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<p>CYAN</p><p>VS Gráfica VS Gráfica</p><p>MAG</p><p>VS Gráfica</p><p>YEL</p><p>VS Gráfica</p><p>BLACK</p><p>GEOCIÊNCIAS</p><p>www.grupoa.com.br</p><p>JOHN GROTZINGER</p><p>TOM JORDAN</p><p>TERRA</p><p>P A R A E N T E N D E R A</p><p>SEXTA EDIÇÃO</p><p>GROTZINGER</p><p>& JORDAN</p><p>SEXTA</p><p>EDIÇÃO</p><p>PA</p><p>RA</p><p>EN</p><p>TEN</p><p>D</p><p>ER A</p><p>TERRA</p><p>Desde que Frank Press e Raymond Siever lançaram a</p><p>primeira edição de Para Entender a Terra (1965), este manual</p><p>vem sendo paulatinamente atualizado e hoje se tornou um</p><p>dos mais importantes livros-texto de universidades de vários</p><p>países. Sucessores dos grandes mestres que iniciaram esta</p><p>obra, Tom Jordan e John Grotzinger, dois cientistas de gran-</p><p>de envergadura na atualidade, terminam, nesta sexta edição,</p><p>o ciclo de uma grande reestruturação em relação à primeira</p><p>edição.</p><p>A introdução de desenhos e esquemas inovadores, a mo-</p><p>derna concepção sobre tectônica de placas, a concepção da</p><p>Terra como um sistema interativo e a análise de como a di-</p><p>nâmica planetária tem infl uenciado a evolução da vida evi-</p><p>denciam a profunda modernização deste livro-texto. O leitor</p><p>é estimulado a fazer e pensar como os geólogos, enten-</p><p>dendo como eles adquiriram o conhecimento que possuem,</p><p>como esse conhecimento impacta a vida dos cidadãos e o que</p><p>se pode fazer para melhorar o ambiente da Terra.</p><p>Leitura indicada para os cursos de bacharelado e licen-</p><p>ciatura em Geologia, Geografi a, Ciências da Terra, Cli-</p><p>matologia, Meteorologia, Ciências do Solo, Agronomia,</p><p>Engenharias, Biologia, Ecologia, Ciências Ambientais</p><p>e afi ns. A obra destina-se também a técnicos e profi ssionais</p><p>que necessitem complementar e atualizar seus conhecimen-</p><p>tos gerais fora da área de especialização e ao público em geral</p><p>que se interessa pelos fenômenos da Terra e da natureza.</p><p>TERRA</p><p>P A R A E N T E N D E R A</p><p>SEXTA EDIÇÃO</p><p>G ROTZ I NG E R & JOR DAN</p><p>42685 Para Entender a Terra.indd 142685 Para Entender a Terra.indd 1 31/01/2013 10:05:0731/01/2013 10:05:07</p><p>Catalogação na publicação: Natascha Helena Franz Hoppen CRB10/2150</p><p>G881e Grotzinger, John.</p><p>Para entender a terra [recurso eletrônico] / John</p><p>Grotzinger, Tom Jordan ; tradução: Iuri Duquia Abreu ;</p><p>revisão técnica: Rualdo Menegat. – 6. ed. – Dados</p><p>eletrônicos. – Porto Alegre : Bookman, 2013.</p><p>Editado também como livro impresso em 2013.</p><p>Tradução da 4. ed. de Rualdo Menegat, Paulo César</p><p>Dávila Fernandes, Luís Aberto Dávila Fernandes, Carla</p><p>Cristine Porcher.</p><p>ISBN 978-85-65837-82-8</p><p>1. Geociências. 2. Geologia. I. Jordan, Tom. II. Título.