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<p>205</p><p>detalhadamente, uma questão tão complexa quanto diversificação,</p><p>deve ter múltiplas influencias.</p><p>Um trabalho avaliando a diversificação de 9.993 espécies de</p><p>aves no tempo (como ocorreu a diversificação histórica do grupo) e</p><p>no espaço (relativo à distribuição geográfica do grupo) mostrou que</p><p>há uma concentração de espécies próximas da zona tropical, mas</p><p>considerar a latitude de maneira sozinha não explica o padrão</p><p>observado. A distribuição parece ser uma combinação da idade e da</p><p>expansão de florestas tropicais úmidas (Fig. 9.2; JETZ et al., 2012).</p><p>Há uma maior diferença na taxa de diversificação entre hemisférios</p><p>do que entre latitudes, quando analisados de maneira isolada. Os</p><p>dados relativos à área só são significativos em uma faixa equatorial</p><p>estreita e, ainda, dependendo do hemisfério, da prevalência e da</p><p>dinâmica evolutiva de cada grupo taxonômico.</p><p>Figura 9.2 Gradiente latitudinal da taxa de diversificação de linhagens de aves.</p><p>Fonte: adaptado de JETZ et al., 2012</p><p>206</p><p>A evapotranspiração já foi um fator associado a padrões de</p><p>diversidade. Como a evapotranspiração é a liberação constante de</p><p>água pela folha, ela acaba sendo mais intensa em locais com maior</p><p>incidência solar e é uma medida indireta da produtividade (ver</p><p>Capítulo 2). Inicialmente, também podemos encontrar um padrão que</p><p>levante a relação da evapotranspiração variando com a latitude. No</p><p>entanto, para plantas, outros fatores parecem influenciar nesse</p><p>processo (LATHAM e RICKLEFS, 1993). Um trabalho avaliando a</p><p>riqueza de árvores em diferentes regiões do planeta também mostrou</p><p>que a evapotranspiração sozinha não pode explicar a variação</p><p>observada. Por exemplo, a riqueza de árvores da Ásia central é bem</p><p>maior que riqueza da América do Norte, apesar de testes estatísticos</p><p>terem mostrado que o clima dessas áreas é parecido (Fig. 9.3). Os</p><p>autores acreditam que os fatores históricos são mais importantes</p><p>nessa diferenciação da riqueza entre os biomas de diferentes</p><p>continentes (LATHAM e RICKLEFS, 1993).</p><p>Figura 9.3. Riqueza de árvores em floresta temperada úmida da Europa, Ásia e</p><p>América do Norte em função da evapotranspiração.</p><p>Fonte: adaptado de LATHAM e RICKLEFS, 1993.</p><p>207</p><p>Outro padrão que podemos observar em muitos grupos é o da</p><p>variação altitudinal na riqueza. Um estudo com 135 espécies de</p><p>orquídeas em uma ilha no Oceano Índico demonstrou que houve um</p><p>decréscimo da riqueza e das interações estabelecidas com os</p><p>polinizadores à medida que se aumentava a altitude (Fig. 9.4). As</p><p>espécies encontradas nas regiões mais altas realizavam,</p><p>predominantemente, autopolinização e os autores associam o</p><p>surgimento desta estratégia reprodutiva a menor disponibilidade de</p><p>polinizadores especializados presentes em altas altitudes. Dessa</p><p>forma, as orquídeas garantem sua reprodução, mesmo que custe</p><p>uma redução na sua variabilidade genética (JACQUEMYN et al.,</p><p>2005).</p><p>Figura. 9.4. A) Porcentagem do sistema sexual e B) riqueza de espécies de</p><p>orquídeas em função da altitude em uma ilha no Oceano Índico.</p><p>Fonte: Adaptado de JACQUEMYN et al., 2005.