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ROTEIRO DA APA PARA O ALUNO DISCIPLINA: PREPARO DE CHÁS, INFUSÕES E DECOCTOS Professor Dr.ᵃ Camila Cristina Iwanaga 2 ROTEIRO DA APA PARA O DISCENTE 1 .Todos os campos do Formulário Padrão deverão ser devidamente preenchidos. 2. Esta é uma atividade individual. Caso seja identificado plágio, inclusive de colegas, a atividade será zerada. 3. Cópias de terceiros como livros e internet, sem citar a fonte caracterizam-se como plágio, sendo o trabalho zerado. 4. Ao utilizar autores para fundamentar seu Projeto Integrador, os mesmos devem ser referenciados conforme as normas da ABNT. 5. Ao realizar sua atividade, renomeie o arquivo, salve em seu computador, anexe no campo indicado, clique em responder e finalize a atividade. 6. Procure argumentar de forma clara e objetiva, de acordo com o conteúdo da disciplina. Formatação exigida: documento Word, Fonte Arial ou Times New Roman tamanho 12. ORIENTAÇÕES GERAIS 3 POR QUE PRECISO APRENDER ISSO ? Objetivos de aprendizagem: 1. Conhecer e correlacionar a prática à teoria aprendida. 2. Capacitar e desenvolver habilidades práticas para a preparação de infusos e decoctos. 3. Desenvolver competências e habilidades que serão fundamentais para o exercício futuro da profissão farmacêutica. 4. Despertar o interesse científico. A cura através de plantas é uma prática milenar que faz parte da história do homem. Anti- gas civilizações têm descrições de tratados de espécies vegetais e suas respectivas formas de usos, incluindo infusões e decocções, que são empregadas até os dias de hoje. Com objetivo de proporcionar o uso racional e seguro, em 2006 o Ministério da Saúde aprovou a Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que serviu de base para o Programa Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos criado em 2009, tendo como objetivo o uso sustentável dos componentes da biodiversidade brasileira. Em 2011, foi publicada a primeira edição do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, que é a primeira literatura brasileira de referência que promove o uso racional de algumas plantas medicinais de uso popular. Em 2016, foi publicada a primeira edição do Me- mento Fitoterápico, que é um documento de consulta destinado aos profissionais prescritores, abordando principalmente doses e posologias de algumas das plantas medicinais. Em 2018, foi publicado o 1º Suplemento do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, dando continuidade e ampliando a publicação inicial. Trata-se de um longo caminho e, analisando esta linha cronológica, observa-se o trabalho incessante da ANVISA para fortalecer informações de qualidade sobre as plantas medicinais, sendo fontes seguras e de fácil acesso aos profissionais de saúde e aos usuários. Essas bases de dados são de fundamental importância, pois a utilização de chás, infusos e decoctos de forma indiscriminada, pode culminar em consequências sérias para a saúde. O conhecimento sobre plantas medicinais e suas formas corretas de utilização são fundamentais para o farmacêutico e devem fazer parte de sua formação acadêmica. É necessário que os futu- ros profissionais farmacêuticos estejam alinhados com a realidade do mercado de trabalho, no 4 qual grande parte da população utiliza espécies vegetais como forma de tratamento e prevenção de doenças. Por isso, caro(a) aluno(a), é importante que você conheça e saiba consultar a literatura disponível, compreenda as formas corretas de preparo e utilização dos produtos à base de plan- tas, incluindo chás, infusos e decoctos, para poder orientar e acompanhar adequadamente seus futuros pacientes. 5 AMBIENTE NA PRÁTICA Caro(a) aluno(a), Você irá executar a aula prática proposta em um laboratório devidamente equipado, pre- sente na sua unidade MegaPolo. Para isso, você deve verificar o calendário destas atividades com o seu polo de apoio presencial UniFatecie. Caso haja dúvidas, ou não possuir polo, entre em contato com seu tutor. 6 EMBASAMENTO TEÓRICO 1. HISTÓRIA E CULTURA DO CHÁ A utilização de plantas como forma de curar ou evitar doenças é uma prática milenar que faz parte da história da humanidade. Desde os tempos imemoriais, o homem busca recursos na natureza que melhorem sua condição de vida para, assim, aumentar suas chances de so- brevivência pela melhoria de sua saúde. É provável que o uso de plantas teve seu início na pré-história, quando os homens primitivos, assim como os animais, alimentavam-se e utilizavam determinadas plantas pelo instinto de sobrevivência, observando determinados efeitos para minimizar suas enfermidades, e acumulando conhecimentos empíricos que foram passados de geração em geração, até os tempos atuais. Através dessa prática, muitas plantas passaram a ser utilizadas na forma de “chás” e diversos benefícios à saúde foram observados (Degmar, 2006). O hábito de tomar chá está presente em diversas culturas no mundo e é uma prática conhe- cida desde a mais remota antiguidade. O aroma e o sabor agradáveis, além das propriedades terapêuticas, contribuíram para a popularização da bebida ao redor do mundo (Braibante et al., 2014). Há diversos relatos e lendas a respeito da história dos chás, todas impregnadas de misté- rios e lendas. Uma das mais conhecidas, data de 2.737 a.C. e relata que o imperador Chinês, Shen Nung, teria sido o primeiro a saborear um chá, após folhas de uma árvore, na qual ele havia parado para descansar em uma sombra, caíram no recipiente onde ele bebia água quente. A curiosidade levou-o a experimentar aquela que seria a primeira versão de chá (Saigg; Silva, 2009; Braibante et al., 2014). Shen Nung introduziu, assim, o hábito de beber chá em sua corte, costume que rapidamente se espalhou pela aristocracia e posteriormente pelas demais pessoas (Valenzuela, 2004). Já nos séculos IV e V, os chás e suas propriedades se tornaram mais conhecidos. Nesse período, existiam inúmeras plantações no vale do Rio Yangtzé, considerado o mais extenso da China, o que proporcionou o cultivo de diferentes espécies de chás, que iam desde os mais refi- nados, que eram destinados aos imperadores, até os mais os populares, consumidos por todos (Braibante et al., 2014). Foi por meio da Rota da Seda que o hábito de tomar chá se expandiu pelo mundo, saindo da China e chegando ao Japão, à Ásia Central, aos países islâmicos e à Europa, estabelecendo suas raízes no continente europeu a partir do século XVI. Nessa época, o chá no mundo Ocidental possuía um simbolismo de status social e era utilizado como elemento de distinção da elite. Em 1784, quando o governo britânico reduziu os impostos sobre o chá, a 7 bebida tornou-se mais acessível para toda a população, passando a ser consumida em massa (Fernandes; Araujo; Monteiro et al., 2021). Conforme foi se difundindo pelos diversos países da Europa, foi recebendo diferentes no- mes derivados dos dialetos de cada região, mantendo o sotaque de sua origem. Deste modo, o tê da região de Fujian na China virou o thé francês, o te italiano, o tea inglês e o tee alemão. Os portugueses adquiriam o chá em Macau, colônia