</p><p>CDU 55</p><p>Tradutores da 4ª edição</p><p>Rualdo Menegat</p><p>Professor do Instituto de Geociências/UFRGS</p><p>Paulo César Dávila Fernandes</p><p>Professor da Universidade do Estado da Bahia</p><p>Luís Aberto Dávila Fernandes</p><p>Professor do Instituto de Geociências/UFRGS</p><p>Carla Cristine Porcher</p><p>Professora do Instituto de Geociências/UFRGS</p><p>C A P Í T U LO 1 � O S I S T E MA T E R R A 9</p><p>Circunferência da Terra =</p><p>50 � distância de Siena a Alexandria</p><p>� 50 � 800 km � 40.000 km</p><p>Com esse valor para a circunferência da Terra, era</p><p>uma simples questão de calcular o raio. Eratóstenes sa-</p><p>bia que, para qualquer círculo, a circunferência é igual a</p><p>2� (pi) vezes o raio, onde � � 3,14.... Portanto, ele divi-</p><p>diu sua estimativa da circunferência da Terra por 2� para</p><p>encontrar o raio:</p><p>Com esses cálculos, Eratóstenes chegou a um mo-</p><p>delo científico simples e elegante: a Terra é uma esfera</p><p>com raio de aproximadamente 6.370 km.</p><p>Em sua poderosa demonstração do método cien-</p><p>tífico, Eratóstenes fez observações (o comprimento da</p><p>sombra), formulou uma hipótese (forma esférica) e apli-</p><p>cou um pouco de teoria matemática (geometria esférica)</p><p>para propor um modelo incrivelmente preciso da forma</p><p>física da Terra. Seu modelo previa corretamente outros</p><p>tipos de medições, como a distância em que o mastro</p><p>alto de um navio desapareceria no horizonte. Além dis-</p><p>so, conhecer o tamanho e a forma da Terra permitia aos</p><p>astrônomos gregos calcular os tamanhos da Lua e do</p><p>Sol e as distâncias desses corpos em relação à Terra. Essa</p><p>história explica por que experimentos bem projetados e</p><p>boas medições são cruciais para o método científico: eles</p><p>nos dão novas informações sobre o mundo natural.</p><p>PROBLEMA EXTRA: O volume de uma esfera é dado por</p><p>Usando essa fórmula, calcule o volume da Terra em</p><p>quilômetros cúbicos.</p><p>Descascando a cebola:</p><p>a descoberta de uma</p><p>Terra em camadas</p><p>Os antigos pensadores, como Eratóstenes, dividiam o</p><p>universo em duas partes: o Céu, acima, e o Hades, embai-</p><p>xo. O céu era transparente e cheio de luz, e eles poderiam</p><p>enxergar diretamente as estrelas e os planetas vagantes.</p><p>O interior da Terra era escuro e fechado para os olhos hu-</p><p>manos. Em alguns lugares, o chão tremia e havia erupção</p><p>de lava quente. Com certeza, algo terrível estava aconte-</p><p>cendo lá embaixo!</p><p>EQ</p><p>UADOR</p><p>800 km</p><p>SienaAlexandria</p><p>7°</p><p>7°</p><p>N</p><p>Alexandria Siena</p><p>EQUADOR</p><p>L U Z S O L A R</p><p>Como Eratóstenes mediu</p><p>a circunferência da Terra.</p><p>Grotzinger_01.indd 9Grotzinger_01.indd 9 05/12/12 08:5605/12/12 08:56</p><p>10 PA R A E N T E N D E R A T E R R A</p><p>Essa visão permaneceu até cerca de um século atrás,</p><p>quando os geólogos começaram a espiar o interior da</p><p>Terra, não com ondas de luz (que não penetram a rocha),</p><p>mas com ondas produzidas por terremotos. Um terremo-</p><p>to ocorre quando forças geológicas fraturam as rochas</p><p>frágeis, enviando vibrações que se assemelham ao gelo</p><p>rachando sobre um rio. Essas ondas sísmicas (da pala-</p><p>vra grega para terremoto, seismos), quando registradas por</p><p>instrumentos sensíveis chamados sismógrafos, permitem</p><p>que os geólogos localizem terremotos e também tirem</p><p>“fotografias” do funcionamento interno da Terra, assim</p><p>como os médicos usam ultrassom e tomografia computa-</p><p>dorizada para obter imagens do interior do corpo. Quan-</p><p>do as primeiras redes de sismógrafos foram instaladas em</p><p>todo o mundo no final do século XIX, os geólogos come-</p><p>çaram a descobrir que o interior da Terra era dividido em</p><p>camadas concêntricas de diferentes composições, separa-</p><p>das por limites nítidos, quase esféricos (Figura 1.9).