Logo Passei Direto
Buscar

71 - APOSTILA - DIREITO PROCESSUAL PENAL

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>Direito</p><p>Processual Penal</p><p>Professor Marcelo Pereira de Souza</p><p>Diretor Geral</p><p>Gilmar de Oliveira</p><p>Diretor de Ensino e Pós-graduação</p><p>Daniel de Lima</p><p>Diretor Administrativo</p><p>Eduardo Santini</p><p>Coordenador NEAD - Núcleo</p><p>de Educação a Distância</p><p>Jorge Van Dal</p><p>Coordenador do Núcleo de Pesquisa</p><p>Victor Biazon</p><p>Secretário Acadêmico</p><p>Tiago Pereira da Silva</p><p>Projeto Gráfico e Editoração</p><p>André Oliveira Vaz</p><p>Revisão Textual</p><p>Kauê Berto</p><p>Web Designer</p><p>Thiago Azenha</p><p>UNIFATECIE Unidade 1</p><p>Rua Getúlio Vargas, 333,</p><p>Centro, Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 2</p><p>Rua Candido Berthier</p><p>Fortes, 2177, Centro</p><p>Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 3</p><p>Rua Pernambuco, 1.169,</p><p>Centro, Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>UNIFATECIE Unidade 4</p><p>BR-376 , km 102,</p><p>Saída para Nova Londrina</p><p>Paranavaí-PR</p><p>(44) 3045 9898</p><p>www.fatecie.edu.br</p><p>As imagens utilizadas neste</p><p>livro foram obtidas a partir</p><p>do site ShutterStock</p><p>FICHA CATALOGRÁFICA</p><p>FACULDADE DE TECNOLOGIA E</p><p>CIÊNCIAS DO NORTE DO PARANÁ.</p><p>Núcleo de Educação a Distância;</p><p>SOUZA, Marcelo Pereira de.</p><p>Direito Processual Penal. Marcelo. Pereira de Souza.</p><p>Paranavaí - PR.: Fatecie, 2020. 174 p.</p><p>Ficha catalográfica elaborada pela bibliotecária</p><p>Zineide Pereira dos Santos.</p><p>AUTOR</p><p>Marcelo Pereira de Souza,</p><p>Advogado, graduado em Direito pela Universidade Paranaense (UNIPAR-2006),</p><p>pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pela Universidade Paranaense</p><p>(UNIPAR-2008). Professor de Direito Penal e Processual Penal. Participante de vários</p><p>simpósios, entre eles o 7º Simpósio Jurídico em Nova Petrópolis (RS); Participou do Curso</p><p>Aspectos Práticos das Ações Indenizatórias da ESA em Cascavel (PR); é sócio fundador</p><p>do escritório MPS Advocacia e Consultoria Jurídica desde 2010; ampla experiência jurídica;</p><p>militante no Direito Administrativo, Direito Penal e no Tribunal do Júri.</p><p>Link currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8681879347388158</p><p>http://lattes.cnpq.br/868187</p><p>APRESENTAÇÃO DO MATERIAL</p><p>Seja muito bem-vindo(a)!</p><p>Prezado(a) aluno(a), se você se interessou pelo assunto desta disciplina, isso já é</p><p>o início de uma grande jornada que vamos trilhar juntos a partir de agora.</p><p>Proponho, junto com você co®nstruir nosso conhecimento básico de Direito Pro-</p><p>cessual Penal.</p><p>Na unidade I - Noções Básicas do Direito Processual Penal: Começaremos a nossa</p><p>jornada pela Introdução ao Direito Processual Penal; História do Processo Penal; Breve</p><p>Histórico do Processo Penal no Brasil e Princípios Constitucionais do Processo Penal. Esta</p><p>noção é necessária para que possamos trabalhar a segunda unidade sobre o inquérito</p><p>policial.</p><p>Na unidade II - Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal: Estudaremos</p><p>conceito, objeto e finalidade do Processo Penal; veremos a aplicação do Direito Processual</p><p>Penal no Tempo e no Espaço; ampliaremos nossos conhecimentos sobre investigação</p><p>criminal estudando Inquérito Policial. Para isso, veremos a natureza jurídica, suas</p><p>características e procedimentos: notitia criminis, diligências, relatório, arquivamento do</p><p>inquérito policial e por fim, uma síntese sobre a polêmica em torno do Controle Externo do</p><p>Ministério Público, a Reforma do Código e a Figura do Juiz de Garantias.</p><p>Na unidade III - Noções Preliminares da Ação Penal: Estudaremos o Conceito,</p><p>Classificação e Condições da Ação Penal; vamos tratar sobre as Espécies de Ação Penal. Ao</p><p>longo da unidade III, vamos destacar a Ação Penal Pública, Incondicionada e Condicionada,</p><p>esta por Representação ou a Requisição, estudaremos a Ação Penal Privada, em sua</p><p>forma Exclusiva, Personalíssima e Subsidiária, por fim, faremos um breve estudo sobre</p><p>a Denúncia ou Queixa e concluiremos com a Extinção da Punibilidade relacionada com a</p><p>Ação Penal.</p><p>Na unidade IV - Epílogo do Direito Processual Penal: Vamos entender o Processo</p><p>e Procedimento; um breve apanhado sobre a Jurisdição e Competência, veremos ainda os</p><p>Atos Processuais e para fechar com chave de ouro, abordaremos o Processo Penal e a</p><p>Segurança Pública sobre alguns aspectos.</p><p>Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta jornada</p><p>de conhecimento e multiplicar os conhecimentos sobre tantos assuntos abordados em</p><p>nosso material. Esperamos contribuir para seu crescimento pessoal e profissional.</p><p>Muito obrigado e bons estudos!</p><p>Professor: Marcelo Pereira de Souza</p><p>Especialista em Direito Penal e Processual Penal</p><p>SUMÁRIO</p><p>UNIDADE I ...................................................................................................... 7</p><p>Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>UNIDADE II ................................................................................................... 45</p><p>Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>UNIDADE III .................................................................................................. 89</p><p>Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>UNIDADE IV ................................................................................................ 122</p><p>Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>7</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• CAPÍTULO 01 – Introdução ao Direito Processual Penal</p><p>• CAPÍTULO 02 – História do Processo Penal</p><p>• CAPÍTULO 03 – Breve Histórico do Processo Penal no Brasil</p><p>• CAPÍTULO 04 – Princípios Constitucionais do Processo Penal</p><p>Objetivos da Aprendizagem</p><p>• Conceituar de forma breve o Processo Penal Brasileiro e sua importância no sistema</p><p>judiciário brasileiro, levando em consideração a história e a evolução dos fatos</p><p>jurídicos;</p><p>• Estudar o surgimento e princípios do Direito Processual Penal e sua aplicação dentro</p><p>do ordenamento jurídico.</p><p>UNIDADE I</p><p>Noções Básicas do Direito Processual</p><p>Penal</p><p>Professor: Marcelo Pereira de Souza</p><p>8UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Nesta nossa primeira unidade de estudos, vamos abordar temas envolvendo as</p><p>Noções Básicas do Direito Processual Penal, o conceito, seu surgimento e sua evolução</p><p>histórica no Brasil e os princípios constitucionais do processo penal.</p><p>Destaca-se que um estudo introdutório sobre o Direito Processual Penal Brasileiro,</p><p>nos transporta para a dimensão de um controle social, ou seja, algo que tenha o objetivo</p><p>de alinhar o convívio do indivíduo em sociedade, desenvolvendo o surgimento de conflitos</p><p>e a solução destes no judiciário, aplicando a ampla defesa e o contraditório e retratando o</p><p>papel da acusação e da inercia do juiz.</p><p>Iniciamos destacando a nossa Carta Magna, isto é, a Constituição Federal do Brasil</p><p>de 1988, como sendo o principal apoio ao Processo Penal, estabelecendo e proclamando</p><p>os direitos individuais e sociais, e assegurando esses direitos num sistema definido,</p><p>determinado, com clareza e precisão e que serve de base legal para nossas relações</p><p>jurídicas.</p><p>Desenvolvendo os estudos nesta unidade, aprenderemos os conhecimentos</p><p>sobre a “história do processo penal”, que visa oferecer “uma certa noção” do surgimento</p><p>das normas que integram o nosso ordenamento jurídico. Vamos estudar os “princípios</p><p>constitucionais” que surgem para a sociedade objetivando organizar as relações e, para</p><p>tanto, tem por vezes caráter obrigatório e por outras inquisitivo, servindo para disciplinar as</p><p>regras de investigação, processamento, julgamento, recursos e o pós trânsito em julgado</p><p>de apoio a um fato jurídico.</p><p>Segundo Tourinho Filho, o Direito Processual tem um caráter instrumental, ou seja,</p><p>é um meio, um instrumento para fazer atuar o Direito Penal, uma vez que este é desprovido</p><p>de coação direta e o Estado autolimitou o seu jus puniendi. Logo, não se concebe a aplicação</p><p>de pena sem processo. Nulla poena sine judicio; nulla poena sine judice (nenhuma pena</p><p>pode ser imposta sem processo; nenhuma pena pode ser imposta senão pelo juiz).</p><p>Um estudo mesmo que básico do processo penal, possibilita um melhor</p><p>entendimento sobre as atualizações legais, as mudanças no comportamento social, sobre</p><p>as manifestações dos tribunais e o que ensinam os doutrinadores.</p><p>Por isso, vamos em frente e,</p><p>Ótimos estudos!</p><p>9UNIDADE I Noções Básicas</p><p>as alegações finais são, em regra, orais</p><p>(artigos 403 e 411, §4º, do CPP), podendo a sentença também ser prolatada oralmente</p><p>(artigos 403 e 411, § 9º, do CPP), a duas porque o art. 405, §§1º e 2º, do CPP permite</p><p>que os atos processuais praticados ao longo da audiência de instrução e julgamento</p><p>sejam registrados apenas por meio audiovisual, sem necessidade de transcrição, somente</p><p>encaminhando-se às partes cópia do registro original.</p><p>Como já afirmado, o princípio da oralidade dá origem a 3 (três) outros princípios, o</p><p>da concentração, o da imediatidade e o da identidade física do juiz.</p><p>No que tange ao princípio da concentração, entende-se que toda a colheita da</p><p>prova e o julgamento devem ocorrer em uma única audiência (audiência de instrução e</p><p>julgamento) ou ao menos no menor número de audiências (já que, na prática, é possível</p><p>cindir a audiência de instrução e julgamento), o que, como visto alhures, passou a ser regra</p><p>expressamente consagrada no CPP, mais precisamente nos artigos 400, §1º, e 411, §2º,</p><p>com a redação dada pela Lei nº 11.719/08.</p><p>Com relação ao princípio da imediatidade, compreende-se que “o magistrado</p><p>deve ter contato direto com a prova produzida, formando mais facilmente sua convicção.”</p><p>(NUCCI, 2008, p. 108).</p><p>Por fim, o princípio da identidade física do juiz consiste no fato de que o juiz que</p><p>preside a instrução do processo, colhendo as provas, deve ser aquele que julgará o feito,</p><p>vinculando-se à causa (NUCCI, 2008, p. 108).</p><p>É novidade do processo penal (existia apenas no processo civil), estando consagrado</p><p>atualmente no art. 399, § 2º, CPP, com a redação dada pela Lei nº 11.719/08.</p><p>4.3.3. Princípio da comunhão ou aquisição da prova</p><p>É princípio segundo o qual, uma vez produzida, a prova pertence ao juízo e pode</p><p>ser utilizada por qualquer das partes e pelo juiz, ajudando na busca da verdade real, mesmo</p><p>que tenha sido requerida por apenas uma das partes.</p><p>40UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Desse modo, por exemplo, uma testemunha arrolada pelo Ministério Público</p><p>pode prestar depoimento que favoreça o réu, sendo permitido que este último utilize tal</p><p>depoimento em seu benefício.</p><p>4.3.4. Princípio do impulso oficial</p><p>Por força deste princípio, uma vez iniciada a ação penal, o juiz tem o dever de</p><p>promover o seu andamento até a sua etapa final, de acordo com o procedimento previsto</p><p>em lei, proferindo decisão. (NUCCI, 2008, p. 109).</p><p>Este princípio está consagrado expressamente no art. 251 do CPP. Ele é válido</p><p>também na ação penal privada, não se permitindo a paralisação injustificada do feito, sob</p><p>pena de perempção (art. 60 do CPP).</p><p>4.3.5. Princípio da lealdade processual</p><p>É princípio que “Consiste no dever de verdade, vedando-se o emprego de meios</p><p>fraudulentos (ilícitos processuais)”. Ele não se encontra expresso no CPP.</p><p>Entretanto, a fraude destinada a produzir efeitos em processo penal foi tipificada</p><p>como crime no Código Penal (art. 347).</p><p>41UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Finalizando o conteúdo desta primeira unidade, estudamos as noções básicas</p><p>do direito processual penal, onde foi possível entende, mesmo que de forma resumida, a</p><p>importância do Direito Processual Penal nas relações jurídicas.</p><p>Tivemos a introdução ao direito processual penal, vimos a história do processo</p><p>penal, seu surgimento e um breve histórico do processo penal no Brasil. Foi possível</p><p>também entender os princípios constitucionais que regem o processo penal e observar que</p><p>o sistema jurídico não é perfeito e possui muitas lacunas.</p><p>Com isso, entendemos que apesar de ser um assunto muito amplo, os temas</p><p>estudados, devem ser considerados de grande importância não só por operadores do direito,</p><p>mas também por profissionais de áreas extrajudiciais, para que realizem a construção do</p><p>entendimento do que realmente seja todo este procedimento e sua aplicação no sistema</p><p>judiciário brasileiro.</p><p>42UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>Título: Manual de Processo Penal</p><p>Autor: Fernando da Costa Tourinho Filho</p><p>Editora: Saraiva</p><p>Sinopse: Promotor de Justiça aposentado pelo Ministério Público</p><p>de São Paulo e renomado processualista penal, Fernando da Costa</p><p>Tourinho Filho desempenha, com brilho e competência, há mais</p><p>de quatro décadas, o magistério. No Manual de Processo Penal,</p><p>a análise da matéria se dá de uma forma prática e visando um</p><p>rápido aprendizado. Assim, são apresentados os tipos de processo</p><p>penal, a eficácia da lei processual penal e a sua interpretação, o</p><p>inquérito, a ação penal, a jurisdição, bem como a competência, os</p><p>sujeitos processuais, as exceções e nulidades, a prova, as várias</p><p>espécies de prisão, o processo e os procedimentos, os recursos e</p><p>inúmeros outros tópicos. Além disso, o estudante terá, ao longo da</p><p>obra, cerca de 870 questões para avaliar os seus conhecimentos</p><p>sobre o tópico estudado. Trata-se de um clássico, sem deixar de</p><p>ser atual.</p><p>Título: Teoria Geral do Direito Processual Penal</p><p>Autor: Ionilton Pereira do Vale</p><p>Editora: Lumen Juris</p><p>Sinopse: O estudo inicia-se com uma ampla abordagem sobre a</p><p>delicada relação entre o Estado e a Sociedade, especialmente no</p><p>que tange ao Poder de Punitivo do Estado (jus puniendi), indicando</p><p>que o processo é um instrumento da realização do Direito Penal,</p><p>alicerçado em dupla finalidade: a primeira, a busca da descoberta</p><p>da verdade judicial, com o fito de viabilizar a aplicação do direito</p><p>ao fato concreto (aplicação da pena); e a segunda, garantir os</p><p>direitos e as liberdades individuais, corolários do de vido processo</p><p>legal, com o desiderato de blindar os indivíduos de eventuais atos</p><p>abusivos e arbitrários do Estado, pois, embora o Estado detenha o</p><p>jus puniendi, não poderá fazê-lo atuar através do uso da força. O</p><p>tema em relevo é trazido à baila de forma inédita, clara e objetiva,</p><p>facilitando a rápida compreensão, porquanto ganhou forma e</p><p>conteúdo próprios, frutos de primorosa pesquisa bibliográfica,</p><p>jurisprudencial e na irrefutável experiência do autor nas lides</p><p>promovidas nos auditórios pen ais, na condição de membro</p><p>incansável do Parquet cearense, o qual evidencia com perfeição</p><p>que, a aplicação do processo penal brasileiro não pode se dar sem</p><p>obediência rigorosa aos ditames estabelecidos por força do devido</p><p>processo legal.</p><p>43UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Título: Sistemas Processuais Penais e seus Princípios Reitores</p><p>Autor: Mauro Fonseca Andrade</p><p>Editora: Juruá</p><p>Sinopse: Nos últimos anos, cada vez mais os sistemas</p><p>acusatório, inquisitivo e misto vêm sendo invocados, pela doutrina</p><p>e jurisprudência, como razão para o acolhimento ou afastamento</p><p>de certas práticas em âmbito processual penal. O que se nota,</p><p>contudo, é a f alta de sintonia entre os conceitos atribuídos a esses</p><p>sistemas e a forma como eles verdadeiramente foram regulados</p><p>ao longo da história. Segundo o autor, isso se deve à forte carga</p><p>ideológica constantemente despejada nos conceitos atribuídos a</p><p>cada um desses sistemas. Essa ideologização do processo penal</p><p>se faz notar especialmente na subversão de diversos princípios</p><p>e institutos jurídicos, conduzindo a uma preocupante insegurança</p><p>nos universos acadêmico e forense. É possível dizer, até mesmo,</p><p>que grande parte dos escritos atualmente publicados merecem</p><p>ser qualificados como doutrina de resultado, em razão do</p><p>distanciamento entre a história dos sistemas processuais penais</p><p>e os interesses que cada autor procura alcançar com os conceitos</p><p>que propõe. Por isso, o leitor é convidado a conhecer os textos que</p><p>realmente trataram de regulamentar cada um desses sistemas, e</p><p>confrontar seu conteúdo com os conceitos hoje encontrados no</p><p>meio doutrinário. O resultado final é um exame aprofundado e</p><p>inédito dos princípios mais relevantes do direito processual penal,</p><p>e a identificação dos conceitos de sistema acusatório, inquisitivo e</p><p>misto que sejam fiéis à realidade de cada um deles.</p><p>Título: Código de Hamurabi;</p><p>Manual dos Inquisidores; Lei das XII</p><p>Tábuas; Lei de Talião</p><p>Autor: Manuel Carlos Bueno</p><p>Editora: Edijur</p><p>Sinopse: O Código de Hamurabi pode ser classificado como um</p><p>dos documentos jurídicos mais antigos da história da humanidade.</p><p>Ele foi encontrado por uma expedição francesa praticamente</p><p>intacto, já que trata-se de um monumento monolítico talhado em</p><p>rocha, sobre o qual se dispõem 46 colunas de escrita cuneiforme</p><p>acádica, com 282 leis em 3600 linhas. Na qualidade de um dos</p><p>mais antigos conjuntos de leis escritas já encontrados da antiga</p><p>Mesopotâmia – atual Irã – o Código de Hamurabi apresenta as</p><p>regras e as sanções de campos jurídicos diversos como civil,</p><p>penal, trabalhista e comercial, uma vez que legisla sobre contratos</p><p>de empréstimos, de mediação, de comissão, acerca da agricultura,</p><p>pecuária, propriedade, roubo, injúria e difamação e até mesmo</p><p>homicídio.</p><p>44UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>Título: O Julgamento de Nuremberg</p><p>Ano: 2000</p><p>Sinopse: O julgamento de Nuremberg é um filme que relata o 1°</p><p>julgamento da história de crimes praticados contra a humanidade.</p><p>O filme reflete a busca através das leis, de poder fazer justiça aos</p><p>principais cooperadores do um regime nazista implantado por Adolf</p><p>Hitler, que teve como resultado a matança de aproximadamente</p><p>seis milhões de judeus, um povo que foi perseguido pelo sistema</p><p>nazista. O filme mostra a reunião de representantes do direito dos</p><p>países aliados da segunda guerra mundial, que decidem montar o</p><p>tribunal em que julgará os atos cometidos por oficiais nazistas, em</p><p>Nuremberg na Alemanha. O julgamento é promovido pelo promotor</p><p>de justiça chefe senhor Jacson, que no decorrer do filme mostra as</p><p>atrocidades cometidas pelo regime nazista aos milhares de judeus,</p><p>inúmeras provas são reveladas ao júri e aos jurados. O veredito</p><p>é dado e o resultado é algumas sentenças de morte dentre elas</p><p>enforcamento que era tido como a pior sentença para os oficiais,</p><p>algumas com fusilamento e as demais foram prisão perpétua e</p><p>cumprimento de determinados períodos de prisão. O que na</p><p>verdade os juízes e promotores queriam é que fossem evitados</p><p>a partir daquele julgamento, injustiças principalmente porque na</p><p>época já havia a expansão da guerra fria, e só as leis que são</p><p>determinadas através do comportamento da própria sociedade</p><p>poderia evitar.</p><p>45</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• CAPÍTULO 01 – Conceito, objeto e finalidade do Processo Penal</p><p>• CAPÍTULO 02 – Aplicação do Direito Processual Penal no Tempo e no Espaço</p><p>• CAPÍTULO 03 – Inquérito Policial</p><p>• CAPÍTULO 04 - Controle Externo do Ministério Público, a Reforma do Código e a Figura</p><p>do Juiz de Garantias</p><p>Objetivos da Aprendizagem</p><p>• Propor uma abordagem alternativa e contextualizada ao estudo do Processo Penal</p><p>Brasileiro, o conceito, objeto e sua finalidade, por meio de um tema gerador, o</p><p>inquérito policial e da investigação criminal promovida pelo ministério público e o</p><p>procedimento da autoridade policial;</p><p>• Analisar as transformações do projeto de reforma do CPP e a figura do juiz de</p><p>garantias, na visão doutrinária e aspectos relevantes da matéria.</p><p>UNIDADE II</p><p>Concepção do Processo Penal e</p><p>Investigação Criminal</p><p>Professor: Marcelo Pereira de Souza</p><p>46UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Em nossa segunda unidade de estudos, vamos direcionar o aprendizado na</p><p>definição do conceito, qual o seu objeto e a finalidade do processo penal.</p><p>Após o introito, convém analisar as peculiaridades da lei processual penal no tempo</p><p>e no espaço e como se comporta quanto aos princípios aplicados no direito material. Iremos</p><p>abordar as principais diferenças e entender por que elas são aplicadas. Primeiramente,</p><p>vamos observar as características processuais no que tange ao território.</p><p>Desenvolvendo os estudos nesta unidade, vamos analisar o que vem a ser inquérito</p><p>policial, buscaremos saber qual é a sua natureza jurídica, qual é a sua finalidade, ver quem</p><p>tem a competência de instaurar o inquérito policial e saber se este tipo de procedimento</p><p>administrativo não lesa direitos e garantias individuais de quem está sendo investigado.</p><p>Veremos a polêmica em torno do Controle Externo do Ministério Público, a Reforma</p><p>do Código e a Figura do Juiz de Garantias. É claro que existem muitas discussões doutrinárias</p><p>sobre o que vamos estudar nesta unidade, discussões estas que não são novas, mas são</p><p>importantes para a evolução do direito.</p><p>Vamos em frente e,</p><p>Ótimos estudos!</p><p>47UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>1. CONCEITO, OBJETO E FINALIDADE DO PROCESSO PENAL</p><p>Como vimos na unidade anterior, a história relata que ao longo do tempo, o sistema</p><p>de efetivação de direitos e garantias fundamentais para resolução de conflitos se fez de três</p><p>formas principais: a autotutela, a autocomposição e a jurisdição.</p><p>A autotutela, em que o Estado ainda de forma rudimentar era insuficientemente</p><p>forte para superar as vontades individuais e garantir justiça aos cidadãos, os litígios eram</p><p>solucionados de forma privada, pelas forças próprias dos indivíduos envolvidos no conflito,</p><p>prevalecendo assim a vontade do mais forte; Na autocomposição, na qual o Estado já</p><p>começava a participar de forma ativa na solução dos litígios, era um modo de solucionar</p><p>os conflitos individuais onde cada um abria mão de seus interesses ou de parte deles,</p><p>para através de concessões recíprocas, chegar a uma solução do conflito que atendesse</p><p>aos interesses de todos os envolvidos; E por último e por isso não menos importante,</p><p>a jurisdição que é a forma própria de solução de conflitos individuais de um estado de</p><p>direito, onde o Estado mantém órgãos distintos e independentes, desvinculados e livres das</p><p>vontades das partes, os quais, imparcialmente detêm o poder de dizer o direito aplicável ao</p><p>caso e constranger o inconformado a submeter-se à vontade da lei.</p><p>Assim sendo, surgia o processo propriamente dito, como forma de aplicação estatal</p><p>da tutela jurisdicional, como instrumento de realização da vontade da lei.</p><p>48UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>1.1. CONCEITOS DE DIREITO PROCESSUAL PENAL</p><p>Iniciaremos com a doutrina e definição de acordo Marques:</p><p>É um conjunto de normas e princípios que regulam a aplicação jurisdicional do</p><p>direito penal objetivo, a sistematização dos órgãos de jurisdição e respectivos</p><p>auxiliares, bem como a persecução penal. (MARQUES, 2003, p. 16)</p><p>Já para o jurista alemão Beling:</p><p>É aquela parte do Direito que regula a atividade tutelar do Direito Penal. (BE-</p><p>LING, 2003, p. 26)</p><p>E arrematando, a lição de Magalhães:</p><p>É o ramo do Direito Público que tem por objeto determinar as formas pelas</p><p>quais se iniciam, desenvolvem e terminam os procedimentos punitivos,</p><p>visando restabelecer a ordem jurídica turbada pelos delitos. (MAGALHÃES,</p><p>1992, p. 77)</p><p>De conhecimento disto, podemos dizer que o Direito Processual Penal abrange</p><p>também a Organização Judiciária Penal, e, por isso, alguns autores, costumam apresentar</p><p>a seguinte divisão do Direito Processual Penal:</p><p>a) Organização Judiciária Penal, que trata da criação, sistematização, localização,</p><p>nomenclatura e atribuições dos diversos órgãos diretos e auxiliares do aparelho judiciário</p><p>destinado à administração da justiça penal;</p><p>b) Processo Penal, que é o meio pelo qual se compõem as lides de natureza penal.</p><p>É de observar portanto que o Direito Processual Penal compreende uma sequência</p><p>de fatos, atos e negócios jurídicos que a lei impõe (normas imperativas) ou dispõe (regras</p><p>técnicas e normas puramente ordenatórias) para a averiguação do crime e da autoria e para</p><p>o julgamento de ilicitude e da culpabilidade, ou seja, é o conjunto de princípios e normas</p><p>que disciplinam a composição das lides penais, por meio da aplicação do Direito Penal.</p><p>Além desse aspecto, o Direito Processual Penal trata da sistematização dos órgãos</p><p>de jurisdição e respectivos auxiliares, bem como da persecução penal, surge o “Jus Puniendi”</p><p>que é o direito que o Estado possui de aplicar sanção a quem contrarie preceitos contidos</p><p>na lei penal, lesando bens e interesses importantes para a sociedade e para indivíduo, ou</p><p>seja, o direito de punir, cuja titularidade pertence ao Estado.</p><p>O crime lesa interesses individuais e sociais, daí a necessidade de o Estado</p><p>persegui-lo, na busca de promover uma sociedade estável e harmoniosa, onde seja possível</p><p>a vida comunitária.</p><p>49UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Cometido o delito para que seja possível a aplicação da pena é necessário o devido</p><p>processo previsto em lei, pois não se pode aplicar discricionariamente a sanção, daí o</p><p>princípio nulla poena sine judicio, o qual significa que a pena não pode ser aplicada sem</p><p>processo anterior.</p><p>Consequentemente o Estado detém além do Jus Puniendi, o “Jus Persequendi” ou</p><p>“persecutionis”, direito de ação através da qual é possível a realização do Jus Puniendi.</p><p>Trata-se de um direito subjetivo que confere ao Estado o poder de promover a perseguição</p><p>do autor do delito. O Estado-Administração pede ao Estado-Juiz a realização do direito</p><p>penal objetivo no caso concreto.</p><p>Rematando, o processo é o meio que possibilita o exercício do direito de punir do</p><p>Estado, funcionando como um complexo de atos coordenados visando ao julgamento da</p><p>pretensão punitiva, enquanto o Direito Processual Penal é o ramo do direito público que</p><p>regula a atividade tutelar do Direito Penal.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Outros Ramos do Direito Relacionados com o Direito Processual Penal:</p><p>a) Direito Constitucional;</p><p>b) Direito Penal;</p><p>c) Direito Civil;</p><p>d) Direito Administrativo;</p><p>e) Direito Processual Civil;</p><p>f) Direito Comercial (falências);</p><p>g) Direito Internacional.</p><p>Fonte: O autor.</p><p>1.1.1. Regulamentação, Fontes e Interpretação da Lei</p><p>O Direito Processual Penal é regulamentado pela Constituição Federal, pelo Código</p><p>de Processo Penal (1941) e por leis especiais.</p><p>O Sistema Processual Brasileiro adotado é o acusatório, onde temos uma fase pré</p><p>processual, ou seja, um procedimento extrajudicial inquisitório, que é o Inquérito Policial.</p><p>Como Fontes do Processo Penal, temos:</p><p>50UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Materiais - o Estado (União, competência para legislar sobre direito processual,</p><p>art. 22, I, CF; Estados e DF, competência para legislar sobre procedimentos em matéria</p><p>processual, art. 24, XI, CF).</p><p>Formais - imediata (lei) e mediata (costumes / princípios gerais do direito / analogia).</p><p>Imagem 1: CRONOGRAMA - FONTES DO PROCESSO PENAL</p><p>Fonte: O autor</p><p>Interpretar a lei processual penal é procurar seu sentido, seu alcance e sua correta</p><p>aplicação ao caso penal e, sendo a lei a única fonte formal de incriminação, a hermenêutica</p><p>adquire maior relevância no Direito Penal.</p><p>Nos ensinamentos do professor Capez:</p><p>Interpretação é a atividade que consiste em extrair da norma seu exato alcan-</p><p>ce e real significado. Deve buscar a vontade da lei, não importando a vontade</p><p>de quem a fez. (CAPEZ, 2008, p. 32).</p><p>Portanto, necessário o estudo sobre a interpretação e a especificação das suas</p><p>espécies:</p><p>• Quanto à origem: autêntica, doutrinária e jurisprudencial.</p><p>• Quanto ao modo: gramatical, teleológica, histórica e sistemática.</p><p>• Quanto ao resultado: declarativa, restritiva e extensiva.</p><p>Dessa forma, vejamos os conceitos de cada uma:</p><p>- Interpretação autêntica: ocorre quando o próprio órgão responsável pela edição da</p><p>norma, edita outra, com função meramente interpretativa. Dessa forma, essa nova norma irá</p><p>surtir efeitos retroativos, ou seja, atingirá fatos passados, uma vez que sua função limitou-</p><p>51UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>se a explicar o sentido da norma anterior. Já, trouxer alguma alteração, ou modificação,</p><p>seus efeitos não vão retroagir.</p><p>- Interpretação doutrinária: é aquela feita por mestres, juristas e especialistas do</p><p>Direito. Esse tipo de interpretação normalmente é encontrado em livros, obras científicas e</p><p>pareceres jurídicos.</p><p>- Interpretação jurisprudencial: é aquela que surge no ato de julgar, tendo como</p><p>intérpretes os juízes e tribunais. Vale dizer que a interpretação jurisprudencial deve se fixar</p><p>em critérios, pré-estabelecidos pela lei, uma vez que o poder judiciário não poderá inovar</p><p>contra os preceitos da norma.</p><p>- Interpretação gramatical: consiste numa leitura inicial do texto onde se busca captar</p><p>seu conteúdo e observar sua linguagem, tem como ponto de partida o exame do significado</p><p>e alcance de cada uma das palavras do preceito legal, ou seja, o próprio significado das</p><p>palavras.</p><p>- Interpretação teleológica: concentra suas preocupações no fim a que a norma se</p><p>dirige, ou seja, o intérprete deve levar em consideração valores como a exigência do bem</p><p>comum, o ideal de justiça, ética, liberdade, igualdade etc. Um exemplo desta interpretação</p><p>é o artigo 5º da lei de introdução às normas do direito brasileiro: “Art. 5º na aplicação da lei,</p><p>o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum.”.</p><p>- Interpretação histórica: é aquela que indaga das condições de meio e momento</p><p>da elaboração da norma legal, bem assim das causas pretéritas da solução dada pelo</p><p>legislador.</p><p>- Interpretação sistemática: consiste em comparar o dispositivo sujeito a exegese</p><p>com outros do mesmo repositório ou de leis diversas, mas referentes ao mesmo objeto,</p><p>considerando que a norma não pode ser vista de forma isolada, pois o direito existe como</p><p>sistema, de forma ordenada e com certa sincronia.</p><p>- Interpretação declarativa: quando foi verificado que o legislador utilizou de forma</p><p>adequada e correta todas as palavras contidas na lei, ocorrendo exata equivalência entre</p><p>os sentidos e a vontade presente na lei.</p><p>- Interpretação restritiva: quando a lei possui palavras que ampliam a vontade da</p><p>lei, e acabe à interpretação reduzir esse alcance.</p><p>- Interpretação extensiva: quando a lei carece de amplitude, ou seja, diz menos do</p><p>que deveria dizer, devendo o intérprete verificar qual os reais limites da norma.</p><p>Diante disso, a fórmula então declinada, há muito, é dada pelo binômio “segurança</p><p>pública x liberdade individual”, esta tensão gera uma ótica conflitante superada através da</p><p>52UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>tutela dos direitos fundamentais, assegurando uma perspectiva pública (coletiva, direitos</p><p>potenciais) e uma perspectiva do acusado (direitos individualizados).</p><p>1.1.2. Características do Direito Processual Penal</p><p>A doutrina costuma discorrer sobre 3 (três) características básicas do direito processual</p><p>penal. Senão vejamos:</p><p>1. Autonomia: É a ciência autônoma no campo da dogmática jurídica, uma vez que</p><p>tem objeto e princípios que lhe são próprios, ou seja, não é hierarquicamente</p><p>subordinado ou inferior ao Direito Penal material e tem seus princípios próprios</p><p>e regras próprias. É uma ciência autônoma;</p><p>2. Instrumentalidade: O Processo Penal tem como característica ser ele um</p><p>instrumento para a realização do Direito Material. É instrumento de consecução</p><p>do Direito Penal material;</p><p>3. Normatividade – É uma disciplina normativa, com codificação própria que é o</p><p>Código de Processo Penal (CPP).</p><p>REFLITA</p><p>Conforme já afirmou Norberto Bobbio (1989), “o Estado não é jamais um fim em</p><p>si mesmo, porque é – ou deve ser – somente um meio que tem por fim a tutela da</p><p>pessoa humana, dos seus direitos fundamentais de</p><p>liberdade e de segurança social.”</p><p>Fonte: CANAL CIENCIAS CRIMINAIS. A</p><p>Instrumentalidade do Processo Penal. Disponível</p><p>em: <https://canalcienciascriminais.com.br/</p><p>instrumentalidade-processo-penal/>. Acesso em: 03 jul. 2019.</p><p>1.2. OBJETO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL</p><p>De acordo o doutrinador Noronha:</p><p>É o estudo de normas e princípios relativos às pessoas que intervêm no</p><p>processo, às relações entre elas, e ao procedimento, entendido este como</p><p>a coordenação das atividades por elas desenvolvidas. (NORONHA, 1998, p.</p><p>541)</p><p>https://canalcienciascriminais.com.br/instrumentalidade-processo-penal/</p><p>https://canalcienciascriminais.com.br/instrumentalidade-processo-penal/</p><p>53UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Em outras palavras, o objeto do Processo Penal é, essencialmente, a prestação</p><p>jurisdicional, realça, a solução do conflito entre o jus puniendi do Estado e o direito de</p><p>liberdade do presumido autor do fato infringente da norma, ou seja, pretende com o Processo</p><p>Penal a solução da lide posta em juízo.</p><p>Depreende, portanto, que o objetivo é eminentemente prático, atual e jurídico,</p><p>limitando-se a declaração de certeza da verdade, em relação ao fato e a aplicação de suas</p><p>consequências jurídicas.</p><p>1.3. FINALIDADE</p><p>Fazer cessar o conflito de interesses entre o Estado-Administração e o particular</p><p>que, em tese, praticou a conduta proibida pelo direito penal objetivo, possibilitando a</p><p>aplicação da lei penal.</p><p>Resumidamente a doutrina classifica 02 (duas) finalidades presentes:</p><p>a) mediata: se confunde com a própria finalidade do Direito Penal, que é a</p><p>manutenção da paz social;</p><p>b) imediata: realizabilidade da pretensão punitiva derivada de um delito, através da</p><p>utilização da garantia jurisdicional.</p><p>Em suma, é tornar realidade o Direito Penal, enquanto este estabelece sanções</p><p>aos possíveis transgressores das suas normas, é pelo Processo Penal que se aplica a</p><p>sanctio juris, porquanto toda pena e imposta “processualmente”.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Leis Processuais Brasileiras:</p><p>Ordenações Filipinas;</p><p>Código de Processo Criminal (1832);</p><p>Códigos Processuais dos Estados (Constituição de 1891);</p><p>Retorno à unidade processual nacional (Constituição de 1934);</p><p>Código de Processo Penal (1941) - atualmente em vigor.</p><p>Lei de Execução Penal (1984) - passou a regular a matéria.</p><p>Fonte: O autor.</p><p>54UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>2. APLICAÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO</p><p>Caro(a) aluno(a), para um melhor aprendizado, buscamos compreender que em</p><p>matéria de direito, “eficácia” é a aptidão para que se possa produzir efeitos jurídicos. Assim,</p><p>diz-se que uma lei tem eficácia, quando ela está produzindo efeitos no mundo exterior, ou</p><p>seja, os efeitos de determinada lei podem ainda ser limitados a um determinado território</p><p>(espaço) ou a um determinado período (tempo). Essa limitação aplica-se, até à lei processual.</p><p>Veremos agora que segundo estabelecem os artigos 1º e 2º do Código de Processo</p><p>Penal, a aplicação da norma processual penal deve ser analisada sob os aspectos espacial</p><p>e temporal.</p><p>2.1. A LEI PROCESSUAL PENAL NO ESPAÇO</p><p>O Direito Processual Penal aplica-se a todas as infrações penais cometidas em</p><p>território brasileiro, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional.</p><p>Podemos, portanto, afirmar, que a lei processual penal no espaço rege-se pelo</p><p>princípio da territorialidade, segundo o qual se impõe a aplicação da lex fori ou princípio do</p><p>locus regit actum, aplicando-se a lei processual penal nacional aos processos criminais em</p><p>curso no território nacional.</p><p>Dessa forma, a lei processual penal tem eficácia em território nacional. Isto significa,</p><p>que o Código de Processo Penal regulará todos os processos que vierem a se desenvolver</p><p>55UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>em território brasileiro, por infrações cometidas no país, em respeito ao princípio do locus</p><p>regit actum.</p><p>A previsão legal desse princípio está no art. 1º do CPP:</p><p>Art. 1º</p><p>O processo penal reger-se-á, em todo o território brasileiro, por este Código,</p><p>ressalvados:</p><p>I - os tratados, as convenções e regras de direito internacional;</p><p>II - as prerrogativas constitucionais do Presidente da República, dos minis-</p><p>tros de Estado, nos crimes conexos com os do Presidente da República, e</p><p>dos ministros do Supremo Tribunal Federal, nos crimes de responsabilidade</p><p>(Constituição, arts. 86, 89, § 2º, e 100);</p><p>III - os processos da competência da Justiça Militar;</p><p>IV - os processos da competência do tribunal especial (Constituição, art. 122,</p><p>no 17);</p><p>V - os processos por crimes de imprensa. Vide ADPF nº 130</p><p>Parágrafo único. Aplicar-se-á, entretanto, este Código aos processos referi-</p><p>dos nos incisos IV e V, quando as leis especiais que os regulam não dispuse-</p><p>rem de modo diverso.</p><p>Textualmente, a lei processual penal brasileira só vale dentro dos limites territoriais</p><p>brasileiros; se porventura um processo tiver tramitação no estrangeiro, ficará sujeito às leis</p><p>processuais que rege o país estrangeiro e, se um crime, apesar de cometido no exterior,</p><p>vier desenrolar-se em território brasileiro, é a Lei Processual Brasileira que o amolda.</p><p>Contudo, também de acordo com o que dispõe o artigo 1º, dessa vez em seu inciso</p><p>I, essa aplicação poderá também ter exceções. Uma delas é quando existirem tratados e</p><p>convenções internacionais adotadas pelo Brasil – nestes casos específicos, o código de</p><p>processo penal, a lei processual penal brasileira, não será aplicada.</p><p>É necessário olhar com cuidado para essas hipóteses, já que se referem à</p><p>normatização própria de Tratados Internacionais ou do Código Penal Militar (procedimento</p><p>específico), e à prerrogativa de função. O inciso V não tem aplicação prática porque os</p><p>delitos de imprensa deixaram de existir.</p><p>Vejamos mais a fundo cada hipótese:</p><p>• Tratados, convenções e regras de direito internacional: um exemplo</p><p>dessa situação seria a imunidade diplomática de autoridades estrangeiras</p><p>trazida na Convenção de Viena sobre relações diplomáticas, o que implica na</p><p>impossibilidade de se prender ou julgar essas autoridades no território brasileiro,</p><p>mesmo que cometam algum crime;</p><p>56UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>• Crimes de responsabilidade: um exemplo seria o processo de impeachment,</p><p>onde não há aplicação direta do CPP, mas sim das normas da Constituição</p><p>Federal e da Lei 1.079/1950;</p><p>• Existência de procedimento específico: seria o caso de legislação específica</p><p>que prevê procedimento diverso daquele estabelecido pelo CPP, por exemplo,</p><p>os crimes militares, aos quais se aplica o Código de Processo Penal Militar, ou</p><p>ainda os crimes eleitorais, aos quais se aplica o Código Eleitoral;</p><p>• Processos de competência do tribunal especial: na sistemática original do</p><p>CPP, que foi promulgado em 1942, existia o Tribunal de Segurança Nacional,</p><p>que possuía competência para julgar os crimes que atentassem contra a</p><p>existência, segurança e integridade do Estado, ou contra a economia popular,</p><p>porém com a promulgação da Constituição de 1946, esse tribunal deixou de</p><p>existir, portanto o inciso IV do art. 1º, CPP, não mais se aplica. Atualmente,</p><p>os crimes contra a segurança nacional estão previstos na Lei 7.170/1983, sendo</p><p>a Justiça Federal competente para seu julgamento;</p><p>• Os processos por crimes de imprensa: anteriormente à Constituição de</p><p>1988, os crimes de imprensa eram previstos pela Lei 5.250/1967, a qual não</p><p>foi recepcionada pela atual Carta Maior conforme a decisão do STF na ADPF</p><p>130/2009. O inciso V, art. 1º, CPP, portanto, também não é mais aplicado.</p><p>Ainda nesse aspecto territorial, existem três exceções ao princípio apontadas pela</p><p>doutrina:</p><p>• Territórios nullius: seriam as vulgarmente chamadas “terras de ninguém”, que</p><p>não pertencem a nenhum país. Nesse caso, não haveria jurisdição estrangeira</p><p>em tal tipo de território, por isso a lei processual penal brasileira poderia ser</p><p>aplicada;</p><p>• Expressa autorização de Estado estrangeiro: como o Estado estrangeiro</p><p>exerce jurisdição sobre seu próprio território, pode também afastá-la se assim</p><p>julgar conveniente, portanto, caso determine que é a lei processual brasileira</p><p>que deve ser lá aplicada, o Brasil poderá extravasar a área de aplicação da lei</p><p>processual penal nacional excepcionalmente;</p><p>• Guerra e invasão: em situações de guerra, caso o Brasil invada um determinado</p><p>território, ocupando-o, poderá exercer jurisdição sobre esse local.</p><p>57UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Se faz necessário acrescentar</p><p>que o Brasil se submete ao Tribunal Penal</p><p>Internacional, criado pelo Estatuto de Roma, em 1998. Sua incorporação se deu em 2002</p><p>através do Decreto nº 4.388/2002, havendo disposição expressa também no art. 5º, §4º, da</p><p>Constituição da República.</p><p>O Estatuto de Roma, em linhas gerais, é compatível com o ordenamento jurídico</p><p>brasileiro, embora num primeiro momento possa parecer haver conflito entre as duas</p><p>jurisdições, tal conflito se dissolve quando se observam alguns aspectos da redação do</p><p>Estatuto.</p><p>De início, não se trata de jurisdição estrangeira, mas sim de jurisdição internacional</p><p>à qual todos os signatários se submetem. Ademais, o Tribunal Penal Internacional tem</p><p>caráter subsidiário à jurisdição interna de um país, isto é, nos casos dos crimes de sua</p><p>competência, só deverá agir se o Estado-membro “não teve vontade” ou foi incapaz de levar</p><p>adiante o inquérito ou procedimento. Outrossim, são crimes da competência do Tribunal</p><p>Penal Internacional: o genocídio, os crimes contra a humanidade, os crimes de guerra e os</p><p>crimes de agressão.</p><p>Assim, salvo nas exceções acima indicadas, ou quando a legislação penal</p><p>extravagante não dispuser de forma diversa, o Código de Processo Penal aplica-se aos</p><p>processos criminais que tramitam no país, normalmente decorrentes de crimes aqui também</p><p>praticados.</p><p>2.2. A LEI PROCESSUAL PENAL NO TEMPO</p><p>Quanto à aplicação no tempo, o processo penal adotou o princípio da aplicação</p><p>imediata das normas processuais – tempus regit actum - sem efeito retroativo. É o que</p><p>estampa o art. 2º do CPP:</p><p>Art. 2º</p><p>A lei processual penal aplicar-se-á desde logo, sem prejuízo da validade dos</p><p>atos realizados sob a vigência da lei anterior.