portuguesa na China, onde se falava o dialeto cantonês, que se parece com o mandarim e, assim, o tchá falado por eles chegou ao Brasil e ficou conhecido como chá (Braibante et al., 2014). Em 1812, aconteceu a primeira tentativa de introduzir o chá no Brasil, entretanto, só em 1824 o plantio foi bem-sucedido. A princípio não houve grande adesão ao seu consumo, devido à forte cultura do café e por se tratar de um país de clima tropical, mas aos poucos o consumo foi se materializando (Saigg; Silva, 2009; Fernandes, 2021). Atualmente, o hábito de beber chá vai muito além do consumo de uma bebida, é um acontecimento cultural e tem um importante papel social no Brasil (Silva et al., 2017). A partir de então, o consumo do chá foi se consolidando e o que aconteceu depois já é conhecido. Atualmente, o chá é a segundabebida mais consumida no mundo, atrás apenas da água. A cultura de seu consumo não é atribuída apenas ao quão grati- ficante é ingeri-lo (devido à ampla variedade de sabores e aromas que oferecem), mas também pelos efeitos benéficos para a saúde (Braibante et al., 2014; Fernandes; Araujo; Monteiro et al., 2021). 1.1 Chás Verdadeiros Nem tudo aquilo que consideramos chá, é de fato, chá. Popularmente, a palavra “chá” é usada para se referir a todas as ervas, flores, especiarias e até mesmo frutos que são colocados em imersão na água quente. Porém, segundo a Food and Agriculture Organization (2020), o chá é definido como uma bebida obtida a partir da infusão apenas da planta Camellia sinensis (Figura 1), diferentemente das infusões herbais, que são infusões preparadas a partir de outras espécies vegetais (Santos; Abrantes, 2015). 8 FIGURA 1 – CAMELLIA SINENSIS L. O KUNTZE, A PLANTA DO CHÁ. Fonte: Braibante et al., 2014. O chá verdadeiro é feito com folhas da espécie vegetal C. sinensis, um arbusto da Família Theaceae, nativo da China, que se reproduz em zonas de alta umidade e de temperaturas ame- nas, independente da altitude. Atualmente, a planta é cultivada em mais de 30 países tropicais e subtropicais e possui uma complexidade em sua composição química, que lhe confere variedade de aromas, sabores e atividades terapêuticas, dependendo das condições de cultivo e processa- mento de suas folhas (Braibante et al., 2014). 1.1.1 Tipos de Chás A C. sinensis é uma planta que produz seis tipos (ou famílias) de chás: branco, amarelo, verde, preto, oolong e escuro (pu’erh) (Figura 2). Esses chás são classificados em categorias distintas, conforme o processo de fabricação e os diferentes procedimentos pelas quais as folhas são submetidas. Dentre os processos, podemos destacar, por exemplo, a coleta em diferentes fases de crescimento da planta; os tratamentos específicos da matéria-prima antes e/ou após a colheita; os variados métodos de tratamento/secagem que podem inativar enzimas ou promover a oxidação e/ou fermentação do material vegetal, influenciando diretamente na fitoquímica. Essas variações dão origem a chás com coloração, sabor e aroma característicos e são responsáveis por definir a concentração dos compostos bioativos presentes na bebida (Lee et al., 2020). 9 FIGURA 2 – AS SEIS FAMÍLIAS DE CHÁS DE CAMELLIA SINENSIS. Fonte: PASSOS, Bárbara. Conhecendo 6 tipos de chá. 2016. Disponível em: https://momentosvidaearte.blogspot. com/2016/04/conhecendo-os-6-tipos-de-cha.ht. Acesso em: 20 jul. 2024. Para o preparo do chá preto, as folhas são totalmente oxidadas. Quanto mais lento e controlado for o processo de oxidação, melhor será o resultado. Já para o chá verde, as folhas são apenas escaldadas e fervidas para garantir a preservação da cor. Nesse tipo de chá, logo após a colheita, as enzimas foliares são inativadas pela exposição ao calor, evitando a oxidação enzimática. Isso garante um chá com perfil mais fresco e mais rico em antioxidantes (Nishiyama et al., 2010; Braibante et al., 2014; Hinojosa-Nogueira et al., 2021). Os chás oolong encaixam-se numa categoria intermediária, ou seja, passam por um pro- cesso de fermentação mais brando e, por isso, têm aroma menos acentuado do que o preto. O chá branco, não passa por nenhum processo de oxidação. Ele é preparado a partir de folhas jovens de C. sinensis, cujos botões são protegidos e não sofrem oxidação. O chá amarelo é complexo e praticamente não é oxidado. É caracterizado pelo sabor fresco e com notas herbais, mas com suavidade e dulçor devido à sua levíssima oxidação. Já o chá escuro é fermentado, envelhecido de forma acelerada (através de cozimento) ou lenta (processo natural que pode levar anos) (Nishiyama et al., 2010; Braibante et al., 2014; Hinojosa-Nogueira et al., 2021). 1.2 Infusos e Decoctos No Brasil, a palavra “chá” é usada popularmente como sinônimo de infusão ou decocção de frutos, folhas, raízes, cascas e outras partes vegetais. O que é comumente conhecido como “chá” deveria ser chamado de infusão ou decocção, seguido do nome da espécie vegetal corres- pondente, ou seja, infusão de camomila, infusão de erva-cidreira, infusão de alecrim, e assim por diante. Todas as bebidas que não sejam provenientes de C. sinensis, devem ser chamadas de infusos ou decoctos, a depender da técnica de preparo (Santos, Abrantes, 2015). https://momentosvidaearte.blogspot.com/2016/04/conhecendo-os-6-tipos-de-cha.html https://momentosvidaearte.blogspot.com/2016/04/conhecendo-os-6-tipos-de-cha.html https://www.ecycle.com.br/essencia/ 10 São diversos os tipos de infusos e decoctos utilizados, principalmente para fins terapêu- ticos. Dentre os mais difundidos no Brasil, temos: boldo, camomila, capim-limão, erva-doce, erva-cidreira, hortelã, canela, carqueja e muitos outros. Apesar do grande avanço tecnológico da indústria de medicamentos, o uso de práticas alternativas na saúde, por meio do uso de infusões de plantas medicinais tem permanecido. Alguns aspectos têm contribuído para que isso aconteça, como: costumes populacionais, melhoria nos hábitos de vida, facilidade de utilização, relação custo-benefício, menos efeitos colaterais, baixo custo e eficiência no combate a inúme- ras enfermidades. Contudo, é necessário que haja um consumo adequado, pois o excesso ou o consumo irracional pode trazer problemas à saúde. A diferença entre o benefício e o malefício depende, por exemplo, da dosagem administrada (Silva et al., 2017). 1.3 Técnicas de Preparo Instruir o preparo de um chá pode parecer desnecessário, pois se parte do princípio que qualquer pessoa seja hábil a preparar uma bebida com um punhado de ervas frescas ou secas e água. Mas, na verdade, não é tão simples assim e alguns cuidados devem ser tomados. Para conservar o aroma e o sabor desta bebida, algumas orientações devem ser observadas, como o tipo de recipiente para o preparo, que deve ser de cerâmica, inox ou vidro e a técnica adequada. A infusão costuma ser a técnica mais comum e mais popular de preparo. Contudo, dependendo da planta a ser utilizada, de seus princípios ativos e do plano de tratamento, uma forma de preparo pode ser mais eficaz que a outra. Logo, é necessário observar algumas especificidades de cada método de preparação (Gouveia; Simionato, 2019). 