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carapaça, se presente, cobre a maior parte do cefalotórax ou todo ele; nos decápodes, como os lagostins, todos os segmentos cefálicos e torácicos estão encobertos dorsalmente pela carapaça. Cada segmento não coberto pela carapaça apresenta uma placa dorsal cuticular, ou tergito (Figura 20.3A), e duas placas de cobertura laterais chamadas pleuritos que formam o pleuron. Uma placa ventral transversal, o esternito, situa-se entre os apêndices de cada segmento (Figura 20.3B). O abdome termina em um télson, no qual se localiza o ânus. A posição dos gonóporos varia de acordo com o sexo e o grupo de crustáceos. Eles podem estar sobre ou no basipodito de um par de apêndices, na extremidade terminal do corpo ou em segmentos ápodes. Nos lagostins, por exemplo, as aberturas dos vasos deferentes estão na porção mediana dos basipoditos do quinto par de apêndices ambulacrais, e as dos oviductos, nos basipoditos do terceiro par de pereópodes. Uma abertura para o receptáculo seminal nas fêmeas está, em geral, localizada na linha mediana ventral, entre o quarto e o quinto par de patas ambulacrais. Apêndices. Os membros das classes Malacostraca (p. ex., os lagostins) e Remipedia apresentam, tipicamente, um par de apêndices articulados em cada segmento (Figura 20.3B), embora os segmentos abdominais nas outras classes não apresentem apêndices. A especialização considerável ocorre com uma condição derivada em alguns crustáceos, como os lagostins. O plano birreme básico é ilustrado pelo apêndice de um lagostim, como o maxilípede, uma pata torácica modificada em apêndice alimentar (Figura 20.4). A porção basal, ou protópode, tem um exópode lateral e um endópode medial. O protópode é constituído de duas partes (basípode e coxópode), enquanto o exópode e o endópode ostentam de um a vários artículos cada um. Ocorrem variações do plano básico (Figura 20.5). Alguns apêndices, como as patas ambulacrais dos lagostins, tornaram- se unirremes secundariamente. Os processos laterais ou mediais, enditos e exitos, respectivamente, ocorrem algumas vezes nos apêndices dos crustáceos. Um exito sobre o protópode é denominado epípode, frequentemente modificado como brânquia. O Quadro 20.1 mostra como vários apêndices sofreram modificações do plano birreme ancestral presumido e desempenham, atualmente, função diferente. Figura 20.3 Morfologia externa dos lagostins. A. Vista dorsal. B. Vista ventral. Figura 20.4 Partes de um apêndice birreme de um crustáceo (terceiro maxilípede de um lagostim). Os dois ramos do apêndice são o exopodito e o endopodito; ambos articulam-se ao protópode. A terminologia aplicada por vários pesquisadores aos apêndices dos crustáceos não é uniforme. Pelo menos dois sistemas são de uso amplo. Os termos alternativos àqueles que temos usado, por exemplo, são protopodito, endopodito, exopodito, basipodito, coxipodito e epipodito. O primeiro e o segundo pares de antenas podem ser denominados antênulas e antena, e o primeiro e segundo pares de maxilas são frequentemente chamados maxílulas e maxilas. Uma rosa por qualquer outro nome… Estruturas com um plano básico similar e descendentes de uma forma ancestral comum são ditas homólogas, tenham ou não a mesma função. Desde que os apêndices ambulacrais especializados, peças bucais, quelípodes e pleópodes desenvolveram-se de um tipo birreme comum, mas modificaram-se para realizar funções diferentes, são considerados homólogos entre si – condição conhecida como homologia seriada. Primitivamente, todos os apêndices eram muito similares, mas, durante a evolução, por modificações estruturais, alguns ramos foram sendo reduzidos, outros perdidos, alguns muito alterados e novas partes foram adicionadas. Os lagostins e seus parentes apresentam a homologia seriada mais elaborada no Reino Animal, possuindo 17 tipos distintos de apêndices em homologia seriada (Quadro 