</p><p>De acordo com o disposto no artigo supracitado, a lei processual penal, ao contrário</p><p>do direito penal, passa a ser utilizada quando for inserida no ordenamento jurídico,</p><p>independentemente de beneficiar ou não o réu, conforme leciona o doutrinador Capez:</p><p>[...] o legislador pátrio adotou o princípio da aplicação imediata das normas</p><p>processuais: o ato processual será regulado pela lei que estiver em vigor no</p><p>dia em que ele for praticado (tempus regit actum). Quanto aos atos anterio-</p><p>58UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>res, não haverá retroação, pois eles permanecem válidos, já que praticados</p><p>segundo a lei da época. A lei processual só alcança os atos praticados a partir</p><p>de sua vigência (dali para a frente). (CAPEZ, 2008, p.50).</p><p>Dessa forma os processos que estiverem durante tramitação, não perdem o que já</p><p>analisado e são considerados válidos, mas passa a ser verificada a nova norma a partir dos</p><p>próximos andamentos imediatos, podendo ser benéfica ou não ao réu. Antes da publicação</p><p>da lei ele tem efeitos retroativos, a partir da publicação tem o período de atividade da lei, e</p><p>caso a lei for revogada, após a revogação chama-se ultratividade. Existe também o período</p><p>de vacatio legis, que é o período de publicação da norma e o período em que ela passará</p><p>a vigorar.</p><p>Assim, para as normas genuinamente processuais o princípio adotado é o</p><p>da aplicação imediata da lei processual, preservando-se os atos até então praticados.</p><p>As normas genuinamente processuais são as leis que cuidam de procedimentos, atos</p><p>processuais, técnicas do processo etc. A lei a ser aplicada é a lei vigente ao tempo da</p><p>prática do ato (tempus regit actum).</p><p>A Lei Processual Mista ou Heterotópica, é aquela que traz efeitos materiais relativos</p><p>ao direito de locomoção do cidadão, direito de punir do Estado ou garantia do acusado, ou</p><p>seja, caso a lei possua conteúdo penal, aplicar-se-á o que está disposto no artigo 5º, XL, da</p><p>Constituição Federal, sendo lei posterior retroagirá em benefício.</p><p>Para melhor entendimento, Capez traz a diferenciação da norma processual e</p><p>penal:</p><p>Considera-se penal toda e qualquer norma que afete, de alguma maneira,</p><p>a pretensão punitiva ou executória do Estado, criando-a, extinguindo-a, au-</p><p>mentando-a ou reduzindo-a. Assim, uma norma que incrimina um novo fato</p><p>tem caráter penal, pois está criando o direito de punir do Estado, com relação</p><p>a esse fato. [...]. Processual é a norma que repercute apenas no processo,</p><p>sem respingar na pretensão de punitiva. É o caso das regras que disciplinam</p><p>a prisão provisória para determinados crimes, ampliando o prazo da prisão</p><p>temporária ou obrigando o condenado a se recolher à prisão para poder ape-</p><p>lar da sentença condenatória. (CAPEZ, 2008, p. 52).</p><p>Ao ser revogada a lei antiga não possuirá mais validade no ordenamento jurídico.</p><p>Essa revogação poderá ser tácita ou expressa, e poderá ser revogada inteiramente (ab-</p><p>rogação) ou parcialmente (derrogação).</p><p>Assim, se a norma contiver disposições de ordem material e processual, deve</p><p>prevalecer a norma de caráter material, aplicando-se o art. 2º e parágrafo único do CP: se</p><p>beneficiar o acusado, retroage. Se não beneficiar, não retroage. Se for o caso de retroagir,</p><p>então, ela o fará por inteiro.</p><p>59UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Um exemplo prático de norma mista era o protesto por novo júri anteriormente existente</p><p>no ordenamento jurídico. Vejamos o que entendeu a jurisprudência do STF:</p><p>“A respeito do protesto por novo júri, faz-se mister reforçar que a Suprema Corte já</p><p>assentou que, “se lei nova vier a suprimir ou abolir recurso existente antes da prolação</p><p>da sentença, não há falar em direito ao exercício do recurso revogado” (RE nº 752.988/</p><p>SP-AgR, Segunda Turma, relator o Ministro Ricardo Lewandowski, DJ e de 3/2/14).</p><p>8. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (ARE 895011 AgR, Relator(a): Min.</p><p>DIAS TOFFOLI, Segunda Turma, julgado em 01/12/2015, PROCESSO ELETRÔNICO</p><p>DJe-023 DIVULG 05-02-2016 PUBLIC 10-02-2016).</p><p>Fonte: INSTITUTO FORMULA. Lei Processual Penal no Tempo. Disponível em: <https:// https://www.</p><p>institutoformula.com.br/lei-processual-penal-no-tempo/>. Acesso em 03. Jul. 2019.</p><p>https://www.institutoformula.com.br/lei-processual-penal-no-tempo/</p><p>https://www.institutoformula.com.br/lei-processual-penal-no-tempo/</p><p>60UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>3. INQUÉRITO POLICIAL</p><p>Prezado(a) estudante, neste capítulo faremos uma breve reflexão e análise sobre</p><p>o inquérito policial no Brasil. Seu conceito, natureza jurídica, suas características, valor</p><p>probatório, vícios, procedimento, desenvolvimento e conclusão. O objetivo aqui é tratar dos</p><p>atos praticados no inquérito policial, visando seu desenvolvimento.</p><p>Assim, é possível dividir essa cadeia de atos em atos iniciais (que marcam</p><p>o nascimento do inquérito policial), atos de instrução (que são voltados para o seu</p><p>desenvolvimento até o indiciamento) e, por fim, como ato final, o relatório, que marca seu</p><p>encerramento.</p><p>3.1. Introdução</p><p>Em 20 de setembro de 1871, nascia na legislação positiva brasileira o Inquérito</p><p>Policial, regulamentado pela Lei nº 2033 e pelo decreto-lei nº 2.824, de 28 de novembro de</p><p>1871.</p><p>Desta forma, o artigo 42 da Lei nº 2033/71, chegou a defini-lo como:</p><p>“Inquérito Policial consiste em todas as diligências necessárias para o desen-</p><p>volvimento dos fatos criminosos, de suas circunstâncias e de seus autores e</p><p>cúmplices, devendo ser reduzido a instrumento escrito”.</p><p>Somente com a promulgação do Código de Processo Penal de 1941, que o Inquérito</p><p>Policial é previsto e disciplinado, ficando de fato, consolidado.</p><p>61UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>É definido como todo o procedimento destinado a reunir elementos necessários à</p><p>apuração da prática de uma infração penal e de sua autoria conforme art. 4º do CPP:</p><p>Art. 4º</p><p>A polícia judiciária será exercida pelas autoridades policiais no território de</p><p>suas respectivas circunscrições e terá por fim a apuração das infrações pe-</p><p>nais e da sua autoria.</p><p>No Brasil, a divisão policial é conceituada em administrativa e judiciária. A primeira</p><p>categoria possui viés ostensivo e preventivo, típicos da Polícia Militar. A segunda</p><p>tem caráter</p><p>repressivo, de acordo com a investigação e a apuração dos crimes cometidos. Esta última</p><p>é representada pela Polícia Federal e Civil. A Polícia judiciária é presidida por delegados de</p><p>carreira e tem por finalidade auxiliar o Ministério Público e o Poder Judiciário no exercício</p><p>de suas funções. (Código de Processo Penal, arts. 1º ao 24º e lei orgânica do MP 8625/93).</p><p>Contudo, o inquérito policial é um procedimento administrativo preliminar de caráter</p><p>inquisitivo, presidido pela autoridade policial, que visa reunir elementos informativos com o</p><p>objetivo de contribuir para a formação da “opinio delicti” do titular da ação penal.</p><p>O IP, como é chamado, pode ser descrito como um procedimento preliminar, de</p><p>cunho administrativo e investigatório. É lícito mencionar que o processo não se limita a</p><p>uma única modalidade de investigação preparativa. A sua natureza jurídica corresponde ao</p><p>entendimento do que o instituto representa dentro do ordenamento jurídico.</p><p>Portanto, o inquérito tem por intuito subsidiar a propositura da ação penal, tal qual</p><p>visa colher elementos para o deferimento das medidas cautelares pelo juiz.</p><p>3.2. Conceito</p><p>É um procedimento que se constitui por diversas diligências previstas em lei que tem</p><p>como escopo a obtenção de indícios de autoria e materialidade delitiva, servindo de base</p><p>para que o titular da ação penal possa propor.</p><p>Segundo explica Pedro Lenza:</p><p>É um procedimento investigatório instaurado em razão da prática da uma infração</p><p>penal, composto por uma série de diligências, que tem como objetivo obter elemen-</p><p>tos de prova para que o titular da ação possa propô-la contra o criminoso. (LENZA,</p><p>2013, p. 62).</p><p>Neste mesmo raciocínio Capez:</p><p>É o conjunto de diligências realizadas pela polícia judiciária para a apuração de</p><p>uma infração penal e de sua autoria, a fim de que o titular da ação penal possa</p><p>ingressar em juízo (CPP, art. 4º). Trata-se de procedimento persecutório de caráter</p><p>administrativo instaurado pela autoridade policial. (CAPEZ, 2012, p.111).</p><p>Arrematando, Nucci define o inquérito policial como:</p><p>https://www.iped.com.br/direito/curso/direito-processual-penal</p><p>62UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>O Inquérito Policial se justifica na possibilidade de conhecer da formação do conjun-</p><p>to probatório preliminar que dará início à persecução penal, apresentando-se, para</p><p>tanto, as exigências mínimas, em conformidade com os mandamentos normativos.</p><p>Para isto, deve-se respeitar a intimidade do indivíduo, ofertando indícios que sejam</p><p>suficientes para a demonstração da autoria e provas que se fundem razoáveis para</p><p>indicar a materialidade da infração penal. (NUCCI, 2015, p. 97).</p><p>Assim, o Estado deve obter indícios da autoria e da materialidade delitiva para que o</p><p>titular da ação penal, como o Ministério Público ou a vítima, conforme o caso, avalie se ofe-</p><p>rece ou não a denúncia ou a queixa-crime.</p><p>3.3. Características do Inquérito Policial</p><p>Podemos resumir suas características na seguinte forma, para posteriormente,</p><p>aprofundar sobre o assunto: É inquisitivo, sigiloso, escrito, prestado por autoridade policial</p><p>e não obrigatório conforme o caso concreto. Estudaremos cada um deles:</p><p>a) Inquisitivo:</p><p>Quando formaliza a acusação contra o autor da infração busca se informar,</p><p>pesquisar, faz perguntas, interrogar. Nesta situação, não se aplica o contraditório (art. 5º,</p><p>LV, da CF), ao qual só irá aplicar quando já houver formalizada a acusação.</p><p>É importante ressaltar que a autoridade policial deverá agir conforme os estritos</p><p>limites estabelecidos em lei, pois se extrapolada caracteriza-se o abuso de autoridade.</p><p>b) Sigiloso:</p><p>O sigilo é de grande importância para o trabalho na investigação policial, para que</p><p>as elucidações dos fatos não sejam prejudicadas.</p><p>Conforme disposto no artigo 20, do CPP:</p><p>Art. 20.</p><p>A autoridade assegurará no inquérito o sigilo necessário à elucidação do fato</p><p>ou exigido pelo interesse da sociedade.</p><p>O direito genérico de obter informações dos órgãos públicos, assegurado no art.</p><p>5º, XXXIII, da Constituição Federal, pode sofrer limitações por imperativos ditados pela</p><p>segurança da sociedade e do Estado, como salienta o próprio texto normativo.</p><p>Assim sendo, não se estende o sigilo ao representante do Ministério Público, nem</p><p>à autoridade judiciária.</p><p>63UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Como toda regra há exceção, o Estatuto da Advocacia (Lei nº 8.906/94) prevê em</p><p>seu artigo 7º, III, que o sigilo não impede que o advogado do indiciado tome conhecimento</p><p>do teor do inquérito aludindo-se, assim, o contraditório e a ampla defesa, desde que o</p><p>inquérito esteja concluso pela autoridade policial.</p><p>Ademais, a Súmula 14 do Supremo Tribunal Federal, diz:</p><p>É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos</p><p>elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório</p><p>realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao</p><p>exercício do direito de defesa. (BRASIL, 1994. p. 16).</p><p>Há casos também que o sigilo é absoluto, como:</p><p>Na infiltração de agentes de polícia ou inteligência em tarefa de investigação (art.</p><p>2º, parágrafo único, da Lei n. 9.034/95).</p><p>No caso de interceptação telefônica (art. 8º, da Lei n. 9.296/96).</p><p>c) Escrito:</p><p>É um procedimento escrito, tendo em vista as finalidades do inquérito, não se idealiza</p><p>a existência de uma investigação verbal. Por isso, todas as peças do inquérito policial</p><p>serão, num só processo, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas</p><p>pela autoridade conforme o artigo 9º, do CPP:</p><p>Art. 9º</p><p>Todas as peças do inquérito policial serão, num só processado, reduzidas a</p><p>escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela autoridade.</p><p>Sendo assim, todos os atos do inquérito policial devem ser reduzido a termo pela</p><p>autoridade policial, não podendo de forma alguma ser gravado, ou ser feito de forma oral</p><p>pela autoridade responsável pela colheita de provas neste procedimento administrativo.</p><p>d) Prestado por autoridade policial:</p><p>Conforme estabelece o artigo 144, § 4º, da Constituição Federal, juntamente com o</p><p>artigo 4º, do Código de Processo Penal, cabe a Polícia Judiciária Civil ou Federal, ao qual</p><p>será presidida a cargo do delegado de polícia aprovado em concursos público.</p><p>Ou seja, o inquérito é presidido por uma autoridade pública, no caso, a autoridade</p><p>policial (delegado de polícia de carreira).</p><p>Assim, somente pela autoridade policial deve ser instaurado o inquérito policial,</p><p>não tem discricionariedade o particular para proceder a instauração deste procedimento</p><p>administrativo.</p><p>64UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>d.1) Indisponibilidade:</p><p>É indisponível, após sua instauração não pode ser arquivado pela autoridade</p><p>policial conforme preceitua o art. 17 do CPP:</p><p>Art. 17.</p><p>I. A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de inquérito.</p><p>d.2) Não obrigatório ou Dispensável:</p><p>A existência do inquérito policial não é obrigatória e nem necessária para o</p><p>desencadeamento da ação penal.</p><p>Há diversos dispositivos no Código de Processo Penal permitindo que a denúncia</p><p>ou queixa sejam apresentadas com base nas chamadas peças de informação, que, em</p><p>verdade, podem ser quaisquer documentos que demonstrem a existência de indícios</p><p>suficientes de autoria e de materialidade da infração penal.</p><p>Assim, a ação penal poderá ser proposta conforme as informações que demonstrarem</p><p>indícios de autoria e materialidade delitiva, ou seja, quando já haver indícios suficientes,</p><p>desnecessária será a instauração do inquérito policial.</p><p>3.4. Procedimento da autoridade policial</p><p>Conforme explica o ilustríssimo doutrinador Nucci:</p><p>I. Quando a notitia criminis lhe chega ao conhecimento, deve o delegado:</p><p>II. Dirigir-se ao local, providenciado para que não se alterem o estado e conservação</p><p>das coisas, até a chegada dos peritos criminais;</p><p>III. Apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após</p><p>liberados pelos</p><p>peritos criminais;</p><p>IV. Colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas</p><p>circunstâncias;</p><p>V. Ouvir o ofendido;</p><p>VI. Ouvir o indiciado;</p><p>VII. Proceder ao reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;</p><p>VIII. Determina, se for o caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a</p><p>quaisquer outras perícias;</p><p>IX. Ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se</p><p>possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes;</p><p>X. Averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar</p><p>e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois</p><p>65UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a</p><p>apreciação do seu temperamento e caráter (art. 6.º, CPP). (NUCCI, 2015, p.113).</p><p>3.5. Formas de instauração do inquérito policial</p><p>Instaura-se formalmente o inquérito de ofício, por portaria da autoridade policial,</p><p>pela lavratura de flagrante, mediante representação do ofendido ou requisição do juiz ou do</p><p>Ministério Público, devendo todas as peças do inquérito ser, num só processado, reduzidas</p><p>a termo.</p><p>a) De ofício:</p><p>A autoridade tem a obrigação de instaurar o inquérito policial, independente de</p><p>provocação, sempre que tomar conhecimento imediato e direto do fato, por meio de delação</p><p>verbal ou por escrito feito por qualquer do povo (delatio criminis simples), notícia anônima</p><p>(notitia criminis inqualificada), por meio de sua atividade rotineira (cognição imediata), ou no</p><p>caso de prisão em flagrante.</p><p>Neste caso a nossa legislação traz uma obrigação a autoridade policial para</p><p>instauração do inquérito policial, pois passa a ser um dever da autoridade quando toma</p><p>conhecimento do fato criminoso. O delegado de polícia baixa uma portaria declarando</p><p>assim, instaurado o inquérito e determina as providencias cabíveis a serem tomadas.</p><p>É importante mencionar que a existência da notitia criminis pode chegar por diversas</p><p>formas, como um boletim de ocorrência, informação prestada por conhecidos, ou mesmo</p><p>por comunicação policial.</p><p>Delatio criminis: quando qualquer pessoa informa a autoridade policial da ocorrência</p><p>da infração penal, conforme o art. 5º, § 3º, do Código de Processo Penal. A delatio criminis</p><p>é facultativa, exceto nos casos de funcionários públicos ou da área da saúde, que tem a</p><p>obrigação de informar a ocorrência de crimes de ação pública incondicionada que venham</p><p>a tomar conhecimento no desempenho de suas funções (Lei das Contravenções Penais,</p><p>art. 66).</p><p>Também, devemos fazer distinções de conhecimento ou cognição de ofício nas</p><p>seguintes espécies:</p><p>• Cognição imediata: decorre quando a autoridade policial tem conhecimento da</p><p>atividade delitiva devido o desempenho de suas atividades regulares.</p><p>• Cognição mediata: quando a autoridade policial tem conhecimento do crime por</p><p>intermédio de terceiros, como por:</p><p>- Requerimento do ofendido</p><p>66UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>- Requisição do juiz ou do Ministério Público</p><p>- Delatio criminis</p><p>• Cognição coercitiva: decorrente de prisão em flagrante.</p><p>b) Por requisição do juiz ou MP:</p><p>Quando o juiz ou promotor público, no exercício de suas funções, requisitam a</p><p>instauração do inquérito policial (requisição é sinônimo de ordem), o delegado está obrigado</p><p>a dar início às investigações. É necessário que as autoridades requisitantes especifiquem,</p><p>no ofício requisitório, o fato criminoso, que deve merecer apuração.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem</p><p>a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e</p><p>os documentos necessários ao oferecimento da denúncia. Todavia, se não estiverem</p><p>presentes os elementos indispensáveis ao oferecimento da denúncia, a autoridade ju-</p><p>diciária poderá requisitar a instauração de inquérito policial para a elucidação dos acon-</p><p>tecimentos. O mesmo quanto ao Ministério Público, quando conhecer diretamente de</p><p>autos ou papéis que evidenciem a prática de ilícito penal (CF, art. 129, VIII; CPP, art. 5º,</p><p>II). Para alguns, como, por exemplo, Geraldo Batista de Siqueira, a requisição, na nova</p><p>ordem constitucional, tornou-se privativa do Ministério Público, por força do art. 129, I,</p><p>da Constituição Federal. A autoridade policial não pode se recusar a instaurar o inqué-</p><p>rito, pois a requisição tem natureza de determinação, de ordem, muito embora inexista</p><p>subordinação hierárquica.</p><p>Fonte: CAPEZ, Fernando. Prática forense penal. 8. Ed. São Paulo: Saraiva, 2015. Dis-</p><p>ponível em: <https://books.google.com.br/books?id=fj1nDwAAQBAJ&pg=PT27&lpg=P-</p><p>T27&dq>. Acesso em: 05 jul. 2019.</p><p>c) Em razão de requerimento do ofendido:</p><p>Quando a vítima do delito endereça uma petição inicial à autoridade solicitando por</p><p>via escrita (formalmente) para que sejam iniciadas as investigações.</p><p>O requerimento para instauração de inquérito policial pode ser feito em crimes de</p><p>ação pública ou privada. No último caso, o requerimento não interrompe o curso do prazo</p><p>decadencial, de modo que a vítima deve ficar atenta a este aspecto.</p><p>https://books.google.com.br/books?id=fj1nDwAAQBAJ&pg=PT27&lpg=PT27&dq</p><p>https://books.google.com.br/books?id=fj1nDwAAQBAJ&pg=PT27&lpg=PT27&dq</p><p>67UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Havendo indeferimento da petição pela autoridade policial, do despacho de</p><p>indeferimento, cabe recurso para o chefe de polícia como o delegado-geral ou secretário</p><p>de segurança pública.</p><p>d) Por auto de prisão em flagrante:</p><p>Quando uma pessoa é presa em flagrante é lavrado na delegacia de polícia o</p><p>auto de prisão em que consta qual o motivo da prisão e seu delito, assim, lavrado o ato, o</p><p>inquérito será instaurado.</p><p>Em ação pública incondicionada a representação do inquérito policial não poderá</p><p>iniciar sem esta (art. 5º, § 4º do CP).</p><p>3.6. Prazo para a conclusão do inquérito policial</p><p>Uma vez iniciado o inquérito a autoridade tem prazos para concluí-lo, mas estes</p><p>prazos dependem de estar o indiciado solto ou preso.</p><p>Assim, depende se o indiciado estiver:</p><p>a) Solto:</p><p>O inquérito policial conclui-se em 30 (trinta) dias (art. 10, CPP), podendo ser</p><p>prorrogado quando o fato for de difícil elucidação, sendo que o aumento de prazo será</p><p>encaminhado da autoridade policial para o juiz, devendo ser ouvido o MP antes que o juiz</p><p>decida, devendo discordar oferecendo a denúncia ou requerer o arquivamento do inquérito</p><p>policial. Mas havendo a concordância do membro do MP, o juiz deferirá novo prazo fixado,</p><p>ademais, caso indeferir o prazo, poderá ser interposta correição parcial, com o intuito de</p><p>corrigir falhas. O prazo poderá ser repetido quantas vezes for necessário.</p><p>b) Preso por prisão preventiva ou flagrante:</p><p>Será obedecido o prazo de 10 (dez) dias, quando o juiz receber a cópia do flagrante</p><p>em 24 (vinte e quatro) horas a contar da prisão, convertê-la em prisão preventiva a partir da</p><p>efetiva prisão em flagrante (art.310, II, CPP).</p><p>Se entre a prisão em flagrante e sua conversão ultrapassar três dias, o inquérito</p><p>terá mais 7 (sete) dias para que seja finalizado.</p><p>Na hipótese de o juiz receber a cópia e, posteriormente, conceder a liberdade</p><p>provisória, o prazo para que seja concluso o inquérito será de 30 (trinta) dias.</p><p>68UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Se o indiciado estava solto, quando decretada a prisão preventiva, o prazo de 10</p><p>(dez) dias contará a partir da data do cumprimento do mandado.</p><p>Conta-se o prazo como o primeiro dia, ainda que poucos minutos para meia-noite.</p><p>Se não for concluído e enviado para a justiça, conforme prazo estabelecido na lei,</p><p>haverá a possibilidade de interposição de habeas corpus.</p><p>Exceções:</p><p>Lei de Drogas (Lei n. 11.343/06, artigo 51)</p><p>30 dias: se o indiciado estiver preso.</p><p>60 dias: se o indiciado estiver solto</p><p>* Os prazos poderão ser duplicados pelo magistrado conforme prevê</p><p>o artigo 51,</p><p>parágrafo único, da Lei de Drogas.</p><p>Justiça Federal (Lei n. 5.10/66, artigo 66)</p><p>15 dias, prorrogáveis por igual período.</p><p>Prisão preventiva: espécie de prisão provisória decretada durante o inquérito policial</p><p>em que durará 5 (cinco) dias, prorrogável por igual período.</p><p>Quadro 1: TABELA DE PRAZOS DE DURAÇÃO DO INQUÉRITO POLICIAL</p><p>QUADRO RESUMO</p><p>Fonte: O autor</p><p>69UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>3.7. Incomunicabilidade</p><p>O juiz pode decretar a incomunicabilidade do indiciado por um prazo não superior de</p><p>3 (três) dias, com o intuito de evitar que as investigações em andamento sejam prejudicadas</p><p>(art. 21, parágrafo único, do CPP).</p><p>3.8. Indiciamento</p><p>Indiciado é a pessoa eleita pelo Estado – investigação, dentro da sua convicção,</p><p>como autora da infração penal, ou seja, é o ato pelo qual a autoridade policial reconhece</p><p>formalmente os indícios de autoria e a materialidade que recai sobre o suspeito.</p><p>O indiciamento pode ser:</p><p>• Direto, é o feito na presença do indiciado, e o</p><p>• Indireto quando ausente o indiciado.</p><p>3.9. Conclusão do inquérito policial</p><p>A autoridade policial deve, ao encerrar as investigações, relatar tudo o que foi feito</p><p>na presidência do inquérito, de modo a apurar ou não a materialidade e a autoria da infração</p><p>penal.</p><p>Por outro lado, a falta do relatório constitui mera irregularidade, não tendo o</p><p>promotor ou o juiz o poder de obrigar a autoridade policial a concretizá-lo, tratando-se de</p><p>falta funcional, passível de correção disciplinar.</p><p>O relatório não é peça obrigatória para o oferecimento da denúncia.</p><p>Para a instauração do inquérito policial é obrigatório o relatório final, mas para o</p><p>oferecimento da denúncia feito pelo Ministério Público não e obrigatório.</p><p>Portanto, resumidamente, o relatório final deve seguir com:</p><p>1- Elaboração de relatório: elaborado pela autoridade policial, descrevendo</p><p>diligências realizadas, como peça final do inquérito.</p><p>2- Remessa dos autos e objetos apreendidos ao juiz;</p><p>3- Remessa do inquérito ao Ministério Público, que poderá denunciar ou requerer</p><p>o arquivamento do feito.</p><p>Observação: A autoridade policial não poderá arquivar o inquérito policial de ofício,</p><p>pois cabe ao juiz agir desta forma, a pedido do membro do Ministério Público.</p><p>Isto posto, compreensível que o inquérito policial é um procedimento pré processual</p><p>a qual da margem a autoridade policial, com respeito aos direitos e garantias constitucionais</p><p>e principalmente o princípio da dignidade da pessoa humana.</p><p>70UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>O Inquérito Policial (IP) trabalha de forma suscita na elaboração da investigação,</p><p>para apuração da infração penal e sua autoria, e com isto, levando ao conhecimento do</p><p>Ministério Público para a possível denúncia do crime.</p><p>É de suma importância, pois traz uma garantia para o investigado, pois neste</p><p>momento é analisado todos os fatores que levaram ou não o indivíduo a cometer o ilícito</p><p>penal.</p><p>71UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>4. CONTROLE EXTERNO DO MINISTÉRIO PÚBLICO, A REFORMA DO</p><p>CÓDIGO E A FIGURA DO JUIZ DE GARANTIAS</p><p>Longe de exaurir o tema alusivo ao controle externo da atividade policial, apenas</p><p>estudaremos alguns aspectos do controle externo da atividade policial pelo Ministério</p><p>Público.</p><p>Analisaremos também, se o eixo central da reforma consiste na compatibilização do</p><p>Processo Penal Brasileiro com os valores democráticos da Constituição Federal, pois</p><p>reformas pontuais não são suficientes e uma mudança ampla é necessária, a fim de que</p><p>nela se incluam todos os aspectos pertinentes à reformulação do sistema. O primeiro passo</p><p>talvez seja uma mudança cultural, pois de nada adiantará uma reforma legislativa completa</p><p>se os “aplicadores” da lei (mormente os juízes) mantiverem a mentalidade (inquisitória) de</p><p>outrora.</p><p>O projeto do novo Código de Processo Penal prevê, acertadamente, o chamado</p><p>Juiz das Garantias, que terá como função precípua a de monitorar o devido respeito aos</p><p>direitos e garantias fundamentais do suspeito ou indiciado, na primeira fase da persecução</p><p>penal, sem prejuízo de também preservar o direito do Estado de investigar o fato e apurar</p><p>a sua autoria, visando à devida aplicação da norma penal violada.</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1028351/c%C3%B3digo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>72UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>4.1. CONTROLE EXTERNO DO MINISTÉRIO PÚBLICO</p><p>Entre as funções institucionais do Ministério Público, temos o Controle Externo da</p><p>Atividade Policial, o qual foi estabelecido pela Constituição Federal de 1988, que, porém,</p><p>deixou para a legislação complementar regulamentar o tema e desde então, surgiu uma</p><p>grande polêmica entre os órgãos envolvidos: de um lado a Polícia, a instituição controlada,</p><p>e de outro o Ministério Público, como instituição controladora.</p><p>Durante certo tempo, a classe policial defendeu a inexistência de instrumentos</p><p>jurídicos para a efetivação do controle externo, já que não havia a regulamentação</p><p>necessária na maioria dos estados brasileiros.</p><p>Ainda hoje, podemos observar grande resistência dos Delegados de Polícia a esse</p><p>controle externo, afirmando ser esta uma tentativa de ingerência do Ministério Público sobre</p><p>a atividade policial, e, assim sendo, exercer o controle interno da polícia, o que não seria</p><p>permitido (GUIMARÃES, 2002, p. 64).</p><p>4.1.1. Conceito e natureza jurídica</p><p>O artigo 129, inciso VII, da Constituição Federal, instituiu o Controle Externo da</p><p>Atividade Policial, remetendo à legislação complementar da União e dos Estados, de iniciativa</p><p>facultada aos Procuradores-Gerais de cada Ministério Público, isto é, as leis orgânicas dos</p><p>Ministérios Públicos da União e dos Estados da Federação, para regulamentar a forma de</p><p>efetivação e realização do referido controle externo. Vejamos:</p><p>Art. 129.</p><p>São funções institucionais do Ministério Público:</p><p>VII –</p><p>exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar</p><p>mencionada no artigo anterior;</p><p>No entanto, a legislação brasileira não definiu exatamente o conceito do controle</p><p>externo da atividade policial, então, recorreremos à doutrina para tentar conceituá-lo.</p><p>A doutrina de Mazzilli nos ensina que esse controle externo:</p><p>É um sistema de vigilância e verificação administrativa, teleologicamente diri-</p><p>gido à melhor coleta de elementos de convicção que se destinam a formar a</p><p>“opinio delictis” do Promotor de Justiça, fim último do próprio inquérito policial.</p><p>(MAZZILLI, 1989, p. 117)</p><p>Já o promotor e professor Guimarães definiu, de forma mais completa, o controle</p><p>externo da atividade policial como sendo:</p><p>Um conjunto de normas que regulam a fiscalização exercida pelo Ministério</p><p>Público em relação à Polícia, na prevenção, apuração e investigação de fa-</p><p>tos definidos como infrações penais, na preservação dos direitos e garantias</p><p>73UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>constitucionais das pessoas presas, sob custódia direta da Polícia e no cum-</p><p>primento das determinações judiciais. (GUIMARÃES, 2002, p. 64)</p><p>O controle externo da atividade policial pelo Ministério Público tem como objetivo</p><p>manter a regularidade e a adequação dos procedimentos empregados na execução da</p><p>atividade policial, bem como a integração das funções do Ministério Público e das Polícias</p><p>voltadas para a persecução penal e o interesse público (cf. art. 2º da Res. CNMP Nº 20, de</p><p>28 de maio de 2007 e art. 1º da Res. CSMPF Nº 88, de 03 de agosto de 2006).</p><p>REFLITA</p><p>15/08/2013 - GAECO - 23 são denunciados na Operação Vortex</p><p>O Ministério Público encaminhou à Justiça, nesta quinta-feira, 15 de agosto, denúncia</p><p>contra 23 pessoas (4 delegados, 15 investigadores 1 agente de apoio e 3 comerciantes)</p><p>decorrente da Operação Vortex, deflagrada em abril deste ano pelo Grupo de Atuação</p><p>Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO).</p><p>Na denúncia, são relatados 24 fatos criminosos:</p><p>3 concussões (exigência financeira</p><p>mediante ameaças), um abuso de direito, uma denunciação caluniosa, uma lavagem</p><p>de dinheiro, 3 corrupções ativas e 15 corrupções passivas. Os policiais também foram</p><p>denunciados pelo crime de quadrilha.</p><p>As investigações apontam que na Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, vinculada</p><p>à Divisão de Crimes contra o Patrimônio, atuava uma quadrilha que visava angariar di-</p><p>nheiro de comerciantes do setor de ferro-velho mediante corrupção. O GAECO sustenta</p><p>que “policiais da área atuavam endurecendo a fiscalização para criar condições de exigir</p><p>dinheiro, ou mesmo para que comerciantes tomassem a iniciativa de oferecer dinheiro”.</p><p>Operação Vortex – Em abril, o GAECO e a Corregedoria da Polícia Civil cumpriram 18</p><p>mandados judiciais de busca e apreensão, em Curitiba e na Região Metropolitana. Três</p><p>membros da Polícia Civil foram presos em flagrante, por porte de armas sem registro.</p><p>Com um dos detidos foram apreendidos US$ 98 mil, além de munição de uso restrito.</p><p>As investigações do GAECO duraram cerca de oito meses, com o objetivo de apurar</p><p>suposta corrupção na Polícia e, ainda, ilegalidades relacionadas a desmanche de veícu-</p><p>los. A operação teve como foco a Divisão de Crimes Contra o Patrimônio, a Delegacia</p><p>de Furtos e Roubos de Veículos e o 6º Distrito Policial. Os mandados foram cumpridos</p><p>nessas unidades, casas de policiais e de comerciantes de ferro-velho, e também abran-</p><p>geram estabelecimentos de revenda de peças de veículos usadas.</p><p>Fonte: MINISTÉRIO PÚBLICO DO PARANÁ. Comunicação Institucional. 15/08/2013 – GAECO – 23 são</p><p>denunciados na Operação Vortex. Disponível em: <http://www.comunicacao.mppr.mp.br/modules/noti-</p><p>cias/article.php?storyid=3770>. Acesso em: 05 jul. 2019.</p><p>http://www.comunicacao.mppr.mp.br/modules/noticias/article.php?storyid=3770</p><p>http://www.comunicacao.mppr.mp.br/modules/noticias/article.php?storyid=3770</p><p>74UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Podemos observar que a atividade policial é exercida por órgãos pertencentes ao</p><p>Poder Executivo, portanto, possui natureza administrativa. Logo, podemos afirmar que a</p><p>natureza do controle externo da atividade policial é também administrativa.</p><p>O policiamento ostensivo tem caráter eminentemente preventivo e objetivo de evitar</p><p>e interromper a prática de crimes mediante ações como rondas e fiscalizações. Essa função</p><p>é exercida, por exemplo, pelas polícias militares, polícias rodoviárias e força nacional.</p><p>A chamada polícia judiciária tem a finalidade de esclarecer fatos previstos como</p><p>crime e identificar seus possíveis autores, colher provas, proceder a perícias e inquirir</p><p>pessoas, sendo exercida, por exemplo, pela polícia civil e federal.</p><p>Como um dos braços armados do Estado, a polícia judiciária é subordinada ao</p><p>Ministério da Justiça ou respectivas Secretarias de Segurança Pública (CF/88, art. 144, §</p><p>6º).</p><p>Ademais, submete-se à coordenação e fiscalização do Ministério Público que é a</p><p>Instituição constitucionalmente legitimada a promover privativamente a ação penal pública</p><p>(CF/88, art. 129, I) e destinatária final de toda a prova colhida pela polícia judiciária.</p><p>Assim, as funções do Ministério Público podem ser vistas como forma de impedir</p><p>a violação das normas constitucionais por parte dos próprios Poderes constituídos, sendo</p><p>um verdadeiro fiscal da legalidade, da moralidade, do regime democrático, dos direitos e</p><p>garantias individuais, enfim, um assegurador da plenitude da Constituição.</p><p>4.1.2. Classificação</p><p>Quanto à classificação do Controle Externo da Atividade Policial, é dividido em</p><p>duas formas: ordinário e extraordinário.</p><p>O controle externo ordinário (ou geral), consistente naquela atividade ministerial</p><p>exercida corriqueiramente, seja através dos controles realizados na verificação do trâmite</p><p>dos inquéritos policiais, e consequente cumprimento de diligências requisitadas, seja</p><p>através de visitas periódicas (ao menos mensais) às Delegacias de Polícia e organismos</p><p>policiais, a fim de verificar a regularidade dos procedimentos policiais e da custódia dos</p><p>presos que porventura se encontrem no local.</p><p>Já no controle externo extraordinário, observa-se que este se dará quando da</p><p>verificação concreta de um ato ilícito por parte de alguma autoridade policial no exercício</p><p>de suas funções, ou seja, é focado em pontos específicos, constatados nas visitas.</p><p>O Controle Externo Ordinário e o Extraordinário serão exercidos pelos Promotores</p><p>ou Procuradores com atribuições criminais do Ministério Público da União ou dos Ministérios</p><p>75UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Públicos dos Estados sobre os órgãos policiais elencados no artigo 144 da Constituição</p><p>Federal.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Título V</p><p>Da Defesa do Estado e das Instituições Democráticas</p><p>Capítulo III</p><p>Da Segurança Pública</p><p>Art.144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos,</p><p>é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do</p><p>patrimônio, através dos seguintes órgãos:</p><p>I-Polícia Federal;</p><p>II-Polícia Rodoviária Federal;</p><p>III-Polícia Ferroviária Federal;</p><p>IV-Polícias Civis;</p><p>V-Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares.</p><p>§1ºA polícia federal, instituída por lei como órgão permanente, estruturado em carreira,</p><p>destina-se a:</p><p>I-apurar infrações penais contra a ordem política e social ou em detrimento de bens,</p><p>serviços e interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas,</p><p>assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou internacio-</p><p>nal e exija repressão uniforme, segundo se dispuser em lei;</p><p>II-prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o</p><p>descaminho, sem prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respec-</p><p>tivas áreas de competência;</p><p>III-exercer as funções de polícia marítima, aérea e de fronteiras;</p><p>IV-exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária da União.</p><p>§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, estruturado em carreira, destina-se,</p><p>na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.</p><p>§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, estruturado em carreira, destina-se,</p><p>na forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.</p><p>§4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem, ressalvada</p><p>a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações</p><p>76UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>penais, exceto os militares.</p><p>§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública;</p><p>aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a</p><p>execução de atividades de defesa civil.</p><p>§ 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças auxiliares e reserva</p><p>do Exército, subordinam-se, juntamente com as polícias civis, aos Governadores dos</p><p>Estados, do Distrito Federal e dos Territórios.</p><p>§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos órgãos responsáveis pela</p><p>segurança pública, de maneira a garantir a eficiência de suas atividades.</p><p>§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais destinadas à proteção de seus</p><p>bens, serviços e instalações, conforme dispuser a lei.</p><p>Fonte: Art. 144 da Constituição Federal do Brasil</p><p>Ademais, o controle externo da atividade policial se apresenta sob as</p><p>espécies difusa e concentrada (cf. art. 3º da Res. CNMP Nº 20, de 28 de maio de 2007).</p><p>O controle difuso é exercido por todos os membros do Ministério Público com</p><p>atribuição criminal, através do acompanhamento e fiscalização dos inquéritos e outros</p><p>procedimentos de investigação policiais.</p><p>O controle concentrado, por sua vez, é exercido pelos grupos de membros com</p><p>atribuições específicas, que devem também realizar inspeções periódicas nas unidades de</p><p>polícia.</p><p>No âmbito do Ministério Público Federal, o controle concentrado é exercido</p><p>em</p><p>cada Unidade da Federação, por um Grupo de Procuradores da República, designado pelo</p><p>prazo de dois anos por ato do Procurador-Geral da República (cf. art. 5º da Res. CSMPF Nº</p><p>88, de 03 de agosto de 2006).</p><p>REFLITA</p><p>Controle Externo da Atividade Policial segundo o Rodrigo Régnier Chemim Guimarães,</p><p>em obra de referência - cuja leitura é recomendada:</p><p>Fonte: GUIMARÃES, Rodrigo Régnier Chemim. Controle Externo da Atividade Policial pelo Ministério</p><p>Público. 2 ed, revista e ampliada. Curitiba: Juruá, 2002, 204 p., p. 63-64</p><p>77UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>4.1.3. Atividade de investigação criminal</p><p>]</p><p>A titularidade da ação penal e o controle externo da atividade policial estão</p><p>intrinsecamente ligados à investigação criminal pela Polícia, o que demonstra, portanto, a</p><p>íntima relação entre o Ministério Público e a Polícia.</p><p>Por isso que não há outra instituição para a qual outorgar o controle externo da</p><p>atividade policial; cabe somente ser feito pelo “Ministério Público, que é o fiscal das leis e</p><p>dominus litis, no processo penal público, por destinação constitucional” (LIMA, 2007, p. 68).</p><p>O controle externo pelo Ministério Público de vigilância e fiscalização da atividade</p><p>policial, mormente na atividade-fim de coleta da materialidade do delito e dos indícios de</p><p>autoria, visa ao “bom andamento e observação do estrito cumprimento das leis, como</p><p>verdadeiro custos legis. Portanto, cabe ao Ministério Público velar pela correta atuação da</p><p>Polícia” (LIMA, 2007, p. 68).</p><p>Ou seja, o MP (Ministério Público) se mostra como órgão mais adequado a realizar</p><p>o controle externo da atividade policial, uma vez que a atividade-fim da Polícia destina-se</p><p>à formação de seu convencimento para a propositura da ação penal. Essa atividade-fim</p><p>da Polícia é destinada ao próprio MP por ser ele o titular da ação penal e exercer o seu</p><p>controle externo, o que impõe o necessário acompanhamento dos atos de investigação</p><p>para a formação de sua opinio delicti, exercendo verdadeira coordenação de sua atividade</p><p>investigatória.</p><p>Assim, o exercício do controle externo poderá implicar em instauração de</p><p>investigação criminal autônoma ou de inquérito civil para apurar improbidade administrativa</p><p>pelo MP. Em razão do controle externo da atividade policial, ao se deparar com infração</p><p>penal cometida por agente e (ou) autoridade policial, o MP tem o poder-dever de instaurar</p><p>o competente Procedimento de Investigação Criminal (PIC) para elucidação do fato e sua</p><p>autoria.</p><p>O controle externo da atividade policial legitima o MP a realizar investigações</p><p>diretas, principalmente se a autoria do ilícito for atribuída a integrante de organismos</p><p>policiais. Todavia, há de se registrar que o MP possui legitimidade ativa para instruir PIC</p><p>relativo a quaisquer crimes.</p><p>É clara a possibilidade de coleta de provas diretamente pelo MP em PIC próprio ou,</p><p>inclusive, no IPL após sua conclusão pela Polícia, conforme o art. 47 do CPP:</p><p>Art. 47.</p><p>Se o Ministério Público julgar necessários maiores esclarecimentos e docu-</p><p>mentos complementares ou novos elementos de convicção, deverá requisi-</p><p>78UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>tá-los, diretamente, de quaisquer autoridades ou funcionários que devam ou</p><p>possam fornecê-los.</p><p>O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento acerca da legitimação ativa</p><p>do MP para a coleta direta de elementos de prova visando a formar sua opinio delicti. Senão</p><p>vejamos:</p><p>“PODERES. INVESTIGAÇÃO. MP. [...] o Ministério Público possui legitimida-</p><p>de para proceder à coleta de elementos de convicção no intuito de elucidar a</p><p>materialidade do crime e os indícios da autoria. Proceder à referida colheita é</p><p>um consectário lógico da própria função do Parquet de promover, com exclu-</p><p>sividade, a ação penal. A polícia judiciária não possui o monopólio da investi-</p><p>gação criminal. O art. 4º, parágrafo único, do CP não excluiu a competência</p><p>de outras autoridades administrativas ao definir a competência da polícia judi-</p><p>ciária. Assim, no caso, é possível ao órgão ministerial oferecer denúncias las-</p><p>treadas nos procedimentos investigatórios realizados pela Procuradoria de</p><p>Justiça de combate aos crimes praticados por agentes políticos municipais.</p><p>Precedentes citados do STF: RE 468.523-SC, DJe 19 fev. 2010; do STJ: HC</p><p>12.704-DF, DJ 18 nov. 2002; HC 24.493-MG, DJ 17 nov. 2003, e HC 18.060-</p><p>PR, DJ 26 ago. 2002.” (REsp n. 1.020.777-MG, rel. Min. Laurita Vaz, julgado</p><p>em 17.2.2011. Informativo n. 463, de 14 a 18 de fevereiro de 2011).</p><p>Ou seja, o STJ afirma que inexiste incompatibilidade entre o exercício da investigação</p><p>criminal e a propositura da ação penal pelo MP. Conforme pacificou o entendimento na</p><p>Súmula nº 234, no sentido de que “a participação do membro do Ministério Público na fase</p><p>investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento</p><p>da denúncia”.