017 16:51:57</p><p>Proporções e componentes</p><p>Os croquis são desenhos de expressão livre, que servem para representar</p><p>ideias. Para a correta compreensão do desenho, é importante você considerar</p><p>alguns elementos que compõem a cena. Além disso, existem pontos a avaliar</p><p>na hora de produzir o desenho para que ele seja harmônico e equilibrado.</p><p>Proporção</p><p>É imprescindível que o desenho tenha proporções adequadas, mesmo que a</p><p>produção do croqui seja feita sem a utilização de uma escala e medidas exatas.</p><p>Para isso, é importante estabelecer a proporção entre os volumes da cena, de</p><p>forma a não prejudicar o entendimento do conjunto.</p><p>Uma maneira bastante simples de fazer isso é definindo uma medida</p><p>base, logo no início do desenho, que será replicada em todo o restante. Por</p><p>exemplo, marcar um ponto que você deseja que represente 1 metro de altura.</p><p>Se o volume a ser representado tiver uma altura de 3 metros, você replicará 3</p><p>vezes este mesmo trecho de marcação estipulado. Na largura, faça o mesmo</p><p>procedimento, por exemplo, se a parede tiver 4 metros, replique 4 vezes a</p><p>marcação. Veja um exemplo desse conceito de proporção na Figura 1.</p><p>A proporção no desenho é essencial para que seja o mais semelhante possível ao que</p><p>será desenvolvido no projeto detalhado, mantendo assim uma coerência com entre</p><p>o croqui e o projeto final.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos66</p><p>DA_U2_C04.indd 66 01/12/2017 16:51:58</p><p>Figura 1. Exemplo de marcação simulada de medidas – 3 na altura e 4 na largura.</p><p>Componentes</p><p>Os componentes especiais da cena também são uma maneira de representar</p><p>a proporção do conjunto. Esses componentes podem se tratar de mobiliários</p><p>urbanos, pessoas, carros, árvores, etc.</p><p>Esses elementos servem de referência para as dimensões das edificações</p><p>representadas. Como croquis possuem pouco detalhamento, é importante</p><p>inserir componentes de conhecimento comum.</p><p>Por exemplo, se temos um volume de um prédio graficado da mesma forma</p><p>em dois desenhos distintos, a maneira mais simples de compreender o quanto</p><p>esse prédio impacta no espaço urbano é utilizando a inserção de pessoas,</p><p>árvores e carros, entre outros, conforme você pode observar na Figura 2.</p><p>67Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 67 01/12/2017 16:52:00</p><p>Figura 2. Exemplo de dois prédios desenhados de forma similar; o que difere a proporção</p><p>entre eles são as árvores e a escala humana do croqui.</p><p>A escala humana no croqui auxilia em outras questões. Quando tratamos</p><p>de desenho urbano, o posicionamento das pessoas na cena demonstra os</p><p>locais de público e circulações, por exemplo, conforme apresentado na</p><p>Figura 3.</p><p>Figura 3. Croqui com elementos de paisagismo e componentes, auxiliando na percepção</p><p>do espaço.</p><p>Fonte: Leggitt (2004, p. 13).</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos68</p><p>DA_U2_C04.indd 68 01/12/2017 16:52:04</p><p>Ao incluir vegetação em seus croquis, tome cuidado para que as árvores não cubram</p><p>as edificações (a não ser que seja esta sua intenção). Quando o objetivo é valorizar</p><p>os prédios que estão por trás, o ideal é desenhar as árvores de modo que fiquem o</p><p>mais “transparentes” possível. Uma maneira de fazer isso é desenhando a copa com</p><p>folhagem rala, trabalhando mais o tronco e os galhos. Pode ser feito também somente</p><p>o contorno da copa, deixando a parte central sem preenchimento. No caso de colorir,</p><p>a sugestão é utilizar canetas hidrocor que fiquem translúcidas.