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<p>Desenho Técnico</p><p>Cortes</p><p>Material Teórico</p><p>Responsável pelo Conteúdo:</p><p>Prof. Esp. Vanderlei Rotelli</p><p>Revisão Textual:</p><p>Prof. Ms. Claudio Brites</p><p>5</p><p>• Cortes Arquitetônicos</p><p>Como nas unidades anteriores, estude atentamente o texto e as figuras, que foram pensados</p><p>para facilitar o seu aprendizado. No final, como sempre, teremos alguns testes, para que você</p><p>consiga perceber o quanto já avançou.</p><p>Estudaremos, nesta unidade, os cortes arquitetônicos, que</p><p>são complementos das plantas arquitetônicas estudadas na</p><p>unidade anterior.</p><p>Esta linguagem é de fundamental importância no entendimento</p><p>de um projeto de arquitetura. Utilizaremos para isso as</p><p>ferramentas que você adquiriu ao longo de nossos estudos,</p><p>como: visão espacial, conhecimentos de desenho técnico, além</p><p>de, é claro, seu empenho e sua vontade.</p><p>Cortes</p><p>6</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Contextualização</p><p>Na unidade anterior, na qual falamos sobre planta baixa arquitetônica, você deve ter sentido</p><p>falta das informações sobre a altura das edificações, certo? O que acontece é que não</p><p>colocamos em plantas essas informações, pois não teríamos como juntar todos esses dados em</p><p>um único desenho.</p><p>Nesta unidade, vamos treinar mais um pouco sua visão espacial, apresentando como se</p><p>lê um outro tipo de desenho. Agora você verá como pensamos um edifício verticalmente,</p><p>perceberá que é bastante simples, depois que se entende o que está vendo. Como na planta</p><p>baixa, iremos estudar os cortes passo a passo e, rapidamente, você entenderá mais um</p><p>pouco a linguagem arquitetônica.</p><p>Comecemos?</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>7</p><p>Cortes Arquitetônicos</p><p>Agora que já entendemos o que é uma planta baixa arquitetônica, precisamos responder</p><p>uma pergunta: qual é o pé-direito da nossa casa? Antes, vamos entender o que é pé-direito: é</p><p>a distância entre o piso de uma casa e o seu teto (seja um forro, uma laje, ou qualquer outro</p><p>acabamento) – podemos dizer que é o espaço útil da altura da casa. Alguns especialistas dizem</p><p>que essa expressão vem dos tempos das construções antigas, com porões e sótãos, quando</p><p>muitas vezes você não tinha altura o bastante para “ficar em pé direito”, ou seja, tinha de ficar</p><p>curvado para não bater a cabeça no teto. Outros especialistas dizem que essa expressão se refere</p><p>a distâncias medidas em pés, e na posição direita, ou seja, perpendicular ao plano do solo.</p><p>Então, voltemos a pergunta inicial desta unidade: estudando a planta baixa arquitetônica,</p><p>qual é o pé-direito da nossa casa?</p><p>Se você concluiu que é impossível saber essa informação por meio da planta baixa, você</p><p>acertou. A planta baixa não nos dá nenhuma informação de altura, não é essa a função dela; ela</p><p>nos fornece informações de largura e profundidade, mas não de altura. Temos outra ferramenta</p><p>para obter essa informação, que vamos estudar agora: os cortes arquitetônicos.</p><p>Vamos, então, voltar à casa que estudamos na unidade “Planta Baixa “ para terminarmos</p><p>aquele projeto e para que você consiga identificar todos os desenhos que compõem qualquer</p><p>edificação. Caso você tenha esquecido, abaixo, na figura 1, temos a casa que havíamos criado.</p><p>Figura 1 – Edificação</p><p>Os cortes arquitetônicos, de acordo com a NBR 06492, são “planos secantes verticais”.</p><p>Para criar o corte, você deve imaginar um plano vertical que divida a casa em duas partes,</p><p>conforme a figura 2.