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<p>ANÁLISE DE CRÉDITO E RISCO</p><p>JÚLIO BECHER</p><p>U N I D A D E 3</p><p>UNIDADE 3 | INTRODUÇÃO</p><p>Nosso curso visa compreender o funcionamento de planos e políticas de crédito</p><p>consistentes nas empresas e os melhores processos de cobrança de clientes, utilizando</p><p>os conceitos e técnicas voltadas a indústria, comércio e serviço com a finalidade de</p><p>garantir o equilíbrio financeiro da empresa.</p><p>Em cada competência, trabalharemos aspectos formais e conceituais, aplicações prática</p><p>e desafios de aprendizagem, para que você seja capaz de pensar criticamente sobre o</p><p>conteúdo apresentado.</p><p>UNIDADE 3 | OBJETIVOS</p><p>Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento</p><p>das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos:</p><p>1. Reconhecer as origens e as definições dos tipos de créditos existentes.</p><p>2. Identificar planos para concessão e mitigação do risco.</p><p>3. Defender técnicas vinculadas à avaliação do risco envolvido na operação de crédito.</p><p>4. Contrastar e aplicar as técnicas comumente utilizadas na análise de crédito.</p><p>TIPOS DE CRÉDITO E PLANOS PARA</p><p>MITIGAÇÃO DO RISCO</p><p>O foco aqui é contextualizar a origem das operações de crédito, assim como criar uma</p><p>narrativa sobre a evolução de políticas e planos de expansão de crédito.</p><p>Trataremos o contexto histórico e atual das principais formas de oferta de crédito e</p><p>avaliação de risco.</p><p>A palavra crédito tem um significado bastante específico: confiança. Mais</p><p>especificamente, confiança em uma operação financeira que resulta em uma parte que</p><p>fornece dinheiro a outra parte, cujo reembolso apenas ocorrerá no futuro, de forma</p><p>imediata ou parcelada.</p><p>Essa promessa de pagamento gera uma contrapartida econômica, chamada de “dívida”.</p><p>Em algumas modalidades de concessão de crédito, faz-se necessária a apresentação de</p><p>garantias e(ou) avalistas.</p><p>Fonte: freepik.</p><p>Na atualidade, o mercado de crédito funciona de maneira bastante estruturada,</p><p>normalmente, via autarquia financeira (banco de crédito), que fornece e administra as</p><p>operações. No caso brasileiro, temos mecanismos bem-estruturados de crédito. O</p><p>principal agente é o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES),</p><p>que é responsável pelas modalidades mais de financiamento e investimentos de longo</p><p>prazo no país.</p><p>O BNDES é um banco público, que tem como função apoiar via crédito e financiamentos</p><p>e “empreendedores de todos os portes, inclusive, pessoas físicas, na realização de seus</p><p>planos de modernização, expansão e concretização de novos negócios, tendo em vista o</p><p>potencial de geração de empregos, renda e inclusão social”.</p><p>Tipos de bancos de crédito</p><p>• BNDES.</p><p>• Financiamento de longo prazo.</p><p>• Oferta de Crédito.</p><p>• Empréstimos e garantias.</p><p>O BNDS disponibiliza uma modalidade</p><p>de crédito direto e fácil, em que o</p><p>cliente recebe um cartão pré-pago para</p><p>comprar materiais para o negócio em</p><p>fornecedores previamente cadastrados.</p><p>Obtenha mais informações!</p><p>Fonte: BNDES.</p><p>RISCOS EM OPERAÇÕES DE CRÉDITO</p><p>a principal forma de mitigar o risco em uma operação de crédito é precificando a</p><p>operação, por meio de taxa de juros. Naturalmente, clientes cuja probabilidade de não</p><p>honrar o compromisso acessam o crédito mais caro.</p><p>Não à toa, usuários do cheque especial “pagam” mais juros numa operação de crédito</p><p>do que clientes que acessam o crédito consignado.</p><p>Riscos associados</p><p>– Risco padrão</p><p>O risco de perda resultante de um devedor pagar suas obrigações de empréstimo</p><p>integralmente ou o devedor ultrapassar o limite de 90 dias de atraso sem nenhum</p><p>tipo de colateral. Impacta todas as operações de crédito da empresa, incluindo</p><p>empréstimos, valores mobiliários e derivativos.