</p><p>Assim, o Ministério Público possui legitimidade para a instauração de procedimento</p><p>investigatório criminal por autorização constitucional (art. 129, VI e VIII, CF/88) e</p><p>regulamentação pela Lei Orgânica do Ministério Público da União (art. 8º, V e VII, LC nº</p><p>75/1993).</p><p>O Supremo Tribunal Federal (STF) corrobora no sentido de que o MP tem</p><p>legitimidade para realizar investigações criminais em decorrência do exercício do controle</p><p>externo da atividade policial e de forma ampla, com base na Teoria dos Poderes Implícitos.</p><p>Senão vejamos:</p><p>“[...] PODERES INVESTIGATÓRIOS DO MINISTÉRIO PÚBLICO. [...] 5. A de-</p><p>núncia pode ser fundamentada em peças de informação obtidas pelo órgão</p><p>do MPF sem a necessidade do prévio inquérito policial, como já previa o</p><p>Código de Processo Penal. [...]. 6. É perfeitamente possível que o órgão do</p><p>Ministério Público promova a colheita de determinados elementos de prova</p><p>que demonstrem a existência da autoria e da materialidade de determinado</p><p>delito [...] 7. O art. 129, inciso I, da Constituição Federal, atribui ao parquet</p><p>a privatividade na promoção da ação penal pública. Do seu turno, o Código</p><p>de Processo Penal estabelece que o inquérito policial é dispensável, já que</p><p>o Ministério Público pode embasar seu pedido em peças de informação que</p><p>concretizem justa causa para a denúncia. 8. Há princípio basilar da herme-</p><p>nêutica constitucional, a saber, o dos ‘poderes implícitos’, segundo o qual,</p><p>quando a Constituição Federal concede os fins, dá os meios. Se a atividade</p><p>fim – promoção da ação penal pública – foi outorgada ao parquet em foro de</p><p>79UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>privatividade, não se concebe como não lhe oportunizar a colheita de prova</p><p>para tanto, já que o CPP autoriza que ‘peças de informação’ embasem a de-</p><p>núncia. [...] 10. Recurso extraordinário parcialmente conhecido e, nesta parte,</p><p>improvido.” (RE n. 468.523, rel. min. Ellen Gracie, Segunda Turma, julgado</p><p>em 1º.12.2009, DJe 18 fev. 2010).</p><p>Sendo assim, o controle externo da atividade policial decorre, portanto, do perfil</p><p>constitucional do Ministério Público, notadamente o zelo pelo efetivo respeito dos Poderes</p><p>Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados na Constituição da</p><p>República, que se mostra como desdobramento da defesa da ordem jurídica, do regime</p><p>democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis.</p><p>4.2. A REFORMA DO CÓDIGO</p><p>Em vigor desde 1942, o atual Código de Processo Penal não se mostra compatível</p><p>com o Estado Democrático de Direito, pós Constituição Federal de 1988. Por isso, sofreu</p><p>alterações ao longo do tempo; dentre as mais significativas, destacam-se: a “minirreforma” de</p><p>2008 e as modificações relativas à prisão, fiança, liberdade provisória e demais cautelares,</p><p>de 2011.</p><p>O Projeto de Lei n. 8045/10 propõe um novo Código de Processo Penal, que objetiva</p><p>a erudição e a humanização do processo, que deve estar pautado nos direitos e garantias</p><p>fundamentais, bem como na proporcionalidade e razoabilidade das medidas punitivas.</p><p>do Direito Processual Penal</p><p>1. INTRODUÇÃO AO DIREITO PROCESSUAL PENAL</p><p>É de natureza do ser humano o convívio em sociedade e para esta convivência é</p><p>necessária à imposição de normas de conduta e um controle sobre as relações sociais,</p><p>exercidas pelo Direito.</p><p>Estas relações dão-se entre indivíduos, agrupamentos sociais e o Estado, todos</p><p>sujeitos as normas jurídicas. Quem viola uma norma de conduta está sujeito à sanção</p><p>estatal, pois se assim não fosse, de nada adiantaria impor regras, seriam elas inócuas.</p><p>Exemplo clássico e que traz repercussão é o homicídio, pois intranquiliza a sociedade</p><p>e desestabiliza a ordem pública. Não se cogita, portanto, de deixar tal ilícito na esfera de</p><p>interesse do autor do fato e da vítima, ou, no caso, de familiares dela. Toda a sociedade tem</p><p>interesse na repressão a tal conduta, ao contrário do que acontece com um acidente entre</p><p>dois veículos, onde um deles sai danificado, e se impõe ao motorista culpado a reparação</p><p>daquele dano. Neste caso, apenas os dois interesses estão envolvidos. Assim, os bens</p><p>cuja proteção importa a toda a coletividade, então, recebem a tutela penal do Estado. Ser</p><p>tutelado penalmente significa ter, como reação à sua violação, a mais grave das sanções:</p><p>a pena.</p><p>Nessa esteira, quando um ilícito penal é praticado, surge para o Estado o direito de</p><p>punir o autor do ilícito, ou seja, nasce para o Estado o jus puniendi que pode ser definido</p><p>como: o poder que tem o Estado de sancionar aquele que violou uma norma tutelada</p><p>penalmente.</p><p>10UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Como detentor exclusivo do jus puniendi, o Estado tem o processo penal como o</p><p>único meio legitimador da limitação do direito à liberdade. Trata-se de verdadeira função</p><p>repressiva e necessária, que se justifica somente nos casos de ataque aos bens jurídicos</p><p>considerados fundamentais ao corpo social. Vicente Greco, assevera:</p><p>O processo penal tem, também, uma função repressiva. Quando ocorre um</p><p>fato delituoso, seu autor deve responder através do cumprimento de uma</p><p>sanção pessoal. A estabilidade social assim o requer, mas também exige que</p><p>somente seja condenado o culpado, evitando-se que se condene um inocen-</p><p>te, o qual tem o direito de não ser punido, salvo nos casos previamente es-</p><p>tabelecidos em lei. O processo penal é o instrumento para essa verificação.</p><p>(GRECO FILHO, 1993, p. 48).</p><p>Tal direito, contudo, não pode ser exercido livremente pelo Estado, muito menos</p><p>arbitrariamente. Para tanto, devem ser observados inúmeros princípios que regulam e</p><p>delimitam o poder estatal, como, por exemplo, o princípio da reserva legal e o princípio do</p><p>devido processo legal, estampados respectivamente no art. 5.º, incisos XXXIX e LIV, da</p><p>nossa Constituição Federal.</p><p>É de se lembrar que, como os interesses tutelados pelas normas penais são de</p><p>interesse público, não se trata somente de um direito de o Estado punir o agente criminoso,</p><p>mas sim um verdadeiro dever, uma vez que, praticado um delito, a sociedade exige que seu</p><p>autor seja punido.</p><p>Praticado um ilícito penal e surgido o jus puniendi para o Estado, como visto,</p><p>delineia-se uma relação jurídica de direito penal, isto é, de um lado, o órgão estatal investido</p><p>do poder de punir (Estado-juiz) busca, através dos mecanismos legais, efetivar a punição,</p><p>enquanto de outro, aquele sobre quem pesa a imputação de haver infringido a lei penal,</p><p>busca se defender, busca não se submeter à sanção.</p><p>11UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>SAIBA MAIS</p><p>O direito processual penal é ramo do direito público que cuida de disciplinar as regras</p><p>de investigação, processamento, julgamento, recursos e o pós trânsito em julgado. É o</p><p>corpo de normas jurídicas cuja finalidade é regular a persecução do estado, através de</p><p>seus órgãos constituídos, para que se possa aplicar a norma penal realizando a preten-</p><p>são punitiva no caso concreto.</p><p>Recomenda-se a leitura do Capítulo 5 (Interpretação), do Manual de Processo Penal,</p><p>Fernando da Costa Tourinho Filho.</p><p>Fonte: TOURINHO FILHO, Fernando da Costa. Manual de Processo Penal, São Paulo, 16ª Edição. Sa-</p><p>raiva, 2013, p. 99.</p><p>Em suma, praticada uma infração penal, o Estado procura exercer seu direito de</p><p>punir e a tal pretensão se opõe o titular do direito de liberdade. O conflito de interesses</p><p>acima mencionado não pode permanecer sem solução. De fato, de nada adiantaria o Direito</p><p>estabelecer regras de conduta para a melhor convivência entre as pessoas se um conflito</p><p>permanecesse sem solução, a ordem social estaria comprometida do mesmo jeito.</p><p>É preciso, então, utilizar-se de mecanismo dotado de regras e garantias destinadas</p><p>aos sujeitos nele envolvidos. O instrumento estatal destinado a solucionar a lide penal é</p><p>o que denominamos de Processo Penal. Numa definição mais completa: conjunto de atos</p><p>organizados entre si, submetido a princípios e regras jurídicas destinadas a solucionar a</p><p>lide penal.</p><p>REFLITA</p><p>SISTEMA PROCESSUAL BRASILEIRO: é misto ou acusatório? Saiba que antes do</p><p>processo há uma fase pré-processual, um procedimento extrajudicial inquisitório, que é</p><p>o Inquérito Policial.</p><p>Fonte: http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.51623&seo=1.</p><p>De acordo com o magistério de Paulo Rangel:</p><p>O Brasil adota um sistema acusatório que, no nosso modo de ver, não é puro</p><p>em sua essência, pois o inquérito policial regido pelo sigilo, pela inquisitorie-</p><p>dade, tratando o indiciado como objeto de investigação, integra os autos do</p><p>http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&ver=2.51623&seo=1</p><p>12UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>processo, e o juiz, muitas vezes, pergunta, em audiência, se os fatos que</p><p>constam no inquérito policial são verdadeiros.” (RANGEL, 2010, p. 53).</p><p>Já Guilherme de Souza NUCCI entende que:</p><p>O sistema adotado no Brasil, ainda que de maneira não oficial, é o sistema</p><p>misto. (NUCCI, 2008, p. 126).</p><p>Defende o autor que o nosso Código de Processo Penal prevê a colheita inicial</p><p>de provas por meio do inquérito policial, presidido por um bacharel em Direito (delegado</p><p>de Polícia) e que possui todos os requisitos de um sistema inquisitivo (sigilo, ausência de</p><p>contraditório e ampla defesa, procedimento escrito etc.).</p><p>Mesmo que outras correntes doutrinárias divergem, o sistema processual brasileiro:</p><p>é o acusatório, mas antes do processo há uma fase pré-processual, um procedimento</p><p>extrajudicial inquisitório, que é o Inquérito Policial.</p><p>Assim, o Estado é o único detentor do direito de punir. Ele substitui as partes,</p><p>investindo-se do poder jurisdicional para solucionar o conflito existente. Nem mesmo quando</p><p>se trata de ação penal privada o particular será investido do direito de punir, continua ele</p><p>pertencendo ao Estado. Ao particular transfere-se apenas a iniciativa de propor e conduzir</p><p>a ação.</p><p>13UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>2. HISTÓRIA DO PROCESSO PENAL</p><p>É de extrema relevância o estudo sobre a história do processo penal para</p><p>a compreensão do poder punitivo no atual âmbito jurídico. Precisamos analisar os</p><p>acontecimentos cronologicamente, a escravatura, o marco de violência, agressões, maus</p><p>tratos; muitas guerras, penas de morte, torturas, prisões, banimentos, crimes de sangue;</p><p>até nos relatos bíblicos tem-se o registro de diversos acontecimentos de punições.</p><p>E, diante da situação crítica dessas épocas, o direito processual penal, surge para</p><p>definir os crimes e atribuir-lhe a pena.</p><p>O Sistema Penal, assim denominado, ao longo da história, passou por diversas</p><p>mudanças e diversos fatores que influenciaram a alteração nos sistemas penais, como a</p><p>organização política e econômica, ascensão da Igreja, a Revolução francesa, deixando</p><p>claro que em todos os períodos históricos houve práticas punitivas.</p><p>No período da Grécia e na Roma Antiga o Sistema Acusatório era vigente, onde</p><p>se distinguia crimes de responsabilidade pública dos de responsabilidade privada, havia</p><p>apenas duas infrações que instigavam a perseguição</p><p>Dentre outras ponderações, o Projeto prevê um desencarceramento através de</p><p>medidas alternativas à prisão, uma vez constatado que o cárcere maciço não desagregou</p><p>as práticas delituosas, e, ademais, puniu-se através do que a criminologia explica como</p><p>“direito penal do autor”, mediante características pessoais do acusado, não as típicas do</p><p>fato criminoso.</p><p>Preconiza a delimitação de tempo para a prisão provisória, frente sua excessiva</p><p>expressão penitenciária, e a reivindicação pela efetiva liberdade dos condenados que já</p><p>cumpriram suas penas e, apesar disso, continuam presos.</p><p>Busca-se, também, evitar a pré-condenação que o acompanhamento das prisões</p><p>cautelares por intermédio dos meios de comunicação de massa causam aos investigados</p><p>e aos acusados.</p><p>Direciona-se, a implementação expressa da Justiça Restaurativa, como alternativa</p><p>à pacificação social e a obstrução do aumento da população carcerária, quando os delitos,</p><p>pela natureza e elementares, não demandarem a privação de liberdade do autor.</p><p>Quanto ao Novo Código de Processo Penal, eleva Pacelli Oliveira:</p><p>80UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Nosso Código é de 1941, o que, por si só, já explica o elevado grau da supe-</p><p>ração de seu conteúdo originário. A aludida legislação codificada refletia uma</p><p>mentalidade tipicamente policialesca, própria da época, em absoluto des-</p><p>compasso com a Constituição da República, que já respirava ares de maior</p><p>participação popular. Certamente por isso, a preocupação com a afirmação</p><p>de direitos e garantias individuais mereceu capítulo específico na nova ordem</p><p>constitucional. (OLIVEIRA, 2017, p. 162).</p><p>Na lógica consubstanciada pelo projeto originário, havia uma demanda pela</p><p>reprodução do princípio da presunção de inocência, previsto constitucionalmente, mas que</p><p>detém deliberações das Cortes Superiores controvertidas e refutadas.</p><p>Porém, em 05 de junho de 2018, João Campos, Relator do Novo Código de</p><p>Processo Penal (PL. n. 8045/10), apresentou parecer final que corrobora o julgamento do</p><p>Supremo Tribunal Federal nas Ações Declaratórias de Constitucionalidade, 43 e 44, que</p><p>admitem a execução provisória da pena, quando exauridos todos os recursos admissíveis</p><p>em segunda instância.</p><p>Destarte, o PL. n. 9.914/2018, que visa à obrigatoriedade dessa execução, foi</p><p>apensado ao PL. n. 8045/10; portanto, o cumprimento provisório da pena por condenados</p><p>em segunda instância contará com respaldo legal expresso, caso seja aprovado.</p><p>Não obstante, cumpre aqui resumir as principais inovações: i) inovação do conceito</p><p>de prova ilícita; ii) estabelecimento de parâmetros para aceitação da prova ilícita em</p><p>casos de comprovada boa-fé do agente público; iii) adoção da teoria da atenuação como</p><p>relativizadora da contaminação da prova derivada da ilícita; iv) admissibilidade da prova</p><p>ilícita quando seu uso vier a beneficiar o réu; v) possibilidade de utilização indireta da prova</p><p>declarada ilícita pela acusação, com a finalidade exclusiva de refutar álibi, fazer contraprova</p><p>de fato inverídico deduzido pela defesa ou demonstrar a falsidade ou inidoneidade de prova</p><p>por ela produzida, não podendo, contudo, servir para demonstrar culpa ou agravar a pena.</p><p>Com isso, esses projetos de leis, procura reformar o Processo Penal brasileiro com a</p><p>instituição de novo código, apesar de ter defeitos e falhas, conta com pontos extremamente</p><p>positivos.</p><p>Diante de diversas correntes de pensamento, acreditamos que o melhor caminho é</p><p>o debate e o aprimoramento do projeto, com a contribuição de todos os setores, se dará ao</p><p>país um novo e moderno Código de Processo Penal.</p><p>4.3. A FIGURA DO JUIZ DE GARANTIAS</p><p>O juiz das garantias, vislumbrado pelo Projeto de Lei nº 8.045/2010 (Novo Código de</p><p>Processo Penal), na medida em que fosse inserido no ordenamento jurídico brasileiro, seria</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1028351/c%C3%B3digo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>81UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>o responsável por dar providências e acautelamentos a respeito do escopo da perquirição</p><p>criminal e, até mesmo, da própria pessoa do investigado, no que tange à determinação de</p><p>medidas cautelares durante a fase pré processual e na realização da audiência de custódia.</p><p>É de extrema relevância o debate sobre o ativismo judicial e a interferência da fase</p><p>pré processual na imparcialidade das decisões. Dessa forma, necessária se faz a apuração</p><p>das discussões doutrinárias a respeito do Juiz das Garantias, de forma a esmiuçar suas</p><p>funções e finalidades, do mesmo modo que as características constantes no projeto de</p><p>Novo Código de Processo Penal.</p><p>Apesar desse contexto, a metamorfose se mostra como um significativo progresso</p><p>no que se refere ao sistema processual acusatório.</p><p>Agora, na linha do Projeto de Lei n. 8045, o julgador do processo não mais participará</p><p>da produção da prova; instituir-se-á o “Juiz das Garantias”, que se incumbirá da proteção</p><p>do devido processo legal.</p><p>Nessa égide, surge a figura do Juiz das Garantias. Este atuará somente na esfera</p><p>da investigação, fase inquisitiva, pré processual. Cuidará das medidas que possam afetar</p><p>direitos e garantias do investigado. Caso haja denúncia, a competência do Juiz das Garantias</p><p>se restará exaurida com o início da ação; esta será presidida por outro magistrado, o Juiz</p><p>da Fase Processual.</p><p>Em caso de diligências que contenham cláusula de reserva de jurisdição, como</p><p>mandado de busca e apreensão, quebra de sigilo bancário, interceptação telefônica, entre</p><p>outras, estas serão encaminhadas ao Juiz das Garantias, ou Juiz da Investigação, que,</p><p>após a determinação da produção probante, não a apreciará na instrução, visto que a</p><p>contaminação de sua imparcialidade, em caso contrário, seria patente.</p><p>Nesse ângulo, importa mencionar:</p><p>Ao juiz de garantias, nesse quadrante, competiria o resguardo da legalidade</p><p>da investigação criminal e da irrestrita observância dos direitos fundamentais</p><p>do suspeito, dependendo da sua autorização a concretização de medidas</p><p>cautelares reais e pessoais e a busca de provas que impliquem ou possam</p><p>implicar supressão de direitos fundamentais. E uma vez finda a investigação</p><p>preliminar, cessará também a competência do magistrado de garantias, com-</p><p>petindo a instrução criminal da acusação formulada pelo Ministério Público ou</p><p>pelo querelante a outro órgão jurisdicional que não tenha tido contato com a</p><p>investigação. (MAYA, 2014, p. 198).</p><p>O mesmo ocorrerá se houver a requisição de prisão temporária, preventiva, ou</p><p>demais medidas cautelares no curso do inquérito policial. O Juiz das Garantias tem suas</p><p>atribuições dispostas em capítulo específico do Projeto de Novo Código de Processo Penal:</p><p>Art. 14. O juiz das garantias é responsável pelo controle da legalidade da</p><p>investigação criminal e pela salvaguarda dos direitos individuais cuja franquia</p><p>https://monografias.brasilescola.uol.com.br/direito/imparcialidade-no-processo-penal-juiz-das-garantias-como-instrumento-resguardo-sistema-acusatorio.htm</p><p>82UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>tenha sido reservada à autorização prévia do Poder Judiciário, competindo-</p><p>-lhe especialmente:</p><p>I – receber a comunicação imediata da prisão, nos termos do inciso LXII do</p><p>art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil;</p><p>II – receber o auto da prisão em flagrante, para efeito do disposto no art. 555;</p><p>III – zelar pela observância dos direitos do preso, podendo determinar que</p><p>este seja conduzido a sua presença;</p><p>IV – ser informado sobre a abertura de qualquer investigação criminal;</p><p>V – decidir sobre o pedido de prisão provisória ou outra medida cautelar;</p><p>VI – prorrogar a prisão provisória ou outra medida cautelar, bem como subs-</p><p>tituí-las ou revogá-las;</p><p>VII – decidir sobre o pedido de produção antecipada de provas consideradas</p><p>urgentes e não repetíveis, assegurados o contraditório e a ampla defesa;</p><p>VIII – prorrogar o prazo de duração do inquérito, estando o investigado</p><p>preso,</p><p>em vista das razões apresentadas pelo delegado de polícia e observado o</p><p>disposto no parágrafo único deste artigo;</p><p>IX – determinar o trancamento do inquérito policial quando não houver funda-</p><p>mento razoável para sua instauração ou prosseguimento;</p><p>X – requisitar documentos, laudos e informações ao delegado de polícia so-</p><p>bre o andamento da investigação;</p><p>XI – decidir sobre os pedidos de:</p><p>a) interceptação telefônica, do fluxo de comunicações em sistemas de infor-</p><p>mática e telemática ou de outras formas de comunicação;</p><p>b) quebra dos sigilos fiscal, bancário e telefônico;</p><p>c) busca e apreensão domiciliar;</p><p>d) acesso a informações sigilosas;</p><p>e) outros meios de obtenção da prova que restrinjam direitos fundamentais</p><p>do investigado.</p><p>XII – julgar o habeas corpus impetrado antes do oferecimento da denúncia;</p><p>XIII – determinar a realização de exame médico de sanidade mental, nos</p><p>termos do art. 452, § 1º;</p><p>XIV – arquivar o inquérito policial;</p><p>XV – assegurar prontamente, quando se fizer necessário, o direito de que</p><p>tratam os arts. 11 e 37;</p><p>XVI – deferir pedido de admissão de assistente técnico para acompanhar a</p><p>produção da perícia;</p><p>XVII – outras matérias inerentes às atribuições definidas no caput deste ar-</p><p>tigo.</p><p>Parágrafo único. Estando o investigado preso, o juiz das garantias poderá,</p><p>mediante representação do delegado de polícia e ouvido o Ministério Público,</p><p>prorrogar, uma única vez, a duração do inquérito por até 15 (quinze) dias,</p><p>83UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>após o que, se ainda assim a investigação não for concluída, a prisão será</p><p>imediatamente relaxada.</p><p>Art. 15. A competência do juiz das garantias abrange todas as infrações pe-</p><p>nais, exceto as de menor potencial ofensivo e cessa com a propositura da</p><p>ação penal.</p><p>§ 1º Proposta a ação penal, as questões pendentes serão decididas pelo juiz</p><p>do processo.</p><p>§ 2º As decisões proferidas pelo juiz das garantias não vinculam o juiz do</p><p>processo, que, após o oferecimento da denúncia, poderá reexaminar a</p><p>necessidade das medidas cautelares em curso.</p><p>§ 3º Os autos que compõem as matérias submetidas à apreciação do juiz das</p><p>garantias serão apensados aos autos do processo.</p><p>Art. 16. O juiz que, na fase de investigação, praticar qualquer ato incluído nas</p><p>competências do art. 14 ficará impedido de funcionar no processo, observado</p><p>o disposto no art. 748.</p><p>Art. 17. O juiz das garantias será designado conforme as normas de organi-</p><p>zação judiciária da União, dos Estados e do Distrito Federal.</p><p>Fonte: BRASIL. Projeto de Lei N. 8045, de 2010 (do Congresso Nacional)</p><p>PLS N. 156/09. Dispõe sobre a reforma do Código de Processo Penal e de-</p><p>termina outras providências. Diário do Congresso Nacional, Brasília, 7 dez.</p><p>2010. p. 4,5,6.</p><p>Maya traz considerações acerca dos dispositivos supramencionados no que se refere</p><p>ao artigo 15, caput, assevera dois pontos para análise. 1º) é a exceção da competência do</p><p>juiz das garantias, quando das infrações penais de menor potencial ofensivo; isso se justifica</p><p>na medida em que, para esses delitos, há apenas a lavratura de termo circunstanciado de</p><p>ocorrência, sem que se inicie, em regra, investigação criminal. Portanto, não se observa</p><p>logicidade para a atuação do Juiz das Garantias. E o 2º) é a ponderação, ou seja, agora em</p><p>cunho crítico, concerne à última parte do artigo 15, caput, do PL. 8045/10.</p><p>Quando o aludido dispositivo dispõe que a competência do Juiz das Garantias se</p><p>dará até a propositura da ação penal, e não até o recebimento da denúncia, se destoa do</p><p>próprio objetivo do novato instituto. Sob essa ótica, leciona:</p><p>O recebimento da denúncia ou queixa, embora reconhecido pela jurispru-</p><p>dência dominante como um ato decisório que dispensa motivação, exige do</p><p>magistrado, sim, um exame dos pressupostos processuais, das condições da</p><p>ação e da justa causa, pois, consoante dispõe o artigo 395 do atual Código</p><p>de Processo Penal, a sua ausência impõe a rejeição da inicial acusatória.</p><p>[...] Essa análise, assim como ocorre nas decisões relativas às medidas cau-</p><p>telares acima examinadas, gera uma aproximação do magistrado com os</p><p>elementos indiciários da investigação, em especial porque o juiz não terá</p><p>outra alternativa que não a de buscar nos autos do inquérito policial – que,</p><p>conforme o artigo 15, § 3º, do projeto, permanecerão apensados ao processo</p><p>– o material de convencimento do fumus comissi delicti. (MAYA, 2014, p. 204)</p><p>https://monografias.brasilescola.uol.com.br/direito/imparcialidade-no-processo-penal-juiz-das-garantias-como-instrumento-resguardo-sistema-acusatorio.htm</p><p>84UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>Logo, considera mais adequada a competência do Juiz das Garantias para os atos</p><p>de recebimento ou rejeição da denúncia ou queixa, como disciplina o Código de Processo</p><p>Penal português. O Juiz da Investigação já estaria em contato com os elementos colhidos</p><p>nessa fase, que configurariam os pressupostos processuais e a justa causa, sem que</p><p>houvesse a necessidade de se imiscuir o Juiz do Processo com quaisquer desses caracteres</p><p>e caso estes já terem sidos colocados sob a atribuição do Juiz das Garantias para não</p><p>comprometer a imparcialidade do Juiz do Processo, não faria sentido conceder ao último a</p><p>aptidão para decidir sobre o marco inicial da ação.</p><p>Nesse caminho, o projeto prevê que a decisão do recebimento ou da rejeição só</p><p>será tomada após a apresentação da resposta à acusação, o que significa que o julgador</p><p>deverá analisar as teses acusatória e defensiva, para que se verifique, ou não, o caso de</p><p>absolvição sumária ou extinção da punibilidade.</p><p>Há por parte de alguns doutrinadores a crítica quanto o §1º do artigo 15 do aludido</p><p>Projeto, no que tange à possibilidade de o Juiz do Processo deter a prerrogativa de decidir</p><p>sobre questões pendentes, pontificando que “atribuir ao juiz do processo a competência para</p><p>decidir sobre eventuais diligências não decididas pelo juiz de garantias é retirar qualquer</p><p>eficácia do instituto proposto.”</p><p>Concernente ao artigo 16 do PL. 8045/10, há a exclusão de competência do Juiz</p><p>das Garantias, que figurou na fase investigativa, para que não atue em eventual ação</p><p>daquele caso penal, com a finalidade de propiciar a transição de um Código Processual</p><p>Penal para outro, e oportunizar a acolhida do “Juiz das Garantias”, o artigo 748, I, do Projeto</p><p>Originário: PLS n. 156/2009, dispõe não ser aplicável tal impedimento nas Comarcas que</p><p>funcionarem com apenas um magistrado, até que a lei orgânica do judiciário não disponha</p><p>sobre a adequação desta medida.</p><p>Contudo, o artigo 701 do PLS. n. 156/2009 estipulava o prazo de três anos para</p><p>a entrada em vigor desse impedimento, contados a partir da vigência do Novo Código de</p><p>Processo Penal, como regra, e após seis anos nas comarcas que atuarem com apenas um</p><p>juiz. Todavia, essa redação foi afastada na composição final do projeto, restando apenas</p><p>a regra transitória do artigo 748, I, que não possui prazo definido para o funcionamento do</p><p>Juiz das Garantias, podendo subsistir sem aplicação prática enquanto não houver regulação</p><p>pelos Códigos de Organização Judiciária dos Estados.</p><p>Por fim, Maya traz à tona a problemática a respeito da prevenção de competência</p><p>nas instâncias recursais, uma vez que o juiz das garantias não alcançaria o imbróglio do</p><p>85UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>“conhecimento e julgamento de medidas recursais e de habeas corpus impetrados contra</p><p>atos praticados pelo juiz durante a investigação ou a instrução criminal.” (MAYA, 2014, p. 207).</p><p>Nesse sentido, propõe a criação de um juizado de garantias, seguindo o sustentáculo</p><p>do juiz das garantias no âmbito dos tribunais de segunda instância, “competente</p><p>exclusivamente para o reexame de todos e quaisquer atos decisórios proferidos pelo juiz</p><p>de garantias durante a investigação preliminar e, também, dos atos decisórios proferidos</p><p>pelo juiz singular durante a instrução criminal” (MAYA,</p><p>2014, p. 207), para a efetiva garantia da</p><p>imparcialidade jurisdicional em todos os graus de jurisdição.</p><p>Dessa forma, estudiosos e críticos do processo penal reputam ser de extrema</p><p>relevância a valoração das garantias processuais em respeito ao devido processo legal e</p><p>ao sistema acusatório, bem como a separação de funções na relação processual entre Juiz,</p><p>Ministério Público e Defesa do acusado.</p><p>86UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>O estudo e o conteúdo envolvendo a segunda unidade, possibilitou uma breve</p><p>explanação do conceito, objeto e finalidade do direito processual penal, onde foi possível</p><p>abordar as teorias do direito processual no tempo e no espaço mesmo que de forma</p><p>resumida.</p><p>Também discorremos sobre a investigação criminal e analisamos o inquérito policial.</p><p>Com o estudo destes diversos temas objetivou realizar uma reflexão em torno da</p><p>investigação preliminar, realizada, no Brasil, por meio do Inquérito Policial, que tem base</p><p>inquisitiva. Tal procedimento, que é utilizado pela Polícia Judiciária, como principal atividade</p><p>estatal para investigar a prática delituosa, tendo por escopo esclarecer o delito e definir</p><p>sua autoria, e assim poder levar ao Ministério Público, nos casos de ações públicas e ao</p><p>ofendido, nos casos de ações privadas os elementos necessários a propositura da ação</p><p>penal perante o Poder Judiciário.</p><p>Vimos ainda que como titular da ação penal, o Ministério Público precisa ter os</p><p>elementos necessários para a propositura da denúncia, portanto, o controle externo da</p><p>atividade policial é essencial para que se possa ter uma boa investigação criminal, obtendo</p><p>as provas suficientes para a realização da Justiça</p><p>Já os vários projetos de leis que tramitam no congresso, procuram reformar o</p><p>Processo Penal brasileiro com a instituição de novo código, apesar de ter defeitos e falhas,</p><p>conta com pontos extremamente positivos.</p><p>E, o estudo sobre o Juiz das Garantias, que fora idealizado como um possível</p><p>redutor de danos, em casos de mácula da imparcialidade pelo ativismo judicial, permitido</p><p>por variados artigos de viés autoritário do código vigente; logo, encontrou-se proposto</p><p>como forma de se evitar a contaminação e a vinculação psicológica do magistrado com os</p><p>elementos colhidos e apreciados na fase de investigação policial.</p><p>87UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>Título: Prática Forense Penal</p><p>Autor: Fernando Capez e Rodrigo Henrique Colnago</p><p>Editora: Saraiva</p><p>Sinopse: Nesta obra, os autores apresentam os principais temas</p><p>relacionados à prática forense penal, conjugando suas experiências</p><p>na lide forense e nas salas de aula, de modo a propiciar aos</p><p>operadores do Direito o conhecimento teórico e prático acerca</p><p>das várias peças processuais penais. De forma didática e objetiva,</p><p>“Prática Forense Penal” configura ferramenta útil e de fácil manejo,</p><p>sem prejuízo do aprofundamento teórico que a ciência penal exige.</p><p>É direcionada aos candidatos ao Exame da Ordem, bacharéis em</p><p>Direito e advogados.</p><p>Título: Inquérito Policial: Uma análise jurídica e prática da fase pré</p><p>processual</p><p>Autor: Márcio Alberto Gomes Silva</p><p>Editora: Juspodivm</p><p>Sinopse: O presente trabalho é uma obra despretensiosa que</p><p>servirá de rápida consulta destinada a alunos do curso de direito</p><p>e profissionais que labutam na seara criminal, especialmente</p><p>delegados de polícia. Nesta senda, serão tratados nesta obra a</p><p>atuação das polícias (militar, civil e federal) no combate ao crime,</p><p>os princípios do processo penal afetos à fase pré processual, o</p><p>inquérito policial propriamente dito, a ação penal, a competência, os</p><p>sujeitos processuais (e sua atuação no curso do inquérito policial),</p><p>as provas colhidas no curso da investigação (a coleta de provas</p><p>na fase inquisitorial, com comentários sobre a correta forma de</p><p>coligi-las e acerca do seu aproveitamento no futuro processo), as</p><p>medidas cautelares diversas da prisão, as modalidades de prisões</p><p>cautelares (apenas as levadas a efeito no curso do inquérito), a</p><p>liberdade provisória e o relaxamento de prisão, exemplos concretos</p><p>da casuística policial, com referência a investigações reais e seus</p><p>desdobramentos, com análise de temas pontuais que permeiam</p><p>a vida prática dos profissionais que circundam a investigação</p><p>criminal e a análise de quesitos de concursos públicos da seara</p><p>policial. O inquérito policial, não como mera ferramenta de colheita</p><p>indiciária, mas como filtro para eventual deflagração razoável de</p><p>futuro processo, normalmente se revela como contundente apoio</p><p>ao titular da ação penal. A boa prática investigativa, assegurando</p><p>a preservação de garantias, sem descurar da colheita do lastro</p><p>88UNIDADE II Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>indiciário caracterizador da justa causa, que conduz não só ao início</p><p>do processo, como também à tomada de medidas cautelares no</p><p>âmbito preambular, é inestimável ferramenta no âmbito defensivo.</p><p>O presente trabalho sinaliza o detalhamento da investigação</p><p>preliminar, com perfunctório tratamento doutrinário e análise</p><p>prática extraída da bagagem profissional do autor, prestando rica</p><p>contribuição na construção técnica da ritualística policial.</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>Título: Sem Evidências</p><p>Ano: 2012</p><p>Sinopse: Em 1993, os adolescentes Damien Echols, Jason</p><p>Baldwin e Jessie Misskelley Jr. foram acusados de assassinar</p><p>brutalmente três crianças de oito anos. Em um julgamento repleto</p><p>de polêmicas e incertezas, eles foram condenados. Após uma</p><p>longa batalha judicial, foram soltos no ano passado. A história trás</p><p>preconceito, intolerância, fanatismo e uma investigação policial</p><p>falha, elementos que redundaram em um dos mais escandalosos</p><p>casos de erro judicial dos Estados Unidos, são o tema de Sem</p><p>Evidências, thriller criminal dirigido pelo canadense Atom</p><p>Egoyan e estrelado por Colin Firth e Reese Witherspoon. Baseado</p><p>em um conhecido caso real, o filme recria o julgamento de três</p><p>adolescentes condenados por assassinar três meninos de 8</p><p>anos em West Memphis, Estados Unidos, em 1993. A questão</p><p>é que os acusados, que foram apontados como autores do crime</p><p>só porque gostavam de heavy metal, usavam roupas pretas e</p><p>tinham interesse por ocultismo, até o fim se diziam inocentes. As</p><p>provas que a promotoria apresentou eram todas circunstanciais e</p><p>eventos importantes, como um homem visto coberto de sangue no</p><p>banheiro de um restaurante no mesmo dia do desaparecimento</p><p>dos garotos, sequer foi investigado. Não convencido da culpa</p><p>dos rapazes, o investigador particular Ron Lax (Firth) decide</p><p>empreender uma busca por provas e acaba expondo a série de</p><p>erros da polícia e da justiça. Outro personagem de destaque é Pam</p><p>Hobbs (Whiterspoon), mãe de um dos meninos assassinados, que</p><p>inicialmente parece segura do trabalho da polícia, pouco a pouco</p><p>começa a duvidar das provas apresentadas.</p><p>89</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• CAPÍTULO 01 – Conceito e Características</p><p>• CAPÍTULO 02 – Condições da Ação</p><p>• CAPÍTULO 03 – Espécies de Ação Penal</p><p>• CAPÍTULO 04 – Da Denúncia ou Queixa e a Extinção da Punibilidade da Ação</p><p>Objetivos da Aprendizagem</p><p>• Recomendamos o estudo do conceito, características, métodos e técnicas básicas</p><p>sobre Ação Penal;</p><p>• Conhecimento sobre aspectos importantes relativos as espécies de Ação Penal;</p><p>• Uma visão sobre Ação Penal.</p><p>UNIDADE III</p><p>Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Professor: Marcelo Pereira de Souza</p><p>90UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Na terceira unidade, vamos analisar a Ação Penal contida no Código de Processo</p><p>Penal, onde destacaremos à ação penal: conceito, características da ação penal, veremos</p><p>também sobre as condições da ação, onde estudaremos a possibilidade jurídica do pedido,</p><p>o interesse de agir, a legitimação da parte e a justa causa.</p><p>Na sequência, tem-se as espécies de ação penal, norteados pela ação penal</p><p>pública, incondicionada e condicionada, esta por representação ou requisição do ministro</p><p>da justiça.</p><p>Veremos ainda a ação penal privada, na sua forma exclusiva, personalíssima e</p><p>subsidiária, e um breve estudo sobre as formalidades da inicial da denúncia ou queixa e a</p><p>extinção da punibilidade aplicada na ação penal.</p><p>Justificamos assim, o fato de almejar por meio deste estudo, contribuir para um</p><p>breve conhecimento no direito de ação, o qual é um direito público, subjetivo, abstrato,</p><p>genérico e indeterminado, contemplado no artigo 5º, inciso XXXV da Constituição Federal.</p><p>Vamos em frente e,</p><p>Ótimos estudos!</p><p>91UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>1. CONCEITO E CARACTERÍSTICAS</p><p>A ação penal é um instituto do Código de Processo Penal que garante ao Estado</p><p>a persecução penal dos indivíduos que praticam infração penal. Mais do que isso, é a</p><p>garantia de que o infrator não passará impune por crimes praticados no seio da sociedade.</p><p>Nesta unidade, traremos as noções preliminares dos aspectos mais importantes que</p><p>constituem o estudo da Ação Penal, seja ela pública condicionada ou incondicionada, seja</p><p>ela privada exclusiva, personalíssima ou subsidiária da pública, desde aspectos conceituais</p><p>até quem possui legitimidade para dar início.</p><p>1.1. CONCEITO</p><p>Ação Penal é o direito subjetivo público autônomo e abstrato de invocar a tutela</p><p>jurisdicional do Estado para que este resolva conflitos provenientes da prática de condutas</p><p>definidas em lei como crime.</p><p>Os doutrinadores atuais entendem que a ação penal é o direito de exigir do Estado</p><p>a prestação jurisdicional.</p><p>Tourinho Filho, em seus ensinamentos, define ação penal como sendo:</p><p>O direito de pedir ao Estado (representado pelos seus Juízes) a aplicação</p><p>do Direito Penal objetivo. Ou o direito de pedir ao Estado-Juiz uma decisão</p><p>sobre um fato penalmente relevante. (TOURINHO FILHO, 2010, p. 415).</p><p>Conforme lição de Távora e Araújo, a ação penal é:</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1028351/c%C3%B3digo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>92UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Direito público subjetivo, autônomo e abstrato, com previsão constitucional</p><p>de exigir do Estado-juiz a aplicação do Direito Penal Material ao caso concre-</p><p>to para solucionar crise jurídica. (TÁVORA, 2016, p. 54).</p><p>Por fim, a definição de ação penal na ótica de Guilherme Nucci:</p><p>É o direito do Estado-acusação ou da vítima de ingressar em juízo, solicitando</p><p>a prestação jurisdicional, representada pela aplicação das normas de direito</p><p>penal ao caso concreto. Por meio da ação, tendo em vista a existência de</p><p>uma infração penal precedente, o Estado consegue realizar a sua pretensão</p><p>de punir o infrator. Note-se que do crime nasce a pretensão punitiva e não o</p><p>direito de ação, que preexiste à prática da infração penal. Não há possibilidade</p><p>de haver punição, na órbita penal, sem o devido processo legal, isto é, sem</p><p>que seja garantido o exercício do direito de ação, com sua consequência</p><p>natural, que é o direito ao contraditório e à ampla defesa. Até mesmo quando a</p><p>Constituição autoriza a possibilidade de transação, em matéria penal, para as</p><p>infrações de menor potencial ofensivo, existe, em tal procedimento, o direito</p><p>de ação, tendo em vista que o fato criminoso é levado ao conhecimento do</p><p>Poder Judiciário, que necessita homologar eventual proposta de acordo feita</p><p>pelo Ministério Público ao agente-infrator. (NUCCI, 2014, p. 126).</p><p>O conceito de ação é basicamente estruturado na teoria geral do processo, possui</p><p>como finalidade precípua dar base, na vida em sociedade, ao devido processo legal, que</p><p>constitui, no seio da sociedade, meio adequado e indispensável para que se sustente a</p><p>condenação criminal de algum indivíduo, possibilitando o contraditório e a ampla defesa.</p><p>Podemos então concluir que a Ação Penal é o instrumento que dá início ao processo</p><p>penal, através do qual o Estado poderá exercer seu ius puniendi.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Para distinguir com clareza a diferença entre pretensão punitiva da ação penal é o céle-</p><p>bre caso dos irmãos Naves que ocorreu no interior de Minas Gerais.</p><p>Na época, intentada ação penal contra Joaquim Naves Rosa e Sebastião José Naves,</p><p>que resultou afinal na condenação de ambos por homicídio de Benedito Caetano, primo</p><p>deles, cujo cadáver teria sido atirado num rio e nunca encontrado.</p><p>Algum tempo depois, já tendo falecido o primeiro acusado ainda no cárcere, apareceu</p><p>viva, em Araguari (MG), a suposta vítima (aliás, o referido caso foi tema do programa</p><p>Linha Direta). Desta forma, não ocorreu infringência de norma penal que justificasse o</p><p>surgimento da pretensão punitiva.</p><p>Apesar disso, existiu a ação penal encerrada pela sentença condenatória transitada em</p><p>julgada e cujos efeitos persistiram mesmo após o aparecimento da suposta vítima viva</p><p>até que através da revisão criminal fosse finalmente absolvido Sebastião José Naves.</p><p>Fonte: YOUTUBE. O caso dos irmãos naves. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=1_Lzny-</p><p>vmYxw>. Acesso em: 05 jul. 2019</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=1_LznyvmYxw</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=1_LznyvmYxw</p><p>93UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>1.2. CARACTERÍSTICAS</p><p>As características do direito a ação, se aparentam tanto na área processual civil e</p><p>processual penal, sendo:</p><p>• Direito Abstrato: é do titular a escolha de provocar o poder público, via órgãos</p><p>judiciários. Esperando a definição do judiciário quanto às alegações oferecidas;</p><p>• Direito Subjetivo: compete ao Estado fazer justiça e o titular do direito subjetivo</p><p>exige a prestação jurisdicional.</p><p>• Direito Autônomo: não se confunde com o direito material, ou seja, independe</p><p>da existência do direito subjetivo material que é o direito de punir.</p><p>• Direito Público: é o direito de ação provocando o Estado, através dos devidos</p><p>órgãos.</p><p>Portanto, para uma melhor fixação, as características da ação penal é:</p><p>• Um direito abstrato - independe do resultado final do processo;</p><p>• Um direito subjetivo - o titular pode exigir do Estado-Juiz a prestação jurisdicional;</p><p>• Um direito autônomo - não se confunde com o direito material que se pretende</p><p>tutelar;</p><p>• Um direito público - a atividade jurisdicional que se pretende provocar é de</p><p>natureza pública.</p><p>94UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>2. CONDIÇÕES DA AÇÃO</p><p>São requisitos que subordinam o exercício do direito de ação e para exigir, no caso</p><p>concreto, a prestação jurisdicional, faz-se necessário, antes de tudo, o preenchimento das</p><p>condições da ação, são elas:</p><p>São as denominadas condições para o exercício da Ação Penal. O pedido</p><p>será possível juridicamente se a conduta praticada for típica, formal ou material. Estudaremos</p><p>cada uma delas:</p><p>2.1. POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO</p><p>Se no processo civil o conceito de possibilidade jurídica é negativo, isto é, ele</p><p>será juridicamente admissível desde que, analisado em tese, o ordenamento não o vede,</p><p>no processo penal seu conceito é aferido positivamente: a providência pedida ao Poder</p><p>Judiciário só será viável se o ordenamento, em abstrato, expressamente a admitir.</p><p>Nesse passo, a denúncia deverá ser rejeitada quando o fato narrado evidentemente</p><p>não constituir crime.</p><p>95UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>A fim de não se confundir a análise dessa condição da ação com a do mérito, a</p><p>apreciação da possibilidade jurídica do pedido deve ser feita sobre a causa de pedir (causa</p><p>petendi) considerada em tese, desvinculada de qualquer prova porventura existente.