</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>8</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Figura 2 – indicação do plano de corte longitudinal.</p><p>Os cortes podem ser feitos no sentido longitudinal (o sentido mais extenso da construção – no</p><p>nosso caso, imagine um corte que vá da cozinha ao quarto), conforme a figura 2, ou no sentido</p><p>transversal (a direção perpendicular à direção longitudinal – imagine, em nosso desenho, um</p><p>corte que vá do banheiro ao closet), conforme a figura 3.</p><p>Figura 3 – Indicação do plano de corte transversal.</p><p>Depois da colocação do plano de corte, conforme as figuras acima, é que o corte começa</p><p>a se diferenciar da planta baixa. A primeira grande mudança, e que muitas vezes dificulta a</p><p>visualização de quem está começando a trabalhar, é não haver uma regra sobre o posicionamento</p><p>do plano de corte, isto é, quem decide em que ponto da edificação será feito o corte é o</p><p>projetista. Quando estudamos as plantas arquitetônicas, na unidade anterior, vimos que o</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>9</p><p>plano horizontal de corte deve ser colocado a 1,50m, e que olhamos ortogonalmente para</p><p>baixo, certo? Essa é uma norma e, portanto, deve ser obedecida, não deixando espaço para</p><p>mudança. No caso do corte, isso muda: o projetista tem liberdade para escolher o que mostrar</p><p>no projeto. A NBR 06492 recomenda que o corte seja posicionado em um local que demonstre</p><p>o maior número de detalhes possível da edificação. Existe uma convenção (você lembra que</p><p>isso quer dizer que é um tipo de acordo e não uma obrigatoriedade, certo?) que nos diz que pelo</p><p>menos um dos cortes deve passar pelas áreas molhadas (cozinha, banheiros e área de serviço,</p><p>lembra?), pelos elevadores e\ou pelas escadas; essas são consideradas áreas que necessitam de</p><p>mais detalhamento e, portanto, lugares ideais para serem “cortados”.</p><p>Outra diferença significativa é o fato de o projetista também poder escolher para qual dos lados</p><p>irá olhar, ou seja, quando cortamos nossa casa, conforme a figura 2, temos duas partes, certo?</p><p>Isso quer dizer que podemos olhar ortogonalmente para qualquer um dos dois lados do plano</p><p>de corte, conforme a figura 4 (para facilitar e diminuir o tamanho dos desenhos, trabalharemos,</p><p>a partir de agora, com os cortes transversais e depois veremos o corte longitudinal).</p><p>Figura 4 – Indicação das possibilidades de visualização do corte</p><p>Conforme a figura, você pode visualizar que teremos dois desenhos diferentes, como</p><p>demonstrado na figura 5.</p><p>Figura 5 – Opções de corte transversal</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>10</p><p>Unidade: Cortes</p><p>A escolha de qual desses desenhos será mostrado dependerá do projetista e de qual das</p><p>imagens mostrará mais detalhes e será mais informativa. É possível que você use os dois</p><p>desenhos, isto é, você pode ter dois cortes, mas não é usual que os cortes sejam pensados dessa</p><p>forma, ou seja, não se passam dois cortes na mesma posição. Se o projetista quiser mostrar</p><p>os dois lados, o mais comum é que os cortes, mesmo os que olhem para direções diferentes,</p><p>passem em locais diferentes, conforme a figura 6.</p><p>Figura 6 – Posição dos cortes transversais</p><p>E, nesse caso, teremos dois cortes em locais diferentes, conforme a figura 7.</p><p>Figura 7 – Dois cortes transversais em posições diferentes.</p><p>Você pode notar que teremos detalhes diferentes a mostrar, o que deixa os desenhos mais</p><p>claros, informativos e interessantes.</p><p>Bem, agora que você entendeu como podemos localizar os cortes, vamos analisar os desenhos</p><p>em detalhes. Para isso, vamos pegar o corte transversal AA, representado na figura 8.