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<p>ENFERMAGEM CLÍNICA-CIRÚRGICA</p><p>2</p><p>Sumário</p><p>INTRODUÇÃO........................................................................................................................... 3</p><p>PLANEJAMENTO FÍSICO DO CENTRO CIRÚRGICO .............................................................. 5</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO TRATAMENTO CIRÚRGICO ................................................................. 6</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA .......................................................... 9</p><p>SISTEMA DE ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA (SAEP) ..................... 12</p><p>GESTÃO DE ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO ...................................................... 15</p><p>PRECAUÇÕES PARA CONTROLE E PREVENÇÃO DA INFECÇÃO NO CENTRO</p><p>CIRÚRGICO E LIMPEZA DO AMBIENTE ............................................................................... 17</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PERÍODO TRANSOPERATÓRIO ............................. 21</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA ....................... 28</p><p>REFERÊNCIAS ....................................................................................................................... 29</p><p>3</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A enfermagem clínica cirúrgica é uma especialidade dentro da enfermagem que</p><p>se concentra nos cuidados de enfermagem prestados a pacientes submetidos a</p><p>procedimentos cirúrgicos. Antes da cirurgia, os enfermeiros ajudam na preparação do</p><p>paciente, fornecendo informações sobre o procedimento, obtendo consentimento</p><p>informado, realizando avaliações pré-operatórias e garantindo que o paciente esteja</p><p>fisicamente e emocionalmente pronto para a cirurgia.</p><p>Durante a cirurgia, o profissional de enfermagem atua como membro essencial</p><p>da equipe cirúrgica, auxiliando o cirurgião e o restante da equipe na preparação do</p><p>paciente, na esterilização do campo cirúrgico, na passagem de instrumentos e na</p><p>garantia da segurança do paciente.</p><p>Os sinais vitais do paciente são monitorados constantemente durante a cirurgia,</p><p>garantindo que eles permaneçam estáveis e intervindo imediatamente em caso de</p><p>complicações. Após a cirurgia, são prestados cuidados de enfermagem na recuperação</p><p>pós-anestésica, conforme mencionado anteriormente, garantindo que o paciente</p><p>desperte da anestesia de forma segura e confortável.</p><p>A dor pós-operatória do paciente é monitorada e administrados analgésicos</p><p>conforme necessário. O enfermeiro posui a responsabilidade do cuidado e curativo das</p><p>incisões cirúrgicas, prevenindo infecções e promovendo a cicatrização adequada.</p><p>Os enfermeiros incentivam a mobilização precoce do paciente após a cirurgia</p><p>para prevenir complicações como trombose venosa profunda e pneumonia associada à</p><p>ventilação mecânica. Bem como podem implementar medidas de prevenção de úlceras</p><p>por pressão e outras complicações relacionadas à imobilidade.</p><p>Informações são fornecidas ao paciente e à família sobre os cuidados pós-</p><p>operatórios, incluindo atividades permitidas e restritas, medicamentos prescritos, sinais</p><p>de complicações que requerem atenção médica e acompanhamento pós-alta. O</p><p>profissional frequentemente se depara com pacientes que podem estar ansiosos,</p><p>estressados ou com medo, fornecendo apoio emocional e encorajamento, ajudando os</p><p>pacientes a enfrentar o processo cirúrgico e a recuperação com confiança.</p><p>4</p><p>INSERÇÃO DO CENTRO CIRÚRGICO NO CONTEXTO HOSPITALAR</p><p>A inserção do Centro Cirúrgico (CC) no contexto hospitalar desempenha um</p><p>papel crucial na prestação de cuidados de saúde. O CC é onde ocorrem procedimentos</p><p>cirúrgicos e intervencionistas, e sua eficiência e qualidade impactam diretamente nos</p><p>resultados dos pacientes e na operação geral do hospital.</p><p>O CC geralmente é localizado estrategicamente no hospital, próximo às áreas de</p><p>recuperação pós-anestésica e aos setores de internação. Sua infraestrutura deve ser</p><p>adequada para suportar procedimentos cirúrgicos de diferentes complexidades, com</p><p>salas cirúrgicas equipadas com tecnologia avançada, sistemas de esterilização</p><p>eficientes e recursos para controle de infecções.</p><p>O funcionamento eficaz do CC requer uma equipe multidisciplinar, incluindo</p><p>cirurgiões, anestesistas, enfermeiros cirúrgicos, instrumentadores, técnicos em</p><p>enfermagem, entre outros profissionais de saúde. A colaboração e comunicação entre</p><p>esses profissionais são essenciais para garantir a segurança e o sucesso dos</p><p>procedimentos.</p><p>A implementação de protocolos operacionais padrão e a padronização de</p><p>práticas são fundamentais para garantir a segurança e a qualidade dos cuidados no CC.</p><p>Isso inclui procedimentos para prevenção de infecções, preparação pré-operatória,</p><p>administração de medicamentos e monitoramento intraoperatório.</p><p>A gestão eficiente de recursos, como salas cirúrgicas, equipamentos, materiais</p><p>cirúrgicos e equipes, é essencial para maximizar a utilização do CC e otimizar os custos</p><p>operacionais. Isso envolve o planejamento adequado da agenda cirúrgica, a</p><p>manutenção preventiva de equipamentos e o controle de estoques de materiais.</p><p>A segurança do paciente é uma prioridade fundamental no CC. Isso inclui a</p><p>verificação de identidade do paciente e do procedimento, a prevenção de quedas e</p><p>lesões, a administração correta de medicamentos, a prevenção de complicações</p><p>intraoperatórias e o monitoramento pós-operatório para detecção precoce de sinais de</p><p>deterioração clínica.</p><p>A monitorização regular dos indicadores de desempenho, como taxas de infecção</p><p>cirúrgica, tempos de espera e satisfação do paciente, é essencial para avaliar a</p><p>qualidade dos cuidados no CC e identificar oportunidades de melhoria contínua. Isso</p><p>pode envolver revisão de processos, treinamento da equipe e implementação de</p><p>melhores práticas.</p><p>5</p><p>PLANEJAMENTO FÍSICO DO CENTRO CIRÚRGICO</p><p>O planejamento físico do Centro Cirúrgico (CC) é uma etapa crucial na construção</p><p>ou na remodelação de instalações hospitalares. Um CC bem projetado não apenas</p><p>otimiza a eficiência das operações cirúrgicas, mas também promove a segurança do</p><p>paciente e a funcionalidade da equipe médica.</p><p>O layout do CC deve ser projetado para facilitar o fluxo de pacientes, equipes e</p><p>materiais durante todo o processo cirúrgico. Isso inclui a disposição das salas cirúrgicas,</p><p>áreas de preparação e recuperação, esterilização, armazenamento de materiais e</p><p>circulação de pessoal.</p><p>Cada sala cirúrgica deve ser espaçosa o suficiente para acomodar equipamentos</p><p>médicos, monitores, instrumentação cirúrgica e a equipe cirúrgica. As salas devem ser</p><p>projetadas para permitir uma circulação eficiente da equipe, garantir uma iluminação</p><p>adequada e proporcionar acesso fácil aos pacientes.</p><p>Sistemas de ventilação adequados são essenciais para manter a qualidade do ar</p><p>no CC e reduzir o risco de infecções hospitalares. Isso inclui a instalação de filtros de ar</p><p>de alta eficiência, sistemas de pressão negativa em salas de isolamento e fluxos de ar</p><p>laminar em salas cirúrgicas.