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2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 1 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 1 2 3 4 Brasília 5 20216 Acompanhamento Farmacoterapêutico Guia de processo de trabalho 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 2 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 7 8 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Acompanhamento Farmacoterapêutico - Guia de processo de trabalho. – Brasília Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica, 2021. XXX p. : il. ISSN 1.Ensino. 2. Serviços farmacêuticos. 3. Promoção da saúde. III. Título. CDU:614 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 3 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica - Biênio 2019-2021 9 Tarcísio José Palhano 10 Diretor Presidente 11 12 Sílvia Storpirtis 13 Diretora Vice-Presidente 14 15 Dayani Galato 16 Diretora Secretária 17 18 Wellington Barros da Silva 19 Diretor Tesoureiro 20 21 Angelita Cristine de Melo 22 Diretora de Formação 23 24 Lucia de Araújo Costa Beisl Noblat 25 Diretora de Desenvolvimento Profissional e de Certificação 26 27 Patrick Luís Cruz de Sousa 28 Diretor Científico e de Publicações 29 30 Francilene Amaral da Silva 31 Conselho Fiscal 32 33 Ivonete Batista de Araújo 34 Conselho fiscal 35 36 Marcos Valério Santos da Silva 37 Conselho Fiscal 38 39 How to cite this document Formato ABNT: Formato NLM (Vancouver): 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 4 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 40 1) Autores 41 42 1.1) Processo de trabalho 43 Aline de Fátima Bonetti 44 Desenvolve preceptoria há mais de quatro anos no Ambulatório de Atenção Farmacêutica do Complexo do 45 Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, onde se realiza o serviço de acompanhamento 46 farmacoterapêutico direcionado a pacientes com comorbidades cardiometabólicas. Possui experiência em 47 Farmácia Clínica há mais de sete anos. 48 Universidade Federal do Paraná (professora substituta do curso de graduação em Farmácia). 49 Conselho Federal de Farmácia (membro do GT de Educação Permanente). 50 51 Ítalo Assis Bezerra da Silva 52 Experiência de três anos no Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade Federal da Paraíba. 53 Universidade Federal da Paraíba (mestrando pelo Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, atuando na 54 área de concentração Política, Gestão e Cuidado). 55 56 Marta Maria de França Fonteles 57 Coordena o Centro de Estudos em Atenção Farmacêutica (CEATENF) e o Grupo de Pesquisa em Atenção 58 Farmacêutica (GRUPATF, cadastrado do Diretório de Pesquisas do CNPq). Tem a missão de desenvolver 59 atividades teorico-práticas e práticas relacionadas aos Serviços Farmacêuticos Clínicos, e estruturação de 60 Unidades de Cuidado Farmacêutico (UCF) em diferentes pontos de atenção à saúde, contemplando aspectos de 61 implantação e implementação, destacando a realização do serviço de Acompanhamento farmacoterapêutico 62 para pacientes/usuários- alvo. 63 Universidade Federal do Ceará (professora titular do curso de graduação em Farmácia; docente permanente dos 64 Programas de Pós-graduação em Ciências Farmacêuticas - PPGCF, em Desenvolvimento e Inovação 65 Tecnológica em Medicamentos- PPGDITM, e em Farmacologia - PPGF). 66 Conselho Federal de Farmácia (membro e consultor ad hoc). 67 68 Natália Fracaro Lombardi Asinelli 69 Desenvolve atividade de tutoria Farmacêutica tutora no Ambulatório de Atenção Farmacêutica no Complexo do 70 Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC UFPR), onde se realiza o serviço de 71 acompanhamento farmacoterapêutico direcionado a pacientes com comorbidades cardiometabólicas. Também 72 desenvolve atividades no Ambulatório de Hepatites Virais e HIV no CHC UFPR, realizando orientações e 73 participando do acompanhamento de pacientes com hepatite B, C, e pessoas vivendo com HIV. 74 75 Thais Teles de Souza 76 Desenvolve atividades teorico-práticas relacionadas aos diferentes Serviços Farmacêuticos diretamente 77 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 5 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. destinados ao paciente, família e comunidade, junto aos alunos da Universidade Federal da Paraíba, incluindo o 78 serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. Coordena a Liga Academia de Farmácia Clínica e Cuidado 79 Farmacêutico da UFPB. 80 Universidade Federal da Paraíba (professora adjunta do curso de graduação em Farmácia). 81 Conselho Federal de Farmácia (membro do GT de Educação Permanente). 82 83 Wallace Entringer Bottacin 84 Mestre em Ciências Farmacêuticas com ênfase em Farmácia Clínica pela Universidade Federal do Paraná 85 (UFPR), onde desenvolveu competências como farmacêutico clínico no Ambulatório de Atenção Farmacêutica 86 no Hospital de Clínicas da mesma universidade. É graduado pela Universidade Federal de Ouro Preto, com 87 experiência internacional obtida na University of Missouri-Kansas City (UMKC) e University of Minnesota-88 Minneapolis (U of M), ambas nos Estados Unidos. 89 Conselho Federal de Farmácia (membro do GT de Educação Permanente). 90 91 Wálleri Christini Torelli Reis 92 Desenvolve pesquisas na área de Cuidado Farmacêutico aplicado a pacientes com doenças crônicas e 93 transtornos mentais. É idealizadora do Ambulatório Interprofissional de Cuidado Farmacêutico da UFPB. 94 Universidade Federal da Paraíba (professora adjunta do curso de graduação em Farmácia). 95 Líder do núcleo de Cuidado em Saúde – UFPB 96 Programa de pós-graduação em saúde coletiva – UFPB 97 Programa de pós-graduação em saúde da família – RENASF 98 Conselho Federal de Farmácia (membro do GT de Educação Permanente). 99 100 1.2) Busca da evidência científica 101 Aline Ansbach Garabeli 102 Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2015) Pesquisa e atua com 103 serviços clínicos providos por farmacêuticos desde 2009. Participou e coordenou projetos de acompanhamento 104 farmacoterapêutico e outros serviços enquanto foi docente na Universidade Estadual de Ponta Grossa (2015-105 2017). Atualmente é doutoranda em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná e pesquisa 106 serviços farmacêuticos no Brasil, realizando revisões sistemáticas e colaborando com outros projetos da área. 107 108 Beatriz Böger 109 Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2020), com experiência 110 profissional na área de Saúde Baseada em Evidência e Avaliação em Tecnologias em Saúde na Saúde 111 Suplementar. 112 113 Danielly Chierrito de Oliveira Tolentino 114 Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE (2016). 115 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 6 de 84 Todos osdireitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Doutoranda em Ciências Farmacêuticas na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Possui experiência na 116 área de Saúde Baseada em Evidências e Avaliação de Tecnologias em Saúde. 117 118 Fernanda Stumpf Tonin 119 Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2019) e em Sócio-Farmácia 120 pela Universidade de Lisboa - UL, Portugal. Pesquisadora visitante na University Technology Sydney - UTS 121 (Austrália) e integrante do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS) da UFPR. Vice-presidente do 122 grupo especial (SIG) de Farmácia Prática da International Pharmaceutical Federation (FIP). Membro do corpo 123 editorial da revista Pharmacy Practice. Consultora técnica-científica nas áreas de economia da saúde e pesquisa 124 clínica (HEOR) e acesso ao mercado (market access). 125 126 Helena Hiemisch Lobo Borba 127 Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2017). Realizou doutorado 128 sanduíche pelo período de seis meses na Private Universität für Gesundheitswissenschaften, Medizinische 129 Informatik und Technik (UMIT) - Áustria, durante o qual desenvolveu análises de custo-efetividade e custo-130 utilidade. Atualmente é professora adjunta do Departamento de Farmácia da UFPR (disciplina de Atenção 131 Farmacêutica) e desenvolve projetos de pesquisa na área de Avaliação de Tecnologias em Saúde, trabalhando 132 com revisões sistemáticas, meta-análises e avaliações econômicas. 133 134 Inajara Rotta 135 Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2015), tendo realizado 136 doutorado sanduíche em Sócio-Farmácia pela Universidade de Lisboa - UL, Portugal. Atua há 6 anos como 137 preceptora do Programa de Residência Multiprofissional em Hematologia/Oncologia do Complexo Hospital de 138 Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR). Desenvolve há 10 anos estudos na área de Avaliação 139 de Tecnologias em Saúde (revisão sistemática, meta-análise e network meta-análise). 140 Farmacêutica do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. 141 142 Letícia Paula Leonart Garmatter 143 Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2019). Possui experiência 144 em saúde baseada em evidências (revisão sistemática, meta-análise e economia da saúde). 145 Pesquisadora do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde da Universidade Federal do Paraná (NATS-146 UFPR). 147 Pós-doutoranda na UFPR. 148 149 Mariana Millan Fachi 150 Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2020) e Especialista em 151 Farmácia Clínica pela Faculdade Pequeno Príncipe. Possui experiência em Saúde Baseada em Evidências e 152 Avaliação de Tecnologias em Saúde. 153 154 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 7 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Suzane Virtuoso 155 Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2016). 156 Professora Adjunta do Curso de Farmácia da Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste - PR 157 Assessora da Procuradoria Geral do Estado do Paraná com elaboração de notas técnicas na área de Saúde 158 Baseada em Evidências. 159 160 Yohanna Ramires 161 Mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2017), na área de Cuidados 162 em Saúde e Assistência Farmacêutica, com enfoque em Cuidados Farmacêuticos em idosos. Especialista em 163 Gestão em Saúde pela Faculdade Pequeno Príncipe. Professora das disciplinas de Farmacologia da Infecção e 164 Metodologia da Pesquisa na Capacitare Pós-Graduação. Possui experiência nas áreas de Avaliação de 165 Tecnologias em Saúde, Indústria Farmacêutica, Farmácia Clínica e Farmácia Hospitalar. 166 167 2) Organização 168 169 2.1) Geral 170 Angelita Cristine de Melo 171 Atua em Farmácia Clínica há mais de 20 anos (pesquisa/docência/cuidado direto a pacientes). Participou da 172 elaboração das Resoluções 585 e 586/2013 e da Lei 13.021/2014 e outros documentos norteadores nacionais. 173 Universidade Federal de São João Del-Rei 174 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica 175 Grupo de Pesquisa em Farmácia Clínica, Assistência Farmacêutica e Saúde Coletiva - UFSJ 176 177 2.2) Processo de trabalho 178 Wálleri Christini Torelli Reis 179 Atua em Farmácia Clínica há 10 anos. Desenvolve pesquisas na área de Cuidado Farmacêutico aplicado a 180 pacientes com doenças crônicas e transtornos mentais. É idealizadora do Ambulatório Interprofissional de 181 Cuidado Farmacêutico da UFPB. 182 Universidade Federal da Paraíba (professora adjunta do curso de graduação em Farmácia). 183 Líder do núcleo de Cuidado em Saúde – UFPB 184 Programa de pós-graduação em saúde coletiva – UFPB 185 Programa de pós-graduação em saúde da família – RENASF 186 Conselho Federal de Farmácia (membro do GT de Educação Permanente). 187 188 2.3) Busca da evidência científica 189 Inajara Rotta 190 Doutora em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal do Paraná – UFPR (2015), tendo realizado 191 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 8 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. doutorado sanduíche em Sócio-Farmácia pela Universidade de Lisboa - UL, Portugal. Atua há 6 anos como 192 preceptora do Programa de Residência Multiprofissional em Hematologia/Oncologia do Complexo Hospital de 193 Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR). Desenvolve há 10 anos estudos na área de avaliação 194 de tecnologias em saúde (revisão sistemática, meta-análise e network meta-análise). 195 Farmacêutica do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. 196 197 3) Equipe de Revisão 198 199 3.1) Revisão de conteúdo 200 201 Incluir nomes de outros revisores e instituições convidadas ao final da revisão dos mesmos. 202 203 Sílvia Storpirtis 204 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica 205 Universidade de São Paulo 206 207 Tarcísio José Palhano 208 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica 209 Conselho Federal de Farmácia 210 211 3.2) Revisão linguística 212 213 Tarcísio José Palhano 214 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica 215 Conselho Federal de Farmácia 216 217 4) Comitê Editorial 218 Angelita Cristine de Melo 219 Comitê de Enfrentamento à Covid-19 Divinópolis 220 Universidade Federal de São João Del-Rei 221 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica 222 Grupo de Pesquisa em Farmácia Clínica, Assistência Farmacêutica e Saúde Coletiva - UFSJ 223 224 Tarcísio José Palhano 225 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica 226 Conselho Federal de Farmácia 227 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 9 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 228 Sílvia Storpirtis 229 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica 230 Universidade de São Paulo231 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 10 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida.232 Lista de Siglas 233 ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar 234 APS – Atenção Primária à Saúde 235 CFF - Conselho Federal de Farmácia 236 CFF - Conselho Federal de Farmácia 237 CMTM - Comprehensive Medication Therapy Management 238 DECS - Descritores em Saúde 239 DEPICT - Descriptive Elements of Pharmacist Intervention Characterization Tool 240 ECNR - Ensaio Clínico Não-Randomizado 241 ECNR - Ensaio Clínico Não Randomizado 242 ECR - Ensaio Clínico Randomizado 243 EQUATOR - Enhancing the Quality and Transparency of health Research 244 EUA - Estados Unidos 245 HMP - História Médica Pregressa 246 I2 - Indice de Heterogeneidade 247 IC - Intervalo de Confiança 248 MD - Mean Difference 249 MESH - Medical Subject Headings 250 MRPA – Monitorização Residencial da Pressão Arterial. 251 MTM - Medication Therapy Managenement 252 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 11 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. MTM - Medication Therapy Management 253 OPM - Orteses, Próteses e Materiais Especiais 254 OR - Odds Ratio 255 PACIR - Pharmacist patient care services intervention reporting 256 PRM - Problemas Relacionados a Medicamentos 257 PRM - Problemas Relacionados a Medicamentos 258 PW - Pharmacotherapy Workup 259 PWDT - Pharmacist Workup of Drug Therapy 260 RNM - Resultados Negativos Associados a Medicamentos 261 RR - Risco Relativo 262 RRR - Redução do Risco Relativo 263 RS - Revisão Sistemática 264 RSMA: Revisão Sistemática com Meta-Análise 265 SAI - Sistema de Informação Ambulatorial 266 SBFC - Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica 267 SOAP - Subjective, Objective, Assessment, Plan 268 SUS - Sistema Único de Saúde 269 TOM -Therapeutic Outcomes Monitoring270 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 12 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 271 Lista de Tabelas 272 273 Tabela 1. Estratégias de busca utilizadas nas bases de dados Medline (via Pubmed) e 274 Scopus. 275 Tabela 2. Graus de recomendação e níveis de evidência (CEBM, 2009). 276 Tabela 3. Comparação entre os métodos de Acompanhamento Farmacoterapêutico. 277 Tabela 4. Informações sobre pagamento pelos serviços de revisão da farmacoterapia. 278 Tabela 5. Similaridades e distinções entre Revisão clínica da farmacoterapia, 279 acompanhamento farmacoterapêutico e gestão de uma condição de saúde. 280 Tabela 6. Sistemas de classificação de diagnóstico farmacêutico. 281 Tabela 7. Classificação das intervenções do farmacêutico destinadas a prevenir ou resolver 282 resultados negativos associados ao medicamento. 283 Tabela 8. Sistema de classificação de serviços. 284 Tabela 9. Sistema de classificação de serviços. 285 Tabela 10. Classificação de intervenções. 286 Tabela 11. Síntese da evidência do impacto do serviço de acompanhamento 287 farmacoterapêutico.288 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 13 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 289 Lista de Figuras 290 Figura 1. Linha do tempo da evolução do cuidado clínico e sua relação com o 291 acompanhamento farmacoterapêutico. 292 Figura 2: Processo geral de trabalho na provisão do acompanhamento farmacoterapêutico. 293 Figura 3. Modelo de prontuário do Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade 294 Federal da Paraíba (UFPB) – Parte 1. “Cedido com autorização do autor”. 