</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>11</p><p>Figura 8 – Corte AA</p><p>A primeira coisa que você deve ter notado é que nos referimos aos cortes por letra – podemos</p><p>ter o corte AA, o corte BB, o corte CC e assim por diante –, conforme a figura 9.</p><p>Figura 9 – Planta baixa com indicação de corte</p><p>0.</p><p>50</p><p>m</p><p>1.00</p><p>5</p><p>Cozinha Estar Dormitório</p><p>Closet</p><p>Banho</p><p>2.00</p><p>3.85 1.50</p><p>5.</p><p>00</p><p>2.</p><p>50</p><p>1.</p><p>30</p><p>6.00 5.00</p><p>3.35 5.</p><p>00</p><p>3.</p><p>85</p><p>Projeção da cobertura</p><p>0.100.00</p><p>5</p><p>A</p><p>A</p><p>Logo, o corte AA está unindo às letras A e A. Outro detalhe que você deve notar é a</p><p>representação do corte em planta. Utilizamos a linha traço e ponto grossa, de acordo com</p><p>a NBR 08403, conforme vimos na unidade “Instrumentos“. Para evitar que o desenho fique</p><p>muito poluído, isto é, com um acúmulo muito grande de linhas, costumamos indicar o corte nas</p><p>paredes externas, de acordo com o desenho.</p><p>A direção para a qual estamos olhando no corte é indicada pelos triângulos localizados na</p><p>ponta da linha de corte. A NBR 06492 nos diz que, em projetos executivos, devemos usar a</p><p>indicação mostrada na figura 10, onde o número 3 representa o número da folha</p><p>em que está o</p><p>desenho e o 341 representa o número do desenho nessa folha (lembre-se que para efeito didático,</p><p>estamos trabalhando com um desenho bastante simples, mas a complexidade de um projeto pode</p><p>ser quase infinita, e a única maneira de explicá-lo pode ser com uma infinidade de desenhos).</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>12</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Figura 10 – Indicação de corte, de acordo com a NBR 06392.</p><p>341</p><p>3</p><p>É obrigatória a indicação do sentido do corte – com a prática, é possível entender o corte sem</p><p>essa indicação, mas, caso ela não seja colocada, o desenho estará errado.</p><p>Agora, analisando o corte, vamos analisar a espessura das linhas, ou a hierarquia dos traços.</p><p>Como apontado na unidade “Planta Baixa“, os objetos mais próximos do observador são indicados</p><p>com linhas mais grossas. No nosso caso, conforme o desenho 11, que é um detalhe do corte AA,</p><p>as paredes vistas em corte são as linhas mais grossas do desenho. Outra coisa que dizemos em</p><p>desenho é que essas paredes são mostradas em “corte”, enquanto as paredes que não estão em</p><p>corte, ou seja, as paredes que estão no “fundo” do desenho, são mostradas em “vista”.</p><p>A próxima coisa que vamos olhar são as portas. As portas em um corte, diferente de uma</p><p>planta, são mostradas fechadas. A função disso também é evitar a poluição do desenho (imagine</p><p>mostrar o interior de um ambiente com outra porta, outra janela, etc., em algum momento,</p><p>dependendo da complexidade do desenho, você perderia a noção de profundidade).</p><p>No nosso exemplo, temos duas portas, conforme a figura 11. Uma delas, mais à direita, é</p><p>mostrada em corte, enquanto a outra, mais à esquerda, é mostrada em vista. As duas estão</p><p>representadas fechadas. A porta vista em corte está alinhada pelo lado interno do ambiente e</p><p>nivelada com a parede. A outra porta é mostrada em vista, pois estamos olhando a porta de</p><p>frente – a linha tracejada indica o sentido de abertura da porta. Você pode considerar que o</p><p>vértice do tracejado é a maçaneta.</p><p>Figura 11 – Detalhe do corte (portas).</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>13</p><p>Agora, vamos olhar a figura 12, que nos mostra o detalhe da janela do banheiro.</p><p>Figura 12 – Detalhe do corte (janela).