Logo Passei Direto
Buscar

Epidemiologia na educação física

Livro "Epidemiologia na Educação Física" (Unicesumar, 2021; reimpresso 2023) para Graduação em Educação Física EaD; traz ficha catalográfica e dados editoriais, equipe e direção, instruções de acesso digital via QR‑CODE/Unicesumar Experience e mensagem institucional de boas‑vindas.

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>PROFESSORES</p><p>Dr. Diego Augusto Santos Silva</p><p>Dra. Eliane Cristina de Andrade Gonçalves Brusco</p><p>Quando identificar o ícone QR-CODE, utilize o aplicativo</p><p>Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online.</p><p>O download do aplicativo está disponível nas plataformas:</p><p>Acesse o seu livro também disponível na versão digital.</p><p>Google Play App Store</p><p>EPIDEMIOLOGIA NA</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3254</p><p>2</p><p>NEAD - Núcleo de Educação a Distância</p><p>Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação</p><p>Cep 87050-900 - Maringá - Paraná - Brasil</p><p>www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360</p><p>DIREÇÃO UNICESUMAR</p><p>Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD</p><p>William Victor Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente</p><p>da Mantenedora Cláudio Ferdinandi.</p><p>NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA</p><p>Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação Kátia</p><p>Coelho, Diretoria de Pós-Graduação Bruno do Val Jorge, Diretoria de Permanência Leonardo Spaine,</p><p>Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie</p><p>Fukushima, Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Gerência de Curadoria</p><p>Carolina Abdalla Normann de Freitas, Gerência de Contratos e Operações Jislaine Cristina da Silva,</p><p>Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki</p><p>Hey, Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel</p><p>Coordenador(a) de Conteúdo Mara Cecília Rafael Lopes, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração</p><p>Lucas Pinna Silveira Lima, Designer Educacional Rossana Costa Giani, Revisão Textual Cintia Prezoto</p><p>Ferreira, Ilustração André Azevedo, Fotos Shutterstock.</p><p>C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância;</p><p>SILVA, Diego Augusto Santos; BRUSCO, Eliane Cristina de Andrade</p><p>Gonçalves.</p><p>Epidemiologia na Educação Física. Diego Augusto Santos Silva; Eliane</p><p>Cristina de Andrade Gonçalves Brusco.</p><p>Maringá - PR: Unicesumar, 2021. Reimpresso em 2023.</p><p>202 p.</p><p>“Graduação em Educação Física - EaD”.</p><p>1.Epidemiologia 2.Educação 3.Física EaD. I. Título.</p><p>ISBN 978-65-5615-226-4 CDD - 22ª Ed. 614.4</p><p>CIP - NBR 12899 - AACR/2</p><p>Ficha Catalográfica Elaborada pelo Bibliotecário</p><p>João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828</p><p>Impresso por:</p><p>Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos</p><p>com princípios éticos e profissionalismo, não somente</p><p>para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima</p><p>de tudo, para gerar uma conversão integral das</p><p>pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares:</p><p>intelectual, profissional, emocional e espiritual.</p><p>Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de</p><p>graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil</p><p>estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro</p><p>campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e</p><p>Londrina) e em mais de 500 polos de educação a distância</p><p>espalhados por todos os estados do Brasil e, também,</p><p>no exterior, com dezenas de cursos de graduação e</p><p>pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros</p><p>e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano.</p><p>Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de</p><p>excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos</p><p>entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil.</p><p>A rapidez do mundo moderno exige dos educadores</p><p>soluções inteligentes para as necessidades de todos.</p><p>Para continuar relevante, a instituição de educação</p><p>precisa ter pelo menos três virtudes: inovação,</p><p>coragem e compromisso com a qualidade. Por</p><p>isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia,</p><p>metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor</p><p>do ensino presencial e a distância.</p><p>Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é</p><p>promover a educação de qualidade nas diferentes áreas</p><p>do conhecimento, formando profissionais cidadãos</p><p>que contribuam para o desenvolvimento de uma</p><p>sociedade justa e solidária.</p><p>Vamos juntos!</p><p>Wilson Matos da Silva</p><p>Reitor da Unicesumar</p><p>boas-vindas</p><p>Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à</p><p>Comunidade do Conhecimento.</p><p>Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar</p><p>tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores</p><p>e pela nossa sociedade. Porém, é importante</p><p>destacar aqui que não estamos falando mais daquele</p><p>conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas</p><p>de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos,</p><p>atemporal, global, democratizado, transformado pelas</p><p>tecnologias digitais e virtuais.</p><p>De fato, as tecnologias de informação e comunicação</p><p>têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares,</p><p>informações, da educação por meio da conectividade</p><p>via internet, do acesso wireless em diferentes lugares</p><p>e da mobilidade dos celulares.</p><p>As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram</p><p>a informação e a produção do conhecimento, que não</p><p>reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em</p><p>segundos.</p><p>A apropriação dessa nova forma de conhecer</p><p>transformou-se hoje em um dos principais fatores de</p><p>agregação de valor, de superação das desigualdades,</p><p>propagação de trabalho qualificado e de bem-estar.</p><p>Logo, como agente social, convido você a saber cada</p><p>vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a</p><p>tecnologia que temos e que está disponível.</p><p>Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg</p><p>modificou toda uma cultura e forma de conhecer,</p><p>as tecnologias atuais e suas novas ferramentas,</p><p>equipamentos e aplicações estão mudando a nossa</p><p>cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o</p><p>conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância</p><p>(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes</p><p>cativantes, ricos em informações e interatividade. É</p><p>um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá</p><p>as portas para melhores oportunidades. Como já disse</p><p>Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”.</p><p>É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer.</p><p>Willian V. K. de Matos Silva</p><p>Pró-Reitor da Unicesumar EaD</p><p>Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está</p><p>iniciando um processo de transformação, pois quando</p><p>investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou</p><p>profissional, nos transformamos e, consequentemente,</p><p>transformamos também a sociedade na qual estamos</p><p>inseridos. De que forma o fazemos? Criando</p><p>oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes</p><p>de alcançar um nível de desenvolvimento compatível</p><p>com os desafios que surgem no mundo contemporâneo.</p><p>O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de</p><p>Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo</p><p>este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens</p><p>se educam juntos, na transformação do mundo”.</p><p>Os materiais produzidos oferecem linguagem</p><p>dialógica e encontram-se integrados à proposta</p><p>pedagógica, contribuindo no processo educacional,</p><p>complementando sua formação profissional,</p><p>desenvolvendo competências e habilidades, e</p><p>aplicando conceitos teóricos em situação de realidade,</p><p>de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja,</p><p>estes materiais têm como principal objetivo “provocar</p><p>uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta</p><p>forma possibilita o desenvolvimento da autonomia</p><p>em busca dos conhecimentos necessários para a sua</p><p>formação pessoal e profissional.</p><p>Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento</p><p>e construção do conhecimento deve ser apenas</p><p>geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos</p><p>que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita.</p><p>Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu</p><p>Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos</p><p>fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe</p><p>das discussões. Além disso, lembre-se que existe</p><p>uma equipe de professores e tutores que se encontra</p><p>disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em</p><p>seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe</p><p>trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória</p><p>acadêmica.</p><p>boas-vindas</p><p>Débora do Nascimento Leite</p><p>Diretoria de Design Educacional</p><p>Janes Fidélis Tomelin</p><p>Pró-Reitor de Ensino de EAD</p><p>Kátia Solange Coelho</p><p>Diretoria de Graduação</p><p>e facetas incluídos no instrumento WHOQOL-Bref para avaliação da qualidade de vida</p><p>Fonte: Moreno et al. (2003, p. 2587).</p><p>O WHOQOL-100 (versão inicial) é um instrumento de avaliação da qualidade de vida criado pela Or-</p><p>ganização Mundial da Saúde, em que consiste em 100 perguntas referentes a seis domínios, físico,</p><p>psicológico, nível de independência, relações sociais, meio ambiente e espiritualidade/religiosidade/</p><p>crenças pessoais. A necessidade de um instrumento mais curto, mas que preservasse as características</p><p>satisfatórias, fez com que o grupo de qualidade de vida da Organização Mundial da Saúde desenvolvesse</p><p>uma versão abreviada do WHOQOL-100, o WHOQOL-Bref. Para você ter acesso a ambos instrumentos,</p><p>basta acessar o site https://www.ufrgs.br/qualidep/qualidade-de-vida/projeto-whoqol-100</p><p>CONECTE-SE</p><p>É importante que o desenvolvimento de instrumentos</p><p>para avaliação da qualidade de vida seja muito crite-</p><p>rioso, focando nos diferentes aspectos relacionados à</p><p>validade da aferição da qualidade de vida. Igualmente,</p><p>a adaptação transcultural destes instrumentos requer</p><p>o desenvolvimento de estudos específicos, baseando-</p><p>-se em rígidos protocolos de investigação (REICHE-</p><p>NHEIM; MORAES, 2002).</p><p>Ambos modelos, o biomédico e o da Organização</p><p>Mundial da Saúde, descritos na Figura 5, particularmen-</p><p>te em sua versão inicial baseada na Classificação Inter-</p><p>nacional de Deficiências, Incapacidades e Desvantagens</p><p>- CIDID (WHO, 1980), caracterizam-se pelo enfoque de</p><p>aspectos negativos relacionados às consequências dos</p><p>problemas de saúde não fatais. Os outros modelos, por</p><p>sua vez, permitem abordagens dos aspectos tanto positi-</p><p>vos como negativos do conceito de saúde.</p><p>Indicadores para avaliação das limitações e</p><p>restrições da atividade física</p><p>Analisar a dimensão da atividade física é fundamental</p><p>na avaliação das consequências dos agravos e doenças</p><p>crônicas. Isso porque é crescente a tendência ao envelhe-</p><p>cimento populacional e à falta de movimentação física,</p><p>extremamente prejudicial à saúde. Assim, cresce grada-</p><p>40</p><p>tivamente o desenvolvimento de pesquisas e estudos ba-</p><p>seados em medidas de disfunção ou incapacidade física.</p><p>Os primeiros indicadores de deficiências físicas fo-</p><p>ram baseados em medidas geradas a partir de avaliações</p><p>clínicas padronizadas. Assim, dois fatos impulsionaram</p><p>o desenvolvimento de medidas para avaliação de inca-</p><p>pacidades funcionais, primeiro o fato de as deficiências</p><p>não apresentarem relação clara com as necessidades de</p><p>saúde. Segundo pela importância progressiva dada à</p><p>independência funcional de pacientes que são de pro-</p><p>gramas de reabilitação. Diante disso, os métodos de ava-</p><p>liação passaram a incorporar as atividades passíveis de</p><p>desenvolvimento por uma pessoa, considerando a sua</p><p>capacidade física. As escalas de avaliação das atividades</p><p>diárias da vida e das atividades instrumentais diárias da</p><p>vida são exemplos desses métodos.</p><p>As atividades da vida diária caracterizam-se pelos</p><p>cuidados pessoais, como alimentar-se, vestir-se, tomar</p><p>banho, movimentar-se em casa (SADANA, 2002), ou</p><p>seja, aquelas em que a execução depende da habilidade</p><p>física e cognitiva da pessoa. As atividades instrumentais</p><p>da vida diária acabam por ser um segmento das ativida-</p><p>des da vida diária, incluindo, assim, além das habilidades</p><p>físicas, a avaliação da (re)integração dos sujeitos acome-</p><p>tidos ao meio social.</p><p>As escalas de avaliação das atividades instrumentais</p><p>da vida diária permitiram a avaliação de incapacidades</p><p>consideradas de baixo grau, geralmente encontradas na</p><p>população em geral. Para que você consiga entender me-</p><p>lhor, as atividades instrumentais da vida diária tem foco</p><p>na habilidade da pessoa, ou seja, habilidades complexas</p><p>necessárias para se viver de maneira independente, isso</p><p>envolve o viver em seu próprio meio, compreendendo as</p><p>limitações que existem no quesito, por exemplo, de co-</p><p>zinhar, fazer os trabalhos domésticos, tomar remédios,</p><p>cozinhar e fazer compras (COSTA, 2006).</p><p>Existem alguns indicadores que podem ser baseados</p><p>nas escalas das atividades da vida diária ou nas escalas das</p><p>atividades instrumentais da vida diária. Um exemplo são</p><p>as medidas de prevalência de incapacidade de desenvol-</p><p>ver ao menos uma das atividades avaliadas, um tipo de</p><p>indicador muito utilizado em estudos de base populacio-</p><p>nal sobre avaliação funcional de idosos (PATRICK; ERI-</p><p>CKSON, 1993). Outros tipos de indicadores são aqueles</p><p>baseados em medidas genéricas de limitações e restrições</p><p>das atividades (BARBOTTE et al., 2001).</p><p>Entende-se por limitações das atividades a</p><p>redução por longo prazo da capacidade de</p><p>uma pessoa desenvolver as atividades espe-</p><p>radas para os sujeitos da mesma faixa etária,</p><p>ou seja, os papéis sociais ou atividades princi-</p><p>pais. O conceito das restrições das atividades,</p><p>refere-se à redução das atividades abaixo da</p><p>capacidade de um sujeito, em um prazo rela-</p><p>tivamente curto (PATRICK; ERICKSON, 1993).</p><p>CONCEITUANDO</p><p>41</p><p>considerações finais</p><p>Prezado(a) aluno(a), concluímos aqui a sua primeira jornada ao universo da epidemiologia</p><p>da atividade física. Se realizarmos um breve resgate dos conteúdos abordados, você notará</p><p>que nossa primeira conversa se referiu à contextualização histórica da epidemiologia. Pode-</p><p>mos entender como se deu a inserção da epidemiologia por meio das primeiras pesquisas</p><p>realizadas. Neste contexto, vimos que os estudos de John Snow, William Farr e Louis René</p><p>Villermé contribuíram grandemente para o campo epidemiológico.</p><p>Podemos ainda entender e discutir sobre o conceito da epidemiologia e a relação desta</p><p>com a saúde e, assim, consequentemente, com a atividade física. Vimos que essa relação se</p><p>deu devido às pesquisas que identificaram o sedentarismo como um fator determinante</p><p>para o desenvolvimento de doenças e agravos à saúde.</p><p>Você pôde ler também sobre a transição epidemiológica, caracterizada pela inversão das</p><p>causas de morte, em que anteriormente as pessoas vinham a óbito por doenças infecciosas e,</p><p>então, começaram a adoecer por doenças de caráter cardiovascular. Para finalizar o conteúdo,</p><p>foi abordado sobre os indicadores e medidas de frequência. Estudamos sobre os conceitos</p><p>de prevalência e incidência e quando devemos utilizar cada uma destas.</p><p>Você pôde notar que se trata de conceitos diferentes, em que prevalência se destina à</p><p>frequência de casos existentes de uma determinada doença ou agravo à saúde, e incidência</p><p>são os casos novos que surgem dessa determinada doença. Referente aos indicadores de saúde,</p><p>vimos que estes podem ser baseados em duas vertentes. A primeira foi sobre os indicadores</p><p>de saúde baseados em medidas de mortalidade. A segunda foi sobre os indicadores de saúde</p><p>baseados em medidas de morbidade.</p><p>Você percebeu que existem diferentes indicadores e que estes podem fornecer infor-</p><p>mações distintas, mas que, muitas vezes, complementam-se entre si. Portanto, com essas</p><p>considerações, encerramos este nosso primeiro encontro. Até o próximo!</p><p>42</p><p>atividades de estudo</p><p>1. Suponha que em 01/01/2019 existiam 2.700 casos de câncer de mama em trata-</p><p>mento na cidade de Maringá, no estado do Paraná. Durante o passar do ano, fo-</p><p>ram notificados 960 casos novos de câncer, e 830 pacientes obtiveram alta por</p><p>cura. Todos os pacientes foram tratados por meio do tratamento aqui nomeado</p><p>como “x”, que teve duração de seis meses. A população residente em Maringá,</p><p>no ano de 2019, era de cerca de 450.000 habitantes.</p><p>Considerando as informações, calcule a prevalência de câncer de mama no</p><p>início e no final de 2019 e a taxa de incidência de câncer de mama em 2019 na</p><p>referida cidade.</p><p>2. A epidemiologia é uma área da ciência que estuda o processo saúde-doença</p><p>na população humana, analisando a distribuição e os fatores que determinam</p><p>a enfermidade. Considerando o exposto, assinale (V) para as afirmativas ver-</p><p>dadeiras e (F) para as falsas.</p><p>( ) A epidemiologia se baseia nos fatores clínicos individuais do processo de</p><p>saúde.</p><p>( ) Por meio dos estudos epidemiológicos, é possível prevenir,</p><p>controlar e, poste-</p><p>riormente, tratar possíveis doenças ou agravos à saúde do indivíduo.</p><p>( ) Curar a doença é um dos objetivos do diagnóstico clínico, o qual faz parte</p><p>das premissas da epidemiologia.</p><p>( ) As descobertas epidemiológicas sobre as doenças crônicas degenerativas</p><p>foram fundamentais para o maior entendimento sobre a tríade epidemiolo-</p><p>gia, saúde e atividade física.</p><p>A sequência correta é:</p><p>a. V, V, F, V.</p><p>b. F, V, F, V.</p><p>c. F, F, V, F.</p><p>d. V, F, F, F.</p><p>e. V, V, V, F.</p><p>3. Suponha que você deseja realizar um estudo para identificar o coeficiente ge-</p><p>ral de mortalidade do Brasil e dos EUA, no ano de 2017. Após pesquisa realiza-</p><p>da nas bases de dados populacionais, você obteve as seguintes informações:</p><p>43</p><p>atividades de estudo</p><p>Brasil Estados Unidos</p><p>Faixa etária População Óbitos População Óbitos</p><p>0 a 4 anos 25.984.067 109.799 24.766.167 43.540</p><p>5 a 19 anos 57.543.281 53.098 62.227.678 29.750</p><p>20 a 44 anos 78.344.055 181.908 112.339.058 191.877</p><p>45 a 64 anos 23.976.685 209.860 54.888.345 426.067</p><p>65 anos ou mais 22.367.760 412.076 39.430.909 2.256.230</p><p>Total 208.215.848 966.741 293.652.157 2.947.464</p><p>Com as informações compostas no quadro, calcule o coeficiente geral de mor-</p><p>talidade (por mil habitantes) para o Brasil e para os EUA no ano de 2017 e</p><p>interprete os resultados.</p><p>4. Os indicadores de saúde permitem a análise de fatores relacionados à morta-</p><p>lidade e a morbidade. Especificamente sobre a mortalidade, existem os indi-</p><p>cadores de mortalidade segundo a idade e os períodos da vida. Considerando</p><p>o exposto, associe os números às devidas lacunas.</p><p>1. Mortalidade infantil.</p><p>2. Mortalidade fetal.</p><p>3. Mortalidade perinatal.</p><p>4. Mortalidade em menores de cinco anos de idade.</p><p>5. Mortalidade proporcional com 50 anos ou mais.</p><p>( ) Permite identificar as condições de saúde da reprodução humana.</p><p>( ) Caracterizado pela inexistência para qualquer sinal de vida.</p><p>( ) Proporção de óbitos ocorridos no primeiro ano de vida.</p><p>( ) razão da mortalidade de indivíduos de meia idade ou mais.</p><p>( ) Proporção de óbitos nos primeiros anos de vida.</p><p>A sequência correta é:</p><p>a. 5, 2, 3, 1, 4.</p><p>b. 4, 3, 2, 1, 5.</p><p>c. 3, 2, 1, 5, 4.</p><p>d. 2, 1, 3, 5, 4.</p><p>e. 1, 2, 3, 5, 4.</p><p>44</p><p>atividades de estudo</p><p>5. Os indicadores voltados para a avaliação das consequências dos problemas</p><p>de saúde não fatais são fundamentais para analisar os problemas de saúde de</p><p>natureza crônica. Para tanto, foram criados alguns modelos teóricos que ser-</p><p>viram como referência para a concepção desses indicadores. Considerando o</p><p>exposto, avalie as afirmativas.</p><p>I. O modelo biomédico foi criado a fim de avaliar projetos e investimentos volta-</p><p>dos para a saúde.</p><p>II. O modelo da Organização Mundial da Saúde se associa à prevenção de do-</p><p>enças.</p><p>III. O modelo de qualidade de vida é voltado para a promoção da saúde.</p><p>As afirmativas corretas são:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e II, apenas.</p><p>e. I e III, apenas.</p><p>45</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>Um artigo recentemente publicado no Jornal Brasileiro de Pneumologia descreve sobre</p><p>a prevalência e a incidência de um vírus que causou uma verdadeira pandemia em todo</p><p>o mundo, o coronavírus 2019 (COVID-19). Intitulado como “Medidas de frequência: cal-</p><p>culando prevalência e incidência na era do COVID-19”, o manuscrito descreve sobre a</p><p>doença e apresenta valiosas informações sobre a prevalência e a incidência.</p><p>Medidas de frequência: calculando prevalência e incidência na era do</p><p>COVID-19</p><p>Por Marcia Margaret Menezes Pizzichini, Cecilia Maria Patino, Juliana Carvalho Ferreira</p><p>Cenário prático</p><p>A doença coronavírus 2019 (COVID-19), causada pelo coronavírus denominado SARS-</p><p>-CoV-2, tornou-se uma pandemia apesar dos esforços globais para impedir sua propa-</p><p>gação. O primeiro caso confirmado de COVID-19 no Brasil foi relatado em 26 de feverei-</p><p>ro de 2020. Até 11 de maio de 2020, um total de 168.331 brasileiros tinham diagnóstico</p><p>confirmado de COVID-19, dos quais 89.429 (53,1%) ainda estavam infectados, 67.384</p><p>(40%) estavam curados e 11.519 (6,8%) foram a óbito. O número de novos casos em 11</p><p>de maio foi de 5.632, e a incidência relatada foi de 80,1/100.000 habitantes 1.</p><p>Medidas de morbidade e mortalidade do COVID-19</p><p>Contar os números de casos leves a graves e assintomáticos de COVID-19 é essencial</p><p>para descrever e interpretar as respostas epidêmicas locais. Nesse cenário, estimativas</p><p>repetidas de prevalência e incidência informam as tendências de trajetória da doença e</p><p>orientam o processo de tomada de decisões relacionadas às medidas de controle e de</p><p>alocação de recursos.2</p><p>Prevalência é definida como a proporção de uma população que tem a doença em um</p><p>determinado momento (Tabela 1). Estudos transversais são comumente utilizados para</p><p>realizar estudos de prevalência porque examinam a doença em um determinado mo-</p><p>mento. A prevalência de casos confirmados de COVID-19 em 11 de maio foi de 0,08%,</p><p>46</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>estimada como o número de casos de COVID-19 naquele dia dividido pela população em</p><p>risco (população brasileira).1 Como as medidas de prevalência incluem tanto os novos ca-</p><p>sos e os casos existentes, elas não fornecem uma imagem completa da história natural da</p><p>doença. Além disso, o cálculo da prevalência da COVID-19 no Brasil em 11 de maio pode</p><p>não ser preciso, pois os dados relatados pelo Ministério da Saúde do Brasil não incluem</p><p>uma testagem ampla para SARS-CoV-2 em todo o espectro da gravidade da doença; portan-</p><p>to, o número de casos relatados provavelmente representa aqueles mais graves (uma vez</p><p>que a maioria dos testes foi realizada em indivíduos sintomáticos e não na população em</p><p>geral) e, como consequência, subestimando a prevalência real da doença.</p><p>Medidas Definições Como calcular Equações Resultados</p><p>Prevalência</p><p>Casos existentes da</p><p>doença em um de-</p><p>terminado momento</p><p>dividido pela popula-</p><p>ção em risco de ter a</p><p>doença</p><p>Casos de COVID-19</p><p>em 11 de maio ÷</p><p>População em risco</p><p>168.331 ÷</p><p>210 mi</p><p>0,08%</p><p>Incidência</p><p>Novos casos da doen-</p><p>ça em uma população</p><p>definida durante um</p><p>período específico</p><p>(um dia, por exemplo)</p><p>dividido pela popula-</p><p>ção em risco</p><p>Novos casos de CO-</p><p>VID-19 em um dia ÷</p><p>População em risco</p><p>em 11 de maioa</p><p>5.632 ÷</p><p>209.837.301</p><p>2,7/100.000</p><p>Legenda:</p><p>mi: milhões (população brasileira).</p><p>a: População brasileira menos o número total de casos confirmados em 11 de maio.</p><p>Quadro 1 - Incidência e prevalência do COVID-19 em 11 de maio de 2020 no Brasil (1)</p><p>Incidência é uma medida da ocorrência de novos casos durante um período especificado</p><p>em uma população em risco de ter a doença. Enquanto a prevalência se refere a casos</p><p>novos e casos existentes da doença, a incidência enfoca apenas os casos novos (Quadro</p><p>1). Para estimar a incidência, todos os indivíduos no denominador (população em risco)</p><p>47</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>devem ter o potencial de estar no numerador (aqueles que desenvolvem a doença). As es-</p><p>timativas de incidência requerem acompanhamento longitudinal (por exemplo, em horas,</p><p>dias ou anos). O desenho do estudo de escolha é estudo de coorte envolvendo indivíduos</p><p>em risco de desenvolver a doença, sem a doença na inclusão, e que são acompanhados ao</p><p>longo do tempo e avaliados em relação ao desenvolvimento da doença. Finalmente, a inci-</p><p>dência também depende da frequência da doença, da definição dos casos e da população</p><p>em risco. No cenário brasileiro, a incidência de casos confirmados de COVID-19 em 11 de</p><p>maio foi de 2,7/100.000 habitantes em risco (Quadro 1).</p><p>Pontos-chave para interpretar estimativas de prevalência e incidência</p><p>Definições precisas de casos e não casos são essenciais para definir prevalência e incidência.</p><p>As estimativas de prevalência e incidência podem ser enganosas se o número de casos for</p><p>subestimado devido a barreiras no acesso a informações sobre o diagnóstico e as práticas</p><p>de cuidados de saúde ou se apenas pacientes com doença grave forem submetidos a testes</p><p>diagnósticos.</p><p>O momento das estimativas de prevalência</p><p>e incidência deve ser levado em consideração</p><p>ao interpretar essas medidas. Por exemplo, as estimativas podem ser mais baixas no início</p><p>de um surto quando comparadas com a epidemia posteriormente.</p><p>Referências:</p><p>1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde [homepage on the Inter-</p><p>net]. Brasília: Ministério da Saúde; c2020 [cited 2020 May 11]. COVID-19 Painel Coronavírus.</p><p>Available from: https:// covid.saude.gov.br</p><p>2. Lipsitch M, Hayden F.G, Cowling .BJ, Leung G.M. How to maintain surveillance for novel</p><p>influenza A H1N1 when there are too many cases to count. Lancet. 2009;374(9696):1209-</p><p>1211. https://doi.org/10.1016/ S0140-6736(09)61377-5.</p><p>Fonte: Pizzichini, Patino e Ferreira (2020, on-line).</p><p>48</p><p>material complementar</p><p>Epidemiologia & Saúde: Fundamento, Métodos, Aplicações</p><p>Naomar de Almeida Filho, Maurício L. Barreto</p><p>Editora: Guanabara Koogan</p><p>Sinopse: o livro foi elaborado com o objetivo de explorar a Epidemiologia median-</p><p>te a articulação dos seus aspectos teórico-metodológicos – etapas de produção do</p><p>conhecimento sistemático e validado – e tecnológicos – aplicação do conhecimen-</p><p>to –, distribuídos em quatro planos: níveis de determinação, etapas do ciclo vital,</p><p>grupos de problemas de saúde e aplicações a sistemas de saúde. Desse modo,</p><p>busca-se revelar a Epidemiologia como um campo disciplinar próprio, já reconhe-</p><p>cido como gerador de conhecimentos e tecnologias capazes de subsidiar avanços</p><p>concretos na situação social de saúde.</p><p>Resident Evil - O Hóspede Maldito</p><p>Ano: 2002</p><p>Sinopse: um terrível vírus é criminosamente solto nas dependências da Umbrella</p><p>Corporation, a mais poderosa empresa do mundo, que secretamente desenvolve</p><p>pesquisas biológicas. Infectados, seus funcionários são transformados em zumbis,</p><p>e Alice é chamada para averiguar os acontecimentos.</p><p>Indicação para Assistir</p><p>Indicação para Ler</p><p>49</p><p>gabarito</p><p>1.</p><p>Início de 2019</p><p>P = (2.700 casos / 450.000 habitantes) x 100 =</p><p>0,06% ou 6 casos por 10.000 habitantes</p><p>Final de 2019</p><p>P = [(2.700 + 960 – 830) casos / 450.000 habi-</p><p>tantes] x 100 = 0,6 ou 6 casos por 10.000 ha-</p><p>bitantes.</p><p>Incidência (taxa de incidência)</p><p>I = [960/(450.000 – 2.700)] x 105 = 214,62 casos</p><p>por 100.000 pessoas-ano.</p><p>2. B.</p><p>3.</p><p>Brasil:</p><p>CGM = (M÷P) x 1.000</p><p>CGM = (966.741 ÷ 208.215.848) x 1.000</p><p>CGM = 4,64 por 1.000 habitantes.</p><p>EUA:</p><p>CGM = (M÷P)x 1.000</p><p>CGM = (2.947.464 ÷ 293.652.157) x 1.000</p><p>CGM = 10,03 por 1.000 habitantes.</p><p>4. C.</p><p>5. C.</p><p>Professora Dra. Eliane Cristina de Andrade Gonçalves Brusco</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:</p><p>• Padrões de adoecimento da população</p><p>• Atividade física: definições e padrões na população</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Apresentar os padrões de adoecimento da população e identificar</p><p>os indicadores de saúde na transição demográfica e na transição</p><p>epidemiológica.</p><p>• Discutir sobre os conceitos, definições e apresentar os padrões da</p><p>atividade física na população.</p><p>PADRÕES DE ADOECIMENTO</p><p>DA POPULAÇÃO</p><p>unidade</p><p>II</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>S</p><p>eja bem-vindo ao segundo tópico da nossa jornada acadêmica</p><p>sobre a Epidemiologia da Educação Física. Eu espero que você</p><p>tenha realmente aprendido o conteúdo que foi trabalhado na</p><p>unidade anterior, pois foi a partir dele que construí os tópicos</p><p>que abordam este nosso segundo encontro.</p><p>Quero que você termine a leitura desta Unidade 2 aprendendo sobre</p><p>dois principais conteúdos. O primeiro conteúdo trabalhado será sobre os</p><p>padrões de adoecimento da população. Mas como assim Professora, pa-</p><p>drões de adoecimento da população? Isso mesmo! Se formos analisar “epi-</p><p>demiologicamente”, a população adoece devido a alguns fatores que cha-</p><p>maremos aqui de “transições”.</p><p>Lendo sobre o conteúdo abordado nesta unidade, você notará que a</p><p>população passou (e posso dizer que continua e continuará passando)</p><p>por duas transições: a transição demográfica e a transição epidemioló-</p><p>gica. Esses dois processos possibilitaram o aparecimento e desenvolvi-</p><p>mento de algumas doenças específicas, fazendo com que a população</p><p>adoecesse. Além disso, você perceberá que cada uma dessas “transições”</p><p>apresenta indicadores de diferentes tipos, os quais nos permitem analisar</p><p>precocemente o desenvolvimento de possíveis doenças e agravos à saúde,</p><p>incluindo a inatividade física.</p><p>Portanto, aqui, também abordarei sobre as definições da atividade fí-</p><p>sica e quais são os padrões de prática da atividade física na população. As-</p><p>sim, você finaliza a leitura conseguindo identificar as populações que mais</p><p>praticam, bem como aquelas que menos praticam atividade física. Tenho</p><p>certeza que você terá grandes surpresas ao finalizar este nosso tópico.</p><p>Portanto, desejo uma ótima e proveitosa leitura!</p><p>54</p><p>Padrões de adoecimento</p><p>da população</p><p>55</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>PADRÕES DE ADOECIMENTO DA</p><p>POPULAÇÃO</p><p>Na unidade anterior, você teve um breve contato sobre os</p><p>termos relacionados à transição demográfica e transição</p><p>epidemiológica. Pois então, agora, para que você consiga</p><p>entender melhor sobre os padrões de adoecimento da</p><p>população, analisaremos a fundo o que de fato significa</p><p>e como se deu essas transições. Isso porque, a transição</p><p>demográfica e epidemiológica está intimamente relacio-</p><p>nada com os padrões de adoecimento da população.</p><p>Para iniciarmos, vamos analisar o que significa a</p><p>palavra “transição”. Ela vem do latim “transitione” e tem</p><p>como significado atos, efeitos ou modos de passar lenta-</p><p>mente de um lugar, estado ou assunto para o outro. Por-</p><p>tanto, esse termo remete à noção de passagem, trajeto ou</p><p>trajetória, sobressaindo a ideia de movimento.</p><p>Quando relacionamos o termo “transição” com a</p><p>saúde pública, agrega-se, então, diferentes movimentos</p><p>que percorrem a história da população humana. As-</p><p>sim, nesta unidade, será focado sobre o fenômeno nos</p><p>contextos demográfico e epidemiológico, visando apre-</p><p>sentar alguns movimentos transicionais ocorridos nas</p><p>populações humanas de uma forma geral e também no</p><p>Brasil, destacando-se os processos conceituados como</p><p>transição demográfica e transição epidemiológica.</p><p>Transição demográfica</p><p>Atualmente, estima-se que a população mundial - que</p><p>representa o total de humanos vivendo no planeta Ter-</p><p>ra - chegou a 7,7 bilhões de pessoas. Para atingir esse</p><p>número em 200.000 anos, a taxa média de crescimento</p><p>anual deveria ter sido em torno de 0,011% ao ano, ou</p><p>seja, 11 seres humanos a mais ao ano a cada 1.000 ha-</p><p>bitantes na terra (BAVEL, 2013). Contudo, sabe-se que</p><p>essa proporção é incorreta, pois a população cresceu em</p><p>ritmos diferentes ao longo de todo período histórico.</p><p>Aproximadamente 8 mil anos antes da Era Cristã,</p><p>período em que a caça e a agricultura eram a sobrevi-</p><p>vência da população, o mundo era composto por cerca</p><p>de 8 milhões de habitantes (BERQUÓ, 1980). No ano</p><p>I d.C., esse número subiu para 300 milhões. Passados</p><p>1237 anos, os 300 milhões foram duplicados e, por volta</p><p>de 1750, a população mundial atingia os 800 milhões de</p><p>habitantes. No início do século 19, o número de 1 bilhão</p><p>de pessoas foi alcançado pela primeira vez na história.</p><p>Posteriormente, o crescimento acelerou e o número</p><p>de 2 bilhões de pessoas foi superado (1920). Em 1950,</p><p>a população chegou a 2.536.431 habitantes. Em 2000,</p><p>a população mundial era de 6.085.572 habitantes (um</p><p>crescimento de 2,5 vezes em 50 anos), com estimativa</p><p>de um total de 10.875.394 para o ano de 2100 (NAÇÕES</p><p>UNIDAS, 2019). A Figura 1 apresenta uma estimativa da</p><p>tendência geral de crescimento populacional no mundo</p><p>do ano de 1950 ao ano 2100.</p><p>56</p><p>POPULAÇÃO TOTAL</p><p>Ano</p><p>Medium variant</p><p>Intervalo de previsão de 95%</p><p>PO</p><p>PU</p><p>LA</p><p>ÇÃ</p><p>O</p><p>T</p><p>O</p><p>TA</p><p>L</p><p>(B</p><p>IL</p><p>H</p><p>Õ</p><p>ES</p><p>)</p><p>1950 1975 2000 2025 2050 2075 2100</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>6</p><p>7</p><p>8</p><p>9</p><p>0</p><p>11</p><p>12</p><p>13</p><p>Figura 1 - Crescimento histórico da população mundial desde o ano de 1950</p><p>Fonte: adaptado das Nações Unidas (2019)</p><p>Apesar do aparente crescimento populacional gradativo desde do ano I d.C., é importante frisar</p><p>que foi a partir do século</p><p>XVIII que ocorreu um incremento acelerado na população mundial, em</p><p>um ritmo e dimensão diversos de todas as épocas históricas anteriores. Isso porque, nesse período</p><p>de universalização do capitalismo industrial, ocorreu o desenvolvimento das forças produtivas que</p><p>foi desencadeada pelo advento do capitalismo industrial, e o modelo de sociedade por ele gerado.</p><p>Esse processo possibilitou o crescimento da população e da riqueza, o desenvolvimento da ciência</p><p>moderna e da técnica, com um maior domínio sobre a natureza, incluindo as doenças, epidemias e</p><p>a própria fecundidade humana, ocasionando transformações culturais profundas nas sociedades,</p><p>refletindo sobre a natalidade, a mortalidade e o ritmo de crescimento populacional.</p><p>Descrição da Imagem: A figura 1 apresenta um gráfico sobre o crescimento histórico da população mundial desde o ano de</p><p>1950 a 2100. A linha crescente em azul destaca que, em 1950, a população mundial era, em média, de 2,5 bilhões de pessoas,</p><p>aumentando no ano de 1975 para, aproximadamente, 4 bilhões. No ano de 2000, o mundo era habitado por cerca de 6 bilhões</p><p>de pessoas. A expectativa é que em 2025 a população ultrapasse 8 bilhões de habitantes e inicie uma tendência a estagnação</p><p>de crescimento populacional, mantendo-se por volta de 11 bilhões de pessoas ao final da curva (ano de 2110).</p><p>57</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>O surgimento da teoria da transição demográfica se deu no século XX, com base nas modifica-</p><p>ções observadas no continente europeu. Procurava relacionar as transformações demográficas, par-</p><p>ticularmente os coeficientes de natalidade e mortalidade, com o processo de industrialização. Assim,</p><p>em diversas etapas do desenvolvimento da sociedade pré e pós-industrial, poderiam ser identifica-</p><p>dos particulares comportamentos da mortalidade e natalidade, com reflexos no tamanho e compo-</p><p>sição da população. Foram identificados três períodos principais nesse processo de transição clássico</p><p>(Figura 2), que tomou a industrialização como ponto de referência (MEDRONHO, 2009):</p><p>FASE PRÉ-INDUSTRIAL</p><p>Crescimento populacional lento</p><p>FASE DE INDUSTRIALIZAÇÃO</p><p>Crescimento populacional intenso</p><p>FASE DA CONSOLIDAÇÃO DA SOCIEDADE INDUSTRIAL</p><p>Crescimento populacional estável ou regressivo</p><p>Figura 2 - Fases de transição populacional durante o período de industrialização / Fonte: a autora</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 2 apresenta três imagens distintas que caracterizam os três períodos principais do processo</p><p>de transição. Na primeira imagem, o desenho demonstra um crescimento populacional lento, contendo um máximo de 3 pes-</p><p>soas, caracterizando a fase pré-industrial. Na segunda imagem, o desenho é composto por várias pessoas, demonstrando um</p><p>crescimento populacional intenso, característica da fase de industrialização. O último desenho é composto por grupos distintos</p><p>com a mesma quantidade de pessoas, o que demonstra um crescimento populacional estável ou regressivo. Esse fato é uma</p><p>característica da fase da consolidação da sociedade industrial.</p><p>58</p><p>A teoria da transição demográfica foi considerada como</p><p>um modelo, o qual possibilitou a explicação das diver-</p><p>sas mudanças demográficas no decorrer da história.</p><p>Isso porque observou-se que as altas taxas de fecundi-</p><p>dade mundial eram encontradas nas populações rurais,</p><p>não industriais, em que o número elevado de filhos se</p><p>associava a uma maior mão de obra. Contrariamente,</p><p>era encontrado, neste mesmo cenário, taxas elevadas de</p><p>mortalidade, ou seja, quanto maior a industrialização e</p><p>a urbanização, menores eram as taxas de fecundidade.</p><p>Então, nesta passagem de contextos populacionais, foi</p><p>conceituado a transição demográfica. Portanto, o con-</p><p>ceito da transição demográfica é caracterizado como a</p><p>passagem de um contexto populacional onde prevale-</p><p>cem altos coeficientes de natalidade e mortalidade ou</p><p>onde esses coeficientes alcançam valores extremamente</p><p>reduzidos (MEDRONHO, 2009).</p><p>Você notou que apresentei, anteriormente, três fases</p><p>que caracterizaram as mudanças populacionais durante</p><p>o processo de industrialização. Entretanto, esquemati-</p><p>camente, para Thompson (1929), o modelo da transição</p><p>demográfica demonstra que uma sociedade passa, em</p><p>termos demográficos, por quatro fases ou estágios, antes</p><p>de se postular como uma sociedade pós industrial. Preste</p><p>atenção na figura 3, a seguir, que você irá entender como</p><p>funcionou essas fases.</p><p>59</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Figura 3 - Fases da transição demográfica / Fonte: adaptada de Medronho (2009).</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 3 é composta por uma pirâmide invertida, iniciando pela fase 1. A fase 1 é típica das sociedades pré-industriais. Esta</p><p>fase caracteriza-se por coeficientes de natalidade e mortalidade (principalmente a mortalidade infantil) muito altos, acarretando em um crescimento</p><p>populacional lento. Perpetuou desde as origens da humanidade até meados do século XVIII, período da Revolução Industrial e de suas transforma-</p><p>ções. A fase 2 é própria dos países em processo de industrialização, esta fase é conhecida como intermediária. O coeficiente de mortalidade reduz</p><p>drasticamente, porém o coeficiente de natalidade continua elevado, gerando aumento populacional. Logo abaixo da fase 2 na pirâmide, encontra-se</p><p>a fase 3. Nesta, o coeficiente de natalidade começa a decair, conjuntamente com o decréscimo do coeficiente da mortalidade iniciada na fase 2.</p><p>Portanto, o crescimento demográfico aqui continua sendo alto. A característica mais importante é o envelhecimento populacional. Por fim, a última</p><p>fase - 4 - ao final da pirâmide invertida, é caracterizada pelas sociedades pós-industriais. Também conhecida como fase da modernidade ou fase da</p><p>pós-transição, aqui, encontra-se os coeficientes de natalidade e mortalidade reduzidos e consequentemente o crescimento populacional volta a entrar</p><p>em equilíbrio. A estabilização é representada pela aproximação dos níveis de fecundidade com os de reposição, gerando aumento da expectativa</p><p>de vida e envelhecimento da população geral, principalmente devido a participação das mulheres.</p><p>60</p><p>Indicadores de Transição demográfica</p><p>Neste tópico, veremos sobre alguns dos indicadores que</p><p>ilustram o processo de transição demográfica no Brasil.</p><p>Digo no Brasil porque cada localidade apresenta uma</p><p>determinada transição demográfica e, portanto, indi-</p><p>cadores específicos para a caracterização. Os principais</p><p>indicadores relacionados à transição demográfica no</p><p>Brasil são: os coeficientes de fecundidade, natalidade,</p><p>mortalidade geral e infantil, a taxa de crescimento po-</p><p>pulacional e os indicadores relacionados ao envelheci-</p><p>mento da população - esperança de vida ao nascer, idade</p><p>mediana e estrutura por idade e sexo.</p><p>A fecundidade indica o desempenho reprodutivo</p><p>efetivo de um grupo de mulheres que já completaram</p><p>o período reprodutivo (período compreendido entre 15</p><p>e 49 anos completos), em uma determinada população,</p><p>referindo-se ao número médio de filhos por mulher, ou</p><p>seja, é uma estimativa do número médio de filhos que</p><p>uma mulher teria até os 49 anos completos (CAVENA-</p><p>GHI; CABELLA, 2014).</p><p>A natalidade, conjuntamente com a mortalidade,</p><p>determina o crescimento vegetativo de uma popula-</p><p>ção. Ela indica a relação entre o número de nascimen-</p><p>tos com referência à população total. Portanto, o coefi-</p><p>ciente geral da natalidade representa a frequência com</p><p>que ocorrem os nascimentos em uma determinada po-</p><p>pulação. O cálculo é a divisão do número de nascidos</p><p>vivos de um determinado período e local, pela popula-</p><p>ção específica deste mesmo local e período. Em geral, é</p><p>expresso na base 1.000.</p><p>A mortalidade geral é caracterizada pela probabilidade de</p><p>morrer em uma certa população. O coeficiente é calcu-</p><p>lado por meio da divisão do número total de óbitos pela</p><p>mesma população. Em geral, também é expresso na base</p><p>1.000. O coeficiente de mortalidade infantil indica a pro-</p><p>babilidade de morrer antes de completar um ano de vida.</p><p>O cálculo se dá pela divisão do número de óbitos em me-</p><p>nores de um ano pelos nascidos vivos da mesma popula-</p><p>ção e período. Em geral, também é expresso na base 1.000.</p><p>A taxa de crescimento populacional é determinada</p><p>pelo percentual de aumento médio anual da população</p><p>residente em uma localidade e período. Assim, é impor-</p><p>tante frisar que a taxa de crescimento é influenciada di-</p><p>retamente pela dinâmica da natalidade e da mortalidade.</p><p>Entende-se por crescimento vegetativo a di-</p><p>ferença entre os coeficientes de natalidade e</p><p>de mortalidade em um determinado período.</p><p>Portanto, refere-se ao crescimento popula-</p><p>cional em um território com base no número</p><p>de pessoas que nasceram em um período es-</p><p>pecífico em comparação com o número de</p><p>falecimentos. Isso indica a expansão natural</p><p>da população em um dado local. Identificar o</p><p>crescimento vegetativo de uma população é</p><p>importante, pois possibilita verificar a capa-</p><p>cidade desta população de se manter está-</p><p>vel, expandir-se ou reduzir, numericamente.</p><p>Na Europa, por exemplo, as baixas taxas de</p><p>crescimento vegetativo e as elevadas taxas de</p><p>migração permeiam previsões relacionadas às</p><p>mudanças no perfil étnico da população futura.</p><p>CONCEITUANDO</p><p>61</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>O conceito do envelhecimento demográfico ou en-</p><p>velhecimento da população é o acúmulo progressivo</p><p>de maiores contingentes populacionais nas faixas etá-</p><p>rias mais avançadas. Assim, pode-se caracterizar pela</p><p>queda da fecundidade, a qual levaria a uma diminuição</p><p>gradativa das faixas etárias mais jovens e consequente</p><p>envelhecimento populacional, especialmente associada</p><p>a baixos níveis de mortalidade.</p><p>A idade mediana é literalmente a idade que separa a</p><p>distribuição etária em dois blocos de 50% cada. A espe-</p><p>rança de vida ao nascer destina-se ao número médio de</p><p>anos de vida esperados para um recém-nascido, manti-</p><p>do o padrão de mortalidade existente na população em</p><p>questão, em determinado período e espaço geográfico</p><p>(BRASIL, 2008). As pirâmides populacionais são resul-</p><p>tado da observação de uma população com relação à</p><p>idade e ao sexo. Essas pirâmides etárias sofrem estrei-</p><p>tamento de base com relação à densidade de população</p><p>jovem ou idosa (MARTINS et al., 2018).</p><p>TRANSIÇÃO EPIDEMIOLÓGICA</p><p>Devido ao desenvolvimento industrial, por volta de 1950</p><p>iniciaram grandes modificações no perfil epidemiológi-</p><p>co nos grandes centros da economia mundial (ARAÚ-</p><p>JO, 2012). Essas mudanças aconteceram devido a dois</p><p>principais fatores. O primeiro fator condicionante foram</p><p>as alterações associadas à estrutura etária da população,</p><p>ocasionadas durante o processo de transição demográ-</p><p>fica, conforme visto anteriormente. O segundo fator se</p><p>deu pelas alterações de longa duração nos padrões de</p><p>morbidade e mortalidade, ocorrendo assim a substitui-</p><p>ção gradual das doenças infecciosas e parasitárias e das</p><p>deficiências nutricionais pelas doenças crônico-degene-</p><p>rativas e aquelas relacionadas a causas externas, como</p><p>vimos na Unidade I.</p><p>Assim, a transição epidemiológica pode ser carac-</p><p>terizada como as mudanças ocorridas no tempo nos</p><p>padrões de mortalidade e morbidade da população em</p><p>questão que, geralmente, ocorrem concomitantemente</p><p>com transformações demográficas, sociais e econômi-</p><p>cas (OMRAM, 2001). A passagem desse processo acopla</p><p>três mudanças básicas: a substituição das doenças para-</p><p>sitárias e infecciosas para as doenças crônico-degenera-</p><p>tivas, o deslocamento da carga de morbi-mortalidade</p><p>de grupos mais jovens para grupos mais idosos e a mu-</p><p>dança do predomínio da mortalidade para a morbidade</p><p>(SCHRAMM et al., 2004).