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introdução competência (2)

Relatório sobre conflito de competência no processo judicial e penal: define conflito positivo e negativo, cita artigos do CPC (66, 951, 954, 955), descreve procedimento de suscitação e julgamento e traz exemplos práticos, incluindo conflito positivo (caso BA).

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<p>FACULDADE UNINASSAU</p><p>UNIDADE REDENÇÃO ALIANÇA</p><p>TÓPICOS INTEGRADORES I</p><p>RELATÓRIO</p><p>III CONGRESSO PIAUIENSE DE DIREITO</p><p>TERESINA</p><p>2022</p><p>CAROLINA ALVES DA SILVA - 20015960</p><p>JOÃO PAULO MONTEIRO DA CRUZ FILHO - 20015255</p><p>JULIANY MARIA PEREIRA DE CASTRO – 20015612</p><p>LAURENICE DE SOUSA SILVA – 20015534</p><p>LEONARA CRISTINA DE SOUSA COELHO - 20015479</p><p>THIAGO MACEDO MASCARENHAS - 20017036</p><p>III CONGRESSO PIAUIENSE DE DIREITO</p><p>O PODER DAS MULTIDÕES CONECTADAS</p><p>Trabalho avaliativo da disciplina</p><p>TERESINA</p><p>2022</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A vida útil de um processo pode durar de 6 meses até anos a perder de vistas. O grande problema é passar anos numa briga judicial, receber decisões a respeito e no final descobrir que as decisões são nulas, por terem sido julgadas por um juiz incompetente.</p><p>O conflito de competência surge quando há a indagação de mais de um órgão jurídico ser competente para processar e julgar a mesma causa. No direito tudo depende, portanto, a competência também dependerá nas variáveis apresentadas em cada processo.</p><p>Cada processo, distribuído junto ao Poder Judiciário, pertence a competência a um juiz ou tribunal. Um único processo, pode passar por diversos órgãos judiciários, pelo simples grau hierárquico existente, decorrente dos recursos interpostos pela parte ou por ofício, nos casos de duplo grau de jurisdição necessário (Art.,496 CPC).</p><p>Existem duas espécies de conflito de competência, a positiva e a negativa. O conflito de competência positiva está previsto no Art.,66, inciso I do CPC e ocorre quando dois ou mais juízes se declaram competentes. Já o conflito de competência negativa, está disposto no Art.,66, inciso II do CPC, e ocorrem quando dois ou mais juízes se declaram incompetentes.</p><p>Art.,951 CPC: O conflito de competência pode ser suscitado por qualquer das partes, pelo Ministério Público ou pelo juiz.</p><p>Parágrafo Único: O Ministério Público somente será ouvido nos conflitos de competência relativos aos processos previstos no Art., 178, mas terá qualidade de parte nos conflitos que suscita.</p><p>Se de iniciativa do órgão jurisdicional o conflito de competência deverá ser suscitado por ofício dirigido ao tribunal. Se, contudo o conflito de competência for de iniciativa da parte do Ministério Público, deverá ser suscitado por petição. É necessariamente, quaisquer dos incidentes serão acompanhados dos documentos para provar o suscitado.</p><p>Art., 954: Após a distribuição, o relator determinará a oitiva dos juízes em conflito, ou se um deles foi suscitante, apenas o suscitado.</p><p>O prazo para que se dê a manifestação dos juízes em conflito será designado pelo relator ou no silêncio deste, aplicando o prazo geral de 5 (cinco) dias. Podendo o relator tomar 3 decisões diferentes.</p><p>1. Determinar de ofício o sobrestamento do processo, quando se tratar de conflito positivo;</p><p>2. Designar um dos juízes para resolver provisoriamente as medidas urgentes, em quaisquer dos conflitos</p><p>3. Julgar imediatamente, quando sua decisão se fundar em súmula do Supremo Tribunal Federal, do STJ, do próprio tribunal ou tese firmada em julgamento de casos repetitivos ou em incidente de assunção de competência. (Art., 955 CPC)</p><p>Não havendo julgamento de plano, e após o prazo designado para que os juízes prestem informações, será ouvido o Ministério Público, de segunda instância, quando deve interver, e após o conflito ser julgado.