</p><p>Áreas dedicadas à esterilização de instrumentos cirúrgicos e preparação pré-</p><p>operatória são essenciais para garantir a segurança dos procedimentos. Isso pode</p><p>incluir salas de esterilização, áreas de limpeza e desinfecção, e espaços para</p><p>armazenamento seguro de materiais esterilizados.</p><p>Uma área de recuperação pós-anestésica deve ser projetada para fornecer um</p><p>ambiente seguro e confortável para os pacientes se recuperarem após a cirurgia. Isso</p><p>pode incluir salas de recuperação equipadas com monitores de pacientes, suportes para</p><p>fluidos intravenosos e pessoal treinado em cuidados pós-operatórios.</p><p>O CC deve ser projetado para garantir a acessibilidade para pacientes com</p><p>mobilidade reduzida, incluindo rampas, elevadores e banheiros adaptados. Medidas de</p><p>segurança, como sistemas de controle de acesso, câmeras de vigilância e alarmes de</p><p>incêndio, também são fundamentais para proteger pacientes, equipe</p><p>e instalações.</p><p>O CC deve ser projetado com flexibilidade para acomodar mudanças nas</p><p>demandas cirúrgicas ao longo do tempo. Isso pode incluir a instalação de paredes</p><p>móveis, sistemas modulares de teto e infraestrutura de TI expansível para suportar</p><p>novas tecnologias e equipamentos.</p><p>6</p><p>CLASSIFICAÇÃO DO TRATAMENTO CIRÚRGICO</p><p>O tratamento cirúrgico pode ser classificado conforme a duração da cirurgia,</p><p>momento operatório, o risco cardiológico ao qual o paciente é submetido a finalidade da</p><p>cirurgia e o potencial de contaminação, sendo explicitadas abaixo.</p><p>Momento operatório</p><p>• Cirurgias urgentes: são necessárias dentro de um prazo relativamente curto,</p><p>mas não representam uma ameaça imediata à vida do paciente. Elas são</p><p>realizadas para tratar condições que podem se deteriorar rapidamente se não</p><p>forem tratadas, mas não exigem intervenção imediata. Exemplos incluem</p><p>apendicectomia (remoção do apêndice), cirurgia de hérnia estrangulada,</p><p>ressecção de intestino por obstrução parcial, entre outros.</p><p>• Cirurgias eletivas são planejadas com antecedência, geralmente para tratar</p><p>condições não urgentes ou crônicas. Elas são agendadas com base na</p><p>disponibilidade do paciente, do cirurgião e do centro cirúrgico, e podem ser</p><p>adiadas se necessário. Exemplos incluem cirurgias de catarata, cirurgias</p><p>plásticas estéticas, reparo de hérnia não complicada, entre outros.</p><p>Finalidade da cirurgia</p><p>• Cirurgia Paliativa: Esta é uma cirurgia realizada com o objetivo de aliviar</p><p>sintomas, melhorar a qualidade de vida ou proporcionar conforto, especialmente</p><p>em pacientes com doenças graves e incuráveis. Pode incluir a remoção parcial</p><p>de tumores para reduzir a pressão sobre estruturas adjacentes, a descompressão</p><p>de vias aéreas ou nervosas, e a drenagem de fluidos para aliviar sintomas como</p><p>dor ou falta de ar.</p><p>• Cirurgia Radical: é um procedimento agressivo realizado com o objetivo de</p><p>remover completamente o tecido afetado, muitas vezes utilizado como tratamento</p><p>primário para câncer ou outras doenças graves. Essa abordagem busca extirpar</p><p>completamente a doença, incluindo tecidos circundantes que possam estar em</p><p>risco de invasão tumoral, para maximizar as chances de cura ou controle da</p><p>doença.</p><p>• Cirurgia Plástica/Estética: é realizada com o objetivo de melhorar a aparência</p><p>física do paciente, seja corrigindo defeitos congênitos, deformidades adquiridas,</p><p>envelhecimento ou insatisfação estética.</p><p>• Cirurgia Diagnóstica: é realizada com o objetivo de obter uma amostra de tecido</p><p>7</p><p>ou realizar um procedimento exploratório para confirmar ou esclarecer um</p><p>diagnóstico médico.</p><p>Risco cardiológico</p><p>• Cirurgia de Pequeno Porte: são procedimentos cirúrgicos relativamente simples</p><p>e de curta duração, geralmente realizados em ambulatório ou em unidades</p><p>cirúrgicas menores. Essas cirurgias podem ser realizadas sob anestesia local ou</p><p>sedação leve, e o paciente geralmente pode retornar para casa no mesmo dia.</p><p>• Cirurgia de Médio Porte: são procedimentos cirúrgicos mais complexos que</p><p>exigem mais tempo e recursos em comparação com cirurgias de pequeno porte.</p><p>Essas cirurgias geralmente exigem anestesia geral ou regional e podem requerer</p><p>uma estadia hospitalar curta após o procedimento para observação e</p><p>recuperação.</p><p>• Cirurgia de Grande Porte: são procedimentos cirúrgicos altamente complexos</p><p>e extensos, geralmente envolvendo a remoção ou reconstrução de grandes áreas</p><p>de tecido ou órgãos. Essas cirurgias exigem uma equipe cirúrgica especializada,</p><p>recursos avançados de monitoramento e suporte vital, e uma estadia hospitalar</p><p>prolongada para recuperação pós-operatória.</p><p>Duração da cirurgia</p><p>• Cirurgia de Porte I: Cirurgias de menor complexidade e menor risco.</p><p>Geralmente são procedimentos simples, com baixo potencial de complicações.</p><p>Exemplos incluem cirurgias ambulatoriais de pequeno porte, como remoção de</p><p>verrugas, biópsias superficiais, entre outros.</p><p>• Cirurgia de Porte II: Cirurgias de complexidade moderada, com risco e utilização</p><p>de recursos médicos intermediários. Podem exigir anestesia geral ou regional e</p><p>envolvem procedimentos mais invasivos e de maior duração. Exemplos incluem</p><p>colecistectomias (remoção da vesícula biliar), cirurgias de hérnia, entre outros.</p><p>• Cirurgia de Porte III: Cirurgias de alta complexidade, com risco moderado a alto</p><p>e utilização de recursos médicos consideráveis. Podem envolver procedimentos</p><p>que afetam órgãos internos importantes ou sistemas do corpo. Exemplos incluem</p><p>ressecções de tumores abdominais, cirurgias de revascularização arterial, entre</p><p>outros.</p><p>• Cirurgia de Porte IV: Cirurgias de extrema complexidade, com alto risco e</p><p>utilização intensiva de recursos médicos. São procedimentos altamente invasivos</p><p>8</p><p>e prolongados, geralmente realizados por equipes cirúrgicas especializadas.</p><p>Exemplos incluem transplantes de órgãos sólidos, cirurgias cardíacas complexas,</p><p>reconstruções microcirúrgicas, entre outros.</p><p>Potencial de contaminação</p><p>• Cirurgia Limpa: São procedimentos realizados em tecidos estéreis, sem</p><p>inflamação ou infecção pré-existente. O trato respiratório, gastrintestinal,</p><p>geniturinário e outras estruturas estéreis não são violados durante a cirurgia.</p><p>Exemplos incluem cirurgias eletivas de hérnia, cirurgias oftalmológicas,</p><p>procedimentos cardíacos sem violação do trato respiratório, entre outros. O risco</p><p>de infecção é baixo.</p><p>• Cirurgia Potencialmente Contaminada: Envolve procedimentos nos quais o</p><p>trato respiratório, gastrintestinal ou geniturinário é violado de forma controlada e</p><p>sem evidência de infecção. Exemplos incluem cirurgias abdominais onde há uma</p><p>incisão controlada no trato gastrintestinal ou cirurgias ginecológicas. O risco de</p><p>infecção é moderado.</p><p>• Cirurgia Contaminada: São procedimentos em que há contaminação evidente</p><p>do trato respiratório, gastrintestinal, geniturinário ou de outros tecidos não</p><p>estéreis. Isso pode ocorrer em cirurgias envolvendo trauma ou em pacientes com</p><p>infecções localizadas. Exemplos incluem cirurgias de emergência para</p><p>perfuração gastrointestinal ou cirurgias em pacientes com apendicite perfurada.</p><p>O risco de infecção é significativo.