</p><p>TRANSIÇÃO</p><p>EPIDEMIOLÓGICA</p><p>62</p><p>Considerando as mudanças básicas vinculadas à</p><p>transição epidemiológica citadas, Lerner (1973) afirma</p><p>que o conceito ou a definição da transição epidemioló-</p><p>gica deve ser amplo, como transição da saúde, que inclui</p><p>elementos das concepções e comportamentos sociais, o</p><p>que corresponde aos aspectos básicos da saúde nas di-</p><p>ferentes populações. Para Schramm et al. (2004), enten-</p><p>de-se como transição epidemiológica as transformações</p><p>nos padrões de morbidade, mortalidade e invalidez, as</p><p>quais caracterizam uma população específica e ocorrem</p><p>conjuntamente com outras transformações, sociais, de-</p><p>mográficas e econômicas.</p><p>A teoria da transição epidemiológica foi proposta</p><p>por Abdel Omran no ano de 1971. Ele apresentou pos-</p><p>síveis respostas às importantes e complexas mudanças</p><p>na saúde das populações nos países industrializados em</p><p>diferentes períodos históricos, partindo da premissa de</p><p>que as sociedades apresentavam mudanças regulares no</p><p>perfil de mortalidade e no padrão de doenças.</p><p>Omran (1971) propôs três grandes eras para a tran-</p><p>sição epidemiológica, as quais resumem, de certa forma,</p><p>a transição demográfica durante o período da industria-</p><p>lização: a “Era da Pestilência e da Fome”, a “Era do Declí-</p><p>nio das Pandemias” e a “Era das Doenças Degenerativas</p><p>e das Provocadas pelo Homem”.</p><p>A “Era da Pestilência e da Fome” foi caracterizada</p><p>por uma mortalidade elevada, predominando a desnu-</p><p>trição, as doenças infecciosas e parasitárias. Nesta Era</p><p>que se estendeu até o final da Idade Média, a fecundida-</p><p>de era alta e os coeficientes de natalidade apresentavam</p><p>níveis moderados ou elevados, levando a uma expectati-</p><p>va de vida abaixo dos 30 anos de idade.</p><p>A “Era do Declínio das Pandemias” iniciou-se no</p><p>período da Renascença e se estendeu até o início da</p><p>Revolução Industrial. Apesar das doenças infecciosas e</p><p>parasitárias continuarem a ser uma das principais cau-</p><p>sas de morte, observa-se uma redução progressiva das</p><p>grandes pandemias e epidemias, havendo uma melhoria</p><p>do padrão de vida, com um aumento da esperança de</p><p>vida para 40 a 50 anos de idade. Isso porque ocorreu um</p><p>decréscimo constante dos coeficientes de mortalidade.</p><p>Na “Era das Doenças Degenerativas e das Provoca-</p><p>das pelo Homem” houve uma redução ou estabilização</p><p>da mortalidade em níveis baixos, devido à queda relativa</p><p>da importância das doenças infecciosas e parasitárias, e</p><p>também pelo fato das doenças crônico-degenerativas e</p><p>as causas externas se tornarem cada vez mais frequentes.</p><p>Nesse período, houve a descoberta dos agentes etioló-</p><p>gicos, antibióticos e vacinas. Além disso, ocorreu uma</p><p>acentuada queda da fecundidade, proporcionando o</p><p>aumento da expectativa de vida, a qual ultrapassou os</p><p>50 anos de idade, tendendo com o tempo para idades</p><p>acima dos 70 anos. Essa Era se estendeu da Revolução</p><p>Industrial até o período contemporâneo.</p><p>As melhorias nas condições de vida se iniciaram</p><p>durante o decorrer do século XX, devido basicamente à</p><p>ampliação das ações de saneamento urbano, a melhoria</p><p>nas condições de nutrição, o desenvolvimento de novas</p><p>tecnologias direcionadas à saúde e o aumento do grau</p><p>de escolaridade. Contudo, é necessário afirmar que os</p><p>padrões de saúde não obedecem aos mesmos parâme-</p><p>tros em diferentes regiões.</p><p>A transição epidemiológica no Brasil não segue o</p><p>mesmo modelo dos países industrializados e grandes</p><p>centros do capitalismo, porque a substituição das doen-</p><p>ças infecciosas e parasitárias por doenças crônico-de-</p><p>generativas foi (e continua sendo) diferente. Observa-</p><p>-se uma transição prolongada e polarizada, de doenças</p><p>infecciosas e parasitárias juntamente com o aumento</p><p>das doenças crônico-degenerativas e causas externas. A</p><p>reintrodução de processos infecciosos, como a cólera, a</p><p>malária, a tuberculose e a dengue, mostra uma nature-</p><p>za que não segue uma direção constante. Entre os anos</p><p>de 2010 e 2017 foram notificados 10.578.337 casos de</p><p>63</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>adoecimento por doenças infecciosas e parasitárias, cor-</p><p>respondendo a uma taxa bruta de 5.218,72 casos por</p><p>100.000 habitantes. A dengue foi responsável por quase</p><p>70% dos adoecimentos (SOUZA, 2020).</p><p>Além disso, novas doenças continuam a surgir de for-</p><p>ma sem precedentes, como a COVID-19 - doença respi-</p><p>ratória aguda causada pelo coronavírus da síndrome res-</p><p>piratória aguda grave 2 (SARS-CoV-2), em que teve seu</p><p>primeiro caso reportado em 31 de dezembro de 2019 (OR-</p><p>GANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2019).</p><p>O Brasil é um exemplo a ser dado para esse processo</p><p>de polarização</p><p>epidemiológica, segundo Araújo (2012),</p><p>porque há uma certa equivalência nas altas taxas de in-</p><p>cidências de doenças infecciosas e parasitárias e as altas</p><p>taxas de morbidade e mortalidade por doenças crôni-</p><p>co-degenerativas e os constantes níveis diferentes de</p><p>grupos sociais. Apesar do declínio da morbimortalidade</p><p>desde a década de 60, as doenças infecciosas e parasitá-</p><p>rias ainda persistem (WHO, 2017).</p><p>O fato se apresenta como um indicador indireto de</p><p>que as doenças infecciosas e parasitárias continuam a</p><p>apresentar um papel relevante em termos de morbidade,</p><p>evidenciando a persistência de uma situação de polari-</p><p>zação epidemiológica no país. Diferentes aspectos estão</p><p>associados a esse contexto. Discrepâncias econômicas e</p><p>sociais, processo migratório para grandes cidades e pro-</p><p>blemas ambientais são alguns dos exemplos (SOUZA,</p><p>2020). Todo esse processo, bem como a maneira heterogê-</p><p>nea como ele vem ocorrendo nas diversas regiões do país,</p><p>decorrente das desigualdades sociais e econômicas, tor-</p><p>na-se um grande e complexo desafio para a saúde pública.</p><p>Indicadores da Transição Epidemiológica no</p><p>Brasil</p><p>Como dito no tópico passado, a transição epidemiológi-</p><p>ca aconteceu (e acontece) de maneira diferente nos pa-</p><p>íses. Assim, para Medronho (2009), alguns indicadores</p><p>podem responder à transição-popularização epidemio-</p><p>lógica especificamente no Brasil:</p><p>64</p><p>Transição</p><p>nutricional</p><p>Transição da</p><p>mortalidade por</p><p>doenças infecciosas</p><p>e parasitárias para</p><p>outros agravos</p><p>Transição</p><p>desigual</p><p>Per�l das</p><p>causas de</p><p>internação</p><p>Era das Persistências -</p><p>Predominância das</p><p>doenças infecciosas</p><p>e parasitárias</p><p>Doenças infecciosas</p><p>persistentes,</p><p>emergentes e</p><p>reemergentes</p><p>Figura 4 - Exemplos de indicadores da transição-polarização epidemiológica no Brasil, segundo Medronho (2009) / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: A imagem da figura 4 apresenta os exemplos de seis indicadores da transição-polarização epidemiológica no Brasil, segundo</p><p>Medronho (2009). Os seis indicadores estão divididos em três linhas, duas colunas e em pares. Começando da esquerda para a direita, é apresentado</p><p>a transição da mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias para outros agravos e ao lado a Era das persistências - predominância das doenças</p><p>infecciosas e parasitárias. Abaixo segue o perfil das causas de internação e as doenças infecciosas persistentes, emergentes e reemergentes. Por</p><p>último, finalizamos com a transição nutricional e a transição desigual.</p><p>A caracterização da “Era das pestilências - Predominância</p><p>das doenças Infecciosas e Parasitárias” é equivalente a “Era</p><p>da Pestilência e da Fome” defendida por Omram (1971).</p><p>Nesse período, prevaleciam-se, principalmente, a febre</p><p>amarela e doenças como a malária, ancilostomose, tu-</p><p>berculose, hanseníase, tracoma, esquistossomose, cólera,</p><p>leishmaniose e doença de Chagas (descoberta em 1909).</p><p>A mortalidade proporcional por causas, pela dispo-</p><p>nibilidade de uma longa série histórica de dados desde</p><p>a década de 30, representa um dos indicadores que me-</p><p>lhor evidenciam as mudanças dos contextos epidemio-</p><p>lógicos brasileiros. Esse indicador está representado na</p><p>65</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Figura 4 como “Transição da mortalidade por doenças</p><p>infecciosas e parasitárias para outros agravos”. Nessa</p><p>transição, destaca-se a tendência da redução da morta-</p><p>lidade por doenças infecciosas e parasitárias, com o au-</p><p>mento correspondente das doenças crônico-degenerati-</p><p>vas e das causas externas, como acidentes e violências.</p><p>O perfil das causas de internação é outro indicador</p><p>que pode ser utilizado para ilustrar o processo de tran-</p><p>sição epidemiológica do Brasil. De certa forma, a des-</p><p>crição das principais causas de internação confirmam,</p><p>em termos de morbidade, as evidências apresentadas em</p><p>relação ao perfil de mortalidade.</p><p>Figura 5 - Proporção das internações segundo cinco grupos de causas no Brasil, no período de maio de 2020</p><p>Fonte: a autora</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 5 apresenta graficamente a proporção das internações segundo cinco grupos de causas no Brasil, no período de</p><p>maio de 2020. As cinco causas são representadas no gráfico por barras horizontais de cores distintas. A cor azul escuro representa as causas exter-</p><p>nas de internação. A cor amarela representa as doenças do aparelho respiratório. A cinza é caracterizada pelas doenças do aparelho circulatório.</p><p>As internações devido a doenças infecciosas e parasitárias está destacada na cor azul claro. A cor laranja expressa as neoplasias (tumores). Assim,</p><p>percebe-se graficamente que as causas externas é a maior causa de internação em comparação com as outras, seguido das doenças infecciosas</p><p>e parasitárias e após as doenças do aparelho circulatório. Em quarto lugar das maiores causas de internação no Brasil em maio de 2020, foram as</p><p>neoplasias (tumores). Por fim, as que menos causaram internação foram as doenças do aparelho respiratório.</p><p>A Figura 5 mostra o grupo das cinco principais causas de</p><p>internação no período de maio de 2020 (último período</p><p>disponível pelo DATASUS), no Brasil. Observa-se que as</p><p>doenças por causas externas representaram o primeiro</p><p>grupo de causas de internações. Em segundo lugar, en-</p><p>contramos as doenças infecciosas e parasitárias seguidas</p><p>das doenças do aparelho circulatório. Em quarto lugar,</p><p>observa-se as neoplasias e, por fim, o gráfico apresenta as</p><p>doenças do aparelho respiratório como a quinta posição</p><p>do perfil das causas de internações hospitalares no Brasil.</p><p>66</p><p>No sentido de orientar as ações de controle, o Mi-</p><p>nistério da Saúde classificou as doenças infecciosas e</p><p>parasitárias em três grupos: as doenças com tendência</p><p>decrescente, as com quadro de persistência, as emergen-</p><p>tes e reemergentes, representando o indicador “doenças</p><p>infecciosas persistentes, emergentes e reemergentes no</p><p>Brasil”, constante na Figura 4.</p><p>As doenças com tendência decrescente são aquelas</p><p>que apresentam reduções drásticas nos coeficientes de</p><p>incidência, como as doenças imunopreveníveis - varí-</p><p>ola, poliomielite, sarampo, raiva, tétano, rubéola, entre</p><p>outras. Essas doenças foram controladas pelo Programa</p><p>Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973.</p><p>Entre as doenças caracterizadas com tendência</p><p>de persistência incluem-se a malária, a tuberculose, as</p><p>leishmanioses visceral e tegumentar, a esquistossomose,</p><p>a doença de Chagas, a febre amarela silvestre e as hepati-</p><p>tes virais (B e C), dentre outras. Algumas dessas doenças</p><p>ainda apresentam níveis elevados de incidência.</p><p>No caso das doenças emergentes e reemergentes, a</p><p>partir do início da década de 80, algumas doenças infec-</p><p>ciosas e parasitárias passaram a ser registradas ou foram</p><p>reintroduzidas no país, como o caso da Aids, em 1980, e</p><p>da dengue, em 1982.</p><p>O Brasil apresenta uma situação contraditória con-</p><p>siderando a existência de indicadores econômicos em</p><p>níveis incompatíveis com os dos seus indicadores so-</p><p>ciais, incluindo-se os de saúde, por exemplo, os coefi-</p><p>cientes de mortalidade infantil e a expectativa de vida</p><p>ao nascer (MEDRONHO, 2009). Mesmo observando</p><p>uma tendência de melhoria de alguns indicadores de</p><p>saúde no país, a diferença dessas tendências propicia a</p><p>persistência ou, até mesmo, a ampliação das desigualda-</p><p>des regionais. Esse fato representa o indicador intitulado</p><p>como “Transição desigual”, da Figura 4.</p><p>A polarização epidemiológica geográfica e a per-</p><p>sistência das desigualdades demonstram-se evidentes</p><p>quando analisamos a mortalidade proporcional por</p><p>causas nas diferentes regiões do Brasil (Figura 6). Assim,</p><p>em 2018, as regiões mais ricas e desenvolvidas do Brasil</p><p>apresentaram a maior participação no grupo de óbitos</p><p>devidos a doenças do aparelho circulatório e neoplasias,</p><p>consideradas as doenças da modernidade (região Su-</p><p>deste - doenças do aparelho circulatório: 27,91%; região</p><p>Sul - neoplasias: 21,19%).</p><p>Nas regiões mais pobres, como o Norte, as doenças</p><p>do aparelho circulatório e as neoplasias foram relati-</p><p>vamente menores (respectivamente 22,84% e 13,80%).</p><p>No Nordeste, a prevalência</p><p>das doenças do aparelho</p><p>circulatório foi muito similar às regiões mais ricas</p><p>(27,26%). Contudo, para as neoplasias, a taxa foi signi-</p><p>ficativamente menor (14,67%) quando comparadas às</p><p>regiões mais desenvolvidas.</p><p>A região Centro-oeste apresentou uma tendência</p><p>de mortalidade semelhante à da região Nordeste, com</p><p>maiores prevalências de mortalidade para doenças do</p><p>aparelho circulatório (26,65%), neoplasias (17,09%),</p><p>causas externas de morbidade e mortalidade (14,79%)</p><p>e doenças do aparelho respiratório (11,23%), respecti-</p><p>vamente. A região em que a mortalidade por causas ex-</p><p>ternas de morbidade e mortalidade se apresentou mais</p><p>elevado foi a região Norte (18,23%).</p><p>67</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Figura 6 - Mortalidade proporcional por quatro causas de óbitos nas regiões do Brasil, 2018 / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 6 descreve a mortalidade proporcional por quatro causas de óbitos nas regiões do Brasil, em 2018. As causas de</p><p>óbito estão distribuídas em colunas de acordo com a região brasileira, representadas da esquerda para a direita pela região norte, região nordeste,</p><p>sudeste, sul e, por último, a centro-oeste. As doenças do aparelho circulatório estão representadas pela cor verde claro. As neoplasias estão repre-</p><p>sentadas pela cor laranja. A cor azul escuro caracteriza os óbitos por causas externas de morbidade e mortalidade. Por fim, as doenças do aparelho</p><p>respiratório são apresentadas em verde escuro. O gráfico demonstra que em todas as regiões (norte, nordeste, sudeste, sul e centro-oeste), a maior</p><p>prevalência de óbitos foi devido às doenças do aparelho circulatório, representando 22,84% das mortes na região norte; 27,26% na região nordeste;</p><p>27,91% na região sudeste; 26,81% na região sul; e 26,65% na região centro-oeste. Quando analisamos separadamente as regiões, a segunda maior</p><p>causa de mortes na região norte foi devido às causas externas de morbidade e mortalidade (18,23%). A terceira maior causa foi pelas neoplasias</p><p>(13,80%), seguido das doenças do aparelho respiratório (10,25%). Na região Nordeste, a segunda maior prevalência de morte foi devido às neoplasias</p><p>(14,67%), seguido das causas externas de morbidade e mortalidade (14,30%) e das doenças do aparelho respiratório (10,47%). Na região Sudeste, a</p><p>segunda maior causa de óbitos foi pelas neoplasias (tumores), representando 18,02%. Em terceiro lugar, tem-se as doenças do aparelho respiratório</p><p>(12,76%) e, por fim, as causas externas de morbidade e mortalidade (8,81%). A região Sul foi semelhante à região Sudeste, tendo a segunda, terceira</p><p>e quarta causas de óbitos as neoplasias (tumores) (21,19%), as doenças do aparelho respiratório (12,00%) e as causas externas de morbidade e</p><p>mortalidade (10,19%), respectivamente. Por fim, em segundo lugar morreram mais pessoas devido às neoplasias na região centro-oeste (17,09%),</p><p>seguido das causas externas de morbidade e mortalidade (14,79%) e das doenças do aparelho respiratório (11,23%).</p><p>68</p><p>A transição nutricional pode ser definida como um fe-</p><p>nômeno caracterizado por grandes modificações no</p><p>padrão de nutrição e consumo da população devido às</p><p>modificações da ingestão alimentar, como consequência</p><p>de mudanças econômicas, sociais e demográficas (OR-</p><p>GANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE, 2000).</p><p>No Brasil, principalmente nos últimos 50 anos, ocorre-</p><p>ram inúmeras alterações na qualidade e na quantidade</p><p>dos alimentos, juntamente com mudanças no estilo de</p><p>vida. Isso porque inverteram-se as ocupações demográ-</p><p>ficas do espaço físico. De uma população basicamente</p><p>rural, em torno de 66%, passamos à condição de um país</p><p>urbano, com mais de 80% das pessoas habitando as cida-</p><p>des (PATARRA, 2000).</p><p>A inserção da mulher no mercado de trabalho, prin-</p><p>cipalmente na década de 70, foi outro fator que influen-</p><p>ciou a transição nutricional. Perde-se a figura da mulher</p><p>“dona do lar”, “cuidadora” e a “responsável” pelos afazeres</p><p>domésticos. Isso pode ser considerado como um dos</p><p>fatores que transformaram a qualidade da alimentação,</p><p>considerando que a mulher não dispõe de tanto tempo</p><p>para preparar as refeições com qualidade, optando por</p><p>alimentos industrializados e, até mesmo, a realização</p><p>das refeições fora do lar, em restaurantes, pensões e fas-</p><p>t-foods (MENDONÇA; ANJOS, 2004), provocando o</p><p>aumento do consumo de alimentos ricos em calorias,</p><p>como açúcares e ácidos graxos e, em contrapartida, uma</p><p>redução nas frutas, verduras e legumes.</p><p>Concomitantemente às mudanças nos padrões ali-</p><p>mentares, observou-se drástica redução do nível de ati-</p><p>vidade física. Muitos fatores podem explicar este fato,</p><p>como a distribuição das ocupações setoriais (agricultura</p><p>para indústria), o aumento do número de trabalhos com</p><p>redução do esforço físico ocupacional devido ao desen-</p><p>volvimento tecnológico, modificações nas atividades de</p><p>lazer, priorizando atividades com comportamento se-</p><p>dentário (videogame, computador, celular e televisão).</p><p>Como consequência, ocorreram alterações no padrão</p><p>alimentar da população e diminuição excessiva na prá-</p><p>tica de atividades físicas, ocasionando a transição nutri-</p><p>cional, ou seja, alterações no perfil de saúde da popula-</p><p>ção brasileira, trazendo consigo elevadas prevalências de</p><p>sobrepeso e obesidade (COUTINHO et al., 2008).</p><p>69</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Atividade física: definições</p><p>e padrões na população</p><p>70</p><p>CONTEXTUALIZANDO A ATIVIDADE</p><p>FÍSICA</p><p>A atividade física está ligada à saúde e à longevidade,</p><p>desde os tempos mais antigos. Os primeiros registros</p><p>de exercícios programados realizados com o objeti-</p><p>vo de promoção da saúde foram encontrados na Chi-</p><p>na, por volta de 2.500 a.C. Contudo, foram os médicos</p><p>gregos do final do quinto e do início do quarto século</p><p>a.C. que estabeleceram uma tradição de manutenção de</p><p>uma saúde, digamos que positiva, por meio do que eles</p><p>chamavam de “regime”, que seria a combinação de uma</p><p>alimentação saúde com a prática regular de exercícios</p><p>físicos (HARDMAN; STENSEL, 2009).</p><p>A definição da atividade física caracteriza-se como</p><p>qualquer tipo de movimento corporal produzido pelos</p><p>músculos, resultando num dispêndio energético maior</p><p>que os registrados durante o repouso (CASPERSEN;</p><p>71</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>POWELL; CHRISTERSO, 1985). Incluem-se atividades</p><p>da vida diária (banhar-se, vestir-se), atividades realiza-</p><p>das no trabalho (andar, levantar, carregar objetos) e ati-</p><p>vidades de lazer (exercitar-se, praticar esportes, dançar).</p><p>As atividades podem ser classificadas de acordo</p><p>com a intensidade: leve (até 2,9 METS), moderada (3-</p><p>5,9 METS) e vigorosa (≥ 6METS) (AINSWORTH et al.,</p><p>2000). É possível também analisar o comportamento</p><p>relacionado à atividade física em função dos domínios</p><p>que ela apresenta: lazer (tempo livre), trabalho (ocupa-</p><p>cional), afazeres domésticos e deslocamento (transporte</p><p>a pé ou de bicicleta).</p><p>As formas mais comuns de atividade física do ser</p><p>humano podem ser divididas em atividades de trabalho</p><p>e atividades de lazer (NAHAS, 1997). Esta distinção auxi-</p><p>lia no aprimoramento dos estudos epidemiológicos, pelo</p><p>fato que as evidências sugerem diferentes formas de ativi-</p><p>dade física associadas a diferentes aspectos da saúde.</p><p>Há mais de 20 anos, o Colégio Americano de Medici-</p><p>na do Esporte (American College of Sports Medicine -</p><p>ACSM) - uma das diretrizes amplamente adotadas em</p><p>A sigla MET vem do inglês “metabolic equivalent</p><p>intensity level”, ou simplesmente, equivalente</p><p>metabólico. Essa unidade mede a intensidade</p><p>em múltiplos da taxa metabólica de repouso,</p><p>representado pelo consumo máximo de oxigê-</p><p>nio (VO2) de, aproximadamente, 3,5 ml/kg/min.</p><p>Portanto, representa o número de vezes pelo</p><p>qual o metabolismo de repouso foi multiplicado</p><p>durante uma atividade. Por exemplo, tarefas</p><p>domésticas leves exigem cerca de 2,5 METs;</p><p>uma caminhada muito rápida (a 6,4 km/h) exige</p><p>cerca de 4 METs.</p><p>Fonte: adaptado de Ainsworth et al. (2000).</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>todo o mundo, juntamente com o Centro de Prevenção</p><p>de Doenças (CDC) e outros órgãos americanos, emiti-</p><p>ram publicações que marcaram</p><p>a história da atividade</p><p>física e saúde. O objetivo principal desses relatórios foi</p><p>esclarecer para os profissionais da saúde e para o público</p><p>em geral sobre a quantidade e intensidade da atividade</p><p>física necessária para aprimorar a saúde, diminuir as</p><p>chances de desenvolvimento de morbidades e diminuir</p><p>a mortalidade precoce (PATE et al., 1995). Além disso,</p><p>esses documentos relataram sobre a relação dose-res-</p><p>posta entre atividade física e saúde.</p><p>Em 1995, Colégio Americano de Medicina do Es-</p><p>porte e o Centro de Prevenção de Doenças apresen-</p><p>taram as recomendações em que enfatizava que todo</p><p>adulto norte-americano deveria acumular 30 minutos</p><p>ou mais de atividade física moderada, preferencialmen-</p><p>te todos os dias da semana (PATE et al., 1995). O ob-</p><p>jetivo da recomendação foi aumentar a conscientização</p><p>pública sobre a importância dos benefícios relacionados</p><p>à saúde da atividade física de intensidade moderada. De</p><p>lá pra cá, algumas atualizações foram realizadas, especi-</p><p>ficando ainda mais as recomendações.</p><p>Atualmente, as recomendações do Colégio Ame-</p><p>ricano de Medicina do Esporte direciona que todos os</p><p>adultos saudáveis, com idade entre 18 e 65 anos, devem</p><p>realizar atividades físicas aeróbicas de intensidade mo-</p><p>derada, por pelo menos 30 minutos, com frequência mí-</p><p>nima de cinco dias na semana, ou atividades aeróbicas</p><p>de intensidade vigorosa por no mínimo 20 minutos três</p><p>vezes por semana. Além disso, todo adulto deve realizar</p><p>atividades específicas para o fortalecimento muscu-</p><p>lar, com exercícios de força e resistência por, no míni-</p><p>mo, dois dias na semana (AMERICAN COLLEGE OF</p><p>SPORTS MEDICINE, 2018).</p><p>As recomendações globais da prática de atividade</p><p>física também foram documentadas pela Organização</p><p>Mundial da Saúde e são adotadas por diversos países. O</p><p>72</p><p>órgão orienta que adultos (18 a 64 anos) pratiquem pelo menos 150 minutos por semana</p><p>de atividade física de intensidade moderada ou 75 minutos por semana de atividade física</p><p>de intensidade vigorosa, em sessões de pelo menos 10 minutos de duração (WHO, 2010).</p><p>Independentemete do cumprimento de uma recomendação ou outra, os benefícios</p><p>da prática regular de atividade física estão muito bem evidenciados na literatura e incluem</p><p>menor risco de complicações cardiovasculares, hipertensão arterial, diabetes e diferentes</p><p>tipos de câncer. Além disso, a atividade física tem efeitos positivos sobre a saúde mental</p><p>e auxilia na manutenção de um peso corporal saudável (INTERNATIONAL SOCIETY</p><p>FOR PHYSICAL ACTIVITY AND HEALTH, 2017).</p><p>PADRÕES DE ATIVIDADE FÍSICA DA POPULAÇÃO</p><p>Apesar da extensa literatura sobre os inúmeros benefícios da prática regular de ativida-</p><p>de física, uma em cada quatro pessoas no mundo não pratica atividade física suficiente</p><p>(GUTHOLD et al., 2018).</p><p>Esse fato é preocupante, pois segundo a Organização Mundial da Saúde (WHO,</p><p>2010), a inatividade física está associada fortemente com os índices de mortalidade</p><p>precoce. Além disso, ela é considerada o quarto maior fator de risco para a mortalida-</p><p>de prematura por todas as causas e pode ser responsável por 7% de diabetes do tipo 2;</p><p>6% da carga de doença cardíaca coronária; 10% de câncer de mama; e 10% de câncer</p><p>de cólon. No mais, se a inatividade física diminuísse em cerca de 25%, mais de 1,3 mi-</p><p>lhão de mortes prematuras poderiam ser evitadas por ano em todo o mundo (WHO,</p><p>2010) (Figura 7).</p><p>73</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>No mais, se a inatividade física diminuísse em cerca</p><p>de 25%, mais de 1,3 milhão de mortes prematuras</p><p>poderiam ser evitadas por ano em todo o mundo</p><p>A INATIVIDADE FÍSICA É CONSIDERADA O 4º MAIOR</p><p>FATOR DE RISCO PARA A MORTALIDADE PREMATURA</p><p>E pode ser responsável por:</p><p>7% de diabetes do tipo 2</p><p>6% da carga de doença cardíaca coronária</p><p>10% de cãncer de mama</p><p>10% de cãncer de cólon</p><p>(WHO, 2010).</p><p>Figura 7 - Inatividade física é o quarto maior fator de risco para a mortalidade prematura</p><p>Descrição da Imagem: Na figura 7 consta uma ilustração de uma mulher grávida e contém os dados sobre a inatividade física. A informação des-</p><p>creve que a inatividade física é considerada o quarto maior fator de risco para a mortalidade prematura por todas as causas e pode ser responsável</p><p>por 7% de diabetes do tipo 2; 6% da carga de doença cardíaca coronária; 10% de câncer de mama; e 10% de câncer de cólon. Se a inatividade física</p><p>diminuísse em cerca de 25%, mais de 1,3 milhão de mortes prematuras poderiam ser evitadas por ano em todo o mundo (WHO, 2010).</p><p>A prevalência da inatividade física varia consideravel-</p><p>mente a depender da localidade. Em alguns países, os ní-</p><p>veis de atividade física podem ser influenciados por va-</p><p>lores culturais, sendo que, em algumas regiões, meninas,</p><p>mulheres, idosos, grupos desfavorecidos, pessoas com</p><p>deficiência ou doenças crônicas apresentam menores</p><p>oportunidades de acesso aos programas e lugares para</p><p>a prática de atividade física (WHO, 2018). Além disso,</p><p>estimativas afirmam que os níveis de atividade física po-</p><p>dem chegar a 70% em alguns países (GUTHOLD et al.,</p><p>2018), devido à mudança dos padrões de transporte (a</p><p>pé para carro), aumento do uso de tecnologia (televisão,</p><p>vídeo game, computador e celular) e urbanização.</p><p>Os pesquisadores da Organização Mundial da Saú-</p><p>de realizaram estudo de impacto global sobre os níveis</p><p>da prática de atividade física de 168 países, represen-</p><p>tando 96% da população mundial. Essa pesquisa nos</p><p>possibilita o embasamento sobre os padrões da ativi-</p><p>dade física em toda a população (GUTHOLD et al.,</p><p>2018). O estudo é o primeiro a apresentar as tendências</p><p>da prática insuficiente de atividade física, de acordo</p><p>com as regiões globais.</p><p>74</p><p>Analisando dados da inatividade física global de 2001 a 2016, observa-se uma diminuição insigni-</p><p>ficante da prática insuficiente de atividade física no mundo todo. A prevalência global de inatividade</p><p>física, em 2001, era de 28,5%. No ano de 2016, houve diminuição de apenas um ponto percentual</p><p>(27,5%) (GUTHOLD et al., 2018), conforme demonstrado na Tabela 1.</p><p>Percentual total de indi-</p><p>víduos insuficientemen-</p><p>te ativos</p><p>Percentual de ho-</p><p>mens insuficiente-</p><p>mente ativos</p><p>Percentual de mu-</p><p>lheres insuficiente-</p><p>mente ativas</p><p>Total dos países 27,5% 23,4% 31,7%</p><p>Ásia Central, Oriente</p><p>Médio e Norte da África 32,8% 25,9% 39,9%</p><p>Europa Central e</p><p>Oriental 23,4% 22,0% 24,7%</p><p>Leste e Sudeste da Ásia 17,3% 17,6% 16,9%</p><p>Ásia-Pacífico de renda</p><p>alta 35,7% 33,0% 38,3%</p><p>Países Ocidentais de</p><p>renda alta 36,8% 31,2% 42,3%</p><p>América Latina e Caribe 39,1% 34,3% 43,7%</p><p>Oceania 16,3% 12,3% 20,3%</p><p>Sul da Ásia 33,0% 23,5% 43,0%</p><p>África Subsaariana 21,4% 17,9% 24,8%</p><p>Tabela 1 - Prevalência da atividade física insuficiente no ano de 2016 / Fonte: adaptada de Guthold et al. (2018).</p><p>Descrição da Imagem: A Tabela 1 apresenta a prevalência da atividade física praticada de forma insuficiente no ano de 2016</p><p>em países de todo o mundo. Esta tabela está distribuída em quatro colunas e 10 linhas. A primeira coluna, da esquerda para a</p><p>direita, encontra-se os países do estudo, sendo distribuída como: total dos países; Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África;</p><p>Europa Central e Oriental; Leste e Sudeste da Ásia; Ásia-Pacífico de renda alta; Países Ocidentais de renda alta/América Latina e</p><p>Caribe; Oceania; Sul da Ásia; e África Subsaariana. Na segunda coluna, apresenta-se o percentual total de indivíduos insuficien-</p><p>temente ativos. A terceira coluna é destacada pelo percentual de homens insuficientemente ativos e a última coluna tem-se o</p><p>percentual de mulheres insuficientemente ativas. Assim, a tabela demonstra que do total de países, 27,5% dos indivíduos são</p><p>insuficientemente ativos. Quando estratificado por sexo, 23,4% dos homens e 31,7% das mulheres são insuficientemente ativos.</p><p>Quando analisamos a Ásia Central, Oriente Médio e Norte da África, 32,8% da população total são insuficientemente ativos,</p><p>sendo que 25,9% dos homens e 39,9% das mulheres não praticam atividade física suficiente. Para a Europa Central e Oriental,</p><p>23,4% da população não pratica atividade</p><p>física de forma suficiente. Quando estratificado por sexo, 22,0% dos homens e 24,7%</p><p>das mulheres são insuficientemente ativos, respectivamente. No Leste e Sudeste da Ásia, a proporção total de insuficientemente</p><p>ativos é de 17,3%, sendo 17,6% dos homens e 16,9% das mulheres. Na região da Ásia-Pacífico de renda exclusivamente alta,</p><p>35,7%, 33,0% e 38,3% da população total, dos homens e das mulheres, são insuficientemente ativos, respectivamente. Cerca</p><p>de 36,8% da população dos Países Ocidentais de renda alta não praticam suficientemente atividade física, sendo 31,2% dos</p><p>homens e 42,3% das mulheres. A América Latina e o Caribe foram os locais em que apresentaram maior prevalência de prática</p><p>insuficiente de atividade física, sendo 39,1% para a população total e 34,3% e 43,7% dos homens e mulheres, respectivamente.</p><p>Em contrapartida, a Oceania apresentou as menores prevalências para a população total (16,3%). Total de 12,3% dos homens e</p><p>20,3% das mulheres eram insuficientemente ativos. No Sul da Ásia, encontramos 33,0% dos indivíduos inativos, sendo que 23,5%</p><p>são homens e 43,0% são mulheres. Por fim, a África Subsaariana possui 21,4% da população inativa e 17,9% dos homens e 24,8%</p><p>das mulheres considerados insuficientemente ativos.</p><p>75</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Quando analisamos as tendências globais estratifica-</p><p>das por sexo, os dados comprovam que as mulheres</p><p>geralmente são menos ativas que os homens. Em 2001,</p><p>31,5% das mulheres praticavam atividade física de for-</p><p>ma insuficiente. Em 2016, essa prevalência se manteve</p><p>praticamente igual (31,7%). Os homens, no ano de 2001,</p><p>25,5% não praticavam atividade física de acordo com as</p><p>recomendações para a saúde. Em 2016, essa prevalência</p><p>diminui para 23,4% (GUTHOLD et al., 2018).</p><p>A Oceania foi a região que apresentou o menor</p><p>percentual (16,3%) de prática de atividade física in-</p><p>suficiente, ou seja, os habitantes desta região são mais</p><p>ativos fisicamente. Em contrapartida, a América Latina</p><p>e o Caribe são os locais que praticam menos ativida-</p><p>de física ou quase nada, sendo que, aproximadamente,</p><p>quatro em cada 10 latinos (39,1%) e caribenhos não</p><p>praticam atividade física de forma suficiente (Tabela 1)</p><p>(GUTHOLD et al., 2018).</p><p>76</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 8 apresenta o mapa mundial da prevalência da prática insuficiente de atividade física, primeiramente dos homens</p><p>e depois das mulheres. Os países estão diferenciados por cores. Em ambas imagens, os países destacados em amarelo claro apresentam uma</p><p>prevalência de prática insuficiente de atividade física menor que 20%. Os países pintados em cor amarelo forte têm prevalência de 20,0 a 29,9% de</p><p>prática insuficiente de atividade física. Os locais destacados em rosa apresentam prevalência entre 30,0 a 39,9%. A prevalência para os países de cor</p><p>laranja é de 40,0 a 49,9%. Para aquelas regiões destacadas em vermelho escuro, a prevalência de prática insuficiente de atividade física é maior ou</p><p>igual a 50,0%. Os países que estão destacados em cinza não possuem dados. Nota-se que de 40,0 a 49,9% dos homens brasileiros praticam atividade</p><p>física de forma insuficiente. Para os Estados Unidos da América, Japão, Colômbia, Argentina e Portugal, entre 30,0 a 39,9% dos homens não praticam</p><p>atividade física suficientemente. A prevalência da prática insuficiente de atividade física dos homens no Equador, Chile, México, Canadá, Espanha,</p><p>Índia, África do Sul e Austrália é de 20,0 a 29,9%. A China e a Rússia são os locais que apresentaram menores prevalências de prática insuficiente</p><p>de atividade física para o sexo masculino, estando abaixo dos 20%. Dos países citados anteriormente, as mulheres brasileiras são as mais inativas</p><p>fisicamente, estando com prevalência igual ou maior a 50%. As mulheres dos Estados Unidos da América, Argentina, Índia, África do Sul, Portugal</p><p>e Colômbia apresentaram prevalência entre 40,0 a 49,9%. Em seguida, com prevalência de atividade física insuficiente entre 30,0 a 39,9% estão as</p><p>mulheres do México, Austrália, Canadá, Japão e Espanha. O Equador e o Chile apresentaram prevalência de 20,0 a 29,9% das mulheres inativas fisi-</p><p>camente. Por fim, novamente a China e a Rússia foram os países que apresentam menores prevalências de prática insuficiente de atividade física,</p><p>também para as mulheres, estando abaixo de 20,0%.</p><p>77</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Figura 8 - Mapa mundial da prática insuficiente de atividade física: a) Mapa dos homens, e b) Mapa das mulheres</p><p>Fonte: Guthold et al. (2018, p. 1083).</p><p>Dentre os países da América Latina e Caribe, o Brasil</p><p>é o que apresenta a maior prevalência total de ativida-</p><p>de física insuficiente, com 47%. Quando analisamos o</p><p>mapa mundial da prática de atividade física insuficien-</p><p>te (Figura 8), percebemos que essa prevalência é ain-</p><p>da maior para as mulheres, ultrapassando os 50%. Em</p><p>comparação com todas as outras regiões, a prevalência</p><p>total do Brasil perde apenas para Kuwait - Ásia Ociden-</p><p>tal (67,0%) e Samoa Americana - Oceania (53,4%). Em</p><p>contrapartida, o país que apresenta a menor população</p><p>insuficientemente ativa é o Uganda, na África, com 5,5%</p><p>(GUTHOLD et al., 2018).</p><p>De acordo com todos esses dados sobre prevalên-</p><p>cia da prática de atividade física insuficiente, é extrema-</p><p>mente necessário o desenvolvimento de políticas e ações</p><p>públicas para estimular as populações à prática regular</p><p>de atividade física, independentemente dos domínios</p><p>que a englobam (tempo livre, ocupacional, afazeres do-</p><p>mésticos ou deslocamento). Melhorias na infraestrutura</p><p>de pistas de caminhadas, ciclismo e o desenvolvimento</p><p>de programas de saúde que incentivem a prática regular</p><p>de atividade física são fundamentais para o aumento da</p><p>saúde populacional.</p><p>78</p><p>considerações finais</p><p>Chegamos ao final da nossa segunda Unidade. Aqui, pudemos transcorrer sobre os con-</p><p>teúdos que abordam os processos e mudanças populacionais e que acabam por acometer</p><p>em doenças e agravos à saúde das pessoas. Assim, discorremos sobre a dinâmica do cres-</p><p>cimento da população decorrente da revolução industrial, que foi a chamada transição</p><p>demográfica. Após discutido sobre a transição demográfica, conhecemos sobre as fases</p><p>que a compõe e alguns dos indicadores que nos permitem avaliá-la.</p><p>A fecundidade, a natalidade e a mortalidade foram alguns dos indicadores que estuda-</p><p>mos relacionados a essa teoria. Pudemos perceber que além da transição demográfica,</p><p>houveram grandes modificações nos padrões de morbidade e mortalidade da sociedade,</p><p>caracterizando a chamada transição epidemiológica, a qual é dividida em três fases: a</p><p>“Era da Pestilência e da Fome”, a “Era do Declínio das Pandemias” e a “Era das Doenças</p><p>Degenerativas e das Provocadas pelo Homem”, cada uma com suas particularidades.</p><p>Essas fases nos auxiliaram a entender os padrões de adoecimento da população.</p><p>Após esses aprendizados, iniciamos nossos conteúdos voltados à área da atividade física,</p><p>aprendendo sobre as definições, conceitos e como a população tem praticado atividade</p><p>física atualmente. Você percebeu que, infelizmente, muitos países ainda estão em falta</p><p>no que diz respeito à prática regular de atividade física e o Brasil é um deles. Esse fato</p><p>é muito prejudicial, uma vez que a atividade física proporciona inúmeros benefícios à</p><p>saúde e à prevenção de inúmeras doenças. Portanto, é preciso incentivo e promoção</p><p>de programas públicos que possibilitem a prática regular de atividade física para que</p><p>possamos ter uma população realmente considerada saudável. Assim, finalizo aqui este</p><p>nosso encontro e aguardo você no próximo!</p><p>79</p><p>atividades de estudo</p><p>1. O gráfico a seguir representa a transição demográfica vivenciada pelo Brasil</p><p>durante o processo de industrialização. Ao analisá-lo, você pode notar que</p><p>três diferentes padrões do crescimento populacional são percebidos durante</p><p>o decorrer do tempo. Assim, cite e caracterize respectivamente esses três di-</p><p>ferentes processos.</p><p>Transição demográ�ca</p><p>Tempo</p><p>P</p><p>o</p><p>p</p><p>u</p><p>l</p><p>a</p><p>ç</p><p>ã</p><p>o</p><p>2. Analise o gráfico e as afirmativas que o descrevem.</p><p>Tempo</p><p>Taxa de natalidade</p><p>Taxa de mortalidade</p><p>80</p><p>atividades de estudo</p><p>I. O círculo representado pela cor vermelha apresenta as mesmas característi-</p><p>cas do círculo amarelo. Ambos respondem à fase 3 da transição demográfica</p><p>postulada por Thompson (1929).</p><p>II. O círculo representado pela cor preta apresenta as características da fase 1</p><p>da transição demográfica defendida por Thompson (1929), ou seja, altas taxas</p><p>de natalidade e mortalidade.</p><p>III. O círculo rosa pode expressar a fase 2 da transição demográfica de Thompson</p><p>(1929), em que o coeficiente de mortalidade se reduz, mas o coeficiente de</p><p>natalidade se mantém constante.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e III, apenas.</p><p>e. II e III, apenas.</p><p>3. Com relação à transição epidemiológica e demográfica, analise as afirmativas:</p><p>I. A transição epidemiológica é dependente da transição demográfica, uma vez</p><p>que é afetada pelas mudanças no processo do crescimento populacional e da</p><p>urbanização.</p><p>II. No Brasil, a diferença da proporção de doenças crônico-degenerativas para</p><p>as doenças infecciosas e parasitárias é drástica, predominando as doenças</p><p>crônicas.</p><p>III. As diferentes regiões brasileiras não afetam o processo saúde-doença, pois o</p><p>processo epidemiológico é o mesmo para todo o país.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas,</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e II, apenas.</p><p>e. I e III, apenas.</p><p>81</p><p>atividades de estudo</p><p>4. Sobre a prática regular de atividade física na população, assinale a afirmativa</p><p>correta.</p><p>a. O Brasil é considerado um país suficientemente ativo.</p><p>b. O México apresenta maior percentual de prática insuficiente de atividade físi-</p><p>ca, independente do sexo.</p><p>c. Os japoneses apresentam um dos menores índices de inatividade física.</p><p>d. A prática de atividade física é influenciada pela renda e é diferente a depender</p><p>do sexo.</p><p>e. Um em cada 10 espanhóis não pratica atividade física de forma suficiente.</p><p>5. A atividade física está intimamente relacionada com a epidemiologia, uma vez</p><p>que o sedentarismo é um indicador de morbidade. Assim, assinale as alterna-</p><p>tivas com (V) para as verdadeiras e (F) para as falsas sobre a atividade física:</p><p>( ) O tipo de movimentação que a pessoa realiza pode ser elencado em algum</p><p>dos domínios que compõem a atividade física.</p><p>( ) É possível avaliar a intensidade da atividade física analisando o equivalente</p><p>metabólico.</p><p>( ) Uma pessoa que pratica atividades de intensidade vigorosa por 20 minutos,</p><p>três vezes na semana, é considerada uma pessoa ativa fisicamente.</p><p>( ) A atividade física pode ser dividida em cinco domínios: lazer, transporte, afa-</p><p>zeres domésticos, atividades realizadas no trabalho e exercícios físicos pro-</p><p>gramados.</p><p>A sequência correta das afirmativas é, respectivamente:</p><p>a. V, F, V, F.</p><p>b. F, F, V, F.</p><p>c. V, V, F, F.</p><p>d. V, V, V, F.</p><p>e. F, V, V, F.</p><p>82</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>A atividade física insuficiente é uma das principais causas de risco para a morte precoce</p><p>em todo o mundo. É o principal fator que predispõe às doenças crônicas não transmissíveis</p><p>(DCNT), como: doenças cardiovasculares, cânceres e diabetes. As pessoas insatisfatoriamen-</p><p>te ativas têm de 20% a 30% de risco aumentado de morte em comparação com pessoas efeti-</p><p>vamente ativas. As evidências científicas têm mostrado os benefícios da atividade física tanto</p><p>para a saúde física quanto mental, mas, ainda assim, o alcance da meta para esta prática está</p><p>bem abaixo do esperado em todo o mundo, sendo que um em cada cinco adultos não pratica</p><p>atividade física suficiente, o que tem se tornando um desafio para a saúde pública [...].</p><p>Dada a importância da atividade física para a saúde pública, o Brasil tem desenvolvido,</p><p>desde 2006, a mensuração deste desempenho para o enfrentamento das DCNT por meio</p><p>do sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inqué-</p><p>rito Telefônico, conhecido como Vigitel. Esse sistema dispõe de fatores que determinam os</p><p>riscos e proteção para doenças crônicas, entre eles, a prática de atividade física em todos</p><p>os domínios, para todas as capitais e o Distrito Federal, o que torna o Brasil um dos poucos</p><p>países de renda média e baixa a apresentar dados nacionais sobre essa atividade [...].</p><p>Sendo assim, Ide, Martins e Segri (2020) realizaram um estudo para analisar a tendência</p><p>dos diferentes domínios da atividade física, de acordo com o sexo, faixa etária e escolarida-</p><p>de no Brasil, no período de 2006 a 2016 [...].</p><p>Os resultados gerais encontrados apontaram tendência crescente para prática de atividade</p><p>física no lazer dos homens, das mulheres e quando a amostra foi analisada na sua totali-</p><p>dade. No ano de 2006, 14,9% da população adulta brasileira praticava atividade física no</p><p>lazer. Já no ano de 2016, 10 anos depois, esse número subiu para 20,8%, apresentando um</p><p>aumento anual de 3,6%. Quando a atividade física foi analisada no domínio deslocamento,</p><p>as análises se mostraram estacionárias, ou seja, não houve uma diferença significativa na</p><p>tendência anual para a amostra analisada na sua totalidade e quando estratificada por</p><p>sexo. Em relação a atividade física no trabalho, os homens apresentaram tendência anual</p><p>decrescente (-0,6%), demonstrando que, a cada ano, menos homens se movimentam fisica-</p><p>mente no trabalho. Para a atividade física no trabalho doméstico, o estudo apresentou uma</p><p>tendência decrescente para o sexo feminino (-1,9%), ou seja, as mulheres também estão se</p><p>movimentando menos quando o assunto é a realização dos afazeres de casa.</p><p>83</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>A tendência anual crescente da prática de atividade física no lazer analisada no artigo é um</p><p>resultado bom, o que demonstra que as pessoas podem estar tomando consciência dos</p><p>benefícios que o exercício físico traz ao corpo. Porém, se fizermos uma conta básica ana-</p><p>lisando a prevalência da prática de atividade física no lazer no ano de 2006, notamos que</p><p>apenas duas a cada 10 pessoas praticam atividade física de forma suficiente. Essa prevalên-</p><p>cia ainda é baixa se considerarmos os inúmeros fatores de risco à saúde relacionados ao</p><p>sedentarismo. Portanto, é importante continuar estimulando a prática de atividade física.</p><p>[...]</p><p>Existem, no Brasil, programas como o Agita São Paulo que têm como objetivo aumentar</p><p>o conhecimento sobre os benefícios e também o nível de atividade física da população,</p><p>sendo incentivada em todos os domínios por meio de ações estratégicas, como eventos,</p><p>reunião de colegiado, treinamento de multiplicadores, mostra de boas práticas, entre ou-</p><p>tras. Outro programa é a Academia da Saúde, instituída em 2011, para todos os municípios</p><p>brasileiros e que tem como objetivo promover práticas corporais e atividade física, incenti-</p><p>vo à alimentação saudável, educação em saúde, entre outros. [...]</p><p>Outra estratégia que tem sido aplicada é o plano de ação mundial da Organização Mundial</p><p>da Saúde (OMS) sobre atividade física e saúde 2018-2030, com a temática: “pessoas mais</p><p>ativas para um mundo mais saudável”. Esse plano de ação aponta como os países podem</p><p>diminuir, em 15% até 2030, a inatividade física em adultos e adolescentes, visando uma so-</p><p>ciedade mais ativa, por meio da melhoria dos ambientes e oportunidades para a prática de</p><p>atividade física. Especificamente no Brasil, existem ações setoriais e intersetoriais voltadas</p><p>para a prevenção e o controle das doenças crônicas, sendo denominado Plano de Ações</p><p>Estratégicas para o Enfrentamento das DCNT, para o período de 2011-2022.</p><p>Fonte: Ide, Martins e Segri (2020).