Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>Psicologia Perinatal: Os Impactos Psicológicos da Maternidade</p><p>Paula Soares dos Santos Piassi1</p><p>Bruno Lacerra De Souza2</p><p>RESUMO</p><p>A maternidade é vista pela sociedade como algo que a complementa, que</p><p>transcende o amor, como o sentimento mais puro e sublime, na qual a mulher só</p><p>será plenamente feliz após tornar-se mãe. Mas quando esses sentimentos não são</p><p>correspondidos na vivência da maternidade real, chegam também as frustrações, o</p><p>luto pela sua própria liberdade e existência, cobranças e afetar a saúde mental, a</p><p>privando de qualidade de vida. O atendimento perinatal vem para propor uma</p><p>assistência pré-natal psicológica, para desmistificar a maternidade idealizada,</p><p>corroborar com a realidade e trabalhar conceitos da individualidade da mulher com</p><p>suas próprias necessidades. Sendo assim, esse estudo tem base em literaturas</p><p>atuais e do contexto em questão, apontando o quanto a saúde mental pode ser</p><p>impactada pela maternidade. Fundamentados em resultados obtidos nos arquivos</p><p>científicos, notou-se o quão necessário se faz um pré-natal psicológico no</p><p>planejamento, gestação e mesmo após o nascimento, a fim de compreender</p><p>questões intrínsecas baseadas em crenças e expectativas irreais a respeito de si</p><p>mesmas e da maternidade como um todo.</p><p>Palavras-chave: Maternidade. Psicopatologia. Psicologia Perinatal. Depressão.</p><p>Ansiedade.</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>A maternidade, inerentemente subjugada aos desejos femininos, e ligada a</p><p>todo sentimentalismo e feminilidade estereotipada na figura religiosa, traz muitas</p><p>vezes sentimentos opostos a historia e o esperado das mulheres pela sociedade.</p><p>Certamente esses sentimentos e emoções contraditórios, em meio a toda rotina</p><p>exaustiva e conflitante, as mulheres vivenciam situações de medo, alegria,</p><p>ansiedade e momentos depressivos.</p><p>Através de uma experiência pessoal a respeito da maternidade e seus</p><p>impactos psicológicos, surgiu o interesse pela pesquisa dos transtornos mentais que</p><p>pode surgir com o nascimento de um bebê. Visto que, esse caso não se restringe</p><p>apenas para o período do puerpério, mas durante todo o momento da maternidade.</p><p>1</p><p>Acadêmico(a) do curso de psicologia da Faculdade Anhanguera de Jundiaí.</p><p>2</p><p>Orientador(a). Docente do curso de psicologia da Faculdade Anhanguera de Jundiaí.</p><p>Consequentemente, esta revisão bibliográfica tem como objetivo de estudo o</p><p>impacto psicológico após a maternidade, bem como tratar da perda da autonomia da</p><p>mulher e sua construção referente à ilusão de mãe e mulher na sociedade e assim,</p><p>compreender as nuance do período pós-parto e suas psicopatologias.</p><p>A psicologia perinatal, área de pesquisa que acompanha e acolhem pais e</p><p>mães, a que se refere o objetivo de estudo desse trabalho, tem por finalidade</p><p>acolher e clarear os aspectos da maternidade real, desmistificar os sentimentos</p><p>divergentes e possíveis disfuncionalidades, promovendo assim a saúde e o bem</p><p>estar.</p><p>2 DESENVOLVIMENTO</p><p>2.1 Metodologia</p><p>Este estudo foi fundamentado em pesquisas bibliográficas de cunho</p><p>exploratório revisando literaturas, pertinentes a temática apresentada, na qual</p><p>abordam as psicopatologias e a psicologia perinatal.</p><p>Neste sentido, construindo pressupostos, através de consulta e leitura de</p><p>livros, artigos científicos, utilizando meios eletrônicos de grande confiabilidade, como</p><p>Pepsic, Scielo e da Sociedade Brasileira de Psicologia Hospitalar, por exemplo. A</p><p>metodologia consiste em realizar uma revisão sistemática da literatura, pela</p><p>característica e estruturação do processo de pesquisa, avaliar, a relevância dos</p><p>artigos encontrados, a sua validade bem como a analisa dos dados disponíveis na</p><p>literatura (BATISTA, KUMADA, p.10, 2021)</p><p>O período dos artigos pesquisados foi os trabalhos publicados nos últimos</p><p>dez anos.