</p><p>Perspectiva com pontos de fuga</p><p>Existem diversas técnicas para desenhar um croqui em perspectiva. Na técnica</p><p>que utiliza pontos de fuga, é possível usar um, dois, três ou até mais pontos de</p><p>fuga. Para iniciantes, entretanto, é recomendado começar pela utilização de</p><p>apenas um ponto, até dominar bem a técnica. Você pode começar a praticar</p><p>com base nos seguintes passos:</p><p>� Definir a linha do horizonte: um dos primeiros passos é definir a li-</p><p>nha base do horizonte, conforme Figura 4. Esta linha será a base de</p><p>referência do desenho.</p><p>Figura 4. Definição da linha do horizonte do desenho.</p><p>69Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 69 01/12/2017 16:52:04</p><p>� Marcar a altura do observador e o ponto de fuga: a altura do observador</p><p>se trata do alinhamento que será a visualização do desenho, a altura</p><p>que estamos enxergando a cena. Pode ficar sobre a linha do horizonte.</p><p>� O próximo passo é escolher o local do ponto de fuga. Esse ponto é</p><p>fundamental, pois será o local para onde todas as linhas da perspectiva</p><p>irão convergir. Caso o ponto fique centralizado no desenho, ambos os</p><p>lados da perspectiva terão a mesma visualização, observe a Figura 5.</p><p>Caso você posicione mais para algum dos lados, a lateral mais próxima</p><p>ao ponto de fuga ficará mais acumulada na perspectiva, e a outra terá</p><p>melhor visualização. Esta escolha depende do que se deseja valorizar</p><p>no croqui.</p><p>Figura 5. Definição</p><p>da altura do observador e do ponto de fuga.</p><p>� Traçar as linhas de perspectiva: uma maneira simples de iniciar o de-</p><p>senho é traçando as linhas bases da perspectiva, todas migrando para o</p><p>ponto de fuga, conforme demonstrado na Figura 6. Conforme o número</p><p>de elementos que tiver na cena, podem ser utilizadas inúmeras linhas</p><p>de apoio.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos70</p><p>DA_U2_C04.indd 70 01/12/2017 16:52:04</p><p>Figura 6. Traçado base das linhas iniciais de perspectiva.</p><p>� Lançar as linhas do croqui: após o lançamento das linhas base, você</p><p>pode iniciar o traçado dos elementos do desenho. O importante é sem-</p><p>pre analisar se as faces serão paralelas ou perpendiculares à linha do</p><p>horizonte. No caso das faces paralelas, elas devem ser desenhadas</p><p>sempre horizontalmente ao papel, sem levar em direção ao ponto de</p><p>fuga. Já as faces perpendiculares devem ser desenhadas com as linhas</p><p>convergindo e encontrando o ponto de fuga.</p><p>Siga esta diretriz até completar as volumetrias do desenho. Após isso,</p><p>finalize o desenho como desejar. Observe o exemplo nas Figuras 7 e 8.</p><p>71Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 71 01/12/2017 16:52:05</p><p>Figura 7. Traçado dos elementos a serem representados no croqui, observando as faces</p><p>paralelas e perpendiculares à linha do horizonte.</p><p>Figura 8. Finalização do croqui.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos72</p><p>DA_U2_C04.indd 72 01/12/2017 16:52:06</p><p>Materiais para croqui</p><p>Os croquis são desenhos livres e com expressão própria de cada arquiteto. A</p><p>abstração necessária para desenvolver esse tipo de desenho também reflete</p><p>na escolha de materiais. Conforme o tipo de impressão que o arquiteto deseja</p><p>expor no trabalho, ele deve optar por determinado material que atenda a</p><p>essas necessidades. O croqui pode ser feito tanto em um guardanapo como</p><p>em um papel nobre. O que importa, na realidade, é que o desenho transmita</p><p>a informação almejada.</p><p>Um material de graficação que é muito utilizado para fazer croquis é o</p><p>lápis. Sua diversidade de graduações de grafite varia conforme a maciez.</p><p>Outros materiais adequados para este uso são as canetas nanquim, de várias</p><p>espessuras, e o carvão comprimido.</p><p>Em algumas situações, a intenção do arquiteto é fazer um lançamento</p><p>inicial de volumetria, rápido, sem preocupações com detalhamentos. Neste</p><p>caso, o recomendado é utilizar lápis mais macios, como 6B ou 8B, por exemplo,</p><p>ou então os blocos de carvão comprimido. Observe um exemplo de croqui</p><p>rápido na Figura 9.