</p><p>A densidade da Terra</p><p>A teoria das camadas do interior profundo da Terra foi</p><p>proposta pela primeira vez por Emil Wiechert no fim do</p><p>século XIX, antes que muitos dados sísmicos estivessem</p><p>disponíveis. Ele queria entender por que nosso planeta</p><p>é tão pesado ou, mais precisamente, tão denso. É fácil</p><p>calcular a densidade de uma substância: basta medir</p><p>a massa em uma balança e dividir pelo volume. Uma</p><p>rocha típica, como o granito usado em lúpides sepul-</p><p>crais, tem densidade de aproximadamente 2,7 gramas</p><p>por centímetro cúbico (g/cm</p><p>3</p><p>). É um pouco mais difícil</p><p>estimar a densidade do planeta inteiro, mas não tan-</p><p>to. Eratóstenes mostrou como medir o volume da Terra</p><p>em 250 a.C. e, em algum momento por volta de 1680,</p><p>o grande cientista inglês Isaac Newton descobriu como</p><p>calcular sua massa a partir da força gravitacional que</p><p>atrai objetos à superfície. Os detalhes, que envolviam</p><p>cuidadosos experimentos em laboratório para calibrar a</p><p>lei da gravitação de Newton, foram desenvolvidos por</p><p>outro inglês, Henry Cavendish. Em 1798, ele calculou a</p><p>densidade média da Terra em cerca de 5,5 g/cm</p><p>3</p><p>, duas</p><p>vezes a do granito para jazigos.</p><p>Wiechert ficou perplexo. Ele sabia que um planeta</p><p>composto inteiramente de rochas comuns não poderia</p><p>ter uma densidade tão alta. A maioria das rochas comuns,</p><p>como o granito, contém uma alta proporção de sílica (si-</p><p>lício mais oxigênio; SiO2) e tem densidades relativamente</p><p>baixas, abaixo de 3 g/cm</p><p>3</p><p>. Algumas rochas ricas em ferro,</p><p>trazidas à superfície terrestre por vulcões, têm densidades</p><p>de até 3,5 g/cm</p><p>3</p><p>, mas nenhuma rocha comum se apro-</p><p>ximava do valor de Cavendish. Ele também sabia que,</p><p>na direção do interior da Terra, a pressão sobre a rocha</p><p>aumenta com o peso da massa sobrejacente. A pressão</p><p>comprime a rocha em um volume menor, tornando sua</p><p>densidade mais alta. Porém, Wiechert constatou que mes-</p><p>mo o efeito da pressão era pequeno demais para explicar</p><p>a densidade calculada por Cavendish.</p><p>O manto e o núcleo</p><p>Ao refletir sobre o que havia embaixo de seus pés,</p><p>Wie-</p><p>chert voltou-se para o sistema solar e, em especial, aos</p><p>meteoritos, que são pedaços do sistema solar caídos na</p><p>Terra. Ele sabia que alguns meteoritos são compostos de</p><p>uma liga (uma mistura) de dois metais pesados, ferro e</p><p>níquel, e, que, portanto, têm densidades de até 8 g/cm</p><p>3</p><p>(Figura 1.10). Ele também sabia que esses dois elementos</p><p>são relativamente abundantes em todo o nosso sistema</p><p>solar. Então, em 1896, propôs uma hipótese grandiosa:</p><p>em algum momento no passado da Terra, a maioria do</p><p>ferro e do níquel de seu interior havia caído para o centro</p><p>sob a força da