</p><p>As palavras-chave utilizadas na busca foram: maternidade, psicopatologia,</p><p>psicologia perinatal, depressão e ansiedade no pós-parto.</p><p>2.2 Resultados e Discussão</p><p>2.2.1 A CONTRUÇÃO SOCIAL DA MATERNIDADE</p><p>A MATERNIDADE IDEALIZADA PELA SOCIEDADE</p><p>Preliminarmente, faz-se necessário entendermos a história sociocultural a</p><p>cerca da maternidade e assim elaborarmos o que podemos chamar de estereótipo</p><p>esperado das mulheres e mães “perfeitas” para a nossa sociedade.</p><p>Sendo assim, a maternidade ideal é aquela na qual se compara</p><p>religiosamente com o maior modelo de mulher e esposa: Maria. Seguindo a linha</p><p>teológica, Ela é mais próxima, da referência do ideal materno.</p><p>Conforme (HEINEMANN, 199 apud VAZQUEZ, 2014, p.105) “Maria se</p><p>apresentava para os devotos e, para as mulheres em particular como um refúgio,</p><p>uma mulher a quem poderiam recorrer como „uma mãe‟”.</p><p>Assim sendo, Maria se transforma como exemplo de pureza maternal, a</p><p>mulher-mãe que tudo suporta e calada se mantém para que o lar permaneça em</p><p>harmonia e sereno. Ou seja, ela traz a maternidade e a feminilidade redentora,</p><p>sendo a mãe por perfeição, a mãe consoladora, amorosa, plena e realizada em sua</p><p>tarefa.</p><p>Esse modelo, no Ocidente, compõe o arquétipo feminino da Grande</p><p>Mãe, configurando legitimidade à condição social da mulher através</p><p>da experiência da maternidade concreta em si: como mãe, a mulher</p><p>cristã encontra o mérito perdido na figura de Eva, sendo considerada</p><p>nesta vivência particular como fonte de vida, semelhante à Maria,</p><p>ligada ao princípio vital sagrado gerador da existência. Nesse</p><p>sentido, concentra em si o símbolo do núcleo da família, primeira</p><p>casa humana, bem como confere santidade à figura da mulher –</p><p>desde Eva, considerada fator de tentação à humanidade.</p><p>(RODRIGUES, 2012, p.128)</p><p>Sendo esse o maior modelo já estabelecido, o norteador feminino por esse</p><p>modo maternal é inatingível, frustrante e cansativo. Tornando o movimento da</p><p>maternidade discriminatório às mulheres que não se enquadram ao modo difundido</p><p>e religioso esperado pela sociedade.</p><p>Conforme citado por Cordeiro (2013, p.6):</p><p>Criou-se uma devoção em torno das mulheres que conseguiam ser</p><p>mães, resultando em uma força necessária para sobreviver a todas</p><p>as intempéries da maternidade como as precárias condições</p><p>financeiras, de saúde e emocionais. Tais dificuldades, se vencidas,</p><p>serviam de exemplo para todas as outras e sofrimento era visto como</p><p>o meio de se chegar à máxima expressão da felicidade encontrada</p><p>na maternidade.</p><p>Assim dizendo, qualquer mulher que não se sinta realizada e completa após o</p><p>nascimento do seu filho, está fadada ao enfrentamento de julgamentos, críticas e</p><p>suposições quanto a sua capacidade de amor e cuidados a criança.</p><p>Posto que, qualquer sentimento oposto, uma mulher na qual se recusa a</p><p>atender o chamado e as demandas biológicas e naturais concebidas às mulheres, a</p><p>que se recusa a se moldar ao padrão de feminilidade e que a se desloca daquilo que</p><p>é social e historicamente esperado, tornam-se vítimas de pasmo e interrogações,</p><p>tornando-as subjugadas pelas próprias mulheres.</p><p>A CONSTRUÇÃO DO AMOR MATERNO</p><p>Observando a história das relações mãe-filho, podemos notar que a</p><p>maternidade vem sofrendo interferências da sociedade como um todo, instaurando</p><p>um movimento que de a mulher biologicamente foi concebida para tal tarefa e</p><p>consequentemente pré-disposta a exercer seu papel de mãe, devota de um amor</p><p>verdadeiro e incondicional.