</p><p>Analisa-se o fato tal como narrado na peça inicial, sem se perquirir se essa é ou</p><p>não a verdadeira realidade, a fim de se concluir se o ordenamento penal material impõe</p><p>uma sanção.</p><p>Deixa-se para o mérito a análise dos fatos provados; aprecia-se a causa petendi</p><p>à luz, agora, das provas colhidas na instrução; é a aferição dos fatos em concreto, como</p><p>realmente ocorreram, não como simplesmente narrados.</p><p>Nesse momento, o juiz deverá dizer na sentença se o pedido é concretamente</p><p>fundado ou não no direito material, ou seja, se é procedente ou improcedente.</p><p>2.2. INTERESSE DE AGIR</p><p>O</p><p>Interesse de agir é a necessidade e utilidade de ingressar com a ação penal. Terá a</p><p>legitimidade ad causam o autor da ação se este for titular do direito ao qual a prestação da</p><p>atividade jurisdicional protegerá, sendo o réu responsável pela lesão ao direito do autor.</p><p>Desdobra-se na necessidade de utilizar o uso das vias jurisdicionais para a defesa</p><p>do interesse material pretendido e adequação à causa, do procedimento e do provimento,</p><p>de forma a possibilitar a atuação da vontade concreta da lei segundo os parâmetros do</p><p>devido processo legal.</p><p>A necessidade é inerente ao processo penal, tendo em vista a impossibilidade de</p><p>se impor pena sem o devido processo legal.</p><p>Por conseguinte, não será recebida a denúncia, quando já estiver extinta a</p><p>punibilidade do acusado, já que, nesse caso, a perda do direito material de punir resultou</p><p>na desnecessidade de utilização das vias processuais.</p><p>A utilidade manifesta na eficácia da atividade jurisdicional para satisfazer o interesse</p><p>do autor. Se, de plano, for possível perceber a inutilidade da persecução penal aos fins a</p><p>que se presta, dirá que inexiste interesse de agir.</p><p>É o caso, por exemplo, de se oferecer denúncia quando, pela análise da pena</p><p>possível de ser imposta ao final, se eventualmente comprovada a culpabilidade do réu,</p><p>já se pode antever a ocorrência da prescrição retroativa, nesse caso, toda a atividade</p><p>jurisdicional será inútil; falta, portanto, interesse de agir. Esse entendimento, todavia, não é</p><p>absolutamente pacífico, quer na doutrina, quer na jurisprudência.</p><p>96UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Por fim, a adequação reside no processo penal condenatório e no pedido de</p><p>aplicação de sanção penal.</p><p>2.3. LEGITIMAÇÃO PARA AGIR</p><p>É, na clássica lição de Alfredo Buzaid, a pertinência subjetiva da ação. (BUZAID,</p><p>1956, p. 89).</p><p>Nota-se aqui, a legitimidade ad causam, que é a legitimação para ocupar tanto o</p><p>polo ativo da relação jurídica processual, que é feito pelo Ministério Público, na ação penal</p><p>pública e pelo ofendido, na ação penal privada (CPP, arts. 24, 29 e 30), quanto o polo</p><p>passivo, pelo provável autor do fato e da legitimidade ad processum, que é a capacidade</p><p>para estar no polo ativo, em nome próprio, e na defesa de interesse próprio (CPP, arts. 33</p><p>e 34).</p><p>Partes legítimas, ativa e passiva, são os titulares dos interesses materiais em</p><p>conflito; em outras palavras, os titulares da relação jurídica material levada ao processo.</p><p>No processo penal, os interesses em conflito são: o direito de punir, conteúdo da</p><p>pretensão punitiva e o direito de liberdade.</p><p>Legitimado ativo é o Estado exercendo-o por intermédio do Ministério Público. Não</p><p>é por outro motivo que se diz que o ofendido, na titularidade da ação privada, é senão um</p><p>substituto processual (legitimação extraordinária), visto que só possui o direito de acusar</p><p>(ius accusationis), exercendo-o em nome próprio, mas no interesse alheio, isto é, do Estado.</p><p>Legitimados passivos são os suspeitos da prática da infração, contra os quais o</p><p>Estado movimenta a persecução acusatória visando a imposição de alguma pena.</p><p>As condições da ação devem ser analisadas pelo juiz quando do recebimento da</p><p>queixa ou da denúncia, de ofício. Faltando qualquer uma delas, o magistrado deverá rejeitar</p><p>a peça inicial, nos termos do art. 395, II, do Código de Processo Penal, declarando o autor</p><p>carecedor de ação. Se não o fizer nesse momento, nada impede, aliás, impõe-se, que ele</p><p>o faça a qualquer instante, em qualquer instância, decretando, se for o caso, a nulidade</p><p>absoluta do processo (CPP, art. 564, II).</p><p>Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz:</p><p>a) analisará se não é caso de rejeição liminar (deverá avaliar todos os requisitos do</p><p>art. 395 do CPP);</p><p>b) se não for caso de rejeição liminar, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado</p><p>para responder à acusação, por escrito, no prazo de dez dias (CPP, art. 396) não tendo</p><p>condições de contratar um advogado, o juiz nomeará um defensor dativo (CPP, art. 396-</p><p>97UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>A, §2º). Após este prazo, o juiz analisa e se for o caso deverá absolver sumariamente o</p><p>acusado quando verificar:</p><p>I – a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;</p><p>II – a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo</p><p>inimputabilidade;</p><p>III – que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou</p><p>IV – extinta a punibilidade do agente (CPP, art. 397).</p><p>2.4. JUSTA CAUSA PARA O EXERCÍCIO DA AÇÃO PENAL</p><p>A justa causa nada mais é do que materialidade e indícios de autoria do crime em</p><p>questão.</p><p>A justa causa, que constitui condição da ação penal é prevista de forma expressa</p><p>no Código de Processo Penal e consubstancia-se no lastro probatório mínimo e firme,</p><p>indicativo da autoria e da materialidade da infração penal, ou seja, consiste em qualquer</p><p>elemento indiciário da existência do crime ou de sua autoria.</p><p>É a justa causa, que a doutrina tem enquadrado como interesse de agir, significando</p><p>que, para ser recebida, a inicial deve vir acompanhada de um suporte probatório que</p><p>demonstre a idoneidade, a verossimilhança da acusação.</p><p>98UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>3. ESPÉCIES DE AÇÃO PENAL</p><p>Veremos agora que a par da tradicional classificação das ações em geral, levando-</p><p>se em conta a natureza do provimento jurisdicional invocado (de conhecimento, cautelar e</p><p>de execução), no processo penal é corrente a divisão subjetiva das ações, isto é, em função</p><p>da qualidade do sujeito que detém a sua titularidade.</p><p>Segundo esse critério, as ações penais serão públicas ou privadas, conforme sejam</p><p>promovidas pelo Ministério Público ou pela vítima e seu representante legal, respectivamente.</p><p>É o que diz o art. 100, caput, do Código Penal:</p><p>Art.100</p><p>A ação penal é pública, salvo quando a lei, expressamente, a declara priva-</p><p>tiva do ofendido.</p><p>A Ação penal poderá ser de iniciativa Pública ou Privada.</p><p>A Ação Penal de iniciativa Pública se divide em Incondicionada e Condicionada.</p><p>A Ação Penal de inciativa Pública Condicionada se divide por Representação do</p><p>ofendido (CADI) e Requisição do Ministro da Justiça.</p><p>A Ação Penal de iniciativa Privada poderá ser Exclusiva, Personalíssima ou</p><p>Subsidiária da Pública.</p><p>99UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Quadro 1: AÇÃO PENAL</p><p>Fonte: O autor.</p><p>A seguir analisaremos cada uma delas:</p><p>3.1. AÇÃO PENAL PÚBLICA</p><p>3.1.1. Ação penal pública incondicionada</p><p>A ação penal é o meio pelo qual se provoca o ente estatal através do exercício</p><p>da jurisdição para solucionar uma lide composta por um conflito de interesses. Ou seja, o</p><p>Estado não vai atrás das lides, sendo a jurisdição penal inerte por natureza.</p><p>A ação penal pública incondicionada é aquela em que o Ministério Público é o titular</p><p>do direito de ação e não necessita da manifestação de vontade de quem quer que seja</p><p>para oferecer a denúncia, bastando, no caso concreto, a existência da justa causa, ou seja,</p><p>prova da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria ou participação, e das</p><p>demais condições da ação.</p><p>A regra geral é a de que os crimes sejam motivadores de ação penal pública</p><p>incondicionada, e quando a lei silenciar sobre o tipo de ação penal que o crime motiva</p><p>a ação penal será pública incondicionada. Já para o crime ser motivador de ação penal</p><p>pública condicionada ou ação penal privada deve haver expressa disposição legal, como</p><p>bem elucida o art. 100 do CP.</p><p>A denúncia é a peça inicial da ação penal pública incondicionada, procedida pelo</p><p>Ministério Público, na regra geral (art. 46 do CPP), no prazo de 5 dias estando o réu preso</p><p>e 15 dias estando o réu solto, porém o prazo é impróprio, não existindo preclusão para o</p><p>oferecimento da denúncia.</p><p>Incondicionada</p><p>Pública Representação</p><p>Ação Penal Condicionada</p><p>Exclusiva Requisição</p><p>Privada Personalíssima</p><p>Subsidiária</p><p>100UNIDADE III Noções Preliminares</p><p>da Ação Penal</p><p>Art. 46</p><p>O prazo para oferecimento da denúncia, estando o réu preso, será de 5 dias,</p><p>contado da data em que o órgão do Ministério Público receber os autos do</p><p>inquérito policial, e de 15 dias, se o réu estiver solto ou afiançado. No últi-</p><p>mo caso, se houver devolução do inquérito à autoridade policial (art. 16),</p><p>contar-se-á o prazo da data em que o órgão do Ministério Público receber</p><p>novamente os autos.</p><p>Assim, recebidos os autos de inquérito ou outras peças de informação, o Ministério</p><p>Público deverá oferecer denúncia ou devolver os autos à delegacia para a continuidade das</p><p>investigações ou requerer o arquivamento.</p><p>REFLITA</p><p>O Juiz não pode iniciar um processo de ofício, valendo salientar que o processo criminal</p><p>instaura-se com o recebimento da denúncia. Assim, não é o simples oferecimento da</p><p>peça acusatória que faz surgir o processo, pois o juiz pode rejeitar a denúncia ou queixa</p><p>ou recebê-la. O entendimento dominante estabelece que não mais existe a obrigação</p><p>do Ministério Público em denunciar, mas sim em manifestar-se. Ou seja, ao ser comuni-</p><p>cado formalmente da ocorrência de um delito, como por exemplo, pelo recebimento dos</p><p>autos do inquérito policial, o Ministério Público deverá manifestar-se, formando o que</p><p>chamamos de opinio delicti.</p><p>Fonte: MENDONÇA, Ana Cristina. MORAES, Giovane. Prática Penal. Rio Janeiro: JusPodivm, 2017. Dis-</p><p>ponível em: < https://www.editorajuspodivm.com.br/cdn/arquivos/1cd292e443543c4731f0c3c38b0a2efc.</p><p>pdf>. Acesso em: 05 jul. 2019.</p><p>3.1.2. Ação penal pública condicionada</p><p>A ação penal pública será condicionada nas hipóteses expressamente previstas em</p><p>lei, existindo duas modalidades, quais sejam, ação penal condicionada à representação do</p><p>ofendido ou à requisição do Ministro da Justiça.</p><p>3.1.2.1. Ação penal pública condicionada à representação do ofendido</p><p>Neste tipo de ação penal, o promotor de justiça só poderá oferecer denúncia se</p><p>houver a representação do ofendido, funcionando esta, também, como uma condição</p><p>específica de procedibilidade. Esta representação, vale lembrar, é uma manifestação de</p><p>vontade do ofendido ou de seu representante legal, no sentido de que seja o fato objeto de</p><p>processo.</p><p>https://www.editorajuspodivm.com.br/cdn/arquivos/1cd292e443543c4731f0c3c38b0a2efc.pdf</p><p>https://www.editorajuspodivm.com.br/cdn/arquivos/1cd292e443543c4731f0c3c38b0a2efc.pdf</p><p>101UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>A representação é despida de maiores rigores formais, podendo ser feita oralmente</p><p>ou por escrito perante a autoridade policial, o órgão do Ministério Público ou o juiz, nos</p><p>termos do art. 39 do CPP.</p><p>Art. 39</p><p>O direito de representação poderá ser exercido, pessoalmente ou por procu-</p><p>rador com poderes especiais, mediante declaração, escrita ou oral, feita ao</p><p>juiz, ao órgão do Ministério Público, ou à autoridade policial.</p><p>Uma vez feita a representação, o Ministério Público não está obrigado a oferecer</p><p>denúncia, pois devem estar presentes as demais condições e requisitos para a propositura</p><p>da ação penal, dentre os quais a justa causa.</p><p>Além disso, o ofendido não está obrigado a representar, porém se ele decidir</p><p>fazê-lo, deverá apresentar sua manifestação de vontade dentro do prazo decadencial de 6</p><p>meses contados do conhecimento da autoria do delito, nos termos do art. 38 do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>Ofendido ou CADI Prazo = 06 (seis) meses</p><p>Ou seja, a representação deverá ser apresentada no prazo de seis meses a contar</p><p>do momento em que o ofendido souber quem foi o autor da prática delitiva. Não sendo</p><p>oferecida a representação dentro do prazo de seis meses contados da data em que se</p><p>soube quem era o autor do fato (regra geral), a decadência implicará na perda do direito de</p><p>representação, e consequente extinção da punibilidade, na forma do art. 107, IV do Código</p><p>Penal.</p><p>Atenção! Se a vítima for menor de 18 anos, e o seu representante legal não oferecer</p><p>a queixa crime ou a representação, é majoritário o entendimento de que a vítima poderá</p><p>exercer tanto o direito de queixa, se for crime de ação penal privada, como o direito de</p><p>representação, se for crime de ação pública está condicionada, ao completar 18 anos,</p><p>momento a partir do qual, neste caso, serão contados os seis meses decadenciais.</p><p>Cumpre ainda lembrar que se o ofendido for menor de 18 anos e não possuir</p><p>representante legal, ou se os interesses do representado forem conflitantes com os</p><p>interesses do representante, o juiz nomeará um curador especial para o menor (art. 33</p><p>do CPP). Neste caso, apesar da ausência de previsão expressa em lei, entende-se que</p><p>o curador terá o prazo de 6 meses a contar de sua nomeação para exercer o direito de</p><p>102UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>representação. O mesmo aplicar-se-á aos crimes de ação penal privada e o prazo para o</p><p>exercício do direito de queixa pelo curador especial.</p><p>Tanto a doutrina como a jurisprudência entendem que ao prazo decadencial não se</p><p>aplicam quaisquer hipóteses de suspensão, interrupção ou prorrogação. O mesmo é ainda</p><p>contado na forma do art. 10 do Código Penal, incluindo-se, portanto, o dia do início, e pouco</p><p>importando se o dia do início ou o último caem em dias úteis ou não.</p><p>Art. 10</p><p>O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os me-</p><p>ses e os anos pelo calendário comum</p><p>Por exemplo, se a vítima soube quem era o autor do fato no sábado, 20 de junho,</p><p>este será o primeiro dia dos seis meses decadenciais, vencendo-se o prazo no dia 19</p><p>de dezembro, independentemente deste dia possuir ou não expediente forense. Ou</p><p>seja, o prazo decadencial para o exercício tanto do direito de queixa como do direito de</p><p>representação não se prorroga, não se interrompe e não se suspende.</p><p>Já o prazo de que dispõe o Ministério Público para a formação da opinio delicti e</p><p>consequente exercício da ação penal configura prazo impróprio e, portanto, não preclui.</p><p>Mesmo após o decurso do prazo indicado pelo art. 46 do CPP, poderá o MP oferecer a</p><p>denúncia, requerer o arquivamento ou a devolução dos autos para a delegacia a fim de</p><p>continuarem as investigações. Para o Ministério Público não há decadência.</p><p>Assim, deve-se estar atento à análise sobre se o prazo é PROCESSUAL PENAL ou</p><p>PENAL, uma vez que a contagem dos mesmos se dá de forma distinta.</p><p>Contagem de prazos PROCESSUAIS PENAIS, aos quais se aplica o art. 798 do</p><p>CPP:</p><p>Art. 798</p><p>Todos os prazos correrão em cartório e serão contínuos e peremptó-</p><p>rios, não se interrompendo por férias, domingo ou dia feriado.</p><p>§ 1º Não se computará no prazo o dia do começo, incluindo-se, porém,</p><p>o do vencimento.</p><p>§ 2º A terminação dos prazos será certificada nos autos pelo escrivão;</p><p>será, porém, considerado findo o prazo, ainda que omitida aquela for-</p><p>malidade, se feita a prova do dia em que começou a correr.</p><p>§ 3º O prazo que terminar em domingo ou dia feriado considerar-se-á</p><p>prorrogado até o dia útil imediato.</p><p>§ 4º Não correrão os prazos, se houver impedimento do juiz, força maior,</p><p>ou obstáculo judicial oposto pela parte contrária.</p><p>§ 5º Salvo os casos expressos, os prazos correrão:</p><p>103UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>a) da intimação;</p><p>b) da audiência ou sessão em que for proferida a decisão, se a ela esti-</p><p>ver presente a parte;</p><p>c) do dia em que a parte manifestar nos autos ciência inequívoca da</p><p>sentença ou despacho.</p><p>Contagem de prazos PENAIS, com aplicação do art. 10 do CP:</p><p>Art. 10</p><p>O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os me-</p><p>ses e os anos pelo calendário comum.</p><p>A contagem dos prazos de PRESCRIÇÃO, DECADÊNCIA, PRISÃO E</p><p>CUMPRIMENTO DE PENA é feita na forma do art. 10 do CP, são, portanto, prazos penais!</p><p>E devemos incluir o dia do início e excluir o dia do final. Da mesma forma, não importa se o</p><p>primeiro e o último dia é ou não útil, isso não faz diferença.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Em um crime de ação penal privada, a vítima tenha tomado conhecimento da autoria</p><p>do fato no dia 15 de novembro de 2018, feriado nacional por ser dia</p><p>da Proclamação da</p><p>República. O fato se ser feriado não importa, pois como o prazo decadencial é um prazo</p><p>penal, o dia do início é incluído e não importa se é útil ou não. Assim, o primeiro dia é o</p><p>próprio dia 15/11/2018. A queixa tem que ser oferecida dentro do prazo decadencial de</p><p>seis meses (art. 38 do CPP).</p><p>Ou seja, o prazo decadencial vencerá em maio de 2019. Como a vítima conheceu da</p><p>autoria em 15/11/2018, completam-se 6 meses em 14/05/2019 (porque devemos contar</p><p>os seis meses e excluir o dia do final). Caso cair nos finais de semana ou feriado, e sa-</p><p>bendo que o prazo decadencial não se prorroga, deverá sempre, oferecer a queixa, em</p><p>dia útil anterior, ou seja, caindo no domingo, deverá oferecer na sexta feira (caso não</p><p>for feriado), pois se for oferecida na segunda já terá ocorrido a decadência do direito de</p><p>queixa.</p><p>Fonte: O autor.</p><p>104UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Contando-se 6 meses a partir de 15/11/2018 observamos o seguinte:</p><p>Quadro 2: TABELA DE CONTAGEM DE PRAZO DECADENCIAL</p><p>Dezembro 1 mês</p><p>Janeiro 2 meses</p><p>Fevereiro 3 meses</p><p>Março 4 meses</p><p>Abril 5 meses</p><p>Maio 6 meses</p><p>Fonte: O autor.</p><p>A representação é retratável até o oferecimento da denúncia, sendo ainda possível</p><p>a retratação da retratação, desde que dentro do prazo decadencial de 6 meses, ressalvadas</p><p>as hipóteses de infrações de menor potencial ofensivo quando, por força do parágrafo único</p><p>do art. 74 da Lei 9.099/95, a composição civil dos danos levaria à renúncia ao direito de</p><p>representação e, para muitos, extinção da punibilidade.</p><p>A exceção à regra ocorre nos crimes de violência doméstica e familiar contra a</p><p>mulher que sejam de ação penal pública condicionada, como se verifica, por exemplo, em</p><p>caso de ameaça. Nestes casos, a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) estabelece que</p><p>a retratação da representação somente será possível na presença do juiz, em audiência</p><p>especialmente designada para tal fim, até o recebimento da denúncia (art. 16 da referida</p><p>lei).</p><p>Por fim, ainda em relação ao tema representação, vale elucidar que esta somente</p><p>poderá ser oferecida pelo:</p><p>• Ofendido</p><p>• Representante legal – age em nome da vítima que é viva, porém incapaz.</p><p>• Sucessor processual – se o ofendido for falecido ou declarado ausente por decisão</p><p>judicial, a substituição ou sucessão processual segue a regra do CADI conforme art. 24, §</p><p>1º, do CPP:</p><p>Quadro 3: CADI</p><p>CÔNJUGE</p><p>ASCENDENTE</p><p>DESCENDENTE</p><p>IRMÃO</p><p>Fonte: O autor.</p><p>105UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Oferecida a representação, para que o MP ofereça denúncia deverão estar presentes</p><p>todas as condições da ação, dentre as quais destaca-se a justa causa para a ação penal,</p><p>consistente na prova da existência do crime e nos indícios suficientes de autoria.</p><p>3.1.2.2. Ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da Justiça</p><p>As hipóteses desta ação se restringem às seguintes situações:</p><p>Crimes praticados contra a honra do Presidente da República ou Chefe de Governo</p><p>Estrangeiro (art. 141, I, c/c, art. 145, parágrafo único, CP);</p><p>Crimes cometidos por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil. (art. 7º, § 3º, b, CP).</p><p>Art. 141</p><p>As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer</p><p>dos crimes é cometido:</p><p>I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro;</p><p>Art. 145</p><p>Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa,</p><p>salvo quando, no caso do art. 140, § 2º, da violência resulta lesão corporal.</p><p>Parágrafo único. Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no</p><p>caso do inciso I do caput do art. 141 deste Código, e mediante representação</p><p>do ofendido, no caso do inciso II do mesmo artigo, bem como no caso do § 3º</p><p>do art. 140 deste Código.</p><p>Art. 7º</p><p>Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro:§ 3º - A</p><p>lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro</p><p>contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no</p><p>parágrafo anterior;</p><p>b) houve requisição do Ministro da Justiça</p><p>Se o crime for de ação penal pública condicionada à requisição do Ministro da</p><p>Justiça, sem a referida requisição não será possível ao Ministério Público promover a ação</p><p>penal, uma vez que aquela configura condição específica de procedibilidade.</p><p>Vale lembrar que a requisição do Ministro da Justiça não obriga a propositura da</p><p>ação penal.</p><p>Além disso, a requisição é irretratável, não sendo possível, de acordo com</p><p>entendimento dominante, sua retratação.</p><p>Vale ressaltar, também, que não existe prazo para o Ministro da Justiça apresentar</p><p>a requisição, uma vez que a mesma, diferentemente da representação da vítima, não está</p><p>sujeita a prazo decadencial.</p><p>106UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>3.2. AÇÃO PENAL PRIVADA</p><p>É aquela em que o Estado, titular exclusivo do direito de punir, transfere a legitimidade</p><p>para a propositura da ação penal à vítima ou a seu representante legal.</p><p>A distinção básica que se faz entre ação penal privada e ação penal pública reside</p><p>na legitimidade ativa. Nesta, tem o órgão do Ministério Público, exclusividade (CF, art. 129,</p><p>I); naquela, o ofendido ou quem por ele de direito.</p><p>Art. 129</p><p>São funções institucionais do Ministério Público:</p><p>I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei;</p><p>Mesmo na ação privada, o Estado continua sendo o único titular do direito de punir</p><p>e, portanto, da pretensão punitiva. Apenas por razões de política criminal é que ele outorga</p><p>ao particular o direito de ação.</p><p>Trata-se, portanto, de legitimação extraordinária, ou substituição processual, pois</p><p>o ofendido, ao exercer a queixa, defende um interesse alheio (do Estado na repressão dos</p><p>delitos) em nome próprio.</p><p>A queixa-crime é a peça inicial da ação penal privada, promovida pelo ofendido ou</p><p>por quem tenha qualidade para representá-lo.</p><p>Caso o ofendido venha a falecer, ou seja declarado ausente por decisão judicial,</p><p>o direito de queixa será transmitido a seus sucessores processuais, seguindo a sequência</p><p>do CADI (cônjuge, ascendente, descendente e irmão), nos termos do art. 31 do Código de</p><p>Processo Penal.</p><p>Art. 31</p><p>No caso de morte do ofendido ou quando declarado ausente por decisão ju-</p><p>dicial, o direito de oferecer queixa ou prosseguir na ação passará ao cônjuge,</p><p>ascendente, descendente ou irmão.</p><p>Por se tratar de uma petição inicial em matéria criminal, deve conter todos os</p><p>requisitos do art. 41 do Código de Processo Penal, também exigidos no oferecimento da</p><p>denúncia, ou seja, imputação do crime, pedido de condenação, qualificação do acusado e,</p><p>quando necessário, rol de testemunhas.</p><p>No que se refere ao prazo da queixa-crime, salvo expressa previsão legal em</p><p>contrário, a queixa deverá ser oferecida no prazo de seis meses a contar do momento que</p><p>o ofendido tomou ciência da autoria do delito, sob pena de decadência (art. 38 do CPP).</p><p>Ofendido ou CADI Prazo = 06 (seis) meses</p><p>107UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Ou seja, a queixa-crime possui prazo próprio para ser oferecida, existindo o prazo</p><p>decadencial de 6 meses a contar do momento em que a vítima toma ciência da autoria do</p><p>delito.</p><p>Os crimes que preveem ação penal privada estão expressamente previstos em lei.</p><p>Quando o Código silenciar, o crime será de ação penal pública incondicionada.</p><p>A queixa-crime é peça privativa de advogado e tem 2 características elementares:</p><p>• Não obrigatoriedade ou discricionariedade – a vítima move a queixa-crime se</p><p>quiser, pode haver, inclusive, a renúncia ao direito de queixa de forma expressa ou tácita</p><p>contra todos os ofensores. A isto se dá o nome de oportunidade ou conveniência, princípio</p><p>regente da ação penal privada.</p><p>• Indivisibilidade – a queixa é indivisível, ou seja, a queixa contra qualquer um</p><p>dos autores do crime obrigará o processo contra todos. Caso exista renúncia ao direito de</p><p>queixa em relação a um dos autores do delito, esta renúncia se estenderá a todos (arts. 48</p><p>e 49 do CPP).</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A ação penal privada</p><p>é discricionária na propositura e também discricionária durante o</p><p>processo. Por isso, após oferecida a queixa-crime, a vítima poderá desistir da pretensão</p><p>deduzida, ou seja, poderá desistir do processo, e poderá fazê-lo através do perdão ou</p><p>através da perempção.</p><p>É importante lembrar que o perdão do ofendido também goza de indivisibilidade,</p><p>pois o perdão oferecido a um dos autores do delito, a todos se estenderá. Todavia o</p><p>perdão configura-se como ato bilateral, pois o acusado deve aceitá-lo. Existindo uma</p><p>pluralidade de acusados, caso um ou alguns deles não aceitem o perdão ofertado, o</p><p>processo seguirá contra estes, mas será extinto em favor dos que acataram o perdão. O</p><p>perdão do ofendido, da mesma forma que a perempção, funciona como causa extintiva</p><p>de punibilidade.</p><p>Fonte: PEREIRA, Jeferson Botelho. Extinção de punibilidade. Uma abordagem sinóptica. Revista Jus</p><p>Navigandi, 2017. Disponível em: < https://jus.com.br/artigos/62187/extincao-da-punibilidade-uma-aborda-</p><p>gem-sinoptica#>. Acesso em: 05 jul. 2019.</p><p>https://jus.com.br/artigos/62187/extincao-da-punibilidade-uma-abordagem-sinoptica</p><p>https://jus.com.br/artigos/62187/extincao-da-punibilidade-uma-abordagem-sinoptica</p><p>108UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>3.2.1. Exclusivamente privada, ou propriamente dita</p><p>É aquela que, desde o início, o crime procede-se mediante queixa e está previsto</p><p>expressamente no tipo penal.</p><p>Este tipo de ação penal privada pode ser proposta pelo ofendido (vítima), se maior</p><p>de 18 anos e capaz; por seu representante legal, se o ofendido for menor de 18 anos; ou,</p><p>no caso de morte do ofendido ou declaração de ausência, pelo seu cônjuge, ascendente,</p><p>descendente ou irmão (art. 31, do CPP).</p><p>3.2.2. Personalíssima</p><p>É aquela que não admite representação legal, nem substituição processual. Só</p><p>quem pode mover a ação privada é a vítima.</p><p>Só existe um crime motivador de ação penal personalíssima que é o induzimento a</p><p>erro essencial ou ocultação de impedimento para o casamento (art. 236 do Código Penal).</p><p>Este crime ocorre nos casos em que um dos cônjuges casa com outrem sem prestar uma</p><p>informação essencial, havendo o induzimento a um erro essencial. Nesta situação, só o</p><p>cônjuge que tenha sido ofendido é que pode propor a ação. Para esta ação penal, há uma</p><p>condição específica, a anulação do referido casamento.</p><p>Sua titularidade é atribuída única e exclusivamente ao ofendido, sendo o seu</p><p>exercício vedado até mesmo ao seu representante legal, inexistindo, ainda, sucessão por</p><p>morte ou ausência.</p><p>Assim, falecendo o ofendido, nada há que se fazer a não ser aguardar a extinção</p><p>da punibilidade do agente.</p><p>No caso de ofendido incapaz, seja em virtude da pouca idade (menor de 18 anos),</p><p>seja em razão de enfermidade mental, a queixa não poderá ser exercida, haja vista a</p><p>incapacidade processual do ofendido (incapacidade de estar em juízo) e a impossibilidade</p><p>de o direito ser manejado por representante legal ou por curador especial nomeado pelo</p><p>juiz. Resta ao ofendido apenas aguardar a cessação da sua incapacidade se menor de</p><p>idade. Anote-se que a decadência não corre contra ele simplesmente porque está impedido</p><p>de exercer o direito de que é titular.</p><p>3.2.3. Subsidiária da pública</p><p>Proposta nos crimes de ação pública, condicionada ou incondicionada, quando o</p><p>Ministério Público deixar de fazê-lo no prazo legal.</p><p>É a única exceção, prevista na própria Constituição Federal, à regra da titularidade</p><p>exclusiva do Ministério Público sobre a ação penal pública (CF, arts. 5º, LIX, e 129, I).</p><p>109UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>A Constituição Federal diz que “será admitida ação privada nos crimes de ação</p><p>pública, se esta não for intentada no prazo legal” (art. 5º, LIX), e o Código de Processo</p><p>Penal repete essa fórmula, com alguns acréscimos.</p><p>Daí se depreende o cabimento da ação privada subsidiária somente quando houver</p><p>inércia do órgão ministerial, e não quando este agir, requerendo sejam os autos de inquérito</p><p>policial arquivados, porque não identificada a hipótese legal de atuação.</p><p>Deve-se, portanto, aplicar o disposto na Súmula 524 do STF, segundo a qual:</p><p>Súmula 524</p><p>Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do pro-</p><p>motor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas.</p><p>Assim, uma vez arquivado o inquérito, somente novas provas poderão reavivá-lo,</p><p>não sendo possível ao ofendido, por meio da ação subsidiária, pretender dar seguimento à</p><p>persecução penal.</p><p>Veja que, não será cabível a ação penal privada subsidiária da pública caso o</p><p>Ministério Público se manifeste, no sentido de oferecer denúncia, requerer o arquivamento</p><p>ou devolver os autos do inquérito para a delegacia, não sendo possível o oferecimento da</p><p>queixa subsidiária.</p><p>A queixa subsidiária pode ser intentada por representante legal (no caso de vítima</p><p>menor ou incapaz a qualquer título) ou pelo sucessor processual (em caso de morte da</p><p>vítima), valendo ressaltar que a figura do sucessor deve respeitar a ordem prevista no art.</p><p>31 do CPP (CADI: cônjuge, ascendente, descendente, irmão).</p><p>Ressalte-se que qualquer dos agentes tem legitimidade para propor a referida a</p><p>ação e, comparecendo mais de uma pessoa com direito de queixa, aplica-se o constante no</p><p>art. 36 do Código de Processo Penal, sendo a ordem de preferência, mas não uma ordem</p><p>de vontades.</p><p>Art. 36</p><p>Se comparecer mais de uma pessoa com direito de queixa, terá preferência</p><p>o cônjuge, e, em seguida, o parente mais próximo na ordem de enumeração</p><p>constante do art. 31, podendo, entretanto, qualquer delas prosseguir na ação,</p><p>caso o querelante desista da instância ou a abandone.</p><p>Sobre a sucessão processual nos ensina Nucci:</p><p>Caso o ofendido morra ou seja considerado ausente por decisão judicial, au-</p><p>toriza a lei que familiares (parentesco biológico ou civil) prossigam no intuito</p><p>de ajuizar ação penal contra o agressor ou dar continuidade, caso ela já te-</p><p>nha sido proposta. O rol deste artigo é taxativo e segue exatamente a ordem</p><p>dada: em primeiro lugar, o cônjuge, passando, em seguida, ao ascendente,</p><p>descendente e irmão. Em caso de omissão de um ou recusa, o legitimado se-</p><p>guinte pode optar pela propositura da ação. Havendo discordância, prevalece</p><p>o intuito daquele que pretende ingressar em juízo. (NUCCI, 2014, p. 123).</p><p>110UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Assim, na ação penal privada subsidiária da pública, o Ministério Público intervirá</p><p>em todos os termos do processo, podendo ainda, na forma do art. 29 do CPP, propor prova,</p><p>recorrer de decisões interlocutórias, repudiar a queixa e oferecer denúncia substitutiva,</p><p>aditar a queixa (hipótese na qual se formará um litisconsórcio ativo, no qual atuará como</p><p>assistente litisconsorcial), ou ainda, em caso de negligência do ofendido, retomar a ação</p><p>como parte principal.</p><p>Vale ressaltar que não existe perempção nas ações penais privadas subsidiárias da</p><p>pública, já que esta hipótese de causa extintiva de punibilidade é exclusiva para as ações</p><p>penais que são essencialmente privadas.</p><p>111UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>4. DA DENÚNCIA OU QUEIXA E A EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE DA AÇÃO</p><p>4.1. REGULARIDADE FORMAL DA INICIAL NA DENÚNCIA OU QUEIXA</p><p>Dispõe o art. 41, do Código de Processo Penal, que:</p><p>Art. 41</p><p>A denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as</p><p>suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos</p><p>quais se possa identificá-lo, a classificação do crime e, quando necessário, o</p><p>rol das testemunhas.</p><p>Por exposição do fato criminoso com todas as suas circunstâncias compreende-se</p><p>a descrição, pelo acusador – Ministério Público ou querelante, da conduta imputada ao</p><p>denunciado ou querelado – sujeito passivo da ação penal, de forma a permitir o exercício</p><p>da ampla defesa e o respeito ao contraditório.</p><p>Assim, não basta a menção ao crime – tipo – previsto pela legislação penal, impondo-</p><p>se a narrativa do comportamento – ação ou omissão,</p><p>em princípio ilícito, a indicação do</p><p>elemento subjetivo do agente – dolo ou culpa, a data, hora e local do evento – quando</p><p>apurados –, o nexo causal entre a conduta e o resultado lesivo – em se tratando de crime</p><p>com resultado material – e, por fim, havendo mais de um réu e existindo o concurso de</p><p>agentes, a descrição da contribuição prestada por cada coautor ou partícipe.</p><p>Deve a peça acusatória, também, individualizar a pessoa do imputado - seu nome,</p><p>endereço, estado civil, filiação, domicílio e número de inscrição no Registro Geral (RG)</p><p>constante da Secretaria de Segurança Pública.</p><p>https://jus.com.br/tudo/processo</p><p>112UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Ainda que desconhecida a qualificação do sujeito passivo da ação penal, pode</p><p>a denúncia ou queixa ser oferecida, desde que existam elementos que possibilitem a</p><p>identificação inequívoca do imputado, tais como características físicas e outros traços –</p><p>apelido, deficiência física, tatuagem, etc. Se tais características, entretanto, não forem</p><p>suficientes à identificação perfeita do denunciado, inviável restará a instauração da ação</p><p>penal, pois inadmissível o início de um processo penal sem que se conheça sobre quem</p><p>pesa a acusação.</p><p>Além da descrição do fato criminoso e da qualificação do imputado, exige o art. 41,</p><p>do Código de Processo Penal, que conste da inicial acusatória a classificação do crime, isto</p><p>é, não apenas o nome constante da rubrica lateral, mas também o dispositivo penal que o</p><p>prevê.</p><p>Por fim, a denúncia ou queixa deverá conter, quando necessário, o rol de</p><p>testemunhas.</p><p>Embora excepcionalmente possa se prescindir, no processo penal, da prova oral,</p><p>as regras de experiência demonstram que por conter a denúncia ou queixa a atribuição</p><p>de determinado comportamento ao sujeito, dificilmente à formação de um juízo de</p><p>convicção seguro a respeito da imputação é suficiente a prova documental ou pericial.</p><p>Em todo o caso, havendo justa causa para a ação penal – indícios de participação</p><p>na prática do crime, poderá ser a inicial acusatória recebida, mesmo sem o oferecimento de</p><p>rol de testemunhas. Não apresentado, todavia, o rol quando do oferecimento da denúncia</p><p>ou queixa, caracteriza-se a preclusão consumativa da oportunidade para tal fim, não</p><p>podendo haver indicação de testemunhas em aditamento à inicial ou em outra oportunidade</p><p>processual.</p><p>A não observância dos requisitos citados implica a inépcia da inicial acusatória, feita</p><p>no juízo de admissibilidade, onde se analisa os aspectos formais, materiais e probatórios e</p><p>tem por consequência a sua rejeição.</p><p>4.2. CONDIÇÕES E PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS DA AÇÃO PENAL</p><p>O juiz pode declinar da competência e remeter os autos ao juízo competente se</p><p>julgar-se incompetente.</p><p>Cabe recurso em sentido estrito contra a decisão que não receber a denúncia ou</p><p>queixa (art. 581, I, CPP):</p><p>Art. 581</p><p>Caberá recurso, no sentido estrito, da decisão, despacho ou sentença:</p><p>https://jus.com.br/tudo/seguro</p><p>113UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>I - que não receber a denúncia ou a queixa;</p><p>Outrossim, pela redação do art. 395, do CPP a denúncia ou queixa será rejeitada,</p><p>liminarmente ou após a defesa preliminar, quando:</p><p>I - for manifestamente inepta:</p><p>A denúncia e a queixa, para não serem declaradas ineptas, devem ser formuladas</p><p>de acordo com os requisitos do art. 41, do CPP, que são: exposição do fato criminoso, com</p><p>todas as suas circunstâncias; a qualificação do acusado ou esclarecimento pelos quais</p><p>possa ser identificado; a classificação do crime e, quando necessário, o rol de testemunhas.</p><p>II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal:</p><p>Quando os pressupostos processuais dizem respeito à existência do processo e</p><p>à validade da relação processual. Por analogia, aplica-se a regra do art. 267, IV, do CPC.</p><p>a) Para a existência do processo é necessário: uma correta propositura da ação,</p><p>onde se exteriorize uma pretensão punitiva ou de liberdade; feita perante autoridade</p><p>investida de jurisdição, ou seja, o juiz; por uma entidade capaz de ser parte em juízo vale</p><p>dizer legitimado ad processum.</p><p>b) Para a validade do processo é necessário: que inexistam vícios ou defeitos de</p><p>atos processuais. Ex. Litispendência, à coisa julgada, à perempção, etc.</p><p>Assim, caracterizada a impossibilidade jurídica deverá a inicial acusatória ser</p><p>rejeitada, por ausência de uma das condições da ação - são condições previstas em lei</p><p>para que se possa exercer validamente o direito de ação, direito de exigir o pronunciamento</p><p>jurisdicional no campo penal.</p><p>c) Condições da ação, dividem-se em genéricas e específicas: Se o juiz detectar</p><p>desde logo a falta de uma das condições da ação, o autor será considerado carecedor da</p><p>ação e a denúncia ou a queixa-crime será rejeitada.</p><p>c.1.) Condições de ação genéricas:</p><p>1. Legitimidade de parte (legitimatio ad causam): A ação só pode ser proposta por</p><p>quem é titular do interesse que se quer realizar e contra aquele cujo interesse deve ficar</p><p>subordinado ao do autor. Titular da ação é a própria pessoa que se diz titular do direito</p><p>cuja tutela requer (legitimidade ativa). Titular da obrigação é o demandado (legitimação</p><p>passiva). Logo, partes legítimas, ativa e passiva, são os titulares dos interesses materiais</p><p>em conflito. A ilegitimidade de parte é causa de nulidade, art. 564, II do CPP.</p><p>2. Interesse de agir ou interesse processual: Não se pode movimentar a máquina</p><p>judiciária em vão. Desdobra-se no trinômio necessidade, adequação e utilidade. A</p><p>114UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>necessidade do uso das vias jurisdicionais, tendo em vista a impossibilidade de se impor</p><p>pena sem o devido processo legal. Necessidade e adequação consistem numa relação</p><p>entre a situação antijurídica denunciada e a tutela jurisdicional requerida e só existe quando</p><p>o autor pede uma providência jurisdicional adequada à situação concreta a ser decidida.</p><p>3. Possibilidade jurídica do pedido: Caracteriza a viabilidade jurídica da pretensão</p><p>deduzida pela parte em face do direito positivo. Esta condição está localizada no pedido</p><p>imediato, que se refere à providência de direito material.</p><p>c.2.) Condições de ação especificas ou condições de procedibilidade:</p><p>Em alguns casos, a lei exige o preenchimento de determinadas e específicas</p><p>condições para o exercício da ação penal. É o caso, por exemplo, das ações públicas</p><p>condicionadas, em que o Ministério Público somente poderá ingressar com a ação mediante</p><p>representação ou requisição do Ministro da Justiça.</p><p>III - faltar justa causa para o exercício da ação penal:</p><p>A instauração de um processo penal contra a pessoa representa, sem dúvida, uma</p><p>limitação ao estado de liberdade ou ao menos uma possibilidade orientada neste sentido,</p><p>de forma que constitui um constrangimento. Para que tal constrangimento, entretanto,</p><p>não padeça de ilegalidade e seja passível de correção, inclusive por habeas corpus,</p><p>indispensável é a existência de justa causa para a ação penal.</p><p>Justa causa é a causa prevista em lei. O exercício do direito de ação penal</p><p>exige que o inquérito ou as peças de informação contenham elementos sérios e idôneos</p><p>demonstrando que houve uma infração penal e indícios, mais ou menos razoáveis, de que</p><p>o seu autor foi a pessoa apontada no processo informativo ou nos elementos de convicção,</p><p>porque a propositura de uma ação acarreta vexames à pessoa contra quem foi proposta.</p><p>Em consequência, parte da doutrina entende que só existe interesse de agir na ação</p><p>penal de natureza condenatória quando houver fumus boni iuris ou justa causa, vistos como</p><p>idoneidade do pedido. Em caso contrário, o juiz pode declarar desde logo inadmissível a</p><p>acusação, porquanto, faltando justa causa, inexistirá interesse processual.</p><p>Vejamos o que diz o inciso III, do art. 395, do Código de Processo Penal:</p><p>Art. 395</p><p>A denúncia ou queixa será rejeitada quando:</p><p>(...)</p><p>III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.</p><p>Como assinala Tourinho Filho:</p><p>115UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>não basta simples ‘denúncia’, ou simples ‘queixa’, narrando o fato criminoso e</p><p>dizendo quem foi o seu autor. É preciso haja elementos de convicção, suporte</p><p>probatório à acusação, a fim de que o pedido cristalizado na peça acusatória</p><p>possa ser digno de apreciação. (TOURINHO FILHO, 2001, p. 489).</p><p>Assim, a justa causa, expressamente exigida para a instauração da ação penal,</p><p>é caracterizada como a liquidez dos fatos constantes da peça acusatória, que deve estar</p><p>respaldada por acervo probatório razoável, seja consistente em inquérito policial, seja por</p><p>peças de informação e documentos; ausente tal requisito, por absoluta falta de elementos</p><p>que vinculem o imputado ao fato típico, impõe-se, desde logo, a sua rejeição, nos termos</p><p>do inciso III, do art. 395, do Código de Processo Penal.</p><p>4.3. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE RELACIONADA COM AÇÃO PENAL</p><p>4.3.1. Decadência:</p><p>Trata-se de prazo decadencial, que não se suspende nem se prorroga, e cuja</p><p>fluência, iniciada a partir do conhecimento da autoria da infração, é causa extintiva da</p><p>punibilidade do agente (art. 107, IV, do CP).</p><p>Art. 107</p><p>Extingue-se a punibilidade:</p><p>IV - pela prescrição, decadência ou perempção;</p><p>É a perda do direito de ação pelo decurso do prazo sem o oferecimento da queixa,</p><p>também opera efeitos na ação penal pública condicionada a representação.