Prévia do material em texto
<p>ATIVIDADE DO FÓRUM</p><p>EPIDEMIOLOGIA 01</p><p>PRÁTICAS CLINICAS</p><p>FABIO HENRIQUE SANTANA TREVISAN</p><p>Atividade de Reflexão</p><p>Em relação à prática clínica baseada em evidências, quais você acha que seriam seus pontos fortes e fracos? Justifique suas respostas com exemplos reais e referências.</p><p>RESPOSTA:</p><p>A Prática Baseada em Evidências é um método reconhecido por sua eficácia clínica e por auxiliar o profissional de saúde em suas ações, empregando três componentes: provas científicas, experiência clínica e preferências do paciente. A Prática Baseada em Evidências (PBE) é vista como uma significativa alteração de paradigma na educação e na área da saúde contemporânea (EBELL et al., 2017).</p><p>No entanto, existem diversos obstáculos que impedem a implementação desta estratégia, incluindo: falta de entendimento sobre a PBE e competências necessárias para sua aplicação, falta de confiança de que a PBE possa trazer benefícios superiores em relação ao cuidado convencional, excesso de informações nos periódicos, escassez de tempo e recursos para pesquisar e analisar as evidências disponíveis, ausência de suporte administrativo ou incentivo das instituições, e resistência para mudanças.</p><p>O uso da PBE contribui para reduzir a distância entre a pesquisa e a prática assistencial, uma vez que sua aplicação se dá através da análise dos resultados das pesquisas, com base na busca e análise crítica de evidências. No entanto, existem críticas sobre suas restrições como um padrão único para a prática, fundamentado no fato de que a geração de evidências não acontece em condições de igualdade.</p><p>A Prática Clínica Baseada em Evidências leva em consideração o reconhecimento dos conhecimentos explícitos e tácitos, entendendo que é impossível tornar explícito todos os aspectos da competência profissional. A dúvida passa a fazer parte do processo de decisão, inicialmente na identificação dos componentes inconscientes envolvidos, e em seguida na análise do conhecimento explícito utilizado nesse processo.</p><p>Os pontos fortes da Prática Clínica Baseada em Evidências incluem a melhoria da qualidade dos cuidados, uma vez que se fundamenta em estudos rigorosos e protocolos padronizados, o que pode resultar em resultados mais estáveis. Por exemplo, as orientações para o tratamento da hipertensão são fundamentadas em extensas pesquisas, que resultam em resultados mais eficazes. Em contrapartida, as fraquezas abrangem a dificuldade em encontrar evidências recentes e a resistência de certos profissionais à mudança. Ademais, nem todas as circunstâncias clínicas possuem evidências robustas, o que pode restringir a aplicabilidade.</p><p>Em reuniões de trabalho do Projeto Diretrizes da Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina, discutiu-se as dificuldades do médico admitir e reconhecer as suas próprias dúvidas no atendimento ao paciente. Os principais elementos envolvidos como fatores limitantes na admissão da dúvida foram identificados como:</p><p>1. Medo de se expor - sem o autoconhecimento e sem o conhecimento do paciente, o profissional evita expor as suas limitações de conhecimento da doença, temendo a reação ou rejeição do paciente quanto a sua conduta;</p><p>2. Falta de experiência - a experiência envolve o processo necessário principalmente em situações complexas de decisão, onde a urgência é o fator limitante. Nestas situações o médico age de modo sobretudo tácito e os conhecimentos explícitos adquiridos muitas vezes são pouco utilizados. A dúvida não pode ser reconhecida abordando-se apenas as evidências científicas;</p><p>3. Arrogância e prepotência - para se reconhecer a existência da dúvida é necessário o entendimento de que não se sabe tudo, e que é possível compartilhar a responsabilidade pela conduta com o paciente;</p><p>4. Não escutar, nem se colocar ao lado do paciente - o princípio de que a decisão depende essencialmente do conhecimento explícito adquirido, e que portanto independe do momento e em quem o conhecimento é aplicado, subestima a influência dos componentes tácitos, dificultando a admissão da própria dúvida.</p><p>Exemplos de Prática Clínica Baseada em Evidências:</p><p>1. Tratamento da Hipertensão</p><p>· Ponto Forte: Diretrizes como as da American College of Cardiology (ACC) e American Heart Association (AHA) são baseadas em revisões sistemáticas e ensaios clínicos que demonstram a eficácia de diferentes classes de medicamentos (como inibidores da ECA e betabloqueadores) na redução de eventos cardiovasculares.</p><p>· Ponto Fraco: Apesar da evidência sólida, a adesão dos pacientes ao tratamento pode ser baixa devido a efeitos colaterais, custo dos medicamentos ou falta de entendimento sobre a importância do tratamento.</p><p>2. Uso de Antidepressivos</p><p>· Ponto Forte: A prática de tratar a depressão com medicamentos como inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) é sustentada por múltiplos estudos que mostram eficácia em diversos grupos populacionais.</p><p>· Ponto Fraco: A variabilidade na resposta dos pacientes e os efeitos colaterais podem fazer com que alguns médicos hesitem em seguir as diretrizes, levando a um tratamento não padronizado.</p><p>3. Vacinação</p><p>· Ponto Forte: A prática de vacinar a população com base em evidências de eficácia e segurança tem sido fundamental na erradicação de doenças como a poliomielite e na redução da incidência de doenças infecciosas.</p><p>· Ponto Fraco: A hesitação vacinal, impulsionada por desinformação, pode comprometer a eficácia das campanhas de vacinação, apesar das evidências robustas que apoiam seu uso.</p><p>REFERENCIAS:</p><p>(EBELL et al., 2017EBELL, M. H. et al. Quais são as evidências para apoiar a prática de cuidados primários? BMJ Evidence-Based Medicine. v. 22, p. 88-92, 2017.)</p><p>BREILH, J. Epidemiologia crítica ciência emancipadora e interculturalidade. 1 ed. 1 reimpr. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 201.</p><p>BAIRD, L. M. G.; MILLER, T. Factors influencing evidence-based practice for community nurses. British Journal of Community Nursing, v. 20, n. 5, 2015.</p><p>STRAUS, S. E., et al. (2019). Evidence-Based Medicine: How to Practice and Teach EBM. 5th ed. Elsevier.</p>