</p><p>Como você pode ver, a representação da janela em um corte é muito semelhante à</p><p>representação da janela em uma planta, como você deve se lembrar, até porque a estrutura de</p><p>uma janela é a mesma, se pensarmos sobre isso.</p><p>Outra novidade em relação à planta baixa é o aparecimento do telhado. Em uma planta,</p><p>vemos apenas a projeção da cobertura (seja um telhado ou uma laje); no corte, o telhado vai</p><p>aparecer com a sua estrutura, conforme a figura 13, que mostra um detalhe desse desenho.</p><p>Figura 13 – Estrutura do telhado.</p><p>Nesse detalhe, você pode ver a estrutura de madeira, que é chamada de tesoura, e as telhas</p><p>em corte. Podemos notar também o forro, que é o acabamento interno de um telhado (o forro</p><p>pode ser de madeira, gesso, plástico, etc.).</p><p>A parte do telhado que está além da parede externa é o beiral, que aparece na planta como</p><p>uma linha tracejada e tem a função de proteger as paredes do clima externo.</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>14</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Para terminar, o que pode lhe despertar alguma dúvida, é a representação da fundação,</p><p>conforme a figura 14.</p><p>Figura 14 – Detalhe da fundação.</p><p>Como você sabe, uma edificação não é construída diretamente sobre a terra; temos, antes,</p><p>de executar a fundação, que é a estrutura responsável por repassar as cargas de uma construção</p><p>para o solo. No caso de edificações simples, como a nossa casa do exemplo, temos as chamadas</p><p>fundações rasas – como sapatas e vigas baldrame. Em edificações maiores, temos as fundações</p><p>profundas – como estacas e tubulões.</p><p>Como havíamos conversado, estamos trabalhando ainda no anteprojeto, portanto, não</p><p>necessariamente esta fundação será a efetivamente executada; a ideia é indicar aos profissionais</p><p>envolvidos onde a fundação será locada. Representamos, também, como você pode ver, o solo</p><p>onde estará localizada a edificação, indicando o que é aterro e o que é solo natural.</p><p>Agora que entendemos a estrutura do corte, vamos colocar os acabamentos necessários da</p><p>mesma maneira que fizemos na planta. O corte pronto ficará como a figura 16.</p><p>Figura 15 – Corte completo.</p><p>A primeira coisa que você deve ter visto são as cotas. Em um corte, são colocadas apenas</p><p>as cotas verticais, ou seja, as cotas de altura. Essas cotas são fundamentais para os projetos</p><p>complementares, pois auxiliarão os outros profissionais em seu trabalho, por exemplo:</p><p>o engenheiro eletricista precisa saber o pé-direito da casa para poder projetar a altura das</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>15</p><p>luminárias e da tubulação do ar-condicionado. Não deve ser colocada nenhuma cota horizontal,</p><p>ou seja, informações de largura ou profundidade, já que estas estão na planta baixa.</p><p>Gostaria que você percebesse que as informações se complementam, isto é, você não</p><p>pode ter a planta e não ter os cortes, assim como é inútil a planta sem os cortes. Você sempre</p><p>precisará de todas as informações para poder executar o melhor trabalho possível, ou seja, essas</p><p>informações se complementam, são várias e diferentes, embora a respeito de um único projeto.</p><p>Ainda falando sobre as cotas, você também percebeu as cotas de nível, certo? Elas aparecem</p><p>no corte para indicar as diferenças de altura existentes na edificação. Se você prestar atenção, essas</p><p>cotas apenas indicam a diferença de nível que já aparecia no corte, conforme o detalha da figura 16.</p><p>Figura 16 – Cotas de nível.</p><p>Na planta, essas cotas aparecem também, mas só podemos visualizar efetivamente a diferença</p><p>com o corte.