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AT 1 2 32 S U M Á R IO 3 UNIDADE 1 - Introdução 5 UNIDADE 2 - Conceitos, Missão, Objetivos e Importância 5 2.1 Conceitos 7 2.2 Missão 8 2.3 Objetivos/funções 9 2.4 Importância 12 UNIDADE 3 - Estrutura e Funcionamento 13 3.1 Espaço físico e segurança 16 3.2 Horário de funcionamento 17 UNIDADE 4 - Formação, Desenvolvimento e Organização do Acervo 17 4.1 Armazenamento, seleção, aquisição e descarte 18 4.2 Organização do acervo 20 UNIDADE 5 - Os Multimeios, as Novas Tecnologias a Serviço da Educação e a Ativação da Biblioteca 20 5.1 A Ciência da Informação 21 5.2 Os multimeios e programas multimídia 22 5.3 Softwares educacionais 23 5.4 A automação das bibliotecas 24 5.5 Alguns softwares para bibliotecas 25 5.6 A ativação da biblioteca 26 5.7 A pesquisa escolar e a pesquisa na Internet 30 UNIDADE 6 - Bibliotecários e Técnicos 30 6.1 Função e atribuições 31 6.2 As diversas interações que devem ocorrer na biblioteca 34 UNIDADE 7 - A Biblioteca Dinâmica 34 7.1 Dinamizando a biblioteca escolar 37 7.2 As bibliotecas infantis e a classificação por cores 40 REFERÊNCIAS 2 33 UNIDADE 1 - Introdução Segundo a UNESCO, biblioteca é uma coleção organizada de vários tipos de do- cumentos, aliada a um conjunto de ser- viços destinados a facilitar a utilização desses documentos, com a finalidade de oferecer informações, propiciar a pesqui- sa e concorrer para a educação e o lazer. No dicionário Aurélio (FERREIRA, 2004), são três as definições para bi- blioteca: 1ª. Coleção pública ou privada de livros e documentos congêneres, organizada para o estudo, leitura e consulta. 2ª. Edifício ou recinto onde se instala essa coleção. 3ª. Estante ou outro móvel onde se guardam e/ou ordenam os livros. As bibliotecas podem ser dos se- guintes tipos: universitária, infantil, na- cional, especializada, comunitária, esco- lar, pública, virtual e digital. O acervo de uma biblioteca pode ser entendido como conjunto de documen- tos, devidamente selecionado, adquirido e organizado tendo em vista a natureza de seus objetivos. Esse conjunto forma a coleção da biblioteca que se constitui na memória cultural da humanidade. Esta co- leção é formada por diversos tipos de do- cumentos, tais como: livros, revistas, fo- lhetos, jornais, filmes, partituras, mapas, fotografias, entre outros, sendo que es- ses documentos podem se apresentar em diversos tipos e suportes como CD-ROM, impresso, on-line, DVD e disco rígido. Ainda podemos falar em acervo biblio- gráfico e não-bibliográfico. No primeiro grupo teremos os livros, folhetos, pa- tentes, teses, dissertações, relatórios, catálogos, revistas e jornais, enquanto no segundo grupo estarão recursos mul- timeios, livro sonoro, gravação de som, gravuras, desenho, cartões postais, gra- vação de vídeo, mapas, partituras, globo, maquetes, jogos, brinquedos. Nosso objetivo neste módulo é justa- mente focar as bibliotecas escolares, en- tão daremos uma breve pincelada na his- tória da biblioteca de uma maneira geral; missão, objetivos e importância; sua es- trutura e funcionamento. A biblioteca para crianças e jovens é um dispositivo complexo, consti- tuído por elementos heterogêneos: arquitetura e ambiente, técnicas e tecnologias, processos e produtos, regras e regulamentos, conteúdos materiais e imateriais, responsáveis por sobrepor significados aos signifi- cados por ela guardados, constituin- do-se elementos de sua natureza (PIERUCCINI, 2004). Dedicamos uma unidade para os mul- timeios e as novas tecnologias a serviço 4 54 da educação, bem como teremos outra unidade para discorrer sobre funções e atribuições do/a bibliotecário/a e as inte- rações com professores e alunos/as. Ressaltamos em primeiro lugar que em- bora a escrita acadêmica tenha como pre- missa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clás- sicos, não se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o cará- ter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. Ao final do módulo, além da lista de re- ferências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora so- mente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgi- rem ao longo dos estudos. 4 55 Em 1994, Waldeck Carneiro da Silva pu- blicava a 1ª edição do livro “Miséria da Bi- blioteca Escolar” que traçava o então pa- norama da realidade brasileira em relação à biblioteca escolar. O autor começa o livro em forma de protesto, criticando o silên- cio consentido do descaso sobre tal espa- ço. Ele criticava tanto a Ciência que não se preocupava com os fenômenos quanto o Governo que não programava nenhuma ação de política pública. Silva (2003) aponta outros problemas que abrangem o tratamento da bibliote- ca como depósito de livros, dificuldade de acesso às mesmas, horários breves e irregulares de funcionamento, a biblio- teca para punição de alunos, frequência acrítica e viciada, atendimento feito por pessoas não especializadas e a formação do professor para uso da biblioteca como recurso didático. Quase duas décadas se passaram e percebe-se que pouca coisa mudou: mui- tas escolas ainda não possuem uma bi- blioteca, outras dizem que têm, mas não passam de armários que amontoam vários livros, os atendentes não são bibliotecá- rios, e alguns professores sempre acham uma desculpa para dispensar a biblioteca de sua prática pedagógica. Mas passamos longe de querer julgar ou criticar. Essa missão, deixamos para vocês, afinal de contas, alguns já se en- contram nas escolas, nas bibliotecas e têm melhores condições de analisarem, refletirem e avaliarem a situação atual. 2.1 Conceitos A palavra biblioteca teve sua origem nos termos gregos biblíon (livro) e theka (caixa), significando o móvel ou lugar onde se guardam livros. Foi no Egito que existiu, desde o sécu- lo IV a.C., a mais célebre e grandiosa bi- blioteca da Antiguidade, a de Alexandria, que tinha como ambição reunir em um só lugar todo o conhecimento humano. Seu acervo era constituído de rolos de papiro manuscritos – aproximadamente 60 mil, contendo literatura grega, egípcia, assí- ria e babilônica (PIMENTEL; BERNARDES; SANTANA, 2007). No entanto, o conceito e as explica- ções para a palavra biblioteca vêm se transformando e se ajustando por meio da própria história das bibliotecas. Para Fonseca (1992, p. 60), um novo conceito “é o de biblioteca menos como coleção de livros e outros documentos, devidamente classificados e catalogados do que como assembleia de usuários da informação”. Isso quer dizer que as bibliotecas não de- vem ser vistas como simples depósitos de livros. Elas devem ter seu foco voltado para as pessoas no uso que essas fazem da informação, oferecendo meios para que esta circule da forma mais dinâmica possível. A Lei nº 12.244, de 24 de maio de 2010, considera biblioteca escolar “a coleção de livros, materiais videográficos e docu- mentos registrados em qualquer suporte destinados a consulta, pesquisa, estudo ou leitura”. Mas não define a questão de espaço físico, possibilitando a problemá- tica apontada por Silva (2003), ou seja, UNIDADE 2 - Conceitos, Missão, Objetivos e Importância 6 7 qualquer armário com livros é considerado uma biblioteca em algumas instituições. Fragoso (2002, p. 124) destaca que se tratando de Brasil, a grande maioria das pessoas não conhece o significado e va- lor da biblioteca escolar, e isso se deve em grande parte ao contexto em que ela existe, a educação. Assim, expõe que: Longe de constituir mero depósi- to de livros, a biblioteca escolar é um centro ativo de aprendizagem. Nun- ca deve ser vista como mero apên- dice das unidades escolares, mas como núcleo ligadoquanto a sua utilização, eles poderiam ser os porta-vozes para essa demanda. A incorporação do uso da biblioteca escolar à prática do professor é um im- portante elemento para um melhor em- basamento antes, durante e depois do desenvolvimento de um projeto de traba- lho ou mesmo de uma unidade de estudo. O professor tem forte referencial para o aluno e se constitui, portanto, como ele- mento estratégico para a integração des- se espaço. Para Negrão (1987, p. 95) a biblioteca escolar, interagindo de modo harmonioso com o corpo docente, poderá cooperar na forma- ção de várias atitudes: o hábito de utilizar informação, o hábito de pes- quisa, o gosto pela leitura, o hábito de usar a biblioteca, além do desen- volvimento do pensamento crítico e a motivação para a educação perma- nente. Douglas (1971, p. 13, 19-20) também infere que 32 33 o professor desempenha grande papel no êxito de uma biblioteca cen- tral na escola primária, assim como a biblioteca pode contribuir podero- samente para um resultado de ação pedagógica do professor. Este, com efeito, toma parte ativa na escolha das aquisições da biblioteca, estabe- lece o programa no que diz respeito a seus alunos e vela pela execução desse programa. Age de modo que a biblioteca tenha seu lugar na ati- vidade cotidiana da criança. [...] A biblioteca não pode desempenhar plenamente seu papel na escola pri- mária se não conta com a integração total do mestre. O professor é para a criança, o adulto cujo exemplo tem o máximo de peso, nessa fase de sua formação. Se não usa a biblioteca para suas leituras e documentação, e não encoraja os alunos a imitá-lo, depois será talvez muito tarde para incutir-lhes o hábito de pesquisa pessoal e de análise crítica dos fatos; talvez também jamais venham a co- nhecer as alegrias da leitura. Kuhlthau (2002), na introdução de seu livro “Como usar a biblioteca na escola: um programa de atividades para o ensi- no fundamental”, ressalta a importância da integração do programa da biblioteca escolar com as atividades desenvolvidas na sala de aula e enfatiza a necessidade de envolvimento entre professores e bi- bliotecários no sentido de garantir o bom andamento do processo de ensino-apren- dizagem. A não integração entre o profissional que trabalha na biblioteca e o professor, é apontada por Amato e Garcia (1989, p. 13-4) como um dos fatores que compro- metem a participação da biblioteca na vida escolar, ficando alienada ao contexto pedagógico da escola. No manifesto da UNESCO/IFLA sobre a biblioteca escolar, também é dito que quando – os bibliotecários e os docentes cooperam entre si – os alunos conseguem alcançar níveis mais altos de conheci- mento, leitura, aprendizagem, solução de problemas e competências no que diz res- peito à utilização de tecnologias da infor- mação e da comunicação (ALONSO, 2005). De fato, dentre os muitos fatores, que contribuem para a não constituição dessa prática integrada, encontrados na litera- tura específica, um deles, segundo Quei- roz (1985, p.113 apud ALONSO, 2005), é que “os professores, de modo geral, con- cordam que a biblioteca escolar é neces- sária, embora alguns não a vejam como um instrumento de apoio ao seu progra- ma de ensino”. O não reconhecimento da biblioteca como algo importante pode levar a um distanciamento crescente entre o profes- sor e a biblioteca escolar. Muitas vezes o professor nem conhece o acervo existen- te na biblioteca, como, então, ele poderia integrá-la ao seu trabalho? Esse distanciamento é uma questão que merece uma investigação mais deta- lhada para a detecção de suas causas. Há quem discuta que parte do problema está na formação do professor e defenda, assim, a necessidade de reformulação dos currículos responsáveis pela formação dos profissionais da educação, mas não vamos enveredas por esse viés. 32 33 Importante é haver sempre comprome- timento, boa vontade, e claro, interação entre todos os participantes do proces- so ensino-aprendizagem. Com certeza, o gosto pelos livros passa por essa intera- ção e entusiasmo de todos. 