</p><p>Figura 9. Exemplo de croqui rápido para demonstrar volumetria da casa.</p><p>Fonte: Slavo Valigursky/Shutterstock.com.</p><p>Neste tipo de desenho, que requer menos refinamento, a opção de papel</p><p>a ser utilizado é muito ampla. Pode ser realizado em papel jornal, sulfite,</p><p>73Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 73 01/12/2017 16:52:07</p><p>canson ou até mesmo papel manteiga. Sempre lembrando que os papéis finos</p><p>são mais frágeis, rasgam com mais facilidade e o desenho fica com uma</p><p>aparência mais simples.</p><p>Se você for colorir um desenho feito desta forma, deverá ter mais cuidado</p><p>na escolha do papel. Normalmente, os arquitetos, neste tipo de croqui rápido,</p><p>quando é o caso de colorir, optam por pincelar cores em apenas alguns pontos</p><p>de realce do desenho. Para isso, podem ser utilizadas as canetas hidrocor, que</p><p>dão um efeito translúcido se passadas levemente sobre o papel. Outra opção é</p><p>trabalhar com focos de aquarela no croqui, que podem ser gerados utilizando</p><p>lápis aquarelável.</p><p>Nestes dois casos de desenho a cores, o mais indicado é utilizar um papel</p><p>com maior capacidade de absorção de tinta, como o canson. Se o objetivo é um</p><p>desenho em papel manteiga ou vegetal, a caneta hidrocor pode ser aplicada no</p><p>verso da folha, gerando um efeito interessante ao desenho. Veja um exemplo</p><p>de croqui colorido na Figura 10.</p><p>Figura 10. Exemplo de croqui com traços e coloração simplificada.</p><p>Fonte: Mike Demidov/Shutterstock.com.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos74</p><p>DA_U2_C04.indd 74 01/12/2017 16:52:09</p><p>Já em um croqui mais detalhado, o mais adequado é utilizar grafites um</p><p>pouco menos macios ou então caneta nanquim, que são muito usadas nessas</p><p>situações. A importância de ter uma ponta mais firme se deve à precisão neces-</p><p>sária para trabalhar nos detalhes, conforme você pode observar na Figura 11.</p><p>Figura 11. Exemplo de croqui com bastante detalhamento.</p><p>Fonte: Doyle (2002, p. 44)</p><p>Neste tipo de desenho, quando colorido, o efeito também pode ser mais</p><p>trabalhado. A utilização de lápis de cor sempre é uma boa opção, pois possui</p><p>uma variedade muito grande de cores permite pintar elementos menores, como</p><p>você pode ver na Figura 12. As canetas hidrocor também são adequadas, porém</p><p>como muitas vezes possuem pontas mais largas, deve-se ter mais cuidado na</p><p>hora de preencher o desenho.</p><p>Sobre o papel, o ideal é utilizar um material mais resistente, como um sulfite</p><p>de maior gramatura ou papel canson. Existem também outras variações de</p><p>papéis especiais para desenho e aquarela, de diversas composições e valores.</p><p>75Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 75 01/12/2017 16:52:10</p><p>Figura 12. Croqui à lápis com valorização da área a ser reformada da fachada.</p><p>Fonte: Doyle (2002, p. 44)</p><p>Confira mais informações sobre técnicas de desenho a cores no livro Desenho a Cores</p><p>(DOYLE, 2002).</p><p>Os croquis são ferramentas essenciais para testar soluções de projeto e</p><p>apresentar propostas aos clientes. Eles representam uma expressão muito</p><p>particular do arquiteto, portanto, o resultado final varia muito de pessoa para</p><p>pessoa. Os materiais a serem utilizados também dependem totalmente da</p><p>impressão que o desenho pretende passar, além da afinidade que o arquiteto</p><p>possui com os materiais escolhidos.</p><p>A dica é testar técnicas e materiais para encontrar o que funciona melhor</p><p>para você, em cada situação. Pratique bastante!</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos76</p><p>DA_U2_C04.indd 76 01/12/2017 16:52:13</p><p>1. Os croquis representam:</p><p>a) a versão final do projeto,</p><p>contendo bastante expressão</p><p>e precisão métrica.</p><p>b) a escala humana a partir</p><p>do qual formulamos toda</p><p>proporção urbana.