</p><p>Assim, por exemplo: o prazo decadencial de seis meses, a contar do conhecimento</p><p>da autoria pelo ofendido ou seu representante legal, para o oferecimento da queixa ou</p><p>da representação: embora se trate de prazo para a realização de um ato processual, seu</p><p>fluxo levará à extinção da punibilidade, pois sem a queixa ou a representação torna-se</p><p>impossível a instauração do processo e, por conseguinte, a satisfação da pretensão punitiva</p><p>pelo Estado.</p><p>4.3.2. Renúncia:</p><p>É o instituto – ato unilateral, expresso ou tácito - pelo qual o ofendido abdica ao</p><p>direito de oferecer a queixa.</p><p>Assim, a Renúncia só é válida na ação penal exclusivamente privada e na ação</p><p>personalíssima, podendo ser expressa ou tácita.</p><p>É ato unilateral que não depende de aceitação do agressor.</p><p>116UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>É admissível somente antes do início da ação penal.</p><p>Vejamos o que diz o art. 104, do Código Penal:</p><p>Art. 104</p><p>O direito de queixa não pode ser exercido quando renunciado expressa ou</p><p>tacitamente.</p><p>Parágrafo único – Importa renúncia tácita ao direito de queixa a prática de ato</p><p>incompatível com a vontade de exercê-lo; não a implica, todavia, o fato de</p><p>receber o ofendido a indenização do dano causado pelo crime.</p><p>Assim também contribui os arts. 49, 50 e 57 do Código de Processo Penal:</p><p>Art. 49</p><p>A renúncia ao exercício do direito de queixa, em relação a um dos autores do</p><p>crime, a todos se estenderá.</p><p>Art. 50</p><p>A renúncia expressa constará de declaração assinada pelo ofendido, por seu</p><p>representante legal ou procurador com poderes especiais.</p><p>Parágrafo único. A renúncia do representante legal do menor que houver</p><p>completado 18 (dezoito) anos não privará este do direito de queixa, nem a</p><p>renúncia do último excluirá o direito do primeiro.</p><p>Art. 57</p><p>A renúncia tácita e o perdão tácito admitirão todos os meios de prova.</p><p>Resumindo significa abrir mão do direito de oferecer a queixa (em ação penal</p><p>privada) ou a representação (o instituto também se aplica à ação pública condicionada</p><p>a representação); estende-se a todos os autores do delito (em face do princípio da</p><p>indivisibilidade da ação penal privada); ocorre antes do início da ação penal; é ato unilateral</p><p>(não precisa de aceitação do autor do fato); pode ser tácito ou expresso.</p><p>4.3.3. Perdão do Ofendido:</p><p>O perdão do ofendido, seja ele expresso ou tácito, só é causa de extinção da</p><p>punibilidade nos crimes que se apuram exclusivamente por ação penal privada.</p><p>É o instituto pelo qual o querelante desiste de prosseguir na ação concedendo o</p><p>perdão ao querelado.</p><p>Em face do princípio da disponibilidade da ação penal privada, mesmo depois de</p><p>apresentada a queixa, o ofendido pode desistir ação penal através do perdão concedido</p><p>ao querelado, desde que este o aceite, devendo ser julgada extinta a punibilidade (art. 58,</p><p>caput e parágrafo único, CPP e art. 107, V, do CP).</p><p>117UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>Art. 58</p><p>Concedido o perdão, mediante declaração expressa nos autos, o querelado</p><p>será intimado a dizer, dentro de três dias, se o aceita, devendo, ao mesmo</p><p>tempo, ser cientificado de que o seu silêncio importará aceitação.</p><p>Parágrafo único. Aceito o perdão, o juiz julgará extinta a punibilidade.</p><p>Na lição de Guilherme Nucci:</p><p>“Perdoar significa desculpar ou absolver”. (NUCCI, 2015, p. 179).</p><p>O perdão pode ser concedido em qualquer tempo, desde que formalizado antes do</p><p>trânsito em julgado da sentença condenatória (art. 106, parágrafo 2º, do CP).</p><p>Art. 106</p><p>O perdão, no processo ou fora dele, expresso ou tácito:</p><p>§ 2º – Não é admissível o perdão depois que passa em julgado a sentença</p><p>condenatória.</p><p>Outrossim, a bilateralidade do perdão (arts. 51, 58 e 59, CPP) depende de aceitação</p><p>do querelado. Essa aceitação pode ser expressa ou tácita (se o querelado toma ciência do</p><p>perdão e não se manifesta em 3 dias). Se o querelado não aceita, a ação prossegue.</p><p>O perdão concedido a um dos corréus estende-se a todos. Só é possível após o</p><p>início da ação penal privada.</p><p>Tratando-se de ação penal privada subsidiária da pública, não é admissível a</p><p>concessão do perdão, isto porque se houver negligência do querelante, o MP reassume a</p><p>titularidade da causa penal, como prevê o art. 29, CPP.</p><p>4.3.4. Perempção:</p><p>É a perda do direito de prosseguir no exercício da ação penal privada, nos casos</p><p>previstos no art. 60, do CPP.</p><p>Art. 60.</p><p>Nos casos em que somente se procede mediante queixa, considerar-se-á</p><p>perempta a ação penal:</p><p>I - quando, iniciada esta, o querelante deixar de promover o andamento do</p><p>processo durante 30 dias seguidos;</p><p>II - quando, falecendo o querelante, ou sobrevindo sua incapacidade, não</p><p>comparecer em juízo, para prosseguir no processo, dentro do prazo de 60</p><p>(sessenta) dias, qualquer das pessoas a quem couber fazê-lo, ressalvado o</p><p>disposto no art. 36;</p><p>III - quando o querelante deixar de comparecer, sem motivo justificado, a</p><p>qualquer ato do processo a que deva estar presente, ou deixar de formular o</p><p>pedido de condenação nas alegações finais;</p><p>118UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>IV - quando, sendo o querelante pessoa jurídica, esta se extinguir sem deixar</p><p>sucessor.</p><p>A perempção é uma punição feita ao querelante por deixar de promover o andamento</p><p>processual, e por isso possui a natureza jurídica de sanção.</p><p>Não ocorre perempção nos crimes de ação penal privada subsidiária da pública,</p><p>porque em caso de desídia do querelante o MP prossegue na ação.</p><p>O não comparecimento do querelante à audiência de conciliação, nos crimes</p><p>contra a honra (art. 520, CPP), não importa em perempção, pois, entende-se que não</p><p>quer conciliar. Este entendimento não é pacífico. Há autores que entendem a ausência</p><p>injustificada do querelante pode ensejar a perempção.</p><p>Concluímos portanto, que a perempção no processo penal se diferencia das demais</p><p>formas de perempção uma vez que só poderá ocorrer nos processos em que a ação penal</p><p>é privada, ou seja, nos processo em que a ação não é de titularidade do ministério público,</p><p>devendo a vítima apresentar queixa crime em face do autor do crime cometido contra ela.</p><p>4.4. CONCLUSÃO</p><p>Assim, constatada a existência de uma causa de extinção de punibilidade, cabe ao</p><p>juiz, de ofício, declará-la.</p><p>Art. 61</p><p>Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade,</p><p>deverá declará-lo de ofício.</p><p>Parágrafo único. No caso de requerimento do Ministério Público, do quere-</p><p>lante ou do réu, o juiz mandará autuá-lo em apartado, ouvirá a parte contrária</p><p>e, se o julgar conveniente, concederá o prazo de cinco dias para a prova,</p><p>proferindo</p><p>pública (crimina – “delitos públicos”),</p><p>perduellio (traição e atentado contra a segurança do Estado) era ofensa à pessoa e direitos</p><p>soberanos do rei ou aos direitos públicos ou, ainda, à liberdade dos cidadãos romanos e,</p><p>parricidium (morte do pater, do chefe do grupo) e, ambas atingiam o governo. (MOREIRA</p><p>ALVES, 2000, p. 164).</p><p>14UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Quanto as outras infrações, entre as quais o furto e as ofensas físicas ou morais,</p><p>eram punidos pelo próprio atingido que assumia a vingança.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>“§ 1. Se um awllum acusou um (outro) awllum e lançou sobre ele (suspeita de) morte</p><p>mas não pôde comprovar: o seu acusador será morto.”</p><p>“Na sociedade babilônica o awllum era o homem livre, o cidadão em pleno uso de seus</p><p>direitos (cf. W. ROLLIG, art. “Gesellschaft”, em Reallexikon der Assyriologie, III, p.233-</p><p>230, Berlim 1966). Um paralelo interessante a esta lei babilônica encontramos na legis-</p><p>lação bíblica do Deuteronômio (cf, Dt l9,16ss).”</p><p>Recomenda-se a leitura do livro: O Código de Hamurabi</p><p>Fonte: BOUZON, Emanuel. O Código de Hamurabi. Petrópolis: Vozes, 2003.</p><p>Aos poucos, a vingança tornou-se embaraço à convivência entre os homens e</p><p>injustiças eram praticadas, instalando-se um perigoso círculo vicioso de violências.</p><p>Com a extinção de julgamentos do Processo Penal Privado, o Estado asseverou</p><p>suas atribuições:</p><p>O Processo Penal Público atravessou, em Roma, fases interessantes. No co-</p><p>meço da Monarquia não havia nenhuma limitação ao poder de julgar. Bastava</p><p>a notitia criminis para que o próprio Magistrado se pusesse em campo, a fim</p><p>de proceder às necessárias investigações. Essa fase preliminar chamava-</p><p>-se inquisitio. Após as investigações o Magistrado impunha a pena. Prescin-</p><p>dia-se da acusação. Nenhuma garantia era dada ao acusado. (TOURINHO</p><p>FILHO, 2012, p. 103).</p><p>Na Idade Média não havia aplicação centralizada da justiça, só com o direito</p><p>canônico e, mais tarde, com o Estado absoluto cristalizou-se o monopólio dos meios de</p><p>coerção.</p><p>Com a crescente ascensão da igreja (católica), que alcançava poder não somente</p><p>religioso, mas também econômico e, nessa esfera, político-jurídico, novas práticas no</p><p>processo punitivo foram sendo desenvolvidas.</p><p>O direito canônico, direito da comunidade religiosa dos cristãos, teve um papel</p><p>importante. Foi, durante a maior parte da alta Idade Média, o único direito escrito e inicialmente</p><p>criado para ser aplicado aos membros e autoridades do clero. Era de competência dos</p><p>Tribunais Eclesiásticos de processar e julgar todas as pessoas que praticassem alguma</p><p>15UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>infração contra a religião, bem como o adultério e a usura. Entre outros crimes, podemos</p><p>listar a bruxaria, sacrilégio, heresia, etc.</p><p>Somente no século XIII, surgiu o processo inquisitivo, como um substituto do processo</p><p>penal acusatório e se consolidou em toda a Europa continental no século XVI, alterando</p><p>todo o sistema penal e tentava corrigir, de certa forma, as falhas do antigo sistema. Esse</p><p>fenômeno estimulou de uma forma direta a mudança do sistema penal e marcava também</p><p>a restauração do estudo do direito romano, bem como uma reformulação da concepção do</p><p>direito, uma consequência de outros fatores políticos e filosóficos da época.</p><p>A partir do século XVIII inicia-se um movimento na Europa contra o Sistema</p><p>Inquisitivo, em prol de um sistema mais humanizado, que teve por aliados nomes como</p><p>Montesquieu e Voltaire. Como afirma Tourinho:</p><p>Finalmente, com a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 26-</p><p>8-1789, aquelas ideias revolucionárias do Iluminismo foram acatadas. (TOU-</p><p>RINHO FILHO, 2012, p. 111).</p><p>Na França, inicialmente, foram divididos os tribunais segundo as ordens dos crimes.</p><p>Nos júris desenvolveram-se, a partir do sistema inglês, os lados ou fases de Acusação,</p><p>que correspondia às preliminares de investigação, interrogatório, levando a denominação</p><p>também de instrução; logo o acusado era pré-julgado pelos que compunham o júri de</p><p>acusação, posteriormente levado ao júri de Julgamento, onde se procedia de forma pública,</p><p>oral e contraditória.</p><p>Nesse período, já criado o Ministério Público, após a Revolução Francesa, o sistema</p><p>penal teve uma alteração significativa, levando assim a denominação de Sistema Misto,</p><p>haja vista que o processo continha em uma parte inquisitiva e outra acusatória:</p><p>Os princípios do sistema inquisitivo eram consagrados na fase da instrução</p><p>preparatória: o processo, dividido por um Magistrado, desenvolvia-se por</p><p>escrito, secretamente e sem ser contraditório. A defesa era nula durante a</p><p>instrução preparatória. Na sessão de julgamento tornava-se acusatório o pro-</p><p>cesso: oral, público e contraditório. (TOURINHO FILHO, 2012, pg. 112).</p><p>Sendo assim, ergue-se a nova fase da democracia moderna, marcada pelo</p><p>pluralismo de ideias, culturas e etnias, por uma sociedade livre, solidária e justa, pela</p><p>participação do povo, sendo um procedimento de libertação da pessoa humana do formato</p><p>opressor reconhecendo seus direitos e deveres; conforme leciona o mestre Noberto Bobbio:</p><p>são direitos individuais, políticos e sociais, mas especialmente da vigência</p><p>de condições econômicas suscetíveis de favorecer o seu pleno exercício.</p><p>(BOBBIO, 1997, pg.30).</p><p>16UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Com o passar do tempo surge o Estado Democrático de Direito, que tem como</p><p>função a efetividade dos direitos fundamentais que passaram a ser reconhecidos nessa</p><p>fase da Democracia Moderna.</p><p>REFLITA</p><p>Nos últimos anos, cada vez mais os sistemas acusatório, inquisitivo e misto vêm sendo</p><p>invocados, pela doutrina e jurisprudência, como razão para o acolhimento ou afasta-</p><p>mento de certas práticas em âmbito processual penal.</p><p>Fonte: https://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=23261</p><p>Nessa nova fase de evolução humana, não se deve larguear qualquer conjectura de</p><p>um processo penal constitucional, se não aquele que visualize na norma fundamentadora</p><p>a bússola que conduzirá todo o sistema de condenação.</p><p>https://www.jurua.com.br/shop_item.asp?id=23261</p><p>17UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>3. BREVE HISTÓRICO DO PROCESSO PENAL NO BRASIL</p><p>Historicamente como é sabido o Brasil foi colônia de Portugal, desde 1500 até</p><p>1822, ou seja, até a referida data estávamos sob o domínio da Coroa Portuguesa, e por</p><p>tanto era quem ditava as leis de validade em nosso território. As chamadas leis imperiais</p><p>eram lidas nos locais de maior concentração de pessoas assim como ocorria também</p><p>em Portugal, ou seja, nas igrejas, mercados, praças públicas. (Fonte: Universitat de les</p><p>Illes Balears. Publicações de Normas no Brasil Colônia. Disponível em: <https://fci.uib.es/</p><p>Servicios/libros/veracruz/xavier2/Publicacoes-de-Normas-no-Brasil-Colonia.cid221840>.</p><p>Acesso em 05 set. 2019).</p><p>Foram três as Ordenações Portuguesas impostas no Brasil: Ordenações Afonsinas</p><p>(ou Código Afonsino), que vigorou de 1446 até 1514; as Ordenações Manuelinas (ou</p><p>Código Manuelino), que vigorou de 1521 até 1595; e as Ordenações Filipinas (ou Código</p><p>Filipino), que vigorou das leis editadas de 1603 até 1916; sendo esta data a prescrição</p><p>da matéria civil, pois a primeira Constituição do Brasil, de 1824 já revogou quase toda</p><p>Ordenação Filipina. (Fonte: JUSBRASIL. Ordenações Afonsinas, Manuelinas, Filipinas. As</p><p>Ordenações Portuguesas impostas no Brasil. Disponível em: <https://doutor-da-lei.jusbrasil.</p><p>com.br/artigos/540987951/ordenacoes-afonsinas-manuelinas-filipinas-as-ordenacoes-</p><p>portuguesas-impostas-no-brasil>.Acesso em 05 set. 2019).</p><p>Assim, o primeiro sistema jurídico estabelecido foram as Ordenações Afonsinas,</p><p>que vigoraram no Brasil de 1500 na chegada dos Portugueses até 1514, esse conjunto</p><p>https://fci.uib.es/Servicios/libros/veracruz/xavier2/Publicacoes-de-Normas-no-Brasil-Colonia.cid221840</p><p>https://fci.uib.es/Servicios/libros/veracruz/xavier2/Publicacoes-de-Normas-no-Brasil-Colonia.cid221840</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>a decisão dentro de cinco dias ou reservando-se para apreciar a</p><p>matéria na sentença final.</p><p>No caso de requerimento das partes, o juiz deve determinar a autuação em apartado,</p><p>ouvindo a parte contrária no prazo de 5 dias, proferindo decisão também em 05 dias ou</p><p>reservando-se para apreciar a matéria na sentença final.</p><p>119UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Por meio deste conteúdo desenvolvido na terceira unidade, procuramos analisar a</p><p>Ação Penal, contida no Código de Processo Penal, desde o seu conceito, características e</p><p>aspectos mais importantes, como condições de sua instauração e procedibilidade.</p><p>Aprendemos por meio da realização deste trabalho, que as ações penais constituem</p><p>se em um meio hábil e fundamental para a deflagração do processo.</p><p>É o meio que o Estado tem de apurar adequadamente os casos concretos que foram</p><p>investigados e dar vazão ao devido processo legal, princípio constitucional tão relevante no</p><p>nosso ordenamento jurídico.</p><p>Conclui-se de todo o exposto, sem maiores impedimentos à apreensão, que a ação</p><p>penal, no que se refere ao posicionamento do legítimo titular, consiste no exercício do</p><p>direito de invocar ao Poder Judiciário a aplicação do Direito Penal normativo material ao</p><p>caso concreto.</p><p>120UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>Título: Código de Processo Penal Comentado</p><p>Autor: Guilherme de Souza Nucci</p><p>Editora: Forense</p><p>Sinopse: Esta 18ª edição está atualizada com as reformas</p><p>produzidas ao longo do último ano, em particular as que dizem</p><p>respeito à prisão domiciliar para mulheres gestantes e mães</p><p>de filhos pequenos, além de outras alterações, advindas de</p><p>leis especiais, com influência no Código de Processo Penal. A</p><p>jurisprudência foi atualizada e ampliada, apresentando as mais</p><p>recentes controvérsias enfrentadas pelos tribunais. A obra conta</p><p>com quadros sinóticos e mapas conceituais em pontos específicos,</p><p>a fim de facilitar o raciocínio do leitor, além de estudo integrado com</p><p>outras ciências criminais. Dessa forma, este Código de Processo</p><p>Penal Comentado proporciona ao estudante uma ampla visão dos</p><p>temas analisados, e ao profissional, uma rica fonte de consulta para</p><p>auxiliá-lo no cotidiano forense. A experiência auferida nos vários</p><p>anos de atuação no magistério, em cursos de graduação e de pós-</p><p>graduação e na preparação para concursos públicos, permitiu ao</p><p>autor construir um sólido conteúdo acadêmico, que resultou em</p><p>uma produção jurídico-literária que ultrapassa 40 títulos.</p><p>Título: Investigação Criminal e Ação Penal</p><p>Autor: Andrei Zenkner Schimdt e Luciano Feldens</p><p>Editora: Livraria do Advogado</p><p>Sinopse: A obra traz os recente dinamismo que assumiram as</p><p>questões atinentes ao processo, seja a partir de significativas</p><p>reformas legislativas, seja em face da (re)interpretação de</p><p>determinados institutos processuais, muitos dos quais retirados</p><p>da inércia discursiva a partir dos debates gerados desde a nova</p><p>composição do Supremo Tribunal Federal.</p><p>121UNIDADE III Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>Título: A Vida de David Gale</p><p>Ano: 2014</p><p>Sinopse: Uma repórter é chamada para fazer uma entrevista</p><p>inédita de três dias (duas horas em cada dia) com um prisioneiro</p><p>no corredor da morte, no Texas, um dos Estados americanos que</p><p>ainda pratica a pena de morte e se orgulha disso, considerando</p><p>ser um sistema infalível. Detalhe: a repórter foi escolhida pelo</p><p>próprio preso, que, entretanto, não é uma pessoa comum: trata-se</p><p>de um homem culto, refinado, um professor de filosofia e ativista</p><p>contra justamente a pena de morte. E embora esteja praticamente</p><p>certa a execução dali a poucos dias, começam a surgir dúvidas na</p><p>mente da repórter, interpretada por Kate Winslet – ainda noviça,</p><p>mas já talentosíssima atriz. O presidiário em questão é Kevin</p><p>Spacey, que também dispensa comentários e o assistente da</p><p>repórter é o ator Gabriel Mann, que hoje é conhecido por participar</p><p>da série Revenge. Talvez a melhor atuação, porém, seja de Laura</p><p>Linney, favorecida pelo papel, mas atuando maravilhosamente. O</p><p>filme é de 2003 (EUA + Alemanha) e o diretor o renomado Alan</p><p>Parker (Mississipi em chamas, Coração Satânico, O expresso da</p><p>meia noite, The Wall…). Maniqueísmos à parte, o quebra-cabeças</p><p>vai sendo montado aos poucos, com o processo investigativo</p><p>e flash backs, adicionados com generosas doses de suspense e</p><p>emoção, que vão se intensificando na medida em que o filme se</p><p>aproxima do seu eletrizante e surpreendente final, que é realmente</p><p>espetacular</p><p>122</p><p>Plano de Estudo:</p><p>• CAPÍTULO 01 – Processo e Procedimento</p><p>• CAPÍTULO 02 – Da Jurisdição e Da Competência</p><p>• CAPÍTULO 03 – Dos Atos Processuais</p><p>• CAPÍTULO 04 - Processo Penal e a Segurança Pública</p><p>Objetivos da Aprendizagem</p><p>• Compreensão da importância do Processo Penal, seu papel no estado brasileiro e sua</p><p>evidência enquanto instrumento estruturador no ordenamento jurídico;</p><p>• Auxiliar o estudante no aprimoramento do uso da linguagem, da argumentação e da</p><p>reflexão;</p><p>• Apresentar soluções práticas e proporcionar os conhecimentos básicos do processo</p><p>penal.</p><p>UNIDADE IV</p><p>Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Professor: Marcelo Pereira de Souza</p><p>123UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Em nossa última unidade, vamos compreender a importância do Processo Penal</p><p>em nosso ordenamento jurídico, através dos estudos sobre Processo e Procedimento;</p><p>veremos as noções introdutórias; os pressupostos de existência da relação processual; de</p><p>validade; e distinção entre procedimento e processo. De uma forma sucinta, estudaremos</p><p>a reformulação dos procedimentos operadas pela Lei nº 11.719/2008.</p><p>Veremos também sobre a divisão do procedimento comum, onde estudaremos o</p><p>procedimento ordinário; sumário e sumaríssimo.</p><p>Na continuação, aprenderemos sobre Jurisdição e Competência, onde buscamos</p><p>trazer a introdução da matéria e os princípios jurisdicionais; com isso entramos no campo</p><p>da competência no processo penal.</p><p>Veremos ainda os Atos Processuais penais, o conceito e introdução, um breve</p><p>estudo sobre os atos processuais do juiz, dos auxiliares da justiça e das partes. Para</p><p>um melhor aprendizado, estudaremos sobre as regras de lugar, forma e prazo dos atos</p><p>processuais; e, a diferença entre citação e intimação.</p><p>Por último, porém não menos importante, o Processo Penal e a Segurança Pública,</p><p>por meio deste estudo veremos o conceito de atividade policial; a prova no processo penal;</p><p>e a Constituição e a Segurança Pública.</p><p>Em frente e,</p><p>Ótimos estudos!</p><p>124UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>1. PROCESSO E PROCEDIMENTO</p><p>Processo é uma série ou sequência de atos conjugados que se realizam e se</p><p>desenvolvem no tempo, destinando-se à aplicação da lei penal no caso concreto, ou seja, é</p><p>o meio pelo qual a atividade jurisdicional se viabiliza, ao passo que o procedimento constitui</p><p>o instrumento viabilizador do processo, onde temos:</p><p>a) Sistema Processual Penal Inquisitivo: quando um só órgão – o juiz – desempenha</p><p>as funções de acusador, defensor e julgador.</p><p>b) Sistema Processual Penal Acusatório: no qual as funções são separadas: um</p><p>órgão acusa, outro defende e outro julga. Em tal sistema, o acusador e o defensor são</p><p>partes e estão situados no mesmo plano de igualdade, mantendo-se o juiz equidistante das</p><p>partes.</p><p>c) Sistema Processual Penal Misto: compõe-se de duas fases: uma inquisitiva e</p><p>outra acusatória.</p><p>Sobre os sistemas processuais penais, no qual averiguando as características de</p><p>cada um, pode-se apontar que o sistema processual penal adotado no Brasil é o acusatório,</p><p>nos moldes das garantias processuais presentes na Constituição Federal Brasileira.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm</p><p>125UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>1.1. NOÇÕES INTRODUTÓRIAS:</p><p>1.1.1. Pressupostos de existência da relação processual</p><p>a) Um órgão jurisdicional legitimamente constituído e que possua jurisdição penal</p><p>“in genere” (pode</p><p>ser incompetente no caso em concreto).</p><p>b) Uma causa penal ou uma relação concreta jurídico-penal como objeto do</p><p>processo.</p><p>c) A presença de um órgão regular de acusação e do defensor, independente ou</p><p>não da presença do acusado.</p><p>1.1.2. Pressupostos de validade da relação processual</p><p>São as circunstâncias indispensáveis para que o processo se desenvolva</p><p>legitimamente, de forma regular. Sem elas, a sentença é nula.</p><p>Logo, por exclusão, os pressupostos estarão presentes quando não tiver ocorrido</p><p>nulidade</p><p>1.1.3. Distinção entre procedimento e processo</p><p>Procedimento é a sequência ordenada de atos judiciais até o momento da prolação</p><p>da sentença.</p><p>Processo é mais do que isso. Além de procedimento, constitui-se de relação jurídica</p><p>processual entre autor, juiz e réu, mais os princípios constitucionais do devido processo</p><p>legal.</p><p>Quadro 1: RELAÇÃO JURÍDICA PROCESSUAL</p><p>Fonte: O autor.</p><p>JUIZ</p><p>AUTOR RÉU</p><p>126UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Na feliz lembrança de Frederico Marques:</p><p>O processo é a soma e conjunto dos atos processuais interligados pelos</p><p>vínculos da relação jurídico-processual, o procedimento consiste na ordem,</p><p>forma e sucessão desses atos, conforme expõe Carnellutti (Tratado de di-</p><p>reito processual penal, Saraiva, 1980, p. 195). Ou, como mais sucintamente</p><p>lecionou João Mendes: processo é o movimento em sua forma intrínseca, e</p><p>procedimento o é em sua forma extrínseca. (MARQUES apud NORONHA,</p><p>2003, p. 231).</p><p>1.1.4. Da reformulação dos procedimentos</p><p>O Código de Processo Penal sofreu significativas modificações operadas pela Lei</p><p>nº. 11.719/2008. Mencione-se, primeiramente, que foi corrigida uma impropriedade técnica,</p><p>pois o Código não mais se refere ao processo comum e especial, mas ao procedimento ou</p><p>rito procedimental, pois este é que configura corretamente a sucessão ou o ordenamento</p><p>dos atos processuais.</p><p>O procedimento comum divide-se em:</p><p>Ordinário: crime cuja sanção máxima cominada for igual ou superior a quatro anos</p><p>de pena privativa de liberdade, salvo se não se submeter a procedimento especial;</p><p>Sumário: crime cuja sanção máxima cominada seja inferior a quatro anos de pena</p><p>privativa de liberdade, salvo se não se submeter a procedimento especial;</p><p>Sumaríssimo: infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da Lei nº.</p><p>9.099/95, ainda que haja previsão de procedimento especial.</p><p>Enquadram-se nesse conceito as contravenções penais e os crimes cuja pena</p><p>máxima não exceda a dois anos (de acordo com o novo conceito de infração de menor</p><p>potencial ofensivo trazido pela Lei nº. 10.259/2001 e pelo art. 61 da Lei nº. 9.099/95).</p><p>Dessa forma, a distinção entre os procedimentos ordinário e sumário dar-se-á em</p><p>função da pena máxima cominada à infração penal e não mais em virtude de esta ser</p><p>apenada com reclusão ou detenção.</p><p>O procedimento especial, por sua vez, abarcará todos os procedimentos com</p><p>regramento específico, tal como o do tribunal do júri (arts. 406 a 497 do CPP) e outros</p><p>previstos na legislação extravagante, por exemplo, Leis nº. 11.343/2006 e 8.038/90, Código</p><p>Eleitoral e leis eleitorais, Código de Processo Penal Militar etc.</p><p>Além dessas alterações substanciais, procurou-se, com a reforma processual penal</p><p>(Leis nº. 11.689/2008 e 11.719/2008), dar efetiva concreção ao princípio da celeridade</p><p>processual, consagrado em nosso Texto Magno e em Convenções Internacionais,</p><p>127UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>concedendo-se especial importância ao princípio da oralidade, do qual decorrem vários</p><p>desdobramentos:</p><p>a) concentração dos atos processuais em audiência única (art. 400, CPP);</p><p>b) imediatidade;</p><p>c) identidade física do juiz.</p><p>Com efeito, de acordo com o art. 8º do Pacto de São José da Costa Rica (Convenção</p><p>Americana sobre Direitos Humanos, aprovada no Brasil pelo Decreto Legislativo nº. 27, de</p><p>25-9-1992, e promulgada pelo Decreto nº. 678, de 6-11-1992), são garantias judiciais:</p><p>1. Toda pessoa tem direito a ser ouvida, com as devidas garantias e dentro</p><p>de um prazo razoável, por um juiz ou tribunal competente, independente e im-</p><p>parcial, estabelecido anteriormente por lei, na apuração de qualquer acusa-</p><p>ção penal formulada contra ela, ou para que se determinem seus direitos ou</p><p>obrigações de natureza civil, trabalhista, fiscal ou de qualquer outra natureza.</p><p>(BRASIL. Decreto nº 678, de 06 de novembro de 1992).</p><p>Na prática, com a reforma processual, poucas diferenças restaram entre os ritos</p><p>ordinário e sumário, pois ambos passaram a primar pelo princípio da celeridade processual.</p><p>1.2. PROCEDIMENTO COMUM</p><p>Como já analisado, o âmbito de aplicação do procedimento comum é o seguinte:</p><p>a) Ordinário: pena máxima igual ou superior a quatro anos de pena privativa de</p><p>liberdade, por exemplo, os crimes de roubo, furto, extorsão, estupro.</p><p>PENA: = ou < 4 anos – privativa de liberdade</p><p>b) Sumário: sanção máxima cominada seja inferior a quatro anos de pena privativa</p><p>de liberdade, por exemplo, mediação para servir a lascívia de outrem.</p><p>PENA: > 4 anos – privativa de liberdade</p><p>Em se tratando de infrações de médio potencial ofensivo, interessante notar que,</p><p>ao contrário dos arts. 44, I, e 33, § 2º, c, do Código Penal, os quais tratam, respectivamente,</p><p>da substituição da pena privativa de liberdade por restritivas de direitos e regime de</p><p>cumprimento de pena, dos crimes cuja pena seja igual ou inferior a quatro anos, o Código</p><p>de Processo Penal, para efeitos de incidência do procedimento sumário, considerou apenas</p><p>as infrações cuja pena seja inferior a quatro anos. Se igual a quatro anos, o procedimento</p><p>será o ordinário, por exemplo, o crime de rufianismo.</p><p>128UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>c) Sumaríssimo: para as infrações penais de menor potencial ofensivo, na forma da</p><p>Lei nº. 9.099/95, por exemplo, crime de assédio sexual, cuja pena máxima cominada (dois</p><p>anos) se enquadra nesse conceito.</p><p>PENA: = ou > 2 anos – não privativa de liberdade</p><p>É o que determina o art. 394, do Código de Processo Penal. Senão vejamos:</p><p>Art. 394</p><p>O procedimento será comum ou especial.</p><p>§ 1º- O procedimento comum será ordinário, sumário ou sumaríssimo:</p><p>I - ordinário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for</p><p>igual ou superior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade;</p><p>II - sumário, quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada seja</p><p>inferior a 4 (quatro) anos de pena privativa de liberdade;</p><p>III - sumaríssimo, para as infrações penais de menor potencial ofensivo, na</p><p>forma da lei.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Influência das qualificadoras: interferem no procedimento, pois alteram os limites míni-</p><p>mo e/ou máximo das penas, por exemplo, o crime de dano na forma simples (CP, art.</p><p>163, caput: Pena: detenção, de um a seis meses, ou multa) sujeita-se ao procedimento</p><p>sumaríssimo da Lei n. 9.099/95; porém, se qualificado (CP, art. 163, parágrafo único.</p><p>Pena: detenção de seis meses a três anos, e multa, além da pena correspondente à</p><p>violência), submeter-se-á ao procedimento sumário.</p><p>Recomenda-se a leitura do livro: “Manual da Sentença Penal Condenatória: Requisitos</p><p>e Nulidades”, do autor: Jorge Vicente Silva – Editora Juruá.</p><p>Fonte: SILVA, Vicente Jorge. Manual da Sentença Penal Condenatória: Requisitos e</p><p>Nulidades. 1ª ed. (ano 2003), 5ª reimp.(ano 2007). Curitiba: Juruá, 2007.</p><p>1.2.1. Influência das causas de aumento e de diminuição:</p><p>Independentemente se estão previstas na Parte Geral ou na Parte Especial,</p><p>essas causas, levadas em consideração na última fase da fixação da pena, interferem no</p><p>procedimento a ser seguido, pois modificam os limites mínimo e/ou máximo das penas.</p><p>129UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Exemplos de causa de diminuição: tentativa (CP, art. 14, parágrafo único);</p><p>arrependimento posterior (CP, art. 16); erro de proibição evitável (CP, art. 21, caput, 2ª</p><p>parte) etc.</p><p>Exemplos de causa de aumento: concurso formal (CP, art. 70); crime continuado</p><p>(CP, art. 71) etc.</p><p>a) Agravantes e atenuantes:</p><p>Não interferem no procedimento, pois não alteram os limites das penas. Nesse</p><p>sentido, é o teor da Súmula 231 do STJ:</p><p>“A incidência da circunstância atenuante não pode conduzir a redução da</p><p>pena abaixo do mínimo legal”.</p><p>b) Conexão entre infrações com procedimentos distintos:</p><p>Caso ocorra a conexão entre infrações penais, uma que siga o procedimento</p><p>comum e outra o rito especial (p. ex.: Lei de Drogas), indaga-se qual deveria prevalecer.</p><p>Não havendo crime de competência do Júri, prevalecerá a do julgamento da infração mais</p><p>grave, consoante o disposto no art. 78 do CP.</p><p>No entanto, há uma corrente doutrinária, sustentando, com arrimo no princípio</p><p>constitucional da ampla defesa (art. 5º, LV), que deve prevalecer a competência do juízo a</p><p>quem couber a infração penal com o procedimento mais amplo, seja ou não a mais grave.</p><p>(GRECO FILHO, 1987, p. 164).</p><p>1.2.2. Procedimento sumaríssimo (Lei nº. 9.099/95) e o procedimento</p><p>sumário:</p><p>Não será aplicado o procedimento sumaríssimo da Lei dos Juizados Especiais</p><p>Criminais em duas situações:</p><p>a) Não localização do autor do fato para citação pessoal (art. 66, parágrafo único):</p><p>Nessa hipótese, será necessária a citação por edital, o que é incompatível com a</p><p>celeridade do procedimento sumaríssimo. Também deverá ser considerado incompatível</p><p>com o rito da Lei nº. 9.099/95 a realização de citação por hora certa (CPP, art. 363)</p><p>b) Complexidade da causa ou circunstância diversa que não permita o imediato</p><p>oferecimento da denúncia (art. 77, § 2º):</p><p>130UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Em tais casos, o juiz deverá encaminhar os autos ao juiz comum, devendo ser</p><p>adotado o procedimento previsto nos arts. 531 e seguintes do CPP (sumário- art. 538,</p><p>CPP).</p><p>1.2.3. Incidência geral do procedimento comum:</p><p>Como regra geral, vale mencionar que se aplica a todos os processos o procedimento</p><p>comum, salvo disposições em contrário do Código ou de lei especial (art. 394, § 2º, CPP).</p><p>Na realidade, o dispositivo legal apenas procurou deixar claro que o procedimento</p><p>comum (ordinário, sumário ou sumaríssimo) não terá incidência quando previsto rito especial</p><p>para o crime.</p><p>Assim, pouco importa a sanção aplicável ao delito, pois, se houver a previsão de</p><p>procedimento específico, este deverá incidir, por exemplo, em crimes de competência do</p><p>Tribunal do Júri ou crimes de competência dos tribunais.</p><p>Não havendo a previsão legal de rito específico, a regra é a incidência do</p><p>procedimento comum, devendo ser levada em conta a pena prevista em abstrato para a</p><p>infração.</p><p>1.3. PROCEDIMENTO ORDINÁRIO</p><p>Os processos da competência do juiz singular são monofásicos, porque são</p><p>constituídos de uma única fase formada pela instrução contraditória e pelo julgamento.</p><p>Instruere é um verbo latino que significa preparar, construir, erigir. Com referência</p><p>à expressão “contraditório”, significa que acusador e acusado devem ser ouvidos: audiatur</p><p>et altera pars.</p><p>Contudo, o contraditório, como é sabido, não impede as iniciativas processuais do</p><p>juiz.</p><p>Nesse sentido, instrução criminal é o conjunto de atos praticados (atos probatórios</p><p>e periciais) com o fim de ofertar elementos ao juiz para julgar.</p><p>O procedimento ordinário (pena igual ou superior a quatro anos) serve de norte para</p><p>os demais procedimentos, sendo o mais complexo dos procedimentos penais, ressalvado</p><p>alguns procedimentos especiais. Possui as seguintes fases:</p><p>• Oferecimento da denúncia ou queixa. Recebimento ou rejeição pelo juiz;</p><p>• Citação do réu;</p><p>• Resposta à acusação;</p><p>• Absolvição sumária (art. 397, CPP);</p><p>• Audiência de instrução e julgamento.</p><p>131UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Na audiência de instrução no rito comum, primeiro será ouvido o ofendido (vítima),</p><p>seguido das testemunhas, primeiro da acusação e depois da defesa, com o interrogatório</p><p>ao final (art. 400, do CPP):</p><p>1.3.1. Fase da defesa inicial escrita:</p><p>Nos procedimentos ordinário e sumário, oferecida a denúncia ou queixa, o juiz:</p><p>a) analisará se não é caso de rejeição liminar (deverá avaliar todos os requisitos do</p><p>art. 395: condição da ação, possibilidade jurídica do pedido etc.);</p><p>b) se não for caso de rejeição liminar, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado</p><p>para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.</p><p>1.3.1.1. Conteúdo da defesa inicial:</p><p>Nessa defesa inicial poderá o defensor requerer:</p><p>Arguir preliminares e alegar tudo o que interesse à sua defesa, por exemplo,</p><p>matérias que levem à absolvição sumária, as quais se encontram descritas no art. 397 do</p><p>CPP (causas excludentes da ilicitude, atipicidade do fato etc.).</p><p>Sob pena de preclusão, deverá ser arguida na defesa inicial a nulidade por</p><p>incompetência relativa do juízo, pois a absoluta pode ser arguida em qualquer tempo e</p><p>grau de jurisdição.</p><p>Além da exceção de incompetência do juízo, este será o momento para arguir a</p><p>litispendência, coisa julgada, ilegitimidade de parte e suspeição do juízo.</p><p>Oferecer documentos e justificações.</p><p>Especificar as provas pretendidas.</p><p>Arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando</p><p>necessário.</p><p>Dessa forma, a resposta é uma peça processual consistente, com abordagem de</p><p>questões preliminares, arguição de exceções dilatórias ou peremptórias, matéria de mérito</p><p>e amplo requerimento de provas, devendo também ser arroladas testemunhas, podendo</p><p>levar à absolvição sumária do agente.</p><p>1.3.1.2. Obrigatoriedade da defesa inicial:</p><p>Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir</p><p>defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por dez</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641396/artigo-400-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>132UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>dias. A não nomeação de defensor pelo juiz para oferecimento da defesa gerará nulidade</p><p>absoluta.</p><p>Art. 396-A.</p><p>Na resposta, o acusado poderá arguir preliminares e alegar tudo o que in-</p><p>teresse à sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as</p><p>provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua</p><p>intimação, quando necessário.</p><p>§ 2º - Não apresentada a resposta no prazo legal, ou se o acusado, citado, não</p><p>constituir defensor, o juiz nomeará defensor para oferecê-la, concedendo-lhe</p><p>vista dos autos por 10 (dez) dias.</p><p>Conclui-se, desse modo, que o recebimento da denúncia ou queixa ocorre antes</p><p>da citação pessoal do acusado. Nesse contexto, se não for caso de rejeição liminar, o juiz</p><p>recebê-la-á e ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no</p><p>prazo de dez dias.</p><p>1.3.2. Defesa inicial escrita e hipóteses de absolvição própria:</p><p>O juiz estará autorizado a julgar antecipadamente a lide penal quando:</p><p>Estiver comprovada a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato:</p><p>no caso, a dúvida acerca da existência da excludente milita em favor da sociedade (in dubio</p><p>pro societate).</p><p>Estiver comprovada a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade</p><p>do agente, salvo inimputabilidade. Na hipótese em que a inimputabilidade se encontra</p><p>comprovada por exame de insanidade mental, o CPP não autoriza a absolvição imprópria</p><p>do agente, pois esta implicará a imposição de medida de segurança, o que poderá ser</p><p>prejudicial ao réu, já que lhe será possível comprovar por outras teses defensivas a sua</p><p>inocência, sem a imposição de qualquer medida restritiva.</p><p>O fato narrado evidentemente não constituir crime.</p><p>Estiver extinta a punibilidade do agente. Note-se que o art. 61 do CPP prevê que</p><p>“Em qualquer fase do processo, o juiz, se reconhecer extinta a punibilidade, deverá declará-</p><p>lo de ofício”.</p><p>Desse modo, consoante o entendimento majoritário, a sentença que declara a</p><p>extinção da punibilidade não é absolutória, pois não realiza qualquer análise quanto à</p><p>inocência ou culpabilidade do agente, à procedência ou improcedência</p><p>do pedido.</p><p>133UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>1.3.3. Audiência de instrução e julgamento</p><p>A reforma processual penal instituída pelas Leis nº. 11.690/2008 e 11.719/2008, ao</p><p>visar a maior celeridade e o aprimoramento na colheita da prova, primou pelo princípio da</p><p>oralidade.</p><p>A Lei procurou concentrar toda a instrução em uma única audiência, permitindo-se</p><p>a cisão apenas em hipóteses excepcionais. Vejamos:</p><p>1. Remessa do inquérito policial;</p><p>2. Distribuição e vista ao promotor;</p><p>3. Oferecimento da denúncia ou queixa;</p><p>4. O juiz analisará se não é caso de rejeição liminar (deverá avaliar todos os</p><p>requisitos do art. 395: condição da ação, possibilidade jurídica do pedido etc.);</p><p>5. Se não for caso de rejeição liminar, recebê-la-á e ordenará a citação do acusado</p><p>para responder à acusação, por escrito, no prazo de dez dias;</p><p>6. Com a resposta do acusado, analisará o juiz a possibilidade de absolvição</p><p>sumária. Como já afirmado, trata-se de resposta obrigatória; passado o prazo de</p><p>dez dias para o seu oferecimento, o juiz obrigatoriamente nomeará um defensor</p><p>para realizar o ato;</p><p>7. Não sendo hipótese de absolvição sumária, o juiz designará dia e hora para</p><p>a audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de</p><p>sessenta dias, ordenando a intimação do acusado, de seu defensor, do ministério</p><p>público e, se for o caso, do querelante e do assistente. A audiência será única,</p><p>por força do princípio da concentração dos atos processuais;</p><p>8. Na audiência de instrução e julgamento, a ser realizada no prazo máximo de</p><p>sessenta dias:</p><p>a) Tomada de declarações do ofendido.</p><p>b) Inquirição das testemunhas arroladas pela acusação (8). Nesse número</p><p>não se compreendem as que não prestem compromisso e as referidas</p><p>(art. 401, § 1º). A parte poderá desistir da inquirição de qualquer das</p><p>testemunhas arroladas, ressalvado o disposto no art. 209 do código (art.</p><p>401, § 2º).</p><p>Cumpre consignar que caberá primeiramente à parte que arrolou a testemunha</p><p>e não ao juiz realizar as perguntas. O sistema presidencialista, em que as perguntas das</p><p>partes eram formuladas por intermédio de um magistrado, restou superado com a nova</p><p>reforma processual penal.</p><p>134UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Assim, tal como sempre sucedeu no interrogatório realizado no Plenário do Júri, as</p><p>partes formularão as perguntas diretamente à testemunha, não admitindo o juiz aquelas que</p><p>puderem induzir a resposta, não tiverem relação com a causa ou importarem na repetição</p><p>de outra já respondida (CPP, art. 212, caput). Trata-se do sistema de inquirição direta,</p><p>chamado de cross-examination, de inspiração norte-americana.</p><p>Caberá, ainda, ao magistrado, complementar a inquirição sobre pontos não</p><p>esclarecidos (art. 212, parágrafo único, CPP).</p><p>1.3.4. “Mutatio libelli” e cisão da audiência:</p><p>De acordo com o art. 384, caput, do CPP:</p><p>Art. 384.</p><p>Encerrada a instrução probatória, se entender cabível nova definição jurídica</p><p>do fato, em consequência de prova existente nos autos de elemento ou cir-</p><p>cunstância da infração penal não contida na acusação, o Ministério Público</p><p>deverá aditar a denúncia ou queixa, no prazo de 5 (cinco) dias, se em virtude</p><p>desta houver sido instaurado o processo em crime de ação pública, reduzin-</p><p>do-se a termo o aditamento, quando feito oralmente.</p><p>Mirabete já afirmava que:</p><p>Deve haver uma correlação entre a sentença e o fato descrito na denúncia</p><p>ou na queixa, ou seja, entre o fato imputado ao réu e o fato pelo qual ele é</p><p>condenado. Esse princípio da correlação entre a imputação e a sentença</p><p>representa uma das mais relevantes garantias do direito de defesa e qual-</p><p>quer distorção, sem observância dos dispositivos legais cabíveis, acarreta</p><p>a nulidade da decisão. Não pode o Juiz, assim, julgar o réu por fato de que</p><p>não foi acusado ou por fato mais grave, proferindo sentença que se afaste do</p><p>requisitório da acusação. (MIRABETE, 2002, p. 979).