34 3534 São muitas as possibilidades para que uma biblioteca escolar se torne dinâmica e entusiasme seus pequenos leitores. Dentre elas, utilizar da contação de histórias e clas- sificar o acervo por cores que chama aten- ção dos pequenos. Vamos discorrer um pouco sobre as inú- meras possibilidades de tornar sua bibliote- ca, dinâmica! 7.1 Dinamizando a bibliote- ca escolar Partindo do entendimento anterior que a tarefa de orientar o aluno na utilização da biblioteca e, principalmente, o de desper- tar nele o gosto pela leitura são atribuições mais reveladoras da natureza educativa do trabalho biblioteconômico na escola (COR- RÊA et al., 2002), podemos continuar nosso caminho que leva a uma biblioteca dinâmi- ca. Um dos processos mais dinamizadores dentro de uma biblioteca escolar são as ati- vidades de incentivo à leitura. Dentre elas podem-se destacar a contação de histórias como sendo uma das mais importantes. A arte de contar histórias faz parte de uma cultura milenar que, no passado, transmi- tia-se de pai para filho; quando era comum as crianças se reunirem em volta dos pais ou avós para ouvir histórias. Nos dias atuais, este se tornou um ato incomum, e muitas crianças têm a biblioteca escolar ou infan- til como a única alternativa para realizar tal desejo. Assim, a biblioteca infantil, confor- me observam Pinheiro e Sachetti (2004, p. 3), é de vital importância para a cultura nacional. É uma necessidade, visto que não existem mais ‘amas’ nem avós que se inte- ressem pela arte de contar histórias. Verifica-se, enfim, por meio da literatura que trata do assunto, que toda ação desen- volvida em uma biblioteca escolar deve ser de valor cultural e educativo, rumo ao cres- cimento educacional e intelectual da crian- ça. Pois bem, não há parte mais importante, hoje em dia, na gestão escolar que a admi- nistração da biblioteca, pois é em torno dela que gira todo interesse da escola moderna. Sem leitura não é possível iniciar nenhum processo de educação. A leitura é uma pro- posta de abertura de portas, de alargamen- to de horizontes (PIMENTEL; BERNARDES; SANTANA, 2013). Vejamos o que as autoras acima propõem para que a biblioteca seja um local dinâmico! O primeiro passo é conhecer, valori- zar o que a escola tem e buscar novos valores. Você já teve a curiosidade de saber quando a biblioteca de sua escola foi criada, quem a organizou? Você já viu quais são os livros que fa- zem parte do seu acervo? Quantos livros desse acervo você já leu? Em que você pode contribuir com a bi- blioteca? Qual é a participação da biblioteca nas demais atividades da escola? Essas perguntas são um bom começo UNIDADE 7 - A Biblioteca Dinâmica 34 3535 para você refletir sobre sua atuação na bi- blioteca e começar a influir nas programa- ções culturais e pedagógicas. Nessa nova postura, você poderá contribuir para que a biblioteca deixe de ser contemplativa ou complacente para ser cúmplice do processo educativo, funcionando como complemen- to e suporte das atividades realizadas na escola (PIMENTEL; BERNARDES; SANTANA, 2013). Por meio do projeto pedagógico, a biblio- teca pode ser um excelente caminho para desenvolver várias atividades culturais e ainda ampliar seus serviços para a comuni- dade. Por falar em comunidade, a escola deve se valer dos seus mais variados recursos para atuar de forma participativa e interati- va com o objetivo de ampliar suas relações e firmar parcerias. Dentre elas incluem os segmentos: a co- munidade como um todo (pais, alunos e to- dos os profissionais que atuam na escola); os formadores de opinião e os profissionais dos meios de comunicação (rádio, imprensa e televisão); os líderes comunitários, os sin- dicatos, as organizações comerciais, indus- triais e religiosas; as autoridades políticas; os artistas e os profissionais liberais, as as- sociações de classe, asONGs, os clubes de serviço, entre outros. É importante você saber que esse tipo de parceria propicia o envolvimento da so- ciedade podendo render benefícios para o fortalecimento da biblioteca. A participa- ção da Associação de Pais da Escola é um exemplo. Além disso, essa parceria propicia a aproximação da comunidade com a esco- la. É importante que a comunidade perceba que a biblioteca é um bem cultural que lhes pertence e que dela deve fazer uso, partici- pando das decisões e dando opiniões. A escola que não percebe as necessida- des da comunidade e não interage com ela precisa repensar sua prática. É só um prédio adormecido e pode perder seu lugar de des- taque na comunidade e deixar de aprovei- tar seu potencial de ação comunitária tanto quanto sua função específica (PIMENTEL; BERNARDES; SANTANA, 2013). Trabalhar com eventos culturais também é um excelente meio de dinamizar a biblio- teca, pois oferecer acesso aos livros não quer dizer necessariamente que a prática da leitura será efetivada. Busque estratégias que atraiam os alu- nos, os professores e os demais funcio- nários da escola, para favorecer as mais diversas formas de expressão cultural e apropriação de linguagens. Podemos trabalhar com cursos de exten- são, oficinas literárias e de literatura, hora do conto, sarau literário, exposições artísti- cas, apresentações teatrais, musicais e de- mais eventos. Essas atividades fazem parte da dinamização da biblioteca. Para uma biblioteca ser dinâmica você deve observar: o calendário cultural; o perfil cultural da comunidade escolar; a qualidade do evento e sua relação com a leitura; o tempo de duração que não poderá ser extenso e deverá obedecer a um crono- grama preestabelecido para não prejudicar o bom funcionamento da biblioteca; o horário adequado à atividade; 36 37 a frequência ou a repetição de apre- sentação de uma mesma atividade; os recursos para a realização do even- to, desde mesas, cadeiras, microfone, TV, vídeo, entre outros; a divulgação (PIMENTEL; BERNARDES; SANTANA, 2013). Para cada atividade programada, você deve fazer um relatório de avaliação, iden- tificando pontos positivos e negativos e, quando possível, fazer em conjunto com os participantes. É importante lembrar que, para uma boa repercussão dessas atividades, é funda- mental que as propostas atendam aos inte- resses da escola e da comunidade envolvida para que possam resultar positivamente na circulação de bens culturais, na socialização de ideias e experiências. O projeto de dinamização deverá ter como estratégia de ação o envolvimento da comunidade e de todo o segmento escolar, objetivando detectar na área cultural os ta- lentos locais. Após mapear esses talentos e áreas de atuação, é importante convidá-los a participar inclusive na elaboração das pro- postas de uma agenda cultural que poderá ser mensal, semestral ou anual (PIMENTEL; BERNARDES; SANTANA, 2013). Abaixo temos uma lista de exemplos de oficinas que você pode propor. Ve- jamos: a) Hora do conto ou contação de his- tória – por meio da arte da contação de his- tórias, procura seduzir o ouvinte à palavra escrita. b) Porcelana fria ou biscuit – confec- ção de personagens da obra da literatura brasileira por meio do conhecimento teóri- co-prático. c) Meia de seda – com técnicas usando recursos simples como a meia de seda con- fecciona-se trabalhos manuais relaciona- dos às datas comemorativas do calendário brasileiro. d) Caixas artesanais – confecção de caixas de papelão com várias formas e di- visórias, para serem utilizadas como porta- -joias, porta objetos para presente. e) Saraus literários – por meio da mú- sica e da leitura dramática de poesias, o evento propõe temas específicos da litera- tura brasileira (as diversas escolas literárias, centenários de nascimento ou de morte dos poetas, datas comemorativas, entre ou- tros). f) Origami – arte milenar de dobradura em papel muito apreciada por jovens e ado- lescentes. A atividade pode ser relacionada à confecção de personagens da literatura. g) Apresentação teatral – apresenta- ção de histórias utilizando vários recursos que valorizem a cultura local. h) Encontro com o escritor – por meio de oficinas literárias e leituras das obras, o leitor é preparado para o encontro com o escritor. A intenção é aproximar o leitor do livro e do seu criador. i) Fuxico – por meio de retalhos de te- cidos confeccionam-se bolsas, capas de al- mofadas, blusas, colchas de cama e outros artigos artesanais. j) Bonecos – confecção, manipulação, estudo e conceito de bonecos. k) Pintura em tela – noções básicas de pintura acrílica e em óleo, utilizando temas 36 37 inspirados na literatura brasileira. l) Máscaras – confecção de máscaras te- atrais e folclóricas individuais e personaliza- das, além do estudo sobre as várias formas e suas aplicações. m) Concurso de poesia – é uma forma de incentivar a produção literária na biblio- teca. n) Palestras e seminários educativos – podem ser de temas atuais ou de acordo com as necessidades da comunidade. Por exemplo: DST/Aids, uso indevido de drogas, gravidez na adolescência, entre outros. 7.2 As bibliotecas infantis e a classificação por cores Ao iniciar pesquisa sobre a classificação em cores como alternativa para bibliote- cas infantis, Pinheiro e Sachetti (2004) nos lembram de que a educação deve ser uma prática social, baseada no diálogo, através do qual se estabelece relação para integrar o aluno e sua cultura no contexto da comu- nidade escolar e social, proporcionar ao alu- no partilha de experiências a partir das dife- renças de cada um deles, pressupondo que não há um saber melhor ou pior, mas que há saberes diferentes. Por isso, não é suficien- te abrir escolas para que as crianças apren- dam a ler, pois a escola é apenas o começo da sua instrução. Sob o ponto de vista de Lourenço Filho (1989 apud BARBOSA; PASTANA; SACHET- TI, 2000), a escola sozinha não tem condi- ções de proporcionar a cultura geral men- cionada de que a criança necessita. Dessa forma, faz-se necessário que a biblioteca de cada escola dentro do currículo escolar complete o processo educativo. A biblioteca, mais especificamente, as bi- bliotecas infantis têm o compromisso de es- timular a prática de leitura nas crianças, de- senvolvendo suas aptidões e seu senso de responsabilidade, tornando-as um membro proveitoso e vantajoso para a sociedade. É preciso assim dirigir-se por princípios em que o foco seja a criança enquanto um ser ativo, construindo conhecimentos sobre o mundo e sobre si mesmos. Amato (1989) também citado por Barbo- sa, Pastana e Sachetti (2000) lembra que a biblioteca é um setor dentro de qualquer instituição de ensino fundamental e médio, que dedica cuidados especiais à criança e ao adolescente. Dessa forma, essas bibliote- cas são um dos meios educativos, ou seja, um recurso indispensável para o desenvol- vimento do processo ensino-aprendizagem e formação do educando. No entender de Panet (1988), as biblio- tecas infantis junto com os educadores de- vem criar oportunidades para discussões, troca de ideias, ou seja, proporcionando ocasiões para que a criança, além de des- frutar de recursos que não encontra em casa, possa ler, falar, ouvir, desenvolver seu vocabulário e espírito crítico. Por isso, a