</p><p>c) o partido geral do projeto,</p><p>em que o objetivo é gerar</p><p>a representação inicial</p><p>das ideias dentro das</p><p>proporções adequadas.</p><p>d) um esboço feito em</p><p>três dimensões, sem as</p><p>proporções exatas, utilizando</p><p>softwares como Autocad.</p><p>e) a linha horizontal que simula</p><p>todas as medidas a partir do</p><p>qual o desenho é feito.</p><p>2. Podemos considerar que a proporção</p><p>e os componentes juntos compõem:</p><p>a) os elementos básicos que</p><p>queremos representar no croqui.</p><p>b) elementos inseridos</p><p>exclusivamente por programas</p><p>de projeção em três</p><p>dimensões, inseridos somente</p><p>na finalização do projeto.</p><p>c) a representação de tamanho</p><p>das edificações em relação aos</p><p>demais componentes urbanos.</p><p>d) as linhas base a partir do</p><p>qual podemos fazer todos</p><p>os elementos do croqui.</p><p>e) um conjunto opcional de</p><p>objetos utilizados com o</p><p>objetivo de adornar o croqui.</p><p>3. Sobre como os croquis são criados,</p><p>assinale a alternativa correta.</p><p>a) Com o auxílio de instrumentos</p><p>de desenho técnico, que depois</p><p>irá compor a edificação com</p><p>elementos que representem</p><p>as devidas dimensões</p><p>da edificação criada.</p><p>b) Com objetivo único de esboçar o</p><p>entorno a volta do qual a futura</p><p>edificação será construída.</p><p>c) Quando é necessário fazer um</p><p>levantamento dos modelos</p><p>de edificação que teremos a</p><p>volta do local onde a futura</p><p>edificação será construída.</p><p>d) Quando o projeto ainda não</p><p>está em fase de execução</p><p>e queremos acompanhar a</p><p>evolução da edificação.</p><p>e) À mão livre, quando é necessário</p><p>representar as ideias iniciais</p><p>dentro da proporcionalidade</p><p>adequada da futura edificação</p><p>em relação ao ambiente</p><p>onde será alocada.</p><p>4. Complete a frase</p><p>___________________</p><p>são considerados modos de</p><p>________________. Assinale</p><p>a alternativa que apresenta</p><p>a resposta correta.</p><p>a) Crianças e árvores – auxiliar no</p><p>entendimento da proporção</p><p>das edificações em relação</p><p>aos demais objetos</p><p>presentes</p><p>no espaço urbano.</p><p>b) Carros e nuvens – complementar</p><p>os espaços livres do projeto.</p><p>c) Pessoas e animais – deixar a</p><p>representação gráfica correta</p><p>aos olhos dos profissionais</p><p>da área de arquitetura.</p><p>d) Semáforos e animais –</p><p>representar o impacto que</p><p>77Croquis – técnicas e materiais diversos</p><p>DA_U2_C04.indd 77 01/12/2017 16:52:21</p><p>uma edificação tem no</p><p>trânsito e na natureza.</p><p>e) Crianças e árvores – deixar a</p><p>representação gráfica mais</p><p>próxima dos parâmetros</p><p>estéticos preconizados a partir</p><p>da técnica de ornamentação.</p><p>5. Quando falamos em ponto de fuga</p><p>em um croqui, é preciso lembrar que:</p><p>a) é importante que, no croqui,</p><p>pelo menos um ponto de fuga</p><p>seja inserido, pois desse modo</p><p>é possível inserir o desenho</p><p>na perspectiva correta.</p><p>b) é necessário inserir, no mínimo,</p><p>três pontos de fuga para</p><p>que o desenho apresente</p><p>representação adequadas</p><p>dos elementos criados.</p><p>c) deve ser sempre a primeira</p><p>linha desenhada, pois é</p><p>ela que delimita a</p><p>visão horizontal.</p><p>d) é a representação final</p><p>do vetor das oito linhas</p><p>que sempre devem ser</p><p>traçadas quando precisamos</p><p>centralizar o desenho.</p><p>e) só é necessário inseri-la</p><p>quando estamos</p><p>representando edificações</p><p>de grande porte.</p><p>DOYLE, M. E. Desenho a cores: técnicas de desenho de projeto para arquitetos, paisa-</p><p>gistas e designers de interiores. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002.</p><p>LEGGITT, J. Desenho de arquitetura: técnicas e atalhos que usam tecnologia. Porto</p><p>Alegre: Bookman, 2004.