</p><p>Fato esse que, por volta do XVII e XVIII a forma de demonstração e cuidado</p><p>pela criança era deixar que fossem cuidado por amas, retornando as famílias após</p><p>os cinco anos de idade.</p><p>As mulheres eram na sua maioria, dependentes do marido, jovens e sem</p><p>muita informação e assim, seguiam as teorias prestigiosas de médicos que eram</p><p>homens mais velhos e também eram influenciadas por suas mães, avós e outra</p><p>mulher do ciclo familiar que apoiadas em suas próprias vivências passavam a</p><p>orientar e auxiliar as recém-paridas (LIMA, VICENTE, 2016, p.98)</p><p>Portanto, as mulheres não tinham escolhas</p><p>próprias a respeito do seu corpo,</p><p>nem quanto a decisões a serem tomadas a respeito das crianças e seguiam as</p><p>instruções que lhe eram impostas, que no caso, acabavam por perpetuar culturas</p><p>nas quais acreditavam agir de forma pelo bem da criança.</p><p>Apontado por Vazquez ( 2014, p. 106):</p><p>As mulheres de diferentes classes sociais para se livrar das</p><p>obrigações da amamentação e cuidados iniciais com os bebês,</p><p>confiavam seus filhos a outras mulheres mais pobres que recebiam</p><p>algum dinheiro para abrigar e amamentar as crianças até a volta ao</p><p>lar.</p><p>Como dito, essas amas viviam sem situação de pobreza, nas quais acabavam</p><p>por receber muitas crianças nas quais jamais acabavam por voltar ao convívio</p><p>familiar.</p><p>Anterior a isso, o amor não era associado ao materno havia muito abandono e</p><p>desapego, descaso aos bebês. E a partir disso, para reverter o quadro e resgatar</p><p>essas vidas que estavam se perdendo, criaram meios que cuidassem, servissem de</p><p>promoção de afeto. Ou seja, a mulher passa a desempenhar um papel responsável</p><p>na família, como uma parte vital para a formação do ser humano, e que seja de fato</p><p>produtivo para a sociedade. Vazquez ( 2014, p. 107).</p><p>Em consequência disso, tornou-se imprescindível a medicina e um olhar</p><p>científico para as demandas das mulheres que incluía gestar, parir e cuidar das</p><p>crianças. Paulatinamente a “ciência feminina” ganha espaço, normatizando o estudo</p><p>da sexualidade e reprodução, especificando a maternidade.</p><p>2.2.2 CONSTRUTOS DA PSICOLOGIA PERINATAL</p><p>A PSICOLOGIA PERINATAL</p><p>A fim de minimizar angústias, reduzir crenças limitantes a cerca da</p><p>maternidade e parentalidade como um todo, a psicologia dispõe de muito estudo e</p><p>atividade clínica, originando a especialidade da perinatalidade.</p><p>Objetivando a construção psíquica e preparo de pais, equipes de área da</p><p>saúde e mães, o objeto desse estudo, as ações da psicologia perinatal oferecem</p><p>transformações, empatia e humanização e acolhimento ao período da gestação,</p><p>parto, pós-parto, atuando também no planejamento familiar e no luto</p><p>materno/familiar.</p><p>Bem como dispõem de técnicas para prevenção de alterações</p><p>emocionais significativas próprias desse período, como a ansiedade,</p><p>estresse e depressão. O psicólogo perinatal pode atuar em hospitais,</p><p>maternidades, centros de saúde e na clínica, o atendimento pode ser</p><p>individual ou grupal. (SCHIAVO, 2019)</p><p>O conhecimento e estudo proveniente dessa área permite que o foco em</p><p>relação ao bem estar, a compreensão, valorização dos sentimentos e emoções das</p><p>mulheres sejam levados em consideração, assim como toda assistência pré-natal.</p><p>A integração interdisciplinar da assistência perinatal é outra meta dessa</p><p>especialidade, a mulher passa a ser vista como um ser holístico, em que os</p><p>sintomas corporais expressam conflitos psicológicos e vice-versa (MORAES, 2021).</p><p>Ou seja, a mulher é ouvida e tratada como um ser total, com todos os seus</p><p>sentimentos expressos em causas não apenas físicas, por todo o ciclo gravídico e</p><p>puerperal.