</p><p>O conflito será decidido de modo a declarar o juízo competente e da extensão da validade do ato do juízo incompetente, remetendo-se os autos à quem se declarar competente.</p><p>Diante do exposto apresentaremos a seguir dois conflitos de competência, um positivo e outro negativo para podermos entender melhor na prática.</p><p>CONFLITO DE COMPETÊNCIA</p><p>CONFLITO DE COMPETÊNCIA POSITIVO N° 168073 – BA (2019/0263695-5).</p><p>SUSCITANTE: ADPK – ADMINISTRAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E COMERCIO LTDA</p><p>SUSCITANTE: BASSIM MOUNSSEF</p><p>SUSCITADO: JUIZO FEDERAL DA VARA DE ILHEUS – SJ/BA</p><p>SUSCITADO: JUIZO DE DIREITO DA 1° VARA CRIMINAL DE VALENÇA – BA</p><p>EMENTA</p><p>Trata-se de conflito positivo de competência suscitado por empresa e seu representante legal no qual se alega a existência de ação penal em trâmite na Vara Única Federal de Ilhéus e ação penal ajuizada na Justiça Estadual perante a 1ª Vara Criminal de Ilhéus possuem idêntico teor configurando litispendência.</p><p>Nos termos do artigo 114, inciso I do Código de Processo Penal dá-se conflito de competência, quando duas ou mais autoridades judiciárias se considerarem competentes, ou incompetentes, para conhecer do mesmo fato criminoso. Conflito de competência positivo conhecido porquanto, após cotejamento das denúncias oferecidas pelo Ministério Federal e Estadual resta clara a descrição da mesma conduta delituosa em tese praticada pelos réus.</p><p>As duas denúncias, uma oferecida pelo Parquet Estadual e outra pelo Parquet Federal, afirmam que "empresa ré e seu sócioadministrador, com objetivo de implantar o empreendimento imobiliário denominado "Reserva Morro de São Paulo", foram responsáveis pela destruição de 1,75 ha (hectares) de floresta do Bioma Mata Atlântica, em estágio médio e avançado de regeneração, na Fazenda Santo António das Rosas, causando dano direto à unidade de conservação Área de Proteção Ambiental (APA) das Ilhas de Tinharé e Boipeba, em Cairu/BA.</p><p>Os critérios de resolução foi: O Tribunal Regional Federal da Primeira Região - TRF 1 prestou informações encaminhando inteiro teor do julgamento de recurso em sentido estrito oferecido pelo Ministério Público Federal em face de decisão de primeiro grau que rejeitou a denúncia. Nos termos do acórdão acostado aos autos, a Terceira Turma do TRF 1 reconheceu a competência da Justiça Federal para o julgamento da ação penal ao fundamento de que a área descrita na denúncia envolve Terreno da Marinha. Fundamentou também que, independentemente da natureza jurídica da propriedade, os danos ambientais atingiram área de interesse da União, o que por si só fixa a competência da Justiça Federal.</p><p>VOTO</p><p>O SENHOR MINISTRO JOEL ILAN PACIORNIK (relator):</p><p>Primeiramente, há se se analisar se está configurado o conflito positivo de competência, haja vista a manifestação ministerial pelo não conhecimento do incidente.</p><p>Com efeito, não merece reparos o fundamento apresentado pela pelo TRF 1 no julgamento do recurso em sentido estrito no sentido de que "o parâmetro para a delimitação da competência jurisdicional, no caso de domínio de área onde ocorre o dano ao meio ambiente, não é a natureza da propriedade, e, sim, saber se os danos ambientais atingiram área de interesse da União</p><p>Ante o exposto conheço do presente conflito para reconhecer a competência da Vara Única Federal de Ilhéus para julgar denúncia oferecida na Ação Penal n° 0501342 73.2019.8.05.0271, na qual são descritos crimes ambientais supostamente praticados na Fazenda Santo Antônio das Rosas, situada na cidade de Cairu/BA, quando implementado empreendimento Reserva Morro de São Paulo, devendo ser extinta Ação Penal n° 0501342-73.2019.8.05.0271 ajuizada na Justiça Estadual perante a 1ª Vara Criminal de Ilhéus por tratar dos mesmos fatos criminosos.