Prévia do material em texto
<p>72</p><p>Unidade III</p><p>Unidade III</p><p>7 OS PRIMEIROS DEBATES NO MUNDO SOBRE POLÍTICAS PÚBLICAS</p><p>EM COMUNICAÇÃO</p><p>Foi em um cenário de pós‑Segunda Guerra Mundial que surgiu a Organização das Nações Unidas (ONU),</p><p>em 1945, mas desde 1942, 26 países já manifestavam suas intenções de assinar um documento que</p><p>afirmasse os esforços de paz entre as nações. Ao final, 50 países assinaram a Carta das Nações Unidas e</p><p>a ONU passou a existir formalmente no dia 24 de outubro de 1945.</p><p>Como já estudado nas unidades I e II, diante daquele contexto de guerra, a violência, as mortes,</p><p>o Holocausto e as violações aos direitos dos indivíduos conduziram as discussões e motivações para</p><p>fundar a ONU, com objetivo de garantir os diretos humanos. Entre seus 30 artigos, um (o 19) se refere à</p><p>informação como um dos direitos humanos a serem respeitados pelas nações.</p><p>Em 1946, é fundada a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).</p><p>Trata‑se de uma agência especializada da ONU que tem como proposta</p><p>“garantir a paz por meio da cooperação intelectual entre os países,</p><p>acompanhando o desenvolvimento mundial e auxiliando os Estados‑Membros</p><p>– hoje são 193 países – na busca de soluções para os problemas que</p><p>desafiam nossas sociedades” (Unesco, 2023).</p><p>A Unesco declara que a formulação de políticas públicas nas áreas de comunicação e informação</p><p>está entre suas áreas de atuação, mas, apesar de considerar a comunicação um de seus eixos de trabalho,</p><p>as propostas tinham como alicerce a garantia dos direitos humanos.</p><p>Observação</p><p>Foi a partir dos anos 1960 que a comunicação começou a ser percebida</p><p>como um instrumento condutor para a democracia e seu fortalecimento.</p><p>Nos anos 1970, países iniciaram um profundo debate a respeito das</p><p>desigualdades entre as estruturas de comunicação de países desenvolvidos</p><p>e subdesenvolvidos (Ladeira, 2012).</p><p>A Unesco atuou como uma arena para discussões, que se nortearam pelo seguinte argumento: a</p><p>democratização da comunicação também se tornou um direito dos indivíduos, ou seja, um novo direito</p><p>humano, isso porque as desigualdades nas estruturas de comunicação entre os países – além de limitar o</p><p>73</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>direito de receber e emitir informação e o direito à liberdade de expressão e opinião (já anunciado no art. 19</p><p>da Declaração Universal dos Direitos Humanos da ONU) –, impactavam as questões econômicas e políticas.</p><p>Quando a imprensa entrega ao cidadão informações de qualidade, contribui com o fortalecimento</p><p>da democracia. Bem informados, os indivíduos refletem melhor e tomam decisões que, muitas vezes,</p><p>podem impactar a vida de toda a coletividade (como é o caso do voto nas eleições), estarão capacitados</p><p>para questionar e cobrar soluções das autoridades políticas, terão melhor compreensão de seus direitos,</p><p>entre outras consequências. Portanto, a Comunicação Social torna‑se tema de interesse dos países</p><p>em razão de sua capacidade de interferir nas democracias e no desenvolvimento econômico, pois, em</p><p>um mundo globalizado com relações desiguais e sistema de trocas desequilibradas, os resultados são</p><p>o barateamento da força de trabalho nos países da periferia. Entretanto, quando existe uma estrutura</p><p>de comunicação social coordenada pelo Estado, no sentido de publicizar (divulgar) a relevância de</p><p>um projeto nacional, a mídia desempenharia papel determinante na promoção do engajamento da</p><p>sociedade. Dessa forma, a defesa de um projeto nacional com a participação popular seria menos nociva</p><p>ao país em termos de desenvolvimento econômico e valorização da mão de obra nacional.</p><p>Porém, ao contrário, enfrentamos em território nacional veículos de mídia que defendem os valores</p><p>do capitalismo global. Para Matos (2008), a imprensa brasileira “não esteve meramente sujeita aos</p><p>desejos e interesses dos donos e acionistas, mas ela foi usada por jornalistas [...] como instrumentos</p><p>para [...] o avanço da ideologia do liberalismo econômico” (Matos, 2008, p. 318).</p><p>É em razão desses problemas que políticas públicas em comunicação são necessárias. Quando a</p><p>comunicação é orientada pelo Estado para fortalecer a democracia e informar com responsabilidade</p><p>sobre o jogo das relações entre os poderes, os interesses dos capitalistas e os direitos da classe</p><p>trabalhadora, talvez pudéssemos disputar e exigir equilíbrio político e econômico entre nações. Segundo</p><p>Ladeira (2012), “defender a democratização da comunicação representa a probabilidade de proteger um</p><p>direito social não apenas no relacionamento entre indivíduos ou grupos, mas entre nações distintas”.</p><p>A comunicação social é uma instituição de caráter político em razão dos impactos e interferências</p><p>que provoca na sociedade e, por isso, é necessário que seja entendida como uma entidade que depende</p><p>de políticas públicas para desempenhar seu papel social.</p><p>7.1 O Relatório McBride</p><p>Pioneiro nas discussões sobre a necessidade de políticas públicas de comunicação, o Relatório</p><p>McBride, publicado em 1980, foi redigido por uma Comissão Internacional composta de 15 membros,</p><p>presidida pelo advogado e ex‑ministro das Relações Exteriores da Irlanda, Prêmio Nobel da Paz de 1974 e</p><p>um dos fundados da Anistia Internacional, Sean McBride. O Relatório recebeu o título de “Um mundo</p><p>e muitas vozes”, sendo traduzido para o português por Eliane Zagury e publicado no Brasil, em 1983.</p><p>A história do Relatório McBride começa no final da década de 1960, quando a Organização das</p><p>Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) apresentou ao mundo a proposta de</p><p>formular uma nova ordem mundial da informação e da comunicação.</p><p>74</p><p>Unidade III</p><p>Figura 20</p><p>Fonte: Unesco (1983, capa).</p><p>Outros temas, como a elaboração de estratégias e planos nacionais de comunicação surgem no</p><p>cenário mundial, em 1972. Dois anos mais tarde, em 1974, em sua 18ª reunião, a Unesco recomendou</p><p>que a América Latina promovesse uma conferência sobre comunicação social. O motivo, anunciou o</p><p>órgão internacional, seria o desequilíbrio entre países desenvolvidos e subdesenvolvidos provocado</p><p>pelos meios de comunicação, um dos mais graves que ocorrera, em escala mundial, na década de 1970.</p><p>Em uma de suas manifestações, a Unesco afirmou que reconhecia, pela primeira vez, a necessidade</p><p>de se formular e aplicar políticas nacionais de comunicação para normalizar o desenvolvimento neste</p><p>setor, de acordo com Luis Ramiro Beltrán e Elizabeth Cardona (apud Barreto, 2006).</p><p>Em 1976, na Costa Rica, aconteceu a primeira conferência sobre políticas em comunicação. “O tema</p><p>provocou discussões acirradas, por um lado os que defendiam o fluxo equilibrado da informação e por</p><p>outro, os que temiam o controle e a censura da informação sob pretexto de corrigir o desequilíbrio”</p><p>(Barreto, 2006, p. 25).</p><p>Em sua 19ª reunião, em 1976, em Nairóbi, capital do Quênia, a Unesco reconheceu a necessidade de</p><p>priorizar medidas destinadas a reduzir as desigualdades existentes na questão da informação e fomentar</p><p>uma circulação internacional de comunicação livre e equilibrada.</p><p>75</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>O Relatório McBride defendeu a criação de políticas públicas para os meios de comunicação, como</p><p>incentivos para garantir aprimoramento técnico em grau satisfatório para interromper os desníveis</p><p>políticos e econômicos entre os países. A criação de rádios e canais de TV locais, além do aumento do</p><p>número de jornais e revistas em circulação, eram propostas defendidas pela Unesco, documentadas no</p><p>Relatório McBride. Para Ladeira (2012), “ao introduzir o debate sobre as trocas desiguais em relação à</p><p>comunicação, o Relatório MacBride se vê apto a propor não apenas ajustes pontuais, mas a construção</p><p>de uma Nova ordem mundial de comunicação e informação”.</p><p>Outro tema apontado pela Unesco – e inserido no Relatório McBride – foi a centralidade com</p><p>que as empresas de comunicação produzem as informações, distanciando o público da participação</p><p>da construção da comunicação. Dessa forma, reserva‑se ao público posição passiva e dependente do</p><p>critério subjetivo</p><p>Brasília, 1998. Disponível em: https://tinyurl.com/yptut5xs.</p><p>Acesso em: 24 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Brasília, 2000. Disponível em: http://tinyurl.com/yyruptkv.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 10.359, de 27 de dezembro de 2001. Brasília, 2001. Disponível em: http://tinyurl.com/3af2f9pt.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 10.610, de 20 de dezembro de 2002. Brasília, 2002. Disponível em: http://tinyurl.com/4a5xnsw9.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 11.652, de 7 de abril de 2008. Brasília, 2008. Disponível em: http://tinyurl.com/xuwxapxn.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 12.485, de 12 de setembro de 2011a. Brasília, 2011. Disponível em: http://tinyurl.</p><p>com/5bdzpdyb. Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>108</p><p>BRASIL. Lei n. 14.408, de 12 de julho 2022. Disponível em: https://cutt.ly/lwh94bRD. Acesso em: 19 jun. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 4.117, de 27 de agosto de 1962. Brasília, 1962. Disponível em: https://cutt.ly/0wjeYVFk.</p><p>Acesso em: 19 jun. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990. Brasília, 1990a. Disponível em: http://tinyurl.com/3reykhzc.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990. Brasília, 1990b. Disponível em: http://tinyurl.com/2zhpv5ea.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.096, de 19 de setembro de 1995. Brasília, 1995. Disponível em: http://tinyurl.com/3z7c7pka.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.294, de 15 de julho de 1996. Brasília, 1996. Disponível em: http://tinyurl.com/22smk8ce.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.472, de 16 de julho de 1997. Brasília, 1997b. Disponível em: http://tinyurl.com/3cesa7yf.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.504, de 30 de setembro de 1997. Brasília, 1997a. Disponível em: http://tinyurl.com/4v9j5mh7.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Brasília, 1998b. Disponível em: http://tinyurl.com/2p8cz7sn.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei n. 9.612, de 19 de fevereiro de 1998. Brasília, 1998a. Disponível em: http://tinyurl.com/yckvms3z.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Ministério das Comunicações. Portaria n. 462, de 14 de outubro 2011b. Brasília, 2011.Disponível em:</p><p>https://cutt.ly/awjeDLaO. Acesso em: 20 jun. 2023.