</p><p>• Cirurgia Infectada: São procedimentos realizados em tecidos infectados ou com</p><p>evidência clínica de infecção local. Exemplos incluem cirurgias de desbridamento</p><p>em feridas infectadas ou tratamento cirúrgico de abscessos. O risco de infecção</p><p>é muito alto.</p><p>9</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA</p><p>A enfermagem perioperatória, envolve os cuidados prestados ao paciente antes,</p><p>durante e após o procedimento cirúrgico, teve suas origens em práticas informais, muitas</p><p>vezes auxiliando os cirurgiões em tarefas como limpeza de materiais e assistência aos</p><p>pacientes. No entanto, sua evolução para uma prática mais estruturada e científica foi</p><p>impulsionada por diversos fatores ao longo do tempo.</p><p>Florence Nightingale, uma figura pioneira na enfermagem, já destacava a</p><p>importância de a enfermagem possuir um corpo de conhecimento próprio e de utilizar</p><p>métodos científicos em meados de 1860. No entanto, a enfermagem científica nos</p><p>moldes atuais só se propagou a partir de 1952, com a publicação do periódico Nursing</p><p>Research. Esse marco contribuiu significativamente para o desenvolvimento de um</p><p>corpo de conhecimento específico para a enfermagem, incluindo a enfermagem</p><p>perioperatória.</p><p>Um passo crucial na consolidação da enfermagem perioperatória foi a criação da</p><p>Association of periOperative Registered Nurses (AORN) - Associação de Enfermeiros</p><p>Registrados Perioperatórios. Fundada com o objetivo de unificar os enfermeiros</p><p>perioperatórios, oferecer educação e estabelecer padrões para o cuidado do paciente</p><p>cirúrgico em todas as fases do processo cirúrgico, a AORN desempenhou um papel</p><p>fundamental na profissionalização e no avanço da prática perioperatória.</p><p>A AORN não só definiu padrões e competências</p><p>para os enfermeiros</p><p>perioperatórios, mas também promoveu a excelência na prática, desenvolveu filosofias</p><p>de assistência e enfatizou a importância da prática baseada em evidências e da atuação</p><p>científica na enfermagem perioperatória. Por meio de suas diretrizes, programas</p><p>educacionais e apoio à pesquisa, a AORN continuou a moldar e elevar os padrões de</p><p>cuidados perioperatórios, contribuindo para o desenvolvimento e reconhecimento da</p><p>especialidade de enfermagem perioperatória.</p><p>A Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação</p><p>Anestésica e Centro de Material e Esterilização (SOBECC), fundada em setembro de</p><p>1991, desempenha um papel crucial no apoio ao desenvolvimento técnico-científico e</p><p>na divulgação das melhores práticas para a enfermagem perioperatória no Brasil. Sua</p><p>missão de colaborar com o desenvolvimento técnico-científico e divulgar as melhores</p><p>práticas nessas áreas específicas, além de propor recomendações, é fundamental para</p><p>elevar os padrões de cuidados perioperatórios no país.</p><p>10</p><p>As publicações trimestrais da Revista da SOBECC e as Práticas Recomendadas</p><p>da SOBECC, revisadas e atualizadas periodicamente, são meios importantes para</p><p>alcançar essa missão, fornecendo informações atualizadas e orientações práticas para</p><p>os enfermeiros que atuam nesses contextos.</p><p>Apesar das recomendações da AORN e da SOBECC sobre a adoção de um</p><p>modelo de assistência para guiar as ações dos enfermeiros no Centro Cirúrgico, muitos</p><p>hospitais brasileiros ainda não adotaram formalmente um modelo específico. A</p><p>assistência de enfermagem perioperatória geralmente é prestada de maneira</p><p>organizada pelos enfermeiros, mas muitas vezes não há um registro ou documentação</p><p>formal que oriente suas etapas e garanta sua continuidade.</p><p>Nesse cenário, a assistência muitas vezes acaba sendo uma atividade</p><p>profissional individual, e a instituição de saúde define a filosofia da assistência,</p><p>determinando como a dimensão do cuidado será integrada ao contexto mais amplo,</p><p>incluindo valores e crenças institucionais.</p><p>Apesar dos desafios, o papel da SOBECC e de outras organizações profissionais</p><p>é essencial para promover a padronização, a qualidade e a segurança dos cuidados</p><p>perioperatórios no Brasil, garantindo que os enfermeiros tenham acesso às melhores</p><p>práticas e recursos para atender às necessidades dos pacientes durante todo o</p><p>processo cirúrgico.</p><p>É fundamental reconhecer o papel crucial do enfermeiro perioperatório na</p><p>coordenação da assistência durante cirurgias cada vez mais complexas e de longa</p><p>duração, muitas vezes envolvendo múltiplas especialidades. A sua atuação visa não</p><p>apenas o sucesso da cirurgia para o paciente, mas também a satisfação da família e a</p><p>eficácia do trabalho em equipe de saúde.</p><p>Independentemente do local onde a cirurgia é realizada, seja em instituições</p><p>hospitalares, consultórios, clínicas ou ambulatórios, o planejamento da assistência deve</p><p>seguir os princípios de técnica asséptica e garantir a implementação e avaliação</p><p>adequadas dos cuidados. A qualidade da assistência prestada deve ser o foco central,</p><p>adaptando-se às necessidades individuais de cada cliente e seguindo um processo</p><p>planejado, sistemático e contínuo.</p><p>Nesse sentido, a adoção de um modelo de assistência específico para a</p><p>enfermagem perioperatória é essencial. Isso requer um esforço conjunto por parte dos</p><p>enfermeiros, docentes e alunos de graduação e pós-graduação em enfermagem para</p><p>embasar progressivamente a atuação do enfermeiro perioperatório em modelos</p><p>conceituais e práticos. Esse processo de desenvolvimento e aprimoramento contínuo da</p><p>11</p><p>prática é fundamental para garantir que a enfermagem perioperatória atenda às</p><p>expectativas e necessidades dos clientes de forma eficaz e compassiva.</p><p>12</p><p>SISTEMA DE ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PERIOPERATÓRIA (SAEP)</p><p>O modelo SAEP (Sistema de Assistência de Enfermagem Perioperatória) é</p><p>amplamente difundido no Brasil e baseia-se no atendimento das necessidades humanas</p><p>básicas, conforme estruturado por Wanda de Aguiar Horta. Esse modelo enfatiza a</p><p>importância de conhecer as necessidades do paciente e de sua família antes de entrar</p><p>no ambiente desconhecido do Centro Cirúrgico (CC), mantendo um vínculo de confiança</p><p>entre enfermeiro e paciente e buscando satisfazer as expectativas de cuidado do</p><p>paciente.</p><p>Desde 1978, há trabalhos que divulgam e definem a importância desses</p><p>princípios na prática perioperatória. A Resolução n. 358 de 2009, publicada pelo</p><p>Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), determina a utilização do Sistema de</p><p>Assistência de Enfermagem (SAE) em todas as instituições de saúde, sejam públicas</p><p>ou privadas, onde ocorre cuidado profissional de enfermagem. Essa resolução incentiva</p><p>a implantação do SAEP pelos enfermeiros que atuam em Centros Cirúrgicos,</p><p>promovendo uma abordagem mais sistematizada e baseada em evidências na</p><p>assistência perioperatória.</p><p>Essa padronização e regulamentação do uso do SAEP pelo COFEN reflete o</p><p>compromisso com a qualidade e segurança dos cuidados prestados pelos enfermeiros</p><p>perioperatórios no Brasil. Ao adotar esse modelo, os profissionais têm uma estrutura</p><p>sólida para orientar sua prática, garantindo uma assistência centrada no paciente e</p><p>alinhada com os princípios éticos e científicos da enfermagem.