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<p>Anamnese:</p><p>No caso específico da psicopatologia, refere-se à entrevista conduzida pelo profissional da saúde com o seu paciente. Esta entrevista pode ter diversos objetivos, dentre eles ser um ponto de partida para o estabelecimento de um diagnóstico (ou seja, a demarcação de um quadro clínico)</p><p>A palavra anamnese origina-se do grego e significa literalmente rememoração (ana = novo; mnesis = memória). A anamnese psicopatológica segue, em linhas gerais, o roteiro da anamnese em medicina.</p><p>É preciso ter em mente um roteiro de anamnese, mas este não pode perturbar a espontaneidade da entrevista.</p><p>A redação final de uma observação psicológica precisa ser completa, sem ser sobrecarregada ou repetitiva, mas nunca será totalmente precisa.</p><p>Dois examinadores jamais farão a mesma anamnese do mesmo paciente.</p><p>ANAMNESE</p><p>2</p><p>Os itens da anamnese são: identificação, queixa principal,motivo do atendimento, história da doença atual, história patológica pregressa, história fisiológica, história pessoal, história social e história familiar. Além da anamnese, incluem-se na avaliação psicológica: o exame psíquico, o diagnóstico (sindrômico e nosológico) e a conduta terapêutica</p><p>ANAMNESE</p><p>3</p><p>1. Identificação</p><p>A identificação é composta pelos seguintes itens: nome, data de nascimento, sexo, estado civil, naturalidade, nível de instrução, profissão, etnia, religião, residência, procedência, filiação.</p><p>A identificação pode ser de grande auxílio para a formulação do diagnóstico. Ex: o alcoolismo é mais comum em homens;esquizofrênicos em geral não são casados e etc…</p><p>Na apresentação pública de casos – como em sessões clínicas –, o nome pode ser representado pelas iniciais, mas é preferível, para preservar o sigilo, usar um pseudônimo.</p><p>4</p><p>2. Queixa principal</p><p>A queixa principal (QP), que constitui o foco da história da doença atual, deve ser sucinta.</p><p>Convém relacionar no máximo três queixas, de preferência apenas uma.</p><p>A QP é redigida com as palavras do paciente (entre aspas), devendo ser registrada mesmo que absurda. Caso o paciente não ormule nenhuma queixa, isso também tem que ser apontado.</p><p>5</p><p>3. Motivo do atendimento</p><p>Este item só é necessário quando não houver consciência de morbidade</p><p>por parte do paciente.</p><p>O seu conteúdo é fornecido por outra pessoa: familiar, vizinho, bombeiro, policial, outro profissional de saúde etc.</p><p>São reproduzidas literalmente as palavras do informante.</p><p>6</p><p>4. História da doença atual</p><p>A história da doença atual (HDA) é um relato sobre a época e o modo de início da doença, a presença de fatores desencadeantes, os tratamentos efetuados, a evolução, o impacto sobre a vida do paciente, a intercorrência de outros sintomas e as queixas atuais.</p><p>Ela é narrada pelo paciente, ou por informantes – no caso de pacientes psicóticos –, ou por ambos. Faz-se necessário identificar sempre, para cada informação, qual foi a fonte. Na redação da HDA, evitam-se termos técnicos: são utilizadas as palavras do paciente ou do informante.</p><p>Os quadros clínicos são descritos, porém não nomeados. A redação deve seguir uma ordem cronológica, mesmo que a narrativa, por parte do paciente ou dos informantes, não tenha sido assim.</p><p>7</p><p>4. História da doença atual</p><p>São ainda incluídas na HDA informações (sobre alterações psíquicas e físicas) pesquisadas ativamente pelo entrevistador, mesmo que não tenham sido trazidas espontaneamente pelo paciente ou informante.</p><p>Fazem parte também da HDA os negativos pertinentes, ou seja, certos sintomas cuja ausência pode ser significativa para a identificação da doença ou da fase evolutiva em que esta se encontra.</p><p>Episódios psiquiátricos anteriores devem ser relatados também aqui, já que estes devem estar relacionados ao atual, visto que os transtornos mentais são, em geral, crônicos.</p><p>Em casos de transtorno da personalidade ou de retardo mental, será impossível separar HDA e história pessoal, que podem ser fundidas.</p><p>9</p><p>5. História patológica pregressa</p><p>Pode-se optar por fundir a HPP, a história fisiológica, a história pessoal,história social e historia familiar, sob a denominação história pessoal. Caso se mantenha a história pessoal como um item mais restrito, pesquisam-se as seguintes informações:</p><p>Infância: personalidade, socialização, jogos e brincadeiras,</p><p>aproveitamento escolar, ansiedade de separação</p><p>Adolescência: desempenho escolar, uso de álcool e drogas,</p><p>delinquência, relacionamentos interpessoais.