295 Figura 4. Modelo de prontuário do Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade 296 Federal da Paraíba (UFPB) – Parte 2. “Cedido com autorização do autor”. 297 Figura 5. Modelo de Instrumento Psicométrico para rastreamento e acompanhamento de 298 pacientes com ansiedade utilizado no Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade 299 Federal da Paraíba (UFPB). “Cedido com autorização do autor”. 300 Figura 6. Modelo de Instrumento Psicométrico para rastreamento e acompanhamento de 301 pacientes com depressão utilizado no Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade 302 Federal da Paraíba (UFPB). “Cedido com autorização do autor”. 303 Figura 7. Modelo de Ficha de Acompanhamento Farmacoterapêutico utilizada para pacientes 304 com artrite reumatoide, da Unidade de Cuidado Farmacêutico, do Hospital Universitário 305 Walter Cantídio (UCF/HUWC/UFC) – Parte 1. “Cedido com autorização do autor”. 306 Figura 8. Modelo de Ficha de Acompanhamento Farmacoterapêutico utilizada para pacientes 307 com artrite reumatoide da Unidade de Cuidado Farmacêutico do Hospital Universitário Walter 308 Cantídio (UCF/HUWC/UFC) – Parte 2. “Cedido com autorização do autor”. 309 Figura 9. Modelo de Ficha de Evolução Farmacêutica do Serviço de Cuidado Farmacêutico 310 do Hospital Universitário Walter Cantídio (UCF/HUWC/UFC). “Cedido com autorização do 311 autor”. 312 Figura 10. Modelo de Registro Farmacêutico do Ambulatório de Atenção Farmacêutica do 313 Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. “Cedido com autorização 314 do autor”. 315 Figura 11. Modelo de Encaminhamento Farmacêutico do Ambulatório de Atenção 316 Farmacêutica do Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. 317 Figura 12. Fluxograma do processo de seleção dos estudos.318 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 14 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 319 Sumário 320 1. Apresentação ............................................................................. 16 321 1.1. Público-alvo ................................................................................ 17 322 1.2. População ................................................................................... 18 323 1.3. Objetivos ..................................................................................... 18 324 1.3.1. Objetivo geral ............................................................................ 18 325 1.3.2. Objetivos específicos ................................................................. 18 326 1.4. Escopo e questões norteadoras ............................................... 18 327 1.4.1. Escopo ......................................................................................... 18 328 1.4.2. Questões norteadoras ............................................................... 19 329 1.4.2.1. Pergunta Geral ..................................................................... 19 330 1.4.2.2. Perguntas Específicas ........................................................... 19 331 1.5. Análise da evidência: estratégia de busca e critérios de 332 seleção da evidência ............................................................................ 19 333 1.6. Consulta pública e revisão por pares ...................................... 22 334 1.7. Independência editorial ............................................................ 22 335 2. Introdução .................................................................................. 22 336 3. Remuneração ............................................................................. 29 337 4. Recomendações ......................................................................... 30 338 4.1. Definição do serviço ..................................................................30 339 4.1.1. Termos relacionados ................................................................. 30 340 4.1.2. Termos a serem evitados ......................................................... 31 341 4.2. Processo de trabalho ................................................................. 31 342 4.2.1. Acolhimento ............................................................................... 34 343 4.2.2. Identificação das necessidades de saúde ................................. 35 344 4.2.2.1. Sistemas de classificação de diagnósticos .......................... 35 345 4.2.2.1.1. Problemas relacionados a medicamentos e resultados 346 negativos associados a medicamentos .............................................. 35 347 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 15 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 4.2.3. Definição de Plano de Cuidado e Intervenções ...................... 37 348 4.2.3.1 Sistemas de classificação de intervenção ........................... 38 349 4.2.4. Avaliação de resultados ............................................................ 46 350 4.2.5. Documentação do cuidado prestado ....................................... 48 351 4.2.5.1. Formulários de atendimento .............................................. 51 352 4.2.5.2. Exemplos de documentação do processo de cuidado ...... 57 353 4.2.5.3. Aspectos legais da documentação do cuidado .................. 60 354 6. Síntese da Evidência .................................................................. 61 355 7. Previsão de atualização ............................................................. 72 356 8. Referências ................................................................................. 72 357 9. Apêndice A. Revisões sistemáticas excluídas com seus 358 respectivos motivos ............................................................................. 80 359 360 361 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 16 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 1. Apresentação 362 363 A Farmácia é arte milenar que se originou com o próprio 364 desenvolvimento da sociedade. No Brasil, os primeiros farmacêuticos 365 iniciaram suas atividades em 1900 e, a partir de 1960, com a criação 366 do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e dos Conselhos Regionais 367 de Farmácia (CRFs), a regulação das atividades e o exercício 368 profissional começaram a ser desenvolvidos. Assim sendo, o sistema 369 CFF/CRFs tem como missão a valorização do profissional 370 farmacêutico, visando à defesa da sociedade. 371 372 Desde a década de 1960 a profissão farmacêutica experimentou imensas transformações 373 trazidas pela inovação tecnológica, com o objetivo de apoiar as necessidades em saúde da 374 sociedade, considerando sua missão e campo de atuação. Além disso, o papel significativo 375 dos farmacêuticos na promoção, manutenção e melhoria da saúde dos pacientes, das 376 famílias e das comunidades é fundamental para a sustentabilidade do sistema de saúde. 377 378 Nas últimas décadashouve o incremento da complexidade da terapêutica, o que resultou em 379 uma verdadeira epidemia invisível de problemas associados à farmacoterapia e colaborou 380 para o surgimento da Farmácia Clínica. Desde então, ocorreram muitas inovações em relação 381 à provisão de tecnologias leves, na forma de serviços farmacêuticos, avaliados positivamente 382 em relaçãoa seus impactos em benefício dos pacientes, famílias e comunidades, eao 383 financiamento dos sistemas de saúde. 384 385 A partir do reconhecimento desses impactos positivos, vários sistemas de saúde introduziram 386 o financiamento para a provisão de diferentes serviços farmacêuticos e, em 2016, o Conselho 387 Federal de Farmácia (CFF), publicou o documento “Serviços farmacêuticos diretamente 388 destinados ao paciente, à família e à comunidade - contextualização e arcabouço conceitual”1 389 com o intuito de colaborar com a implantação e o financiamento destes serviços no país. 390 391 1 Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/Profar_Arcabouco_TELA_FINAL.pdf 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 17 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Em 2019, em documento de posição intitulado “Origem da Farmácia Clínica no Brasil, seu 392 desenvolvimento, conceitos relacionados e perspectivas - Documento de posição da SBFC”2, 393 a SBFC manifestou-se favorável às iniciativas do CFF em relação aos serviços farmacêuticos. 394 Entretanto, decorridos mais de quatro anos do lançamento do referido arcabouço conceitual, 395 o país ainda carece de guias que clarifiquem os processos de trabalho para distintos serviços 396 farmacêuticos. 397 398 Assim sendo, no ensejo do cumprimento da sua missão, ou seja, 399 Congregar os farmacêuticos clínicos brasileiros e promover a Farmácia Clínica, como 400 área científica e especialidade profissional, dentro dos mais elevados níveis de 401 excelência e qualidade técnico-assistencial, estabelecendo os padrões de formação, de 402 prática especializada e de desenvolvimento profissional, favorecendo o intercâmbio de 403 experiências entre os seus associados, o compartilhamento de expertises e o avanço 404 da área no Brasil, 405 406 a Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica (SBFC) iniciou, em junho de 2020, um programa 407 de cooperação entre especialistas para a elaboração dos guias de processo de trabalho dos 408 serviços farmacêuticos. 409 410 O presente guia é um dos produtos dos dez grupos de trabalho que envolveram, diretamente, 411 XXX especialistas. Este documento traz instruções norteadoras, de caráter geral, elaboradas 412 considerando evidências científicas, além daquilo que é possível, prático, aceitável e 413 adaptável às necessidades e ao contexto de cada farmacêutico que atua nos diferentes níveis 414 de atenção à saúde. A SBFC deseja que este guia contribua, de forma significativa, para 415 estruturar o papel atual e futuro do farmacêutico na provisão do Acompanhamento 416 Farmacoterapêutico, colaborando, por conseguinte, com a saúde coletiva brasileira. 417 418 1.1. Público-alvo 419 420 Este guia se destina a farmacêuticos em todos os níveis da atenção à saúde, em equipes 421 interprofissionais ou em farmácias comunitárias, nos sistemas público e privado. 422 423 2 Disponível em: http://www.farmaciaclinica.org.br/wp-content/uploads/2021/01/SBFC_Documento-de- posi%C3%A7%C3%A3o_Vers%C3%A3o-final_2020_01_17_Revis%C3%A3o- formata%C3%A7%C3%A3o_S%C3%ADlvia_2020_01_19_v_final.pdf 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 18 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 1.2. População 424 425 Este Guia se destina a pacientes atendidos por farmacêuticos em todos os níveis da atenção 426 à saúde, em equipes interprofissionais ou em farmácias comunitárias, no sistema público ou 427 privado. 428 429 1.3. Objetivos 430 431 1.3.1. Objetivo geral 432 433 Padronizar e sistematizar o processo de trabalho para a provisão do acompanhamento 434farmacoterapêutico nos diferentes pontos de atenção à saúde. 435 436 1.3.2. Objetivos específicos 437 Sintetizar as evidências científicas disponíveis sobre o impacto do acompanhamento 438 farmacoterapêutico. 439 Apresentar a definição, termos relacionados e o processo geral de trabalho para a 440 provisão do acompanhamento farmacoterapêutico. 441 Indicar as informações para a elaboração de formulários de atendimento, sistemas de 442 classificação de diagnóstico e de intervenções para o acompanhamento 443 farmacoterapêutico. 444 Desenvolver padrões para a documentação e registro do acompanhamento 445 farmacoterapêutico. 446 447 1.4. Escopo e questões norteadoras 448 449 O escopo e as questões a serem respondidas foram elaboradas em reunião com a equipe de 450 elaboração do instrumento e norteada pelas dúvidas frequentemente demandadas por 451 profissionais farmacêuticos ou outros da área da saúde. 452 453 1.4.1. Escopo 454 455 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 19 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. O escopo deste Guia refere-se à descrição do processo de trabalho do farmacêutico, na 456 provisão do acompanhamento farmacoterapêutico, a pacientes de todos os níveis de atenção 457 à saúde, em sistema público ou privado. 458 459 1.4.2. Questões norteadoras 460 461 1.4.2.1. Pergunta Geral 462 463 Qual é o processo de trabalho para a provisão do acompanhamento farmacoterapêutico nos 464 diferentes pontos de atenção à saúde? 465 466 1.4.2.2. Perguntas Específicas 467 468 Qual é o processo de trabalho para a provisão do acompanhamento farmacoterapêutico 469 nos diferentes pontos de atenção à saúde? 470 Qual é o efeito do acompanhamento farmacoterapêutico, ofertado por farmacêuticos, a 471 pacientes em todos os níveis de atenção à saúde, sobre indicadores de processo de uso 472 dos medicamentos, desfechos clínicos, humanísticos ou econômicos? 473 474 1.5. Análise da evidência: estratégia de busca e critérios de seleção da 475 evidência 476 477 Com o objetivo de avaliar o efeito do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico na 478 obtenção de desfechos em saúde, foi realizada uma revisão de revisões sistemáticas 479 (overview), seguindo as recomendações da Colaboração Cochrane (Higgins et al., 2019) e 480 Checklist PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) 481 (Moher et al., 2010). 482 483 Para tanto, foram conduzidas buscas sistemáticas nas bases de dados MEDLINE (Pubmed) e 484 Scopus. Estas, foram complementadas por buscas manuais nas listas de referências dos 485 estudos incluídos e em motores de busca convencionais da internet (Google, Google 486 Scholar), sem limitações de datas ou idioma (buscas conduzidas em 17/11/2020). Em 487 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 20 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. situações nas quais a revisão sistemática recuperada estivesse desatualizada, a sua versão 488 mais atual foi buscada, manualmente, em motores de busca de internet. 489 490 As estratégias de busca foram elaboradas a partir de uma combinação de descritores 491 relacionados ao serviço e ao desenho do estudo, Tabela 1. Após as buscas e remoção de 492 duplicatas, dois revisores independentes conduziram a primeira fase de seleção dos estudos 493 por meio da leitura dos títulos e resumos (screening - triagem). Os artigos considerados 494 ‘potencialmente relevantes’ foram obtidos e lidos na íntegra pelos mesmos dois revisores 495 independentes, atentando-se aos critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. Na presença 496 de desacordos, estes foram resolvidos por um terceiro revisor. 497 498 Tabela 1. Estratégias de busca utilizadas nas bases de dados Medline (via Pubmed) e 499 Scopus. 500 Base de dados Estratégia de busca Medline (via Pubmed) #1 “Medication Therapy Management”[MH] OR ((medicines[TIAB] OR “drug therapy”[TIAB] OR “medication therapy”[TIAB]) AND (management[TIAB])) OR “pharmacotherapeutic follow-up”[TIAB] #2 Pharmacists[MH] OR pharmacist*[TIAB] OR “pharmaceutical services”[TIAB] #3 “Systematic review”[PT] OR “Systematic Reviews as Topic”[MH] OR “systematic review”[TIAB] OR “systematic literature review”[TIAB] OR “systematic evidence review”[TIAB] OR “systematic evidence synthesis”[TIAB] OR “systematic meta-review”[TIAB] OR “overview”[TIAB] OR Meta- Analysis[PT] OR “Meta-Analysis as Topic”[MH] OR “meta-analysis”[TIAB] OR “metanalysis”[TIAB] OR “meta-analyses”[TIAB] OR “meta-analyzes”[TIAB] OR “meta-synthesis”[TIAB] OR “meta- analytical”[TIAB] #1 AND #2 AND #3 Scopus TITLE-ABS-KEY(“medication therapy management” OR “drug therapy management” OR “medicines management” OR “pharmacotherapeutic follow-up”) AND TITLE-ABS-KEY(pharmacist* OR “pharmaceutical services”) AND TITLE-ABS-KEY(“systematic review” OR “systematic evidence review” OR “systematic evidence synthesis” OR “systematic meta-review” OR “meta-analysis” OR “metanalysis” OR “meta-analyses” OR “meta-analyzes” OR “meta-synthesis” OR “meta analytical”) Fonte: autoria própria. 501 liaç 502 Foram considerados elegíveis os registros referentes a revisões sistemáticas (com ou sem 503 meta-análises) de estudos intervencionais ou observacionais analíticos, que avaliassem o 504 impacto da realização do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico comparado a um 505 grupo controle de cuidado usual, ou ao mesmo serviço realizado por outro profissional de 506 saúde, ou ainda, sem grupo comparador. Como desfechos foram considerados indicadores 507 do processo de uso de medicamentos ou resultados clínicos, humanísticos ou econômicos. 508 Foram consideradas revisões sistemáticas com enfoque em qualquer cenário de prática e não 509 foram feitas limitações em relação aos beneficiários dos serviços. Estudos que avaliaram 510 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 21 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. serviços conduzidos por equipe multiprofissional só foram incluídos quando a intervenção 511 realizada pelo farmacêutico foi objetivamente descrita. 