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<p>NÃO PODE FALTAR</p><p>PRATICANDO OS CONCEITOS DE EMULSÕES</p><p>Gabriela Gambato</p><p>Imprimir</p><p>PRATICAR PARA APRENDER</p><p>Caro aluno!</p><p>Por muito tempo, os sistemas emulsionados vêm sendo estudados na área</p><p>farmacêutica para veiculação de ativos destinados à administração tópica devido à</p><p>alta aceitação dos pacientes. As emulsões podem ser preparadas em pequena</p><p>escala, em farmácias de manipulação, ou em larga escala, no caso da indústria de</p><p>medicamentos e cosméticos. Em ambos os casos, quando o óleo e a água são</p><p>misturados, uma energia na forma de agitação é requerida para produzir a</p><p>distribuição do tamanho das gotículas necessária. Como apresentado na Seção 2</p><p>desta unidade, os emulsi�cantes têm um papel importante no processo de</p><p>emulsi�cação. Emulsi�cantes surfactantes reduzem as tensões interfaciais,</p><p>formando gotículas mais estáveis, com menor tendência à coalescência. Outros</p><p>emulsi�cantes, como as macromoléculas poliméricas, alteram as forças</p><p>hidrodinâmicas geradas durante a emulsi�cação por sua in�uência nas</p><p>propriedades reológicas. Desta forma, percebe-se que a escolha do emulsi�cante</p><p>dependerá da composição da formulação.</p><p>Emulsões são, geralmente, preparadas experimentalmente, em pequena escala no</p><p>laboratório, antes de sua produção ser ampliada para fabricação industrial em</p><p>quantidades maiores. Em pequena escala, o processo de emulsi�cação pode ser</p><p>realizado utilizando gral de porcelana e pistilo com agitação manual ou com</p><p>agitação mecânica através de um misturador, mixer ou homogeneizador de</p><p>bancada. Em larga escala, utilizam-se tanques misturadores ou batedeiras</p><p>industriais com técnicas de agitação mais robustas.</p><p>Na Kendra, indústria de bases galênicas, o desa�o de preparar a nova base na</p><p>forma de emulsão continua no setor de pesquisa e desenvolvimento. Já foram</p><p>descritas as matérias-primas para compor cada fase da fórmula e já foi</p><p>estabelecida a técnica de preparo. Neste primeiro momento, uma pequena</p><p>quantidade da base foi preparada. É necessário, agora, realizar os ensaios de</p><p>controle de qualidade e veri�car se a base preparada atende às características</p><p>requeridas. Quais são os ensaios de controle de qualidade que devem ser</p><p>realizados?</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 1/11</p><p>Como foi bem estabelecido nas seções anteriores, os cremes são sistemas</p><p>termodinamicamente instáveis. Um grau razoável de estabilidade em relação ao</p><p>tempo pode ser alcançado com o uso de surfactantes, co-emulsionantes e outros</p><p>aditivos. Nesta seção, avançaremos o estudo nos aspectos práticos referentes à</p><p>manipulação e encerraremos a unidade abordando as técnicas de controle de</p><p>qualidade de emulsões O/A e A/O.</p><p>CONCEITO-CHAVE</p><p>MANIPULAÇÃO DE EMULSÕES O/A</p><p>As emulsões do tipo óleo-em-água (O/A) apresentam fase interna oleosa e fase</p><p>externa aquosa. Dois fatores determinam este tipo de emulsão: a quantidade de</p><p>água e a solubilidade do emulsi�cante. Grandes concentrações de água e</p><p>emulsi�cantes com elevados valores de EHL favorecem a formação de emulsões</p><p>O/A. Emulsões líquidas deste tipo podem ser empregadas para administração de</p><p>óleos por via oral, geralmente, com a �nalidade laxante (óleo de rícino, óleo</p><p>mineral) ou para suplementação nutricional (óleo