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EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA Prof. Leandro Roger de Souza Gomes EXPRESSÃO GRÁFICA Marília/SP 2023 “A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma ação integrada de suas atividades educacionais, visando à geração, sistematização e disseminação do conhecimento, para formar profissionais empreendedores que promovam a transformação e o desenvolvimento social, econômico e cultural da comunidade em que está inserida. Missão da Faculdade Católica Paulista Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo. www.uca.edu.br Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5 SUMÁRIO CAPÍTULO 01 CAPÍTULO 02 CAPÍTULO 03 CAPÍTULO 04 CAPÍTULO 05 CAPÍTULO 06 CAPÍTULO 07 CAPÍTULO 08 CAPÍTULO 09 CAPÍTULO 10 CAPÍTULO 11 CAPÍTULO 12 CAPÍTULO 13 CAPÍTULO 14 CAPÍTULO 15 06 16 29 40 51 62 74 84 96 106 116 128 138 150 162 MATERIAL DE DESENHO TÉCNICO USO DOS MATERIAIS DE DESENHO TÉCNICO NORMAS E CONVENÇÕES REPRESENTAÇÃO ARQUITETÔNICA DETALHES DA PLANTA ARQUITETÔNICA DESENHO DA PLANTA CORTES ARQUITETÔNICOS DESENHO DO CORTE FACHADAS DESENHO DA FACHADA PERSPECTIVA ISOMÉTRICA DESENHO DE PERSPECTIVA ISOMÉTRICA PERSPECTIVA DE 1 PONTO DE FUGA PERSPECTIVA 1 PONTO DE FUGA - EXERCÍCIO PERSPECTIVA 2 PONTOS DE FUGA EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6 CAPÍTULO 1 MATERIAL DE DESENHO TÉCNICO Olá, caro(a) aluno(a)! Benvindo(a) à Disciplina de Desenho Técnico e Expressivo! Neste capítulo vamos conhecer um pouco do histórico do desenho, e como entendemos a representação técnica atualmente; além disso, vamos conhecer os principais materiais que são usados para a criação e execução deste tipo de representação. Vamos entender a importância desta representação em nosso trabalho cotidiano. Vamos começar, o que você acha? 1.1 Histórico do Desenho Técnico Como o próprio nome indica, vamos conversar sobre o Desenho Técnico, que é uma forma de representação exata e precisa, ou seja, não é um desenho artístico, portanto não depende de “talento”, ou de uma “inspiração” para ser executado; isto não significa que esta não seja uma forma de representação, já que estes desenhos são a nossa forma de mostrar e expressar as nossas ideias, tanto para clientes como para fornecedores. Isto pode parecer uma coisa óbvia, mas é preciso que você saiba que vamos usar este tipo de desenho durante toda a nossa vida profissional, já que esta é a nossa principal forma de comunicação. Mas, como você deve imaginar, os desenhos evoluíram com o tempo; dê uma olhada na figura 1. Figura 1 - Desenho na tumba de Nebamun. Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/51/%22Pond_in_a_Garden%22_%28fresco_from_the_Tomb_of_Nebamun%29.jpg (Acessado em 18/12/2022) https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/51/%22Pond_in_a_Garden%22_%28fresco_from_the_Tomb_of_Nebamun%29.jpg EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7 Esta figura é uma pintura encontrada em uma tumba egípcia; podemos vê-la como uma decoração, ou como um desenho técnico, que mostra um lago e a vegetação que deve ser colocada ao seu redor, ou seja, um desenho de paisagismo. Na figura 2 podemos ver um desenho bem posterior, feito na Idade Média, por um construtor de catedrais, chamado Villard de Honnecourt. Figura 2 – Croquis de Villard de Honnecourt Fonte: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/db/Villard_de_Honnecourt_-_Sketchbook_-_12.jpg (Acessado em 19/12/2022) Neste desenho já podemos identificar elementos mais próximos do que reconhecemos como uma fachada, ou um desenho um pouco mais “técnico”, o que significa uma evolução da representação arquitetônica. Na figura 3, alguns outros séculos se passaram, e temos um desenho feito no Renascimento, por um arquiteto chamado Giuliano da Sangallo. Aqui já podemos ver algumas das características que reconhecemos nos desenhos mais contemporâneos. https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/db/Villard_de_Honnecourt_-_Sketchbook_-_12.jpg EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 8 Figura 3 – Rascunhos de Sangallo Fonte: https://www.loc.gov/resource/gdcwdl.wdl_10597/?sp=13 (Acessado em 18/12/2022) Ainda temos um desenho de uma fachada perspectivada, o que significa que ainda temos alguns elementos artísticos, além de uma representação técnica. O desenho técnico como entendemos hoje, surgiu a partir de todos estes, e foi criado por um matemático francês, no século XVII, chamado Gaspard Monge; ele foi o criador da Geometria Descritiva, e do sistema mongeano de representação projetiva. Este tipo de representação trabalha com projeções ortogonais, como veremos mais à frente. Os desenhos técnicos criados a partir de então ficam iguais ao que vemos na figura 4. Figura 4 – Fachada de uma edificação Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) https://www.loc.gov/resource/gdcwdl.wdl_10597/?sp=13 EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 9 Obviamente vamos aprender a fazer estes desenhos durante as nossas aulas, entendendo como chegar a este resultado. 1.2 Material de Desenho Técnico Para isso, os desenhos técnicos devem seguir várias convenções e regras, e, além disso, é necessário o uso de instrumentos de precisão, que assegurem esta exatidão. Vamos, então, conhecer os principais instrumentos utilizados em Desenho Técnico. Um dos primeiros instrumentos é utilizado não somente por desenhistas, mas por várias outras pessoas, mas é essencial para manter a precisão do desenho: a lapiseira técnica. Na figura 5 podemos ver uma lapiseira específica para desenho técnico; lapiseiras deste tipo possuem uma ponteira metálica, como pode ser visto na figura, que permite apoiá- la nos outros instrumentos de desenho, como réguas e esquadros, sem desviar o traço. Figura 5 – Lapiseira Técnica Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) Lapiseiras como esta, com a ponteira metálica, geralmente são mais caras, mas isto é compensado pela durabilidade destes instrumentos, além da precisão que será obtida nos desenhos. Existem vários tipos de lapiseira, com vários tipos de grafite que podem ser usados; as espessuras de lapiseiras são de 0,3mm, 0,5mm, 0,7 e 0,9mm; podemos obter linhas diferentes com cada uma destas lapiseiras, representando os vários aspectos do desenho, como estudaremos a seguir. Os tipos de grafite que usamos possuem diferentes durezas, que são representadas por letras e números; a letra “H” indica os grafites mais duros, enquanto a letra “B” indica os grafites mais macios. Quanto maior o número, maior a maciez ou dureza dos grafites; o grafite “6B” é mais macio do que o grafite “2B”, enquanto o grafite “6H” é mais duro do que o grafite “2H”. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 10 Os grafites mais duros são melhores para o desenho técnico, já que os grafites mais macios soltam muito pó, o que vai sujar o papel; ao mesmo tempo, grafites muitos duros podem rasgar o papel; por tudo isso, vamos usar, normalmente, o grafite “H” em nossas lapiseiras. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA As lapiseiras comuns, como as que são usadas pela maioria das pessoas, não possuem a ponteira metálica, o que significa que não terão a exatidão necessária para o desenho técnico; na figura 6 podemos ver um destes modelos de lapiseiras comuns. Podemos ver, ainda, que temos, junto à lapiseira, um lápis. Figura 6 – Lapiseira comum e lápis Fonte: Elaborado pelo Autor(2022) Estes instrumentos não devem ser usados para a execução de desenhos técnicos; eles são extremamente úteis para a execução de croquis e desenhos conceituais. Mas porque, você pode estar se perguntando. O lápis vai desgastar a ponta, deixando o traço mais grosso, conforme a linha vai sendo construída, o que é um grande erro no desenho técnico. A lapiseira comum, por não possuir um “apoio” na ponta, vai se mover nos esquadros ou réguas, deixando a linha mais torta e irregular, o que é um outro erro em um desenho técnico. Além das lapiseiras e dos grafites corretos, vamos usar uma régua de apoio, que vão ajudar a manter as linhas do desenho ortogonais. Este tipo de régua pode ser uma régua paralela móvel, como pode ser visto na figura 7, ou uma régua “T”, que deve ser apoiada em uma mesa de trabalho para funcionar; a função destas réguas é criar as linhas horizontais do desenho, e apoiar os esquadros, durante o uso. Existe, ainda, uma opção em que a régua paralela é fixa, e serve de apoio para os esquadros. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 11 Figura 7 – Régua “T” e Régua Paralela. Fonte: Elaborado pelo Autor (2022). Uma opção interessante para este material é a “Prancheta de régua Fixa”; este instrumento é vendido em várias papelarias, mas pode até mesmo ser feita pelo próprio profissional, com pedaços de MDF; neste tipo de prancheta o que se movimenta para a criação das linhas são os esquadros, já que a régua está fixada em um único ponto, e funciona apenas como apoio. Utilizamos, ainda, os esquadros, que podem ser vistos na figura 8. Estas ferramentas são encontradas em várias dimensões, isto é, temos esquadros que têm menos de 10,00 cm, até esquadros com mais de 50,00cm; de forma geral vamos usar esquadros que tenham aproximadamente 25,00cm, mas é possível ter vários deles, com diferentes medidas. Utilizamos os esquadros em pares; um deles vai ter os ângulos de 45° em dois vértices, e 90° no outro; o outro esquadro que faz parte do par tem os ângulos de 30°, 60° e 90° nos vértices, como pode ser visto na figura 8. Figura 8 – Esquadros. Fonte: Elaborado pelo Autor (2021). Existem vários esquadros no mercado, mas os esquadros técnicos, como os indicados na figura 8, são feitos em acrílico, não possuem a gradação das medidas, e tem os seus cortes retos, permitindo que a lapiseira seja totalmente apoiada, sem a possibilidade de erros. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 12 Outro instrumento fundamental para a criação dos desenhos técnicos é chamado de “escalimetro”; o escalímetro é um instrumento de precisão que permite a criação de desenhos em escala, sejam escalas de redução, sejam em escalas de ampliação. Existem vários modelos de escalímetro; cada um deles conta com um conjunto de escalas diferentes, e o uso de cada destes escalímetros vai depender do tipo de desenho que será executado. Na figura 9 podemos entender como é uma destas réguas. O escalímetro tem uma forma triangular; cada uma das faces deste triângulo possui duas escalas diferentes; mais a frente vamos entender, de forma mais aprofundada, como utilizar estas réguas. Figura 9 – Escalímetro Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) ANOTE ISSO É preciso cuidado e atenção quando comprar um escalímetro. Existem vários modelos e várias marcas à disposição no mercado, e cada um destes instrumentos conta com um conjunto diferente de escalas, que serão usados de acordo com o tipo de desenho a ser feito. Lembre-se que não existe um escalímetro errado, mas sim um escalímetro que não é apropriado para o desenho que está sendo feito, ou que é mais difícil de ser “lido”. Os principais tipos de escalímetro no Brasil são: Número 1 – Escalas de: 1:20, 1:25, 1:50, 1:75, 1:100, 1:125; Número 2 – Escalas de: 1:100, 1:200, 1:250, 1:300, 1:400, 1:500; Número 3 – Escalas de: 1:20, 1:25, 1:33¹, 1:50, 1:75, 1:100; Número 4 – Escalas de: 1:500 1:100 1:1250 1:1500 1:2000 1:2500; Número 5 – Escalas de: 3/32″ 3/16″ 1/8″ 1/4″ 3/8″ 3/4″ 1/2″ 1″ 11/2″ 3″. Para os desenhos de arquitetura o mais indicado é o escalímetro número 1, já que ele contém a maior parte das escalas de desenho que utilizamos, e pode ser adaptado às demais escalas. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 13 De maneira geral, nos desenhos de Arquitetura e de Design, trabalhamos com o que é chamado de “escalas de redução”, ou seja, o desenho que está sendo criado será menor do que o objeto a ser construído; o desenho de uma casa em uma folha de papel será bem menor em relação às dimensões da edificação finalizada, não é mesmo? Isto significa que vamos “reduzir” estas dimensões, para que caibam no espaço da folha. Já nos casos de projetos de produtos, geralmente, como um móvel ou um objeto, que você vai projetar para um cliente, por exemplo, trabalhamos com as chamadas “escalas de ampliação”, ou seja, os desenhos ficam maiores do que as peças prontas, pois muitas vezes é preciso detalhar partes mais delicadas destas peças, e isso só é possível em uma ampliação. A escolha das escalas a serem usadas nos desenhos vai depender do que será representado, e do nível de detalhe que cada um dos desenhos deverá possuir ou demonstrar. Além disso, alguns desenhos têm escalas que são convencionais, ou seja, que são utilizadas normalmente para estas representações (as plantas, por exemplo, são feitas em escala 1:50). Outro item extremamente importante é o papel usado no desenho; a escolha do papel correto vai garantir um bom resultado final para os desenhos. O mais utilizado para desenho técnico é o papel manteiga (ou croquis, dependendo do fabricante). Este é o papel mais indicado, pois não “absorve” o pó do grafite, deixando os desenhos mais limpos. Alguns profissionais utilizam o papel sulfite, mas este papel pode ficar “marcado” pelo uso da lapiseira, e, mesmo que as linhas de desenho sejam apagadas, o papel vai ficar com o sulco feito com a lapiseira; por tudo isso, este tipo de papel é mais indicado para os desenhos conceituais, ou seja, os primeiros desenhos de concepção dos projetos. Uma opção que era muito usada antigamente, era o papel vegetal. É muito difícil trabalhar neste papel com o grafite; o ideal é que sejam usadas canetas nanquim para os desenhos; isto deixa o desenho mais duradouro, mas dificulta a sua execução. Também é fundamental uma boa borracha, que vai ajudar a apagar os traços errados, preservando o papel; borrachas de má qualidade podem rasgar os papéis, ao invés de apagar as linhas. Na figura 10 temos a borracha mais indicada, que é a borracha branca macia. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 14 Figura 10 – Borracha Branca Macia Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) Também é interessante que se utilizem lápis-borracha, isto é, borrachas que tenham as pontas mais finas, para obter uma maior precisão no trabalho. Existe, ainda, um instrumento que ajuda a apagar os erros com maior precisão, chamado de gabarito mata-gato, que é uma chapa metálica com várias aberturas, que garante mais precisão para apagar os erros de desenho. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Os erros de desenho são chamados, informalmente, de “gatos”, isto é, quando um profissional observa um erro no desenho de um companheiro, ele vai dizer que existe um “gato” na prancha de desenho. Por isso o gabarito para a pagar estes erros é chamado de “mata-gato”. Outro instrumento muito utilizado é o compasso. Esta é outra daquelas ferramentas que possuem vários modelos e vários fabricantes; como as anteriores, o ideal é que seja utilizado um compasso técnico de precisão. Existem alguns modelos, mais recomendados, que possuem extensores, o que vai garantir a possibilidade da criação de círculos com diâmetros maiores. Na figura 11 temos a imagem de um compasso técnico. Figura 11 – Compasso Técnico Fonte: Elaborado pelo Autor(2022) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15 Para garantir a precisão do desenho, é importante que o grafite que é colocado no compasso esteja sempre apontado; caso isso não seja feito, este grafite vai desgastar, e o círculo feito no desenho, vai sair com uma linha mais grossa do que o restante do desenho. Uma alternativa ao uso do compasso é um gabarito chamado de “Criculometro”, que é um gabarito para o desenho de círculos; este gabarito é feito em plástico e é mais simples e rápido de ser usado, mas não pode ser usado para o desenho de círculos maiores. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA O “circulômetro” é chamado, entre os desenhistas, de “Bolômetro”, já que são desenhadas bolas com este instrumento. Também existem vários outros gabaritos que são usados para a execução dos desenhos; a maior parte destes gabaritos é feito em plástico, e vão ajudar a agilizar o processo de desenho, já que garantem que todos os desenhos usados desta forma fiquem iguais. Uma das opções mais interessantes é o gabarito de louça sanitária. Este gabarito tem alguns modelos de louça sanitária, nas escalas mais comuns de projetos, como 1:50 e 1:20. O uso desses gabaritos vai garantir que toda a louça sanitária desenhada desta maneira, além de iguais, sejam proporcionais, ou seja, fiquem com as mesmas medidas, independente das escalas do desenho. Também existem gabaritos de mobiliário, de instalações elétricas, de instalações hidráulicas, entre muitos outros. A ideia é identificar os que serão mais usados e mais práticos, e utilizá-los nos desenhos. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16 CAPÍTULO 2 USO DOS MATERIAIS DE DESENHO TÉCNICO Agora que conhecemos os materiais de desenho, vamos aprender como devemos utilizá-los para conseguir fazer nossos projetos. A qualidade dos materiais é extremamente importante, mas utilizá-los de forma correta é fundamental para que seja obtido o melhor resultado nos desenhos, e sempre é preciso lembrar que o resultado de nosso trabalho, antes dos espaços executados, deve ser um desenho bem realizado 2.1 Fixação da folha Pode parecer desnecessário explicar como uma folha deve ser fixada na prancheta, mas é importante que ela esteja presa de forma correta, e na posição certa, caso contrário, o desenho ficará torto e sujo. Para este trabalho vamos utilizar uma prancheta com régua fixa, mas a forma de uso será a mesma, independentemente do tipo de prancheta que você for utilizar. O primeiro passo é definir qual tipo e tamanho de folha será utilizado; de forma geral, vamos trabalhar com papel sulfite ou papel manteiga no tamanho A3; este formato vai atender a maior parte das nossas necessidades. Depois de definir qual papel e formato serão usados, você vai precisar de quatro pedaços de fita crepe, como pode ser visto na figura 1. Figura 1 – Fita crepe Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17 A fita crepe é mais recomendada para a fixação do papel, já que ele vai soltar a folha de forma mais simples, sem rasgar o papel; também é possível utilizar durex, desde que ele saia fácil tanto da prancheta, quanto da folha. Você vai fixar uma das pontas do papel, colocando a fita crepe na diagonal, como pode ser visto na figura 2. Figura 2 – Fixação da folha Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) No detalhe é possível perceber que a fita crepe deve ser colocada na ponta da folha, para que não fique sobre a margem (aprenderemos a fazer a margem mais adiante). Depois de fixar um dos cantos da folha, você vai utilizar o esquadro (apoiado na régua fixa) para deixar a folha na posição correta na prancheta, como pode ser visto na figura 3. Figura 3 – Posicionamento da folha Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 18 É preciso que a folha esteja exatamente paralela ao esquadro, e que o esquadro esteja apoiado na régua fixa. Este ajuste vai garantir que todas as linhas que forem desenhadas com os esquadros estarão paralelas à folha, e perpendiculares entre si. Depois de ajustar a folha, você vai pegar um outro pedaço de fita crepe, e fixar o canto diagonalmente oposto ao primeiro, como mostrado na figura 4. A forma correta de fixar a fita é colocando-a no papel e puxando levemente, para que a folha fique bem esticada na prancheta; quando a folha não fica bem esticada, ela pode se dobrar, e vai ficar mais suja. Figura 4 – Fixação da folha. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois de fixar estes dois lados, garantindo que a folha esteja esticada, é possível fixar os outros dois cantos da mesma forma, ou seja, colocando a fita crepe na folha, esticando levemente, e depois disso colando a fita na prancheta. Veja a figura 5. Figura 5 – Folha fixa na prancheta Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 19 Quando você for retirar a folha da prancheta, depois de finalizar o desenho, é preciso retirar primeiro a fita crepe do papel, com cuidado para não rasgá-lo, e, depois, da prancheta. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Caso você comece um desenho em um dia, e vá finalizá-lo no dia seguinte, é aconselhável que você solte a folha de desenho da prancheta, e prenda-a novamente no dia seguinte. Os papéis podem absorver a umidade da noite, e ficar enrugados, caso estejam presos na prancheta, e isso vai, obviamente, comprometer a continuação do trabalho, e, principalmente, o resultado. 2.2 Uso da lapiseira A lapiseira é um dos materiais mais importantes que temos, mas é preciso entender que algusn pontos importantes ao utilizá-la: - a maneira como vamos segurá-la; - a pressão que vamos colocar durante o uso; - a posição de uso. A posição correta ao usar a lapiseira é fundamental para manter a limpeza do desenho e a limpeza dos materiais. Muitas pessoas utilizam a lapiseira da mesma forma que utilizam uma caneta, o que é incorreto, já que vai deixar a linha irregular e manchar o desenho. Na figura 6 podemos ver como deve ser usada a lapiseira, quando apoiada em um instrumento. Figura 6 – Posição da lapiseira. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 20 A posição correta da lapiseira é paralela ao esquadro ou à régua, e perpendicular ao papel; isto garante que a linha vai ter a espessura da lapiseira, e que a linha vai ter a mesma espessura em todo o seu comprimento. Na figura 7 podemos entender, de forma mais clara, a diferença na forma de segurar e manusear a lapiseira. Figura 7 – Manuseio da lapiseira Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na parte esquerda da figura podemos ver a forma correta de segurar a lapiseira; a ponta metálica está encostada no esquadro, garantindo que o todo o grafite esteja encostado no papel, mantendo a linha constante. Na parte direita podemos ver a forma errada de utilizar a lapiseira: o grafite está encostando no esquadro, o que significa que ele não estará totalmente em contato com o papel, e isto quer dizer que a linha será irregular. Outro problema de utilizar a lapiseira desta forma é que os instrumentos de desenho ficarão “sujos”, o que significa que eles vão espalhar o pó do grafite, deixando o desenho manchado. Outro ponto muito importante com relação ao uso da lapiseira, é a pressão colocada no momento de desenhar uma linha; é preciso que o desenhista controle a força que utiliza, para que consiga criar vários tipos de linhas, de acordo com a necessidade do desenho. Veremos, em breve, que existem vários tipos de linhas em desenho técnico, e que cada linha representa um aspecto do desenho; é preciso, portanto, que o profissional consiga controlar a pressão exercida na lapiseira, para conseguir representar todas estas linhas. Esta pressão é feita com o pulso,que vai pressionar mais ou menos a lapiseira. Na figura 8 está apresentado um exercício em que o foco é exatamente o controle EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 21 da pressão; as linhas que estão apresentadas ali foram feitas com a mesma lapiseira (0,5), mudando a pressão feita com o pulso. Figura 8 – Tipos de linhas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura podemos ver uma linha mais “grossa”, uma linha “média” e uma linha mais “fina”, não é mesmo? Na verdade, todas as linhas possuem a mesma espessura, já que foram feitas com um único tipo de lapiseira e com o mesmo grafite, mas parecem ter espessuras diferentes, devido à pressão que foi aplicada no momento da construção do traço. ANOTE ISSO O treino no uso de qualquer um dos instrumentos de desenho é fundamental, e no caso das lapiseiras é ainda mais importante, já que estamos acostumados ao seu uso de uma única forma, geralmente fazendo muita pressão, de forma semelhante ao que fazemos na utilização de um lápis. É preciso reaprender a utilizar esta ferramenta! 2.3 Uso dos esquadros Vamos entender como utilizar os esquadros com uma prancheta de régua fixa; como este instrumento é mais simples, e pode ser feito pelo próprio profissional, seu custo é bem menor; além disso, a sua utilização é bastante simples, como veremos a seguir. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 22 A primeira coisa que você deve entender é que todas as linhas devem ser desenhadas com o apoio dos esquadros, ou seja, não vão existir linhas feitas aleatoriamente nos desenhos. A segunda coisa que você deve entender, é que os esquadros devem estar, sempre, apoiados, ou na régua fixa, ou um no outro. Caso os esquadros não estejam apoiados de uma destas duas formas, as linhas não serão ortogonais, o que significa que estarão erradas; em raríssimos casos os esquadros serão usados de outra forma. Na figura 9 podemos ver como serão desenhadas as linhas verticais; note que na figura é possível notar que o esquadro está sendo apoiado na régua fixa, e, desta forma, pode “andar” pela folha, o que significa que ele será puxado para um lado e para o outro para fazer linhas paralelas. Figura 9 – Uso do esquadro – linhas verticais Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Para a execução das linhas horizontais, vamos utilizar os dois esquadros; para isso o primeiro esquadro deverá estar apoiado na régua fixa, e o segundo será apoiado no primeiro; dê uma olhada na figura 10. Figura 10 – Uso do esquadro – linhas horizontais Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 23 Apoiados desta maneira, é possível que os dois esquadros sejam manejados, permitindo que sejam feitas tantas linhas paralelas quantas forem necessárias. Caso você esteja utilizando uma régua paralela, ou uma régua “T”, você poderá utilizar estas réguas para desenhar as linhas horizontais, ao invés de utilizar o esquadro. As linhas verticais, no entanto, deverão ser feitas com o esquadro apoiado. mas, de qualquer modo, precisará utilizar 2.5 Uso do Escalímetro Um dos instrumentos mais importantes para o trabalho com projetos do Designer de Interiores é o escalímetro. Essa será a nossa “régua”, ou seja, a ferramenta que usaremos para colocar as medidas em nossos desenhos. Mas porque não é possível utilizar uma régua daquelas comuns? Porque trabalhamos com escalas de redução, ou seja, vamos reduzir os desenhos que representam nossos projetos, para que caibam nas folhas de papel, e caso utilizássemos uma régua comum, seria preciso ficar fazendo contas, para que as proporções ficassem exatas, e os outros profissionais que fossem trabalhar no mesmo projeto poderiam errar esta proporção; você consegue imaginar o trabalho e a quantidade de erros que poderiam ocorrer? Para evitar os erros, e todo o trabalho, vamos utilizar o escalímetro, que pode ser entendido como uma régua que já vem com várias “proporções de redução”, o que representa uma série de vantagens: - As proporções já estão prontas, bastando escolher a mais conveniente para o trabalho (ou a mais usada); - Basta informar a escala utilizada, e todos os profissionais vão conseguir “ler” corretamente o desenho; - A leitura e a interpretação do escalímetro é muito simples e rápida de ser feita. Vamos, então, entender este instrumento, o que você acha? A primeira coisa é entender o que cada escala representa; uma escala é uma proporção, então, quando usamos a escala 1:50, por exemplo, vamos executar o desenho 50 vezes menor do que o tamanho real. O mesmo vai valer para todas as outras escalas desta ferramenta. A segunda coisa a compreender é que todas as escalas de um escalímetro estão divididas por metro e em suas subdivisões, ou seja, 1.00m, 2.00m, etc. Dê uma olhada na figura 11. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 24 Figura 11 – Escala 1:50 Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura vemos, ampliada, a escala 1:50. Podemos perceber várias coisas com esta figura: - as marcações 1; 2; 3, etc, representam, respectivamente, 1,00m; 2,00m, etc. ou seja, se você precisasse marcar 2,00 m em seu desenho, você faria uma marcação sobre o número 2. - a linha azul (a primeira linha depois do 0) é a primeira subdivisão desta escala, e equivale a 0,05m; - a linha vermelha, a segunda depois do zero, equivale a 0,10m; - a linha verde equivale a 0,50m, ou seja, ½ metro. Podemos perceber que a precisão nesta escala é de 0,05m. Caso você precise marcar a medida de 1,65m, por exemplo, basta contar as linhas, até atingir a medida. As escalas 1:50 e 1:75 possuem as mesmas características, ou seja, a sua subdivisão mínima (e a precisão) é de 0,05m Agora analise a figura 12. Figura 12 – Escala 1:20 Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura podemos ver a escala 1:20 ampliada; aqui também podemos aprender algumas coisas: - a marcação 1 representa 1,00m, ou seja, se você precisasse marcar 1,00 m em seu desenho, você faria uma marcação sobre o número 1. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 25 - a linha azul (a primeira linha depois do 0) é a primeira subdivisão desta escala, e equivale a 0,02m; - a linha vermelha, a segunda depois do zero, equivale a 0,10m; - a linha verde equivale a 0,50m, ou seja, ½ metro. Na escala 1:20 a precisão, portanto, é de 0,02m. Caso você precise marcar 1,24m nesta escala, basta contar as linhas até esta medida. As escalas 1:20 e 1:25 também possuem a mesma precisão, de 0,02m. Para finalizar, vamos analisar a figura 13. Figura 13 – Escala 1:100 Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A escala 1:100 ampliada, mostrada na figura 13, também podemos aprender várias coisas: - as marcações 1; 2; 3; 4, etc, representam, respectivamente, 1,00m; 2,00m, etc. ou seja, se você precisasse marcar 3,00 m em seu desenho, você faria uma marcação sobre o número 3. - a linha azul (a primeira linha depois do 0) é a primeira subdivisão desta escala, e equivale a 0,10m; - a linha verde equivale a 0,50m, ou seja, ½ metro. Isso significa que a precisão, na escala 1:100, é de 0,10m. Caso seja preciso marcar a medida 1,70m, basta contar as linhas. As escalas 1:100 e 1:125, também, possuem a mesma precisão, de 0,10m. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 26 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA A escala 1:50 é a mais utilizada em desenhos arquitetônicos, devido à precisão que ela possibilita, e as medidas que são utilizadas em projetos de arquitetura e de design de interiores. Como é possível perceber, o uso do escalímetro é bem semelhante ao uso de uma régua comum; basta entender que, neste caso, estamos trabalhando com as medidas em metros, e suas divisões. Gostaria de propor um exercício; pode ser interessante, para entender como utilizar a lapiseira, e paratreinar o uso dos esquadros, ou seja, para fixar o que acabamos de estudar. Vamos começar com uma folha A3 (sulfite ou manteiga, tanto faz); a primeira parte do exercício é prender, da forma como aprendemos, a folha na prancheta. Depois disso, você vai dividir a folha em quatro partes, como pode ser visto na figura 14. Figura 14 – Divisão da folha Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo é trabalhar no quadrante inferior direito; aqui vamos fazer linhas horizontais, com 0,5m de distância entre elas, em escala 1:100, como pode ser visto na figura 15. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 27 Figura 15 – Marcação das distâncias Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com as linhas marcadas, você vai começar a desenhar as linhas horizontais, intercalando as linhas grossas, médias e finas, como pode ser visto na figura 16. Figura 16 – Linhas Horizontais. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois de finalizar estas linhas, vamos desenhar os outros quadrantes como pode ser visto na figura 17. Figura 17 – Desenho finalizado. Fonte Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 28 É importante observar as diferenças entre os tipos de linha, aperfeiçoando o traço, bem como a forma de utilizar a lapiseira, os esquadros e a pressão exercida no desenho da linha. Também é importante que você não apague as linhas que foram feitas, para que possa comparar os traços e ir melhorando-os com a prática! EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 29 CAPÍTULO 3 NORMAS E CONVENÇÕES No Brasil, atualmente, é muito comum que encontremos projetos de edifícios criados por escritórios de arquitetura de fora do país, ou mesmo que designers e arquitetos criem projetos para outros países. Mas como é feita a comunicação entre estes profissionais, que falam línguas diferentes? Através do Desenho Técnico! Os desenhos técnicos devem seguir as Normas e Convenções que o Brasil assinou, para garantir a leitura e a interpretação corretas deste tipo de representação. Você já pensou se cada pessoa desenhasse de uma maneira diferente? Seria praticamente impossível a comunicação das ideias, já que cada profissional faria como achasse mais apropriado, ou cada país faria representações diferentes para os mesmos objetos. Para evitar estes problemas a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é signatária de várias regras internacionais de representação, criadas pela International Standard Organization (ISO). Este tipo de regra, que é chamado de Norma Brasileira, ou NBR, é seguido pela grande maioria dos países (ou seja, não é apenas uma Norma Brasileira), o que garante que os desenhos possam ser interpretados por qualquer profissional qualificado. Muitas vezes, ao comprar um produto importado, você deve ter olhado o manual, e, mesmo que não tenha entendido o que estava escrito, conseguiu interpretar os desenhos, não é mesmo? Isto acontece por causa destas Normas e Convenções, ou seja, mesmo que você não tenha feito um curso de desenho, certamente já viu alguns desenhos técnicos, e consegui entendê-los. Agora que entendemos o que são as Normas Brasileiras, ou as NBR’s, vamos conhecer as principais que se aplicam ao Desenho Técnico, o que você acha? 3.1 NBR 10068 A NBR 10068 – Folha de Desenho – Leiaute e Dimensões, vai falar sobre os tamanhos das folhas de desenho que podem ser usadas na criação de desenhos técnicos. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 30 Os formatos que são utilizados no Brasil, de acordo com esta NBR são os da série “A”, isto é, derivam do A0, que é o maior formato desta família, como pode ser visto na figura 1. Figura 1 – Formato série “A” O formato A0 tem 1 m2; o A1 tem 0,50 m2, e assim por diante. Apenas para efeito de comparação, o papel sulfite que usamos em nossas impressoras, tem o tamanho A4, que vem desta normatização. Os cartões de visita também vêm desta formatação, no tamanho A8, apesar de atualmente este formato não ser respeitado. A gramatura do papel também vem daí, ou seja, quando você compra papel para a sua impressora, e no pacote está escrito que ele tem “75 g/m²”, quer dizer que uma folha A0 que seja feita com o mesmo tipo de papel sulfite que você comprou, vai pesar 75 gramas. A figura 2 mostra uma tabela com as dimensões de cada uma das folhas da família “A”. Formato Largura (mm) Comprimento (mm) A0 841 1189 A1 594 841 A2 420 594 A3 297 420 A4 210 297 Tabela 1 – Dimensões das folhas da série “A” Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 31 As folhas de formato “A4” dificilmente são utilizadas em desenhos técnicos, já que não permitem a inserção de muitas informações; o menor formato usado é o “A3”. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Quando usamos uma folha de papel para a criação de um desenho técnico, costumamos dizer que estamos “montando uma prancha”, ou seja, as folhas de desenho são chamadas de pranchas. Temos pranchas de desenhos com plantas, pranchas de desenho com cortes, pranchas de desenho com detalhes, etc. O layout e a montagem das pranchas, inclusive, é um detalhe que demanda tempo e capricho, já que as pranchas de desenho devem ser esteticamente bonitas e harmônicas. A escolha do formato tem relação com as escalas dos desenhos, e o que deve ser colocado na prancha, o que significa que não existe um tamanho de folha melhor ou mais indicado, mas, sim, aquela que vai conter todas as informações necessárias ao projeto. Outro item muito importante, que consta nesta Norma, e que, portanto, é obrigatório, são as margens. Podemos entender as margens como uma moldura dos desenhos, ou seja, elas servem para proteger os desenhos de amassados, rasgos, ou outros problemas que possam acontecer com a folha. As margens são executadas com linhas grossas (você vai usar a lapiseira 0,9), e os desenhos não devem encostar nestas linhas. Na figura 2 podemos ver as margens, que devem ser executadas independentemente da posição na qual a folha for utilizada. Figura 2 – Desenho das margens Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 32 As medidas das margens podem ser observadas na tabela 2; a lateral esquerda sempre será mais larga, para que a folha seja perfurada e colocada em pastas para serem arquivadas. Também é possível notar que os maiores formatos (A0 e A1) terão as outras margens maiores, mas a margem esquerda é constante para todos os formatos, já que a sua função é a preparação para o arquivamento. Formato Margem A Esq. Dir. A0 25 10 A1 25 10 A2 25 7 A3 25 7 A4 25 7 Tabela 2 – Medidas das margens (em milímetros) Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) Também é importante saber que as margens superior e inferior vão seguia a medida da margem direita, independente do tamanho da folha. As margens são limitadas pelo tamanho da folha, ou seja, estas dimensões são desenhadas a partir da borda da folha. Outro item fundamental em nossas pranchas de desenho, e que está definido por esta NBR são os carimbos, ou legendas. Os carimbos têm a função de indicar o que está contido naquela prancha, já que muitas vezes temos mais de um tipo de desenho por prancha. Na figura 3 podemos ver como os carimbos ficam nas duas posições possíveis para a execução das pranchas. Figura 3 – Carimbos Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) Quando as folhas forem dobradas, como veremos a seguir, esta posição vai manter o carimbo visível, informando o que constem cada prancha, sem que seja necessário abrir as folhas. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 33 Por falar em dobras de folhas, vamos entender como isso funciona com a nossa próxima NBR. 3.2 NBR 10.582 A NBR 10.582 – Apresentação da folhapara desenho técnico vai definir um pouco mais o layout das folhas de desenho, definindo onde devem ser colocados os desenhos, e onde pode ser inserido os textos que sejam necessários para explicar o projeto. De acordo com esta NBR, deve existir na prancha um espaço para o desenho, e um espaço para o texto, como pode ser visto na figura 4. Figura 4 – Espaço para texto Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) Este espaço não deve ser demarcado como uma linha; estas linhas foram colocadas na figura 4, apenas para indicar onde os textos deverão ficar, ou seja, tudo o que precisar ser escrito deverá estar na parte inferior da folha, como indicado. Também é importante que seja deixado um espaço sem textos e sem desenhos, para que sejam feitas as anotações referentes às reuniões com clientes e fornecedores, ou seja, é na parte inferior das pranchas que você vai fazer uma minuta destes encontros, escrevendo todas as alterações que deverão ser feitas, bem como as partes que já estão aprovadas. 3.3 NBR 13.142 A NBR 13142 – Desenho Técnico – Dobramento de cópia, fala sobre como as folhas devem ser dobradas, para que fiquem com o formato A4, que é o formato em que as pranchas devem ser arquivadas. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 34 ANOTE ISSO Você deve ter notado que esta NBR fala sobre o dobramento de cópias, não é mesmo? Isso acontece porque, há algum tempo, eram feitos os desenhos originais, em papel vegetal, que ficavam com o arquiteto ou designer, e, a partir destes originais, eram feitas cópias heliográficas, em papel sulfite, que eram enviadas para a obra, para o cliente, etc, e eram estas cópias que deveriam ser dobradas, já que o papel vegetal não pode ser dobrado. Atualmente, como os desenhos são, geralmente, criados com a ajuda de programas de computador, as cópias geradas por impressoras é que devem ser dobradas para serem arquivadas. Na figura 4, temos o exemplo da dobra da folha tamanho A2; quando totalmente dobrada, esta folha vai ficar como a miniatura indica. Figura 4 – Dobra da folha A2 Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) Nas folhas que forem desenhadas, deverão ser indicados os pontos de dobra, que vão servir como guia para a pessoa que vai, efetivamente, executar este trabalho. Até mesmo a folha A3, que é um pouco maior do que uma folha A4, deverá ser dobrada para arquivamento. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 35 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Mesmo em uma era tão digital quanto a que vivemos, a impressão dos desenhos ainda é muito importante; Em uma obra, por exemplo, seria impossível ter um computador ou um tablet que não fosse danificado com o tempo; as impressões, por outro lado, podem ser rabiscadas, dobradas, movimentadas, etc. Na grande maioria das obras é muito comum que uma ou mais impressões estejam presas às paredes, servindo como guia para os profissionais que estão executando o trabalho. Além disso, como todas estas cópias estão dobradas e arquivadas, o transporte é simples e eficiente. 3.4 NBR 8.196 A NBR 8.196 – Desenho Técnico – Emprego de Escalas, vai indicar o que são escalas, e como elas serão usadas na produção de desenho. Podemos entender as escalas como uma proporção entre o desenho e o objeto real, seja este objeto um relógio, um celular, ou uma casa. A escala que será usada deve ser escolhida a partir das necessidades de representação do desenho, ou seja, o que é preciso mostrar para as outras pessoas; imagine que, ao criar um móvel, por exemplo, ele está muito claro na sua cabeça, não é mesmo? Mas será preciso que ele também fique claro na cabeça do marceneiro que vai construir esta peça, e, para que ele consiga entender a sua ideia, será preciso desenhar todas as partes deste móvel. E em qual escala vamos fazer estes desenhos? Isso vai depender do nível de detalhe que você vai querer mostrar para seu fornecedor; quando você está trabalhando com peças “comuns”, ou seja, que serão construídas da forma tradicional, será possível desenhar menos detalhes; quando você está criando uma peça que não usa a forma convencional de construção, será preciso detalhar mais o desenho. Para isso, vamos trabalhar com três tipos de escalas em nossos desenhos; termos: - as escalas de redução, que são as mais utilizadas em desenhos de Arquitetura e Design, ou seja, escalas que vão reduzir o desenho, de forma a que eles caibam nas pranchas escolhidas; o desenho de uma casa deverá ser feito em uma escala pequena, que vai possibilitar que ele se encaixe na prancha de desenho. - as escalas de ampliação, que vão aumentar o desenho em relação ao objeto, o que significa que o desenho ficará maior do que um objeto; isto acontece muito em Desenho Industrial, onde os projetistas precisam detalhar todas as peças de um EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 36 objeto, especialmente, se for um objeto eu acabou de ser criado, e que não vai usar peças padronizadas. - a escala natural, ou real, que vai manter o desenho do mesmo tamanho da peça; pode ser que você utilize esta escala para desenhar os detalhes do móvel que acabou de criar, já que, nesta escala, você vai mostrar ao marceneiro como o móvel vai ficar depois de pronto. Ainda vamos entender o uso do escalimetro, e vai ficar mais fácil entender a diferença entre as escalas, e como vamos escolher as escalas para cada caso, não se preocupe. De acordo com esta Norma, a escala na qual o desenho foi criado deve ser indicada no carimbo; caso tenha sido usada mais de uma escala na mesma prancha (algo que é muito usual em desenhos de design e arquitetura), a escala de cada desenho deve ser mostrada abaixo dele, e, no carimbo, deve ser inserida a frase “Escala Indicada”, ou seja, para saber a escala de cada desenho, será preciso ler cada um deles. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Esta Norma também diz que a palavra “ESCALA” pode ser abreviada para a forma “ESC.”, que é o mais usual nos desenhos. Nesta NBR temos, ainda, a forma de indicação das escalas, ou seja, como elas deverão ser representadas; a tabela 3 mostra a forma de indicação das escalas de ampliação, de redução e a escala real. Redução Natural Ampliação 1:2 1:1 2:1 1:20 20:1 1:200 200:1 1:2000 2.000:1 Tabela 3 – Escalas Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) As escalas de redução devem ser lidas como: “Escala um para dois”; “Escala um para vinte”, etc. A escala real deve ser lida como: “Escala um para um”. As escalas de redução devem ser lidas como: “Escala dois para um”; “Escala vinte para um”, etc. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 37 3.5 NBR 8.403 A NBR 8.403 – Aplicação de linhas em desenhos – Tipos de Linhas, vai falar, obviamente, sobre as linhas de desenho, e o significado de cada uma delas. Para a criação de desenhos, temos vários tipos diferentes de linhas, e cada uma delas representa uma coisa diferente; saber interpretar estas linhas é uma das tarefas de um profissional. Esta NBR traz varias linhas para desenhos mecânicos e de objetos, que não são usadas em nosso caso; por isso vamos focar nas linhas que são usadas em desenhos de Design e Arquitetura. Vamos começar conhecendo estas linhas, que estão na figura 5. As espessuras das linhas contínuas, de forma geral, vão demonstrar a proximidade de um objeto com o observador. Mas o que isto quer dizer? Imagine que, quanto mais próximo dos olhos deste observador o objeto ou a peça representada, está, mais grossa será a linha usada para representá-lo. De forma semelhante, quanto mais distante dos olhos deste observador o objeto estiver, mais fina será a linha usada na representação. Vamos imaginar uma planta arquitetônica, como aquelas que são distribuídas em faróis. Se você olhar atentamente, as linhas que representam as paredes, por exemplo, serão mais grossas do que aquelas usadas para representar os moveis, e a linha usadapara representar os moveis será mais grossa do que aquelas usadas para representar o piso. Isto acontece para que tenhamos, em um desenho bidimensional, uma noção de profundidade. Isso pode parecer confuso, mas vamos estudar tudo isso de forma mais profunda quando entendermos o que são plantas e cortes, não se preocupe. Na figura Figura 5 – Linhas de desenho Fonte: Elaborado pelo Autor (2022) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 38 A linha de número 1 é chamada de linha de “contorno”. Esta é uma linha contínua e grossa; ela é utilizada para representar os abjetos que tenham sido seccionados em uma planta ou em um corte, ou seja, vamos usar este tipo de linha, de forma geral, em paredes e lajes, que são os objetos mais próximos ao observador em corte e plantas. No exemplo do desenho de que você pegou no farol, as linhas de paredes serão feitas com as linhas de contorno. A linha de número 2, tem o nome de linha “interna”, e representa os demais elementos de uma planta ou de um corte, que estão um pouco abaixo do plano de secção, ou seja, do local onde a edificação foi seccionada, e portanto, estão mais distantes dos olhos do observador. No nosso exemplo, esta linha será usada para a representação dos moveis, portas e janelas da planta. A próxima linha, número 3, é a linha de “cota”; como o próprio nome indica, esta linha é usada para a indicação das cotas em um desenho; como é uma linha que não faz parte do desenho, mas é utilizada para indicações, tem uma espessura menor que as anteriores. Muitas vezes este tipo de linha é utilizado para a representação de objetos que estão distantes em relação ao observador. No exemplo da nossa planta, esta seria a linha utilizada para o desenho do piso. Você consegue perceber como esta é uma maneira bastante criativa de indicar profundidades e distâncias em um desenho que tem apenas duas dimensões não é mesmo? Continuando na sequência da figura, temos a linha 4; que é uma linha tracejada; este tipo de linha é utilizado para a representação de objetos que estão acima do plano de secção do desenho, ou seja, as projeções de partes e objetos que normalmente não apareceriam na planta ou no corte. No caso de um projeto de interiores, por exemplo, vamos utilizar a linha tracejada para indicar a existência de um armário suspenso, ou algum item que esteja acima do plano que seccionou a edificação. Como você imagina, esta é uma linha muito usada em nossos desenhos. A linha 5, uma linha que é composta por traço e ponto, é utilizada para a indicação da posição dos cortes que forem feitos na edificação, em uma planta arquitetônica; estas linhas têm uma espessura semelhante a linha número 1, ou seja, são linhas grossas. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 39 A última linha que temos na figura, é a linha número 6, que é uma linha traço e dois pontos; neste caso, os traços são mais longos do que os que são usados na linha de corte; esta linha é chamada de “eixo”. Esta tipo de linha tem a função de indicar o eixo estrutural dos elementos construtivos, como as paredes, os pilares e as vigas; este tipo de linha não é muito comum em projetos de interiores, mas devem ser entendidos quando visto em desenhos de arquitetura. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 40 CAPÍTULO 4 REPRESENTAÇÃO ARQUITETÔNICA Neste capítulo vamos entender a Representação Arquitetônica, ou seja, como vamos usar as Normas que acabamos de conhecer, juntamente com a NBR 6492 – Representação de Projetos de Arquitetura. Esta NBR é que vai indicar como são os nossos desenhos, como devem ser feitos, e o que representam. Como já vimos, é importante que todos os profissionais utilizem as mesmas regras para representar coisas semelhantes. De acordo com Montenegro (2006, p. 24) “o desenho técnico não pode sujeitar-se aos gostos e caprichos de cada desenhista, pois é usado por profissionais diversos”. 4.1 NBR 6492 As representações arquitetônicas são a forma que os profissionais têm para se comunicar, explicitando as suas ideias de uma maneira gráfica; isto significa que precisamos conhecer estas regras, para que nossos projetos sejam entendidos e executados. A Norma divide os desenhos arquitetônicos em dois grupos: - Os desenhos feitos à mão livre - Os desenhos feitos com instrumentos No primeiro grupo estão os croquis iniciais e os desenhos preliminares, ou seja, as primeiras ideias que o designer de interiores ou o arquiteto teve, e que são colocadas no papel, sem um grande compromisso com escalas ou com a exatidão técnica; podemos entender estes desenhos como uma forma de tornar uma ideia em uma representação física. Este tipo de desenho é fundamental, tanto para “compreender” as suas próprias ideias, quanto para não esquecer as primeiras inspirações que você teve sobre um projeto. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 41 Neste momento, no entanto, vamos nos concentrar no segundo grupo, ou seja, nos desenhos feitos com instrumentos. Já vimos como os instrumentos de desenho devem ser usados, e já conhecemos algumas das várias Normas que se aplicam a estes desenhos; vamos, a partir de agora, aplicar estes conhecimentos nesta nova NBR, compreendendo como é feita a representação arquitetônica, que será usada em nossos projetos. De forma geral, quando fazemos as representações técnicas de nossos projetos, vamos utilizar alguns desenhos: - Plantas - Cortes - Elevações - Detalhes ANOTE ISSO Apesar de chamarmos estes desenhos de “Representações Arquitetônicas, eles se aplicam a uma vasta gama de projetos, e não apenas a projetos de arquitetura Plantas, cortes e elevações são usados em projetos de Design de Interiores, de Mobiliário, de Objetos de Decoração, entre muitos outros, ou seja, o que vamos entender neste conteúdo poderá ser usado em várias partes de nossa atividade profissional. Vamos, a partir de agora, entender cada uma destas representações, o que está representado, e, mais importante, como podemos fazer os nossos próprios desenhos e projetos a partir disso. Vamos lá? 4.1 Vistas Ortogonais Precisamos entender, antes de começar, que todos os desenhos citados acima são vistas ortogonais, isto é, são uma forma de “enxergar” o mundo, que foi criada há algum tempo. Como já vimos, Gaspar Monge foi o responsável pela definição do sistema projetivo de representação que usamos; mas o que é isso? Vamos entender com um exemplo prático, o que você acha? EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 42 Vamos imaginar que você precise projetar um gabinete para o banheiro de seu cliente; você provavelmente vai pensar em um móvel como o que está representado na figura 1. Figura 1 – Gabinete Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A figura está em perspectiva porque pensamos em três dimensões, isto é, como enxergamos o mundo em três dimensões, vamos pensar nas coisas em três dimensões. Não é natural pensarmos o mundo como “Projeções Ortogonais”. Este desenho, no entanto, vai dificultar a colocação das cotas, e dos detalhes, bem como a visualização das outras vistas da peça. Isso quer dizer que os desenhos em perspectiva podem “enganar” as pessoas, ou seja, eles não são considerados desenhos técnicos, já que podem levar a erros na execução das peças. Mas então o que fazer? Gaspar Monge resolveu esta situação criando as vistas ortogonais, ou seja, ele desenvolveu uma maneira de mostrar como é a cadeira que você imaginou “tecnicamente”, isto é, com as medidas, as vistas necessárias para a construção, e com todos os detalhes que você imaginou. A ideia de Monge é que você coloque a sua peça dentro de um cubo transparente, e veja como são as vistas ortogonais; depois disso, basta abrir o cubo e visualizar as vistas que vão representar a peça de uma forma técnica. Afigura 2 vai ajudar a entender este conceito. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 43 Figura 2 – Vistas Ortogonais Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Aqui podemos ver as seis vistas que vão compor esta peça; o próximo passo é fazer a épura, ou a planificação deste cubo, observando os desenhos de forma ortogonal; A figura 3 mostra como fica a épura deste cubo. Figura 3 – Épura do Gabinete Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 44 Aqui podemos ver que as vistas estão “Invertidas; por exemplo, na paetê superior da épura temos a vista inferior da peça, e na parte inferior da épura temos a vista superior. Porque isto acontece? Quando estamos desenhando as Vistas ortogonais, estamos “projetando” o desenho dentro do cubo; imagine que dos nossos olhos partam raios que “projetam” o desenho, ou seja, quando estamos olhando o desenho a partir da cista superior, estamos projetando o desenho na parte inferior do cubo, como pode ser visto na figura 4. Figura 4 – Épura Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Esta mesma forma de pensar vai se aplicar aos desenhos arquitetônicos, ou seja, vamos olhar um objeto e “projetar” as linhas para que sejam desenhadas; você conseguirá perceber que a Vista Superior do nosso gabinete é o mesmo desenho que faremos para uma planta, não é mesmo? E o mesmo vai valer para todos os outros desenhos que criarmos! 4.2 Tipos de Plantas Uma das primeiras coisas que você tem de saber, é que existem vários tipos de plantas; existem as plantas arquitetônicas, sobre a qual vamos conversar em breve, mas existem vários outros desenhos, que também são chamados de plantas, e que trazem outras informações. Estas informações são muito importantes para a execução da edificação, mas também são fundamentais para a criação de um projeto de interiores, já que vão ajudar a direcionar o projeto, e reduzir os problemas que podem ocorrer em uma obra. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 45 Muitas destas plantas fazem parte dos chamados “Projetos Complementares”, que são projetos muito importantes no momento da construção, mas que não são exatamente os projetos arquitetônicos. Algumas destas plantas são: - Planta de Estrutura; - Planta de Instalações Hidráulicas de água fria; - Planta de Instalações Hidráulicas de água quente; - Planta de Esgoto sanitário; - Planta de Instalações Elétricas; - Planta de Instalação de gás Existem outras plantas e desenhos importantes, é claro, mas estas vão ajudar a resolver alguns problemas que às vezes nem imaginamos; por exemplo, se você tiver acesso à planta de instalações hidráulicas (quando ela existir), vai conseguir saber onde passa a tubulação de água. Sabendo disso, vai ficar mais simples e seguro fazer o projeto de um nicho, ou mudar o lugar de instalação de uma papeleira. Além disso, existem várias plantas que devem ser criadas por Designers de Interiores, a partir de seu projeto: - Planta Lay Out, indicando a disposição do mobiliário; - Planta de paginação de piso, feita a partir da escolha do revestimento, e de acordo com as necessidades do projeto; - Planta de Iluminação, indicando a disposição das luminárias definidas para o espaço. ANOTE ISSO O correto é falar “Planta”, e acrescentar o tipo de planta sobre o qual você está falando; por exemplo “Planta Arquitetônica”; Planta de Instalações Elétricas”, entre outras. De acordo com a Norma 6492, não existe o termo “Planta Baixa”, ou seja, a nomenclatura é apenas “Planta”. Muitos clientes e mesmo muitos outros profissionais vão falar em “Planta Baixa”, mas o correto é apenas “Planta”! EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 46 Isso significa que o que aprendemos aqui será usado em toda a sua vida profissional, já que esta será a forma de comunicação de nossas ideias. 4.2 Plantas Vamos entender, então, como são criadas as plantas, isto é, como elas são feitas. De acordo com a NBR 6492: “Vista superior do plano secante horizontal, localizado a, aproximadamente, 1,50 m do piso em referência. A altura desse plano pode ser variável para cada projeto de maneira a representar todos os elementos considerados necessários.” ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 6492 – Representação em projetos de arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 1994 Isso significa que, para desenhar uma planta, você vai imaginar um plano secante, isto é, um plano que vai cortar a edificação, a 1,50m de altura em relação ao piso. Vamos entender isto de forma gráfica, para ficar mais fácil, o que você acha? Dê uma olhada na figura 5; aqui podemos ver uma edificação bem simples, e com um único andar. Figura 5 – Edificação Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Nesta edificação, vamos colocar um “Plano Secante”, algo como uma lâmina horizontal, a 1,50m de altura em relação ao piso da casa; veja como isso fica na figura 6. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 47 Figura 6 – Plano Secante Horizontal Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Este plano vai cortar todas as paredes, portas e janelas da edificação, permitindo que seja visto tudo o que existe ali dentro. Depois de inserir o plano secante horizontal, vamos “separar” as duas partes que foram criadas, o que significa que vamos ficar com uma parte superior da edificação e uma parte inferior, como pode ser visto na figura 7. Figura 7 – Separação do plano secante Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A parte inferior da edificação é a nossa planta arquitetônica; veja a ampliação na figura 8 EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 48 Figura 8 – Ampliação do Plano Secante Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Estamos quase finalizando a nossa planta; agora, como vimos a respeito das vistas ortogonais de Gaspar Monge; isso significa que a nossa planta, até este momento, não é um desenho técnico; mesmo que já seja possível entender a edificação, ela não poderia ser utilizada para a construção da residência; para que este desenho possa ser entendido corretamente, vamos visualizá-lo ortogonalmente, em uma vista superior. Veja na figura 9. Figura 9 – Vista Ortogonal Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 49 A figura 9 já apresenta um desenho mais semelhante a uma planta, não é verdade? Mas, para que ela seja entendida de uma maneira mais “técnica”, ou seja, de uma maneira a passar todas as informações de que precisamos, vamos colocar mais alguns detalhes, como as espessuras de linhas, que já conhecemos, e informações que são exigidas pela NBR 6492. Compare a figura 9 com a que está apresentada na figura 10, e que pode ser entendida como um desenho técnico. Figura 10 – Planta arquitetônica Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A figura já apresenta um desenho mais próximo do que entendemos com uma planta técnica, não é mesmo? No entanto, ainda faltam alguns dados que vamos inserir, mas já é possível entender como a edificação foi imaginada. Várias mudanças devem ser feitas para que o desenho seja entendido como um desenho técnico; - Os desenhos técnicos são monocromáticos, ou seja, eles são feitos em papel branco, com linhas pretas; isso significa que as cores que estavam na figura 9 devem ser retiradas. - Devem ser inseridas informações que não apareciam anteriormente, como o uso dos ambientes e as dimensões dos espaços; EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 50 - Deve ser indicado o “beiral” do telhado, isto é a parte da cobertura que ultrapassa as paredes, e que são indicadas com a linha tracejada; - Nas áreas molhadas pode ser indicada a paginação de piso; - A janela do banheiro, que não aparecia antes, por estar a 1,50m do piso, deve sermostrada, como na figura 10. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Cada uma das plantas de uma edificação com vários andares será feita da mesma forma, ou seja, a partir de 1,50m de altura de cada piso, será inserido um plano secante, que mostrará como é a planta de cada andar. Vamos entender estes detalhes mais profundamente nos próximos capítulos, além de entender como uma planta é desenhada. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 51 CAPÍTULO 5 DETALHES DA PLANTA ARQUITETÔNICA Existem vários detalhes que devem constar em uma planta, de acordo com o que diz a NBR 6492. É preciso lembrar que, quanto mais claro e mais detalhado estiver o seu desenho, menores as chances de acontecerem problemas, ou de surgirem duvidas durante a construção do projeto, ou seja, mais simples e rápida será a execução da obra. Para isso, existem algumas representações que são padronizadas, indicadas na NBR, como veremos a seguir, e que devem ser utilizadas. Vamos começar a entender estes detalhes, o que você acha? 5.1 Portas Você deve ter notado, na aula anterior, que as portas são desenhadas, em plantas, abertas; além disso, é preciso que seja desenhado o arco que indica o espaço necessário para que ela possa ser movimentada livremente. Na figura 1 podemos ver o desenho de uma das portas de nossa planta com mais detalhes. Figura 1 – Detalhe da porta. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 52 Na figura podemos ver a representação de uma porta de abertura convencional; aqui podemos ver que a porta é composta de duas partes distintas: a “Folha de Porta” e o “Batente”. Muitas vezes, quando as pessoas falam sobre a porta, elas estão se referindo apenas à Folha de Porta As partes fixadas nas paredes são chamadas de batentes, e são a estrutura que segura a Folha de Porta; A Folha de Porta é a parte responsável pelo movimento de abertura e fechamento do vão. As folhas de porta têm larguras padronizadas, que vão de 0,60cm, 0,70cm, 0,80cm e 0,90cm; isso significa que, caso você vá a uma loja de materiais de construção agora, vai encontrar folhas de porta com esta medida a pronta entrega; os demais tamanhos, muitas vezes, precisam ser encomendados. As alturas das folhas de portas também são padronizadas, em 2,10m. Isto significa que folhas de portas com alturas maiores precisam ser executadas sob medida. Outra coisa importante que você precisa saber, é que as medidas acima representam o vão da porta, isto é, o espaço de passagem, mas as folhas de porta possuem medidas um pouco maiores; dê uma olhada na figura 2 Figura 2 – Fechamento da porta Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura 2 podemos ver que a folha de porta, para fechar o vão de passagem, precisa ter uma dimensão maior do que este vão; comercialmente, esta dimensão é de 1,00cm de cada lado, ou seja, uma folha de porta que vai cobrir um vão de 0,60cm tem a dimensão de 0,62cm; o vão de porta de 0,70cm precisa de um folha de porta de 0,72cm, e assim por diante. Outro detalhe que podemos ver na figura 1, é a “Soleira”, já que temos a representação da porta de entrada. A soleira é um acabamento, que é colocado nas portas (geralmente nas portas de entrada, mas em edificações mais antigas podia ser colocado em todas as portas da casa), e que tem a largura do batente; este acabamento, que muitas vezes é feito com algum tipo de pedra, tem a função de separar os pisos de cômodos diferentes. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 53 O desenho das portas em planta vai depender do modelo escolhido para o projeto, ou seja, dependendo do tipo de porta a ser utilizado, será necessário que o desenho represente esta opção; a figura 3 mostra alguns dos tipos de porta mais utilizados. Figura 3 – Portas em Planta Fonte: https://www.contramarco.com/post/esquadrias-sob-a-perspectiva-do-projeto-arquitet%C3%B4nico (Acessado em 03/02/2023) O nível de detalhe do desenho também tem uma relação direta com a escala; na escala usual utilizada para o desenho de plantas arquitetônicas, por exemplo, dificilmente as portas terão mais detalhes do que aqueles que podem ser vistos na figura 2. Caso você precise aumentar o detalhe do desenho, como na figura 1, será preciso ampliar a escala do desenho. 