512 513 Os critérios de exclusão estabelecidos foram: 1) revisões sistemáticas que tenham incluído 514 estudos primários em que o serviço provido não fosse o de interesse; que tenham incluído 515 estudos nos quais foram ofertados múltiplos serviços; 2) estudos cujos resultados dos efeitos 516 do serviço não sejam numéricos, não sendo reportada qualquer medida de efeito; 3) revisões 517 sistemáticas de diretrizes, outras overviews de revisões sistemáticas já publicadas, opiniões 518 de especialistas e revisões temáticas não sistemáticas; 3) revisões sistemáticas focadas em 519 recomendações clínicas ou farmacológicas, voltadas ao manejo de uma determinada 520 condição de saúde ou tratamento; 4) estudos publicados em caracteres não-romanos. 521 522 A fim de analisar as evidências obtidas, os seguintes dados foram extraídos dos estudos 523 recuperados: autor/ano de publicação, escopo da revisão sistemática, número de estudos 524 primários incluídos e desenho epidemiológico, descrição do serviço farmacêutico e os 525 resultados reportados para cada desfecho. A evidência encontrada foi sintetizada, sendo 526 realizada análise qualitativa dos resultados. Ainda, as evidências foram avaliadas conformeo 527 grau de recomendação e nível de evidência científica, seguindo o modelo do Centro de 528 Medicina Baseada em Evidências da Universidade de Oxford, Inglaterra (CEBM, 2009), 529 Tabela 2. 530 531 Tabela 2: Graus de recomendação e níveis de evidência (CEBM, 2009). 532 Grau de Recomendação Nível de Evidência Características do estudo A 1 A Revisão sistemática com meta-análise de estudos clínicos controlados e randomizados, com homogeneidade 1 B Ensaio clínico controlado e randomizado com intervalo de confiança (IC 95%) estreito 1 C Resultados terapêuticos do tipo “tudo ou nada” B 2 A Revisão sistemática com meta-análise de estudos de coorte, com homogeneidade ou extrapolações de estudos de nível 1 2 B Estudo de coorte (incluindo estudo clínico randomizado e controlado de baixa qualidade) ou extrapolações de estudos de nível 1 2 C Observação de resultados terapêuticos e estudos ecológicos ou extrapolações de estudos de nível 1 3 A Revisão sistemática com meta-análise de estudos caso-controle, com homogeneidade ou extrapolações de estudos de nível 1 3 B Estudo caso-controle ou extrapolações de estudos de nível 1 C 4 Relatos de casos ou estudos observacionais analíticos (coorte e caso- 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 22 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. controle) de baixa qualidade, ou extrapolações de estudos de níveis 2 ou 3 D 5 Opinião de especialistas sem avaliação crítica explícita, com base em consensos, estudos fisiológicos ou modelos animais, ou estudos inconsistentes/inconclusivos de qualquer nível Fonte: Adaptado de Centre for Evidence-Based Medicine (2009). 533 534 Nos casos em que os resultados apresentados foram inconclusivos (ensaios clínicos 535 randomizados com intervalo de confiança largo, metanálises heterogêneas (I2 > 75%), 536 ausência de análises estatísticas que permitissem avaliar a diferença entre os grupos 537 comparativos) foi adicionado um sinal de “-” após o nível de evidência e o grau de 538 recomendação considerado foi D. 539 540 1.6. Consulta pública e revisão por pares 541 542 Detalhamento descrito após a consulta. 543 544 1.7. Independência editorial 545 546 A Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica selecionou os autores baseando-se no conjunto 547 de expertises individuais que poderia melhor contribuir para a elaboração do guia. Os autores 548 tiveram independência para a condução dos trabalhos. 549 550 Todos os autores não foram remunerados financeiramente para a sua execução e 551 preencheram declarações informando se havia conflitos de interesse. 552 553 2. Introdução 554 555 Ao mesmo tempo que os medicamentos trazem benefícios para os indivíduos e a sociedade, 556 também podem causam problemas de saúde com seus efeitos adversos. O entendimento 557 dessa característica dicotômica dos impulsionou transformações que focaram na provisão 558 responsável da farmacoterapia e em resultados definidos que melhoram os desfechos do 559 paciente (ALDRIDGE et al., 2018; BENEY; BERO; BOND, 2000; HOWARD et al., 2007; 560 HOWARD; AVERY, 2006). 561 562 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 23 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Em 1960, começou o movimento da Farmácia clínica, na Universidade de Michigan, mas 563 muito do trabalho pioneiro foi feito por David Burkholder, Paul Parker e Charles Walton na 564 Universidade de Kentucky no final dos anos 1960 (MILLER, 1981). 565 566 Os educadores norteamericanos, mais especialmente do grupo da Faculdade de Farmácia da 567 Universidade da Califórnia, em São Francisco, incentivaram o desenvolvimento de novas 568 disciplinas das ciências farmacêuticas, como a biofarmácia e a farmacocinética, cuja inclusão 569 no currículo e nas atividades de investigação influenciaram o posterior desenvolvimento da 570 farmácia clínica. O movimento da farmácia clínica nos Estados Unidos tentou desenvolver o 571 conceito de farmacêutico consultor terapêutico e produziu uma profunda transformação na 572 prática e no exercício da Farmácia, além do respeito e grau de confiança que passou a 573 desempenhar o profissional farmacêutico para a sociedade (SBFC, 2021; HEPLER, 1987; 574 LEVY, 1983). 575 576 Em 1972, o Professor Aquiles Arancibia Orrego, juntamente com a Dra. Raquel González, 577 então diretora da Faculdade de Ciências Químicas e Farmacêuticas da Universidade do 578 Chile, trouxe a Farmácia Clínica de San Francisco, Califórnia, Estados Unidos (EUA), para o 579 Chile (SBFC, 2021). 580 581 Ao longo dos anos, alguns métodos de acompanhamento farmacoterapêutico foram criados e, 582 posteriormente, adaptados. Todos esses visam fornecer suporte ao farmacêutico para 583 realização do atendimento clínico. Entre os mais utilizados e com maior número de 584 publicações envolvendo suas aplicações, destacam-se o Pharmacotherapy Workup (PW), 585 Therapeutic Outcomes Monitoring (TOM), Método Dáder e Medication Therapy 586 Managenement (MTM) (ARMANDO et al., 2005). Os métodos PW e Dáder visam facilitar a 587 aprendizagem para realização do acompanhamento farmacoterapêutico de usuários, por meio 588 de uma documentação mais estruturada para o atendimento clínico. O Dáder tem como ponto 589 positivo a oportunização de tempo para avaliação das informações em conjunto com a fase 590 de estudo, porém a abordagem para obtenção das respostas é extensa, mas bastante 591 completa (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 1998; HERNÁNDEZ, D. S. CASTRO; DÁDER, 592 2007). 593 594 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 24 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. O TOM é voltado para enfermidades específicas, necessitando da elaboração de formulários 595 específicos para o tipo de atendimento que será realizado. Sendo assim, apesar de facilitar a 596 avaliação de uma doença específica e conseguir analisar os resultados terapêuticos e a 597 qualidade de vida do usuário de forma mais robusta, há o risco de não considerar o usuário 598 de forma integral (HURLEY, 1998; WHO, 1998). 599 600 O CMTM (Comprehensive Medication Therapy Management) é um serviço clínico interativo 601 guiado por uma tecnologia de informação de saúde própria, sendo um processo terapêutico 602 baseado em evidências, realizado por farmacêuticos treinados, para o tratamento de 603 pacientes com doenças crônicas. O CMTM foi estudado e comprovado para melhorar o 604 estado de saúde dos pacientes, ao mesmo tempo que reduz custos desnecessários de 605 cuidados. É uma abordagem centrada no paciente para otimizar o uso de medicamentos e 606 melhorar os resultados de saúde do paciente, fornecida por um farmacêutico clínico que 607 trabalha em colaboração com o paciente e outros profissionais de saúde. Este processo de 608 cuidado garante que os medicamentos de cada paciente (sejam prescritos, não prescritos, 609 alternativos, tradicionais, vitaminas ou suplementos nutricionais) sejam avaliados 610 individualmente para determinar se cada medicamento tem uma indicação adequada, é eficaz 611 para a condição médica e atinge o objetivo clínico definido para o paciente, é seguro, diante 612 das comorbidades e outros medicamentos que estão sendo tomados, e que o paciente é 613 capaz de tomar o medicamento conforme pretendido e aderir ao regime prescrito. Talserviço 614 abrange a condição do paciente, histórico clínico, intervenções testadas e reprovadas, 615 resultados de exames e laboratórios anteriores e atuais, lista de problemas e notas clínicas do 616 prontuário eletrônico. Frequentemente, o programa é estabelecido na atenção primária ou 617 locais de prática de grupo designados exclusivamente para farmacêuticos avaliarem 618 pacientes e fornecerem serviços de gerenciamento de medicamentos. Para permitir esse 619 nível de atendimento ao paciente, programas de CMTM bem-sucedidos estabelecem acordos 620 de prática ampla e colaborativa entre farmacêuticos e organizações médicas. Esses acordos 621 escritos permitem que os farmacêuticos tratem de todos os problemas de terapia 622 medicamentosa de um paciente de forma rápida e eficiente, o que inclui adicionar, remover ou 623 trocar medicamentos sem a aprovação do médico, mas em alinhamento com os protocolos 624 clínicos. O farmacêutico atua como parte da equipe de atendimento e interage regularmente 625 com o médico da atenção primária, especialistas, enfermeiras e outros médicos. Tal serviço 626 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 25 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. gera um retorno financeiro considerável (MCINNIS, WEBB, & STRAND, 2012; MCINNIS, 627 CAPPS, 2016). 628 629 630 631 No Brasil, o movimento clínico cresceu nas últimas décadas, após a publicação das 632 resoluções do Conselho Federal de Farmácia (CFF) que regulamentam a prescrição 633 farmacêutica e as atribuições clínicas do farmacêutico (Resoluções CFF nº 585/13 e 586/13) 634 e na Lei Federal nº 13.021/14, que definiu então as farmácias e drogarias como unidades de 635 prestação de serviços de saúde, estabelecendo a obrigatoriedade da presença do profissional 636 farmacêutico (CFF, 2013a, 2013b; CN, 2014). 637 638 Em 2016, o Conselho Federal de Farmácia publicou o Arcabouço conceitual dos Serviços 639 Farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à comunidade, no qual é 640 apresentada a definição de acompanhamento farmacoterapêutico como “serviço pelo qual o 641 farmacêutico realiza o gerenciamento da farmacoterapia, por meio da análise das condições 642 de saúde, dos fatores de risco e do tratamento do paciente, da implantação de um conjunto 643 de intervenções gerenciais, educacionais e do acompanhamento do paciente, com o objetivo 644 principal de prevenir e resolver problemas da farmacoterapia, a fim de alcançar bons 645 resultados clínicos, reduzir os riscos, e contribuir para a melhoria da eficiência e da qualidade 646 da atenção à saúde. Inclui, ainda, atividades de prevenção e proteção da saúde”, tendo como 647 termos relacionados: seguimento farmacoterapêutico, gestão da terapêutica, gestão da 648 terapia medicamentosa, gerenciamento da terapia medicamentosa, gestão da farmacoterapia, 649 serviço de gerenciamento integral da farmacoterapia, manejo da farmacoterapia, medicines 650 management, pharmacotherapeutic follow up, medication management, drug therapy 651 management e seguimiento farmacoterapêutico (CFF, 2016). Na Figura 1 é apresentada a 652 linha do tempo da evolução do cuidado clínico e sua relação com o acompanhamento 653 farmacoterapêutico. 654 É importante ressaltar que a remuneração pelos serviços foi o fator preponderante para a mudança do MTM para CMTM (MCINNIS, CAPPS, 2016). 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 26 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 655 1MELO; RIBEIRO; STORPIRTIS, 2006; 2 CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 1998, 2004; STRAND; MORLEY; CIPOLLE, 1988; 3 656 STRAND et al., 1990; 4 OPAS, 2004; 5 HURLEY, 1998; GRAINGER-ROUSSEAU et al., 1997; WHO, 1998; 6 MACHUCA; 657 FERNÁNDEZ-LLIMÓS; FAUS, 2003; 7 CDC, 2020; 8 CONSENSUS COMITEE, 2007; 9 MCINNIS, CAPPS, 2016; 10 CFF, 658 2016. 659 660 Figura 1. Linha do tempo da evolução do cuidado clínico e sua relação com o acompanhamento 661 farmacoterapêutico. 662 Fonte: autoria própria. 663 664 Uma descrição mais detalhada sobre os principais métodos de acompanhamento 665 farmacoterapêutico e alguns termos que caracterizam o desenvolvimento do 666 acompanhamento farmacoterapêutico são apresentados no Tabela 3.667 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 27 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 3. Comparação entre os métodos de Acompanhamento Farmacoterapêutico. 668 Informação Pharmacotherapy Workup (PW)1 Therapeutic Outcomes Monitoring (TOM)2 Método Dáder3 Medication-Therapy Managenement (MTM)4 E s p e c if ic id a d e s Em 1988, o método denominado Pharmacist Workup of Drug Therapy (PWDT), com o objetivo de identificar e resolver PRM específicos dos pacientes. 3 etapas. Desenvolvido em 1997 por Charles Hepler na Universidade da Flórida (EUA) e derivado do PWDT, este método tem por objetivo servir de suporte para as atividades do farmacêutico desenvolvidas em farmácias comunitárias O Método Dáder foi desenvolvido em 1999 pelo Grupo de Investigación em Atención Farmacéutica da Universidad de Granada (Espanha), para ser aplicado a nível comunitário, a qualquer usuário. Também é derivado do PWDT, e procura tornar mais executável a coleta de dados do usuário, bem como oferecer um espaço de tempo para análise dos dados coletados. Serviço provido por um grupo de profissionais da saúde, incluindo farmacêuticos, voltado a pacientes polimedicados do Medcare para otimização da terapia. O fe rt a d o s e rv iç o a o u s u á ri o - - 1. Agendamento de um encontro, com esclarecimentos sobre as atividades que o profissional farmacêutico realiza. Caso o usuário demonstre interesse, solicita-se que o mesmo, no dia aprazado, traga todos os medicamentos que possui em casa, bem como todos os documentos referente à sua saúde, sejam esses exames laboratoriais, diagnósticos e outras informações. - A v a lia ç ã o d a n e c e s s id a d e d e s a ú d e 1. Entrevista, com a finalidade de coletar informações gerais sobre o paciente, da adequação, segurança e efetividade da farmacoterapia para identificar PRMs. 1. Coleta, interpretação e registro de informações relevantes dos pacientes: expectativas e conhecimentos do paciente sobre a enfermidade e sua farmacoterapia, identificação de PRM e estimativa da adesão à farmacoterapia 2. Primeira entrevista: informações da história farmacoterapêutica (perguntas específicas sobre a utilização), de dados sobre problemas de saúde e preocupações do paciente e revisão de sistemas. O encontro é finalizado com a orientação sobre o uso correto dos medicamentos. 3. Análise situacional: busca da relação entre os problemas de saúde e o uso dos medicamentos, é dividida em: fase de estudo (o profissional deve obter todas as informações necessárias) e fase de avaliação (identificação das suspeitas de PRM fundamentada nos achados da fase de estudo). 1. Revisão da farmacoterapia 2. Registro pessoal de medicamentos 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 28 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Informação Pharmacotherapy Workup (PW)1 Therapeutic OutcomesMonitoring (TOM)2 Método Dáder3 Medication-Therapy Managenement (MTM)4 P la n o d e c u id a d o 2. Analisadas as informações sobre o histórico de doença atual, os PRM identificados na etapa anterior a serem solucionados e possíveis alterações da farmacoterapia em detrimento da melhora no desfecho clínico do paciente 2. Identificação dos objetivos terapêuticos: para avaliar a evolução dos resultados terapêuticos. 3. Avaliação da adequabilidade do plano terapêutico: revisão da farmacoterapia, levando em consideração os objetivos terapêuticos, PRM, expectativas e poder aquisitivo dos usuários. 4. Desenvolvimento de um plano de monitorização: adaptado a protocolos padrões de tratamento, por meio da organização dos dados necessários para monitorar a evolução do paciente, visando atingir as metas terapêuticas 5. Dispensação do medicamento: verificar o entendimento do paciente sobre a forma correta de utilização do medicamento, bem como instruí-lo para seu uso racional. 6. Implementação do plano de monitorização: com agendamento de novo encontro, colocar em prática o plano como fora definido. 4. Fase de intervenção: elaboração de plano de atuação em acordo com o paciente, com implantação de intervenções necessárias para resolver ou prevenir os PRM. Este plano é apresentado ao usuário em um segundo encontro. 