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<p>O pleno entendimento do papel do psicólogo no sistema jurídico é imprescindível para juízes e desembargadores. O psicólogo, no sistema de justiça, elabora um laudo psicológico para cada caso em que trabalhe, o qual se tornará parte de um processo judicial visando a subsidiar e/ou orientar a decisão do juiz. O laudo com a avaliação psicológica pode ser utilizado tanto em primeiro quanto em segundo grau, quando houver recurso. É importante ressaltar que esse documento preparado pelo psicólogo é fundamentado em um saber específico da Psicologia, sendo um relatório técnico-científico de natureza oficial, com uma avaliação psicológica produzida por meio de métodos que envolvem entrevistas, testes, observações, dinâmicas de grupo, escuta e intervenções verbais para a coleta de dados, conforme a Resolução nº 7/2003 do Conselho Federal de Psicologia.</p><p>Nos casos de abuso sexual na infância, por exemplo, a participação do psicólogo é necessária para a criança ter sua palavra acolhida de maneira adequada e compreensiva, e não somente como parte de uma inquisição judicial. O papel do laudo é apresentar o discurso da criança e revelar sua compreensão, percepção e vivência do abuso sexual sofrido.</p><p>Apresentaremos a seguir um acórdão judicial em que um dos desembargadores não acompanhou o relator quanto à decisão de condenação do agressor</p><p>Você acertou!</p><p>O Behaviorismo concentra-se no comportamento que pode ser observado e medido.</p><p>A Psicologia Experimental foi a primeira a utilizar um método psicológico com pretensões científicas, levando a Psicologia ao estatuto de cientificidade. Wilhelm Wundt criou o primeiro laboratório experimental em 1879. São consideradas como grandes correntes na Psicologia: Gestalt – toda percepção é um Gestalt (um todo) que não pode ser compreendido pela separação das partes. Behaviorismo – desconsiderou o papel do imaginário na vida dos indivíduos (comportamento manifesto). Psicanálise – Freud descobriu o inconsciente pela análise dos sonhos e dos lapsos.</p><p>O comportamento, para essa doutrina, é uma reação ou resposta do "sujeito" observado a uma determinada situação.</p><p>Conforme o Behaviorismo, o comportamento é a resposta do sujeito observado a um estímulo. O estudo do comportamento será possível a partir da variação do estímulo "S" e da observação a cada reação conforme o estímulo, pois o conhecimento científico não é subjetivo.</p><p>Filosofia: faculdades inatas e metafísicas. Psicologia Científica: redução dos fenômenos psíquicos aos fenômenos orgânicos e experimentais.</p><p>No processo de constituição da Psicologia como ciência, foi necessário romper com duas perspectivas. A primeira foi sua ligação histórica com a Filosofia, que descrevia os comportamentos humanos em termos de substância e faculdades inatas transcendentes. A Psicologia era concebida como sendo a explicação racional dos comportamentos de consciência. A segunda perspectiva foi sua aliança com as ciências experimentais de ordem psicoquímica ou biológica. O homem tornou-se, então, "objeto de experiência", passou a ser estudado em laboratórios com o objetivo de provar a origem orgânica de seus comportamentos.</p><p>Gestalt</p><p>A doutrina da Gestalt foi a primeira que conseguiu dar um passo no sentido da subjetividade, estudando as sensações e emoções num processo empírico.</p><p>Colabora no planejamento e execução de políticas de cidadania, direitos humanos e prevenção da violência, centrando sua atuação na orientação dos dados psicológicos repassados a juristas e indivíduos que carecem de tal intervenção, para possibilitar a avaliação das características de personalidade e fornecer subsídios ao processo judicial</p><p>O psicólogo jurídico atua no âmbito da Justiça, colaborando no planejamento e na execução de políticas de cidadania, direitos humanos e prevenção da violência, centrando sua atuação na orientação dos dados psicológicos repassados a juristas e indivíduos que carecem de tal intervenção, para possibilitar a avaliação das características de personalidade e fornecer subsídios ao processo judicial.</p><p>Minha resposta:</p><p>O Desembargador que não acompanhou o relator deixou de observar vários fatores relevantes:</p><p>- ser um membro da família e possível provedor - nestes casos o conflito de sentimentos em que não existe um comportamento hostil padronizado do abusador, pois é alguém de convívio diário e passível de confiança pela criança. A alteração no comportamento da criança observados na audiência pode ser pelo próprio contexto do tribunal e ouso dizer ir contra os direitos da criança em dar seu depoimento sem danos;</p><p>- uma outra questão que podemos levantar é a de gênero e da diferença que se espera de maturidade. No senso comum espera-se de uma menina de 11 anos maior quantidade de comportamentos adultizados do que de meninos de mesma idade. O que podemos ressaltar, também, no texto do acórdão quanto ao seu comportamento estar alterado pode estar refletindo uma dissonância do comportamento esperado de uma menina e o que está demonstrando no tribunal;</p><p>- a psicóloga tem liberdade em escolher as formas de intervenção e se usará testes, bem como quais serão mais adequados a situação. Não cabendo, desta forma, o questionamento do fazer profissional, tendo em vista não ser este de seu conhecimento. Nestes casos, poderia pedir um parecer de outro profissional da área.</p><p>Por isso, o psicólogo deve ter cuidado em escrever o relatório o mais técnico e descritivo possível. Também, saber discernir quando o laudo será indicativo ou conclusivo, sempre trazendo claros as justificativas para cada um.</p><p>Padrão de resposta esperado</p><p>A completa descrença do desembargador na atuação da psicóloga é visivelmente demonstrada porque esta não usou instrumentos de mensuração conforme sua expectativa. Para ele, a Psicologia é classificatória com base na materialidade dos fatos, conforme os paradigmas do Positivismo e da Psicologia Experimental do século XIX, em que o parecer deveria estar embasado apenas pelos instrumentos objetivos considerados científicos na época e característicos das primeiras relações estabelecidas entre a Psicologia e o Direito.</p><p>O entendimento desse desembargador, de que o resultado apresentado no laudo são apenas conclusões pessoais, demonstra sua dificuldade em lidar com o tema “abuso sexual na infância”, que ainda é um tabu tanto na sociedade quanto no meio jurídico, estando ainda ligado a aspectos clínicos como sintomas físicos e psicológicos, danos corporais e violência.</p><p>Os profissionais do Direito querem referências nas perícias médicas e nos laudos psicológicos de tais aspectos, o que nem sempre é possível, pois às vezes não há vestígios físicos nem sintomas psicológicos, apenas um relato da vítima sobre sua compreensão, percepção e vivência do abuso sexual sofrido. O juiz do primeiro grau e os outros dois desembargadores reconheceram o laudo como elemento de conhecimento específico e qualificado, capaz de subsidiar uma decisão.</p><p>image7.png</p><p>image8.png</p><p>image9.png</p><p>image10.png</p><p>image11.png</p><p>image12.png</p><p>image1.png</p><p>image2.png</p><p>image3.png</p><p>image4.png</p><p>image5.png</p><p>image6.png</p>