</p><p>Trata-se de mais uma hipótese em que ocorrerá a cisão da audiência única do art.</p><p>400 do CPP.</p><p>REFLITA</p><p>Imagine agora a seguinte situação: O MP ajuizou uma ação penal. O juiz, analisando</p><p>a peça acusatória, em um primeiro momento, não vislumbrou nenhuma hipótese pela</p><p>qual ela poderia ser rejeitada (art. 395 do CPP), razão pela qual a denúncia foi recebi-</p><p>da. Ocorre que o réu apresentou uma excelente resposta escrita (defesa preliminar),</p><p>demonstrando claramente que falta um pressuposto processual. A ausência de pres-</p><p>suposto processual não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 397, de forma</p><p>que o juiz não pode absolver sumariamente o réu com base nesse motivo. A falta de</p><p>pressuposto processual, contudo, é causa de rejeição da peça acusatória (art. 395, I).</p><p>Ocorre que esta denúncia já foi recebida.</p><p>135UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Diante dessa lacuna da lei, o que o magistrado poderá fazer? O juiz poderá voltar atrás</p><p>e reconsiderar a decisão que recebeu a peça acusatória, proferindo nova decisão, agora</p><p>rejeitando a denúncia. Segundo decidiu o STJ, o fato de a denúncia já ter sido recebida</p><p>não impede o juízo de primeiro grau de, logo após o oferecimento da resposta do acu-</p><p>sado (arts. 396 e 396-A), reconsiderar a anterior decisão e rejeitar a peça acusatória, ao</p><p>constatar a presença de uma das hipóteses elencadas nos incisos do art. 395 do CPP,</p><p>suscitada pela defesa.</p><p>STJ. 6ª Turma. REsp 1.318.180-DF, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em</p><p>16/5/2013.</p><p>Fonte: DIZER O DIREITO. O juiz, após receber a defesa preliminar do réu (art. 396-A, CPP), pode re-</p><p>considerar sua decisão anterior e rejeitar a denúncia? Disponível em: <https://www.dizerodireito.com.</p><p>br/2013/08/o-juiz-apos-receber-defesa-preliminar.html>. Acesso em: 11/08/2019.</p><p>1.4. PROCEDIMENTO SUMÁRIO</p><p>É regulado no Capítulo V, do Título II, do Livro II (arts. 531 a 538).</p><p>Conforme estabelece o artigo 394, §1º, inciso II, do CPP, o procedimento sumário</p><p>será adotado quando tiver por objeto crime cuja sanção máxima cominada for inferior a 4</p><p>(quatro) anos de pena privativa de liberdade. O § 5° deste mesmo artigo prevê que aplicam-</p><p>se subsidiariamente a este procedimento as disposições do procedimento ordinário.</p><p>Na prática, como se verá mais adiante, com a reforma processual, poucas diferenças</p><p>restaram entre os ritos ordinário e sumário.</p><p>1.4.1. Recebimento da denúncia ou queixa</p><p>Oferecida a denúncia ou a queixa, o juiz poderá recebê-la ou rejeitá-la liminarmente.</p><p>Para rejeitá-la deverá verificar um dos quesitos exigidos nos incisos do artigo 395, sendo</p><p>estes:</p><p>a) Ser a denúncia manifestamente inepta;</p><p>b) Faltar algum pressuposto processual ou condição para exercício da ação penal;</p><p>ou</p><p>c) Faltar justa causa para o exercício da ação penal.</p><p>Recebendo a denúncia ou queixa, o juiz deverá ordenar a citação do acusado para</p><p>responder a acusação, por escrito (defesa preliminar), no prazo de 10 (dez) dias.</p><p>Sendo a citação realizada por edital, o prazo começará a fluir a partir do</p><p>comparecimento pessoal do acusado ou do defensor constituído.</p><p>https://www.dizerodireito.com.br/2013/08/o-juiz-apos-receber-defesa-preliminar.html</p><p>https://www.dizerodireito.com.br/2013/08/o-juiz-apos-receber-defesa-preliminar.html</p><p>136UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Na resposta, o acusado irá arguir preliminares e alegar tudo que interessar à</p><p>sua defesa, assim como irá oferecer documentos e justificações, especificar as provas</p><p>pretendidas e arrolar testemunhas, sendo no máximo 5, requerendo sua intimação quando</p><p>necessário.</p><p>Não apresentando a resposta no prazo, o juiz deverá constituir um defensor dativo</p><p>para que este ofereça a defesa preliminar, concedendo vista dos autos no prazo de 10 (dez)</p><p>dias.</p><p>1.4.2. Absolvição sumária (julgamento antecipado pro reo)</p><p>O juiz absolverá sumariamente o acusado, conforme estabelece o artigo 397 do</p><p>CPP, após o recebimento de sua resposta, quando verificar:</p><p>Art. 397</p><p>Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código,</p><p>o</p><p>juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:</p><p>I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;</p><p>II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente,</p><p>salvo inimputabilidade;</p><p>III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime;</p><p>IV - extinta a punibilidade do agente.</p><p>Por outro lado, não sendo o caso de absolvição sumária, o juiz determinara a citação</p><p>e designará audiência de instrução e julgamento, que deverá ser única.</p><p>1.4.3. Citação e interrogatório</p><p>O juiz designará dia e hora para audiência, ordenando a intimação do acusado, de</p><p>seu defensor, do MP e se for o caso, do querelante e do assistente.</p><p>No caso do acusado preso, deverá ser requisitado para comparecer ao interrogatório</p><p>e sua apresentação deverá ser providenciada pelo Poder Público.</p><p>O juiz que presidir a instrução deverá proferir a sentença, em decorrência do</p><p>princípio da identidade do juiz no processo penal.</p><p>Embora haja certa discussão acerca da constitucionalidade do instituto, hoje é</p><p>admitida a citação por hora certa, que deverá ser observada quando o oficial de justiça</p><p>perceber que o réu está se ocultando dolosamente para não ser citado.</p><p>Com o novo procedimento, o processo inicia-se com a citação do acusado e não</p><p>mais com o recebimento da denúncia ou da queixa, como era observado anteriormente.</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641837/art-397-do-codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641786/art-397-inc-i-do-codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641756/art-397-inc-ii-do-codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641724/art-397-inc-iii-do-codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641679/art-397-inc-iv-do-codigo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>137UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Isto posto, só pode falar em perempção do momento da citação em diante, e não</p><p>mais antes dessa.</p><p>1.4.4. Audiência de instrução e julgamento</p><p>Deve ocorrer uma audiência una que abrangerá todas as etapas para a realização</p><p>completa da instrução e essa audiência deve ser realizada a tomada de declarações do</p><p>ofendido, se possível, à inquirição de testemunhas arroladas pela acusação e pela defesa,</p><p>nessa ordem, com exceção das testemunhas que morarem fora da jurisdição do juiz que</p><p>deverão ser inquiridas pelo magistrado do lugar de sua residência, expedindo-se, para esse</p><p>fim, carta precatória com prazo razoável.</p><p>Essa carta precatória não suspenderá a instrução criminal. Findo o prazo</p><p>estabelecido para o cumprimento da carta precatória pode ser procedido o julgamento.</p><p>Nessa audiência também deverá proceder-se os esclarecimentos dos peritos, se</p><p>as partes assim requererem previamente, às acareações e o reconhecimento de pessoas</p><p>e coisas, interrogando-se, em seguida, o acusado e, por fim, procedendo-se os debates.</p><p>Todas as provas deverão ser produzidas nessa audiência, desde que o juiz as</p><p>considere relevantes, pertinentes e de possível apresentação imediata, ou seja, não</p><p>protelatórias.</p><p>Nenhum ato deverá ser adiado, salvo quando imprescindível a prova faltante,</p><p>determinando o juiz a condução coercitiva de quem deva comparecer. Havendo ou não a</p><p>suspensão da audiência, a testemunha que comparecer será inquirida.</p><p>No debate serão oferecidas as alegações finais orais por 20 minutos, respectivamente,</p><p>pela acusação e pela defesa, prorrogáveis por mais 10 minutos. Se houver mais de um</p><p>acusado, o tempo previsto para a defesa de cada um será individual. E o assistente do MP,</p><p>por sua vez, terá direito à manifestação por 10 minutos, após a manifestação do primeiro,</p><p>prorrogando-se por igual período o tempo da manifestação da defesa. Logo após os debates</p><p>o juiz proferirá sentença.</p><p>O juiz terá 30 dias para concluir o processo, independentemente de o réu estar</p><p>solto ou preso.</p><p>1.4.5. Relatório</p><p>Do ocorrido em audiência será lavrado termo em livro próprio, assinado pelo juiz e</p><p>pelas partes, contendo breve resumo dos fatos relevantes nela apresentados.</p><p>Sempre que possível, o registro dos depoimentos do investigado, indiciado, ofendido</p><p>e testemunhas será feito pelos meios ou recursos de gravação magnética, estenotipia,</p><p>138UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>digital ou técnica similar, inclusive audiovisual, destinada a obter maior fidelidade das</p><p>informações.</p><p>No caso de registro por meio audiovisual, será encaminhado às partes cópia do</p><p>registro original, sem necessidade de transcrição.</p><p>1.4.6. Ação Civil</p><p>A Lei nº 11.719/08 institui um parágrafo único no artigo 63 do CPP o qual prevê que</p><p>“transitada em julgado a sentença condenatória, a execução poderá ser efetuada pelo valor</p><p>fixado nos termos do inciso IV do caput do art. 387 deste Código sem prejuízo da liquidação</p><p>para a apuração do dano efetivamente sofrido”.</p><p>Assim sendo permite ao juiz criminal, ao sentenciar, que profira, além da decisão do</p><p>mérito, uma condenação certa e determinada e em parte líquida, que pode ser executada</p><p>de plano pela vítima que sofreu o dano e pretende reparação.</p><p>1.5. PROCEDIMENTO SUMARÍSSIMO</p><p>O Rito sumaríssimo é aplicado às infrações penais de menor potencial ofensivo,</p><p>com o julgamento no Juizado Especial Criminal como regra.</p><p>Por sua vez, tais infrações são definidas pela Lei 9.099/95:</p><p>Art. 61</p><p>Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos</p><p>desta Lei, as contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena má-</p><p>xima não superior a 2 (dois) anos, cumulada ou não com multa.</p><p>O procedimento no Juizado Especial Criminal na fases preliminar:</p><p>1) A autoridade policial (que será via de regra um oficial da polícia militar) que tomar</p><p>conhecimento da ocorrência, lavrará termo circunstanciado e o encaminhará imediatamente</p><p>ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as requisições dos exames</p><p>periciais necessários.</p><p>2) Designada audiência preliminar, o Juiz esclarecerá sobre a possibilidade da</p><p>composição dos danos e da aceitação da proposta de aplicação imediata de pena não</p><p>privativa de liberdade.</p><p>3) Se houver composição dos danos civis (transação civil) será reduzida a escrito</p><p>e, homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível e terá eficácia de título a ser</p><p>executado no juízo civil competente.</p><p>4) Não obtida a composição dos danos civis, será dada imediatamente ao ofendido</p><p>a oportunidade de exercer o direito de representação verbal, que será reduzida a termo.</p><p>139UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>5) Havendo representação ou tratando-se de crime de ação penal pública</p><p>incondicionada, não sendo caso de arquivamento, o Ministério Público poderá propor a</p><p>aplicação imediata de pena restritiva de direitos ou multas, a ser especificada na proposta,</p><p>o que recebe o nome de transação penal.</p><p>Obs: Não se admitirá a proposta de transação penal se ficar comprovado:</p><p>a) ter sido o autor da infração condenado, pela prática de crime, à pena privativa de</p><p>liberdade, por sentença definitiva;</p><p>b) ter sido o agente beneficiado anteriormente, no prazo de cinco anos, pela</p><p>aplicação de pena restritiva ou multa (transação penal anterior);</p><p>c) não indicarem os antecedentes, a conduta social e a personalidade do agente,</p><p>bem como os motivos e as circunstâncias, ser necessária e suficiente à adoção da medida.</p><p>6) Aceita a proposta pelo autor da infração e seu defensor, será submetida à</p><p>apreciação do Juiz e homologada (se presentes os requisitos legais).</p><p>OBS: STF súmula vinculante 35:</p><p>“A homologação da transação penal prevista no artigo 76 da Lei 9.099/1995</p><p>não faz coisa julgada material e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a</p><p>situação anterior, possibilitando-se ao Ministério Público a continuidade da</p><p>persecução penal mediante oferecimento de denúncia ou requisição de in-</p><p>quérito policial”.</p><p>7) Contra a decisão que homologou a transação penal cabe recurso de apelação.</p><p>Assim, o Rito Sumaríssimo, está previsto nos artigos 77 a 81 da Lei 9.099/95,</p><p>apenas ocorre quando não houve transação na audiência preliminar.</p><p>Após oferecida a denúncia ou a queixa oral, sendo reduzidas a termo, o infrator</p><p>receberá uma cópia, e será considerado automaticamente citado.</p><p>Na situação em que o infrator não estiver presente na audiência preliminar, será</p><p>citado pessoalmente por mandado, sendo obrigado a comparecer em juízo acompanhado</p><p>de advogado ou será nomeado um defensor dativo.</p><p>O procedimento continuará no Juizado, com exceção de que se o infrator não for</p><p>encontrado para citação, o processo será encaminhado para a justiça comum.</p><p>No início da audiência de instrução, será tentada a composição e transação caso o</p><p>infrator não tenha comparecido na audiência preliminar. As consequências do acordo serão</p><p>as mesmas do acordo na audiência preliminar.</p><p>Depois da tentativa, será declarada a abertura da audiência e o defensor responde</p><p>à acusação. Tentando, através da sustentação oral, convencer o juiz de sua inocência.</p><p>Apenas após a defesa o juiz aceitará ou não a denúncia.</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/topicos/11305139/artigo-77-da-lei-n-9099-de-26-de-setembro-de-1995</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/topicos/11304829/artigo-81-da-lei-n-9099-de-26-de-setembro-de-1995</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103497/lei-dos-juizados-especiais-lei-9099-95</p><p>140UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Após a denúncia, o juiz ouvirá a vítima e as testemunhas de acusação, e, depois</p><p>da apresentação da defesa, o réu será interrogado. Por fim, serão feitos debates orais e o</p><p>juiz irá proferir a sentença.</p><p>1.5.1. Dos Recursos</p><p>Se a denúncia ou queixa for rejeitada, poderá ser interposto o recurso em sentido</p><p>estrito (RESE), por meio de petição ou termo.</p><p>Por outro lado, o recurso cabível em sentenças de mérito é a apelação.</p><p>O julgamento será realizado por turmas recursais compostas por 3 juízes em</p><p>exercício no primeiro grau de jurisdição.</p><p>Os embargos de declaração poderão ser interpostos no prazo de 05 (cinco) dias</p><p>após a ciência da decisão, por escrito ou oral. Será cabível também, o recurso extraordinário,</p><p>quando a decisão de primeira ou segunda instância contrariar dispositivo da Constituição</p><p>Federal.</p><p>1.5.2. Da Execução</p><p>Em pena de multa o réu terá 10 (dez) dias para efetuar o pagamento na própria</p><p>Secretaria do Juizado, sendo permitido ao juiz parcelar a quantia pecuniária. Assim que o</p><p>réu realizar o pagamento, será extinta a punibilidade.</p><p>No entanto, caso não seja efetuado o pagamento, a pena poderá ser convertida</p><p>em pena privativa de liberdade, calculando-se da seguinte forma: cada dia-multa será</p><p>convertida em um dia de detenção.</p><p>Nesse sentido, tornou-se inadmissível a conversão de multa em pena restritiva de</p><p>direitos, por não haver dispositivo legal regulamentando.</p><p>1.5.3. Conclusão</p><p>Sendo assim, o procedimento sumaríssimo e o Juizado Especial Criminal estão</p><p>previstos no artigo 98, inc. I, e regulamentados pela lei 9099/95. Esse procedimento é</p><p>utilizado para contravenções penais e os crimes cuja pena máxima não exceda 2 anos.</p><p>O Juizado Especial Criminal é caracterizado pela oralidade, informalidade,</p><p>economia processual e celeridade e os procedimentos são divididos em cinco fases: termo</p><p>circunstanciado, audiência preliminar, rito sumaríssimo, recurso e execução.</p><p>Tendo em vista as características do Juizado Especial Criminal, a busca da verdade</p><p>é feita de um modo menos burocrático, mais rápido e mais eficaz.</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/103497/lei-dos-juizados-especiais-lei-9099-95</p><p>141UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>É muito mais favorável ao acusado tentar chegar a uma conciliação, um acordo</p><p>com o Estado, demonstrando, dessa forma, que entendeu sua infração e aceita a punição</p><p>adequada ao crime praticado.</p><p>Além disso, o fato de haver menos etapas e ser conduzido com menos formalidades,</p><p>se torna mais fácil de alcançar a veracidade dos fatos e analisar o que realmente ocorreu.</p><p>Porém, convém ressaltar, que o termo circunstanciado não busca as provas com a</p><p>mesma veemência do inquérito policial, podendo prejudicar a busca da verdade na sentença</p><p>do juiz.</p><p>Existe, ainda, um problema de citação do infrator, que caso não encontrado, o</p><p>processo deverá ser encaminhado para a justiça comum. Entretanto, deve-se considerar,</p><p>que o fato de serem crimes de menor potencial ofensivo, eles não necessariamente</p><p>necessitariam de uma maior análise.</p><p>142UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>2. DA JURISDIÇÃO E DA COMPETÊNCIA</p><p>2.1. INTRODUÇÃO</p><p>No Processo Penal, a jurisdição revigora, até mesmo porque nessa seara é</p><p>importante a noção do jus puniendi, o direito de punir aquele que transgrida as normas</p><p>penais de um Ordenamento jurídico.</p><p>Deste modo, no Processo Penal o conflito existe sempre que uma pessoa viole</p><p>a esfera jurídica de outrem, sendo que o bem juridicamente tutelado deve ser daqueles</p><p>elencados pelo Direito Penal.</p><p>Posto isso, o autor Alry Lopes Jr., retrata que:</p><p>A Jurisdição deve ser um poder dever de realização de Justiça estatal, por</p><p>órgãos especializados do Estado. O processo penal, assim, se resume a co-</p><p>nhecer da pretensão acusatória e de seu elemento objetivo, qual seja, o caso</p><p>penal. (JUNIOR, 2012, p. 118).</p><p>Assim, importa recordar que a jurisdição é exercida por meio do processo, esse</p><p>conjunto de atos e de relações que se destinam a produzir a norma individual aplicável ao</p><p>caso concreto.</p><p>A jurisdição, entretanto, sob a ótica da Constituição Federal, só se concretizará com</p><p>as garantias e princípios do processo penal. Conforme veremos a seguir:</p><p>2.2. DOS PRINCÍPIOS JURISDICIONAIS</p><p>Os princípios da Jurisdição, em rápida síntese, são os seguintes:</p><p>143UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>a) O princípio do juiz-natural: implica no direito que tem a sociedade de saber</p><p>quem será o julgador de suas lides, é o direito consistente de ser o acusado julgado por</p><p>um juiz natural, que é o competente para tanto de acordo com os critérios processuais da</p><p>competência.</p><p>b) O princípio da inércia: coíbe que o magistrado atue de ofício. Deve atuar</p><p>somente quando devidamente invocado pelo Ministério Público com o oferecimento da</p><p>denúncia, ou pelo querelante, com a oferta da queixa.</p><p>c) O princípio da imparcialidade: significa que o magistrado não pode julgar com</p><p>interesse na lide posta em juízo, beneficiando qualquer das partes. No âmbito processual,</p><p>deve existir a isonomia processual entre acusação e defesa. A imparcialidade, segundo Alry,</p><p>não significa neutralidade e para ele o julgador não deve determinar provas em detrimento</p><p>de uma das partes, por exemplo, pois isso pode contaminar a sua imparcialidade.</p><p>d) O princípio da indeclinabilidade: implica na proibição que tem o magistrado</p><p>de não se desobrigar da ação penal; uma vez provocado pela inicial acusatória, dela não</p><p>pode se recusar, deixando que outra pessoa a julgue. A justiça negociada, a exemplo dos</p><p>institutos dos Juizados Especiais Criminais, como a transação, vem relativizando esse</p><p>princípio, posto que o acordo se dá entre promotor e acusado, restando ao juiz apenas</p><p>homologá-lo.</p><p>2.3. COMPETÊNCIA NO PROCESSO PENAL</p><p>Para aplicar a sanção penal aos casos a ele levados, o Poder Judiciário utiliza-se</p><p>de um conjunto de regras para eleger, para cada matéria, um órgão ou Justiça “natural”, por</p><p>assim dizer. É justamente a competência, por meio de regras e critérios que definirá o local,</p><p>Juízo e órgão onde a lide tramitará.</p><p>Consoante aos critérios, estes podem ser em razão da matéria, pessoa e lugar.</p><p>A competência, a seu turno, se classifica em absoluta, sempre que puder ser</p><p>declarada de ofício pelo juiz</p><p>ou a requerimento das partes em qualquer tempo ou grau de</p><p>jurisdição no processo, ou relativa, quando o réu deva alegá-la no prazo de resposta, sob</p><p>pena de preclusão e prorrogação das competências.</p><p>Quanto a sua classificação, a doutrina trabalha de forma igual tanto no processo civil</p><p>como no penal, considera-se a competência em razão da matéria (ratione materiae – está</p><p>relacionada a natureza do crime praticado) e da pessoa (ratione personae – competência</p><p>por prerrogativa de função), absoluta, não podendo ser modificada. Já a competência em</p><p>144UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>razão do lugar (ratione loci), todavia, em regra, a competência no Processo Penal é fixada</p><p>em razão do local de consumação do delito. Senão vejamos:</p><p>Quadro 2: JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA</p><p>Fonte: O autor.</p><p>Entretanto, no Processo Penal deve (deveria) imperar, sempre a competência</p><p>absoluta. É princípio garantidor do status libertatis do sujeito, o princípio da legalidade,</p><p>posto que toda e qualquer disposição que interfira na sua liberdade e a aplicação da sanção</p><p>penal dentro do ordenamento jurídico, deva ser expressamente previsto, seja no Código</p><p>Penal, seja no Código de Processo Penal ao qual incube a aplicação daquele.</p><p>Assim, justamente por ter a natureza de ultima ratio do ordenamento, o Direito</p><p>Penal só pode ser aplicado por um juiz competente para tanto, designado pelas regras de</p><p>competência, que devem ser expressa.</p><p>2.3.1. Justiças competentes</p><p>A competência jurisdicional pode ser determinada pelo lugar da infração, o domicílio</p><p>ou residência do réu, a natureza da infração, a distribuição, a conexão ou continência, a</p><p>prevenção e a prerrogativa de função.</p><p>Antes de se observar essas regras, contudo, há que se observar o órgão ou juízo</p><p>onde devam tramitas as lides penais.</p><p>Assim, a divisão dos órgãos ou Justiças Especiais é a seguinte:</p><p>a) Justiças Especiais (Militar Federal, Militar Estadual e a Eleitoral);</p><p>b) Justiças Comuns (Federal e Estadual).</p><p>As Especiais, Militar e Eleitoral, tem a sua competência determinada em razão da</p><p>matéria e da pessoa, sobretudo esta última.</p><p>A Militar pode ser Estadual ou Federal, sendo que a diferença reside no tocante</p><p>aos crimes e as pessoas. Os crimes militares Federais vêm expressos; a Militar Estadual</p><p>145UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>é residual em relação a Militar Federal. A Militar sempre julga os crimes militares, previstos</p><p>no Código Penal Militar, mais precisamente no art. 9º do CPM. Ela nunca julga os crimes</p><p>conexos a ela, que devem ser separados.</p><p>Vejamos na íntegra o que diz o art. 9º do Código Penal Militar:</p><p>Art. 9º</p><p>Consideram-se crimes militares, em tempo de paz:</p><p>I - os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na</p><p>lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo</p><p>disposição especial;</p><p>II – os crimes previstos neste Código e os previstos na legislação penal,</p><p>quando praticados:</p><p>a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na</p><p>mesma situação ou assemelhado;</p><p>b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à</p><p>administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelha-</p><p>do, ou civil;</p><p>c) por militar em serviço ou atuando em razão da função, em comissão de</p><p>natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à adminis-</p><p>tração militar contra militar da reserva, ou reformado, ou civil;</p><p>d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da</p><p>reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil;</p><p>e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio</p><p>sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar;</p><p>f) revogada.</p><p>III - os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil,</p><p>contra as instituições militares, considerando-se como tais não só os com-</p><p>preendidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos:</p><p>a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem admi-</p><p>nistrativa militar;</p><p>b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de ativi-</p><p>dade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justi-</p><p>ça Militar, no exercício de função inerente ao seu cargo;</p><p>c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância,</p><p>observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou mano-</p><p>bras;</p><p>d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em</p><p>função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, ga-</p><p>rantia e preservação da ordem pública, administrativa ou judiciária, quando</p><p>legalmente requisitado para aquele fim, ou em obediência a determinação</p><p>legal superior.</p><p>§ 1o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e</p><p>cometidos por militares contra civil, serão da competência do Tribunal do Júri</p><p>146UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>§ 2o Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e</p><p>cometidos por militares das Forças Armadas contra civil, serão da competência</p><p>da Justiça Militar da União, se praticados no contexto:</p><p>I – do cumprimento de atribuições que lhes forem estabelecidas pelo Presi-</p><p>dente da República ou pelo Ministro de Estado da Defesa;</p><p>II – de ação que envolva a segurança de instituição militar ou de missão</p><p>militar, mesmo que não beligerante; ou</p><p>III – de atividade de natureza militar, de operação de paz, de garantia da lei</p><p>e da ordem ou de atribuição subsidiária, realizadas em conformidade com o</p><p>disposto no art. 142 da Constituição Federal e na forma dos seguintes diplo-</p><p>mas legais:</p><p>a) Lei no 7.565, de 19 de dezembro de 1986 - Código Brasileiro de Aeronáu-</p><p>tica;</p><p>b) Lei Complementar no 97, de 9 de junho de 1999;</p><p>c) Decreto-Lei no 1.002, de 21 de outubro de 1969 - Código de Processo</p><p>Penal Militar; e</p><p>d) Lei no 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código Eleitoral.</p><p>A Militar Federal se difere da Estadual porque a primeira deve julgar os crimes</p><p>cometidos por militares das forças armadas que atuem em todo o território nacional nos</p><p>casos em que um interesse militar for violado.</p><p>A Justiça Militar Estadual, por sua vez, será competente para julgar, os crimes</p><p>cometidos por um militar do Estado como os bombeiros, policiais militares estaduais e polícia</p><p>rodoviária estadual, observando o interesse militar violado, requisito de suma importância.</p><p>A Justiça Eleitoral tem a sua competência prevista nos artigos 118 a 121 da</p><p>Constituição Federal e Lei nº 4.737/65. Vejamos:</p><p>Art. 118</p><p>São órgãos da Justiça Eleitoral:</p><p>I - o Tribunal Superior Eleitoral;</p><p>II - os Tribunais Regionais Eleitorais;</p><p>III - os juízes eleitorais;</p><p>IV - as Juntas Eleitorais.</p><p>Art. 119</p><p>O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo, de sete membros,</p><p>escolhidos:</p><p>I - mediante eleição, pelo voto secreto:</p><p>a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal;</p><p>b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça;</p><p>147UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes dentre seis</p><p>advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo</p><p>Supremo Tribunal Federal.</p><p>Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-</p><p>Presidente dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal, e o corregedor</p><p>eleitoral dentre os Ministros do Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Art. 120</p><p>Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na capital de cada Estado e no Distrito</p><p>Federal.</p><p>§ 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão:</p><p>I - mediante eleição, pelo voto secreto:</p><p>a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de Justiça;</p><p>b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo Tribunal de Justiça;</p><p>II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na capital do Estado ou</p><p>no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz federal, escolhido, em qualquer</p><p>caso, pelo Tribunal Regional Federal respectivo;</p><p>III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois juízes dentre seis</p><p>advogados de notável saber jurídico e idoneidade moral, indicados pelo</p><p>Tribunal de Justiça.</p><p>§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o Vice-Presidente</p><p>dentre os desembargadores.</p><p>Art. 121</p><p>Lei complementar disporá sobre a organização e competência dos Tribunais,</p><p>dos juízes de direito e das Juntas Eleitorais.</p><p>§ 1º - Os membros dos Tribunais, os juízes de direito e os integrantes das</p><p>Juntas Eleitorais, no exercício de suas funções, e no que lhes for aplicável,</p><p>gozarão de plenas garantias e serão inamovíveis.</p><p>§ 2º - Os juízes dos Tribunais Eleitorais, salvo motivo justificado, servirão por</p><p>dois anos, no mínimo, e nunca por mais de dois biênios consecutivos, sendo</p><p>os substitutos escolhidos na mesma ocasião e pelo mesmo processo, em</p><p>número igual para cada categoria.</p><p>§ 3º - São irrecorríveis as decisões do Tribunal Superior Eleitoral, salvo as</p><p>que contrariarem esta Constituição e as denegatórias de habeas corpus ou</p><p>mandado de segurança.</p><p>§ 4º - Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente caberá</p><p>recurso quando:</p><p>I - forem proferidas contra disposição expressa desta Constituição ou de lei;</p><p>II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou mais Tribunais</p><p>Eleitorais;</p><p>III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas nas eleições</p><p>federais ou estaduais;</p><p>IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos eletivos federais</p><p>ou estaduais;</p><p>148UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>V - denegarem habeas corpus, mandado de segurança, habeas data ou</p><p>mandado de injunção.</p><p>Assim, deve julgar os crimes eleitorais e a conexa a ela. No primeiro grau, tem-se</p><p>os juízes eleitorais; no segundo, Tribunal Regional Eleitoral e o Supremo Tribunal Eleitoral,</p><p>acima daquele.</p><p>A justiça Comum Federal é sempre residual em relação à Justiça Especial: incide</p><p>sempre que a lide não for da esfera especial e deve sempre estar prevista expressamente</p><p>na Constituição Federal. Incide sempre que o crime envolva bens, serviços ou interesses da</p><p>União, autarquias ou empresas públicas. É composta pelos seguintes órgãos: os Juizados</p><p>Especiais Criminais Federais, Juízes Federais e Tribunal do Júri. Os Tribunais Regionais</p><p>Federais fazem parte do seu segundo grau. Os Juizados Especiais Criminais deverão julgar</p><p>crimes de menor potencial ofensivo (pena máxima não superior a dois anos) relativos à</p><p>Justiça Federal.</p><p>A Justiça Comum Estadual sempre residual às demais. Só incide depois que a</p><p>“peneira” da competência já tiver passado pelas demais. No primeiro grau temos o Tribunal</p><p>do Júri, Juízes de Direito e Juizados Especais Criminais. Já no segundo grau ela é composta</p><p>pelos Tribunais de Justiça.</p><p>2.3.2. Foro competente</p><p>À fase de escolha dos órgãos procede à fase de determinação do foro competente.</p><p>O juiz que antecede os demais em algum ato decisório, como receber a denúncia</p><p>poderá ser o competente (distribuição); já na prevenção, também poderá ser o competente</p><p>aquele que na fase de inquérito tiver, por exemplo, decretado a prisão em flagrante. Se</p><p>nenhum juiz for prevento, o critério será o da distribuição.</p><p>Também observa-se o local do cometimento da infração: onde ela se consumou</p><p>ou onde foi praticado o último ato de execução. No caso de continuidade delitiva ou crime</p><p>permanente praticado em território de duas ou mais jurisdições, o juiz prevento será o</p><p>competente.</p><p>2.3.3. Prerrogativa de função</p><p>A prerrogativa por função é um privilégio que algumas autoridades gozam em</p><p>relação as atribuições exercidas por elas, como por exemplo, o Presidente da República.</p><p>Não quebra o princípio da igualdade, tendo em vista que a prerrogativa é da função e não</p><p>da pessoa. Quando findada a função, cessa a prerrogativa.</p><p>149UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Exemplificativamente, no STF serão julgados o Presidente da República, o Vice-</p><p>presidente, os deputados federais, seus próprios ministros, o procurador-geral da República,</p><p>o advogado-geral da União, ministros de Estado, comandantes das forças armadas,</p><p>ministros dos Tribunais Superiores, membros do Tribunal de Contas da União e os chefes</p><p>de missão diplomática de caráter permanente.</p><p>Art. 102</p><p>Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Consti-</p><p>tuição, cabendo-lhe:</p><p>I - processar e julgar, originariamente:</p><p>a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou</p><p>estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo</p><p>federal;</p><p>b) nas infrações penais comuns, o Presidente da República, o Vice-Presiden-</p><p>te, os membros do Congresso Nacional, seus próprios Ministros e o Procura-</p><p>dor-Geral da República;</p><p>c) nas infrações penais comuns e nos crimes de responsabilidade, os Minis-</p><p>tros de Estado e os Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica,</p><p>ressalvado o disposto no art. 52, I, os membros dos Tribunais Superiores, os</p><p>do Tribunal de Contas da União e os chefes de missão diplomática de caráter</p><p>permanente;</p><p>Todas as prerrogativas devem constar expressamente da Constituição Federal,</p><p>como faz com a competência acima trazida (art. 102, I, a, b e c).</p><p>2.3.4. Conexão e continência</p><p>A conexão e a continência são duas causas modificadoras da competência.</p><p>A conexão opera-se quando há um vínculo estreito entre os delitos, exigindo-se se</p><p>a prática de dois ou mais crimes. Ela pode ser: intersubjetiva ocasional (quando dois ou</p><p>mais crimes forem praticados ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas), intersubjetiva</p><p>concursal (quando dois ou mais crimes forem praticados por várias pessoas em concurso,</p><p>ainda que diversos o tempo e o lugar) ou intersubjetiva por reciprocidade (quando duas ou</p><p>mais infrações forem praticadas por várias pessoas, umas contra as outras).</p><p>A continência, por sua vez, opera-se sempre que duas ou mais pessoas forem</p><p>acusadas pela mesma infração, tendo elas cometido um mesmo, que por razões de garantis</p><p>processuais, serão julgadas simultaneamente, evitando o julgamento diferenciado.</p><p>150UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Atenção: se um crime eleitoral é conexo a um crime comum, os dois serão julgados na</p><p>esfera eleitoral; a infração cometida entre pessoas imputáveis e inimputáveis não serão</p><p>julgados num mesmo processo. Opera-se a cisão dos processos (separação obrigató-</p><p>ria).</p><p>Recomenda-se ler o artigo: “Competência Criminal e Crime Comum Conexo com Elei-</p><p>toral.”</p><p>Fonte: GOMES, José Jairo. Competência Criminal e Crime Comum Conexo com Eleitoral, 2019, Genjuri-</p><p>dico.com.br. Disponível em: <http://genjuridico.com.br/2019/04/16/competencia-criminal-e-crime-comum-</p><p>-conexo-com-eleitoral/>. Acesso em: 09 ago. 2019.</p><p>http://genjuridico.com.br/2019/04/16/competencia-criminal-e-crime-comum-conexo-com-eleitoral/</p><p>http://genjuridico.com.br/2019/04/16/competencia-criminal-e-crime-comum-conexo-com-eleitoral/</p><p>151UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>3. DOS ATOS PROCESSUAIS</p><p>3.1. INTRODUÇÃO E CONCEITO</p><p>Conceitua-se ato processual - toda conduta dos sujeitos do processo que tenha por</p><p>efeito a criação, modificação ou extinção de situações jurídicas processuais.</p><p>Em linhas gerais, pode-se dizer que os atos processuais são aqueles atos praticados</p><p>pelos sujeitos do processo que, de uma forma ou de outra, dão andamento ao processo, ou</p><p>seja, auxiliam para a consecução de uma prestação jurisdicional eficiente.</p><p>Nos dizeres do doutrinador Antônio Carlos de Araújo Cintra:</p><p>Os atos processuais são voluntários, mas apenas no sentido de que sua</p><p>realização depende da vontade – e não do conteúdo acrescido por um ato</p><p>de vontade; o sujeito limita-se a escolher entre praticar ou não o ato, não lhe</p><p>deixando a lei margem de liberdade para a escolha dos efeitos deste. (CIN-</p><p>TRA, 2009, p. 358).</p><p>Uma vez que podem ser praticados pelos diversos sujeitos do processo, têm</p><p>diferentes significados e efeitos no decorrer da relação jurídica processual; além de que,</p><p>quanto</p><p>ao modo mediante o qual são realizados, diferenciam-se também, haja vista que</p><p>há atos que se exaurem numa só atividade e outros que se apresentam como a soma de</p><p>atividades múltiplas.</p><p>Por isso, classificam-se das maneiras seguintes:</p><p>a) atos dos órgãos judiciários (juiz e auxiliares) e atos das partes;</p><p>b) atos simples e atos complexos.</p><p>152UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>3.1.1. Atos processuais do juiz</p><p>De modo geral, os atos judiciais são pronunciamentos deliberativos do juiz no curso</p><p>do processo se destinando à movimentação do processo ou a um julgamento.</p><p>Os destinados à movimentação são chamados de despachos de expediente ou</p><p>despachos ordinatórios. Já os que envolvem um julgamento são chamados de decisões ou</p><p>sentenças.</p><p>Diante da variadíssima atividade do juiz no processo, os atos processuais por este</p><p>praticados distinguem-se em duas categorias:</p><p>Provimentos:</p><p>Nos atos de provimentos, o juiz se pronuncia dentro do processo, exprime suas</p><p>falas verbalmente ou por escrito, decide alguma pretensão ou determina providências.</p><p>Os pronunciamentos do juiz são finais ou interlocutórios. Os finais decidem a</p><p>causa, como por exemplo, a sentença, na qual a parte insatisfeita com a decisão poderá</p><p>recorrer ao segundo grau a fim de modificá-la no todo ou em parte. Os interlocutórios, não</p><p>decidem a causa, são atividades de meio, pronunciadas ao longo de um processo tanto</p><p>para esclarecer, ou informar determinada situação.</p><p>b) Atos reais (ou materiais):</p><p>Já, os atos reais (ou materiais) não determinam, apenas instruem e documentam</p><p>(inspeções de pessoas ou coisas, alegações, rubrica de folhas, assinatura, etc).</p><p>3.1.2. Atos processuais dos auxiliares da justiça</p><p>A atividade dos auxiliares da Justiça no trâmite processual se dá através de atos</p><p>de movimentação, documentação, comunicação e execução, sendo a movimentação</p><p>e a documentação realizadas principalmente através do escrivão e seus funcionários</p><p>(escreventes).</p><p>Entre os atos de movimentação tem-se: a conclusão dos atos ao juiz, a vista à</p><p>partes, a remessa ao contador, a expedição de mandados e ofícios.</p><p>Os atos de documentação são, por exemplo, a lavratura dos termos referentes à</p><p>movimentação (conclusão, vista, etc.), a feitura do termo de audiência, o lançamento de</p><p>certidões, entre outros.</p><p>Compete, ordinariamente, ao oficial de justiça o encargo da execução, por tratar-se</p><p>de atos realizados fora dos auditórios e cartórios, em cumprimento a mandado judicial,</p><p>como, por exemplo, penhora, prisão, busca e apreensão. Já os atos de comunicação</p><p>153UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>processual consistem em citações ou intimações, e é realizada pelo escrivão, com o auxílio</p><p>dos Correios, ou pelo oficial de justiça, em cumprimento a mandados judiciais. Resumindo:</p><p>a) movimentação: atos realizados através do escrivão e seus funcionários, por</p><p>exemplo: conclusão dos autos ao juiz, a vista às partes, a remessa ao contador, emissão</p><p>de certidões etc.;</p><p>b) documentação: a lavratura dos termos referentes à movimentação, conclusão,</p><p>vista, termos de audiências;</p><p>c) execução: encargos do oficial de Justiça, normalmente atos realizados fora dos</p><p>auditórios e cartórios (penhora prisão, busca e apreensão).</p><p>3.1.3. Atos processuais das partes</p><p>Podem ser postulatórios, dispositivos, instrutórios (constituindo estes declarações</p><p>de vontade) e reais – como indica a própria designação, resolve-se em condutas materiais</p><p>(não verbais) das partes.</p><p>Evidentemente, cada um dos atos processuais das partes (de cada uma das</p><p>espécies acima) poderá ser lícito ou ilícito, dependendo de sua conformação ao direito.</p><p>Cada um desses atos, também, poderá ser constitutivo, extintivo ou impeditivo de situações</p><p>jurídicas processuais (e é sempre de muita utilidade essa classificação extraprocessual dos</p><p>atos).</p><p>Assim, os atos processuais das partes ocorrem quando à movimentação do</p><p>processo pelas partes, com a postulação, a disposição e instrução, portanto se classificam</p><p>em:</p><p>a) Atos postulatórios: a parte pede um provimento jurisdicional (denúncia, petição</p><p>inicial, contestação, recurso);</p><p>b) Atos dispositivos: a parte desiste de um direito, de determinada posição jurídica</p><p>por diversos motivos, podendo desistir do processo, do recurso, etc.</p><p>c) Atos instrutórios: As partes colecionam e instruem as provas, que levam ao</p><p>livre convencimento do juiz.</p><p>d) Atos reais: manifestação física das partes no processo, como ex: pagando</p><p>custas, comparecendo fisicamente às audiências, exibindo documentos, submetendo-se a</p><p>exames, prestando depoimento.</p><p>154UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>3.1.4. Atos processuais simples e complexos</p><p>A grande maioria dos atos processuais é simples, ou seja, praticamente se resolvem</p><p>em uma só conduta (demanda inicial, citação, contestação, sentença).</p><p>De outra parte, há atos processuais que se apresentam como um conglomerado de</p><p>vários atos unidos pela contemporaneidade e pela finalidade comum, como ocorre com a</p><p>audiência, nas sessões dos órgãos colegiados de jurisdição superior (tribunais) e a sessão</p><p>do tribunal do júri.</p><p>Assim, os atos processuais simples resultam da manifestação de vontade de uma</p><p>só pessoa, de um só órgão monocrático ou colegiado (denúncia, sentença, acórdão, etc).</p><p>Os atos processuais complexos observam uma série de atos entrelaçados</p><p>(audiências, sessões, etc.).</p><p>Há, ainda, os atos processuais compostos que são aqueles que resultam da</p><p>manifestação de vontade de uma só pessoa, no entanto, dependem da verificação e</p><p>aceitação de outro para ter eficácia (perdão do ofendido, que depende da aceitação do</p><p>querelado, etc.).</p><p>3.2. LUGAR, FORMA E PRAZO DOS ATOS PROCESSUAIS</p><p>Em regra, os atos processuais devem ser realizados no edifício onde o órgão</p><p>jurisdicional tenha sede. Entretanto comporta algumas exceções:</p><p>a) em caso de testemunha residente fora da comarca do juízo processante, ocasião</p><p>em que tal testemunha deverá ser ouvida por intermédio de carta precatória ou rogatório;</p><p>b) na residência do juiz ou outro lugar por ele designado, conforme se depreende</p><p>do art. 792, § 2º, CPP, in verbis:</p><p>Art. 792</p><p>§ 2º As audiências, as sessões e os atos processuais, em caso de neces-</p><p>sidade, poderão realizar-se na residência do juiz, ou em outra casa por ele</p><p>especialmente designada.</p><p>No tocante à forma, é por ela que o ato processual se manifesta, ou seja, é a</p><p>exteriorização do ato; o aspecto que o ato deve se apresentar.</p><p>São todas aquelas condições de lugar, de expressão e de tempo, normalmente</p><p>exigidas no texto legal para cumprimento de um determinado ato.</p><p>Ainda no tocante à forma, tem-se que esta é regida pelos princípios gerais</p><p>orientadores: idioma, escrito, publicidade e documentação.