</p><p>Leituras recomendadas</p><p>GOUVEIA, A. P. S. O croqui do arquiteto e o ensino do desenho. 1998. Tese (Doutorado)–</p><p>Universidade de São Paulo, São Paulo, 1998.</p><p>PAIXÃO, L. 10 dicas para criar bons croquis. [S.l.: s.n.], 2017. Disponível em: <https://</p><p>www.aarquiteta.com.br/blog/desenhos/10-dicas-para-criar-bons-croquis/>. Acesso</p><p>em: 20 out 2017.</p><p>PEREIRA, A. P. M.; GOMES, M.; FONSECA, G. A. O croqui e suas técnicas. In: INTERNA-</p><p>TIONAL CONFERENCE ON GRAPHICS ENGINEERING FOR ARTS AND DESIGN, 6., 2005,</p><p>Recife. Anais... Recife: ABEG, 2005. Disponível em: <http://www.lematec.net.br/CDS/</p><p>GRAPHICA05/artigos/pereiragomesfonseca.pdf>. Acesso em: 18 out. 2017.</p><p>Croquis – técnicas e materiais diversos78</p><p>DA_U2_C04.indd 78 01/12/2017 16:52:27</p><p>Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para</p><p>esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual</p><p>da Instituição, você encontra a obra na íntegra.</p><p>Conteúdo:</p><p>DESENHO</p><p>ARTÍSTICO</p><p>Juliana Wagner</p><p>Catalogação na publicação: Karin Lorien Menoncin CRB-10/2147</p><p>W133d Wagner, Juliana.</p><p>Desenho artístico / Juliana Wagner, Carla Andrea Lopes</p><p>Allegretti, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva Lemos;</p><p>[revisão técnica: Sabrina Assmann Lücke]. – Porto Alegre:</p><p>SAGAH, 2017.</p><p>168 p. il. ; 22,5 cm</p><p>ISBN 978-85-9502-241-6</p><p>1. Arquitetura – Desenhos. I. Alegretti, Carla Andrea</p><p>Lopes. II. Lemos, Diana Scabelo da Costa Pereira da Silva.</p><p>III.Título.</p><p>CDU 744.43</p><p>Revisão técnica:</p><p>Sabrina Assmann Lücke</p><p>Arquiteta e Urbanista</p><p>Mestra em Ambiente e Desenvolvimento</p><p>com ênfase em Planejamento Urbano</p><p>DA_Impressa.indd 2 01/12/2017 10:39:43</p><p>Texturas – hachuras,</p><p>pontilhismo, manchas</p><p>Objetivos de aprendizagem</p><p>Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>� Aplicar hachuras para preenchimento de desenhos.</p><p>� Praticar o pontilhismo como técnica de desenho.</p><p>� Utilizar manchas para realçar volumes e formas.</p><p>Introdução</p><p>Neste capítulo, você irá estudar a utilização de técnicas de desenho</p><p>chamadas de texturas. As texturas servem para trazer mais expressão ao</p><p>desenho. Podem gerar efeitos de volumetria, sombreamento e acaba-</p><p>mentos variados no desenho. Ao traçarmos as linhas bases do desenho,</p><p>gerarmos os contornos das formas, contudo, mesmo existindo técnicas</p><p>que tornam o desenho mais interessante nos contornos, o preenchimento</p><p>é muito importante para o efeito de percepção geral dos elementos.</p><p>A variação de tonalidades comunica luz e sombra, além de realçar</p><p>as formas. Portanto, você verá algumas das técnicas de combinação de</p><p>traços que atribuem essa aparência tátil, que conhecemos como textura.</p><p>Hachuras</p><p>As hachuras são uma técnica de desenho utilizada para realçar volumes e</p><p>sombras dos objetos, mas também podem ser usadas para criar diferentes</p><p>tonalidades entre as faces. A aplicação é baseada em linhas paralelas ou</p><p>cruzadas, que são desenhadas com distâncias, direções e espessuras variadas.</p><p>Além disso, você pode trabalhar com hachuras de movimentos circulares.</p><p>O conceito da hachura é o de trabalhar na variação de espessura, quantidade</p><p>e espaçamento das linhas que, dependendo de como forem lançadas, resultarão</p><p>DA_U2_C05.indd 79 01/12/2017 16:59:14</p><p>em diferentes efeitos de tonalidade e sombras, enfatizando partes específicas</p><p>das formas. As linhas devem seguir o formato do objeto para limitar a forma.</p><p>Hachuras paralelas</p><p>As hachuras paralelas consistem em linhas traçadas em uma direção constante,</p><p>buscando o paralelismo entre as linhas. Os traços podem ser muito variados,</p><p>sendo curtos ou longos, mais espessos ou finos, feitos à mão ou com o auxílio</p><p>de uma régua, conforme você pode observar na Figura 1. O desenho pode</p><p>ser feito utilizando lápis ou canetas, como a nanquim por exemplo. Os papéis</p><p>podem ser tanto os mais lisos (sulfite e manteiga) como os mais ásperos,</p><p>gerando efeitos diferentes.