</p><p>Sexualidade: iniciação, preferência, orientação, número de parceiros,</p><p>frequência.</p><p>Vida profissional: vocações; estabilidade nos empregos; relacionamento com chefes, subordinados e colegas; desempenho.</p><p>Personalidade pré-mórbida: relacionamentos sociais, interesses, hábitos de lazer e culturais, padrão de humor, agressividade,</p><p>introversão/extroversão, egoísmo/altruísmo, independência/dependência, atividade/passividade, valores, adaptação</p><p>ao ambiente.</p><p>10</p><p>6. História Fisiológica</p><p>São investigados os seguintes elementos relativos à história fisiológica: gestação (da mãe), nascimento, aleitamento, desenvolvimento psicomotor (andar, falar, controle esfincteriano), menarca, catamênios, atividade sexual, gestações, partos, abortamentos, menopausa, padrões de sono e de alimentação.</p><p>Fazem parte da história social informações relativas à moradia –condições sanitárias, pessoas com quem convive, número de cômodos,privacidade, características sociodemográficas da região; situação socioeconômica; características socioculturais; atividade ocupacional atual;situação previdenciária; vínculo com o sistema de saúde; atividades religiosas e políticas; antecedentes criminais.</p><p>7. História Social</p><p>11</p><p>8. História Familiar</p><p>A história familiar abrange os seguintes dados: doenças psiquiátricas e não psiquiátricas; ter sido gerado a partir de uma gravidez desejada ou não separação dos pais, quem criou o paciente; ordem de nascimento entre os irmãos, diferenças de idade; características de personalidade dos familiares, o relacionamento entre estes e destes com o paciente; atitude da família diante da doença do paciente; relacionamento com o cônjuge e filhos.</p><p>12</p><p>9. História Pessoal</p><p>A história patológica pregressa (HPP) refere-se a estados mórbidos passados, em geral não psicopatológico, que não mostrem possuir relação direta ou indireta de causa e efeito com a psicopatologia. Se existir essa relação, eles são incluídos na HDA.</p><p>São investigadas principalmente as seguintes ocorrências: enurese, pesadelos frequentes, terror noturno, sonambulismo, asma,</p><p>tartamudez; convulsões ou desmaios; doenças venéreas; outras doenças infecciosas, tóxicas ou degenerativas; traumatismos cranianos; alergia; intervenções cirúrgicas; hábitos tóxicos (álcool, tabaco, drogas ilícitas); uso de medicamentos.</p><p>Faz parte também da HPP a revisão de sistemas, isto é, o questionamento junto ao paciente relativo a cada sistema de seu organismo (cardiovascular, respiratório etc.).</p><p>13</p><p>10. Exame Psíquico</p><p>O exame psíquico também é chamado de exame do estado mental, exame mental, exame psicopatológico.</p><p>Ele começa no primeiro contato com o paciente, antes de se obterem os dados de identificação.</p><p>O psiquiatra experiente será capaz de realizar a maior parte do exame do estado mental ao mesmo tempo que completa a tomada da história.</p><p>No exame psíquico, são descritas apenas as alterações presenciadas durante a entrevista. Portanto, na redação do exame psíquico, expressões como no momento ou durante a entrevista são redundantes.</p><p>14</p><p>10. Exame Psíquico</p><p>Os itens que compõem a súmula psicopatológica são: aparência, atitude, consciência, atenção, sensopercepção, memória, fala e linguagem, pensamento, inteligência, imaginação, conação, psicomotricidade, pragmatismo, humor e afetividade, orientação, consciência do eu, prospecção, consciência</p><p>de morbidade.</p><p>No exame psíquico torna-se explícita a subdivisão das funções mentais e são utilizados termos técnicos.</p><p>Não há uniformidade quanto a uma configuração ideal do exame, nem quanto ao número ou ordem de apresentação dos itens.</p><p>15</p><p>11. Diagnóstico Sindrômico</p><p>A palavra diagnóstico tem origem grega: significa conhecer (ou perceber) dois; distinguir ou reconhecer. Já doença vem do latim dolentia, e significa dor, sofrimento.</p><p>Síndrome – do grego syndromé, que quer dizer concurso – constitui uma associação de sinais e sintomas que evoluem em conjunto, provocada por mecanismos vários e dependente de causas diversas.</p><p>São exemplos de síndromes: pneumonia, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, demência, depressão.