</p><p>BRASIL. Senado Federal. Projeto de Lei da Câmara n. 91, de 28 de fevereiro 2017. Disponível em:</p><p>https://cutt.ly/DwjeCL4Z. Acesso em: 19 jun. 2023.</p><p>CAMARGOS, M. L. O comunicador público entre o mar e o rochedo. In: OLIVEIRA, M. J. C. Comunicação</p><p>pública. Campinas: Editora Alínea, 2004.</p><p>CASADO FILHO, N. Direitos humanos fundamentais. São Paulo: Saraiva, 2012.</p><p>CASTRO, M. H. G. Políticas públicas: conceitos e conexões com a realidade brasileira. In: CANELA, G.</p><p>(org.). Políticas públicas sociais e os desafios para o jornalismo. São Paulo: Cortez Editora, 2008.</p><p>109</p><p>CASTRO, T. Em 1993, Aqui Agora exibiu suicídio de adolescente e chocou o Brasil. Notícias da TV, 2014.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/2p9dj5uk. Acesso em: 1º set. 2023.</p><p>CONTI, M. S. Notícias do Planalto. São Paulo: Cia das Letras, 2012.</p><p>COVRE, M. L. M. O que é cidadania. São Paulo: Brasiliense, 2002.</p><p>DALLARI, D. A. Elementos de teoria geral do Estado. 33. ed. São Paulo: Saraiva, 2016.</p><p>A DECLARAÇÃO dos Direitos do Homem e do Cidadão. Embaixada da França no Brasil, 2017. Disponível</p><p>em: https://cutt.ly/Xwh9Mdv3. Acesso em: 8 jun. 2023.</p><p>EMPRESA BRASIL DE COMUNICAÇÃO – EBC. Regulação da mídia. Memória EBC, [s.d.]. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/y2878c42. Acesso em: 25 ago. 2023.</p><p>ENGELS, F.; MARX, K. Manifesto do partido comunista. Petrópolis: Editora Vozes, 1999.</p><p>FOLHA DE S. PAULO. São Paulo: n. 12.709, ano 44, 2 abr. 1964. Disponível em: https://tinyurl.com/3zcn3dma.</p><p>Acesso em: 25 ago. 2023.</p><p>FONTE, F. M. Políticas públicas e direitos fundamentais. São Paulo: Saraiva, 2015.</p><p>FUMAÇA de incêndios no Canadá invade os EUA e autoridades pedem para as pessoas não ficarem</p><p>nas ruas; veja imagens. Jornal Hoje, 2023. Disponível em: https://tinyurl.com/ucwnk8n3. Acesso</p><p>em: 24 ago. 2023.</p><p>GROS, D. B. Institutos liberais, neoliberalismo e políticas públicas na Nova República. Revista</p><p>Brasileira de Ciências Sociais, n. 19, 2004. Disponível em: https://tinyurl.com/mracmpnc. Acesso</p><p>em: 24 ago. 2023.</p><p>GUIMARÃES, T. Auto‑regulação é melhor alternativa para imprensa, apontam jornalista. G1, 2010.</p><p>Disponível: https://tinyurl.com/2uc8x7ec. Acesso em: 24 ago. 2023.</p><p>HOHENBERG, J. O jornalista profissional. Rio de Janeiro: Interamericana, 1981.</p><p>INTERNATIONAL TELECOMUNICATION UNION – ITU. Documentos da cúpula mundial sobre a sociedade da</p><p>informação. São Paulo: Comitê Gestor da Internet no Brasil, 2014. Disponível em: https://cutt.ly/Pwh9V2YL.</p><p>Acesso em: 19 jun. 2023.</p><p>JANARY JÚNIOR. Lei permite que emissoras de rádio e TV comercializem toda programação com terceiros.</p><p>Agência Câmara de Notícias, 2022. Disponível em: https://cutt.ly/iwh99ysQ. Acesso em: 19 jun. 2023.</p><p>JORNAL da Constituinte. Brasília: n. 1, 1º jun. 1987. Disponível em: https://tinyurl.com/9w7fksd9.</p><p>Acesso em: 23 ago. 2023.</p><p>110</p><p>KOVACH, B.; ROSENSTIEL, T. Os elementos do jornalismo. São Paulo: Geração Editorial, 2004.</p><p>LADEIRA, J. M. O Relatório MacBride e a gênese do debate internacional sobre trocas desiguais nas</p><p>indústrias de comunicação. Revista Famecos, Porto Alegre, v. 19, n. 3, p. 666‑680, set./dez. 2012.</p><p>Disponível em: https://cutt.ly/Ywh936Wp. Acesso em: 16 jun. 2023.</p><p>LEAL FILHO, L. Comunicação pública e democracia. Coletiva, 2019. Disponível em: https://cutt.ly/zwh946O5.</p><p>Acesso em: 11 jun. 2023.</p><p>LEAL FILHO, L. Prefácio. In: INTERVOZES. Sistemas públicos de comunicação no mundo: experiências de</p><p>doze países e o caso brasileiro. São Paulo: Paulus; Intervozes, 2009.</p><p>LEI do Audiovisual. Portal do Incentivo, [s.d]. Disponível em: https://tinyurl.com/48p2jpab. Acesso</p><p>em: 14 set. 2023.</p><p>LEVANTAMENTO do Intervozes revela quem são os políticos donos da mídia nas Eleições 2022.</p><p>Intervozes, 2022. Disponível em: https://cutt.ly/0wh90Um5. Acesso em: 14 jun. 2023.</p><p>LOPES, C. A. Regulação da radiodifusão educativa. Brasília: Biblioteca Digital da Câmara dos Deputados, 2011.</p><p>MAGALHÃES, M. 19 Capas de jornais e revistas: em 1964, a imprensa disse som ao golpe. Blog do</p><p>Mario Magalhães, 2014. Disponível em: https://tinyurl.com/45vrxpbm. Acesso em: 14 set. 2023.</p><p>MAIA, M. C. História do Direito no Brasil – os direitos humanos fundamentais nas Constituições Brasileiras.</p><p>Revista JurisFIB, Bauru, v. 3, ano 3, p. 267‑283, dez. 2012. Disponível em: https://cutt.ly/XwjeIXRY. Acesso</p><p>em: 9 jun. 2023.</p><p>MALHEIRO, E. Curso de direitos humanos. São Paulo: Atlas, 2016.</p><p>MAQUIAVEL, N. O príncipe. São Paulo: Madras, 2009.</p><p>MATOS, C. Jornalismo e política democrática no Brasil. São Paulo: Publifolha, 2008.</p><p>MELLO, L. I. A. John Locke e o individualismo liberal. In: WEFFORT, F. C. Os clássicos da política. 14. ed.</p><p>São Paulo: Editora Ática, 2011.</p><p>MORAES, D. Por que políticas públicas de comunicação são fundamentais para a democracia? Blog da</p><p>Boitempo, 2012. Disponível em: https://cutt.ly/jwjePlR9. Acesso em: 11 jun. 2023.</p><p>MOREIRA, S. V. A propósito das sete décadas de política: quem obtém o quê, quando e como. In:</p><p>RAMOS, M. C.; DEL BIANCO, N. R. (org.). Estado e comunicação. Brasília: Casa das Musas, 2008.</p><p>NEWMAN, N. et al. Reuters institute digital news report 2022. Oxford: Reuters Institute; University of</p><p>Oxford, 2022. Disponível em: https://cutt.ly/7wjeLanD. Acesso em: 11 jun. 2023.</p><p>111</p><p>OLIVEIRA, M. J. C. Comunicação pública e os setores não‑estatais. In: Comunicação pública. Campinas:</p><p>Editora Alínea, 2004.</p><p>O QUE determina a Constituição. Senadonotícias, 23 out. 2006. Disponível em: https://tinyurl.com/336f7zh4.</p><p>Acesso em: 25 out. 2023.</p><p>ORGANIZAÇÃO DAS UNIDAS – ONU. Declaração universal dos diretos humanos. Nova Iorque: ONU, 1948.</p><p>Disponível em: https://cutt.ly/jwh9XGwJ. Acesso em: 08 jun. 2023.</p><p>PERUZZO, C. M. K. Direito à comunicação comunitária, participação popular e cidadania. In: OLIVEIRA,</p><p>M. J. C. Comunicação pública. Campinas: Editora Alínea,</p><p>2004.</p><p>RAMONET, I. A tirania da comunicação. Petrópolis: Vozes, 1999.</p><p>RAMOS, M. C. Estado e comunicação no Brasil. In: RAMOS, M. C.; DEL BIANCO, N. R. (org.). Estado e</p><p>comunicação. Brasília: Casa das Musas, 2008.</p><p>RIBEIRO, R. J. Hobbes: o medo e a esperança. In: WEFFORT, F. C. Os clássicos da política. 14. ed. São Paulo:</p><p>Editora Ática, 2011.</p><p>ROUSSEAU, J.‑J. Do contrato social. São Paulo: Nova Cultural, 1999.</p><p>SOARES, I. Em fim de mandato, Bolsonaro renova concessão da Globo, Band e Record. Correio</p><p>Braziliense, 2022. Disponível em: https://tinyurl.com/bdhdhryb. Acesso em: 25 ago. 2023.</p><p>SOUZA, C. Câmara celebra os 25 anos da Constituição Federal de 1988. ABI, 2013. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/3szutmtu. Acesso em: 12 set. 2023.</p><p>SOUZA, C. Políticas públicas: uma revisão da literatura. Sociologias, Porto Alegre, n. 16, 2006. Disponível em:</p><p>https://cutt.ly/KwjeM7Vy. Acesso em: 10 jun. 2023.</p><p>UNESCO. Ministério da Educação, [s.d.]. Disponível em: https://cutt.ly/gwh9AM4q. Acesso em: 16 jun. 2023.</p><p>UNESCO. Um mundo e muitas vozes. Comunicação e informação na nossa época. Brasília: Unesco</p><p>Brasil; Rio de Janeiro: Editora FGV, 1983.</p><p>VALENTE, J. Concepções e abordagens conceituais sobre sistema público de comunicação. In: INTERVOZES.</p><p>Sistemas públicos de comunicação no mundo: experiências de doze países e o caso brasileiro. São Paulo:</p><p>Paulus; Intervozes, 2009.</p><p>WEFFORT, F. (org.). Os clássicos da política. São Paulo: Editora Ática, 2011.</p><p>112</p><p>Informações:</p><p>www.sepi.unip.br ou 0800 010 9000</p><p>dos editores que decidem o que é ou não notícia.</p><p>Nas redações da grande imprensa, o controle do que é ou não noticiado à sociedade está submetido</p><p>às ordens dos anunciantes ou do grupo político que financia o veículo de comunicação.</p><p>Lembrete</p><p>É importante relembrar, como já apresentado na unidade II de forma</p><p>ampla e aprofundada, que os interesses dos proprietários dos meios de</p><p>comunicação podem conflitar com os interesses da sociedade civil.</p><p>E de que forma os conflitos entre capitalistas e sociedade civil se manifestam? Na classe</p><p>trabalhadora se manifesta pela redução dos salários – que são custo de produção para as empresas.</p><p>Quanto menores os salários, maior a margem de lucro das empresas. Engels e Marx (1999, p. 74)</p><p>explicam que “a crescente concorrência dos burgueses entre si e as crises comerciais que disso</p><p>resultam tornam os salários dos operários cada vez mais instáveis”. Ainda segundo Engels e Marx</p><p>(1999, p. 77), “a condição do capital é o trabalho assalariado. O trabalho assalariado baseia‑se</p><p>exclusivamente na concorrência dos operários entre si”. Outro exemplo de exploração da força de</p><p>trabalho pelo capitalismo, como explica Engels e Marx (1999, p. 72), é: “a classe dos operários vive</p><p>apenas na medida em que encontram trabalho e que só encontram trabalho na medida em que o seu</p><p>trabalho aumente o capital”.</p><p>Outras arenas conflitantes entre os interesses do capital e os da sociedade acontecem na exploração</p><p>predatória dos recursos naturais, que tem conduzido o planeta ao seu ponto de não retorno para as</p><p>emergências climáticas e eventos extremos. Na grande imprensa, é comum que os fenômenos climáticos</p><p>sejam apresentados como responsáveis pelas tragédias humanas, quando os desastres naturais resultam</p><p>do modo de extração, exploração e devastação ambiental praticado pelo homem.</p><p>76</p><p>Unidade III</p><p>Vejamos, por exemplo, os títulos construídos para noticiar os incêndios florestais no Canadá, em</p><p>junho de 2023, que chegaram a Nova Iorque e foram pauta em muitos lugares do mundo. A reportagem</p><p>a seguir é do portal de notícias UOL:</p><p>Figura 21</p><p>Fonte: Antunes (2023).</p><p>77</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>Outra reportagem, do portal G1, também não relaciona o modelo de produção capitalista com as</p><p>respostas que a natureza tem enviado ao mundo.</p><p>Figura 22</p><p>Fonte: Fumaça… (2023).</p><p>Esses exemplos ilustram como os interesses de lucro imediato dos capitalistas conflitam com os da</p><p>comunidade planetária, que desconhecem os motivos dos desastres naturais por falta de informação</p><p>dos órgãos de imprensa que, ao contrário, deveriam noticiar para fortalecer a democracia.</p><p>Sobre o Relatório McBride, em 1977, a Unesco encomendou uma Comissão Internacional</p><p>para estudar os principais problemas da comunicação no mundo que provocavam a desigualdade</p><p>informativa e, consequentemente, a desigualdade política e econômica entre os países desenvolvidos e</p><p>subdesenvolvidos. Eles são (McBride apud Barreto, 2006):</p><p>78</p><p>Unidade III</p><p>• Estudar a situação atual em matéria de comunicação e informação e determinar quais são</p><p>os problemas que requerem uma ação nova no plano nacional e um enfoque global e coeso</p><p>no internacional. Ao analisar o estado da comunicação no mundo atual, e em particular a</p><p>totalidade dos problemas da informação, deverá levar em conta a diversidade das condições</p><p>socioeconômicas, dos níveis e dos tipos de desenvolvimento.