</p><p>No corte também são colocados os acabamentos das paredes – como você deve se lembrar,</p><p>um dos cortes tem que passar pelas áreas molhadas, para mostrar o acabamento das paredes</p><p>–, no nosso caso, as paredes do banheiro são revestidas com cerâmica 20cm x 20cm, conforme</p><p>a figura 17.</p><p>Figura 17 – Detalhe do revestimento do banheiro.</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>16</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Aparecem também as vistas frontais do vaso sanitário (figura 18) e do chuveiro, que, como</p><p>vimos na unidade “Planta Baixa“, precisam ser representados. Enquanto na planta baixa</p><p>utilizamos as vistas superiores, usamos nos cortes as vistas frontais ou laterais, dependendo da</p><p>posição e da direção do corte em reação à planta.</p><p>Figura 18 – Detalhe da vista frontal do vaso sanitário.</p><p>Outro detalhe que colocamos é a hachura da laje, isto é, um acabamento no corte da laje,</p><p>representando o material do qual ela é feita. No nosso caso, usamos uma hachura que representa</p><p>o concreto da laje, conforme a figura 19.</p><p>Figura 19 – Detalhe da laje</p><p>Outra coisa que temos de colocar em nosso corte, de acordo com a NBR 06492, é a</p><p>denominação dos compartimentos, ou seja, o uso de cada ambiente que foi cortado, como</p><p>na figura 15.</p><p>Finalmente, temos o box, visto em corte, que é representado por duas linhas paralelas, que</p><p>representam o vidro das portas.</p><p>E aí, você conseguiu entender o corte transversal? Viu como é simples? É só uma questão de</p><p>visão espacial, você tem que entender o que está vendo e como essas coisas estão sendo vistas.</p><p>Agora, vamos dar uma olhada no corte longitudinal, ou corte BB, no qual veremos algumas</p><p>coisas diferentes. Estude a figura 20.</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>17</p><p>Figura 20 – Corte Longitudinal ou corte BB</p><p>Vamos analisar alguns elementos que não apareceram no corte AA. A primeira diferença</p><p>que você deve ter visto são as janelas: nesse corte, elas aparecem em vista frontal. As janelas</p><p>aparecem fechadas e, para efeito de desenho técnico, os vidros são opacos, ou seja, não</p><p>enxergamos através deles. É o mesmo princípio utilizado ao desenharmos as portas fechadas:</p><p>não poluir o desenho.</p><p>Para confirmar essa convenção, você vê apenas uma parte da janela atrás do box,</p><p>a parte de</p><p>baixo da janela está “oculta”. Já o chuveiro e o vaso sanitário, que no corte AA apareciam em</p><p>vista frontal, aparecem nesse corte em vista lateral.</p><p>Outro detalhe diferente em relação ao corte AA é que a estrutura do telhado é vista aqui em corte,</p><p>portanto, conseguimos contar o número de tesouras e visualizar a estrutura de ripas e caibros.</p><p>Podemos também perceber que o acabamento da cozinha é de meia parede de revestimento, ou</p><p>seja, metade da parede é revestida em azulejo e a outra metade tem acabamento em massa e pintura.</p><p>Vemos também os elementos que já estavam no outro corte, como as cotas e as paredes.</p><p>Gostaríamos de reafirmar a importância de saber ler o corte, pois um erro comum é o</p><p>representado na figura 20.</p><p>Figura 21 – Cortes.</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>18</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Você consegue perceber o erro? Ou melhor, você consegue perceber qual corte está errado?</p><p>Por quê? Isso mesmo, é o corte da direita, ele está invertido. Esse é um erro muito comum</p><p>quando as pessoas estão começando a desenvolver a visão espacial; precisamos aprender a ler</p><p>a planta e saber em qual sentido precisamos desenhar o corte.