</p><p>O Sistema de Assistência de Enfermagem Perioperatória (SAEP) compreende</p><p>cinco etapas que guiam a prática dos enfermeiros perioperatórios:</p><p>• Visita pré-operatória de enfermagem: Nesta etapa, o enfermeiro realiza uma</p><p>avaliação completa do paciente antes da cirurgia. Isso inclui a revisão do histórico</p><p>médico, exame físico, identificação de alergias, medicações em uso e outras</p><p>informações relevantes. O objetivo é preparar o paciente e sua família para o</p><p>procedimento cirúrgico, fornecendo informações sobre o que esperar durante o</p><p>processo e respondendo a quaisquer dúvidas ou preocupações.</p><p>• Planejamento de assistência perioperatória: Com base na avaliação pré-</p><p>operatória, o enfermeiro elabora um plano de cuidados personalizado para o</p><p>paciente durante todo o processo cirúrgico. Isso inclui a identificação de</p><p>intervenções específicas para atender às necessidades do paciente antes,</p><p>durante e após a cirurgia, garantindo uma abordagem abrangente e segura.</p><p>13</p><p>• Implementação da assistência: Durante a implementação, o enfermeiro</p><p>executa o plano de cuidados perioperatórios, coordenando as atividades</p><p>necessárias para preparar o paciente para o procedimento cirúrgico. Isso pode</p><p>envolver a administração de medicações pré-operatórias, a preparação do local</p><p>cirúrgico e a assistência ao paciente durante a indução da anestesia.</p><p>• Avaliação da assistência – visita pós-operatória de enfermagem: Após a</p><p>cirurgia, o enfermeiro realiza uma avaliação cuidadosa do paciente durante a</p><p>visita pós-operatória. Isso inclui a monitorização dos sinais vitais, a avaliação do</p><p>estado de consciência, a verificação dos sinais de recuperação anestésica e o</p><p>controle da dor. Qualquer complicação ou preocupação é prontamente</p><p>identificada e tratada.</p><p>• Reformulação da assistência a ser planejada: Com base nos resultados da</p><p>avaliação pós-operatória, o enfermeiro revisa e ajusta o plano de cuidados</p><p>conforme necessário. Isso pode envolver a modificação de intervenções para</p><p>melhor atender às necessidades do paciente, a resolução de situações</p><p>indesejáveis e a prevenção de eventos adversos durante o período de</p><p>recuperação.</p><p>A sistematização da assistência de enfermagem perioperatória (SAEP) é um</p><p>instrumento teórico que a enfermagem utiliza para abordar o cuidado de forma</p><p>abrangente e organizada, planejando e controlando cada fase do processo de</p><p>assistência operatória. O SAEP baseia-se em premissas fundamentais para</p><p>operacionalizar os conceitos de assistência de enfermagem integral,</p><p>individualizada,</p><p>continuada, sistematizada, participativa, documentada e avaliada. Além disso, busca</p><p>adequar normas, rotinas e condutas para a prestação da assistência de enfermagem</p><p>perioperatória.</p><p>A assistência integral ou holística ao paciente é essencial dentro do SAEP,</p><p>entendendo que o bem-estar resulta do equilíbrio dinâmico do organismo e envolve os</p><p>aspectos físico, psicológico, social, mental e espiritual. Portanto, essa abordagem busca</p><p>integrar mente, corpo e meio ambiente na assistência ao paciente, reconhecendo a</p><p>interconexão entre esses elementos.</p><p>Na assistência individualizada, cada paciente é considerado único e tem direito a</p><p>receber uma assistência que atenda às suas necessidades específicas. Isso significa</p><p>que o cuidado é personalizado e adaptado às características e preferências individuais</p><p>de cada paciente.</p><p>14</p><p>A sistematização da assistência promove a continuidade do cuidado ao longo do</p><p>processo perioperatório, garantindo uma abordagem conjunta e contínua por parte dos</p><p>enfermeiros que trabalham nas unidades de internação, no Centro Cirúrgico e na Sala</p><p>de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA). Isso significa que há uma coordenação eficaz</p><p>entre essas diferentes áreas para assegurar a qualidade e segurança da assistência em</p><p>todas as fases do cuidado perioperatório.</p><p>15</p><p>GESTÃO DE ENFERMAGEM EM CENTRO CIRÚRGICO</p><p>O trabalho em saúde, incluindo a enfermagem em todas as suas áreas, não se</p><p>trata da produção de bens tangíveis, mas sim da prestação de serviços que são</p><p>consumidos no momento em que são produzidos. Isso significa que a assistência é</p><p>entregue diretamente aos pacientes, seja de forma individual, grupal ou coletiva. Essa</p><p>natureza dos serviços de saúde torna o processo de gestão complexo, pois envolve</p><p>diversos elementos que precisam ser cuidadosamente gerenciados.</p><p>Na administração de unidades de alta complexidade e especificidade, como o</p><p>Centro Cirúrgico (CC), os enfermeiros precisam estar atentos aos movimentos do</p><p>mercado econômico e financeiro para garantir altos níveis de qualidade nos serviços</p><p>prestados. Isso requer eficiência no desempenho geral e administrativo da unidade.</p><p>O CC é uma unidade que, além de sua complexidade operacional, apresenta</p><p>fatores estressantes no ambiente de trabalho, especialmente nas interações entre os</p><p>diferentes setores e profissionais. Além disso, os profissionais e pacientes estão</p><p>expostos a uma variedade de riscos à saúde, como os gases anestésicos residuais</p><p>liberados no ambiente.</p><p>O enfermeiro é responsável por gerenciar todas as atividades relacionadas ao</p><p>funcionamento da unidade do CC. Isso inclui a organização dos recursos humanos,</p><p>materiais e financeiros, o planejamento das escalas de trabalho, o monitoramento dos</p><p>processos operacionais e a implementação de políticas e diretrizes institucionais.</p><p>É responsabilidade do enfermeiro promover um ambiente de trabalho ético e</p><p>respeitoso, estabelecendo condutas éticas para toda a equipe do CC. Isso inclui a</p><p>orientação sobre os princípios éticos da profissão, a promoção do respeito aos direitos</p><p>e dignidade dos pacientes, e o incentivo à comunicação eficaz e colaboração entre os</p><p>membros da equipe.</p><p>O enfermeiro é responsável por garantir um ambiente seguro para pacientes e</p><p>profissionais de saúde no CC. Isso envolve a implementação de medidas de prevenção</p><p>de infecções, a manutenção da esterilidade do ambiente cirúrgico, o controle de riscos</p><p>ocupacionais e a promoção de práticas seguras durante os procedimentos cirúrgicos.</p><p>O paciente deve ser educado sobre sua condição de saúde, tratamento cirúrgico,</p><p>cuidados pós-operatórios e promoção da saúde. Isso inclui a explicação dos</p><p>procedimentos cirúrgicos, orientações sobre medicações, cuidados com feridas, dieta e</p><p>atividades físicas, bem como o estímulo ao autocuidado e participação ativa no processo</p><p>de recuperação.</p><p>16</p><p>Alem disso o profissional de enfermagem é responsável por assegurar que os</p><p>cuidados prestados aos pacientes no CC sejam de alta qualidade e segurança. Isso</p><p>inclui a avaliação contínua das práticas de cuidado, a identificação de áreas de melhoria,</p><p>o monitoramento dos resultados dos pacientes e a implementação de intervenções para</p><p>garantir a excelência dos cuidados prestados.</p><p>17</p><p>PRECAUÇÕES PARA CONTROLE E PREVENÇÃO DA INFECÇÃO NO CENTRO</p><p>CIRÚRGICO E LIMPEZA DO AMBIENTE</p><p>As Infecções Relacionadas à Assistência à Saúde (IRAS) representam um</p><p>desafio significativo para os sistemas de saúde em todo o mundo, pois estão diretamente</p><p>ligadas à segurança do paciente e podem resultar em uma série de consequências</p><p>adversas. Esses eventos adversos incluem aumento dos custos de assistência,</p><p>prolongamento do tempo de internação, aumento da morbidade e mortalidade dos</p><p>pacientes.