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<p>UNINASSAU</p><p>POLO - BRASÍLIA</p><p>CURSO: LETRAS/PORTUGUÊS</p><p>DIVERSIDADES LINGUÍSTICAS NO CONTEXTO ESCOLAR</p><p>NO ENSINO FUNDAMENTAL II</p><p>JONATHAS MARCELO DA SILVA LIMA –MATRÍCULA 01477614</p><p>BRASÍLIA</p><p>2024</p><p>JONATHAS MARCELO DA SILVA LIMA</p><p>DIVERSIDADES LINGUÍSTICAS NO CONTEXTO ESCOLAR</p><p>NO ENSINO FUNDAMENTAL II</p><p>Relatório Curricular de conclusão de Curso</p><p>apresentado à Universidade Uninassau como</p><p>requisito básico para a obtenção do título de</p><p>Licenciatura em Letras/Português.</p><p>Orientador (a): Prof (a). Me. Felipe Queiroga</p><p>BRASÍLIA</p><p>2024</p><p>Relatório Aprovado Como Requisito Parcial Para A Conclusão do Curso de Letrea/ Português</p><p>da Faculdade Uniassau– Polo Brasília Pela Comissão Formada Pelos Professores.</p><p>BANCA EXAMINADORA</p><p>_________________________________________________</p><p>Orientador (A): Prof (A). Felipe Queiroga</p><p>_________________________________________________</p><p>Nome Completo Prof (A).</p><p>_________________________________________________</p><p>Nome Completo Prof (A).</p><p>BRASÍLIA</p><p>2024</p><p>DEDICATÓRIA</p><p>Dedico este trabalho primeiramente а Deus, pôr ser essencial em minha vida, autor do nosso</p><p>destino, e família.</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>A Deus, pôr ser essencial em minha vida, autor do nosso destino.</p><p>A família e amigos.</p><p>Aos professores e a faculdade.</p><p>"As palavras têm o poder de unir ou dividir, por isso devemos celebrar e respeitar as diversas</p><p>línguas do mundo." - Nelson Mandel</p><p>SUMÁRIO</p><p>SUMÁRIO</p><p>INTRODUÇÃO ..............................................................................................................................10</p><p>CAPÍTULO I ...................................................................................................................................... 14</p><p>1.1 Preconceito Linguístico.......................................................................................................15</p><p>1.2 Línguagem...........................................................................................................................17</p><p>1.3 Ensino da Variação Linguística...........................................................................................21</p><p>CAPÍTULO II..........................................................................................................................23</p><p>2.1 Cultura e as Variações.........................................................................................................24</p><p>METODOLOGIA...................................................................................................................25</p><p>ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS...............................................................................26</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................................27</p><p>REFERÊNCIAS.....................................................................................................................28</p><p>RESUMO</p><p>O tema deste Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é A Diversidades Linguísticas no</p><p>Contexto Escolar no Ensino Fundamental II. O objetivo Geral analisar as variações linguísticas</p><p>nos resultados de processos comunicativos dos alunos no ensino Fundamental II cujo objetivos</p><p>específicos Relatar as variações linguísticas dentro de sala de aula, Descrever e analisar</p><p>fenômenos das variações linguísticas em sala de aula, ressaltar a importância das variações</p><p>linguísticas no Ensino Fundamental bem como ampliar o conhecimento nessa área,</p><p>promovendo assim uma reflexão acerca dos problemas relacionados ao uso da linguagem, a fim</p><p>de que os educadores possam trabalhar de forma contextualizada com a realidade dos alunos e</p><p>da escola, num processo educativo coletivo de construção e troca do conhecimento, visando a</p><p>um ensino significativo com o intuito de proporcionar aos educandos uma educação</p><p>modernizada, atendendo as exigências da nova era, mas acima de tudo respeitando as</p><p>diversidades socioculturais e étnicas da cada ser. Para a obtenção do propósito investigativo</p><p>fundamentou-se o estudo nos aportes teóricos trazidos por pesquisadores tais como: Marcos</p><p>Bagno em O preconceito Linguístico o que é e como se faz (2007), A língua de Eulália (2006),</p><p>Sirio Possenti, em Porque (não) Ensinar Gramática em Sala de Aula (2008), Irandé Antunes</p><p>e Aula de Português: encontro & interação (2003), Stella Maris Ricardo-Bortoni e Educação</p><p>em Língua Materna: a sociolinguística em sala de aula (2004), Louis-Jean Calvet em</p><p>sociolinguística: Uma Introdução Crítica (2002), entre outros estudiosos do assunto. O que se</p><p>espera por meio desse estudo é mostrar a importância do ensino de variação linguística no</p><p>âmbito escolar com o objetivo de refletir sobre o preconceito linguístico, bem como</p><p>compreender que não existem “erros” na língua, uma vez que a fala é livre e que os discursos</p><p>se adequam a diferentes contextos. Para a realização da pesquisa será realizada a revisão</p><p>bibliográfica: com base em material publicado em livros, revistas, jornais, redes eletrônicas,</p><p>isto é, material acessível ao público em geral. De acordo com Gil (2002), a pesquisa</p><p>bibliográfica é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de</p><p>livros e artigos científicos.</p><p>Palavra-Chave: Diversidades Socioculturais. Diversidade Linguística. Variações Linguística.</p><p>ABSTRACT</p><p>The theme of this Final Course Paper (TCC) is Linguistic Diversities in the School Context in</p><p>Elementary School II. The General objective to analyze linguistic variations in the results of</p><p>communicative processes of students in Elementary School II, whose specific objectives Report</p><p>linguistic variations within the classroom, Describe and analyze phenomena of linguistic</p><p>variations in the classroom, emphasize the importance of linguistic variations in Elementary</p><p>School as well as expanding knowledge in this area, thus promoting a reflection on the problems</p><p>related to the use of language, so that educators can work in a contextualized way with the</p><p>reality of students and the school, in a collective educational process of construction and</p><p>exchange of knowledge, aiming at a meaningful teaching in order to provide students with a</p><p>modernized education, meeting the demands of the new era, but above all respecting the socio-</p><p>cultural and ethnic diversity of each being. To obtain the investigative purpose, the study was</p><p>based on theoretical contributions brought by researchers such as: Marcos Bagno in O Prejudice</p><p>Linguístico what it is and how it is done (2007), The language</p><p>of Eulália (2006), Sirio Possenti,</p><p>in Why (no) Teaching Grammar in the Classroom (2008), Irandé Antunes and Portuguese Class:</p><p>encounter & interaction (2003), Stella Maris Ricardo-Bortoni and Mother Language Education:</p><p>sociolinguistics in the classroom (2004), Louis- Jean Calvet in Sociolinguistics: A Critical</p><p>Introduction (2002), among other scholars on the subject. What is expected through this study</p><p>is to show the importance of teaching linguistic variation in the school environment in order to</p><p>reflect on linguistic prejudice, as well as to understand that there are no "errors" in the language,</p><p>since speech is free and that the speeches fit to different contexts. To carry out the research, a</p><p>bibliographic review will be carried out: based on material published in books, magazines,</p><p>newspapers, electronic networks, that is, material accessible to the general public. According</p><p>to Gil (2002), bibliographical research is developed based on material already prepared,</p><p>consisting mainly of books and scientific articles.