</p><p>Há um modo muito simples de fazer isso: imagine que a sua mão direita está colocada na</p><p>posição do corte, a cozinha está sobre o seu dedão ou sobre o dedo mínimo? Agora coloque</p><p>a sua mão direita sobre o corte, a cozinha deve estar sobre o mesmo dedo, seja o dedão ou</p><p>o mínimo. Deu para você perceber como funciona? Esse é um detalhe ao qual temos de nos</p><p>ater, pois essa inversão pode causar problemas ao longo de uma obra. Você já imaginou se</p><p>um engenheiro, ao construir o penúltimo andar de um prédio, percebe que executou todos os</p><p>andares anteriores com o pé-direito errado? Ou que inverteu a posição de uma janela?</p><p>Cabe ao projetista verificar se está tudo em sua posição correta e corrigir eventuais erros.</p><p>De novo: lembre-se que o seu desenho tem que falar por si mesmo, você nem sempre estará</p><p>presente para explicar seus projetos – ou pode ser ainda que caberá a você conferir e indicar os</p><p>erros nos projetos de outros.</p><p>No caso de um edifício que tem vários andares, você já pode imaginar que o corte ficaria</p><p>muito grande e não caberia em uma folha de desenho. Para esses casos, a norma nos permite</p><p>usar o que é chamado de linha de interrupção de desenho, demonstrada na figura 22.</p><p>Figura 22 – Linha de Interrupção de Corte.</p><p>O corte de um edifício ficaria conforme a figura 23.</p><p>Figura 23 – Corte de um edifício.</p><p>Cobertura</p><p>Barrilete</p><p>19o Pav.</p><p>18o Pav.</p><p>17o Pav.</p><p>4o Pav.</p><p>3o Pav.</p><p>2o Pav.</p><p>1o Pav.</p><p>Térreo</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>19</p><p>O corte desse edifício pode ser chamado de corte esquemático, já que, muitas vezes, por uma</p><p>questão de escala, mesmo utilizando a ferramenta de interrupção do desenho, não é possível</p><p>executar os detalhes necessários à construção da edificação. Nesse caso, é comum que sejam</p><p>feitos detalhes de certas partes mais fundamentais à execução em uma escala ampliada. No</p><p>caso da figura 23, seria recomendável que tivéssemos pelo menos um detalhe da escada, como</p><p>o da figura 25.</p><p>De maneira usual, são feitos detalhes de todas as partes específicas para esse projeto, isto</p><p>é, muito do que é utilizado em uma construção segue medidas que são padronizadas – como</p><p>portas e janelas. Contudo, algumas coisas são projetadas especificamente para cada construção</p><p>– a escada, as colunas e pilares, os subsolos, o térreo, etc. – e variam de edifício para edifício,</p><p>portanto, devem seguir um detalhamento único, daí a necessidade da execução de desenhos</p><p>específicos para cada parte.</p><p>A NBR 06492 indica que os detalhes devem ser marcados conforme a figura 24, onde 2</p><p>representa o número do desenho na folha e 346 representa o número da folha. Isso significa</p><p>que se houver alguma dúvida em relação ao corrimão da escada ela será esclarecida nesse</p><p>detalhe – o construtor da obra (ou da escada, dependendo do caso) precisa procurar essa folha</p><p>e o respectivo desenho.</p><p>Figura 24 – Indicação de detalhe.</p><p>2</p><p>346</p><p>Como conversamos no começo da unidade “Planta Baixa”, em função da complexidade</p><p>de um projeto, é muito comum que ele seja composto de várias páginas de desenhos e, em</p><p>muitos casos, teremos páginas apenas com detalhes – desde detalhes de escadas, passando</p><p>por detalhamento de caixilharia, até detalhes de fixação do revestimento exterior (no caso de</p><p>edifícios revestidos de pedras, por exemplo).</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>20</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Figura 25 – Detalhe da escada em escala maior.