</p><p>Conforme descobertas, as rotinas estressantes e traumáticas vividas pela</p><p>gestante, podem ser fatores desencadeantes de patologias, tais como a depressão,</p><p>ansiedade e até psicose, não falando apenas dos pais, mas nas crianças também.</p><p>Que por sua vez, vivencias as influências desde o ventre materno. Trazendo consigo</p><p>memórias intrauterinas, nas quais podem desencadear consequências por toda a</p><p>vida.</p><p>Contanto, a psicologia da perinatalidade, não tem o intuito de oferecer</p><p>assistência romantizada, nem corroborar para idealizações e expectativas. Não</p><p>negando o fato de que isso acontece.</p><p>Planejar, gerar e parir, pode ser sim um momento de alegria e de muita</p><p>gratificação. Porém, as famílias e as equipes que realizam os atendimentos se</p><p>deparam muitas das vezes com um fato muito diferente do esperado. Como</p><p>esclarece Moraes (2021, p.27): profissionais que atuam na no amparo perinatal</p><p>deparam-se repetidamente com situações nas quais há impossibilidade de</p><p>engravidar, gravidez resultante de estuprou ou incesto; anomalias fetais, morte da</p><p>gestante ou da criança, dificuldades de aleitamento, entre outras possibilidades.</p><p>A proposta da psicologia da perinatalidade é oferecer conforto emocional, o</p><p>acolhimento nas etapas de planejamento, gravidez e até mesmo a vivência do luto,</p><p>entre muitas possibilidades que envolvam a parentalidade.</p><p>TRANSTORNOS PÓS-MATERNO</p><p>A chegada de um bebê é um período de muitas controvérsias, expectativas,</p><p>confrontos de sentimentos e sensações sejam elas emocionais e/ou hormonais, são</p><p>desencadeadas na mulher. Diversas adaptações, tanto emocionais quanto físicas,</p><p>são exigidas nesse período, denominado de puerpério.</p><p>Moraes (2021, p.101) cita que:</p><p>É aquele que se inicia imediatamente após o nascimento do bebe e</p><p>pode durar até dois anos. As puérperas, mães recém-nascidas,</p><p>caracterizam-se em geral pela ambivalência, manifestando-se</p><p>potentes e corajosas por sentirem o poder e a realização de dar vida</p><p>a seu filho e, ao mesmo tempo assustadas com todo o novo que têm</p><p>que enfrentar. É o tempo de encontro consigo mesmas e com seu</p><p>bebe, materializado em seus braços.</p><p>“Como eventos preditores encontram-se os relacionamentos interpessoais da</p><p>mãe, principalmente com seu parceiro, a gravidez, parto e eventos estressantes,</p><p>bem como problemas socioeconômicos”, conforme apontam Arruda e Coelho (2022,</p><p>p. 75).</p><p>Esse período é marcado por adversidades, como as dores, o cansaço físico e</p><p>mental, concomitantemente com a felicidade e excitação pelo nascimento do filho,</p><p>ou o fato da conexão mãe-filho e amor não surgir de imediato, gerando cobrança e</p><p>sentimentos que contraditoriamente são esperados pelas parturientes e sociedade</p><p>no geral.</p><p>O sentimento de nulidade, de não pertença, o esgotamento físico das noites</p><p>mal dormidas, a angustia, a falta de tempo para o autocuidado e o não</p><p>reconhecimento em meio a essa nova fase, pode por vezes desencadear</p><p>transtornos psicopatológicos como o estresse, ansiedade, pânico e depressão pós-</p><p>parto, melancolia da maternidade (baby blues) e psicose puerperal são os mais</p><p>comuns na fase do puerpério, sendo a depressão o mais prevalente, descrevem</p><p>Arruda e Coelho (2022, p. 75).</p><p>Devido ao conceito de idealização da maternidade, a cultura já citada, a</p><p>idealização do bebê e a vivência com o bebê real, Moraes (2021, p.107) cita que as</p><p>mulheres tendem a silenciar seus sentimentos por vergonha, inadequação diante</p><p>que chamamos de “mito do amor materno” e a estimativa de Depressão Pós-Parto é</p><p>de 25% nas pesquisas com puérperas.</p><p>Moraes (2021, p.106) afirma que esse é o momento de mais risco emocional</p><p>e que a possibilidade de um transtorno psicológico é agravada caso as mulheres</p><p>tenham engravidado já acometidas por algum caso clínico pré-existente, como</p><p>depressão, ansiedade ou alguma dependência química.