</p><p>• Dedicar atenção especial aos problemas relativos à circulação livre e equilibrada da informação</p><p>no mundo, assim como às necessidades específicas dos países em desenvolvimento, em conformidade</p><p>com as decisões da Conferência Geral.</p><p>• Analisar os problemas da comunicação, nos seus diversos aspectos, em relação às perspectivas do</p><p>estabelecimento de uma nova ordem econômica internacional, e das iniciativas pertinentes para</p><p>facilitar a instauração de uma nova ordem mundial da informação.</p><p>• Definir o papel que poderia desempenhar a comunicação para conseguir com que a opinião</p><p>pública chegasse a perceber claramente os grandes problemas que se colocam para o mundo,</p><p>sensibilizá‑la quanto a esses problemas e contribuir para resolvê‑los progressivamente, mediante</p><p>uma ação coesa nos planos nacional e internacional.</p><p>Levantados e conhecidos os problemas, a proposta da Unesco era traçar ações e planos com</p><p>enfoque global para dirimir tais desequilíbrios; resolver os problemas que impediam a circulação livre e</p><p>equilibrada das informações, atendendo as necessidades locais dos países em desenvolvimento; promover</p><p>e praticar uma nova ordem mundial da informação e, por fim, envolver a opinião pública na solução</p><p>dos problemas que a comunicação coloca para o mundo. A Unesco estava empenhada em diminuir</p><p>as disparidades comunicacionais entre os países ricos e os pertencentes ao capitalismo periférico, a</p><p>considerar as oito reuniões realizadas em Paris, Suécia, Iugoslávia, Índia e México, tendo a Comissão</p><p>Internacional encerrado seus trabalhos, em 1980.</p><p>O Relatório McBride concluiu que era por meio das grandes agências de notícias – que possuem uma</p><p>ampla estrutura de captação, produção e distribuição de informações – que os países subdesenvolvidos</p><p>se tornavam submissos às demais nações desenvolvidas. Isso porque a prática da produção e envio – ou</p><p>exportação – de informações provocava dificuldades na produção e circulação de notícias locais e</p><p>nacionais (ou seja, nestes países periféricos). Portanto, o Relatório McBride incentivou a criação de</p><p>mais agências de notícias nacionais e regionais que mantivessem entre si uma rede de intercâmbio</p><p>de informações e cooperação. Entre as conclusões do Relatório estão: o fluxo da comunicação é um</p><p>elemento decisivo para a vida econômica e que a dependência de caráter intelectual e cultural tem efeitos</p><p>tão negativos quanto a dependência econômica, como lemos a seguir:</p><p>Nesse momento, o desequilíbrio das correntes de notícias e da informação</p><p>entre os países industrializados e os em desenvolvimento tinha passado a</p><p>ser um tema importante nas reuniões internacionais e um dos aspectos do</p><p>debate sobre os problemas políticos e econômicos fundamentais do mundo</p><p>atual (McBride apud Barreto, 2006, p. 25).</p><p>79</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>O Relatório McBride referia‑se ao efeito da dominação cultural dos países desenvolvidos sobre os</p><p>em desenvolvimento:</p><p>Um efeito de dominação cultural e ideológica que age em detrimento da</p><p>identidade nacional de outros países. [...] A imensa maioria dos países está</p><p>reduzida ao estado de receptor passivo da informação emitida por um</p><p>pequeno número de centros (McBride apud Barreto, 2006, p. 35).</p><p>A dominação cultural, portanto, era um fator que obstaculizava o desenvolvimento dos países</p><p>periféricos, em razão do papel de receptor das informações produzidas pelas nações desenvolvidas,</p><p>que impunham sua cultura e ideologia aos países menos afortunados, conforme constatou a Comissão</p><p>Internacional, que definiu, àquela época, quais eram as funções da comunicação (McBride apud Barreto,</p><p>2006, p. 35):</p><p>• Informação: coletar, armazenar, submeter a tratamento e difundir notícias, dados, fatos, opiniões,</p><p>comentários e mensagens.</p><p>• Socialização: constituir um fundo comum de conhecimento e de ideias que permita a qualquer</p><p>indivíduo se integrar para uma participação ativa na vida pública.</p><p>• Motivação: estimular as atividades individuais ou coletivas orientadas para a consecução de</p><p>objetivos comuns.</p><p>• Debate e diálogo: apresentar e trocar os elementos de informação disponíveis para facilitar o</p><p>acordo ou esclarecer pontos de vista sobre assuntos de interesse público.</p><p>• Educação: transmitir os conhecimentos que contribuam para o desenvolvimento para a aquisição</p><p>de conhecimentos e atitudes em todos os momentos da vida.</p><p>• Promoção cultural: difundir as obras artísticas e culturais para preservar o patrimônio do passado,</p><p>ampliar o horizonte e a cultura.</p><p>• Distração: difundir atividades recreativas, individuais e coletivas.</p><p>• Integração: facilitar o acesso à diversidade de mensagens de que necessitam</p><p>todas as pessoas,</p><p>grupos ou nações, para se conhecerem e compreenderem mutuamente, e para entender as</p><p>condições, os pontos de vista e as aspirações dos outros.</p><p>O Relatório McBride, que é o resultado das reuniões da Comissão Internacional, apontou que os</p><p>conteúdos produzidos pelas agências internacionais estariam impregnados de interesses estrangeiros</p><p>impostos aos países em desenvolvimento:</p><p>A indústria da comunicação é dominada por um número relativamente</p><p>pequeno de empresas que englobam todos os aspectos da produção e</p><p>80</p><p>Unidade III</p><p>da distribuição, situam‑se nos principais países desenvolvidos e cujas</p><p>atividades são transnacionais. A concentração e a transnacionalização</p><p>são consequências, talvez inevitáveis, da interdependência das diversas</p><p>tecnologias e dos diversos meios de comunicação (McBride apud Barreto,</p><p>2006, p. 37).</p><p>Como combate à imposição de conteúdo estrangeiro enviesado por interesses internacionais, a</p><p>Comissão Internacional propôs que os países em desenvolvimento formulassem normas, diretrizes ou</p><p>um código de ética relativos às atividades das empresas de comunicação estrangeiras, de modo que elas</p><p>não colocassem em perigo os interesses nacionais e os valores socioculturais dos países que recebessem</p><p>as notícias. Tais políticas, continua o Relatório, poderiam reduzir as barreiras e as desigualdades em</p><p>cada sociedade e entre elas, e, para que fossem eficientes, as políticas não deveriam ser universais, mas</p><p>considerar a realidade social, econômica e política de cada nação.</p><p>Entre os problemas levantados pela Comissão Internacional e registrados no Relatório McBride,</p><p>o equilíbrio e a diversidade do conteúdo eram os problemas da comunicação social em escala global.</p><p>“Os países em desenvolvimento deveriam tomar as medidas necessárias para conservar sua identidade</p><p>nacional, proteger suas características culturais e evitar os riscos de dependência” (McBride apud</p><p>Barreto, 2006, p. 40).</p><p>Sobre o jornalismo, a Unesco o considera um serviço público que deve ser guiado por parâmetros</p><p>éticos e proporcionar normas ao exercício desta atividade profissional pode impedir a imposição de</p><p>noticiário estrangeiro. Dessa forma, proporcionar normas para o jornalismo envolveria proteger a</p><p>categoria e implementar instrumentos de proteção.</p><p>Por que a implementação das políticas propostas pelo Relatório McBride fracassou? Segundo Moraes</p><p>(2012), a hegemonia do neoliberalismo nos anos 1980 enfraqueceu o debate sobre a diversidade cultural,</p><p>além dos conglomerados mundiais de comunicação dos países desenvolvidos terem se organizado</p><p>como oposição ao documento da Unesco. Ainda segundo o autor (2012, p. 3), foi lançada uma ofensiva</p><p>sobre o Relatório McBride porque o documento representava “um avanço indiscutível em termos de</p><p>[...] definição de linhas norteadoras para políticas de estímulo e proteção à diversidade informativa</p><p>e cultural”.</p><p>A partir dos anos 1990, o mundo enfrentou outra fase do neoliberalismo – a onda das privatizações,</p><p>desregulamentações e desestatizações. Isso significa que o poder do Estado de controlar, regulamentar e</p><p>implementar políticas públicas sobre setores estatais – como é o caso das comunicações – enfraquecia‑se</p><p>com o modelo neoliberal.</p><p>Desde os anos 1990, no Brasil, período em que o modelo neoliberal foi experimentado no país,</p><p>com as sucessivas privatizações de empresas públicas promovidas pelo governo de Fernando Henrique</p><p>Cardoso (presidente em duas ocasiões: de 1995 a 1998, sendo reeleito para o segundo mandato de 1999</p><p>a 2002), as políticas públicas sociais foram reduzidas.</p><p>81</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>Figura 23 – O Ex‑presidente Fernando Henrique Cardoso</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/2ahvs3hm. Acesso em: 13 set. 2023.</p><p>No primeiro governo de Fernando Henrique Cardoso foram privatizadas as estatais Sistema</p><p>Telebrás – empresa pública de telefonia – e a Companhia Vale do Rio Doce – empresa pública da área</p><p>de mineração e siderurgia.</p><p>82</p><p>Unidade III</p><p>Observação</p><p>O Sistema Telebrás foi criado em novembro de 1972, pela fusão de</p><p>cerca de 27 operadoras estaduais de telefonia, transformando‑se em um</p><p>monopólio estatal de telecomunicação. Como empresa pública federal, a</p><p>Telebrás tinha como função ampliar a rede de telefonia fixa pelo país.</p><p>Naquele período, a forma de comunicação entre os cidadãos era a</p><p>telefonia fixa, um serviço caro e escasso, e havia muita demanda pelo</p><p>serviço: quem pretendesse adquirir uma linha de telefone fixa teria de</p><p>entrar em uma lista de espera de até cinco anos.</p><p>Um dos símbolos dos tempos de monopólio da Telebrás são os orelhões</p><p>públicos, instalados nas ruas de todo o país. Para conseguir fazer uma</p><p>ligação, eram necessárias fichas telefônicas – uma moeda de metal que</p><p>permitia uma ligação no orelhão de três minutos.</p><p>Em 1995, o Governo Federal iniciou uma das maiores reformas no</p><p>setor de telecomunicações, extinguindo o monopólio estatal do setor. Em</p><p>1997, foi aprovada a Lei n. 9.472 – Lei Geral de Telecomunicações –, que</p><p>trouxe como novidade um novo modelo de regulamentação, transferindo</p><p>essa função para um outro órgão que surgia, a Agência Nacional de</p><p>Telecomunicações (Anatel).</p><p>A Lei Geral de Telecomunicações não atribuiu à Anatel a competência</p><p>pela outorga dos serviços de rádio e televisão, mantendo tal responsabilidade</p><p>para o Ministério das Comunicações.