3. Plano de ação relacionado a medicamentos 4. Intervenção ou encaminhamento A c o m p a n h a m e n to d o p a c ie n te 3. Acompanhamento da evolução do paciente a partir da das metas e ajustar terapia a fim da obtenção de melhores resultados 7. Avaliação da evolução do paciente frente aos objetivos terapêuticos. 8. Resolução dos problemas identificados: encaminhamento ou notificação ao prescritor 9. Revisão ou atualização do plano de monitorização, se necessário 5. Resultado da intervenção: visa determinar se o resultado desejado foi alcançado. Funciona como a monitorização da intervenção proposta. 6. Nova análise situacional: realizada quando se verificam mudanças no estado de saúde do paciente, e na utilização de medicamentos, após a intervenção. 5. Documentação e acompanhamento D o c u m e n ta ç ã o Recomenda documentação estruturada, que permita a avaliação do quadro completo do paciente. Como o TOM é voltado para enfermidades específicas, necessita da elaboração de formulários específicos para o tipo de atendimento que será realizado. Todas as etapas são detalhadamente documentadas. Todas as etapas são documentadas. 1 CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 1998, 2004; STRAND; MORLEY; CIPOLLE, 1988; 2 HURLEY, 1998; GRAINGER-ROUSSEAU et al., 1997; WHO, 1998; 3 MACHUCA; FERNÁNDEZ-LLIMÓS; 669 FAUS, 2003; 4 CDC, 2020. 670 Fonte: autoria própria. 671 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 29 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 3. Remuneração Em muitos países, o serviço de acompanhamento farmacoterapêutico é remunerado, principalmente pelos programas governamentais de saúde. A Tabela 4 mostra informações sobre o pagamento deste serviço em diferentes programas e países. Realizou-se a padronização dos valores de remuneração, por meio da conversão em dólares americanos, utilizando a paridade de poder de compra (OECD, 2020), os valores ajustados para dezembro de 2020 conforme o Índice de Preços ao Consumidor americano (U.S. BUREAU OF LABOR STATISTICS, 2020). Caso não fosse especificado o ano do valor da remuneração, os valores foram definidos para um ano antes da data da publicação. Os valores em reais foram convertidos utilizando o conversor de moedas do Banco Central do Brasil (2020). Tabela 4. Informações sobre pagamento pelos serviços de revisão da farmacoterapia. Local Serviço Fonte pagadora Pacientes elegíveis Valor (US$1 R$2) Citação A u s tr á lia Residential Medication Management Review Medicar Paciente com risco ou experiência de uso acidental de medicamentos 1º encontro: US$: 112,651 R$: 610,332 2º encontro: US$: 56,331 R$: 305,192 (PPA, 2020) C a n a d á MedsCheck Ontario Drug Benefit Pacientes que utilizam no mínimo 3 medicamentos para alguma condição crônica e que não consegue comparecer à farmácia comunitária 1º encontro: US$: 150,001 R$: 812,582 2º encontro: US$: 25,001 R$: 135,492 (ONTARI O, 2016) C a n a d á Medication Review Follow Up Pharmcare Pacientes com atendimento prévio de revisão da medicação básica ou avançada, cumprindo pelo menos um dos critérios: não adesão; PRM identificado durante revisão da medicação; alta hospitalar com alteração de medicamentos prévios; admissão hospitalar planejada; ou solicitação médica ou de enfermagem. US$ 15,80 CAD$ 20,00 R$ 85,40 (New Scotia Pharmacy Guide, 2020) C a n a d á Medication Review Pharmacare Pacientes em uso de, pelo menos, 5 medicamentos nos últimos 6 meses (uma vez a cada 6 meses) 1º encontro: US$: 70,001 R$: 379,652 2º encontro: US$: 15,001 R$: 81,352 (COLUMB IA, 2020) R e in o U n id o Medicines Use Review National Health System Pacientes que utilizam medicamentos de alto risco ou que receberam alta recente do hospital. £: 28,00 US$: 37,991 R$: 205,582 (COMMIT TEE, 2020) 1Ajustado pelo Índice de Preços ao Consumidor americano. 2Conversor de moedas do Banco Central do Brasil do dia 08 de janeiro de 2021. Fonte: autoria própria. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 30 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 4. Recomendações São inúmeros os desafios para ampliar a participação do farmacêutico no sistema de saúde, harmonizar conceitos e termos, além de processos de trabalho, no que confere à atuação clínica do mesmo (OPAS, 2002). Porém, atualmente, o profissional farmacêutico dispõe de ferramentas capazes de prover sua atuação no cuidado direto ao paciente, à família e à comunidade, com o objetivo de reduzir a morbimortalidade relacionada ao uso de medicamentos, promover saúde e prevenir doenças e outras condições (CFF, 2015). A seguir a SBFC apresenta recomendações com o objetivo de padronizar os processos de trabalho, pesquisas na área e a formação como forma de contribuir para o desenvolvimento da prática no pais. 4.1. Definição do serviço O Acompanhamento Farmacoterapêutico é um serviço clínico provido pelo farmacêutico e objetiva, por meio de uma série de atendimentos, otimizar a farmacoterapia bem como melhorar desfechos clínicos, humanísticos e econômicos do paciente. O Conselho Federal de Farmácia (CFF, 2016) definiu, em sua publicação “Serviços farmacêuticos diretamente destinados ao paciente, à família e à comunidade: contextualização e arcabouço conceitual” acompanhamento farmacoterapêutico como: Serviço pelo qual o farmacêutico realiza o gerenciamento da farmacoterapia, por meio da análise das condições de saúde, dos fatores de risco e do tratamento do paciente, da implantação de um conjunto de intervenções gerenciais, educacionais e do acompanhamento do paciente, com o objetivo principal de prevenir e resolver problemas da farmacoterapia, a fim de alcançar bons resultados clínicos, reduzir os riscos, e contribuir para a melhoria da eficiência e da qualidade da atenção à saúde. Inclui, ainda, atividades de prevenção e proteção da saúde. (CFF, 2013a; CFF, 2016). 4.1.1. Termos relacionados Analisando-se o “Descritores em saúde” (Decs) (BVS. Biblioteca Virtual em Saúde. DeCS (Descritores em Ciências da Saúde), 2021) e o “Medical Subject Headings” (Mesh)(NCBI. National Center for Biotechnology Information. MeSH (Medical Subject Headings) is the NLM controlled vocabular thesaurus used for indexing articles for PubMed, 2021) e em outros documentos da área (CFF, 2016) encontramos os seguintes descritores associados a acompanhamento farmacoterapêutico: 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 31 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Descritor em português: acompanhamento farmacoterapêutico, seguimento farmacoterapêutico. Descritor em inglês: medication therapy management, pharmacotherapeutic follow-up, pharmaceutical care, Therapeutic Outcomes Monitoring, Comprehensive Medication Therapy Managenement, Pharmacotherapy Workup. Descritor em espanhol: seguimento farmacoterapêutico. 4.1.2. Termos a serem evitados Alguns termos devem ser evitados por não corresponderem ao serviço de acompanhamento farmacoterapêutico ou por serem vagos e, por conseguinte, poderem ser utilizados em outros serviços: Acompanhamento farmacêutico, revisão da farmacoterapia, medication review, medication reconciliation e todas as outras denominações relacionadas a outros serviços descritas nos guias de prática clínica publicadas pela SBFC. 4.2. Processo de trabalho O processo de trabalho do acompanhamento pode ser organizado em etapas que incluem: Acolhimento, Identificação da(s) necessidade(s) de saúde, Planejamento e implantação de intervenções, Avaliação dos resultados e Retornos agendados para realizar nova(s) intervenção(ões) ou Alta, como apresentado na Figura 1. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 32 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Figura 2: Processo geral de trabalho na provisão do acompanhamento farmacoterapêutico. Fonte: Adaptado do Conselho Federal de Farmácia (2020). A alta do serviço pode ocorrer quando: 1. todos os problemas de saúde relacionados a medicamento tiverem sido resolvidos; 2. a possibilidade de resolução dos problemas de saúde relacionados a medicamento tiver sido esgotada por diferentes motivos; 3. por solicitação do paciente, mudança de endereço ou de lugar de acompanhamento ou mesmo óbito. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 33 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. O processo de trabalho do acompanhamento farmacoterapêutico apresenta grande similaridade com outros dois serviços: revisão clínica da farmacoterapia e gestão de uma condição de saúde. O farmacêutico deve compreender a distinção entre estes três serviços para escolher aquele de melhor custo-efetividade ao seu paciente a fim de otimizar os recursos do sistema de saúde, Tabela 5. Tabela 5. Similaridades e distinções entre revisão clínica da farmacoterapia, acompanhamento farmacoterapêutico e gestão de uma condição de saúde. Característica Revisão clínica da farmacoterapia Acompanhamento farmacoterapêutico Gestão de uma condição de saúde Processo geral considera Necessidade, efetividade, segurança e comodidade da farmacoterapia Necessidade, efetividade, segurança e comodidade da farmacoterapia Necessidade, efetividade, segurança e comodidade da farmacoterapia Prescrições do paciente Prescrições do paciente Prescrições do paciente Anotações do prontuário Anotações do prontuário Anotações do prontuário Resultados de exames Resultados de exames Resultados de exames Entrevista com o paciente, família ou cuidador Entrevista com o paciente, família ou cuidador Entrevista com o paciente, família ou cuidador Sacola de medicamentos Sacola de medicamentos Sacola de medicamentos Classificação de diagnósticos e de intervenção Distintos, mas similares em conteúdo. Continuidade do cuidado Não. O farmacêutico analisa a situação e emite parecer à equipe interprofissional. Pode implantar algumas intervenções, mas o número de consultas geralmente não ultrapassa 3 (três). Por isto, é muito comum em hospitais com alta rotatividade de leitos. Sim, até a resolução de todos os problemas ou esgotamento das possibilidades de sua solução. Serviço comum na Atenção primária à saúde. Sim, até a resolução de todos os problemas ou esgotamento das possibilidades de sua solução. Serviço comum na em clínicas especializadas da APS ou Atenção secundária como anticoagulação ou oncologia. Abrangência Todas as condições de saúde do paciente Todas as condições de saúde do paciente Condição de saúde na qual o farmacêutico é especializado Todos os medicamentos em uso Todos os medicamentos em uso Somente os medicamentos usados para a condição de saúde em gestão (exemplo: anticoagulantes). Fonte: autoria própria. Todo o processo de cuidado deve ser documentado. Há diferentes documentos que podem ser gerados a partir deste, cada um com um objetivo distinto. Veja o item relativo à documentação do cuidado. A qualquer momento do processo de cuidado o farmacêutico pode identificar um alerta de encaminhamento e proceder à referência do paciente a outro profissional ou serviço de saúde. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 34 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. A principal diferença deste serviço em relação à revisão clínica da farmacoterapia consiste na perspectiva de continuidade do cuidado provido pelo farmacêutico em múltiplas consultas para avaliação e gerenciamento de toda a farmacoterapia do paciente (CFF, 2016; Correr, Otuki, 2013; Reis et al., 2018). Dessa forma, a periodicidade, sistematização e regularidade, em um contexto contínuo de identificar, intervir e avaliar a intervenção feita, com base em metas delineadas no plano de cuidado para o paciente, denotam o processo de cuidado e monitorização nesse serviço clínico. Uma vez alcançada a(s) meta(s) terapêutica(s) num tempo determinado, o paciente pode ‘ter alta’ daquela (s) meta (s), finalizando um plano de cuidado, que poderá ser reiniciado a qualquer momento, conforme a necessidade de saúde do paciente, no mesmo contexto inicial, ou em outro foco, incluindo-se um novo processo e planejamento de cuidado para aquele paciente. Ressalta-se que intercorrências no processo de cuidado ao paciente poderão acontecer e devem ser relatadas, de modo a se refazer metas e alterar o plano de cuidado específico. Existe a obrigatoriedade para a prestação desse serviço em lei sendo, portanto, o seu acesso um direito dos pacientes (Brasil, 2014; CFF, 2016). Durante o acompanhamento farmacoterapêutico, podem ser prestados outros serviços clínicos providos por farmacêuticos a fim de garantir sua efetividade por meio da implantação de intervenções. 4.2.1. Acolhimento Durante o acolhimento, o farmacêutico deve receber o paciente, se apresentar, explicar o serviço e seus objetivos de forma sucinta, levantar as expectativas do mesmo e planejar o andamento da consulta, indicando seu tempo previsto e etapas. Considerando os requisitos da boa comunicação em saúde, essa etapa deve ser iniciada sempre com uma pergunta aberta, a fim de garantir a aproximação entre farmacêutico e paciente. É fundamental que o farmacêutico demonstre aspectos relacionados a empatia, cordialidadee atente para a ‘fala’ e ‘expressão’ do paciente (comunicação verbal e não verbal), de modo a perceber as experiências positivas ou negativas do paciente em relação a sua condição de saúde e tratamento, além das suas expectativas e preocupações. A ideia é ser iniciada uma possível relação terapêutica entre o farmacêutico e o paciente. Ressalta-se que, um bom acolhimento pode favorecer o desenvolvimento das outras etapas, viabilizando, dentre outros aspectos, o 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 35 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. sentimento de atenção e segurança ao paciente. Anotações iniciais, de modo sutil, podem ser feitas; porém, relacionados aos dados do paciente, como por exemplo, como quer ser chamado, de onde vem, qual sua queixa e como está se sentido, até como estratégia para iniciar uma entrevista/conversa, e identificar de maneira preliminar os ‘sentimentos’ do paciente. Depois desse momento inicial da entrevista, prossegue-se com os registros para a identificação das necessidades de saúde. 4.2.2. Identificação das necessidades de saúde Essa etapa compreende a coleta de dados e avaliação de possíveis problemas do paciente. Para tal deve incluir o levantamento do perfil do paciente (nome, idade, peso, altura, endereço, contato, cuidador, acesso a medicamentos e serviços de saúde), da história clínica (queixa principal, história da doença atual, história médica pregressa, história familiar, história social e revisão por sistemas) e da história farmacoterapêutica (medicamentos prescritos e não prescritos, terapias complementares, vacinas, experiência de medicação e reações adversas a medicamentos). A depender do perfil do paciente atendido, ele pode ser acrescido da aferição de parâmetros fisiológicos, exames laboratoriais e/ou instrumentos e protocolos de atendimentos específicos, como exemplo: instrumentos psicométricos para avaliação da adesão, qualidade de vida, rastreamento de depressão, ansiedade, protocolos de anamnese específicos (avaliação do risco de suicídio, avaliação de complicações relacionadas ao diabetes, dentre outros). Ao registrar as informações, o farmacêutico deve atentar para continuar com ‘foco’ no paciente; nesse sentido, os registros devem ser rápidos, sucintos e poderão ser reforçados e complementados após a consulta e no decorrer dos retornos. 4.2.2.1. Sistemas de classificação de diagnósticos O acompanhamento farmacoterapêutico permite ao farmacêutico aplicar seus conhecimentos sobre medicamentos, com a intenção de buscar e solucionar problemas relacionados a medicamentos (PRM), e possibilita maior interação com o usuário e a equipe de saúde (SANTOS et al., 2007). 