</p><p>Keyword: Sociocultural Diversities. Linguistic Diversity. Linguistic Variations</p><p>10</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>A língua de um povo constitui-se como um dos seus bens mais preciosos. É na língua</p><p>que se apresentam refletidas as representações e construções de uma sociedade. É pela língua</p><p>que se dão as relações de poder e dominação, os consensos, as discórdias, as transmissões</p><p>culturais. Assim como é pela língua que o sujeito constrói seu lugar na sociedade, também é</p><p>através dela que é excluído.</p><p>Considerando que as cidades de nossa região são formadas pela união de diversas raças</p><p>e povos, é impossível ignorar que a diversidade étnica caracteriza nosso país. A língua, em suas</p><p>diversas formas e variantes, é uma entidade viva, dinâmica e é o código utilizado pelo ser</p><p>humano para se comunicar com seus semelhantes, trocar informações, difundir ideias e</p><p>conceitos.</p><p>A língua portuguesa é uma unidade composta por diversos variantes e sofre várias</p><p>transformações. Contudo traz em si a ideia de época em que ela é usada, cabendo ao ser humano</p><p>à consciência que a língua muda e deve ser respeitada em suas variantes.</p><p>A linguagem não é usada apenas para transmitir informações, mas também, tem função</p><p>de comunicar ao ouvinte à posição que o falante ocupa na sociedade em que está inserido. As</p><p>pessoas falam para serem “ouvidas”, para serem respeitadas e para exercer influência no</p><p>ambiente em que se realizam seus discursos (atos linguísticos). A língua possibilita ao homem</p><p>uma representação da realidade física e social, desde o momento em que lhe é ensinada nos</p><p>vínculos familiares até no âmbito da realidade social. Para Gnerre (1987, p. 3-4):</p><p>As “regras de linguagem” levam em conta as relações sociais entre os</p><p>interlocutores. Todo falante tem que agir de acordo com essas regras,</p><p>isto é, tem “saber”: quando pode falar e quando não pode; que</p><p>“assuntos” podem ser abordados; que variedade linguística é adequada</p><p>à situação de comunicação.</p><p>A variação linguística é considerada um sistema comum a qualquer outro que da</p><p>possibilidade ao indivíduo de interpretar e analisar o mundo e a realidade, como qualquer</p><p>fenômeno natural, vista como um ato de função da fala e do ouvinte, porém sendo muitas vezes</p><p>ignorada no ambiente social como no ambiente escolar, devido a falta de recursos para o</p><p>professor lidar com fenômenos muitas vezes incompreendidos na sociedade.</p><p>A língua se relaciona com a sociedade porque é a expressão das</p><p>necessidades humanas de se congregar socialmente, de construir e</p><p>desenvolver o mundo. A língua não é somente a expressão da alma, ou</p><p>do íntimo, ou do que quer que seja, do indivíduo; é acima de tudo, a</p><p>11</p><p>maneira pela qual a sociedade se expressa como se fosse a sua boca.</p><p>(SIGNORINI, 2002, p. 76-77)</p><p>É importante ter um discurso condizente com a realidade social, mas a consideração da</p><p>modalidade linguística que o educando traz de casa, é essencial, já que a democracia e a</p><p>liberdade de expressão devem acontecer desde o espaço escolar e, porque por meio dessa</p><p>linguagem é possível estabelecer a comunicação. Com respeito pela linguagem do aluno, é</p><p>possível levá-lo a aprimorar-se da variedade linguística valorizada socialmente, o que</p><p>possibilitará a ele a adequação de uso da linguagem ás diversas situações sociais em que precise</p><p>se manifestar.</p><p>Ao contrário do ensino tradicional, que silencia, e contribui, desse modo, para a</p><p>manutenção da ordem social vigente, com as mudanças no ensino poderão ser conseguidas</p><p>mudanças sociais ao se garantir que a possibilidade de expressão deixe de ser sonegada à grande</p><p>parcela da população. Não é preciso substituir a modalidade do aluno, mas é possível fornecer-</p><p>lhe outra adicional, a de maior prestígio, para que, com isso, ao mesmo tempo em que ele possa</p><p>conseguir sua ascensão social, também continue participando de seu grupo de origem, não</p><p>sofrendo, assim, um processo de despersonalização.</p><p>Os profissionais ligados à área de Letras, como os gramáticos tradicionalistas,</p><p>dicionaristas, acadêmicos de Letras, escritores de livros, etc., investiram maciçamente na</p><p>prescrição de regras gramaticais, elaboração de construções sintáticas sofisticadas e palavras</p><p>eruditas a fim de enriquecer suas práticas linguísticas.</p><p>E é justamente com base nesse “estilo” padrão linguístico que as escolas brasileiras</p><p>oferecem as aulas de português. Dessa forma, considera-se como "errado" o conjunto das</p><p>demais variantes da língua instauradas, sobretudo na oralidade, e inseridas no Português não-</p><p>padrão (PNP).</p><p>Essas variantes do Português não-padrão (PNP) são faladas pelas pessoas das classes</p><p>sociais mais empobrecidas da sociedade que, normalmente, não completaram os anos da</p><p>Educação Básica ou tiveram acesso a uma precária educação formal.</p><p>Nesse sentido, a realização do estudo justifica-se pela importância de repensar as ações</p><p>didáticas com relação às variações linguísticas e suas implicações em sala de aula,</p><p>oportunizando aos alunos a apropriação dos saberes linguísticos envolvidos em sua própria</p><p>língua. Por isso, propõem-se uma prática pedagógica que se realizasse a partir de um ensino</p><p>pautado no objetivo de desenvolver a competência linguística dos alunos, como também</p><p>contribuir com profissionais preocupados e conscientes da necessidade de ampliar a</p><p>competência dos educandos diante das múltiplas formas de manifestações da língua.</p><p>12</p><p>Diante dessa problemática da linguagem faz-se o seguinte questionamento: Porque</p><p>existe preconceito em sala de aula em relação a diversidade linguística e quais estratégias os</p><p>docentes podem utilizar para possibilitar a compreensão, por parte dos alunos, das múltiplas</p><p>variedades da língua?