de peixe, vitaminas</p><p>lipossolúveis), com o intuito de melhorar a palatabilidade. Fármacos lipossolúveis</p><p>(vitamina K, diazepam, propofol) podem ser veiculados na fase dispersa deste tipo</p><p>de emulsão para administração parenteral. Além disso, formulações semissólidas</p><p>ou líquidas, como os cremes e as loções, são formuladas na forma de emulsão</p><p>(O/A) para administração tópica de fármacos ou ativos cosméticos. As emulsões</p><p>para administração tópica são bem aceitas pela população por apresentarem</p><p>elegância e característica de leveza ou suavidade ao toque. Para o formulador,</p><p>essas formulações são interessantes, pois possibilitam a veiculação simultânea de</p><p>ativos lipossolúveis na fase interna e hidrossolúveis na fase externa. Muitas vezes,</p><p>são escolhidas pelo prescritor porque se misturam bem com os exsudatos dos</p><p>tecidos, sendo removidas facilmente com água.</p><p>REFLITA</p><p>Quais aspectos são relevantes na escolha do sistema conservante?</p><p>Uma das fases das emulsões é representada pela água, razão pela qual este</p><p>tipo de forma farmacêutica é suscetível à contaminação microbiológica e à</p><p>proliferação de fungos e bactérias. Desta forma, a escolha do agente</p><p>conservante é uma etapa crítica no desenvolvimento de emulsões.</p><p>Assista ao vídeo Quais as características de um bom sistema conservante?,</p><p>no YouTube, para ampliar sua re�exão sobre o assunto.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 2/11</p><p>Emulsões semissólidas, como os cremes, contêm mais emulsi�cante do que o</p><p>necessário para formar uma monocamada estabilizadora na interface óleo-água.</p><p>Estes emulsionantes podem interagir com a fase dispersa ou dispersante,</p><p>produzindo um sistema complexo. Cremes O/A estáveis preparados com ceras</p><p>emulsi�cantes iônicas ou não iônicas são compostos por quatro fases (Figura 2.9):</p><p>uma fase de óleo disperso, uma fase de gel cristalino, uma fase de hidrato</p><p>cristalino e uma fase aquosa, contendo uma solução diluída de surfactante. A</p><p>estabilidade geral de um creme é dependente da estabilidade da fase de gel</p><p>cristalino. A presença destas fases reduz as forças van der Waals, força atração que</p><p>ocorre entre as gotículas de óleo, evitando a coalescência.</p><p>Figura 2.9 | Representação da interação intermolecular dos componentes um creme O/A</p><p>Fonte: adaptada de Aulton (2018, p. 463).</p><p>Emulsões O/A estabilizadas com emulsi�cantes não iônicos são suscetíveis à</p><p>inversão de fase para A/O quando expostas à elevação da temperatura até o ponto</p><p>em que as propriedades hidrofílicas e lipofílicas do emulsi�cante misto são</p><p>equilibradas. A inversão de fase pode ser um fator de perda de estabilidade da</p><p>emulsão O/A, assim como pode ser a técnica de preparo de emulsões A/O. O</p><p>tamanho de gotícula do óleo é outro fator relevante na estabilidade de emulsões</p><p>O/A. O tipo de força mecânica empregada no processo de emulsi�cação in�uencia</p><p>diretamente o tamanho de gotícula da fase dispersa e, consequentemente, as suas</p><p>características de estabilidade, viscosidade, plasticidade, elasticidade e</p><p>escoamento (REALDON et al., 2002).</p><p>MANIPULAÇÃO DE EMULSÕES A/O</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 3/11</p><p>Emulsões A/O apresentam a fase oleosa, invariavelmente, superior em proporção.