4.2.2.1.1. Problemas relacionados a medicamentos e resultados negativos associados a medicamentos Os problemas relacionados a medicamentos (PRM) são definidos como todos os problemas 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 36 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. decorrentes do uso, ou não uso de medicamentos clinicamente necessários para um paciente. Tais problemas influenciam diretamente na morbidade, mortalidade e na qualidade de vida para o paciente. Dessa forma, muitos autores estudaram estratégias de detecção e classificação de PRM com a finalidade de prevenir e resolvê-los (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 2004; CONSENSUS COMITEE, 2002, 2007; FERNANDEZ-LLIMOS et al., 2004). Strand e colaboradores (1990) definiram PRM como sendo “uma experiência indesejada vivida pelo paciente e que envolve a farmacoterapia, interferindo real ou potencialmente com os resultados desejados do paciente”. Inicialmente, os autores propuseram uma classificação de PRM em oito categorias, porém mais tarde (1998) foi alterada e atualizada para 6 categorias (Tabela 6) (STRAND et al., 1990). Ainda em 1998, durante o Primeiro Consenso de Granada, Espanha, farmacêuticos concluíram que a farmacoterapia deve atender três quesitos: necessidade, efetividade e segurança (FAUS; ROMERO, 1999). Excluindo, assim, a adesão (PRM 7 proposto pelo grupo Minnesota), que foi considerada causa e não PRM em si. Dessa forma, propuseram uma classificação de PRM em 6 categorias, que mais tarde (2002), durante o Segundo Consenso de Granada, foi revisada e melhorada, objetivando ampliar a visão sobre a magnitude real do problema de saúde (CONSENSUS COMITEE, 2002; DADER; MUÑOZ; MARTÍNEZ- MARTÍNEZ, 2008). No entanto, apesar das alterações realizadas no Segundo Consenso de Granada, os conceitos referentes às causas e resultados permaneceram confusos. E, apesar de até então o termo PRM ter sido bastante utilizado na literatura, existia uma mescla envolvendo os conceitos de processo e resultados (DADER; MUÑOZ; MARTÍNEZ-MARTÍNEZ, 2008; FERNANDEZ-LLIMOS et al., 2004). Sendo assim, o Fórum de Atenção Farmacêutica definiu (2006) os conceitos de PRM e de Resultados Negativos Associados a Medicamentos (RNM), servindo de base para que o comitê do Terceiro Consenso de Granada, realizado em 2007, definisse a diferença entre PRM e RNM e a classificação de RNM (Tabela 6). Haja vistas as especificidades de terminologias e os sistemas de classificação de problemas da farmacoterapia, o uso de diferentes sistemas gerou um problema na comparação de resultados dentre as diferentes publicações e consequentemente na comprovação de benefícios do mesmo (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 2004). Apesar de diversos trabalhos 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 37 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. utilizarem as classificações citadas anteriormente, bem como outras descritas na literatura, há uma predominância no uso da classificação espanhola nos países latino-americanos (Segundo e Terceiro Consenso de Granada). A classificação do Terceiro Consenso sintetizou com bastante clareza os conceitos de PRM e RNM, fazendo com que o farmacêutico e demais profissionais partam de um novo foco, com a finalidade prevenir a morbimortalidade causada por medicamentos, por meio da garantia de uma farmacoterapia adequada (BAENA et al., 2006; FERNANDEZ-LLIMOS et al., 2004), Tabela 6. Recentemente, iniciativas na área de qualidade da pesquisa em Farmácia Clínica indicaram a necessidade de descrição dos elementos do diagnóstico ao invés da descrição de um número de PRM para o problema, Tabela 6. Tabela 6. Sistemas de classificação de diagnóstico farmacêutico. Bloco Classificação de PRM1 Classificação RNM2 Tipo Classificação Tipo Classificação Necessidade PRM 1 Necessidade de um medicamento adicional. Problema de saúde não tratado O paciente sofre de um problema de saúde em consequência de não receber um medicamento que necessita. PRM 2 Terapia medicamentosa desnecessária. Efeito de medicamento não necessário O paciente sofre de um problema de saúde em consequência de receber um medicamento que não necessita. Efetividade PRM 3 Medicamento sem efetividade. Inefetividade não quantitativa O paciente sofre de um problema de saúde em consequência de uma inefetividade não quantitativa do medicamento. PRM 4 Medicamento com baixa dose. Inefetividade quantitativa O paciente sofre de um problema de saúde em consequência de uma inefetividade quantitativa do medicamento Segurança PRM 5 Presença de reações adversas. Insegurança não quantitativaO paciente sofre de um problema de saúde em consequência de uma insegurança não quantitativa de um medicamento. PRM 6 Medicamento com dose alta. Insegurança quantitativa O paciente sofre de um problema de saúde em consequência de uma insegurança quantitativa de um medicamento. Adesão PRM 7 Não adere (não cumpre) a farmacoterapia. - - 1 Adaptado Cipolle, Strand e Morley, 1998; 2 BAENA et al., 2006; FERNANDEZ-LLIMOS et al., 2004. Fonte: autoria própria. 4.2.3. Definição de Plano de Cuidado e Intervenções O plano de cuidado deve ser organizado com objetivos e metas claros, de maneira conjunta 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 38 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. com o paciente e com a equipe multiprofissional. É a ‘famosa’ e imprescindível ‘negociação com o paciente’, em que o farmacêutico, com sua habilidade e, respeitando as características biopsicossociais e clínicas do paciente, apresenta estratégias e condutas para promover o maior benefício do tratamento, com medidas farmacológicas ou não. Nesse contexto, sempre que possível, o farmacêutico deve estimular o sentimento de empoderamento do paciente, onde ele deve se sentir participante do processo e principal ator para êxito do plano de cuidado e alcance de metas. A interação com os diferentes profissionais de saúde envolvidas no processo de cuidado do paciente é necessária em muitos momentos do plano de cuidado. É desejável que ele inclua ações de curto, médio e longo prazo, a fim de organizar o processo de trabalho. Ele inclui intervenções e ações direcionadas ao paciente ou a outros profissionais e/ou serviços de saúde, como os encaminhamentos. Ainda, nessa etapa, além dos encaminhamentos, é comum incluir documentação com registros específicos e intervenções educativas, para viabilizar o entendimento das prescrições médicas, calendários com o processo de tomada dos medicamentos e recomendações apresentadas e registradas, formalmente, como prescrições farmacêuticas. É importante que toda consulta conte com um fechamento, que inclua a avaliação da compreensão dos acordos estabelecidos (farmacêutico-paciente), levantamento de dúvidas e o agendamento de retorno. 4.2.3.1 Sistemas de classificação de intervenção Algumas classificações dos diferentes tipos de intervenção que o farmacêutico pode realizar nos serviços de acompanhamento farmacoterapêutico foram propostas por estudos prévios, destacando-se as classificações de Farré e colaboradores (2000) e Sabater e colaboradores (2005). O primeiro autor classifica as intervenções em três grandes categoriais: tipos (indicação, posologia, via de administração, interação e eventos adversos), impacto (efetividade e toxicidade) e significação (extremamente significativo, muito significativo, significativo, indiferente, inapropriado, muito inapropriado, extremamente inapropriado). Paralelamente, Sabater e colaboradores (2005), com base em um estudo observacional realizado entre 2002 e 2003, propuseram nove tipos de intervenções farmacêuticas, os quais foram divididos em três categoriais: quantidade de medicamento, estratégia farmacológica e educação ao paciente. Os autores definem as intervenções farmacêuticas como a ação proposta no tratamento e/ou a ação no paciente com o objetivo de encontrar uma solução ou prevenir resultados negativos associados ao medicamento. Porém, reitera-se que 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 39 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. dependendo da intervenção, em especial aquelas relacionadas às modificações da estratégia farmacológica, o farmacêutico deverá possuir anuência do prescritor, exceto em casos de automedicação. Os detalhes desta classificação estão descritos no Tabela 7. De maneira similar, Souza (2017) propôs um sistema de classificação de intervenções dividido em 5 grupos: intervenções e aconselhamento, alteração ou sugestão de alteração na terapia, recomendação de monitoramento, encaminhamento e provisão de materiais. Este sistema é utilizado atualmente por alguns serviços de acompanhamento farmacoterapêutico realizados no Brasil (Tabela 7) (SOUZA, 2010). Tabela 7. Classificação das intervenções do farmacêutico destinadas a prevenir ou resolver resultados negativos associados ao medicamento. Elemento Sabater et al (2005)1 Souza (2017)2 Intervenção Definição A lt e ra ç õ e s n o m e d ic a m e n to Modificar a dose Modificação da quantidade de medicamento a ser administrado. Aumento da dose diária Redução de dose diária Modificar o regime posológico Modificação da frequência e/ou duração de tratamento. Alteração na frequência ou horário de adm. sem alteração da dose diária Modificar o cronograma de administração Modificação do esquema de distribuição das doses do medicamento do dia. - - - Alteração de forma farmacêutica - - Alteração de via de administração E s tr a té g ia f a rm a c o ló g ic a Adicionar um ou mais medicamentos Adição de um novo medicamento que o paciente não esteja utilizando. Início de novo medicamento Retirar um ou mais medicamentos Suspensão de algum medicamento utilizado pelo paciente. Suspensão de medicamento Substituir um ou mais medicamentos Substituição de algum medicamento por outro de diferente composição, forma farmacêutica ou via de administração. Substituição de medicamento - - Outras alterações na terapia não especificadas E d u c a ç ã o a o p a c ie n te Reduzir a não adesão involuntária (educação sobre o uso correto dos medicamentos) Educação sobre as instruções e precauções relacionadas ao uso dos medicamentos. Aconselhamento: ao paciente/cuidador sobre um tratamento específico ao paciente/cuidador sobre os tratamentos de forma geral ao paciente/cuidador sobre medidas não farmacológicas ao paciente/cuidador sobre condição de saúde específica ao paciente/cuidador sobre as condições de saúde de forma geral sobre automonitoramento outro não especificado Reduzir a não adesão voluntária (mudança de comportamentos acerca do tratamento) Ênfase na importância de aceitação do paciente do tratamento. Educar sobre medidas não farmacológicas Educação do paciente sobre higiene e modificações na dieta que possam auxiliar no alcance das metas terapêuticas. R e c o m e n d a ç ã o d e m o n it o ra m e n to - - Recomendação de exame laboratorial - - Recomendação de monitoramento não laboratorial 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 40 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Elemento Sabater et al (2005)1 Souza (2017)2 Intervenção Definição - - Recomendação de automonitoramento - - outras recomendações de monitoramento não especificadas Elemento Sabater et al (2005)1 Souza (2017)2 Intervenção Definição E n c a m in h a m e n to - - outro serviço farmacêutico - - médico - - psicólogo - - nutricionista - - serviço de suporte social - - programa de educação estruturada - - pronto-atendimento - - Outros encaminhamentos não especificados P ro v is ã o d e m a te ri a is Lista ou Calendário posológico de medicamentos Rótulos / Instruções pictóricas Informe terapêutico/ carta ao médico ou outros profissionais Material educativo impresso/ Panfleto Informação científica impressa Diário para automonitoramento Organizador de comprimidos ou dispositivo para auxiliar na adesão ao tratamento Dispositivo para automonitoramento Prescrição Farmacêutica 1 SABATER et al., 2005; 2 SOUZA, 2017. Fonte: autoria própria. Adicionalmente, considerando a complexidade das intervenções que compõem os serviços clínicos providos por farmacêuticos, em 2012 pesquisadores da área da Farmácia Clínica desenvolveram uma ferramenta para identificação e caracterização dos componentes destes serviços, denominada DEPICT (Descriptive Elements of Pharmacist Intervention Characterization Tool). Trata-se de uma diretriz que padroniza descrição dos serviços clínicos providos por farmacêuticos nos estudos, de modo a facilitar a transposição dessas intervenções da literatura científica para os serviços de saúde. Sendo assim, a uniformidade no processo de reporte permite uma melhor comparabilidade entre os serviços e uma maior reprodutibilidade destes na prática clínica (ROTTA et al., 2015). Portanto, esta diretriz pode ser considerada um sistema de classificação de serviços. A versão 2 deste instrumento (até o momento a mais atualizada) é composta por 10 domínios que norteiam a construção e a padronização de um serviço farmacêutico clínico (Tabela 8). Os detalhes do projeto DEPICT, o manual de interpretação dos domínios que compõem este instrumento, bem como das publicações que serviram de base para a sua construção estão 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 41 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. disponíveis no site <http://depictproject.org/>. Reitera-se que este instrumento também está presente na plataforma EQUATOR network (Enhancing the Quality and Transparency of health Research), uma iniciativa internacional que reúne mais de 400 diretrizes precisas e transparentes que guiam o processo de condução e reporte dos diversos tipos de estudos (https://www.equator-network.org/). Recentemente, outras diretrizes relacionadas a descrição dos serviços farmacêuticos foram elaboradas, destacando-se o PACIR (Pharmacist patient care services intervention reporting), também disponível na plataforma EQUATOR. Trata-se de uma ferramenta que orienta os autores da área a Farmácia Clínica a detalhar as intervenções que compõem os serviços clínicos providos por farmacêuticos de modo a melhorar a consistência das produções científicas. Os autores elencaram nove elementos que contribuem para a caracterização de um determinado serviço farmacêutico clínico, conforme destacado no Tabela 8 (CLAY et al., 2019). Os autores deste instrumento reforçam a necessidade de utilizar outras diretrizes já validadas para complementar este processo de reporte (CLAY et al., 2019). Adicionalmente, assim como para o DEPICT, para garantir um emprego adequado, recomenda-se que os farmacêuticos compreendam previamente os domínios que compõem estes instrumentos em sua integralidade. Para tal, os manuais destes instrumentos podem ser acessados em suas publicações originais (CLAY et al., 2019) ou na plataforma EQUATOR. Paralelamente, o sistema de saúde brasileiro conta com tabelas de procedimentos que classificam as intervenções passíveis de remuneração pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e OPM (órteses, próteses e materiais especiais) disponibiliza 49 procedimentos vinculados ao SUS, os quais podem ser realizados por farmacêuticos. Tais procedimentos estão diretamente relacionados aos serviços de rastreamento em saúde, educação em saúde, manejo de problemas de saúde autolimitados, monitoramento farmacoterapêutico, conciliação medicamentosa, revisão da farmacoterapia, gestão da condição de saúde e acompanhamento farmacoterapêutico. Adicionalmente, a ANS também reconhece tais procedimentos, embora com nomenclaturas relativamente distintas (MELO, 2020). https://www.equator-network.org/ 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 42 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Melo e colaboradores (2019) sintetizaram e compararam estes procedimentos reconhecidos pelo SUS e ANS, categorizando-os por serviço farmacêutico (MELO, 2020). Com relação ao serviço de acompanhamento farmacoterapêutico, foram elencados os procedimentos descritos no Tabela 9. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 43 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 8. Sistema de classificação de serviços. 1 Elementos Detalhamento D E P IC T 1 1) Contato Maneira de como ocorreu o contato com o paciente ou profissional de saúde: individual ou coletivamente 2) Local Local onde ocorreu o contato com o paciente ou profissional de saúde: farmácia comunitária; beira de leito hospitalar; unidade de emergência; farmácia hospitalar; ambulatório; consultório; residência; instituição de longa permanência; locais públicos; salas de aula; outros. 3) Foco Característica do paciente beneficiado direta ou indiretamente pela intervenção: condição de saúde específica; medicamento/classe farmacológica/ forma farmacêutica específicos; condição sociodemográfica específica; sem restrições. 4) Fontes de dados Local onde o farmacêutico obteve as informações para a avaliação do paciente: prescrição de medicamentos; registros físicos; testes realizados no local (p. ex. glicemia capilar); lista/ sacola ou caixa de medicamentos; dados de autoavaliação do paciente (por exemplo: monitorização da pressão arterial); ferramentas de medida de adesão; avaliação física ou funcional; avaliação mental ou cognitiva; testes laboratoriais; entrevista com o paciente ou cuidador (anamnese); prontuário; resumo de alta hospitalar; carta de encaminhamento; contato com o profissional de saúde; bases de dados clínicas; sistemas de alerta (p. ex. Micromedex®); outras. 5) Variáveis avaliadas Parâmetros avaliados para construir a intervenção: escolha do princípio ativo concentração, forma farmacêutica e/ou posologia; efetividade do medicamento; segurança do medicamento; necessidade e crenças do paciente/cuidador; necessidade de informação do profissional de saúde; adesão à terapia medicamentosa; lista de medicamentos/ acurácia da história da farmacoterapia; nutrição e estilo de vida do paciente; resultados de triagem; custo do tratamento; acesso e disponibilidade aos medicamentos; armazenamento e validade dos medicamentos; processos de administração e/ou dispensação dos medicamentos; testes laboratoriais; critérios legais ou administrativos; outros. 