</p><p>Importante ponderar que é esperada uma oscilação de humor é uma</p><p>transição, na qual ocorre com 80 a 90% das mulheres. Chamado de baby blues essa</p><p>fase ocorre entre o segundo ou quinto dia após o parto, devendo se dissipar até o</p><p>fim do primeiro mês Moraes (2021, p.106).</p><p>Importante observar que, após esse período e os sintomas não cessarem,</p><p>pelo contrário, tornando-se piores tanto quantidades de sintomas quanto a</p><p>frequência/intensidade, pode dizer que se trata de um prognóstico de depressão</p><p>pós-parto.</p><p>Os principais sintomas apontados são: baixa autoestima, choro frequente,</p><p>desânimo profundo, perda da capacidade de amar, sentimentos de desesperança e</p><p>desamparo, humor deprimido, irritabilidade, insônia ou a sonolência, sensação de</p><p>não dar conta, pensamentos de morte [...], bem como episódios psicossomáticos:</p><p>cefaleia, dificuldade na amamentação, fissuras mamárias, infecções, hemorragias</p><p>(MORAES (2021)).</p><p>Outro grande fator psíquico relativo á maternidade é o denominado psicose</p><p>puerperal, sendo mais comum em primíparas, causando confusão</p><p>mental,</p><p>comprometimento das funções psicomotoras e memória, irritabilidade, delírios e</p><p>alucinações associadas à criança, grande chances de suicídio e/ou infanticídio.</p><p>De qualquer forma, a recém-parida, em casos avaliados e diagnosticados de</p><p>transtornos psiquiátricos, sente-se com uma grande e sobrecarregada culpa por</p><p>querer se livrar de seus filhos, por sentirem todos os sentimentos e emoções</p><p>negativas que nutrem. Em contrapartida, as funções maternas exigem uma grande</p><p>extensão do psicológico, na qual ouso dizer que durante todo o período maternal.</p><p>Portanto, a psicologia perinatal ampara, compreende, recebe as demandas</p><p>dessas mães que anseiam, buscam informação e acolhimento em suas dores. Fato</p><p>que, por vezes essas mulheres acabam aceitando suas consições emocionais, sem</p><p>saber ou entender que se tratam de uma psicopatologia e que sua vida pode ter</p><p>mais qualidade e saúde mental para cuidar de si prórpria e posteriormente dos seus.</p><p>Sumariamente, a maternidade pode ser um processo de luto. O luto da</p><p>mulher que “existia” antes do nascimento da criança, o luto do seu próprio “eu”, com</p><p>desejos, para viver em função de outra vida, na qual esta é totalmente dependente</p><p>dos cuidados e vinculada a essa mãe.</p><p>Para algumas mulheres, a maternidade, mesmo que desejada, passa a ser</p><p>limitante. Pois, anterior ao nascimento da criança, elas era capazes de desempenhar</p><p>suas funções livremente. Consequentemente, a parturiente “perde” toda a sua</p><p>autonomia e passa a realizar as tarefas vinculadas e ajustadas aos cuidados ou</p><p>horários da criança. Assim, acabam por abdicar de atividades que ela fazia</p><p>anteriormente, como cuidar da própria aparência, afazeres do lar, a vida social e o</p><p>profissional, etc. (SILVA SOUZA; SOUZA; SANTOS RODRIGUES, 2013, p.173).</p><p>Integralmente, a vivência e as dificuldades com o cuidado das crianças, na</p><p>qual ouso a dizer que em todo o período maternal, recaem sobre a mulher. Esta,</p><p>estando em um estado psíquico adoecido, pode, como cita Moraes (2021, p. 108),</p><p>enxergar a criança como algo que a consumisse, juntamente com o sentimento de</p><p>culpa por não ser capaz de prover o que o bebê/criança necessita.</p><p>Essa perda de autonomia e da sua própria identidade, a expectativa não</p><p>correspondida em relação a tudo o que a mulher idealizou durante a gestação, em</p><p>relação ao bebê, a si mesma no papel de mãe, a falta de rede de apoio e ausência</p><p>de companheiro, entre outras questões, estão entre os fatores desencadeadores da</p><p>depressão e/ou ansiedade materna.