</p><p>Para lidar com esse problema, diversas instituições, tanto públicas quanto</p><p>privadas, têm se dedicado à prevenção e controle das IRAS, fornecendo diretrizes e</p><p>orientações para os profissionais de saúde. Uma das referências mais importantes</p><p>nesse sentido é o Center for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos,</p><p>que periodicamente publica diretrizes (Guidelines) para prevenção de infecções.</p><p>No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) segue as</p><p>orientações do CDC, uma vez que as diretrizes emitidas por essa instituição são</p><p>baseadas em evidências científicas e técnicas. Em 2007, o CDC publicou o "Guideline</p><p>for Isolation Precautions", que é uma atualização do "Guideline for Isolation Precautions</p><p>in Hospitals" de 1996. Esse documento mantém dois níveis de precauções para prevenir</p><p>a transmissão de agentes infecciosos: precauções-padrão e precauções baseadas na</p><p>transmissão.</p><p>As precauções-padrão são medidas básicas que devem ser seguidas por todos</p><p>os profissionais de saúde em todas as situações de atendimento, independentemente</p><p>do diagnóstico ou suspeita de infecção. Já as precauções baseadas na transmissão são</p><p>direcionadas a situações específicas, levando em consideração o modo de transmissão</p><p>do agente infeccioso. Ao seguir essas diretrizes e adotar medidas preventivas</p><p>recomendadas, é possível reduzir significativamente o risco de infecções relacionadas</p><p>à assistência à saúde e promover a segurança dos pacientes em ambientes de</p><p>assistência médica.</p><p>As precauções-padrão (PP) são um conjunto de medidas práticas essenciais para</p><p>prevenir a transmissão de agentes infecciosos em todos os ambientes de assistência à</p><p>saúde. Elas devem ser aplicadas a todos os pacientes, independentemente da suspeita</p><p>ou confirmação da presença de uma infecção específica. A implementação dessas</p><p>precauções é fundamental para prevenir a disseminação de patógenos entre pacientes</p><p>e profissionais de saúde.</p><p>18</p><p>As precauções-padrão devem ser seguidas sempre que houver risco de contato</p><p>com:</p><p>• Sangue: Isso inclui todas as situações em que há manipulação de sangue ou</p><p>produtos sanguíneos, como coleta de sangue, procedimentos invasivos e manejo</p><p>de dispositivos intravenosos.</p><p>• Fluidos corpóreos, secreções e excreções: Isso abrange todos os fluidos</p><p>corporais, como saliva, urina, fezes, vômito, secreções respiratórias e fluídos</p><p>genitais. É importante tomar precauções ao manipular ou entrar em contato com</p><p>esses fluidos, pois podem conter agentes infecciosos.</p><p>• Pele não íntegra: A pele é uma barreira natural contra a entrada de</p><p>microrganismos, mas se estiver danificada por feridas, cortes ou abrasões, pode</p><p>facilitar a entrada de agentes infecciosos. Portanto, é importante proteger essas</p><p>áreas e tomar precauções ao manipular pacientes com lesões na pele.</p><p>• Mucosas: As mucosas, como os olhos, nariz e boca, são portas de entrada para</p><p>microrganismos. Deve-se ter cuidado ao manipular ou entrar em contato</p><p>com</p><p>áreas mucosas do corpo para evitar a transmissão de infecções.</p><p>As categorias das precauções baseadas na transmissão continuam sendo as</p><p>mesmas da diretriz de 1996: contato, gotículas e aerossóis. Essas precauções são</p><p>adicionais às precauções-padrão e devem ser aplicadas conforme a natureza e o modo</p><p>de transmissão específicos de uma doença.</p><p>• Precauções de Contato: Essas precauções são indicadas para pacientes</p><p>infectados ou colonizados por agentes patogênicos que podem ser transmitidos</p><p>por contato direto ou indireto. Isso inclui microrganismos que podem ser</p><p>transferidos através do toque com a pele ou contato com superfícies</p><p>contaminadas. Exemplos incluem infecções por Clostridium difficile,</p><p>Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA) e Enterococcus resistente</p><p>à vancomicina (VRE). As precauções de contato envolvem o uso de equipamento</p><p>de proteção individual (EPI) adequado, como luvas e aventais, e a prática rigorosa</p><p>de higiene das mãos.</p><p>• Precauções de Gotículas: Essas precauções são aplicadas quando uma</p><p>doença é transmitida por gotículas respiratórias produzidas ao tossir, espirrar ou</p><p>falar. Essas gotículas podem viajar até uma distância de cerca de um metro do</p><p>paciente. Exemplos de doenças que requerem precauções de gotículas incluem</p><p>gripe, sarampo e meningite bacteriana. Para essas precauções, são necessários</p><p>19</p><p>EPIs como máscaras faciais e proteção ocular, além de medidas para evitar a</p><p>disseminação de gotículas.</p><p>• Precauções de Aerossóis: Essas precauções são necessárias quando uma</p><p>doença é transmitida por partículas pequenas que podem permanecer suspensas</p><p>no ar por períodos prolongados e serem inaladas pelos indivíduos. Exemplos</p><p>incluem tuberculose (TB) e infecções por SARS-CoV-2. As precauções de</p><p>aerossóis exigem o uso de EPIs específicos, como respiradores N95 ou</p><p>equivalente, e medidas adicionais de controle de infecção, como isolamento em</p><p>quartos com ventilação adequada.</p><p>Recomendações das precauções-padrão</p><p>As precauções-padrão são fundamentais para prevenir a transmissão de</p><p>infecções em qualquer ambiente de assistência à saúde. Aqui estão algumas</p><p>recomendações essenciais das precauções-padrão:</p><p>• Higienização das mãos: Lavar as mãos regularmente com água e sabão é a</p><p>medida mais importante para prevenir a transmissão de infecções. Os</p><p>profissionais de saúde devem lavar as mãos antes e após o contato com cada</p><p>paciente, após o contato com fluidos corporais, após a remoção de luvas e</p><p>sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas.</p><p>• Equipamento de proteção individual (EPI): Usar o EPI apropriado, como luvas,</p><p>aventais, máscaras faciais e óculos de proteção, conforme necessário, para</p><p>proteger a pele, mucosas e roupas de exposição a fluidos corporais e outros</p><p>materiais potencialmente contaminados.</p><p>• Manejo seguro de instrumentos e equipamentos: Manipular e descartar</p><p>adequadamente instrumentos médicos e outros equipamentos utilizados durante</p><p>procedimentos médicos para evitar a contaminação cruzada entre pacientes.</p><p>• Limpeza e desinfecção ambiental: Manter o ambiente limpo e desinfetado,</p><p>incluindo superfícies, equipamentos e mobiliário, para reduzir o risco de</p><p>contaminação por microrganismos patogênicos.</p><p>• Descarte seguro de resíduos: Descartar adequadamente todos os resíduos</p><p>biológicos, incluindo materiais contaminados, agulhas e outros objetos cortantes,</p><p>de acordo com os protocolos de biossegurança estabelecidos.</p><p>• Práticas seguras de manejo de alimentos: Seguir boas práticas de higiene</p><p>alimentar ao manipular, preparar e armazenar alimentos em ambientes de</p><p>assistência à saúde para evitar a contaminação alimentar e a propagação de</p><p>20</p><p>infecções.</p><p>• Isolamento de pacientes: Isolar pacientes infectados ou colonizados com</p><p>patógenos transmissíveis conforme necessário, seguindo as diretrizes de</p><p>isolamento recomendadas para prevenir a disseminação da infecção para outros</p><p>pacientes, profissionais de saúde e visitantes.