6) Ações O que é feito pelo farmacêutico diante dos problemas identificados: programa educacional estruturado; orientação sobre o uso de medicamentos; lembretes/ notificação sobre não adesão; encaminhamento para outro profissional ou serviço; mudança ou sugestão de mudança na farmacoterapia; solicitação de testes laboratoriais; atualização da lista de medicamentos; monitoramento dos resultados; outros. 7) Momento Em que momento a ação ou as ações foram realizadas: na admissão do paciente ao serviço; na alta do paciente do serviço; pós alta precoce (1 mês); na transferência entre instituições; após episódio de agudização ou exacerbação; na dispensação de medicamentos; com horário marcado; em qualquer momento; a cada nova prescrição ou mudançade prescrição; outros. 8) Materiais Itens entregues como parte do serviço: carta de encaminhamento; materiais educativos; dispositivo de adesão aos medicamentos; lista de medicamentos/ tabela de horários; diário do paciente; diretrizes clínicas/ protocolos; dispositivo de automonitoramento; etiquetas educativas/ figuras/ lembretes; outros. 9) Repetição Frequência das ações realizadas (item 6): um contato; múltiplos contatos. 10) Comunicação Comunicação com o paciente ou profissional da saúde alvo do serviço farmacêutico: pessoalmente; escrita; telefone; vídeo conferência. P A C I R 2 1) Replicabilidade Descrever a(s) intervenção(ões) para permitir a implementação. 2) População de pacientes O autor do serviço deve identificar descritores suficientes dos destinatários da intervenção (ou população) para avaliar a generalização. 3) Pacientes e outras fontes de dados Descrever a(s) fonte(s) e mecanismo(s) pelos quais os dados do paciente ou outros dados para a condução da intervenção foram obtidos ou acessados. 4) Meio ambiente Descrever o contexto de atendimento, aspectos geográficos ou locais físicos onde ocorreu a intervenção, incluindo qualquer infraestrutura necessária. 5) Entrega Descrever o(s) modo(s) de aplicação da intervenção. 6) Frequência e duração Descrever a frequência, número e duração das sessões para a intervenção. 7) Papel e responsabilidade do farmacêutico Descrever a(s) função(ões) e responsabilidade(s) do(s) farmacêutico(s) e outros envolvidos na intervenção. 8) Atribuição Descrever o grau em que os resultados foram diretamente atribuíveis às funções e responsabilidades do farmacêutico. 9) Atributos únicos Descrever os fatores não abordados em outros elementos que podem afetar a replicação do serviço. 1 ROTTA, 2015; 2 CLAY, 2019. 2 Fonte: autoria própria.3 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 44 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 9. Sistema de classificação de serviços. 4 Procedimentos farmacêuticos no Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) Sistema único de Saúde1 Procedimentos farmacêuticos descritos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar2 Código Detalhamento Código Detalhamento 1030029 Visita domiciliar/institucional por profissional de nível superior 101030029 Visita domiciliar/institucional por profissional de nível superior 101040024 Avaliação antropométrica 101040024 Avaliação antropométrica 214010015 Glicemia capilar 301010099 Consulta para avaliação clínica do fumante 214010066 Teste de gravidez 214010015 Glicemia capilar 301010013 Consulta do paciente curado de tuberculose (tratamento supervisionado) 301010013 Consulta do paciente curado de tuberculose (tratamento supervisionado) 301010099 Consulta para avaliação clínica do fumante 301010161 Consulta atendimento domiciliar na atenção especializada 301010161 Consulta atendimento domiciliar na atenção especializada 301050031 Assistência domiciliar por equipe multiprofissional na atenção especializada 301020027 Acompanhamento de paciente portador de sequelas relacionadas ao trabalho 301070067 Atendimento/acompanhamento em reabilitação nas múltiplas deficiências 301040095 Exame do pé diabético 301080046 Acompanhamento de paciente em saúde mental (residência terapêutica) 301050031 Assistência domiciliar por equipe multiprofissional na atenção especializada 301080151 Atendimento em oficina terapêutica Il- saúde mental 301070067 Atendimento/acompanhamento em reabilitação nas múltiplas deficiências 301080208 Atendimento individual de paciente em centro de atenção psicossocial 301080046 Acompanhamento de paciente em saúde mental (residência terapêutica) 301090017 Atendimento em geriatria (1 turno) 301080151 Atendimento em oficina terapêutica Il – saúde mental 301090025 Atendimento em geriatria (2 turno) 301080216 Atendimento em grupo de paciente em centro de atenção psicossocial 301100020 Administração de medicamentos em atenção básica (por paciente) 301080224 Atendimento familiar em centro de atenção psicossocial 301100039 Aferição de pressão arterial 301080240 Atendimento domiciliar para pacientes de centro de atenção psicossocial e/ou familiares 301100101 Inalação/Nebulização 301080259 Ações de articulação de redes intra e intersetoriais 301100187 Terapia de reidratação oral 301080267 Fortalecimento do protagonismo de usuários de centro de atenção psicossocial e seus familiares 301120013 Acompanhamento de paciente fenilcetonúria 301080291 Atenção as situações de crise 301120021 Acompanhamento de paciente c/ fibrose cística 301080305 Matriciamento de equipes da atenção básica 301120030 Acompanhamento de paciente com hemoglobinopatias 301080313 Ações de redução de danos 301120048 Acompanhamento de paciente c/ hipotireoidismo congénito 301080321 Acompanhamento de serviço residencial terapêutico por centro de atenção psicossocial 301120056 Acompanhamento de paciente pós-cirurgia bariátrica por equipe multiprofissional 301080348 Ações de reabilitação psicossocial 506010023 Acompanhamento de paciente pós-transplante de rim, fígado, coração, pulmão, células tronco hematopoiéticas e/ou pâncreas 301080372 Acompanhamento de pessoas adultas com sofrimento ou transtornos mentais decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas em unidades de acolhimento adulto (UAA) 301080380 Acompanhamento da população infanto-juvenil com sofrimento ou transtornos mentais decorrentes do uso de álcool, crack e outras drogas em unidades de acolhimento infanto Juvenil (UAI) 301080399 Matriciamento de equipes de pontos de atenção de urgência e emergência, e dos serviços hospitalares de referência para atenção a pessoas com sofrimento ou transtornos mentais e com necessidades de saúde decorrente do uso de álcool, crack e outras drogas 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 45 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Procedimentos farmacêuticos no Sistema de Informação Ambulatorial (SIA) Sistema único de Saúde1 Procedimentos farmacêuticos descritos pela Agência Nacional de Saúde Suplementar2 301090017 Atendimento em geriatria (1 turno) 301090025 Atendimento em geriatria (2 turno) 301100020 Administração de medicamentos em atenção básica (por paciente) 301100039 Aferição de pressão arterial 301100101 Inalação/Nebulização 301100187 Terapia de reidratação oral 301120013 Acompanhamento de paciente fenilcetonúria 301120021 Acompanhamento de paciente c/ fibrose cística 301120030 Acompanhamento de paciente com hemoglobinopatias 301120048 Acompanhamento de paciente c/ hipotireoidismo congénito 301120056 Acompanhamento de paciente pós-cirurgia bariátrica por equipe multiprofissional 301130035 Acompanhamento no processo transexualizado exclusivamente para atendimento clínico 301130051 Acompanhamento multiprofissional em DRC estágio 04 pré diálise 301130060 Acompanhamento multiprofissional em DRC estágio 05 pré-diálise 506010023 Acompanhamento de paciente pós-transplante de rim, fígado, coração, pulmão, células tronco hematopoiéticas e/ou pâncreas FONTE: Adaptado de Melo (2019).5 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 46 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 4.2.4. Avaliação de resultados 6 7 Uma das principais características do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico, como 8 previamente definido, é a continuidade docuidado ao paciente. Além disso, durante todo o 9 processo de atendimento, o farmacêutico deve ter em mente que o objetivo principal do 10 serviço é prevenir e resolver problemas da farmacoterapia. Dessa forma, a avaliação dos 11 resultados assume um papel extremamente relevante para a entrega do objetivo proposto 12 pelo serviço – e todo o processo de trabalho desse serviço é organizado para que o 13 farmacêutico realize essa entrega (CORRER; OTUKI, 2011). 14 15 Após acolher, identificar as necessidades de saúde e definir um plano de cuidado com 16 intervenções apropriadas para a realidade do paciente, que respeita as suas características 17 biopsicossociais e clínicas, o paciente vai voltar para a sua rotina normal e cumprir (ou não) 18 com o que foi negociado durante a consulta. A partir desse ponto, a avaliação dos resultados 19 é a única forma de conhecer o real impacto do serviço na vida e saúde do paciente, e garantir 20 que o farmacêutico identifique pontos de melhoria ou manutenção das intervenções adotadas 21 (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 2004). 22 23 Para isso, a avaliação dos resultados deve ser feita considerando-se, pelo menos, três 24 domínios: o clínico, o de processo e o econômico. Os desfechos clínicos guardam relação 25 com a história natural da doença e dos seus sinais e sintomas. Por exemplo, um desfecho 26 clínico favorável de um paciente com hipertensão seria o controle da pressão arterial; já para 27 um paciente com diabetes, seria o controle dos níveis glicêmicos visualizado por meio dos 28 exames laboratoriais ou de automonitoramento, como glicemia jejum, hemoglobina glicada ou 29 outro definido por diretriz ou protocolo específico. Ao avaliar um paciente em relação aos 30 desfechos clínicos, o farmacêutico pode categorizar os problemas de acordo com a sua 31 resolução ou controle, sendo assim, são cinco possibilidades: melhora, melhora parcial, piora 32 parcial, piora ou óbito. É importante destacar que o farmacêutico deve manter ou mudar o 33 plano de cuidado e intervenções com base nesses resultados, sempre redefinindo as 34 necessidades de saúde do paciente a cada nova consulta (CIPOLLE; STRAND; MORLEY, 35 2004). 36 37 Porém, é improvável que o farmacêutico consiga, junto com o paciente, atingir desfechos 38 clínicos favoráveis quando esses são avaliados e almejados de forma isolada. Por isso, os 39 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 47 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. desfechos clínicos devem ser avaliados e abordados em associação com os desfechos de 40 processo e desfechos econômicos. Em relação aos desfechos de processo, o farmacêutico 41 deve se lembrar do processo de uso dos medicamentos e de todas as suas etapas – seleção 42 e prescrição, dispensação, administração e monitoramento. Por exemplo, ao identificar um 43 medicamento prescrito de forma inapropriada para o paciente, solicitar ajuste de dose ao 44 prescritor, ou ainda verificar como o perfil de adesão aos medicamentos pelo paciente se 45 comporta ao longo do tempo, o farmacêutico está lidando com desfechos de processo 46 (JENNINGS; STAGGERS; BROSCH, 1999) 47 48 Os desfechos econômicos estão relacionados com o acesso do paciente aos medicamentos 49 mais custo-efetivos para o seu tratamento. Nem sempre um aumento no custo do 50 medicamento reflete em uma melhoria significativa em sua efetividade ou perfil de segurança. 51 Por outro lado, um aumento do custo pode reduzir o acesso do paciente ao seu tratamento – 52 o que irá comprometer não apenas os desfechos econômicos, mas também os desfechos 53 clínicos e de processo. O farmacêutico deve avaliar os resultados desses desfechos 54 econômicos com base no perfil socioeconômico do paciente e alternativas terapêuticas 55 acessíveis para ele. Além disso, deve-se lembrar que esses desfechos também podem se 56 aplicar ao serviço no qual o profissional está inserido, onde é possível ser verificado, por 57 exemplo, a redução de custo pelo estabelecimento com medicamentos que não apresentam 58 um bom perfil de custo-efetividade (MANT, 2001). 59 60 Além da avaliação dos resultados com base nos desfechos clínicos, de processo e 61 econômicos, há ainda os resultados relativos às intervenções realizadas. Todas as 62 intervenções realizadas com o paciente ou outros profissionais de saúde podem ser 63 classificadas como aceitas ou não aceitas. Já os problemas centrais dessas intervenções 64 podem ser resolvidos ou não. Dessa forma, o farmacêutico pode classificar as intervenções 65 como: 66 67 No caso de intervenções não aceitas, o farmacêutico deve avaliar a situação para entender o 68 porquê desse desfecho. Após essa identificação, ele pode traçar planos para que a 69 intervenção seja aceita em um segundo momento, seja junto a outro profissional de saúde ou 70 ao próprio paciente. Quando uma intervenção é aceita e o problema não é resolvido, 71 provavelmente a intervenção escolhida não era apropriada, Tabela 10. Nesse caso, é o 72 momento para o farmacêutico reavaliar se a identificação das necessidades de saúde do 73 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 48 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. paciente foi adequada. Dessa forma, é possível corrigir o curso do acompanhamento 74 farmacoterapêutico. Por fim, no caso de uma intervenção não é ser aceita e o problema ser 75 resolvido, o farmacêutico também precisa reavaliar a identificação das necessidades de 76 saúde do paciente e descobrir o que foi feito (ou não feito) para que o problema tenha sido 77 resolvido (KOMAROMY, 2016). 78 79 Tabela 10. Classificação de intervenções. 80 Em relação ao problema Resolvido Não resolvido Em relação à intervenção Aceita Aceita e resolvido Aceita e não resolvido Não aceita Não aceita e resolvido Não aceita e não resolvido Fonte: autoria própria. 81 82 Após realizar essas análises, o farmacêutico pode identificar novas necessidades de saúde 83 do paciente, bem como propor um novo plano de cuidado, com novas intervenções. Isso se 84 repete até que o paciente tenha todos os seus resolvidos e receba alta do serviço. Ademais, 85 por ser um serviço complexo, sistemático e longitudinal, o paciente pode desejar ser 86 acompanhado indefinidamente, mesmo com o alcance total ou parcial das metas terapêuticas 87 (ZHOU, 2016). Assim, o serviço de Acompanhamento da Farmacoterapêutico se confirma 88 como um processo cíclico no qual as etapas são reiniciadas a cada consulta. 89 90 91 92 4.2.5. Documentação do cuidado prestado 93 94 A documentação do processo de cuidado é de extrema importância para registro das 95 informações, acompanhamento e evolução dos dados do paciente, acreditação do serviço, 96 estatística de saúde, continuidade do cuidado e compartilhamento das informações com 97 A alta do serviço pode ocorrer quando: 4. todos os problemas de saúde relacionados a medicamento tiverem sido resolvidos; 5. a possibilidade de resolução dos problemas de saúde relacionados a medicamento tiver sido esgotada por diferentes motivos; 6. por solicitação do paciente, mudança de endereço ou de lugar de acompanhamento ou mesmo óbito. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 49 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. outros profissionais de saúde integrantes do cuidadoao paciente. 98 Os principais documentos produzidos nas consultas farmacêuticas como parte do serviço de 99 acompanhamento farmacoterapêutico são: registro de atendimento farmacêutico, receitas, 100 encaminhamentos a outros profissionais ou serviços de saúde e plano personalizado de 101 aconselhamento ao paciente. 102 103 O prontuário deve conter no mínimo as seguintes informações: Identificação do paciente 104 (Nome, idade, sexo e outras informações sociodemográficas, Número do prontuário, cadastro 105 de pessoa física e outras informações pertinentes), Motivação para o atendimento (Queixa ou 106 preocupação do paciente), Anamnese e verificação de parâmetros clínicos (Dados subjetivos 107 e objetivos obtidos do paciente), Avaliação do profissional (Hipótese diagnóstica da(s) 108 necessidade(s) de saúde do paciente), Plano de cuidado (Condutas ou intervenções e os 109 objetivos terapêuticos), Identificação profissional (Nome completo, número do registro 110 profissional e assinatura) e Anexos (Exames e outros documentos relevantes à avaliação da 111 condição de saúde do paciente) (CFF, 2015). 