</p><p>84</p><p>material complementar</p><p>Epidemiologia</p><p>Roberto Medronho e Colaboradores</p><p>Editora: Atheneu</p><p>Sinopse: este livro contém 37 capítulos distribuídos em cinco seções: a primeira</p><p>seção apresenta os conceitos fundamentais para a compreensão da Epidemiolo-</p><p>gia; a segunda detalha o método epidemiológico; a terceira mostra a contribuição</p><p>da estatística para a Epidemiologia; a quarta apresenta diversos tópicos relevan-</p><p>tes e atuais para a área; e a quinta seção</p><p>e Pós-graduação</p><p>Leonardo Spaine</p><p>Diretoria de Permanência</p><p>autores</p><p>Dra. Eliane Cristina de Andrade Gonçalves Brusco</p><p>Doutora e Mestre em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Ca-</p><p>tarina - UFSC. Especialista em Anatomia e Histologia Humana e graduada em</p><p>Educação Física, ambas pela Universidade Estadual de Maringá – UEM. Atual-</p><p>mente, é Professora no Centro Universitário de Maringá - Unicesumar (Educa-</p><p>ção a Distância). Revisora de diferentes periódicos nacionais e internacionais.</p><p>Tem experiência na área de Educação Física e Saúde Pública, com ênfase em</p><p>cineantropometria e atividade física e saúde, atuando, principalmente, no tema</p><p>relacionado a fatores de risco à saúde.</p><p>Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/4282923137916528>.</p><p>Dr. Diego Augusto Santos Silva</p><p>Graduação em Educação Física pela Universidade Federal de Sergipe. Mestrado</p><p>e Doutorado em Educação Física pela Universidade Federal de Santa Catarina.</p><p>Pós-Doutorado no Children’s Hospital of Eastern Ontario Research Institute,</p><p>Department of Pediatrics, University of Ottawa, Canadá. Professor Visitante</p><p>no Children’s Hospital of Eastern Ontario Research Institute, Department of</p><p>Pediatrics, University of Ottawa, Canadá. Professor Visitante no Departamento</p><p>de Saúde Pública e Doenças Infecciosas da Sapienza University of Roma, Itália.</p><p>Servidor público federal no cargo de Professor Associado, lotado no Departa-</p><p>mento de Educação Física da Universidade Federal de Santa Catarina. Professor</p><p>Permanente (orientador de mestrado, doutorado e supervisor de pós-doutorado)</p><p>do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Federal de</p><p>Santa Catarina. Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq.</p><p>Currículo Lattes disponível em: http://lattes.cnpq.br/8188066843033561</p><p>apresentação do material</p><p>Epidemiologia na Educação Física</p><p>Dra. Eliane Cristina de Andrade Gonçalves Brusco e Dr. Diego Augusto Santos Silva</p><p>Olá discente, seja bem-vindo(a) a nossa jornada acadêmica sobre a Epidemiologia</p><p>na Atividade Física. É um prazer imenso ter você aqui! Esta obra foi escrita com</p><p>muito carinho, reunindo e apresentando os principais conteúdos que abrangem</p><p>a epidemiologia e a relação que ela tem com a atividade física. Você acha mesmo</p><p>que a Epidemiologia se relaciona com a Atividade Física? Já parou para pensar</p><p>nisso? Se a resposta for “sim”, de qual maneira será que isso acontece? Como</p><p>você acha que a atividade física pode contribuir com os dados epidemiológicos?</p><p>Para responder a todos esses questionamentos, dividimos esta obra em cinco</p><p>unidades, as quais abrangem desde o conceito tradicional de Epidemiologia, até</p><p>como o profissional de Educação Física deve atuar no âmbito da saúde pública.</p><p>Portanto, em um primeiro momento, abordaremos temas como a história da</p><p>Epidemiologia, os conceitos de Epidemiologia que encontramos na literatura, o</p><p>conceito de saúde, os indicadores de saúde e as medidas epidemiológicas que</p><p>nos proporcionam avaliar as doenças e agravos à saúde da população. Após</p><p>você ter aprendido sobre essas temáticas, abordaremos sobre os padrões de</p><p>adoecimento da população. Então, você fará uma viagem ao passado e conhecerá</p><p>os tipos de transições, demográfica e epidemiológica, que a sociedade passou</p><p>e, digamos que ainda passa atualmente.</p><p>Você perceberá que esses processos possibilitaram o aparecimento de</p><p>doenças e agravos à saúde, como o caso da inatividade física, agravo que tam-</p><p>bém será discutido, apresentando os padrões da prática de atividade física</p><p>no mundo. Em um terceiro momento, você será direcionado a conhecer as</p><p>evidências científicas que permeiam os estudos de associação entre atividade</p><p>física e diferentes marcadores de saúde. Isso te proporcionará entender que a</p><p>atividade física, de fato, auxilia na prevenção e na promoção de saúde. Inclusive,</p><p>nesta mesma unidade, apresentaremos os Programas de Promoção da atividade</p><p>física em saúde pública.</p><p>Após você ter acesso a esse conteúdo, abordaremos um pouco sobre a his-</p><p>tória do nosso sistema de saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS), destacando</p><p>seus princípios e diretrizes. Além disso, discutiremos sobre o Núcleo de Apoio</p><p>à Saúde da Família, a Estratégia Saúde da Família e a Atenção em Saúde. Você</p><p>apresentação do material</p><p>verá quão amplo este assunto é! Para finalizar nossa jornada acadêmica, espe-</p><p>cificaremos a abordagem sobre a Atenção Primária à Saúde, abrangendo seus</p><p>conceitos e diretrizes, bem como a Política Nacional de Promoção da Saúde.</p><p>Aqui, de fato, você sairá sabendo a diferença entre a prevenção e a promoção</p><p>da saúde (assim eu espero!).</p><p>Ainda, conhecerá sobre a atuação dos profissionais na promoção da saúde,</p><p>especialmente o profissional de Educação Física, destacando a necessidade de</p><p>uma formação continuada para garantir saúde e bem-estar para toda a popu-</p><p>lação. Eu desejo que sua jornada seja leve, dinâmica e repleta de novos saberes</p><p>e conhecimentos. Divirta-se! Bons estudos!</p><p>Bons estudos!</p><p>sumário</p><p>UNIDADE I</p><p>INDICADORES E MEDIDAS EPIDEMIOLÓGICAS: PREVA-</p><p>LÊNCIA, INCIDÊNCIA, MORBIDADE E MORTALIDADE</p><p>14 Breve história do</p><p>surgimento da epidemiologia</p><p>19 Epidemiologia,</p><p>atividade física e saúde</p><p>21 Indicadores e medidas</p><p>epidemiológicas</p><p>UNIDADE II</p><p>PADRÕES DE ADOECIMENTO</p><p>DA POPULAÇÃO</p><p>54 Padrões de adoecimento</p><p>da população</p><p>69 Atividade física: definições e</p><p>padrões na população</p><p>UNIDADE III</p><p>ATIVIDADE FÍSICA, PROGRAMAS</p><p>EM SAÚDE PÚBLICA E</p><p>MARCADORES DE SAÚDE</p><p>90 Relação da atividade física</p><p>com marcadores de saúde</p><p>94 Atividade física e todas as causas</p><p>de mortalidade na população</p><p>112 Programas de promoção da</p><p>atividade física em saúde pública</p><p>UNIDADE IV</p><p>SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)</p><p>130 Uma breve história</p><p>dos serviços de saúde</p><p>135 Sistema Único</p><p>de Saúde (SUS)</p><p>142 Núcleo Ampliado de</p><p>Saúde da Família (NASF-AB)</p><p>UNIDADE V</p><p>PROMOÇÃO DA SAÚDE E</p><p>ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL</p><p>DE EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>160 Atenção primária à saúde:</p><p>prevenção e promoção da saúde</p><p>170 Política Nacional de</p><p>Promoção da Saúde</p><p>174 Atuação do profissional na</p><p>Promoção da Saúde</p><p>Professora Dra. Eliane Cristina de Andrade Gonçalves Brusco</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:</p><p>• Breve história do surgimento da Epidemiologia</p><p>• Epidemiologia, atividade física e saúde</p><p>• Indicadores e Medidas epidemiológicas</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Apresentar, brevemente, a trajetória histórica da epidemiologia.</p><p>• Discutir sobre os conceitos da epidemiologia, da atividade física, da saúde e</p><p>a relação entre essas.</p><p>• Apresentar os indicadores e medidas de frequência.</p><p>INDICADORES E MEDIDAS EPIDEMI-</p><p>OLÓGICAS: PREVALÊNCIA, INCIDÊNCIA,</p><p>MORBIDADE E MORTALIDADE</p><p>unidade</p><p>I</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O</p><p>lá caro (a) aluno(a), espero que você esteja bem e preparado</p><p>para iniciarmos nossos estudos que irão abordar este primei-</p><p>ro ensaio. Esta unidade será dividida em três tópicos, os quais</p><p>tratarão sobre a história da epidemiologia, a relação entre a</p><p>epidemiologia e o conceito de saúde e atividade física e os indicadores e</p><p>medidas epidemiológicas existentes.</p><p>Desta forma, primeiramente, será resgatado, de forma sucinta, o sur-</p><p>gimento da epidemiologia, apresentando os relatos históricos e os estudos</p><p>que permearam a difusão das pesquisas epidemiológicas. Nesse sentido,</p><p>veremos quem foram os pioneiros e quais foram as pesquisas mais im-</p><p>portantes neste campo. Na sequência, conheceremos sobre os conceitos</p><p>referentes à epidemiologia.</p><p>Você notará que o conceito de epidemiologia pode abranger um</p><p>grande campo. Além disso, aprofundaremos um pouco sobre a relação</p><p>que existe entre epidemiologia e atividade física. Assim, poderemos com-</p><p>preender as características de cada uma e como elas caminham juntas.</p><p>Após, serão apresentados os indicadores e medidas de frequência.</p><p>Você notará que este tópico será dividido em vários outros, isso por-</p><p>que você poderá conhecer especificamente as medidas de frequência co-</p><p>nhecidas como prevalência e incidência, bem como quando você deverá</p><p>utilizar</p><p>expõe alguns conceitos avançados em</p><p>Epidemiologia.</p><p>Contágio</p><p>Ano: 2011</p><p>Sinopse: pouco depois de voltar de uma viagem de negócios, Beth Emhoff mor-</p><p>re de uma suposta gripe. Enquanto a epidemia mortal se espalha, os médicos</p><p>precisam identificar o vírus para conseguir combatê-lo e acabar com o pânico da</p><p>população.</p><p>Indicação para Assistir</p><p>Indicação para Ler</p><p>A evolução da população humana foi muito bem demonstrada por um vídeo elaborado pelo Museu</p><p>de História Natural norte-americano. O período demonstrado no vídeo vai desde o surgimento do</p><p>Homo Sapiens até os dias atuais.</p><p>https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=PUwmA3Q0_OE&feature=emb_title.</p><p>Indicação para Acessar</p><p>85</p><p>gabarito</p><p>1. Os processos apresentados no gráfico são</p><p>caracterizados pelas três fases de transição</p><p>vivenciadas no período da Revolução Indus-</p><p>trial: a fase pré-industrial, a fase de industria-</p><p>lização e a fase da consolidação da sociedade</p><p>industrial, respectivamente. A justificativa é</p><p>que o gráfico apresenta, inicialmente, uma</p><p>leve tendência de crescimento populacional,</p><p>fato que caracteriza a fase pré-industrial.</p><p>Após esse período, nota-se um crescimento</p><p>intenso da população, o que ocorreu na fase</p><p>da industrialização. Por fim, percebe-se uma</p><p>estagnação do crescimento população, enfa-</p><p>tizando que se trata da fase da consolidação</p><p>da sociedade industrial.</p><p>2. B.</p><p>3. A.</p><p>4. D.</p><p>5. D.</p><p>Professor Dr. Diego Augusto Santos Silva</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:</p><p>• Relação da atividade física com marcadores de saúde</p><p>• Atividade física e todas as causas de mortalidade na população</p><p>• Programas de Promoção da Atividade Física em Saúde Pública</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Proporcionar que o aluno compreenda a relação da atividade física com</p><p>marcadores de saúde da população.</p><p>• Descrever estudos de associação entre atividade física e todas as causas</p><p>de mortalidade, atividade física e câncer, atividade física e diabetes mellitus</p><p>tipo 2, atividade física e doenças cardiovasculares.</p><p>• Proporcionar que o aluno entenda o que são Programas de Promoção da</p><p>Atividade Física em Saúde Pública e descrever exemplos de Programas de</p><p>Promoção da Atividade Física em Saúde Pública.</p><p>ATIVIDADE FÍSICA, PROGRAMAS</p><p>EM SAÚDE PÚBLICA E</p><p>MARCADORES DE SAÚDE</p><p>unidade</p><p>III</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>C</p><p>aro(a) aluno(a), seja bem-vindo a essa nova unidade de apren-</p><p>dizagem. O seu envolvimento durante essa unidade é funda-</p><p>mental para um melhor aproveitamento do conteúdo. Dessa</p><p>vez, é importante que você entenda que o comportamento hu-</p><p>mano é influenciado por mudanças sociais, econômicas e culturais que</p><p>ocorrem com o passar do tempo. Diversos fatores contribuem para dimi-</p><p>nuição dos níveis de atividade física e do aumento do tempo diário em</p><p>atividades sedentárias, por exemplo, o processo de urbanização, o avanço</p><p>tecnológico e os meios de comunicação que ganham cada vez mais espa-</p><p>ço nos dias atuais.</p><p>Para o seu conhecimento nesta unidade, é importante que entenda</p><p>que a atividade física é um comportamento complexo e multidimensio-</p><p>nal, o qual envolve movimento humano e que resulta em atributos fisio-</p><p>lógicos que inclui gasto de energia e aumento na aptidão física.</p><p>Diariamente, você verifica várias informações nos meios de comu-</p><p>nicação reportando a relevância da prática de atividade física para a</p><p>saúde. As evidências sobre essa área deixam claro que a atividade física</p><p>regular é importante para todas as faixas etárias e traz benefícios à saú-</p><p>de física, mental e social das populações. Por essa razão, é importante</p><p>que você compreenda que há diversos estudos que testaram a associa-</p><p>ção entre atividade física e diversos marcadores de saúde, evidenciando</p><p>que a atividade física regular pode prevenir e auxiliar no tratamento de</p><p>algumas enfermidades.</p><p>Promover atividades físicas para a população é um desafio, pois, além</p><p>dos aspectos de quantidade e intensidade preconizados pelas organiza-</p><p>ções de saúde, aspectos de qualidade dos tipos de atividades propostas</p><p>devem ser levados em consideração para auxiliar no desenvolvimento e</p><p>no gosto pela atividade física.</p><p>Dessa forma, esta unidade tem como objetivo geral propiciar que o alu-</p><p>no assimile as evidências científicas advindas dos estudos de associação</p><p>entre atividade física e diferentes marcadores de saúde para que possa en-</p><p>tender como a atividade física auxilia na prevenção e no tratamento dessas</p><p>enfermidades e que você compreenda o que são Programas de Promoção</p><p>da atividade física em saúde pública. Esses conhecimentos permitirão que</p><p>você seja ator de promoção de atividade física na população.</p><p>90</p><p>Relação da atividade física</p><p>com marcadores de saúde</p><p>91</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Em crianças e adolescentes de cinco a 17 anos de idade,</p><p>recomenda-se que a atividade física seja praticada dia-</p><p>riamente, em intensidade de moderada a vigorosa, com</p><p>duração de pelo menos 60 minutos (WHO, 2010). Es-</p><p>sas atividades devem ser diversificadas, respeitando-se</p><p>o nível de desenvolvimento motor e cognitivo no qual</p><p>a criança e o jovem se encontram (WHO, 2010). Para</p><p>adultos (de 18 a 64 anos de idade), recomenda-se 150</p><p>minutos por semana de atividades físicas de intensidade</p><p>moderada, ou ao menos 75 minutos de atividades físicas</p><p>de intensidade vigorosa, ou o equivalente da combina-</p><p>ção de atividades físicas de intensidade moderada a vi-</p><p>gorosa (WHO, 2010).</p><p>Para benefícios adicionais, os adultos devem aumen-</p><p>tar as atividades de intensidade moderada para 300 mi-</p><p>nutos por semana. Além disso, atividades físicas de força</p><p>muscular, que envolva grandes grupamentos muscula-</p><p>res, devem ser realizadas ao menos duas vezes por se-</p><p>mana (WHO, 2010). Para idosos (com idade de 65 anos</p><p>ou mais), recomenda-se 150 minutos por semana de ati-</p><p>vidades físicas de intensidade moderada, ou ao menos</p><p>75 minutos de atividades físicas de intensidade vigorosa,</p><p>ou o equivalente da combinação de atividades físicas de</p><p>intensidade moderada a vigorosa (WHO, 2010).</p><p>Para benefícios adicionais, os idosos devem aumentar</p><p>as atividades de intensidade moderada para 300 minutos</p><p>por semana. Além disso, os idosos com baixa mobilidade</p><p>devem trabalhar o equilíbrio corporal por, no mínimo,</p><p>três vezes por semana. Ademais, eles devem se engajar em</p><p>atividades físicas de força muscular, que envolve grandes</p><p>grupamentos musculares, ao menos duas vezes por sema-</p><p>na (WHO, 2010). Todas essas recomendações são impor-</p><p>tantes para prevenir doenças e agravos não transmissíveis</p><p>à saúde e aumentar a expectativa de vida das pessoas. Na</p><p>Figura 1, encontram-se exemplos de atividades físicas,</p><p>conforme as diferentes intensidades:</p><p>Figura 1 - Exemplos de atividades físicas de diferentes intensidades / Fonte: o autor.</p><p>Descrição da Imagem: a Figura 1 mostra os exemplos de atividades físicas de diferentes intensidades: leve, moderada e vigorosa. Para intensidade</p><p>leve, por exemplo, caminhar em ritmo lento; atividades como cozinhar em pé; digitar na posição de pé. Para intensidade moderada, a caminhada</p><p>em ritmo rápido; varrer a casa; jardinagem e limpeza do jardim; e o exemplo da intensidade vigorosa são corrida; exercícios de ginástica aeróbica;</p><p>carregar caixas pesadas subindo escadas; cortar grama com cortador manual.</p><p>ATIVIDADE FÍSICA / INTENSIDADE</p><p>- CAMINHAR EM RITMO</p><p>LENTO</p><p>- ATIVIDADES COMO</p><p>COZINHAR EM PÉ</p><p>- DIGITAR NA POSIÇÃO</p><p>DE PÉ</p><p>- CAMINHADA EM RITMO</p><p>RÁPIDO</p><p>- VARRER A CASA</p><p>- JARDINAGEM</p><p>- LIMPEZA DO JARDIM</p><p>- CORRIDA</p><p>- EXERCÍCIOS DE</p><p>GINÁSTICA AERÓBICA</p><p>- CARREGAR CAIXAS</p><p>PESADAS SUBINDO</p><p>ESCADAS</p><p>- CORTAR GRAMA COM</p><p>CORTADOR MANUAL</p><p>LEVE MODERADA VIGOROSA</p><p>92</p><p>As recomendações de atividade física foram traçadas</p><p>com intuito de as pessoas se beneficiarem da prática de</p><p>atividade física, ou seja, praticando o mínimo recomen-</p><p>dado de atividade física, as pessoas podem se prevenir</p><p>contra doenças e agravos não transmissíveis à saúde e</p><p>evitar a mortalidade precoce. Quanto mais atividade</p><p>física se pratica, melhor para a saúde! Nesse sentido,</p><p>atender as recomendações em atividade</p><p>física significa</p><p>que as pessoas terão melhores marcadores de saúde. As-</p><p>sim, vamos nos mexer diariamente! No Quadro 1, en-</p><p>contram-se resumidamente os benefícios da prática de</p><p>atividade física em diferentes faixas etárias.</p><p>Você sabia como são determinadas as intensi-</p><p>dades da atividade física? Elas correspondem à</p><p>taxa de gasto energético requerida para a reali-</p><p>zação da atividade física. Ela pode ser mensura-</p><p>da nas seguintes unidades: METS (equivalente</p><p>metabólico), quilocalorias, joules ou consumo</p><p>de oxigênio. A unidade mais utilizada nas reco-</p><p>mendações de atividade física são os METs. A</p><p>partir dos METS, podem-se classificar as ativi-</p><p>dades físicas em três intensidades: 1) atividade</p><p>física de intensidade leve (de 1,6 a</p><p>Por outro lado, pessoas que não praticam</p><p>atividade física de forma regular tendem a morrer pre-</p><p>cocemente, ou seja, morrem antes de atingir os anos</p><p>estimados para a expectativa de vida (BOUCHARD;</p><p>BLAIR; HASKELL, 2012). As causas dessas mortes</p><p>precoces podem ser diversas, por exemplo, doenças</p><p>infecto contagiosas, doenças e agravos crônicos não</p><p>transmissíveis (doenças cardiovasculares, hipertensão</p><p>arterial, diabetes, câncer, acidente vascular cerebral,</p><p>doenças respiratórias etc.), e também causas violentas</p><p>(como assassinatos e acidentes de trânsito).</p><p>A prática de atividade física regular não tem nenhu-</p><p>ma relação com as causas violentas e nem evidências su-</p><p>ficientes de relação com as doenças infectocontagiosas.</p><p>As evidências científicas são consistentes em informar</p><p>que a prática de atividade física diminui a mortalidade</p><p>precoce e a morbidade em decorrência das doenças e</p><p>agravos crônicos não transmissíveis.</p><p>Em 2008, o quadro de especialistas responsável por</p><p>determinar as evidências da inter-relação atividade físi-</p><p>ca e saúde para as recomendações de prática de ativida-</p><p>de física para a população Norte-Americana informou</p><p>que das evidências cumulativas de 73 estudos publica-</p><p>dos após 1996, o comitê relatou que 67 estudos encon-</p><p>traram uma relação inversa significativa entre atividade</p><p>física e taxas de mortalidade por todas as causas (BOU-</p><p>CHARD; BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>O risco relativo mediano (RR) comparando os in-</p><p>divíduos mais ativos com os menos ativos foi de 0,69</p><p>em todos os estudos, indicando uma redução de 31% no</p><p>risco com a atividade física. Isso foi semelhante para ho-</p><p>mens (RR mediano = 0,71) e mulheres (RR mediano =</p><p>0,67) e para estudos em que ambos os sexos foram anali-</p><p>97</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>sados juntos (RR mediano = 0,68). Associações inversas</p><p>foram observadas para pessoas com idade</p><p>hipertensão arterial sistêmica e doença arterial coronariana.</p><p>Doenças como osteoartrite e embolia pulmonar são para risco aumen-</p><p>tado de, aproximadamente, 350%, e o risco de 400% para a doença de</p><p>diabetes mellitus tipo 2.</p><p>Condição de Saúde</p><p>Risco aumentado em</p><p>indivíduos obesos</p><p>Mortalidade prematura +</p><p>Doença arterial coronariana ++</p><p>Acidente vascular encefálico +</p><p>Hipertensão arterial sistê-</p><p>mica ++</p><p>Embolia Pulmonar +++</p><p>Diabetes mellitus tipo 2 ++++</p><p>Câncer colorretal +</p><p>Câncer de mama +</p><p>Câncer nos rins ++</p><p>Câncer no pâncreas ++</p><p>Asma +</p><p>Osteoartrite +++</p><p>Quadro 3 - Risco à saúde em indivíduos obesos / Fonte: o autor</p><p>Notas: + risco aumentado de aproximadamente 25% a 50%; ++</p><p>risco aumentado de, aproximadamente, 200%; +++ risco au-</p><p>mentado de, aproximadamente, 350%; ++++ risco aumentado</p><p>de, aproximadamente, 400%.</p><p>100</p><p>A obesidade resulta de um desequilíbrio crônico de</p><p>energia, pelo qual a ingestão excede o gasto. Assim, a</p><p>hipótese de que a inatividade física tenha contribuí-</p><p>do para a epidemia da obesidade é bastante razoável.</p><p>No entanto, as contribuições relativas da inatividade</p><p>física versus consumo alimentar à epidemia de obe-</p><p>sidade não são claras e são difíceis de avaliar devido</p><p>a mudanças temporais na maneira como esses com-</p><p>portamentos foram medidos em pesquisas de saúde.</p><p>As informações ecológicas obtidas no nível popu-</p><p>lacional sugerem que, entre 1970 e 2000, a ingestão de</p><p>energia permaneceu relativamente estável em crianças e</p><p>jovens dos Estados Unidos e aumentou ligeiramente em</p><p>adultos (BRIEFEL; JOHNSON, 2004). Durante o mesmo</p><p>período, a atividade física no período de lazer diminuiu</p><p>em crianças e jovens e aumentou em adultos (KNUTH;</p><p>HALLAL, 2009). Esses dados ecológicos não são con-</p><p>gruentes com o grande aumento na prevalência de obe-</p><p>sidade adulta e infantil que ocorreu nas últimas décadas.</p><p>Há várias explicações possíveis para essa inconsistência.</p><p>Entre esses, estão os problemas metodológicos e técni-</p><p>cos do relato de atividade física e ingestão de alimentos</p><p>que podem ter mudado ao longo do tempo. Outro fator a</p><p>considerar é o aumento da conscientização da população</p><p>sobre os benefícios à saúde da atividade física.</p><p>Nos últimos anos, aumentou o conhecimento de</p><p>que atividades como caminhar “contam” como atividade</p><p>física, enquanto que no passado, as pessoas entendiam</p><p>apenas que atividades vigorosas, como corrida ou nata-</p><p>ção, “contavam” como atividade física. A explicação mais</p><p>provável, no entanto, é que as tendências da população</p><p>na participação em atividades físicas se concentraram</p><p>apenas na atividade física durante os períodos de lazer</p><p>e, portanto, não são sensíveis a quaisquer mudanças que</p><p>ocorreram nos níveis de atividade física fora do lazer.</p><p>Isso é essencial, porque a atividade física no lazer repre-</p><p>senta uma pequena proporção do dia (</p><p>hormônios androgênios.</p><p>Nesse sentido, mais pesquisas precisam ser realizadas</p><p>para explicar esse mecanismo (BOUCHARD; BLAIR;</p><p>HASKELL, 2012).</p><p>Outro mecanismo biológico pelo qual a prática</p><p>de atividade física pode influenciar no menor risco de</p><p>câncer é por meio da influência na massa corporal e na</p><p>gordura corporal. Como a prática de atividade física re-</p><p>gular está associada a menores quantidades de gordura</p><p>corporal, ela pode reduzir o risco de desenvolver vários</p><p>cânceres relacionados com a obesidade, como o câncer</p><p>de mama na pós-menopausa, câncer endometrial e cân-</p><p>cer colorretal. Entre as mulheres obesas na pós-meno-</p><p>pausa, comparadas às mulheres com peso normal, os</p><p>níveis do hormônio estrogênio são mais altos porque o</p><p>tecido adiposo pode converter precursores de estrogê-</p><p>nio no próprio hormônio estrogênio. Dessa forma, esses</p><p>níveis mais altos de estrogênio aumentam o risco dos</p><p>cânceres reprodutivos feminino (BOUCHARD; BLAIR;</p><p>HASKELL, 2012).</p><p>As pessoas que são fisicamente ativas apresentam</p><p>maior probabilidade de perder gordura abdominal se</p><p>comparadas às pessoas que não são fisicamente ativas.</p><p>A obesidade, em especial a obesidade abdominal, está</p><p>associada à resistência à insulina, hiperinsulinemia, hi-</p><p>pertrigliceridemia e níveis mais elevados de fatores de</p><p>crescimento semelhantes à insulina. Esses fatores têm</p><p>sido implicados na etiologia de vários tipos de câncer,</p><p>como câncer de mama, próstata e cólon. Assim, isso</p><p>pode representar uma terceira via pela qual a atividade</p><p>física tem o potencial de influenciar o desenvolvimento</p><p>do câncer (BOUCHARD; BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>Outro mecanismo biológico que pode explicar a in-</p><p>ter-relação atividade física e câncer é o estado de infla-</p><p>mação do organismo. Várias doenças inflamatórias crô-</p><p>nicas aumentam o risco de câncer. Por exemplo, pessoas</p><p>com doença inflamatória intestinal têm maior risco de</p><p>câncer colorretal, enquanto aquelas com hepatite crôni-</p><p>ca têm maior risco de câncer hepatocelular. Níveis ele-</p><p>vados de marcadores inflamatórios, como a proteína C</p><p>reativa (PCR), e níveis reduzidos de marcadores anti-in-</p><p>flamatórios, como a adiponectina, têm sido associados</p><p>a um risco aumentado de câncer. A atividade física está</p><p>associada a um estado inflamatório reduzido e isso tam-</p><p>bém pode ser resultado da diminuição da adiposidade</p><p>(BOUCHARD; BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>Outro mecanismo comumente citado para menores</p><p>taxas de câncer de cólon, especificamente entre pesso-</p><p>as fisicamente ativas, refere-se à mudança no tempo de</p><p>trânsito intestinal. Foi proposto que a atividade física</p><p>acelera o tempo de trânsito no cólon, diminuindo a ex-</p><p>posição a agentes cancerígenos, ou promotores no fluxo</p><p>fecal. No entanto, embora alguns estudos tenham mos-</p><p>trado um tempo de trânsito mais rápido entre pessoas</p><p>fisicamente ativas, nem todos os estudos apoiaram esse</p><p>achado (BOUCHARD; BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>Finalmente, a atividade física pode reduzir o risco</p><p>de desenvolver câncer, aprimorando o sistema imunoló-</p><p>gico inato, responsável pela regulação da suscetibilidade</p><p>ao desenvolvimento do câncer. Em geral, as evidências</p><p>disponíveis sugerem que níveis moderados de atividade</p><p>física podem melhorar o sistema imunológico. No en-</p><p>105</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>tanto, exercícios prolongados e intensos (por exemplo,</p><p>correr uma maratona) podem ter o efeito oposto, levan-</p><p>do a um período temporário de imunossupressão que</p><p>dura dias a até duas semanas.</p><p>O Quadro 4 apresenta as principais conclusões so-</p><p>bre a inter-relação da atividade física com alguns tipos</p><p>de câncer (BOUCHARD; BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>Observe que, para alguns tipos de câncer, ainda não</p><p>há evidência científica suficiente para afirmar que a</p><p>atividade física é capaz de preveni-lo. Dessa forma, os</p><p>tipos de câncer que estão com ‘Evidência forte’, significa</p><p>que a prática de atividade física regular é capaz de pre-</p><p>veni-los. Para aqueles tipos de câncer em que há ‘Evi-</p><p>dência moderada’, significa que a prática de atividade</p><p>física pode prevenir em alguma magnitude tais tipos</p><p>de câncer. Para aqueles que têm ‘Evidência limitada’ ou</p><p>‘Evidência insuficiente’ maior quantidade de estudos se</p><p>faz necessário para poder afirmar se a atividade física</p><p>regular pode preveni-los.</p><p>Para aprender mais sobre os diferentes tipos</p><p>de câncer, obter dados epidemiológicos do</p><p>Brasil, visite o site do Instituto Nacional de</p><p>Câncer do Ministério da Saúde: https://www.</p><p>inca.gov.br/</p><p>CONECTE-SE</p><p>Descrição da Imagem: O Quadro 4 apresenta os níveis de evidência</p><p>da inter-relação entre atividade física e alguns tipos de câncer. Para</p><p>câncer de bexiga, de mama, de cólon, do endométrio, do esôfago,</p><p>gástrico e renal têm fortes evidências de que que quanto maior a</p><p>quantidade de atividades físicas, menores são as chances desses tipos</p><p>de cânceres. Para o câncer de pulmão, temos uma evidência mode-</p><p>rada. Para câncer hematológico, de cabeça e pescoço, de ovário, do</p><p>pâncreas e da próstata, as evidências entre as menores chances de</p><p>surgimento desses tipos de cânceres com a prática de atividade física</p><p>são limitados e, por fim, ainda há evidências insuficiente sobre a in-</p><p>ter-relação atividade física e câncer cerebral.</p><p>Tipo de câncer</p><p>Maior quantidade de atividade</p><p>física diminui o risco de câncer</p><p>Bexiga</p><p>Evidência forte</p><p>Mama</p><p>Colón</p><p>Endometrial</p><p>Esôfago</p><p>Gástrico</p><p>Renal</p><p>Pulmão Evidência moderada</p><p>Hematológico</p><p>Evidência limitada</p><p>Cabeça e pescoço</p><p>Ovário</p><p>Pâncreas</p><p>Próstata</p><p>Cérebro Evidência Insuficiente</p><p>Quadro 4 - Nível de evidência da inter-relação entre atividade</p><p>física e alguns tipos de câncer / Fonte: o autor</p><p>https://www.inca.gov.br/</p><p>https://www.inca.gov.br/</p><p>https://www.inca.gov.br/</p><p>106</p><p>ATIVIDADE FÍSICA E DIABETES MELLITUS TIPO 2</p><p>Doença</p><p>cerebrovascular</p><p>Dano renal</p><p>permanente</p><p>Infecção nos</p><p>pés e mãos</p><p>Retinopatia</p><p>e cegueira</p><p>Ataque cardíaco</p><p>Neuropatia periférica</p><p>mãos e pés</p><p>Figura 3 - Complicações da diabetes mellitus</p><p>Descrição da Imagem: a Figura 3 apresenta o corpo humano e as partes onde se dão as complicações da diabetes mellitus. Esta doença está</p><p>relacionada com doenças cerebrovasculares, danos renais permanentes, infecções nos pés e nas mãos, retinopatia e cegueira, ataque cardíaco e</p><p>neuropatia periférica.</p><p>O diabetes mellitus é uma doença crônica que engloba</p><p>um grupo heterogêneo de distúrbios. O distúrbio endó-</p><p>crino é o mais comum e afeta vários órgãos e funções</p><p>do corpo, causando sérias complicações à saúde, como</p><p>a insuficiência renal, doenças cardíacas, danos cerebrais,</p><p>acidente vascular encefálico e cegueira. A diabetes melli-</p><p>tus se dá quando o corpo não pode controlar o nível de</p><p>glicose na circulação sanguínea em decorrência da pro-</p><p>dução insuficiente de insulina ou de uma resposta ina-</p><p>dequada dos órgãos aos níveis circulantes de insulina.</p><p>Alguns dos sintomas mais característicos associados ao</p><p>aparecimento do diabetes é a micção frequente, sede ex-</p><p>cessiva, perda de peso inexplicada e fadiga.</p><p>O diabetes é comumente diagnosticado quando</p><p>o nível de glicose no sangue é igual ou superior a 126</p><p>mg/dl ou 7,0 mmol/L após jejum noturno ou quando</p><p>107</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>o nível de glicose no sangue excede 200 mg/dl 2h após</p><p>um teste de tolerância à glicose oral padronizado. Foram</p><p>definidos três tipos principais de diabetes: diabetes tipo</p><p>1, diabetes tipo 2 e diabetes gestacional (BOUCHARD;</p><p>BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>No diabetes tipo 1, que é um distúrbio autoimune, as</p><p>células responsáveis pela liberação de insulina, as célu-</p><p>las β pancreáticas, são erroneamente reconhecidas pelo</p><p>sistema imunológico como “estranhas” e seletivamente</p><p>destruídas. Como resultado, as células β pancreáticas</p><p>são eliminadas do corpo, e os níveis circulantes de insu-</p><p>A insulina é um hormônio produzido pelo</p><p>pâncreas e tem como função metabolizar a</p><p>glicose (açúcar no sangue) para produção de</p><p>energia. Ela atua como uma “chave”, abrindo</p><p>as “fechaduras” das células do corpo, para</p><p>que a glicose entre e seja usada para gerar</p><p>energia.</p><p>Fonte: adaptado de Bouchard, Blair e Haskell (2012).</p><p>CONCEITUANDO</p><p>lina no sangue diminuem drasticamente ou até desapa-</p><p>recem. Nessa situação, injeções regulares de insulina se</p><p>tornam necessárias para sustentar a vida do indivíduo.</p><p>O diabetes tipo 2, diferentemente do tipo 1, é um</p><p>distúrbio metabólico no qual os níveis de insulina po-</p><p>dem ser normais, elevados (hiperinsulinemia) ou até</p><p>diminuídos (hipoinsulinemia). Entretanto, nesse tipo de</p><p>diabetes, a hiperinsulinemia caracteriza a maioria dos</p><p>pacientes. Pelo menos nos estágios iniciais, a maioria</p><p>das pessoas com diabetes tipo 2 pode produzir insulina,</p><p>mas não pode usá-la efetivamente. Dois componentes</p><p>principais atuam nessa patologia: disfunção das células</p><p>β pancreáticas, na qual essas células gradualmente não</p><p>produzem insulina adequadamente em resposta aos</p><p>níveis circulantes de glicose no sangue, ou resistência à</p><p>insulina, na qual tecidos sensíveis à insulina, como mús-</p><p>culo esquelético, gordura e fígado se tornam, em certa</p><p>medida, sem sensibilidade à insulina.</p><p>A resistência à insulina parece preceder e, pelo me-</p><p>nos em parte, ser responsável pela disfunção das células</p><p>β pancreáticas. O início do diabetes tipo 2 geralmente</p><p>ocorre com o avanço da idade, mas, devido a fatores do</p><p>estilo de vida, como a nutrição e prática de atividade físi-</p><p>ca insuficiente está acometendo cada vez mais indivídu-</p><p>os mais jovens (BOUCHARD; BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>O diabetes tipo 2 é causado, principalmente, por</p><p>uma combinação de três situações anormais no organis-</p><p>mo: (1) diminuição da secreção de insulina pelas célu-</p><p>las β pancreáticas, (2) resistência à insulina nos tecidos</p><p>periféricos, e (3) aumento da produção de glicose no fí-</p><p>gado. É amplamente aceito que a resistência à insulina</p><p>desempenha um papel central na patogênese do diabe-</p><p>tes tipo 2. O termo resistência à insulina se refere à res-</p><p>posta subnormal a uma dada concentração de insulina</p><p>pelos principais órgãos do corpo sensíveis à insulina, ou</p><p>seja, músculo esquelético, fígado e tecido adiposo. Des-</p><p>sa forma, se o músculo esquelético está envolvido nessa</p><p>108</p><p>situação, o exercício físico tem papel fundamental para</p><p>controle desse tipo de diabetes.</p><p>Quando o sujeito se alimenta, um nível adequado</p><p>de insulina é liberado nas refeições, mas seu efeito (dis-</p><p>posição da glicose) é prejudicado. Após um período de</p><p>resistência à insulina compensada, a tolerância à glicose</p><p>diminuída eventualmente se desenvolve apesar das con-</p><p>centrações elevadas de insulina. Finalmente, após a ma-</p><p>nutenção de um estado hiperinsulinêmico ao longo do</p><p>tempo, a falha das células β pancreáticas resulta em dimi-</p><p>nuição da secreção de insulina. Isso leva ao aparecimento</p><p>de diabetes mellitus tipo 2, quando a resistência à insulina</p><p>e a função das células β comprometidas ocorrem simulta-</p><p>neamente, resultando em hiperglicemia em jejum.</p><p>Além da influência de alguns fatores genéticos im-</p><p>portantes, a resistência à insulina é uma característica</p><p>comum de indivíduos obesos - principalmente quando o</p><p>excesso de gordura está concentrado na região abdominal</p><p>(ou seja, adiposidade central) - e particularmente em in-</p><p>divíduos pouco ativos fisicamente. De fato, um mecanis-</p><p>mo primário que causa resistência à insulina é o ganho de</p><p>peso que se intensifica com os baixos níveis de atividade</p><p>física e aumento do comportamento sedentário.</p><p>Os indivíduos que são diagnosticados com diabetes</p><p>mellitus tipo 2 mostram uma redução acentuada na se-</p><p>creção precoce de insulina (ou seja, a fase de secreção</p><p>de insulina que ocorre imediatamente após a ingestão),</p><p>uma consequência do mau funcionamento das células</p><p>β pancreáticas. Os mecanismos moleculares e de sina-</p><p>lização detalhados subjacentes a esse defeito ainda não</p><p>estão totalmente esclarecidos. No entanto, sabe-se que</p><p>a progressão na deterioração da função das células β</p><p>leva muito tempo, portanto, quando o diabetes mellitus</p><p>tipo 2 é diagnosticado, a disfunção das células β pode</p><p>estar ocorrendo há mais de uma década. O aumento</p><p>do estado hiperglicêmico característico desse distúrbio</p><p>metabólico é exacerbado em longo prazo pelos efeitos</p><p>citotóxicos de altas concentrações de glicose no sangue</p><p>(BOUCHARD; BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>Para manter a homeostase da glicose no corpo, é</p><p>necessária a coordenação de três eventos metabólicos</p><p>diferentes: 1) secreção adequada de insulina pelas cé-</p><p>lulas β pancreáticas; 2) supressão da produção hepática</p><p>de glicose; e 3) estimulação da captação de glicose pelos</p><p>tecidos sensíveis à insulina, principalmente os músculos.</p><p>Durante um período agudo de exercícios, a crescen-</p><p>te necessidade de combustível metabólico é atendida</p><p>pelo aumento da utilização de carboidratos e gorduras</p><p>no músculo esquelético. A glicose é retirada do sangue</p><p>para os músculos esqueléticos que funcionam por meio</p><p>de transportadores de glicose. Em pessoas que não têm</p><p>diabetes, a menos que o exercício seja de duração extre-</p><p>mamente longa, as concentrações de glicose no sangue</p><p>não diminuem consideravelmente. Este é o caso porque</p><p>a produção de glicose no fígado é precisamente compa-</p><p>tível com a captação de glicose no músculo e porque a</p><p>secreção de insulina pelas células β do pâncreas é reduzi-</p><p>da em resposta a níveis mais baixos de glicose no sangue.</p><p>Em pessoas com diabetes mellitus tipo 2 com hiper-</p><p>glicemia moderada e resistentes à insulina, as concentra-</p><p>ções de glicose ainda podem ser efetivamente diminuí-</p><p>das com atividade física de intensidade moderada, um</p><p>importante benefício para a saúde do paciente diabético.</p><p>Conforme definido anteriormente, a resistência à</p><p>insulina é a incapacidade dos tecidos-alvos periféricos</p><p>(especialmente músculo, tecido adiposo e fígado) de</p><p>responder adequadamente às concentrações circulantes</p><p>normais de insulina. A resistência à insulina pode ser</p><p>encontrada em pacientes mais de uma década antes do</p><p>aparecimento do diabetes e é o melhor preditor para o</p><p>desenvolvimento posterior da doença.</p><p>Um tratamento para melhorar a resistência à insulina</p><p>é a prática regular de atividade física. Uma única sessão de</p><p>exercício físico pode aumentar o transporte e o metabo-</p><p>109</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>lismo da glicose no músculo esquelético e também pode</p><p>ter efeitos profundos no metabolismo do glicogênio. Es-</p><p>sas alterações metabólicas ocorrem no músculo esquelé-</p><p>tico e podem melhorar a homeostase da glicose em pesso-</p><p>as com resistência à insulina. Além disso, essas alterações</p><p>metabólicas podem ser responsáveis pela capacidade da</p><p>atividade física de prevenir ou retardar o aparecimento do</p><p>diabetes mellitus tipo 2. Nesse sentido, a prática frequen-</p><p>te de atividade física é capaz de auxiliar no tratamento e</p><p>na prevenção do diabetes mellitus tipo 2 (BOUCHARD;</p><p>BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>Os benefícios terapêuticos da prática regular de</p><p>atividade física no tratamento da diabetes mellitus</p><p>tipo 2 são reconhecidos há muito tempo. Em 1919,</p><p>foi relatado que o exercício físico diminui as concen-</p><p>trações de glicose no sangue e melhorou a tolerância</p><p>à glicose em pacientes diabéticos. Na edição de 1935</p><p>de The Treatment of Diabetes Mellitus, o exercício</p><p>físico era recomendado no tratamento diário do dia-</p><p>betes (BOUCHARD; BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>ATIVIDADE FÍSICA E DOENÇAS CARDIO-</p><p>VASCULARES</p><p>As doenças cardiovasculares – incluindo doença isquê-</p><p>mica do coração, infarto agudo do miocárdio, hiperten-</p><p>são arterial sistêmica, febre reumática, defeitos cardíacos</p><p>congênitos, insuficiência cardíaca congestiva e doença</p><p>vascular periférica – são as principais causas de morte</p><p>em homens e mulheres em países industrializados. Em</p><p>geral, as manifestações clínicas das doenças cardiovas-</p><p>culares têm início a partir da meia-idade e se intensifica</p><p>com o avanço da idade. No entanto, evidência científica</p><p>Para aprender mais sobre o diabetes mellitus</p><p>e obter dados científicos sobre a doença, visite</p><p>o site da Sociedade Brasileira de Diabetes:</p><p>https://www.diabetes.org.br/</p><p>CONECTE-SE</p><p>https://www.diabetes.org.br/</p><p>https://www.diabetes.org.br/</p><p>110</p><p>confirma que as doenças cardiovasculares se iniciam na</p><p>infância, de</p><p>modo que os tecidos que envolvem as coro-</p><p>nárias são afetados desde a infância no processo infla-</p><p>matório (FORD, 2003).</p><p>A patogênese mais encontrada nas doenças cardio-</p><p>vasculares é a aterosclerose. Ela é considerada uma do-</p><p>ença oriunda da disfunção endotelial e de inflamação.</p><p>Essa inflamação causa liberação de substâncias anticoa-</p><p>gulantes que prejudicam as funções do coração e podem</p><p>acarretar vasoconstrição, trombose e inflamação aguda</p><p>e crônica (SANTOS et al., 2008).</p><p>O mecanismo biológico pelo qual a prática de atividade</p><p>física regular diminui as chances de adquirir hiperten-</p><p>são arterial sistêmica pode ser raciocinado da seguinte</p><p>forma: a pressão arterial sanguínea é determinada pelo</p><p>débito cardíaco (volume de sangue bombeado pelo co-</p><p>ração) e pela resistência periférica total dos vasos san-</p><p>guíneos (determinada pela viscosidade do sangue e o</p><p>comprimento dos vasos sanguíneos).</p><p>As reduções no débito cardíaco não ocorrem após o</p><p>treinamento físico, indicando que uma redução na resis-</p><p>tência periférica total é o principal mecanismo pelo qual</p><p>a atividade física reduz a pressão arterial sanguínea em</p><p>repouso. As alterações na resistência periférica total, por</p><p>sua vez, são principalmente mediadas por alterações no</p><p>diâmetro dos vasos sanguíneos. Várias alterações neu-</p><p>rais e locais ocorrem em resposta à participação crônica</p><p>da atividade física que reduz o estado vasoconstritivo da</p><p>musculatura periférica e, ao fazê-lo, diminui a resistên-</p><p>cia periférica total e a pressão arterial sanguínea (SAN-</p><p>TOS et al., 2008).</p><p>Existem vários mecanismos biológicos plausíveis</p><p>pelos quais a atividade física reduz o risco de doença</p><p>isquêmica do coração, acidente vascular encefálico e</p><p>doença vascular periférica. Esses mecanismos são se-</p><p>111</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>melhantes para essas três formas de doença. A atividade</p><p>física reduz a pressão arterial sanguínea como demons-</p><p>trado no parágrafo anterior, melhora o perfil lipídico do</p><p>sangue (por exemplo, diminui os triglicerídeos, aumenta</p><p>a lipoproteína de alta densidade ou o colesterol “bom”) e</p><p>diminui a inflamação sistêmica (por exemplo, diminui</p><p>os níveis sanguíneos de proteína C reativa [PCR]) e, ao</p><p>fazê-lo, diminui os danos e a aterosclerose dos vasos san-</p><p>guíneos cardíacos, cerebrais e periféricos.</p><p>A atividade física também melhora a função endote-</p><p>lial (por exemplo, melhora as propriedades de vasodila-</p><p>tação e vasoconstrição dos vasos sanguíneos) e tem um</p><p>efeito antitrombótico (por exemplo, reduz a coagulação</p><p>do sangue), o que reduz ainda mais o risco de eventos</p><p>cardíacos e cerebrovasculares adversos (BOUCHARD;</p><p>BLAIR; HASKELL, 2012).</p><p>Para aprender mais sobre as doenças car-</p><p>diovasculares e obter dados científicos so-</p><p>bre essas doenças visite o site da Sociedade</p><p>Brasileira de Cardiologia: https://www.portal.</p><p>cardiol.br/</p><p>CONECTE-SE</p><p>https://www.portal.cardiol.br/</p><p>https://www.portal.cardiol.br/</p><p>https://www.portal.cardiol.br/</p><p>112</p><p>Programas de promoção da</p><p>atividade física em saúde pública</p><p>113</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>A saúde pública é um campo multidisciplinar, cujo ob-</p><p>jetivo é promover a saúde da população por meio de</p><p>esforços comunitários organizados (ASCHENGRAU;</p><p>SEAGE, 2020). Ao contrário da medicina, que se con-</p><p>centra principalmente no tratamento de doenças em in-</p><p>divíduos, a saúde pública se concentra na prevenção de</p><p>doenças na população/comunidade.</p><p>As principais atividades de saúde pública incluem a</p><p>avaliação do estado de saúde da população, o diagnósti-</p><p>co dos problemas, a busca pelas causas desses problemas</p><p>e o desenvolvimento de soluções para eles. As soluções</p><p>geralmente envolvem intervenções no nível da comuni-</p><p>dade que controlam ou impedem a causa do problema.</p><p>Por exemplo, as intervenções de saúde pública incluem</p><p>o estabelecimento de programas educacionais para de-</p><p>sencorajar os adolescentes de fumar, a implementação</p><p>de programas de triagem para a detecção precoce do</p><p>câncer e a aprovação de leis que exigem que motoristas</p><p>e passageiros de automóveis usem cintos de segurança</p><p>(ASCHENGRAU; SEAGE, 2020).</p><p>Infelizmente, é difícil reconhecer as realizações em</p><p>saúde pública, porque é difícil identificar pessoas que</p><p>foram poupadas de doenças por meio de ações em saú-</p><p>de pública. Por esse motivo, o campo da Saúde Pública</p><p>recebeu menos atenção e menos recursos do que o cam-</p><p>po da Medicina. No entanto, a Saúde Pública tem um</p><p>efeito maior na saúde das populações do que a medicina.</p><p>Por exemplo, desde a virada do século XX, a expectati-</p><p>va média de vida das pessoas vem aumentando. Entre</p><p>outros fatores, para esse aumento na expectativa média</p><p>de vida, destacam-se as melhorias na saúde pública. As</p><p>realizações em saúde pública que são responsáveis por</p><p>melhorias na saúde e na expectativa de vida incluem o</p><p>uso rotineiro de vacinas para doenças infecciosas, me-</p><p>lhorias na segurança de veículos automotores e locais</p><p>de trabalho, controle de doenças infecciosas por meio</p><p>de melhorias no saneamento básico e saúde (ASCHEN-</p><p>GRAU; SEAGE, 2020).</p><p>As atividades do sistema de saúde pública em pes-</p><p>quisa, educação e implementação de programas torna-</p><p>ram essas realizações possíveis. Esse sistema inclui agên-</p><p>cias federais, estaduais e municipais, além de instituições</p><p>acadêmicas. Esse complexo conjunto de instituições</p><p>somente alcança o sucesso em saúde pública por meio</p><p>de ações políticas e ganhos em conhecimento científico.