</p><p>A fase oleosa pode ser composta por uma ampla variedade de substâncias</p><p>lipofílicas, as quais, em geral, são responsáveis pela inerente ação emoliente das</p><p>emulsões. As emulsões A/O são mais untuosas e pesadas, não se misturam bem</p><p>com exsudatos aquosos de ferimentos e são mais difíceis de serem retiradas da</p><p>pele. Em emulsões A/O, as cadeias de hidrocarbonetos dos emulsi�cantes</p><p>projetam-se para a fase contínua. Os componentes da fase continua podem ser de</p><p>origem natural, semissintética, sintética ou mineral (Figura 2.10).</p><p>Figura 2.10 | Resumo das matérias-primas empregadas na fase oleosa de acordo com a origem</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>Os componentes de origem natural podem ser extraídos de vegetais, por exemplo,</p><p>óleo de amêndoas, óleo de soja, óleo de oliva, cera de carnaúba, cera de candelilla,</p><p>entre outras. Essas matérias-primas têm a vantagem de possuírem uma fonte de</p><p>extração renovável e serem alternativas para a elaboração de produtos veganos.</p><p>Entre as matérias-primas naturais</p><p>de origem animal, estão a lanolina, o colesterol,</p><p>a cera de abelha e seus derivados. Matérias-primas semissintéticas são utilizadas</p><p>como espessantes ou como emulsionantes secundários, por exemplo, ácidos</p><p>graxos, álcoois graxos superiores, ésteres de ácidos graxos, álcoois de cadeia</p><p>média, ésteres de glicerol e ésteres isopropílicos (miristato de isopropila, palmitato</p><p>de isopropila e estearato de isopropila). Dentre as matérias-primas sintéticas,</p><p>destacam-se os silicones, os quais são compostos orgânicos constituídos por</p><p>cadeias, nas quais se alternam átomos de silício e oxigênio e que apresentam</p><p>radicais, tais como metil, etil e fenil, ligados ao átomo de silício. Podem conferir à</p><p>formulação baixa comedogenicidade, bom espalhamento, baixa pegajosidade, e</p><p>ausência de efeito brilhante quando aplicados na pele. Essas vantagens são</p><p>marcantes em produtos cosméticos com apelo oil free.</p><p>ASSIMILE</p><p>Comedogenicidade</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 4/11</p><p>Uma substância comedogênica obstrui os poros da pele, causando</p><p>comedões, os quais são caracterizados por pontos pretos que podem</p><p>evoluir para pústulas e lesões acneicas. Os insumos ativos e os excipientes</p><p>farmacêuticos podem apresentar diferentes graus de comedogenicidade,</p><p>sendo classi�cados em uma escala de 0 (ausência de comedogenicidade) a</p><p>5 (comedogenicidade severa). Este fator deve ser levado em consideração,</p><p>principalmente, no delineamento de produtos destinados à aplicação facial.</p><p>Os hidrocarbonetos extraídos do petróleo, como a vaselina líquida ou sólida e a</p><p>para�na, representam as matérias-primas de origem mineral empregadas na fase</p><p>oleosa de emulsões. Quimicamente, são inertes, ou seja, não sofrem oxidação,</p><p>hidrólise ou reação de saponi�cação. Além disso, não apresentam capacidade de</p><p>penetração percutânea. Assim, apresentam ação emoliente, oclusiva e espessante.</p><p>Um aspecto de suma importância é o grau de pureza deles, pois podem conter</p><p>substâncias carcinogênicas.</p><p>EXEMPLIFICANDO</p><p>Procedimento geral para o preparo de uma emulsão</p><p>Veri�car as características de todos os componentes da formulação.</p><p>Realizar os cálculos necessários para determinar a quantidade total dos</p><p>componentes.</p><p>Pesar todos os componentes sólidos ou semissólidos em uma balança</p><p>adequada.</p><p>Pesar ou medir todos os componentes líquidos em vidrarias</p><p>volumétricas.