</p><p>Assim, com o anseio de contribuir de forma proveitosa para a realização de um ensino</p><p>eficaz com a diversidade linguística, foi proposto trilhar um caminho para se alcançar os</p><p>objetivos seguintes: Analisar as variações linguísticas nos resultados de processos</p><p>comunicativos dos alunos no ensino Fundamental II, bem como ampliar o conhecimento nessa</p><p>área, promovendo assim uma reflexão acerca dos problemas relacionados ao uso da linguagem,</p><p>a fim de que os educadores possam trabalhar de forma contextualizada com a realidade dos</p><p>alunos e da escola, num processo educativo coletivo de construção e troca do conhecimento;</p><p>relatar as variações linguísticas dentro de sala de aula; descrever e analisar fenômenos das</p><p>variações linguísticas em sala de aula e ressaltar a importância das variações linguísticas no</p><p>Ensino Fundamental II, visando a um ensino significativo com o intuito de proporcionar aos</p><p>educandos uma educação modernizada, atendendo as exigências da nova era, mas acima de</p><p>tudo respeitando as diversidades socioculturais e étnicas da cada ser.</p><p>Para a obtenção do propósito investigativo fundamentou-se o estudo nos aportes teóricos</p><p>trazidos por pesquisadores tais como: Marcos Bagno</p><p>em O preconceito Linguístico o que é e</p><p>como se faz (2007), A língua de Eulália (2006), Sirio Possenti, em Porque (não) Ensinar</p><p>Gramática em Sala de Aula (2008), Irandé Antunes e Aula de Português: encontro &</p><p>interação (2003), Stella Maris Ricardo-Bortoni e Educação em Língua Materna: a</p><p>sociolinguística em sala de aula (2004), Louis-Jean Calvet em sociolinguística: Uma</p><p>Introdução Crítica (2002), entre outros estudiosos do assunto.</p><p>Para o desenvolvimento deste trabalho a metodologia foi de abordagem qualitativa,</p><p>realizado um levantamento bibliográfico com o objetivo de aprofundar o tema, por meio de</p><p>livros, artigos, sites e revistas especializadas e periódicos publicadas. A finalidade da escolha</p><p>da pesquisa bibliográfica visa dar segurança e embasamento teórico as ideias que concerne às</p><p>variedades linguísticas. O estudo das variedades linguísticas tem a missão de ligar a</p><p>aprendizagem e o respeito às diferenças vocabulares. (GIL, 2002, p.44).</p><p>Assim, o primeiro capítulo o referencial teórico, que engloba os sub tópicos “Estudo da</p><p>Sociolinguística como Aspecto Cultural e Social”, “O Preconceito Linguístico” e as</p><p>“Variedades Linguísticas”, cujo, o primeiro, seguindo a ordem, faz um breve contexto histórico</p><p>de quando surgiu a ciência sociolinguística e o seu precursor, William Labov, que faz</p><p>justamente o estudo das línguas e consequentemente os aspectos culturais, sociais e políticos.</p><p>13</p><p>O segundo concebe como os alunos sofrem por utilizarem uma norma não padrão da língua</p><p>portuguesa. E como afirma Bagno (2006) a elite do povo brasileiro por força tenta embutir na</p><p>cabeça das pessoas que a língua portuguesa é um bloco sólido, indissolúvel e na verdade não é,</p><p>causando consequências gravíssimas para as classes estigmatizadas.</p><p>O terceiro, sabe-se que o Brasil, possuí uma área territorial imensa, que é dividida por</p><p>regiões e nessas regiões cada grupo ou comunidade tem sua própria maneira de falar, e usar a</p><p>língua. O paraense, o carioca, o baiano, enfim, cada um desses indivíduos carrega consigo seus</p><p>traços linguísticos que os diferenciam um do outro, formando assim o nosso idioma terno. E</p><p>por fim as considerações finais, fechando as discussões e elencando a importância do tema para</p><p>ser estudado em sala de aula e as referências.</p><p>14</p><p>CAPÍTULO I - O ESTUDO DA SOCIOLINGUÍSTICA COMO ASPECTO</p><p>CULTURAL E SOCIAL</p><p>Pode-se dizer que a sociolinguística se firmou nos Estados Unidos na década de 1960,</p><p>com a liderança do linguista William Labov e é denominada como sociolinguística ou teoria da</p><p>variação. Tal corrente leva em consideração aspectos sociais ou diastráticas e geográficos ou</p><p>diatópicos. Segundo Mussalim; Bentes (orgs. 2001, p. 34) “a variação geográfica ou diatópica</p><p>está relacionada às diferenças linguísticas distribuídas no espaço físico, observáveis entre</p><p>falantes de origens geográficas distintas”. Já sobre os aspectos sociais ou diastráticos as autoras</p><p>enfatizam que:</p><p>Relacionam um conjunto de fatores que têm a ver com a identidade dos</p><p>falantes e também com a organização sociocultural da comunidade de</p><p>fala. Neste sentido, podemos apontar os seguintes fatores relacionados</p><p>às variações de natureza social; a) classe social; b) idade; c) sexo; d)</p><p>situação ou contexto social. (2001, p. 35).</p><p>Como podemos observar os fatores mencionados acima estão verdadeiramente</p><p>imbricados uns aos outros. Então, falar da língua é falar de um sistema complexo que segundo</p><p>Tarallo (1994, p. 6) “a cada situação de fala em que nos inserimos e da qual participamos,</p><p>notamos que a língua falada é a um só tempo heterogênea e diversificada”. E é precisamente</p><p>essa situação de heterogeneidade que deve ser sistematizada. E ainda os PCN’s (1997), a esse</p><p>respeito proferem que a língua é um sistema de signos histórico e social que possibilita ao</p><p>homem significar o mundo e a realidade. Assim, aprendê-la é aprender não só as palavras, mas</p><p>também os seus significados culturais e, com eles, os modos pelos quais as pessoas do seu meio</p><p>social entendem e interpretam a realidade e a si mesmas. (BRASIL, 1997, p.22).</p><p>Se colocarmos o Brasil, como exemplo, que possui uma região territorial imensa e mais</p><p>de duzentos milhões de habitantes na sua totalidade e afirmar que no país brasileiro a língua</p><p>falada é apenas uma, com certeza estaríamos mentidos. Não é verdade? Cada região possui sua</p><p>própria característica, a variedade usada pelos nordestinos é diferente da usada pelos paraenses</p><p>e vice-versa. Ambas possuem fatores particulares, sejam eles, sociais, culturais ou geográficos.</p><p>A ciência sociolinguística apesar de muito jovem, diferente da gramática que vem se</p><p>perdurando durante séculos, tenta quebrar esse paradigma de que a maioria do povo brasileiro</p><p>fala “errado” o português, e apenas um pequeno aglomerado de pessoas, falam um português</p><p>“correto”, principalmente a classe alta na qual os poderes econômicos, políticos e culturais estão</p><p>centrados. Para Tarallo (1994, p. 62), “cada comunidade de fala é única; cada falante é um caso</p><p>15</p><p>individual”. Portanto, a língua não é um bloco sólido como bem afirma Marcos Bagno, muito</p><p>menos, homogênea.</p><p>1.1 - PRECONCEITO LINGUÍSTICO</p><p>Existem diversos tipos de preconceito disseminado no seio da sociedade e precisam ser</p><p>combatidos com inteligência, sabedoria e praticidade. Assim como há preconceito sobre o</p><p>negro, a sexualidade, a religião existe também o preconceito linguístico, no qual, as pessoas são</p><p>julgadas pela sua própria maneira de falar. Ora todo cidadão tem o direito de se expressar seja</p><p>quem for.