bi- blioteca infantil deve ser um espaço plane- jado e montado especialmente para tornar esse primeiro contato com os livros o mais agradável e natural possível, a fim de atingir dessa forma um de seus objetivos maiores que é fazer da criança um usuário constante e atuante em bibliotecas. Sabe-se que a biblioteca é fundamental para o processo de ensino e de aprendiza- gem para os alunos desde as séries iniciais tanto que o acesso e uso das informações através das bibliotecas infantis e escola- res proporcionam ao aluno condições de 38 39 desempenho na sua formação acadêmica. Mas, para obter acesso fácil a essas informa- ções, a bibliotecaprecisa ter uma política de organização. E é nesse sentido que Pinheiro e Sachetti (2004) vêm nos mostrar a impor- tância de trabalhar com a classificação em cores nas bibliotecas infantis e escolares, uma vez que para esse público realmente ainda é cedo tentar entender classificação como CDD e CDU, no que acreditamos, todos concordam. A biblioteca infantil é um espaço lúdico por excelência, pois é o lugar do brincar com os livros e com as letras, do faz de conta, do contar e do ouvir histórias. É o local onde se pode dançar, desenhar e ouvir músicas, ela deve ser um convite a brincadeiras, viajar no mundo da imaginação, como relata Fragoso (1996). A autora menciona que a arte se faz presente nos momentos das brincadeiras e ressalta: Isso é a biblioteca e seus deslum- bramentos! Personagens e gente, sem nenhuma diferença, misturando o concreto e o abstrato, a rosa perfu- mada ao contorno do lápis. Plena de rebuliço e vozes, sem avisos nem proi- bições, essa biblioteca também é sem paredes. A biblioteca infantil é de vital importância para a cultura nacional, é uma necessidade hoje em dia, visto não existirem mais ‘amas’ nem avós que se interessem pela doce arte de contar histórias. Nesses primeiros espa- ços de convivência, a criança começa a es- tabelecer relações e a formar sua cultura (PINHEIRO; SACHETTI, 2004). As bibliotecas para atuarem como ver- dadeiros locais de aprendizagem, precisam oferecer recursos bibliográficos de acordo com o perfil de seus usuários e, as bibliote- cas infantis precisam de materiais bibliográ- ficos de acordo com a idade dos seus alunos, principalmente literaturas condizentes com sua faixa etária. Eis que temos a classificação por cores! Para as bibliotecas escolares e infantis, a classificação em cores tem sido considerada a melhor metodologia, sendo um fator im- portantíssimo na recuperação da informa- ção por construir um elo entre a linguagem visual e a busca do material nas estantes (PINHEIRO, 2009). No entender de Pinheiro e Sachetti (2004, p. 4), [...] a busca de um sistema de sina- lização que utilize recurso de lingua- gem visual visa não só a estética, mas principalmente a facilidade de uso do seu ambiente, o que proporciona uma melhor interação entre o usuário e a informação. Também as fontes bibliográficas per- tencentes a uma biblioteca escolar devem ser organizadas conforme os interesses do perfil dos usuários, especialmente dos pe- quenos leitores. Simão; Schercher e Neves (1993, p. 29) consideram que “seus docu- mentos devem ser minuciosamente sele- cionados e classificados de acordo com o interesse de seu público e que seja capaz de atraí-los, de satisfazê-los”. Vamos às defesas para a classificação por cores? Um dos principais elementos do código visual, a cor deve ser sempre bem destacada para que possa chamar a atenção do usuário e deve ser tratada em conjunto com todo o espaço físico, mobiliário e equipamentos da 38 39 biblioteca no sentido de buscar um melhor aspecto visual de todo o ambiente (PINHEI- RO; SACHETTI, 2004). A classificação por cores facilita o en- contro da obra desejada, pois as cores são uma das primeiras linguagens que a criança aprende quando pequena. Ao atentarmos para essa realidade, o relacionamento da criança com livros torna-se-á mais fácil, au- mentado a possibilidade de que ela visite a biblioteca por prazer e saia dali satisfeita (PINHEIRO; SACHETTI, 2004). A classificação por cores facilita o con- tato dos pequenos com um espaço lúdico, transportando-os para um mundo colorido. Com o auxilio das cores, eles poderão criar uma relação particular com as histórias, es- tabelecendo-se um contato mais agradável e prazeroso com o livro (PINHEIRO, 2009). Dentre as inúmeras possibilidades de trabalhar com cores, vamos citar alguns exemplos práticos, todos eles em formato de figuras. Não há como não entender! Cores vibrantes para os livros de literatura Fonte: Pinheiro e Sachetti (2004). Fonte: Pinheiro (2009). 40 4140 REFERÊNCIAS BÁSICAS CAMPELLO, Bernadete. Biblioteca esco- lar: conhecimentos que sustentam a práti- ca. Belo Horizonte: Autêntica, 2012. MACEDO, Luciana Alves de. Biblioteca escolar como espaço de incentivo à leitura. João Pessoa: UFPB, 2010. PIMENTEL, Graça; BERNARDES, Liliane; SANTANA, Marcelo. Biblioteca escolar. Bra- sília: Universidade de Brasília, 2007. REFERÊNCIAS COMPLEMENTARES ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1991. ALONSO, Claudia Maria Rodrigues. 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Integrada à comunidade escolar, a biblioteca proporcionará a seu pú- blico leitor uma convivência harmo- niosa com o mundo das ideias e da informação. Nesse sentido, Santos (1989) diz que incentivar e disseminar o gosto pela leitu- ra é o principal objetivo da biblioteca es- colar. Segundo o Manifesto IFLA/UNESCO (2002, p.4), tem-se a biblioteca escolar como propiciadora na disseminação de in- formação e ideias que estão diretamente ligadas à sociedade, dessa maneira, vê-se a mesma como uma ferramenta didática no processo de ensino-aprendizagem: a biblioteca escolar propicia informa- ção e ideias que são fundamentais para o sucesso de seu funcionamento na socie- dade atual, cada vez mais baseada na in- formação e no conhecimento; a biblioteca escolar habilita os alunos para a aprendizagem ao longo da vida e desenvolve sua imaginação, preparando- -os para viver como cidadãos responsá- veis. No contexto da linguística, também se encontra definição para biblioteca escolar como se pode ver em Bakhtin (1999). Esse autor vê a biblioteca escolar como um es- paço discursivo no qual dialogam as mais diversas vozes, ele não a vê apenas como uma instância cultural e educativa. Afinal, a biblioteca escolar é um espaço para re- flexão e discussão. Assim, biblioteca escolar é um instru- mento pedagógico/didático que auxilia no processo de ensino-aprendizagem, pro- piciando a disseminação da informação/ conhecimento e possibilitando a reflexão e discussão através dos vários discursos existentes na polifonia (várias vozes) dos documentos da biblioteca, a fim de formar cidadãos críticos (TAVARES, SILVA, VALÉ- RIO, 2013). Para muitos autores, a tipologia (citada na introdução) de cada biblioteca depen- de das funções desempenhadas por ela. De acordo com este entendimento, ela pode ser: a) Escolar: localiza-se em escolas e é organizada para integrar-se com a sala de aula e no desenvolvimento do currículo escolar. Funciona como um centro de re- cursos educativos, integrado ao proces- so de ensino-aprendizagem, tendo como objetivo primordial desenvolver e fomen- tar a leitura e a informação. Poderá servir também como suporte para a comunidade em suas necessidades. b) Especializada: sua finalidade é pro- mover toda informação especializada de determinada área, como, por exemplo, agricultura, direito, indústria, entre ou- tras. c) Infantil: tem como objetivo primor- 6 7 dial o atendimento de crianças com os di- versos materiais que poderão enriquecer suas horas de lazer. Visa a despertar o en- cantamento pelos livros e pela leitura e a formação do leitor. d) Pública: está encarregada de ad- ministrar a leitura e a informação para a comunidade em geral, sem distinção de sexo, idade, raça, religião e opinião políti- ca. e) Nacional: é a depositária do patrimô- nio cultural de uma nação. Encarrega-se de editar a bibliografia nacional e fazer cumprir o depósito legal. Em alguns casos, essa biblioteca, única, em cada país, ne- cessita de uma política especial de recur- sos e, por falta de interesse na conserva- ção do patrimônio nacional, torna-se um depósito de livros, sem meios suficientes para difundir sua valiosa coleção. f) Universitária: é parte integrante de uma instituição de ensino superior e sua finalidade é oferecer apoio ao desenvolvi- mento de programas de ensino e à realiza- ção de pesquisas. É importante entender que a tipologia de cada biblioteca nos ajuda não só a per- ceber a função social de cada uma, como também requer um conhecimento mais apurado da comunidade na qual a biblio- teca está inserida, evidenciando princi- palmente suas necessidades e seus an- seios por informação e hábitos culturais. Ter conhecimento das necessidades da comunidade é que propiciará o estabele- cimento de diretrizes e ações que permiti- rão alcançar os resultados almejados com o fazer cultural e educacional (PIMENTEL; BERNARDES; SANTANA, 2007). 2.2 Missão As seguintes missões básicas, relacio- nadas à informação, alfabetização, edu- cação e cultura, devem estar na essência dos serviços da biblioteca: 1. Criar e fortalecer o hábito de leitura nas crianças desde a mais tenra idade. 2. Apoiar tanto a educação individual e autodidata como a formal em todos os níveis. 3. Proporcionar oportunidades para o desenvolvimento criativo pessoal. 4. Estimular a imaginação e a criativi- dade tanto de crianças como de jovens e adultos. 5. Promover o conhecimento da heran- ça cultural e a apreciação das artes, reali- zações e inovações científicas. 6. Propiciar acesso às expressões cul- turais das artes em geral. 7. Fomentar o diálogo intercultural e favorecer a diversidade cultural. 8. Apoiar a tradição oral. 9. Garantir acesso dos cidadãos a todo tipo de informação comunitária. 10. Proporcionar serviços de informa- ção adequados a empresas locais, asso- ciações e grupos de interesse. 11. Facilitar o desenvolvimento da in- formação e da habilidade no uso do com- putador. 12. Apoiar atividades e programas de alfabetização para todos os grupos de idade, participar deles e implantá-los, se necessário (ANTUNES; CAVALCANTE; AN- TUNES, 2000). 