20.1). Compare, por exemplo, o tamanho da quela do quelípode à pequenina garra (quela) da segunda pata ambulacral na Figura 20.5. Características internas O sistema muscular e o nervoso no tórax e no abdome mostram, claramente, segmentação, mas há modificações notáveis em outros sistemas. A maioria das mudanças envolve concentração de partes em uma região particular, ou ainda redução, ou completa perda de partes. Hemocele. O principal espaço corporal nos artrópodes não é um celoma, mas uma blastocele persistente que se torna uma hemocele preenchida por sangue (ver Capítulos 18 e 31). Os únicos compartimentos celomáticos remanescentes nos crustáceos são as bolsas terminais dos órgãos excretores e o espaço ao redor das gônadas. Quadro 20.1 Apêndices dos lagostins. Apêndice Protópode Endópode Exópode Função(ões) Primeira antena (antênula) 3 segmentos, estatócito na Filamento multiarticulado Filamento multiarticulado Tato, paladar, equilíbrio base Segunda antena (antena) 2 segmentos, poro excretor na base Filamento longo multiarticulado Lâmina delgada afilada Tato, paladar Mandíbula 2 segmentos, mandíbula forte e base do palpo 2 segmentos distais do palpo Ausente Triturar alimento Primeira maxila (maxílula) 2 segmentos com dois enditos delgados Lamela pequena não articulada Ausente Manipular alimento Segunda maxila (maxila) 2 segmentos com dois enditos e um escafognatito (epípode) 1 segmento pequeno afilado Parte do escafognatito (leque) Dirigir correntes de água para as brânquias Primeiro maxilípede 2 placas mediais e epípode 2 segmentos pequenos 1 segmento basal mais filamento multiarticulado Tato, paladar, manipular alimento Segundo maxilípede 2 segmentos mais brânquia (epípode) 5 segmentos pequenos 2 segmentos delgados Tato, paladar, manipular alimento Terceiro maxilípede 2 segmentos mais brânquia (epípode) 5 segmentos maiores 2 segmentos delgados Tato, paladar, manipular alimento Primeira pata ambulacral (quelípode) 2 segmentos mais brânquia (epípode) 5 segmentos com uma quela forte Ausente Defesa e ataque Segunda pata ambulacral 2 segmentos mais brânquia (epípode) 5 segmentos com uma quela pequena Ausente Ambulacral e preênsil Terceira pata ambulacral 2 segmentos mais brânquia (epípode); poro genital na fêmea 5 segmentos com uma quela pequena Ausente Ambulacral e preênsil Quarta pata ambulacral 2 segmentos mais brânquia (epípode) 5 segmentos, sem quela Ausente Ambulacral Quinta pata ambulacral 2 segmentos; poro genital no macho; sem brânquia 5 segmentos, sem quela Ausente Ambulacral Primeira pleópode Reduzida na fêmea ou ausente; no macho fundida com o endópode para formar um tubo No macho, transferir esperma para a fêmea Segunda pleópode Machos Estrutura modificada para transferência do esperma para a fêmea Estrutura modificada para transferência de esperma para a fêmea Fêmeas 2 segmentos Filamento articulado Filamento articulado Criar correntes de água; transportar ovos e jovens Terceiro, quarto e quinto pleópodes 2 segmentos pequenos Filamento articulado Filamento articulado Criar correntes de água; nas fêmeas carregar ovos e jovens Urópode 1 segmento pequeno e largo Placa oval achatada Placa oval achatada; dividida em 2 partes com carena Natatória; proteção dos ovos nas fêmeas Figura 20.5 Apêndices de um lagostim mostrando suas variações a partir do plano birreme básico, como encontradas em um pleópode. Protópode: marrom; endópode: azul; exópode: amarelo. Sistema muscular. Os músculos estriados perfazem uma parte considerável do corpo da maioria dos Crustacea. Os músculos são arranjados, em geral, em grupos antagônicos: os flexores, que trazem uma porção em direção ao corpo, e os extensores, os quais a movem para a direção oposta. O abdome de um lagostim tem flexores poderosos (Figura 20.6), usados quando o animal nada para trás, em uma explosão de velocidade, para escapar de predadores. Sistema respiratório. A troca de gases respiratórios nos