</p><p>Atitudes preconceituosas são comuns no nosso cotidiano, mas o mais repugnante é</p><p>quando parte de profissionais da área da educação, pois deveriam ser as pessoas mais indicados</p><p>para mediar e conscientizar seus educandos a terem um posicionamento crítico e conhecedor</p><p>dos seus direitos. Educá-los que sua língua, sua cultura, seus costumes, seus hábitos não são</p><p>rudimentares ou atrasados e sim únicos com características próprias. Os PCN’s (1998) orientam</p><p>que o preconceito linguístico, como qualquer outro preconceito, resulta de avaliações subjetivas</p><p>dos grupos sociais e deve ser combatido com vigor e energia (BRASIL, 1998, p.82).</p><p>Em uma entrevista feita por Carla Viana Costarelli (et all) à Revista Presença</p><p>Pedagógica Bagno (2008) ressalta que, o primeiro passo, para combater o preconceito</p><p>linguístico na escola é</p><p>[...] o professor assumir que não é falante desse português idealizado e</p><p>que os seus alunos também não serão, porque, na verdade, ninguém é.</p><p>É fundamental que o professor reconheça sua própria fala como uma</p><p>atividade social, como uma manifestação legítima da língua e,</p><p>principalmente, passe a associar a discriminação que é feita por meio</p><p>da linguagem com as discriminações que são feitas na sociedade [...].</p><p>(Presença pedagógica, 2008, p. 10)</p><p>Apesar de alguns graduandos estarem saindo da universidade com uma visão mais</p><p>ampla de como ensinar seus alunos sem utilizar metodologias ultrapassadas tendo como</p><p>suporte, a gramática tradicional, acabam submetendo-se ao sistema político pedagógico</p><p>implantado pela escola e o sonho de mudar a realidade de ensino da língua materna, a língua</p><p>portuguesa, como ela é de fato, desaparece e o reflexo desse sistema manipulador, que persiste</p><p>na comunidade escolar, aparece nos futuros operadores do ensino. Ocasionado um ensino</p><p>mecânico e destruidor de vidas.</p><p>Marcos Bagno (2007) apresenta e define o preconceito linguístico como:</p><p>16</p><p>O preconceito linguístico se baseia na crença de que só existe [...] uma</p><p>única língua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada</p><p>nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários.</p><p>Qualquer manifestação linguística que escape desse triângulo escola-</p><p>gramática- dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito</p><p>linguístico, “errada, feia,</p><p>estropiada, rudimentar, deficiente [...]</p><p>(BAGNO, 2007, p. 38).</p><p>Tal preconceito situa-se na existência de uma língua padrão e numa não-padrão e por</p><p>existir essa diferença começa o chamado caos linguístico defendido por Tarallo (1994) que é</p><p>justamente a presença de mais de uma variação existente numa sociedade. Segundo os PCN’s</p><p>(1997) “[...] há muitos preconceitos decorrentes do valor social relativo que é atribuído aos</p><p>diferentes modos de falar é [...] comum considerarem as variedades linguísticas de menor</p><p>prestígio como inferiores ou erradas” (BRASIL, 1997, p. 26). É como se quem falasse um</p><p>dialeto diferente da norma padrão estivesse cometendo erros e não é bem assim, cada ser tem o</p><p>direito de se manifestar livremente principalmente quando é para mostrar sua identidade</p><p>cultural e social e nada melhor utilizar-se da sua própria língua para apresentar-se.</p><p>É sabido que cada indivíduo possuí características próprias no seu modo de agir, de ser,</p><p>de se expressar e principalmente de comunicar-se. Os PCN’s (1998) enfatizam que a língua é o</p><p>veículo principal para os humanos serem diferenciados e contribuí para que haja a socialização</p><p>de um grupo de fala. Dessa forma, a linguagem nos é concedida para que a comunicação haja</p><p>em diversas situações de conversação. Bortoni-Ricardo (2004) a despeito da comunicação</p><p>considera que, um domínio social é um espaço físico onde as pessoas interagem assumindo</p><p>certos papéis sociais. Os papéis sociais são um conjunto de obrigações e de direitos definidos</p><p>por normas socioculturais. Os papéis sociais são construídos no próprio processo da interação</p><p>humana. Assim a língua se torna o signo que melhor representa a figura humana e identifica de</p><p>onde somos e quem somos.</p><p>Assim como os defensores da gramática tradicional, existem pessoas que utilizam a</p><p>norma culta como única e soberana e, acabam discriminando o norma não-padrão utilizada pela</p><p>maioria da população brasileira. Tais pessoas agem de forma preconceituosa a despeito dessas</p><p>variações por não conhecerem ou por ignorarem e acabam cometendo o engano de que a</p><p>variação não-padrão é, estropiada, feia, errada e etc., e desconhecem que esta realidade está</p><p>ligada diretamente a vários fatores linguístico e extralinguístico.</p><p>Possenti (1996, p.22) afirma que a “norma não-padrão possuem regras gramaticais</p><p>perfeitamente entendíveis, caso contrário os “donos” do português brasileiro não se</p><p>comunicariam com indivíduos, chamados de jecas, caipiras e outros”. Um exemplo, que merece</p><p>17</p><p>destaque para rebater esse achismo, foi Luiz Inácio Lula da Silva, assumir a presidência do</p><p>Brasil e apesar de julgarem “dele falar tudo errado” conseguiu se eleger no primeiro mandato e</p><p>no segundo se reeleger (BAGNO 2008, revista pedagógica, p. 11). Será que o povo sem língua</p><p>que é ignorante ou os conservadores de uma língua arcaica? O Brasil não é mais colônia de</p><p>Portugal e sim um país independente.</p><p>Bagno (2007) sobre este aspecto compara a língua como um iceberg na qual a norma</p><p>culta é aquela parte superficial que flutua na superfície do oceano e a língua é a parte que fica</p><p>para as profundezas que, justamente é a língua viva e que é utilizada pela maioria do povo</p><p>brasileiro, enquanto que a gramática normativa é a menor parte, porém, tende de ser autoritária,</p><p>intolerante e repressiva com os alunos. Ainda segundo este autor a língua comparada como um</p><p>igapó onde a área alagada, uma porção mínima, é comparada com a língua padrão, assim sendo</p><p>os rios cheios de águas correntes que todo tempo se renovam são comparados a variedade não-</p><p>padrão, ou seja, a língua é um organismo vivo e está em constante transformação.</p><p>1.2 - LINGUAGEM</p><p>Nesse item apresentam-se as perspectivas teóricas sobre as concepções de linguagem,</p><p>destacando que é preciso estar atento acerca da concepção que o professor adota, haja vista que</p><p>esta tem a capacidade de influenciar a ação docente, definindo o percurso que será adotado no</p><p>processo de ensino.</p><p>Na busca de explicações entre a linguagem, a mente e o cérebro Aristóteles defendiam</p><p>que o conhecimento estava no coração e que o cérebro era para esfriar o sangue. Com visão</p><p>contraria o médico Britânico William Harvey defendia que o coração era responsável por</p><p>bombear o sangue, logo o conhecimento estaria em outro lugar. Só que contrapondo essa ideia</p><p>René Descartes acreditava que o cérebro era responsável por bombear um fluido animador, para</p><p>René Descartes citado por Gomes (2011) esse fluido era distribuído através de nervos que</p><p>consequentemente movimentaria os músculos e que o cérebro seria apenas uma máquina sem</p><p>nenhuma realçam com o pensamento, mas acreditava que a mente o pensamento e a linguagem</p><p>estaria em um único conjunto.