8 9 2.3 Objetivos/funções A biblioteca, segundo Veiga et al. (2001), deve ser percebida como uma uni- dade orgânica da escola, integrando-se as suas atividades no projeto educativo da própria escola e deve constituir-se como um recurso básico do processo educati- vo, desempenhando um papel fulcral em diversos domínios como, entre outros, a aprendizagem da leitura, o fomento do prazer de ler ou a promoção de hábitos de leitura. Na verdade, as bibliotecas esco- lares apresentam alguma especificidade na medida em que, apesar de serem uma biblioteca, são igualmente uma parte da escola (SILVA, 2002). De acordo com Pessoa (1996), a biblio- teca escolar deve ser um espaço onde se fomenta o trabalho independente, a in- vestigação, o apoio ao trabalho dos do- centes, mas também deve ser um espaço de prazer. Segundo Calixto (1996), a biblioteca escolar desempenha dois papéis. Em pri- meiro lugar, é o recurso de informação prioritário da escola; em segundo, é o lo- cal privilegiado para o desenvolvimento, nas crianças e nos jovens, de capacidades e de competências designadas por habili- dades de informação, que consistem num conjunto de etapas de trabalho intelec- tual, constituídas pelo planejamento, lo- calização e recolha, seleção e avaliação, organização e registo, comunicação e re- alização, avaliação. Desse modo, a biblioteca escolar terá a função formativa de desenvolver nos alu- nos hábitos de leitura e de estudo e tam- bém competências no âmbito da informa- ção e da investigação (SILVA, 2002 apud BALÇA, 2011). A biblioteca escolar tem como função desenvolver nos alunos, desde o início de sua escolarização, habilidades para locali- zar, selecionar e interpretar informação, contribuindo com a Unidade Escolar no processo de ensino e aprendizagem. Des- sa forma, a biblioteca escolar deve estar voltada ao processo educativo. É fundamental que o Bibliotecário par- ticipe da elaboração da Proposta Peda- gógica, conheça o Plano Docente para apropriar-se dos conteúdos e desenvolver atividades diversificadas, possibilitando a ampliação da prática pedagógica (MALA- QUIAS, 2008). Embora tão marginalizada de nosso sistema educacional, a biblioteca escolar tem funções fundamentais a desempe- nhar e que podem ser agrupadas em duas categorias – a educativa e a cultural. Na função educativa, ela representa um reforço à ação do aluno e do professor. Quanto ao primeiro, desenvolvendo habi- lidades de estudo independente, agindo como instrumento de autoeducação, mo- tivando a uma busca do conhecimento, in- crementando o gosto pela leitura e ainda auxiliando na formação de hábitos e atitu- des de manuseio, consulta e utilização do 8 9 livro, da biblioteca e da informação. Quan- to à atuação do educador e da instituição, a biblioteca complementa as informaçõesbásicas e oferece seus recursos e serviços à comunidade escolar de maneira a aten- der as necessidades do planejamento cur- ricular. Em sua função cultural, a biblioteca de uma escola torna-se complemento da educação formal, ao oferecer múltiplas possibilidades de leitura e, com isso, levar os alunos a ampliar seus conhecimentos e suas ideias acerca do mundo. Pode contri- buir para a formação de uma atitude posi- tiva, prazerosa frente à leitura e, em certa medida, participar das ações da comuni- dade escolar, servindo-lhes de suporte (OLIVEIRA et al., 2005). Nessas funções, por assim dizer, “ideais” de uma biblioteca escolar, es- tariam implícitos seus objetivos como instituição, que relacionam-se a se- guir: a) Cooperar com o currículo da escola no atendimento às necessidades dos alunos, dos professores e dos demais elementos da comunidade escolar. b) Estimular e orientar a comunidade escolar em suas consultas e leituras, fa- vorecendo o desenvolvimento da capaci- dade de selecionar e avaliar. c) Incentivar os educandos a pensar de forma crítica, reflexiva, analítica e criado- ra, orientados por equipes inter-relacio- nadas (educadores + bibliotecários). d) Proporcionar aos leitores materiais diversos e serviços bibliotecários adequa- dos ao seu aperfeiçoamento e desenvol- vimento individual e coletivo. e) Promover a interação professor-bi- bliotecário-aluno, facilitando o processo ensino-aprendizagem. f) Oferecer um mecanismo para a de- mocratização da educação, permitindo o acesso de um maior número de crianças e jovens a materiais educativos e, através disso, dar oportunidade ao desenvolvi- mento de cada aluno a partir de suas ati- tudes individuais. g) Contribuir para que o educador am- plie sua percepção dos problemas educa- cionais, oferecendo-lhe informações que o ajudem a tomar decisões no sentido de solucioná-los, tendo como ponto de parti- da valores éticos e cidadãos (OLIVEIRA et al., 2005). De nada serviria uma bela biblioteca es- colar, com espaço físico e acervo suficien- te às necessidades do estabelecimento de ensino se, para exercer as funções e cumprir seus objetivos, não estiver em seu comando um profissional consciente, com sensibilidade e habilitações básicas para manter esse espaço de cultura e in- formação bem ajeitado e atraente. A biblioteca deve existir em local: de fá- cil acesso, ventilado, iluminado (mas não exposto diretamente aos raios solares), que permita ampliações futuras (OLIVEI- RA et al., 2005). 2.4 Importância Sendo a escola um espaço de aprendi- zagem permanente, é preciso usufruir das coisas boas que lá existem e desenvolver suas potencialidades ajudando, assim, a escola a crescer. É dessa interação que estamos falando. 10 11 Nesse sentido, a biblioteca escolar não deve ser só um espaço de ação pedagógi- ca, servindo como apoio à construção do conhecimento e de suporte a pesquisas. Deve ser, sim, um espaço perfeito para que todos que nela atuam possam utilizá- -la como uma fonte de experiência, exer- cício da cidadania e formação para toda a vida. É consenso dos educadores que o de- sempenho escolar flui melhor quando a escola tem uma biblioteca dinâmica. Está escrito no Manifesto da Unesco (1976, p. 158-163) sobre biblioteca esco- lar: “[...] Biblioteca é a porta de entrada para o conhecimento, fornece as condi- ções básicas para o aprendizado perma- nente, autonomia das decisões e para o desenvolvimento cultural dos indivíduos e dos grupos sociais [...]”. Assim, a escola deve favorecer o conhe- cimento mútuo e, nesse aspecto, todos os que nela atuam têm um papel preponde- rante. É preciso perceber que a educação não se dá unilateralmente, só em relação ao aluno. É participando do projeto pedagógico que você, profissional da educação, se sentirá seguro para construir também seu conhecimento. Isso fará de você uma pes- soa mais participativa e feliz (PIMENTEL; BERNARDES; SANTANA, 2007). Nesse sentido, vale lembrar Bourdieu (1977 apud ALONSO, 2005) quando dis- corre sobre a aquisição do capital inte- lectual do sujeito que está diretamente ligada ao número de anos passados na escola e às possibilidades de acesso aos bens culturais no decorrer deste período. A escola proporciona a seus frequentado- res um contato mais próximo e sistemati- zado com a cultura letrada. Esse contato frequente com a biblio- teca escolar representa, para o educan- do, a possibilidade de se apropriar de um conhecimento que possibilite desvelar e questionar esse arbítrio, embora o acervo disponível na biblioteca também seja, de certa forma, parte daquele arbitrário cul- tural. De qualquer modo, há sempre lugar para a alternativa, para a controvérsia e para a diferença nos meandros de uma bi- blioteca, seja ela escolar ou não (ALONSO, 2005). Uma forte aliada nesse processo de aquisição cultural no âmbito da escola pode ser a biblioteca, desde que em sua concepção esteja previsto esse papel. Que concepção de biblioteca prevê sua utilização para o alcance de tais aquisi- ções? Indaga Alonso. A definição da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários, Cientis- tas da Informação e Instituições (FEBAB), apresenta a biblioteca escolar como uma instituição do sistema social que organi- za materiais bibliográficos, audiovisuais e outros meios e os coloca à disposição de uma comunidade educacional. Constitui parte integral do sistema educacional e participa de seus objetivos, metas e fins. É um instrumento de desenvolvimento do currículo e permite o fomento à leitura e formação de uma atitude científica; cons- titui um elemento que forma o indivíduo para a aprendizagem permanente; esti- mula a criatividade, a comunicação, facili- ta a recreação, apoia os docentes em sua capacitação e lhes oferece a informação necessária para a tomada de decisões na 10 11 aula. No Manifesto da UNESCO (1999 apud ALONSO, 2005) sobre as biblio- tecas escolares, encontram-se as se- guintes afirmações: a biblioteca escolar disponibiliza ser- viços de aprendizagem, livros e recursos que permitem a todos os membros da comunidade escolar tornarem-se pensa- dores críticos e utilizadores efetivos da informação em todos os suportes e meios de comunicação; a biblioteca escolar é essencial a qual- quer estratégia de longo prazo nos domí- nios da literatura, educação, informação e desenvolvimento econômico, social e cul- tural; a biblioteca escolar é um parceiro es- sencial das redes local, regional e nacional de bibliotecas e de informação; a biblioteca escolar é parte integran- te do processo educativo. 12 1312 Nosso ponto de partida decorre da no- ção de que o termo “biblioteca escolar” designa um dispositivo informacional1 que: a) Conta com espaço físico exclusivo, suficiente para acomodar: - o acervo; - os ambientes para serviços e ativida- des para usuários; - os serviços técnicos e administrativos. b) Possui materiais informacionais va- riados, que atendam aos interesses e ne- cessidades dos usuários. c) Tem acervo organizado de acordo com normas bibliográficas padronizadas, permitindo que os materiais sejam encon- trados com facilidade e rapidez. d) Fornece acesso a informações digi- tais (Internet). e) Funciona como espaço de aprendiza- gem. f) É administrada por bibliotecário qua- lificado, apoiado por equipe adequada em quantidade e qualificação para forne- cer serviços à comunidade escolar (CAM- PELLO et al., 2010). Organizar uma biblioteca não é uma tarefa simples, ao contrário, exige uma série de cuidados que devem ser observa- dos para que se atinjam os objetivos aos quais se propõe. A biblioteca escolar deve ser encarada como um espaço dinâmico e indispensá- vel na formação do cidadão. É a biblioteca escolar que abrirá, ainda no ensino básico, os caminhos para que os alunos desenvol- vam a curiosidade e o senso crítico que os levarão à cidadania plena. Ainda falando em definições, Válio (1990) lembra que biblioteca escolar é uma instituiçãoque organiza a utilização dos livros, orienta a leitura dos alunos, co- opera com a educação e com o desenvol- vimento cultural da comunidade escolar e dá suporte ao atendimento do currículo da escola. De acordo com o Manifesto da Organi- zação das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Unesco – (1976, p.158-163), a biblioteca escolar propicia infor- mação e ideias fundamentais para o funcionamento bem-sucedido da atual sociedade, baseada na infor- mação e no conhecimento. A biblio- teca escolar habilita os estudantes para a aprendizagem ao longo da vida e desenvolve a imaginação, pre- parando-os para viver como cida- dãos responsáveis. A concepção pedagógica proposta pe- los Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) vem, com certeza, reforçar o pa- pel da biblioteca dentro da escola. Ela se constituirá no espaço coletivo para o com- partilhamento dos recursos didáticos que as novas metodologias irão exigir. Fica UNIDADE 3 - Estrutura e Funcionamento 1- “[...] um dispositivo é uma instância, um local social de inte- ração e de cooperação com suas intenções, seu funcionamento material e simbólico, enfim, seus modos de interação próprios [...] implicando noção de intencionalidade, de ação realizada por pessoas ou materiais, tendo em vista um objetivo a ser al- cançado” (PIERUCCINI, 2004). 12 1313 evidente que esses recursos deverão es- tar próximos dos alunos, não se justifican- do mais soluções paliativas que sugeriam que a biblioteca pública poderia substituir a biblioteca escolar (CALDEIRA, 2002). Quanto ao planejamento do espaço da biblioteca, este deve ser feito em função do acervo e do uso que se pretende dele fazer. Além de salas para abrigar o acervo geral, a coleção de referência e a de perió- dicos, devem ser previstas salas para uso individual e de grupos, locais específicos para uso de equipamentos (computado- res, gravadores, videocassetes), lugar separado para a coleção infantil para ati- vidades com crianças menores, além de salas de projeções. Tal espaço facilitará o planejamento e o desenvolvimento do programa da biblio- teca. Se esse ideal não é possível, será necessário planejar criteriosamente as atividades na biblioteca, otimizando-se o uso dos locais disponíveis. 