</p><p>Transferir para um recipiente resistente ao calor todos os componentes</p><p>hidrossolúveis (fase aquosa).</p><p>Adicionar todos os componentes lipossolúveis em outro um recipiente,</p><p>também resistente ao calor (fase oleosa).</p><p>Aquecer separadamente a fase aquosa e a fase oleosa entre 70 °C e 80</p><p>°C.</p><p>Verter a fase aquosa na fase oleosa lentamente e agitar vigorosamente</p><p>por 5 a 10 minutos.</p><p>Diminuir a velocidade de agitação e agitar até resfriar.</p><p>Incorporar os componentes termolábeis (fármaco, corantes, essências)</p><p>após o resfriamento da emulsão em de 30 °C.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 5/11</p><p>Obs.: ao incorporar fármacos ou outras substâncias sólidas, é</p><p>importante levigá-los com um agente levigante compatível com a base</p><p>cremosa ou com um solvente.</p><p>Acondicionar e rotular.</p><p>ESCOLHA DO AGENTE EMULSIVO ATRAVÉS DO SISTEMA EHL</p><p>A etapa inicial da preparação de uma emulsão consiste na avaliação dos</p><p>componentes da formulação para a seleção do emulsi�cante. Para exercer a sua</p><p>�nalidade em uma preparação farmacêutica, o emulsionante deve ser compatível</p><p>com todas as matérias-primas da formulação e não interferir na estabilidade ou na</p><p>e�cácia do agente terapêutico, além de não apresentar toxicidade em relação à</p><p>sua �nalidade e à quantidade utilizada pelo paciente. Também deve possuir pouco</p><p>odor, sabor ou cor.</p><p>Como regra geral, um emulsionante tem uma porção hidrofílica e outra lipofílica,</p><p>com predominância de uma ou outra, o que in�uenciará no valor referente ao</p><p>equilíbrio hidró�lo-lipó�lo (EHL). O valor de EHL para um emulsionante é</p><p>determinado de acordo com a equação a seguir:</p><p>Onde:</p><p>E = número que representa o percentual de cadeias de oxietileno na molécula.</p><p>P = número que representa o percentual de grupamentos de álcoois polihídricos</p><p>(glicerol, sorbitol).</p><p>Obs.: nos casos em que as moléculas não apresentarem valores de P, este</p><p>simplesmente não é utilizado no cálculo. Assim, .</p><p>Os valores de E e P da equação podem ser localizados na literatura ou através da</p><p>análise da estrutura química. O site PubChem e o livro Handbook of</p><p>Pharmaceutical Excipients, ambos em inglês, são duas sugestões para encontrar</p><p>estas informações.</p><p>Alternativamente, pode-se calcular a os valores de EHL diretamente pela</p><p>composição química da substância usando números correspondentes a</p><p>grupamentos químicos através da equação:</p><p>EHL = 20 (1 − S</p><p>A</p><p>)</p><p>EHL = E/5</p><p>EHL = 7 + ∑ (números _ dos _ grupos _ hidrofíli cos) − ∑ (números _ dos _ grupos _</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 6/11</p><p>Os números referentes aos grupos hidrofílicos/lipofílicos são valores determinados</p><p>de modo empírico e podem ser localizados na literatura. Nas equações</p><p>apresentadas, é levada em consideração, essencialmente, a contribuição de cada</p><p>porção na molécula do emulsionante de acordo com as características de hidro�lia</p><p>ou lipo�lia, intrínsecas à estrutura molecular.