</p><p>16</p><p>11. Diagnóstico Sindrômico</p><p>Uma mesma entidade nosológica pode, em diferentes momentos,manifestar-se sob a forma de diferentes síndromes. Por exemplo, a esquizofrenia está associada às síndromes paranoide, catatônica, hebefrênica e apático-abúlica.</p><p>Por outro lado, uma mesma síndrome pode estar presente em diferentes entidades nosológicas. Por exemplo: a depressão pode ser primária, ou associada ao hipotireoidismo, ou associada ao uso de anti-hipertensivos etc.</p><p>17</p><p>11. Diagnóstico Sindrômico</p><p>As síndromes psicopatológicas, podem ser listadas as</p><p>síndromes: de ansiedade; fóbica; obsessiva; compulsiva; de conversão; dissociativa; hipocondríaca; de somatização; depressiva; maníaca; de estado misto (manifestações maníacas e depressivas associadas); delirante (ou paranoide); alucinatória; hebefrênica (ou desorganizada); catatônica (hipercinética, hipocinética); apático-abúlica; de retardo mental; demencial; de delirium; amnésica; anoréxica; bulímica; de despersonalizaçãodesrealização.</p><p>Algumas combinações sindrômicas são frequentes: fóbicoansiosa; obsessivo-compulsiva; depressivo-ansiosa; hebefreno-catatônica;hebefreno-paranoide; delirante-alucinatória</p><p>18</p><p>12. Diagnóstico Nosológico</p><p>Noso, do grego, significa doença. O diagnóstico nosológico baseia-se na anamnese e nos exames psíquico e complementares.</p><p>O diagnóstico de uma doença pode seguir o modelo categorial ou o dimensional. De acordo com o primeiro, adotado pela Classificação Internacional de Doenças (CID-11) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5), as doenças se distinguem da saúde e entre si: a categoria esquizofrenia é qualitativamente diferente da categoria</p><p>transtornos do humor e da normalidade.</p><p>Já segundo o modelo dimensional, haveria um continuum entre a saúde e a doença; a diferença entre ambas seria quantitativa.</p><p>19</p><p>12. Diagnóstico Nosológico</p><p>Uma classificação nosográfica é baseada ou nos sintomas, ou então na etiologia. Esta segunda opção é considerada a ideal, já que, de acordo com o conceito clássico, uma doença possui causas, alterações estruturais e funcionais, e história natural conhecidas.</p><p>Causa é qualquer coisa que aumente a probabilidade de uma doença; pode ser necessária e suficiente, necessária mas não suficiente, ou nem necessária nem suficiente.</p><p>Como o conhecimento a respeito da etiologia das doenças mentais é bastante limitado, o diagnóstico psiquiátrico é baseado na sintomatologia, o que o torna pouco válido e pouco fidedigno. O termo transtorno, encontrado na CID-11 e no DSM-5 para designar as entidades nosológicas,é bastante impreciso: é mais específico que síndrome, mas não representa</p><p>doença.</p><p>20</p><p>12. Diagnóstico Nosológico</p><p>Uma classificação nosográfica é baseada ou nos sintomas, ou então na etiologia. Esta segunda opção é considerada a ideal, já que, de acordo com o conceito clássico, uma doença possui causas, alterações estruturais e funcionais, e história natural conhecidas.</p><p>Causa é qualquer coisa que aumente a probabilidade de uma doença; pode ser necessária e suficiente, necessária mas não suficiente, ou nem necessária nem suficiente.</p><p>Como o conhecimento a respeito da etiologia das doenças mentais é bastante limitado, o diagnóstico psiquiátrico é baseado na sintomatologia, o que o torna pouco válido e pouco fidedigno. O termo transtorno, encontrado na CID-11 e no DSM-5 para designar as entidades nosológicas,é bastante impreciso: é mais específico que síndrome, mas não representa</p><p>doença.</p><p>21</p><p>Exames complementares</p><p>Existe uma falsa crença de que o doente mental sofre menos frequentemente de doenças físicas, que são, por isso, subdiagnosticadas.Muitos transtornos mentais possuem etiologia orgânica – como a depressão no hipotireoidismo –, ou levam a complicações físicas – por exemplo, um quadro de desnutrição em função de perda do apetite na depressão.</p><p>Nos exames complementares deve ser dada ênfase ao exame neurológico e ao do sistema endócrino.</p><p>22</p><p>Exames complementares</p><p>Hemograma, bioquímica sanguínea, exame do liquor, neuroimagem cerebral, eletroencefalografia, estudos genéticos, dosagens hormonais, testagem neuropsicológica e entre os principais exames complementares que podem ajudar na formulação do diagnóstico.</p><p>Todavia, em geral é desnecessária e</p><p>onerosa a solicitação de um grande número de exames a um médico.</p><p>Os mais importantes para cada caso vão ser indicados pelos dados da anamnese e pelos achados dos exames psíquico e físico</p><p>23</p><p>image1.png</p>