3.1 Espaço físico e seguran- ça A Ciência da Biblioteconomia é bastan- te abrangente e engloba muitos aspec- tos. Ao se pensar na implantação de uma biblioteca, alguns destes precisam ser considerados. Dentre eles, destacam-se: a) ESPAÇO: refere-se geralmente a três aspectos – local destinado ao arma- zenamento da coleção ou acervo; local destinado ao trabalho e local destinado ao atendimento e à consulta. A deter- minação correta destes espaços exige a elaboração de fluxogramas que indiquem a circulação de pessoas, de obras, percen- tagem de usuários simultâneos e a forma de utilização do acervo. Trata-se de um estudo e deve ser pensado e desenvolvi- do como tal. O espaço deve ser sempre projetado para crescimento num prazo de 10 anos. Em 10 anos, a média de crescimento do acervo deve ser estimada em 50%. Segundo Barreto (2008), é imprescin- dível que o usuário possa manusear diver- sos tipos de livros e conhecer diferentes gêneros textuais. Para que seja possível fazer novas descobertas, o usuário deve poder procurar os livros nas estantes. Dessa forma, ele irá não apenas encontrar os livros indicados pelos professores em sala de aula como também poderá desco- brir um mundo de possibilidades de leitu- ra. A organização dos livros nas estantes deve ser facilitada por um sistema simples de catalogação – que deve ser um aliado dos usuários e não mais um empecilho entre o indivíduo e o acesso aos livros. O sistema de cores geralmente é o mais uti- lizado nas bibliotecas escolares. É preciso também reservar um espaço para a heme- roteca (seção das bibliotecas em que se colecionam jornais e revistas). b) LOCALIZAÇÃO: uma biblioteca deve ser localizada em área central com relação ao seu público. É interessante levar-se em conta a necessidade de futuras amplia- ções. Recomenda-se que haja facilidade de acesso e a biblioteca esteja em local longe de ruídos externos. c) MOBILIÁRIO: deve ser sólido, de fá- cil manutenção e padronizado. É impres- 14 15 cindível a existência de balcões ou ilhas de atendimento, cadeiras, mesas, estantes, fichários, balcões para terminais de con- sulta, vitrines para exposições, murais, bibliocantos, (suporte em L para segurar as obras nas prateleiras) e carrinhos para transporte das obras. As estantes para o acervo geral devem possuir altura máxi- ma de 1,80 m., largura de cerca de 1 m., cinco a seis prateleiras reguláveis e remo- víveis. O espaço ideal entre as estantes é de 0,75 a 1m. As estantes para o acervo de referên- cia ou coleções de obras raras podem ter de 1 a 1,10 m. de altura, em virtude do peso destas obras e as dificuldades de seu manuseio. Segundo Barreto (2008), deve-se pro- porcionar um agradável ambiente de lei- tura – com a criação de espaços agradá- veis para o convívio com os livros e demais suportes de leitura e diversidade de lin- guagens, é possível oferecer ambiências de leitura. Para tanto, podemos utilizar: tapetes; almofadas; cadeiras confortáveis; cestos com revistas e jornais; baús com gibis e livros; quadros; cartazes com citações e frases de in- centivo à leitura; espaço colorido; estante ou prateleira com novidades. É preciso criar um ambiente adequado para ler ou ouvir com prazer uma boa his- tória, discutir ideias e trocar experiências. Na verdade, é imprescindível mexer com o preestabelecido. Faz-se mister revitali- zar o espaço da biblioteca escolar, a fim de permitir e, inclusive, incentivar a perma- nência dos usuários no local. d) EQUIPAMENTOS: os principais são ar condicionado (que deve ser dotado de compressor térmico contra sobrecarga e superaquecimento, compressor lateral para diminuir o nível de ruído, timer pro- gramável, 3 velocidades de refrigeração, um ventilador e um termostato), bebe- douro, copiadora, microcomputadores e impressoras, persianas, telefone, fax, TV, vídeo, scanner. e) ILUMINAÇÃO: a iluminação é impor- tante tanto para as pessoas quanto para o acervo. A quantidade máxima de radia- ção UV recomendada é de 75 UV (mm/lú- men). A luz solar direta deve ser evitada. O ambiente deve ser claro e a iluminação compatível com a atividade de leitura im- pressa ou na tela. f) PISOS E REVESTIMENTOS: a primei- ra recomendação é não esquecer que es- tantes e livros possuem peso muito supe- rior a uma pessoa e este peso é constante. Os seguintes fatores não podem deixar de ser considerados: o piso ou revestimento deve ser capaz de absorver ruídos, não re- fletir luz, ser durável, fácil de manter, ató- xico e antiderrapante. g) SINALIZAÇÃO: tem por objetivo orientar os usuários quanto aos servi- ços que a biblioteca oferece, facilitando seu acesso, seu uso e dinamizando seu funcionamento. Chama-se sinalização di- recional aquela que tem por objetivo in- formar os pontos principais, materiais e serviços disponíveis, indicando o caminho a seguir. A sinalização instrucional traba- 14 15 lha explicações de procedimentos, uso de materiais, coleções, equipamentos. A si- nalização reguladora demonstra o regula- mento, fala do comportamento adequado ou especifica horários. Existe também a sinalização de restrição, que é muito co- mum e, às vezes, muito necessária (Não fume – Silêncio). Pode-se também utilizar uma sinalização de alerta para chamar a atenção para alguma coisa. h) SEGURANÇA: embora não exista uma estrutura de segurança completa- mente perfeita, alguns aspectos precisam ser verificados. Numa biblioteca, paredes e portas corta-fogo são imprescindíveis, assim como a presença de saídas de emer- gência. Os extintores de pó químico (para o acervo) e os usuais são obrigatórios. h.1- Instalação elétrica: deve seguir as normas da NBR 5410. A chave do ser- viço elétrico centraldeve ser localizada de forma a permitir acesso fácil e imediato. Deve conter instruções para desligamen- to. h.2- Instalações hidráulicas: as tubu- lações de água não devem passar sobre as áreas de coleções e de armazenamento de livros. As válvulas de fechamento de água devem estar indicadas. h.3- Vigilância: hoje se recomenda o uso de circuito fechado de TV para mo- nitorar a biblioteca. Existem também di- versos sistemas antifurto disponíveis no mercado, semelhantes aos das lojas co- merciais. Os furtos de obras podem ser reduzi- dos pela proibição de entrada de usuários, portando, objetos pessoais como livros, pastas, guarda-chuvas, entre outros, de- vem ficar no guarda-volumes. O planejamento do guarda-volumes é uma exigência quando se quer ter bem or- ganizadas as condições de atendimento. i) VENTILAÇÃO, UMIDADE E TEMPE- RATURA: na biblioteca, a temperatura e a umidade do ar precisam ser controladas. Segundo padrões internacionais, a tem- peratura ideal para conforto das pessoas é de 22 a 24º C. Para os livros, a tempera- tura recomendada é de 16 a 19º C; para fo- tografias e filmes, é de 18 a 4º C. Lembre-se: a duração média de um livro é direta- mente ligada ao grau de temperatura am- biente; estudos provaram que a simples dimi- nuição de 2º C na temperatura de alguns acervos resultou em longevidade sete ve- zes maior para os livros; todas as oscilações de temperatura devem ser evitadas; a umidade é considerada inimiga das coleções bibliográficas. Quando em ex- cesso, propicia a formação de mofo. Quan- do muito baixa, produz ressecamento do papel; o grau de umidade indicado é de 30% a 60%; uma boa ventilação também é im- prescindível. O ar deve ser constantemen- te renovado. j) SISTEMA DE COMUNICAÇÃO EXTER- NO E INTERNO: a biblioteca nunca pode apresentar a dinâmica de uma ilha. Os res- ponsáveis pelo funcionamento de uma biblioteca têm por obrigação desenvolver um sistema de comunicação externo e in- terno eficiente para permitir a realização das atividades programadas para este 16 1716 espaço. Devem utilizar-se – para tal – do telefone, do fax, da Internet, da Intranet (rede institucional), dos memorandos e das reuniões. 3.2 Horário de funciona- mento Segundo Barreto (2008), deparar-se com a biblioteca trancada não é pouco comum. O horário de funcionamento nem sempre condiz com os horários que pro- fessores e alunos podem e desejam utili- zá-la. O fato é que o horário da biblioteca fica a cargo do horário da pessoa que lá trabalha. Pense numa biblioteca aberta em perí- odo integral, onde a comunidade pudesse aproveitar a hora do almoço para desfrutar de uma boa leitura. Pense numa biblioteca aberta no período de férias escolares, nos fins de semana, para que fosse aproveita- da como mais uma forma de lazer. Por enquanto, talvez seja somente um sonho. Mas, sabendo das dificuldades para essa realização, Barreto (2008) su- gere apenas que a biblioteca escolar pres- te seus serviços em um horário amplo. Para que seja utilizada como um lugar de aprendizagem ativa, ela deve estar aber- ta durante todo o período letivo. O fato de a biblioteca estar em funcio- namento fora do horário de aula é um im- portante fator para o desenvolvimento da comunidade escolar. Deve-se fazer um esforço e encontrar soluções para que a biblioteca permaneça aberta o maior tem- po possível. Adequar o horário de funcionamento com o horário das aulas e com o recreio – a biblioteca é um espaço escolar que precisa estar sempre aberto, pulsante e com no- vidades. Para isso, é preciso que pessoas fiquem encarregadas de manter a biblio- teca aberta praticamente todo o tempo de atividades da escola (BARRETO, 2008). 16 1717 Colecionar é reunir um conjunto de itens ou objetos que têm uma ou mais ca- racterísticas comuns. A ideia do que vem a ser uma coleção faz parte do nosso dia a dia, pois quem em um dado momento da vida não se viu decidindo sobre colecionar alguma coisa, como gibis, selos, livros, CDs ou outros. Assim, pode-se dizer que formar e de- senvolver um acervo é decidir quais itens farão, ou não, parte desse conjunto. No entanto, a realização de tal tarefa exi- ge o estabelecimento de certos critérios para se compor, desenvolver, armazenar e manter uma coleção. Para uma boa organização do acervo, é preciso seguir um conjunto de técnicas desenvolvidas especificamente para esse fim. A formação do acervo envolve um tra- balho constante de inclusão e exclusão de itens, atividade que favorece a atuali- zação do acervo com relação aos anseios dos usuários, que podem variar de acordo com o surgimento ou o desuso das suas necessidades de informação. Nesse sentido, você deve estar aten- to à atualização do material pertencente à biblioteca escolar, tendo em vista que o desenvolvimento de um acervo escolar está intimamente ligado ao grau de uso de seus materiais informacionais. Isso leva à conclusão de que não existe um único processo de desenvolvimento para toda e qualquer biblioteca, ou seja, cada biblio- teca, por estar inserida em um diferente meio, exigirá para seu acervo um tipo di- ferente de desenvolvimento. Em resumo, ao avaliar a formação de um acervo, é preciso buscar entender a comunidade escolar envolvida (profis- sionais da educação, alunos, pais) e suas necessidades de informação, bem como a política de ensino da instituição, para que se possa selecionar com qualidade os itens que serão adquiridos por meio de compra, doação ou permuta (BERNAR- DES; PIMENTEL, SANTANA, 2013). 