</p><p>Em um leilão, em julho de 1998, o Sistema Telebrás foi protagonista da</p><p>maior privatização já realizada no Brasil. A arrecadação com a venda foi de</p><p>R$ 22 bilhões para os cofres do Governo Federal.</p><p>O modelo político‑econômico neoliberal busca reduzir o poder do Estado de criar, implementar,</p><p>regulamentar e controlar setores estratégicos para o país e a sociedade, transferindo à iniciativa privada</p><p>a responsabilidade pela operação de serviços públicos. A pretexto de impedir que o governo instale uma</p><p>“censura” aos meios de comunicação, proprietários de canais de televisão e rádio e donos de jornais</p><p>e revistas não se submetem a nenhum tipo de controle ou regulamentação sobre os conteúdos que</p><p>produzem e exibem à população. Como já exposto, o neoliberalismo impõe a redução do papel do Estado</p><p>como regulador e controlador da mídia e, dessa forma:</p><p>83</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>poucas obrigações públicas foram impostas alguma vez à radiodifusão e à</p><p>mídia de uma forma geral, com poucas restrições existindo para a formação</p><p>de monopólios e para o aumento da comercialização. O mercado foi</p><p>autorizado a se desenvolver com uma certa liberdade (Matos, 2008, p. 306).</p><p>Segundo Moraes (2012), os Estados se afastaram de suas responsabilidades para com a modernização</p><p>das infraestruturas produtivas e ação regulatória, delegando à iniciativa privada, até mesmo a</p><p>multinacionais e transnacionais, áreas importantes para formação de cidadania, como é o jornalismo e</p><p>o oferecimento de canais públicos para sua expressão.</p><p>Ao imporem padrões de consumo de modo insistente à sociedade, os meios de comunicação</p><p>provocam o distanciamento e a diminuição do interesse pelos temas sociais, como a necessidade de</p><p>se organizar e reivindicar melhores condições dos serviços públicos, como saúde e educação, merenda</p><p>infantil, vagas em creches, por exemplo. Assim, as políticas públicas em comunicação devem existir para</p><p>ampliar a visibilidade das reivindicações sociais e outras pautas de interesse da sociedade, da luta contra</p><p>as injustiças sociais, do alerta à destruição do planeta, entre outros. Para isso, é necessária a participação</p><p>ativa do Estado e seu poder de regular os meios de comunicação.</p><p>Em 2003 e 2005, a Unesco promoveu as Cúpulas Mundiais da Sociedade da Informação de Genebra e</p><p>Túnis. Neste evento, os países de economias industrializadas com grandes conglomerados de mídia</p><p>e empresas de telecomunicações defenderam o modelo capitalista para a informação e livre mercado</p><p>global de bens e serviços (Moraes, 2012).</p><p>Segundo Moraes (2012, p. 4), a sociedade civil, representada por organizações não governamentais e</p><p>movimentos sociais, reivindicou</p><p>“a democratização da comunicação e do conhecimento, com distribuição</p><p>equitativa das tecnologias e acesso universal à informação, sem fins comerciais”. Como participantes</p><p>do evento de Genebra e Túnis, as entidades que representaram a sociedade civil cobraram dos grandes</p><p>conglomerados de mídia a redução das disparidades digitais, questionaram a propriedade intelectual</p><p>e a governança da internet e, por não haver consenso, divulgaram a Declaração da Sociedade Civil na</p><p>Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação, documento no qual lê‑se: “Os direitos à comunicação</p><p>são intrinsecamente vinculados à condição humana e baseados em um novo, mas forte entendimento</p><p>das implicações dos direitos humanos e do papel das comunicações” (Moraes, 2012, p. 4).</p><p>A Declaração da Sociedade Civil na Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação – que tem a</p><p>Declaração Universal dos Direitos Humanos como alicerce – afirma em 18 tópicos que a informação</p><p>é um direito humano, que a pobreza pode ser erradicada pelo direito à comunicação, que a justiça</p><p>ambiental pode ser alcançada e que a comunicação é um processo social fundamental, uma necessidade</p><p>humana básica e o fundamento de todas as organizações sociais.</p><p>84</p><p>Unidade III</p><p>Lemos no tópico 4 da Declaração da Sociedade Civil na Cúpula Mundial sobre a Sociedade</p><p>da Informação:</p><p>4 – Reafirmamos, como um fundamento essencial da Sociedade da</p><p>Informação e, como previsto no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos</p><p>Humanos, que todos têm o direito à liberdade de opinião e de expressão,</p><p>que este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões, e de</p><p>procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e</p><p>independentemente de fronteiras. A comunicação é um processo social</p><p>fundamental, uma necessidade humana básica e o fundamento de todas</p><p>as organizações sociais. Ela é essencial para a Sociedade da Informação.</p><p>Todo mundo, em todo lugar, deve ter a oportunidade de participar</p><p>e ninguém deve ser excluído dos benefícios que a Sociedade da Informação</p><p>oferece (ITU, 2014).</p><p>E no tópico 5:</p><p>5 – Reafirmamos ainda nosso compromisso com as disposições do Artigo 29</p><p>da Declaração Universal dos Direitos Humanos, pelo qual toda pessoa tem</p><p>deveres para com a comunidade em que o livre e pleno desenvolvimento</p><p>de sua personalidade é possível, e que, no exercício dos seus direitos e</p><p>liberdades, toda a pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas</p><p>pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento</p><p>e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas</p><p>exigências da moral, da ordem pública e do bem‑estar de uma sociedade</p><p>democrática. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma,</p><p>ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.</p><p>Dessa forma, promoveremos uma Sociedade da Informação que respeite a</p><p>dignidade humana (ITU, 2014).</p><p>Portanto, a Declaração da Sociedade Civil na Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação é um</p><p>documento que afirma que a democracia, a justiça social, a erradicação da pobreza extrema e da fome, o</p><p>ensino universal, a igualdade de gênero, a autonomia das mulheres, a redução da mortalidade infantil,</p><p>o respeito aos direitos humanos e às liberdades individuais, a liberdade de opinião e de expressão, o direito</p><p>de receber e emitir informações e ideais, além da justiça climática e da preservação do meio ambiente</p><p>dependem da comunicação como um processo fundamental, uma necessidade humana básica de toda</p><p>a sociedade.</p><p>85</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>Saiba mais</p><p>Para consultar a Declaração da Sociedade Civil na Cúpula Mundial sobre</p><p>a Sociedade da Informação, acesse:</p><p>INTERNATIONAL TELECOMUNICATION UNION – ITU. Documentos da</p><p>cúpula mundial sobre a sociedade da informação. São Paulo: Comitê Gestor da</p><p>Internet no Brasil, 2014. Disponível em: https://cutt.ly/Pwh9V2YL. Acesso</p><p>em: 19 jun. 2023.</p><p>7.2 A participação popular em políticas públicas: o papel da sociedade civil</p><p>No Brasil, não existem órgãos ou instituições para fiscalização de conteúdo veiculado pelos meios de</p><p>comunicação, a não ser que haja denúncia. Os códigos de ética existentes partem das próprias empresas</p><p>de rádio e televisão.</p><p>A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), entidade patronal fundada em</p><p>1962, por exemplo, declara em estatuto o seu compromisso com a liberdade de expressão.</p><p>Destaque</p><p>Dos Objetivos: Art. 2º São objetivos da Abert:</p><p>I – defender a liberdade de expressão, em todas as suas formas, bem como defender</p><p>os interesses das emissoras de radiodifusão, suas prerrogativas como executoras de</p><p>serviços de interesse público, assim como seus direitos e garantias;</p><p>II – enfatizar os princípios adequados à radiodifusão brasileira, notadamente as suas</p><p>expressões educativa, cultural, cívica, informativa e recreativa;</p><p>III – representar os interesses gerais de suas associadas em contratos, convênios,</p><p>acordos e compromissos junto aos poderes públicos, independentemente de outorga</p><p>de mandato específico para as mesmas, bem como manter e desenvolver intercâmbio,</p><p>entendimentos e acordos com entidades culturais, científicas, artísticas e empresas</p><p>jornalísticas, visando ampliar seus objetivos;</p><p>IV – desenvolver seus serviços de modo a propiciar assessoria especializada</p><p>permanente às suas associadas;</p><p>86</p><p>Unidade III</p><p>V – postular a adoção de medidas legais e judiciais de proteção e amparo aos interesses</p><p>morais e materiais da radiodifusão;</p><p>VI – representar a radiodifusão e estabelecer intercâmbios junto às entidades</p><p>congêneres estaduais, nacionais e internacionais em congressos, conferências, convênios,</p><p>palestras e certames promovidos por entidades governamentais ou não governamentais;</p><p>VII – pleitear, junto aos poderes públicos, a inclusão de representantes da radiodifusão</p><p>designados pela Abert para integrar as delegações oficiais a congressos ou certames</p><p>estaduais, nacionais ou internacionais de interesse da radiodifusão, bem como sempre</p><p>buscar a participação de representante da entidade em todo colegiado ou órgão</p><p>governamental, ou não governamental, de interesse da radiodifusão;</p><p>VIII – zelar pelo respeito às resoluções do Conselho Superior;</p><p>IX – outorgar e entregar a Medalha do Mérito da Radiodifusão e a Medalha Assis</p><p>Chateaubriand nos Congressos Brasileiros de Radiodifusão.</p><p>Fonte: Abert (2006).</p><p>A Abert declara em seu estatuto reconhecer os valores da liberdade de expressão, no inciso I, e que</p><p>a radiodifusão no Brasil deve primar pelo caráter educativo, cultural, cívico, informativo e recreativo,</p><p>como afirmado no inciso II do documento. Porém, a partir do inciso III até o último, o inciso IX, a</p><p>instituição defende os interesses do setor, ou seja, a defesa dos negócios que podem ser viabilizados</p><p>pelos meios de comunicação.</p><p>Moreira (2008) levanta uma questão importante: o público ouvinte e telespectador brasileiro conhece</p><p>algum mecanismo de controle público que está ao alcance de todos para que conteúdos abusivos</p><p>e de apelo comercial possam ser denunciados? Quando os indivíduos denunciam uma programação</p><p>ou conteúdo veiculado no rádio ou televisão, as autoridades competentes seguem com algum tipo</p><p>de investigação?</p><p>A seguir, a reportagem do site G1, assinada pelo jornalista Thiago Guimarães, aponta as discussões</p><p>sobre o que seria a autorregulação, no lugar da regulação do Estado, sob a alegação do cerceamento da</p><p>liberdade de imprensa.</p><p>87</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>Figura 24</p><p>Fonte: Guimarães (2010).