</p><p>a) idioma: os atos processuais devem ser efetuados em língua portuguesa;</p><p>b) escrito: os atos processuais devem ser exteriorizados de forma escrita;</p><p>155UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>c) publicidade: serão públicos todos os atos processuais, na forma estabelecida no</p><p>art. 792, caput e § 1º, CPP, in verbis:</p><p>Art. 792</p><p>As audiências, sessões e os atos processuais serão, em regra, públicos e se</p><p>realizarão nas sedes dos juízos e tribunais, com assistência dos escrivães,</p><p>do secretário, do oficial de justiça que servir de porteiro, em dia e hora certos,</p><p>ou previamente designados.</p><p>§ 1º Se da publicidade da audiência, da sessão ou do ato processual, puder</p><p>resultar escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da ordem,</p><p>o juiz, ou o tribunal, câmara, ou turma, poderá, de ofício ou a requerimento da</p><p>parte ou do Ministério Público, determinar que o ato seja realizado a portas</p><p>fechadas, limitando o número de pessoas que possam estar presentes.</p><p>d) documentação: em regra, os atos processuais devem ser assinados e rubricados.</p><p>3.3. CITAÇÃO E INTIMAÇÃO</p><p>3.3.1. Citação</p><p>A citação é o ato pelo qual o acusado é chamado a juízo, vinculando-o ao processo</p><p>e a seus efeitos.</p><p>A relação processual completa-se com a</p><p>citação válida e o processo pode</p><p>desenvolver-se regularmente.</p><p>Segundo Fernando Capez, citação:</p><p>É o ato oficial pelo qual, ao início da ação, dá-se ciência ao acusado de que,</p><p>contra ele, se movimenta esta ação, chamando-o a vir a juízo, para se ver</p><p>processar e fazer a sua defesa. Compõe-se a citação de dois elementos bási-</p><p>cos: a cientificação do inteiro teor da acusação e o chamamento do acusado</p><p>a vir apresentar a sua defesa. Toda vez que uma destas finalidades não for</p><p>atingida, haverá vício no ato citatório. Assim, a citação que apenas chamar</p><p>o réu sem inteirar-lhe previamente do conteúdo da denúncia ou queixa será</p><p>irremediavelmente nula, por ofensa ao princípio constitucional da ampla de-</p><p>fesa (CF, art. 5º, LV). No Processo Penal, a citação é feita apenas uma vez,</p><p>pois o processo de execução configura simples prosseguimento da relação</p><p>processual já instaurada. (CAPEZ, 2012, p. 569).</p><p>Como é um ato formal, deve ser realizada da maneira prevista em lei, não se admitindo</p><p>forma substitutiva, salvo a hipótese do art. 570, CPP, adiante transcrito:</p><p>Art. 570</p><p>A falta ou a nulidade da citação, da intimação ou notificação estará sanada,</p><p>desde que o interessado compareça, antes de o ato consumar-se, embora</p><p>declare que o faz para o único fim de argui-la. O juiz ordenará, todavia, a</p><p>suspensão ou o adiamento do ato, quando reconhecer que a irregularidade</p><p>poderá prejudicar direito da parte.</p><p>Damásio de Jesus é enfático em afirmar que a citação é convalidada ainda que o</p><p>citando compareça somente para alegar a nulidade decorrente da omissão. Tal convalidação</p><p>156UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>da citação está fundada no princípio de que não se declara nulidade quando inexistir prejuízo</p><p>à parte (JESUS, 2010, p. 423).</p><p>No que se refere à tipologia, a citação pode ser real ou ficta.</p><p>Será real a citação que se realiza por mandado, pelo oficial de justiça, do militar</p><p>mediante requisição a seu chefe, e a que se faz por precatória ou rogatória.</p><p>Já a ficta é a citação que é realizada por edital ou por hora certa.</p><p>A citação, em regra, é feita por intermédio de mandado e deve preencher os</p><p>requisitos do art. 352, do CPP, vejamos:</p><p>Art. 352</p><p>O mandado de citação indicará:</p><p>I - o nome do juiz;</p><p>II - o nome do querelante nas ações iniciadas por queixa;</p><p>III - o nome do réu, ou, se for desconhecido, os seus sinais característicos;</p><p>IV - a residência do réu, se for conhecida;</p><p>V - o fim para que é feita a citação;</p><p>VI - o juízo e o lugar, o dia e a hora em que o réu deverá comparecer;</p><p>VII - a subscrição do escrivão e a rubrica do juiz.</p><p>O ato processual citatório está disciplinado nos arts. 351 a 369, CPP.</p><p>Devido à sua importância, a citação deve ser cumprida em seus estritos termos</p><p>formais para que, de nenhuma forma, seja prejudicado o direito à defesa, assim eivando de</p><p>vício o ato, que pode gerar sua nulidade.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Por se tratar de ato pessoal, a citação no processo penal não admite ser executada em</p><p>outra pessoa que não seja o réu. Outra hipótese vedada é a citação por hora certa, admis-</p><p>sível no processo civil.</p><p>No entanto, quando se tratar de réu doente mental, admite-se a citação na pessoa do seu</p><p>curador especial. Se já for do conhecimento do juízo a doença, a citação será feita na pes-</p><p>soa do curador, se a enfermidade for notada pelo oficial de justiça, este descreverá o fato</p><p>em certidão no mandado, devolvendo-o ao juízo. De ofício, ou a requerimento do Minis-</p><p>tério Público, cônjuge, irmão ou parentes, procederá, o juiz, com o exame mental. Sendo</p><p>declarado deficiente mental, então, ser-lhe-á nomeado curador e promovida a citação.</p><p>Fonte: SALES, Raul Lins Bastos. Citação no processo penal: disposições gerais, espécies e efeitos.</p><p>Revista Jus Navigandi, 2007. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/9507/citacao-no-processo-penal-</p><p>-disposicoes-gerais-especies-e-efeitos>. Acesso em: 9 ago. 2019.</p><p>https://jus.com.br/artigos/9507/citacao-no-processo-penal-disposicoes-gerais-especies-e-efeitos</p><p>https://jus.com.br/revista/edicoes/2007</p><p>https://jus.com.br/artigos/9507/citacao-no-processo-penal-disposicoes-gerais-especies-e-efeitos</p><p>https://jus.com.br/artigos/9507/citacao-no-processo-penal-disposicoes-gerais-especies-e-efeitos</p><p>157UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>3.3.2. Intimação</p><p>Disciplinada nos artigos 370 a 372, a intimação das partes se dá nos mesmos</p><p>moldes que a citação e prevê as formas dos mesmos atos para os profissionais que as</p><p>apresentam.</p><p>Art. 370</p><p>Nas intimações dos acusados, das testemunhas e demais pessoas que de-</p><p>vam tomar conhecimento de qualquer ato, será observado, no que for aplicá-</p><p>vel, o disposto no Capítulo anterior.</p><p>§ 1º A intimação do defensor constituído, do advogado do querelante e do as-</p><p>sistente far-se-á por publicação no órgão incumbido da publicidade dos atos</p><p>judiciais da comarca, incluindo, sob pena de nulidade, o nome do acusado.</p><p>2º Caso não haja órgão de publicação dos atos judiciais na comarca, a inti-</p><p>mação far-se-á diretamente pelo escrivão, por mandado, ou via postal com</p><p>comprovante de recebimento, ou por qualquer outro meio idôneo.</p><p>§ 3º A intimação pessoal, feita pelo escrivão, dispensará a aplicação a que</p><p>alude o § 1º.</p><p>§ 4º A intimação do Ministério Público e do defensor nomeado será pessoal.</p><p>Art. 371</p><p>Será admissível a intimação por despacho na petição em que for requerida,</p><p>observado o disposto no art. 357.</p><p>Art. 372</p><p>Adiada, por qualquer motivo, a instrução criminal, o juiz marcará desde logo,</p><p>na presença das partes e testemunhas, dia e hora para seu prosseguimento,</p><p>do que se lavrará termo nos autos.</p><p>Utilizam-se os termos “intimação” e “notificação”. Adotando o Código de Processo</p><p>Penal o termo notificação no art. 394, para cientificação do Ministério Público do recebimento</p><p>da denúncia e designação da data do interrogatório; no art. 421, para dar ciência ao defensor</p><p>para a apresentação da contrariedade ao libelo; no art. 514, ao acusado nos crimes de</p><p>responsabilidade de funcionários públicos para apresentação de defesa prévia; no art. 558,</p><p>para idêntica finalidade em se tratando de crimes de competência originária dos tribunais;</p><p>e no art. 570, para considerar suprida a sua falta, ao lado da citação e da intimação, se</p><p>a parte comparecer ao ato para o qual deveria ter sido intimada ou notificada. (GRECO</p><p>FILHO, 2012, p. 282).</p><p>Importante destacar que no caso de notificação para apresentação de defesa</p><p>preliminar no processo dos crimes de responsabilidade de funcionários públicos e nos de</p><p>competência originária dos tribunais, não se trata de mera notificação, mas tal ato teria a</p><p>natureza de citação, haja vista se tratar de convocação a juízo e vinculação aos efeitos</p><p>158UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>do processo. De outra parte, o que o Código denomina citação, após o recebimento da</p><p>denúncia ou queixa, é, na verdade, intimação para o interrogatório.</p><p>Assim como as citações, as intimações, aí compreendidas as notificações, podem</p><p>ser feitas pessoalmente ou por edital. Podem também ser feitas pelo escrivão ou por termo</p><p>nos autos pelo juiz. Consideram-se supridas se a parte comparece para o ato, entretanto,</p><p>se este representar prejuízo, poderá ser adiado, ou o prazo poderá ser devolvido à parte.</p><p>159UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>4. PROCESSO PENAL E A SEGURANÇA PÚBLICA</p><p>Como vimos no transcorrer de nossos estudos, o Direito Processual Penal é o</p><p>“conjunto de princípios e normas que regulam a aplicação jurisdicional do Direito Penal,</p><p>bem como as atividades persecutórias da Polícia Judiciária, e a estruturação dos órgãos da</p><p>função jurisdicional e respectivos auxiliares”. (MARQUES, 2003, p. 29).</p><p>Aprendemos que o Direito Processual Penal brasileiro é regulado por inúmeras</p><p>normas jurídicas, sendo os mais importantes a Constituição Federal de 1988 e o Código de</p><p>Processo Penal, que dita as regras base e os princípios gerais de todo o processo penal. E,</p><p>o processo procura a verdade real e o faz mediante constante atividade</p><p>https://doutor-da-lei.jusbrasil.com.br/artigos/540987951/ordenacoes-afonsinas-manuelinas-filipinas-as-ordenacoes-portuguesas-impostas-no-brasil</p><p>https://doutor-da-lei.jusbrasil.com.br/artigos/540987951/ordenacoes-afonsinas-manuelinas-filipinas-as-ordenacoes-portuguesas-impostas-no-brasil</p><p>https://doutor-da-lei.jusbrasil.com.br/artigos/540987951/ordenacoes-afonsinas-manuelinas-filipinas-as-ordenacoes-portuguesas-impostas-no-brasil</p><p>18UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>normativo, tinha como base a hierarquia das normas, ou seja, na ordem de prelação as</p><p>ordenações Afonsinas estavam em primeiro plano, era a fonte de direito por excelência</p><p>na Colônia, e como fonte subsidiária o Direito Romano, e em seguida o Direito Canônico.</p><p>(ALVES, 2000, pg. 200.)</p><p>Depois que deixou de vigorar as Ordenações Afonsinas, na Colônia entrou em</p><p>vigor as Ordenações Manuelinas, basicamente essas ordenações se caracterizaram por</p><p>editar muitos preceitos normativos, além de atos para modificar e adaptar as Ordenações</p><p>Afonsinas, a edição desses textos normativos, centrou-se em designar as principais fontes</p><p>do direito na Colônia preceituando que na hierarquia das normas, devia-se primeiro observar</p><p>as Leis Portuguesas, em segundo lugar os preceitos do Direito Romano, em terceiro as</p><p>normas do Direito Canônico, as ordenações Manuelinas, levavam esse nome por serem</p><p>compiladas no reinado de Dom Manuel I, Rei Português, e vigorou na Colônia de 1514 até</p><p>1603. (PONTES DE MIRANDA, 1981. p. 149).</p><p>Nesse sentido assinala Júlio Fabbrini Mirabete:</p><p>Quando da descoberta do Brasil vigiam em Portugal as Ordenações Afonsi-</p><p>nas que, entretanto, não chegaram a ter qualquer aplicação no país. Editadas</p><p>as Ordenações Manoelinas, Martim Afonso de Souza foi encarregado de for-</p><p>mar as bases da organização judiciária na colônia nos moldes da implantada</p><p>em Portugal. Os processos criminais, antes iniciados por “clamores”, passa-</p><p>ram a começar por “querelas” (delações de crimes feitas em juízo por particu-</p><p>lares, no seu ou no interesse público) e por “denúncias” (feitas nos casos de</p><p>devassas). (MIRABETE, 2008, p. 16).</p><p>Por último, no Brasil Colônia, vigorou as ordenações Filipinas, essas Ordenações,</p><p>juntamente com as leis extravagantes, vigoraram na Colônia em um largo espaço temporal,</p><p>inclusive indo além da fase colonial. Essas ordenações objetivaram a atualização das</p><p>inúmeras leis extravagantes editadas no período de 1521 a 1600, não produzindo grandes</p><p>alterações nas fontes subsidiárias exceto transformações de cunho formal. Como última</p><p>norma legal de fontes subsidiárias ao direito português, em ordem sucessiva: o direito</p><p>romano, o direito canônico. (CRETELLA JUNIOR, 2000, p. 90).</p><p>Nesse sentido, retira-se da obra de Julio Fabbrini Mirabete, a seguinte explicação:</p><p>Entrou em vigor, posteriormente, o Código de D. Sebastião, que teve curta</p><p>aplicação porque, em 1580, Portugal foi submetido por Felipe II, de Castela.</p><p>Em 1603, foram promulgadas as Ordenações Filipinas, só substituídas em</p><p>1832 pelo Código de Processo Criminal do Império. Essa legislação refletia</p><p>ainda o direito medieval, em que os ricos e poderosos gozavam de privilé-</p><p>gios, podendo, com dinheiro, salvarem-se das sanções penais. (MIRABETE,</p><p>2008, p. 17).</p><p>Na Bahia em 1609, foi criado o Tribunal das Relações, “que se destinava a conhecer</p><p>dos recursos das decisões dos Ouvidores Gerais, os quais, por sua vez, conheciam das</p><p>19UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>apelações interpostas às sentenças proferidas pelos Ouvidores das capitanias e dos juízes</p><p>ordinários”.</p><p>Em 1751 foi criado o Tribunal de Relação do Rio de Janeiro, assinala José Roberto</p><p>Baraúna a respeito:</p><p>Em 1751, criava-se o Tribunal de Relação do Rio de Janeiro, instância supe-</p><p>rior aos corregedores de comarcas, ouvidores gerais, os quais, ouvidores de</p><p>comarca, chanceleres de comarcas, provedores, contadores, juízes ordiná-</p><p>rios e de órfãos, juízes de fora, vereadores, almotáceis, juízes de vintena e</p><p>demais auxiliares da Justiça. (BARAUNA, 1979, p. 28).</p><p>Várias devassas instauram-se em Vila Rica e Rio de Janeiro e, então, Lisboa</p><p>enviou para cá um tribunal para o julgamento. Entre 12(doze) condenados à morte apenas</p><p>Tiradentes foi levado à execução em 1792 acusado de lesa-majestade. Não obstante</p><p>enforcado, esquartejaram lhe o corpo e ainda o ofertaram à apreciação exemplar do público.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Leia também os Autos da devassa relativa à premeditada conjuração de Minas Gerais</p><p>de 1789.</p><p>Fonte: AUTOS DA DEVASSA. Disponível em: <http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/</p><p>mss1289278/mss1289278.pdf>. Acesso em 05 set. 2019).</p><p>Naquela época, as Ordenações Filipinas ditavam as regras penais e processuais</p><p>no Brasil, e todas as penas eram cruéis, e a pena capital poderia ser por enforcamento, por</p><p>fogo, precedida de longos tormentos. Penaliza-se ainda por açoites, confiscação de bens,</p><p>(degredo para África ou Índia) marcas infamantes, serviços nas galés (trabalho forçado).</p><p>Todas as normas repressivas eram implacavelmente atrozes.</p><p>Portanto, em 1800, com a chegada da Família Real Portuguesa, começou o</p><p>processo de transformação no País, em 1808 a edição das normas passou a ser feitas aqui,</p><p>constituíam os alvarás e decretos, onde se concedia perdão e se comutavam as penas,</p><p>também nesta época, foi criado o Supremo Conselho Militar, no qual o Tribunal de Relação</p><p>do Rio de Janeiro foi constituído como o Superior Tribunal de Justiça.</p><p>Sem ter ainda uma legislação própria, o Brasil editou o Decreto de 20 de outubro de</p><p>1823, e determinou que o país adotaria a legislação de Portugal até que surgisse o nosso</p><p>ordenamento jurídico. Evidentemente, que a soberania e o regime brasileiros não poderiam</p><p>sofrer interferência.</p><p>http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1289278/mss1289278.pdf</p><p>http://objdigital.bn.br/acervo_digital/div_manuscritos/mss1289278/mss1289278.pdf</p><p>20UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Em seu Livro III, as Ordenações Filipinas disciplinavam o Processo Civil, sendo o</p><p>Processo Penal e o próprio Direito Penal, tratados pelo Livro V.</p><p>Pouco tempo depois, foi outorgada a Constituição Imperial de 1824, que em seu</p><p>artigo 179, § 18, logo determinou que fosse elaborado com urgência um código criminal,</p><p>fundado nas sólidas bases da justiça e equidade.</p><p>REFLITA</p><p>Em 1824 foi outorgada a primeira Constituição Brasileira, poder moderador, a qual dis-</p><p>punha com precisão o Princípio da Legalidade: “nenhum cidadão pode ser obrigado a</p><p>fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei” (Artigo 5º inciso II da CF).</p><p>Fonte: NOGUEIRA, Octaciano. Constituições brasileiras: 1824. Brasília: Senado Federal e Ministério da</p><p>Ciência e Tecnologia, Centro de Estudos Estratégicos, 1999.</p><p>Em 29 de novembro de 1832 foi instituído o primeiro Código de Processo Criminal,</p><p>oferecendo garantias de defesa aos acusados e dando autonomia judiciária aos municípios,</p><p>cujo poder era concentrado nas mãos dos juízes de paz, eleitos pela população local. O</p><p>Código de Processo de 1832 foi alterado duas vezes. Uma por meio da Lei nº 261, de 03</p><p>de dezembro de 1841, com objetivo de aumentar os poderes de polícia. Outra por meio da</p><p>Lei nº 2.033, de 1871, dando poderes aos Chefes de Polícia e aos Delegados de Polícia.</p><p>Com a Constituição Republicana de 1891, período que aboliu a pena de morte, salvo</p><p>em caso de guerra, também consagrou a dualidade de processos, cabendo a consolidação</p><p>da legislação federal processual ao ilustre jurista José Higino Duarte Pereira. De outro</p><p>lado, surgiu o movimento para o trabalho de preparação dos códigos de processo civil e</p><p>penal, muitos deles com o figurino federal, em função da ausência de técnica legislativa,</p><p>sobressaindo, os Códigos da Bahia e São Paulo, que adotaram matrizes europeias.</p><p>A legislação processual penal foi unificada com a Carta de 1934 e com o advento da</p><p>Carta Constitucional de 1937, providenciou- se a promulgação do atual Código de Processo</p><p>das partes, que se</p><p>manifestam e produzem provas.</p><p>E é nessa busca de provas, que dentro dos parâmetros da lei, possa a atividade</p><p>policial exercer e ter contato com toda a estruturação processual, para melhor nortear suas</p><p>ações em meio a sociedade.</p><p>4.1. ATIVIDADE POLICIAL</p><p>O filósofo Platão considerava a polícia como uma magistratura sem a qual nenhuma</p><p>república poderia subsistir. Essa definição, entretanto, deixava transparecer a confusão que</p><p>existia entre o poder da polícia e a judicatura, só resolvida no final do século XIX.</p><p>Em seus Comentários à Constituição de 1988, J. Cretella Jr., conceitua a polícia</p><p>como sendo a força organizada que protege a sociedade da vis inquietativa que a perturba;</p><p>160UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>ensinando a grosso modo que, quanto ao Estado, a polícia visa garantir a estabilidade da</p><p>estrutura das instituições e, quanto ao indivíduo, objetiva garantir a tranquilidade física e</p><p>psíquica. (CRETELLA JÚNIOR, 1985, p. 53).</p><p>Para José Lopes Zarzuela, polícia é a atividade de manutenção da ordem</p><p>estabelecida em uma cidade, região ou país, implicando basicamente a proteção individual</p><p>do patrimônio, e outros bens jurídicos, contra atos ilícitos previstos em diplomas penais.</p><p>(ZARZUELA, 2000, p. 337).</p><p>Outros conceitos se encontram na doutrina, todavia nos parece que todos</p><p>empenham-se em conceituar a polícia apenas pelas suas finalidades e não pelas suas</p><p>características.</p><p>Cremos que não seja o mais adequado, e mais elucidativo, conceituar uma categoria</p><p>tão somente pela finalidade para a qual foi criada.</p><p>Foi assim que ensinou Waldemar Gomes de Castro, (CASTRO, 1947. p. 80)</p><p>segundo o qual é difícil definir o que vem a ser polícia, porque o significado da palavra tem</p><p>muitas variações. Todavia, tenta fazê-lo da maneira mais analítica possível, destacando</p><p>seus elementos característicos:</p><p>“Impõe-nos conceituá-la, precisando-lhe os extremos de sua essencialidade,</p><p>através dos seus componentes primários:</p><p>1°) o subjetivo – Estado, que é a fonte de onde ela provém;</p><p>2°) o teleológico – a segurança da sociedade e individual contra a vis inquie-</p><p>tativa: seu fim;</p><p>3°) o objetivo – as limitações por ela impostas à liberdade, usando até a vis</p><p>coerciva: seu meio.”</p><p>Assim, as polícias modernas caracterizam-se por serem corpos profissionalizados,</p><p>hierarquicamente organizados e especializados (desempenham a título exclusivo ou</p><p>principal as funções de segurança pública), integrantes da administração pública, em geral</p><p>com estatutos diferentes dos outros corpos de funcionários, que podem utilizar a coação</p><p>física (portanto atuam sobre pessoas) para a consecução de suas tarefas, não se limitando</p><p>a uma clientela particular (como no caso dos guardas de prisão, as Guardas Municipais,</p><p>as Polícias Legislativas, etc), mas cujas ações circunscrevem-se ao âmbito interno de um</p><p>país (o que as distingue das Forças Armadas), cuja finalidade regular é de manutenção da</p><p>ordem e da segurança, para aplicação das leis e resolução dos conflitos interindividuais.</p><p>Por outro lado, consubstanciam uma agência de controle social estatal, integrante</p><p>do sistema penal, cuja relevância reside no jus puniendi do Estado.</p><p>161UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Tem, pois, a polícia natureza jurídica de serviço público e, contemporaneamente,</p><p>encontra seu fundamento político na concepção assecuratória dos direitos constitucionais</p><p>e legais. É o cidadão, portanto, a razão de ser da polícia.</p><p>Podemos assim dizer, em resumo, que são características das polícias modernas</p><p>o seguinte:</p><p>• Profissionalização;</p><p>• Especialização;</p><p>• Caráter público;</p><p>• Estatuto diferenciado;</p><p>• Legitimidade para uso da força;</p><p>• Clientela indeterminada;</p><p>• Atuação no âmbito interno;</p><p>• Finalidade de manutenção da ordem e da segurança pública e;</p><p>• Concepção garantista de direitos.</p><p>Outrossim, a polícia judiciária investiga os delitos que a polícia administrativa não</p><p>conseguiu evitar que se cometessem, reúne as respectivas provas e entrega os autores</p><p>aos tribunais encarregados pela lei de puni-los.</p><p>Para Justino Antônio de Freitas apud Cretella, entende que:</p><p>A polícia judiciária como a que procura as provas dos crimes e contravenções</p><p>e se empenha em descobrir os seus autores, cujo caráter se toma, por isso,</p><p>essencialmente repressivo. (FREITAS apud CRETELLA, 1985, p. 192).</p><p>Assim, a polícia judiciária tem por fim efetuar a investigação dos crimes e descobrir</p><p>os seus agentes, procedendo à instrução preparatória dos respectivos processos e organizar</p><p>a prevenção da criminalidade habitual.</p><p>4.2. A PROVA NO PROCESSO PENAL</p><p>A prova é o ato que busca comprovar a verdade dos fatos, afim de instruir o julgador.</p><p>Busca reconstruir um fato passado, através das provas, buscando a verdade dos fatos.</p><p>O autor Lopes Júnior informa que:</p><p>O processo penal e a prova integram os modos de construção do convenci-</p><p>mento do julgador que influenciará na sua convicção e legitimará a sentença.</p><p>(JUNIOR, 2012, p. 344).</p><p>A prova geralmente é produzida na fase judicial, pois permite a manifestação da</p><p>outra parte, respeitando assim o princípio do contraditório e da ampla defesa, direito de</p><p>162UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>ser julgado de acordo com as provas produzidas, em contraditório e diante de um juiz</p><p>competente, com todas as garantias.</p><p>O art. 155, do Código de Processo Penal, preceitua:</p><p>Art. 155</p><p>O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em</p><p>contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente</p><p>nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas</p><p>cautelares, não repetíveis e antecipadas.</p><p>Ou seja, o juiz formará sua convicção pelas provas produzidas em contraditório</p><p>judicial, não podendo fundamentar exclusivamente nos elementos da investigação, isso</p><p>porque as provas produzidas nessa fase, não possibilitou o contraditório da outra parte,</p><p>assim, poderão ser utilizadas aquelas provas cautelares, as que não são repetíveis e as</p><p>antecipadas.</p><p>Vale ressaltar que as provas podem ser inominadas ou nominadas, estas são as</p><p>formas previstas na legislação, mais precisamente, nos artigos 158 a 250 do código de</p><p>processo penal, enquanto aquelas não são disciplinadas em lei, podendo ser citado como</p><p>exemplo a identificação de voz.</p><p>Ocorre que ambos os meios de provas citados acima, são aceitos em nosso</p><p>ordenamento, tendo como base o princípio da verdade real que preconiza que desde que</p><p>as provas não sejam ilegítimas ou ilegais serão aceitas.</p><p>O código de processo penal trouxe a partir do título VII, um conjunto de regras que</p><p>irão regular a produção de provas no âmbito da persecução criminal.</p><p>Sobre o conceito de provas no processo penal, diversos doutrinadores expõem os</p><p>seus entendimentos, dentre os quais:</p><p>Segundo Avena: “Prova são os itens trazidos pelas partes ou estabelecidos pelo</p><p>juiz que visam à constituição dos atos, fatos e circunstâncias.” (AVENA, 2017, p. 134)</p><p>Já Nucci (NUCCI, 2010, p. 178) expõe três sentidos para o termo prova, sendo:</p><p>1º) O ato de provar é o processo, pelo qual se verifica a exatidão ou a fidedignidade</p><p>do fato afirmado pela parte no processo, podendo ocorrer na fase probatória;</p><p>2º) Se refere ao meio, trata-se do instrumento pelo qual se demonstra a verdade de</p><p>algo, exemplo prova testemunhal;</p><p>3º) É o resultado da ação de provar que é o produto extraído da análise dos</p><p>instrumentos de prova oferecidos, demonstrando a verdade de um fato.</p><p>163UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>E continua:</p><p>(...) a prova pode ser conceituada como a demonstração lógica da realidade,</p><p>no processo, através dos instrumentos previstos, onde se busca gerar, no</p><p>espírito do julgador, a certeza em relação aos fatos informados, com o obje-</p><p>tivo de gerar a convicção objetivada para o deslinde da demanda. (NUCCI,</p><p>2010, p. 178).</p><p>Com isso, a prova no processo penal tem como princípio a comunhão das provas,</p><p>que tem</p><p>como objetivo afirmar que as mesmas pertencem ao processo, mesmo sendo</p><p>juntada por uma das partes, não sendo obrigado o acusado a produzir provas em seu</p><p>desfavor.</p><p>O código de processo penal traz o rol de provas admitidas, sendo as seguintes:</p><p>periciais, interrogatório, confissão, declaração do ofendido, testemunhal, reconhecimento</p><p>de pessoas e coisas, acareação, documental.</p><p>Os atos de investigação são realizados na investigação preliminar, no qual, se</p><p>refere a uma hipótese, para formação de um juízo de probabilidade e não de convicção,</p><p>como são designadas as provas.</p><p>4.3. A CONSTITUIÇÃO E A SEGURANÇA PÚBLICA</p><p>Sentir-se seguro significa estar confortável, livre de preocupações, envolto na</p><p>sensação de bem-estar. Não por acaso, o termo segurança foi adicionado a outros, fazendo</p><p>nascer:</p><p>A Segurança Jurídica: ter o cidadão a certeza de que o Estado não poderá</p><p>prejudicá-lo sem lei, nem voltar-se contra o ato jurídico perfeito, o direito adquirido e a coisa</p><p>julgada;</p><p>A Segurança Material: ter o cidadão a garantia de não ser agredido de qualquer</p><p>forma;</p><p>A Segurança Pública: contar a sociedade com a paz social.</p><p>A segurança pública é um bem tutelado pela Constituição da República Federativa</p><p>brasileira, mais especificamente no caput do artigo 144, que dispõe:</p><p>Art. 144</p><p>A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos,</p><p>é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pes-</p><p>soas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:</p><p>De todo modo, o art. 144 da Constituição Federal é bem claro ao enunciar: “é exercida</p><p>para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio”.</p><p>Diante disso, algumas conclusões podem ser extraídas:</p><p>164UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>a) No caput do art. 5º, o termo segurança diz respeito à segurança individual, como</p><p>explicitado acima no contexto da segurança jurídica;</p><p>b) A segurança pública não é direito individual, pois é direito de toda a sociedade;</p><p>c) A segurança pública conta, não somente com agentes públicos, mas com todos</p><p>os cidadãos para que se concretize satisfatoriamente.</p><p>Ainda, ratificando o conceito de segurança jurídica, inserido no art. 5º, caput, da CF,</p><p>é preciso considerar que abrange todos os seres humanos, inclusive os autores de crimes.</p><p>Note-se que, no rol dos direitos e garantias individuais do art. 5º, constam vários</p><p>direitos destinados às pessoas autoras de infrações penais (como se pode prender alguém;</p><p>quem pode prender; formalidades da prisão; direitos do preso etc.).</p><p>Assim sendo, a segurança do referido caput diz respeito ao seu aspecto jurídico e</p><p>não à segurança pública, como sinônimo de ordem e paz no seio social.</p><p>Considerando-se os direitos humanos de terceira geração, especificamente, o</p><p>direito à solidariedade, havemos de entender o compromisso de todos nós em face da</p><p>segurança pública.</p><p>É importante cuidar, zelar, denunciar, fiscalizar, acompanhar e vistoriar tudo o que</p><p>se refere ao interesse público. Desse modo, havemos de prestar a devida atenção tanto</p><p>à vítima do crime quanto ao agente do delito, para que não se instaure um tribunal de</p><p>exceção, como se dá, por exemplo, na hipótese de um linchamento.</p><p>Nos dias atuais, a segurança pública se depara com um Brasil em situação de</p><p>violência e criminalidade alarmantes. Senão vejamos:</p><p>Segundo os dados oficiais do Sistema de Informações sobre Mortalidade, do</p><p>Ministério da Saúde (SIM/MS), em 2017 houve 65.602 homicídios no Brasil, o</p><p>que equivale a uma taxa de aproximadamente 31,6 mortes para cada cem mil</p><p>habitantes. Trata-se do maior nível histórico de letalidade violenta intencional</p><p>no país, conforme destacado no gráfico 1.1.</p><p>165UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Fonte: IBGE/Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Gerência de Estudos</p><p>e Análises da Dinâmica Demográfica e MS/SVS/CGIAE - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM.</p><p>O número de homicídios na UF de residência da vítima foi obtido pela soma das seguintes CIDs 10: X85-Y09</p><p>e Y35-Y36, ou seja: óbitos causados por agressão mais intervenção legal. Elaboração Diest/Ipea e FBSP.</p><p>Fonte: IPEA. Atlas da Violência 2019. Disponível em: <http://www.ipea.gov.br/</p><p>atlasviolencia/arquivos/downloads/6537-atlas2019.pdf>. Acesso em: 05 ago. 2019.</p><p>Atualmente, diante desse cenário de crise instaurada, a segurança pública em</p><p>grande medida sofre a ausência de investimentos do poder público, como por exemplo,</p><p>recursos tecnológicos e pessoal devidamente treinado para agir adequadamente frente à</p><p>situação.</p><p>Não se pode esquecer de que a problemática em torno da segurança pública sofre</p><p>ainda hoje as influências de uma justiça criminal arcaica baseada em práticas sociais e</p><p>institucionais tradicionais. A visão que se tinha era somente a de punição baseada na</p><p>retribuição do mal causado como acontecia, por exemplo, no período colonial em que as</p><p>principais eram o degredo e o açoite. Além, ainda, das influências econômicas das classes</p><p>mais favorecidas da sociedade que, de certa forma, definiam todos os aspectos inclusive</p><p>com relação às punições.</p><p>Não bastasse tudo isso, contou-se, ao longo dos anos, com inúmeras situações</p><p>que acabaram impregnando na justiça criminal brasileira um cunho ditatorial no qual as</p><p>instituições policiais eram distanciadas da população.</p><p>http://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/downloads/6537-atlas2019.pdf</p><p>http://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/downloads/6537-atlas2019.pdf</p><p>166UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Ainda hoje, mesmo que em menor proporção, e claro, em uma nova configuração,</p><p>as corporações policiais ainda resistem a uma aproximação de parceria com comunidades</p><p>na luta contra o crime demonstrando técnicas ultrapassadas de atuação.</p><p>Entre estas, citem-se como exemplo, os sistemas tradicionais eminentemente</p><p>repressivos que ainda dominam a área de segurança pública em todo o mundo.</p><p>A técnica de se usar a violência para contê-la tem demonstrado uma maior geração</p><p>de violência, portanto, insatisfatória.</p><p>Sob esse aspecto, o conceito tradicional de segurança pública dá-se no sentido</p><p>de que a função maior do Estado é garantir aos cidadãos incolumidade física e moral com</p><p>base em um reflexo de convivência pacífica e harmoniosa entre os indivíduos. Hoje, um</p><p>conceito propício seria o de que a segurança pública visa à ausência de perturbação e à</p><p>disposição harmoniosa das relações sociais (JUCÁ, 2002).</p><p>Particularmente, as políticas públicas e, portanto, de responsabilidade estatal, na</p><p>área de segurança desempenham o papel de trazer mecanismos oriundos de um estudo</p><p>qualificado, quais sejam as estratégias de ação capazes de não só garantir a punição do</p><p>delito ora cometido, mas de se antecipar a ele numa atitude inteligente e perspicaz.</p><p>Para isso, é necessário não somente atuação humana, propriamente dita, por</p><p>meio dos profissionais de segurança, mas uma ação conjunta destes com pesquisadores e</p><p>estudiosos do assunto.</p><p>Em tal contexto, a realidade vivida hoje no Brasil traduz sem qualquer dúvida que</p><p>o fator segurança pública não dispõe de políticas capazes de propiciar a diminuição da</p><p>violência e criminalidade ou ainda segundo os mais otimistas, sua extirpação. Ao contrário,</p><p>denota que não se acertou até o presente momento quais ferramentas implementadas</p><p>conseguiriam atingir esse fim.</p><p>Na lição de Jucá (JUCÁ, 2002), o que se tem observado é que as políticas de</p><p>segurança pública estão se dando de dentro para fora, ou seja, partem das deliberações</p><p>internas das áreas de segurança e tentam se instalar na sociedade sem antes estabelecer</p><p>uma interação com esta.</p><p>Ao contrário, estudos mostram que já não se pode falar em segurança pública</p><p>sem a participação da sociedade. Pois como o próprio texto constitucional menciona, a</p><p>segurança pública é um dever de todos.</p><p>Isso deixa claro que não somente o poder público é o responsável, mas a sociedade</p><p>organizada é capaz de desempenhar um papel singular na diminuição da criminalidade</p><p>167UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>e violência. Fator que requer a conscientização desta em sua responsabilidade pela</p><p>segurança.</p><p>Sob essa perspectiva, por meio da ação conjunta entre poder público e sociedade, a</p><p>instauração dos programas de policiamento comunitário baseada na elaboração de táticas</p><p>preventivas, consequentemente, a abertura das instâncias policiais às dinâmicas externas.</p><p>Além ainda, de uma formação transdisciplinar para os profissionais que atuam na</p><p>área de segurança pública e a interligação destes com a produção acadêmica que emerge</p><p>dentro das instituições voltadas para a segurança tem sido apontadas como políticas</p><p>públicas eficazes na busca da tão almejada paz social.</p><p>168UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Nesta última unidade, longe de exaurir os assuntos pertinentes a matéria, buscamos</p><p>sintetizar sobre a importância do Processo Penal no âmbito do direito. Em poucas linhas,</p><p>mas com informações necessárias apresentamos o Processo e Procedimento.</p><p>Aprendemos sobre Jurisdição e Competência, em uma análise desses institutos</p><p>procedendo sistematicamente e verificando como o ordenamento jurídico e a doutrina</p><p>tratam os temas. Diante dos breves comentários tecidos sobre o tema, soltou aos olhos a</p><p>importância de conhecer a competência no processual penal, matéria de grande relevância</p><p>e atual mudança de regulamentação e interpretação.</p><p>Pelos termos, instrui que os atos que compõe o processo penal, consolidam a</p><p>verificação da verdade em relação ao caso concreto, bem assim, a sequência deles, internos</p><p>ao processo, corrobora a concretização da vontade objetivada na lei penal.</p><p>Conforme demonstrado neste trabalho o Processo Penal e a Segurança Pública</p><p>tem um nobre papel tanto na sociedade como no ordenamento jurídico.</p><p>Desta forma pode-se concluir pela relevância do estudo para uma real compreensão</p><p>dos temas aqui explorados, contribuindo para o aperfeiçoamento acadêmico/intelectual</p><p>como também meio de auxiliar na práxis jurídica</p><p>169UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>MATERIAL COMPLEMENTAR</p><p>LIVRO</p><p>Título: Devido Processo Legal - Due Process of Law</p><p>Autor: Paulo Fernando Silveira</p><p>Editora: Juruá</p><p>Sinopse: Lançado, pioneiramente, em 1996, com o inovador</p><p>título Devido Processo Legal – Due Process of Law, este livro</p><p>teve suas três primeiras edições rapidamente esgotadas. A</p><p>última foi em 2001. Agora, em 2018, com o texto totalmente</p><p>revisado e atualizado, volta ao mercado, em sua quarta edição,</p><p>demonstrando a força das ideias originais e pragmáticas nele</p><p>contidas. Na época de seu primeiro lançamento, pouco se sabia</p><p>no Brasil a respeito do Devido Processo Legal – instituto, então,</p><p>quase que desconhecido de grande parte dos operadores do</p><p>direito, que articulavam os seus argumentos com base apenas na</p><p>“ampla defesa e no contraditório” –, não obstante a Constituição</p><p>da República, de 1988, já cuidar da matéria no seu art. 5º, incs.</p><p>LIV (Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o</p><p>devido processo legal) e LV (Aos litigantes, em processo judicial</p><p>ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o</p><p>contraditório e a ampla defesa, com os meios e os recursos a</p><p>ela inerentes). Este livro veio, então, descortinar o verdadeiro</p><p>alcance do Devido Processo Legal em sua dúplice dimensão, a</p><p>processual e a substantiva. Presentemente, o Devido Processo</p><p>Legal constitui ferramenta indispensável e largamente utilizada</p><p>tanto pelos doutrinadores e advogados quanto, principalmente,</p><p>pelo Supremo Tribunal Federal, que tem adotado com frequência,</p><p>em suas recentes decisões, a sua natureza substantiva.</p><p>Título: Direitos Humanos versus Segurança Pública</p><p>Autor: Guilherme de Souza Nucci</p><p>Editora: Forense</p><p>Sinopse: Nesta obra, o autor pretende mostrar o desrespeito aos</p><p>direitos humanos no campo da prisão cautelar, da prisão definitiva,</p><p>da violência doméstica, do tráfico e uso de drogas, além de fazer</p><p>um confronto com a segurança pública. A aliança entre os direitos</p><p>humanos e a segurança pública encontra-se, ainda, distante de se</p><p>consolidar. Eis o motivo pelo qual o tema é instigante, provocador e</p><p>desafiador. Para compor esses anseios, aparentemente díspares e</p><p>inconciliáveis, não é possível cultivar a trágica disputa entre direitos</p><p>humanos e segurança pública, pois a sociedade quer segurança,</p><p>respeito aos direitos previstos na Constituição Federal e espera um</p><p>Judiciário imparcial e dedicado. Fazer triunfar a justiça é igualar as</p><p>forças dos direitos humanos e da segurança pública, colocando-os</p><p>todos na mesma trilha.</p><p>170UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>FILME/VÍDEO</p><p>Título: Policia Federal: A Lei é Para Todos</p><p>Ano: 2017</p><p>Sinopse: O filme desbrava os primórdios da Lava Jato, esquecidos</p><p>ou mesmo desconhecidos pelo público: o ano era 2013, a equipe</p><p>liderada por Ivan realizava a Operação Bidone. Investigavam tráfico</p><p>de drogas e lavagem de dinheiro. A maior operação policial da história</p><p>do país começava com um caminhão de palmito com quase 700 kg</p><p>de cocaína escondidos. A investigação é a grande estrela da obra:</p><p>como os policiais vão desvendando papéis, notas fiscais, ligações</p><p>e descobrindo um emaranhado de políticos e empresários. Ao</p><p>pegarem Alberto Youssef (Roberto Birindelli), têm acesso a nomes</p><p>de diretores da Petrobras e, a partir deles, a um esquema de</p><p>corrupção envolvendo obras públicas, empreiteiros, deputados,</p><p>senadores e até o ex-presidente.</p><p>Título: Amistad – Steven Spielberg</p><p>Ano: 1997</p><p>Sinopse: Baseado em um evento real, este filme relata a incrível</p><p>história de um grupo de escravos africanos que se rebela e se</p><p>apodera do controle do navio que os transporta e tenta retornar à</p><p>sua terra de origem. Quando o navio, La Amistad, é aprisionado,</p><p>esses escravos são levados para os Estados Unidos, onde</p><p>são acusados de assassinato e são jogados em uma prisão à</p><p>espera do seu destino. Uma empolgante batalha se inicia, o que</p><p>capta o interesse de toda a nação e confronta os alicerces do</p><p>sistema judiciário norte-americano. Entretanto, para os homens e</p><p>mulheres sendo julgados, trata-se simplesmente de uma luta pelos</p><p>direitos básicos de toda a humanidade.</p><p>171UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Prezado(a) aluno(a),</p><p>Neste material, busquei trazer para você um conhecimento básico e introdutório de</p><p>direito processual penal.</p><p>Na primeira unidade, estudamos as noções básicas do direito processual penal,</p><p>onde foi possível entender, mesmo que de forma resumida, a importância do Direito</p><p>Processual Penal nas relações jurídicas.</p><p>Tivemos a introdução ao direito processual penal, vimos a história do processo</p><p>penal, seu surgimento e um breve histórico do processo penal no Brasil. Foi possível</p><p>também entender os princípios constitucionais que regem o processo penal e observar que</p><p>o sistema jurídico não é perfeito e possui muitas lacunas.</p><p>Com isso, entendemos que apesar de ser um assunto muito amplo, os temas</p><p>estudados, devem ser considerados de grande importância não só por operadores do direito,</p><p>mas também por profissionais de áreas extrajudiciais, para que realizem a construção do</p><p>entendimento do que realmente seja todo este procedimento e sua aplicação no sistema</p><p>judiciário brasileiro.</p><p>Destacamos também na segunda unidade, uma breve explanação do conceito,</p><p>objeto e finalidade do direito processual penal, onde foi possível abordar as teorias do</p><p>direito processual no tempo e no espaço mesmo que de forma resumida.</p><p>Também discorremos sobre a investigação criminal e analisamos o inquérito</p><p>policial. Com o estudo destes diversos temas objetivou realizar uma reflexão em torno</p><p>da investigação preliminar, realizada, no Brasil, por meio do Inquérito Policial, que tem</p><p>base inquisitiva. Tal procedimento, que é utilizado pela Polícia Judiciária, como principal</p><p>atividade estatal para investigar a prática delituosa, tendo</p><p>por escopo esclarecer o delito e</p><p>172UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>definir sua autoria, e assim poder levar ao Ministério Público, nos casos de ações públicas e</p><p>ao ofendido, nos casos de ações privadas os elementos necessários a propositura da ação</p><p>penal perante o Poder Judiciário.</p><p>Vimos ainda que como titular da ação penal, o Ministério Público precisa ter os</p><p>elementos necessários para a propositura da denúncia, portanto, o controle externo da</p><p>atividade policial é essencial para que se possa ter uma boa investigação criminal, obtendo</p><p>as provas suficientes para a realização da Justiça</p><p>Já os vários projetos de leis que tramitam no congresso, procuram reformar o</p><p>Processo Penal brasileiro com a instituição de novo código, apesar de ter defeitos e falhas,</p><p>conta com pontos extremamente positivos.</p><p>E, o estudo sobre o Juiz das Garantias, que fora idealizado como um possível</p><p>redutor de danos, em casos de mácula da imparcialidade pelo ativismo judicial, permitido</p><p>por variados artigos de viés autoritário do código vigente; logo, encontrou-se proposto</p><p>como forma de se evitar a contaminação e a vinculação psicológica do magistrado com os</p><p>elementos colhidos e apreciados na fase de investigação policial.