</p><p>– Risco concentrado</p><p>O risco associado a qualquer exposição única ou em grupo com potencial para</p><p>produzir perdas grandes o suficiente e ameaçar as operações bancárias. Muito</p><p>associado a organizações com portfólio de atuação não diversificado, cuja exposição</p><p>é maior devido à segmentação dos negócios.</p><p>– Risco-país</p><p>O risco envolvido pela possível perda da soberania do governo local, em função de</p><p>sua incapacidade de honrar o pagamento dos juros da dívida pública. É conhecido</p><p>como moratória. Também associado ao risco soberano, que é comum em países</p><p>cuja instabilidade política e(ou) macroeconômica é alta.</p><p>Grau de investimento</p><p>O mapa exposto na figura anterior demonstra o nível de avaliação por país. Nesse grupo,</p><p>os títulos mais bem avaliados estão na América Central, especificamente nos EUA e no</p><p>Canadá, na parte norte da Europa (Reino Unido, Alemanha, França, Espanha e Portugal)</p><p>e na Oceania.</p><p>Na avaliação para a América Latina, o único destaque é o Chile, que está no grupo com</p><p>selo de investimento. Já o Brasil está no grupo (BB), i.e., com grau especulativo e</p><p>pequeno risco de calote. Mas o pior cenário está nas mãos da Argentina e Venezuela,</p><p>que possuem ativos muito mais arriscados.</p><p>Grau de investimento</p><p>Mais especificamente, no Brasil, em 2008, pela primeira vez na história, obtivemos o</p><p>selo de grau de investimento. O anúncio associou a nota BB+ aos títulos brasileiros. Esta</p><p>dinamizou o mercado de ativos do país, levando a Bovespa a ultrapassar os 70 mil</p><p>pontos, um recorde.</p><p>Grau de investimento</p><p>Perceba que o selo de grau de investimento não é meramente uma nota ad hoc. Essa</p><p>classificação, além de estabelecer um parâmetro de risco associado ao país, também</p><p>define se alguns fundos de investimento poderão investir no país. Isso significa que</p><p>alguns fundos não podem investir em países considerados arriscados demais, limitando</p><p>a capacidade de atração de investimentos.</p><p>Além disso, a “fuga” desse tipo de investidor (de longo prazo) causa um “efeito dominó”</p><p>no sistema financeiro do país, por aumentar o custo de oportunidade de investir no</p><p>país, já que a taxa de juros será mais alta.</p><p>AVALIAÇÃO E MITIGAÇÃO DO RISCO</p><p>Normalmente, as empresas alocam muitos recursos, pessoais e financeiros, na gestão</p><p>de risco. Algumas possuem departamentos específicos para a análise das operações e</p><p>construção de estratégias de mitigação. Boa parte das informações processadas vêm de</p><p>relatórios das agências de risco.</p><p>É muito comum as empresas que ofertam crédito estabelecerem modelos de avaliação</p><p>de risco, chamados credit score.</p><p>A ideia dessas avaliações é obter com clareza uma avaliação da atual situação do cliente</p><p>sob o aspecto financeiro e econômico.</p><p>Classificados como:</p><p>• Indicadores de liquidez.</p><p>• Indicadores de endividamento.</p><p>• Indicadores de rentabilidade.</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de liquidez</p><p>Analisam a situação financeira da empresa, pois refletem sua capacidade de saldar suas</p><p>dívidas no curto prazo.</p><p>São eles:</p><p>a) Capital Circulante Líquido.</p><p>b) Liquidez Circulante.</p><p>c) Liquidez a Seco.</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de liquidez</p><p>a) Capital Circulante Líquido</p><p>Busca verificar, em termos monetários, qual o giro da empresa para honrar</p><p>compromissos até 12 meses.</p><p>𝐶𝐶𝐿 = 𝐴𝐶 − 𝑃𝐶</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de liquidez</p><p>b) Liquidez Circulante</p><p>Tem o mesmo sentido do CCL, porém, em termos relativos.