1.3.1 Infusão É a preparação que consiste em verter água quente sobre as partes da planta seca ou fresca e, em seguida, tampar ou abafar o recipiente por tempo variável entre 5 e 10 minutos, a depender da espécie vegetal utilizada (figura 3). Passado o período, o infuso é coado e deve ser consumido, preferencialmente, logo após o preparo. Também é possível realizar o processo inverso, ou seja, colocar as partes da planta dentro da chaleira ou do bule contendo água quente em seu interior, após desligar o fogo. Passado o tempo estabelecido para infusão, o infuso é coado e está pronto para ser consumido (Gouveia; Simionato, 2019; Alves et al., 2022). 11 FIGURA 3 – MÉTODO DE INFUSÃO: AQUEÇA A ÁGUA ATÉ QUE COMECE A FERVER. EM SEGUIDA, ADICIONE A QUANTIDADE RECOMENDADA DA PLANTA ESCOLHIDA EM UMA XÍCARA. DESPEJE A ÁGUA QUENTE SOBRE A PLANTA E TAMPE A XÍCARA, PERMITINDO QUE AS PROPRIEDADES DA PLANTA SEJAM EXTRAÍDAS PELA ÁGUA. AGUARDE O TEMPO INDICADO PARA A INFUSÃO E COE EM SEGUIDA. Fonte: Anvisa (2022). Essa técnica preserva óleos essenciais e substâncias aromáticas da planta e resulta em uma bebida leve e delicada, de sabor suave. Vale ressaltar que não são todas as espécies vegetais, nem qualquer parte da planta, que podem ser utilizadas para o preparo de infusões. Esse é um método indicado para espécies vegetais de consistência menos rígida, tais como folhas, flores, inflorescências e frutos, ou que contenham substâncias ativas voláteis ou que se degradam pela ação do calor prolongado. Não é aconselhável ferver a água juntamente com estes tipos de espécies vegetais, pois alémdas essências evaporarem, elas podem perder suas propriedades medicinais (Silva, 2022). 1.3.2 Decocção Decocção é o método de preparo, realizado por meio de ebulição da planta seca ou fresca em água (figura 4). Em resumo, consiste em colocar a planta para ferver junto com a água, por um tempo determinado. Após o período de cozimento, o decocto é coado e está pronto para ser consumido. Trata-se de uma técnica indicada para as partes mais rígidas de vegetais, como cas- cas, caules, rizomas, semente, raízes, folhas coriáceas ou plantas que apresentam substância de baixa solubilidade em água (Gouveia; Simionato, 2019; Capeleto et al., 2022). Normalmente, cada parte da planta tem um tempo de cozimento específico, sendo 2 mi- nutos para folhas coriáceas, 7 minutos para raízes e caules e 10 minutos para planta inteira. O resultado é uma bebida mais concentrada, com um sabor mais forte e amargo do que os infusos (Silva, 2022). 12 FIGURA 4 – MÉTODO DE DECOCÇÃO: ADICIONE A QUANTIDADE APROPRIADA DA PARTE VEGETAL ESCOLHIDA A UMA CHALEIRA COM ÁGUA FRIA. AQUEÇA A ÁGUA COM A PLANTA ATÉ COMEÇAR A FERVER, REDUZINDO O FOGO PARA MANTER UMA FERVURA SUAVE. APÓS O TEMPO ADEQUADO DE FERVURA, COE O DECOCTO E CONSUMA EM SEGUIDA. Fonte: Anvisa (2022). 1.3.3 Maceração A maceração é considerada a técnica mais demorada. Trata-se de um processo que con- siste em colocar a planta, amassada ou picada, de molho em água à temperatura ambiente, por tempo determinado. As partes mais delicadas podem permanecer de 10 a 12 horas, entretanto, raízes e cascas que são partes duras poderão permanecer por mais tempo, podendo chegar a 24 horas (Alves et al., 2022). Após o tempo determinado de contato, o macerado pode ser coado e consumido (Figura 5). As plantas mais adequadas para a técnica de maceração são as que são mais delicadas e/ou que as substâncias se degradam com o aquecimento (Moura; Dantas; Carvalho, 2021). FIGURA 5 – MACERAÇÃO: PÕEM-SE DE MOLHO AS ERVAS EM ÁGUA FRIA, DURANTE 10 A 24 HORAS, SEGUNDO O MATERIAL A SER USADO. FOLHAS, FLORES E SEMENTES FICAM MENOS TEMPO EM CONTATO COM ÁGUA DO QUE CASCAS E RAÍZES. O MÉTODO DE MACERAÇÃO OFERECE A VANTAGEM DE OS SAIS MINERAIS E AS VITAMINAS DAS ERVAS SEREM APROVEITADAS. Fonte: Anvisa (2022). 13 1.4 Fatores que Influenciam no Preparo Existem, basicamente, cinco fatores críticos que podem influenciar as propriedades senso- riais e terapêuticas na preparação de chás, infusos e decoctos. São eles: a qualidade da água, a qualidade da matéria-prima vegetal, a quantidade da matéria-prima vegetal, a temperatura da água e o tempo de contato. Todos esses fatores estão relacionados com a capacidade de extrair mais ou menos substâncias da planta utilizada. Portanto, a otimização destes permite obter produtos com melhor qualidade (Nishiyama et al., 2010; Cardoso, 2013). 1.4.1 Qualidade da Água A qualidade da água utilizada é um parâmetro fundamental e de grande influência no re- sultado sensorial e terapêutico dos chás, infusos e decoctos preparados. Desaconselha-se a utilização da água de abastecimento público, visto que esta pode conter alguns minerais, como o cálcio e magnésio em concentrações que lhe conferem dureza, além de poluentes. Todos esses compostos podem conferir características sensoriais indesejáveis, mascarando os ver- dadeiros aromas e sabores extraídos. Como alternativa, é aconselhado o uso de água mineral ou, preferencialmente, água filtrada. O pH também é um fator a ser levado em consideração e o ideal é que seja de aproximadamente 7, um pH neutro, para que o sabor seja igualmente neutro (Cardoso, 2013; Ferreira, 2015). 1.4.2 Qualidade da Matéria-Prima Vegetal A utilização de matéria-prima vegetal de qualidade na preparação de um chá, infuso ou decocto tem grande influência no resultado final, pois é nela que se encontram os compostos aromáticos e que também conferem carácter terapêutico à bebida. A garantia da qualidade da matéria-prima depende de vários fatores, desde o modo de produção, época e horário de co- lheita, processos de secagem e armazenamento e ausência de micro-organismos e compostos tóxicos. No cultivo das espécies vegetais, existem vários parâmetros relativos ao clima, solo, irrigação, propagação vegetativa, colheita e controle de pragas, insetos e doenças que devem ser monitorados para que haja padronização e qualidade do material produzido (Cardoso, 2013; Ferreira, 2015). 1.4.3 Quantidade da Matéria-Prima Vegetal A quantidade de matéria-prima vegetal utilizada para o preparo de chá, infuso ou decocto, influencia na sua análise sensorial, no caráter terapêutico e na segurança e eficácia dessas bebidas. Normalmente, como regra geral, utiliza-se a proporção de 1 a 2 colheres de sobremesa 14 (o que corresponde a 2g, cada) para cada xícara de água (150 mL). Mas nem sempre dá para seguir à risca essa medida, pois algumas plantas são mais volumosas ou mais leves do que outras. Além disso, depende dela estar seca ou fresca. O ideal é usar uma balança para medir com precisão e sempre consultar a monografia do material vegetal nas literaturas oficiais para ter certeza da quantidade ideal a ser utilizada (Pedroso; Andrade; Pires, 2021). 