</p><p>Já o conteúdo desenvolvido na terceira unidade, procuramos analisar a Ação Penal,</p><p>contida no Código de Processo Penal, desde o seu conceito, características e aspectos</p><p>mais importantes, como condições de sua instauração e procedibilidade.</p><p>Aprendemos por meio da realização deste trabalho, que as ações penais constituem</p><p>se em um meio hábil e fundamental para a deflagração do processo, é o meio que o Estado</p><p>tem de apurar adequadamente os casos concretos que foram investigados e dar vazão ao</p><p>devido processo legal, princípio constitucional tão relevante no nosso ordenamento jurídico.</p><p>Sem maiores impedimentos à apreensão, que a ação penal, no que se refere ao</p><p>posicionamento do legítimo titular, consiste no exercício do direito de invocar ao Poder</p><p>Judiciário a aplicação do Direito Penal normativo material ao caso concreto.</p><p>E por fim, vimos na quarta e última unidade, longe de exaurir os assuntos pertinentes</p><p>a matéria, buscamos sintetizar sobre a importância do Processo Penal no âmbito do direito.</p><p>173UNIDADE IV Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Em poucas linhas, mas com informações necessárias apresentamos o Processo e</p><p>Procedimento.</p><p>Aprendemos sobre Jurisdição e Competência, em uma análise desses institutos</p><p>procedendo sistematicamente e verificando como o ordenamento jurídico e a doutrina</p><p>tratam os temas.</p><p>Diante dos breves comentários tecidos sobre o tema, soltou aos olhos a importância</p><p>de conhecer a competência no processual penal, matéria de grande relevância e atual</p><p>mudança de regulamentação e interpretação.</p><p>Pelos termos, instrui que os atos que compõe o processo penal, consolidam a</p><p>verificação da verdade em relação ao caso concreto, bem assim, a sequência deles, internos</p><p>ao processo, corrobora a concretização da vontade objetivada na lei penal.</p><p>Conforme demonstrado neste trabalho o Processo Penal e a Segurança Pública</p><p>tem um nobre papel tanto na sociedade como no ordenamento jurídico.</p><p>Desta forma pode-se concluir pela relevância do estudo para uma real compreensão</p><p>dos temas aqui explorados, contribuindo para o aperfeiçoamento acadêmico/intelectual</p><p>como também meio de auxiliar na práxis jurídica.</p><p>Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigado!</p><p>UNIDADE I</p><p>Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>UNIDADE II</p><p>Concepção do Processo Penal e Investigação Criminal</p><p>UNIDADE III</p><p>Noções Preliminares da Ação Penal</p><p>UNIDADE IV</p><p>Epílogo do Direito Processual Penal</p><p>Penal. A carta outorgada no Brasil aboliu torturas e outras penas cruéis.</p><p>O atual Código de Processo Penal foi instituído pelo Decreto nº 3.869, de 03 de</p><p>outubro de 1941, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1942, no ápice da Segunda</p><p>Guerra Mundial (1839-1945), foi criado por Getúlio Vargas durante o período do Estado</p><p>Novo e tinha como princípio a culpabilidade, priorizava-se a segurança pública.</p><p>https://jus.com.br/tudo/direito-penal</p><p>21UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>SAIBA MAIS</p><p>É preciso discernir entre um processo acusatório e o democrático, fundado na dignidade</p><p>da pessoa humana e, logo, na sua presunção de inocência, pois em um processo de</p><p>inspiração inquisitória, fundado na lógica de persecução ao inimigo despenca um lado</p><p>da balança. Em um processo, o juiz ingressa predisposto a absolver, ciente de que a</p><p>posição que lhe cabe é receptiva e que é a acusação que deve derrubar a presunção de</p><p>inocência; porém, em outro processo pode ocorrer que o juiz entra movido por insaciá-</p><p>vel ambição de verdade e pratica ato de parte, o que só pode expressar um irrefreável</p><p>desejo de condenação. Afinal, qual o processo que queremos?</p><p>Recomenda-se a leitura do livro: AMBIÇÃO DE VERDADE NO PROCESSO PENAL</p><p>por Salah H. Khaled Jr, livro da Editora Lumen Juris</p><p>Fonte: KHALED JR, Salah H. Ambição de Verdade no Processo Penal. Editora Lumen Juris, 3ª Ed, 2019.</p><p>Assim, somente com a Constituição Federal de 1988, que redemocratizou o</p><p>país, atribuiu ao Ministério Público a exclusividade de exercício da ação penal pública,</p><p>instrumento utilizado pelo Ministério Público para postular ao Estado a aplicação de uma</p><p>sanção decorrente de uma infração penal.</p><p>Todas essas mudanças aprimoraram a ação penal objetiva, ou seja, a aplicação da</p><p>lei, isto é, o direito de evocar-se o poder judiciário para a aplicação do direito, com todas as</p><p>garantias fundamentais da ampla defesa e do contraditório; naquela o acusado tem o direito</p><p>de usar todas as provas possíveis a seu favor, não podendo abrir mão da defesa, neste</p><p>último o acusado tem o direito de manifestar sua posição.</p><p>Com isso, estamos diante da bilateralidade do processo, da isonomia e igualdade</p><p>entre as partes e o devido processo legal.</p><p>https://www.editorajuspodivm.com.br/autores/detalhe/344</p><p>22UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DO PROCESSO PENAL</p><p>Prezado(a) aluno(a), vamos agora tratar sobre princípios constitucionais do</p><p>processo penal e para isso pergunto: você sabe dizer o que é um princípio constitucional?</p><p>Para se entender o que realmente significa, mister a conceituação de princípio:</p><p>Segundo o dicionário Aurélio, princípio tem o significado de causa originária. A noção</p><p>de princípio, ainda que fora do âmbito jurídico, sempre se relaciona a causas, alicerces,</p><p>orientações de caráter geral. Trata-se, indubitavelmente, do começo ou origem de qualquer</p><p>coisa. (FERREIRA, 2010).</p><p>Assim, os princípios constitucionais, segundo Silva, são ordenações que se</p><p>irradiam e imantam os sistemas de normas. Informa ainda o citado autor que tais princípios</p><p>podem estar positivadamente incorporados, por ser a base de normas jurídicas, o que os</p><p>transformaria em normas-princípios constituindo, dessa forma, os preceitos básicos das</p><p>organizações constitucionais. (SILVA, 2006, p. 93).</p><p>Facilitando, os princípios constitucionais são o ponto mais importante de todo o</p><p>sistema normativo, já que estes são os alicerces sobre os quais se constrói o Ordenamento</p><p>Jurídico. São os princípios constitucionais que dão estrutura e coesão ao edifício jurídico.</p><p>(NUNES, 2002, p. 37).</p><p>23UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>De acordo Nucci:</p><p>O princípio é um postulado que irradia por todo o sistema de normas. (NUC-</p><p>CI, 2008, p. 80).</p><p>Neste sentido, Rosenvald assevera que:</p><p>A grande força dos princípios provém de sua capacidade de investigar as fon-</p><p>tes primárias de criação dos modelos jurídicos. (ROSENVALD, 2005, p. 43).</p><p>E, Canotilho acentua que os princípios constitucionais:</p><p>Pertencem à ordem jurídica positiva e constituem um importante fundamento</p><p>para a interpretação, integração, conhecimento e aplicação do direito positivo.</p><p>(CANOTILHO, 1997, p. 1128).</p><p>Veja que, por mais detalhista que seja o legislador, não conseguirá descrever a</p><p>norma para todos os casos que demandem a atuação estatal e a aplicação da lei.</p><p>Nesse sentido, é perfeitamente possível que ocorram situações em que não</p><p>exista, na legislação, a solução específica para um determinado caso. Aí, recorremos aos</p><p>princípios, costumes e crenças populares.</p><p>Sendo que a mais importante delas, é buscar orientação nos fundamentos de um</p><p>determinado sistema normativo, ou seja, devemos buscar a resposta nos fundamentos que</p><p>orientaram a edição de todas as demais normas e essa base chamamos de princípios. Eles</p><p>cuidam do conjunto, garantido a harmonia entre as normas e servindo como referência.</p><p>Assim, os princípios constitucionais característicos do processo penal visam</p><p>regulamentar a busca pela verdade real, para que, em um litígio penal, o juiz possa aplicar</p><p>a justiça com exatidão.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Os princípios constitucionais são normas, explícitas ou implícitas, que determinam as</p><p>diretrizes fundamentais da Lei Fundamental, bem como influenciam em toda a sua in-</p><p>terpretação e aplicação. Distinguem-se, basicamente, em princípios explícitos (são os</p><p>que estão escritos, expressos em lei) e implícitos (ainda que não expressos, figuram</p><p>subentendidos no ordenamento jurídico).”</p><p>Fonte: PRETEL, Mariana Pretel e. Princípios constitucionais: conceito, distinções e aplicabilidade. Con-</p><p>teudo Juridico, Brasilia-DF: 26 mar. 2009. Disponivel em: <http://www.conteudojuridico.com.br/?artigos&-</p><p>ver=2.23507&seo=1>. Acesso em: 26 jun. 2019.</p><p>24UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4.1. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS:</p><p>4.1.1. Princípio da presunção da inocência (art. 5º, LVII, CF)</p><p>Expressamente previsto na Constituição Federal no art. 5º, inciso LVII, é o princípio</p><p>por meio do qual se entende que ninguém será considerado culpado até o trânsito em</p><p>julgado da sentença penal condenatória. Em outros termos, no Processo Penal, todo</p><p>acusado é presumido inocente até a eventual sentença condenatória transitar em julgado.</p><p>4.1.2. Princípio da igualdade processual ou da paridade das armas (art. 5º,</p><p>caput, CF)</p><p>Este princípio decorre do mandamento de que todos são iguais perante a lei</p><p>encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, devidamente adaptado ao Processo</p><p>Penal.</p><p>Desse modo, por força deste princípio, as partes devem ter, em juízo, as mesmas</p><p>oportunidades de fazer valer suas razões e ser tratadas igualitariamente, na medida de</p><p>suas igualdades, e desigualmente, na proporção de suas desigualdades.</p><p>4.1.3. Princípio da ampla defesa (art. 5º, LV, CF)</p><p>Por força desse princípio, expresso no art. 5º, LV, da Constituição Federal, entende-</p><p>se que o réu tem a seu dispor todos os meios para alcançar seu direito, seja através de</p><p>provas ou de recursos, ou seja, um amplo arsenal de instrumentos de defesa como forma</p><p>de compensar sua enorme hipossuficiência e fragilidade em relação ao Estado, que atua no</p><p>Processo Penal por meio de diversos órgãos (Polícia Judiciária, Ministério Público e Juiz),</p><p>de forma especializada e com acesso a dados restritos.</p><p>Ou seja, a Ampla Defesa é o direito de defender-se utilizando todos os meios</p><p>processuais possíveis: direito do indivíduo trazer ao processo todas as provas lícitas e</p><p>também se omitir e silenciar para não se auto incriminar. Consiste no dever do Estado de</p><p>garantir a todo acusado uma defesa o mais abrangente possível.</p><p>Este princípio divide-se em autodefesa e defesa técnica.</p><p>A autodefesa é a defesa promovida pessoalmente pelo próprio réu, sem assistência</p><p>de procurador, geralmente durante o seu interrogatório judicial, sendo ela disponível, afinal</p><p>de contas o acusado pode se calar ou até mesmo mentir, em conformidade</p><p>com outro</p><p>princípio constitucional expresso, o direito ao silêncio (art.5º, inciso LXIII, CF).</p><p>25UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>A autodefesa distingue-se ainda em direito de audiência (direito de o réu ser ouvido</p><p>no processo, o que ocorre geralmente durante o interrogatório judicial) e direito de presença</p><p>(direito de o réu estar presente aos atos processuais, geralmente audiências, seja de forma</p><p>direta, seja de forma indireta, o que ocorre por meio da videoconferência).</p><p>Já a defesa técnica é aquela defesa promovida por um defensor técnico,</p><p>necessariamente exercida por um Advogado (bacharel em Direito), sendo ela indisponível,</p><p>pois, em regra, o réu não pode se defender sozinho (art. 263, caput, do CPP) – apenas se</p><p>ele for advogado é que poderá promover a sua própria defesa. A esse respeito, vale a pena</p><p>destacar que, em havendo ausência do defensor técnico no processo (por falecimento,</p><p>negligência ou qualquer outro motivo), o magistrado, antes de nomear novo defensor,</p><p>sempre deverá intimar o acusado para que, no prazo por ele determinado, possa constituir</p><p>novo defensor e caso não tenha condições de pagar um advogado, o Estado tem a obrigação</p><p>de manter Defensorias Públicas ou na sua falta nomear Defensores Dativos, pois ninguém</p><p>pode ser condenado sem dispor de uma defesa técnica adequada.</p><p>Para um melhor entendimento, podemos citar julgado em que a Segunda Turma do</p><p>Supremo Tribunal Federal decidiu pela anulação de um processo penal, em atendimento</p><p>ao princípio da ampla defesa, decorrente de intimações realizada em nome de advogado já</p><p>desconstituído pela parte ré, vejamos:</p><p>HABEAS CORPUS. PENAL. PROCESSO PENAL. REVOGAÇÃO DE MANDATO E</p><p>CONSTITUIÇÃO DE NOVOS ADVOGADOS. INTIMAÇÃO IRREGULAR. NULIDADE</p><p>DOS ATOS SUBSEQUENTES. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA. ORDEM CONCEDI-</p><p>DA. 1. É nula a intimação de ato processual feita apenas em nome de advogado, cujo</p><p>mandato havia sido revogado pela parte, que constitui novos procuradores. 2. Consta-</p><p>tada a omissão do Poder Judiciário em juntar ao processo a nova procuração outorgada</p><p>pela parte, assim como o ato de revogação do anterior mandato, impõe-se, em respeito</p><p>ao princípio da ampla defesa, o reconhecimento da nulidade das intimações de todos os</p><p>atos processuais feitas em nome de advogado que não mais detinha poder de represen-</p><p>tação. 3. Ordem concedida. (STF - HC: 113408 RS, Relator: Min. CÁRMEN LÚCIA, Data</p><p>de Julgamento: 02/04/2013, Segunda Turma, Data de Publicação: DJe-081 DIVULG 30-</p><p>04-2013 PUBLIC 02-05-2013)</p><p>Vale frisar, outrossim, que o princípio em tela gera alguns direitos exclusivos à</p><p>defesa, não extensíveis à acusação, tais como a possibilidade de ajuizamento de revisão</p><p>26UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>criminal e poder o magistrado, caso constate que a defesa do acusado está deficiente,</p><p>fazer-lhe eleger outro advogado ou nomear em seu favor um defensor dativo. (NUCCI,</p><p>2011, p. 82).</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Quanto ao princípio da ampla defesa, temos uma jurisprudência do Supremo Tribunal</p><p>Federal:</p><p>Súmula 523 – “No processo penal, a falta da defesa constitui nulidade absoluta, mas a</p><p>sua deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.”</p><p>4.1.4. Princípio da plenitude da defesa (art. 5º, XXXVIII, alínea “a”, CF)</p><p>Previsto no art. 5º, inciso XXXVIII, alínea “a”, da Constituição Federal, é princípio</p><p>aplicado especificamente para o Tribunal do Júri. Trata-se de um plus, um reforço à ampla</p><p>defesa, permitindo-se que o réu, no Tribunal do Júri, se utilize de todos os meios lícitos de</p><p>defesa, ainda que não previstos expressamente pelo ordenamento jurídico.</p><p>Aliás, frise-se que o princípio em tela decorre justamente o fato de que, no Tribunal</p><p>do Júri, prevalece a íntima convicção do jurado, o qual não necessita fundamentar sua</p><p>decisão.</p><p>REFLITA</p><p>Diante desse cenário, surge a pergunta: Como fazer para tornar o procedimento do júri</p><p>mais equilibrado, garantindo ao réu meios de se defender diante da maior autonomia</p><p>dos jurados?</p><p>E a resposta está no princípio da plenitude de defesa, que permite ao réu, no âmbito do</p><p>tribunal do júri, a utilização de argumentos que não seriam válidos perante um juiz sin-</p><p>gular, tais como justificativas de cunho moral, social e até mesmo sentimentais.</p><p>Fonte: NUCCI, Guilherme de Souza. Manual de processo penal e execução penal. 11ª ed. Rev. E atual.</p><p>Rio de Janeiro: Forense, 2014.</p><p>Em outras palavras, o princípio da plenitude de defesa não se aplica a todo o tipo</p><p>de procedimento penal, mas apenas aos procedimentos do tribunal do júri.</p><p>27UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4.1.5. Princípio da prevalência do interesse do réu ou favor rei (art. 5º, LVII, CF)</p><p>O princípio do favor rei, também denominado in dubio pro reo, favor inocentiae e</p><p>favor libertatis, é a base de todo o ordenamento processual penal de qualquer Estado livre</p><p>e democrático, significando que, havendo conflito entre o jus puniendi estatal e o direito à</p><p>liberdade, a balança deve estar sempre inclinada para este último.</p><p>Ou seja, havendo dúvida entre admitir-se o direito de punir do Estado ou reconhecer-</p><p>se o direito de liberdade do réu, deve-se privilegiar a situação deste último, por ser ele a</p><p>parte hipossuficiente da relação jurídica estabelecida no Processo Penal.</p><p>É princípio que decorre ontologicamente do princípio da presunção de inocência,</p><p>daí porque é possível afirmar que ele também se encontra previsto no art. 5º, inciso LVII,</p><p>da Constituição Federal.</p><p>Ademais, há clara aplicação deste princípio no art. 386 do CPP, com a redação dada</p><p>pela Lei nº 11.690/08, segundo o qual será possível a absolvição do réu nas hipóteses de</p><p>existência de excludentes de ilicitude ou culpabilidade, mesmo se apenas houver fundada</p><p>dúvida sobre sua existência, ou seja, não se exige mais certeza sobre sua existência (inciso</p><p>VI), bem como se não houver prova suficiente para a sua condenação (inciso VII).</p><p>SAIBA MAIS</p><p>Exemplo máximo no direito processual brasileiro deste princípio é o art. 386, VII, do</p><p>Código de Processo Penal, pelo qual o juiz deve absolver o acusado sempre que não</p><p>existirem provas suficientes a sua condenação. Isto porque a inexistência de provas</p><p>suficientes significa haver provas que imputem a responsabilidade ao réu em questão,</p><p>mas não são elas seguras o bastante para caracterizar a sua culpabilidade ou a materia-</p><p>lidade delitiva. Ou seja, havendo dúvida quanto à existência do crime ou da sua autoria,</p><p>não pode o Estado sancionar penalmente o indivíduo.</p><p>Fonte: CAPEZ, Fernando. Curso de processo penal. 13ª edição, São Paulo, Saraiva, 2006.</p><p>Destarte, esse princípio não tem aplicação nas fases de oferecimento da denúncia</p><p>e na prolação da decisão de pronúncia do Tribunal do Júri, nas quais prevalece o princípio</p><p>do in dubio pro societate.</p><p>Conclui-se, portanto, que trata-se de princípio de observância compulsória no</p><p>momento da prolação da sentença pelo Estado-juiz, devendo sempre ser aplicado quando</p><p>subsistir dúvida quanto à autoria ou materialidade delitiva. Havendo dúvida, absolve.</p><p>28UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4.1.6. Princípio do contraditório (art. 5º, LV, CF)</p><p>Por força do princípio do contraditório, estampado no art. 5º, LV, da Carta Magna</p><p>Federal, ambas as partes (e não apenas o denunciado) têm o direito de se manifestar sobre</p><p>qualquer fato alegado ou prova produzida pela parte contrária, visando a manutenção do</p><p>equilíbrio entre o direito de punir do Estado e o direito de liberdade do próprio denunciado e</p><p>o consequente estado de inocência, objetivo de todo Processo Penal Justo.</p><p>Em igual sentido, estão os ensinamentos de Rangel, alargando o significado do</p><p>contraditório à simetria de tratamento das duas partes – denunciante e denunciado – no</p><p>processo penal:</p><p>Contudo, há de se ressaltar que contraditório não é apenas “dizer” e “contradizer”</p><p>sobre matéria controvertida, não é apenas o debate que as partes realizam no processo</p><p>sobre</p><p>a relação de direito material, mas principal e exclusivamente, é a igualdade de</p><p>oportunidade no processo, é a igual oportunidade de igual tratamento, que se funda na</p><p>liberdade de todos perante a lei. É a simétrica paridade de participação no processo, entre</p><p>as partes. (RANGEL, 2010, p. 18).</p><p>Para que o contraditório seja perfeito no Processo Penal, é preciso necessariamente</p><p>que sejam atendidos alguns direitos das partes, são eles: 1) ser intimado sobre os fatos e</p><p>provas; 2) manifestar sobre os fatos e provas e 3) interferir efetivamente no pronunciamento</p><p>do juiz.</p><p>Dessa forma, uma determinada prova da materialidade e de autoria de um crime só</p><p>será válida para condenar o denunciado após submetida ao contraditório em juízo. Ou seja:</p><p>o denunciado deve ser intimado da prova apresentada contra ele e deve ter a oportunidade</p><p>de se manifestar sobre ela. Só então haverá validade de tal prova para fundamentar uma</p><p>decisão sobre o caso.</p><p>4.1.7. Princípio do juiz natural (art. 5º, LIII, CF)</p><p>Em virtude deste princípio, consagrado no art. 5º, inciso LIII, do Texto Constitucional,</p><p>entende-se que, no Processo Penal, o julgador a atuar em um determinado feito deve ser</p><p>aquele previamente escolhido por lei ou pela Constituição Federal.</p><p>Veda-se com isso o Tribunal ou Juiz de Exceção, que seria aquele escolhido após</p><p>a ocorrência de um crime e para determinado caso concreto.</p><p>Este princípio tem como principal finalidade garantir a participação no processo de</p><p>um juiz imparcial.</p><p>29UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A finalidade do princípio do juiz natural é garantir o julgamento por magistrado imparcial,</p><p>a própria legislação traz hipóteses em que podem as partes arguir o impedimento ou a</p><p>suspeição do julgador. É o que dispõe o Código de Processo Penal, em seus arts. 252</p><p>e 254, que traz hipóteses nas quais o juiz, claramente, não possui a necessária isenção</p><p>para julgar a lide e, portanto, deve ser afastado do caso.</p><p>Fonte: MIRABETE, Julio Fabbrini. Processo Penal. 18. ed. São Paulo: Atlas, 2007, p. 29.</p><p>Conclui-se que o Juiz natural, veda a existência de tribunais de exceção, garantido</p><p>que o acusado seja julgado de forma imparcial e por uma autoridade determinada</p><p>previamente pela lei.</p><p>4.1.8. Princípio da publicidade (art. 5º, LX e XXXIII, e art. 93, IX, CF)</p><p>É o princípio segundo o qual os atos processuais devem ser praticados publicamente,</p><p>sem qualquer controle, permitindo-se o amplo acesso ao público, bem como os autos do</p><p>processo penal estão disponíveis a todos.</p><p>Trata-se de forma de fomentar o controle social dos atos processuais. Esse princípio,</p><p>porém, comporta exceções: nos termos do art. 5º, inciso LX, da Constituição Federal, a lei</p><p>poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o</p><p>interesse social o exigirem.</p><p>Destarte, jamais o ato processual será praticado sem a presença do Ministério</p><p>Público, assistente de acusação, se houver e do defensor.</p><p>Embora seja possível excluir a pessoa do réu, como na hipótese prevista no art.</p><p>217 do CPP, em que o juiz poderá até determinar a retirada do réu da sala de audiência</p><p>se perceber que a sua presença causa humilhação, temor, ou sério constrangimento à</p><p>testemunha ou ao ofendido, de modo que prejudique a verdade do depoimento, fora isto,</p><p>não pode o juiz, em nenhuma hipótese, conduzir o processo em sigilo absoluto, aplicando-</p><p>se a restrição de acesso em questão a terceiros não envolvidos no processo, mas não às</p><p>partes que nele postulam, sob pena de ofensa à ampla defesa, ao contraditório e ao devido</p><p>processo legal.</p><p>30UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4.1.9. Princípio da vedação das provas ilícitas (art. 5º, LVI, CF)</p><p>Nos termos do art. 5º, inciso LVI, da Constituição Federal, são inadmissíveis, no</p><p>processo, as provas obtidas por meios ilícitos.</p><p>O Código de Processo Penal, com o advento da Lei nº 11.690/08, passou a</p><p>disciplinar com pormenores a matéria, repetindo o mandamento constitucional no art. 157,</p><p>caput, estatuindo que são inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo as</p><p>provas ilícitas.</p><p>Complementando esta ideia, o art. 157, § 3º, CPP, determina que preclusa a decisão</p><p>de desentranhamento da prova declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão</p><p>judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.</p><p>REFLITA</p><p>Registre-se, porém, que se a prova permanecer nos autos, mas ela não for utilizada</p><p>pelo magistrado, de nenhuma forma, para a prolação da sentença, não haverá qualquer</p><p>nulidade nesta decisão.</p><p>Fonte: JUSBRASIL. Teoria do Fruto da Árvore Envenenada. Disponível em: <https://mandi2005.jusbrasil.</p><p>com.br/artigos/327697991/teoria-do-fruto-da-arvore-envenenada>. Acesso em 05 set. 2019.</p><p>Não obstante, caso o juiz venha a se utilizar de uma prova ilícita para proferir a</p><p>sentença, esta será nula (nulidade absoluta).</p><p>Em seguida, no mesmo dispositivo legal (art. 157, caput), o CPP define o que se</p><p>entende por provas ilícitas: “são aquelas que violam tanto normas constitucionais como</p><p>legais.”</p><p>Na sequência, o CPP, no art. 157, § 1º, consagrou expressamente também a</p><p>impossibilidade de utilização das provas ilícitas por derivação (teoria dos frutos da árvore</p><p>envenenada ou do efeito à distância– fruits of the poisonous tree, construção da Suprema</p><p>Corte americana e que já vinha sendo aceita, no Brasil, pelo STF), que são aquelas provas</p><p>que decorrem de uma prova ilícita originária, sendo que tal ilicitude somente restará</p><p>caracterizada se houver demonstração do nexo causal entre as provas ou quando as</p><p>derivadas não puderem ser obtidas por uma fonte independente das primeiras.</p><p>A esse respeito, considera-se fonte independente aquela que por si só, seguindo os</p><p>trâmites típicos e de praxe, próprios da investigação ou instrução criminal, seria capaz de</p><p>conduzir ao fato objeto da prova (art. 157, § 2º, do CPP).</p><p>https://mandi2005.jusbrasil.com.br/artigos/327697991/teoria-do-fruto-da-arvore-envenenada</p><p>https://mandi2005.jusbrasil.com.br/artigos/327697991/teoria-do-fruto-da-arvore-envenenada</p><p>31UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Para melhor visualização:</p><p>QUADRO 1: Comparação entre o art. 5º da CF/88 e o art. 157 do CPP</p><p>CONSTITUIÇÃO FEDERAL CÓDIGO PROCESSO PENAL</p><p>Art. 5º, LVI – são inadmissíveis, no</p><p>processo, as provas obtidas por meios</p><p>ilícitos;</p><p>Art. 157 – são inadmissíveis, deven-</p><p>do ser desentranhadas do processo,</p><p>as provas ilícitas, assim entendidas as</p><p>obtidas em violação a normas consti-</p><p>tucionais ou legais.</p><p>§1º. São também inadmissíveis as</p><p>provas derivadas das ilícitas, salvo</p><p>quando não evidenciadas o nexo de</p><p>causalidade entre umas e outras, ou</p><p>quando as derivadas puderem ser</p><p>obtidas por uma fonte independente</p><p>das primeiras.</p><p>§2º. Considera-se fonte independente</p><p>aquela que por si só, seguindo os</p><p>trâmites típicos e de praxe, próprios</p><p>da investigação ou instrução criminal,</p><p>seria capaz de conduzir ao fato objeto</p><p>da prova.</p><p>§3º. Preclusa a decisão de</p><p>desentranhamento da prova declarada</p><p>inadmissível, esta será inutilizada por</p><p>decisão judicial, facultado às partes</p><p>acompanhar o incidente.</p><p>Fonte: O autor.</p><p>Ressalte-se, por fim, que a jurisprudência brasileira começa a reconhecer a teoria</p><p>da proporcionalidade (ou teoria da razoabilidade ou teoria do interesse predominante)</p><p>na apreciação da prova ilícita, admitindo excepcionalmente a utilização desta última em</p><p>benefício dos direitos do acusado inocente que produziu tal prova para a sua absolvição.</p><p>32UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>SAIBA MAIS</p><p>O importante é finalizar esse assunto sabendo o seguinte:</p><p>• O princípio de vedação das provas ilícitas impede a utilização deste tipo de evidências</p><p>no processo penal;</p><p>• Provas ilícitas devem ser, via de regra, desentranhadas do processo, e não podem ser</p><p>utilizadas para embasar uma condenação;</p><p>• Provas ilícitas podem contaminar provas derivadas.</p><p>Fonte: O autor.</p><p>Com isso, analisando a doutrina e jurisprudência,</p><p>concluímos que a regra</p><p>constitucional é pela inadmissibilidade do uso das provas ilícitas, sendo então, a produção</p><p>e utilização de tais provas, proibidas no processo penal brasileiro.</p><p>4.1.10. Princípios da economia processual, celeridade processual e duração</p><p>razoável do processo (art. 5º, LXXVIII, CF)</p><p>Estes princípios, encontra-se expresso no art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição</p><p>Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 45/04, e remetendo também</p><p>ao art. 62 da Lei nº 9.099/95 (Juizado Especial), que incumbe ao Estado dar a resposta</p><p>jurisdicional no menor tempo e custo possíveis.</p><p>Ou seja, o princípio da duração razoável do processo, na verdade, é praticamente</p><p>autoexplicativo.</p><p>Para que a prestação jurisdicional seja efetiva, deve ser realizada em um tempo</p><p>razoável.</p><p>4.1.11. Princípio do devido processo legal ou due process of law (art. 5º, LIV, CF)</p><p>O princípio do devido processo legal vem insculpido no art. 5º, LIV, da Carta Magna</p><p>Federal, segundo o qual “Ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido</p><p>processo legal”.</p><p>Trata-se de princípio que fundamenta a visão garantista do processo penal,</p><p>entendido como instrumento de efetivação dos direitos fundamentais do réu em face da</p><p>força inexorável do Estado. Divide-se em 02 (dois) aspectos:</p><p>33UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Aspecto material ou substancial: liga-se ao Direito Penal, fazendo valer os princípios</p><p>penais, a exemplo da máxima de que ninguém deve ser processado senão por crime</p><p>previsto e definido em lei. Coincide com o princípio da razoabilidade.</p><p>Aspecto processual ou procedimental: liga-se “ao procedimento e à ampla</p><p>possibilidade de o réu produzir provas, apresentar alegações, demonstrar, enfim, ao juiz a</p><p>sua inocência, bem como o de o órgão acusatório, representando a sociedade, convencer</p><p>o magistrado, pelos meios legais, da validade da sua pretensão punitiva” (NUCCI, 2008, p.</p><p>96).</p><p>4.2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS:</p><p>4.2.1. Princípio da imunidade à autoacusação (nemo tenetur se detegere)</p><p>Trata-se de princípio constitucional implícito que decorre dos seguintes princípios</p><p>constitucionais expressos: presunção de inocência (art. 5º, LVII, CF); ampla defesa (art. 5º,</p><p>LV, CF); direito ao silêncio (art. 5º, LXIII, CF).</p><p>Não obstante, é princípio que se encontra expressamente previsto no art. 8º do</p><p>Pacto de São José da Costa Rica, de 22 de novembro de 1969, incorporado ao ordenamento</p><p>jurídico brasileiro pelo Decreto nº 678, de 6 de novembro de 1992, e que tem status</p><p>supralegal, conforme entendimento do STF.</p><p>Considera-se que o Estado é infinitamente superior ao réu no processo penal, não</p><p>necessitando, portanto, de sua ajuda na atividade persecutória, sob pena de se decretar a</p><p>falência de seus órgãos.</p><p>Por força deste princípio é que a doutrina e a jurisprudência do STF e do STJ</p><p>majoritárias vêm considerando que o acusado não está obrigado a participar de atividades</p><p>probatórias que impliquem em intervenções corporais, como realização de exames de DNA,</p><p>grafotécnico ou de bafômetro, este último frequentemente utilizado para a constatação do</p><p>crime de embriaguez ao volante previsto no art. 306 da Lei nº 9.503/97 (Código de Trânsito</p><p>Brasileiro).</p><p>Assim, nos moldes do raciocínio supracitado, então, percebe-se que a imunidade</p><p>à autoacusação do acusado alcança não só sua opção em permanecer calado durante o</p><p>interrogatório, seja no bojo do inquérito, seja na instrução processual, mas também a sua</p><p>faculdade em não participar, de qualquer modo, na produção de provas que possam ser</p><p>utilizadas em seu desfavor.</p><p>34UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4.2.2. Princípio da iniciativa das partes ou da ação ou da demanda (ne procedat</p><p>Judex ef officio) e princípio consequencial da correlação entre acusação e sentença</p><p>Trata-se de princípio extraído do sistema acusatório, podendo ser depurado</p><p>dos artigos 129, inciso I, e 5º, inciso, LIX, da Constituição Federal, os quais garantem,</p><p>respectivamente, a titularidade da ação penal pública por parte do Ministério Público e a</p><p>possibilidade de oferecimento da ação penal privada subsidiária da pública, se a ação penal</p><p>pública não for intentada pelo Parquet no prazo legal.</p><p>Nesses termos, entende-se que o princípio veda que o juiz deflagre a ação penal</p><p>de ofício, exigindo-se para tanto a iniciativa do titular da ação.</p><p>Por força do princípio em comento é que não se admite mais o processo</p><p>“judicialiforme”, que consistia na possibilidade de início da ação penal das contravenções</p><p>penais por meio do auto de prisão em flagrante delito ou por portaria expedida pelo delegado</p><p>ou pelo magistrado de ofício ou a requerimento do Ministério Público.</p><p>SAIBA MAIS</p><p>O procedimento “judicialiforme” consiste na possibilidade de a ação penal, em contra-</p><p>venções penais, ter início por força de portaria de delegado de polícia.</p><p>Contudo, com o advento da CF/88 e pelo princípio da oficialidade, restou revogado o</p><p>artigo 26 do CPP que o previa. Ressalte-se que o princípio da oficialidade significa que</p><p>há um órgão oficial, do Estado, a quem cumpre promover a ação penal pública privativa-</p><p>mente: o Ministério Público. A única exceção a este princípio é a ação penal privada sub-</p><p>sidiária da pública, prevista no artigo 5º , LIX da CF/88 e no art. 29 do CPP . (CUNHA,</p><p>2007. p. 29.)</p><p>A esse respeito, frise-se que o art. 531 do CPP, que contemplava essa possibilidade,</p><p>foi alterado pela Lei nº 11.719/08, que a extirpou desse dispositivo legal.</p><p>Sendo assim, deve-se considerar que houve a revogação tácita do art. 26 do CPP,</p><p>que tinha conteúdo idêntico àquele dispositivo legal alterado. Consequência direta deste</p><p>princípio é o surgimento de outro princípio, o da correlação (ou congruência ou reflexão) entre</p><p>a acusação e a sentença, o qual implica na exigência de que o fato imputado ao acusado,</p><p>na peça inicial acusatória, guarde “perfeita correspondência com o fato reconhecido pelo</p><p>juiz, na sentença, sob pena de grave violação aos princípios do contraditório e da ampla</p><p>defesa, consequentemente, ao devido processo legal.” (NUCCI, 2008, p. 661).</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10676996/artigo-26-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1028351/c%C3%B3digo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10641516/artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10728168/inciso-lix-do-artigo-5-da-constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-de-1988</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/155571402/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/topicos/10676856/artigo-29-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941</p><p>http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/1028351/c%C3%B3digo-processo-penal-decreto-lei-3689-41</p><p>35UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>Em outros termos, o magistrado está ligado aos exatos termos do que fora narrado</p><p>na peça inicial da ação penal, não podendo decidir fora, além ou aquém dos seus limites,</p><p>sob pena de decisões, respectivamente, extra, ultra ou infra petita (ne eat judex ultra petita</p><p>partium), as quais estão eivadas de nulidade absoluta. Em havendo, pois, necessidade de</p><p>ampliação da tese acusatória, faz-se imprescindível o aditamento à denúncia ou queixa,</p><p>nos termos do art. 384 do CPP (mutatio libelli).</p><p>Contudo, o princípio da iniciativa das partes comporta exceções, situações nas</p><p>quais o magistrado pode conceder provimentos jurisdicionais de ofício. São elas:</p><p>1. Decisões referentes ao estado de liberdade do indivíduo, tais como a expedição</p><p>de ordem de habeas corpus (art. 654, § 2º, do CPP), o relaxamento de prisão em flagrante</p><p>(art. 5º, inciso LXV, CF), a revogação da prisão preventiva (art. 316 do CPP) e a concessão</p><p>da liberdade provisória (art. 5º, inciso LXVI, CF). Contudo, a prisão temporária é modalidade</p><p>de prisão cautelar que</p><p>não pode ser decretada de ofício pelo juiz, dependendo sempre</p><p>de representação da autoridade policial ou de requerimento do Ministério Público (art. 2º,</p><p>caput, da Lei nº 7.960/89).</p><p>2. Procedimento da execução penal (art. 195 da Lei de Execução Penal).</p><p>Dessa forma, temos a vigência do chamado sistema acusatório, em que a função</p><p>de acusar e de julgar é sempre exercida por pessoas distintas.</p><p>4.2.3. Princípio do duplo grau de jurisdição</p><p>É princípio que inicialmente decorre da própria estrutura do Poder Judiciário traçada</p><p>pela Constituição Federal, consistente na divisão do mesmo em instâncias diversas,</p><p>começando pelos magistrados singulares, passando pelos respectivos tribunais a que eles</p><p>estão vinculados, pelo STJ e finalmente chegando ao órgão de cúpula, o STF.</p><p>Decorre também da natural irresignação da parte com uma decisão que considera</p><p>injusta, da necessidade de controle de todo e qualquer ato estatal, característica marcante</p><p>do Estado Democrático de Direito, e do fato de que, ao menos em tese, o juiz de primeiro</p><p>grau ficaria psicologicamente mais pressionado a acertar na decisão, para evitar revisão</p><p>por parte do Tribunal, enquanto que este, por sua vez, é constituído por magistrados mais</p><p>experientes, que melhor poderiam julgar a causa.</p><p>Ademais, é princípio que vem consagrado expressamente no Pacto de São José da</p><p>Costa Rica no seu art. 8º, item 2, alínea “h”.</p><p>36UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>SAIBA MAIS</p><p>A Convenção Interamericana de Direitos Humanos, também chamada de Pacto de San</p><p>José da Costa Rica, é um tratado internacional de direitos humanos promulgado pelo</p><p>Decreto n. 678/1992.</p><p>Fonte: BRASIL. Decreto nº 678, de 06 de novembro de 1992. Promulga a Convenção Americana sobre</p><p>Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), de 22 de novembro de 1969. D.O. de 09/11/1992,</p><p>p. 15562</p><p>É essencial conhecer sua existência, pois tal diploma, na qualidade de tratado</p><p>internacional de direitos humanos, tem eficácia supralegal segundo o STF, ou seja, em</p><p>nosso país, está acima das leis ordinárias e abaixo da Constituição Federal.</p><p>Com isso, aprendemos que o duplo grau de jurisdição é o princípio do direito</p><p>processual penal, expressamente reconhecido na Convenção Interamericana de Direitos</p><p>Humanos, que garante ao indivíduo o direito de revisão de sua causa em uma instância</p><p>superior.</p><p>REFLITA</p><p>Fonte: LEITE. Gisele. Sobre a hierarquia das leis no direito brasileiro. Disponível em: <https://professora-</p><p>giseleleite.jusbrasil.com.br/artigos/568078901/sobre-a-hierarquia-das-leis-no-direito-brasileiro>. Acesso</p><p>em 05 set. 2019.</p><p>https://professoragiseleleite.jusbrasil.com.br/artigos/568078901/sobre-a-hierarquia-das-leis-no-direito-brasileiro</p><p>https://professoragiseleleite.jusbrasil.com.br/artigos/568078901/sobre-a-hierarquia-das-leis-no-direito-brasileiro</p><p>37UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4.2.4. Princípio do juiz imparcial</p><p>É princípio que decorre do princípio constitucional expresso do juiz natural, com a</p><p>finalidade de complementá-lo, afinal de contas o magistrado pode até estar previamente</p><p>investido na jurisdição, mesmo assim, não ser imparcial na sua atuação, motivo pelo qual o</p><p>CPP prevê hipóteses de impedimento (arts. 252 e 253) e suspeição (art. 254) do julgador.</p><p>Desse modo, para que um juiz efetivamente atue no processo penal, além de</p><p>estar investido na função jurisdicional do Estado, não deve ter “vínculos subjetivos com</p><p>o processo de molde a lhe tirar a neutralidade necessária para conduzi-lo com isenção.”</p><p>(TÁVORA, 2009, p. 46).</p><p>Ademais, frise-se que este princípio está consagrado expressamente no art. 8º, 1,</p><p>do Pacto de São José da Costa Rica (aprovado pelo Decreto nº 678/92). (BRASIL, 1992).</p><p>4.2.5. Princípio do promotor natural</p><p>Trata-se de princípio constitucional implícito que decorre dos seguintes princípios</p><p>constitucionais expressos:</p><p>1. Princípio da inamovibilidade funcional dos membros do Ministério Público (art.</p><p>128, § 5º, I, “b”, CF).</p><p>2. Princípio da independência funcional dos membros do Ministério Público (art.</p><p>127, § 1º, CF).</p><p>3. Princípio do juiz natural (art. 5º, LIII, CF) – por analogia.</p><p>Por força deste princípio, entende-se que o agente delitivo deve ser acusado por</p><p>órgão imparcial do Estado, previamente designado por lei, vedada a indicação de acusador</p><p>para atuar em casos específicos.</p><p>Em respeito a este princípio, o Procurador-Geral de Justiça apenas pode designar</p><p>Promotores de Justiça para determinados casos concretos se houver prévia e expressa</p><p>previsão em lei nesse sentido. Tais hipóteses de designação atualmente estão estipuladas</p><p>no art. 10, inciso IX, da Lei nº 8.625/93 (Lei Orgânica do Ministério Público dos Estados).</p><p>É certo que a doutrina amplamente majoritária admite a existência deste princípio,</p><p>a exemplo de Nucci (NUCCI, 2008, p. 99-100), Távora (TÁVORA, 2009, p. 51-52) e Rangel</p><p>(RANGEL, 2009, p. 37-45).</p><p>O STJ também acolhe tal princípio, como ficou claro no julgamento do RHC nº</p><p>8513/81. Entretanto, o STF deixou de reconhecer o princípio do promotor natural e imparcial,</p><p>sob a alegação de que ele violaria os princípios da unidade e da indivisibilidade do Ministério</p><p>Público, encontrados no art. 127, § 1º, da Constituição Federal.</p><p>38UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4.2.6. Princípio da vedação da dupla punição e do duplo processo pelo mesmo</p><p>fato (ne bis in idem)</p><p>Trata-se de princípio que decorre dos princípios da legalidade penal (art. 5º, inciso</p><p>XXXIX, da Constituição Federal) e da dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III, da</p><p>Constituição Federal).</p><p>Ademais, é consagrado expressamente no art. 8º, 4, do Pacto de São José da</p><p>Costa Rica. Este princípio impede que a pessoa seja processada e condenada duas vezes</p><p>pelo mesmo fato.</p><p>Implica ainda na proibição de o agente ser processado novamente pelo mesmo fato</p><p>quando já foi absolvido com sentença transitada em julgado.</p><p>4.3 PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL PROPRIAMENTE DITOS</p><p>4.3.1. Princípio da busca da verdade real ou material</p><p>No processo civil, tendo em vista que, em regra, estão em jogo direitos meramente</p><p>patrimoniais (disponíveis), é suficiente a verdade formal, a verdade dos autos, daí porque</p><p>é possível a aplicação da presunção da veracidade dos fatos e o julgamento antecipado da</p><p>lide em ocorrendo a revelia do réu.</p><p>Por força disso, os poderes instrutórios do juiz, nesta seara jurídica, são bastante</p><p>reduzidos, embora recentemente essa característica esteja sendo bastante mitigada com a</p><p>edição de leis que, cada vez mais, garantem tais poderes ao magistrado.</p><p>Já no processo penal, em que prevalecem direitos indisponíveis, notadamente a</p><p>liberdade, há a necessidade de busca da verdade real ou material dos fatos, a verdade do</p><p>mundo real, a verdade objetiva, daí porque o juiz passa a ter maior iniciativa probatória,</p><p>como se vê do teor do art. 156, incisos I e II, do CPP, com a redação dada pela Lei nº</p><p>11.690/08, que permite ao magistrado ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal,</p><p>a produção antecipada de provas, urgentes e relevantes, observando a necessidade,</p><p>adequação e proporcionalidade da medida (inciso I), assim como determinar, no curso da</p><p>instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida</p><p>sobre ponto relevante (inciso II).</p><p>39UNIDADE I Noções Básicas do Direito Processual Penal</p><p>4.3.2. Princípio da oralidade e princípios consequenciais da concentração, da</p><p>imediatidade e da identidade física do juiz</p><p>Quanto ao princípio da oralidade, há de se registrar que, em algumas etapas do</p><p>processo, a palavra oral deve prevalecer sobre a palavra escrita, como forma de promover</p><p>os princípios da concentração, da imediatidade e da identidade física do juiz.</p><p>Com a Lei nº 11.719/08, o princípio da oralidade ganhou destaque, a uma porque</p><p>toda a instrução probatória é produzida em uma só audiência de instrução e julgamento</p><p>(artigos 400, § 1º, e 411, §2º, do CPP), na qual</p>

Mais conteúdos dessa disciplina