</p><p>𝐿𝐶 =</p><p>𝐴𝐶</p><p>𝑃𝐶</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de liquidez</p><p>c) Liquidez a seco</p><p>Busca melhorar o cálculo da LC, tornando o indicador mais real, pois desconta do</p><p>valor do AC o valor dos estoques. Justificado pelo maior grau de engessamento que</p><p>os estoques possuem em relação às demais contas do Ativo Circulante.</p><p>𝐿𝑆 =</p><p>𝐴𝐶−𝑒𝑠𝑡𝑜𝑞𝑒𝑠</p><p>𝑃𝐶</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de endividamento</p><p>Analisam a situação financeira da empresa e estão vinculados à estrutura de capital,</p><p>mais especificamente com a relação entre o capital de terceiros e o próprio. O foco</p><p>está na capacidade de solvência da organização. São eles:</p><p>a) Nível de Investimento.</p><p>b) Relação Debt/Equity.</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de endividamento</p><p>a) Nível de investimento</p><p>Demonstra o grau de comprometimento do ativo com o capital de terceiros. Busca</p><p>avaliar qual parcela de dívidas</p><p>a empresa possui.</p><p>𝑁𝐼 =</p><p>𝐸𝑥𝑖𝑔𝑖𝑣𝑒𝑙 𝑇𝑜𝑡𝑎𝑙</p><p>𝐴𝑇</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de endividamento</p><p>a) b) Relação Debt/Equity</p><p>b) Extremamente importante para a análise de crédito e investimentos. Revela o</p><p>grau de dependência da empresa em relação ao capital de terceiros. O ideal é</p><p>sempre manter esse índice menor que 1.</p><p>c) 𝛼 =</p><p>𝑃𝐶+𝐸𝑋𝑙𝑝</p><p>𝑃𝐿</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de rentabilidade</p><p>Analisa se os investimentos realizados foram as melhores escolhas.</p><p>São eles:</p><p>a) ROE.</p><p>b) ROA.</p><p>c) EVA.</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de rentabilidade</p><p>a) ROE</p><p>b) É gerado pela produtividade e eficiência de todos os setores de uma empresa,</p><p>com visão e gestão de remunerar o acionista. Demonstra o retorno do capital</p><p>investido pelos sócios.</p><p>c) 𝑅𝑂𝐸 =</p><p>𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐿𝑖𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜</p><p>𝑃𝐿</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de rentabilidade</p><p>a) ROA</p><p>b) É o lucro auferido mediante os investimentos realizados no ativo da empresa.</p><p>Investimentos são as ações tomadas no sentido de obter lucros (retorno). Esse</p><p>índice é interessante para avaliar a lucratividade da empresa como um todo,</p><p>independentemente de onde vêm os recursos aplicados.</p><p>c) 𝑅𝑂𝐴 =</p><p>𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐿𝑖𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜</p><p>𝐴𝑇</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>Indicadores de rentabilidade</p><p>a) EVA</p><p>b) Indicador que demonstra se a empresa está criando ou destruindo valor. É uma</p><p>medida estritamente econômica e busca identificar se a escolha da empresa</p><p>representa a opção de investimento mais rentável. Leva em consideração algum</p><p>parâmetro que expressa o custo de oportunidade do capital, i.e., o custo de se</p><p>obter recursos de uma aplicação, ou de se retirar de uma atividade lucrativa, ou</p><p>simplesmente o custo de um empréstimo.</p><p>c) 𝐸𝑉𝐴 = 𝐿𝑢𝑐𝑟𝑜 𝐿𝑖𝑞𝑢𝑖𝑑𝑜 − 𝐶𝑢𝑠𝑡𝑜 𝑜𝑝𝑜𝑟𝑡𝑢𝑛𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒</p><p>INDICADORES DE AVALIAÇÃO DE CRÉDITO</p><p>AVALIAÇÃO E MITIGAÇÃO DO RISCO</p><p>MÉTODO CREDIT SCORING</p><p>Credit Scoring são os métodos estatísticos utilizados pelas instituições que fornecem</p><p>crédito. É fortemente utilizado para melhorar a capacidade de previsão a respeito da</p><p>possibilidade de algum cliente se tornar inadimplente.</p><p>Essa metodologia foi introduzida no mercado bancário em meados do século passado,</p><p>mas se tornou muito frequente na avaliação de consumidores individuais a partir da</p><p>década de 1980, especialmente no mercado de financiamento imobiliário (CAVALCANTI;</p><p>VAZ, 2017).</p><p>OBRIGADO!</p>

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