</p><p>• Educação e treinamento: Fornecer educação regular e treinamento para todos</p><p>os profissionais de saúde sobre as práticas de prevenção de infecções e o uso</p><p>adequado das precauções-padrão para garantir a conformidade e eficácia na</p><p>prevenção da transmissão de infecções.</p><p>21</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NO PERÍODO TRANSOPERATÓRIO</p><p>O agendamento cirúrgico, feito pela equipe médica, é o primeiro passo para</p><p>organizar todos os recursos necessários para uma cirurgia programada. O registro</p><p>adequado das informações, seja por telefone, e-mail ou fax, é essencial para garantir a</p><p>disponibilidade de materiais, equipamentos e pessoal, além de facilitar a comunicação</p><p>entre as diferentes equipes envolvidas.</p><p>O uso de um mapa cirúrgico eletrônico facilita a atualização e o acesso às</p><p>informações relevantes, como os detalhes do paciente, da cirurgia, dos profissionais</p><p>envolvidos e quaisquer necessidades especiais. Isso garante que todos os membros da</p><p>equipe estejam cientes dos detalhes importantes e possam se preparar adequadamente</p><p>para o procedimento.</p><p>O dimensionamento adequado das salas e do pessoal é fundamental para</p><p>garantir que todos os recursos necessários estejam disponíveis e que a cirurgia ocorra</p><p>sem problemas. Isso envolve considerar vários fatores, como a especialidade da</p><p>cirurgia, o tamanho da sala, o número de profissionais necessários, os equipamentos e</p><p>materiais necessários, e as habilidades específicas da equipe. Ao levar em conta todos</p><p>esses aspectos, as instituições de saúde podem garantir uma gestão eficiente dos</p><p>recursos e uma prestação de cuidados de saúde de alta qualidade durante os</p><p>procedimentos cirúrgicos.</p><p>A montagem adequada da Sala Operatória (SO) é essencial para garantir um</p><p>ambiente seguro e funcional para a realização da cirurgia. O circulante de sala</p><p>desempenha um papel crucial nesse processo, seguindo uma série de passos para</p><p>preparar a sala e os materiais necessários:</p><p>• Providenciar etiquetas de identificação do paciente, se necessário, para garantir</p><p>uma identificação clara e precisa durante todo o procedimento.</p><p>• Realizar a lavagem/higienização das mãos para garantir a assepsia antes de</p><p>manipular os materiais e equipamentos.</p><p>• Verificar as condições de limpeza da SO e garantir que esteja adequadamente</p><p>preparada antes de equipá-la com materiais e equipamentos.</p><p>• Equipar lavabos próximos à SO com solução antisséptica e escovas para</p><p>degermação, garantindo a disponibilidade de recursos para a higiene adequada.</p><p>• Testar o funcionamento de todos os equipamentos a serem utilizados durante o</p><p>procedimento para evitar contratempos durante a cirurgia.</p><p>• Verificar a existência e a disponibilidade de bancos, suportes de soro,</p><p>22</p><p>braçadeiras, arcos, hampers, mesas para instrumental, extensões elétricas, entre</p><p>outros.</p><p>• Posicionar a mesa cirúrgica na posição ideal para a cirurgia programada e</p><p>providenciar os acessórios necessários para o posicionamento adequado do</p><p>paciente.</p><p>• Conferir o carro de anestesia para garantir a presença de circuitos/traqueias</p><p>adaptados para a idade do paciente e a disponibilidade de materiais e</p><p>equipamentos necessários para a anestesia.</p><p>• Montar a mesa auxiliar de anestesia, garantindo a disponibilidade do material</p><p>necessário para a administração da anestesia geral.</p><p>• Solicitar ao Centro de Material e Esterilização (CME) o carro montado para a</p><p>cirurgia, verificando a validade da esterilização, a integridade das embalagens e</p><p>a presença do indicador externo/classe I (“fita zebrada”).</p><p>• Solicitar à farmácia o kit de materiais descartáveis e consignados conforme a</p><p>necessidade do procedimento.</p><p>• Organizar os materiais e equipamentos para o início da cirurgia, aguardando a</p><p>chegada do paciente e da equipe cirúrgica para evitar desperdícios caso o</p><p>procedimento seja cancelado.</p><p>Após a montagem da SO, o enfermeiro assistencial deve</p><p>realizar uma última</p><p>verificação para garantir que tudo esteja pronto e em conformidade com os padrões de</p><p>segurança e higiene. Isso inclui verificar a limpeza e a temperatura da sala, o</p><p>posicionamento correto da mesa cirúrgica, a presença e o funcionamento dos materiais</p><p>e equipamentos solicitados, a disponibilidade do material para anestesia organizado de</p><p>acordo com as características do paciente, e a presença de solicitações especiais e</p><p>materiais consignados, reserva de hemocomponentes e reserva de vaga na UTI, se</p><p>aplicável.</p><p>Após a preparação da SO, é feito o transporte do paciente para o setor de</p><p>Cirurgia, onde a recepção cordial e cuidadosa é realizada pelo enfermeiro,</p><p>preferencialmente pelo mesmo profissional que fez a visita pré-operatória de</p><p>enfermagem. Isso ajuda a proporcionar continuidade no cuidado ao paciente e a criar</p><p>um ambiente acolhedor e seguro, onde possíveis dúvidas podem ser esclarecidas antes</p><p>do procedimento.</p><p>Durante o início da assistência ao ato anestésico, é crucial realizar uma</p><p>monitorização adequada do paciente para garantir sua segurança e estabilidade durante</p><p>todo o procedimento. Os principais passos incluem:</p><p>23</p><p>A nonitoração básica inclui a utilização de um oxímetro de pulso para monitorar</p><p>a saturação de oxigênio no sangue, um eletrocardiograma (ECG) para monitorar a</p><p>atividade elétrica do coração e uma pressão arterial não invasiva (PANI) para monitorar</p><p>a pressão arterial do paciente. Dependendo da necessidade, pode ser instalado um</p><p>cateter venoso central (CVC) e monitorada a pressão venosa central (PVC) para uma</p><p>monitorização mais invasiva.</p><p>É imprescindível realizar a punção de uma veia periférica calibrosa, na maioria</p><p>das instituições pelo anestesiologista, para a instalação imediata de infusões</p><p>intravenosas. Geralmente, também é instalada oxigenoterapia por máscara facial para</p><p>garantir a oxigenação adequada do paciente.</p><p>O enfermeiro, preferencialmente, ou o circulante de sala, auxilia o</p><p>anestesiologista na realização da anestesia propriamente dita. Isso envolve</p><p>procedimentos específicos para cada tipo de anestesia:</p><p>• Anestesia geral: Auxílio na manutenção do paciente em decúbito dorsal horizontal</p><p>(DDH), pré-oxigenação do paciente, indução anestésica, intubação e fixação do</p><p>tubo orotraqueal, proteção ocular e labial, instalação de sonda gástrica (se</p><p>necessário), colocação de eletrodos de monitorização cerebral contínua,</p><p>termômetro esofágico, entre outros recursos necessários.</p><p>• Bloqueios regionais: Posicionar o paciente adequadamente para bloqueios</p><p>raquidianos, peridurais e de nervos periféricos, auxiliando na abertura dos kits</p><p>estéreis, na antissepsia da pele e na aspiração de fármacos necessários para o</p><p>procedimento.</p><p>Após o procedimento anestésico, a equipe de enfermagem inicia o auxílio à</p><p>equipe cirúrgica, seguindo algumas diretrizes importantes para garantir a eficiência e a</p><p>segurança do processo:</p><p>• Início do auxílio à equipe cirúrgica: Se o circulante de sala estiver sozinho, ele</p><p>inicia o auxílio à equipe cirúrgica somente após o paciente estar anestesiado e</p><p>devidamente posicionado. No entanto, se houver dois circulantes ou a presença</p><p>do enfermeiro assistencial desde o início do procedimento, as tarefas podem e</p><p>devem ser divididas e realizadas simultaneamente. Isso é especialmente</p><p>recomendado em cirurgias de grande porte, como cardíacas, ortopédicas,</p><p>neurológicas e transplantes, para garantir um preparo intraoperatório mais rápido</p><p>e eficiente, além de proporcionar mais segurança e conforto ao paciente.