</p><p>A seleção do sistema emulsionante pode ser realizada com base no método EHL,</p><p>partindo do princípio de que cada óleo ou cera possui um EHL requerido para ser</p><p>emulsionado e que cada emulsionante apresenta um valor de EHL para emulsionar</p><p>o óleo em água. Os emulsionantes escolhidos serão aqueles que apresentam</p><p>valores de EHL iguais ou próximos aos da fase oleosa da emulsão pretendida. É</p><p>importante ressaltar que muitos óleos que compõem a fase oleosa da emulsão</p><p>podem apresentar dois valores de EHL (Tabela 2.4): um valor relativo à formação</p><p>de emulsões A/O e outro para emulsões O/A. Neste caso, deve-se observar que</p><p>tipo de emulsão é desejável para escolher o emulsionante correto de acordo com o</p><p>EHL requerido. Associação de emulsionantes com valores de EHL distintos é</p><p>normalmente empregada para desenvolver emulsões de maior estabilidade. Na</p><p>Seção 2 desta unidade, foram apresentados os cálculos utilizados para</p><p>determinação da quantidade de cada emulsionante quando empregados em</p><p>associações.</p><p>Tabela 2.4 | Valores de EHL requeridos para alguns óleos de acordo com o tipo de emulsão a ser</p><p>formulada</p><p>Óleo Emulsão O/A Emulsão A/O</p><p>Vaselina sólida 7-8 4</p><p>Óleo mineral 12 4</p><p>Lanolina anidra 12 8</p><p>Cera de abelhas 9 5</p><p>Óleo de rícino 14 6</p><p>Óleo de oliva 14 6</p><p>Para�na 11 4</p><p>Ácido esteárico 15 6</p><p>Fonte: adaptada de Aulton (2018, p. 459).</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 7/11</p><p>A combinação de material graxo, como as ceras, com emulsionantes, como os</p><p>tensoativos, originou produtos comerciais denominados como ceras</p><p>autoemulsionantes, cuja composição é variável entre os fabricantes. A carga do</p><p>tensoativo presente na cera autoemulsionante caracteriza o tipo de emulsão</p><p>formada. Desta forma, é muito comum observar a seguinte descrição: cera</p><p>autoemulsionante aniônica (contém tensoativo com carga negativa), cera</p><p>autoemulsionante não iônica (contém tensoativo sem carga), cera</p><p>autoemulsionante catiônica (contém tensoativo com carga positiva).</p><p>Observe, na</p><p>Tabela 2.5, alguns exemplos de ceras autoemulsionantes disponíveis</p><p>comercialmente. Durante o desenvolvimento delas, é necessário levar em</p><p>consideração o EHL do material graxo e do emulsi�cante. Muitas marcas</p><p>disponibilizam o EHL da cera, para que o farmacêutico possa formular com maior</p><p>segurança.</p><p>Tabela 2.5 | Ceras autoemulsionantes disponíveis para o preparo de emulsões de uso externo</p><p>Nome</p><p>comercial Material graxo Emulsi�cante Caráter</p><p>Lanette N Álcool cetearílico Cetil estearil sulfato de sódio Aniônica</p><p>Lanette W Álcool cetearílico Lauril sulfato de sódio</p><p>BTMS 50 Álcool</p><p>cetoestearílico</p><p>Metossulfato de berrenil</p><p>trimônio</p><p>Catiônica</p><p>Uniox Quat</p><p>C22</p><p>Álcool cetearílico Cloreto de Behentrimônio</p><p>Cosmowax J Álcool cetearílico Álcool ceto estearilico</p><p>etoxilado 20EO</p><p>Não</p><p>iônica</p><p>Olivem 1000 Olivato cetearílico Olivato de sorbitano</p><p>Polawax NF Álcool</p><p>cetoestearílico</p><p>Monoestearato de sorbitano</p><p>etoxilado</p><p>Uniox C Álcool</p><p>cetoestearílico</p><p>Polissorbato 60</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 8/11</p><p>As concentrações das ceras autoemulsionantes são escolhidas em função da</p><p>capacidade emulsionante e da viscosidade desejada para o produto. As alterações</p><p>climáticas podem resultar em diferenças de viscosidade no produto �nal. Em</p><p>regiões com temperaturas mais elevadas, o produto pode apresentar viscosidade</p><p>mais baixa, sendo necessário aumentar a proporção da cera para correção da</p><p>consistência da base destinada ao uso tópico. Em regiões com temperaturas mais</p><p>baixas, o contrário pode ser evidenciado.