4.1 Armazenamento, sele- ção, aquisição e descarte Armazenamento vem de armazém, depósito, então, para se armazenar um acervo, é preciso antes definir os espa- ços, suas funções, seus materiais, sua uti- lização, seu layout, os locais destinados à administração, ao processamento téc- nico, ao setor de circulação (empréstimo e devolução), a área de estudos, ao local destinado às estantes, entre outros. A definição desses e de outros espaços vai fazer com que o acervo seja armazenado da melhor maneira possível. Como são selecionados os livros que chegam para a biblioteca escolar? Todos os livros recebidos são aproveitados? A seleção é uma atividade utilizada como ferramenta básica para definição da composição de um acervo, tanto quanto à forma (tipo de livro que deverá compor o acervo), como quanto ao conteúdo (as- suntos de interesse). Geralmente, a sele- ção é uma escolha fundamentada em es- tudos. UNIDADE 4 - Formação, Desenvolvimento e Organização do Acervo 18 19 Não adianta nada, por exemplo, sele- cionar livros de medicina para uma biblio- teca que tenha como maioria uma cliente- la infantil. Ou ter um número elevado de um exemplar com o mesmo título ocupan- do espaços de outros livros. O selecionador é quem determina quais documentos entram e quais saem do acer- vo, sempre norteado por critérios adota- dos para seleção, nunca se esquecendo da importância da comunidade na qual a biblioteca se insere. A aquisição é uma etapa que põe em prática as decisões da seleção. Inclui to- das as atividades inerentes aos processos de compra, doação e permuta de livros. A preocupação com o processo de aquisição é extremamente necessária, pois é ela quem garante a qualidade do acervo. Sabemos que nem sempre a escola re- cebe recursos financeiros para compra, mas uma boa campanha de arrecadação pode suprir as necessidades de composi- ção do acervo. Uma estante com livros para trocas também é uma boa sugestão. De repente, você pode colocar aqueles livros em dupli- cidade, de pouco uso, e fazer a permuta. Outra ideia interessante é ter uma boa comunicação com outras bibliotecas. O que não é usado na sua biblioteca pode ser importante para outra e vice-versa (BER- NARDES; PIMENTEL, SANTANA, 2013). O desbaste é uma retirada temporária de alguns itens da coleção, ou seja, esses poderão ser guardados em um depósito ou em outro local específico até a decisão de sua recolocação no acervo. Porexemplo, os professores desenvol- vem todo ano, no mês de agosto, um mes- mo trabalho sobre folclore. Então, neste período, todo o acervo sobre esse assun- to deve estar disponível. Quando chegar o término desse período, os livros poderão ser desbastados. O descarte ou seleção negativa é uma tarefa que consiste em retirar do acervo da biblioteca, de forma definitiva, livros repetidos (mais de um exemplar), livros comprovadamente sem uso (verifica- dos pelas estatísticas de empréstimo) ou aqueles danificados a tal ponto que seu conserto se torne inviável (ou por não po- der ser recuperado ou pelo custo da recu- peração não compensar). Entre os muitos objetivos do descarte, destaca-se o de procurar manter o nível de qualidade do acervo, nunca perdendo de vista o usuário. Portanto, só se pode descartar ou desbastar um conjunto de li- vros, após uma seleção criteriosa (PIMEN- TEL; BERNARDES, SANTANA, 2013). 4.2 Organização do acervo Imagine-se procurando determinado li- vro, o qual está guardado em seu quarto. Você se lembra de já o ter visto em algum lugar do seu “acervo”, guardado em algum lugar e não o encontra de maneira razoa- velmente rápida. Isso se dá em virtude de sua não preocupação em organizar seus livros e de confiar em sua memória. Diante dessa situação, só resta “explo- rar o acervo” de livros, examinando um a um. Quanto tempo e trabalho serão dispen- sados? Questionam os autores acima. 18 19 Daí a importância de se criar uma “me- mória externa”, como catálogos, bases de dados e outros mecanismos necessários para que se tenha o controle eficiente de um acervo, que permita encontrar de for- ma rápida aquilo de que se necessita. Portanto, o controle eficiente de um acervo pede uma organização baseada no armazenamento e no arranjo das cole- ções, etapas também dependentes de um processamento técnico, importante ao preparo do material voltado para emprés- timo e devolução. Como já foi dito, nos dias de hoje, um acervo de uma biblioteca não possui so- mente livros. Ele passou a ser constituí- do por diferentes tipos de coleções que variam de acordo com os diferentes tipos de bibliotecas. Desse modo, um acervo de uma biblioteca especializada deverá ser diferente do acervo de uma biblioteca escolar. No entanto, toda e qualquer bi- blioteca tende a ter um mesmo conjunto básico de coleções, como as mencionadas a seguir. 1. Coleção de livros de referência: São livros de consulta. Trazem informa- ções superficiais, introdutórias, básicas. São chamadas obras de referência porque indicam onde encontrar o assunto procu- rado de uma forma mais detalhada. Em geral, não podem sair das instalações da biblioteca, não sendo dessa maneira em- prestadas. Incluem-se nessa categoria: dicionários, enciclopédias, atlas, índices, entre outras. 2. Coleção de livros-textos: São os livros que compõem o acervo geral: literatura, livros didáticos, informa- tivos, entre outros. 3. Coleção de periódicos: São materiais publicados sob a forma de revistas, jornais ou outro tipo de mate- rial que circule em períodos regulares (se- manalmente, mensalmente, anualmente) ou outro período. Vale ressaltar que esse tipo de material é o que traz as informações mais atualiza- das. 4. Coleção de materiais não biblio- gráficos ou multimeios: São aqueles que estão em uma forma diferente da dos livros. São os CDs, fitas VHS, slides, discos de vinil, fitas cassetes, jogos, entre outros. 5. Hemeroteca: São arquivos de recortes de jornais que informam sobre assuntos diversos e te- mas atuais. 20 2120 5.1 A Ciência da Informação Informática é o termo usado para se descrever o conjunto das Ciências da In- formação, estando incluídas neste grupo: a Ciência da Computação, a teoria da in- formação, o processo de cálculo, a análise numérica e os métodos teóricos da repre- sentação dos conhecimentos e de mode- lagem dos problemas. Ciência que estuda e aperfeiçoa as téc- nicas de tratamento automático da infor- mação, utilizando para isso um computa- dor. Estudo científico de informação auto- mática, compreendendo coleta, armaze- namento, classificação, transformação e disseminação da informação. A entrada da informática na biblioteca trouxe não só agilidade na recuperação das informações, mas também racionali- zou e agilizou os processos técnicos. Estão surgindo “bibliotecas virtuais”, aquelas que podem ser acessadas e con- sultadas a longas distâncias, não exigin- do do cliente sua presença física no local onde está o acervo bibliográfico. Elas permitem um intercâmbio muito mais fácil, troca de experiências, vitali- zando e dinamizando os acervos bibliográ- ficos. É claro que nem todas as bibliotecas dispõem destas tecnologias, mas é verda- de que não houve mudança nas funções tradicionais da biblioteca que são: reunir, organizar e difundir a memória cultural da humanidade. As inovações tecnológicas não pode- riam ficar de fora das bibliotecas. Numa sociedade que cada vez mais depende da informação para gerar conhecimento, a informática veio para ficar nas bibliotecas. O uso do computador, com softwa- res específicos para o gerenciamento de bibliotecas, tem se revelado uma ferra- menta indispensável para agilizar e ra- cionalizar os processos de incorporação e recuperação da informação bibliográfica. Duas áreas de serviços bibliotecários estão sendo beneficiadas com a automa- ção: serviços aos usuários e serviços de processos técnicos. Na circulação: a automação veio aju- dar no sistema de controle do empréstimo e devolução dos documentos e na elabo- ração de relatórios de livros em atraso. Na catalogação: a automação fez viabilizar os serviços de catalogação co- operativa automatizada; catálogos em li- nha (on-line) e catálogos de assuntos. No serviço de referência: a auto- mação facilitou a criação de bancos de dados nacionais e internacionais acessa- dos através de redes para a recuperação automática da informação bibliográfica, o empréstimo entre bibliotecas através do microcomputador e o desenvolvimen- to de bibliotecas digitais e muitas outras possibilidades de acesso à informação (OLIVEIRA et al., 2005). Mas antes de falarmos da automação das bibliotecas vamos ver um pouco mais sobre os multimeios? UNIDADE 5 - Os Multimeios, as Novas Tec- nologias a Serviço da Educação e a Ativa- ção da Biblioteca 20 2121 5.2 Os multimeios e progra- mas multimídia Os múltiplos meios aplicados à educa- ção são compostos por um grupo de ele- mentos que tem como objetivo facilitar a disseminação do conhecimento, e é uma verdadeira revolução na área educacional (CASTRO, 2011). Esses elementos, quando integrados, oferecem o que há de melhor em recursos didáticos. A integração dos hardwares, softwa- res e recursos humanos é a fórmula qua- se perfeita para a instituição encontrar o ponto certo para oferecer uma educação de boa qualidade. Não se pode esquecer que o corpo ges- tor da instituição, como um todo, precisa ter conhecimentos satisfatórios de tec- nologias educacionais, somado ao conhe- cimento dos novos paradigmas da educa- ção. Nesse contexto, as aplicações multimí- dias representam um dos pontos mais for- tes para que o professor venha atingir seu objetivo principal, conquistar a atenção dos alunos em suas aulas. O conhecimen- to das tecnologias educacionais por parte do professor é fator preponderante para o perfeito domínio e aplicação em suas exposições e na orientação dos discentes. Essa questão é primordial, pois de nada vai adiantar a escola disponibilizar os mais modernos recursos didáticos, se o profes- sor não tiver o devido domínio para ope- racionalizá-los e colocar em prática junta- mente com seus alunos (CASTRO, 2011). Para que uma instituição tenha êxito em sua administração pedagógica, no to- cante, a didática inovadora precisa estar amplamente equipada, não só de equipa- mentos e softwares didático-pedagógi- cos, sistemas multimídias; mas também de uma boa equipe multidisciplinar,cada um com pleno domínio de sua área de atu- ação. É a soma desses conhecimentos que garante a continuidade das ações educa- cionais da instituição. A sinergia que ema- na das competências intelectuais desse grupo é capaz de manter a instituição com um olho no presente e o outro no futuro. Conclui-se que, de fato, é preciso estar atento às mudanças, ao surgimento de novos modelos de administração, educa- ção, novas tecnologias, novas formas de ensinar e de aprender (CASTRO, 2011). A globalização da educação é real, pois o que acontece do outro lado do mundo, pode-se ter acesso aqui, em nossa casa, em nossa escola; em tempo real. As TIC – Tecnologias de Informação e Comuni- cação – estão aí, e sua evolução é algo contínuo, assustador e ininterrupto. Não se tem outra saída a não ser abraçar com carinho, cuidado e dedicação todas essas possibilidades, porque