1.4.4 Temperatura da Água A temperatura da água é um fator crucial para preparar um chá, infuso ou decocto da ma- neira correta. Para que estas bebidas sejam sensorialmente agradáveis, é necessário, para além de outros fatores, que na sua preparação seja aplicada uma temperatura de água correta, uma vez que esta variável é diretamente proporcional à velocidade e concentração dos compostos extraídos do material vegetal (Cardoso, 2013; Ferreira, 2015). Não existe uma medida certa de temperatura da água para todos os tipos de chás, infusos e decoctos, já que cada um necessita de uma temperatura específica. Contudo, a média adequada fica entre 75 °C a 90 °C. Para se certificar da temperatura ideal a ser utilizada, é fundamental consultar a literatura específica do material vegetal (Cardoso, 2013; Ferreira, 2015). Utilizar água fervente na hora de preparar o chá pode, não somente queimar as folhas, como deixar a bebida amarga. Temperaturas muito elevadas podem causar a degradação de certas substâncias, uma vez que a exposição de alguns compostos a altas temperaturas pode ocasionar sua oxidação. Da mesma forma, a água muito fria não proporciona a temperatura adequada para a extração das substâncias, comprometendo o sabor da bebida e os benefícios para a saúde. Por isso, estar atento quanto à temperatura da água é a melhor forma de acertar (Xu; Chang, 2007). Para garantir um bom resultado, é essencial utilizar um termômetro ou então, utilizar o método de bolhas. Esse método ajuda a medir, de forma aproximada, a temperatura da água e consiste em observar o comportamento das bolhas que vão se formando, à medida que a tem- peratura da água vai aumentando. Basta levar um recipiente (bule, chaleira ou panela) com água ao fogo e observar atentamente as bolhas que se formam, para inferir a temperatura aproximada. Aos aproximados 60 °C, ocorre a formação de pequenas bolhas fixas no fundo e na lateral do recipiente (figura 6a). Por volta dos 70 °C, formam-se bolhas um pouco maiores e apenas uma ou outra se desprende pelas laterais de forma lenta (figura 6b). Em estimados 80 °C, as bolhas, já maiores em tamanho e quantidade, sobem mais rápido pelas laterais, formando uma espécie de cordão (figura 6c). Aos 90 °C, bolhas cada vez maiores começam a chegar na superfície 15 (figura 6d). Ao atingir os 100 °C, bolhas grandes e circulantes provocam um turbilhão que atinge a superfície de forma intensa (figura 6e) (Cardoso, 2013; Ferreira, 2015). FIGURA 6 - A) ÁGUA A APROXIMADAMENTE 60 °C; B) ÁGUA A APROXIMADAMENTE 70 °C; C) ÁGUA A APROXIMADAMENTE 80 °C; D) ÁGUA A APROXIMADAMENTE 90 °C; E) ÁGUA A APROXIMADAMENTE 100 °C. Fonte: Depositphotos. Disponível em: https://depositphotos.com/br/similar-images/512474396.html.Acesso em: 09 ago. 2024. 1.4.5 Tempo de Contato Para ter uma bebida adequada e equilibrada, tanto em aspectos sensoriais, como em rela- ção aos benefícios terapêuticos, o tempo em que o material vegetal fica em contato com a água é fundamental. Curtos períodos de extração podem ser ineficientes e não extrair quantidades ade- quadas de substâncias ativas. Porém, se o tempo de contato for ultrapassado, pode ocasionar um sabor mais amargo à bebida, além da degradação de alguns compostos (Xu; Chang, 2007). Como regra geral, recomenda-se 3 a 5 minutos de infusão para as bebidas à base de flores e folhas e 10 minutos para as partes mais rígidas, entre elas, as raízes. No entanto, a temperatura da água também deve ser levada em consideração, visto que a temperatura e tempo de infusão, são variáveis inversamente proporcionais. No caso do chá verde, para água a 60 °C, o tempo de infusão é de 3 minutos, mas ao elevar a temperatura para 80 °C, o tempo de infusão é de apenas 1 minuto (Ferreira, 2015). https://depositphotos.com/br/similar-images/512474396.html 16 Esse tempo também pode variar de acordo com cada planta e com a forma e o tamanho em que esta se encontra dividida (pó grosso, pó fino, inteira, pedaços, entre outros). Ao picar ou triturar o material vegetal, as substâncias ativas são extraídas mais rapidamente. Isso ocorre porque aumenta a superfície de contato e a água entra nas células vegetais com mais facilidade (Rodrigues, 2018). 1.5 Conservação e Qualidade Os chás, infusos e decoctos recém-preparados devem ser consumidos no mesmo dia, ou seja, no máximo em 24 horas, pois se ficam de um dia para outro, costumam fermentar e perder suas propriedades. É possível preparar a quantidade total que será consumida em um dia, desde que a bebida fique armazenada na geladeira (Secretaria Municipal de Saúde, 2014). 1.6 Análise Sensorial As propriedades sensoriais são caracterizadas pela aparência, pelo sabor e pela sua textura. A análise sensorial tem como objetivos a manutenção de critérios de qualidade, a identificação de possíveis defeitos, a avaliação da aceitação e preferência, dentre outros (Ferreira, 2015). A aceitação de chás, infusos e decoctos depende de vários fatores, embora o sabor tenha um papel determinante e por isso, uma bebida de elevada qualidade deverá possuir um sabor agradável e característico. A produção de espécies vegetais com elevada qualidade sensorial requer uma excelente matéria-prima, o que implica boas práticas agrícolas, colheita correta e condições de processamento e armazenamento adequadas. Tais aspectos irão refletir dire- tamente sobre a quantidade e qualidade de substâncias ativas presentes na matéria-prima e consequentemente, nas características sensoriais (Ferreira, 2015). 2. CONDIÇÕES AMBIENTAIS PARA O CULTIVO DE PLANTAS As plantas produzem inúmeros constituintes químicos, os chamados metabólitos secun- dários, como, por exemplo, óleos essenciais, lactonas sesquiterpênicas, compostos fenólicos, cumarinas, saponinas, alcaloides, taninos, dentre outros. Esses são os princípios ativos res- ponsáveis pelas atividades terapêuticas e, normalmente, encontram-se restritos e em maior quantidade em determinados órgãos ou em partes específicas da planta. A quantidade de cada componente ativo pode variar dependendo dos fatores edafoclimáticos e, como consequência, ocorrer uma alteração na eficácia do material vegetal (Gobbo-Neto; Lopes, 2007). É por isso que as plantas têm características particulares para seu cultivo. Fatores ambien- tais, como altitude, latitude, temperatura, umidade relativa do ar, solo, disponibilidade de água 17 e nutrientes interferem diretamente na produção dos princípios ativos, fazendo com que seu teor aumente ou diminua de acordo com esses fatores (figura 7). Compreender e garantir que a planta tenha as condições adequadas para seu desenvolvimento, é o primeiro passo para o cultivo eficiente de espécies vegetais (Rodrigues, 2018). FIGURA 7 – PRINCIPAIS FATORES QUE PODEM INFLUENCIAR O ACÚMULO DE METABÓLITOS SECUNDÁRIOS EM PLANTAS. Fonte: Gobbo-Neto e Lopes (2007). 2.1 Colheita O primeiro aspecto a ser observado na produção de plantas com qualidade é a colheita no momento certo. Fazer a seleção do material que será colhido é fundamental, a fim de eliminar partes com impurezas, manchas, sinais de doenças, sujidades e outras condições desfavoráveis que possam interferir na qualidade (Tavares, 2015). Basicamente, a colheita de espécies vegetais varia de acordo com o órgão da planta a ser coletado, seu estágio de desenvolvimento, a época do ano e a hora do dia (Rodrigues, 2004). A distribuição de metabólitos secundários numa planta pode ser bem irregular. Conforme citado anteriormente, alguns grupos de substância localizam-se preferencialmente em partes especí- ficas. De maneira geral, os flavonoides estão mais concentrados na parte aérea da planta. Na camomila, por exemplo, o camazuleno e outras substâncias estão mais concentrados nas flores. Por isso, para otimizar as propriedades terapêuticas que serão extraídas, é necessário conhecer qual parte ou órgão deve ser colhido (Rodrigues, 2004). 