</p><p>Dessa forma, a política entra no processo de saúde pú-</p><p>blica quando as agências advogam por recursos, desen-</p><p>volvem políticas e planos para melhorar a saúde de uma</p><p>comunidade e trabalham para garantir que serviços</p><p>necessários para a proteção da saúde pública estejam à</p><p>disposição de todos. A ação política é necessária porque</p><p>o governo geralmente tem a responsabilidade de desen-</p><p>volver as atividades necessárias para proteger a saúde</p><p>pública e promover a saúde da população (ASCHEN-</p><p>GRAU; SEAGE, 2020).</p><p>Para que você compreenda melhor o que vem a ser</p><p>a Saúde Pública em si e para que entenda o que vem a</p><p>ser Programas de Promoção de Atividade Física em Saú-</p><p>de Pública, o Quadro 5 apresenta as diferenças entre os</p><p>campos de pesquisa Básica, Clínica e em Saúde Pública.</p><p>114</p><p>Característica Pesquisa Básica Pesquisa Clínica</p><p>Pesquisa em Saúde Pú-</p><p>blica</p><p>O que e quem é</p><p>estudado</p><p>Células, tecidos, animais em</p><p>laboratórios.</p><p>Pacientes com diagnóstico de</p><p>doença(s).</p><p>Populações ou comunida-</p><p>des.</p><p>Objetivos da pes-</p><p>quisa</p><p>Entendendo os mecanis-</p><p>mos de doenças e os efei-</p><p>tos de substâncias tóxicas.</p><p>Melhora no diagnóstico e no</p><p>tratamento de doenças.</p><p>Prevenção de doenças e</p><p>promoção da saúde.</p><p>Exemplos Toxicologia, imunologia. Pediatria, Medicina interna. Epidemiologia, saúde</p><p>ambiental.</p><p>Quadro 5 - Características das pesquisas Básicas, Clínicas e em Saúde Pública / Fonte: adaptado de Aschengrau e Seage (2020, p. 5)</p><p>Descrição do quadro: O Quadro 5 apresenta as características de diferentes tipos de pesquisa. São descritas informações sobre os seguintes tipos</p><p>de pesquisa: Pesquisa básica, Pesquisa Clínica e Pesquisa em Saúde Pública. As características descritas são as seguintes: o que e quem é estudado</p><p>em cada tipo de pesquisa; os objetivos de cada um dos tipos de pesquisa; e exemplos para cada um dos tipos de pesquisa. Na Pesquisa Básica são</p><p>estudados as células, os tecidos e animais em laboratórios. O objetivo da Pesquisa Básica é entender os mecanismos de doenças e os efeitos de</p><p>substâncias tóxicas. Alguns exemplos de Pesquisa Básica são a toxicologia e a imunologia. Na Pesquisa Clínica, são estudados os pacientes com</p><p>diagnóstico de doença(s). O objetivo da Pesquisa Clínica é a melhora no diagnóstico e no tratamento de doenças. Alguns exemplos de Pesquisa Clínica</p><p>são a pediatria e a medicina interna. Na Pesquisa em Saúde Pública, são estudadas as populações e comunidades. O objetivo da Pesquisa em Saúde</p><p>Pública é a prevenção de doenças e promoção da saúde. Alguns exemplos da Pesquisa em Saúde Pública são a epidemiologia e saúde ambiental.</p><p>115</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Como a Saúde Pública diz respeito a comunidades e po-</p><p>pulações, o sistema de saúde do Brasil – Sistema Único</p><p>de Saúde – é um dos meios pelo qual tais Programas de</p><p>Promoção de Atividade Física podem chegar às popu-</p><p>lações. As ações de promoção de atividades físicas em</p><p>Saúde Pública perpassam pela Política Nacional de Pro-</p><p>moção da Saúde. Contudo, antes da publicação da Políti-</p><p>ca Nacional de Promoção da Saúde, o governo do Brasil</p><p>divulgou, em 2002, a ação chamada Hiperdia, que tinha</p><p>o propósito de acompanhar pacientes com diagnóstico</p><p>de diabetes e hipertensão (BENEDETTI et al., 2014).</p><p>No ano de 2003, foi lançada a Estratégia Mundial so-</p><p>bre Alimentação Saudável, Atividade Física e Saúde que</p><p>teve alcance em todo o mundo. Com esse lançamento, o</p><p>tema que envolvia a atividade física e promoção da saúde</p><p>foi colocado como prioridade para a saúde das popula-</p><p>ções. A importância dessas recomendações internacio-</p><p>nais fez com que o Brasil, por meio do Ministério da Saú-</p><p>de, coloca-se a atividade física em evidência. Em 2006, a</p><p>Política Nacional de Promoção da Saúde foi publicada</p><p>e os repasses financeiros referentes a essa política foram</p><p>destinados a Estados e Municípios para que valorizassem</p><p>ações de atividade física no Sistema Único de Saúde do</p><p>Brasil (BOUCHARD; BLAIR; HASKELL, 2014).</p><p>O Brasil lançou, em 2007, o Plano Nacional de Ativi-</p><p>dade Física que previa, dentre outras coisas, a dissemina-</p><p>ção do tema atividade física e saúde junto à população,</p><p>por meio de projetos e campanhas de incentivo à prática</p><p>de atividade física em todas as idades. No ano de 2011,</p><p>o Brasil atualizou esse plano e publicou mais uma ree-</p><p>dição (BENEDETTI et al., 2014). Todas essas ações di-</p><p>zem respeito à promoção de atividade física em termos</p><p>de saúde pública, pois estabelece uma relação entre os</p><p>setores políticos, de saúde e da população.</p><p>Em 2008, o Ministério da Saúde do Brasil retomou</p><p>as ações de comunicação social para a prática de ativida-</p><p>de física em termos comunitários, desta vez atrelada ao</p><p>tema do Dia Mundial da Saúde. Em 2011, o Ministro da</p><p>Saúde do Brasil lançou o Programa Academia da Saúde,</p><p>que é gerenciado pelo Ministério da Saúde do Brasil até</p><p>os dias atuais (BENEDETTI et al., 2014).</p><p>O programa Academia da Saúde é uma estratégia de</p><p>promoção e produção do cuidado com a saúde, a partir</p><p>da implantação de espaços públicos. O objetivo desse</p><p>programa é promover práticas corporais e atividade fí-</p><p>sica, promoção da alimentação saudável, educação em</p><p>saúde, entre outros, além de contribuir para a produção</p><p>do cuidado e de modos de vida saudáveis e sustentáveis</p><p>da população. Para tanto, o Programa promove a im-</p><p>plantação de polos do Academia da Saúde, que são espa-</p><p>ços públicos dotados de infraestrutura, equipamentos e</p><p>profissionais qualificados (BRASIL, 2020).</p><p>O Programa Academia da Saúde é para toda a popu-</p><p>lação e tem como ação o entendimento de que a saúde</p><p>integral do usuário do sistema de saúde deve ser atingida</p><p>nas perspectivas de realização de práticas corporais, ativi-</p><p>dades físicas e alimentação saudável. Além disso, os espa-</p><p>ços do programa são também destinados a ações culturais</p><p>para o melhor uso da população (BRASIL, 2020).</p><p>Um tema que ainda carece de mais aprofundamento</p><p>são os Programas de Promoção de Atividade Física em</p><p>termos de Saúde Pública para crianças e adolescentes. O</p><p>projeto de pesquisa intitulado Report Card Brazil tem</p><p>como objetivo mapear os programas existentes para esse</p><p>público no Brasil. Esse indicador trata sobre estratégias</p><p>e investimentos governamentais para a promoção da</p><p>atividade física de crianças e adolescentes. No Brasil,</p><p>há algumas iniciativas para crianças e adolescentes que</p><p>podem ser destacadas no Quadro 6.</p><p>116</p><p>Programa</p><p>Ano de</p><p>Criação</p><p>Ministério Objetivo principal Dimensão</p><p>Centros de Artes</p><p>e Esportes Unifi-</p><p>cados</p><p>2011 Cultura</p><p>Integrar num mesmo espaço progra-</p><p>mas e ações culturais, práticas esporti-</p><p>vas e de lazer, formação e qualificação</p><p>para o mercado de trabalho, serviços</p><p>socioassistenciais, políticas de preven-</p><p>ção à violência e de inclusão digital.</p><p>Infraestrutura física</p><p>Forças no Es-</p><p>porte 2003 Defesa</p><p>Democratizar o acesso à prática e</p><p>à cultura do esporte e promover o</p><p>desenvolvimento integral de crianças</p><p>e adolescentes, oferecendo atividades</p><p>esportivas educacionais, lazer e ativida-</p><p>des complementares.</p><p>Infraestrutura física e</p><p>de pessoal.</p><p>Mais Educação 2007 Educação Não informado Não informado</p><p>Segundo Tempo 2003 Esporte</p><p>Democratizar o acesso de crianças</p><p>e adolescentes aos conteúdos das</p><p>práticas corporais por meio do esporte</p><p>educacional de qualidade.</p><p>Infraestrutura de pes-</p><p>soal, material esporti-</p><p>vo e uniforme.</p><p>Esporte e Lazer</p><p>da Cidade 2011 Esporte Democratizar o lazer e o esporte recre-</p><p>ativo.</p><p>Infraestrutura de</p><p>pessoal.</p><p>Descrição do quadro: O Quadro 6 apresenta o nome dos programas do Governo do Brasil até 2018 que tratavam, em alguma instância, da promoção</p><p>da atividade física em crianças e adolescentes. Nesse quadro está o ano de criação dos programas, o ministério brasileiro responsável pelo programa,</p><p>o objetivo principal do programa e a dimensão do programa. O primeiro programa citado se chama Centros de Artes e Esportes Unificados, que foi</p><p>criado em 2011, e é de responsabilidade do Ministério da Cultura, tem como objetivo principal integrar em um mesmo espaço programas e ações</p><p>culturais, práticas esportivas e de lazer, formação e qualificação para o mercado de trabalho, serviços socioassistenciais, políticas de prevenção à</p><p>violência e de inclusão digital, e abrange a dimensão de infraestrutura física. O segundo programa citado se chama Forças no Esporte, que foi criado</p><p>em 2003, é de responsabilidade do Ministério da Defesa, e tem como objetivo principal democratizar o acesso à prática e à cultura do esporte e pro-</p><p>mover o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes, oferecendo atividades esportivas educacionais, lazer e atividades complementares, e</p><p>abrange a dimensão de infraestrutura física e de pessoal. O terceiro programa citado é o Mais Educação, que foi criado em 2007, é de responsabilidade</p><p>do Ministério da Educação, não apresenta informação do objetivo principal e também não apresenta informação sobre a dimensão que abrange.</p><p>O quarto programa citado se chama Segundo Tempo, que foi criado em 2003, é de responsabilidade do Ministério do Esporte, tem como principal</p><p>objetivo democratizar o acesso de crianças e adolescentes aos conteúdos das práticas corporais por meio do esporte educacional de qualidade, e</p><p>abrange a dimensão de infraestrutura de pessoal, material esportivo e uniforme. O quinto programa citado é o Esporte e Lazer da Cidade, que foi</p><p>criado em 2011, é de responsabilidade do Ministério do Esporte, tem como objetivo principal democratizar o lazer e o esporte recreativo, e abrange</p><p>a dimensão de infraestrutura de pessoal. O sexto programa citado se chama Centro de Iniciação ao Esporte, que foi criado em 2013, é de responsabi-</p><p>lidade do Ministério do Esporte, tem como objetivo principal ampliar a oferta de infraestrutura de equipamento público esportivo qualificado, incen-</p><p>tivando a iniciação esportiva em territórios de vulnerabilidade social das grandes cidades brasileiras, e abrange a dimensão de infraestrutura física.</p><p>O sétimo programa citado se chama- Academia de Saúde, que foi criado em 2011, é de responsabilidade do Ministério da Saúde, tem como objetivo</p><p>principal promover práticas corporais e atividade física, promoção da alimentação saudável, educação em saúde, entre outros, além de contribuir</p><p>para a produção do cuidado e de modos de vida saudáveis e sustentáveis da população, e abrange a dimensão de infraestrutura física e de pessoal.</p><p>117</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Centro de Inicia-</p><p>ção ao Esporte 2013 Esporte</p><p>Ampliar a oferta de infraestrutura de</p><p>equipamento público esportivo qualifi-</p><p>cado, incentivando a iniciação esportiva</p><p>em territórios de vulnerabilidade social</p><p>das grandes cidades brasileiras.</p><p>Infraestrutura física.</p><p>Academia da</p><p>saúde</p><p>2011 Saúde</p><p>Promover práticas corporais e atividade</p><p>física, promoção da alimentação saudá-</p><p>vel, educação em saúde, entre outros,</p><p>além de contribuir para a produção do</p><p>cuidado e de modos de vida saudáveis</p><p>e sustentáveis da população.</p><p>Infraestrutura física e</p><p>de pessoal.</p><p>Quadro 6 - Programas do Governo do Brasil até 2018 que tratavam, em alguma instância, da promoção da atividade física em crian-</p><p>ças e adolescentes / Fonte: adaptado de Silva et al. (2018).</p><p>Algumas características desses programas se destacam</p><p>(SILVA et al., 2018): 1) nenhum desses programas têm</p><p>como objetivo principal a promoção da atividade física</p><p>de crianças e adolescentes, tal objetivo é secundário nes-</p><p>ses programas; 2) não foi disponibilizado a quantidade</p><p>de recursos financeiros que é destinada por cada progra-</p><p>ma, por ano, para cada estado da federação para que se</p><p>pudesse verificar se o investimento em atividade física é</p><p>apropriado; 3) não há informações, nas fontes de consul-</p><p>ta, sobre a avaliação da efetividades desses programas no</p><p>que concerne à promoção da atividade física de crianças</p><p>e adolescentes; 4) não há informações sobre o impacto</p><p>desses programas nos níveis de atividade física de crian-</p><p>ças e adolescentes; 5) não há informações sobre o plane-</p><p>jamento e/ou perspectivas futuras (investimentos, am-</p><p>pliação) desses programas no que concerne à promoção</p><p>da atividade física de crianças e adolescentes. Nesse sen-</p><p>tido, Programas de Promoção de atividade física efetivos</p><p>para crianças e adolescentes do Brasil ainda são escassos.</p><p>Para isso reflita sobre quais atividades físicas a sua co-</p><p>munidade prática com frequência e se essa atividade</p><p>pode ser praticada por todos, independentemente do</p><p>nível econômico e social. Além disso, reflita se o espaço</p><p>físico existente no seu bairro é apropriado para a ativi-</p><p>dade. Após essas reflexões, converse com a associação</p><p>de moradores do seu bairro, com a secretaria de saúde</p><p>do município e com a imprensa sobre a necessidade de</p><p>promover atividade física para todos.</p><p>Antes de 2006 não existia no Brasil uma política</p><p>nacional que tivesse como foco a promoção da</p><p>atividade física em termos de Saúde Pública.</p><p>Dessa forma, esse campo é recente na área</p><p>da atividade física no Brasil e muito aprofunda-</p><p>mento ainda precisa ser dado para encontrar</p><p>melhores estratégias de promoção da atividade</p><p>física em termos comunitários. Que tal você</p><p>pensar como a sua comunidade poderia ela-</p><p>borar Programas de Promoção da Atividade</p><p>Física que sirva para todos?</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>118</p><p>considerações finais</p><p>Nessa unidade, foi informado sobre a relação da prática de atividade física com mar-</p><p>cadores de saúde, para tanto foi mostrado que todas as pessoas devem fazer atividades</p><p>físicas regulares. A quantidade recomendada de atividade física para trazer benefícios</p><p>à saúde varia conforme a faixa etária e todos devem se atentar a isso. Crianças e ado-</p><p>lescentes têm recomendações específicas, adultos e idosos também. Dessa forma, ao</p><p>trabalhar com cada público em específico, deve-se atentar às recomendações específicas.</p><p>A prática regular de atividades físicas evita a mortalidade precoce e o surgimento de</p><p>diversas doenças, como a obesidade, o câncer, o diabetes mellitus tipo 2 e as doenças</p><p>cardiovasculares. Diversos estudos foram mostrados nesta unidade com evidências</p><p>dos benefícios da prática de atividade física. A atividade física pode ser empregada na</p><p>prevenção e também como auxílio no tratamento dessas enfermidades, de modo que</p><p>ela é essencial no controle desses agravos. Uma das formas de proporcionar atividades</p><p>físicas para a população é por meio dos Programas de Promoção de Atividade Física em</p><p>Saúde Pública. Esses programas são voltados a toda a população e tem como objetivo</p><p>principal educar a população para um estilo de vida ativo e saudável.</p><p>No Brasil, diversas iniciativas de Programas de Promoção de Atividade Física em</p><p>Saúde Pública foram aplicadas a partir de 2006, de modo que esse marco foi possível</p><p>por causa da Política Nacional de Promoção da Saúde. Atualmente, o maior programa</p><p>do Brasil de Promoção de Atividade Física em Saúde Pública é a Academia da Saúde,</p><p>que é destinado a toda a população.</p><p>Apesar do exposto anteriormente, algumas faixas etárias, como as crianças e os ado-</p><p>lescentes, dispõem de poucas oportunidades voltadas diretamente a eles, pois os</p><p>programas existentes não focam na educação em saúde.</p><p>119</p><p>atividades de estudo</p><p>1. Para entender o papel da atividade física na prevenção da mortalidade pre-</p><p>coce e promoção da saúde, é importante compreender que cada pessoa que</p><p>nasce tem uma expectativa de vida, que significa quantos anos em média essa</p><p>pessoa irá viver. Com base nesse exposto, leia as afimativas a seguir e depois</p><p>assinale a alternativa correta.</p><p>I. Quanto mais desenvolvido é o país, piores são as condições de vida daquele país.</p><p>II. O cálculo de expectativa de vida leva em consideração o país e as condições</p><p>de vida da localidade em que a pessoa nasce.</p><p>III. A prática de atividade física regular ajudará a pessoa a atingir a expectativa de</p><p>vida daquela determinada localidade.</p><p>IV. As evidências científicas são consistentes em informar que a prática de ativi-</p><p>dade física diminui a mortalidade precoce.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I e II, apenas.</p><p>b. II e III, apenas.</p><p>c. I, apenas.</p><p>d. II, III e IV, apenas.</p><p>e. I, II, III e IV.</p><p>2. A obesidade é um fator de risco principal para mortalidade prematura e inú-</p><p>meras condições crônicas de saúde que reduzem a qualidade de vida geral. A</p><p>prevalência da obesidade aumentou para proporções epidêmicas nos países</p><p>desenvolvidos e em desenvolvimento nas últimas duas a três décadas, e essa</p><p>condição afeta praticamente todas as idades, raças e grupos socioeconômicos</p><p>em ambos os sexos. Com base no tema da obesidade, analise as afirmativas</p><p>a seguir e depois assinale a alternativa correta.</p><p>I. A obesidade é uma condição de acúmulo excessivo de gordura que não prejudica</p><p>a saúde.</p><p>II. Quando o balanço energético é positivo, quer dizer que o organismo está ingerin-</p><p>do mais energia do que gastando.</p><p>III. Quando o balanço energético é negativo, quer dizer que o organismo está gas-</p><p>tando mais energia do que ingerindo.</p><p>IV. A perda de peso não está relacionada ao volume de atividade física realizada.</p><p>120</p><p>atividades de estudo</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I e II, apenas.</p><p>b. II e III, apenas.</p><p>c. I, apenas.</p><p>d. II, III e IV, apenas.</p><p>e. I, II, III e IV.</p><p>3. O câncer é de origem multifatorial, com contribuições provenientes de com-</p><p>ponentes genéticos e ambientais. Do ponto de vista da saúde pública, deter-</p><p>minantes modificáveis do câncer são importantes porque esses fatores são</p><p>passíveis de mudança. Um determinante, ou fator de risco, que recebeu muita</p><p>atenção recentemente é a atividade física. Considerando o exposto, marque</p><p>(V) para as afirmativas verdadeiras e (F) para as afirmativas falsas.</p><p>( ) Câncer é considerado a segunda maior causa de mortalidade no mundo, fi-</p><p>cando atrás apenas das doenças cardiovasculares.</p><p>( ) A atividade física reduz o risco de desenvolver câncer de mama por meio dos</p><p>efeitos na função menstrual e nos níveis de hormônios sexuais femininos.</p><p>( ) A atividade física diminui o tempo de trânsito intestinal no cólon, o que reduz</p><p>o risco de câncer.</p><p>A sequência correta é:</p><p>a. V, V, F.</p><p>b. F, F, V.</p><p>c. V, F, V.</p><p>d. F, F, F.</p><p>e. V, V, V.</p><p>121</p><p>atividades de estudo</p><p>4. A diabetes mellitus se dá quando o corpo não pode controlar o nível de glicose</p><p>na circulação sanguínea em decorrência da produção insuficiente de insulina</p><p>ou de uma resposta inadequada dos órgãos aos níveis circulantes de insulina.</p><p>Com base no tema da diabetes mellitus, assinale (V) para as afirmativas verda-</p><p>deiras e (F) para as afirmativas falsas.</p><p>( ) O diabetes mellitus é uma doença infectocontagiosa que engloba um grupo</p><p>heterogêneo de distúrbios.</p><p>( ) Uma única sessão de exercício físico pode diminuir o transporte e o metabo-</p><p>lismo da insulina no músculo esquelético, o que ajuda a controlar</p><p>o diabetes</p><p>mellitus tipo 2.</p><p>( ) Durante um período agudo de exercícios, a crescente necessidade de com-</p><p>bustível metabólico é atendida pelo aumento da utilização de carboidratos e</p><p>gorduras no músculo esquelético.</p><p>A sequência correta é:</p><p>a. V, V, F.</p><p>b. F, F, V.</p><p>c. V, F, V.</p><p>d. F, F, F.</p><p>e. V, V, V.</p><p>5. Cite cinco Programas de Promoção de Atividade Física em Saúde Pública para</p><p>crianças e adolescentes que existem no Brasil e descreva o objetivo de cada</p><p>um deles.</p><p>122</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>Um artigo recentemente publicado na Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempe-</p><p>nho Humano pelos autores Renata Aparecida Rodrigues de Oliveira, Osvaldo Costa Moreira,</p><p>Rômulo José Mota Júnior e João Carlos Bouzas Marins, intitulado como “Associação entre ín-</p><p>dice de adiposidade corporal e fatores de risco cardiovasculares em professores” teve como</p><p>objetivo investigar a associação entre adiposidade corporal e fatores de risco cardiovascula-</p><p>res em professores. Os autores analisaram 495 professores, de ambos os sexos, sendo 324</p><p>mulheres e 171 homens. Uma série de avaliações antropométricas foi realizada nos profes-</p><p>sores para investigar se eles tinham os níveis de gordura corporal elevados ou não. Do total</p><p>da amostra, foi encontrado que 32,1% dos professores tinham adiposidade corporal elevada.</p><p>Um dos principais resultados que os autores encontraram foi que os professores que tinham</p><p>excesso de gordura corporal, ou seja, obesidade, também tinha níveis elevados de gordura</p><p>corporal na região do abdômen, valores de glicose em jejum elevados e o colesterol total</p><p>elevado. Esses resultados demonstram que a obesidade é fator de risco para glicose elevada</p><p>que tem relação direta com a diabetes mellitus, e com outros fatores de risco cardiovascula-</p><p>res, como o colesterol total, que é um dos responsáveis pela aterosclerose.</p><p>Como foi visto ao longo da unidade, a atividade física regular auxilia no controle e na pre-</p><p>venção de todas essas doenças, como a obesidade, diabetes mellitus e doenças cardiovas-</p><p>culares, ou seja, é um fator preponderante para evitar esses agravos à saúde. Dessa manei-</p><p>ra, no artigo citado, a prática de atividade física regular é discutida como um dos principais</p><p>meios para melhorar a saúde dos professores investigados. Essas atividades físicas podem</p><p>ser do tipo aeróbias, de força, ou uma combinação de ambas, desde que sejam praticadas</p><p>regularmente.</p><p>Fonte: adaptado de Oliveira et al. (2020, online).</p><p>123</p><p>material complementar</p><p>Atividade Física, Saúde e Qualidade de Vida</p><p>Carlos Aparecido Zamai</p><p>Editora: Paco Editorial</p><p>Sinopse: o livro destaca o tema da atividade física relacionada à saúde, focan-</p><p>do nos seguintes aspectos: teorias, modelos e determinantes da atividade física</p><p>em adultos; Saúde e qualidade de vida de militares; Avaliação da qualidade de</p><p>vida em crianças: análise dos instrumentos Kidscreen; O basquete em cadeira de</p><p>rodas na qualidade de vida de pessoas com lesão medular; Musculação como</p><p>elemento importante para saúde e qualidade de vida de crianças e adolescentes,</p><p>entre outros pontos.</p><p>Indicação para Ler</p><p>124</p><p>gabarito</p><p>1. D.</p><p>2. B.</p><p>3. A.</p><p>4. B.</p><p>5. Os programas e os objetivos estão descritos</p><p>no Quadro 6:</p><p>Programa Centros de Artes e Esportes Unifica-</p><p>dos: tem como objetivo integrar num mesmo</p><p>espaço programas e ações culturais, práticas</p><p>esportivas e de lazer, formação e qualificação</p><p>para o mercado de trabalho, serviços socioas-</p><p>sistenciais, políticas de prevenção à violência e</p><p>de inclusão digital.</p><p>Programa Forças no Esporte: tem como objeti-</p><p>vo democratizar o acesso à prática e à cultura</p><p>do esporte e promover o desenvolvimento in-</p><p>tegral de crianças e adolescentes, oferecendo</p><p>atividades esportivas educacionais, lazer e ati-</p><p>vidades complementares.</p><p>Programa Mais Educação: não informado.</p><p>Programa Segundo Tempo: tem como ob-</p><p>jetivo democratizar o acesso de crianças e</p><p>adolescentes aos conteúdos das práticas cor-</p><p>porais por meio do esporte educacional de</p><p>qualidade.</p><p>Programa Esporte e Lazer da Cidade: tem</p><p>como objetivo democratizar o lazer e o espor-</p><p>te recreativo.</p><p>Programa Centro de Iniciação ao Esporte: tem</p><p>como objetivo ampliar a oferta de infraestru-</p><p>tura de equipamento público esportivo quali-</p><p>ficado, incentivando a iniciação esportiva em</p><p>territórios de vulnerabilidade social das gran-</p><p>des cidades brasileiras.</p><p>Programa Academia da saúde: tem como ob-</p><p>jetivo promover práticas corporais e atividade</p><p>física, promoção da alimentação saudável,</p><p>educação em saúde, entre outros, além de</p><p>contribuir para a produção do cuidado e de</p><p>modos de vida saudáveis e sustentáveis da</p><p>população.</p><p>UNIDADEIV</p><p>Professora Dra. Eliane Cristina de Andrade Gonçalves Brusco</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:</p><p>• Uma breve história dos serviços de saúde</p><p>• Sistema Único de Saúde (SUS)</p><p>• Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF-AB)</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Apresentar uma breve história do surgimento dos Sistemas Públicos da Saúde.</p><p>• Identificar os conceitos, princípios e diretrizes que regem o Sistema Único de Saúde.</p><p>• Discutir sobre os preceitos e diretrizes do Núcleo Ampliado de Saúde da Família</p><p>(NASF-AB).</p><p>SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS)</p><p>unidade</p><p>IV</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>S</p><p>eja bem-vindo(a) ao nosso quarto encontro sobre a epidemio-</p><p>logia na atividade física. O objetivo, aqui, será apresentar um</p><p>pouco da história que antecedeu a criação do Sistema Único de</p><p>Saúde (SUS).</p><p>Voltaremos lá nos primórdios do século XVIII e passaremos por</p><p>toda a história até chegar na criação do SUS. Você irá notar que houve-</p><p>ram muitas transformações e reivindicações para que o SUS pudesse ser</p><p>o que é hoje. Além disso, discutiremos sobre os princípios e diretrizes</p><p>que regem esse sistema brasileiro e o motivo que faz com que ele leve</p><p>no nome, o termo “único”.</p><p>Para finalizar a temática sobre o SUS, apresentaremos as abordagens</p><p>sobre a Estratégia Saúde da Família e a Atenção em Saúde, incluindo seus</p><p>níveis de complexidade.</p><p>Você perceberá que, dentro de um nível específico de complexidade</p><p>da Atenção à Saúde, encontraremos um programa chamado NASF - Nú-</p><p>cleo de Apoio à Saúde da Família. Então, discutiremos sobre os conceitos</p><p>e preceitos que o regem. Além disso, você conhecerá também um pouco</p><p>da história desse programa, de como, quando e o porquê ele foi criado, e,</p><p>ao final, você irá identificar o motivo pelo qual abordaremos especifica-</p><p>mente sobre este programa neste nosso livro.</p><p>Vou te dar um spoiler, o profissional de Educação Física tem grande</p><p>representatividade neste programa e faz a diferença na vida dos usuá-</p><p>rios. Eu tenho certeza que você terá uma ótima leitura! Desejo, desde</p><p>já, bons estudos!</p><p>130</p><p>Uma breve história</p><p>dos serviços de saúde</p><p>131</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Antes de discutirmos efetivamente sobre o Sistema Úni-</p><p>co de Saúde (SUS), vamos entender um pouco sobre os</p><p>modelos assistenciais e o serviço público de saúde, uma</p><p>vez que os sistemas de saúde, as organizações de saúde e</p><p>as formas de interagir são distintas quando observamos</p><p>ao longo da história nas diversas localidades.</p><p>Na Idade Média, os hospitais eram geridos pela igre-</p><p>ja, a qual era responsável pelo cuidado das pessoas ca-</p><p>rentes, órfãos e doentes. Como os hospitais ficavam pró-</p><p>ximos às igrejas, eles recebiam todo tipo de pessoa que</p><p>necessitasse de qualquer ajuda, ou seja, os hospitais não</p><p>recebiam apenas doentes, mas incapacitados, pobres, pe-</p><p>regrinos, vagabundos, órfãos e idosos (COELHO, 2008).</p><p>Entre os Séculos XVIII e primeira metade do Sécu-</p><p>lo XIX, os hospitais, gradativamente, perderam a gestão</p><p>da igreja e passaram a ser gerido pelo Estado. Assim, no</p><p>final do século XIX, o hospital começa a realmente se</p><p>tornar uma organização complexa, deixando de ser um</p><p>lugar de abrigo onde os pobres aguardavam a morte,</p><p>passando a ser considerado lugar onde se procura a cura</p><p>para as doenças e frequentado não apenas por pobres,</p><p>mas por todas as classes sociais. Então, os hospitais se</p><p>tornaram centro</p><p>cada uma delas.</p><p>Além disso, você poderá ler sobre os diferentes indicadores de saú-</p><p>de e notará que eles podem ser embasados em indicadores de saúde de</p><p>mortalidade e indicadores de saúde de morbidade, encerrando, assim,</p><p>o nosso primeiro tópico. Todos os fatores abordados nesta unidade nos</p><p>darão subsídios para os nossos próximos encontros. Não deixe de fazer</p><p>suas anotações, destacando os pontos primordiais. Desejo bons estudos!</p><p>14</p><p>Breve história do</p><p>surgimento da epidemiologia</p><p>15</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>perceber que a maioria das vezes que o termo “doença”</p><p>for mencionado, ele estará acompanhado de “agravo à</p><p>saúde”, porque não necessariamente a epidemiologia</p><p>trata apenas das doenças, mas também de agravos à</p><p>saúde, como o caso da inatividade física.</p><p>A área de atuação da epidemiologia é sempre des-</p><p>tinada à população humana, ou seja, os estudos epide-</p><p>miológicos são realizados com indivíduos, que podem</p><p>ser definidos em termos sociodemográficos. Assim, ge-</p><p>ralmente a população de um estudo epidemiológico é</p><p>determinada pela área ou país em um certo período de</p><p>tempo. Isso forma a base para a definição de subgrupo</p><p>que constituirá o estudo, separados por sexo, faixa etária,</p><p>etnia ou outros fatores. É importante frisar que as estru-</p><p>turas populacionais variam conforme a área geográfica e</p><p>o tempo. Isso deve ser levado em consideração nas análi-</p><p>ses epidemiológicas, por exemplo: um grupo de pessoas</p><p>sedentárias ou um grupo de atletas pode constituir uma</p><p>unidade de estudo.</p><p>Diferentemente da clínica que estuda o processo</p><p>saúde-doença nos sujeitos que objetiva especificamente</p><p>o tratamento e a cura de casos isolados, a epidemiologia</p><p>se preocupa com o processo de ocorrência de doenças,</p><p>mortes, quaisquer outros agravos e situações de risco à</p><p>saúde, seja propriamente na comunidade, ou em grupos</p><p>dessa, com a finalidade de propor estratégias que melho-</p><p>rem o nível de saúde das pessoas que compõem essa co-</p><p>munidade. Para você entender a diferença entre o diag-</p><p>nóstico clínico, ou seja, especificamente o atendimento</p><p>de casos isolados, e o diagnóstico comunitário de saúde</p><p>(aquele que possibilita o conhecimento do processo saú-</p><p>de-doença na comunidade), analise a Figura 1, a seguir:</p><p>Antes de aprendermos sobre os indicadores e tipos de</p><p>medidas epidemiológicas mais utilizadas, é importante</p><p>que saibamos, de fato, o que é, onde nasceu e como se</p><p>fundamentou a epidemiologia. Ela está relacionada ao</p><p>estudo da distribuição das doenças nas populações e dos</p><p>fatores que influenciam ou determinam essa distribui-</p><p>ção, passando por três eixos fundamentais e associados:</p><p>a Clínica, a Estatística e a Medicina Social. Portanto, a</p><p>epidemiologia parte do pressuposto de que as doenças,</p><p>as moléstias ou até mesmo a ausência de doença não</p><p>ocorrem ao acaso em uma população. O que determina</p><p>as doenças ou agravos à saúde podem estar lincados a</p><p>fatores genéticos, resultantes de exposição a perigos am-</p><p>bientais, a exposição a algumas atividades de trabalho</p><p>ou atividades cotidianas e até mesmo pela forma como a</p><p>sociedade se organiza.</p><p>A epidemiologia foi definida por Last (2001) como</p><p>o estudo da distribuição e dos determinantes de eventos</p><p>ou estados relacionados à saúde em populações espe-</p><p>cíficas e sua aplicação na prevenção e no controle dos</p><p>problemas de saúde. Portanto, ela é uma ciência que</p><p>estuda o processo saúde-doença na população huma-</p><p>na, analisando a distribuição e os fatores determinantes</p><p>das enfermidades, danos à saúde e eventos associados</p><p>à saúde coletiva, propondo medidas específicas de pre-</p><p>venção, controle e erradicação da doença e fornecendo</p><p>indicadores que sirvam de suporte ao planejamento, à</p><p>administração e à avaliação das ações de saúde (ROU-</p><p>QUAYROL; SILVA, 2013).</p><p>Isso demonstra a inter-relação da epidemiologia,</p><p>não apenas com o estado de doença ou morte, mas</p><p>também com a melhoria dos indicadores de saúde e</p><p>a maneira de como promover saúde. Assim, você irá</p><p>16</p><p>Figura 1 - Diferenças entre diagnóstico clínico e diagnóstico comunitário / Fonte: adaptada de Vaughan e Morrow ((1992, p. 184).</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 1 é composta por um quadro que consta a diferença das características de um diagnóstico clínico para um diagnós-</p><p>tico comunitário, como objetivos, informações necessárias, tipo de diagnóstico, plano de ações e avaliação. A primeira linha do quadro possui duas</p><p>imagens. A imagem da coluna esquerda é composta por um médico em atendimento individual ao paciente. Nessa coluna, apresenta o diagnóstico</p><p>clínico. Tem como objetivo curar a doença ou agravo à saúde do indivíduo (prevenção da saúde), as informações necessárias deste diagnóstico são</p><p>histórico clínico, exames físicos e exames complementares. O tipo de diagnóstico é individual. Tem o tratamento e/ou a reabilitação como plano de</p><p>ações e, por último, a avaliação, que é o acompanhamento clínico (melhora da saúde/cura da doença ou agravo).</p><p>A coluna da direita apresenta uma imagem que consta várias pessoas, demonstrando ser uma comunidade. Nessa coluna está o diagnóstico co-</p><p>munitário. Tem como objetivo melhorar o nível da saúde da comunidade (promoção da saúde). Dados gerais sobre a população, doenças/agravos</p><p>à saúde existentes, casos de morte e serviços de saúde são as informações necessárias desse diagnóstico. Como o nome já diz, é um diagnóstico</p><p>comunitário. O plano de ações são problemas de saúde coletiva que sejam prioritários e mudanças no estado de saúde da população é a avaliação.</p><p>Diagnóstico Clínico</p><p>Objetivos</p><p>Informações</p><p>necessárias</p><p>Plano de ações</p><p>Curar a doença ou agravo à saúde</p><p>do indivíduo (prevenção da saúde)</p><p>• Histórico clínico</p><p>• Exames físicos</p><p>• Exames complementares</p><p>Tipos de</p><p>diagnóstico</p><p>Avaliação</p><p>Diagnóstico individual</p><p>Tratamento/reabilitação</p><p>Acompanhamento clínico (melhora</p><p>da saúde/cura da doença</p><p>ou agravo)</p><p>Diagnóstico comunitário</p><p>Melhorar o nível da saúde da comunidade</p><p>(promoção da saúde)</p><p>• Dados gerais sobre a população</p><p>• Doenças/agravos à saúde existentes</p><p>• Casos de morte</p><p>• Serviços de saúde</p><p>Diagnóstico comunitário</p><p>Problemas de saúde coletiva que sejam prioritários</p><p>Mudanças no estado de saúde da população</p><p>17</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>RELATOS HISTÓRICOS DA EPIDEMIOLOGIA</p><p>Na Grécia Antiga, Asclépio era cultuado como o deus</p><p>da Medicina (tanto que representa até hoje o símbolo da</p><p>profissão médica e da farmácia) e tinha duas filhas cha-</p><p>madas Panacéia e Higéia, que representavam o antago-</p><p>nismo entre a medicina individual e a medicina coletiva.</p><p>A primeira filha retratava a medicina curativa, prática</p><p>terapêutica baseada em intervenções sobre pessoas do-</p><p>entes, por meio de encantamentos e uso de medicamen-</p><p>tos. A segunda, era adorada por quem considerava a saú-</p><p>de como resultado de uma harmonia entre o homem e o</p><p>ambiente, buscando promover essa harmonia por meio</p><p>de ações preventivas e que mantinham o perfeito equilí-</p><p>brio entre os elementos: água, ar, fogo e terra (MEDRO-</p><p>NHO, 2009). Podemos observar, então, o surgimento da</p><p>medicina individual e da medicina coletiva.</p><p>A maioria dos textos que abordam sobre as raízes</p><p>históricas da epidemiologia afirmam que ela se originou</p><p>há mais de 2000 anos com os estudos de Hipócrates. Isso</p><p>porque os escritos hipocráticos sobre as epidemias e en-</p><p>fermidades antecipam o chamado raciocínio epidemio-</p><p>lógico, ou seja, já demonstravam discernimento sobre o</p><p>que seria, futuramente, a epidemiologia, confirmando que</p><p>fatores ambientais influenciam a ocorrência de doenças.</p><p>Na Roma Antiga, a principal contribuição para a epi-</p><p>demiologia foi o início de um registro compulsório de</p><p>nascimentos e óbitos registrado pelo Imperador conheci-</p><p>do como Marco Aurélio, que mais tarde seria conhecido</p><p>como “estatísticas vitais” (um tipo de indicador de saúde).</p><p>O século XIX é conhecido como o período em que</p><p>se estabeleceram as bases históricas da moderna epi-</p><p>demiologia, isso porque, como consequência da revo-</p><p>lução industrial, as cidades cresciam e as condições da</p><p>vida humana pioravam. A maioria das pessoas vivia em</p><p>ambientes</p><p>de estudo, aprendizagem e pesquisa,</p><p>entrelaçando a relação hospital-medicina e auxiliando</p><p>nos problemas sanitários e na construção de sistemas de</p><p>saúde (COELHO, 2008).</p><p>Apesar do ambiente hospitalar e a relação hospital-</p><p>-medicina fosse semelhante a quase todos os países do</p><p>ocidente - incluindo os países socialistas - as maneiras</p><p>de gerenciar esses serviços e disponibilizá-los à popu-</p><p>lação apresentou grandes variações desde o início do</p><p>século XX, gerando diferentes modelos assistenciais.</p><p>Enquanto nos países socialistas e também na maioria</p><p>dos países europeus se organizaram os modelos assis-</p><p>tenciais conhecidos como Sistemas Nacionais Públicos</p><p>de Saúde, nos Estados Unidos da América e outros paí-</p><p>ses expandiu-se o Modelo Liberal Privatista ou também</p><p>conhecido como Modelo liberal Privado.</p><p>132</p><p>O modelo assistencial é entendido como diferentes</p><p>combinações tecnológicas com finalidades distintas,</p><p>como solucionar problemas e atender necessidades e or-</p><p>ganizar serviços de saúde, considerando sempre o perfil</p><p>epidemiológico da comunidade, ou seja, investigando</p><p>as doenças e agravos à saúde (PAIM, 2003). Portanto, é</p><p>uma forma de organização e articulação entre os dife-</p><p>rentes recursos físicos, tecnológicos e humanos disponí-</p><p>veis para enfrentar e resolver os problemas de saúde de</p><p>uma população (SILVA JUNIOR; ALVES, 2007).</p><p>Em termos gerais, o que caracteriza os Sistemas</p><p>Nacionais Públicos de Saúde é o fato dele ser universal,</p><p>regulado e financiado pelo aparato estatal. Além disso,</p><p>os serviços são disponibilizados para a população di-</p><p>retamente pelo Estado ou por meio da terceirização de</p><p>profissionais e organizações privadas. Em contraparti-</p><p>da, no Modelo Liberal Privatista, a população compra</p><p>os serviços de saúde diretamente dos prestadores, por</p><p>meio de diferentes tipos de associações, que podem ser</p><p>desde o mutualismo até de empresas que interligam a</p><p>relação entre os usuários e os serviços, que geralmente</p><p>são prestadores privados de assistência à saúde (COE-</p><p>LHO, 2008).</p><p>A amplitude da assistência à saúde a toda a população,</p><p>na maioria dos países, deu-se objetivando disponibili-</p><p>Mutualismo é uma relação harmônica entre</p><p>dois grupos que se associam e se beneficiam</p><p>dessa interação. No contexto do nosso con-</p><p>teúdo, quer dizer uma entidade mútua em</p><p>que há contribuição de todos para benefício</p><p>individual de cada um dos contribuintes.</p><p>CONCEITUANDO</p><p>zar médicos e hospitais para a população, aumentando</p><p>a procura pelos serviços hospitalares. Em decorrência</p><p>disso, até a década de 60, ocorreu um disparo no núme-</p><p>ro de hospitais, leitos hospitalares, funcionários ligados</p><p>à saúde e número de serviços prestados. Assim, a saúde</p><p>passou a ser um direito pautado constitucionalmente, de</p><p>responsabilidade do Estado (COELHO, 2008).</p><p>Nos anos 70, a junção do aumento da clientela e da</p><p>ampliação do acesso aos serviços de saúde ocasionada</p><p>pela implementação do direito à saúde como política da</p><p>maioria dos países e o aumento dos gastos devido a uma</p><p>medicina hospitalar mais especializada e tecnológica</p><p>resultou em um drástico aumento do gasto com assis-</p><p>tência médica com o passar dos anos. Apesar dos altos</p><p>custos financeiros advindos com a assistência médica,</p><p>muitas pesquisas demonstravam que os indicadores de</p><p>saúde não melhoravam na mesma proporção. Assim, a</p><p>importância, a legitimidade do hospital e o processo de</p><p>especialização médica começaram a ser questionados</p><p>no que diz respeito à capacidade de melhorar a qualida-</p><p>de de vida e os indicadores de saúde.</p><p>No fim dos anos 70, a crise dos modelos assistenciais</p><p>em saúde se aprofunda ainda mais, principalmente devi-</p><p>do às insuficiências para suprir as demandas de saúde e</p><p>as notícias sobre possíveis desvios de verbas. Justamente</p><p>nesse cenário de efervescência marcado por uma per-</p><p>cepção de cidadania que colocava as questões de saúde</p><p>na agenda política e no centro das discussões, indicati-</p><p>vos de uma Reforma Sanitária Brasileira apareciam.</p><p>Articulada entre os anos 70 e 80 no Brasil, o movi-</p><p>mento da Reforma Sanitária teve como principal ob-</p><p>jetivo o reconhecimento da saúde como direito social</p><p>que deveria ser garantido pelo Estado. Seu ápice se deu</p><p>com a realização da 8ª Conferência Nacional de Saúde</p><p>realizada em 1986, promovida pelo Ministério da Saúde</p><p>133</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>(SILVA; MIRANDA, 2014). Com o tema “Saúde, Direi-</p><p>to de Todos, Dever do Estado”, a 8ª conferência contou</p><p>com a participação de diferentes setores organizados da</p><p>sociedade, como delegados eleitos, representações sindi-</p><p>cais, associações de profissionais de saúde, movimentos</p><p>populares em saúde, Associação Brasileira de Pós-Gra-</p><p>duação em Saúde Coletiva (ABRASCO), entre outros</p><p>(NORONHA; LIMA; MACHADO, 2008).</p><p>Três dos principais assuntos abordados na Conferência</p><p>de 1989 foram: saúde como direito de cidadania; refor-</p><p>mulação do Sistema Nacional de Saúde; e financiamen-</p><p>to do setor. O relatório da Conferência determinou que</p><p>haveria a necessidade da criação de uma Instituição da</p><p>saúde, como direito de cidadania e dever do Estado;</p><p>compreensão da determinação social do processo saú-</p><p>de-doença; e reorganização do sistema de atenção, com</p><p>a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). A Figura 1</p><p>demonstra alguns marcos na história do Sistema SUS.</p><p>O movimento da Reforma Sanitária nasceu</p><p>no início da década de 70, em um contexto</p><p>de luta contra a ditadura. Essa expressão de</p><p>Reforma Sanitária foi literalmente utilizada</p><p>para se referir ao conjunto de ideia que se</p><p>tinha em relação às mudanças e transforma-</p><p>ções necessárias à área da saúde. Portanto,</p><p>foi um processo de amplas mobilizações da</p><p>sociedade brasileira pela redemocratização,</p><p>expressando a indignação da sociedade frente</p><p>a mercantilização da saúde.</p><p>Fonte: adaptado de Arouca (1986).</p><p>CONCEITUANDO</p><p>134</p><p>1988</p><p>A Constituição</p><p>Brasileira reconhece</p><p>o direito de acesso</p><p>universal à saúde a</p><p>toda a população,</p><p>por meio do SUS.</p><p>Registro do último</p><p>caso de poliomielite</p><p>1989</p><p>Leis n. 8.080 e n. 8.142</p><p>regulamentaram os</p><p>serviços, a participação da</p><p>sociedade e as bases de</p><p>funcionamento do SUS</p><p>1990</p><p>1991</p><p>Estruturação da rede</p><p>de atenção básica em</p><p>saúde com o Programa de</p><p>Agentes Comunitários</p><p>de Saúde</p><p>1992</p><p>Aprovação da Norma</p><p>Operacional Básica</p><p>(NOB 01/1992),</p><p>Programa de</p><p>Reorganização dos</p><p>Serviços de Saúde</p><p>1993</p><p>Descentralização</p><p>e municipalização</p><p>dos serviços e a</p><p>extinção do</p><p>Instituto Nacional</p><p>de Assistência</p><p>Médica da</p><p>Previdência Social</p><p>(Inamps)</p><p>Estruturação da</p><p>Saúde da Família</p><p>com equipes</p><p>multidisciplinares</p><p>atuando nas</p><p>comunidades</p><p>1994</p><p>1995</p><p>Regulamentação</p><p>do Sistema</p><p>Nacional de</p><p>Auditoria no</p><p>âmbito do SUS</p><p>Acesso e distribuição de</p><p>medicamentos aos</p><p>portadores de HIV/aids e</p><p>a redefinição do modelo</p><p>de gestão do SUS que</p><p>disciplina as relações</p><p>entre União, estados</p><p>municípios e Distrito</p><p>Federal</p><p>1996</p><p>1999</p><p>Criação da Agência Nacional de Vigilância</p><p>Sanitária (Anvisa) – uma nova etapa no</p><p>registro e fiscalização de medicamentos e</p><p>alimentos e também a Política Nacional dos</p><p>Medicamentos Genéricos</p><p>Criação da Agência</p><p>Nacional de Saúde</p><p>Suplementar -</p><p>Regulamentação do</p><p>setor privado de</p><p>saúde. 2000</p><p>Figura 1 - Marcos na história da construção do Sistema Único de Saúde / Fonte: a autora</p><p>Descrição da Imagem: a Figura 1 apresenta uma linha do tempo dos principais acontecimentos que marcaram a história da construção do Siste-</p><p>ma Único de Saúde (SUS), iniciando com o ano de 1988, em que a Constituição Brasileira reconhece o direito de acesso universal à saúde a toda a</p><p>população, por meio do SUS. No ano de 1989, foi registrado o último caso de poliomielite. Em 1990, as Leis n° 8.080 e n° 8.142 regulamentaram os</p><p>serviços, a participação da sociedade e as bases de funcionamento do SUS. Em 1991, houve a estruturação da rede de atenção básica em saúde</p><p>com o Programa de Agentes Comunitários de Saúde. Em 1992, aconteceu a aprovação da Norma Operacional Básica (NOB 01/1992), Programa de</p><p>Reorganização dos Serviços de Saúde. No ano de 1993, aconteceu a descentralização</p><p>e municipalização dos serviços e a extinção do Instituto Nacional</p><p>de Assistência Médica da Previdência Social (Inamps). Em 1994, houve a estruturação da Saúde da Família com equipes multidisciplinares atuando</p><p>nas comunidades. No ano seguinte, 1995, há a regulamentação do Sistema Nacional de Auditoria no âmbito do SUS. Em 1996, temos o acesso</p><p>e distribuição de medicamentos aos portadores de HIV/aids e a redefinição do modelo de gestão do SUS que disciplina as relações entre União,</p><p>estados municípios e Distrito Federal. Em 1999, houve a criação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) – uma nova etapa no registro e</p><p>fiscalização de medicamentos e alimentos e também a Política Nacional dos Medicamentos Genéricos.