</p><p>CONFLITO DE COMPETÊNCIA</p><p>CONFLITO DE COMPETENCIA NEGATIVO N° 182320 – ES (2021/0277749-5).</p><p>SUSITANTE: JUÍZO FEDERAL DA 1° VARA DE SERRA – SJ/ES</p><p>SUSCITADO: JUÍZO FEDERAL DA 2° VARA DE BLUMENAU – SJ/SC</p><p>EMENTA</p><p>Trata-se de um conflito de competência instaurado pelo juízo suscitante da 1° Vara Federal de Serra – Seção Judiciaria do Espírito Santo, em face do juízo suscitado da 2° vara Federal de Blumenau – Seção Judiciaria de Santa Catarina.</p><p>Segurado do INSS, ajuizou demanda contra a União, com a finalidade de afastar a incidência de imposto de renda sobre proventos de pensão, ação ajuizada na 2° Vara de Blumenau.</p><p>O juízo da 2° Vara Federal de Blumenau considerou que a demandante tinha domicílio em Serra/Es, remetendo os autos à Vara Federal daquela subseção.</p><p>Já o juízo suscitante da 1° Vara Federal de Serra, considerou que a demandante não possui residência no Brasil, apresentando inclusive</p><p>um comprovante de residência da cidade de Foley – Alabama, nos Estados Unidos.</p><p>Os critérios de resolução foi: O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Tema 374 de repercussão geral, afirmou que “ a faculdade atribuída ao autor quanto à escolha do foro competente entre os indicados no art. 109,§2°, da constituição Federal para julgar as ações propostas contra a União tem por escopo facilitar o acesso ao Poder Judiciário àqueles que se encontram afastados das sedes das autarquias”. Nesse mesmo precedente a Suprema Corte afirmou que “em situações semelhante à da União, as autarquias federais possuem representação em todo o território nacional.</p><p>O que diz o Tema 374 – Aplicação do art. 109, §2° da Constituição Federal aos entes da Administração Indireta.</p><p>Emenda: CONSTITUCIONAL, COMPETENCI. CAUSAS AJUIZADAS CONTRA A UNIÃO. ART. 109, §2° DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. EXTENÇÃO. AÇÃO PROPOSTA CONTRA AUTARQUIA FEDERAL. EXISTENCIA DE REPERCUÇÃO GERAL.</p><p>O que diz o art. 109, §2° da CF: Aos Juízos Federais Compete Processar e Julgar:</p><p>II - as causas entre Estado estrangeiro ou organismo internacional e Município ou pessoa domiciliada ou residente no País;</p><p>VOTO</p><p>O SENHOR MINISTRO BENEDITO GONÇALVES (relator):</p><p>Portanto, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, "Em situação</p><p>semelhante à da União, as autarquias federais possuem representação em todo o território</p><p>nacional".</p><p>Na hipótese dos autos, em se tratando de demanda ajuizada por pessoa domiciliada no</p><p>exterior, em face da União, a representação da parte pública se dá em todo o território nacional,</p><p>de modo que é legítimo o ajuizamento na sede do juízo federal de Blumenau / SC.</p><p>Mutatis mutandi, o Supremo Tribunal Federal permitiu ao autor optar pelo ajuizamento</p><p>da ação contra a União na capital do Estado-membro, mesmo quando instalada Vara da Justiça</p><p>Federal no município do mesmo Estado em que domiciliada.</p><p>Ante o exposto, conheço do conflito para declara a competência do juízo suscitado (2ª</p><p>Vara Federal de Blumenau - Seção Judiciária de Santa Catarina).</p><p>É como voto.</p><p>image.png</p>

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