</p><p>24</p><p>• Revisão dos materiais em sala: Antes da recepção do paciente na Sala</p><p>Operatória (SO), o instrumentador revisa a presença de materiais descartáveis,</p><p>permanentes e consignados, bem como de equipamentos e acessórios. Essa</p><p>prática visa evitar circulações desnecessárias e garantir que o funcionário esteja</p><p>presente em sala após o início da cirurgia.</p><p>• Paramentação cirúrgica: O instrumentador procede à paramentação cirúrgica,</p><p>que inclui degermação das mãos e antebraços, vestir avental estéril e calçar luvas</p><p>cirúrgicas. Em seguida, ele inicia a montagem da mesa de instrumentais,</p><p>seguindo uma abertura asséptica dos materiais, conferência e guarda dos</p><p>integradores químicos, colocação de soluções em cúpulas e cubas, e</p><p>confirmação rigorosa da utilização dos materiais consignados antes de abri-los.</p><p>O instrumentador também oferece solução antisséptica à equipe, confirmando</p><p>alergias do paciente e a solução a ser utilizada na degermação e antissepsia da</p><p>pele.</p><p>• Paramentação do cirurgião principal e assistentes: O cirurgião principal e seus</p><p>assistentes também procedem à paramentação cirúrgica, com degermação das</p><p>mãos e antebraços, vestir avental estéril e calçar luvas cirúrgicas. Geralmente,</p><p>um ou mais membros da equipe iniciam o preparo do paciente e, em seguida, se</p><p>preparam para entrar no campo operatório.</p><p>Se necessária, a tricotomia pode ser realizada na própria Sala Operatória (SO)</p><p>imediatamente antes do início da cirurgia. Pode ser feita pelo cirurgião assistente, pelo</p><p>enfermeiro ou pelo circulante de sala, preferencialmente com tricotomizador elétrico e</p><p>na área restrita ao procedimento. Isso ajuda a evitar solução de continuidade da pele</p><p>devido ao uso de lâminas inadequadas ou de equipe inabilitada.</p><p>Caso necessária, a passagem da SVD pode ser realizada pelo cirurgião</p><p>assistente ou, preferencialmente, pelo enfermeiro assistencial. É fundamental seguir</p><p>rigorosamente a técnica asséptica e adequar o calibre da sonda à necessidade do</p><p>paciente e da cirurgia.</p><p>O posicionamento adequado do paciente é crucial para o sucesso do</p><p>procedimento cirúrgico. Essa responsabilidade é compartilhada por toda a equipe</p><p>atuante na SO, incluindo cirurgiões (principal e assistente), anestesiologista, circulante</p><p>de sala e enfermeiro assistencial. O circulante da SO deve auxiliar o cirurgião no</p><p>posicionamento correto do paciente, minimizando o desconforto causado pela posição</p><p>e pelo tempo de duração da cirurgia. Isso ajuda a prevenir lesões articulares,</p><p>25</p><p>musculares, nervosas, circulatórias, respiratórias e tegumentares, além de manter o</p><p>pudor e o respeito na exposição do paciente.</p><p>Deve-se realizar o preparo da pele do paciente por meio da degermação e da</p><p>antissepsia, utilizando o mesmo produto. Atualmente, tem sido comum o uso de solução</p><p>de clorexidina degermante (base sabão) para ambas as etapas. Essa solução é aplicada</p><p>com uma escova similar àquela utilizada na degermação das mãos da equipe cirúrgica.</p><p>Para a antissepsia da pele do paciente, a mesma solução de clorexidina é utilizada,</p><p>sendo aplicada com a finalidade de reduzir a flora bacteriana e minimizar o risco de</p><p>infecções.</p><p>Durante a cirurgia, o circulante de sala desempenha diversas funções essenciais</p><p>para garantir o bom andamento do procedimento e o bem-estar do paciente:</p><p>• Atende às solicitações da equipe cirúrgica e anestésica, permanecendo na Sala</p><p>Operatória (SO) e evitando ausentar-se, a menos que estritamente necessário.</p><p>• Realiza a contagem de compressas e gazes, pesando-as quando indicado, para</p><p>garantir a segurança do paciente e prevenir a ocorrência de corpos estranhos no</p><p>campo cirúrgico.</p><p>• Conferem hemoinfusões, se pertinente, garantindo que o paciente receba as</p><p>transfusões sanguíneas necessárias de forma adequada.</p><p>• Encaminha exames e providencia os resultados conforme solicitado pela equipe</p><p>cirúrgica, garantindo que todos os procedimentos sejam realizados de forma</p><p>eficiente e segura.</p><p>• Identifica e encaminha material para estudo genético e/ou peças para anatomia</p><p>patológica, seguindo os protocolos estabelecidos pela instituição.</p><p>• Confere o prontuário e os exames relacionados, assegurando que toda a</p><p>documentação esteja completa e correta.</p><p>• Preenche os impressos específicos, relatando especialmente as ações</p><p>pertinentes à equipe de enfermagem, o débito de sala e outros, conforme a</p><p>rotina</p><p>da instituição.</p><p>• Ao término da cirurgia, o circulante de sala colabora com o enfermeiro assistencial</p><p>para realizar diversas atividades:</p><p>• Oferece drenos e/ou material para curativo à equipe cirúrgica, auxiliando na</p><p>preparação do paciente para o pós-operatório.</p><p>• Desliga equipamentos e afasta-os, contribuindo para a organização da sala</p><p>operatória e garantindo a segurança do paciente.</p><p>26</p><p>• Auxilia na retirada dos campos cirúrgicos, observando a presença de</p><p>instrumentos perdidos para evitar complicações pós-operatórias.</p><p>• Posiciona o paciente em decúbito dorsal horizontal (DDH), caso esteja em outra</p><p>posição e o procedimento permita, visando o conforto e a segurança do paciente.</p><p>• Organiza drenos, sondas, cateteres, infusões e irrigações, preparando o paciente</p><p>para o transporte para a recuperação pós-anestésica.</p><p>• Realiza a higienização da pele do paciente, removendo o excesso de</p><p>antisséptico, sangue e secreções para evitar possíveis complicações.</p><p>• Mantém o paciente confortável, promovendo aquecimento e segurança, e</p><p>vestindo a camisola no paciente.</p><p>• Mantém o ambiente calmo e tranquilo, evitando comentários desnecessários e</p><p>promovendo um ambiente propício para a recuperação do paciente.</p><p>Durante a saída do paciente da Sala Operatória (SO), tanto o enfermeiro quanto</p><p>o circulante de sala desempenham diversas tarefas importantes para garantir a</p><p>segurança e o conforto do paciente. No prontuário, é fundamental que estejam</p><p>corretamente preenchidos todos os impressos relacionados ao transoperatório,</p><p>incluindo aqueles de responsabilidade da equipe de enfermagem, da equipe de</p><p>cirurgiões e do anestesiologista. Esses impressos incluem registros transoperatórios,</p><p>notas de débito, controle de exames, descrição cirúrgica, prescrição médica, pedido de</p><p>anatomopatológico (se houver), ficha de anestesia, receitas de psicotrópicos e pedidos</p><p>de exames laboratoriais.</p><p>O preenchimento correto da ficha transoperatória é fundamental e deve seguir o</p><p>modelo disponível na instituição. É essencial garantir que as anotações de enfermagem</p><p>sigam o mesmo padrão de qualidade da assistência prestada, contribuindo para uma</p><p>documentação precisa e completa do procedimento cirúrgico. Isso é crucial para a</p><p>continuidade do cuidado e para a segurança do paciente.