</p><p>Por outro lado, a corrente crítica ao neoliberalismo defende o Estado como a mais importante</p><p>instância de poder para proteger os direitos dos indivíduos e o interesse público.</p><p>No Brasil, a mídia é dependente do financiamento do Estado. Por esse motivo, uma das propostas,</p><p>segundo Moreira (2008, p. 41), é a criação de conselhos populares para apreciar as atuais e futuras</p><p>concessões de rádio e televisão, além de incentivos financeiros para a criação de jornais e revistas</p><p>independentes.</p><p>88</p><p>Unidade III</p><p>8 EMISSORAS DE RADIODIFUSÃO COMUNITÁRIAS, EDUCATIVAS E</p><p>UNIVERSITÁRIAS</p><p>No Brasil, a lei permite que rádios e TVs comunitárias, educativas e universitárias operem em território</p><p>nacional.</p><p>8.1 A regulação da radiodifusão educativa</p><p>A competência para outorga e renovação de outorga, no Brasil, sempre foi atribuição do Governo</p><p>Federal.</p><p>A data de 27 de maio de 1931 marca o primeiro decreto sobre a radiodifusão, o de n. 20.047,</p><p>promulgado pelo então presidente Getúlio Vargas, que determinou exclusiva competência do Executivo</p><p>Federal para regulamentar a área de radiodifusão. Foi, inclusive, nesta data, que a radiodifusão foi</p><p>reconhecida como serviço de interesse nacional por produzir informação, promover a educação e cultura</p><p>à sociedade. No ano seguinte, em 1932, foi publicado o decreto 21.111, que regulamentava os serviços</p><p>de radiocomunicação e definia os procedimentos para outorga de rádios.</p><p>Lembrete</p><p>É importante lembrar que a televisão foi inaugurada no Brasil nos anos</p><p>1950, por Assis Chateaubriand.</p><p>A Constituição de 1934 manteve o Governo Federal como único órgão responsável pela outorga de</p><p>radiodifusão e sua renovação. Foi também nesta Constituição que o Estado reafirmou ter competência</p><p>para operar os serviços de radiodifusão ou transferi‑los a “um agente privado por meio de outorga</p><p>pública” (Lopes, 2011, p. 5). Segundo Lopes (2011), nas Constituições de 1937, 1946, 1967 e 1988, o</p><p>Governo Federal foi mantido como órgão exclusivo para concessão de outorgas de radiodifusão. Porém,</p><p>na Constituição de 1988, o Legislativo foi incluído como outro poder da República responsável por</p><p>outorgar e renovar outorgas.</p><p>Conforme o país se desenvolvia, novas leis se mostravam necessárias, como um marco regulatório</p><p>para o setor de telecomunicações e radiodifusão. Em 1953, o Senado apresentou o Projeto de Lei n. 36,</p><p>que tramitou por quatro anos até ser enviado à Câmara dos Deputados, quando se transformou no</p><p>Projeto de Lei 3.549/1957. Segundo Lopes (2011), foram mais cinco anos de discussão para que fosse</p><p>aprovado o Código Brasileiro de Telecomunicações, Lei n. 4.117, de 1963, que passou a tratar dos meios</p><p>de comunicação eletrônicos, de telefonia e tecnologia de transmissão de dados.</p><p>Em 1963, a Lei 4.117 sancionou os serviços de telecomunicações em todo o país, como transmissão,</p><p>emissão ou recepção de símbolos, caracteres, sinais, escritos, imagens, sons ou informações de qualquer</p><p>natureza, por fio, rádio, eletricidade, meios óticos ou qualquer outro processo eletromagnético. Em 1967,</p><p>o Decreto‑Lei n. 236 modificou e complementou a Lei 4.117/62 – Código Brasileiro de Telecomunicações.</p><p>A nova redação do art. 53 definiu os abusos no exercício de liberdade da radiodifusão:</p><p>89</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>Art. 53: Constitui abuso, no exercício de liberdade da radiodifusão, o emprego</p><p>desse meio de comunicação para a prática de crime ou contravenção</p><p>previstos na legislação em vigor no país, inclusive:</p><p>a) incitar a desobediência às leis ou decisões judiciárias;</p><p>b) divulgar segredos de Estado ou assuntos que prejudiquem a defesa nacional;</p><p>c) ultrajar a honra nacional;</p><p>d) fazer propaganda de guerra ou de processos de subversão da ordem</p><p>política e social;</p><p>e) promover campanha discriminatória de classe, cor, raça ou religião;</p><p>f) insuflar a rebeldia ou a indisciplina nas forças armadas ou nas organizações</p><p>de segurança pública;</p><p>g) comprometer as relações internacionais do País;</p><p>h) ofender a moral familiar pública, ou os bons costumes;</p><p>i) caluniar, injuriar ou difamar os Poderes Legislativos, Executivo ou Judiciário</p><p>ou os respectivos membros;</p><p>j) veicular notícias falsas, com perigo para ordem pública, econômica e social;</p><p>l) colaborar na prática de rebeldia, desordens ou manifestações proibidas</p><p>(BRASIL, 1967).</p><p>Assinada pelo presidente militar Castelo Branco, no período da ditadura, o Decreto‑Lei n. 236 teve</p><p>como proposta intimidar e cercear os meios de comunicação caso tentassem promover “a desobediência”</p><p>às leis. Em plena ditadura, os militares reconheciam a força, a influência e a capacidade dos meios</p><p>de comunicação de formar a opinião pública. A mídia era uma instituição com potencial para atuar</p><p>como aliada da democracia, denunciando e informando a sociedade sobre o controle social mantido</p><p>por prisões, torturas e assassinatos. Segundo Moreira (2008), durante o regime militar, o aparato legal</p><p>do Estado (leis, decretos e normas) foi usado para impor o cerceamento à liberdade de expressão e</p><p>informação no país. Dessa forma, o Decreto‑Lei n. 236/67 tratou de criminalizar a incitação à rebeldia,</p><p>à ofensa aos valores da família e os bons costumes, às notícias falsas e previu punir os casos de calúnia,</p><p>injúria e difamação aos poderes na nação.</p><p>Contudo, a história desse passado recente revela que os grandes meios de comunicação atuaram</p><p>como aliados da repressão e da ditadura, omitindo os crimes praticados pelos generais durante esse</p><p>período (1964‑1985), como podemos observar na imagem a seguir:</p><p>90</p><p>Unidade III</p><p>Figura 25 – Nesta capa do jornal Folha de S. Paulo, de 2 de abril de 1964, a deposição do então</p><p>presidente João Goulart, empossado em 1961 e deposto com o golpe militar,</p><p>é anunciado com contexto favorável à ditadura</p><p>Fonte: Folha de S. Paulo (1964, capa).</p><p>Saiba mais</p><p>Para conhecer como alguns jornais impressos noticiaram e se</p><p>posicionaram no advento do golpe de 1964, acesse:</p><p>MAGALHÃES, M. 19 Capas de jornais e revistas: em 1964, a imprensa</p><p>disse som ao golpe. Blog do Mario Magalhães, 2014. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/45vrxpbm. Acesso em: 14 set. 2023.</p><p>Outra modificação no Código Brasileiro de Telecomunicações pelo Decreto‑Lei n. 236/1967 foi,</p><p>segundo Lopes (2011), inserida para garantir a segurança nacional no que se referia às outorgas para</p><p>91</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>concessão de serviços de radiodifusão: a imposição de limites de percentual de propriedade para os</p><p>meios de comunicação, a criação da modalidade educativa de televisão e de rádio e o endurecimento</p><p>das regras para transferência direta ou indireta da propriedade.</p><p>Sobre a operação dos serviços de rádio e televisão, a Constituição determina que (O que… 2006):</p><p>• os veículos de comunicação não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou</p><p>oligopólio, ou seja, um único grupo não pode ter grande parte das empresas de rádio e TV;</p><p>• apenas brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos e empresas brasileiras que tenham</p><p>sede no país podem ser proprietários de empresa jornalística e de radiodifusão (TV e rádio);</p><p>• em caso de sociedade com estrangeiros, pelo menos 70% do capital da empresa deve pertencer,</p><p>direta ou indiretamente, a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos;</p><p>• a seleção do conteúdo, a direção da programação e a administração dos meios de comunicação</p><p>devem ser feitas pelos sócios brasileiros;</p><p>• cabe ao Governo Federal outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de</p><p>rádio e TV, desde que autorizado pelo Congresso Nacional;</p><p>• para que uma concessão ou permissão seja revogada, é necessária a aprovação de, no mínimo,</p><p>dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal;</p><p>• qualquer alteração no contrato social ou controle societário das empresas deve ser comunicada</p><p>ao Congresso Nacional;</p><p>• o prazo da concessão ou permissão será de dez anos para as emissoras de rádio e de 15 para as</p><p>de televisão;</p><p>• apenas uma decisão judicial pode cancelar uma concessão ou permissão antes de vencido o prazo</p><p>pelo qual ela foi concedida;</p><p>• o Conselho de Comunicação Social, formado por representantes das emissoras e da sociedade, é o</p><p>órgão que auxilia o Congresso na análise e deliberação das propostas sobre o assunto.</p><p>O Decreto‑Lei n. 236, de 28 de fevereiro de 1967, o Decreto n. 2.108, de 24 de dezembro de 1996, e</p><p>a Portaria Interministerial n. 651, de 15 de abril de 1999, são as legislações que regulam a radiodifusão</p><p>educativas, segundo Lopes (2011).</p><p>A radiodifusão educativa</p><p>é o serviço de radiodifusão sonora (rádio) ou de sons</p><p>e imagens (TV) destinado à transmissão de programas educativo‑culturais,</p><p>que, além de atuar em conjunto com os sistemas de ensino de qualquer nível</p><p>ou modalidade, vise à educação básica e superior, à educação permanente</p><p>92</p><p>Unidade III</p><p>e à formação para o trabalho, além de abranger as atividades de divulgação</p><p>educacional, cultural, pedagógica e de orientação profissional (Lopes, 2011).</p><p>A outorga para radiodifusão educativa pode ser solicitada por universidades e fundações geridas</p><p>por universidades ou particulares. Compreende‑se como radiodifusão educativa os programas com</p><p>conteúdo instrutivo ou com teor educativo e cultural.</p><p>Segundo Lopes (2011), o Decreto n. 2.108, de 1996, XV, § 1º, prevê a dispensa de licitação para</p><p>fins exclusivamente educativos. Além disso, a escolha dos contemplados com as concessões deriva</p><p>do poder discricionário – poder de agir do servidor público desde que nos limites da lei – do ministro</p><p>das Comunicações.</p><p>O Ministério das Comunicações foi criado em 1967, ainda no período do regime militar, pelo</p><p>Decreto‑Lei n. 200. Este mesmo decreto criou o Conselho Nacional de Telecomunicações, que se tornou</p><p>também responsável pelas outorgas e renovações de outorgas de telecomunicações e radiodifusão em</p><p>caráter consultivo, normativo, de orientação e elaboração da política nacional de telecomunicações</p><p>(Lopes, 2011).</p><p>A partir de 1997, se tornou obrigatória a licitação pública para os pleiteantes de emissoras comerciais.</p><p>Por esse motivo, o interesse recaiu sobre os canais educativos de rádio e televisão, muitos deles hoje</p><p>nas mãos de políticos. Segundo Moreira (2008), entre 1997 e 2006, o Poder Executivo autorizou o</p><p>funcionamento de 167 TVs educativas e de 367 rádios educativas.