</p><p>Analisando a história da maternidade e sua etimologia, podemos refletir que</p><p>somado a esses potenciais estressores, se direcionarmos o olhar a romantização da</p><p>maternidade, bem como o julgamento da sociedade a uma mulher que não se vê</p><p>nesse papel estereotipado proposto, como podemos concordar com Brasco (2021,</p><p>p.34).</p><p>Tal situação faz com que muitas se sintam incomodadas e inadequadas,</p><p>olhando e julgando a si mesmas de forma negativa, principalmente quando</p><p>não conseguem falar sobre essa insatisfação com alguém. Infelizmente, a</p><p>mulher busca conversar sobre o assunto com outras pessoas, as quais</p><p>podem ser desde pessoas da família até amigas, conhecidas ou até mesmo</p><p>profissionais e são mal interpretadas, não são escutadas na sua</p><p>integralidade.</p><p>Portanto, estudos mostram que as mulheres com algum tipo de transtorno</p><p>mental não buscam atendimento médico, seja pela falta de conhecimento próprio,</p><p>bem como onde e com quem procurar ajuda.</p><p>Normalmente, alguns dias após o parto a mulher passa por uma instabilidade</p><p>emocional e de transição, o “baby blues”, na qual há uma tristeza leve, irritabilidade</p><p>e alguns sintomas que tendem a desaparecer aproximadamente no fim do primeiro</p><p>mês. Ao contrário do esperado, esses sentimentos potencializados em intensidade e</p><p>aumento dos sintomas, as literaturas sugerem que os transtornos mais comuns são</p><p>a depressão, causando sentimentos de culpa por acreditar que não fornece</p><p>cuidados suficientes ao bebê/criança. (SILVA, SOUZA, p.12, 2021)</p><p>Por tratar-se de um transtorno de humor, este se torna intensamente</p><p>melancólico, sentindo-se profundamente triste e sem energia, anedonia, insônia ou</p><p>sono excessivo, sentimentos incapacitantes, desmotivação, dificuldade de interação</p><p>e relação com o bebê, choro frequente, falta de desejo sexual, irritabilidade,</p><p>pensamentos de morte na qual pode transgredir a um quadro de ideação suicida ou</p><p>matar a criança.</p><p>O Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) causa além de sintomas</p><p>psíquicos, como comportamentos de hipervigilância e excesso de preocupação com</p><p>o bem estar do bebê, distúrbios de sono e apetite, dificuldades com amamentação,</p><p>impaciência, insegurança e medo. Já as físicas, incluem taquicardia, pânico, dores</p><p>de cabeça e musculares, prejudicando a qualidade de vida da mulher bem como</p><p>podendo evoluir para um quadro de depressão.</p><p>O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) na qual a mulher passa a</p><p>reviver momentos que foram traumáticos durante o parto, causando medo em</p><p>excesso, raiva e negação a maternidade. Esse transtorno pode se desenvolver</p><p>devido a uma cesariana não planejada, complicações na saúde da mãe ou bebê,</p><p>violência obstétrica ou abuso sexual, e outros traumas reais vivenciados pela</p><p>mulher.</p><p>Pesa também a crença estereotipada sobre a depressão perinatal e a</p><p>consequência desse diagnóstico para a imagem de uma “boa mãe”. Pois, ao olhar</p><p>da sociedade, uma mãe com transtorno mental não pode ser uma boa mãe e assim</p><p>surge o medo de perder seu bebê/criança. E assim essa mãe acaba por suprimir o</p><p>sofrimento psíquico, silenciando como um estigma.</p><p>De acordo com as literaturas, a saúde mental materna sofre interferência de</p><p>múltiplos fatores, que podem ser o potencial fator para a ocorrência de</p><p>psicopatologias.