</p><p>Figura 1. Exemplos de hachuras paralelas em diferentes direções, densidades e espessuras.</p><p>Fonte: stasia_ch/Shutterstock.com.</p><p>Durante o traçado, o ideal é tentar controlar a velocidade e o peso da mão</p><p>para que as linhas fiquem com a mesma tonalidade, gerando uma hachura</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas80</p><p>DA_U2_C05.indd 80 01/12/2017 16:59:15</p><p>mais uniforme. Quanto mais peso se destinar à mão na hora de desenhar, mais</p><p>fortes ficarão as linhas. Observe os exemplos da Figura 2.</p><p>Figura 2. Desenho de edificação com a técnica de hachura. Ao lado, exemplos de hachuras.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 43).</p><p>Quando a intenção for deixar as arestas bem marcadas, uma maneira de</p><p>fazer isso é posicionando o lápis ou a caneta nesta aresta, fazendo uma leve</p><p>pressão ao iniciar a linha e, depois, traçando rapidamente. Dessa forma, a linha</p><p>ficará mais forte no início e irá suavizando em direção ao final.</p><p>81Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 81 01/12/2017 16:59:16</p><p>Para ter mais informações a respeito dessas técnicas, consulte o livro Desenho para</p><p>Arquitetos, de Francis D. K. Ching (2012).</p><p>Hachuras cruzadas</p><p>As hachuras cruzadas consistem na utilização de linhas em duas ou mais</p><p>direções, sobrepostas, para criar variações de tonalidades. As linhas podem</p><p>ser em direções diagonais ou ortogonais, conforme demostrado na Figura 3.</p><p>Figura 3. Exemplos de aplicação de hachuras cruzadas. Nos cubos, você pode ver que</p><p>a hachura cruzada gerou tons bem mais escuros, demonstrando sombreamento. Nos</p><p>estudos ao lado, é possível observar hachuras cruzadas em diagonal, ortogonais e com</p><p>sobreposição de direções.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 44).</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas82</p><p>DA_U2_C05.indd 82 01/12/2017 16:59:16</p><p>As hachuras são utilizadas também nos desenhos técnicos de arquitetura, aplicadas</p><p>especialmente nos cortes das edificações para demonstrar paredes e seções que estão</p><p>cortadas no desenho. Este uso facilita a compreensão dos materiais e a diferenciação</p><p>dos elementos que estão sendo apresentados em vista ou em corte.</p><p>A principal diferença da hachura cruzada em relação à paralela é que esta</p><p>permite uma variação bem maior de tonalidades, uma vez que podem ser</p><p>feitas sobreposições em diversas direções e camadas, o que torna a variação</p><p>de tonalidades infinita, como demonstrado na Figura 4.</p><p>Figura 4. Desenho de mobiliários com sombreamento em hachuras.</p><p>Fonte: Katunina/Shutterstock.com.</p><p>83Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 83 01/12/2017 16:59:17</p><p>Hachuras com movimentos circulares</p><p>As hachuras circulares seguem as mesmas premissas das técnicas</p><p>de hachuras</p><p>apresentadas anteriormente, porém, consistem em traços mais orgânicos e</p><p>aleatórios. Os traços são feitos em ondas para preencher os espaços, gerando</p><p>um desenho com mais movimento.</p><p>Assim como nos demais tipos de hachuras, você deve observar a pressão</p><p>do lápis ou caneta no papel e a densidade das linhas, sempre cuidando para</p><p>não pesar demais o desenho. Os locais com ondas mais próximas ficarão</p><p>mais escuros, e ondas maiores e mais espaçadas apresentarão um efeito mais</p><p>iluminado. Observe os exemplos da Figura 5.</p><p>Figura 5. Alguns tipos de hachuras com movimentos circulares.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 45).