</p><p>Com a promulgação da Constituição de 1988, houve outras alterações nas regras sobre outorga e</p><p>sua renovação (Lopes, 2011):</p><p>• a reafirmação da competência da União para explorar, diretamente ou por meio de outorga a</p><p>terceiros, os serviços de radiodifusão;</p><p>• reforçou, inclusive, as previsões relativas às obrigações educativas e culturais que os meios de</p><p>comunicação, com destaque para o rádio e a televisão, deveriam ter;</p><p>• descentralizou a competência do Governo Federal para emitir outorgas trazendo o Congresso</p><p>Nacional como parte do processo.</p><p>Sobre a competência do Congresso Nacional para a apreciação de outorga e de renovação de outorga,</p><p>lemos no art. 49, XII: “É da competência exclusiva do Congresso Nacional: apreciar os atos de concessão</p><p>e renovação de concessão de emissoras de rádio e televisão”.</p><p>Mas um artigo da Constituição Federal de 1988, o 223, §§ 1º, 2º e 3º, afirma:</p><p>Compete ao Poder Executivo outorgar e renovar concessão, permissão</p><p>e autorização para o serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens,</p><p>93</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>observado o princípio da complementaridade dos sistemas privado, público</p><p>e estatal.</p><p>§ 1º O Congresso Nacional apreciará o ato no prazo do art. 64,</p><p>§ 2º e § 4º, a contar do recebimento da mensagem.</p><p>§ 2º A não renovação da concessão ou permissão dependerá de aprovação</p><p>de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional, em votação nominal.</p><p>§ 3º O ato de outorga ou renovação somente produzirá efeitos legais após</p><p>deliberação do Congresso Nacional, na forma dos parágrafos anteriores</p><p>(Brasil, 1988).</p><p>Como lemos no § 2º, o Congresso pode decidir pela não renovação da concessão para uso do sinal</p><p>público de rádio e televisão, desde que obtenha os votos de 2/5 dos parlamentares. A reportagem</p><p>a seguir aborda a renovação de outorga para exploração do serviço público de comunicação.</p><p>Figura 26</p><p>Fonte: Bolsonaro… (2022).</p><p>94</p><p>Unidade III</p><p>No dia 20 de dezembro de 2022, o então presidente da República, Jair Bolsonaro, renovou a concessão</p><p>da TV Globo por mais 15 anos, como prevê a Constituição de 1988. A portaria foi publicada no Diário</p><p>Oficial da União e seguiu para a aprovação do Congresso Nacional, como determina a lei.</p><p>Figura 27</p><p>Fonte: Soares (2022).</p><p>95</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>A reportagem do jornal Correio Braziliense informa que a renovação da outorga da Rede Globo terá</p><p>de ser submetida à análise do Congresso Nacional, como estabelece a Constituição Federal de 1988.</p><p>A Lei 9.612, que garantiu o surgimento dos serviços de radiodifusão comunitária, foi instituída em</p><p>1988. A radiodifusão comunitária operaria como o serviço de radiodifusão sonora em FM, em baixa</p><p>potência e cobertura restrita, outorgada a fundações e associações comunitárias, sem fins lucrativos,</p><p>com sede na localidade de prestação de serviço (Lopes, 2011).</p><p>Em 2016, a Câmara dos Deputados apresentou projeto de Lei n. 4.613, para alterar o Decreto‑Lei</p><p>n. 236/67, “para dispor sobre a outorga de serviços de radiodifusão com fins exclusivamente educativos</p><p>a instituições de ensino superior ou a suas mantenedoras”. O projeto foi encaminho para o Senado</p><p>Federal. Pela nova redação, os arts. 13 e 14 do Decreto‑Lei n. 236, de 28 de fevereiro de 1967, passam a</p><p>vigorar com as seguintes alterações:</p><p>Art. 13. A radiodifusão educativa destinar‑se‑á à divulgação de programas</p><p>educacionais e culturais, mediante a transmissão de aulas, conferências,</p><p>palestras, seminários e debates, programas musicais e outros que veiculem</p><p>ou divulguem manifestações culturais, permitida a interação do público</p><p>externo. Parágrafo único. A radiodifusão educativa não tem caráter</p><p>comercial, todavia, será permitida a divulgação dos apoiadores culturais nos</p><p>programas educacionais transmitidos.</p><p>”(NR)“ Art. 14. Somente poderão executar serviço de radiodifusão educativa:</p><p>b) os Estados, o Distrito Federal e os Municípios;</p><p>c) as instituições brasileiras de ensino superior públicas e privadas, bem</p><p>como suas mantenedoras, inclusive na forma de associações;</p><p>d) as fundações constituídas no Brasil, cujos estatutos não contrariem o</p><p>Código Brasileiro de Telecomunicações.</p><p>§ 1º As instituições de ensino superior, bem como suas mantenedoras, e</p><p>as fundações deverão, comprovadamente, possuir recursos próprios para o</p><p>empreendimento (Brasil, 2017).</p><p>A Lei n. 4.117, de 1962, sancionou os serviços de telecomunicações no Brasil, e o Decreto‑Lei que</p><p>o alterou, o 236, de 1967, tornou crime os eventuais abusos cometidos pela liberdade da radiodifusão.</p><p>A alteração proposta pela Câmara dos Deputados (a Lei 4.613/2016) para o Decreto‑Lei 236</p><p>apresenta a radiodifusão como um serviço educativo, de caráter não comercial, mas com divulgação</p><p>dos apoiadores culturais. Pela nova redação, a Lei 4.613/2016 permite que estados, Distrito Federal</p><p>e municípios, instituições de ensino superior públicas e privadas e fundações executem serviços</p><p>de radiodifusão.</p><p>96</p><p>Unidade III</p><p>Outra lei, a de n. 14.408, de 2022, assinada pelo ex‑presidente Jair Bolsonaro, permitiu que rádios</p><p>e TVs comercializassem – transferindo ou cedendo – o tempo total de programação a terceiros. Antes,</p><p>as emissoras só poderiam comercializar 25% do tempo total. Terceiros tonaram‑se responsáveis pelo</p><p>conteúdo veiculado no tempo a eles cedido ou transferido, e as emissoras, as responsáveis por eventuais</p><p>irregularidades na programação. Portanto, com a sanção da Lei n. 14.408, as emissoras dispõem do</p><p>poder de converter um serviço público em mercadoria lucrativa aos seus negócios. Agem como se donos</p><p>fossem da concessão pública, um completo conflito de interesses, uma vez que o lucro não dependerá</p><p>apenas da veiculação de anúncios publicitários como fonte de receita.</p><p>Conforme afirmou o deputado federal Alex Santana (Republicanos – BA), autor do projeto, à</p><p>agência de notícias da Câmara dos Deputados, “a conjuntura econômica do país e a expansão dos meios</p><p>virtuais de comunicação de massa têm pressionado as empresas de radiodifusão a encontrar novas</p><p>alternativas de faturamento” (Janary Júnior, 2022).</p><p>Lembrete</p><p>Como já discutido na unidade II e nesta unidade, está em vigência</p><p>um perigoso conflito entre lucro e faturamento das empresas privadas</p><p>de comunicação</p><p>e informações de interesse público para a construção da</p><p>cidadania, fortalecimento do Estado e da democracia.</p><p>A Lei 14.408/2022 alterou a Lei n. 4.117, de 27 de agosto de 1962 (Código Brasileiro de Telecomunicações),</p><p>para dispor sobre a transferência, a comercialização e a cessão do tempo de programação para a</p><p>produção independente:</p><p>as concessionárias e permissionárias poderão transferir, comercializar</p><p>ou ceder o tempo total de programação para a veiculação de produção</p><p>independente, desde que mantenham sob seu controle a regra legal</p><p>de limitação de publicidade comercial e a qualidade do conteúdo da</p><p>programação produzido por terceiro para que atenda ao disposto na alínea</p><p>“d” deste caput, além de responsabilizarem‑se perante o poder concedente</p><p>por eventuais irregularidades que este vier a constatar na execução</p><p>da programação; l) as concessionárias e permissionárias não poderão</p><p>transferir, comercializar ou ceder a gestão total ou parcial da execução do</p><p>serviço de radiodifusão sonora e de sons e imagens (Brasil, 2022).</p><p>Nos processos de outorga e de renovação de outorga atuam em conjunto a Presidência da República</p><p>(Poder Executivo) e o Ministério das Comunicações. Enquanto este último analisa critérios técnicos, o</p><p>presidente da República considera o caráter político da outorga, embora também revise os processos</p><p>que são encaminhados ao Congresso Nacional (Lopes, 2011).</p><p>97</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>Para Moreira (2008, p. 39), o Ministério das Comunicações, desde sua criação, é uma pasta política</p><p>e no período da ditadura militar “operou como um centro distribuidor de canais para empresários ou</p><p>políticos ligados à ideologia da época”.</p><p>8.2 A regulação da radiodifusão comercial</p><p>As outorgas para radiodifusão comercial são solicitadas ao Ministério das Comunicações, que pode</p><p>decidir por licitação chamada em edital.</p><p>8.3 A regulação da radiodifusão comunitária</p><p>A comunicação comunitária – produzida por movimentos populares – tem como opção política,</p><p>segundo Peruzzo (2004), dispor os meios de comunicação a serviços dos interesses populares, transmitir</p><p>conteúdos locais, produzir informações a partir do conhecimento de cidadãos comuns e de suas</p><p>organizações comunitárias.</p><p>Para a autora, a comunicação é:</p><p>mais do que meios e mensagens, pois se realiza como parte de uma dinâmica</p><p>de organização e mobilização social; está imbuído de uma proposta de</p><p>transformação social e, ao mesmo tempo, de construção de uma sociedade</p><p>mais justa; abre a possibilidade para a participação ativa do cidadão comum</p><p>como protagonista do processo (Peruzzo, 2004, p. 50).</p><p>Peruzzo (2004) explica que a comunicação comunitária envolve atores da sociedade civil invisíveis</p><p>para a grande imprensa comercial e suas audiências, que só são noticiados quando personagens de</p><p>tragédias humanitárias. São os desassistidos em seus direitos a educação, saúde, transporte, moradia</p><p>e segurança, trabalhadores do campo, sem‑terra e das indústrias, mulheres, negros, homossexuais,</p><p>defensores do meio ambiente. “Essa comunicação não chega a ser uma força predominante, mas</p><p>desempenha um papel importante de democratização da informação e da cidadania” (2004, p. 51).</p><p>Ainda segundo a autora, a comunicação comunitária é importante por ampliar o número de canais de</p><p>informação e incluir novos emissores (os desassistidos), além de envolver essas pessoas nas atividades</p><p>de produção de comunicação e participação nos movimentos populares. Peruzzo (2004) ainda afirma</p><p>que a comunicação comunitária não se propõe a alcançar grandes audiências, mas desempenha um</p><p>papel complementar ao conteúdo das mídias comercial e educativas, “na sensibilização da sociedade</p><p>para os temas da cidadania” (2004, p. 52).</p><p>98</p><p>Unidade III</p><p>Saiba mais</p><p>A Lei do Audiovisual (Lei n. 8.685) tem como objetivo fomentar a</p><p>produção audiovisual cinematográfica nacional independente, mediante</p><p>a concessão de benefícios aos contribuintes que optarem por adquirir cotas</p><p>dos direitos de comercialização das obras produzidas, conforme os critérios</p><p>estabelecidos no texto da lei. Pessoas físicas ou jurídicas podem patrocinar</p><p>projetos audiovisuais aprovados pela Agência Nacional do Cinema – Ancine.