</p><p>Dentre os fatores biológicos, podemos destacar principalmente as doenças</p><p>pré-existentes, as uso de substâncias ilícitas, comportamentos e hábitos de vida</p><p>bem como a idade, os antecedentes psicossociais como: condições</p><p>socioeconômicas, os relacionamentos familiares e conjugal, histórico de</p><p>adoecimento psíquico anterior. E o mesmo se aplica as demandas intrapessoais da</p><p>mulher: como a gravidez foi concebida (desejada ou não), sua autoestima, muitos</p><p>filhos, abortamentos, histórico de abusos ou violência, etc. (RUSCHI et al, 2007)</p><p>3 CONCLUSÃO</p><p>A maternidade é um processo pela qual se observa algumas transições e</p><p>perdas significativas vivenciadas pelas mulheres, em seu meio social. Os seja, a</p><p>mulher passa por um processo de luto, na qual as perdas incluem a sua autonomia,</p><p>a perda da sua identidade, sua independência e até mesmo a liberdade que por ora</p><p>a mulher tende a exercer a maternidade, dentre tantos outro papeis sociais a que</p><p>desempenhava.</p><p>Algumas mulheres veem a maternidade como uma experiência restritiva,</p><p>mesmo que desejada e planejada. Isso ocorre porque a rotina, incluindo as tarefas</p><p>mais simples do cotidiano, passam a ser organizadas de acordo com as</p><p>necessidades e demandas da criança.</p><p>Desencadeando assim o processo de enlutamento da mulher independente,</p><p>para assumir e se adaptar as novas rotinas e cuidados que uma criança exige.</p><p>Essa perda, somado a pressão psicológica imposta pela sociedade e da</p><p>maternidade, a auto cobrança que a mulher tem por muitas das vezes achar que não</p><p>está desempenhando um papel adequado e esperado, o fato de que a realidade não</p><p>corresponder com a expectativa criada em torno de todo o processo gestacional,</p><p>parto e materno, torna-se um dos fatores desencadeadores dos transtornos</p><p>psicológicos, como a depressão, a ansiedade e até a psicose puerperal.</p><p>Observado esse fato nas revisões bibliográficas, podemos dizer que o período</p><p>materno não é simplesmente inato ou instintivo, não é uma tarefa simples e que</p><p>cabem julgamentos. Que há sentimentos ambivalentes, contraditórios e uma quebra</p><p>de expectativa que muitas vezes está imperceptível. Fazendo-se necessario</p><p>um</p><p>olhar para essas dores e até mesmo para a própria história de vida dessa mãe.</p><p>Portanto, estabelecer um vínculo de confiança com o profissional que</p><p>atendem as mulheres durante o pré-natal, podem propiciar mais qualidade e</p><p>assistência em saúde. Bem como uma comunicação e um olhar examinador e</p><p>humanizado, poderão identificar situações psicológicas disfuncionais, podendo</p><p>iniciar a assistência psicológica adequada para essas mães.</p><p>Tão importante quanto o cuidado gestacional físico, a orientação antecipatória</p><p>e cuidado com a saúde mental durante a gestação, pode auxiliar com informações e</p><p>preparos para que essa mulher lide com os impactos que a chegada da criança</p><p>pode gerar.</p><p>Destacando a relevância do papel da psicologia perinatal, na qual pode ser</p><p>iniciado desde a concepção, trabalhando ainda no planejamento ressignificando o</p><p>papel da mulher, proporcionando realismo a experiência materna, gerando empatia,</p><p>humanização e principalmente acolhimento as demandas.</p><p>O pré-natal psicológico, disposto a ouvir, vivências pessoais e as</p><p>preocupações, gerando possibilidade de reflexão, atentando-se também para os</p><p>distúrbios psiquiátricos pré-existentes, bem como abuso de drogas e álcool que</p><p>ampliam as condições de desenvolvimento dos transtornos mentais.</p><p>Estudos também apontam que relações sociais positivas, suporte e</p><p>compreensão do parceiro e rede de apoio familiar, são responsáveis por amenizar</p><p>sintomas negativos relacionados à maternidade.</p><p>É preciso, portanto, estancar preconceitos e julgamentos para olhar com</p><p>humanidade para a mãe real e então oferecer mais apoio nas áreas da saúde, bem</p><p>como políticas públicas para serem capaz de proporcionar melhores condições de</p><p>assistência às mães que não tem acesso ao serviço de psicoterapia pré-natal.</p><p>Sendo assim, sugerem-se mais estudos e acompanhamento relacionados</p><p>saúde mental em diferentes níveis da maternidade, já que os impactos psicológicos</p><p>referentes às demandas dos filhos podem ocorrer em diversos momentos da</p><p>maternidade.