</p><p>Contradizendo Rene, Nietzsche defendia que a linguagem seria uma interpretação</p><p>inspirada com uma “mentira”. Ao longo de muito tempo buscou-se identificar as funções do</p><p>ser humano, quanto sendo um ser possuidor de pensamento e linguagens, com caráter</p><p>comunicativo, para Gomes (2011), “ser humano tem poder de entrar na mente de outro ser</p><p>humano”, isso dado a partir do uso da palavra.</p><p>18</p><p>A aquisição da linguagem é um processo contínuo de variações determinantes no</p><p>reconhecimento da mesma, muitas vezes cultural, em uma abordagem teórica a aquisição da</p><p>linguagem pode estar dividida em: uma dotação genética, algo passado a parte de sua</p><p>estruturação específica de cada ser humano; ou com o contato com o ambiente, os diferentes</p><p>pensadores que estudam o desenvolvimento da linguagem tendem escolher um ou outro</p><p>conceito. Para o Behaviorismo, a linguagem e dada a partir da interação com o meio ao contrário</p><p>do inatíssimo que defende que essa aquisição aconteceria a partir de algo pré-existente no</p><p>indivíduo. Para o cognitivismo construtivista, a linguagem passa a existir a partir do</p><p>desenvolvimento do indivíduo, que seria feita por estágios (... pré-operatório, operatório.),</p><p>possibilitando assim a aquisição da linguagem.</p><p>O estudo da linguagem comporta, portanto, duas partes: uma, essencial,</p><p>tem por objeto de estudo a língua, que é social em sua essência e</p><p>independente do indivíduo, esse estudo é unicamente psíquico. Outra,</p><p>secundária, tem por objeto a parte individual da linguagem, vale dizer,</p><p>a fala, inclusive a fonação, e é psicofísica. (Saussure,1973, p. 27)</p><p>O próprio Saussure define a parole como esse lugar teórico. Mas ele mesmo não</p><p>desenvolve esse lado da linguística. A ele, o mais importante é assentar a linguística da língua</p><p>(langue), linguística com L maiúsculo. Encontraremos, contudo, em Bally (1951), discípulo de</p><p>Saussure, o desenvolvimento desse ‘lado obscuro’ da linguística. Esse lugar tem nome e</p><p>sobrenome: estilística.</p><p>Como uma espécie de ‘patinho feio’, a estilística nunca foi definitivamente assumida</p><p>nem pela linguística nem pela literatura. Ao longo do século XX, manteve-se à margem, sempre</p><p>vista com ‘maus olhos’, desprestigiada e carente de sustentação teórica.</p><p>À linguística parecia restar, assim, três alternativas: assumir, bem ou mal, a</p><p>subjetividade [casos de Bally (op. cit.), Câmara Jr. (1962), Chomsky (1968), num certo sentido],</p><p>negá-la [casos de Bloomfield (1933) e os estruturalistas, e Pêcheux (1969) e os analistas</p><p>franceses do discurso] ou deslocá-la conceitualmente.</p><p>O estudo linguístico busca explicar as diversas forma de comunicação ou a maneira</p><p>como são usados os vocábulos, ligando as diversas palavras e seus significados com a interação</p><p>que ocorre em diferentes ambientes com diferentes pessoas de culturas distintas, segundo</p><p>alguma definição Gomes (2011) nos situa das principais áreas que tem a incumbência de</p><p>desvendar os diferentes conceitos. O primeiro seria a fonética que para a autora “estuda os sons</p><p>da fala, preocupando-se com os mecanismos de produção e audição”, sendo a partir desse</p><p>estudo que se pode entender e identificar as diferentes formas, ou variedades linguísticas</p><p>existentes em</p><p>diferentes agrupamentos sociais e geográficos.</p><p>19</p><p>O segundo seria a fonologia que busca identificar distinções nos sons da língua, para</p><p>Gomes (2011) essa área “preocupa-se também com os sons da língua, mas do ponto de vista da</p><p>função”. Existe ainda a morfologia, sintaxe, semântica, pragmática, linguística textual, analise</p><p>do discurso, neolinguística, psicolinguística e o sóciolinguismo que é uma área que visa estudar</p><p>as relações que existe entre a linguagem e a sociedade.</p><p>“É na linguagem e pela linguagem que o homem se constitui como sujeito; porque só a</p><p>linguagem fundamenta na realidade, na sua realidade que é a do ser, o conceito de “ego”. (...)</p><p>A consciência de si mesmo só é possível se experimentada por contraste. Eu não emprego eu a</p><p>não ser dirigindo-me a alguém, que será na minha alocução um tu. Essa condição de diálogo é</p><p>que é constitutiva da pessoa, pois implica em reciprocidade – que eu me torne tu na alocução</p><p>daquele que por sua vez se designa por eu. ” (Benveniste, 1995: 286).</p><p>“A língua existe não por si mesmo, mas somente em conjunção com a estrutura</p><p>individual de uma enunciação concreta. É apenas através da enunciação que a língua toma</p><p>contato com a comunicação, imbui-se do seu poder vital e torna-se uma realidade. As condições</p><p>da comunicação verbal, suas formas e seus métodos de diferenciação são determinadas pelas</p><p>condições sociais e econômicas da época. As condições mutáveis da comunicação sócio verbal</p><p>precisamente são determinantes para as mudanças de formas que observamos no que concerne</p><p>à transmissão do discurso de outrem. Além disso, aventuramo-nos mesmo a dizer que, nas</p><p>formas pelas quais a língua registra as impressões do discurso de outrem e da personalidade do</p><p>locutor, os tipos de comunicação sócio ideológica em transformação no curso da história</p><p>manifestam-se com um relevo especial. ” (Bakhtin, 1992: 154).</p><p>Esse sujeito que articula possui estilo porque escolhe, dentre os recursos da língua,</p><p>aquele que considera o mais adequado à situação. A partir do conceito saussuriano de língua</p><p>somos encorajados a buscar uma fala estruturalmente organizada. Benveniste (1995), herdeiro</p><p>teórico de Saussure, faz a passagem da língua para a fala homologada ao discurso. Apresentada</p><p>como uma instância que reúne em si as categorias de pessoa, tempo e espaço no ato de</p><p>apropriação da língua pelo falante, firma-se então a enunciação, e passamos da língua para o</p><p>discurso.</p><p>“A língua é um sistema cujas partes podem e devem ser consideradas em sua</p><p>solidariedade sincrônica” (Saussure, 1975).</p><p>Para Saussure “é sincrônico tudo quanto se relacione com o aspecto</p><p>estático da nossa ciência, diacrônico tudo que diz respeito às evoluções.</p><p>Do mesmo modo, sincronia e diacronia designarão respectivamente um</p><p>estado de língua e uma fase de evolução” (SAUSSURE, 1995, p. 96).</p><p>20</p><p>Por língua entende-se um conjunto de elementos que podem ser estudados</p><p>simultaneamente, tanto na associação paradigmática como na sintagmática. Por solidariedade</p><p>objetiva-se dizer que um elemento depende do outro para ser formado.