</p><p>Para conhecer mais sobre a Lei do Audiovisual, acesse:</p><p>LEI do Audiovisual. Portal do Incentivo, [s.d]. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/48p2jpab. Acesso em: 14 set. 2023.</p><p>A Lei n. 9.612, de 1988, regulamentada pelo Decreto n. 2.615, de 1998, é a que institui a radiodifusão</p><p>comunitária. Podem prestar essa modalidade de serviço as associações comunitárias sem fins lucrativos,</p><p>com sede na localidade a qual o serviço será prestado. Elas devem ser registradas, compostas por diretores</p><p>brasileiros ou naturalizados há mais de dez anos, maiores de 21 anos ou emancipados e que apresentem</p><p>documentação que comprove seu comprometimento com o serviço de radiodifusão comunitária. Além</p><p>disso, esses diretores não podem integrar quadro societário ou de administradores de outras modalidades</p><p>de serviços de radiodifusão ou de televisão por assinatura. Segundo Lopes (2011), é necessário que a</p><p>associação comunitária seja plural, aberta e atenda aos anseios da comunidade.</p><p>Entre outras exigências para se pleitear o serviço de radiodifusão comunitária, estão a garantia de</p><p>que a associação:</p><p>a) assegure o ingresso gratuito, como associado, de todo e qualquer cidadão</p><p>domiciliado na área de execução do serviço, bem como de outras entidades</p><p>sem fins lucrativos nela sediadas;</p><p>b) assegure a seus associados em dia com as suas obrigações estatutárias</p><p>o direito de votar e ser votado para todos os cargos de direção, bem como o</p><p>direito de voz e voto nas deliberações sobre a vida social da entidade, nas</p><p>instâncias deliberativas existentes;</p><p>c) não mantenha vínculos que a subordinem ou a sujeitem à gerência, à</p><p>administração, ao domínio, ao comando ou à orientação de qualquer</p><p>outra entidade, mediante compromissos ou relações financeiras, religiosas,</p><p>familiares, político‑partidárias ou comerciais;</p><p>99</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>d) seja dirigida por pessoas físicas brasileiras, natas ou naturalizadas há mais</p><p>de dez anos, com capacidade civil plena e que mantenham residência na</p><p>área de execução do serviço;</p><p>e) tenha a sede situada na área de execução do serviço; e</p><p>f) observe os princípios estabelecidos no art. 4º da Lei nº 9.612, de 19 de</p><p>fevereiro de 1998 (Brasil, 2011b).</p><p>Ao longo do tempo, o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei n. 4.117, de 1963), como acabamos</p><p>de apresentar, foi modificado para atender às novas necessidades de regulação que se impunham.</p><p>O código é um documento que contém todo o aparato legal para a mídia, no Brasil, definindo as regras</p><p>de operação e funcionamento dos serviços de telecomunicações e radiodifusão.</p><p>Conforme exposto, nenhuma das leis e decretos‑lei contemplou a participação popular, seja nas</p><p>decisões sobre as novas outorgas, seja no controle do conteúdo divulgado pelas mídias de radiodifusão.</p><p>A seguir, o infográfico demonstra o histórico legal (normas e leis) que complementaram o Código</p><p>Brasileiro de Telecomunicações desde 1962:</p><p>Decreto</p><p>migração</p><p>digital</p><p>Lei capital</p><p>estrangeiro</p><p>Emenda</p><p>pessoa</p><p>juridica</p><p>Criação</p><p>da Ancine</p><p>Lei</p><p>acessibilidade</p><p>Radiodifusão</p><p>comunitária</p><p>Lei geral</p><p>telecomunicações</p><p>Lei eleições</p><p>Restrição</p><p>propaganda</p><p>Lei</p><p>partidos</p><p>políticos</p><p>Código de Defesa</p><p>do Consumidor</p><p>Estatuto da</p><p>Criança e</p><p>Adolecente</p><p>Constituição</p><p>Federal</p><p>Decreto‑lei</p><p>236</p><p>Decreto</p><p>52‑795</p><p>Lei da</p><p>TV pagaCriação</p><p>da EBC</p><p>Classificação</p><p>indicativa</p><p>Lei</p><p>direito</p><p>autoral</p><p>Lei v.chip</p><p>Decreto</p><p>TV digital</p><p>CBT</p><p>Figura 28</p><p>100</p><p>Unidade III</p><p>Quadro 2 – Histórico do Código Brasileiro de Telecomunicações</p><p>Decreto n. 52.795, de 31 de outubro de 1963 Aprova o Regulamento dos Serviços de Radiodifusão</p><p>Decreto‑Lei n. 236, de 28 de fevereiro de 1967 Complementa e modifica o Código Brasileiro de Telecomunicações</p><p>Constituição Federal de 1988 Traz o capítulo V sobre Comunicação Social (artigos 220 a 224)</p><p>Estatuto da Criança</p><p>e do Adolescente</p><p>(Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990)</p><p>Determina punições às empresas de radiodifusão que desrespeitarem a</p><p>classificação indicativa</p><p>Dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente</p><p>Código de Defesa do Consumidor</p><p>(Lei n. 8.078, de 11 de setembro de 1990)</p><p>Em seu artigo 37, parágrafos 1º e 2º, prevê punição para toda</p><p>publicidade enganosa ou abusiva:</p><p>§ 1° É enganosa qualquer modalidade de informação ou comunicação</p><p>de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por</p><p>qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em</p><p>erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade,</p><p>quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre</p><p>produtos e serviços</p><p>§ 2° É abusiva, dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer</p><p>natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição,</p><p>se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança,</p><p>desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o</p><p>consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde</p><p>ou segurança</p><p>Lei Partidos Políticos</p><p>(Lei n. 9.096, de 19 de setembro de 1995)</p><p>Título V, Art. 50‑A ‑ Do acesso gratuito ao Rádio à Televisão: a</p><p>propaganda partidária gratuita mediante transmissão no rádio e</p><p>na televisão será realizada entre as 19h30 (dezenove horas e trinta</p><p>minutos) e as 22h30 (vinte e duas horas e trinta minutos), em âmbito</p><p>nacional e estadual, por iniciativa e sob a responsabilidade dos</p><p>respectivos órgãos de direção partidária (Incluído pela Lei n. 14.291, de</p><p>2022)</p><p>Lei da Propaganda Restrita</p><p>(Lei n. 9.294, de 15 de julho de 1996)</p><p>Dispõe sobre as restrições ao uso e à propaganda de produtos fumígeros,</p><p>bebidas alcoólicas, medicamentos, terapias e defensivos agrícolas, nos</p><p>termos do § 4° do art. 220 da Constituição Federal</p><p>Lei da Propaganda Política</p><p>(Lei n. 9.504, de 30 de setembro de 1997)</p><p>Art. 1º As eleições para Presidente e Vice‑Presidente da República,</p><p>Governador e Vice‑Governador de Estado e do Distrito Federal, Prefeito e</p><p>Vice‑Prefeito, Senador, Deputado Federal, Deputado Estadual, Deputado</p><p>Distrital e Vereador dar‑se‑ão, em todo o País, no primeiro domingo de</p><p>outubro do ano respectivo</p><p>Parágrafo único. Serão realizadas simultaneamente as eleições:</p><p>I ‑ para Presidente e Vice‑Presidente da República, Governador e</p><p>Vice‑Governador de Estado e do Distrito Federal, Senador, Deputado</p><p>Federal, Deputado Estadual e Deputado Distrital; II ‑ para Prefeito,</p><p>Vice‑Prefeito e Vereador</p><p>Art. 2º Será considerado eleito o candidato a Presidente ou a</p><p>Governador que obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os</p><p>em branco e os nulos</p><p>§ 1º Se nenhum candidato alcançar maioria absoluta na primeira</p><p>votação, far‑se‑á nova eleição no último domingo de outubro,</p><p>concorrendo os dois candidatos mais votados, e considerando‑se eleito</p><p>o que obtiver a maioria dos votos válidos.</p><p>Lei Geral das Telecomunicações</p><p>(Lei n. 9.472, de 16 de julho de 1997)</p><p>Define as regras para a privatização do Sistema Telebrás e criação</p><p>da Anatel</p><p>Lei da Radiodifusão Comunitária</p><p>(Lei n. 9.612, de 19 de fevereiro de 1998) Cria o serviço de radiodifusão comunitária</p><p>Lei de Direitos Autorais</p><p>(Lei n. 9.610, de 19 de fevereiro de 1998)</p><p>Art. 1º Esta Lei regula os direitos autorais, entendendo‑se sob esta</p><p>denominação os direitos de autor e os que lhes são conexos</p><p>101</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>Lei de Acessibilidade</p><p>(Lei n. 10.098, de 19 de dezembro de 2000)</p><p>Art. 1º Esta Lei estabelece normas gerais e critérios básicos para a</p><p>promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência</p><p>ou com mobilidade reduzida, mediante a supressão de barreiras e</p><p>de obstáculos nas vias e espaços públicos, no mobiliário urbano, na</p><p>construção e reforma de edifícios e nos meios de transporte e de</p><p>comunicação</p><p>Lei do V. Chip</p><p>(Lei n. 10.359, de 27 de dezembro de 2001)</p><p>Art. 1º Os aparelhos de televisão produzidos no território nacional</p><p>deverão dispor, obrigatoriamente, de dispositivo eletrônico que</p><p>permita ao usuário bloquear a recepção de programas transmitidos</p><p>pelas emissoras, concessionárias e permissionárias de serviços de</p><p>televisão, inclusive por assinatura e a cabo, mediante: I ‑ a utilização</p><p>de código alfanumérico, de forma previamente programada; ou II ‑ o</p><p>reconhecimento de código ou sinal, transmitido juntamente com os</p><p>programas que contenham cenas de sexo ou violência</p><p>Emenda Constitucional da Pessoa Jurídica</p><p>(Emenda Constitucional n. 36,</p><p>de 28 de maio de 2002)</p><p>Dá nova redação ao art. 222 da Constituição Federal, para permitir</p><p>a participação de pessoas jurídicas no capital social de empresas</p><p>jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens, nas condições</p><p>que especifica</p><p>Lei do Capital Estrangeiro</p><p>(Lei n. 10.610, de 20 de dezembro de 2002)</p><p>Art. 1º Esta Lei disciplina a participação de capital estrangeiro nas</p><p>empresas jornalísticas e de radiodifusão sonora e de sons e imagens de</p><p>que trata o § 4º do art. 222 da Constituição</p><p>Art. 2º A participação de estrangeiros ou de brasileiros naturalizados</p><p>há menos de dez anos no capital social de empresas jornalísticas e de</p><p>radiodifusão não poderá exceder a trinta por cento do capital total e do</p><p>capital votante dessas empresas e somente se dará de forma indireta,</p><p>por intermédio de pessoa jurídica constituída sob as leis brasileiras e que</p><p>tenha sede no País</p><p>Decreto TV Digital</p><p>(Decreto n. 4.901, de 26 de novembro de 2003)</p><p>Art. 1º Fica instituído o Sistema Brasileiro de Televisão Digital – SBTVD,</p><p>que tem por finalidade alcançar, entre outros, os seguintes objetivos:</p><p>I – promover a inclusão social, a diversidade cultural do País e a língua</p><p>pátria por meio do acesso à tecnologia digital, visando à democratização</p><p>da informação</p><p>II – propiciar a criação de rede universal de educação à distância</p><p>III – estimular a pesquisa e o desenvolvimento e propiciar a expansão de</p><p>tecnologias brasileiras e da indústria nacional relacionadas à tecnologia</p><p>de informação e comunicação</p><p>IV – planejar o processo de transição da televisão analógica para a</p><p>digital, de modo a garantir a gradual adesão de usuários a custos</p><p>compatíveis com sua renda</p><p>Decreto da Migração Digital</p><p>(Decreto n. 5.820, de 29 de junho de 2006)</p><p>Dispõe sobre a implantação do SBTVD‑T, estabelece diretrizes para</p><p>a transição do sistema de transmissão analógica para o sistema de</p><p>transmissão digital do serviço de radiodifusão de sons e imagens e do</p><p>serviço de retransmissão de televisão, e dá outras providências</p><p>Decreto da Classificação Indicativa</p><p>(Decreto n. 9.856, de 25 de junho de 2019)</p><p>Regulamenta as disposições relativas ao processo de classificação</p><p>indicativa de obras audiovisuais destinadas à televisão e demais mídias</p><p>Criação da EBC – Empresa Brasil de Comunicação</p><p>(Lei n. 11.652, de 7 de abril de 2008 )</p><p>Institui os princípios e objetivos dos serviços de radiodifusão pública</p><p>explorados pelo Poder Executivo ou outorgados a entidades de sua</p><p>administração indireta; autoriza o Poder Executivo a constituir a</p><p>Empresa Brasil de Comunicação – EBC; altera a Lei no 5.070, de 7 de</p><p>julho de 1966; e dá outras providências</p><p>Lei da TV Paga</p><p>(Lei n. 12.485, de 12 de setembro de 2011)</p><p>Trata da comunicação audiovisual de acesso condicionado (conteúdo</p><p>exclusivo para assinantes)</p><p>Fonte: EBC (s.d.).