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ARRUDA, Ana Carolina Carvalho; COELHO, Gilson Gomes. A importância da</p><p>psicologia perinatal como campo de investigação e atuação</p><p>profissional. Instituto Metodista de Ensino Superior, [s. l.], v. 30, ed. 1, p. 71-78,</p><p>Jan-Jun 2022. DOI https://doi.org/10.15603/2176-1019/mud.v30n1p71-78.</p><p>Disponível em: https://www.metodista.br/revistas/revistas-</p><p>metodista/index.php/MUD/article/view/1035803. Acesso em: 26 out. 2023.</p><p>BATISTA, L. dos S. .; KUMADA, K. M. O. Análise metodológica sobre as</p><p>diferentes configurações da pesquisa bibliográfica. Revista Brasileira de</p><p>Iniciação Científica, [S. l.], v. 8, p. e021029, 2021. Disponível em:</p><p>https://periodicoscientificos.itp.ifsp.edu.br/index.php/rbic/article/view/113. Acesso em:</p><p>24 out. 2023.</p><p>BRASCO, Priscila. II Mobilização Nacional Pela Saúde Mental Materna: caderno de</p><p>resumos. Como a Romantização da Maternidade Influencia a Saúde Mental</p><p>Materna?, Agudos-SP, 26 out. 2023. E-book.</p><p>CORDEIRO, Mariana Sbaraini. MÃE – A INVENÇÃO DA HISTÓRIA. Seminário</p><p>Internacional Fazendo Gênero 10 (Anais Eletrônicos), Florianópolis, 2013.</p><p>Disponível em:</p><p>http://www.fg2013.wwc2017.eventos.dype.com.br/resources/anais/20/1386710409_</p><p>ARQUIVO_MarianaSbarainiCordeiro.pdf. Acesso em: 20 maio 2023.</p><p>LIMA, Ana Laura Godinho; VICENTE, Barbara Caroline. Os conhecimentos sobre</p><p>a maternidade e a experiência da maternidade: uma análise de</p><p>discursos. Estilos clin., São Paulo , v. 21, n. 1, p. 96-113, abr. 2016 . Disponível</p><p>em .</p><p>acessos em 26 out. 2023. http://dx.doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v21i1p96-</p><p>113.</p><p>MORAES, Maria Helena Cruz de. Psicologia e pisicopatologia perinatal: sobre o</p><p>(re) nascimento psíquico. 1. ed. Curitiba: Appris, 2021. 205 p. ISBN 978-65-250-</p><p>0438-9.</p><p>RUSCHI, Gustavo Enrico Cabral; SUN, Sue Yazaki; MATTAR, Rosiane; CHAMBÔ</p><p>Antônio Filho; ZANDONADE, Eliana; LIMA, Valmir José de. Aspectos</p><p>epidemiológicos da depressão pós-parto em amostra brasileira. Revista de</p><p>psiquiatria do Rio Grande do Sul, v.29, n.3, p. 274-280.</p><p>https://doi.org/10.1590/S0101-81082007000300006. Acesso em: 22 set. 2023</p><p>SILVA, Flaviana Ferreira Da; SOUZA, Nicolli Bellotti de. ROMANTIZAÇÃO DA</p><p>MATERNIDADE E A SAÚDE PSÍQUICA DA MÃE. Revista Científica Online,</p><p>Paracatu-MG, v. 13, ed. 1, p. 1-21, 2021. DOI ISSN 1980-6957. Disponível em:</p><p>http://dx.doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v21i1p96-113</p><p>http://dx.doi.org/10.11606/issn.1981-1624.v21i1p96-113</p><p>https://doi.org/10.1590/S0101-81082007000300006</p><p>http://www.atenas.edu.br/uniatenas/assets/files/magazines/ROMANTIZACAO_DA_M</p><p>ATERNIDADE_E_A_SAUDE_PSIQUICA_DA_MAE.pdf. Acesso em: 23 out. 2023.</p><p>SILVA SOUZA, Bruna Moreira da; SOUZA, Simone Flores de; SANTOS</p><p>RODRIGUES, Dra. Rosana Trindade dos. O puerpério e a mulher</p><p>contemporânea: uma investigação sobre a vivência e os impactos da perda da</p><p>autonomia. Rev. SBPH, Rio de Janeiro , v. 16, n. 1, p. 166-184, jun. 2013 .</p><p>Disponível em . acessos em 26 out. 2023.</p><p>SCHIAVO, Rafaela de Almeida. A expansão da psicologia perinatal no</p><p>Brasil. Sociedade Brasileira de Psicologia, [s. l.], 2019. Disponível em:</p><p>https://www.sbponline.org.br/2019/05/a-expansao-da-psicologia-perinatal-no-brasil.</p><p>Acesso em: 20 maio 2023.</p><p>VAZQUEZ, Georgiane Garabely Heil. SOBRE OS MODOS DE PRODUZIR AS</p><p>MÃES: NOTAS SOBRE A NORMATIZAÇÃO DA MATERNIDADE. Revista Mosaico</p><p>- Revista de História, [s. l.], ano 2014, v. 7, ed. 1, p. 103-112, Jun 2014. DOI</p><p>https://doi.org/10.18224/mos.v7i1.3984. Disponível em:</p><p>https://seer.pucgoias.edu.br/index.php/mosaico/article/view/3984. Acesso em: 8 jul.</p><p>2022.</p>

Mais conteúdos dessa disciplina