</p><p>Para Ferdinand Saussure a linguagem é social e individual; psíquica; psico-fisiológica e</p><p>física. Portanto, a fusão de Língua e Fala. Para ele, a Língua é definida como a parte social da</p><p>linguagem e que só um indivíduo não é capaz de mudá-la.</p><p>O linguista afirma que:</p><p>“a língua é um sistema supra individual utilizado como meio de</p><p>comunicação entre os membros de uma comunidade”, portanto “a</p><p>língua corresponde à parte essencial da linguagem e o indivíduo,</p><p>sozinho, não pode criar nem modificar a língua” (COSTA, 2008,</p><p>p.116).</p><p>A Fala é a parte individual da Linguagem que é formada por um ato individual de caráter</p><p>infinito. Para Saussure é um “ato individual de vontade e inteligência” (SAUSSURE, 1995,</p><p>p.22). Língua e Fala se relacionam no fato da Fala ser a condição de ocorrência da Língua. O</p><p>signo linguístico resulta de uma convenção entre os membros de uma determinada comunidade</p><p>para determinar significado e significante. Portanto, se um som existe dentro de uma língua ele</p><p>passa a ter significado, algo que não aconteceria se ele fosse somente um som em si.</p><p>Então, “afirmar que o signo linguístico é arbitrário, como fez Saussure, significa</p><p>reconhecer que não existe uma reação necessária, natural, entre a sua imagem acústica (seu</p><p>significante) e o sentido a que ela nos remete (seu significante).” (COSTA, 2008, p.119).</p><p>O sintagma é a combinação de palavras que podem ser associadas, portanto, as palavras</p><p>podem ser comparadas ao paradigma.</p><p>“No discurso, os termos estabelecem entre si, em virtude de seu</p><p>encadeamento, relações baseadas no caráter linear da língua, que exclui</p><p>a possibilidade de pronunciar dois elementos ao mesmo tempo. Estes</p><p>se alinham um após outro na cadeia da fala. Tais combinações, que se</p><p>apoiam na extensão, podem ser chamadas de sintagmas. ”</p><p>(SAUSSURE, 1995, p.142)</p><p>As relações paradigmáticas se caracterizam pela associação entre um termo de um</p><p>contexto sintático. Por exemplo, gato e gado. Quando se juntam as partes paradigmáticas,</p><p>ocorre o sintagma. Em geral,</p><p>¨As línguas apresentam relações paradigmáticas ou associativas que</p><p>dizem respeito à associação mental que se dá entre a unidade linguística</p><p>que ocupa um determinado contexto (uma determinada posição na</p><p>frase) e todas as outras unidades ausentes que, por pertencerem à</p><p>21</p><p>mesma classe daquela que está presente poderiam substituí-la nesse</p><p>mesmo contexto. ” (COSTA, 2008, p.121)</p><p>É importante ressaltar que sintagmas e paradigmas seguem a regra da língua para que</p><p>essa relação associativa ocorra.</p><p>Portanto, “as relações paradigmáticas manifestam-se como relações in absentia, pois</p><p>caracterizam a associação entre um termo que está presente em um determinado contexto</p><p>sintático com outros que estão ausentes desse contexto, mas que são importantes para a sua</p><p>caracterização em termos opositivos. ” (COSTA, 2008, p.121)</p><p>Conclui-se que, “as relações sintagmáticas e as relações paradigmáticas ocorrem</p><p>concomitantemente.</p><p>1.3 - ENSINO DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA</p><p>Não há uma língua considerada homogênea, deste modo, não existem fronteiras entre a</p><p>linguagem e o seu uso. É nessa perspectiva que a Variação linguística atua, ela vem tratar dessas</p><p>modificações que ocorrem na língua ao longo do tempo e da particularidade de cada</p><p>comunidade em relação a sua forma de se comunicar oralmente, podendo ser percebidas através</p><p>de vários aspectos, como regionalidade, nível de escolaridade, questões econômicas, sexo, etc.</p><p>O ensino de variação, no âmbito escolar, ainda apresenta suas resistências em relação à</p><p>importância desse ensino para os alunos e para sua vida social, uma vez que a sociedade prioriza</p><p>a língua em sua forma culta proveniente das classes de prestígio. Rodrigues (2011) aborda essa</p><p>ideia em seu trabalho e destaca a variedade da língua dentro da sala de aula. Ela afirma que</p><p>essas questões podem auxiliar o professor a entender mais o dialeto de cada aluno e a valorizar</p><p>a língua em sua forma oral, e utiliza Bagno (1999) para afirmar o seu pensamento:</p><p>É preciso garantir, sim, a todos os brasileiros o reconhecimento da</p><p>variação linguística, porque o mero domínio da norma culta não é uma</p><p>fórmula mágica que, de um momento para outro, vai resolver todos os</p><p>problemas de um indivíduo carente. (BAGNO, 1999 apud</p><p>RODRIGUES, 2011, p. 70- 71).</p><p>Deste modo, é perceptível, dentro desse contexto, a responsabilidade do docente em</p><p>ensinar essas variações, de modo que o aluno também consiga enxergar a importância da</p><p>gramática para a aquisição dos seus conhecimentos sobre língua.</p><p>Assim sendo, percebe-se que, apesar de o professor tentar assumir uma nova postura</p><p>diante das práticas de ensino/aprendizagem, esse docente ainda se depara com muitos desafios</p><p>22</p><p>em relação a melhor metodologia ou forma de abordagem de um determinado assunto.</p><p>Trabalhar</p><p>com variação linguística, especificamente, traz uma série de cuidados a serem</p><p>tomados em sala de aula, visto que os alunos crescem aprendendo o que está “certo” e o que</p><p>está “errado” em sua linguagem e o que pode ou não ser dito. Em torno desta reflexão, ficam</p><p>nítidas as consequências que esse ensino equivocado pode trazer ao aluno, dando espaço para</p><p>o preconceito e exclusão do discente na sociedade, como assim expõe Alkmim (2008):</p><p>As diferenças linguísticas, observáveis nas comunidades em geral, são</p><p>vistas como um dado inerente ao fenômeno linguístico. A não aceitação</p><p>da diferença é responsável por numerosos e nefastos preconceitos</p><p>sociais e, nesse aspecto, o preconceito linguístico tem um efeito</p><p>particularmente negativo (ALKMIM, 2008, p. 42).</p><p>Diante dessas reflexões, é relevante mostrar a importância do respeito a essas variedades</p><p>dentro e fora do âmbito escolar, visto que em um país repleto de desigualdades, o aluno é mera</p><p>consequência desses problemas sociais. A fala “correta”, ensinada nas escolas, acaba</p><p>desvalorizando o conhecimento que o aluno já possui e as suas especificidades na fala</p><p>aprendidas no meio onde vive, sendo que essas questões podem acabar resultando em um</p><p>provável fracasso escolar em relação ao ensino de Língua, como assim expõe Freitag e Lima</p><p>(2010):</p><p>Os alunos das classes dominadas apresentariam desvantagens – déficits</p><p>– resultantes de problemas de deficiência cultural. Como consequência,</p><p>a criança proveniente desse meio apresentaria deficiências afetivas,</p><p>cognitivas e linguísticas que seriam responsáveis por sua incapacidade</p><p>de aprender e por seu fracasso escolar. (FREITAG; LIMA, 2010, p.</p><p>111)</p><p>O papel da escola e do docente, nessa prática de ensino, não é, então, substituir uma</p><p>Língua por outra, mas sim conscientizar os alunos das diferenças linguísticas existentes e</p><p>ensiná-los a adequar os seus discursos, sejam eles escritos ou falados ao contexto vivido no</p><p>momento, tendo em vista também a quem se destinará o seu enunciado.