18 Já o estágio de desenvolvimento é muito importante para que se determine o ponto ideal da colheita, principalmente, em plantas perenes e anuais de ciclo longo, em que a máxima concentração é atingida a partir de certa idade ou fase do desenvolvimento (Rodrigues, 2004). A época do ano (primavera, verão, outono e inverno) em que a planta é coletada é um dos fatores de maior importância, visto que a quantidade e, às vezes, até mesmo a natureza dos metabólitos secundários não é constante durante o ano todo. São relatadas, por exemplo, variações sazonais no conteúdo de praticamente todas as classes de constituintes químicos (Gobbo-Neto; Lopes, 2007). Existem, também, cada vez mais estudos mostrando que a composição de metabólitos secundários pode variar apreciavelmente durante o ciclo dia/noite, tendo sido descritas, por exemplo, variações circadianas nas concentrações de óleos voláteis, iridoides, alcaloides e outros (Gobbo-Neto; Lopes, 2007). O processo adequado de colheita também envolve o conhecimento botânico de cada espé- cie. No Brasil, em função das distintas características climáticas e diversidade da flora, a mesma planta recebe nomes populares diferentes e, ao mesmo tempo, diferentes plantas recebem o mesmo nome popular, de acordo com o regionalismo local. A identificação correta é fundamental para evitar que espécies semelhantes sejam confundidas e que intoxicações sejam causadas por esse tipo de troca. A semelhança entre o capim-limão (Cymbopogon citratus) e a citronela (Cymbopogon nardus) é um bom exemplo ilustrativo (figura 8) (Secretaria Municipal de Saúde, 2014; Rodrigues, 2018). FIGURA 8 – À ESQUERDA, CAPIM-LIMÃO (CYMBOPOGON CITRATUS) E À DIREITA, CITRONELA (CYMBOPOGON NARDUS). Fonte: Secretaria Municipal de Saúde (2014). 19 Para agregar ferramentas à identificação correta das espécies vegetais e garantir a sua padronização, a nomenclatura botânica é adotada. O nome científico da espécie vegetal é uma combinação binária, ou seja, é composto pelo nome do gênero, seguido do epíteto específico da espécie. O gênero deve estar com inicial maiúscula e o epíteto específico com inicial minúscula. Devem sempre ser grifados ou em itálico ou, se escritos manualmente, sublinhados. Por exem- plo: Cymbopogon citratus (Rodrigues, 2018). 2.2 Secagem A secagem sucede a etapa da colheita e é realizada de acordo com as características de cada planta cultivada. A secagem também confere maior estabilidade ao material vegetal, pois garante que a água presente nas estruturas vegetais seja reduzida até valores residuais, impedindo, dessa maneira, a proliferação de micro-organismos, principalmente fungos, e redu- zindo a ação de enzimas. As principais técnicas de secagem baseiam-se na utilizaçãode calor, associado ou não, a sistemas de redução da pressão. No entanto, a secagem também pode ocorrer à sombra, sem emprego do calor (Rodrigues, 2018). Essa etapa pode ser realizada de maneira bastante simples, com a utilização de desseca- dores e estufas ou ainda utilizando técnicas mais complexas. A escolha da técnica deve seguir as orientações descritas nas monografias oficiais e literatura técnico-científica (Rodrigues, 2018). Em virtude da evaporação da água contida nas células e nos tecidos, a secagem reduz o peso da planta, promovendo aumento percentual de princípios ativos em relação ao peso do material. Por essa razão, é comum usar uma quantidade menor de material vegetal seco para o preparo de chás, quando comparado com o mesmo material fresco (Rodrigues, 2004; Rodrigues, 2018). 2.3 Armazenamento e Embalagem As embalagens utilizadas e o local em que a matéria-prima vegetal é armazenada, devem garantir as condições ideais de temperatura e umidade para a preservação das espécies, a fim de garantir a qualidade do produto (Rodrigues, 2018). O armazenamento com controle de temperatura e umidade adequados inibe o desenvolvimento de fungos que produzem micoto- xinas, algumas das quais são potencialmente patogênicas, como as aflatoxinas (Gomes; Elpo; Negrelle, 2007). Outro cuidado a ser destacado é que não se deve armazenar diferentes plantas na mesma embalagem. Cada planta deve ser armazenada em embalagem própria, sendo devidamente identificada. O material vegetal deve ser armazenado o menor tempo possível, pois geralmente 20 quanto maior o tempo de armazenamento, maior a perda de princípios ativos. Além disso, o armazenamento inadequado, pode favorecer a contaminação por agentes diversos, que podem causar danos à saúde. Portanto, o local de armazenamento deve ser limpo, arejado, sem insetos, roedores ou poeira (Gomes; Elpo; Negrelle, 2007; Tavares, 2015). 3. PROPRIEDADES E BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE As plantas são formadas por um grande arsenal de substâncias químicas, com diferentes potenciais para exploração pelo homem. Muitas vezes são utilizadas como terapia complementar a tratamentos instituídos (Pedroso; Andrade; Pires., 2021). Os chás podem apresentar propriedades curativas e preventivas e, por essa razão, muitas vezes são usados como remédios. Os estudos demonstram que há uma relação entre as estru- turas químicas das moléculas dos compostos bioativos e as influências dessas sobre o corpo humano, possibilitando compreender como elas agem e quais efeitos terapêuticos promovem. Os chás apresentam uma série de atividades biológicas, como anti-inflamatória, antioxidante, quimioprotetora, termogênica, antimicrobiana, anticarcinogênica, para prevenção de doenças cardiovasculares, dentre outras. Muitas dessas propriedades medicinais já foram comprovadas cientificamente, porém, ainda existem muitas plantas utilizadas popularmente que não têm seu efeito terapêutico comprovado cientificamente e por esse motivo, o uso deve ser cauteloso (Tang et al., 2019; Alves et al., 2022). A literatura demonstra que os chás verde e branco são os que apresentam maior concen- tração de compostos bioativos, de forma que estes chás também apresentam os maiores efeitos protetores à saúde. Existe uma ampla aceitação de que tais efeitos podem ser obtidos com o consumo moderado desses chás, o que corresponde de 3 a 5 xícaras por dia (Hinojosa-Nogueira et al., 2021). O Quadro 1 apresenta alguns efeitos benéficos à saúde, relacionando-os com cada tipo de chá. 21 QUADRO 1: OS TIPOS DE CHÁ E SEUS POSSÍVEIS BENEFÍCIOS À SAÚDE. Tipo de chá Benefícios à saúde Chá branco Antioxidante; Reduz a incidência de doenças crônicas como disfunções cardiovasculares e câncer; Antiobesidade. Chá verde Reduz a incidência de doenças crônicas como disfunções cardiovasculares e câncer; Antioxidante; Antialérgico; Antibacteriano. Chá oolong Antioxidante; Antimutagênico; Antibacteriano. Chá preto Anticarcinogênico; Antimutagênico; Reduz a incidência de doenças crônicas como disfunções cardiovasculares e câncer; Antioxidante; Melhoria da função vasomotora; Redução de peso e circunferência da cintura; Diminuição no colesterol total e lipoproteínas de baixa densidade Fonte: Braibante et al. (2014). 