gravidade. Esse movimento criou um nú-</p><p>cleo denso, que foi cercado por uma capa de rocha rica</p><p>em silicato, a qual chamou de manto (usando a palavra</p><p>em alemão para “casaco”). Com essa hipótese, ele con-</p><p>seguiu elaborar um modelo da Terra com duas camadas</p><p>que estava de acordo com o valor de Cavendish para a</p><p>densidade média da Terra. Ele também conseguiu explicar</p><p>a existência de meteoritos de ferro-níquel: eram pedaços</p><p>do núcleo de um planeta (ou planetas) como a Terra que</p><p>haviam se quebrado, muito provavelmente pela colisão</p><p>com outros planetas.</p><p>Wiechert ocupou-se com o teste de sua hipótese</p><p>usando ondas sísmicas registradas por sismógrafos loca-</p><p>lizados ao redor do globo (ele próprio projetou um). Os</p><p>primeiros resultados demonstraram uma massa interna</p><p>indistinta que ele presumiu ser o núcleo, mas teve pro-</p><p>blemas para identificar algumas das ondas sísmicas. Es-</p><p>sas ondas são de dois tipos básicos: ondas compressionais,</p><p>que se expandem e comprimem o material que movem</p><p>Ferro sólido no</p><p>núcleo interno</p><p>(5.150 a 6.370 km)</p><p>1,7% da massa</p><p>da Terra</p><p>Ferro líquido no</p><p>núcleo externo</p><p>(2.890 a 5.150 km)</p><p>30,8% da massa da Terra</p><p>Manto (40 a 2.890 km)</p><p>67,1% da massa da Terra</p><p>Crosta (0 a 40 km)</p><p>0,4% da massa</p><p>da Terra</p><p>FIGURA 1.9 � Principais camadas da Terra, mostrando suas</p><p>profundidades e suas massas, expressas como porcentagem da</p><p>massa total da Terra.</p><p>Grotzinger_01.indd 10Grotzinger_01.indd 10 05/12/12 08:5605/12/12 08:56</p><p>C A P Í T U LO 1 � O S I S T E MA T E R R A 11</p><p>conforme se propagam através de um sólido, líquido ou</p><p>gás; e ondas cisalhantes, que deslocam o material de lado a</p><p>lado. As ondas cisalhantes podem propagar-se apenas em</p><p>sólidos, que resistem ao cisalhamento, e não em fluidos</p><p>(líquidos ou gases), como o ar e a água, que não têm resis-</p><p>tência a esse tipo de movimento.</p><p>Em 1906, um sismólogo britânico, Robert Oldham,</p><p>conseguiu classificar os caminhos percorridos por esses</p><p>dois tipos de ondas sísmicas e demonstrar que as ondas</p><p>cisalhantes não se propagavam no núcleo. O núcleo, pelo</p><p>menos na parte externa, era líquido! Acontece que essa</p><p>descoberta não é das mais surpreendentes. O ferro funde</p><p>a uma temperatura mais baixa do que os silicatos, e é por</p><p>isso que os metalúrgicos podem usar recipientes feitos de</p><p>cerâmica (que são materiais silicáticos) para conter o ferro</p><p>fundido. O interior profundo da Terra é quente o bastan-</p><p>te para fundir uma liga de ferro-níquel, mas não rocha</p><p>silicática. Beno Gutenberg, um dos alunos de Wiechert,</p><p>confirmou as observações de Oldham e, em 1914, deter-</p><p>minou que a profundidade do limite núcleo-manto</p><p>4</p><p>era de</p><p>aproximadamente 2.890 km (ver Figura 1.9).</p><p>A crosta</p><p>Cinco anos antes, um cientista croata detectara outro li-</p><p>mite a uma profundidade relativamente rasa de 40 km</p><p>abaixo do continente europeu. Esse limite, chamado de</p><p>descontinuidade de Mohorovi i (Moho, por simplicidade),</p><p>em homenagem ao seu descobridor, separa uma crosta</p><p>composta de silicatos de baixa densidade, que são ricos em</p><p>alumínio e potássio, dos silicatos de densidade mais alta</p><p>encontrados no manto, que contêm mais magnésio e ferro.