</p><p>135</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Sistema Único</p><p>de Saúde (SUS)</p><p>136</p><p>A 8ª Conferência Nacional de Saúde realizada em março</p><p>de 1986, em Brasília, foi um marco na história da saúde</p><p>pública brasileira. A Conferência consolidou os princí-</p><p>pios prescritos pelo Movimento da Reforma Sanitária,</p><p>concretizando um processo democrático em que a pro-</p><p>posta política se enfatizava no conceito abrangente de</p><p>saúde e no reconhecimento como um direito do cidadão</p><p>de responsabilidade do Estado (BRASIL, 1998; BECCHI</p><p>et al., 2013). Esse conceito de direito à saúde e dever do</p><p>Estado foi legalizado na Constituição Federal de 1988:</p><p>“garantido mediante políticas sociais e econômicas que</p><p>visem à redução do risco de doença e de outros agravos,</p><p>o acesso universal e igualitário às ações e serviços para</p><p>sua promoção, proteção e recuperação” (BRASIL, 1988,</p><p>p. 32), nascendo o Sistema Único de Saúde (SUS).</p><p>O SUS é definido, na Constituição Federal de 1988,</p><p>como um conjunto de ações e serviços de saúde, organi-</p><p>zado em rede regionalizada e hierarquizada, em que o di-</p><p>reito à saúde deve se efetivar por meio da implementação</p><p>das políticas de saúde (BRASIL, 1988). Assim, três docu-</p><p>mentos forneceram as bases para a organização do SUS:</p><p>1. A Constituição Federal, de 5 de outubro de</p><p>1988.</p><p>2. A Lei Orgânica da Saúde, de 19 de setembro</p><p>de 1990.</p><p>3. A Lei 8.142, de 28 de dezembro de 1990.</p><p>Entretanto, antes de você conhecer a fundo sobre o SUS,</p><p>vamos entender como esse sistema funciona. Bom, pri-</p><p>meiramente, sistema pode ser considerado como um</p><p>aglomerado de elementos que estão interrelacionados,</p><p>ou seja, interagem-se entre si para desempenhar uma</p><p>determinada função. No caso do sistema brasileiro, o</p><p>SUS, o objetivo é oferecer cuidados de saúde à popula-</p><p>ção que visem ações preventivas, curativas, de reabilita-</p><p>ção e de promoção (SOLHA, 2014). Observe a Figura 2:</p><p>137</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>RECURSOS FINANCEIROS</p><p>SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE</p><p>OBJETIVO: OFERECER CUIDADOS</p><p>DE SAÚDE PARA A POPULAÇÃO</p><p>BRASILEIRA</p><p>ASSISTÊNCIA À SAÚDE</p><p>ENSINO</p><p>PESQUISA</p><p>VIGILÂNCIA À SAÚDE</p><p>RECURSOS HUMANOS</p><p>• PROFISSIONAIS DE SAÚDE</p><p>• PROFISSIONAIS DE</p><p>ADMINISTRAÇÃO</p><p>• PROFISSIONAIS DE APOIO</p><p>INFRAESTRUTURA FÍSICA</p><p>E DE EQUIPAMENTOS</p><p>• UNIDADE BÁSICA</p><p>DE SAÚDE</p><p>• AMBULATÓRIOS</p><p>• HOSPITAIS</p><p>• LABORATÓRIOS</p><p>• VEÍCULOS</p><p>Figura 2 - Elementos que compõe o Sistema Único de Saúde / Fonte: adaptada de Solha (2014)</p><p>Descrição da Imagem: a Figura 2 apresenta os elementos que compõe o Sistema Único de Saúde (SUS) que tem como objetivo oferecer cuidados</p><p>de saúde para a população brasileira. Os elementos são: Recursos financeiros; Infraestrutura física e de equipamentos - Unidade Básica de saúde,</p><p>ambulatórios, hospitais, laboratórios, veículos; Assistência à saúde, ensino, pesquisa e vigilância à saúde; recursos humanos - profissionais de saúde,</p><p>profissionais de administração e profissionais de apoio.</p><p>O elemento recursos financeiros diz respeito aos ativos</p><p>que custeiam monetariamente o funcionamento desse</p><p>sistema. Esses recursos provêm do pagamento de impos-</p><p>tos pela sociedade. Os recursos humanos se destinam ao</p><p>conjunto de colaboradores desse sistema, como os pro-</p><p>fissionais de saúde, os profissionais da área da adminis-</p><p>tração e os profissionais de apoio. Isso envolve médicos,</p><p>enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas,</p><p>psicólogos, administradores, auxiliar de limpeza, entre</p><p>tantos outros.</p><p>O setor da infraestrutura física e de equipamentos</p><p>corresponde ao local em que os profissionais atuam e</p><p>os usuários têm acesso aos serviços prestados. O ensi-</p><p>no e pesquisa são eixos fundamentais que orientam os</p><p>serviços do SUS, pois possibilitam o desenvolvimento</p><p>de pesquisas sobre saúde, permitindo uma assistência à</p><p>saúde qualificada. Em relação a vigilância em saúde, esta</p><p>é responsável pelas ações de vigilância, prevenção e con-</p><p>trole de doenças, isto é, a análise da situação de saúde da</p><p>população brasileira como um todo.</p><p>138</p><p>Como todo sistema precisa de regras para garantir</p><p>o seu funcionamento, o SUS também possui seus prin-</p><p>cípios e diretrizes, sendo que os princípios éticos con-</p><p>duzem o sistema e as diretrizes organizacionais ajudam</p><p>a administrá-lo, possibilitando que os princípios sejam</p><p>colocados em prática.</p><p>Perceba, na Figura 3, os princípios que regem o SUS.</p><p>Universalidade</p><p>Equidade</p><p>Integralidade</p><p>Figura 3 - Princípios do SUS / Fonte: a autora</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 3 apresenta os três princípios que</p><p>regem o SUS e que estão interligados. São eles: universalidade, equi-</p><p>dade e integralidade.</p><p>O princípio da universalidade é o que garante o acesso</p><p>de toda a população aos serviços de saúde, abrangendo</p><p>todos os níveis de assistência, sem restrição. Esse prin-</p><p>cípio talvez seja o maior desafio do SUS, o de garantir o</p><p>direito à saúde a uma população de mais de 211 milhões</p><p>de habitantes (IBGE, 2020), tornando o Brasil pratica-</p><p>mente como o único país do mundo que se propôs en-</p><p>frentar tamanho obstáculo.</p><p>A Lei 8.080/1990, em seu artigo 7º, IV, contempla de</p><p>modo explícito o princípio da equidade, proclamando</p><p>a “igualdade da assistência à saúde, sem preconceitos ou</p><p>privilégios de qualquer natureza” (BRASIL, 1990, on-li-</p><p>ne). Isto é, o objetivo desse princípio requer que as ações</p><p>e serviços sejam ofertados a todos os cidadãos, de forma</p><p>igualitária, sem privilégios ou barreiras.</p><p>A integralidade é “entendida como conjunto</p><p>articulado e contínuo das ações e serviços preventivos</p><p>e curativos, individuais e coletivos, exigidos para cada</p><p>caso em todos os níveis de complexidade do sistema”</p><p>(BRASIL, 1990, on-line). Portanto, para que haja inte-</p><p>gralidade da assistência à saúde, é necessária a intrínseca</p><p>relação entre prevenção, promoção e recuperação, no</p><p>que se refere aos cuidados para com os atendidos pelo</p><p>SUS. Além disso, é notório a preocupação não apenas</p><p>com a saúde individual, mas também com a saúde co-</p><p>letiva. Assim, quando se fala em “complexidade do sis-</p><p>tema”, diz respeito não apenas à necessidade de organi-</p><p>zação e atenção aos serviços de pequena, média e alta</p><p>complexidade (dimensão horizontal), mas também a</p><p>percepção da saúde para além do aspecto biológico, isto</p><p>é, a importância também do aspecto afetivo, espiritual e</p><p>sociocultural (dimensão vertical) (CARVALHO, 2006).</p><p>Como o SUS é um sistema nacional que atua em um</p><p>país com regiões extremamente diferentes entre si, di-</p><p>retrizes foram criadas para garantir um funcionamento</p><p>uniforme do sistema em todo o Brasil, as quais devem</p><p>ser seguidas por todos os municípios e estados.</p><p>139</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>A descentralização corresponde à distribuição das</p><p>responsabilidades pelas ações e serviços de saúde para os</p><p>municípios, tornando as três esferas (federal, estadual e</p><p>municipal) responsáveis pelo desenvolvimento, pela co-</p><p>ordenação, pela implantação e pela avaliação dos progra-</p><p>mas de saúde (SOLHA, 2014). Isso porque, anteriormen-</p><p>te, as ações de saúde eram todas centralizadas no nível</p><p>federal e então os programas de saúde eram criados e re-</p><p>alizados de acordo com o perfil epidemiológico do país</p><p>e executados pelos estados e municípios. Contudo, você</p><p>viu, nas unidades anteriores, que o perfil de adoecimento</p><p>e mortalidade é diferente a depender da região. Assim, as</p><p>estratégias de saúde não estavam sendo específicas.</p><p>Por-</p><p>tanto, as ações foram distribuídas a nível federal, estadual</p><p>e municipal, para que os estados e os municípios pudes-</p><p>sem ter a liberdade de definir seus próprios programas,</p><p>de acordo com a realidade regional, e receberem apoio</p><p>técnico e suporte financeiro do nível federal.</p><p>A regionalização se destina à delimitação de ter-</p><p>ritórios para que os gestores locais possam atuar sobre</p><p>eles, de forma planejada e organizada. Em determinados</p><p>casos, isso só acontece com a ajuda das Secretarias Es-</p><p>taduais de Saúde, que devem apoiar os municípios no</p><p>processo. Para isso, existem algumas comissões especí-</p><p>ficas, de município, estado e até governo federal, em que</p><p>são discutidas as necessidades de saúde da região e as</p><p>possíveis soluções (SOLHA, 2014).</p><p>O SUS leva a nomenclatura de “único”, pois seus</p><p>princípios e diretrizes regem a organização dos serviços</p><p>nas três esferas do governo: federal, estadual e munici-</p><p>pal. Esses princípios demonstram os ideais que regem a</p><p>criação e implementação do SUS e são específicos para</p><p>as bases do conceito geral de saúde - que você estudou lá</p><p>na Unidade I - e seu reconhecimento como direito (SIL-</p><p>VA; MIRANDA, 2014).</p><p>O objetivo principal do SUS é criar e executar uma</p><p>política nacional de saúde que seja focada em promover</p><p>condições de vida saudável para a população, que possi-</p><p>bilite a prevenção de riscos, doenças e agravos à saúde e</p><p>possa garantir um acesso igualitário a todos dos servi-</p><p>ços assistenciais que garantem atenção integral à saúde</p><p>(BRASIL, 2011).</p><p>A atuação do sistema brasileiro abrange um conjun-</p><p>to de serviços e ações (CAMPOS et al., 2009), como:</p><p>• Assistência que integra a atenção básica (primá-</p><p>ria), atenção especializada ambulatorial (secun-</p><p>dária) e atenção hospitalar (terciária) nos varia-</p><p>dos níveis de complexidade.</p><p>• Vigilância em saúde - inclui vigilância ambiental,</p><p>vigilância sanitária, vigilância epidemiológica e</p><p>vigilância nutricional.</p><p>• Assistência terapêutica integral, com destaque</p><p>para a assistência farmacêutica.</p><p>• Formulação e execução da política de sangue e a</p><p>coordenação das redes de hemocentros.</p><p>• Regulação da prestação de serviços privados de</p><p>assistência à saúde.</p><p>• Regulação da formação dos profissionais de saúde.</p><p>• Promoção da saúde em articulação interseto-</p><p>rial com outras áreas e órgãos governamentais.</p><p>Apoio diagnóstico e de terapia na assistência à</p><p>saúde, e nas investigações de interesse da vigilân-</p><p>cia em saúde pública.</p><p>• Definição e implementação de políticas de Ciên-</p><p>cia e Tecnologia para o setor saúde, incluindo a</p><p>definição de normas e padrões para a incorpora-</p><p>ção tecnológica.</p><p>140</p><p>O SuperSUS é um aplicativo para celular de-</p><p>senvolvido pelo Grupo de pesquisa Saberes</p><p>e Práticas em Saúde da Fiocruz, que propor-</p><p>ciona a divulgação da rede que compõe o</p><p>sistema e as conquistas que envolveram sua</p><p>criação. No game, o SUS é um super-herói e</p><p>precisa superar desafios na rede pública de</p><p>saúde. Baixe agora mesmo no seu celular e</p><p>divirta-se ao mesmo tempo que você aprende</p><p>sobre o sistema brasileiro de saúde: https://</p><p>supersus.fiocruz.br/</p><p>CONECTE-SE A assistência à saúde disponibilizada pelo SUS é dividida</p><p>em níveis de Atenção à Saúde. Esses níveis, basicamen-</p><p>te, destinam-se à capacidade que uma unidade de saú-</p><p>de tem para prestar assistência à população. A Atenção</p><p>Primária ou Básica é uma assistência generalista, consi-</p><p>derada de baixa complexidade tecnológica e, portanto,</p><p>tem foco na promoção e prevenção de saúde. A Aten-</p><p>ção Secundária apresenta um maior nível tecnológico,</p><p>com incorporação de mais especialistas e já passa a ter</p><p>um nível médio de complexidade. A Atenção Terciária é</p><p>de alto nível tecnológico e alta complexidade, ou seja, é</p><p>mais especializada (Figura 4).</p><p>ATENÇÃO PRIMÁRIA</p><p>ATENÇÃO SECUNDÁRIA</p><p>ATENÇÃO</p><p>TERCIÁRIA</p><p>SERVIÇOS HOSPITALARES DE MAIOR</p><p>COMPLEXIDADE</p><p>Hospitais terciários e quaternários de caráter</p><p>regional, estadual e nacional</p><p>SERVIÇOS HOSPITALARES DE MAIOR</p><p>COMPLEXIDADE</p><p>SERVIÇOS AMBULATORIAIS</p><p>Serviços ambulatoriais com especialidades</p><p>clínicas e cirúrgicas, serviços de apoio</p><p>diagnóstico e terapêutico.</p><p>Serviços de atendimento de urgência e</p><p>emergência - os HOSPITAIS GERAIS</p><p>UNIDADES DE SAÚDE</p><p>Atenção Primária à grupos populacionais</p><p>situados em uma área de abrangência</p><p>delimitada - as Unidades de Saúde.</p><p>PORTA DE ENTRADA</p><p>do sistema para os níveis superiores</p><p>de maior complexidade.</p><p>Descrição da Imagem: a Figura 4 apresenta os níveis de complexidade da Atenção à Saúde. Nela encontramos uma pirâmide separada por quatro</p><p>níveis. Na base da pirâmide consta o primeiro nível que é a Atenção primária. Esta é a porta de entrada do sistema para os níveis superiores de</p><p>maior complexidade. Ela é destinada a grupos populacionais situados em uma área de abrangência delimitada - as Unidades de Saúde. O segundo</p><p>nível da pirâmide se destina à Atenção Secundária, que são os serviços ambulatoriais, com especialidades clínicas e cirúrgicas, os serviços de apoio</p><p>diagnóstico e terapêutico e os serviços de atendimento de urgência e emergência - os Hospitais gerais. O terceiro nível é a Atenção Terciária, sendo</p><p>especificamente para os serviços hospitalares de maior complexidade. E, por fim, o último nível da pirâmide que são os serviços hospitalares de</p><p>maior complexidade, como hospitais terciários e quaternários de caráter regional, estadual e nacional.</p><p>Figura 4 - Níveis de complexidade da Atenção à Saúde</p><p>Fonte: adaptada de Lima (2016, on-line).</p><p>https://supersus.fiocruz.br/</p><p>https://supersus.fiocruz.br/</p><p>141</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>A Atenção Primária à Saúde, ou Atenção Bá-</p><p>sica à saúde, é o primeiro nível de atenção em</p><p>saúde, é a porta de entrada do SUS. Caracteri-</p><p>za-se por ser um conjunto de ações de saúde,</p><p>no âmbito individual e coletivo que abrange</p><p>a proteção, prevenção e promoção da saúde</p><p>(CAMPOS et al., 2009).</p><p>A Estratégia Saúde da Família é a vertente</p><p>brasileira da Atenção Básica à Saúde, portan-</p><p>to, é uma iniciativa criada para implementar e</p><p>fortalecer a atenção básica em saúde. Quando</p><p>essa estratégia foi criada no Brasil, no ano de</p><p>1994, tinha a nomenclatura de Programa Saú-</p><p>de da Família e era composta por um médico</p><p>generalista, um enfermeiro, dois auxiliares de</p><p>enfermagem e de quatro a seis agentes comu-</p><p>nitários. Posteriormente, o cirurgião-dentista,</p><p>o técnico de saúde dental e o auxiliar de con-</p><p>sultório dentário também fizeram parte da</p><p>equipe (PINHO et al., 2012).</p><p>No ano de 2008, com o objetivo de am-</p><p>pliar a abrangência e o escopo das ações da</p><p>atenção básica, apoiando a inserção da estra-</p><p>tégia de Saúde da Família na rede de serviços</p><p>e o processo de territorialização e regionaliza-</p><p>ção a partir da atenção básica (BRASIL, 2008),</p><p>nasceu o Núcleo de Apoio à Saúde da Família</p><p>(NASF), o qual você notará, no próximo tó-</p><p>pico, que teve sua nomenclatura atualizada</p><p>para Núcleo Ampliado de Saúde da Família e</p><p>Atenção Básica (NASF-AB).</p><p>142</p><p>Núcleo Ampliado de</p><p>Saúde da Família (NASF-AB)</p><p>143</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Embora a Estratégia Saúde da Família tenha tido boa</p><p>aceitação e expansão, demonstrando resultados positi-</p><p>vos até internacionalmente (ORGANIZAÇÃO PAN-</p><p>-AMERICANA DE SAÚDE, 2011), muitos desafios se</p><p>encontravam pela frente. Dentre eles:</p><p>[...] o processo em curso de redefinição e qualifi-</p><p>cação da atenção básica na ordenação das redes de</p><p>atenção e na sua capacidade efetiva de gestão do</p><p>cuidado, por meio do aumento do escopo das ações,</p><p>da ampliação de formatos de equipes, de ações que</p><p>auxiliem na expansão da resolutividade e da arti-</p><p>culação e suporte com/de outros pontos de atenção</p><p>da Rede de atenção à saúde (BRASIL, 2014, p. 15).</p><p>Tentando responder a esses objetivos e desafios, o Mi-</p><p>nistério da Saúde, em 2008, criou o Núcleo de Apoio à</p><p>Saúde da Família (NASF) (BRASIL, 2009), para ampliar</p><p>a abrangência e as ações da Atenção Básica e reforçar o</p><p>processo de territorialização e regionalização em saúde.</p><p>Portanto, os NASF’s são uma das principais estruturas</p><p>de apoio matricial às Estratégias de Saúde da Família,</p><p>estabelecendo</p><p>o papel fundamental de ampliar o escopo</p><p>das ações e aumentar a resolutividade dos problemas de</p><p>saúde vivenciados na Atenção Primária à Saúde.</p><p>De modo a romper com a visão fragmentada tra-</p><p>dicional da atenção à saúde no Brasil, o NASF atua de</p><p>forma integrada, prestando apoio matricial às equipes</p><p>de Saúde da Família. O que seria um modelo matricial?</p><p>O modelo de apoio matricial é considerado um novo</p><p>modo de produzir saúde, em que, em um processo de</p><p>construção compartilhada, duas ou mais equipes elabo-</p><p>ram uma proposta de assistência pedagógica e terapêu-</p><p>tica, como acontece nos consultórios de rua, nas ações a</p><p>populações ribeirinhas e fluviais ou no próprio Progra-</p><p>ma Academia da Saúde (programa que visa a promoção</p><p>da saúde e produção do cuidado por meio da implanta-</p><p>ção de espaços públicos) (BRASIL, 2014).</p><p>Quando relacionado à Atenção Primária à Saúde,</p><p>este modelo aborda uma estratégia de organização do</p><p>trabalho em saúde, articulada a partir da necessidade</p><p>de ampliar o escopo de atuação da Estratégia Saúde da</p><p>Família, trazendo uma equipe multiprofissional que</p><p>irá prestar assistência e cuidados em saúde de forma</p><p>interdisciplinar, aumentando o potencial de integrali-</p><p>dade e de resolutividade dos atendimentos (SANTOS;</p><p>UCHÔA-FIGUEIREDO; LIMA, 2017).</p><p>O modelo do apoio matricial é o principal modelo</p><p>de cuidados colaborativos no Brasil e, portanto, tem a</p><p>finalidade de, a partir da prática integrada à Atenção Pri-</p><p>mária à Saúde, estimular a construção de saberes, cen-</p><p>trando a ação no sujeito e não na doença. Neste aspecto,</p><p>as especialidades/especificidades adotam um lugar de</p><p>apoio, em contradição a uma lógica fragmentada e hie-</p><p>rárquica de trabalho (CAMPOS; DOMITTI, 2007).</p><p>Revendo a história de implantação do NASF en-</p><p>quanto política, a primeira experiência surgiu em julho</p><p>de 2005, com os Núcleos de Atenção Integral na Saúde</p><p>da Família (NAISF), formado por quatro modalidades</p><p>de ação em saúde: alimentação/nutrição e atividade fí-</p><p>sica, saúde mental e reabilitação (BRASIL, 2013). A por-</p><p>taria de criação do NAISF foi reformulada, integrando</p><p>novas áreas de atuação e novas diretrizes para organiza-</p><p>ção do trabalho.</p><p>Como mencionado anteriormente, o NASF foi cria-</p><p>do em 2008 pela Portaria nº 154/08, 14 anos após a cria-</p><p>ção da estratégia saúde da família e intenso processo de</p><p>discussões e negociações no âmbito federal, influenciado</p><p>por algumas experiências municipais, de transformações</p><p>no campo da saúde coletiva e de reivindicações corpo-</p><p>rativas (MELO et al., 2018). Desde então, as estratégias</p><p>foram ampliadas para atividade física, práticas corporais,</p><p>práticas integrativas e complementares, saúde mental, re-</p><p>abilitação, serviço social, saúde da criança, saúde da mu-</p><p>lher e assistência farmacêutica (BRASIL, 2008).</p><p>144</p><p>Com a implantação da Portaria nº 2.488/11, que</p><p>abrange a Política Nacional da Atenção Básica, várias</p><p>modificações foram impostas no que diz respeito à am-</p><p>pliação das categorias profissionais que podem ser cre-</p><p>denciadas. Além disso, os critérios de adesão aos municí-</p><p>pios, o número de equipes de saúde da família assistida e</p><p>alguns outros temas também foram incorporados. Ana-</p><p>lisando os 12 anos de implementação do NASF, perce-</p><p>be-se grande crescimento e expansão, fato que incenti-</p><p>vou também a ampliação da rede de Atenção Primária à</p><p>Saúde. Medidas como: incorporação de modalidades de</p><p>equipes (equipes ribeirinhas e fluviais e os consultórios</p><p>na Rua), implementação do Programa de Requalifica-</p><p>ção da Unidade Básica de Saúde (ampliações, reformas,</p><p>construções, melhorias tecnológicas e informativas, Te-</p><p>lessaúde) e Programa de Melhoria do Acesso e da Quali-</p><p>dade e Programa Mais Médicos são alguns dos exemplos</p><p>de expansão da Atenção Básica (MELO et al., 2018).</p><p>A portaria nº 3.124, de 28 de dezembro de 2012, re-</p><p>define alguns parâmetros no NASF. Houve modificações</p><p>na vinculação das modalidades 1 e 2 e a criação de mais</p><p>uma, a modalidade 3, contemplando municípios de pe-</p><p>queno porte. Além disso, novos profissionais foram in-</p><p>corporados às equipes (BRASIL, 2012).</p><p>A partir da portaria de 2012, tem-se três modalidades</p><p>de NASF financiados e reconhecidos formalmente pelo</p><p>Ministério da Saúde. O Quadro 1 apresenta a divisão:</p><p>145</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>MODALIDADES NÚMERO DE EQUIPES VINCULADAS TOTAL DAS CARGAS HORÁRIAS PROFISSIONAIS</p><p>NASF 1</p><p>5 a 9</p><p>Equipes de Saúde da Família e/ou</p><p>Equipes de Atenção Básica para popu-</p><p>lações específicas (Equipe de consultó-</p><p>rio nas ruas, equipe ribeirinha e fluvial)</p><p>Mínimo 200 horas semanais. Cada ocupação</p><p>deve ter, no mínimo, 20h e, no máximo, 80h de</p><p>carga horária semanal.</p><p>NSAF 2</p><p>3 a 4</p><p>Equipes de Saúde da Família e/ou</p><p>Equipes de Atenção Básica para popu-</p><p>lações específicas (Equipe de consultó-</p><p>rio nas ruas, equipe ribeirinha e fluvial)</p><p>Mínimo 120 horas semanais. Cada ocupação</p><p>deve ter, no mínimo, 20h e, no máximo, 40h de</p><p>carga horária semanal.</p><p>NASF 3</p><p>1 a 2</p><p>Equipes de Saúde da Família e/ou</p><p>Equipes de Atenção Básica para popu-</p><p>lações específicas (Equipe de consultó-</p><p>rio nas ruas, equipe ribeirinha e fluvial)</p><p>Mínimo 80 horas semanais. Cada ocupação</p><p>deve ter, no mínimo, 20h e, no máximo, 40h de</p><p>carga horária semanal.</p><p>Quadro 1 - Modalidades do NASF, conforme a Portaria nº 3.124/2012 / Fonte: BRASIL (2020, on-line)</p><p>Descrição da Imagem: o Quadro 1 apresenta as modalidades do NASF, bem como o número de equipes vinculadas e o total das cargas horárias</p><p>profissionais de cada uma. O NASF 1 é composto por cinco a nove equipes, sendo as equipes de Saúde da Família e/ou Equipes de Atenção Básica</p><p>para populações específicas (Equipe de consultório nas ruas, equipe ribeirinha e fluvial). O total das cargas horárias profissionais é de, no mínimo,</p><p>200 horas semanais, sendo que cada ocupação deve ter, no mínimo, 20 horas e, no máximo, 80 horas de carga horária semanal. O NASF 2 possui de</p><p>três a quatro equipes vinculadas, podendo ser as Equipes de Saúde da Família e/ou Equipes de Atenção Básica para populações específicas (equipe</p><p>de consultório nas ruas, equipe ribeirinha e fluvial). O total das cargas horárias profissionais é de, no mínimo, 120 horas semanais, sendo que cada</p><p>ocupação deve ter, no mínimo, 20h e, no máximo, 40h de carga horária semanal. Por fim, o NASF 3 possui de uma a duas Equipes de Saúde da Família</p><p>e/ou Equipes de Atenção Básica para populações específicas (equipe de consultório nas ruas, equipe ribeirinha e fluvial) tendo o mínimo de 80 horas</p><p>semanais. Cada ocupação deve ter, no mínimo, 20 horas e, no máximo, 40 horas de carga horária semanal.</p><p>146</p><p>Você notou a diferença entre as modalidades 1, 2 e 3 apre-</p><p>sentadas no Quadro 1? A diferenciação se relaciona com</p><p>a quantidade e tipo de profissional, carga horária e núme-</p><p>ro de equipes apoiadas. A composição exata das equipes</p><p>deve ser definida pelos gestores municipais, considerando</p><p>as necessidades locais e a disponibilidade de profissionais</p><p>de cada uma das ocupações (BRASIL, 2013).</p><p>Você deve estar se perguntando, afinal, o que é o</p><p>NASF então? De acordo com a Política Nacional de</p><p>Atenção Básica (BRASIL, 2011), os NASF’s são equipes</p><p>multiprofissionais que são compostas por profissionais</p><p>de diferentes profissões que atuam conjuntamente com</p><p>os profissionais das equipes de Saúde da Família e das</p><p>equipes de Atenção Básica para populações específicas</p><p>(Consultórios na Rua, equipes ribeirinhas e fluviais). Con-</p><p>tudo, no ano de 2017, após a revisão da Política Nacional da</p><p>Atenção Básica, o NASF teve sua nomenclatura reformu-</p><p>lada, passando a ser nomeado Núcleo Ampliado de Saúde</p><p>da Família e Atenção Básica (NASF-AB) (BRASIL, 2017).</p><p>Uma equipe do NASF-AB pode ser composta pelas</p><p>seguintes profissões: Assistente social; profissional de</p><p>Educação Física; farmacêutico; fisioterapeuta; fonoau-</p><p>diólogo; profissional com formação em arte e educação</p><p>(arte educador); nutricionista; psicólogo; terapeuta ocu-</p><p>pacional; médico ginecologista/obstetra; médico ho-</p><p>meopata; médico pediatra; médico veterinário; médico</p><p>psiquiatra; médico geriatra;</p><p>médico internista (clínica</p><p>médica); médico do trabalho; médico acupunturista;</p><p>e profissional de saúde sanitarista, ou seja, profissional</p><p>graduado na área de saúde com pós-graduação em saú-</p><p>de pública ou coletiva ou graduado diretamente em uma</p><p>dessas áreas (BRASIL, 2014).</p><p>As diretrizes que regem o NASF-AB afirmam que</p><p>os profissionais que compõem as equipes NASF-AB,</p><p>conjuntamente com as equipes de Saúde da Família, de-</p><p>vem priorizar intervenções interdisciplinares, adotando</p><p>sempre o atendimento compartilhado, a construção de</p><p>projetos terapêuticos singulares, as ações comuns no ter-</p><p>ritório, desenvolvendo o projeto de saúde do território,</p><p>em conjunto com os equipamentos sociais e comunitá-</p><p>rios (SANTOS, 2012). As intervenções específicas com</p><p>os usuários, em forma de atendimento individualizado,</p><p>devem ocorrer em casos claramente específicos (BRA-</p><p>SIL, 2009; BRASIL, 2014).</p><p>O profissional de Educação Física está presente em</p><p>quase metade das equipes do NASF, demonstrando uma</p><p>importante representatividade (SANTOS, 2012). Pesquisas</p><p>que abrangem sobre a inserção do profissional de Educa-</p><p>ção Física no NASF-AB têm evidenciado que as atividades</p><p>estão centradas na formação de grupos educativos para re-</p><p>alização de atividades físicas (SOUZA; LOCH, 2011).</p><p>O profissional de Educação Física que atua no NAS-</p><p>F-AB deve saber coordenar, planejar, realizar treinamen-</p><p>tos especializados e participar de equipes multidiscipli-</p><p>nares e interdisciplinares. Assim, as atividades devem ser</p><p>pautadas em: desenvolver ações individuais e coletivas</p><p>que abordem as práticas integrativas e complementa-</p><p>res; veicular informação que priorize pela prevenção,</p><p>diminuição dos riscos e a proteção à vulnerabilidade,</p><p>buscando a produção do autocuidado; incentivar a cria-</p><p>ção de espaços de inclusão social referentes às práticas</p><p>integrativas e complementares; proporcionar educação</p><p>permanente em práticas integrativas e complementares,</p><p>juntamente com as equipes de saúde da família, basean-</p><p>do-se na coparticipação, acompanhamento supervisio-</p><p>nado e discussão de caso, abordando a educação perma-</p><p>nente; articular ações, de forma integrada às equipes de</p><p>saúde da família, sobre o conjunto de prioridades locais</p><p>em saúde que incluam os diversos setores da adminis-</p><p>tração pública; colaborar para a ampliação e a valoriza-</p><p>ção da utilização dos espaços públicos de convivência</p><p>social, com enfoque ao combate da violência; identificar</p><p>profissionais e/ou membros da comunidade com poten-</p><p>cial para o desenvolvimento do trabalho educativo em</p><p>147</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>práticas integrativas e complementares, em conjunto</p><p>com as equipes de saúde da família; capacitar os pro-</p><p>fissionais, como os agentes comunitários de saúde, para</p><p>atuarem como facilitadores no processo de divulgação</p><p>e educação em saúde referente às práticas integrativas e</p><p>complementares; promover ações que estejam interliga-</p><p>das às práticas integrativas e complementares juntamen-</p><p>te com os demais equipamentos públicos presentes no</p><p>território (escolas, creches e outros); e realizar atividades</p><p>clínicas pertinentes a sua responsabilidade profissional</p><p>(BONFIM, 2012).</p><p>148</p><p>considerações finais</p><p>Chegamos ao fim do nosso penúltimo encontro dentro dessa abordagem sobre</p><p>saúde pública. Aqui, nós conversamos sobre a história do Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS) e sobre os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF). Você pôde notar</p><p>que, antes da efetivação do SUS, o processo de saúde passou por inúmeras trans-</p><p>formações. Por exemplo, o hospital que vemos atualmente não tinha o mesmo</p><p>objetivo no passado. Assim, a implantação do SUS foi um processo que envolveu</p><p>a participação efetiva da população. Além disso, você pôde conhecer sobre as</p><p>diretrizes e princípios que regem esse sistema, buscando sempre levar saúde para</p><p>a população de forma gratuita e de qualidade.</p><p>Sabemos que na prática encontramos muitas dificuldades e desafios para que isso</p><p>realmente ocorra, mas precisamos pensar que o Brasil, atualmente, possui mais</p><p>de 209 milhões de habitantes. Então, dar assistência médica a toda essa população</p><p>de forma totalmente gratuita (claro, com os impostos que a população paga), é</p><p>uma tarefa árdua. Portanto, precisamos, de fato, valorizar esse serviço que é único.</p><p>Depois que conhecemos a história e os princípios do SUS, pudemos aprofundar</p><p>nossos conhecimentos em um dos programas que compõem esse sistema, o Núcleo</p><p>de Apoio à Saúde da Família (NASF), atualmente chamado de Núcleo Ampliado</p><p>de Saúde da Família (NASF-AB). Abordamos sobre as diretrizes desse programa</p><p>e como ele atua dentro da Estratégia de Saúde da Família. Além disso, relatamos</p><p>sobre os profissionais que compõe as equipes NASF-AB, especialmente sobre o</p><p>profissional de Educação Física.</p><p>Por fim, discutimos sobre os objetivos deste profissional junto ao NASF-AB e quais</p><p>ações são executadas com foco na população. E agora, o que será que abordaremos</p><p>no nosso último capítulo do livro? Você tem alguma ideia? Tenho certeza que você</p><p>não se arrependerá de ler. Portanto, encontro você daqui a pouco para finalizarmos</p><p>a jornada de estudos sobre a epidemiologia da atividade física. Até mais!</p><p>149</p><p>atividades de estudo</p><p>1. A história dos serviços públicos de saúde nos apresenta diferentes fatos, po-</p><p>dendo observar que a assistência à saúde nem sempre foi a mesma com o</p><p>passar dos anos. Portanto, assinale a alternativa correta sobre a história dos</p><p>serviços de saúde.</p><p>I. Na antiguidade, a função dos hospitais era abrigar os doentes que não tinham</p><p>condições financeiras de ter acesso à saúde, a qual era paga.</p><p>II. A Igreja teve grande poder sobre a assistência à saúde na Antiguidade.</p><p>III. A organização dos modelos assistenciais em saúde foi semelhante em todos</p><p>os países.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e II, apenas.</p><p>e. I e III, apenas.</p><p>2. Ao ler sobre o Sistema Único de Saúde, você notou que ele é regido por dire-</p><p>trizes e princípios. Assim, cite e descreva sobre os principais princípios deste</p><p>sistema.</p><p>3. O Sistema Único de Saúde leva essa nomenclatura, pois:</p><p>a. É um sistema considerado público.</p><p>b. Abrange vários programas de saúde.</p><p>c. É regido pelas três esferas do governo.</p><p>d. Apresenta diretrizes únicas.</p><p>e. Apresenta princípios únicos.</p><p>150</p><p>atividades de estudo</p><p>4. Sobre a Atenção em Saúde, responda as afirmativas com (V) para as verdadei-</p><p>ras e (F) para as falsas.</p><p>( ) A Atenção básica é a porta de entrada do Sistema Único de Saúde e é compos-</p><p>to pelas Unidades Básicas de Saúde e pelos Serviços Ambulatoriais.</p><p>( ) A Atenção terciária tem maior complexidade quando comparada à atenção</p><p>primária e secundária de saúde.</p><p>( ) As especialidades clínica e cirúrgicas são abrangidas pela Atenção Secundária.</p><p>( ) A Atenção Primária à Saúde tem o objetivo de proteção, promoção e preven-</p><p>ção da saúde.</p><p>Assinale a alternativa correta:</p><p>a. V, V, F, F.</p><p>b. F, V, V, F.</p><p>c. V, F, V, F.</p><p>d. F, V, V, V.</p><p>e. V, F, F, F.</p><p>5. O NASF é um programa destinado a levar a promoção da saúde para a popula-</p><p>ção. Assim, avalie as afirmativas a seguir sobre o NASF e a atual do profissional</p><p>de Educação Física.</p><p>I. O NASF se baseia no modelo de apoio matricial, estimulando a troca de sabe-</p><p>res entre as equipes.</p><p>II. Atualmente, o NASF possui 3 modalidades de equipes, sendo que um dos as-</p><p>pectos que diferencia uma modalidade da outra é a quantidade de profissionais.</p><p>III. O profissional de Educação Física deve saber elaborar e prescrever treinamen-</p><p>tos especializados dentro do NASF, podendo ser ações pautadas coletivamen-</p><p>te ou individualmente.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e II, apenas.</p><p>e. I, II e III.</p><p>151</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>Em 28 de janeiro de 2020, o Ministério da Saúde publicou uma nota técnica que acaba com</p><p>a obrigatoriedade das equipes multidisciplinares estarem vinculadas ao modelo do Núcleo</p><p>Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB). Na prática, significa que os ges-</p><p>tores</p><p>municipais ficam livres para compor essas equipes da forma como quiserem, e não</p><p>mais seguindo os parâmetros dessa iniciativa criada para ampliar o trabalho conjunto e</p><p>integrado de profissionais de diferentes áreas do conhecimento na Saúde da Família. A mu-</p><p>dança foi publicada na Nota Técnica nº 3, do Departamento de Saúde da Família, vinculado</p><p>à Secretaria de Atenção Primária à Saúde do Ministério da Saúde. O texto diz, ainda, que, a</p><p>partir de 2020, o Ministério não realizará mais o credenciamento de NASF-AB (FUNDAÇÃO</p><p>OSWALDO CRUZ, 2020).</p><p>A nota técnica Nº 3/2020-DESF/SAPS/MS (BRASIL, 2020):</p><p>1. ASSUNTO</p><p>1.1. Núcleo Ampliado de Saúde da Família e Atenção Básica (NASF-AB) e Programa</p><p>Previne Brasil.</p><p>2. ANÁLISE</p><p>2.1. Com o novo modelo de financiamento de custeio da Atenção Primária à Saúde</p><p>(APS), instituído pelo Programa Previne Brasil por meio da Portaria n° 2.979, de 12</p><p>de novembro de 2019, alguns instrumentos normativos foram revogados, dentre os</p><p>quais as normas que definem os parâmetros e custeio do Núcleo Ampliado de Saúde</p><p>da Família e Atenção Básica (NASF-AB): Seção II do Capítulo II do Anexo XXII da Portaria</p><p>de Consolidação nº 2/GM/MS, de 28 de setembro de 2017; e Seção II do Capítulo I do</p><p>Título II da Portaria de Consolidação nº 6/GM/MS, de 28 de setembro de 2017.</p><p>2.2. Dessa forma, a composição de equipes multiprofissionais deixa de estar vinculada</p><p>às tipologias de equipes NASF-AB. Com essa desvinculação, o gestor municipal passa</p><p>a ter autonomia para compor suas equipes multiprofissionais, definindo os profissio-</p><p>nais, a carga horária e os arranjos de equipe. O gestor municipal pode então cadastrar</p><p>esses profissionais diretamente nas equipes de Saúde da Família (eSF) e equipes de</p><p>Atenção Primária (eAP), ampliando sua composição mínima. Poderá, ainda, manter</p><p>os profissionais cadastrados no SCNES como equipe NASF-AB ou cadastrar os profis-</p><p>sionais apenas no estabelecimento de atenção primária sem vinculação a nenhuma</p><p>equipe.</p><p>152</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>2.3. A revogação das referidas normas também impacta no credenciamento de novas</p><p>equipes NASF-AB. A partir de janeiro de 2020, o Ministério da Saúde não realizará</p><p>mais o credenciamento de NASF-AB, e as solicitações enviadas até o momento serão</p><p>arquivadas.</p><p>2.4. Compreendendo que o novo financiamento da APS é focado na pessoa assistida,</p><p>nenhum componente deste novo modelo é exclusivo de determinado profissional ou</p><p>equipe, pelo contrário, as equipes multiprofissionais são importantes para o desem-</p><p>penho da atenção primária do município em todos os componentes. A melhoria dos</p><p>indicadores em saúde, por exemplo, está diretamente relacionada à capacidade re-</p><p>solutiva das equipes, às ações e serviços que ofertam e aos profissionais que as com-</p><p>põem. Dessa forma, quanto mais apropriada for a composição da equipe para resol-</p><p>ver os problemas de saúde da população, melhor será o desempenho dessa equipe,</p><p>caso ela trabalhe de maneira integrada e efetiva.</p><p>2.5. Nesse cenário, diante da responsabilidade de garantir a melhoria e o cumprimen-</p><p>to gradual desses indicadores, é importante que a gestão estruture a APS de modo a</p><p>promover a atuação articulada entre as diversas categorias profissionais que influen-</p><p>ciam qualitativamente todos os serviços da APS. Esse trabalho estruturado deve am-</p><p>pliar, de fato, a capacidade de cuidado e incidir sobre a melhoria da situação sanitária</p><p>e epidemiológica da população, além de favorecer a vigilância das condições de saúde.</p><p>2.6. O novo modelo de financiamento da APS permite ainda que gestores municipais</p><p>conheçam melhor as necessidades em saúde da população e sua demanda local com</p><p>base no cadastro da população e no resultado dos indicadores, que definem, respec-</p><p>tivamente, os valores de repasse da captação ponderada e do pagamento por de-</p><p>sempenho. Vale pontuar também que, a partir de 2021, conforme Portaria nº 3.222,</p><p>de 10 de dezembro de 2019, haverá um indicador relacionado à atuação de equipes</p><p>28/01/2020 SEI/MS - 0013259951 - Nota Técnica https://sei.saude.gov.br/sei/contro-</p><p>lador.php?acao=documento_imprimir_web&acao_origem=arvore_visualizar&id_docu-</p><p>mento=14608557&infra_si… 2/2 mulprofissionais na APS incorporado ao rol de indica-</p><p>dores monitorados para o pagamento por desempenho.</p><p>2.7. Destaca-se, ainda, que, na transição para o novo modelo de financiamento, não</p><p>haverá prejuízo nos valores transferidos para os municípios quando comparados aos</p><p>valores repassados anteriormente. Para os municípios que apresentam manutenção</p><p>153</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>ou acréscimo de valores, considerando as projeções de repasse com as novas regras</p><p>em comparação aos repasses de 2019, esse comparativo já considerou os valores de</p><p>2019 referentes aos NASF-AB. Ou seja, quando comparados aos valores repassados</p><p>em 2019, incluindo os valores de NASF-AB, os repasses previstos para 2020 são supe-</p><p>riores. Já para os municípios que apresentaram decréscimo dos valores com a pros-</p><p>pecção das novas regras, a estratégia de transição impede que tenham prejuízos em</p><p>relação aos valores de 2019, visto que receberão, ao longo de todo o ano de 2020, o</p><p>maior valor entre aqueles transferidos em 2019 para o Piso de Atenção Básica, o que</p><p>inclui os valores relativos ao NASF-AB.</p><p>3. CONCLUSÃO</p><p>3.1. Vale acrescentar que, conforme definido pela Portaria n° 2.979, de 12 de novem-</p><p>bro de 2019, que institui o Previne Brasil, em seu Argo 12-N, os gestores municipais</p><p>e estaduais têm autonomia na aplicação dos incentivos de custeio federal referente</p><p>ao financiamento de que trata o Programa, desde que sejam destinados a ações e</p><p>serviços da APS e que se respeite o disposto na Lei Complementar nº 141, de 13 de</p><p>janeiro de 2012, e na Lei Orgânica da Saúde. Ou seja, tais recursos de financiamento</p><p>de custeio da APS podem ser aplicados pelo gestor municipal no custeio de equipes</p><p>multiprofissionais no formato que for mais apropriado às necessidades locais.</p><p>Fonte: Brasil (2020, on-line).</p><p>154</p><p>material complementar</p><p>Legislação do SUS: Comentada e esquematizada - Colorido, Revisa-</p><p>do, Ampliado e com novos esquemas</p><p>Coordenadora e Autora: Natale Oliveira de Souza</p><p>Autores: Jakeline Borges e Yara Cardoso Coletto</p><p>Editora: Sanar</p><p>Sinopse: o livro Legislação do SUS comentada e esquematizada para concursos</p><p>e residências - 3 Edição é o livro de cabeceira de todo profissional da saúde no</p><p>Brasil. O livro dobrou de tamanho, conta com tudo que você precisa saber, revisar</p><p>e praticar! As Leis Orgânicas de Saúde são as leis que regulamentam o Sistema</p><p>Único de Saúde (SUS) e, além de ser conteúdo fundamental para qualquer profis-</p><p>sional atuante no mercado de trabalho, é assunto certeiro em todos os editais de</p><p>concursos e residências. Por meio destas leis, as ações de saúde passaram a ser</p><p>regulamentadas em todo o território nacional. Por isso, todos os profissionais que</p><p>desejam fazer concursos e residências multiprofissionais em órgãos, cuja atuação</p><p>envolve esse sistema, têm de dominar a legislação aplicada ao SUS. Até 25% das</p><p>questões de provas destes órgãos são de assuntos da legislação aplicada ao SUS.</p><p>Indicação para Ler</p><p>155</p><p>gabarito</p><p>1. B.</p><p>2. São 3 principais princípios: princípio da uni-</p><p>versalidade, da equidade e da integralidade.</p><p>O princípio da universalidade é o que garante</p><p>o acesso de toda a população aos serviços de</p><p>saúde, abrangendo todos os níveis de assis-</p><p>tência, sem restrição. O princípio da equidade</p><p>rege que as ações e serviços sejam ofertados</p><p>a todos os cidadãos, de forma igualitária, sem</p><p>privilégios ou barreiras. O princípio da inte-</p><p>gralidade se refere à assistência ampliada,</p><p>transformadora, centrada no indivíduo, aten-</p><p>dendo todas as suas necessidades.</p><p>3. C.</p><p>4. D.</p><p>5. E.</p><p>Professora Dra. Eliane Cristina de Andrade Gonçalves Brusco</p><p>Plano de Estudo</p><p>A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:</p><p>• Atenção Primária à Saúde: Prevenção e Promoção da Saúde</p><p>• Política Nacional de Promoção da Saúde</p><p>• Atuação do Profissional na Promoção da Saúde</p><p>Objetivos de Aprendizagem</p><p>• Apresentar os conceitos e diretrizes da Atenção Primária à Saúde como foco na</p><p>promoção da saúde.</p><p>• Discutir sobre a Política Nacional de Promoção da Saúde.</p><p>• Identificar como o profissional da saúde pode atuar na promoção da saúde, com</p><p>enfoque para o profissional de Educação Física.</p><p>PROMOÇÃO DA SAÚDE E</p><p>ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL</p><p>DE EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>unidade</p><p>V</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O</p><p>lá, aluno(a)! Para finalizarmos nossa jornada de estudos sobre</p><p>a epidemiologia na atividade física, iremos aprofundar nossos</p><p>conhecimentos sobre a promoção da saúde. Esta unidade será</p><p>dividida em três tópicos, os quais tratarão sobre a Atenção</p><p>Primária à saúde e os conceitos inerentes a ela. Abordaremos, ainda, so-</p><p>bre a Política Nacional de Promoção da Saúde e sobre a atuação do pro-</p><p>fissional de saúde nesta área.</p><p>Desta forma, primeiramente, iremos refletir sobre a reestruturação</p><p>do sistema de saúde a partir da valorização da Atenção Primária voltada</p><p>para saúde, definiremos qual o papel deste nível de atenção e as ações</p><p>envolvidas. Para a compreensão deste processo, serão conceituados im-</p><p>portantes termos, como prevenção em saúde, promoção da saúde, saúde</p><p>amplificada e os determinantes de saúde.</p><p>Na sequência, conheceremos sobre a principal política criada para</p><p>fortalecer a promoção da saúde, trazendo breve histórico e seus objetivos.</p><p>Por fim, iremos refletir, a partir desse novo contexto de saúde pública,</p><p>como será a atuação para os profissionais de saúde e, especificamente,</p><p>qual o papel do profissional de Educação Física nos serviços de saúde.</p><p>Para auxiliar nessa compreensão, destacaremos quais as habilidades</p><p>esses profissionais precisam desenvolver e quais ferramentas poderão ser</p><p>utilizadas durante este processo de aprendizagem. Você irá observar que</p><p>este campo de trabalho é dinâmico. Desta forma, a formação para a sua</p><p>atuação precisará ser continuada para garantir o serviço de qualidade.</p><p>Esta unidade irá, portanto, encerrar a temática proposta para este</p><p>livro. Não deixe de fazer suas anotações e, se precisar, retorne aos con-</p><p>teúdos das unidades anteriores para relembrar possíveis conhecimentos</p><p>primordiais. Desejo bons estudos!</p><p>160</p><p>Atenção primária à saúde:</p><p>prevenção e promoção da saúde</p><p>161</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Como discutimos, na Unidade 4, sobre os níveis de</p><p>Atenção à Saúde (primário, secundário e terciário), nes-</p><p>ta unidade iremos nos aprofundar no nível de Atenção</p><p>Primária à Saúde, que tem como foco ações de preven-</p><p>ção e promoção da saúde.</p><p>Nós vimos, anteriormente, que a Atenção Primária</p><p>à Saúde é considerada a porta de entrada do sistema de</p><p>saúde, portanto deve ser de fácil acesso para que os de-</p><p>mais níveis organizacionais do sistema de saúde funcio-</p><p>nem. Dessa forma, espera-se que o primeiro contato, que</p><p>é realizado com o médico de Atenção Primária, facilite</p><p>a seleção da melhor forma de atenção para os usuários.</p><p>Consideramos, então, que a Atenção Primária à Saú-</p><p>de é a base do sistema, englobando ações mais generalis-</p><p>tas e de baixa complexidade. Neste nível de atendimento,</p><p>a atenção é fornecida para todas as novas necessidades</p><p>e problemas, com foco da atenção sobre a pessoa no de-</p><p>correr do tempo e não direcionada para a enfermidade,</p><p>como ocorre nos demais níveis atenção (secundário e</p><p>terciário).</p><p>O papel da Atenção Primária à Saúde como sistema</p><p>de atenção é oferecer atendimento acessível e aceitável</p><p>para os pacientes com valores regidos pela dignidade</p><p>humana e solidariedade; assegurar a distribuição equi-</p><p>tativa de recursos de saúde; integrar e coordenar servi-</p><p>ços curativos, paliativos, preventivos e promotores de</p><p>saúde; centrar nas pessoas de forma que permita que os</p><p>usuários influenciem os serviços de saúde e assumam</p><p>a responsabilidade por sua própria saúde; controlar, de</p><p>forma racional, a tecnologia da atenção secundária e os</p><p>medicamentos; e aumentar a relação custo-efetividade</p><p>dos serviços (STARFIELD, 2002).</p><p>Dentre os fatores que contribuem para garantir a</p><p>boa relação entre custo e efetividade na Atenção Primá-</p><p>ria à Saúde, podemos destacar a presença de uma equipe</p><p>multidisciplinar que visa trabalhar com visão holística</p><p>(ou seja, considerando aspectos físicos, psicológicos, so-</p><p>ciais dos usuários do sistema e de suas famílias e comu-</p><p>nidade). Além disso, neste nível de atenção, há caráter</p><p>acessível, que não restringe faixas etárias ou tipos de</p><p>problemas e condições de saúde.