</p><p>3 Parâmetros da Biodiversidade</p><p>Como é muito difícil quantificar a variedade de espécies, de</p><p>ecossistemas e genética de uma região, existem técnicas e</p><p>parâmetros que permitem que seja feito uma avaliação da sua</p><p>biodiversidade. As principais técnicas envolvem a coleta de campo e</p><p>R</p><p>iq</p><p>u</p><p>ez</p><p>a</p><p>208</p><p>índices matemáticos. Vale lembrar que é praticamente impossível</p><p>aferir a diversidade de todas as classes de organismos. O mais</p><p>comum são trabalhos focados em um grupo taxonômico específico</p><p>em uma determinada região. É o estudo de uma taxocenose (em</p><p>inglês, assemblage). Não confunda taxocenose com comunidade,</p><p>termo que faz referência a populações de espécies diferentes</p><p>vivendo em um mesmo lugar, mas que não necessariamente precise</p><p>ter relações taxonômicas. Quando encontramos um trabalho</p><p>investigando a taxocenose de mamíferos em uma área da caatinga</p><p>de São Bento, PB, esperamos ver um estudo focado nas espécies de</p><p>mamíferos encontradas na área.</p><p>Quando se determina a área ser trabalhada, também se</p><p>determina a escala geográfica que será investigada. Deste modo, a</p><p>diversidade pode ser avaliada a nível local, chamada de diversidade</p><p>alfa (α), ou a nível regional, chamada de diversidade beta (β), quando</p><p>se considera uma região maior, com vários habitats diferentes. A</p><p>variação de espécies entre os habitats é chamada de diversidade</p><p>gama (δ).</p><p>Já falamos sobre riqueza e abundância, entretanto,</p><p>retornaremos ao assunto com um enfoque mais prático. O número de</p><p>espécies em uma área é chamada de riqueza, enquanto o número de</p><p>indivíduos em cada espécie é conhecido como abundância. Esses</p><p>são os dois parâmetros mais levantados para caracterização da</p><p>diversidade. Diante destes dois conceitos, pensaremos em como as</p><p>variações entre as espécies podem ser descritas para uma área.</p><p>Para isso observe a tabela abaixo.</p><p>Exercícios de Biologia</p><p>Energia no Ecossistema</p><p>1. UFMS Quanto aos ecossistemas, é correto afirmar que;</p><p>01. se referem ao conjunto dos componentes</p><p>exclusivamente bióticos;</p><p>02. produtores, consumidores e decompositores são as</p><p>três categorias de seus componentes abióticos;</p><p>04. se referem ao conjunto dos componentes</p><p>exclusivamente abióticos;</p><p>08. um aquário, um lago e uma floresta são exemplos de</p><p>ecossistemas, embora possuam tamanhos diferentes;</p><p>16. se referem ao conjunto dos componentes bióticos e</p><p>abióticos;</p><p>32. sua extensão não é percorrida por um fluxo de energia</p><p>e matéria, não estabelecendo diferentes níveis tróficos;</p><p>64. pode ser definido como biocenose + biótopo, sendo</p><p>biocenose sua comunidade e biótopo o conjunto de</p><p>elementos abióticos do ambiente.</p><p>Dê, como resposta, a soma dos itens corretos.</p><p>2. UFRN Observe o cartaz afixado na entrada da área.</p><p>A partir do cartaz, *Ribossomildo comenta que, sem</p><p>energia, não há vida. Utiliza os elementos ilustrados (I, II, III</p><p>e IV) para informar que a energia é:</p><p>a) introduzida na comunidade biótica por I, sendo</p><p>ransferida, sob a forma química, aos demais seres vivos;</p><p>b) obtida do ambiente físico e passa de ser vivo a ser vivo,</p><p>retornando integralmente ao ecossistema, pela ação de III;</p><p>c) originada em II, sendo fixada, sob a forma química,</p><p>diretamente por IV;</p><p>d) utilizada por III, a partir de compostos orgânicos,</p><p>quando ele realiza a fotossíntese.