112 113 Existem várias formas de registro das informações do paciente. Os prontuários podem ser 114 extensos e detalhados ou curtos e específicos, podem ser em conjunto com a equipe ou com 115 evolução apenas do farmacêutico. De modo geral, todos os métodos de cuidado farmacêutico 116 disponíveis advêm de adaptações do método clínico clássico de atenção à saúde e do 117 sistema de registro SOAP (Subjective, Objective, Assessment, Plan) proposto por Weed na 118 década de setenta (CORRER; OTUKI, 2011). 119 120 O SOAP, por não necessitar de formulário específico, necessita de maior experiência do 121 profissional na sua realização, pois não existem itens que sirvam de “guia”. O maior ponto 122 positivo deste método é a simplificação da documentação e registro (MCANAW, J. J. 123 MCGREGOR, A. M. HUDSON, 2001). Isso ocorre devido ao método ter sido criado para 124 diagnóstico médico e não para avaliação da farmacoterapia ou PRM (HURLEY, 1998). 125 126 Entretanto, o registro de atendimento no formato SOAP, recomendado tanto nacional quanto 127 mundialmente, não exige, necessariamente, a utilização de um sistema de classificação de 128 intervenções, uma vez que o objetivo central do farmacêutico é traçar um plano de cuidado 129 conforme os problemas identificados em consulta, independente de classificá-los. O 130 farmacêutico deve priorizar as intervenções que impactam diretamente nos desfechos 131 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 50 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. clínicos, humanísticos e econômicos de acordo com a avaliação dos dados subjetivos e 132 objetivos identificados nas consultas de acompanhamento farmacoterapêutico. 133 134 Considerando a necessidade de cuidado centrado no paciente, de forma interprofissional para 135 uma saúde mais qualificada e integral, diretrizes internacionais recomendam que o serviço de 136 acompanhamento seja reprodutível, simples e de fácil comunicação com os demais membros 137 da equipe. Dessa forma, baseado no método clínico, recomenda-se a utilização de registro na 138 forma SOAP, organizado em dados subjetivos, objetivos, avaliação (que contempla os 139 problemas da farmacoterapia) e plano de cuidado ((PPA), 2020; “Importance of 140 interprofessional teamwork | IPSF - International Pharmaceutical Students Federation”, [s.d.]; 141 “Principles of Practice for Pharmaceutical Care | American Pharmacists Association”, [s.d.]; 142 MINISTRY OF HEATH SINGAPORE, 2019; ONTARIO, 2016; VAN MIL; SCHULZ; TROMP, 143 2004). 144 145 SOAP (Subjetivo, Objetivo, Avaliação, Plano) 146 147 O SOAP é um método de registro comumente utilizado para documentar a situação de saúde 148 dos pacientes de forma organizada e estruturada (ZIERLER-BROWN, S. BROWN; D.; 149 BLACKBURN, 2007). “SOAP” é um acrônimo, no qual cada letra se refere a uma parte 150 específica do processo de atendimento ao usuário a ser empregada durante a consulta 151 farmacêutica (HURLEY, 1998). 152 153 Esse método é utilizado por diversos profissionais de saúde, devido seu fácil entendimento e 154 utiliza uma documentação voltada para o problema de saúde, em que “S” se refere às 155 informações subjetivas (informações obtidas do usuário, com a ectoscopia ou somatoscopia 156 do paciente – avaliação global do doente para obtenção de dados gerais), “O” às informações 157 objetivas (dados objetivos, bem como sinais vitais, resultados de exames laboratoriais e 158 exames físicos), “A” à avaliação do problema (identificação de problemas pelo farmacêutico) e 159 “P” ao plano de cuidado (planejamento das condutas a serem aplicadas em acordo com o 160 paciente e a monitorização dos resultados do plano) (HURLEY, 1998; ROVERS, 2003). 161 162 Embora não obrigatório, recomenda-se que o registro de atendimento farmacêutico seja 163 realizado de acordo com o método SOAP (S – subjetivo; O – objetivo; A – avaliação; P – 164 plano). Prescrições farmacêuticas também podem ser realizadas caso o farmacêutico 165 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 51 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. identifique algum problema de saúde autolimitado nas consultas. Entretanto, esta 166 documentação específica será detalhada no guia de “Manejo de problemas de saúde 167 autolimitados”. Abaixo serão apresentados os modelos de cada documento com seus 168 respectivos exemplos práticos. 169 170 171 172 4.2.5.1. Formulários de atendimento 173 174 A depender das características da população e condições de saúde a serem acompanhadas, 175 diferentes modelos de formulários para registro farmacêutico podem ser utilizados. 176 Abaixo são apresentados modelos de formulários de serviços de acompanhamento já 177 implementados e consolidados no Brasil. 178 179 180 Figura 3. Modelo de prontuário do Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade Federal da 181 No âmbito das equipes multiprofissionais o registro de todos os profissionais deve ocorrer no prontuário único do paciente tanto para efeitos de acompanhamento clínico do paciente quanto para fiscalização sanitária ou do exercício profissional. Assim, é vedado o uso de fichas farmacoterapêuticas avulsas para o farmacêutico. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 52 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Paraíba (UFPB) – Parte 1. “Cedido com autorização do autor”. 182 183 184 Figura 4. Modelo de prontuário do Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade Federal da 185 Paraíba (UFPB) – Parte 2. “Cedido com autorização do autor”. 186 Figura 5. Modelo de Instrumento Psicométrico para rastreamento e acompanhamento de pacientes 187 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 53 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. com ansiedade utilizado no Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade Federal da 188 Paraíba (UFPB). “Cedido com autorização do autor”. 189 190 191 Figura 6. Modelo de Instrumento Psicométrico para rastreamento e acompanhamento de pacientes 192 com depressãoutilizado no Ambulatório de Cuidado Farmacêutico da Universidade Federal da 193 Paraíba (UFPB). “Cedido com autorização do autor”. 194 195 196 197 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 54 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 198 Figura 7. Modelo de Ficha de Acompanhamento Farmacoterapêutico utilizada para pacientes com 199 artrite reumatoide, da Unidade de Cuidado Farmacêutico, do Hospital Universitário Walter Cantídio 200 (UCF/HUWC/UFC) – Parte 1. “Cedido com autorização do autor”. 201 202 203 Figura 8. Modelo de Ficha de Acompanhamento Farmacoterapêutico utilizada para pacientes com 204 artrite reumatoide da Unidade de Cuidado Farmacêutico do Hospital Universitário Walter Cantídio 205 (UCF/HUWC/UFC) – Parte 2. “Cedido com autorização do autor”. 206 207 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 55 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 208 209 Figura 9. Modelo de Ficha de Evolução Farmacêutica do Serviço de Cuidado Farmacêutico do 210 Hospital Universitário Walter Cantídio (UCF/HUWC/UFC). “Cedido com autorização do autor”. 211 212 213 214 215 216 217 218 219 220 221 222 223 224 225 226 227 228 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 56 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 229 Modelo: 230 231 Informações do local de prestação do serviço 232 233 REGISTRO DE ATENDIMENTO FARMACÊUTICO 234 235 dia/mês/ano 236 237 Nome do(a) paciente, idade, escolaridade. 238 HMP: inserir a história médica pregressa. 239 240 #S: inserir os dados subjetivos (informações relatadas pelo paciente, principalmente 241 relacionadas as suas queixas). Os verbos mais utilizados nesta seção são: relatar, referir, 242 alegar, negar. Quando se deseja retratar exatamente o que o paciente reportou, recomenda-243 se a utilização da sigla “s.i.c” ao final da frase (sigla do latim que significa “assim como é” ou 244 “exatamente dessa forma”). 245 246 #O: inserir os dados objetivos (exames laboratoriais com suas respectivas datas; prescrição 247 médica e demais informações que são mensuráveis pelo farmacêutico, como: valores de 248 pressão arterial, temperatura corporal, glicemia capilar, frequência cardíaca). Caso o 249 farmacêutico preferir, a prescrição médica poderá ser inserida logo abaixo da história médica 250 pregressa (HMP). 251 252 #A: inserir a avaliação farmacêutica, considerando os dados subjetivos e objetivos. Dentre os 253 pontos a serem avaliados, destacam-se: adesão, prescrição, armazenamento dos 254 medicamentos, reações adversas, queixas, condições de saúde e hábitos de vida. 255 256 #P: inserir o plano terapêutico proposto para a resolução dos problemas avaliados na seção 257 anterior. Embora não obrigatório, recomenda-se utilizar verbos na primeira pessoa do 258 singular, tais como: oriento, forneço, sugiro, solicito, encaminho, prescrevo. 259 260 Acompanho, 261 262 Assinatura do(a) farmacêutico(a) 263 Nome do(a) farmacêutico(a) 264 CRF/XX – XXXX (ou carimbo) 265 266 267 268 269 270 271 272 273 274 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 57 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 275 4.2.5.2. Exemplos de documentação do processo de cuidado 276 277 Figura 10. Modelo de Registro Farmacêutico do Ambulatório de Atenção Farmacêutica do Complexo 278 Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. “Cedido com autorização do autor”. 279 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 58 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 280 Modelo 281 282 Informações do local de prestação do serviço, incluindo o telefone 283 284 ENCAMINHAMENTO 285 286 dia/mês/ano 287 Ao profissional ou serviço de saúde 288 289 O (a) paciente Nome do(a) paciente), idade anos, realiza acompanhamento 290 farmacoterapêutico neste local. Apresenta histórico médico de: inserir os diagnósticos 291 médicos. 292 Possui prescrição médica de: inserir os medicamentos prescritos. 293 294 Inserir as sugestões ao profissional ou serviço de saúde, confrontando os problemas 295 evidenciados em consulta com as evidências científicas. 296 Comprometo-me a avaliar a adesão, efetividade e segurança ao tratamento. 297 À disposição, 298 299 300 301 Assinatura do(a) farmacêutico(a) 302 Nome do(a) farmacêutico(a) 303 CRF/XX – XXXX (ou carimbo) 304 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 59 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 305 Exemplo: 306 Figura 11. Modelo de Encaminhamento Farmacêutico do Ambulatório de Atenção Farmacêutica do 307 Complexo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. 308 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 60 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 4.2.5.3. Aspectos legais da documentação do cuidado No que diz respeito aos aspectos legais da documentação, esse registro deve seguir as regulamentações sanitárias, as normas institucionais e as demais legislações pertinentes. É importante destacar que o prontuário pode conter apenas o registro do farmacêutico, quando este estiver atuando em ambiente que não vinculados a outros profissionais ou serviços de saúde. Nos casos nos quais o farmacêutico estiver inserido em uma equipe de saúde, o registro deverá ser feito em prontuário único do paciente. Destaca-se que o farmacêutico precisa guardar o prontuário do paciente por no mínimo 5 anos a partir da última consulta nos casos de atuação apenas do farmacêutico e 20 anos nos casos de atuação do farmacêutico em equipe de saúde. O paciente ou seu representante legal pode solicitar acesso ao prontuário assim como órgão de vigilância sanitária, conselho profissional ou representante familiar nomeado por juiz em caso de óbito do paciente. O prontuário deve ser devidamente arquivado, facilmente localizado e manter a confidencialidade das informações nele registradas (CFF, 2001, 2008, 2011a, 2015). 5. Materiais de apoio 5.1. Guias de organizações e entidades Medication Therapy Management (MTM) Services - American Public Health Association COVID-19 – Informações Seguras, Baseadas em Evidências – Conselho Federal de Farmácia Professional Pharmacy Services Guidebook 3.0 - Ministryof Health andLong-Term Care, Queen’s Printer for Ontario 5.2. Links úteis Advance Service Payments https://psnc.org.uk/funding-and-statistics/funding-distribution/advanced-service- payments/ https://psnc.org.uk/funding-and-statistics/funding-distribution/advanced-service-payments/ https://psnc.org.uk/funding-and-statistics/funding-distribution/advanced-service-payments/2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 61 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. COVID-19 – Informações Seguras, Baseadas em Evidências http://covid19.cff.org.br/wp-content/uploads/2020/05/04-Corona-CFF- 12pag_15abr2020.pdf Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020 http://abccardiol.org/wp-content/uploads/2020/11/DBHA-2020.x64000.pdf Mask Use in the Context of COVID-19 https://www.who.int/publications/i/item/advice-on-the-use-of-masks-in-the- community-during-home-care-and-in-healthcare-settings-in-the-context-of-the-novel- coronavirus-(2019-ncov)-outbreak OECD – Better Policies for Better Lives http://www.oecd.org/ Professional Pharmacy Services Guidebook 3.0 http://www.health.gov.on.ca/en/pro/programs/drugs/medscheck/docs/guidebook.pdf Residential Medication Management Review https://www.ppaonline.com.au/wp-content/uploads/2020/04/RMMR-Program-Rules- COVID-19.pdf Sociedade Brasileira de Pedriatria - Reflexões da Sociedade Brasileira de Pediatria sobre o retorno às aulas durante a pandemia de Covid-19 https://static.poder360.com.br/2020/09/SBP-RECOMENDAC%CC%A7OES- RETORNO-AULAS-final-1.pdf 6. Síntese da Evidência Inicialmente foram encontrados 219 registros potencialmente relevantes, dos quais 145 foram excluídos na etapa de triagem. Foram obtidos e lidos na íntegra 74 artigos, sendo 69 excluídos por diferentes motivos. No final, 5 revisões sistemáticas atenderam aos critérios de inclusão, sendo adicionado um estudo por meio de busca manual - totalizando assim 6 estudos para a síntese de evidências. Os motivos de exclusão das 69 revisões sistemáticas são apresentados no Apêndice A. http://covid19.cff.org.br/wp-content/uploads/2020/05/04-Corona-CFF-12pag_15abr2020.pdf http://covid19.cff.org.br/wp-content/uploads/2020/05/04-Corona-CFF-12pag_15abr2020.pdf http://abccardiol.org/wp-content/uploads/2020/11/DBHA-2020.x64000.pdf https://www.who.int/publications/i/item/advice-on-the-use-of-masks-in-the-community-during-home-care-and-in-healthcare-settings-in-the-context-of-the-novel-coronavirus-(2019-ncov)-outbreak https://www.who.int/publications/i/item/advice-on-the-use-of-masks-in-the-community-during-home-care-and-in-healthcare-settings-in-the-context-of-the-novel-coronavirus-(2019-ncov)-outbreak https://www.who.int/publications/i/item/advice-on-the-use-of-masks-in-the-community-during-home-care-and-in-healthcare-settings-in-the-context-of-the-novel-coronavirus-(2019-ncov)-outbreak http://www.oecd.org/ http://www.health.gov.on.ca/en/pro/programs/drugs/medscheck/docs/guidebook.pdf https://www.ppaonline.com.au/wp-content/uploads/2020/04/RMMR-Program-Rules-COVID-19.pdf https://www.ppaonline.com.au/wp-content/uploads/2020/04/RMMR-Program-Rules-COVID-19.pdf https://static.poder360.com.br/2020/09/SBP-RECOMENDAC%CC%A7OES-RETORNO-AULAS-final-1.pdf https://static.poder360.com.br/2020/09/SBP-RECOMENDAC%CC%A7OES-RETORNO-AULAS-final-1.pdf 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 62 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Figura 12. Fluxograma do processo de seleção dos estudos. Nas seis revisões sistemáticas analisadas foram incluídos uma mediana de 10 estudos primários (IQR 6-14,75; mínimo de 3 e máximo de 44) de diferentes desenhos (ensaios clínicos randomizados, ensaios não-randomizados, estudos do tipo antes-depois, estudos observacionais analíticos do tipo coorte e caso-controle e estudos observacionais descritivos) que avaliaram o efeito do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico em diferentes cenários de saúde. O principal comparador foi o cuidado usual ou padrão estabelecido nos estudos. Destas seis revisões, três delas (50,0%) conduziram análises estatísticas (meta-análises). Ao todo, foram avaliados 60 desfechos diferentes, sendo 27 desfechos clínicos (45,0%), 18 desfechos de processo (30,0%), 10 econômicos (16,7%) e 5 humanísticos (8,3%). Os desfechos mais comumente reportados nos estudos foram: redução de diferentes tipos de custos (n=10) (p. ex. medicamentos, testes laboratoriais, consultas de emergência, hospitalizações); adesão (n=6), a qual foi avaliada por diferentes ferramentas (p. ex. número de comprimidos tomados, porcentagem de doses prescritas, escala de Morisky); redução do nível de LDL-c (n=4); e redução de readmissão hospitalar em diferentes tempos (n=4). 