4. RECOMENDAÇÕES PARA USO CORRETO E SEGURO DE PLANTAS MEDICINAIS A segurança e a eficácia na utilização de uma planta medicinal dependem da sua identi- ficação correta, conhecimento de qual parte deve ser usada, modo de preparo, forma de uso e quantidade apropriada, que agregam saberes do uso popular consolidado e evidências reveladas por estudos científicos (Pedroso; Andrade; Pires, 2021). A utilização incorreta de espécies vegetais pode levar à ocorrência de efeitos adversos, seja pelo seu uso isolado, uso crônico, em associação com medicamentos alopáticos ou até mesmo com outras plantas. Se usadas de maneira imprópria, as plantas podem causar diversas reações, como alergias na pele e mucosas, distúrbios cardiovasculares, respiratórios, metabóli- cos, gastrintestinais, neurológicos, dentre outros (Campos et al., 2016). Isso ocorre porque grande parte da população acredita que as plantas medicinais não ofe- recem perigo ou efeitos prejudiciais à saúde e que sua utilização é totalmente segura. Estudos toxicológicos indicam que essa é uma premissa falsa, mostrando que no uso de plantas medici- 22 nais, há casos de intoxicação e que essas intoxicações são agravadas especialmente em grupos de risco, como idosos, crianças e gestantes, podendo desencadear interações medicamentosas de maior potencial tóxico (Braghini et al., 2015; Pedroso; Andrade; Pires, 2021). Em muitos casos, a planta medicinal já é utilizada tradicionalmente sem relatos de efeitos adversos, porém, a crença popular de que seja inócua, leva o usuário a utilizar grandes quan- tidades, passando a ser vítima de uma reação adversa ou intoxicação. Isso ocorre porque os vegetais apresentam uma composição variada de metabólitos, ou seja, alguns podem exercer efeitos terapêuticos, enquanto outros, que estão em menor concentração, efeitos tóxicos. Desta forma, quando a planta é ingerida em quantidade além da recomendada, os efeitos tóxicos que não eram expressivos em doses terapêuticas, tornam-se perigosos (Braghini et al., 2015). Por outro lado, existem espécies que são naturalmente tóxicas (independentemente da quantidade utilizada), em que sua ingestão pode causar alterações patológicas em homens e animais e, em alguns casos, pode levar a sérios distúrbios no organismo e até mesmo ao óbito. As intoxicações podem ocorrer de forma aguda ou crônica. O primeiro caso geralmente ocorre após contato único. Pode ser acidental, principalmente em crianças, ou intencional, como nas tentativas de aborto e suicídio, sendo estes os casos que geralmente aparecem nas estatísticas do Sistema Nacional de Informações Toxico-farmacológicas - SINITOX. Já a intoxicação crônica ocorre por contato continuado. Podemos citar como exemplo, o costume da ingestão de certas espécies na terapêutica ou na alimentação em determinadas localidades (Campos et al., 2016). Outros fatores que afetam a segurança no uso de plantas medicinais estão relacionados à má qualidade ou falta de padronização na obtenção destes produtos, como a falta de cuidados na coleta e processamento da espécie vegetal. É comum, em muitos casos, encontrar materiais estranhos e contaminantes, como fungos, bactérias, partes ou até mesmo outra espécie vegetal que não a requerida, toxinas, sujidades, pesticidas e metais (Braghini et al., 2015). A composição química dos chás pode variar, não somente quanto à espécie e idade do vegetal, estação, clima, condições de cultivo, mas também pelas condições de armazenamento e tipo de processamento a que são submetidos, ressaltando-se a necessidade de fiscalização quanto a comercialização deste tipo de produto (Gobbo-Neto; Lopes, 2007; Braghiniet al., 2015). Embora existam parâmetros específicos para a produção e a comercialização de chás e produtos à base de plantas, a fraude e a má qualidade têm preocupado profissionais da área da saúde e a comunidade científica. A ausência de qualidade, a adulteração e a incorreta utilização interferem na eficácia e segurança do produto, quando somado com um serviço de vigilância não muito eficiente e que muitas vezes não dispõe de estrutura ou recursos adequados para toda a demanda de fiscalização. Por esse motivo, é indispensável adotar procedimentos de controle 23 de qualidade que envolvam a identificação da planta (análise macroscópica e microscópica), análise do grau de pureza, rotulagem, determinação de matéria estranha, peso, teor de umidade, determinação de cinzas, dentre outros (Campos et al., 2016). Portanto, a utilização de plantas na terapêutica deve ser restrita a plantas conhecidas e/ou corretamente identificadas e a utilização de ensaios de controle de qualidade que visam avaliar a autenticidade, pureza e características qualitativas e quantitativas dos chás, se faz cada vez mais necessário (Campos et al., 2016). 24 RECURSOS UTILIZADOS Materiais de consumo: Descrição Observação Luvas de procedimento; Touca; Máscara; Jaleco; Material a ser fornecido pelo aluno Béquer; Peneira de alumínio; Vidro de relógio; Placa de Petri; Balança analítica; Água mineral; Espátula de alumínio; Pinça ou garra; Chapa de aquecimento; Proveta graduada; Termômetro; Copos de isopor ou de café; Timer de cozinha ou cronômetro; Material a ser fornecido pela UniFatecie Matricaria chamomilla; Cymbopogon citratus; Cinnamomum verum; Zingiber officinale. Material a ser fornecido pela UniFatecie Kit Laboratório individual de atividade prática Sim ( ) Não ( X ) Em caso afirmativo, qual? Pago ( ) Não Pago ( ) Tipo de Licença: Não se aplica Descrição dos materiais do kit: Caso não seja necessário o uso do recurso, preencher com *Não se aplica (NSA) 25 26 ATENÇÃO: SAÚDE E SEGURANÇA Caro(a) aluno(a), O laboratório é considerado um local de estudo e trabalho, onde se faz necessário a aplica- ção de algumas regras. Seguir corretamente as normas do laboratório contribui para a implanta- ção de uma cultura de biossegurança e cria hábitos de boas práticas, que são qualidades muito valorizadas na formação do futuro profissional farmacêutico. Para prevenir e minimizar os riscos inerentes às atividades práticas, é imprescindível a utilização de equipamentos de proteção individual (EPI’s): a) Uso obrigatório de jaleco longo. b) Uso obrigatório de luvas, touca e máscara. c) Vestuário adequado e obrigatório: uso de calça comprida e sapatos fechados, além de cabelos presos. d) As mãos devem ser lavadas com sabão ao entrar no laboratório e após a retirada das luvas. e) Não fumar, comer ou ingerir líquidos no laboratório. Conservar as bancadas livres de materiais que não estão sendo usados. f) Seguir rigorosamente as instruções dadas pelo professor. g) Ler toda a técnica antes do início da prática. Não iniciar os procedimentos em casos de dúvidas. h) Zelar pela conservação do material utilizado e pela ordem no laboratório. 