</p><p>Referente a esse preparo que o docente deve possuir, Cosson (2011) expõe situações em</p><p>que a postura do docente na forma de ensinar exerce um papel fundamental no processo de</p><p>absorção do conhecimento do aluno. Para ele, existem quatro fatores que contribuem para que</p><p>o ensino se torne mais produtivo: motivação, introdução, leitura e interpretação. Esses fatores</p><p>não só se aplicam à leitura de um texto literário, mas traz ideias que podem auxiliar no</p><p>desenvolvimento de uma aula dentro do contexto de variação linguística.</p><p>23</p><p>CAPÍTULO II - AS DIFERENTES VARIAÇÕES</p><p>A comunicação é uma das principais funções da língua, a partir dela o ser humano</p><p>pergunta, instrui, argumenta e se desenvolve. As línguas são heranças históricas passadas de</p><p>geração para geração, faz parte da identidade e da cultura de um povo presente no cotidiano.</p><p>Para a comunicação usamos a língua/idioma, que no Brasil é o português, no entanto esse</p><p>código linguístico sofreu várias interferências, causando assim as variedades linguísticas. Cada</p><p>região possui diferenças na comunicação, na fonética das palavras para os autores Mussoi &</p><p>Bentes, acredita-se que as variações estão situadas no contexto Geográfico (diatópico) e social</p><p>(diastrático) e define os mesmos como “a variação geográfica ou diatópica está relacionada às</p><p>diferenças linguísticas distribuídas no espaço físico, observáveis entre falantes de origem</p><p>geográficas distintas”.</p><p>A variação social ou diastrática, por sua vez relaciona-se a um conjunto de fatores que</p><p>tema ver com a identidade dos falantes também com a organização sociocultural da comunidade</p><p>de fala. (MUSSOLIN & BENTES, 2006, p. 34). Há também outros fatores responsáveis pelas</p><p>variações linguísticas sociais e ela pode este presente na idade do indivíduo. Termos linguísticos</p><p>usados por jovens de 16 anos não é utilizado por um adulto de 50 anos, existe também as</p><p>questões socioeconômicas, onde geralmente pessoas com estatuas econômico baixas tem uma</p><p>linguagem diferente daqueles que tem um estatuas mais elevado.</p><p>No contexto mais amplo o uso termos novos na linguagem conhecidos como gíria pode</p><p>ser determinado como neologismo, que é uma conceituação básica em relação às inovações</p><p>linguísticas que surge da necessidade comunicativa existente no ambiente. A gíria pode ser um</p><p>contribuinte fundamental identificando grupos, para Cunha (2005) a gíria é considerada uma</p><p>forma de comunicação que utiliza termos e vocábulos específicos a um determinado grupo,</p><p>caracterizando-os e destingindo-os dos demais falantes de uma língua “(p. 49)”.</p><p>O Brasil é dividido em cinco regiões, cada região possui culturas diferentes. Apesar de</p><p>compartilhar de um mesmo código linguístico, a população dessas regiões tem suas variações</p><p>linguísticas, que os identifica. Os registros orais são marcas da cultura das comunidades de cada</p><p>região, originaram-se no decorrer de séculos e vem sendo transmitidas de geração a geração</p><p>tornando-se marcas regionais, sociais, geográficas e histéricas que constitui a identidade e</p><p>determina as diferenças de cada região.</p><p>As influências indígenas, africana europeia e de épocas são fatores, que resultaram na</p><p>variação linguística, e cada região às vezes do significado diferentes a uma mesma</p><p>expressão/palavra segundo Cereja (2006) segue alguns exemplos de dizeres como: “bater a</p><p>24</p><p>caçuleta” usado no Nordeste e “levou farelo” usado na região Norte tem o mesmo significado</p><p>que é “morrer”, porem são expressões totalmente diferentes. “O autor dá um segundo exemplo</p><p>que são as expressões: (pia) usada na região Sul e (brugelo) usado na região nordeste tem o</p><p>mesmo significado (criança ou guri) ”.</p><p>As variações linguísticas é um fenômeno natural que acontece com todas as línguas, não</p><p>existindo o conceito de certa ou errada, apenas de como é usada e em que momento, embora as</p><p>variações façam parte da identidade de um povo, o Brasil possui normas padrões que</p><p>determinam à escrita e a comunicação formal.</p><p>2.1- CULTURA E AS VARIAÇÕES</p><p>A cultura é responsável pelo tipo/modelo de comunicação e expressão de cada indivíduo</p><p>ou grupo social, responsável por refletir valores e possibilitar nas descobertas e novos</p><p>conhecimentos. A cultura envolve movimentos artísticos, populares e comunicativos. A forma</p><p>que cada ser humano usa a linguagem pode ou não determinar os seus valores sociais, a cultura</p><p>envolve a todos seja de um mesmo grupo ou de uma mesma comunidade. Desta forma, ao</p><p>depararmos com certas “diferenças” em sua maioria, julgamo-las como erros ou até como</p><p>falhas, isso dado a partir da cultura como homogênea.</p><p>Na perspectiva do “erro”, a forma de comunicação oral e escrita elegeu uma variedade</p><p>linguística como a melhor devendo ser seguida de forma incontestada. No entanto, o Brasil é</p><p>formado a partir da miscigenação dessa forma o português brasileiro não tem forma estática o</p><p>que torna a gramática normativa apresentar regras que geralmente não são mais utilizadas em</p><p>nosso território não representa de forma efetiva a língua português-brasileira, O que é tratado</p><p>como “erro de português” quando foge de determinados termos arcaicos que não fazem parte</p><p>do processo de evolução da linguística.</p><p>No consistente a percepção de “erros” as pessoas que partilham de uma mesma cultura</p><p>têm grande tendência à igualdade de pronuncia vocabular, no modo de escrita, e até mesmo no</p><p>vestir-se e alimentarem-se de um mesmo modo, esses indivíduos dividem principalmente o</p><p>conhecimento informal que este ligado a fala a escrita e a interpretação/compreensão, por tanto</p><p>o que estiver fora dessa “cultura”, de determinada sociedade (grupo/etnia) é considerado “erro”.</p><p>A linguagem ela pode ser dividida em culta, que tem relações com a construção literária,</p><p>a coloquial, a qual é usada no dia a dia e a popular que tem seu vocabulário limitado</p><p>acompanhado de gírias. A partir da concepção de linguagem buscamos identificar o preconceito</p><p>linguístico, o qual é fruto da prescrição de uma gramática normativa para Gomes (2011) o</p><p>25</p><p>preconceito “é fruto de uma tradição de tratamento da língua como um sistema rígido de leis a</p><p>serem cumpridas e aquilo que não se cumpre é (julgado e condenado) ”. Contudo a autora diz</p><p>que é muito relativo à concepção de certo ou errado, pois para a mesma “o que é certo hoje</p><p>pode não o ser amanhã”. Entre o que é certa ou errada está a posição de cada indivíduo ocupa</p><p>socialmente para a autora “uma pessoa normalmente é julgada pela forma como fala, mas,</p><p>principalmente, pelo papel que representa na sociedade”.