</p><p>Finalmente, gostaríamos de mostrar outro tipo de corte. Eventualmente, você terá mais</p><p>coisas para indicar em um corte do que é possível, mas, ao mesmo tempo, não compensará o</p><p>trabalho de executar outro desenho. No nosso caso, imagine que você queira executar um corte</p><p>longitudinal que passe pela cozinha e pelo closet. O modo como temos executado os cortes até</p><p>agora não nos dará essa opção; ao mesmo tempo, como vimos acima, não vale a pena executar</p><p>outro desenho. Para esses casos, temos uma técnica que exige um pouco mais de atenção, mas</p><p>pode ser bastante útil: podemos deslocar o corte na planta.</p><p>Isso pode parecer estranho, mas, a partir dos desenhos indicados abaixo, temos certeza</p><p>que você entenderá o que significa fazer o corte “andar” (como dizemos usualmente). Olhe</p><p>atentamente a figura 26, deixamos a linha de corte inteira para que você possa acompanhar o</p><p>percurso que foi cortado.</p><p>Figura 26 – Indicação do corte com deslocamento.</p><p>0.</p><p>50</p><p>m</p><p>1.00</p><p>B</p><p>Cozinha Estar Dormitório</p><p>Closet</p><p>Banho</p><p>2.00</p><p>3.85 1.50</p><p>5.</p><p>00</p><p>2.</p><p>50</p><p>1.</p><p>306.00 5.00</p><p>3.35 5.</p><p>00</p><p>3.</p><p>85</p><p>Projeção da cobertura</p><p>0.100.00</p><p>B</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>21</p><p>Como você pode ver, nosso corte está passando pelas áreas que queremos detalhar no corte.</p><p>Em nossa edificação, o plano de corte ficará conforme a figura 28.</p><p>Figura 27 – Indicação do plano de corte.</p><p>A partir daqui, vamos retirar a parte que não será visualizada no corte, de acordo com a</p><p>figura 28. Você consegue notar que, para a correta visualização da perspectiva, tivemos que</p><p>girá-la para deixar o corte de tal forma que você fosse capaz de enxergá-lo, correto?</p><p>Figura 28 – Visualização do corte.</p><p>22</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Finalmente, a vista ortogonal do corte, que ficará conforme a figura 29.</p><p>Figura 29 – Corte Longitudinal com deslocamento</p><p>Dessa forma ficou fácil de entender, certo? A única “regra” que temos é em relação ao ponto</p><p>onde o corte pode ser deslocado, esse deslocamento deve ser feito dentro de um ambiente – no</p><p>nosso caso, deslocamos nosso corte dentro da sala.</p><p>Agora você precisa treinar a sua visão espacial para que se acostume com esse tipo de</p><p>linguagem visual. Você deve ter percebido que o treino vai te ajudar bastante; é claro que você</p><p>não encontrará esse tipo de desenho em qualquer lugar, mas revistas de arquitetura e decoração</p><p>ajudarão bastante com isso.</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>23</p><p>Material Complementar</p><p>• http://docente.ifrn.edu.br/joaocarmo/disciplinas/aulas/desenho-arquitetonico/etapas-do-</p><p>desenho-arquitetonico</p><p>• http://heliopm.edublogs.org/files/2011/09/aula-25262728-1gffm7k.pdf</p><p>http://docente.ifrn.edu.br/joaocarmo/disciplinas/aulas/desenho-arquitetonico/etapas-do-desenho-arquitetonico</p><p>http://docente.ifrn.edu.br/joaocarmo/disciplinas/aulas/desenho-arquitetonico/etapas-do-desenho-arquitetonico</p><p>http://heliopm.edublogs.org/files/2011/09/aula-25262728-1gffm7k.pdf</p><p>olari</p><p>Realce</p><p>24</p><p>Unidade: Cortes</p><p>Referências</p><p>Montenegro, Gildo A. Desenho de Projetos. São Paulo: Blucher, 2004</p><p>NBR 06492 – Associação Brasileira de Normas Técnicas</p><p>NBR 13532 – Associação Brasileira de Normas Técnicas</p><p>NBR 13531 – Associação Brasileira de Normas Técnicas</p><p>Micelli, Maria T. Desenho Técnico Básico. São Paulo: Ao Livro Técnico, 1999</p><p>25</p><p>Anotações</p><p>www.cruzeirodosulvirtual.com.br</p><p>Campus Liberdade</p><p>Rua Galvão Bueno, 868</p><p>CEP 01506-000</p><p>São Paulo SP Brasil</p><p>Tel: (55 11) 3385-3000</p><p>http://www.cruzeirodosulvirtual.com.br</p>