</p><p>Esta acessibilidade deve garantir que, independen-</p><p>temente do usuário ter uma condição de enfermidade</p><p>que necessite de intervenção imediata (como ocorre na</p><p>maioria dos casos de pacientes na Atenção Secundária e</p><p>Terciária), o atendimento multidisciplinar estará dispos-</p><p>to a prestar assistência continuada àquela pessoa e sua</p><p>família. A partir do exposto, resumidamente, os serviços</p><p>na Atenção Primária à Saúde devem resolver a maioria</p><p>dos problemas de saúde, organizar o atendimento aos</p><p>usuários e ser responsável pela saúde desses indivíduos,</p><p>ou seja, baseia-se em três funções, resolução, organiza-</p><p>ção e responsabilização (MENDES, 2011).</p><p>Para ilustrar o funcionamento e organização da Aten-</p><p>ção Primária à Saúde, demonstramos, na Figura 1, as prin-</p><p>cipais diferenças no atendimento quando comparamos a</p><p>Atenção Primária ao modelo tradicional de saúde.</p><p>162</p><p>Figura 1 - Da atenção médica primária à atenção primária à saúde / Fonte: adaptada de Vuori (1985)</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 1 compara os dois modelos (tradicional versus atenção primária) em relação a quatro parâmetros: (1) enfoque, (2)</p><p>conteúdo, (3) organização e (4) responsabilidade. No primeiro parâmetro, é citado o enfoque do modelo tradicional que é a doença e a cura versus</p><p>a atenção primária que é a saúde, prevenção, atenção e cura. No segundo parâmetro, é citado o conteúdo do modelo tradicional que é o tratamen-</p><p>to, atenção por episódio e problemas específicos versus a atenção primária que é a promoção da saúde, a atenção continuada e abrangente. No</p><p>terceiro parâmetro, é citada a organização do modelo tradicional, que é composto por especialistas, médicos e com consultório individual versus</p><p>a atenção primária que é composta por clínicos gerais, grupos de outros profissionais e atendimento em equipe. No quarto parâmetro, é citada a</p><p>responsabilidade do modelo tradicional, que é apenas do setor da saúde, domínio pelo profissional e recepção passiva versus atenção primária que</p><p>tem colaboração intersetorial, participação da comunidade e autorresponsabilidade.</p><p>MODELO TRADICIONAL ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE</p><p>Enfoque</p><p>Doença</p><p>Cura</p><p>Saúde</p><p>Prevenção, atenção e cura</p><p>Conteúdo</p><p>Tratamento</p><p>Atenção por episódio</p><p>Problemas específicos</p><p>Promoção da saúde</p><p>Atenção continuada</p><p>Atenção abrangente</p><p>Especialistas</p><p>Médicos</p><p>Consultório individual</p><p>Clínicas gerais</p><p>Grupos de outros profissionais</p><p>Equipes</p><p>Apenas setor de saúde</p><p>Domínio pelo profissional</p><p>Recepção passiva</p><p>Colaboração intersetorial</p><p>Participação da comunidade</p><p>Autorresponsabilidade</p><p>Organização</p><p>Responsabilidade</p><p>163</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Ao analisar as diferenças de atenção à saúde, podemos</p><p>refletir o porquê das ações no nível de Atenção Primá-</p><p>ria terem recebido maior enfoque no planejamento de</p><p>ações do sistema de saúde. Um dos fatores que já des-</p><p>tacamos é que o modelo tradicional necessita de maior</p><p>especialização de atendimento e possui custo mais ele-</p><p>vado ao sistema de saúde e aos indivíduos, tornando-se</p><p>menos acessível (STARFIELD, 2002).</p><p>Outro fator de destaque é que os usuários aten-</p><p>didos no nível primário têm múltiplos diagnósticos e</p><p>queixas que não se encaixam em tratamento específico,</p><p>portanto, a atuação neste nível é voltada para ações que</p><p>melhorem a qualidade global de vida desse usuário,</p><p>por meio de variedade de serviços ofertado pela equipe</p><p>multiprofissional (STARFIELD, 2002). Essa forma de</p><p>atuação é o que garante equidade (ou seja, atendimen-</p><p>to de forma mais igualitária), liberando recursos mate-</p><p>riais e financeiros que seriam utilizados para reduzir as</p><p>disparidades na saúde.</p><p>O processo de saúde-adoecimento</p><p>da população tem</p><p>mostrado que a saúde depende do contexto histórico</p><p>dos indivíduos, sendo que a forma de organização da</p><p>produção, do trabalho e da sociedade determinam o es-</p><p>tado de saúde desses indivíduos (BRASIL, 2010). Nesse</p><p>sentido, modelos de atenção centrados na enfermidade</p><p>Você consegue perceber de que forma os servi-</p><p>ços prestados pela Atenção Primária contribui</p><p>para redefinir o cenário atual do sistema de</p><p>saúde? Que tipo de propostas tem sido utili-</p><p>zado pelas políticas de saúde para melhorar</p><p>a qualidade dos serviços oferecidos para a</p><p>população? Refletiremos sobre estas questões</p><p>que iremos discutir sobre as ações enfatizadas</p><p>na Atenção Primária.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>não conseguem modificar os determinantes desse pro-</p><p>cesso. Por isso, foi preciso pensar em outros caminhos</p><p>para garantir a saúde da população, como o desenvolvi-</p><p>mento de ações de promoção da saúde.</p><p>A promoção da saúde não é considerada como con-</p><p>ceito novo, visto que foi incorporado desde o surgimento</p><p>da medicina preventiva (CAPONI, 2003). A Organiza-</p><p>ção Mundial da Saúde, no ano de 1978, já lançava o seu</p><p>programa “Saúde para todos no ano 2000”, baseado na</p><p>prevenção das doenças e na promoção da saúde, pressu-</p><p>pondo a participação comunitária, a intersetorialidade</p><p>para abordar os determinantes sociais das doenças e a</p><p>atuação de equipes multidisciplinares (BRASIL, 2010).</p><p>Ainda nos anos 70, o Relatório de Lalonde enfatizou</p><p>as mudanças propostas nas ações sobre os estilos de vidas</p><p>dos diversos grupos populacionais, em função dos riscos</p><p>a que se expõem em função de suas escolhas comporta-</p><p>mentais. Em 1986, na Conferência de Ottawa, a promo-</p><p>ção da saúde surge com enfoque político e técnico para a</p><p>compreensão e intervenção sobre o processo de saúde e</p><p>doença. Neste contexto, foram consideradas, para melho-</p><p>ria da qualidade de vida, o desenvolvimento de políticas</p><p>públicas saudáveis e de ações intersetoriais (BUSS, 2009).</p><p>Diante do exposto, podemos destacar que, no con-</p><p>texto internacional, o surgimento do enfoque da promo-</p><p>ção da saúde é caracterizado pela busca de alternativas à</p><p>crise dos sistemas de saúde, em que as práticas de saúde</p><p>existentes não eram suficientes e nem adequadas para</p><p>acompanhar as modificações sociodemográficas, epi-</p><p>demiológicas, políticas e culturais da sociedade. Ainda,</p><p>havia a necessidade de controlar os custos crescentes</p><p>com a assistência exclusivamente médica para o enfren-</p><p>tamento dos problemas de saúde, especialmente, das</p><p>doenças crônicas em decorrência do envelhecimento da</p><p>população (BUSS, 2009).</p><p>Apesar do conceito de promoção da saúde já exis-</p><p>tir há décadas, houve evolução deste conceito desde a</p><p>164</p><p>concepção por Henry Sigerist na medicina preventiva.</p><p>Esta evolução ocorreu em decorrência da ampliação do</p><p>conceito de saúde e da diversificação de políticas e práti-</p><p>cas voltadas para a promoção da saúde. No momento de</p><p>revalorização da promoção da saúde, o conceito reforçou</p><p>as relações entre saúde e condições de vida, valorizando</p><p>um conjunto de valores (como solidariedade, equidade,</p><p>democracia, cidadania, desenvolvimento sustentável,</p><p>entre outros) que combinassem ações envolvendo o Es-</p><p>tado, a comunidade, os indivíduos, o sistema de saúde e</p><p>parcerias com outras instituições (BUSS, 2009).</p><p>O que observamos neste conceito é o fortalecimen-</p><p>to da ideia da autonomia dos sujeitos e dos grupos so-</p><p>ciais. Esta autonomia é reforçada no sentido de ser um</p><p>processo de construção que estimula a livre escolha a</p><p>partir do momento que o ambiente se torna propício</p><p>para facilitar essas escolhas, ou seja, que não incentive a</p><p>culpabilização dos indivíduos pela condição de saúde,</p><p>visto que essa é dependente dos determinantes sociais,</p><p>econômicos e culturais (que trataremos mais adiante</p><p>nesta unidade).</p><p>No Brasil, este conceito de promoção da saúde se</p><p>torna ainda mais expressivo, em virtude da dimensão ter-</p><p>ritorial, da diversidade cultural e desigualdades sociais.</p><p>Portanto, quando pensamos em outros caminhos para ga-</p><p>rantir a saúde da população brasileira, tivemos que pensar</p><p>em uma forma de redemocratizar o país e a constituição</p><p>do sistema de saúde. Neste contexto, a garantia da saúde</p><p>implicaria em assegurar o acesso universal e igualitário</p><p>dos cidadãos aos serviços de saúde, reduzindo as desi-</p><p>gualdades sociais e regionais, como previsto na Constitui-</p><p>ção Federal de 1988 (BRASIL, 2010).</p><p>A promoção da saúde é vista, então, como estratégia</p><p>de articulação transversal, em que os fatores que colocam</p><p>a saúde da população em risco e as diferenças territoriais</p><p>e culturais ganham visibilidade. A partir daí, são cria-</p><p>das estratégias para reduzir as vulnerabilidades, garantir</p><p>equidade e aumentar a participação social nas políticas</p><p>públicas. No SUS, essas estratégias de promoção de saú-</p><p>de são reforçadas a partir da possibilidade de enfatizar os</p><p>aspectos que determinam o processo saúde e doença no</p><p>País (como o desemprego, a falta de saneamento básico, a</p><p>violência, a fome, entre outras) (BRASIL, 2010).</p><p>Um exemplo desse tipo de atuação é observado</p><p>no contexto brasileiro na década de 90, pela incorpo-</p><p>ração das “Cidades Saudáveis” (baseadas no modelo</p><p>canadense), no âmbito municipal. Neste modelo, as</p><p>necessidades de saúde da população eram realizadas</p><p>pela ampliação de ações sociais, reforçando o enfreta-</p><p>mento dos problemas, extrapolando o âmbito de ação</p><p>do sistema de saúde, resultando em importante inova-</p><p>ção conceitual e organizacional da promoção da saúde</p><p>(NORONHA et al., 2000).</p><p>No âmbito nacional, a principal estratégia de mode-</p><p>lo organizativo utilizado foi o Programa Saúde da Fa-</p><p>mília (PSF), criado em 1994 (FUHRMANN, 2003). O</p><p>objetivo do PSF era reorganizar a atenção primária no</p><p>País e todo o sistema de saúde. Para tal, cada equipe de</p><p>trabalho (formada, inicialmente, por um médico gene-</p><p>ralista, um enfermeiro, um auxiliar ou técnico de enfer-</p><p>magem e cinco a seis agentes comunitários de saúde) era</p><p>responsabilizada pela saúde de cerca de mil famílias de</p><p>um território subdividido em microáreas. As famílias</p><p>(consideradas o núcleo central da atenção básica) eram</p><p>cadastradas e inscritas por equipe, onde passavam a</p><p>manter vínculos entre usuários e profissionais de saúde.</p><p>O processo de trabalho para estas equipes deveria en-</p><p>volver a atenção à saúde, a vigilância, a abordagem dos</p><p>grupos com maiores riscos de adoecimento e produção</p><p>da saúde (FUHRMANN, 2003).</p><p>O PSF hoje não é considerado como programa, mas</p><p>sim uma estratégia que visa prestar atendimento à saú-</p><p>de de forma qualificada e resolutiva (por isso, o termo</p><p>PSF foi substituído por Estratégia Saúde da Família). Em</p><p>165</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>2006, o PSF foi consolidado como estratégia prioritária</p><p>para a reorganização da Atenção Básica. Neste mesmo</p><p>período, foi criada a Política Nacional de Promoção da</p><p>Saúde (que será abordada de forma mais aprofundada</p><p>no decorrer desta unidade) (BRASIL, 2018). Conside-</p><p>ramos, assim, importante período para a valorização da</p><p>promoção da saúde.</p><p>O contexto de revalorização da promoção da saúde</p><p>e definição como principal estratégia para modificar o</p><p>sistema de saúde deu espaço para a problematização das</p><p>diferenças entre os termos que compunham esse novo</p><p>sistema: a prevenção em saúde e a promoção da saúde.</p><p>Dessa forma, neste momento, iremos reforçar a distin-</p><p>ção entre esses dois conceitos, pois, assim, compreende-</p><p>remos o contexto das transformações que ocorreram no</p><p>discurso de saúde pública.</p><p>Este conceito se fundamenta na epidemiologia, em que</p><p>o risco é baseado na probabilidade de ocorrência de um</p><p>evento, em um determinado período, na população ex-</p><p>posta a determinado fator de risco (ALMEIDA FILHO,</p><p>1997). De forma geral, o objetivo da prevenção é o con-</p><p>trole da transmissão de doenças infecciosas e a redução</p><p>do risco de doenças degenerativas ou outros agravos es-</p><p>pecíficos, sendo que, para atingir este objetivo, as ações</p><p>de prevenção são realizadas a partir de divulgação de in-</p><p>As ações preventivas se definem como inter-</p><p>venções voltadas</p><p>a evitar o surgimento de</p><p>doenças específicas, com redução de sua in-</p><p>cidência e prevalência (ALMEIDA FILHO, 1997).</p><p>Neste sentido, quando falamos em prevenção</p><p>em saúde, exige ação antecipada a partir do</p><p>conhecimento, a fim de tornar menos possível</p><p>o progresso de determinada doença.</p><p>CONCEITUANDO</p><p>formação científica e de recomendações normativas de</p><p>mudanças de hábitos. Nessas intervenções, são atendi-</p><p>das subpopulações com fatores de risco relacionados ao</p><p>estilo de vida, tendo maior influência de determinantes</p><p>sociais da saúde proximais (CNDSS, 2008).</p><p>A melhoria do estado de saúde se dá a partir do fortale-</p><p>cimento da capacidade individual e coletiva para lidar</p><p>com a multiplicidade dos condicionantes da saúde. O</p><p>que notamos nas ações de promoção da saúde é que há</p><p>ênfase na transformação das condições de vida e de tra-</p><p>balho das pessoas que estejam relacionados aos proble-</p><p>mas de saúde. Portanto, vão além da aplicação técnica e</p><p>normativa, mas buscam a construção da capacidade de</p><p>escolha dos indivíduos, bem como a utilização do co-</p><p>nhecimento para discernir durante este processo de estí-</p><p>mulo à autonomia. Nessas intervenções, o atendimento</p><p>se dá para a população total, tendo maior influência dos</p><p>determinantes sociais da saúde intermediários e distais</p><p>(CNDSS, 2008).</p><p>Apesar da diferença entre os conceitos de ações pre-</p><p>ventivas e ações de promoção da saúde, observamos que</p><p>ambos consideram a saúde como componente comple-</p><p>xo resultante da influência de determinantes sociais, e</p><p>que estes são exteriores ao sistema que considera apenas</p><p>o tratamento das doenças. A partir dessas considerações,</p><p>iremos discutir a ampliação do termo saúde.</p><p>A promoção da saúde se define de forma</p><p>mais ampla, visto que é direcionada para a</p><p>melhoria do estado de bem-estar e da qua-</p><p>lidade de vida dos indivíduos, além de focar</p><p>nos macrodeterminantes do processo saú-</p><p>de-doença e transformá-los na direção da</p><p>saúde (BUSS, 2009).</p><p>CONCEITUANDO</p><p>166</p><p>A reformulação do sistema de saúde</p><p>trouxe consigo a necessidade de pensar na</p><p>saúde no sentido positivo do conceito e não</p><p>mais como a definição restrita de ausência</p><p>de doenças, que reduzia o corpo humano a</p><p>aspectos morfológicos e funcionais. O corpo</p><p>acabou sendo desconectado de todo o con-</p><p>junto de relações que constituem os signi-</p><p>ficados da vida (MENDES GONÇALVES,</p><p>1994). Assim, os termos saúde e doença não</p><p>deveriam ser tratados como situações opos-</p><p>tas, mas relacionadas entre si, em que se</p><p>move de um polo para o outro de modo di-</p><p>nâmico e interdependente, envolvendo todo</p><p>o aspecto social.</p><p>Neste sentido, o pensamento científico</p><p>buscou ampliar e valorizar a compreensão</p><p>da interação entre as partes na direção da</p><p>totalidade do ser humano (ROUQUAYROL;</p><p>GURGEL, 2017). Esse bem-estar é caracte-</p><p>rizado por polos positivo e negativo, sendo</p><p>que a saúde positiva seria o funcionamento</p><p>máximo para atender aos desafios da vida,</p><p>enquanto a saúde negativa estaria associada</p><p>à morbidade e, no extremo, com a mortali-</p><p>dade (BOUCHARD et al., 1990).</p><p>Diante deste novo conceito de saúde am-</p><p>pliada, a participação ativa dos sujeitos envolvi-</p><p>dos é exigida para sua produção, a fim de con-</p><p>tribuir na análise e formulação de ações que</p><p>visem à melhoria da qualidade de vida. Para</p><p>isso, na prática, novas abordagens para traçar</p><p>a saúde da comunidade deverão ser estimula-</p><p>das, não considerando apenas as enfermidades</p><p>diagnosticadas, mas que considere essa pers-</p><p>pectiva mais ampla da saúde (como proposto</p><p>pela abordagem da Figura 2).</p><p>ESTADO DE SAÚDE / RESULTADO DA ATENÇÃO</p><p>LONGEVIDADE</p><p>ATIVIDADE</p><p>DESCONFORTO</p><p>PERCEPÇÃO DE</p><p>BEM-ESTAR</p><p>CAPACIDADE DE</p><p>RECUPERAÇÃO</p><p>VULNERABILIDADE</p><p>ALCANCE</p><p>ENFERMIDADE</p><p>EXPECTATIVA</p><p>NORMAL DE VIDA</p><p>MORTE</p><p>FUNCIONAL INCAPACITADO</p><p>CONFORTÁVEL DESCONFORTÁVEL</p><p>SATISFEITO INSATISFEITO</p><p>MAIOR</p><p>RECUPERAÇÃO</p><p>MENOR</p><p>RECUPERAÇÃO</p><p>MENOS</p><p>VULNERÁVEL</p><p>MAIS</p><p>VULNERÁVEL</p><p>ALCANÇADO NÃO</p><p>ALCANÇADO</p><p>NENHUMA</p><p>DETECTÁVEL MÚLTIPLAS</p><p>Tabela 1 - Estado de saúde/resultado da atenção</p><p>Fonte: adaptada de Starfield (1974)</p><p>Descrição da tabela: na Tabela 1, são apresentadas oito linhas com os aspectos</p><p>que podem compor a perspectiva mais ampla de saúde, em uma escala de clas-</p><p>sificação de cada uma. Na linha um, está a longevidade, que pode ser classificada</p><p>desde expectativa normal de vida até a morte; na linha dois está a atividade, que</p><p>pode ser classificada desde funcional até incapacitado; na linha três está o des-</p><p>conforto, que pode ser classificado desde confortável a desconfortável; na linha</p><p>quatro está a percepção de bem-estar, que pode ser classificada desde satisfeito</p><p>até insatisfeito; na linha cinco está a capacidade de recuperação, que pode ser</p><p>classificada desde maior recuperação até menor recuperação; na linha seis está</p><p>a vulnerabilidade, que pode ser classificada desde menos vulnerável a mais vul-</p><p>nerável; na linha 7 está o alcance, que pode ser classificado desde alcançado até</p><p>não alcançado; e na linha 8 está a enfermidade, que pode ser classificada desde</p><p>nenhuma detectável a múltiplas.</p><p>167</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>O que observamos seria uma proposta de quais com-</p><p>ponentes deveriam ser considerados para determinar</p><p>a condição de saúde: (a) longevidade – que seria a ex-</p><p>pectativa de vida; (b) atividade – capacidade de realizar</p><p>as atividades diárias; (c) desconforto – dor ou sensações</p><p>que interfiram em suas atividades; (d) percepção de</p><p>bem-estar – como a pessoa classifica a própria saúde e o</p><p>nível de satisfação; (e) capacidade de recuperação – ca-</p><p>pacidade de responder ao estresse físico e psicológico;</p><p>(f) vulnerabilidade – características que diminuem a</p><p>capacidade de se precaver contra ameaças à saúde; (g)</p><p>alcance – se os papéis sociais estão sendo desempenha-</p><p>dos normalmente; e (h) enfermidade – presença de pro-</p><p>blemas ou patologias físicas ou psíquicas (McDOWELL;</p><p>NEWELL, 1996).</p><p>Pelo que vimos neste novo conceito de saúde mais</p><p>amplo, a saúde de um indivíduo ou população não</p><p>pode ser entendida de forma isolada. Possui, portan-</p><p>to, a combinação de determinantes genéticos, que são</p><p>modificados pelo ambiente e por comportamentos que</p><p>são culturalmente ou socialmente construídos e, ainda,</p><p>pelo próprio tipo de atenção à saúde que estes indiví-</p><p>duos recebem, como ilustrado na Figura 2 seguir:</p><p>Figura 2 - Determinantes do estado de saúde / Fonte: Starfield (1973, p. 132)</p><p>Descrição da Imagem: Na Figura 2, temos três círculos, dentro deles estão contidas as três estruturas diferentes, sendo que em um estão contidas</p><p>as características culturais e comportamentais da população e dos pacientes, em o outro está o ambiente social e físico, e no outro círculo a prática</p><p>médica. Os três círculos se relacionam, apresentando uma intersecção entre eles. As partes em que dois círculos se relacionam são considerados</p><p>como processo, e a parte em que os três círculos se relacionam são considerados como resultados.</p><p>GENÓTIPO</p><p>Características culturais</p><p>e comportamentais</p><p>da população</p><p>e dos pacientes</p><p>Prática médica</p><p>Ambiente social</p><p>e físico</p><p>Atenção (processo) Resultados Estrutura</p><p>168</p><p>O que isto quer dizer? Podemos dizer que as desigualda-</p><p>des sociais (nível de educação, oportunidades de traba-</p><p>lho e nível de renda, por exemplo) interferem na quali-</p><p>dade de vida e saúde das pessoas. E que, dependendo da</p><p>natureza desse ambiente, distintos grupos sociais terão</p><p>experiências diferentes em relação ao apoio psicossocial,</p><p>condições materiais e opções de comportamentos que</p><p>repercutiram nas situações de saúde, tornando mais ou</p><p>menos vulneráveis à saúde positiva (WHO, 2008). De</p><p>forma geral, quanto maior a vulnerabilidade do indiví-</p><p>duo, mais próximo de uma condição de saúde negativa</p><p>este indivíduo estará.</p><p>Quando nos aprofundamos nas características cul-</p><p>turais e o ambiente social e físico destacados anterior-</p><p>mente, podemos observar que existe hierarquia entre</p><p>esses determinantes de saúde, sendo que os indivíduos</p><p>estão na base do modelo, com suas características indivi-</p><p>duais de idade, sexo e fatores genéticos (que não podem</p><p>ser modificados).</p><p>Os fatores mais distais são aqueles re-</p><p>lacionados aos aspectos sociais, econômicos e políticos,</p><p>considerados como macrodeterminantes, pois têm for-</p><p>te influência sobre as demais camadas. Os fatores mais</p><p>proximais estão relacionados ao estilo de vida, que são</p><p>comportamentos adotados individualmente e repercu-</p><p>tem diretamente na qualidade da saúde dos indivíduos.</p><p>Figura 3 - Determinantes sociais: modelo de Dahlgren e Whitehead / Fonte: CNDSS (2008, p. 14)</p><p>Descrição da Imagem: Na Figura 3, temos um semicírculo que é subdividido em quatro níveis de determinantes sociais. No meio do semicírculo</p><p>(que é considerado como uma base), temos os determinantes biológicos (contendo idade, sexo e fatores hereditários); acima deste nível, temos</p><p>um arco que representa o estilo de vida dos indivíduos; acima deste nível temos outro arco que são as redes sociais e comunitárias; no arco acima</p><p>temos as condições de vida e trabalho (contendo ambiente de trabalho, educação, produção agrícola de alimentos, desemprego, água e esgoto,</p><p>serviços sociais de saúde e habitação); e no último arco mais afastado da base, temos as condições socioeconômicas, culturais e ambientais gerais.</p><p>IDADE, SEXO E</p><p>FATORES HEREDITÁRIOS</p><p>PRODUÇÃO</p><p>AGRÍCOLA</p><p>DE ALIMENTOS</p><p>EDUCAÇÃO</p><p>AMBIENTE</p><p>DE TRABALHO</p><p>CONDIÇÕES DE VIDA</p><p>E DE TRABALHO</p><p>DESEMPREGO</p><p>ÁGUA E</p><p>ESGOTO</p><p>SERVIÇOS SOCIAIS</p><p>DE SAÚDE</p><p>HABITAÇÃO</p><p>IDADE, SEXO E</p><p>169</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Considerando todas estas relações</p><p>existentes, conseguimos compre-</p><p>ender o papel do poder público no</p><p>acesso aos serviços de saúde, o qual</p><p>deveria criar estratégias para aten-</p><p>der as necessidades dessa população</p><p>(a partir dos seus determinantes), a</p><p>fim de aproximar a saúde para o polo</p><p>mais positivo. Assim, a Organização</p><p>Mundial da Saúde recomenda que os</p><p>serviços de saúde desenvolvam refor-</p><p>mas estruturais, integrando ações de</p><p>saúde pública na Atenção Primária,</p><p>que garanta comunidades mais sau-</p><p>dáveis (WHO, 2008), atuando com</p><p>ações de promoção da saúde além</p><p>dos muros das unidades de saúde,</p><p>por exemplo nos espaços em que es-</p><p>sas pessoas vivem, trabalham, estu-</p><p>dam e se divertem, pois, dessa forma,</p><p>estarão ampliando as oportunidades</p><p>de escolhas saudáveis dos indivíduos</p><p>e sua comunidade. Para atender esta</p><p>nova demanda estrutural, a criação</p><p>da Política Nacional de Saúde foi in-</p><p>troduzida no SUS.</p><p>170</p><p>Política Nacional de</p><p>Promoção da Saúde</p><p>171</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Você viu, no nosso encontro passado, que com a Refor-</p><p>ma Constitucional que possibilitou a criação do SUS, a</p><p>responsabilidade de programar os serviços de saúde ofe-</p><p>recidos foi transferida do âmbito federal para os muni-</p><p>cípios. Assim, a partir das definições constitucionais, das</p><p>deliberações das conferências nacionais de saúde, da le-</p><p>gislação que regulamenta o SUS e do Plano Nacional de</p><p>Saúde (2004 - 2007), o Ministério da Saúde propôs um</p><p>movimento indutor para definição da Política Nacio-</p><p>nal de Promoção da Saúde (PNPS), representando uma</p><p>tentativa no enfrentamento dos desafios da assistência</p><p>à saúde (BRASIL, 2006). Assim, em 2006, na Comissão</p><p>Intergestores Tripartite, nasceu a PNPS.</p><p>A PNPS foi instituída pela Portaria MS/GM nº 687,</p><p>de 30 de março de 2006, e reformulada pela Portaria nº</p><p>2.446, de 11 de novembro de 2014. Contudo, essa porta-</p><p>ria de 2014 foi revogada, surgindo a Portaria de Conso-</p><p>lidação nº 2, de 28 de setembro de 2017, que consolida</p><p>as normas sobre as políticas nacionais de saúde do SUS.</p><p>Assim, a PNPS ratificou a responsabilidade sobre a am-</p><p>pliação e a qualificação de ações de promoção da saú-</p><p>de nos serviços e na gestão do SUS. A partir de então, o</p><p>programa foi inserido na agenda estratégica dos gestores</p><p>do SUS e nos Planos Nacionais de Saúde subsequentes,</p><p>ampliando as possibilidades das políticas públicas exis-</p><p>tentes (BRASIL, 2018).</p><p>Você deve estar se perguntando, por que tantas mo-</p><p>dificações e retificações nas portarias? Pois então, a ree-</p><p>laboração da PNPS aconteceu para estabelecer diálogo</p><p>com os novos marcos nacionais e internacionais e, as-</p><p>sim, garantir os princípios e as diretrizes do SUS. Além</p><p>disso, era necessário qualificar e atualizar as ações e os</p><p>serviços prestados pelos gestores e pelos trabalhadores</p><p>do SUS, reformulando o papel do setor Saúde na articu-</p><p>lação e na indução de outras políticas públicas. Ademais,</p><p>observou-se a necessidade de avaliar como a promoção</p><p>da saúde no SUS vinha sendo realizada nos territórios</p><p>para rever de fato, como a PNPS, como política pública,</p><p>mobilizou os agentes na busca de sua efetivação práti-</p><p>ca. Definiu-se a importância de incluir novos elementos</p><p>indutores para a sua concretização, como a definição de</p><p>temas transversais, a explicitação de valores, de eixos</p><p>operacionais, da adequação e da atualização dos temas</p><p>prioritários da política (os quais você verá mais adiante).</p><p>Assim, a PNPS veio para estabelecer relação com as</p><p>demais políticas públicas conquistadas pela população,</p><p>incluindo as relacionadas ao setor Saúde, como: Políti-</p><p>ca Nacional de Atenção Básica (Pnab), Política Nacional</p><p>de Alimentação e Nutrição (Pnan), Política Nacional de</p><p>Educação Popular em Saúde (Pnep-SUS), Política Nacio-</p><p>nal de Humanização (HumanizaSUS), Política Nacional</p><p>de Gestão Estratégia e Participativa (ParticipaSUS) e Po-</p><p>lítica Nacional de Práticas (BRASIL, 2018).</p><p>A Política Nacional de Promoção da Saúde (BRASIL,</p><p>2015), que consolida as normas sobre as políticas nacio-</p><p>nais de saúde do SUS, apresenta os principais objetivos:</p><p>Objetivo Geral</p><p>Promover a equidade e a melhoria das condições</p><p>e dos modos de viver, ampliando a potencialidade</p><p>da saúde individual e coletiva e reduzindo vulne-</p><p>rabilidades e riscos à saúde decorrentes dos deter-</p><p>minantes sociais, econômicos, políticos, culturais e</p><p>ambientais.</p><p>Objetivos específicos</p><p>• Estimular a promoção da saúde como parte da</p><p>integralidade do cuidado na Rede de Atenção</p><p>à Saúde, articulada às demais redes de proteção</p><p>social.</p><p>• Contribuir para a adoção de práticas sociais</p><p>e de saúde centradas na equidade, na partici-</p><p>pação e no controle social, a fim de reduzir as</p><p>desigualdades sistemáticas, injustas e evitáveis,</p><p>respeitando as diferenças de classe social, de</p><p>gênero, de orientação sexual e a identidade de</p><p>gênero; entre gerações; étnico-raciais; cultu-</p><p>172</p><p>rais; territoriais; e relacionadas às pessoas com</p><p>deficiências e necessidades especiais.</p><p>• Favorecer a mobilidade humana e a acessibi-</p><p>lidade; o desenvolvimento seguro, saudável e</p><p>sustentável.</p><p>• Promover a cultura da paz em comunidades,</p><p>territórios e municípios.</p><p>• Apoiar o desenvolvimento de espaços de pro-</p><p>dução social e ambientes saudáveis, favoráveis</p><p>ao desenvolvimento humano e ao bem-viver.</p><p>• Valorizar os saberes populares e tradicionais e</p><p>as práticas integrativas e complementares.</p><p>• Promover o empoderamento e a capacidade</p><p>para a tomada de decisão, e também a autono-</p><p>mia de sujeitos e de coletividades, por meio do</p><p>desenvolvimento de habilidades pessoais e de</p><p>competências em promoção e defesa da saúde</p><p>e da vida.</p><p>• Promover processos de educação, de formação</p><p>profissional e de capacitação específicos em</p><p>promoção da saúde, de acordo com os princí-</p><p>pios e os valores expressos nesta Política, para</p><p>trabalhadores, gestores e cidadãos.</p><p>• Estabelecer estratégias de comunicação social</p><p>e de mídia direcionadas tanto ao fortalecimen-</p><p>to dos princípios e das ações em promoção</p><p>da saúde quanto à defesa de políticas públicas</p><p>saudáveis.</p><p>• Estimular a pesquisa, a produção e a difusão de</p><p>conhecimentos e de estratégias inovadoras no</p><p>âmbito das ações de promoção da saúde.</p><p>• Promover meios para a inclusão e a qualificação</p><p>do registro de atividades de promoção da saúde</p><p>e da equidade nos sistemas de informação e de</p><p>inquéritos, permitindo a análise, o monitora-</p><p>mento, a avaliação e o financiamento das ações.</p><p>• Fomentar discussões sobre os modos de con-</p><p>sumo e de produção que estejam em conflito</p><p>de interesses com os princípios e com os va-</p><p>lores da promoção da saúde e que aumentem</p><p>vulnerabilidades e</p><p>extremamente poluídos e sem saneamento</p><p>básico, muito semelhante às condições de vida atuais</p><p>da maioria das cidades de países de classe baixa. Nesta</p><p>época, foi consolidada a primeira era da epidemiolo-</p><p>gia moderna baseada no “miasma”. Este termo da teoria</p><p>miasmática defendia que as doenças eram adquiridas</p><p>por meio de emanações ambientais provenientes do</p><p>solo, do ar ou da água.</p><p>A década de 50 foi determinante para a epidemiolo-</p><p>gia devido aos achados do inglês John Snow. Em 1954, ele</p><p>descobriu que o risco de contrair cólera em Londres esta-</p><p>va relacionado ao consumo de água de uma determinada</p><p>companhia, impulsionando outras novas grandes desco-</p><p>bertas epidemiológicas. Além de John Snow, William Farr,</p><p>na Inglaterra, e Louis René Villermé, na França, também</p><p>se destacaram com seus achados relacionados à área da</p><p>epidemiologia (ALMEIDA FILHO, 2003).</p><p>O inglês John Snow identificou o local de mo-</p><p>radia de cada pessoa que morreu por cólera</p><p>em Londres, entre os anos de 1848-1849 e</p><p>1853-1854. Ele notou que existia uma asso-</p><p>ciação entre a origem da água utilizada para</p><p>beber e as mortes ocorridas. A partir de en-</p><p>tão, Snow iniciou a comparação do núme-</p><p>ro de casos de óbitos por cólera em áreas</p><p>abastecidas por diferentes companhias de</p><p>fornecimento de água e identificou que a taxa</p><p>de morte foi mais alta entre as pessoas que</p><p>consumiam água fornecida pela companhia</p><p>Southwark. Assim, o inglês construiu a teoria</p><p>sobre a transmissão das doenças infecciosas</p><p>em geral e sugeriu que a cólera era dissemi-</p><p>nada por meio da água contaminada. O fato</p><p>proporcionou a melhoria no suprimento de</p><p>água, mesmo anteriormente a descoberta do</p><p>microrganismo causador da cólera. Ademais,</p><p>seu estudo contribuiu diretamente sobre as</p><p>políticas públicas de saúde.</p><p>CONCEITUANDO</p><p>18</p><p>Os estudos de Snow foram apenas uma parte de uma</p><p>série abrangente de investigações que incluiu o exame</p><p>de processos químicos, biológicos, físicos, políticos e so-</p><p>ciais, como o estudo de Louis Pasteur, no final do sécu-</p><p>lo XIX. Ele demonstrou que os organismos vivos eram</p><p>agentes de epidemias, como a tuberculose e a leptospi-</p><p>rose. Portanto, esse período ficou conhecido como a era</p><p>das doenças infecciosas causadas por “germes”.</p><p>Em meados do século XX, surge a era das doen-</p><p>ças crônicas degenerativas. Os estudos de caso-contro-</p><p>le e coorte sobre câncer pulmonar e a relação com o</p><p>consumo de cigarro, e as pesquisas preliminares sobre</p><p>doença arterial coronariana, que estabeleceram o há-</p><p>bito de fumar e o colesterol como fatores de risco para</p><p>seu desenvolvimento, demonstraram a força deste tipo</p><p>de método de estudo. Entre vários epidemiologistas</p><p>da época, os britânicos Jeremy Morris, Richard Doll</p><p>e Thomas McKeown se destacaram com seus achados</p><p>(MEDRONHO, 2009).</p><p>E então você deve estar se perguntando, “tudo bem, mas</p><p>o que isso tem a ver com a atividade física?”. Eu vou ex-</p><p>plicar para você no próximo tópico.</p><p>O estudo caso-controle é caracterizado por</p><p>ser um tipo de estudo observacional que se</p><p>inicia com a seleção de um grupo de pessoas</p><p>portadoras de uma determinada doença, (que</p><p>são classificados como os “casos”) e um outro</p><p>grupo de pessoas que não sofrem dessa doença</p><p>(que serão classificados como os “controles”). O</p><p>objetivo principal desse tipo de estudo é identi-</p><p>ficar características específicas que ocorrem em</p><p>maior ou menor frequência entre os “casos” do</p><p>que entre os “controles”. Em contrapartida, os</p><p>estudos de coorte são estudos de caráter ob-</p><p>servacional, ou seja, a situação dos participantes</p><p>em relação à exposição de interesse (podendo</p><p>ser, por exemplo, o sedentarismo) determina</p><p>sua seleção para o estudo. As pessoas são mo-</p><p>nitoradas durante toda a duração do estudo</p><p>para avaliar a incidência do desfecho.</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>19</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Nós já aprendemos sobre o conceito e o significado de</p><p>epidemiologia. Agora é importante sabermos sobre a</p><p>atividade física e a saúde, para então entendermos a re-</p><p>lação que existe entre elas.</p><p>Você com certeza já leu sobre a definição de ativi-</p><p>dade física, que é qualquer movimento corporal, pro-</p><p>duzido pela musculatura esquelética e que resulta em</p><p>gasto energético. Assim, é importante destacar que a</p><p>atividade física pode ir além, abordando componen-</p><p>tes e determinantes de ordem biopsicossocial, cultural</p><p>e comportamental e pode ser praticada de várias for-</p><p>mas, como danças, esportes, atividades laborais, deslo-</p><p>camentos, jogos e exercícios físicos. Você irá aprender</p><p>mais afundo sobre as definições e padrões da atividade</p><p>física da população na Unidade 2.</p><p>O conceito de saúde é descrito como multiplicidade</p><p>de aspectos do comportamento humano direcionados a</p><p>um estado de completo bem estar físico, mental e social.</p><p>Portanto, saúde vai muito além de ausência de doenças.</p><p>Ela é uma condição humana com dimensões física, so-</p><p>cial e psicológica (SILVA; SCHRAIBER; MOTA, 2019).</p><p>Epidemiologia,</p><p>atividade física e saúde</p><p>20</p><p>A relação epidemiologia, atividade física e saúde teve</p><p>início em meados do século XX - a era epidemiológica</p><p>das doenças crônicas degenerativas citada anteriormen-</p><p>te. Isso porque os achados dos estudos sobre as doenças</p><p>identificaram (e continuam identificando) que o se-</p><p>dentarismo é um fator determinante de agravos à saú-</p><p>de. Esse momento coincide com a chamada transição</p><p>epidemiológica, que foi a inversão das causas de mor-</p><p>te. As pessoas deixaram de morrer apenas por doenças</p><p>infecciosas e começaram a adoecer por doenças cardio-</p><p>vasculares. Assim, ocorreram modificações drásticas no</p><p>padrão demográfico e no perfil de doenças e mortali-</p><p>dade da população, caracterizando-se como processos</p><p>de transição demográfica, transição epidemiológica e</p><p>transição nutricional, padrões que serão analisados mais</p><p>afundo nos próximos capítulos.</p><p>A transição epidemiológica envolve uma evolução</p><p>gradual dos problemas relacionados à saúde, os quais</p><p>determinam mudanças nas taxas populacionais, ou seja,</p><p>alta morbidade e mortalidade por doenças crônicas não</p><p>transmissíveis (DCNT) em detrimento das doenças in-</p><p>fecciosas e parasitárias. No Brasil, essa transição pode</p><p>ser observada a partir dos anos 80, com o predomínio</p><p>das causas de óbito por DCNT em comparação com as</p><p>doenças infecciosas e parasitárias.</p><p>Podemos usar esse mesmo período dos anos 80 no</p><p>Brasil, para caracterizarmos a transição demográfica.</p><p>Nessa época, o número de idosos (acima de 80 anos) au-</p><p>mentou devido à queda da taxa de mortalidade e da fe-</p><p>cundidade no país. Com o acréscimo do envelhecimen-</p><p>to populacional, houve um aumento da probabilidade</p><p>de manifestação das DCNT.</p><p>A transição nutricional abrange os processos de</p><p>transição demográfica e epidemiológica. Essa transição é</p><p>caracterizada por modificações constantes e sequenciais</p><p>no padrão nutricional da população devido às transfor-</p><p>mações sociais, demográficas, econômicas e sanitárias.</p><p>21</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Você deve ter notado que falamos, anteriormente, sobre</p><p>taxas de mortalidade, morbidade e outros indicadores</p><p>de saúde. Descreveremos sobre essas medidas de frequ-</p><p>ência e indicadores de saúde mais utilizados na área da</p><p>epidemiologia, para que você possa entender cada um</p><p>e, ao assistir alguma reportagem sobre medidas epide-</p><p>miológicas ou ler uma pesquisa e se deparar com algum</p><p>indicador de saúde, já saberá sobre o que se trata.</p><p>A forma mais básica de se determinar a frequência</p><p>de uma doença ou agravo à saúde é por meio da simples</p><p>contagem das pessoas afetadas. Contudo, para a área da</p><p>epidemiologia, essa forma pouco informa sobre a popu-</p><p>lação de referência. Em estudos epidemiológicos, é ne-</p><p>cessário saber o tamanho da população ou grupo que</p><p>deu origem aos casos e em que período de tempo o fato</p><p>aconteceu. Portanto, são utilizadas medidas relativas que</p><p>relacionam o número de casos da doença ou agravo à</p><p>saúde com a população ou grupo.</p><p>Em geral, existem três medidas matemáticas básicas</p><p>que podem ser utilizadas para expressar a relação entre</p><p>o número de casos da doença ou agravo com a popula-</p><p>ção ou</p><p>riscos à saúde.</p><p>• Contribuir para a articulação de políticas pú-</p><p>blicas inter e intrassetoriais com as agendas</p><p>nacionais e internacionais (BRASIL, 2015, p.</p><p>11 e 12).</p><p>Em consolidação com as outras políticas, setores gover-</p><p>namentais e não governamentais e as especificidades</p><p>sanitárias, a PNPS apresenta alguns temas prioritários,</p><p>evidenciados pelas ações de promoção da saúde exe-</p><p>cutadas desde 2006 e inseridas na primeira versão da</p><p>PNPS, pelas normas e regulamentos vigentes no âmbi-</p><p>to federal e pelos acordos nacionais (Plano Nacional de</p><p>Saúde, pactos interfederativos, planejamento estratégico</p><p>do MS) e internacionais firmados pelo governo brasilei-</p><p>ro (BRASIL, 2015). Os temas prioritários são:</p><p>• Formação e educação permanente: Mobilizar,</p><p>sensibilizar e promover capacitações para ges-</p><p>tores, trabalhadores da Saúde e de outros seto-</p><p>res para o desenvolvimento de ações de educa-</p><p>ção em promoção da saúde, a fim de incluí-las</p><p>nos espaços de educação permanente.</p><p>• Alimentação adequada e saudável: Promover</p><p>ações relativas à alimentação adequada e sau-</p><p>dável, visando à promoção da saúde e à segu-</p><p>rança alimentar e nutricional, contribuindo</p><p>com as ações e com as metas de redução da po-</p><p>breza, com a inclusão social e com a garantia</p><p>do direito humano à alimentação adequada e</p><p>saudável.</p><p>• Práticas corporais e atividades físicas: Promo-</p><p>ver ações, aconselhamento e divulgação de</p><p>práticas corporais e de atividades físicas, incen-</p><p>tivando a melhoria das condições dos espaços</p><p>públicos, considerando a cultura local e incor-</p><p>porando brincadeiras, jogos, danças populares,</p><p>entre outras práticas</p><p>• Enfrentamento ao uso do tabaco e de seus de-</p><p>rivados: Promover, articular e mobilizar ações</p><p>para redução e controle do uso do tabaco, in-</p><p>cluindo ações educativas, legislativas, econô-</p><p>micas, ambientais, culturais e sociais.</p><p>173</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>• Enfrentamento do uso abusivo de álcool e de</p><p>outras drogas: Promover, articular e mobilizar</p><p>ações para redução do consumo abusivo de</p><p>álcool e de outras drogas, com corresponsabi-</p><p>lização e autonomia da população, incluindo</p><p>ações educativas, legislativas, econômicas, am-</p><p>bientais, culturais e sociais.</p><p>• Promoção da mobilidade segura: Buscar avan-</p><p>çar na articulação intersetorial e intrassetorial,</p><p>envolvendo a vigilância em saúde, a atenção</p><p>básica e as redes de urgência e emergência</p><p>do território na produção do cuidado e na</p><p>redução da morbimortalidade decorrente do</p><p>trânsito. Orientar ações integradas e interseto-</p><p>riais nos territórios, incluindo ações de saúde,</p><p>educação, trânsito, fiscalização, ambiente e nos</p><p>demais setores envolvidos, além da sociedade,</p><p>a fim de definir um planejamento integrado,</p><p>parcerias, atribuições, responsabilidades e es-</p><p>pecificidades de cada 23 setor para a promoção</p><p>da mobilidade segura. Avançar na promoção</p><p>de ações educativas, legislativas, econômicas,</p><p>ambientais, culturais e sociais, fundamentadas</p><p>em informação qualificada e em planejamento</p><p>integrado, para que garantam o trânsito seguro,</p><p>a redução de morbimortalidade e, consequen-</p><p>temente, a paz no trânsito.</p><p>• Promoção da cultura da paz e dos direitos hu-</p><p>manos: Promover, articular e mobilizar ações</p><p>que estimulem a convivência, a solidariedade,</p><p>o respeito à vida e o fortalecimento de vínculos.</p><p>Desenvolver tecnologias sociais que favoreçam</p><p>a mediação de conflitos, o respeito às diversi-</p><p>dades e diferenças de gênero e de orientação</p><p>sexual e à identidade de gênero, entre gerações,</p><p>étnico-raciais, culturais, territoriais, de classe</p><p>social e em relação às pessoas com deficiências</p><p>e necessidades especiais, garantindo os direi-</p><p>tos humanos e as liberdades fundamentais.</p><p>Promover a articulação da Rede de Atenção à</p><p>Saúde com as demais redes de proteção social,</p><p>produzindo informação qualificada e capaz de</p><p>gerar intervenções individuais e coletivas, con-</p><p>tribuindo para a redução das violências e para</p><p>a cultura da paz.</p><p>• Promoção do desenvolvimento sustentável:</p><p>Promover, mobilizar e articular ações gover-</p><p>namentais e não governamentais, incluindo o</p><p>setor privado e a sociedade civil, nos diferentes</p><p>cenários (cidades/municípios, campo, floresta,</p><p>águas, bairros, territórios, comunidades, habi-</p><p>tações, escolas, igrejas, empresas e outros), per-</p><p>mitindo a interação entre saúde, meio ambien-</p><p>te e desenvolvimento sustentável na produção</p><p>social da saúde, em articulação com os demais</p><p>temas prioritários ( BRASIL, 2015, p. 22 e 23).</p><p>174</p><p>Atuação do profissional na</p><p>Promoção da Saúde</p><p>175</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Quando falamos, nos tópicos anteriores, so-</p><p>bre as atualizações que foram necessárias para</p><p>que os serviços de saúde evoluíssem, o mes-</p><p>mo argumento se refere à atuação dos pro-</p><p>fissionais inseridos neste novo ambiente. Se</p><p>continuássemos acostumados a profissionais</p><p>mais especializados para lidar com o volume</p><p>de novas informações, a visão fragmentada</p><p>na área da saúde iria permanecer. Diante do</p><p>novo cenário do conceito mais amplo da saú-</p><p>de e da revalorização de ações de promoção</p><p>da saúde, os profissionais com competências</p><p>em enfermidades específicas deveriam migrar</p><p>para o conhecimento sobre a saúde geral das</p><p>pessoas e seu ambiente, se quisessem atuar na</p><p>Atenção Primária à Saúde.</p><p>Um profissional da Atenção Primária</p><p>deve ser capaz de observar a variedade de pro-</p><p>blemas de saúde no decorrer do tempo, dife-</p><p>rentemente do especialista que atuaria dentro</p><p>da sua área de competência mais apropriada</p><p>para determinada enfermidade. Essa visão</p><p>ampla que o profissional da atenção primária</p><p>deve desenvolver está relacionada a alguns</p><p>dos princípios inerentes à Atenção Primária</p><p>de Saúde, por exemplo, a integralidade e a in-</p><p>tersetorialidade (BRASIL, 2018).</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 4 mostra a diferença en-</p><p>tre a integralidade e a intersetorialidade. A integralidade</p><p>é caracterizada por vários saberes na atenção individual</p><p>ou coletiva no mesmo serviço ou linha. A intersetoriali-</p><p>dade se destina a diferentes setores que acabam enfren-</p><p>tando o mesmo risco no mesmo território.</p><p>INTEGRALIDADE INTERSETORIALIDADE</p><p>A integralidade é</p><p>caracterizada por vários</p><p>saberes na atenção</p><p>individual ou coletiva no</p><p>mesmo serviço ou linha.</p><p>A intersetorialidade se</p><p>destina a diferentes</p><p>setores que acabam</p><p>enfrentando o mesmo</p><p>risco no mesmo território.</p><p>Figura 4 - Distinção entre integralidade e intersetorialidade / Fonte: a autora.</p><p>INTEGRALIDADE INTERSETORIALIDADE</p><p>A integralidade é</p><p>caracterizada por vários</p><p>saberes na atenção</p><p>individual ou coletiva no</p><p>mesmo serviço ou linha.</p><p>A intersetorialidade se</p><p>destina a diferentes</p><p>setores que acabam</p><p>enfrentando o mesmo</p><p>risco no mesmo território.</p><p>176</p><p>A integralidade e a intersetorialidade implicam em: (a)</p><p>articular estratégias de produção da saúde; (b) ampliar</p><p>o diálogo dos profissionais dos serviços de saúde na re-</p><p>lação com os usuários, modificando a atenção restrita a</p><p>doença e sintomas para o acolhimento de suas condi-</p><p>ções de vida e saúde; (c) mobilizar recursos financeiros,</p><p>políticos e humanos extrapolando o âmbito da saúde;</p><p>(d) articular saberes, linguagens, planejamento e práti-</p><p>cas entre diversos setores envolvidos (BRASIL, 2018).</p><p>Essas ações alteram os modos de atenção e de ges-</p><p>tão dos serviços de saúde. Se prestarmos atenção aos</p><p>usuários em sua totalidade (da saúde e seus determi-</p><p>nantes), é possível que um bom profissional da saúde</p><p>seja capaz de traduzir o que não é aparente e nem dito</p><p>em um primeiro contato com este indivíduo. A proxi-</p><p>midade adquirida entre os profissionais de saúde da</p><p>Atenção Primária e os usuários permite avaliar o papel</p><p>dos múltiplos e interativos determinantes da doença e</p><p>da saúde. Este fato ocorre em virtude da característica</p><p>de atenção continuada, em que se examinam mais pa-</p><p>cientes antigos com problemas novos porque eles são</p><p>responsáveis pela atenção ao paciente no decorrer do</p><p>tempo, e não por um problema específico.