o tempo é rápido e sem retrocesso. Vejamos alguns multimeios: a) Hardware: É constituído por todos os equipamen- tos físicos do sistema: os computadores, as impressoras, no-breaks, componentes de rede, Datashow, e tantos outros que compõem o sistema das instituições. a.1) Equipamentos de projeção: re- troprojetor multimídia / Datashow A multimídia trouxe para o ambiente 22 23 educacional uma importante contribui- ção no que diz respeito à interação entre os alunos e o computador. Com efeitos di- versos como imagem, cor, animação, som e interatividade, o professor ganhou um grande aliado na conquista da atenção dos alunos, pois com todos esses efeitos sonoros e virtuais a aula ficou mais inte- ressante, dinâmica e lúdica. a.2) Lousa digital e acessórios: A lousa digital trata-se de um computa- dor de mesa, ou desktop PC padrão, com a lousa digital conectada como seu ‘mo- nitor’ (algumas opções diferenciadas, por fabricante, permitem a replicação de tela de notebooks). A lousa digital é, assim, uma grande tela, sensível ao toque (tec- nologia touchscreen), que permite que os alunos possam visualizar o mesmo conte- údo, havendo interação com o recurso de tela sensível ao toque, permitindo postar documentos na Internet, compartilhar arquivos na rede local ou enviar informa- ções por e-mail. a.3) Intranet Intranet é uma versão compacta da In- ternet. É um grupo de computadores in- terligados dentro de uma empresa. Muito do que é feito na Internet pode ser feito na Intranet: baixar arquivos de um compu- tador para outro; enviar comunicação ou mensagens por e-mail; compartilhar do- cumentos; fazer backup (cópia) de arqui- vos; acessar remotamente qualquer com- putador da rede, e tantas outras ações que se executa na Internet. B) Software Softwares são todos os programas uti- lizados em todos os tipos de máquinas que executam comandos agrupados em sequência lógica. O computador é um tipo de máquina que tem essa funcionalidade. b.1) Software de rede É um sistema de que tem como finali- dade integrar um conjunto de hardware para facilitar a comunicação entre seus componentes. Com os recursos das re- des de computadores, é possível o envio de comunicação interna dentro das insti- tuições; executar trabalho participativo, executado por um grupo de pessoas; den- tre outros. b.2) Programas multimídias Os programas multimídias são utiliza- dos para facilitar o processo educativo, principalmente das crianças, pois com os recursos da multimídia pode-se prender com mais facilidade a atenção das crian- ças, dos jovens e também das pessoas adultas. Isso porque a multimídia traz efeitos de som, cores, imagens em movi- mentos e interatividade (CASTRO, 2011). 5.3 Softwares educacionais Os softwares ditos educacionais são desenhados para facilitar o processo de ensino/aprendizagem. O segredo desses softwares é a utilização dos recursos de multimídias, pois, como já explicado, eles têm o poder de prender a atenção das pessoas, e principalmente das crianças. Facilitam o processo pedagógico porque a interação entre a máquina (computador) e o aluno é muito forte, fazendo com que o aluno pense que o computador está real- mente se comunicando com ele. Evidentemente que não dispensam o uso do professor, pelo contrário, exigem deste, que adicione ao seu perfil novas 22 23 exigências bem mais complexas tais como: saber lidar com ritmos individuais dos seus alunos; apropriar-se de técnicas novas de elaboração de material didático produzido por meios eletrônicos; trabalhar em ambientes virtuais dife- rentes daqueles do ensino tradicional da universidade; adquirir uma nova linguagem e saber manejar criativamente a oferta tecnológi- ca (JUCÁ, 2006). Consequentemente, os professores devem rever os valores e métodos do en- sino tradicional e passar a avaliar em que momentos do processo ensino-aprendi- zagem essas tecnologias podem ajudar, como também, os benefícios que podem proporcionar na construção do conheci- mento. Nesse sentido, Litwin (1997) des- taca a importância de entendermos as novas tecnologias digitais como sendo um produto sociocultural, ferramentas físicas e simbólicas que servem de mediadores na interação do homem com o meio, no sentido de compreendê-lo e transformá- -lo. Os softwares de apoio didático têm como objetivo auxiliar o professor em suas atividades docentes, e os princi- pais recursos disponíveis são: efetuar pesquisa em fontes diversas que possam contribuir com a disciplina; auxiliar o professor no planejamento das aulas; auxiliar o professor na elaboração e correção dos exercícios de fixação de aprendizagem; auxiliar o professor no gerenciamen- to de ambientes de suporte ao ensino; auxiliar o professor na organização, supervisão de aulas práticas e aulas em laboratório; auxiliar o professor e alunos na utili- zação e/ou desenvolvimento de softwa- res; fazer atendimento extraclasse. Quanto à Internet, lembramos que ela é uma grande rede de computadores inter- ligada através dos equipamentos e recur- sos disponibilizados pelos provedores. Ela é hoje o maior banco de dados de informa- ções, de todas as áreas do conhecimento (CASTRO, 2011). 5.4 A automação das biblio- tecas Para automatizar os serviços de uma biblioteca é necessário seguir al- guns passos: 1º. Diagnosticar a situação atual da bi- 24 25 blioteca. 2º. Identificar os produtos (software e hardware) e fornecedores. 3º. Aquisição do sistema (levando em conta que geralmente se paga 10% do valor da licença do software em manuten- ção). Na seleção da aquisição do Softwa- re é necessário levar em consideração os seguintes fatores: se possui módulo de aquisição – per- mite o gerenciamento do processo de aquisição; processamento técnico – quais as rotinas desenvolvidas pelo programa e que suportes (materiais, tipo livro, disco, disquete, folhetos, entre outros) informa- cionais poderão ser cadastrados; intercâmbio – permite a importação e exportação de dados; pesquisa – permite buscas em todos os campos e uso de operadores boleanos; circulação – permite empréstimo, devolução, reserva, renovação e uso de código de barras; controle de periódicos – permite o gerenciamento do processo de assinatura de periódicos, permite indexação (analíti- ca) dos artigos; relatórios – permite a visualização e impressão de relatórios administrativos; segurança – o sistema permite o controle através de senhas; se o software realiza o registro (tom- bamento da obra), pois se o software não cria um número de tombo é necessário fazer o tombamento à parte (FERREIRA; RIBEIRO, 2014). 5.5 Alguns softwares para bibliotecas São vários os softwares desenvolvidos especialmente para gerenciamento de uma biblioteca. Abaixo temos uma lista selecionada por Carmo e Ribeiro (2014). Vale a pena conferir detalhes e buscar pela melhor alternativa que atenda ao seu ambiente de trabalho. PERGAMUM – da Puc-Paraná – Na Bahia está na UNIFACS, FTC, UEFS, Faculdade da Cidade, UNEB, UESC e UFBa. PHL – Utilizado pelo Centro de Cultura da cidade deAraci – Ba. E pela Faculdade teológica – Feira – www.elysio.com.br. Biblioteca fácil – utilizado pela biblio- teca municipal da cidade de ARACI – Ba. – www.mtg.com.br. SAGRES – Sistema da empresa Tecno- trends. Foi adotado pela UHNIANA. VTLS – Sistema da FGV. ALEPH – Sistema da empresa AxLibris. TESAURUS – Sistema da Via Apia. MICROISIS – Sistema do IBICT. SYSBIBLI – Sistema da Comtempory. SOPHIA – www.sophia.com.br. ARCHES LIB – criado em 1995 (veja de- talhes em http://www.prajna.com.br/ar- cheslib.php). CONTROL – Porto Alegre. BIBLIOTECA ARGONAUTA – Rio de Ja- neiro. 24 25 SIABI – Natal, RN. Biblioteca Livre - usmiranda@hotmail. com (É GRATUITO) – qualquer analista pode instalar, é fácil de usar (CARMO; RI- BEIRO, 2014). 5.6 A ativação da biblioteca A biblioteca escolar é geralmente a pri- meira e única biblioteca conhecida pela maioria das crianças das classes popula- res. Levando em consideração este fato, a biblioteca escolar precisa ser ativada a fim de que possa atrair, além dos professores, os pais, os alunos, enfim, toda a comuni- dade à qual a Escola está vinculada. Ativar a biblioteca escolar significa tor- ná-la um local ativo, dinâmico e ao mesmo tempo acolhedor a todas as propostas que visem o crescente entrosamento usuário- -biblioteca. Ler poemas, para despertar emoções e sentidos. Realizar exposições, entrevistas. Promover a leitura de textos teatrais. Oferecer atividades em diversos campos da arte, como a mímica, a drama- tização, a pintura. Eis algumas das ações da biblioteca escolar que podem e devem empreender no recinto da biblioteca ou fora dela, mas sempre em consonância com o currículo e coadjuvando o trabalho do corpo docente. O que se pretende, com tal comporta- mento profissional, é fazer com que a bi- blioteca escolar seja o agente de transfor- mação do ensino, à medida que provoque mudanças pedagógicas na escola. A biblioteca escolar é uma extensão do aprendizado em sala de aula. Dessa for- ma, o professor em parceria com a biblio- teca poderá oferecer atividades e traba- lhos que possam desenvolver o hábito e o gosto de frequentar a biblioteca. Nosso calendário escolar com tantas datas comemorativas, com certeza é um dos grandes aliados neste trabalho. Como qualquer outro equipamento es- colar, a biblioteca deve atuar em conexão com o plano pedagógico da escola. Para isso, é imprescindível contar com a parti- cipação dos professores, mas também fa- zer da biblioteca um recurso que apoie o trabalho dos professores. 26 27 Os professores podem colaborar de diversas maneiras: fazendo sugestões para a aquisição de obras; propondo aos alunos questões que estimulem e orientem a pesquisa; sugerindo leituras diversas a seus alunos; apresentando-lhes livros ou, pelo menos, acompanhando-os à biblioteca; e, apoiando o responsável na orienta- ção quanto à utilização do acervo. A biblioteca pode apoiar o trabalho do professor, mantendo no acervo certos títulos essenciais ao enriquecimento de suas aulas e informando-o a respeito da existência dessas obras; apresentando- -lhes sugestões de textos que interessem a sua área de conhecimento; organizando o material para pesquisas solicitadas aos alunos; oferecendo aos alunos acesso a obras indicadas pelo professor, seja atra- vés de volumes existentes na biblioteca escolar ou pela orientação quanto a ou- tras fontes disponíveis na cidade. Para conquistar leitores, nem sempre bastará oferecer acesso aos livros. Sem alguma estimulação, sem uma apresen- tação à biblioteca, será difícil que o aluno venha a frequentá-la ou interessar-se por ela (OLIVEIRA et al., 2005). 