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<p>UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP</p><p>Polo: Recife Riachuelo-PE</p><p>Curso: Pedagogia</p><p>Aluna: Liliane Chaves Muniz Ortega – RA</p><p>Atividade Complementar – Filme “Elefante Branco”</p><p>O Filme relata a historia de dois padres Julian e Nicolás e uma assistente social Luciana que lutam para melhorar as condições de vida da favela no centro de Buenos Aires, contudo seus objetivos entram em conflito com os interesses do governo, do tráfico e da própria Igreja, que usam da fé e poder ainda existentes na Igreja Católica para arregaçar as mangas na reconstrução de um hospital público, um jardim de infância e de moradia digna, que beneficiaram cerca de 30 mil moradores. O título do filme, inclusive, é de total relevância, justamente por ser uma expressão que remete a obras públicas sem utilidade e cuja revitalização não se pagaria com relação a seu uso. Nenhuma novidade diante de governos (seja na Argentina, seja no Brasil) que, em busca do lucro, não se empenham diante de políticas de assistência pública. O SUS está aí e não nos deixa mentir, com pessoas morrendo aos montes por conta de espera no atendimento.</p><p>Expondo sem pudores as adversidades de uma minoria em busca do bem diante de uma realidade de crime constante, Julián, Nicolas e Luciana, fazem o que está ao seu alcance, seja buscando remédios, auxiliando jovens e crianças para um não envolvimento no tráfico (ou retirando-os dele), entre outras atividades. Porém, não bastasse o poderio que entrelaça marginalizados e governo, ainda temos a polícia e até os próprios criminosos que, ameaçados pela perda de hegemonia do poder que impõem, não veem com bons olhos a presença dos religiosos na favela.</p><p>Assim, diante de um descaso da qual já estão “acostumados”, a população vive em uma descrença e fúria latente, que geram brigas entre gangues rivais, colocando em risco a vida de todos, com juras de morte que saem das promessas e são postas em prática. Sem focar nos personagens de forma específica, “Elefante Branco” pincela as histórias pessoais, com jovens envolvidos nas drogas e dívidas pagas com pólvora.</p><p>O longa, considerado por alguns como um retrato predominante da sujeira de uma camada esquecida por muitos e temida por tantos outros, é tenso em seus 110 minutos de projeção. Como um caldeirão fervilhante prestes a transbordar, “Elefante Branco” não decepciona e mostra que, uma hora, a bomba explode. Afinal, tais pessoas cresceram em um ambiente onde a violência sempre foi a principal arma de defesa e ataque. A grande falha, entretanto, é deixar em segundo plano o bem que convive com o mal, aumentando ainda mais o medo de quem está do lado de fora daquele universo.</p><p>Para dar ainda mais destaque aos padres, “Elefante Branco” insere dois conflitos pessoais aos protagonistas, gerando uma empatia maior com seu público: Julian mantém em segredo um grave problema de saúde, enquanto Nicolas tem sua fé abalada pela proximidade com Luciana, que pode lhe fazer pendurar a batina. Pertinente, claro, até para não deixar o filme tão mais-do-mesmo do dia a dia do trio na comunidade.</p><p>Com uma direção firme, Trapero une bela fotografia, trilha que mistura orquestra e pop latino e extrai ótimas interpretações da dupla principal em sua (até então) inabalável dedicação, especialmente de Jérémie Renier, em uma mistura de força, beleza e juventude no papel do padre francês. Darín, como era de se esperar, oferece mais um personagem adorável, graças ao seu talento aliado a um sorriso franco e profundos olhos azuis.</p><p>Dedicado ao padre argentino Carlos Mugica, assassinado em 1974 e que se tornou um ícone de defesa aos menos favorecidos por sua atuação nos anos 60 e 70, “Elefante Branco” é um soco no estômago ao mostrar cenas dramáticas de forte impacto visual, como o corpo morto cravado de tiros levado em um carrinho de mão, o tiroteio que cerca Nicolas e Luciana e a invasão da polícia quando, finalmente, o caldeirão transborda em um caos incontrolável e instaurado.</p><p>Finalmente</p><p>Para finalizar, do ponto de vista da Sociologia foi importante assistir essa série pois, retrata as relações de poder, tão bem conceituadas por Michel Foucault onde afirma que:</p><p>[...] a noção de “classe dirigente” não é nem muito clara nem muito elaborada. "dominar", "dirigir", "governar", "grupo no poder", "aparelho de Estado", etc., há aí todo um jogo de noções que pedem de ser analisadas. Do mesmo modo, seria necessário bem saber até onde se exerce o poder, quais etapas e até quais instâncias frequentemente ínfimas, de hierarquia, de controle, de vigilância, de proibições, de constrangimentos. Por toda a parte onde existe o poder, o poder exerce-se. Ninguém propriamente dito é o titular do poder; e, no entanto, ele sempre se exerce em certa direção, com uns de um lado e os outros do outro; não se sabe quem o tem exatamente; mas sabe-se quem não o tem (FOUCAULT, 2001, p. 1181).</p><p>Na série uma grande empresa é a principal fornecedora de postos de trabalhos e geradora de impostos na cidade. Além disso, a única escola de Ensino Médio é liderada pela proprietária da empresa. Esses atributos tornam esses personagens grandes influenciadores sociais e políticos, praticamente tendo mais autonomia que o próprio prefeito e legisladores da cidade.</p><p>O silêncio do povo em não delatar a empresa e o seu abuso de poder, retrata uma sociedade coagida e manipulada perante um capitalismo doentio, fazendo com que essa inércia endosse o mal exemplo organizacional.</p><p>Referências</p><p>FOUCAULT, Michel. “L’herméneutique du sujet cours au Collège de France.» 1981 – 1982. édition publiée sur la direction de François Ewald e autres. Paris. Gallimard, 2001.</p>