</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas84</p><p>DA_U2_C05.indd 84 01/12/2017 16:59:18</p><p>Esta técnica pode ter inúmeras aplicações na arquitetura, conforme de-</p><p>monstrado na Figura 6. Nos desenhos de edificação, pode gerar um desenho</p><p>bastante autoral, com variações próprias do arquiteto. Uma utilização interes-</p><p>sante é para o desenho de vegetação, pois as formas das árvores ficam bem</p><p>representadas usando esses tipos de hachuras orgânicas.</p><p>Figura 6. Exemplos de aplicação de hachura com movimento circular na arquitetura e</p><p>vegetação.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 45).</p><p>Pontilhismo</p><p>O pontilhismo é uma técnica que consiste na utilização de pequenos pontos ou</p><p>manchas arredondadas que, aplicadas justapostas no papel, geram um efeito</p><p>visual de preenchimento. Essa técnica ficou conhecida por meio dos pintores</p><p>franceses Paul Signac e Georges Seurat, no século XIX.</p><p>O efeito é uma espécie de ilusão, pois o olho humano tende a fundir os</p><p>pontos isolados da figura, formando um desenho único.</p><p>85Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 85 01/12/2017 16:59:18</p><p>A variação do efeito é gerada pela mudança de espessura e espaçamento dos</p><p>pontos. Quanto maior for a densidade, mais escuro e fechado ficará o desenho.</p><p>Em uma densidade menor de pontos, teremos um efeito mais iluminado e mais</p><p>difuso. Observe essas diferenças na Figura 7.</p><p>Uma opção interessante, e a mais utilizada, que o pontilhismo gera é o</p><p>desenvolvimento do desenho sem a utilização de linhas de contorno. As bordas</p><p>das figuras ficam definidas pela configuração dos pontos nas extremidades,</p><p>delimitando as formas.</p><p>Figura 7. Exemplo de aplicações do pontilhismo com variações de densidade.</p><p>Fonte: Artishok/Shutterstock.com.</p><p>O pontilhismo pode ser aplicado utilizando graficação na cor preta, o que</p><p>gera variações simulando tons de cinza. Outra forma de aplicar a técnica é</p><p>por meio do uso de cores. Os pintores impressionistas utilizavam o recurso</p><p>de aplicar duas cores diferentes justapostas nos pontos, gerando, em ilusão</p><p>de ótica, uma terceira cor.</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas86</p><p>DA_U2_C05.indd 86 01/12/2017 16:59:19</p><p>Assim, o espectro de cor ampliava, infinitamente, sem depender apenas</p><p>dos pigmentos disponíveis.</p><p>Aplicação</p><p>Para iniciar a aplicação de pontilhismo nos desenhos, você pode seguir um</p><p>passo a passo básico, conforme os itens a seguir:</p><p>� Desenhe sobre um papel, utilizando lápis, o contorno base do objeto</p><p>para servir de linha guia. O objetivo de usar lápis é para que possa ser</p><p>apagado no final.</p><p>� Lance pontos sobre o contorno feito a lápis, espaçados e com distância</p><p>regular. Os materiais mais adequados para fazer os pontos são canetas</p><p>como nanquim ou hidrocor, pois o importante é que transfira facilmente</p><p>a tinta para o papel, não tornando o processo mais trabalhoso.</p><p>� Avalie quais os trechos do desenho que devem receber um maior som-</p><p>breamento, já pensando onde seria a posição da fonte de luz. Dessa</p><p>forma, você pode estudar os locais que, sombreados ou iluminados,</p><p>reforçarão a ideia de volume dos objetos. Por exemplo, em um objeto</p><p>posicionado sobre uma superfície, se considerarmos que temos uma</p><p>fonte de luz superior, a parte do objeto que fica próxima à superfície de</p><p>apoio deverá ficar mais sombreada. Nesse caso, esses locais sombreados</p><p>devem receber uma densidade bem maior de pontos do que na parte</p><p>superior do objeto.</p><p>� Preencha os locais que foram definidos a serem sombreados com mais</p><p>pontos, escurecendo essas zonas. Aumente a densidade de pontos aos</p><p>poucos, gerando, assim, as zonas escurecidas. Isso trará volumetria</p><p>ao desenho.</p><p>� Apague as linhas de base feitas a lápis após a secagem da tinta.</p><p>� Veja um exemplo do uso da técnica de pontilhismo na Figura 8.