5.7 A pesquisa escolar e a pesquisa na Internet Pesquisa significa procurar; buscar com cuidado; procurar por toda parte; infor- mar-se; inquirir; perguntar; indagar bem; aprofundar a busca. Portanto, a palavra pesquisa não tem nada a ver com traba- lhos superficiais, feitos só para “dar nota”. A pesquisa faz parte do nosso cotidia- no. Quando você, pensando em alugar uma casa, abre a página de classificados do jornal e sai marcando os anúncios que lhe interessam, está fazendo uma pesqui- sa. Quando quer comprar uma televisão e sai pelo comércio anotando tamanho, mo- delo, marca e preço, para depois comparar e decidir, está fazendo pesquisa. Quando você quer dar um presente de aniversário a uma amiga e telefona para a mãe dela perguntando o que poderia agradá-la, está fazendo pesquisa. É mesmo difícil imaginar qualquer ação humana que não seja precedida por algum tipo de investigação. A simples consulta ao relógio para ver que horas são, ou a es- piada para fora da janela para observar o tempo que está fazendo, ou a batidinha na porta do banheiro para saber se tem gente dentro, entre outros. Todos esses gestos são rudimentos de pesquisa. O que fora citado anteriormente são exemplos de pesquisa, mas a pesquisa que nos interessa é a pesquisa científica, isto é: a investigação feita com o objetivo expresso de obter conhecimento especí- fico e estruturado sobre um assunto pre- ciso. A pesquisa é, simplesmente, o funda- mento de toda e qualquer Ciência digna deste nome. Sem pesquisa não há Ciência, muito menos tecnologia. Todas as gran- des empresas do mundo de hoje possuem departamentos chamados “Pesquisa e Desenvolvimento” (P&D). Em resumo, podemos dizer que a 26 27 pesquisa está presente: no dia a dia, nas ações mais corriquei- ras; no desenvolvimento da Ciência; no avanço tecnológico; no progresso intelectual de um indi- víduo. É desejável que uma pesquisa pre- encha os seguintes requisitos: a existência de uma pergunta que se deseja responder; a elaboração de um conjunto de pas- sos que permitam chegar à resposta; a indicação do grau de confiabilidade na resposta obtida. O planejamento de uma pesquisa dependerá basicamente de três fases: 1º. Fase decisória: referente à esco- lha do tema, à definição e à delimitação do problema de pesquisa. 2º. Fase construtiva: referente à construção de um plano de pesquisa e à execução da pesquisa propriamente dita. 3º. Fase redacional: referente à aná- lise dos dados e informações obtidas na fase construtiva. É a organização das ideias de forma sistematizada visando à elaboração do relatório final. A apresen- tação do relatório de pesquisa deverá obedecer às normas da metodologia cien- tífica, levando-se em consideração a faixa etária do aluno. É preciso reconhecer que a pesquisa escolar é um processo complexo, que exi- ge do aluno habilidades que precisam es- tar previamente desenvolvidas para que ocorra em toda sua riqueza. O estudante deve ter familiaridade com a Biblioteca, com a localização dos materiais ali reuni- dos e com os meios existentes para se re- cuperar informação: catálogos, Internet, entre outros. Precisa saber escolher e consultar di- ferentes fontes de informação e, mais do que isto, precisa ser capaz de localizar e interpretar essa informação, usando mais de uma fonte, dominando técnicas de es- quematizar e resumir. Se o professor exige um trabalho es- crito, o aluno tem que estar familiarizado com os modos de organizar e apresentar a informação, tais como, estrutura do tra- balho, citação, normalização das referên- cias bibliográficas, entre outros. Se for exigida a apresentação oral, é necessário que ele esteja preparado para elaborar recursos audiovisuais e para falar em pú- 28 29 blico. Dessa maneira, desenvolvem-se co- nhecimentos, habilidades e atitudes que vão além do tema do trabalho. É fundamental que o aluno, o profes- sor e o bibliotecário compreendam que a concretização efetiva da pesquisa escolar ocorre por etapas e não em um bloco úni- co, e que a riqueza do processo se traduz na modificação da forma de pensar do es- tudante. Programas de desenvolvimento de habilidades informacionais deverão iniciar-se cedo na vida da criança. E o pri- meiro passo é criar atitudes positivas com relação ao uso da biblioteca e da informa-ção. Só assim a pesquisa escolar terá senti- do e a escola estará formando um aluno com perfil de pesquisador: criativo e au- tônomo na busca do conhecimento. O produto final: uma pesquisa pode ter como produto final um belo cartaz, um quadro, um painel, um mural, uma maque- te. Que tal organizar uma exposição, ou manter uma exposição permanente dos produtos das pesquisas científicas / ativi- dades artísticas dos alunos da escola? E a Internet? Embora seja uma excelente fonte de informação para a pesquisa escolar, não modificou a situação: os alunos continu- am copiando trechos dos textos que en- contram na rede. Muitos copiam, colam, recortam e colam a informação e outros chegam a copiar páginas inteiras e entre- gá-las ao professor. A maioria destes alu- nos não se preocupa com a veracidade da informação copiada ou com a legitimidade do site de onde copiou tal informação, e nem fazem sua leitura. O fascínio que a rede desperta nas crianças e adolescentes precisa ser en- tendido pela escola e seu potencial como fonte de informação não pode ser des- prezado pelos educadores. É preciso pla- nejar urgentemente ações pedagógicas adequadas para o uso da rede (OLIVEIRA et al., 2005). Chegamos ao século XXI, quase em sua maioridade! No ambiente informacional desse sé- culo, veremos cada vez mais a incorpo- ração de materiais, produtos e serviços eletrônicos, digitais e virtuais às biblio- tecas tradicionais e já podemos falar em um novo tipo de biblioteca: a BIBLIOTECA UNIVERSAL, que tem como característica principal a junção de todos os tipos de su- portes dentro da sociedade na recupera- ção da informação. Assim, a mesma ficará fortalecida dentro da sociedade, dispon- do informações em todos os campos do conhecimento em suportes reais e virtu- ais, onde quer que ela esteja para todos os cidadãos do país. Com a biblioteca digital, a busca da in- formação e a comunicação interpessoal acontecem na própria casa, escritório, de- partamento e/ou em qualquer que seja o local de acesso à informação para a con- veniência do próprio usuário. O correio eletrônico já nos facilita a sedimentação do “colégio invisível”, tão importante para a intercomunicação e intercâmbio de pes- quisadores. Não, o papel não acabará! Ele estará co- nosco por muitas décadas em virtude dos 100 anos de seu desenvolvimento tecno- lógico e pelas facilidades de uso manual e da visão, tanto para ler o livro, como para 28 29 escrevê-lo. Uma reflexão importante para conciliar de vez as opiniões contraditórias neste período de transição é que a existência de novas tecnologias não significa que de- vam ser abolidas as anteriores. É um erro pensar que o boletim ou revista eletrônica possam substituir os periódicos impres- sos. Veja-se, por exemplo, que a televi- são não tomou lugar do cinema e do rádio, nem os discos e CD’s dos concertos; cor, som e animações obtidos em uma multi- mídia podem colaborar com a produção de um livro sobre Picasso ou vida selvagem, aumentando a lista de associações; por- tanto, não competindo com a versão tra- dicional, mas complementando-a. Livros e produções computadorizadas coexistirão por muitos anos. Bibliotecas continuarão a acrescentar novos proces- sos tecnológicos, sem, entretanto substi- tuí-los completamente pelos existentes. O futuro é ainda incerto, mas supõe-se que as bibliotecas possam ser parecidas a uma bagagem cheia de diferentes pro- dutos, porções de materiais impressos compartilhando com artefatos digitais. Na verdade, a primeira geração de itens digitais nada mais é do que reprodução di- gitalizada de objetos físicos (OLIVEIRA et al., 2005). 30 3130 O cargo específico de um profissional quando se executa atividades em uma biblioteca é denominado “Bibliotecário” e o preenchimento deste cargo é feito por pessoa especializada com o título de Ba- charel em Biblioteconomia e Documenta- ção (OLIVEIRA et al., 2005). O bibliotecário é o profissional da infor- mação que cuida de toda a logística que envolve o planejamento, a organização e a implantação de bibliotecas, centros de documentação e informação, sistemas de informação e acervos multimídia, e ainda da análise e processamento técnico de documentos variados. A missão do bibliotecário é encontrar, analisar, facilitar o acesso à informação, ensinar e auxiliar o usuário a conseguir a informação desejada. Já o Auxiliar de Biblioteca é todo pro- fissional que executa atividades de nível médio relativas à execução de trabalhos de rotina de uma biblioteca, centro de documentação e/ou em setor similar. É a pessoa que participa ativamente da vida da biblioteca, trabalhando em seus vários setores, realizando diferentes tarefas, responsabilizando-se pela transmissão aos usuários das informações coletadas pelo bibliotecário. O cargo de Auxiliar de Biblioteca, embo- ra seja responsável por atividades impor- tantes para o funcionamento da Bibliote- ca, não requer formação de nível superior, ficando, no entanto, o seu ocupante sob a supervisão do Bibliotecário. Ambos devem trabalhar de forma har- moniosa para que as atividades sob a sua responsabilidade sejam realizadas de acordo com as expectativas da organiza- ção em geral e, particularmente, dos usu- ários da Biblioteca. 6.1 Função e atribuições As atividades típicas atribuídas ao Auxiliar de Biblioteca são: serviços auxiliares de aquisição; serviços auxiliares de processamen- to técnico; serviços auxiliares de preparação e conservação do material bibliográfico e não bibliográfico; conservação do material bibliográfi- co e não bibliográfico; serviços auxiliares de atendimento ao público; outras tarefas – manter arquivo e ca- dastro, operar equipamentos audiovisu- ais e reprográficos, serviços de digitação, datilografia e outros. No entanto, são vedadas ao técnico em Biblioteconomia funções previstas especificamente para o bibliotecário, tais como: exercer atividade de forma autôno- ma; chefiar bibliotecas, centros de docu- mentação e/ou informação ou similares e setores de processamento técnico e de referência; executar qualquer tarefa de nature- UNIDADE 6 - Bibliotecários e Técnicos 30 3131 za técnica que seja privativa do Bacharel em Biblioteconomia; ministrar cursos de capacitação de recursos humanos para atuar em bibliote- cas. Entretanto, isto não diminui sua res- ponsabilidade profissional para que a mis- são da biblioteca possa ser cumprida tor- nando-se organismo de real valor para a comunidade a que serve e para melhoria das condições de vida da sociedade que integra (OLIVEIRA et al., 2005). 6.2 As diversas interações que devem ocorrer na bi- blioteca A biblioteca escolar não está isolada, ou seja, ela não é independente, sua atu- ação é reflexo das diretrizes de uma insti- tuição, a escola (ALONSO, 2005). A biblioteca escolar terá estreita liga- ção com a concepção educacional da insti- tuição educacional da qual ela é integran- te e, portanto, supõe-se que a biblioteca deve estar integrada ao planejamento e ao projeto pedagógico da escola, para que ela possa vir a cumprir as suas funções (SILVA, 1997). Para Amato e Garcia (1989 p. 9-23) “a biblioteca, inserida no processo educa- tivo, deverá servir de suporte a progra- mas educacionais, integrando-se à escola como parte dinamizadora de toda ação educacional”. Essas afirmativas estão de acordo com os objetivos gerais para o ensino funda- mental indicados nos Parâmetros Curricu- lares Nacionais. Ao longo dos 10 volumes dos Parâme- tros Curriculares Nacionais, a biblioteca escolar aparece de muitas maneiras. É citada como a primeira das condições favoráveis para a formação de bons leito- res, conjuntamente com as atividades de leitura e acervo (BRASIL, PCN v.2 p.58). Entretanto, ainda são poucas as es- colas (principalmente na rede pública de ensino) que possuem um espaço espe- cialmente reservado e preparado para o funcionamento de uma biblioteca. Se houvesse uma prática dos professores