</p><p>*Ribossomildo = personagem fictício = experiente</p><p>pesquisador.</p><p>3. FUVEST-SP Qual das alternativas distingue organismos</p><p>heterotróficos de organismos autotróficos?</p><p>a) Somente organismos heterotróficos necessitam de</p><p>substâncias químicas do ambiente.</p><p>b) Somente organismos heterotróficos fazem respiração</p><p>celular.</p><p>c) Somente organismos heterotróficos possuem</p><p>mitocôndrias.</p><p>d) Somente organismos autotróficos podem viver com</p><p>nutrientes inteiramente inorgânicos.</p><p>e) Somente organismos autotróficos não requerem gás</p><p>oxigênio.</p><p>4. U.F. Uberlândia-MG Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Os heterótrofos são organismos fotossintetizantes que</p><p>se utilizam dos autótrofos, decompositores</p><p>e detritívoros para sua alimentação, reciclando o sistema.</p><p>b) As plantas constituem a base das cadeias alimentares,</p><p>são consumidores primários, que se utilizam de água e sais</p><p>minerais para produzir tecidos através da fotossíntese.</p><p>c) Predador de topo é o animal que se instala no alto de</p><p>uma região, sendo, em geral, um bom caçador, pois possui</p><p>uma visão privilegiada da área de caça.</p><p>d) Um passarinho, ao predar uma lagarta de borboleta, é</p><p>considerado um consumidor terciário, pois a planta é o</p><p>primário e a lagarta o secundário.</p><p>e) A base das cadeias alimentares é formada pelos</p><p>organismos produtores, seres autótrofos,</p><p>fotossintetizantes, muito abundantes na Terra.</p><p>5. U.E. Ponta Grossa-PR Sobre conceitos ecológicos,</p><p>assinale o que for correto.</p><p>01. Biocenose é o conjunto das diversas espécies</p><p>que</p><p>habitam uma mesma região.</p><p>02. Biótopo é o conjunto de componentes físicos e</p><p>químicos do ambiente onde vive uma comunidade</p><p>biológica.</p><p>04. Ecossistema é o conjunto formado pela comunidade</p><p>dos seres vivos e os fatores abióticos, em interação.</p><p>08. Nicho ecológico é o conjunto de relações e atividades</p><p>próprias de uma espécie.</p><p>16. Hábitat é o local onde vive determinada espécie.</p><p>Dê como resposta a soma das alternativas corretas.</p><p>6. Mackenzie-SP Considere o esquema abaixo, que</p><p>representa uma teia alimentar. I, II, III,</p><p>IV e V constituem os vários níveis tróficos.</p><p>Os fungos podem ocupar todos os níveis tróficos acima,</p><p>EXCETO:</p><p>a) I b) II c) III d) IV e) V</p><p>7. U. Católica-GO O esquema abaixo representa relações</p><p>existentes</p><p>entre os ecossistemas aquáticos</p><p>e os ecossistemas terrestres.</p><p>Utilize V (verdadeiro) ou F (falso).</p><p>( ) As relações mútuas existentes entre os diversificados</p><p>seres vivos e a troca de energia que ocorre entre eles, é</p><p>denominado ecossistema.</p><p>( ) O fluxo de energia entre os ecossistemas dá-se pela</p><p>existência de seres produtores, fitófagos, predadores e</p><p>necrófagos.</p><p>( ) Na figura anterior podemos caracterizar como</p><p>predadores: homem, gaivota, pelicano e o peixe grande.</p><p>( ) Nos peixes, que possuem um sistema complexo para</p><p>obtenção de oxigênio disperso na água, não encontramos</p><p>pulmões, somente brânquias.</p><p>( ) A maioria dos estudos ecológicos a respeito do meio</p><p>ambiente exclui completamente o homem das relações</p><p>existentes entre os ecossistemas. Quando isso ocorre,</p><p>o estudo está caminhando para erros gravíssimos.