5.2 Janelas As janelas também dependem do nível de detalhe exigido pelo projeto. Na planta com a qual estamos trabalhando, por exemplo, o nível de detalhe não é muito grande, por isso o desenho da janela é bastante simples. Na figura 4 podemos ver que a representação está bem simplificada. Figura 4 – Detalhe da janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) https://www.contramarco.com/post/esquadrias-sob-a-perspectiva-do-projeto-arquitet%C3%B4nico EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 54 As representações de janelas, como no caso das representações de portas, podem variar grandemente, dependendo do modelo escolhido. Como este tipo de item, no entanto, está associado à arquitetura, ao desenho de fachadas e até mesmo às opções estruturais da edificação, é mais difícil que o Designer de Interiores possa fazer alterações. É importante, no entanto, que seja conhecida a posição das janelas no cômodo, para que seja feito o projeto de interiores, já que essa localização vai ter uma influência direta nas dimensões e na disposição dos moveis que serão instalados no interior dos ambientes. Outro ponto que é muito importante a respeito das janelas, é a sua altura, e a altura do peitoril. Mas o que isso quer dizer? O peitoril é um acabamento que é colocado na base da janela, que tem uma função estética, para fazer o acabamento deste item. Também utilizamos este acabamento para conhecer a distância da janela até o piso, ou seja, em qual altura a janela será instalada. Temos de levar em consideração, ainda, a altura da janela, ou seja, a dimensão da abertura do vão. Finalmente, é preciso conhecer a altura da “Bandeira” da janela, que é a altura entre o final da janela e a laje, ou o forro. Na figura 5, que mostra um corte esquemático de uma parede com uma janela, conseguimos entender estes conceitos de uma forma mais simples. Figura 5 – Elementos da Janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura podemos ver que o peitoril desta janela tem 1,00 m de altura, ou seja, a janela está instalada a um metro do piso, enquanto a altura da janela é de 1,10m, e a bandeira, tem 0,60m. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 55 ANOTE ISSO A altura da janela, somada a altura do peitoril, na grande maioria dos casos, equivale a 2,10m, que é a altura da porta; isto vai garantir uma unidade visual para a fachada da edificação. É sempre importante, no entanto, verificar as dimensões e a altura das janelas nos desenhos, ou na própria edificação, no caso de reformas e adaptações. Mas como podemos saber as medidas de peitoril e de altura da janela em uma planta? Para isso, existe um tipo de notação que deve constar nos projetos executivos, ou seja, nos projetos que vão direcionar a construção0 da edificação. Nestes projetos é preciso indicar as dimensões de peitoril e de altura da janela, da forma como aparece na figura 6. Figura 6 – Dimensões da Janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Mas o que estamos venda na figura 6? Parece que temos uma fórmula matemática, e não uma parte de um desenho, não é mesmo? Vamos entender o que está indicado ali. Este tipo de indicação pode ser entendido como: L x A P Onde: L = Largura da Janela A = Altura da Janela P = Altura do Peitoril Na figura 6, portanto, a largura da janela é de 2,00m, a sua altura é de 1,10m e o peitoril está a 1,00m do piso. Com estas informações já é possível entender a localização e o posicionamento da janela, não é mesmo? EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICAPAULISTA | 56 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Uma outra forma de indicação dos caixilhos ou esquadrias (portas e janelas são chamadas de caixilhos ou esquadrias), é a colocação de um código nos desenhos, indicando cada um destes elementos, e de uma tabela na prancha de desenho, como pode ser visto na figura 7. Figura 6 – Indicação de dimensões de caixilhos Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura 7 é possível perceber como o uso dos códigos para a indicação das dimensões dos caixilhos vai deixar o desenho mais limpo e mais fácil de ser lido, não é verdade? E na tabela 1 podemos ver um exemplo de como a tabela indicativa pode ser colocada na prancha. Tabela 1 – Quadro de Esquadrias ou Caixilharias Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Quadro de Esquadrias Portas Janelas Cód. Larg. (m) Alt. (m) Cód. Larg.(m) Alt. (m) Peit.(m) P1 0,80 2,10 J1 2,00 1,10 1,00 P2 0,60 2,10 J2 0,60 0,60 1,50 EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 57 5.3 Áreas Molhadas Uma convenção que existe entre os profissionais, é a indicação de pisos cerâmicos em áreas molhadas, isso vai mostrar, em uma leitura rápida, a identificação destas áreas, além do entendimento de quais espaços vão precisar de impermeabilização. ANOTE ISSO Áreas molhadas são os espaços na edificação que, devido ao tipo de uso, podem formar uma lamina de água. Isso pode provocar o surgimento de mofo e umidade. Em uma residência, as áreas molhadas são os banheiros e lavabos, a cozinha e a área de serviço. Além disso, também se convencionou que devem ser indicados os aparelhos que precisam de pontos hidrossanitários, como a pia e a louça sanitária. Na figura 8 podemos ver como a planta fica com a colocação destes itens. Figura 8 – Piso cerâmico Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) É possível perceber como a leitura fica mais fácil, mesmo sem a indicação de uso dos ambientes, não é mesmo? EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 58 É importante saber que não necessariamente estes serão os pisos utilizados na execução da obra, mas sim, que eles são uma representação que vai facilitar a leitura e o entendimento do projeto. 5.4 Cotas de Nível Como já entendemos, uma planta arquitetônica é uma vista ortogonal superior; isso significa que, ao estudarmos uma planta, teremos todas as dimensões de profundidade e de largura, mas não teremos nenhuma informação a respeito de alturas ou de desníveis. Veremos em breve, que, para entender as alturas de um projeto, podemos utilizar um outro tipo de linguagem, que são os cortes; mas será que existe uma forma de entender as diferenças de altura em uma planta? Sim! Na figura 9 podemos ver, destacadas em vermelho, as representações das “Cotas de Nível”, que são uma forma de mostrar as alturas, ou seja, as diferenças de nível em uma planta Figura 9 – Cotas de nível. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) As cotas de nível indicam a altura relativa, em que o piso onde elas estão localizadas, está. Vamos entender isso melhor? EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 59 Na figura 9 é possível ver que do lado externo da edificação existe uma cota de nível, não é mesmo? Nesta cota de nível está marcado 0,00. Isto significa que esta é a cota mais baixa, e que todos os outros níveis que estiverem indicados, terão relação com esta cota. Próximo à entrada da residência podemos ver uma outra cota de nível, com a indicação 0,10. Isto significa que esse piso está 0,10 m acima da cota 0,00, ou seja, existe um degrau de 10 centímetros para entrar no edifício. No banheiro podemos ver que existe uma outra cota de nível, com a indicação de 0,09. Isto quer dizer que este cômodo está 9 centímetros acima da parte externa; o que mais pode entender a partir deste nível? Isso mesmo! Podemos ver que o piso do banheiro está localizado 1 centímetro abaixo do nível do restante da edificação. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Infelizmente nem sempre as cotas de nível são colocadas nas plantas, mas as informações que elas oferecem são fundamentais para o entendimento correto do projeto, como pudemos perceber. É importante que você compreenda que estes desníveis são essenciais para que um edifício funcione de forma correta e que sejam evitados vazamentos e outros problemas. 5.5 Detalhes A NBR também menciona a criação de desenhos de detalhes da planta, isto é, ampliações de partes do desenho que vão ajudar a esclarecer algumas partes que podem ser mais específicas ou diferentes. A primeira coisa a fazer é indicar que parte do desenho será detalhada, ou seja, qual parte será ampliada. Um dos detalhes que sempre é utilizado diz respeito às escadas; já que os cálculos de altura dos degraus, e de instalação dos acabamentos podem variar, é recomendado que sejam mostrados estes detalhes. Na figura 10 podemos ver um exemplo de como fazer a indicação de uma parte do desenho que será ampliada. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 60 . Figura 10 – Detalhe da escada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo é fazer o desenho ampliado do detalhe que foi escolhido, como mostra a figura 11. Figura 11 – Ampliação da escada (Detalhe A) Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Todos os detalhes precisam ser feitos desta maneira, ou seja, é preciso que seja indicada qual parte do desenho será ampliada, e, a seguir, é preciso fazer o desenho em uma escala que permita a visualização de mais detalhes, incluindo as cotas e as hachuras. 5.6 Hachuras Outra representação indicada pela NBR são as hachuras, ou seja, as representações dos materiais que são usados nas diversas partes da edificação. Na figura 11 podemos ver que a estrutura da escada possui uma hachura de concreto, o que indica que ela será construída neste material. Na figura 12 podemos ver as hachuras indicadas na Norma. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 61 Figura 12 – Hachuras Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A função das hachuras é permitir que os materiais escolhidos para a construção sejam entendidos mais facilmente. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 62 CAPÍTULO 6 DESENHO DA PLANTA Agora que entendemos como uma planta é feita, e o que é representado em cada uma das suas partes, é importante entender como ela é desenhada, ou seja, como vamos criar este desenho. Para executar este desenho vamos utilizar o que aprendemos anteriormente, tanto com relação ao uso de instrumentos, como com relação ao uso dos diversos tipos de linha. Vamos começar? 6.1 Início do Desenho Vamos desenha nossa planta, apresentada na figura 1, em escala 1:50, que é a escala mais usual utilizada; esta escala não vai apresentar muitos detalhes, mas é possível criar detalhes das partes mais importante ou específicas. Figura 1 – Planta Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 63 Para fazer este desenho, nesta escala, vamos precisar de uma folha de papel tamanho A3; pode ser usado o papel manteiga ou o papel sulfite; o desenho apresentado nas figuras foi feito em papal sulfite. O primeiro passo que deve ser feito é a fixação da folha de desenho na prancheta, como pode ser visto na figura 2. Figura 2 – Fixação da folha Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com a folha firme na prancheta, vamos criar as primeiras linhas de construção, utilizando as linhas mais finas que forma feitas em nosso primeiro exercício. Você vai criar um “canto”, isto é, você vai desenhar duas linhas que se cruzam, que servirão para a marcação das medidas da planta, como pode ser visto na figura 3. Figura 3 – Início do desenho Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 64 A partir destas duas linhas,vamos marcar todas as medidas que são necessárias para executar o desenho, como pode ser visto na figura 4. Figura 4 – Marcação das medidas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura à esquerda é possível ver que a marcação das dimensões deve ser feita afastada em relação a linha de referência; isto deve ser feito desta forma, para que estas marcações possam ser apagadas depois do desenho executado, sem apagar nenhuma linha importante.. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Fazer uma marcação, desenhar a linha referente a esta marcação, fazer a próxima marcação, desenhar a linha referente a esta marcação, é um processo mais demorado, e que pode gerar mais erros. Vamos marcar todas as dimensões do desenho, nas duas linhas de referência, já que isto faz com que o trabalho seja feito mais rapidamente, e também vai acelerar o processo. Note que em vários casos, é até difícil de visualizar as linhas na folha de desenho, não é verdade? Isto é feito de propósito, para evitar que seja preciso apagar estas linhas, quando o desenho estiver pronto. Estas linhas mais finas são chamadas de linhas de construção, justamente porque vão auxiliar na construção do desenho, mas não farão parte do desenho, quando finalizado, como veremos mais à frente. Com todas as marcações feitas, vamos desenhar todas as linhas, que vão representar as paredes de nosso projeto, como pode ser visto na figura 5. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 65 Figura 5 – Desenho das linhas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Note como estas linhas são visíveis apenas para o desenhista, ou seja, é até difícil conseguir visualizá-las na imagem, não é mesmo? O treino feito em nosso primeiro exercício teve a função de treinar a sua mão e o seu olha, se acostumando a trabalhar desta forma. Com a prática, fica muito fácil e rápido executar este tipo de linha. Outra vantagem do trabalho com as linhas de construção, é que não existe a necessidade de desenhá-las na medida correta. Na figura 6 podemos ver como as linhas “ultrapassam” os limites das paredes; isto também é feito para acelerar o processo de desenho. Figura 6 – Linhas de Construção Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 66 Pode até parecer estranho desenhar desta maneira, mas veremos que o resultado do desenho será muito satisfatório. Depois de desenhar todas as paredes, vamos fazer a marcação dos batentes das portas, da mesma maneira que fizemos anteriormente, ou seja, distante das linhas de construção, como pode ser visto na figura 7. Figura 7 – Marcação dos vãos das portas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ANOTE ISSO Os batentes das portas têm uma espessura de 5 centímetros, e estão distantes 5 centímetros dos cantos das paredes. Para desenha as portas P1, do nosso projeto, você vai marcar 5 centímetros a partir do canto da parede, e um vão total de 90 centímetros, o que significa que estamos marcando, na verdade, a parte externa dos batentes. Quando a marcação de todas as portas for finalizada, vamos começar a marca-las no desenho; é preciso lembrar que as portas tem a espessura das paredes, e serão, portanto, limitadas por elas, como pode ser visto na figura 8. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 67 Figura 8 – Desenho dos vãos das portas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, vamos marcar os vãos das janelas, como pode ser visto na figura 9. Quando não houver uma indicação das distâncias das janelas, em relação a uma das paredes, isto significa eu elas estarão centralizadas, ou seja, as janelas estarão no meio das paredes. No caso do nosso desenho, como as paredes que possuem janelas tem 3,00 metros de largura, e as janelas J1 possuem 2,00 metros, isso quer dizer que teremos 0,50 metros de cada lado das janelas. Dê uma olhada na figura 9. Figura 9 – Marcação dos vãos das janelas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 68 A seguir, de forma semelhante ao que foi feito com as portas, vamos marcar, nas paredes, o vão da janela, como pode ser visto na figura 10. Figura 10 – Marcação dos vãos de janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Nosso próximo passo é utilizar a linha mais grossa, que fizemos em nosso primeiro exercício, para “marcar” as paredes, interrompendo estas linhas nos vãos de portas e janelas, como podemos ver na figura 11. Figura 11 – Marcação das paredes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 69 As linhas de construção (mais finas), usadas para “montar” o desenho, não precisam ser apagadas, já que o próprio contraste com as linhas de marcação (mais grossas), faz com que elas fiquem mais discretas, e, com a prática, quase invisíveis no desenho final. Veja a ampliação do desenho na figura 12. Aqui vemos que as linhas de construção praticamente somem no desenho. Figura 12 – Paredes finalizadas. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, vamos utilizar a linha média do nosso exercício para marcar as aberturas das janelas, como pode ser visto na figura 13. Figura 13 – Marcação das janelas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 70 O próximo passo é fazer a marcação do caixilho da janela, no meio do espaço da janela; esta marcação tem um pouco menos de 5 centimetros, e está centralizada no meio da parede, como pode ser visto na figura 14. Figura 14 – Marcação da janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura 15 podemos ver as paredes e janelas já definidas no desenho. Figura 15 – Paredes e janelas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 71 Note como as linhas de construção ficam praticamente invisíveis, em comparação com as linhas medias e grossa que foram usadas, não é verdade? Também é importante que você saiba que um desenho como este pode ser feito em muito pouco tempo, com a prática que você vai adquirir! A seguir, vamos desenhar os batentes da portas; a partir da marcação dos vãos que já foi feita, vamos marcar mais 5 centímetros, como pode ser visto na figura 16. Figura 16 – Marcação dos batentes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Note, mais uma vez, como as linhas de construção não precisam ser apagadas, já que ficam bastante discretas no desenho. O passo seguinte é o desenho das folhas de porta; as folhas de porta começam a partir da parte interna do batente, e possuem uma espessura de 3 centímetros; é claro que é impossível marcar esta medida na escala 1:50, mas você sabe que é preciso marcar um pouco menos de 5 centímetros. As linhas da porta também devem ser desenhadas com as linhas de construção, como pode ser visto na figura 17. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 72 Figura 17 – Desenho das portas. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois de desenhar as folhas de porta, é preciso marcar os arcos, que indicam o espaço necessário para abrir e fechar o vão. Para o desenho do arco vamos usar um compasso, como pode ser visto na figura 18. Figura 18 – Uso do compasso Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 73 Para utilizar este instrumento, basta utilizar o vão da porta, que já está desenhado, para definir a abertura do compasso. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Note que, no ponto onde é colocada a ponta seca do compasso, foi colocado um pedaço de fita crepe; isto é feito para evitar que a folha seja rasgada, e para ajudar a manter esta parte do compasso mais estável durante o uso. Com a ponta seca no lugar exato, e com a abertura correta, basta girar o compasso para fazer o arco de circunferência que marcaa abertura da porta. Na figura 19 podemos ver, em detalhe, uma porta desenhada. Figura 10 – Desenho da porta Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Também é importante perceber que é mais difícil de controlar a espessura do traço feito com o compasso, já que não é possível controlar a pressão que é feita no momento do desenho. De qualquer modo, é fundamental treinar o uso dos instrumentos, a criação de linhas, e a visualização do desenho. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 74 CAPÍTULO 7 CORTES ARQUITETÔNICOS Agora que conseguimos entender o que é uma planta arquitetônica, os detalhes que devem constar neste tipo de desenho, bem como a forma de criar uma planta, vamos estudar uma outra forma de linguagem arquitetônica, que comunica outras informações; como você já deve saber, estamos falando dos cortes arquitetônicos. Como a planta indica informações de largura e comprimento, os cortes vão indicar as informações referentes às alturas de uma edificação, além de várias outras informações fundamentais, como acabamentos e revestimentos, como veremos a seguir! 7.1 Cortes Arquitetônicos Os cortes são definidos pela NBR como: “O Plano Secante Vertical, que divide a edificação em duas partes, seja no sentido longitudinal, seja no sentido transversal. O corte, ou cortes, deve ser disposto de forma que o desenho mostre o máximo possível de detalhes construtivos. (...)” ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 6492 – Representação em projetos de arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 1994 (pág. 2) Isso significa que os cortes, de forma semelhante às plantas, são imaginados a partir de um plano secante, que vai dividir a edificação em duas partes, mas, a partir daí, teremos algumas diferenças que são muito importante e significativas para a interpretação do projeto. Mas vamos começar entendendo, graficamente, como funciona o corte arquitetônico, o que você acha? Veja a figura 1, que mostra este conceito. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 75 Figura 1 – Plano Secante Vertical Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Aqui vamos começar a entender as diferenças entre o corte e a planta. Já entendemos que o corte é feito com o Plano Secante Vertical, não é mesmo? A primeira grande diferença é que este Plano Secante Vertical pode ser colocado em qualquer ponto da edificação; como vimos, de acordo com a definição da NBR, o corte sempre deverá ser colocado em uma posição que apresente a maior quantidade de detalhes, ou seja, o Plano indicado na figura 1 poderia estar em qualquer outro ponto do edifício. A seguir, de forma análoga ao que foi feito com a Planta, vamos afastar as duas partes, como na figura 2. Figura 2 – Construção do corte Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 76 A partir daqui, teremos duas parte (não necessariamente duas metades), como podemos ver na figura 3 Figura 3 – Separação da edificação Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Aqui temos outra grande diferença do corte em relação à Planta: para qual dos dois lados devemos olhar, ou seja, o que deve ser desenhado no corte? Vimos que na planta devemos olhar para a parte inferior da edificação, para que possamos fazer o desenho, não é mesmo? No corte esta escolha é do projetista, ou seja, é você quem vai escolher o que será mostrado no corte. Como vimos na definição da NBR, o mais indicado é que você escolha um “lado” da edificação que mostre mais detalhes. No caso do nosso desenho, por ser uma edificação muito simples, não existe muita diferença em relação às duas partes, ou seja, para qualquer lado que o projetista quiser “olhar”, os detalhes são semelhantes. Por isso podemos optar por desenhar qualquer uma delas. Na figura 4 podemos ver o desenho técnico definitivo do corte que foi escolhido. Figura 4 – Corte em Vista ortogonal Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 77 Simples até aqui, não é mesmo? Vamos analisar o que estamos vendo neste corte, o que você acha? Uma das primeiras coisas que você deve estar notando é que existem algumas hachuras no desenho, não é mesmo? Na parte que está sob a casa, e nas lajes (os elementos horizontais). De acordo com a NBR, é preciso indicar os materiais que são usados no edifício; nas paredes, onde não existe nenhuma hachura, essa “ausência” de hachura indica que elas são construídas em alvenaria. As lajes de piso e de cobertura estão com uma hachura que representa o concreto em corte (estudamos estas hachuras no capítulo 5, você se lembra?), já que estes elementos são construídos em concreto armado. Na parte inferior da casa, sob a laje de piso, podemos ver uma hachura que representa o solo, uma hachura como esta vai ajudar a entender os níveis da casa, como veremos a seguir. As linhas horizontais representam as paredes que foram “cortadas” para a visualização da casa, por isso são representadas com duas linhas; uma das paredes, no entanto, apresenta apenas uma linha (a parede do quarto). Porque você acha que isso acontece? Isso mesmo! Esta parede não foi “cortada”; o que estamos observando neste corte é o “canto” da parede; veja na figura 5 o que está sendo representado. Figura 5 – Detalhe da parede em vista Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 78 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Os elementos em um corte podem ser apresentados de duas formas: em “corte”, quando são transpassados pelo Plano Secante, ou em “vista”, quando são observadas a uma certa distância, ou seja, quando não foram cortadas pelo Plano Secante. Paredes cortadas são representadas com duas linhas, enquanto paredes em vista são representadas com uma linha. Outra diferença importante do corte para a planta diz respeito às portas; na figura 4 estamos observando a porta do dormitório, e podemos ver que ela aparece fechada. Isto acontece para evitar que tenham de ser desenhados muitos detalhes; imagine, por exemplo, que, por trás da porta exista uma abertura para o jardim, e neste jardim uma grande variedade de brinquedos e arvores. Se a porta estivesse aberta, seria preciso representar todos estes elementos; você consegue imaginar o trabalho, não é mesmo? Para que todo este tempo não seja perdido, foi criada mais uma convenção que define que as portas em um corte devem ser representadas fechadas, Também podemos ver, na representação da porá em vista, uma linha tracejada, certo? Esta linha mostra, em uma vista, qual a direção de abertura de porta; imagine que a parte fixa da porta está indicada pela “base” do triangulo, enquanto a parte que se move está indicada pela “ponta” do triângulo. Outra convenção, criada para simplificar a representação do corte, diz respeito à janela; a representação das janelas em vista sempre vai considerar que a janela não é feita em vidro transparente, ou seja, não é possível ver nenhum detalhe na parte externa da janela, como na figura 4. Aliás, na figura 4 temos um outro detalhe interessante que você já deve ter notado, que á a janela do banheiro em corte; isto significa que o Plano Secante passou por esta janela, cortando-a em duas partes. Veja a figura 6. Figura 6 – Janela em Corte Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 79 Podemos perceber que a representação da janela em corte é semelhante à representação da janela em planta, não é mesmo? Outra coisa importante é que não são representada as portas do banheiro e de entrada, porque elas não foram “cortadas” pelo Plano Secante, o que significa que elas estão “escondidas” atras da alvenaria das paredes. Como você pode perceber, os cortes arquitetônicos são simples de serem feitos e entendidos, certo? Para finalizar este corte,precisamos acrescentar alguns detalhes, como as cotas e dimensões, para que as informações que forem passadas possam ser corretamente entendidas; dê uma olhada como ele fica com estes detalhes na figura 7. Figura 7 – Corte Transversal Cotado Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com o corte finalizado, precisamos mostrar às outras pessoas que vão ler o nosso projeto onde o corte foi feito, e o que está sendo observado, ou seja, é preciso indicar na planta, a posição do corte; isto é feito com o uso da linha traço-e-ponto, que conhecemos no capítulo 3. Na figura 8 podemos ver a linha, bem como a indicação do que está sendo observado no corte. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 80 Figura 8 – Indicação do corte em planta Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Os triângulos que vemos na planta tem a função de indicar qual lado foi observado na construção do corte. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Nem sempre a linha de indicação da posição do corte (a linha traço-e-ponto) é feita como na figura 8; muitas vezes a parte central da linha não é colocada, para que o desenho não fique muito “carregado”, ou seja, com muitas informações acumuladas. Muitas vezes os projetistas colocam apenas as partes da linha mais próximas às partes externas do edifício. Agora que entendemos o que é um corte, como ele é feito, e o que é representado, vamos nos aprofundar um pouco mais nesta área. Uma coisa importante que você deve saber, é que é preciso que sejam feitos pelo menos dois cortes para cada planta; no caso do desenho no qual estamos trabalhando, por exemplo, será preciso fazer mais um corte. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 81 Outro ponto importante é que cada corte deve estar em um sentido do edifício, isto é, já fizemos um corte no sentido transversal (a menor dimensão da edificação), e agora devemos fazer um outro corte, no sentido longitudinal (a maior dimensão da edificação). Vamos entender como isso funciona, o que você acha? Na figura 9 podemos ver a inserção do Plano Secante. Figura 9 – Plano Secante Vertical Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Mais uma vez, será preciso definir para qual dos lados teremos mais objetos ou detalhes para demonstrar. Na figura 10 podemos ver como vai ficar o corte que foi definido. Figura 10 – Corte Longitudinal Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Neste corte podemos ver vários elementos que já apareciam no corte transversal, como as janelas e a porta em vista; aliás, aqui é interessante notar que a porta do EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 82 banheiro, que está em vista e fechada, evita a necessidade de desenhar a janela do banheiro. Temos um outro detalhe que ainda não tínhamos visto: uma porta em corte. Veja o detalhe ampliado na figura 11; o que você acha que estamos vendo? Figura 11 – Detalhe da porta em corte Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Isso mesmo! O que pode ser visto na figura é o batente, em corte na parte superior da porta, e em vista na parte lateral. Também é possível ver a folha de porta, que também está cortada. Lembre-se que é o conjunto destes dois itens (a folha de porta e o batente) que vão formar a “porta”. A seguir, vamos colocar as cotas e medidas, de forma semelhante ao que foi feito no corte transversal; veja na figura 12. Figura 12 – Corte Longitudinal Cotado Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo é indicar, na planta, onde o corte foi feito, e qual parte da edificação o desenhista vai detalhar; veja isso na figura 13. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 83 Figura 13 – Indicação dos cortes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Você deve estar se perguntando como podemos nomear os cortes, em edificações que são quadradas, ou seja, onde não temos um lado maior do que o outro, e, portanto, não temos um corte transversal e longitudinal, ou então, se tivermos mais cortes no mesmo sentido, não é verdade? O que fazemos nestes casos? Uma forma alternativa de nomear os cortes é com o uso de letras; nossos cortes, por exemplo, seriam nomeados como “Corte AA” e “Corte BB”. Uma das grandes vantagens deste método é que podemos ter muito mais cortes, sem causar confusão. A ordem destes cortes não é importante, isto é, o Corte AA não precisa ser o primeiro que foi desenhado. Os cortes são uma ferramenta muito importante na representação dos projetos; e é importante que você se acostume a fazer vários cortes, em pontos diferentes da edificação, mostrando detalhes diferentes. Mais uma vez, é importante lembrar que a função dos desenhos é comunicar as suas ideias a pessoas que não as conhecem, e, quanto mais desenhos, e quanto mais claro eles estiverem, mais fácil será este trabalho! EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 84 CAPÍTULO 8 DESENHO DO CORTE Agora que já entendemos como o corte é criado, e o que está indicado neste tipo de representação, falta responder apenas uma pergunta: como o corte é desenhado? Existe uma forma simples e rápida de executar esta representação, sem que seja necessária a inserção de tantas medidas; vamos, neste capítulo, entender como podemos desenhar vários cortes de forma bastante rápida, entendendo como os desenhos de arquitetura podem ser criados uns a partir de outros. Vamos começar? 8.1 Desenho do corte A forma mais simples de desenhar os cortes é a partir da planta; como já temos a planta desenhada na escala correta, vamos utilizar este desenho como base para o desenhos dos cortes. É claro que também é possível desenhar o corte sem o uso da planta, como um desenho novo, mas esta forma é mais demorada e mais trabalhosa, além de aumentar a possibilidade de erros e diferenças. Caso você queira fazer os cortes sem o uso da planta, basta desenhar as paredes e os elementos construtivos, colocando as dimensões, de acordo com a planta. Vamos, agora, entender como será feito o desenho a partir da planta que já está pronta. Para começar, a folha onde a planta está desenhada deverá ser fixada na prancheta. Essa é uma fase delicada, pois é preciso verificar se o desenho está na posição correta com o auxilio dos esquadros, como pode ser visto na figura 1. Figura 1 – Ajuste para fixação da planta Fonte: Elaborado pelo autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 85 Depois de colocar a planta na posição correta, vamos analisar a planta, para determinar qual a posição do corte, ou seja, onde o Plano Secante vai separa a casa em duas partes. Vamos colocar o corte, ou seja, o Plano Secante, nesta planta, no meio do banheiro e dos dois dormitórios. Depois de definir a localização do corte, vamos começar a “puxar” as linhas das paredes que foram cortadas, usando as linhas de construção, como na figura 2. Figura 2 – Linhas de construção Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois de puxar as paredes que foram seccionadas pelo Plano Secante, vamos deixar um espaço em relação à Planta, e criar uma linha, que será a base da laje de piso da edificação, como pode ser vista na figura 3. Figura 3 – Linha da laje Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 86 A partir desta linha, podemos colocar as medidas que não temos na planta, que são as medidas relativas às alturas da edificação, isto é, as espessuras de laje e o pé-direito do edifício, como pode ser visto na figura 4. Figura 4 – Marcação de alturas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ANOTE ISSO O pé-direito de um espaço é a altura que vai do piso ao teto. Esta medida é tão importante para a execução de um projeto de interiores quanto as medidas de largura e comprimento do espaço, já que vai determinar a possibilidade do uso de forro de gesso, do uso de lumináriaspendentes, entre vários outros pontos importantes. Vamos usar, para o nosso corte, alguma medidas que são mais usuais para estes itens: vamos usar para a espessura das lajes de piso e cobertura 0,10m, e para o pé-direito da edificação 2,70m. Estes valores podem variar, dependendo do projeto de arquitetura. Depois de marcar estas dimensões, vamos criar as linhas que vão representar estas lajes (ainda com a linha de construção), como pode ser visto na figura 5. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 87 Figura 5 – Marcação das lajes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com estas linhas de construção desenhadas, podemos começar a utilizar a linha definitiva (mais grossa) para marcar o desenho. Na figura 6 podemos ver como o corte vai ficando mais visível, com o uso das linhas mais grossas. Figura 6 – Linhas definitivas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Mais uma vez, é muito importante que você perceba como a diferença entre as linhas é fundamental para a construção do desenho. O uso das linhas de construção (as linhas mais finas) no começo do desenho vai agilizar o processo, assim como o uso das linhas definitivas (as linhas mais grossas) vai destacar o desenho final, deixando-o mais visível. Por tudo, isso, o treino no uso das lapiseiras e no desenho das linhas vai facilitar a construção dos desenhos. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 88 Com as linhas definitivas desenhadas, podemos marcar a linha de corte, indicando onde o Plano Secante foi posicionado, bem como o que está sendo observado no corte, como na figura 7. Figura 7 – Indicação do corte Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ANOTE ISSO É claro que esta marcação do corte poderia ter sido feita anteriormente, antes do início do desenho, por exemplo. O importante, no entanto, é que você saiba onde o corte será feito; esta marcação poderia ter sido feita até após a finalização total do desenho. Nas primeiras vezes em que você for desenhar o corte, pode ser interessante que você coloque a linha de corte, antes de começar a desenhar, para conseguir “ver” o que está sendo cortado. O próximo passo é desenhar os detalhes do corte, como as portas e janelas; na figura 8 podemos ver que a largura da janela do banheiro é feita a partir da marcação da janela em planta. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 89 Figura 8 – Marcação da janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois disso, vamos marcar as dimensões que não constam na planta; quais são estas dimensões? Exatamente! Precisamos fazer a marcação da altura do peitoril e da janela; que são os dados que não estão em uma planta. Na figura 9 podemos ver que a marcação já foi feita, e a janela do banheiro já está destacada. Figura 9 – Janela do Banheiro Fonte: Elaborado pelo Autor (2023). EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 90 Falta desenhar as duas janelas que foram cortadas pelo Plano Secante, localizadas nas paredes do dormitório; na figura 10 podemos ver estas janelas já localizadas e desenhadas. Figura 10 – Janelas em corte Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Para finalizar este corte, falta inserir a hachura, que indica o concreto nas duas lajes; isso pode ser visto na figura 11. Figura 11 – Hachura de Concreto Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Como você se lembra, devemos desenha pelo menos dois cortes em cada edificação; vamos fazer um outro corte, para entender como este desenho vai funcionar. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 91 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Você vai notar que, no caso deste segundo corte, vamos fazer o desenho “de lado”, isto é, vamos puxar as linhas para a lateral da planta. Esta é a maneira mais fácil de desenhar os cortes; caso você ache que isto é muito difícil, é possível soltar o desenho e prendê-lo novamente, para “puxar as linhas para cima”. Com a prática você vai notar que fica mais fácil entender e desenhar os cortes desta maneira. Na figura 12 podemos ver a marcação deste novo corte. Figura 12 – Marcação do corte Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Os próximos passos são os mesmos, isto é, vamos “puxar” as linhas das paredes que foram seccionadas pelo Plano Secante, como é possível ver na figura 13. Figura 13 – Paredes cortadas. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 92 A seguir, vamos fazer a marcação das lajes de piso e cobertura, como na figura 14. Figura 14 – Marcação das lajes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois disso, novamente, podemos reforçar as linhas de construção (as linhas finas), com as linhas definitivas (linhas grossas). Na figura 15 podemos ver como estas linhas ficam. Figura 15 – Linhas definitivas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 93 Como foi feito antes, o próximo passo é o desenho das janelas; a primeira etapa é puxar as linhas da largura da janela, a partir da planta, como pode ser visto na figura 16. Figura 16 – Desenho das janelas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois de marcar o peitoril e a altura da janela, é possível fazer a marcação das janelas com alinha definitiva, como pode ser visto na figura 17. Figuras 17 – Marcação das janelas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois disso, também é possível fazer a hachura de concreto nas lajes, como na figura 18. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 94 Figura 18 – Hachura de concreto Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Estamos quase finalizando o segundo corte; qual detalhe que ainda está faltando, de acordo com a marcação do corte, que podemos ver na figura 12? Isso mesmo! A porta de entrada! Essa porta deverá aparecer em “corte”, já que o Plano Secante, como mostra a linha traço-e-ponto, seccionou este elemento. Na figura 19 podemos ver a porta desenhada em nosso corte. Figura 19 – Desenho da porta em corte Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A figura 20 mostra a planta juntamente com os dois corte desenhados da forma como vimos. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 95 Figura 20 – Desenho Finalizado Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Utilizando este método é possível desenhar tantos cortes quanto o projetista desejar de forma rápida e simples. Como você já sabe, dois cortes são o mínimo que são necessários, mas acostume- se a fazer mais desenhos, garantindo o entendimento completo dos seus projetos. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Depois que você fizer tantos cortes quantos quiser usando esta metodologia de desenho, será preciso passar os desenho “a limpo”. Mas o que sito quer dizer? Os cortes que são desenhados desta forma são difíceis de serem lidos por outras pessoas; imagine que o cliente vai ter de ficar girando o desenho para visualizar todos os cortes que você desenhou, não é mesmo? Isto significa que estes desenhos serão copiados na posição correta. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 96 CAPÍTULO 9 FACHADAS Finalizando as Representações Arquitetônicas, vamos conhecer as Fachadas, ou Elevações. As fachadas são as vistas da parte externa das edificações. Vamos entender como elas são criadas, e o que está representado neste tipo de desenho. 9.1 Fachadas De acordo com a NBR 6492, podemos entender as fachadas como a “representação gráfica dos planos externos da edificação” (NBR 6492, 1994, pág. 2), o que significa que podemos nos imaginar do lado de for do edifício, olhando para ele, e desenhando o que estamos vendo. As fachadas são desenhos técnicos, mas que permitem um certo graus de “liberdade” ao desenhista na sua criação. Nas fachadas é possível por exemplo, que sejamindicadas as cores e os materiais que serão usados no edifício, bem como as sombras e luzes que incidem sobre ele. Como as plantas e os cortes, as fachadas fazem parte da representação arquitetônica, o que significa que estes desenhos são tão importantes quanto os outros para o correto entendimento do projeto. Vamos entender, então, como são criadas as fachadas, e o que deve ser representado neste desenho. Vamos continuar utilizando o mesmo projeto que usamos anteriormente, já que temos os desenhos desta edificação prontos. Para começar o desenho das fachadas, vamos imaginar um Plano na frente da parte externa do edifício, como mostrado na figura 1. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 97 Figura 1 – Plano de desenho. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo é transformar este desenho em uma vista ortogonal, ou seja, um desenho com linhas retas, como na figura 2. Figura 2 – Fachada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) É claro que, no caso de nosso projeto, como a fachada é muito simples, o resultado do desenho também é bastante básico; isso pode ser uma vantagem., no entanto, porque vai permitir que façamos experiencias com materiais, por exemplo, para o estuda dos acabamentos que serão usados no edifício. Imagine que você está fazendo estudos de cores ou materiais para um projeto. Trabalhar com desenhos pode deixar a visualização mais simples e mais próxima do real. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 98 Na figura 3, por exemplo, podemos ver como a fachada deste edifício ficaria com o uso de tijolos aparentes. Figura 3 – Estudo de Fachada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A diferença entre os dois desenhos é evidente, não é mesmo? Na figura 4 podemos ver um outro estudo de fachada, com o uso de pedras no lugar dos tijolos aparentes. Figura 4 – Estudo de Fachada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Estes desenhos permitem uma grande variedade de estudos de uma forma simples e rápida. Além disso, este tipo de desenho fornece uma ferramenta de visualização mais próxima da realidade, o que facilita as discussões com os clientes. Vamos estudar uma outra fachada, inserindo o Plano de desenho, para entender como isso pode ser feito, o que você acha? Vamos estudar uma das fachadas laterais, com o Plano de desenho, como pode ser visto na figura 5. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 99 Figura 5 – Plano de Desenho Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Mais uma vez. O próximo passo é transforar este desenho em uma vista ortogonal, como na figura 6. Figura 6 – Fachada lateral Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Para desenhos mais simples, como estes, além da colocação dos materiais de acabamento, é possível colocar “sombras”, que vão dar uma noção um pouco melhor de profundidade. Como você já sabe, as vistas ortogonais fornecem informações de largura e comprimento, ou de comprimento e altura, mas não fornecem informações de profundidade; na figura 6, por exemplo, não podemos ter nenhuma noção de como funciona o beiral do telhado, isto é, não é possível saber se o beira é saltado em relação à parede lateral do edifício, ou se é alinhado em relação a ela. Para isso, é possível colocar um “sombra”, como na figura 7 EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 100 Figura 7 – Fachada com sombra Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A colocação da “sombra” em uma fachada já cria uma impressão de profundidade, e agrega valor ao desenho, não é verdade? Este pode ser um recurso interessante para fazer com que o desenho “mostre” mais informações, e comunique outras referências. ANOTE ISSO As “sombras” usadas em fachadas não são um aspecto técnico do desenho, isto é, elas não são desenhadas seguindo referências técnicas, como a posição do sol. Como já foi dito, este desenho técnico permite um pouco mais de “liberdade” ao desenhista, portanto, para o desenho das sombras, será preciso que o projetista “imagine” como a sombra vai se comportar na fachada. Agora que entendemos como as fachadas são desenhadas, vamos entender os detalhes deste desenho. Na figura 8 podemos ver uma ampliação da porta de entrada. Figura 8 – Ampliação da Porta Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 101 O que estamos vendo neste detalhe? Exatamente! A porta de entrada está elevada em relação ao piso. Você se lembra do corte, onde tínhamos uma laje de piso, certo? Naquele desenho, como a laje estava em “corte”, víamos a hachura de concreto, que tinha a função de mostrar o material de construção deste elemento. No caso de uma fachada, como estamos vendo este elemento com o acabamento que vai ser aplicado, vai parecer, como na figura, que toda a fachada é uma coisa única, construída em um único material. Ao consultar o corte, no entanto, vamos saber que os materiais de construção são diferentes. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Ao observar um prédio de vários andares ou uma edificação de um único andar, note como não é possível compreender como ela foi construída, quais os materiais usados, e a forma de construção. Isso acontece porque a fachada é imaginada pelos arquitetos como uma forma de “disfarçar” ou “igualar” os materiais que foram utilizados naquele edifício, para que seja visto apenas aquilo que foi imaginado. O desnível que estamos notando, que faz com que a porta pareça “flutuar” na parede, ao invés de estar “no chão”, se deve exatamente a esta laje de piso; lembra-se que utilizamos, tanto na planta como no corte, as cotas de nível, indicando um desnível de 0,10m na entrada casa? Na fachada estamos vendo a representação deste degrau de 0,10m, que faz com que a porta pareça estar “solta” na parede. Ao desenhar a janela, que vemos na figura 6, também vai acontecer a mesma coisa, ou seja, temos uma laje de 0,10m na base da parede. Mas o que isto quer dizer? Isto significa que, para desenhar este elemento na fachada, deveremos acrescentar à medida do peitoril, os 0,10m desta laje. Para uma janela que tenha o peitoril de 1,00m, ao desenhá-la na fachada, deveremos colocar a medida de 1,10m, ou seja, a soma do peitoril mais a espessura da laje. Por falar em dimensões, você reparou que não existem cotas nas fachadas, não é mesmo? As fachadas devem conter apenas os elementos necessários para o entendimento deste item, ou seja, as aberturas de portas e janelas, bem como os materiais de acabamento, e as sombras, caso o desenhista opte por coloca-las. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 102 Todas as medidas e dimensões devem ser obtidas nas plantas e nos cortes, o que significa que não é possível desenhar apenas as plantas, ou apenas os cortes, ou apenas as fachadas; estes desenhos são complementares, e devem estar todos juntos. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Existe um termo, usado pelos profissionais, que é o “Projeto Completo”, ou seja, um projeto que contém as informações necessárias para o correto entendimento da edificação. O Projeto Completo vai conter todas as plantas, pelo menos dois cortes e duas fachadas da edificação; estes desenhos devem ter todas as informações para que o projeto seja entendido. 9.2 Desenho das Fachadas Uma forma mais usual de pensar o desenho das fachadas é lembrar das vistas ortogonais que aprendemos com Gaspar Monge. Isto quer dizer que vamos colocar a edificação “dentro” de um cubo, para obter as vistas, como pode ser visto na figura 9 Figura 9 – Desenho das Fachadas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo é fazer a épura, ou a planificação deste cubo, como na figura 10. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 103 Figura 10 – Épura Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Aqui tem alguma coisa errada, você não acha? Temos algumascoisas a mais, não é verdade? O que está sobrando? Isso mesmo! Além das quatro fachadas do nosso edifício. Temos mais dois desenhos, que seriam a “Fachada inferior” do nosso edifício, na parte superior da épura; no caso de desenhos de edificações, não temos a “Fachada Inferior”, o que significa que este desenho pode ser descartado. Temos, ainda, na parte inferior da épura, a “Fachada Superior”; no caso de edifícios, este é um desenho importante, mas é chamado de “Planta de Cobertura”, o que significa quem, na verdade, esta é uma Planta, e não uma fachada; este desenho também pode ser retirado desta épura. Isto vai nos deixar com as quatro fachadas de nossa edificação, como pode ser visto na figura 11. Figura 11 – Fachadas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 104 ANOTE ISSO De forma semelhante ao que acontece com os cortes, a NBR determina que são necessárias no mínimo duas fachadas em um projeto, ou seja, o projetista não precisa desenhar as quatro fachadas, como podemos ver na figura 11. Como já foi dito várias vezes, no entanto, quanto mais informações constarem no projeto, maior a chance de um entendimento correto, e menor a chance de erros, tanto na compreensão dos desenhos, quanto na execução das obras. Com todas as fachadas do edifício prontas, falta nomeá-las, isto é, indicar qual é cada uma das fachadas na edificação. É importante lembrar que nem todas as pessoas estão tão familiarizadas com o projeto, quanto a pessoa que está desenhando Para isso existem algumas formas, dependendo do projetista. Muitos arquitetos escolhem qual vai ser a fachada principal, e nomeiam todas as outras fachadas a partir desta. De forma geral, a fachada principal é aquela que tem a porta principal, ou a forma de acesso preferencial do edifício; a fachada principal também pode ser aquela que está de “frente” para a rua. No nosso caso, podemos assumir que a fachada principal é a que tem a porta de entrada; a partir daí, vamos nomear as outras fachadas, como pode ser visto na figura 12. Figura 12 – Fachadas nomeadas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura podemos ver como a nomenclatura das fachadas é simples, não é mesmo? Mas o que vai acontecer se não houver uma fachada principal? Isto é, e se a edificação estiver localizada em uma esquina, por exemplo? Teremos duas fachadas principais? E se o edifício estiver no meio de uma quadra, com acesso por todas as laterais? Enfim, é preciso que sejam pensadas outras formas de indicar cada uma das fachadas. Alguns arquitetos utilizam os pontos cardeais, o que significa que teremos as fachadas Norte, Sul, Leste e Oeste, mas o problema é que para que estes nomes funcionem, é preciso conhecer a orientação geográfica do projeto, o que nem sempre é EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 105 tão simples; além disso, muitas vezes as fachadas de edifícios não estão tão alinhadas quanto seria necessário. Mas, então, como podemos fazer? Existe uma forma simples de indicar a qual fachada nos referimos, a parti da planta. De forma semelhante ao que é feito com os cortes, vamos marcar, em planta, qual é cada fachada; e, para este tipo de marcação, vamos, ainda, usar números, ou seja, teremos a fachada 1, a fachada 2, e assim por diante. Como os números estão na fachada, fica mais simples de saber qual fachada está sendo indicada. Dê uma olhada na figura 13. Figura 13 – Indicação das fachadas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) De forma semelhante ao que é feito em relação aos cortes, o número que indica cada uma das fachadas não tem relação com a sua posição, ou com a ordem do desenho, ou seja, a escolha desta disposição é aleatória. É fundamentas que as informações sejam idênticas, ou seja, a indicação da fachada “1” tem de coincidir com o desenho da fachada “1”. Apesar do exemplo que utilizamos ser de uma edificação, os mesmo passos e as mesmas informações vão valer para objetos, móveis, peças exclusivas, etc. A forma de compartilhar estas informações são os desenhos, e é muito importante que estas informações estejam corretas. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 106 CAPÍTULO 10 DESENHO DA FACHADA O desenho das fachadas, como os desenhos anteriores que estudamos, são feitos a partir da planta. Com os instrumentos de desenho e com a planta executada de forma correta e precisa, os desenhos de fachada são feitos de uma maneira muito rápida, gerando os desenhos finais de um projeto. 10.1 Desenho de Fachada De forma semelhante ao que foi feito com o desenho dos cortes, o desenho da fachada é iniciado a partir da planta. Para começar a trabalhar, será preciso fixar a planta na prancheta, fazendo com que as linhas coincidam, e que seja garantida a perpendicularidade do desenho. Na figura 1 podemos ver a planta, que foi redesenhada, mais no centro da folha. Como os desenhos de fachadas também são feitos ao redor da planta, ou seja, vamos “puxar” as linhas a partir da planta, ela foi redesenhada de forma centralizada na folha. A colocação da planta mais centralizada na folha de desenho permite que sejam feitos mais desenhos ao redor dela, ou seja, é possível, neste caso, que sejam desenhadas as quatro fachadas do edifício. Figura 1 – Planta centralizada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 107 ISTO ACONTECE NA PRÁTICA A metodologia de utilizar a planta como uma “base” para os outros desenhos é utilizada até mesmo em desenhos feitos com o auxílio de programas de desenho por computador, ou seja, mesmo utilizando o AutoCAD ou algum outro programa de desenho, a forma de fazer os cortes e as fachadas ainda é a mesma. Esta estratégia surgiu na época dos desenhos feitos à mão, antes do surgimento dos programas. A ideia era eu os desenhos fossem feitos de forma rápida, para que depois fossem “passados a limpo”. Nesta época, os desenhos eram iniciados no papel manteiga, feitos com o uso da lapiseira e dos instrumentos (da mesma forma que estamos fazendo), para que depois fossem copiados para o papel vegetal, com o uso de caneta nanquim para a fixação dos traços. O papel vegetal permita que fossem feitas copias, e estas eram enviadas para a obra, para os clientes, etc. Os originais ficavam com o arquiteto ou designer, para serem arquivados. Na ampliação da figura 1 é possível perceber que a metodologia de trabalha continua a mesma, isto é, mesmo sendo um desenho que será repetido, são usada as linhas de construção (mais finas), que são posteriormente refeitas com as linhas definitivas (mais grossas). Veja a figura 2. Figura 2 – Uso das linhas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A prática com o uso das diferentes linhas vai deixar mais simples e rápido entender como e onde elas devem ser usadas. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 108 O desenho vai ser iniciado de forma semelhante ao que foi feito com os cortes, ou seja, vamos pensar quais as linhas que deverão ser “puxadas” para que se faça o desenho das fachadas. Quando fizemos os cortes, as paredes que eram seccionadas pelo Plano Secante, ou que eram “cortadas”, eram desenhadas com duas linhas paralelas, representando a espessura da alvenaria. As paredes que não eram seccionadas pelo Plano Secante, ou seja, as paredes que estavam em “Vista”, eram representadas com uma linha só, ou seja, víamos a parede, e não a sua espessura, certo? Quando vamos desenhar as fachadas, todas as paredes estarão em “Vista”, isto é nenhuma parede será representada com duas linhas paralelas. É preciso entender esta diferença, para definir quais as linhas deverão ser “puxadas” Para desenhar uma fachada, será preciso utilizar as linhas mais externas do edifício, como está indicado na figura 3. Figura 3 – Linhas externas daparede Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com as linhas de construção, vamos desenhar, depois das linhas das paredes, as linhas de piso, como pode ser visto na figura 4. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 109 Figura 4 – Marcação da linha de piso Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com o piso definido, o próximo passo é a marcação da linha superior da laje, como pode ser visto na figura 5. Figura 5 – Marcação da altura da edificação Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Quando a marcação das alturas for feita, é preciso lembrar de acrescentar todas as lajes que existam no edifício; como estamos trabalhando como uma residência térrea, teremos apenas a laje de piso e a laje de cobertura. Em edifícios com mais andares, será preciso acrescentar as lajes de cada um destes andares na conta final. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 110 10.2 Detalhamento de Fachada O próximo passo é reforçar as linhas que marcam a fachada, ou seja, utilizar a linha definitiva (mais grossa) sobre as linhas de construção (mais finas), como pode ser visto na figura 6. Figura 6 – Marcação da fachada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ANOTE ISSO É importante entender que a função das linhas de construção é acelerar o processo de desenho sem a necessidade de que sejam apagadas posteriormente, já que serão cobertas pelas linhas definitivas. Este método vai fazer com que a criação do desenho seja acelerada, e que o acabamento fique mais padronizado. Na figura 6 podemos perceber que as linhas que foram destacadas são as extremidades das paredes, e a parte inferior da laje de piso e a parte superior da laje de cobertura. A seguir, de forma semelhante ao que foi com o desenho dos cortes, vamos desenhar as janelas e portas; na fachada que está sendo desenhada, não teremos nenhuma porta, mas as janelas já podem ser marcadas, a partir da planta, como mostra a figura 7. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 111 Figura 7 – Marcação das janelas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Para finalizar esta fachada, basta reforçar as linhas de construção com a linha definitiva, conforme a figura 8. Figura 8 – Finalização das janelas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A próxima fachada a ser desenhada vai seguir os mesmos passos, ou seja, vamos começar puxando as linhas de construção, e, a seguir fazer a marcação das alturas, como pode ser visto na figura 9. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 112 Figura 9 – Desenho da fachada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo, mais uma vez, é reforçar as linhas, marcando o espaço da fachada, como na figura 10. Figura 10 – Marcação da fachada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, será preciso marcar as portas e janelas; como é possível ver pela planta, temos apenas uma porta nesta fachada; vamos, portanto, “puxar” as linhas para fazer esta marcação, como pode ser visto na figura 11. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 113 Figura 11 – Marcação da porta Fonte – Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, vamos marcar a altura da porta (2,10m). Também é preciso lembrar de manter a porta a 0,10m de altura em relação à laje, como vimos nos cortes. Figura 12 – Desenho da porta Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Você deve ter notado que tem alguma coisa estranha neste desenho, não é mesmo? O degrau da porta parece estar do lado errado, não é mesmo? O que acontece é que, no desenho da fachada, o piso está mais distante em relação à planta. Quando desenhamos os cortes, o “piso”, ou a parte inferior da edificação, se localizava mais próximo à planta. No caso das fachadas, o desenho é inverso, ou seja, o piso está mais distante da planta; veja a comparação na figura 13. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 114 Figura 13 – Comparação entre o corte e a fachada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Quando o desenho é feito em folhas maiores (é preciso lembrar que estamos trabalhando com um formato A3), as fachadas e os cortes podem ser feitos em uma única prancha. Desta forma fica mais fácil entender as diferenças entre os cortes e as fachadas. Para fazer a próxima fachada, os passos a serem seguidos são os mesmos, ou seja, vamos repetir o trabalho feito mais uma vez; o que vai tornando os desenhos cada vez mais simples e fáceis de serem feitos é justamente a repetição das etapas. Nas primeiras vezes em que você faz um desenho desta forma podem acontecer erros e imprecisões, pelo fato de você ter de pensar na sequencia dos passos, mas, depois de algumas vezes, estes passos se automatizam, os erros e imprecisões diminuem, e a criação das peças gráficas fica cada vez mais rápida e simples. A próxima fachada, mostrada na figura 14, já deixa mais perceptível como estes desenhos são desenvolvidos ao redor da planta. Figura 14 – Desenho de Fachadas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 115 Finalmente, podemos ver na figura 15 o desenho da última fachada desta edificação; este desenho vai permitir entender, de forma mais simples como estas imagens são criadas a partir da planta, e como estão posicionadas ao seu redor. Figura 15 – Fachadas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) É possível que as fachadas sejam desenhadas sem o uso da planta como uma “base”? Sem dúvida! De forma semelhante ao que acontece com os cortes, o uso da planta para o desenho das fachadas tem a intenção de facilitar e agilizar o desenho, além de reduzir as diferenças que possam ocorrer. Caso você queira desenhar todas as peças de forma separada, isso não só é possível, como é feito por vários profissionais, mas, além de aumentar a possibilidade de erros e imprecisões, isso vai aumentar a quantidade de trabalho, já que tudo o que foi medido e conferido para a criação da planta, terá de ser feito mais uma vez, para a criação dos cortes, e mais uma vez para a criação das fachadas. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 116 CAPÍTULO 11 PERSPECTIVA ISOMÉTRICA As perspectivas são visualizações tridimensionais dos desenhos que executamos; é importante que você se acostume a fazer perspectivas durante seus trabalhos, já que elas vão ajudar em várias fases do projeto, facilitando a visualização e o entendimento do que está sendo criado. A perspectiva isométrica é uma das mais simples e fáceis de serem criadas, já que trabalham com as medidas dos objetos, e com ângulos iguais, como veremos, o que facilita o trabalho, como veremos. 11.1 Construção da Perspectiva Isométrica A perspectiva isométrica tem esse nome porque trabalha com os mesmos eixos e ângulos, que podem ser criados com o esquadro de 30°, como pode ser visto na figura 1. Figura 1 – Eixos da Perspectiva Isométrica Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Todas as linhas de uma perspectiva isométrica estarão em um destes eixos; vamos entender isso com um exemplo prático, ou que você acha? Vamos criar um cubo com 3,00m em escala 1:50. O primeiro passo é criar estes três eixos, com o uso dos esquadros, como na figura 2. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 117 Figura 2 – Criação de eixos Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, vamos colocar as medidas em cada um destes eixos, como pode ser visto na figura 3. Figura 3 – Medidas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Como já foi dito, na perspectiva isométrica não existe nenhum tipo de proporção, como nos outros tipos de perspectiva, então basta utilizar o escalímetro para a colocação das medidas, da forma como elas devem ser inseridas, ou seja, você vai medir e marcar 3,00m em escala 1:50 em cada um dos eixos, como na figura 3. Quando usamos as medidasreais, isto é, as medidas existentes no projeto, na escala em que o desenho será construído, utilizamos um termo técnico, chamado de “Verdadeira Grandeza”. Isso significa que, em Perspectivas Isométricas vamos trabalhar com a Verdadeira Grandeza em todos os eixos do desenho, o que significa que vamos usar as medidas reais, em escala, em todo o desenho. O próximo passo é fazer as linhas paralelas, que devem ser marcadas a partir da medida indicada no eixo vertical, com o uso do esquadro, como marcado na figura 4. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 118 Figura 4 – Linhas paralelas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Já começa a ficar mais fácil de ver o cubo se formando, não é verdade? A seguir, vamos colocar as linhas verticais, a partir das medidas que foram marcadas nos eixos verde e azul, como mostrado na figura 5. Figura 5 – Linhas Verticais Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com as duas laterais do cubo montadas, fica mais fácil de entender este tipo de perspectiva, não é mesmo? O que está faltando para finalizar este desenho? Exatamente; falta a parte superior do cubo, a terceira lateral que é visível. Como você acha que faremos esta última parte? Exatamente! Como as linhas são paralelas, basta movimentar o esquadro, e finalizar as ́ linhas que estão faltando, como pode ser visto na figura 6. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 119 Figura 6 – Finalização do cubo Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Simples, não é verdade? Para finalizar, basta apagar os excessos das linhas, como na figura 7. Figura 7 – Cubo Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Este é mais um caso em que o uso de linhas de construção (linhas finas) e linhas definitivas (linhas grossas) vai facilitar e agilizar o processo de construção e finalização do desenho. Aqui, ainda, o treino e a prática vão tornar o processo de desenho mais rápido e simples. Você deve ter percebido, por exemplo, que, além de utilizarmos a Verdadeira Grandeza em todos os eixos, tivemos de colocar as dimensões apenas no início do processo, já que as linhas se cruzam, e, assim, determinam as próximas dimensões, certo? Tudo isso torna a construção da perspectiva isométrica mais intuitiva e simples. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 120 ANOTE ISSO O uso de perspectivas isométricas em projetos de interiores é muito comum, justamente por causa da facilidade e da rapidez com que ela pode ser executada O uso de cores e texturas neste tipo de maquete ainda pode ajudar a deixá-la mais próxima da realidade do projeto 11.2 Perspectiva Isométrica de Interiores Vamos entender como fazer uma perspectiva isométrica de um ambiente., o que você acha? Isto vai deixar este trabalho mais próximo da realidade. O primeiro passo é criar a “base”, ou o piso do ambiente; é a partir desta base que faremos a perspectiva. Vamos criar um piso que tem 3,00m x 3,50m, como mostrado na figura 8. Figura 8 – Base da Perspectiva Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo é começar a marcar, nesta base, o mobiliário que estará no projeto. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA De forma geral, esta é a forma de desenhar as perspectivas de ambiente, isto é valido para qualquer tipo de perspectiva. As peças de mobiliário e de decoração são desenhadas em planta, isto é, na base da perspectiva, como a que estamos utilizando. Isto é feito poque é mais fácil de localizar todos estes itens desta forma, ou seja, em planta. Na figura 9 vemos a marcação de um rack que será utilizado em nosso projeto. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 121 Figura 9 – Rack Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo item a ser inserido em nossa base vai ser a mesa de centro que vamos usar. Na figura 10 podemos ver esta peça localizada na base. Figura 10 – Mesa de centro Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo item a ser inserido em nosso ambiente é uma mesa de canto, com as medidas indicadas na figura 11. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 122 Figura 11 – Mesa de canto Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Para finalizar os moveis que vamos usar no espaço, vamos colocar um sofá, próximo à mesa de canto, como na figura 12. Figura 12 – Sofá Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Você pode perceber que temos a sensação de estar olhando a planta perspectivada, não é verdade? Isso acontece porque temos, realmente a planta em perspectiva. Esta, aliás, é uma forma de apresentação de projeto interessante, porque permite uma visualização diferente do padrão. Pode valer a pena tentar uma apresentação desta maneira, não é verdade? Com a inserção de todos os móveis, é possível começar a pensar em como serão as alturas das peças, ou seja, a partir deste momento, o que estava representado em duas dimensões começa a ganhar “volume”, ou seja, vai começar a ocupar espaço. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 123 Vamos começar com o primeiro móvel que desenhamos, ou seja, vamos começar com o rack; esta peça terá 0,40m de altura, como pode ser visto na figura 13. Figura 13 – Volume do Rack Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Em lilás, na figura 13, podemos ver como a volumetria está no espaço; fica mais interessante e mais fácil de compreender o espaço que será ocupado por essa peça. Mas como é dada esta altura à peça? Como você pode ver na figura, são criadas as quatro linhas verticais, nos quatro cantos do rack; a partir daí, em uma destas reata é marcada a altura. Como no caso do cubo, só é preciso marcar esta medida em uma das linhas, já que é possível “passar” esta dimensão com as linhas paralelas, marcando o topo do móvel. A seguir, vamos dar volume â mesa de centro; vamos considerar que esta peça tem a mesma altura do rack, ou seja, 0,40m. Na figura 14 podemos ver a mesa de centro com o volume que vai ocupar no espaço. Figura 14 – Mesa de centro Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Fácil até aqui, certo? E começamos a ter uma noção mais real dos volumes e dos espaços entre eles. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 124 Vamos, agora, fazer o volume da mesa de canto; esta peça terá 0,60m; dê uma olhada na figura 15. Figura 15 – Mesa de centro Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Finalmente, vamos começar a desenhar o sofá (a última peça do ambiente); como este móvel tem alturas diferentes, vamos criar a volumetria de cada uma destas partes. Começamos pelos braços do sofá, que terão 0,50m de altura, como pode ser visto na figura 16. Figura 16 – Braço do sofá Fonte: Elaborado pelo Autor (2023). A seguir, vamos criar o encosto do sofá, que possui uma altura de 0,70m; veja na figura 17. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 125 Figura 17 – Encosto do sofá Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Finalmente, a última parte desta peça é o assento, que terá a altura de 0,40m. Este último volume finaliza o mobiliário deste espaço. Na figura 18 podemos ver todas as peças. Figura 18 – Assento do sofá Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Dê u8ma olhada na figura 19, onde podemos ver todas as peças sem nenhuma cota ou informação que atrapalhe a visualização. Figura 19 – Volumetria finalizada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 126 Já é possível ver a sala com os móveis, mas ainda fica confuso de entender todos os detalhes, não é verdade? Por que você acha que a visualização ainda está confusa? Isso mesmo! Temos, nesta forma de visualização, todas as linhas dos objetos, até mesmo aquelas que são “invisíveis”, ou que deveriam estar escondidas pelo material dos moveis; é como se todos o mobiliário utilizado no projeto fosse devidro, permitindo que todas as arestas estejam visíveis. Para finalizar o desenho, e deixa-lo pronto para receber o tratamento gráfico, ou seja, para que receba cores e texturas, é preciso apagar as linhas que estão “sobrando” no desenho, o que pode ser feito com as linhas definitivas, marcando as partes visíveis dos moveis, como na figura 20. Figura 20 – Perspectiva finalizada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Talvez, como eu, você esteja estranhando o fato de não existirem paredes nesta sala, não é mesmo? Parece que os moveis estão sobre um tablado; parece que falta algum elemento, não é Para resolver isso, e finalizar o desenho, basta acrescentar as paredes, na altura do edifício, como na figura 21. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 127 Figura 21 – Perspectiva com paredes. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 128 CAPÍTULO 12 DESENHO DE PERSPECTIVA ISOMÉTRICA Uma das vantagens da perspectiva isométrica, como já foi dito, é a sua simplicidade e rapidez; além disso, este tipo de desenho é muito adaptável, permitindo a colocação, além de cores e texturas, de sombras e hachuras, que vão acrescentar qualidade ao trabalho. Vamos entender como isso pode ser feito, conhecendo mais um uso para as hachuras, que é de criar o efeito sombreado em um desenho. O que você acha de começarmos? 12.1 Perspectiva Isométrica Para a criação de qualquer desenho é importante que sempre seja utilizada a linha de construção, inclusive para os desenhos mais “artísticos”, ou seja, aqueles que são feitos sem o apoio dos instrumentos de desenho. Para a criação de perspectivas isométricas vamos utilizar a mesma metodologia de desenho, ou seja, vamos iniciar o desenho comas linhas de construção, como na figura 1. Figura 1 – Perspectiva Isométrica Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 129 ANOTE ISSO Os desenhos feitos manualmente são mais “livres”, ou seja, não é preciso que as linhas sejam tão retas ou rígidas. De forma semelhante ao que já falamos a respeito do desenho com instrumentos, é importante desenhar bastante, para que a mão e o olho se acostumem com o trabalho. O olhar crítico, ou a exigência de que o desenho saia perfeito podem inibir ou impedir que o desenhista se desenvolva. Estas linhas iniciais servirão de base para as próximas, afinal, como você se lembra, todas as linhas são paralelas em uma perspectiva isométrica. Na figura 2 podemos ver como o desenho se desenvolve. Figura 2 – Desenvolvimento da Perspectiva Isométrica Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Como as linhas são paralelas umas às outras, este tipo de desenho é ideal para iniciantes, já que ele é mais simples de ser feito. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Alguns desenhistas acham mais simples trabalhar com a folha solta (diferentemente do desenho técnico), para que ela vá sendo “girada” de acordo com a necessidade do trabalho. Em seus primeiros desenhos, essa opção pode facilitar o desenho das linhas retas; com a prática, no entanto, é interessante que você comece a treinar a sua mão para o desenho das linhas no sentido necessário. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 130 Para finalizar a “criação” do cubo, ou seja, para terminar as linhas que foram criadas com as linhas de construção, vamos criar as linhas faltantes. Na figura 3 podemos ver como o cubo fica com a finalização do desenho; é importante, ainda, que neste momento, você evite o uso da borracha para apagar as linhas que estiverem “aparentemente” erradas. De forma semelhante ao que acontece com o desenho técnico feito com o uso dos instrumentos, as linhas de construção são apenas a base do desenho; no momento de reforçar as linhas definitivas, os erros e imprecisões podem ser ajustados. Na figura 4 podemos ver o desenho já com as linhas definitivas. Figura 3 – Perspectiva construída Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Neste ponto é importante entender que, como já foi dito, a repetição vai melhorar o desenho, portanto, refaça este desenho várias vezes. Você vai reparar que o traça começará a sair mais reto, que os ângulos e as paralelas ficam cada vez mais precisas e mais fáceis de serem feitas, que o seu olhar com relação ao desenho começa a ficar mais agradável, e que você começará a ver a beleza dos traços. ANOTE ISSO Pode ser bastante interessante comprar, ou montar um caderno de desenho, que vai funcionar como um “diário”. Para que este trabalho funcione é preciso entender algumas coisas: • Este é um esforço pessoal; não é um trabalho do curso, nem uma tarefa que vai valer “nota”. • É preciso um esforço constante; tente fazer de 3 a 5 desenhos por dia. • Comece com desenhos simples, e vá se “desafiando”, aumentando a complexidade. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 131 Com a perspectiva finalizada, podemos avançar um pouco mais no detalhamento dos desenhos, entendendo como podemos adicionar a sombra a uma perspectiva isométrica. 12.2 Sombras em Perspectivas Isométricas As sombras são elementos importantes em perspectivas, pois ajudam a dar uma noção de profundidade e volume no desenho. O uso das sombras é bastante simples, mas é feito de forma errada com uma certa frequência, o que deixa o desenho errado e mal-acabado. O primeiro passo é definir o horizonte e o ponto do qual vai se originar a luz, como pode ser visto na figura 4. Figura 4 – Ponto de Luz Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura podemos ver o ponto de luz, e a linha do horizonte; o primeiro ponto vai definir a origem da luz, e o segundo é o “piso”, onde a sombra será definida. A partir do ponto de luz, vamos definir quais os vértices do cubo que serão iluminados, ou seja, quais os pontos que irão criar a sombra. Na figura 5 podemos entender como isso é feito. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 132 Figura 5 – Pontos iluminados Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura podemos ver que os “raios” de luz saem do ponto de luz ao fundo, e passam pelo cubo; estes raios vão definir a sombra que será criada, ou seja, toda a parte posterior do cubo será iluminada, e, na parte frontal, definida pelos três pontos teremos a sombra. ISTO ACONTECE NA PRÁTICA A colocação do ponto de luz em vários lugares diferentes também é um exercício rico e interessante, já que vai treinar o seu olhar, e mostrar como a disposição da sombra ajuda a valorizar os objetos. Agora que definimos qual será o “percurso” da sombra, ou seja, já temos as linhas que definem os pontos de sombra, devemos descobrir onde ela será projetada, ou seja, será preciso definir o “piso” da nossa perspectiva; para isso, vamos definir os pontos na parte inferior do cubo que mostram os limites da sombra, veja a figura 6. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 133 Figura 6 – Limites da sombra Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura 6 podemos ver os pontos, na parte inferior do cubo, que vão definir o “piso” da perspectiva; para definir os limites da sombra que será projetada, são criadas linhas a partir da linha do horizonte, e no alinhamento do ponto de luz. Estas linhas são prolongadas, até que encontrem com as linhas de projeção da sombra; podemos ver que, no “piso” da perspectiva, foram criados três pontos, que marcam o encontro da projeção da sombra com o piso. Com estas linhas definidas, podemos desenhar, com as linhas definitivas, a projeção da sombra, como pode ser visto na figura 7. Figura 7 – Definição da sombra Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 134 É importante notar que qualquer alteração em uma das partes do desenho, comoa posição do ponto de luz, a posição da linha do horizonte, as dimensões da peça, etc, vão mudar o desenho de forma significativa, alterando a visualização de todas as partes. O próximo passo é começar a marcar a sombra, no desenho; isto pode ser feito com uma hachura, como na figura 8. Figura 8 – Sombras na peça Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) As sombras na peça são mais fortes e marcadas; neste caso é possível utilizar lápis de cor, lápis aquarelável, giz pastel, ou qualquer outra mídia com a qual você esteja acostumado. Na figura 8, foram utilizados apenas grafite sobre papel sulfite. A seguir, vamos fazer a projeção da sombra, ou seja, a sombra que está projetada no “piso”, como na figura 9. Figura 9 – Projeção da sombra Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 135 A sombra projetada é mais delicada do que aquela nas faces da peça, como pode ser visto na figura 9. Um acabamento que pode ser interessante, e que é fácil de ser feito, é utilizar um esfuminho para suavizar as linhas das hachuras, deixando-as menos pronunciadas, e a sombra um pouco mais esfumaçada; caso você não tenha um esfuminho, é possível utilizar o dedo para conseguir este efeito, como pode ser visto na figura 10. Figura 10 – Esfumaçado Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura 11 podemos ver um paralelepípedo, com o ponto de luz na parte lateral da peça. Figura 11 – Projeção da sombra Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 136 Na figura 11, os “raios” de luz podem ser vistos na cor vermelha, e a projeção da sombra no piso aparece com a cor azul. De forma semelhante ao que acontece no caso anterior, os cruzamentos das linhas vão definir os pontos limite da projeção da sombra. O próximo passo, mais uma vez, é marcar a sombra, deixando a projeção mais leve do que a sombra na peça, como na figura 12. Figura 12 – Sombras Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) 12.3 Escala Humana Outro detalhe que pode ser “incorporado” ao seu desenho, são as escalas humanas, ou seja, figuras que acrescentam uma noção de dimensão ao desenho, ou seja, que vão dar uma ideia mais clara do que está sendo representado. Na figura 13, por exemplo, podemos ver como uma figura humana pode dar uma ideia da escala do que está sendo representado. Figura 13 – Escala Humana Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 137 Note que a figura parece muito pequena em relação ao objetos, ou seja, parece que estamos representando um edifício, ou uma peça muito grande, não é mesmo? Note, também, que a figura não possui uma definição muito clara, com muitos detalhes, já que a sua função é apenas fornecer uma noção aproximada das dimensões do que está sendo representado. Agora, dê uma olhada na figura 14. Figura 14 – Escala Humana Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Note que a figura é a mesma (inclusive com a figura humana em escala pequena), mas como a figura desenhada é muito maior, a peça parece ser um móvel, ou uma peça de decoração, não é mesmo? Isto significa que um desenho pode ser usado para a criação e representação do que o desenhista quiser, já que podemos “enganar” os olhos do observador , com o uso destes subterfúgios; lembre-se que não estamos passando informações erradas ao cliente, mas fazendo que que ele veja o que o desenhista deseja. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 138 CAPÍTULO 13 PERSPECTIVA DE 1 PONTO DE FUGA Este tipo de perspectiva também é muito simples de ser criado, e é muito usado em projetos de interiores, já que vai permitir uma visão interessante destes espaços. Diferente da perspectiva isométrica, no entanto, esta perspectiva vai distorcer o desenho, o que significa que vamos precisar de algumas “estratégias” para ajudar em nosso desenho, como veremos. 13.1 Criação da perspectiva Como você se lembra, as perspectivas isométricas tinham todas as medidas exatas, ou seja, iguais às medidas reais, sem que precisassem ser distorcidas, ou seja, todas as medidas utilizadas na criação destes desenhos estavam em “Verdadeira Grandeza”, não é mesmo? No caso das perspectivas de 1 ponto de fuga, nem todas as medidas estarão em Verdadeira Grandeza, o que significa que algumas delas estarão “distorcidas” no desenho, para que a representação fique mais próxima ao real, como veremos. Mas vamos começar a entender como isso funciona, o que você acha? Na figura 1 podemos ver a planta da sala que vamos utilizar para o nosso exercício. Figura 1 – Planta Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 139 Começamos a perspectiva de1 ponto de fuga desenhando a parede que está no lado oposto ao observador, ou seja, a parede dos “fundos” da sala, como pode ser visto na figura 2. Figura 2 – Verdadeira Grandeza Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Nesta parede, as medidas que estão indicadas são colocadas na medida correta, ou seja, estas dimensões devem ser desenhadas sem nenhuma distorção, na escala escolhida. Mas o que isto quer dizer? Isto significa que as alturas e larguras em uma perspectiva de 1 ponto de fuga serão desenhadas em “Verdadeira Grandeza”, isto é, sem distorção, usando as dimensões corretas. O próximo passo é a definição do “Ponto de Fuga”, que é o ponto para onde todas as linhas convertem; na figura 3 podemos ver onde foi colocado o ponto de fuga. Figura 3 – Ponto de Fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 140 O posição do ponto de fuga é definida pelo desenhista; de forma geral considera-se um ponto mais central, como na figura 3, mas é interessante que você faça alguns testes, modificando este posição. Com a parede posterior e o ponto de fuga definidos, vamos começar a desenhar as paredes laterais, o piso e o teto; para isso, dos cantos da parede posterior, vão sair as linhas, que vão criar as paredes; estas linhas vão ligar os cantos o ponto de fuga, como pode ser visto na figura 4. Figura 4 – Criação das paredes laterais Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Vamos criar as outras linhas de forma semelhante, como na figura 5. Figura 5 – Paredes Laterais Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 141 Você já consegue visualizar as paredes, o piso e o teto? Conseguiu entender como eles foram definidos? Veja já figura 6, se fica mais fácil de visualizar estes itens. Figura 6 – Paredes, teto e piso Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) 13.2 Detalhamento da perspectiva Até aqui está fácil, não é verdade? Agora vamos começar a desenhar o piso deste espaço; como pudemos ver na planta, o piso é quadrado, e vamos considerar que ele seja composto por peças de 1,00m x 1,00. A largura, como já vimos, é marcada em Verdadeira Grandeza, como pode ser visto na figura 7. Figura 7 – Marcação do Piso Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois de fazer a marcação de cada uma das peças, como na figura 7, qual você acha que será nosso próximo passo? Exatamente! EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 142 A partir destes pontos, vamos criar linhas que devem ser dirigidas para o ponto de luz, como na figura 8. Figura 8 – Largura do piso Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ANOTE ISSO É preciso lembrar que todas as linhas em uma perspectiva de 1 ponto de fuga serão verticais, horizontais, ou devem ser dirigidas ao ponto de fuga, como pode ser observado na largura do piso. Depois de criar as linhas, será preciso apagar os excessos, e marcar as linhas de piso, como na figura 9. Figura 9 – Largura do piso Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDROROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 143 A próxima etapa é a marcação da profundidade, ou do comprimento das peças do piso; mas como faremos isso, já que esta marcação não pode ser feita utilizando a Verdadeira Grandeza? Para simplificar a marcação, vamos cria um pequeno “subterfúgio”, ou uma ferramenta auxiliar, que vai ser usada para a marcação de todas as dimensões de profundidade neste tipo de perspectiva; vamos começar criando nosso “Observador”, como pode ser visto na figura 10. Figura 10 – Observador Fonte – Elaborado pelo Autor (2023) O ponto que representa o “observador” é criado na mesma altura do ponto de fuga, e na distância em que o observador real se encontra da cena; como você se lembra, na figura 1 vimos que o observador está a 6,00 metros de distância da parede posterior. A seguir, vamos criar uma linha auxiliar, que vai servir para a marcação das profundidades em Verdadeira Grandeza; essa linha se localiza na parte inferior da parede dos fundos, como pode ser visto na figura 11. Figura 11 – Linha Auxiliar Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 144 É nesta linha auxiliar que serão marcadas as medidas necessárias, em Verdadeira Grandeza; vamos entender como isso funciona, marcando as medidas das peças do piso, ou seja, 1,00m. Veja como isso é feito, na figura 12. Figura 12 – Marcação da profundidade Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) As marcações de profundidade, como as do piso, deverão ser puxadas em direção ao observador, como pode ser visto na figura 13. Figura 13 – Marcação dos pontos de profundidade. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Este “observador” é criado para garantir uma forma de marcar a Verdadeira Grandeza nas profundidades, algo que seria difícil de ser conseguido sem este “truque”. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 145 Com os pontos marcados, conforme a figura 13, basta criar as linhas horizontais, que vão representar o piso, como pode ser visto na figura 14. Figura 14 – Desenho do Piso Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Na figura 14 é possível perceber a importância da linha auxiliar, não é verdade? Esta ferramenta garante que o desenho do piso apresente a característica da perspectiva, que é a de ir diminuindo de tamanho, conforme o desenho se distancia do observador. Na figura 1 ainda é possível observar uma janela na parede esquerda do ambiente, certo? Vamos desenhar, ainda, este detalhe. Vamos começar este desenho localizando a janela na parede; para isto, vamos marcar a distância na linha auxiliar, como pode ser visto na figura 15. Figura 15 – Marcação do comprimento da janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Qual o próximo passo? Exatamente! A partir destes dois pontos, vamos construir a linha que vai até o observador, como na figura 16. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 146 Figura 16 – Marcação do comprimento da janela. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Como a janela se localiza na parede oposta, nosso próximo passo é “transferir” esta marcação para a parede esquerda, como pode ser observado na figura 17. Figura 17 – Localização da janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com a janela localizada na parede esquerda, vamos, a seguir, marcar o peitoril e a altura da janela, para finalizar a sua locação; vamos utilizar um peitoril de 1,80m e uma altura de janela de 1,80m; como estamos falando em marcações de altura, estas dimensões podem ser colocadas diretamente na Verdadeira Grandeza, como pode indicado na figura 18. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 147 Figura 18 – Altura da janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A partir destes pontos, vamos criar as linhas que vão criar o desenho da janela, e que vão partir do ponto de fuga, como mostrado na figura 19. Figura 19 – Localização da janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo é apagar os excessos de linhas, e finalizar a localização da janela, o que pode ser visto na figura 20. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 148 Figura 20 – Colocação da janela na parede Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A janela está localizada na parede, mas está um pouco estranha, você não acha? Parece que está faltando alguma coisa, não é verdade? Oque você acha que pode estar faltando? Isso mesmo! A profundidade da janela na parede! Como a perspectiva é um desenho mais artístico, não vamos fazer a marcação da profundidade de uma forma técnica; vamos apenas colocar as linhas necessárias para a representação deste elemento; dê uma olhada como isso é feito, na figura 21. Figura 21 – Indicação da profundidade da janela Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 149 Na figura é possível entender como estes detalhes vão enriquecendo e deixando a perspectiva mais próxima à realidade; é interessante sempre observar o trabalho em andamento, para acrescentar mais detalhes. Na figura 22, finalmente podemos ver a perspectiva finalizada, sem os pontos e as linhas auxiliares. Figura 22 – Perspectiva Finalizada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 150 CAPÍTULO 14 PERSPECTIVA 1 PONTO DE FUGA - EXERCÍCIO A perspectiva de um ponto de fuga é uma perspectiva usada em vários projetos de Design de Interiores e de Arquitetura. Como os desenhos anteriores, o treino e a prática vão facilitar o entendimento e a visualização, e isso vai fazer com que estes desenhos fiquem mais simples, rápidos e com melhor qualidade. 14.1 Exercício 1 Vamos começar este exercício desenhando alguns quadrados em uma folha de papel, como pode ser visto na figura 1. Figura 1 – Início do exercício Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 151 ANOTE ISSO Como você pode perceber na figura 1, não se preocupe em fazer quadrados iguais, ou em fazer um desenho totalmente ortogonal. Os desenhos feitos a mão são, caracteristicamente, mas livre e mais orgânicos. A próxima etapa é definir onde estará o ponto de fuga; para este exercício vamos colocar o ponto de fuga centralizado na folha, mas, nas próximas vezes, você pode mudá-lo de local. Veja a figura 2. Figura 2 – Ponto de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, vamos imaginar que os quadrados que estão desenhados na folha são, na verdade, cubos e paralelepípedos, ou seja, vamos transformar estes desenhos bidimensionais em volumes tridimensionais. Para isso, vamos começar a desenhar as linhas que saem dos quadrados, em direção ao ponto de fuga, como pode ser visto na figura 3. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 152 Figura 3 – Linhas em direção ao ponto de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, vamos definir a dimensão do cubo; como é um desenho mais livre, podemos fazer esta definição de forma mais visual, ou seja, não será preciso utilizar uma medida exata; veja como isso pode ser feito na figura 4. Figura 4 – Definição da dimensão Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois disso, basta fechar o cubo, desenhando as linhas que faltam para completar o desenho, como na figura 5. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 153 Figura 5 – Cubo Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A partir da criação deste primeiro cubo, vamos transformar os próximos quadrados de forma semelhante, criando mais alguns volumes, como pode ser visto na figura 6. Figura 6 – Criação de volumes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Você pode colocar uma folha de papel milimetrado ou de papel quadriculadopor baixo de uma folha de papel manteiga, nas primeiras vezes em que for trabalhar sem régua, para ajuda a criar linhas mais retas e mais ortogonais, mas é importante saber que desenhos feitos a mão livre serão mais soltos e menos rígidos. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 154 Também é possível criar volumes abertos; os cubos que desenhamos até agora são peças fechadas, o que significa que não é possível ver através deles; vamos criar peças abertas, como a que aparece na figura 7. Figura 7 – Peças vazadas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois de marcar as laterais “ocultas”, ou internas da peça, podemos marcar a parte posterior, como na figura 8. Figura 8 – Parte posterior da peça Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, basta reforçar as linhas que são visíveis no volume, como pode ser visto na figura 9. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 155 Figura 9 – Peça Vazada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois, basta finalizar os desenhos, mesclando mais pelas vazadas com volumes maciços, como na figura 10. Figura 10 – Volumes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Este exercício, pode até parecer simples em um primeiro momento, mas ele vai ajudar a criar uma visão tridimensional, e mostra como a posição do volume em relação EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 156 ao ponto de fuga; isto vai permitir que você consiga escolher a melhor posição para a colocação do ponto de fuga em uma perspectiva. 14.2 Exercício 2 Este próximo exercício vai ajudar a soltara s sua imaginação, já que tem uma relação com objetos e imagens muito familiares. Vamos começar criando a linha do horizonte, e, nesta linha de horizonte, vamos colocar um ponto de fuga, como na figura 11. ANOTE ISSO Nem sempre a linha do horizonte vai coincidir com a linha do observador, mas o ponto de fuga sempre estará localizado nesta linha, ou seja, as linhas sempre convergem para a linha do horizonte. Figura 11 – Linha do horizonte Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, vamos criar um retângulo, cujos vértices visíveis vão convergir para o ponto de fuga, como na figura 12. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 157 Figura 12 – Retângulo Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O próximo passo é determinar a profundidade deste paralelepípedo, como na figura 13. Figura 13 – Profundidade do paralelepípedo Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, podemos fechar o volume, criando as linhas que faltam, como pode ser visto na figura 14. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 158 Figura 14 – Finalização do volume Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A seguir, você pode criar outros volumes, seguindo as mesmas dimensões do primeiro volume, como pode ser visto na figura 15. Figura 15 – Volumes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Como você já notou, começamos a criar uma “rua”, com várias edificações, de diferentes dimensões. O próximo passo é criar as “calçadas” desta rua, como na figura 16. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 159 Figura 16 – Calçadas Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com a calçada desenhada, é possível, por exemplo, desenhar arvores e a faixa central da rua, como na figura 17. Figura 17 – Detalhes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Também é possível começar a desenhar as edificações no outro lado da rua, como na figura 18. Aqui, vamos mudar as alturas dos volumes, criando uma visualização diferente. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 160 Figura 18 – Volumes Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) O último passo é finalizar os volumes, como pode ser visto na figura 19. Figura 19 – Volumes finalizados Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Aqui também você vai soltar a imaginação, e aplicar as técnicas que já aprendemos, como hachuras e sombras; a figura 20 mostra um desenho um pouco mais adiantado. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 161 Figura 20 – Sombras Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 162 CAPÍTULO 15 PERSPECTIVA 2 PONTOS DE FUGA Existem outros tipos de perspectiva, que podem ser usados, dependendo do que é preciso representar. Vamos ver como podem ser feitas as perspectivas de dois pontos de fuga, o que você acha? 15.1 Perspectiva 2 pontos de fuga Como nos casos anteriores, a perspectiva de dois pontos de fuga também será iniciada com a linha do horizonte, mas, neste caso, vamos marcar dois pontos de fuga nesta linha, como na figura 1. Figura 1 – 2 pontos de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 163 Com a linha do horizonte e os pontos de fuga definidos, vamos começar a pensar no objeto que será desenhado. Vamos criar um cubo, o que vai facilitar a comparação com os outros tipos de perspectiva que já conhecemos. Antes disto, porém, vamos entender uma coisa importante, a respeito de um ponto importante para a criação de todas as perspectivas que já vimos: a Verdadeira Grandeza. Entendemos que nas perspectivas isométricas, todas as linhas desenhadas estão em Verdadeira Grandeza, o que significa que todas as linhas podem ser medidas e desenhadas. Entendemos, também, que as perspectivas com um ponto de fuga possuem duas linhas onde podemos trabalhar com a Verdadeira Grandeza: a largura e a altura, ou seja, nas linhas que representam estas dimensões, podemos marcar as medidas exatas nas linhas. As linhas que representam as profundidades nas perspectivas de um ponto de fuga precisam de uma ferramenta auxiliar, para que a proporção de redução seja utilizada. Nas perspectivas de dois pontos de fuga, no entanto, as Verdadeiras Grandezas são mais difíceis de serem marcadas e entendidas, já que só podem ser inedicadas em uma linha, e vão permitir a marcação somente das alturas das peças desenhadas. Vamos entender isto um pouco melhor, com a figura 2. Figura 2 – Perspectiva Superior Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 164 A linha vertical que está marcada na figura 2 representa um dos vértices, ou uma das quinas, do cubo que vamos desenhar, e é a única linha onde é possível marcar a Verdadeira Grandeza do desenho, ou seja, nesta linha conseguiremos marcar a altura do cubo, mas todas as outras dimensões deverão ser reduzidas de maneira proporcional. Isto significa que as perspectivas de dois pontos de fuga mostram, em primeiro plano e em Verdadeira Grandeza, uma das quinas da peça. Vamos entender isto melhor através do desenho, o que você acha? Continuando nosso desenho, você vai ver, na figura 3, que as linhas deste vértice serão puxadas para os dois pontos de fuga. Figura 3 – Pontos de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Diferente da perspectiva de 1 ponto de fuga, onde a colocação de uma linha auxiliar é simples, as perspectivas de 2 pontos de fuga são mais complexas e difíceis de serem feitas. Por isso, vamos fazer nosso desenho de forma semelhante ao que foi feito no exercício que executamos sobre as perspectivas com um ponto de fuga, ou seja, vamos utilizar a visualização, isto é, a sua noção de tamanho, para criar as dimensões da peça. Na figura 4 podemos ver como a marcação é feita, de maneira a se aproximar da figura desejada. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 165 Figura 4 – Lateral da peça Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) A partir desta linha, que marca a lateral da peça, vamos criar uma linha que vai em direção ao ponto de fuga; veja como isso é feito na figura 5. Figura5 – Ponto de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 166 O próximo passo é criar a outra lateral do cubo, ou seja, criar uma linha em uma posição semelhante à que acabamos de criar, para demarcar a outra lateral da peça; veja a figura 6. Figura 6 – Lateral da peça. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) ISTO ACONTECE NA PRÁTICA Note que, como estamos construindo um cubo, ou seja, uma peça onde todas as dimensões são iguais, a marcação da segunda lateral estará na mesma proporção que a primeira; caso a peça que está sendo construída tenha um outro formato, estas dimensões, obviamente, serão diferentes A seguir, também vamos puxar esta nova lateral em direção ao ponto de fuga, como na figura 7. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 167 Figura 7 – Ponto de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Unindo estas laterais aos pontos de fuga, como na figura 7, podemos perceber como a parte superior do cubo já está definida, não é verdade? O que será preciso fazer a seguir? Isso mesmo! Basta reforçar as linhas de construção nos lugares corretos, para marcar a peça, finalizando a perspectiva; dê uma olhada na figura 8. ANOTE ISSO Na perspectiva isométrica, todas as linhas estavam em um dos três eixos que foram criados; na perspectiva com um ponto de fuga, as linhas verticais e horizontais permaneciam sempre nestes dois eixos, ou seja, trabalhávamos com dois eixos; na perspectiva com dois pontos de fuga, temos apenas um eixo que é fixo: as linhas verticais; todas as outras linhas criadas vão em direção ao ponto de fuga. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 168 Figura 8 – Perspectiva finalizada. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) No caso das perspectivas com dois pontos de fuga, como no caso da perspectiva com um ponto de fuga, também é interessante modificar a posição do objeto em relação à linha do horizonte, para que a visualização e o resultado do desenho se modifiquem. Vamos utilizar este mesmo objeto para construir uma perspectiva na qual estejamos olhando o cubo frontalmente, e não em uma vista superior, como na figura 8. Para isso, vamos criar uma outra linha de horizonte, com os dois pontos de fuga, mas vamos colocar a Verdadeira Grandeza, ou seja, a aresta, centralizada nesta linha, como na figura 9. Figura 9 – Perspectiva Frontal Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 169 Você já sabe os próximos passo, não é mesmo? Exatamente! Puxar as linhas em direção ao ponto de fuga, como na figura 10. Figura 10 – Ponto de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Depois disso, como você já sabe, basta desenhar as laterais do cubo, como na figura 11. Figura 11 – Perspectiva finalizada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Finalmente, também é possível posicionar o objeto acima da Linha do Horizonte, para mostrar a parte inferior da peça; na figura 12, a linha está posicionada desta forma. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 170 Figura 12 – Perspectiva Inferior Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Qual será o próximo passo? Exatamente! Vamos puxar as linhas em direção aos pontos de fuga, como na figura 13. Figura 13 – Pontos de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) E a seguir, o que devemos fazer? Isso mesmo! Vamos marcar as laterais, como na figura 14. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 171 Figura 14 – Laterais da peça Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) E agora, qual é a próxima etapa? Exatamente! Vamos puxar as linhas em direção ao ponto de fuga; veja como isto é feito, na figura 15. Figura 15 – Pontos de fuga Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Com nos casos anteriores, a peça já está pronta; basta que reforcemos o desenho; veja o resultado na figura 16 – EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 172 Figura 16 – Perspectiva finalizada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Como já foi dito, é interessante fazer alguns testes com a posição da linha do horizonte, e com o formato e a posição do objeto, como na figura 17. Figura 17 – Perspectiva Finalizada. Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) Este objeto, mantendo os pontos de fuga e o alinhamento, pode se transformar em outra coisa, como na figura 18. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 173 Figura 18 -Perspectiva Finalizada Fonte: Elaborado pelo Autor (2023) EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 174 CONCLUSÃO Muito bem, caro(a) aluno(a)! Chegamos ao final da nossa disciplina a respeito de Desenho Manual. Você conseguiu perceber que a representação técnica é fundamental para que um Designer de Interiores possa compreender os espaços nos quais vai intervir, fazendo suas alterações, e conseguindo compreender como estes espaços se relacionam. Estas representações também são fundamentais para entender como as pessoas vão circular entre estes espaços, compreendendo que este fluxo pode influenciar no projeto. Também é preciso que o Designer consiga se comunicar utilizando estas ferramentas, já que será preciso conversar com outros profissionais, que também vão intervir no projeto, fazendo alterações, de acordo com as propostas e as necessidades. A leitura e a interpretação dos desenhos técnicos, portanto, é de fundamental importância para o profissional e para o êxito da empresa. Conhecemos, ainda, os principais tipos de perspectiva que são usados pelos profissionais, entendendo como elas podem ser construídas, e exercitando o olhar, para conseguir enxergar como isso tudo funciona. Espero que você pratique o que estudamos, treinando a sua mão e o seu olhar, para utilizar o talento, que eu tenho a certeza que você tem, para comunicar as suas ideias. Obrigado pela sua atenção. Até a próxima! EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 175 ELEMENTOS COMPLEMENTARES LIVRO Título: Desenho Arquitetônico Autor: Gildo Montenegro Editora: Blucher Sinopse: Este é um livro de consulta para desenhistas, técnicos de edificações, arquitetos e engenheiros. Ele mostra o uso dos instrumentos de desenho, convenções gráficas, normas técnicas, detalhes construtivos e vocabulário técnico, além de apresentar as medidas dos equipamentos usuais de uma habitação. É fartamente ilustrado e demonstra que um livro técnico não tem de ser chato: nele cabe também o humor, se o leitor tiver isto e imaginação. FILME Título: Metamorfose Ano: 1999 Sinopse: Maurits Cornelis Escher (Leeuwarden, 17 de Junho de 1898 – Hilversum, 27 de Março de 1972) foi um artista gráfico holandês conhecido pelas suas xilogravuras, litografias e meios-tons (mezzotints), que tendem a representar construções impossíveis, preenchimento regular do plano, explorações do infinito e as metamorfoses – padrões geométricos entrecruzados que se transformam gradualmente para formas completamente diferentes. Uma das principais contribuições da obra deste artista está em sua capacidade de gerar imagens com efeitos de ilusões de óptica. EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 176 WEB Este site mostra graficamente, de uma outra forma, como é possível criar alguns dos tipos de perspectiva mais comuns que conhecemos. É uma outra forma de explicação para alguns pontos importantes! https://pt.wikihow.com/Desenhar-em-Perspectiva https://pt.wikihow.com/Desenhar-em-Perspectiva EXPRESSÃO GRÁFICA PROF. LEANDRO ROGER DE SOUZA GOMES FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 177 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 6492 – Representação em projetos de arquitetura. Rio de Janeiro: ABNT, 1994 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRADE NORMAS TÉCNICAS NBR 8.196 – Desenho Técnico – Emprego de Escalas. Rio de Janeiro: ABNT, 1999 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 8.403 – Aplicação de linhas em desenhos – Tipos de Linhas. Rio de Janeiro: ABNT, 1984 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10068 – Folha de Desenho – Leiaute e Dimensões. Rio de Janeiro: ABNT, 1987 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10.582 – Apresentação da folha para desenho técnico. Rio de Janeiro: ABNT, 1988 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 13.142 – Desenho Técnico – Dobramento de cópia. Rio de Janeiro: ABNT, 1999 MOONTENEGRO, G. Desenho Arquitetônico. São Paulo: Blucher, 2006 _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _GoBack _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _heading=h.1fob9te _heading=h.3znysh7 _heading=h.2et92p0 _GoBack _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _GoBack _heading=h.gjdgxs _heading=h.30j0zll _30j0zll _1fob9te _4d34og8 _2s8eyo1 _35nkun2 _30j0zll _1fob9te _30j0zll _1fob9te _gjdgxs _30j0zll _30j0zll _1fob9te _gjdgxs _30j0zll _Hlk131866982 _30j0zll _1fob9te _gjdgxs _30j0zll _Hlk131867243 _30j0zll _1fob9te _Hlk131867375 _gjdgxs _30j0zll _3znysh7 _30j0zll _1fob9te _gjdgxs _gjdgxs Material de Desenho Técnico Uso dos materiais de Desenho Técnico Normas e Convenções Representação Arquitetônica Detalhes da Planta Arquitetônica Desenho da Planta Cortes Arquitetônicos Desenho do Corte Fachadas Desenho da Fachada Perspectiva Isométrica Desenho de Perspectiva Isométrica Perspectiva de 1 ponto de fuga Perspectiva 1 ponto de fuga - Exercício Perspectiva 2 pontos de fuga