</p><p>102</p><p>Unidade III</p><p>Resumo</p><p>Chegamos ao fim dos estudos da disciplina. Nesta unidade aprendemos</p><p>sobre a criação da ONU e da Unesco, ponto que nos interessou conhecer</p><p>o Relatório McBride, um estudo que envolveu diversos países e concluiu</p><p>que os meios de comunicação das nações desenvolvidos impunham sua</p><p>autoridade política e econômica sobre os subdesenvolvidos.</p><p>O Relatório McBride também concluiu que a desigualdade informativa</p><p>promovida pelos meios de comunicação entre os indivíduos desses dois</p><p>grupos de países (desenvolvidos e subdesenvolvidos) era o motivo das</p><p>desigualdades políticas e econômicas.</p><p>Dessa forma, as conclusões do relatório apontaram a necessidade de</p><p>se criar</p><p>e implementar políticas públicas de comunicação para arrefecer os</p><p>desníveis percebidos entre as nações.</p><p>Tratamos, inclusive, de como as privatizações acarretam perda de</p><p>direitos aos cidadãos, como ocorrido no Brasil, com a venda da estatal</p><p>Sistema Telebrás. Isto porque, quando ofertado pelo Estado, tais serviços</p><p>são prestados como direitos sociais garantidos por políticas públicas, mas,</p><p>quando o serviço público é privatizado, se converte em mercadoria. As</p><p>privatizações reduzem o poder do Estado de propor políticas públicas à</p><p>sociedade, conforme Anderson et al. (1995).</p><p>103</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>Exercícios</p><p>Questão 1. A respeito do que a Constituição Brasileira de 1988 determina sobre a operação dos</p><p>serviços de rádio e televisão, avalie as asserções e a relação proposta entre elas.</p><p>I – Os veículos de comunicação podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou</p><p>oligopólio, ou seja, é desejável que um único grupo tenha grande parte das empresas de rádio e TV.</p><p>porque</p><p>II – Cabe ao Governo Federal outorgar e renovar concessão, permissão e autorização para o serviço</p><p>de rádio e TV, sem necessidade de autorização do Congresso Nacional.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>A) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II justifica a I.</p><p>B) As asserções I e II são verdadeiras, e a asserção II não justifica a I.</p><p>C) As asserções I e II são falsas.</p><p>D) A asserção I é verdadeira, e a II é falsa.</p><p>E) A asserção I é falsa, e a II é verdadeira.</p><p>Resposta correta: alternativa C.</p><p>Análise das asserções</p><p>I – Asserção falsa.</p><p>Justificativa: segundo a Constituição Brasileira de 1988, os veículos de comunicação não podem,</p><p>direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio, ou seja, um único grupo não pode ter</p><p>grande parte das empresas de rádio e TV.</p><p>II – Asserção falsa.</p><p>Justificativa: segundo a Constituição Brasileira de 1988, cabe ao Governo Federal outorgar e</p><p>renovar concessão, permissão e autorização para o serviço de rádio e TV, desde que autorizado pelo</p><p>Congresso Nacional.</p><p>104</p><p>Unidade III</p><p>Questão 2. Considere as exigências apresentadas nas afirmativas a seguir.</p><p>I – Assegurar o ingresso gratuito, como associado, de todo e qualquer cidadão domiciliado na área</p><p>de execução do serviço, bem como de outras entidades sem fins lucrativos nela sediadas.</p><p>II – Assegurar aos associados em dia com as suas obrigações estatutárias os direitos de votar e de ser</p><p>votado para todos os cargos de direção, bem como os direitos de voz e de voto nas deliberações sobre a</p><p>vida social da entidade, nas instâncias deliberativas existentes.</p><p>III – Ser dirigida por pessoas físicas brasileiras, natas ou naturalizadas há mais de dez anos, com</p><p>capacidade civil plena e que mantenham residência na área de execução do serviço.</p><p>IV – Ter sede situada na área de execução do serviço.</p><p>Entre as exigências para se pleitear o serviço de radiodifusão comunitária, temos as expressas em:</p><p>A) I, II e III, apenas.</p><p>B) III e IV, apenas.</p><p>C) I e II, apenas.</p><p>D) I, III e IV, apenas.</p><p>E) I, II, III e IV.</p><p>Resposta correta: alternativa E.</p><p>Análise da questão</p><p>Segundo a Portaria n. 462/2011 do Ministério das Comunicações (Brasil, 2011), entre outras exigências</p><p>para se pleitear o serviço de radiodifusão comunitária, estão:</p><p>a) assegurar o ingresso gratuito, como associado, de todo e qualquer cidadão domiciliado na área de</p><p>execução do serviço, bem como de outras entidades sem fins lucrativos nela sediadas;</p><p>b) assegurar a seus associados em dia com as suas obrigações estatutárias o direito de votar e ser</p><p>votado para todos os cargos de direção, bem como o direito de voz e voto nas deliberações sobre a vida</p><p>social da entidade, nas instâncias deliberativas existentes;</p><p>c) não manter vínculos que a subordinem ou a sujeitem à gerência, à administração, ao domínio, ao</p><p>comando ou à orientação de qualquer outra entidade, mediante compromissos ou relações financeiras,</p><p>religiosas, familiares, político‑partidárias ou comerciais;</p><p>105</p><p>POLÍTICAS PÚBLICAS EM COMUNICAÇÃO</p><p>d) ser dirigida por pessoas físicas brasileiras, natas ou naturalizadas há mais de dez anos, com</p><p>capacidade civil plena e que mantenham residência na área de execução do serviço;</p><p>e) ter a sede situada na área de execução do serviço;</p><p>f) observar os princípios estabelecidos no art. 4º da Lei n. 9.612, de 19 de fevereiro de 1998.</p><p>106</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ANDERSON, P. Balanço do neoliberalismo. In: SADER, E.; GENTILI, P. (orgs.). Pós‑neoliberalismo: as</p><p>políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.</p><p>ANDERSON, P.; et al. A trama do neoliberalismo. In: SADER, E.; GENTILI, P. (orgs.). Pós‑neoliberalismo:</p><p>as políticas sociais e o Estado democrático. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1995.</p><p>ANTUNES, A. “Neblina tóxica” escurece o céu de Nova York em plena manhã e preocupa população.</p><p>Uol, 2023. Disponível em: https://tinyurl.com/5n89dpxw. Acesso em: 24 ago. 2023.</p><p>ARNS, D. P. E. Brasil: nunca mais. Petrópolis: Vozes, 2014.</p><p>ASCOM Prefeitura Lucas do Rio Verde; CORSINO, G. Campanhas de vacinação contra poliomielite e</p><p>multivacinação são estendidas até fim de setembro. Prefeitura Lucas do Rio Verde, 2022. Disponível</p><p>em: https://tinyurl.com/mry93fn2. Acesso em: 24 out. 2023.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMISSORAS DE RÁDIO E TELEVISÃO – Abert. Estatuto. Brasília: Abert,</p><p>2006. Disponível em: https://cutt.ly/kwh9TFX8. Acesso em: 21 jun. 2023.</p><p>ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE IMPRENSA – ABI. Código de ética dos jornalistas brasileiros. Rio de</p><p>Janeiro: ABI, [s.d.]. Disponível em: https://cutt.ly/Vwh9D8Up. Acesso em: 22 ago. 2023.</p><p>AZAMBUJA, D. Teoria geral do Estado. Rio de Janeiro: Editora Globo, 1985.</p><p>BANDEIRA, L.; et al. Como funciona a regulação de mídia em outros países? BBC News Brasil, 2014.</p><p>Disponível em: https://tinyurl.com/493xz66u. Acesso em: 24 ago. 2023.</p><p>BANERJEE, I.; KALINGA, S. (ed.). Radiotelevisión de servicio público: un manual de mejores prácticas. San</p><p>José: Unesco para América Central, 2006. Disponível em: https://cutt.ly/Mwje9l2p. Acesso em: 23 ago. 2023.</p><p>BARRETO, B. A. A. Uma América e muitas vozes. A comunicação no continente 25 anos após o informe</p><p>MacBride. Dissertação (Mestrado em Comunicação) – Universidade de Marília, Marília, 2006.</p><p>BEZZON, L. A. C. Análise político‑sociológica do reencontro da sociedade civil brasileira com a</p><p>cidadania e a democracia segundo a perspectiva da comunicação pública. In: OLIVEIRA, M. J. C.</p><p>Comunicação Pública. Campinas: Editora Alínea, 2004.</p><p>BOBBIO, N. Dicionário de política. Brasília: Editora de Brasília, 2009.</p><p>BOBBIO, N. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000.</p><p>BOLANÕ, C. Uma introdução ao debate Estado e Comunicação. In: RAMOS, M. C.; DEL BIANCO, N. R.</p><p>(org.). Estado e comunicação. Brasília: Casa das Musas, 2008.</p><p>107</p><p>BOLSONARO renova concessão da “TV Globo” por mais 15 anos. Poder360, 2022. Disponível em:</p><p>https://tinyurl.com/2p8pcaw3. Acesso em: 25 ago. 2023.</p><p>BONAVIDES, P. Ciência política. São Paulo: Malheiros Editores, 2000.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 1988. Disponível em:</p><p>https://cutt.ly/mwh9ZhiR. Acesso em: 22 ago. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto n. 4.901, de 26 de novembro de 2003. Brasília, 2003. Disponível em:</p><p>http://tinyurl.com/yc44jaf5. Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto n. 5.820, de 29 de junho de 2006. Brasília, 2006. Disponível em: http://tinyurl.com/mr9cszrv.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto n. 52.795, de 31 de outubro de 1963. Brasília, 1963. Disponível em: http://tinyurl.</p><p>com/2by6tyyz. Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto n. 9856, de 25 de junho de 2019. Brasília, 2019. Disponível em: http://tinyurl.com/kzjxh4wk.</p><p>Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Decreto‑Lei n. 236, de 28 de fevereiro de 1967. Brasília, 1967. Disponível em:</p><p>http://tinyurl.com/yckurbpt. Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Emenda Constitucional n. 36, de 28 de maio de 2002. Brasília, 2002. Disponível em:</p><p>http://tinyurl.com/yfkdru3t. Acesso em: 5 set. 2023.</p><p>BRASIL. Lei 9.709, de 11 de novembro de 1998.</p>