</p><p>Assim como o limite núcleo-manto, a Moho é uma</p><p>característica global. Contudo, verificou-se que ela é subs-</p><p>tancialmente mais rasa sob os oceanos do que sob os con-</p><p>tinentes. Em média, a espessura da crosta oceânica é de</p><p>apenas 7 km, comparada com quase 40 km da crosta con-</p><p>tinental. Além disso, as rochas na crosta oceânica contêm</p><p>mais ferro e, portanto, são mais densas do que as rochas</p><p>continentais. Como a crosta continental é mais espessa,</p><p>mas menos densa do que a crosta oceânica, os continentes</p><p>flutuam mais ao alto, como se fossem botes sobre o manto</p><p>mais denso (Figura 1.11), semelhante a como os icebergs</p><p>(a) (b)</p><p>FIGURA 1.10 � Dois tipos comuns de meteoritos. (a) Este meteorito pétreo, que é semelhante</p><p>em composição ao manto silicático da Terra, tem densidade em torno de 3 g/cm3. (a) Este me-</p><p>teorito de ferro-níquel, que é semelhante em composição ao núcleo da Terra, tem densidade de</p><p>aproximadamente 8 g/cm3. [John Grotzinger/Ramón Rivera-Moret/Harvard Mineralogical Museum]</p><p>A crosta continental menos densa</p><p>flutua sobre o manto mais denso.</p><p>A crosta continental é menos densa e</p><p>mais espessa do que a crosta oceânica</p><p>e, portanto, flutua mais ao alto.</p><p>Crosta continental</p><p>(2,8 g/cm3)</p><p>Moho</p><p>20</p><p>10</p><p>0 (km)</p><p>50</p><p>40</p><p>30</p><p>Distância horizontal sem escala</p><p>Manto</p><p>(3,4 g/cm3)</p><p>Crosta oceânica</p><p>(3,0 g/cm3)</p><p>FIGURA 1.11 � Como as rochas</p><p>crustais são menos densas do que</p><p>as rochas do manto, a crosta da Terra</p><p>flutua sobre o manto. A crosta con-</p><p>tinental é mais espessa e tem den-</p><p>sidade menor do que a crosta oce-</p><p>ânica, fazendo com que flutue mais</p><p>ao alto e explicando a diferença de</p><p>elevação entre os continentes e o</p><p>assoalho oceânico profundo.</p><p>Grotzinger_01.indd 11Grotzinger_01.indd 11 05/12/12 08:5605/12/12 08:56</p><p>12 PA R A E N T E N D E R A T E R R A</p><p>flutuam no oceano. A flutuação continental explica a fei-</p><p>ção mais impactante da topografia da superfície da Terra:</p><p>por que as elevações mostradas na Figura 1.8 dividem-se</p><p>em dois grupos principais, 0 a 1 km acima do nível do mar</p><p>para a maior parte da superfície terrestre e 4 a 5 km abaixo</p><p>do nível do mar para a maioria do mar profundo.</p><p>As ondas cisalhantes propagam-se bem pelo manto</p><p>e pela crosta, então sabemos que ambos são rocha sólida.</p><p>Como os continentes podem flutuar sobre a rocha sólida?