</p><p>Ademais, quando os setores se relacionam uns aos</p><p>outros (saúde, educação, transporte, segurança, entre</p><p>outros),</p><p>é possível organizar dados que se complemen-</p><p>tem, visto que dados separados pouco contribuem para</p><p>o conhecimento e para a ação eficiente na saúde comu-</p><p>nitária, pois é preciso considerar não só o indivíduo, mas</p><p>tudo que o cerca, o ambiente que influencia no estado de</p><p>saúde desse usuário e comunidade.</p><p>Para que a integralidade e a intersetorialidade ocor-</p><p>ram neste novo ambiente de saúde, algumas habilidades</p><p>precisam ser desenvolvidas pelos profissionais que atua-</p><p>rão neste meio. Podemos destacar que esses profissionais</p><p>precisam conhecer instrumentos na gestão pública que</p><p>o auxiliem, por exemplo, um fluxograma situacional.</p><p>177</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Figura 5 - Planejamento estratégico situacional / Fonte: Rieg e Araújo Filho (2002, p. 165)</p><p>Descrição da Imagem: Na Figura 5, são apresentados 4 círculos. Dentro de cada círculo estão descritos os quatro momentos do planejamento</p><p>estratégico situacional, estes círculos estão organizados em um formato de círculo maior seguindo uma ordem cronológica entre os momentos 1,</p><p>2, 3 e 4. No círculo que está o momento 1 está descrito: explicar como nasce e se desenvolve o problema, explicar a realidade através da apreciação</p><p>situacional. No círculo do momento 2 está descrito: fazer planos para atacar as causas do problema mediante operações, conceber o plano através</p><p>de apostas. No círculo do momento 3 está descrito: analisar a viabilidade do plano ou verificar o modo de se construir sua viabilidade, definir o que</p><p>é possível através da análise estratégica. No círculo do momento 4 está descrito: atacar o problema na prática, realizando as operações planejadas,</p><p>utilizar-se do cálculo, ação e correção no dia a dia. Os círculos estabelecem relações entre eles por setas que vão e voltam em todos os sentidos,</p><p>remetendo a interpretação de que mesmo que haja uma cronologia no planejamento, os momentos podem ser reavaliados no decorrer do tempo</p><p>independente da ordem.</p><p>MOMENTO 1:</p><p>explicar como nasce e se</p><p>desenvolve o problema,</p><p>explicar a realidade através</p><p>da apreciação situacional.</p><p>MOMENTO 2:</p><p>fazer planos para atacar</p><p>as causas do problema</p><p>mediante operações,</p><p>conceber o plano através</p><p>de apostas.</p><p>MOMENTO 3:</p><p>analisar a viabilidade do</p><p>plano ou verificar o modo de</p><p>se construir sua viabilidade,</p><p>definir o que é possível</p><p>através da análise</p><p>estratégica.</p><p>MOMENTO 4:</p><p>atacar o problema na prática,</p><p>realizando as operações</p><p>planejadas, utilizar-se do</p><p>cálculo, ação e correção</p><p>no dia a dia.</p><p>Esta ferramenta é utilizada para realizar levantamento</p><p>dos aspectos críticos e, a partir daí, elaborar o plano de</p><p>ação (RIEG, 1999). Neste processo, os profissionais des-</p><p>crevem os problemas (apresentando os fatos constata-</p><p>dos), quais seriam as possíveis consequências e as causas</p><p>do problema, para compreender a relação entre estes e</p><p>fazer uma representação gráfica do problema para, en-</p><p>tão, propor estratégias para o planejamento de ação.</p><p>Outra habilidade a ser desenvolvida por esses pro-</p><p>fissionais é o treinamento da percepção sensorial (pela</p><p>abordagem da neurolinguística). Neste processo, o pro-</p><p>fissional aprende onde deve focar a atenção e quais for-</p><p>mas pode utilizar para modificar e ampliar os filtros, a</p><p>fim de observar novos aspectos que antes estavam des-</p><p>percebidos (O’CONNOR; SEYMOUR, 1995). O que</p><p>isso quer dizer? Muitas vezes, os profissionais ficam con-</p><p>178</p><p>dicionados a observar aquilo que lhe é natural, ou seja,</p><p>ele capta as informações a partir da linguagem dos pen-</p><p>samentos e das experiências que ele viveu, o que os leva a</p><p>prestar mais atenção em algumas coisas do que a outras.</p><p>Como essas técnicas e instrumentos exemplifica-</p><p>dos acima são novos para estes profissionais, a atuação</p><p>na Atenção Primária voltada para a promoção da saúde</p><p>deve fazer parte de um processo de qualificação contí-</p><p>nua das equipes dos programas de saúde pública, em</p><p>que sejam incorporados conteúdos e metodologias que</p><p>subsidiem na qualidade do atendimento e superem os</p><p>desafios deste novo sistema estrutural de saúde.</p><p>Para finalizar esta reflexão acerca da atuação do pro-</p><p>fissional de saúde, iremos elencar alguns dos desafios</p><p>que são impostos a estes profissionais para que, a partir</p><p>do conhecimento, possam planejar ações para enfren-</p><p>tá-los (BRASIL, 2018). Um dos desafios colocados por</p><p>esse processo diz respeito ao planejamento, organização</p><p>e gerenciamento da ação intersetorial que, do ponto de</p><p>vista metodológico, apresenta a necessidade de avançar</p><p>no aperfeiçoamento dos métodos e técnicas a serem</p><p>utilizados no processo de planejamento das ações in-</p><p>tersetoriais, tendo em vista maior efetividade e impacto</p><p>sobre os problemas e necessidades sociais. Outro desafio</p><p>voltado para o aspecto metodológico seria a definição</p><p>de um modelo de identificação dos principais riscos à</p><p>saúde, com objetivo de estabelecer prioridades locais e</p><p>regionais, bem como a definição de agenda de pesquisas</p><p>na área de vigilância.</p><p>Por fim, construir estratégias para conceber a saúde no</p><p>âmbito da atenção básica de forma mais solidária e menos</p><p>punitiva, visto que os indivíduos têm as condições de vida</p><p>que são impostas (e depende do poder público) e o estilo</p><p>de vida individual (que depende da escolha do indivíduo),</p><p>portanto, existem limites para que a atuação profissional</p><p>não construa práticas autoritárias e prescritivas que, em</p><p>vez de produzir autonomia, acabam reduzindo-a.</p><p>179</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL DE EDUCA-</p><p>ÇÃO FÍSICA NA PROMOÇÃO DA SAÚDE</p><p>Diante das habilidades e desafios que abordamos an-</p><p>teriormente para a atuação do profissional de saúde de</p><p>equipes multidisciplinares da Atenção Primária à Saúde,</p><p>iremos refletir agora especificamente a atuação do pro-</p><p>fissional de Educação Física.</p><p>A implementação da PNPS deixou evidente o papel</p><p>fundamental do profissional de Educação Física para a</p><p>promoção da saúde (BRASIL, 2010). Assim, além do que</p><p>foi abordado, os profissionais precisam compreender e</p><p>ampliar visão de Promoção à Saúde, principalmente a</p><p>partir do diálogo com os outros profissionais da equipe</p><p>e a própria comunidade, os profissionais de Educação</p><p>Física devem compreender a atividade física como com-</p><p>ponente principal para a promoção da saúde.</p><p>Os principais pontos que podemos destacar da</p><p>PNPS para atuação específica para a atividade física são:</p><p>(a) ofertar práticas de atividade física, como caminha-</p><p>das, práticas lúdicas, prescrição de exercícios, esportivas</p><p>e de lazer, voltadas para a comunidade; (b) mapear e for-</p><p>talecer as ações de práticas de atividade física existentes</p><p>nos serviços de atenção básica; (c) inserir a prática de</p><p>atividade física nos locais em que não há ações, princi-</p><p>palmente para populações mais vulneráveis; (d) estimu-</p><p>lar a inclusão de pessoas com deficiências em projetos</p><p>de práticas de atividades físicas; (e) promover a interse-</p><p>torialidade, principalmente voltadas para melhorias am-</p><p>bientais e dos espaços públicos (urbanização dos espa-</p><p>ços públicos; criação de ciclovias e pistas de caminhadas;</p><p>segurança, outros), com o objetivo de aumentar os níveis</p><p>populacionais de atividade física (BRASIL, 2010).</p><p>Quando abordamos ações que abrangem a atuação</p><p>dos profissionais, é interessante destacar instrumentos</p><p>que auxiliem esses profissionais para o planejamento.</p><p>Um desses instrumentos é a plataforma “Portal Saúde</p><p>180</p><p>Baseada em Evidências”, que disponibiliza banco de da-</p><p>dos gratuito, contendo documentos científicos da área</p><p>de saúde, como fotos, vídeos e outras ferramentas (cal-</p><p>culadoras médicas e de análise estatística). Esta platafor-</p><p>ma está disponível para os profissionais de saúde das 14</p><p>profissões regulamentadas no Ministério da Saúde (in-</p><p>cluindo o profissional de Educação Física).</p><p>A utilização dessas ferramentas pelos profissionais</p><p>de Educação Física pode garantir melhor atendimento</p><p>prestado aos usuários dos serviços de saúde, pois esti-</p><p>mula a tomada de decisão clínica e de gestão baseada em</p><p>evidências científicas (com validade interna e externa de</p><p>boa qualidade). Isto quer</p><p>dizer que, o planejamento será</p><p>realizado com base em dados que têm apresentado re-</p><p>sultados positivos, e prevê, por exemplo, o tipo de atua-</p><p>ções que não têm apresentado os resultados esperados,</p><p>para que sejam analisados com cautela.</p><p>Como o profissional de Educação Física faz para</p><p>ingressar nesse mercado de trabalho? Para entrada no</p><p>SUS, os profissionais devem passar por concurso pú-</p><p>blico que é realizado pelas Secretarias de Saúde. O pro-</p><p>cesso conta, no geral, com realização de prova objetiva</p><p>(composta por conteúdos de conhecimento geral e es-</p><p>pecífico) e prova de título (comprovação de formação</p><p>continuada como títulos de especialização, mestrado e</p><p>doutorado). A partir de Fevereiro de 2020, o Ministério</p><p>do Trabalho incluiu o profissional de Educação Física na</p><p>Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), para atu-</p><p>ação permanente na área de saúde, especificamente nos</p><p>programas de atenção básica do SUS.</p><p>Com essa inclusão, os profissionais de Educação</p><p>Física passam a ter maior clareza no reconhecimento</p><p>para atuação dentro do SUS, sendo que a partir deste</p><p>reconhecimento, assim como os outros profissionais de</p><p>saúde, o profissional de Educação Física passa a ter re-</p><p>muneração de acordo com as atividades exercidas espe-</p><p>cíficas às suas competências. As exigências para atuação</p><p>requerem que o profissional tenha formação superior</p><p>em Educação Física e registro no Conselho Regional de</p><p>Educação Física.</p><p>181</p><p>considerações finais</p><p>Prezado(a) aluno(a), concluímos aqui a sua jornada ao universo da promoção da saúde.</p><p>Se recordarmos de forma sucinta o que abordamos, você se lembrará, que iniciamos</p><p>nos aprofundando sobre o nível da Atenção Primária a Saúde. Pudemos perceber que</p><p>o foco neste nível de atenção mudou toda a estrutura de atendimento do sistema de</p><p>saúde, em que nós deixamos de olhar para a doença dos usuários e centralizamos o</p><p>atendimento para a totalidade do indivíduo, ou seja, sua saúde geral.</p><p>Trouxemos, ainda, os principais conceitos que permeiam este novo cenário, como as</p><p>diferenças entre os termos prevenção em saúde e promoção de saúde, a definição mais</p><p>ampla de saúde e como os determinantes de saúde interferem no processo de saúde-do-</p><p>ença, compreendendo que muitos fatores que interferem na saúde não são “tratáveis”.</p><p>A partir de todo esse novo contexto de saúde, observamos que novas necessidades sur-</p><p>giram, o que exigiu dos profissionais de saúde nova forma de atuação. Os profissionais</p><p>tiveram que acompanhar as modificações do sistema, não mais utilizando abordagens</p><p>de atenção fragmentada e especializada, mas generalista, integral e humana.</p><p>Você teve acesso a algumas ferramentas novas que têm sido utilizadas para auxiliá-lo</p><p>nesta formação do profissional voltado para o atendimento à saúde pública. Diante</p><p>do que aprendeu, você é capaz de compreender o contexto da promoção da saúde e</p><p>como você pode se preparar para atuar nesta área. Portanto, encerramos por aqui</p><p>esta unidade, espero que tenha aproveitado este conhecimento que é apenas o início</p><p>de sua jornada até a própria prática. Desejo que esta teoria contribua para suas pró-</p><p>ximas experiências de atuação!</p><p>182</p><p>atividades de estudo</p><p>1. A atenção Básica faz parte da Rede de Atenção à Saúde, envolvendo pessoas</p><p>com doenças crônicas e outros tipos de patologias. Assim, sobre as competên-</p><p>cias da Atenção Básica, avalie as afirmativas.</p><p>I. Diagnosticar, rastrear e tratar a população de acordo com os protocolos e as</p><p>diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.</p><p>II. Realizar ações de promoção da saúde e de prevenção de doenças de forma</p><p>intersetorial.</p><p>III. Prevenir, diagnosticar e tratar precocemente as doenças e suas possíveis</p><p>complicações.</p><p>É correto o que se afirma em:</p><p>a. I, apenas.</p><p>b. II, apenas.</p><p>c. III, apenas.</p><p>d. I e II, apenas.</p><p>e. I, II e III.</p><p>2. A integralidade da atenção básica à saúde é um dos seus princípios. Assim,</p><p>uma atenção integral é voltada para:</p><p>a. Descentralização, equidade e atenção secundária.</p><p>b. Descentralização, equidade e atenção terciária.</p><p>c. Cura dos sintomas.</p><p>d. Promoção, proteção e recuperação da saúde.</p><p>e. Ausência de doenças.</p><p>183</p><p>atividades de estudo</p><p>3. Com relação à Política Nacional de Promoção da Saúde, avalie as afirmativas</p><p>como verdadeiras (V) ou falsas (F).</p><p>( ) Promover de forma justa e igualitária a assistência à saúde individual e co-</p><p>letiva.</p><p>( ) Promover espaços e ambientes saudáveis para o bem-estar.</p><p>( ) Dar voz à população valorizando as práticas integrativas.</p><p>( ) Estimular discussões sobre o modo de consumo e produção relacionados a</p><p>promoção da saúde.</p><p>A sequência correta é:</p><p>a. V, F, F, V.</p><p>b. F, V, V, V.</p><p>c. V, F, F, F.</p><p>d. V, F, V, V.</p><p>e. V, V, V, V.</p><p>4. Descreva qual a relação entre a Política Nacional de Promoção da Saúde e o</p><p>estímulo à prática de atividade física.</p><p>5. Apresente detalhadamente como o profissional de Educação Física pode con-</p><p>tribuir para a promoção da saúde.</p><p>184</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>A Classificação Brasileira de Ocupações (CBO), publicou, em 17 de fevereiro de 2020, o re-</p><p>conhecimento da categoria do Profissional de Educação Física na área da saúde, por meio</p><p>do código 2241-40 (CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES, 2020). Os profissionais</p><p>passam então a serem “Profissional de Educação Física na saúde” e passam a integrar, de</p><p>forma específica, as equipes dos Programas de Atenção Básica do Sistema Único de Saúde</p><p>(SUS), possibilitando a inclusão na tabela de prestação de serviços do SUS. O Conselho Fe-</p><p>deral de Educação Física (CONFEF, 2020) publicou uma nota que diz que:</p><p>O CÓDIGO DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NA SAÚDE FOI CRIADO E INCLUÍ-</p><p>DO NA CLASSIFICAÇÃO BRASILEIRA DE OCUPAÇÕES (CBO) - 2020.</p><p>VITÓRIA DA SOCIEDADE, RECONHECIMENTO DA PROFISSÃO E DO PROFISSIONAL DE</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA.</p><p>O Sistema CONFEF/CREF tem como uma de suas prioridades de ação o reconhecimen-</p><p>to e a legitimação da intervenção do Profissional de Educação Física na Saúde.</p><p>A recente publicação do código Permanente do Profissional de Educação Física na Saú-</p><p>de (2241-40) na CBO, elaborada pelo Ministério da Economia por solicitação do Minis-</p><p>tério da Saúde, representa a mais recente e importante conquista para a consolidação</p><p>da atuação profissional na área da saúde.</p><p>Os principais significados/benefícios do código Permanente são:</p><p>* Favorece a contratação de Profissionais de Educação Física no setor público e priva-</p><p>do de saúde</p><p>* Consolida o Profissional de Educação Física como integrante de equipe de Saúde</p><p>185</p><p>LEITURA</p><p>COMPLEMENTAR</p><p>* Reforça a inserção do Profissional de Educação Física na Saúde</p><p>* Fortalece a participação do Profissional de Educação Física no SUS</p><p>* Define atividades de competência do Profissional de Educação Física no setor saúde</p><p>Acompanhe os principais fatos que contribuíram para essa valorização profissional:</p><p>1997 – Reconhecimento do Profissional de Educação Física entre as categorias de pro-</p><p>fissionais da Saúde pelo CNS</p><p>2008 – Inclusão do Profissional de Educação Física nas Equipes de Saúde da Família do</p><p>Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF)</p><p>2013 - Criação do Código Provisório 2241-E1 pelo Ministério da Saúde</p><p>2013 - CNS - Código CBO obrigatório para Profissionais na Academia da Saúde</p><p>2013 - Publicação da Lei 12.864, que inclui a atividade física como fator determinante</p><p>e condicionante da saúde</p><p>2020 - CBO permanente do Profissional de Educação Física na saúde pelo Ministério</p><p>da Economia.</p><p>Para pesquisar mais sobre o assunto, acesse o código da CBO pelo site: https://www.crefsc.</p><p>org.br/ministerio-do-trabalho-inclui-profissional-de-educacao-fisica-na-area-da-saude/</p><p>Fonte: adaptado de CONFEF (2020, on-line).</p><p>https://www.crefsc.org.br/ministerio-do-trabalho-inclui-profissional-de-educacao-fisica-na-area-da-saude/</p><p>https://www.crefsc.org.br/ministerio-do-trabalho-inclui-profissional-de-educacao-fisica-na-area-da-saude/</p><p>186</p><p>material complementar</p><p>Saúde da Família - Considerações Teóricas e aplicabilidades</p><p>Elisabete Calabuig Chapina Ohara, Raquel Xavier de Souza Saito</p><p>Editora:</p><p>Martinari</p><p>Sinopse: este livro surgiu da necessidade de os docentes da disciplina Saúde da</p><p>Família e Saúde Coletiva possuírem um material didático baseado no aprofunda-</p><p>mento de discussões e na construção de propostas para a atenção à saúde nos</p><p>diferentes ciclos de vida, de forma contextualizada e relacionada com as Políticas</p><p>de Saúde vigentes. Na construção do livro, os docentes e discentes da Faculdade</p><p>Santa Marcelina contribuíram, além dos aspectos relacionados à área da biologia,</p><p>também com conteúdos de abordagem socioculturais que influenciam diretamen-</p><p>te e modificam as relações familiares e a sua avaliação. Os capítulos propõem uma</p><p>reflexão do modelo assistencial instituído, elege como ponto central o estabeleci-</p><p>mento do vínculo e a criação de compromisso além de coresponsabilidade entre</p><p>os profissionais de saúde e a população. Contém uma proposta de contribuir para</p><p>a melhora da qualidade assistencial na Atenção Primária e melhorar a capacidade</p><p>resolutiva por meios de ações de promoção e prevenção. Podemos dizer que o ma-</p><p>terial sistematizado é capaz de instrumentalizar para a prática com fundamentos</p><p>científicos, proporcionando uma visão holística do indivíduo e da família.</p><p>Indicação para Ler</p><p>187</p><p>referências</p><p>AINSWORTH, B. E. et al. Compendium of physical activities: an update of activity</p><p>codes and MET intensities. Medicine and science in sports and exercise, v. 32, n. 9</p><p>Suppl, p. S498, 2000.</p><p>ALMEIDA FILHO, N. A clínica e a epidemiologia. 2. ed. Salvador: APCE-Abrasco,</p><p>1997.</p><p>ALMEIDA FILHO, N. Uma breve história da Epidemiologia. In: ROUQUAYROL,</p><p>M. Z.; ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia & Saúde. 6. ed. Rio de Janeiro: MEDSI,</p><p>2003.</p><p>AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Diretrizes do ACSM para os tes-</p><p>tes de esforço e sua prescrição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.</p><p>ARAÚJO, J, D. Polarização epidemiológica no Brasil. Epidemiologia e Serviços de</p><p>Saúde, Brasília, DF, v. 21, n. 4, p. 6, dez. 2012.</p><p>AROUCA, A. S. Democracia é saúde. In: Conferência Nacional de Saúde. Brasília:</p><p>DF, 1986. p. 35-42.</p><p>ASCHENGRAU, A.; SEAGE, G. R. Essentials of epidemiology in public health. 4.</p><p>ed. Burlington: Jones & Bartlett Learning, 2020.</p><p>BARBOTTE, E.; GUILLEMIN, F.; CHAU, N.; THE LORHANDICAP GROUP. Pre-</p><p>valence of impairments, disabilities, handicaps and quality of life in the general popu-</p><p>lation: a review of recent literature. Bull World Health Organ, v. 79, n. 11, p. 1047-55,</p><p>2001.</p><p>BAVEL, J. V. The world population explosion: causes, backgrounds and projections</p><p>for the future. FVV in ObGyn, v, 5, n. 4, p. 281-291, 2013.</p><p>BECCHI, A. et al. Perspectivas atuais de cogestão em saúde: vivências do Grupo de</p><p>Trabalho de Humanização na Atenção Primária à Saúde. Saúde Soc,. São Paulo, v.</p><p>22, n. 2, p. 653-660, 2013.</p><p>BENEDETTI, T. R.; SILVA, D. A. S.; SILVA, K. S.; NASCIMENTO, J. V. A formação</p><p>do profissional de Educação Física para o setor saúde. 1. ed. Florianópolis: Post Mix,</p><p>2014.</p><p>BERQUÓ, E. S. Fatores Estáticos e Dinâmicos (Mortalidade e Fecundidade). In:</p><p>SANTOS, J. L. F.; LEVY, M. S. F.; SZMRECSÁNYI, T. (Orgs.). Dinâmica da Popula-</p><p>ção: Teoria, Métodos e Técnicas de Análise. São Paulo: T. A. Queiroz, , 1980.</p><p>BONFIM, G. C. S. O NASF no município de Fortaleza e a intervenção do professor</p><p>de Educação Física. Revista Diálogos Acadêmicos, v. 2, n. 1, 2012.</p><p>188</p><p>referências</p><p>BOUCHARD, C. et al. Exercise, fitness and health: The concensus statement. In:</p><p>BOUCHARD, C. et al. Exercise, fitness and health. Champaign, Illinois, Human</p><p>Kinetics Books, 1990.</p><p>BOUCHARD, C.; BLAIR, S. N.; HASKELL, W. L. Physical activity and health. 2. ed.</p><p>Champaign: Human Kinetics, 2012.</p><p>BRASIL. Conselho Nacional de Secretários de Saúde. Sistema Único de Saúde. Bra-</p><p>sília: CONASS, 2011.</p><p>BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil de</p><p>1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constitui-</p><p>cao.htm. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>BRASIL. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Dispõe sobre as condições para</p><p>a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos</p><p>serviços correspondentes e dá outras providências. Disponível em: http://www.pla-</p><p>nalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Núcleos de Apoio à Saúde da Família: Conceitos</p><p>e Diretrizes. Ministério da Educação, 2013.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Academia da Saúde, 2020. Disponível em: https://</p><p>www.saude.gov.br/acoes-e-programas/academia-da-saude/sobre-o-programa. Aces-</p><p>so em: 02 set. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica. Núcleo de Apoio à Saú-</p><p>de da Família: Ferramentas para a gestão e para o trabalho cotidiano. Brasília: Minis-</p><p>tério da Saúde, 2014. Volume 1.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Brasília:</p><p>MS, 2006.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. Revisão da</p><p>Portaria MS/GM nº 687, de 30 de março de 2006. Brasília: Ministério da Saúde,</p><p>2015. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnps_revisao_por-</p><p>taria_687.pdf. Acesso em: 11 set. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria 154/2008, de 24 de janeiro de 2008. Cria os</p><p>Núcleos de Apoio à Saúde da Família - NASF. Disponível em: http://bvsms.saude.</p><p>gov.br/bvs/saudelegis/gm/2008/prt0154_24_01_2008.html. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria n° 2.436, de 21 de setembro de 2017. Aprova</p><p>a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnps_revisao_portaria_687.pdf</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/pnps_revisao_portaria_687.pdf</p><p>189</p><p>referências</p><p>organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). Dispo-</p><p>nível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2017/prt2436_22_09_2017.</p><p>html. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria, nº 3124, de 28 de dezembro de 2012. Rede-</p><p>fine os parâmetros de vinculação dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF)</p><p>Modalidades 1 e 2 às Equipes Saúde da Família e/ou Equipes de Atenção Básica para</p><p>populações específicas, cria a Modalidade NASF 3, e dá outras providências. Dispo-</p><p>nível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm./2012/prt3124_28_12_2012.</p><p>html. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde no Brasil: desafios e perspectivas. Brasília, 1998.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção Primária à Saúde Departa-</p><p>mento de Saúde da Família. Nota Técnica nº 3/2020-DESF/SAPS/MS. Brasília, DF,</p><p>2020. Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2020/01/</p><p>NT-NASF-AB-e-Previne-Brasil.pdf. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Aten-</p><p>ção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde / Ministério da Saúde, Secre-</p><p>taria de Vigilância em Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. 3. ed. Brasília: Minis-</p><p>tério da Saúde, 2010.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Aten-</p><p>ção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde: PNPS: Anexo I da Portaria</p><p>de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017, que consolida as normas sobre as</p><p>políticas nacionais de saúde do SUS/ Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância</p><p>em Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.</p><p>BRASIL. Portaria de Consolidação nº 2, de 28 de setembro de 2017. Consolidação</p><p>das normas sobre as políticas nacionais de saúde do Sistema Único de Saúde. Dis-</p><p>ponível em: https://www.saude.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/do-</p><p>cumento/2020-05/10_portaria_de_consolidacao_n_2_2017_contratualizacao_co-</p><p>sems.pdf. Acesso em: 11 set. 2020.</p><p>BRASIL. Rede Interagencial de Informação para a Saúde Indicadores básicos para</p><p>a saúde no Brasil: conceitos e aplicações - Ripsa. 2. ed. Brasília: Organização Pan-A-</p><p>mericana da Saúde, 2008.</p><p>BRIEFEL, R.; JOHNSON, C. Secular trends in dietary intake in the United States.</p><p>Annual Review of Nutrition, v. 24, p. 401-431, 2004.</p><p>BUSS, P. M. Uma introdução ao conceito de promoção da saúde. In: CZERESNIA,</p><p>190</p><p>referências</p><p>D.; FREITAS, C. M. Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. 2. ed. Rio</p><p>de Janeiro: Editora Fiocruz, 2009.</p><p>CAMPOS, G. W. S.; DOMITTI, A. C. Apoio matricial e equipe de referência: uma</p><p>metodologia para gestão do trabalho interdisciplinar em saúde. Cadernos de Saúde</p><p>Pública, v. 23, n. 2, p. 399-407, 2007.</p><p>CAMPOS, G. W. S.; MINAYO, M. C. S.; AKERMAN, C.; DRUMOND JÚNIOR,</p><p>M.; CARVALHO, Y. M. Tratado de Saúde Coletiva. 1. ed. Rio de Janeiro: Hucitec e</p><p>Fiocruz, 2009.</p><p>CAPONI S. A. saúde como abertura ao risco. In: CZERESNIA, D.; FREITAS, C. M.</p><p>(Org.). Promoção da saúde: conceitos, reflexões, tendências. Rio de Janeiro: Fiocruz,</p><p>2003.</p><p>CARVALHO, G. Os governos trincam e truncam o conceito de integralidade. Revis-</p><p>ta Radis, n. 49, 2006.</p><p>CASPERSEN, C. J.; POWELL, K. E.; CHRISTERSON, G. M. Physical Activity, Exer-</p><p>cise and Physical Fitness: Definitions and Distinctions for Health-Related Research.</p><p>Public Health Reports. v. 100, n. 2, p.126-131, 1985.</p><p>CAVENAGHI, S.; CABELLA, W. Comportamento reprodutivo e fecundidade na</p><p>América Latina: uma agenda inconclusa / Organización: Suzana Cavenaghi, Wanda</p><p>Cabella. Río de Janeiro: ALAP, 2014.</p><p>CNDSS. Comissão Nacional sobre Determinantes Sociais da Saúde. As causas so-</p><p>ciais das iniquidades em saúde no Brasil. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, 2008.</p><p>COELHO, I. B. Formas de pensar e organizar o sistema de saúde: os modelos assis-</p><p>tenciais em saúde. In: CAMPOS, G. W. S.; GUERRERO, A. V. P. (Org.). Manual de</p><p>práticas de atenção básicas: saúde ampliada e compartilhada. São Paulo: Hucitec,</p><p>2008. p. 85-120.</p><p>CONFEF. Conselho Federal de Educação Física. Profissional de Educação Física na</p><p>saúde está na CBO. Confef, 2020. Disponível em: https://www.confef.org.br/confef/</p><p>comunicacao/noticias/1474. Acesso em: 11 set. 2020.</p><p>COSTA, A. J. L. Metodologias e indicadores para avaliação da capacidade funcional:</p><p>análise preliminar do Suplemento Saúde da Pesquisa Nacional por Amostra de - Do-</p><p>micílios PNAD, Brasil 2003. Ciência & Saúde Coletiva, v. 11, p. 927-40, 2006.</p><p>COUTINHO, J. G. et al. A desnutrição e obesidade no Brasil: o enfrentamento com</p><p>base na agenda única da nutrição. Cadernos de Saúde Pública, v. 24, Sup 2, S332-</p><p>S340, 2008.</p><p>191</p><p>referências</p><p>FONSECA, S. C.; COUTINHO, E. S. F. Pesquisa sobre mortalidade perinatal no Bra-</p><p>sil: revisão da metodologia e dos resultados. Caderno de Saúde Pública, v. 20, n. 1,</p><p>p. S7-S19, 2004.</p><p>FORATTINI, O. P. Ecologia, epidemiologia e sociedade. São Paulo: Artes Médicas,</p><p>1992.</p><p>FORD, E. S. C-reactive protein concentration and cardiovascular disease risk factors</p><p>in children: findings from the National Health and Nutrition Examination Survey</p><p>1999–2000. Circulation, v. 108, p. 1053-1058, 2003.</p><p>FRANCO LAÉRCIO, J.; COSTA, A. D. Fundamentos de epidemiologia. 2. ed. Ba-</p><p>rueri: São Paulo, Manole, 2011.</p><p>FUHRMANN, N. L. Programa Saúde da Família: viabilizando a saúde pública uni-</p><p>versalizada no Brasil. Revista Texto & Contexto, n. 2, 2003.</p><p>FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Saúde da família perde modelo do NASF. 2020.</p><p>Disponível em: https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/noticias/saude-da-fa-</p><p>milia-perde-modelo-do-nasf. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>GUTHOLD, R.; STEVENS, G. G.; RILEY, L. M.; BULL, F. C. Worldwide trends in</p><p>insufficient physical activity from 2001 to 2016: a pooled analysis of 358 population-</p><p>-based surveys with 1·9 million participants. The Lancet, v. 6, p. e-1077-1086, 2018.</p><p>HARDMAN, A. E.; STENSEL, D. J. Physical Activity and Health: The Evidence Ex-</p><p>plained. 2. ed. Routledge, London and New York, 2009.</p><p>HENNEKENS, C. H.; BURING, J. E. Epidemiology in Medicine. Borton: Litte,</p><p>Brown & Company, 1987.</p><p>IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Números do Censo 2020. Bra-</p><p>sília, DF. Disponível em: https://censo2020.ibge.gov.br/sobre/numeros-do-censo.</p><p>html#:~:text=N%C3%BAmeros%20do%20Censo%202020&text=Veja%2C%20a%20</p><p>seguir%2C%20algumas%20informa%C3%A7%C3%B5es,a%20serem%20visita-</p><p>dos%2C%205570%20munic%C3%ADpios. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>IDE, P. H.; MARTINS, M. S. A. S.; SEGRI, N. J. Tendência dos diferentes domínios</p><p>da atividade física em adultos brasileiros: dados do Vigitel de 2006-2016. Cad. Saúde</p><p>Pública, v. 36, n. 8, e00142919, 2020.</p><p>INSTITUTE FOR HEALTH METRICS AND EVALUATION. Country Profiles,</p><p>2017. University of Washington: Seattle; 2020. Disponível em: http://www.healthda-</p><p>ta.org/results/country-profiles. Acesso em: 02 set. 2020.</p><p>192</p><p>referências</p><p>ISPAH. International Society for Physical Activity and Health. The Bangkok Decla-</p><p>ration on Physical Activity for Global Health and Sustainable Development. British</p><p>of Journal Sports Medicine, v. 51, p. 1389–91, 2017.</p><p>KELLY, T.; YANG, W.; CHEN, C.; REYNOLDS, K.; H. E, J. Global burden of obesi-</p><p>ty in 2005 and projections to 2030. International Journal of Obesity, v. 32, n. 9, p.</p><p>1431–1437, 2008.</p><p>KLEINBAUM, D. G.; KUPPER, L. L.; MORGENSTERN, H. Epidemiologic Resear-</p><p>ch. Principles and quantitative methods. New York: Van Nostrand Reinhold Com-</p><p>pany, 1982.</p><p>KNUTH, A.; HALLAL. P. Temporal trends in physical activity: A systematic review.</p><p>Journal of Physical Activity and Health, v. 6, n. 5, p. 548-559, 2009.</p><p>LAST, J. M. A dictionary of epidemiology. 4. ed. Oxford: Oxford University Press,</p><p>2001.</p><p>LAST, J. M. A dictionary of epidemiology. Oxford: Internacional Epidemiological</p><p>Association, Oxford University Press, 1988.</p><p>LAURENTI, R.; MELLO, J. M. H. P.; GOTLIEB, L. F. A confiabilidade dos dados de</p><p>mortalidade e morbidade por doenças crônicas não transmissíveis. Ciência & Saúde</p><p>Coletiva, v, 9. n. 4, p. 909-20, 2004.</p><p>LAURENTI, R.; MELLO, J. M. H. P.; GOTLIEB, L. F. Estatísticas de Saúde. São</p><p>Paulo: EPU, 2005.</p><p>LERNER, M. Modernization and health: a model of the health transition. Docu-</p><p>mento apresentado na Reunião Anual da American Public Health Association, São</p><p>Francisco, Califórnia, 1973.</p><p>LIMA, T. A porta de entrada do SUS e o tratamento contínuo! Rede Humaniza SUS.</p><p>2016. Disponível em: http://redehumanizasus.net/94461-seja-bem-vindo/. Acesso</p><p>em: 02 set. 2020.</p><p>MARTINS, A. A. B.; TEIXEIRA, D.; BATISTA, B. G.; STEFFENS, D. Epidemiologia.</p><p>Porto Alegre: Dieimi Deitos, 2018.</p><p>McDOWELL, I.; NEWEL, C. Measuring Health: A Guide to Rating Scales and Ques-</p><p>tionnaires. New York: Oxford University Press, 1996.</p><p>MEDRONHO, R. A. Epidemiologia. 2. ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2009.</p><p>MELO, E. A. et al. Dez anos dos Núcleos de Apoio à Saúde da Família (Nasf ): pro-</p><p>blematizando alguns desafios. Saúde debate, v. 42, n. 1, p. 328-340, 2018.</p><p>193</p><p>referências</p><p>MENDES GONÇALVES, R. B. Tecnologia e Organização Social das Práticas de</p><p>Saúde: características tecnológicas do processo de trabalho na rede estadual de cen-</p><p>tros de saúde de São Paulo. São Paulo: Hucitec/Abrasco, 1994.</p><p>MENDES, E, V. As redes de atenção à saúde. 2. ed. Brasília: Organização Pan-Ame-</p><p>ricana da Saúde, 2011.</p><p>MENDONÇA, C. P.; ANJOS, L. A. Aspectos das práticas alimentares e da atividade</p><p>física como determinantes do crescimento do sobrepeso/obesidade no Brasil. Cader-</p><p>nos de Saúde Pública, v, 20, n. 3, p. 698- 709, 2004.</p><p>MORENO, A. B.; FAERSTEIN, E.; WERNECK, G. L.; LOPES, C. S.; CHOR, D. Pro-</p><p>priedades psicométricas do Instrumento Abreviado de Avaliação de Qualidade de</p><p>Vida da Organização Mundial da Saúde no Estudo Pró-Saúde. Cad. Saúde Pública,</p><p>v. 22, n. 12, p: 2585-2597, 2006.</p><p>NAÇÕES UNIDAS. Department of Economic and Social Affairs, Population Divi-</p><p>sion (2019). World Population Prospects 2019, Volume II: Demographic Profiles</p><p>(ST/ESA/SER.A/427). Disponível em: https://population.un.org/wpp/Graphs/De-</p><p>mographicProfiles/Line/900. Acesso em: 27 ago. 2020.</p><p>NAHAS, M. V. Atividade física como fator de qualidade de vida. Revista Artus. v. 13,</p><p>n. 1, p. 21-27, 1997.</p><p>NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH NATIONAL HEART LUNG AND BLOOD</p><p>INSTITUTE. Clinical guidelines on the identification, evaluation, and treatment</p><p>of</p><p>overweight and obesity in adults: The evidence report. Obesity Research, v. 6, n. 2,</p><p>p. 51-210, 1998.</p><p>NCD RISK FACTOR COLLABORATION. Worldwide trends in body-mass index,</p><p>underweight, overweight, and obesity from 1975 to 2016: a pooled analysis of 2416</p><p>population-based measurement studies in 128·9 million children, adolescents, and</p><p>adults. The Lancet, v. 30, p. 2627–42, 2017.</p><p>NORONHA, C. V. et al. Plano Intersetorial e Modular de Ação para a Promoção da</p><p>Paz e da Qualidade de Vida na Cidade do Salvador. (Projeto em fase de elaboração</p><p>pelo Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBa) me-</p><p>diante convênio com a Prefeitura Municipal de Salvador). Salvador, Bahia, maio de</p><p>2000. 52p.</p><p>NORONHA, J. C.; LIMA, L. D.; MACHADO, C. V. O Sistema Único de Saúde – SUS.</p><p>In: GIOVANELLA, L. et al. (Org.). Políticas e sistema de saúde no Brasil. Rio de</p><p>Janeiro: Fiocruz, 2008. p. 435-472.</p><p>194</p><p>referências</p><p>O’CONNOR, J.; SEYMOUR, J. Introduzindo a programação neurolinguística:</p><p>como entender e influenciar as pessoas. São Paulo: Summus, 1995.</p><p>OLIVEIRA, D. C. Elaboração de modelos linguísticos, baseados na teoria de con-</p><p>juntos fuzzy, para mensuração da qualidade de vida relacionada à saúde [disserta-</p><p>ção]. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro; 2004.</p><p>OLIVEIRA, R. A. R. de; MOREIRA, O. C.; MOTA JUNIOR, R. J.; MARINS, J. C. B.</p><p>Associação entre índice de adiposidade corporal e fatores de risco cardiovasculares</p><p>em professores. Rev. bras. cineantropom. desempenho hum. [online]. 2020, v. 22,</p><p>e59010. Epub May 18, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?pi-</p><p>d=S1980-00372020000100327&script=sci_abstract&tlng=pt. Acesso em: 02 set.</p><p>2020.</p><p>OMRAM, A. R. The epidemiologic transition: a theory of the epidemiology of po-</p><p>pulation change. Milbank Memorial Fund Quartely, v. 49, n. 4, pg. 509-538, 1971.</p><p>OMRAM, A. R. The epidemiologic transition: a theory of the epidemiology of popu-</p><p>lation change. Bulletin of the World Health Organization, v. 79, n. 2, pg. 161-170,</p><p>2001.</p><p>ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). A atenção à saúde co-</p><p>ordenada pela APS: construindo as redes de atenção no SUS: contribuições para o</p><p>debate. Brasília, DF: OPAS, 2011.</p><p>ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Folha informativa – COVID-19</p><p>(doença causada pelo novo coronavírus). Disponível em: https://www.paho.org/</p><p>bra/index.php?option=com_content&view=article&id=6101:covid19&Itemid=875.</p><p>Acesso em: 27 ago. 2020.</p><p>PAIM, J. A. Modelos de atenção e vigilância da saúde. In: ROUQUAYROL, M. Z.;</p><p>ALMEIDA, F. N. (Orgs.). Epidemiologia e Saúde. 6. ed. Rio de Janeiro: MEDSI;</p><p>2003. p. 567-586.</p><p>PATARRA, L. P. Mudanças na dinâmica demográfica. In: MONTEIRO, C. A. (Org.).</p><p>Velhos e Novos Males da Saúde no Brasil. 2. ed., São Paulo: Editora Hucitec, 2000.</p><p>p. 61-78,</p><p>PATE, R. R. et al. Physical activity and public health. A recommendation from the</p><p>Centers for Disease Control and Prevention and the American College of Sports</p><p>Medicine. JAMA. v. 273, n. 5, p. 402–7, 1995.</p><p>PATRICK, D. L.; ERICKSON, P. Health status and health policy: quality of life in he-</p><p>alth care evaluation and resource allocation. New York: Oxford University Press: 1993.</p><p>195</p><p>referências</p><p>PEREIRA, M. G. Epidemiologia: Teoria e Prática. Rio de Janeiro: Guanabara, 1995.</p><p>PINHO, A.; et al. Manual Básico de Saúde Pública. 1. ed. Penápolis: Edição dos</p><p>autores, 2012.</p><p>PIZZICHINI, M. M. M.; PATINO, C. M.; FERREIRA, J. C. Medidas de frequência:</p><p>calculando prevalência e incidência na era do COVID-19. J. bras. pneumol. [online],</p><p>v. 46, n. 3, e20200243, 2020.</p><p>REICHENHEIM, M. E.; MORAES, C. L. Buscando a qualidade das informações em</p><p>pesquisas epidemiológicas. In: MINAYO, M. C. S.; DESLANDES, S. F. (org.) Cami-</p><p>nhos do Pensamento. Epistemologia e método. Rio de Janeiro: Fiocruz, 2002.</p><p>RIEG, D. L. Planejamento estratégico: uso das metodologias “mapeamento cogniti-</p><p>vo e planejamento estratégico situacional” em uma situação concreta. 130f. Disser-</p><p>tação (Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de São Carlos</p><p>- UFSCar, São Carlos, 1999.</p><p>RIEG, D. L.; ARAÚJO FILHO, O. Uso das metodologias “planejamento estratégico</p><p>situacional” e “mapeamento cognitivo” em uma situação concreta: o caso da pró-rei-</p><p>toria de extensão da UFSCar. Gestão & Produção, n. 9, v. 2, p: 163-179, 2002.</p><p>RIPSA. Rede Interagencial de Informações para a Saúde. Indicadores básicos de saú-</p><p>de no Brasil: conceitos e aplicações. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde,</p><p>2002.</p><p>ROMEDER, J. M.; McWHINNIE, J. R. Años de vida potencial perdidos entre las</p><p>enades de 1 a 70 años: un indicador de mortalidad prematura para la planificacion</p><p>de la salud. In: BUCK, C.; LLOPIS, A.; NÁJERA, E.; TERRIS, M. El Desafio de la</p><p>Epidemiologia: Problemas e lecturas selecionadas. Publicación científica No. 505.</p><p>Washington: Opas 1988; 254-63.</p><p>ROSS, R.; JANSSEN. I. Physical activity, total and regional obesity: Dose-response</p><p>considerations. Medicine and Science in Sports and Exercise, v. 33, n. 6, p. 521-527,</p><p>2001.</p><p>ROTHMAN, K. J.; GREENLAND, S. Modern Epidemiology. 2. Ed. Lippincott-Ra-</p><p>ven Publishers, 1998.</p><p>ROUQUAYROL, M. Z.; GURGEL, M. Epidemiologia e Saúde. 8. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Medbook Editora Científica, 2017.</p><p>ROUQUAYROL, M. Z.; SILVA, M. G. C. Epidemiologia & saúde. 7. ed. Rio de Janei-</p><p>ro: MedBook, 2013.</p><p>196</p><p>referências</p><p>SADANA, R. Development of standardized health descriptions. In: MURRAY, C. J.</p><p>L.; SALOMON, J. A.; MATHERS, C. D.; LOPEZ, A. D. (ed.). Summary measures of</p><p>population health. Concepts, ethics, measurement and applications. World Health</p><p>Organization, p. 315-28, 2002.</p><p>SANTOS, M.; PEGORARO, M.; SANDRINI, F.; MACUCO, E. Fatores de risco no</p><p>desenvolvimento da aterosclerose na infância e adolescência. Arquivos Brasileiros</p><p>de Cardiologia, v. 90, n. 4, p. 301-308, 2008.</p><p>SANTOS, R. A. B. G.; UCHÔA-FIGUEIREDO, L. R.; LIMA, L. C. Apoio matricial e</p><p>ações na atenção primária: experiência de profissionais de ESF e Nasf. Saúde debate,</p><p>v. 41, n. 114, 2017.</p><p>SANTOS, S. F. S. Núcleo de apoio à saúde da família no Brasil e a atuação do profis-</p><p>sional de educação física. 2012. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Uni-</p><p>versidade Federal de Santa Catarina, Centro de Desportos, 2012.</p><p>SCHRAMM, J. M. A. et al. Epidemiological transition and the study of burden of</p><p>disease in Brazil. Revista Ciência & Saúde Coletiva, v. 9, n. 4, pg. 897-904, 2004.</p><p>SILVA JUNIOR, A. G.; ALVES, C. A. Modelos Assistenciais em Saúde: desafios e</p><p>perspectivas. In: MOROSINI, M. V. G. C.; CORBO, A. D. A. (Orgs.). Modelos de</p><p>atenção e a saúde da família. Rio de Janeiro: EPSJV, Fiocruz; 2007. p. 27-41.</p><p>SILVA, D. A. S.; CHRISTOFARO, D. G. D.; FERRARI, G. L. M.; SILVA, K. S.; NAR-</p><p>DO JR., N.; SILVA, R. J. S.; FERNANDES, R. A.; BARBOSA FILHO, V. C. Boletim</p><p>Brasil 2018: Está na hora de cuidar das crianças e dos adolescentes! Relatório sobre</p><p>atividades físicas em crianças e adolescentes brasileiros. 1. ed. Ottawa: Active Heal-</p><p>thy Kids Global Alliance, 2018.</p><p>SILVA, D. J.; MIRANDA, N. A “diferença de classe” no Sistema Único de Saúde: o</p><p>que está em risco?. Revista Paradigma, Ribeirão Preto-SP, a. XIX, n. 23, p. 97-113,</p><p>2014.</p><p>SILVA, M. J. S.; SCHRAIBER, L. B.; MOTA, A. O conceito de saúde na Saúde Coleti-</p><p>va: contribuições a partir da crítica social e histórica da produção científica. Physis:</p><p>Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 29, n. 1, e290102, 2019.</p><p>SOLHA, R. K. T. Saúde coletiva para iniciantes: políticas e práticas profissionais. 2.</p><p>ed. São Paulo: Érica, 2014.</p><p>SOUZA, H. P. Doenças infecciosas e parasitárias no Brasil de 2010 a 2017: aspectos</p><p>para vigilância em saúde. Rev Panam Salud Publica, v. 44, 2020.</p><p>197</p><p>referências</p><p>SOUZA, S. C.; LOCH, M. R. Intervenção do profissional de educação física nos Nú-</p><p>cleos de Apoio à Saúde da Família em municípios do norte do Paraná. Revista Bra-</p><p>sileira de Atividade Física e Saúde, v. 16, n. 1, p. 5-10, 2011.</p><p>STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, serviços e</p><p>tecnologia.</p><p>Brasília: UNESCO, 2002.</p><p>STARFIELD, B. et al. Measurement of outcome: A proposed scheme. Milbank Q, v.</p><p>52, p. 39-50, 1974.</p><p>STARFIELD, B. Health services research: A working model. N Engl J Med, v. 289, p.</p><p>32-6, 1973.</p><p>SZKLO, M.; NIETO, F. J. Epidemiology beyond the basics. Maryland: An Ashen</p><p>Publication, 2000.</p><p>THOMPSON, W. S. Population. American Journal of Sociology. 1929; 34:959-975.</p><p>U.S. DEPARTMENT OF HEALTH AND HUMAN SERVICES. Physical Activity</p><p>Guidelines for Americans. 2. ed. Washington: U.S. Department of Health and Hu-</p><p>man Services, 2018.</p><p>VAUGHAN, J. P.; MORROW, R. H. Epidemiologia para municípios: manual para</p><p>gerenciamento dos distritos sanitários. São Paulo: Hucitec, 1992.</p><p>VUORI, H. The role of schools of public health in the development of primary health</p><p>care. Health Policy, v. 4, p. 221-30, 1985.</p><p>WHO. World Health Organization. Closing the Gap in a Generation. Commission</p><p>on Social Determinants of Health Final Report. Geneva: WHO Press, 2008.</p><p>WHO. World Health Organization. Global action plan on physical activity 2018–</p><p>2030: more active people for a healthier world. Geneva: WHOrganization, 2018.</p><p>WHO. World Health Organization. Global recommendations on physical activity</p><p>for health. Geneva: World Health Organization, 2010.</p><p>WHO. World Health Organization. Integrating neglected tropical diseases in glo-</p><p>bal health and development Fourth WHO report on neglected tropical diseases.</p><p>Genebra: WHO, 2017. Disponível em: https://unitingtocombatntds.org/wp-content/</p><p>uploads/2017/11/4th_who_ntd_report.pdf. Acesso em: 27 ago. 2020.</p><p>WHO. World Health Organization. International classification of impairment, di-</p><p>sability and handicap. Geneva, 1980.</p><p>198</p><p>referências</p><p>WHO. World Health Organization. International Statistical Classification of Di-</p><p>seases and Related Health Problems. 10. revision. Genebra: World Health Organi-</p><p>zation, 1993. (Traduzido para o português pelo Centro Colaborador da OMS para</p><p>a Classificação de Doenças em Português. Classificação Internacional de Doenças e</p><p>Problemas Relacionados à Saúde. 10 revisão. São Paulo: EDUSP; 1995).</p><p>WHO. World Health Organization. Obesity: Preventing and managing the</p><p>global epidemic. Report of a WHO consultation on obesity. WHO/NUT/</p><p>NCD/981. Geneva: World Health Organization, 1998.</p><p>WHO. World Health Organization. Study Group of measurement of levels of</p><p>health. Geneva, 1957 (Techn. Rep. Serv. 137).</p><p>199</p><p>gabarito</p><p>1. E.</p><p>2. D.</p><p>3. E.</p><p>4. Um dos temas prioritários da Política Nacional</p><p>de Promoção da Saúde é o estímulo à prática</p><p>de atividade física, promovendo ações, acon-</p><p>selhamento e divulgação de práticas corporais</p><p>e de atividades físicas, incentivando a melho-</p><p>ria das condições dos espaços públicos, consi-</p><p>derando a cultura local e incorporando brinca-</p><p>deiras, jogos, danças populares, entre outras</p><p>práticas para a toda a população. Além disso,</p><p>a Política Nacional de Promoção da Saúde per-</p><p>meia a disponibilidade de ambientes favorá-</p><p>veis à prática de atividade física e bem-estar.</p><p>5. O profissional de Educação Física proporciona</p><p>a promoção de saúde quando oferta e estimu-</p><p>la práticas de atividade física, como caminha-</p><p>das, práticas lúdicas, prescrição de exercícios,</p><p>práticas voltadas ao lazer e que possa abran-</p><p>ger toda a comunidade. Além disso, ele pode</p><p>atuar no mapeamento e fortalecimento de</p><p>ações de práticas de atividade física existentes</p><p>nos serviços de atenção básica, como ações</p><p>dentro das Unidades Básicas de Saúde ou, até</p><p>mesmo, específicas para populações mais vul-</p><p>neráveis. No mais, pode-se promover estraté-</p><p>gias intersetoriais que voltem a atenção para</p><p>melhorias de espaços públicos, como ciclovias</p><p>e pistas de caminhadas, que possibilitem uma</p><p>prática segura e saudável</p><p>conclusão geral</p><p>É querido(a) aluno(a), chegamos ao final do nosso percurso que buscou o enten-</p><p>dimento profundo sobre o tema da Epidemiologia associada à Educação Física.