crustáceos pequenos ocorre nas áreas mais finas da cutícula (p. ex., nos apêndices) ou em toda a superfície do corpo, e as estruturas especializadas para trocas gasosaspodem estar ausentes. Os crustáceos maiores têm brânquias, que são delicadas, similares a plumas, com cutícula muito fina (ver Capítulo 31). As laterais da carapaça dos decápodes envolvem a cavidade branquial, que é aberta anterior e ventralmente (Figura 20.7). As brânquias podem se projetar da parede pleural, da articulação dos apêndices torácicos com o corpo ou das coxas torácicas para a cavidade branquial. As duas últimas posições são típicas dos lagostins. A “lâmina”, uma parte da segunda maxila, bombeia água sobre os filamentos branquiais, para dentro da cavidade branquial na base das patas, e para fora, na porção anterior da cavidade branquial. Figura 20.6 Estrutura interna de um lagostim macho. Figura 20.7 Diagrama de uma seção transversal da região do coração de um lagostim que mostra a direção do fluxo sanguíneo nesse sistema circulatório “aberto”. O coração bombeia o sangue para os tecidos através de artérias, conduzindo-o aos seios. O sangue retorna até o seio esternal, vai para as brânquias, efetua trocas substituir com vantagens o ―escargot‖ (molusco utilizado como alimento). a) A qual doença os caramujos Biomphalaria estão relacionados? Qual o papel dos caramujos no ciclo desta doença? Em que ambiente ocorre a contaminação dos humanos? b) Acathina fulica está aumentando rapidamente e está destruindo a vegetação de algumas regiões. Dê uma explicação possível, do ponto de vista ecológico, para esta proliferação. 53) (Unifesp-2003) Considere o ciclo de vida e as características de uma tênia ou solitária (Taenia solium) e de uma lombriga (Ascaris lumbricoides), e assinale a alternativa correta. a) Como a tênia não possui trato digestório, sua cutícula é delgada, para permitir a passagem de água e de nutrientes. b) O controle da ascaridíase deve ser feito pela eliminação do hospedeiro intermediário e o da teníase, pela eliminação dos ovos com a ingestão de substâncias que acidifiquem o meio, pois esses ovos são destruídos por ácidos. c) Tanto os indivíduos adultos de lombriga quanto os de tênia têm baixa resistência a pHs alcalinos, por isso, uma forma de tratamento para ambas as doenças é a ingestão de remédios que tornem mais básico o pH do meio. d) Pela forma como se alimenta, a pressão osmótica interna de uma tênia deve ser mais baixa que a do meio que a circunda, ao passo que, numa lombriga, a presença da boca permite a tomada direta de alimentos. e) Tênias e lombrigas fazem respiração aeróbica e anaeróbica; porém, predomina a respiração aeróbica pela alta concentração de oxigênio do meio em que se encontram. 54) (UEL-2003) A respiração e a circulação nos insetos sustentam a alta demanda metabólica desses animais durante o vôo. Além disso, a respiração traqueal é uma importante adaptação dos insetos para a vida terrestre. Sobre as relações fisiológicas entre os processos respiratório e circulatório nos insetos, é correto afirmar: a) O sistema circulatório aberto contém hemocianina, pigmento respiratório que facilita o transporte de oxigênio do sistema traqueal para os tecidos. b) O sistema traqueal conduz oxigênio diretamente para os tecidos e o dióxido de carbono em direção oposta, o que torna a respiração independente de um sistema circulatório. c) O sistema circulatório fechado contém hemoglobina e é fundamental para o transporte de oxigênio do sistema traqueal para os tecidos. d) O sistema traqueal conduz oxigênio da hemolinfa para os tecidos, o que torna a respiração dependente de um sistema circulatório. e) O sistema circulatório aberto, apesar de não conter pigmentos respiratórios, é fundamental para o transporte de oxigênio do sistema traqueal para os tecidos. 