</p><p>As rochas podem ser sólidas e fortes por um curto espaço</p><p>de tempo (segundos a anos), embora continuem sendo</p><p>fracas por um longo período (milhares até milhões de</p><p>Núcleo</p><p>interno</p><p>Núcleo</p><p>externo</p><p>Manto</p><p>Crosta</p><p>Oxigênio</p><p>(46%)</p><p>Cálcio</p><p>(2,4%)</p><p>Magnésio</p><p>(4%)</p><p>Silício</p><p>(28%)</p><p>Alumínio</p><p>(8%)</p><p>Ferro</p><p>(6%)</p><p>Outros</p><p>(6%)</p><p>Oxigênio</p><p>(44%)</p><p>Cálcio</p><p>(2,5%)</p><p>Magnésio</p><p>(22,8%)</p><p>Silício</p><p>(21%)</p><p>Alumínio</p><p>(2,4%)</p><p>Ferro</p><p>(6,3%)</p><p>Ferro (85%)</p><p>Níquel</p><p>(5%)</p><p>Oxigênio</p><p>(5%)</p><p>Enxofre</p><p>(5%)</p><p>Ferro (94%)</p><p>Níquel</p><p>(6%)</p><p>0 1000 2000 3000 4000 5000 6000</p><p>2</p><p>4</p><p>6</p><p>8</p><p>10</p><p>12</p><p>14</p><p>Profundidade (km)</p><p>D</p><p>en</p><p>si</p><p>da</p><p>de</p><p>(g</p><p>/c</p><p>m</p><p>)</p><p>FIGURA 1.12 � Saltos de densidade entre as principais camadas</p><p>da Terra, mostrados acima em cores diferentes, são basicamente</p><p>causados por diferenças de composição química. As quantias re-</p><p>lativas dos principais elementos são exibidas nas barras à direita.</p><p>anos). O manto abaixo de uma profundidade em torno de</p><p>100 km tem pouca força e, durante períodos muito longos,</p><p>ele flutua à medida que se ajusta para sustentar o peso de</p><p>continentes e montanhas.</p><p>O núcleo interno</p><p>Uma vez que o manto é sólido e a parte externa do núcleo</p><p>é liquida, o limite núcleo-manto reflete as ondas sísmicas,</p><p>assim como um espelho reflete ondas de luz. Em 1936, a</p><p>sismóloga dinamarquesa Inge Lehmann descobriu outro</p><p>limite esférico nítido a uma profundidade de 5.150 km,</p><p>indicando uma massa central com densidade maior do</p><p>que a do núcleo líquido. Estudos conduzidos após sua</p><p>pesquisa pioneira mostraram que o núcleo interno pode</p><p>transmitir ondas cisalhantes e compressionais. Portanto,</p><p>o núcleo interno é uma sólida esfera metálica suspensa</p><p>no núcleo externo líquido – um “planeta dentro de um</p><p>planeta”. O raio do núcleo interno é de 1.220 km, cerca de</p><p>dois terços o tamanho da Lua.</p><p>Os geólogos estavam intrigados com a existência</p><p>desse núcleo interno “congelado”. Eles sabiam que as</p><p>temperaturas dentro da Terra deveriam aumentar em pro-</p><p>porção à profundidade. Segundo as melhores estimativas</p><p>atuais, a temperatura da Terra</p><p>sobe de aproximadamente</p><p>3.500°C na fronteira núcleo-manto para quase 5.000°C no</p><p>centro. Se o núcleo interno é mais quente, como pode ser</p><p>sólido enquanto o núcleo externo é fundido? O mistério</p><p>foi finalmente resolvido por experimentos de laboratório</p><p>com ligas de ferro-níquel, que demonstraram que o “con-</p><p>gelamento” se devia a altas pressões, em vez de a tempe-</p><p>raturas menores, no centro da Terra.</p><p>Grotzinger_01.indd 12Grotzinger_01.indd 12 05/12/12 08:5605/12/12 08:56</p><p>C A P Í T U LO 1 � O S I S T E MA T E R R A 13</p><p>A composição química das</p><p>principais camadas da Terra</p><p>Em meados do século XIX, os geólogos haviam descober-</p><p>to todas as principais camadas da Terra – crosta, manto,</p><p>núcleo externo e núcleo interno – e uma série de feições</p><p>mais sutis no interior. Eles verificaram, por exemplo, que</p><p>o próprio manto divide-se em camadas, o manto superior</p><p>e o manto inferior, separadas por uma zona de transição</p><p>em que a densidade da rocha aumenta em uma série de</p><p>passos. Esses passos de densidade não são causados por</p><p>mudanças na composição química da rocha, mas por mu-</p><p>danças na compactação dos minerais constituintes em ra-</p><p>zão do aumento de pressão proporcional à profundidade.