</p><p>87Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 87 01/12/2017 16:59:19</p><p>Figura 8. Representação de cubos em pontilhismo, em que é possível avaliar como a</p><p>densidade de pontos gera efeitos muito variados nas faces dos cubos, trazendo a sensação</p><p>de volumetria.</p><p>Fonte: Login/Shutterstock.com.</p><p>Esta técnica é utilizada para criar desenhos bastante expressivos, portanto</p><p>o arquiteto pode utilizar este meio para apresentar propostas impactantes e</p><p>lúdicas ao cliente, conforme exemplo da Figura 9.</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas88</p><p>DA_U2_C05.indd 88 01/12/2017 16:59:20</p><p>Figura 9. Colunas de edifício com iluminação representadas em pontilhismo. Nesta ilustração,</p><p>a técnica gerou um efeito quase realista.</p><p>Fonte: ESB Essentials/Shutterstock.com.</p><p>O pontilhismo é uma técnica bastante utilizada para a ilustração científica</p><p>na biologia. Como os desenhos de animais e plantas precisam ser bastante</p><p>detalhados e precisos, o pontilhismo permite que a ilustração não fique tão</p><p>carregada, com linhas duras, suavizando contornos e preenchimentos, con-</p><p>forme apresentado na Figura 10.</p><p>89Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 89 01/12/2017 16:59:21</p><p>Figura 10. Desenho de um peixe com a utilização da técnica de pontilhismo.</p><p>Fonte: arvitalyaa/Shutterstock.com.</p><p>Manchas</p><p>As manchas no desenho são utilizadas basicamente para desenvolver a</p><p>volumetria dos objetos na imagem. Por meio do sombreamento, você pode</p><p>definir as partes da figura que estão mais profundas, mais próximas, mais</p><p>escuras, etc.</p><p>O sombreamento faz o desenho feito com linhas se transformar de uma</p><p>figura bidimensional para uma tridimensional. A técnica para utilização de</p><p>manchas é bastante variada, e pode ser feita com a utilização de lápis, de</p><p>preferência com grafites macios, canetas, além de outros instrumentos.</p><p>O mais importante para a aplicação da técnica, assim como nas demais</p><p>técnicas de texturas, é a compreensão das zonas dos objetos que devem ser</p><p>escurecidas ou mantidas claras. Em uma cena com diversos objetos, a ten-</p><p>dência é que os trechos mais escuros sejam percebidos como mais distantes,</p><p>e os mais claros, como mais próximos. A diferença de tonalidade é utilizada</p><p>também para estabelecer limites entre uma forma e outra, criando arestas</p><p>visuais. Observe exemplos de manchas na Figura 11.</p><p>Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas90</p><p>DA_U2_C05.indd 90 01/12/2017 16:59:23</p><p>Figura 11. Modelagem de formas básicas por meio de sombreamento.</p><p>Fonte: Ching (2012, p. 48).</p><p>As manchas podem ser aplicadas em diversas direções e com diversas</p><p>técnicas. Podem ser lançadas de forma mais marcada, com linhas e riscos,</p><p>ou ser mais difusas. Uma forma de aplicar manchas mais difusas é com o uso</p><p>de grafites macios, esfumaçando levemente com os dedos ou com o auxílio</p><p>de um esfuminho.</p><p>Observe os exemplos das Figuras 12 e 13 para perceber a variedade de</p><p>aplicações nos desenhos de formas e arquitetura.</p><p>Figura 12. Croqui de cidade com a utilização da técnica de manchas para preenchimento</p><p>dos desenhos.</p><p>Fonte: Canicula/Shutterstock.com.</p><p>91Texturas – hachuras, pontilhismo, manchas</p><p>DA_U2_C05.indd 91 01/12/2017 16:59:24</p><p>As texturas são elementos altamente recomendáveis para os desenhos, pois</p><p>representam de forma expressiva a volumetria dos objetos. O ideal é descobrir</p><p>a técnica com a qual você tenha mais afinidade, lembrando que a aplicação</p><p>requer paciência e atenção ao desenho.</p><p>Figura 13. Exemplo de desenho de rosto com e sem aplicação de textura de manchas.</p><p>Neste exemplo, fica bastante clara a diferença entre o desenho somente com o traçado de</p><p>linhas e após o sombreamento.</p>

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