55) (UFSC-2003) As curvas abaixo ilustram a diferença de crescimento entre os animais. Com base na figura e no assunto crescimento em animais, é CORRETO afirmar que: 01. as curvas A e B representam, respectivamente, tipos de crescimento descontínuo e contínuo. 02. a curva A pode representar o crescimento de um vertebrado. 04. a curva B pode representar o crescimento de um artrópode. 08. os intervalos assinalados pelas letras C e D representam momentos de crescimento nulo. 16. em C e D, os animais poderiam estar sofrendo muda. 32. os animais, cujos crescimentos são representados pela curva A, apresentam exoesqueleto. 56) (Fuvest-2004) Considere os seguintes grupos de animais: I. Animais aquáticos fixos, com poros na superfície do corpo e que englobam partículas de alimento da água que circula através de sua cavidade interior. II. Animais parasitas que se alojam no intestino de vertebrados e que se alimentam de substâncias geradas pela digestão realizada pelo hospedeiro. III. Animais aquáticos, de corpo mole, revestidos por concha calcária e que se alimentam de organismos do plâncton. Esses animais obtêm nutrientes orgânicos, como aminoácidos e monossacarídeos, por: Grupo I Grupo II Grupo III a) Digestão intracelular Assimilação direta, sem realizar digestão Digestão extracelular b) Digestão intracelular Digestão intracelular Digestão extracelular c) Assimilação direta, sem realizar digestão Digestão intracelular Digestão extracelular d) Assimilação direta, sem realizar digestão Assimilação direta, sem realizar digestão Digestão intracelular e) Digestão extracelular Digestão extracelular Assimilação direta, sem realizar digestão 57) (UFPB-2006) Observe a foto e leia o texto, a seguir, atentando para os nomes vulgares dos organismos citados e destacados em negrito. O momento registrado pela foto pode ser visto por quem passeia pelas praias pessoenses de Cabo Branco, Tambaú ou Manaíra, durante as marés baixas. Ali se pode observar pescadores artesanais que usam longas redes de arrasto, para retirarem do mar o seu sustento e fontes de proteína para várias famílias. Se alguém se aproximar das redes, enquanto os pescadores selecionam, entre as algas, os organismos de seu interesse, verá que eles obtêm, principalmente, peixes e camarões. Com freqüência, também arrastam siris, águas-vivas e pequenas lulas. Numa breve conversa com eles, é possível se aprender muito sobre o mar e sobre o trabalho e a vida desses pescadores. Registre-se que, há alguns anos, era possível encontrar tatuís (pequenos crustáceos) e anfioxos nessas praias, eliminados em conseqüência do pisoteamento da areia pelas pessoas. Os organismos destacados em negrito correspondem, respectivamente, às seguintes categorias e nomes dos táxons: a) Filo Vertebrata / Filo Crustacea / Subclasse Mollusca / Subfilo Chordata b) Subfilo Chordata / Filo Cnidaria / Subclasse Gastropoda / Subfilo Chordata c) Subfilo Chordata / Filo Plathyhelminthes / Subclasse Cephalopoda / Subfilo Urochordata d) Subfilo Vertebrata / Filo Cnidaria / Subclasse Cephalopoda / Subfilo Cephalochordata e) Subfilo Pisces / Filo Porifera / Subclasse Mollusca / Subfilo Cephalochordata 58) (PUC - SP-2006) O animal A é hermafrodita e tem respiração cutânea, enquanto o animal B é dióico (tem sexos separados) e excreção por túbulos de Malpighi; já o animal C apresenta simetria pentarradial e sistema ambulacral. Os animais A, B e C podem ser, respectivamente, a) minhoca, gafanhoto e estrela-do-mar. b) minhoca, planária e estrela-do-mar. c) barata, planária e ouriço-do-mar. d) barata, gafanhoto e hidra. e) gafanhoto, barata e hidra. 59) (UFMG-2006) Analise este esquema de parte de uma árvore evolutiva de invertebrados, em que I, II, III e IV representam grupos de organismos com as características destacadas nos quadros a que cada um deles se relaciona: Considerando as informações desse esquema e outros conhecimentos sobre o assunto, assinale a alternativa em que o animal mostrado NÃO representa o grupo indicado. a) b)c) d)