</p><p>Na visão da autora para que uma seja considerada certa, tem que ser usada por alguém</p><p>de prestígio caso contraria e tida como algo errado, dessa forma o preconceito está presente nas</p><p>diferentes formas de expressões, o que é certo na visão de alguém pode não ser na visão de</p><p>outra pessoa. O que existe né a diferença tornando cada grupo especial, e as regras não existe,</p><p>mas sim uma sistematização linguística, ou seja, aquela variedade presente em sua comunidade,</p><p>para a autora o problema não está no fator linguístico, mas onde o indivíduo compartilha essas</p><p>variedades “nas convenções sociais e culturais da sociedade em que está inserida o falante”.</p><p>As variações são partes fundamentais da cultura de cada indivíduo grupo ou região,</p><p>reflete os valores e conquistas sociais, tornando algo indenitário nas relações cotidianas do ser</p><p>humano.</p><p>METODOLOGIA</p><p>Para alcançar os objetivos propostos, será realizada uma pesquisa bibliográfica em bases</p><p>de dados científicas, livros, artigos, teses e dissertações que abordem o tema. A análise dos</p><p>dados foi realizada por meio de uma abordagem qualitativa, utilizando técnicas de análise de</p><p>conteúdo para identificar os principais temas e tendências presentes na literatura.</p><p>Sobre os procedimentos técnicos utilizados, buscou-se trabalhar com pesquisa</p><p>bibliográfica, buscando fontes para esse estudo por meio de livros e artigos com autores que</p><p>tratam desse assunto. Conforme GIL (2002, p. 44) “A principal vantagem da pesquisa</p><p>bibliográfica reside no fato de permitir ao investigador a cobertura de uma gama de fenômenos</p><p>muito mais ampla do que aquela que poderia pesquisar diretamente”.</p><p>Em geral, a metodologia escolhida descreve os equipamentos, amostras e procedimentos</p><p>usados para obter os resultados apresentados na pesquisa, sempre levando em conta os aspectos</p><p>relacionados ao tema.</p><p>26</p><p>ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS</p><p>A diversidade linguística presente no contexto escolar do Ensino Fundamental é um</p><p>fenômeno que merece atenção e discussão, pois reflete a realidade multicultural e plurilíngue</p><p>em que vivemos.</p><p>Uma análise dos dados mostra que as escolas de Ensino Fundamental estão cada vez mais</p><p>heterogêneas em relação às línguas faladas pelos alunos. Ao longo dos anos, tem ocorrido uma</p><p>maior diversidade de línguas presentes nas salas de aula, seja por conta do aumento da</p><p>imigração, da migração interna ou do resgate de línguas indígenas e afrodescendentes.</p><p>Essa diversidade linguística oferece muitos desafios aos professores e à comunidade</p><p>escolar como um todo. Os alunos que falam línguas diferentes muitas vezes enfrentam</p><p>dificuldades de comunicação e de aprendizagem, pois a escola muitas vezes privilegia a língua</p><p>majoritária do país.</p><p>Além disso, a diversidade linguística também pode gerar preconceito e discriminação, uma</p><p>vez que os alunos que falam línguas minoritárias podem ser estigmatizados ou excluídos</p><p>socialmente. É papel da escola e dos educadores combater esse preconceito e promover a</p><p>valorização da diversidade linguística e cultural.</p><p>No entanto, é importante ressaltar que a diversidade linguística também pode ser uma</p><p>riqueza para a sala de aula. Através da troca de experiências e conhecimentos, os alunos têm a</p><p>oportunidade de aprender sobre diferentes culturas e ampliar sua visão de mundo. Os</p><p>professores podem aproveitar essa diversidade para promover atividades pedagógicas que</p><p>explorem as diferentes línguas presentes na sala, incentivando a colaboração, o respeito mútuo</p><p>e a valorização da diversidade.</p><p>Nesse sentido, é fundamental que a escola ofereça suporte adequado aos alunos que falam</p><p>línguas diferentes, através de professores bilíngues, material didático diversificado e outras</p><p>ações que visem a inclusão e o respeito à diversidade linguística. Além disso, é importante que</p><p>a escola promova a formação continuada dos educadores, para que estes estejam preparados</p><p>para lidar com a diversidade linguística e cultural.</p><p>Em resumo, a diversidade linguística presente no contexto escolar do Ensino Fundamental</p><p>é um desafio, mas também uma oportunidade de aprendizado e enriquecimento cultural. É</p><p>necessário que a escola e os educadores estejam preparados para lidar com essa diversidade,</p><p>promovendo a inclusão, o respeito e a valorização das diferentes línguas e culturas presentes na</p><p>sala de aula.</p><p>27</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>As diversidades linguísticas presentes no contexto escolar do Ensino Fundamental II são</p><p>uma realidade que precisa ser valorizada e respeitada. Por se tratar de uma fase em que os alunos</p><p>estão em pleno desenvolvimento da linguagem, é fundamental que as diferentes formas de</p><p>expressão sejam acolhidas e compreendidas.</p><p>É importante lembrar que a diversidade linguística é um elemento enriquecedor para a</p><p>formação dos estudantes, pois possibilita o contato com diferentes culturas e modos de vida.</p><p>Além disso, ao reconhecer e valorizar as variedades linguísticas, estamos contribuindo para a</p><p>promoção da igualdade e do respeito à identidade cultural de cada indivíduo.</p><p>No entanto, é comum que a diversidade linguística seja vista como um obstáculo para o</p><p>ensino e aprendizagem dentro da sala de aula. Muitas vezes, os educadores podem se deparar</p><p>com dificuldades na comunicação e no entendimento dos alunos que possuem línguas maternas</p><p>diferentes ou dialetos regionais. Nesse sentido, é importante que a escola proporcione</p><p>estratégias pedagógicas que incluam e valorizem essas diversidades, como a criação de espaços</p><p>para compartilhar e valorizar diferentes línguas e culturas.</p><p>É função da escola também promover a formação continuada dos professores, capacitando-</p><p>os para lidar com a diversidade linguística presente em sua sala de aula. A partir de materiais</p><p>pedagógicos adequados e estratégias inclusivas, é possível estimular a pluralidade linguística e</p><p>promover o respeito à diversidade cultural.</p><p>Além disso, é importante o estabelecimento de parcerias com a comunidade e com</p><p>instituições que trabalham com línguas e culturas específicas, visando a valorização e o resgate</p><p>das tradições e formas de expressão presentes na comunidade escolar.</p><p>Dessa forma, as considerações finais sobre as diversidades linguísticas no contexto escolar</p><p>do Ensino Fundamental II são de que é fundamental valorizar, respeitar e promover a</p><p>pluralidade linguística presente na sala de aula. Através de práticas pedagógicas inclusivas,</p><p>formação continuada dos professores e parcerias com a comunidade, é possível proporcionar</p><p>aos alunos uma educação mais inclusiva e que valoriza a sua identidade cultural.</p><p>28</p><p>REFERÊRENCIAS</p><p>ALKMIM, T. M. Sociolinguística. 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