</p><p>CONTROLE DE QUALIDADE DA EMULSÃO</p><p>O controle de qualidade de emulsões envolve a conferência de cálculos realizados</p><p>e a observação das características físicas, químicas e microbiológicas do produto</p><p>preparado. Para isso, os principais testes que devem ser aplicados são: descrição</p><p>do produto, aspecto, características organolépticas (cor, odor, sabor),</p><p>determinação do pH, densidade relativa, viscosidade, peso ou volume �nal antes</p><p>do envase, espalhabilidade e estanqueidade.</p><p>A descrição do produto visa informar o tipo de emulsão obtida de acordo com a</p><p>aparência, podendo ser creme, loção cremosa ou pomada. Estas formulações</p><p>podem apresentar aspecto opaco, translúcido, massa cerosa, areada ou não,</p><p>homogênea, heterogênea, com ou sem grumos. A cor do produto deve ser</p><p>observada colocando uma pequena quantidade de amostra em um vidro de</p><p>relógio e observar a cor da formulação sobre um fundo branco. No teste de odor, a</p><p>fórmula pode ser caracterizada como inodora (sem cheiro) ou com odor</p><p>característico, o qual pode estar relacionado à composição ou a alguma essência</p><p>adicionada. O pH pode ser determinado com um papel indicador ou com o</p><p>pHmetro de bancada. Em emulsões líquidas ou �uídas, a determinação do pH</p><p>pode ser realizada diretamente na formulação, entretanto, em formulações</p><p>semissólidas, recomenda-se fazer uma solução a 1 ou 10% com uma amostra da</p><p>formulação.</p><p>A densidade relativa é outro parâmetro importante, sendo obrigatória a sua</p><p>determinação, principalmente, nas bases galênicas. Para esta análise, utiliza-se o</p><p>picnômetro de Hubbard-Carmick (Figura 2.11) ou um picnômetro metálico. Já a</p><p>viscosidade de uma emulsão representará a sua resistência ao escoamento, logo,</p><p>para esta análise, podem ser utilizados o copo Ford ou um viscosímetro digital de</p><p>Brook�eld. Antes de realizar o envase, deve-se avaliar o peso ou volume �nal do</p><p>produto obtido para veri�car se foi produzido de acordo com a especi�cação da</p><p>�cha de produção, para isso, pode ser empregadas balanças ou vidrarias</p><p>adequadas à quantidade de produto.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+F… 9/11</p><p>A espalhabilidade não é um parâmetro exigido pela legislação, mas indica um fator</p><p>sensorial de aceitabilidade pelo consumidor. O teste pode ser realizado de forma</p><p>qualitativa ou quantitativa. No desenvolvimento da formulação em escala</p><p>industrial, a espalhabilidade é um parâmetro extremamente relevante. No teste, é</p><p>depositado 0,1 g da forma farmacêutica a ser analisada sobre uma placa de vidro,</p><p>e sobre esta é adicionada outra placa com peso conhecido. Após um minuto, a</p><p>distância percorrida pela amostra entre os vidros é medida, e a espalhabilidade é</p><p>calculada.</p><p>A estanqueidade consiste na veri�cação da vedação das embalagens contendo a</p><p>formulação. É outro teste relevante, embora não seja exigido por legislação. Para</p><p>esta análise, alguns parâmetros podem ser considerados, como a resistência da</p><p>embalagem ao vazamento do conteúdo e a vedação da passagem de ar e da luz,</p><p>fatores que contribuem na oxidação de componentes comumente presentes nas</p><p>emulsões.