27 O QUE PRECISO FAZER NESSA ATIVIDADE PRÁTICA Neste projeto integrador, você, caro(a) aluno(a), irá aprender a preparar infusos e decoctos com diferentes matérias-primas vegetais. Por gentileza, siga as instruções abaixo para o desen- volvimento das técnicas. Boa prática! 1.INFUSÃO 1.1 Infusão de Matricaria chamomilla Sinonímia: Chamomilla recutita. Nome popular: Camomila. ● Materiais e Equipamentos: ● Inflorescências secas de Matricaria chamomilla (camomila); ● Água mineral; ● Balança de precisão; ● Béquer; ● Proveta; ● Termômetro; ● Chapa aquecedora; ● Vidro de relógio; ● Cronômetro; ● Peneira de alumínio; ● Placa de Petri. ● Procedimentos: Para executar a prática, você recebeu uma embalagem contendo o material vegetal seco que será utilizado. Primeiramente, verifique a data de validade do produto. É muito importante usar apenas matéria-prima vegetal em bom estado de conservação e dentro do prazo de validade. Não utilizar o material caso esteja com aparência de mofo ou coloração alterada. É importante que a embalagem esteja íntegra e em bom estado de armazenamento. Verifique se o nome científico da planta consta no rótulo e está de acordo com a monografia da planta (neste caso, deve constar Matricaria chamomilla). Essa etapa é muito importante para que não haja confusão sobre a espécie utilizada. 28 Antes de iniciar de fato a prática, verifique se todos os materiais e equipamentos estão limpos e secos. Certifique-se de seguir todas as normas de segurança do laboratório durante o procedimento. ● Passo 1: disponha todo o conteúdo da embalagem sob um papel na bancada. Faça uma inspeção visual na matéria-prima vegetal. Verifique e remova manualmente sujida- des, insetos, materiais estranhos, pedaços de madeira, pedras, dentre outros. ● Passo 2: usando a balança de precisão, pese 3 gramas de inflorescências secas de camomila em uma placa de Petri. Transfira o material vegetal para um béquer (de 250 mL) limpo e seco. ● Passo 3: com auxílio de uma proveta graduada, meça 150 mL de água mineral. ● Passo 4: adicione a água (150 mL) em um béquer de 250 mL e coloque-o na chapa aquecedora. Ligue a chapa e ajuste a temperatura para 90 °C. Use o termômetro para monitorar a temperatura da água. ● Passo 5: quando a água atingir aproximadamente 90 °C (não deixe ferver), desligue a chapa aquecedora. Adicione os 3 gramas de inflorescências secas de camomila na água quente. Cubra o béquer com um vidro de relógio para evitar a perda de vapor. Deixe o material em infusão por cerca de 5 minutos (podendo chegar até 10 minutos), utilizando o cronômetro para contar o tempo. ● Passo 6: coe a infusão em um outro béquer limpo e seco, com o auxílio de uma peneira de alumínio. ● Passo 7: deixe a infusão esfriar e deguste. A infusão deve ser consumida dentro de 24 horas para garantir o seu frescor e eficácia. Registre a infusão preparada por meio de uma foto. Aprecie o aroma, a cor e o sabor, para que posteriormente você possa descrever em seu relatório. 1.2 Infusão de Cymbopogon citratus Sinonímia: Andropogon cerifer, Andropogon citratus e Andropogon citriodorum. Nome popular: Capim-santo, capim-limão, capim-cidró, capim-cidreira e cidreira. ● Materiais e Equipamentos: ● Folhas secas de Cymbopogon citratus (capim-santo); ● Água mineral; ● Balança de precisão; ● Béquer (4 unidades: 1 para água e 3 para o material vegetal); ● Proveta; 29 ● Termômetro; ● Chapa aquecedora; ● Vidro de relógio (3 unidades); ● Cronômetro; ● Peneira de alumínio; ● - Placa de Petri (3 unidades). ● Procedimentos: Repita o mesmo cuidado realizado anteriormente. Verifique a data de validade do produto. É muito importante usar, apenas, matéria-prima vegetal em bom estado de conservação e dentro do prazo de validade. Não utilizar o material, caso esteja com aparência de mofo ou coloração alterada. É importante que a embalagem esteja íntegra e em bom estado de armazenamento. Verifique se o nome científico da planta consta no rótulo e está de acordo com a monografia da planta (neste caso, deve constar Cymbopogon citratus). Essa etapa é muito importante para que não haja confusão sobre a espécie utilizada. Antes de iniciar de fato a prática, verifique se todos os materiais e equipamentos estão limpos e secos. Certifique-se de seguir todas as normas de segurança do laboratório durante o procedimento. Obs.: você irá preparar 3 infusões de Cymbopogon citratus, cada uma com temperatura de água diferente: 45 °C, 60 °C e 90 °C. Prepare uma de cada vez. Ao final, você terá 3 infusões diferentes e deve se atentar às semelhanças e diferenças entre elas. ● Passo 1: disponha todo o conteúdo da embalagem sob um papel na bancada. Façauma inspeção visual na matéria-prima vegetal. Verifique e remova manualmente sujida- des, insetos, materiais estranhos, pedaços de madeira, pedras, dentre outros. ● Passo 2: usando a balança de precisão, pese 2 gramas de folhas secas de capim- -santo, para cada infusão (total de 6 gramas). Transfira cada material vegetal para um béquer (de 250 mL) limpo, seco e identificado (Ex.: béquer 1 - 45 °C; béquer 2 - 60 °C; béquer 3 - 90 °C). ● Passo 3: com auxílio de uma proveta graduada, meça 150 mL de água mineral para cada infusão (total de 450 mL). Infusão a 45 °C ● Passo 4: adicione a água (150 mL) em um béquer de 250 mL e coloque-o na chapa aquecedora. Ligue a chapa e ajuste a temperatura para 45 °C use o termômetro para monitorar a temperatura da água. ● Passo 5: quando a água atingir aproximadamente 45 °C, desligue a chapa aque- cedora. Adicione o material vegetal na água quente. Cubra o béquer com um vidro de 30 relógio para evitar a perda de vapor. Deixe o material em infusão por cerca de 5 minutos (podendo chegar até 10 minutos), utilizando o cronômetro para contar o tempo. ● Passo 6: coe a infusão em outro béquer limpo e seco, com o auxílio de uma peneira de alumínio. ● Passo 7: deixe a infusão esfriar e deguste. Infusão a 60 °C Repita os passos 4-7 da sessão anterior, ajustando a temperatura da chapa aquecedora para 60 °C. Monitore com o termômetro. Infusão a 90 °C Repita os passos 4-7 da sessão anterior, ajustando a temperatura da chapa aquecedora para 90 °C. Monitore com o termômetro. As infusões de capim-santo devem ser consumidas dentro de 24 horas para garantir o seu frescor e eficácia. Registre as infusões preparadas por meio de uma foto. Aprecie o aroma, a cor e o sabor, para que posteriormente você possa descrever em seu relatório. 2 DECOCÇÃO 2.1 Decocção de Cinnamomum verum Sinonímia: Camphora mauritiana, Cinnamomum zeylanicum e Laurus cinnamomum. Nome popular: Canela e canela-do-ceilão. ● Materiais e Equipamentos: ● Cascas secas de Cinnamomum verum (canela); ● Água mineral; ● Balança de precisão; ● Béquer; ● Proveta; ● Termômetro; ● Chapa aquecedora; ● Vidro de relógio; ● Cronômetro; ● Peneira de alumínio; ● Placa de Petri. 