</p><p>Os dois maiores saltos de densidade na zona de transição</p><p>estão localizados a profundidades de aproximadamente</p><p>410 e 660 km, mas são menores do que os aumentos de</p><p>densidade na Moho e no limite núcleo-manto, causados</p><p>por mudanças na composição química (Figura 1.12).</p><p>Os geólogos também conseguiram demonstrar que o</p><p>núcleo externo da Terra não pode ser feito de uma liga</p><p>pura de ferro-níquel, porque as densidades desses metais</p><p>são maiores do que a densidade desse núcleo. Cerca de</p><p>10% da massa do núcleo externo deve ser composta de</p><p>elementos mais leves, como oxigênio e enxofre. Por outro</p><p>lado, a densidade do núcleo interno sólido é um pouco</p><p>maior do que a do núcleo externo e é consistente com</p><p>uma liga de ferro-níquel quase pura.</p><p>Pela combinação de muitas linhas de evidência, os</p><p>geólogos desenvolveram um modelo da composição da</p><p>Terra e de suas várias camadas. Além dos dados sísmicos,</p><p>essa evidência inclui as composições das rochas crustais</p><p>e do manto, bem como as de meteoritos, considerados</p><p>amostras do material cósmico do qual planetas como a</p><p>Terra eram originalmente feitos.</p><p>Apenas oito elementos, de mais de uma centena,</p><p>compõem 99% da massa da Terra (ver Figura 1.12). De</p><p>fato, cerca de 90% da Terra consistem em apenas quatro</p><p>elementos: ferro, oxigênio, silício e magnésio. Os dois</p><p>primeiros são os elementos mais abundantes, sendo que</p><p>cada um representa quase um terço da massa total do pla-</p><p>neta, mas são distribuídos de forma bem distinta. O ferro,</p><p>que é o mais denso desses elementos comuns, concentra-</p><p>-se no núcleo, ao passo que o oxigênio – o menos den-</p><p>so – concentra-se na crosta e no manto. A crosta contém</p><p>mais silício do que o manto. Essas relações mostram que</p><p>as diferentes composições das camadas da Terra são ba-</p><p>sicamente o trabalho da gravidade. Como se pode ver na</p><p>Figura 1.12, as rochas crustais sobre as quais estamos são</p><p>constituídas por quase 50% de oxigênio!</p><p>A Terra como um sistema de</p><p>componentes interativos</p><p>A Terra é um planeta inquieto, mudando continuamente</p><p>por meio de atividades geológicas como terremotos, vul-</p><p>cões e glaciações. Essas atividades são governadas por</p><p>dois mecanismos térmicos: um interno e o outro exter-</p><p>Sol</p><p>O Sol controla o mecanismo</p><p>externo da Terra.</p><p>A energia solar é responsável por</p><p>nosso clima e tempo meteorológico.</p><p>O mecanismo interno da Terra é</p><p>governado pelo calor aprisionado</p><p>durante sua origem...</p><p>...e pela radioatividade</p><p>de seu interior.</p><p>O calor irradiado pela Terra</p><p>equilibra o calor interno e</p><p>aquele recebido do Sol.</p><p>Meteoros transportam</p><p>massa do cosmos para Terra.FIGURA 1.13 � O sistema da Terra é um sistema aberto que</p><p>troca energia e massa com seu entorno.</p><p>Grotzinger_01.indd 13Grotzinger_01.indd 13 05/12/12 08:5605/12/12 08:56</p>

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