</p><p>Você pôde passar por vários caminhos neste processo. Primeiro, aprendeu os</p><p>pontos básicos sobre Epidemiologia e os conteúdos que a cercam, conhecendo a</p><p>história e o surgimento da área da Epidemiologia e os indicadores que nos possi-</p><p>bilitam detectar o desenvolvimento de possíveis doenças ou agravos à saúde. En-</p><p>tão, conheceu como as doenças se instalaram na população e quais as mudanças</p><p>populacionais afetadas por elas, ocasionando as chamadas transições epidemio-</p><p>lógicas e demográficas.</p><p>Você notou que a inatividade física é um grande agravo à saúde e está entre</p><p>as doenças que afetaram modificações populacionais. Isso porque o comporta-</p><p>mento humano é influenciado por mudanças sociais, econômicas e culturais que</p><p>ocorrem com o passar do tempo, tornando a atividade física um comportamento</p><p>complexo e multidimensional.</p><p>Uma vez que a atividade física se enquadra na área da saúde, você foi convi-</p><p>dado a entender um pouco sobre a história do Sistema Único de Saúde, o sistema</p><p>de saúde brasileiro. Assim, aprofundou-se na história do sistema, em como ele</p><p>é regido e quais ações o norteiam. Então, uma vez que atividade física faz parte</p><p>da saúde e o SUS é o sistema que nos representa nessa questão, não poderíamos</p><p>deixar de discutir sobre o NASF - Núcleo de Apoio à Saúde da Família, em que</p><p>o profissional de Educação Física está inserido. Você viu quantos profissionais</p><p>podem compor o NASF? Você já imaginou o impacto que essa ação multiprofis-</p><p>sional fornece em uma população carente de saúde?</p><p>Para finalizarmos com chave de ouro, discutimos sobre a Atenção Primária</p><p>à Saúde e atuação dos profissionais de saúde, especificamente o profissional de</p><p>Educação Física, dentro do Sistema Único de Saúde.</p><p>Quanta coisa você aprendeu não é mesmo? Agora você já tem conheci-</p><p>mento de sobra para defender com unhas e dentes a atuação do profissional de</p><p>Educação Física em todo o ambiente que envolve saúde. Isso porque, nós, pro-</p><p>fissionais de Educação Física, levamos saúde por onde quer que passamos, não</p><p>apenas a ausência de doenças influencia drasticamente nos padrões de compor-</p><p>tamento da população. Portanto, é nosso dever atuarmos com dedicação, res-</p><p>ponsabilidade e ética, para que possamos promover saúde e prevenir doenças</p><p>da melhor maneira possível.</p><p>_gjdgxs</p><p>UNIDADE I</p><p>INDICADORES E MEDIDAS EPIDEMIOLÓGICAS: PREVALÊNCIA, INCIDÊNCIA, MORBIDADE E MORTALIDADE</p><p>Breve história do</p><p>surgimento da epidemiologia</p><p>Epidemiologia,</p><p>atividade física e saúde</p><p>Indicadores e medidas</p><p>epidemiológicas</p><p>UNIDADE II</p><p>PADRÕES DE ADOECIMENTO</p><p>DA POPULAÇÃO</p><p>Padrões de adoecimento</p><p>da população</p><p>Atividade física: definições</p><p>e padrões na população</p><p>UNIDADE III</p><p>ATIVIDADE FÍSICA, PROGRAMAS</p><p>EM SAÚDE PÚBLICA E</p><p>MARCADORES DE SAÚDE</p><p>Relação da atividade física</p><p>com marcadores de saúde</p><p>Atividade física e todas as causas</p><p>de mortalidade na população</p><p>Programas de promoção da</p><p>atividade física em saúde pública</p><p>UNIDADE IV</p><p>Sistema Único de Saúde (SUS)</p><p>Uma breve história</p><p>dos serviços de saúde</p><p>Sistema Único</p><p>de Saúde (SUS)</p><p>Núcleo Ampliado de</p><p>Saúde da Família (Nasf-Ab)</p><p>UNIDADE V</p><p>PROMOÇÃO DA SAÚDE E</p><p>ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL</p><p>DE EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Atenção primária à saúde:</p><p>prevenção e promoção da saúde</p><p>Política Nacional de</p><p>Promoção da Saúde</p><p>Atuação do profissional na</p><p>Promoção da Saúde</p><p>_shttpjykxj0v</p><p>_nau1ydpgxd4n</p><p>_GoBack</p><p>Button 1:</p><p>grupo de origem: a razão, a proporção e a taxa</p><p>(KLEINBAUM; KUPPER; MORGENSTERN, 1982).</p><p>A razão é a simples divisão de uma quantidade pela</p><p>outra e não há necessidade de relação em denominador</p><p>e numerador.</p><p>Indicadores e medidas</p><p>epidemiológicas</p><p>22</p><p>Portanto, é um termo geral em que acaba por in-</p><p>cluir outras medidas, como proporção, porcenta-</p><p>gem e taxa. A medida matemática conhecida como</p><p>proporção caracteriza-se como um tipo de razão</p><p>em que há necessidade de relação entre o nume-</p><p>rador e o denominador. A taxa é um tipo especial</p><p>de razão, em que o denominador obrigatoriamente</p><p>será composto por uma medida de tempo (HEN-</p><p>NEKENS; BURING, 1987).</p><p>Observa-se, na literatura médica, o termo taxa, bem</p><p>como os termos coeficiente e índice, sendo usados de</p><p>maneira sinônima e referindo-se tanto a razões como</p><p>proporções, ou taxas propriamente ditas. Contudo, foi</p><p>demonstrado que os três termos (razão, taxa e propor-</p><p>ção) representam medidas distintas. Assim, é muito im-</p><p>portante que fique bem claro para você a diferença entre</p><p>cada um deles, para que não haja erros de interpretações</p><p>em estudos epidemiológicos futuros que você for realizar.</p><p>O uso de sinônimo não acontece apenas com as me-</p><p>didas matemáticas citadas anteriormente. Isso também</p><p>acontece com os termos indicador e índice, portanto, é</p><p>necessário caracterizá-los. Indicador é uma medida que</p><p>reflete uma característica ou aspecto particular, geral-</p><p>mente não sujeitos à observação direta, ou seja, inclui</p><p>apenas um aspecto relativo ao que se deseja medir. Um</p><p>indicador de saúde tem como objetivo refletir a situação</p><p>23</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>de saúde de um sujeito ou de uma população, como a</p><p>medida da pressão arterial, a avaliação do próprio esta-</p><p>do de saúde, assim como o nível de atividade física. No</p><p>âmbito populacional, os coeficientes de mortalidade são</p><p>um dos exemplos de indicadores de saúde, os quais se-</p><p>rão abordados mais adiante.</p><p>Um índice, por sua vez, condensa em uma única</p><p>medida diferentes dimensões do atributo de interesse.</p><p>Os escores gerados por meio dos instrumentos para ava-</p><p>liação da qualidade de vida relacionada à saúde, que en-</p><p>globam múltiplos itens relacionados com uma ou mais</p><p>dimensões, é um exemplo. Além deste, o índice de de-</p><p>senvolvimento humano (IDH) também pode ser citado.</p><p>MEDIDAS DE FREQUÊNCIA</p><p>As medidas de frequência são definidas a partir de dois</p><p>conceitos epidemiológicos fundamentais designados</p><p>de prevalência e incidência. A prevalência expressa o</p><p>número de casos existentes de uma determinada do-</p><p>ença ou fator estudado em um determinado momento.</p><p>Incidência refere-se à frequência com que novos casos</p><p>de uma doença surgem dentro de um intervalo de tem-</p><p>po (MEDRONHO, 2009).</p><p>A relação entre prevalência e incidência varia entre</p><p>as doenças ou agravos. Uma mesma doença ou agravo</p><p>à saúde pode apresentar baixa incidência e alta preva-</p><p>lência, como o caso do diabetes - ou alta incidência e</p><p>baixa prevalência - como um resfriado comum. O res-</p><p>friado ocorre mais frequentemente do que o diabetes,</p><p>mas por um curto período de tempo, enquanto que o</p><p>diabetes é menos frequente, porém demanda um longo</p><p>período. Outras medidas muito utilizadas na área da</p><p>epidemiologia e da saúde pública, como as de morta-</p><p>lidade, letalidade e sobrevida, podem ser entendidas</p><p>como variações do conceito de incidência. Entendere-</p><p>mos um pouco mais sobre prevalência e incidência e</p><p>mortalidade mais adiante.</p><p>A expressão matemática das medidas de frequên-</p><p>cia de doenças/agravos à saúde é diversa e depende do</p><p>conceito epidemiológico subjacente, assim como de</p><p>algumas características das populações a que se refere.</p><p>Essas expressões podem ser apresentadas como frequ-</p><p>ências absolutas ou relativas. As frequências relativas são</p><p>as mais comuns, sendo fundamentais quando o objetivo</p><p>do estudo é comparar frequências de ocorrência de pro-</p><p>blemas de saúde entre duas populações ao longo de um</p><p>mesmo período e/ou em uma mesma população, po-</p><p>rém, em momentos diferentes. Independentemente da</p><p>medida de frequência utilizada, é importante enfatizar</p><p>que deve necessariamente estar referida às dimensões</p><p>do espaço, da população e do tempo.</p><p>A seguir, discutiremos sobre os conceitos das medi-</p><p>das de frequência e os indicadores de saúde.</p><p>24</p><p>Prevalência</p><p>Prevalência pode ser definida como a frequência de ca-</p><p>sos existentes de uma determinada doença ou agravo à</p><p>saúde, em uma determinada população e em um dado</p><p>momento. Portanto, pode-se considerar que esta medi-</p><p>da de frequência possibilita a determinação do número</p><p>total de casos existentes, identificados como casos pre-</p><p>valentes de uma doença ou agravo à saúde em um perí-</p><p>odo de tempo e população específica, ou seja, trata-se do</p><p>total de casos existentes, desconsiderando se são casos</p><p>novos ou não. Diante disso, a prevalência é tratada como</p><p>um indicador da magnitude da presença de uma doença</p><p>ou agravo à saúde na população.</p><p>Para que você possa entender melhor, podemos dizer</p><p>que os casos prevalentes são aqueles indivíduos que ado-</p><p>eceram ou obtiveram o agravo em algum momento do</p><p>passado (casos antigos) conjuntamente com possíveis ca-</p><p>sos “novos” (e que estão vivos quando é realizada a obser-</p><p>vação). Então, podemos pensar no conceito de prevalên-</p><p>cia como uma fotografia, na qual registramos a fração de</p><p>indivíduos doentes ou com algum agravo à saúde, naquele</p><p>instante de tempo. Consequentemente, é uma medida de</p><p>frequência estática em relação ao processo dinâmico do</p><p>adoecimento, pois os indivíduos componentes da amos-</p><p>tra que se deseja estudar são observados uma única vez.</p><p>25</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Os estudos de prevalência são os estudos descriti-</p><p>vos populacionais mais propagados em epidemiologia,</p><p>caracterizados como estudo transversal. Estes também</p><p>permitem investigar associações entre fatores de risco e</p><p>doença, porém é necessário frisar que este tipo de deline-</p><p>amento não é o mais eficiente para se estudar causalida-</p><p>de, mas assim podem ser classificados como analíticos.</p><p>A taxa de prevalência pode ser estimada pela fór-</p><p>mula:</p><p>P =</p><p>Número de pessoas com o evento de</p><p>interesse (infecção, doença, agravo à saúde)</p><p>População sob o risco de apresentar o evento</p><p>de interesse em determinado período de tempo</p><p>x 100</p><p>A população do numerador destina-se ao número de</p><p>pessoas que durante a observação obteve ou já obtinha</p><p>a doença ou agravo à saúde. A população apresentada</p><p>no denominador, ou seja, àquela que está sob risco de</p><p>adoecer, designa-se à população do estudo.</p><p>É importante frisarmos que existem diferentes tipos</p><p>de medidas de prevalência. O tipo citado anteriormente</p><p>é conhecido como prevalência pontual. Portanto, todas</p><p>as vezes que você observar o termo prevalência e ele não</p><p>for especificado, faz-se, então, referência à medida deno-</p><p>minada de prevalência pontual. A prevalência pontual,</p><p>ou também chamada de prevalência instantânea, mede a</p><p>frequência de uma doença ou problema de saúde em um</p><p>dado instante de tempo. Essa é a medida mais utilizada</p><p>nos estudos epidemiológicos seccionais ou transversais.</p><p>A prevalência de uma doença ou agravo à saú-</p><p>de é determinada pela sua incidência e duração, assim</p><p>como pelos movimentos migratórios. Portanto, quanto</p><p>mais elevada a incidência e/ou a duração da doença ou</p><p>agravo, maior será a sua prevalência. Entretanto, uma</p><p>alta taxa de incidência não implica necessariamente em</p><p>altas proporções de prevalência, particularmente quan-</p><p>do a duração do problema de saúde em questão é curta</p><p>(SZKLO; NIETO, 2000). É o que acontece com algumas</p><p>doenças infecciosas agudas, em que os pacientes acome-</p><p>tidos evoluem para a cura ou óbito, em um curto perí-</p><p>odo de tempo. Portanto, mesmo apresentando elevados</p><p>níveis de incidência nos períodos epidêmicos, os casos</p><p>de doenças como dengue se mantêm por pouco tempo</p><p>e, assim, não podem ser devidamente detectados nos es-</p><p>tudos de prevalência instantânea.</p><p>Em contrapartida, altas proporções de prevalência</p><p>podem se sobrepor a baixos níveis de incidência, quan-</p><p>do a duração do agravo</p><p>é longa, como as doenças crôni-</p><p>cas degenerativas. Por exemplo, por mais que os casos</p><p>novos de esclerose múltipla, que surgem a cada intervalo</p><p>de tempo, sejam poucos, os pacientes podem sobreviver</p><p>por um longo período, sendo possível identificá-los du-</p><p>rante um estudo transversal.</p><p>Incidência</p><p>Do ponto de vista epidemiológico, há grande interesse</p><p>em identificar especificamente quantos novos casos de</p><p>uma doença ou agravo à saúde surgem em uma mesma</p><p>população durante um período de tempo. Mais especi-</p><p>ficamente, é importante conhecer quantos novos casos</p><p>surgem de uma população que está em risco de sofrer</p><p>uma determinada doença ou agravo à saúde, isso é, um</p><p>indicador da velocidade de mudança do processo dinâ-</p><p>mico de saúde e doença de uma população. Assim, inci-</p><p>dência caracteriza-se como a frequência de casos novos</p><p>de uma determinada doença ou agravo num determina-</p><p>do período de tempo, advindos de uma população sob</p><p>risco de adoecimento no início da observação. Portanto,</p><p>trata-se da ocorrência do primeiro episódio da doença</p><p>ou agravo à saúde em questão. Este caso é, necessaria-</p><p>26</p><p>mente, relacionado a doenças infecciosas que deman-</p><p>dam imunidade permanente e de algumas doenças crô-</p><p>nicas, como o diabetes mellitus (MEDRONHO, 2009).</p><p>Em determinadas circunstâncias, pode-se computar</p><p>múltiplas ocorrências de uma doença em uma mesma</p><p>pessoa, ao longo de um intervalo de tempo. Esta me-</p><p>dida é caracterizada como incidência total e pode ser</p><p>utilizada em estudos de doenças agudas, na ausência de</p><p>imunidade adquirida ou até mesmo na identificação de</p><p>doenças não infecciosas, como o caso do infarto agudo</p><p>do miocárdio (ROTHMAN; GREENLAND, 1998).</p><p>A incidência de um agravo qualquer pode ser medi-</p><p>da ou estimada por meio de maneiras diferentes. A mais</p><p>simples é o número de casos incidentes, geralmente de-</p><p>nominados incidência. Por exemplo, entre 1975 e 2016</p><p>foram notificados, aproximadamente, 124 milhões de</p><p>crianças e adolescentes (de 5 a 19 anos) com obesidade</p><p>ao redor do mundo (NCD RISK FACTOR COLLABO-</p><p>RATION, 2017). Trata-se de uma medida adimensional,</p><p>cujos valores possíveis variam de zero a infinito. Contu-</p><p>do, o tamanho da população sob risco de adoecimento</p><p>determina o limite máximo possível do número de ca-</p><p>sos incidentes. Ainda assim, nota-se que a referência a</p><p>uma população e período determinados se faz presente,</p><p>mesmo que indiretamente, neste caso, o período de tem-</p><p>po (1975 a 2016) e a população (população mundial de</p><p>crianças e adolescentes).</p><p>Devo esclarecer que, embora o cálculo da incidên-</p><p>cia pareça ser simples – e você verá isso mais adiante</p><p>– o número de casos incidentes, por si só, não permite</p><p>comparações da incidência entre diferentes populações</p><p>ou entre diferentes períodos. Os 124 milhões de jovens</p><p>obesos no mundo notificados no mesmo período teriam</p><p>um significado epidemiológico diferente se referidos à</p><p>metade da população mundial; ou se referidos a um pe-</p><p>ríodo mais curto, como entre 1975 e 2010.</p><p>A taxa de incidência é a expressão da frequência</p><p>com que surjam novos casos de uma doença ou agravo à</p><p>saúde, por unidade de tempo e relacionada ao tamanho</p><p>de uma determinada população em questão. Assim, ela é</p><p>calculada como a razão entre o número de casos novos</p><p>da doença ou agravo à saúde e o total de pessoa/tempo</p><p>gerado a partir da população de estudo acompanhada.</p><p>A taxa de incidência pode ser estimada pela fórmula:</p><p>I =</p><p>Número de casos novos da doença/agravo</p><p>à saúde em uma população durante</p><p>um intervalo de tempo</p><p>Número de pessoas sucessíveis ao risco da</p><p>doença/agravo à saúde durante o</p><p>referido intervalo de tempo</p><p>x 105</p><p>A taxa é expressa em relação a uma determinada quan-</p><p>tidade de pessoas-ano de exposição ao risco de ado-</p><p>ecimento, representada pela estimativa da população</p><p>(geralmente residentes ou habitantes de determinadas</p><p>cidades) e período em questão, assumida a premissa da</p><p>estabilidade. Note que há uma multiplicação (x 105) na</p><p>fórmula, a qual permite a inferência do resultado sobre a</p><p>quantia de 100.000 habitantes.</p><p>27</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Quando deve-se usar a prevalência e quando</p><p>deve-se usar a incidência?</p><p>A escolha entre o uso da incidência ou prevalência de-</p><p>pende de alguns fatores. Geralmente, quando tratamos</p><p>de doenças agudas, pesquisas etiológicas, estudos de</p><p>prognóstico (aqueles estudos que tratam de questões clí-</p><p>nicas de um modo semelhante aos estudos de coorte em</p><p>relação ao desfecho de doenças) ou análise da eficácia</p><p>de ações terapêuticas e preventivas, a incidência é mais</p><p>utilizada. Para doenças crônicas, como as cardiovascu-</p><p>lares ou fatores de risco à saúde, a determinação da pre-</p><p>valência é mais indicada. Por isso que dificilmente você</p><p>verá estudos relatando a incidência da inatividade física,</p><p>sedentarismo ou obesidade, por exemplo. A prevalência</p><p>também é mais utilizada quando o assunto se refere ao</p><p>planejamento e administração de serviços.</p><p>Ilustrei uma representação gráfica para que você</p><p>consiga observar a diferença entre as medidas de preva-</p><p>lência e incidência.</p><p>28</p><p>01 de Janeiro 31 de Dezembro</p><p>Legenda:</p><p>Início da doença</p><p>Duração da doença</p><p>Término da doença</p><p>População: 100 pacientes</p><p>Casos incidentes: 6</p><p>Casos prevalentes: 11</p><p>Coe�ciente de incidência: 7 por 100 pacientes</p><p>Coe�ciente de prevalência: 11 por 100 pacientes</p><p>Figura 2 - Representação gráfica de casos da doença “X” (início, desenvolvimento e fim) de 01 de janeiro a 31 de dezembro em um</p><p>grupo de 100 pacientes internados em um hospital “Y” / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: A Figura 2 é uma representação gráfica de um estudo hipotético sobre uma doença que foi analisada entre os dias 01 de</p><p>janeiro a 31 de dezembro. Na data de 01 de janeiro, há uma linha na vertical representando o início do estudo; e em 31 de dezembro, há outra linha</p><p>na vertical representando o final do estudo. Dentre essas duas linhas estão dispostas as pessoas que já tinham a doença ou que adquiriram a doença</p><p>durante esse período, representando graficamente a diferença entre prevalência e incidência.</p><p>29</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Vamos observar a Figura 2. Nota-se que, no dia 01 de</p><p>janeiro, cinco pacientes de uma mesma clínica hipotéti-</p><p>ca tinha a doença “X”. Assim, a prevalência dessa doença</p><p>“X”, no dia 01 de janeiro, é de 5/100, que é igual a 0,05.</p><p>Esse valor também pode ser expresso em percentual, o</p><p>qual representaria 5% do grupo de pacientes.</p><p>Durante o período de 01 de janeiro a 31 de dezem-</p><p>bro, ocorreram seis novos casos da doença/agravo. Con-</p><p>siderando que entre os 100 pacientes da clínica, cinco já</p><p>haviam desenvolvido a doença/agravo “X” no início do</p><p>estudo, então, somente 95 estavam em risco de desenvol-</p><p>ver a doença. Portanto, a incidência cumulativa da do-</p><p>ença “X” nesse hospital deve ser calculada como sendo</p><p>5/95, que resultaria em 0,053, ou, 5,3% ao ano.</p><p>INDICADORES DE SAÚDE BASEADOS EM</p><p>MEDIDAS DE MORTALIDADE</p><p>A mortalidade pode ser caracterizada como um caso</p><p>particular do conceito de incidência, quando o evento</p><p>de interesse é a morte e não o adoecimento. Portanto,</p><p>essa medida pode ser referida a um problema de saú-</p><p>de específico, por exemplo o câncer de mama, ou a um</p><p>grupo de problemas, como as doenças cardiovasculares.</p><p>Quando relacionada a todas as causas, é denominada de</p><p>mortalidade geral, diferente do termo letalidade, que se</p><p>refere à uma medida de mortalidade restrita aos sujeitos</p><p>que apresentam um determinado problema de saúde.</p><p>A letalidade expressa a frequência de óbitos</p><p>por uma doença ou agravo à saúde “x” entre</p><p>os próprios indivíduos que apresentam essa</p><p>determinada doença ou agravo à saúde “x”.</p><p>CONCEITUANDO</p><p>É importante que você entenda que a magni-</p><p>tude da mortalidade por uma doença ou agra-</p><p>vo à saúde em uma determinada população é</p><p>dependente da letalidade e da incidência. Por</p><p>exemplo, uma doença altamente letal, porém</p><p>rara, apresentará baixa mortalidade. O mesmo</p><p>fato ocorrerá caso a incidência seja alta, porém a</p><p>letalidade baixa, e quando ambas forem baixas.</p><p>Em contrapartida, quando a mortalidade</p><p>é alta,</p><p>a letalidade e a incidência também serão altas.</p><p>EXPLORANDO IDEIAS</p><p>30</p><p>Semelhante à medida de frequência incidência, estu-</p><p>dada anteriormente, a mortalidade pode ser medida</p><p>por meio de taxas ou proporções. A interpretação da</p><p>taxa e da proporção de mortalidade é parecida com</p><p>as medidas de incidência. A diferença é que substi-</p><p>tuímos o evento do adoecimento pela morte.</p><p>Os indicadores de saúde baseados em dados</p><p>sobre mortalidade são classificados em dois tipos</p><p>(WHO, 1957): indicadores globais - como coefi-</p><p>ciente geral de mortalidade, razão de mortalidade</p><p>proporcional (ou índice de Swaroop e Uemura) e a</p><p>esperança de vida ao nascer; e os específicos - como</p><p>os coeficientes de mortalidade infantil e de mortali-</p><p>dade por doenças transmissíveis.</p><p>Primeiramente, serão apresentados os indicado-</p><p>res baseados em medidas de frequência, no caso, o</p><p>coeficiente geral de mortalidade, e aqueles baseados</p><p>em informações relativas à causa da morte e à ida-</p><p>de ou o período da vida em que o óbito ocorre. Em</p><p>seguida, são apresentados os indicadores expressos</p><p>segundo unidades de tempo de vida.</p><p>Coeficiente Geral de Mortalidade</p><p>O coeficiente geral de mortalidade, aqui denomina-</p><p>do de “CGM”, também conhecido como taxa bruta de</p><p>mortalidade, refere-se a toda uma população, ou seja,</p><p>é o quociente entre o total de óbitos e a população</p><p>de uma área, em um determinado período de tempo.</p><p>A população no denominador do CGM é referida ao</p><p>período em questão. É importante deixar claro que,</p><p>aqui, há uma pressuposição que a distribuição de</p><p>nascimentos, óbitos e migrações é homogênea. Ge-</p><p>ralmente, o valor final resultante da equação é mul-</p><p>tiplicado por 1.000. Assim, o CGM por uma doença/</p><p>agravo à saúde é estimado pela equação:</p><p>CGM= 1.000M x</p><p>P</p><p>Em que: M representa o número de mortes; e P representa</p><p>a quantidade de pessoas da população, durante o estudo.</p><p>Vou te dar um exemplo, utilizando a equação</p><p>anterior, para que você possa entender melhor o</p><p>cálculo. Suponha que no ano de 2018 tenham sido</p><p>registrados 900.000 óbitos em todo o Brasil e, em</p><p>1º de julho deste mesmo ano, a população brasilei-</p><p>ra era constituída de 190.000.000. Considerando a</p><p>equação anterior, o CGM relativo ao Brasil no ano</p><p>de 2018 foi cerca de 4,7 óbitos por 1.000 habitantes.</p><p>Assim, o CGM expressa o risco de morte na popu-</p><p>lação brasileira em 2018: para cada 1.000 habitantes,</p><p>cerca de 4,7 faleceram neste ano.</p><p>Um dos benefícios de se utilizar o CGM é a pos-</p><p>sibilidade de relacionar o nível de saúde de diferen-</p><p>tes áreas no tempo, por meio de dados mais fide-</p><p>dignos do que aqueles que compõem os coeficientes</p><p>específicos, geralmente mais difíceis de serem ob-</p><p>tidos. Esse fato é devido à facilidade do cálculo do</p><p>CGM, requerendo apenas o conhecimento do nú-</p><p>mero de óbitos ocorridos em uma população em um</p><p>determinado ano, sem a necessidade de informações</p><p>específicas adicionais, como o sexo ou a idade dos</p><p>sujeitos falecidos ou, até mesmo, a causa da morte.</p><p>É importante destacar que o CGM está sujeito</p><p>a erros que podem incidir no seu numerador e/ou</p><p>no seu denominador, subestimando ou superesti-</p><p>mando os valores. No numerador, a subenumeração</p><p>de óbitos, ou seja, valores abaixo do real, são encon-</p><p>tradas frequentemente em áreas menos desenvol-</p><p>vidas devido, principalmente, às falhas no registro</p><p>de óbitos. Entre os anos de 1997 e 2001, por exem-</p><p>31</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>plo, estimou-se um subregistro de óbitos no Brasil</p><p>em torno de 18%, chegando a 26% no Norte e 34%</p><p>no Nordeste, ambas regiões menos desenvolvidas</p><p>quando comparadas às outras do país (LAURENTI;</p><p>MELLO; GOTLIEB, 2005).</p><p>A subenumeração de óbitos pode estar relacio-</p><p>nada a erros no registro de dados, como o local de</p><p>residência, levando a uma evasão de mortes, os quais</p><p>deixam de ser considerados no cômputo do CGM</p><p>de suas respectivas populações de origem. Caso não</p><p>corrigida, a subestimação de óbitos proporcionará a</p><p>subestimação do CGM (RIPSA, 2002).</p><p>Em contrapartida à evasão, é possível que haja</p><p>uma invasão de óbitos erroneamente classificados</p><p>como de residentes em uma determinada localidade.</p><p>É o caso de localidades com maior oferta de serviços</p><p>de saúde, pois tendem a atender a demanda da assis-</p><p>tência médica provenientes de outras áreas. Esse fato</p><p>possibilita a superestimação dos valores de CGM.</p><p>Em relação ao denominador, a fonte principal de</p><p>erro é decorrente das estimativas incorretas dos con-</p><p>tingentes populacionais, principalmente nos perío-</p><p>dos de anos censitários, ou seja, os anos em que são</p><p>realizados censos a fim de obter informações de di-</p><p>versos fatores sobre aquela determinada população.</p><p>Esses erros se tornam ainda mais prováveis de ocor-</p><p>rer quanto maiores forem as mudanças na dinâmica</p><p>populacional, à medida que aumenta o tempo trans-</p><p>corrido desde a realização do último censo. Quan-</p><p>do os contingentes populacionais são subestimados,</p><p>o CGM será superestimado. Em contrapartida, no</p><p>caso das estimativas populacionais estiverem acima</p><p>da realidade, o CGM será subestimado (LAUREN-</p><p>TI; MELLO; GOTLIEB, 2005).</p><p>Para quaisquer populações, é esperado que o va-</p><p>lor do CGM varie entre 6 e 10 óbitos por mil habitan-</p><p>tes (LAURENTI; MELLO; GOTLIEB, 2005). Caso</p><p>os valores do CGM sejam inferiores a seis óbitos por</p><p>1.000 habitantes-ano, é necessário considerar a pou-</p><p>ca fidedignidade dos dados coletados, especialmente</p><p>a possibilidade de sub-registro de óbitos.</p><p>Indicadores de Mortalidade segundo a Causa</p><p>de Óbito</p><p>Você já se perguntou como vem se comportando</p><p>a mortalidade por infarto no Estado do Paraná</p><p>nos últimos 20 anos? E sobre a frequência de óbi-</p><p>tos causados pelas doenças coronarianas? Será que</p><p>esta é homogênea nas diferentes regiões do Brasil?</p><p>Do que se morre mais atualmente no país: de do-</p><p>enças infecciosas ou cardiovasculares? As respostas</p><p>a todas essas perguntas anteriores dependem das</p><p>medidas de mortalidade segundo a causa, basean-</p><p>do-se no conceito de causa morte, o qual é definido</p><p>como aquelas doenças, estados mórbidos ou lesões</p><p>que conduziram à morte e às circunstâncias do aci-</p><p>Será que é possível comparar CGM’s em di-</p><p>ferentes populações? Quando o uso do CGM</p><p>for objetivando comparações, é necessário</p><p>muito cautela na interpretação e divulgação</p><p>dos resultados, uma vez que o seu valor é de-</p><p>pendente da composição da população por</p><p>idade, por sexo e por outras características</p><p>relacionadas ao risco de morte. Além disso, a</p><p>estrutura etária da população influi nos valores</p><p>do CGM, portanto, este corresponde a uma</p><p>média ponderada dos coeficientes específicos</p><p>por faixas etárias, em que os fatores de ponde-</p><p>ração correspondem às proporções de sujeitos</p><p>em cada grupo etário, em relação à população</p><p>geral. Assim, o CGM, em sua forma bruta, não</p><p>deve ser empregado em comparações entre</p><p>populações com faixas etárias diferentes.</p><p>PENSANDO JUNTOS</p><p>32</p><p>dente ou da violência que produziu estas lesões (WHO,</p><p>1993). É importante identificar corretamente o conceito</p><p>de causa de morte, pois a uniformização desta definição</p><p>e da classificação das causas de morte são necessárias</p><p>para fins comparativos das estatísticas de mortalidade.</p><p>A mortalidade, pode ser analisada por meio de três</p><p>maneiras distintas: por causa específica - por exemplo, hi-</p><p>pertensão arterial; por agrupamento de causas afins - por</p><p>exemplo, doenças isquêmicas do coração; e grandes agru-</p><p>pamentos de causas, como doenças do aparelho cardiovas-</p><p>cular (MEDRONHO, 2009).</p><p>Você sabe como é feita a determinação da causa de</p><p>morte? A causa básica é realizada a partir das informa-</p><p>ções sobre as causas da morte registradas no atestado de</p><p>óbito. Causa básica de morte é descrita como a doença</p><p>ou lesão que iniciou a cadeia de acontecimentos patoló-</p><p>gicos que conduziram diretamente à morte. Ela também</p><p>pode ser definida como as circunstâncias do acidente ou</p><p>da violência que produziu a lesão fatal (WHO, 1993). As</p><p>demais causas preenchidas pelo médico no atestado de</p><p>óbito irão formar o conjunto das causas associadas.</p><p>Principalmente para a área da saúde, como é</p><p>o caso da</p><p>Educação Física, é de extrema importância aplicar a me-</p><p>todologia das causas múltiplas de morte, ou seja, analisar</p><p>não apenas a mortalidade segundo a causa básica (morrer</p><p>por uma doença ou agravo específico), mas também co-</p><p>nhecer as complicações da causa básica e as causas asso-</p><p>ciadas declaradas no atestado de óbito (morrer com uma</p><p>doença). Isso é essencial, principalmente quando relacio-</p><p>nado à análise das doenças crônicas não transmissíveis</p><p>(LAURENTI; MELLO; GOTLIEB, 2004), uma vez que</p><p>auxilia no desenvolvimento de pesquisas para possíveis</p><p>ações relacionadas à melhoria no estilo e hábitos de vida.</p><p>Além do número absoluto de óbitos, a mortalidade</p><p>segundo a causa pode ser analisada a partir de frequên-</p><p>cias relativas, como taxas e proporções.</p><p>33</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Taxa de</p><p>mortalidade</p><p>por causa</p><p>do óbito</p><p>Mortalidade</p><p>proporcional</p><p>segundo a causa</p><p>do óbito</p><p>Mortalidade</p><p>materna</p><p>Mortalidade</p><p>por causas</p><p>mal definidas</p><p>Indicadores</p><p>de mortalidade</p><p>por causa do óbito</p><p>Figura 3 - Exemplos de indicadores de mortalidade por causa do óbito / Fonte: a autora.</p><p>Mortalidade segundo a Idade e os Períodos da Vida</p><p>Os indicadores específicos por idade ou relativos a determinados períodos da vida são os mais conhecidos</p><p>indicadores de mortalidade e considerados mais importantes no quesito de comparabilidade internacional.</p><p>Descrição da Imagem: A figura 3 apresenta os exemplos de indicadores de mortalidade por causa do óbito. Dentre elas estão a taxa de mortalidade</p><p>por causa do óbito, mortalidade materna, mortalidade por causas mal definidas e mortalidade proporcional segundo a causa do óbito.</p><p>34</p><p>Mortalidade</p><p>infantil</p><p>Mortalidade</p><p>fetal</p><p>Mortalidade</p><p>perinatal</p><p>Mortalidade</p><p>em menores</p><p>de cinco anos</p><p>de idade</p><p>Mortalidade</p><p>proporcional</p><p>com 50 anos ou</p><p>mais de idade</p><p>Mortalidade</p><p>segundo a idade</p><p>e os períodos</p><p>da vida</p><p>Figura 4 - Exemplos de indicadores de mortalidade segundo a idade e os períodos da vida / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: A imagem da figura 4 apresenta os indicadores de mortalidade segundo a idade e os períodos da vida. São cinco indicadores:</p><p>mortalidade infantil, mortalidade fetal, mortalidade perinatal, mortalidade em menores de cinco anos de idade e mortalidade proporcional com 50</p><p>anos ou mais de idade.</p><p>35</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Basicamente, a mortalidade infantil se refere aos óbitos</p><p>ocorridos ao longo do primeiro ano de vida, antes mes-</p><p>mo da criança completar 1 ano de idade. Geralmente, a</p><p>mortalidade infantil é medida por meio da taxa de mor-</p><p>talidade infantil. Contudo, ela também pode ser avaliada</p><p>pela proporção de óbitos de menores de um ano de vida,</p><p>com relação ao total de óbitos registrados em uma deter-</p><p>minada área e período.</p><p>A mortalidade fetal é caracterizada pela inexistência de</p><p>qualquer sinal de vida, seja respiração, pulsação do cordão</p><p>umbilical, batimentos cardíacos ou movimentos efetivos</p><p>dos músculos de contração voluntária (WHO, 1995).</p><p>A mortalidade perinatal se destina a um indicador</p><p>de saúde materno-infantil. Esse indicador possibilita</p><p>a identificação das condições de saúde reprodutiva e</p><p>da qualidade da assistência pré-natal, parto e neonatal</p><p>(FONSECA; COUTINHO, 2004).</p><p>A taxa de mortalidade é caracterizada como a razão</p><p>entre o número de óbitos em menores de cinco anos</p><p>de idade e o total de nascidos vivos. Essa taxa é relati-</p><p>vamente recente e foi criada basicamente porque, até o</p><p>início da década de 80, a mortalidade de crianças de 0 a</p><p>4 anos de idade vinha sendo expressa pela mortalidade</p><p>infantil e a mortalidade de 1 a 4 anos. Entretanto, existia</p><p>diferença entre os denominadores (nascidos vivos para</p><p>a mortalidade infantil e população de 1 a 4 anos de idade</p><p>para a mortalidade de 1 a 4 anos).</p><p>Por fim, a mortalidade proporcional com 50 anos ou</p><p>mais de idade, também conhecida como razão de mor-</p><p>talidade proporcional, destina-se à proporção de óbitos</p><p>de indivíduos com idade igual ou maior que 50 anos,</p><p>em relação ao total de óbitos. Por exemplo, se a taxa de</p><p>mortalidade proporcional com 50 anos ou mais de idade</p><p>for igual a 80%, significa dizer que quatro em cada cinco</p><p>óbitos ocorridos foram de sujeitos com idade igual ou</p><p>maior que 50 anos.</p><p>Indicadores baseados em medidas de tempo de</p><p>vida</p><p>Os indicadores expressos até aqui abrangem a dimensão</p><p>da frequência com que ocorrem os óbitos. Um outro con-</p><p>junto de medidas incorpora, além da dimensão da frequ-</p><p>ência, a do tempo de vida. Assim, para esses indicadores, a</p><p>idade em que as mortes ocorrem é o fator principal.</p><p>Dois indicadores baseados em medidas do tempo</p><p>de vida são amplamente utilizados em estudos epide-</p><p>miológicos relacionados à saúde: a expectativa de vida</p><p>e os anos potenciais de vida perdidos. O primeiro des-</p><p>tina-se à medida do número esperado de anos a serem</p><p>vividos, em média, pelos sujeitos que compõem uma de-</p><p>terminada população. Esse indicador é amplamente re-</p><p>conhecido como um bom indicativo de saúde. O segun-</p><p>do, nomeado como anos potenciais de vida perdidos,</p><p>expressa o efeito das mortes ocorridas precocemente em</p><p>relação à duração esperada da vida. Tem como objeti-</p><p>vo, permitir a comparação da importância relativa das</p><p>diferentes causas de óbitos (ROMEDER; McWHINNIE,</p><p>1988), subsidiando a definição de prioridades no âmbito</p><p>da saúde pública.</p><p>INDICADORES DE SAÚDE BASEADOS EM</p><p>MEDIDAS DE MORBIDADE</p><p>A morbidade pode ser definida como qualquer afasta-</p><p>mento de um estado de bem-estar psicológico ou fisio-</p><p>lógico, averiguado de forma subjetiva ou direta (LAST,</p><p>1988). Portanto, ela identifica as causas que determinam</p><p>o adoecer. Assim, as pesquisas sobre os dados de morbi-</p><p>dade são fundamentais para as análises de causa/efeito</p><p>das doenças (FRANCO LAÉRCIO; COSTA, 2011).</p><p>Quando relacionado ao nível do organismo, o con-</p><p>ceito de doença diz respeito a uma disfunção de natu-</p><p>36</p><p>reza fisiológica ou psicológica (FORATTINI, 1992) e é</p><p>caracterizada por ao menos dois dos três critérios a se-</p><p>guir: um agente etiológico reconhecido, um conjunto de</p><p>sinais e sintomas, e alterações anatômicas consistentes</p><p>(PEREIRA, 1995).</p><p>Quando relacionamos morbidade ao nível indivi-</p><p>dual, o conceito passa a ser voltado à enfermidade, rela-</p><p>tivo à percepção da anormalidade no estado de saúde do</p><p>próprio indivíduo. A enfermidade é caracterizada por</p><p>queixas, pelo incômodo ou sofrimento, físico ou mental,</p><p>ou por qualquer outro motivo que faça com o que sujei-</p><p>to se preocupe com a saúde.</p><p>Em âmbito social, o entendimento de morbidade é</p><p>expressado pelas atitudes e comportamentos assumidos</p><p>pelos sujeitos ao se perceberem doentes ou enfermos. As-</p><p>sim, a morbidade neste campo corresponde ao conceito de</p><p>anormalidade e é medida por fatores de ordem cultural, re-</p><p>lacionados aos juízos de valor próprios de cada sociedade</p><p>ou grupo social. Um exemplo é a pessoa se afastar do tra-</p><p>balho devido a um problema de saúde, havendo uma mu-</p><p>dança relacionada a um papel social da pessoa acometida.</p><p>Identificando os três níveis citados anteriormente,</p><p>entende-se que a expressão da morbidade pode se dar</p><p>por meio das suas diferentes dimensões (organismo, in-</p><p>dividual e social) simultaneamente, ou de forma sepa-</p><p>rada. Para que você entenda melhor: uma pessoa pode</p><p>estar doente, mais ainda na fase pré-clínica da história</p><p>natural da doença e, assim, não se sentir enferma e nem</p><p>expressar qualquer anormalidade. Em contrapartida,</p><p>um sujeito pode manifestar incômodo sem que seja</p><p>diagnosticada qualquer doença. Ademais, mesmo do-</p><p>ente e enfermo, o indivíduo pode não manifestar cer-</p><p>tos comportamentos sociais esperados, mantendo, por</p><p>exemplo, suas atividades laborais inalteradas.</p><p>O conceito mais genérico de morbidade e comu-</p><p>mente utilizado em epidemiologia é a medida da fre-</p><p>quência de determinada doença/agravo à saúde, inde-</p><p>pendentemente de sua evolução, ou seja, cura, morte ou</p><p>periodicidade da doença (FORATTINI, 1992). Portanto,</p><p>observa-se que a mortalidade é incluída na definição de</p><p>morbidade. Assim, os estudos da morbidade, a partir de</p><p>dados sobre mortalidade, acabam por</p><p>ser incompletos e</p><p>parciais (com exclusão daqueles casos de doenças/agra-</p><p>vos altamente letais). Considerando que os indicadores</p><p>de saúde baseados em medidas de mortalidade foram</p><p>apresentados anteriormente neste capítulo, falaremos</p><p>nesta seção sobre indicadores de morbidade referentes</p><p>aos problemas de saúde não fatais e suas consequências,</p><p>particularmente, relacionados à atividade física.</p><p>Os indicadores de morbidade consistem essencial-</p><p>mente em medidas de prevalência e incidência, já des-</p><p>critas anteriormente neste capítulo. Contudo, recente-</p><p>mente, os indicadores baseados em medidas do tempo</p><p>vida (utilizados em análise de mortalidade) fazem parte</p><p>das diferentes dimensões do conceito de morbidade.</p><p>Os indicadores de morbidade são utilizados para</p><p>comparações que envolvem diferentes populações e/</p><p>ou períodos, expressando a magnitude da ocorrência de</p><p>doenças/agravos nas populações e servindo para a ava-</p><p>liação de programas e serviços de saúde.</p><p>Indicadores para avaliação das consequências</p><p>de problemas de saúde não fatais</p><p>Considerando a crescente tendência a problemas de saú-</p><p>de de natureza crônica, as pesquisas têm voltado à aten-</p><p>ção para o desenvolvimento de estudos referente ao fato.</p><p>Assim, vários modelos teóricos serviram como referência</p><p>para a concepção de indicadores que avaliassem as conse-</p><p>quências dos problemas de saúde não fatais, destacando-se</p><p>o modelo biomédico, o modelo da OMS, o modelo utilita-</p><p>rista e o da qualidade de vida (COSTA, 2006). Segue um</p><p>infográfico de alguns indicadores voltados para a avaliação</p><p>das consequências dos problemas de saúde não fatais.</p><p>37</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>MODELO BIOMÉDICO</p><p>Restringe a aspectos</p><p>anatômicos, bioquímicos e</p><p>fisiológicos, baseando-se</p><p>em diagnósticos.</p><p>MODELO DA</p><p>ORGANIZAÇÃO</p><p>MUNDIAL DA SAÚDE</p><p>Condições decorrentes</p><p>da doença descritas</p><p>como sequência linear:</p><p>doença > deficiência ></p><p>incapacidade ></p><p>desvantagem.</p><p>MODELO</p><p>UTILITARISTA</p><p>Voltado para análises</p><p>de custo-efetividade e</p><p>custo-utilidade,</p><p>aplicadas à avaliação</p><p>de projetos e</p><p>investimentos na área</p><p>da saúde.</p><p>MODELO DE QUALIDADE</p><p>DE VIDA</p><p>Expressam as preferências</p><p>pelo tempo vivido em</p><p>cada estado de saúde,</p><p>servindo como fatores de</p><p>ajuste em relação ao</p><p>tempo de vida com plena</p><p>saúde.</p><p>INDICADORES VOLTADOS PARA A AVALIAÇÃO DAS</p><p>CONSEQUÊNCIAS DOS PROBLEMAS DE SAÚDE NÃO-FATAIS</p><p>Figura 5 - Exemplos de indicadores voltados para a avaliação das consequências dos problemas de saúde não fatais / Fonte: a autora.</p><p>Descrição da Imagem: A imagem da figura 5 apresenta os indicadores voltados para a avaliação das consequências dos problemas de saúde não</p><p>fatais. Da esquerda para a direita, aparece o modelo biomédico que restringe a aspectos anatômicos, bioquímicos e fisiológicos, baseando-se em</p><p>diagnósticos. O segundo é o modelo da Organização Mundial da Saúde com condições decorrentes da doença descritas como sequência linear:</p><p>doença - deficiência - incapacidade - desvantagem. O terceiro é o modelo utilitarista que é voltado para análises de custo-efetividade e custo-utilidade,</p><p>aplicadas à avaliação de projetos e investimentos na área da saúde. E por último o modelo de qualidade de vida que expressam as preferências pelo</p><p>tempo vivido em cada estado de saúde, servindo como fatores de ajuste em relação ao tempo de vida com plena saúde.</p><p>Focaremos, nesta seção, na medida de avaliação de-</p><p>nominada qualidade de vida, considerando que esta é</p><p>uma medida muito utilizada nos estudos relacionados à</p><p>Educação Física. Conceituar a qualidade de vida é algo</p><p>complexo, uma vez que a expressão apresenta vários sig-</p><p>nificados e envolve conhecimentos, valores, percepções</p><p>e experiências diversas.</p><p>Saúde, bem-estar e nível funcional são termos ge-</p><p>ralmente utilizados como sinônimos de qualidade de</p><p>vida (OLIVEIRA, 2004). Um conceito amplo e muito</p><p>utilizado é o da Organização Mundial da Saúde (WHO,</p><p>1995), que afirma que a qualidade de vida é a percepção</p><p>do indivíduo sobre a sua própria posição na vida, rela-</p><p>cionada ao âmbito cultural de vivência e em relação aos</p><p>objetivos e expectativas próprias. O conceito de quali-</p><p>dade de vida relacionado à saúde, para Patrick e Erick-</p><p>son (1993), relaciona-se ao valor atribuído à duração da</p><p>vida, modificado em função de deficiências, percepções,</p><p>38</p><p>estados funcionais e oportunidades sociais, os quais</p><p>são influenciados pela ocorrência de doenças, agravos,</p><p>intervenções ou políticas públicas. Portanto, o termo</p><p>qualidade de vida se refere ao impacto do estado de saú-</p><p>de na função ou na habilidade do sujeito e à percepção</p><p>de bem-estar nos domínios físicos, mentais e sociais da</p><p>vida (OLIVEIRA, 2004).</p><p>A mensuração dos níveis de qualidade de vida rela-</p><p>cionada à saúde é realizada por meio de instrumentos</p><p>que abrangem diferentes dimensões ou domínios, com-</p><p>postos por uma quantidade variada de itens. As respos-</p><p>tas relacionadas a essas questões geram escores que po-</p><p>dem ser considerados globais ou específicos para cada</p><p>domínio, resultando em índices agregados ou perfis de</p><p>qualidade de vida relacionada à saúde.</p><p>Os domínios primários da qualidade de vida rela-</p><p>cionada à saúde são os da atividade física, atividade psi-</p><p>cológica, atividade social, grau de satisfação com a vida</p><p>ou bem-estar e a percepção do estado de saúde. Domí-</p><p>nios secundários, ou adicionais, acabam por ser consi-</p><p>derados de acordo com o objetivo do estudo, incluindo</p><p>entre outros fatores, a atividade sexual, o sono, a identifi-</p><p>cação de sintomas, fatores relacionados à religiosidade e</p><p>espiritualidade (OLIVEIRA, 2004).</p><p>O Quadro 1 mostra os domínios e respectivas face-</p><p>tas abordados no instrumento de avaliação da qualidade</p><p>de vida da Organização Mundial da Saúde (WHOQOL</p><p>- World Health Organization Quality of life) na versão</p><p>abreviada (WHOQOL - Bref), desenvolvido para ava-</p><p>liação da qualidade de vida em diferentes contextos so-</p><p>cioculturais. É importante frisar que, para cada domínio</p><p>abordado no instrumento, os escores mais baixos repre-</p><p>sentam as avaliações menos favoráveis da qualidade de</p><p>vida, ou seja, quanto mais baixo o escore, menor será a</p><p>avaliação dada para aquele domínio.</p><p>Domínios Facetas</p><p>Físico</p><p>• Dor e desconforto</p><p>• Energia e fadiga</p><p>• Sono e repouso</p><p>• Mobilidade</p><p>• Atividades da vida cotidiana</p><p>• Dependência de medicação ou de tratamentos</p><p>• Capacidade de trabalho</p><p>Psicológico</p><p>• Sentimentos positivos</p><p>• Pensar, aprender, memória e concentração</p><p>• Autoestima</p><p>• Imagem corporal e aparência</p><p>• Sentimentos negativos</p><p>• Espiritualidade/religião/crenças pessoais</p><p>Descrição de quadro: O Quadro 1 representa os domínios e facetas incluídos no instrumento WHOQOL-Bref para avaliação da qualidade de vida.</p><p>São 4 domínios e 4 facetas. O domínio físico é representado por dor e desconforto, energia e fadiga, sono e repouso, mobilidade, atividades da vida</p><p>cotidiana, dependência de medicação ou de tratamentos e capacidade de trabalho. O domínio psicológico apresenta sentimentos positivos, pensar,</p><p>aprender, memória e concentração, autoestima, imagem corporal e aparência, sentimentos negativos, espiritualidade/religião/crenças pessoais. O</p><p>domínio das relações sociais é representado por relações pessoais, suporte (apoio) social e atividade sexual. E por último segurança física e proteção,</p><p>ambiente no lar, recursos financeiros, cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade, oportunidades de adquirir novas informações e ha-</p><p>bilidades, participação em, e oportunidades de recreação/lazer, ambiente físico: (poluição/ruído/trânsito/clima) e transporte que são representados</p><p>pelo domínio do meio ambiente.</p><p>39</p><p>EDUCAÇÃO FÍSICA</p><p>Relações sociais</p><p>• Relações pessoais</p><p>• Suporte (apoio) social</p><p>• Atividade sexual</p><p>Meio ambiente</p><p>• Segurança física e proteção</p><p>• Ambiente no lar</p><p>• Recursos financeiros</p><p>• Cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade</p><p>• Oportunidades de adquirir novas informações e habilidades</p><p>• Participação em, e oportunidades de recreação/lazer</p><p>• Ambiente físico: (poluição/ruído/trânsito/clima)</p><p>• Transporte</p><p>Quadro 1 - Domínios</p>

Mais conteúdos dessa disciplina