31 ● Procedimentos: Chegou a hora de preparar decocto! Há uma pequena diferença na técnica em relação ao preparo de infusões, por isso, caro(a) aluno(a), fique atento. Assim como realizado anteriormente, verifique a data de validade do produto. É muito im- portante usar, apenas, matéria-prima vegetal em bom estado de conservação e dentro do prazo de validade. Não utilizar o material, caso esteja com aparência de mofo ou coloração alterada. É importante que a embalagem esteja íntegra e em bom estado de armazenamento. Verifique se o nome científico da planta consta no rótulo e está de acordo com a monografia da planta (neste caso, deve constar Cinnamomum verum). Essa etapa é muito importante para que não haja confusão sobre a espécie utilizada. Antes de iniciar de fato a prática, verifique se todos os materiais e equipamentos estão limpos e secos. Certifique-se de seguir todas as normas de segurança do laboratório durante o procedimento. ● Passo 1: disponha todo o conteúdo da embalagem sob um papel na bancada. Faça uma inspeção visual na matéria-prima vegetal. Verifique e remova manualmente sujida- des, insetos, materiais estranhos, pedaços de madeira, pedras, dentre outros. ● Passo 2: usando a balança de precisão, pese 1 grama de cacas secas de canela em uma placa de Petri. Transfira o material vegetal para um béquer (de 250 mL) limpo e seco. ● Passo 3: com auxílio de uma proveta graduada, meça 150 mL de água mineral. ● Passo 4: adicione a água (150 mL) no béquer contendo o material vegetal e colo- que-o na chapa aquecedora. Ligue a chapa e ajuste para aquecer até a água atingir uma fervura suave (aproximadamente 95 °C-100 °C). Use o termômetro para monitorar a temperatura da água. ● Passo 5: quando a água começar a ferver, reduza a intensidade do aquecimento para manter uma fervura suave. Deixe a casca de canela em decocção na água fervente por cerca de 7 minutos (utilize o cronômetro para contar o tempo). Cubra o béquer com um vidro de relógio para evitar a perda de vapor. ● Passo 6: após o tempo de decocção, remova com bastante cuidado as cascas de ca- nela, com auxílio de uma pinça. Coe o decocto em outro béquer limpo e seco, utilizando uma peneira de alumínio. ● Passo 7: deixe o decocto esfriar e deguste. O decocto deve ser consumido dentro de 24 horas para garantir o seu frescor e eficácia. Registre o preparo por meio de uma foto. Aprecie o aroma, a cor e o sabor, para que posteriormente você possa descrever em seu relatório. 32 2.2 Decocção de Zingiber officinale Sinonímia: Amomum zingiber e Zingiber aromaticum. Nome popular: Gengibre. ● Materiais e Equipamentos: ● Rizomas secos de Zingiber officinale (gengibre); ● Água mineral; ● Balança de precisão; ● Béquer; ● Proveta; ● Termômetro; ● Chapa aquecedora; ● Vidro de relógio; ● Cronômetro; ● Peneira de alumínio; ● Placa de Petri. ● Procedimentos: Caro(a) aluno(a), agora você irá preparar outro decocto, dessa vez, utilizando uma parte diferente de material vegetal. Você utilizará os rizomas secos do gengibre. Comece verificando a data de validade do produto. É muito importante usar, apenas, matéria-prima vegetal em bom estado de conservação e dentro do prazo de validade. Não utilizar o material, caso esteja com aparência de mofo ou coloração alterada. É importante que a embalagem esteja íntegra e em bom estado de armazenamento. Verifique se o nome científico da planta consta no rótulo e está de acordo com a monografia da planta (neste caso, deve constar Zingiber officinale). Essa etapa é muito importante para que não haja confusão sobre a espécie utilizada. Antes de iniciar de fato a prática, verifique se todos os materiais e equipamentos estão limpos e secos. Certifique-se de seguir todas as normas de segurança do laboratório durante o procedimento. ● Passo 1: disponha todo o conteúdo da embalagem sob um papel na bancada. Faça uma inspeção visual na matéria-prima vegetal. Verifique e remova manualmente sujida- des, insetos, materiais estranhos, pedaços de madeira, pedras, dentre outros. ● Passo 2: usando a balança de precisão, pese 1 grama de rizomas secos de gengibre em uma placa de Petri. Transfira o material vegetal para um béquer (de 250 mL) limpo e seco. 33 ● Passo 3: com auxílio de uma proveta graduada, meça 150 mL de água mineral. ● Passo 4: adicione a água (150 mL) no béquer contendo o material vegetal e colo- que-o na chapa aquecedora. Ligue a chapa e ajuste para aquecer até a água atingir uma fervura suave (aproximadamente 95 °C-100 °C). Use o termômetro para monitorar a temperatura da água. ● Passo 5: quando a água começar a ferver, reduza a intensidade do aquecimento para manter uma fervura suave. Deixe o gengibre em decocção na água fervente por cerca de 7 minutos (utilize o cronômetro para contar o tempo). Cubra o béquer com um vidro de relógio para evitar a perda de vapor. ● Passo 6: após o tempo de decocção, coe o decocto em outro béquer limpo e seco, utilizando uma peneira de alumínio. ● Passo 7: deixe o decocto esfriar e deguste. O decocto deve ser consumido dentro de 24 horas para garantir o seu frescor e eficácia. Registre o preparo por meio de uma foto. Aprecie o aroma, a cor e o sabor, para que posteriormente você possa descrever em seu relatório. 34 RELATÓRIO Caro(a) aluno (a), Você deverá entregar o Relatório tipo Apresentação Simples (Power point). Para isso, faça o download do template, disponibilizado junto a este roteiro, e siga as instruções contidas no mesmo. 35 MATERIAISMATERIAIS COMPLEMENTARES COMPLEMENTARES BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Formulário de Fitoterápicos da Far- macopeia Brasileira. 1. ed. Brasília: ANVISA, 2011. BRASIL.Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Formulário de Fitoterápicos da Far- macopeia Brasileira. 2. ed. Brasília: ANVISA, 2021. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 1º Suplemento do Formulário de Fito- terápicos da Farmacopeia Brasileira. 1. ed. Brasília: ANVISA, 2018. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira. 1. ed. Brasília: ANVISA, 2016. BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Farmacopeia Brasileira. 6. ed. Brasília: ANVISA, 2019. 36 REFERÊNCIASREFERÊNCIAS ALVES, N. R. F.; MOREIRA, M. J.; BUENO, P. R.; MORAES, M. S. A.; SUDATI, J. H.; VASCON- CELOS, L. S. Contribuições das plantas medicinais e uso de chás no ensino de química orgâ- nica: revisão narrativa de literatura. Brazilian Journal of Development, v.8, n.4, p.26369-26387, 2022. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BRJD/article/view/46469. Acesso em: 9 ago. 2024. ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Cartilha de orientações sobre o uso de fitoterápicos e plantas medicinais, 2022. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centrais- deconteudo/publicacoes/medicamentos/publicacoes-sobre-medicamentos/orientacoes-sobre-o- -uso-de-fitoterapicos-e-plantas-medicinais.pdf. Acesso em: 09 ago. 2024. BRAGHINI, F.; SOUZA, F. O.; GONÇALVES, R. A. C.; DE OLIVEIRA, A. J. B.; GONÇALVES, J. E. Avaliação da qualidade de plantas medicinais comercializadas na cidade de Maringá – PR. Enciclopédia Biosfera, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v. 11 n. 21; p. 3311- 3324, 2015. Disponível em: https://conhecer.org.br/ojs/index.php/biosfera/article/view/1963. 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