</p><p>É crucial garantir que o paciente nunca permaneça sozinho durante o processo</p><p>de preparação para sair da Sala Operatória (SO), pois isso poderia aumentar o risco de</p><p>complicações, como quedas da maca ou da mesa cirúrgica, além de alterações nas</p><p>funções vitais que precisam ser monitoradas de perto.</p><p>Após a alta do paciente pelo anestesiologista, o enfermeiro realiza uma avaliação</p><p>abrangente, que inclui:</p><p>• Permeabilidade das vias aéreas ou ventilação assistida.</p><p>27</p><p>• Nível de consciência e capacidade de comunicação do paciente.</p><p>• Verificação das infusões e drenagens, incluindo tipo, local e gotejamento.</p><p>• Garantir o aquecimento adequado do paciente.</p><p>• Verificação de possíveis lesões decorrentes da posição durante a cirurgia,</p><p>estiramentos ou uso de bisturi elétrico.</p><p>• Avaliação das soluções medicamentosas e antissépticos utilizados durante o</p><p>procedimento.</p><p>• Avaliação da dor e atendimento às necessidades do paciente.</p><p>• Consideração das atividades institucionais específicas que devem ser realizadas.</p><p>Dependendo das condições do paciente e do tipo de cirurgia realizada, ele pode</p><p>ser encaminhado para a Sala de Recuperação Pós-Anestésica (SRPA), a Unidade de</p><p>Terapia Intensiva (UTI), a unidade semi-intensiva ou até mesmo a Unidade de</p><p>Internação (UI).</p><p>Durante o transporte do paciente para a unidade de destino, é essencial que o</p><p>enfermeiro e o anestesiologista acompanhem o paciente, utilizando equipamentos de</p><p>monitoramento para transporte, como oxímetro e ECG, além de dispor de oxigênio</p><p>suplementar, se necessário. O transporte deve ser realizado com segurança e</p><p>garantindo o conforto do paciente, promovendo a humanização mesmo nessa fase.</p><p>Ao chegar à nova unidade, o enfermeiro do Centro Cirúrgico (CC) deve passar o</p><p>plantão para o enfermeiro responsável pela admissão do paciente. Durante essa</p><p>passagem de plantão, o enfermeiro do CC deve fornecer informações importantes,</p><p>incluindo o nome e a idade do paciente, o tipo de anestesia e cirurgia realizada, a</p><p>presença e condições de drenos, sondas, cateteres, curativos e infusões, além de</p><p>quaisquer intercorrências que tenham ocorrido durante o procedimento cirúrgico, se</p><p>aplicável. Essas informações são cruciais para garantir uma continuidade adequada do</p><p>cuidado ao paciente.</p><p>28</p><p>ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM NA RECUPERAÇÃO PÓS-ANESTÉSICA</p><p>A assistência de enfermagem na recuperação pós-anestésica é crucial para</p><p>garantir a segurança e o bem-estar do paciente após um procedimento cirúrgico. Os</p><p>enfermeiros devem monitorar constantemente os sinais vitais do paciente, como</p><p>frequência cardíaca, pressão arterial, respiração e saturação de oxigênio. Qualquer sinal</p><p>de instabilidade deve ser prontamente identificado e tratado.</p><p>É importante verificar o estado de consciência do paciente conforme ele desperta</p><p>da anestesia. É necessário estar atentos a sinais de agitação, confusão ou outras</p><p>alterações no nível de consciência, devem avaliar e monitorar a dor do paciente e</p><p>administrar medicamentos analgésicos conforme necessário para garantir seu conforto.</p><p>Após a anestesia, pode ocorrer depressão respiratória, especialmente em</p><p>pacientes que receberam anestesia geral. É preciso monitorar de perto a respiração do</p><p>paciente e intervir se houver sinais de dificuldade respiratória.</p><p>O profissional de enfermagem deve tambem garantir que o paciente esteja</p><p>hidratado adequadamente e receberá nutrição adequada conforme tolerância oral. Bem</p><p>como estar cientes das possíveis complicações pós-anestésicas, como náuseas,</p><p>vômitos, reações alérgicas, hipotermia, entre outras, e estar preparados para lidar com</p><p>elas.</p><p>Os enfermeiros devem fornecer informações ao paciente e aos cuidadores sobre</p><p>o que esperar durante o período de recuperação pós-anestésica, incluindo sinais de</p><p>complicações que requerem atenção médica. Alguns pacientes podem sentir-se</p><p>ansiosos ou confusos após a anestesia, deve ser fornecido apoio emocional e</p><p>tranquilidade, ajudando o paciente a se sentir seguro durante o processo de</p><p>recuperação.</p><p>Todos os cuidados prestados e as observações feitas durante o período de</p><p>recuperação pós-anestésica devem ser registrados de forma precisa e completa nos</p><p>registros médicos do paciente.</p><p>Essas são apenas algumas das muitas responsabilidades que os enfermeiros</p><p>têm na assistência à recuperação pós-anestésica. Uma comunicação eficaz com a</p><p>equipe médica e uma vigilância constante são essenciais para garantir a segurança e o</p><p>conforto do paciente durante esse período crítico.</p><p>29</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Carvalho R. Processo ensino-aprendizagem da instrumentação cirúrgica por alunos de</p><p>graduação em enfermagem [tese de doutorado]. São Paulo: Escola de Enfermagem da USP;</p><p>2002.</p><p>Ribeiro RCN, Coutinho RMC, Costa ALS. Laboratório de enfermagem em centro cirúrgico:</p><p>opinião de alunos de graduação quanto à sua utilização. Acta Paul. Enf. 1998;11(1):7-13. 3.</p><p>Jouclas VMG. Análise da função do circulante de sala de operações de acordo com a</p><p>metodologia sistêmica de organização de recursos humanos [tese]. São Paulo: Escola de</p><p>Enfermagem da USP; 1987.</p><p>Magill RA. Aprendizagem e controle motor: conceitos e aplicações. 8.ed. São Paulo: Phorte;</p><p>2011.</p><p>Cianciarullo TI. Instrumentos básicos para o cuidar: um desafio para a qualidade de assistência.</p><p>2.ed. São Paulo: Atheneu; 2005.</p><p>Schmidt RA, Wrisberg CA. Aprendizagem e performance motora: uma abordagem da</p><p>aprendizagem baseada na situação. 4.ed. Porto Alegre (RS): Artmed; 2010.</p><p>Rocha EM, Silva MJP. Comportamento comunicativo do docente de enfermagem e sua</p><p>influência</p><p>na aprendizagem do educando. Rev. Nursing. 2001;4(32):30-4.</p><p>Silva M. Educação online: teorias, práticas, legislação, formação corporativa. São Paulo: Loyola;</p><p>2003.</p><p>Pappert S. A máquina das crianças. Porto Alegre: Artes Médicas; 1994. 38.Peres FMA,</p><p>Nottingham PC. Novas tecnologias trazem inovações pedagógicas?</p><p>Gomes RCG, Pezzi S, Barcia RM. Tecnologia e andragogia: aliadas na educação à distância –</p><p>tema: Gestão de sistemas de educação à distância.</p><p>Camacho ACLF. Análise das publicações nacionais sobre educação à distância na enfermagem.</p><p>Brasília (DF). Rev Bras Enferm 2009.</p><p>Masetto MT. O professor na hora da verdade: a prática docente no ensino superior. São Paulo:</p><p>30</p><p>Avercamp; 2010. Capítulo 7 – Aula presencial na universidade com apoio de técnicas</p><p>pedagógicas: para aprendizagem em ambientes profissionais.</p><p>Carvalho R, Santos ER, Paula MFC, Mohallem AGC, Coelho MM, Kaneko RMU. Simulação</p><p>realística e assistência ao cliente cirúrgico: experiência na graduação em enfermagem. Anais.</p><p>Simpósio Internacional de Enfermagem (SIEN). São Paulo; 2012.</p><p>Appavu SK. Two decades of simulation-based training: have we made progress? Crit Care Med</p><p>2009 Oct;37(210):2843-4.</p><p>Fonseca AS, Janicas RCSV, Porto CA, Moritsugu UM, Sena MH. Criação e implantação do</p><p>centro de simulação realística do centro de aprimoramento profissional de enfermagem: relato</p><p>de experiência. São Paulo. Nursing. 2011;13(154):156-60.</p>

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