</p><p>( ) O cerrado corresponde a um dos maiores ecossistemas</p><p>brasileiros mas, na verdade, não podemos considerá-lo</p><p>importante como a Amazônia. Não existem aqui árvores</p><p>frondosas, assim, ecologicamente, o cerrado não é tão</p><p>significante.</p><p>8. UFPB No texto a seguir, estão em negrito termos</p><p>correspondentes aos diferentes NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO</p><p>utilizados em biologia. Todos os indivíduos da mesma</p><p>espécie animal que estavam vivendo na região ficaram</p><p>ameaçados por diferentes bactérias que eram capazes de</p><p>romper a barreira imposta pela pele, causando sérios</p><p>danos aos organismos. Nesses casos a ação dos</p><p>macrófagos conduzidos pelo sangue até o local da</p><p>inflamação foi de suma importância.</p><p>De acordo com a ordem em que esses termos aparecem</p><p>no texto, os NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO utilizados são:</p><p>a) comunidade – organismo – tecido – tecido – sistema;</p><p>b) comunidade – célula – tecido – tecido – célula;</p><p>c) população – organismo – órgão – célula – tecido;</p><p>d) população – célula –tecido –célula –tecido;</p><p>e) comunidade – organismo – órgão – célula – sistema.</p><p>9. VUNESP Considere as três cadeias alimentares a seguir.</p><p>I. vegetação → insetos → anfíbios v cobras → fungos.</p><p>II. vegetação → coelho → gavião.</p><p>III. fitoplâncton → zooplâncton → peixes → tubarão.</p><p>A maior quantidade de energia disponível para os níveis</p><p>tróficos mais elevados estará</p><p>a) apenas na cadeia I. d) apenas nas cadeias I e II.</p><p>b) apenas nas cadeias I e III. e) nas cadeias I, II e III.</p><p>c) apenas na cadeia II.</p><p>10. U.F. Juiz de Fora-MG A fazenda Canto do Sabiá produz</p><p>alevinos (formas jovens) de alguns peixes de alto valor</p><p>comercial. Além dessa atividade, a fazenda tem também</p><p>gado leiteiro. Os alevinos são vendidos para muitos</p><p>piscicultores da Zona da Mata Mineira. Os administradores</p><p>da fazenda resolveram contratar um ecólogo para elaborar</p><p>e implementar uma estratégia, visando à redução dos altos</p><p>custos inerentes aos gastos com alimentos para os</p><p>alevinos. O ecólogo utilizou a seguinte estratégia: adição</p><p>de excrementos de gado, abundantes na fazenda, aos</p><p>tanques-berçário de alevinos, em quantidade adequada ao</p><p>volume de água. Os tanques-berçário foram, ainda,</p><p>adaptados de forma a manter temperatura adequada e</p><p>receber luz solar. O ecólogo teve sucesso com sua idéia. Os</p><p>administradores da fazenda estão satisfeitos com o plano e</p><p>conseguiram aumentar tanto a produção de alevinos como</p><p>o lucro proveniente da comercialização destes. Explique,</p><p>sob o ponto de vista ecológico, o sucesso da estratégia</p><p>adotada.</p><p>11. U.E. Ponta Grossa-PR São organismos heterótrofos:</p><p>01. fotossintetizantes</p><p>02. carnívoros</p><p>04. herbívoros</p><p>08. quimiossintetizantes</p><p>16. sapróbios</p><p>Dê como resposta a soma das alternativas corretas.</p><p>12. UEMS No Pantanal existe um grande número de</p><p>ecossistemas aquáticos, formados por rios, lagoas e áreas</p><p>inundáveis. Dá-se o nome de fitoplâncton à comunidade</p><p>de algas microscópicas que crescem abundantemente</p><p>nesses ambientes. Esses organismos exercem em seus</p><p>ecossistemas a função de:</p><p>a) consumidores primários;</p><p>GABARITO (3)</p><p>Exercícios de Biologia Energia no Ecossistema (1)</p><p>EXCETO:</p>