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 63 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. O efeito do serviço farmacêutico foi positivo em 10 desfechos de processo (10/18 = 55,6%), não significativo quando comparado ao grupo controle em 4 desfechos (22,2%), e, para outros 4 casos (22,2%), incluindo adesão e redução de readmissão hospitalar, os resultados dos estudos foram contraditórios, ou seja, a favor e contra a intervenção. Em relação aos desfechos clínicos, em 11 deles (11/27 = 40,7%) o efeito do serviço foi positivo e significativo, em 12 casos (44,4%) não houve diferença entre os grupos intervenção e controle, e, em 4 desfechos (14,8%) os resultados foram contraditórios. Para os 5 desfechos humanísticos, os resultados foram positivos a favor da intervenção em 2 casos (40,0%) e não significativos para outros 2 desfechos (40,0%) que avaliaram qualidade de vida por meio de diferentes ferramentas. Para o desfecho de satisfação do paciente com o serviço ofertado (20,0%) os resultados foram contraditórios. Em relação aos desfechos econômicos (n=10), foi demonstrado em dois desfechos (20,0%) uma economia significativa de recursos com medicação (em termos de co-participação e seguro saúde) a partir da oferta do serviço farmacêutico. Para outros casos de despesas totais, custos com testes, consultas ou hospitalização, os resultados entre estudos foram contraditórios - com valores variando entre economia e despesas mensais por paciente, sem diferenças significativas entre intervenção e o controle. O nível de evidência encontrado foi muito variado. Praticamente metade dos desfechos (em torno de 48%) foi classificada como Grau D (nível 1B-), tendo sido o grau da evidência reduzido pela baixa qualidade dos estudos primários (ensaios clínicos randomizados) e devido à falta de dados estatísticos completos ou conclusivos. Evidências de mais alto nível [grau A (nível 1A ou 1B)] foram encontradas em um terço dos casos. Somente 10% dos desfechos foram classificados como de Grau C (nível 4). Para mais informações, Tabela 11. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 64 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 11. Síntese da evidência do impacto do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. Autor ano Tipo estu do Escopo pesquisa N. estudos incluídos Desenhos estudos Descrição do serviço e do comparador Desfechos N. estudos / desfecho Resultados Grau Recomenda ção (Nível de Evidência) Bach, 2019 RS Avaliar o papel do farmacêutico na redução das readmissões hospitalares 13 em MTM (9 com farmacêutico) ECR ECNR Observacional Intervenção: educação, conciliação, aconselhamento, coordenação e transição do cuidado com acompanhamento Controle: cuidado padrão Redução de readmissão hospitalar 9 5 de 9 estudos com resultadosfavoráveis à intervenção farmacêutica (variação absoluta 7,8% a 20,0%) Grau D (nível 2A-) Hanlon, 2004 RS Avaliar o impacto dos serviços clínicos providos por farmacêuticos nos problemas relacionados a medicamentos e desfechos clínicos em idosos 14 (3 em AF) ECR Intervenção: consultas farmacêuticas prévias à alta hospitalar com posterior acompanhamento em domicílio Controle: cuidado padrão Regimes adequados recebidos pelo paciente 1 p=0,01 a favor da intervenção Grau D (nível 1B-) Redução em número de medicamentos 1 p<0,05 a favor da intervenção Grau D (nível 1B-) Regimes menos complexos 1 p<0,05 a favor da intervenção Grau D (nível 1B-) Melhor conhecimento da terapêutica 2 1 estudo a favor da intervenção; 1 estudo sem diferença Grau D (nível 1B-) Melhor adesão ao tratamento 1 p<0,001 a favor da intervenção Grau D (nível 1B-) Conformidade do uso da terapia 1 p<0,001 a favor da intervenção Grau D (nível 1B-) Redução de consultas, readmissão hospitalar 1 p<0,05 a favor da intervenção Grau D (nível 1B-) Uso de recursos/custos satisfação do paciente 2 Sem diferença estatística Grau D (nível 1B-) 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 65 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 11. Síntese da evidência do impacto do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. Autor ano Tipo estu do Escopo pesquisa N. estudos incluídos Desenhos estudos Descrição do serviço e do comparador Desfechos N. estudos / desfecho Resultados Grau Recomenda ção (Nível de Evidência) Lowry 2020 RSM A Avaliar se intervenção de telessaúde realizada por farmacêutico para gestão da medicação altera marcadores substitutos de condições de saúde 11 ECR Intervenção: teleconsultas realizadas por um farmacêutico registrado. Essas intervenções foram definidas como qualquer serviço cognitivo entregue verbalmente e remotamente por meio digital (com ou sem aspecto visual), acompanhadas ou não de estratégias adjuvantes como monitoramento doméstico ou uso de portais ou aplicativos eletrônicos Controle: cuidado padrão (modelos tradicionais de prestação de serviço) ou outros serviços recentes como intervenções Proporção de pacientes com RNI fora do intervalo (3 meses) 1 84,0% vs. 100%; RR 0,84 [95% IC 0,70; 1,01] Grau A (nível 1B) Proporção de pacientes com RNI 2,0-3,0 (3 meses) 1 46,0% vs. 24,0%; RR 1,89 [95% IC 1,20; 3,00] Grau A (nível 1B) Pacientes com valores subterapêuticos <2,0 (3 meses) 1 43,0% vs. 52,0%; RR 0,83 [95% IC 0,60; 1,15] Grau A (nível 1B) Pacientes com valores supraterapêuticos >3,0 (3 meses) 1 11,0% vs. 24,0%; RR 0,47 [95% IC 0,23; 0,98] Grau A (nível 1B) Tempo de anticoagulação no alvo terapêutico 1 MD 22 [95% IC 5; 39] Grau A (nível 1B) Proporção de pacientes com HbA1c >7% (6 meses) 1 67,0% vs. 31,0%; RR 3,3 [95% IC 1,2; 9,1] Grau A (nível 1B) Mudanças na HbA1c 7 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) Proporção de pacientes com colesterol total <5mmol/L (6 meses) 1 65,0% vs. 55,0%; RR 1,8 [95% IC 1,2; 2,8] Grau A (nível 1B) Proporção de pacientes com LDL-c <2,6 mmol/L (12 meses) 1 65,0% vs. 60,0%; RR 1,4 [95% IC 1,0 a 1,8] Grau A (nível 1B) 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 66 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 11. Síntese da evidência do impacto do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. Autor ano Tipo estu do Escopo pesquisa N. estudos incluídos Desenhos estudos Descrição do serviço e do comparador Desfechos N. estudos / desfecho Resultados Grau Recomenda ção (Nível de Evidência) online ou telessaúde entregue por outro profissional Proporção de pacientes com LDL-c <1,8 mmol/L (12 meses) 1 17,0% vs. 19,0%; RR 1,0 [95% IC 0,6 a 1,5] Grau A (nível 1B) Mudança no nível de colesterol total 4 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) Mudança no nível de triglicerídeos 4 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) Mudança no nível de HDL-c 4 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) Mudança no nível de LDL-c 5 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) Mudança no IMC (6 meses) 2 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) Mudança no IMC (12 meses) 2 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) Pacientes com pressão arterial <120/80 mmgHg (6 meses) 1 72,0% vs. 45,0%; RR 1,6 [95% IC 1,3; 2,0] Grau A (nível 1B) Pacientes com pressão arterial <120/80 mmgHg (12 meses) 1 71,0% vs. 53,0%; RR 1,3 [95% IC 1,1; 1,6] Grau A (nível 1B) Pacientes com pressão arterial <120/80 mmgHg (18 meses) 1 72,0% vs. 57,0%; RR 1,3 [95% IC 1,1; 1,5] Grau A (nível 1B) Mudança na pressão sistólica (6-12 meses) 8 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 67 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 11. Síntese da evidência do impacto do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. Autor ano Tipo estu do Escopo pesquisa N. estudos incluídos Desenhos estudos Descrição do serviço e do comparador Desfechos N. estudos / desfecho Resultados Grau Recomenda ção (Nível de Evidência) Mudança na pressão diastólica (6-12 meses) 7 Sem diferença estatística Grau D (nível 1A-) Lu 2008 RS Avaliar a melhora da qualidade e da eficiência do uso de medicamentos na gestão do cuidado nos Estados Unidos entre 2001 e 2007 15 (5 sem viés) ECR Estudo pré-pós Intervenção: cuidado colaborativo envolvendo farmacêutico Controle: cuidado padrão Adesão terapêutica (MPR) (6 meses) 1 +7,8 Grau D (nível 1B-) Uso de recursos (consultas) 1 -19,0 Grau D (nível 1B-) Taxa de uso de benzodiazepínicos 1 -8,0 Grau D (nível 1B-) Redução da pressão arterial sistólica 1 +6,5 (p<0,001) Grau A (nível 1B) Redução da pressão arterial sistólica (6 meses) 1 +5,4 (p<0,001) Grau A (nível 1B) Pacientes que alcançaram pressão arterial alvo 1 17,0% (p<0,05) Grau A (nível 1B) Redução do nível colesterol 1 +11,0 (p<0,001) Grau A (nível 1B) Redução do nível de LDL 1 +18,8 (p<0,001) Grau A (nível 1B) Redução de LDL (6,5 meses) 1 +20,8 (p<0,001) Grau A (nível 1B) Pacientes que alcançaram LDL <100 mg/dl (6,5 meses) 1 54,0% (p<0,001) Grau A (nível 1B) Redução de LDL (18 meses) 1 +12,2 (p<0,001) Grau A (nível 1B) Aumento do screening de pacientes 1 30,0% (p<0,001) Grau A (nível 1B) 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 68 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 11. Síntese da evidência do impacto do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. Autor ano Tipo estu do Escopo pesquisa N. estudos incluídos Desenhos estudos Descrição do serviçoe do comparador Desfechos N. estudos / desfecho Resultados Grau Recomenda ção (Nível de Evidência) Pacientes que receberam ao menos 1 medicamento de acordo com guidelines 1 +2,0 Grau D (nível 1B-) Total de consultas (médicos e farmacêuticos) 1 +21,2 Grau D (nível 1B-) Custos totais por paciente 1 +4,0 Grau D (nível 1B-) Aumento da qualidade de vida (função física SF-36) 1 +5,6 Grau D (nível 1B-) Thomas, 2014 RSM A Avaliar o efeito de intervenções farmacêuticas na redução de admissão hospitalar não- planejada em idosos 16 (9 em cuidados primários) ECR Intervenção: intervenções farmacêuticas em cuidados de saúde primários ou secundários para idosos (>60 anos): visitas e entrevistas para avaliação da medicação Controle: cuidado padrão Redução de admissão hospitalar não- planejada (qualquer tempo) 9 RR 1,07 [95% IC 0,96; 1,20]; I2=33% Grau A (nível 1A) Redução de admissão hospitalar não- planejada (3 meses) 3 RR 0,73 [95% IC 0,49; 1,06] Grau A (nível 1A) Redução de admissão hospitalar não- planejada (6 meses) 6 RR 1,16 [95% IC 0,99; 1,35] Grau A (nível 1A) Redução de admissão hospitalar não- planejada (12 meses) 6 RR 0,95 [95% IC 0,81; 1,11] Grau A (nível 1A) Viswanathan, 2015 RSM A Avaliar o efeito de intervenções de manejo da terapia medicamentosa em pacientes ambulatoriais com 44 ECR ECNR Coorte Caso-controle Intervenção: revisão dos medicamentos, educação junto ao paciente e acompanhamento Número médio de consultas ambulatoriais 3 MD 0,05 [95% IC -0,03; 0,13]; p=0,25; I2=0% Grau A (nível 1A) Número médio de hospitalizações 3 MD 0,04 [95% IC -0,01; 0,08]; p=0,09; I2=0% Grau A (nível 1A) 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 69 de 84 Todos os direitos reservados. 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Autor ano Tipo estu do Escopo pesquisa N. estudos incluídos Desenhos estudos Descrição do serviço e do comparador Desfechos N. estudos / desfecho Resultados Grau Recomenda ção (Nível de Evidência) doenças crônicas Controle: cuidado padrão Identificação de PRM 1 RD 6,1%; p=0,06 Grau C (nível 4) Número de PRM resolvidos 1 MD -1,00 [95% IC -1,97; 0,03); p=0,04 Grau C (nível 4) Adesão terapêutica (>80% comprimidos tomados) 1 100% vs. 88.9%; p=0,12 Grau D (nível 1B-) Adesão terapêutica (% doses prescritas tomadas) 1 MD -0,04 [95% IC -0,101; 0,02]; p=0,20 Grau C (nível 4) Adesão terapêutica (Morisky scale) 1 MD 0,090 [95%IC -0,08; 0,26]; p=0,29 Grau D (nível 1B-) Dosagem medicação 1 MD -2,2 [95%IC -3,74; -0,66] Grau D (nível 1B-) Anticoagulação: RNI terapêutico alcançado 1 100% vs. 16,7%; p=0,048 Grau D (nível 1B-) HbA1c (6 meses) 1 MD -0,20 [95% IC -0,93; 0,53]; p=0,59 Grau D (nível 1B-) HbA1c (12 meses) 1 OR 56,5 [95%IC 2,81; 1133,9]; p=0,008 Grau D (nível 1B-) Mudança em LCL-c (%) (12 meses) 1 OR 56,0 [95%IC 5,58; 561,7] Grau D (nível 1B-) Pacientes (%) alcançaram objetivo terapêutico de pressão arterial (12 meses) 1 OR 28,88 [95% IC 5,49; 151,9]; p<0,001 Grau D (nível 1B-) 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 70 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 11. Síntese da evidência do impacto do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. Autor ano Tipo estu do Escopo pesquisa N. estudos incluídos Desenhos estudos Descrição do serviço e do comparador Desfechos N. estudos / desfecho Resultados Grau Recomenda ção (Nível de Evidência) Pacientes (%) com eventos adversos (12 meses) 1 OR 0,65 [95% IC 0,37; 1,15]; p=0,14 Grau D (nível 1B-) Função física e cognitiva 1 p>0,05 (sem diferenças) Grau D (nível 1B-) Função afetiva (CES-D score) 1 MD -1,10 [95% IC -3,80; 1,62]; p=0,43 Grau D (nível 1B-) Função afetiva (score ansiedade) 1 MD -0,10 [95% IC -2,39; 2,19]; p=0,09 Grau D (nível 1B-) Fumção afetiva (score Beck depressão e ansiedade) 1 OR 2,41 [95% IC 0,60; 9,63]; p=0,22 Grau D (nível 1B-) Mortalidade 1 OR 0,59 [95% IC 0,12; 2,49]; p=0,48 Grau D (nível 1B-) Eventos gastrointestinais (sangramento) 1 RRR 60%; p=0,001 Grau C (nível 4) Qualidade de vida (vitalidade) 1 MD 2,797 [95%IC 0,65; 4,94]; p=0,01 Grau D (nível 1B-) Qualidade de vida (função emocional) 1 MD 5,396 [95%IC -7,24; 18,01] Grau D (nível 1B-) Qualidade de vida (diabetes mellitus) 1 p>0,05 (sem diferenças) Grau D (nível 1B-) Satisfação do paciente 3 Sem diferença em 17 dos 24 itens; 4 itens favorecem intervenção Grau D (nível 1B-) 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 71 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Tabela 11. Síntese da evidência do impacto do serviço de acompanhamento farmacoterapêutico. Autor ano Tipo estu do Escopo pesquisa N. estudos incluídos Desenhos estudos Descrição do serviço e do comparador Desfechos N. estudos / desfecho Resultados Grau Recomenda ção (Nível de Evidência) Uso de recursos (formulação genérica) 1 OR -0,01 a 0,06 Grau C (nível 4) Custos da medicação (co-participação) 1 MD -$80,40 [95%IC 10,43; 150,4]; p=0,24 Grau C (nível 4) Custos da medicação (seguro de saúde) 3 Variação média -CaD$34 a -$293 Grau D (nível 1B-) Custos da medicação (despesas totais) 6 Variação média -$20,16 a $5,25 / mês Grau D (nível 1B-) Custos da medicação e outras despesas 2 Variação média -CaD$8,1 a $1947 Grau D (nível 1B-) Custos de pacientes externos 3 Variação média -$11.92 vs. CaD$1.13 consulta/mês Grau D (nível 1B-) Custos de testes laboratoriais 3 Variação média CaD$15 a -$140 Grau D (nível 1B-) Custos consultas emergenciais 2 Variação média -$52 a CaD$5,60 Grau D (nível 1B-) Custo hospitalização 3 Variação média -$221.00 a $2402; p=0,05 Grau D (nível 1B-) Nota: ECNR: ensaio clínico não-randomizado; ECR: ensaio clínico randomizado; ECNR: ensaio clínico não randomizado; Estudo pré-pós: estudo comparativo antes/depois; IC: intervalo de confiança; I2: índice de heterogeneidade; MD: mean difference (diferença entre médias); MTM: medication therapy management; OR: odds ratio; RR: risco relativo; RRR: redução do risco relativo; RS: revisão sistemática; RSMA: revisão sistemática com meta-análise 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 72 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. 7. Previsão de atualização Este guia será revisado em até 2 anos da sua data de publicação. 8. Referências AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA (ANVISA). Testes para Covid- 19: perguntas e respostas. Brasília, DF, 14 de maio de 2020. Disponível em < http://portal.anvisa.gov.br/documents/219201/4340788/Perguntas+e+respostas+- +testes+para+Covid-19.pdf/9fe182c3-859b-475f-ac9f-7d2a758e48e7>.Acesso em 29 ago. 2020. ALDRIDGE, R. W. et al. Morbidity and mortality in homeless individuals, prisoners, sex workers, and individuals with substance use disorders in high-income countries: a systematic review and meta-analysis. www.thelancet.com, v. 391, p. 241, 2018. ARMANDO, P. et al. Pharmacotherapeutic follow-up of patients in community pharmacies. Atencíon Primaria, v. 36, p. 129–134, 2005. BAENA, M. I. et al. 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Dispõe sobre a prestação de serviços farmacêuticos, em farmácias e drogarias, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 23 dez. 2008. Seção 1, p. 164. Conselho Federal de Farmácia (CFF). Resolução nº 555, de 30 de novembro de 2011. Regulamenta o registro, a guarda e o manuseio de informações resultantes da prática da assistência farmacêutica nos serviços de saúde. 2021 Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica Página 73 de 84 Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. Venda proibida. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 14 dez. 2011a. Seção 1, p. 188. Conselho Federal de Farmácia (CFF). Resolução 585 de 29 de agosto de 2013a. Disponível em: <http://www.cff.org.br/userfiles/file/ resolucoes/585.pdf>. Acesso em: 8 jan. 2021. Conselho Federal de Farmácia (CFF). Resolução 586 de 29 de agosto de 2013b. 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