</p><p>ASSIMILE</p><p>Controle de qualidade da água</p><p>A água é a matéria-prima mais abundante no preparo de emulsões O/A,</p><p>estando presente também, em menor proporção, em emulsões A/O. Desta</p><p>forma, deve ser adequadamente tratada, apresentar carga microbiana</p><p>baixa ou nula e, preferencialmente, ausência de eletrólitos. A 6ª edição da</p><p>Farmacopeia Brasileia aborda os tipos de água para uso farmacêutico e</p><p>seus parâmetros de aceitabilidade. A água puri�cada, produzida a partir da</p><p>água potável, é empregada como excipiente na produção de emulsões não</p><p>parenterais e em formulações magistrais, desde que não haja nenhuma</p><p>recomendação de pureza superior no seu uso ou que não necessite ser</p><p>apirogênica. Esta matéria-prima é produzida pela própria empresa</p><p>(farmácia magistral ou indústria) e deve atender aos parâmetros de</p><p>qualidade descritos em monogra�a especí�ca.</p><p>Figura 2.11 | Exemplos de dispositivos utilizados nos ensaios de controle de qualidade</p><p>Fonte: elaborada pela autora.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+… 10/11</p><p>Para cada ensaio de controle de qualidade, deve existir um procedimento</p><p>operacional padrão. Estes documentos são exigidos por legislação e auxiliam os</p><p>técnicos na execução e no registro dos parâmetros obtidos. Após realizar as</p><p>análises de controle de qualidade, os resultados obtidos devem ser registrados na</p><p>�cha de manipulação ou produção da emulsão.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALLEN JÚNIOR, L. V. The art, science, and technology of pharmaceutical</p><p>compounding. 5. ed. Washington, D.C.: American Pharmacists Association, 2016.</p><p>AULTON, M. E.; TAYLOR, K. M. G. Aulton’s Pharmaceutics: the design and</p><p>manufacture of medicines. 5. ed. London: Elsevier, 2018.</p><p>BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Farmacopeia Brasileira. 6. ed. v</p><p>1. Brasília, DF: Anvisa, 2019. Disponível em: https://bit.ly/3pbivnF. Acesso em: 12</p><p>nov. 2021.</p><p>CARESATTO, C. T.; OLIVEIRA, F. A. A. de. Farmacotécnica alopática e</p><p>homeopática: do conhecimento à realização. São Paulo, SP: SENAC, 2019.</p><p>PUBCHEM. Disponível em: https://bit.ly/3pfcFl4. Disponível em: 12 nov. 2021.</p><p>QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DE UM BOM SISTEMA CONSERVANTE? [S. l.: s. n.],</p><p>2020. 1 vídeo (2min41s). Publicado pelo canal Cleber Barros. Disponível em:</p><p>https://bit.ly/3M0W7qP. Acesso em: 4 ago. 2021.</p><p>REALDON, N.; PERIN, F.; MORPURGO, M.; RAGAZZI, E. In�uence of processing</p><p>conditions in the manufacture of O/W creams: I. E�ect on dispersion grade</p><p>and rheological characteristics. Farmaco, v. 57, p. 341-347, 2002.</p><p>ROWE, R. C.; SHESKEY, P. J.; OWEN, S. C. Handbook of pharmaceutical</p><p>excipientes. London: PhP, 2006. Disponível em: https://bit.ly/3BYPVuY. Acesso em:</p><p>12 jul. 2021.</p><p>THOMPSON, J. E.; DAVIDOW, L. W. A Prática Farmacêutica na Manipulação de</p><p>Medicamentos. 3. ed. Porto Alegre, RS: Artmed, 2013.</p><p>0</p><p>V</p><p>e</p><p>r</p><p>a</p><p>n</p><p>o</p><p>ta</p><p>çõ</p><p>e</p><p>s</p><p>03/10/2024, 17:06 lddkls221_tec_far_III</p><p>https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?usuarioEmail=HEMILLY.DE.PAULA.ANDRADE%40GMAIL.COM&usuarioNome=HEMILLY+DE+PAULA+ANDRADE&disciplinaDescricao=TECNOLOGIA+… 11/11</p><p>https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/farmacopeia/farmacopeia-brasileira/arquivos/7985json-file-1</p><p>https://pubchem.ncbi.nlm.nih.gov/</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=3QvqOqf060M</p><p>https://gmpua.com/RD/RD/HandbookPharmaceutical%20Excipients.pdf</p>